Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13748.000424/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13748.000424/2009-29
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5866304
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.747
nome_arquivo_s : Decisao_13748000424200929.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13748000424200929_5866304.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7304581
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309378441216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.000424/200929 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.747 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 04 24 /2 00 9- 29 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13748.000424/200929 Acórdão n.º 1302002.747 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 31/05/2006, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 31/05/2006, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13748.000424/200929 Acórdão n.º 1302002.747 S1C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13748.000424/200929 Acórdão n.º 1302002.747 S1C3T2 Fl. 5 4 Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727878/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas.
SÚMULA CARF Nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. SÚMULA CARF Nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.727878/2013-17
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5866260
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.305
nome_arquivo_s : Decisao_10480727878201317.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 10480727878201317_5866260.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7304476
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309397315584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.586 1 1.585 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.727878/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.305 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO Recorrente BRPLAST EMBALAGENS FLEXÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. SÚMULA CARF Nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 78 78 /2 01 3- 17 Fl. 1586DF CARF MF 2 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 10480.727878/201317 Acórdão n.º 1401002.305 S1C4T1 Fl. 1.587 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0128.342, 1ª Turma da DRJ/BEL, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referente ao ano calendário de 2009, e 2010, com os lançamentos que totalizaram 10.186.616,73 (principal, multa e juros, calculados até 05.2013). A Recorrente foi autuada em razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2009 06/2009 09/2009 12/2009 03/2010 06/2010 09/2010 12/2010. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, não apresentou escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, mesmo tendo sido intimado várias vezes, conforme termos anexos. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente, afastadas as alegações quanto à ilegalidade do arbitramento e utilização indevida de presunções no arbitramento do lucro. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, repisando em suma os argumentos da Impugnação. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshiahara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do Arbitramento. De início a Recorrente reclama que o arbitramento fora arbitrário, contudo, do TVF extraio que a escrituração do contribuinte continha deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, a fiscalização arbitrou o lucro tudo de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, mesmo tendo sido oportunizado inúmeras vezes que ela produzisse a prova da legitimidade de seus lançamentos, tendo por diversas vezes sido intimado para tanto, como relatado, não o fez com êxito. Fl. 1588DF CARF MF 4 A causa que deu motivo ao arbitramento, narrada pela Fiscalização, foi a não apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, mesmo tendo sido intimado, e reintimado (fls. 50, 53, e 56), conforme veremos abaixo: O Contribuinte tomou ciência do Termo de Inicio de fiscalização em 30/01/2013(fls 50/52), no qual foi solicitada toda a documentação Fiscal e comercial da empresa; Em 05/03/2013, a impugnante solicitou 60 dias para apresentar a documentação e alega e fundamenta: Ocorre que, o prazo de 20 dias em foco, é por demais exíguo para a referida empresa amealhe todos os documentos solicitados pelo agente fiscal que conduz o caso. Isto porque (i) a BRLPAST EMBALAGENS FLEXÍVEIS LTDA. É empresa cujas atividades encontramse quase que integralmente paralisada, razão pela qual, hoje, é reduzidíssimo o seu quadro de pessoal e, mais ainda, porque (ii) operouse dita intimação quando os poucos funcionários da empresa – inclusive os componentes de seu corpo administrativo – haviam acabado de retornar de férias coletivas(doc. 03), sendo necessário, como é sabido, tempo para que voltem a desempenhar, com habitual regularidade, as suas respectivas funções. Transcorridos mais de 100(cem) dias, em 08/05/2013, o Contribuinte foi intimado novamente a apresentar os livros fiscais, e comerciais solicitados no Termo de Inicio de Fiscalização; No dia 27/05/2013(fls. 56/58), o Contribuinte foi novamente intimado, pela terceira, vez a apresentar a escrita fiscal, e comercial. E não o fez; O Auto de Infração foi lavrado, e dado ciência ao Contribuinte, em 03/07/2013, depois de transcorridos mais de 150 dias após o início da auditoria (30/01/2013). Dessa forma, agiu corretamente o fisco ao arbitrar o lucro do contribuinte, pois diante da falta da escrituração comercial, há impossibilidade de apurar o lucro real. Do enquadramento legal do arbitramento, vêse que a utilização dessa sistemática de apuração do lucro foi baseada no inciso I do artigo 530 do RIR/99, Contribuinte, e na GIAMS, temos a informar que se os elementos constantes da declaração não merecem fé, deve o fisco – em sua ação impositiva, valer–se de outros elementos, ainda que indiciários, porém robustos, máxime aqueles que consagram os valores do débito declarados à administração do ICMS pelo sujeito passivo, por corresponderem ao denominado lançamento por declaração. As provas assim hauridas, entretanto, não prescindem de investigações na escrituração contábil da empresa com o objetivo de caracterizar a infração suscitada e afastar a possibilidade de se estar diante de declaração de imposto de renda inexata. Se ao fisco é vedado o acesso aos livros contábeis, fiscais ou outros instituídos em lei, a exigência há de se tipificar de conformidade com os elementos seguros de que dispuser o agente fiscal, recaindo o ônus da prova sobre a parte que lhe deu causa. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 10480.727878/201317 Acórdão n.º 1401002.305 S1C4T1 Fl. 1.588 5 Não constam, neste processo, quaisquer elementos que informam se as receitas declaras nas DIPJs e/ou GIAMS não são as verdadeiras. Logo, concordamos com as bases de cálculos apuradas de acordo com os autos descritos. Neste momento, cumpre lembrar que o arbitramento do lucro não é uma penalidade imposta ao contribuinte, mas somente uma metodologia de apuração do lucro tributável, diante de ausência de elementos confiáveis que permitam apurar o lucro real. Assim, pacificado nesse Conselho que o lançamento baseado no art. 42, da Lei nº 9.430/96, e que é legítimo o lançamento com base na presunção legal por ele instituída, desde que seguidos os procedimentos impostos no dispositivo. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Na verdade, o arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente. Destacase que durante o processo de fiscalização ele solicitou apenas uma prorrogação de prazo, que lhe foi concedida, tendo a autuação sido lavrada em momento posterior, quando após ter sido intimado por duas vezes consecutivas, sequer deu atenção à fiscalização, ou tão pouco mencionou a possível "celuma" atribuída ao profissional contábil eleito para acessorar seus negócios, Sr. Talmon Luiz Barbosa, CPF n° 252.426.87487 Neste sentido temos a Súmu. Carf 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Percebese no presente caso, tanto a injustificada omissão na apresentação de livro fiscal de escrituração obrigatória (Livro Registro de Inventário), quanto a apresentação de escrituração contábil digital, via sistema SPED, com erros ou deficiências (Livro Diário desacompanhado dos respectivos livros auxiliares), incidindo a contribuinte em hipóteses autorizadoras do arbitramento do lucro, previstas nos supracitados incisos do art. 530 do RIR A autoridade fiscal, então, após ter intimado e reintimado a empresa, acertadamente, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) Fl. 1590DF CARF MF 6 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Em função desse contexto, cabe enfatizar novamente, não restou ao fisco outra opção senão proceder a apuração do imposto com base no lucro arbitrado, tomandose por base a receita conhecida oriunda da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/06. Apenas para exaurir os argumentos postos pela recorrente, destaco, ser impossível nesse momento processual atender ao seu pleito quanto ao refazimento ou retificação de sua contabilidade e/ou escrita fiscal, de forma a viabilizar novo lançamento com base nestas retificações. Por todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1591DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.724039/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
Numero da decisão: 1401-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10410.724039/2014-51
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5865071
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.304
nome_arquivo_s : Decisao_10410724039201451.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 10410724039201451_5865071.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7295097
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309428772864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 717 1 716 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.724039/201451 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.304 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO Recorrente L O DA SILVA CEREAIS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 40 39 /2 01 4- 51 Fl. 717DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1460.422 3ª Turma da DRJ/RPO, que manteve o lançamento contra L O DA SILVA CEREAIS ME com imposição de responsabilidade solidária à MARIA JOSÉ CLEIDE BELARMINO. Tratase de autos de infração, fls. 229, relativos ao IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 10.889.132,73 (inclusos multa de oficio qualificada de 150% e juros de mora à taxa Selic, calculados até 31/10/2014). O Termo de responsabilização tributária encontrase à fls. 4748. I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Verificação Fiscal, às fls. 30seguintes, a Fiscalização constatou que (verbis): "(...) A empresa L O DA SILVA Cereais dedicase ao comércio de gêneros alimentícios em geral. De acordo com as suas DIPJDeclaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a empresa se encontrava INATIVA nos anoscalendário 2010 e 2011, conforme Declarações de Inatividade apresentadas ( Anexo 01). Nas duas declarações também informava estar em Situação Especial, no caso FUSÃO. Nestes dois anos também não foram encontrados quaisquer pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. No entanto, em verificação feita na JUCEALJunta Comercial do Estado de Alagoas não foi encontrada qualquer alteração contratual indicativa de reorganização societária, seja fusão, incorporação ou fusão (ver Anexo 02 Informações da Junta Comercial). Além disso, informações obtidas com terceiros ( Sistema SPED Fiscal Notas Fiscais Eletrônicas de Fornecedores da Empresa Anexo 03 ), trouxeram valores expressivos de compra de mercadorias ( compras da ordem de trinta milhões de reais nos anoscalendário 2010 e 2011), totalmente incompatíveis com uma empresa que se declarou INATIVA. Ou seja, as Declarações prestadas pela empresa eram inconsistentes e sem nenhum respaldo na realidade. 2. DA AÇÃO FISCAL O Termo de Início da Ação Fiscal foi lavrado em 20 de janeiro de 2014 e regularmente recebido em 23 de janeiro de 2014, conforme ARAviso de Recebimento (ver Anexo 04 Termos da Ação Fiscal). Neste termo a empresa foi intimada a apresentar livros fiscais e demais elementos necessários à ação fiscal. No entanto, o prazo venceu sem qualquer manifestação da empresa, seja apresentação dos elementos solicitados, seja um pedido de prorrogação de prazo. Em 13 de fevereiro de 2014 foi lavrado e regularmente recebido Termo de Reintimação no qual a empresa era reintimada a apresentar os elementos já anteriormente solicitados. Neste Termo foram incluídos outros elementos, tais como Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10410.724039/201451 Acórdão n.º 1401002.304 S1C4T1 Fl. 718 3 procurações de movimentação de contabancária Porém, mais uma vez, o prazo venceu e nada foi apresentado ou justificado pela empresa. Em 10 de abril de 2014 foi lavrado e regularmente recebido em 15 de abril, o Termo de Reintimação N° 01 , no qual foi dado prazo final para a apresentação dos elementos solicitados. Neste mesmo Termo a empresa também foi lembrada " que a não apresentação sujeitará o contribuinte ao arbitramento de seus resultados.". No entanto a história se repetiu e mais uma vez nada foi apresentado. Em 10 de junho de 2014 foi lavrado Termo de Continuidade da Ação Fiscal. No entanto, estranhamente, o AR retornou com a informação " Desconhecido " . No caso o informante, conforme registrado no AR, foi o SR. Geomar, o qual foi posteriormente identificado como sendo o Sr. Geomar Luiz da Silva, esposo da procuradora da empresa, a Sra. Maria Belarmino . Posteriormente, em 24 de junho de 2014 foi lavrado um novo Termo no qual a empresa era novamente instada a apresentar eventuais procurações bancárias, informações sobre cheques, extratos, além de verificar informações de compras de terceiros obtidas através do Sistema SPED de emissão de notas fiscais eletrônicas. No entanto, novamente o ARAviso de Recebimento retornou com a informação " Desconhecido " . Uma nova tentativa foi feita através do Termo lavrado em 10 de julho de 2014, porém mais uma vez o AR retornou com a informação de " Desconhecido". Neste caso a informante foi a Sra. Maria Belarmino, que era justamente a procuradora da empresa. Desta forma, foi efetuada nova pesquisa junto à JUCEAL para verificar a existência de fato superveniente e foi então constatado que , em 28 de julho de 2014, a empresa alterou seu negócio de comércio atacadista de produtos alimentícios em geral/mercadorias em geral/bebidas/produtos de higiene, limpeza e conservação domiciliar para " comércio varejista de doces, balas e bombons... . Além disso mudou seu endereço, transferindose do centro de Arapiraca para um sítio no interior da zona rural do município. ( Anexo 02 Informações JUCEAL) O Termo de Intimação foi então direcionado para o novo endereço, porém mais uma vez, o AR retornou. Assim, de acordo com o que preceitua a legislação, foi feita a intimação por Edital (Anexo 04). E, mais uma vez, o prazo venceu sem nenhuma manifestação do sujeito passivo 3. DO ARBITRAMENTO DOS RESULTADOS DA PESSOA JURÍDICA Conforme já explanado anteriormente todas as tentativas de se obter alguma informação da empresa resultaram infrutíferas. Mesmo quando funcionava no endereço no centro de Arapiraca e estava recebendo normalmente os ARAvisos de Recebimento, nem assim a empresa se manifestou. Fl. 719DF CARF MF 4 Para exemplificar desde o primeiro Termo recebido ( Termo de Início de Fiscalização em 23 de janeiro de 2014 ) até o Termo de Reintimação N° 01 recebido em 15 de abril de 2014, no qual a empresa era lembrada " que a não apresentação sujeitará o contribuinte ao arbitramento de seus resultados.", quase três meses se passaram sem qualquer entrega de documentos ou manifestação. Intimações feitas para o "novo endereço " da empresa e também por Edital, igualmente não lograram êxito. Desta forma, na reiterada falta de apresentação dos livros fiscais e demais documentos solicitados e de acordo com o art. 47 da Lei 8.981/95 (abaixo transcrito) foi efetuado o processo de arbitramento dos resultados da pessoa jurídica: (...) 4. DO ARBITRAMENTO DOS RESULTADOS COM BASE NAS COMPRAS A empresa não apresentou nenhuma informação que pudesse levar ao conhecimento de qual foi a sua receita de vendas no período da ação fiscal. Nem o Livro Caixa e nem o Livro de Saídas ou Apuração do ICMS, embora reiteradamente solicitados, foram apresentados pela empresa. Por outro lado, também não foi encontrada nenhuma nota fiscal de venda de emissão da L O DA SILVA CEREAIS no Sistema SPED, o que é de certa forma compreensível, uma vez que a empresa não está obrigada pelo Fisco Estadual à utilização da Nota Fiscal Eletrônica. Dessa forma a ação fiscal optou pelo arbitramento com base nas compras de mercadorias obtidas com base nas informações prestadas pelos fornecedores da empresa ( Usina Caeté, Asa Branca, Tróia S.A Produtos de Limpeza, Usinas Reunidas Coringa,....) e registradas no Sistema SPED de emissão de notas fiscais eletrônicas. O presente procedimento fiscal alcançou as verificações concernentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seu reflexo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre os lucros auferidos no exterior, em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.85.002013000267. (...) Convém ressaltar que as informações de compras de mercadorias pela L O DA SILVA CEREAIS assim obtidas foram então relacionadas e levadas ao conhecimento da empresa através de Termo de Intimação, para que a empresa, além de atestar tais compras, informasse possíveis cancelamentos ou devoluções de compras. Neste Termo também foi solicitado o fornecimento de informações da movimentação bancária. Porém, como já explicado anteriormente, todas as tentativas resultaram infrutíferas e tal Termo de Intimação teve sua ciência procedida através de Edital (Anexo 04 Termos da Ação Fiscal). Assim, o arbitramento dos resultados da empresa, foi efetuado utilizandose as compras de mercadorias registradas no Sistema SPED, . de acordo com o art. 51 da Lei 8.981/95, abaixo transcrito : (...) 5 DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10410.724039/201451 Acórdão n.º 1401002.304 S1C4T1 Fl. 719 5 Inicialmente causou estranheza o fato de, apesar de estar regularmente estabelecida em domicílio conhecido e de ter regularmente recebido Termo de Início e Termos de Intimação , a empresa não tenha efetuado qualquer manifestação. Mesmo quando informada que a não apresentação de livros e documentos fiscais e contábeis implicaria no Arbitramento, nem assim a empresa se manifestou. Este tipo de comportamento não é comum em fiscalizações normais, porém, infelizmente, é algo corriqueiro em fiscalizações em que o sócio ou o dono formal da empresa é um mero "laranja ". Neste caso, há um certo " relaxamento" por parte da empresa, uma vez que se autuada for, não haverá nenhuma implicação para o dono real ou de fato, recaindo todo o ônus da autuação na figura do " laranja" , que geralmente se trata de pessoa humilde, sem bens que possam responder por uma eventual execução fiscal e muitas vezes sem sequer saber que são donos ou proprietários de empresa. Quanto ao dono real ou de fato, este simplesmente abre uma nova empresa em nome de um outro laranja e volta a operar no mercado. Desta forma, a ação fiscal analisou a situação financeira e patrimonial do Sr. LINDOMAR OLIVEIRA DA SILVA, CPF 282.754.75899, sócio, responsável e proprietário da empresa, conforme informações cadastrais da SRFBSecretaria da Receita Federal do Brasil e da JUCEALJunta Comercial do Estado de Alagoas. Verificouse que, embora apresentando Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (Anexo 12), não informou nenhum bem e os rendimentos anuais foram, em média, de apenas R$ 20.000,00 , totalmente recebidos de pessoa física e sem fonte pagadora pessoa jurídica. A movimentação financeira bancária foi inexistente, bem como a movimentação em cartão de crédito. O seu último endereço Rua Projetada 77, é em um bairro humilde (Brasiliana) da periferia de Arapiraca, com algumas ruas ainda de terra batida. Pesquisa feita no RENAVAM também não indicou a posse de nenhum veículo, salvo uma moto 125. Além disso, na análise feita na GFIPRelação de Trabalhadores da Empresa, (Anexo 05) viuse que o "dono da empresa" está informado como um mero funcionário desde 13 de novembro de 2006 com salário mensal em torno de R$ 500,00. Resumindo, o suposto " dono" da empresa não apresenta a menor condição, seja patrimonial, seja financeira, condizente com a posse de uma empresa que comprou quase Trinta Milhões de Reais no período da ação fiscal. Ou seja, perfil, características e todos os indícios de interposta pessoa. Tentativas de localização do suposto dono não lograram êxito. Posteriormente, através da imprensa local (Anexo 06) obtivemos informações de que o mesmo foi detido em meados de 2013, sob suposta participação em homicídio em Arapiraca. Assim, ao surgirem estes indícios, a ação fiscal solicitou abertura de RMF Requisição de Movimentação Financeira (Anexo 07) nos principais bancos utilizados pela empresa (Banco do Brasil e ItaúUnibanco), no sentido de buscar mais evidências sobre a interposição e identificar o real proprietário da empresa. 6. DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS Fl. 721DF CARF MF 6 As informações bancárias fornecidas trouxeram procuração (ver Anexo 08), na qual o suposto dono outorgava amplos poderes a MARIA JOSÉ CLEIDE BELARMINO CPF 642.586.534 20, pessoa totalmente estranha ao quadro societário da empresa. E efetivamente a citada procuração foi plenamente exercida, conforme evidenciado nos Anexos 09, 10 e 11 , todos contendo cheques assinados pela Sra. Maria José Cleide Belarmino. Dos cheques com valores superiores a R$ 10.000,00 encaminhados pelas instituições financeiras, chamaram a atenção a existência de vários cheques assinados pela Sra. Maria José tendo como beneficiária a sua irmã, a sra. Maria Cleone Belarmino Silva, CPF 958.630.52449, pessoa também estranha ao quadro societário (Anexo 11): (...) TOTAL 375.209,07 (...) E por fim, também foram encaminhados pelas instituições bancárias cheques com valores superiores a R$ 10.000,00, assinados pela Sra. Maria José Cleide Belarmino tendo como beneficiária ela própria ( Anexo 11 Cheques Emitidos para a Própria ou para Irmã): Face ao exposto, fica claro que a Sra. Maria José Cleide Belarmino era quem geria toda a movimentação bancária e financeira da empresa, com isso auferindo vantagens para si e para seus próximos, conforme provado pelos cheques assinados por ela, acima relacionados. Ressaltese que tais cheques claramente registram em seu verso a assinatura do beneficiário ( Maria Cleone Belarmino ou Maria José Cleide Belarmino ), conforme evidenciado no Anexo 11. Além disso não foram encontradas evidências de fornecimento de bens ou serviços por estas pessoas, além do que suas Declarações de Imposto de Renda apenas demonstram pequenos recebimentos por parte de pessoasfísicas, não existindo nenhum recebimento de valores ou receitas da L O DA SILVA CEREAIS (Anexo 13). E, ao contrário do suposto dono da empresa, a Sra. Maria José Cleide Belarmino possui contas bancárias em diversas instituições, movimentação financeira e gastos em cartão de crédito em grau elevado e veículos em seu nome. O imóvel de residência, ao contrário do imóvel do " dono da empresa" , é um belo imóvel, valor venal em torno de R$700.000,00 e localização próxima ao centro (ver Anexo 13 Informações de Maria José Cleide Belarmino e sua irmã). 7. DA CONTINUIDADE DÓ NEGÓCIO Chamou a atenção a recente alteração de endereço da L O DA SILVA CEREAIS, mudandose do centro comercial de Arapiraca para um sítio no interior da zona rural do município. Além disso, reduziu enormemente o seu escopo, passando de um comércio de gêneros alimentícios, mercadorias em geral e produtos de higiene, perfumaria e beleza para um mero comércio de balas e bombons. (...) No sentido de obter mais informações sobre esta "mudança" , alguns fornecedores da empresa foram diligenciados no sentido de verificar se houve continuidade do relacionamento comercial no endereço e, em caso afirmativo, o Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10410.724039/201451 Acórdão n.º 1401002.304 S1C4T1 Fl. 720 7 nome da pessoa da Eldorado Comercial responsável pelos atos negociais. Vejamos as respostas : INDÚSTRIAS REUNIDAS CORINGA LTDA Informou a continuidade do negócio com a ELDORADO ALIMENTOS ( a última nota fiscal foi a de n°. 0188921 emissão de 11/06/2014, até porque ele abriu outra com CNPJ 19.867.924/000118 e é nesse que estamos efetuando as vendas...") e a Sra. Josineide como contato da empresa L O DA SILVA CEREAIS. USINA CAETÉ S/A Informou a continuidade do negócio com a ELDORADO ALIMENTOS ( as operações comerciais estão sendo realizadas com a empresa Comercial de Alimentos Eldorado...) e os mesmos representantes da L O DA SILVA CEREAIS ( cadastrado o Lindomar e atos negociais com o Sr. Geomar); ASA BRANCA Confirmou a continuidade do fornecimento e a Sra Josineide ( que era a mesma pessoa responsável pela prática dos atos comerciais da L O DA SILVA CEREAIS) como responsável. " ....Compradora/negociadora comercial: Josineide e o próprio "Neguinho" e a empresa Comercial Eldorado : em nome da filha do "Neguinho" "(ou seja, o Sr. Geomar) TRÓIA S/A PRODUTOS DE LIMPEZA Apresentou informações que demonstram o Sr. Agenor Luiz da Silva como responsável pelas práticas dos atos negociais. Das respostas obtidas fica claro a continuidade do mesmo negócio, com basicamente as mesmas pessoas, apenas sob outra razão social. As mesmas pessoas que praticavam os atos negociais da L O DA SILVA CEREAIS continuaram a praticar os mesmos atos na ELDORADO ALIMENTOS. E , pelo menos no caso da Sra. Josineide, não houve sequer uma mudança de emprego, pois ela continuou a fazer parte do quadro de empregados da L O DA SILVA CEREAIS, conforme evidenciado no Anexo 5 ( GFIPRelação de Empregados). 8. OUTROS INDÍCIOS Além do exposto, a ação fiscal ainda levantou outros indícios que fortalecem e confirmam que o titular de direito (Sr. Lindomar Oliveira da Silva) é mera interposta pessoa do titular de fato, no caso a Sra. Maria José Cleide Belarmino: 1) Imóvel de Funcionamento da Empresa De acordo com informações obtidas na JUCEAL Junta Comercial do Estado de Alagoas (Anexo 02), no período de 2008 até setembro de 2013, a empresa funcionava no endereço Rua do Sol 99. Ora, através de informações obtidas junto ao Iº Ofício do Registro Imobiliário de Arapiraca (Anexo 14), foi verificado que este imóvel pertencia ao Sr. Geomar Luiz da Silva, esposo da "procuradora" da empresa, a já citada Sra. Maria José Cleide Belarmino. E nas Declarações de Imposto de Renda destas pessoas não há qualquer menção a recebimento de aluguel da L O DA SILVA CEREAIS. Ou seja, gratuidade na cessão do imóvel, o que, convenhamos não é usual 2) Prática dos Atos Negociais por Pessoa Estranha De acordo com informações obtidas em Diligência na USINA CAETÉ (ver Anexo 15), onde se buscou informações relativas à prática dos atos negociais de produtos, prazos e preços, a empresa informou o Sr. Geomar Luiz da Silva como responsável pelas operações de compra de açúcar pela L O DA SILVA CEREAIS. Ora, embora responsável pela prática de atos negociais e compra de milhões de reais, tal senhor, Fl. 723DF CARF MF 8 além de não fazer parte do quadro societário da empresa, não é nem sequer funcionário da mesma, conforme pode ser contatado no Anexo 5 _ GFIP/Relação de Funcionários. No entanto é o esposo da esposo da "procuradora" a já citada Sra. Maria José Cleide Belarmino. 3) Empresa Familiar De acordo com informações obtidas na GFIP chamou a atenção a existência de diversos funcionários pertencentes à família da procuradora . Vejamos: Maria Cleane Belarmino Silva (irmã); Claudimeire Maria Belarmino (irmã); Paulicéia Belarmino dos Santos; Embora não seja informação conclusiva, é indício que contribui para confirmar a influência e propriedade da " procuradora" sobre a empresa. Além disso o seu esposo, Sr. Geomar Luiz da Silva, mesmo não fazendo parte do quadro da empresa, era responsável pela prática de atos negociais com várias empresas, conforme já explicitado anteriormente. 9. CONCLUSÃO Face ao exposto, têmse caracterizada a clássica situação de interposta pessoa: Empresa criada em nome de interposta pessoa, com poucos ou nenhum bens e de nenhuma ou ínfima situação financeira; Existência de procuração em que a interposta pessoa outorga procuração com amplos poderes de movimentação a terceiro, estranho tanto ao quadro societário como ao quadro empregatício; Efetivo exercício da procuração, com cheques assinados e depósitos/cheques da empresa para a conta bancária de terceiros ou do procurador, beneficiário e proprietário de fato da empresa; Influência de procurador e vinculados sem vínculo com a empresa em sua gestão e na prática de atos negociais; Empresa em situação tributária irregular, sem pagamentos de tributos e à margem da tributação; Crescimento patrimonial do procurador e vinculados, sem origem comprovada ou informada dos recursos; Extinção irregular ou alteração de funcionamento da empresa, geralmente após início de ação fiscal; Continuidade do negócio na mesma praça e sob outra razão social. 10. DA APURAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS Na Planilha Apuração das Bases de Cálculo dos Tributos Devidos ( Anexo 16 Planilhas da Ação Fiscal ) e também no Auto de Infração está demonstrada a base de cálculo do arbitramento efetuado e os valores apurados. A multa de ofício foi agravada de acordo com o artigo 44 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 : (...) Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10410.724039/201451 Acórdão n.º 1401002.304 S1C4T1 Fl. 721 9 Informamos também que, de acordo com a situação fática e a legislação, foi lavrado o Termo de Responsabilidade Tributária para a Sra. Maria José Cleide Belarmino." Apreciadas as impugnações apresentas pela Contribuinte e sua solidária, o lançamento foi integralmente mantido, considerando que restou cabalmente comprovado neste processo que a empresa LO da Silva Cereais ME estava em pleno funcionamento nos anos de 2010 e 2011, porem, não recolheu qualquer tributo federal, tampouco apresentou as declarações a que estava obrigada. Bem como a Fiscalização comprova às fls. 648seguintes que a empresa LO realizou compras de produtos para revendas em valores expressivos nos anos de 2010 e 2011 (R$ 12.162.940,84 e 11.950.567,97 respectivamente). Quanto à constatação de que a Sra. Maria José Cleide Belarmino era a real administradora e foi a efetiva beneficiária dos resultados da empresa, os cheques da empresa, emitidos em favor da própria e de sua irmã (anexos 9, 10 e 11) fazem prova cabal disso, conforme asseverado no item 6 do Relatório Fiscal, razão pela qual mantida também a responsabilidade solidária. Inconformada, apenas a responsável solidária Maria José Cleide Belarmino, interpôs recurso voluntário, replicando em síntese os argumentos da impugnação, no sentido de que seus atos limitavamse a representar a empresa perante as instituições bancárias, mediante procuração, posto que por ser pessoa conhecida na cidade, tinha prestígio para facilitar a obtenção de crédito e estabelecer um bom relacionamento junto aos bancos. Restou certificado às fl., o transcurso do prazo recursal em relação à contribuinte principal. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O Recurso Voluntário interposto pela Responsável Solidária preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tendo em vista a ausência de questionamento acerca da autuação principal (arbitramento), restrinjo o voto apenas para considerar as questões atinentes à atribuição de responsabilidade solidária. Conforme acusação fiscal, a senhora MARIA JOSÉ CLEIDE BELARMINO foi incluída como responsável solidária na autuação, com fundamento no art. 124, I do CTN, sob a acusação de que ela era procuradora da empresa e sua proprietária de fato. Fl. 725DF CARF MF 10 Isto porque, conforme comprovado pela ação fiscal e apontando exaustivamente no relatório fiscal acima transcrito, era a real administradora e foi a efetiva beneficiária dos resultados da empresa, os cheques da empresa, emitidos em favor da própria e de sua irmã, os anexos 9, 10 e 11 fazem prova cabal disso. Desta forma, não merece reparos a decisão de piso quando anota que está absolutamente comprovado nos autos as seguintes constatações fiscais: Existência de procuração em que a interposta pessoa outorga procuração com amplos poderes de movimentação a terceiro, estranho tanto ao quadro societário como ao quadro empregatício; Efetivo exercício da procuração, com cheques assinados e depósitos/cheques da empresa para a conta bancária de terceiros ou do procurador , beneficiário e proprietário de fato da empresa; Influência de procurador e vinculados sem vínculo com a empresa em sua gestão e na prática de atos negociais; Empresa em situação tributária irregular, sem pagamentos de tributos e à margem da tributação; Crescimento patrimonial do procurador e vinculados, sem origem comprovada ou informada dos recursos; Extinção irregular ou alteração de funcionamento da empresa, geralmente após início de ação fiscal; Tendo restado demonstrado que face a ausência total de lastro econômico ao sócio de direito, bem que como durante todo o processo de fiscalização junto a terceiros estes foram uníssonos em dizer que todas as tratativas comerciais eram entabuladas com pessoas diversar, alguns inclusive da família da solidária. Assim, fica claro que a Sra. Maria José Cleide Belarmino era quem geria toda a movimentação bancária e financeira da empresa, com isso auferindo vantagens para si e para seus próximos, conforme provado pelos cheques assinados por ela, as vezes a tendo como própria beneficiaria e outras vezes em favor de sua irmã, tendo inclusive sido constatado seu aumento patrimonial durante o período em que agiu como "procuradora financeira" da empresa. que embora possuísse considerável faturamento, visto que realizou compras de produtos para revendas em valores expressivos nos anos de 2010 e 2011 (R$ 12.162.940,84 e 11.950.567,97 respectivamente), jamais recolheu qualquer tributo. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10410.724039/201451 Acórdão n.º 1401002.304 S1C4T1 Fl. 722 11 O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). Portanto, no meu modo de ver , preenchidas as condições previstas no art. 124, I , do CTN para manutenção de sua responsabilidade. Ante o exposto, entendo correta a decisão de piso e voto por negar provimento ao recurso interposto pela solidária. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 727DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923853/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.923853/2011-78
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856626
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.383
nome_arquivo_s : Decisao_10880923853201178.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10880923853201178_5856626.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7245745
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309462327296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.923853/201178 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.383 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 53 /2 01 1- 78 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.784, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.923853/201178 Acórdão n.º 3301004.383 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908814/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PERDCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação
Numero da decisão: 1301-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PERDCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.908814/2009-78
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5858491
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.791
nome_arquivo_s : Decisao_10983908814200978.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10983908814200978_5858491.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7255984
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309467570176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908814/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.791 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ PERDCOMP Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERDCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 14 /2 00 9- 78 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10983.908814/200978 Acórdão n.º 1301002.791 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de estimativa de IRPJ, com débitos de estimativas de IRPJ referentes a períodos de apuração posteriores, transmitido após a data de vencimento dessas estimativas. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem reconheceu o valor do crédito pretendido e homologou, parcialmente, a compensação declarada. O valor reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, porque referida declaração foi enviada após o vencimento dos débitos nela informados, fato este que ensejou a cobrança pela autoridade fiscal da multa de mora sobre os débitos declarados/compensados em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que o reconhecimento do débito, bem como, dos juros de mora foram efetuados voluntariamente, o que torna indiscutível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e exime o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento da multa de mora, pois a efetivação das compensações se deu antes de qualquer procedimento de fiscalização. O Acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso concreto, fundamentando sua decisão na Nota Técnica nº 19 Cosit, de 12/06/2012, a qual conclui que nos casos em que o sujeito passivo compensa o débito mediante a apresentação de DCOMP, não se considera ocorrida a denúncia espontânea. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não há insuficiência de crédito porque, apesar da compensação ter sido realizada depois do vencimento do débito, não há incidência de multa de mora, mas tão somente juros de mora, pois a quitação dos débitos (principal + juros de mora) ocorreu antes de qualquer notificação da Receita Federal. Acrescenta que o débito vencido quitado pela compensação não foi previamente confessado em declaração (DCTF), de modo que não seria aplicável a Súmula 306 do STJ, a qual estabelece que não há denúncia espontânea quando a compensação for feita depois que o débito estiver vencido e houver sido lançado por homologação mediante declaração do contribuinte. Com o intuito de corroborar suas alegações, cita o Acórdão nº 340101.045, que deu provimento a recurso por ela apresentado, sob o entendimento de que o débito vencido, não declarado e nem confessado por meio de DCTF, mas quitado, mediante o acréscimo apenas dos juros de mora, por meio de DCOMP, caracteriza o instituto da denúncia espontânea, o que implica no afastamento da multa de mora. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10983.908814/200978 Acórdão n.º 1301002.791 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.787, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.900843/201025, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.787): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente que inexiste suficiência de crédito objeto da DCOMP, pois, apesar da compensação ter sido realizada depois do vencimento do débito, não haveria de incidir multa de mora, mas tão somente os juros de mora. Acrescenta que o débito liquidado mediante compensação, nele inclusos o principal e os juros de mora, antes de qualquer notificação ou procedimento fiscal da Receita Federal, afasta a incidência da multa de mora frente ao instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. A solução da lide reside em determinar se a quitação do tributo por meio de compensação preenche os requisitos necessários à caracterização da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Veja o dispõe referido dispositivo legal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) Verificase, portanto, que o instituto da denúncia espontânea está condicionado a duas exigências: a declaração do débito, espontaneamente, antes de qualquer procedimento de ofício e o pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora. No caso dos autos, a recorrente não promoveu qualquer pagamento de tributo, mas sim a compensação deles com créditos. De fato, a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário elencadas no art. 156 do CTN, todavia, diversamente do pagamento que extingue o crédito a partir do momento em que realizado, a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10983.908814/200978 Acórdão n.º 1301002.791 S1C3T1 Fl. 5 4 confirmada ou não a quitação do tributo, a depender da homologação da compensação. O art. 138 do CTN é taxativo ao estabelecer a necessidade do pagamento para caracterização da denúncia espontânea e, apesar da compensação também ser uma das formas de extinção do crédito tributário, ela não foi contemplada pelo instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, a recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgInt no REsp 1.568.857, em julgamento realizado em 16/05/2017, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Também neste órgão julgador várias são as decisões que se manifestam contrariamente à aplicabilidade da denúncia espontânea nos casos de débitos extintos por compensação: COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão n° 1301001.991, sessão de 03/05/2016) COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10983.908814/200978 Acórdão n.º 1301002.791 S1C3T1 Fl. 6 5 (Acórdão nº 1301001.511, sessão de 07/05/2014) CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Declaração de Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Com a devida vênia, divirjo do voto da Ilustre Relatora no que tange à apreciação da aplicabilidade da denúncia espontânea nos casos de débitos extintos por compensação: A denúncia espontânea de infrações é um instituto que afasta a aplicação de multas quando o contribuinte paga e confessa sua dívida antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Com efeito, verificase que a denúncia espontânea se constitui na declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária de que havia cometido um ilícito tributário, mas que, em razão de seu arrependimento, procedese, de forma espontânea, a realização da referida obrigação, com os encargos que lhes são devidos, situação na qual o Fisco restará impedido de lhe aplicar tais sanções. Nesse sentido, a denúncia espontânea evita que o fato moratório seja constituído pela autoridade administrativa, ou seja, impede a constituição, de norma individual e concreta, do descumprimento de um dever, o que ocasionaria a implicação das multas. Desse modo, considerando que a Recorrente apresentou a DCOMP, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário em questão, bem como arcou com os encargos (juros de mora) de forma voluntária, devese, portanto, aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos artigo 138 do CTN. Ademais, considerando que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10983.908814/200978 Acórdão n.º 1301002.791 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, uma vez confirmado o direito do contribuinte, entendo que deve ser aceito o instituto da denúncia espontânea, por meio de compensação. Por conseqüência, deve ser afastada a multa de mora. Diante disso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, devendo ser homologada a compensação pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.017451/2008-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF - Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
PARECER PGFN 492/2011. EFEITOS DA COISA JULGADA. INÉRCIA DA FISCALIZAÇÃO. SITUAÇÃO NÃO CARACTERIZADA.
Repele-se a alegação do sujeito passivo de que, em razão da inércia da Administração Tributária e em consonância com o Parecer PGFN nº 492/2011, a declaração de constitucionalidade da Lei n º 7.689/1988, prolatada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI nº 15/DF, somente legitimaria a cobrança de tributo decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 26 de maio de 2011, data de publicação do citado Parecer, diante da verificação de que o sujeito passivo foi intimado do lançamento de ofício anteriormente à publicação. Em tal cenário, inexiste obstáculo à constituição de créditos tributários relativos a fatos geradores que precederam à publicação do Parecer PGFN nº 492/2011, já que a inércia não restou caracterizada.
CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011.
Mesmo antes do advento do artigo 543-B do CPC/1973, certas decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência de dessubjetivação, ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. É o caso do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, o qual transitou em julgado em 29/09/1992, estabelecendo um precedente definitivo e objetivo que, configurando circunstância jurídica nova, ao confirmar o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, possui a aptidão de fazer cessar a eficácia vinculante de decisões judiciais transitadas em julgado que lhe eram contrárias.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE.
Repele-se o argumento que pretende escorar-se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (i) quanto à coisa julgada em relação aos anos-calendário de 2003 a 2006 e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, também, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (ii) quanto à concomitância da multa isolada com a multa de ofício em relação aos anos-calendário de 2003 a 2006 e conhecê-lo, por maioria de votos, (iii) quanto à concomitância das multas em relação ao ano-calendário de 2007, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram; e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, ficaram prejudicadas as alegações relativas à decadência. Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro Luís Flávio Neto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF - Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. PARECER PGFN 492/2011. EFEITOS DA COISA JULGADA. INÉRCIA DA FISCALIZAÇÃO. SITUAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. Repele-se a alegação do sujeito passivo de que, em razão da inércia da Administração Tributária e em consonância com o Parecer PGFN nº 492/2011, a declaração de constitucionalidade da Lei n º 7.689/1988, prolatada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI nº 15/DF, somente legitimaria a cobrança de tributo decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 26 de maio de 2011, data de publicação do citado Parecer, diante da verificação de que o sujeito passivo foi intimado do lançamento de ofício anteriormente à publicação. Em tal cenário, inexiste obstáculo à constituição de créditos tributários relativos a fatos geradores que precederam à publicação do Parecer PGFN nº 492/2011, já que a inércia não restou caracterizada. CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011. Mesmo antes do advento do artigo 543-B do CPC/1973, certas decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência de dessubjetivação, ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. É o caso do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, o qual transitou em julgado em 29/09/1992, estabelecendo um precedente definitivo e objetivo que, configurando circunstância jurídica nova, ao confirmar o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, possui a aptidão de fazer cessar a eficácia vinculante de decisões judiciais transitadas em julgado que lhe eram contrárias. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Repele-se o argumento que pretende escorar-se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19647.017451/2008-74
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859562
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.472
nome_arquivo_s : Decisao_19647017451200874.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 19647017451200874_5859562.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (i) quanto à coisa julgada em relação aos anos-calendário de 2003 a 2006 e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, também, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (ii) quanto à concomitância da multa isolada com a multa de ofício em relação aos anos-calendário de 2003 a 2006 e conhecê-lo, por maioria de votos, (iii) quanto à concomitância das multas em relação ao ano-calendário de 2007, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram; e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, ficaram prejudicadas as alegações relativas à decadência. Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro Luís Flávio Neto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7263372
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309488541696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.420 1 1.419 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19647.017451/200874 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.472 – 1ª Turma Sessão de 7 de março de 2018 Matéria CSLL COISA JULGADA Recorrentes WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS DO NORDESTE LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. PARECER PGFN 492/2011. EFEITOS DA COISA JULGADA. INÉRCIA DA FISCALIZAÇÃO. SITUAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. Repelese a alegação do sujeito passivo de que, em razão da inércia da Administração Tributária e em consonância com o Parecer PGFN nº 492/2011, a declaração de constitucionalidade da Lei n º 7.689/1988, prolatada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI nº 15/DF, somente legitimaria a cobrança de tributo decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 26 de maio de 2011, data de publicação do citado Parecer, diante da verificação de que o sujeito passivo foi intimado do lançamento de ofício anteriormente à publicação. Em tal cenário, inexiste obstáculo à constituição de créditos tributários relativos a fatos geradores que precederam à publicação do Parecer PGFN nº 492/2011, já que a inércia não restou caracterizada. CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 74 51 /2 00 8- 74 Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.421 2 Mesmo antes do advento do artigo 543B do CPC/1973, certas decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência de “dessubjetivação”, ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. É o caso do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, o qual transitou em julgado em 29/09/1992, estabelecendo um precedente definitivo e objetivo que, configurando circunstância jurídica nova, ao confirmar o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, possui a aptidão de fazer cessar a eficácia vinculante de decisões judiciais transitadas em julgado que lhe eram contrárias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (i) quanto à coisa julgada em relação aos anoscalendário de 2003 a 2006 e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, também, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (ii) quanto à concomitância da multa isolada com a multa de ofício em relação aos anoscalendário de 2003 a 2006 e conhecêlo, por maioria de votos, (iii) quanto à concomitância das multas em relação ao anocalendário de 2007, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram; e no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, ficaram prejudicadas as alegações relativas à decadência. Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro Luís Flávio Neto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.422 3 Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS DO NORDESTE S/A e pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão nº 1103001.006, assim ementado: “Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL COISA JULGADA RELAÇÃO CONTINUATIVA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO STF LIMITES RESP Nº 1.118.893MG. REPETITIVO. Ainda que se adotasse a teoria da transcendência dos motivos determinantes da decisão, o julgamento do REsp nº 1.118.893DF não socorreria a recorrente, pois a colocação de que a declaração de constitucionalidade da CSLL pelo STF não abala a coisa julgada (anterior) não foi ratio decidendi da decisão desse REsp, tampouco incidente de inconstitucionalidade (com ampliação da teoria, superando o art. 469, III, do CPC), mas apenas obiter dictum em sentido estrito. CSLL COISA JULGADA RELAÇÃO CONTINUATIVA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO STF LIMITES ADI Nº 152/ DF PARECER PGFN/CRJ/492/2011. Apenas a decisão em controle concentrado de constitucionalidade que é a maior verticalidade da tutela da Direito Constitucional objetivo) faz cessar a autoridade da coisa julgada anterior sem necessidade de ação revisional, nem de rescisória. Os comandos da Lei Complementar 73/93, Lei Orgânica da AGU, não são vinculativos a órgãos da administraçãojudicante, a lhes tornar cogente parecer da Fazenda Nacional. A recorrente tem decisão favorável, cujo dispositivo acobertado pela coisa julgada é a inexigibilidade da CSLL (em face de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88). Como o ADI nº 151/DF, que declarou a constitucionalidade da Lei 7.689/88, transitou em julgado em 2007, cessa a autoridade da coisa julgada automaticamente, desse momento em diante (efeito a partir de então), de modo que somente a CSLL relativa a esse ano é exigível da recorrente. MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Até agosto de 2007, a recorrente estava coberta pela autoridade da coisa julgada, sendo indevida multa isolada sobre as estimativas de CSLL até esse mês. Multa isolada para as demais estimativas igualmente descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.423 4 parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre as CSLL exigidas exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anoscalendário.” De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, a autoridade da coisa julgada obsta a exigência da CSLL relacionada aos anoscalendário de 2003 a 2006. Despacho de encaminhamento do acórdão recorrido à PGFN à efl. 955, com data de 02/10/2014. Ciência presumida da PGFN no dia 01/11/2014, conforme artigo 7º, § 3º, da Portaria MF nº 527/2010. Recurso Especial da PGFN enviado ao CARF no dia 17/11/2014, à efl. 997. Nessa oportunidade, alegouse que o acórdão ora recorrido conflita com o acórdão paradigma nº 1101001.057, que concluíra pela possibilidade de se proceder ao lançamento da CSLL, em relação a períodos de apuração regidos por legislação não abarcada pela decisão judicial transitada em julgado que considerou inconstitucional a Lei nº 7.689/1988. Nessa mesma linha, assinalouse que o acórdão paradigmático nº 1101000.914 assentara o entendimento de acordo com o qual a decisão do Supremo Tribunal Federal, proclamada nos autos de Recurso Extraordinário nº 138.284, tem o condão de fazer cessar a eficácia da coisa julgada de que desfrutava o contribuinte, beneficiado com provimento judicial determinante do afastamento da incidência CSLL com fundamento na tese de que a Lei nº 7.689/1988 contrariava a Carta Magna. No que toca à exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, a recorrente suscitou os acórdãos paradigmas nº 1101001.057 e 1202000.964, favoráveis à cobrança da referida sanção pecuniária, alicerçados no argumento de que esta não se confunde com a multa de ofício. No Recurso Especial fazendário, aduziramse ainda as seguintes razões: a) os paradigmas afirmam que a Lei nº 8.212/1991, norma de esteio da presente autuação, conforme o indicado no Termo de Verificação Fiscal, constitui fundamento legal apto a sustentar a exigência da CSLL dos contribuintes desobrigados de cumprir a Lei nº 7.689/88, por força de decisão judicial definitiva; b) após o trânsito em julgado do RE nº 138.584, ocorrido em 29/09/1992, cessou automaticamente a eficácia das decisões judiciais colidentes com o acórdão posteriormente proferido, no julgamento do aludido RE nº 138.584; c) o cerne da questão em debate cingese à abrangência temporal da decisão judicial transitada em julgado, a favor do sujeito passivo, considerando a inadmissão de seus efeitos normativos, prospectivos e futuristas, tendo em vista: Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.424 5 i. supervenientes alterações legislativas, nos aspectos formais e materiais, das regras incidentes sobre relação tributária continuativa e a relação destas alterações com a coisa julgada material; ii. que a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, declarada como motivo da decisão judicial, requerida incidentalmente, no exercício do controle difuso, não integra o dispositivo da decisão transitada em julgado. Essa perspectiva tem o reforço do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, tanto em controle concentrado como em controle em via de exceção, quando se afirmou, no âmbito da Corte Suprema, a constitucionalidade da exação tributária em lume, ressalvados os artigos 8º e 9° da Lei 7.689/1988 (ADI nº 15/DF, Relator: Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, Julgamento: 14/06/2007, Órgão Julgador: Tribunal Pleno); d) sendo certo que a relação jurídico tributária é de trato sucessivo, o decidido no mandamus não deve se sobrepor às alterações legislativas posteriores. Isso porque a imutabilidade da coisa julgada material existe sobre o pedido e sobre os fatos deduzidos na inicial, mas não sobre aqueles que exsurgiram após o julgado, pois não há que se falar em coisa julgada sobre a situação jurídica nova, ante a ausência do nexo de referibilidade e em observância à inteligência do princípio da congruência da decisão judicial com a demanda; e) a ação judicial invocada pela recorrente não apreciou as alterações posteriores (que não integram a causa de pedir da demanda), motivo pelo qual não integram a lide. Assim, não há impedimento ao surgimento dos créditos tributários oriundos da subsunção dos fatos geradores, posteriores à decisão, às hipóteses de incidência referentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; f) caso o reconhecimento da inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, de forma incidental, fosse suficiente a afastar a cobrança da exação, a superveniência das Leis nº 8.034/1990, 8.212/1991 e da Lei Complementar nº 70/1991 alterou a disciplina da Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas, reafirmando o tributo que fora instituído pela Lei nº 7.689/1988; g) na via do controle concentrado, o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade não obsta o legislador de promulgar lei de teor idêntico ao de um texto anteriormente impugnado. Dessarte, se a declaração de Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.425 6 inconstitucionalidade, em sede de controle concentrado, não impede a promulgação de nova norma de teor idêntico ou semelhante, notadamente a declaração incidental de constitucionalidade não possui o condão de impedir o legislador de produzir lei nova que venha disciplinar a matéria; h) conforme bem assentado no Parecer PGFN nº 492/2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do plenário do STF anteriores a 3 de maio de 2007, formados em sede de controle difuso de constitucionalidade e que sejam confirmados em julgados posteriores, pela Suprema Corte; i) de todo o exposto, podese concluir pela obrigatoriedade da exação tributária da CSLL, nos anoscalendário de 2003 a 2007, tendo em vista as alterações legislativas posteriores, os limites objetivos do trânsito em julgado da sentença proferida no Mandado de Segurança impetrado pela recorrida, bem como em observância à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado; j) quanto à cumulação da multa de ofício com a multa isolada, não há que se falar em duas multas sobre uma única infração, ou dupla punição; k) a aplicação da multa de ofício, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/1996, foi aplicada em razão do descumprimento, pelo mesmo sujeito passivo, do modo de pagamento da CSLL sobre base de cálculo estimada (artigo 2º da Lei 9.430/1996); l) essa sistemática de recolhimento se justifica diante da necessidade que recai sobre a União de auferir receitas no decorrer do ano, precisamente a fim de fazer face às despesas em que incorre também nesse período. Caso não ocorresse essa antecipação mensal, a União apenas teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do Ajuste Anual; m) sob essa ótica, percebese que o não pagamento de referidos tributos sobre bases estimadas é infração Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.426 7 diversa daquela consistente em desrespeito às regras de determinação do lucro real, praticada pelo sujeito passivo; n) o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 foi alterado pela Lei nº 11.488/2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%, bem assim deixando mais evidente, se dúvidas havia, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago; o) frisese que até as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo o texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata; p) diante do exposto, a União postulou seja admitido e provido o presente Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido para se restabelecer integralmente o lançamento. O sujeito passivo foi cientificado do acórdão recorrido e do Recurso Especial da PGFN em 09/07/2015, à efl. 1042. Embargos de Declaração do sujeito passivo com entrada na repartição de origem em 14/07/2015, à efl. 1044. Despacho de inadmissibilidade dos Embargos de Declaração do sujeito passivo às efls. 1294/1305. Contrarrazões do sujeito passivo apresentadas em 24/07/2015, à efl. 1054. Nessa oportunidade, alegouse que o Superior Tribunal de Justiça pacificara o entendimento, no julgamento do REsp nº 1.118.893, proferido sob a sistemática dos recursos repetitivos, que consolidou: a) o afastamento da tese de que as superficiais alterações sofridas pela Lei nº 7.689/1988 teriam o condão de macular as relações já pacificadas pela res judicata; e b) a repulsa a qualquer efeito do julgamento da ADI nº 15/DF sobre a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. O sujeito passivo também sustentou que as Leis nº 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1993 e a Lei Complementar nº 70/1991 apenas dispuseram sobre alíquota, Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.427 8 deixando de estabelecer nova relação jurídicotributária entre o contribuinte e a União. Sendo assim, os aspecto material, pessoal, espacial e temporal da hipótese de incidência não foram modificados pelas leis posteriores, motivo por que não surtem eficácia sobre o sujeito passivo. Ademais, ressaltouse o seguinte: 1) o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada na sistemática da repercussão geral – RE nº 590.809, preservou a coisa julgada ante a alteração superveniente de orientação jurisprudencial; 2) a pretensão do Fisco não pode prosperar em face de sua imobilidade, já que deixou de ajuizar a competente ação rescisória, nos termos do artigo 471, inciso I, do CPC; 3) em sintonia com o Parecer PGFN nº 492/2011, a declaração de constitucionalidade da Lei n º 7.689/1988, prolatada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI nº 15/DF, somente legitimaria a cobrança de tributo decorrente da prática de fatos geradores ocorridos a partir de 26 de maio de 2011, data de publicação do citado Parecer. Outra não teria sido a linha definida pela PGFN, ao editar o Parecer PGFN nº 975/2011; 4) o lançamento da multa isolada, especialmente aplicada no anocalendário de 2003, foi atingido pela decadência, em sintonia com o decidido nos acórdãos paradigmáticos nº 10809260 e 10809259, que se lastreram no artigo 150, § 4º, do CTN; 5) as punições impostas pela Fiscalização, nos termos em que foram lavradas, são decorrentes da uma infração única e inseparável; 6) a multa de ofício não pode ser concomitantemente exigida com a multa isolada sobre antecipações do tributo, porque a primeira absorve a última, já que não há mais estimativas devidas, ao final do anocalendário; 7) as alterações provocadas pela Lei nº 11.488/2007 não estão em choque com a posição segundo a qual a multa de ofício e a multa isolada não podem ser exigidas concomitantemente; 8) com base no exposto, requereuse o desprovimento ao Recurso Especial da PGFN. Ciência da inadmissibilidade dos Embargos de Declaração no dia 25/08/2016, à efl. 1309. Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.428 9 Recurso Especial do sujeito passivo com entrada na repartição de origem no dia 09/09/2016, à efl. 1311. Nessa oportunidade, ofereceu os acórdãos paradigma nº 9101 001.369 e 130200.658. cuja ementas traduzem que a questão em debate nos presentes autos já foi solucionada, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp nº 1.118.893. Segundo a recorrente, no primeiro paradigma estabeleceuse que o julgamento posterior da ADI nº 15/DF não pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Já no segundo paradigma afirmouse que, uma vez confirmada a inexistência da relação jurídico tributária mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, restou obstada a possibilidade de cobrança da CSLL com base nesse diploma leal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Nas razões recursais, o sujeito passivo repisou os argumentos expostos nas contrarrazões ao Recurso Especial fazendário. A PGFN foi intimada do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo no dia 15/12/2016, à efl. 1419. Contrarrazões da PGFN apresentadas neste dia. Nessa oportunidade, reiterou os argumentos exibidos em seu Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do Recurso Especial fazendário foram observados os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Também o sujeito passivo atendeu às disposições normativas que condicionam a admissibilidade do apelo a esta instância. Por isso, conheço do Recurso Especial por ele interposto. De acordo com o Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal, à efl. 22 e segs, a Fiscalização constatou que o sujeito passivo não efetuou pagamento nem declarou em DCTF a CSLL referente aos anoscalendário de 2003 a 2007. Intimado a explicar as razões da falta de pagamento, o fiscalizado respondeu que estava amparado em decisão judicial prolatada nos autos do mandado de segurança nº 90.00020700, datado de 29/05/1990, bem como no acórdão proferido no julgamento da ação rescisória nº 310/PE. Relata a autoridade fiscal que a CSLL, instituída pela Lei nº 7.689/1988, sofreu alterações provenientes das Leis nº 8.034/1990, 8.212/1991, 8.981/1995 e 9.430/1996. No aludido mandado de segurança, o impetrante sustentou que as Leis nº 7.689/1988, 7.787/1989 e 7.856/1989 são inconstitucionais. Na sentença, a autoridade judicial manifestou que a CSLL só poderia ser instituída por lei complementar, o que implica reconhecimento de inconstitucionalidade formal. Aditese que o Tribunal Regional Federal/5ª Região negou provimento à apelação e à remessa necessária, também escorado na tese da inconstitucionalidade da CSLL. Ao seu turno, o Supremo Tribunal Federal negou seguimento ao Recurso Extraordinário da União, por falta de juntada da decisão do Plenário do tribunal recorrido, no julgamento da arguição de inconstitucionalidade. Por fim, o Tribunal Regional Federal/5ª Região negou provimento à ação rescisória nº 310/PE. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.429 10 Também descreve a autoridade autuante, no Termo já referido, que, em resposta à consulta formulada, a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional concluiu que “a sentença proferida no MS 90.00020700 apreciou um feito cujo suporte é constituído por relações continuativas, e como tal, dita decisão atende aos pressupostos do tempo em que foi proferida, sem, entretanto, atingir a própria relação jurídica, que continua sujeita às variações de seus elementos.” Com efeito, a sentença do mandado de segurança nº 90.00020700 está datada de 27/07/1990. Embora a Lei nº 8.034/1990 já estivesse em vigor (pois data de 12/04/1990), não foi apreciada pelo juiz da causa, assim como não o foram – e não haveria como ser diferente – as Leis nº 8.212/1991, 8.981/1995 e 9.430/1996, porque são posteriores à decisão judicial de primeira instância, como também o são a Lei Complementar nº 70/1991, a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/19941, a Emenda Constitucional nº 10/19962 e a decisão do Supremo Tribunal Federal prolatada no julgamento da ADI nº 15/DF3. Como o trânsito em julgado ocorreu em 03/09/1992, de acordo com efl. 577, a sentença estabilizada pela força da coisa transitada em julgado não levou em consideração as normas que lhe são posteriores e reguladoras de relações jurídicotributárias, que são de trato sucessivo. Essas normas foram veiculadas por leis diversas, conforme explicações abaixo. O sujeito passivo alega que o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento, no julgamento do REsp nº 1.118.893, proferido sob a sistemática dos recursos repetitivos, consolidando, ao que defende: c) o afastamento da tese de que as superficiais alterações sofridas pela Lei nº 7.689/1988 teriam o condão de macular as relações já pacificadas pela res judicata; e d) a repulsa a qualquer efeito do julgamento da ADI nº 15/DF sobre a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. No tocante aos efeitos do julgamento do REsp nº 1.118.893 sobre a sentença proferida no mandado de segurança nº 90.00020700, adoto as razões já expostas com maestria pelo ilustre Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, no acórdão 9101002.530, ao julgar questão semelhante (os efeitos do REsp nº 1.118.893 sobre a decisão proferida no julgamento 1 ECR nº 1/1994: "Art. 1.º Ficam incluídos os arts. 71, 72 e 73 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a seguinte redação: ......... Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: ......... III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1.º do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, passa a ser de trinta por cento, mantidas as demais normas da Lei n.º 7.689, de 15 de dezembro de 1988;" 2 EC nº 10/1996: "Art. 2º O art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: ........... III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988;" 3 ADI nº 15/DF: "...3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo Tribunal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela alíena b de do permissovo constitucioanl, que devolve ao STF o conhecimento de toda a questão de constitucionalidade da lei." Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.430 11 da apelação contra a sentença exarada nos autos do mandado de segurança nº 90.01.052797 MG): “A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em (sic) desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARF – Anexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG.” A exemplo do que se ressaltou no acórdão nº 9101002.530, cabe aduzir ao fato de que a Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994 quanto em 1996 — anos anteriores aos anos calendário do período entre 2003 e 2007 – foi constitucionalmente reafirmada pelas Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996, ao recorreram à expressão “mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”. Ademais, como se adiantou em linhas precedentes, após o trânsito em julgado da sentença prolatada no mandado de segurança nº 90.00020700, diversas normas foram editadas antes de 2003 (primeiro anocalendário do lançamento de ofício) para tratar da CSLL: Leis 8.541/1992 (artigos 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 8.981/1995 (artigos 35, 37, 54, 55, 57, 58, 59, 97, 100, 105), 9.249/1995 (artigos 19 e 20), 9.430/96 (artigos 28 a 30, sendo que o artigo 28 remete aos artigos 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei), 10.637/2002 (artigos 35 a 37 e 45), afora as Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996. Desse rol, apenas as Leis nº 8.383/1991 e 8.541/1992 foram abarcadas pelo REsp nº 1.118.893. Vale dizer: não se pode pretender que os efeitos do REsp nº 1.118.893 sejam estendidos ao caso ora em julgamento, pois o Superior Tribunal de Justiça não examinou as alterações legislativas aqui relacionadas, que dizem respeito ao fato gerador da CSLL. Adicionalmente, insta salientar que o Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal menciona as Leis nº 8.981/1995 e 9.430/1996, que refletem a CSLL no seguinte: a) Lei nº 8.981/1995: Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.431 12 “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995)” b) Lei nº 9.430/1996: “Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei.” Isto posto, é inevitável a percepção de que os dispositivos acima, não obstante o alicerce que emprestam ao lançamento de ofício, não são lembrados no REsp nº 1.118.893. Assim, pela perspectiva ora apontada, desacolhese a extensão dos efeitos do REsp nº 1.118.893 ao caso ora apreciado, sem descumprir o artigo 62, § 2º, do RICARF – Anexo II. No passo subsequente, é preciso trazer à baila o fato de que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 146.733, em 29/06/1992, o Pleno do Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede controle difuso, a constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (com exceção do artigo 8º). Tal entendimento foi confirmado no julgamento do RE nº 138.284, também pelo Pleno do STF, em 01/07/1992, e no julgamento da ADI nº 15/DF, em 14/06/2007. Recordese que o acórdão do RE nº 138.284 transitou em julgado em 29/09/1992, sendo que, em 12/04/1995, foi publicada a Resolução do Senado Federal n º 11, de 04/04/1995, que suspendeu a execução do já referido artigo 8º da Lei nº 7.689/1988. Em face do exposto, impõese suscitar a tendência de “dessubjetivação” do controle de constitucionalidade na modalidade difusa, a constituir uma mudança de paradigma, segundo revelam os seguintes exemplos, nas lembranças do Parecer PGFN nº 492/2011: “i) entendimento, manifestado pelo STF, no julgamento da ADIN nº 4071, no sentido de que a existência de prévia decisão do seu Plenário considerando constitucional determinada norma jurídica, ainda que em sede de Recurso Extraordinário (em controle difuso, portanto), torna manifestamente improcedente ADIN posteriormente ajuizada contra essa mesma norma. Tal entendimento evidencia que a natureza e a extensão dos efeitos oriundos das decisões dadas, pelo STF, em controle concentrado e em controle difuso de constitucionalidade não diferem substancialmente; do contrário, caso as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade apenas vinculassem as partes da demanda concreta, a ADIN antes referida deveria ter sido conhecida e julgada improcedente, justamente a fim de conferir eficácia vinculante erga omnes ao juízo de constitucionalidade da lei analisada; (ii) aplicação do art. 27 da Lei nº 9.868/99 (que, tradicionalmente, servia como instrumento de manejo restrito ao âmbito do controle concentrado de constitucionalidade) às decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso, de forma a lhes modular os efeitos temporais por razões atinentes à “segurança jurídica ou de excepcional interesse social”, o que apenas parece fazer algum sentido caso se admita que a força dessas decisões extrapola o âmbito das demandas concretas por elas especificamente disciplinadas, estendendose, também, a todas as outras demandas em que se discuta a mesma questão nela debatidas; Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.432 13 (iii) criação do instituto da repercussão geral e a sua previsão como requisito de admissibilidade dos recursos extraordinários (ex vi do art. 102, §3º, da CF/88, incluído pela Emenda Constitucional n. 45, de 30 de dezembro de 2004), de modo a permitir que apenas aqueles recursos que tratem de questões constitucionais relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa, cheguem à apreciação da Suprema Corte; (iv) já há manifestação monocrática, oriunda do STF, da lavra do Ministro GILMAR FERREIRA MENDES e acompanhada pelo Min. EROS GRAU, considerando cabível – e procedente Reclamação Constitucional ajuizada em face da desobediência, por juiz singular, de decisão proferida pela Suprema Corte nos autos do HC n. 82959/SP12 (em controle difuso, portanto), sob o fundamento de que as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade ostentam eficácia vinculante erga omnes, independentemente da posterior edição de Resolução pelo Senado Federal, elaborada na forma do art. 52, X da CF/88, a qual teria apenas, hodiernamente, o condão de imprimir publicidade a tais decisões. Tratase de decisão monocrática proferida nos autos da Reclamação Constitucional nº 4.335/AC, cujo julgamento se encontra, atualmente, sobrestado em razão do pedido de vista feito pelo Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, em 19/04/2007; (v) em outro relevante julgamento, proferido nos autos das ADIN nº 3345 e 3365, restou definido que os “motivos determinantes” subjacentes às decisões proferidas pela Suprema Corte em sede de controle difuso de constitucionalidade ostentam “efeitos vinculantes transcendentes”, de modo que sua eficácia vinculante extrapola a esfera restrita e específica das demandas individuais nas quais tais decisões são proferidas, vinculando o destino das demais que enfrentem questão jurídica semelhante.” Perante tal panorama, mostrase irretorquível, mormente à luz da luminosa explanação do Parecer PGFN nº 492/2011, que as decisões em controle de constitucionalidade, quando proferidas pelo órgão Plenário do STF, independentemente de posterior expedição de Resolução do Senado, assumem um caráter objetivo, porquanto desprendidas do caso concreto, uma vez que a questão submetida à jurisdição da Corte Suprema é analisada em tese, ainda que incidentalmente. Por esse ângulo, o recurso extraordinário deixa de ser uma simples via de resolução de conflitos de interesses entre as partes, de caráter subjetivo, para tornarse um modo de defesa da ordem constitucional objetiva. Em suma, em tais circunstâncias, o julgamento do recurso extraordinário deve ser visto como uma atividade jurisdicional que transcende os interesses subjetivos. Conforme clarifica o Parecer PGFN nº 492/2011, a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairão sobre os desdobramentos futuros da declaração de existência (ou inexistência) da relação jurídica de direito material de trato sucessivo, enquanto permanecerem inalterados os suportes fáticos e jurídicos existentes ao tempo de sua prolação. Uma vez alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes no momento da prolação da sentença, esta naturalmente deixará de produzir efeitos desde então. Registrese que a alteração legislativa não é a única possibilidade de mudança no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão judicial transitada em julgado. A consolidação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em sentido diverso da decisão judicial transitada em julgado pode representar significativa mudança no suporte jurídico sob o qual o juízo de certeza nela contido se formou, e assim fazer cessar a eficácia vinculante dela emanada. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.433 14 É cediço que o advento de precedente objetivo e definitivo do STF, em controle concentrado, possui força para alterar o sistema jurídico vigente. De fato, quando o STF, no exercício sua missão institucional, reconhece a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de um determinado dispositivo legal, o que daí resulta é a resolução definitiva acerca da aptidão, ou não, da incidência desse dispositivo. Claro que isso deverá refletirse, por consequência, nas relações jurídicas que tenham suporte no dispositivo cuja constitucionalidade fora objeto do controle concentrado. Isso porque, dada a função institucional do STF, o advento de um precedente em controle concentrado possui o condão de conferir ao dispositivo legal apreciado o atributo de uma norma definitivamente interpretada pelo órgão judicial que tem a última palavra sobre o tema. Daí que, considerando tal atributo, todas as dúvidas tornamse solucionadas em face de um juízo de certeza sobre o assunto. Por tal viés, compreendese que as decisões definitivas incorporamse ao sistema jurídico vigente, acrescentandolhe um elemento até então inexistente, que consiste no juízo de certeza acerca da constitucionalidade, ou não, de uma determinada lei, ou acerca da interpretação correta de uma determinada norma constitucional. Em outras palavras, esse juízo de certeza se prende ao próprio dispositivo legal interpretado, cuja aplicação deverá estar nele pautado. Contudo, nos dias atuais, tanto impactam o sistema jurídico vigente as decisões do STF em controle concentrado como em controle difuso, independentemente de posterior edição de Resolução do Senado prevista no artigo 52, inciso X, da Constituição da República de 1988. Mesmo antes do advento do artigo 543B do CPC/1973, as decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência “dessubjetivação”, já ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. Com essa visão, o Parecer PGFN nº 492/2011 manifesta que, por serem objetivos e definitivos, os precedentes do STF em controle difuso de constitucionalidade possuem força para alterar ou impactar o sistema jurídico, nos seguintes termos: (i) os posteriores a 3 de maio de 2007 (lembrando que 3 de maio de 2007 corresponde à data de alteração regimental do STF, decorrente da aprovação da Lei nº 11.488/2006), seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, contanto que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (ii) os anteriores a 3 de maio de 2007, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário e confirmados em julgamentos posteriores do STF. Diante disso, constatase que, com o trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, em 29/09/1992, estabeleceuse um precedente que se constituiu num parâmetro objetivo de constitucionalidade, confirmando o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, embora o trânsito em julgado deste último tenha ocorrido em 13/04/1993. Convém ter em mente que a autuação fiscal alcançou fatos geradores de CSLL entre 2003 e 2007. Por conseguinte, antes desse interregno já havia sido emitido pelo STF um precedente objetivo e definitivo que se consolidou em 03/09/1992. Como visto, não pode prevalecer o argumento de relativização da coisa julgada, já que não se retrocedeu para alcançar fatos passados antes da circunstância jurídica nova, isto é, antes do precedente objetivo e definitivo decorrente do julgamento do RE nº 138.284. Nessa linha, a decisão do STF, no julgamento da ADI nº 15/DF, apenas reafirmou o entendimento da Corte manifestado em sede de controle difuso de constitucionalidade, como se pode constatar nos acórdãos referidos em sua ementa. Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.434 15 Concluise, pois, que a sentença transitada em julgado, proferida nos autos do mandado de segurança nº 90.00020700, não possuía eficácia sobre os fatos geradores de CSLL relatados na autuação fiscal, motivo por que deve ser mantido o lançamento de ofício. Repelese, ainda na oportunidade, a alegação do sujeito passivo de que, em consonância com o Parecer PGFN nº 492/2011, a declaração de constitucionalidade da Lei n º 7.689/1988, prolatada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI nº 15/DF, somente legitimaria a cobrança de tributo decorrente da prática de fatos geradores ocorridos a partir de 26 de maio de 2011, data de publicação do citado Parecer. No mesmo roldão, repudiase o mesmo argumento do sujeito passivo com o suposto supedâneo do Parecer PGFN nº 975/2011. O Parecer PGFN 492/2011 é claro ao expressar que a Fiscalização deve promover o lançamento de ofício para tributar, com exclusividade, os fatos que lhe forem posteriores, apenas nos casos em que a inércia da Administração Tributária ultrapassar a data de sua publicação. Não é o que ocorreu, em concreto, porquanto o contribuinte foi intimado do lançamento de ofício em 07/10/2008. Nesse cenário, a inércia a que se refere o Parecer não está caracterizada, em concreto. Presentes os argumentos acima colacionados, opino no sentido de dar provimento ao Recurso Especial fazendário e negar provimento ao apelo especial do sujeito passivo, no tocante ao tema examinado. No ponto seguinte, a multa isolada. O pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do imposto por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.435 16 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; " Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em questão depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social devidos ao final do anocalendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição então dominante consagrouse neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.436 17 Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. Tal entendimento está alinhado ao pensamento do Conselheiro Alberto Pinto Silva Júnior, conforme acórdão nº 1302001.8263, sessão de 06/04/2016, assim anunciado: “Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime .” A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao prescrever que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.437 18 Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Complementese o exposto com a orientação extraída do acórdão nº 9101 002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016, no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, § 2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos.” A tese de que a infração que motiva a multa isolada é absorvida, por consunção, pela infração que dá causa à multa de ofício, não pode prosperar, por sua própria fraqueza. Consoante o magistério de Luiz Regis Prado4, na consunção, “determinado crime (norma consumida) é fase de realização de outro (norma consuntiva) ou em uma forma regular de transição para o último – delito progressivo”. Destaquemse, pois, as infrações do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 que dizem respeito à lide, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, para a devida análise: a) no inciso I, falta de pagamento do tributo, falta de recolhimento do tributo, falta de declaração ou apresentação de declaração inexata; b) no inciso II, alínea “b”, deixar de efetuar o pagamento de estimativas. De modo algum é possível asselar que deixar de efetuar o pagamento de estimativa constitui fase de realização da falta de pagamento de tributo apurado na declaração de ajuste. Em outras palavras, não se pode dizer que, aquele não pagou o tributo apurado na declaração de ajuste, anteriormente deixou de efetuar o pagamento de estimativas. Em outro sentido, deixar de efetuar o pagamento de estimativas também não constitui regular transição para a falta de pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste. Deixar de efetuar o pagamento de estimativa não é uma etapa antecedente necessária pela qual o agente antes atravessa para deixar de realizar o pagamento do tributo apurado na declaração. De igual modo, é impossível afirmar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é fase de realização da entrega de declaração inexata ou da omissão da entrega da declaração de ajuste, tanto quanto é impossível sustentar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é uma forma regular de transição para a apresentação de declaração inexata ou para a omissão de declaração de ajuste. 4 Curso de direito penal brasileiro, volume I parte geral, arts. 1º a 1º a 120, 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 190. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 9101003.472 CSRFT1 Fl. 1.438 19 Inequivocamente, não há interligação por necessariedade entre quaisquer das modalidades de infração do inciso I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação atual, e a infração do inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo. A pessoa jurídica pode ser omissa em relação à entrega de declaração de ajuste, ou pode ter apresentado declaração de ajuste inexata, e ter efetuado corretamente os pagamentos de estimativas. Também não há necessariedade entre deixar de pagar o tributo apurado na declaração de ajuste e deixar de pagar a estimativa, ou seja, uma pessoa jurídica pode ser omissa em relação ao pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste sem ter deixado de efetuar os pagamentos devidos de estimativa. À vista do exposto, repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Contudo, as multas isoladas foram aplicadas sobre fatos ocorridos nos períodos de apuração pertencentes ao lapso temporal entre 2003 e 2007. Tendo em conta tal intervalo, é indispensável destacar, em consonância com a jurisprudência deste órgão julgador, a aplicação da Súmula CARF nº 105 para os fatos geradores compreendidos entre os anos calendário de 2003 a 2006, os quais são anteriores à entrada em vigor da Lei nº 11.488/2007. Nessa ordem de ideias, não se pode conhecer do Recurso Especial da PGFN, no que importa à exigência da multa isolada relativamente ao interregno entre 2003 e 2006, nos termos do artigo 67, § 2º, do RICARFAnexo II, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Na parte conhecida, devese dar provimento, em face dos efeitos da Lei nº 11.488/2007 a partir do anocalendário de 2007. Conclusão: conheço parcialmente do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento; conheço do Recurso Especial do sujeito passivo para, no mérito, negarlhe provimento, restando prejudicadas as alegações referentes à decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 1438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.686567/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
Ementa:
PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 Ementa: PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.686567/2009-00
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5865598
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.731
nome_arquivo_s : Decisao_10880686567200900.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880686567200900_5865598.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7295203
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309500076032
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-09T13:56:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-09T13:56:57Z; Last-Modified: 2018-05-09T13:56:57Z; dcterms:modified: 2018-05-09T13:56:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:601dc21b-ebd3-4fff-af13-ead599540f5b; Last-Save-Date: 2018-05-09T13:56:57Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-09T13:56:57Z; meta:save-date: 2018-05-09T13:56:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-09T13:56:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-09T13:56:57Z; created: 2018-05-09T13:56:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-05-09T13:56:57Z; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-09T13:56:57Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 107 1 106 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.686567/200900 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.731 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CÁRDIO SISTEMAS COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Ementa: PROCESSUAL VERDADE MATERIAL LIMITES PROVA POSTERIOR OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 65 67 /2 00 9- 00 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 108 2 Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (DERAT), o pedido de compensação anteriormente transmitido pelo contribuinte não foi homologado, uma vez que, nos termos constates do Despacho exarado, contatouse que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, preliminarmente, que o crédito não foi identificado, uma vez que houve um erro interno, já que, uma vez identificado o pagamento indevido ou a maior, olvidou se de retificar as suas DCTF's. Assim, segundo alega, esta ausência de retificação impossibilitou a fiscalização de identificar o crédito apontado em seu pedido de compensação. Afirma que retificou as DCTF's após o recebimento dos despachos decisórios, que acabaram por não homologar os diversos pedidos de compensação apresentados no período. Alegou, ainda, que o seu direito creditório decorre da interpretação da Receita Federal do Brasil, exarada na resposta de consulta de nº 07/2009, em que restou definido que "a venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para uso (de prateleira, standard) é classificada como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é de oito por cento". Com essa nova interpretação, alegou, o Recorrente, que identificou o erro na apuração do IRPJ e da CSLL, resultando em um recolhimento indevido ou a maior destes tributos. E exatamente por conta desses recolhimentos a maior é que apresentou os pedidos de compensação, utilizando os créditos originados do pagamento indevido ou a maior (resultantes da interpretação exarada pela Receita Federal do Brasil), para pagar débitos próprios, nos termos e contornos exigidos pela legislação. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente. Como fundamento da decisão, o acórdão considerou (i) a impossibilidade de se analisar as DCTF's retificadas após o início do procedimento fiscal e (ii) que o contribuinte não comprovou que fabrica software prontos para o uso (de prateleira). Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 109 3 No que tange às retificações das DCTF's, o Recorrente alega que mesmo tendo sido as retificações realizadas após o procedimento fiscal, são elas as DCTF's retificadas que comprovam a realidade das suas operações e que, por isso, não podem ser desprezadas pelos órgãos judicantes. Por outro lado, anexa aos autos documento em que detalha o seu processo de produção, para concluir que produz softwares prateleira e, por isso, teria o direito de se valer da forma de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos exarados pela Receita Federal do Brasil, através de solução de consulta. Junta aos autos, ainda, planilha em que segrega suas vendas, com arrimo na DIPJ, que também anexa aos autos. Assim, pede provimento ao Recurso Voluntário e o consequente reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/09/2011, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 30/09/2011, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente alega que o seu direito creditório não foi reconhecido, uma vez que, por erro interno, não promoveu a retificação das suas DCTF's, quando identificou que havia calculado de forma equivocada o IRPJ e CSSL. Argumenta, ainda, que o erro no cálculo dos tributos se deu pela constatação de que a Receita Federal do Brasil se posicionou, via solução de consulta, pelo cálculo diferenciado das exações, quando houvesse a comercialização dos chamados "softwares de prateleiras". Contudo, mesmo tendo sido trazidos esses argumentos ao julgador a quo, em sede de Manifestação de Inconformidade, a DRJ entendeu por bem em não considerar as alegações e, em especial, as retificações das DCTF's do contribuinte, julgando como improcedente aquela Manifestação. Pois bem. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de São Paulo (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 110 4 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 111 5 antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, as DCTF's que foram retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF onde o contribuinte tem domicílio fiscal, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de pagamento indevido ou a maior e, em consequência, se são passíveis de compensação, como pretendeu o Recorrente quando apresentou a PerDcomp. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além das DCTF's retificadas, descrição do processo produtivo do contribuinte e planilha em que, a princípio, se fez a segregação das receitas apuradas pelo contribuinte no período em análise. Tendo em vista o acima exposto e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos invocados pelo Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF onde o contribuinte tem domicílio fiscal, para que esta possa: 1) Apurar, com base nas DCTF's retificadas e nos demais documentos contábeis e fiscais da empresa que julgar necessário, se existe o direito creditório invocado pelo contribuinte; 2) Existindo o direito creditório, informar, de forma pormenorizada, os valores dos créditos e se estes são suficientes para liquidar os débitos indicados no presente pedido de compensação; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 112 6 3) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim o desejar; 4) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias. Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca redator designado. Venia concessa às judiciosas ponderações do Ilustre Relator mas, delas, ousei discordar, no que fui acompanhado pela maioria qualificada de meus pares. Aqui, vejam bem, existem dois motivos para entender que, ainda que o direito ao crédito seja plausível, semelhante plausibilidade somente alçaria ares de verdade absoluta a partir da prova de que: a) as DCTFs retificadas contemplavam informações corretas e acompanhadas de documentos que lhes comprovavam a veracidade; b) tendo origem em classificação equivocada da atividade desenvolvida, mormente quanto ao tipo de software que seria objeto de venda ou cessão, trouxesse o contribuinte a prova de que, efetivamente, seus programas de computador seriam aqueles considerados como de prateleira (isto é, softwares fechados, sem transferência de código fonte). O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes dois fatos, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, e no caso presente, como as premissas do pleito compensatório eram, num primeiro momento, a existência do crédito a partir da retificação de DCTFs e, num segundo momento, o erro de classificação da atividade do contribuinte (que, digase, resultou, justamente, na retificação da declaração anteriormente citada), competia ao contribuinte, desde Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 113 7 a sua manifestação de inconformidade, nos estritos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.2351, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. E nem se diga que ao caso se aplicaria a exceção descrita na alínea "c", acima, já que o próprio contribuinte cuidou de informar que a origem dos créditos objetos deste feito seria a já citada reclassificação de sua atividade (de prestação de serviços para comercialização de produtos/mercadorias); ou seja, a natureza dos softwares, a parcela da receita a que se referiria a venda destes softwares, e a veracidade das informações contidas nas DCTFs retificadoras não são questões novas, surgidas apenas a partir do julgamento realizado pela DRJ; foram, desde logo, suscitadas pelo recorrente (conforme se extrai especificamente da alegação constante de efls. e, digase, não demonstradas. Não podemos, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, por fundamentos meta jurídicos2, e ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou a própria DRJ, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Insisto, não encontro óbices para considerar as informações prestadas mediante declaração retificadora após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo já aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas. Como não se verificam, no concreto, a ocorrência das situações descritas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235 e, lado outro, como o contribuinte não produziu as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto anteriormente invocado, como, também, e como já dito, o princípio da isonomia. 1 A que está sujeito procedimento instaurado a partir da oposição da manifestação de inconformidade, por força de previsão explicita contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. 2 Ainda que me condoa do contribuinte e ainda que, aparentemente, haja uma "fumaça de bom direito" em sua tese, a prova de sua efetiva existência tinha que ter sido produzida no momento oportuno. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.686567/200900 Acórdão n.º 1302002.731 S1C3T2 Fl. 114 8 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002111/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 23/03/2000, 24/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 14/08/2000, 15/08/2000
IOF. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. T-BILLS. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA ESTRANGEIRA E POSTERIOR VENDA A EMPRESAS BRASILEIRAS, COM PAGAMENTO À VISTA EM REAIS. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA.
A operação de aquisição de títulos do Tesouro Norte-americano ("Treasury Bills" ou "T-Bills") seguida da revenda a empresa brasileira com pagamento em reais, em negócio realizado às margens do Sistema Financeira Nacional e do controle do Banco Central do Brasil, configura o fato gerador do IOF sobre operações de câmbio, a teor do art. 63 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 2.219/97, por envolver documento representativo de moeda estrangeira.
SIMULAÇÃO NEGOCIAL. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A simulação de negócios jurídicos com títulos representativos de moeda estrangeira (T-Bills) objetivando a dissimulação de operação de câmbio caracteriza fraude, tal qual descrita no art. 73 da Lei nº 4.502/64, por pretender modificar características essenciais do fato gerador e evadir-se ou diferir o recolhimento do tributo devido - IOF-Câmbio -, ensejando a imposição da multa qualificada, nos moldes do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
INOVAÇÃO OU ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Não se verifica inovação da acusação fiscal ou mesmo modificação dos critérios jurídicos do lançamento a referência, em julgamento e voto, à ocorrência de negócio jurídico simulado, quando o relatório de autuação destaca textualmente a realização de operações com títulos da dívida norte-americana (T-Bills) como artifício para acobertamento do negócio almejado, in casu, operação de câmbio.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator, Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e os Conselheiros André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 23/03/2000, 24/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 14/08/2000, 15/08/2000 IOF. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. T-BILLS. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA ESTRANGEIRA E POSTERIOR VENDA A EMPRESAS BRASILEIRAS, COM PAGAMENTO À VISTA EM REAIS. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A operação de aquisição de títulos do Tesouro Norte-americano ("Treasury Bills" ou "T-Bills") seguida da revenda a empresa brasileira com pagamento em reais, em negócio realizado às margens do Sistema Financeira Nacional e do controle do Banco Central do Brasil, configura o fato gerador do IOF sobre operações de câmbio, a teor do art. 63 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 2.219/97, por envolver documento representativo de moeda estrangeira. SIMULAÇÃO NEGOCIAL. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A simulação de negócios jurídicos com títulos representativos de moeda estrangeira (T-Bills) objetivando a dissimulação de operação de câmbio caracteriza fraude, tal qual descrita no art. 73 da Lei nº 4.502/64, por pretender modificar características essenciais do fato gerador e evadir-se ou diferir o recolhimento do tributo devido - IOF-Câmbio -, ensejando a imposição da multa qualificada, nos moldes do art. 44 da Lei nº 9.430/96. INOVAÇÃO OU ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não se verifica inovação da acusação fiscal ou mesmo modificação dos critérios jurídicos do lançamento a referência, em julgamento e voto, à ocorrência de negócio jurídico simulado, quando o relatório de autuação destaca textualmente a realização de operações com títulos da dívida norte-americana (T-Bills) como artifício para acobertamento do negócio almejado, in casu, operação de câmbio. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.002111/2005-21
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861272
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.436
nome_arquivo_s : Decisao_16327002111200521.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 16327002111200521_5861272.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator, Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e os Conselheiros André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan- Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7273179
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309505318912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2159; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 959 1 958 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002111/200521 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.436 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria IOF Recorrente CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 23/03/2000, 24/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 14/08/2000, 15/08/2000 IOF. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. TBILLS. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA ESTRANGEIRA E POSTERIOR VENDA A EMPRESAS BRASILEIRAS, COM PAGAMENTO À VISTA EM REAIS. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A operação de aquisição de títulos do Tesouro Norteamericano ("Treasury Bills" ou "TBills") seguida da revenda a empresa brasileira com pagamento em reais, em negócio realizado às margens do Sistema Financeira Nacional e do controle do Banco Central do Brasil, configura o fato gerador do IOF sobre operações de câmbio, a teor do art. 63 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 2.219/97, por envolver documento representativo de moeda estrangeira. SIMULAÇÃO NEGOCIAL. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A simulação de negócios jurídicos com títulos representativos de moeda estrangeira (“TBills”) objetivando a dissimulação de operação de câmbio caracteriza fraude, tal qual descrita no art. 73 da Lei nº 4.502/64, por pretender modificar características essenciais do fato gerador e evadirse ou diferir o recolhimento do tributo devido IOFCâmbio , ensejando a imposição da multa qualificada, nos moldes do art. 44 da Lei nº 9.430/96. INOVAÇÃO OU ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não se verifica inovação da acusação fiscal ou mesmo modificação dos critérios jurídicos do lançamento a referência, em julgamento e voto, à ocorrência de negócio jurídico simulado, quando o relatório de autuação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 11 /2 00 5- 21 Fl. 959DF CARF MF 2 destaca textualmente a realização de operações com títulos da dívida norte americana (“TBills”) como artifício para acobertamento do negócio almejado, in casu, operação de câmbio. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator, Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e os Conselheiros André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, situado às fls. a 621 a 625 (Volume 01), lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IO/Câmbio), acrescido de juros de mora e de multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, referente aos fatos geradores de 23/03/2000, 24/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 14/08/2000, 15/08/2000, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 43.945.304,14. 2. Em conformidade com o termo de encerramento de fiscalização, situado às fls. 610 a 615 (Volume 01), o lançamento de ofício ocorreu em razão de a autoridade fiscal, em procedimento fiscalizatório realizado em empresas do GRUPO PARMALAT, ter constatado que a contribuinte ora recorrente realizou operações de compra e venda de TBills ("United States Treasury Bills"), títulos da dívida pública norteamericana, indicativo da "(...) compra de um ativo, a efetivação de uma aplicação financeira" que, segundo a autuante, configuraria, na verdade, a prática de "(...) operações de câmbio atípicas, não usuais", caracterizadoras, portanto, do fato gerador do imposto incidente sobre operações de câmbio. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 960 3 3. Em 27/12/2005, foi lavrado termo de ciência, situado às fls. 626 a 627 (Volume 01), com fundamento no inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235/1976, pois, tendo comparecido a autoridade fiscal ao edifício do "(...) escritório da empresa em São Paulo" para cientificar a contribuinte, foi informada pela recepcionista do prédio que o representante da ora recorrente "(...) não receberia nenhuma pessoa da Receita Federal". 4. Em 27/01/2006, a contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 635 a 659 (Volume 01), na qual alegou, preliminarmente, que: (i) seria inaplicável a multa qualificada de 150% em virtude da ausência dos pressupostos legais e materiais para a sua aplicação, o que deveria ser apreciado em sede preliminar, uma vez que a análise da legalidade de sua aplicação determinaria o dies a quo da contagem do prazo decadencial; (ii) uma vez afastada a qualificação da multa, o reconhecimento da decadência decorrente da aplicação tanto do §4º do art. 150, como também do inciso I do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional; e, quanto ao mérito, que: (iii) não se verifica, no presente caso, o fato gerador do IOF, uma vez que não houve câmbio de moeda nacional por moeda estrangeira ou viceversa, operação objeto de contrato específico e liquidável por ocasião da efetivação da troca; (iv) a indevida equiparação da contribuinte a instituição financeira; (v) a inexistência de operação de câmbio ilegítima nos termos dos arts. 1º e 2º do Decreto nº 23.258/1933; (vi) na verdade, parte das operações realizadas pela contribuinte se consubstanciam em aquisição de título de crédito em moeda estrangeira no exterior, regularmente comprovadas e contabilizadas, não tendo havido operação de câmbio, mas mera substituição de título de crédito adquirido de empresa domiciliada no exterior com valor expresso em moeda estrangeira pelos recursos decorrentes de sua venda; e (vii) inaplicabilidade da multa de ofício prevista no art. 15 do Decreto nº 2.219/1997 em virtude da não ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. 5. Em 04/09/2006, a 1ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0211.568, situado às fls. 666 a 689 (Volume 01), de relatoria do AuditorFiscal José Roberto Vieira Araújo, entendeu, por unanimidade de votos, ser a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Assunto. Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários 10F Data do fato gerador: 23/03/2000, 24/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 14/08/2000, 15/08/2000 Ementa: O prazo decadencial de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I, do CTN, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Uma vez demonstrado que as operações com títulos custodiados no exterior tiveram como intuito o mascaramento de transações cambiais, manifestase o fato gerador do tributo incidente sobre as operações de câmbio cuja ocorrência, a compra e venda de títulos, pretendia evitar ou subtrair ao conhecimento da autoridade administrativa. Fl. 961DF CARF MF 4 A multa de oficio será qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, tendente a ocultar dolosamente da administração a ocorrência do fato gerador A ocultação do fato gerador do IOFCâmbio intentada pelo encobrimento de operações de câmbio com o ajuste de várias pessoas, constitui conluio, fraude e sonegação, nos termos da lei. 6. Intimada por meio de envio postal em 04/10/2006, conforme aviso de recebimento de fl. 692, a contribuinte apresentou, em 06/11/2006, recurso voluntário, situado às fls. 701 a 772 (Volumes 01 e 02), em cujas razões reiterou os argumentos de sua impugnação. Consignase que, na mesma oportunidade, apresentou duas relações de bens e direito para arrolamento, situada às fls. 774 a 776 e, posteriormente, em 09/12/2006, a relação de bens e direitos para arrolamento substitutivo ao arrolamento complementar, situado às fls,. 790 a 791. 7. Em 03/06/2008, foi proferido o Acórdão nº 20312.951, situado às fls. 800 a 814, pela extinta 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, sob a relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário e, por conseqüência, anular o auto de infração lavrado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 23/03/2000, 29/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 19/08/2000, 15/08/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO PESSOAL. RECUSA. CARACTERIZAÇÃO. Não resta caracterizada a recusa da ciência de auto de infração quando esta não se fiz acompanhar de termo próprio, lavrado na presença de testemunhas, de modo a que se permita sabei; inclusive, o local e a data de sua lavratura. Somese ao fato de que, no caso, os documentos objeto da intimação não foram entregues ao autuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA VIA POSTAL. Considerase feita a intimação na data do recebimento quando realizada por via postal. DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO. Cientificado o sujeito passivo do lançamento após o prazo legal estipulado para o Fisco fazêlo, deve ser cancelado o auto de infração. Recurso provido. 8. Em 09/10/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, situado às fls. 818 a 829, requerendo, em síntese, não estar decaído o direito de constituição do crédito tributário. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 961 5 9. Em 05/02/2009, foi proferido o Despacho de Admissibilidade nº 203027, situado às fls. 831 a 832, assinado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Presidente da extinta 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que aprovou o prosseguimento do recurso especial interposto e determinou a intimação da contribuinte interessada. 10. A contribuinte, intimada mediante aviso postal em 26/03/2009, em conformidade com o aviso postal situado à fl. 837, apresentou, em 13/04/2009, contrarazões de recurso especial, situadas às fls. 839 a 857, requerendo a manutenção da decisão recorrida. 11. Em 10/04/2012, foi proferido o Acórdão CSRF nº 930301.928, situado às fls. 864 a 875, de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no qual a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, por voto de qualidade, dar provimento integral ao recurso especial interposto, afastando a decadência e determinando o retorno dos autos ao colegiado recorrido para enfrentar as demais questões trazidas no recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. Data do fato gerador: 23/03/2000, 24/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 14/04/2000, 14/08/2000, 15/08/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO PESSOAL. RECUSA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza recusa a receber a intimação fiscal o fato de os prepostos da autuada agiram de forma coordenada para impedir, intencionalmente, o Fisco de proceder a ciência do lançamento de ofício, inclusive, com alegações falsas de não deterem mandato para tal, ou de se recusarem a receber os agentes fiscais. Lavrada declaração de ciência que atesta a recusa por parte do sujeito passivo, a ciência do auto de infração considera se efetuada na data dessa declaração. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO DE INÍCIO. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Fl. 963DF CARF MF 6 Recurso Especial do Procurador Provido. 12. A contribuinte, intimada mediante aviso postal em 11/03/2013, em conformidade com o aviso postal situado à fl. 886, opôs, em 15/03/2013, embargos de declaração, situadas às fls. 887 a 893, requerendo o reconhecimento de omissão e de contradição do acórdão embargado. 13. Em 19/09/2014, foi proferido o despacho em embargos nº 9303064, situado à fl. 416, pelo Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que declarou improcedentes as alegações suscitadas, rejeitando liminarmente os embargos de declaração, com base na informação em embargos situada às fls. 444 a 445 fornecida pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. 14. Em 07/08/2014, a contribuinte recorrente protocolou petição, situada às fls. 902 a 903, requerendo juntada de sentença transitada em julgado, bem como das principais peças que culminaram no aresto judicial, que "(...) inocentou os acusados da prática dos atos que ensejaram a ação fiscal que deu origem ao auto de infração, objeto do presente processo", salientando, ainda, que tais peças "(...) são trazidas aos autos deste processo administrativo por referiremse à mesma matéria nele versada", uma vez que a denúncia em referência teve origem em representação fiscal para fins penais lavrada "(...) pelo mesmo auditor fiscal autor do referido auto de infração. Idênticos são os fatos e sua tipificação legal", operando, portanto, "(...) efeito terminativo em relação às tipificações penais de ambas as ações", motivo pelo qual tal decisão teria acarretado a perda de objeto do presente processo, requerendo, portanto, o reconhecimento da conexão entre o presente processo e aquele objeto da decisão judicial em referência, bem como, subsidiariamente, a exclusão da multa agravada em razão da ausência de dolo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 15. O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 16. Segundo se depreende da leitura dos documentos que instruem os presentes autos, a autoridade fiscal concluiu que a contribuinte realizou operações cambiais fora de instituição legalmente habilitada consistentes na venda e compra de contratos representativos de títulos da dívida pública norteamericana, os assim denominados TBills ("United States Treasury Bills"). 17. Em síntese, é possível se afirmar que, segundo o entendimento da autuante, a contribuinte contraiu dívida em moeda estrangeira com uma sociedade localizada no exterior. Em seguida, entregou os dólares provenientes do mútuo a banco sediado no Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 962 7 Uruguai, no qual realizou a aquisição dos TBills, vendendoos no mesmo dia, mediante pagamento em reais, para empresa brasileira, que os revendeu novamente, de forma direta ou por pessoa vinculada, para o mesmo banco uruguaio, sem necessidade de ingresso ou transação de moeda estrangeira no Brasil, mas mera transferência de titularidade de investimentos, mas que, se vista de uma maneira global, representaria, na prática, uma operação ilegítima de câmbio sujeito à alíquota de 25%. 18. No caso concreto, os negócios começavam com um "purchase agreement", firmado com o CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) S/A (instituição financeira interveniente), representativo de determinado valor em dólares norteamericanos de TBills. O banco uruguaio se trata do representante do CRÉDIT LYONNAIS (New York), agente custodiante legalmente habilitado pela legislação norteamericana a transferir a titularidade dos TBills a seus adquirentes. 19. A operação contava, ainda, com ao menos dois operadores: os títulos adquiridos eram repassados, mediante novo contrato (diretamente ou por meio de pessoa vinculada sediada no exterior), a outra pessoa não vinculada, o "segundo adquirente no Brasil". Nesta transação, o adquirente recebia os reais correspondentes aos dólares e o segundo comprador revendia os mesmos títulos, diretamente ou por meio de pessoa vinculada, e mediante novo "purchase agreement", ao mesmo CRÉDIT LYONNAIS, dele recebendo os dólares correspondentes. 20. Assim, a autoridade fiscal identificou, como operação de aquisição e venda, o lote de TBills correspondente ao Código CUSIP nº 912795EB3, identificado pelo "Committee on Uniform Securities Identification Procedures" do governo norteamericano com o valor de face, a ser recebido pelo aplicador na data de vencimento, de US$ 5.905.760,00, conforme a primeira linha da tabela abaixo. Neste caso, em 23/03/2000, o GRUPO PARMALAT (primeiro adquirente no Brasil) adquiriu do CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) os títulos pelo valor de US$ 5.820.688,22 e os revendeu à CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ (segundo adquirente no Brasil), que realizou o pagamento em reais, sem pagamento de IO/Câmbio, ao GRUPO PARMALAT que, finalmente e no mesmo dia, realizou um novo purchase agreement com o CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay), vendendoos de volta por US$ 5.807.371,22. Foram identificadas 9 operações como esta, utilizadas como subsídio para a lavratura do auto de infração ora objurgado, mas algumas delas incompletas, como se observa nas linhas 4, 5 e 8: Fl. 965DF CARF MF 8 21. A autoridade fiscal aponta, ainda, que não localizou comprovante do pagamento dos papéis comprados diretamente do CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay), e que os títulos eram comprados e vendidos quase sempre num mesmo dia. Chega, ainda, a tecer a seguinte elucubração, sem, no entanto, apontar para quaisquer provas que a lastreiem: "possivelmente num mesmo horário, todos os interessados reunidos numa mesma sala". Intui, ainda, que "(...) se essas operações fossem realmente sérias (sic) (...) não haveria sequer tempo para a troca de titularidades em Nova York, neste exíguo espaço de tempo". Chama a atenção, por outro lado, para a inexistência de ganhos: "embora, em todos os casos, o preço de aquisição e de venda em reais seja sempre o mesmo, (...) constatase perda, em dólares, para os supostos 'aplicadores', uma vez que o CRÉDIT LYONNAIS recomprava o titulo por valor menor que o recebido no momento da venda". 22. A autuante admite, ainda, não ter encontrado qualquer comprovante de pagamento dos primeiros adquirentes no Brasil, o que se deve ao fato de terem apresentado contratos de mútuo com coligadas, "(...) freqüentemente firmados no Brasil pela mesma pessoa, que numa linha assina como representante da adquirente brasileira e na outra como mandatário da vendedora uruguaia". Sua conclusão é a de, "(...) nos momentos em que a operação revela a sua verdadeira natureza cambial, aí sim o dinheiro aparece: os mútuos arranjados com vinculada, como forma de esconder a origem do primeiro 'purchase agreement', cedem espaço a depósitos bancários, de reais no Brasil, e de dólares, em uma conta no Exterior". Segundo este raciocínio, o crédito em dólares no exterior é feito não diretamente na conta de quem pagou os reais ao primeiro comprador, mas de uma pessoa vinculada, o que de fato explica a aparente perda em dólares entre os dois "purchase agreements" firmados com o banco uruguaio: tratase, nada mais, que a comissão paga ao banco para ter efetuado o câmbio. 23. Tais operações, declaradas como aplicações financeiras e realizadas sem o conhecimento do Banco Central do Brasil, configurariam, ainda da perspectiva da autuante, operações ilegítimas de câmbio, assim definidas nos arts. 1° e 2° do Decreto n° 23.258/1933, regra ecoada no art. 23 da Lei nº 4.131/1962, com redação dada pelo art. 72 da Lei nº 9.069/1995 e art. 25 do Decreto nº 55.762/65. Em decorrência de tal constatação, a contribuinte perdeu o beneficio fiscal previsto na alínea "e" do § 2° do art. 14 do Decreto nº 2.219/1997, ficando sujeita ao pagamento do IO/Câmbio incidente sobre operações de câmbio pela alíquota de 25%, fixada pelo art. 5° da Lei 8.894/94, conforme previsto no art. 15 do Decreto nº 2.219, tendo sido a multa correspondente qualificada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Os fatos foram, ainda, comunicados ao Ministério Público e ao Banco Central do Brasil para averiguação de eventuais ilícitos. 24. Cabe notar que as conclusões manifestadas pela autoridade fiscal para dar suporte ao auto de infração consubstanciam matérias alheias ao campo tributário, circunscritas às sendas monetária e cambial e sujeitas, portanto, ao âmbito de competência da autoridade monetária. A configuração de tais ilícitos não é relevante para efeitos de incidência do imposto sobre operações de câmbio. Assim, dois seriam os caminhos possíveis para a construção do lançamento: ou a demonstração da ocorrência do fato gerador do tributo cobrado e não adimplido, ou a acusação de simulação ou fraude que, ao descortinar a verdadeira causa do negócio jurídico, irradia os efeitos tributários que lhe seriam próprios. A opção expressamente realizada pela autuante foi denotar a ocorrência do fato gerador, como se compreende, com hialina clareza, do trecho a seguir, e esta será a matéria ou questão de mérito devolvida ao conhecimento deste colegiado: Fl. 966DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 963 9 25. Assim, cabe a apreciação sobre se as sucessivas compras de TBills configuram o fato gerador do IO/Câmbio. Para responder a tal indagação, há de se retomar, em termos tão simples quanto possível, a operação: (i) o primeiro comprador dos títulos formaliza o ingresso no país de contrato representativo de moeda em dólares que estava no banco uruguaio; (ii) o valor correspondente em reais (que a autoridade fiscal reputa como base de cálculo do imposto não pago) é depositado na conta bancária da empresa no Brasil pelo segundo adquirente das TBills. Neste momento, intui a autoridade fiscal, sem, no entanto, apontar o menor indício de sua afirmação, que a quantia correspondente em dólares se torna disponível para quem efetua a venda ao banco uruguaio. 26. A partir deste vetor racional entende estar diante de operação de câmbio atípica, envolvendo dois bancos: "(...) um, dentro do pais, que não precisa estar informado sobre estar sendo utilizado como um instrumento para a transformação da moeda estrangeira em reais", não deixando claro em nenhum momento se entende se tratar de instituição financeira equiparada o primeiro ou o segundo adquirente no Brasil, e "(...) o segundo, situado fora do Brasil, está evidentemente fora do sistema financeiro nacional", ou seja, o banco uruguaio mandatário do agente de custódia habilitado a operar no Tesouro norte americano em Nova Iorque. 27. Acusa, por fim, o banco uruguaio, o CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) S/A, de tornar possível operação ilícita de câmbio como também de praticar "(...) remessa clandestina de dólares para qualquer lugar fora do país do interesse do último vendedor". Com base em disciplina normativa monetária, considerou estar diante de operações de câmbio ilegítimas, pois realizadas entre bancos domiciliados no país com entidades no exterior sem trânsito da moeda em bancos habilitados a operar o câmbio, nos termos do art. 1º do Decreto nº 23.258/1933, que utiliza para fundamentar o lançamento, "(...) mediante prévia autorização da fiscalização bancária". Acresce que, segundo o art. 2º do diploma infralegal, igualmente ilegítimas serão consideradas aquelas operações realizadas em moeda brasileira por entidades bancárias domiciliadas no país por conta e ordem de entidades no exterior. Com fundamento em tais dispositivos, concluiu que a contribuinte "(...) praticou operações ilegítimas de câmbio, assim definidas nos arts.1° e 2° do Decreto 23.258/1933, no art. 23 da Lei 4.131/1962", perdendo, assim, o benefício fiscal previsto na alínea "e" do §2° do art. 14 do Decreto nº 2.219/1997 (ora revogado pelo Decerto nº 4.494/2002), passando a ser tributado pelo IO/Câmbio sob a alíquota de 25%, fixada pelo art. 5° da Lei nº 8.894/94, tendo sido, ainda, qualificada a multa nos termos do inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, e encaminhada representação ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil: Decreto nº 2.219/1997 Art. 14. A alíquota do IOF é de 25% (...). § 2º A alíquota do IOF fica reduzida a zero nas operações de câmbio: (...) e) relativas às demais transferências financeiras do exterior e para o exterior. Lei nº 8.894/94 Art. 5º O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF), incidente sobre operações de câmbio será cobrado à Fl. 967DF CARF MF 10 alíquota de vinte e cinco por cento sobre o valor de liquidação da operação cambial. (Regulamento) Parágrafo único. O Poder Executivo poderá reduzir e restabelecer a alíquota fixada neste artigo, tendo em vista os objetivos das políticas monetária, cambial e fiscal. 28. É necessário se admitir, em primeiro lugar, que a fiscalização cambial não é atribuição de competência da Receita Federal do Brasil, mas do Banco Central do Brasil, e não cabe a este Conselho se pronunciar a respeito de matéria não afeita ao âmbito de sua jurisdição, sob pena de incorrer em manifesta nulidade. Cabe a este colegiado, apenas, a análise concernente à existência ou não do fato gerador do tributo, não sendo possível à autoridade fiscal realizar especulações não estribadas em suporte documental como faz múltiplas vezes em seu brevíssimo arrazoado, como, por exemplo, no seguinte trecho: "(...) crédito em dólares no Exterior pode ter sido efetuado não diretamente na conta de quem pagou os reais ao primeiro comprador, mas de uma empresa vinculada" (g.n.). Assim, não há de supor a autuante que a compra e venda de títulos no Brasil devem ser enquadradas, analogicamente, como operações irregulares de câmbio, ainda que não satisfaçam os requisitos de vera operação cambial. Em outras palavras, sem o ingresso no país de moeda estrangeira ou remessa de divisas para o exterior, não há de se supor, por via de analogia gravosa, estarse diante da materialidade do imposto incidente sobre operação de câmbio e, logo, tampouco se vislumbra descumprimento da norma tributária: Código Tributário Nacional Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Art. 64. A base de cálculo do imposto é: (...) II quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 964 11 Decreto nº 6.306/2007 (RIOF) Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; II operações de câmbio; III operações de seguro realizadas por seguradoras; IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários; V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial. (...) Art. 11. O fato gerador do IOF é a entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este. Parágrafo único. Ocorre o fato gerador e tornase devido o IOF no ato da liquidação da operação de câmbio. Art. 12. São contribuintes do IOF os compradores ou vendedores de moeda estrangeira nas operações referentes às transferências financeiras para o ou do exterior, respectivamente. Parágrafo único. As transferências financeiras compreendem os pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira, independentemente da forma de entrega e da natureza das operações. Art. 13. São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional as instituições autorizadas a operar em câmbio. 29. Diante do entendimento da autoridade fiscal de que se está diante de uma sucessão de operações com TBills que redundaram, na verdade, em um mútuo internacional praticado pela recorrente visando se evadir do IO/Câmbio no momento da liquidação, em virtude do seu fechamento, uma vez que tais recursos do exterior deverão ser convertidos em reais, e considerando que não há incidência de IO/Crédito nos termos do § 2º do art. 2º do RIOF, necessário se perscrutar a respeito deste específico negócio jurídico que, Fl. 969DF CARF MF 12 segundo o auto ora combalido, empresta materialidade a tal tributo, para o que nos valemos de percuciente e substancioso estudo de Leonardo Freitas de Moraes e Castro: "De acordo com o art. 586 do Código Civil, o mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis em que o mutuário (devedor ou tomador) é obrigado a restituir ao mutuante (credor) o que dele receber em coisas do mesmo gênero, qualidade e quantidade e, nos termos do art. 85 do Código Civil, são fungíveis os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade, tais como a moeda (dinheiro) (...). Não há, na legislação comercial, civil ou tributária qualquer obrigatoriedade de cobrança de encargos nos negócios de mútuo entre pessoas jurídicas que mantenham vínculos de controle, coligação ou interligação no Brasil (...). (...) Sob a ótica regulatória, os mútuos realizados com não residentes devem ser registrados no Banco Central do Brasil (Bacen) para garantir a remessa de juros e retorno do principal para o exterior (...). A partir do fechamento do contrato de câmbio, os recursos estarão convertidos em moeda local brasileira para serem utilizados pela mutuária. A partir desse momento, iniciamse as questões tributárias relacionadas a tal mútuo internacional intercompany (...). (...) Os mútuos internacionais estão, como regra geral, sujeitos ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre operações de câmbio ("IOFCâmbio"), na medida em que os recursos advindos do mutuante no exterior (em moeda estrangeira) ou do mutuante do Brasil (em reais) deverão ser convertidos na moeda de curso forçado vigente na jurisdição do mutuário. Em razão do fechamento do câmbio, para a conversão de uma moeda em seu correspondente financeiro na outra moeda, haverá IOFCâmbio, no momento da liquidação de tal operação. Notese que, 'no Brasil, não há incidência de IOF/Crédito nos financiamentos externos', conforme se extrai do art. 2º, § 2º do Decreto nº 6.306/07 ("Regulamento do IOF" ou "RIOF"). (...) pragmaticamente, são os bancos comerciais ou corretoras que recolhem o IOFcâmbio (cobrado na data de liquidação da operação), razão pela qual são raras as autuações versando sobre IOFcâmbio em face do contribuinte, sendo a grande maioria lavrada em face dos responsáveis (...). O IOFcâmbio incide sobre o montante em moeda nacional, recebido, entregue, ou posto à disposição, correspondente ao valor, em moeda estrangeira, da operação de câmbio, que deve constar descrito no contrato de mútuo. (...) Ademais, é de suma importância atentar para a data em que foi registrado no Banco Central (Bacen) o contrato de empréstimo externo e qual foi o prazo de pagamento (vencimento) de cada contrato (...) porque o dispositivo veiculado no inciso XII do art. 15A foi alterado inúmeras vezes no decorrer dos anos, prevendo diversos prazos mínimos e diversas alíquotas para os empréstimos externos. Vale lembrar Fl. 970DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 965 13 que o IOF é um imposto extrafiscal, utilizado para fins de regulação econômicacambial, que não está sujeito ao princípio da legalidade nem ao princípio da anterioridade anual ou nonagesimal (...) podendo ser alterado por meio de Decreto e sem necessidade de vacatio legis para sua eficácia plena"1 (seleção e grifos nossos). 30. Em primeiro lugar, o fato gerador do imposto em apreço é o fechamento do câmbio representativo da recepção, entrega ou disponibilização correspondente ao valor em moeda estrangeira descrito no contrato de mútuo. Para a autoridade fiscal, a materialidade ou o fato gerador na operação presente foi, indistintamente, a compra (linhas 1 a 7) ou venda (linhas 8 e 9) de títulos em reais em território nacional. 31. Em segundo lugar, o sujeito passivo do imposto é: (i) o comprador de moeda estrangeira nas operações referentes às transferências financeiras para o exterior (outbound); ou (ii) o vendedor de moeda estrangeira nas operações referentes às transferências financeiras do exterior (inbound). Para a autoridade fiscal, é tanto o comprador (linhas 1 a 7) como o vendedor (linhas 8 e 9) de título patrimonial em operação interna de compra e venda, não importando se a compra foi feita com transferência financeira para o exterior ou se a compra foi feita com transferência financeira do exterior, pois, no presente caso, não há remessa para ou ingresso do exterior, ou sequer moeda estrangeira, mas operação interna com moeda nacional. 32. Em terceiro lugar, a base de cálculo do imposto é o valor em moeda estrangeira descrito no contrato de mútuo. Para a autoridade fiscal, é o custo de aquisição do título pela empresa vendedora. Em outras palavras, é o valor pago pela primeira adquirente ao 1 CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e. "Tributação dos Mútuos Domésticos e Internacionais entre Sociedades Relacionadas (intragroup loans) temas atuais e controversos". In: CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e (coord.). Mercado Financeiro & de Capitais: regulação e tributação. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2015, pp. 649 a 727. Fl. 971DF CARF MF 14 banco uruguaio por meio do purchase agreement, i.e.: apesar de o fato gerador ser a compra ou venda, a base não é o valor de alienação, mas o custo de aquisição. Tomase, como exemplo, a linha 1 da tabela que acompanha o auto de infração: para um valor de face de US$ 5.905.760,00, fixado em 22/06/2000, o CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) realizou a venda do título, em 23/03/2000, por US$ 5.820.688,22 ao GRUPO PARMALAT que, por sua vez, como condição de closing do contrato, deveria realizar o pagamento diretamente ao CRÉDIT LYONNAIS (New York), agente de custódia habilitado a operar no Tesouro norteamericano. O valor correspondente a este custo de aquisição foi utilizado como base de cálculo para a recorrente que, recordese, figuraria, em um segundo negócio jurídico, como adquirente de título patrimonial pertencente ao GRUPO PARMALAT. 33. Tais dados podem ser facilmente conferidos com a leitura de trechos recortados e destacados por este relator do contrato situado às fls. 468 a 469, que devem ser cotejados com a parte correspondente da tabela que compõe o auto de infração: 34. Tanto é assim que, nos casos das linhas 4, 5 e 8, a autoridade fiscal sequer dispõe do valor de venda dos títulos ao nãoresidente brasileiro, no caso, o banco uruguaio, pois os reputa indiferentes para a composição da base de cálculo por ela almejada: Fl. 972DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 966 15 35. Em quarto lugar, em um empréstimo internacional, o aspecto temporal do imposto é a data da liquidação do contrato, quando se realiza o fechamento do câmbio, o que tem impacto direto na formação da base de cálculo, tendo em vista a variação do valor da moeda estrangeira frente à moeda de curso forçado no Brasil. Para a autoridade fiscal, é a data da aquisição dos títulos patrimoniais do CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) pela empresa vendedora. 36. Assim, de maneira didática, o que se tributa com imposto sobre operações de câmbio, no presente caso, é um negócio jurídico com as seguintes características: (i) fato gerador: compra ou venda de títulos em reais em território nacional; (ii) sujeito passivo: comprador ou vendedor de título patrimonial em operação interna de compra e venda; (iii) base de cálculo: custo de aquisição em reais do título pela empresa vendedora em negócio jurídico da qual a recorrente não participou; (iv) aspecto temporal: data da aquisição dos títulos patrimoniais pela empresa vendedora em negócio jurídico da qual a recorrente não participou. Descabe à autoridade fiscal criar, a seu talante e alvedrio, fato gerador de tributo novo, como se dotada de competência residual para fazêlo e à revelia da repartição constitucional de competência ou mesmo, como se percebe, em desapreço do quadro normativo legal e infralegal que rege e disciplina a formação da relação jurídicotributária que aperfeiçoa a cobrança do imposto incidente sobre as operações de câmbio. 37. Assim, uma vez descaracterizada a própria materialidade do tributo, descabe igualmente se falar em ilegitimidade das operações de câmbio, pois câmbio não houve, e, logo, resta derruído o lastro positivo utilizado pelo lançamento, ou seja, os arts. 1° e 2° do Decreto n° 23.258/1933, e o art. 23 da Lei nº 4.131/1962 e, muito menos, cogitarse perda de beneficio fiscal previsto na alínea "e" do § 2° do art. 14 do Decreto nº 2.219/1997. 38. E, ainda que tal fosse possível (e não é) admitirse falar em irregularidade de operação cambial onde câmbio não há, necessário se atentar à petição, situada às fls. 902 a 903, protocolada pela ora recorrente. Os pressupostos de fato em apreço, que embasaram o lançamento ora combatido, figuraram na denúncia ofertada pelo Ministério Público Federal, em 18/01/2012, provenientes do Inquérito Policial nº 522/2011, instaurado a partir de representação fiscal para fins penais produzida pela Receita Federal, para investigar a saída clandestina de moeda para contas no exterior sem autorização legal configuradora do tipo penal previsto na primeira parte do parágrafo único do art. 22 da Lei nº 7.492/1986, na forma do art. 29 e do art. 71 do Código Penal. 39. Como se denota da denúncia, averiguouse a prática da chamada operação de "dólar cabo", técnica de compra de moeda estrangeira por meio de sistema de compensação paralela, por meio da qual reais seriam entregues ao Grupo Parmalat, ao passo que o valor correspondente em moeda estrangeira seria pago diretamente, fora do país, pelo operador do esquema, o CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) à CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ, ora recorrente à margem do Banco Central. O auto de infração em apreço comunga parte dos Fl. 973DF CARF MF 16 fatos geradores discutidos na peça ministerial, como se observa da comparação das tabelas a seguir recortadas: 40. A denúncia foi recebida contra os administradores da ora recorrente com a acusação de terem realizado operações simuladas de compra e venda de títulos do tesouro americano com o fim de promover a saída de moeda para o exterior à margem da autoridade monetária, tendo sido a pretensão punitiva julgada improcedente, conforme os seguintes trechos da sentença deduzida no Processo nº 192155.2012.4.01.3800, que tramitou na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais: 41. A sentença, ainda que transitada em julgado, não implica a perda do objeto do presente processo administrativo, pois diferentes são as questões em disputa, e tampouco há previsão legal ou regimental para que seja reconhecida a conexão entre os feitos, como requer a recorrente em sua petição, mas entendo que a sua superveniência já seria suficiente para a exclusão da qualificação da multa para o percentual de 150%. E, ainda que se argumente que também os dolos discutidos seriam igualmente diversos, restringindose o presente processo a discutir a intenção de não recolher o tributo, e independentemente da formação do convencimento judicial passado em julgado informada pela contribuinte, ainda Fl. 974DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 967 17 assim é de causar verdadeira espécie a cominação qualificada por parte da autoridade fiscal, pois ela mesma afirma expressamente a inexistência de fraude na operação, conforme se extrai do parágrafo 11 do termo de encerramento de fiscalização, situado à fl. 611, o que, por si só, já seria suficiente para o seu afastamento: 42. Por outro lado, ainda que se erija o princípio da autotutela da Administração no sentido de se afirmar a possibilidade de tomada autônoma de decisões não conflitantes com o Poder Judiciário, tratase, antes, da adequação de seus atos e condutas à legalidade e ao interesse público e, neste sentido, é necessário se ter em conta que a contribuinte recorrente foi absolvida dos crimes de sonegação e de evasão de divisas, não havendo, portanto, de se falar em operação cambial irregular o que, repitase, pertence ao âmbito da competência não deste Conselho ou da Receita Federal, mas da autoridade monetária. Tal discussão, no entanto, apenas seria necessária se fosse possível se falar em fato gerador do IO/Câmbio, o que, como se viu, não ocorreu. 43. A aquisição de Treasury Bills custodiados no exterior por pessoa jurídica no Brasil para posterior revenda com pagamento à vista a segunda adquirente no Brasil mediante contratos de mútuo foi apreciada pelo Acórdão CARF nº 20177174, proferido em sessão de 09/09/2003, de relatoria do Conselheiro Antônio Mário de Abreu Pinto, tendo o colegiado decidido favoravelmente à contribuinte, vencidas as Conselheiras Josefa Maria Coelho Marques e Adriana Gomes Rego. No caso discutido, a contribuinte autuada utilizou a sua controlada, sediada nas Ilhas Caymann, para adquirir TBills. A controladora, por sua vez, celebrou contrato de mútuo com pagamento futuro com empresa brasileira, por meio do qual os títulos foram transferidos contra pagamento, à empresa estrangeira, em moeda nacional em conta CC5. A empresa brasileira vendeu os títulos a segundos adquirentes no Brasil, que pagavam em reais. A turma rejeitou a acusação fiscal por, em primeiro lugar, não vislumbrar, na espécie, fato gerador do tributo cobrado e, em segundo lugar, por falta de previsão legal para desconsiderar o negócio jurídico. 44. O acórdão foi objeto de recurso especial, por parte da Fazenda Nacional, tendo sido proferido, pelo órgão de cúpula deste Conselho, o Acórdão CSRF nº 02 02617, proferido em sessão de 23/04/2007, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que decidiu pela inexistência de fato gerador do imposto sobre operações de câmbio, em conformidade com a ementa a seguir transcrita, e, portanto, a atual posição adotada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 975DF CARF MF 18 45. No Acórdão CARF nº 20215948 proferido em sessão de 10/11/2004, de relatoria do Conselheiro Marcelo Marcondes MeyerKozlowski, discutiuse igualmente a incidência do imposto sobre operações de câmbio decorrentes da captação internacional de recursos. Neste caso, a contribuinte emitiu Fixed Rate Notes e Eurocommercial Paper no exterior e, com os recursos obtidos, adquiriu também no mercado internacional títulos da dívida pública americanos e argentinos. Em seguida, como no presente caso, vendeu os títulos no mercado brasileiro para empresas brasileiras. Por fim, para quitar os papéis emitidos no exterior, comprou os títulos da dívida estrangeira no mercado interno, revendeuos no exterior e, com os recursos obtidos, efetuou o resgate dos papéis ("notes"). Abstraindose os detalhes fáticos do caso, percebese que a matéria de fundo é exatamente a mesma: o que se discute é se a venda dos títulos públicos no mercado brasileiro configuram ou não o fato gerador do imposto. Recortase trecho do voto do relator: 46. O colegiado deu provimento ao recurso por unanimidade de votos nos termos da ementa abaixo transcrita: IOFCÂMBIO . FATO GERADOR. Para que se concretize a hipótese de incidência do IOF incidente sobre operações de câmbio, fazse necessário o ingresso no País de moeda estrangeira ou a remessa de divisas para o exterior. Ausentes, não há que se falar em operação cambial e, conseqüentemente, em incidência do IOFCâmbio. Auto de infração lavrado com base em meras especulações da fiscalização, e não em razão de descumprimento da norma tributária. Recurso provido. 47. Entendo que seria eventualmente possível se discutir se houve ou não pacto simulatório ou "causa simulandi" tendente a apontar para a ocorrência, de fato, de negócio jurídico passível de incidência do imposto sobre operações de câmbio. No entanto, como se percebe da leitura das lacônicas 5 folhas que compreendem a fundamentação fática e jurídica do lançamento consistente no termo de encerramento da fiscalização, em nenhum Fl. 976DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 968 19 momento se volta a autoridade fiscal a acusar a simulação preferindo, ao contrário, o ingrato caminho da analogia: a um tempo, admite que não se está diante do fato gerador de conteúdo exacional, mas entende que, mesmo assim, seria possível o reconhecimento da incidência. Este percurso contraditório é trilhado também na aplicação do direito tributário sancionador, como se demonstrou acima: a um tempo, afirma que os títulos existem e que, por este motivo, não é possível se falar em fraude, mas entende que, mesmo assim, a multa deve ser qualificada. A hesitação argumentativa do aplicador conduz à insegurança e a aplicação por via da integração analógica com efeitos gravosos conhece a limitação severa do § 1º do art. 108 do Código Tributário Nacional, sobre o qual já escrevemos em outras oportunidades: "Diante da ausência de uma razão prévia posta (logos) para a solução de problemas da vida (G), ou, em outras palavras, de inexistência da indicação de um fundamento remoto obrigatório (¬B) para aquele que opera no campo jurídico, seria possível se apontar uma alogia. Assim, àquele a quem incumbe a solução de tal contenda, uma vez que não pode se furtar a decidir, a lei determina a busca de casos que guardem semelhanças de família com aquele que se apresenta em juízo. O “caso semelhante” (G’), por seu turno, tem um apoio correspondente (B), que passará a dar suporte à decisão (C) do aplicador para o primeiro caso, de maneira a derruir a alogia, o que se pode chamar, portanto, de aplicação analógica do direito. Nela, como se percebe, reconstróise a razão perdida por meio da comparação de dois fatos diferentes, porém similares, ou, para nos valermos dos instrumentos do modelo adotado, dos dados (D) ou grounds (G) da alegação. Segundo esta técnica, o aplicador se lança ao exercício contrafactual de afirmar que, fosse G’ o problema (sabemos que não o é), então, provavelmente, aplicaria o fundamento B para chegar a C. No entanto, G’ é muito similar a G e, portanto, à falta de um texto mais adequado, e diante da obrigatoriedade de emitir uma asserção válida segundo os critérios de seu campo, usará B para alcançar C. O intérprete autêntico está autorizado a considerar G “muito similar” a G’, a ponto de fazer com que comunguem do mesmo apoio, com base “(...) na ideia de igualdade e de justiça formal, já que prescreve que fatos semelhantes tenham a mesma forma de julgamento” na ausência de norma específica para um deles. O percurso deste tipo específico de discurso racional do campo jurídico envolve, portanto, ao menos três estruturas argumentativas bastante distintas, ou, como é possível chamar, aplicação analógica lato sensu: em primeiro lugar, o aplicador deve considerar que G é semelhante a G’ conforme um critério e uma finalidade; em seguida, elaborar uma conclusão C a partir de G’ com apoio em B como fundamento remoto válido; por fim, realizar a aplicação analógica stricto sensu que consiste em, a partir de G, chegar também a C com base em B. Observese, ademais, que a aplicação do modelo para a decomposição desta operação facilita a sua distinção da chamada “interpretação extensiva”, onde não há integração, não há G’, mas mera “interpretação analógica”, ou uma “(...) Fl. 977DF CARF MF 20 analogia por compreensão”, discurso que serviu aos defensores de uma pretensa completude do ordenamento como escudo retórico, pois, por meio deste expediente, teria passado a ser possível “fazer direito” sem o fardo de se reconhecer a lacuna, ou incompletude do sistema. Aceitálo é admitir também a limitação da “(...) capacidade criativa do intérprete em inovar o ordenamento (...), preservandose, assim, a segurança jurídica”. (...) A questão granjeia centralidade a partir da apreciação econômica dos negócios jurídicos, por meio da qual se impede que o contribuinte organize a sua atividade de maneira a evitar o fato gerador e, ao mesmo tempo, garantir o resultado econômico pretendido, o que, no entendimento de Dino Jarach, configuraria uma forma de tributação por analogia. Uma vez analisado o uso do propósito negocial nos diferentes momentos da estrutura argumentativa pelo CARF, e elaborada a crítica ao seu uso como apoio, na averiguação sobre os efeitos decorrentes da constatação de sua ausência no negócio jurídico praticado, propõese a apreciação crítica do Acórdão nº 140100.582, em que se retratou a configuração de uma operação do tipo “casa e separa”. As provas colhidas pela autoridade fiscal, tais como a efemeridade das associações, a subscrição de novas ações de uma sociedade anônima, com incorporação da reserva de capital havida e a posterior cisão parcial e seletiva da companhia investida com versão de ativos aos antigos sócios (D/G) foram suficientes para que o conselheiro que redigiu o voto vencedor concluísse que o contribuinte fez uso de uma concatenação de “(...) negócios típicos produzindo um efeito atípico (...) usando ‘norma de cobertura’ sem propósito negocial algum que protegeria a conduta analisada” (W). Tratou de explicar, ainda, que o propósito negocial seria “(...) elemento importante no processo de interpretação do fato para a formação da convicção do julgador”. A descrição da operação, além disso, conformou, ainda no plano das garantias (W), a figura do negócio jurídico indireto, neste caso, da venda da participação societária. Se, antes mesmo da edição do Código Tributário Nacional, a doutrina se posicionava de maneira contrária ao uso do argumento analógico em direito tributário, o § 1º do art. 108, ao vedar a chamada “analogia gravosa” ou punitiva, restringiu seu âmbito de utilização apenas a situações que não impliquem imposição fiscal, o que foi traduzido pelos tribunais judiciais como ideia de analogia “in bonam partem”. Assim, o uso da técnica analógica tem sua eficácia argumentativa duplamente limitada, seja por considerações de garantia que pugnam pelo primado da segurança jurídica, seja por asserção expressa de apoio com base na lei tributária. O raciocínio de que, diante de G e de G’, encontremos manifestações de capacidade contributiva equivalentes, em que pese a adoção, em G, de um caminho não contemplado pelo legislador, aliado ao fato de alguns ordenamentos jurídicos, como o alemão, empregarem “(...) a analogia para os casos de abuso de formas jurídicas”, deve ser colocado ao lado do fato de que nem toda capacidade contributiva deve ser objeto de tributação, sendo possível se entender a previsão de competência residual como argumento suficiente para se compreender que a “(...) repartição de competências tributárias deixou uma série de situações de Fl. 978DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 969 21 lado”. De outro lado, devese acentuar que a legalidade “(...) não esgota (...) o campo reservado à competência do ente tributante”, que poderá escolher quais fatos da vida serão geradores de tributos. (...) Outra estratégia de abordagem aventada pela doutrina é entender o negócio jurídico indireto como aquele desprovido de causa jurídica. Neste caso, o caráter indireto do negócio resultaria “(...) da aplicação oblíqua, anômala ou inusual da função típica (causa abstrata) de terminado tipo negocial para a obtenção de um escopo socioeconômico (causa concreta) que não lhe é trivial”.472 Contudo, dois pontos transparecem desta constatação: (i) em primeiro lugar, é possível que o negócio praticado seja “(...) válido e eficaz se a causa abstrata do negócio típico (...) for respeitada e servir de meio adequado para a realização da causa concreta”, o que implicaria um negócio jurídico indireto não necessariamente patológico. Fábio Piovesan Bozza oferta, como exemplo, o contrato de compra e venda com pacto de retrovenda de imóvel utilizado como garantia. Por outro lado, se abandonada a causa, utilizandose este mesmo contrato não mais como meio indireto de obtenção de uma garantia, mas por exemplo, para disfarçar “(...) um mútuo usurário, mediante o emprego do artifício de cobrar um preço (...) superior fundado na valorização do imóvel”,473 enquanto que a verdadeira razão é a cobrança de juros superiores ao permitido, então estaremos diante de outros vícios, como, neste caso, a fraude à lei. E, (ii) em segundo lugar, uma vez constatado um negócio jurídico indireto por simulação não fraudulenta, ainda que considerada a desconsideração do negócio praticado, a tributação continuará a recair sobre a finalidade econômica, o que implica, ainda, a integração analógica gravosa. Parecenos, portanto, que, diante de um quadro de ausência de direito posto a respeito da tributação de negócios jurídicos de acordo com a sua finalidade econômica, não é possível se proceder à aplicação da analogia gravosa, seja com base na segurança jurídica, seja por decorrência da vedação do Código Tributário Nacional. Por outro lado, como exercício de lege ferenda, não nos parece possível a via da proibição de resultado equivalente, apta a invalidar a opção de meios alternativos para a realização de negócios jurídicos, parecendonos menos problemática, em princípio, a possibilidade extraordinária da analogia viabilizadora de incidência tributária em casos excepcionalíssimos, o que, no ordenamento brasileiro atual, não é uma realidade e que, para ser criada, precisaria obedecer a critérios aptos a evitar a consideração de qualquer caso como “muito similar” a outro, tido como fato gerador de algum tributo, além de aspectos formais, tendo, como mais evidente, previsão em lei complementar. Alinhamonos, portanto, ao raciocínio (...) de que, em regra, a capacidade contributiva manifestada pelo contribuinte que não pratica fato gerador típico está fora do âmbito da competência do ente tributante, ainda que o resultado econômico seja Fl. 979DF CARF MF 22 equivalente àquele obtido por outro contribuinte que, para tanto, incorreu no fato gerador"2 (seleção e grifos nossos). 48. O argumento analógico para justificar a incidência do IO/Câmbio no caso das operações de compra e venda de Treasury Bills em território nacional entre duas empresas brasileiras não passou despercebido pelo voto condutor do Acórdão CARF nº 202 15948, conforme se extrai do trecho abaixo recortado: 49. Assim, diante da incompatibilidade entre os eventos e a hipótese prevista em lei, teria o aplicador dois caminhos: ou o da analogia, que esbarraria no muro intransponível da vedação legal, ou o da demonstração de acordo simulatório. Neste sentido, teria sido possível à autuante argumentar no sentido da existência de um negócio jurídico simulado, o que não fez. Tal figura, ademais, restou didaticamente explicitada no Acórdão CARF nº 2301005.119, proferido em 12/09/2017, de relatoria do Conselheiro Fábio Piovesan Bozza, cujo voto é merecedor de encômios e, sobretudo, de análise pormenorizada pelas autoridades administrativas e judiciais que se voltam a tratar de planejamentos tributários pelo método de que se vale para o reconhecimento de patologias jurídicas consentâneas com as especificidades do ordenamento brasileiro, e não dispostas a um compromisso acrítico com teorias estrangeiras desenvolvidas em contextos próprios: "A simulação retrata um vício social do negócio jurídico, e não um vício de consentimento (as partes sabem muito bem o que querem e assim agem). De maneira intencional, as partes orquestram uma ilusão negocial com a finalidade de induzir terceiros a erro. O negócio simulado, desse modo, apenas 2 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Argumentação tributária de lógica substancial. Dissertação de Mestrado Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2016, pp. 149 a 158. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 970 23 aparenta preencher os requisitos de validade do negócio jurídico, quando, na verdade, não preenche, uma vez que as partes neutralizam os efeitos típicos do ato. O negócio simulado apresenta uma incompatibilidade consciente e intencional entre a causa abstrata e a causa concreta. Em outras palavras, há uma dissonância grave entre a função típica do negócio selecionado e o fim concreto almejado pelas partes. É o caso de uma compra e venda publicamente declarada em que as partes intencionalmente apenas encenam o pagamento do preço. A prova da simulação consiste em demonstrar que o negócio jurídico em discussão é mera aparência ou dissimula uma relação jurídica de natureza diversa. Para tanto, é necessário provar uma situação fática existente, só que divergente da realidade da declaração, do negócio ou do sujeito dissimulado. O ideal é demonstrar a existência do acordo simulatório (causa simulandi) a fim de descortinar a cooperação entre os simuladores para a realização da maliciosa preordenação de uma aparência diversa da realidade. Tal tarefa, no entanto, não se apresenta de fácil execução, já que raras vezes essa prova será direta e estará consubstanciada num documento em que aflore claramente a intenção dos simuladores de enganar terceiros por meio de um negócio aparente. Por esse motivo, a simulação costuma ser provada pelo comportamento concludente das partes (ou seja, a atitude do agente que permite concluir acerca da respectiva intenção e dos efeitos jurídicos perseguidos). E isso geralmente acontece mediante a reunião de indícios. A produção de prova indireta deve ser baseada na existência de outros fatos (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência do fato principal. A natureza da prova indireta, entretanto, sujeitaa a diferentes graus de crença. Por isso, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico, isto é: (a) preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; (b) grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão; e (c) harmônico: com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. Fl. 981DF CARF MF 24 50. Não se trata, portanto, da defesa incontida do planejamento tributário, o que redundaria em visão puramente formalista, mas de uma postura muito mais ampla: aquela comprometida com a fundamentação das decisões. Assim, é possível a requalificação do fato gerador quando reconhecida a simulação, mesmo com a reconstrução meramente indiciária dos eventos. Contudo, os pressupostos de fato e de direito devem estar demonstrados pela autoridade administrativa para tornarem juridicamente sólido o lançamento: "Em nenhum dos acórdãos analisados, mesmo nos votos divergentes, obstouse a requalificação do fato gerador quando reconhecida a simulação com base nestes argumentos. E se observe que não se trata de uma visão formalista, pois bastaria uma referência, por exemplo, ao art. 167 do Código Civil que prevê ser “(...) nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma” ou ao art. 170 do mesmo diploma. Em termos simples, o que se pretende demonstrar é que, ainda que o julgador incorpore uma visão solidária no plano de suas garantias, não poderá se furtar a demonstrar o fundamento remoto de sua alegação, sob pena de invalidade. (...) Tais considerações fazem parte do debate democrático e os aplicadores serão livres para expor as suas convicções, desde a fundamentem, sob pena de desaviar a própria prática argumentativa da qual participam, e o modelo é apto, assim, a tornar ainda mais evidentes as robustas tensões envolvidas entre os apoios e as garantias. Ademais, um modelo voltado para o esclarecimento parece ser bemvindo como forma de decompor os elementos estruturais de um topus problemático como é o da coibição de abusos, sobretudo quanto aos seus fundamentos"3 (seleção e grifos nossos). 51. A expressa preferência da autoridade fiscal pelo caminho de demonstrar exclusivamente que de fato ocorreu o fato gerador, ou algo análogo a ele que poderia ser igualmente objeto da tributação pelo IOF, impede a requalificação dos fundamentos da acusação fiscal por impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos do lançamento decorrente da constatação de erro de direito, em conformidade com o art. 146 do Código Tributário Nacional e com a proteção da confiança sobre os quais já escrevemos em outras oportunidades.4 52. Observase, ademais, que introduzir neste momento processual de segunda instância administrativa, depois da interposição de impugnação, recurso voluntário e, inclusive, recurso especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), acusação nova, como a de negócio jurídico simulado, implicaria claro cerceamento de defesa contra a contribuinte que, até o presente momento, defendeuse do conteúdo da acusação emergente do 3 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Argumentação tributária de lógica substancial. Dissertação de Mestrado Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2016, pp. 202. 4 Acórdão CARF nº 3401003.290, proferido em 17/02/2017, de minha relatoria. Ementa: "IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. EMBARCAÇÃO NÃO PROCEDENTE DO EXTERIOR OU A ELE DESTINADO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. DESPACHO DECISÓRIO PRÉVIO. DEVER DE COERÊNCIA ("NEMO POTEST VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM"). PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. Diante da ausência de elementos caracterizadores da infração, a Administração entendeu no caso concreto pela atipicidade da conduta em virtude da ausência de provas indicativas de que as embarcações seriam procedentes do exterior ou a ele destinado (art. 104 do DecretoLei nº 37/66). Dever de coerência e proteção da confiança ("nemo potest venire contra factum proprium"), devendo ser afastada a multa imposta". Fl. 982DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 971 25 auto de infração, ou seja: a prática do fato gerador do IOF sobre operações de câmbio. Ademais, qual seria a teoria eleita por este colegiado para refazer o lançamento, se assim não escolheu a autoridade fiscal ao cerzir o lançamento? Diante de uma norma antielisiva específica (SAAR), seria necessário ao aplicador que se aventurar a inovar a fundamentação do auto também se comprometer com uma construção específica: entenderá ele haver uma regra geral (GAAR) no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional? Em caso positivo, que esta regra se encontra regulada pela lei do processo administrativo em geral? Preferirá adotar, ao contrário, o abuso de direito? O abuso do direito? O abuso de formas? O negócio jurídico indireto? A fraude à lei? Entenderá estar diante de uma elusão? Ou preferirá silenciar a respeito do fundamento que permite tornar a operação inoponível ao Fisco, sujeitando, assim, a sua decisão a posterior controle de legalidade por parte da Câmara Superior ou do Poder Judiciário? Como facilmente se percebe, é perigoso o caminho refundacional do lançamento, pois milita em desapreço à devolutividade da matéria sujeita à cognição da turma e é desleal tanto com a defesa como com as instâncias pregressas, cujo conteúdo jurisdicional é simplesmente suprimido: tais argumentos até o presente momento não foram submetidos ao contraditório e não podem ser invocados como forma de relançar o tributo sob nova roupagem. 53. Merecem reprovação, ainda, as afirmações realizadas pela autuante desacompanhadas de conteúdo probatório, ou baseada em ilações ou conjecturas de lógica per saltum defesas ao aplicador, que, na prática, cria a presunção da existência de simulação, contra a contribuinte, em uma evidente inversão da distribuição do onus probandi, o que ocorre, por exemplo, ao afirmar que os Treasury Bills eram negociados pelo banco uruguaio, pela recorrente e pelo GRUPO PARMALAT "possivelmente num mesmo horário, todos os interessados reunidos numa mesma sala". Cogita, ainda, sem maior cuidado em demonstrar a fonte de suas conclusões que "(...) se essas operações fossem realmente sérias (sic) (...) não haveria sequer tempo para a troca de titularidades em Nova York". Em nenhum momento demonstra os depósitos bancários de dólares "(...) em uma conta no exterior" ou a intenção de ocultamento, como ocorre na frase: "(...) nos momentos em que a operação revela a sua verdadeira natureza cambial, aí sim o dinheiro aparece: os mútuos arranjados com vinculada (...) cedem espaço a depósitos bancários, de reais no Brasil, e de dólares, em uma conta no Exterior". Tampouco demonstra a sua asserção no sentido de provar que o CRÉDIT LYONNAIS (Uruguay) pratica "(...) remessa clandestina de dólares para qualquer lugar fora do país do interesse do último vendedor", ou que a quantia correspondente em dólares se torna instantaneamente disponível para quem efetua a venda ao banco uruguaio. 54. Tais afirmações, despidas de provas, não se coadunam com os predicados preceituados pelo art. 37 da Constituição da República de 1988, entre os quais destacamos o da publicidade, ou do dever de fundamentação corporificado em diversos momentos do ordenamento, como, e.g., no art. 31 do Decreto nº 70.235/1970 ou no art. 489 da Lei nº 13.105/2015 ("novo" Código de Processo Civil) e criam presunções em desfavor da recorrente, invertendo indevidamente o ônus probatório. Neste sentido, de que a simulação não pode ser presumida, mas deve ser devidamente comprovada, sobretudo ao se ter em vista a gravidade dos efeitos jurídicos decorrentes de seu reconhecimento, já decidiu esta turma, por unanimidade de votos, no Acórdão CARF nº 3401003.266, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 Fl. 983DF CARF MF 26 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. 55. O recurso voluntário interposto merece provimento em virtude de que: (i) a operação de aquisição de títulos da dívida pública norteamericana seguida da revenda a empresa brasileira com pagamento à vista em reais, ainda que sem registro no Banco Central do Brasil, não configura o fato gerador do IOF sobre operações de câmbio; (ii) é vedada a aplicação da analogia gravosa na forma do §1º do art. 108 do Código Tributário Nacional; (iii) a inexistência da acusação de negócio jurídico simulado no auto de infração torna defeso o seu reconhecimento em sede recursal, sendo defeso a este colegiado inovar a fundamentação do lançamento; e (iv) ainda que se vislumbrasse, no presente caso, o fator gerador do IOF sobre operações de câmbio, o que não ocorre, não haveria de se falar em operação cambial ilegítima, em virtude de não ser da competência da Receita Federal, mas da autoridade monetária, a verificação do cumprimento das normas relativas ao registro de operações que envolvam a entrada e saída de recursos financeiros do país, cabendo à Administração Tributária somente analisar a ocorrência de fato gerador de tributo e promover o cumprimento das obrigações tributárias dele decorrentes. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e dar integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Voto Vencedor Robson José Bayerl, Redator designado Com as vênias de estilo, em que pese o bem fundamentado voto apresentado pelo i. Relator, divirjo das conclusões estampadas, pelas razões que passo enumerar. Como bem destacado pelo voto vencido, consoante art. 63 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 6.306/2007, lá reproduzidos, a hipótese de incidência do IOF, modalidade câmbio, é, além da entrega de moeda estrangeira, em espécie, também a entrega de documento que a represente, na exata expressão constante dos dispositivos em comento. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 972 27 No caso vertente, a autuação alcançou operações realizadas com “United States Treasury Bills”, cotidianamente chamados TBills, títulos da dívida externa norte americana, claramente documentos representativos de moeda estrangeira, o que infalivelmente atrai a incidência do imposto em epígrafe. Então, distintamente do que entendeu o Relator, não só a troca de moedas acarreta a incidência do IOFCâmbio, mas também operações envolvendo documentos representativos desses valores, razão porque devido o tributo. Antecipando debate acerca da competência da RFB para se manifestar sobre aspectos técnicos de operações cambiais, ainda que entenda possível a análise de elementos relativos às obrigações tributárias daí decorrentes, como decidido no Acórdão nº 340101.686 (20/01/2012), trago a colação informações prestadas pelo Banco Central do Brasil, órgão responsável pelo controle de fluxos de capitais estrangeiros, sobre transações com TBills, no bojo do processo judicial nº 000098759.2004.403.6181, 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, TRF 3ª Região, em circunstâncias análogas àquelas verificadas neste feito administrativo, conforme noticiado no voto condutor do Acórdão 9303001.805, de 31/01/2012: “[...] b) O ingresso de valores decorrentes de operações com Títulos do Tesouro dos Estados Unidos não deve ser informado as autoridades monetárias? Esses títulos (ou respectivos valores) podem ser classificados como ‘divisas’? Malgrado os chamados TBills (títulos de longo prazo emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos) possuam vinculação com ‘moeda estrangeira’, por apresentarem certeza de liquidez imediata, pronta conversibilidade em dólares por valor muito próximo ao de face, e constituírem reserva de valor, tais títulos não se confundem com moeda eis que não têm as características de unidade de conta e de meio de pagamento. Desse modo, a comercialização desses títulos, entre domiciliados no Brasil, se dá por contrato de compra e venda de papel (títulos) mediante pagamento em reais pelo comprador ao vendedor. O objeto do contrato de câmbio é a moeda estrangeira ou título que a represente. Inegavelmente, TBills são títulos representativos de moeda estrangeira. Assim, caso um banco autorizado a operar em câmbio, no Brasil, celebre um contrato de câmbio com pessoa natural ou jurídica também domiciliada no Brasil, por meio do qual o banco compre e a pessoa venda, e a forma de entrega da moeda estrangeira pactuada seja ‘Títulos e Valores’, especificandose que por ‘Títulos’ entendase TBills, essa operação de câmbio seria legitima, eis que estariam atendidos os requisitos previstos no artigo 1° do Decreto 23.258, de 1933, e no artigo 23, caput, e § 2° parte final, da Lei 4.131, de 1962, constituindo, inclusive, a forma pela qual as operações de câmbio são comunicadas à autoridade monetária. Em outras palavras: segundo o sistema adotado no Brasil, as operações cambiais são efetuadas através de estabelecimentos autorizados a operar em câmbio pelo Banco Central. Significa dizer que recursos provenientes do exterior, a favor de domiciliados no Pais, devem ser objeto de uma operação de câmbio representada por um contrato de câmbio e esse contrato deve ser registrado no Sisbacen por força do artigo 37 da Lei 4.595/64 e da Resolução 1.453/88 do Conselho Monetário Nacional. Disso resulta que o estabelecimento autorizado a operar em câmbio se apropria da moeda estrangeira, em nome e por conta do Banco Central, e entrega os reais equivalentes ao favorecido (cliente) no Brasil. Fl. 985DF CARF MF 28 O conceito ou definição de ‘divisa’ não consta em documento normativo do Banco Central nem do Conselho Monetário Nacional, embora possa ser obtido na melhor doutrina jurídica especializada e na jurisprudência dos tribunais. c) São comuns operações de compra de títulos no exterior, que permanecem custodiados no exterior, e sua venda no mesmo dia, em território nacional, a uma empresa (compradora) que efetua o pagamento em reais? Negócios desse tipo, também chamados de operações ‘blue chip swap’, não eram comuns antes de 1996 e, aparentemente, deixaram de ser interessantes após 1999. Nesse período, em que o real mantinha estreita paridade com o dólar e a taxa de juros interna era muito mais atrativa do que a praticada no mercado internacional, houve a decisão de política econômica em tributar com o IOF os ingressos de capitas estrangeiros no Pais, com o objetivo de tornar necessário que esses capitais permanecessem aplicados no Brasil por período de tempo maior do que o inicialmente desejável pelo aplicador estrangeiro. Evidente que, se a tributação com o IOF reduz o valor de principal aplicado, há necessidade de maior prazo para que o aplicador aufira o rendimento esperado. Notese que, se o ingresso de recursos no Pais ocorresse mediante a celebração de contrato de câmbio ou pelo mecanismo de transferência internacional em reais (contas CC5) haveria o registro no Sisbacen e estaria caracterizado o momento de ocorrência do fato gerador do imposto com necessária visibilidade. As chamadas operações ‘blue chip swap’ elidem esse efeito na medida em que o pagamento dos reais é feito no território nacional numa operação entre dois domiciliados no Pais. d) Podese cogitar que operações dessa natureza representam uma simulação de compra e venda de títulos? Caso positivo, o que se pretende com isso? Sonegação de imposto (s), por exemplo? Na medida em que os contratos de compra e venda desses títulos dizem que uma parte alega possuilos e deseja vendêlos e a outra parte alega desejar comprá los, e, portanto, assim ajustados, uma parte os vende e a outra os compra, sem qualquer outra formalidade em termos documentais, seja de registro em centrais de custódia ou, ainda, de comprovação da existência real desses títulos e da necessária demonstração de transferência de titularidade no exterior, parece ser possível cogitar que se trata de simulação, inclusive com o objetivo de burlar a legislação tributária. e) Qualquer outra informação julgada útil. Os artigos 1° e 20 do Decreto 23.258, de 1933, assim dizem: ‘Art. 1º São consideradas operações de câmbio ilegítimas as realizadas entre bancos, pessoas naturais ou jurídicas, domiciliadas ou estabelecidas no País, com quaisquer entidades do exterior, quando tais operações não transitem pelos bancos habilitados a operar em câmbio, mediante prévia autorização da fiscalização bancária a cargo do Banco do Brasil.’ (atualizese a leitura: pelos bancos autorizados a operar em câmbio pelo Banco Central do Brasil). ‘Art. 2º São também consideradas operações de câmbio ilegítimas as realizadas em moeda brasileira por entidades Fl. 986DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 973 29 domiciliadas no País, por conta e ordem de entidades brasileiras ou estrangeiras domiciliadas ou com residentes no exterior.’ Acrescentese o disposto no artigo 10 do DecretoLei 9.025, de 1946: ‘É vedada a realização de compensação privada de crédito ou de valores de qualquer natureza, sujeitos os responsáveis as penalidades previstas no Decreto 23.258, de 19 de janeiro de 1933.’ (sublinhamos) A realização de negócios estruturados de forma a elidir o conhecimento das operações de câmbio a eles pertinentes, portanto ao arrepio do sistema cambial adotado no Brasil, como é o caso do esquema conhecido por ‘blue chip swap’, caracterizam as operações cambiais deles decorrentes como ilegítimas. A vedação à compensação privada de crédito de que trata o DecretoLei 9.025, de 1946, coadunase com o artigo 1.024 do Código Civil de 1916, cuja disposição esta mantida no artigo 380 do Código Civil de 2002: ‘Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro’. Isso se vê pela remissão feita a penalidade prevista no diploma de 1933, que trata do relacionamento entre domiciliados no exterior e no Brasil (vejase, a propósito, os ‘considerandos’ introdutórios do Decreto 23.258, em especial os dois últimos), daí defluindo que o prejuízo a alheio de terceiro se caracteriza por retirar da autoridade monetária a visibilidade e o conhecimento dos fluxos financeiros correspondentes. A motivação para negócios estruturados do tipo aqui tratado pode ser o não pagamento de tributos ou o aproveitamento de eventual ágio ou deságio da taxa entre os mercados de câmbio institucional e não institucional (paralelo ou black) ou, ainda, necessidade de ocultar ou dissimular a ordem ou a propriedade dos recursos em moeda estrangeira ou em moeda nacional envolvidos no negócio, observado, quanto a este último aspecto, que o crime de lavagem de dinheiro somente foi tipificado com o advento da Lei 9.613, de março de 1998, regulamentada, no que concerne ao Banco Central, pela Circular 2.852, de dezembro do mesmo ano, com inicio de efeitos em 1.3.1999". Dessa manifestação oficial do Banco Central do Brasil, alguns pontos devem ser acentuados, porque importantes à situação dos autos: i) os TBills são títulos representativos de moeda; ii) operações com TBills devem ser controlados pelo Banco Central do Brasil e realizadas nos moldes por ele determinados, inclusive com intermedição de instituição financeira autorizada a operar câmbio; e, iii) as operações estruturadas na forma dos autos (blue chip swap) caracterizam operações cambiais ilegítimas. Então, fixada a incidência de IOFCâmbio sobre as operações com TBills arroladas no presente processo, temse que o fato gerador, in casu, verificase na tradição do referido documento, assim considerada a liquidação da operação pela entrega da cártula. A sujeição passiva, mormente a responsabilidade por retenção, no caso dos autos, sofre ligeira inflexão, considerando tratarse de operação atípica, não viabilizada por instituição financeira componente do sistema oficial nacional, além de não envolver moeda, mas títulos representativos de valores. Tomado o fato jurídico tributável como a tradição dos TBills, a partir do quadro de fl. 13 do voto vencido, temse que nas operações de nºs 1 a 7, especificamente, Fl. 987DF CARF MF 30 haveria duas operações distintas sujeitas ao IOFCâmbio, a saber: i) a primeira, firmada entre Parmalat Participações e a instituição bancária estrangeira (Crédit Lyonnais Uruguay S/A), onde o contribuinte seria a Parmalat, pelo recebimento dos títulos na qualidade de adquirente; e, ii) uma segunda, verificada entre Parmalat Participações e Andrade Gutierrez (autuada), figurando essa última como contribuinte. Sob essa ótica, diversamente do eminente Relator, não vislumbro ausência de suporte fático, uma vez que a operação efetivamente tributada pelo lançamento é justamente a segunda, acima relatada, entre a Parmalat Participações e a Andrade Gutierrez, e não a primeira, como entendeu o voto vencido, haja vista que, sem sombra de dúvida, houve liquidação da operação pela entrega dos TBills, título representativo de moeda, às margens do Sistema Financeiro Nacional – SFN, sendo devido o tributo, mesmo que inexistente transferência financeira para o exterior, dada a peculiar natureza da transação. Concernente às demais operações, nºs 8 e 9 do mencionado quadro, na linha intelectiva do voto vencido, nenhuma inconsistência se verificaria, porquanto, sendo o autuado o primeiro adquirente dos títulos, diretamente da instituição financeira estrangeira, haveria entrega de título representativo de moeda e transferência financeira correspondente àquela entidade, com conseqüente incidência do imposto. Nesse diapasão, raciocinar de modo diverso – que não haveria incidência tributária nas transações internas com TBills entre particulares – conduziria ao estranho cenário onde esses títulos poderiam circular e ser transacionados livremente no país, sem qualquer controle do Banco Central do Brasil, em operações cambiais às margens do SFN, sem recolhimento do IOF, pela singela alegação que, não havendo remessa de divisas ao exterior, não haveria câmbio e, de quebra, incidência tributária, o que, a meu ver, não se compagina com as normas de regência da matéria, sejam elas cambiais ou tributárias. Tocante à definição da base de cálculo para as operações ora tratadas, nos moldes até aqui delineados, o custo de aquisição dos títulos bem reflete a quantificação da operação objeto de lançamento, coadunandose com o entendimento até aqui exposto, segundo o qual, nas operações internas, entre Parmalat Participações e o autuado haveria incidência do IOFCâmbio, ainda que ausentes transferências financeiras para o exterior, considerando a liquidação da operação pela transferência dos aludidos títulos, nas operações de compra, não se podendo perder de vista que todas as transações ocorriam no mesmo dia. Por essa razão, inclusive, acertado o descarte das operações de revenda dos títulos à instituição financeira estrangeira, haja vista que, nessas situações, o pretenso contribuinte não atenderia ao critério espacial da regra matriz de incidência, encontrandose fora do território do ente tributante. O universo de operações abrangido pelo lançamento alcança apenas as transações em que Andrade Gutierrez, autuado, figura na posição de adquirente dos títulos representativos de moeda estrangeira, seja quando a compra se faz pela Parmalat Participações, seja diretamente do Crédit Lyonnais Uruguay S/A, de maneira que, sob esse prisma, correta a base de apuração indicada pelas autoridades fiscais. Atinente ao aspecto temporal da exação, também aqui o exame deve ser feito cum grano salis, eis que se cuida de operação não usual, atípica e, como reconhecida pela autoridade cambial, operação de câmbio ilegítima, o que se traduz na definição do momento de ocorrência do fato gerador como a liquidação da operação de câmbio, assim entendida a tradição do título representativo de moeda – TBill – e não o “fechamento do câmbio”, que nessa operações inexiste, mesmo porque os títulos em destaque não necessariamente são Fl. 988DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 974 31 convertidos em moeda ato contínuo à realização do negócio jurídico, principalmente por se tratar de títulos da dívida norteamericana de elevada solvabilidade, como atestado pela manifestação do Banco Central do Brasil, adrede transcrita. Por conseguinte, a simples tradição documental, pela sua transferência ao adquirente contra pagamento em moeda nacional, ainda que sujeito a sucessivas operações de compravenda posteriores, como neste processo, configura o critério temporal da incidência do tributo. Aliás, os próprios intervenientes reconheciam essa situação jurídica, ao promover a liquidação da operação mediante emissão de documento próprio, com clara referência à “liquidação de operação de Treasure Bills”, como se extrai da peça de fl. 36 dos autos: Menciona o voto vencido, ainda, à existência de ação penal (1921 55.2012.4.01.3800), tramitada na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – TRF 1ª Região, que absolveu os envolvidos, pessoas físicas, da prática de crimes cambiais decorrentes das operações autuadas, o que, em tese, implicaria a improcedência da acusação fiscal, segundo ilação do i. Relator. Todavia, não se pode olvidar que as esferas penal (judicial) e administrativa são independentes, não havendo vinculação direta entre ambas, especialmente para o fim de submeter a segunda à conclusão da primeira, ante o princípio da unidade de jurisdição, ao passo que, mesmo em se tratando dos mesmos suportes fáticos, dita absolvição não se deu por inatipicidade da conduta descrita na denúncia ofertada pelo Ministério Público Federal, mas sim pela ausência de culpabilidade, pelo reconhecimento do erro sobre a ilicitude do fato, o que de modo algum afasta a incidência do tributo porventura devido, ex vi do art. 136 do Código Tributário Nacional: Fl. 989DF CARF MF 32 “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” A absolvição dos acusados pela ausência de culpabilidade não implica, de modo algum, reconhecer a ausência de suporte fático para incidência do IOFCâmbio, como predica o voto vencido, como reforço de argumentação, uma vez que essa inferência vai de encontro às disposições do indigitado art. 136 do CTN. Demais disso, há notícias de outras ações penais, inclusive aquela mencionada alhures, onde os envolvidos foram condenados pelo crime cambial, em operações similares, o que só corrobora a impossibilidade de tornar insubsistente a autuação pela singela aplicação do resultado da ação judicial específica, como pretendido pelo recorrente. Respeitante à qualificação da multa, entendo cabível à situação sub examine, eis que, nada obstante a efetiva realização das operações com documentos legítimos representativos de moeda, a roupagem conferida à transação denota a pretensão de camuflar uma operação de câmbio, o que se constata pelos detalhes inexplicados desses negócios, como a falta de comprovação dos pagamentos pelos TBills ao banco Crédit Lyonnais Uruguay S/A (item 14 da autuação) ou mesmo a comprovação dos pagamentos pela primeira aquisição, por parte da Parmalat Participações, supostamente realizados através de contratos de mútuo entre empresas vinculadas, onde o mesmo signatário representa adquirente e vendedor dos títulos (item 17); ilegitimidade desse tipo de operação, como reconhece o Banco Central do Brasil; e a efêmera titularidade desses documentos, geralmente 01 (um) dia, o que revelaria ausência de propósito negocial, o que, em minha concepção, caracteriza uma simulação de compra/venda de títulos da dívida norteamericana para dissimulação de operação de câmbio, seja qual for o objetivo das partes nessa negociação. Nesse ponto abro umparêntese para enfrentar a alegação do recorrente que, reduzida a zero a alíquota do IOF sobre as operações de câmbio, não haveria necessidade de simular qualquer transação dessa natureza, o que, por sua vez, afastaria o intuito doloso. De fato, o art. 14, § 2º do Decreto nº 2.219/97 promoveu a redução de alíquota do imposto nas transferências financeiras do ou para o exterior, no entanto, boa parte das operações realizouse internamente, onde não haveria remessa de divisas e, nessa condição, não haveria redução de alíquota, além do que, o art. 15 do mesmo decreto dispunha que o descumprimento ou a falta de comprovação das condições sujeitaria a operação à tributação normal. De todo jeito, devese ter em mente que essas transações, na forma como realizadas, foram qualificadas pelo Banco Central do Brasil como ilegítimas ou atípicas, eis que realizadas fora do Sistema Financeiro Nacional, o que, diante do quadro descortinado, aponta para a correção da desconsideração da alíquota zero, com lastro no art. 15 do Decreto nº 2.219/97. Em conseqüência, caracterizada hipótese de perda do direito à alíquota zero, com emprego de artifício simulatório – negócios com TBills para dissimulação de operações de câmbio às margens do sistema oficial – resta delineada a figura da “fraude”, tal qual conceituada no art. 73 da Lei nº 4.502/64, porquanto tencionou o contribuinte a modificação de caracterísiticas essenciais do fato gerador, com realização de negócio simulado, visando a evasão ou o diferimento do recolhimento do tributo, o que redunda na aplicação da multa qualificada, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 975 33 Outrossim, diversamente do que concluiu o i. Relator, não vislumbro que a fiscalização tenha reconhecido a inexistência de “fraude”, a partir da leitura do parágrafo 11 do relatório de autuação, pois a remissão ao termo não o foi em seu sentido técnico, segundo o art. 73 da Lei nº 4.502/64, mas sentido genérico, como sinônimo de farsa, ainda assim, a farsa seria da existência das operações em si, o que nem de longe significa que não teria havido fraude pela simulação negocial, como exposto, mesmo porque seria contraditório com a inflição da multa qualificada, como ocorrido. Por oportuno, cumpre acentuar que o fato do relatório não utilizar o termo “simulação” queira significar que o emprego de estratagema não tenha sido detectado, bastando para tanto perscrutar o raciocínio lá desenvolvido para concluir pela sua verificação, como evidencia o emprego do vocábulo “artifício”, no claro sentido de “simulação” (fl. 171), verbis: Essa inferência espanca qualquer possibilidade de enxergar o emprego de analogia com o móvel de exigir tributo, em violação ao art. 108 do Código Tributário Nacional, mas a cristalina imputação da realização de negócios simulados com a finalidade de modificar características essenciais do fato imponível e evadirse da incidência tributária, como já asseverado. Na mesma toada, improcedente a alegação de inovação da acusação fiscal, pela referência ao denominado “negócio jurídico simulado”, pois desde o início as autoridades fiscais atribuíram ao autuado a prática de operações dessa natureza, ainda que não tenham utilizado o específico termo “simulação”, como demonstrado linhas atrás. Por seu turno, o reconhecimento da efetiva existência dos títulos (TBills) e mesmo a sua contabilização nos registros contábeis da pessoa jurídica autuada não militam em favor da ausência do intuito doloso, eis que a fraude não residiria na omissão das transações, mas na arquitetura do negócio realizado, onde claramente não se divisa uma operação com título representativo de moeda, como objeto negocial, não havendo qualquer interesse específico nesses documentos, tanto assim que as transações eram liquidadas na mesma data, mas serviram, isso sim, à instrumetalização de uma troca de moedas, operação de câmbio, fora do alcance e conhecimento do Banco Central do Brasil. Tomando por empréstimo palavras do próprio recorrente, entendo que tenha, sim, utilizado de expedientes ardilosos para praticar operações ilegítimas de câmbio, encartandose os fatos com perfeição à dicção do art. 1º do Decreto nº 23.258/33: “Art. 1º São consideradas operações de cambio ilegítimas as realizadas entre bancos, pessoas naturais ou jurídicas, domiciliadas ou estabelecidas no país, com quaisquer entidades do exterior, quando tais operações não transitem pelos bancos habilitados a operar em cambio, mediante Fl. 991DF CARF MF 34 prévia autorização da fiscalização bancária a cargo do Banco do Brasil.” Essa percepção foi captada com percuciência pelo voto condutor do Acórdão nº 3401001.686, de 26/01/2012, em julgamento de caso análogo: “Não se pode conceber que um Estado democrático não disponha de meios legais para vigiar e coibir o fluxo de moeda estrangeira em seu território. Essa atividade no Brasil, como se sabe, é exercida exclusivamente pelo Banco Central do Brasil, que dispõe de várias ferramentas para exercer tanto, municiando o Poder Executivo de informações para a delineação dos rumos da economia. Dentre essas ferramentas, podemos destacar, originalmente, a Lei nº 4.131, de 1962, que, em seu artigo 3º, ‘a’, estabelecia que ‘os capitais estrangeiros que ingressarem no Pais sob a forma de investimento direto ou de empréstimo, quer em moeda, quer em bens’, deverão ser registrados na Superintendência da Moeda e do Crédito, órgão este, posteriormente substituído pelo Departamento de Registro e Fiscalização de Capitais Estrangeiros, que, por sua vez, passou a ser denominado de Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio, sendo que suas atribuições, atualmente, foram transferidas para o Departamento de combate a Ilícitos Financeiros e Supervisão de Câmbio e Capitais Internacionais. Na esteira de tal regulamentação, existem outras, das quais depreendese que não só o registro do capital estrangeiro ingressado no pais é obrigatório, mas, também, que antes do fechamento do contrato de câmbio, deve ser obtida uma autorização do departamento correspondente do Bacen. É o caso da Circular Bacen nº 1.504/89. Assim, as operações de que estamos tratando, as quais, ao final das contas, caracterizaramse pela internalização de divisas do exterior no país, foram realizadas de forma tal, que fugiram totalmente aos controles das autoridades monetárias que zelam por esse fluxo de moedas, vindas à tona somente por conta da auditoria fiscal empreendida pelos fiscais da Receita Federal do Brasil. Por isso, a teor do disposto nos artigos 1º e 2º, do Decreto nº 23.258, de 1933, tais operações podem ser consideradas como ‘operações de câmbio ilegítimas’, visto que, tendo sido realizadas entre pessoas jurídicas, domiciliadas no pais e no exterior, não transitaram pelos bancos habilitados a operar em câmbio. Neste ponto, invoco a regra do art. 15 do Decreto nº 2.219, de 02/05/1997, segundo o qual, ‘Quando houver descumprimento ou falta de comprovação de condições, total ou parcial, de operações tributadas à alíquota zero ou reduzida, o contribuinte ficará sujeito ao pagamento do IOF, calculado a alíquota normal para a operação, acrescido de juros moratórios e multa, sem prejuízo das penalidades previstas no art. 23 da Lei nº 4.131, de 03/09/1962, alterado pelo art. 72, da Lei 9.069, de 29/06/1995’.” Fl. 992DF CARF MF Processo nº 16327.002111/200521 Acórdão n.º 3401004.436 S3C4T1 Fl. 976 35 No mesmo sentido o Acórdão nº 20218.366, de 17/10/2017: “Os TBills foram adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda nacional, sem a intervenção do sistema bancário brasileiro autorizado a operar no mercado de câmbio. Até aqui a operação poderia se limitar à uma Operação de aquisição de ativos, como quer a recorrente. Entretanto, os recursos em moeda nacional empenhados para a aquisição de tais títulos simplesmente atravessaram a fronteira e se :transmudaram em moeda estrangeira, gerando aporte financeiro para a controladora da recorrente no exterior. Qualquer que tenha sido o meio, a forma, o veículo, a estratégia (para não dizer estratagema) que tenha sido utilizado, o fato concreto e irrefutável é que efetivamente ocorreu a colocação de documento representativo de moeda estrangeira à disposição da recorrente em montante equivalente à moeda nacional que entregou. Esse tipo de operação, como sobejamente já foi aludido nos fundamentos da autuação e do acórdão de primeira instância, poderia terse realizado na forma prescrita em lei, qual seja, por meio do sistema bancário brasileiro autorizado a operar no trânsito de moedas entre o Brasil e o exterior, ou simplesmente nas operações que envolvam a recíproca colocação à disposição de moedas diferentes pelos contratantes. Reforço aqui o fato de os títulos se encontrarem custodiados no exterior. No entanto não é esta a constatação da fiscalização. Toda a operação ocorreu entre particulares sediados no país sob intervenção de sistema bancário alienígena. A operação como realizada, mesmo que se obtemperasse aos argumentos da recorrente quanto à inexistência de simulação, fraude, conluio e sonegação, está cristalinamente identificada como operação ilegítima 'pelas regas dos arts. 1 2 e 22 do Decreto n2 23.258, de 19/10/1933: (...) Portanto, todas as operações com os TBills, desde a aquisição da titularidade junto ao Crédit Lyonnais Uruguay S/A até a transferência da titularidade para a controladora no exterior, realizadas sem a tutela legal de um banco brasileiro habilitado a operar nas operações que envolvam ingresso ou saída de recursos financeiros, 'importaram em violação dos ditames legais.” Por derradeiro, quanto à tese de inobservância do princípio da tipicidade cerrada, veiculada no voluntário, não a verifico, porque a incidência do IOFCâmbio sobre Fl. 993DF CARF MF 36 operações com títulos representativos de moeda está prevista no art. 63 do Código Tributário Nacional e no Decreto nº 2.219/97. Ante a peculiaridade das operações realizadas, como tratado alhures, não entendo como condição sine qua non a necessidade de ingresso ou saída de moeda estrangeira no país no caso de negociação de títulos representativos de moeda, isso porque todos os dispositivos citados pelo recorrente albergam exclusivamente a troca de moedas, sendo inaplicáveis aos títulos representativos de valores, que possuem características especiais. Demais disso, pela forma não usual em que esse negócios foram entabulados, sem qualquer intermediação de instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil e às margens de qualquer controle, mesmo naquelas situações em que os títulos foram transacionados entre particulares, como a Parmalat Participações e o autuado, há incidência do imposto. Já os critérios da regra matriz de incidência tributária – material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo –, foram examinados ao longo dessa exposição. Em face de todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator Designado Fl. 994DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002968/2009-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial.
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
Numero da decisão: 9303-006.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.002968/2009-89
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863803
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.623
nome_arquivo_s : Decisao_11065002968200989.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 11065002968200989_5863803.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7288855
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309517901824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 261 1 260 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.002968/200989 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.623 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria PIS PASEP NAO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR Recorrente INDUSTRIA DE PELES MINUANO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãode obra do parque industrial. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 29 68 /2 00 9- 89 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11065.002968/200989 Acórdão n.º 9303006.623 CSRFT3 Fl. 262 2 afastar a glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 340101.020, proferido pela 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, negando o direito a crédito de PIS e COFINS sobre os dispêndios de combustíveis e lubrificantes. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo apurado no período de 01/07/2009 a 30/09/2009. O interessado discorda da glosa parcial sustentando o direito a apurar créditos sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos pelos veículos de sua frota, que argumenta serem vinculados diretamente com as atividades da empresa. Explica que os veículos seriam utilizados no transporte de matérias primas, produtos intermediários, material de embalagem e até de funcionários entre os diversos estabelecimentos da empresa. Conclui pela existência de amparo legal para o creditamento pretendido, o qual atenderia ao princípio da não cumulatividade. Informa que a Primeira Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já teria dado provimento a 22 recursos interpostos pela interessada onde também pleiteava o mesmo creditamento sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos pela sua frota. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.002968/200989 Acórdão n.º 9303006.623 CSRFT3 Fl. 263 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis e lubrificantes quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA A REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL. CABIMENTO. As despesas com serviços de terceiros para a remoção e destinação de resíduos industriais gera direito ao crédito de PIS, em face de obrigatoriedade legal e por ser material resultante do processo de industrialização. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO". Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de apropriarse dos créditos decorrentes das aquisições de combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, apontada, como paradigmas, os Acórdãos nºs 340101.095 e 340101.103. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, referente à discussão sobre "combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. No essencial é o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11065.002968/200989 Acórdão n.º 9303006.623 CSRFT3 Fl. 264 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, relacionados à geração de crédito nas aquisições de "combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial". Com efeito, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11065.002968/200989 Acórdão n.º 9303006.623 CSRFT3 Fl. 265 5 que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte tem como atividade o curtimento, a industrialização, a comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino e de outros materiais para sofás. Nada obstante, por força do que dispõe o art. 5°, I, da Lei n. 10.637/02, a Contribuinte está dispensada do recolhimento do PIS/PASEP sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior, e tem assegurado o direito de crédito da mesma contribuição, nos termos do artigo 30, do mesmo diploma legal. Destarte, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do PIS e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Mas, concentrandose a atenção da divergência dos autos, propriamente, relembrese que o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11065.002968/200989 Acórdão n.º 9303006.623 CSRFT3 Fl. 266 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS, referente aos combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. No que tange os dispêndios relacionados com despesas de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra, entendo que estes não geram direito à crédito, pois não são essenciais ao processo de produção. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11065.002968/200989 Acórdão n.º 9303006.623 CSRFT3 Fl. 267 7 "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, dou provimento parcial ao Recurso, para afastar a glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000297/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. MATÉRIAS DIVERSAS. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA
"Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula CARF nº 1)
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Não há nulidade do lançamento pela mera falta de entrega de documento quando da intimação do lançamento, mormente quando a Contribuinte não demonstra a sua relevância para a construção de sua defesa.
"É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 27)
LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PREVENIR A DECADÊNCIA. VALIDADE.
"São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (Súmula CARF nº 5)
"Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." (Súmula CARF n° 17)
"A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração." (Súmula CARF nº 48)
Numero da decisão: 2202-004.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2403-000.828, de 30/09/2011, alterar a decisão original para conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial, afastando os juros de mora.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. MATÉRIAS DIVERSAS. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula CARF nº 1) LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há nulidade do lançamento pela mera falta de entrega de documento quando da intimação do lançamento, mormente quando a Contribuinte não demonstra a sua relevância para a construção de sua defesa. "É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 27) LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PREVENIR A DECADÊNCIA. VALIDADE. "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (Súmula CARF nº 5) "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." (Súmula CARF n° 17) "A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração." (Súmula CARF nº 48)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15586.000297/2008-11
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861618
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.344
nome_arquivo_s : Decisao_15586000297200811.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15586000297200811_5861618.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2403-000.828, de 30/09/2011, alterar a decisão original para conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial, afastando os juros de mora. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7280040
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309521047552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 965 1 964 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000297/200811 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202004.344 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante COOPERATIVA CENTRAL DE CREDITO DO ESPIRITO SANTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. MATÉRIAS DIVERSAS. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula CARF nº 1) LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há nulidade do lançamento pela mera falta de entrega de documento quando da intimação do lançamento, mormente quando a Contribuinte não demonstra a sua relevância para a construção de sua defesa. "É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 27) LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PREVENIR A DECADÊNCIA. VALIDADE. "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (Súmula CARF nº 5) "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." (Súmula CARF n° 17) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 97 /2 00 8- 11 Fl. 965DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 966 2 "A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração." (Súmula CARF nº 48) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2403000.828, de 30/09/2011, alterar a decisão original para conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial, afastando os juros de mora. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte visando sanear omissão na decisão proferida no Acórdão CARF nº 2403000.828, de 30/09/2011 (fls. 728/734). O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª TO / 4ª CAM (fl. 788/789), mas foi determinada a redistribuição dos autos no âmbito da Seção ante à extinção desse colegiado e do fim do mandato do Cons. Relator original. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Tratase de lançamento de ofício do AI DEBCAD nº 37.019.2486 (fls. 2/19) em função do pagamento de remuneração aos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal como contraprestação pelos serviços prestados nas reuniões de diretoria. Conforme o relatório fiscal (fls. 25/30 e docs. anexos fls. 31/300), "5 A Cooperativa impetrou Mandado de Segurança Individual nº (...), em 06/06/2005, na Justiça FEderal Seção Judiciária do Espírito Santo, contra a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos Membros dos Conselhos de Administração e Fiscal da Cooperativa. (...) Fl. 966DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 967 3 5.3 A empresa apresentou Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais, recolhidos na Caixa Econômica FEderal, para os períodos de 02/2006 a 12/2007, nos valores lançados na presente Notificação" Intimada do lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 303/316). A DRJ proferiu então o acórdão nº 1222.901, de 12/02/2009 (fls. 648/658), no qual manteve o lançamento. Intimada e ainda inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 664/681), no qual argumentou, em síntese: · A nulidade do lançamento ante a incompetência da autoridade lançadora; · A nulidade do lançamento ante a não entrega dos relatórios que fundamentaram a constituição do crédito tributário; · A impossibilidade de lançamento para prevenção da decadência ante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, II, do CTN, ou seja, depósito integral; e · Ainda que seja possível o lançamento para evitar a decadência, que não cabe multa nem juros diante do depósito judicial integral. Chegando a este e.CARF, foi então proferido o acórdão nº 2403000.828, de 30/09/2011 (fls. 728/734), que não conheceu do recurso e restou assim ementado e acordado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Comprovado e reconhecido pela r. decisão a existência de medida judicial bem como o depósito integral do crédito questionado, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo Recurso Voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato, relator, Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Intimada em 20/08/2012 (fl. 741), a Contribuinte protocolou Embargos de Declaração em 27/08/2012 (fl. 742/746 e docs. fls. 747/785), buscando sanear omissão e contradição no acórdão. Segundo esclarece a embargante, o acórdão deixou de conhecer do Recurso Voluntário em função da existência de medida judicial, não analisando, portanto, os argumentos tocantes à nulidade do lançamento e à impossibilidade de incluir acréscimos legais. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 968 4 Entretanto, afirma que o Mandado de Segurança versou apenas sobre o mérito da incidência ou não do tributo. In litteris: "Para que não haja qualquer dúvida acerca da diferença entre o objeto das discussões, importante diferenciálos: No Mandado de Segurança: ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência de Contribuição sobre a cédula de presença paga aos membros dos Conselhos Administrativos e Fiscal por ausência de previsão legal que a autorize; No Processo Administrativo: (i) incompetência da autoridade para proceder ao lançamento e ausência de entrega de relatório; (ii) impossibilidade de realização de lançamento preventivo de decadência por força da suspensão da exigibilidade do crédito motivada por depósitos integrais ou, quando menos, a impossibilidade de cobrança de juros, já que mora não há. Ou seja, no Recurso Voluntário, não há uma única linha que se confunda com a discussão da inconstitucionalidade/ilegalidade da Contribuição, mas trata sim de vícios do lançamento, alguns na forma, outros no mérito, mas nenhum que se confunda com o mérito do Mandado de Segurança." fls. 743/744. Os embargos foram admitidos pela presidência da 3ª TO da 4ª CAM em 11/05/2015 (fls. 788/789) de acordo com informações prestadas pelo então relator, nos seguintes termos: Trouxenos que ao julgar o Recurso Voluntário interposto pela Embargante, entendeu este Colegiado por não conhecêlo, devido à existência de medida judicial, o que importaria em renúncia às instâncias administrativas, deixando assim de enfrentar os argumentos relativos à nulidade do lançamento e à impossibilidade de incluir acréscimos legais. (...) Compulsando os autos em confronto com as decisão da DRJ e a da Turma, aduz que o i. Relator não colocou em debate as referidas questões que, de fato foram enfrentadas na instância a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme o despacho de admissibilidade, a lide se limita à análise de omissões tocantes à nulidades no lançamento e da possibilidade ou não de lançar tributo diante da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pelo depósito judicial integral. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 969 5 Preliminar Recurso Voluntário e o Mandado de Segurança Em primeiro lugar, constatase que houve verdadeira omissão no acórdão embargado. Da sua leitura, observase que o Recurso Voluntário não foi conhecido diante da existência de processo judicial e com lastro na Súmula CARF nº 01. Convém a leitura do seu comando: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Observase, portanto, que essa Súmula determina o não conhecimento apenas quanto às matérias contidas nos autos judiciais. Caso as matérias sejam diferentes, não há impedimento para conhecer do Recurso Voluntário. In casu, como bem demonstrou o Contribuinte, o Mandado de Segurança (inicial às fls. 417/446), versou sobre (1) a possibilidade ou não de incidir Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos a membros do Conselho de Administração e Fiscal (2) sobre a possibilidade de compensar os tributos recolhidos anteriormente de forma indevida e (3) a concessão de medida liminar para impedir a Receita Federal de lançar os tributos. Já o Recurso Voluntário se limitou a discutir: (1) a nulidade do lançamento ante a incompetência da autoridade lançadora; (2) a nulidade do lançamento ante a não entrega dos relatórios que fundamentaram a constituição do crédito tributário; (3) a impossibilidade de lançamento para prevenção da decadência ante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, II, do CTN, ou seja, depósito integral; e (4) ainda que seja possível o lançamento para evitar a decadência, que não cabe multa nem juros diante do depósito judicial integral. Portanto, são matérias diversas, devendo sim o Recurso Voluntário ser conhecido. Mérito dos Embargos Preliminares de Nulidade do Lançamento Uma vez que deve ser conhecido o recurso voluntário, imperiosa a análise das matérias nele suscitadas. Iniciase pela análise das preliminares de nulidade do lançamento. Em primeiro lugar, a Contribuinte argumenta pela nulidade suscitando incompetência da autoridade lançadora. Segundo esclarece, ao tempo do lançamento detinha competência para fiscalizála a DEINFRJ, porém o lançamento foi realizado pela DRF de Vitória. Tal argumento não pode prevalecer. A verdade é que a distribuição de competências dentro da receita federal tem o objetivo tão somente de dar maior eficiência aos trabalhos de fiscalização, aumentando a produtividade dos servidores públicos. Contudo, a atribuição por Portaria a uma determinada Delegacia não tem o condão de retirar a Fl. 969DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 970 6 competência legalmente atribuída aos auditores fiscais para autuar os Contribuintes sempre que forem identificadas infrações à legislação tributária. Efetivamente, é o art. 142 do CTN que atribui à autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário, acrescentando, em seu parágrafo único, tratar se de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Acrescentase que o art. 6º da Lei nº 10.593/2002, com alterações posteriores, atribui ao auditor fiscal a competência para constituir o crédito tributário. Ainda, que o art. 9º, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972 ratifica a validade dos lançamentos mesmo quando formalizados por servidores de jurisdição diversa daquela do domicílio do sujeito passivo. Nesse contexto, o CARF já consolidou inclusive a Súmula sobre a matéria: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Portanto, não assiste razão à Contribuinte nesse ponto. Em segundo lugar, a Contribuinte argumenta pela nulidade do lançamento sustentando que não lhe foram entregues os relatórios que basearam o lançamento. Baseia seu pedido na IN nº 3/2005. A verdade é que os requisitos do lançamento estão contidos no Decreto nº 70.235/1972. Esse mesmo Decreto enumera as hipóteses de nulidade dos atos, despachos, termos e decisões administrativas no seu art. 59, especificamente aquelas realizadas por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já no art. 60, determina que as irregularidades diversas daquelas contidas no artigo anterior não configuram nulidade, devendo ser saneadas caso resultem em prejuízo ao Contribuinte. A eventual falta de apresentação de documentos ou relatórios por parte da autoridade lançadora quando da intimação inicial do lançamento não implica, por si só, nulidade do lançamento. No máximo, implicará nulidade da intimação, devendo esta ser refeita. Acontece que, in casu, a Contribuinte poderia ter requerido cópias de todos os relatórios que lastrearam o lançamento, o que não fez. Mais, poderia ter reclamado devolução de prazo para a defesa, o que tampouco fez. Enfim, uma vez que não discute nesse processo administrativo o mérito o que é discutido no processo judicial não demonstrou como a falta de algum relatório implicou cerceamento do seu direito de defesa. Portanto, não se identificou causa para a nulidade do lançamento, não assistindo razão à Contribuinte nesse ponto. Mérito do Recurso Voluntário lançamento de crédito tributário com exigibilidade suspensa Em relação aos efeitos do depósito judicial integral dos valores em discussão, observase que este e.CARF já se pronunciou diversas vezes sobre o problema, consolidando Súmulas de aplicação obrigatória por parte de seus Conselheiros, conforme art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF. Senão vejamos: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 970DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 971 7 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Percebese, portanto, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não impede a lavratura do auto de infração (Súmula CARF nº 48). Dessarte, cai por terra o argumento principal da Contribuinte. De outra banda, com razão o Recorrente no tocante aos juros: havendo depósito judicial integral do montante em discussão, não cabe a inclusão de juros moratórios no lançamento (Súmula CARF nº 5). Efetivamente, havendo depósito judicial integral, os juros apurados na própria conta bancária servirão para cobrir os juros moratórios, caso seja efetivamente devido o valor depositado a título de tributo. In casu, a própria autoridade lançadora registrou, no relatório fiscal, que os valores lançados eram os mesmo já depositados judicialmente (fl. 29). Enfim, só se afasta a inclusão da multa de ofício quando do lançamento para evitar a decadência quando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ocorrer na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN (Súmula CARF nº 17). Ou seja, não basta que o Contribuinte deposite integralmente o valor devido; é necessário também que obtenha medida liminar ou tutela antecipada, antes do início do procedimento fiscalizatório. In casu, a autoridade lançadora juntou aos autos cópia da Sentença proferida no Mandado de Segurança (fls. 263/267), que denegou a segurança e indeferiu todos os pedidos. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2403000.828, de 30/09/2011, alterar a decisão original para conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial, afastando os juros de mora. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 971DF CARF MF Processo nº 15586.000297/200811 Acórdão n.º 2202004.344 S2C2T2 Fl. 972 8 Fl. 972DF CARF MF
score : 1.0
