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Numero do processo: 11065.100323/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). RETIFICAÇÃO.
A legislação do IRPF estabelece que o contribuinte pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). MODELO COMPLETO E MODELO SIMPLIFICADO. OPÇÃO IRRETRATÁVEL.
A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna irretratável depois de transcorrido o prazo final para a entrega da DAA.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO.
Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto suplementar ao valor de R$ 1.894,29.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). RETIFICAÇÃO. A legislação do IRPF estabelece que o contribuinte pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). MODELO COMPLETO E MODELO SIMPLIFICADO. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna irretratável depois de transcorrido o prazo final para a entrega da DAA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto suplementar ao valor de R$ 1.894,29. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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RETIFICAÇÃO. A legislação do IRPF estabelece que o contribuinte pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). MODELO COMPLETO E MODELO SIMPLIFICADO. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna irretratável depois de transcorrido o prazo final para a entrega da DAA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 23 /2 00 8- 20 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.100323/200820 Acórdão n.º 2102002.641 S2C1T2 Fl. 84 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto suplementar ao valor de R$ 1.894,29. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NOEMIA DILLENBURG foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 02/04, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 8.045,49, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/02/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.316,67, em razão da falta de apresentação dos comprovantes das despesas em questão. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, onde esclareceu que entregou Declaração de Ajuste Anual Simplificada em 24/03/2006, às 14:14 hs, apurando saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 2.184,98, que foi recolhido em 29/11/2006. Acrescentou, ainda, que a declaração, originalmente apresentada, erroneamente, no mesmo dia, às 15:19 hs, foi retificada para o modelo completo, de modo que solicita a exclusão da Declaração de Ajuste Anual retificadora dos sistemas da Receita Federal. A autoridade julgadora de primeira instância considerou a impugnação improcedente, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1031.524, de 20/05/2011, fls. 54/55. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.100323/200820 Acórdão n.º 2102002.641 S2C1T2 Fl. 85 3 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/06/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 63, a contribuinte apresentou, em 15/07/2011, recurso voluntário, fls. 64/75, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que no exercício 2006 a recorrente optou por tributar os seus rendimentos através da Declaração Simplificada, a qual foi entregue no dia 24/03/2006, com saldo de imposto a pagar de R$ 2.184,96. que no mesmo dia, por lamentável equívoco, retificou a declaração para o modelo Completo, tendo em vista que, no ano anterior, havia efetuado o pagamento de diversas despesas médicas, em decorrência do que, passaria a ter direito a uma restituição, no valor de R$ 132,83. que, em 13/11/2006, a recorrente recebeu um Aviso de Cobrança, no montante de R$ 2.184,96, no valor exato do IR apurado na Declaração de Ajuste Anual Simplificada, valor este que foi devidamente recolhido com os acréscimos legais em 29/11/2006. que, diante disso, ficou por demais evidenciado que a Receita Federal, naquele momento, considerou devido o valor do imposto indicado na DAA Simplificada. que, em 18/02/2008, foi emitida Notificação de Lançamento, por meio da qual a contribuinte foi intimada a recolher o montante de R$ 8.045,48, pelo fato de não ter apresentado os comprovantes das despesas médica, sem que fosse levado em consideração o fato de já ter sido recolhido integralmente o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual Simplificada. que se o contribuinte recebe da administração tributária um aviso de cobrança e o quita, isso significa dizer que foi o próprio Fisco que considerou válida, entre duas declarações, aquela que indicou, como devido, o valor maior. que requer o provimento do recurso, para declarar insubsistente e de nenhum efeito a cobrança do crédito tributário exigido no lançamento e, caso tal pedido não seja acolhido que se determine o aproveitamento do imposto já recolhido. É o Relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.100323/200820 Acórdão n.º 2102002.641 S2C1T2 Fl. 86 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do relatório acima verificase que a contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2005, exercício 2006, no modelo simplificado, apurando saldo de imposto a pagar de R$ 2.184,96. Ainda dentro do prazo legal para a apresentação da referida DAA, apresentou declaração retificadora, desta feita no modelo completo, apurando saldo de imposto a restituir, no valor de R$ 132,83. Neste ponto, importa observar que a contribuinte não providenciou o pagamento do imposto apurado na DAA original, só vindo a fazêlo quando recebeu um aviso de cobrança em 29/11/2006. Ocorre que em 18/02/2008 foi lavrada Notificação de Lançamento, exigindo da contribuinte o crédito tributário, no valor de R$ 8.045,49, decorrente da revisão da DAA retificadora, devido a glosa de despesas médicas. No recurso, a contribuinte afirma que a Notificação de Lançamento não pode prosperar, posto que o aviso de cobrança seria um indicativo de que o próprio Fisco considerou válida, entre duas declarações, aquela que indicou, como devido, o imposto maior. Para a análise da questão, importa observar o disposto na Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de janeiro de 2001: Retificação da Declaração de Ajuste Anual Art. 54.O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (...) Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.100323/200820 Acórdão n.º 2102002.641 S2C1T2 Fl. 87 5 Da leitura dos dispositivos acima transcritos, se infere que a DAA retificadora substitui a anteriormente apresentada e que até o prazo previsto para a entrega da declaração é possível fazer a troca do modelo, de simplificado para completo e viceversa. E este foi o caso dos autos, dentro do prazo legal, a contribuinte retificou a DAA originalmente apresentada, trocando o modelo simplificado pelo modelo completo. Ou seja, com a apresentação da DAA retificadora a contribuinte fez a opção pelo modelo completo, sendo certo que tal opção é irretratável depois de transcorrido o prazo para a entrega da declaração, que se encerrou em 28/04/2006, para o anocalendário 2005. O fato de a autoridade que jurisdiciona a contribuinte ter encaminhado aviso de cobrança, relativo ao saldo do imposto apurado na DAA original, não tem o condão de modificar a opção feita pela contribuinte, que é irretratável, sendo inadmissível a alegação de erro de fato, posto tratarse de opção, ou seja, escolha entre dois modelos. Feita a escolha, tal condição é irretratável, não podendo ser alterada, quer seja pelo contribuinte, quer seja pela autoridade fiscal. Assim, correta a autoridade fiscal que quando da revisão da DAA, o fez com base na DAA retificadora. Contudo, assiste razão à contribuinte ao afirmar que a autoridade fiscal, quando da apuração do imposto suplementar, não poderia ter deixado de considerar o imposto recolhido em atendimento ao aviso de cobrança, posto que em assim procedendo incorreu na exigência de multa de ofício sobre imposto já pago, sendo certo que é incabível a exigência de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), por procedimento de ofício. Nestes termos, o imposto suplementar apurado na Notificação de Lançamento deve ser reduzido para R$ 1.894,29 (R$ 4.079,25 – R$ 2.184,96). Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir o imposto suplementar ao valor de R$ 1.894,29. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913513/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 13 /2 00 9- 71 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 15/03/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS, competência março de 2003, com débitos de PIS referentes a fevereiro de 2006, no valor total de R$ 28,17. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2003.91344606 de 15/05/2003 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 26.67.84.35.30. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913513/200971 Acórdão n.º 3803004.645 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913513/200971 Acórdão n.º 3803004.645 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 12269.002237/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados
AÇÃO JUDICIAL - OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS - FNDE E INCRA - IMUNIDADE/ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA
A existência de ação judicial proposta pela recorrente não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança, como também não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo, quando o recurso tratar de matéria diversa à submetida à ação judicial.
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA
Em razão de a decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2301-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício da questão; II) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a concomitância com ação judicial, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão de a decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em não conhecer de ofício da questão da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que conheciam de ofício da questão; II) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a concomitância com ação judicial, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 22 37 /2 01 0- 43 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio Fl. 744DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12269.002237/201043 Acórdão n.º 2301003.685 S2C3T1 Fl. 129 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas a Terceiras Entidades, FNDE e INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. Conforme Relatório Fiscal, a empresa impetrou Mandado de Segurança objetivando a declaração de inexigibilidade das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, tendo sido concedida a segurança pleiteada, sendo que, até a constituição do crédito, não havia decisão definitiva sobre a matéria. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1038.6360, da 7a Turma da DRJ/POA, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Inicialmente, tece considerações sobre seu perfil institucional, atos constitutivos, objeto e relevância das suas funções sociais e educacionais e reitera o entendimento de que os valores cobrados estão com a exigibilidade suspensa, tendo em vista que nas ações 2003.71.00.0572440 e 2003.71.00.0343206 foi concedida a segurança pra declarar a inexigibilidade das contribuições objeto da autuação. Frisa que é desnecessária a apresentação da cópia da petição inicial, tendo em vista que a UNIÃO foi devidamente intimada das decisões referidas, estando seus prepostos a cometer o crime de desobediência, e conclui que é arbitrária a lavratura do presente auto de infração, visto que os débitos estão com exigibilidade suspensa por força de determinação judicial, e não poderiam ser objeto de cobrança por parte da autoridade fazendária.. No mérito, reafirma que a entidade goza de imunidade tributária por força do disposto no art. 150 VI, “c”, da CF, e está também sob o manto da isenção de que trata o art. 195, § 7o, do CF, na medida em que, como instituição de educação, se insere no conceito de entidade beneficente de assistência social. Defende que a expressão “atendidos os requisitos de lei” referese aos requisitos estabelecidos por lei complementar, no caso o art, 14, do CTN, e traz jurisprudência do STJ para tentar demonstrar que a recorrente é considerada entidade de assistência social. Reitera que as exações que a autoridade pública está pretendendo cobrar são inexigíveis, sobretudo porque a entidade goza, além de imunidade tributária, de ampla isenção fiscal, assegurada pela Lei 2.613/55, em.seus artigos 11 a 13, e tece considerações acerca da regularidade do citado diploma legal, ressaltando que os Tribunais vem reiteradamente reafirmando a efetividade jurídica da ampla isenção fiscal de que trata a referida Lei. Discorre sobre as contribuições ao INCRA e FNDE, tentando demonstrar sua inexigibilidade, e insiste em afirmar que o SENAI não é uma empresa, uma vez que não pode Fl. 745DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 assumir riscos da atividade econômica, devendo operar sem fins lucrativos, e comparar o SENAI à empresa par fins de cobrança á terceiros é ato ilegal e ofensivo à constituição, e apresenta uma sinopse das fundamentações jurídicas que amparam o seu direito. Finaliza requerendo seja acolhido o presente recurso voluntário e julgado insubsistente o auto de infração combatido É o relatório. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12269.002237/201043 Acórdão n.º 2301003.685 S2C3T1 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente alega que os valores cobrados estão com a exigibilidade suspensa, tendo em vista que nas ações 2003.71.00.0572440 e 2003.71.00.0343206 foi concedida a segurança para declarar a inexigibilidade das contribuições objeto da autuação. Da leitura dos dispositivos das decisões transcritas na impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância constatou que as mesmas declaram a nulidade das NFLDs nelas citadas, quais sejam, as de DEBCADs 35.400.4514, 35.400.4522 e 35.400.456 5. Assim, como não foram juntadas as petições iniciais, o julgador concluiu que tratamse de ações judiciais específicas contra as cobranças de contribuições aos terceiros por meio dos instrumentos de crédito acima citados, enfatizando a necessidade da apresentação da petição inicial. Em que pese a recorrente, contra tal argumento, ter frisado a desnecessidade de apresentação da cópia da petição inicial, sob a alegando de que a UNIÃO foi devidamente intimada das decisões referidas, ela juntou, aos autos, em sede de recurso, as referidas petições. Da análise desses documentos, constatase que a autuada requer o reconhecimento da inexigibilidade das contribuições ao INCRA, SESC, SEBRAE e FNDE, alegando, entre outras coisas, que é detentora da imunidade constitucional e que não é uma empresa. Assim, entendo que a parte do recurso voluntário que trata de matéria idêntica à que está sendo discutida judicialmente não deve ser conhecida, já que houve renúncia ao contencioso administrativo em relação a tais matérias, nos termos do art. 126, § 3o, da Lei 8.213/91. Contudo, as demais matérias trazidas no recurso administrativo, como inexigibilidade do crédito, difere da levada à apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual conheço do recurso em relação a esses argumentos. A renúncia ao contencioso administrativo somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei 8.213/91). Fl. 747DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 A recorrente alega que os débitos estão com exigibilidade suspensa por força de determinação judicial, e não poderiam ser objeto de cobrança por parte da autoridade fazendária.. Entretanto, cumpre esclarecer que a ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança. A autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. É oportuno ressaltar que o lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário, já que não é possível a sua constituição após o término do prazo de decadência, mesmo com decisão judicial favorável ao fisco, uma vez que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Assim, tendo constatado a ocorrência do fato gerador da contribuição aos Terceiros, a autoridade fiscal lavrou o competente AI, em consonância com o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, protegendoo da decadência. Em seu recurso, a autuada insiste em afirmar que a entidade goza de imunidade tributária por força do disposto no art. 150 VI, “c”, da CF, e que está sob o manto da isenção de que trata o art. 195, § 7o, do CF, pois entende que se insere no conceito de entidade beneficente de assistência social. Tenta demonstrar, também, que o SENAI não é empresa e que a exigência de contribuição ao INCRA e ao FNDE é ilegal. Relativamente a esses argumentos, vale observar que tais matérias são objeto de discussão judicial, o que implica em renúncia ao contencioso administrativo, acarretando o não conhecimento dessa parte do recurso. Isso posto, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Esta Relatora não desconhece que a maioria dos membros deste Colegiado retroagem a norma para aplicar a multa de mora mais benéfica, observando o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Contudo, tal matéria não foi trazida no recurso voluntário e, por entender que não se trata de matéria de ordem pública, não há que conhecêla de ofício. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Fl. 748DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12269.002237/201043 Acórdão n.º 2301003.685 S2C3T1 Fl. 131 7 VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 749DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13896.002780/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXISTÊNCIA.
A alegação genérica de descumprimento de legislação não permite ao contribuinte a compreensão das infrações que lhes são imputadas e provoca o cerceamento de defesa a exigir a nulidade dessa parte do lançamento.
OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES.
A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal.
PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. VALORES REAJUSTADOS POR NORMA INFRALEGAL POR AUTORIZAÇÃO DA PRÓPRIA LEI. LEGALIDADE.
O art. 102 da Lei 8.212/91 prevê que os valores expressos em moeda corrente naquele diploma normativo serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. A Portaria 333/2010, a exemplo de outras, apenas cumpre a determinação legal ao reajustar os valores das penalidades.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXISTÊNCIA. A alegação genérica de descumprimento de legislação não permite ao contribuinte a compreensão das infrações que lhes são imputadas e provoca o cerceamento de defesa a exigir a nulidade dessa parte do lançamento. OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal. PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. VALORES REAJUSTADOS POR NORMA INFRALEGAL POR AUTORIZAÇÃO DA PRÓPRIA LEI. LEGALIDADE. O art. 102 da Lei 8.212/91 prevê que os valores expressos em moeda corrente naquele diploma normativo serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. A Portaria 333/2010, a exemplo de outras, apenas cumpre a determinação legal ao reajustar os valores das penalidades. Recurso Voluntário Negado.
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PREV OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente GP SOLUTION SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXISTÊNCIA. A alegação genérica de descumprimento de legislação não permite ao contribuinte a compreensão das infrações que lhes são imputadas e provoca o cerceamento de defesa a exigir a nulidade dessa parte do lançamento. OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal. PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. VALORES REAJUSTADOS POR NORMA INFRALEGAL POR AUTORIZAÇÃO DA PRÓPRIA LEI. LEGALIDADE. O art. 102 da Lei 8.212/91 prevê que os valores expressos em moeda corrente naquele diploma normativo serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. A Portaria 333/2010, a exemplo de outras, apenas cumpre a determinação legal ao reajustar os valores das penalidades. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 80 /2 01 0- 17 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 53 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 54 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.311.8660, lavrado em 22/11/2010, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por descumprimento da obrigação de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na Lei, relativa ao período de 01/2006 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.431,70, fls. 01. No Relatório Fiscal ficou consignado: “A empresa fiscalizada deixou de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados calculadas sobre a remuneração paga a título de Vale Transporte, Refeição, Participação nos Resultados e Diferença de Dissídio cujos valores foram verificados nos Resumos das Folhas de Pagamentos.” Os levantamentos constantes do lançamento da obrigação principal ficaram assim anotados no Relatório Fiscal: • FG e FG1 — Diferenças entre a Folha e a GFIP (SC — Salário de Contribuição) referente aos valores pagos a Segurados Empregados apurados na análise do resumo das folhas de pagamentos e as GFIPs constantes dos sistemas da Receita Federal no ano de 2006; • PR e PR1 — Participação nos Resultados (SC — Salário de Contribuição) referente a valores pagos a Segurados Empregados a titulo de participação nos resultados no ano de 2006; • DD e DD1 — Diferença de Dissídio — (SC — Salário de Contribuição) referente a valores pagos a Segurados Empregados a titulo de diferença de dissídio no ano de 2006; • VT e VT1 — Vale Transporte (SC — Salário de Contribuição) referente a valores pagos a Segurados Empregados a titulo de vale transporte no ano de 2006; • RF e RF1 Vale Refeição — (Salário de Contribuição) referente a valores pagos a Segurados Empregados a titulo de vale de refeição no ano de 2006; • GF e GF1 — Valores informados em GFIP — (Salário de Contribuição) referente aos valores informados em GFIP e que Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 55 4 não foram efetuados os recolhimentos da Contribuição Previdenciária Patronal. A empresa considerandose como optante do SIMPLES, recolheu apenas o valor da contribuição dos segurados; Após tomar ciência postal da autuação em 09/12/2010, fls. 43, a recorrente apresentou impugnação, fls. 133/142, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 298/312, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 18/07/2011, fls. 314. O recurso voluntário, apresentado em 16/08/2011, fls. 380/410, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta que manifestou sua vontade de inclusão no SIMPLES e preenche os requisitos para tanto. Argumenta que a contribuição não pode incidir sobre o valetransporte, vale refeição e participação nos lucros e resultados. Não concorda com a exigência de inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção quanto aos valores pagos a título de auxílio alimentação. O valetransporte tem natureza indenizatória e não poderia compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Insiste que os valores pagos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não tem natureza salarial por conta de previsão constitucional. Quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto. Sustenta a nulidade do lançamento, por não ter sido obedecido o art. 142 do CTN. Em relação ao presente processo, reclama da multa aplicada com base na Portaria 333/2010, posto que o valor previsto no Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS) é menor que aquele da Portaria. Aponta que não houve circunstâncias agravantes. Faz outras considerações que, no entanto, indicou estarem relacionadas a outros processos. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 56 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Nulidade por cerceamento de defesa. Falta de motivação de parte do lançamento. Notamos que a fiscalização deixou de justificar adequadamente o lançamento em relação a alguns levantamentos, pois apenas alegou que as “remunerações pagas a titulo de Participação nos Resultados, Vale Transporte, Vale Refeição e Diferença de Dissídio” estavam “em desacordo com a legislação”, sem especificar qual exatamente foi o descumprimento da legislação cometido pelo contribuinte. Dessa maneira, a recorrente não teve condições de defenderse adequadamente, o que ficou refletido em sua argumentação. Como exemplo podemos notar que seus argumentos sobre os pagamentos a título de PLR não adentram na discussão dos requisitos, pois nem sabia qual deles tinha descumprido. O mesmo podemos dizer em relação ao valetransporte, valerefeição e diferença de dissídio. A diferença de dissídio seria um abono? Existiu o Acordo Coletivo? Nada disso pode ser apurado, pois a fiscalização não apresentou a adequada motivação. Assim, o lançamento de vê ser anulado por vício material em relação os levantamentos PR, PR1, DD, DD1, VT, VT1, RF e RF1, por ter ocorrido cerceamento de defesa, com fundamento no art. 10, incisos II e IV, c/c art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Os demais levantamentos foram realizados obedecendo aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Para reforçar nossa conclusão apresentamos algumas considerações sobre a qualificação do vício em casos de anulação de lançamento. Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 57 6 “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Tomando o conteúdo de tal dispositivo, podemos identificar os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Os vícios de forma, a seu turno, consistem “na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Diversamente, os vícios quanto ao motivo são verificados quando “a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 58 7 conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. Portanto, fora de dúvidas que o vício no caso em questão, envolvendo, falta de adequada motivação, deve ser qualificado como material. Porém, apesar de alguns levantamentos estarem eivados de nulidade, outros (FG, FG1, GF e GF1) remanescem válidos e legais, o que caracteriza o fato ensejador da aplicação da presente penalidade em seu patamar mínimo, conforme consta da autuação. È de ser observado que o valor da multa aplicada independe do número de infrações, o que torna irrelevante para esse fim o fato de o lançamento da obrigação principal ter sido anulado em relação a alguns levantamentos, pois ainda restaram outros levantamentos válidos. Opção pelo SIMPLES. Necessidade de ato formal. A recorrente alega ser optante pelo SIMPLES, pois teria feito os pagamentos com base em tal modalidade e, segundo ela, preencheria os requisitos para tanto. Porém, a opção pelo SIMPLES exige a interessada submeta formalmente ao fisco sua opção de modo que este faça a análise do preenchimento dos requisitos previstos na legislação, podendo resultar em indeferimento do pedido. A Lei 9.317/96, vigente até 30 de junho de 2007, assim prescrevia: Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) Art. 8º A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 59 8 § 1º As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. § 3º Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1º de janeiro daquele ano. § 4º O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. § 5º As pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratarse de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES. § 6 o O indeferimento da opção pelo SIMPLES, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972 . ( Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003 ) Assim, não bastava a mera realização de pagamentos, pois legislação exigia o cumprimento de algumas formalidades. Como a recorrente apenas alegou que fez os pagamentos com base no SIMPLES, mas não demonstrou ter feito, formalmente, a opção, restam insubsistentes seus argumentos sobre seu direito à tal sistemática. Valor da multa prevista em norma infralegal. Legalidade por se tratar de reajuste por delegação da lei. A recorrente reclama do valor da multa aplicada, sem questionar a existência do fato infracional. Nesse sentido, argumenta que o valor previsto no RPS é de R$ 6.361,73 e não R$ 14.317,78. Como muito bem assinalado no Acórdão a quo, a Lei 8.212/1991 estabelece as regras, parâmetros e limites para afixação da multa em relação ao descumprimento de obrigações tributárias acessórias, em matéria de contribuições previdenciárias: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 60 9 (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Assim, cumprindo o que estabelece o art. 102 da Lei 8.212/91, a Portaria 333/10 apenas atualizou para R$ 1.431,70 o valor da multa que, anteriormente, estava previsto no art. 283, inciso I do RPS no montante de R$ 636,17, em perfeita sintonia com a lei. Destacamos trecho do Acórdão a quo que destaca a legalidade da referida Portaria: A aludida Portaria MPS/MF 333/2010, serve, aliás, de resto, para formalizar a atualização dos valores dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social — RPS, não instituindo, tampouco determinando índices de reajustes, mas apenas e tão somente formalizando a adoção daqueles índices e parâmetros anteriormente estabelecidos pela Medida Provisória n° 475, de 23/12/2009 (convertida na Lei n° 12.254, de 15/06/2010). Assim, os argumentos da recorrente quanto ao valor da multa são improcedentes, observando que a fiscalização não levou em conta qualquer agravante, conforme consta do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.002780/201017 Acórdão n.º 2301003.330 S2C3T1 Fl. 61 10 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10120.004926/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/10/2009
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.924
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/10/2009 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Fatos Geradores Recorrente MUNICÍPIO DE SENADOR CANEDO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/10/2009 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 49 26 /2 01 0- 41 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória , lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 21/06/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, em cotejamento com a multa de mora do artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91 e a nova sistemática trazida pelo artigo 35 A, da mesma Lei, conforme se mostrou mais benéfica ao contribuinte, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 06/2007 a 10/2009, todos os valores pagos ao segurados empregados e contribuintes individuais. Após a impugnação os autos baixaram em diligência, fls. 106/108, manifestação do Fisco quanto às alegações fáticas trazidas pelo autuado. Informação Fiscal de fls.109, diz que não se fez necessária a retificação do auto de infração, porque as retificações havidas no processo que trata da obrigação principal referemse às competências de 01/2009 a 04/2009, enquanto este AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória referese exclusivamente à competência 12/2007. Do resultado da diligência foi dada ciência ao contribuinte e lhe concedido prazo para manifestação, após o que, Acórdão de fls.118/126, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) erro no enquadramento legal da autuação; b) que não houve infração aos dispositivos legais mencionados; c) que dentre os valores ditos como não declarados há contribuição cobrada sobre valores a título de honorários de sucumbência e valores relativos a policiais militares que prestam trabalho voluntário mediante convênio efetuado pelo município. Requer que seja mantida a decisão recorrida no que se mostrou benéfico ao contribuinte; que seja declarado nulo o auto de infração em razão das preliminares argüidas, ou que seja reformado, em razão dos muitos erros nele constantes, em especial porque os segurados já foram declarados.. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.004926/201041 Acórdão n.º 2302002.924 S2C3T2 Fl. 174 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 118/126, em 15/04/2013, fls.128, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 16/04/2013, fruindo até 15/05/2013. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 16/05/2013, conforme protocolo de fl.135, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) O recorrente alega a tempestividade do recurso porquanto a autuada somente teria tomado ciência da autuação no dia 16/04/2013. Entretanto o AR de fls. 128, traz a data inequívoca do recebimento do auto de infração em 15/04/2013, e a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Tal assunto, inclusive, já foi sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, se consubstanciando na Súmula n.º 9: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Pelo exposto e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910098/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 98 /2 01 1- 41 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 32, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910098/201141 Acórdão n.º 3802002.225 S3TE02 Fl. 43 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10783.902207/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao Desconto-Padrão, consoante regra legal.
Numero da decisão: 3803-005.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao “DescontoPadrão”, consoante regra legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 22 07 /2 00 8- 70 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte. Assim, por considerar que o relatório elaborado pela DRJ abordou as questões principais discutidas no PAF, peço licença para reproduzilo. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 10443.58977.150707.1.304 8664, em 15/07/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 25/06/2004, a título de Cofins com débito da mesma contribuição relativo a agosto de 2004, no valor original de R$ 2.132,84. A DRF de Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 32, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados (fl. 170). Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 17, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo Io das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 86 3 Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. E imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP de n.º 10443.58977.150707.1.304 8664, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 87 4 Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente] dos valores recebidos no período autuado; e queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos! contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor) informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 166 a 168 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. Às fls. 177/186 a DRJ negou provimento ao recurso, sob o pressuposto de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da COFINS o valor devido às agências de publicidade, em razão da falta de previsão legal. Alegam os julgadores de piso que o contribuinte sustenta o seu direito na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007, elaborada com fundamento no Parecer COSIT n° 08/2001. Entretanto, o citado parecer teve a parte conclusiva alterada pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008. Assim, a interpretação que vigora é a de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade, por falta de previsão legal. A DRJ citou também dispositivos da Lei n.º 4.680/65, Decreto n° 57.690/66 para fundamentar o entendimento de que os pagamentos são efetuados pelos anunciantes diretamente à TELEVISÃO VITÓRIA S.A pelo valor bruto da fatura. Os julgadores concluíram ainda que somente em momento “posterior” ao pagamento pelos anunciantes, a Recorrente paga à agência o valor denominado "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra o veículo de divulgação. Já às fls. 193/213 o contribuinte apresenta Recurso Voluntário contra a decisão exarada pela DRJ do RJ2 e alegou: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 88 5 a) Nos termos das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 as contribuições sociais não podem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica,; b) a doutrina defende que somente configura hipótese de incidência o faturamento de valores que ingressem ao patrimônio da empresa e não meros ingressos de valores que transitam por sua contabilidade; c) os valores recebidos pela cessão de espaço não integra a base de cálculo das contribuições, pois além de terem sido transferidos para às agências de publicidade, não agregam ao seu patrimônio; d) o Segundo Conselho de Contribuintes Federal, 1a Câmara, Processo n° 10950.002334/9919, já decidiu que não configura receita os valores recebidos pelas empresas de telefonia a título de “roaming”, por não se tratar de receita própria, mas sim de terceiro; e) o fato de o entendimento da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007 e do Parecer COSIT n° 08/2001, ter sido alterado pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008, não pode gerar efeitos retroativos. Além do que, destaca que a compensação foi realiza na vigência das consulta que assegurava o direito a dedução reclamada. Por fim, requer diligência para que o perito aponte, a partir dos documentos contábeis existentes no PAF n.º 10783.902198/200817, os valores repassados às agencias de publicidade, bem como extinção do crédito tributário exigido e seja homologada a compensação apresentada. Alertase ainda que o Recorrente requer também a suspensão do crédito discutido no PAF 10783.902213/200827. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente é preciso dizer que este conselheiro já havia votado, em julgamento de outro processo pertencente ao mesmo contribuinte, no sentido de que os veículos de divulgação não poderiam excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade em razão da falta de previsão na legislação. Entretanto, agora compulsando melhor os autos e refletindo a respeito dos argumentos de defesa apresentados pela Recorrente, conclui que o contribuinte possui razão. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 89 6 A questão ora em deslinde limitase em saber se as verbas recebidas pelo veículo de comunicação em sua totalidade representam a base de cálculo para o recolhimento do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências Em verdade, o próprio Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por compreender por “receita bruta” a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Neste sentido, o STF ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou amparado no fato de que ao ser ampliado o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita violouse a noção de faturamento pressuposto no art. 195, I, "b" da CF/88, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Assim, em que pese a falta de previsão expressa nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, visto que nelas há a disposição de que se compreende por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ainda assim, compreendo que o pleito do contribuinte deve ser acolhido. É preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerários, estes valores apenas transitando graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram seu patrimônio e, por conseqüência, tais entradas de dinheiro são incapazes de exprimir o contorno de sua capacidade contributiva, conforme exige o art. 145 da Constituição Federal. Data vênia, entendimento contrário, compreendo que todo o veículo de divulgação, ou seja, rádio e televisão, jornais e revistas figura apenas como mero intermediário dos serviços prestados pelas agências de publicidade, logo neste caso o valor transferido às agências não configura despesa do veículo, pois não se trata de insumo dos seus serviços. A Segunda Turma do TRF 5ª Região já apreciou recentemente esta matéria e decidiu em negar provimento a apelação da Fazenda Nacional que pretendia afastar a pretensão do contribuinte. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE nº 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 90 7 para as receitas." Esta discussão hoje resta superada com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei nº 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podendo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agências de publicidade agem como mandatárias da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por elas recebidas decorrem dessa mediação. Cabível a restituição ou compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente com a incidência dos consectários legais nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal, obedecida a limitação do art. 170A do CTN. Precedente desta eg. Corte: (APELREEX12164/PE, DES. FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS, Segunda Turma, DJE 02/12/2010). Apelação improvida e remessa parcialmente provida. (grifo) (TRF 5ª Região Apelação / Reexame Necessário n.º 00009715220114058300, Data de Julgamento: 16.10.2012). No mesmo sentido, acerta o contribuinte ao colacionar aos autos julgado do antigo Conselho de Contribuintes referente a não incidência das contribuições sobre os valores recebidos pelas empresas de telefonia denominados “roaming”. Neste caso o colegiado compreendeu, ainda que por maioria, que a base de cálculo da COFINS é a receita própria, não o mero ingresso de valores globais. Com efeito, embora o contribuinte tenha citado em seu Recurso Voluntário o julgamento ocorrido no PAF n° 10950.002334/9919, verificase em rápida pesquisa junto ao “site” do CARF que há outras decisões neste sentido, como por exemplo, Acórdão nº 40202218 do Processo 10166000888200131 e Acórdão nº 40202223 do Processo 10166005507200291 , ambos julgados na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se não bastasse os argumentos aqui apresentados no sentido de admitir a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores transferidos às agências de publicidade, ainda não se pode ignorar o fato de que a Consulta Interna Cosit n° 21/2008 somente pode gerar efeitos para o futuro e jamais alcançar fatos pretéritos, pois como bem se sabe o art. 100 do CTN dispõe que os atos normativos expedidos pela Administração são complementares às leis. Além do que, é importante mencionar que discussão semelhante já ocorreu no STJ em relação a definição de receita para a base de cálculo do ISS. Neste caso, compreendeu o tribunal, por meio do Resp n.º 77771/MG, que a base de cálculo do ISS deve ser reduzida nos serviços de locação de mãodeobra, passando o imposto a incidir somente Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 91 8 sobre o valor da “taxa de administração” que é cobrada pela empresa prestadora de serviços em razão do trabalho de intermediação entre o contratante e os trabalhadores contratados. Por fim, uma vez verificado que o contribuinte possui direito a exclusão pretendida, sugiro que os autos sejam encaminhados para a repartição de origem a fim de que seja auditada a contabilidade acostada ao PAF n.º 10783.902198/200817, uma que nestes neste processo constam as provas dos valores transferidos às agências de publicidade. Destarte, é verdade que o mais adequado talvez fosse elaborar uma resolução para primeiramente reconhecer o direito conforme requerido pelo sujeito passivo. Depois, num segundo momento os autos seriam encaminhados para a repartição de origem a fim de que esta se pronunciasse, exclusivamente, quanto as provas, isto é, apontasse quais valores a empresa efetivamente repassou às agência de publicidade. Todavia, em que pesem estas considerações, optei em adotar uma decisão para o caso em exame, ainda que esta decisão tenha sido proferida de forma ilíquida, devido ao fato de que não há no presente PAF as provas necessárias para apurar os créditos pleiteados. Ante o exposto dou provimento. É como voto. Sala das sessões, 28 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa – Redator designado O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu patrimônio, sendo a estes repassados àquelas. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a se poder identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regra matriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 92 9 privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 93 10 pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. Sob o lume das disposições acima, vêse que a relação jurídica negocial se dá entre o anunciante e o veículo de comunicação, sendo deste para o primeiro a fatura do valor bruto, sendo o pagamento correspondente contabilizado como receita própria do veículo. Isso se depreende da inteligência do item 2.4.2, como se verá. A figura do repasse de receita de terceiros se dá, em regra, da agência para o veiculo de comunicação, dos valores que lhe são entregues pelo anunciante, sendo a agência a depositária desses recursos, conforme itens 2.4.1.1, 2.4.1.2 e 2.4.1.3. Na hipótese, os valores assim repassados ao veículo é receita deste, integralmente. Excepcionalmente, o pagamento da agência de publicidade pelo anunciante podese dar por meio do veículo de comunicação, que se encarregará de repassar à agência o valor correspondente ao “DescontoPadrão, contudo não sem prévio e expresso ajuste,. Neste caso, o valor do “DescontoPadrão” não compõe o valor faturado e, consequentemente, receita do veículo, segundo o dispositivo regulamentar no item 2.4.2. Nestes autos, além de a Recorrente não expor a forma como se processam essas relações, não houve demonstração de que tivesse ocorrido o referido ajuste prévio e expresso. Sem que restasse demonstrado que as relações se deram na forma excepcional acima mencionada, sobressai a forma básica prevista, pela qual o que o veículo recebe é faturamento. Assim, a exclusão da base de cálculo de valores pagos à agência há de ser o que expressamente está autorizado pela lei tributária, o que se verifica não haver no texto da Lei nº 9.718/98, regente da matéria ao tempo do fato gerador. Decerto, é pela falta da previsão legal para a exclusão que a Recorrente vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas, conquanto este seja conceito da base tributária tratado nas leis nºos 10.637/02 e 10.833/03, o que torna imprópria a discussão no quadrante do objeto destes autos. Quanto às soluções de consulta lembro que elas vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente, e que elas não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a Solução de Consulta nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 28 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902207/200870 Acórdão n.º 3803005.097 S3TE03 Fl. 94 11 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10865.000831/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO FINAL DE ESPÓLIO. ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação em atraso da declaração final de espólio, tal como ocorreu na hipótese, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração.
Numero da decisão: 2101-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
__________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Gonçalo Bonet Allage e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ATRASO NA ENTREGA. A apresentação em atraso da declaração final de espólio, tal como ocorreu na hipótese, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Gonçalo Bonet Allage e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 31 /2 00 9- 10 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada multa por atraso na entrega da declaração final de espólio do exercício 2005, anocalendário 2005. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1), alegando, em síntese, que, muito embora a partilha tenha sido homologada em 13 de dezembro de 2005, o formal de partilha só foi expedido no dia 21 de março de 2006, conforme pronunciamento do Juiz de Direito da 2ª Vara da comarca de Limeira (SP) e, somente nesse momento, teria tomado ciência do processo. Desse modo, a entrega da declaração final de espólio teria sido feita no prazo legal. A 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo II (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1748.516, de 16 de fevereiro de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO FINAL DE ESPÓLIO. A entrega intempestiva da Declaração Final de Espólio, pelo inventariante obrigado, enseja a aplicação de multa por atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa os argumentos suscitados na impugnação e pede o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante do presente processo referese a multa por atraso na entrega da declaração final do espólio do contribuinte, no valor de R$ 165,74. Segundo consta, a Fiscalização apurou que a declaração apresentada pelo inventariante em 20.4.2006 teria sido entregue com 3 meses de atraso (vide fls. 2). Em sua impugnação, o contribuinte argumentou que, muito embora a partilha tenha sido homologada em 13 de dezembro de 2005, o formal de partilha só foi expedido no Fl. 34DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10865.000831/200910 Acórdão n.º 2101002.329 S2C1T1 Fl. 3 3 dia 21 de março de 2006, conforme pronunciamento do Juiz de Direito da 2ª Vara da comarca de Limeira (SP). Portanto, a ciência do só teria ocorrido no mês de março de 2006. Desse modo, a Declaração Final de Espólio, entregue em 20 de abril de 2006, teria sido apresentada dentro do prazo legal. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II foi pela improcedência da impugnação. No recurso, o interessado repisa seus argumentos e apresenta, mais uma vez, peça extraída dos autos do processo de inventário de João da Vinha Fonseca e Anna Corte Fonseca, na qual o Juiz da Direito da 2ª Vara da Comarca de Limeira (SP) dá ciência da expedição do formal de partilha, em 21 de março de 2006. A Declaração Final de Espólio corresponde ao período de 1º de janeiro até a data da decisão judicial e deve ser apresentada após a homologação da partilha ou a adjudicação dos bens deixados pelo de cujus. A Lei n.º 9.250, de 1995, estabeleceu que esta declaração deve ser apresentada, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de 30 dias contados a partir da data em que a respectiva sentença transitar em julgado. Vejamos: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, deverá ser apresentada pelo inventariante, dentro de trinta dias contados da data em que transitar em julgado a sentença respectiva, declaração dos rendimentos correspondentes ao período de 1º de janeiro até a data da homologação ou adjudicação. § 5º Se a homologação ou adjudicação ocorrer antes do prazo anualmente fixado para a entrega das declarações de rendimentos, juntamente com a declaração referida no parágrafo anterior deverá ser entregue a declaração dos rendimentos correspondente ao anocalendário anterior. (g.n.) A multa por atraso na entrega da declaração está prevista na Lei n.º 8.981, de 1995: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; Fl. 35DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 [...]. O valor mínimo da multa a ser aplicada é aquele de que trata o § 1º do artigo 88 (200 Ufir, para as pessoas físicas), convertido em reais pela Ufir vigente em 1.º de janeiro de 1996 (R$ 0,8287), conforme preceituam o artigo 30 da Lei nº 9.249, de 1995, e o artigo 27 da Lei n.º 9.532, de 1997, ou seja, R$ 165,74. A Instrução Normativa SRF n.º 81, de 2001, com a redação vigente na época dos fatos, estipulava que a Declaração Final de Espólio devia ser apresentada no prazo de 60 dias contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados. O mesmo ato normativo previa que, se o prazo para a entrega da declaração final se encerrasse antes da data prevista para a entrega da declaração correspondente ao ano calendário anterior, as duas declarações, de ajuste anual e de final de espólio, deveriam ser entregues no prazo previsto para a entrega da declaração final. Na hipótese, o trânsito em julgado da decisão judicial da partilha ocorreu em 13 de dezembro de 2005. Sendo assim, a declaração final do espólio do contribuinte deveria ter sido entregue à Secretaria da Receita Federal do Brasil em fevereiro de 2006, o que não ocorreu. Conforme informado pelo julgador a quo, consta nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil que a Declaração Final de Espólio do contribuinte só foi entregue em 20.4.2006, fora do prazo estabelecido pelas normas então vigentes. Por essa razão, não é possível acolher os argumentos da defesa, tendo em vista que a declaração final de espólio foi apresentada depois de encerrado o prazo previsto, o que, de acordo com o artigo 88 da Lei n.º 8.981, de 1995, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 36DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10855.002445/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SIMPLES NACIONAL.
Não se obriga a apresentação de declaração pela pessoa jurídica com o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1102-000.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
(assinado digitalmente)
________________________________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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SIMPLES NACIONAL. Não se obriga a apresentação de declaração pela pessoa jurídica com o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. (assinado digitalmente) ________________________________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 24 45 /2 01 0- 15 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 17, relativa à multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do exercício de 2008, anocalendário 2007, no valor de R$ 500,00. O prazo final para a apresentação da declaração era 30/6/2008, mas a entrega só ocorreu em 22/9/2010. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2 a 4), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 22): Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/5) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que , ao optar pelo Simples Nacional, não foi considerada como data de opção a data de registro na Jucesp, como constou do CNPJ, mas data posterior, o que a obrigou a apresentar a DIPJ, para o período em que não foi considerada incluída no Simples Nacional, o que ocasionou a exigência de multa. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 21 a 22): Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. DATA DE OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. No período compreendido entre a data de registro da empresa e a data da opção pelo Simples Nacional, fica ela sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. Impugnação Improcedente Fl. 50DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 51 3 Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) a data dos efeitos da opção seguiu o que determina a legislação de regência. Assim, no período compreendido entre a data de registro da empresa na Jucesp e a data da opção pelo Simples Nacional, ficou a empresa sujeita, perante a Receita Federal, às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. b) não cumprido esse prazo, correta a multa aplicada pelo atraso na entrega da DIPJ relativa ao período de 24/09/2007 a 02/10/2007. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 5/10/2012 (fl. 25), o contribuinte apresentou, em 5/11/2012, o recurso voluntário de fls. 27 a 31, onde repete os termos da impugnação, em especial que: a) a abertura da empresa na JUCESP, bem como a data constante no CNPJ é 24/9/2007 e o deferimento da opção do Simples se deu apenas em 2/10/2007. Este lapso temporal não se deu por culpa do contribuinte, mas por decorrência da própria legislação; b) além de não se enquadrar em nenhuma das vedações ao ingresso ao Simples Nacional de que trata o art. 17 da Lei Complementar 123, de 2006, atendeu cumulativamente a todas as condições exigidas para o ingresso, que são: a) enquadrarse no conceito de ME ou de EPP; b) ter inscrição no CNPJ e no Município e, se exigível, no Estado; c) não incorrer em vedação; d) formalizar a sua opção no local e nos prazos definidos; e ainda, teve seu pedido de ingresso devidamente deferido. Além disso, a data de opção pelo Simples Nacional não é informada pelo contribuinte. Desta forma, se a empresa preencheu todos os requisitos e formalizou seu pedido de ingresso dentro dos prazos estipulados, não há motivos para que sua opção surta efeitos em outra data que não a de sua abertura; c) A própria lei que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte determinou o prazo de produção dos efeitos da opção a partir do início da atividade (art. 16, §3o da Lei Complementar 123, de 2006). Não há, portanto, nenhuma razão para que sua opção pelo Simples surta efeitos em data posterior àquela de sua constituição; d) a empresa cumpriu exatamente o que determina a legislação, não podendo portanto, ser penalizada, por equivocadamente, no intuito de regularizar pendência impeditiva para emissão da certidão negativa, ter efetuado a entrega da DIPJ, o que conseqüentemente gerou a notificação de lançamento referente à multa por atraso na entrega da declaração; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 52 4 e) e ainda, se a empresa, durante todo o exercício de 2007, não teve nenhuma movimentação fiscal, em contrapartida, não teve também débitos e créditos a apurar e a declarar. Portanto, o equívoco de proceder entrega em atraso da DIPJ referente a esse período não acarretou em omissão, sonegação ou causou qualquer prejuízo aos cofres públicos; f) resta comprovado que, ao entregar a DIPJ 2007 em atraso, a impugnante não causou qualquer prejuízo ao erário, razão pela qual a aplicação da penalidade imposta está em desacordo com o princípio da razoabilidade e proporcionalidade. É oportuno destacar que toda a legislação pátria pertinente ao tema fiscal está sujeita às disposições da Constituição Federal e dos princípios norteadores desta; g) a multa punitiva deve ser imposta na proporção da ameaça ou violação. É irrazoável aplicar uma multa por atraso na entrega da DIPJ à empresa que, além de estar desobrigada da apresentação da mesma em razão de seu regime tributário, nem sequer auferiu qualquer renda naquele exercício, ferindo gravemente os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva. h) é prudente que a imputação de penalidade seja feita com moderação e razoabilidade, proporcionalmente ao grau de culpa, ao prejuízo causado, e ainda ao porte econômico que é de microempresa, sob pena de, não o fazendo, estar culminando assim em verdadeiro enriquecimento sem causa por parte da administração pública. Ao final, pugna pela insubsistência do auto de infração. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em setembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 48. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do exercício de 2008, apresentada em 22/9/2010, quando o prazo legal era 30/6/2008. Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País estão obrigadas a apresentar a DIPJ, exceto aquelas optantes pelo Simples e as inativas, por estarem obrigadas à apresentação de declaração simplificada, e os órgãos públicos, as autarquias e as fundações públicas. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 53 5 Já a pessoa jurídica que aderiu ao Simples apenas em parte do ano fica obrigada a entregar duas declarações: a simplificada, referente ao período em que esteve enquadrada no Simples, e a DIPJ, relativa ao restante do anocalendário. A multa aplicada está prevista no art. 7o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, abaixo transcrito: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (...) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 54 6 Assim, a DIPJ entregue fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante do imposto informado na declaração, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. Como a DIPJ apresentada a destempo não informava imposto devido, aplicouse a multa mínima de R$ 500,00, prevista no §3o, inciso II, do dispositivo legal. Afirma o recorrente que só apresentou essa declaração para suprir pendência impeditiva de emissão de certidão negativa. Esclarece que a empresa foi constituída em 24/09/2007, devendo sua opção pelo Simples Nacional, ocorrida em 2/10/2007, produzir efeitos a partir da data do início de atividade. Assim, a DIPJ, que fazia referência ao período de 24/09/2007 a 1o/10/2007, não deveria ter sido exigida, pois já era optante do Simples Nacional, e sua entrega em atraso não deve ser apenada. A possibilidade de opção retroativa pelo Simples Nacional ao início de atividade é regulada pelo §3o do art. 16 da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que a admite desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos por ato do Comitê Gestor. Transcrevese o dispositivo legal: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. (...) O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) estabeleceu as condições para o benefício no § 3º do art. 7o da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, abaixo transcrito em sua redação original: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (...) Fl. 54DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 55 7 V – a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI – validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. (...) Assim, usando da prerrogativa constante em lei, o Comitê Gestor permitiu que a opção ao Simples Nacional feita no início da atividade da empresa produzisse efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais (inciso V). E definiu como data de início da atividade, para fins do Simples Nacional, aquela do último deferimento de inscrição (inciso VI). Observese que a Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, alterou essa sistemática, e passou a considerar a opção retroativa à data de abertura, para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008. Contudo, expressamente manteve a opção retroativa apenas à data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007. Transcrevo a nova redação: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (...) V a opção produzirá efeitos: ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; ( Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; ( Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) VI validadas as informações, considerase data de início de atividade: ( Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a do último deferimento da inscrição nos cadastros Fl. 55DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 56 8 estadual e municipal; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, a da respectiva abertura. ( Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Desse modo, o órgão especificamente designado pela lei para regular a opção retroativa ao Simples Nacional para as empresas em início de atividade expressamente definiu que a retroação somente poderia se dar até o último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, e, quando alterou essa sistemática, de forma explícita a manteve para as empresas abertas até 31 de dezembro de 2007. Assim, decorre diretamente da lei a conclusão de que a empresa ingressou no Simples Nacional apenas em 2/10/2007. Como consequência, a empresa estava omissa de declaração para o período de 24/09/2007 (início da atividade) a 1o/10/2007, sendo correta a imposição de penalidade pelo atraso na entrega de declaração a qual estava obrigada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Em que pese a escorreita análise do ilustre relator em seu bem fundamentado voto, entendeu o colegiado, por maioria de seus votos, dar provimento ao recurso, entendendo não ser justificável a imposição da penalidade no presente caso, pelas razões sinteticamente abaixo expendidas. Conforme observou o nobre relator, ao julgar, nesta mesma sessão, o processo no 11020.000169/201028, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS já exonerou a multa em situação semelhante à dos autos. Peço vênia ao ilustre relator daquele acórdão (Acórdão no 1034.118, de 8 de setembro de 2011), o Auditor Fiscal Ricardo Manoel de Oliveira Borges, para transcrever a seguir excerto do seu voto, que o colegiado adotou como razões de decidir: “A Lei Complementar n° 123 de 14/12/2006, instituidora do Simples Nacional, em seu art. 16, § 3o, dispõe sobre os efeitos da opção por esta sistemática, que deve ser exercida nos termos, prazos e condições estipuladas por atos do Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN, efeitos estes que serão produzidos apenas a partir da data do início de atividade. Os contribuintes que houvessem efetuado seu registro na junta comercial tinham prazo para inscrição no Simples Nacional e a observância deste prazo era requisito para participarem da sistemática. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 57 9 A contribuinte atendeu a disposição posta pela legislação do Simples Nacional, tanto é assim, que foi admitida nessa sistemática. A multa por atraso na entrega destinase a punir aqueles que, por descuido ou deliberadamente, não apresentem a declaração no prazo legal e, com isso, evitar que cada contribuinte cumpra a obrigação quando bem entender, deixando de prestar as informações fiscais necessárias, o que perturbaria os procedimentos de controle da Receita Federal. Não é o caso da autuada, pois ainda que desejasse entregar sua DASN com informações abrangendo o período que ia desde seu registro na Jucergs até a data de início de atividade admitida pelas normas do CGSN, sofreria impedimento do sistema eletrônico da RFB. Como, após a abertura da empresa, restaram alguns dias não abrangidos pelo período dessa declaração, o autuado teve que apresentar uma segunda declaração, relativa a esses dias, só para afastar o problema. Foi desta declaração que resultou a multa por atraso. Não é razoável exigirse a apresentação de uma declaração só por causa da defasagem de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do início do período que constou da DASN, tanto é assim, que este proceder, a partir do janeiro de 2008 nem mais é aplicável. Muito pior, contudo, seria a imposição de multa pelo atraso na entrega de tal declaração. Uma interpretação teleológica da legislação leva à conclusão de que não era relevante para o fisco federal a apresentação de declaração em separado para as informações fiscais produzidas entre a data de registro da empresa e do seu início de atividade. A presunção é que a empresa não realizou qualquer operação, antes do último deferimento de sua inscrição nos cadastros estadual e municipal, e esta não é infirmada por qualquer indício nos autos. Nessa situação, a contribuinte poderia, sem problema algum, prestar as informações ao fisco federal para todo o período na DASN, tendo sido, contudo, induzida a fazêlo de outra forma, o que levou à multa ora combatida.” Em síntese, se a própria legislação estabelece a presunção de que a empresa não teve qualquer atividade antes do último deferimento de sua inscrição nos cadastros estadual e municipal (art. 7º, § 3º, inciso VI, alínea ‘a’, in fine, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, com a redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008), presunção aliás não infirmada por qualquer indício nos autos, não se afigura razoável a exigência da entrega de uma declaração apenas para confirmar aquilo que a própria lei presumiu, impondo uma penalidade a quem não fizesse a sua entrega em tempo hábil. De fato, a inadequada presunção — e a injusta punição dela decorrente — são tão flagrantes, que foram descartadas pela legislação de regência a partir de 1° de janeiro de 2008. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10855.002445/201015 Acórdão n.º 1102000.992 S1C1T2 Fl. 58 10 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 11610.006897/2003-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
OMISSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A manifestação expressa da posição do colegiado a partir de análise detalhada sobre o tema objeto de embargos afasta a caracterização de omissão no voto.
Numero da decisão: 1202-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos opostos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Orlando José Gonçalves Bueno.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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NÃO CARACTERIZAÇÃO. A manifestação expressa da posição do colegiado a partir de análise detalhada sobre o tema objeto de embargos afasta a caracterização de omissão no voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos opostos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 68 97 /2 00 3- 74 Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do Acórdão nº 1202 000.930, julgado em 06/12/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2000 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Ao contribuinte compete o ônus de demonstrar a existência do direito creditório, imprescindível para a homologação das compensações a ele vinculadas. A falta de comprovação da tributação integral das receitas de prestação de serviços de publicidade relativas ao IRRF recolhido que teria gerado o saldo de IRPJ pleiteado, bem como a falta de comprovação dos erros de fato alegados, enseja o indeferimento do direito creditório e a não homologação da compensação pretendida. A embargante alega que o voto condutor da decisão apresentou omissão, visto que a turma julgadora não teria se pronunciado sobre: (i) a possibilidade de utilização da importância de R$ 112.132,50 (cento e doze mil, cento e trinta e dois reais e cinquenta centavos), requerendo seja apreciado o pedido de reconhecimento do direito creditório, com base no princípio da verdade material, ainda que a embargante não tenha adotado o procedimento previsto na legislação para aproveitamento do crédito; (ii) os argumentos explicitados nos parágrafos 5 a 7.5 das razões do Recurso Voluntário, haja vista que a embargante comprovou com base em escrituração contábil que houve retenção indevida ou a maior no valor total de R$ 55.873.82 e, conseqüentemente, a base de cálculo desses valores deve ser excluída da receita de prestação de serviços de publicidade, requerendo a inclusão na apuração do imposto de renda de todos os valores retidos na fonte pela Embargante, inclusive os montantes recolhidos a maior ou indevidamente; (iii) o pedido de utilização do IRRF na importância de R$ 180.921,40, com base em erro de preenchimento da DIPJ devidamente comprovado na composição do saldo negativo do IRPJ, consoante as razões do parágrafo 3.3 e demonstrativo do Recurso Voluntário, sendo que tal erro foi expressamente reconhecido pelas próprias Autoridades Julgadoras, solicitando pronunciamento quanto ao direito à utilização do IRRF devidamente Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 4 3 comprovado nos autos, não obstante o erro no preenchimento da DIPJ, com base no princípio da verdade material. Aponta, ainda, contradição no seguinte trecho da pág. 10 do acórdão embargado: "Notase que, ao mesmo tempo em que contesta a omissão de receitas apurada a partir daquele total de recolhimento, a própria recorrente utiliza esse mesmo valor para compor o saldo negativo de IRPJ retificado.'", considerandose que, na composição do saldo negativo do IRPJ devem ser incluídas todas as retenções efetuadas, inclusive as indevidas ou a maior, sendo que a receita de prestação de serviços corresponde ao valor de R$ 70.649.087,06 (setenta milhões, seiscentos e quarenta e nove mil, oitenta e sete reais e seis centavos) e foi devidamente comprovada pela escrituração contábil juntada aos autos, consoante o parágrafo 5.1 do Recurso Voluntário. Requer, por fim, o pronunciamento do colegiado quanto aos pontos não apreciados no acórdão embargado, quais sejam: (i) o direito a inclusão na composição do saldo negativo do IRPJ de todos os valores retidos pela Embargante indevidamente ou a maior, apesar de eventuais erros procedimentais cometidos para aproveitamento do crédito, em observância ao princípio da verdade material e, conseqüentemente, (ii) a exclusão da receita de prestação de serviços de publicidade da base de cálculo das retenções indevidas ou a maior. Os embargos foram admitidos pelo presidente da turma e incluídos em pauta de julgamento, para que o colegiado se manifeste, com vistas ao esclarecimento do verdadeiro alcance da decisão. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Os embargos foram conhecidos por apresentar diversos pontos arguidos pelo embargante, os quais demandam uma análise detalhada do voto para bem esclarecer a questão. Sobre o primeiro item dos embargos, a alegada omissão quanto à possibilidade de utilização da importância de R$ 112.132,50 (cento e doze mil, cento e trinta e dois reais e cinquenta centavos), cumpre esclarecer que a matéria foi devidamente apreciada pela decisão embargada, como se vê abaixo: Sobre o suposto recolhimento em duplicidade de IRRF no valor de R$ 112.132,50, como bem observou a DRJ, esse indébito somente poderia ser computado na apuração do IRPJ a pagar do anocalendário de 2002 caso tivesse sido utilizado para quitar, mediante compensação, as estimativas do IRPJ devidas no curso do anocalendário de 2002 ou os IRRF que deveriam ser recolhidos pela recorrente, por ordem e conta dos anunciantes. Naquela decisão ficou consignado que o contribuinte não informou em DCTF nenhuma compensação das estimativas de IRPJ devidas no curso do anocalendário de 2002 ou dos IRRF – Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 5 4 8045 (serviços de propaganda prestados por pessoa jurídica) com o indébito em comento, não apresentou DCOMP, nos termos do caput e §1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 e, tampouco, apresentou livros contábeis suficientes para a comprovação da efetiva realização de qualquer compensação com o indébito em tela, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, com a redação atribuída pela Lei nº 9.069, de 29/06/1995. No recurso voluntário, a recorrente não ataca as razões da decisão recorrida, mas pretende apenas fazer prova da duplicidade do recolhimento. Como se viu do parágrafo acima, o que falta nos autos é a prova do efetivo registro do aproveitamento do suposto indébito, na forma da legislação vigente, para que o referido montante pudesse compor o saldo negativo do período, conforme pretendido pela recorrente. A referência aos fundamentos da decisão anterior como parte da motivação do voto encontra previsão na Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ademais, como relatado, a própria recorrente/embargante reconhece que não adotou o procedimento previsto na legislação para aproveitamento do crédito. Ao contrário do que sustenta, a compensação exige procedimento formal e não pode ser reconhecida sob mera alegação de busca da verdade material. Assim foi decidido pela decisão embargada, nos mesmos moldes da decisão da DRJ. Ao requerer “seja apreciado o pedido de reconhecimento do direito creditório, com base no princípio da verdade material” a embargante pretende desconstituir o mérito da decisão, tomado por unanimidade de votos. Como o assunto foi apreciado no voto embargado, inexiste omissão a ser suprida. Aponta, ainda, omissão do voto condutor sobre a questão da retenção indevida ou a maior no valor total de R$ 55.873.82, que refletiria na receita de prestação de serviços de publicidade, consoante o disposto nos parágrafos 5 a 7.5 das razões do Recurso Voluntário, diziam, em síntese : 5.2 Ao analisar os recolhimentos do IRRF de prestação de serviços de publicidade relativos aos recebimentos ocorridos durante o anocalendário de 2002, na quantia total de R$ 1.118.241,42, a Recorrente identificou que alguns pagamentos foram realizados indevidamente, quais sejam: Descrição IRRF Indevido (R$) Receita Indevida (R$) Pagamento indevido em 04/12/2002 31.776,32* 2.118.421,33 Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 6 5 Pagamento indevido em 18/12/2002 20.730,94* 1.382.062,67 Pagamento indevido em 03/01/2003 3.366,56* 224.437,33 Total 55.873,82 3.724.921,33 *DARF apresentados na Manifestação de Inconformidade. 5.3 Consequentemete a suposta receita na importância de R$ 3.724.921,33 não existe considerando que as retenções no importe de R$ 55.873,82 decorrem de pagamento efetuados em excesso. 5.4 No mesmo período o IRRF devido é o seguinte: Descrição Receita IRRF IRRF (R$) Devido IRRF Indevido (R$) Valores recebidos na 5ª semana de nov/2002 2.060.162,67 30.902,44* 31 776 32* Valores recebidos na 2ª semana de dez/2002 949.674,00 14.245,11* 20.730,94* Valores recebidos na 4ª semana de dez/2002 322.963,33 4.844,45* 3.366,56* Total 3.332.800,00 49.992,00 55.873,82 *DARF apresentado na Manifestação de Inconformidade. [...] 7.4 Assim, resta ilidida a alegação do D. Julgador de que houve omissão de receita de prestação de serviços, conforme demonstrado a seguir: Descrição Receita (R$) Pagamento indevido de R$ 31.776,32 em 04/12/2002 2.118.421,33 Pagamento indevido de R$ 20.730,94 em 18/12/2002 1.382.062,67 Pagamento indevido de R$ 3.366,56 em 03/01/2003 724.437,33 Receita de anos anteriores cujo recebimento ocorreu em 2002 175.419,61 Total (3.900.340,94) Vejase que, no voto condutor embargado restou consignado: A recorrente sustenta a inexistência dessa omissão de receitas, pois parte dos recolhimentos foi indevido. Alega que a suposta receita na importância de R$ 3.724.921,33 não existe, considerando que as retenções no importe de R$ 55.873,82 decorrem de pagamento efetuados em excesso, dentro do montante total de recolhimentos da ordem de R$ 1.118.241,42. Como a suposta não tributação integral das receitas de prestação de serviços de publicidade relativas aos IRRF recolhidos com base nas mesmas fez surgir saldo de IRPJ a Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 7 6 pagar após o recálculo do IRPJ devido, causando o indeferimento do saldo negativo pleiteado, caberia à recorrente demonstrar todos os equívocos alegados. Todavia, não é o que acontece. A própria recorrente, em sua impugnação, considerou o montante total dos recolhimentos de IRRF, da ordem de R$ 1.118.241,42 (um milhão, cento e dezoito mil, duzentos e quarenta e um reais e quarenta e dois centavos), na apuração do saldo negativo de R$ 293.252,88 (duzentos e noventa e três mil, duzentos e cinquenta e dois reais e oitenta e oito centavos), com base no qual pleiteia, inclusive no recurso voluntário, a retificação da DCOMP. Como se vê, a questão foi detidamente analisada pelo voto condutor ora embargado, inexistindo a omissão apontada. Alega, também, omissão sobre o pedido de utilização do IRRF na importância de R$ 180.921,40, com base em erro de preenchimento da DIPJ. Alega que teria sido devidamente comprovado na composição do saldo negativo do IRPJ, consoante as razões do parágrafo 3.3 do recurso voluntário, que diz, em relação à decisão de primeira instância: 3.3 O D. Julgador reconheceu que a Recorrente poderia deduzir na DIPJ o saldo do IRRF na importância de R$ 180.921,40 (cento e oitenta mil, novecentos e vinte e um reais e quarenta centavos), no entanto, considerou apenas a quantia de R$ 144.273 50 (cento e quarenta e quatro mil, duzentos e setenta e três reais e cinqüenta centavos) (parág. 12.2. da pág. 1010), em razão do erro de fato no preenchimento das linhas 13 e 16 da ficha 12A da DIPJ, senão vejamos: Descrição IRRF serviços de propaganda* 1.230.373,92 1RRF aplicações financeiras 115.350,34 IRRF antecipações 993.300,00 IRRF de anos anteriores 23.396,07 Total das linhas 13 e 16 da ficha 12A que deveria ser informado na DIPJ 2.363.020,33 Total das linhas 13 e 16 da ficha 12A informado na D1PJ 2.326.173,45 Diferença (erro no prenchimento da DIPJ) 36.846,88 *Valor composto de R$ 1.118.241,42 + R$ 112.132,50. Do voto embargado extraise que: Da mesma forma, considera o valor de R$ 1.118.241,42, somado ao valor de R$ 112.132,50, quando pretende demonstrar o erro de fato no preenchimento das linhas 13 e 16 da ficha 12A da DIPJ, com vistas a justificar a dedução na DIPJ o saldo do IRRF na importância de R$ 180.921,40 (cento e oitenta mil, Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 8 7 novecentos e vinte e um reais e quarenta centavos), e não pela quantia de R$ 144.273,50 (cento e quarenta e quatro mil, duzentos e setenta e três reais e cinquenta centavos), como considerado pela decisão recorrida. Notase que, ao mesmo tempo em que contesta a omissão de receitas apurada a partir daquele total de recolhimento, a própria recorrente utiliza esse mesmo valor para compor o saldo negativo de IRPJ retificado. No caso dos autos, diante do quadro fático apresentado pela recorrente, não se verifica a existência de crédito líquido e certo para fins de compensação, tal como exige a legislação, não sendo possível homologar a compensação pretendida. Vejase que a decisão embargada foi no mesmo sentido da decisão da DRJ que, ao julgar o pedido improcedente, consignou: 12.2. Relembrese que, em decorrência do IRRF 8045 não ter sido integralmente utilizado no curso do anocalendário de 2002, restando saldo de R$ 65.564,11 (sessenta e cinco mil, quinhentos e sessenta e quatro Reais e onze centavos), conforme consta de item 11.5 deste acórdão é certo que o contribuinte poderia deduzir na DIPJ 2003 IRRF de R$ 180.921,40 (cento e oitenta mil, novecentos e vinte e um Reais e quarenta centavos). Entretanto, o Manifestante optou por deduzir quantia inferior de IRRF na DIPJ 2003, vez que indicou apenas a importância de R$ 144.273,50 (cento e quarenta e quatro mil, duzentos setenta e três Reais e cinqüenta centavos — Linha 13 da Ficha 12A fls. 37). Assim, sendo certo que a dedução do IRRF na apuração do saldo do IRPJ a pagar é mera faculdade legalmente outorgada ao contribuinte, reconhecese apenas a importância de R$ 144.273,50 (cento e quarenta e quatro mil, duzentos e setenta e três Reais e cinqüenta centavos) como deduzida a tal titulo. Ao final, a embargante aponta uma contradição no voto, considerandose que, na composição do saldo negativo do IRPJ devem ser incluídas todas as retenções efetuadas, inclusive as indevidas ou a maior, sendo que a receita de prestação de serviços corresponde ao valor de R$ 70.649.087,06 (setenta milhões, seiscentos e quarenta e nove mil, oitenta e sete reais e seis centavos) e foi devidamente comprovada pela escrituração contábil juntada aos autos, consoante o parágrafo 5.1 do Recurso Voluntário. Reproduzse, abaixo, o trecho embargado: A própria recorrente, em sua impugnação, considerou o montante total dos recolhimentos de IRRF, da ordem de R$ 1.118.241,42 (um milhão, cento e dezoito mil, duzentos e quarenta e um reais e quarenta e dois centavos), na apuração do saldo negativo de R$ 293.252,88 (duzentos e noventa e três mil, duzentos e cinquenta e dois reais e oitenta e oito centavos), com base no qual pleiteia, inclusive no recurso voluntário, a retificação da DCOMP. Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11610.006897/200374 Acórdão n.º 1202001.079 S1C2T2 Fl. 9 8 Da mesma forma, considera o valor de R$ 1.118.241,42, somado ao valor de R$ 112.132,50, quando pretende demonstrar o erro de fato no preenchimento das linhas 13 e 16 da ficha 12A da DIPJ, com vistas a justificar a dedução na DIPJ o saldo do IRRF na importância de R$ 180.921,40 (cento e oitenta mil, novecentos e vinte e um reais e quarenta centavos), e não pela quantia de R$ 144.273,50 (cento e quarenta e quatro mil, duzentos e setenta e três reais e cinquenta centavos), como considerado pela decisão recorrida. Notase que, ao mesmo tempo em que contesta a omissão de receitas apurada a partir daquele total de recolhimento, a própria recorrente utiliza esse mesmo valor para compor o saldo negativo de IRPJ retificado. (destacouse) Como se vê, a contradição não está no voto, mas na conduta da contribuinte que, de um lado, pretende retificar os valores apontados e, de outro, pretende utilizar os mesmos valores para compor o saldo negativo de IRPJ. Ressaltese que a legislação determina que, para compor o saldo negativo de IRPJ, deve haver a comprovação da tributação do montante correspondente, o que não aconteceu no caso concreto. Notase que, na realidade, a embargante pretende, através da via estreita dos embargos de declaração, obter a modificação do julgado que lhe foi desfavorável, no que não pode ser atendida. Para o fim de obter a reforma do julgado cabe recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do art. 64, inciso II, do Anexo II, da Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009). DISPOSITIVO Diante do exposto, negase provimento aos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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