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Numero do processo: 11080.903086/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário, apresentado em razão do julgamento improcedente da manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Esta última, por sua vez, guerreou o Despacho Decisório Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que nãohomologou a compensação declarada por entender ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos em procedimento fiscal. A Fiscalização esclareceu que o mencionado procedimento fiscal, fundador de auto de infração (Processo Administrativo nº 11080.732116/201316), teve por objeto a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 08 6/ 20 13 -2 1 Fl. 9502DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.503 2 verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pela Contribuinte. Como consequência da lavratura do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que influenciou os valores de ressarcimento pleiteados. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Regularmente cientificada da homologação parcial da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. DO AUTO DE INFRAÇÃO: O Despacho Decisório ora “impugnado” é resultado do procedimento de fiscalização instaurado para a verificação da regularidade dos créditos de IPI sobre insumos básicos apurados e informados no período compreendido entre o 4º Trimestre/2008 e o 1º Trimestre/2012 (MPF nº 10.1.01.00201300304 2), sendo parte requerida por meio de pedidos de ressarcimento e compensação e parte utilizada para escrituração em conta gráfica de IPI, sem pedido de ressarcimento. No caso, como mencionado pela Autoridade Fiscal, “a fundamentação dos créditos glosados relativamente a todas as DCOMP’s objetos do MPF acima referido, encontrase, detalhadamente, no Relatório de Ação Fiscal, anexado a estes autos. Pela semelhança dos argumentos de fato e de direito, a Manifestante requer, antes de tudo, a reunião de todos esses processos acima mencionados, para que tramitem em conjunto e sejam objetos de um único julgamento, em atenção ao princípio da economia e eficiência processuais, bem como em atenção ao princípio da segurança jurídica, a fim de se evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS – NECESSIDADE DE PERÍCIA TÉCNICA: Para fundamentar as glosas realizadas, nas planilhas de análise dos créditos, as Autoridades Fiscais realizaram o agrupamento dos materiais objetos das glosas, em 04 (quatro) grupos, baseandose no entendimento de que eles não se enquadrariam no conceito de insumos (MP, MI ou ME), tendo em vista a descrição feita pela empresa durante o atendimento à fiscalização e a sua interpretação sobre os Pareceres Normativos CST nº 181/74, 260/71 e 65/79, bem como dos dispositivos dos Regulamentos de IPI de 2002 e 2010 (Decreto nº 4.544/2002 e Decreto nº 7.212/2010). Para corroborar suas conclusões, mencionaram diversas decisões administrativas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), Soluções de Consulta, ou seja, diversas fontes documentais que corroboram o seu entendimento e que, no seu entendimento, seriam suficientes para justificar as glosas. Além disso, como dito acima, informaram ter sido realizada visita técnica ao estabelecimento da Manifestante. Ocorre que, na referida visita, as informações solicitadas Fl. 9503DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.504 3 e esclarecimentos feitos não foram específicos para cada um dos materiais analisados e muito menos dos materiais objetos das glosas e nem poderia ser, tendo em vista o grande número que representavam todos os materiais sobre os quais a Manifestante havia tomado créditos – no caso dos materiais glosados, mais de 15 (quinze) mil itens. Ou seja, por mais diligentes que as Autoridades Fiscais tenham sido, comparecendo ao estabelecimento da Manifestante para conhecer seu processo industrial e a possível aplicação e forma de consumo dos materiais objetos dos creditamentos, impossível a tais profissionais abordar cada um deles e deterse às especificidades da aplicação/função e forma de consumo de cada um deles, de forma a ter acuracidade total em todas as conclusões, sobretudo porque, como informado durante os procedimentos de fiscalização, a especialização dos Ilustres Fiscais não é da área de siderurgia, uma vez que possuem formação nas áreas contábil e jurídica e, por isso, s. m. j, impossível se atingir acuracidade nas conclusões acerca do enquadramento de cada um dos materiais. Por isso é que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros julgados, já se manifestou sobre o assunto, esclarecendo que, em se tratando de processo que envolva a verificação da “utilização de material no processo produtivo, diante da complexidade da atividade empresarial e por imposição da efetividade da jurisdição, demanda produção de prova pericial, nos termos do art. 420, I, do CPC”. Ademais, ainda que não fosse considerada como pressuposto ou fundamento de validade do lançamento (ônus da própria Autoridade Fiscal), como dito acima, devese levar em conta que a Constituição da República assegura às partes, no processo administrativo e/ou judicial, o direito à aplicação do princípio da presunção de inocência, o qual se corrobora pela garantia do direito à ampla defesa, ao contraditório e, no caso do processo administrativo fiscal, pelo princípio do inquisitório. Por tal leitura, a classificação feita pela empresa deve prevalecer até que se prove o contrário, não podendo o Fisco partir de presunções, sem trazer aos autos prova suficiente para tal afirmação. Se o Fisco não traz aos autos a prova necessária (no caso, a prova pericial), deve prevalecer incólume o enquadramento feito pela empresa, bem como os creditamentos por ela realizados (vide excerto do acórdão de nº. 14.303/01/2ª). Portanto, uma vez verificada a eventual dúvida sobre a legitimidade dos creditamentos feitos pela empresa, por todos os esclarecimentos prestados durante o atendimento à fiscalização, segundo a consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acima mencionada/retratada, as Autoridades Fiscais só poderiam seguir os seguintes dois caminhos:(a) aplicar a dúvida em favor da empresa/contribuinte, mantendose o enquadramento por ela feito pela, na ausência de prova cabal sobre o não enquadramento dos materiais no conceito de materiais intermediários; ou (b) constituir prova pericial conclusiva/cabal/irrefutável, para que fosse esclarecida de forma técnica e objetiva a utilização e consumo dos materiais glosados. Como não foi seguido nenhum destes caminhos pelas Autoridades Fiscais, não resta outro caminho aos Eminentes Julgadores senão declarar NULO o lançamento. Caso, por remota hipótese, seja ultrapassada a preliminar de nulidade acima arguida, cumpre observar que, em síntese, as glosas realizadas e o agrupamento dos materiais feito pelas Autoridades Fiscais, como dito acima, basearamse na restritiva interpretação acerca do conceito Fl. 9504DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.505 4 de “insumos” e da expressão “produtos intermediários”, reduzindoo de tal forma a somente aceitar a possibilidade de crédito em relação àqueles materiais que sejam integralmente consumidos no processo de industrialização, em decorrência de um contato físico ou uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, não admitindo, ainda, em absoluta contradição a tal premissa, o crédito em relação a materiais considerados partes e peças de máquinas e equipamentos e materiais refratários, mesmo admitindo, expressamente, que, no caso de tais materiais, o consumo se dá no processo produtivo, com contato direto/físico e em razão da ação diretamente exercida pelo produto em fabricação e agentes do processo, tais como altíssimas temperaturas, peso dos insumos e das barras de aço/produto em fabricação. Em seguida passou a discorrer sobre as glosas efetuadas no procedimento fiscalizatório que decorreu o auto de infração, elencando os seguintes tópicos: · DA NÃO CUMULATIVIDADE DO IPI NA CONSTITUIÇÃO DE 1988 – DIREITO AMPLO E IRRESTRITO AO CRÉDITO DO IMPOSTO; · CONFORMAÇÃO DO CONCEITO DE MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS E DA ADEQUAÇÃO DOS MATERIAIS OBJETOS DAS GLOSAS A ESTE CONCEITO; · MATERIAIS REFRATÁRIOS; · DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO ENQUADRAMENTO DOS MATERIAIS NO CONCEITO DE MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS; · PERÍCIA. Por fim, requereu o recebimento da presente Manifestação de Inconformidade, mantendose a exigibilidade do crédito tributário suspensa até decisão final do processo: a. em preliminar, o reconhecimento e declaração de nulidade do Despacho Decisório, pelos motivos acima informados; b. no mérito, que seja reformado o Despacho Decisório e reconhecidos todos os créditos e homologa a compensação realizada; c. alternativamente, caso ainda restem dúvidas sobre a natureza e aplicação dos bens envolvidos na glosa, que seja deferida a produção da prova pericial para a comprovação de sua natureza e aplicação no processo ou atividade produtiva da Manifestante, tendo em vista os quesitos acima indicados; d. protesto por outros meios de prova em direito admitidos, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. Sobreveio então o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Fl. 9505DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.506 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Enfim, irresignada com o teor do Acórdão da DRJ, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário e alfim apresentando os seguintes pedidos: a) preliminarmente seja deferido o julgamento em conjunto do presente processo com os autos do processo nº 11080.732216/201316; b) em preliminar, seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que este foi pautado em presunção em detrimento da verdade dos fatos consoante restou acima demonstrado, já que não houve pela fiscalização análise detida dos itens glosados, deixando de motivar a autuação, cerceando desta forma o direito da Recorrente à ampla defesa e ao contraditório; c) quanto ao mérito, a Recorrente requer que seja julgado improcedente o auto de infração, tendo em vista a demonstração inequívoca de que os itens glosados se consomem diretamente no processo produtivo da Recorrente, sendo portanto, insumos, os quais, são passíveis de apropriação de créditos de IPI, nos termos do que restou exaustivamente demonstrado pela Recorrente, inclusive com a juntada de laudo IPT; d) alternativamente, caso ainda restem dúvidas sobre a natureza e aplicação dos bens envolvidos na glosa, que seja deferida a produção da prova pericial para a comprovação de sua natureza e aplicação no processo ou atividade produtiva da Recorrente, tendo em vista os quesitos acima indicados; e) caso seja mantido, no todo ou em parte o lançamento, a Recorrente requer ao menos que este Egrégio Conselho determine a não incidência de juros sobre a multa, nos termos acima mencionados; f) por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos que se fizerem necessários, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. O julgamento do recurso voluntário foi a mim incumbido haja vista que a esta Relatora havia sido distribuído o Processo de n. 11080.732116/201316 (auto de infração de IPI, aos anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012). Assim, por força da relação de conexão com nove processos decorrentes de pedidos de ressarcimento do mesmo imposto, nos trimestres dos mesmos anos, os demais processos (11080.903083/201397, 11080.903084/201331, 11080.903085/201386, 11080.903086/201321, 11080.903087/2013 Fl. 9506DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.507 6 75, 11080.903088/201310, 11080.903089/201364, 11080.903090/201399 e 11080.903091/201333) foram direcionados para apreciação conjunta. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. Como se depreende do relato acima, o resultado do presente processo decorre da manutenção ou não do auto de infração que apurou novo saldo credor/devedor para o período em análise. Observese que o auto de infração está sendo julgado nesta mesma sessão, dando azo à resolução para a conversão do processo em diligência, cujos termos a seguir transcritos aplicamse integralmente ao presente caso. Com relação ao cerne do presente caso, cumpre destacar qual foi o pressuposto em que se embasou o trabalho da Autoridade lançadora no Processo n. 11080.732116/201316 (auto de infração), mediante o seguinte trecho do relatório de fiscalização: Ou seja, foi o fato de determinados produtos serem qualificados como "componentes maquinários e instalações do estabelecimento" que motivou a glosa dos créditos de IPI; e não a questão do contato físico desses elementos com o produtos siderúrgicos em industrialização (fio máquina e barras laminadas). Ademais, como visto no relato acima, as glosas, foram reunidas pela Fiscalização nos seguintes grupos, "para melhor embasamento legal" (fls 8119) 1: 1 Os números das folhas do eprocesso referemse ao auto de infração. Fl. 9507DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.508 7 1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME conforme art. 164, I e art. 226, I do RIPI/2002 e art. 226, I do RIPI/2010; 2 Aquisição de ferramentas (pareceres CST 181/74, 260/71); 3 Aquisição de Partes e Peças (pareceres CST 181/74, 260/71); 4 Aquisição de Refratários; Lembremos a legislação a respeito do assunto. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Com relação ao direito ao crédito básico de IPI, regulado pelo citado artigo 82 do RIPI/82 (e suas reedições), foi bem observado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão 3102.001.8672: (...) Verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e o produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o novo produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Na primeira modalidade, a matériaprima e o produto intermediário são considerados insumos industriais stricto sensu, enquanto na segunda são insumos industriais em sentido lato, neste caso, compreendendo quaisquer bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os contabilizados no ativo permanente. 2Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO. 1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. 2. As “brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis”, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadramse no conceito de insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição. Recurso Voluntário Provido. Fl. 9508DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.509 8 Nesse sentido e restando ressalvado o entendimento posterior a ser proferido por este Colegiado no julgamento do processo não seria possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização (e.g. lubrificantes para máquinas; parafusos de máquinas, etc). De outro lado, dariam direito ao crédito as aquisições de produtos intermediários que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, ou diretamente sofram ação do produto, desgastandose ou consumindose. Pois bem. Recorrente apresenta em sua defesa elementos que possibilitam justamente essa análise, uma vez que explana suas atividades (fls 8787 e seguintes), descrevendo suas quatro áreas produtivas, quais sejam: aciaria; laminações; forjaria e transformação mecânica. Igualmente apresenta laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (Pareceres 6358 e 6161) a respeito do consumo dos bens nessas respectivas áreas. Finalmente, apresenta planilha (arquivo não paginável), na qual relaciona todas as informações sobre cada item que foi objeto de glosa (nº Nota Fiscal; Data de Entrada; Mês; Ano; Descrição Produto; Motivo da glosa apontada pelo Fisco; Valor do Imposto; CFOP; CNPJ Fornecedor; Código do Produto; Descrição Resumida; Aplicação/Função no processo Industrial; Contato direto com o produto; Altas temperaturas e processo agressivo; Área Industrial; Tempo de vida útil médio; Prazo de consumo; Pago/Defesa; Laudo IPT). Saliento que, conforme a Tabela comparativa apresentada pela Recorrente (de 34.877 linhas, ou seja, 34.877 itens com todas as informações citadas acima), uma enormidade das glosas aqui discutidas não estão mais compondo a lide, porque a Recorrente concordou com a autuação e efetuou os respectivos recolhimentos de IPI. De outro lado, existem na Tabela comparativa ferramentas que, embora sejam consideradas como "SIM" em relação à coluna "contato direto com o produto", a descrição desse contato ("aplicação/função no processo industrial") nada diz respeito com os produtos industrializados em questão, além de tais itens não constarem do Parecer do IPT. Como exemplo cito a TALHADEIRA REF GEDORE 352HS22 C/EMPUNH, cuja descrição é "Material intermediário utilizado para romper elementos de alvenaria e sofre desgaste no desempenho desta função." Ainda, a Recorrente coloca em diversos itens que realmente não existe o contato direto da ferramenta com o produto industrializado. Entretanto, com relação a outros itens, a Recorrente coloca que a relação entre as ferramentas e o produto final é imediata, ou seja, as ferramentas são consumidas pelo contato direto com o produto em fabricação. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, porém ainda não suficientemente lapidado para o deslinde da questão, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes das aqui adotadas. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a exação cobrada por meio do presente auto de infração. Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: Fl. 9509DF CARF MF Processo nº 11080.903086/201321 Resolução nº 3402001.349 S3C4T2 Fl. 9.510 9 i) intime a Recorrente para apresentar, com base nos elementos constantes nesses autos, bem como de eventuais novas informações, um laudo técnico conclusivo que possibilite identificar cada parte, peça ou ferramenta que se consome em contato direto com o produto industrializado (e não com o ambiente agressivo da indústria), para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto ao respectivo crédito básico do IPI; ii) o referido laudo (tópico i) deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue todos os produtos intermediários em sentido lato, ou seja que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; iii) a referida planilha (tópico ii) deverá ser elaborada de acordo com os quatro grupos de glosas perpetrados pela fiscalização (1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME; 2 Aquisição de ferramentas; 3 Aquisição de Partes e Peças;4 Aquisição de Refratários); iv) apresentado o laudo com a respectiva planilha, conforme os termos acima (tópicos i a iii), a própria Fiscalização elabore parecer conclusivo acerca do seu conteúdo à luz das considerações trazidas nessa Resolução sobre os produtos intermediários em sentido lato, bem trazendo eventuais outras informações que entender relevantes para o deslinde do julgamento; v) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes o prazo regulamentar para manifestação, e; vi) finalmente, devolva o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 9510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002210/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1996 a 30/11/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1996 a 30/11/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 10 /2 01 0- 41 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 130DF CARF MF Processo nº 19515.002210/201041 Acórdão n.º 2201004.220 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 131DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19515.002210/201041 Acórdão n.º 2201004.220 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 133DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.725942/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR POR MEIO ELETRÔNICO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Uma vez intimado o contribuinte, por meio eletrônico, do Acórdão proferido pela DRJ, inicia-se o prazo de 30 dias para a interposição do Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Superado consideravelmente o prazo antes da interposição de recurso e não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal.
Numero da decisão: 1402-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, vencido o relator que o conhecia. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR POR MEIO ELETRÔNICO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Uma vez intimado o contribuinte, por meio eletrônico, do Acórdão proferido pela DRJ, inicia-se o prazo de 30 dias para a interposição do Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Superado consideravelmente o prazo antes da interposição de recurso e não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, vencido o relator que o conhecia. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 124 1 123 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.725942/201584 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.989 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria CONHECIMENTO Recorrente LOUIS DREYFUS COMPANY BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR POR MEIO ELETRÔNICO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Uma vez intimado o contribuinte, por meio eletrônico, do Acórdão proferido pela DRJ, iniciase o prazo de 30 dias para a interposição do Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Superado consideravelmente o prazo antes da interposição de recurso e não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, vencido o relator que o conhecia. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 59 42 /2 01 5- 84 Fl. 124DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 125 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão da Manifestação de Inconformidade nº 1460.716, proferido em 20 de maio de 2016, pela 13ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Tratase do Despacho Decisório da DIORT – EQPIR da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária Derat em São Paulo/SP, para não homologar as compensações, vinculadas aos créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL do Exercício 2008 (anocalendário 2007), formalizadas nas DCOMP abaixo relacionadas: Transcrevemse os termos da decisão recorrida: Conforme Despacho Decisório, fls.77/83, o pedido de restituição pleiteado por meio das PER/DCOMPs 36422.58121.230708.1.2.030681 (Saldo Negativo de CSLL AC 2007) e 01560.94842.230708.1.2.027295 (Saldo Negativo de IRPJ AC 2007) foi deferido em parte e as compensações informadas nas DCOMP’s, listadas no citado Despacho, foram homologadas até o limite do crédito reconhecido. Verificouse saldo remanescente após as compensações declaradas nas DCOMPs e após as compensações de ofício. Referido crédito em favor do interessado já foi restituído, conforme Ordem Bancária nº 2010OB800709 (autorização à fl.103) e tela SIEF à fl.236. Portanto, não resta valor que possa ser utilizado para compensação dos débitos declarados nas DCOMPs do quadro acima. Diante da restituição do saldo remanescente do crédito já ter sido efetivada, as compensações sob apreciação foram não homologadas. Consta do processo o Termo de Ciência por Decurso de Prazo – fls. 38, dando conta que a ciência teria sido efetivada em 10/10/2013, 15 (quinze) dias após a disponibilização do Despacho Decisório na Caixa Postal, Módulo eCAC do site da RFB, ocorrida em 25/09/2013. Em 08/11/2013, a contribuinte protocolizou a manifestação de inconformidade de seguinte teor: Fl. 126DF CARF MF 4 DOS FATOS 1. A Manifestante pleiteou, em 23/07/2008, a restituição de valores relativos aos saldos negativos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro apurados no final do anocalendário 2007. 2. Em 27/08/2009 foi proferido Despacho Decisório através do qual foram reconhecidos créditos de R$ 39.582.740,78 e R$ 5.063.994,77 referentes, respectivamente, ao saldo negativo de IRPJ e ao saldo negativo de CSLL. 3. Quando das verificações preliminares para o pagamento do valor pleiteado, a Receita Federal identificou a existência de débitos abertos (Fls. 90) e emitiu em 02/09/2009 a Comunicação n° 5713, dando ciência à Manifestante sobre o seu teor. 4. Em 11/09/2009 a Manifestante apresentou sua discordância relativamente à compensação de ofício contra o crédito originário do processo de restituição de saldo credor do IRPJ e CSLL em referência, uma vez que os valores cobrados e identificados no item 1 da petição (Fls. 93) foram objeto do Auto de Infração lavrado em 28/11/2008, que originou o processo administrativo n° 16561.000179/200845, com relação ao qual a Manifestante protocolou, em 31/08/2009, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 5. Do mesmo modo, os débitos identificados no item 2 da petição da Manifestante (Fls. 94), têm origem em Autos de Infração lavrados em 15/06/2009. São quatro autos de infração (19515.002143/200921; 19515.002141/200931; 19515.002142/200986 e 19515.002144/200975, respectivamente), através dos quais fazse exigências de tributos absolutamente indevidas. Os processos encontravamse, na ocasião, na Equipe de Controle e Cobrança de Crédito Tributário da DERAT/SPO e com relação a eles a Manifestante estava ajuizando ação anulatória, com o respectivo depósito judicial dos valores em discussão, para suspensão da exigibilidade dos mesmos. 6. Posteriormente, em 29/09/2009, foi emitida a Comunicação n° 6930, por meio da qual a Receita Federal deu ciência à Manifestante sobre a existência de novos débitos em aberto. Com relação aos débitos de COFINS, código 5856, não houve concordância pela Manifestante quanto à compensação de ofício e retificação da respectiva DCTF (Fls. 105), e, quanto aos demais débitos, foi autorizada a compensação de ofício. 7. Em 20/10/2009 o processo foi encaminhado para a Equipe Especial de Auditoria da DERAT/SP para verificação da retificação da DCTF realizada pela Manifestante (Fls. 107), que concluiu em 09/11/2009 que as retificações dos débitos nas declarações PER/DCOMP, DCTF e DACON estão lastreadas pelos lançamentos contábeis, portanto, sendo proposta a retificação dos débitos cobrados conforme declarado pelo contribuinte nas DCTF retificadoras. Quanto aos créditos retificados da COFINS NÃO CUMULATIVA utilizados nos descontos, foram realizados conforme a Lei 10.833/2003, processo n° 16306.000012/200633, fato comprovado pelos registros contábeis. Devido aos altos valores dos créditos envolvidos, entendeu que tornavase necessária uma análise criteriosa de todos os Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 126 5 períodos de apuração subsequentes aos do anocalendário 2004, pois sofreram influência destes e são objetos de diversos pedidos de ressarcimento em PER/DCOMPs. Assim, foi proposto ao Sr. Chefe da Equipe Especial de Auditoria da DERAT/SP a realização da análise do direito creditório de todos os créditos relacionados e, sendo necessário, a constituição dos créditos tributários relativos ao 4o trimestre de 2005 e 1º trimestre de 2006, por meio de lançamento de ofício (Fls. 111). 8. Em 24/11/2009 foram emitidas as Comunicações de débitos n° 813 e 814, dando ciência à Manifestante sobre a existência de novos débitos em aberto, cuja compensação de ofício foi autorizada pela Manifestante na mesma data. 9. Na sequência, a Manifestante informou os seus dados bancários para restituição dos valores envolvidos (Fls. 123), e em 26/11/2009 foi emitida autorização para ordem bancária no SIEF, cujo saldo a ser restituído seria apurado depois de descontadas as compensações de ofício com débitos previdenciários de fls. 85/92. 10. Posteriormente, foram emitidas novas comunicações sobre a existência de débitos: (i) n° 34, de 19/01/2010, (ii) n° 37, de 20/01/2010, (iii) n° 1312, de 09/02/2010, cuja compensação foi autorizada pela empresa em todos os casos (Fls. 135, 136 e 147). 11. Nesse contexto, em 22/02/2010 foi emitida nova autorização para ordem bancária no SIEF, propondo o reconhecimento do direito creditório e autorização da restituição em questão, cujo saldo a ser restituído seria apurado depois de descontadas as compensações de ofício com débitos previdenciários de fls. 116/136 e 145. 12. Finalmente, mediante consulta aos sistemas de processamento eletrônico de dados, em 24/02/2010, verificouse que o contribuinte encontravase em situação regular perante a Fazenda Nacional (Fls. 155), e foi proposta a autorização emissão da Ordem Bancária no valor de R$ 45.482.586,66 em favor da Manifestante, na conta bancária Banco 237, Agência 2372, conta corrente 827002. 13. Na mesma data, foi deferida a autorização proposta e emitida no SIEF a Ordem Bancária N° 2010OB800709 no valor total de R$ 45.482.586,66 (Fls.155). 14. Em 29/03/2010 foi proposto o arquivamento do processo pelo prazo de cinco anos (Fls. 163) e em 23/10/2012 foi emitido despacho encaminhando o referido processo para o arquivo da SAMF (Fls. 165). 15. Decorridos quase três anos após o arquivamento do processo, foi emitido Despacho Decisório Complementar, sobre o qual a Manifestante passa a discorrer. DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO Fl. 128DF CARF MF 6 16. É importante esclarecer, desde logo, que a Manifestante tomou ciência do Despacho Decisório por meio eletrônico, em 10/10/2013. Assim, o prazo para impugnação encerrase em 09/11/2013, nos termos do artigo 15, do Decreto n° 70.235, de 1972: [...] DO DESPACHO DECISÓRIO 17. De acordo com o Despacho Decisório eletrônico (Doe. 02), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração em São Paulo (DERAT SP) não homologou das declarações de compensação identificadas no quadro abaixo transcrito, tudo conforme o "Relatório" do referido Despacho Decisório, porque já teria sido realizada a restituição à Manifestante do crédito remanescente após as compensações. 18. Da análise do Despacho Decisório, destacamse os seguintes excertos: [...] 19. Pois bem. A conclusão do Despacho Decisório deverá ser retificada, uma vez que, diferentemente do que está no Despacho Decisório, o valor do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário de 2007 não foi objeto de restituição em espécie. 20. Notese que o valor restituído naquela ocasião provinha de quatro processos: pedidos de restituição de saldos negativos de IRPJ e CSLL de 2003, que foram controlados no processo 16306.000012/200633 e pedidos de restituição de saldos negativos de IRPJ e CSLL de 2007, que foram controlados no presente processo 16306.000270/200962. 21. Havia, ainda, outro caso referente a ressarcimento de IPI, controlado no processo 13808.002368/9700. 22. Em função disso e após saneamento de todos os processos, a Manifestante recebeu o crédito remanescente em todos os casos no final do mês de março de 2010. 23. Observem, então, Ilustres Julgadores, que na oportunidade do pagamento da referida Ordem Bancária correspondente ao Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2007, também foram pagos valores referentes aos processos acima mencionados. 24. Observem, ainda, que o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ (PER 01560.94842.230708.1.2.027295) e o pedido de restituição do saldo negativo da CSLL (PER 36422.58121.230708.1.2.030681) do ano calendário de 2007 foram tratados em neste processo (16306.000270/2009 62), fato que pode ter ocasionado essa falha por parte da Receita Federal no controle das compensações e das restituições à Manifestante. 25. Em razão da complexidade do assunto que envolve grande volume de documentos relacionados, a Manifestante solicita, com apoio no inciso IV, do art. 16, do Decreto 70.235/72, pelo retorno dos autos à DIORTEQPIR da DERAT/SP, para execução de nova diligência, com vistas ao correto Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 127 7 saneamento dos processos e homologação das declarações de compensação objeto das DCOMPs listadas anteriormente. CONCLUSÃO E PEDIDO 26. Conforme explanado na presente manifestação, está claro que o trabalho da DIORTEQPIR deverá ser retificado, pois acabou por gerar a não homologação das compensações declaradas nas DCOMPs identificadas na conclusão do Despacho Decisório Complementar (Doc. 02). 27. Logo, não pode a Manifestante ser prejudicada em decorrência do referido equívoco, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa, da proporcionalidade e da verdade material que, nos termos do artigo 4º da Lei 9.784/1999, norteiam o processo administrativo em âmbito federal. 28. Desta forma, a decisão objeto do despacho decisório deve ser revista, de modo que sejam homologadas as compensações declaradas em relação ao saldo negativo da CSLL do anocalendário 2007. 29. A Manifestante protesta, por fim, pela ulterior juntada de documentos, no prazo de 30 dias. Em 24/09/2015, foi providenciada a apensação do processo nº 16306.000270/200962, relativo aos créditos passíveis de compensação. A autoridade preparadora, apesar de não haver atestado a tempestividade da manifestação de inconformidade, encaminhou o processo para julgamento, em 24/09/2015. O processo foi distribuído à DRJ Ribeirão Preto/SP em 19/04/2016, e a esta Relatora em 25/04/2016. Passo, agora, a complementar o relatório acima transcrito, A 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da fiscalizada, entendendo que o saldo remanescente dos créditos de IRPJ e CSLL do Exercício 2008, era de R$ 36.983.726,36 (R$ 31.919.731,59 + R$ 5.063.994,77), em valor originário, após as compensações efetuadas em DCOMP e as compensações de ofício e que, ao se aplicar a taxa Selic desde 01/2008 a 01/2010, resultouse no valor de R$ 45.482.586,68, valor este transferido à Recorrente por ordem bancária.. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITO. RESTITUIÇÃO EM ESPÉCIE JÁ EFETUADA. Comprovado que os créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL apreciados em processo próprio, já foram (i) compensados em DCOMP, (ii) utilizados em compensação de ofício, sendo o saldo remanescente (iii) restituído, via pagamento de ordem bancária, não há saldo passível de ser utilizado nas DCOMP ora em litígio, impondose a confirmação do ato de não homologação das compensações. Fl. 130DF CARF MF 8 Inconformada com a r. decisão, apresentou a fiscalizada Recurso Voluntário (efls. 90 a 96), reiterando seus argumentos e requerendo preliminarmente, sejam os autos convertidos em diligência à primeira instância de forma a promover a efetiva análise dos processos anteriormente mencionados, de forma a comprovar que os valores creditados em favor da Recorrente pela Ordem Bancária nº 2010OB800709 se compõem de créditos devidos oriundos de outros processos, acima mencionados, para, ao fim, se verificar a existência de saldo credor nos autos aptos a homologar as compensações realizadas e, com isso, afastar a exigência fiscal ora perpetrada. Requereu ainda, caso não se entenda pela realização da diligência, seja conhecido o presente recurso e provido em sua integralidade para reformar o v. Acórdão recorrido para que seja reconhecido o direito creditório sobre a integralidade do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007 e homologada a integralidade das declarações de compensações realizadas contra o direito creditório. Informo ainda, que foi proferida decisão judicial, nos autos do Mandado de Segurança nº 101651787.2017.4.01.3400, impetrado pelo contribuinte, perante a 6ª Vara Federal, da Seção Judiciária do Distrito Federal, determinando à autoridade impetrada que, no prazo de 60 (sessenta) dias, proceda ao julgamento dos processos administrativos números 10880.914484/201394, 10880.725942/201584 e 10880.907531/201424. Saliento que, apesar de os processos acima referidos terem dado entrada no CARF há cerca de 1 ano, foram distribuídos à minha relatoria 26 de janeiro de 2018, sendo que poderiam ser indicados para a pauta de julgamento, conforme RICARF, até o mês de julho de 2017 Estão sendo julgados antecipadamente devido ao mandado judicial. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 128 9 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário, de acordo com o Termo de Perempção de p. 115, não seria tempestivo, pois consta termo de juntada de documento datado de 20.10.2016, enquanto o contribuinte alega que protocolou seu recurso em 13.10.2016. Contudo, entendo que mesmo intempestivo o recurso, este colegiado tem obrigação legal e institucional de realizar exame de legalidade do ato administrativo sob análise e por isso, conforme posição que adoto, já amplamente conhecida pelos meus pares, em razão do princípio da Verdade Material, passo a analisálo de tal forma a evitarse qualquer nulidade processual. Antes de se adentrar ao mérito, é preciso esclarecer que este processo administrativo está intrinsecamente ligado ao processo administrativo nº 16306.000270/2009 62, apensado a este em 24.09.2015, logo após a apresentação de manifestação de inconformidade em face do r. despacho decisório de p. 250/253. Em verdade, há uma continuidade do processo administrativo nº 16306.000270/200962 no presente processo administrativo, uma vez que neste a discussão decorre dos créditos apurados naquele. Desta forma, fazse, inicialmente, a síntese do que ocorreu no processo administrativo nº 16306.000270/200962, sendo que as páginas citadas a ele se referem. Às p. 03 a 07, encontrase o PER/DCOMP nº 01560.94842.230708.1.2.02 7295, no qual a Recorrente pleiteia a restituição de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 2007, no importe de R$ 39.659.790,79 e, às p. 08 a 10 encontrase o PER/DCOMP nº 36422.58121.230708.1.2.030681, no qual a Recorrente pleiteia a restituição de saldo negativo de CSLL, do anocalendário 2007, no importe de R$ 5.063.994,77. Às p. 77 a 84, a DRF de origem confirma que o contribuinte dispõe de crédito comprovado de IRPJ e CSLL nos montantes de R$ 39.582.740,73 e de R$ 5.063.994,77, referente ao IRPJ e CSLL, respectivamente, e que os mesmos seriam utilizados nas compensações com débitos próprios solicitadas nos PER/DCOMP listados no referido despacho, remanescendo o direito a restituição do saldo remanescente após as compensações solicitadas (p. 82). À p. 89, a autoridade fiscal informa que antes da restituição em espécie, fará compensações de ofício, uma vez que nas “verificações preliminares (...) constatouse a existência dos débitos administrados pela RFB em abertos e/ou inscritos em Dívida Ativa da União, relacionados em anexo”. O contribuinte apresentou oposição às compensações desejadas pela RFB e, à p. 109/113, a DRF de origem acata DCTFs retificadoras apresentadas pelo contribuinte, mas Fl. 132DF CARF MF 10 recomenda “a realização de análise do direito creditório de todos os créditos relacionados e, sendo necessário, a constituição de créditos tributários de ofício (p. 112 e 113). Após a análise fiscal feita às p. 109/113, foi emitida a Comunicação 8113, de p. 114, na qual os valores a serem compensados de ofício foram reduzidos (p. 115). Ato contínuo, através da Intimação 814/2009 (p. 116), a RFB apontou a existência de débitos previdenciários da Recorrente, os quais também seriam compensados de ofício antes da restituição em espécie pleiteada pelo contribuinte. O contribuinte declarouse ciente e autorizou a compensação (p.116, in fine). Realizadas as compensações de ofício, a autoridade fiscal autorizou a emissão de Ordem Bancária para a restituição do saldo ao contribuinte (p. 126). Às p. 129/130 houve mais uma intimação da existência de débitos do contribuinte para fins de compensação de ofício e à p. 136 o contribuinte peticionou externando a sua concordância com a compensação. Em suma, realizadas todas as compensações de ofício, restou ao contribuinte um saldo de R$ 31.919.731,59 e de R$ 5.063.994,77 de saldo negativo de IRPJ e CSLL, respectivamente (p. 176). E, na p. 192, encontrase a autorização para emissão de Ordem Bancária no importe total de R$ 45.482.586,66. O cálculo da correção dos valores originais, para que se chegasse ao montante da ordem de pagamento, encontrase na p. 236. Contudo, às p. 205 a 235 foram anexadas diversas PER/DCOMPs que tinham como direito de crédito o valor de saldo negativo de CSLL, AC 2007, no importe de R$ 5.063.994,77, resumidas no quadro abaixo: Em razão desse fato novo, um novo despacho decisório foi exarado às p. 250/253, o qual, em síntese, não as homologa, pois o saldo negativo de CSLL, AC 2007, no valor original de R$ R$ 5.063.994,77, já tinha sido ressarcido em espécie, nos termos da Ordem Bancária nº 2010OB800709. A ora Recorrente, então, apresentou a manifestação de inconformidade de p. 257/277. Em paralelo, uma vez que com a expedição da ordem bancária o processo administrativo nº 16306.000270/200962 tinha sido encaminhado para arquivamento, foi aberto o processo administrativo nº 10880.725942/201584, ora em exame, de tal forma que, a partir deste parágrafo, as páginas mencionadas a ele se referem. Às p. 3 a 33, foram anexadas as mesmas PER/DCOMPs acima mencionadas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 129 11 Às p. 34/37 foi anexado o mesmo despacho decisório de p. 250/253 acima mencionado, que não homologou as compensações declaradas pela inexistência do crédito, uma vez que já devolvido via ressarcimento em espécie. Às p. 39/59, foi anexada a mesma manifestação de inconformidade de p. 257/277. Assim, através do v. acórdão de p. 65/73, a 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, confirmando o r. despacho decisório de p. 34/37 no sentido de que não haveriam créditos a serem compensados, uma vez que os mesmos já tinham sido, anteriormente, ressarcidos em espécie. Inconformada, a ora Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de p. 90/96, no qual, em síntese, confirma o recebimento da ordem de pagamento no importe de R$ 45.482.586,66; que apresentou manifestação de inconformidade para retificar a conclusão do Despacho Decisório, uma vez que não teria ocorrido a restituição em espécie do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007; que a devolução recebida referiase a pedidos de restituição de IRPJ e CSLL consubstanciados nas apurações realizadas no ano de 2003 e 2007, quais sejam, 16306.000012/200633 e 16306.000270/200962; que a restituição também decorria de ressarcimento de créditos de IPI, discutidos no processo administrativo 13808.002368/9700; que seria necessária diligência para confirmar as suas alegações, fato negado pela DRJ; apresentou, ainda, um protocolo para desarquivamento dos processos nº 13808.002368/9700 e 16306.000012/200633 (p. 113). Registrese, por fim, que a Recorrente ingressou com mandado de segurança e, à vista da decisão de p. 119/123, foi determinado que se procedesse ao julgamento deste no prazo de 60 (sessenta) dias. Observase, portanto, que a questão de mérito é bem específica: a fiscalização informa que os créditos de saldo negativo de CSLL, AC 2007, foram ressarcidos em espécie e a Recorrente alega que não. Assim, em respeito ao princípio da Verdade Material, passo a expor as razões para a manutenção do v. acórdão recorrido. Da análise dos documentos e decisões que compõem o processo administrativo nº 16306.000270/200962 e o presente processo administrativo resulta que a autoridade fiscal demonstrou, através do cálculo de p. 236, do processo 16306.000270/2009 62, que o saldo negativo de CSLL, AC 2007, reconhecido em favor da Recorrente, no importe original de R$ 5.063.994,77, compôs o cálculo para a apuração da Ordem Bancária nº 2010OB800709 no importe de R$ 45.482.586,66. Por outro lado, a Recorrente confirma que recebeu os valores decorrentes da ordem bancária em questão, mas alega que os valores que a compuseram decorrem de outros dois processos administrativos, além do processo administrativo nº 16306.000270/200962, a saber: 13808.002368/9700 e 16306.000012/200633. Contudo, não faz qualquer demonstrativo de como eventuais créditos decorrentes destes dois processos administrativos teriam sido adicionados a valores do processo administrativo nº 16306.000270/200962, para se chegar ao valor total da Ordem Bancária nº 2010OB800709, no importe de R$ 45.482.586,66. Fl. 134DF CARF MF 12 Ou seja, não há quaisquer elementos que justifiquem, ao ver deste Julgador, que se proceda a uma diligência para verificar algo que o próprio contribuinte não demonstrou, ainda que minimamente, para afastar os cálculos apresentados pela autoridade fiscal às p. 236, acima citada. Ante o exposto, não havendo elementos que permitam um julgamento de mérito do feito, à vista do Princípio da Verdade Material e, principalmente, à vista do Termo de Perempção de p. 115, mesmo não conhecendo do recurso voluntário interposto, não vislumbro ilegalidade neste processo que possa macular o direito do contribuinte, mantendose íntegro o v. acórdão recorrido, que não homologou as compensações declaradas através dos PER/DCOMPs de p. 3 a 33. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 130 13 Voto Vencedor Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pelo I. Conselheiro Relator, Demetrius Nichele Macei, em seu fundamentado e preciso voto. Ainda que este Conselheiro, agora designado para redigir o presente voto, também muito prestigie o princípio da busca pela verdade material, temos que o entendimento apresentado pela I. Relator implica no afastamento de regra objetiva de preclusão temporal em face de tal norma abstrata. Nesse sentido, ainda que tal princípio seja informador do processo administrativo fiscal, sua aplicação direta pela Julgador deve considerar todo o conjunto normativo envolvido na questão sob apreço, considerando a presença de outras regras, perfilando sistematicamente o cenário jurídico que se apresenta. As regras de preclusão são pilares da ordem e do bom andamento dos feitos processuais, visando, primeiramente, à higidez e à eficiência na prestação jurisdicional, assim como, ulteriormente, promovem a garantia da boafé e da isonomia entre os postulantes (dentre muitos outros efeitos desejados com a presença de tal instituto). Nesse sentido, confirase lição do Prof. Fredie Didier Jr.: Frisese: a preclusão não serve somente à ordem, à segurança e à duração razoável do processo. Não se resume à condição de mera mola impulsionadora do processo. A preclusão em, igualmente, fundamentos éticopolíticos, na medida em que busca preservar a boa fé e a lealdade no itnerário processual. A preclusão é técnica, pois, a serviço do direito fundamental a segurança jurídica, do direito à efetividade (como impulsionadora do processo) e da proteção à boafé. Como se observa, por trás das regras processuais de preclusão (apresentando se as temporais como deveras objetivas, quase sempre estreitando as margens para hermêutica Fl. 136DF CARF MF 14 além da literalidade do seu comando) existem diversos corolários principiológicos que devem ser preservados, de forma que, mesmo diante de um aparente conflito com o conteúdo do princípio da busca da verdade material, não podem ser absolutamente afastadas. Frisese também que, no presente caso, não foi apresentada nenhuma justificativa excepcional para se desconsiderar a intempestividade recursal. Pelo contrário, afirmase na peça recursal que seu prazo terseia esgotado 6 (seis) dias antes do protocolo efetivo das razões. Ainda que o objetivo maior do processo administrativo fiscal seja a verificação da adequação técnica e, principalmente, da legalidade do lançamento de ofício, a sua promoção necessita de maneira racional, lógica e razoável submeterse aos principais ditames instrumentais, evitandose, assim, a desordem, bem como distorções e iniquidade nessa prestação jurisdicional. Nesse sentido, reconhecendo a intempestividade de recurso voluntário, confirase o Acórdão nº 1402002.512, proferido por esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, publicado em 23/06/2017, ilustrando sua jurisprudência, há muito consolidada sobre este tema: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR POR MEIO ELETRÔNICO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Uma vez intimado o contribuinte, por meio eletrônico, do Acórdão proferido pela DRJ, iniciase o prazo de 30 dias para a interposição do Recurso Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Superado largamente o prazo antes da interposição de recurso e não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal. Diante disso, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.725942/201584 Acórdão n.º 1402002.989 S1C4T2 Fl. 131 15 Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722668/2015-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS.
São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação pré-escolar, incluindo creches, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício, desde que devidamente comprovados.
Numero da decisão: 2001-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência no que se refere às despesas com instrução, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação préescolar, incluindo creches, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício, desde que devidamente comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência no que se refere às despesas com instrução, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 26 68 /2 01 5- 76 Fl. 59DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 6 a 10, em 23/03/2015, referente ao exercício 2014, anocalendário 2013, que lhe exige crédito tributário no valor de R$3.283,27, atualizado até 31/03/2015. Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual, quando foram verificadas as seguintes infrações: a) dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial – glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$22.100,00. Motivo da glosa: Não apresentou sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, referente ao pagamento de pensão alimentícia a SILVIA DE SOUZA CASTRO GOMES. ; b) dedução Indevida de Despesas com Instrução– glosa de dedução de despesas com instrução pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa. Valor: R$2.800,00. Motivo da glosa: glosa parcial referente às despesas com instrução própria, não comprovadas. Conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 24, o contribuinte foi cientificado da autuação em 31/03/2015 e em 08/04/2015, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 2/3), acompanhada dos documentos de fls. 12 a 15, alegando, em síntese, que o valor contestado referese a despesa com instrução de filho/enteado/irmão/neto ou bisneto; Anexa Decisão Judicial / Escritura Pública de Divórcio Direto fixando o valor da pensão alimentícia. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não restaram comprovadas as despesas alegadas pelo contribuinte. Em sede de Recurso Voluntário, apenas solicita o contribuinte que a decisão seja revisitada. Traz a declaração de IR da ex esposa para comprovar seus pagamentos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10580.722668/201576 Acórdão n.º 2001000.445 S2C0T1 Fl. 3 3 O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Como muito bem salientou a DRJ Brasília na sua decisão, sem estas comprovações, não pode ser admitida a dedução para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. A pensão alimentícia declarada como paga a SILVIA DE SOUZA CASTRO GOMES está prevista na Escritura Pública de Divórcio Direto Consensual anexada pelo contribuinte em sua impugnação (fls. 12 a 14). Fl. 61DF CARF MF 4 Em relação à comprovação do pagamento, em sede de Recurso Voluntário, juntou o contribuinte a cópia da declaração da ex esposa, demonstrando o recebimento da pensão. Nesta parte, portanto, dou provimento. Dedução de Despesas com Instrução No tocante às despesas com instrução, o contribuinte pode deduzir na Declaração de Ajuste Anual os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes seus e de seus dependentes, até o limite anual individual, o qual, no anocalendário em análise, era de R$3.230,46. No caso em tela, foi glosado o valor de R$2.800,00, correspondente às despesas próprias de instrução declaradas como pagas a ASSOCIAÇÃO CULTURAL EDUCACIONAL, por falta de comprovação. Não constam, na impugnação do contribuinte, quaisquer documentos comprobatórios das referidas despesas. Dessa forma, deve ser mantida a glosa. Cumpre ressaltar que os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. O interessado teve oportunidade de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento; no entanto, não o fez. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não são eficazes. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário exigido em relação às despesas com instrução. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mantendo a exigência no que se refere às despesas com instrução. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10580.722668/201576 Acórdão n.º 2001000.445 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721138/2012-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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EXCESSO DE RECEITA ANOCALENDÁRIO 2007 É de se excluir do Simples Nacional a empresa cujos sócios participam da administração de outras empresas e cuja receita bruta total ultrapassa o limite legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0431.725 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o Ato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 11 38 /2 01 2- 47 Fl. 1398DF CARF MF 2 Declaratório Executivo n° 14/2012, que a excluiu do Simples Nacional, face ao sócio ou titular ser administrador (ou equiparado) de outras pessoas jurídicas, com fins lucrativos, cuja receita bruta total ultrapassou o limite legal (inciso II, art. 3°, da Lei Complementar 123/2006. Em síntese, foi proferido o seguinte voto: A impugnação é tempestiva preenche os requisitos legais e dela conheço. A contribuinte foi excluída do Simples porque foi apurado excesso de receita sobre o limite legal de R$ 2.400.000,00 considerandose sua receita e das empresas das quais seus sócios igualmente faziam parte, conforme ADE nº 14 (fls. 404). A exclusão tem por fundamento o inciso V, § 4º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, que assim dispõe: ... Desta forma, conforme dispõe a legislação transcrita, para o caso ocorrente são dois os motivos conjugados que ensejam a exclusão do Simples Nacional: a) que sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos; b) e que a receita bruta de ambas as empresas ultrapassem o limite do inciso II do caput do art. 3º, ou seja, que ultrapasse R$ 2.400.000,00. Quanto ao primeiro requisito, verificase que tanto o sócio da impugnante Arthur Lemos Nogueira, como sua esposa e sócia Deyse Liliana Faccin, foram administradores da empresa Contafácil Serviços, ele desde 26/02/2004 e ela desde 15/02/2005 (fls. 294302), e mesmo formalmente tendo se retirado da empresa posteriormente, continuaram nessa situação, tanto assim que a referida empresa continuou pagandolhes retiradas pró labore e recolhendo a contribuição previdenciária por meio de GFIPs, conforme constou nos itens 57 a 59 da Representação Fiscal – Exclusão do Simples às fls. 503, a saber: ... Não bastasse isso, constou na referida Representação inúmeros fatos que demonstram à exaustão a interligação entre todas essas empresas, em face de manterem o mesmo endereço, sítio único na internet, empregados comuns etc., bem como e principalmente entre seus sócios, que se revezavam na direção e administração delas, como segue (excertos): 6. A empresa foi constituída em 03/05/2004 sob o nome empresarial Contafacil Rio de Janeiro Ltda, tendo como sócios Arthur Lemos Nogueira e Jussara Aparecida Faccin Bossay. Na 2a alteração contratual, em 31/05/2005, alterouse a razão social para Contafacil Serviços Expressos Ltda ME e posteriormente (3a alteração contratual, em 11/01/2006) para Contafacil Serviços Expressos Ltda EPP. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 3 3 7. O objeto da sociedade é a intermediação nos recebimentos de contas de serviços públicos e de empresas privadas. 8. Com as diversas alterações contratuais passaram pelo quadro societário da empresa Deyse Liliana Faccin, Arthur Lemos Nogueira Filho, Valdomiro Flores Nogueira e Sileste Gabriel. 9. Atualmente o quadro social é composto por Sileste Gabriel e Arthur Lemos Nogueira Filho, sendo que Arthur Lemos Nogueira Filho é menor de idade representado pelo pai Arthur Lemos e pela mãe Deyse Liliana. A sócia Sileste Gabriel detém 1% do capital social e o menor Arthur Lemos Nogueira Filho 99%. 10. Conforme a alteração contratual n° 12, em 22/02/2010, o endereço da sede da empresa foi transferido para a rua Gonçalves Luiz Martins, n° 371, centro, na cidade de Jaraguari MS. (...) COMPOSIÇÃO DOS QUADROS SOCIETÁRIOS 19. Com a alteração contratual n° 07, de 01/09/2005, a empresa Pagueaqui passou a ser administrada pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. Com o registro na Junta Comercial de MS, em 01/08/2007, da alteração contratual n° 11, Deyse Liliana foi substituída pelo filho menor Lucas Lemos Nogueira. 20. No período de 15/03/2005 a 13/07/2006 o quadro societário da empresa Contafacil era formado por Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. Com a alteração contratual n° 04, de 13/07/2006, Arthur Lemos Nogueira foi substituído pelo filho menor Arthur Lemos Nogueira Filho. Em 17/10/2007, com a alteração contratual n° 10, Deyse Liliana foi substituída por Valdomiro Flores Nogueira, irmão de Arthur Lemos. E por fim, com a alteração n° 11, de 04/11/2008, Valdomiro Flores foi substituído por Sileste Gabriel, mãe de Deyse Liliana. 21. A empresa Maisfacil Consultoria teve como sócios o pai e o filho menor de Arthur Lemos Nogueira e a partir de 28/12/2010 os próprios Arthur Lemos e Deyse Liliana passaram a figurar em seu quadro social. 22. A empresa ContafacilMS tem como sócios Deyse Liliana e os filhos menores, representados também pelo pai Arthur Lemos Nogueira. Fl. 1400DF CARF MF 4 23. Na empresa ContafacilES aparecem como sócios Valdomiro Flores Nogueira, pai de Arthur Lemos Nogueira, e o filho menor Arthur Lemos Nogueira Filho, representado pelo pai Arthur e pela mãe Deyse. 24. Como se observa, desde a constituição das empresas há uma intensa e singular alternância de pessoas que gravitam, conforme demonstram os fatos, à volta do casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. E todas estas pessoas pertencem a um mesmo grupo familiar conforme revela a representação gráfica abaixo... PROCURAÇÕES OUTORGADAS 25. Conforme a procuração lavrada no 8° Tabelião de Notas, em 08/11/2006 (anexo 01), a empresa Contafacil, representada por sua sóciaadministradoraDeyse Liliana Faccin, constituiu como seu bastante procurador Arthur Lemos Nogueira. A referida procuração confere por prazo indeterminado poderes para isoladamente gerir e administrar todos os negócios, direitos e interesses da empresa. 26. Embora Deyse Liliana tenha formalmente se desligado da empresa Contafacil em 17/10/2007, dando lugar ao cunhado Valdomiro Flores, este outorgou procuração para a mesma conferindolhe amplos poderes para representar a empresa Contafacil, conforme procuração lavrada no 7° Tabelionato de Notas, em 28/08/2008 (anexo 01). 27. Posteriormente, o cunhado Valdomiro Flores foi substituído por Sileste Gabriel, mãe de Deyse Liliana. E em 14/04/2009 Sileste Gabriel outorgou procuração para Deyse conferindolhe amplos poderes para representar a empresa Contafacil, conforme procuração lavrada no 7° Tabelionato de Notas (anexo 01). 28. Percebese que embora se promova sucessivas alterações nos quadros societários das empresas Pagueaqui e Contafacil, a administração efetiva destas sempre esteve a cargo do casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. COINCIDÊNCIA DE ENDEREÇOS 29. No período de 11/02/2010 a 07/07/2010 o endereço cadastral da empresa Pagueaqui foi Rua Gonçalves Luiz Martins, 371 Centro JaraguariMS. A partir de 22/02/2010 este mesmo endereço passou a ser o endereço cadastral das empresas Contafacil e ContafacilMS. E a partir de 23/02/2010 passou a ser também o da empresa Contafacil ES. 30. Em diligência realizada no endereço cadastral atual de Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda. rua José de Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 4 5 Alencar, 358, Sala B1, Centro Campo GrandeMS – não se localizou esta empresa. Nos dados cadastrais do "Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ" da empresa Pagueaqui consta o telefone "6733822455". Ao ligar para este número a fiscalização foi atendida pela recepcionista que se identificou como "Eva Contafacil". A mesma informou que o sr. Arthur Lemos Nogueira poderia ser encontrado naquele endereço, qual seja, rua 15 de Novembro, n° 532. Este é o endereço da sede da empresa Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. No dia 21/12/2011 a fiscalização entregou neste endereço o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF da empresa Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda (Mandado de Procedimento Fiscal MPF 0140100.2011.00498) ao senhor Arthur Lemos Nogueira, que se identificou no campo "cargo" do TIPF como "sócioproprietário" da mesma. 31. Nos dados cadastrais do CNPJ das empresas Contafacil, Maisfacil, ContafacilMS e ContafacilES também consta o mesmo número de telefone "6733822455". 32. Assim, no dia 12/01/2012 foi entregue neste mesmo endereço o TIPF da empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda (MPF 0140100.2011.00495) ao senhor Arthur Lemos Nogueira, que se identificou no campo "cargo" do TIPF como "Diretor Geral" da empresa. 33. O TIPF das empresas ContafacilMS (MPF 0140100.2011.00499) e ContafacilES (MPF 0140100.2011.00497) foram encaminhados por via postal para a rua Gonçalves Luiz Martins, 371 Centro Jaraguari MS, em 02/03/2012. Posteriormente, o senhor Arthur Lemos Nogueira entrou em contato telefônico com a fiscalização confirmando o recebimento dos termos e que os documentos solicitados seriam apresentados pelo contador das empresas, Luiz Fernando Ferreira da Silva. Os documentos foram entregues à fiscalização em 21/03/2012. 34. Em 09/04/2012 a fiscalização esteve no endereço rua 15 de Novembro, 532, para entregar o TIPF da empresa Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda (MPF 0140100.2011.00496). Entretanto, o imóvel estava desocupado e passando por reformas. Ao telefonar para o número 6733822455, a atendente informou que o "escritório" havia mudado para a rua Rachid Neder, 115. Assim, o referido TIPF foi recebido neste endereço pelo senhor Arthur Lemos Nogueira em 11/04/2012, que se identificou como "DiretorComercial". Os documentos Fl. 1402DF CARF MF 6 foram apresentados pelo contador Luiz Fernando Ferreira da Silva em 07/05/2012 (...) CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 35. No TIPF da empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda a fiscalização solicitou a apresentação de contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros. O contribuinte apresentou os contratos PJU/195CO/042002 (Enersul), ENJU075ENO/062010 (Enersul), 015/2.011 (Sanesul) e 011/2003 (Águas Guariroba), conforme anexo 02. 36. O contrato PJU/195CO/042002 foi celebrado em 26/04/2002 entre a Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A. Enersul e Contafacil Brasil Ltda, denominação anterior da empresa Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda. Na cláusula 13° deste contrato constam na condição de fiadores, garantidores e devedores solidários da contratada Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, os quais assinam ao final como intervenientes. 37. No "Nono Termo Aditivo para Rerratificação ao Contrato PJU/195CO/042002", assinado em 11/05/2009, já aparece como contratada a empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda. Ou seja, o contrato celebrado entre a empresa Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda e a Enersul foi posteriormente repassado para a empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda. Importante observar que este termo aditivo foi assinado por Arthur Lemos Nogueira na condição de "Diretor Administrativo" da empresa Contafacil. 38. O contrato N° 011/2003 foi celebrado em 20/08/2003 entre a Águas Guariroba S.A. e Contafacil Brasil Ltda, denominação anterior da empresa Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda. 39. A cláusula quinta do termo aditivo deste contrato, de 31/07/2009, trata do termo de cessão de direitos e assunção de obrigações em que a empresa Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda cede todos os direitos e obrigações para a empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda. Assinam este termo aditivo pela empresa Pagueaqui Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, como sóciosproprietários. 40. É importante notar que assinam o referido "Termo de Cessão de Direitos e Assunção de Obrigações" pela empresa cedente (Pagueaqui) Arthur Lemos Nogueira e pela empresa cessionária (Contafacil) Deyse Liliana Faccin. É cristalina aqui a percepção de que a gestão Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 5 7 destas empresas confundemse nas pessoas de seus administradores. 41. O contrato ENJU/075ENO/ 062010 foi celebrado em 18/06/2010 entre Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A. Enersul e Contafacil Serviços Expressos Ltda. Pela empresa Contafacil assina o contrato Sileste Gabriel e como fiadores, garantidores e devedores solidários Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. Salientese ainda que Deyse tem procuração da mãe (Sileste) com amplos poderes para administrar a empresa, conforme mostrado no item 28. 42. De fato, em 22/09/2010, Deyse assina o "Instrumento Particular de Primeiro Aditivo ao Convênio para Prestação de Serviços de Arrecadação N° ENJU/075ENO/062010" pela empresa Contafacil e ainda como fiadora. 43. No terceiro termo aditivo observase que no campo "contato" consta Arthur e no "email" consta arthur@contafacil.net, nos dados relativos à contratada Contafacil. 44. No TIPF concernente a empresa ContafacilMS Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda solicitouse também a apresentação de contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros. O contribuinte apresentou o contrato n° 460010608, celebrado com a Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A. Enersul em 02/06/2008, conforme anexo 02. 45. Como se vê, o referido contrato foi firmado com a empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda, tendo sido assinado por Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. Importante observar que em 02/06/2008 o quadro societário desta empresa era composto por Valdomiro Flores Nogueira Filho e o menor Arthur Lemos Nogueira Filho. 46. Em 12/11/2008 o contrato n° 460010608 foi transferido para a empresa Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda, CNPJ 09.555.050/000100, conforme "Instrumento Particular de SubRogação ao Contrato 4600010608/08" É relevante atentar que Arthur Lemos Nogueira assina este instrumento particular como Diretor Administrativo da cedente, Contafacil Serviços Expressos Ltda, e Deyse Liliana Faccin como Diretora Comercial da cessionária, Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda. Fl. 1404DF CARF MF 8 47. Em 01/02/2010 outro "Instrumento Particular de Sub Rogação ao Contrato 4600010608/08" é celebrado. Desta feita a empresa Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda cede todos os direitos e obrigações relativos aos serviços objeto do contrato 4600010608/08 para a empresa ContafacilMS Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda. Reparese na estreita semelhança entre as denominações das empresas que se sucedem na execução do contrato e ainda no fato de a empresa ContafacilMS ter sido constituída em 18/01/2010, ou seja, há apenas 13 dias da assunção do contrato em questão. 48. Importante destacar que assinam este contrato Deyse Liliana Faccin como Administradora da cedente, Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda, e como Sócia Administradora da cessionária, ContafacilMS Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda, e Arthur Lemos Nogueira como representante do filho menor, sócioproprietário da cessionária, ContafacilMS Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda. 49. A empresa ContafacilES Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda, em atendimento ao solicitado no TIPF, apresentou o contrato de prestação de serviços n° 460010609 celebrado com a Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. Escelsa em 02/06/2008. Como se observa, este contrato também foi firmado com a empresa Contafacil Serviços Expressos Ltda. 50. Posteriormente o contrato n° 460010609 foi cedido para a empresa Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda, CNPJ 09.555.050/000100, conforme Termo de Cessão celebrado em 01/10/2008. Desta feita, o Termo de Cessão é assinado por Arthur Lemos Nogueira na condição de DiretorComercial tanto da cedente, Contafacil Serviços Expressos Ltda, como da cessionária, Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda. 51. E por fim, o citado contrato foi também repassado da empresa Maisfacil Cobranças, Atendimento e Serviços Ltda para a empresa ContafacilES Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda, conforme Termo de Cessão lavrado em 01/02/2010. O referido Termo de Cessão segue assinado por Deyse Liliana Faccin e Arthur Lemos Nogueira como representantes de ambas empresas. SÍTIO DO GRUPO NA INTERNET 52. O grupo de empresas aqui caracterizado mantém um sítio no endereço "www.contafacil.net", conforme mostra as telas juntadas no anexo 03, onde édenominado "REDE CONTAFÁCIL". Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 6 9 53. Na tela "NOSSA EMPRESA" há um histórico da evolução da Rede Contafácil. Segundo consta ali a rede iniciou suas atividades em Mato Grosso do Sul no ano de 1999. Em 2003 expandiu sua rede de arrecadação em MS e Rio de Janeiro. No ano de 2006 passou a prestar serviços para a Escelsa no Espírito Santo e também para a Celpa no Pará. E em 2007 para a Cemat, em Mato Grosso. Segundo a tela "MAPA DE ATENDIMENTO", a Rede Contafácil está presente em 13 estados e no DF.. 54. Na tela "FALE CONOSCO" consta como endereço da Rede Contafácil a rua Cândido Mariano, 1359 Centro Campo GrandeMS. E telefone para contato (67) 33822455, ou seja, o mesmo telefone das empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda e Contafacil Serviços Expressos Ltda. 55. Importante observar que neste endereço estão localizadas as empresas Contafacil Serviços Expressos Ltda (06.253.153/000208), Maisfacil Cobranças e Atendimentos Ltda (09.555.050/000100, até 10/05/2011), ContafacilMS Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda (11.467.807/000236) e ContafacilES Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda (11.471.415/000240). 56. Destarte, é intuitivo concluir que a "REDE CONTAFÁCIL" veiculada no sítio "www.contafacil.net" é constituída pelas empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda, Contafacil Serviços Expressos Ltda, Maisfacil Cobranças e Atendimentos Ltda, ContafacilMS Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda e ContafacilES Cobranças, Atendimentos e Serviços Ltda. (...) CONCLUSÃO 84. Assim, conforme delineado pelos fatos aqui expostos, as empresas Pagueaqui Recebimento e Serviços Ltda EPP, CNPJ 04.716.037/000171, Contafacil Serviços Expressos Ltda EPP, CNPJ 06.253.153/000127, Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME,CNPJ 09.555.050/000100, ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.467.807/0001 55 e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.471.415/000160, constituem um grupo econômico de fato, tendo sua administração a cargo de Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin. 85. Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, conforme demonstra os fatos concretos, constituíram estas empresas ora em seus próprios nomes, ora em nome de Fl. 1406DF CARF MF 10 filhos menores, ora em nome de pessoas com as quais possuem elevado grau de parentesco. Promoviam ainda alternância destas pessoas nos quadro societários e um frequente revezamento de endereços de suas sedes. Esta estratégia tem por finalidade deliberada pulverizar receitas ou meramente a criação de empresas que se sucedem mantendo o mesmo objeto social, o mesmo quadro de funcionários e os mesmos contratos de prestação de serviços. 86. O modus operandi aqui descrito revelase mero ardil para usufruir de forma dissimulada e indevida tratamento tributário privilegiado.(n/grifos). (n/g) Ressaltese que essa fundamentação não foi infirmada pela impugnante, não obstante as suas várias alegações destituídas de fulcro probatório. Frise se, outrossim, que ambas as empresas (Pagueaqui e Contafácil) desde antes de 2007 tiveram em sua administração os sócios Arthur (desde 15/08/2005 sócio na Pagueaqui, fls. 270273) e sua mulher Deyse (sócia desde 16/04/2003 na Pagueaqui: fls. 253 258), ambos sócios na Contafácil desde 15/02/2005, ele desde 26/02/2004 (fls. 294297), ela desde 15/02/2005 (fls. 298302), e se revezaram em ambas, inclusive com os filhos Arthur Lemos Nogueira Filho, menor impúbere, admitido como sócio da Pagueaqui em 07/06/2006 (fls. 278279), e Lucas Lemos Nogueira, menor impúbere, admitido em 23/07/2007 (fls. 284 287); e na Contafácil: Arthur Lemos Nogueira Filho em 19/06/2006 (fls. 312315), sendo que os dois filhos eram representados pelos pais (v. citados contratos sociais e alterações). O histórico contido na Representação (fls. 0216) demonstra à exaustão, com fulcro nos contratos sociais das empresas, a urdidura do conjunto de sociedades que eram administradas pelo casal. Dessa forma, tais fatos firmaram a nossa convicção de que houve a participação de sócios como administradores em outra empresa, configurando a primeira hipótese prevista no dispositivo legal acima. Quanto à segunda hipótese, ou seja, se os faturamentos da Pagueaqui e Contafácil, superaram o limite de R$ 2.400.000,00, a resposta também é positiva. Todavia, não procede a alegação. De fato, ao se abonar a argumentação de que todas essas empresas na verdade são uma só, fracionadas apenas para beneficiarse da tributação simplificada, o que restou demonstrado com fartura de provas, é de se considerar a totalidade de suas receitas. Assim sendo, constatase que as receitas das empresas Pagueaqui, CNPJ 04.716.037/000171, e Contafácil Serviços, CNPJ 06.253.153/0001 27, no anocalendário 2006, imediatamente anterior, superou o limite referido, a saber: receita bruta da Pagueaqui: R$ 2.177.136,58; e da Contafácil: R$ 2.290.094,18, somando R$ 4.467.230,76 (v. fls. 550551). No próprio anocalendário de 2007 suas receitas apenas de janeiro a junho foram, respectivamente, de R$ 1.251.303,45 e R$ 1.328.133,45 no total de R$ 2.579.436,90 (fls. 552553). Desta forma, em ambos os anos calendário de 2006 e 2007 suas receitas brutas ultrapassaram o limite legal. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 7 11 Por fim, é de se adotar a argumentação aduzida no Acórdão 0430.522, de 30/01/2013, da 4ª Turma desta DRJ, juntado às fls. 523549, relativo às contribuições previdenciárias, no tocante aos mesmos fatos aqui discutidos. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a impugnação, mantendo a exclusão da impugnante do Simples Nacional, nos termos do ADE nº 14/2012 de fls. 404. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em síntese que; · equivocouse a autoridade ao afirmar que Deyse Liliana Faccin exerceu a função de administradora da recorrente e concomitantemente, em 2007, ter exercido esta função em outra empresa; · Alega: De início é importante divisar dois conceitos do direito empresarial: sócio e administrador, figuras jurídicas completamente distintas. O sócio é aquela pessoa, natural ou jurídica, que integra uma sociedade mediante a participação na formação do seu capital social.1 Por conta desta condição legal, confereselhe direitos políticos (participar na decisão das políticas e dos rumos do negócio que a sociedade desenvolve) e patrimoniais (participar nos resultados lucros ou prejuízos de acordo com sua cota de participação). 3.2.2. O administrador, por outro lado, é aquele indivíduo que gere, administra e representa a sociedade perante terceiros, ou seja, é a pessoa física que assina em nome da sociedade, que realiza contratações de funcionários, fornecedores, prestadores de serviços, toma decisões necessárias à consecução e direcionamento das atividades empresariais da sociedade.2 Como resultado disso, tem por direito receber a remuneração pactuada, em razão do serviço de gestão prestado, bem como tem por obrigação prestar contas do serviço realizado para os sócios ou acionistas. Fl. 1408DF CARF MF 12 A condição de sócio se prova por meio do contrato social registrado no órgão de registro respectivo. A função de administrador se prova por documentos hábeis que atestem que o indivíduo efetivamente toma as ditas decisões, assina pela sociedade, representaa e fala em seu nome perante terceiros. Não sendo assim, há a presunção júris tantum, por força do Art. 1.013 do Código Civil, de que são os sócios que administram a sociedade. Portanto, para atestar que determinado indivíduo concretamente exerce a função de administrador, ou seja, gere e administra o negócio, toma e decide todos os atos de gestão, é imprescindível que existência de documento formal que ateste e comprove tal situação. 3.2.6. Portanto, vêse pela documentação já anexada somada a que acompanha esta petição que em nenhum momento Deyse Liliana Faccin, administradora da recorrente, exerceu concomitantemente a função de administradora da outra pessoa jurídica, como quer fazer crer a autoridade fiscal. A abertura das sociedades e suas alterações contratuais tiveram propósito negocial para atender, ao longo do tempo, a situações específicas dos serviços (de diversos tipos, tais como: arrecadação de contas, atendimento a clientes e etc. ) que haviam de ser prestados para diferentes contrantes (v.g. Enersul, SEMAT, Águas do Paraíba, Excelsa, Águas de Petrópolis) em diferentes Estados da Federação (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, etc). Além disso, não há na legislação civil, empresarial ou tributária brasileira qualquer dispositivo que vede marido e mulher de integrarem e/ou administrarem sociedades empresárias distintas, tampouco o vínculo matrimonial consiste é relevante para fruir os benefícios do regime simplificado nacional. Para efeito do Simples Nacional, a relação de parentesco entre os indivíduos não consiste em qualquer tipo de impedimento, vedação ou restrição à fruição dos seus benefícios. Acaso assim implicasse, por evidente que o legislador, ao instituílo, teria expressamente consignado. Quer dizer, o fato de Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin serem casados e, por decisão empresarial, preferirem constituir e administrar diferentes sociedades não caracteriza qualquer tipo de restrição à opção ou à manutenção no Simples Nacional. Muito bem. O fundamento legal que a autoridade fazendária de julgamento se valeu para julgar improcedente a impugnação da ora recorrente e manter sua exclusão do Simples Nacional foi o Art. 3o, § 4o, V, da Lei Complementar n. 123/2006. Ele prevê um dos casos Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 8 13 em que a pessoa jurídica, mesmo auferindo receita bruta anual que as caracterize como ME ou EPP, não poderá optar pelo tratamento jurídico diferenciado veiculado pelo Estatuto Nacional das ME e EPP, aí incluído o regime de tributação diferenciada do SIMPLES NACIONAL. Textualmente, o dispositivo prevê, in verbis: Art. 3o, § 4°. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: [...] V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo. 3.3.9. Ante a previsão do dispositivo, vêse que haverá restrição à fruição do regime jurídico favorecido veiculado pela Lei Complementar n. 123/2006 por parte da pessoa jurídica que cônjuge duas condições: (i) a primeira: qualquer dos sócios seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica; (ii) a segunda: a receita global ultrapasse o limite de R$ 2.400.000,00(dois milhões e quatrocentos mil reais) no anocalendário.6 3.3.10. Quer dizer, caracterizandose, na situação concreta, aquelas exatas condições legalmente definidas — e desde que não exista vedação ou outro impedimento — a pessoa jurídica que tenha como integrante em seu quadro societário um sócio que exerça a função de administrador ou equiparado em outra pessoa jurídica não poderá fruir do regime jurídico favorecido do Simples Nacional. Mas isso desde que a soma da receita bruta de ambas supere o limite máximo previsto pelo Art. 3o, II, da Lei Complementar n. 123/2006. 3.3.11. Um outro detalhe é importante para ditar a aplicabilidade in concreto da referida vedação, embora não conste expressamente do referido dispositivo legal, mas como decorrência de interpretação sistemática com o Art. 3o, § 6o, da LC 123/2006: §Ja depende de que as citadas condições legais se conjuguem dentro de um mesmo anocalendário. · Aduz que o artigo 111, do Código Tributário Nacional (CTN) aplica se ao Simples Nacional por se tratar de um beneficio e que, portanto, a interpretação tem que ser aplicada de modo estrito; · Expõe, em seu recurso, uma descrição dos fatos que denominou de o caso concreto, que reproduzo: Pois bem. Tendo as premissas anteriormente firmadas em conta, fica evidente a ilegalidade da exclusão da recorrente do Simples Nacional, na forma do ADE 14/2012. No caso em tela, o impedimento contido no Art. 3°,§ 4o, V, da LC Fl. 1410DF CARF MF 14 123/2006 basicamente veda que o sócio de uma pessoa jurídica administre outra, sob a condição de a soma da receita bruta no anocalendário de ambas extrapolar o limite máximo para se considerar EPP. Basicamente, um mesmo indivíduo não pode, ao mesmo tempo, figurar como sócio em uma empresa e administrador em outra. Evidente a situação. Em julho de 2007 — período a partir de quando o ADE 14/2012 fixou os efeitos da exclusão da recorrente — não havia qualquer causa impeditiva da recorrente em se beneficiar do Simples Nacional. Os sócios, então, comprovadamente não administravam outra pessoa jurídica de direito privado. ARTHUR LEMOS NOGUEIRA deixou de ser sócio da recorrente em junho de 2006 (contrato social constante nos autos e fato incontroverso, vez que consignado pela autoridade fiscal e pela de julgamento), muito antes sequer da entrada em vigor do Simples Nacional. Assim, em julho de 2007, quando da opção pelo regime simplificado, era irrelevante ser ele administrador da sociedade PAGUEAQUI como desde sempre e ainda hoje o é. 3.3.25. DEYSE LILIANA FACCIN, por sua vez, embora exercesse na oportunidade de opção pelo Simples Nacional a administração14 (até outubro de 2007 como sócia administradora no contrato social; e, depois, a partir de agosto de 2008, por mandato, administradora nãosócia, fora do contrato social)'*5 da recorrente, já não mais era sócia da empresa PAGUEAQUI, vez que retirouse da sociedade em julho de 2007 (contrato social constante nos autos e fato incontroverso, vez que consignado pela autoridade fiscal e pela de julgamento).™ Por outro lado, não há nos autos qualquer documento que infirme as conclusões acima, comprovadamente demonstradas pela documentação contida nos autos e pela própria narrativa da autoridade fiscal e da de julgamento. Em abono, ainda, vejase que os documentos anexados com este recurso demonstram cabalmente que (i) Arthur Lemos Nogueira era sócio e somente ele administrava (como ainda administra) a PAGUEAQUI e (ü) DEYSE LILIANA FACCIN somente exercia a administração da recorrente, com o auxílio de outra administradora, não integrando a sociedade no período que vai 2007 a 2012. 3.3.28. Tanto é assim que o nome de DEYSE LILIANA FACCIN consta nas GFIPs da recorrente porque administradora/diretora, função por ela exercida na sociedade, e não porque sócia (o que, de fato e de direito, não era). Assim, é irrepreensível e irrelevante para os fins Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 9 15 pretendidos pela autoridade fiscal comprovar a existência de condição impeditiva aos benefícios do Simples Nacional o fato de o nome da administradora da recorrente constar em sua GFIP. Reforça o argumento e as provas referidas, ainda, a constatação de que todos os contratos firmados pela empresa CONTAFÁCIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA foram firmados pela administradora DEYSE LILIANA FACCIN (does. anexos 03), quem geriu a empresa em conjunto com Valdomiro Flores Nogueira Filho e com a Administradora Roseli Aparecida Rodriges e Silva, inscrita no CRA/MS n. 3536, e quem desde 01/11/2006 exerce esta função na sociedade (does. anexo 04). Neste ponto, é importante, uma vez mais, ressaltar que a primeira condição para o impedimento legal estabelecido pelo Art. 3o, § 4o, V, da LC 123/2006 é de ter a pessoa jurídica que pretende se beneficiar do Simples Nacional (no caso, a recorrente), um sócio (pessoa física ou jurídica que figure no contrato social ou no estatuto como detentor de participação no seu capital17) que seja administrador de outra pessoa jurídica (pessoa natural que gere, administra e representa a sociedade perante terceiros)18. Pela narrativa contida no decisum recorrido constatase que as autoridades fiscais trataram o administrador como sócio de uma pessoa jurídica. Mas, como já visto, estas figuras jurídicoempresariais não se confundem. Por outro lado, o fato de o nome de Deyse Liliana Faccin constar nas GFIPs da empresa PAGUEAQUI como sua administradora, além de erro escusável na prestação das informações (já corrigido, inclusive), são irrelevantes para a exclusão da recorrente do Simples Nacional. O erro é escusável, pois por lapso do contador responsável pela prestação da informação (Luiz Fernando Ferreira da Silva, CRC/MS 6.103), ele não alterou os nomes dos administradores/diretores da Pagueaqui na prestação das informações fiscais. Desde julho de 2007 Deyse Liliana Faccin não mais administrava a referida sociedade. E como os dados dos administradores não são alterados com frequência, e tais informações ficam armazenadas e gravadas na base de dados do SEFIP, não se atentou para a referida alteração, até por falta de comunicação. Isto, porém, já foi resolvido e retificado (does. anexo 01). Além do que, o erro também é irrelevante para fins de exclusão do Simples Nacional. Embora não ocorrida, mas admitindose, para fins de argumentação, que a Fl. 1412DF CARF MF 16 administradora da recorrente (Deyse Liliana Faccin) também tivesse exercido, concomitantemente, a administração da PAGUEAQUI, ainda assim a recorrente não poderia ser excluída do Simples Nacional, na medida em que o impedimento fixado pelo Art. 3̂ § 4̂ IV^ da LÇ r_ 123/2006 veda que sócios figurem como administradores de outras pessoas jurídicas, e não que um mesmo administrador exerça tal função em duas ou mais empresas diferentes. 3.3.35. Em suma, é farta a documentação acostada que demonstra que nenhum dos sócios da recorrente exerceu, de modo concomitante, a administração de outra pessoa jurídica de direito privado com fins econômicos. Os documentos que comprovam tal alegação são os seguintes: (i) contrato social registrado na JUCEMS onde consta que Arthur Lemos Nogueira (em 19/06/2006) e Deyse Liliana Faccin (16/10/2007) deixaram de integrar a sociedade Contafacil Serviços Expressos Ltda; (ii) GFIPs da PAGUEAQUI do período 08/2007 em diante retificadas; (iii) contratos firmados pela CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA com as empresas tomadoras dos seus serviços, todos assinados pela administradora Deyse Liliana Faccin; (iv) contrato de março de 2011 firmado pela CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA com empresa dos seus serviços, assinados pela sócia administradora Silete Gabriel; (v) contrato e procuração outorgados pela CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA à administradora Roseli Aparecida Rodriges e Silva, datados de período anterior ao surgimento do Simples Nacional, dandolhe poderes de gestão e de representação da sociedade; (vi) contratos e outros documentos firmados pela administradora Roseli Aparecida Rodriges e Silva, demonstrando exercer a gestão e de representação da sociedade recorrente; (vii) Ficha Financeira da administradora Roseli Aparecida Rodriges e Silva, demonstrando que ela quem exercia, em conjunto com a administradora Deyse Liliana Faccin, a administração da Contafacil Serviços Expressos Ltda. Deste modo, fica evidente no caso que a recorrente não tem, nem teve, a partir de 07/2007, qualquer sócio ou titular que tenha exercido a administração de outra pessoa jurídica. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 10 17 De mais a mais, o que se percebe é que as autoridades fiscais teimam em não reconhecer as alterações contratuais previa e formalmente realizadas como meio adequado e legítimo a corrigir possíveis impedimentos aos benefícios dos Simples Nacional. 3.3.38. Basicamente, querem desconsiderar os contratos sociais, que expressam não só a realidade fática, mas também jurídica e a vontade dos contratantes, para, por conta de relação de parentesco e outras mais não previstas na lei, tentar impedir que o contribuinte usufrua os benefícios do Simples Nacional, a fim de incrementar a arrecadação à margem da legislação tributária. 3.3.39. Ocorre que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já externou como legítimo (e único meio para tanto, por óbvio) que se procedam as alterações contratuais necessárias a adequar a realidade das empresas para que não redunde nos impedimentos à fruição dos benefícios do Simples Nacional, conforme se vê do seguinte aresto, in verbis: Assunto: SIMPLES NACIONAL AnoCalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. IMPEDIMENTOS. Verificado nos autos que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, ainda que foi [sic] possível a alteração e seu contrato social em tempo hábil, deferese o pleito para permanência no Simples. Recurso Voluntário Provido.19 3.3.40. Como foi com base neste entendimento que se sustentou a exclusão da recorrente do Simples Nacional, e estando demonstrado que equivocaramse as autoridades fiscais, devese anular ADE 14/2012, mantendose a recorrente no Simples Nacional. 4.1. Pelo exposto, vem a recorrente requerer que o presente recurso seja admitido, vez que tempestivo, e, ao final, seja PROVIDO, para reformar a decisão objurgada, acolhendo as alegações feitas e, consequentemente, anulando se o ADE 14/2012 que excluiu a recorrente do Simples Nacional, consoante os argumentos deduzidos anteriormente. Em relação a todo o caso, temse, em síntese, uma situação onde há um grupo de empresas, onde foram utilizadas interpostas pessoas, com o único objetivo de se beneficiarem do Simples Nacional. Fl. 1414DF CARF MF 18 O extenso trabalho realizado pela DRF, como reproduzido pela DRJ, em seu voto, já por transcrito, demonstram os claros indícios disso. Senão vejamos: Quanto ao primeiro requisito que sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos), verificase que tanto o sócio da impugnante Arthur Lemos Nogueira, como sua esposa e sócia Deyse Liliana Faccin, foram administradores da empresa Contafácil Serviços, ele desde 26/02/2004 e ela desde 15/02/2005 (fls. 294302), e mesmo formalmente tendo se retirado da empresa posteriormente, continuaram nessa situação, tanto assim que a referida empresa continuou pagandolhes retiradas prólabore e recolhendo a contribuição previdenciária por meio de GFIPs, conforme constou nos itens 57 a 59 da Representação Fiscal – Exclusão do Simples às fls. 503, a saber: A recorrente alega que houve um erro e que, posteriormente, as GFIP foram retificadas. Ainda, a DRJ apresenta os seguintes fatos: Não bastasse isso, constou na referida Representação inúmeros fatos que demonstram à exaustão a interligação entre todas essas empresas, em face de manterem o mesmo endereço, sítio único na internet, empregados comuns etc., bem como e principalmente entre seus sócios, que se revezavam na direção e administração delas, como segue (excertos): Vêse indícios de que se trata de um grupo econômico montado para manter se dentro do limite da receita para fins de enquadramento no Simples. Mais adiante, continua apresenta uma série de outros indícios (procurações, contratos com clientes etc) que culminam com a seguinte conclusão: 86. O modus operandi aqui descrito revelase mero ardil para usufruir de forma dissimulada e indevida tratamento tributário privilegiado.(n/grifos). (n/g) Ressaltese que essa fundamentação não foi infirmada pela impugnante, não obstante as suas várias alegações destituídas de fulcro probatório. Frisese, outrossim, que ambas as empresas (Pagueaqui e Contafácil) desde antes de 2007 tiveram em sua administração os sócios Arthur (desde 15/08/2005 sócio na Pagueaqui, fls. 270273) e sua mulher Deyse (sócia desde 16/04/2003 na Pagueaqui: fls. 253 258), ambos sócios na Contafácil desde 15/02/2005, ele desde 26/02/2004 (fls. 294 297), ela desde 15/02/2005 (fls. 298302), e se revezaram em ambas, inclusive com os filhos Arthur Lemos Nogueira Filho, menor impúbere, admitido como sócio da Pagueaqui em 07/06/2006 (fls. 278279), e Lucas Lemos Nogueira, menor impúbere, admitido em 23/07/2007 (fls. 284 287); e na Contafácil: Arthur Lemos Nogueira Filho em 19/06/2006 (fls. 312315), sendo que os dois filhos eram representados pelos pais (v. citados contratos sociais e alterações). O histórico contido na Representação (fls. 0216) demonstra à exaustão, com fulcro nos contratos sociais das empresas, a Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10140.721138/201247 Acórdão n.º 1001000.501 S1C0T1 Fl. 11 19 urdidura do conjunto de sociedades que eram administradas pelo casal. Dessa forma, tais fatos firmaram a nossa convicção de que houve a participação de sócios como administradores em outra empresa, configurando a primeira hipótese prevista no dispositivo legal acima. O CARF já decidiu, nesta mesma linha, no acórdão 2403002.856, que reproduzo a ementa: Acórdão: 2403002.856 Número do Processo: 13855.001761/200916 Data de Publicação: 03/03/2015 Contribuinte: ESTIVAL IMPORTACAO EXPORTACAO LTDA Relator(a): MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação d Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Portanto, adoto por inteiro a decisão da DRJ para negar provimento ao recurso voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1416DF CARF MF 20 Fl. 1417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679533/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 79 53 3/ 20 09 -5 1 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.679533/200951 Resolução nº 1201000.369 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 30/03/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.679533/200951 Resolução nº 1201000.369 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001139/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
COFINS. ISENÇÃO. INSTIUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. SÚMULA CARF Nº 107
São isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Aplica-se ao presente caso a orientação contida na Súmula CARF nº 107.
Numero da decisão: 3302-005.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os contratos descritos na tabela constante do voto condutor às e-fls. 356/357, com exceção dos contratos das contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Paulo Guilherme Déroulède, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir os lançamentos relativos ao contrato firmado com a UNIRIO.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ISENÇÃO. INSTIUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. SÚMULA CARF Nº 107 São isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Aplicase ao presente caso a orientação contida na Súmula CARF nº 107. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os contratos descritos na tabela constante do voto condutor às efls. 356/357, com exceção dos contratos das contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Paulo Guilherme Déroulède, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir os lançamentos relativos ao contrato firmado com a UNIRIO. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 39 /2 01 0- 61 Fl. 351DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração para exigência da COFINS no valor originário de R$ 2.911.276,42, acrescida de juros de mora no montante de R$ 1.295.444,01, e de multa de ofício de R$ 2.183457,28, relativo ao período de 02/2006 a 12/2006. Segundo consta da descrição dos fatos do Termo de Verificação (fls.143 145), o lançamento fiscal fora realizado com base nos seguintes fundamentos: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e dando prosseguimento aos trabalhos de fiscalização do contribuinte acima identificado, referente ao imposto de renda no exercício de 2007 (anocalendário de 2006), resultante de representação efetuada pelo Ministério Público Federal conforme OFÍCIO/PR/RJ/MC/N° 663/2008, verificamos o que segue: 1 Em 05072010 a Fundação foi intimada a: informar se recolheu a contribuição para o Plano de Integração Social PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS sobre as receitas constantes do Demonstrativo anexo, juntando os comprovantes do recolhimento, e em caso negativo esclarecer os motivos pelos quais não efetuou o recolhimento (fls. 2 e 3). Em sua resposta datada de 14 e 27072010 a instituição informa que recolhe o PIS com base na folha de pagamento (1%) e que é isenta da COFINS sobre as receitas das atividades próprias (fls.4 a 16). Os comprovantes de recolhimento do PIS sobre folha de pagamento foram devolvidos. 2 Em 29072010 a Fundação foi intimada a informar (fls. 17 e 18) se as receitas a seguir relacionadas são de suas atividades próprias, conforme definido nos artigos 13, inciso VIII e 14, inciso X da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a seguir transcrito, juntando os comprovantes: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1°de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 4.1.01.001 Receitas de Concursos 4.1.01.003 Convênios 4.1.01.004 Outras Recitas Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Acórdão n.º 3302005.489 S3C3T2 Fl. 3 3 4.1.01.005 Doações 4.1.01.006 Câmara Municipal de São João de Meriti 4.1.01.007 Cisbaf 4.1.01.008 CPRM Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais 4.1.01.009 Fundação Escola de Serviço PúblicoFE 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins 4.1.01.011 IASERJ 4.1.01.012 IPEM 4.1.01.013 Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu 4.1.01.014 Prefeitura Municipal de Teresópolis 4.1.01.015 Secretaria de Estado e Saúde (Especiais) 4.1.01.016 Secretaria de Estado e Saúde (Pro Mulher) 4.1.01.017 Solvay Farma Ltda. (Projeto HuggCpo) 4.1.01.018 SUDERJ 4.1.01.019 HUGG Autoclave 4.1.01.021 Intervir Ltda. 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ 4.1.01.023 UNIRIO Respondeu, em 26102010, que: "As receitas relacionadas no Termo de Intimação mencionado referemse à realização de atividades próprias que se encontram na órbita dos objetivos sociais da Fundação. Quanto à apresentação de documentos comprobatórios da alegação acima, informamos que os termo de convênios celebrados com as instituições citadas na relação, já foram encaminhados em outras ocasiões, como em 24 de setembro de 2010. " Os documentos fornecidos, termos de convênios e contratos (fls, 19 a 119), não comprovam que as receitas sejam de atividades próprias nos termos da Lei n° 8.958/1994, do Decreto n° 5.205/2004 e da IN SRF n° 247/2002. Com relação à isenção da COFINS, a Instrução Normativa citada, em seu artigo 47 § 2º diz: § 2o Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Embora a Fundação não tenha fornecido elementos para comprovar que as contas 4.1.01.001 Receitas de Concursos, 4.1.01.003Convênios, 4.1.01.004Outras Receitas, e 4.1.01.005Doações, 4.1.01.017Solvay Farma Ltda. (Projeto HUGG Fl. 353DF CARF MF 4 Cpo), 4.1.01.019HUGGAutoclave e 4.1.01 023UNIRIO, sejam de atividades próprias, conforme definido na Lei n° 8.958/1994, do Decreto n° 5.205/2004 e da IN SRF n° 247/2002, excluímos estas contas da tributação por se tratar de contas envolvendo a INSTITUIÇÃO APOIADA, podendo, com grande probabilidade, se tratar de receitas de atividade própria. 3 Através do Ato Declaratório Executivo n° 417, de 30 de julho de 2010, publicado no Diário Oficial da União em 03 de agosto de 2010, foi suspenso o gozo da isenção tributária pela Fundação (fl.136). 4 Em 27082010 a Fundação foi intimada a fornecer demonstrativo mensal dos créditos de PIS e COFINS correspondentes às receitas constantes do demonstrativo anexo àquele Termo (fls. 120 e 121). Em resposta datada de 13092010, informou que: (fls. 122 a 125) "as receitas indicadas no demonstrativo citado referemse à realização de atividades próprias que se encontram na órbita dos objetivos sociais da Fundação. Cabe esclarecer que em relação à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) sobre Faturamento, a FURJ, como entidade sem fins lucrativos, fundamentada no art 2, inciso II da Lei n. ° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e art 13 da MP n. ° 2.15835, de 2001, recolhia tal tributo sobre folha de salários, o que não se aplicava em tal situação, pois a mesma não atuava como empregadora (conforme definido pela legislação trabalhista) de bolsistas de programas e projetos. Quanto à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), fundamentada no art. 14 da Medida Provisória n.°215835, de 24 de agosto de 2001, na situação que se apresenta,a FURJ era isenta de seu recolhimento." Diante do exposto lavramos Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS utilizando como base de cálculo as receitas constantes do DEMONSTRATIVO MENSAL DA RECEITA, anexo e parte integrante deste Termo. Para constar, e produzir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em três vias de igual forma e teor e entregamos uma cópia ao interessado/representante legal. Em suma, entende a autoridade fiscal que há isenção do pagamento da COFINS, nos termos do artigo da MP nº 2.15835/2001 c/c artigo 47, §2º, da IN 247/2002, somente em relação às receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Cientificada da presente autuação, a Recorrente apresentou impugnação (fls.171203), requerendo, em apartada síntese, o cancelamento do Auto de Infração pelos motivos e fundamentos explicitados na peça defensiva. Em 20 de setembro de 2012, houve por bem a 16ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do acórdão nº 1249.657, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Acórdão n.º 3302005.489 S3C3T2 Fl. 4 5 LANÇAMENTO ALEGAÇÕES RELATIVAS A FATOS ESTRANHOS AO PROCEDIMENTO FISCAL Não cabe a apreciação de questões relativas a fatos apurados em procedimento administrativo diverso daquele em análise, no qual já foi garantido o direito de defesa ao contribuinte. COFINS FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO ISENÇÃO RECEITAS PRÓPRIAS DA ENTIDADE Somente são isentas da Cofins as receitas próprias recebidas pelas fundações de direito privado, assim entendidas aquelas derivadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas no estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e ao desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade. Intimada em 22.11.2012 (fls.284), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11.12.2012 (fls.289309), requerendo a reforma da decisão a fim de que seja cancelado o lançamento fiscal, alegando, em síntese, que suas receitas são isentas à COFINS, nos termos do artigo 14, inciso X c/c o artigo 13, ambos da MP nº 215835/2001. Adicionalmente a matéria de mérito propriamente dita, apresentou alegações concernente a observância dos princípios da legalidade, da segurança jurídica, verdade real, proporcionalidade e da razoabilidade. Em 22 de maio de 2017, por meio da Resolução nº 3302000.589, o processo foi convertido em diligência para que a Recorrente tomasse as seguintes providências: 1. Apresentar o plano institucional desta última a que se refere o artigo 2º do Decreto nº 5.205/2004; 2. Esclarecer para cada contrato vinculado às contas contábeis, objeto da autuação, se há projetos de ensino, pesquisa e extensão ou de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da UNIRIO a eles vinculados, informando o escopo de cada um e juntando documentação probatória, se for o caso; 3. Apresentar os contratos das contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ, não localizados nos autos. Intimada em 18.08.2011 (fls.345), a Recorrente não atendeu a solicitação feita por este Conselho, retornando aos autos à este Tribunal para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão reside em determinar se as receitas auferidas pela Recorrente, objeto dos contratos firmados com diversos entes públicos (fls.21121), são Fl. 355DF CARF MF 6 oriundos de sua atividade própria, hipótese em que incide a isenção prevista no inciso X, do artigo 141 c/c com o inciso XIII, do artigo 132, ambos da Medida Provisória nº 2.15835/2001, ou se representam objeto de contraprestação, caso em que, segundo a fiscalização e o julgador de piso, não se aplica a famigerada isenção. Com exceção dos contratos das contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ, não fornecidos pela Recorrente, os demais contratos foram firmados com diversos entes públicos, tendo por objeto a prestação de serviços relacionados a pesquisas, análise de dados, assessoria e consultoria técnica, realização de concurso público, realização de cursos e seminários. A título exemplificativo cito alguns dos contratos abaixo: Contratante Objeto Câmara Municipal de São João do Meriti Conta Contábil. 4.1.01.006 Constitui Objeto do presente CONTRATO a prestação de serviços pelo CONTRATADO para a realização de pesquisa sobre segurança alimentar e nutricional em São João de Meriti, com análise da situação e perspectiva para o desenvolvimento de políticas públicas. Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense CISBAF Conta contábil 4.1.01.007 Consultoria Técnica para Desenvolvimento de Pesquisa de Linha de Base na Atenção Primária à Saúde sobre as condições institucionais e organizacionais dos Municípios de Duque de Caxias e Nilópolis na execução de indicadores pré selecionados relativos ao modo de prestação de serviços na assistência e aos processos administrativos e institucionais. Esse diagnóstico terá a função de referência para o monitoramento e avaliação da Atenção Básica com perspectiva regional, objetivando o fortalecimento da atenção à saúde nos municípios integrantes do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense. Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais CPRM Conta contábil 4.1.01.008 Prestação de serviços de consultoria especializada, incluindo planejamento, organização e execução de concurso público de provas, em âmbito regional, visando à seleção de candidatos para provimento de vagas em diversos cargos nas Unidades da Companhia, além da formação de Cadastro de Reserva. Município de Teresópolis Conta contábil 4.1.01.014 A contratada se obriga a PROMOVER A REALIZAÇÃO DE CONCURSO PÚBLICO para provimento de cargos para o quadro efetivo da Administração Municipal, de conformidade com o Processo Administrativo n° 21.417/2006. Fundação Escola de Serviço Público do Estado do Rio de Janeiro Conta contábil 4.1.01.009 O presente CONTRATO tem por objeto a prestação de serviços de consultoria e assessoramento destinados ao apoio técnico à Construção da Qualidade e a criação e implementação da Metodologia de Educação Continuada, no âmbito do Programa "SAMU" em articulação com o Programa Emergência em Casa do Governo do Estado do Rio de Janeiro. 1 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1°de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 2 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Acórdão n.º 3302005.489 S3C3T2 Fl. 5 7 Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro Conta contábil 4.1.01.011 Pelo presente e na melhor forma de direito, a CONTRATADA se obriga a prestar, o serviço de Revitalização Institucional ao CONTRATANTE, para modernizar a estrutura do Instituto através do apoio técnico operacional; implantar uma política de humanização tendo em vista a melhoria da qualidade dos serviços oferecidos aos usuários, especificados e quantificados na forma do projeto apresentado na Proposta Especial n° 039/2005 e anexos, constante do procedimento supramencionado, que fica fazendo parte integrante do presente instrumento,independente de transcrição, depois de rubricado pelas partes. Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu Conta contábil 4.1.01.013 O presente contrato tem por objeto a execução de serviço de consultoria para a realização de diagnóstico situacional de áreas deste Município, incluindo o levantamento físico topográfico, econômico, social, fundiário, por meio de processo participativo da população, objetivando a: I confecção de Projetos Urbanísticos para o Programa de Desenvolvimento Urbano Municipal; II desenvolvimento de Projetos Básicos de Arquitetura; III estimativa orçamentária dos respectivos projetos para lazer e recreação da população de Nova Iguaçu. Município de Teresópolis Conta contábil 4.1.01.014 Contratada se obriga a prestar serviços especializados de assessoria e consultoria na recuperação de créditos e/ou débitos dos valores do PASEP. Secretaria de Estado de Saúde Conta contábil 4.1.01015 O presente Contrato tem por objeto a prestação de serviço de assessoria na área de saúde proposta de fortalecimento das ações da Secretaria de Estado de Saúde, através do desenvolvimento de projetos especiais, na forma da Proposta Especial de fls. 52/56. Secretaria de Estado de Saúde Conta contábil 4.1.01016 O presente Contrato tem por objeto a prestação de serviço de consultoria técnica especializada no desenvolvimento do Projeto PRO MULHER / PRO FAMÍLIA, na forma da Proposta Especial de fls. 61/68. Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro SUDERJ Conta contábil 4.1.01.018 O presente CONTRATO tem como objeto a integração institucional entre a FURJRJ e a SUDERJRJ, visando a prestação de serviços, pela FURJRJ, de: • Mapeamento dos fluxos de trabalhos; • Diagnóstico situacional; • Proposições de ações para: racionalização das atividades, melhoria de desempenho profissional, racionalização dos fluxos de trabalho, definição indicadores gerenciais, identificação da necessidade de treinamento e para a implantação de um sistema de acompanhamento e avaliação. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Unirio O presente Termo Aditivo tem por finalidade a "Realização de Cursos e Seminários relativos ao Convênio Ministério da Cultura/IPHAN". A decisão proferida pela instância inferior manteve o lançamento fiscal pautado na Instrução Normativa SRF nº 247/2002, que em seu artigo 47, inciso II e §2º, definiu para fins de aplicabilidade da isenção tratada no artigo 14, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, o que seriam receitas decorrentes de atividade própria. Neste ponto, destacase a motivação utilizada pela julgadora de piso: Como se vê, a finalidade essencial da autuada, segundo seu estatuto, é prestar apoio à UNIRIO em atividades relacionadas a diversos campos do conhecimento, de natureza educacional, gerencial e operacional. O próprio estatuto prevê que, para atingir tais finalidades, a FURJ pode firmar contratos, convênios ou acordos em geral com outras entidades diversas da UNIRIO, pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas. A autuada traz diversos contratos (fls. 23 a 121), firmados com base em tais dispositivos de seu estatuto, tendo por objeto a prestação, a diversas entidades públicas, de serviços de pesquisa, análise de dados, assessoria e consultoria técnica, realização de concurso público, realização de cursos e seminários etc. Fl. 357DF CARF MF 8 Concluise, portanto, que as alegações da autuada estão parcialmente corretas, uma vez que a possibilidade de firmar os referidos acordos efetivamente estava prevista em seu estatuto. Porém, resta verificar se tal previsão caracteriza as receitas decorrentes destas atividades necessariamente como “próprias”. Como já visto, a finalidade da autuada é prestar apoio à UNIRIO, sendo as demais atividades previstas em seu estatuto secundárias em relação a esta, na medida em que se destinam a cumprir a finalidade principal, sendo aquelas, ainda, de caráter facultativo. O artigo 14X da MP nº 2.15835/2001 prevê que a isenção da Cofins se restringe às atividades próprias da entidade. O artigo 47, inciso II, § 2º da IN/SRF nº 247/2002 definiu, para fins da isenção em análise, o que seriam as receitas decorrentes das atividades próprias, entendendose como tais apenas aquelas derivadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas no estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e ao desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade. Assim, somente se caracterizam como próprias da entidade as receitas por ela recebidas de seus associados ou mantenedores, pagas em razão de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades estabelecidas em seu estatuto, que se destinam a custear seus objetivos institucionais. Além disso, tais receitas não devem ter caráter de contraprestação, ou seja, seu recebimento não deve corresponder a prestação de serviço específico. Tal característica decorre da própria natureza das receitas próprias, uma vez que estas se caracterizam pela espontaneidade, tanto no caso de contribuições ou doações feitas por mantenedores, como no caso das anuidades ou mensalidades pagas pelos associados, em razão de previsão estatutária, hipótese em que a espontaneidade da contribuição se caracteriza pela opção voluntária pela associação à entidade. Em ambos os casos as contribuições se destinam ao cumprimento dos objetivos da entidade, de uma forma geral. Os contratos apresentados por certo não se referem a tais receitas, visto que se trata de contratos de prestação de serviços, especificamente previstos em cada um deles, não se caracterizando como pagamentos espontâneos, uma vez que não se traduzem em contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, nem tampouco foram efetuados por associados ou mantenedores. Tratase, simplesmente, de serviços prestados pela autuada a clientes diversos. Assim, ainda que as receitas recebidas pela FURJ decorrentes de tais acordos tenham sido efetivamente aplicadas em sua finalidade e encontrassem previsão em seu estatuto, estas não se traduzem em receitas próprias da entidade. Em relação a matéria envolvendo o direito a isenção prevista no artigo 14, inciso X c/c o artigo 13, ambos da MP nº 215835/2001, a Terceira Turma do Conselho Superior de Recursos Fiscais aprovou em sessão de 08.12.2014 a Súmula CARF nº 107 com a seguinte redação: A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Os precedentes utilizadas pelo CSRF para aprovar a referida súmula foram os acórdãos 930301.486, de 31.05.2011; 9303001.869, de 06.03.2012; 3403002.298, de 25/06/2013; 3301002.011, de 21/08/2013; e 3403002.701, de 28/01/2014, cujas ementas foram sintetizadas da seguinte forma: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Acórdão n.º 3302005.489 S3C3T2 Fl. 6 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/12/2003 COFINS. ISENÇÃO. São consideradas como receitas oriundas de atividades próprias de entidade mantedora de instituição educacional sem fins lucrativos, para fins da incidência da isenção da COFINS prevista no inciso X, do artigo 14, da MP nº 215835/ 01 (que alterou a MP nº 1858/99), aquelas receitas que são oriundas da prestação de serviços educacionais, desde que as mesmas se revertam em benefício da própria entidade, em consonância ao §3º, do artigo 12, da Lei nº 9.532/97, com redação dada pela Lei nº 9.718/98. O conceito de “receitas derivadas de atividades próprias” previsto no § 2º, do artigo 47, da IN nº 247/2002 não se aplica para instituição educacional. Recurso Especial do Procurador Negado. (acórdão 9303001.486) (grifado) *** Ementa: COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. (acórdão 9303001.869) (grifado) *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 COFINS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. COFINS. ISENÇÃO. INSTIUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. Fl. 359DF CARF MF 10 São isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (acórdão 3403 002.298) (grifado) *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO As receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais das instituições de educação e assistência social para os quais foram criadas são isentas da Cofins. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. EXCLUSÃO. No julgamento do RE 585.235QO/ MG, julgado sob o regime do art. 543B da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo da Cofins cumulativa; assim, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aplicase ao presente julgamento, aquela decisão, excluindose da base de calculo dessa contribuição as receitas não operacionais. Recurso Voluntário Provido. (acórdão 3301002.011) *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 COFINS. IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA À DISCUSSÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1. Conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 1, é vedada a concomitância de discussão da mesma questão jurídica nas vias administrativa e judicial. Submeter a discussão de um determinado tema ao Poder Judiciário impede a sua análise na via administrativa. COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP nº 2.15835/ 2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Acórdão n.º 3302005.489 S3C3T2 Fl. 7 11 atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECEITAS FINANCEIRAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e de serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência das contribuições, as receitas financeiras e não operacionais. (acórdão 3403002.701) Com base nos precedentes anteriormente citados, extraise que o contribuinte faz jus a isenção prevista no artigo 14, inciso X, da MP 2.15835/2001 quando (i) as receitas são oriundas da prestação de serviços educacionais e revertidas em benefício da própria entidade; (ii) há receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas; e (iii) o conceito de “receitas derivadas de atividades próprias” previsto no § 2º, do artigo 47, da IN nº 247/2002 não se aplica para instituição educacional. Pois bem. No caso em comento, entendo totalmente aplicável a súmula 107 e os precedentes anteriormente citados, apenas em relação aos contratos juntados aos autos, excluindose, aqueles não fornecidos pela Recorrente. Primeiro porque a atividade da Recorrente é educacional e não há notícias de que as receitas recebidas dos contratos tenham sido aplicadas fora de sua finalidade. E segundo, porque as receitas recebidas pela FURJ decorrentes de tais contratos estão devidamente previstas no estatuto carreado às fls.314322, conforme se verifica no artigo 2º abaixo reproduzido: Art.2º Conforme dispõem a Lei nº 8.958/94 e a Portaria Interministerial nº 2.089/97, a FUNDAÇÃO DE APOIO À UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO tem a finalidade, de natureza social, de apoiar a UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO em atividades, programas e projetos de ensino e pesquisa e extensão, em todos os campos do conhecimento, principalmente Saúde, Ciências, Tecnologia, Letras, Artes e Desenvolvimento Científico, Tecnológico e Institucional, tanto de natureza educacional como gerencial e operacional. Parágrafo Primeiro Para cumprimento das suas finalidades, são facultados à FUNDAÇÃO DE APOIO A UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO, diretamente ou por convênios, contratos, acordos, ajustes ou instrumentos assemelhados, com a UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO e/ou terceiros, inclusive pessoas físicas e/ou jurídicas, públicas e /ou privadas, nacionais, internacionais ou estrangeiras: Fl. 361DF CARF MF 12 a) gerar, captar, angariar, contratar, gerenciar, operacionalizar, ressarcir, indenizar, repassar, reembolsar e fornecer recursos humanos, financeiros, materiais e de informações, a programas, entidades, organismo e atividades fundacionais, do terceiro setor ou de interesse da UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO; b) planejar, organizar, conduzir, integrar, subsidiar, promover, executar, patrocinar, manter, gerenciar, intervir, acompanhar e avaliar serviços, dentre os quais, estudos, pareceres, cursos, eventos, consultorias, intercâmbios, cooperações, associações, colaborações, parcerias e assemelhados, inclusive por meio de concessão, incentivo, participação, divulgação e edição de livros, peródivos, relatórios, bolsas, estágios, concursos, prêmios e assemelhados, no âmbito fundacional, do terceiro setor ou de interesse da UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO; c) autuar como Organização Social e/ou por meio de Contrato de Gestão, conforme interesse fundacional ou da UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO e das instituições públicas ou conveniadas e na forma da legislação específica; d) receber, gerenciar e operacionalizar instalações e equipamentos pertencentes à UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO e/ou a terceiros, inclusive a particulares e aos Poderes Públicos e recursos orçamentários, na forma da legislação específica, aplicando as subvenções recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; e) criar, absorver, manter, gerir e/ou patrocinar institutos, centros e outros organismos ou unidades especiais, filiarse exclusivamente a organismos autorizados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, associarse, estabelecer parcerias e participar, com pessoas físicas ou jurídicas, de outras entidades e empreendimentos, inclusive públicos e/ou empresariais, com o objetivo de cumprir sua finalidade ou fortalecer seu patrimônio e receita, nos limites e na forma da legislação, sendolhe vedado constituir patrimônio de indivíduo (s) ou de sociedade sem caráter beneficiente; e f) realizar atividades e programas altruísticos, filantrópicos, culturais, educacionais, que visem à preservação do meio ambiente, exercício do voluntariado, cidadania, desempenho fundacional e do terceiro setor, bemestar da comunidade e apoio a estudante. Parágrafo Segundo Na execução de convênios, contratos, acordos e/ou ajustes firmados com UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO e que envolvam a aplicação de recursos públicos, a FUNDAÇÃO DE APOIO À UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO está submetida ao controle finalístico e de gestão pelos colegiados superiores da UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO UNIRIO, nos termos da Portaria Ministerial nº 2.089/97, do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia, e na forma da letra "b" do parágrafo quinto, do artigo nono, do presente Estatuto e do inciso III, do artigo 3º da Lei nº 8.958/94". Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11052.001139/201061 Acórdão n.º 3302005.489 S3C3T2 Fl. 8 13 Assim, as receitas auferidas através dos contratos sob análise, excluindo as contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ , por total ausência de provas, que correspondem àquelas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais e econômicos da Recorrente, estão isentas da Cofins a teor da previsão contida no artigo 14, inciso X c/c o artigo 13, ambos da MP nº 215835/2001. Neste contexto, adoto a Súmula CARF nº 107 aprovado pela Terceira Turma do Conselho Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto,voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, com exceção dos contratos das contas 4.1.01.010 Fundação Euclides da Cunha de Apoio Ins, 4.1.01.012 IPEM, 4.1.01.021 Intervir Ltda e 4.1.01.022 Secretaria de Estado de Educação RJ, a exigência do lançamento fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721320/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
"IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.
Comprovada idoneamente, por extratos bancários, o pagamento de pensão alimentícia, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. Recurso provido"
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
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PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente RUY CARLOS BIZARRO WANDERLEY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por extratos bancários, o pagamento de pensão alimentícia, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. Recurso provido" Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 13 20 /2 01 3- 50 Fl. 199DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ): Tratase de impugnação à Notificação de Lançamento, de fl. 02, lavrada em face do contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício de 2011, AnoCalendário de 2010, tendo sido apurado crédito tributário de R$ 23.393,37, já acrescido de multa de ofício, de mora e juros de mora calculados até 28/12/2012. Conforme o documento Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 03/05, foram apuradas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 41.600,00 por falta de apresentação de comprovantes. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 2.891,04 referente à Unimed Rio Cooperativa de Trabalho. O Contribuinte apresentou impugnação, onde se identifica no carimbo a data de 23/01/2013, fls. 8/10 e uma impugnação complementar, fls. 11/12, na qual alega que: Concorda com a infração de Dedução Indevida de Despesas Médicas. A pensão alimentícia foi estabelecida por Escritura Pública. Apresentou cópia da decisão judicial referente à pensão alimentícia, informando, inclusive os valores declarados que guardam correspondência com os valores declarados pelo excônjuge, não havendo omissão de rendimentos. Não obstante a apresentação dos esclarecimentos solicitados houve a glosa dos valores declarados a título de pensão alimentícia em virtude de falta de comprovação. Junta documentos para comprovar a movimentação financeira (transferência bancária) dos valores da pensão alimentícia: quadro demonstrativo dos créditos e débitos demonstrando as transferências efetuadas, extratos bancários do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Extrato do Banco Santander, comprovando as transferências efetuadas e o crédito na conta do ex cônjuge e declaração de conta conjunta com o ex cônjuge no Banco Bradesco. Apresenta cópia da Escritura Pública em que foi Fl. 200DF CARF MF Processo nº 12448.721320/201350 Acórdão n.º 2202004.515 S2C2T2 Fl. 200 3 estabelecida a pensão alimentícia judicial, comprovando a responsabilidade do signatário para com os alimentandos Marilene Queiroz R. Coelho e Juliana Coelho Wanderley. Solicita prioridade na análise da impugnação, considerando que o Estatuto do Idoso. Consta do processo o despacho de fls. 100 informando que a impugnação parcial foi apresentada fora do prazo legal. Em 08/10/2013 o Impugnante apresentou defesa complementar onde informa que: Recebeu a Notificação de Lançamento em 17/12/2012, começando o prazo a fluir em 18/12/2012, expirando em 16/01/2013. No dia 16/01/2013, portanto tempestivamente, foi postada pelo correio a Impugnação à Notificação de Lançamento como se comprova do AR e do histórico do objeto nº SX055801575BR. Consta do envelope de correspondência a data da sua postagem que serve de base para a verificação da tempestividade, entretanto, o envelope da correspondência não foi juntado ao presente processo, sem nenhuma explicação e/ou justificativa. Não obstante essa clara omissão a impugnação apresentada foi tratada como sendo intempestiva, conforme se vê do despacho de fls. 100. Se não foi juntado ao processo o envelope, como é possível verificar a tempestividade da impugnação? O débito impugnado tempestivamente continua em aberto no sistema causando o pior dos prejuízos, ou seja, a impossibilidade do contribuinte emitir Certidão Positiva com efeito de Negativa a que tem direito, esperandose que a situação seja sanada imediatamente para não causar mais prejuízos ao signatário. Demonstrada a tempestividade da impugnação, requer a imediata suspensão da cobrança do débito objeto da Notificação de Lançamento, o encaminhamento do processo a DRJ/RJ para julgamento e a juntada dos envelopes de postagem da impugnação e da complementação da impugnação, ou no caso de os mesmos terem sido extraviados seja juntada ao processo a devida justificativa. Foi solicitada pela presente julgadora a juntada do Dossiê Fiscal ao processo,conforme despacho de fls. 126, sendo este anexado às fls. 128/141. Fl. 201DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), deu parcial provimento à Impugnação (fls.143) , em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. Na hipótese de remessa da impugnação pelos Correios, será considerada como data da entrega, no exame de tempestividade, a data da respectiva postagem. É tempestiva a impugnação apresentada dentro do prazo de trinta dias contados da ciência do lançamento. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. Pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando comprovada a existência de estipulação através de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública e pagamento efetuado e nos termos estipulados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Cientificado (AR fls.157), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 161/163), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Extrato do Banco do Brasil de Ruy Carlos Bizarro Wanderley, referente ao ano de 2010 (fls. 166/176); b) Extrato do Banco do Brasil da alimentanda, Juliana Coêlho Wanderley, referente ao ano de 2010 (fls. 178/188); c) Quadro demonstrativo mensal do créditos e débitos relativos ao ano de 2010 É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 12448.721320/201350 Acórdão n.º 2202004.515 S2C2T2 Fl. 201 5 A dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia despesas médicas é tratado pelo art. 8º, II, f da Lei nº 9.250/1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas com pensão alimentícia efetuadas com base nos seguintes fundamentos: Na Declaração de Ajuste Anual, fls. 94, o Contribuinte informou despesa de pensão alimentícia judicial para Marilene Queiroz Rodrigues Coelho no valor de R$ 38.000,00 e para Juliana Coelho Wanderley no valor de R$ 3.600,00. Foi apresentada Escritura de Conversão de Separação Consensual em Divórcio Consensual, fls. 87/90, onde consta estipulação de pagamento de pensão alimentícia para à ex cônjuge Marilene Queiroz Rodrigues e para a filha Juliana Coelho, estudante universitária, como segue: (...) Em análise a todos os documentos apresentados é possível identificar que os valores indicados a débito nas contas do Notificado foram depositados/transferidos para a conta do Banco Bradesco, que tem como segunda titular a exesposa do Contribuinte. O valor total transferido foi de R$ 39.800,00. Dessa forma, considerase comprovada a pensão alimentícia informada para Marilene Queiroz Rodrigues, devendo ser restabelecido como dedução o valor declarado de R$ 38.000,00. Quanto aos valores informados para a filha Juliana Coelho Wanderley, uma vez que não foi apresentado o extrato bancário desta para verificação do recebimento dos valores não é possível comprovar que o pagamento da pensão foi realizado. (grifamos) Fl. 203DF CARF MF 6 Intimado da referida decisão, o contribuinte, juntou, em fase recursal, os extratos bancários de fls. 166/188 por meio dos quais procura sanar as objeções apontadas na decisão recorrida. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 12448.721320/201350 Acórdão n.º 2202004.515 S2C2T2 Fl. 202 7 para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Os extratos bancários juntados ao recurso voluntário (fls. 166/188) comprovam que os valores transferidos (R$ 4.300,00) superam os valores informados à título de despesa alimentícia da filha Juliana Coelho Wanderley (R$ 3.600,00), tendo sido essa a única objeção apontada pela decisão recorrida. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720130/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
A sucessora é responsável pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior.
Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos).
Numero da decisão: 2401-005.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte em que foram admitidos, e dar-lhes provimento, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, mantendo-se a decisão anterior.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A sucessora é responsável pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A sucessora é responsável pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 30 /2 00 9- 66 Fl. 977DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte em que foram admitidos, e darlhes provimento, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, mantendose a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 16327.720130/200966 Acórdão n.º 2401005.389 S2C4T1 Fl. 978 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 2401002.834 (fls. 873/886), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DISCUSSÃO NO STF DESNECESSIDADE Somente devem ser sobrestados, nos termos do art. 62A, § 1.º, do RICARF, os processos cuja matéria tenha esteja em discussão no Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543B do Código de Processo Civil. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, devendo ser excluídos do levantamento apenas os valores que cumpriram as determinações da referida norma legal. Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi proferida nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores referentes à PLR 2007/08 que não excederem a dois pagamentos anuais, ou seja 02 e 08/2008. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. A embargante alega a existência de vícios no acórdão embargado, uma vez que houve: (i) contradição quanto à participação do sindicato na comissão paritária escolhida pelo Embargante e pelos seus empregados e; (ii) omissão quanto à análise do argumento relativo à impossibilidade de sucessão de penalidades, formalizando decisão eivada de vício por cerceamento ao direito de defesa do Embargante, que deve ser reformada, sob pena de nulidade [...]. Os aclaratórios foram admitidos parcialmente, conforme despacho de fls. 949/952, somente quanto à omissão acima apontada, para que fosse enfrentada apenas a alegação de ausência de responsabilidade pelo pagamento das multas por conta da incorporação. Fl. 979DF CARF MF 4 Nesse tocante, aduz a embargante que demonstrou em seu Recurso Voluntário que na condição de sucessor por incorporação do Banco Fininvest S/A, possui responsabilidade pelos tributos devidos até a data da incorporação, como se infere do art. 132 do CTN, o qual, interpretado à luz do princípio da pessoalidade da pena, afirma que a empresa incorporadora é responsável apenas pelos tributos/contribuições devidos pela empresa incorporada, uma vez que a norma não faz referência às multas por infração à legislação tributária. Afirma que não foi analisado o argumento relativo à impossibilidade de sucessão da multa. A recorrente apresentou petição de fls. 956/976 na qual junta Acórdão que apresenta decisão divergente da apresentada no acórdão ora embargado, na parte em que não foram admitidos os embargos, e pede sua apreciação por ocasião do julgamento dos embargos. É o relatório. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 16327.720130/200966 Acórdão n.º 2401005.389 S2C4T1 Fl. 979 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Os embargos foram admitidos para sanar a omissão apontada e foram incluídos em pauta para que seja sanado o vício. A sucessão empresarial implica sucessão tributária. O sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as obrigações integrantes do patrimônio do sucedido. Sobre a questão, assim dispõe o CTN: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Em que pese o art. 132 citado referirse somente aos tributos, o disposto no art. 129 leva à conclusão que a regra também se aplica aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos. Vêse, portanto, que não é relevante o momento da constituição do crédito, nos termos do CTN, art. 113, § 1º, pois o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido decidiu o STJ, conforme decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA Fl. 981DF CARF MF 6 PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) [...] A multa mencionada no julgado abrange aquela aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, lançada no auto de infração em análise. A decisão citada foi embargada. Ementa do acórdão de embargos: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO DF CARF MF Fl. 1326 Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.327 38 CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. [...] 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. [...] Fl. 982DF CARF MF Processo nº 16327.720130/200966 Acórdão n.º 2401005.389 S2C4T1 Fl. 980 7 O Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, no anexo II, art. 62, § 2º, estabelece: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desta forma, o entendimento consubstanciado na decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ, na sistemática do art. 543C do CPC, com trânsito em julgado em 4 de junho de 2013, deve ser reproduzido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Logo, sem razão a recorrente/embargante. Quanto à petição de fls. 956/976, cumpre esclarecer que na hipótese de decisões divergentes, tal fato não é objeto de embargos, mas sim de recurso especial, nos termos do RICARF, art. 67. Sendo assim, entendo que os embargos devem ser acolhidos, na parte em que foram admitidos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, mantendose a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 983DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905563/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.905563/201264 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.536 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente IJB Câmbio e Turismo LtdaME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 63 /2 01 2- 64 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905563/201264 Acórdão n.º 3301004.536 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 02052.327, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.528, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10380.905554/201273, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.528): "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10380.905563/201264 Acórdão n.º 3301004.536 S3C3T1 Fl. 4 3 também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 37DF CARF MF
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