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Numero do processo: 10805.908230/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 30 /2 01 1- 78 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.231, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.231, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 via ARECF de efls. 97 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 99 a 182), conforme protocolo de efl. 99, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10805.908230/201178 Acórdão n.º 1401002.260 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720934/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado sobrestar o julgamento do recurso na Unidade de Origem até 29/12/2018, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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SOBRESTAMENTO Recorrente KOMLOG IMPORTACAO LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolvem os membros do colegiado sobrestar o julgamento do recurso na Unidade de Origem até 29/12/2018, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 93 4/ 20 14 -8 1 Fl. 4238DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 4.239 ___________ Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário de 2010 e 2011, acrescidos de juros e multa de 75%, em virtude da exclusão do valor do crédito presumido do ICMS na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, feita com fundamento no benefício fiscal do Programa próEmprego/SC. O Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 660/676) relatou os fatos ocorridos e que deram origem ao presente lançamento. Eis parte deste relato, com grifos nossos: No período abrangido pela investigação fiscal a empresa em pauta foi beneficiária de tratamento tributário diferenciado positivado no âmbito da Legislação tributária do Estado de Santa Catarina, na forma que evidenciam os documentos acostados às fls. 114 a 135. O aludido tratamento diferenciado consiste em beneficio fiscal, consubstanciado em crédito presumido de ICMS nas saídas de mercadorias importadas do exterior do país, para comercialização. Em nível de escrita comercial, no anocalendário de 2010, os benefícios fiscais encontramse registrados a crédito da rubrica de resultado intitulada "31201001 () ICMS S/VENDAS", de natureza devedora. Já no anocalendário de 2011 os fatos desta natureza estão representados na conta de receita intitulada "31201007 (+) BENEFÍCIO FISCAL ICMS" (fls. 280 a 287). Na forma dos quadros demonstrativos elaborados na resposta aos itens 3 e 4 da Intimação Fiscal n° 02, constantes às fis. 26, no ano de 2010 auferiu crédito presumido de R$ 35.082.558,24, enquanto que no ano de 2011 o montante de R$ 39.888.138,91. Afora os registros nas citadas contas, ainda na seara da representação dos fatos advindos do benefício fiscal na escrita comercial, realizou lançamentos a crédito na conta patrimonial intitulada "23104001 RESERVA DE LUCROS POR INCENTIVO FISCAL" (fls. 277 a 279), no valor de R$ 34.950.671,34, em 31/12/2010, e no valor de R$ 22.727.263,29, em 30/12/2011. Os aludidos valores, registrados como reserva de lucros, ensejaram ajuste de exclusão na determinação do resultado fiscal, a título de subvenção para investimento, com fundamento no artigo 18 da Lei n° 11.941/2009, consoante informação prestada na esteira do subitem 2.3 da Intimação Fiscal n° 01 (fis. 16 a 20), bem como dos itens 3 e 4 da Intimação Fiscal n° 02 (fis. 24 a 29). Em sede dos procedimentos e verificações que a matéria suscitou, já pelo item 4 do ato inaugural foram demandados, dentre outros assentos, os documentos de lastro dos lançamentos consignados sob a aludida conta de reserva de lucro. A resposta que adveio não foi satisfatória, notadamente porque aspectos essenciais dos lançamentos não foram elucidados, a exemplo da valoração dos fatos registrados. Fl. 4239DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.240 3 Diante desse quadro, precisamente pelo subitem 2.2 da Intimação Fiscal n° 01, reiterouse a apresentação dos documentos de lastro de cada lançamento consignado na rubrica contábil em pauta. Não obstante, esta singela solicitação, no que concerne aos documentos de lastro dos lançamentos registrados sob a rubrica de reserva de lucro, mais uma vez não logrou ser atendida. Assim, e desta feita pelo item 3 da Intimação Fiscal n° 02, tornouse a requisitar os assentos outrora solicitados. Em atendimento adveio resposta nos seguintes termos: "Os lançamentos foram efetuados com base no art 18 da Lei n° 11.941/2009. Segue resumo de cálculo dos anos de 2010 e 2011. Nos aludidos resumos cingiuse a indicar, por anocalendário, o lucro líquido apurado, o total do crédito presumido auferido, a exclusão registrada no resultado fiscal, o montante registrado como reserva de incentivo e o lucro que intitula como de destinação diversa à reserva de incentivo. Sob esse delineamento não se observa à efetiva e específica aplicação da subvenção auferida em investimentos. Ademais, nem o invocado Protocolo de Intenções firmado com o Estado de Santa Catarina (fls. 267 a 276), como também não as imobilizadas escrituradas, evidenciadas nos balanços acostados às fls. 288 a 333, denotam a implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada. Destarte, o incentivo fiscal em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento expresso na legislação tributária federal. (...) Das normas colacionadas inferese que, para ser considerada subvenção para investimento, além dos requisitos contábeis, o incentivo deve ser proveniente exclusivamente do Poder Público, sob perfeita sincronia entre a intenção do agente concedente com a ação do beneficiário. Deverá, ainda, ser dirigida diretamente à pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, além de ter efetiva e específica aplicação nos investimentos previstos ou na expansão do empreendimento projetado. Estes requisitos não se observam na legislação que concede o incentivo, considerando que não há a obrigação expressa da total aplicação dos recursos provenientes da subvenção em específicos projetos aprovados, o que não impede a utilização dos respectivos recursos como formação de capital de giro, por exemplo. Destarte, o tratamento tributário diferenciado em pauta não se amolda ao conceito de subvenção para investimento, cenário em que o tratamento dispensado pelo sujeito passivo aos benefícios fiscais na berlinda no âmbito da mensuração do IRPJ, excluindo parte dos mesmos na determinação do resultado fiscal, não se conforma o disposto na legislação tributária de regência do imposto. (...) Referido Termo menciona, ainda, que a auditoriafiscal levada a cabo no contribuinte em questão resultou na formalização de dois processos: o presente, n° Fl. 4240DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.241 4 11516.720934/201481, para cobrança de IRPJ e CSLL, bem como o processo n° 11516.720935/201426 para a cobrança de PIS e COFINS. Quanto ao processo relativo a PIS e COFINS, em 24 de fevereiro de 2016 a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção decidiu que o crédito presumido do ICMS não pode se qualificar como "receita", tratandose de mera redução no montante do ICMS a pagar. Isso porque partiuse da premissa de que "receita" é conceito qualificado pela sua origem, decorrente de atividade empresarial, não podendo ser considerado qualquer ingresso como tal. Houve interposição de recurso especial, ainda não julgado até o presente momento. No presente processo a contribuinte apresentou impugnação onde sustenta, em síntese: (i) Crédito presumido de ICMS não é subvenção stricto sensu: crédito presumido de ICMS não configura "subvenção" em seu sentido jurídico específico, nem para investimento e nem para custeio ou operação, mas renúncia de receita, que navega na esfera da "receita pública" e não na "despesa pública". Isso porque tratase de técnica de apuração do imposto que consiste na apropriação em conta gráfica de crédito fiscal calculado de acordo com o regime especial titularizado pelo contribuinte, em cotejo com os destaques das operações de saídas de mercadorias, implicando uma efetiva redução da obrigação tributária final. Ou seja, o valor registrado a título de crédito presumido de ICMS não representa ingresso de receitas, mas redução de despesa do ICMS devido na operação de saída. (ii) o art. 443 do Decreto 3000/99 fixa uma interpretação extensiva de subvenção para investimento, admitindo que isenção ou redução de impostos sejam considerados como tal para fins contábeis, e não como subvenção para custeio. Porém, o fato do art. 443, I, incluir a "isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo" na caracterização da "subvenção de investimento" tem como única consequência a determinação para que seja conferido o mesmo tratamento contábil (reserva de capital) aos referidos incentivos financeiros e fiscais, com objetivo de retirar da esfera de incidência do IRPJ e CSLL não apenas a subvenção de investimento (stricto sensu), como também a isenção ou redução de impostos, típicas renúncias de receita estatais, apenas consideradas "subvenção para investimento" em tal interpretação ampliativa. Em outras palavras, o art. 443 do RIR/99 jamais pretendeu afirmar que isenção ou redução de impostos seriam uma forma de subvenção de investimento, já que a ninguém é permitido alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, a teor do art. 110 do CTN. Apenas para fins de registro contábil e exclusão do cômputo do lucro real é que referida norma admitiu o registro contábil de fatos que não coincidem com a definição stricto sensu de subvenção, como se subvenção para investimento fossem. Mesmo se considerado o crédito presumido de ICMS como subvenção de investimento (lato sensu), conforme art. 443 do RIR/99, também por esse prisma o lançamento tributário impugnado deve sucumbir, já que não é a investigação das contrapartidas efetivadas pelo detentor do benefício que define se estamos diante de subvenção para investimento ou não, mas o propósito da outorga do crédito presumido pelo Estado da Federação (se para investimento, ou não). Fl. 4241DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.242 5 No caso, o Estado catarinense concedeu o crédito presumido de ICMS com o propósito de incentivar as empresas beneficiárias a investirem no Estado, seja mediante instalação, expansão ou incremento de sua atividade econômica, o que fica claro do Protocolo de Intenções firmado entre a empresa KOMLOG e o Estado de Santa Catarina, onde se destacam os seguintes compromissos assumidos pela empresa: (a) incrementar a atividade desenvolvida de industrialização, serviços de logística, comercialização de mercadorias, matériasprimas, produtos acabados e semiacabados; (b) investir em tecnologia apropriada às suas atividadesfim, de modo a contribuir à criação de um polo de excelência no Estado de Santa Catarina no setor logístico; (c) gerar no mínimo 25 empregos direitos; (d) utilizar nas suas atividades, sempre que possível, serviços e insumos de origem Catarinense; (e) contribuir ao Fundo Social no equivalente a 0,5% sobre o valor da operação; (f) estimular e manter o desenvolvimento de economia de serviços e geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina; e (g) manter seus estabelecimentos em Santa Catarina pelo prazo mínimo de 5 anos. Dada a falta de identidade entre os pressupostos legais da subvenção para investimento lato sensu e a subvenção para investimento stricto sensu, a Fiscalização jamais poderia analisar a "implantação ou expansão de empreendimento econômico em sincronia com a subvenção registrada" (típico pressuposto da subvenção para investimento stricto sensu) para concluir se a classificação contábil do crédito presumido de ICMS como subvenção de investimento lato sensu estava correta ou não. Por fim, observa que a empresa cumpriu as contrapartidas que assumiu com o Estado de Santa Catarina, de modo que também por essa ótica o benefício fiscal auferido não poderia ter sido desqualificado da sua condição de subvenção para investimento. Para tanto, prepara quadroresumo para demonstrar que nos balanços acostados às fls. 288 a 333 as imobilizações escrituradas nos anos de 2009, 2010 e 2011 evidenciam implantação ou expansão de empreendimento econômico. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por entender que, nos termos do ato concessório, não se trata de incentivo que tenha por finalidade última a realização de investimento, eis que o fim colimado pelo programa é a geração de empregos. Neste sentido, conclui que "o negócio entabulado entre o Estado de Santa Catarina e o impugnante, no âmbito do Pró Emprego, contempla subvenção corrente, consubstanciada em auxílio financeiro concedido pelo Estado tendo em vista o interesse público de manutenção e geração de empregos, que deve ser oferecida à tributação, nos termos como consta dos autos de infração ora atacados." O acórdão da DRJ/CTB (fls. 719744) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 1/12/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Parcela de receita tributária dispensada de recolhimento ou devolvida pelos governos estaduais a contribuintes de ICMS, a título de crédito presumido, quando desvinculada de concomitante aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento Fl. 4242DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.243 6 econômico projetado, configura receita de subvenção para custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO. O crédito de ICMS concedido na forma do artigo 8º, §6º, inciso III do Decreto (EstadualSanta Catarina) nº 105, de 2007, constitui receita operacional sujeita à incidência do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 AJUSTES DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO INDEVIDA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não se caracteriza como subvenção para investimento o crédito presumido de ICMS decorrente do incentivo do programa Pró Empregos do Estado de Santa Catarina, devendo a correspondente despesa, computada no lucro líquido, ser adicionada na determinação da base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a e existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o edido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão em 05/09/2014 (por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, ocorrida em 21/08/2014), a empresa apresentou recurso voluntário tempestivamente, em 19/09/2014. Em seu recurso, a contribuinte sustenta: (i) Nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa: alega que a decisão não enfrentou as teses levantadas na impugnação e teve por base situação jurídica estranha ao lançamento. Para demonstrar tais afirmações, observa que a) através do método "copia e cola", a relatora afirma que o contribuinte solicita que as intimações sejam dirigidas ao Sr. Gilberto José de Oliveira, sendo que não se sabe quem é tal pessoa; b) em vez de enfrentar as teses apontadas na impugnação, o voto limitase a transcrever, na íntegra, trechos de solução de consulta e da lei estadual instituidora do Programa PróEmprego, sem atacar a tese litigiosa, que seria decidir se o crédito presumido de ICMS reúne ou não as características legais necessárias para compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Fl. 4243DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.244 7 c) em mais uma demonstração do "copia e cola", a ementa do acórdão cita dispositivo legal que não se aplica à recorrente e é estranho à lide (art. 8o, par. 6o, III, do Decreto Estadual SC 105/2007), sendo que o fundamento legal para a outorga do benefício fiscal em litígio foi o art. 144 c/c/ art. 148A do Anexo 2 do RICMS/01. (ii) no mérito, aduz que: a) o crédito presumido de ICMS não configura subvenção, nem para custeio nem para investimento (stricto sensu), tratandose de renúncia de receita (redução de tributo) que navega na esfera da receita pública e não da despesa pública, nos termos do artigo 14, §1o da Lei de Responsabilidade Fiscal Lei Complementar 101/2000. Neste sentido, defende que, nos termos da Lei 4.320/64, subvenção é despesa pública classificada como benefício financeiro, exigindo dotação orçamentária e transferência corrente de recurso em benefício de alguém, enquanto que o crédito presumido de ICMS seria renúncia de receita classificada como benefício fiscal, que não exige dotação orçamentária e não importa transferência de recursos para o particular. E para provar que não houve transferência de recursos em seu favor, anexa certidão, datada de 9 de junho de 2014 e assinada pelo Diretor de Administração Tributária do Estado de Santa Catarina, de que os benefícios concedidos por meio do Programa PróEmprego têm a natureza de renúncia fiscal nos termos do art. 14, §1o da LC 101/00 e o crédito presumido de ICMS em questão não implica qualquer transferência corrente de recursos públicos aos beneficiários. b) apenas para fins de registro contábil a isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos deve receber o mesmo tratamento de subvenção para investimento, de acordo com art. 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09 c) o propósito na concessão do benefício fiscal é suficiente para que os créditos presumidos de ICMS sejam mantidos como subvenção para investimento e assim excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) o acórdão recorrido, para validar seu argumento de que não haveria propósito de incentivo a investimento, afirma que o fim colimado pelo programa seria a geração de empregos, no entanto este é apenas um dentre os sete objetivos formais pretendidos pelo Estado com a concessão do benefício fiscal. Os compromissos de investimento assumidos pela empresa e constantes do Protocolo de Intenções (fls. 267 a 276) e do Ato Concessório (fls. 114 a 126) envolvem investimentos a serem realizados pela Recorrente, conforme lista abaixo, os quais foram realizados conforme comprovam seus balanços a fls. 288 a 333: Fl. 4244DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.245 8 c) a jurisprudência do CARF confirma que a caracterização do beneficio fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva dos recursos subvencionados a projetos determinados, nos termos dos acórdãos 120200175, de 29 de julho de 2014; 110100661, de 31 de janeiro de 2012; 110300555, de 20 de outubro de 2011; além dos precedentes da CSRF 910100566, de 17 de maio de 2010 e 9101001094, 29 de junho de 2011. Assim, é suficiente o propósito desenvolvimentista e incentivados da legislação. Mesmo porque, não se pode analisar o crédito presumido de ICMS com os mesmos olhos que se analisa uma subvenção para investimento stricto sensu, que depende de transferência de recursos, projeto específico préaprovado e dotação orçamentária, eis que as naturezas jurídicas são distintas. d) não havendo transferência de recurso, não há que se falar em renda ou acréscimo de capacidade contributiva, de modo que o crédito presumido de ICMS não pode compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme vem decidindo o Tribunal REgional Federal da 4a Região (Apelação/Reexame Necessário 501355269.2013.404.7201/SC, em 30 de abril de 2014; Apelação/Reexame Necessário 501282246.2013.404.7108/RS, em 25 de março de 2014; Apelação/Reexame Necessário 501219048.2012.404.7110/RS, em 29 de abril de 2014). Em 14 de fevereiro de 2017, após voto vencido desta relatora, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência para, em resumo, verificar se os requisitos dispostos no Parecer Normativo CST 112/1978 restaram preenchidos no caso em questão. A diligência foi concluída em 4 de dezembro de 2017, com a emissão de parecer conclusivo de fls. 4.1954.203 que, em síntese, concluiu pela negativa. A Recorrente se manifestou sobre o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal nos termos da peça de fls. 42154223. Fl. 4245DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.246 9 Então, em 16 de janeiro de 2018, o processo retornou para minha relatoria. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Primeiramente, entendo que não assiste razão à Recorrente quanto à preliminar de cerceamento do direito de defesa. O exame do acórdão recorrido revela que este se pautou na análise da Lei 13.992/2007, instituidora do Programa próemprego no Estado de Santa Catarina, sendo que a transcrição de trechos das soluções de consulta serviram para demonstrar o entendimento ali esposado, qual seja: (i) a apropriação do crédito não corresponde à sistemática nãocumulativa de apuração de impostos, eis que esta funciona através da compensação com o que foi pago na etapa anterior, sendo que no caso do crédito presumido de ICMS não há relação com a etapa anterior de circulação do bem; e (ii) para que o benefício possa ser considerado subvenção para investimento é necessário que tenha as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) beneficiar diretamente a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. No caso, o benefício oriundo do Programa Pró emprego não reuniria tais características pois não se trata de incentivo que tenha por finalidade última a realização de investimento, já que o fim colimado pelo programa seria a geração de empregos. Embora se reconheça que há erros no acórdão recorrido em especial quanto ao nome do patrono e à base legal indicada na ementa estes não têm o condão de ensejar a sua nulidade, já que não comprometeram a compreensão de suas razões de decidir. Passo à análise do mérito. O cerne da discussão, que nos presentes autos é eminentemente de direito, reside na natureza do crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina no âmbito do Programa PróEmprego. De um lado, a autoridade autuante entende que se caracteriza como subvenção para custeio, cujo valor deve integrar o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Por sua vez, a Recorrente sustenta não se tratar de subvenção, em nenhuma de suas modalidades. A seu ver, tratase de renúncia de receita que, exclusivamente para fins de registro contábil, recebe o mesmo tratamento de subvenção para investimento, nos termos do artigo 443 do RIR/99 e art. 18 da Lei 11.941/09. Fl. 4246DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.247 10 Em meu voto anterior, que restou vencido nos termos da Resolução 1401 000.445, entendi que assistia razão à Recorrente, já que o simples fato de um beneficio fiscal não reunir as características de subvenção para investimento não significa que ele deva automaticamente ser tratado como subvenção para custeio. Existiria a terceira via, que é a possibilidade de não se tratar de uma subvenção no sentido estrito do termo (isto é, não se tratar de transferência de recursos por parte do poder público despesa pública na liguagem orçamentária). Assim, o fato de o art. 443 do RIR/99 ter dado o mesmo tratamento fiscal e ter denominado como "subvenção para investimento" tanto as subvenções em sentido estrito (i.e., transferências de recursos por parte do poder público revestidas das características mencionadas no PN CST 112/1979) quanto recursos que não são tecnicamente subvenções (i.e., as reduções e isenções e tributos) não faz com que estes últimos tenham que cumprir os requisitos impostos (e muitas vezes apenas possíveis) às primeiras. Não obstante, a maioria da Turma entendeu que o benefício fiscal de crédito presumido de ICMS tem natureza subvenção para investimento, devendose verificar se foram preenchidos se os requisitos para permissão de não tributação de IRPJ e de CSLL constantes do Parecer Normativo CST 112/1978. Determinouse então a realização de diligência para a verificação de tais requisitos. O parecer conclusivo de fls. 4.1954.203, em síntese, concluiu que os requisitos dispostos no Parecer Normativo CST 112/1978 não restaram preenchidos no caso em questão, muito embora tal resultado de diligência tenha sido contestado pelo Recorrente na peça de fls. 42154223. Nesse ínterim, foi publicada a Lei Complementar 160, de 7 de agosto de 2017, a qual deu fim à discussão sobre a natureza do crédito presumido de ICMS, ao estabelecer que tais incentivos "são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo". Vejase: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. (VETADO). Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas Fl. 4247DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.248 11 exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (Parte mantida pelo Congresso Nacional) A partir de então, o único requisito a ser verificado para que o valor do crédito presumido de ICMS possa não ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL passou a ser aquele previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014, qual seja, o registro em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para (i) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (ii) aumento do capital social. Conforme relatado, o Termo de Verificação Fiscal menciona que os valores foram registrados como reserva de lucros (conta patrimonial intitulada "23104001 RESERVA DE LUCROS POR INCENTIVO FISCAL" (fls. 277 a 279)). Em outras palavras, nunca se discutiu nos presentes autos a forma de registro contábil dos valores ou a eventual destinação posterior a eles conferida, mas apenas a impossibilidade de se registrar os montantes em conta de reservas em razão da sua natureza, questionada pela fiscalização. Neste cenário, é certo que, uma vez cumprido o requisito previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014 (qual seja, a contabilização dos valores como reserva de lucros), e não questionados aspectos relacionados à eventual destinação posterior de tais valores (o que faz com que a discussão seja estranha aos autos), não prevalece o lançamento efetuado. Ocorre que, conforme se depreende da leitura do artigo 10 acima transcrito, a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30 aos benefícios anteriormente concedidos está condicionada ao atendimento das exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, o que ainda não ocorreu no caso do Programa próemprego no Estado de Santa Catarina. Em casos assim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF tem resolvido sobrestar os julgamentos envolvendo o tema até que decorra o prazo para que os Estados cumpram tais exigências. Vejase neste sentido o trecho da Resolução nº 9101 000.039, que transcrevo e adoto como razões de decidir neste voto: Ademais, a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Art. 3º O convênio de que trata o art. 1º desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das Fl. 4248DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.249 12 isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazos limites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Fl. 4249DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.250 13 Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para a remissão, a anistia e a reinstituição regrada pelo convênio: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como Fl. 4250DF CARF MF Processo nº 11516.720934/201481 Resolução nº 1401000.506 S1C4T1 Fl. 4.251 14 estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (Desenvolve). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, após debates entre os componentes do Colegiado, a maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia seguinte ao prazo para registro referido. Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima citados, A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Por tais razões, oriento meu voto pelo conhecimento do recurso e sobrestamento até 29/12/2018, intimandose o contribuinte para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 4251DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720336/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ACÓRDÃO CARF. LAPSO MANIFESTO. EXCLUSÃO DE EMENTA ERRADA.
Cabe excluir e ignorar o teor da ementa, relativa a multas isoladas devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, se a matéria não foi examinada no voto e decisão do CARF, uma vez que, mantida na decisão de primeira instância e não contestada pelo contribuinte, já havia se tornado definitiva na via administrativa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
ACÓRDÃO CARF. LAPSO MANIFESTO. EXCLUSÃO DE EMENTA ERRADA.
Cabe excluir e ignorar o teor da ementa, relativa a multas isoladas devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, se a matéria não foi examinada no voto e decisão do CARF, uma vez que, mantida na decisão de primeira instância e não contestada pelo contribuinte, já havia se tornado definitiva na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 ACÓRDÃO CARF. LAPSO MANIFESTO. EXCLUSÃO DE EMENTA ERRADA. Cabe excluir e ignorar o teor da ementa, relativa a multas isoladas devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, se a matéria não foi examinada no voto e decisão do CARF, uma vez que, mantida na decisão de primeira instância e não contestada pelo contribuinte, já havia se tornado definitiva na via administrativa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 ACÓRDÃO CARF. LAPSO MANIFESTO. EXCLUSÃO DE EMENTA ERRADA. Cabe excluir e ignorar o teor da ementa, relativa a multas isoladas devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, se a matéria não foi examinada no voto e decisão do CARF, uma vez que, mantida na decisão de primeira instância e não contestada pelo contribuinte, já havia se tornado definitiva na via administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720336/201215 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201001.950 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria LAPSO MANIFESTO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AVERY DENNISON DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ACÓRDÃO CARF. LAPSO MANIFESTO. EXCLUSÃO DE EMENTA ERRADA. Cabe excluir e ignorar o teor da ementa, relativa a multas isoladas devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, se a matéria não foi examinada no voto e decisão do CARF, uma vez que, mantida na decisão de primeira instância e não contestada pelo contribuinte, já havia se tornado definitiva na via administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 ACÓRDÃO CARF. LAPSO MANIFESTO. EXCLUSÃO DE EMENTA ERRADA. Cabe excluir e ignorar o teor da ementa, relativa a multas isoladas devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, se a matéria não foi examinada no voto e decisão do CARF, uma vez que, mantida na decisão de primeira instância e não contestada pelo contribuinte, já havia se tornado definitiva na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 36 /2 01 2- 15 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1201001.950 S1C2T1 Fl. 3 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), em face do Acórdão nº 1102000.851, da 1ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 07 de março de 2013. 2. Os embargos foram admitidos. 3. A Embargante questiona que A DRJ de Campinas/SP, em sede de julgamento em primeira instância, proferiu Acórdão 0538.305, através do qual deu provimento parcial à impugnação para exonerar as exigências de IRPJ e da CSLL, mantendo, assim, o lançamento relativo à exigência das multas isoladas por descumprimento da obrigação acessória de recolhimento das estimativas mensais. Em resumo, as multas isoladas foram mantidas pela decisão proferida em primeira instância. Houve interposição do recurso de ofício, em vista do valor exonerado ultrapassar o valor de alçada. Entretanto, não houve interposição de recurso voluntário. Com isso, o lançamento relativo às multas isoladas se tornou definitivo, tanto que os valores devidos em face desta exigência foram apartados do presente feito. (...) Fazendo, contudo, a análise do recurso de ofício que, digase, não tem por objeto a exigência da multa isolada, o e colegiado faz constar em sua ementa que seria “incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.” Como se observa, operouse, no caso, a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, pois a matéria relativa ao lançamento das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas pela fiscalização, não foi objeto de insurgência específica mediante recurso voluntário do interessado. Assim, flagrante a contradição do julgado(...). Voto Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1201001.950 S1C2T1 Fl. 4 3 Conselheira Eva Maria Los, Relatora 4. Consta do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (...) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. 5. Haja vista a extinção da Turma a que pertencia o relator do acórdão embargado, passo à análise e voto. 6. A contradição está nas ementas relativas a IRPJ e a CSLL, de seguinte teor: MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano calendário e não apresenta situação de saldo negativo. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. 7. A leitura do Voto do Acórdão embargado, deixa claro que a matéria não foi objeto de análise pelo Relator, de onde se evidencia que as ementas supra transcritas, contam do Acórdão por erro e devem ser excluídas e ignoradas. Conclusão. Voto por ACOLHER os embargos de declaração, a fim de sanar a contradição. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10830.720336/201215 Acórdão n.º 1201001.950 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908392/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 95, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 39 2/ 20 11 -6 1 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10850.908392/201161 Resolução nº 3201001.122 S3C2T1 Fl. 247 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 038/039, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição nº 35866.77320.151205.1.2.041216 (fls. 002/004), protocolado em 15/12/2005, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 769,22. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 02/12/2011, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2011 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 20/01/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.908391/201116, nº 10850.908392/201161, nº 10850.908393/201113, nº 10850.908394/201150, nº 10850.908395/201102, nº 10850.908396/201149,nº 10850.908397/201193, nº 10850.908398/201138, nº 10850.908399/201182, nº 10850.908400/201179 e nº 10850.908401/201113, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10850.908392/201161 Resolução nº 3201001.122 S3C2T1 Fl. 248 3 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 769,22, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10850.908392/201161 Resolução nº 3201001.122 S3C2T1 Fl. 249 4 A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.908392/201161 Resolução nº 3201001.122 S3C2T1 Fl. 250 5 Direito Creditório Não Reconhecido.". Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ/SP, por sua vez, entendeu que o contribuinte não descreveu em seu pedido de restituição e compensação a origem do crédito, ou seja, em nenhum momento tratou da inconstitucionalidade do §1.º, Art. 3.º, da Lei 9718/98 e manteve o não reconhecimento do crédito. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins, nos moldes que foram declarados inconstitucionais pelo STF. Isto seria suficiente para que a fiscalização reconhecesse o crédito. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação ao recolhimento do Cofins sob a base de cálculo declarada inconstitucional, razão pela qual a lide encontrase incompleta. O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.908392/201161 Resolução nº 3201001.122 S3C2T1 Fl. 251 6 Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo asism como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a inconstitucionalidade mencionada. após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.908392/201161 Resolução nº 3201001.122 S3C2T1 Fl. 252 7 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11707.720674/2013-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Aplicação da Súmula CARF nº 49
Numero da decisão: 1001-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Eduardo Morgado Rodrigues (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Aplicação da Súmula CARF nº 49
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Eduardo Morgado Rodrigues (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Aplicação da Súmula CARF nº 49 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Eduardo Morgado Rodrigues (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 70 7. 72 06 74 /2 01 3- 16 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 115 2 Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 104 a 110) interposto contra o Acórdão nº 1673.841, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 88 a 93), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA DEVIDA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF fora do prazo regulamentar enseja a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 14) relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF correspondente ao mês de janeiro de 2013, entregue em 28/05/2013, no valor de R$ 16.038,76, com fundamento nos arts. 115 e 160 da Lei nº 5.172/1966; art. 1º da Lei nº 9.249/1995; art. 7º, caput e inciso II e § 3º, inciso II da Lei nº 10.426/2002 com as alterações do art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cientificada da Notificação de Lançamento em 12/06/2013 (fl. 71), em 05/07/2013, a empresa apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: o suposto atraso foi tão somente por conta da demora em que a Administração Tributária levou para realizar a alteração do Representante Legal da Companhia, cerca de 10 meses; tentou a todo o momento realizar a entrega de sua Declaração, desde Agosto de 2012, enviando o Documento Básico de Entrada DBE, quando desde então, não obteve resposta alguma desta Administração; Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 116 3 a não realização das entregas das Declarações do Sujeito Passivo, seu deu apenas porque o Sujeito Ativo não realizou em tempo hábil a alteração no cadastro do Representante Legal da Companhia naquele sistema; após longa labuta junto aos postos da Receita Federal e finalmente após quase dez (10) meses, foi notificado de que a alteração já constava no sistema da Receita Federal, o que de imediato tentou realizar suas Declarações e, imediatamente foram gerados diversas notificações de lançamentos, respectivas a cada Imposto, totalizando 12 notificações/multa ao todo; as multas geradas não são plausíveis e não tem pertinência com toda a dinâmica dos fatos, pois se constata que apenas por culpa da Administração Tributária não foi possível a realização da entrega das Declarações; a constituição do crédito tributário se deu de maneira errada, eivada de nulidade, o que permite seja revisto o seu lançamento, conforme preceitua o artigo 149, IX do Código Tributário Nacional; temse por concreto que houve falta funcional da autoridade administrativa, bem como omissão de ato quando deixou de realizar a alteração no cadastro em seu site, por comprovação nítida, o Contribuinte tentou a todo o momento realizar sua Declaração, o que não foi possível por ausência de atuação desta Administração; a referida multa tem nítida característica de multa confiscatória, conforme preceitua o artigo 150, IV da Constituição Federal, o que é vedado por este ordenamento; o lançamento da multa de ofício, não respeitou os critérios e princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que por óbvio é descabida, tendo em vista toda a tentativa anterior, todos os comunicados anteriores por parte do Contribuinte ao Fisco; a extinção total do débito por nítida irregularidade na sua constituição, está atinente ao que preceitua o artigo 156, Parágrafo único, do Código Tributário Nacional; sendo assim, diante do que preceitua o artigo 149, IV, quanto à revisão de ofício da constituição do crédito tributário, e diante do que preceitua o artigo 149, Parágrafo único, ambos do Código Tributário Nacional, requer seja extinto o lançamento/crédito tributário por nítida irregularidade em sua constituição, bem como por falta de funcionalidade e omissão da Administrativa Tributária; pode ser observado o excesso no valor do auto de infração em que a Administração Tributária utilizou base de cálculo diversa do que determina a Lei. Sabemos que qualquer atraso no pagamento de qualquer tributo gera juros de mora, multa de mora e de ofício; no entanto, essas multas devem respeitar os limites determinados por Lei e que na maioria das vezes o Sujeito Ativo não observa os parâmetros ali determinados, e gera multas nitidamente excessivas; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 117 4 as multas e taxa de juros, obrigatoriamente devem observar os limites da taxa SELIC Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, respeitando sua variação, na forma que preceitua a Lei 9.250/95; é preponderante destacar a redação do artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional, em que limita os juros de mora a taxa de um por cento ao mês; o percentual excessivo das multas aplicadas de ofício está em confronto com o que determina o artigo 88 da Lei 8.981/95; a cobrança que gerou o Auto de Infração, objeto da demanda, não há de prosperar, pois não fora observado que a impugnada tem caráter de utilidade pública e que é vinculada a Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro – SETRANS; em conformidade com o disposto no art. 5º do Decretolei nº 3.365/1941 resta claro o caráter da atividade que desenvolve a impugnante, sendo latente sua caracterização como de utilidade Pública, tendo em vista seu apoio e conservação dado as Concessionárias que exploram os serviços essenciais, e mais, pelo fato atualmente de realizar as obras da linha 04 do Metrô; diante disso, é evidente que resta prejudicado o objeto do Auto de Infração, não podendo seguir adiante qualquer cobrança e, por consequência, qualquer multa que possa ser imputada a demandada, requerendo assim, seja extinta a referida, face a irregularidade da constituição do suposto credito tributário; a impugnante é empresa vinculada à Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo a implantação, construção e exploração dos transportes de passageiros sobre trilhos e guiados e, assim sendo, há de ser respeitada a lei de dotação orçamentária respeitando os parâmetros da lei 9494/97, quanto à cobrança de juros, conforme preceitua o artigo 1ºF." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que (i) a penalidade deveria ser dispensada em razão da Denúncia Espontânea nos termos do art. 138 do CTN; e, sucessivamente, (ii) sustenta que descumprimento se deu em virtude da demora por parte da Administração Fiscal em proceder à alteração de seu representante legal, assim, não poderia ser penalizada por um Fato do Príncipe. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 118 5 1 DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Inicio a análise das razões do recurso começando pela alegação de aplicabilidade do benefício insculpido no art. 138 do CTN ao presente caso. Primeiramente, é importante salientar que a multa em comento não se trata de multa decorrente do não pagamento de tributo, mas sim descumprimento de obrigação acessória autônoma. Neste ponto, cabe ressaltar que as obrigações acessórias autônomas não são abrangidas pelo dispositivo supramencionado, conforme foi irretocavelmente exposto no acórdão nº 0360.731 proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BSA, da qual tomo a liberdade de reproduzir o seguinte excerto: "Cabe esclarecer que a entrega da Declaração fora do prazo fixado pela norma tributária é considerado como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da empresa. Como regra, é conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário NacionalCTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos do fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Administração Pública pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." Ademais, se faz oportuno registrar que o entendimento acima exposto, acerca da denúncia espontânea, já foi pacificado e sumulado por este Conselho, conforme transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, entendo não aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art, 138 do CTN ao presente caso, e, portanto, nego provimento ao recurso quanto a este item. 2 DO FATO DO PRÍNCIPE. Superado o tópico anterior, passamos à analise de eventual falha da administração fazendária que possa ter dado azo ao atraso na entrega da DCTF que originou a penalidade ora combatida. Conforme dito, alega a parte Recorrente que o atraso incorrido na entrega da DCTF se deveu a morosidade da Administração Pública em promover a devida alteração de seu representante legal nos sistemas competentes. Vez que, enquanto o representante legal Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 119 6 anterior ainda estava vinculado ao seu CNPJ, não era possível efetuar corretamente entrega de declarações. Conforme narra, a Recorrente esteve desde o mês de agosto de 2012 tentando promover a alteração dos responsável legal pelo seu CNPJ junto aos registros pertinentes da RFB, por meio da entrega de Documento Básico de Entrada DBE junto à Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA. No entanto, narra que não recebeu qualquer resposta por parte deste orgão para nenhuma de suas solicitações. Ainda, a Recorrente apresentou cópia do Requerimento (fls 6366) protocolado junto à DRF/RJO, onde narra os insucessos acima e solicita que a situação cadastral seja devidamente atualizada. Conforme os documentos apresentados, apenas em fevereiro de 2013 a DRF apresentou resposta pedindo que fosse apresentada nova procuração, vez que a anterior estaria vencida, e o cancelamento de uma solicitação anterior. Após cumpridas as solicitações da DRF, esta deferiu e procedeu a alteração do representante legal vinculado ao CNPJ da Recorrente em maio de 2013. Por sua vez, a Fiscalização juntou aos autos cópia da tela do sistema de consulta aos DBE, onde consta a observação que o contribuinte optou por apresentar o mesmo junto a JUCERJA /RCPJ (fl. 70), e não diretamente no CAC da DRF. Por fim, da decisão de primeira instância que negou o ponto, acho importante trazer à baila 4 argumentos principais, em síntese: (i) Aplicação do disposto no art. 136 do CTN; (ii) ausência de comprovação por parte da Recorrente de falha ou recusa do sistema em receber as declarações; (iii) a opção do contribuinte em entregar a DBE na JUCERJA/RCPJ; e (iv) ter instruído o processo de alteração cadastral com procuração não mais válida. Compulsando tudo o que foi instruído nos autos, ao menos ao meu sentir, emerge inconteste de que a Recorrente de fato buscou regularizar a sua situação cadastral junto aos órgãos competentes desde agosto de 2012, tendo obtido resposta oficial apenas em fevereiro de 2013, em nova tentativa. E, finalmente, obtendo a atualização cadastral pretendida apenas em maio de 2013. Assim, com essa premissa, passo à analise mais detida dos argumentos que fundamentaram a decisão ora atacada. Isto posto, de plano, entendo que o art. 136 do CTN não se aplica ao caso em comento, ao contrário do consignado na decisão de primeiro grau. Veja, ao estabelecer que "(...)a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" a lei apenas retirou a necessidade de dolo específico do agente, ou de efetivo prejuízo causado, para a caracterização da infração, em momento algum este dispositivo determina que eventual culpa da Administração Pública pela infração não possa ser alegada para excluir a responsabilidade do agente. Igualmente, não vejo pertinência em se exigir da Recorrente a apresentação de cópias de telas dos sistemas que comprovem a impossibilidade ou recusa no recebimento. Notese que em momento algum foi aventado qualquer problema de ordem técnica quanto ao sistema. Por outro lado, é cediço que no momento da entrega é necessário informar o CPF do representante legal vinculado ao CNPJ. Logo, sem a correta atualização do cadastro não é possível que se proceda à entrega. Outrossim, também não se pode exigir que o contribuinte se utilize do CPF do representante anterior sob pena de falsidade ideológica. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 120 7 Seguindo a análise, igualmente penso descabido o argumento de que o contribuinte teria dado azo à morosidade do processo de atualização cadastral ao ter optado por entregar a DBE na Junta Comercial ao invés de apresentar direto no CAC da DRF correspondente. Ora, se notoriamente existe um convênio entre a Receita Federal do Brasil e as Juntas Comerciais de diversos Estados Federados que permite este tipo de operação, não pode o contribuinte ser penalizado por uma opção que lhe é facultada pela própria Administração Pública. Com efeito, se a RFB escolheu oferecer essa benesse aos contribuintes, é de sua responsabilidade toda a operacionalização, em hipótese alguma pode transferir a responsabilidade de eventual falha de tramitação ao administrado. Outrossim, salientase que as constatações acima decorrem de mera aplicação do princípio constitucional da razoabilidade, em extensão ao princípio da legalidade, que deve sempre nortear toda atividade administrativa. Devese, ainda, adicionar a esse a boafé que sempre se espera de todos os órgãos da administração pública. Por fim, verificando a documentação constante nos autos, extraise que a Recorrente, de fato, apresentou procuração com data vencida e precisou apresentar nova procuração por ocasião de seu último requerimento. Contudo, conforme já dito anteriormente, devese considerar que as primeiras solicitações feitas pela Recorrente não obtiveram qualquer resposta. Entendo que esta circunstância é crucial para o melhor entendimento da matéria. Pois bem, se a primeira solicitação tivesse sido indeferida por conta do vício na procuração, não haveria como não reputar o atraso ao próprio contribuinte. Ainda, se o contribuinte ao menos tivesse sido intimado na primeira solicitação para apresentar nova procuração como o foi na última , igualmente a responsabilidade pelo atraso seria única e exclusivamente sua. No entanto, nenhuma das hipóteses acima correspondem ao ocorrido, mas sim que as requisições do contribuinte não obtiveram qualquer resposta por vários meses, dando causa ao atraso que originou as penalidades combatidas por este processo. Bom salientar que não estou olvidando que o contribuinte tenha efetivamente sido intimado para apresentar nova procuração, mas considerando que esta intimação veio apenas em fevereiro de 2013 e que em maio de 2013 o pleito já estava deferido, me parece que o atraso passível de ser reputado ao contribuinte corresponde no máximo à uma pequena fração do tempo total desperdiçado no processo. Ademais, ainda se faz relevante apontar que a DCTF (fl. 14) foi entregue no mês de maio de 2013, isto é, no mesmo mês em que a Recorrente obteve a atualização de seu Representante Legal, o que acaba sendo indicativo de boafé e faz coerência com sua argumentação recursal. Assim, diante destes apontamentos e conclusões, entendo que assiste razão à Recorrente em alegar que o atraso na entrega da DCTF se deveu principalmente pela falha dos órgãos competentes da Administração Pública em proceder à alteração cadastral do responsável legal pelo seu CNPJ. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 121 8 3 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto acima, VOTO pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário para exonerar a Recorrente de todo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Conforme bem relatado pelo muito digno Relator, a presente lide constituise no questionamento de exigência de multa regulamentar em razão do atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao mês de janeiro de 2013, com fundamento nos arts. 115 e 160 da Lei nº 5.172/1966; art. 1º da Lei nº 9.249/1995; art. 7º, caput e inciso II e §3º, inciso II da Lei nº 10.426/2002 com as alterações do art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Em seu voto, o Relator acatou os argumentos aduzidos pela recorrente de que eventual falha da administração fazendária foi a motivadora do atraso na entrega da DCTF que originou a penalidade. Quanto ao mérito da lide, a Turma divergiu, e por entender que esses argumentos foram fundamentadamente afastados na decisão da DRJ, pelo que peço vênia para transcrever, a seguir, excerto do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Com relação à alegação de que o atraso na entrega da DCTF foi ocasionado pela demora da Administração Tributária em realizar a alteração de seu representante legal, cabe lembrar, a título de esclarecimento, que as alegações de falta de culpa da contribuinte ou da ocorrência de circunstâncias alheias à sua vontade não a exime da penalidade, conforme o disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não obstante, a impugnante não apresenta comprovação nem da alegada culpa da Administração Tributária nem da impossibilidade de entrega de sua declaração dentro do prazo. Nos casos de problemas técnicos na transmissão de declarações, recomenda se a impressão das telas do computador para comprovar os problemas e identificá los, se decorrem de falhas que devem ser imputadas à RFB ou se decorrem de negligência por parte da contribuinte. No caso em tela, a impugnante não trouxe aos autos essa comprovação. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 122 9 Quanto à alegação de culpa da Administração Tributária o que se pode perceber dos autos é que, se houve atraso na efetivação da alteração cadastral requerida, ele foi causado pela própria impugnante e não pela RFB. Primeiro por ter optado pela entrega/processamento do DBE (Documento básico de entrada) na JUCERJA/RCPJ (fl. 70) e, também, por não ter juntado procuração válida ao processo que tratou da alteração cadastral (fl. 64). A recorrente ainda acrescenta em seu recurso, em contestação à decisão da turma a quo, o que se segue: 21. Mais: não parece razoável afirmar que a RIOTRILHOS teria dado causa à morosidade na concretização da alteração cadastral Se existe a possibilidade de ser realizada a alteração cadastral via operação conveniada (Receita Federal/Junta Comercial), o contribuinte não pode ser responsabilizado pela demora derivada da opção legitimamente que lhe é conferida pelo ordenamento jurídico. 22. Com as escusas de estilo, o argumento de que se valeu a DRJI/SPO denota clara violação à legítima expectativa do contribuinte de ver seus dados cadastrais alterados pelas vias procedimentais colocadas à sua disposição. 23. Ademais, a boafé da RIOTRILHOS está sedimentada no fato de que, tão logo lhe foi possível enviar a DCTF, ou seja, tão logo foi realizada a alteração dos seus dados cadastrais pela Receita Federal, esta sociedade de economia mista realizou as declarações pendentes. Isso consta da base de dados da Receita Federal! Aqui cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor das intenções da recorrente ou por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Neste sentido, cabe à autoridade julgadora analisar se as regras aplicáveis ao caso foram cumpridas pela postulante, ou seja, o art. 7º, caput e inciso II e § 3º, inciso II da Lei nº 10.426/2002, com as alterações do art. 19 da Lei nº. 11.051/2004, a seguir transcritas: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11707.720674/201316 Acórdão n.º 1001000.191 S1C0T1 Fl. 123 10 sujeitarse á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (...) II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (...) Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.902486/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL
A certeza e liquidez do indébito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação.
Por outro lado, a parcela do crédito reconhecida e comprovada por meio de diligência deve ser homologada.
Numero da decisão: 1201-001.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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REQUISITOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL A certeza e liquidez do indébito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação. Por outro lado, a parcela do crédito reconhecida e comprovada por meio de diligência deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 24 86 /2 00 8- 49 Fl. 159DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, por meio do qual busca compensar crédito a título de estimativa de CSLL relativa ao mês de dezembro de 1999, de R$ 5.681,21, com débitos tributários de sua responsabilidade, no montante de R$ 8.491,09. O Despacho Decisório (fl.55) não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de que, embora localizado o Darf de pagamento indicado na DCOMP, o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/3). Sustenta que sua DIPJ (fls. 5/51) indica que houve recolhimentos de IRPJ apurados no 2º trimestre de 1999, de R$ 1.499,83, e no 4º trimestre, de R$1.111,91, devidamente compensados com um terço (1/3) da COFINS efetivamente paga, conforme permitias a Lei nº 9.718/98. Aduz que o valor pago de COFINS (de R$ 113.861,26) seria suficiente para compensar toda a apuração da CSLL, razão pela qual toda a CSLL recolhida (R$ 39.450,72), incluído aí o referido crédito de R$ 5.681,21, constitui pagamento a maior passível de compensação. Em Sessão de 10 de junho de 2011, a 2ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0343.545 (fls. 89/95) e cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: LEI Nº 9.718/98, ART. 8º, § 1º. COMPENSAÇÃO. CSLL E 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. A compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins efetivamente paga, em vigor de fevereiro a dezembro de 1999, está autorizada pelos §§ 1º a 3º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. ESTIMATIVA. IRRETRATABILIDADE DA OPÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ OU DA CSLL POR ESTIMATIVA. A forma de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa será irretratável para todo o anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 99/103). Reitera as alegações de defesa e afirma existir tremenda contradição da DRJ, uma vez que a mesma 2ª Turma já teria reconhecido o direito creditório em outro processo que indica e transcreve no item 06, fls. 101. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.081 (fls. 123/125), que determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo no final do ano calendário etc. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.902486/200849 Acórdão n.º 1201001.963 S1C2T1 Fl. 3 3 Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Informação Fiscal (fls. 138/142), manifestandose pela suficiência apenas parcial do crédito solicitado pelo contribuinte. Já o contribuinte apresentou Contestação (fls. 146/149). Aduz que a autoridade administrativa, na verdade, julgou a lide; que ela se esqueceu de que, no julgamento anterior, o pagamento da CSLL por estimativa foi considerado erro de fato e que o crédito referente a 1/3 da Cofins pode ser aproveitado também em outra competência. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF no mesmo montante, não havendo pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Após a diligência requerida, a autoridade fiscal responsável ratificou a insuficiência do crédito, conforme atesta o seguinte trecho de suas conclusões: 11. Nessa linha, o valor do débito de CSLL para o 4° Trimestre/1999, num total de R$ 21.603,91, apurado em tabela 01 abaixo, são os valores declarados em DCTF (fl.118), que é documento de confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito, consoante preconiza o art. 5° e §§ do DecretoLei n° 2.124/84, diferentemente da DIPJ, que é declaração de natureza informativa à administração tributária. Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor (reais) 2484 10/1999 30/11/1999 5.357,71 2484 11/1999 30/12/1999 8.176,94 2484 12/1999 31/01/2001 8.069,11 Total: 21.603,76 TABELA 01 12. Por outro lado, os pagamentos recolhidos a título de COFINS para o 4° Trimestre/1999, extraídos do sistema SIEF (fl. 119), estão relacionados em tabela 02 abaixo: Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 2171 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 11.835,85 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 1.765,12 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 3.434,30 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 3.487,91 Fl. 161DF CARF MF 4 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 1.205,65 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 12.117,09 Total: 33.845,92 TABELA 02 13. Assim, para o 4° Trimestre/1999, nos termos da Lei 9.718/98, que possibilitou a compensação da CSLL com 1/3 do valor total de COFINS recolhido para o mesmo período de apuração, verificase que 1/3 da COFINS, R$ 11.281,97 (33.845,92/3), poderá ser compensada com os débitos de CSLL. Nesse contexto, como os débitos de CSLL somam um valor total de R$ 21.603,76 (conforme tabela 01), concluise que deve haver um recolhimento efetivo de CSLL, após a dedução de 1/3 de COFINS, no valor de R$ 10.321,79 (21.603,76 11.281,97). Logo, o valor pago a título de CSLL acima de R$ 10.321,79 deve ser considerado pagamento a maior, passível de restituição/compensação. 14. Partese então para verificação dos pagamentos recolhidos sob a rubrica de CSLL. De acordo com o sistema Sief, fl. 120, foram recolhidos, para o 4° Trimestre/1999, R$ 15.481,55, conforme tabela 03 abaixo. Assim, como o valor total de CSLL recolhido para esse período foi de R$ 15.481,55, verificase que R$ 5.159,76 (15.481,5510.321,79) foram recolhidos a maior, e que esse é o valor que a contribuinte tem como direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Pagamento Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 01 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 411,16 02 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 250,31 03 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 5.681,21 04 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 1.648,47 05 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 847,26 06 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 5.816,20 07 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 1.674,20 15.481,55 TABELA 03 15. Ainda de acordo com o sistema Sief, dos sete pagamentos listados em tabela 03 acima, cinco pagamentos, números 03, 04, 05, 06 e 07, foram utilizados em DCOMPs, conforme tabela 04 abaixo. Em consulta ao sistema Sief, verificouse que o pagamento de número 04, no valor de R$ 1.648,47, já foi totalmente utilizado em compensação, conforme tela de fl.117. Como o crédito a que a contribuinte tem direito é no valor de R$ 5.159,76, resta um saldo credor de R$ 3.511,29. Pagamento Período de Apuração Data de Arrecadação Valor (reais) DCOMP Processo 03 11/1999 30/12/1999 5.681,21 03551.71916.181104.1.3.047449 10166.902486/200849 04 11/1999 30/12/1999 1.648,47 17226.91720.181104.1.3.046478 10166.902505/200837 05 11/1999 30/12/1999 847,26 35300.05293.181104.1.3.043098 10166.902478/200801 06 12/1999 31/01/2000 5.816,20 10902.30899.181104.1.3.040625 10166.902462/200890 07 12/1999 31/01/2000 1.674,20 06546.22682.181104.1.3.049008 10166.902492/200804 TABELA 04 16 Esse saldo credor, no valor de R$ 3.511,29, será vinculado à DCOMP 03551.71916.181104.1.3.047449, em análise neste Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.902486/200849 Acórdão n.º 1201001.963 S1C2T1 Fl. 4 5 processo, referente ao pagamento de n° 03, cujo valor é de R$ 5.681,21. Logo, essa DCOMP possui um crédito parcial de R$ 3.511,29 e as demais DCOMPs, referentes aos pagamentos de n° 05, 06 e 07, não possuem crédito passível de compensação. 17. Pelo exposto, em razão do direito creditório de pagamento a maior de CSLL, apurado para o 4° Trimestre/1999, no valor de R$ 5.159,76, ter sido totalmente utilizado em DCOMP de n° 17226.91720.181104.1.3.046478, no valor de R$ 1.648,47, resta comprovado o crédito parcial no valor de R$ 3.511,29 (5.159,76 1.648,47), referente ao pagamento de R$ 5.681,21 (data de arrecadação 30/12/1999), DCOMP 03551.71916.181104.1.3.04 7449, que é o objeto de análise deste processo de compensação. A autoridade fiscal demonstrou que realmente o alegado direito creditório procede apenas em parte. Isso porque o crédito que a contribuinte possui, após alocado para outras compensações, não possuiu saldo total suficiente para liquidar a integralidade do que foi compensado. E da leitura do relatório da diligência, percebese que o fisco de fato procedeu com uma apuração rigorosa e explicou no detalhe os motivos quanto à insuficiência parcial do crédito. Considerou corretamente os valores declarados em DCTF (instrumento de confissão de dívida) e, a partir daí, evidenciou todo o "passo a passo" dos créditos e débitos compensados, indicando as respectivas fontes de análise. Já a contribuinte, no seu recurso voluntário, faz menção apenas a alguns argumentos genéricos, sem identificar precisamente sua vinculação direta com a metodologia que foi adotada e sem explicar as razões concretas de onde e como o fiscal teria se equivocado quanto à parcela mantida. Alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Conforme restou sedimentado no STJ: "allegare nihil et allegatum non probare paria sunt nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais" ou, ainda, "alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada". Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza da totalidade do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outro documento pertinente a fazer prova do crédito total que pleiteia. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou comprovado na sua integralidade, prejudicando o direito correlato de compensação total do débito. Fl. 163DF CARF MF 6 Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que ocorreu apenas em parte. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação da totalidade do crédito informado na DCOMP analisada, correta a homologação apenas parcial do lançamento. Nesse sentido, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, limitandose o crédito pleiteado ao valor principal de R$ 3.511,29. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.902486/200849 Acórdão n.º 1201001.963 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10952.720103/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
A inclusão do débito em parcelamento implica na renúncia do Contribuinte ao direito sobre o qual se funda a demanda, nos termos do artigo 78, § 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 2401-005.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A inclusão do débito em parcelamento implica na renúncia do Contribuinte ao direito sobre o qual se funda a demanda, nos termos do artigo 78, § 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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RENÚNCIA. A inclusão do débito em parcelamento implica na renúncia do Contribuinte ao direito sobre o qual se funda a demanda, nos termos do artigo 78, § 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 72 01 03 /2 01 1- 55 Fl. 330DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10952.720103/201155 Acórdão n.º 2401005.216 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, em 22/07/2011, o Auto de Infração de fls. 03 a 41, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF, exercício 2009, anocalendário 2008, que resultou no crédito tributário no valor total de R$ 387.682,35, sendo R$ 192.951,26 relativo ao imposto suplementar, acrescido de juros de mora, no valor de R$ 50.017,66 (calculados até 07/2011), e multa de ofício, no valor de R$ 144.713,43. Motivou o lançamento de ofício: 1) A omissão de rendimentos originada na apuração de ganho de capital na alienação dos imóveis rurais, Fazenda São Raimundo e Fazenda São Raimundo II, nos valores de R$ 235.959,84 (maio/2008), R$ 405.064,42 (julho/2008) e R$ 202.532,22 (setembro/2008), cujo imposto suplementar apurado foi de, respectivamente, R$ 35.393,57, R$ 60.759,66 e R$ 30.379,83; e, 2) A omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor total de R$ 272.631,54, cujo imposto suplementar apurado foi de R$ 66.417,80. Devidamente cientificado do Auto de Infração em 02/08/2011 (fl. 13), o interessado apresentou impugnação (fls. 243/251), tempestivamente, em 31/08/2011, argumentando, síntese, a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que não respeitados o princípio do contraditório e ampla defesa, pois a conta corrente do Banco Bradesco S/A, agência 02372, conta corrente 80.1666, seria de titularidade de Ana Lucia Moreira Cruz (esposa do autuado) e Maria Tereza de Almeida Costa (cotitular da referida conta), não tendo sido a cotitular intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários havidos na citada conta, não tendo havido, portanto, obediência a tal previsão legal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0957.414 da 6ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 301/310, julgando parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendose em parte o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. No lançamento não há que se cogitar quanto à preterição do direito de defesa, posto que esta, consoante o disposto no inciso II, do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, aplicase apenas a despachos e decisões. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GANHO DE CAPITAL. Fl. 332DF CARF MF 4 Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. GANHO DE CAPITAL. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DILIGÊNCIAS E/OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte foi notificado da decisão acima referida em 24/04/2015 consoante se observa do Aviso de Recebimento juntado à fl. 313. Em 20/05/2015, o espólio de Antônio Carlos de Souza Cruz, por intermédio de sua inventariante, Sra. Ana Lúcia Moreira Cruz (viúva do contribuinte) informou que “o débito remanescente do auto de infração que originou o referido procedimento administrativo encontrase devidamente parcelado, através do processo nº 10508720.361/201261 (...) e as parcelas estão sendo pagas nas datas consignadas no parcelamento, razão pela qual o débito encontrase com a inexigibilidade suspensa.” (fl. 315). É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10952.720103/201155 Acórdão n.º 2401005.216 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o julgamento administrativo em primeira instância deu parcial provimento à Impugnação apresentada pelo contribuinte para excluir os depósitos bancários não comprovados, no valor total de R$ 252.822,35, relativos a conta de Ana Lúcia no Banco Bradesco S/A, tendo em vista que a titular da referida conta não foi regularmente intimida a prestar informações sobre a origem dos depósitos bancários. O contribuinte foi notificado do acórdão em 24/04/2015 consoante se observa do Aviso de Recebimento juntado à fl. 313. Ocorre que, em 20/05/2015, o espólio de Antônio Carlos de Souza Cruz, por intermédio de sua inventariante, Sra. Ana Lúcia Moreira Cruz (viúva do contribuinte) informou que “o débito remanescente do auto de infração que originou o referido procedimento administrativo encontrase devidamente parcelado, através do processo nº 10508 720.361/201261 (...) e as parcelas estão sendo pagas nas datas consignadas no parcelamento, razão pela qual o débito encontrase com a inexigibilidade suspensa.” (fl. 315). Nesse diapasão, temos que a inclusão do débito em parcelamento implica na renúncia do Contribuinte ao direito sobre o qual se funda a demanda, nos termos do artigo 78, § 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, razão pela qual não conheço do presente recurso. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário do recorrente, nos termos do voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.941556/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
A teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil vigente (reprodução do art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do autor do feito a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, como sói ocorrer nas hipóteses de processos administrativos que albergam pedido de restituição de valores pagos indevidamente ou ressarcimento de direitos creditórios, onde o ônus probatório do cumprimento dos requisitos é do contribuinte, titular do direito reivindicado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, inserto no art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa imediatamente anterior da cadeia produtiva.
NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO. AJUSTES. NECESSIDADE.
A aferição da correta apuração da base de cálculo das contribuições não cumulativas perpassa a realização de ajustes, nos créditos e débitos, consistentes em glosas, acréscimos e realocações de valores, cumprindo ao agente fiscal nesse último caso, quando determinada despesa conferir direito a crédito, mas estiver classificada na rubrica equivocada, promover a sua transferência ao grupo correto de créditos, sob pena de gerar inconsistência e distorções indevidas no cálculo.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA COBRANÇA. CREDITAMENTO. IMPOSSBILIDADE.
Consoante art. 32 da Lei nº 12.058/09, as saídas de produtos classificados nas posições NCM que menciona, quando efetuada a aquisição por pessoa jurídica que industrialize produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02, ocorrem com suspensão do pagamento das contribuições não cumulativas, sendo vedada a apropriação de créditos nessas hipóteses, a teor do art. 34, § 1º do mesmo diploma, pouco importando que os estabelecimentos adquirentes operem exclusivamente com a revenda, uma vez que o dispositivo se refere à pessoa jurídica e não ao estabelecimento.
INSUMOS. COMBUSTÍVEIS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de lenha/bagaço para emprego como combustíveis, na condição de insumo, quando efetuadas de pessoas físicas não garantem o direito de crédito (art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/03), porquanto não sujeitas tais vendas à incidência das contribuições não cumulativas.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL.
Prevê o art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 que os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM garantem crédito presumido no percentual de 60% (sessenta por cento) sobre as aquisições de insumos, sinalizando o parágrafo dez do mesmo dispositivo, incluído pelo art. 33 da Lei nº 12.865/13, que a expressão produtos de origem animal refere-se às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica beneficiária e não aos insumos por ela adquiridos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. AQUISIÇÕES DE BOVINOS PARA ABATE. EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO NECESSÁRIA.
Pela leitura dos arts. 33 e 37 da Lei nº 12.058/09, as aquisições de bovinos para o abate e produção de carne e derivados somente garantem crédito presumido da agroindústria quando vinculadas à produção de mercadorias destinadas à exportação, não havendo como reconhecer o creditamento para as operações atreladas ao mercado interno.
DEVOLUÇÕES DE VENDAS REALIZADAS COM SUSPENSÃO DOS TRIBUTOS. DIREITO A CRÉDITO. DESCABIMENTO.
As devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições não cumulativas, por imperativo de ordem lógico-jurídica, não possibilitam a apropriação de créditos.
FRETES. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os fretes referentes às aquisições de insumos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, compõem o custo de aquisição dos insumos aplicados na produção, a teor dos arts. 289, § 1º e 290, I do Decreto nº 3.000/99, e, nessa condição, garantem o creditamento na apuração das contribuições não cumulativas.
FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os fretes relativos às transferências de insumos e produtos em elaboração, entre as unidades fabris da pessoa jurídica, qualificam-se como serviços aplicados na produção de bens destinados à venda, com direito de crédito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03.
FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Não há respaldo legal para admitir a tomada de créditos em relação aos fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica ou centros de distribuição, ao passo que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, mesmo que ditas movimentações de mercadorias atendam a necessidades logísticas ou comerciais.
PEÇAS DE REPOSIÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DA PRODUÇÃO. GLOSA COMO INSUMOS. QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO. DIREITO. REALOCAÇÃO.
Uma vez que a autoridade fiscal tenha promovido a reclassificação de peças de reposição averbadas como insumos aplicados à produção, por se enquadrarem, pelas suas características, como bens passíveis de registro no ativo imobilizado, deve realocar ditos valores para a rubrica máquinas e equipamentos aplicados na produção, com crédito pelas respectivas quotas de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, § 1º, III da Lei nº 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para (a) reconhecer o direito à inclusão das aquisições com o CFOP 1.125 na apuração dos créditos, como serviços (insumos) aplicados à produção, acaso ainda não consideradas; (b) admitir o cálculo do crédito presumido das aquisições de ovinos pelo percentual de 60% (sessenta por cento); (c) admitir o creditamento relativo aos fretes sobre aquisições de insumos e sobre transferências de insumos e produtos em elaboração, entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica; e (d) reconhecer o direito à tomada de crédito, como quota de depreciação, pelas aquisições de peças de reposição de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo.
Rosaldo Trevisan - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. A teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil vigente (reprodução do art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do autor do feito a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, como sói ocorrer nas hipóteses de processos administrativos que albergam pedido de restituição de valores pagos indevidamente ou ressarcimento de direitos creditórios, onde o ônus probatório do cumprimento dos requisitos é do contribuinte, titular do direito reivindicado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo insumo, inserto no art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa imediatamente anterior da cadeia produtiva. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO. AJUSTES. NECESSIDADE. A aferição da correta apuração da base de cálculo das contribuições não cumulativas perpassa a realização de ajustes, nos créditos e débitos, consistentes em glosas, acréscimos e realocações de valores, cumprindo ao agente fiscal nesse último caso, quando determinada despesa conferir direito a crédito, mas estiver classificada na rubrica equivocada, promover a sua transferência ao grupo correto de créditos, sob pena de gerar inconsistência e distorções indevidas no cálculo. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA COBRANÇA. CREDITAMENTO. IMPOSSBILIDADE. Consoante art. 32 da Lei nº 12.058/09, as saídas de produtos classificados nas posições NCM que menciona, quando efetuada a aquisição por pessoa jurídica que industrialize produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02, ocorrem com suspensão do pagamento das contribuições não cumulativas, sendo vedada a apropriação de créditos nessas hipóteses, a teor do art. 34, § 1º do mesmo diploma, pouco importando que os estabelecimentos adquirentes operem exclusivamente com a revenda, uma vez que o dispositivo se refere à pessoa jurídica e não ao estabelecimento. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de lenha/bagaço para emprego como combustíveis, na condição de insumo, quando efetuadas de pessoas físicas não garantem o direito de crédito (art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/03), porquanto não sujeitas tais vendas à incidência das contribuições não cumulativas. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL. Prevê o art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 que os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM garantem crédito presumido no percentual de 60% (sessenta por cento) sobre as aquisições de insumos, sinalizando o parágrafo dez do mesmo dispositivo, incluído pelo art. 33 da Lei nº 12.865/13, que a expressão produtos de origem animal refere-se às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica beneficiária e não aos insumos por ela adquiridos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. AQUISIÇÕES DE BOVINOS PARA ABATE. EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO NECESSÁRIA. Pela leitura dos arts. 33 e 37 da Lei nº 12.058/09, as aquisições de bovinos para o abate e produção de carne e derivados somente garantem crédito presumido da agroindústria quando vinculadas à produção de mercadorias destinadas à exportação, não havendo como reconhecer o creditamento para as operações atreladas ao mercado interno. DEVOLUÇÕES DE VENDAS REALIZADAS COM SUSPENSÃO DOS TRIBUTOS. DIREITO A CRÉDITO. DESCABIMENTO. As devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições não cumulativas, por imperativo de ordem lógico-jurídica, não possibilitam a apropriação de créditos. FRETES. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes referentes às aquisições de insumos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, compõem o custo de aquisição dos insumos aplicados na produção, a teor dos arts. 289, § 1º e 290, I do Decreto nº 3.000/99, e, nessa condição, garantem o creditamento na apuração das contribuições não cumulativas. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes relativos às transferências de insumos e produtos em elaboração, entre as unidades fabris da pessoa jurídica, qualificam-se como serviços aplicados na produção de bens destinados à venda, com direito de crédito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. 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CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazêlo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. A teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil vigente (reprodução do art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do autor do feito a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, como sói ocorrer nas hipóteses de processos administrativos que albergam pedido de restituição de valores pagos indevidamente ou ressarcimento de direitos creditórios, onde o ônus probatório do cumprimento dos requisitos é do contribuinte, titular do direito reivindicado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, inserto no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 15 56 /2 01 2- 95Fl. 2364DF CARF MF 2 embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa imediatamente anterior da cadeia produtiva. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO. AJUSTES. NECESSIDADE. A aferição da correta apuração da base de cálculo das contribuições não cumulativas perpassa a realização de ajustes, nos créditos e débitos, consistentes em glosas, acréscimos e realocações de valores, cumprindo ao agente fiscal nesse último caso, quando determinada despesa conferir direito a crédito, mas estiver classificada na rubrica equivocada, promover a sua transferência ao grupo correto de créditos, sob pena de gerar inconsistência e distorções indevidas no cálculo. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA COBRANÇA. CREDITAMENTO. IMPOSSBILIDADE. Consoante art. 32 da Lei nº 12.058/09, as saídas de produtos classificados nas posições NCM que menciona, quando efetuada a aquisição por pessoa jurídica que industrialize produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02, ocorrem com suspensão do pagamento das contribuições não cumulativas, sendo vedada a apropriação de créditos nessas hipóteses, a teor do art. 34, § 1º do mesmo diploma, pouco importando que os estabelecimentos adquirentes operem exclusivamente com a revenda, uma vez que o dispositivo se refere à pessoa jurídica e não ao estabelecimento. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de lenha/bagaço para emprego como combustíveis, na condição de insumo, quando efetuadas de pessoas físicas não garantem o direito de crédito (art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/03), porquanto não sujeitas tais vendas à incidência das contribuições não cumulativas. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL. Prevê o art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 que os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM garantem crédito presumido no percentual de 60% (sessenta por cento) sobre as aquisições de insumos, sinalizando o parágrafo dez do mesmo dispositivo, incluído pelo art. 33 da Lei nº 12.865/13, que a expressão “produtos de origem animal” referese às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica beneficiária e não aos insumos por ela adquiridos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. AQUISIÇÕES DE BOVINOS PARA ABATE. EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO NECESSÁRIA. Pela leitura dos arts. 33 e 37 da Lei nº 12.058/09, as aquisições de bovinos para o abate e produção de carne e derivados somente garantem crédito presumido da agroindústria quando vinculadas à produção de mercadorias Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 11 3 destinadas à exportação, não havendo como reconhecer o creditamento para as operações atreladas ao mercado interno. DEVOLUÇÕES DE VENDAS REALIZADAS COM SUSPENSÃO DOS TRIBUTOS. DIREITO A CRÉDITO. DESCABIMENTO. As devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições não cumulativas, por imperativo de ordem lógicojurídica, não possibilitam a apropriação de créditos. FRETES. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes referentes às aquisições de insumos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, compõem o custo de aquisição dos insumos aplicados na produção, a teor dos arts. 289, § 1º e 290, I do Decreto nº 3.000/99, e, nessa condição, garantem o creditamento na apuração das contribuições não cumulativas. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes relativos às transferências de insumos e produtos em elaboração, entre as unidades fabris da pessoa jurídica, qualificamse como serviços aplicados na produção de bens destinados à venda, com direito de crédito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Não há respaldo legal para admitir a tomada de créditos em relação aos fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica ou centros de distribuição, ao passo que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, mesmo que ditas movimentações de mercadorias atendam a necessidades logísticas ou comerciais. PEÇAS DE REPOSIÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DA PRODUÇÃO. GLOSA COMO INSUMOS. QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO. DIREITO. REALOCAÇÃO. Uma vez que a autoridade fiscal tenha promovido a reclassificação de peças de reposição averbadas como insumos aplicados à produção, por se enquadrarem, pelas suas características, como bens passíveis de registro no ativo imobilizado, deve realocar ditos valores para a rubrica máquinas e equipamentos aplicados na produção, com crédito pelas respectivas quotas de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, § 1º, III da Lei nº 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para (a) reconhecer o direito à inclusão das aquisições com o CFOP 1.125 na apuração dos créditos, como serviços (insumos) aplicados à Fl. 2366DF CARF MF 4 produção, acaso ainda não consideradas; (b) admitir o cálculo do crédito presumido das aquisições de ovinos pelo percentual de 60% (sessenta por cento); (c) admitir o creditamento relativo aos fretes sobre aquisições de insumos e sobre transferências de insumos e produtos em elaboração, entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica; e (d) reconhecer o direito à tomada de crédito, como quota de depreciação, pelas aquisições de peças de reposição de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente). Relatório Alberga este processo pedidos de ressarcimento/compensação de COFINS não cumulativa referente ao 4º trimestre/2010, com reconhecimento parcial do direito creditório e compensação homologada na mesma medida. O relatório fiscal de efls. 1.993 e ss. relacionou os ajustes realizados da seguinte forma: i) Serviços utilizados como insumos – divergência entre o DACON e as memórias de cálculo apresentadas. ii) bens utilizados como insumos – glosas dos produtos das posições NCM 0102 e 0104, que devem ser apurados como crédito presumido; glosa das aquisições de mercadorias das NCM 0201.20.10, 0201.20.20, 0201.20.90, 0201.30, 0202.20.90, 0202.30, 0206.10, 0206.21, 0206.29.10, 0206.29.90, 0506.90, 1502.00.19 e 1502.10.11, porque sujeitas à suspensão do art. 32 da Lei nº 12.058/2009; realocação das aquisições com CFOP 1.125 para a rubrica “serviços utilizados como insumos”; glosas de lenha/bagaço referentes a aquisições de pessoas físicas; glosas de aquisições de peças de reposição de equipamentos utilizados na produção, porque deveriam ser acrescidos aos respectivos bens, no ativo permanente, e abatidas as correspondentes quotas de depreciação, conforme art. 301 do RIR/99; outras glosas de bens que, pelas suas características, não se enquadram no conceito de insumo. iii) Crédito presumido das atividades agroindustriais – Duplicidade de registros de compras de bois e ovinos para abate, tanto na rubrica Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 12 5 “bens utilizados como insumos” e “bens adquiridos para revenda”, como no cálculo do crédito presumido, mantendo a fiscalização tais aquisições neste último grupo; recálculo do crédito presumido pela inclusão das aquisições de produtos das NCM 0204.22, 0204.23 0204.42 e 0204.43, com suspensão das contribuições; crédito presumido referente às aquisições de carne ovina e ovinos, com utilização dos percentuais de 60% e 35%, respectivamente, sem direito a ressarcimento, por falta de previsão legal (art. 8º, § 3º, I e III da Lei nº 10.925/2004); compra de bois com emprego de percentual de 50%, quando estiverem as aquisições vinculadas às exportações; e, desconsideração das aquisições de bovinos comercializados no mercado interno, em razão da suspensão das contribuições em ditas compras. iv) Bens para revenda divergência entre o DACON e as memórias de cálculo apresentadas. v) Aluguel de máquinas e equipamentos – glosas de operações realizadas com pessoas físicas e das notas fiscais de aquisição cuja descrição do serviço não corresponde a aluguel (“prest serv p jurid”, “serviço manutenção”, “serviço infraestr”, etc.). vi) Aluguel de imóveis – glosas de aluguéis contratados junto a pessoas físicas e dos valores pagos ao “Condomínio Edifício Montab”, pela falta de apresentação do correspondente contrato e por presumirse tratar de despesas condominiais, diante das peculiaridades do caso. vii) Arrendamento mercantil – glosas dos contratos com as empresas Bravo Beef S/A, por ser a requerente mera interveniente, e Frigorífico Mercosul, Frigorífico 4 Rios e Frigorífico Boivi Ltda, por não figurar a requerente nos instrumentos de arrendamento. viii) Devoluções de vendas – glosas dos retornos de mercadorias cuja saída ocorreu com suspensão das contribuições não cumulativas. ix) Despesas de armazenagem e fretes – glosas dos fretes sobre aquisições e das transferências de insumos/produtos (inacabados e acabados) entre os estabelecimentos da pessoa jurídica. x) Crédito pela depreciação dos bens do ativo imobilizado – glosa integral em função da não apresentação de memórias de cálculo adequadas ao levantamento dos valores devidos. Em impugnação o contribuinte requereu, preliminarmente, a suspensão do PA 19515.720692/201367, que trata de auto de infração decorrente do reconhecimento parcial do direito de crédito albergado nestes autos e, no mérito, sustentou o seguinte: i) Serviços utilizados como insumos – A mencionada realocação das aquisições com CFOP 1.125 para a rubrica “serviços utilizados como Fl. 2368DF CARF MF 6 insumos” não ocorreu e que todos os serviços se referiam a insumos, protestando pela juntada posterior de planilhas e notas fiscais. ii) Bens utilizados como insumos – Todas as aquisições de mercadorias das NCM 0201.20.10, 0201.20.20, 0201.20.90, 0201.30, 0202.20.90, 0202.30, 0206.10, 0206.21, 0206.29.10, 0206.29.90, 0506.90, 1502.00.19 e 1502.10.11 garantem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 34 da Lei nº 12.058/2009; que a redação do dispositivo, à época dos fatos, permitia o cálculo do crédito presumido; que os seus estabelecimentos apenas revendiam tais produtos, sem qualquer industrialização, de maneira que não havia vedação para apropriação do crédito pelo percentual de 40%; que a lenha/bagaço é utilizado como combustível, devendo ser incluída no cálculo do crédito; que as aquisições de peças de reposição não foram aceitas como insumos e tampouco calculadas como quota de depreciação, contrariando o próprio raciocínio da fiscalização; quanto aos demais itens glosados neste grupo, após discorrer sobre o conceito de “insumos”, concluiu que sua acepção equivale a custo de produção e despesas necessárias, nos termos dos arts. 289 e 290 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), abrangendo todos os custos, diretos e indiretos, necessários à produção e realização de serviços, protestando pela juntada posterior de dossiê, com a função de cada item no processo produtivo. iii) Crédito presumido da agroindústria – As aquisições de ovinos garantem crédito presumido no percentual de 60%, por força do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/04; as aquisições de produtos das NCM 0204.22, 0204.23, 0204.42 e 0204.43 – carne ovina – foram realizadas da empresa Marfrig Alimentos S/A, que exerce atividade agroindustrial e não agropecuária, razão porque não foram realizadas com suspensão e garantem o crédito integral das contribuições, finalizando com protesto pela posterior juntada das notas fiscais de aquisições. iv) Crédito presumido de bois para abate (NCM 0102) – Tem direito ao crédito presumido no percentual de 60% pelas aquisições de bovinos para comercialização da produção no mercado interno, por força do art. 37 da Lei nº 12.058/2009 (não se lhe aplicando o disposto no art. 33, § 1º) c/c art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004. v) Bens para revenda – Todos os valores indicados nos DACONs estão corretos, requerendo a juntada de planilha a amparar a integralidade dos créditos (apesar da referência, nada foi juntado). vi) Aluguel de máquinas e equipamentos – Todos os valores constantes dos DACONs estão corretos, protestando pela posterior juntada dos documentos comprobatórios. vii) Aluguel de imóveis – Todos os valores informados nos DACONs estão corretos, as glosas relativas às empresas VS Empreendimentos e Participações Ltda. e VD do Carmo Imobiliária ME são improcedentes, porque os valores foram pagos a pessoas jurídicas; que há uma inconsistência no valor utilizado pela fiscalização no mês de julho/2010 e requer a juntada de memorial descritivo das operações que compuseram a apuração desta rubrica (não foi juntado). Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 13 7 viii) Arrendamento mercantil – Os imóveis das empresas Frigorífico Mercosul, Boivi e 4 Rios foram sublocados ao requerente, conforme contratos anexados (não juntados), uma vez que a Marfrig Alimentos S/A cedeu todos os direitos e obrigações oriundos desses contratos. Protesta pela juntada posterior de prova. ix) Devolução de vendas – As glosas não devem prosperar porque todas as devoluções se referem a vendas originalmente tributadas, informando que será encaminhada planilha com todas as devoluções sujeitas às contribuições. x) Despesas de armazenagem e frete – Os fretes entre estabelecimentos se referem à transferência de produtos acabados, matériasprimas ou produtos em elaboração, defendendo que os fretes da primeira espécie garantem, também, direito ao crédito; que as transferências de produtos acabados entre os centros de distribuição são etapas intermediárias das operações de venda e devem ser admitidos os respectivos fretes, citando decisões administrativas e soluções de consulta. Os fretes nas aquisições de insumos qualificamse como custo de aquisição e devem ser considerados como insumos. xi) Crédito pela depreciação dos bens do ativo imobilizado – As peças de reposição glosadas como insumos utilizados na produção devem ser admitidas no cálculo desse grupo. Protesta pela juntada posterior de contrato de dação em pagamento e planilha com os bens sujeitos à depreciação. A DRJ Porto Alegre/RS julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mediante decisão assim ementada: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 2370DF CARF MF 8 Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. BOVINOS PARA ABATE. INDUSTRIALIZAÇÃO. Relativamente ao boi vivo (NCM 01.02), com o advento da Lei nº 12.058, de 2009, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, sendo que as alterações trazidas por aquela Lei permitiram a apuração do crédito presumido na sua aquisição por pessoa jurídica produtora de determinadas mercadorias, tão somente quando a referida produção fosse destinada à exportação e desde que atendidos os requisitos exigidos pela legislação pertinente. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. Na apuração do crédito presumido, o percentual a ser observado tem relação com a natureza do insumo adquirido, e não do bem/mercadoria produzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME NÃOCUMULATIVO. ALUGUEIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A pessoa jurídica poderá descontar do valor da contribuição devida créditos calculados em relação a despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, desde que estes sejam utilizados nas atividades da empresa e as despesas pagas a pessoa jurídica. REGIME NÃOCUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez que a venda do produto não gerou débito da contribuição, tendo em vista tributação suspensa, não há que se falar em crédito relativo à operação de devolução. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 14 9 REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente cobrado, até o desfecho do processo administrativo.” Em recurso voluntário o contribuinte, preliminarmente, reiterou o pedido de suspensão do PA 19515.720692/201367, auto de infração decorrente, até que sejam julgados todos processos que envolvem o ressarcimento de créditos/compensações ou, alternativamente, a reunião dos feitos; e defendeu a possibilidade de juntada posterior de documentos, com fulcro no princípio da verdade material e no art. 29 da Lei nº 9.784/99, sendo que sua vedação feriria o contraditório e a ampla defesa, citando doutrina e jurisprudência. No mérito, mutatis mutandis, reprisou a argumentação da manifestação de inconformidade. Juntouse ao recurso contrato de locação residencial, entre VD do Carmo Imobiliária e MFB Marfrig Frigoríficos Brasil S/A, e instrumento particular de locação não residencial, entre VS Empreendimentos Participações Ltda. e Marfrig Alimentos S/A. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. PRELIMINARES Preambularmente, quanto à conexão destes autos com o PA 19515.720692/201367 e o pedido de sobrestamento formulado, a despeito de reconhecer a vinculação entre ambos os feitos, entendo que a prejudicialidade do julgamento se dá naquele processo em relação ao ora examinado e não o inverso, isso porque aqueloutro alberga auto de infração para constituição de crédito decorrente de glosas realizadas neste processo, além de outros que tratam de pedido de ressarcimento/compensação de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. Assim, a pretendida “suspensão” do PA 19515.720692/201367 deve ser requerida naqueles autos e dirigida ao Conselheiro sorteado para seu julgamento, não cabendo ao ora relator se manifestar ou emitir decisões sobre processos que não lhe foram distribuídos. Tocante à possibilidade extemporânea de juntada de documentos ao processo, como postulado à exaustão na manifestação de inconformidade, é equivocada a tese patrocinada pelo recorrente, no sentido que, em homenagem ao princípio da verdade material, Fl. 2372DF CARF MF 10 contraditório e ampla defesa, sua produção seria livre no curso do processo, porquanto admiti la tornaria o procedimento caótico, com idas e vindas a fases processuais já encerradas. Outrossim, não custa lembrar que a Lei nº 9.784/99, citada em recurso, aplicase apenas subsidiariamente aos processos que se regem por lei própria, como expressa o seu art. 69, sendo este o caso do processo administrativo fiscal. O procedimento fiscal teve início em 02/05/2012 e o despacho decisório correspondente prolatado em 03/05/2013, sendo esse intervalo de 01 (um) ano tempo suficiente para a preparação dos documentos que ampararam o preenchimento do DACON e permitiram a apuração das contribuições não cumulativas que originaram os pedidos de ressarcimento examinados (efl. 1.993). Na situação vertente, os documentos e planilhas analíticas serviram de base aos lançamentos contábeis e informações prestadas em declarações apresentadas à administração tributária, de sorte que, nos termos do art. 19 da Lei nº 3.470/58, com a redação dada pelo art. 71 da MP 2.15835/2001, o prazo para entrega desses documentos seria de 05 (cinco) dias úteis (§ 1º), ou, quando muito, 20 (vinte) dias (caput). Excepcionalmente, visando à propalada garantia da ampla defesa e do contraditório, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), admite, de forma preclusiva, a prova documental no prazo de impugnação ou manifestação de inconformidade, ressalvando as hipóteses de sua flexibilização. Portanto, não se enquadrando os elementos que se pretende coligir nas exceções arroladas, não há como acolher o protesto de juntada a destempo, mormente porque, pela sua natureza, deveriam tais documentos estar disponíveis desde o início da ação fiscal. MÉRITO Respeitante ao mérito, seguirei a ordem de enfrentamento proposta pela peça apresentada. I Serviços utilizados como insumos Nesse tópico o recorrente reclama a não inclusão das aquisições com CFOP 1.125 (Industrialização efetuada por outra empresa quando a mercadoria remetida para utilização no processo de industrialização não transitou pelo estabelecimento adquirente da mercadoria) na apuração dos créditos, ao passo que a autoridade fiscal promoveu a glosa no grupo “bens utilizados como insumos” e afirmou a realocação dos valores na rubrica “serviços utilizados como insumos”, mas não o fez. Sendo esse o quadro, assiste razão à reclamação, pois a própria fiscalização aduziu que faria o ajuste, porém, não resta claro, no relatório fiscal, se realmente foi feito, devendo ser admitida a inclusão das aquisições com o CFOP 1.125 na apuração dos créditos por aquisição de serviços como insumos, acaso não promovido o acerto. Registrese que a própria fiscalização reconhece a procedência do direito em questão, como se extrai da seguinte passagem (efl. 2.005), residindo a celeuma na aparente ausência do acerto necessário: “46. Glosamos também a operação classificada no CFOP 1125, pois tratase de serviço utilizado como insumo, e essa Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 15 11 operação será analisada na rubrica correta como veremos posteriormente.” Quanto às demais diferenças, havidas entre as memórias de cálculo e os valores indicados nos DACONs, limitase o recorrente a afirmar a correção dos dados da declaração, sustentando corresponderem a serviços empregados no processo produtivo, sem, no entanto, fazer prova de suas alegações. Demais disso, nada foi glosado, restringindose a fiscalização ao ajuste de valores, a partir do cotejo do memorial analítico de cálculo, onde constou a decomposição dos valores averbados, e os DACONs. Nesse passo, tratandose de pedido de ressarcimento, o ônus probatório do direito vindicado é do requerente, a teor do art. 373, I do CPC/15 (art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, ante a ausência de norma específica no Decreto nº 70.235/72, encargo esse que o contribuinte não se desincumbiu de cumprir no momento processual adequado, valendo a remissão à ressalva preambular, de não conhecimento de qualquer documento colacionado por ocasião da interposição do recurso voluntário. A prova dos fatos constitutivos do direito vindicado, mormente o preenchimento dos requisitos necessários à sua fruição, é encargo atribuível ao seu titular, polo ocupado pelo contribuinte, nos processos de pedido de restituição de indébito e ressarcimento de créditos. II – Bens utilizados como insumos O recorrente contesta a glosa das aquisições de insumos, supostamente acobertadas pela suspensão, classificados nas posições NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) 0201.20.10, 0201.20.20, 0201.20.90, 0201.30, 0202.20.90, 0202.30, 0206.10, 0206.21, 0206.29.10, 0206.29.90, 0506.90, 1502.00.19 e 1502.10.11, com fulcro no art. 32, II c/c 34, § 1º da Lei nº 12.058/09, ao argumento que a fiscalização examinou a legislação vigente após a ocorrência dos fatos geradores (1º trimestre/20102º trimestre/2011), empregando a redação dada pela Lei nº 12.431/11, quando deveria adotar aquela determinada pela Lei nº 12.350/10, que não previa a suspensão das contribuições pela venda de animais vivos da posição NCM 0102 a empresas que apenas revendessem aludidas mercadorias, aduzindo que os estabelecimentos que as adquiriram não realizaram qualquer espécie de processo industrial ou de produção a justificar a suspensão, razão porque deveria ser concedido o crédito presumido. De fato, houve um equívoco na reprodução do texto legal vigente por ocasião dos fatos jurídicos ensejadores do direito de crédito, no relatório fiscal, como apontado pelo contribuinte, no entanto, isso não conduz à conclusão que faria jus ao crédito presumido, como postula. Para melhor expor o raciocínio, transcrevo a redação vigente dos arts. 32, II e 34, § 1º da Lei nº 12.058/2009: “Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: Fl. 2374DF CARF MF 12 (...) II – produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda mercadorias com a suspensão do pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins prevista no inciso II do art. 32, poderá descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o É vedada a apuração do crédito de que trata o caput deste artigo nas aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do caput do art. 32 desta Lei.” (destacado) O recorrente sustenta, sem fazer prova dessa alegação, como acentuado pela decisão recorrida, que os estabelecimentos que adquirem os produtos das posições (NCM) citadas não os industrializam, mas apenas os revendem. Ocorre que, diversamente da legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o princípio da autonomia dos estabelecimentos não vigora na legislação do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, cuja apuração alberga o movimento da pessoa jurídica, daí porque ainda que se admita que estes estabelecimentos da pessoa jurídica sejam exclusivamente comerciais, em nada modifica o raciocínio pela impossibilidade do direito de crédito. É inconteste que a pessoa jurídica MFB MARFRIG Frigoríficos Brasil S/A realiza operação de industrialização de produtos das posições 0201 e 0202 da NCM, pouco importando que alguns de seus estabelecimentos apenas comercializem os produtos relacionados no art. 32 da Lei nº 12.058/09, razão porque as respectivas aquisições se davam, ou deveriam se dar, com suspensão das contribuições e, nessa condição, por força do art. 34, § 1º, não garantiam crédito algum, sequer presumido, de modo que não assiste razão ao recorrente. E não se diga que está a configurar mudança de critério jurídico em relação à manifestação fiscal, porque o agente em momento algum afirmou que a glosa ocorreu por ser o estabelecimento industrial, como sugere o recorrente, mas sim porque os produtos estavam sujeitos à saída com suspensão, o que se mostrou procedente. Concernente às aquisições de lenha e bagaço, utilizados como combustível para aquecimento de caldeiras, não se discute que se trate de um insumo, tampouco esse foi o motivo arrolado pela fiscalização para promover sua glosa, mas sim por envolver aquisições de pessoas físicas, o que não é negado pelo recorrente, que invoca o seu direito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Segue o trecho do relato fiscal: Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 16 13 “47. As compras de Lenha/Bagaço utilizado como combustível para aquecimento das caldeiras em que o fornecedor era uma pessoa física também foram glosadas, pois tais operações não sofreram incidência da contribuição, e por força do § 2º, II, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica), não dão direito a crédito as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.” (destacado) Ora, o art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/03, textualmente citado, é categórico em dispor que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, como no caso das pessoas físicas, que não se qualificam como contribuintes da exação em comento, sendo a glosa correta, em que pese tratarse de aquisição de insumo. Quanto ao pedido alternativo, de reconhecimento de crédito presumido em relação a estas aquisições, com lastro no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tenhono como precluso, uma vez que não foi deduzido expressamente na manifestação de inconformidade (efls. 2.060/2.064), representando inovação recursal, inadmitida no processo administrativo por força dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72. Relativamente às peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção, houve glosa por entender a fiscalização que, segundo o regramento da legislação do imposto de renda, deveriam tais produtos ser ativados, nos seguintes termos: “49. O contribuinte havia incluído ainda na base de cálculo a aquisição de peças de reposição de equipamentos utilizados na produção. Tais valores somente podem ser considerados como despesa e incluídos na base de cálculo como bens utilizados como insumos, se tiverem valor inferior à R$ 326,61 (trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos), como previsto no art. 301, do regulamento do imposto de renda (Decreto nº 3000/99). Valores acima deverão ser considerados como ativo permanente e o aproveitamento do crédito só poderia ser realizado com base na depreciação incorrida no mês. Sendo assim, todos os valores de compras de peças para reposição de equipamentos utilizados na produção em valores maiores do que o estipulado foram glosadas.” (destacado) O Contribuinte, por seu turno, não questiona a conclusão da fiscalização, sendo despiciente debater a requalificação, sob pena de julgamento extra petita, cingindose a reclamação então à não consideração desses valores como quotas de depreciação de bens do ativo empregados no processo produtivo, como aduzido pela própria autoridade fiscal. Nesse ponto, a razão está com o recorrente, não se justificando o argumento da decisão recorrida, consoante o qual a pretensão implicaria transferir o ônus da apuração ao Fisco, haja vista que é, sim, atribuição da autoridade fiscal, na aferição desta apuração de créditos requeridos, a realocação de direitos que, pela sua natureza, o contribuinte tenha cometido erro em sua qualificação, não podendo se limitar a glosálos. Fl. 2376DF CARF MF 14 Acentuese que o contribuinte requereu, desde o início do contencioso, a concessão de ditos créditos, mesmo porque a fiscalização não mencionou que estes produtos (peças de reposição) não atendiam aos demais requisitos para garantia de crédito pelas quotas de depreciação, o que, aliás, seria um contrassenso, não fazendo sentido afirmar que o contribuinte faz jus a um determinado crédito, sem examinar o cumprimento das condições para sua fruição. Entrementes, antecipando a questão, o fato de não ser reconhecido qualquer valor originário, a título de depreciação, devido a deficiências nas memórias de cálculo apresentadas, não afasta o direito em relação, pelo menos, às peças de reposição, que, como dito, a própria fiscalização reconheceu procedente, sendo coerente o pleito do contribuinte. Atinente às demais glosas, pelo não enquadramento dos produtos no conceito de insumo, o recurso aviado, em delongada exposição, apresentou a sua acepção do termo, ao final, equiparandoo ao custo de produção e despesas operacionais da legislação do imposto de renda (arts. 290 e 299 do RIR/99), no entanto, não contestou especificamente qualquer glosa, simplesmente afirmando que todas as aquisições se classificavam como insumos. Essa inferência parece lógica, desde que adotada a definição de insumo proposta pelo contribuinte, o que, todavia, já foi rejeitado por este sodalício, que, da mesma maneira, não compartilha do conceito formulado pela RFB, preferindo um conceito intermediário, mais consentâneo com escopo da lei. Essa noção efetivamente entremease à tese defendida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o equipara às matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, segundo a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (vide PN CST 65/79), bem assim, àquela defendida pelo ora recorrente, como assinalado, equivalente o seu alcance às despesas operacionais e custos de produção, da legislação do IRPJ, representando os extremos desse conceito. Esta situação foi captada com percuciência no voto proferido pelo outrora membro desta turma julgadora, Cons. Bernardo Leite de Queiroz Lima, no julgamento do Acórdão nº 3401002.859, cujo excerto peço licença para transcrever e que adoto, em parte, como razão de decidir: Os dispositivos das instruções normativas definiram como insumos na fabricação de bens destinados à venda, os bens que se enquadrem como matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No que tange aos serviços, este serão considerados insumos quando forem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Na prestação de serviços, serão considerados insumos os bens e serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Percebese que as instruções normativas adotaram o conceito de insumo utilizado na legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao restringir os insumos a matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 17 15 material de embalagem, bem como outros bens que tenha desgaste em contato com o bem produzido. Este é um conceito bastante restrito, coerente com a materialidade do IPI, que está intrinsecamente relacionada ao processo de industrialização, a um ciclo econômico em que é possível aferir as diferentes etapas e identificálas de forma a impedir a indevida onerosidade em cada uma delas, de forma a garantir a nãocumulatividade. Não é, contudo, o caso do PIS e da COFINS, cujo fato gerador o ‘faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil’, não se relacionando diretamente a um determinado produto e sua industrialização, mas às receitas decorrentes da atividade empresarial como um todo. Não é possível, portanto, adotar para o PIS e a COFINS um conceito de insumo originário da legislação do IPI, uma vez que a materialidade daquelas contribuições e deste imposto são distintas, não guardando semelhança a justificar que se aproveite definições deste naquelas. Da mesma forma, a materialidade do PIS e da COFINS, conquanto mais próxima àquela do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, haja vista que o faturamento também é elemento que afeta este imposto, não se confundem. É cediço que, para se apurar o lucro de determinada pessoa jurídica, é necessário verificar o faturamento e as receitas desta para se alcançar o lucro líquido e, posteriormente, o lucro real, base de cálculo do imposto no regime de apuração real. Isto não significa, contudo, que as definições contidas na legislação do IRPJ são aplicáveis ao PIS e à COFINS, posto que, mesmo com suas semelhanças, tratamse de tributos distintos. Outrossim, caso aplicados os conceitos do IRPJ ao PIS e à COFINS, correse o risco de descaracterizar a materialidade destas contribuições. Assim, não é possível afirmar que o conceito de insumos corresponde exatamente ao de despesas necessárias do art. 299 do Decreto nº 3000/99 ou do custo de produção trazido no art. 290 deste mesmo decreto, não obstante algumas semelhanças entre o conceito de insumo e estas definições. Neste sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 3ª Seção, no acórdão nº 3302001.916, em que foi adotado um conceito próprio de insumo, distinto tanto daquele previsto na legislação do IPI quanto da legislação do IRPJ, para fins de apuração dos créditos de PIS e COFINS. Por partilhar deste entendimento, segue transcrição de trecho do voto proferido naquele acórdão, o Fl. 2378DF CARF MF 16 qual permite elucidar de forma clara a questão dos insumos: (...) Em suma, em busca de um conceito de insumo que esteja em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI; bem como não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Adotando o conceito a que se chegou a CSRF no acórdão acima, é possível definir insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Partindo deste conceito, deve ser feita uma análise pormenorizada dos créditos de COFINS glosados no auto de infração e determinar se, dentro do conceito de insumo adotado, podem tais créditos serem mantidos ou não.” Destas ilações, ressalvo apenas a interpretação correspondente à possibilidade de se admitir a caracterização de insumo aos bens e serviços utilizados indiretamente no processo produtivo, na fabricação ou na prestação dos serviços. Isto porque, permitir que o emprego indireto dos bens/serviços na produção possa gerar direito de crédito conduz justamente à incerteza que o conceito formulado pretende afastar, porquanto indiretamente todas as despesas concorrem para a formação do produto final ou serviço prestado pelo contribuinte, ou mesmo são necessários ao exercício de suas atividades. A meu ver, a compreensão do termo insumo, como inserto nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, que melhor se amolda ao escopo da norma, alberga tãosomente aqueles bens e serviços que são utilizados diretamente na produção, industrialização e prestação de serviços, afastados os que não satisfaçam essa primordial condição. Nesse sentido, a título exemplificativo, seguem recentes julgados desta casa: “PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.” (Acórdão 9303004.918, de 10/04/2017). Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 18 17 “NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.” (Acórdão 3301003.464, de 26/04/2017) “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI, sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.” (Acórdão 3301002.995, de 21/06/2016) Neste processo, a partir das colocações recursais, a altercação circunscreveu se ao conceito amplo e abstrato de insumo, uma vez que o recorrente não contestou especificamente glosa alguma e tampouco trouxe qualquer esclarecimento acerca do efetivo emprego dos materiais glosados no seu processo produtivo, como protestado em manifestação de inconformidade, devendo ser mantida a exclusão promovida pela fiscalização, lembrando que o encargo probatório é incumbência do recorrente, visto tratarse de processo de ressarcimento de créditos. III – Crédito presumido na agroindústria Nesse ponto a reclamação reside nos percentuais que foram aplicados pela fiscalização para apuração do crédito presumido, a saber: Fl. 2380DF CARF MF 18 a) Aquisição de ovinos – NCM 0104 – 35% (trinta e cinco por cento) – art. 8º, § 3º, III da Lei nº 10.925/04 – não há direito a ressarcimento por falta de previsão legal; b) Aquisição de carne ovina – NCM 0204.22, 0204.23, 0204.42 e 0204.43 – 60% (sessenta por cento) – art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 – não há direito a ressarcimento por falta de previsão legal; e, c) Aquisição de bois – NCM 0102 – 50% (cinqüenta por cento) – art. 33 da Lei nº 12.058/2009 – direito a crédito presumido/ressarcimento quando vinculadas as aquisições às receitas de exportações. O recorrente, em longo arrazoado, contesta as conclusões do relatório fiscal e da decisão recorrida. Diante das peculiaridades e das dificuldades inerentes à modalidade de crédito sub examine, visando facilitar a demonstração da argumentação, melhor compartimentar a análise dos três itens. III.1 – Aquisições de ovinos O recorrente, nesse tópico, destaca a superveniência da Lei nº 12.865/13, que fez incluir o § 10 ao art. 8º da Lei nº 10.925/04, com caráter interpretativo, imputando erro exegético na decisão recorrida, ao afirmar que o direito de crédito estava atrelado às aquisições de insumos classificados nas posições (NCM) relacionadas no mencionado art. 8º, III, e não às saídas dos mesmos produtos do estabelecimento industrial. A redação do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/04, à época dos fatos, era a seguinte: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 19 19 de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)” Posteriormente, como mencionado pelo contribuinte, houve inclusão do § 10, no dispositivo, pelo art. 33 da Lei nº 12.865/2013, com a seguinte redação: “Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” (grifado) Aludida previsão foi inserida na conversão da Medida Provisória nº 615/2013 na sobredita lei, datada de 09/10/2013, logo, posterior à confecção do relatório fiscal, que assim justificou a adoção da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento): “68. A empresa é produtora de mercadorias classificadas no capítulo 2 da NCM e os ovinos constituem insumos utilizados na sua produção. Esclareçase que os ovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, na posição 01.04. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, será calculado com base no inciso III, do parágrafo 3º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, na forma estabelecida no art. 8º, caput e § 1º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Dessa forma, a alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo apurada será 35% da alíquota original do PIS e da Cofins que é de 1,65% e de 7,6%, ou seja, sobre a base de cálculo do crédito presumido devem ser aplicadas as alíquotas de 0,5775% para o PIS e de 2,66% para a Cofins.” Como se observa, o texto do art. 8º, § 3º supra transcrito, inadvertidamente, causa uma confusão intelectiva no intérprete, ao afirmar que o crédito presumido seria calculado sobre as aquisições para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM, sem esclarecer se a expressão “produtos de origem animal” guardaria referência com os insumos adquiridos pela pessoa jurídica ou com os produtos acabados por ela produzidos. Fl. 2382DF CARF MF 20 A fiscalização, bem assim, o colegiado a quo, atrelamna aos insumos, esta última, mesmo após o advento do indigitado parágrafo dez, enquanto o contribuinte defende sua ligação com as mercadorias produzidas. Uma análise detida do malsinado parágrafo dez, ainda que não ostente a melhor das redações, parece dar razão ao recorrente, ao “clarificar” que o direito de crédito alcançaria todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos, de modo que, não faria sentido lógicojurídico proceder à leitura segundo a qual a expressão (produtos de origem animal) estaria a se referir aos insumos, sob pena de desvirtuar e tornar o crédito em tela mais estranho do que já se apresenta. Por conseguinte, aplicável à espécie as disposições do art. 106, I do Código Tributário Nacional, que prevê as hipóteses de retroatividade da norma, dentre as quais, figuram aquelas que sejam expressamente interpretativas, como no caso. Assim, uma vez que a pessoa jurídica “é produtora de mercadorias classificadas no capítulo 2 da NCM e os ovinos constituem insumos utilizados na produção”, como destacado pela fiscalização, a partir da integração do art. 3º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 e do art. 106, I do CTN, inferese que o contribuinte tem direito ao cálculo com a aplicação do percentual de 60% (sessenta por cento), como apregoa. III.2 – Aquisição de carne ovina A fiscalização fixou o direito de crédito presumido em 60% (sessenta por cento), divergindo o contribuinte, que defende o direito ao crédito integral, uma vez que as premissas adotadas pelo relatório estão equivocadas, ao entender que as aquisições ocorreram com suspensão das contribuições, nos termos do art. 9º, III da Lei nº 10.925/04. Essa suspensão alcançaria apenas as vendas de produtos enquadrados como insumos dos produtos listados no art. 8º, caput, do mesmo diploma, quando realizadas por pessoa jurídica que exercesse atividade agropecuária. No entanto, sustenta a recorrente, as aquisições de carne ovina se realizaram através da pessoa jurídica Marfrig Alimentos S/A, com recolhimento das contribuições, eis que não se trata de exercente de atividade agropecuária, mas sim agroindustrial, por conseqüência não haveria que se falar em suspensão da contribuição. Contudo, como bem pontuado pela decisão sob vergasta, a alegação de ser o fornecedor empresa agroindustrial e que teria havido incidência das contribuições nessas operações não veio acompanhada de qualquer prova hábil a desconstituir a glosa, competindo ao recorrente a sua produção no momento processual adequado, de modo que não deve ser acolhido o pleito revisional. III.3 Aquisições de bois para abate O recálculo limitou o crédito presumido às aquisições de bois para produção de mercadorias destinadas à exportação, no percentual de 50% (cinqüenta por cento), com base no art. 33 da Lei nº 12.058/09, com a inadmissão de crédito para aquisições vinculadas às vendas no mercado interno. O contribuinte, mesmo concordando com o percentual de 50% em relação às aquisições atreladas às exportações, sustentou o direito ao crédito presumido de 60% pelas aquisições destinadas ao mercado interno, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, não se lhe aplicando a vedação do art. 37 da Lei nº 12.058/09, por industrializar outros produtos além Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 20 21 daqueles indicados no mencionado preceptivo (posições 0201, 0202, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29 e 1502.00.1 da NCM). Os artigos em epígrafe estão vazados nos seguintes termos: “Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Art. 37. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM. (Produção de efeito)” Porém, assim como em situações anteriores, o recorrente apenas aduz que produz outros “itens”, além daqueles arrolados no transcrito art. 37, o que lhe garantiria o crédito presumido, pelas vendas internas (art. 8º da Lei nº 10.925/2004), não especificando sequer quais seriam esses “outros” produtos de classificação distinta daquelas, mais uma vez não se desencarregando do ônus de provar o que alega, motivo pelo qual o crédito deve ser mantido apenas para as aquisições enleadas às exportações, no percentual de 50%. IV – Bens para revenda Mais uma vez o busílis da questão amarrase à prova das alegações, pois o recorrente, diante do ajuste dos valores promovido pela fiscalização, ante a diferença entre os DACONs e as memórias de cálculo, limitase a asseverar que os valores constantes desses demonstrativos estão corretos, sem acostar qualquer acervo documental que o ampare, como acentuado pela DRJ: “Ainda que a contribuinte tenha requerido a juntada de planilhas que demonstrariam as aquisições de bens para fins de revenda, tal não foi feito, donde restou prejudicada a análise de eventual direito creditório relativamente a essa rubrica.” (efl. 2.214). Diante do quadro fático, outra alternativa não resta senão manter os valores apurados pela autoridade fiscal. Fl. 2384DF CARF MF 22 V – Aluguel de máquinas e equipamentos Nesse grupo foram excluídos valores que não correspondiam a aluguéis, bem como, quantias pagas a pessoas físicas, insistindo o recorrente que os valores estão corretos, sem enfrentar diretamente a impossibilidade de crédito. O tema não merece dilação argumentativa, dispondo expressamente o art. 3º, IV que o direito de crédito circunscrevese aos valores pagos a pessoas jurídicas, verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...)” (grifado) Logo, sem razão o recorrente. VI – Aluguéis de imóveis Relativamente a essa rubrica, os motivos das glosas foram o pagamento a pessoas físicas (locador/proprietário Sr. Evaristo César Paim de Souza, Begair Trindade da Silva e Rodrigo Marcello Rosa) e pela não apresentação do respectivo contrato de locação em relação ao favorecido Condomínio do Edifício Montab, aliado ao fato que o endereço do imóvel é o mesmo do contrato formalizado com Reipil Participações Ltda., admitido no cômputo, o que levou a fiscalização a concluir que o contribuinte pretendia, a bem da verdade, a apropriação de créditos pelo pagamento de despesas condominiais, o que não conta com previsão legal. Entretanto, ao invés de discutir as exclusões constantes do relatório, afirmou o recorrente que a fiscalização teria glosado, sem fundamentação, os valores pagos às empresas VS Empreendimentos e Participações Ltda. e VD Carmo Imobiliária ME. Estranha o fato de o recorrente se defender de algo que não consta do relatório, todavia, para não tomar uma decisão açodada, recorri à planilha de glosas confeccionada pela fiscalização (efls. 1.723/1.724) e não constatei as supostas exclusões verberadas pela defesa. Quanto à colocação de correção dos valores declarados no DACON, vale a mesma observação quanto ao ônus probatório, eis que desacompanhado de elementos que respaldem a sustentação. O recorrente faz, ainda, remissão a um possível lapso no cômputo do valor relativo a julho/2010, que seria de R$ 8.000,00 e não de R$ 5.334,73, como constaria da “listagem” de fl. 2.160, no entanto, nessa folha, no presente processo, consta a impugnação apresentada no PA 19515.720692/201367, não havendo qualquer listagem, planilha ou demonstrativo a que alude, sendo inconsistente o reparo. VII – Arrendamento mercantil Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 21 23 Nesse grupo foram glosados os valores relativos aos contratos firmados com Bravo Beef S/A, onde o contribuinte figura como mero interveniente anuente, e Frigorífico Mercosul, Frigorífico 4 Rios e Frigorífico Boivi Ltda., onde a pessoa jurídica não figura de forma alguma nos instrumentos convencionais. O recorrente, por seu turno, sustenta que, em relação ao Frigorífico Mercosul, Frigorífico 4 Rios e Frigorífico Boivi Ltda, pactuou “Contrato de Arrendamento Mercantil de Imóvel Industrial com Instalações Completas para Abate de Bovinos”, irrevogável e irretratável, com Marfrig Alimentos S/A, onde houve cessão de todos os direitos e obrigações à recorrente, pelo que teria direito às contraprestações por arrendamento mercantil correspondentes. Ocorre que esse suposto contrato de arrendamento não consta destes autos, de modo que padece de comprovação a alegação, devendo ser mantida a exclusão dos valores, sendo situação já constatada pela decisão reclamada: “Ainda que a contribuinte tenha protestado pela posterior juntada de documentos comprobatórios dos valores informados a título da rubrica, bem como de contrato específico, pretendendo comprovar a origem dos créditos pleiteados, tal não foi feito, donde ficou prejudicada a análise de eventual direito creditório relativamente a tal rubrica.” VIII – Devoluções de vendas Os ajustes nesta rubrica decorreram da apropriação de créditos por devoluções de vendas que, na origem, não sofreram tributação, em razão da suspensão das contribuições prevista no art. 32, II da Lei nº 12.058/2009. A contestação aduziu que, após proceder ao levantamento das devoluções do período, constatou a existência de vendas tributadas, referentes a aquisições de carne ovina (NCM 0204.22, 0204.23, 0204.42 e 0204.43), do que resultaria na consideração dessas operações, como abonadoras do creditamento, nada obstante, não relacionou quais seriam essas notas fiscais de devolução, tampouco coligiu tais documentos ao processo, incorrendo reiteradamente na conduta de não provar o que alega, o que impede qualquer análise do direito irrogado. IX – Despesas de armazenagem e frete na operação de venda O relatório fiscal explica que as glosas realizadas na rubrica albergaram exclusivamente fretes, especificamente aqueles relativos às aquisições de mercadorias (“SUP3760”), compras diversas e transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica, indistintamente, e também os fretes havidos nos meses de fevereiro/2011 e junho/2011, porque as memórias de cálculo apresentadas não continham informações das operações nesses períodos. O recorrente contraargumentou a possibilidade de creditamento dos fretes referentes às transferências de produtos acabados como despesa inerente à atividade empresarial, estando englobada no conceito amplo de “operação de venda”, citando jurisprudência; quanto aos fretes de matériaprima entre estabelecimentos, seriam despesas Fl. 2386DF CARF MF 24 atreladas ao processo produtivo, essenciais ao beneficiamento dos produtos; e, para os fretes nas aquisições, a composição dos custos de aquisição, como descrito no art. 289, § 1º do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Nesse diapasão, entendo que o frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica ou armazéns de distribuição não confere direito ao pretendido creditamento, por faltarlhe amparo legal, ao passo que, já encerrado o ciclo de produção, não há possibilidade de entendêlo como insumo (serviço) aplicado ao processo produtivo, e, como a operação comercial ainda não se realizou, não há como reconhecêlo a qualidade de frete sobre a operação de venda, ainda que ditas movimentações ostentem caráter logístico necessário e visem a facilitação da atividade mercantil, etapa seguinte da cadeia econômica, sendo esse o entendimento hodierno das turmas julgadoras desta 3ª SEJUL/CARF/MF: “DESPESAS OPERACIONAIS. FRETES NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não gera direito a créditos da Cofins não cumulativa as despesas operacionais com fretes no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e o distribuidor.” (Acórdão 3102002.166, de 26/02/2014) “CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins.” (Acórdão 3201002.235, de 22/06/2016) “CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos.” (Acórdão 3302003.149, de 26/04/2016) Diversamente, os fretes sobre aquisições de insumos são admitidos no cômputo do custo de aquisição, ex vi dos arts. 289, § 1º e 290, I do Decreto nº 3.000/99, e, nessa condição, permitem a apropriação de créditos da não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, desde que pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, como reconhece a própria RFB, consoante seguinte excerto da Solução de Consulta nº 121 – Cosit, de 08/02/2017, que, examinando fretes de movimentação de produtos importados, en passant expõe o entendimento: “Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 22 25 apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados.” (destacado) Mesmo que o trecho transcrito mencione apenas as mercadorias para revenda, inequívoco que a exegese é plenamente cabível às aquisições de insumos, como previsto no art. 290, I do Decreto nº 3.000/99, o que, aliás, foi admitido pela decisão de piso, que, mesmo reconhecendo o direito em tese, denegoulhe por uma pretensa falta de prova. Contudo, soa estranho esse fundamento, uma vez que o próprio relatório fiscal afirma que promoveu as glosas dos fretes nas aquisições de mercadorias (“SUP3760”) e fretes sobre compras: “111. A planilha apresentada pelo contribuinte continha a coluna chamada ‘tipo’ em que discriminava se o frete ali descrito era na venda, ou se era decorrente de outras operações. As operações que eram descritas com a sigla ‘SUP3760’ foram glosadas, pois em contato com o contribuinte nos foi informado que se tratavam de fretes pagos nas aquisições das mercadorias. Também glosamos as operações que estavam classificadas como frete na compra, por meio da informação contida nessa mesma coluna.” Diante dessa manifestação fiscal falece de sentido o óbice da falta de prova erigido, que deve ser afastado e, por decorrência, deferido o direito de crédito pelos fretes vinculados às compras de insumos, logicamente, apartadas as aquisições de itens que não se enquadrem nessa categoria (insumo), a partir do conceito fixado no presente voto. Essa posição não discrepa do entendimento dominante no CARF, consubstanciado no seguinte aresto: “FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem com custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99.” Fl. 2388DF CARF MF 26 (Acórdão 3402002.881, de 28/01/2016) Da mesma forma, a evolução jurisprudencial atinente à não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins tem se firmado no sentido que os fretes relativos às transferências de matériasprimas e produtos em elaboração, entre estabelecimentos fabris da pessoa jurídica, conferem direito ao crédito, uma vez qualificáveis como prestação de serviços (insumo) na produção de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Essa tem sido a orientação majoritária nos colegiados da 3ª SEJUL/CARF/MF: “FRETES E COMBUSTÍVEIS Fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte do insumos e dos produtos em industrialização devem ser considerados para efeito de cálculo.” (Acórdão 3102002.049, de 26/09/2013) “FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas.” (Acórdão 3402002.605, de 28/01/2015) “CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.” (Acórdão 3302003.149, de 26/04/2016) “INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições sociais no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.” (Acórdão 3402003.171, de 20/07/2016) Em conclusão, devem ser admitidos os fretes sobre aquisições de insumos e sobre transferências de insumos e produtos em elaboração, entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica. X – Crédito com base no valor da depreciação dos bens do ativo imobilizado Esta rubrica, como já antecipado, comportou a glosa integral dos créditos apropriados em razão de insubsistências nas memórias de cálculo apresentadas, o que impediu a aferição dos valores aproveitados. O recorrente não questionou a exclusão promovida, entretanto, pugnou pela consideração, nesse cálculo, das peças de reposição empregadas nos equipamentos da área de Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 10880.941556/201295 Acórdão n.º 3401004.399 S3C4T1 Fl. 23 27 produção e que, originalmente, foram computadas como insumos aplicados na produção e glosados pela fiscalização, devido à alegada necessidade de ativação desses bens para aproveitamento dos créditos pelas quotas de depreciação. Ainda que a fiscalização tenha inferido pela impossibilidade de crédito como insumo, admitiu o creditamento da depreciação correspondente, contudo, não promoveu o ajuste necessário, limitandose à glosa, o que me levou a concluir por assistir razão ao recorrente, nesses termos: “Relativamente às peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção, houve glosa por entender a fiscalização que, pelas regras da legislação do imposto de renda, deveriam tais produtos ser ativados, nos seguintes termos: ‘49. O contribuinte havia incluído ainda na base de cálculo a aquisição de peças de reposição de equipamentos utilizados na produção. Tais valores somente podem ser considerados como despesa e incluídos na base de cálculo como bens utilizados como insumos, se tiverem valor inferior à R$ 326,61 (trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos), como previsto no art. 301, do regulamento do imposto de renda (Decreto nº 3000/99). Valores acima deverão ser considerados como ativo permanente e o aproveitamento do crédito só poderia ser realizado com base na depreciação incorrida no mês. Sendo assim, todos os valores de compras de peças para reposição de equipamentos utilizados na produção em valores maiores do que o estipulado foram glosadas.’ (destacado) O Contribuinte, por seu turno, não questiona a conclusão da fiscalização, sendo despiciente debater a requalificação, cingindose a reclamação à não consideração dos valores, então, como quotas de depreciação, como aduzido pela própria autoridade fiscal. Nesse ponto, a razão está com o recorrente, não se justificando o argumento da decisão recorrida, consoante o qual a pretensão implicaria transferir o ônus da apuração ao Fisco, haja vista que é atribuição da autoridade fiscal, na aferição desta apuração de créditos requeridos, a realocação de direitos que, pela sua natureza, o contribuinte tenha cometido erro em sua qualificação, não podendo se limitar a glosálos. Acentuese que o contribuinte requereu, desde o início do contencioso, a concessão de ditos créditos, mesmo porque a fiscalização não mencionou que estes produtos (peças de reposição) não atendiam aos demais requisitos para garantia de crédito pelas quotas de depreciação, o que, aliás, seria um contrassenso, não fazendo sentido afirmar que o contribuinte faz jus a um determinado crédito, sem examinar o cumprimento das condições para sua fruição. Entrementes, antecipando a questão, o fato de não ser reconhecido qualquer valor originário, a título de depreciação, devido a deficiências nas Fl. 2390DF CARF MF 28 memórias de cálculo apresentadas, não afasta o direito ao cálculo pela depreciação ao menos das peças de reposição, que, como dito, a própria fiscalização, reconheceu procedente, sendo coerente o pleito do contribuinte.” Desse modo, à luz das colocações, deve ser conferido o direito de crédito, pelas quotas de depreciação, em relação às peças de reposição, uma vez que não foram aceitas como insumos aplicados à produção e o recorrente não questionou essa providência fiscal. CONCLUSÃO Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: i) para reconhecer o direito à inclusão das aquisições com o CFOP 1.125 na apuração dos créditos, como serviços (insumos) aplicados à produção, acaso ainda não consideradas; ii) admitir o cálculo do crédito presumido das aquisições de ovinos pelo percentual de 60% (sessenta por cento); iii) admitir o creditamento relativo aos fretes sobre aquisições de insumos e sobre transferências de insumos e produtos em elaboração, entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica; e, iv) para reconhecer o direito à tomada de crédito, como quota de depreciação, pelas aquisições de peças de reposição de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. Robson José Bayerl Fl. 2391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.009578/92-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1989
PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Correta a decisão da Turma Julgadora que excluiu do lançamento relativo à presunção de omissão de receita, caracterizada por passivo não comprovado, a parte do valor comprovado pelo sujeito passivo relativo à conta de fornecedores.
IR-FONTE. DEDUÇÃO INDEVIDA.
Confirma-se a decisão de primeira instância que excluiu da infração de dedução indevida de IRRF, os valores comprovados com documentação hábil e idônea.
CORREÇÃO MONETÁRIA. RESERVA DE CAPITAL.
Comprovado o saldo da conta “Reserva de Capital” relativo ao ano base de 1987, não há como anuir com o lançamento atribuído à correção monetária da pretensa diferença dela decorrente em 31.12.1988.
RECEITA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MÚTUO. Nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante deverá reconhecer, para
efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN, sendo permitida a utilização do método hamburguês para o cálculo desta correção monetária.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aos lançamentos reflexos, aplica-se o entendimento adotado em relação ao tributo principal, em vista da íntima relação de causa e efeito existente entre eles.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o lançamento relativo à CSLL incidente sobre o resultado apurado no período base encerrado em 31.12.1988.
TRD. EXCLUSÃO.
Tendo em vista o disposto no art. 1º da IN SRF nº. 32/97, deve ser subtraída a aplicação de juros de mora calculados com base na TRD do período compreendido entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991.
Numero da decisão: 1402-000.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a decisão da Turma Julgadora que excluiu do lançamento relativo à presunção de omissão de receita, caracterizada por passivo não comprovado, a parte do valor comprovado pelo sujeito passivo relativo à conta de fornecedores. IRFONTE. DEDUÇÃO INDEVIDA. Confirmase a decisão de primeira instância que excluiu da infração de dedução indevida de IRRF, os valores comprovados com documentação hábil e idônea. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESERVA DE CAPITAL. Comprovado o saldo da conta “Reserva de Capital” relativo ao anobase de 1987, não há como anuir com o lançamento atribuído à correção monetária da pretensa diferença dela decorrente em 31.12.1988. RECEITA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MÚTUO. Nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante deverá reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN, sendo permitida a utilização do método hamburguês para o cálculo desta correção monetária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aos lançamentos reflexos, aplicase o entendimento adotado em relação ao tributo principal, em vista da íntima relação de causa e efeito existente entre eles. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. CANCELAMENTO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 2 2 Cancelase o lançamento relativo à CSLL incidente sobre o resultado apurado no períodobase encerrado em 31.12.1988. TRD. EXCLUSÃO. Tendo em vista o disposto no art. 1º da IN SRF nº. 32/97, deve ser subtraída a aplicação de juros de mora calculados com base na TRD do período compreendido entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício contra decisão de primeira instância de fls. 1256/1289 que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte os lançamentos relativos ao IRPJ, IRRF, FINSOCIAL e PIS, e improcedente o lançamento relativo a CSLL. Todos relativos ao anobase de 1988. Foram juntados ao presente, os processos 10480.009575/9214 (IRRF), 10480.009576/9287 (CSLL), 10480.009577/9240 (Finsocial), 10480.009579/9275 (Pis/faturamento), conforme aviso de juntada de fls. 202, Não está em julgamento o recurso voluntário interposto, pois, antes de ser colocado em pauta, a contribuinte informou a desistência do recurso voluntário, por meio do processo 19647.001882/201033, apenso, razão pela qual o processo retornou à Unidade de origem, para as devidas anotações, retornando para julgamento apenas do recurso de ofício. Os lançamentos referemse ao anobase de 1988. As infrações são: a) custo indedutível distribuição disfarçada de lucro: realização de negócio com favorecimento; b) Omissão de receitas passivo fictício: falta de comprovação dos valores lançados na conta fornecedores (lançamentos do IRPJ e lançamentos de CSLL, IRRF, PIS, FINSOCIAL) c) dedução indevida do imposto de renda na fonte: falta de apresentação de comprovantes do IRRF, pleiteado no quadro 15 da declaração de rendimentos; d) Correção monetária – reserva de capital: dedução indevida de lucro operacional; e) Reconhecimento de receita a menor – empréstimos a empresas interligadas. Em relação aos argumentos da impugnante relativos à infração de distribuição disfarçada de lucro, transcrevo do relatório que integra o acórdão da Turma Julgadora, o seguinte trecho: Relativamente à tributação denominada "Distribuição Disfarçada de Lucros", nos itens 29 a 67 da impugnação, a contribuinte alega que a forma comparativa adotada pela fiscalização não tem qualquer fundamento legal, com origem em uma análise superficial e inadequada dos fatos. Assegura ainda que a contratação da empresa coligada "Indaiá Transporte" é justificada por ser esta empresa especializada no ramo, não podendo ser comparado ao transporte praticado por transportadores autônomos, contratados para complementar os serviços de transporte prestados por ela. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 4 4 Nos itens 46 a 50 a impugnação a contribuinte afirma ter elaborado um completo levantamento junto à empresa transportadora comparando todos os serviços prestados diariamente ao longo de 1998, em dois itinerários apontados ela autuada, qual sejam: Sobral x São Luiz ; e Sobral x Teresina, anexando os documentos n. 05/53, anexos As fls. 68/116 do "Anexo 1/2", onde demonstra que os serviços prestados por autônomos não obedecem a regras, oscilando permanentemente no tempo e no espaço. Ressalta ainda a impugnante que no citado levantamento de custo não foi incluído contingências como risco de roubo perda ou extravio de cargas, que são assumidas e indenizadas pela Indaiá, consoante documentos (Doc. 54/60) ; anexos As fls.117/126. Para a impugnante, a subcontratação de serviços é negócio jurídico perfeitamente regular não encontrando qualquer vedação na lei, somente podendo ser restringido por expressa disposição das partes originalmente e contratantes. Em sua defesa a impugnante anexa aos autos os demonstrativos de preços praticados pela empresa no ano de 1988, com os preços (preços médio de mercado) autorizados pelo CONET (Conselho Nacional de Estudos Tarifários). A impugnante afirma que com a análise desses demonstrativos resta comprovado que a Indaiá não cobrou a mais, nem a menos do que o preço justo, normal e indistintamente cobrado pela mesma, para qualquer outro cliente"(sic). Nos itens 60 e 61 da impugnação a contribuinte exemplifica a utilização das citadas tabelas, anexando os documentos (Doc.72/73) anexos As fls.139/141 do "Anexo 1/2".Ressalta a impugnante que as tabelas do CONET, anexadas As fls.12/65 do citado "Anexo 1/2", representam a média de preço por serviço de transporte, sem a inclusão dos tributos incidentes, enquanto que nos preços praticados pela Indaiá já estão considerados o 1ST (depois ICMS), o PIS e o FINSOCIAL. Concluindo, a impugnante afirma que, "açodada e grosseira é a conclusão a que chegara o autuante tomando indevidamente o saldo da contacorrente de adiantamentos a autônomos pagos aos mesmos (e não a totalidade dos pagamentos realizados a estes). É o que se deduz, para justificar o valor de Cz$ 189.898.183,00, que se contrapôs aos Cz$1.221.067.972,74, cobrados pela indaiá em 1988".(sic) Diante das razões apontadas a impugnante alega que os negócios praticados por ela não se enquadram na hipótese tipificada no RIR/80, como distribuição disfarçada de lucros, e portanto requer a improcedência do respectivo lançamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 5 5 Sobre as alegações da impugnante relativas à infração de omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, transcrevo o trecho do relatório contido na decisão de primeira instância: A autuada se insurge contra ao lançamento efetuado a titulo de passivo fictício nos itens 68 a 94 da peça impugnatória trazendo as seguintes alegações. Que possui todas os originais das Notas Fiscais e das Notas Fiscais Fatura, devidamente lançadas nos registros de compras, que em face do grande volume deixa de anexar aos autos, bem como das duplicatas correspondentes ao saldo da conta "fornecedores", que foram recusadas pelo autuante por estarem microfilmadas. A impugnante assevera que procedeu de conformidade com a Lei n.° 5.333/68 e com o Parecer Normativo CST n.° 21/80. Discorre ainda em sua peça impugnatória, nos itens 86/90, acerca da emissão da duplicata, como sendo mera faculdade nos negócios mercantis, e sobre a existência de outras fontes para a comprovação do pagamento efetivado, tais como, os extratos bancários relativos aos débitos contraídos, cópia de cheques emitidos em seu pagamento, bem como diligências junto aos fornecedores, comprovação estas não analisadas pelo fiscal autuante se restringindo a inverter indevidamente o ônus da prova para a contribuinte. A impugnante dispõe afirma que dispõe de todos os demais comprovantes de pagamento da conta "Fornecedores" em seus arquivos a disposição do fisco. Diante das razões apresentadas, requer a improcedência do lançamento por falta de amparo legal da medida fiscal levada a termo. Em relação à infração de dedução indevida de Imposto de renda retido na fonte, transcrevo o seguinte trecho contido no relatório da decisão de primeira instância: A impugnante se insurge contra o lançamento do IRRF afirmando possuir a documentação comprobatória do valor informado no anexo 3, Quadro 15, da Declaração de Rendimentos de 1989, ano base de 1988, no valor de Cz$ 7.111.788,75, anexando os Documentos (Doc. 74/86) As fls. 142/154 (Anexo 1/2) Quanto à infração de dedução indevida do lucro real, transcrevo o seguinte trecho do relatório contido na decisão de primeiro grau: A impugnante se insurge contra o lançamento de Cz$ 3.114.634.339,05 a titulo de correção monetária indevida de Reserva de Capital alegando que o fiscal autuante considerou apenas parte da correção monetária do patrimônio liquido, consoante extratos das correspondentes contas (Docs. 87/122) anexos As fls.156/192. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 6 6 Afirma que durante o exercício de 1988 houve um aumento de capital oriundos de reservas e lucros acumulados o qual refletiu diretamente no cálculo de sua correção monetária, consoante extratos (Does. 123/142) anexos as fls.194/224. A impugnante assevera que os seus cálculos estão fundamentados em pareceres de auditores externos no ano de 1988 e ratificados no ano de 1989, conforme relatórios das empresas de auditoria "Arthur Young Auditores Associados S/C", (doc.143), e "Price Waterhouse Auditores Independentes", (doc.144) anexos As fls.213/224, e fls.226/238 , respectivamente. A impugnante aponta os seguintes enganos da fiscalização: ao considerar o saldo da correção monetária devedor de Cz$ 2.173.954.979,12, indevidamente como credor; no demonstrativo de cálculo da fiscalização (evolução da correção monetária da reserva de capital) de 31.12.86 a 31.12.87 difere dos valores registrado nos Razões Contábeis da contribuinte, e também da mutação do Patrimônio Liquido desses exercícios, em face dos seguintes fatos: a) em dezembro de 1987 houve aumento de capital advindo de reservas de incentives fiscais, reservas legais e lucros acumulados no total de Cz$ 92.700.000,00 ensejando aumento da base de cálculo para a correção monetária; b)"quando o capital aumenta, a própria reserva de correção monetária recebe esse ajuste. Porque o capital em si é atualizado, mas a conseqüente variação cai na conta de reserva de correção monetária. E por isso, que esse aumento de capital influi no cálculo da correção monetária no capital"(sic); c) que deve ser levado em conta que o citado aumento referese à capitalização dos saldos existentes em 31.12.1986, e a conseqüente correção monetária de 1987, que é calculada da seguinte forma: converterseia o aumento de capital pela OTN de dezembro/86 (Cz$ 119,49), e não pela OTN de dezembro de 1987 (522,99) utilizada pelo fiscal autuante. Para demonstrar as suas alegações, a impugnante anexa o "Demonstrativo da Movimentação do Patrimônio Liquido" (Doc. 145) As fls.24, requerendo a improcedência do lançamento em lide. Sobre a infração de receita reconhecida a menor em decorrência de empréstimos feitos a empresas interligadas, transcrevo as razões contidas na impugnação mencionadas no relatório que integra a decisão de primeira instância: A impugnante afirma que a questão se deve ao critério de correção monetária adotado por ela, qual seja, o método hamburguês autorizado pelo Parecer Normativo CST n.°10/85, diferentemente do utilizado pelo fiscal autuante. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 7 7 A impugnante afirma que o Citado Parecer Normativo admitiu a possibilidade de utilizar critérios diferentes para se chegar ao mesmo resultado, citando dentre outros o método hamburguês, transcrevendo o item 4.4 do mesmo, ás fls. 147. A contribuinte afirma que a fiscalização em face de o fiscal autuante não ter apresentado a memória de cálculo que o levou a determinar o valor lançado, a impugnante fica impossibilitada de contestar os valores apresentados, limitandose a demonstrar, a seguir, a maneira que procedeu, em seus assentamentos, à correção monetária dos mútuos: em face da não existência de OTN diária, A época, consideravase a aplicação da variação monetária da OTN do mês corrente, em relação à OTN do mês anterior sobre o saldo médio ponderado desse mês. Este, era obtido mediante o somatório da multiplicação dos saldos diários, pelo número de dias de permanência, até nova movimentação, e finalmente dividido pelo total de dias decorridos do mês. comprovando a sua metodologia, anexa os documentos n.'s 146/221, às fls.241/317 em sua defesa, referentes as contas sujeitas a citada correção monetária, afirmando que sua metodologia é compatível com as recomendações do Parecer Normativo n.° 10/85, emanado pela própria autoridade administrativa, e portanto, não aceita que lhe seja imputada penalidade caso o entendimento seja outro, haja vista as disposições do art. 100 do CTN. Diante das razões expostas requer a improcedência do lançamento em lide haja vista que atendeu ás disposições do Decretolei n.° 2.065/83, corrigindo fielmente o saldo da conta de mútuo adotando o método hamburguês, conforme autorizado pelo PN n.° 10/85. A DRJ determinou a realização de quatro diligências, para as quais foram elaboradas informações fiscais. A Turma Julgadora rejeitou as preliminares de nulidade, e em relação ao mérito, considerou o lançamento parcialmente procedente. Sobre a infração de que trata a letra “a”, a Turma Julgadora, do valor de Cz$ 1.221.067.972,00, manteve apenas o valor de Cz$ 368.544.007,69, conforme trecho a seguir transcrito: Relativamente aos valores apurados pela fiscalização verifica se que ao considerar o montante de CZ$1.221.067.972,00 (496.445.590,60 + 206.912.846,43 +517.709.535,71), a fiscalização considerou que toda a despesa de frete contratada pela autuada junto à Indaiá, relativamente às Filiais Teresina Tabuleta; Teresina Itararé e São Luiz, teria sido subcontratada com terceiros, fato este que não ficou devidamente demonstrado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 8 8 nos autos, apesar das diligencias solicitadas por esta instância julgadora. Por outro lado, analisando os documentos 05/53 anexados pela impugnante às fls. 68/116 do "Anexo 1 / 2", dos quais se encontram especificados as receitas decorrentes dos fretes contratados pela autuada com a Indaiá Transportes e seus respectivos custos, demonstrativos estes já referidos anteriormente, verificamos que constam dos mesmo todos os documentos anexados pela fiscalização, consoante "Demonstrativo n.° 01" descrito anteriormente, o que se demonstra a sua autenticidade. Diante da análise procedida consideramos como demonstrado o valor dos fretes contratados pela autuada junto à Indaiá Transportes, respectivamente sub contratados com terceiros, relativamente aos trechos: Sobral — São Luiz e Sobral —Teresina, objetos de lançamento no total de Cz$ 540.336.917,69 (237.360.186,04 + 302.976.731,65). Quanto ao montante de R$ 189.898.183,00 considerado pela fiscalização como despesas efetivamente ocorridas, relativos aos contratos de frete junto A Indaiá Transportes oriundos da conta "1.2.10.03/Empresas Associadas 006/Indaiá Transportes", apesar das diligências solicitadas por esta instância julgadora, também no restou demonstrado. De acordo com a documentação anexa pela fiscalização os valores constantes da citada conta se referem aos valores líquidos pagos aos transportadores terceirizados pela Indaiá, referentes aos fretes contratados inicialmente pela autuada com a citada empresa, consoante análise constante do "Demonstrativo n.° 01". Entretanto, os valores consignados pela autuada em seu demonstrativo correspondem ao valor bruto contratado, e por isso nem sempre coincidem com o constante da conta "1.2.10.03/Empresas Associadas 006/Indaiá Transportes", utilizada pela fiscalização como a despesa efetivamente realizada. Após análise da documentação anexada entendemos que não poderemos considerar apenas como despesas efetivas os valores líquidos repassados ao transportador terceirizado, visto que, o preço do serviço contratado é o valor bruto dos "Recibos de Prestação de Serviço", e portanto consideraremos com despesa efetiva da autuada o montante de CZ$ 171.792.910,00 (96.657.850,00 + 75.135.060,00) relativo o valor pago ao sub contratado constante do demonstrativo anexado pela impugnante As fls. 68/116 do "Anexo 1 / 2", já citado anteriormente. Após análise da documentação anexada entendemos que não poderemos considerar apenas como despesas efetivas os valores Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 9 9 líquidos repassados ao transportador terceirizado, visto que, o preço do serviço contratado é o valor bruto dos "Recibos de Prestação de Serviço", e portanto consideraremos com despesa efetiva da autuada o montante de CZ$ 171.792.910,00 (96.657.850,00 + 75.135.060,00) relativo o valor pago ao sub contratado constante do demonstrativo anexado pela impugnante As fls. 68/116 do "Anexo 1 / 2", já citado anteriormente. Diante da análise procedida voto no sentido de manter parcialmente como custo indedutível decorrente de distribuição disfarçada de lucro, o valor de CZS 368.544.007,69 discriminado a seguir: Conhecimentos de Cargas pagos a Indaiá, vinculados à sub contratação CZ$ 549.336.917,69 (+) Valores pagos aos transportadores pelos respectivos fretes: CZ$ 171.792.910,00 () Custo Indedutivel: CZ$ 368.544.007,69 Sobre a infração relativa a passivo fictício, a Turma Julgadora manteve parcialmente a omissão de receita de Cz$ 867.115.142,17, com base na análise procedida pelo fiscal que realizou diligência. Sobre a dedução indevida de IRRF, a Turma Julgadora concluiu: Tendo em vista os comprovantes apresentados pela impugnante, acima relacionados, emitidos pela fonte pagadora, com respectivo CGC, e a identificação dos valores tributáveis, dos impostos de renda retidos, e a da empresa favorecida (Trevo Indústria e Comércio Ltda), voto no sentido de manter parcialmente o IRRF não comprovado no montante de CZ$ 5.120,83 (7.111.769,00 — 7.106.648,17) Em relação à acusação de redução indevida do lucro real, decidiu a Turma Julgadora: Diante da análise procedida, restou comprovado nos autos o montante de Cz$722.613.336,00 declarado pela contribuinte como total da "Reserva de Capital" em 31.12.87. Desta forma, não existindo diferença no saldo inicial da citada conta em 31.12.87, não existe diferença de correção monetária em 31.12.88 apontada no auto de infração em lide. Em face de o acima exposto voto no sentido de acatar as razões trazidas pela impugnante e excluir o montante de Cz$ 3.114.634.339,05 lançado como dedução indevida do Lucro Operacional. Em relação à infração de reconhecimento de receita a menor: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 10 10 Diante da análise procedida voto no sentido de manter em parte o montante de Cz$ 24.814.882,45 relativo à receita de correção monetária considerada a menor na determinação do lucro liquido do ano calendário de 1988. A Turma Julgadora aplicou o decidido em relação ao tributo principal, aos lançamentos reflexivos, sendo que, para o lançamento da CSLL a exigência foi cancelada, nos termos do art. 18, I, da MP 1542/96, convertida na Lei 10.522/2002. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso de ofício atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O mesmo foi interposto contra decisão de primeira instância de fls. 1256/1289 que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte os lançamentos relativos ao IRPJ, IRRF, FINSOCIAL e PIS, e improcedente o lançamento relativo a CSLL. Todos relativos ao anobase de 1988. O recurso voluntário não está em apreciação porque o sujeito passivo desistiu do mesmo, e o processo retornou à Unidade de origem para as devidas anotações. A contribuinte apresentou requerimento protocolizado sob nº 19647.001882/201033 (apenso), onde deixou bem claro que desistia do litígio somente da parte relacionada com o recurso voluntário, mantendo a discussão relativa às exigências que são objeto do recurso de ofício. Em relação á infração de distribuição disfarçada de lucros consta no auto de infração que a fiscalizada contrata serviços de transportes de mercadorias (fretes) com a associada (controlada) Indaiá Transportes Ltda, e que a contratada ao providenciar o transporte de mercadorias de Sobral para São Luiz e Teresina, contrata terceiros para executar tais tarefas por preços significativamente inferiores aos cobrados à fiscalizada pelos mesmos serviços, e que esses fatos seriam constatáveis na apreciação das contas fretes a pagar destas localidades e da conta corrente da Indaiá, na fiscalizada, onde são lançados os valores dos recibos dos pagamentos efetuados pela autuada aos contratados pela Indaiá, considerados como adiantamentos, e na comparação dos recibos com os conhecimentos cobrados pela Indaiá. Considerou como tributável a diferença entre o valor apurado e os recibos pagos a terceiros pelos mesmos serviços nos mesmos percursos. Dos valores apurados pela fiscalização, a Turma Julgadora, de extensa análise, considerou como demonstrado apenas o valor Cz$ 540.336.917,69, porque apesar da realização de diversas diligências, não ficou devidamente demonstrado que toda a despesa de frete contratada pela autuada junto à Indaiá, relativamente às filiais TeresinaTabuleta, Teresina Itararé e São Luiz, tenha sido subcontratada com terceiros. Deduziu também o valor de Cz$ 171.792.910,00, porque não se poderia considerar apenas como despesas efetivas os valores líquidos repassados ao transportador Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 11 11 terceirizado, visto que o preço do serviço contratado é o valor bruto dos recibos de prestação de serviço.Levou em conta os documentos contidos nas fls. 68/116 do Anexo 1/2. Ou seja, manteve apenas o custo indedutível de Cz$ 368.544.007,69. Nada há a acrescentar em relação ao decidido pela Turma Julgadora. Sobre a infração de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício, a empresa não apresentou as duplicatas originais da conta fornecedores, no valor de Cz$ 4.024.425.357,00, que compunha o saldo em 31.12.88. Na impugnação, o sujeito passivo alegou que tinha os originais das duplicatas e que deixou de os apresentar devido ao grande volume de documentos. A DRJ determinou a realização de três diligências. Em atendimento à última diligência, a fiscalização elaborou relatório, de fls. 1064/1065, no qual consta que foi analisada a relação de fornecedores anexada pela contribuinte, de fls. 1150/1249, no total de Cz$ 4.024.426.356,94, com a documentação comprobatória, restando o total de Cz$ 867.115.142,17, referente ao passivo não comprovado. No voto condutor do acórdão, consta a relação dos fornecedores e o valor do passivo não comprovado, às fls. 1275/1277, que totaliza Cz$ 867.115.142,17, o que motivou a Turma Julgadora a manter apenas esse valor a título, de passivo fictício, com a qual concordo. Sobre a dedução indevida de IRRF, acusa a fiscalização que a contribuinte não apresentou a documentação pertinente à retenção do imposto pleiteada no quadro 15 da declaração de rendimentos, no valor de Cz$ 7.111.788,75. Em sua defesa, a impugnante apresentou documentos de fls. 148/154 do Anexo 1/2. A Turma Julgadora comparou os valores constantes da declaração com a documentação acostada. Elaborou a tabela que consta no voto condutor do acórdão, às fls. 1277/1278, com informações sobre a identificação da fonte retentora e respectivo valor da retenção, do documento anexado como comprovante e o imposto que foi considerado como comprovado, que totalizou Cz$ 7.106.648,17. Nada há a acrescentar em relação ao decidido pela Turma Julgadora. Em relação à infração de redução indevida do lucro operacional, consta nos autos, que a interessada lançou como resultado final da conta de correção monetária, na Declaração de Rendimentos, o saldo devedor de Cz$ 2.173.954.979,12, quando deveria ter declarado o saldo credor de Cz$ 940.679.360,06, se tivesse efetuado corretamente a correção monetária da conta reserva de capital. Observou que a empresa não apresentou os mapas de correção monetária e nem o razão auxiliar em OTN. Em razão da documentação acostada aos autos e pelo fato da autuada ter afirmado a existência de aumento de capital em 12/87, com conseqüente aumento da reserva de capital cujo valor não foi considerado pela fiscalização, a DRJ determinou a realização de diligência para que fosse apurado o saldo de correção monetária e foi solicitada ainda a elaboração de quadros explicativos com a evolução do capital e da reserva de capital. Posteriormente foi solicitada nova diligência em razão da primeira não ter sido atendida. Consoante relatório fiscal de fls.738/739, o fiscal anexou os demonstrativos das mutações do patrimônio líquido de 1987 e 1988 de fls. 740/741, bem como a cópia de transcrições no livro diário dos respectivos balanços às fls. 742/770. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 12 12 Consoante Balanço Patrimonial encerrado em 31.12.1987, constante do Livro Diário, cópia anexa as fls. 749, a conta "Reserva de Capital” da contribuinte é composta de:correção monetária do capital realizado; resultado do incentivo fiscal setorial FINOR e resultado de incentivo fiscal setorial — Embraer, assim discriminada: Reservas de Capital (31.12.1987) Correção Monetária do Capital Realizado Cz$ 697.727.162,24 Res. Incent. Fiscal setorial FINOR Cz$ 23.838.085,44 Res. Incent. Fiscal setorial EMBRAER Cz$ 1.048.088,11 Total Cz$ 722.613.335,79 Relativamente à correção monetária do Capital realizado temse que: consta no demonstrativo de fls. 740, elaborado após a diligência dois aumentos de capital ocorridos em 01/12/1987, a seguir discriminados: Conta Capital: Saldo inicial. Cz$ 20.800.001,00 Aumento de Capital. Cz$ 86.500.000,00 Aumento de Capital. Cz$ 92.699.999 00 Total (31.12.1987) Cz$ 200.000.000,00 0 montante de Cz$ 86.500.000,00, foi considerado no lançamento pela fiscalização, originário da conta de "Reserva de Capital" Quanto ao valor de Cz$ 92.699.999,00, este se refere ao aumento de capital ocorrido em 01/12/1987, consoante Ata de Alteração Contratual anexa às fls. 74/75, oriundos das seguintes contas: Incentivos Fiscais do FINOR C'z$ 3.500.000,00 Reservas Estatutárias Cz$ 5.837.030,07 Lucros do exercício anterior a 86 Cz$ 52.500.000,00 Lucro Liquido de 1986 C z$ 30.862.968,93 Total Cz$ 92.699.999,00 Portanto, foi transferido para conta capital o montante de Cz$ 92.699.999,00 em valores de 1986 (775.797,1295 OTN's), e sua respectiva correção monetária, de Cz$ 313.034.141,73 [( 775.797,1295 x 522,99) 92.699.999,00]. Após a Turma Julgadora, para fins de aferição do saldo da conta “Reserva de capital” analisou separadamente a parte referente à correção monetária do capital, consoante demonstrativo de fls. 1280/1281, e continuou: Relativamente à parte da "Reserva de Capital" referente as Reservas de Incentivo Fiscal Setorial : — FINOR, de Cz$ 23. 38.085,44; e EMBRAER, de Cz$1.048.088,11, totalizando Cz$ 24.886.173,55, se encontra demonstrada na Demonstração da Mutações do Patrimônio Liquido de 1987 anexo as fls. 40 pelo fiscal diligenciante, bem como dos Extratos de Contas anexos as fls. 160/162 do "Anexo 2/2". Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 13 13 Vale salientar que as pequenas diferenças encontradas, tais como: o valor da correção monetária do capital calculado em CZ$ 697.727.188,36 e o constante do "Balanço Patrimonial" de Cz$ 697.727.162,24; bem como o total das reservas de Incentivos Fiscais de Cz$ 24.886.181,46 constante do Demonstrativo anexo as fls. 740 e o valor constante do "Balanço Patrimonial" as fls. 749, se devem a arredondamentos da correção monetária. Portanto, a Turma Julgadora fez uma extensa análise para concluir que restou comprovado nos autos o montante de Cz$ 722.613.336,00, declarado pela contribuinte como total da reserva de capital em 31.12.87, e concluiu que inexiste diferença no saldo inicial da conta de correção monetária em 31.12.87, e consequentemente, não existe diferença de correção monetária em 31.12.88, apontada no auto de infração. Excluiu o montante de Cz$ 3.114.634.339,05 lançado como dedução indevida do lucro operacional. Nada há a acrescentar à extensa análise efetuada pela Turma Julgadora. Sobre a infração de receita reconhecida a menor em decorrência de empréstimos feitos a empresas interligadas no valor de Cz$ 180.539.111,81 relativa a correção monetária, decorrente de variação da OTN menor que a devida. Explicou a fiscalização que o sujeito passivo mantém sistema de contas correntes com as empresas ligadas, onde registra movimentações de saídas e entradas de valores considerados como empréstimos (implícitos) estando obrigada a reconhecer como receita, pelo menos a variação da OTN quanto aos mútuos concedidos no ano, o que ela fez, porém em valor menor do exigido pela lei. Para apuração da receita, a fiscalização considerou no cálculo da variação monetária da OTN todos os lançamentos de débitos e créditos, inclusive o saldo inicial do ano base, os quais por serem diversos e às vezes de retorno imediato, foram transformados de cruzados para OTN, tomandose por base a OTN do mês correspondente ao próprio lançamento de débito ou de crédito. O saldo em OTN resultante foi transformado em cruzados na data do encerramento do balanço e deste valor foi subtraído o saldo final (em cruzados) da conta corrente do próprio exercício antes de computada a receita reconhecida pela empresa, diminuindose deste valor a receita que foi efetivamente reconhecida pela empresa em sua Declaração de Rendimentos foi encontrada a diferença sujeita à tributação. O relatório de diligência, de fls. 738/739, acompanhado dos documentos de fls. 771/887, informa que foram identificadas, em algumas contas, diferenças entre os valores inicialmente informados pela contribuinte que foram discriminadas ao final de cada um dos respectivos demonstrativos de correção monetária. De acordo com o resultado da diligência e da documentação anexada, a Turma Julgadora consolidou o cálculo da correção monetária dos mútuos através do método hamburguês, no demonstrativo de fls. 1284/1285. Apurou o total da receita de correção monetária de Cz$ 655.819.924,92, do qual deduziu a receita de correção monetária declarada e apenas a diferença no valor de Cz$ 24.814.882,45 foi mantida. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora. A infração de omissão de receitas caracterizada por passivo fictício ensejou o lançamento do IRRF, PIS, Finsocial e CSLL. A Turma Julgadora estendeu o decidido em relação ao tributo principal, aos lançamentos do IRRF, PIS e Finsocial, por decorrerem de tributações reflexas. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.009578/9211 Acórdão n.º 140200.731 S1C4T2 Fl. 14 14 Já em relação à exigência CSLL, cancelou o lançamento, para todas as infrações, nos termos do art. 18, I, da MP 1542/96, convertida na Lei 10.522/2002, que cancelou os lançamentos, relativamente à contribuição de que trata a Lei 7.689/88, incidente sobre o resultado apurado no períodobase encerrado em 31.12.88. A Turma Julgadora observou que no cálculo dos juros de mora não deverá incidir a TRD do período compreendido entre 04/02 e 29/08/91 conforme art. 1º da IN 32/97. Igualmente, nada há a acrescentar em relação a essas conclusões da Turma Julgadora. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000150/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. DOLO. ART. 173, I DO CTN. 05 ANOS.
Independente da antecipação do pagamento, a percepção de uma conduta dolosa do contribuinte impulsiona a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o dies a quo do prazo decadencial como o primeiro dia exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido formalizado.
Numero da decisão: 1201-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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OCORRÊNCIA. DOLO. ART. 173, I DO CTN. 05 ANOS. Independente da antecipação do pagamento, a percepção de uma conduta dolosa do contribuinte impulsiona a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o dies a quo do prazo decadencial como o primeiro dia exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido formalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 01 50 /2 00 9- 84 Fl. 1454DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de autos de infração de fls. 807/904, que constituem definitivamente a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além dos respectivos consectários legais e da multa qualificada, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 a 2006. Consta no Termo de Verificação Fiscal a motivação da autuação fiscal, respaldada por um demonstrativo de receitas, que relaciona, mês a mês, os valores das vendas comprovadas com notas fiscais, das vendas comprovadas relacionadas às operações de factoring (com borderô), das vendas não comprovadas relacionadas às operações de factoring (sem borderô) e dos depósitos bancários de origem não comprovada, cujos montantes finais superaram a cifra dos R$ 183 milhões. Ressaltese que, em contrapartida, foram declaradas receitas em valores ínfimos pela autuada. Por meio das intensas movimentações financeiras e, ato contínuo, pela ocultação de receitas comprovadamente provenientes de operações de factoring, comprovouse que o montante apurado supera de forma significativa o total declarado. A apuração dos tributos em cobro, incidentes sobre as receitas supostamente omitidas, deuse mediante o arbitramento do lucro, em face da falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais, assim como de todos os documentos que deveriam lastrear a escrituração. Da base de cálculo apurada no procedimento fiscal foram excluídos os valores declarados pelo sujeito passivo, conforme demonstrado na planilha de fls. 806. E às bases de cálculo apuradas com base nos percentuais de arbitramento referidos, foram acrescentadas as receitas do aluguel de trator, relacionadas pela fiscalizada a alguns dos seus depósitos bancários, conforme demonstrado na planilha de fls. 787. Sobre os tributos lançados foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%, uma vez que, a juízo da autoridade fiscal, "as irregularidades apontadas no presente procedimento fiscal incorrem na ocorrência, em tese, do intuito de sonegação de tributos por parte do contribuinte, conforme tipificado nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964". Impugnação O contribuinte foi cientificado dos lançamentos e apresentou sua impugnação, sintetizada no voto proferido pela autoridade julgadora de primeiro grau e aqui reproduzida em seus principais pontos: “(...) 1. preliminarmente, decadência do direito de lançar fatos geradores ocorridos até 2004 (inclusive); Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Acórdão n.º 1201001.967 S1C2T1 Fl. 3 3 2. a sua produção só pode ser avaliada pelos documentos fiscais emitidos, que foram furtados. Não cabe o arbitramento porque a Receita Federal obteve todas as informações junto aos seus clientes; 3. a movimentação financeira não se resume às receitas da atividade da empresa, compreendendo, também, "operações de matamata", com instituições financeiras e empresas de factoring, visando "saldar débitos"; 4. as operações financeiras "já foram tributadas via CPMF e IOF"; 5. não há capacidade física na empresa para uma produção correspondente ao total da movimentação financeira ocorrida em suas contasbancárias; 6. a autoridade fiscal não provou a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados (auferimento de receitas com acréscimo patrimonial), limitandose a se valer das informações prestadas pelas instituições financeiras e empresas de factoring; 7. as operações com empresas de factoring estão relacionadas com devolução de produtos por defeitos de fabricação, conforme demonstrado por documentos anexados à impugnação. A questão está sendo discutida judicialmente; 8. é inconstitucional a exigência simultânea de três contribuições (Cofins, PIS e CSLL) sobre a mesma base de cálculo (receita), porque fere o disposto no art. 154, inc. I da Constituição Federal; 9. a fiscalização não comprovou que a fiscalizada agiu com a intenção de omitir receita. (...)” Acórdão nº 1425.706 3ª Turma da DRJ/RPO O Acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto fora assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1456DF CARF MF 4 A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. RECEITAS DA ATIVIDADE OPERACIONAL. CONTRAPARTIDA. Comprovado que as operações de fomento mercantil tinham necessária contrapartida nas operações comerciais da fiscalizada junto a seus clientes, é ônus dela comprovar, de forma inequívoca, com documentação hábil e idônea, a regular tributação destas receitas, que transitaram em suas contas bancárias, assim como o efetivo cancelamento das operações mercantis relativas a devoluções de vendas. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. EXTRAVIO DE LIVROS E DOCUMENTOS. REQUISITOS REGULAMENTARES. Não subsiste a alegação de extravio de livros e documentos se a empresa não observou os requisitos regulamentares prescritos, quais sejam publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dar minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, apenas para o fim de acatar a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2003 (inclusive), exonerandose do crédito tributário lançado os seguintes montantes de tributos e respectivos acréscimos: 1) IRPJ = R$ 449.393,53; 2) CSLL = R$ 205.458,38; 3) Cofins = R$ 720.260,32; 4) PIS = R$ 156.056,36 (...)” Merece destaque especial a única questão que será alvo de discussão nos presentes autos, como objeto exclusivo do recurso de ofício interposto, qual seja, a consumação da decadência. Quanto a este ponto específico, vejamos as considerações dispendidas: “(...) Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Acórdão n.º 1201001.967 S1C2T1 Fl. 4 5 E a apuração da omissão de receitas realizada pela fiscalização, num trabalho persistentemente permeado pelo zelo e pela oportunização da participação da fiscalizada, redundou em valores muito expressivos, superando, em muito, a cifra dos R$ 100 milhões, frente a uma receita bruta declarada inferior aos R$ 5 milhões, no período fiscalizado. Consignese, outrossim, que, como assinalou a autoridade fiscal, o comportamento doloso do contribuinte esteve presente ao longo de todos os anos objetos da fiscalização (2002 a 2006), configurando prática reiterada de sonegação fiscal. (...) Destarte, diante do quadro aqui delineado, não há como não atribuir ao sujeito passivo outro caráter que não a de um comportamento elisivo deliberado, com evidente intuito de fraude. Portanto, tendo sido comprovada a ocorrência da ação dolosa, o termo inicial da decadência deve ser deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2003, de fato há que se reconhecer a ocorrência da decadência, pois o lançamento poderia ser efetuado dentro do próprio anocalendário (2003), iniciandose a contagem em 01/01/2004 e encerrandose em 31/12/2008. Como o lançamento só foi notificado ao contribuinte em 30/03/2009, para aqueles fatos geradores operouse a decadência. E como o contribuinte apurou o lucro presumido, cuja apuração é trimestral, restam decaídos, para fins de lançamento do IRPJ e CSLL, os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres do ano de 2003. (...)” Em suma, então, fora acatada a decadência de forma parcial e esta é a razão de surgimento do recurso de ofício. Recurso de Ofício Conforme “Termo de Perempção” a fls. 1417, o contribuinte não apresentou recurso voluntário da decisão da autoridade de primeira instância, tampouco ofertou qualquer pagamento dos débitos em cobro. Deste modo, o crédito tributário mantido após o julgamento de primeira instância, por não ter sido realizado ou contestado, fora transferido para o processo nº 15922.000003/201007, para seguimento da cobrança. Fl. 1458DF CARF MF 6 Quanta a estes autos restou o crédito exonerado, relativo a consumação da decadência, objeto este que é agora submetido à apreciação deste Conselho, de acordo com o Decreto n° 70.235, de 1972, art. 34, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, combinados com o disposto nos artigos 43 a 47 da Medida Provisória (MP) n° 459, de 3 de dezembro de 2008, assim como na Portaria MF n° 41, de 17 de fevereiro de 2009, por força de recurso necessário (de ofício). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Decadência A primeira conclusão atingida deve ser no sentido de que os argumentos de defesa não veiculados por meio de recurso não merecem ser enfrentadas neste voto. Todos os pontos incontestados em sede recursal, ou não pagos oportunamente, já são alvo de cobrança em processo administrativo apartado, de modo que não devem ser aqui suscitados como razão de decidir. Neste albor, a discussão específica atinente ao dolo já fora exposta de forma definitiva nestes autos, quando da mantença da multa qualificada; do exame do próprio mérito; e da consideração do instituto da decadência, por meio da decisão da autoridade julgadora de primeira instância. Em suma, o entendimento firmado fora o seguinte: “(...) No caso presente, como já relatado, a autoridade fiscal motivou a aplicação da multa qualificada, em virtude da ocorrência, em tese, do intuito de sonegação de tributos por parte da fiscalizada. Oportuno, então, reproduzir suas considerações: ...declarando receitas em valores ínfimos, fatos que foram devidamente comprovados pela elevada movimentação financeira, bem ainda, pela ocultação de receitas comprovadamente provenientes de operações de vendas de títulos mercantis (factoring), destacandose, neste caso, que houve negociação de títulos de origem mercantil sem a devida comprovação da emissão de nota fiscal correspondente, e acrescentese as receitas comprovadas por notas fiscais de vendas emitidas, cujo montante supera de forma significativa o total declarado. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Acórdão n.º 1201001.967 S1C2T1 Fl. 5 7 Também constitui motivo para agravamento da multa, o fato do sujeito passivo, em nenhum momento, manifestarse no sentido de apresentar nova escrituração fiscal referente aos anos de 2002 a 2005, em substituição à que, segundo alega, teria sido furtada, bem como a escrituração do ano calendário de 2006, que não foi apresentada, sem qualquer justificativa; acrescente se a isso ainda, por ter efetuado lançamento do IPI em nota fiscal, recebido o valor do imposto, sem a apresentação da devida informação fiscal em DIPJ, da declaração em DCTF e do recolhimento aos cofres públicos. Cumpre observar, por oportuno, que essas mesmas irregularidades foram praticadas por vários anos seguidos, reiteradamente, desde o anocalendário de 2002, como foi apurado no encerramento parcial da fiscalização (processo n° 13839.005675/200719), até o anocalendário de 2006. De fato, entendo que procede a acusação fiscal. Como adiante será argumentado, por ocasião da análise de mérito do lançamento, o procedimento fiscal constatou que o contribuinte auferiu receitas da sua atividade que não foram oferecidas à tributação, e sequer foram integralmente declaradas ao fisco. Inconteste, portanto, a ocorrência da ação dolosa do contribuinte, que, assim procedendo, intentou escamotear a ocorrência dos fatos geradores dos tributos, causando dano à Fazenda Pública. Não tenho dúvidas de que se está diante da situação prescrita no art. 71 da referida Lei n° 4.502/64, já transcrito, que trata da sonegação fiscal. (...)” A matéria já definida e não enfrentada pelo contribuinte indica de forma impulsiva a aplicação do art. 173, I do CTN ao caso concreto, especialmente no que tange a análise do objeto do recurso de ofício apresentado, qual seja, a decadência. Devese pressupor, no entanto, que os limites da peça recursal aqui analisada se pautam na mesma medida dos créditos exonerados pela autoridade julgadora de primeira instância. O recurso necessário responde a uma demanda automática de resguarde e atenção a eventuais inconsistências que coloquem em risco a arrecadação tributária, o erário e, essencialmente, o financiamento da máquina estatal. Portanto o racional que considera o dies a quo como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, respondendo à percepção de uma conduta dolosa do contribuinte, é imutável. O que deve ser de fato analisado são os créditos exonerados, calcados por este entendimento, ou seja, a validação ou invalidação da consumação do instituto da decadência levando em conta este alargamento do prazo proporcionado pela redação do art. 173, I do CTN. Fl. 1460DF CARF MF 8 Em suma, o exame voltase exclusivamente em relação aos fatos geradores ocorridos: de janeiro a novembro de 2003, quanto ao PIS e a COFINS; e nos três primeiros trimestres de 2003, quanto ao IRPJ e a CSLL. Veja, desnaturar a conduta dolosa para redefinir a contagem do prazo decadencial neste momento seria desconsiderar a aplicação da multa qualificada definida e até o mérito desta lide, retomando questão não contestada e já veiculada em processo de cobrança. Apesar destes impedimentos formais é certo e inequívoco que, sob o princípio da verdade material, o contribuinte teve as oportunidades de ilidir a presunção que sob ele recaiu, mas não trouxe comprovação hábil e idônea neste sentido. Assim, corroborou com o fortalecimento da tese de sonegação fiscal formada através da constatação de declarações de receitas do contribuinte em montas muito inferiores às realmente auferidas, de modo reiterado, durante quatro anos seguidos. Neste sentido vejamos passagem do v. cordão recorrido: “(...) E, como dos autos se pode inferir, a autoridade lançadora fez aquilo que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, isto é, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, intimou a fiscalizada, por mais de uma vez (fls. 242/244 e diversas planilhas anexas, 360, 367/373 e diversas planilhas anexas), a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas de titularidade da empresa. Em atenção a essas intimações, após solicitar a prorrogação de prazos, também por mais de uma vez, a fiscalizada limitouse a apresentar alegações genéricas (fls. 468/471), desacompanhadas de qualquer documentação hábil e idônea. O mesmo ocorreu por ocasião da sua impugnação aos lançamentos. (...)” O presente julgador já se manifestou em outras oportunidades no sentido de que a conduta dolosa traz intrinsecamente uma tentativa de dificultar/ludibriar o trabalho fiscal, de modo que o alargamento do prazo decadencial nos termos do art. 173, I do CTN é uma resposta ao comportamento do contribuinte, ofertandose maior tempo ao fisco exatamente no passo em que presumidamente dispenderá maiores esforços (e mais tempo) para atingir a verdade e, enfim, formalizar o lançamento. Pois bem. Seguindo esta lógica, todos os fatos geradores ocorridos em 2003, até o mês de novembro quanto ao PIS e COFINS (apuração mensal) e até o terceiro trimestre do mesmo ano quanto ao IRPJ e a CSLL (apuração trimestral lucro presumido), poderiam ser lançados neste ano e, assim, somente a partir do dia 01/01/2004 poderiam ser constituídos definitivamente pela Fazenda Pública, inaugurando o prazo decadencial nesta data e traçando o termo ad quem como o dia 31/12/2008. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Acórdão n.º 1201001.967 S1C2T1 Fl. 6 9 Uma vez que o contribuinte fora notificado dos autos de infração lavrados apenas em 30/03/2009, os tributos em cobro concernentes aos períodos de 2003 especificados acima foram consumados pela decadência e, nos termos do art. 156, inciso V do CTN, devem ter sua exigibilidade extinta. Apenas ressaltese que os respectivos fatos geradores de dezembro de 2003 quanto ao PIS e a COFINS e ao último trimestre de 2003 quanto ao IRPJ e a CSLL, somente se perfectibilizam em 31/12/2003, de modo que só poderiam ser lançados em 01/01/2014 e, assim, teriam como 01/01/2005 o dies a quo do prazo decadencial. Estes períodos específicos, então, não foram envoltos pela consumação da decadência. Da mesma forma, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2004, estes só seriam passíveis de constituição definitiva do crédito tributário a partir do dia 01/01/2005 ou até 01/01/2006 (dezembro para o PIS e COFINS e o último trimestre para IRPJ e CSLL) razão pela qual, nitidamente, também não são alcançadas pelo prazo decadencial. Deste modo, não há que se falar no acatamento do recurso de ofício, a decisão se dá de forma clara e coesa, em consonância com a legislação tributária e em respeito máximo a segurança jurídica garantida em nível constitucional ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1462DF CARF MF
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