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Numero do processo: 10880.977028/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
COFINS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 70 28 /2 00 9- 79 Fl. 173DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou em 07/12/2005 com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, alegando pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor de R$ 2.343,83, recolhido em 11/04/2001 (fls. 02/06). Conforme o Despacho Decisório Eletrônico (fls. 07/10), emitido em 24/08/2009, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão em 31/08/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/09/2009 (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou CO FINS a maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de COFINS informado em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. No entanto, a 6ª Turma da DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, que teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.977028/200979 Acórdão n.º 3402005.069 S3C4T2 Fl. 174 3 A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 15/02//2012 (fl. 171) a empresa tomou ciência da decisão DRJ. Inconformado com a decisão proferida pela primeira instância administrativa, em 15/03/2012 (fl. 142), apresentou recurso voluntário de fls. 142/147, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Fl. 175DF CARF MF 4 Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriou se integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.977028/200979 Acórdão n.º 3402005.069 S3C4T2 Fl. 175 5 Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte oporse aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaramse no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 177DF CARF MF 6 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGAR LHE provimento, mantendose a decisão recorrida. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.977028/200979 Acórdão n.º 3402005.069 S3C4T2 Fl. 176 7 Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923126/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/09/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.837
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/09/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 26 /2 01 2- 91 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.923126/201291 Acórdão n.º 3302004.837 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.301. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.923126/201291 Acórdão n.º 3302004.837 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923126/201291 Acórdão n.º 3302004.837 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923126/201291 Acórdão n.º 3302004.837 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923126/201291 Acórdão n.º 3302004.837 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720489/2009-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-006.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar o regime de competência ao cálculo do tributo devido, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo do Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar o regime de competência ao cálculo do tributo devido, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 25/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.720489/200956 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.412 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria IRPF Recorrente MARLY BARRETO DE ANDRADE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para aplicar o regime de competência ao cálculo do tributo devido, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 89 /2 00 9- 56 Fl. 417DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 25/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2101002.521 proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em 12 de agosto de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Na forma do art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente oriundos de reclamatória trabalhista, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10580.720489/200956 Acórdão n.º 9202006.412 CSRFT2 Fl. 3 3 Conforme a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do auto de infração, fls. 5 a 7, o crédito tributário fora constituído em razão de ter sido apurada uma classificação supostamente indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual da ora Recorrente como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais rendimentos correspondiam aos valores recebidos pela Recorrente, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em 36 (trinta e seis) parcelas, no período de janeiro de 2004 e dezembro de 2006. Irresignada, a ora Recorrente impugnou a autuação requerendo, em síntese: a declaração da sua ilegitimidade passiva, em face da responsabilidade pelo pagamento do Estado da Bahia; o reconhecimento do caráter indenizatório da verba referente às diferenças de URV e sua exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda, nos anos 2004, 2005 e 2006; subsidiariamente, a exclusão da multa de ofício de 75%, dos juros de mora constantes do auto de infração e dos valores referentes a 13º salários e abonos férias sujeitos à tributação exclusiva e isentos, respectivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela procedência parcial da impugnação apresentada para, tão somente, excluir da base de cálculo do imposto os valores correspondentes ao 13º salário e às férias indenizadas, mantendo o crédito tributário exigido, o que gerou a interposição de Recurso Voluntário, ao qual foi dado provimento parcial para a exclusão da multa de ofício aplicada. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, no qual, acerca da divergência, a Recorrente sustenta que o Acórdão de Recurso Voluntário adotou entendimento divergente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (acórdão n.º 20201.687) e da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF (acórdãos n.ºs 2801003.595 e 280102264), merecendo, por isso, reforma, fls. 310 a 315. Foi apontada divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os outros julgados com relação a três matérias: incidência de IR sobre as diferenças de URV pagas aos membros do Ministério Público baiano; cancelamento da exigência fiscal em virtude de o imposto ter sido apurado em regime de caixa; incidência do IR sobre juros moratórios. Foi realizado exame de admissibilidade, em 24 de abril de 2015, fls. 390 a 395, restando dispostas as seguintes conclusões: a) o recurso foi interposto tempestivamente; b) foi comprovada a primeira divergência indicada, tendo em vista que, de fato, as decisões em comento divergem a respeito da natureza das diferenças recebidas pelos integrantes do Ministério Público do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV, em decorrência da Lei Estadual Complementar n.º 20/2003; c) restou comprovada a segunda divergência, pois as decisões analisadas divergem a respeito da aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713/88; d) também foi demonstrada a terceira divergência, no que se refere à incidência dos juros moratórios sobre valores recebidos acumuladamente a título de "Valores Indenizatórios de URV". Fl. 419DF CARF MF 4 No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese: a) as parcelas referentes às diferenças de URV, em verdade, não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos; b) o Ministério Público da União, por força da simetria verificada pela Lei n.º 10.477/2002, também é contemplado com a isenção que cuida a resolução n.º 245/2002; c) a impossibilidade de tratamento desigual entre os membros do Ministério Público da União e dos Estados, ainda que as parcelas recebidas pelos mesmos possuam denominação distintas, pois a verba é a mesma e, portanto, deve receber o mesmo tratamento; d) deve ser aplicado o regime de competência para apuração dos rendimentos recebidos acumuladamente, em detrimento do regime de caixa, o qual foi adotado pela autoridade administrativa na elaboração do auto de infração, devendo este ser cancelado, uma vez que maculado por erro material; e) os juros de mora representam tradicionalmente uma indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio, àquilo que perdeu o credor (agente público) pela mora do devedor (Estado da Bahia); f) ainda que se entenda tributável, para fins de imposto de renda, as parcelas recebidas a título de URV, não há que se falar em extensão de tal entendimento aos juros moratórios, vez que, em âmbito tributário, o acessório não segue a sorte do principal. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 397 a 412, apenas com relação ao mérito, com as seguintes alegações: a) não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia, pois, após uma seqüência de leis e despachos, os Pareceres da PGFN (parecer 529/2003 e 923/2003) reconhecem a não incidência sobre o abono variável percebido pelos membros da Magistratura e Ministério Público Federal, e a contribuinte não integra o quadro de nenhuma das carreiras; b) nenhuma das leis que dispõem sobre o tema ora tratado (Leis 9.655/98, 10.474/02, 10.477/02) exime a tributação de imposto de renda sobre a parcela discutida. Não há nenhum dispositivo nesse sentido. Tratamse de leis limitadas a instituir o abono variável e sua forma de cálculo. Somente isso. Não há nenhuma norma sobre a tributação; c) ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência de IRPF sobre o abono variável, devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10580.720489/200956 Acórdão n.º 9202006.412 CSRFT2 Fl. 4 5 restritiva. Portanto, descabido, conferir às leis mencionadas alcance que não contêm; d) tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que o abono deve se sujeitar à incidência do IRPF; e) no que se refere ao regime de competência, inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento do auto de infração, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis; f) a respeito dos juros de mora, a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros de mora em duas hipóteses: a primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual; e a segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda; g) os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis por expressa previsão legal, nos termos do art. 43, § 3º do Decreto 3000/99 e o art. 16 da Lei n.º 4.506/64; h) as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Logo, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso especial, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Corroborando o conhecimento do recurso, cumpre destacar que restaram devidamente demonstradas as três divergências jurisprudenciais suscitadas pela Recorrente, conforme consta do Despacho de Admissibilidade, fls. 390 a 395, não havendo manifestação contrária da Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões. Consoante relatado, notase que a matéria controvertida tem como objeto a incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferença de Unidade Real de Valor (URV) e dos respectivos juros de mora, bem como a aplicação do regime de Fl. 421DF CARF MF 6 competência para apuração dos rendimentos recebidos acumuladamente, em detrimento do regime de caixa, o qual foi adotado pela autoridade administrativa na elaboração do auto de infração. 1. Das diferenças de URV Argumenta a Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando que tais parcelas não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos. Desse modo, a verba sob análise é indenização e não salário. Além disso, sustenta a Contribuinte que, com o advento da Resolução n.º 245 do Supremo Tribunal Federal, foi dado tratamento definitivo à controvérsia, deixando claro que se cuida de verba indenizatória os abonos conferidos aos magistrados federais em razão das diferenças de URV e, por esse motivo, isentos da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Ademais, ressalta que o Ministério Público da União, por força da simetria verificada pela Lei n.º 10.477/2002, também é contemplado com a isenção que cuida a Resolução n.º 245/2002. Reafirmando o exposto, salienta a recorrente a edição da Lei Complementar n.º 20/2003 determinando a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor. Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser examinado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja pouco relevante, para fins de incidência do imposto de renda, a natureza indenizatória da verba, entendo que os valores recebidos pela Contribuinte decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Observase que a Constituição Federal exige a edição de lei específica para a concessão de isenção, conforme abaixo transcrito: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10580.720489/200956 Acórdão n.º 9202006.412 CSRFT2 Fl. 5 7 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, em consonância com a exigência constitucional, destaca, em seu art. 97, que: somente a lei pode estabelecer (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Como é sabido, a isenção é uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, portanto, fazse necessária a edição de lei para a instituição de isenção. Acrescentase que o caput do art. 43 do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16 da Lei n. 4.506/64 deixam claras as regras da tributação sobre as remunerações por trabalho prestado no exercício de cargo público, hipótese dos autos, como se extrai dos trechos abaixo colacionados: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...). “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Além disso, o art. 3º da Lei 7.713/88 evidencia a determinação da incidência do IRPF sobre o rendimento bruto, pouco importando a denominação da parcela tributada, nos seguintes termos: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou Fl. 423DF CARF MF 8 nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Ora, tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela Recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Cumpre ressaltar que não há ofensa ao princípio da isonomia, no presente caso, pois, além do abono variável ter natureza distinta da verba sob análise, a Contribuinte não integra o quadro das carreiras da Magistratura Federal ou do Ministério Público Federal. Como bem destaca a Procuradoria da Fazenda, talvez fosse possível cogitar a hipótese de violação ao princípio da isonomia se, por exemplo, uma vez reconhecida a não incidência de um tributo sobre determinada verba para os membros da carreira do MPF, algum Procurador da República, porventura, fosse excluído do benefício sem motivo aparente. Aí sim seria cabível discutir ofensa ao princípio da igualdade, pois estaríamos diante de situações iguais sendo tratadas de formas distintas. Não é esse o caso dos autos, considerando que a Contribuinte integra a carreira do Ministério Público do Estado da Bahia e as verbas possuem naturezas distintas. Desse modo, reiterese, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. E, ainda que fosse considerada a natureza indenizatória da verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente da incidência do imposto de renda. 2. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10580.720489/200956 Acórdão n.º 9202006.412 CSRFT2 Fl. 6 9 “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 3. Do Regime de Competência RRA Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da aplicação do RE 614.406, com repercussão geral reconhecida, que tratou da controvérsia referente aos regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, Fl. 425DF CARF MF 10 em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Assim, observase que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, mas sim aplicada uma interpretação conforme, o que afasta a existência de nulidade do texto de lei. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Diante do exposto, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. 4. Da conclusão Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10580.720489/200956 Acórdão n.º 9202006.412 CSRFT2 Fl. 7 11 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Contribuinte e, no mérito, darlhe provimento parcial para aplicar o regime de competência, devendo ser retificado o montante do crédito tributário com a devida aplicação das tabelas progressivas e das alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido recebidos os rendimentos. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 427DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720195/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .7 20 19 5/ 20 16 -6 1 Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.954 2 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: 1.Da autuação As infrações imputadas ao sujeito foram : (1) Omissão de receita de Juros sobre capital próprio : R$ 26.838.659,98 e (2) Omissão de outras receitas financeiras : R$ 8.561.250,86 As receitas omitidas integram também as bases de cálculo da CSLL, Pis e Cofins, razão pela qual os mesmos fatos que fundamentaram a autuação de IRPJ fundamentaram também autos de infração destes outros tributos. 2. Dos fundamentos da autuação Os fatos e informações que fundamentaram a autuação foram expostos no termo de fls 1.255/1272 e, abaixo, resumidamente reproduzidos. 2.1 Omissão de receitas de Juros sobre capital próprio (JSCP) Consultas às Dirfs de terceiros revelam que a Cyrela recebeu R$ 16.076.084,45 a título de JSPC no ano calendário 2012; Apesar dos valores de JSCP informados em DIRF como pagos à Cyrela, na DIPJ referente ao ano calendário 2012 (ND 1385835), Ficha 07 A –“Demonstração do Resultado, PJ em geral” linha 22 – “Receitas de juros sobre capital prórpio” a mencionada empresa não registrou qualquer quantia auferida a este título; Diante de tal inconsistência, o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Procedimento fiscal de 05/08/2015 a apresentar os documentos e esclarecimentos que justificassem a não inclusão dos valores auferidos a título de JSCP na apuração do exercício; Em 13/10/16 o contribuinte protocolou uma resposta à intimação em que apresenta “ planilha com lançamentos dos juros sobre capital próprio, com indicação das contas contábeis onde ocorreram estes lançamentos; planilha com demonstrativos dos valores recebidos a título de JSCP e também quadro demonstativo das contabilizações indicando as contas contábeis envolvidas e demonstrativo de percentual de participação” . Informa ainda, nesta mesma ocasião, que “ os valores informados em DIRF (AC 2012) retratam os rendimentos por ocasião do resgate ou liquidação (regime de caixa) , já os valores contabilizados nas rubricas indicadas são proporcionais porque a empresa é optante pelo lucro real e portanto adota o regime de competência” (sic); Posteriormente, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 01, de 21/03/16, na qual foram solicitados esclarecimentos adicionais sobre a conta “4300101002 – juros ativos diversos”, a pessoa jurídica afirmou, acerca dos registros de JSCP, que “ a contabilização seguiu o texto da Deliberação CVM 207, de 13/12/1996, no entanto , as contas utilizadas para a contabilização e reversão dos juros sobre capital próprio pertencem ao mesmo grupo contábil, levando a equívoco no preenchimento da DIPJ referente ao exercício 2013, ano calendário 2012”; A Deliberação CVM 207 de 13/12/96, foi revogada pela Deliberação CVM 683, de 30/08/12, destinada às Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.955 3 companhias de capital aberto. . Contudo, para fins tributários prevalecem as disposições do art 347 do RIR/1999 e Lei 9.249/95, conforme determina o § 2º do art 177 da Lei 6.404/76, alterado pela Lei 11.941/2009; Os valores apurados a título de JSCP na contabilidade do contribuinte foram lançados à crédito da conta de resultado “Receitas Financeiras – Juros ativos – 4300101002” “Juros sobre capital próprio 4300401001” . Estes valores totalizam R$ 26.838.659,98, foram tributados a título de omissão de receitas e estão discriminados no Termo de Verificação Fiscal , fls 1265. Conforme a própria interessada reconhece, os valores de JSCP eram registrados como receitas, mas por engano não foram levados a resultado do exercício . 2.2 Omissão de outras receitas financeiras Conforme informações prestadas por terceiros, em suas dirfs, a Cyrela recebeu, em 2012, R$ 71.925.216,31 a título de receitas financeiras referentes a aplicações financeiras de renda fixa, aplicações em fundos de investimento de renda fixa e ganhos líquidos em bolsa; em consulta à DIPJ (referente ao ano calendário 2012 ND 1385835), ficha 07 A – “Demonstração do Resultado PJ em geral” , linha 23 “Outras receitas financeiras”, verificouse que os valores declarados ( R$ 43.139.661,88) são inferiores àqueles informados em DIRF ( R$ 71.925.216,31); Diante de tal inconsistência, o contribuinte foi intimado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 05/08/2015, a apresentar esclarecimentos ; Em resposta datada de 13/10/2016, a interessada declara que “ os valores informados em DIRF (AC 2012) retratam os rendimentos por ocasião de resgate ou liquidação (regime de caixa) , já os valores contabilizados nas rubricas indicadas são proporcionais porque a empresa é tributada pelo lucro real, adotando o regime de competência”(sic); Reconhecendo razão às alegações da impugnante, a fiscalização procedeu a apuração das receitas financeiras auferidas em 2012, pelo regime de competência, apurando um novo total de R$ 51.701.112,74, conforme discriminação de fls 1.269; diante deste novo valor, apurado segundo o regime de competência, foi considerado como comprovada a omissão de receitas financeiras no montante de R$ 8.561.250,86 (R$ 51.701.112,74 – 43.139.661,88); 3. Da Impugnação Cientificada da autuação em 26/09/16, a interessada apresentou a impugnação de fls 1284 a 1334 em 08/11/2016, na qual argui, preliminarmente, a nulidade da autuação por cerceamento de direito de defesa com base nas seguintes alegações: a fiscalização foi superficial , sem a adequada apreciação dos documentos que comprovam a tributação das receitas tidas como omitidas. O auto de infração foi lavrado sem que a interessada tenha sido previamente informada da apuração de irregularidades; as omissões de receitas foram presumidas, mas não comprovadas; está sendo exigido da interessada a quantia de R$ 7.100.650,02 a título de Pis e Cofins , mas não foram solicitados quaisquer documentos ou esclarecimentos relativos a apuração destes tributos; Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.956 4 Quanto ao mérito, a interessada alega , em síntese, que : 3.1 Omissão de receitas de JSCP o exame do Lalur e dos balancetes juntados aos autos (fls 146/163 e 164/718) demonstra que as receitas tidas como omitidas já foram tributadas; houve um equívoco no preenchimento da DIPJ. As receitas de Juros sobre capital próprio, que deveriam ter sido informadas na linha 22 da Ficha 07 A foram registradas na linha 23 da mesma ficha. Logo, o valor de R$ 43.139.861,88 registrado na referida linha 23 inclui o montante de R$ 26.838.659,98, tido como omitido. Tal fato está demonstrado na memória de cálculo e lançamentos contábeis apresentados ao longo da auditoria; no Lalur apresentado (fls 146/163) está evidenciado que os valores de JCP tidos como omitidos foram oferecidos à tributação já que constam como adições ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real. Os R$ 26.838.659,98, tidos como omitidos estão incluídos no total de R$ 90.569.914,08 informado na linha 48 – “Outras adições” da Ficha 9A da DIPJ /2013. Ademais, nos balancetes da impugnante (fls 706 dos autos) , na ficha relativa a dez/2012, constatase que o valor de R$ 26.838.659,98 foi vinculado à conta 4300401001; A comprovação de que os rendimentos de JSCO foram tributados e incluídos na DIPJ é suficiente para legitimar o aproveitamento das respectivas retenções ao fim da apuração anual; No processo administrativo fiscal deve prevalecer o princípio da verdade material; 3.2 Omissão de Outras receitas Financeiras no cálculo da diferença a tributar, no valor de R$ 8.561.250,86, foram considerados como receitas valores que, na verdade, são despesas; ao analisar a conta 4300301002 a autoridade fiscal desconsiderou o sinal do valor de R$ 3.939.000,00, relativo a variações cambiais. Esta quantia, na verdade, corresponde a despesa decorrente de contrato celebrado entre a impugnante e o banco Votorantim. Tais contratos foram juntados aos autos; às fls 47 da impugnação (fls 1330 dos autos) foram elaboradas tabelas que comparam as apurações das receitas finaceiras feitas pela fiscalização e pela interessada. A interpretação equivocada de sinais resultou numa diferença de R$ 7.878.000,00 entre ambas as apurações ( R$ 3.939.000 duplicado pela troca de sinais). A defasagem entre a omissão apontada pela fiscalização (8.561.250,86) e o erro decorrente da troca de sinais ( R$ 7.878.000,00) resulta no montante de R$ 683.250,86, que representa a real e correta diferença a tributar no que se refere ao IRPJ e CSLL; consoante regras estabelecidas no art 5º da Lei 9.779/99, os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa estão sujeitos à incidência de IRRF na modalidade de antecipação. O registro dos rendimentos da pessoa jurídica deve ser feito mês a mês, independentemente de sua efetiva realização, conforme regime de competência; Por este motivo, é natural que haja divergências entre a DIRF, que segue o regime de caixa, e a DIPJ; Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.957 5 A tributação de rendimentos oriundos de operações de renda fixa conferem à interessada o direito de deduzir de sua apuração anual o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre aqueles rendimentos; 3.3Pis e Cofins a fiscalização agiu como se o Pis e a Cofins fossem meros reflexos do IRPJ. Porém, tal procedimento não pode prosperar uma vez que o fato gerador das contribuições é mensal e o fato gerador do IRPJ é anual; Devem ser consideradas as especificidades das apurações mensais das contribuições ( Pis e Cofins); O Decreto 5.442/2005, que revogou o Decreto 5.164/04, reduziu a zero, para as empresas que adotam a sistemática de não cumulatividade, alíquota do Pis e da Cofins sobre receitas financeiras. As únicas excepcionadas foram as receitas oriundas de Juros sobre capital próprio e operações de hedge; A interessada Incluiu na base de cálculo por ela apurada para o Pis e Cofins os juros sobre capital próprio no valor de R$ 26.838.59,98. A fiscalização não apurou tal fato porque limitouse a tratar o Pis e Cofins como meros reflexos do IRPJ; 3.4 Ilegalidade É ilegal a incidência de juros selic sobre a multa de ofício. A decisão da autoridade de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2779 e segs. e ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTOS BASE. ALTERAÇÃO Incabível que a auditoria altere informações pontuais constantes do documento que serviu de base para a omissão de receitas sem justificar o fato. OMISSÃO DE RECEITAS. JSCP. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta como adição ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação. SELIC. INDEXAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por expressa determinação legal, a Selic incide sobre a totalidade do crédito tributário constituído. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS e CSLL Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista a decisão de primeira instância, o lançamento foi revisto em parte de forma a: I) Retificar as bases de cálculo do IRPJ e CSLL do ano calendário 2012 para o valor de (R$264.202.338,69) ; Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.958 6 II) Considerar devidos o Pis no valor de R$ 442.837,40 e a Cofins no valor de R$ 2.039.735,88, ambos acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Para melhor ilustração, vale citar trecho da conclusão do voto condutor da decisão ora recorrida: 9. Conclusão Por todo o exposto, concluo pelo prosseguimento parcial da exigência tributária. As novas bases tributáveis de IRPJ e CSLL, bem como os novos valores devidos de Pis e Cofins passam a ser os abaixo discriminados : 9.1 IRPJ ()Base de cálculo declarada em DIPJ AC 2012 : ( R$ 264.885.589,55) (+)Base de Cálculo não impugnada : R$ 683.250,86 (+)Base de cálculo reajustada: (R$ 264.202.338,69) 9.2 CSLL ()Base de cálculo declarada em DIPJ AC 2012 : ( R$ 264.885.589,55) (+)Base de Cálculo não impugnada: R$ 683.250,86 (+)Base de cálculo reajustada: (R$ 264.202.338,69) 9.3 COFINS Cofins devida : R$ 26.838.659,25 * (7,60/100) = R$ 2.039.735,88, conforme abaixo discriminado, por período de apuração: Fev/2012 – R$ 440.700,37 Junho/2012 – R$ 512.074,96 Dezembro /2012 R$ 1.086.960,55 9.4 PIS Pis devido : R$ 26.838.659,25 * (1,65/100) = R$ 442.837,40, conforme abaixo discriminado, por período de apuração : Fev/2012 – R$ 95.678,37 Junho/2012 – R$ 111.174,17 Dezembro /2012 R$ 235.984,86 Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/04/2017, o contribuinte apresentou, fl. 2822 e segs, em 09/05/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.959 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima mencionado, a decisão de primeira instancia reformou o lançamento no que se refere ao IRPJ, CSLL em relação às duas infrações imputadas a contribuinte. Em relação ao Pis/Cofins foi reconhecido que não havia indicação do mês de ocorrência dos fatos geradores da omissão de receitas financeiras, cancelando o auto de infração neste ponto. Sendo assim, o único item pendente de divergência relacionase a infração de Pis e Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio, receitas estas que teriam sido omitidas. Passase a análise. A motivação atribuída pela decisão de primeira instância para manutenção do lançamento em relação a incidência de Pis/Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio se deu com base na análise de documentação relativa a IRPJ e CSLL. O voto condutor do acórdão recorrido limitouse a afirmar não ter identificado a tributação dessas receitas de JCP na linha 23 da Ficha 7A da DIPJ/2013 e, por isso, manteve a autuação. Neste sentido, transcrevo respectivo trecho do voto condutor da decisão recorrida (fl. 2800): Alega a interessada, em sua impugnação que a receita de R$ 26.838.659,98, relativa a Juros sobre capital Próprio, teria sido incluída, indevidamente, no valor de R$ 43.139.661,88, informado na Ficha 7A, linha 23, “ Outras Receitas Financeiras”. Por tal motivo, conforme afirma, a referida receita já teria sofrido a incidência do Pis e da Cofins. Porém, conforme já demonstrado no item 05 deste voto, os Juros sobre Capital Próprios apurados para o ano de 2012 não foram incluídos na Ficha 7A, linha 23, “Outras Receitas Financeiras”, restando, portanto, sem respaldo a alegação de que as receitas em questão já teriam sido tributadas pelo Pis e Cofins. Em analise ao Termo de Verificação Fiscal se verifica que a fiscalização tampouco se debruçou sobre documentação específica do Pis/Cofins (DACON, DCTF, contas contábeis), provavelmente por ter considerado simplesmente que tais tributos são reflexos do IRPJ/CSLL. Em verdade, o que se verifica é que tal documentação sequer foi requerida pela fiscalização a contribuinte. Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Resolução nº 1301000.471 S1C3T1 Fl. 1.960 8 Concluise pela necessária identificação da falta de tributação do Pis/Cofins sobre as receitas de Juros sobre Capital Próprio na documentação específica relativa a tais tributos para que se possa afirmar com precisão que tais tributos são deveras devidos. Vale ressaltar que em sede recursal, alega a contribuinte que os valores foram devidamente pagos mediante compensação com saldo negativo de IRPJ, juntando documentação relativa. Necessária seria a analise de tal documentação acostada aos autos. Neste sentido, encaminho os presentes autos para diligencia de modo que retornem a autoridade fiscalizadora para que esta analise toda a documentação já acostada aos autos e, se necessário, intime a contribuinte a juntar documentação complementar relativa ao Pis/Cofins ora debatido emitindo laudo conclusivo que permita conduzir o julgamento ao convencimento necessário das autoridades em relação ao recolhimento de tais tributos sobre as receitas auferidas a titulo de Juros sobre Capital Próprio. Concluída a diligência, a recorrente deverá ser cientificada do seu resultado, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721963/2015-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PRODUÇÃO DE EMBALAGENS. IMPRESSOS PERSONALIZADOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. INCIDÊNCIA.
A produção de embalagens com impressos personalizados sob encomenda de terceiros caracteriza industrialização, exceto quando se tratar de impressão por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. A saída do referido produto industrializado do estabelecimento industrial ou a ele equiparado sujeita-se à incidência do IPI.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUÇÃO DE EMBALAGENS. IMPRESSOS PERSONALIZADOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. INCIDÊNCIA. A produção de embalagens com impressos personalizados sob encomenda de terceiros caracteriza industrialização, exceto quando se tratar de impressão por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. A saída do referido produto industrializado do estabelecimento industrial ou a ele equiparado sujeita-se à incidência do IPI. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 391 1 390 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721963/201505 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.898 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria IPI Recorrente ANTILHAS EMBALAGENS EDITORA E GRAFICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUÇÃO DE EMBALAGENS. IMPRESSOS PERSONALIZADOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. INCIDÊNCIA. A produção de embalagens com impressos personalizados sob encomenda de terceiros caracteriza industrialização, exceto quando se tratar de impressão por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. A saída do referido produto industrializado do estabelecimento industrial ou a ele equiparado sujeitase à incidência do IPI. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 19 63 /2 01 5- 05 Fl. 391DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Recife que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 IPI. PRODUTO GRÁFICO INDUSTRIALIZADO. INCIDÊNCIA. Uma vez caracterizada a operação de industrialização nos termos da legislação de regência, incide IPI sobre o produto industrializado gráfico. Para esse fim, é irrelevante o fato de o serviço gráfico prestado pelo contribuinte estar catalogado na lista anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, e sujeito à incidência do ISS, não havendo qualquer óbice legal nesse aspecto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre auto de infração para a exigência de IPI, juros de mora, multa de ofício e multa isolada, no montante original de R$103.049.589,22, relativamente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2011 e dezembro de 2012 referentes a saída de produtos da indústria gráfica. A contribuinte apresentou impugnação na qual alega, em síntese: a) em ação judicial foi decidido pela incidência única do ISS, o que prejudica a incidência do IPI; b) o inc. V do art. 5º do Regulamento do IPI não possui amparo legal; c) amparam seu entendimento a Súmula nº 143, do extinto TFR, a Súmula nº 156 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 392 3 Agravo Regimental no Agravo de Recurso Especial nº 213594/SP; e d) não incide dos juros de mora sobre a multa de ofício. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Os itens em questão (embalagens, sacos, sacolas, bolsas, caixas, estojos, kits promocionais e outros etc.) são produzidos e desenvolvidos pela própria autuada. Além disso, foram relacionadas as compras de matériasprimas que geraram crédito de IPI, o que levou à conclusão que, de fato, as operações da impugnante envolvem industrialização de produtos. A produção desses itens se qualificam como industrialização, porquanto incluídas no seu campo de abrangência, a teor do art. 4º do RIPI/2010. Mesmo o fato de o item ser industrializado sob encomenda não o descaracteriza de ser um produto industrializado, resultante de uma operação de industrialização, exceto se a situação se enquadrar na hipótese do inciso V do art. 5º do RIPI/2010, que prevê que “o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional”. No entanto, o que o legislador visou excluir foram aquelas atividades para as quais a contribuição do esforço humano fosse mais importante do que o que advém da utilização de máquinas ou aparelhos, tais como o artesão, o artista ou o pequeno artífice – que, a depender da regra geral, se enquadrariam no campo de incidência do IPI. Não existe, na legislação tributária federal, nenhum dispositivo legal que determine a não incidência do IPI em operações que possam ser, concomitantemente, caracterizadas como industrialização e prestação de serviços. Não há conflito entre os fatos geradores do imposto municipal e do federal, uma vez que o fato gerador do ISS é a prestação de serviços constantes da lista anexa da LC nº 116/2003 e o fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial ou a ele equiparado. O enunciado da Súmula nº 156 do STJ não pode ser aplicado ao caso para afastar a incidência do IPI, tendo em vista que os precedentes que embasam sua interpretação referemse apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICM. Com o advento da nova ordem constitucional, o enunciado da Súmula nº 143 do TFR, embora faça referência expressa ao IPI, perdeu sua validade jurídica, em vista de não haver mais incompatibilidade entre a competência tributária exercida pela União e pelos Municípios no contexto ora analisado, além de sua interpretação ter sido reformulada pela Súmula nº 156 do STJ. Nessa linha, no Recurso Especial Nº 725.246/PE, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25/10/2005, admitese a incidência do IPI, quando o desempenho da atividade de impressão gráfica constituir mera etapa da industrialização, não representando um serviço especificamente contratado. Cientificada dessa decisão em 13/06/2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/07/2016, repisando as alegações da impugnação e acrescentando outras, sob os seguintes tópicos: 1 Da decisão judicial 2 – Do Parecer Normativo 83/77 3 – Da incidência do tributo 4 – Da Classificação NCM utilizada pelo D. Auditor 5 – Da Análise da jurisprudência judicial Fl. 393DF CARF MF 4 6 – Do falso argumento da inaplicabilidade da Súmula 143 do TFR e da 156 do STJ 7 – Das decisões administrativas 8 – Inexistência de base legal 9 – Mudança de entendimento da RFB. Cancelamento da multa e juros 10 Juízo de Eventualidade É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. 1 Da decisão judicial: Sustenta a recorrente que, com o provimento obtido em ação judicial no sentido de que o ICMS não incide sobre tal serviço gráfico, restaria prejudicada também a incidência do IPI. No entanto, se a União não é parte na ação judicial, não há que se falar de aplicação ao imposto federal da decisão proferida na Apelação Cível nº 194.2932/5, da Comarca de São Paulo, na qual constou como apelada a Fazenda Estadual. De todo modo, seja qual for o fundamento da decisão judicial para afastar o tributo estadual, em se tratando de produto industrializado, assim considerado aquele resultante de qualquer operação definida no Regulamento do IPI como industrialização, incidirá o IPI, conforme se verá mais adiante. Com relação as demais ações judiciais, súmulas e decisões administrativas apontadas pela recorrente, à mingua de qualquer disposição legal acerca de observância obrigatória pelos órgãos administrativos ou de lei que lhes atribua eficácia normativa, elas não vinculam o Colegiado no presente julgamento. Ademais, a Súmula nº 156 do STJ não seria aplicável aos fatos geradores do presente processo, ocorridos na vigência da Lei Complementar nº 116, eis que os precedentes que embasaram a referida Súmula (Recursos Especiais nº 61.9149/RS, 5.8080/SP, 18.992 0/SP, 1.235/SP e 33.4140/SP1) tinham como fundamento o Decretolei nº 406/68, que 1 TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS DE IMPRESSÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA. A prestação de serviços de impressão gráfica, personalizados e sob encomenda, está sujeita ao ISS, a teor do disposto no § 1º do art. 8º do Decretolei nº 406/68. TRIBUTÁRIO – ISS – ICM – ETIQUETAS ADESIVAS FEITAS SOB ENCOMENDA – ADJUNÇÃO A PRODUTOS DESTINADOS A VENDA – DL 406/68 – C. CIVIL ART. 615, § 1º. “A composição de etiquetas adesivas, feitas sob encomenda de determinado cliente que as ajuntará a produtos finais como elemento de identificação, garantia, orientação ou embelezamento, é atividade descrita na lista anexa ao DL nº 406/68, como hipótese de incidência do ISS – não de ICM. A circunstância de tais etiquetas serem juntadas a produtos vendidos pelo encomendante, é irrelevante, pois a etiqueta terá perdido identidade, pelo fenômeno da adjunção (C. Civil, art. 615, § 1º).” TRIBUTÁRIO – ICM – SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA – FOTOLITOGRAFIA – EMBALAGENS – NÃO INCIDÊNCIA – DL Nº 406/68, ART 8º, § 1º PRECEDENTES STJ. “A legislação não faz distinção Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 393 5 veiculava, em seu art. 8º, mandamento expresso no sentido de que os serviços incluídos na lista ficariam sujeitos apenas ao ISS, mas que foi revogado pela citada Lei Complementar2. Como observado pelo julgador de primeira instância, os precedentes que sustentaram o enunciado da Súmula nº 156 do STJ, referemse somente ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICM, não podendo, então, ser aplicada ao caso sob análise para afastar a incidência do IPI. Nesse mesmo sentido foi decidido pelo CARF no Acórdão nº 380100.027 – 1ª Turma Especial, de 16 de fevereiro de 2012, por voto condutor do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, abaixo transcrito: (...) Por outro lado, passase ao exame da tese de aplicação da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao caso vertente. Súmula 156 do STJ: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, esta sujeita, apenas, ao ISS. Cumpre esclarecer de imediato que esta súmula foi elaborada quando estava em vigor o § 1º do art. 8º do DecretoLei n° 406/1968, in verbis: Art. 8º O imposto, de competência dos Municípios, sobre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao imposto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. § 2º O fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao Imposto Sobre Circulação de Mercadorias. Ocorre, todavia, que este dispositivo legal foi expressamente revogado pela Lei Complementar 116/2003, DOU de 01/08/2003, de sorte que todas as discussões com base no artigo entre os serviços de composição gráfica, em geral, dos serviços personalizados feitos por encomenda. Os serviços de composição gráfica realizados sob encomenda, na elaboração de embalagens, estão sujeitos ao ISS e não ao ICM. Recurso provido.” TRIBUTÁRIO. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. INCIDÊNCIA, APENAS, DE ISS. “A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias sob encomenda e personalizadamente, é atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiros. Precedentes do STF e do STJ. Recurso provido. TRIBUTÁRIO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA FEITOS POR ENCOMENDA. ISS. DECRETOLEI Nº 406/68. ART. 8º, §1º. INTERPRETAÇÃO. “I Os impressos encomendados e personalizados, Adquiridos para consumo do próprio encomendante, como rótulos, embalagens, etiquetas, muito embora integrados ao preço do produto, estão sujeitos à incidência do ISS e não do ICM. Precedentes. II Recurso Especial conhecido e provido.” 2 LEI COMPLEMENTAR Nº 116, DE 31 DE JULHO DE 2003 Art. 10. Ficam revogados os arts. 8o, 10, 11 e 12 do DecretoLei no 406, de 31 de dezembro de 1968; os incisos III, IV, V e VII do art. 3o do DecretoLei no 834, de 8 de setembro de 1969; a Lei Complementar no 22, de 9 de dezembro de 1974; a Lei no 7.192, de 5 de junho de 1984; a Lei Complementar no 56, de 15 de dezembro de 1987; e a Lei Complementar no 100, de 22 de dezembro de 1999. Fl. 395DF CARF MF 6 8º do DecretoLei 406/68 estão prejudicadas em face do novo ordenamento jurídico. Assim, é perfeitamente viável a incidência concomitante do ISS e do IPI. Convém ressaltar que as jurisprudências colacionadas pela recorrente tratam de hipóteses de aplicação da Súmula 156 do STJ, fatos que ficaram prejudicados em razão da edição da Lei Complementar 116/2003, como demonstrado. Com efeito, é inaplicável neste caso concreto o enunciado da Súmula 156 do STJ no sentido de afastar a incidência do IPI porque os precedentes que embasam a interpretação veiculada na aludida súmula têm como fundamento principal o DecretoLei nº 406/68. (...) Quanto à Súmula 143 do TFR, ela também não se aplica ao caso, vez que foi elaborada no contexto da Constituição Federal anterior, quando existiam conflitos de competência entre os entes tributantes, tendo sido seu entendimento reformulado pela Súmula nº 156 do STJ. Na legislação vigente atualmente e à época dos fatos geradores, inexiste dispositivo legal que afaste a incidência do IPI quando haja a tributação pela ISS, conforme esclarece a Solução de Consulta nº 336 SRRF08/Disit3, de 30 de setembro de 2009, abaixo transcrita: (...) 12. Quanto à incidência do ISS na operação, observese que, sendo o conceito legal de industrialização bastante amplo, como se evidencia combinando as disposições do caput do art. 4º do Ripi/02 com as do seu parágrafo único, em determinadas situações, uma operação caracterizada, pela legislação do IPI, como industrialização também poderá ser, simultaneamente, enquadrada como prestação de serviço, pela legislação do ISS. Entretanto, não existe, na legislação tributária federal, nenhum dispositivo legal que determine a não incidência do IPI em operações que possam ser, concomitantemente, caracterizadas como industrialização e prestação de serviços. A incidência do ISS nessas operações é inteiramente irrelevante para determinar a incidência, ou não, do IPI. Como já dito, apenas as operações excluídas do conceito de industrialização, nos termos da lei, não estão sujeitas à incidência do IPI e estas são as elencadas no art. 5º do Ripi/02. 13. Destaquese que a lei complementar que trata da incidência do ISS Lei Complementar (LC) nº 116, de 31 de julho de 2003 cumprindo o comando do art. 156, inciso III, da Constituição Federal em vigor, apenas determina, em seu art. 1º, § 2º, que os serviços mencionados na lista anexa à referida LC, ressalvadas as exceções expressas na própria lista, não estão sujeitos ao imposto ICMS, de competência estadual, incidente sobre os serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação; em momento algum exclui dos serviços relacionados na lista a incidência do IPI, de competência federal. (...) 3 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=57769 Acesso em 07/12/2017. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 394 7 14. Ressaltese, ainda, que não há conflito entre os fatos geradores do imposto municipal e do federal, uma vez que: o fato gerador do ISS é a prestação de serviços constantes da lista anexa da LC nº 116, de 2003, conforme determina o art. 1º da referida LC; e o fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial ou a ele equiparado, conforme art. 34, inciso II, do Ripi/02. Corroborando o entendimento exposto, cabe citar que já orientava no mesmo sentido o Parecer Normativo (PN) CST nº 83, de 1977, publicado à época em que vigia a lista de serviços anexa ao DecretoLei (DL) nº 406, de 31 de dezembro de 1968, a qual foi substituída, com a revogação do art.8º do DL nº 406/68, pela lista anexa à LC nº 116, de 2003, ora em vigor. (...) 2 – Do Parecer Normativo 83/77: O julgador a quo, utilizouse, como reforço argumentativo, do Parecer Normativo (PN) CST nº 83, de 1977, que assim dispõe: SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL COORDENAÇÃO DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO DOU de 23/12/1977 (nº 244, Seção IParte I, pág. 17.800) Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.01.00.00 Incidência O fato de quaisquer dos serviços catalogados na lista anexa ao Decretolei 406/68, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, se identificarem com operações consideradas industrialização, "ex vi" do RIPI, é irrelevante para determinar a não incidência do I.P.I. Embora o PN 253/70 já tenha, ainda que "en passant", disposto sobre a matéria, persiste dúvida quanto à incidência ou não do I.P.I. sobre produtos resultantes de processos de industrialização que se possam identificar com os relacionados na "Lista de Serviços" anexa ao diploma legal que dispõe sobre o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). 2. Seguese a transcrição dos dispositivos legais em torno dos quais tem assento a referida indagação. "Decretolei nº 406 de 31 de dezembro de 1968" Estabelece normas gerais de direito financeiro, aplicáveis aos impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre serviços de qualquer natureza, e dá outras providências. ......................................................................................................... Art. 8º O imposto, de competência dos Municípios, sobre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao imposto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. § 2º O fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao imposto sobre circulação de mercadorias." Fl. 397DF CARF MF 8 (Este último parágrafo está com a redação dada pelo Decretolei nº 834, de 8 de setembro de 1969). 3. Conforme Aliomar Baleeiro, in "Direito Tributário Brasileiro, 1a. edição, página 265, "o declei nº 406, na ementa, assumiu expressamente o caráter de diploma de normas gerais de direito tributário e, nessa posição, reservou ao Estado os serviços não previstos na lista, quando envolvem fornecimentos de mercadorias". 3.1 Dispõe a norma transcrita, após definir o fato gerador do I.S.S., especificamente sobre conflitos de competência entre Estados e Municípios que envolvam problemas de incidência referentes àquele tributo e ao I.C.M. Diante disto, somente se poderia admitir implicações daquela disposição em outras espécies de tributos, sobretudo federais, que constassem expressamente do texto legal. 4. Portanto, a locução constante do parágrafo 1º, "apenas ao imposto previsto neste artigo", significa unicamente não incidência do I.C.M., enquanto que a do parágrafo 2º, "ao imposto de circulação de mercadorias", esclarece a não sujeição ao I.S.S. 5. Conseguintemente, o fato de quaisquer dos serviços catalogados na lista anexa ao Decretolei 406/68, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, se identificarem com operações consideradas industrialização, "ex vi" do RIPI, é irrelevante para determinar a não incidência do I.P.I. CST/Assessoria, 5 de dezembro de 1977 As alegações da recorrente neste tópico não prosperam. Primeiro porque o referido Parecer Normativo, que afasta a incidência do Decretolei nº 406/68 para estabelecer normas gerais de direito tributário relativamente ao IPI, em nada macula a competência dos entes tributantes estabelecida pela Constituição Federal. Também o simples fato de que o posicionamento veiculado pelo Parecer não teria sido albergado pelos tribunais judiciais, conforme alegou a recorrente, não o invalida. Além disso, em nenhum momento o julgador da DRJ afirmou, como deduziu a recorrente, que "a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, o legislador teria dado autorização para que a União instituísse tributo sobre as prestações de serviços", tendo, somente, no contexto da argumentação acerca da não aplicação da Súmula 143 do extinto TFR ao caso (parágrafo 14. do Acórdão recorrido), asseverado que não mais persiste, na atual Constituição Federal, os conflitos de competência entre a União e os Municípios que ocorriam na ordem constitucional anterior, concluindo que "à luz da atual Constituição Federal, o IPI não interfere e nem sofre interferência do ISS". Muito menos poderseia deduzir, como feito pela recorrente, que o julgador da DRJ teria sustentado a proibição da incidência do IPI sobre os fatos ocorridos anteriormente à vigência da CF de 1988. 3 – Da incidência do tributo: Alega a recorrente que o argumento da decisão recorrida de que a Constituição Federal de 1988 autorizou a incidência do IPI sobre serviços não poderia prevalecer, pois não houve qualquer alteração na matriz de incidência do IPI, mas tão somente do ISS. No entanto, não existiu tal argumento no acórdão da DRJ, no qual apenas constou que o conceito jurídico de industrialização pode também abrigar prestação de alguns serviços Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 395 9 tributáveis pelo ISS, não havendo incompatibilidade da incidência simultânea do IPI e do ISS nas operações abordadas, como se depreende do trecho abaixo: (...) 11. O conceito legal de industrialização, embora delimitado na norma, é bastante amplo. Isto faz com que, em determinadas situações, uma operação caracterizada, pela legislação do IPI, como industrialização também poderá ser, simultaneamente, enquadrada como prestação de serviço, pela legislação do ISS. Entretanto, não existe, na legislação tributária federal, nenhum dispositivo legal que determine a não incidência do IPI em operações que possam ser, concomitantemente, caracterizadas como industrialização e prestação de serviços. A incidência do ISS nessas operações é inteiramente irrelevante para determinar a incidência, ou não, do IPI. Vale repisar que apenas as operações excluídas do conceito de industrialização, elencadas no art. 5º do RIPI/2010, não se sujeitam à incidência do IPI. (...) Ponderase aqui, concordando parcialmente com a tese da recorrente, que o conceito de industrialização não pode ser tão amplo a ponto de ultrapassar o campo de competência reservado constitucionalmente a cada entre federativo, de forma que o que for comprovadamente um serviço deve ser tributado pelo ISS e o que for industrialização deve ser tributado pelo IPI, sem prejuízo, no meu entender, de o processo de industrialização envolver eventualmente também a prestação de algum serviço em caráter acessório. No caso sob análise, as embalagens, sacos, sacolas, bolsas, caixas, estojos, kits promocionais e outros etc. são produzidos e desenvolvidos pela própria contribuinte, inclusive com aquisição de matériasprimas que geraram crédito de IPI, e depois são vendidos a pessoas jurídicas específicas, as quais definiram previamente à contribuinte as especificações desejadas para os materiais de embalagem relativamente à forma, tamanho, cor, design gráfico, logotipos, impressos personalizados, etc. Algumas matériasprimas adquiridas pela contribuinte foram colacionadas pela fiscalização na Tabela abaixo: Fl. 399DF CARF MF 10 São exemplos de produtos que saem do estabelecimento da contribuinte os que constam abaixo: Pelo que já indica o fluxo das matériasprimas que entram no estabelecimento da contribuinte e dos produtos que saem dele, ocorre no estabelecimento da contribuinte um processo industrial de produção das embalagens (sacos, sacolas, bolsas, caixas, estojos, kits promocionais e outros etc.), não se tratando meramente de serviços de composição e impressão gráficas personalizados, inclusive a recorrente não apresentou qualquer documento (nota fiscal de serviço, fatura, contrato, etc.) que comprovasse a contratação e a efetiva prestação de serviços aos seus clientes. Conforme apurado pela fiscalização, as saídas dos produtos sem débitos do IPI, sob os CFOP's 5101 e 6101, trataramse de vendas de produtos dos industrializados pela contribuinte: Nessa linha, consta em DIPJ's da contribuinte que se trata de um estabelecimento industrial ou equiparado sob o código: "1 Industrial/transformação": Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 396 11 A atividade da contribuinte relativamente aos produtos objeto de autuação enquadrase no conceito de industrialização (transformação), delineada no art. 4º do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010), abaixo transcrito, estando, portanto, sujeita à incidência do IPI: Art.4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): Ia que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); IIa que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); IIIa que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IVa que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Va que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Nessa linha, adoto como razões de decidir o excelente voto vencedor do Conselheiro Tiago Guerra Machado no Acórdão nº 3401003.806 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 26 de junho de 2017, abaixo transcrito: (...) O entendimento exposto pelo Relator em relação à caracterização da operação realizada pela Recorrente como de "prestação de serviços", após intensa deliberação da Turma, data maxima venia, não restou acolhido pela maioria do colegiado, dentre os quais me incluo. Assim, para a maioria, estaríamos diante de uma efetiva industrialização ainda que, por encomenda, de forma que haveria indubitavelmente a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as saídas de produtos da Recorrente. As razões para tal entendimento passam, principalmente pela clara constatação de que, no caso concreto, o objeto contratual decorrente da atividade do contribuinte é uma obrigação "de dar" e não uma obrigação "de fazer", ainda que é preciso reconhecer haja uma personalização (ou "customização") como busca a Recorrente comprovar incansavelmente, fazendonos crer, em primeiro momento, que essa característica seria a Fl. 401DF CARF MF 12 prova cabal de que não haveria a incidência do tributo federal em detrimento do Imposto sobre Serviços (ISS). Porém, na compreensão da maioria da Turma, o fato de haver uma personificação dos materiais produzidos pela Recorrente não implica, necessariamente em uma indistinta prestação de serviços, mas tão somente uma característica singular dos produtos fabricados pela Recorrente. É bom dizer que, para fins de distinção da operação como industrialização ou prestação de serviços, não basta a mera análise do contrato entre as partes e destacar apenas a personalização como causa de afastamento da hipótese de incidência do IPI, sendo forçosa a análise de outras características da operação. (...) No presente caso, estamos diante de saída de materiais (obrigação de dar) que claramente passaram por processo de elaboração personalizado, que possui intrinsecamente uma obrigação de fazer. Diante desse cenário é que se criou o entendimento externado no Parecer CST 83/1977, citado na decisão da DRJ. Ainda que não compactue com a conclusão final – que admite a possibilidade de um mesmo evento venha a ser considerado fato gerador do ISS e do IPI, o que, a meu ver, revelaria importantes consequências de natureza constitucional (que não interessam a esse Conselho) – é interessante destacar que dela se conclui que a confecção de produtos por encomenda não pode – per si – desnaturar uma obrigação de dar evidente no negócio jurídico sob análise. Isto porque, vejamos, não há qualquer dúvida que estamos tratando de um produto industrializado – não há protesto em relação a isso por parte da Recorrente – tal como preceitua o Código Tributário Nacional quando delineou os aspectos materiais da incidência do IPI; de modo que a única maneira de se afastar sua tributação é afastando qualquer resquício de “obrigação de dar” sobre a transação. Nesse ínterim, para haver uma prestação de serviços unicamente tributável pelo ISS, há de se cumprir dois requisitos cumulativos, de modo a efetivamente extinguir a “obrigação de dar” vinculada à circulação de produto industrializado: (a) O fornecimento de materiais deve ser realizado exclusivamente pelo encomendante, cabendo ao fornecedor apenas empenhar seu conhecimento e equipamentos e outros insumos que não façam parte do produto final contratado; (b) A destinação do produto acabado deve ser ao uso e consumo próprio do encomendante, não devendo haver reinserção do produto na cadeia econômica para comercialização ou nova industrialização. Pelo exposto, e considerando que a Recorrente não teve êxito em demonstrar o cumprimento de tais requisitos, revelase presente a configuração do fato gerador do IPI. (...) 4 – Da Classificação NCM utilizada pelo D. Auditor: Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 397 13 Requer a recorrente o cancelamento do auto de infração por equívoco na classificação fiscal dos produtos e por falta de individualização dos códigos por produto. No entanto, não houve reclassificação fiscal dos produtos, tendo sido a presente autuação efetuada em conformidade com a própria classificação tarifária efetuada pela contribuinte constante nos seus documentos fiscais. 5 – Da Análise da jurisprudência judicial / 6 – Da Súmula 143 do TFR e da 156 do STJ / 7 – Das decisões administrativas: As decisões e súmulas mencionadas pela recorrente neste tópico também não vinculam as decisões deste Colegiado, além do que, como dito, a recorrente não comprovou a contratação e realização do negócio jurídico de prestação de serviços de composição gráfica. 8 – Base legal: Neste tópico, reclama a recorrente do entendimento mencionado na autuação acerca da Solução de Consulta nº 134 SRRF08/Disit, de 2012, no seguinte sentido: (...) 12. Ao examinaremse as exceções a essa regra geral, arroladas no art. 5º do RIPI/2010, percebese que a impressão, sob encomenda, somente deixará de ser considerada operação de industrialização caso se enquadre na hipótese do inciso V: Art. 5º Não se considera industrialização: V – O preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. No entanto, aos membros do CARF, a teor do seu regimento interno, é vedado afastar a aplicação de decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. O alcance do art. 5º do RIPI/2010 é ainda delimitado pelo disposto no art. 7º, inciso II do mesmo Regulamento, que traz os conceitos de oficina e de trabalho preponderante: Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. Assim, não restam dúvidas de que a atividade da contribuinte não se enquadra na exceção ao conceito de industrialização, de forma que há, sim, a incidência do IPI. O fato de o item ser industrializado sob encomenda, com as especificações de forma, tamanho e cor fornecidas pelo encomendante, somente excluiria a incidência do IPI se a situação se enquadrasse na hipótese do inciso V do art. 5º do RIPI/2010, relativamente ao preparo do produto na residência do preparador ou em oficina com preponderância do trabalho profissional, o que não é o caso da recorrente, que realiza sua atividade num estabelecimento industrial. 9 – Mudança de entendimento da RFB: Fl. 403DF CARF MF 14 Alega a recorrente que a própria administração pública já havia se posicionado acerca da não incidência do IPI nas suas atividades quando aprovou os créditos decorrentes das vendas que somente foram tributadas pelo ISS, razão pela qual requer o cancelamento das multas e juros, com base no parágrafo único do artigo 100 do CTN. No entanto, despachos decisórios em pleitos do contribuinte não se incluem entre as normas complementares a que se referem o referido dispositivo do CTN, quais sejam: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; ou IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Ademais, eventuais procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte, inclusive em face de seus pedidos de reconhecimento de direito creditório, não podem ser estendidos para períodos posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram instaurados. O procedimento fiscal não pode ser dissociado dos fatos ocorridos naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além de veicular posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores. 10 Juízo de Eventualidade: Por fim, contesta a recorrente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, mas não apresenta qualquer fundamento. No entanto, os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/794, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra 4 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 398 15 não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral5: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decretolei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [negritei] 5 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 405DF CARF MF 16 Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida)6, "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias. Não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 6 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/SC RELATORA:Juíza Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 399 17 É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia à Ilustre Relatora para divergir acerca do seu entendimento quanto a tributação dos serviços de composição gráfica, ratificando aqui a minha posição pessoal sobre a matéria, já exposta em outros julgados deste Colegiado. O mérito da questão diz respeito à incidência ou não de IPI sobre o serviço de composição gráfica. No caso sob análise, como bem relatado, as embalagens, sacos, sacolas, bolsas, caixas, estojos, kits promocionais e outros etc., são produzidos e desenvolvidos pela Recorrente, inclusive com aquisição de matériasprimas, e depois são vendidos a pessoas jurídicas específicas, as quais definiram previamente à contribuinte as especificações desejadas para os materiais de embalagem relativamente à forma, tamanho, cor, design gráfico, logotipos, impressos personalizados, etc. Tais produtos, por sua vez, serão fornecidos gratuitamente para seus clientes por exemplo, a sacola de papel que acompanha um produto adquirido evidenciando que a Recorrente é a consumidora final desses produtos. A questão central a ser enfrentada: em sendo serviços de composição gráfica, é cabível a incidência simultânea do ISS e do IPI, ou a incidência do ISS é exclusiva? Entendemos firmemente que a melhor razão jurídica está na segunda opção incidência exclusiva do ISS pelos motivos que serão expostos a seguir. O Sistema Tributário Nacional tem suas linhas mestras traçadas de forma especialmente analítica na CF/88, em um ordenamento constitucional que abarca não apenas o âmbito formal de normatização, mas também um âmbito material, caracterizandose não apenas pela profusão de disposições relativas ao regime jurídico da relação jurídicotributária, como também por três características: abertura, rigidez e exaustividade (Cf.). Trataremos primeiro de sua rigidez e exaustividade, que decorrem de dois fundamentos: por um lado, a existência de estritas regras de competência tributária e de repartição das receitas intensiva e minuciosamente reguladas, e por outro, o estabelecimento dessas regras a nível constitucional, conduzindo a uma rigidez modificativa em razão da especial hierarquia que ostentam (ÁVILA, Humberto. Sistema Constitucional Tributário, 4ªed. São Paulo: Saraiva, 2010. P.109110). Fl. 407DF CARF MF 18 A distribuição minuciosa das competências tributárias aos entes federados conduz a determinados corolários que são depreendidos dessa exaustão. Uma delas talvez a principal é a impossibilidade de um ente invadir a competência destinada a outro, é dizer, todos devem respeitar os estritos limites nos quais a sua atividade tributante deve ser exercida, de modo que esse controle se dá ora pelo recurso aos conceitos constitucionais utilizados, ora pelo recurso à Lei Complementar, nos casos do art. 146, I da CF/88. Portanto, no momento que o constituinte determinou que determinada esfera de materialidades econômicas estaria sujeita à competência de um determinado ente federado, simultaneamente ele exclui os demais entes de exercer sua atividade tributária sobre estas bases, com vistas à garantia da autonomia financeira característica do Federalismo resguardado especialmente pelo art.60, §4º, I da CF. Nesse sentido é a sempre repetida lição do Professor Geraldo Ataliba: “A discriminação de rendas oferece um aspecto positivo – enquanto forma de outorga de competências – e outro negativo –enquanto inibe aos não contemplados pela outorga. Na verdade, a circunstancia de se conferir competência privativa a um ente, importa em por obstáculo erga omnes ao exercício da mesma competência.” (ATALIBA, Geraldo. Sistema constitucional tributário brasileiro. São Paulo: RT, 1968: p. 35). Portanto, ao determinar à União, por meio do art. 153, IV da CF, que ela teria competência para tributar operações com produtos industrializados, e determinar no art. 156, III, que os Municípios teriam competência para tributar a prestação de serviços de qualquer natureza (excepcionando os serviços sujeitos à competência estadual), pretendeu o constituinte originário estabelecer campos de competência distintos, sem intersecções. Naturalmente, da complexificação da realidade surgem situações não previstas inicialmente pelo legislador, que envolvem em uma só operação a prestação de um serviço particular a determinado sujeito e o fornecimento de mercadorias, o que levou a conflitos de competência. Nessas hipóteses, sempre que a tônica da prestação fosse o serviço prestado, e não o bem fornecido, os tribunais sempre decidiram pela prevalência da incidência do ISS, a exemplo do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Repetitivo, tratando especificamente dos casos de serviços de composição gráfica: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1. Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, § 2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 400 19 compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05).Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS). Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1092206/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/03/2009, DJe 23/03/2009) Nos contratos mistos, que envolvam fornecimento de mercadorias, atividades de industrialização e prestação de serviços, a determinação da incidência deve ordinariamente obedecer ao critério da faceta preponderante da prestação. É essa a conclusão também alcançada por José Roberto Vieira, exConselheiro deste órgão e festejado estudioso do IPI, ao enfrentar o tema de industrialização por encomenda, vereda na qual os serviços de composição gráfica se inserem, assim se manifesta: ...identificamos, então, as áreas em que se aproximam os dois impostos: os serviços associados ao fornecimento de materiais (ISS) e as industrializações por encomenda (IPI); áreas em cuja interface surpreendemos a figura do contrato de empreitada de materiais; entidade jurídica de direito privado que, à luz daqueles critérios distintivos constitucionais (obrigações de dar e fazer), só se pode curvar à incidência do ISS, inadmitindose a tributação pelo IPI. (VIEIRA, José Roberto. RegraMatriz de Incidência do IPI: Texto e Contexto. Curitiba: Juruá, 1993. P.87) Absolutamente correto o entendimento esposado pelo autor citado e que goza de amplíssimo apoio da doutrina. A zona cinzenta que se estabelece entre a obrigação de dar típica das operações com produtos industrializados e a obrigação de fazer típica das prestações de serviço evoca a discussão da preponderância de atividade que, por sua vez, deve se socorrer de institutos do Direito Privado, conforme arts. 109 e 110 do Código Tributário, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Fl. 409DF CARF MF 20 Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Dos citados dispositivos resta claro que o recurso ao Direito Privado é essencial para determinar a que campo de competência pertencem os contratos complexos de serviços de composição gráfica. Nesse sentido, assume relevo a compreensão do contrato de empreitada. O artigo 610 do Código Civil, Lei nº 10.406/2002, ao iniciar a disciplina do contrato, dispõe: “O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais”. Dessa forma, ele estabelece duas espécies de empreitada, a que se limita ao trabalho, chamada empreitada de lavor, e a empreitada mista, que envolve o fornecimento de materiais. Sobre isto, esclarece Serpa Lopes: Se o empreiteiro fornece os materiais, não são estes em si o objeto do contrato, senão a matéria lavrada, trabalhada e transformada pelo trabalho do homem. Mesmo quando o empreiteiro fornece o material, o contrato de trabalho continua qualificado como tal, abrangendo, em princípio, duas obrigações: a de fazer, lavrando a coisa, e, como consectário lógico desta primeira, a de entregála ao dono da coisa. (SERPA LOPES, Miguel Maria de. Curso de Direito Civil, v. IV. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1961. P.149.) Parecenos que os contratos de serviços de composição gráfica enquadramse perfeitamente no tratamento dado ao contrato de empreitada. A despeito da obrigação de dar a coisa pronto, o que constitui o cerne da operação é o lavor, a prestação de serviço para a elaboração de algo que atenda às especificidades solicitadas pelo encomendante é irrelevante se a própria Recorrente adquire a matéria prima ou se ela lhe é fornecida pelo encomendante. Isso fica perfeitamente delineado ao se descer do altiplano constitucional para analisar os âmbitos de incidência tributária. O aspecto material da hipótese de incidência do ISS não se confunde com a materialidade do IPI e do ICMS. Isto porque: i) excetuando as prestações de serviços de comunicação e de transporte interestadual e intermunicipal, o ICMS incide sobre operação mercantil (circulação de mercadoria), que se traduz numa "obrigação de dar" (artigo 155, II, da CF/88), na qual o interesse do credor encarta, preponderantemente, a entrega de um bem, pouco importando a atividade desenvolvida pelo devedor para proceder à tradição; e ii) na tributação pelo IPI, a obrigação tributária consiste num "dar um produto industrializado" pelo próprio realizador da operação jurídica. Como arremata Soares de Melo, "embora este, anteriormente, tenha produzido um bem, consistente em seu esforço pessoal, sua obrigação consiste na entrega desse bem, no oferecimento de algo corpóreo, materializado, e que não decorra de encomenda específica do adquirente" (MELO, José Eduardo Soares de."ICMS Teoria e Prática", 8ª Ed., Ed. Dialética, São Paulo, 2005. P.65). Já o ISS, na sua configuração constitucional, incide sobre uma prestação de serviço, cujo conceito pressuposto pela Constituição encarta algo bem diferente de uma obrigação de dar, de modo que o núcleo da hipótese de incidência desse imposto é a prestação de serviço, vale dizer: conduta humana consistente em desenvolver um esforço em favor de Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 401 21 terceiro, visando a adimplir uma "obrigação de fazer" (o fim buscado pelo credor é o aproveitamento do serviço contratado). É clara a prevalência do fazer sobre o dar, sendo corolário disto a sua subsunção, a nível constitucional, à hipótese do art. 156, III e não do art. 153, IV, corroborada pela análise das normas de incidência dos respectivos impostos. Para além do cotejo dos conceitos constitucionais albergados pelas regras de competência, decorrentes de sua exaustividade, devese relembrar aqui outra das características do Sistema Tributário, mencionada anteriormente: a sua abertura. Por abertura, referimos à existência de diversas remissões à outros textos legais vocacionais à integração do conteúdo do Sistema Tributário Nacional, especialmente a chamada Lei Complementar, cujas funções são literalmente delineadas pelo art. 146 da CF, verbis: Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) Isso conduz imediatamente à Lei Complementar nº 116/2003 e ao Decreto Lei nº 406/68, que lhe fazia as vezes antes, que trouxeram uma lista de serviços a serem tributados pelo ISS. Sem pretender entrar na extensa discussão acerca do caráter e eficácia dessa lista, devese frisar o ponto relevante para a presente discussão: essas listas não exercem apenas o papel de normas gerais para os Municípios que pretenderem instituir a cobrança de ISS em suas jurisdições, mas é também um dispositivo de resolução de conflitos de competência entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios. É dizer: uma vez que uma Lei Complementar, ou dispositivo que o equivalha, determine que uma materialidade pertence à competência dos Municípios, ela automaticamente exclui os demais entes tributantes, ainda que tal materialidade se encontre uma zona cinzenta. Tratase de uma função da Lei Complementar enunciada expressamente pela Constituição Federal que deve ser considerada não apenas como comando expresso, mas como diretriz interpretativas das competências tributárias. O DecretoLei 406/68 era absolutamente claro nesse sentido: Art 8º O impôsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por emprêsa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. §1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao impôsto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. Fl. 411DF CARF MF 22 Ele determinava expressamente a incidência exclusiva do ISS sobre os serviços constantes na lista anexa de serviços. E mais, vejase que em relação ao ICM, o diploma era claro em trazer a possibilidade de incidência conjunta com o IPI, o que não ocorria em relação ao ISS: Art 2º A base de cálculo do impôsto é:(...) § 5º O montante do impôsto sôbre produtos industrializados não integra a base de cálculo definida neste artigo: I Quando a operação constitua fato gerador de ambos os tributos; [ICM e IPI] II Em relação a mercadorias sujeitas ao impôsto sôbre produtos industrializados com base de cálculo relacionada com o preço máximo de venda no varejo marcado pelo fabricante. O tratamento tributário dos serviços previstos naquela lista anexa é absolutamente acessível pela tãosó literalidade do diploma. Argumentase, por exemplo, que o art.8º, §1º do DL nº 406/68 estaria abrangendo apenas o ICM, em razão da parte preliminar do texto falar que ele "Estabelece normas gerais de direito financeiro, aplicáveis aos impostos sôbre operações relativas à circulação de mercadorias e sôbre serviços de qualquer natureza, e dá outras providências". Tratase, todavia, de uma interpretação rasteira que contraria o próprio conteúdo do DecretoLei, que traz diversos dispositivos acerca do IPI, demonstrando que seu conteúdo vai bem além do que a parte preliminar indica, inclusive prevendo expressamente a incidência conjunto ao ICM, excluindo tal possibilidade para o ISS. A menção aos Pareceres Normativos CST nºs 253/70 e 83/77, que veiculam a interpretação rasa já rechaçada, tanto no parágrafo anterior quanto pela própria literalidade do dispositivo que pretenderam interpretar, indo muito além para não dizer contrariamente ao que dispõe o art. 8º, §1º do DL nº 406/68. Tão absurdas eram as diretrizes dos mencionados Pareceres que os antigo Tribunal Federal de Recursos, enfrentando essa questão, posteriormente à edição dos mesmos, sumulou o seguinte: Súmula: nº 143: Os serviços de composição e impressão gráfica, personalizados, previstos no art. 8º, § 1º, do Decreto Lei 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto Lei 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao I.S.S., não incidindo o I.P.I. Verificase, pois, como pacífico o entendimento da Corte Superior pela impossibilidade de incidência do IPI nos serviços de composição gráfica. Mais específico que isso, impossível! Frisese que aqui não se tratará especificamente da Lei Complementar nº 116/03, que nada inovou a esse respeito, em razão dos fatos geradores do presente processo serem anteriores a sua vigência, estando sujeitos ao DecretoLei nº 406/68. Além do longo arrazoado apresentado, a Súmula nº 156 do Superior Tribunal de Justiça, que reitera a jurisprudência do extinto TFR: Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 402 23 Súmula nº 156: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. Mais ainda, cumpre ressaltar que a jurisprudência pacífica daquele tribunal se consolidou, nas suas duas turmas que analisam matéria tributária, no sentido de que a referida súmula abrange a exclusão tanto do ICMS quanto do IPI em relação às prestações de serviço de composição gráfica, o que também corrobora o que vem sido dito até agora, inclusive com precedentes recentíssimos: TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 816.632/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2016, DJe 11/02/2016) TRIBUTÁRIO. IPI. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA.1. Não procede o objetivo de prequestionar dispositivos constitucionais, sobretudo porque a matéria fora debatida nas instâncias ordinárias e já houve interposição de Recurso Extraordinário contra o acórdão do Tribunal a quo (fls. 312326). 2. A jurisprudência dominante do STJ é no sentido de que os bens submetidos à prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, não se sujeitam ao IPI, mas apenas ao ISS. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1369577/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/12/2013, DJe 06/03/2014) RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Precedentes. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1308633/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2013, DJe 01/10/2013) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, Fl. 413DF CARF MF 24 ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 966.184/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2008, DJe 19/12/2008) TRIBUTÁRIO. ISSQN. "INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA". LEI COMPLEMENTAR 116/2003. LISTA DE SERVIÇOS ANEXA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO (OBRIGAÇÃO DE FAZER). ATIVIDADE FIM DA EMPRESA PRESTADORA. INCIDÊNCIA. (...) 11. Destarte, a "industrialização por encomenda", elencada na Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003, caracteriza prestação de serviço (obrigação de fazer), fato jurídico tributável pelo ISSQN, não se enquadrando, portanto, nas hipóteses de incidência do ICMS (circulação de mercadoria obrigação de dar e prestações de serviço de comunicação e de transporte transmunicipal). 14. Recurso especial provido. (REsp 888.852/ES, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 01/12/2008) Na mesma linha, o Supremo Tribunal Federal possui importante precedente vazado no AI 803.296 AgR, relatado pelo Min. Dias Toffoli, no qual a Corte consignou critérios objetivos para determinar as hipóteses em que a industrialização por encomenda estaria sujeita à incidência exclusiva do ISS. Senão vejamos: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Serviço de composição gráfica com fornecimento de mercadoria. Conflito de incidências entre o ICMS e o ISSQN. Serviços de composição gráfica e customização de embalagens meramente acessórias à mercadoria. Obrigação de dar manifestamente preponderante sobre a obrigação de fazer, o que leva à conclusão de que o ICMS deve incidir na espécie. 1. Em precedente da Corte consubstanciado na ADI nº 4.389/DFMC, restou definida a incidência de ICMS “sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria”. 2. A verificação da incidência nas hipóteses de industrialização por encomenda deve obedecer dois critérios básicos: (i)verificar se a venda operase a quem promoverá nova circulação do bem e (ii) caso o adquirente seja consumidor final, avaliar a preponderância entre o dar e o fazer mediante a averiguação de elementos de industrialização. 4. À luz dos critérios propostos, só haverá incidência do ISS nas situações em que a resposta ao primeiro item for negativa e se no segundo item o fazer preponderar sobre o dar. 5. A hipótese dos autos não revela a preponderância da obrigação de fazer em detrimento da obrigação de dar. Pelo contrário. A fabricação de embalagens é a atividade econômica específica explorada pela agravante. Prepondera o fornecimento dos bens em face da composição gráfica, que afigurase meramente acessória. Não há como conceber a prevalência da customização sobre a entrega do próprio bem. 6. Agravo regimental não provido.(AI 803296 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 09/04/2013) Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 403 25 Como se verifica da análise do acórdão, duas condições devem ser comprovadas para determinar a incidência do ISS na industrialização por encomenda. Em primeiro lugar, é preciso que o encomendante seja consumidor final, e em segundo lugar, que haja preponderância do fazer sobre o dar, mediante a averiguação dos elementos de industrialização. No caso concreto, ambas as condições se encontram atendidas, como já foi explicado anteriormente, em razão das particulares especificações do produto, que atendem somente àquele encomendante específico, e por ser destinado ao consumo por ele, não sendo objeto de posterior circulação. A própria personalização dos produtos com os dados particulares, logomarca, CNPJ, nome e outros elementos identificadores dos encomendantes deixa claro que os mesmos seriam os consumidores finais, deixando claro o atendimento ao primeiro requisito delimitado pelo STF. Tal critério é, inclusive, corroborado em precedente da CSRF, no Acórdão CSRF/0202.339, como a ementa deixa evidente: IPI. INCIDÊNCIA – SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. Antes da vigência da Lei Complementar nº 116/2003, estando a operação de Composição Gráfica, incluída na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei nº 406/68, como status de Lei Complementar, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, da do IPI, isso quando o produto da operação não seja posteriormente destinado à industrialização ou comercialização, situação esta configurada nos autos. (CSRF/0202.339, rel. Cons. Antonio Bezerra Neto, julgado em 24/07/2006) Quanto ao segundo, o mesmo resta plenamente reconhecido nos autos. Não tem o encomendante interesse em qualquer bobina ou qualquer álbum de fotografias, mas apenas aquele personalizado, com elementos de identificação peculiares e exclusivos, que lá são postos por força da prestação de serviço da Recorrente e mais, o próprio fiscal e a decisão a quo em momento algum discutem a possibilidade da obrigação de fazer não ser preponderante na composição gráfica, pelo contrário, assumindo isto como premissa, mas divergindo equivocadamente nas conclusões. Na mesma linha decidia também o extinto Segundo Conselho de Contribuintes, conforme as decisões abaixo colacionadas: IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE ADESIVOS POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Recurso provido. (Acórdão 20215523; Recurso 119196; Relator Marcelo Marcondes MeyerKozlowski; Data da Sessão 13/04/2004). CARTÃO MAGNÉTICO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico (PVC) com tarja magnética, comumente denominados “cartões magnéticos”, Fl. 415DF CARF MF 26 vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. (Acórdão 20180.210; Recurso 104.692; Relator Maurício Taveira e Silva; Data da Sessão 29/03/2007). Já no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apontase também a existência de precedentes desta Turma de Julgamento a respeito da matéria, reconhecendo, por unanimidade, que no serviço de composição gráfica não há incidência de IPI, a exemplo do Acórdão CARF nº 3402002.024, de relatoria do Cons. João Carlos Cassuli Jr., julgado em 27/02/2013 e assim ementado: IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PREPONDERÂNCIA DOS SERVIÇOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Nos casos em a atividade empresarial se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI pelo fato de ter havido “transformação”, pois que esta, no caso, é da essência (atividademeio) do próprio serviço (atividadefim). No mesmo sentido entendeu, por unanimidade, outras turmas desta Seção de Julgamento: EMBALAGEM. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. A impressão gráfica personalizada em embalagem plástica para acondicionamento de ovo, feita para atender às necessidades específicas do cliente, tratase de prestação de serviço e não de industrialização. Quem a exerce é estabelecimento prestador de serviço e não estabelecimento industrial. (Acórdão nº 3302 00.582, Cons. Walber José da Silva, julgado em 29/09/2010) Além disso, tal posicionamento foi sufragado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, como se depreende dos seguintes acórdãos: CARTÃO MAGNÉTICO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico com tarja magnética, comumente denominados "cartões magnéticos", vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. (Ac. nº 0203.490, Rel. Cons. Josefa Maria Coelho Marques, julgado em 02/09/2008) IPI. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS. A existência de sentença judicial transitada em julgado, proferida pelo TFR, com decisão favorável ao contribuinte, a qual ainda prevalece, em face da inexistência de alteração legislativa, derrui a pretensão do Fisco. A Súmula 156 do STJ decidiu que a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. Portanto, os serviços de confecção de cartões magnéticos e de Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11065.721963/201505 Acórdão n.º 3402004.898 S3C4T2 Fl. 404 27 crédito se constituem em serviço de composição gráfica sujeito unicamente ao ISS. Precedente do TRF e do STJ. (CSRF/02 02.652, Rel. Cons. Maria Teresa Martinez López, julgado em 23/04/2007) CARTÃO MAGNÉTICO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A confecção de cartões de plástico (PVC) com tarja magnética, comumente denominados “cartões magnéticos”, vendidos a clientes finais consiste na prestação de um serviço de composição gráfica e não se enquadra na hipótese de incidência do IPI. Recurso provido. (Ac. nº 20180210, Rel. Cons. Maurício Taveira, julgado em 29/03/2007) IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS, SOB ENCOMENDA. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. NÃO INCIDÊNCIA DE IPI. A confecção de cartões magnéticos, sob encomenda do consumidor final, não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, por se caracterizar como serviço, nos termos do disposto no item 77 da Lista de Serviços aprovada pelo Decretolei nº 406/68. Recurso especial negado. (CSRF/02 02.556, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, julgado em 22/01/2007) Após este extenso levantamento jurisprudencial no âmbito do STF, STJ e CARF, abrangendo tanto câmaras baixas quanto câmara superior, resta evidente a existência de uma consolidação relativa aos fatos geradores tanto anteriores quanto posteriores à Lei Complementar nº 116/03 no sentido de não haver a incidência de IPI nos serviços de industrialização por encomenda, especialmente nos serviços de composição gráfica, quando se constatar que o encomendante será consumidor final e quando a prestação do fazer for preponderante, como no caso analisado neste processo administrativo. Poderseia alegar, aqui, que tratamse de decisões que não vinculam o julgamento, como aquelas decisões proferidas no âmbito das Repercussões Gerais e Recursos Repetitivos, por exemplo, e que por isso não exercem qualquer tipo de vinculação formal ao Colegiado. Todavia, não se pode olvidar também da construção de uma base de confiança para o Contribuinte, à partir de uma presunção material de correção que se caracteriza, no caso em tela, pela repetição de uma mesma decisão em diversos tribunais, de modo perene e sempre acompanhado de súmulas do STJ e do TFR, refletindo a existência de um consenso da comunidade jurídica acerca de determinado tema (nesse sentido, vide ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica, 3ªed. São Paulo: Malheiros, 2015). Essa confiança não apenas é digna de proteção na condição de subprincípio corolário da segurança jurídica (Vertrauensschutzprinzip), mas especialmente no tocante à discussão relativa ao IPI, que traz em seu regulamento de 1998 previsão expressa de exclusão de multa em razão da proteção da confiança construída à partir de decisão de órgão da última instância administrativa (art. 459, II, "a" do RIPI/98). Não restam dúvida, pois, que não deve haver a incidência de IPI nos casos sujeitos a industrialização por encomenda, especialmente naqueles de serviços de composição gráfica, como no caso em tela, devendo ser julgado procedente o Recurso Voluntário. Fl. 417DF CARF MF 28 Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000315/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
MULTA POR FALTA DE INFORMAÇÕES EM GFIP.
É devida a multa regulamentar, de que trata o art. 32 da Lei nº 8.212/91 e alterações, no caso de apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições destinadas à Seguridade Social. No caso, a falta de informação de valores pagos aos segurados por intermédio de programa de incentivo, por intermédio da empresa Spirit Card.
Numero da decisão: 2401-005.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 MULTA POR FALTA DE INFORMAÇÕES EM GFIP. É devida a multa regulamentar, de que trata o art. 32 da Lei nº 8.212/91 e alterações, no caso de apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições destinadas à Seguridade Social. No caso, a falta de informação de valores pagos aos segurados por intermédio de programa de incentivo, por intermédio da empresa Spirit Card.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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É devida a multa regulamentar, de que trata o art. 32 da Lei nº 8.212/91 e alterações, no caso de apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições destinadas à Seguridade Social. No caso, a falta de informação de valores pagos aos segurados por intermédio de programa de incentivo, por intermédio da empresa Spirit Card. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 03 15 /2 00 8- 51 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 97 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 98 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 0618.100 (fls. 70/77) da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 AI N°37.115.7587 GFIP. FATOS GERADORES. DADOS NÃO CORRESPONDENTES. INFRAÇÃO. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social. ATENUAÇÃO DA PENALIDADE Para fazer jus ao beneficio da atenuação da penalidade aplicada é necessária a correção da falta até o termo final do prazo para impugnação. Lançamento Procedente Extraise do Relatório Fiscal (fls. 16/18), Auto de Infração de MULTA DEBCAD 37.115.7587, que a empresa foi autuada por deixar de incluir em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social os fatos geradores das contribuições previdenciárias calculadas sobre as remunerações pagas aos segurados mediante créditos em cartões eletrônicos (SPIRITCARD), fornecidos pela empresa Spirit Markting Promocional Ltda. A multa foi calculada utilizandose o percentual de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada limitada ao valor resultante da multiplicação do valor mínimo previsto na legislação (atualizado pela Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007, de R$ 1.195,13) por um fator em função do número de segurados da empresa, totalizando R$ 11.951,30. O sujeito passivo foi cientificado em 15/10/2007 e apresentou sua IMPUGNAÇÃO em 14/11/2007 (fls. 33/47). Em síntese, argumenta que nas notas fiscais Fl. 99DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 99 4 emitidas pela empresa prestadora Spirit Marketing Promocional Ltda constam a titulo de "Marketing de Relacionamento Interno "e foram confrontadas com os lançamentos contábeis, se tratando, apenas, de despesas e não de salários, como quer a Auditoria Fiscal, que o AI não tem respaldo legal em face da ausência de fato gerador e por fim, discorre sobre os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e a questão do nãoconfisco. Cientificado da decisão primeira instância em 23/07/2008 (fls. 80), apresentou Recurso Voluntário em 19/08/2008 (fls. 82/93), do qual colhemse os seguintes argumentos de defesa: a) Transcreve passagens do voto do r. acórdão recorrido, por entender que não pode prosperar o posicionamento da autoridade julgadora; b) Cita os arts. 198 e 214 do Decreto nº 3.048, de 1999, e arts. 20 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, para enfatizar a contribuição previdenciária do segurado empregado incidente sobre o salário de contribuição; c) Entende que, com base na interpretação legal, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados destinados a retribuir o trabalho, não se podendo compreender neste conceito, qualquer outro; d) Diz que os valores reembolsados ou adiantados, mediante cartão de premiação, contrato celebrado com a Spirit Cards, são destinados a cobrir custos de viagem, alimentação e hospedagem, de seus empregados e de clientes e fornecedores da empresa, traduzindose, portanto em custos de publicidade e propaganda da empresa, tendo assim sido contabilizado; e) Declara que: ".. OS VALORES CREDITADOS NOS RESPECTIVOS CARTÕES NÃO SE TRATARAM DE PAGAMENTO OU RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO, POIS ESTE TRABALHO JÁ FORA REGULARMENTE RETRIBUÍDO POR MEIO DA FOLHA DE PAGAMENTOS DOS EMPREGADOS, MAS TÃO SOMENTE, TRATOUSE DE ADIANTAMENTO OU RESSARCIMENTO DOS VALORES DISPENDIDOS POR ESTES EMPREGADOS COM CLIENTES, EM VIAGENS ETC..."; f) Afirma que não é qualquer valor, qualquer título puro e simplesmente que está sujeito a contribuição previdenciária, mas qualquer título que consista em retribuição pela mão de obra; g) Diz que o contrato celebrado com a Spirit Cards permite que a empresa ofereça aos seus clientes e fornecedores tratamento diferenciado durante a sua relação comercial e que essa atividade pode ser entendida como serviço de publicidade e propaganda; h) Questiona a ausência de legitimidade do lançamento, considerando que está em discussão a natureza salarial dos créditos em referência. Diz o fiscal não podia ter lavrado o auto de infração, pois somente após o devido processo legal e contraditório teria a certeza de que os valores omitidos tratamse mesmos de parcelas tributáveis; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 100 5 i) Informa que a multa foi aplicada pela totalidade de funcionários constantes no banco de dados da previdência e não apenas em relação aos beneficiários omitidos; j) Ao final, propugna pelo reconhecimento da improcedência dos valores declinados no AI e, sucessivamente, seja atenuada a penalidade adequandose a faixa correspondente. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 101 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Mérito De início, convém destacar que o crédito tributário em discussão, Auto de Infração de Multa DEDCAB 37.115.7587, originouse de fato gerador, não informado em GFIP, referente a valores recebidos pelos segurados, mediante créditos em cartões de créditos (SPIRITCARD), competência 08/2004. O crédito tributário relativo à contribuição previdenciária e acréscimos legais foi apurado por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), DEBCAD nº 37.115.7617, Processo Administrativo Fiscal nº 14474.000012/200838, o qual já foi objeto de julgamento pela 3ª Turma Especial da 2ª Secão, restando assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004 REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo/cartão premiação, administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado Argumenta a recorrente que os valores reembolsados ou adiantados, mediante cartão de créditos SPIRITCARD, não constituem em remuneração e não integram o salário de contribuição dos empregados, destinamse a cobrir custos de viagem, alimentação e hospedagem, traduzindose, portanto, em custos de publicidade e propaganda da empresa, tendo assim sido contabilizado. A matéria está regulado no art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, que assim dispõe sobre o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária: CAPÍTULO IX DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 102 7 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] Veja que a legislação previdenciária adotou um conceito bem abrangente de salário de contribuição, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Quanto à matéria, este colegiado em várias decisão já se manifestou, nesse sentido: (Acórdão 2301003.201 3ª Cãmara/ 1ª TO, publicado 18/03/2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/11/2009 PAGAMENTO INDIRETO. CARTÕES ELETRÔNICOS ADMINISTRADOS PELA EMPRESA SPIRIT INCENTIVO & FIDELIZAÇÃO LTDA. Tratase de forma de pagamento habitual, cujo qual deverá incidir em contribuição previdenciária. E, caso não seja informada em GFIP há clara agressão ao Artigo 32, IV da Lei n° 8.212/1991. [...] (Acórdão 240100.968 4ª Cãmara/ 1ª TO, de 28/01/2010, publicado em 28/01/2010) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2005 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Spirit. é fato gerador de contribuição previdenciária. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 14474.000315/200851 Acórdão n.º 2401005.337 S2C4T1 Fl. 103 8 Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Pois bem. Entendo que os empregados recebem a premiação em razão do trabalho (pelo trabalho), mediante critérios préestabelecidos (desempenho, esforço e produtividade), obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em razão dos serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. Ademais, o sujeito passivo não trouxe à baila nenhum argumento jurídico capaz de enquadrar suas alegações nas hipóteses contidas no§ 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, que dispõem sobre as verbas que não integram o salário de contribuição para os fins do referido diploma legal. Desta forma, concluise que os valores reembolsados ou adiantados, mediante cartão de créditos SPIRITCARD, constituem em remuneração e integram o salário de contribuição, devendo serem incluídos em GFIP. Desse modo, não assiste razão a recorrente, pelo que se mantém a multa aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 1991, e no artigo 225, inciso IV, do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048,de 1999. Quanto à aplicação da multa sobre a totalidade de funcionários, faixa de segurados de 101 a 500. Reafirmase a decisão r. acórdão recorrido: " Com relação a faixa de segurados (101 a 500) integrante da planilha de fl. 15, a mesma encontrase correta. Nada foi juntado no processo que demonstrasse o contrario". Por fim, em relação ao argumento de ausente a legitimidade do lançamento, alega a recorrente a matéria ainda encontrase em discussão e que não podia inserir os elementos em GFIP que não se coadunam com a verdade dos fatos. Sem razão a recorrente. Esse colegiado, conforme demonstrado, já firmou o entendimento de que os valores recebidos, por meio de cartão de créditos SPIRITCARD, integram o salário de contribuição. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, por considerar procedente o Auto de Infração, mantendo a exigência do crédito tributário. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.676142/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2005
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.086
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2005 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 42 /2 00 9- 84 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de COFINS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de COFINS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10880.676142/200984 Acórdão n.º 3401004.086 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 739DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.904795/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.275
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 5/ 20 11 -6 8 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904795/201168 Resolução nº 3402001.275 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.027, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904795/201168 Resolução nº 3402001.275 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904795/201168 Resolução nº 3402001.275 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904795/201168 Resolução nº 3402001.275 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904795/201168 Resolução nº 3402001.275 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000513/2007-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. EXCLUSÃO.
As receitas financeiras decorrentes de aplicações no mercado financeiro, efetuadas por entidades beneficentes, constituem receitas não operacionais e não integram a base de calculo da contribuição sob o regime cumulativo.
Numero da decisão: 9303-006.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
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RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. EXCLUSÃO. As receitas financeiras decorrentes de aplicações no mercado financeiro, efetuadas por entidades beneficentes, constituem receitas não operacionais e não integram a base de calculo da contribuição sob o regime cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 05 13 /2 00 7- 10 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16151.000513/200710 Acórdão n.º 9303006.226 CSRFT3 Fl. 434 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 20311.403, de 19/10/2006, proferido pela 3ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes. No julgamento da impugnação apresentada contra o lançamento impugnado, a DRJ/SPO1 manteve a exigência da contribuição lançada e exigida para as competências de fevereiro de 1999 a novembro de 2002 e exonerou a contribuição para as competências de janeiro de 1993 a janeiro de 1999. Este processo foi formalizado exclusivamente para dar seguimento à parte do crédito tributário mantido pela DRJ/SPOI, competências de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, que foi objeto de recurso especial, por parte do contribuInte. Em relação à contribuição lançada e exigida para aquelas competências de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, a DRJ/SPO1 assim decidiu: "9.5. Concluise, pois, que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, sujeitamse à incidência da Cofins todas as demais receitas que não se enquadrem no mencionado conceito de receita típica. Está correto, portanto, o lançamento formalizado, exigindose a Cofins sobre as receitas financeiras auferidas pela impugnante." No julgamento do recurso voluntário, o Colegiado da Terceira Câmara negoulhe provimento, conforme ementa transcrita abaixo: "BASE DE CALCULO. FATOS GERADORES A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. LEI N° 9.718/98. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO. A definição de faturamento ou receita bruta para fins tributários, base de cálculo da COFINS e do PIS, após a Lei n° 9.718/98 equivale ao total dos valores da venda de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, somado às demais receitas, nestas incluídas as receitas financeiras." Dessa forma, este processo trata apenas e tão somente da matéria referente à parte do crédito tributário mantida pela DRJ/SPO1, competências de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, e que foi objeto do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. No recurso especial, o contribuinte questionou a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da Cofins, alegando, em síntese, que a ampliação da base de cálculo dessa contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 390.840/PR, cuja decisão foi publicada em 15/08/2006. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade nº 041, de 30/03/2009, às fls. 394e/396e, o Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do acórdão, do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso, mantendose integralmente a decisão recorrida, fls. 399e/419e. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 16151.000513/200710 Acórdão n.º 9303006.226 CSRFT3 Fl. 435 3 É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito. O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria oposta nesta instância especial se restringe à ampliação da base de cálculo da Cofins, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ou seja, a exigência da contribuição sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica, inclusive, sobre receitas não operacionais. Do exame dos autos, verificase que a base de cálculo, utilizada pelo autuante, foi apurada levandose em conta a totalidade das receitas do contribuinte, inclusive, as não operacionais. No presente caso, as financeiras decorrentes de aplicações no mercado financeiro. A base de cálculo da Cofins cumulativa, segundo a Lei nº 9.718, de 1998, é o total das receitas da pessoa jurídica, assim dispondo: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) [...].” No entanto, no julgamento dos RE’s nºs 585.235/MG e 357.9509/RS, com decisões transitadas em julgado em 01/09/2006, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas por meio do inciso I do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Em face dessas decisões do STF, o próprio Poder Executivo, revogou, por meio da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 79, inciso XII (MP nº 449, de 03/12/2008), aquele parágrafo primeiro que determinava a ampliação da base de cálculo dessas contribuições. No presente caso, a matéria em discussão é a tributação das receitas financeiras obtidas pelo contribuinte nas aplicações realizadas por ele, conforme consta do seu recurso especial e do despacho de sua admissão. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16151.000513/200710 Acórdão n.º 9303006.226 CSRFT3 Fl. 436 4 Assim, em face da decisão do STF, nos referidos RE's, que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Cofins sob o regime cumulativo, as receitas não operacionais (financeiras) discriminadas nas planilhas denominadas "BASE DE CÁLCULO DA COFINS DE FEVEREIRO 1999 A NOVEMBRO DE 2002", às fls. 76e, deverão ser excluídas da base de cálculo utilizada pelo autuante, cabendo à autoridade administrativa recalcular as parcelas mensais lançadas e exigidas, levandose em conta essas exclusões. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Demes Brito. Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.685032/2009-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
PROVAS. INSUFICIÊNCIA.
As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 3001-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 50 32 /2 00 9- 11 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.685032/200911 Acórdão n.º 3001000.116 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 17/07/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 42100.97894.170706.1.3.046415 declarando a compensação de débito do SIMPLES cód. 6106, do período de apuração jun/2006, com crédito da COFINS (cód. 2172), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 08/2002. Do Despacho Decisório A DERAT/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 1), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 11), abordando em preliminar a nulidade da intimação do despacho decisório, porque não está formalmente revestida dos requisitos legais, pois o AR foi recebido por terceira pessoa, quando deveria ser pelo sócio administrador da contribuinte. Quanto ao mérito apresenta os fatos que deram causa ao pedido de compensação e do direito legalmente assegurado de fazêlo. Aduz questões de inconstitucionalidade da lei nº 9.718/98, quanto a alteração da base de cálculo da COFINS e sua alíquota. Ao final requer a reforma do despacho decisório. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 13ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/09/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.685032/200911 Acórdão n.º 3001000.116 S3C0T1 Fl. 4 3 e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATRATIVA. A inconstitucionalidade e a ilegalidade da lei não se discutem em instância administrativa. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP) Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 65), que além de pedir o provimento de seu recurso, nada acrescenta além do que já foi extensamente dito na manifestação de inconformidade. Nenhuma prova do direto creditório foi carreada aos autos. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.685032/200911 Acórdão n.º 3001000.116 S3C0T1 Fl. 5 4 Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente apenas fez jus ao seu direito de recurso, sem no entanto, aproveitar essa oportunidade para contestar as razões que levaram a decisão de primeiro grau manter integralmente o despacho decisório, fazendo a juntada de provas de reconhecimento do seu direito creditório. Todos os pontos que a recorrente aborda em seu recurso voluntário, repetem os argumentos de defesa contidos na Manifestação de Inconformidade, que por conseguinte, todos já merecerem a devida análise e resposta da autoridade julgadora de primeiro grau. Não há inovação no recurso com a apresentação de fatos e documentos não contemplados na decisão recorrida ou apontando erros cometidos pelo julgador singular. Dessa forma adoto como razões de decidir a própria decisão proferida em primeiro grau, da qual transcrevo a seguinte parte: As matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art.17 do Decreto no 70.235/72, na redação dada pela Lei nº9.532/97. Também, estabelece o art. 16 do citado Decreto que a Impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. Ressaltase que o regramento previsto no Decreto nº 70.235/72 é aplicável à Manifestação de Inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluída pela Lei nº 10.833/03. Inicialmente a Manifestante alega que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada. Consta às fls. 05 o histórico do sedex contendo o Despacho Decisório entregue ao Contribuinte em 06/11/2009 e, por outro lado, as informações da própria Manifestante (fls. 13, em especial), assim como o documento acostado às fls. 43 comprovando que o Contribuinte recebeu o Despacho Decisório em seu endereço. A intimação foi realizada por via postal e esta é considerada feita na data do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto 70.235/72, artigo 23, inciso II e §2º, inciso II. No presente caso, a ciência ocorreu em 06/11/2009 (fls. 05), quando do recebimento do Despacho Decisório no domicílio tributário eleito Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.685032/200911 Acórdão n.º 3001000.116 S3C0T1 Fl. 6 5 pelo sujeito passivo, sendo irrelevante que não tenha sido recebido pelo sócio gerente. (...) Ressaltase que atualmente a compensação tributária em âmbito federal, além do disposto no CTN, é regulada pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996 que, em seu art. 74 e parágrafos, na redação dada pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (dispositivo acima transcrito, neste voto). Em acréscimo, a Instrução Normativa SRF 210 de 01/10/2002 e seguintes, bem como, no mesmo sentido, com a IN RFB nº 900, de 30/12/2008, determinam que os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal podem ser objeto de compensação, sendo que a determinação do valor exato do crédito fica subordinada à análise pela autoridade competente. É certo que, se a lei faculta a compensação somente para créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, conforme acima demonstrado, o direito de compensação deve estar sujeito às regras fixadas, dentre elas, as normas estabelecidas através da Instrução Normativa (acima mencionada), determinantes de compensação via “DCOMP” – declaração eletrônica. Nesses termos, anotase que o PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a conseqüente extinção dos débitos vinculados. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. Por oportuno, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. Anotase que em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão, fls.1. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que o pagamento indicado no PER/DCOMP já ter sido totalmente utilizado para a quitação de outro débito do contribuinte devidamente indicado às fls. 1, em especial item 3 (do débito código 2172, período de apuração: 31/08/2002 e valor R$ 3.097,80,) e, por outro lado, o Contribuinte não trouxe em sua Manifestação de Inconformidade prova contrária ao que restou apurado e informado no Despacho Decisório. Destacase que o Contribuinte sequer contesta os fundamentos do Despacho Decisório. Além de pleitear a nulidade, argumenta sobre o Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.685032/200911 Acórdão n.º 3001000.116 S3C0T1 Fl. 7 6 direito de petição, inconstitucionalidade da lei nº 9 718/98, princípio da isonomia e prescrição para a repetição do indébito tributário. Consoante acima exposto, a compensação através do PER/DCOMP foi introduzida e regulada em nosso ordenamento jurídico com suporte na legislação, também já mencionada. (...) No caso em tela, o contribuinte pleiteia a compensação de créditos referentes a recolhimentos a maior ou indevidos de COFINS arrecadados em 13/09/2002 com débitos do SIMPLES relativo ao período de 06/2006 o que demonstra estar dentro do prazo qüinqüenal permitido. Reiterase que o Despacho Decisório não aponta como fundamento do indeferimento o decurso do prazo para pleitear a compensação e sim a total e prévia utilização do DARF indicado no PER/DCOMP como crédito. Em tal situação, inócuos os argumentos e, conseqüentemente, a respectiva apreciação da questão do prazo para pleitear a compensação. (...) Ainda, nas condições do presente processo, é oportuno destacar que nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade”, disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. (...) Apesar de não argumentado pela Manifestante, mas em observância aos princípios da legalidade e da verdade material, foi realizada nova consulta ao sistema informatizado disponível à RFB e restou confirmado que, de fato, o DARF indicado no PER/DCOMP foi prévia e totalmente utilizado para a quitação do débito do débito código 2172, período de apuração: 31/08/2002 e valor R$ 3.097,80,, não restando crédito (saldo) para a compensação do débito pleiteada no PER/DCOMP em apreço. Assim, o que foi de fato comprovado é que o Contribuinte declarou um crédito que foi prévia e totalmente utilizado para a quitação de outro débito, conforme especificado no item 3 do Despacho Decisório de fls. 1 e a Manifestante não demonstrou o contrário. Conseqüentemente, não merece reparo a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal que teve como pressuposto as informações prestadas pelo próprio Contribuinte (DCOMP), assim como através da verificação de outros dados constantes do sistema informatizado, Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.685032/200911 Acórdão n.º 3001000.116 S3C0T1 Fl. 8 7 válidos a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Portanto, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação não mais existia. Daí a não homologação. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Reiterase que em se tratando de pedido de compensação é do Contribuinte o ônus da prova de seu direito e este não foi demonstrado, em relação ao Per/DCOMP em apreço. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 95DF CARF MF
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