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Numero do processo: 19515.720647/2011-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator-Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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Acórdão nº  9202­005.236  –  2ª Turma   Sessão de  22 de fevereiro de 2017  Matéria  IRPF  Recorrente  EVANDRO LUIZ DE ALMEIDA PEREIRA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007, 2010  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.  DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.  Constatada  a  majoração  artificial  do  custo  de  aquisição  da  participação  societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de  ganhos  avaliados  por  equivalência  patrimonial  nas  sociedades  investidoras,  seguida  de  incorporação  reversa  e  nova  capitalização,  em  inobservância  da  correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999,  devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação  do novo ganho de capital apurado.  TAXA  SELIC.  JUROS  DE  MORA  INCIDENTE  SOBRE  MULTA  DE  OFICIO. APLICABILIDADE.  A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso Especial  do Contribuinte  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidas  as  conselheiras  Patrícia  da  Silva  (relatora)  e  Ana  Paula  Fernandes,  que  lhe  deram  provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe  deu  provimento  parcial  para  excluir  os  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício.  Designado  para  redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 47 /2 01 1- 41 Fl. 950DF CARF MF     2   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva – Relatora  (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Júnior – Redator­Designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  Trata­se de Recurso Especial, de e­fls. 773/809, interposto pelo Contribuinte,  em face do acórdão nº 2201­002.635, julgado na sessão do dia 20 de janeiro de 2015, pela 1ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  Seção,  o  qual  deu  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  A decisão restou assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2007, 2010  Ementa:  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E  RESERVAS.  Constatada  a  majoração  artificial  do  custo  de  aquisição  da  participação  societária  alienada,  mediante  a  capitalização  de  lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência  patrimonial  nas  sociedades  investidoras,  seguida  de  incorporações  reversas  e  nova  capitalização,  em  nítida  inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser  expurgados  os  acréscimos  indevidos  com  a  consequente  tributação do novo ganho de capital apurado.  MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA  A  existência  de  correntes  doutrinárias  divergentes,  além  de  precedentes  jurisprudenciais  favoráveis  ao  negócio  jurídico  praticado  pelo  contribuinte,  demonstra,  na  verdade,  uma  hipótese de  erro de proibição. Não há como  ser  reconhecido o  dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos  autos  a  convicção  do  recorrente  no  sentido  de  estar  agindo  Fl. 951DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 951          3 segundo  o  permissivo  legal,  sem  ocultação  da  prática  e  da  intenção final dos seus negócios.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa SELIC.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Na  origem,  trata  o  presente  processo  de Auto  de  Infração  relativo  a  IRPF,  anos­calendário 2006 e 2009. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital na alienação  de ações/quotas não negociadas em bolsa, com aplicação da multa qualificada de 150%.  O  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  e­fls  322/339,  descreve  os  fatos  da  seguinte forma:  Termo de Re­Ratificação Fiscal de fls. 352/372, em dezembro de  2006, após um complexo processo de reorganização societária, o  contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a  participação  que  possuía  no  Banco  Pactual,  representada  por  7.371.501 (sete milhões, trezentas e setenta e um mil, quinhentas  e  uma)  ações  ordinárias. Tal  alienação  resultou  na  apuração  de  um ganho de capital no valor aproximado de R$ 25,5 milhões e  de  um  imposto  de  renda  pessoa  física  da  ordem  de  R$  3,16  milhões, sendo R$ 1,49 milhão no ano de 2006 e R$1,67 milhão  em  2009  (uma  vez  que  parte  do  valor  da  venda  foi  recebida  apenas nessa data, diferindo­se, assim, sua tributação).    Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de  sua  participação  no  Banco  Pactual  S/A  à  UBS  Brasil  Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo  de  aquisição  dessa  participação,  utilizando­se  de  sofisticados  artifícios  contábeis,  engendrados  através  de  diversos  negócios  societários,  que,  resumidamente,  consistiram  na  elevação  do  capital  em  empresas  investidoras,  via  equivalência  patrimonial  com  as  empresas  investidas  e  a  quase  simultânea  extinção  das  holdings que detinham participação societária no Banco Pactual,  por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com  a  alienação  das  ações  do  Banco  diretamente  pelos  acionistas  pessoas físicas da instituição.     Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações  que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de  seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente  sobre essa alienação.    De  acordo  ainda  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal,  através  dessa manobra, o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento  do  custo  de  aquisição  de  sua  participação  no Banco Pactual  de  incríveis  695,43%,  enquanto  que,  no  mesmo  período,  o  patrimônio  líquido  do  Banco  experimentou  um  aumento  de  84,45%.  Fl. 952DF CARF MF     4   Conclui,  então,  o  fiscal  autuante  que  a  análise  em  conjunto  de  todas  as  operações  que  antecederam  a  alienação  das  ações  representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas  entre  o  grupo  Pactual  e  o  contribuinte,  evidenciam  que  este  incorreu  na  prática  de  ato  simulado,  ao  inflar  artificialmente  o  custo  de  aquisição  das  ações,  com  capitalização  cumulativa  de  valores  derivados  dos  lucros  apurados  por  equivalência  patrimonial,  nas  operações  de  incorporações  inversas,  com  o  propósito  de  lesar  terceiros,  no  caso  a  Fazenda  Nacional,  configurando­se a hipótese de incidência prevista no inciso I, do  parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com  seu parágrafo 2º.    Assim,  para  efeito  da  correta  apuração  do  ganho  de  capital  ocorrido  na  alienação  da  participação  societária  que  o  contribuinte possuía no Banco Pactual S/A,  foi expurgado, para  fins  de  cálculo  de  seu  efetivo  custo  de  aquisição,  o  efeito  produzido  pelas  capitalizações  de  lucros  e/ou  reservas  nas  empresas  Nova  Pactual  Participações  e  Pactual  Holdings,  ocorridas  em  13/10/2006,  nos  respectivos  valores  de  R$  686  milhões  e  de  R$  202,5  milhões,  uma  vez  que,  como  acima  evidenciado,  esse  efeito  foi  utilizado  em  duplicidade  e  está  embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em  03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00.    Expurgando­se  o  acréscimo  promovido  pelo  contribuinte  no  custo  de  aquisição  de  suas  ações,  em  razão  capitalização  da  empresa  Nova  Pactual  Participações,  no  valor  de  R$  6.474.568,00,  foi apurado o valor correto do custo de aquisição  das  ações  alienadas,  que  somou  R$  8.572.820,70  (R$  16.690.444,70 R$ 8.117.624,00).  Diante  de  tal  lançamento,  a  Contribuinte  apresentou  impugnação  de  e­fls.  392/431, alegando a insubsistência do Auto de Infração.  A 16ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, conforme acórdão nº 16­41.199, de e­ fls. 569/600, julgou procedente o lançamento.  Intimado de  tal  decisão,  houve a  interposição  de Recurso Voluntário,  e­fls.  608/657, julgado na sessão do dia 20 de janeiro de 2015, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara  da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para desqualificar a multa de  ofício, reduzindo­a ao percentual de 75%  Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  de  e­fls.  722/731,  requerendo  que  fosse  restabelecida  a  qualificação da multa de ofício. Conforme exame de admissibilidade de e­fls. 733/738,  foi  negado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  Ao ser intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de e­fls. 773/809,  em que pretende rediscutir: (i) a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no  cálculo do ganho de capital,  relativamente à operação de alienação da participação societária  do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS e; (ii) juros de mora sobre a  multa de ofício.  Apresentou como paradigmas os acórdãos ns. 2102­001.938 e 2202­002.165.  Fl. 953DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 952          5 IRPF.  GANHO  DE  CAPITAL.  INEXISTÊNCIA  DE  SIMULAÇÃO.   Há  um  consenso  entre  a  Doutrina  e  a  Jurisprudência  quanto ao fato de que são considerados simulados os atos  realizados  pelas  partes  quando  a  intenção  delas  não  corresponde  àquela  expressa  pelos  atos  efetivamente  realizados  (ou  exteriorizados).  Por  outro  lado,  quando  os  atos praticados revelam exatamente a intenção das partes,  não há que se falar em simulação.   IRPF.  GANHO  DE  CAPITAL  NA  VENDA  DE  PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.  APURAÇÃO DO CUSTO  DE  AQUISIÇÃO.  INCORPORAÇÃO  REVERSA.  CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART.  135 DO RIR/99.   O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de  quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de  capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês  de  janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses  lucros, o custo de aquisição será  igual à parcela do  lucro  ou  reserva  capitalizado,  que  corresponder  ao  sócio  ou  acionista”. A  lei  não  prevê qualquer  exceção à  aplicação  da  norma,  de  forma  que,  para  afastá­la,  deverá  ser  demonstrada  pela  fiscalização  a  sua  inaplicabilidade  ao  caso  concreto.  Diante  da  falta  de  tal  demonstração,  não  pode prevalecer o lançamento.    "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  IRPF  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.DUPLICIDADE  DE  CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.  Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da  participação societária alienada, mediante a capitalização  de  lucros  e  reservas  oriundos  de  ganhos  avaliados  por  equivalência  patrimonial  nas  sociedades  investidoras,  seguida  de  incorporações  reversas  e  nova  capitalização,  em  nítida  inobservância  da  primazia  da  essência  sobre  a  forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com  a  conseqüente  tributação  do  novo  ganho  de  capital  apurado.  MULTA QUALIFICADA  Em suposto planejamento tributário, quando identificada a  convicção  do  contribuinte  de  estar  agindo  segundo  o  permissivo  legal,  sem  ocultação  da  prática  e  da  intenção  final  dos  seus  negócios,  não  há  como  ser  reconhecido  o  dolo  necessário  à  qualificação  da  multa,  elemento  este  constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64.  TAXA  SELIC.  JUROS  DE  MORA  INCIDENTE  SOBRE  MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE.  Fl. 954DF CARF MF     6 Os  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não  incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o  tributo  ou  contribuição,  por  absoluta  falta  de  previsão  legal. Recurso provido em parte."  De acordo com o despacho de e­fls. 903/907 foi dado seguimento ao Recurso  Especial do Contribuinte em relação:  (i) a  forma de apuração do custo de aquisição a  ser  considerado  no  cálculo  do  ganho  de  capital,  relativamente  à  operação  de  alienação  da  participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS  e; (ii) juros de mora sobre a multa de ofício.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  Contrarrazões,  e­fls.  909/928,  requerendo  que  seja negado provimento  ao Recurso Especial  do Contribuinte, mantendo a decisão da 1ª  Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção.  Assim, está em análise as seguintes matérias:  (i)  a  forma  de  apuração  do  custo  de  aquisição  a  ser  considerado  no  cálculo  do  ganho  de  capital,  relativamente  à  operação  de  alienação  da  participação  societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS;   (ii) juros de mora sobre a multa de ofício.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Patrícia da Silva ­ Relatora  ­ Recurso Especial do Contribuinte.  O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e preenche os  demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço.  Conforme Exame de admissibilidade de e­fls. 903/907 , O Recurso Especial  interposto pelo Contribuinte pretende a rediscussão de duas matérias:  (i)  a  forma  de  apuração  do  custo  de  aquisição  a  ser  considerado  no  cálculo  do  ganho  de  capital,  relativamente  à  operação  de  alienação  da  participação  societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS;  (ii) juros de mora sobre a multa de ofício.  Assim, passo a análise das questões levantadas pelo Contribuinte.  (I)  a  forma  de  apuração  do  custo  de  aquisição  a  ser  considerado  no  cálculo  do  ganho  de  capital,  relativamente  à  operação  de  alienação  da  participação  societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS.  Fl. 955DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 953          7 Essa matéria não é nova no âmbito dessa E. CSRF, a  título exemplificativo  destaco os seguintes acórdãos: 9202­003.699, 9202­003.700 e os mais recentes 9202­003.960 e  9202­003.961.  Nas  sessões  passadas,  cito  os  acórdãos  9202­003.699  e  9202­003.700,  acompanhava  o  voto  do  ilustre Conselheiro  Luiz Eduardo  de Oliveira,  porém,  recentemente  conforme  acórdãos  9202­003.960  e  9202­003.961,  acompanhei  o  posicionamento  da  ilustre  Conselheira Ana Paula Fernandes no caso envolvendo a mesma operação.  Assim,  reproduzo  o  voto  da  ilustre  conselheira  Ana  Paula  Fernandes  proferido no acórdão 9202­003.961, como forma de manter o meu posicionamento em relação  a matéria em questão.  1 ­ RECURSO DO CONTRIBUINTE.  DA FORMA DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO A  SER  CONSIDERADO  NO  CÁLCULO  DO  GANHO  DE  CAPITAL.  DO  ARBITRAMENTO.  DA MANUTENÇÃO  DO  AUTO DE INFRAÇÃO.    Em  sessão  passada  acompanhei  o  brilhante  voto  do  eminente  conselheiro  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  contudo,  com  o  passar as sessões, analisando detidamente os recursos de cada um  dos processos que vêm sendo julgado nesta turma, bem como as  sustentações  orais  proferidas,  fui  definindo  um  entendimento  divergente.    Observando  os  casos  já  julgados,  os  quais  são  análogos  ao  processo que hora passo a julgar, não posso deixar de demonstrar  minha  enorme  preocupação  com  a  pacificação  social.  Afinal,  a  regras  num  Estado  Democrático  de  Direito  são  definidas  para  serem  cumpridas,  mas  para  isso  elas  precisam  ser  claras,  objetivas  e  não  levantarem  dúvidas  a  respeito  de  seu  cumprimento.  Isso  garante  a  segurança  jurídica  e  demonstra  a  seriedade de nossas Instituições.    ...     Quanto  ao  primeiro  tópico,  observo  que  há  uma  discrepância  entre a interpretação dada pelo contribuinte e a que foi dada pela  fiscalização,  no  tocante  a  regra  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  que  define  o  que  deve  e  o  que  não  deve  ser  tributado  nestas operações. E  isso  sim gerou grande dúvida  a  respeito de  sua aplicabilidade.    Entendeu  a  Receita  Federal  que  a  extinção  das  sociedades  holdings  por  meio  de  incorporações  acompanhadas  de  capitalizações  de  lucros  e  reservas  de  lucros  acumulados  teria  gerado  uma  majoração  artificial  dos  custos  de  aquisição  de  investimentos  detidos  pelas  pessoas  físicas  alienantes.  E  em  razão disso,  tratou a Administração Pública por desconsiderar o  efeito  das  capitalizações  dos  lucros  advindos  pelo  Método  de  Equivalência Patrimonial.    Fl. 956DF CARF MF     8 Observo, portanto, que toda problemática reside na possibilidade  ou  não  de  capitalização  de  lucros  advindos  da  aplicação  do  Método de Equivalência Patrimonial.    A  questão  levanta  dúvidas.  Tanto  é  verdade  que  a  própria  Administração  Pública  no  momento  de  fiscalizar  o  imposto  devido  autuou  os  contribuintes  com  cinco  teses  distintas  de  interpretação  da  legislação  fiscal­tributária  para  fins  de  cálculo  do custo de aquisição.    Ora, se a mesma legislação, no caso em tela, especificamente os  mesmos dispositivos legais, levou os fiscais, auditores da Receita  Federal, a cinco interpretações distintas, isso nos leva a crer que  não  se  trata  de  simples  equívoco  interpretativo,  mas  sim  de  dúvida razoável causada pela impropriedade do texto legal.    A  celeuma  citada  se  refere  ao  artigo  135  do  Regulamento  do  Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 1999), cuja regra matriz  é  o  artigo  10  da  Lei  9.249/95.  Vejamos  o  que  diz  o  comando  legal, no trecho que interessa a lide:    Lei 9.249/95   Art.  10  ­  Os  lucros  ou  dividendos  calculados  com  base  nos  resultados  apurados  a  partir  do  mês  de  janeiro de 1996, pagos ou  creditados pelas pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado,  não  ficarão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte,  nem  integrarão a base de cálculo do imposto de renda do  beneficiário,  pessoa  física  ou  jurídica,  domiciliado  no País ou no exterior.   (...)   Parágrafo  único.  No  caso  de  quotas  ou  ações  distribuídas  em  decorrência  de  aumento  de  capital  por incorporação de lucros apurados a partir do mês  de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com  esses  lucros,  o  custo  de  aquisição  será  igual  à  parcela  do  lucro  ou  reserva  capitalizado,  que  corresponder ao sócio ou acionista.    Seguindo entendimento esposado por esta Turma anteriormente,  o  referido artigo não se aplicaria às bonificações decorrentes da  capitalização  de  lucros  formados  com  ganhos  provenientes  da  aplicação do método de equivalência patrimonial, pois os lucros,  cuja  capitalização  seria  apta  a  gerar  acréscimo  e  custo  para  o  investidor, seriam aqueles capazes de   atingir  o  patrimônio  da  pessoa  física  (o  que  excluiria  aqueles  advindos pelo MEP).    Contudo,  o  contribuinte  alega  que  esta  interpretação  está  dissociada da lei e dos conceitos de receita e lucro da legislação  vigente,  e  que,  ainda  que  fosse  necessário  que  este  atingisse  o  patrimônio  da  pessoa  física,  pois  os  ganhos  do  MEP  são  possíveis  de  chegar  ao  seu  patrimônio,  só  não  são  obrigatórios  dependendo de um fato de natureza exclusivamente financeira –  disponibilidade de caixa ou da vontade da companhia.    Fl. 957DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 954          9 Compulsando os autos e toda legislação aplicável, reconheço que  assiste  razão  ao  contribuinte.  A  literalidade  da  norma  leva  a  conclusão de que a capitalização de  lucros  implica um aumento  do  custo  da  correspondente  participação  societária.  Observe­se  que  a  lei  fala  em  capitalização,  logo  isso  se  aplica  a  qualquer  capitalização, uma vez que a lei não traz exceções.   Isso  decore  do  fato  de  que  a  norma  positiva  não  faz  qualquer  distinção quanto a forma ou modo que deve ser operacionalizada  esta  "capitalização"  para  que  esse  aumento  corresponda  a  participação societária.    Entender  assim  gera  incoerências  no  sistema  jurídico  e  disfuncionalidades na tributação de operações? Pode ser que sim.  Contudo  isso  decorre  de  impropriedade  legal,  não  cabendo  a  Administração  Pública  dar  a  interpretação  que  lhe  assiste  para  corrigir  a  impropriedade  de  um  texto  de  lei,  utilizando­se  de  fundamentos  outros  que  não  aqueles  que  se  encontram  no  comando legal do dispositivo em apreço.    Para  esclarecer,  quando  um  investimento  é  contabilizado  pelo  Método  de  Equivalência  Patrimonial,  os  lucros  da  sociedade  investida  traduzem­se em receitas da sociedade  investidora. E o  que  são  estas  receitas?  São  resultados  positivos  ou  ganhos  de  equivalência,  que  não  configuram  propriamente  lucro  da  investidora, mas  se  consubstanciam  como  elemento  positivo  na  formação  deste,  que  a  rigor,  segundo  a  explicação  de  diversos  especialistas  contábeis,  podem  vir  a  existir  ou  não  dependendo  do conjunto de receitas de despesas desta sociedade. Os ganhos  advindos do MEP advêm de um ativo classificado como   investimento, e por esta  razão  realizam­se  financeiramente num  prazo mais longo que as demais receitas.    Então se os ganhos de MEP representam uma receita efetiva da  investidora porque não estão sujeitas a incidência de imposto de  renda  e  outros  tributos?  Isso  ocorre  por  que  a  lei  permite  sua  exclusão da base de cálculo dos mesmos, exclusão essa que não  ocorre na base de  cálculo do  imposto de  renda, quando o  lucro  provém  de  investimentos  em  controladas  ou  coligadas  sediadas  no exterior (Art. 74 da MP 2.153­35/2001).    Assim, as  receitas de MEP não apenas  integram o  resultado do  exercício  da  investidora  como  também  devem  ser  distribuídos  (Art.  202,  §6º  da  Lei  6.404/76),  embora  em  alguns  casos  haja  autorização legal para que não o seja feito.    E para o bom deslinde desta questão é fundamental compreender,  o  que  isso  significa.  Ou  seja,  como  regra,  os  ganhos  advindos  pelo MEP devem ser distribuídos, mas, como estes correspondem  a  lucros  não  realizados,  a  Lei  que  regula  o  funcionamento  das  Sociedades  Anônimas,  faculta  as  companhias  que  estes  lucros  sejam mantidos em uma reserva específica, o que o contribuinte  aduz  ser  possível  com  a  finalidade  de  preservar  a  saúde  financeira destas Sociedades.    Fl. 958DF CARF MF     10 Logo,  se  os  ganhos  de  equivalência  são  suscetíveis  de  distribuição  (prevista  em  lei),  leva  a  conclusão  que  poderiam  também gerar aumento de custo, quando capitalizados.     E  sua  ocorrência  vai  depender  de  fatores  como  Situação  financeira  da  Sociedade  ou  até  mesmo  sua  conveniência,  uma  vez  que  a  distribuição  de  dividendos  em  bens  é  uma  possibilidade legal prevista na Lei das Sociedades Anônimas.    A  doutrina  do  Direito  tributário  também  compreende  deste  modo.  Vejamos  o  que  diz  o  ilustre  professor  Heleno  Taveira  Torres:     Ao tempo que o instituto da capitalização de lucros  corresponde,  legalmente,  ao  acréscimo do  custo  da  participação  dos  sócios  que  decidem  por  não  distribuí­Ios,  apenas a diferença entre o novo custo  (majorado) e o valor recebido, quando da venda de  participação societária, gerará ganho de capital. a ser  tributado  pelo  Imposto  de  Renda.  Entendimento  diverso  fere a  legalidade, a  condicional',  no país, o  exame  da  capacidade  contributiva.  Importa  considerar  que  o  caso  em  tela  não  envolve  a  utilização  artificial  de  "empresas  veículo",  com  vistas ao aumento irreal dos custos de aquisição das  participações societárias detidas pelo Consulente.     Embora  meu  entendimento  pessoal  seja  de  que  o  artigo  135  do  RIR  seja  uma  forma  inadequada  de  tratar os ganhos advindos do MEP, justamente pela  possibilidade  de  admitir  a  duplicidade  (a  meu  ver  imoral) de aproveitamento de custos, que foi muito  bem  demonstrada  no  voto  que  acompanhei  em  sessões  anteriores,  ainda  assim  é  uma  forma  legal,  cujas  distorções  econômicas  foram  geradas  pela  literalidade  do  texto  de  lei,  cujo  regimento  interno  deste Conselho me impede de afastar vigência.     Ou  seja,  por  mais  imoral  ou  excessiva  que  seja  a  duplicidade  de  aproveitamento  de  custos  realizada  pelo  contribuinte,  não  cabe  a  este  conselho  administrativo,  alterar  o  texto  da  lei  por  meio  de  construções  interpretativas,  com  a  finalidade  de  corrigir  impropriedades,  com  as  quais  deveria  ter  sido mais cauteloso o legislador.   É  princípio  basilar  do  Direito  Administrativo  o  respeito  a  legalidade.  Assim,  enquanto  a  Administração  Pública  só  pode  fazer  o  que  está  previsto  em  lei,  ao  Administrado,  no  caso  em  tela  Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é  proibido.    Ainda, para Hely Lopes Meirelles:     Na  Administração  Pública  não  há  liberdade  nem  vontade  pessoal.  Enquanto  na  administração  particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na  Fl. 959DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 955          11 Administração Pública só é permitido fazer o que a  lei  autoriza”  (MIRELLES,  Hely  Lopes.  Direito  Administrativo  Brasileiro.  30.  Ed.  São  Paulo:  Malheiros, 2005).    A  Legalidade  é  intrínseca  a  idéia  de  Estado  de  Direito,  pensamento  este que  faz  que  ele próprio  se  submeta  ao  direito,  fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser  tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade  que  cada  indivíduo  encontra  o  fundamento  das  suas  prerrogativas,  assim  como  a  fonte  de  seus  deveres.  A  administração  não  tem  fins  próprios,  mas  busca  na  lei,  assim  como,  em  regra  não  tem  liberdade,  escrava  que  é  do  ordenamento.     O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os  gestores  frente  o  Poder  Público.  Ele  representa  total  subordinação  do  Poder  Público  à  previsão  legal,  visto  que,  os  agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme  a  lei. Assim, o  administrador público não pode, mediante mero  ato  administrativo,  conceder  direitos,  estabelecer  obrigações  ou  impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por  exemplo,  dependerá  de  lei.  Do  mesmo  modo,  a  limitação  de  direitos  não  poderá  ser  feita  por  via  de  interpretação  mais  gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma.     Na  fiscalização,  o  Princípio  da  Legalidade  possui  atividade  totalmente  vinculada,  ou  seja,  a  falta  de  liberdade  para  a  autoridade  administrativa. A  lei  define  as  condições da  atuação  dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo  condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas.     Por  fim,  esse  princípio  é  vital  para  o  bom  andamento  da  Administração  Pública,  sendo  que  ele  coíbe  a  possibilidade  do  gestor público agir por conta própria,  tendo sua eficácia através  da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de  vinculação  à  norma  e,  principalmente,  a  corrupção  no  sistema.  Essa  preocupação  se  faz  constante  para  que  seja  atingido  o  objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem  e da justiça.     Voltando  para  análise  do  caso  concreto,  vemos  que  os  ganhos  advindos  do  Método  de  Equivalência  Patrimonial  representam  meras receitas da investidora, integram sua conta de resultados e  são responsáveis pela formação de seu lucro. E não há qualquer  menção na redação do artigo 135 do RIR que afaste seus efeitos  do ganho de MEP, não há sequer dúvida a respeito, ao contrário,  o  artigo  não  coloca  isso  em  discussão,  não  gerando,  portanto,  nenhuma dúvida de que o Contribuinte então possa fazê­lo. Até  por que em diversos casos a Receita Federal permitiu isso. E não  é admitido que a permissão ou proibição seja definida com base  em  quem  tem  vantagem  com  a  conduta,  pois,  conforme  já  foi  dito anteriormente, a Administração só cabe fazer aquilo que está  Fl. 960DF CARF MF     12 previsto  em  Lei,  não  podendo  interpretar  a  norma  a  seu  bel  prazer de acordo com o que lhe traga vantagem.    Por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita  Federal,  compreender  e  aplicar  a  lei  diferente  desse  entendimento,  consiste  em  tentar  mudar  por  força  de  ato  administrativo  interpretativo, previsão disposta em  lei,  impondo  ao particular uma proibição que não  se  encontra no  texto  legal.  Seja por omissão ou vontade do legislador, o fato é que ele nada  disse sobre isso.    Nesse  ponto  cabe  citar  o  parecer  jurídico  do  Professor  Heleno  Taveira Torres:     À  guisa  de  complementação,  as  operações  de  aumento de capital social, mediante capitalização de  lucros,  devidamente  garantida  pelo  método  da  equivalência  patrimonial,  caro  à  contabilização  das  pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como se  verá  adiante,  bem  conduziram,  no  caso.  o  Consulente  ao  aumento  do  valor  nominal  da  participação  societária.  Trata­se  de  efeito  civil  de  instituto  de  direito  privado  (Lei  n.  6.404/1976,  art.  169)  precisamente mantido,  nos mesmos  moldes  e  sem quaisquer  ressalvas,  pelo  legislador  fiscal.  nos  termos  do  art.  135  do RIR/1999.  Por  força  do  art.  109  do  CTN,  tão  relembrado  neste  Parecer.  afiguram­se  juridicamente  impossíveis  in  casu  quaisquer ajustes promovidos, em via interpretativa,  pela  Administração  Fazendária.  No  que  toca  aos  atos e negócios  jurídicos praticados de acordo com  as normas  existentes,  a  função  social  dos  contratos  (CC/2002,  art.  421),  garantida  constitucionalmente,  ao  lado  da  liberdade  de  iniciativa  econômica,  impedem  a  desconsideração  e  a  requalificação  na  situação  sob  exame.  pelos  agentes  fiscais,  sem  observância do art, 149, VII do CTN.     Resta  evidente  que  a  Receita  Federal  já  se  deu  conta  da  problemática  que  reside  na  literalidade  do  texto  legal,  contudo  não cabe ao Poder Executivo, por meio de atos interpretativos da  Administração  Pública,  Fiscalização  e  Conselho  de  Recursos  Fiscais,  corrigir  eventuais  distorções  econômicas  advindas  da  aplicação  da  lei.  Observo,  inclusive,  que  tal  necessidade  já  chegou ao conhecimento do Poder Legislativo, que, por meio da  MP n. 694/2015, tenciona tal ajuste.     Contudo,  até  que  ele  ocorra,  não  poderá  ser  imputado  ao  Contribuinte proibições, sanções ou quaisquer atos mais gravosos  que  aqueles  “estritamente”  constantes  no  texto  de  lei.  Motivo  pelo qual, em função da redação original da Lei (nunca alterada)  julgo  ser  plenamente  possível  a  sua  utilização  para  ganhos  advindos do emprego do método de equiparação patrimonial.    Por  fim,  impossível  ignorar  os  apontamentos  como muito  bem  ponderados pelo Professor Heleno Taveira Torres, ao analisar os  fatos  atinentes  ao  caso  da  reestruturação  operada  entre  as  Fl. 961DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 956          13 sociedades  holdings,  que  detinham  investimentos  do  BANCO  PACTUAL  S/A,  no  qual  pontua  estarem  devidamente  escriturados  todos  os  efeitos  contábeis  e  fiscais,  a  exemplo  da  capitalização  de  lucros,  decorrentes  dos  mencionados  atos,  os  quais  foram  corretamente  levados  não  só  ao  conhecimento  do  Fisco, mas, igualmente, do Banco Central do Brasil.     Desse  modo,  não  restaria,  à  Administração  Fazendária,  outra  opção,  senão  reconstituir  o  efetivo  custo  de  aquisição  do  investimento  detido  pelo  contribuinte  na  aludida  instituição  financeira,  louvando­se  nos  elementos  idôneos  aos  quais  teve  acesso,  caso  pretendesse  validamente  questionar  a  base  de  cálculo  por  este  utilizada  em  auto  lançamento,  quando  do  cômputo do ganho de capital.     A  alegação  dada  por  àqueles  que  insistem  em  defender  o  contrário  é  a  de  que  a  adoção  do  método  de  interpretação  sistemática proibiria a aplicação do artigo 135 do RIR aos ganhos  de MEP,  o  que  elidiria  a  possibilidade  de  dupla  capitalização,  como  a  utilizada  pelo  contribuinte.  Contudo,  isso  significaria  permitir  que  a  Fazenda Nacional  desse  a  interpretação  que  lhe  agrada  ao  dispositivo  com  fundamento  de  que  este  seria  o  interesse  do Ordenamento  Jurídico Tributário Nacional,  quando  analisado como um todo.     Pensar  desse  modo  justificaria  que  normas  positivadas  fossem  interpretadas  sempre  no  sentido  que  melhor  aprouver  à  administração, o que não é aceitável num estado que preza pela  segurança jurídica e pela repartição dos poderes. Caso contrário a  Administração  Pública  poderá  legislar  por  via  transversa,  alterando  a  aplicação  do  texto  de  lei  toda  vez  que  lhe  for  conveniente, alegando adoção da interpretação sistemática, o que  denota  nítida  e  inaceitável  interferência  do  Poder Executivo  no  Legislativo.  “É  princípio  de  hermenêutica  que  não  pode  o  intérprete excepcionar quando a lei não excepciona, sob pena de  violar o dogma da separação dos Poderes”.  (REsp 1499898/RS,  Rel.  Min.  HUMBERTO  MARTINS,  Segunda  Turma,  DJe  24/03/2015)    Desse modo, em respeito ao princípio razoabilidade e segundo o  princípio da legalidade ­ art.37, caput da Constituição Federal –  “a  Administração  está,  em  toda  a  sua  atividade,  adstrita  aos  ditames  da  lei,  não  podendo  dar  interpretação  extensiva  ou  restritiva,  se  a  norma  assim  não  dispuser.  Desta  forma,  a  lei  funciona  como  balizamento  mínimo  e  máximo  na  atuação  estatal"  (REsp  603.010/PB,  Rel.  Min.  GILSON  DIPP,  Quinta  Turma, DJ 8/11/2004).     Contudo, se não forem estas as razões para anulação do auto de  infração em comento, ainda existe um segundo ponto que preciso  analisar para concluir meu voto.     No  tocante ao  arbitramento de  Imposto de Renda Pessoa Física  sobre  a  alienação  de  participação  societária  do  contribuinte,  Fl. 962DF CARF MF     14 observo que a utilização do arbitramento, previsto no artigo 529  e  seguintes  do  Decreto  3000/99  (RIR),  gera  dúvidas  sobre  a  assertividade de sua aplicação no caso concreto.    O  arbitramento  é  devido  somente  nos  casos  em  que  o  contribuinte impede a  fiscalização de ter acesso aos seus dados.  Contudo não é o que ocorreu no caso em tela, pois verifico total  transparência do contribuinte com os atos por ele levados a cabo  na  alienação  de  sua  participação  societária.  A  Receita  Federal  não  tem  como  afirmar  com  as  provas  dos  autos  que  houve  qualquer ato por parte do contribuinte capaz de justificar a opção  pelo arbitramento, conforme a previsão do RIR.     No Brasil, segundo Maria Rita Ferragut, “a tipificação dos fatos  passíveis de  serem  tributados  é  rígida,  não permitindo qualquer  extensão  infraconstitucional,  estando  a  competência  residual  da  União  Federal  (artigo  154,I,  da  Constituição  Federal)  excepcionada  dessa  regra desde  que  exercida  obedecendo­se  os  limites  impostos  pela  Carta  Magna”(FERRAGUT,  M.  R.  Presunções no Direito Tributário, 2001).     O  agente  administrativo  detém  competência  para  estabelecer  critérios  especiais  para  a  prática  de  lançamento,  por  via  do  arbitramento, espécie do gênero lançamento de ofício, tendente a  avaliar  preços,  bens,  serviços  ou  atos  jurídicos,  sempre  que  inexistam  documentos  ou  declarações  do  contribuinte,  ou  que,  embora existentes não mereçam fé.    Contudo,  nas  palavras  da  especialista  citada  “a  impossibilidade  de comprovação direta da base originária é condição necessária  para a aplicação de arbitramento”.     Observo  aqui  que,  não  há  nos  autos  qualquer  situação  de  SIMULAÇÃO.     A  análise  de  fatos  concretos  denota  estarmos  diante  de  uma  estrutura  previamente  existente,  que  opta  pela  adoção  de  um  caminho  que  lhe  confere  menor  custo  tributário,  para  levar  a  cabo  seu  intuito  de  permitir  a  distribuição  desproporcional  de  lucros,  entre  os  sócios  na  medida  de  contribuição  de  cada  um  para  o  êxito  da  atividade  da  instituição  financeira  sob  consideração, o que consistiu em efetivo planejamento tributário,  constituído dentro das normas legais.    E por isso, especificamente no que diz respeito à técnica jurídica  do  arbitramento,  trata­se  de  GRANDE  EQUÍVOCO  utilizado  nestes casos.    Registre­se, mais uma vez, que o aumento do custo de aquisição  decorrente da capitalização de lucros e reservas, prevista no art.  169  da  LSA,  foi  recepcionado,  sem  ressalvas,  pelo  legislador  tributário, no art. 135 do RIR/1999, o que autoriza concluir que a  Administração Fazendária infringiu o art. 109 do CFN.     E  esse  aumento  de  custo  de  aquisição  decorre  de  operação  aritmética  de  subtração  entre  o  patrimônio  final  de  um  contribuinte,  consistente  em  valores  recebidos  quando  da  Fl. 963DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 957          15 alienação  de  ativos  em  dado  espaço  de  tempo,  e  o  Custo  de  aquisição destes.     E,  no  cômputo  deste  custo  de  aquisição,  não  podem  ser  desconsiderados,  repita­se,  os  acréscimos  legalmente  admitidos  no  direito  tributário  vigente,  ainda  que  por  ficção  jurídica;  especialmente quando estes acréscimos decorrem de disposições  legais  expressas,  mediante  regular  utilização  de  técnicas  jurídico­contábeis,  como  é  o  Método  de  Equivalência  Patrimonial  em  operação  de  reestruturação  societária  válida  e,  ademais, referendada pelo Banco Central do Brasil.     Trata­se  de  acréscimos  decorrentes  da  recepção  expressa  de  institutos  privados,  a  exemplo  da  capitalização  de  lucros  e  reservas, prevista, sem quaisquer ressalvas, no art. 169 da LSA e  arts. 135 e 383 do RIR/1999.     Está­se,  portanto,  diante  de  Auto  de  Infração  que  consigna  crédito tributário (IRPF, somado a multa e juros) ilíquido, incerto  e inexigível, por dois motivos:     1) Há permissão legal para que o contribuinte tenha seu custo  de  aquisição majorado por  capitalização de  lucros  oriundos  da aplicação de MEP.     2) Tendo em vista que os critérios jurídicos para formação da  base  de  cálculo  do  imposto  ora  cobrado  não  foram  respeitados no ato de lavratura do auto de infração entendo  este  estar  eivado  de  vício  material,  devendo  este  restar  cancelado.     (ii) juros de mora sobre a multa de ofício.  De  acordo  com  julgamentos  anteriores,  acolho  o  Recurso  Especial  do  Contribuinte  também em relação a este ponto, para  reconhecer a  ilegalidade da exigência de  juros de mora sobre a multa de ofício, em face da falta de previsão expressa em lei para tanto.  Como fundamento, adoto o voto da ilustre conselheira Cristiane Silva Costa  no acórdão nº 9101­002.471:  Como manifestado em  julgamentos anteriores,  acolho o  recurso  especial  para  reconhecer  a  ilegalidade  da  exigência de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  em  face  da  falta  de  previsão  expressa em lei para tanto.     Isto  porque  o  caput  do  artigo  61  da  Lei  nº  9.430/1996,  trata  apenas dos débitos de tributos e contribuições administradas pela  Secretaria da Receita Federal, verbis:     Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da Receita  Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de   Fl. 964DF CARF MF     16 1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos de multa de mora,  calculada  à  taxa de  trinta  e  três centésimos por cento, por dia de atraso.     §  1º A multa  de que  trata este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.     § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por  cento.     § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do  primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  (Vide Medida  Provisória  nº  1.725,  de  1998)  (Vide  Lei nº 9.716, de 1998)     O caput acima colacionado, ao dispor sobre débitos decorrentes  de  tributos  e  contribuições  tratou  dos  débitos  decorrentes  dos  fatos  geradores  que  originam  a  cobrança  destes  tributos  e  contribuições,  isto é, os débitos dos  tributos. Não  tratou, assim,  das  penalidades  decorrentes  do  descumprimento  da  obrigação  tributária.     Acrescente­se  que  o  §3º  deste  dispositivo  legal  trata  da  possibilidade de  incidência de  juros de mora  sobre os débitos a  que  se  refere  o  citado  artigo,  isto  é,  débitos  de  tributos  e  contribuições  devidas  à  Receita  Federal  do  Brasil  ­  expressamente  tratados  pelo  caput  ­,  confirmando  que  não  há  previsão para incidência de juros sobre a multa de ofício.     Ressalte­se  que  os  parágrafos  de  um artigo  expressam aspectos  complementares  à  norma  enunciada  no  caput  do  artigo,  ou  exceções  à  regra  por  ele  estabelecidas,  conforme  artigo  11,  III,  alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998:     Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza,  precisão  e  ordem  lógica,  observadas,  para  esse  propósito,  as  seguintes normas: (...)     III ­ para a obtenção de ordem lógica: (...)     c)  expressar  por  meio  dos  parágrafos  os  aspectos  complementares  à  norma  enunciada  no  caput  do  artigo  e  as  exceções à regra por este estabelecida;     Assim, a disposição do §3º,  do  artigo 61 deve  se conformar  ao  caput deste dispositivo, regulando, assim, os débitos de tributos,  contribuições e multa de mora.     É  oportuno  lembrar  que  o  legislador  expressamente  previu  a  incidência de juros sobre multas isoladas, como se depreende do  artigo 43, da mesma Lei nº 9.430/1996:     Fl. 965DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 958          17 Art.  43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.     Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um por  cento  no mês  de  pagamento.     Ao regular a multa de ofício, em sentido contrário, o artigo 44 da  Lei nº 9.430/1996 não estabeleceu expressamente a incidência de  juros.     Nesse sentido, destaca­se a  , redação do citado dispositivo, com  redação  vigente  ao  tempo  do  fato  gerador  tratado  nestes  autos  (2007):     Art.  44. Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas,  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo ou contribuição:   I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;    § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:     I  ­  juntamente  com  o  tributo  ou  a  contribuição,  quando  não  houverem sido anteriormente pagos;    Ressalte­se  que  o  Código  Tributário  Nacional  trata  de  crédito  tributário  com  dois  sentidos  diferentes,  em  alguns  dispositivos  tratando  da  obrigação  tributária  e  a  penalidade  pelo  descumprimento  desta  obrigação,  como  se  observa  dos  artigos  121,  139,  142,  em  outros  apenas  como  a  obrigação  tributária  principal, como se verifica dos artigos 161 e 164.     Colaciona­se o artigo 164, do Código Tributário Nacional:     Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada  judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos:     I  ­  de  recusa  de  recebimento,  ou  subordinação  deste  ao  pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento  de obrigação acessória;     II  ­  de  subordinação  do  recebimento  ao  cumprimento  de  exigências administrativas sem fundamento legal;     III  ­  de  exigência,  por  mais  de  uma  pessoa  jurídica  de  direito  público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador.   Fl. 966DF CARF MF     18   §  1º  A  consignação  só  pode  versar  sobre  o  crédito  que  o  consignante se propõe pagar.     Ao  dispor  que  cabe  a  consignação  na  hipótese  de  recusa  ao  pagamento  "outro  tributo  ou  de  penalidade"  evidencia  que  no  crédito  tributário  tratado  pelo  artigo  164  não  está  incluída  penalidade.     No  mesmo  sentido,  dispõe  o  artigo  161,  do  Código  Tributário  Nacional:     Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da  aplicação  de  quaisquer medidas  de  garantia  previstas  nesta  Lei  ou em lei tributária.     § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.     Note­se que o artigo 161, do Código Tributário Nacional, define  a  incidência  de  juros  de mora,  "sem  prejuízo  das  penalidades",  revelando que estas penalidades não compõe o crédito tributário  na acepção expressa por este dispositivo.     O §1º do artigo 161 expressa "aspectos complementares à norma  enunciada no caput"  (conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei  Complementar nº 95/1998) e, portanto, não  infirma a conclusão  que a penalidade não está incluída no crédito como definido por  este dispositivo.   Assim,  voto  em  dar  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte  também em relação a este ponto.    (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva – Relatora  Fl. 967DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 959          19     Voto Vencedor    Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior – Redator­Designado  Com  a  devida  vênia  ao  voto  da  nobre  Relatora,  ouso  divergir  quanto  ao  mérito do Recurso Especial admitido.   Inicio a análise pela matéria de apuração do custo de aquisição, por haver, ali,  litígio  acerca  do montante  principal  sobre  o  qual  incidiriam  os  juros  sobre multa  de  ofício,  outra matéria abordada no Recurso, constituindo­se assim a primeira em prejudicial à análise  deste última.  a) Quanto ao custo de aquisição:  Continuo a entender,  a propósito, que a correta  interpretação do dispositivo  legal em questão, a saber o art. 135 do RIR/99, deve privilegiar a consistência do arcabouço  normativo  como  um  todo,  a  partir  da  adoção  do  método  de  interpretação  sistemática,  em  detrimento da adoção de uma interpretação literal, que causa, in casu, relavantes e inaceitáveis  inconsistências ("disfuncionalidades") no sistema tributário, permitindo, note­se, que se admita  que  uma  série  de  capitalizações  seguida  de  incorporações  reversas  multiplique  o  custo  de  aquisição  de  determinada  participação  societária,  de  forma  a  reduzir  ou  até  a  eliminar  totalmente o ganho de capital apurado, quando de sua posterior alienação.  O  assunto  foi  perfeitamente  explorado  pelo  voto  vencedor  do  Conselheiro  Luiz  Eduardo  de Oliveira  Santos  no  âmbito  do Acórdão  9.202­003.700,  ao  qual  continuo  a  aceder,  reproduzindo­o,  em  parte,  a  seguir,  de  forma  a  esclarecer  o  que  aqui  se  defende  e  adotando o excerto a seguir aqui também como razões de decidir, verbis:  "(...)  Com efeito,  a  capitalização de  lucros nada mais  é do que uma  operação  que  substitui  o  seguinte  procedimento:  (i)  a  distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários,  (ii)  o  imediato aumento de  capital da pessoa  jurídica,  no valor  do  lucro  distribuído  e  (iii)  a  subscrição  e  integralização  do  aumento  de  capital,  por  esses  mesmos  proprietários,  com  os  recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro.  Por  outro  lado,  o método da  equivalência  patrimonial  tem  por  objetivo  refletir  no  patrimônio  de  uma  pessoa  jurídica  controladora  (ou  coligada)  de  outra,  o  patrimônio  e  consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve  para  refletir  a  situação  da  investida  no  patrimônio  da  investidora.  Fl. 968DF CARF MF     20 (...)  Realizaremos,  agora,  a  análise  jurídica  da  legislação,  sem  perder de vista essas características ontológicas (a) da operação  de  capitalização  de  lucros  e  (b)  do  método  da  equivalência  patrimonial.  Para  fins  de  contextualização  histórica  da  questão,  cumpre  referir  que,  nos  termos  da  legislação  anteriormente  vigente,  a  capitalização  de  lucros,  assim  como  a  distribuição  de  ações  bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo  de  aquisição  da  participação  societária  dos  proprietários  da  pessoa jurídica. Com efeito, naquele período:  ­ o lucro distribuído era passível de tributação; e  ­  consequentemente,  o  custo  de  aquisição  das  participações  societárias não era alterado quando da capitalização de  lucros  pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações  bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como  igual a zero.  Nesse  sentido,  cabe  referência  aos  arts.  727  e  810  do Decreto  1.041, de 1994.  (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados:  Art.  727.  Os  dividendos,  bonificações  em  dinheiro,  lucros  e  outros  interesses,  apurados  em  balanço  de  períodobase  encerrado  até  31  de  dezembro  de  1988,  pagos  por  pessoa  jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa  física  residente  ou  domiciliada  no  País,  estão  sujeitos  à  incidência  de  imposto  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  (Decretos­Leis  n°s  1.790/80,  art.  1°,  2.065/83,  art.  1°,  I,  a,  e  2.303/86, art. 7° parágrafo único):  ...  (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de  aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero:  Art. 810. O custo de aquisição de  títulos e valores mobiliários,  de quotas de capital ...  § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16,  § 4°):  a) no  caso  de  participações  societárias  resultantes  de  aumento  de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até  31 de dezembro de 1988;...  Repara­se  aqui  a  coerência  dos  dispositivos  acima  referidos.  Como,  na  época,  a  distribuição  de  lucros  era  tributada,  a  capitalização  do  lucro  não  alterava  o  custo  de  aquisição  da  participação societária. Assim, quando a participação societária  fosse  alienada,  o  valor  do  lucro  capitalizado  seria  alcançado  pelo ganho de capital.  Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento  na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na  Fl. 969DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 960          21 fonte,  nem na  declaração de  ajuste,  nos  termos  do  disposto  no  art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim:  ­ o lucro distribuído deixou de ser tributado; e  ­  consequentemente,  o  custo  de  aquisição  das  participações  societárias  passou  a  ser  alterado  quando  da  capitalização  de  lucros  distribuíveis  pela  pessoa  jurídica,  inclusive  no  caso  de  distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia  ser considerado igual ao desse lucro capitalizado.  A seguir,  encontra­se  reproduzido o caput do art. 10 da Lei n°  9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo.  Art.  10.  Os  lucros  ou  dividendos  calculados  com  base  nos  resultados apurados a partir do mês de  janeiro de 1996, pagos  ou  creditados  pelas  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado,  não  ficarão  sujeitos  à  incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base  de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou  jurídica, domiciliado no País ou no exterior.  Parágrafo  único.  No  caso  de  quotas  ou  ações  distribuídas  em  decorrência  de  aumento  de  capital  por  incorporação de  lucros  apurados  a  partir  do  mês  de  janeiro  de  1996,  ou  de  reservas  constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à  parcela  do  lucro  ou  reserva  capitalizado,  que  corresponder  ao  sócio ou acionista.  Repara­se,  da  mesma  forma  que  no  sistema  vigente  anteriormente,  a  coerência  dos  dispositivos  acima  referidos.  Como  a  distribuição  de  lucros  deixou  de  ser  tributada,  a  capitalização  do  lucro  distribuível  passou  a  alterar  o  custo  de  aquisição  da  participação  societária.  Assim,  quando  a  participação  societária  fosse  alienada,  o  valor  do  lucro  (distribuível  isento  e  capitalizado)  não  seria  alcançado  pelo  ganho de capital.  Portanto,  conhecendo  a  razão  histórica  do  surgimento  da  legislação,  (que  foi  a  alteração  de  tributação  para  não­ tributação  da  distribuição  de  lucros),  para  compreensão  da  legislação,  (a) afastamos a aplicação da  interpretação  literal  e  (b)  entendemos  como mandatória  a  aplicação da  interpretação  histórico/teleológica  (acima  discutida)  e,  sobretudo,  da  interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da  equivalência  patrimonial,  à  distribuição  e  à  capitalização  de  lucros.  Ressalte­se  aqui  que  todos  esses  métodos  de  interpretação convergem.  Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil  perceber  que  não  se  deve  considerar  somente  a  leitura  do  parágrafo,  mas  também  (e  sobretudo)  a  leitura  do  caput  do  próprio  artigo  10  da  Lei  n°  9.249,  de  1995.  Aliás,  essa  é  uma  regra hermenêutica  básica,  o  parágrafo  deve  sempre  se  referir  ao  caput,  sendo  que  sua  consideração  em  separado  gera  problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de  Fl. 970DF CARF MF     22 ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acaba­se  por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os  lucros  ou  dividendos  pagos  ou  creditados  é  que  não  estarão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda.  Portanto,  interpretando  o  parágrafo  nos  limites  do  que  dispõe  o  caput,  concluímos  facilmente  que  a  capitalização de  lucros  que  tem o  condão  de  alterar  o  custo  de  aquisição  de  participações  societárias  é  aquela  referente  a  lucros  passíveis  de  efetiva  distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação.  Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos  que  o  método  da  equivalência  patrimonial  teve  por  objetivo  o  reconhecimento  de  lucros  de  investidas,  mesmo  antes  de  sua  distribuição.  Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do  ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de  levar em conta o  fato de o  lucro não é efetivamente distribuído  mais de uma vez. Com efeito, o  lucro decorrente do ajuste por  equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido  pela  pessoa  jurídica  operacional  (investida),  esse  último  sim,  passível de efetiva distribuição.  Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de  lucro,  registrado  em  decorrência  do  ajuste  de  equivalência  patrimonial  implica  a  necessidade  de  contratação  de  empréstimos  ou  distribuição  de  recursos  aportados  a  título  de  capital.  Pois  bem,  devemos  nos  lembrar  de  que  a  própria  operação  de  capitalização  de  lucros  foi  concebida  como  um  atalho  para  substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do  lucro, pela pessoa  jurídica a  seus proprietários,  (ii) o  imediato  aumento  de  capital  da  pessoa  jurídica,  no  valor  do  lucro  distribuído  e  (iii)  a  subscrição  e  integralização do  aumento  de  capital,  por esses mesmos proprietários,  com os  recursos antes  recebidos a título de distribuição de lucro.  Agora,  a  partir  do  que  se  encontra  acima  colocado,  é  possível  chegarmos  a  uma  conclusão  quanto  ao  procedimento  de  aplicação  da  legislação,  no  tocante  à  atualização  do  custo  da  participação  societária,  em  função  da  capitalização  de  lucros  pela pessoa jurídica.  Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a  partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida  de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes  de  um  grupo  econômico  (a  pessoa  jurídica  operacional  e  suas  holdings)  deve  ter  por  efeito  patrimonial  o  aumento  de  capital  em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por  óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o  lucro  e  seus  reflexos  por  equivalência  patrimonial),  portanto  também  não  deve  ser  aceitável,  pelo  menos  para  fins  fiscais,  capitalizá­lo mais de uma vez.  A conclusão acima é inevitável, porque:  Fl. 971DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 961          23 ­  as  disponibilidades  passíveis  de  distribuição  estão  no  patrimônio  da  pessoa  jurídica  operacional,  que  somente  pode  distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding;   ­  já,  a holding,  somente  pode  distribuir  o  lucro  aos acionistas,  pessoas  físicas,  após  o  recebimento  dos  recursos  da  pessoa  jurídica operacional;   ­ os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na  holding, em que possuem participação direta; e   ­  por  fim,  a  holding,  com  os  recursos  recebidos,  poderá  aumentar capital da pessoa jurídica operacional.  Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros  efetivamente  distribuíveis  caso  todas  as  pessoas  jurídicas  da  cadeia  societária  (holdings  e  empresa  operacional)  realizem  a  capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização  dos  lucros de holdings,  o parágrafo único do art.  10 da Lei n°  9.249,  de  1995,  não  incide,  devendo  ser  mantido  o  valor  da  participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os  efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser  distribuídos  sem  tributação  (para  os  próprios  sócios)  ou  para  futuros adquirentes.  E,  ainda,  quando  houver  holdings  mistas,  com  operações  próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido  a  correspondente  capitalização  dos  lucros  das  investidas,  somente  poderá  ter  efeito  parcial  na  atualização  do  custo  da  participação  societária  de  seus  sócios.  Isso  é  facilmente  calculado com base na memória de cálculo abaixo:  ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding   (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação  (=) Lucro passível de distribuição pela Holding   (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding   (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação   (*)  Valor  do  aumento  de  custo  considerando  o  total  do  lucro  capitalizado pela Holding   (=) Valor aceitável para aumento do custo   Repara­se que a memória de cálculo acima é simples, utilizando  somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes  dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data  da  capitalização de  lucros. Ela atende a aplicação do disposto  no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995,  tanto no caso de holdings  mistas  (com operações próprias), como no caso de distribuição  diferenciada  de  lucros  (em  percentual  diferente  daquele  da  participação societária do acionista).  (...)"  Fl. 972DF CARF MF     24 Note­se  que  não  se  está,  aqui,  nesta  linha  de  interpretação,  se  violando  o  princípio da legalidade ou se afastando a vigência de texto legal, mas, sim, interpretando­se o  dispositivo  em  análise  de  forma  sistemática,  a  fim  de  que  o  arcabouço  legal  tributário  permaneça  sem  inconsistências,  de  forma  coerente,  ainda,  com  uma  interpretação  teleologicamente  adequada,  sendo  de  se  rechaçar  que  tenha  o  legislador  tencionado  criar  inconsistências ou disfuncionalidades na tributação em questão  (tais como a possibilidade de  eliminação do ganho de capital pela realização de um ciclo de capitalizações e incorporações  reversas), quando da edição do dispositivo em apreço.   Aplicando­se  tal  interpretação  ao  caso  em  questão,  conclui­se  que  não  deveriam  ser  considerados  nenhum  dos  dois  aumentos  de  custo  computados  pelo  autuado  decorrentes  das  capitalizações  ocorridas  em  2006,  em  Nova  Pactual  Participações  S/A  (no  valor de R$ 8.117.624,00), e de Pactual S/A (no valor de R$ 6.474.568,00), uma vez que, note­ se,  o  lucro  da  pessoa  jurídica  operacional  (Banco  Pactual  S/A)  permaneceu  passível  de  distribuição  isenta mesmo  após  tais  operações,  tendo  assim  permanecido  até  o momento  da  alienação da referida participação.   Considerando, todavia, ter a autuação se limitado a glosar parcela inferior ao  somatório  de  ambas  as  capitalizações  e  vedada  a  esta  altura  a  reformatio  in  pejus,  entendo,  assim, que é de se manter o custo concedido pela fiscalização, no valor de R$ 10.215.876,70  (vide TVF à e­fl. 338).  Por  fim  inteiramente  cabíveis  ao  caso  em  questão  também  as  seguintes  considerações  adicionais,  ainda  constantes  do  referido  voto  condutor  do  Acórdão  9.202­ 003.700 e também aqui adotadas como razões de decidir, verbis:  "  Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério  jurídico,  porque  no  lançamento  e  na  respectiva  impugnação  encontram­se claramente fixados os limites da lide e não foram  alterados.  Com  efeito,  o  fato  e  a  acusação  em  debate  estão  perfeitamente  descritos  no  termo  de  verificação  fiscal  e,  na  decisão, é precisamente esse fato que se analisa:  i. o fato é a alienação de participações societárias,   ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por  erro  na  apuração  do  ganho  de  capital,  por  se  entender  que  a  capitalização  de  lucros  refletidos  em  sociedades  investidoras,  pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de  alterar o custo da participação societária alienada.  iii.  o  que  se  apresenta  aqui,  sem qualquer  inovação quanto  ao  fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento  que  este  conselheiro  entende  ser  suficiente  para  julgamento  da  acusação, em face das alegações do sujeito passivo.  Diferente  seria  o  caso  em  que  há  uma  acusação  verificada  insubsistente mas, por conta de outra infração,  fosse mantido o  tributo lançado, situação que não ocorre aqui.  Cumpre  lembrar  que  o  julgador  não  está  vinculado  ao  fundamento  das  partes,  somente  não  pode  exarar  uma  decisão  extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu.  Fl. 973DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 962          25 Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não  aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no  parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da  observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro  de  2001,  é  de  se  ressaltar  que,  em  nenhum  momento,  tal  normativo  dá  suporte  à  interpretação  do  art.  135  do  RIR/99  defendida  pela  autuada,  a  qual,  na  forma  acima  disposta,  se  entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter  a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como  os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de  ofício,  neste  último  caso  em  linha  com  o  explicitado  a  seguir  quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda  Nacional.  (...)"  Note­se,  por  fim,  também,  que,  em  meu  entendimento,  não  se  está,  aqui,  diante de caso de arbitramento da base de cálculo, uma vez que, em nenhum momento, no caso  em questão, se adotou critério especial ou substitutivo ao legalmente estabelecido para fins de  determinação do custo de aquisição a ser computado quando da apuração do ganho de capital  (base de cálculo do IRPF).   O que se discute aqui é: na situação fática em questão que abrange aumentos  de  capital  de  reservas  oriundas  do  método  de  equivalência  patrimonial,  seguidos  de  incorporações  reversas,  quais  parcelas  podem  ou  não  compor  este  custo,  note­se,  sempre  mantido  o  critério  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  tributo  legalmente  estabelecido,  sem  adoção de critérios alternativos ou substitutivos.   Rejeito,  assim,  se  tratar,  na  situação  fática,  de  arbitramento  e,  ainda,  a  ocorrência de vício material no auto, uma vez que, o critério jurídico para apuração da base de  cálculo legalmente estabelecido foi plenamente obedecido, cabendo­se tão somente discussão  acerca da valoração  feita pela  fiscalização e pelo autuado, para  fins de  aplicação do  referido  critério.  Diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte quanto a esta primeira matéria, mantendo­se o custo de aquisição concedido pela  autoridade lançadora de R$ 10.215,876,70, dada a impossibilidade de reformatio in pejus, bem  como mantida, também, a incidência da multa de ofício no patamar de 75%, consoante decisão  a quo, acrescida esta última,  também, de  juros de mora calculados com base na taxa SELIC,  consoante decisão que se segue.  b) Quanto aos juros sobre a multa de ofício:  Uma  vez  tendo  me  posicionado  pela  negativa  de  provimento  ao  pleito  do  contribuinte quanto ao principal objeto de lançamento, me manifesto agora quanto à incidência  de juros de mora sobre a multa de ofício lançada.  A  propósito,  entendo  inexistir,  in  casu,  dúvida  sobre  a  mencionada  incidência,  adotando  como  razões  de  decidir  aquelas  brilhantemente  expostas  pela  ilustre  conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos  Fiscais no Acórdão 9101­00.539, de 11 de março de 2010, verbis:  Fl. 974DF CARF MF     26 “  (...)  Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante  à  questão  da  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  oficio.  De  fato, como bem destacado pelo relator, o crédito  tributário,  nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto  a penalidade pecuniária.  Em  razão  dessa  constatação,  ao  meu  ver,  outra  deve  ser  a  conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de  oficio.  Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei  n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos  decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses  débitos  a  multa  de  oficio.  Contudo,  uma  norma  não  deve  ser  interpretada  isoladamente,  especialmente dentro do sistema tributário nacional.  No  dizer  do  jurista  Juarez  Freitas  (2002,  p.70),  "interpretar  uma  norma  é  interpretar  o  sistema  inteiro:  qualquer  exegese  comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do  direito."  Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio:   "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação sistemática, quando entendida em profundidade,  o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou  se  compreendem  os  enunciados  prescritivos  nos  plexos  dos  demais  enunciados  ou  não  se  alcançará  compreendê­los  sem  perdas  substanciais.  Nesta  medida,  mister  afirmar,  com  os  devidos  temperamentos,  que  a  interpretação  jurídica  é  sistemática  ou  não  é  interpretação."  (A  interpretação  sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma  norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário  sobre  o  qual  deve  incidir  os  juros  de  mora,  ao  dispor  que  o  crédito  tributário  não  pago  integralmente  no  seu  vencimento  é  acrescido de  juros de mora,  independentemente dos motivos do  inadimplemento.  Nesse  sentido,  no  sistema  tributário  nacional,  a  definição  de  crédito tributário há de ser uniforme.   De  acordo  com  a  definição  de Hugo  de Brito Machado  (2009,  p.172),  o  crédito  tributário "é  o  vínculo  jurídico,  de  natureza  obrigacional,  por  força  do  qual  o  Estado  (sujeito  ativo)  pode  Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 963          27 exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo), o pagamento do  tributo ou da penalidade pecuniária  (objeto da relação obrigacional)."  Converte­se  em  crédito  tributário  a  obrigação  principal  referente  à  multa  de  oficio  a  partir  do  lançamento,  consoante  previsão do art. 113, §1o, do CTN:  "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória.   §  1o  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  tributário  dela decorrente."  A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência  do  fato gerador e  tem por objeto  tanto o pagamento do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional.  A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e  é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido  anteriormente pago" (§10).  Assim, no momento do lançamento, ao tributo agrega­se a multa  de ofício,  tomando­se ambos obrigação de natureza pecuniária,  ou seja, principal.   A  penalidade  pecuniária,  representada  no  presente  caso  pela  multa  de  oficio,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado  após  ação  fiscalizatória do Estado.  Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e  têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada  dos recursos que seriam de direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência  de juros sobre a multa isolada.  Eventual alegação de  incompatibilidade entre os  institutos é de  ser  afastada  pela  previsão  contida  na  própria  Lei  n°  9.430/96  quanto  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  exigida  isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do  primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  O  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  alcança  os  débitos  em  geral  relacionados  com  esses  tributos  e  contribuições  e  não  apenas  os  relativos  ao  principal,  entendimento,  dizia  então,  reforçado  pelo  fato  de  o  art.  43  da  mesma  lei  prescrever  expressamente  a  incidência  de  juros  sobre  a  multa  exigida  isoladamente.  Fl. 976DF CARF MF     28 Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do  Imposto  de  Renda  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99)  exclui  a  equivocada  interpretação  de  que  a  multa  de  mora  prevista  no  caput  do  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96  poderia  ser  aplicada  concomitantemente  com  a multa  de oficio:  Art.  950.  Os  débitos  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  especifica  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de  atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61).  §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do  imposto até o dia  em que ocorrer o  seu  pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o).  § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte  por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o).  §  3o A multa  de mora  prevista neste  artigo não  será  aplicada  quando  o  valor  do  imposto  já  tenha  servido  de  base  para  a  aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio.  A  partir  do  trigésimo  primeiro  dia  do  lançamento,  caso  não  pago,  o montante  do  crédito  tributário  constituído  pelo  tributo  mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora  devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres  da União.     No  mesmo  sentido  já  se  manifestou  este  E.  colegiado  quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/04­00.651,  julgado  em 18/09/2007, com a seguinte ementa:  "JUROS  DE  MORA  —  MULTA  DE  OFÍCIO  —  OBRIGAÇÃO  PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a  ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento  do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não  pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito  tributário corresponde a  toda a obrigação tributária principal,  incluindo a multa de oficio proporcional,  sobre o qual, assim,  devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.)  Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos  juros  de mora  sobre o  crédito  tributário não  integralmente pago no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando existir depósito no montante integral."  Diante  da  previsão  contida  no  parágrafo  único  do  art.  161  do  CTN,  busca­se  na  legislação  ordinária  a  norma  complementar  que preveja a correção dos débitos para com a União.   Para  esse  fim,  a  partir  de  abril  de  1995,  tem­se  a  taxa  Selic,  instituída pela Lei no 9.065, de 1995.  A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros  Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo  abaixo:  Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.720647/2011­41  Acórdão n.º 9202­005.236  CSRF­T2  Fl. 964          29 "REsp  1098052  /  SP RECURSO ESPECIAL  2008/0239572­8  Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA  (1125) Órgão  Julgador  T2 ­ SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data  da  Publicação/Fonte  DJe  19/12/2008  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  OMISSÃO.  NÃO­OCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  DESNECESSIDADE.  TAXA  SELIC.  LEGALIDADE.  1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535  do  Código  de  Processo  Civil,  quanto  o  recorrente  busca  tão­ somente rediscutir as razões do julgado.   2.  Em  se  tratando  de  tributos  lançados  por  homologação,  ocorrendo  a  declaração  do  contribuinte  e  na  falta  de  pagamento  da  exação  no  vencimento,  a  inscrição  em  dívida  ativa independe de procedimento administrativo.  3.  É  legítima  a  utilização  da  taxa  SELIC  como  índice  de  correção  monetária  e  de  juros  de  mora,  na  atualização  dos  créditos  tributários  (Precedentes:  AgRg  nos  EREsp  579.565/SC,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJU  de  11.09.06  e  AgRg  nos  EREsp  831.564/RS,  Primeira  Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)."  Ainda, quanto à taxa a ser utilizada para fins de aplicação dos referidos juros  sobre  a multa  de ofício,  em que pese  o  sólido  posicionamento  de  alguns Conselheiros  desta  casa, no sentido de necessidade de adoção do art. 161, §1o. da Lei no. 5.172, de 25 de outubro  de 1966 (CTN) em detrimento do art. 61 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, entendo  que,  no  âmbito  administrativo  deste  Conselho,  a  incidência  da  taxa  de  juros  Selic  sobre  os  débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal (dos quais não vislumbro  se poder excluir os valores a título de multa de ofício) já foi pacificada com a edição da Súmula  CARF n° 4, nos seguintes termos:  Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril  de 1995, os  juros  moratórias  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela Secretaria da Receita Federal  são devidos, no período de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  (...)  Cediço  que  de  forma  a  se  cogitar  a  aplicação  do  art.  161,  §1o.  do  CTN,  haveria  de  se  afastar  a  aplicabilidade  da  referida  Súmula  à  multa  de  ofício  lançada,  o  que  rejeito  não  só  por  se  tratar,  em  meu  entendimento,  a  multa  de  espécie  do  gênero  "débito  tributário",  mas  também,  e  especialmente,  por  verificar  que  dentre  os  Acórdãos  que  deram  origem  à  referida  Súmula,  há  situações  em  que  a  multa  de  ofício  havia  sido  aplicada  (e.g.  Acórdãos 104­18.935 e 202­11.760), sem que se tenha, porém, ali, se afastado a aplicação de  juros SELIC sobre referida multa de ofício, em detrimento da aplicação da multa no patamar de  1% ao mês, na forma proposta pelo entendimento alternativo ao aqui adotado.  Assim,  concluo  pela  incidência  dos  juros  de  mora  calculados  pela  taxa  SELIC sobre a multa de ofício constante do lançamento e, destarte, também nego provimento  ao Recurso Especial do Contribuinte quanto a esta segunda matéria.  Fl. 978DF CARF MF     30 Diante  do  exposto  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior                            Fl. 979DF CARF MF

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Numero do processo: 13227.000673/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 24/09/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança.
Numero da decisão: 9202-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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Acórdão nº  9202­005.135  –  2ª Turma   Sessão de  24 de janeiro de 2017  Matéria  SUBRROGAÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA  Recorrente  FRIGORÍFICO TANGARÁ LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 24/09/2007  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  AQUISIÇÃO  DE  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  ­  SUBRROGAÇÃO  ­  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  INCIDENTES  SOBRE  A  RECEITA  DA  COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI  Nº  10.256/2001  ­ CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS  ­  SENAR  ­  INAPLICABILIDADE  DO  RE  363.852/MG DO STF  Não  houve,  no  âmbito  do  RE  363.852/MG,  apreciação  dos  aspectos  relacionados  a  inconstitucionalidade do art. 30,  IV da Lei no. 8.212,  de  2001.  O  fato  de  constar  no  resultado  do  julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova  redação  aos  artigos  12,  incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da  Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº  9.528/97”  não  respalda  a  interpretação  extensiva  de  que fora declarada também a inconstitucionalidade do  art.  30,  IV,  uma  vez  considerada  a  ausência  de  fundamentos  jurídicos  no  próprio  voto  condutor.  A  Lei  no.  10.256,  de  2001,  conferiu  legitimidade  à  cobrança  de  contribuições  sobre  a  aquisição  do  produtor  rural  pessoa  física. Ainda,  a  sistemática  de  subrrogação  e  recolhimento  das  contribuições  pela  aquisição  da  produção  rural  de  pessoas  físicas  encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da  Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 06 73 /2 00 7- 31 Fl. 202DF CARF MF     2 que  se  adotasse  a  argumentação  de  declaração  de  inconstitucionalidade do art. 30, IV.  As  contribuições  destinadas  ao  SENAR  não  foram  objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no  Recurso  Extraordinário  no.  363.852,  não  existindo  questionamento  acerca  da  legitimidade  de  sua  cobrança.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  do  contribuinte  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencida  a  conselheira  Patrícia  da  Silva,  que  lhe  deu  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  as  conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior – Relator  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).  Relatório  Em  litígio,  o  teor  do  Acórdão  nº  2302­002.124,  prolatado  pela  2a  Turma  Ordinária  da  3a.  Câmara  da  2a  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  na  sessão  plenária  de  17  de  outubro  de  2012  (e­fls.  108  a  119).  Ali,  por  unanimidade de votos, negou­se provimento ao Recurso Voluntário, na  forma de ementa e a  decisão a seguir:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Data do fato gerador: 24/09/2007   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  AI  CFL  99.  ART.  30,  IV  DA  LEI  Nº  8.212/91. PROCEDÊNCIA.  Constitui  infração  à  norma  tributária  inscrita  no  inciso  IV  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91  deixar  a  empresa  de  arrecadar,  mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo do  produtor  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial,  incidentes  sobre a comercialização da produção rural, quando adquirir ou  receber  em  consignação  produto  rural,  independentemente  de  tais  operações  haverem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor ou por intermédio de pessoa física. A inobservância de  obrigação tributária acessória constitui­se fato gerador do auto  Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 203          3 de  infração,  convertendo­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária aplicada.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  VALOR  DA  MULTA.  REAJUSTAMENTO.  Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de  Infração,  expressos  em  moeda  corrente,  serão  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada  da  previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro  de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87,  parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal.  Recurso Voluntário Negado  Decisão:  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado.  O  contribuinte,  cientificado  em  14/11/2012  (e­fl.  152),  apresentou,  em  29/11/2012, Recurso Especial (e­fls. 122 a 134 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao  Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria  MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal.  Alega­se,  no  pleito,  divergência  em  relação  ao  decidido  pela  1a.  Turma  Ordinária da 3a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2301­002.826, prolatado em 17 de  maio de 2012, e, ainda, em relação ao decidido pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara desta  2a.  Seção,  através  do  Acórdão  2403­000.896,  de  01  de  dezembro  de  2011,  de  ementas  e  decisões a seguir transcritas:  Acórdão 2301­002.826  Assunto:Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração:01/04/1993 a 30/12/1996   Ementa:  AQUISIÇÃO  DE  PRODUTO  RURAL  DE  PESSOA  FÍSICA  RESPONSABILIDADE  DO  ADQUIRENTE  INEXISTENTE.  O  STF  entendeu  que  não  subsiste  a  obrigação  tributária  sub­ rogada do adquirente, sobre a produção dos produtores rurais,  pessoas  naturais,prevista  nos  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91,com as redações  decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97.  Decisão:  I)  Por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)   Acórdão 2403­000.896  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006   Fl. 204DF CARF MF     4 AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DESCUMPRIMENTO  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  ARRECADAÇÃO  MEDIANTE  DESCONTO.  INOBSERVÂNCIA. CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL  PESSOA  FÍSICA.  INCONSTITUCIONALIDADE.  MULTA  INEXIGIBILIDADE.   Considerando  que  o  Auto  de  Infração  só  foi  lavrado  em  decorrência  de  descumprimento  de  obrigação  acessória  que  tinha como fundamento a contribuição sobre a comercialização  do  produtor  rural  pessoa  física,  sendo  esta  declarada  como  inconstitucional, a multa não poderá mais ser exigível.   Recurso Voluntário Provido.  Decisão:  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso.  Em  linhas  gerais,  argumenta  a  recorrente  em  sua  demanda  que,  face  ao  pronunciamento  de  inconstitucionalidade  do  STF  referente  ao  tema  no  âmbito  do  RE  363.852/MG,  não  há  como  fazer  prevalecer  qualquer  obrigação  tributária  decorrente  da  aquisição efetuada junto ao produtor rural pessoa física, mesmo que acessória seja.  Requer, assim, o conhecimento do Recurso e seu provimento para reformar a  decisão a quo, julgando­se improcedente o auto de infração ora combatido.  O recurso foi admitido, consoante despachos de e­fls. 194 a 196.  Encaminhados  os  autos  à  PGFN  para  fins  de  ciência,  esta  apresenta  contrarrazões  tempestivas  de  e­fls.  198  a  200,  onde  defende  que  seria  impossível  afastar  a  aplicação da Lei em questão ao caso concreto, ressaltando o efeito meramente inter partes do  RE colacionado aos autos e a existência do RE 816.830 sobre o tema.  É o relatório.      Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 204          5 Voto             Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator  Pelo  que  consta  no  processo  quanto  a  sua  tempestividade,  às  devidas  apresentação  de  paradigmas  e  indicação  de  divergência,  bem  como  a  caracterização  de  divergência  interpretativa,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  e,  assim,  dele  conheço.  Trata­se  de  contribuições  devidas  pela  notificada,  destinadas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  aos  valores  devidos  da  parte  da  empresa,  ao  financiamento  da  complementação das prestações por acidente do trabalho (Seguro de Acidente de Trabalho —  SAT, até 06/97), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência  de  incapacidade  laborativa,  (após  06/97)  e  a  destinada  a  outras  Entidades  (Terceiros),  incidentes sobre a comercialização da produção adquirida de terceiros pessoa física.   1. Da contribuição do sobre a  receita bruta de comercialização e SAT/RAT  (GILRAT).  A propósito, reproduz­se, a seguir, os dispositivos legais da Lei no. 8.212, de  1991, de relevância para o caso em questão, com a redação aplicável a data dos fatos geradores  em análise:  Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  (...)  V  ­  como  contribuinte  individual:(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  a)  a  pessoa  física,  proprietária  ou  não,  que  explora  atividade  agropecuária  ou  pesqueira,  em  caráter  permanente  ou  temporário,  diretamente  ou  por  intermédio  de  prepostos  e  com  auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de  forma não contínua;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  (...)  VII ­ como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e  o  arrendatário  rurais,  o  pescador  artesanal  e  o  assemelhado,  que exerçam essas atividades  individualmente ou em regime de  economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros,  bem  como  seus  respectivos  cônjuges  ou  companheiros  e  filhos  maiores  de  quatorze  anos  ou  a  eles  equiparados,  desde  que  trabalhem,  comprovadamente,  com  o  grupo  familiar  respectivo.(Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92).  Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  Fl. 206DF CARF MF     6 22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  "a"  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei  nº 10.256/01 ­ Vigência a partir de 01/11/01)  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  (...)  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)  (...)  III  ­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  são  obrigadas  a  recolher  a  contribuição  de  que  trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de  venda ou consignação da produção, independentemente de estas  operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou  com  intermediário  pessoa  física,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;(Redação  dada  pela  Lei  9.528,  de  10.12.97,  vigência até 22.01.07)  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física  de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;(Redação  dada  pela Lei 9.528, de 10.12.97)  (...)  O cerne da questão que remanesce nos presentes autos reside na delimitação  do alcance da decisão emanada do STF no âmbito do RE 363.852/MG, que, contrariamente ao  que fazer crer a Fazenda Nacional em sede de contrarrazões,  restaria aplicável ao caso (visto  que  representativo  de  repercussão  geral,  a  partir  de  sua  reprodução  no  âmbito  do  RE  596.177/RS) e cuja ementa se transcreve abaixo:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  –  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE –  CONCLUSÃO  –  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição,  adora  entendimento  quanto  à  matéria  de  fundo  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  –  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  –  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  –  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  –  SUB­ROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195,  INCISO I, DA  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 205          7 CARTA  FEDERAL  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA  –  EXCEÇÕES  –  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR –  Ante o  texto constitucional,  não subsiste a obrigação  tributária  sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos,  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  os  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com as  redações  decorrentes  das  Leis  nº  8.540/92  e  9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.)  Naqueles autos, discute­se a constitucionalidade da contribuição exigida com  base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pelas Leis no. 8.540, de 1992  e  9.528,  de  10  de dezembro  de  1997,  incidente  sobre  o  valor  da  comercialização  da  produção  rural, tendo como contribuinte o empregador rural e o produtor rural Pessoa Física, citados nos  incisos V, "a" e VII do art 12 da referida Lei n° 8.212, de 1991 .  Uma  excelente  digressão  bastante  abrangente  acerca  do  tema  foi  realizada  pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no âmbito do Acórdão CSRF 9.202­ 003.707, de 23 de janeiro de 2016, à qual acedo integralmente, verbis:  "  (...)  É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a  tributação incidente sobre a comercialização da produção rural  para os casos de economia familiar  (art. 195, § 8° da CR). Em  face  disso,  a  Lei  n°  8.212/91,  art.  25,  originariamente  determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural  individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em  regime de  economia  familiar)  passariam a  contribuir  de  forma  diversa,  mediante  a  aplicação  de  uma  alíquota  sobre  a  comercialização da produção.  Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a  redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passou­se a exigir  tanto  do empregador rural pessoa física como do segurado especial a  contribuição com base no valor da venda da produção rural.  Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestou­se  pela  inconstitucionalidade  da  exação  questionada,  conforme  decisão  proferida  no  RE  363.852,  no  sentido  de  que  houve  a  criação  de  uma  nova  fonte  de  custeio  da  Previdência  Social  e  que  tal  iniciativa teria de ser  tomada mediante a aprovação de  lei  complementar,  conforme  prevê  o  §  4°  do  art.  195  da  Constituição da República.  Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual  redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e  demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos  constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal.  Portanto,  de  pronto,  podemos  concluir  que  a  exigência  de  contribuições  sobre  a  aquisição  da  produção  rural  de  pessoas  Fl. 208DF CARF MF     8 físicas  até  a  edição  da  lei  10.256/2001,  ou  seja,  para  lançamentos  que  envolvem  competências  até  a  edição  da  referida  lei,  encontra­se  abarcada  pelo  manto  da  inconstitucionalidade  conforme  decisão  proferida  pelo  STF,  acima transcrita.  Nota­se  que  o  objeto  do  RE  363.852  refere­se  à  discussão  da  constitucionalidade  dos  dispositivos  da  Lei  nº  8.212/1991  nas  redações  dadas  pelas  Leis  8.540/1992  e  9.528/1997,  ambas  anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998.  (...)  Portanto,  decidiu o  STF que  a  inovação  da  contribuição  sobre  comercialização  de  produção  rural  da  pessoa  física  não  encontrava  respaldo  na  Carta  Magna  até  a  Emenda  Constitucional  20/98,  decidindo  expressamente  pela  inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão  pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62­A  determinar  a  improcedência  dos  lançamento  envolvendo  períodos anteriores.  Confirmando,  ainda  mais  o  posicionamento  a  ser  adotado  o  referido  precedente  ­  RE  363.852  foi  ao  depois  aplicado  em  regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso  Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543­B do Código de Processo  Civil), cuja ementa encontra­se abaixo transcrita:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA.  EMPREGADOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.ART.  25  DA  LEI  8.212/1991,  NA  REDAÇÃO  DADA  PELO  ART.  1º  DA  LEI  8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE.  I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla  contribuição  caso  o  produtor  rural  seja  empregador.  II  –  Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte  de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade  do  art.  1º  da  Lei  8.540/1992,  aplicando­se  aos  casos  semelhantes  o  disposto  no  art. 543­B do CPC.  (RE  596177,  Relator  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  01/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL –MÉRITO, DJe­165 de 29­08­2011)  Vale  também  transcrever  posição  do  Dr.  Rafael  de  Oliveira  Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo:  “A  CONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  DO  EMPREGADOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA:  Análise  da  jurisprudência  do  STF  e  do  TRF  da  4ª  Região”,  assim  conclui  acerca das decisões proferidas no âmbito do STF:  (...)  Ou  seja,  o  que  era  apenas  um  precedente  tornou­se  um  posicionamento  consolidado  no  âmbito  do  Supremo  Tribunal  Federal  sobre  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 206          9 previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive  com  as  alterações  decorrentes  das  Leis  nºs  8.540/1992  e  9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física.  Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada  proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da  repercussão  geral,  é  muito  provável  que  seja  tal  entendimento  seja  seguido  pelos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário,  independentemente  da  não  existência  de  efeito  vinculante  a  qualificar o controle difuso de constitucionalidade.  Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do  segurado  especial,  também  regulada  pelo  art.  25  da  Lei  nº  8.212/1991,  não  foi  afetada  pela  decisão  da  Suprema  Corte  no  Recurso  Extraordinário  nº  596.177/RS,  haja  vista  que  o  seu  fundamento  constitucional  é  distinto  e  independente  da  exação  incidente sobre o empregador rural pessoa física.  O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I,  ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de  inconstitucionalidade  de  que  se  cuida  foi  parcial,  isto  é,  apenas  parte da norma contida no  texto do  já citado art. 25 foi  julgada  nula  e,  portanto,  extirpada  do  ordenamento  jurídico.  Mas  este  ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado.  Assim,  até  a  edição  da  Emenda  Constitucional  nº  20/98  o  art.  195,  inciso  I,  da  CF  previa  como  bases  tributáveis  de  contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e  o  lucro,  não  havendo  qualquer  menção  à  receita  como  base  tributável,  o  que  macula  a  contribuição  criada  com  base  na  receita da comercialização.  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante  recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do  Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições  sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  Alinho­me,  assim,  aos  que  entendem que  a  inconstitucionalidade  decretada  no  âmbito  do  RE  363.852/MG  limita­se:  a)  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  Lei  no.  Fl. 210DF CARF MF     10 10.256, de 2001, e b) à contribuição devida pela comercialização da produção do empregador  rural pessoa física, não abrangendo o caso do segurado especial previsto no art. 12, VII, da Lei  no. 8.212, de 1991, visto que, neste último caso, a contribuição devida foi instituída com fulcro  no art. 195, § 8o. da CRFB e não com fulcro no art. 195,  I do Texto Maior, conforme muito  bem esmiuçado  em outro  ponto  do mesmo  artigo  citado  de  lavra  do Dr. Rafael  de Oliveira,  verbis:  (...)  Anteriormente,  foi  aqui  afirmado  que  a  inconstitucionalidade de que se cuida foi apenas parcial. E por  que parcial?   Porque o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação atualizada até  a  Lei  nº  9.528/1997,  continha  em  seu  bojo  duas  normas  exacionais  claramente  divisíveis:  uma  que  tinha  como  contribuinte  o  empregador  rural  pessoa  física;  e  outra,  o  segurado especial.   Vejamos:   Art.  25. A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos,  respectivamente,  na  alínea  “a”  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada  a  Seguridade Social, é de:   I ­ dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização  da sua produção;   II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da  comercialização  da  sua  produção  para  financiamento  das  prestações por acidente do trabalho; [...]   E  com  efeito,  como bem ensina  o Ministro Gilmar Mendes,  “o  Tribunal somente deve proferir a inconstitucionalidade daquelas  normas  viciadas,  não  devendo  estender  o  juízo  de  censura  às  outras  partes  da  lei,  salvo  se  elas  não  puderem  subsistir  de  forma autônoma.”   Logo, não havendo fundamento para afastar do mundo jurídico a  contribuição incidente sobre o segurado especial, haja vista que  a  sua  tributação  encontra  respaldo  no  art.  195,  §  8º,  da  Constituição  da  República,  o  resultado  dos  Recursos  Extraordinários  nºs  363.852/MG  e  596.177/RS  foi  uma  declaração  de  inconstitucionalidade  parcial  com  redução  de  texto.   A  técnica  da  declaração  de  inconstitucionalidade  com  redução  de  texto ocorrerá “quando  for possível,  em virtude da redação  do  texto  impugnado,  declarar  a  inconstitucionalidade  de  determinada  expressão,  possibilitando,  à  partir  dessa  exclusão  de  texto,  uma  interpretação  compatível  com  a  Constituição  Federal”, como assinala Alexandre de Moraes .   De tal modo, o Judiciário expurga do ato normativo apenas e tão  somente  o  que  dele  for  incompatível  com  a  Constituição,  preservando o que puder ser preservado, desde que esse resíduo  também seja conforme a vontade do constituinte e do legislador  infraconstitucional.  Nessa  linha,  por  exemplo,  o  Supremo  Tribunal Federal já excluiu apenas a palavra desacato do texto  do § 2º do art. 7º da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos  Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 207          11 Advogados do Brasil), julgada inconstitucional por conflitar com  a  autoridade  do  magistrado  na  condução  da  atividade  jurisdicional.  O  restante  do  texto  e  da  norma  foi  mantido  em  respeito  à  presunção de constitucionalidade das leis.   Nesse quadro, em razão dos seus fundamentos de decidir, e em  que  pese  não  pronunciada  expressamente  pelo  Supremo,  a  redução  do  texto  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212,  julgado  parcialmente inconstitucional foi a seguinte:   Art. 25. A contribuição do segurado especial referido no  inciso  VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de:   I  ­  dois  por  cento  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização da sua produção;   II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da  comercialização  da  sua  produção  para  financiamento  das  prestações por acidente do trabalho; [...]  Destarte,  o  exato  limite  da  inconstitucionalidade  declarada  foi  este: a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão “[...]  do  empregador  rural  pessoa  física  e  [...]  referidos,  respectivamente, na alínea “a” do inciso V [...]”. Preservou­se  no dispositivo, portanto, texto e norma suficiente para não ferir a  contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195,  § 8º, da Lei Maior.   Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto  da  cabeça  do  dispositivo  inquinado,  a  declaração  de  inconstitucionalidade relativamente aos incisos I e II, entretanto,  ocorreu  sem  redução  de  texto  alguma.  Isso  para  que  o  texto  legislativo  permanecesse  íntegro  para  com  relação  à  norma  exacional incidente sobre o segurado especial.   E  aqui  vale  fazer  a  distinção  entre  texto  e  norma.  Segundo  os  ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho,  texto  é o  conjunto  de  símbolos  linguísticos  marcados  em  papel  ou  outro  suporte,  expostos em termos prescritivos e em forma técnica; já norma é  “o  juízo  (ou  pensamento)  que  a  leitura  do  texto  provoca  em  nosso espírito”. A norma é a significação do texto. Dito de outro  modo, embora a redação dos incisos não tenha sido ferida pela  declaração  de  inconstitucionalidade,  como  ocorreu  com  a  cabeça,  a  norma  que  ali  residia  o  foi,  dela  se  expurgando  a  contribuição do empregador rural pessoa física.  (...)  De  se  notar,  ainda,  que,  perfeitamente  em  linha  com  tal  posicionamento,  o  RE 596.177/RS, dotado de repercussão geral e, assim, de obrigatória obediência por parte deste  CARF,  limita­se  ao  caso  do  empregador  rural  pessoa  física  (cuja  contribuição  foi  instituída  com fulcro no art. 195, I da CRFB) para fatos geradores ocorridos antes da Lei no. 10.256, de  2001, não havendo que se falar de qualquer violação ao regimento interno deste CARF em seu  Fl. 212DF CARF MF     12 art. 62­A ao se adotar a tese acima delineada de inconstitucionalidade parcial, antes da vigência  da Lei no. 10.256, de 2001, à qual, conforme já mencionado, me alinho integralmente.  Já para fatos geradores ocorridos posteriormente à vigência da Lei nº 10.256,  de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, segue a Conselheira tecendo  as  seguintes  considerações,  às  quais  também  acedo  aqui  integralmente,  adotando­as  como  razões de decidir para o presente caso:  (...) a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento  de  contribuições,  conforme  acima  descrito  e  consolidado  tal  entendimento  por  decisão  proferida  pelo  Ministro  Joaquim  Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos (grifei):  No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de  23.04.2010),  o  Pleno  desta  Corte  considerou  inconstitucional  o  tributo  cobrado nos  termos dos  artigos 12,  incisos V e VII,  25,  incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações  decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão  recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do  recurso extraordinário e dou­lhe parcial provimento, para proibir  a  cobrança  da  contribuição  devida  pelo  produtor  rural  empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e  as  que  se  seguiram  até  a  Lei  10.256/2001.  [grifo  nosso]  (RE  585684,  Relator  Min.  JOAQUIM  BARBOSA,  julgado  em  10/02/2011, publicado no DJe­038 de 25/02/2011)  Isto  posto,  com  a  entrada  em  vigor  da  Lei  nº  10.256/2001,  editada  sob  o  manto  constitucional  aberto  pela  Emenda  Constitucional  nº 20/98, passam a ser devidas as  contribuições  sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas  de  2%  e  0,1%  incidentes  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  nos  termos  assinalados  no  art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida  pela Lei nº 10.256/01.   Ou  seja,  removida,  através  da  Emenda  Constitucional  no.  20,  de  1998,  seguida da edição da Lei no. 10.256, de 2001, a  inconstitucionalidade formal que embasou a  decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG, de se manter incólume a exação (contribuição  sobre a comercialização da produção de empregadores  rurais pessoas físicas), para quaisquer  fatos geradores ocorridos na vigência da citada Lei no. 10.256, de 2001.  Cita  a  Conselheira,  ainda,  a  seguinte  jurisprudência  acerca  do  tema  respaldando seu posicionamento, também aqui adotado:   “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  EMPREGADOR.  PRESCRIÇÃO.  LC  118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1­ O STF, ao julgar o RE  nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo  art.  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  eis  que  instituíram  nova  fonte  de  custeio  por  meio  de  lei  ordinária,  sem  observância  da  obrigatoriedade  de  lei  complementar  para  tanto.  2­  Com  o  advento  da  EC  nº  20/98,  o  art.  195,  I,  da CF/88  passou  a  ter  nova  redação,  com  o  acréscimo  do  vocábulo  "receita".  3­  Em  face  do  novo  permissivo  constitucional,  o  art.  25  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  10.256/01,  ao  prever  a  contribuição do empregador rural pessoa  física como  incidente  Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 208          13 sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  não  se  encontra  eivado  de  inconstitucionalidade.”  (Apelação  nº  0002422­12.2009.404.7104,  Rel. Des.  Fed. Mª  de  Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF­4, julgada em 11/05/10).  Ainda  a  propósito,  de  forma  consistente  com  o  posicionamento  acima,  entendo  que  a  melhor  interpretação  do  decisum  prolatado  no  âmbito  do  RE  363.852/MG,  remete à conclusão de que, em nenhum momento, a sistemática da subrogação  foi declarada  como inconstitucional pela Corte, conforme muito bem delineado pelo Conselheiro Arlindo da  Costa e Silva no âmbito do Acórdão 2302­02.445, de 18.04.2013, verbis:   (...)  Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis:  “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto ora  para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que  legislação  nova,  arrimada  na  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial,  invertidos os ônus da sucumbência.”  Olhando  com  os  olhos  de  ver,  o  Min.  Marco  Aurélio  não  declarou a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei  nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º  da  Lei  nº  8.540/92,  o  qual,  dentre  outras  tantas  providências,  “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e  II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”.  (...)  Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido  declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto  que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam  tidas  por  inconstitucionais.  A  pensar  assim,  seria  inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art.  12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo  legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a  renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima  citado  para  ‘c’,  ‘d’  e  ‘e’,  respectivamente,  sem  qualquer  modificação de texto. (...)  E o que  falar,  então,  sobre a  constitucionalidade do  Inciso VII  do  art.  12  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual,  embora  citado  pelo  Sr.  Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da  Lei nº 8.540/92. Seria,  assim, o  Inciso VII do art. 12 da Lei nº  8.212/91  inconstitucional  simplesmente  e  tão  somente  porque  fora  citado  pelo  Min.  Marco  Aurélio  em  seu  voto?  Não  nos  parece ser essa a melhor exegese do caso em debate.   Fl. 214DF CARF MF     14 (...)  Adite­se  que  o  inciso  IX  do  art.  93  da  CF/88  determina,  taxativamente,  que  todos  os  julgamentos  dos  órgãos  do  Poder  Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e  fundamentadas  todas  as  suas  decisões,  sob  pena  de  nulidade.  Ora  ...  No  julgamento  do  RE  363.852/MG  inexiste  qualquer  menção,  ínfima  que  seja,  a  possíveis  vícios  de  inconstitucionalidade na sub­rogação encartada no inciso IV do  art. 30 da Lei nº 8.212/91.     Aliás,  o  vocábulo  “sub­rogação”  assim  como a  referência  ao  “inciso  IV  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91”  somente  são  mencionados  na  conclusão  do  Acórdão,  ocasião  em  que  o  Sr.  Min.  Relator  desobriga  os  recorrentes  do  RE  363.852/MG  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei  nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e 30,  inciso  IV, da Lei nº 8.212/91,  com  redação atualizada até a Lei nº 9.528/97.  Como fundamentação adicional,  também comungo do entendimento de que,  ainda, que a bem do debate, se entendesse ter sido declarada a inconstitucionalidade do inciso  IV do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, para fatos geradores abrangidos pela vigência da Lei  no. 10.256, de 2001, restaria incólume a responsabilidade de recolhimento prevista no art. 30,  III da Lei no. 8.212, de 1991, conforme muito bem delineado também pelo Conselheiro Arlindo  da Costa e Silva no Acórdão citado, verbis:  (...)   A  quatro,  porque  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  das  contribuições  de  que  trata  o  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91  foi  determinada  ao  adquirente,  ao  consignatário  e  à  cooperativa,  expressamente,  pelo  inciso  III  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual  não  foi  igualmente  atingido,  sequer  de  raspão,  pelos  petardos  da  declaração de  inconstitucionalidade  aviada  no RE  nº  363.852/MG,  permanecendo  tal  obrigação  tributária  ainda  vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa  física  após  a  publicação  da  Lei  nº  10.256/2001,  produzindo  todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  (...)  É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91  já  seria  bastante  e  suficiente  para  impingir  ao  adquirente,  consumidor,  consignatário  e  à  cooperativa  o  dever  jurídico  de  recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de  produção rural.  Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo:  Isolou,  propositadamente,  no  inciso  III  do  art.  30  da  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social,  a  obrigação  tributária  do  adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de  recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei,  Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 209          15 no  prazo  normativo,  independentemente  de  as  operações  de  venda ou consignação  terem sido realizadas diretamente com o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  outorgando  ao  Regulamento  da Previdência  Social  a  competência  para  dispor  sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória.   Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira  genérica,  a  sub­rogação  do  adquirente,  do  consumidor,  do  consignatário  e  da  cooperativa  nas  demais  obrigações,  de  qualquer  naipe,  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado especial decorrentes do art.  25 desse Diploma Legal,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física.  Da  análise  dos  dispositivos  legais  acima  selecionados,  restou  visível  que  a  obrigação  da  empresa  adquirente,  consumidora,  consignatária  e  a  cooperativa  pelo  recolhimento  das  contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação  dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no  inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas,  sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo  legal,  em  atenção  ao  princípio  jurídico  da  especialidade  na  solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com  que  a  norma  específica  prevaleça  sobre  aquela  editada  de  maneira genérica, princípio eternizado no brocardo  latino “lex  specialis derogat generali”.  (...)"  Feita  tal  digressão  e,  agora,  atendo­se  mais  especificamente  ao  caso  em  questão, verifico se estar, nos presentes autos, diante de litígio acerca de montantes tributários  devidos  cujos  fatos  geradores  ocorreram  já  sob  o  período  de  vigência  da Lei  no.  10.256,  de  2001 (notas fiscais emitidas de 10/2006 a 12/2006, consoante relatório à e­fl. 14).  Assim,  com base na  fundamentação acima disposta,  não há que  se  falar  de  inconstitucionalidade da  exação  objeto  de  lançamento  (visto  que não  abrangida  pela  decisão  prolatada no âmbito do RE 363.852/MG) e, destarte, quanto a esta matéria, nego provimento ao  Recurso Especial do Contribuinte, mantendo­se o lançamento na forma que efetuado.  2. Quanto à Contribuição ao SENAR   Estabelece o art. 6o. da Lei no. 9.528, de 1997:  Art.  6º  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos,  respectivamente,  na  alínea  "a"  do  inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991, para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  ­  SENAR,  criado  pela  Lei  n°  8.315,  de  23  de  dezembro  de  1991,  é  de  0,1%  incidente  sobre a  receita bruta proveniente da  comercialização  de sua produção rural. (Vigência até 01.11.01)  Art. 6o A contribuição do empregador rural pessoa física e a do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho  Fl. 216DF CARF MF     16 de  1991,  para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural  (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é  de  zero  vírgula  dois  por  cento,  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  de  sua  produção  rural.  (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001, vigência a partir  de 01.11.01)  Ainda a propósito, na Lei no. 8.212, de 1991:  Art.  94.  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  poderá  arrecadar  e  fiscalizar,  mediante  remuneração  de  3,5%  do  montante  arrecadado,  contribuição  por  lei  devida  a  terceiros,  desde  que  provenha  de  empresa,  segurado,  aposentado  ou  pensionista a ele vinculado, aplicando­se a essa contribuição, no  que  couber,  o  disposto  nesta  Lei.(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97)..  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  exclusivamente,  às  contribuições  que  tenham  a  mesma  base  utilizada  para  o  cálculo  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  a  segurados,  ficando  sujeitas  aos  mesmos  prazos,  condições,  sanções  e  privilégios,  inclusive  no que se refere à cobrança judicial.  §  1o  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  exclusivamente,  às  contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  a  segurados,  ficando  sujeitas  aos  mesmos  prazos,  condições,  sanções  e  privilégios,  inclusive  no  que  se  refere  à  cobrança judicial.(Renumerado pela Lei nº 11.080, de 2004).  §2o  A  remuneração  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  de  1,5%  (um  inteiro  e  cinco  décimos  por  cento)  do  montante  arrecadado  pela  aplicação  do  adicional  de  contribuição  instituído pelo §3o do art. 8o da Lei no 8.029, de 12 de abril  de  1990.(Incluído pela Lei nº 11.080, de 2004, vigente a partir de  31.12.2004).  Assim, a partir do disposto no parágrafo único do art. 94 acima reproduzido,  posteriormente renumerado para § 1o., também aqui, a partir na delimitação da abrangência do  decisum prolatado nos RE 363.852/MG já anteriormente efetuada, de se entender que também  a  contribuição  ao  SENAR  não  foi  objeto  de  reconhecimento  de  inconstitucionalidade  no  âmbito daquele Recurso Extraordinário para fatos geradores ocorridos já sob a vigência da Lei  no. 10.256, de 2001. Assim,  também aqui de  se negar provimento ao Recurso Especial, para  manter o lançamento na forma que efetuado quanto ao descumprimento da obrigação acessória  agora relativa aos fatos geradores da contribuição ao SENAR.   3. Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Especial  interposto pela contribuinte.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior  Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13227.000673/2007­31  Acórdão n.º 9202­005.135  CSRF­T2  Fl. 210          17                                 Fl. 218DF CARF MF

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6722752 #
Numero do processo: 13971.916450/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.959
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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3402­003.959  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de março de 2017  Matéria  COFINS. 9.718/98  Recorrente  FEY PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  ANO­CALENDÁRIO: 2003  COFINS.  ART.  3º,  §1º  DA  LEI  9.718/98.  BASE  DE  CÁLCULO.  FATURAMENTO.  RECEITA.  ALARGAMENTO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APLICAÇÃO  DO  ART.  62,  §2º,  do  RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.  A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e,  em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva  do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram  da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62,  §2º do RICARF.  Recurso Voluntário Provido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Jorge  Freire,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 64 50 /2 01 1- 41 Fl. 68DF CARF MF     2  Relatório  Por  trazer  clara  síntese  do  processo  até  a  interposição  da Manifestação  de  Inconformidade,  adoto  o  relatório  da  decisão  de  primeira  instância,  no Acórdão  da DRJ  em  Florianópolis:    "Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado  pela  contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC  decidiu  indeferi­lo  (...),  em  razão  de  que  o  valor  recolhido  via  DARF,  indicado  como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição solicitada no PER.  Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte  esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior  originados  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  artigo  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005.  A  contribuinte  alega,  ainda,  a  nulidade  do Despacho Decisório,  por  ausência  de  diligência  sobre  o  crédito  pleiteado,  nos  termos  do  artigo  65  da  Instrução  Normativa nº 900/2008." (grifei)    A  Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  improcedente  naquela  oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos:    "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento  da  restituição,  devendo  restar  comprovado o  efetivo  pagamento  indevido  ou  a maior  que o devido.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  PRELIMINAR.  NULIDADE.  AUSÊNCIA  DE  REALIZAÇÃO  DE  DILIGÊNCIA.  NÃO OCORRÊNCIA.  A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  restituição  poderá  condicionar  o  reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem  a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada  já  é  possível  concluir  que  o  crédito  pleiteado  carece  de  liquidez  e  certeza,  desnecessária a realização de diligência.  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de  inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido"    Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no  qual  a Recorrente  alega,  em  síntese,  a  validade  do  crédito  de COFINS  objeto  do  Pedido  de  Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa,  que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido  Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.916450/2011­41  Acórdão n.º 3402­003.959  S3­C4T2  Fl. 3          3  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  nos  Recursos  Extraordinários  346.084,  358.273,  357.950  e  390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para  verificação da validade do crédito.  Anexou  ao  Recurso  Voluntário  cópia  do  livro  razão  e  planilha  com  a  composição do crédito apurado.  Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho.  É o relatório.  Voto             Antonio Carlos Atulim, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.923, de  28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/2011­44, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.923):  "Conheço  do  Recurso  Voluntário,  por  tempestivo,  adentrando em suas razões.  Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira  Thais de Laurentiis Galkowicz,  foi reconhecimento o cabimento  dos  pedidos  de  restituição  que,  tal  como  o  presente,  se  respaldam  na  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º,  da  Lei  n.º  9.718/98. Trata­se do acórdão n.º  3402­003.399,  ementado nos  seguintes termos:  "Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Período  de  apuração:  01/08/2005  a  31/08/2005  COFINS.  ART.  3º,  §1º  DA  LEI  9.718/98.  BASE  DE  CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APLICAÇÃO  DO  ART.  62,  §2º,  do  RICARF.  RESTITUIÇÃO  DE  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.  A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é  o  faturamento  e,  em  virtude  de  inconstitucionalidade  declarada  em  decisão  plenária  definitiva  do  STF,  devem  ser  excluídas  da  base  de  cálculo  as  receitas  que  não  decorram  da  venda  de  mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços. Aplicação  do  art.  62,  §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/2010­10.  Data  da  Sessão  29/09/2016  Relatora  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz. Acórdão n.º 3402­003.399)  Fl. 70DF CARF MF     4    A  situação  trazida  sob  julgamento  nos  presente  autos  é  idêntica  àquela  julgada naquela  oportunidade,  razão  pela  qual  adoto  integralmente  as  razões  delineadas  por  aquela  Ilustre  Conselheira Relatora, à  luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99,  cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma:  "A questão  de  direito  controversa  no presente  processo  é  amplamente conhecida. Trata­se do inconstitucional alargamento  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas  breves explanações.  A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela  Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”).  Nos  termos do  artigo 3º da citada Lei,  ficou estabelecido  que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por  sua  vez,  o  §1º  do  mesmo  artigo  veio  definir  o  que  abrangia  o  termo "receita", dispondo que:   entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas.  Contudo,  à  época  da  edição  da  Lei  n.  9.718/98,  a  Constituição  da  República  brasileira,  em  seu  artigo  195,  estabelecia que as Contribuições Sociais a  serem recolhidas aos  Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra  a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”.  Diante  dessa  delimitação  constitucional,  o  Supremo  Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei  n.  9.718/98  é  inconstitucional,  no  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  (“RE”)  n.  357950,  390840,  358273,  346084  e  336134 em 09 de novembro de 2005.  Posteriormente, o Pretório Excelso, no  julgamento do RE  n.  585.235,  publicado  em  28/11/2008,  julgou  pela  aplicação  da  repercussão  geral  sobre  matéria  em  exame,  reconhecendo  a  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A  ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos:  RECURSO. Extraordinário.  Tributo. Contribuição  social.  PIS. COFINS.   Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº  346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  Isto  porque,  segundo  o  entendimento  dos  Ministros  do  STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da  Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916450/2011­41  Acórdão n.º 3402­003.959  S3­C4T2  Fl. 4          5  COFINS,  uma  vez  que  igualou  o  conceito  de  faturamento  (ou  receita operacional) ao conceito de receita . Explica­se.  Enquanto  o  faturamento  é  constituído  pelas  receitas  advindas  da  venda  de  bens  e  serviços,  a  receita  compreende  "entrada  de  recursos  financeiros  remuneradores  dos  diferentes  negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de  José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos  amplo que a receita (gênero).  Ocorre  que  tais  conceitos  não  podem  ser  livremente  manejados  pelo  legislador,  pois  o  artigo  110  do  Código  Tributário Nacional determina que:  A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e  o  alcance  de  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal,  pelas  Constituições  dos  Estados,  ou  pelas  Leis  Orgânicas  do Distrito Federal  ou  dos Municípios,  para  definir  ou limitar competências tributárias.  Destarte,  se  a  Constituição  determinava  que  a  COFINS  somente  poderia  incidir  sobre  o  faturamento;  e  o  faturamento  constitui  as  receitas  provenientes  da  venda  de  bens  e  serviços  pela pessoa jurídica; conclui­se pela inconstitucionalidade da lei  que  determina  a  incidência  sobre  a  receita  sem  sentido  amplo,  pois essa é mais abrangente que o faturamento2.   Buscando  solucionar  os  vícios  constitucionais  de  que  padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda  Constitucional  n.  20,  de  15  de  dezembro  de  1998  (“EC  n.  20/98”).  Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição,  o qual restou positivado nos seguintes dizeres:  Art.  195. A  seguridade  social  será  financiada por  toda a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I  ­  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  (Redação  dada  pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)                                                              1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora.  São Paulo, 2005, p. 132.   2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais  patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser  criada outra  fonte de custeio da seguridade social  (incidente  sobre outra materialidade), nos  termos do artigo  195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição.  Disto depreende­se que somente  seria  legítima a  cobrança da COFINS sobre a  receita, hipótese que na época  não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por  meio  de  lei  complementar.  Afinal,  tratar­se­ia  de  nova  fonte  de  custeio  da  seguridade  social.  Como  a  Lei  n.  9.718/98  foi votada e publicada pelo  rito  legislativo próprio das  leis ordinárias, mais uma vez conclui­se pela  inconstitucionalidade da exação.   Fl. 72DF CARF MF     6  a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço, mesmo  sem  vínculo  empregatício;(Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998).  Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência  das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que  a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como  também a receita em sentido amplo.  Entretanto,  essa  mudança  no  texto  da  Constituição  não  teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o  sistema  jurídico  brasileiro  não  admite  a  constitucionalidade  superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei  que  contraria  a  Constituição,  não  é  possível  que  posterior  alteração  da  própria  Constituição,  por  via  de  emenda,  traga  de  forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF.  Pois  bem.  Tendo  sido  decidida  a  questão  em  sede  de  recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna­ se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do  artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a  necessidade  de  reprodução,  pelos  Conselheiros,  das  decisões  definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal,  na sistemática da repercussão geral:  §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Nesse sentido, é  tranquila a  jurisprudência do Conselho a  respeito  da  necessidade  de  reprodução  das  decisões  proferidas  pelo STF  sobre  a  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  da  Cofins  –  citadas  alhures  ­  aos  processos  administrativos  fiscais,  nos  quais  os  contribuintes  formulam  pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da  contribuição  social  em  questão,  exatamente  como  ocorre  no  presente caso.  Destaco  a  seguir  alguns  julgados  representativos  do  entendimento sobre a matéria:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA  ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005.  Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916450/2011­41  Acórdão n.º 3402­003.959  S3­C4T2  Fl. 5          7  O  prazo  decadencial  para  o  direito  de  restituição  de  tributos  sujeitos ao  lançamento por homologação é de 10  (dez)  anos,  a  contar  do  fato  gerador  quando  o  pedido  for  realizado  antes  da  entrada  em  vigor  da  Lei  Complementar  118/2005,  conforme entendimento do STF.  COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO ­  APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA  REPERCUSSÃO GERAL ­ POSSIBILIDADE.  Nos  termos  regimentais,  reproduzem­se  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF) na sistemática de  repercussão geral. A base de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  Cofins  é  o  faturamento, assim compreendido a  receita bruta da venda de  mercadorias,  de  serviços  e  mercadorias  e  serviços,  com  fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do  art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.  COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO  A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.  Caracterizado  o  pagamento  a  maior  ou  indevido  da  contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito,  segundo  o  disposto  no  art.  165,  I,  do  Código  Tributário  Nacional (CTN).  Recurso Voluntário Provido   (Processo  11618.002043/2005­19,  MARCOS  ANTONIO  BORGES, Nº Acórdão 3801­001.835)  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000  DECADÊNCIA.  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05.  O  prazo  estabelecido  na  Lei  Complementar  118/05  somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de  junho  de  2005,  e  que  anteriormente  a  este  limite  temporal  aplica­se a tese de que o prazo para repetição ou compensação  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  é  de  dez  anos,  contado  de  seu  fato  gerador,  de  acordo  com  decisão  do  Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão  geral.  PIS.  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  ­  APLICAÇÃO  DE  DECISÃO  DO  STF  NA  SISTEMÁTICA  DA  REPERCUSSÃO GERAL ­ POSSIBILIDADE.  Nos  termos  regimentais,  reproduzem­se  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF) na sistemática de  repercussão geral. A base de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  Cofins  é  o  faturamento, assim compreendido a  receita bruta da venda de  Fl. 74DF CARF MF     8  mercadorias,  de  serviços  e  mercadorias  e  serviços,  com  fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do  art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.  PIS.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  PAGAMENTO  A  MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.  Caracterizado  o  pagamento  a  maior  ou  indevido  da  contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito,  segundo  o  disposto  no  art.  165,  I,  do  Código  Tributário  Nacional (CTN).  Recurso Voluntário Provido.   (Processo 13855.001146/2005­86, Relator(a) FLAVIO DE  CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801­001.722)  COFINS.  ART.  3º,  DA  LEI  9.718/98.  BASE  DE  CÁLCULO.  ALARGAMENTO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o,  I, do RICARF. RESTITUIÇÃO  DO INDÉBITO. CABIMENTO.   A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS  é  o  faturamento  e,  em  virtude  de  inconstitucionalidade  declarada  em  decisão  plenária  definitiva  do  STF,  devem  ser  excluídas da base de cálculo as  receitas que não decorram da  venda  de mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços. Aplicação  do art. 62A do RICARF.   COFINS.  ART.  3º,  §1º,  DA  LEI  9.718/98.  BASE  DE  CÁLCULO.  ALARGAMENTO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  RESTITUIÇÃO  DO  INDÉBITO.  CABIMENTO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.   Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de  cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º,  da  Lei  nº  19.718/98,  é  cabível  o  deferimento  da  restituição  do  indébito,  devendo  a  autoridade  preparadora  verificar  a  comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o  crédito a  ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado  incide  correção  pela  incidência  da  SELIC  desde  a  data  do  pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da  Lei nº 9.250/95.   Recurso Parcialmente Provido.   (Processo  10950.000184/2006­26,  Relator(a)  JOAO  CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402­001.697)  COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO.   Mantém­se  o  lançamento  quando  constatada  a  falta  de  recolhimento  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto  de infração.   COFINS.  COMPENSAÇÃO.  PROCEDIMENTO  PRÓPRIO.   Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916450/2011­41  Acórdão n.º 3402­003.959  S3­C4T2  Fl. 6          9  Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de  recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve  ser apreciado  no  procedimento  administrativo  próprio  de  restituição/compensação, e não em processo de formalização de  exigência de crédito  tributário. Todavia, nada  impede Requerê­ la em procedimento próprio.   PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  E  COMPENSAÇÃO.  APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.   O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não  é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação.  A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona  o  contribuinte.  Aos  órgãos  julgadores  do  CARF  compete  o  julgamento  de  recursos  de  ofício  e  voluntários  de  decisão  de  primeira instância, bem como os recursos de natureza especial,  que  versem  sobre  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009)   MULTA  DE  OFÍCIO.  APLICAÇÃO  E  PERCENTUAL.  LEGALIDADE   Aplicável  a  multa  de  ofício  no  lançamento  de  crédito  tributário  que  deixou  de  ser  recolhido  ou  declarado  e  no  percentual determinado expressamente em lei.  COFINS.  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  APLICAÇÃO  DE  DECISÃO  DO  STF  NA  SISTEMÁTICA  DA  REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE.   Nos  termos  regimentais,  reproduz­se  as  decisões  definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  (STF)  na  sistemática  de  repercussão  geral. A  base de  cálculo  das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim  compreendido  a  receita  bruta  da  venda  de  mercadorias,  de  serviços  e  mercadorias  e  serviços,  com  fundamento  na  declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718/98 pelo Excelso STF.   Recurso Voluntário Provido em Parte   (Processo  10680.006962/2008­80, Relator(a)  JOSE LUIZ  BORDIGNON, Acórdão 3801­000.984)  Portanto é  incontroverso o bom direito da Recorrente  em  relação  à  restituição  dos  recolhimentos  indevidamente  feitos  a  título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista  que  a  presente  lide  administrativa  tem  como  objeto  principal  a  declaração de  inconstitucionalidade do  artigo 3º,  § 1º da Lei nº  9.718/98  pelo  STF  (alargamento  inconstitucional  da  base  de  cálculo da Cofins).  Com  efeito,  como  já  tive  a  oportunidade  de  destacar  em  dissertação sobre o tema:  Fl. 76DF CARF MF     10  Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança  de  tributos  com  base  em  tais  leis  tributárias  inconstitucionais  são atos ilícitos praticados pelo Poder Público.   O  primeiro  constitui  ilícito  constitucional  (edição  de  lei  contrária  aos  dizeres  da  Constituição),  enquanto  o  segundo  caracteriza  ilícito  tributário  (cobrança  pelo  Estado  e  consequente  pagamento  pelo  contribuinte  de  tributo  inválido).  Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são  impreterivelmente  dotadas  de  uma  sanção  em  caso  de  descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico  atrela  as  respectivas  sanções:  a  declaração  de  inconstitucionalidade,  com  o  objetivo  de  preservar  a  integralidade e coerência da ordem  jurídica;  e a  restituição de  tributos  inconstitucionais,  cuja  função  é  conferir  segurança  jurídica e isonomia aos administrados. 3  Cumpre  ainda  salientar  que  à  restituição  de  tributos  inconstitucional,  cuja natureza  e  regime  jurídico  são  tributários,  são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses  de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169).  Entretanto,  com  relação  ao  quantum  devido  como  restituição  do  tributo  inconstitucional,  compete  à  autoridade  administrativa  preparadora,  com  base  na  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  no  decorrer  do  processo  administrativo,  efetuar  os  cálculos  e  apurar  o  valor  do  direito  creditório.  Por  fim,  saliento  que  apurado  o  crédito,  os  valores  originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde  a data do pagamento  indevido, como  impõe o artigo 39, §4º da  Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos  pelo contribuinte.  Dispositivo  Por  tudo  quanto  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  haja  vista  a  necessidade  de  liquidação  do  julgado,  nos  termos  descritos  acima."  (grifos  no  original)  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao  Recurso Voluntário para reconhecer o direito à  restituição dos  valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais  auferidas  pela  empresa  com  fulcro  no  dispositivo  inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas  financeiras  mencionadas  pela  Recorrente  de  "JUROS  RECEBIDOS",  "VARIAÇÃO  CAMBIAL"  e  os  valores  de  "ALUGUÉIS RECEBIDOS")."  Importante  consignar  que  os  documentos  analisados  no  julgamento  do  paradigma  (razão  e  planilha  de  apuração)  encontram  correspondência  com  os  documentos  juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos.                                                              3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015.  Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916450/2011­41  Acórdão n.º 3402­003.959  S3­C4T2  Fl. 7          11  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  à  restituição  dos  valores  de  COFINS  calculados  sobre  receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da  Lei  nº  9.718/98  (dentre  as  quais  as  receitas  financeiras  mencionadas  pela  Recorrente  de  "JUROS  RECEBIDOS",  "VARIAÇÃO  CAMBIAL"  e  os  valores  de  "ALUGUÉIS  RECEBIDOS").  assinado digitalmente  Antonio Carlos Atulim                                Fl. 78DF CARF MF

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6646600 #
Numero do processo: 10675.901745/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.310
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­003.310  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de janeiro de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO.  Recorrente  AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  DESPACHO  DECISÓRIO  ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.  Confirmada  a  existência  do  direito  creditório  utilizado  para  compensação  reputada  não  homologada  por  despacho  decisório  eletrônico,  mediante  diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua  procedência, mostra­se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do  ato administrativo denegatório.  Recurso voluntário provido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo  Trevisan,  Augusto  Fiel  Jorge  D’Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  André  Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi  e Leonardo Ogassawara de  Araújo Branco.  Relatório  Trata­se,  na  espécie,  de  despacho decisório  eletrônico  de  não  homologação  de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a  integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 17 45 /2 00 9- 55 Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10675.901745/2009­55  Acórdão n.º 3401­003.310  S3­C4T1  Fl. 3          2 Em manifestação  de  inconformidade  o  contribuinte  informou  que  o  crédito  estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas.  A  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente  ao  argumento  que  a  compensação  pressuporia  a  certeza  e  liquidez  do  direito  creditório,  tal  como  evidenciado  nas  informações  prestadas  em  DCTF  anterior  ou  contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva.  Em  recurso  voluntário  o  contribuinte  pugnou,  preliminarmente,  pelo  julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/2009­17. No mérito, salientou que o crédito  originara­se  de  tributação  indevida  das  contribuições  (Cofins  e  PIS)  sobre  produtos  cujas  alíquotas  foram  reduzidas  a  zero  pelo  art.  1º  da  Lei  nº  10.925/04;  demonstrou  a  forma  de  apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o  excesso  de  formalismo,  citando  jurisprudência  administrativa;  e,  por  fim,  asseverou  a  procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada.  Na  sessão  de  24/04/2013,  mediante  Resolução  nº  3802­000.116,  o  julgamento  foi  convertido  em  diligência  para  aferição  da  procedência  do  direito  creditório  invocado.  Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando  a diligência realizada e as conclusões extraídas.  O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.296, de  25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/2009­72, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.296):  "Os  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso  já  foram  verificados  por ocasião da conversão do julgamento em diligência.  Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a  extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência:  'Compulsando  os autos, constata­se que a Recorrente  busca  reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota  da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da  juntada de diversos documentos comprobatórios.   Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10675.901745/2009­55  Acórdão n.º 3401­003.310  S3­C4T1  Fl. 4          3 Afirma  a Recorrente, no  capítulo  pertinente  de  suas  razões  (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de  tributação  do  IRPJ segundo o lucro presumido, de  modo  que  'procedia  à  apuração  dos  tributos  e  contribuições  federais,  considerando a  incidência da COFINS,  em  todos  os  produtos que  vendia, (...)’.   Prossegue  a Recorrente  explicando  que  a  lei  10.925/2004  alterou  a  forma de  recolhimento  do PIS  e  da COFINS,  reduzindo  a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto  de sua atividade­fim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”.   (...)  Ora, o  art.  1º  da  lei  10925/2004,  ao  reduzir  a  zero as  alíquotas  do  PIS  e  da  COFINS  para  diversos  produtos,  não  distingue  a  redução  das  alíquotas  do  PIS e da COFINS  para  os  regimes  cumulativo  ou  não  cumulativo,  nem  mesmo  para  contribuintes de  lucro  real ou presumido. Indo mais além, como tal  distinção  só  é  feita  pela  lei  no  que  tange  à  suspensão  de  PIS  e  COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica  mais  realçada  a  amplitude  da  abrangência  das  disposições  do  art.  1º.   Assim sendo, o  fato de a Recorrente  ter aplicado a alíquota  zero  somente  a  partir  do momento  em  que  optou  pelo  lucro  real,  não  significa que a lei tenha  condicionado a  redução das  alíquotas  para tal regime ­  o que  comprometeria  a  utilização  de  créditos  originados  de recolhimentos tidos  como  a  maior,  por  terem  sido  feitos em 2004.   A  única  questão  prejudicial  à  análise  do  crédito  fica, portanto,  superada. A  lide  restringe­se, destarte, à  análise  da  materialidade do crédito.   No que tange esse aspecto, tem­se que a Recorrente teve seu  crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o  despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de  inconformidade,  toda  a  documentação  necessária  para  a  materialidade do crédito.  Ocorre que, em sede recursal, a  Recorrente  apresenta  toda  sorte  de  documentos  hábeis  a  demonstrar  a  veracidade  das  suas  alegações, que são  muito simples: para  todos os casos  em que  houve  recolhimento  de  PIS e  COFINS sobre  vendas  de  produtos  indicados  nos  incisos  I a IV da  lei 10.925/2004, desde  o  início  de  sua  produção  de efeitos (26 de julho de  2004),  é  necessário  o  reconhecimento  de  recolhimento  indevido  –  o  que  permite  seu oferecimento à compensação.   Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te  é bem sucedida em sua tarefa de  comprovar  o  alegado.  E,  em  prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes  do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é  de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.'  Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10675.901745/2009­55  Acórdão n.º 3401­003.310  S3­C4T1  Fl. 5          4 Prestigiando  a  fundamentação  do  voto  condutor,  com  a  qual  concordo,  entendo  que  a  questão  de  direito  mostra­se  adequadamente  enfrentada  e  superada,  de  modo  que,  sem  maiores  delongas,  passa­se  ao  resultado da diligência determinada.  Nesta  senda,  a  informação  fiscal  coligida  aos  autos  atesta  quantia  disponível  de  crédito  no  período  de  apuração  informado  na  DCOMP  respectiva, oriunda de recolhimento  indevido, em montante  suficiente para  quitação do débito compensado.  Por conseguinte, mostra­se insubsistente o motivo apresentado como  fundamento  para  não  homologação  da  compensação,  consoante  despacho  decisório eletrônico expedido.  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto."  Retornando  ao  caso  deste  processo,  importante  ressaltar  que  a  informação  fiscal  coligida  nestes  autos  (fls.  1189/1190),  da  mesma  forma  que  no  caso  do  paradigma,  também  atesta  quantia  disponível  de  crédito  no  período  de  apuração  informado  na DCOMP  respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito  compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica­ se igualmente aos processos do PIS.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl                              Fl. 1201DF CARF MF

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Numero do processo: 13052.000194/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCLUSÃO. Não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, por não ter natureza jurídica de receita, tendo em vista tratar-se de benefício fiscal concedido às empresas exportadoras de bens nacionais para ressarcimento do PIS e da COFINS pago na aquisição de insumos empregados na industrialização das mercadorias.
Numero da decisão: 9303-004.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal - Relator. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Acórdão nº  9303­004.617  –  3ª Turma   Sessão de  26 de janeiro de 2017  Matéria  COFINS ­ CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JULIA INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004  CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO  DA COFINS. NÃO INCLUSÃO.  Não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS o crédito presumido de  IPI,  instituído pela Lei nº 9.363/96, por não  ter natureza jurídica de receita,  tendo  em  vista  tratar­se  de  benefício  fiscal  concedido  às  empresas  exportadoras de bens nacionais para ressarcimento do PIS e da COFINS pago  na aquisição de insumos empregados na industrialização das mercadorias.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial  da  Fazenda Nacional  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto  Natal  (relator),  Júlio  César  Alves Ramos e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Designada para redigir o  voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.     (assinado digitalmente)  Andrada Marcio Canuto Natal ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Redatora designada.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 01 94 /2 00 5- 01 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 494          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa  Camargos  Autran,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (suplente  convocado),  Vanessa  Marini  Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).  Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 495          3   Relatório  Trata o presente processo de  auto de  infração  lavrado  contra o  interessado,  fls.  4  e  seguintes,  por  meio  do  qual  foram  exigidas,  acrescidas  de  juros  e  multa:  i)  Cofins  cumulativa sobre valores oriundos de transferências de créditos de ICMS para outras pessoas  jurídicas e de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados­ IPI;  ii) Cofins não cumulativa decorrente de crédito  ressarcido  indevidamente, em virtude da  glosa  de  créditos  calculados  sobre  serviços  de  industrialização  por  encomenda,  e  sobre  omissões  de  valores  oriundos  de  transferências  de  créditos  de  ICMS  para  outras  pessoas  jurídicas e decorrentes de ressarcimento de crédito presumido de IPI.  Após impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  em  Santa  Maria  (DRJ/STM)  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento,  restabelecendo o crédito de Cofins que havia sido glosado em relação à prestação de serviços  de industrialização por encomenda e cancelando a exigência de parte da Cofins, constante do  item 002 do Auto de Infração, conforme fl. 416 do e­processo.  Após interposição de Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara  da 3ª Sejul do CARF, proferiu decisão formalizada no Acórdão nº 3201­00.562, de 27/10/2010,  cuja ementa está assim redigida:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004  BASE  DE  CÁLCULO.  CRÉDITOS  DE  ICMS.  RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI.  A cessão de créditos de  ICMS e os créditos presumidos de 1PI  ressarcidos são parcelas relacionadas à redução de custo, logo,  não são considerados parcelas de  receita, portanto, não devem  ser incluídas na base de cálculo de COFINS.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO"  A  Fazenda  Nacional,  por  intermédio  de  sua  Procuradoria,  interpôs  tempestivamente  Recurso  Especial  de  divergência,  fls.  442/458,  suscitando  divergência  de  interpretação em relação à inclusão das transferência de ICMS e do crédito presumido de IPI  na base de cálculo da Cofins e juntando cópias de inteiro teor de acórdãos paradigmas.  Por  meio  dos  despachos  de  exame  e  de  reexame  de  admissibilidade,  fls.  470/477 e 478/479 do e­processo, respectivamente, o Recurso Especial foi admitido apenas em  relação à incidência da Cofins sobre valores decorrente do crédito presumido de IPI, previsto  na Lei nº 9.363, de 13/12/1996.  A  contribuinte,  cientificada  dos  despachos  de  exame  e  de  reexame  de  admissibilidade,  apresentou  contrarrazões  ao  Recurso  Especial  às  folhas  489/490  do  e­ Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 496          4 processo,  limitando­se  a  afirmar  o  que  já  assentado  no  acórdão  recorrido  e  que  os  valores  decorrentes de crédito presumido de IPI são isentos da Cofins, porque decorrem de exportação  É o relatório.    Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 497          5 Voto Vencido  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator  Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem  apreciadas.  Passo  à  discussão  da  matéria,  em  relação  a  qual  foi  comprovada  e  demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre  a incidência da Cofins cumulativa e não­cumulativa sobre o crédito presumido de IPI, previsto  na Lei nº 9.363, de 1996, cuja solução depende do que se entende por  receita  tributável pela  Cofins cumulativa e pela não cumulativa e da qualificação do crédito presumido de IPI como  tal.  1. Cofins cumulativa  A  questão,  que  não  é  nova  no  CARF,  encontra­se  decidida  no  Superior  Tribunal de Justiça­STJ no sentido de que: i) crédito presumido de IPI não é receita decorrente  de  venda  de  mercadorias  ou  serviços,  por  isso  não  poderia  ser  alcançado  pela  norma  de  incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo, nos termos da  interpretação  dada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal­STF  ao  conceito  de  faturamento  e  à  sua  equiparação  ao  conceito  de  receita  tributável  por  aquelas  contribuições  sociais;  i)  caso  se  considerasse  receita,  dever­se­ia  considerar  o  crédito  presumido  de  IPI  decorrente  de  exportação, o que implicaria considerá­lo isento das contribuições.  Seguem as decisões do STJ:  TRIBUTÁRIO  –  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI  DECORRENTE  DE  EXPORTAÇÕES  –  LEIS  9.363/96  E  10.276/2001 – NÃO  INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO  PIS E DA COFINS.  1.  Incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de  cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de  exportações são isentas dessas contribuições.  Precedentes.  2.  Recurso  especial  não  provido.  [REsp  1.096.429  ­  RS  (2008/0219478­8),  Relatora  Ministra  Eliana  Calmon,  SEGUNDA TURMA, julgado em 18/6/2009, DJe 1º/7/2009.]    TRIBUTÁRIO  –  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI  –  LEIS  9.363/96  E  10.276/2001  –  NATUREZA  JURÍDICA  –  NÃO  INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS.  Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 498          6 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e  da  COFINS  é  o  faturamento,  que  equivale  à  receita  bruta,  resultado da venda de bens e serviços pela empresa;  b)  a  Lei  9.718/98,  ao  ampliar  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para  fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas  as  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  invadiu  a  esfera  da  definição do direito privado;  c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na  redação  anterior  à  EC  20/98)  não  autoriza  a  incidência  tributária  sobre  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pelos  contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal  imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98;  d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS),  o  que  impede  a  incidência  do  tributo  sobre  as  receitas  até  então  não  compreendidas  no  conceito de faturamento da LC nº 70/91;  e)  desnecessária,  no  caso  específico,  lei  complementar  para  a  majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com  base no art. 195, I, da Carta Magna.  2.  O  legislador,  com  o  crédito  presumido  do  IPI,  buscou  incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e  de COFINS  embutidas  no preço  das matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  adquiridos  pelo  fabricante  para  a  industrialização  de  produtos  exportados.  O  produtor­exportador  apropria­se  de  créditos  do  IPI  que  serão  descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a  título de IPI.  3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício  fiscal,  não  se  constituindo  receita,  seja  do  ponto  de  vista  econômico­financeiro,  seja  do  ponto  de  vista  contábil,  devendo  ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não  pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS.  3.  Ainda  que  se  considerasse  receita,  incabível  a  inclusão  do  crédito  presumido  do  IPI  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  porque  as  receitas  decorrentes  de  exportações  são  isentas dessas contribuições.  4.  Recurso  especial  não  provido.  [REsp  807.130/SC,  Relatora  Ministra  Eliana  Calmon,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  17/06/2008, DJe 21/10/2008.]    TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DO  IPI.  EXCLUSÃO DA  BASE DE CÁLCULO DO PIS  E DA COFINS.  AGRAVO NÃO  PROVIDO.  Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 499          7 1. "É pacífico o entendimento do STJ sobre a não incidência de  COFINS/PIS  tanto  sobre  o  crédito  presumido  do  IPI  quanto  sobre  os  insumos  empregados  na  industrialização  de  produtos  exportados"  (REsp  1.130.033/SC,  Rel.  Min.  CASTRO  MEIRA,  Segunda Turma).  2. Agravo regimental não provido.  [AgRg no Resp 1.163.994  ­  PR(2009/0210890­6),  Relator  Ministro  Arnaldo  Esteves  Lima,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 1º/12/2011, DJe 19/12/2011.]  Com todo o respeito aos Eminentes Ministros do STJ, entendo que a solução  da questão relativa ao crédito presumido do IPI deve ser diferente.  Afasto, em primeiro lugar, a premissa de que o crédito presumido de IPI, se  for receita, é decorrente de exportação.  Os valores do crédito presumido de IPI são concedidos a empresas produtoras  exportadoras,  em  decorrência  de  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material de embalagem, no mercado interno, para utilização no processo produtivo de produto  que, ao final, é exportado.  Não  se  trata  de  um  direito  relativo  às  operações  de  venda  de  produtos  ou  serviços  para  o  exterior,  porque  não  são  recebidos  como  contraprestação  destas  operações,  logo, não são decorrentes de exportação.  A pergunta que se faz é, pelo fato de que o crédito presumido de IPI não ser  uma  receita decorrente de vendas de mercadorias,  de  serviços ou de mercadorias  e  serviços,  estaria  fora  do  alcance  da  tributação  pela  Cofins  e  pela  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  cumulativas?  Penso que para responder essa pergunta é necessário debruçar­se no contexto  em que o STF deu à palavra faturamento ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º  da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins para receitas  estranhas ao conceito de faturamento.  O  STF  no  RE  585.235/MG  decidiu  que  é  inconstitucional  a  ampliação  da  base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Com esta  decisão,  em  relação  aos  valores  tributados,  temos primeiro de verificar  se estes  ingressos de  recursos são receitas e, em sendo receitas, se estão encaixadas no conceito de faturamento ou  receita operacional típica.   O STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718/98, lançou evidentes sinais a respeito do real alcance do que seria faturamento para fins  de  composição  da  base  de  cálculo  dos  tributos  a  ele  incidentes.  De  fato,  as  decisões  e  pronunciamentos dos Ministros do STF tem deixado a entender que o faturamento corresponde  ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas.  No  recurso  extraordinário  401.348,  o  Ministro  Cezar  Peluso  em  decisão  monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS,  receita estranha ao seu faturamento, in verbis:  Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 500          8 1.  Trata­se  de  recurso  extraordinário  interposto  contra  acórdão  que  declarou  a  constitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  relativo  ao  alargamento  da  base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do  acórdão  recorrido  está  em  aberta  divergência  com  a  orientação  da  Corte,  cujo  Plenário,  em  data  recente,  consolidou,  com  nosso  voto  vencedor  declarado,  o  entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta,  violando  assim  a  noção  de  faturamento  pressuposta  na  redação  original  do  art.  195,  I,  b,  da  Constituição da República, e cujo significado é o estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer  natureza,  ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais  (cf.  RE  nº  346.084PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e  RE  nº  390.840MG,  Rel. Min. MARCO  AURÉLIO,  todos  julgados  em 09.11.2005.  Ver  Informativo  STF nº  408,  p.  1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, §  1º­A, do CPC, conheço do recurso e dou­lhe provimento,  para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência  do  PIS,  receita  estranha  ao  faturamento  do  recorrente,  entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei)  Já  no  julgamento  do  recurso  extraordinário  346.084PR,  o mesmo Ministro  Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento:  "Com a deslocação histórica do foco sobre a importância  econômica  e  a  tipificação  dogmática  da  atividade  negocial, do conceito de comerciante para o de empresa,  justifica­se rever a noção de faturamento para passasse a  denotar  agora  as  vendas  realizadas  pela  empresa  e  relacionadas  à  sua  "atividade  econômica  organizada  para  a  produção  ou  a  circulação  de  bens  ou  de  serviços", como consta hoje do art. 966 do Código Civil.   (...)  “Quando me  referi  ao  conceito  construído  sobretudo  no  RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de  mercadorias e prestação de  serviço”, quis  significar que  tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de  atividades  empresariais  típicas,  ou  seja,  que  nessa  expressão  se  inclui  todo  incremento  patrimonial  resultante  do  exercício  de  atividades  empresariais  típicas.” (Grifei) folha 1254  (...)  O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo  RE  nº  346.084/PR,  reproduzindo  voto  que  proferira  anteriormente,  no  sentido  da  constitucionalidade  do  art.  3º  da  Lei  9.718,  de  1998,  exceto  para  o  §  1º  que  expandira  em  demasia  o  conceito  de  receita  bruta para  fins  de  tributação  da Cofins,  e  que  a  receita  bruta,  como sinônimo de faturamento, refere­se à atividade principal da empresa, in verbis:  Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 501          9 “O  Tribunal  estabeleceu  a  sinonímia  “faturamento/receita bruta”,  conforme decisão proferida  na  Ação Declaratória  de Constitucionalidade  nº  11/  DF  receita  bruta  evidentemente  apanhando  a  atividade  precípua da empresa.  (...)” (grifou­se)  Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.084/  PR  a  identidade  entre  faturamento  e  receita  operacional,  esta  constituída  por  ingressos  que  decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da  LC nº 70, de 1991, in verbis:  “Por  isso,  estou  insistindo na  sinonímia "faturamento"  e  "receita  operacional",  exclusivamente,  correspondente  àqueles  ingressos  que  decorrem  da  razão  social  da  empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de  negócio, enfim.” (Grifei)  (...)  Como visto, nas manifestações da Suprema Corte, o  termo faturamento não  se  restringe  àquele  conceito  antigo  de  que  decorre  única  e  exclusivamente  da  emissão  de  faturas  correspondentes  a  emissão  de  notas  fiscais  de  vendas  de  bens  ou  de  prestação  de  serviços. Prova contundente desta conclusão é a discussão que se  trava no STF a respeito da  incidência  ou  não  do PIS  e Cofins  sobre  as  receitas  financeiras  das  Instituições Financeiras,  pois é de conhecimento comum que nestes casos não há a correspondente emissão de faturas  comerciais e de serviços. Neste sentido destaco abaixo trecho de brilhante voto do Conselheiro  Paulo Guilherme Déroulède no Acórdão nº 3302­003.239 no qual se discutia a  tributação do  PIS e Cofins sobre as referidas receitas:  (...)  Por  fim,  o  alcance  do  termo  faturamento  ou  receita  bruta  abarcando  a  atividade  empresarial  típica  restou  assente  no  RE  585.2351/MG,  no  qual  reconheceu­se a  repercussão geral do  tema concernente ao alargamento da base de  cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmou­ se a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcreve­se  a ementa:  EMENTA.  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base  de  cálculo.  Art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  DE  1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG,  Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006).  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  ACÓRDÃO  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 502          10 Vistos,  relatados  e  discutidos  estes  autos,  acordam  os  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária,  sob  a  Presidência  do  Senhor Ministro  Gilmar  Mendes,  na  conformidade  da  ata  de  julgamento  e  das  notas  taquigráficas,  por  unanimidade,  em  resolver  questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão  geral  da  questão  constitucional,  reafirmar  a  jurisprudência  do  Tribunal  acerca  da  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98  e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo  nos  termos do  voto do Relator. Vencido, parcialmente,  o  Senhor  Ministro  Marco  Aurélio,  que  entendia  ser  necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida,  o  Tribunal,  por  maioria,  aprovou  proposta  do  Relator  para  edição  de  súmula  vinculante  sobre  o  tema,  e  cujo  teor  será  deliberado  nas  próximas  sessões,  vencido  o  Senhor  Ministro  Marco  Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  justificadamente,  o  Senhor  Ministro  Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste  julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa.  Brasília, 10 de setembro de 2008  Ministro Cezar Peluso  Relator  No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou:  “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de  repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência  é  consolidada  nesta  Corte,  qual  seja,  a  inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98,  que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim,  a noção de  faturamento pressuposta na redação original  do  art.  195,  I,  b,  da  Constituição  da  República,  e  cujo  significado  é  o  estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer  natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício  das atividades empresariais....”(grifei)  Salienta­se, ainda, que a incidência de PIS e Cofins, especificamente, sobre as  receitas  financeiras  das  instituições  financeiras  está  sendo  julgada  no  RE  609.096/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, em 03/03/2011, o  que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RREE nº  346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, conseqüentemente,  ainda não foi decidida pela Suprema Corte.  Frise­se  que  no AG.REG.  no  RE  582.258  /MG,  o Ministro  relator  Ricardo  Lewandowski,  em  06/04/2010,  esclareceu  que  a  inclusão  das  receitas  financeiras  auferidas pelas  instituições  financeiras não se confundiam com o debate acerca da  inconstitucionalidade  do  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/1998,  conforme  se  depreende da ementa a seguir:  Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 503          11 EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  LEGISLAÇÃO  APLICADA  APÓS  O  RECONHECIMENTO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DO  SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS  AUFERIDAS  POR  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS  NO  CONCEITO  DE  FATURAMENTO.  MATÉRIA  ESPECÍFICA NÃO  PREQUESTIONADA.  DECISÃO DE  RECONSIDERAÇÃO  QUE  ALTERA  O  CONTEÚDO  DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR  DA  DECISÃO  RECONSIDERADA.  REABERTURA  DE  PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO.  I  ­  O  STF  não  tem  competência  para  determinar,  de  imediato,  a  aplicação  de  eventual  comando  legal  em  substituição  de  lei  ou  ato  normativo  considerado  inconstitucional.  II ­ A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras  auferidas  por  instituições  financeiras  no  conceito  de  faturamento para fins de incidência da COFINS não se  confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  9.718/989.  Ausência  de  prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita  a análise do recurso quanto ao ponto.  III ­ Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a  contrair ou exceder os  fundamentos mantidos na decisão  modificada, não configura mera correção de erro de fato,  mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do  prazo para recurso.  IV ­ Agravo regimental improvido.”  Destarte, entendo que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º  da  Lei  nº  9.718/98  nos  leading  cases  não  afastou  a  tributação  sobre  as  receitas  oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e  da  COFINS,  reconhecida  no  RE  585.2351/MG,  o  qual  reafirmou  a  sujeição  das  receitas  oriundas  das  atividades  empresariais  à  incidência  das  contribuições.  Ressalte­se  que  a  repercussão  geral  reconhecida  no  referido  RE  implica  sua  reprodução nos julgamentos administrativos no âmbito do CARF, conforme disposto  no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF.  Além  disso,  resta  claro  que  o  próprio  STF  entende  que  o  tema  específico  relativo à tributação das  receitas  financeiras auferidas pelas  instituições  financeiras  não foi objeto do debate sobre a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº  9.718/1998 travado nos leading cases, mas, pelo contrário, é tema específico do RE  609.096, submetido à repercussão geral.  (...)  Em resumo, a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718/98, por si só, não é suficiente para decidir se há ou não a incidência do PIS e da Cofins  sobre as receitas decorrentes do aproveitamento do crédito presumido de IPI instituído pela Lei  nº 9.363/96. Há que se perquirir se estes ingressos de recursos são receitas operacionais típicas  da pessoa jurídica.   Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 504          12 A natureza jurídica do ressarcimento de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996,  já foi discutida neste Conselho, tendo­se assentado ora tratar­se de receita operacional, ora de  redução  de  custos.  Entendo  que  o  crédito  presumido  de  IPI  tem  a  característica  de  receita,  assim entendida no sentido amplo estabelecido pela lei, pois o vocábulo receita, sem qualquer  tipo de especificação, corresponde a todo ingresso que se integra positivamente ao patrimônio  de uma entidade, provocando um aumento no  seu  ativo  sem um correspondente aumento no  passivo,  o  que  é  justamente  o  caso  do  crédito  presumido  do  IPI  de  que  trata  o  presente  processo. Mesmo na hipótese de se entender como sendo uma recuperação de custos, não há  como afastar o seu conteúdo como sendo de receita em seu conceito mais largo.   Nesse  sentido,  peço  vênia  para  me  socorrer  também  dos  valiosos  ensinamentos do ilustre ex­Conselheiro Solon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido  de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz  da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537, in verbis:  (...)  Não  há  qualquer  impedimento  à  cobrança  do  tributo  no  regime  não  cumulativo,  uma  vez  que  a  recuperação  de  custos  integra  a  receita  bruta  da  empresa.  Afinal,  se  o  conceito  de  receita  compreende  o  acréscimo  patrimonial  líquido,  não  há  motivos  para  afastar  de  seu  âmbito  de  significação  o  incremento  resultante do  recebimento do  crédito presumido do  IPI. O patrimônio  compreende  não  só os bens, mas os direitos de  crédito  e  todas  as demais  relações  jurídicas de  conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita  pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição  de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária.  (...)  Portanto, no meu entender, não resta dúvida que o crédito presumido de IPI é  receita do  tipo operacional pois decorre das atividades operacionais da pessoa  jurídica. Resta  no  entanto  responder  se  ela  é uma  receita  operacional  típica,  correspondente  ao  faturamento  nos termos delineados pela Suprema Corte. Nesse sentido vale a pena repetir abaixo pequenos  trechos  das  conclusões  dos  Ministros  do  STF,  nos  pronunciamentos  e  votos  já  transcritos  acima:  Ministro Cezar Peluso  ...ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de  faturamento  pressuposta  na  redação original do  art.  195,  I,  b,  da Constituição  da República,  e  cujo  significado  é  o  estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer  natureza,  ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas do exercício das atividades empresariais...  ...justifica­se  rever  a  noção  de  faturamento  para  passasse  a  denotar agora as vendas realizadas pela empresa e relacionadas  à sua "atividade econômica organizada para a produção ou a  circulação de bens ou de serviços  ...tal  conceito  está  ligado  a  ideia  de  produto  do  exercício  de  atividades empresariais  típicas, ou seja, que nessa expressão se  inclui  todo  incremento  patrimonial  resultante  do  exercício  de  atividades empresariais típicas.  Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 505          13 Ministro Marco Aurélio  O  Tribunal  estabeleceu  a  sinonímia  “faturamento/receita  bruta”,  conforme  decisão  proferida  na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  nº  11/  DF  receita  bruta  evidentemente  apanhando a atividade precípua da empresa.  Ministro Carlos Ayres Britto  ...correspondente  àqueles  ingressos  que  decorrem  da  razão  social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo  de negócio...  Do  exposto,  podemos  concluir  que  não  basta  o  ingresso  de  recursos  estar  caracterizado  como  receita  operacional  para  englobarmos  no  conceito  de  faturamento  delineado  pelo  STF.  É  necessário  que  esses  ingressos,  ou  essas  receitas,  façam  parte  do  objetivo  social  da  empresa;  que  componham  a  sua  atividade  precípua  ou  a  sua  finalidade  institucional;  façam  parte  do  propósito  negocial  para  o  qual  a  empresa  foi  criada.  Portanto  temos que buscar no âmbito do seu contrato social, qual a atividade fim que é perseguida, para  definirmos se aquelas receitas compõem o seu faturamento para fins de aplicação do art. 3º da  Lei nº 9.718/98.  É  importante  destacar  que  esta  busca  pela  definição  da  atividade  fim  da  empresa não pode e nem deve ser extraída exclusivamente do seu contrato social, mas também  da relevância e habitualidade em que determinada empresa exerce aquela atividade econômica,  dado à possibilidade real de se omitir alguma atividade fim de seu contrato social. Situação que  não é muito incomum de se verificar no meio empresarial.  O objeto social da empresa autuada pode ser visualizado na cláusula quinta  de seu Contrato Social, fl. 44, in verbis:  QUINTA:  A  sociedade  se  dedicará  no  ramo  de  Fabricação  e  Comércio  de  Calçados  e  artefatos  de  couro,  inclusive  a  exportação  dos  referidos  produtos  e  importação de couros e matérias primas.  Nesse  caso  não  há  que  se  fazer  maiores  divagações  sobre  a  natureza  da  receita decorrente do aproveitamento do crédito presumido do IPI. Evidente que não se trata de  uma receita objetivada pela empresa e não compõe a sua finalidade institucional. Ela faz parte  de suas atividades operacionais de rotina em face de um dispositivo legal, pelo qual o Estado,  de forma unilateral, permitiu a obtenção desses créditos e determinou também a forma de sua  operacionalização.  Portanto, concluo que o crédito presumido do IPI, apesar de ser uma receita  operacional,  não  corresponde  ao  faturamento  nos  termos  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  não  podendo ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins no regime cumulativo.  Assim,  em  relação  ao  período  de  incidência  cumulativa  da  Cofins,  nego  provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.      Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 506          14 2. Cofins não­cumulativa  No  caso  da  Cofins  não­cumulativa,  a  situação  é  mais  simples,  porque  a  declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não  a alcança.  De  acordo  com  a  norma  de  incidência  da  Cofins  não­cumulativa,  esta  contribuição  incide  sobre o  total  das  receitas  auferidas pela pessoa  jurídica,  independente de  sua  denominação  ou  classificação  contábil,  ou  seja,  todas  as  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, com exceção das exclusões previstas na própria lei.  Diz a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, na redação vigente à época:  Art.  1°  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato gerador o  faturamento mensal, assim entendido o total das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua denominação ou classificação contábil.  §1°  Para  eleito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §2º A base de cálculo da contribuição é o valor do ,faturamento,  conforme definido no caput  §3º Não integram a base de cálculo u que se refere este artigo as  receitas:  I ­ isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou  sujeitas à aliquota O (zero);  II  ­  não­operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  permanente;  III ­ auferidas pela pessoa  jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;  IV  ­  de  venda  de  álcool  para  fins  carburantes;  (Redação  dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  h)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda que não representem  ingresso de novas receitas,  o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  liquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido  computados como receita.  Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 507          15 Uma  vez  que  não  há  nenhuma  exclusão  específica  relativa  ao  crédito  presumido  do  IPI,  a  única  hipótese  de  não  incidência  seria  a  consideração  de  que  estes  ingressos de recursos não teriam a denominação de receita, o que se afasta com base nas razões  expostas acima, que levaram à conclusão de que o crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº  9.363, de 1996, é sim receita.  Volto  a  me  utilizar  dos  valiosos  ensinamentos  do  ilustre  ex­Conselheiro  Solon Sehn no  artigo  denominado  “Crédito Presumido de  IPI  e  a Base  de Cálculo  de PIS  e  Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls.  519/537, in verbis:  (...)  Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime  não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a  receita  bruta  da  empresa.  Afinal,  se  o  conceito  de  receita  compreende  o  acréscimo  patrimonial  líquido,  não  há motivos  para  afastar  de  seu  âmbito  de  significação  o  incremento  resultante  do  recebimento  do  crédito  presumido  do  IPI.  O  patrimônio  compreende  não  só  os  bens,  mas  os  direitos  de  crédito  e  todas  as  demais  relações  jurídicas  de  conteúdo  econômico  titularizadas  pelo  sujeito  de  direitos.  Por  conseguinte,  a  receita  pode  ser  auferida  não  apenas  mediante  recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito  susceptível de apreciação pecuniária.  Por  outro  lado,  embora  a  Lei  nº  9.363/1996  faça  referência  a  “ressarcimento”,  deve­se  ter  presente  que  não  se  trata  propriamente  de  uma  indenização.  A  concessão  do  crédito  constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público,  que  não  se  confunde  com  as  obrigações  derivadas  da  responsabilidade extracontratual.  Tampouco  se  trata  de  reembolso,  porque  este  pressupõe  a  recomposição  do  patrimônio  devida  em  razão  de  uma  despesa  realizada por conta e ordem de outrem.  (...)  Os  créditos  presumidos  são  benefícios  fiscais  concedidos  unilateralmente  pelo  Poder  Público,  podendo  apresentar  natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI  para  ressarcimento  de  contribuições  previsto  na  Lei  nº  9.363/1996)  ou  de  subvenção  para  investimentos  (v.g.  crédito  presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999).  No  primeiro  caso,  as  subvenções  integram  o  resultado  da  pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta  do  sujeito  passivo.  Portanto,  devem  ser  incluídas  na  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  desde  que  se  trate  de  contribuinte submetido ao regime não cumulativo...  (...)  Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 508          16 Assim, quanto  à Cofins apurada  em  face da Lei  nº 10.833/2003,  regime de  apuração  da  não­cumulatividade,  voto  por  dar  provimento  ao  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional.   Conclusão.  Por  todo  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional da seguinte forma:  1)  A  Cofins  cumulativa,  Lei  nº  9.718/98,  não  incide  sobre  o  crédito  presumido do IPI, por este não ser receita operacional típica da empresa autuada. Assim, nessa  parte, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  2)  A  Cofins  não­cumulativa,  Lei  nº  10.833/2003,  incide  sobre  o  crédito  presumido do IPI, por este ser receita operacional da empresa autuada. Assim, nessa parte, dou  provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.     (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal  Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 509          17 Voto Vencedor    Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora Designada    Com  a  devida  vênia  ao  excelente  voto  do  Ilustre  Relator,  a  maioria  do  Colegiado entendeu por divergir e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional,  consoante fundamentos a seguir expostos.   A controvérsia analisada quando do julgamento do apelo especial centrou­se  na possibilidade de exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo da COFINS, uma  vez admitido o recurso tão somente com relação a essa matéria.   O  processo  originou­se  de  auto  de  infração  (fls.  05  a  20)  lavrado  para  a  cobrança  de  COFINS  relativo  aos  períodos  de  apuração  compreendidos  entre  31/01/2000  a  31/01/2004,  inclusive,  abrangendo  os  regimes  de  apuração  cumulativa  e  não­cumulativa  da  referida contribuição. Em seu voto, o nobre Relator reconheceu a não incidência da COFINS  sobre o crédito presumido de  IPI  tão  somente para o período da cumulatividade, entendendo  pela tributação da verba na apuração pelo regime da não­cumulatividade. Por maioria de votos,  decidiu  a  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  pela  não  inclusão  do  crédito  presumido  de  IPI  na  base  de  cálculo  da  COFINS  para  ambas  as  sistemáticas  de  apuração,  cumulativa e não­cumulativa.   O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/1996, com alterações  da  Lei  nº  10.276/2001,  foi  criado  para  fomentar  as  exportações,  ressarcindo  as  empresas  exportadoras  dos  valores  pagos  de  PIS  e  COFINS  sobre  o  preço  dos  insumos  utilizados  na  produção dos bens.   O art. 1º da Lei nº 9.363/96 assim dispôs:    Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam  as Leis Complementares nºs 7,  de 7 de  setembro de 1970, 8,  de 3 de  dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários e material de embalagem, para utilização no  processo produtivo.  Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica­se, inclusive, nos casos  de  venda  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico  de  exportação para o exterior.  Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 510          18 Por  ser o Sujeito Passivo  exportador de  seus produtos,  utiliza­se do  crédito  presumido  de  IPI  incidente  sobre  as  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo,  excluindo, ainda, referido montante da base de cálculo da COFINS, por não se tratar de receita.   O  crédito  presumido  de  IPI  trata­se  de  instrumento  de  política  fiscal  para  desonerar  as  exportações  de  produtos  nacionais,  pois  sendo  a  exportação  imune  das  contribuições sociais, nos termos do art. 149,§2º, inciso I da Constituição Federal, não há como  ser  recuperado  diretamente  o  valor  pago  das  contribuições  na  aquisição  dos  insumos,  tendo  sido  criado  o  instrumento  do  crédito  presumido  de  IPI.  Nessa  linha  é  a  doutrina  de  Rocco  Antonio Rangel Rosso Nelson, in verbis:    “2.3 Espécies   Os  incentivos  fiscais  podem  ocorrer  sobre  as  despesas  e  sobre  as  receitas  públicas. A partir dessas duas facetas da matéria financeira serão anotados  os incentivos fiscais quanto às suas espécies.   É  salutar  destacar  que  os  incentivos,  seja  sobre  as  despesas,  seja  sobre  a  receita,  são  fenômenos  relacionados,  podendo  se  dizer  que  são  "faces  da  mesma moeda", constituindo diferenças apenas no aspecto formal, doravante  a consequência financeira será a mesma  2.3.1 Dos Incentivos Fiscais sobre as Despesas Públicas    No que se refere aos incentivos fiscais, sobre as despesas, estes podem ser na  modalidade de subvenção, créditos presumidos e subsídios.  [...]  2.3.1.2 Créditos Presumidos    A desoneração, no que tange aos créditos presumidos, seria a presunção do  recolhimento  de  um  tributo  (este  que  de  fato  não  ocorreu),  o  qual  se  constituirá  quando  vier  a  beneficiar  o  contribuinte,  ou  seja,  quando  a  presunção  legal constituir­se em um valor menor do que o valor  real 40. É  um incentivo cuja natureza varia com a normatividade dada em lei, fazendo  as vezes de isenção, subvenção ou mera redução da base de cálculo 41.  Afira­se o caso do crédito presumido, para o IPI, previsto na Lei nº 9.363/96,  que  tem  por  finalidade  favorecer  a  exportação  de  mercadorias  de  fabrico  nacional, a partir de insumos adquiridos no mercado interno.  O art. 153, § 3º, III, da Constituição Federal 42 determina a regra imunizante  do IPI, no que tange aos produtos industrializados para exportação. Todavia,  a presente imunidade não se aplica às contribuições especiais do PIS/Pasep e  Cofins.  De  tal  sorte,  com  a  finalidade  de  favorecer  a  exportação,  permitindo  um  preço  do  produto  mais  competitivo  no  cenário  internacional,  a  Lei  nº  9.363/96 cria o crédito presumido, que ressarcirá as empresas exportadoras  em relação aos valores pagos a título de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre  Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 511          19 as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias­primas, produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo.”  NELSON,  Rocco  Antonio  Rangel  Rosso.  Dos  Incentivos  Fiscais  no  Brasil.  Revista  Brasileira  de  Direito  Tributário  e  Finanças  Públicas/Edições/45  ­  Jul/Ago 2014.     Assim,  caracteriza­se  o  crédito  presumido  de  IPI  como  recuperação  de  custos, não podendo ser enquadrado como receita, pois seu escopo é, justamente, ressarcir os  valores  pagos  pela  empresa  exportadora  a  título  de PIS  e COFINS na  aquisição  de  insumos  empregados na industrialização dos bens a serem exportados.   Pode­se  conceituar  receita  como  o  ingresso  de  recursos  financeiros  no  patrimônio  da  empresa  de  forma  definitiva.  Além  disso,  o  faturamento,  como  espécie  de  receita,  constitui­se  de  valores  decorrentes  unicamente  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação de serviços. Por isso, em nenhum dos dois conceitos, poder­se­ia enquadrar o crédito  presumido de IPI, que se trata, isto sim, de ressarcimento de tributos – recuperação de custos  tributários, não acrescendo riqueza nova oriunda da atividade empresarial.   É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser  cabível a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo da COFINS, tanto no regime  cumulativo quanto não­cumulativo de incidência, conforme se extrai das ementas de julgados a  seguir transcritas, in verbis:     TRIBUTÁRIO  –  CRÉDITO  PRESUMIDO  DO  IPI  –  LEIS  9.363/96  E  10.276/2001  –  NATUREZA  JURÍDICA  –  NÃO  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO DO PIS E COFINS.  1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS  é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e  serviços pela empresa;  b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar  novo  conceito  para  o  termo  "faturamento",  para  fins  de  incidência  da  COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa  jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado;  c)  a  noção de  faturamento  inscrita no  art.  195,  I,  da CF/1988  (na  redação  anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade  das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação  posterior  de  tal  imposição,  ainda  que  por  força  da  promulgação  da  EC  20/98;  d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do  PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até  então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91;  Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 512          20 e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da  alíquota  da  COFINS,  cuja  instituição  se  dera  com  base  no  art.  195,  I,  da  Carta Magna.  2.  O  legislador,  com  o  crédito  presumido  do  IPI,  buscou  incentivar  as  exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no  preço  das  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  adquiridos  pelo  fabricante  para  a  industrialização  de  produtos  exportados. O produtor­exportador apropria­se de créditos do IPI que serão  descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI.  3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não  se constituindo receita, seja do ponto de vista econômico­financeiro, seja do  ponto  de  vista  contábil,  devendo  ser  contabilizado como "Recuperação de  Custos".  Portanto,  não  pode  integrar  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  3.  Ainda  que  se  considerasse  receita,  incabível  a  inclusão  do  crédito  presumido  do  IPI  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  porque  as  receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições.  4. Recurso especial não provido.  (REsp  807.130/SC,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA,  julgado em 17/06/2008, DJe 21/10/2008)      TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  RESSARCIMENTO  DO  PIS/PASEP  E  COFINS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA:  RESP  993.164/MG.  AGRAVO  NÃO PROVIDO.  1. É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de  que o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI,  disciplinado  pela  Lei  9.363/96,  constitui  benefício  fiscal  de  que  gozam  as  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  mercadorias  nacionais  para  ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS.  2. Agravo regimental não provido.  (AgRg  no  REsp  1244633/RS,  Rel.  Ministro  ARNALDO  ESTEVES  LIMA,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2013, DJe 25/03/2013)      Com  base  nessas  considerações,  entende­se  não  ser  cabível  a  inclusão  dos  valores  relativos  ao  crédito  presumido  de  IPI  na  base  de  cálculo  da  COFINS  apurada  pelo  regime cumulativo e não­cumulativo de incidência.   Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13052.000194/2005­01  Acórdão n.º 9303­004.617  CSRF­T3  Fl. 513          21 Diante  do  exposto,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.   É o Voto.    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello                     Fl. 513DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.720455/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPLEMENTAR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO REALIZADO POR MEIO ADEQUADO. O instrumento adequado para o contribuinte formular pedido de restituição é por PER/DCOMP, não servindo a DIRPF retificadora para tal finalidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A competência para apreciar, em primeira instância, após instaurado o litígio, os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários bem como de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e redução de tributos e contribuições administrados pela SRF, é das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ. Assim, para conhecimento da matéria pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, necessário que haja prévia decisão pela instância de origem, pois não admitida a supressão de instância. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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2202­003.642  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de fevereiro de 2017  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF   Recorrente  ELCIO CHERUBIN LORENZETTI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2012  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  IMPOSTO  COMPLEMENTAR.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  NÃO  REALIZADO  POR  MEIO  ADEQUADO.   O instrumento adequado para o contribuinte formular pedido de restituição é  por PER/DCOMP, não servindo a DIRPF retificadora para tal finalidade.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SUPRESSÃO  DE  INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.  A competência para apreciar, em primeira instância, após instaurado o litígio,  os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos  tributários bem como de manifestação de inconformidade do sujeito passivo  contra  apreciações  dos  Inspetores  e  dos  Delegados  da  Receita  Federal  em  processos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento,  à  imunidade,  à  suspensão,  à  isenção  e  redução  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  SRF,  é  das Delegacias  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  ­  DRJ.  Assim,  para  conhecimento  da  matéria  pelo  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, necessário que haja prévia decisão pela  instância de origem, pois não admitida a supressão de instância.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 04 55 /2 01 4- 10 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10166.720455/2014­10  Acórdão n.º 2202­003.642  S2­C2T2  Fl. 59          2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa  (Presidente),  Martin  da  Silva  Gesto,  Márcio  Henrique  Sales  Parada,  Rosemary Figueiroa Augusto,  Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson  Jatahy Fonseca Neto.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  10166.720455/2014­10, em face do acórdão nº 02­60.272, julgado pela 5ª Turma da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte  (DRJ/BHE)  no  qual  os  membros  daquele  colegiado  entenderam  por  julgar  improcedente  a  impugnação  apresentada  pelo contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os  relatou:  Contra  o  contribuinte  identificado  foi  lavrada  notificação  de  lançamento de  fls. 11/16, referente ao  imposto de renda pessoa  física,  exercício  2012,  ano  calendário  2011,  para  reduzir  o  imposto a restituir de R$ 67.389,26 para R$ 65.496,53, conforme  abaixo.  Imposto a Restituir Apurado na Declaração após a Revisão  65.496,53  Imposto já restituído  0,00  Valor a Restituir  65.496,53  No  demonstrativo  das  infrações  e  enquadramento  legal  de  fls.  13, as infrações apuradas estão, em síntese, assim descritas:  ­ Compensação  Indevida  de  Imposto Complementar: glosa  no  valor  de  R$  1.892,73  referente  entre  à  diferença  do  valor  declarado e o efetivamente comprovado.  Cientificado do lançamento, o contribuinte o impugna, alegando,  resumidamente, o que se segue:  Afirma  que  preencheu  o  valor  de  R$  1.892,73,  como  sendo  imposto  complementar,  pois  não  existe  local  para  informar  o  valor pago na declaração original.    A DRJ de origem entendeu pela  improcedência da  impugnação apresentada  pelo  contribuinte,  alegando  que  realmente  não  há  campo,  na  declaração  de  ajuste,  para  o  preenchimento dos pagamentos  referentes  às quotas do  imposto de  renda pessoa  jurídica,  na  medida que estes valores não são passíveis de compensação via declaração, não sendo possível  considerá­las como dedução do imposto devido. Assim, entendeu­se que a conduta correta de  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.720455/2014­10  Acórdão n.º 2202­003.642  S2­C2T2  Fl. 60          3 efetuar o pedido de restituição referente a valores pagos indevidamente é por meio Pedido de  Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), de  conformidade com o artigo 10, § 2º da IN RFN nº 1.300/2012.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Compensação indevida de Imposto Complementar ­ 1.892,73  O Recorrente insurge­se contra o indeferimento de glosa em seu "imposto a  restituir" que teve origem na DIRPF do exercício de 2012.  Compulsando  os  autos  verifica­se  que  a  decisão  da  DRJ  teve  como  fundamento para o seu indeferimento a IN RFB nº 1.300/2012, pois ela reconhece que houve  uma  época  em  que  não  havia  campo  apropriado  para  a  retificação  apontada,  mas,  com  a  publicação da IN RFB no dia 21 de novembro de 2012, o certo passou a tomar o procedimento  perquirido  por  meio  Pedido  de  Restituição,  Ressarcimento  ou  Reembolso  e  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP),  de  conformidade  com  o  artigo  10,  §  2º  da  supramencionada  Instrução Normativa. “In verbis”:  Art.  10.  Não  ocorrendo  a  devolução  prevista  no  art.  8º  ou  a  dedução  nos  termos  do  art.  9º,  a  restituição  do  indébito  de  imposto  sobre  a  renda  retido  sobre  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual,  bem  como  a  restituição  do  indébito  de  imposto  sobre a renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório  (carnê­leão)  ou  de  recolhimento  complementar  será  requerida  pela  pessoa  física  à  RFB  exclusivamente  mediante  a  apresentação da DIRPF.  [...]  § 2º Aplica­se o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 3º e no § 1º do art.  41 ao indébito de imposto sobre a renda retido no pagamento ou  crédito  a  pessoa  física  de  rendimentos  sujeitos  à  tributação  exclusiva, bem como aos valores pagos indevidamente a título de  quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF).  Consoante  se  verifica  o  meio  adequado  para  pedido  de  restituição  é  por  PER/DCOMP e não por retificação em DIRPF. Portanto, por tais razões, tenho que não há de  ser restituído o valor pleiteado.  Isenção por moléstia grave  Em  anexo  ao  recurso  voluntário,  à  fl.  50  dos  autos,  o  contribuinte  junta  Laudo  Pericial  exarado  pela Dra.  Ivana T.  Fernandes,  portadora  do CRM/GO  sob  nº  3.426,  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10166.720455/2014­10  Acórdão n.º 2202­003.642  S2­C2T2  Fl. 61          4 declarando que o Recorrente é portador de Carcinoma Basocelular, CID C 80, desde outubro  de 2010.   Diante disso, sustenta que faria jus a concessão de isenção por ser portador de  carcinoma, espécie de moléstia grave tipificada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso  XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que segue abaixo transcrita:  Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguintes  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  [...]  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma.  (grifou­se)  Acerca  do  tema,  o  Decreto  nº  3.000/99  (RIR),  em  seu  artigo  39,  inciso  XXXIII, bem como os §§ 4º e 5o do mesmo artigo, assim dispõem:  Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:  [...]  XXXIII  ­  os proventos de aposentadoria ou  reforma, desde que  motivadas  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  de  imunodeficiência  adquirida,  e  fibrose  cística  (mucoviscidose),  com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a  doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma  (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,  art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);  [...]  § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os  incisos  XXXI  e  XXXIII,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  a  moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido  por  serviço  médico  oficial  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  devendo  ser  fixado  o  prazo  de  validade  do  laudo  pericial,  no  caso  de  moléstias  passíveis  de  controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º).  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10166.720455/2014­10  Acórdão n.º 2202­003.642  S2­C2T2  Fl. 62          5 (grifou­se).  De acordo com o texto legal, depreende­se que há dois requisitos cumulativos  indispensáveis  à  concessão  da  isenção. Um  reporta­se  à  natureza  dos  valores  recebidos,  que  devem  ser  proventos  de  aposentadoria,  ou  reforma,  ou  pensão,  e o  outro  relaciona­se  com a  existência da moléstia  tipificada no  texto  legal,  atestada por  laudo de serviço médico oficial.  Neste sentido, a súmula CARF nº 63:  Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda  da  pessoa  física  pelos  portadores  de  moléstia  grave,  os  rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma,  reserva  remunerada  ou  pensão  e  a  moléstia  deve  ser  devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço  médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos  Municípios.  Importa  destacar  que  o  §  5º,  inciso  III,  do  art.  39  do Decreto  nº  3.000/99  estabelece a data de início que a referida isenção aplica­se aos rendimentos sujeitos a isenção:  §  5º As  isenções  a  que  se  referem  os  incisos XXXI  e XXXIII  aplicam­se aos rendimentos recebidos a partir:  I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão;  II  –  do mês  da  emissão  do  laudo ou  parecer  que  reconhecer  a  moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou  pensão;  III  –  da  data  em  que  a  doença  foi  contraída,  quando  identificada no laudo pericial.  (grifou­se)  No presente caso, o  laudo pericial  indicou que o contribuinte é portador de  carcinoma basocelular, com início em outubro de 2010 e término em indeterminado.  Assim,  observando­se  a  norma  contida  no  art.  39,  §5º,  III,  do  Decreto  nº  3.000, de 1999, a isenção aplicar­se­ia, tão­somente, aos rendimentos recebidos a partir da data  em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, ou seja, outubro de 2010.  Enfim,  compulsando  os  documentos  apresentados  com  o  presente  recurso,  tudo leva a crer que o Recorrente poderia ser de fato portador de neoplasia maligna, mas para  reconhecimento  é  necessário  que  seja  expedido  o  atestado  por  instituição  pública,  o  que  é o  caso em tela, pois fornecido por serviço médico oficial.   No  entanto,  ainda  que  se  entenda  que  o  contribuinte  possa  ter  direito  a  isenção de imposto de renda, ocorre que esta questão não está na lide, pois não apresentado em  impugnação tal alegação.   A competência para apreciar, em primeira instância, após instaurado o litígio,  os  processos  administrativos  fiscais  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  bem  como de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores  e  dos  Delegados  da  Receita  Federal  em  processos  relativos  ao  reconhecimento  de  direito  creditório,  ao  ressarcimento,  à  imunidade,  à  suspensão,  à  isenção  e  redução  de  tributos  e  Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10166.720455/2014­10  Acórdão n.º 2202­003.642  S2­C2T2  Fl. 63          6 contribuições  administrados  pela  SRF,  é  das  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  ­  DRJ.  Assim,  para  conhecimento  da  matéria  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  necessário  que  haja  prévia  decisão  pela  instância  de  origem,  pois  não  admitida a supressão de instância.  Logo,  a  análise  nesta  fase  processual  seria  supressão  de  instância.  Diante  disso, não conheço do recurso quanto a esta matéria.  Conclusão  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator                            Fl. 63DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.720682/2015-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Eloy Eros da Silva Nogueira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Rosaldo Trevisan – Presidente Fenelon Moscoso de Almeida – Relator Augusto Fiel Jorge d' Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA

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3401­001.133  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de fevereiro de 2017  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ PIS/PASEP ­  COFINS ­ CUMULATIVAS ­ EFPC  Recorrente  FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Eloy Eros  da  Silva  Nogueira,  que  negavam  provimento  ao  recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira.    Rosaldo Trevisan – Presidente    Fenelon Moscoso de Almeida – Relator    Augusto Fiel Jorge d' Oliveira – Redator Designado    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson  José  Bayerl,  Augusto  Fiel  Jorge  D’Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  André  Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Rodolfo  Tsuboi  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 68 2/ 20 15 -7 3 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 888          2 Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a  transcrever:  “Relatório   Trata­se de auto de infração lavrado no intuito de promover a cobrança da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  da  Contribuição  para Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  relativos  ao  período  01/2010  a  12/2011,  além  de  multa  de  ofício  e  juros  de  mora.  Somadas todas essas parcelas, a exigência fiscal totaliza R$ 55.823.611,19.   2. Consigna a Autoridade Fiscal, no Termo de Verificação Fiscal (TVF) às  fls.  172  a  199,  que  a  autuada,  Entidade  Fechada  de  Previdência  Complementar (EFPC), apesar de sujeitar­se à incidência das contribuições  litigiosas  sobre  a  receita  bruta,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  deixara  de  promover  os  recolhimentos  cabíveis.  Disserta  sobre  os  dispositivos  legais  que  respaldariam  sua  convicção  acerca  da  pré­falada  incidência e anexa extratos de consulta ao sistema DCTF, além de resposta  à  intimação  fiscal  por  meio  da  qual  a  contribuinte,  instada  a  esclarecer  como  calcularia  o  quantum  devido,  respondera  que  não  se  consideraria  sujeita àquelas contribuições.   3.  Prossegue  o  autuante  informando  que  a  contribuinte  ajuizou  Ação  Declaratória  tombada sob o nº 2007.51.01.002198­3, na qual  foi prolatado  acórdão  (transitado  em  julgado)  reconhecendo  a  inexistência  de  relação  jurídica  que  a  obrigasse  ao  recolhimento  do  PIS  e  da  Cofins  na  forma  estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.   4. Defende, nessa linha, que teria restado incólume a cobrança do PIS e da  Cofins aqui debatida, que não se fundamentaria no "alargamento" previsto  no §1º, declarado inconstitucional. Disserta sobre o RE nº 346.084 acórdãos  proferidos  pela  DRJ  Rio  de  Janeiro  e  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) no Processo nº 16682.720572/2012­69, no qual se  discute  a  incidência  de  PIS  e  Cofins  da  autuada  nos  meses  09/2007  a  12/2009. Sinteticamente, os arestos demonstrariam que (verbis):   ●  O  Poder  judiciário  não  afastou  a  incidência  das  contribuições  mencionadas,  tornando  improcedente  apenas  a  ampliação  da  base  de cálculo instituída pelo §1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98.   ●  As  bases  de  cálculo  continuam  sujeitas  às  disposições  estabelecidas  pela  Lei  n°  9.718/98  ,  constituindo­se  as  mesmas  apenas  pela  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza,  nos  termos da Lei Complementar nº 70/91 (COFINS) e com base na Lei  nº 9.715/98 (PIS).   ●  A  interessada  presta  serviço  de  gestão  financeira  dos  recursos  depositados pelos participantes, com o objetivo de formação de uma  reserva  que,  após  o  prazo  contratado,  dará  direito  ao  recebimento  Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 889          3 de  prestações  mensais  continuadas  e  vitalícias  estando,  portanto,  sujeita ao pagamento das referidas contribuições.   ●  As  receitas  não  operacionais  não  integram  as  bases  de  cálculo,  tendo em vista que o art. 2° e o caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98  não foram declarados inconstitucionais.   ● Devem ser consideradas as exclusões contidas nos §§ 5° e 6° do  mesmo art. 3°.   ●  O  voto  vencedor,  no  acórdão  prolatado  pelo  CARF,  menciona  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  acerca  do  real  alcance do que seria  faturamento para  fins de composição da base  de  cálculo dos  tributos a  ele  incidentes. Destaca que as  decisões  e  pronunciamentos  de  seus  ministros  têm  deixado  a  entender  que  o  faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das  atividades  empresariais  típicas.  Conclui,  afirmando  que  “aquele  conceito antigo de que faturamento restringe­se a emissão de faturas  estaria ultrapassado”.   5.  Em  síntese,  a  decisão  do  CARF  assentara  o  entendimento  de  que,  em  consonância  com  a  norma  individual  e  concreta  emanada  do  Poder  Judiciário,  as  contribuições  em  debate  só  incidiriam  sobre  receitas  enquadráveis no conceito de faturamento, ou seja, oriundas da prestação de  serviços atrelados ao objeto  social da  impugnante, descritas nos  seguintes  termos:   a)  receitas  relativas  às  parcelas  das  contribuições  previdenciárias  transferidas  para  o  Programa  Administrativo,  contabilizadas  na  conta 3.4.2.3 (Custeio do Programa Administrativo);   b)  Receitas  Administrativas  contabilizadas  na  conta  5.1.1.1.00.00.2.04.0002 (Outras)   c) receitas do Programa de Investimento, registradas no grupo 6.1.8  (Rendimentos/Ganhos não Equiparados a Aplicações Financeiras).   6.  A  inclusão  das  parcelas  descritas  na  base  de  cálculo  das  contribuições, em suma, estaria assentada em dois  fundamentos: a)  estar­se­ia diante de  receitas  atreladas  às atividades peculiares da  autuada,  que  envolvem  a  gestão  dos  planos  e  a  aplicação  dos  recursos e; b) não haveria previsão legal para a sua exclusão.   7.  Destaca  a  Autoridade  Autuante,  em  seguida,  que  a  base  de  cálculo  considerada para o estabelecimento do quantum da exigência aqui debatida  foi  obtida  a  partir  do  raciocínio  trilhado  nas  decisões  proferidas  na  ação  declaratória  ajuizada  pela  autuada  e  no  processo  administrativo  nº  16682.720572/2012­69, que distinguiu as receitas sujeitas e não sujeitas às  contribuições de acordo com o plano de contas da autuada, fixado segundo  a Resolução MPAS/CGPC nº 05, de 2002, vigente àquela época.   7.1.  Nessa  linha,  antes  de  passar  a  expor  as  receitas  que  considerou  incluídas,  o  TVF  discorre  sobre  a  semelhança  entre  o  plano  de  contas  estabelecido  na  Resolução  vigente  à  época  daqueles  fatos  geradores  e  o  Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 890          4 disciplinado pela Resolução MPS/CGPC nº 28, de 2009, vigente no período  alcançado por este processo.   7.2.  Na  vigência  da  legislação  anterior,  o  plano  de  contas  encontrava­se  estruturado  em  quatro  "programas":  a)  Previdencial,  onde  seriam  registrados os  ingressos  relativos às contribuições dos  trabalhadores e das  empresas patrocinadoras; b) Assistencial, próprio para registro dos valores  relativos  a  serviços  assistenciais  (receitas,  utilização  dos  recursos,  provisões,  etc.);  c)  Administrativo:  destinado  a  registro  dos  valores  empregados na administração da entidade, não destinados ao pagamento de  benefícios  futuros;  e  d)  Investimentos,  destinado  à  contabilização  dos  rendimentos auferidos com o investimento das contribuições.   7.3. Já na vigência da legislação que disciplinou os demonstrativos relativos  aos  fatos  geradores  aqui  discutidos,  os  grupos  outrora  segregados  em  "programas",  passaram  a  ser  discriminados  de  acordo  com  a  área  de  "Gestão" e "Fluxo", nos seguintes termos : Gestão Previdencial  (código 3),  Gestão  Administrativa  (código  4);  Fluxo  de  Investimentos  (código  5);  e  Gestão Assistencial (código 6).   7.4.  Partindo  dessa  correlação,  para  definição  da  base  de  cálculo,  foram  consideradas a crédito ou a débito, conforme o caso, as seguintes parcelas,  contabilizadas nos grupos 3 e 51:  Grupos de Contas  Conta Analítica ­ Discriminação  00001003 ­ Taxa de Carregamento  00002003 – Multa  34200000000010001  Contrib. p/ o Custeio  (Débitos)  00003003 ­ Rendim/Custo de Oport.  00001003 ­ O/CP/PIE ­ Atualização Monetária  (Total de Créditos)  00001003 ­ O/CP/PIE – Atualiz. Monet. (Vr.  EXPURGADO_Débitos)  51900000000010001  Participações/O/CP/PIE ­ Projetos de Infraestrutura  (Créditos)  00002003 ­ O/CP/PIE ­ Juros/Prêmio  51900000000020001  O/RI – Recup. de Ativos  de Investim. (Créditos)  00001003 ­ O/RI – Recuperação Ativos Invest. ­  Expurgos Inflacionários  7.5. Segundo consignado no TVF, em observância à Resolução nº 28/2009,  deverão  ser  lançadas  nas  contas  do  grupo  3.4.0.0.00.00.00  os  valores  transferidos  (debitados)  para  o  Plano  de  Gestão  Administrativa,  para  cobertura  das  despesas  administrativas.  Tais  valores  representariam  a  receita  auferida  pela  gestão  do  plano.  Ou  seja,  nas  operações  realizadas  com vistas à persecução de seus objetivos.   7.6. A inclusão das receitas classificadas nos grupos 51900000000010001 e  51900000000020001, descritas, respectivamente, como Participações/O/CP/  PIE  ­  Projetos  de  Infraestrutura  e  O/RI  –  Recup.  de  Ativos  de  Investim.,  sinteticamente,  estaria  embasada  no  raciocínio  trilhado  nos  acórdãos  proferidos pela DRJ e pelo CARF. Reforça sua convicção no sentido de que  os arestos levariam à conclusão de que:  a) não haveria previsão legal para exclusão de tais receitas;   Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 891          5 b)  apesar  de  serem  relativas  à  aplicação  de  recursos,  tais  aplicações  seriam  necessárias  para  a  atividade  desenvolvida  (gestão financeira dos recursos depositados pelos participantes); e   c)  estes  investimentos  integrariam  o  conjunto  dos  negócios  ou  operações desenvolvidas pelo contribuinte no desempenho de suas  atividades econômicas peculiares e deveriam ser tributadas.   7.7.  Note­se  que,  para  apuração  da  base  de  cálculo  relativa  às  receitas  computadas na conta analítica 5190000000001000100001003 ­ O/CP/PIE ­  Atualização Monetária,  foram expurgados os  valores  relativos aos débitos,  evitando­se o cômputo em duplicidade.   8.  Regularmente  cientificada,  comparece  a  autuada  ao  processo,  impugnando a totalidade da exigência.   9. Antes de confrontar diretamente os  fundamentos do Fisco, a impugnante  traça um histórico da Ação Declaratória nº 2007.51.01.002198­3  e da sua  percepção  acerca  dos  efeitos  do  acórdão  transitado  em  julgado.  Defende,  portanto,  que  o  aresto  não  permitira  a  tributação  de  receitas  diversas  da  venda  de  serviços  ou  venda  de  mercadorias  e  que  não  se  sujeitaria  à  incidência das contribuições, pois não realiza nenhuma dessas operações.   10. Em seguida, passa a descrever a exigência  fiscal relativa ao  interstício  09/2007 a 12/2009, alvo do processo administrativo 16682.720572/2012­69  (AUTOS  2012)  e  as  conclusões  assentadas  no  acórdão  3301­002.281,  destacando que o julgado foi alvo de embargos de declaração, pendentes de  análise.   11.  Adiante,  passando  a  descrever  os  fundamentos  da  exigência,  reproduz  trechos  do  auto  de  infração  que  sintetizariam  o  raciocínio  trilhado  pela  autoridade fiscal. Elabora planilha demonstrativa das contas consideradas,  o  valor  das  receitas  lançadas  em  tais  contas,  além  da  base  de  cálculo  apurada.   12.  Tratando  das  razões  de  impugnação  propriamente  ditas,  aduz,  como  prejudicial de mérito, decadência da fração da exigência relativa aos meses  janeiro e fevereiro de 2010, em face do comando contido no § 4º do art. 150  do CTN. Partindo do pressuposto de que as contribuições em discussão se  sujeitariam  a  lançamento  por  homologação  e  que  o  auto  de  infração  somente se aperfeiçoara em 30/03/2015, após o transcurso do prazo de cinco  anos do fato gerador.   13. Noutro giro, expõe suas razões para a não inclusão, na base de cálculo,  dos  valores  consignados  na  subconta  5190000000002000100001003  ­  Recuperação Ativos Invest. ­ Expurgos Inflacionários. Sinteticamente aduz:  a)  o  valor  contabilizado  não  corresponderia  a  uma  receita  definitivamente  auferida,  mas  de  um  adiantamento  decorrente  de  execução  provisória  de  decisão  judicial, garantida em carta de  fiança; b) o  ingresso decorreria de  aplicação  financeira  relativa  a  ativos  garantidores  de  provisões  técnicas,  excluídos da base de cálculo, em razão dos comandos veiculados nos §§ 6º e  7º do art. 3º da Lei nº 9.718, c) parte dos valores apropriados, quando do  trânsito  em  julgado,  seriam  repassados  aos  patronos  da  ação,  a  título  de  honorários  advocatícios;  e  d)  o  rendimento  não  decorre  da  prestação  de  Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 892          6 serviços  ou  da  venda  de  mercadorias  e,  como  tal,  face  à  inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, não poderia ser alvo de tributação  pelo PIS e pela Cofins.   14. Narra, quanto a esse ponto, que ajuizou ação contra a Companhia Vale  do Rio Doce  (Vale) com vistas à cobrança da diferença de  rendimentos de  ativos  financeiros,  em  decorrência  de  operação  realizada  em  1988,  em  conformidade com ato expedido conjuntamente pelo Banco Central do Brasil  e  pela  Secretaria  de  Previdência  Complementar  do  Ministério  da  Previdência e Assistência Social (MPAS).   15.  Segundo  tal  ato,  as  EFPC  estariam  autorizadas  a  aplicar  parte  dos  recursos garantidores de suas reservas em contratos mercantis de compra de  ouro  para  recebimento  futuro,  firmados  por  companhias  mineradoras,  desde que assegurado o  rendimento mínimo de 6% ao ano. Junta cópia do  ato administrativo  e de minuta de  contrato padrão. Descreve as  cláusulas,  em  especial  a  que  trataria  do  direito  a  arrependimento  e  dos  índices  que  reajustariam os valores adiantados.   16. Em face da edição de nova portaria conjunta Bacen/MPAS, que proibira  a  retenção  física  de  ouro  por  EFPC,  exercera  o  seu  direito  de  arrependimento, obtendo a devolução dos valores antecipados, corrigidos e  acrescidos  de  juros,  com  a  intervenção  do  Sistema  Nacional  do  Ouro  (SINO),  vinculado  à  Associação  Nacional  das  Instituições  de  Mercado  Aberto (Andima).   17.  Todavia,  quando  da  correção  dos  valores  devolvidos,  não  teriam  sido  incluídos os índices expurgados nos planos "Verão" e "Collor", o que gerara  o ajuizamento da Ação Ordinária de Cobrança 2007.001.053069­4, por meio  da qual a Vale teria sido condenada ao pagamento de R$ 346.773.910,29. A  sentença ainda não  teria alcançado o  trânsito em  julgado,  razão pela qual  sua  execução  provisória,  mediante  levantamento  de  depósito,  exigira  a  apresentação  de  fiança  correspondente  a  130%  do  valor  levantado.  Junta  cópia de peças do processo e transcreve excerto da decisão que a autorizara  a promover o levantamento.   18.  Defende,  nesse  contexto,  que  o  alegado  equívoco  de  contabilizar  o  ingresso como receita não alteraria a sua natureza, pois a contabilidade não  teria o condão de criar fatos novos. Recorre aos artigos 177 e 187 da Lei nº  6.404, de 1976 que tratam, respectivamente, do regime de competência e da  elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício.   19.  Aduz,  em  complementação,  que  estar­se­ia  diante  de  negócio  subordinado a condição suspensiva, nos termos do art. 125 do Código Civil  e, como tal, só se concretizaria no momento em que a sentença se torna­se  definitiva.  Cita  o  art.  475­O,  II  do  CPC,  que  trata  da  perda  de  efeitos  execução provisória, em razão da reforma da sentença que a respaldou.   20. Defende a similaridade entre os fatos aqui debatidos e a hipótese em que  se discute o reconhecimento de receitas auferidas em aplicações financeiras  sujeitas a variação. Em tais circunstâncias, a tributação só ocorreria quando  do resgate da aplicação. Cita jurisprudência do CARF que respaldaria esse  entendimento.   Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 893          7 21. Prosseguindo, argumenta que, nos termos dos §§ 6º e 7º do art. 3º da Lei  nº 9.718, de 1998 as EFPC têm direito a excluir o valor correspondente aos  rendimentos  auferidos  em  aplicações  financeiras,  desde  que,  concomitantemente,  sejam  destinadas  ao  pagamento  de  benefícios  e  decorram  da  aplicação  de  ativos  garantidores  de  reserva  técnica.  Reitera  que  o  contrato  de  compra  de  ouro  a  termo  foi  firmado  com  espeque  no  Comunicado Conjunto nº 22/88, que autorizava a aplicação de até 15% dos  pré­falados ativos nos moldes em que foi realizada a operação em discussão.  Transcreve a legislação mencionada.   22. Em complementação, defende que o ouro, nos termos do art. 1º da Lei nº  7.766, de 1989, quando destinado à comercialização no mercado financeiro,  por  meio  de  instituição  do  Sistema  Financeiro  Nacional,  poderia  ser  considerado um ativo financeiro, tanto é assim que o art. 13 dessa mesma lei  equipararia os ganhos de capital auferidos em tais operações, para efeito de  tributação  pelo  Imposto  de  Renda,  a  receita  financeira.  Transcreve  os  dispositivos  legais e as cláusulas do contrato padrão que demonstrariam a  interveniência  de  instituição  financeira.  Reitera  que  a  liquidação  ocorreu  por meio do SINO, órgão vinculado à ANDIMA.   23.  Em  outra  linha,  argumenta  que,  quando  do  trânsito  em  julgado  da  sentença  provisoriamente  executada,  10%  dos  valores  levantados  (R$  34.968.835,59)  serão  transferidos  aos  patronos  da  ação,  conforme  consignado na própria sentença.   24.  Finalmente,  defende  que,  em  face  do  conceito  de  faturamento  sedimentado  na  decisão  transitada  em  julgado  na  Ação  Declaratória  nº  2007.51.01.002198­3, que segue o entendimento da  jurisprudência do STF,  só  haveria  respaldo  para  se  tributar  receitas  oriundas  da  prestação  de  serviços ou venda de mercadorias pela própria impugnante, o que obstaria a  tributação de receitas relativas a atividade diversa, ainda que vinculada ao  seu objeto social. Transcreve excerto do voto condutor.   25. Prova disso seria o caráter inovador das modificações promovidas pela  Lei nº 12.973, de 2014, que alterou o art. 12 do Decreto­lei nº 1.598, de 1977  (que  fixa  o  conceito  de  receita  bruta),  além  do  caput  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718, de 1998, alegadamente reconhecido na exposição de motivos da MP  627/2013  (convertida  no  ato  novel),  bem  assim  no  Parecer  da  Comissão  Mista do Congresso Nacional. Transcreve os dispositivos, e trechos, tanto da  exposição de motivos, quanto do parecer.   26. Partindo dessas premissas, após discorrer sobre o plano de contas das  EFPC, a autuada passa a discorrer sobre a sua percepção no sentido de que  não auferiria receitas decorrentes da prestação de serviços.   26.1.  Afirma  que  todos  os  ingressos  aportados  seriam  registrados,  em  um  primeiro momento, nas contas do grupo Gestão Previdencial e, a partir daí,  conforme  o  caso,  transferidos  para  as  contas  do  grupo  Gestão  Administrativa.  No  Fluxo  de  Investimentos  seriam  registrados  os  rendimentos  dos  investimentos  realizados  a  partir  de  contribuições  dos  beneficiários, destinados ao pagamento de benefícios futuros.   26.2.  Os  valores  comumente  classificados  como  receitas  decorrentes  de  serviços prestados corresponderiam à parcela do valor arrecadado com as  Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 894          8 contribuições  que  ser  destinaria  ao  custeio  da Gestão Administrativa  (não  imediatamente incorporados à Gestão Previdencial).   26.3 Todavia, tais ingressos não possuiriam a assinalada natureza de receita  de  prestação  de  serviços,  posto  que  serão  igualmente  empregados  em  benefício dos participantes do plano. Ressalta que, por força da LC 109, de  2001, as EFPC, que não podem ter fins lucrativos, serão organizadas como  sociedades  civis  ou  fundações,  caso  da  autuada.  Disserta  acerca  da  regulamentação  levada  a  efeito  pela  mencionada  Lei  Complementar,  em  especial  a  fixação  do  nível  de  contribuição  necessário  ao  custeio  e  à  formação de reservas garantidoras, além do destino a ser dado ao superávit  e à forma por meio da qual se cobrirão o déficits eventualmente apurados.   26.4. Defende, nessa toada, que o fato dos superávits verterem em favor dos  participantes e dos déficits correrem à sua conta demonstraria que não só os  investimentos  como  as  despesas  relacionadas  aos  planos  de  benefícios  (inclusive as administrativas) seriam incorridas pela EFPC, em nome e por  conta dos participantes,  como reembolso de despesas. Ou seja, como mero  ingressos de valores utilizados em benefício dos participantes. Se o valor das  contribuições  vertido  da  gestão  previdencial  em  favor  da  gestão  administrativa tivesse natureza de receita própria, em razão da prestação de  serviços,  não  poderiam  ser  imputados  ao  planos,  mas  aos  resultados  da  entidade.  Eventuais  déficits  ou  superávits  corresponderiam  a  lucros  ou  prejuízos  apurados  pela  entidade.  Cita  decisões  do  CARF,  da  CSRF  e  do  Conselho  de  Contribuintes  do  Rio  de  Janeiro,  que  ratificariam  a  interpretação no sentido de que as EFPC não teriam faturamento, já que não  venderiam mercadorias ou prestariam serviços. Transcreve excertos.   26.5.  Ademais,  argumenta,  mesmo  que  se  chegasse  à  conclusão  de  que  a  impugnante prestaria serviços, tais serviços seriam prestados gratuitamente,  já que nenhuma parcela das contribuições verteria em favor do patrimônio  da entidade.   26.6. Tratando especificamente da sua percepção acerca da impossibilidade  de  se  tributar  os  ingressos  contabilizados  nas  contas  "Multa"  e  "Rendim/Custo de Oport", defende que tais  ingressos não se confundiriam  com  receita  "peculiar"  da  sua  atividade­fim,  mas,  respectivamente,  de  penalidades  aplicadas  aos  participantes  em  decorrência  de  atraso  no  recolhimento  das  contribuições,  e  de  devolução  de  empréstimo  interprogramas,  nas  hipóteses  em  que  os  recursos  relativos  à  gestão  administrativa  são  utilizados  para  pagamento  de  benefícios  e,  em  seguida,  retornam.   26.7  Defendendo  a  ausência  de  incidência  sobre  valores  consignados  no  grupo Fluxo de Investimentos, argumenta que os valores ali contabilizados  tiveram  origem  em  contribuições  dos  beneficiários  e  que  se  encontram  comprometidos com o pagamento de benefícios. Consigna seu entendimento  no sentido de que os investimentos representam a aplicação do capital (e não  prestação de serviços), cuja cobrança seria afastada pela decisão transitada  em  julgado.  Reitera  que  os  valores,  embora  formalmente  contabilizados  como  receita,  não  integram  a  Gestão  Administrativa  e  só  lhe  pertencem  formalmente,  já  que  se  destinam  ao  pagamento  de  benefícios.  Cita  jurisprudência do CARF e transcreve excertos.   Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 895          9 27.  Contesta,  finalmente,  a  cobrança  de  juros  sobre  multa  de  ofício,  alegando que a legislação de regência (art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991 e 61  da Lei nº 9.430, de 1996) só respaldaria a incidência desse acréscimo sobre  tributos e contribuições. Cita jurisprudência do CARF e transcreve excertos.   28. É o Relatório.” (grifei/sublinhei)  A  DRJ­Recife/PE  julgou,  às  fls.  604/626,  improcedente  a  impugnação,  nos  termos da ementa adiante transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011   INCIDÊNCIA  SOBRE  RECEITAS  AUFERIDAS  POR  ENTIDADES  FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR   A  atividades  de  administração  e  execução  de  planos  de  benefícios  de  natureza  previdenciária,  exercida  por  Entidades  Fechadas  de  Previdência  Complementar  caracterizam­se  como  prestação  de  serviços.  Conseqüentemente,  as  receitas  auferidas  no  exercício  dessas  atividades  sujeitam­se  à  incidência  da  Cofins,  independentemente  do  "alargamento"  veiculado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.   RECEITAS  AUFERIDAS  EM  RAZÃO  DE  EXECUÇÃO  PROVISÓRIA  DE  SENTENÇA. INCIDÊNCIA.   As receitas auferidas em razão da execução provisória de sentença, ou seja,  sob condição resolutória,  integram a base de  cálculo da Cofins. Aplicação  dos artigos 116, II e 117, II do CTN.   HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  INDEDUTIBILIDADE  Na  ausência  de  dispositivo  legal  autorizador,  não  se  admite  a  dedução  do  valor  dos  honorários advocatícios da base de cálculo da Cofins.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011   INCIDÊNCIA  SOBRE  RECEITAS  AUFERIDAS  POR  ENTIDADES  FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR   A  atividades  de  administração  e  execução  de  planos  de  benefícios  de  natureza  previdenciária,  exercida  por  Entidades  Fechadas  de  Previdência  Complementar  caracterizam­se  como  prestação  de  serviços.  Conseqüentemente,  as  receitas  auferidas  no  exercício  dessas  atividades  sujeitam­se à incidência da contribuição para o PIS, independentemente do  "alargamento" veiculado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998  RECEITAS  AUFERIDAS  EM  RAZÃO  DE  EXECUÇÃO  PROVISÓRIA  DE  SENTENÇA. INCIDÊNCIA.   As receitas auferidas em razão da execução provisória de sentença, ou seja,  sob condição resolutória, integram a base de cálculo da contribuição para o  PIS. Aplicação dos artigos 116, II e 117, II do CTN.   HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INDEDUTIBILIDADE   Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 896          10 Na ausência  de dispositivo  legal  autorizador,  não  se admite  a  dedução  do  valor dos honorários advocatícios da base de cálculo da contribuição para o  PIS.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011   DECADÊNCIA.   Na  hipótese  em  que  o  pagamento  deixa  de  ser  efetuado  no  prazo  legal,  a  possibilidade de promover o correspondente lançamento de ofício extingue­ se após decorridos cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em  que  tal  lançamento  poderia  ser  efetuado.  Aplicação  da  orientação  jurisprudencial assentada no REsp 973.733­SC, submetido ao art. 543­C do  CPC.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011   MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE NÃO­INCIDÊNCIA DE JUROS DE  MORA. NÃO­CONHECIMENTO.   Não  se  toma  conhecimento,  por  falta  de  objeto,  da  alegação  de  não­ incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  exigida,  pois,  até  a  decisão  administrativa  de  primeira  instância,  não  está  configurada  a  efetividade desta incidência.   Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Após  ciência  ao  acórdão  de  primeira  instância  (TERMO  à  fl.  635),  em  01/10/2015,  irresignada,  a  contribuinte  apresentou  o  recurso  voluntário  de  fls.  638/703,  em  20/10/2015,  reproduzindo  os  argumentos  da  manifestação  de  inconformidade  anteriormente  interposta,  em apertada síntese, alegando:  (a)  a decadência do direito de a Fazenda Nacional  lançar as contribuições ao PIS e a COFINS relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2010;  (b) a  impossibilidade de se exigir da recorrente PIS e COFINS sobre receitas que não sejam  decorrentes da prestação de  serviços e venda de mercadorias,  ainda que  relacionadas às  suas  atividades­fim; (c) o cancelamento dos autos em razão de a recorrente não auferir receitas de  prestação de  serviços  como Base de Cálculo  ­ Rubricas Contábeis;  (d)  o descabimento da  exigência  de  PIS  e  COFINS  sobre  os  valores  registrados  na  subconta  5190000000002000100001003 ­ O/RI – Recuperação Ativos Invest. ­ Expurgos Inflacionários;  e (e) o descabimento de juros sobre as multas de ofício.  Em  cumprimento  ao  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, encaminhou­se  os autos à PGFN para análise, via Despacho de Encaminhamento, de 23/11/2015 (fl. 794).  Nos  termos  do  §  2º,  do  art.  48,  do  RICARF,  a  Fazenda Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  voluntário  (fls.  795/839),  via  Despacho  de  Encaminhamento,  de  11/12/2015 (fl. 840).  É o relatório.  Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 897          11 Voto Vencido  Conselheiro Relator  O  recurso  apresentado  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade  e,  portanto, dele se toma conhecimento.  Como  visto  do  relatório,  trata­se  de  Autos  de  Infração,  lavrados  para  a  constituição de  créditos  tributários das  contribuições para o PIS e COFINS cumulativas,  por  insuficiências  de  recolhimentos,  no  período  de  janeiro  de  2010  a  dezembro  de  2011,  de  contribuinte  Entidade  Fechada  de  Previdência  Complementar  ­  EFPC  (LC  nº  109/01),  cujo  tratamento tributário equipara­se ao das instituições financeiras, pelo §1º, do art. 22, da Lei nº  8.212/91,  com  fundamento  nos  art.  1º,  da  LC  nº  70/91;  arts.  2º  e  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  e  alterações; art. 3º, do Decreto nº 4.524/02; e art. 18, da Lei nº 10.684/03; arts. 2º e 9º, da Lei nº  9.715/98; e art. 79, da Lei nº 11.941/09; nos termos da decisão transitada em julgado na ação nº  2007.51.01.002198­3/RJ e do PAF nº 16682.720572/2012­69 (Acórdão nº 3301­002.281).  Tendo  em  vista  a  decisão  do  Colegiado,  na  sessão  de  20/02/2017,  em  converter  o  julgamento  em  diligência  e  as  disposições  no  §5º,  do  art.  63,  do  RICARF  1  (Portaria MF nº 343, de 09/06/15), segue, apenas, a parcela vencida e pertinente do voto.  O descabimento da exigência de PIS e COFINS sobre os valores registrados na subconta  5190000000002000100001003  ­  O/RI  –  Recuperação  Ativos  Invest.  ­  Expurgos  Inflacionários  Alega a contribuinte descabimento da exigência de PIS e COFINS sobre os  valores  registrados em: 5.0.0.0.00.00.00 FLUXO DOS INVESTIMENTOS ­ 5.1.0.0.00.00.00  RENDAS/VARIAÇÕES  POSITIVAS  ­  5.1.9.0.00.00.00  OUTROS  INVESTIMENTOS  ­  5190000000002000100001003­O/RI – Recuperação Ativos Invest. ­ Expurgos Inflacionários  Nesse  ponto,  sobre  a  inclusão  das  receitas  classificadas  no  grupo  51900000000010001 O/RI – Recup. de Ativos de Investim., assim pronunciou­se a DRJ:  "59.  Não  consigo  desvincular  as  receitas  em  análise  dos  serviços  prestados  pela  autuada  (gestão  de  recursos)  e,  como  tal,  excluí­las  da  base  de  cálculo  das  contribuições. Nessa linha, como já tratado anteriormente, resta inquestionável que  tais ingressos se inserem no conceito de receita bruta. Destaque­se, ainda, que não  foi apresentado qualquer elemento que demonstrasse que os recursos teriam sido  creditados  às  contas  de  gestão  previdencial,  onde  são  registradas  os  valores  empregados no pagamento de aposentadoria.   60. Por outro lado, especificamente no que se refere às receitas auferidas em ação  judicial,  estou  convicto  de que,  diferentemente  do  que  apregoa o  contribuinte,  os  recursos oriundos de execução provisória de sentença não se encontram sujeitos a  condição suspensiva, mas a condição resolutória (ou resolutiva), conforme conceito  gizado no art. 127 do Código Civil aprovado pela Lei nº 10.406, de 2002: (...)  64.  Igualmente  desprovida  de  comprovação  é  a  alegação  de  que  as  receitas  em  questão corresponderiam a rendimentos auferidos por aplicações garantidoras de                                                              1 RICARF/15, art. 63, § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira)  instância, as questões  preliminares,  prejudiciais  ou  mesmo  de  mérito  já  examinadas  serão  reapreciadas  quando  do  julgamento  do  recurso, por ocasião do novo julgamento.  Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 898          12 provisões técnicas e, como tal, fariam jus à dedução contida nos §§ 6º, III e 7º do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  reproduzidos  pelo  art.  28,  caput,  II  e  §1º,  I  do  Decreto nº 4.524, de 2002 (original não destacado):  65. Com efeito, não  foi colacionado aos autos qualquer elemento documental que  demonstrasse  a  vinculação  das  receitas  em  discussão  à  garantia  de  qualquer  provisão técnica e, conseqüentemente, que o valor da dedução seria compatível com  tais  provisões.  Aliás,  a  impugnante  não  demonstrou  sequer  a  constituição  de  provisão  técnica  ou  o  emprego  das  receitas  financeiras  no  pagamento  de  benefícios.   66.  Destaque­se  ademais,  que  só  serão  consideradas  provisões  técnicas  aquelas  formadas de acordo com as diretrizes fixadas pela legislação de regência (inclusive  no  que  diz  respeito  ao  percentual)  e  que  se destinem a garantir  o  pagamento de  benefícios. Confira­se o que foi estabelecido na Lei Complementar nº 109, de 2001,  onde se lê (original não destacado): (...)  69.  Outro  aspecto  da  impugnação  que,  a  meu  ver,  não  merece  acolhimento  é  a  pretensão  de  deduzir  o  valor  dos  honorários  que,  futuramente,  deverão  ser  transferidos a terceiros. (...)  69.2.  Nessa  linha,  permitir  a  exclusão  dos  valores  da  receita  contabilizada  representaria uma dedução da base de cálculo e, como tal, exigiria fundamentação  legal. Ausente tal fundamento, não há como acatar o pedido." (grifei/sublinhei)  Reitera a recorrente em seu recurso voluntário, não ser passível de tributação  o  valor  de  R$  384.658.095,44  (67%  da  base  de  cálculo  levantada  de  ofício)  registrado  "de  forma equivocada" (fl. 657), em agosto de 2011, na subconta 5190000000002000100001003 ­  O/RI – Recuperação Ativos Invest. ­ Expurgos Inflacionários, já que:     Inicialmente,  quanto  a  questão  do  reconhecimento  contábil  de  receita,  proveniente  de  execução  provisória  de  sentença,  entendendo  no  mesmo  sentido  da  decisão  recorrida, não se encontrar sujeita a condição suspensiva, não  tendo sido um equívoco e sim  uma  opção,  adequando­se  perfeitamente  aos  princípios  contábeis  geralmente  aceitos  2,  em  especial, oportunidade, competência e prudência.  Ainda,  afirmando  ser  a  receita  em  discussão  decorrente  de  aplicação  financeira,  insiste a  recorrente por sua exclusão da base de cálculo das contribuições sociais,  por  expressa  previsão  legal  dos  §§6º  e  7º,  do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  aduzindo  em  seu  recurso voluntário:                                                              2 Resolução CFC nº 750/93, alterada p/ Resolução CFC nº 1.282/10, dispõe sobre os Princípios de Contabilidade.  Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 899          13    Acontece  que  a  lógica  da  constituição  do  crédito  tributário  nos  autos  em  análise,  parte  do  princípio  de  tributar  toda  a  receita  necessária  à  gestão  administrativa  e  financeira  do  pano,  não  tributando,  apenas,  os  recursos  creditados  às  contas  de  gestão  previdencial e empregados no pagamento de benefícios ou constituição de reservas técnicas de  mesma natureza  As páginas do impresso em 06/10/2015, ainda que possam apontar saldos de  lançamentos  de  08/2011  para  o  plano  de  gestão  previdencial,  não  prova  seu  emprego  no  pagamento  de  benefícios  (fl.  705),  assim  como,  a  simples  indicação  de  saldos  em  contas  de  provisões  técnicas  (fl.  724),  não  prova  que  foram  constituídas  com  tais  recursos,  não  sendo  provas suficientes e apresentadas no momento próprio, determinado pelo art. 16, do Decreto nº  70.235/72 ­ PAF, em seu §3º, nem demonstradas as exceções do § 4º.  Portanto,  imputado que  tais  recursos não  foram utilizados no pagamento de  benefícios, não sendo apresentado elemento hábil à demonstrar terem sido creditados às contas  de gestão previdencial e o emprego dessas receitas, ainda que financeiras, no pagamento desses  benefícios  ou  constituição  de  reservas  técnicas  de  mesma  natureza,  resta  por  concluir,  da  mesma forma que a decisão recorrida, tributáveis pelas contribuições sociais tais valores.  Além  disso,  considerando­se  que  as  receitas  em  discussão,  auferidas  pela  recorrente  no  exercício  das  atividades  empresariais  e  em  razão  da  realização  de  seu  objeto  social,  constituem­se  em  receitas  operacionais,  se  enquadrando  no  conceito  de  faturamento  para fins de cálculo do PIS e da COFINS, e não havendo previsão legal para a sua exclusão,  integral ou parcial (10% dos honorários advocatícios), entendo, nesse ponto, deva ser mantida a  decisão administrativa de primeira instância, por esses e por seus outros próprios fundamentos  supracitados, aduzidos às razões de decidir desse recurso.    Fenelon Moscoso de Almeida ­ Relator  Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 900          14 Voto Vencedor  Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira  Nas  linhas  abaixo,  exponho  os  motivos  para  divergir  do  Voto  do  ilustre  Conselheiro  Relator  Fenelon  de  Almeida  Moscoso,  para  apresentar,  ao  final,  proposta  de  conversão  do  julgamento  do  Recurso  Voluntário  interposto  em  diligência,  para  a  adequada  formação de convicção para julgamento de parte do lançamento, qual seja, a que diz respeito  aos  valores  registrados  na  subconta  5190000000002000100001003  ­  O/RI  –  Recuperação  Ativos Invest. ­ Expurgos Inflacionários.  Pela  leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 172 e seguintes, é possível  verificar  que  a  Fiscalização  adota  uma  linha  de  raciocínio  bem  clara  para  a  realização  do  lançamento.   A  Fiscalização  parte  de  um  trabalho  anteriormente  realizado  na  própria  Recorrente,  referente  aos  períodos  de  apuração  de  09/2007  a  12/2009,  e  que  deu  origem  ao  Processo Administrativo nº 16682.720572/2012­69, que já havia sido apreciado, à época desse  segundo  trabalho  de  fiscalização,  nas  duas  esferas  de  julgamento  administrativa,  pela  16ª  Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I ­ DRJ/RJ1  e pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção deste Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais (“CARF”).  Assim,  partindo  (i)  das  conclusões  a  que  chegou  a  DRJ  e  o  CARF  naquele  processo, que, inclusive, tomaram em conta o provimento judicial obtido pela Recorrente e que  também é aqui apresentado por ela como matéria de defesa, (ii) da parte do lançamento que foi  mantida e (iii) da parte do lançamento que foi afastada por tais decisões, a Fiscalização expõe o  critério por ela adotado: “44. Atendendo ao princípio da economia processual, a indicação de  tais receitas foi feita em consonância com o provimento judicial obtido e com o teor dos dois  acórdãos proferidos nas instâncias administrativas (DRJ e CARF). Dessa forma, constituem as  BC da COFINS e do PIS/PASEP para o presente lançamento, apenas as receitas vinculadas à  atividade­fim do contribuinte que se  enquadram no conceito de  faturamento  e não  incluídas  dentre as hipóteses legais de exclusão ou dedução”. (fls. 189 dos autos)  Com isso, considerando  tal critério e ainda o Plano de Contas observado pelas  entidades fechadas de previdência complementar (“EFPC”) para o período de apuração sobre o  qual  tratou  a  ação  fiscal,  anos  de  2010  e  2011,  determinado pela Resolução MPS/CGPC Nº  28/2009, a Fiscalização, dentre outras rubricas contábeis, realizou o lançamento sobre valores  registrados na conta “51900000000020001 (O/RI ­ Recuperação de Ativos de Investimentos)”,  que tem número de conta analítica e discriminação a seguir: “00001003 ­ O/RI – Recup. Ativos  de Invest. – Expurgos”.   A motivação exposta pela Fiscalização é  justamente o que havia sido decidido  no  processo  administrativo  anterior,  pois,  como  se  verifica  às  fls.  190,  o  lançamento  dos  valores registrado em tal conta tinha como fundamento:  “Conforme acórdãos:  a) Não há previsão legal para exclusão de tais receitas;  Fl. 901DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 901          15 b)  Apesar  de  serem  relativas  à  aplicação  de  recursos,  tais  aplicações  são  necessárias para a atividade desenvolvida, que é a gestão financeira dos recursos  depositados pelos participantes.  c) Estes investimentos integram, portanto, o conjunto dos negócios ou operações  desenvolvidas pelo contribuinte no desempenho de suas atividades econômicas  peculiares e devem ser tributadas tais receitas”. (grifos nossos)  Na  decisão  recorrida,  o  lançamento  das  contribuições  sobre  os  valores  registrados  nessa  conta  foi  mantido,  por  questão  de  direito,  sob  o  entendimento  de  que  as  receitas  em questão  não  poderiam  se  desvincular dos  serviços  prestados  pela Recorrente,  de  gestão  de  recursos,  e,  dessa  maneira,  não  poderiam  ser  excluídas  da  base  de  cálculo  das  contribuições, sendo tais  ingressos vistos pela decisão recorrida dentro do conceito de receita  bruta, mas  também por  questões de  fato. Segundo a decisão  recorrida,  ainda que  superada  a  questão  de  direito  decidida  e  diante  dos  argumentos  trazidos  pela  Recorrente  em  sua  impugnação para defender a não sujeição de  tais valores  à  tributação pelas contribuições,  (i)  "não  foi  apresentado  qualquer  elemento  que  demonstrasse  que  os  recursos  teriam  sido  creditados às contas de gestão previdencial, onde são registradas os valores empregados no  pagamento  de  aposentadoria"  (fls.  622  dos  autos);  (ii)  "igualmente  desprovida  de  comprovação  é  a  alegação  de  que  as  receitas  em  questão  corresponderiam  a  rendimentos  auferidos por aplicações garantidoras de provisões técnicas" (fls. 623 dos autos); e (iii) "não  foi colacionado aos autos qualquer elemento documental que demonstrasse a vinculação das  receitas  em  discussão  à  garantia  de  qualquer  provisão  técnica  e,  consequentemente,  que  o  valor da dedução  seria  compatível  com  tais provisões. Aliás,  a  impugnante não demonstrou  sequer a constituição de provisão técnica ou o emprego das receitas financeiras no pagamento  de benefícios" (fls. 623 dos autos).  Por  sua  vez,  em  seu  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  apresenta  cópia  de  documentos  contábeis  que  comprovariam  a  existência  de  provisões  técnicas,  quais  sejam,  página do Livro Diário da Recorrente com o registro contábil dos valores  recebidos na Ação  Judicial, com a indicação de sua destinação para plano de benefício e empresa patrocinadora de  numeração  1/130,  e  balancete  mensal  analítico  de  agosto  de  2011,  relativo  ao  "Plano  de  Benefício Definido do Sistema Petrobras"  (1/ 130), em que seria possível verificar o  registro  contábil dos valores recebidos na Ação Judicial e o saldo de provisões técnicas naquele mês.  Esses documentos estão acostados às fls. 704 em diante.   Sobre essas questões, ao iniciar o julgamento do Recurso Voluntário interposto  pela Recorrente, o i. Conselheiro Relator expõe que: "as páginas do impresso em 06/10/2015,  ainda  que  possam  apontar  saldos  de  lançamentos  de  08/2011  para  o  plano  de  gestão  previdencial,  não  prova  seu  emprego  no  pagamento  de  benefícios  (fl.  705),  assim  como,  a  simples  indicação de  saldos  em contas de provisões  técnicas  (fl.  724),  não prova que  foram  constituídas  com  tais  recursos,  não  sendo  provas  suficientes  e  apresentadas  no  momento  próprio,  determinado  pelo  art.  16,  do  Decreto  nº  70.235/72  ­  PAF,  em  seu  §3º,  nem  demonstradas as exceções do § 4º". Assim, conclui pela tributação de tais receitas.  A  maioria  do  Colegiado,  entretanto,  entendeu  que  o  julgamento  não  poderia  prosseguir, devendo ser convertido em diligência, para melhor compreensão e entendimento da  natureza dos valores  registrados pela Recorrente na conta contábil  em discussão, antes de  se  decidir pela possibilidade de sua sujeição à tributação pelas contribuições.  Fl. 902DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 902          16 Nesse  sentido,  impende  observar  que,  de  acordo  com  a  Lei  nº  9.701/1998,  as  entidades  de  previdência  fechadas  poderão  excluir  ou  deduzir  da  base  de  cálculo  das  contribuições,  "a  parcela  das  contribuições  [dos  beneficiários]  destinada  à  constituição  de  provisões  ou  reservas  técnicas"  (artigo  1º,  inciso  V).  Além  disso,  nos  termos  da  Lei  nº  9718/1998, podem ser excluídos da base de cálculo "os rendimentos auferidos nas aplicações  financeiras  destinadas  ao  pagamento  de  benefícios  de  aposentadoria,  pensão,  pecúlio  e  de  resgates"  (artigo  3º,  §6,  inciso  III),  estando  tais  exclusões  restritas  "aos  rendimentos  de  aplicações  financeiras  proporcionados  pelos  ativos  garantidores  das  provisões  técnicas,  limitados esses ativos ao montante das referidas provisões" (artigo 3º, §7º).  Por  sua  vez,  a  Instrução  Normativa  nº  247/2002,  além  de  regulamentar  o  disposto  nas  leis,  consolidando  e  pormenorizando  as  exclusões  e  deduções,  trouxe,  como  Anexo III, uma planilha para apuração das contribuições das entidades fechadas de previdência  complementar, conforme determinado pelos artigos 96 e 97, in verbis:   “Art. 96. As empresas de seguros privados, as empresas de capitalização e as entidades  abertas  e  fechadas  de  previdência  complementar  deverão  apurar  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins de acordo com as planilhas de cálculo constantes dos Anexos II e III, conforme  o caso.  Art. 97. As planilhas de que tratam os arts. 95 e 96 devem ser preenchidas mensalmente  e mantidas no estabelecimento matriz da instituição, à disposição da SRF”.   Nessa planilha de apuração, estão identificadas 3 (três) categorias para o cálculo  das contribuições devidas, a de “receita” (“A”), a de “exclusões” (“B”) e a “deduções” (“C”),  sendo  apresentada  a  fórmula  A  menos  B  menos  C  para  encontro  da  base  de  cálculo  das  contribuições. Seguindo a planilha,  para o  cálculo de “receita”,  dentre os valores  registrados  nas  contas  contábeis  ali  identificadas,  está  a  conta  6.1,  identificada  como  “Rendas  de  Investimento (bruta)”.   Ocorre  que  essa  conta  contábil  também  está  prevista  na  categoria  de  “exclusões”. Nessa categoria, dentre outros, devem ser somados os valores registrados na conta  6.1,  diminuídos  dos  valores  registrados  nas  contas  6.1.8  (“Rendimentos/ganhos  não  equiparados  a  aplicações  financeiras”),  6.4.2.2  (“Remuneração  dos  Investimentos  Assistenciais”) e 6.4.2.3 (“Remuneração dos Investimentos Administrativos e Custeio”).  Adotando a planilha de apuração prevista na regulamentação da Receita Federal,  percebe­se  que  os  valores  registrados  na  conta  contábil  6.1  entram  como  receita,  porém,  também  entram  como  exclusão,  o  que  importa  na  anulação  de  um  por  outro  e  ausência  de  tributação  pelas  contribuições,  salvo  se  tais  valores  tiverem  a  natureza  específica  de  “Rendimentos/ganhos  não  equiparados  a  aplicações  financeiras”,  “Remuneração  dos  Investimentos Assistenciais” ou “Remuneração dos Investimentos Administrativos e Custeio”.  Impende  destacar  que,  na  época  da  edição  dessa  regulamentação,  o  plano  de  contas  das  entidades  fechadas  de  previdência  complementar  observava  os  registros  e  procedimentos contábeis previstos na Resolução MPAS/CGPC nº 05/2002, que estruturava no  grupo  de  contas  do  “Programa  de  Investimentos”  e  no  grupos  de  contas  6.1  as  “Rendas/Variações Líquidas”, substituídos na Resolução CGPC nº 9/2009, vigente na data dos  fatos geradores, pelos grupos de contas 5, “Fluxo dos Investimentos”, e 5.1, “Rendas/Variações  Positivas”. E, como já relatado, a Recorrente registrou os valores recebidos e que estão sendo  discutidos no lançamento justamente na conta 5.1.9, “Outros Investimentos”.  Fl. 903DF CARF MF Processo nº 16682.720682/2015­73  Resolução nº  3401­001.133  S3­C4T1  Fl. 903          17 Assim, diante do exposto, proponho a conversão do  julgamento em diligência,  para que a DEMAC/RJO intime a Recorrente à: (i) informar a origem e aplicação dos recursos,  do  ativo  objeto  da  Ação  Judicial,  se  foram  originários  de  provisões  ou  reservas  técnicas,  utilizados  para  pagamento  de  benefícios  ou  reaplicados  em  ativos  garantidores  de  provisões  técnicas,  ou  se  tiveram  outra  origem  e  destinação,  com  a  apresentação  de  informações  e  documentação  pertinente  de  suporte,  em  especial,  rastreamento  do  fluxo  contábil  de  toda  a  operação;  e  (ii)  apresentar os  esclarecimentos  adicionais que  entenda necessários,  relativos  à  natureza  dos  valores  registrados  na  conta  contábil  e  objeto  da  diligência  fiscal  demandada.  Após,  (iii)  a  unidade  administrativa  de  origem  deverá  verificar  a  existência  de  lançamentos  contábeis  adicionais,  correlatos  ao  lançamento  dos  valores  em  discussão  na  conta  5190000000002000100001003 ­ O/RI – Recuperação Ativos Invest. ­ Expurgos Inflacionários,  em  especial,  nas  contas  equivalentes,  à  época  dos  fatos  geradores,  às  contas  6.1.8,  6.4.2.2  e  6.4.2.3  acima  mencionadas,  com  informações  e  documentação  de  suporte  do  lançamento  contábil, examinando a escrita contábil e documentação  fiscal da Recorrente e  intimando­a à  apresentar informações e documentação adicionais, assim como realizar as demais medidas que  entender necessárias.   Ao  final,  a  unidade  administrativa  de  origem  deverá  elaborar  relatório  fiscal  conclusivo sobre os documentos juntados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário (fls. 704  em diante), novos documentos porventura juntados aos autos e a diligência realizada.  Em  seguida,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  para,  querendo,  apresentar  manifestação no prazo de 30 (trinta) dias e, após, deverá ser intimada a Fazenda Nacional, para  apresentação  de  manifestação  no  mesmo  prazo,  antes  do  retorno  dos  autos  ao  CARF,  para  julgamento.     Augusto Fiel Jorge d' Oliveira ­ Redator Designado  Fl. 904DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.723363/2015-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. Na constância da sociedade conjugal, os rendimentos produzidos pelos bens comuns, devem ser tributados na proporção de 50% para cada um, ou, opcionalmente, em sua totalidade por um dos cônjuges. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO

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2202­003.749  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de março de 2017  Matéria  IRPF ­ omissão de rendimentos de aluguel  Recorrente  ANTONIO CARLOS REINHOLZ   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2012  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS.  Na constância da sociedade conjugal, os rendimentos produzidos pelos bens  comuns,  devem  ser  tributados  na  proporção  de  50%  para  cada  um,  ou,  opcionalmente, em sua totalidade por um dos cônjuges.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Rosemary Figueiroa Augusto ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 33 63 /2 01 5- 92 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.723363/2015­92  Acórdão n.º 2202­003.749  S2­C2T2  Fl. 116          2 Rosemary  Figueiroa Augusto, Martin  da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique  Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).    Relatório  Trata­se  de  notificação  de  lançamento  de  IRPF  (fls.  05/09),  relativa  ao  exercício  2012,  ano­calendário  2011,  por  omissão  de  rendimentos  de  aluguel  recebidos  da  fonte pagadora Click Automotiva Industrial Ltda., CNPJ 62.479.365/0001­06, no valor de R$  33.165,61  (compensando  o  imposto  retido  na  fonte  de  R$  2.279,05),  apurado  em  DIRF  da  pessoa jurídica.  Na  impugnação  (fls.  03),  o  contribuinte  alegou  que  o  valor  considerado  omitido se  refere a  receita de aluguel produzida por bem comum e oferecida à  tributação na  declaração  do  cônjuge,  Sra.  Eunice  Casselhas  Reinholz,  CPF  267.075.188­10.  Trouxe  os  documentos de fls. 10/34.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  no Rio  de  Janeiro (RJ), às fls. 56/58, negou provimento à impugnação sob o fundamento de que não foi  juntado  aos  autos  a  escritura  do  imóvel  a  fim  de  demonstrar  que  a  esposa  também  era  proprietária do  imóvel  locado e que o contrato de  locação sequer foi assinado (fls. 15/20). A  DRJ ainda observou que o contribuinte possuiu cotas de capital da Click Automotiva Industrial  Ltda.,  CNPJ  62.479.365/0001­06,  da  qual  recebe  os  rendimentos  de  aluguel  e  de  trabalho  assalariado sem vínculo empregatício.  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  65/70,  acompanhado dos documentos de fls. 71/111, reafirmando que não houve omissão, posto que  os  rendimentos  foram oferecidos  à  tributação  em nome de  sua  esposa,  com a qual  é  casado  antes do advento da Lei nº 6.515/77, em regime de comunhão universal de bens, não havendo  opção  por  outro  regime;  e  que,  assim,  o  imóvel  em  questão  é  de  propriedade  dos  dois,  nos  termos do  art.  1.667 do Código Civil. Diz que,  nesse  caso,  é  legítima a  forma de  tributação  adotada,  com  respaldo  no  art.  6º,  parágrafo  único,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR), de 2009, e art. 4º,  II, parágrafo único da Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 2014.  Argumenta  que  a  falta  de  assinatura  no  contrato  poderia  implicar  na  intimação  para  que  se  trouxesse a via assinada mas não ser motivo determinante da negativa. E, para que não restem  dúvidas, ressalta que apresenta a via do contrato de locação com todas as assinaturas. Assim,  pede que seja cancelado o lançamento.  É o relatório.  Voto             Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.723363/2015­92  Acórdão n.º 2202­003.749  S2­C2T2  Fl. 117          3 O  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR),  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março de 1999, trata a questão dos rendimentos auferidos na constância da sociedade conjugal  da seguinte forma:  Art.6º Na constância da  sociedade conjugal,  cada cônjuge  terá  seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art.  226, §5º):  I­ cem por cento dos que lhes forem próprios;  II­ cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns.  Parágrafo  único.  Opcionalmente,  os  rendimentos  produzidos  pelos  bens  comuns  poderão  ser  tributados,  em  sua  totalidade,  em nome de um dos cônjuges.  Declaração em Separado   Art.7º  Cada  cônjuge  deverá  incluir,  em  sua  declaração,  a  totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos  produzidos pelos bens comuns.  §1º  O  imposto  pago  ou  retido  na  fonte  sobre  os  rendimentos  produzidos  pelos  bens  comuns  deverá  ser  compensado  na  declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um  dos  cônjuges,  independentemente de  qual  deles  tenha  sofrido  a  retenção ou efetuado o recolhimento.  §2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o  imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração,  em  sua  totalidade,  pelo  cônjuge  que  declarar  os  rendimentos,  independentemente  de  qual  deles  tenha  sofrido  a  retenção  ou  efetuado o recolhimento.  §3º Os  bens  comuns  deverão  ser  relacionados  somente  por  um  dos cônjuges,  se ambos estiverem obrigados à apresentação da  declaração,  ou,  obrigatoriamente,  pelo  cônjuge  que  estiver  apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado  de apresentá­la.  (.....)  Art.10. O disposto nos arts. 6º a 8º aplica­se, no que couber, à  união estável, reconhecida como entidade familiar (CF, art. 226,  §3º, e Lei nº 9.278, de 10 de maio de 1996, arts. 1º e 5º). (Grifou­ se)  Como  se  vê,  no  caso  em  que  os  cônjuges  apresentam  declaração  em  separado, os rendimentos produzidos pelos bens comuns, devem ser tributados na proporção de  50% para cada um, ou, opcionalmente, em sua totalidade por um dos cônjuges.  No  caso  em  análise,  a  discussão  se  limita  em  definir  se  o montante  de R$  33.165,61, pagos  ao  contribuinte pela Click Automotiva  Industrial Ltda.,  a  título de aluguel,  refere­se a imóvel de propriedade comum do casal, o que permitiria oferecer esses rendimentos  à tributação da forma prevista no RIR.  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.723363/2015­92  Acórdão n.º 2202­003.749  S2­C2T2  Fl. 118          4 A  certidão  de  casamento  de  fls.  11  e  77  demonstra  que  o  contribuinte  é  casado com a Sra. Eunice Casselhas Reinholz desde 1971, em  regime de comunhão de bens  (sem  registro  de pactos),  correspondente  à  comunhão universal  de bens,  posto  que  realizado  antes da alteração trazida pelo art. 50, item 7, da Lei nº 6.515/77, ao art. 258, do antigo Código  Civil  (Lei nº 3.071/16.),  que modificou o  regime dos  casamentos para  comunhão parcial,  na  ausência de convenção ao contrário.  A  certidão  emitida  em 02/10/2015,  pelo Cartório  de Registro  de  Imóveis  e  Anexo de Valinhos, e trazida pelo interessado no recurso, às fls. 102/111, referente ao imóvel  de matrícula  1.639,  ao  qual  foi  dado  o  endereço  de Rua Laerte  de  Paiva,  nº  264  (fls.  104),  atesta que o contribuinte e sua esposa estão entre os seus proprietários desde 19/12/1996 (fls.  103 e 107).  O  instrumento  particular  de  locação  de  imóvel  comercial,  datado  de  31/12/2002 e trazido no recurso às fls. 96/101, aponta como locatária a empresa Tampas Click  para  Veículos  Indústria  e  Comércio  Ltda.  (atual  Click  Automotiva  Industrial  Ltda.),  CNPJ  62.479.365/0001­06, e como locadores diversas pessoas físicas, incluindo o contribuinte, e se  refere ao imóvel da Rua Laerte de Paiva, nº 264, Valinhos/SP.  Não  se  desconhece  que  o  Decreto  70.235/72,  que  regulamenta  o  processo  administrativo  fiscal,  limita  a  apresentação  posterior  de  provas,  restringindo­a  aos  casos  previstos no § 4º do seu art. 16. Porém, a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando  no  sentido  de  que  essa  regra  geral  não  impede  que  o  julgador  conheça  e  analise  novos  documentos  ofertados  após  a  defesa  inaugural,  em  observância  aos  princípios  da  verdade  material  e  da  instrumentalidade  dos  atos  administrativos,  sobretudo  quando  são  capazes  de  rechaçar  em  parte  ou  integralmente  a  pretensão  fiscal,  bem  como  se  prestam  a  corroborar  alegações  suscitadas  desde  o  início  do  processo.  Nesse  sentido  os  seguintes  acórdãos  da  2ª  Turma da Câmara Superior  de Recursos Fiscais:  9202­002.587,  9202­01.633,  9202­02.162  e  9202­01.914.  Assim,  restando  comprovado  que  o  imóvel,  objeto  de  contrato  de  aluguel  com a pessoa jurídica, é de propriedade comum do casal; e diante do fato de que a esposa do  contribuinte  informou  esses  rendimentos  em  sua  Declaração  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física  (DIRPF),  relativa  ao  ano­calendário  2011  (fls.  23  e  91),  constata­se  que  não  houve omissão dos rendimentos de aluguel em questão.  Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário.    (Assinado digitalmente)  Rosemary Figueiroa Augusto ­ Relatora                          Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10830.723363/2015­92  Acórdão n.º 2202­003.749  S2­C2T2  Fl. 119          5     Fl. 119DF CARF MF

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Numero do processo: 13896.904515/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente  A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1262.164 em 18/06/2014 (Termo a fls. 188), interpôs, em 18/07/2014 (vide Termo a fls. 280), recurso voluntário (doc. a fls. 190 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 25/11/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 47.066,43.  2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de credito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 90/153), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando o serviço prestado. 4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 154), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1-A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 99). 5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos: Tributo Aliquota Valor da Retencao COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 155/159), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora do valor exato da retenção. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 174). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 185). (...) II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) II.1.2 – Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS"; (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial; (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil; (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF; e (V) cópia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de novembro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório. 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado. 27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552 (...) 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: (...) 43.Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade. 44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fl.171), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária do exato valor da retenção indevida realizada. 45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF. 47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura. 50. Tanto é assim que na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.128). 51. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 52. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) 53. Nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis. (...) 55. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 56.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". 57.Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa Hewlett-Packard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado. (...) 59. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. (...) 61. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais. 62. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 63.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 64. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. 65. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira-se: (...) 67. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 68. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 69. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 77. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntario. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente  A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1262.164 em 18/06/2014 (Termo a fls. 188), interpôs, em 18/07/2014 (vide Termo a fls. 280), recurso voluntário (doc. a fls. 190 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 25/11/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 47.066,43.  2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de credito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 90/153), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando o serviço prestado. 4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 154), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1-A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 99). 5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos: Tributo Aliquota Valor da Retencao COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 155/159), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora do valor exato da retenção. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 174). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 185). (...) II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) II.1.2 – Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS"; (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial; (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil; (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF; e (V) cópia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de novembro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório. 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado. 27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552 (...) 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: (...) 43.Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade. 44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fl.171), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária do exato valor da retenção indevida realizada. 45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF. 47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura. 50. Tanto é assim que na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.128). 51. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 52. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) 53. Nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis. (...) 55. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 56.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". 57.Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa Hewlett-Packard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado. (...) 59. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. (...) 61. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais. 62. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 63.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 64. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. 65. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira-se: (...) 67. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 68. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 69. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 77. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntario. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório.

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1302­000.479  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  10 de abril de 2017  Assunto  Saneamento.  Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO (ATUAL  CIELO S/A)  Interessado  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Declarou­se  impedido  o  Conselheiro Rogério Aparecido Gil.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.             RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 51 5/ 20 09 -3 1 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 284          2 RELATÓRIO    Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte  em face do Acórdão nº 12‐62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS.  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE.  Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços  profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há  direito creditório a ser reconhecido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente     A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1262.164 em 18/06/2014 (Termo a  fls. 188), interpôs, em 18/07/2014 (vide Termo a fls. 280), recurso voluntário (doc. a fls. 190 e  segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa:  1. Trata­se,  na origem, de declaração de compensação  de  débito  com crédito  decorrente  de  pagamento  indevido,  efetuado  em  25/11/2005,  a  título  de  Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$  47.066,43.   2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica  a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e  prestadores de serviços para a aceitação de cartões de credito e de débito, bem  como  outros  meios  de  pagamento  ou  meios  eletrônicos  para  registro  e  aprovações de transações não­financeiras.  3.  Para  consecução  de  suas  atividades  empresariais,  a  Recorrente  firmou  contrato  de  prestação  de  serviços  de  tecnologia  com  a  empresa  Eds  Data  Systems  do  Brasil  Ltda. ("EDS"  ­  fls.  90/153),  que,  para  sua  remuneração,  emitia fatura mensalmente, discriminando o serviço prestado.  4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de  R$  4.706.642,63,  para  remuneração  dos  serviços  prestados  a  titulo  de  processamento  de  dados  (fl.  154),  cuja  abrangência  esta  minuciosamente  descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1­A, do contrato firmado com a Recorrente  (fl. 99).  5.  Ao  receber  a  fatura  para  pagamento,  a  Recorrente,  de  forma  automática  (mas  precipitada),  calculou  a  retenção  na  fonte  dos  tributos  devidos,  nos  seguintes termos:  Tributo  Aliquota  Valor da Retencao  COFINS  3%  R$      141.199,28  CSLL  1%  R$       47.066,43  IRRF  1,50%  R$       70.599,64  PIS  0,65%  R$       30.593,18  Total    R$      289.458,53  6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53,  pagando  a  "EDS"  apenas  a  diferença  da  fatura  comercial  e  recolhendo  os  tributos retidos.   Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 285          3 7.  Ocorre  que  o  serviço  tornado  pela  Recorrente  relativo  a  Fatura  n°  8552  (processamento  de  dados)  não  está  sujeito  a  retenção  das  contribuições  sociais,  justamente  por  não  estar  incluído  na  lista  de  serviços  constante  no  artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira­se o teor do dispositivo legal:   (...)  8.  Ao  notar  o  equívoco,  a  Recorrente  efetuou  a  devolução  dos  valores  indevidamente  retidos  a  "EDS",  conforme  comprovado  nos  autos  (fls.  155/159),  inclusive  com  a  apresentação  de  comprovante  de  transferência  bancária à prestadora do valor exato da retenção.   9. Assim,  considerando que  foram pagos  ao  fisco  os  valores  indevidamente  retidos  na  Fatura  n°  8552  e,  posteriormente,  foi  efetuada  a  devolução  deste  montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do  direito  creditório,  porquanto  restou  configurado  o  pagamento  indevido,  nos  termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional.   10.   Por  estas  razões,  a  Recorrente transmitiu declaração de compensação  de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor  original  de  R$  47.066,43,  relativamente  a  CSLL  indevidamente  retida  por  ocasião do pagamento da Fatura n° 8552.   11.  No  entanto,  tendo  em  vista  a  ausência  de  retificação  da  DCTF,  foi  proferido  despacho  decisório  eletrônico  não  homologando  a  compensação  declarada.   12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação  de  inconformidade,  sustentando,  preliminarmente,  a  nulidade  do  despacho  decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através  de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado.   13.  A  par  de  toda  a  argumentação  e  da  farta  documentação  acostada  aos  autos  pela  Recorrente,  a  r.  decisão  recorrida  recusou  a  nulidade  alegada  na  manifestação  de  inconformidade,  ao  argumento  de  que  "a  contestação  das  informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até  mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior  a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando  o devido processo administrativo " (fl. 174).  14.  Quanto  ao  mérito,  a  r.  decisão  recorrida  manteve  o  indeferimento  do  direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar  nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou  a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas  a  retenção  das  contribuições  sociais  e,  por  consequência,  que  ocorreu  pagamento indevido da CSRF" (fl. 185).   (...)  II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA  II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente  17.  Após  a  prolação  do  despacho  decisório  que  não  reconheceu  o  direito  creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade  Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 286          4 demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para  apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o  esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado.   18. Ocorre,  porém,  que,  em  atitude  inovadora  no  processo  administrativo  e  violadora  do  §3°  do  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  superou  a  nulidade  do  despacho  decisório  (em  desfavor  da  Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por  argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório.  19.  Vale  dizer,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  decidiu:  (I)  recusar  a  nulidade  do  despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi  intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou  informações  sobre a origem do direito creditório pleiteado; e  (II) manteve o  indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente  não  teria  apresentado  provas  suficientes  para  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  o  que  jamais  havia  sido  suscitado  no  curso  do  processo  administrativo.   20. Evidentemente,  ao  superar  a nulidade do despacho decisório e manter o  indeferimento  do  direito  creditório  pleiteado  por  argumentos  absolutamente  diversos  dos  invocados  pelo  despacho  decisório,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa  e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.   21.  Por  estas  razões,  o  recurso  voluntário  deve  ser  provido  para  decretar  a  nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em  vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu  direito de defesa e  impedindo a devida e necessária comprovação do direito  creditório pleiteado.   (...)  II.1.2  –  Ausência  de  intimação  específica  para  apresentação  de  informações  e  documentos  necessários  para  o  esclarecimento  do  direito  creditório  (...)  23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou  (e  comprovou  documentalmente)  a  origem  do  direito  creditório,  acostando  para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação:     (I)  cópia  do  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  firmado  entre  a  Recorrente e a "EDS";     (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do  serviço de  processamento de  dados,  conforme devidamente  discriminado na  própria fatura comercial;     (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente  retido  pela  Recorrente  a  título  de  CSRF  a  "EDS",  bem  como  a  respectiva  escrituração contábil;   Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 287          5   (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título  de CSRF; e     (V)  cópia  da  DCTF  Retificadora  relativa  ao  período  de  apuração  de  novembro  de  2005,  afastando  a  motivação  do  despacho  decisório  para  o  indeferimento do direito creditório.   24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do  direito  creditório  pleiteado  ao  argumento  de  que,  a  despeito  do  que  consta  expressamente  na  fatura  comercial  objeto  da  retenção  indevida,  não  seria  possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente  para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços  compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a  "EDS". Confira­se trecho da decisão recorrida:   (...)  25.  Entretanto,  e  em vista  deste  (novo)  entendimento manifestado  pela  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  fato  e  que,  no  curso  do  processo  administrativo,  a  Recorrente  jamais  foi  intimada  para  apresentar  documentos  adicionais,  para  esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida.   26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade  e do  incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas  quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de  novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª  Turma da DRJ/RJ1 deveria  ter, ao menos devolvido os autos a repartição de  origem  e  determinado  a  realização  de  diligência,  intimando  a  Recorrente  a  apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não  simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado.  27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª  Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao  argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum  contestados  pelo  despacho  decisório  e  dos  quais,  no  curso  do  processo  administrativo  e  da  diligência  fiscal,  jamais  o  Recorrente  foi  intimada  especificamente para se manifestar.   28.  Também  por  essas  razões,  a  prolação  de  decisão  administrativa  sem  o  correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da  Instrução  Normativa  n°  1.300/2012,  que  estabelece  o  dever  da  autoridade  administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do  direito creditório pleiteado. Confira­se:   "Art.  65.  A  autoridade  da  RFB  competente  para  decidir  sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  a  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  inclusive  arquivos  magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo  a  fim  de  que  seja  verificada,  mediante  exame  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações prestadas. " (destaques da Recorrente)   (...)  Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 288          6 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto  da  r.  decisão  recorrida,  nos  termos  do  inciso  II  do  artigo  59  do Decreto  n°  70.235/72,  para  que  o  credito  pleiteado  pela  Recorrente  seja  corretamente  analisado pela autoridade administrativa competente.   II.2 ­ DO MÉRITO   II.2.1 ­ Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552   (...)  39.  Por  exemplo,  para  remuneração  dos  serviços  prestados  a  título  de  suporte  técnico em  informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n°  019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato  de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma  vez  que  este  serviço  específico  está  sujeito  a  retenção  das  contribuições  sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.   40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de  dados,  era  emitida  fatura discriminando o  serviço prestado,  sem,  contudo, o  destaque  das  contribuições  sociais  retidas  na  fonte,  porquanto  este  serviço  específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária  de regência.   41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552,  tendo  em  vista  a  prestação  de  serviços  de  processamento  de  dados,  conforme  discriminado na própria  fatura comercial e,  em razão de este  serviço não se  enquadrar  nas  hipóteses  de  retenção  de  que  trata  o  artigo  30  da  Lei  n°  10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF.   42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas  precipitada),  calculou  a  retenção  dos  tributos  supostamente  devidos,  nos  seguintes termos:   (...)  43.  Diante disso, a Recorrente procedeu a  retenção (indevida) do valor de  R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao  fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção  em sua contabilidade.   44.  Ao  notar  o  equívoco  cometido,  a  Recorrente  procedeu  a  imediata  devolução  dos  valores  indevidamente  retidos  a  "EDS"  (fl.171),  conforme  comprovado  nos  autos  inclusive  com  a  juntada  de  comprovante  de  transferência bancária do exato valor da retenção indevida realizada.   45.  Assim,  considerando  que  foram  recolhidos  os  valores  indevidamente  retidos  e  que,  posteriormente,  foi  efetuada  a  devolução  deste  montante  a  prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos  do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito  creditório pleiteado.   46.  Porém,  segundo  a  r.  decisão  recorrida,  pela  documentação  acostada  aos  autos,  não  seria  possível  concluir  que  a  Fatura  n°  8552  se  prestou  para  Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 289          7 remunerar  unicamente  o  serviço  de  processamento  de  dados  serviço  este,  aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF.   47.  Entretanto,  a  premissa  adotada  pela  r.  decisão  recorrida,  absolutamente  não pode prosperar,  pois,  conforme  se observa do Contrato de Prestação de  Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com  a devida discrição na própria fatura.  48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente  abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa  "EDS",  tais  como  suporte  técnico  em  informática,  processamento  de  dados,  entre outros.   49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser  prestados pela "EDS de modo que cada serviço era  faturado separadamente,  discriminando­se cada serviço na respectiva fatura.   50. Tanto é assim que na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços  estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados  Normal"  e  "Processamento  de Dados  nos Ambientes de Desenvolvimento  e  Homologação",  evidenciando  que  cada  serviço  era  faturado  separadamente  (fl.128).   51. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato  de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento:   "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente  Mainframe  a  CBMP  deverá  pagar  à  EDS  a  remuneração  mensal  prevista neste Anexo 2.1­A. Tal remuneração será faturada até o 5º  dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser  paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão,  ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado,  domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha  recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento,  a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso  na entrega." (destaques da Recorrente)  52. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de  Dados  nos  Ambientes  de  Desenvolvimento  e  Homologação"  prevista  no  Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte:   "Tendo em vista  que  o período  de  apuração dos  volumes  de  recursos  consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês  ao  dia  15  do mês  subsequente,  a  EDS  poderá  levar mais  do  que  20  (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por  Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de  apuração do volume de  recursos  consumidos,  com vencimento para o  10°  (décimo) dia  subsequente a data de emissão da  fatura,  ou dia útil  imediatamente  posterior,  caso  o  10º  dia  subsequente  seja  sábado,  domingo  ou  feriado  na  Cidade  de  São  Paulo.  Na  hipótese  de  a  EDS  conseguir  apurar os  volumes mensais  em um prazo menor  do  que  20  (vinte) dias,  em qualquer mês,  a EDS poderá  antecipar o  faturamento  dos  Preços  por  insumos,  sendo  o  pagamento  devido  no  10º  dia  subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente)   Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 290          8 53.  Nos  termos  do  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  firmado  entre  a  Recorrente  e  a  "EDS",  é  indiscutível  que  não    poderia    existir  a    cobrança   conjunta  dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada  serviço eram até mesmo incompatíveis.   (...)  55.  E,  no  caso  dos  autos,  a  "EDS"  indicou  na  Fatura  n°  8552  única  e  exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a  prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada.  56.  Diante  dessas  considerações,  fica  absolutamente  desarticulada  (e  mesmo  sem  sentido)  a  premissa  da  r.  decisão  recorrida,  de  que  a  Fatura  n°  8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do  contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS".   57.  Ademais,  corroborando  as  alegações  da Recorrente,  e  para  reforçar  o  acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso  voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a  empresa  Hewlett­Packard  Brasil  Ltda.)  emitiu  declaração  atestando  que  o  serviço  remunerado  pela  Fatura  n°  8552  foi,  de  fato,  o  serviço  de  processamento  de  dados,  sendo  esta  prova  irrefutável  do  direito  creditório  pleiteado.  (...)  59.  Embora  já  reconhecido  pela  r.  decisão  recorrida  que  o  serviço  de  processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais,  cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao  artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.  (...)  61.  Da  leitura  do  dispositivo  legal,  nota­se  que  o  serviço  tomado  pela  Recorrente  (processamento  de  dados)  não  consta  expressamente  do  rol  de  serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais.  62.  Contudo,  ao  final  das  hipóteses  de  retenção  das  contribuições  sociais  listadas  pelo  artigo  30 da Lei  n°  10.833/2003,  o  legislador  fez  referenda  ao  termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz  obrigatória a retenção da CSRF.   63.  Diante  da  imprecisão  do  termo  utilizado  pelo  legislador,  sobreveio  a  Instrução  Normativa  n°  459/2004  dispondo  sobre  a  retenção  de  tributos  e  contribuições  nos  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira­se:    "Art.  1°  Os  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de  serviços  de  limpeza,  conservação, manutenção,  segurança,  vigilância,  transporte  de  valores  e  locação  de  mão­de­obra,  pela  prestação  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como  pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na  fonte  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  da  Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 291          9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da  Contribuição para o PIS/Pasep  (...).   § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende­se como serviços:   (...)   IV  ­  profissionais  aqueles  relacionados  no  §  1°  do  art.  647  do  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março  de  1999  –  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/1999),  inclusive  quando  prestados  por  cooperativas ou associações profissionais, aplicando­se, para fins da  retenção  das  contribuições,  os  mesmos  critérios  de  interpretação  adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita  Federal  para  a  retenção  do  imposto  de  renda.  (destaques  da  Recorrente)   64. Como  se observa,  a própria Receita Federal  do Brasil determinou que a  interpretação  do  artigo  30  da  Lei  n°  10.833/2003  deve  ser  feita  à  luz  do  disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda.   65. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de  Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira­se:  (...)  67. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido  no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam.  68. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e  processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar  n°  56/87,  na  qual  ja  se  dispunha  separadamente  os  serviços  em  questão,  o  primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira­se:   (...)  69.  Posteriormente,  corroborando  a  ideia  de  que  esses  serviços  não  se  confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços  em  itens  separados,  quais  sejam,  item  1.02  (programação)  e  1.03  (processamento de dados).   (...)  77.     Pelo    exposto,    e    a    presente    para  requerer o provimento do  recurso  voluntario. para:   (I)  decretar  a  nulidade  da  r.  decisão  recorrida  ou,  se  o  caso,  do  despacho  decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não  se entenda,   (II)  reformar  a  r.  decisão  recorrida,  para  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.”    É o relatório.  Fl. 297DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 292  ___________       VOTO      Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator.      O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes  para tal (Daniel Lacasa Maya), razão pela qual voto por conhecê­lo.        Inicialmente,  afasto  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  recorrida,  pois  o  julgador está preso ao pedido, não aos fundamentos, ou seja, o julgador da DRJ poderia chegar  a mesma conclusão do despacho decisório por outros motivos, como também poderia ter dado  provimento à manifestação de inconformidade da recorrente por outros  fundamentos que não  aqueles por ela aduzidos. Em verdade, no novel CPC foi introduzido o princípio da vedação da  decisão surpresa (art. 10), para evitar situações como essa contra a qual se insurge a recorrente.  Ocorre porém que, ainda que se sustente que tal princípio se aplicaria ao PAF, por força do art.  15  da  Lei  13.105/15  (novo  CPC),  tal  lei  não  vigorava  quando  foi  proferida  a  decisão  de  primeira instância,  logo, não estava a DRJ obrigada a ouvir previamente a recorrente sobre o  fundamento orientador de sua decisão. Por essa razão, voto por afastar a preliminar de nulidade  da decisão de primeira instância.        No que toca a alegação de descumprimento do art. 76 da Instrução Normativa  n° 1.300/2012 (alerte­se que a recorrente se confundiu ao indicar como art. 65 o texto que na  verdade era do art. 76), a recorrente incorre em rotundo equívoco, pois tal dispositivo prevê a  possibilidade  de  autoridade  tributária  realizar  as  diligências  que  achar  necessária, mas  não  a  obriga a tomar tal providência se, ao seu juízo, elas não se fazem necessárias. Por esse motivo,  também voto por afastar a preliminar de nulidade neste ponto.        Quanto à alegação de nulidade do despacho decisório, não há também que ser  acolhida,  pois  a  própria  recorrente  admite,  em  seu  recurso,  que  só  retificou  a DCTF  após  a  ciência  do  teor  do  Despacho  Decisório,  logo,  só  cabia  à  Autoridade  Fiscal  negar  a  homologação da compensação, já que os créditos pleiteados tinham sido utilizados para pagar  débitos confessados pela própria recorrente.    Assim,  voto  também  por  afastar  a  preliminar  de  nulidade  do  despacho  decisório.    Ultrapassadas as preliminares de nulidade, cabe esclarecer uma determinada  situação que envolve este processo e outros  também em  julgamento nesta assentada. O PAF  13896.907123/2009­24,  o  qual  está  também  nesta  pauta  para  julgamento,  tem  por  objeto  PerDcomp,  pela  qual  o  recorrente  pleiteia o  direito  creditório  no montante  a R$ 47.066,43 a  título  de  CSLL  retida  na  fonte  sobre  a  mesma  NF  8552  ora  em  análise,  o  qual,  segundo  o  recorrente, teria sido recolhido em outro DARF, diferente do apontado nestes autos. Para facilitar  a compreensão, vejamos a seguinte tabela:        PAF 13896.907123/2009­24  PAF 13896.904515/2009­31  PER/DCOMP  00668.56128.090506.1.3.04­6097  14574.25476.070406.1.3.04­2381  PER/Dcomp retificadora  Não  Não  Crédito Pleiteado  CSRF no valor de R$ 47.066,43  CSRF no valor de R$ 47.066,43  Forma de recolhimento  DARF no valor de R$ 141.842,80  DARF no valor de R$ 209.901,60  Data de arrecadação  21/10/2005  25/11/2005  Período de apuração   15/10/2005  15/11/2005  Cód. de receita  5952  5952  Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 293          11 CNPJ  01.027.058/0001­91  01.027.058/0001­91  Débito confessado  CSRF  do  PA  2ª  quinzena  de  abril/06  CSRF do PA 2ª quinzena Março/06  Valor do débito  R$ 51.269,46  R$ 50.111,63  Retenção referente a  NF fatura 8552 a fls. 147  NF fatura 8552 a fls. 150  Emissor da NF  EDS  EDS  Data de emissão  27/09/2005  27/09/2005  Valor total da NF   R$ 4.706.642,63  R$ 4.706.642,63  Data de vencimento  05/10/2005  05/10/2005      Ou  seja,  o  recorrente  pleiteia  aparentemente  o mesmo direito  creditório,  para  compensar débitos diferentes e alega como origem do direito creditório DARFs também distintos,  mas, segundo afirma, foram os meios de quitação da CSRF incidente sobre o mesmo pagamento  (NF 8552).     A  recorrente  não  deu  qualquer  justificativa  ou  mesmo  a  mínima  explicação  sobre  as  contradições  acima  apontadas  nem no  recurso  voluntário  interposto  nestes  autos,  nem  naquele  interposto  nos  autos  do  PAF  13896.907123/2009­24,  o  qual  é  praticamente  uma  reprodução do interposto nestes autos.         A  justificativa  da  recorrente  para  tais  indagações  encontram­se  no  recurso  voluntário  interposto  no  PAF  13896.907117/2009­77,  também  na  pauta  desta  sessão  de  julgamento, no qual o  recorrente comenta (pois não era objeto do PAF 13896.907117/2009­77)  que teria recolhido novamente a CSLL retida na fonte no valor de R$ 47.066,43 na 1ª quinzena de  novembro de 2005, por meio do DARF no valor de R$ 209.901,60 acima referido.         Note­se que toda a alegação de mérito no recurso voluntário interposto no PAF  13896.904515/2009­31  é  irrelevante  caso  venha  a  ser  confirmado,  nos  autos  do  PAF  13896.907123/2009­24, que houve o pagamento da CSRF sobre o valor da NF 8552, hipótese na  qual  só nos caberia perquirir  aqui  se efetivamente  resta comprovado que houve efetivamente o  pagamento em duplicidade em novembro de 2005. Em outras palavras, a questão se era devida ou  não a CSRF sobre o pagamento relativo a NF 8552 deve ser resolvida nos autos deste processo  PAF  13896.907123/2009­24,  se  lá  restar  confirmado  o  recolhimento  da  CSRF  sobre  a  NF  8552. Por essa razão, vale baixar estes autos em diligência para que seja juntado a estes autos a  resposta  dada  pela Unidade  Preparadora  à  diligência  proposta  por  esta  Turma,  nos  autos  do  PAF 13896.907123/2009­24, por meio da Resolução proferida nesta mesma assentada.        O objeto deste processo é o PER/Dcomp a fls. 2, no qual a recorrente pleiteia  a  compensação  de  crédito  relativo  a  Contribuições  sociais  retidas  na  fonte  (Cód.  de  receita  5952) no valor original de R$ 47.066,43, que a  recorrente teria recolhido em duplicidade em  novembro de 2005, já que teria efetuado tal recolhimento em outubro de 2005.        Não obstante o recolhimento feito com o código de arrecadação 5952 refira­ se a recolhimento de “retenção contribuições pagt de PJ a PJ dir priv – CSLL/Cofins/PIS”, ou  seja,  um DARF  com  esse  código  significa  que  o  valor  ali  recolhido  se  refere  à  retenção  de  CSLL,  PIS  e  Cofins,  a  recorrente  alega,  em  seu  recurso,  que  os  R$  47.066,43  referem­se  apenas  à  CSLL  por  ele  retida  na  fonte  sobre  o  pagamento  efetuado  à  EDS  Eletronic  Data  Systems do Brasil Ltda., relativo ao serviço faturado pela na nota de serviço nº 8552.        Vale  perquirir  qual  o  documento  que  prova  que  a  recorrente  recolheu  aos  Cofres  públicos  CSLL  –  retida  na  fonte  no  valor  de  R$  47.066,43  novamente  no  mês  de  novembro de 2005. O único DARF que consta dos autos é aquele a fls. 159, cujo código de  Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 294          12 receita é 5952, o qual é  referido na PerDcomp em tela  (a fls. 4) como origem do crédito em  questão. Ora, pelo DARF a fls. 164, cujo código de receita é 5952, houve o recolhimento de R$  209.901,60,  valor  que  não  coincide  com  a  CSRF  (CSLL,  PIS  e  Cofins)  que  o  recorrente  deveria recolher sobre um faturamento no valor de R$ 4.706.642,63 (valor da NF nº 8552 a fls.  147). Note­se que, pelo § 1º do art. 31 da Lei 10.833/03, sobre um pagamento a PJ no valor de  R$ 4.706.642,63, deveria  ser  retida CSLL no valor de R$ 47.066,42, Cofins no valor de R$  141.199,28 e PIS no valor de R$ 30.593,17, o que totalizaria R$ 218.858,87.    Por outro lado, na DCTF a fls. 157, foi declarado um débito no valor de R$  976.042,49,  código  de  receita  5952­02,  referente  ao  período  de  apuração  da  1ª  quinzena  de  novembro  de  2005.  Ocorre  que  também  aqui  falta  a  recorrente  esclarecer  como  chegou  no  valor  de R$  976.042,49  a  partir  dos  faturamentos  que  foram  informados  em  planilhas  a  fls.  152.    Resta, então, saber por qual DARF o recorrente recolheu a CSRF (CSLL, PIS  e Cofins)  acima mencionada, pois,  conforme  já  visto,  há um descompasso  entre o valor que  deveria incidir sobre o valor da NF nº 8552.         Diante desse quadro fático, a única forma que vislumbro para saber se houve  pagamento indevido relativo a CSRF da primeira quinzena de novembro de 2005 é confrontar  todos os recolhimentos feitos pela recorrente do código 5259 relativos à primeira quinzena de  novembro com as retenções declaradas pela recorrentes em DIRF do código 5259 (art. 12, § 2º,  da IN SRF nº 459/2004).        Ocorre, porém, que a situação em tela torna­se ainda mais intrincada porque,  pelo que  alega  a  recorrente,  além de  recolher  as  contribuições CSLL/PIS/Cofins  em DARFs  distintos, embora sob o código de receita 5259, cumulou em cada um dos DARF a contribuição  retida na fonte incidente sobre pagamentos feitos a diversos fornecedores.        Vale,  ainda,  ressaltar  que,  tendo  sido  feitos  os  recolhimentos  sob  o  código  5259, não há que  se perquirir  por um  recolhimento de CSLL­retida na  fonte, mas  apenas  se  houve  ou  não  o  recolhimento  de CSRF  sobre  o  pagamento  relativo  a NF  8552. Assim,  esta  diligência se torna também relevante para o deslinde da questão posta nos autos dos PAFs nºs  13896.904514/2009­97  e  13896.904513/2009­42,  os  quais  versam,  respectivamente,  sobre  pedidos  de  compensação  de  PIS­retido  na  fonte  e  Cofins­retido  na  fonte  sobre  o  mesmo  pagamento objeto da NF 8552 no mês de novembro de 2005, sendo que todos foram recolhidos  em 25/11/2005 por meio de diferentes DARFs com cód. de receita 5259, os quais, conforme já  dito  não  se  referiam  apenas  ao  pagamento  em  tela  (NF  8552),  mas  há  muitos  outros  e  referentes  a  diversos  fornecedores.  Por  essa  razão,  entendo  que  esses  dois  processos  (13896.904514/2009­97  e  13896.904513/2009­42)  devem  ser  vinculados  a  estes  autos,  para  fins de julgamento conjunto.        Todavia,  no  presente  caso,  há  ainda  outro  complicador,  pois  no  PAF  13896.907117/2009­77, já referido acima, o recorrente alega que também pagou, em novembro  de 2005, a mesma CSRF que já tinha pago em outubro de 2005, só que, desta feita sobre outras  notas  fiscais  (diferentes  da NF  8552). Ocorre  que  essa  CSRF  foi  paga  por meio  do mesmo  DARF  que  pagou  a  CSRF  pleiteada  neste  processo.  Da  mesma  forma,  a  CSRF  (que  o  recorrente diz ser PIS em duplicidade sobre a NF 8552) pleiteada no 13896.904514/2009­97,  foi  paga  no  mesmo  DARF  da  CSRF  pleiteada  no  PAF  13896.907118/2009­11,  também  pautado para julgamento nesta assentada. Isso também se repete para a CSRF (que o recorrente  denomina de Cofins recolhida sobre a NF8522), pleiteada no PAF 13896.904513/2009­42, que  foi  recolhida  por  meio  do  mesmo  DARF  que  recolheu  a  CSRF  pleiteada  no  PAF  Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 295          13 13896.907114/2009­33,  o  qual  também  consta  da  pauta  de  julgamento  nesta  sessão  de  julgamento. Para melhor entender vejamos o quadro abaixo:        DARF alegado  PAF  Valor Pleiteado ­R$  Data Arrecad.  Cod.  PA  Valor – R$  13896.904515/2009­31  47.066,43  13896.907117/2009­77  31.315,40  25/11/2005  5952  15/11/2005  209.901,60  13896.904514/2009­97  30.593,18  13896.907118/2009­11  20.354,99  25/11/2005  5952  15/11/2005  136.436,04  13896.904513/2009­42  141.199,28  13896.907114/2009­33  93.946,22  25/11/2005  5952  15/11/2005  629.704,85  TOTAL   364.475,50                Assim,  alega  a  recorrente,  neste  processo  e  naqueles  acima  citados,  que  pagou em duplicidade em 25/11/2005, por meio dos 3 DARFs acima referidos, R$ 364.475,50.  Ora, seguindo o que já sustentei, entendo que cabe vincular a estes autos todos os PAFs acima  referidos  e  baixar  o  este  processo  em  diligência,  para  que  seja  verificado  se  houve  recolhimento a maior de CSRF (cód. receita) em relação as retenções declaradas em DIRF no  montante de R$ 364.475,50.      Cabe salientar que não foi juntada aos autos a DIRF relativa às retenções de  CSRF  feitas  no  ano  de  2005  (art.  12,  §  2º,  da  IN  SRF  nº  459/2004),  o  que  permitiria  a  identificação  do  valor  total  das  retenções  feitas  pela  recorrente  na  primeira  quizena  de  novembro de 2005, valor esse que poderia ser confrontado com o total dos recolhimentos feitos  sob o código 5259 e assim apurar se efetivamente houve um recolhimento a maior no montante  de R$ 364.475,50 (valor da CSRF incidente sobre o pagamento da NF 8552).     Como  as  questões  levantadas  nesta  resolução  nunca  foram  questionadas  à  recorrente, entendo que lhe deve ser concedida a oportunidade de aclarar os fatos.        Em  face  do  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para:      I­  a  Secam/3ªCâm./1ªSejul  para  apensar  os  autos  dos  PAFs  nº  13896.907117/2009­77,  13896.904514/2009­97,  13896.907118/2009­11,  13896.904513/2009­ 42; e 13896.907114/2009­33 a este processo e, posteriormente, remeter os autos para a Unidade  de Origem; e      II ­ a Unidade de Origem:      a) informar todas as retenções de CSRF declaradas pela recorrente relativas à  quinzena de 01/11/2005 a 15/11/2005, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.  12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004);    b)  informar  todos  os  recolhimentos  feitos  pela  recorrente  com  o  código  de  receita 5259 e referentes ao período de apuração: 1ª quinzena de novembro de 2005, juntando,  se possível, os extratos do Sinal­pagamento;    c) verificar se o total dos recolhimentos de que trata a letra “b”acima supera  em  R$  364.475,50  o  montante  das  retenções  abordadas  na  letra  “a”  retro,  caso  contrário,  intimar a recorrente a responder como se deu o recolhimento da CSRF sobre o pagamento da  NF 8552;    d) informar se, em resposta à diligência determinada por meio da Resolução  Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13896.904515/2009­31  Resolução nº  1302­000.479  S1­C3T2  Fl. 296          14 nº 1302­000.482, nos autos do PAF 13896.907123/2009­24, foi confirmada o recolhimento no  valor de R$ 218.858,89 em outubro de 2005, a  título de CSRF (cód. 5259)  sobre o valor do  pagamento da NF 8552;    e)  intimar a  recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem  entenda necessários para o deslinde das questões postas;    f) dar  ciência do  relatório  final  de diligência  ao  recorrente,  concedendo­lhe  prazo para se manifestar nos autos; e    g)  retornar  os  autos  para  este  Colegiado,  após  cumpridos  os  itens  da  diligência,  para  julgamento  em  conjunto  dos  seis  processos  (este  processo  mais  os  cinco  a  serem apensados).    Alberto Pinto Souza Junior.             Fl. 302DF CARF MF

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Numero do processo: 10120.006314/2006-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. RESERVA LEGAL - INTEMPESTIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A Intempestividade do ADA pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9202-004.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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9202­004.592  –  2ª Turma   Sessão de  24 de novembro de 2016  Matéria  ITR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  LUIZ OTAVIO ANDRADE DE OLIVEIRA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2002  ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. RESERVA LEGAL  ­  INTEMPESTIVIDADE  DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ­ ADA, PARA ISENÇÃO DA  ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO.  A  Intempestividade  do  ADA  pode  ser  suprida  pela  averbação  da  área  de  reserva  à margem da matricula  do  registro  de  imóveis,  desde  que ocorrida,  tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.  Recurso Especial Negado.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  em  negar­lhe  provimento.  Votaram  pelas  conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Heitor  de  Souza  Lima  Junior,  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos.           (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 63 14 /2 00 6- 15 Fl. 159DF CARF MF     2       (Assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes – Relatora      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior, Gerson Macedo Guerra.     Relatório  O  presente  Recurso  Especial  trata  de  pedido  de  análise  de  divergência  motivado  pela  Fazenda  Nacional  face  ao  acórdão  2801­00.352,  proferido  pela  1ª  Turma  Especial / 2ª Seção de Julgamento.  Trata­se  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração,  fls.  22/28,  para  exigir  crédito tributário de ITR, exercício de 2002, no montante de R$ 55.486,46, acrescidos de multa  de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Fortaleza III”, localizado  no Município de Rio Verde/GO, NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 4.323.428­3.   A autuação decorreu de glosa de áreas declaradas como sendo de preservação  permanente  (667,6  ha)  e  de  utilização  limitada/reserva  legal  (616,6  ha),  em  virtude  de  o  interessado ter apresentado Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama apenas  em 24/11/2004, portanto, intempestivamente.  O  Contribuinte  impugnou,  às  fls.  32/52,  consistindo  sinteticamente  na  alegação de afronta ao princípio da  legalidade a exigência do ADA para  fins de exclusão de  áreas de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável pelo ITR.  O Acórdão de Primeira Instância foi decidido pelos membros da 1ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF, que acordaram, por unanimidade  de votos, em julgar procedente o lançamento, fls. 57/64, em decisão assim ementada:  “DAS  ÁREAS  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  E  DE  UTILIZAÇÃO/RESERVA LEGAL  As áreas de preservação permanente e de utilização  limitada/reserva  legal,  para  fins  de  exclusão  do  ITR,  cabem  ser  reconhecidas  como  de  interesse  ambiental  pelo  IBAMA/órgão  conveniado  ou,  pelo  menos,  que  seja  comprovada  a  protocolização,  em  tempo  hábil,  do  requerimento  do  competente ADA.  Lançamento Procedente.”  A  Contribuinte  apresentou  o  Recurso  Voluntário,  às  fls.  69/91,  argumentando,  em  síntese,  que  o  lançamento  baseado  tão­somente  na  alegação  de  protocolização intempestiva do ADA não pode prosperar, eis que apresentou documentos que  comprovam a existência e averbação, em 23/05/2001, da área de Reserva Legal firmado com o  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10120.006314/2006­15  Acórdão n.º 9202­004.592  CSRF­T2  Fl. 10          3 Ibama. Argumenta, ainda, que apresentou memorial descritivo e mapa da fazenda destacando  as  áreas  preservadas  e  de  reserva  legal  e  que,  mesmo  entendendo  que  o  ADA  fosse  desnecessário, cuidou de protocolizá­lo no Ibama antes da autuação fiscal.   A  1ª  Turma  Especial  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  às  fls.  102/109,  deu  PROVIMENTO  ao  Recurso  Ordinário,  para  serem  restabelecidas  as  áreas  declaradas  como  sendo de preservação permanente (667,6 ha) e de utilização limitada/reserva legal (616,6 ha).  Às fls. 112/121, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, apresentando  acórdão  paradigma  com  entendimento  divergente  à  decisão  recorrida,  para  discutir  a  obrigatoriedade  de  apresentação  tempestiva  de  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA  para  a  dedução das áreas de  reserva  legal  e de preservação permanente da base de  cálculo do  ITR  Ao  realizar  o  Exame  de  Admissibilidade  do  Recurso  Especial,  às  fls.  124/126,  a  1ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  DEU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso Especial da Fazenda Nacional,  apenas no  tocante ao  instituto da reserva  legal.  Verificou­se  que  o  paradigma  decidiu  ser  obrigatória  a  apresentação  tempestiva  de  ADA  para poder deduzir a área de reserva legal no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido  considerou  que  a  apresentação  tempestiva  de  ADA  é  dispensável,  quando  o  contribuinte  comprovar  a  existência  da área de  reserva  legal por meio de Termo de Responsabilidade de  Averbação de Reserva Legal firmado com o Ibama, devidamente averbado antes da ocorrência  do  fato  gerador.  Contudo,  o  acórdão  recorrido  também  admitiu  a  comprovação  da  área  de  preservação  permanente  por  meio  do  mesmo  termo  de  responsabilidade,  ainda  que  com  a  apresentação intempestiva de ADA, e o recurso especial buscou, também, atacar essa parte da  decisão.  Ocorre  que  o  paradigma  apresentado  não  tratou  de  área  de  preservação  permanente, apenas de reserva legal. Assim, o recurso especial não restou admitido nesse  aspecto.  Submetido  a  Reexame  de  Admissibilidade  pelo  Presidente  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  fls.  127,  o  provimento  parcial  do  Recurso  Especial  restou  integralmente mantido.  O  Contribuinte,  às  fls.  131/154,  apresentou  contrarrazões,  vindo  os  autos  conclusos para julgamento.   É o relatório.      Voto             Conselheira Ana Paula Fernandes ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido.   Trata­se  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração,  fls.  22/28,  para  exigir  crédito tributário de ITR, exercício de 2002, no montante de R$ 55.486,46, acrescidos de multa  Fl. 161DF CARF MF     4 de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Fortaleza III”, localizado  no Município de Rio Verde/GO, NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 4.323.428­3.   Na  decisão  recorrida,  deu­se  provimento  ao Recurso Ordinário,  para  serem  restabelecidas  as  áreas  declaradas  como  sendo  de  preservação  permanente  (667,6  ha)  e  de  utilização limitada/reserva legal (616,6 ha).  O  Recurso  Especial,  apresentado  trouxe  para  análise  a  divergência  jurisprudencial  no  tocante  à  necessidade  a  apresentação  tempestiva  de ADA  para  poder  deduzir a área de reserva legal no cálculo do ITR.  A  questão  controvertida  diz  respeito  ao  aceite  da  averbação  da  área  de  reserva legal para suprir a ausência do ADA.  Para se dirimir a controvérsia, é  importante destacar, do  Imposto Territorial  Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à  sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.021­46, proferido  pela  Composição  anterior  da  2ª  Turma  da Câmara  Superior,  da  lavra  do Conselheiro  Elias Sampaio Freire.  Para  tanto,  devemos  analisar  a  legislação  aplicável  ao  tema  e  para  isso  transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96:     Art.  10.  A  apuração  e  o  pagamento  do  ITR  serão  efetuados  pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação  posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar­se­á:     I ­ VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a:   a) construções, instalações e benfeitorias;   b) culturas permanentes e temporárias;   c) pastagens cultivadas e melhoradas;   d) florestas plantadas;   II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:   a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro  de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;   b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do  órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea  anterior;   c)  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aqüícola ou  florestal, declaradas de  interesse ecológico mediante ato do órgão competente,  federal ou estadual;   d)  sob  regime  de  servidão  florestal  ou  ambiental;  (Incluída  pela  Lei  nº  11.428,  de  22  de  dezembro de 2006)   e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de  regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006)   f)  alagadas para  fins de constituição de  reservatório de usinas  hidrelétricas autorizada pelo  poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008)   (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas  "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do  declarante,  ficando o mesmo  responsável pelo pagamento do  imposto correspondente, com  juros  e  multa  previstos  nesta  Lei,  caso  fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem prejuízo de outras  sanções aplicáveis.  (Incluído pela Medida Provisória nº  2.16667, de 2001)     Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10120.006314/2006­15  Acórdão n.º 9202­004.592  CSRF­T2  Fl. 11          5 Da transcrição acima, destaca­se que, quando da apuração do imposto devido,  exclui­se  da  área  tributável  as  áreas  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  além  daquelas  de  interesse  ecológico,  das  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  das  submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas  para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas.   Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta  de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá  declarar  a  área  isenta  sem  a  necessidade  de  comprovação,  sujeito  a  sanções  caso  reste  comprovada posteriormente a falsidade das declarações.   A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº  7.803,  de  18  de  julho  de  1989  (Código  Florestal  Brasileiro,  prevê  a  obrigatoriedade  de  averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos:    Art.  16.  As  florestas  de  domínio  privado,  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  e  ressalvadas  as  de  preservação  permanente,  previstas  nos  artigos  2°  e  3°  desta  lei,  são  suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições:  § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada  propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição  de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua  destinação,  nos  casos  de  transmissão,  a  qualquer  título,  ou  de  desmembramento  da  área.  (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989).   Art.  44.  Na  região  Norte  e  na  parte  Norte  da  região  Centro­Oeste  enquanto  não  for  estabelecido  o decreto de  que  trata o  artigo 15,  a  exploração a  corte  razo  só  é permissível  desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade.  Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por  cento),  de  cada  propriedade,  onde  não  é  permitido  o  corte  raso,  deverá  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  da  matrícula  do  imóvel  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos  de  transmissão,  a  qualquer  título,  ou  de  desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989)   Conforme  apontado  anteriormente,  cinge­se  a  controvérsia  acerca  da  necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de não­incidência do Imposto  Territorial Rural ­ ITR.   O acórdão recorrido assim dispôs:    Fl. 163DF CARF MF     6   No  caso  dos  autos,  observo  que  a  averbação  foi  realizada  mesmo  que  a  destempo  em  23.05.2001,  fls  12,  com  base  no  termo  de  responsabilidade  assinado  pelo  contribuinte em 05.03.2001. suprindo assim a ausência de ADA.  A meu ver, portanto, não é necessário que esta averbação seja realizada antes  do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente,  é  o  que  importa  para  consagração  do  Direito  do  Contribuinte,  em  virtude  da  aplicação  da  Verdade  Material,  privilegiada  nos  Processos  Administrativos  Federais  por  força  da  Lei  9784/99.  A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º,  II,  "a",  da  Lei  9.393,  de  19  de  dezembro  de  1996,  por  isso  considero  equivocado  o  condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área  no  Registro  de  Imóveis,  posto  que  a  averbação  na  matrícula  do  imóvel  não  é  ato  constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que  tal área recebe.   A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data  de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de  tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº  4.771/1965.   Reconhece­se,  portanto,  o  direito  à  subtração  do  limite mínimo  de  20% da  área  do  imóvel,  estabelecido  pelo  artigo  16  da Lei  nº  4.771/1965,  relativo  à  área  de  reserva  legal,  porquanto,  mesmo  antes  da  respectiva  averbação,  que  não  é  fato  constitutivo,  mas  meramente declaratório, vez que já havia a proteção legal sobre tal área.   Assim entendo, inclusive, que a averbação da área de reserva legal feita após  a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de  ITR.   Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado não compartilha desse  entendimento,  mas  apenas  das  conclusões,  devendo  deixar  consignado,  que  o  entendimento da maioria é de que a averbação da área discutida antes da data do  fato  gerador supre a inexistência do ADA para fins de comprovação da Reserva Legal.  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10120.006314/2006­15  Acórdão n.º 9202­004.592  CSRF­T2  Fl. 12          7 Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional e no mérito negar­lhe provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes                                 Fl. 165DF CARF MF

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