Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13896.902173/2008-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÓNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÓNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.902173/2008-34
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968755
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.480
nome_arquivo_s : Decisao_13896902173200834.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SERGIO ABELSON
nome_arquivo_pdf_s : 13896902173200834_5968755.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7639553
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661202620416
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-15T20:16:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-15T20:16:36Z; Last-Modified: 2019-02-15T20:16:36Z; dcterms:modified: 2019-02-15T20:16:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-15T20:16:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-15T20:16:36Z; meta:save-date: 2019-02-15T20:16:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-15T20:16:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-15T20:16:36Z; created: 2019-02-15T20:16:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-02-15T20:16:36Z; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-15T20:16:36Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 126 1 125 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.902173/200834 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.480 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE SOLUÇÕES E SERVIÇOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÓNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 21 73 /2 00 8- 34 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13896.902173/200834 Acórdão n.º 1003000.480 S1C0T3 Fl. 127 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 89/99) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 79, que não homologou a compensação constante da DCOMP 34492.63145.220806.1.7.041408 (folhas 71/76), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que a contribuinte deixou de acostar aos autos elementos de sua escrituração contábil e fiscal, bem como a documentação que suporta os registros ali efetuados, de modo a comprovar o alegado erro na DCTF. A recorrente, às folhas 01/19 do arquivo Pet_173.pdf, anexo ao arquivo não paginável à folha 108, alega, em síntese: I Que durante todo o exercício de 2002, a ora Recorrente não havia iniciado efetivamente suas operações comerciais, motivo pelo qual não obteve qualquer faturamento decorrente da prestação de serviços, apresentando a cópia do extrato do sistema "SAP" à folha 02 do arquivo DOC03_173.pdf, anexo ao arquivo não paginável à folha 108, "por meio do qual se verifica claramente a ausência de movimentação entre os dias 01.01.2002 e 31.12.2002"; II Que, desta forma, não apurou débitos a serem recolhidos naquele ano, sendo indevido o pagamento informado na DCOMP em tela, bem como a informação do respectivo débito em DCTF; III Que na DIPJ referente ao anocalendário de 2002 informou acertadamente a ausência de faturamento naquele ano, mas por um lapso sua DCTF referente ao 3º trimestre de 2002 não foi retificada; IV Que a decisão de primeira instância é nula, por ter sido proferida com preterição do direito de defesa (art. 59 do PAF), por afrontar os artigos 2º, VII e X, e 29 da Lei nº 9.784/99, os quais , em combinação, deixam claro que compete à autoridade fiscal, ao analisar uma declaração de compensação, caso venha a considerar que as informações prestadas pelo contribuinte são insuficientes para se aferir a liquidez e validade do crédito tributário utilizado no encontro de contas, o ônus de diligenciar para que sejam produzidas as provas suficientes para inequivocadamente validar o direito do contribuinte; em outras palavras, a autoridade administrativa tem o dever de questionar a divergência existente entre a DCTF e a DIPJ e de solicitar documentos adicionais que entenda necessários para demonstrar a real apuração fiscal da Recorrente, não podendo se pautar por eventual inexistência de documentos comprobatórios do direito do contribuinte para sumariamente indeferir um pleito legítimo, devendo conferir ao contribuinte a oportunidade para a produção do necessário conjunto probatório; V Que o conjunto probatório acostado ao presente feito demonstra clara e inequivocamente a liquidez e certeza do direito creditório da Recorrente e, por conseguinte, a regularidade da compensação declarada; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13896.902173/200834 Acórdão n.º 1003000.480 S1C0T3 Fl. 128 3 VI Que, pelo art. 4º da IN SRF 166/99, quando a retificação da DIPJ apresentar imposto menor que a retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída; portanto, se a DIPJ retificadora é instrumento hábil a ensejar o direito à compensação, a declaração original, quando já demonstrar valor inferior ao recolhido, também ensejará o direito à compensação; VII Que a juntada de documentos em sede recursal é válida pelo princípio da verdade material. Apresenta jurisprudência administrativa que valida a utilização de informações da DIPJ em casos de evidente erro de preenchimento da DCTF. Requer a conversão do julgamento em diligência caso se considere necessária a produção de provas adicionais. Ao final requer sejam as notificações encaminhadas no endereço de seu procurador. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A contribuinte requer que seja considerada nula a decisão de primeira instância porque entende que a autoridade fiscal tem o ônus de determinar diligências caso a documentação comprobatória acostada pelo sujeito passivo seja insuficiente. Enganase. As razões para que sejam da interessada o ônus e a iniciativa da comprovação dos valores declarados em DCTF e em DCOMP para o contribuinte decorrem da lei, da qual, conforme estabelece o art. 3º da Lei de introdução às normas do Direito Brasileiro, ninguém se escusa de cumprir, alegando que não a conhece. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I. do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Consequentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de não homologação. Quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13896.902173/200834 Acórdão n.º 1003000.480 S1C0T3 Fl. 129 4 A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. A recorrente faz menção a dispositivos da Lei nº 9.784/99 no intuito de reforçar sua tese de que a obrigação de promover a instrução probatória em processos de compensação é da autoridade fiscal. Esta lei, em seu art. 69, estabelece o que segue: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. O processo administrativo fiscal é um processo específico, regido pelo Decreto nº 70.235/72, recepcionado como lei ordinária pela CF/88 e, portanto, os princípios da Lei nº 9.784 lhe são aplicados apenas subsidiariamente. Ao contrário da mencionada lei, o referido decreto estabelece que a prova documental deve ser apresentada pelo sujeito passivo na impugnação (art. 16, § 4º), bem como que a realização de diligências é determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias (art. 18). O art. 4º da IN SRF 166/99, mencionado pela recorrente, obviamente está subordinado aos ditames legais citados, isto é, os valores informados pela contribuinte em DIPJ obviamente ficam sujeitos à necessária comprovação, sobretudo quando se prestam a embasar alegação de crédito cuja liquidez e certeza deve ser verificada. Desta forma, não há como acatar a alegação da contribuinte de que a apresentação de documentação comprobatória da liquidez e certeza de seus créditos dependeria de manifestação nesse sentido da autoridade julgadora, e que a ausência desta manifestação representaria cerceamento de seu direito de defesa. Como visto, a obrigação da contribuinte comprovar o direito que pleiteia decorre da lei, da qual pressupõese que ela tenha conhecimento, sendo incabível decisão com o pressuposto inverso. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada, correspondente a suposto cerceamento do direito de defesa. Em relação à alegação de mérito, de que não havia iniciado efetivamente suas operações comerciais em 2002, portanto não obteve faturamento e informou os débitos em DCTF por engano, contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, documentação Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13896.902173/200834 Acórdão n.º 1003000.480 S1C0T3 Fl. 130 5 comprobatória correspondente a cópia do extrato do sistema "SAP" à folha 02 do arquivo DOC03_173.pdf, anexo ao arquivo não paginável à folha 108, "por meio do qual se verifica claramente a ausência de movimentação entre os dias 01.01.2002 e 31.12.2002" Mais uma vez, recorrese à lei para verificar a validade da apresentação de tal documentação em sede de recurso voluntário. Sobre o assunto, estabelece o art. 16, § 4º , do Decreto nº 70.235/72, transcrito a seguir: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Não se vislumbrando a ocorrência de qualquer das hipóteses elencadas no referido dispositivo, temse que o direito de apresentação de provas documentais pela interessada já estava precluso na oportunidade da apresentação de seu recurso voluntário. Tal regra pode ser mitigada em nome do princípio da verdade material, quando a documentação extemporaneamente trazida aos autos comprova cabalmente as razões da recorrente. Contudo, não é o caso aqui. O extrato do sistema SAP, obviamente, é insuficiente para a comprovação pretendida. Seria necessária a juntada de documentação contábil e fiscais de períodos anteriores e posteriores, verificar se há documentos produzidos no ano de 2002, bem como examinar a movimentação bancária do período. O art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72 estabelece a possibilidade de determinação, de ofício ou a requerimento do impugnante, por parte da autoridade julgadora, da realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo fundamentadamente as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. No presente caso, a contribuinte, antes de requerer diligência, arguiu a nulidade do acórdão a quo por fundamentarse na ausência de provas que entende desnecessárias ou de ônus da autoridade julgadora. Apresentou, para comprovação, um documento evidentemente insuficiente e fora do prazo legal. Diante do descumprimento de mandamentos legais por parte da recorrente relativos ao necessário esforço probatório de sua parte, aliado às sua demonstrada convicção de nulidade do procedimento em questão justamente pela exigência de comprovações cujo ônus acredita ser da autoridade julgadora, entendo incabível a determinação, por esta segunda instância julgadora, de realização de diligências para suprir as necessidades comprobatórias. A Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13896.902173/200834 Acórdão n.º 1003000.480 S1C0T3 Fl. 131 6 tentativa de comprovação da liquidez e certeza do crédito por diligência, para atender às convicções da recorrente demonstradas no recurso voluntário, deveria estar sujeita, por conta da nulidade alegada e já aqui afastada, ao retorno do julgamento à instância anterior, na qual a contribuinte descumpriu seu dever legal de apresentar a comprovação de suas alegações. Após a movimentação da máquina pública para tentar efetuar, nesta segunda instância, uma comprovação de responsabilidade e interesse da contribuinte, ainda haveria risco de nova alegação, infundada, conforme já demonstrado, de supressão de instância. Nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação. O ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Não se trata, portanto, de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória do direito alegado por parte da contribuinte recorrente, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente, o que, em declarações de compensação ou de pedidos de restituição, milita em seu desfavor. Por fim, em relação ao requerimento para que sejam as notificações encaminhadas no endereço de seu procurador, cabe transcrever o teor da Súmula CARF nº, 110: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa suscitada e, no mérito, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.015312/2008-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.015312/2008-57
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970094
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.448
nome_arquivo_s : Decisao_11080015312200857.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 11080015312200857_5970094.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7646929
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661206814720
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-05T12:12:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-05T12:12:54Z; Last-Modified: 2019-03-05T12:12:54Z; dcterms:modified: 2019-03-05T12:12:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-05T12:12:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-05T12:12:54Z; meta:save-date: 2019-03-05T12:12:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-05T12:12:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-05T12:12:54Z; created: 2019-03-05T12:12:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-03-05T12:12:54Z; pdf:charsPerPage: 1269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-05T12:12:54Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.015312/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.448 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente RAMOS & ROSA ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 53 12 /2 00 8- 57 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.015312/200857 Acórdão n.º 1003000.448 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 10 28.212 da 1ª Turma da DRJ/POA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega da DIPJ. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em razão de lançamento no qual era exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 10.908,87,00. O Relatório do acórdão proferido pela DRJ sintetizou as alegações de defesa da Recorrente, conforme abaixo descrito : A contribuinte alegou, em síntese: I) ser nulo o auto de infração, tendo em vista o desatendimento ao Decreto n° 70.235/1972, art. 11, inciso IV, que determina que a notificação de lançamento deve conter assinatura do chefe do órgão expedidor ou de servidor autorizado para tal; II) ser possível o exame de matéria constitucional por parte dos órgãos administrativos de julgamento; III) a nulidade da multa imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, uma vez que não houve prejuízo ao Fisco; IV) não ter a multa imposta observado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, uma vez que corresponde a 10% do valor já pago a título de encargo tributário, R$ 218.177,50, devendo ser aplicada a multa mínima, de R$500,00; A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO IMPROCEDÊNCIA. 1. Não é nula a notificação de lançamento eletrônica na qual não conste a assinatura da autoridade lançadora, uma vez que prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. 2. Não é nula a notificação de lançamento eletrônica que lançou multa por descumprimento de obrigação acessória nos exatos termos do art. 7° da Lei n° 10.426/2002. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. Mantém se a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração, tendo em vista ser incontroversa a sua entrega a destempo pela contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.015312/200857 Acórdão n.º 1003000.448 S1C0T3 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) Preliminarmente, a nulidade do lançamento por ausência da assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado. Aduziu que o Decreto nº 70.235/1972, que regula o Processo ` Administrativo Federal, prevê no inciso IV, do artigo 11, como requisito obrigatório para formalização do crédito tributário a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, contudo a notificação recebida pela empresa não cumpriu com esse requisito obrigatório; (ii) Preliminarmente, defende a possibilidade de exame de matéria constitucional pelos órgãos administrativos de julgamento; (iii) No mérito, aduz que a multa por descumprimento de obrigação acessória é nula, haja vista que, uma vez atendida a obrigação instrumental de declarar as importâncias devidas em período de apuração qualquer, mesmo que a destempo, mas acompanhada do pagamento integral do principal, pela lógica da sua finalidade, desnecessária e ineficaz a aplicação de multa, já que o cumprimento do principal extingue o acessório. Outrossim, a multa tornase desnecessária quando não houve prejuízo ao Fisco; (iv) Deve existir proporção entre infração e pena. Fundamenta a Recorrente que as multas por atraso na entrega da DIPJ recebeu do legislador o caráter cumulativo, que transforma a multa punitiva em moratória, configurando, nesses termos, a hipótese repudiada pelo nosso ordenamento do bis in idem, caracterizada pela punição sobre o mesmo ato repetidas vezes durante o decorrer do tempo, especialmente quando adimplida a obrigação principal. e, sendo assim, requer seja realizada interpretação mais favorável ao contribuinte contida no inciso II, do art. 122. do CTN. Por fim, requereu a improcedência da notificação de lançamento, ou, não sendo o entendimento, que a multa seja reduzida ao mínimo previsto em lei. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES (i) A Recorrente alega a nulidade da notificação de lançamento por supostamente não cumprir com a regra contida no inciso IV, do art. 11 do Decreto nº 70.235/1972. O art. 11 do Decreto nº 70.235/1972 possui a seguinte determinação: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.015312/200857 Acórdão n.º 1003000.448 S1C0T3 Fl. 5 4 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Pela leitura do artigo supra vêse claramente que a notificação de lançamento deve conter obrigatoriamente, dentre outros requisitos, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou servidor autorizado, porém se a notificação de lançamento foi realizada por meio eletrônico , a assinatura do chefe do órgão ou servidor autorizado não será necessário, conforme esclarecido através do parágrafo único do artigo. Isso se justifica porque as notificações de lançamento emitidas eletronicamente são assinadas, através de assinatura digital. Logo, não há descumprimento de determinação legal. A Notificação de lançamento em análise está às fls. 25 do processo e não há dúvidas que se trata de notificação emitida eletronicamente e, por conseguinte, prescinde de assinatura do responsável no documento, conforme disposição legal. Diante do exposto, não acolho a preliminar de nulidade suscitada. (2) A outra preliminar ventilada pela Recorrente referese à possibilidade de exame de matéria constitucional pelos órgãos administrativos de julgamento. Não há razões para se alongar acerca dessa preliminar, visto que tal questão, em verdade, já foi bastante discutida neste Conselho Fiscal, o qual já acertadamente sumulou a matéria, vide abaixo: Súmula nº 2 CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Em que pese os argumentos trazidos pela Recorrente, uma vez preferida a Súmula pelo CARF, os julgadores devem seguir a sua orientação. Isto posto, não acolho a preliminar de possibilidade de análise de matéria constitucional pelo órgão administrativo fiscal. DO MÉRITO Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.015312/200857 Acórdão n.º 1003000.448 S1C0T3 Fl. 6 5 No mérito, a Recorrente defende que a multa por descumprimento de obrigação acessória é nula, isso porque a obrigação principal, pagamento do tributo, já ocorreu e a obrigação de declarar, ainda que a destempo, é desnecessária. Em outras palavras, o cumprimento do principal extingue o acessório. Declarou ainda que é desnecessária a aplicação de multa quando não houve prejuízo ao Fisco. A obrigação tributária principal, de acordo com o § 1º do art.113 do CTN, é aquela que surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária acessória, pelo descrito no § 2º do mesmo art. 113, decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pressupõe a realização de atos que auxiliem a Administração Tributária na fiscalização dos tributos. A exemplo a entrega das declarações fiscais no prazo correto. Ou seja, independentemente de ser exigido ou não o cumprimento de obrigação principal, o contribuinte é sempre obrigado a cumprir a obrigação acessória. O § 3º do mesmo acima referenciado esclarece que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Caso a obrigação acessória seja descumprida, nascerá uma obrigação principal, porque o descumprimento dela gera a imposição de multa (penalidade pecuniária). É importante destacar que a obrigação acessória pode subsistir mesmo com a dispensa do cumprimento da obrigação principal, a exemplo daqueles que estão isentos do imposto de renda, mas são obrigados a apresentar a respectiva declaração. Logo, ainda que a Recorrente tenha cumprido a obrigação principal e pago o tributo respectivo, não a exime do cumprimento de obrigações acessórias ou, como é o caso, de pagamento de multa por envio de declaração a destempo. Como já declinado, o não cumprimento de uma obrigação acessória faz nascer uma obrigação principal em relação ao pagamento da multa, por não ter seguido a obrigação de fazer (no caso em análise) imposta pelas autoridades fiscais. A aplicação da multa independe de ter o Fisco sofrido prejuízo ou não, porque a penalidade da obrigação acessória está vinculada a uma obrigação de fazer, não fazer ou tolerar. Se a Recorrente não cumpriu com o prazo de entrega da DIPJ, estará subordinada as penalidades legais impostas pela lei. Sendo assim, improcede a alegação de que o cumprimento da obrigação principal, sem que traga prejuízo ao fisco, tornaria desnecessária a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. A Recorrente, em suas razões de recurso, defendeu que deve existir proporção entre a infração cometida e pena aplicada. Fundamenta a Recorrente que as multas por atraso na entrega da DIPJ recebeu do legislador o caráter cumulativo, que transforma a multa punitiva em moratória, configurando, um bis in idem, caracterizada pela punição sobre o mesmo ato repetidas vezes durante o decorrer do tempo. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.015312/200857 Acórdão n.º 1003000.448 S1C0T3 Fl. 7 6 O bis in idem apenas ocorreria se a multa fosse imposta relativamente a uma mesma situação, isto é, um mesmo fato gerador. A obrigação de entrega da declaração é uma medida instituída para a finalidade de viabilizara fiscalização ou arrecadação de tributos, razão pela qual ostentam a natureza de obrigação acessória. sendo distinta a origem da penalidade pecuniária, não se cogita em bis in idem. O inciso I do art. 7º da Lei nº 10.426/2002estabelece o seguinte: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Juridica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Juridica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de ' Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as . apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 29.12.2004, DOU 30. 12. 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 °; A intenção do legislador é a de forçar a entrega da declaração o quanto antes, cominando multa que é majorada a cada mês (para cada mês de atraso, somase uma nova multa) e não a de fixar uma multa para cada conjunto de informações não apresentadas. A legislação de regência estipula que o atraso no envio da DIPJ gera uma multa de 2% ao mêscalendário, limitada a 20%, a regra é clara acerca da periodicidade da aplicação da multa, não há como se acolher a tese de utilização de interpretação mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN, pois esta só é aplicável em caso de dúvida. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901820/2014-32
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE.
A decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou desrespeito à legislação fiscal, caso que não se vislumbra nos autos.
PROVA DO CRÉDITO NÃO HOMOLOGADO.
As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos aptos a dissuadir o julgador tomar como verdadeira alegação enunciada nos autos.
PROVA PERICIAL.
A Recorrente não demonstra a necessidade de que os documentos sejam submetidos a análise de expert com o fito de comprovar a existência do seu crédito.
BAIXA DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA.
A baixa dos autos em diligência é medida de exceção quando a Unidade de Origem deixa de apreciar algo de sua competência ou quando o contribuinte prova que estava impossibilitado de apresentar determinadas provas naquele momento processual, só as apresentando em grau recursal. Não cabimento.
Numero da decisão: 3003-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. A decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou desrespeito à legislação fiscal, caso que não se vislumbra nos autos. PROVA DO CRÉDITO NÃO HOMOLOGADO. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos aptos a dissuadir o julgador tomar como verdadeira alegação enunciada nos autos. PROVA PERICIAL. A Recorrente não demonstra a necessidade de que os documentos sejam submetidos a análise de expert com o fito de comprovar a existência do seu crédito. BAIXA DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA. A baixa dos autos em diligência é medida de exceção quando a Unidade de Origem deixa de apreciar algo de sua competência ou quando o contribuinte prova que estava impossibilitado de apresentar determinadas provas naquele momento processual, só as apresentando em grau recursal. Não cabimento.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.901820/2014-32
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983132
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.193
nome_arquivo_s : Decisao_16682901820201432.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16682901820201432_5983132.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7680347
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661212057600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901820/201432 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.193 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente GOL LINHAS AEREAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. A decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou desrespeito à legislação fiscal, caso que não se vislumbra nos autos. PROVA DO CRÉDITO NÃO HOMOLOGADO. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos aptos a dissuadir o julgador tomar como verdadeira alegação enunciada nos autos. PROVA PERICIAL. A Recorrente não demonstra a necessidade de que os documentos sejam submetidos a análise de expert com o fito de comprovar a existência do seu crédito. BAIXA DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA. A baixa dos autos em diligência é medida de exceção quando a Unidade de Origem deixa de apreciar algo de sua competência ou quando o contribuinte prova que estava impossibilitado de apresentar determinadas provas naquele momento processual, só as apresentando em grau recursal. Não cabimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 18 20 /2 01 4- 32 Fl. 1874DF CARF MF 2 Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade prolatado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR (DRJ/CTA) que homologou parcialmente pedido de compensação transmitido por meio da declaração de compensação (Dcomp) 18166.36181.281211.1.3.047891, que pleiteava a compensação do alegado crédito de PIS, relativo ao período de apuração outubro/2010 na monta de R$ 464.998,98. O alegado crédito diz respeito a recolhimento a maior, documentado em DACON, em razão de retenções feitas por terceiros ao Poder Público quando os bilhetes aéreos são comercializados por terceiros (agências de turismo). A Recorrente, por intermédio da Manifestação de Inconformidade intentou reverter o teor do despacho decisório que homologou parcialmente a Dcomp de n. 18166.36181.281211.1.3.047891 reconhecendo o crédito de R$ 413.692,59 sob a alegação de que a Recorrente apenas comprovou o valor de R$ 115.708,05 do total alegado de R$ 227.014,44 no período de apuração 10/2010, subsistindo a glosa de R$ 51.306,39. Acompanhando a Manifestação de Inconformidade a Recorrente fez a juntada de diversos documentos, tais como DCTF (fls. 49/52), DACON (fls. 101/156), demais documentos com informações sobre o faturamento por venda de bilhetes aéreos feitos pela própria Recorrente e por terceiros, Razão Analítico (fls. 175/1.535), Balancete analítico (fls. 1.536/1.553), Boletim de ocorrência (1.562/1.564) que informa incêndio em prédio onde estavam parte de documentação contábil da empresa, e demais documentos. Requer, na Manifestação de Inconformidade, produção de prova pericial, sobretudo pelo perdimento de documentos contábeis causados pelo incêndio informado, com quesitos e indicação de assistentes técnicos nos termos do art. 16, IV do Decreto 70.235/1972. O aresto ora recorrido não acatou o pleito de diligências e produção de prova pericial, considerandoas prescindíveis ao deslinde da demanda. A DRJ/CTA julga improcedente a Manifestação de Inconformidade sob o argumento de falta de provas suficientes sobre as retenções sofridas pela venda de bilhetes feitas por terceiros e atesta, com firmeza, que somente os DARFs e DIRFs seriam hábeis a comprovar o crédito alegado. Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 16682.901820/201432 Acórdão n.º 3003000.193 S3C0T3 Fl. 3 3 Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Apelo a este Tribunal Administrativo reiterando as matérias alegadas na Manifestação de inconformidade, com os seguintes rebates ao Acórdão: a) Nulidade do Acórdão por não apreciar a totalidade das provas ofertadas na Manifestação de Inconformidade; b) a Recorrente não pode ser prejudicada em razão de inobservância de legislação tributária por terceiros que efetuaram as retenções, sobretudo quando foi noticiado incêndio à Autoridade Policial que inutilizou documentos fiscais; c) requerimento para que fosse provado o crédito pleiteado por outros meios de prova além dos DARFs e DIRFs; d) reitera o requerimento para produção de prova pericial, indeferido na instância de piso e a baixa dos autos em diligência para que fossem apurados o laudo pericial bem como a totalidade dos documentos ofertados na DRJ; Ao fim pugna pela nulidade do Acórdão recorrido e, alternativamente, o provimento total do Recurso Voluntário para a exclusão da glosa do crédito pleiteado e sua consequente homologação. Em derradeiro requer a baixa dos autos em diligência para a apuração do crédito alegado. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de validade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente alega que o acórdão recorrido está maculado e pugna por sua anulação. Em suma alega que a ausência de pronunciamento da instância de piso sobre a todos os documentos acostados aos autos seria capaz de nulificar todo o procedimento administrativo. Entendo que a decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou desrespeito à legislação fiscal. No caso em tela não vislumbro prejuízo que justifique a decretação de nulidade do acórdão recorrido, vez que respeita a forma legal e expressa o convencimento jurídico dos julgadores. Portanto, divergências de entendimento não são causas de nulidade, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. Fl. 1876DF CARF MF 4 SOBRE PROVAS EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos aptos a dissuadir o julgador tomar como verdadeira alegação enunciada nos autos. Ao se falar em provas no processo administrativo tributário o julgador deve aterse, quando houve expressa prescrição legal, a admitir somente os meios que a Lei estabelecer como aptos a revelar o fato jurídico tributário. Entretanto, na ausência de prescrição normativa vinculante o julgador usa da interpretação pautada na boa técnica jurídica e na sistemática existente tanto nos autos quanto em todo o sistema tributário. É por essa razão que se admite largamente a prova indiciária em Direito Tributário, sendo os indícios entendidos como elementos convergentes que levem a compreensão indireta do fato. A presunção decorrente da conjugação de indícios coerentes, certos e convergentes é aceita, pela jurisprudência administrativa, como prova do fato jurídico tributário. Nesse sentido, cabe à Autoridade Fiscal, diante da impossibilidade de conhecimento direto do fato jurídico tributário, diligenciar em torno da identificação de elementos coerentes que, num contexto de análise global, permitam a afirmação da existência do fato jurídico. Segundo Maria Rita Ferragut, “o evento, por se esgotar no tempo e por deter natureza diversa da única forma possível de transmissão do conhecimento, que é a linguagem, é inatingível, inapreensível. Consequência inarredável dessa premissa é que as provas não são os eventos, mas articulações linguísticas sobre a realidade.” (p. 192). Com isso, conhecer o fato é conhecer os sinais que o evento produziu, independente do nome ou da forma que o mesmo assumiu. Nesse sentido, Fabiana Del Padre Tomé explica que “Os indícios e as presunções são consideradas modalidades de prova indireta, em que, a partir de um fato provado, chegase ao fato principal que se deseja demonstrar” (p. 150). Não se exige, assim, a identificação objetiva e direta do fato tributário, podendo o mesmo ser extraído a partir da existência de indícios convergentes que apontam a existência do fato. Vejase a explicação da Maria Rita Ferragut: A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de fatos secundários, indiciários, a existência do fato principal. Para que ela exista, fazse necessária a presença de indícios, a combinação dos mesmos, a realização de inferências indiciárias e, finalmente, a conclusão dessas inferências. Indício é todo vestígio, indicação, sinal, circunstância e fato conhecido apto a nos levar, por meio do raciocínio indutivo, ao conhecimento de outro fato, não conhecido diretamente. É, segundo Pontes de Miranda, “o fato ou parte do fato certo, que se liga a outro fato que se tem de provar, ou a fato que, provado, dá ao indício valor relevante na convicção do juiz, como homem”. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 16682.901820/201432 Acórdão n.º 3003000.193 S3C0T3 Fl. 4 5 No mesmo sentido, o Conselheiro José Clóvis Alves, no julgamento do processo nº 10880.023539/8955, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu que “A prova indiciária é admitida no Direito Tributário. O que o Fisco não pode fazer é autuar unicamente com base em um indício isolado. A presunção simples, na qualidade de prova indireta, é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes, o que é muito diferente de uma autuação lastreada apenas no primeiro elemento colhido pelo Fisco”. É farta a jurisprudência deste Conselho sobre a aceitação de prova indiciária na formação do convencimento do julgador: A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos onde a glosa de custos/despesas, por inexistentes o suposto fornecedor, está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. (Acórdão nº 10708074 do Processo 13830000931200338) No contexto que se apresenta, enxergo os indícios como algo que indique, com probabilidade, a existência de algo, que neste caminho se direciona à probabilidade da existência do crédito alegado pela Recorrente. Tratase de fenômeno que guarda relação com o fato que se deseja conhecer. Não se analisa, em absoluto, documentos taxativos tais como DARFs e DIRFs, mas elementos que exercem influência na convicção do julgador como fenômeno psicológico que afeta a percepção do destinatário, que por uma avaliação sistemática se convence de que existe verossimilhança nas alegações aptas a motivar uma decisão que intente perquirir com maior acuidade os fatos narrados e outros documentos que compõem a base dos argumentos da Recorrente. Em análise do aresto recorrido, alguns pontos merecem ser destacados para consubstanciar a fundamentação do meu convencimento. Às fls. 1.600/1.601 a instância de piso admite que as retenções podem ser provadas por outros meios além das DIRFs: Nos documentos que acompanham a peça inaugural do contencioso administrativo, a Recorrente não traz ao conhecimento dos julgadores nenhum fato, elemento ou indício apto a demonstrar que as alegadas retenções ocorreram. E continua às fl. 1.604/1.605 com a afirmação que a obrigação de apresentar os documentos de retenção incumbe a terceiros, e que estas retenções podem ser provadas por diversos documentos, sem vinculação taxativa ao DARF e DIRF: Fl. 1878DF CARF MF 6 É acertada a análise feita pela Instância de Origem, vez que a Recorrente além de não trazer aos autos elementos probatórios, igualmente não trouxe razões convincentes que estava impedida de fazêlo naquele momento. Quanto ao ônus da prova do seu direito, a Recorrente não se desincumbiu e não apresentou nos autos razões aptas ao acolhimento de suas pretensões, tampouco à exceção do art. 16, IV do Decreto 70.235/1972, razão pela qual o presente Recurso Voluntário deve ter seu mérito apreciado por este Tribunal Administrativo conforme as provas já produzidas. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA Pelo alegado, nem mesmo pelo aceite da prova indiciária como suficiente à comprovação do fato jurídico tributário vislumbro correlação lógica de indícios coerentes e convergentes no sentido de acatar as exceções do art. 16, IV do Decreto 70.235/1972. A baixa dos autos em diligência é medida de exceção quando a Unidade de Origem deixa de apreciar algo de sua competência ou quando o contribuinte prova que estava impossibilitado de apresentar determinadas provas naquele momento processual, só as apresentando em grau recursal. Em razão de não se estar diante de nenhuma das hipóteses elencadas no art. 16 do Decreto 70.235/1972 e por todo o alegado, voto pela rejeição do pedido de baixa dos autos em diligência por inexistir permissivo legal. DA PROVA PERICIAL Pelas mesmas razões acima fundamentadas, voto para que seja rejeitado o pleito para produção de prova pericial. O ônus probatório para demonstrar a existência de crédito a ser homologado é da Recorrente, e o momento processual para fazêlo é na Manifestação de Inconformidade/Impugnação. É certo que a Recorrente formulou o pedido para produção de prova pericial no momento de impugnação, mas não demonstra a necessidade de que os documentos sejam submetidos a análise de expert com o fito de comprovar a existência do seu crédito. Como bem relatado pela DRJ, a prova do crédito consubstanciado pelas retenções pode ser feita pelas análise de DIRFs, DARFs ou quaisquer outros documentos idôneos. A Recorrente não apresentou sequer indícios convergentes de estar amparada por direito creditório, razão pela qual voto pela rejeição do pedido de produção de prova pericial. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 16682.901820/201432 Acórdão n.º 3003000.193 S3C0T3 Fl. 5 7 Tendo por fundamento os documentos apresentados pela Recorrente e a falta de correlação lógica apta a prova inequívoca da existência do direito creditório pleiteado, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1880DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720857/2016-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
RECURSO INTEMPESTIVO.
Reconhece-se a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 1402-003.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010 RECURSO INTEMPESTIVO. Reconhece-se a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.720857/2016-72
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983866
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.821
nome_arquivo_s : Decisao_16327720857201672.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720857201672_5983866.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7686069
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661224640512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 743 1 742 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720857/201672 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.821 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente STITES ADMINISTRAÇÃO, COBRANÇA E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 RECURSO INTEMPESTIVO. Reconhecese a intempestividade do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 57 /2 01 6- 72 Fl. 743DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e multas exigidas isoladamente sobre estes tributos, relativos ao ano calendário 2011, pela infração de omissão de receitas referentes a depósitos bancários de origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, com incidência de multa de ofício (75%) e juros de mora. A Fiscalização observou, inicialmente, que a Autuada apresentou movimentação financeira bancária superior a R$200 milhões no anocalendário de 2011, quando declarou ao fisco receitas totais no valor de R$1.063.470,01, o que evidenciou aparente incompatibilidade entre a movimentação financeira apresentada e a receita bruta oferecida à tributação. Na impugnação, a empresa pugna, em suma: a) pela anulação do auto de infração, ante a indevida aplicação da presunção ou pelo erro quanto ao aspecto jurídico dos tributos apurados, que tomou a receita presumida, e não o lucro real, como base de cálculo do IRPJ e da CSLL; ou, b) pelo cancelamento da autuação: seja pela impossibilidade de se aplicar a presunção de receita contra empresa que administra as contas a pagar de terceiros, seja pela fragilidade dos critérios eleitos pela fiscalização para se presumir a receita da Impugnante, sobretudo, em razão das provas da efetiva receita auferida por ela, com base nos contratos formalizados, na DIPJ e nas notas fiscais de serviços juntadas; ou, ainda, c) pela exclusão do montante apurado: c.1 ) dos recursos depositados na conta autuada de clientes que mantém contas junto à Impugnante (Polyenka e RCG); e; c.2) do recurso depositado pelo Sr. Waldir Junqueira de Andrade, que foi destinado a pagamento próprio dele; bem como, d) que seja refeita a apuração dos tributos supostamente devidos, lançando a receita presumida pela Fiscalização como receita bruta das atividades da Impugnante e realizando o respectivo cálculo contábil do lucro para se alcançar o montante devido, e, por fim; e) seja afastada a multa isolada aplicada em concomitância à multa proporcional, visto que incidem sobre a mesma infração. Em 08 de junho de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 555): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16327.720857/201672 Acórdão n.º 1402003.821 S1C4T2 Fl. 744 3 financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutá la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. MULTA DE OFICIO. É cabível a exigência da multa isolada sobre os valores de estimativa não paga cumulada com multa de ofício sobre o imposto devido no ajuste anual que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Em 22/06/2017 a contribuinte foi intimada do resultado do julgamento, conforme se verifica pelo Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial DTE em sua caixa postal (fls. 580). No referido termo constava a seguinte observação: A data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. Nas fls. 581, foi registrada a "Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo, a qual teria ocorrido em 07/07/2017. Na seqüência, às fls. 584 foi registrado o Termo de Perempção atestando a ausência de interposição de recurso voluntário ao CARF e determinando o encaminhamento do processo para cobrança amigável e posterior envio à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Em 22/08/2017, foi registrado que a contribuinte recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionamentos por meio de sua caixa postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (fls. 592) e, nas fls. 594, consta o Termo de Abertura de Documentos com o seguinte teor: Fl. 745DF CARF MF 4 Em 24/11/2017 a PGFN promoveu a inscrição em dívida ativa (fls.608/613) e, em 16/02/2018, a contribuinte protocolou pedido de revisão dos débitos inscritos em dívida ativa (fls. 621) sob a alegação de que a intimação do resultado do recurso administrativo teria sido improfícua, uma vez que: O antigo responsável técnico do contribuinte deveria ter, com a rescisão do contrato de prestação de serviços de contabilidade (doc. 04), disponibilizado todos os arquivos que estavam em seu poder, o que só veio a ocorrer meses depois (doc.05). Foi neste período, quando o contribuinte não estava em poder do certificado digital para acessar o sistema da RFB, que a intimação foi expedida, sem, contudo, ter alcançado o seu destinatário. Certificado o transcurso do prazo recursal (doc. 06), foi expedida intimação sobre a inscrição do correspondente crédito tributário em dívida ativa e para pagamento (doc. 07) Quando finalmente tomou ciência do julgamento da sua defesa em primeira instância, tento o contribuinte interpor o recurso voluntário que, não pôde ser protocolado em razão do encaminhamento do processo para esta Procuradoria para inscrição em dívida ativa (doc. 08) Em resposta a DICAT/DEINF/SPO concluiu que, tendo em vista o disposto no artigo 74 do Decreto 7.574, de 29/09/2011, o qual dispõe que "o recurso voluntário total ou parcial, mesmo perempto, deverá ser encaminhado ao órgão julgador de segunda instância, que julgará a perempção" o julgamento da admissibilidade cabe ao CARF. Diante disso, determinou o envio do processo à PRFN da 3ª Região, para ciência e cancelamento da inscrição em dívida ativa e, após o retorno do processo, o seu envio ao CARF. É o relatório Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16327.720857/201672 Acórdão n.º 1402003.821 S1C4T2 Fl. 745 5 Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora De acordo com a preliminar de cabimento suscitada no recurso voluntário às fls. 658/661 o fundamento para se afastar a intempestividade seria a norma do artigo 23, §1º abaixo transcrita: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...) § 2° Considerarse feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(grifei) Fl. 747DF CARF MF 6 Alega a Recorrente que a redação do artigo acima transcrito é "propositadamente abrangente, isto é , sem especificar as hipóteses que redundariam em resultado improfícuo, justamente para atender à faceta da segurança jurídica na relação tributária identificada com a Proteção da Confiança, dotando o contribuinte dos meios necessários para demonstrar o seu direito, isto é, de desconstruir a presunção relativa da intimação. Sendo assim, a intimação do julgamento da Recorrente em primeira instância teria sido improfícua, "visto que no momento em que foi realizada, aquela havia acabado de rescindir contrato com seu antigo contador, a quem cumpria acompanhar as mensagens recebidas através do ecac, e que detinha o certificado digital da empresa. O art.23 abre a possibilidade de três formas de intimação; pessoal, via postal e por meio eletrônico, não estabelecendo qualquer ordem de preferência entre elas. Se restar improfícua a intimação por quaisquer das três formas, deverá ser o contribuinte cientificado por edital. Também não há qualquer previsão ou obrigatoriedade de que após a tentativa frustrada por uma das três formas, se tente uma outra forma de intimação, diferente do edital. Conforme exposto no relatório, a intimação por via eletrônica não foi improfícua e a eventual ausência de comunicação por parte do profissional contratado não elide os efeitos da intimação, pois a intimação por meio digital pressupõe autorização expressa do sujeito passivo. A Portaria SRF nº 259, de 13/03/2006, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 574, de 10/02/2009, define a forma como se processará a autorização dos contribuintes para a intimação por meio de seu endereço eletrônico em seu artigo 4º: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no e CAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009)(grifamos) A autorização para intimação no Domicílio Tributário Eletrônico, portanto, é efetuada por meio de um documento eletrônico, denominado Termo de Opção, no próprio Portal eCAC (Centro Virtual de Atendimento). Sendo assim, somente a comprovação da ausência de autorização por parte da Recorrente poderia elidir a intimação realizada. Tendo sido o recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de impugnação, afigurase intempestivo. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.720857/201672 Acórdão n.º 1402003.821 S1C4T2 Fl. 746 7 Diante do exposto, considerando que não foi cumprido o prazo estabelecido no art.33 do Decreto nº 70232/75, voto por conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e na parte conhecida, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16048.720072/2013-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO - PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO
Sendo demonstrado que a lavratura de Auto de Infração posterior aos pedidos de compensação transmitidos pelo contribuinte impacta na composição do saldo negativo indicado como crédito nas PerDcomp's, não há como reconhecer o direito creditório.
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE.
Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo.
TAXA SELIC
Nos termos da súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
JUROS SOBRE MULTA
Nos termos da súmula CARF nº 108, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e em conhecer parcialmente do recurso voluntário, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO - PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO Sendo demonstrado que a lavratura de Auto de Infração posterior aos pedidos de compensação transmitidos pelo contribuinte impacta na composição do saldo negativo indicado como crédito nas PerDcomp's, não há como reconhecer o direito creditório. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE. Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo. TAXA SELIC Nos termos da súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais JUROS SOBRE MULTA Nos termos da súmula CARF nº 108, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16048.720072/2013-93
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981623
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.463
nome_arquivo_s : Decisao_16048720072201393.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 16048720072201393_5981623.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e em conhecer parcialmente do recurso voluntário, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7679538
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661244563456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 610 1 609 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16048.720072/201393 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.463 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria Compensação Administrativa Recorrente LG ELECTRONICS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO Sendo demonstrado que a lavratura de Auto de Infração posterior aos pedidos de compensação transmitidos pelo contribuinte impacta na composição do saldo negativo indicado como crédito nas PerDcomp's, não há como reconhecer o direito creditório. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE. Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo. TAXA SELIC Nos termos da súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais JUROS SOBRE MULTA Nos termos da súmula CARF nº 108, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 72 00 72 /2 01 3- 93 Fl. 610DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e em conhecer parcialmente do recurso voluntário, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Através de pedidos de compensação transmitidos pela ora Recorrente, LG Electronics do Brasil Ltda., pretendeuse a quitação de débitos próprios com suposto saldo negativo de IRPJ acumulado ao final do ano calendário de 2006, no valor original de R$24.143.715,01. As PerDcomp's transmitidas pelo contribuinte foram as seguintes: 17149.26723.220110.1.3.029509 Transmitida em 22/01/10; 42607.61088.290110.1.3.021938 Transmitida em 29/01/10; 38836.49773.090210.1.3.022879 Transmitida em 09/02/10; 22669.46961.230310.1.3.024892 Transmitida em 23/03/2010; 35582.37227.140410.1.3.020040 Transmitida em 14/04/2010; 33549.02943.210510.1.3.024927 Transmitida em 21/05/2010. Contudo, nos termos do despacho decisório de fls. 72 a 77, as compensações não foram homologadas, tendo em vista que, contra o contribuinte, foi lavrado Auto de Infração (Processo Administrativo nº 16561.720068/201154), sendo que "infração gerou o lançamento do IRPJ à alíquota de 15% no valor de R$118.673.082,25 e do Adicional no valor de R$ 79.091.388,16, totalizando R$ 197.764.470,42 (fls.37/38) e elevou, por via de consequência, o IRPJ do exercício de 2007/anocalendário de 2006, de R$ 0,00 (fl. 34) para R$ 197.764.470,42." Não concordando com a nãohomologação das compensações, a Recorrente apresentou manifestação de Inconformidade, que, ao ser analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), foi julgada como improcedente. A ementa do acórdão proferido por aquela DRJ recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 611 3 CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se reconhece o cerceamento de defesa quando a decisão questionada apresentou elementos suficientes para que se perceba as razões da não homologação da compensação. ARGÜIÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é de competência do julgador administrativo decidir sobre constitucionalidade de lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Não existe norma legal que preveja a suspensão do processo administrativo a fim de que se aguarde decisão acerca da procedência de auto de infração que, ao reconstituir a base de cálculo, inviabilizou o saldo negativo que serviu de suporte ao direito creditório indicado na Dcomp. DÉBITO. ESTIMATIVA. Esta correta a cobrança de estimativa não compensada, uma vez que a manifestante a incluiu no rol de débitos compensados por sua exclusiva vontade, devendose se submeter às consequências decorrentes da não homologação da compensação. JUROS E MULTA DE MORA. Não homologada a compensação, os tributos indevidamente compensados são exigidos com os correspondentes acréscimos legais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Sobre o valor da multa quando aplicada incidem juros de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 443 a 512), no qual, após discorrer acerca da discussão travada no processo administrativo de nº 16561.720068/201154, aduz pela necessidade de homologação das compensações, tendo em vista a "liquidez e certeza" do direito creditório, em especial porque o IRPJ apurado no ano calendário de 2006 estava, à época do apelo, sendo discutido administrativamente. Os argumentos trazido em sede de Recurso Voluntário foram muito bem sintetizados pela Resolução de fls. 515 a 523, pelo o que se pede venia para transcrever o que constou daquela decisão: i) Esclareceu que, com relação ao auto de infração lavrado no processo administrativo n.º 16561.720068/201154, importou no anocalendário de 2006 diversos componentes eletrônicos necessários à manufatura de seus produtos ao Brasil, e que as operações foram praticadas com pessoas vinculadas no exterior. Fl. 612DF CARF MF 4 ii) Que efetuou os cálculos previstos na Lei 9.430/96, para que os reajustes de preços de transferências fossem realizados. (iii) Que os parâmetros usados foram com base no Método de Preço Revenda menos Lucro (“PRL”), com a aplicação da margem de 60%, e pelo método Preços Independentes Comparados (“PIC”). iii) Que a fiscalização não considerou os ajustes feitos e, com base na Instrução Normativa 243/02, refez os cálculos do PRL 60% para 290insumos importados, apurando uma diferença de R$ 819.244.278,50 entre os seus ajustes e os realizados pela recorrente. Assim, lavrouse o auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 16561.720068/201154. (v) Que seguindo a norma do artigo 151, III do CTN, é indispensável destacar a suspensão da exigibilidade do crédito no referido processo, pois ainda encontrase pendente de decisão final. (vi) Que no ano calendário de 2006, apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 24.143.715,01, conforme devidamente informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do Exercício de 2007 (“DIPJ/2007”). (vii) Que o saldo negativo de IRPJ apurado foi utilizado para efetuar as compensações por meio das PER/DCOMPs n°s. 17149.26723.220110.1.3.029509, 42607.61088.290110.1.3.021938, 38836.49773.090210.1.3.022879, 22669.46961.230310.1.3.024892, 35582.37227.140410.1.3.020040 e 33549.02943.210510.1.3.024297. (viii) Que na PER/DCOMP n° 17149.26726.220110.1.029509, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 para compensar débitos de PIS/COFINS no valor de R$ 11.175.320,81, referente ao mês de dezembro de 2009. (ix) Que na PER/DCOMP nº. 42607.61088.290110.1.3.021938, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 para compensar o IRPJ no valor de R$ 1.527.677,72, referente ao mês de dezembro de 2009. (x) Que na PER/DCOMP n°. 38836.49773.090210.1.3.022879, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006 para compensar débitos de IPI no valor de R$ 3.323.944.62, referente ao mês de janeiro de 2010. (xi) Que na PER/DCOMP n°. 22669.46961.230310.1.3.024892, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 para compensar débitos de IPI no valor de R$ 5.496.990,61, referente ao mês de fevereiro de 2010. (xii) Que na PER/DCOMP n°. 3558.37227.140410.1.3.020040, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 para compensar débitos de IPI no valor de R$ 5.805.865,03, referente ao mês de março de 2010. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 612 5 (xiii) Que na PER/DCOMP n°. 33549.02943.210510.1.3.024297, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 para compensar débitos de IPI no valor de R$ 1.430.929,27, referente ao mês de abril de 2010. (xiv) Que a fiscalização desconsiderou e glosou sem fundamento legal a base negativa de IRPJ que foi apurada no ano calendário de 2006, agindo como se já houvesse decisão definitiva no processo administrativo n° 16561.720068/201154, resultando em IRPJ a ser pago no valor de R$ 180.039.853,35 no lugar do saldo negativo de R$ 24.143.715,01. (xv) Que a fiscalização não homologou os pedidos de compensações, dando apenas ciência e formalizando a cobrança integral das compensações realizadas por meio das PER/DCOMPs, em um valor principal total de R$ 32.430.289,08. (xvi) Que o despacho proferido pela DRJ afronta o principio da segurança jurídica e da ampla defesa, na medida em que ignora a suspensão da exigibilidade, devido à falta de julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 151, III, do CTN. (xvii) Que a argumentação dada na decisão pelo fisco é descabida e sem fundamento, pois não há na esfera administrativa, decisão final nos autos de processo administrativo que possa justificar as glosa dos créditos e consequentemente a não compensação dos créditos pleiteados referentes ao ano de 2009 e 2010. (xviii) Que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2006, utilizado na PER/DCOMP, só poderia ser declarado inexistente caso houvesse decisão administrativa definitiva nos autos do Processo n° 16561.720068/201154. Juntou jurisprudência deste Conselho. (xix) Que não há que se falar em falta de liquidez e certeza, uma vez que o IRPJ apurado no ano calendário de 2006 está sendo discutido administrativamente. Ademais, o mesmo está escriturado de forma correta, presumindose sua legitimidade, segundo o artigo 923, do RIR/99. (xx) Que se deve observar que as compensações via PER/DCOMP’s, ocorreram antes de qualquer discussão a respeito do tema proposto no processo administrativo n° 16561.720068/201154, o qual foi instaurado em 2011 – posteriormente às compensações realizadas em 2009 e 2010 –, não podendo ser alegado falta de liquidez e certeza na época da transmissão dos pedidos de compensações. Acaso assim não se entenda, estes autos apenas podem ser julgados após a decisão final no processo administrativo n° 16561.720068/201154. (xxi) Que mesmo se os valores ora cobrados fossem de fato exigíveis, uma vez que se trata de estimativas mensais compensadas, estas não poderiam ser cobradas após o Fl. 614DF CARF MF 6 encerramento do anocalendário, como é unânime na jurisprudência. (xxii) Que no anobase 2006 o IRPJ foi apurado pelo lucro real anual, recolhido mensalmente por estimativas, as quais se tratam de antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário, acaso ocorra o fato gerador. (xxiii) Que, por configurar como antecipação, as estimativas não podem ser objeto de lançamento por suposta falta de recolhimento do IRPJ ou CSL, pois nem mesmo são considerados tributos em respeito aos artigos 3º e 4° do CTN. (xxiv) Que a não homologação das compensações não poderiam vir acompanhadas de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Ainda que assim não fosse, em atenção ao artigo 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluído da base de calculo do tributo à imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário. (xxv) Que com relação à aplicação da taxa Selic a mesma deve ser afastada do calculo do crédito tributário, sob pena de violação aos artigos 5°, inciso II e 150, inciso, I da CF/88. (xxvi) Que os juros somente são aplicáveis sobre o valor principal do tributo não recolhido, mas nunca sobre a multa imposta como sanção, em respeito ao art. 3º, do CTN. Trouxe jurisprudência administrativa. (xxvii) Por fim, pugna pela reforma da decisão recorrida para homologar integralmente as compensações transmitidas ou, alternativamente, que o julgamento do presente processo seja sobrestado até decisão final no processo administrativo n° 16561.720068/201154. Assim, ao analisar o apelo do Recorrente, nos termos da já mencionada Resolução, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem acatar o pedido de sobrestamento do feito, até que restasse definitivamente julgado o processo de nº 16561.720068/201154, uma vez que a decisão deste poderia, de alguma forma, impactar no reconhecimento do direito creditório do contribuinte, invocado nos pedido de compensação apresentados. Do voto do ilustre conselheiro relator à época (acatado por unanimidade pela Turma Julgadora), destacase o seguinte dispositivo: Ante o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, determinando que o processo retorne a delegacia de origem e lá, aguarde a decisão final do processo administrativo fiscal n.º 16561.720068/201154, aplicandose de forma subsidiária o art. 265, inciso IV, do Código de Processo Civil. Após o julgamento do processo prejudicial, que a delegacia de origem junte a decisão a este feito e o devolva ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja distribuído a este relator e novamente pautado para o devido julgamento. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 613 7 Assim, em atendimento ao comando dado por este Conselho, os autos ficaram sobrestado até o julgamento final do processo de nº 16561.720068/201154. Posteriormente, foi proferido o despacho de fls. 603, em que se atestou "o término do contencioso administrativo" daqueles autos (cópias do processo juntadas às fls. 525 a 602). Ato continuo, sendo os autos remetidos ao CARF, foram distribuídos, via sorteio, a este julgador, tendo em vista que o Conselheiro Relator anterior não faz mais parte deste órgão de julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. Em que pese a tempestividade do apelo ter sido analisada, em tese, quando houve a emissão da Resolução, cumpre reforçar que, como se denota dos autos, o Recorrente teve ciência, via AR, do acórdão recorrido no dia 21/08/2013 (fl. 441), apresentando o seu Recurso Voluntário no dia 18/09/2013 (fl. 443 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NOS AUTOS DO PROCESSO DE Nº 16561.720068/201154. DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Como relatado acima, a discussão posta no presente processo administrativo se refere, em síntese, ao direito creditório do Recorrente, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006, que foi indicado em pedidos de compensação apresentados. Esse saldo era composto de estimativas pagas a maior durante o anocalendário. O valor original do direito creditório invocado era de R$24.143.715,01. Através de despacho decisório proferido, o direito creditório do contribuinte não foi reconhecido, basicamente, porque houve a lavratura de Auto de Infração em face do Recorrente, consubstanciado no processo administrativo de nº 16561.720068/201154. Os reflexos daquele processo, na presente discussão, foram assim demonstrados no acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP) (fls. 420 a 438): Por meio do citado auto de infração, o Fisco adicionou ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, a quantia de R$ 849.224.278,50, correspondente a “ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior”. Fl. 616DF CARF MF 8 Com isso, o IRPJ devido no período foi alterado de R$ 0,00 para R$ 197.764.470,42. Aplicandose a este valor as deduções confirmadas, o saldo negativo declarado não foi reconhecido, pois o saldo de IRPJ a pagar passou a ser R$ 180.039.853,35, (...) Assim, não havia dúvidas que a manutenção ou não da autuação lavrada em face da Recorrente traria impactos no reconhecimento ou não do direito creditório invocado nos pedidos de compensação em análise. Por isso, em um primeiro momento, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após constatar que ainda havia discussão administrativa pendente de julgamento definitivo nos autos do processo nº 16561.720068/201154, entendeu pelo sobrestamento destes autos, até que houvesse "decisão final" do CARF naquele procedimento. E como se depreende das cópias juntadas às fls. 525 a 602, a discussão travada nos autos do processo nº 16561.720068/201154 se encerrou, sendo o crédito tributário constituído, via Auto de Infração, inteiramente mantido no âmbito administrativo. Consta dos autos, inclusive, cópia de Ação Anulatória apresentada junto ao Poder Judiciário (fls. 548 e seguintes), em que o Recorrente se insurge quanto aos termos da autuação, requerendo, ao final, o cancelamento dos débitos de IRPJ e CSLL consubstanciados naquele Auto de Infração. A ação anulatória foi proposta junto ao juízo da 2ª Vara da Justiça Federal de Taubaté (SP), recebendo o nº 500088107.2018.4.03.6121. Como se verifica das cópias acostadas aos autos e da consulta processual disponibilizada no site do TRF da 3ª Região, com o oferecimento de garantia ao juízo (seguro garantia), houve o deferimento da tutela antecipada requerida, oportunidade na qual se determinou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Vejase o que constou da decisão proferida pelo juízo daquela Vara Federal de Taubaté em 01 de Novembro de 2018: Pelo exposto, em cumprimento ao V. Acórdão da E. 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, recebo a caução oferecida pela autora, na modalidade de seguro garantia, restando mantida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Para o cumprimento e para que manifeste sobre a regularidade e suficiência da caução apresentada, no prazo de dez dias, dêse vista à União. Após, tornem para apreciação dos pedidos de produção de provas. Pois bem. Primeiramente, não há dúvidas de que, em âmbito administrativo, a discussão sobre a legitimidade dos créditos tributários, constituídos via Auto de Infração, se encerrou de forma definitiva e contrária ao contribuinte. Ou seja, no limitado controle de legalidade feito na esfera administrativa, entendeuse que a autuação lavrada estaria correta e que não havia reparos a se fazer no trabalho da fiscalização. Como o motivo que levou ao sobrestamento do feito se encerrou, deve o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte ser julgado. Importante pontuar, ainda, que o fato de ter sido deferida a tutela antecipada na ação anulatória proposta pela Recorrente, em que o juízo suspendeu a exigibilidade do Fl. 617DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 614 9 crédito tributário constituído via Auto de Infração, não impede o julgamento da presente demanda e não impõe um novo sobrestamento do feito. Explicase. É que, nos termos da doutrina de Paulo de Barros Carvalho, entendese que todo o lançamento é definitivo, não existindo um lançamento provisório do crédito tributário. Confirase os seus ensinamentos: "Um ato administrativo temse por pronto e acabado quando, reunindo os elementos que a ordem jurídica prescrever como indispensáveis à sua compostura, vier a ser oficialmente comunicado ao destinatário. A contigência de estar aberto a refutações é algo que o próprio sistema prevê e disciplina, mas que não elide a definitividade da figura." (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. pág. 449) (destacouse) Assim, a existência de Auto de Infração que, de alguma forma, "anula" o saldo negativo do contribuinte, mesmo sendo passível de reforma administrativa ou judicialmente , já seria motivo suficiente para se indeferir o direito creditório. E não se está aqui dizendo que o sobrestamento anteriormente realizado, para que se esperasse o trânsito em julgado administrativo da discussão travada no bojo da autuação lavrada em face do contribuinte, estaria equivocado. Este sobrestamento se justifica pela aplicação dos princípio da Verdade Material, da celeridade e economia processual, que norteiam todo o processo administrativo tributário. Seria no mínimo insensato não suspender (sobrestar) a presente discussão até o trânsito em julgado de processo administrativo que iria, de alguma forma, impactar na decisão a ser dada no presente processo. Seria "contraprodutivo" julgar uma demanda que, de acordo com outra decisão administrativa, poderia ser facilmente julgada em contrário pelo Poder Judiciário. Todavia, o fato de existir uma decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não é motivo para se sobrestar, mais uma vez, o julgamento da demanda. Como ensina Paulo de Barros Carvalho, a "suspensão" é da exigibilidade e não do crédito. Este, mesmo com a decisão judicial, continua existindo, em que pese não ser possível exigilo. Vejase as ponderações daquele professor: Por exigibilidade havemos de compreender o direito que o credor tem de postular, efetivamente, o objeto da obrigação, e isso tãosó ocorre, como é obvio, depois de tomadas todas as providências necessárias à constituição da dívida, com a lavratura do ato de lançamento tributário. (...) É o lançamento que constitui o crédito tributário e que lhe confere foros de exigibilidade, tornandoo susceptível de ser postulado, cobrado, exigido. O direito positivo prevê situações em que o atributo da exigibilidade do crédito fica temporariamente sustado, aguardando nessas condições sua extinção, ou retornando sua marcha regular para ulteriormente extinguirse. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. págs. 474 e 475) Fl. 618DF CARF MF 10 Portanto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração, nos termos da tutela antecipada que foi concedida pelo Poder Judiciário, não tem o condão de prejudicar o presente julgamento e muito menos impõe o seu sobrestamento. Por outro lado, como mencionado, da leitura dos autos, não há discussão: sendo mantido o crédito tributário, constituído via Auto de Infração, não há como se reconhecer o saldo negativo do contribuinte no período, uma vez que verificouse, em verdade, um saldo a pagar no anocalendário em que aquele suposto saldo negativo foi apurado. Não há como dar guarida, neste ponto, ao argumento do Recorrente de que, à época da transmissão dos pedidos de compensação, não havia sido lavrado o Auto de Infração e, por isso, o direito creditório era líquido e certo. Não se pode perder de vista que a análise do direito creditório, como se verifica do Despacho Decisório emitido, foi posterior ao Auto de Infração, e a fiscalização não poderia ignorar este AI, como se não existisse, para deferir direito creditório invocado pelo contribuinte. Assim, não há reparos a se fazer na decisão a quo, proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP), quando afirma que o crédito tributário constituído, via Auto de Infração, "põe em dúvida todo o saldo negativo que teria fundamentado o direito creditório indicado nas Dcomp, não o invalidando em definitivo, mas, ao menos, tornandoo incerto". E foi justamente a falta de certeza do direito creditório, quando da emissão do Despacho Decisório, que motivou a não homologação das compensações apresentadas. Há de se ressaltar que, como muito bem pontuado no acórdão recorrido, que não existe dúvida na interpretação do artigo 170 do Código Tributário Nacional, quando o dispositivo diz que a compensação, regulada pela legislação, deverá ser realizada com "créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.". A existência de Auto de Infração que, de alguma forma, "anula" o saldo negativo, é suficiente para sustentar a ausência de certeza do direito creditório do Recorrente. Ademais, não se pode acatar o argumento do contribuinte, extraído de uma interpretação literal do artigo 923 do RIR/99, no sentido de que os seus lançamentos contábeis são suficientes para comprovar a liquides e certeza do direito creditório. Sabese que o Decreto 3.000/99 era categórico ao afirmar que os lançamentos contábeis fazem prova em favor do contribuinte, sendo dever da autoridade administrativa comprovar eventuais inveracidades. Neste sentido é a redação dos artigos 923, 924 e 925 do RIR/99. Vejase: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art.924.Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Fl. 619DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 615 11 Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração Ao proferir o despacho decisório combatido pelo Recorrente, a fiscalização demonstrou que o direito creditório não existia, tendo em vista a ulterior lavratura do Auto de Infração, em contraposição ao que estava devidamente escriturado na contabilidade do contribuinte. DAS ESTIMATIVAS Contudo, há um reparo a se fazer no Despacho Decisório. Como se verifica da tabela abaixo, não foi reconhecida a totalidade dos valores recolhidos a título de estimativa, uma vez que estas foram pagas via compensação, que acabaram não homologadas ou homologadas parcialmente pela autoridade administrativa. Vejase: Ocorre que a compensação das estimativas caracterizase como confissão de dívida e, caso não sejam providas as Manifestações de Inconformidade em que se discute aquelas compensações, o contribuinte será intimado para efetuar o pagamento daqueles valores confessados. Se não fizer o pagamento espontaneamente, irá ser ajuizada execução fiscal por parte da PGFN, uma vez que, no caso de confissão de dívida, não é necessário a instauração de processo administrativo de cobrança. Assim, a glosa daquelas estimativas do saldo negativo implicaria em cobrança em duplicidade. É que o §6º, do artigo 74, da Lei 9.430/96 caracteriza como confissão de dívida o débito declarado em pedido de compensação sendo, inclusive, prescindível a instauração de processo administrativo de cobrança em caso de não pagamento espontâneo dos valores por parte do contribuinte. Ou seja, uma vez confessada a dívida e não paga, o débito será encaminhado à PGFN para a devida inscrição em dívida ativa e ajuizamento da Execução Fiscal em face do contribuinte, nos termos dos parágrafos 7º e 8º da mencionado artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Transcrevese abaixo a literalidade dos dispositivos legais citados: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 620DF CARF MF 12 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por outro lado, ao não reconhecer as estimativas pagas via compensação, que foram confessadas, estará caracterizada a cobrança em duplicidade, uma vez que o contribuinte, como mencionado, será cobrado dos valores das estimativas e, ainda, não poderá incluir estes mesmos valores na composição do seu saldo negativo. Assim, não há dúvidas de que os valores das estimativas, declaradas e confessadas via pedido de compensação, estão aptos a compor o saldo negativo. E os processos administrativos em que se discute as compensações das estimativas em nada influenciarão na composição do saldo negativo. Independentemente do resultado daqueles processos (em que se discute as compensações das estimativas), o saldo negativo não será alterado. Se houver provimento ao apelo do contribuinte, o pagamento do valor será confirmado e, por consequência, será considerado na composição do saldo negativo. Se não houver êxito no processo administrativo, o contribuinte será cobrado, uma vez que confessou a dívida da estimativa, e, também por consequência, o saldo negativo não será afetado, já que ele se compõe, em parte, das estimativas. Pensar de forma diversa, ou seja, que o contribuinte poderá não pagar o débito da estimativa e, assim, se valer de um crédito inexistente, é trabalhar hipoteticamente, o que não se pode admitir no âmbito do direito. Se o contribuinte não pagar o débito, será executado, com todos os ônus inerentes à execução fiscal, inclusive ter seu patrimônio expropriado de forma forçada (bloqueio de bens e de contas bancárias, por exemplo). O que não se pode admitir é a cobrança em duplicidade do mesmo valor: das estimativas e da glosa destas (redução) do saldo negativo. Não se pode perder de vista que a própria Receita Federal do Brasil admite que, uma vez confessados os valores das estimativas, via Dcomp, caberá a cobrança destes valores, sem afetar a composição do saldo negativo. O trecho da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18/06 é neste norte. Confirase: Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para os fins de cálculo e cobrança de multa isoladas pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União. Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 616 13 diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. O entendimento exarado pela Receita Federal do Brasil vai ao encontro do que restou consignado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, o qual admite a cobrança dos valores decorrentes de compensações não homologadas. Eis as conclusões do referido parecer: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já proferiu diversos julgados na linha aqui exposta. Neste sentido, vejase as seguintes ementas: Número do Processo 10880.902887/201129 Nº Acórdão 1201001.548 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.IRRF. GLOSA EM DESPACHO DECISORIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO Fl. 622DF CARF MF 14 OCORRÊNCIA.Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a hipótese em que todas as informações necessárias para o seu exercício foram asseguradas e disponibilizadas ao contribuinte.SALDO NEGATIVO. EFETIVO PAGAMENTO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP. COMPENSAÇÃO.Comprovado que o contribuinte efetivamente recolheu estimativa mensal de IRPJ, e que esta somente foi utilizada como dedução na apuração anual do IRPJ sobre o lucro real sob julgamento, resta assegurado ao contribuinte o direito à utilização do respectivo saldo negativo, ultrapassando se o mero equívoco no preenchimento da DCOMP. Número do Processo 13884.721654/201428 Nº Acórdão 1201001.649 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 (...) .COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo.Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal.A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Portanto, devese reconhecer, na composição do saldo negativo as estimativas, inclusive as pagas via compensação, no valor de total de R$23.819.075,72, ante ao valor de R$17.399.977,77 reconhecidos no despacho decisório. Contudo, mesmo com o reconhecimento desta parcela das estimativas, os créditos não quitam o IRPJ devido no anocalendário, motivo pelo qual não há como dar provimento ao Recurso Voluntário. Por fim, devese afastar, sem maiores delongas, o argumento do contribuinte "pela impossibilidade de lançamento e cobrança de crédito tributário apurado por estimativa após o término do ano calendário". É que, ao não homologar as compensações, pelo não reconhecimento do direito creditório, não se está lançando e cobrando o crédito tributário apurado pelo pagamento das estimativas. A não homologação é pelo não reconhecimento do crédito, que era formado pelas estimativas. O que se cobra, quando da não homologação da compensação, são os débitos indicados nos respectivos PerDcomp's. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 617 15 A par de toda a discussão, pela impossibilidade de lançamento das estimativas após o encerramento do anocalendário, devese deixar claro que estas não estão sendo lançadas e cobradas com nãohomologação das compensações. Repitase: o débito cobrado é o apontado nos pedidos de compensação. E se as estimativas forem os débitos que se pretendia pagar, fica mais clara a fragilidade dos argumentos da Recorrente. Como bem colocado no acórdão recorrido, a "estimativa é cobrada dentro de um contexto de compensação não homologada". Entender como quer o contribuinte, é jogar por terra todo o procedimento de compensação, na medida em que a Fazenda Pública estaria impedida de cobrar as estimativas, pagas com créditos próprios do contribuinte e que foram indicadas no pedido de compensação como débitos. Ilógico o raciocínio defendido pelo Recorrente, data venia. Por fim, devese afastar, sem maiores delongas, o argumento do contribuinte "pela impossibilidade de lançamento e cobrança de crédito tributário apurado por estimativa após o término do ano calendário". É que, ao não homologar as compensações, pelo não reconhecimento do direito creditório, não se está lançando e cobrando o crédito tributário apurado pelo pagamento das estimativas. A não homologação é pelo não reconhecimento do crédito, que era formado pelas estimativas. O que se cobra, quando da não homologação da compensação, são os débitos indicados nos respectivos PerDcomp's. A par de toda a discussão, pela impossibilidade de lançamento das estimativas após o encerramento do anocalendário, devese deixar claro que estas não estão sendo lançadas e cobradas com nãohomologação das compensações. Repitase: o débito cobrado é o apontado nos pedidos de compensação. E se as estimativas forem os débitos que se pretendia pagar, fica mais clara a fragilidade dos argumentos da Recorrente. Como bem colocado no acórdão recorrido, a "estimativa é cobrada dentro de um contexto de compensação não homologada". Entender como quer o contribuinte, é jogar por terra todo o procedimento de compensação, na medida em que a Fazenda Pública estaria impedida de cobrar as estimativas, pagas com créditos próprios do contribuinte e que foram indicadas no pedido de compensação como débitos. Ilógico o raciocínio defendido pelo Recorrente, data venia. Por todo exposto, no mérito, votase por reconhecer, na composição do saldo negativo as estimativas, inclusive as pagas via compensação, no valor de total de R$23.819.075,72, mas por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. . DA COBRANÇA DE MULTA E JUROS. Em argumento subsidiário, o Recorrente afirma que, no presente caso, não haveria autorização legal para cobrança de juros e multas incidentes sobre os débitos, uma vez que, em síntese, "comprovada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objetos dos referidos processos administrativos". Fl. 624DF CARF MF 16 Neste ponto, contudo, o Recurso Voluntário não pode ser conhecido, uma vez que não se discute, no presente processo, os débitos confessados nos pedidos de compensação. Há de se ressaltar, contudo, que a compensação extingue o crédito tributário, mas existe uma condição resolutória, que é justamente a homologação expressa ou tácita do pedido do contribuinte. Não sendo homologada a compensação, não há dúvidas de que o débito não foi extinto, estando sujeito, portanto, aos encargos legais previstos na legislação em caso de não pagamento ou pagamento a destempo do débito. O artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 previa expressamente a cobrança do tributo indevidamente compensado, com os devidos acréscimos legais. Vejase: Art.44. O sujeito passivo será cientificado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de não homologação. (...) Art.45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Assim, neste ponto, NÃO SE CONHECE do Recurso Voluntário. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC E DOS JUROS SOBRE MULTA. Por fim, no Recurso Voluntário, o Recorrente se manifesta pela impossibilidade de aplicação da taxa SELIC para correção dos créditos tributários e pela impossibilidade de incidência de juros sobre as multas aplicadas. Mais uma vez, o Recurso Voluntário não pode ser conhecido, uma vez que as argumentações do Recorrente são quanto aos débitos indicados nos pedidos de compensação. Ademais, mesmo que se pudesse conhecer do Recurso Voluntário, as duas discussões postas já foram debatidas e sumuladas no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se depreende dos excertos abaixo. Confirase: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desta forma, também NÃO SE CONHECE do Recurso Voluntário, quanto aos argumentos subsidiários apresentados. CONCLUSÕES Por todo o aqui exposto, decidese por: POR RECONHECER, na composição do saldo negativo as estimativas, inclusive as pagas via compensação, no valor de total de R$23.819.075,72, mas por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 16048.720072/201393 Acórdão n.º 1302003.463 S1C3T2 Fl. 618 17 NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, nos argumentos subsidiários apresentados no Recurso Voluntário, como demonstrado em tópicos específicos. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.941538/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
INSUMO. CONCEITO. REGIME NA~O CUMULATIVO.
O conceito de insumo deve ser aferido a` luz dos crite´rios da essencialidade ou releva^ncia, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importa^ncia de determinado item bem ou servic¸o para o desenvolvimento da atividade econo^mica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR).
DIREITO AO RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Nos termos do Código Tributário Nacional apenas créditos líquidos e certos são passíveis de ressarcimento.
NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO.
Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar as glosas referentes aos serviços laboratoriais e de análises microbiológicas.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 INSUMO. CONCEITO. REGIME NA~O CUMULATIVO. O conceito de insumo deve ser aferido a` luz dos crite´rios da essencialidade ou releva^ncia, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importa^ncia de determinado item bem ou servic¸o para o desenvolvimento da atividade econo^mica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). DIREITO AO RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos termos do Código Tributário Nacional apenas créditos líquidos e certos são passíveis de ressarcimento. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.941538/2012-11
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5980552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.711
nome_arquivo_s : Decisao_10880941538201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 10880941538201211_5980552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar as glosas referentes aos serviços laboratoriais e de análises microbiológicas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7675267
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661250854912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.840 1 1.839 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.941538/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.711 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente MARFRIG GLOBAL FOODS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). DIREITO AO RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos termos do Código Tributário Nacional apenas créditos líquidos e certos são passíveis de ressarcimento. NÃOCUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 15 38 /2 01 2- 11 Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.841 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar as glosas referentes aos serviços laboratoriais e de análises microbiológicas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 673 a 695) interposto pelo Contribuinte, em 26 de setembro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 10058.820 (fls. 657 a 667), de 15 de maio de 2017, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 612 a 630) Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O contribuinte em epígrafe foi alvo de fiscalização que teve seu início com o Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 159) com suas devidas prorrogações e o Termo de Intimação das fls. 161 a 162. Os períodos de apuração compreendidos nesse MPF eram de setembro de 2010 a setembro de 2011. O objetivo desse procedimento era analisar pedidos de ressarcimento de créditos formalizados pelo contribuinte, sendo que esses autos se referem ao 1º trimestre de 2011, onde era auditado o PER/DCOMP no 35268.01670.310112.1.1.094759. Durante a fiscalização foi solicitado ao contribuinte documentação fiscal e contábil, além de esclarecimentos, como, por exemplo, memorial de cálculo ou demonstrativo par apuração do crédito declarado em DACON das contribuições relacionadas ao PIS e à Cofins dos períodos de julho de 2010 a setembro de 2011. Encontramse juntados a esses autos: relatório de notas fiscais de entrada com data, número, espécie, CFOP, fornecedor, descrição, quantidade, preço, valor contábil e base de cálculo (fls. 2 a 149); demonstrativo de apuração de créditos (fls. 150 a 158); DACONs (fls. 163 a 240); entre outros. Constam nos autos peças judiciais referentes ao processo no 0022920 88.2014.4.03.6100, onde o contribuinte pleiteia a garantia do direito a manutenção Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.842 3 da opção ao benefício concedido pelo art. 33 da Lei no 13.043/2014 (fls. 253 a 603). A análise do crédito pela DRF jurisdicionante deveria ser feita em 30 dias contados da data da sentença proferida. Com base nesses elementos à fiscalização elaborou a Informação Fiscal das fls. 241 a 252. No caso desses autos o contribuinte em questão, através do PER/DCOMP pleiteava um crédito a ressarcir de R$ 19.083.885,37, a título de Cofins exportação. Em tal informação é esclarecido que a MARFRIG tem como atividade econômica o abate de bovinos (frigorífico) e as aquisições de insumos para industrialização são as que geram a maior fatia de seus créditos na nãocumulatividade (compra de bovinos para abate, embalagens e outros bens utilizados no processo produtivo). O trabalho fiscal verificou as rubricas que deram origem aos créditos pleiteados, em confronto com os livros e documentos fiscais e contábeis, bem como com os arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte no formato SINTEGRA, SPED, planilhas Excel e aplicativo CONTÁGIL. O método para a apuração dos créditos ficou vinculado a proporção das receitas auferidas no mercado interno e no de exportação, constatandose que os índices de rateio aplicados pelo contribuinte foram corretamente apurados. Também não foram encontradas irregularidades nas notas fiscais de compras de bens para revenda. Porém no tocante aos bens utilizados como insumos foram identificados valores superiores aos montantes existentes nos arquivos magnéticos de notas fiscais, ficando evidenciada uma grande discrepância entre os DACONs e os valores que serviram de base de cálculo para os pedidos de ressarcimento. Outra questão tratou do crédito presumido incidente sobre a venda de produtos pecuários e da aquisição de tais produtos na agroindústria. Essa verificação tem como base os arquivos magnéticos de notas fiscais e da contabilidade apresentados pelo contribuinte, discorrendo a Informação Fiscal sobre os dispositivos legais pertinentes para a definição da apuração desse crédito presumido. Conclui a fiscalização que sobre tais créditos presumidos não poderia haver ressarcimento ou compensação por meio do PER/DCOMP, mas somente através de uma petição ou declaração efetuada em meio papel (fls. 247 a 248). A respeito dos serviços utilizados como insumos foi observado pela fiscalização que o contribuinte teria se apropriado indevidamente de despesas não caracterizadas como insumos, as quais foram glosadas. Os montantes apurados pelo contribuinte referentemente à despesas de energia elétrica, e de armazenagem e fretes sobre vendas foram entendidos como corretos pela fiscalização. Sobre as devoluções de vendas teve que se ter um tratamento a parte, pois não haveria de se falar em rateio proporcional nesta rubrica para apropriação de créditos vinculados às receitas do mercado externo. Com base em toda a auditoria foi proposto o deferimento parcial do crédito requerido pelo contribuinte. Dessa forma, apurouse de crédito de Cofins Mercado Externo do 1o trimestre de 2011 um valor de R$ 6.351.790,83. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.843 4 O Despacho Decisório das fls. 604 a 607 deferiu parcialmente o crédito requerido conforme as conclusões da citada Informação Fiscal, homologando as compensações transmitidas pelo interessado até o limite do valor reconhecido. A ciência do Despacho Decisório se deu de acordo com o Termo de Abertura de Documento na Caixa Postal, em 29/02/2016 (fls. 608 a 610). A manifestação de inconformidade foi apresentada em 23/03/2016 (conforme Termo de Solicitação de Juntada da fl. 611), às fls. 612 a 630, onde em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: QUE a fiscalização teria discordado da manutenção dos créditos das seguintes rubricas: a) bens utilizados como insumos; b) serviços utilizados como insumos; c) devoluções de vendas. QUE no tocante as glosas de bens utilizados como insumos entende ter direito as mesmas. A fim de comprovar esse direito creditório protesta pela posterior juntada dos documentos para comprovar o seu pleito. QUE as glosas dos serviços utilizados como insumos se referiam a serviços de laboratório, serviço de inspeção fiscal (SIF) e análises microbiológicas. Discorda no sentido que entende que pode se aproveitar desses créditos, pois estaria amparado no inciso II, do art. 3o, das Leis no 10.637/02 e no 10.833/03. QUE o SIF teria caráter de inspeção sanitária. Já os serviços de laboratório e de análises microbiológicas seriam essenciais e obrigatórios nos frigoríficos porque serviriam para analisar a qualidade dos insumos e matériasprimas adquiridas. Cita decisão do CARF que entende reconhecer o direito a esses créditos. QUE sobre a natureza jurídica dos créditos de PIS e de Cofins não há correlação com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI. Para essas contribuições entende se aplicar o chamado “método indireto subtrativo”. Defende que os créditos de PIS e de Cofins se tratam de créditos outorgados, em sentido lato, revestindose de características de subvenção estatal. QUE se nos termos da legislação o PIS e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas da pessoa jurídica, os créditos devem ser calculados sobre os custos e as despesas inerentes à atividade geradora dessa receita, sob pena de aumento excessivo da carga tributária. Aponta que não há como se restringir o conceito de insumo. QUE sobre a interpretação do conceito de “insumo” e de “produção” à luz da atividade econômica do contribuinte faz diversas considerações, discorrendo que não existe um sentido técnico para esses dois termos no campo legal de incidência do PIS e da Cofins. Aduz que o conceito aqui de insumo deve ser interpretado sob a ótica da ciência econômica, citando o Regulamento do Imposto de Renda. Argumenta que todos valores glosados seriam utilizados no seu processo produtivo, pois seriam indispensáveis ao mesmo. QUE para demonstrar a utilização direta dessas despesas aplicáveis sobre os bens que produz e industrializa, protesta pela juntada de dossiê que estaria sendo preparado. Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.844 5 QUE no tocante às devoluções de vendas a fiscalização teria considerado somente aquelas tributadas no mercado interno protesta pela juntada posterior de documentos que comprovarão o seu direito ao crédito. POR FIM, requer que seja recebida e processada sua manifestação de inconformidade, dandose provimento para: a) suspender a exigibilidade do crédito tributário de acordo com o disposto no inciso III, do art. 151, do CTN; b) reformar parcialmente o Despacho Decisório, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório postulado, homologandose todas as suas declarações de compensação. Protesta, ainda, pela juntada posterior de eventuais documentos a fim de corroborar todas as argumentações que expôs. Tendo em vista a decisão supracitada, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário visando reformar o referido Acórdão. Posteriormente, em 28 de março de 2018, o Contribuinte apresentou Manifestação (fls. 1111 a 1116) acerca do procedimento de compensação de ofício pretendido pela Fiscalização. Encontramse nos autos Recibos de Pedido de Parcelamento da Reabertura da Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009 às fls. 117 e seguintes. Em 20 de setembro de 2017 o Contribuinte apresentou dois Requerimentos (fls.1203 a 1214) com Pedido de Revisão de Consolidação de Parcelamento – REFIS Reabertura – Lei nº 12.865/2013, Débitos Previdenciários e Demais Débitos. Encontramse nos autos vários documentos referentes a Recibo de Consolidação de Modalidade de Parcelamento da Lei 12.996/2014 de Demais Débitos no Âmbito da RFB (fls. 1224 e seguintes). Às fls. 1820 encontrase o Recibo de Adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária – Demais Débitos. Às fls. 1827 encontrase o Recibo de Adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária para Débitos Previdenciários. A Compensação de Ofício, tendo em vistas o Mandado de Segurança 502282480.2017.4.3.6100, encontrase às fls. 1837. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 10058.820 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.845 6 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. DIREITO AO RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos termos do Código Tributário Nacional apenas créditos líquidos e certos são passíveis de ressarcimento. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou a prova refirase a fato superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento com correspondente Pedido de Compensação (PER/DCOMP) relativo a créditos de COFINS nãocumulativo referentes às receitas de exportação do 1º trimestre de 2011. A administração fiscal entendeu pelo deferimento parcial e glosou parte dos créditos, confirmado pela DRJ, referentes às seguintes rubricas da DACON: a) serviços utilizados como insumos, b) bens utilizados como insumos, e, c) devolução de vendas. O Contribuinte em seu recurso, em sede de preliminar, trata da verdade material no processo administrativo e diante disso, requer a juntada de documentos a qualquer tempo. O entendimento desta Turma é no sentido de um formalismo moderado e que assim atende o princípio da verdade material, mas acontece que no presente feito, o Contribuinte não junta em sede de recurso voluntário nenhum documento novo, apenas alega genericamente que: Desse modo, a ora Recorrente pugna pela posterior juntada dos documentos que comprovam que os procedimentos de compensação realizados estão efetivamente corretos, devendo ser reconhecido em sua integralidade os créditos pleiteados. Percebese que o Contribuinte não demonstra e não os junta ao processo qual ou quais documentos que comprovam o seu direito de crédito alegado. Assim, voto por negar provimento nesta preliminar. No que tange ao mérito, o Contribuinte trata por primeiro dos serviços utilizados como insumos: Laboratório, Análise Microbiológicas e Serviço de Inspeção Federal. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.846 7 Em relação a estes serviços utilizados valhome da decisão proferida no Acórdão nº 3201003.777, como razões para decidir: A fiscalização também glosou créditos derivados da aquisição de servico̧s, quais sejam, despesas com laboratórios, Servico̧ de Inspeçaõ Federal e análises microbiológicas. Temos, no entanto, o entendimento, em consonância com recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, na sistemática dos recurso repetitivos (portanto, de observância obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), que as despesas com laboratórios e em análises microbiológicas devem ser consideradas insumos, para o efeito de permitir o creditamento na sistemática do PIS/Cofins não cumulativo. A Recorrente, como se sabe, é uma indústria de produtos de origem animal destinados à alimentação humana, de forma que submetese a rigorosos requisitos de controle sanitário. Tais despesas, por óbvio, atendem aos critérios de essencialidade e relevância adotados pelo Tribunal nos autos do Recurso Especial nº 1.221.170/PR: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVAN̂CIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE P ARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuicõ̧es denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.847 8 para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Concordamos, porém, com a glosa referente às despesas com o Serviço de Inspeção Federal SIF, as quais não podem ser enquadradas como insumo. Além do mais, este Servico̧ constitui um sistema de controle do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, e suas receitas não se submetem ao pagamento do PIS/Cofins, daí a impossibilidade de creditamento (art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). Desta forma, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte para reverter as glosas apenas quanto às despesas com laboratórios e em análises microbiológicas e mantendo as glosas quanto ao Serviço de Inspeção Federal – SIF. Por segundo o Contribuinte tece considerações acerca da natureza jurídica dos créditos de PIS e COFINS; da interpretação do conceito de insumo e produção à luz da atividade econômica que desenvolve; e, da acepção e terminologia insumo. Diante disso postula acerca dos bens utilizados como insumos (fls. 693): Ocorre que, ao contrário de tal posicionamento, todos os produtos adquiridos pela Recorrente correspondem a insumos utilizados no processo produtivo, possibilitando desta forma, o creditamento dos valores ora glosados pela Fiscalização. Com a devida vênia as considerações do Contribuinte, entendo correta as glosas efetuadas quanto aos produtos adquiridos visto que não foi comprovado por intermédio de documentos o alegado direito a crédito. Neste sentido reproduzo trecho da decisão ora recorrida que bem expressa a matéria: 1. Das glosas de bens utilizados como insumos Nesse tópico o manifestante simplesmente diz entender que tem direito ao crédito protestando pela posterior juntada de documentos para a comprovação do seu pleito. A solicitação de posterior apresentação dos documentos comprobatórios foi freqüente em toda a sua contestação, e, por isso será objeto de análise em item especial. Observese que até o momento em que está sendo realizado esse voto para fins de julgamento dos autos, o contribuinte não apresentou nenhum elemento que dessa guarida ao direito creditório requerido. Portanto, tais créditos não possuem liquidez e certeza, e, dessa forma, devem ser mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. Com isso considerado, voto por negar provimento ao recurso mantendo as glosas de bens feitos pela fiscalização. Por último, o Contribuinte requer o afastamento das glosas quanto aos créditos sobre devoluções de vendas. Entendo que para afastar a glosa teria que o Contribuinte comprovar que se trata de a) devolução de venda e, conjuntamente, b) que a venda tenha integrado o faturamento do mês anterior tendo sido tributada. Assim, cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls. 666): 3. Das devoluções de vendas Mais uma vez a MARFRIG diz que irá juntar posteriormente documentos que comprovarão o seu direito ao crédito. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10880.941538/201211 Acórdão n.º 3301005.711 S3C3T1 Fl. 1.848 9 A Informação Fiscal deixa claro que a apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quanto esse tipo de operação é tributável, o que não ocorre nas vendas para exportação. Somente seriam passíveis aquelas realizadas no mercado interno. Não esqueçamos que o crédito aqui pleiteado se refere à Cofins exportação. Esclarece ainda a fiscalização: “Como decorrência, esse crédito deve ser tratado a parte já que deve existir uma relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento em mesmo montante e tipo de crédito no caso de eventual devolução desta venda. Não há, portanto, que se falar em rateio proporcional nesta rubrica e apropriação de créditos vinculados às receitas do mercado externo”. Não existem motivos para se alterar o que foi disposto no Despacho Decisório. A legislação de regência, no caso a Lei nº 10.833/2003 estabelece de forma precisa que o Contribuinte pode se creditar de devolução, desde que seja devolução de venda e que esta venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, obviamente que tenha sido tributada. Assim prescreve a referida Lei: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 20 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Assim, voto por negar provimento do recurso, mantendo as glosas das devoluções de vendas. Conclusão Assim considerado, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para permitir o creditamento apenas sobre as despesas realizadas com serviços laboratoriais e análises microbiológicas. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1848DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.906116/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.906116/2012-12
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5978400
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.031
nome_arquivo_s : Decisao_16682906116201212.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 16682906116201212_5978400.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7671185
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661255049216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 526 1 525 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.906116/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.031 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 61 16 /2 01 2- 12 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 527 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, declarando a compensação com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo PIS Não cumulativo, código da receita 6912, referente ao período de apuração 30/11/2006, no valor de R$ 20.827,73, contida em pagamento efetuado em 15/12/2006, no valor de R$ 20.827,73. Utilizando o mesmo tipo de crédito relativamente ao fato gerador em questão foram transmitidas as declarações de compensação, abaixo discriminadas: Despacho Decisório da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes DEMAC Rio de Janeiro reconheceu parcialmente o direito creditório homologando parcialmente a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido,doc. de fls. 50/51. O Despacho Decisório considerou a fundamentação bem como, as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização constantes no Termo de Verificação Fiscal e demais documentos às fls. 12 a 49 Referido Termo de Verificação Fiscal, doc. de fls. 32 a 49, com base nos Demonstrativos de Apuração e Utilização dos créditos relativos a contribuição em questão, apurou que o contribuinte não aplicou corretamente a legislação em vigor e apropriou Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 528 3 indevidamente créditos de PIS e COFINS não cumulativos referente aos períodos de 08/2005 a 12/2010, conforme abaixo discriminado: I. Despesas com Frete nas Operações de Vendas; II. Divergências Constatadas nas Bases de Cálculo da Empresa; III. Demais Ajustes nas Bases de Cálculo da Empresa; IV. Ajustes Positivos e Negativos de Créditos; V. Apuração de Créditos nas Competências 05/2008, 04/2009 e 05/2009; O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese a seguir. 1. Quanto aos Fatos argumenta que: 1.1. Efetuou o recolhimento da contribuição por meio de DARF, bem como cumpriu as demais obrigações acessórias preenchendo o Demonstrativo de Contribuições Social DACON e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; 1.2. Posteriormente reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos da Contribuição e que por um lapso deixou de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; 1.3. Após os procedimentos de revisão constatou que em decorrência do aproveitamento dos referidos créditos resultou na inexistência de débito apurado e retificou o DACON e DCTF; 1.4. Reproduz os procedimentos de apuração para análise do crédito objeto do Despacho Decisório em questão; 1.5. O fisco deveria ter constituído o montante apurado por meio de lançamento, facultando ao contribuinte a apresentação de impugnação caso discorde da autuação fiscal; 1.6. Inexiste na legislação qualquer autorização que permita a realização do "encontro de contas" como procedeu a fiscalização; 1.7. Não existe razão para a fiscalização desconsiderar os créditos da contribuição apurados pela Requerente sobre despesas de frete nas operações de vendas de produtos sujeitos ao regime monofásico que foram adquiridos para revenda; 1.8. Esses são os fatos e fundamentos que sustentam a reforma do despacho decisório ora combatido. 2. Quanto ao Mérito. Da Insubsistência do Procedimento adotado pela Autoridade Fiscal alega que: Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 529 4 2.1. Nos termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de fato gerador de uma obrigação tributária, cabe a ela, de forma vinculada, efetuar o lançamento, para fins de constituição do crédito tributário por ela apurado; 2.2. A fiscalização procedeu a um "encontro de contas", sem o devido atendimento ao disposto no artigo 142 do CTN, como também afrontou os princípios da ampla defesa e do contraditório, constitucionalmente garantidos; 2.3. Caso as autoridades administrativas pretendessem a utilização do crédito pleiteado na DCOMP objeto do presente processo administrativo deveriam ter intimado a Requerente para manifestação acerca da aceitação ou não de tal compensação; 2.4. O procedimento da compensação de ofício, nos termos do Decreto nº 2.138/1997, prevê a prévia intimação do contribuinte para que se manifeste sobre a aceitação ou não da compensação; 2.5. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem afastando situações nas quais as autoridades administrativas pretenderem indevidamente rever a apuração das contribuições para o PIS e COFINS no contexto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação, sem a necessária constituição, por meio de lançamento, do eventual débito apurado. Nesse sentido reproduz ementa proferidas pela CARF, bem como trecho do voto do Conselheiro Alexandre Gomes; 2.6. Sendo assim, considera incorreto o procedimento adotado pelas autoridades administrativas no caso ora analisado. 3. Ainda quanto ao Mérito. Do aproveitamento de Créditos de Pis e de Cofins sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico alega que: 3.1. Restará demonstrado que não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de crédito de PIS e COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; 3.2. É necessária a análise dos artigos 3º, das Lei nºs 10.837/2002 e Lei 10.833/2003, que tratam da possibilidade de o contribuinte descontar créditos de PIS e de COFINS. Reproduz o artigo 3º, com ênfase para o inciso IX que trata de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; 3.3. Esse entendimento é reforçado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 que prevê a garantia do direito ao aproveitamento de crédito nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero). Reproduz nesse sentido lição de Fábio Luís Florentino e Ricardo Braghini; Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 530 5 3.4. A própria Receita Federal por meio das Soluções de Consulta nºs 37/2006 e 178/2008 entende que o distribuidor atacadista de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal faz jus aos créditos do regime não cumulativo das contribuições pelo fato de que tais créditos não abrangem as aquisições, para revenda, das mercadorias em questão. Também reproduz ementas de Acórdãos proferidos em outros processos administrativos; 3.5. Fica clara a permissão para o aproveitamento de créditos relativos a custos, despesas e encargos, inclusive fretes, relacionados à venda dos produtos sujeitos à apuração monofásica; 3.6. As Medidas Provisórias nºs 413/2008 e 451/2008, o Poder Executivo buscou limitar a apropriação de créditos do PIS e da COFINS sobre os custos, despesas e encargos vinculados à receitas de venda de produtos monofásicos; 3.7. Referidas Medidas Provisórias não foram convertidas em lei, o que reforça o entendimento de que o objetivo do legislador sempre foi o de confirmar o direito do contribuinte apropriar créditos sobre custos vinculados à receita de venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, neles incluídos o custo de frete; 3.8. Dessa forma inexiste qualquer vedação ao aproveitamento, pela Requerente, de créditos de PIS e COFINS relativos a despesas com frete nas operações de venda de produtos adquiridos para revenda, cujo ônus foi por ela suportado; 3.9. Por essa razão, não resta dúvida de que deve ser reformado o despacho decisório. Por fim requer seja reconhecido integralmente o direito creditório e conseqüentemente seja homologadas todas as compensações objeto deste processo administrativo." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2006 APURAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE LANÇAMENTO. Quando da análise da liquidez e certeza do suposto crédito pleiteado somente é passível de lançamento para exigência de crédito tributário quando for apurado valor superior do débito declarado e confessado pelo Contribuinte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 531 6 A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela MP nº 135/03. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. FRETES NA VENDA. PRODUTOS TRIBUTADOS COM INCIDÊNCIA CONCENTRADA/MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Pessoa jurídica que, na espécie, atua no ramo de venda por atacado de produtos farmacêuticos, de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, sujeitos ao modelo monofásico de incidência nãocumulativa do PIS e da Cofins, não pode, tendo em vista expressa vedação legal, apurar créditos relativos às despesas de frete na venda dos aludidos produtos, ainda que os fretes tenham sido por ela suportados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Inexistindo contestação referente ao motivo da não homologação da compensação, deverá ser considerada não impugnada a matéria tornandose definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de PIS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de PIS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração do PIS por ela devido com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de PIS; Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 532 7 (v) tendo havido a redução do débito de PIS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de PIS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos de PIS apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração do PIS, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito de PIS por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 533 8 (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos de PIS em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração do PIS de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 534 9 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/2011 21; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 535 10 A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/2008 51; Acórdão nº 3402006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 536 11 Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 537 12 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16682.906116/201212 Acórdão n.º 3201005.031 S3C2T1 Fl. 538 13 sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/2010 82; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.900267/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2011
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA
A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência.
Numero da decisão: 3201-005.071
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2011 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19395.900267/2015-25
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5984728
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.071
nome_arquivo_s : Decisao_19395900267201525.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 19395900267201525_5984728.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7687687
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661286506496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19395.900267/201525 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201005.071 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente FRATELLI COSULICH COMERCIO E SERVICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2011 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 02 67 /2 01 5- 25 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 19395.900267/201525 Acórdão n.º 3201005.071 S3C2T1 Fl. 0 2 Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) ele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que constatou a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, com a imputação do Darf em valor maior que o devido. Para comprovação do alegado, apresenta DCTF retificadora que corrige o erro cometido. Esse erro não causou danos aos cofres públicos e não invalida o crédito tributário, que está revestido de liquidez e certeza, conforme preceituam o art. 66 da Lei nº 9.069/95 e o inciso II do art. 165 do CTN. Cita decisão do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aceitação a qualquer tempo das retificações de erros materiais em declarações. Por fim, requer o regular processamento do procedimento compensatório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.278. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) que retificou em tempo hábil a DCTF; c) em Recurso Voluntário colaciona NFe´s demonstrando seu direito; É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19395.900267/201525 Acórdão n.º 3201005.071 S3C2T1 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.067, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 19395.900263/201547, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.067): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) caracterizase como instrumento de confissão de dívida, para os devidos efeitos tributários, conforme consta no seu próprio recibo de entrega e a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º. O Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), por sua vez, era o instrumento hábil para a consolidação e a apuração da contribuição para o fato gerador de 31/07/2011. O art. 165, II, do CTN, garante o direito à restituição do tributo no caso de erro no cálculo do montante do débito. Mas o art. 170 do CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá autorizar a compensação, nas condições e sob as garantias nela estipuladas, exigindo ainda que os créditos sejam líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Desse modo, o art. 170 do CTN não deixa dúvidas de que, para haver compensação de dívidas fiscais, tornase indispensável a sua autorização por lei específica, bem como que os créditos sejam líquidos e certos. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 19395.900267/201525 Acórdão n.º 3201005.071 S3C2T1 Fl. 0 4 Contudo, na Manifestação de Inconformidade em nenhum momento apresentou documento capaz de demonstrar tal direito, porém, em Recurso Voluntário colacionou diversas Notas Fiscais para demonstrar o erro que incorreu. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Porém, ao meu entender, os documentos carreados no Recurso Voluntário não tem o condão de demonstrar o direito ao Crédito do Contribuinte, não existindo conferir certeza e liquidez nos termos do art. 170 do CTN. Concluo, o voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721754/2015-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.738
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.721754/2015-08
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994332
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.738
nome_arquivo_s : Decisao_16682721754201508.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16682721754201508_5994332.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7707786
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661303283712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721754/201508 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.738 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto MULTA ISOLADA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO SA PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 75 4/ 20 15 -0 8 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721754/201508 Resolução nº 3201001.738 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16682.721754/201508 Resolução nº 3201001.738 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720077/2016-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
Intempestividade.
Interposto recurso com inobservância prazo legal. Ausência pressuposto recursal de regularidade. Não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar conhecimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 Intempestividade. Interposto recurso com inobservância prazo legal. Ausência pressuposto recursal de regularidade. Não conhecimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10740.720077/2016-65
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5982294
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.824
nome_arquivo_s : Decisao_10740720077201665.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10740720077201665_5982294.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar conhecimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7680263
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661331595264
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-01T23:32:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-01T23:32:37Z; Last-Modified: 2019-04-01T23:32:37Z; dcterms:modified: 2019-04-01T23:32:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:897d4ade-0cca-4790-bf91-8951ee2f3831; Last-Save-Date: 2019-04-01T23:32:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-01T23:32:37Z; meta:save-date: 2019-04-01T23:32:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-01T23:32:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-01T23:32:37Z; created: 2019-04-01T23:32:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-04-01T23:32:37Z; pdf:charsPerPage: 1213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-01T23:32:37Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 111 1 110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720077/201665 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.824 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria SIMPLES Recorrente SPERANDIO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO EPP LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 Intempestividade. Interposto recurso com inobservância prazo legal. Ausência pressuposto recursal de regularidade. Não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar conhecimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 77 /2 01 6- 65 Fl. 537DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ante ao julgamento de improcedência de manifestação de inconformidade face ato declaratório de exclusão da recorrente do SIMPLES. Por melhor retratar o todo processado procedo a transcrição do relatório da DRJ complementandoo no final no que necessário: A contribuinte em epígrafe foi excluída do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 88, de 10 de outubro de 2016, à fl. 50, em virtude da prática reiterada de infração à disposição da Lei Complementar (LC) nº 123, de 14 de dezembro de 2006, conforme previsto no inciso V do caput c/c incisos I e II do § 9o, todos do art. 29, apurada no processo fiscal nº 10783721033201656. Os efeitos da exclusão de ofício se deram a partir de 01/01/2015, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos próximos 10 (dez) anos seguintes, conforme disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 da LC nº 123, de 2006. Notificada do ato declaratório em 20/10/2016, conforme aviso de recebimento de fl. 397, a interessada, por seu procurador, apresentou, em 21/11/2016, a impugnação de fls. 470/488, na qual alegou, em suma: · a exclusão de ofício do Simples Nacional pelas alegações dos auditores não deve permanecer, isto porque, o deixar de recolher o tributo mensal devido deve ser precedido de notificação, antes de formalizar a exclusão, o que não ocorreu no presente caso, tornando ilegal, arbitraria e nula a exclusão; bem como a informação em PGDASD retificadora não foi homologada pela RFB, devendo ser notificada a Empresa Impugnante para recolhimento dos valores informados na PGDAS original, sem a formalização de Auto de Infração e, consequentemente, da presente exclusão de ofício do Simples Nacional. · não foram realizadas compensações indevidas na PGDAS, apenas havendo informações no campo de imunidade nesta Declaração, além do que foi com base nessas declarações que o auditorfiscal apurou a base de cálculo a ser tributada, ou seja, na PGDAS original, não sendo necessário fiscalização para realizar lançamentos de ofício, apenas não homologou a PGDAS retificadora; · os valores devidos do Simples Nacional, devidamente lançados na PGDAS, foram quitados através de processo de resgate de Título da Dívida Pública Externa, junto a STN, através de processos administrativos; nos quais é requerido o resgate dos créditos alocados na conta denominada Operações Especiais, Unidade Orçamentária 71.101, Número Obrigação SIAFI 001418, Operação Especial 0409, IDOC 2754, Lei Orçamentária 2012, com quitação conforme tabela mencionada nos COMPROTs anexos aos autos; · o procedimento da extinção da obrigação tributária dos débitos mencionados acima está vinculados em processo administrativo junto a STN, COMPROT sob o nº 011.101684.002365.2014.000.000, cuja origem é a Dívida Pública Externa Brasileira vencida e não paga, razãopela qual o artigo 1º e parágrafo único da Portaria SRF nº 913, de 25 de julho de 2002, prevê a extinção da obrigação tributária; · a Impugnante, por ser detentora de crédito financeiro, objeto de resgate com poder liberatório de pagamento, busca a extinção/pagamento de seus débitos tributários com os créditos com base na sistematização da Portaria 913/2002, com arrimo nos pleitos junto a STN; · com objetivo de simplificar os procedimentos, reduzindo custos operacionais da administração federal e gerando ganhos financeiros ao Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10740.720077/201665 Acórdão n.º 1402003.824 S1C4T2 Fl. 112 3 Tesouro Nacional a União, foi firmado termo de cooperação técnica entre a RFB e a STN, em que se remete à Conta Única do Tesouro Nacional parte dos recursos por ela (STN) devidos – (créditos da dívida pública brasileira), com a finalidade de, dentre outra, através do Sistema Integrado de Administração financeira do Governo Federal – SIAFI – órgão diretamente ligado a STN, efetuarse o recolhimento de tributos federais devidos por pessoas jurídicas, proporcionando enormes benefícios ao ente público, pelo fato de a renda apurada com o saldo financeiro quando da permanência dos recursos junto à conta única, ser totalmente revertida ao Erário, gerando benefícios ao ente público federal; · com isso, compete ao SIAFI administrar duas transações: a) pagamento, pelos órgãos da administração pública direta, autarquias e fundações de faturas relativas à prestação de serviços, e, b) recolhimento, por empresas, de tributos federais e contribuições previdenciárias, via Documento de Arrecadação de Receitas Federais – Darf e Guia de Previdência Social – GPS, eletrônicos; · no COMPROT há compensação de possível perda de arrecadação, pelos ganhos de remuneração dos valores das empresas mantidos na conta única e revertidos ao Tesouro Nacional, sendo que os procedimentos do sistema SIAFI ocorrem à luz dos dispositivos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 162, de 4 de novembro de 1988, que foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 181, de 25 de julho de 2002; · por não existir campo específico na PGDAS para efetivar a descrição e ocorrência da modalidade de pagamento pela sistematização da Portaria 913/2002 / dos tributos que se busca a extinção junto a STN, todo o procedimento foi informado através dos Informes protocolados na STN e na RFB, cujos valores e tributos inclusive foram declarados nos Livros obrigatórios, de acordo com os registros e controles das operações e prestações por ela realizadas, em que consta a real escrituração pela Impugnante, tudo conforme determina a Legislação em vigor; · não há dúvidas em que a utilização da sistematização do SIAFI por pessoas jurídicas não integrantes da administração pública, decorrente de termo de cooperação técnica, se regula com a edição da Portaria SRF nº 913, de 25 de junho de 2002; · por ser detentora de crédito financeiro, foi perseguido o pagamento de seus débitos tributários com os supracitados créditos, através de pleitos protocolados junto a STN, objetos dos COMPROTs anexos, na qual a Impugnante aguarda a tramitação final para que ocorra a extinção da obrigação tributária; · após os informes / informação de pagamentos dos tributos na STN, com a abertura do Processo Administrativo / COMPROT nº 011.101684.002365.2014.000.000/ a Impugnante protocolou referidos documentos na Receita Federal do Brasil, no Processo Administrativo, confessando seus débitos e informando o imediato pagamento, na qual a RFB tem ato vinculado pela decisão da STN frente aos tributos indicados; Fl. 539DF CARF MF 4 · requer a nulidade absoluta do lançamento fiscal, haja vista que a RFB não detém de competência acerca da liberação dos Recursos / crédito com poder liberatório de pagamentos de tributos, nos moldes da sistematização pela Portaria 913/2002, visto que a STN é quem detém da competência para decidir acerca da liberação dos recursos e por consequência da extinção da obrigação tributária; · a formalização do auto de infração junto a impugnante é forma de lançamento tributário nos moldes do artigo 142 do CTN., motivo pelo qual apresenta sua Impugnação nos moldes do artigo 151, III do CTN, haja vista que foi alterado o quadro fiscal do autolançamento das referidas PGDAS, pela qual não houve aceitação da modalidade de pagamento na forma perseguida pela Impugnante, tudo isso se fazendo presentes os princípios dos direitos constitucionais, dentre eles do devido processo administrativo e da ampla defesa e contraditório; · instaurado o auto de infração frente a Impugnante, resta configurado o direito à ampla defesa e o contraditório administrativo, nos moldes do Decreto nº 70.235/1972 c/c Lei n° 9.784/99, e ainda, com alterações pelas Leis nº 11.457/2007 e nº 11.941/2009; com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente de julgamento a presente Impugnação nos termos do artigo 151, III do CTN; · clara está a necessidade de, caso a RFB não concorde com a modalidade de confissão e pagamento, através do campo da imunidade com os créditos mencionados, que inicie a abertura de um processo administrativo fiscal, amparado na Lei do Processo Administrativo – Lei nº 9.784/99 e Lei nº 123/2006 e Decreto n° 70.235/72, e nos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório, com a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário, para averiguar as informações da confissão e as questões do pagamento através da compensação; · os princípios constitucionais são encontrados na Legislação infraconstitucional, que estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta (Lei nº 9.784, de 1999, arts. 2o, 5o e 6o); · a Empresa Impugnante tem direito, garantido constitucionalmente e infraconstitucional, de ter o devido processo administrativo fiscal, bem como o direito ao duplo grau de jurisdição administrativa. · o procedimento adotado pela Empresa Contribuinte difere dos padrões comumente observados na relação contribuinte/Receita Federal: A uma, porque se utilizou de um crédito financeiro para efetuar a extinção do débito tributário; a duas, porque, ainda que esteja obrigado a declarar a extinção ocorrida, a ferramenta digital disponibilizada pela RFB não contempla nenhuma forma possível de que esta informação seja prestada de forma correta, razão pela qual o contribuinte é obrigado a utilizar outros meios para formalizar referidas informações, sob o cuidado de não sofrer a cobrança indevida do débito, uma vez que a RFB não detém elementos para confirmar a efetivada extinção da obrigação tributária; · na exclusão do Simples Nacional o que o legislador infraconstitucional fez foi violar os princípios inseridos em nossa Constituição Federal de 1988 destinados às micros e pequenas empresas, e segundo a doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello, em sua obra Elementos de Direito Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10740.720077/201665 Acórdão n.º 1402003.824 S1C4T2 Fl. 113 5 Administrativo, que conceitua e destaca a importância dos princípios para o direito, a violação poderá trazer graves consequência · a violação a um princípio, como bem comentado na doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, é fazer com que todo o sistema jurídico possa ser desmantelado, em face de agressão sofrida em suas estruturas mestras, em sua espinha dorsal. Analogicamente podemos concluir que seria como se atingíssemos a estrutura de um edifício, o que o levaria fatalmente a ruir ou o deixaria com profundas sequelas podendo ser inutilizado para o seu uso. · caso a Empresa Contribuinte não tenha o referido benefício, deixarão de existir, ou migrarão para a informalidade, pois, não conseguirão competir (ainda de forma desigual) com as médias e grandes empresas. · a exclusão das micro e pequenas empresas da sistemática do Simples Nacional, impondolhe a obrigatoriedade de optar por outra sistemática de tributação, viola outro princípio constitucional, o da capacidade contributiva, pois, estas sistemáticas são muito mais onerosas que o Simples Nacional. · este é o verdadeiro tratamento favorecido, diferenciado e simplificado que o legislador estabeleceu para as microempresas e empresas de pequeno porte em nosso país, ou seja, quem não tem condições de pagar seus tributos em dia dever ser onerado com uma carga tributária mais elevada, ou seja, tributada pelo Lucro Presumido ou Real, o que poderá leválas ao estado falimentar ou para a informalidade, o que não é o objetivo declarado em nossa Constituição Federal. · prevendo as possíveis dificuldades que às micros e pequenas empresas pudessem passar, a Constituição Federal do Brasil de 1988 estabeleceu princípios que devem ser seguidos pelos legisladores de todos os níveis da federação, especialmente quanto ao tratamento favorecido, diferenciado e simplificado destinado às microempresas e empresas de pequeno porte, conforme podemos extrair dos artigos 170, inciso IX, e 179, in verbis: · o legislador constituinte quis proteger as empresas de pequeno porte para que pudessem se desenvolver e competir com as empresas normais (médio e grande porte) em igualdade de condições, sendo que para alcançar está igualdade o legislador estabeleceu vários campos de atuação, em especial o administrativo, tributário, previdenciário e creditício. · não há como conceber outro tratamento para aquelas empresas, no caso a Empresa Contribuinte, pois, se não possuam os benefícios constitucionalmente garantidos, não sobreviveriam ao mercado, em que os maiores competidores acabam aniquilando os pequenos em face das vantagens competitivas que aqueles empreendimentos possuem, seja na obtenção de créditos, quase sempre subsidiados pelo governo via BNDS, BRDE, BADESC, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, entre outras tantas instituições financeiras que fomentam a produção, além das vantagens produtivas com os ganhos de escala, onde as médias e grandes empresas conseguem produzir mais por um custo menor, pois, toda a cadeia produtiva ao seu redor acaba sendo influenciada pelas suas políticas de compras, vendas, qualidade, entre outras, benefícios estes que Fl. 541DF CARF MF 6 uma empresa de pequeno porte não possui, sendo imprescindível a aplicação dos princípios constitucionais de tratamento favorecido, diferenciado e simplificado para que as pequenas empresas possam permanecer vivas e cumprindo com o seu papel social. Tratase de questão de equidade, que também é um princípio constitucionalmente garantido. · o legislador tem obrigação de proteger as empresas de pequeno porte, pois é princípio constitucional conceder tratamento favorecido, diferenciado e simplificado para elas. · tais dados empíricos adquirem real importância a defesa aqui apresentada na medida em que, do ponto de vista econômico, uma microempresa ou empresa de pequeno porte que, estando apta a optar pelo regime tributário simplificado, não estiver nele enquadrada ou dele for excluída terá enorme dificuldade de sobreviver no mercado. · a Empresa Contribuinte não pode ser excluída de ofício do Simples Nacional, não podendo se falar em imediata exclusão, em virtude dos princípios constitucionais estampados na Lei Complementar nº 123/2006, conforme transcrito acima; · houve a confissão do crédito tributário nos livros contábeis obrigatórios, bem como informação na PGDAS original dos reais valores, que, caso não fosse deferida a retificação da PGDAS pela RFB, esta notificaria e efetuaria a cobrança dos débitos, com o posterior pagamento na modalidade descrita, motivo pelo qual ilegal o arbitramento da multa de 150% [cento e cinquenta por cento], com base o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos termos do artigo 21, § 8º da LC 123/2006, visto que houve o lançamento do débito, além do que não houve informação no campo de Compensação, não sendo cabível o auto de infração e consequentemente a multa; · é abusiva a autuação do contribuinte tão somente para o pretexto de constituir crédito tributário, que já está constituído pelo procedimento descrito, devidamente informado à RFB. Além do fato de que não houve informação no campo da compensação, para caracterizar como indevida e atribuir falsidade de declaração para aplicada da multa isolada em dobro, como preceitua o artigo da Lei Complementar 123/2006 descrito acima; não houve qualquer mentira ou ardil nos dados apresentados ao Fisco que concretizasse o intuito fraudulento para aplicação da multa isolada no patamar de 150% [cento e cinquenta por cento] e a responsabilização solidária dos sócios. Houve, isto sim, a realização de uma informação em PGDAS, no campo da Imunidade – por não haver campo específico – para informar o pagamento. jamais fraudulenta. Assim, a intenção manifesta de utilizar os créditos não admitidos pela Fazenda é incompatível com a ação ardilosa alegada pela fiscalização de informação falsa em PGDAS e/ou conduta dolosa. · ainda que passível a aplicação de multa, esta não pode ser a multa de ofício aplicada no auto de infração, mas tão somente, a multa por prestar informações com incorreções ou omissões, devendo ter sido intimado a fazêlo, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 38A da Lei Complementar 123/2006; · não poderia o Fisco iniciar Mandado de Procedimento Fiscal, com posterior formalização de Auto de Infração, sobre PGDAS declaração com informações com incorreções, conforme mencionado pela RFB, Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10740.720077/201665 Acórdão n.º 1402003.824 S1C4T2 Fl. 114 7 devendo não homologar a PGDAS retificadora, tornando com efeito da PGDAS principal, com envio de Carta de Cobrança; · não houve informação no campo da compensação na PGDAS para o Fisco caracterizar como compensação indevida e aplicar a multa isolada em dobra, nos termos do artigo 21, § 8º da LC 123/2006; mas sim informação no campo da Imunidade [por não haver específico], através de PGDAS retificadora, informando o pagamento com crédito financeiro e, nunca a informação de compensação. Assim, caso não concordasse com as informações prestadas em PGDAS retificadora, não efetivasse a homologação, enviando Carta de Cobrança dos débitos declarados na PGDAS original. · quem tipifica a infração que dá ensejo a aplicação da multa é o próprio art. 38A da Lei Complementar nº 123/2006, que descreve de forma suficiente a conduta necessária a aplicação da penalidade. · a multa pecuniária para informações incorretas ou omissas em PGDAS está prevista em Lei stricto sensu, ou seja, no art. 38A da Lei Complementar nº 123/2006; · O dispositivo legal citado é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à informações incorretas ou omissas em PGDAS; · não há configuração de fraude quando apresentada PGDAS retificadora, se existe a PGDAS original com valores reais, bem como a devida escrituração nos livros contábeis obrigatórios, informando o valor efetivamente devido, sendo coerente com a realidade da movimentação financeira. Assim, como no presente caso não houve o intuito de fraudar, não há que se falar em aplicação da multa de 150% [cento e cinquenta por cento] e, consequentemente, em crime contra a ordem tributária, até porque, em caso de não aceitar a informação prestada em PGDAS retificadora era só o Fisco não homologar, retornando a PGDAS original. · não se vislumbra, na apresentação de PGDAS retificadora com informação no campo imunidade de pagamento com crédito financeiro ou falta de pagamento, o evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Tratandose de lançamento com base na receita da atividade declarada pelo contribuinte e não tendo a fiscalização trazido aos autos, outros elementos que pudessem indicar o evidente intuito de fraude, a multa de ofício deve ser desqualificada, aplicando, se for o caso, a multa pecuniária prevista no art. 38A da Lei Complementar nº 123/2006. Requereu o imediato cancelamento da exclusão de ofício do Simples Nacional, formalizada de maneira arbitrária, ilegal e nula; a extinção da exclusão de ofício do Simples Nacional, levandose em consideração os princípios constitucionais que a Lei Complementar 123/2006 garante as micro e pequenas empresas. A DRJ decidiu por julgar improcedente a manifestação da recorrente restando o julgado assim ementado: Fl. 543DF CARF MF 8 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do Fato Gerador: 01/01/2015 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. A prática reiterada de infração à legislação do Simples Nacional tem como consequência a exclusão da empresa dessa sistemática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 01/01/2015 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte sustenta nulidade da decisão de exclusão ante inobservância de regras basilares de processo adminsitrativo e, no mérito, a ilegalidade e irrazoabilidade da decisão que a exclui do SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10740.720077/201665 Acórdão n.º 1402003.824 S1C4T2 Fl. 115 9 Antes mesmo de adentrar ao mérito, devem ser analisados os pressupostos de admissão do Recurso Voluntário. O art. 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recu rso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. De outro lado, o art. 5º do Decreto n° 70.235, de 1972 estabelece que “os pra zosserão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento ”. Estabelece ainda em seu parágrafo único que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. No caso ora em análise: Portantoacontribuinte teve ciência da decisão em 25 de maio de 2017 e o Rec urso só foi protocolado em 20/07/2017, portanto, intempestivo. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Fl. 545DF CARF MF 10 É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 546DF CARF MF
score : 1.0
