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Numero do processo: 10803.720083/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO ANTECIPADOS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 99. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN.
A retenção de tributo sujeito a lançamento por homologação, seja ele imposto ou contribuição, pode ser reconhecida como pagamento antecipado, e, portanto, havendo (i) previsão para o pagamento antecipado; (ii) ocorrência de pagamento antecipado; (iii) ausência de dolo, fraude ou simulação; e (iv) decurso de 05 (cinco) anos do evento jurídico tributário sem que haja qualquer notificação por parte do Fisco, esse encontra-se decaído de seu direito de lançar de ofício.
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 104. INAPLICABILIDADE AO PRESENTE CASO.
Quando resta afastada a possibilidade da cobrança da estimativa, inexiste base de cálculo para fins de incidência da multa isolada, não podendo ser exigida nesta situação. Logo, não há que se falar em contagem de prazo decadencial.
Numero da decisão: 1302-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado quanto a multa isolada. Os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Gustavo Guimarães da Fonseca, votaram pelas conclusões quanto a multa isolada, pois entendiam por dar provimento ao recurso, no mérito quanto a glosa da amortização de ágio.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO ANTECIPADOS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 99. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. A retenção de tributo sujeito a lançamento por homologação, seja ele imposto ou contribuição, pode ser reconhecida como pagamento antecipado, e, portanto, havendo (i) previsão para o pagamento antecipado; (ii) ocorrência de pagamento antecipado; (iii) ausência de dolo, fraude ou simulação; e (iv) decurso de 05 (cinco) anos do evento jurídico tributário sem que haja qualquer notificação por parte do Fisco, esse encontrase decaído de seu direito de lançar de ofício. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 104. INAPLICABILIDADE AO PRESENTE CASO. Quando resta afastada a possibilidade da cobrança da estimativa, inexiste base de cálculo para fins de incidência da multa isolada, não podendo ser exigida nesta situação. Logo, não há que se falar em contagem de prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese da autuação, transcrevo inicialmente trecho do relatório da DRJCTA: “Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e de multas isoladas por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base estimada, relativos ao ano calendário de 2008. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 849/856) exige o recolhimento de R$ 2.531.301,42 de imposto, R$ 3.661.162,68 de multa de lançamento de ofício, e R$ 1.265.650,7 de multa isolada. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 868/890: Ajustes do lucro líquido do exercício. Adições não computadas na apuração do lucro real: no período de 12/2008. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247 e 249 do RIR/1999. Multa de 75%; Imposto de renda pessoa jurídica. Insuficiência de recolhimento: no período de 12/2008. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 19 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 247 e 841 inciso IV do RIR/1999. Multa de 150%; Multa ou juros isolados. Falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada: no período de 12/2008. Enquadramento legal no art. 44 inciso II “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 222 e 843 do RIR/1999. 3. O auto de infração de CSLL (fls. 857/867) exige o recolhimento de R$ 65.178,94 de imposto, R$ 48.884,21 de multa de lançamento de ofício, e R$ 466.537,98 de multa isolada. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 868/890: Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.113 3 Custos/Despesas Operacionais/Encargos não dedutíveis: no período de 12/2008. Enquadramento legal nos arts. 2º e 3° da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; Falta/insuficiência de recolhimento da CSLL ou do adicional. Falta/Insuficiência de recolhimento da CSLL: no período de 12/2008. Enquadramento legal no art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. Multa de 150%; Multa ou juros isolados. Falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada: no período de 12/2008. Enquadramento legal no art. 44 inciso II “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado dos autos de infração do IRPJ e da CSLL na data de 24/11/2014, conforme fls. 891/894, tempestivamente, em 22/12/2014, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 899/929, acompanhada dos documentos de fls. 930/997(...)” Cientificado do auto de infração do IRPJ e da CSLL na data de 24/11/2014, conforme fls. 891/894, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 899/929, acompanhada dos documentos de fls. 930/997. A 2ª Turma da DRJ/CTA, por meio do Acórdão 0653.108, julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, apenas para afastar a qualificação da multa de ofício da infração “insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL”, mantendo o restante da autuação. O r. Acórdão ficou ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Indeferese pedido de apresentação de prova documental, por ter o contribuinte precluído de seu direito de apresentálas, não sendo caso das exceções legalmente previstas. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. RETENÇÃO DE IRPJ OU CSLL. NÃO EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO. A retenção de IRPJ ou CSLL por terceiro não se equipara a pagamento antecipado, em cuja ausência o prazo decadencial Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.114 4 contase partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. DÉBITO INFORMADO EM DIPJ E NÃO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE DOLO DE IMPEDIR OU RETARDAR O CONHECIMENTO DO FATO GERADOR. No lançamento feito com base em débitos informados na DIPJ, não declarados em DCTF, não incide a multa qualificada, a qual exige a presença de ação dolosa visando ao impedimento ou retardo do conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do fato gerador. JUROS SOBRE MULTA. CABIMENTO. ART. 161 DO CTN. ART. 61 DA LEI N° 9.430/96. A incidência de juros sobre multa tem amparo legal, pois o art. 161 do CTN prevê sua aplicação para “o crédito” e o art. 61 da Lei n° 9.430/96 o faz para “os débitos”, sendo que ambos os termos alcançam o tributo e a multa, e esta não foi ressalvada pelo legislador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008 ÁGIO. COMPROVAÇÃO DO VALOR DE MERCADO OU EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. DOCUMENTO CONTEMPORÂNEO À AQUISIÇÃO. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração, comprovação esta que, ainda que possa ser feita por documento diverso do laudo, deve ser contemporâneo à aquisição do investimento. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.115 5 Da Decisão de 1ª instância a DRJCTA recorreu de ofício, bem como o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1043/1073). Em síntese o contribuinte alegou em seu recurso voluntário o seguinte: 1. Da Decadência: Na preliminar, o contribuinte alega que, embora a 1ª instância administrativa tenha acertado em extinguir a multa de ofício relativa à insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, a tentativa de sustentar o lançamento através da desqualificação dos pagamentos antecipados ocorridos e consequente aplicação do art. 173, I, do CTN não deve prosperar. Isto porque, o dispositivo aplicável é o art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve a comprovação da existência de pagamento antecipado do IRPJ e da CSLL da competência de Dezembro/2008 através de retenção na fonte, configurando, assim, a antecipação do pagamento, através da Declaração de Impostos Retidos na Fonte – DIRF (fls. 541/547) e da DIPJ (fls. 480/539), bem como do próprio Termo de Verificação Fiscal. Afirma que não há como subtrair das retenções na fonte o caráter de pagamento antecipado que lhes é preponderante. Neste sentido traz Acórdãos da CSRF, onde há o entendimento de que o Imposto de Renda Retido na Fonte caracteriza antecipação de pagamento do imposto. Finaliza o tópico expondo que entre a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL em cobrança (31/12/2008) e a notificação da Recorrente acerca da lavratura do Auto de Infração constante dos presentes autos (24/11/2014), transcorreu prazo superior a cinco anos, restando evidente a ocorrência da decadência, nos moldes do artigo 150, § 4º, do CTN. 2. Da Glosa De Amortização De Ágio Apurado: Adentrando o mérito, o contribuinte afirma que procedeu em conformidade com os ditames legais, isto é, avaliou o patrimônio líquido da sociedade adquirida, desdobrou o custo de aquisição e adotou como fundamento econômico uma das hipóteses contida no §2º acima transcrito, qual seja, a expectativa de rentabilidade futura, conforme laudo de avaliação emitido e reconhecido pela fiscalização. Aduz que a legislação de regência apenas determina a comprovação do valor do ágio baseada em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração, não se exigindo a existência de laudo específico. Outrossim, sustenta que ainda que o Laudo de Avaliação NUTRISELF tenha sido elaborado após sua aquisição pela Recorrente, num desdobramento lógico, ele espelha, fidedignamente, todas as informações fiscais, societárias e contábeis constantes de toda a documentação contemporânea à aquisição acostadas aos autos. 3. Impossibilidade De Concomitância Entre A Multa Isolada E Multa De Ofício: Neste tópico afirma que a multa de ofício e a multa isolada têm origem na mesma acusação, qual seja, renda não Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.116 6 tributada, e foram apuradas sobre a mesma base de cálculo (IRPJ/CSLL que teria deixado de recolher), restando evidente que a recorrente foi penalizada duas vezes em virtude de uma mesma infração, o que não merece prosperar, tanto pela jurisprudência do CARF, quanto em prestígio do princípio da consunção, segundo o qual aquela penalidade mais gravosa absorve aquela de menor gravidade, entendimento consolidado pelo STJ. 4. Manutenção Do Afastamento Da Multa Qualificada: Aqui o interessado reitera os termos acolhidos pela DRJCTA para afastar a multa qualificada. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 1081/1099) aduzindo o seguinte: a) Da Decadência: Afirma que a pretensão do contribuinte não pode prosperar pois houve dolo do contribuinte, no caso concreto, com a finalidade de evitar que a autoridade fiscal tomasse conhecimento da existência dos tributos apurados pela recorrente, evitando, assim, sua cobrança; bem como porque não houve pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte, fato indispensável à atração da regra especial do art. 150, § 4º do CTN; b) Da Glosa de Amortização de Ágio: Neste ponto, a PGFN AFIRMA que o recorrente equivocase quando diz que cabe ao contribuinte escolher o fundamento econômico que melhor se amolde à operação pretendida, posto que o fundamento não é uma simples escolha do contribuinte, e sim uma questão de fato, devendo a demonstração retratar a realidade dos fatos ocorridos. Atenta para o ponto que, muito embora o ágio tenha surgido de uma operação que ocorreu em 2004, o laudo que supostamente atesta o seu fundamento econômico na rentabilidade futura data de 2007. Sustenta que a necessidade de anterioridade do laudo econômico é uma decorrência lógica da lei, que fixa claramente o momento em que se deve desdobrar o custo de aquisição em valor do patrimônio líquido e em ágio ou deságio, ou seja, o momento da aquisição da participação. c) Da Aplicação Da Multa De Ofício Em Concomitância Com A Multa Isolada: Neste ponto, defende que a multa de ofício e a multa isolada não decorrem da mesma infração; não incidem sobre a mesma base de cálculo; uma decorre da falta ou insuficiência de pagamento de tributo, e a outra decorre do descumprimento do regime de estimativa. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem. Colaciona algumas jurisprudências do CARF a esse respeito. É o relatório. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.117 7 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. De acordo com o Despacho de fl 1079, o Recurso Voluntário foi tempestivamente protocolizado pelo interessado. Portanto, dele conheço. RECURSO DE OFÍCIO Com relação à ausência de dolo, fraude ou omissão, devese esclarecer que a autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 75% para a falta de adição da amortização do ágio, e multa qualificada de 150% para a insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL. A multa qualificada encontra previsão no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, combinada com os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que descreve as condutas dolosas. Logo, o dolo presente constatado pela autuação aqui julgada residiria, unicamente, na insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL. No entanto, da análise dos fatos explanados pela autoridade fiscal a DRJ CTA entendeu não estarem presentes a figura da sonegação, fraude ou conluio. Vejamos: “40. Em relação à multa qualificada, considero que os fatos explanados não caracterizam a figura da sonegação, fraude ou conluio. Conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima, o legislador exige a figura do dolo específico; no caso, a ação dolosa deve visar ao impedimento ou retardo do conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do fato gerador. No caso, a infração que foi objeto da qualificação da multa foi apurada com base na DIPJ/2009, ou seja, a partir de dados que o próprio contribuinte informou ao fisco. Ora, não é possível sustentar que o sujeito passivo pretendeu esconder do fisco a ocorrência do fato gerador, quando ele próprio informao de todos os dados desse fato gerador. Não há como esconder e ao mesmo tempo informar, já que essas duas condutas são mutuamente excludentes. Quem quer esconder não informa, e só informa quem não quer esconder. 41. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização esforçase em demonstrar que houve prática reiterada do contribuinte de não declarar débitos em DCTF. Para tanto, citou o processo n° 10882.001072/201020, em que a empresa foi autuada por falta de declaração, em DCTF, de débitos de IRPJ e CSLL devido ao final do período 2007, bem como de estimativas desses tributos, de alguns meses daquele ano. Citou também o processo n° 10882.002339/200709, de auto de infração de CSLL por falta de declaração em DCTF da contribuição devida e estimativas, do ano calendário 2002. Argumenta o auditor fiscal que o contribuinte utilizou o mesmo modus operandi, consistente em deixar de declarar débitos em DCTF apurados na DIPJ. 42. É certo que houve prática reiterada de deixar de declarar débitos em DCTF. É certo também que a prática reiterada afasta a possibilidade de erro acidental, o qual, por sua vez, é incompatível com a figura do dolo. Assim, o auditor fiscal desenvolveu o raciocínio de que, como houve Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.118 8 prática reiterada, não poderia o contribuinte alegar mero erro, caracterizando portanto o dolo. Ocorre, contudo, que o dolo do contribuinte foi de deixar de declarar débitos ao fisco, conduta esta que não se confunde com o dolo de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do fato gerador. Uma coisa é deixar de pagar ou declarar débitos; outra coisa é impedir que o fisco tenha conhecimento do fato gerador. A multa qualificada se aplica somente se a segunda hipótese se concretiza, o que não foi o caso dos autos.” (fl. 24 do Acórdão de Impugnação) O excerto do Acórdão acima destacado não carece de qualquer reparo. Pelo contrário. O raciocínio utilizado, além de didático, é enfático e não deixa dúvidas com relação à ausência de dolo na conduta da recorrente. Isto porque, conforme o excerto, não é razoável admitirse que o contribuinte tenha agido com o dolo de evitar o conhecimento da existência dos tributos apurados pela recorrente por parte da autoridade fiscal, como sugere a Procuradoria (fl. 18 das Contrarrazões da Procuradoria), quando sabese que o mesmo informou o Fisco, por meio de DIPJ, da ocorrência dos fatos geradores em análise. A Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ, apesar de não constituir crédito tributário, é um instrumento apto a informar ao Fisco de possíveis fatos geradores de obrigação tributária. Logo, se o dolo da empresa era o de impedir o conhecimento da existência desses fatos geradores, por óbvio que este não informaria ao Fisco, em DIPJ, a ocorrência dos mesmos. Isso, a meu ver, é suficiente para caracterizar a ausência do dolo de fraude, sonegação e conluio na conduta do contribuinte. Nesse ponto, concordo com a Decisão da DRJCTA. Assim, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Enfrentada a questão da existência de dolo ou fraude quando da análise do recurso de ofício, passo a enfrentar a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte. Analisando a questão da decadência do direito de constituir o crédito tributário, a DRJ inicialmente concorda que, para a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, devem estar presentes dois requisitos, quais sejam: (i) a ausência de dolo, fraude ou simulação e (ii) a existência de pagamento. O Acórdão da DRJ passou a tratar do segundo requisito para aplicação do art. 150, § 4º do CTN, que motivou a rejeição da preliminar de decadência pelo órgão julgador de piso, ou seja, a existência de pagamento. A esse respeito a DRJCTA consignou: “11. Ao final do período 2008, o contribuinte apurou IRPJ e CSLL a pagar, em valor coincidente com as respectivas estimativas do mês de dezembro, conforme DIPJ/2009, às fls. 13, 14, 18 e 20. A fiscalização constatou que, apesar de ter apurado tais débitos, o contribuinte não declarouos em DCTF (fls. 825/843), nem foram recolhidos, motivo pelo Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.119 9 qual foram exigidos de ofício. Na peça de defesa, a interessada não nega a ausência dos pagamentos, mas alega que houve retenção de IRPJ e de CSLL na fonte, o que equivaleria à antecipação de pagamento do imposto, suficiente para a incidência da regra do art 150 § 4° do CTN. 12. Uma leitura atenta dos dispositivos leva à rejeição do pleito: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 13. O caput do art. 150, que define o que seja lançamento por homologação, fala em dever de antecipar o pagamento, pelo “sujeito passivo”. O parágrafo primeiro determina que o crédito tributário é extinto (sob condição resolutória de ulterior homologação do lançamento) pelo pagamento antecipado por parte do “obrigado”. Os parágrafos segundo e terceiro dispõem sobre os efeitos de atos anteriores à homologação, os quais não influem sobre a obrigação tributária, embora devam ser considerados na apuração final, atos estes praticados pelo “sujeito passivo ou por terceiro”. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.120 10 14. O intuito do legislador é claro. Ele separa nitidamente determinados atos praticados somente pelo sujeito passivo dos que podem ser praticados tanto pelo sujeito passivo quanto por terceiros. No caso do ato do pagamento antecipado (parágrafo primeiro), somente há extinção do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação, quando o autor for o sujeito passivo. O ato da retenção, de IRPJ ou de CSLL, enquadrase nos parágrafos segundo e terceiro, os quais podem ser de autoria do sujeito passivo ou de terceiro. Isto é, a retenção de imposto ou contribuição será levada em conta na apuração do saldo porventura devido mas não influem sobre a obrigação tributária, no sentido de extinguila. Em suma, a retenção do imposto/contribuição não se equipara ao pagamento antecipado, para efeito de extinguir o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação do lançamento. A diferença essencial, para fins do deslinde do presente litígio, é que o pagamento antecipado somente pode ser feito pelo sujeito passivo, o que exclui terceiros. (...) 16. Concluindo, como não houve pagamento, incide a regra geral do art. 173 do CTN. Como o fato gerador do IRPJ e da CSLL é 31/12/2008, o lançamento somente poderia ter sido efetuado a partir do ano 2009, de modo que o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2010, sendo este o termo inicial da decadência. Assim, o direito de constituir o crédito tributário encerrou em 31/12/2014. Como a ciência dos autos de infração deuse em 24/11/2014 (fls. 891/894), não houve decadência. Superada a questão prejudicial, passo ao exame do mérito propriamente dito.” (fls. 13 e 14 do Acórdão de Impugnação) (grifos aditados) Como visto, a preliminar de decadência foi rejeitada pelo órgão julgador de piso em razão da ausência de um de seus requisitos, qual seja, a existência de pagamento. Isto porque a DRJCTA entendeu que a retenção de tributo não se equipara ao pagamento antecipado para fins de aplicação do art. 150, § 4º do CTN uma vez que, para a atração desse dispositivo, só se pode considerar pagamento, aquele feito pelo sujeito passivo, o que exclui a retenção feita por terceiros. Com devido respeito ao entendimento constante do Acórdão recorrido, entendo que a autuação não merece prosperar. O cerne da controvérsia repousa no seguinte questionamento: a retenção de imposto/contribuição se equipara ao pagamento antecipado para efeito de extinguir o crédito tributário? A esse respeito, inclusive, este Conselho já reconheceu que a retenção de tributo feita pelo responsável caracteriza pagamento antecipado, a teor do que dispõe a Súmula nº 99 do CARF. Vejamos: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.121 11 gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Embora a Súmula transcrita disponha sobre as contribuições previdenciárias, o mesmo argumento deve ser compreendido também em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte, uma vez que nos dois casos há previsão legal para pagamento antecipado. Inclusive, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, mediante despacho datado de 18/08/2008 reconheceu expressamente que, na existência de pagamento antecipado, ainda que parcial, a regra para contagem do prazo decadencial a ser adotada deve ser a do art. 150, §4º do CTN. Vejamos: “(...) 40. Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4º do art. 150 do CTN,; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadência. Tal concepção, em princípio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias.” (...) Da doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi (Decadência e Prescrição no Direito Tributário, São Paulo: Max Limonad, 2000, p. 168), é possível extrairse que a regra decadencial do direito do Fisco em constituir créditos dos tributos sujeitos à homologação pressupõe: (i) previsão legislativa de pagamento antecipado; (ii) ocorrência do pagamento antecipado; (iii) não ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e (iv) não ocorrência de notificação por parte do Fisco dentro do prazo constante no § 4º, do art. 150, CTN. O autor ainda afirma que, presentes todos os requisitos dispostos no parágrafo acima, ao fim do período previsto na primeira parte do § 4º, do art. 150 do CTN, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício. Este foi o entendimento adotado no Acórdão do REsp 973.733 – SC, proferido sob a sistemática dos recursos repetitivos, que teve por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco, o Relator, Min. Luiz Fux, na fundamentação do referido Acórdão, destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação quando ocorre pagamento antecipado, mesmo que seja inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, conforme a doutrina acima mencionada, o crédito tributário obedece à primeira parte do § 4º do artigo 150 do CTN. Vejamos: “Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.122 12 regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício” (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) Neste sentido, colhese jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF: DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. IRRF. PIS COFINS. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Havendo pagamento antecipado do direito de a Fazenda Nacional lançar o crédito tributário decai após cinco anos contados do fato gerador que, nos casos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) é a data da ocorrência da obrigação e no caso do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, ocorre no último dia do trimestre, no caso de lançamento trimestral, ou em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, no caso de levantamento anual. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Procurador Negado na Parte Conhecida. (Acórdão CSRF nº 9101001.585) Sendo assim, aplicando a inteligência da Súmula nº 99 do CARF, juntamente com o REsp 973.733 – SC, temos que a retenção de tributo sujeito a lançamento por homologação, seja ele imposto ou contribuição, pode ser reconhecida como pagamento antecipado, e, portanto, havendo (i) previsão para o pagamento antecipado; (ii) ocorrência de pagamento antecipado; (iii) ausência de dolo, fraude ou simulação; e (iv) decurso de 05 (cinco) anos do evento jurídico tributário sem que houvesse qualquer notificação por parte do Fisco, este encontrase decaído de seu direito de lançar de ofício. Logo: (i) In casu, o fato gerador do IRPJ e da CSLL verificouse em 31/12/2008. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10803.720083/201479 Acórdão n.º 1302002.092 S1C3T2 Fl. 1.123 13 (ii) O pagamento antecipado resta comprovado através da Declaração de Impostos Retidos na Fonte – DIRF (fls. 541/547) e DIPJ/2009 de fls. 480 a 539. (iii) Conforme decidido pela DRJ, e aqui ratificado, não houve dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte. (iv) Por fim, entre a data do fato gerador da obrigação tributária (31/12/2008) e a data da ciência dos autos de infração é 24/11/2014 (fls. 891/894), decorreram mais de 05 (cinco) anos. Por conseguinte, na data da ciência da autuação, já havia ocorrido a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Em relação ao prazo decadencial da multa isolada, reza a súmula 104 do CARF o seguinte, litteris: Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em tela, entendo que referida súmula não pode ser aplicada ao presente caso, haja vista que no instante que afasto a possibilidade da cobrança da estimativa, inexiste base de cálculo para fins de incidência da multa isolada, não podendo ser exigida nesta situação. Logo, não há que se falar em contagem de prazo decadencial. CONCLUSÃO Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso de Ofício e DOU provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901121/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Deve-se, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3401-003.828
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo o resultado da diligência.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Deve-se, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo o resultado da diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 11 21 /2 00 9- 89 Fl. 251DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase da declaração de compensação nº 31975.74883.221105.1.3.041165, transmitida mediante PER/DComp, com a finalidade de compensar débitos, no valor histórico de R$ 23.866,66, com créditos de Cofins recolhida a maior no período de junho de 2003, pois calculados sobre receitas financeiras. 2. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP proferiu despacho decisório não homologando a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento a maior ou indevido indicado teria sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: (i) a totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição; (ii) é do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, §1°, da Lei n° 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal;(iii) uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. 4. Em sessão de 22/04/2010, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1428.587 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal Luis Orlando Rotelli Rezende, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/06/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia somente se justifica quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador ou a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A Lei n° 9.718, de 1998, constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10840.901121/200989 Acórdão n.º 3401003.828 S3C4T1 Fl. 252 3 estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. Decisões do STF, acerca do alargamento da base de cálculo da Cofins, proferidas incidentalmente beneficiam apenas as partes das respectivas ações: não possuem efeito erga omnes. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte, intimada em 08/06/2010 mediante aviso postal, interpôs, em 01/07/2010, recurso voluntário, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação, alegando, ainda, cerceamento de defesa em virtude de a decisão recorrida ter negado o pedido de perícia contábil formulado; requereu, ainda, a realização em diligência para fins de verificação dos documentos contábeis da empresa. 6. Em 10/08/2011, foi proferida por esta turma, por unanimidade de votos, a Resolução CARF nº 3401.000.297, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, transcrevendose, abaixo, a parte dispositiva da decisão: “(...) voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98)” – (seleção e grifos nossos). 7. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto apresentou informação fiscal, situada às fls. 247 a 249 informando que o valor objeto da declaração de compensação (R$ 23.866,66) corresponde ao “Crédito Pagamento Indevido ou a Maior COFINS” do período de apuração de Junho de 2003. Não havendo manifestação da contribuinte, os autos foram encaminhados a este Conselho e distribuídos à minha relatoria. Fl. 253DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Observase que, após a conversão do processo em diligência, a própria unidade de origem confirmou a validade do crédito aproveitado propugnado pela contribuinte, em seguida à análise da documentação pertinente. Transcrevese, a seguir, trecho do relatório de diligência: “6. A empresa solicitou na inicial, por meio do PER/DCOMP nº 31975.74883.221105.1.3.041165, anexado às fls. 4/8 deste processo, o valor original de R$ 23.866,66 que corresponderia ao “Crédito Pagamento Indevido ou a Maior COFINS” do período de apuração de junho de 2003. 7. Em função da diligência efetuada no estabelecimento da contribuinte, podemos afirmar que o montante original solicitado no referido PER/DCOMP correspondente ao valor resultante da aplicação da alíquota de 3% sobre as Receitas Financeiras e Outras Receitas, ou seja sobre a base de cálculo alargada prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme demonstrado no item 5 desta Informação Fiscal” – (seleção e grifos nossos). 10. A contribuinte, em seguida, foi intimada, sem oferecer resposta, a respeito das seguintes informações fiscais elaboradas em atenção às respectivas resoluções proferidas por esta turma, em conformidade com a descrição minudente realizada pelo relatório que integra o presente acórdão: 11. Assim, com base no exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário para reconhecer a integralidade do crédito objeto da DCOMP nº Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10840.901121/200989 Acórdão n.º 3401003.828 S3C4T1 Fl. 253 5 31975.74883.221105.1.3.041165, nos exatos, iguais e precisos termos do relatório conclusivo da diligência efetuada, consistente na informação fiscal, situada às fls. 243 a 245. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720199/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.953
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 99 /2 01 2- 44 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720199/201244 Acórdão n.º 3302003.953 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.600. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720199/201244 Acórdão n.º 3302003.953 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720199/201244 Acórdão n.º 3302003.953 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720199/201244 Acórdão n.º 3302003.953 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720199/201244 Acórdão n.º 3302003.953 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.720166/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento.
In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócio-ambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 1999.
Numero da decisão: 2401-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento. In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõese o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 66 /2 00 7- 20 Fl. 693DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13161.720166/200720 Acórdão n.º 2401004.984 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04 17.677/2009, às efls. 630/636, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2005, conforme Notificação de Lançamento, às efl. 283/287, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 19/12/2007 (AR. fl. 253), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Área de Benfeitorias não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas A atividade rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...] Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...] ÁArea de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...] Valor da Terra Nua declarado não comprovado Fl. 695DF CARF MF 4 Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa[...] Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 643/661, procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Aruanda, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9.393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Insurgese quanto ao entendimento adotado pela DRJ da exigência de apresentação do ADA para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Argumenta que os documentos acostados aos autos demonstram de forma cabal tratarse de área de preservação permanente, não estando apenas referida área descrita no ADA, o que a toda evidência não necessita de averbação tendo em vista que a determinação é legal e em relação a todas as propriedades. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13161.720166/200720 Acórdão n.º 2401004.984 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, primeiramente esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Aruanda, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9.393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face do Programa de Reassentamento instituído pela autuada, com o fito de atender objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da Usina Hidrelétrica Eng. Sérgio Motta. De um lado, a contribuinte aduz que após a implantação do loteamento, procedeu a entrega dos lotes aos ribeirinhos, por meio do Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra, e, desde então, os possuidores passaram a gozar e usufruir economicamente da respectiva área, como se proprietários fossem; portanto a responsabilidade por qualquer ônus tributário cabe exclusivamente aos possuidores, por serem detentores do poder econômico da propriedade; Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que enquanto não transferida a propriedade de partes do imóvel para cada um dos assentados, a situação do imóvel total não se enquadra nas definições de imunidade ou isenção. Após as breves considerações retro, passando à análise meritória, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Fl. 697DF CARF MF 6 Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. A CESP em cumprimento ao estabelecido no EIA RIMA, adquiriu, em 03/07/1998 área de Terras com 3.770,9256 hectares, localizada no município de Anaurilândia MS, com a denominação de Fazenda Aruanda, visando a implantação do Projeto de Reassentamento Populacional Rural da aludida Fazenda, com a consequente re locação das famílias classificadas como Beneficiárias do citado Projeto. Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, especialmente do Termo de Esclarecimento a Intimação Fiscal, dos diversos Termos Provisórios de Entrega e Recebimento de Obra e do protocolo junto ao INCRA, que a recorrente, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentamento retromencionado. Inexiste, à toda evidência, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser à época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer título, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastandose dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando a Fazenda Aruanda vinculada, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentamento implementado pela contribuinte, em razão da Construção da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), a recorrente assumiu a responsabilidade, de minimizar impactos causados à população ribeirinha, cujas terras foram alagadas pelo Reservatório da UHE supracitada, conforme.se comprova, na Licença de Operação, expedida em 01 de dezembro de 2000 pelo Ministério do Meio Ambiente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. Melhor elucidando, a contribuinte não dispôs do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, senão a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.720166/200720 Acórdão n.º 2401004.984 S2C4T1 Fl. 5 7 A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro relator do Acórdão nº 30334.793, exarado nos autos do processo nº 10935.001999/200530, com a mesma matéria fática, conforme se verifica da ementa e do excerto de suas alegações abaixo transcritas, as quais peço vênia para adotar como razões de decidir, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Terminal Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. ILEGALIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA LIASI. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 1.658 de 14.03.1996), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto. [...] VOTO [...] No caso em estudo, há de ser analisada a responsabilidade da empresa Recorrente pelo débito tributário, relativa ao ITR/2002, que lhe é exigido no Auto de Infração de fls. 5665, uma vez que afastada, as demais questões travadas nos autos acabam por prejudicadas. Com efeito, dispõe a Lei nº 9.393/96 que rege a matéria: “Art. 1º O imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o possuidor a qualquer título”. Ainda, o art. 31 do CTN é taxativo e expresso ao considerar quem é o contribuinte do ITR: a) o proprietário do imóvel; ou. b) o titular do seu domínio; ou. c) o possuidor do imóvel a qualquer título. Assim sendo, da leitura dos artigos supra transcritos, concluise que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Logo, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas que se ache vinculada ao imóvel, Fl. 699DF CARF MF 8 não havendo determinado a referida legislação ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Contudo, noticia a empresa Recorrente que a área em questão foi destinada para cumprimento do interesse social, para fins de desapropriação, com a finalidade de reassentamento, a área da Fazenda em questão. O art. 3º do referido decreto afirma que: “Fica reconhecida a necessidade de desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietários desapropriados e produtores rurais semterra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Santo Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia – COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante autorga das competentes escrituras públicas.” Alega ainda que com a autorga da concessão pelo Poder concedente – União Federal, para estudos, implantação e exploração do potencial energético denominado Salto Caxias, no rio Iguaçu, contratou, por força da Lei 6.938/81, a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, culminando com o Projeto Básico Ambiental – PBA, o qual previu a implantação de diversos programas ambientais, entre os quais o Programa de Reassentamento, tudo devidamente aprovado pelo órgão licenciador estadual conforme Licença de Instalação nº 044/94IAP. Juntou aos autos três Escrituras Públicas de Desapropriação (fls. 1021), matrículas dos imóveis (fls.2240), Laudos Pericial (fls. 4754), cópia dos Decretos nº 1.658/96 e nº 2005/96 (fls.8893), Escrituras Públicas de Dação em Pagamento com encargos (fls. 94171) e cópia da Resolução nº 19 do INCRA (fls. 230231), que demonstram o assentamento de 26 famílias no terreno objeto do auto de infração. Desta feita, pela impossibilidade de se imputar animus domini à empresa autuada, já que o imóvel rural se encontrava afetado, desde sua aquisição, ao cumprimento do Programa de Reassentamento da Usina Hidrelétrica da Salto Caxias, em conformidade com o Decreto nº 1.658/96, não se pode enquadrar a Recorrente no pólo passivo da obrigação tributária de que trata o Auto de Fração em discussão. No mesmo sentido, envolvendo o mesmo Contribuinte, colaciono dentre outros dois julgados deste Terceiro conselho de Contribuintes: 30334.068 e 30334.083. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, afastando a exigência tributária em tela. [...] Outro não foi o entendimento levado a efeito nos autos do processo nº 10935.001992/200518, igualmente da mesma matéria fática, consoante se positiva do Acórdão nº 30334.781, com sua ementa e parte do voto abaixo transcritos: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.720166/200720 Acórdão n.º 2401004.984 S2C4T1 Fl. 6 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL: ITR Exercício: 2001 ITR/2001. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA CENTENÁRIO. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de Programa de Reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 466 de 24.02.1995), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para única finalidade prevista no referido Decreto. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. [...] VOTO [...] Não se trata de haver ou não programa oficial de reassentamento, mas antes de haver ou não a possibilidade de ser a Recorrente incluída no pólo passivo da relação tributária ou não, nos termos do artigo 4º da Lei 9393/96 e do artigo 31 do CTN. Conforme constam dos autos, as terras eram afetadas ao reassentamento de famílias, que viviam em áreas desapropriadas para a construção de usina de energia, amparada no Decreto 466/95. As terras não forma expropriadas para uso da concessionária de serviço público, nem para sua exploração ou uso sob qualquer aspecto, tendo a mesma atuado no esteio do Decreto acima referido. Não houve, portanto, animus domini em relação a essa área. Corrobora essa afirmação o fato de que a Recorrente repassou prontamente os lotes a posses das famílias reassentadas, tendo gradativamente transferido sua propriedade, como comprovam as certidões de escrituras públicas anexadas aos autos. Em outras palavras, a área objeto do auto de infração em tela jamais foi de uso, fruição ou disponibilidade da Recorrente, estando sua propriedade muito próxima da União. Ora, somente a posse plena, sem subordinação, i.e., posse qualificada pelo animus domini, é que pode ensejar a incidência de ITR. Esse entendimento encontrase literalmente transcrito em publicações da SRF, dentre os quais o “Manual de Perguntas Fl. 701DF CARF MF 10 e Respostas do ITR” (vide pág. 21, pergunta 37, da edição de 2002). Restando claro que nunca houve animus domini por parte da Recorrente em relação a área ora discutida, não pode a mesma ser sujeito passivo da obrigação tributária aventada, de forma que VOTO no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, cancelando, por conseguinte, o lançamento fiscal em questão.[...] A fazer prevalecer esse entendimento, mister citar, ainda, os Acórdãos nºs 30239.416, 30239.413, 30239.726, 30334.884, 30334.781, 30334.782, 30334.783, 303 34.793, 30334.794, 30334.795, 30334.796, 30333.394, 30333.395, 30333.396, 303 34.275 e 30334.070, contemplando matéria análoga. Não bastasse isso, o conjunto probatório constante dos autos oferece proteção ao pleito da contribuinte, porquanto comprova que desde 1999 os reassentados já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, consoante se infere do Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra formalizados em setembro do mesmo ano. Na esteira desse raciocínio, além de prosperarem as argumentações da contribuinte quanto a ilegitimidade passiva, notadamente quando inexistente o animus domini do imóvel rural, não faria sentido que para um mesmo contribuinte, mesma matéria fática e provas, fosse adotado entendimento antagônico ao anteriormente proferido, impondo seja reformado o Acórdão recorrido, para excluir a empresa do pólo passivo da presente obrigação tributária, como restou devidamente demonstrado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 702DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000757/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Incide em descumprimento de obrigação acessória deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados.
Numero da decisão: 2201-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 57 /2 00 9- 76 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 422 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ Belo Horizonte, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a" e/ou dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a". A interessada apresentou impugnação, julgada procedente em parte pela DRJ. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 423 3 SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária (fls. 2402/2411), que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 424 4 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 425 5 A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 426 6 conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 427 7 constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 428 8 Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 429 9 CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 430 10 CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 431 11 obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 432 12 Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação às fls. 2480/2490, alegando, em síntese, que: Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 433 13 Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPSs apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. As cópias das GPSs em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que o Contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais do pedido de parcelamento A desistência à impugnação ou recurso na esfera administrativa foi efetuada de forma apenas parcial, eis que apenas parte dos valores lançados foi incluída em parcelamento. Dessa forma, não há definitividade dessa autuação na esfera administrativa. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 434 14 Assim sendo, o recurso voluntário deverá ser julgado normalmente. Da decadência Em relação à decadência, cumpre ressaltar que em se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória, o lançamento deve ocorrer no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a infração poderia ter sido conhecida nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.175, de 25 de outubro de 1.966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A ciência do presente lançamento se deu em 01/2010, portanto, não há que se falar em decadência, além do que já for reconhecido pela decisão de piso. Cumpre ressaltar que apesar do reconhecimento de decadência parcial pela decisão de piso, a multa foi mantida em sua integralidade, uma vez que basta uma conduta para a infração persistir, o que ocorreu em relação às competências não abrangidas pela decadência. Da alegação de imputação de dupla penalidade A recorrente repetiu os argumentos esposadas por ocasião da interposição do recurso voluntário objetivando desconstituir os autos de infração lavrados por descumprimento da obrigação principal. Tais argumentos já foram refutados por ocasião do julgamento dos citados recursos. Não obstante o provimento parcial, não há consequência para os processos em que se discute a multa por descumprimento da obrigação acessória. No presente caso, é incontroversa a conduta de apresentação de GFIP com informações omissas ou incompletas, tanto assim que foram apresentadas posteriormente as GFIP retificadoras. Em relação à possibilidade da aplicação da penalidade por descumprimento da obrigações acessórias de forma autônoma à obrigação principal, vale tecer as seguintes considerações. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular . O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 435 15 acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Pelas definições acima, não há dúvida de que a obrigação principal e a obrigação acessória são autônomas e podem coexistir de forma independente. Para essa seara do direito tributário, não vale a máxima de que o acessório segue o principal, como sustenta o arrazoado recursal. É definida como acessória, qualquer de obrigação imposta pela legislação tributária que não seja recolher tributos.Tais obrigações formais, ditas de acessórias, não dependem da efetiva existência de uma obrigação principal. Nesse sentido, tinha o sujeito passivo o dever instrumental de efetuar a arrecadação, mediante desconto nas remunerações, das contribuições a cargo dos segurados. Deixando de fazêlo, como restou demonstrado sobejamente demonstrado no Auto de Infração da obrigação principal, incorreu no descumprimento da obrigação acessória de deixar deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10976.000757/200976 Acórdão n.º 2201003.626 S2C2T1 Fl. 436 16 inciso I, alínea "a" e/ou dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a". Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 436DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907516/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 16 /2 01 0- 14 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.907516/201014 Acórdão n.º 1301002.392 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901089/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 89 /2 01 3- 25 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901089/201325 Acórdão n.º 1302002.243 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901089/201325 Acórdão n.º 1302002.243 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901089/201325 Acórdão n.º 1302002.243 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.016602/2002-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/1997 a 30/09/1997
COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO INDEVIDA DO SALDO DE CRÉDITOS A COMPENSAR. DIREITO CRÉDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA
Não deve ser abatido do saldo de créditos de IPI a compensar o débito tributário de R$ 75.036,89, posto que foi efetivamente recolhido pelo contribuinte, conforme consta no relatório de diligência.
Uma vez reconstituído o saldo de créditos de IPI a compensar e verificado que era suficiente para liquidar o débito de PIS de R$ 88.741,60, há que se homologar o correspondente Pedido de Compensação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/1997 a 30/09/1997 COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO INDEVIDA DO SALDO DE CRÉDITOS A COMPENSAR. DIREITO CRÉDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA Não deve ser abatido do saldo de créditos de IPI a compensar o débito tributário de R$ 75.036,89, posto que foi efetivamente recolhido pelo contribuinte, conforme consta no relatório de diligência. Uma vez reconstituído o saldo de créditos de IPI a compensar e verificado que era suficiente para liquidar o débito de PIS de R$ 88.741,60, há que se homologar o correspondente Pedido de Compensação. Recurso Voluntário Provido
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DEDUÇÃO INDEVIDA DO SALDO DE CRÉDITOS A COMPENSAR. DIREITO CRÉDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA Não deve ser abatido do saldo de créditos de IPI a compensar o débito tributário de R$ 75.036,89, posto que foi efetivamente recolhido pelo contribuinte, conforme consta no relatório de diligência. Uma vez reconstituído o saldo de créditos de IPI a compensar e verificado que era suficiente para liquidar o débito de PIS de R$ 88.741,60, há que se homologar o correspondente Pedido de Compensação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 66 02 /2 00 2- 97 Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11610.016602/200297 Acórdão n.º 3301003.879 S3C3T1 Fl. 785 2 Relatório Em 9 de agosto de 2011, a 3° TE da 3° Seção do CARF, por meio da Resolução n° 380300.114 (fls.1 a 4), decidiu converter o julgamento do presente processo em diligência. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da referida Resolução: "Em 12 de agosto de 2002, o contribuinte supra identificado protocolizou junto à Receita Federal Pedido de Ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1997, referente ao 3º trimestre de 1997 (fl. 1), bem como Pedido de Compensação, com vistas a extinguir débito de sua titularidade com o saldo creditório requerido (fl. 2). A repartição de origem decidiu por indeferir o ressarcimento e por não homologar a compensação, por falta de elemento imprescindível à análise do pedido (fls. 118 a 122). Consignou a autoridade administrativa de origem que o não cumprimento integral da intimação formulada prejudicou a análise do processo, visto que a não apresentação da planilha indicando a receita operacional bruta acumulada até o mês de setembro de 1997 impediria o cálculo do crédito presumido. Ainda segundo a autoridade, na memória de cálculo que havia sido apresentada pelo contribuinte considerouse apenas a receita operacional bruta acumulada a partir de maio de 1997. Não satisfeito com a decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 126 a 137), informou que apresentara toda a documentação solicitada e requereu a reforma da decisão, arguindo, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) “quando do cálculo de seu crédito relativo ao 3° trimestre de 1997, considerou as informações acumuladas a partir do mês de maio, contudo, tal procedimento veio a prejudicála, uma vez que reduziu o valor do crédito a que teria direito” (fl. 133); b) “o cálculo do crédito presumido deve considerar os valores acumulados do ano inteiro, devendose abater apenas os valores utilizados para compensação com o IPI devido, ressarcidos ou com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal” (fl. 134); c) “o valor da receita operacional bruta constante na DIPJ do ano de 1997 pode ser corroborada pelo Livro Complementar do Diário Geral n° 494 (DOC .06), pelas informações trimestrais (relativas ao 4º trimestre de 1997) entregues à época à Comissão de Valores Mobiliários (ambos já anexados aos autos do processo administrativo, vide item 5.1v e 5.v) assim como pelo balancete anexado à presente” (fl. 135). A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório (fls. 153 a 156), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11610.016602/200297 Acórdão n.º 3301003.879 S3C3T1 Fl. 786 3 Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APURAÇÃO. O crédito presumido deve ser apurado por trimestrecalendário, devendo ser consideradas de maneira acumulada no ano as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, a receita de exportação e a receita operacional bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 162 a 174) e reitera seu pedido, alegando que o fato de “ter originalmente calculado seus créditos considerando a acumulação a partir de Maio/97 (ao invés de Janeiro/97) não impõe, por si só, a anulação do aproveitamento do beneficio fiscal, mormente quando as provas juntadas aos autos conduzem inequivocamente à demonstração de que o contribuinte na verdade tem direito a um crédito ainda superior àquele postulado” (fl. 165). Alega, ainda, que se comprova “que seu crédito é superior ao pleiteado, na hipótese de ser considerada a devida acumulação anual, não pode o fisco ignorar os documentos juntados aos autos e se apegar a uma inútil formalidade” (fl. 166), e que uma leitura atenta de toda a Portaria MF nº 38/1997 demonstraria que “em nenhum momento foiinstituída sequer obrigação acessória que imponha ao contribuinte o dever de apresentar ao fisco alguma declaração ou documento com as formalidades exigidas no seu art. 3º” (fl. 167). Argumenta, também, que “nada impede que o contribuinte se beneficie — como no caso dos autos — de apenas parte do crédito presumido a que faria jus no anocalendário. Só não é possível adotar critério de apuração do montante da receita bruta, da receita de exportação e do valor das aquisições de insumos que englobe periodicidade inferior (diária, semanal ou quinzenal, por exemplo) àquela prevista nas normas de regência das contribuições em testilha (que inequivocamente é mensal). Mas nada proíbe que o contribuinte aproveite apenas parte do crédito a que tem direito no anocalendário” (fl. 167). Ao final, amparandose em decisões deste Conselho, alega que “é forçoso admitir que, no caso em tela, ainda que o contribuinte não houvesse apresentado a documentação apta a demonstrar cabalmente seu direito quando da interposição de manifestação de inconformidade — como sabidamente o fez — poderia até mesmo, consoante entendimento pacífico deste órgão superior e com respaldo no princípio da verdade material, apresentála no presente momento, a fim de que fosse o feito convertido em diligência para que se procedesse à competente análise” (fl. 169). É o relatório." Conforme já relatado, o processo foi convertido em diligência, por meio da Resolução n° 380300.114, de cujo voto condutor extraio os seguintes excertos: "(. . .) Contudo, não obstante o erro apontado constante do Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido, assumido pelo interessado, é possível concluir que Fl. 786DF CARF MF Processo nº 11610.016602/200297 Acórdão n.º 3301003.879 S3C3T1 Fl. 787 4 a repartição de origem, no momento da prolação do despacho decisório, já dispunha da informação acerca desse erro cometido quanto à apuração da ROB, o que lhe permitiria, considerando os novos valores informados, refazer os cálculos para apuração do valor devido, tendo decidido, no entanto, por negar o direito pleiteado por falta de apresentação de planilha constando o cálculo da ROB nos termos requeridos. No Demonstrativo de Origens e Aplicações de Recursos, presente à fl. 88, apresentado pelo contribuinte em resposta à intimação, e, portanto, antes do despacho decisório, consta o valor da ROB que o contribuinte alega ser o correto e que corresponderia ao acumulado no ano de 1997, que poderia ter servido de referência para a apuração da ROB do período sob análise. Nesse contexto, verificase que o contribuinte havia, desde o início de sua manifestação nos autos, denunciado o próprio erro cometido na apuração do crédito presumido e informado o valor da ROB acumulado no ano de 1997, ainda que tal valor dependa de confirmação a par da escrituração da pessoa jurídica. Diante do exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda ao recálculo do crédito presumido pleiteado, considerandose as informações prestadas pelo interessado desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, sem prejuízo de outras providências necessárias à apuração dos valores devidos. Os resultados dessa nova apuração deverão ser submetidos à oitiva do requerente. Ao final, os autos deverão ser devolvidos a esta 3a TE/3a S / CARF, para julgamento. É como voto." A diligência foi realizada e o relatório (fls. 782 a 786) e a correspondente manifestação do contribuinte (fls. 790 a 803) foram carreados aos autos, que retornaram ao CARF para julgamento. O agente fiscal concluiu que, para o ano de 1997, a Recorrente tinha direito a créditos presumidos no montante total de R$ 181,429,88. Como pleiteou um total de R$ 226.903,14, haveria que se glosar R$ 45.473,26. Como consequência direta desta conclusão, haveria que se indeferir e homologar, parcialmente, os Pedido de Ressarcimento de Créditos Presumidos de IPI e Pedido de Compensação, respectivamente, ambos de R$ 88.741,60. E restaria um débito de R$ 14.672,80, a ser recolhido com acréscimos legais. Em sua manifestação, a Recorrente concorda com o montante total de créditos presumidos apurados de R$ 181.429,88, porém discorda do valor glosado de R$ 45.473,26. Aduz que, do montante de ressarcimento inicialmente pleiteado (R$ 226.903,14), na verdade, teria utilizado para compensação tão somente R$ 151.866,29, pois o débito de R$ 75.036,85 com o qual haviam sido compensados parte os créditos presumidos do 3° trimestre fora devidamente recolhido, com acréscimos moratórios. Com isto, os Pedidos de Ressarcimento dos 3° e 4° trimestres seriam parcialmente indeferidos e os Pedidos de Compensação integralmente homologados. É o relatório. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 11610.016602/200297 Acórdão n.º 3301003.879 S3C3T1 Fl. 788 5 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Discutese o crédito presumido de IPI do 3° trimestre de 1997. A Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento de R$ 88.741,60 (fl. 9), ao qual vinculou a Pedido de Compensação (fl. 11) de mesmo valor. Sob a alegação de não terem sido apresentados elementos que comprovassem a receita operacional bruta dos meses de janeiro a dezembro de 1997, necessária ao cálculo dos créditos presumidos de cada um dos trimestres e, por conseguinte, do saldo a compensar no 3° trimestre de 1997, objeto da contenda, o ressarcimento foi indeferido e a compensação não homologada (Despacho Decisório, fls. 129 a 133). Apesar de ter apresentado, no curso da fiscalização e na manifestação de inconformidade, cópias das demonstrações contábeis auditadas e balancete, a DRJ (fls. 173 a 176) ratificou o teor do despacho decisório. O processo chegou ao CARF, e, em 9/08/11, a 3° TE da 3° Seção, diante das evidências documentais que encontravam nos autos, decidiu converter o julgamento em diligência (Resolução n° 380300.113). O trabalho foi realizado e o relatório (fls. 782 a 786) e a correspondente manifestação do contribuinte (fls. 790 a 803) foram carreados aos autos, que retornaram ao CARF para julgamento. Em síntese, o relatório de diligência concluiu que, para o ano de 1997, a Recorrente tinha direito a créditos presumidos de IPI, no montante total de R$ 181,429,88. Como pleiteou um total de R$ 226.903,14, haveria que se glosar R$ 45.473,26. Em sua manifestação, a Recorrente concorda com o montante total de créditos presumidos apurados de R$ 181.429,88, porém não com o valor glosado de R$ 45.473,26. Aduz que, do montante de ressarcimento inicialmente pleiteado (R$ 226.903,14), na verdade, teria utilizado para compensação tão somente R$ 151.866,29, pois o débito de R$ 75.036,85, com o qual havia sido compensado parte do saldo de créditos presumidos do 3° trimestre, fora devidamente recolhido, com acréscimos moratórios. Reproduzo trecho do relatório de diligência, em que o agente fiscal confirma que o débito de R$ 75.036,85 foi pago pela Recorrente e explica por que o deduziu do saldo de créditos presumidos de IPI a compensar: Fl. 788DF CARF MF Processo nº 11610.016602/200297 Acórdão n.º 3301003.879 S3C3T1 Fl. 789 6 Os cálculos do agente fiscal responsável pela diligência encontramse em quadro demonstrativo (fl. 786), abaixo reproduzido, de forma resumida: Créditos autorizados Compensações efetuadas Saldo a compensar ou a pagar 1° trimestre 44.281,22 44.281,22 2° trimestre 57.502,91 75.036,85 26.747,28 3° trimestre 47.321,72 88.741,60 (14.672,60) 4° trimestre 32.324,02 63.124,69 (30.800,67) Total 181.429,88 (a) 226.903,14 (b) Nota: Valor total da glosa (a) (b) = R$ 45.473,26 Se operada a glosa determinada pela diligência, haveria os seguintes efeitos nos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação dos 3° e 4° trimestres: a) 3° trimestre: o Pedido de Ressarcimento sofreria indeferimento parcial, passando de R$ 88.741,60 para R$ 47.321,72. E, com a redução do saldo transferido do 2° para o 3° trimestre, o Pedido de Compensação seria tão somente parcialmente homologado, restando para a Recorrente um saldo a pagar, com acréscimos legais, de R$ 14.672,80. b) 4° trimestre: o Pedido de Ressarcimento sofreria indeferimento parcial, passando de R$ 63.124,69 para R$ 32.324,02. E, com a redução a zero do saldo acumulado até o 3° trimestre, o Pedido de Compensação seria parcialmente homologado, restando para a Recorrente um saldo a pagar, com acréscimos legais, de R$ 30.800,67. A Recorrente, por seu turno, alega que o débito tributário de R$ 75.036,85, não deveria ser abatido do saldo de créditos presumidos de IPI, em razão de não terem sido compensados, porém recolhidos. E, com isto, os Pedidos de Ressarcimento seriam parcialmente indeferidos e os de Compensação integralmente homologados. E ainda restaria um saldo a compensar de R$ 29.563,58, como segue: Créditos autorizados Compensações efetuadas Saldo a compensar ou a pagar 1° trimestre 44.281,22 44.281,22 2° trimestre 57.502,91 101.784,13 3° trimestre 47.321,72 88.741,60 60.364,25 4° trimestre 32.324,02 63.124,69 29.563,58 Total 181.429,88 151.866,29 Fl. 789DF CARF MF Processo nº 11610.016602/200297 Acórdão n.º 3301003.879 S3C3T1 Fl. 790 7 Com a devida vênia, as justificativas apresentadas no relatório de diligência, para a dedução do valor de R$ 75.036,85 do saldo de créditos a compensar, acima reproduzidas, não são convincentes, são contraditórias e afrontam os Princípios da Verdade Material, norteador do processo administrativo fiscal e derivado do princípio constitucional da legalidade, e os seguintes, elencados no art. 2° da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo, no âmbito da Administração Pública Federal: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, segurança jurídica, interesse público e eficiência. De plano, o agente fiscal reconhece que os R$ 75.036,85 foram efetivamente pagos e não compensados. Contudo, contraditoriamente, abate o valor do saldo de créditos presumidos a recuperar. Adicionalmente, dispõe que o contribuinte teria direito ao crédito presumido do 2° trimestre (R$ 57.502,91 vide quadro demonstrativo dos cálculos), porém não o teria exercido dentro do prazo legal. Todavia, para a apuração do valor total a ser glosado de R$ 45.473,26, procedeu de forma contrária, pois computou os R$ 57.502,91. Se realmente entendia que o prazo para utilização do crédito havia expirado, não deveria têlo incluído nos cálculos, o que, inclusive, aumentaria o valor da glosa. Sobre prazo legal para compensação, cumpre mencionar que a DRF que analisou os Pedidos de Ressarcimento e Compensação não opôs impedimento algum desta natureza. Diante do fato, comprovado pelo trabalho de diligência, de que o contribuinte não compensou, porém recolheu, o montante de R$ 75.036,85, e em respeito aos princípios anteriormente citados, notadamente o da Verdade Material, entendo que devemos determinar que o valor de R$ 75.036,85 não seja abatido dos saldos de créditos presumidos de IPI a compensar. E, assim, com base no acima exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, homologando integralmente o Pedido de Compensação de R$ 88.741,60, em razão de ter restado comprovado que, na data da compensação, o contribuinte possuía saldo de créditos de IPI suficientes para liquidar o referido débito. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.901476/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÔES. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Inexiste omissão na não apreciação de argumentos que não integravam as razões de defesa. O mesmo ocorre quanto a hipotética omissão sobre a fundamentação de matéria que não foi decidida pelo acórdão embargado, por ser estranha à lide.
Numero da decisão: 1301-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÔES. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Inexiste omissão na não apreciação de argumentos que não integravam as razões de defesa. O mesmo ocorre quanto a hipotética omissão sobre a fundamentação de matéria que não foi decidida pelo acórdão embargado, por ser estranha à lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 14 76 /2 00 8- 30 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.480 S1C3T1 Fl. 231 2 Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301002.105 (fls. 208/214), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 09/08/2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse por maioria de votos no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. MOMENTO DA RETIFICAÇÃO. INSTRUMENTO RETIFICADOR. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO NÃO ATENDIDA. A retificação de declaração de compensação não é possível se essa pretensão se dá em sede de manifestação de inconformidade, após a decisão administrativa que negou homologação à compensação declarada. Essa conclusão se mostra especialmente correta na situação em que a contribuinte foi alertada de irregularidades na declaração e deixou de promover tempestivamente as indispensáveis retificações. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de omissões, que especifica: · Omissão quanto ao fato de que inexiste nos autos comprovante do recebimento pela Embargante da intimação acostada a fl. 8, que determina a correção da irregularidade no preenchimento da declaração de compensação. · Omissão de indicação do dispositivo legal que determine a perda do direito ao saldo negativo em face de um mero erro de preenchimento de obrigação acessória Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento de seus embargos para sanar os vícios apontados, reformando o acórdão embargado e cancelando integralmente o crédito tributário do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Não encontro nos autos documento que comprove em que data teria ocorrido a ciência do acórdão embargado à interessada. Assim sendo, os embargos de fls. 217/223, apresentados em 23/09/2016, (termo à fl. 216), devem ser tidos por tempestivos. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.480 S1C3T1 Fl. 232 3 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. Omissão quanto ao fato de que inexiste nos autos comprovante do recebimento pela Embargante da intimação acostada a fl. 8, que determina a correção da irregularidade no preenchimento da declaração de compensação. A intimação a que se refere a embargante foi objeto de análise pelo acórdão embargado conforme segue: Ademais, ao examinar os autos, encontro à fl. 8 um Termo de Intimação, datado de 31/08/2006, no qual é constatada irregularidade no preenchimento do PER/DCOMP, consistente precisamente na não identificação de saldo negativo na DIPJ do exercício 2001. A contribuinte é intimada nos seguintes termos: Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Não consta dos autos qualquer providência saneadora adotada pela interessada, pelo que, em 18/07/2008 (quase dois anos após a intimação para regularização), foi lavrado o Despacho Decisório de fl. 9, negando homologação à compensação por ausência do alegado direito creditório. De fato, o Colegiado não se deteve a buscar um comprovante de entrega ao Contribuinte do Termo de Intimação. E penso que não estava mesmo obrigado a fazêlo, posto que o Termo constava do processo administrativo desde seu início e a ele não foi feita qualquer contestação, quer na manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, quer no recurso voluntário contra a decisão de primeira instância. Isso, apesar do pleno acesso do contribuinte ao inteiro teor dos autos. Não contestado o documento presente nos autos, o Colegiado o reputou válido, não havendo aí qualquer omissão. Os embargos devem ser rejeitados, quanto a este ponto. 2. Omissão de indicação do dispositivo legal que determine a perda do direito ao saldo negativo em face de um mero erro de preenchimento de obrigação acessória A alegada omissão cai por terra diante do seguinte parágrafo do voto condutor do acórdão recorrido: Observo, finalmente, que não se trata de negar reconhecimento ao hipotético direito creditório de saldo negativo de IRPJ do exercício 2002. E digo hipotético, porque neste processo não se fez qualquer análise sobre sua existência, certeza ou liquidez. Mas sim, de negar homologação à compensação declarada, posto que feita sem a observância da disciplina correspondente. A decisão do Colegiado foi acerca da correção de se negar provimento à compensação declarada, cujo crédito declarado era do exercício 2001. Nenhuma análise se fez sobre a existência, certeza ou liquidez de um hipotético direito creditório do exercício 2002. O Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13896.901476/200830 Acórdão n.º 1301002.480 S1C3T1 Fl. 233 4 acórdão embargado não decretou a perda de tal hipotético direito creditório, pelo que a alegada omissão se revela inexistente. Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento aos presentes embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.105, de 09/08/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.722322/2015-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 25/10/2012, 13/11/2012, 28/11/2012, 29/11/2012, 12/12/2012, 31/01/2013
Ementa:
LITISPENDÊNCIA. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO.
As exigências (aduaneira e fiscal) aqui tratadas e referentes às DI's 12/1170501-5, 12/1599313-9, 12/2003903-0, 12/2132407-3, 12/2229736-3, 12/2238894-6, 12/2329335-3 e 13/0203284-6 já estão sendo exigidas no processo administrativo n. 10909.722348/2015-76, devendo ser lá resolvidas. Litispendência. Cobrança em duplicidade que deve ser extinta.
Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar a autuação, tendo em vista que o crédito lançado neste processo está sendo igualmente cobrado no processo nº 10909.722348/2015-76.
Jorge Freire - Presidente em exercício.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.905 1 3.904 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.722322/201528 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.265 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Multa Aduaneira Recorrente SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP e outros Recorrida União ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/10/2012, 13/11/2012, 28/11/2012, 29/11/2012, 12/12/2012, 31/01/2013 Ementa: LITISPENDÊNCIA. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. As exigências (aduaneira e fiscal) aqui tratadas e referentes às DI's 12/11705015, 12/15993139, 12/20039030, 12/21324073, 12/22297363, 12/22388946, 12/23293353 e 13/02032846 já estão sendo exigidas no processo administrativo n. 10909.722348/201576, devendo ser lá resolvidas. Litispendência. Cobrança em duplicidade que deve ser extinta. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar a autuação, tendo em vista que o crédito lançado neste processo está sendo igualmente cobrado no processo nº 10909.722348/201576. Jorge Freire Presidente em exercício. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 23 22 /2 01 5- 28 Fl. 3905DF CARF MF 2 Relatório 1. Tendo em vista a acusação de interposição fraudulenta comprovada, foi imposto em desfavor da Recorrente Spread Assessoria Empresarial EIRELI EPP ("Spread") pena de perdimento de mercadorias importadas, convertida em multa, nos termos do art. 23, inciso V, § 1o do Decretolei n. 1.455/76. Também foi exigida a diferença de valores para os tributos incidentes na importação (II, IPI, PIS e COFINS), uma vez que, segundo a acusação fiscal, os bens importados apresentariam valores subfaturados, o que suscitou o arbitramento do importe atribuído para tais bens. 2. Não obstante, tais exigências foram estendidas de forma solidária aos sócios da empresa Spread, i.e., às pessoas de Juliano Vanhoni Sil e Elaine Cristina Lins Correia Sil, à empresa Hen Sheng Comércio, Importação e Exportação Ltda. ME ("Hen Sheng Comércio"), bem como para seus sócios, i.e., às pessoas de Zhuang Zhi Yong e Hiu Ying Lam. Não obstante, também houve a responsabilização de Zhiyoung Fu, na qualidade de agente do exportador no país. 3. Segundo a acusação fiscal a Recorrente teria promovido, em nome próprio, importações de mercadorias retratadas pelas declarações de importação (DI's) nºs 12/1170501 5, 12/15993139, 12/20039030, 12/21324073, 12/22297363, 12/22388946, 12/23293353 e 13/02032846. Acontece que, segundo a fiscalização, a Recorrente não seria a real importadora de tais mercadorias, papel este atribuído à empresa Hen Sheng Comércio. 4. Os fatos e provas invocados pela fiscalização que atestariam a infração alhures detalhada seriam os seguintes: (i) entre a internação das mercadorias no Brasil pela Spread e a sua remessa para a real destinatária teria ocorrido um curto prazo de tempo o que, somado a incapacidade física da empresa Spread em armazenar bens e, ainda, informações obtidas no seu "site", o qual atestaria que a empresa não seria uma comercial importadora, mas sim uma prestadora de serviço no comércio exterior, o que, inclusive, seria referendado pelo seu alvará de funcionamento, que tem como atividade principal a de "comissão de despachos", atestariam que a atividade da Spread seria de prestação de serviços no comércio exterior e não de comercial importadora; (ii) que o balanço patrimonial da Spread, por apresentar um patrimônio líquido negativo, atestaria a sua incapacidade financeira de operar no comércio exterior com recursos próprios; (iii) que teria ficado provado a formação de uma espécie de "contacorrente" de clientes da Spread em favor desta última, o qual também teria sido patrocinado pela empresa Hen Sheng Comércio, o que se deu com o fito de antecipar valores para viabilizar a importação de mercadorias por parte da Spread, incapaz economicamente de arcar, por si só, com tais operações; e, por fim (iv) a existência de um descompasso entre a exportadora das mercadorias aqui tratadas e a empresa estrangeira que de fato recebeu os valores para tais operações no comércio exterior, o que configuraria a falsidade ideológica dos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e a ilegalidade das operações em análise. Fl. 3906DF CARF MF Processo nº 10909.722322/201528 Acórdão n.º 3402004.265 S3C4T2 Fl. 3.906 3 5. Uma vez lavrada a autuação em face dos Recorrentes e demais solidários, foram apresentadas Impugnações por Hiu Ying Lam (fls. 3.094/3.161), Zhuang Zhi Yong (fls. 3.167/3.234), Spread (fls. 3.242/3.284), Juliano Vanhoni Sil (fls. 3.348/3.359). 6. Tais impugnações foram julgadas improcedentes pela DRJ de Florianópolis (acórdão n. 0738.341 fls. 3.465/3.505), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/06/2012, 29/08/2012 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, através de interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento ou com a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. IMPORTAÇÃO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. SUBFATURAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falsidade (material ou ideológica) da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, fica caracterizado o dano ao Erário impondo a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida ou revendida. Constatado o subfaturamento, é cabível ainda a exigência do pagamento dos tributos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos da multa de ofício e juros de mora. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. ARBITRAMENTO. As importações, para as quais não tenha sido possível determinar os preços efetivamente praticados, deverão ter suas bases de cálculo determinadas mediante arbitramento. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa de ofício agravada de 150% sobre o tributos apurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/06/2012, 29/08/2012 PROVAS INDICIÁRIAS. Fl. 3907DF CARF MF 4 Na busca pela verdade material, que é um princípio do processo administrativo fiscal, a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita por provas diretas e/ou por um conjunto de indícios que, se isoladamente pouco poderiam atestar, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização dos meios de prova, sendo perfeitamente regular a formação da convicção a partir do cotejo de subsídios de variada ordem, inclusive as provas indiciárias. QUALIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS NA IMPORTAÇÃO REALIZADA COM INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como contribuintes dos tributos e penalidades incidentes na operação, exceto em relação à multa por cessão do nome, que é específica da interposta pessoa. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 7. Diante deste quadro, as partes interessadas apresentaram seus recursos voluntários [(Hiu Ying Lam fls. 3.524/3.588) (Zhuang Zhi Yong fls. 3.713/3.777), (Spread fls. 3.826/3.873) e (Juliano Vanhoni Sil fls. 3.877/3.888)]. Não obstante, embora não tenha apresentado impugnação, Zhiyoung Fu apresentou o recurso voluntário de fls. 3.637/3.658, oportunidade em questionou a sua legitimidade passiva para as exigências aqui tratadas. 8. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 9. Os Recursos Voluntários interpostos preenchem os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento, exceção feita ao recurso interposto por Zhiyoung Fu. 10. Isso porque, conforme se observa dos autos, o direito de questionar a presente demanda por parte de Zhiyoung Fu está precluso, já que este não apresentou impugnação apta a despertar a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do Decreto 70.235/72). 11. Conforme se observa dos autos, a intimação de Zhiyoung Fu para fins de impugnação foi realizada no seu endereço cadastral perante a RFB. Acontece que, o citado recorrente mudouse de endereço sem, todavia, tomar o cuidado de informar tal fato à RFB. Fl. 3908DF CARF MF Processo nº 10909.722322/201528 Acórdão n.º 3402004.265 S3C4T2 Fl. 3.907 5 Assim, a notificação do lançamento retornou à repartição com a aludida informação, o que motivou a notificação do contribuinte por intermédio de edital fixado na Alfândega da Receita Federal do Porto de Itajaí/SC, nos termos do art. 23, § 1°, inciso II do Decreto 70.235/72. 12. Alega o contribuinte, todavia, que tal forma de intimação seria indevida, uma vez que inviabilizou seu direito de defesa, já que: 13. Em suma, o contribuinte alega que a fiscalização deveria ter promovido sua intimação mediante intimação no endereço da administração tributária na internet ou mediante publicação, uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, exatamente como prevê o 23, § 1°, incisos I e III do Decreto 70.235/72. Parte do pressuposto, pois, que haveria uma relação de preferência entre as formas de materialização da intimação por edital estabelecida em tal prescritivo legal, o que não é verdade. 14. Conforme se observa da redação do sobredito dispositivo, na hipótese de ser infrutífera a intimação do contribuinte pelas vias regulares, poderá a fiscalização promover a sua intimação por edital, o qual deverá ser publicizado por uma das formas, sem preferência, dos incisos prescritos no art. 23, § 1° do Decreto 70.235/72. 15. Nesse sentido, deixo de conhecer o recurso interposto por Zhiyoung Fu. I. Das preliminares de mérito (i) Da litispendência 16. Conforme se observa dos documentos acostados nos autos e reforçado no relatório do presente voto, a presente exigência fiscal referese às seguintes DI's: 12/1170501 5, 12/15993139, 12/20039030, 12/21324073, 12/22297363, 12/22388946, 12/23293353 e 13/02032846. 17. Acontece que, todas as exigências (aduaneira e fiscal) aqui tratadas e referentes as DI's alhures mencionadas também estão sendo exigidas no processo administrativo n. 10909.72722348/201576, também de minha relatoria. 18. Resta configurada, portanto, a litispendência, a ensejar uma cobrança em duplicidade das mesmíssimas exigências aduaneira e tributária em comento e que, por óbvio, pode ser reconhecida de ofício por esta turma julgadora. Logo, a presente exigência deve ser extinta, devendo a questão afetas as DI's aqui cobradas em duplicidade ser resolvida no bojo do processo administrativo n. 10909.722348/201576. Fl. 3909DF CARF MF 6 Dispositivo 19. Ex positis, dou provimento integral aos Recursos Voluntários interpostos pelos Recorrentes para, de ofício, reconhecer a litispendência aqui apontada e, por conseguinte, cancelar a presente autuação. 20. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 3910DF CARF MF Processo nº 10909.722322/201528 Acórdão n.º 3402004.265 S3C4T2 Fl. 3.908 7 Fl. 3911DF CARF MF 8 Fl. 3912DF CARF MF
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