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Numero do processo: 11080.914971/2011-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância.
PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE.
O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-005.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB-RS 90.645.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 RAZÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA RECORRENTE. O ônus da prova é de quem alega o direito ou o fato que o modifica. A mera alegação do direito ao crédito desacompanhada de elementos de prova da sua liquidez é inapta para fazer anular ou reformar a decisão administrativa que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OABRS 90.645. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 49 71 /2 01 1- 73 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de processo constituído para tratamento de DComp eletrônica que utiliza crédito de pagamento a maior ou indevido de Cofins, no valor de R$ 6.730,96, do total pago em DARF de R$ 9.615,65, referente ao mês de outubro de 2004. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a Compensação sob a alegação de que o valor já teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada a empresa, em síntese, alegou que o débito de Cofins relativo ao período de apuração de 10/2004 não corresponde ao DARF de pagamento. Entende que apesar de ter informado em DCTF que o valor efetivamente apurado estava de acordo com o despacho decisório da DRF, a existência do crédito independe dos valores informados em suas declarações. Aduziu que as DCTFs não são documentos legitimadores do crédito, pois isso poderia causar distorções. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre referiu que o despacho decisório está de acordo com o valor apresentado pelo próprio contribuinte em DCTF, corroborado pelo recolhido via DARF, e que para contrapor tais dados verificou que a Manifestante não juntou aos autos nenhum documento comprobatório que indicasse o erro de pagamento alegado. Aduziu, ainda, que os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da Cofins são elementos indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 DCTF E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração apresentada DCTF, e o recolhimento em DARF, estão de acordo com o valor considerado pela DRF jurisdicionante. Cientificada da decisão em 29 de abril de 2013, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 29 de maio de 2013, em que: a) reclama pela nulidade da decisão recorrida por não ter o Colegiado promovido a instrução do processo mediante solicitação/intimação à Manifestante para apresentação dos documentos contábeis/fiscais que comprovassem o montante das receitas que haveriam de lhe conferir o direito ao crédito utilizado na DComp; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.914971/201173 Acórdão n.º 3803005.238 S3TE03 Fl. 81 3 b) no mérito, inova no argumento trazido na manifestação de inconformidade pretendendo a reprodução no presente julgamento da decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62A do RI/CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de Nulidade No voto condutor o Julgador a quo mencionou, de forma expressa, a necessidade de anexação dos elementos de verificação e mensuração do reclamado direito, consubstanciados na escrita contábil e fiscal. De fato, a decisão proferida por meio de despacho decisório eletrônico suprime a manifestação esclarecedora prévia do contribuinte, em resposta a intimação. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 elucida todas as providências que o contribuinte inconformado com o despacho decisório deve tomar na feitura da sua defesa, inclusive determinando a anexação das provas que possuir. Nada obstante isso dado ser o primeiro esclarecimento que presta há situações em que os elementos de prova colacionados na defesa possam ser insuficientes ao juízo do julgador de primeira instância e, por isso, ao invés de permitir a complementação das provas, por meio de diligência, pode ocorrer que julgue pelo desprovimento da manifestação de inconformidade. Por essa razão e com arrimo no princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal , não se tratando de processo de determinação e exigência de crédito tributário, não se deve levar a extremo o princípio da preclusão da prova. Contudo, para afastálo é imperioso que o recorrente preencha a lacuna da sua defesa, conforme apontado pela decisão de primeira instância, suprindo o recurso voluntário com as provas que possuir e, de preferência, se necessário, de acordo com a conformação da causa, aparelhandoo com demonstração gráfica do direito em disputa. A decisão de primeiro grau já lhe deve dar esse norte, de modo a poder o recorrente aprumar a sua defesa. Somente diante de provas cabais com que instrumentalizar o recurso poderia o julgador de segunda instância propugnar: (i) pelo seu provimento, se abraçasse tese distinta da decisão recorrida ou diante de causa madura, na hipótese de mérito não apreciado na primeira instância; (ii) pela anulação da decisão de primeiro grau para apreciação do mérito, caso este não o tenha sido. Não é o que se dá neste processo, em que o recurso voluntário novamente não se fez acompanhar das provas do direito alegado. É dever do inconformado com decisão administrativa juntar à sua defesa as provas que possuir, segundo o ditame da norma que regula, em específico, o processo administrativo fiscal, segundo disposição do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Esta norma mandamental não é ofuscada pela norma genérica do art. 29 da Lei nº 9.784/99[1] (que regula a atividade de instrução pertinente à Administração, para tomada de decisões, seja de ofício ou por impulsão do órgão responsável pelo processo), que não possui um comando para a Administração, sobretudo quando a decisão em meio eletrônico se dá sobre as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte. Não resta, pois, configurado o direito à ampla defesa, que daria ensejo à nulidade da decisão. De mais a mais, restaria ineficaz a decretação de nulidade de decisão de piso, vez que a questão da prova é prejudicada pelo direcionamento dado à decisão. Ante o exposto, rejeito a preliminar. Mérito Na manifestação de inconformidade a Manifestante nada aduz acerca da origem do seu crédito perante a RFB. E como não trouxe elementos de prova a decisão de piso ficou circunscrita à questão da falta de prova do alegado. No recurso voluntário, a Recorrente vem sustentar que o crédito utilizado na DComp sob análise decorre de pagamento indevido de Cofins vinculado a receitas de cessão de uso de fonogramas, que por sua natureza não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da contribuição, valores pagos que estão regidos pela sistemática de apuração cumulativa, prevista na Lei nº 9.718/98. Tal questão não foi prequestionada perante o órgão julgador de primeira instância, tendo precluído o direito de a Recorrente apresentála em grau de recurso. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.914971/201173 Acórdão n.º 3803005.238 S3TE03 Fl. 82 5 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002724/2005-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
CSLL. DECADÊNCIA.
O prazo para o Fisco notificar o contribuinte de medida preparatória ao lançamento é de cinco anos a partir da data do fato gerador, conforme interpretação do CTN, art. 173, I e parágrafo único.
Numero da decisão: 9101-001.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, recurso do contribuinte provido. Por unanimidade de votos, recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional não conhecido.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
EDITADO EM: 08/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues Lima.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.002724/200591 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101001.613 – 1ª Turma Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria CSLL Recorrentes FAZENDA NACIONAL CONSTRUTORA SIMOSO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 CSLL. DECADÊNCIA. O prazo para o Fisco notificar o contribuinte de medida preparatória ao lançamento é de cinco anos a partir da data do fato gerador, conforme interpretação do CTN, art. 173, I e parágrafo único. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, recurso do contribuinte provido. Por unanimidade de votos, recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional não conhecido. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Plínio Rodrigues Lima Relator. EDITADO EM: 08/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 27 24 /2 00 5- 91 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Lavrouse contra a interessada, com ciência em 08/06/2005 (fls. 19), auto de infração pertinente à CSLL (fls. 18 a 23; 54 a 63). Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 09 a 17: I — A Fiscalizada [...] [...] tendo optado pela tributação através da sistemática do Lucro Real Mensal para os anoscalendário 1995 e 1996 e pela sistemática do Lucro Real Trimestral para os anoscalendário 1997 e 1998. II — A Ação Fiscal 6. A ação fiscal teve início em 06/10/2004, às 10:20, mediante lavratura de Termo de Recusa. 7. Na mesma data foram requisitados vários elementos através de TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. 8. Para os anoscalendário 1995 a 1998, a fiscalização foi executada da seguinte forma e amplitude: [...] 8.4 Verificação da regularidade dos lançamentos contábeis dos documentos de despesas, Notas Fiscais, Recibos e outros documentos de pagamentos, apreendidos em 01/06/2004, mediante "MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO" (processo judicial n° 2003.61.27.0023709), na sede da empresa; 8.5 No período de junho de 1995 a março de 1998, foram examinados os livros Diário da fiscalizada. Para o período compreendido entre 06/95 e 12/96 também foram examinados os seus Livros Razão; 8.6 Conferência da escrituração de pagamentos e compras para os anoscalendário 1995 (meses 06 a 12), 1996, 1997 e 1998 (meses 01 a 03), referentes aos documentos apreendidos na sede da empresa. III — Das Apurações Efetuadas 9. Em 01/06/2004, através do "MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO" [...], foram retidos os seguintes documentos do contribuinte: • Livros Diário de 1997 e 1998; • Notas Fiscais, Recibos e outros comprovantes de pagamentos efetuados pela empresa no período de 06/1995 a 03/1998, controlados paralelamente à contabilidade através do "CAIXA 2", cujos documentos apreendidos pela fiscalização do INSS Fl. 716DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002724/200591 Acórdão n.º 9101001.613 CSRFT1 Fl. 3 3 foram repassados posteriormente à Secretaria da Receita Federal, através do Termo de Entrega de Documentos lavrado em 19/10/2004; • Listagens denominadas "CONTA CORRENTE" — "CAIXA CARLOS" e "EDGARD", onde parte dos pagamentos dos documentos referidos no tópico anterior eram relacionados. 10 Em 11/03/2005 foram solicitados à fiscalizada os Livros Diário e Razão relativos aos anoscalendário 1995 e 1996, os quais foram apresentados de imediato. 11 Pelo confronto entre os Livros Diário e Razão da fiscalizada contra os documentos de despesas e pagamentos apreendidos em 01/06/2004, não foi encontrada a contabilização dos mesmos durante os anoscalendário 1995 (meses 06 a 12), 1996, 1997 e 1998 (meses 01 a 03). Estes documentos estão relacionados nos ANEXOS I (lançamentos em negrito) e II dos Autos de Infração. 12 Em 10/05/2005, a fiscalizada foi intimada a apontar em seus livros contábeis, individualmente, os lançamentos desses documentos ou justificar a ausência de sua contabilização. 13 Foram fornecidas na oportunidade cópias de todos os documentos cuja contabilização deveria ser comprovada, em conjunto com listagens em meio magnético e em papel relacionando todos os documentos e seus respectivos valores. 14 Ainda em 10/05/2005, foram devolvidos à fiscalizada os originais dos Livros Diário e Razão relativos aos anos calendário 1995, 1996, 1997 e 1998. 15 Em resposta datada de 20/05/2005, a fiscalizada não logrou êxito em comprovar a regular escrituração contábil dos documentos relacionados no anexo ao Termo de Intimação de 10/05/2005 (Notas Fiscais, recibos e outros). Ainda quanto a esta resposta, ressaltamos que: • Os registros de valores, acompanhados da descrição das operações, cuja cópia integral foi fornecida em anexo ao Termo de Intimação lavrado em 10/05/2005, representam a efetiva saída de recursos de titularidade da empresa, controladas a partir de conta CAIXA escriturada paralelamente à contabilidade oficial da fiscalizada; • A descrição dos documentos utilizada nos anexos ao Termo de Intimação representam o real teor dos documentos apreendidos na sede da empresa, sendo que, em grande parte continham visto com a autorização para dispêndio dos numerários objetos dessa autuação, mediante aposição de rubrica de próprio punho por parte do sócio proprietário da fiscalizada, Sr. Olivo Simoso, tanto nos documentos como nas listagens denominadas "CONTA CORRENTE" — "CAIXA CARLOS" e "EDGARD"; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 • Não prospera a alegação da fiscalizada de que a descrição sintética dos documentos não permite conhecer a natureza da efetiva operação, pois a descrição foi extraída dos próprios documentos e os dispêndios eram de conhecimento do proprietário da empresa; • Não prospera também a alegação de que os documentos referemse a fatos pessoais dos sócios da empresa, tendo em vista que tais documentos foram apreendidos na sede da empresa, estão contabilizados paralelamente em planilhas eletrônicas impressas com o nome da empresa e indicam os funcionários responsáveis pelo controle desse caixa paralelo, tais como: "CAIXA CARLOS", "CAIXA EDGARD", ou simplesmente "CAIXA EX"; • Os fatos pessoais citados pela fiscalizada em sua resposta datada de 20/05/2005 revelam claramente que parte dos recursos movimentados através do "CAIXA 2" eram carreados diretamente para os sócios ou indiretamente, através do pagamento de suas despesas pessoais e parte para pagamento de obrigações próprias da empresa, mantidas à margem de sua escrituração contábil; • Não merece fé o apontamento de que esses recursos seriam decorrentes de meros adiantamentos de custos posteriormente apropriados, pois a fiscalizada deixou de indicar em sua contabilidade as alegadas apropriações nas referidas contas. 16 Assim sendo, baseado nos documentos apreendidos e nos livros contábeis da fiscalizada, este Serviço de Fiscalização (SEFIS) chegou à convicção de que houve a existência de pagamentos por parte da fiscalizada quitadas com recursos não figurantes em sua escrituração contábil (Livros Diário). 17 Durante os procedimentos de auditoria e, como resultado do confronto dos documentos apreendidos com a escrituração contábil, identificamos que a fiscalizada apresentava desvios de recursos para alimentar o "CAIXA 2", por intermédio do qual os pagamentos eram efetuados. Os comprovantes de pagamentos (saídas do "CAIXA 2") são esclarecedores da condição da informalidade, constando em grande parte deles as expressões "por fora", "caixa 2", "sem vínculo empregatício", "II", conforme cópias das "Comunicações Internas". IV — Do Saldo Credor de Caixa (anoscalendário 1995 a 1996) 18 Para os anoscalendário 1995 e 1996, os valores pagos pela fiscalizada, constantes dos documentos não contabilizados em Livro Diário e Razão, foram lançados por esta fiscalização federal a crédito da conta caixa (conta contábil 01.01.001.001.00010). Disso resultou o surgimento de SALDO CREDOR DE CAIXA em vários períodos de apuração, conforme ANEXO I — "Recomposição da Conta Caixa após a inclusão de pagamentos não contabilizados", parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002724/200591 Acórdão n.º 9101001.613 CSRFT1 Fl. 4 5 [...] 20 O Saldo Credor de Caixa evidencia a Omissão de Receitas, conforme o caput do artigo 228 do RIR/94 (artigo 180 do RIR/80) o qual é, por oportuno, reproduzido abaixo: "Art. 228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção(Decretolei n°1.598/77, art. 12, §2°)." 21 A fim de seguir estritamente o estabelecido em lei, optouse por procurar nas decisões administrativas anteriores a forma mais objetiva de aplicar o mandamento instituído pelo caput do artigo 228 do RIR/94. Desta pesquisa, resultou a adoção dos dois critérios a seguir. 22 O primeiro critério adotado foi o de tomar como omissão de receita o maior saldo credor de caixa existente em cada período de apuração. No caso da fiscalizada, todos os períodos de apuração dos anoscalendário 1995 e 1996 foram mensais. Desta forma, tomouse, por analogia à tributação do Lucro Real, sempre o maior saldo credor diário existente dentro de cada mês. Neste sentido, pronunciouse o 1° Conselho de Contribuintes através do Acórdão 10189.495/96 publicado no Diário Oficial da União em 11/06/96. "Demonstrada a existência de saldo credor da conta Caixa em diversos momentos do períodobase, é permitido computar o maior saldo credor do período como valor da receita omitida para fins de determinação do lucro real". 23 O segundo critério adotado foi o de tomar, dentro de cada dia, sempre o saldo apresentado após o lançamento de todos fatos contábeis na conta. Ou seja, tomouse, para efeito de comparação com os outros dias do mês, o saldo de fechamento de caixa diário. Nesse sentido pronunciouse o 1° Conselho de Contribuintes através do Acórdão 1055.142/90, publicado no Diário Oficial da União em 06/03/91. "Em face de a cronologia de contabilização das operações no mesmo dia não obedecer à ocorrência fática ou dinâmica de recebimentos e pagamentos no mesmo lapso temporal, a omissão de receita, através do intitulado "estouro de caixa", somente pode ser quantificada ao final das operações de determinado dia". 24 O maior saldo credor diário apurado dentro de cada período de apuração mensal, tributado como omissão de receita, foi concedido como origem de recursos na recomposição da conta caixa do mês seguinte. V — Da Omissão de Pagamentos (anoscalendário 1997— 1998) 25 O tratamento a ser aplicada para os valores pagos e não escriturados durante os anoscalendário 1997 e 1998 é aquele previsto no artigo 40 da Lei 9.430/96 de 27 de dezembro de Fl. 719DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 1996, por se tratar de previsão específica no caso da existência de Omissão de Pagamentos: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita." 26 O valor da Omissão de Receita, derivado da Omissão de Pagamentos, foi determinado partindo do somatório de todas as Notas Fiscais, Recibos, e documentos equivalentes relativos a pagamentos não contabilizados, conforme ANEXO II — "Pagamentos não contabilizados", parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. VI — Da Apuração da Base de Cálculo ANOCALENDÁRIO 1995 27 Tendo em vista que a fiscalizada possui escrituração comercial completa para o anocalendário 1995, a tributação será feita tomandose como embasamento a legislação do IRPJ na forma do caput do artigo 892 do RIR/94, aprovado pelo Decreto 1.041 de 11/01/1994, o qual, por oportuno, é citado abaixo: "Art. 892. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida (Lei n° 8.541/92, art. 43, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória 492/94)." 28 Para o anocalendário 1995, o tratamento a ser aplicado às Contribuições Sociais devidas sobre a omissão de receita, CSLL, PIS e COFINS, está previsto no dispositivo abaixo citado: "O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento quando for o caso, das contribuições para a seguridade social." (§1° do art. 43 da Lei n°8.541/92, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória 492/94). 29 Utilizouse, dessa forma, a receita omitida como base de cálculo das contribuições, conforme previsto na legislação do Imposto sobre a Renda, atendendo ao disposto no parágrafo único do art. 6° da Lei 7.689/88 (CSLL), no parágrafo único do art. 10 da Lei Complementar n° 70/91 (COFINS), no art. 9° da Medida Provisória n° 1.212/95 e no art. 9° da Medida Provisória n° 1249/95 (PIS). ANOSCALENDÁRIO 1996, 1997 e 1998 30 Para os anoscalendário 1996, 1997 e 1998, tendo em vista as infrações cometidas pelo contribuinte e a edição de nova legislação, aplicouse o artigo 24 e § 2° da Lei 9.249/95 para efetuar o cálculo de todos os tributos para os quais a fiscalizada se apresentava como sujeito passivo, mandamento esse ora explicitado: "A partir de 1° de janeiro de 1996 [art. 35], verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do Fl. 720DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002724/200591 Acórdão n.º 9101001.613 CSRFT1 Fl. 5 7 adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão [art. 24, caput], sendo o valor da receita omitida considerado também na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP" [art. 24, § 2]. [...] 33 Foi aplicada sobre as infrações apuradas a multa qualificada de 150%, prevista no inciso 11 do art. 44 da Lei 9.430/96, por entendermos configurado evidente intuito de fraude. Cópias dos documentos que instruem a lavratura destes Autos de Infração serão encaminhadas ao Ministério Público Federal com a finalidade de instruir o processo judicial n°2003.61.27.0023709, da 1° Vara Federal de São João da Boa Vista — SP. (destaques do original) 3. A autuação somou a importância de R$ 705.640,50, aí incluídos juros de mora e multa de ofício, esta última no patamar de 150%. 4. Em 04/07/2005, veio a impugnação, onde o contribuinte desfia os seguintes argumentos: 4.1. Os fatos geradores considerados na presente autuação já estariam sob o abrigo da decadência, por força do CTN, art. 150, § 4°, ou mesmo ainda, art. 173, do mesmo CTN. Nesse sentido, ainda, estaria a jurisprudência administrativa colhida do Conselho de Contribuinte. Mais, a Portaria SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, DOU de 07/01/2002, no seu art. 70, § 1 0, com a redação conferida pela Portaria SRF n° 1.468, de 6 de outubro de 2003, DOU de 08/10/2003, limitaria o alcance investigativo da fiscalização aos "cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal". 4.2. [...] ao contrário do que registram os AuditoresFiscais, a receita tributada num mês não foi considerada como origem para recomposição da conta "caixa" no mês seguinte. Essa contradição está claramente evidenciada nos demonstrativos que compõem o mencionado ANEXO I — Recomposição da Conta Caixa, acostados às fis. 24/40. Vejase logo na apuração do mês de junho/95, em que se tributou o valor de R$ 112.236,80 (fls. 24, verso) como maior saldo credor. A despeito desse valor ter sido indicado na linha subseqüente como "origem" para o mês seguinte, na verdade esse montante não foi levado em consideração, pois o demonstrativo acusa ponto de partida com saldo igual a zero. Estando demonstrada que essa contradição se repetiu em todos os meses dos anos calendários de 1995 e 1996, é imperativo que seja Fl. 721DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 decretada a imprestabilidade do questionado lançamento tributário. (fl. 521; destaques do original) 4.3. A relação de saídas da conta caixa (lançamentos a crédito), para efeito de identificação do saldo credor de caixa (fls. 24/40; 06/1995 a 12/1996), bem como a relação de pagamentos não contabilizados (fls. 41/46; 01/1997 a 03/1998): 4.3.1. Contemplariam elementos/valores não correspondentes "a efetivas saídas de numerário do patrimônio da empresa", mas senão a "simples movimentação financeira interna", "como aqueles indicados pelo histórico 'DÉBITO SAQUE' e outros em que o histórico é 'DÉBITO ITACTOLIVO m. (fl. 522) 4.3.2. Não teriam levado em consideração a origem pregressa dos recursos que, então e agora, são identificados pela fiscalização como saídos da sociedade empresária. Entre tais origens estariam empréstimos feitos a esta última pelos sócios e/ou terceiros. 4.4. A exigência pertinente aos meses de 1995 teria sido constituída sem levar em consideração as bases de cálculo negativas de CSLL então apuradas (junho/1995 a dezembro/1995). Esse critério não encontra respaldo na legislação da CSLL, pois o artigo 43 da Lei 9.541/92 dado como suporte do lançamento veiculava regra extravagante que em vez de tributar o "lucro", que é a base da contribuição da CSLL, tributava integralmente a receita, com nítida natureza de penalidade e, por isso, foi expressamente revogado pela Lei n°9.249/95. (fl. 523) 4.5. Aliás, porque o referido art. 43 da Lei n° 8.541/92 teria "caráter penal" (fl. 523), a sua revogação operaria efeitos retroativos "a fatos pretéritos ainda não constituídos ou não julgados, como determina o art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional". (fl. 523) 4.6. Seria só a partir da Lei n° 9.430/96, art. 40, que restaria tipificada a hipótese de omissão de receita por "falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica". Logo, para junho/1995 até dezembro/1996, período em que a fiscalização imputou (creditou) à conta caixa pagamentos igualmente não contabilizados, não subsistiria a autuação por de omissão de receita "pela absoluta ausência de tipicidade". (fl. 524) 4.7. A analogia não se prestaria a fundamentar qualquer autuação. Também impossível a exigência de CSLL, adotandose, por analogia, a norma que regula o IRPJ, como registrou a fiscalização, por expressa afronta ao § 1° do art. 108 do CTN. (fl. 524; destaques do original) 4.8. Sendo certo que "a única prova produzida pelo Fisco aponta para a existência de custos e despesas não registrados" (fl. 524; destaques do original), sendo certo que daí presumiuse a Fl. 722DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002724/200591 Acórdão n.º 9101001.613 CSRFT1 Fl. 6 9 existência de receita omitida de igual montante, "o resultado da equação [receita () custos/despesas] é igual a zero! Portanto, nada sobra para servir de base para a tributação da CSLL" (fl. 524). 4.9. Além dos equívocos já mencionados, a fiscalização cometeu outro descuido não excluindo o valor das CSLL, COFINS e PIS, também lançadas de ofício, quando da apuração da sua própria base de cálculo, contrariando norma expressa em vigor nos referidos períodos de apuração. (fl. 525) 4.10. A imputação da multa de ofício no patamar de 150% demandaria a comprovação direta do fato omissão de receita, isto é, não poderia dita multa de ofício (150%) estar calçada apenas na comprovação indireta, por via de presunção, do fato omissão de receita. Ou seja, em vez de investigar para provar as operações de receitas não contabilizadas ditas encobertas, presumiuse a prática de omissão de receitas partindo de outros fatos indiciários, de pagamentos não registrados. No entanto, a despeito de a acusação tributária (omissão de receitas) estar calcada em simples presunção, foi indevidamente aplicada a multa agravada de 150%, que só é possível mediante a precisa identificação ecomprovação da conduta fraudulenta do sujeito passivo, que certamente não pode estar relacionada com o fato indiciário de existência de pagamentos não contabilizados. Fraude não se presume, comprovase! (fl. 525/526; destaques do original) O Acórdão DRJ/CPS n° 11.664, de 06 de dezembro de 2005, considerou procedente a exigência tributária, com seguinte ementa: "CSLL. DECADÊNCIA. O prazo de decadência, no que importa à CSLL, respeita a regra do art. 45 da Lei n°8.212/91. PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA CONTABILIDADE. EFEITOS. Até o anocalendário de 1996, inclusive, a identificação de pagamentos não contabilizados somada à circunstância de estouro de caixa, consubstanciava condição suficiente à incidência da presunção legal do art. 228 do RIR/94, este suportado pelo DecretoLei n° 1.598/77, conducente à assertiva da existência de receita omitida. Do anocalendário de 1997 em diante, por força do art. 40 da Lei n° 9.430/96, a só identificação de pagamentos não contabilizados permite a conclusão de omissão de receita. Nessa seara, não importa perquirir sobre a origem dos recursos que teriam dado suporte a tais pagamentos. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. ANOCALENDÁ.RIO DE 1995. A omissão de receita era tributada, no que importa à CSLL, fora de declaração de ajuste, conforme dispunha a Lei n° 8.541/92, art. 43. A revogação de tal dispositivo, não gera efeitos retroativos, pois que de penalidade não se cuidava. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. A receita omitida é base de cálculo para a formalização de exigências de CSLL, Contribuição ao PIS e Cofias, segundo dispunha o art. 43, § 1 0, da Lei n° 8.541/92, bem como agora dispõe o art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. Identificada a existência de pagamentos não contabilizados (tomados isoladamente, ou em conjunto com estouro de caixa), se o contribuinte não logra desfazer a presunção daí decorrente (omissão de receita), tais pagamentos (custos/despesas) não podem ser imputados àquela receita omitida. Incabível, a outro tanto, a dedutibilidade, na determinação da base de cálculo da CSLL, das contribuições apuradas em ação fiscal. MULTA DE OFICIO EM 150%. Se há nos autos indicação forte da existência de fraude civiltributária, então é pertinente a multa majorada." Cientificada da decisão de primeira instância em 06 de janeiro de 2006, (fls.555), apresentou recurso voluntário em 31 de janeiro de 2006 (fls.556 a 574;682 a 683), com os seguintes argumentos, em síntese: Houve a decadência, porque se tem como certo que a CSLL se amolda à sistemática da homologação prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional. No caso presente, nem mesmo a ressalva final de ocorrência do dolo, fraude ou simulação, pode ser invocada para prestigiar o lançamento, pois, ainda que estivesse comprovada nestes autos a existência de uma dessas graves figuras, que não é o caso, mas admitida "ad argumentandum tantum", o questionado lançamento é manifestamente intempestivo porque foi formalizado em 08/06/2005, quando já implementada a decadência pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 173 do CTN, que é a regra geral aplicável, quando afastada a norma específica que se extrai do artigo 150, § 4° do CTN. Há impossibilidade da recomposição do saldo contábil da conta caixa com retroação temporal de 10(dez) anos. Não há possibilidade de tributação por presunção legal no prazo de 10(dez) anos com base em Lei de Previdência Social. Houve erro na base de cálculocontradição: receita tributada no mês não foi considerada como origem para apuração do mês seguinte. Há incerteza e insegurança na apuração da base de cálculo, em função de valores de diferentes naturezas. Relativo ao ano de 1995 houve tributação com caráter de penalidade já revogada. Houve diferentes critérios jurídicos na autuação de fatos da mesma natureza. A multa agravada de 150% é incompatível com a tributação por presunção legal, abstendose o fisco do seu deverpoder da Fl. 724DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002724/200591 Acórdão n.º 9101001.613 CSRFT1 Fl. 7 11 obtenção da prova, preferindo transferir esse encargo ao contribuinte, não pode aplicar uma penalidade agravada que pressupõe prova materializada no lançamento da conduta típica punida. Pede ao final a reforma da decisão de primeira instância, para que seja declarado insubsistente o Auto de Infração. Conforme o Acórdão n° 10809466, de 7 de novembro de 2007: ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: Iniciado o julgamento em 12/09/2007, participaram da votação da preliminar de decadência os Conselheiros, Nelson Lósso Filho, Margil Mourão Gil Nunes (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Orlando José Gonçalves Bueno, Mariarn Seif, José Carlos Teixeira da Fonseca, Helena Maria Pojo do Rego (Suplente Convocada) e Mário Sérgio Fernandes Barroso, deliberando, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Margil Mourão Gil Nunes (Relator), Orlando José Gonçalves Bueno, Mariam Seif e Helena Maria Pojo do Rego (Suplente Convocada). Designado o Conselheiro Nelson Lósso Filho para redigir o voto vencedor. Prosseguiu o julgamento do mérito em 07/11/2007, com a participação dos Conselheiros Nelson Lósso Filho, Margil Mourão Gil Nunes, Arnaud da Silva (Suplente Convocado), Orlando José Gonçalves Bueno, Mariam Seif, Cândido Rodrigues Neuber, Karem Jureidini Dias e Mário Sérgio Fernandes Barroso que proferiram a seguinte decisão: por maioria dos votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa, reduzindo seu percentual a 75%. • Vencidos os Conselheiros Arnaud da Silva (Suplente Convocado) e Mário Sérgio Femandes Barroso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca. Cientificada do Acórdão do Recurso Voluntário em 13/05/2008, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial com base no inciso I do art. 7° do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF). Em síntese, alega contrariedade às provas, pois, o acórdão recorrido desqualificou a multa de ofício com a conduta reiterada da contribuinte. Pede a reforma do Acórdão recorrido para manter o lançamento em sua integralidade. Admitido o Recurso Especial do Procurador em 28/11/2008 e cientificada deste e do Acórdão Recorrido em 29/12/2008, o Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 671 a 673) e Recurso Especial (fls. 674 a 678) em 07/01/2009, alegando que o art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Pede a reforma parcial do Acórdão recorrido apenas no tocante à discussão centrada na decadência. Admitido o Recurso Especial do Contribuinte em 09/11/2009 (fls. 710 e 711) e deste cientificada a Fazenda Nacional em 16/11/2009, distribuiramse, por sorteio, os presentes autos em 15/10/2012 a este relator. É o relatório. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Recurso Especial do Contribuinte Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional e do Contribuinte. Inicio por este porque se trata de matéria prejudicial de mérito daquele. Atendidos os pressupostos recursais a que se refere o art. 16, I, do RICSRF, conheço do presente recurso. Quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, objeto do enunciado n° 8 da Súmula vinculante do STF assim decidiu este Colegiado no Acórdão n° 910101.282: CSLL, PIS e COFINS. Prazo de decadência. Não deve ser conhecido o recurso especial do Procurador contra decisão nãounânime contrária à lei, quando a norma ofendida já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e objeto de Súmula Vinculante, a qual, por força do caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988, tem efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Afastada a análise da decadência com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, a contagem do prazo decadencial ocorrerá por meio do art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No que interessa ao caso, o art. 173, I, do CTN, c/c seu parágrafo único, determinam que o Fisco tem cinco anos para formalizar e notificar o sujeito passivo de ato preparatório “indispensável ao lançamento”. Após, mais cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte para formalizar e notificar o sujeito passivo do lançamento. Assim nos ensina o Prof. Dr. Eurico Marcos Diniz de Santi em "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", Saraiva, 4. ed., São Paulo, 2011, pp. 121 e 122: Esta notificação [a prevista no parágrafo único do art. 173 do CTN] não pode ser realizada a qualquer tempo: submetese Fl. 726DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002724/200591 Acórdão n.º 9101001.613 CSRFT1 Fl. 8 13 também a prazo decadencial de cinco anos, [...].O atonorma administrativo formal izador do ilícito tributário servirá como dies a aquo do novo prazo decadencial de cinco anos, previsto por esta regra. Portanto, transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formal izadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do Art. 173, parágrafo único do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado. Assim, a notificação ao contribuinte, ao mesmo tempo que constitui administrativamente o fato do dolo, fraude ou simulação, serve como medida indispensável para justificar realização do ulterior lançamento. Contudo, há que se considerar que, se o ilícito alegado na notificação não se mantiver nos quadrantes do direito, em razão de qualquer problema material ou formal com o atonorma administrativo que cuida da constituição desse fato ilícito, restará comprometido também o ulterior lançamento que eventualmente tenha sido realizado sob a tutela do novo prazo decadencial, fundado na indigitada medida preparatória. Se não houver, portanto, a realização desse atonorma ou se for verificado qualquer vício em sua produção, esta regra decadencial tornase inaplicável, (...) Considerando o período de apuração de 1995, o direito a qualquer medida preparatória do lançamento extinguise em 31/12/2000. Para o período de apuração de 1996, chegase ao prazo extintivo em 31/12/2001. Para o período de apuração de 1997, o prazo expirouse em 31/12/2002. E, para o período de apuração de 1998, chegase ao prazo extintivo em 31/12/2003. A fiscalização iniciou a construção do lançamento por meio do Termo de Recusa, cientificado pelo sujeito passivo em 06/10/2004, acima dos prazos extintivos do direito de constituição do crédito tributário nos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998. Destarte, reconheço a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetivar o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998. Recurso Especial da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional interpôs o seu Recurso Especial em data anterior à publicação do enunciado n° 8 da Súmula vinculante do STF, considerando, por conseguinte, o prazo decenal para extinção do direito de constituição do crédito tributário relativo à CSLL, anoscalendário 1995, 1996, 1997 e 1998. No entanto, pelos fundamentos da decisão do Recurso Especial do Contribuinte, não conheço do Recurso Epecial da Fazenda Nacional. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Epecial da Fazenda Nacional e CONHEÇO do Recurso Epecial do Contribuinte para, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. Plínio Rodrigues Lima Relator Fl. 728DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16327.000583/2004-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000
IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.
Nos casos de incidência na fonte a título de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento da pessoa jurídica for tributado.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.365
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Nos casos de incidência na fonte a título de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento da pessoa jurídica for tributado. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 83 /2 00 4- 68 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000583/200468 Acórdão n.º 2101002.365 S2C1T1 Fl. 227 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) (fls. 209/216), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o auto de infração de fls. 131/137, lavrado em 30 de abril de 2004, em virtude da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre comissões e corretagens pagas à pessoa jurídica, nos anoscalendário de 1999 e 2000. Conforme se extrai do relatório do acórdão recorrido, o processo administrativo teve origem nos seguintes fatos: “Tratase de impugnação (fls. 139 a 146) apresentada por LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S.A., supra qualificado, contra Auto de Infração (fls. 130 a 137), lavrado em 30/04/2004, relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, referente aos anoscalendário de 1999 e 2000. 2. No "Termo de Verificação" (fls. 110 e 111), o Auditor Fiscal autuante informa que o contribuinte fiscalizado efetuou contratos de prestação de serviços com as empresas ECT Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e CEF Caixa Econômica Federal para a comercialização de títulos de capitalização "Telesena". 2.1. Pelos serviços prestados de vendas ou de resgates dos títulos, o contribuinte pagaria comissões. Da análise dos documentos apresentados, o autuante verificou que sobre os pagamentos das comissões não tinham sido feito retenções a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. 2.2. Assim, o Auditor Fiscal lavrou o Auto de Infração, constituindo o crédito tributário de R$ 3.203.092,94, já incluídos os juros de mora, calculados até 31/03/2004, e a multa de oficio. 2.3. Como enquadramento legal (fls. 135), a autoridade fiscal cita os artigo 6°, da Lei n°. 9.064/95 e o artigo 651, inciso I, do RIR/99. Para o reajustamento da base de cálculo, assinala o artigo 725, I do RIR/99, no item 5, do Termo de Verificação (fls. 111). 3. Tendo tomado ciência do lançamento em 30/04/2004 (fls. 130 e 137), o contribuinte, representado por seu advogado (fls. 176, 176v e 177) apresentou impugnação, em 01/06/2004, relatando e alegando o que segue. 3.1. Após fazer um breve relato sobre os fatos, alega que o tributo e acréscimos legais exigidos são indevidos. 3.2. Diz que a incidência do imposto sobre a renda na fonte está disposto no artigo 667, do RIR199, e transcreve o artigo 651 e seu § 2°, para interpretar que "o regime de tributação, aplicável a essa hipótese de incidência, é de natureza antecipatória, sendo o ônus do imposto suportado pelo beneficiário do rendimento, cabendolhe deduzir as retenções havidas e apurar o saldo a pagar ou a ser restituído". Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000583/200468 Acórdão n.º 2101002.365 S2C1T1 Fl. 228 3 3.3. Argumenta que se o beneficiário do rendimento incluiu as importâncias recebidas nas declarações, sem ter deduzido nada a título de antecipação, o direito da Fazenda Pública estaria plenamente satisfeito, caracterizando "bis in idem" a exigência do mesmo tributo de outra pessoa não beneficiária. 3.4. Transcrevendo a ementa e os itens 2 e 3 do Parecer Normativo CST n°. 353/71, alega que se "comprovado pela fonte pagadora que o beneficiário declarou os rendimentos recebidos, cessa a responsabilidade pelo recolhimento do imposto devido como antecipação, configurandose apenas descumprimento de obrigação acessória, de natureza regulamentar". 3.5. Para comprovar o oferecimento à tributação dos rendimentos pagos aos contratados (ECT e CEF), anexa documentos assinados pelos beneficiários. 3.6. Encerra, solicitando o cancelamento do Auto de Infração. 4. É o relatório do essencial.” O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto Sobre A Renda Retido Na Fonte – Irrf Anocalendário: 1999, 2000 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. Lançamento Improcedente” (fl. 209) É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Conforme se extrai dos autos deste processo administrativo, a fiscalização considerou que, sendo comprovado pela fonte pagadora que o beneficiário ofereceu á tributação os rendimentos recebidos, cessaria a responsabilidade pelo recolhimento do imposto devido como antecipação. Para tanto, fundamentase no art. 651 do RIR/99, assim como no Parecer Normativo 353/71, do qual se extrai o excerto colacionado abaixo: “Não se sujeitam à retenção do imposto de renda na fonte os valores pagos ou creditados por pessoas jurídicas a pessoas físicas ou jurídicas, a título de comissões, corretagens, gratificações, honorários, direitos autorais, remunerações por quaisquer serviços prestados (Lei no 4.506, de 1964, art. 12, com a redação do art. 17 do Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000583/200468 Acórdão n.º 2101002.365 S2C1T1 Fl. 229 4 DecretoLei n° 1.089, de 1970) ou fretes e carretos em geral (DecretoLei n° 401/68, art. 10) se tais importâncias já tiverem sido oferecidas à tributação na declaração de rendimentos do beneficiário e este esclarecer tal circunstância em declaração por escrito, que ficará em poder da fonte pagadora.” Portanto, com relação aos valores (comissões relativas à prestação de serviços de comercialização e resgate de títulos de capitalização “Telesena”) sobre os quais houve o lançamento, não haveria sujeição ao imposto de renda retido na fonte, pois tais rendimentos já foram oferecidos à tributação na declaração de rendimentos do beneficiário. Assim, o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos, pois concluiu que “comprovada pela fonte pagadora que o beneficiário ofereceu à tributação os rendimentos recebidos, cessa a responsabilidade pelo recolhimento do imposto devido como antecipação”. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000174/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-003.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 74 /2 01 0- 47 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16641.000174/201047 Acórdão n.º 2301003.785 S2C3T1 Fl. 114 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.281.0977, lavrado em 23/11/2010, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto do valor da aquisição da produção rural, as contribuições do produtor rural pessoa física, no período de 01/2006 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.431,79, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 01/12/2010, fls. 03, a recorrente apresentou impugnação, fls. 54/71, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Porto Alegre, no Acórdão de fls. 75/77, julgou a impugnação improcedente. A interessada foi cientificada em 14/02/2012. O recurso voluntário, apresentado em 14/03/2012, fls. 88/111, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16641.000174/201047 Acórdão n.º 2301003.785 S2C3T1 Fl. 115 5 quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo. Multa de ofício confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011931/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
ABONO.
A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.
VÍCIO MATERIAL.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa instituídos por instrumento regular de negociação com os empregados.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da multa aplicada os valores relativos: a) aos pagamentos de PLR aos segurados oriundos da empresa cindida decorrentes de acordos por ela celebrado no período anterior à data de cisão; b) ao pagamento do abono salarial; e c) após, adequação da multa aplicada de acordo com o artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. ABONO. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. VÍCIO MATERIAL. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa instituídos por instrumento regular de negociação com os empregados. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.146 1 1.145 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.011931/200760 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.834 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria SALÁRIO INDIRETO: ABONOS E PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Recorrente ANGLOGOLD ASHANTI BRASIL MINERACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. ABONO. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. VÍCIO MATERIAL. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa instituídos por instrumento regular de negociação com os empregados. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 31 /2 00 7- 60 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da multa aplicada os valores relativos: a) aos pagamentos de PLR aos segurados oriundos da empresa cindida decorrentes de acordos por ela celebrado no período anterior à data de cisão; b) ao pagamento do abono salarial; e c) após, adequação da multa aplicada de acordo com o artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.147 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação fiscal de 02/06/2006 relativa a omissão em GFIP dos seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: valores de abono salarial previsto em convenção coletiva de trabalho, participação nos lucros e ganhos habituais. Foram excluídos valores pela aplicação do artigo 173, I do CTN. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES . MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias constitui infração A legislação previdenciária. Os prazos de decadência em âmbito de contribuições Previdenciárias são os previstos no Código Tributário Nacional CTN, conforme Súmula Vinculante n° 8 do STF e Recursos Extraordinários precedentes. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A aplicação de penalidade mais benéfica darseá quando do pagamento ou parcelamento do débito pelo contribuinte, ou, não se subsumindo As mencionadas hipóteses, quando do ajuizamento da execução fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais trazidas no processo de obrigação principal e neste de obrigação acessória: que os fatos geradores "(...) verificados pela fiscalização e descritos no Relatório que fundamenta a autuação, não correspondem, em grande parte, a fatos geradores de contribuição previdenciária (...)"; que o mesmo Auditor "(...) responsável pela lavratura do presente Auto de Infração, lavrou, a NFLD 37.023.6360, na qual exige todos os tributos referentes As verbas que supostamente deixaram de ser declaradas em GFIP(...)"; que "(...) a impugnante não pretendeu omitir qualquer fato gerador de contribuição previdenciária, apenas não lançou Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 informações de fatos que não considera aptos a gerarem tal obrigação (...)"; que o presente processo por ser conexo com a NFLD 37.023.6360 só poderá ser julgado juntamente ou posteriormente àquele; que o auto de infração foi lavrado em outubro de 2006 e referese a fatos geradores ocorridos, inclusive, de períodos anteriores a outubro de 2001 alcançados pela decadência; que a penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória deve ser tratada como obrigação principal e portanto o lançamento de multa ora impugnado se sujeita ao regime do lançamento por homologação, previsto no artigo 150, § 4° do CTN. Cita doutrina e jurisprudência; que com relação As remunerações de segurados Empregados relacionados nas tabelas 01, 02 e 03 não há irregularidades; que, conforme GFIP de 11/2000, datada de 07/12/2000 (anexo), houve um escusável erro de preenchimento da competência da GFIP, qual seja, apesar de constar que a competência era 10/2000 na verdade a mesma se referia a 11/2000; que algumas das irregularidades apontadas serão sanadas e acostadas aos autos oportunamente; que em relação à não declaração, em GFIP, das remunerações de contribuintes autônomos, o impugnante já retificou as GFIP referentes, conforme documentação juntada e, portanto, requer a relevação da multa; que esta notificação foi lavrada em outubro de 2006 e referese a créditos relacionados a supostos fatos geradores, inclusive, de períodos anteriores a outubro de 2001. Teriam ocorrido, portanto, em período alcançado pela decadência qüinqüenal segundo dispõe o Código Tributário Nacional; que concorda com os valores apurados relativamente a acréscimos legais não recolhidos ou recolhidos de forma incorreta e providenciará o recolhimento de tais parcelas. Requer o cancelamento de parte da presente NFLD relativa a esses acréscimos; que em relação à suposta ausência de recolhimento das contribuições de setembro e outubro de 1997 — estabelecimento 40.164.964/000270 (...)" tais fatos geradores estão abarcados pela fluência do prazo decadencial qüinqüenal; que no que diz respeito aos valores apurados no levantamento FP3 — FOLHA DE EMPREGADOS DECLARADA EM GFIP, referente à "(...) suposta ausência de recolhimento das contribuições de abril e maio de 1999 e de julho a dezembro de 2003 estabelecimentos 40.164.964/000270 e 40.164.964/0003 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.148 5 51, (...)" as diferenças apuradas decorrem de valores pagos a menor em relação às contribuições devidas a terceiros; ou no que tange ao adicional relativo à nocividade do trabalho desenvolvido. Dessa forma, estão extintos pela decadência os lançamentos de abril e maio de 1999 e de julho de 2000. O lançamento referente a dezembro de 2003 será pago pela Impugnante e extinto pelo pagamento; que em relação aos valores apurados no levantamento FP5 — SEGURADOS DA FPG CONFID. NÃO DECLARADA EM GFIP, referente à "( ... ) suposta ausência de recolhimento das contribuições de junho de 1999 a outubro de 2001 — estabelecimento 40.164.964/000351, ( ... )" as diferenças apuradas decorrem de valores não recolhidos ou pagos a menor em relação às contribuições devidas a terceiros ou no que tange o adicional relativo a nocividade do trabalho desenvolvido. No entanto,os fatos geradores anteriores a outubro de 2001 foram abarcados pela fluência do prazo decadencial e que em relação à competência de outubro de 2001, a Impugnante promoverá o pagamento do tributo"; que em relação a "( ... ) suposta ausência de recolhimento das contribuições decorrentes de pagamentos a autônomos de outubro de 1998 a abril de 2004 — estabelecimento 40.164.964/000351, (...) as parcelas anteriores a outubro de 2001 estão abarcadas pela fluência do prazo decadencial (...)" e no que se refere ao período posterior a outubro de 2001, a empresa providenciará o recolhimento das contribuições efetivamente devidas; que em relação ao. Abono Pecuniário de Férias, no caso concreto estão sendo exigidas da Impugnante as contribuições incidentes sobre o abono de férias pago em período já alcançado pela decadência; que seria "( ... ) ilegítima a exigência da exação previdenciária sobre o abono de férias (...)" tendo em vista o entendimento iterativo da doutrina e jurisprudência de que esse abono não tem natureza salarial, não pode ser considerado rendimento do trabalho ou contraprestação do serviço e, por fim, não se trata de gratificação ajustada; que em relação ao Abono Salarial, "( ... ) os supostos fatos geradores das contribuições incidentes sobre o abono salarial, anteriores a outubro de 2001, estão abrangidos pelo lapso do prazo decadencial ( ... )"; que "( ... ) a impugnante reafirma seu entendimento de que os valores disponibilizados a título de "abono" não integram saláriodecontribuição, uma vez que não apresentam as características para tanto ( ... )"; que a norma de incidência das contribuições previdenciárias é a Lei 8.212/1991, artigo 28 e que por essa norma os Abonos Salariais para serem considerados Salário de Contribuição deveriam ser pagos com habitualidade; Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 que a exigência de previsão legal, disposta no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, de previsão legal para que se exclua da incidência de Contribuições Previdenciárias os valores pagos a título de Abono Salarial não procede, tendo em vista que "( ... ) não pode a simples disposição de um ato normativo de nível inferior à Lei determinar a integração de determinado fato na hipótese de incidência de um tributo ( ... )"; que em relação aos pagamentos "Ganhos Supostamente Habituais a Qualquer Título", destaca "( ... ) que os supostos fatos geradores das contribuições incidentes sobre o abono salarial, anteriores a outubro de 2001, estão abrangidos pelo lapso de prazo decadencial que nas palavras do Fiscal ,"pela análise dos pagamentos aqueles que receberam mais de três vezes receberam, aproximadamente uma a cada ano ( ... )" e que tal afirmativa é falaciosa "( ... ) já que a grande maioria dos empregados em relação aos quais os ganhos foram considerados como salário de contribuição receberam os ganhos em questão de três a cinco ganhos no período fiscalizado (sete anos) ( ... )" que como a fiscalização se ateve ao período fiscalizado "pode haver um situação em que um dos funcionários considerados pela Fiscalização (...) e que labora na Impugnante desde os anos 80 somente recebeu somente quatro "Gratificações" e; ou "Abonos em todo o seu período de Trabalho ( ... )", isso comprometeria a caracterização da habitualidade; que esses pagamentos foram feitos por liberalidade da impugnante uma vez que não há qualquer ajuste, tácito ou expresso, nos Acordos Coletivos celebrados com os empregados e não haveria qualquer direito dos empregados exigirem seu pagamento. Portanto, os valores pagos a Título de Gratificações ou Abonos não integrariam o contrato de trabalho firmado. Esse fato lhe retiraria a característica de habitualidade; que "( ... ) no que se refere ao empregado Roberto de Carvalho Silva, que recebeu 14 ganhos no período fiscalizado, é questionável o critério da fiscalização, já que o recebimento de duas gratificações por ano (gratificação semestral), ( ... ) vem sendo considerado pelo Superior Tribunal de Justiça como equivalente à participação nos lucros ( ... )"; que em relação ao bônus de permanência pago em 31/07/1999, chamado "Projeto Helen", esses não guardariam qualquer relação com os demais bônus ou gratificações pagas e já teriam sido alcançados pela decadência; que "( ... ) essa verba foi paga como um incentivo ao empregado da empresa (ou de outra empresa do grupo ( ... ) considerado estratégico, para que permanecesse em seus quadros em um período de mudanças societárias e estruturais ( ... )" e que o Bônus de Permanência pago a outras pessoas do grupo, foram considerados, indevidamente, pela fiscalização, como Contribuintes Individuas, quando na realidade seriam empregados já que a impugnante seria a empresa controladora de seu Grupo Econômico; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.149 7 que com relação à Participação nos Lucros e nos Resultados, "os supostos" fatos geradores das contribuições incidentes sobre essa rubrica anteriores a outubro de 2001 teriam sido alcançados pela decadência; que ao considerar como integrantes do Salário de Contribuição verbas pagas pela impugnante a seus empregados a título de participação nos lucros e resultados, a fiscalização pretendeu fazer incidir contribuições de forma descabida; que o descumprimento das formalidades exigidas pela legislação que trata da Participação dos Lucros e Resultados, "( ... ) não implica na perda da natureza de Participação nos Lucros, que segundo o próprio texto constitucional é "desvinculada da remuneração" (art. 7º XI, da CF/88) ( ... )" e que "tal natureza independe de regulamentação por lei infraconstitucional para ser aplicada"; que "( ... ) a fiscalização não tem razão ao afirmar que não foi apresentado regulamento ou acordo exigido pela Lei 10.101/2000 (...)" que esses documentos foram apresentados e estão anexados à defesa; que talvez o fiscal tenha desconsiderado a apresentação de tais documentos por terem sido firmados pela empresa que foi sucedida pela Impugnante no que toca à folha de empregados e pagamento da PLR (Morro Velho Mineração S. A); que tal sucessão se verifica conforme "protocolo de cisão parcial de justificação" e da ata de reunião dos sócios da Mineração Morro Velho, ambos de 01 de abril de 2004; que em relação às rubricas pagas indevidamente como verbas de rescisão, a impugnante promoverá o recolhimento dos valores correspondentes; que em relação aos "supostos" fatos geradores das contribuições incidentes + sobre o Salário Maternidade anteriores a outubro de 2001 estão abrangidos pelo lapso do prazo decadencial; que a fiscalização está equivocada ao considerar Salário de Contribuição os Salários Maternidade pagos tendo em vista "( ... ) que a Lei n° 8.212/191 dispôs abusivamente que a referida verba integra o saláriodecontribuição", uma vez que o mesmo, independentemente de ser pago pelo empregador ou pelo INSS, teria natureza previdenciária e não trabalhista; que seria ilegal e inconstitucional a inclusão do Salário Maternidade como Salário de Contribuição; Com relação ao período não alcançado pela decadência o recorrente efetuou pagamentos em relação a alguns levantamento, tendo assim restados no lançamento os seguintes: ABN ABONO SALARIAL NÃO DECLARADO EM GFIP, GHN GANHOS HABITUAIS NÃO DECL GFIP e PL4 – PLR 2001 NÃO DECLARADA EM GFIP, PL5 Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 PLR 2004 NÃO DECLARADA EM GFIP, PL6 PLR2004 CONFIF NÃO DECLAR GFIP e PL7 PLR DIFERENCA FPG CONTABIL. É o Relatório. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.150 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, passo ao exame. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória; portanto, não é o caso de lançamento por homologação, o que, a depender do pagamento parcial, poderia levar à aplicação do artigo 150, §4º do CTN. Substituição do pólo passivo Requer o recorrente substituição do pólo passivo pela empresa sucessora: Diante das alterações ocorridas, os direitos em discussão no presente processo passaram a ser de titularidade da empresa sucessora, sendo necessária, portanto, a retificação do pólo Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.151 11 ativo da presente demanda, passando a constar ANGLOGOLD ASHANTI CÓRREGO DO SÍTIO MINERAÇÃO S/A. Tratase de questão a ser examinada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do recorrente, órgão preparador do processo e a quem competirá a cobrança do crédito; portanto, não conheço do pedido. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. No mérito Abono Quanto ao abono salarial, assim fundamenta a fiscalização: Abono Salarial Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.152 13 A empresa estabeleceu com seus empregados acordos individuais plúrimos, resultantes de negociações diretas entre as partes, e concedeu a todos os trabalhadores em atividade abono salarial a ser pago em parcela única (vide cópia em anexo de parte do acordo de 2002). Afirma que este é desvinculado do salário, na forma do item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991: O artigo 28 da Lei nº 8.212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7) recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Por sua vez o Decreto nº 3.265/99 alterou a redação do artigo 214 dada pelo decreto nº 3048/99, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 214 Entende por salário de contribuição (...) § 9º não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) V as importância recebidas a título de: (...) j) os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Por outro lado o artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT ao definir a remuneração do empregado, determina que integram o salário do empregado, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os abonos possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado, podendo a lei, é certo, retirar essa natureza dos abonos pagos pelo empregador. É o que prevê o art. 28, §9º alínea “e” item 7, quando diz que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. Não têm o mesmo efeito as disposições entre as partes formalizadas através de acordos coletivos de trabalho, conforme dispõe o artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. A dita “expressa desvinculação” não pode alcançar o caso em tela, em que fruto da livre negociação entre empregador e empregado foi pago a esse último, ainda que em uma única vez, determinado valor imediatamente após a sua contratação. No entanto, através do Parecer PGFN/CRJ/nº 2.114/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Abono único. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. ... 20. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Assim, pela falta de interesse do órgão competente para a defesa administrativa e judicial do crédito tributário sobre o abono único e pela jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, inclinome à tese pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o aludido abono para que sejam excluídos da autuação os valores proporcionais de multa a ele relativos. Ganhos habituais Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.153 15 Tratamse de rubricas pagas, segundo a fiscalização, em periodicidade que afasta a natureza eventual: A empresa concedeu a vários empregados ganhos gratificação especial, bônus, bônus de permanência, entre outros. As gratificações e os bônus estão relacionados na folha de pagamento, com exceção dos bônus de permanência, que foram determinados pela análise da contabilidade. Quanto às rubricas assim consideradas, a recorrente reconhece a ausência de acordos ou convenção. Os pagamentos seriam uma liberalidade. Quanto ao bônus de permanência, reconhece também que o propósito seria o incentivo para a manutenção nos quadros de empregados dos segurados considerados estratégicos para o negócio empresarial: que esses pagamentos foram feitos por liberalidade da impugnante uma vez que não há qualquer ajuste, tácito ou expresso, nos Acordos Coletivos celebrados com os empregados e não haveria qualquer direito dos empregados exigirem seu pagamento. Portanto, os valores pagos a Título de Gratificações ou Abonos não integrariam o contrato de trabalho firmado. Esse fato lhe retiraria a característica de habitualidade; ... que "(.. ) essa verba foi paga como um incentivo ao empregado da empresa (ou de outra empresa do grupo ( ... ) considerado estratégico, para que permanecesse em seus quadros em um período de mudanças societárias e estruturais ( ... )" e que o Bônus de Permanência pago a outras pessoas do grupo, foram considerados, indevidamente, pela fiscalização Vêse que de fato tais pagamentos se caracterizam como salário de contribuição, conforme dispõe o artigo 28 da Lei nº 8.212/91. Eles não são ganhos eventuais e também não decorrem de acordos com os empregados; características essas dos abonos únicos. Assim, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.154 17 envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Porém, caso seja fixada como meta alguma avaliação do empregado, essa regra deverá ser cumprida. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, considerou que somente os pagamentos realizados no decurso dos anos de 2002 e 2003 seriam de fato PLR, já que somente para os anosbase de 2001 e 2002 a recorrente apresentou acordos regulando o benefício: A empresa pagou a seus empregados valores a título de Participações nos Lucros ou Resultados — PLR no início dos anos de 1998 a 2004. Foi solicitado através de TIAD de 31/0112006 o Regulamento da participação nos lucros ou resultados e também através de outro TIAD de 12/05/2006. A empresa apresentou somente aqueles referentes aos anosbase 2001 e 2002. Estes regulamentos ou acordos são exigidos pela Lei 10.101/2000 para que esta rubrica não seja considera saláriodecontribuição, sem incidência de contribuições previdenciárias. A recorrente juntou aos autos termo de cisão datado de 13/02/2004 da empresa Mineração Morro Velho Ltda com versão para a empresa Mineração Anglogold Ltda, ora recorrente. As empresas já faziam parte do mesmo grupo econômico, fls. 569. Com esse documento tenta justificar que os acordos de PLR também trazidos aos autos da empresa Mineração Morro Velho Ltda se prestariam para fins da Lei nº 10.101/2000. Antes do julgamento o processo foi baixado em diligência pelas seguintes razões: 3. Ocorre que em sua defesa de folhas 471/582, a empresa juntou aos autos os acordos exigidos pela Lei 10.101/2000, para todo o período fiscalizado. A fiscalização respondeu que somente foram considerados os acordos assinados com os empregados da Mineração Anglogold Ltda. Alega a recorrente que após a cisão os segurados empregados da Mineração Morro Velho Ltda foram transferidos para a Mineração Anglogold Ltda, o que justificaria que em relação a eles sejam aplicados os acordos celebrados em nome da Mineração Morro Velho Ltda: A partir da referida transferência parcial de seu patrimônio; inclusive quadro de empregados, direitos e deveres decorrentes, ficou a cargo da Mineração Morro Velho somente a administração das atividades imobiliárias do grupo. Acontece que os instrumentos de negociação da PLR com comissão de empregados da Mineração Morro Velho Ltda não podem, de fato, alcançar todo o período do lançamento e nem todos os empregados da recorrente. À época do lançamento, em 05/10/2006, havia no quadro de empregados da recorrente tanto seus próprios segurados como aqueles provenientes da Mineração Morro Velho Ltda. Para esses últimos, a regularidade no pagamento de PLR no período anterior a 13/02/2004 deve ser examinada nos instrumentos de PLR da Mineração Morro Velho Ltda vigente à época. Como exemplo, foi juntado o acordo coletivo do ano base 2003, fls. 538, cujo pagamento ocorreu em 18/02/2004. Embora, como se vê, o pagamento tenha ocorrido após a cisão e transferência dos segurados empregados, teve por base o exercício de 2003, quando a Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.155 19 PLR para os segurados oriundos da Mineração Morro Velho Ltda era regulada não pelos acordos da recorrente, mas da própria cindida Mineração Morro Velho Ltda. Já com relação ao período após a data de cisão, 13/02/2004, os acordos da Mineração Morro Velho Ltda somente se aplicam aos segurados que lá permaneceram, que não são objeto do lançamento. Lembrando que a recorrente explica que a cindida manteve as atividades de administração das atividades imobiliárias do grupo, o que requer um quadro de empregados próprio. Retornando aos acordos relativos aos segurados oriundos da cindida e anteriores à cisão, a fiscalização, no entanto, não examinou o conteúdo de quaisquer desses acordos, o que, assim, não fez dos fundamentos do lançamento. Considerando que o artigo 18, §3º do Decreto nº 70.235/72 com o julgamento de primeira torna preclusa a possibilidade de alteração dos fundamentos que sustentam o lançamento tributário, os valores relativos aos segurados oriundos da cindida com base em acordos anteriores à data de cisão, não alcançados pela decadência, devem ser excluídos do lançamento por vício material: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.156 21 dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria fundamentação da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.157 23 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.158 25 valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.159 27 Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.834 S2C4T2 Fl. 1.160 29 pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da multa aplicada os valores relativos: Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 a) aos pagamentos de PLR aos segurados oriundos da empresa cindida decorrentes de acordos por ela celebrado no período anterior à data de cisão; e b) ao pagamento do abono salarial. E, ao final, a multa aplicada seja deve ser comparada com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10280.002087/00-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/1997 a 01/09/1997
EMENTA:
CREDITO PRESUMIDO - ENERGIA ELÉTRICA PARA OBTENÇÃO DE ALUMINIO. No processo produtivo do alumínio a energia elétrica é insumo predominante. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.429
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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No processo produtivo do alumínio a energia elétrica é insumo predominante. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 20 87 /0 0- 14 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 2 Relatório Em Recurso Especial de fls. 419/434, admitido pelo Despacho nº 340000.630, de fl. 440, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão nº 340100.950 (fls. 386/389) que deu provimento parcial ao recurso voluntário para admitir, no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, a inclusão da energia elétrica consumida no processo de eletrólise e dos materiais refratários utilizados nos cadinhos e fornos de fundição. O acórdão recorrido tem a seguinte emeta: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MÁTÉRIA – PRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. São considerados matériaprima e produto intermediário somente os insumos que sofrem desgaste ou são consumidos em decorrência de ação direta com o produto em fabricação. ERNERGIA ELÉTRIA. PRODUTÇÃO DE ALUMÍNIO, ELETRÓLISE. Na reação de eltrólise a energia elétrica é cosumida em ação direta com a alumina, gerando o alumino como produto final. Recurso provido em parte.. A Fazenda Nacional por seu Ilustre Procurador afirma que o acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise sobre a matéria adotando interpretação divergente da de outros órgãos deste CARF. Discorre sobre o objetivo da Lei nº 9.363/96 que é a desoneração fiscal das contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as aquisições de matérias – primas, produtos intermediários e material de embalagem no mercado interno, para utilização no processo produtivo do produtor exportador. Expõe que o inciso I do art. 66 do RIPI/79 corresponde ao inciso I do art. 82 do RIPI/82 para justificar que somente os bens que mesmo não se integrando ao novo produto forem consumidos no processo de industrialização, é que, podem justificar a natureza jurídica de produtos intermediários, ao contrário da energia elétrica utilizada como fonte de energia motriz, eletromagnética ou térmica. Transcreve texto do Parecer Normativo CST nº 65 fl. 404/406. Contrarrazões nas fls. onde a Contribuinte discorda da divergência apresentada porquanto o paradigma é de 08.11.2006 não representando o entendimento que hoje é adotado quando se trata do processo de eletrólise e dos materiais refratários utilizados nos cadinhos e fornos de fundição. Analisa o Parecer Normativo CST 65/79, subitens 10.1 e 11.1 e destaca os itens 10.2, verbis “ A expressão consumidos, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente” constantes do dispositivo do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida.” Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 10280.002087/0014 Acórdão n.º 9303002.429 CSRFT3 Fl. 507 3 É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido entendeu que na reação de eletrólise a energia elétrica é consumida em ação direta com a alumina, gerando o alumínio como produto final. Utilizo como na decisão da Câmara Baixa o entendimento contido no item 4.2 do Parecer normativo CST nº 65/79 no sentido de que somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integram nem sejam consumidos na operação de industrialização. Assim, de fato, a energia elétrica na obtenção do alumínio é insumo de aplicação muito relevante no processo industrial mesmo não se integrando ao produto final. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de agosto de 2013. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Numero do processo: 10746.720649/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ausência de intimação dos sujeitos passivos solidários, no curso da fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração, não torna nulo o lançamento. Os devedores solidários devem ser intimados do inteiro teor da autuação, aplicando-se, a partir daí, as regras inerentes ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.
MULTA DE OFÍCIO. MASSA FALIDA. ART. 23, III, DA ANTIGA LEI DE FALÊNCIAS.
Não podem ser reclamados na falência a multa de ofício contra empresa cuja falência já tinha sido decretada, durante a vigência do art. 23, III, do Decreto-lei nº 7.661/1945. Súmulas STF 195 e 565. Precedentes de ambas as turmas que compõem a 1ª Seção do STJ.
Entretanto, a exoneração da multa de ofício deve ocorrer em momento posterior à constituição do crédito tributário, sendo lícita sua inclusão no auto de infração. Cabe à autoridade competente excluir a mencionada penalidade, na fase de execução da dívida. Precedentes do CARF.
JUROS DE MORA. MASSA FALIDA. ART. 26 DA ANTIGA LEI DE FALÊNCIAS.
O auto de infração deve ser lavrado com a inclusão dos juros de mora, mesmo contra a massa falida, exceto se existir prova inequívoca de que não houve sobra dos ativos desta.
Inexistindo tal prova, devem ser incluídos os juros de mora no lançamento tributário, cabendo, posteriormente, ao Juízo competente apurar se houve sobra do ativo da massa falida, depois de pago o valor principal aos credores, a fim de verificar, consequentemente, se são devidos ou não os juros de mora, vencidos depois da decretação da falência. Inteligência do art. 26 do Decreto-lei nº 7.661/1945. Precedentes do STJ e do CARF.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIRETORIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. INADIMPLÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O descumprimento de obrigações principais ou de obrigações acessórias (v. g., DCTF, DACON, DIPJ) não configura, por si só, infração legal que possibilite o enquadramento nos termos do art. 135, III, do CTN. Remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
Preliminar rejeitada. Recurso voluntário da contribuinte negado. Recurso voluntário dos responsáveis solidários providos.
Numero da decisão: 3202-000.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte. Quanto ao recurso voluntário apresentado pelos responsáveis solidários, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração,e, no mérito, dar provimento ao recurso
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Correa e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência de intimação dos sujeitos passivos solidários, no curso da fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração, não torna nulo o lançamento. Os devedores solidários devem ser intimados do inteiro teor da autuação, aplicando-se, a partir daí, as regras inerentes ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. MULTA DE OFÍCIO. MASSA FALIDA. ART. 23, III, DA ANTIGA LEI DE FALÊNCIAS. Não podem ser reclamados na falência a multa de ofício contra empresa cuja falência já tinha sido decretada, durante a vigência do art. 23, III, do Decreto-lei nº 7.661/1945. Súmulas STF 195 e 565. Precedentes de ambas as turmas que compõem a 1ª Seção do STJ. Entretanto, a exoneração da multa de ofício deve ocorrer em momento posterior à constituição do crédito tributário, sendo lícita sua inclusão no auto de infração. Cabe à autoridade competente excluir a mencionada penalidade, na fase de execução da dívida. Precedentes do CARF. JUROS DE MORA. MASSA FALIDA. ART. 26 DA ANTIGA LEI DE FALÊNCIAS. O auto de infração deve ser lavrado com a inclusão dos juros de mora, mesmo contra a massa falida, exceto se existir prova inequívoca de que não houve sobra dos ativos desta. Inexistindo tal prova, devem ser incluídos os juros de mora no lançamento tributário, cabendo, posteriormente, ao Juízo competente apurar se houve sobra do ativo da massa falida, depois de pago o valor principal aos credores, a fim de verificar, consequentemente, se são devidos ou não os juros de mora, vencidos depois da decretação da falência. Inteligência do art. 26 do Decreto-lei nº 7.661/1945. Precedentes do STJ e do CARF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIRETORIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. INADIMPLÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O descumprimento de obrigações principais ou de obrigações acessórias (v. g., DCTF, DACON, DIPJ) não configura, por si só, infração legal que possibilite o enquadramento nos termos do art. 135, III, do CTN. Remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário da contribuinte negado. Recurso voluntário dos responsáveis solidários providos.
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INTIMAÇÃO DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência de intimação dos sujeitos passivos solidários, no curso da fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração, não torna nulo o lançamento. Os devedores solidários devem ser intimados do inteiro teor da autuação, aplicandose, a partir daí, as regras inerentes ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. MULTA DE OFÍCIO. MASSA FALIDA. ART. 23, III, DA ANTIGA LEI DE FALÊNCIAS. Não podem ser reclamados na falência a multa de ofício contra empresa cuja falência já tinha sido decretada, durante a vigência do art. 23, III, do Decreto lei nº 7.661/1945. Súmulas STF 195 e 565. Precedentes de ambas as turmas que compõem a 1ª Seção do STJ. Entretanto, a exoneração da multa de ofício deve ocorrer em momento posterior à constituição do crédito tributário, sendo lícita sua inclusão no auto de infração. Cabe à autoridade competente excluir a mencionada penalidade, na fase de execução da dívida. Precedentes do CARF. JUROS DE MORA. MASSA FALIDA. ART. 26 DA ANTIGA LEI DE FALÊNCIAS. O auto de infração deve ser lavrado com a inclusão dos juros de mora, mesmo contra a massa falida, exceto se existir prova inequívoca de que não houve sobra dos ativos desta. Inexistindo tal prova, devem ser incluídos os juros de mora no lançamento tributário, cabendo, posteriormente, ao Juízo competente apurar se houve AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 06 49 /2 01 1- 41 Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 sobra do ativo da massa falida, depois de pago o valor principal aos credores, a fim de verificar, consequentemente, se são devidos ou não os juros de mora, vencidos depois da decretação da falência. Inteligência do art. 26 do Decreto lei nº 7.661/1945. Precedentes do STJ e do CARF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIRETORIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. INADIMPLÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O descumprimento de obrigações principais ou de obrigações acessórias (v. g., DCTF, DACON, DIPJ) não configura, por si só, infração legal que possibilite o enquadramento nos termos do art. 135, III, do CTN. Remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário da contribuinte negado. Recurso voluntário dos responsáveis solidários providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte. Quanto ao recurso voluntário apresentado pelos responsáveis solidários, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração,e, no mérito, dar provimento ao recurso Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Correa e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Contra a contribuinte COLORIN INDUSTRIAL S/A foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 2.780.036,30 e R$ 616.823,32, para exigência de Cofins e de contribuição para o PIS, respectivamente, relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007. No decorrer do procedimento, a fiscalização constatou que os bens móveis e imóveis, bem como direitos sobre a marca comercial da empresa fiscalizada foram arrecadados no processo de falência da ENCOL S/A Engenharia Comércio e Indústria, CNPJ 01.556.141/000158, e vendidos por meio de leilão em 27/09/2007. Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.004 3 Entendeu a autoridade fiscal que, como houve a extensão dos efeitos da falência da ENCOL S/A para a empresa fiscalizada, os livros e demais documentos da Colorín Industrial S/A deveriam estar de posse da Massa Falida da ENCOL. A autoridade fiscal considerou, ainda, que a conduta do sujeito passivo incorreu em prática de sonegação, de acordo com o definido no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, razão pela qual aplicou a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso I e § 1o, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488 de 15/06/2007. Por fim, procedeu o agente fiscal à lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária individualizado para os administradores judiciais à época do período fiscalizado, Senhores Cleidson Alves Franco, CPF 360.614.25104, e Edmundo Brandão Calil, CPF 132.348.54149, com base no art. 135, inciso III, do CTN. Contra a autuação, o Senhor Síndico da Massa Falida da ENCOL S/A apresentou a impugnação, pedindo que fosse julgado improcedente o lançamento tributário, na parte alusiva à multa e aos juros de mora (fls. 2.899 e ss.). Igualmente, cientificados dos lançamentos, na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, Cleidson Alves Franco, CPF 360.614.25104, e Edmundo Brandão Calil, CPF 132.348.54149, apresentaram a impugnação de fls. 2.912/2.915 (peça única), pugnado pela improcedência da autuação. Apreciando as defesas dos sujeitos passivos, a DRJ julgou procedente o lançamento (fls. 2.934 e ss.). De acordo com o acórdão recorrido, é devida a cobrança dos juros e da multa de ofício da massa falida, porque os arts. 23, III, e 26 do Decretolei nº 7.661/1945 (antiga Lei de Falências), aplicáveis a presente falência decretada, em 25/03/1999 (fl. 13), por força do art. 192 da Lei nº 11.101/2005 (atual Lei de Falência e Recuperação de empresas), não se aplicaria no âmbito tributário, regido pelo art. 142 e pelo art. 161 do CTN. Confirase: Examinandose as demais razões de impugnação apresentadas pelo Senhor Síndico da Massa Falida da ENCOL S/A, concluise que o litígio se limita a dois aspectos o cabimento ou não da exigência de multa de ofício e de juros de mora da Massa Falida da ENCOL S/A, pois, repitase, a impugnante expressamente declara que não obsta ao pagamento do crédito tributário, desde que o Juízo universal autorize o seu pagamento. Todavia, a alegação da impugnante de que, por ser massa falida, não lhe seria exigível multa nem juros de mora não merece ser acolhida, se não vejamos. O artigo 23 do Decretolei nº 7.661, de 26 de junho de 1945 (antiga Lei de Falências), aplicável ao presente caso por força do art. 192 da Lei nº 11.101, de 2005 (atual Lei de Falência e Recuperação de empresas), dispõe, in verbis: “Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas.” Segundo o dispositivo acima transcrito, não poderiam ser reclamados na falência as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. Ocorre que, consoante jurisprudência administrativa dominante, o referido comando legal trata da execução concursal de débitos, e não da constituição do crédito tributário, que é vinculada e obrigatória. Portanto, uma vez surgida a obrigação tributária, com a ocorrência do fato gerador, surge também para a Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: [...] Assim, a multa de ofício integra o lançamento original, com base no artigo 142 do CTN, e os juros de mora serão calculados no momento do pagamento e acrescidos ao crédito tributário lançado, por força do artigo 161 do CTN, in verbis: [...] Quanto às impugnações dos responsáveis solidários, a DRJ entendeu que não é causa de nulidade a ausência de intimação dos mesmos no curso da fiscalização, já que a ampla defesa e o contraditório devem ser realizados depois de instaurado o procedimento administrativo fiscal, inaugurado pelo auto de infração. Também entendeu correta a atribuição de responsabilidade tributária aos mesmos, na forma do art. 135, III, do CTN. Leiase: Registrese, a propósito, que o alvará judicial (fl. 2.842) de nomeação dos referidos administradores, Sr. Cleidson, diretor geral, e Sr. Edmundo, diretor administrativofinanceiro, foi assinado por juiz de direito em 23/04/2004, antes, portanto, dos períodos objeto de lançamento. Já a destituição das referidas funções se deu em 28/09/2007, conforme despacho exarado pelo Juiz da falência nos autos do processo nº 1444/99. [...] Irresignados, os mencionados exadministradores judiciais da COLORIN apresentaram impugnação, da qual se extraem, em síntese, as seguintes razões de defesa: (1) nunca foram intimados pela fiscalização para a apresentação de livros e documentos, (2) todas as suas prestações de contas foram aprovadas pelo Ministério Público e (3) não agiram com excesso de poderes nem infringiram a lei. Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.005 5 Portanto, releva observar que a referida impugnação não se insurge quanto ao mérito do lançamento. Em outras palavras, não se insurgem os impugnantes contra o procedimento fiscal que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação, identificou a base de cálculo da penalidade, a alíquota aplicável, etc; ou seja, não suscitam os suplicantes qualquer desconformidade do feito fiscal com a legislação de regência. [...] Por outro lado, o fato de os exadministradores não terem sido diretamente intimados pela fiscalização, para a apresentação de livros e documentos não implica, por si só, cerceamento de defesa, como parecem entender os impugnantes. Nesse ponto, vale apresentar a distinção entre procedimento e processo, no âmbito administrativo tributário, didaticamente exposta por Marcos Vinicius Neder e Teresa Martínez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, ed. Dialética, 2ª edição, p. 87, litteris: “(...) o processo administrativo fiscal é composto de dois momentos distintos: o primeiro caracterizase por procedimento em que são prolatados os atos inerentes ao poder fiscalizatório da autoridade administrativa cuja finalidade é verificar o correto cumprimento dos deveres tributários por parte do contribuinte, examinando registros contábeis, pagamentos, retenções na fonte, culminando com o lançamento. Este é, portanto, o ato final que reconhece a existência da obrigação tributária e constitui o respectivo crédito, vale dizer, cria o direito da pretensão estatal. Nesta fase, a atividade administrativa pode ser inquisitória e destinada tão somente à formalização da exigência fiscal. O segundo iniciase com o inconformismo do contribuinte em face da exigência fiscal ou, nos casos de iniciativa do contribuinte, com a decisão denegatória do direito pleiteado. A partir daí está formalizado o conflito de interesses, momento em que se considera existente um verdadeiro processo, impondose a aplicação dos princípios inerentes ao devido processo legal, entre eles o da ampla defesa e o do contraditório. (...)” Portanto, uma vez instaurado o litígio, com a impugnação apresentada, caberia aos impugnantes carrear aos autos, agora nesta fase processual, os documentos que alegam possuir. Não o fazendo, deixaram os exadministradores de observar a lei processual administrativa tributária (Decreto n.º 70.235, de 1972, artigo 16, inciso III), que dispõe, in verbis: [...] Rejeito, pois, as alegações dos impugnantes nesse particular. Quanto à alegação dos exadministradores judiciais de que tiveram todas as suas prestações de contas aprovadas pelo Ministério Público, cabe ressaltar que esse fato, por si só, não Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 tem o condão de produzir qualquer efeito no procedimento fiscal desencadeado pela fiscalização tributária federal. Isso porque, consoante Decreto nº 7.482, de 16/05/2011, é da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão específico, singular, subordinado ao Ministério da Fazenda, a administração dos tributos de competência da União, inclusive os previdenciários, e aqueles incidentes sobre o comércio exterior, abrangendo parte significativa das contribuições sociais do País. Portanto, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil, e não ao Ministério Público, verificar o fiel cumprimento da legislação tributária federal por parte dos contribuintes. Rejeito, assim, as alegações dos impugnantes nesse tema. Por fim, no que se refere à alegação dos exadministradores judiciais de que não agiram com excesso de poderes nem infringiram a lei, e que, por isso, não poderiam responder solidariamente pelo crédito tributário apurado, melhor sorte não assiste aos impugnantes. Apontou a autoridade fiscal, como fundamento para a responsabilização solidária de terceiros, o art. 135, III do CTN, in verbis: [...] Em que pese o caput desse artigo mencionar "pessoalmente responsáveis", trata este artigo de responsabilidade solidária, conforme entendimento manifestado no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que, tomando por base a jurisprudência do STJ, assim concluiu, pois observou que, apesar de o Superior Tribunal de Justiça tratar a responsabilidade como subsidiária, ele aceita a execução concomitante da pessoa jurídica e dos sócios. [...] Já no que diz respeito ao elemento subjetivo, concluiu o item 59 do mencionado parecer que se exige apenas o dolo gênero e não o dolo espécie. No caso sob exame, o agente fiscal constatou que, em relação aos meses dos anos de 2006 e 2007, o contribuinte COLORIN não entregou nenhuma DCTF, tampouco realizou qualquer recolhimento de PIS ou de Cofins. Também não houve entrega do DACON para o período. Por outro lado, para o ano de 2006, constatou a autoridade fiscal que o sujeito passivo apurou e escriturou, pelo regime nãocumulativo, as duas contribuições sociais. Já a partir de jan/2007, verificou a autoridade fiscal que o sujeito passivo não apurou o PIS/Cofins da mesma forma. Inclusive, não escriturou em seus livros contábeis o PIS/Cofins a recolher ou o PIS/Cofins sobre o faturamento. No entanto, permaneceu escriturando os créditos das contribuições na conta PIS/Cofins a compensar. Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.006 7 Essas omissões, à toda evidência, muito embora não expressamente apontada pelo autor do procedimento, foram praticados com infração à Lei Complementar nº 7, de 1970, Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, cujos dispositivos legais infringidos estão indicados nos autos de infração (fls. 2.849/2.854 e 2.861/2.866). Ademais, por se tratar de prática reiterada por parte do contribuinte, visto que a omissão ocorreu nos diversos meses do período fiscalizado (anos de 2006 e 2007), a conduta adotada pelo sujeito passivo caracteriza sonegação, de acordo com o definido no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964. Rejeito, também, as alegações dos impugnantes nesse particular. Cientificados do acórdão, acima destacado, a empresa (fls. 2.970 e ss.) e os sujeitos passivos solidários (fls. 2.955 e ss.) apresentaram recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar nula ou improcedente a autuação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, serem conhecidos. Do recurso voluntário da Massa Falida Examino, primeiramente, o recurso voluntário da Massa Falida, que se restringe a discutir se são devidos juros e multa de ofício da Massa Falida, em face do disposto nos arts. 23, III, e 26 do Decretolei nº 7.661/1945. In verbis: Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: [...] III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. ******* Art. 26. Contra a massa não correm juros, ainda que estipulados forem, se o ativo apurado não bastar para o pagamento do principal. Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 Parágrafo único. Excetuamse desta disposição os juros das debêntures e dos créditos com garantia real, mas por êles responde, exclusivamente, o produto dos bens que constituem a garantia. Observo, de logo, que a multa fiscal com efeito de pena administrativa, inclusive a multa moratória, não pode ser reclamada na falência, de acordo com súmulas do Supremo Tribunal Federal, consoante se lê abaixo: STF Súmula nº 192 13/12/1963 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. STF Súmula nº 565 15/12/1976 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência. Ao seu turno, o colendo Superior Tribunal de Justiça acolheu a vetusta jurisprudência do STF, como se percebe do recente julgado da 1ª Turma da Corte Superior, aplicando jurisprudência dominante da 1ª Seção do mesmo Tribunal, sobre o tema da multa tributária contra a massa falida e, também, sobre os critérios de aplicação dos juros nessa hipótese: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. MASSA FALIDA. JUROS DE MORA. MULTA MORATÓRIA. DEVIDOS ATÉ A DATA DA QUEBRA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "Na execução fiscal movida contra a massa falida não incide multa moratória, consoante as Súmulas 192 e 565 da Suprema Corte, e art.23, parágrafo único, III do DecretoLei 7.661/45" (REsp 949.319/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 10/12/07). 2. "Na hipótese em que decretada a falência de empresa, cabíveis os juros moratórios antes da quebra, sendo irrelevante a existência do ativo suficiente para pagamento de todo o débito principal, mas após essa data, são devidos somente quando há sobra do ativo apurado para pagamento do principal" (REsp 824.982/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJ 26/5/06). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 185.841/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/05/2013, DJe 09/05/2013) A douta 3ªT/4ªC/3ªS do CARF possui precedentes no mesmo sentido, inclusive do CSRF, destacando que tanto a multa de mora quanto a multa de ofício são indevidas da massa falida e que os juros de mora somente incidem se houver sobra do ativo da massa falida. Leiase: CARF 3a. Seção / 3a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 3403 00.385 em 25/05/2010 Assunto: PIS. Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.007 9 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL E FALÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA, IMPOSSIBILIDADE. EDITADO EM 26/07/2010 Após a decretação da liquidação extrajudicial ou da falência não cabe a imposição de multa, seja de mora seja de oficio, por força do art. 18, "f", da Lei n° 6.024/74, bem como pela aplicação sistemática do art. 34 desta mesma Lei com o art. 23, p.u., III, do DecretoLei n° 7.661/45, combinados todos com a Súmula STF/565, Precedentes (RESP 532.539, DI 16/11/2004; Acórdão CSRF/0105.387 j. 20/03/2006; Acórdão CSRF/01 05.389, j. 20/03/2006). LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL E FALÊNCIA. APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. O art. 26 do DecretoLei n° 7.661/45 e o art. 18 da Lei n° 6.024/74 condicionam a fluência dos juros, após a decretação da liquidação extrajudicial ou da falência, à sobra de ativo depois do pagamento do principal. Ou seja, se depois do pagamento do principal ainda houver sobra de ativo, correrão e serão legalmente exigidos e pagos os juros. Precedentes (RESP 532.539, DJ 16/11/2004; REsp 761.755, DJ 27/08/2007). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento o fato gerador de janeiro de 1998, em razão da decadência, nos termos do voto do Relator. Publicado no DOU em: 24.03.2011 Recorrente: MASSA FALIDA DE UNIAUTO ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA Recorrida: FAZENDA NACIONAL Entretanto, entendo que, na fase de constituição do crédito tributário, não há impedimento legal à cominação de multa de ofício ou de mora. Estas somente não podem ser cobradas no processo de execução, cabendo à autoridade competente apreciar sua exigibilidade nessa fase. Nesse sentido, confirase o seguinte precedente da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/1ª seção CARF, cujas razões integro ao fundamento do presente Voto: EMENTA: MASSA FALIDA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos em lançamento fiscal decorrem de disposição legal, não havendo norma tributária que os dispense, no caso de empresas em estado Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 falimentar, na fase de constituição do crédito tributário.[PAF nº 10665.000810/200608. VOTO: [...] Tal questão não é nova, já tendo sido enfrentada inclusive pela Câmara Superior Recursos Fiscais em ano tão remoto quanto o de 1981, consoante trecho abaixo reproduzido, aqui extraído do voto da i. Cons. Márcia Maria Loria Meira no acórdão 10806.213, proferido na sessão de 18 de agosto de 2000: “Neste sentido, o Acórdão n° CSRF/0101.187, de 26/11/81, da lavra do Eminente ex Conselheiro Luiz Miranda, abaixo transcrito: ‘Data Venia, tal entendimento não poderá prosperar, tendo em vista que a multa não poderá ser excluída na fase administrativa. O disposto legal retro citado apenas dispõe que a multa fiscal não concorrerá com os demais créditos ao monte na falência...” No caso de excluir a multa, corretamente aplicada, o Conselheiro Harry Conrado Schuller, ao prolatar o seu voto no Acórdão n°10302.126, declara que tal exclusão desfiguraria a infração contida, de que é conseqüência, pois a sua eventual dispensa tornaria inviável sua exigibilidade dos administradores, nos casos de responsabilidade solidária ou responsabilidade pessoal, inclusive obstada eventual ação criminal contra os mesmos. Além do mais, deve ser salientado que a exclusão da multa somente poderá ocorrer em Juízo, no processo falimentar, e não antes, caso contrário, na hipótese da reversão do estado falimentar, a Administração Fiscal jamais poderia vir a exigir o seu montante.’ (...)”De fato, a inexigência da multa de ofício, nestes casos, somente pode vir a se dar em momento posterior à discussão administrativa. Se por um lado as súmulas e acórdãos trazidos pela recorrente confirmam a não exigência desta na fase de cobrança, por outro a Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), estabelece que, verbis: “Art. 5°. A competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata, da liquidação, da insolvência ou do inventário. Art. 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento. (...)”Analisando a questão deste aparente conflito entre o disposto no artigo 23 da Lei de Falências, e o artigo 29 da Lei de Execuções Fiscais, assim se pronunciou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN nº 1.400/99: “Em assim sendo, tornouse pacífico nos tribunais pátrios que o dispositivo da Lei de Falências, analogamente aplicado ao da Lei n° 6.024/74 (art. 18, alínea `f ), não atinge os créditos, cuja Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.008 11 cobrança é regida pela Lei das Execuções Fiscais, em cumprimento ao comando emergente do seu art. 29.” Mais recentemente, toda esta questão envolvendo o lançamento do crédito tributário acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora, no caso de entidades submetidas a regime de falência, foi minuciosamente analisada pelo i. Cons. Antonio Bezerra Neto, em voto proferido em sessão de 29 de junho de 2006 (Acórdão nº 20311.076),a quem peço vênia para transcrever os seguintes trechos: “A análise mais acurada dos preceptivos legais até aqui colacionados revela que, a rigor, não são eles de maior relevância para a hipótese do autos, pois seus comandos regulam uma fase posterior à da constituição do crédito tributário, qual seja, a sua cobrança. A constituição do crédito tributário, cuja legitimidade se está a examinar na presente demanda, incluiu a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com amparo nos artigos 44, I, e 61, § 3, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c artigos 5° e 29° da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, não havendo nenhuma disposição legal que exima tais gravames do contribuinte com falência decretada. Em conseqüência, não poderia a autoridade fiscal autuante furtarse a aplicálos, ante o caráter obrigatório e vinculado de que se reveste o lançamento (art.142, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN). Clara está, portanto, a imposição legal para a inclusão da multa de ofício e dos juros de mora na constituição do crédito tributário, independentemente da decretação da falência do contribuinte. Como já visto, o diploma legal de que se socorreu a impugnante não infirma este entendimento, vez que não se reporta à fase da constituição do crédito, e sim da sua cobrança, ocasião em que – aí sim – será discutida a exigência perante o juízo competente. Nem poderia ser diferente, pois, a priori, nada impede que se reverta o estado falimentar, antes do trânsito em julgado da falência, hipótese em que a Fazenda Pública não poderia exigir os acréscimos legais se já os houvesse excluído quando do lançamento. Por outras palavras, à autoridade fiscal cabe, por dever de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, constituir, pelo lançamento, o crédito tributário em sua totalidade, não lhe sendo atribuída qualquer faculdade discricionária que lhe permitisse se abster de aplicar as penalidades aos dispositivos infringidos. Ao juiz, nos casos de falência, compete, por sua vez, habilitar os créditos reclamados contra a massa falida e, aí sim, nessa oportunidade, obstruir aquelas parcelas cujo seguimento fosse legalmente vedado. [PAF nº 10665.000810/200608. Acórdão nº 110200.710 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/1ª seção] Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 12 Dessa maneira, à luz da jurisprudência administrativa e judicial citadas acima, não assiste razão recurso voluntário quando assentou que o art. 23, III, e o art. 26 do Decretolei nº 7.661/1945 impediria a constituição do crédito tributário com a inclusão de penalidade. Igualmente, quanto aos juros de mora, o art. 26 do Decretolei nº 7.661/1945 diz que são devidos juros de mora, depois do decreto da falência, se houver sobra do ativo da Massa Falida. Caso contrário, será devido somente o principal. Assim, tal com ocorre com as penalidades aplicáveis, todo credor, inclusive o Fisco, deve constituir seu crédito com os juros de mora. Posteriormente, na fase de execução da Massa Falida, caberá ao Juízo competente verificar se são cabíveis o pagamento do principal, adicionados ou não dos juros de mora, conforme exista ou não sobra de ativo, em obediência ao art. 26 do Decretolei nº 7.661/1945. Correto, portanto, o auto de infração que incluiu os juros de mora. Forte nesses argumentos, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário da empresa contribuinte. Recurso voluntário dos responsáveis solidários Passo a examinar o recurso voluntário, interposto em peça única, por ambos os sujeitos passivos solidários, Sr. Cleidson Alves Franco (DiretorGeral) e o Sr. Edmundo Brandão Calil (Diretor AdministrativoFinanceiro). No seu recurso, os recorrentes alegam que o auto de infração seria nulo, porque eles não teriam sido intimados das intimações fiscais que culminaram com a lavratura do auto de infração, o que caracterizaria, na sua ótica, cerceamento de defesa. No entanto, comungo do entendimento de Marcos Vinicius Neder e Teresa Martínez López (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, ed. Dialética, 2ª edição, p. 87), de que o contraditório e ampla defesa são regras ou princípios aplicáveis depois da lavratura do auto de infração, e não no curso da fiscalização. Litteris: “(...) o processo administrativo fiscal é composto de dois momentos distintos: o primeiro caracterizase por procedimento em que são prolatados os atos inerentes ao poder fiscalizatório da autoridade administrativa cuja finalidade é verificar o correto cumprimento dos deveres tributários por parte do contribuinte, examinando registros contábeis, pagamentos, retenções na fonte, culminando com o lançamento. Este é, portanto, o ato final que reconhece a existência da obrigação tributária e constitui o respectivo crédito, vale dizer, cria o direito da pretensão estatal. Nesta fase, a atividade administrativa pode ser inquisitória e destinada tão somente à formalização da exigência fiscal. O segundo iniciase com o inconformismo do contribuinte em face da exigência fiscal ou, nos casos de iniciativa do contribuinte, com a decisão denegatória do direito pleiteado. A partir daí está formalizado o conflito de interesses, momento em que se considera existente um verdadeiro processo, impondose a aplicação dos princípios inerentes ao devido processo legal, entre eles o da ampla defesa e o do contraditório. (...)” Por conseguinte, rejeito a preliminar de nulidade aventada pelos recorrentes. Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.009 13 No que diz respeito à atribuição de responsabilidade aos recorrentes, é preciso avaliar se foi correto o procedimento da fiscalização em relação ao que dispõe o art. 135, III, do CTN. De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 2.845 e 2.847 e com o Relatório Fiscal de fls. 2.880 e ss., a autoridade lançadora imputou a responsabilização de ambos por terem contribuído, na qualidade de diretores da empresa autuada, para o descumprimento a obrigação acessória de entrega da DCTF, DIPJ e da DACON, onde deveria ter sido reconhecida a dívida tributária objeto do lançamento tributário. Todavia, entendo que o simples inadimplemento da obrigação tributária, acessória ou principal, não enseja a responsabilidade solidária dos diretores da empresa, nos termos do art. 135, III, do CTN. Sem divergir dessa interpretação, orientamse a 1ª e 2ª Turmas do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIOGERENTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALÊNCIA. EXIGUIDADE DE BENS. REDIRECIONAMENTO. 1. No STJ o entendimento é de que o simples inadimplemento da obrigação tributária não enseja a responsabilidade solidária do sóciogerente, nos termos do art. 135, III, do CTN. 2. A falência não configura modo irregular de dissolução da sociedade, pois, além de estar prevista legalmente, consiste numa faculdade estabelecida em favor do comerciante impossibilitado de honrar compromissos assumidos. 3. Em qualquer espécie de sociedade comercial, é o patrimônio social que responde sempre e integralmente pelas dívidas sociais. Com a quebra, a massa falida responde pelas obrigações a cargo da pessoa jurídica até o encerramento da falência, só estando autorizado o redirecionamento da Execução Fiscal caso fique demonstrada a prática pelo sócio de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou de infração a lei, contrato social ou estatutos. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 128.924/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 03/09/2012) ****** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SOLIDARIEDADE. ART. 13 DA LEI 8.620/1993. APLICAÇÃO CONJUNTA COM O ART. 135 DO CTN. SIMPLES INADIMPLEMENTO DE DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI. Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 14 1. O redirecionamento com base no art. 13 da Lei 8.620/1993 exige a presença das hipóteses listadas no art. 135 do CTN. Precedentes do STJ. 2. In casu, o Tribunal de origem consignou que a Execução Fiscal originouse de descumprimento de obrigação acessória, culminando no simples inadimplemento do débito. Desse modo, não está configurada a prática de atos com infração à lei ou ao estatuto social. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1082881/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 27/08/2009) ****** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. ART. 135 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 07. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. ART. 40 DA LEI 6.830/80. IMPOSSIBILIDADE. 1. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa, não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias. 2. Precedentes da Corte: ERESP 174.532/PR, DJ 20/08/2001; REsp 513.555/PR, DJ 06/10/2003; AgRg no Ag 613.619/MG, DJ 20.06.2005; REsp 228.030/PR, DJ 13.06.2005. 3. O patrimônio da sociedade deve responder integralmente pelas dívidas fiscais por ela assumidas. 4. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos relativos a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto (art. 135, inc. III, do CTN). 5. O não recolhimento de tributos não configura infração legal que possibilite o enquadramento nos termos do art. 135, inc. III, do CTN. 6. Nos casos de quebra da sociedade, a massa falida responde pelas obrigações da empresa executada até o encerramento da falência, sendo autorizado o redirecionamento da execução fiscal aos administradores somente em caso de comprovação da sua responsabilidade subjetiva, incumbindo ao Fisco a prova de gestão praticada com dolo ou culpa. 7. Revisar o entendimento a que chegou o Tribunal de origem, implicaria, necessariamente, o reexame de provas contidas nos Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10746.720649/201141 Acórdão n.º 3202000.879 S3C2T2 Fl. 3.010 15 autos, o que não é permitido em sede de recurso especial, haja vista o disposto na Súmula 07 deste eg. Tribunal. 8. O art. 40 da Lei 6.830/80 é taxativo ao admitir a suspensão da execução para localização dos codevedores pela dívida tributária; e na ausência de bens sobre os quais possa recair a penhora. [...] 10. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1160981/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/03/2010, DJe 22/03/2010) O CARF, também, tem precedente em igual sentido do Superior Tribuna de Justiça: CARF 3a. Seção / 3a. Turma da 4a. Câmara / Acórdão 3403 00.530, em 26/08/2010. Rel. Robson José Bayer. COFINS ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999, 31/03/2001 a 28/02/2002. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIOS E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA, RESPONSABILIDADE PESSOAL. EXISTÊNCIA DE DOLO NECESSIDADE. A responsabilidade pessoal inserta no art. 1.35, III do Código Tributário Nacional, para sua aplicação, exige a comprovação do caráter doloso da conduta daqueles agentes quando pratiquem atos com excesso de poder ou que infrinjam a lei, contrato social ou estatutos da pessoa jurídica lançada, não se qualificando como doloso o simples inadimplemento de obrigação tributária, como remansoso na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte; REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do Sr. Cleidson Alves Franco (DiretorGeral) e o Sr. Edmundo Brandão Calil (Diretor AdministrativoFinanceiro) para excluir sua atribuição de responsáveis solidários. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 16 Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910090/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 90 /2 01 1- 85 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 32, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910090/201185 Acórdão n.º 3802002.218 S3TE02 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 29/04/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 15/05/2013 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10283.100442/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR ACUMULADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Deve ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição do saldo credor acumulado no Sistema Não-Cumulativo em razão das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS mesmo antes da entrada em vigor da Lei 11.003/04.
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL.
O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não-Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de se pleitear o ressarcimento do saldo credor acumulado. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé e Álvaro Almeida Filho, que também reconheciam a correção monetária dos créditos
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 30/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR ACUMULADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Deve ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição do saldo credor acumulado no Sistema Não-Cumulativo em razão das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS mesmo antes da entrada em vigor da Lei 11.003/04. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL. O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não-Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de se pleitear o ressarcimento do saldo credor acumulado. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé e Álvaro Almeida Filho, que também reconheciam a correção monetária dos créditos (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR ACUMULADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Deve ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição do saldo credor acumulado no Sistema NãoCumulativo de apuração em razão das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, mesmo antes da entrada em vigor da Lei 11.003/04. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL. O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR ACUMULADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Deve ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição do saldo credor acumulado no Sistema NãoCumulativo em razão das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das Contribuições AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 10 04 42 /2 00 4- 11 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 para o PIS/PASEP e da COFINS mesmo antes da entrada em vigor da Lei 11.003/04. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO LEGAL. O pedido de ressarcimento ou compensação lastreado no saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social e para o PIS/Pasep, créditos básicos, não sofrerá nenhum tipo de atualização ou correção monetária, por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de se pleitear o ressarcimento do saldo credor acumulado. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé e Álvaro Almeida Filho, que também reconheciam a correção monetária dos créditos (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (fls. 02/05). 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus deferiu parcialmente o pedido. Reproduzo, a seguir, excertos do despacho decisório de fls. 454/463: I – Com relação ao pedido de ressarcimento em espécie dos créditos apurados na sistemática nãocumulativa do PIS e COFINS, no período de abril/junho e junho/julho do anocalendário de 2004, totalizando a quantia de R$4.777.276,98, decorrentes de custos , despesas e encargos incorporados à fabricação de insumos realizadas pela matriz e suas filiais estabelecidas fora da Fl. 629DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.100442/200411 Acórdão n.º 3102002.006 S3C1T2 Fl. 3 3 ZFM, conforme quadro demonstrativo de apuração do crédito do PIS e da COFINS sobre as aquisições, acostados às fls. 86/93, e , posteriormente, objeto de vendas efetivadas no mercado interno, com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não faz jus pela ausência de previsão legal à época da ocorrência dos fatos geradores, posto que os atos legais que disciplinavam as aludidas exações: Lei nº 10.637/2002, arts. 3º, 5º e 49; Lei nº 10.684/2003, art. 25; Lei nº 10.833/2003, art. 6º, §3º e §4º e art. 15 e IN/SRF/460/2004, art. 21, facultavam tão somente as pessoas jurídicas exportadoras a utilização de seus saldos credores gerados na sistemática da nãocumulatividade a compensar débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, desde que sejam oriundos dos custos, despesas e demais encargos vinculados à receita de exportação. Permitindo, ainda, a possibilidade do pedido de ressarcimento em espécie. Por outro lado, de conformidade com os ditames legais acima transcritos e o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, os créditos pleiteados somente poderão ser utilizados para abatimento do valor devido das contribuições em causa, originárias das operações de vendas no mercado interno. II – No tocante os créditos relativos ao período de apuração agosto e setembro, do anobase 2004, decorrentes da sistemática idêntica à descrita no subitem I supracitado, resultando no saldo remanescente de R$3.266.896,13, constantes dos formulários de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS, fls. 440 e 443, alusivo ao 3º trim/2004, concluímos pelo deferimento do pleito, com fundamento na IN/SRF/600/2005, art. 21, §§5º, 6º, 8º e 9º e art. 22. 3. Irresignada com a decisão da qual tomou ciência em 16.08.2006 (fl. 454), a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em 15.09.2006 (fls. 465/482) alegando: Que seu principal produto seria o cinescópio, o qual seria montado e vendido pelo estabelecimento situado em Manaus; Que os demais insumos utilizados na produção do cinescópio seriam por ela produzidos em outros estabelecimentos; Que a Fiscalização, ao indeferir o pedido de ressarcimento referente ao segundo trimestre de 2004, teria partido da premissa de que os insumos empregados na fabricação dos cinescópios, vendidos na Zona Franca de Manaus, seriam exclusivamente adquiridos na Zona Franca de Manaus; Que seria onerada pelo PIS e pela COFINS ao adquirir insumos para a fabricação de cada uma das partes e peças produzidas em outros Estados; Que o ressarcimento em tela não diria respeito às aquisições de insumos feitas na Zona Franca de Manaus (ZFM), mas sim às aquisições de insumos feitos fora da ZFM; Que a limitação temporal constante do art. 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116/2005, somente faria sentido para a aquisição de insumos realizada dentro da ZFM. Isto porque a Lei nº 10.637/2002 só teria sido dotada de eficácia a partir da vigência da Lei nº 10.925/04, quando a alíquota do PIS e da COFINS teria sido reduzida a zero para aquisição de insumos dentro da ZFM; Fl. 630DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 Que as vendas realizadas para e dentro da ZFM seriam equiparadas às exportações, razão pela qual deveria ser aplicado o art. 5A da Lei nº 10.637/2002 ao caso concreto; Que os créditos pleiteados deveriam ser atualizados com a taxa SELIC. 4. Por fim, requereu: Que fossem reconhecidos os créditos referentes ao 2º trimestre de 2004; Que os créditos reconhecidos fossem atualizados com a taxa SELIC. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 COFINS. RESSARCIMENTO. VENDAS. SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃOINCIDÊNCIA. Somente pode ser pleiteado o ressarcimento de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência a partir de 09 de agosto de 2004. COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 PIS. RESSARCIMENTO. VENDAS. SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃOINCIDÊNCIA. Somente pode ser pleiteado o ressarcimento de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência a partir de 09 de agosto de 2004. PIS. RESSARCIMENTO. SELIC. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentaRecurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sustenta que o Acórdão recorrido, ao fundamentar sua decisão no entendimento de que as vendas dentro da Zona Franca de Manaus não seriam equivalentes às vendas para exportação, contrariou disposição legal encontrada no artigo 4º do Decreto 288/67, verbis. Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportado brasileira para o estrangeiro. Requer a atualização dos valores pleiteados com base no artigo 39, § 4º, da Lei 9.250/95. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.100442/200411 Acórdão n.º 3102002.006 S3C1T2 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. De início, é de se rejeitar a sugerida equiparação das vendas realizadas dentro da Zona Franca de Manaus à exportação de mercadorias. O citado Decretolei 288/67 refere textualmente a equivalência para todos os efeitos fiscais constantes na legislação em vigor, circunscrição que não inclui a legislação de que aqui se trata. Com efeito, como pode ser observado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, as vendas realizadas nos moldes aqui observados tem tratamento distinto do que é concedido à receita decorrente de exportação de mercadorias. Lei 10.637/02 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar seá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) (...) § 4o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida por pessoa jurídica industrial estabelecida na Zona Franca de Manaus, decorrente da venda de produção própria, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, que fica sujeita, ressalvado o disposto nos §§ 1o a 3o deste artigo, às alíquotas de: I 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), no caso de venda efetuada a pessoa jurídica estabelecida: a) na Zona Franca de Manaus; e b) fora da Zona Franca de Manaus, que apure a Contribuição para o PIS/PASEP no regime de nãocumulatividade; II 1,3% (um inteiro e três décimos por cento), no caso de venda efetuada a: a) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus, que apure o imposto de renda com base no lucro presumido; b) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus, que apure o imposto de renda com base no lucro real e que tenha sua receita, total ou parcialmente, excluída do regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP; c) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus e que seja optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES; e Fl. 632DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 d) órgãos da administração federal, estadual, distrital e municipal. De outra banda, no que se refere ao Sistema Nãocumulativo de apuração das Contribuições, originalmente, apenas os créditos básicos calculados com base nas aquisições de insumos destinadas à fabricação de produtos exportados e acumulados em razão da impossibilidade de utilização para dedução do valor das Contribuições devidas ou compensação com outros tributos ou contribuições, ensejavam o pedido de ressarcimento. Os demais créditos por qualquer outra razão não utilizados, somente poderiam ser descontados do valor da Contribuição devida. Vejase o texto das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (grifos meus) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (artigo 6º na Lei 10.833/03) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (grifos meus) Como resta incontroverso, ao definir a metodologia de cálculo das Contribuições no Sistema NãoCumulativo, o legislador previu a possibilidade de que, do valor do débito apurado, fossem descontados os créditos calculados nos moldes do artigo 3º. Previu a possibilidade de aproveitamento do crédito em períodos subseqüentes, mas não fez qualquer referência ao direito de ressarcimento. Esse foi contemplado apenas pelo parágrafo 2º dos artigos 5º e 6º , cujos caput anunciaram a não incidência das Contribuições nas operações de exportação, estando o direito, por conseguinte, restrito a esse evento específico. Alguns poucos anos depois, a Lei 11.116/05 introduziu a possibilidade de ressarcimento dos créditos acumulados por força das disposições normativas da Lei 11.003/04, que, por seu turno, havia previsto a manutenção dos créditos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.100442/200411 Acórdão n.º 3102002.006 S3C1T2 Fl. 5 7 Lei 11.116/05 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Como disse, não tenho dúvidas de que, no início, não era permitido ressarcir o contribuinte que acumulasse créditos por qualquer outra razão que não fosse decorrência da não incidência das Contribuições sobre as receitas de exportação. Inobstante, assim como não se vislumbra nas Leis que instituíram o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições comando legal autorizando o pedido de ressarcimento para os demais casos, também não se encontra nenhum tipo de proibição à manutenção do crédito acumulado. Em lugar disso, o legislador até autorizou a utilização dos créditos em períodos subseqüentes, permissão que quase se confunde com o direito de acumulação. Noutro vértice, as Leis 10.637/02 e10.833/03 jamais vedaram o lançamento credor baseado nas aquisições de insumos ou bens empregados ou destinados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Quer dizer, a autorização introduzida pela Lei 11.033/04 parece muito mais uma menção declaratória, destinada a preencher uma lacuna no diploma legal original, do que uma nova regra constitutiva do direito. Pois bem, se a Lei 11.116/05 veio admitir que o saldo credor das Contribuições apurado no Sistema NãoCumulativo e acumulado em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/04 poderia ser objeto de pedido de ressarcimento, considerando que esse saldo credor já poderia ter sido constituído pelas regras antecedentes, não vejo razão para rejeitar o pedido. A uma, pelas razões expostas no parágrafo precedente, a duas, porque, ainda que o pedido tenha sido protocolado antes da entrada em vigor da Lei 11.116/05, o saldo acumulado encontravase constituído na data da sua promulgação. A Recorrente não tem a mesma sorte em relação ao pedido de correção dos valores. Os diplomas normativos citados no corpo do Recurso Voluntário destinamse à regulamentação dos pedidos de restituição (e correspondente compensação) de impostos. Aqui, falase de ressarcimento, instituto de natureza jurídica muito distinta da restituição e para a qual somente temse admitido correção, com base em decisões tomadas pelo Superior Tribunal de Justiça, em Regime de Recurso Repetitivo, quando tratase de Imposto sobre Produtos Industrializados ou do Crédito Presumido a ele concedido, como a seguir se verá. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Com efeito, a teor das disposições legais pertinentes, somente se cogita da aplicação de índices de correção ou atualização monetária nas hipóteses de pagamento indevido, conceito no qual o ressarcimento não está incluído. Código Tributário Nacional. Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não se discute nos autos cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador. Em lugar disso, ocorreu o regular pagamento dos valores devidos pelo contribuinte a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, restando, ao final do período de apuração, direito de crédito perante o Erário, sem que se tenha configurado, em nenhum momento, o indébito. Descendo à legislação ordinária, encontrase disciplinada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a aplicação da taxa Selic à compensação ou à restituição, nos seguintes termos: Lei 9.250/05 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (grifos meus) (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Lei 8.383/91, Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no Fl. 635DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.100442/200411 Acórdão n.º 3102002.006 S3C1T2 Fl. 6 9 recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) (grifos meus) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) Não me parece haver dúvidas de que as normas regulamentares, em sintonia com o Código Tributário Nacional, previram correção nos casos de restituição ou de compensação decorrentes de pagamento indevido ou a maior (de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383) de tributos, nunca nos casos de pedido de ressarcimento do valor acumulado na escrita fiscal do contribuinte. E não se pode esquecer ainda que, no caso de créditos oriundos do Sistema de NãoCumulativo de apuração das Contribuições, há expressa vedação legal à correção pleiteada pela parte, conforme comando contido na Lei 10.833/03. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Superadas as questões de natureza eminentemente legais, devese acrescentar que, como dito alhures, as decisões tomadas em Regime de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça nos Recursos Especiais nºs 1.035.847 e 993.164, e, ainda, a Súmula nº 411, não trazem qualquer tipo de repercussão à vertente contenda, se não vejamos. RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847 RS (2008/00448972) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO ANGELA T. GOBBI ESTRELLA E OUTRO(S) RECORRIDO : MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA ADVOGADO : HILDA HELENA DE BRITTO FORNI EMENTA Fl. 636DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA N. 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.100442/200411 Acórdão n.º 3102002.006 S3C1T2 Fl. 7 11 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 638DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ainda que todas as decisões acima transcritas indiquem clara tendência jurisprudencial favorável ao intento da Recorrente, o fato é que, em nenhum caso, identificase exata correspondência entre o assunto versado nos autos e a matéria decidida naquelas. O Fl. 639DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.100442/200411 Acórdão n.º 3102002.006 S3C1T2 Fl. 8 13 Recurso Especial nº 1.035.847 e a Súmula 411 fazem referência textual, um, ao Imposto sobre Produtos Industrializados e, outro, aos créditos desse Imposto decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade, afastandose, assim, do caso concreto. Por sua vez, o Recurso Especial 993.164 decide a respeito do direito ao Crédito Presumido previsto na Lei 9.363/96, assunto também distinto do que aqui é tratado. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de ressarcimento dos valores apurados pelo contribuinte, sem qualquer tipo de correção monetária. Sala de Sessões, 24 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 640DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10480.905405/2011-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS.
A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 78 1 77 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.905405/201103 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.265 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL DE AVILA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 05 /2 01 1- 03 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 79 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 80 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 16620.18232.160807.1.3.048808), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 16/08/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/10/2006 14/11/2006 14/11/2006 4.244,04 4.244,04 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 3.781,17, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, relativo a julho de 2007, no valor de R$ 4.195,21, com vencimento em 20/08/2007. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 06/06/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 932682061, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/06/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB e o direito creditório foi reconhecido, mas revelouse insuficiente para quitar o débito, razão pela qual foi homologada parcialmente a compensação declarada, restando R$ 79,79 a serem cobrados, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 17/05/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 81 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. VALORAÇÃO DO CRÉDITO. JUROS. O crédito relativo a contribuição passível de restituição é compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que houver a entrega da Declaração de Compensação, observandose, como termo inicial, o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31/12/97 (art. 52 da IN/SRF nº 600/2005). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. COBRANÇA. Constatada a insuficiência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação será homologada parcialmente, implicando a cobrança da parcela indevidamente compensada, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 82 5 É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 83 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório de fls. 07, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação declarada foi parcialmente homologada Na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, o direito creditório pleiteado foi reconhecido, porém, conforme explicitado no acórdão de primeira instância, houve um equivoco na valoração do crédito pleiteado que resultou na homologação parcial das compensações vinculadas. Os cálculos feitos pelo sistema automatizado, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei 9.250, de 26/12/1995, que prevê a incidência de juros equivalentes à taxa Selic sobre o valor pago ou recolhido, conforme colacionado abaixo, resultou na insuficiência do direito creditório para compensar os débitos informados: § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Tal fato não foi contestado, atendose a recorrente a alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior pleiteando na peça impugnatória a retificação da respectiva DCTF. Porém, conforme exposto, o direito creditório pleiteado foi totalmente reconhecido, não tendo a homologação parcial das compensações vinculadas qualquer relação com uma eventual retificação de DCTF. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 84 7 Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 85 8 Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905405/201103 Acórdão n.º 3801002.265 S3TE01 Fl. 86 9 apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, conforme anteriormente exposto, correta a homologação parcial quando o direito creditório reconhecido é insuficiente para compensar os débitos informados em declaração de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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