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Numero do processo: 10183.908054/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.948
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 4/ 20 11 -3 9 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.002149/2009-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição.
Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienantes e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidencia-se a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e André Mendes de Moura, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em relação ao ágio interno. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento integral e, ainda, a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe deu provimento parcial, apenas quanto à multa qualificada. Votaram pelas conclusões, quanto ao ágio, os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio e, quanto à multa qualificada, apenas a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienantes e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidencia-se a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e André Mendes de Moura, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em relação ao ágio interno. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento integral e, ainda, a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe deu provimento parcial, apenas quanto à multa qualificada. Votaram pelas conclusões, quanto ao ágio, os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio e, quanto à multa qualificada, apenas a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Qualificação da multa de ofício. Recorrente CAIMI & LIAISON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COURO E SINTÉTICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienantes e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e André AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 21 49 /2 00 9- 31 Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 3 2 Mendes de Moura, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em relação ao ágio interno. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento integral e, ainda, a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe deu provimento parcial, apenas quanto à multa qualificada. Votaram pelas conclusões, quanto ao ágio, os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio e, quanto à multa qualificada, apenas a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte CAIMI & LIAISON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COURO E SINTÉTICOS LTDA. em 29/06/2012, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de matérias relacionadas à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 120200.753, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. No que tange ao ponto central do mérito, a decisão recorrida manteve os autos de infração lavrados pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que a contribuinte deduziu indevidamente, nos anoscalendário 2005 a 2008, de seu lucro real e da sua base de cálculo da CSLL, despesas relativas à amortização de ágio contabilizado em operações societárias caracterizadoras de planejamento tributário, praticadas entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e sem lastro em fluxo financeiro. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 4 3 Tais operações envolveram a recorrente e outras empresas a ela relacionadas: CAIMI DO BRASIL LTDA. (doravante denominada CAIMI BRASIL), LIAISON COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. (mencionada de agora em diante apenas como LIAISON), CAIMI SAC (empresa sediada no Chile e identificada a partir deste ponto como CAIMI CHILE) e JOFECRED FOMENTO MERCANTIL LTDA. (doravante citada como JOFECRED). Em 29/12/2004, as empresas CAIMI CHILE e JOFECRED constituíram a contribuinte autuada CAIMI & LIAISON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COURO E SINTÉTICOS LTDA. (a operação foi registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 26/04/2005). Cada uma das sócias subscreveu 50% do capital social de R$28.000.000,00 e integralizou sua parte mediante cessão e transferência de quotas de capital social que detinham junto a outras empresas, a valores reavaliados. A CAIMI CHILE cedeu e transferiu as quotas que detinha do capital social da CAIMI BRASIL, por um valor reavaliado de R$14.000.000,00 (o valor nominal era de R$3.000.000,00). Já a JOFECRED cedeu e transferiu quotas da empresa LIAISON, de valor nominal de R$110.000,00, também reavaliadas a R$14.000.000,00. Tais operações provocaram o registro, na contabilidade da contribuinte, de ágio em valor pouco inferior a R$25.000.000,00. Em 30/07/2005, a contribuinte CAIMI & LIAISON incorporou as empresas CAIMI BRASIL e LIAISON, suas então controladas. A partir do 4º trimestre de 2005, a contribuinte passou a aproveitar o saldo restante do ágio relativo às participações societárias incorporadas para reduzir o IRPJ e a CSLL devidos, sob o argumento de que tal prática estaria albergada pelo art. 7º da Lei nº 9.532/1997 (dispositivo reproduzido no art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999). Por entender que tal dedução não tinha base legal, a Fiscalização lavrou autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL referentes ao período em que durou a dedução entendida como indevida. A autuação fora mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, também pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. MULTA QUALIFICADA. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 5 4 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Devidamente cientificada da decisão em 15/06/2012, a contribuinte interpôs recurso especial tempestivo insurgindose contra o acórdão, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido dada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela contribuinte contesta a interpretação adotada pelo acórdão recorrido em relação a quatro matérias: 1) existência de fundamento econômico de ágio amortizável em operações societárias realizadas entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico; 2) possibilidade de desconsideração de um ato jurídico e consequente lançamento tributário com base apenas em indícios; 3) licitude de operações intragrupo com a finalidade de redução da carga tributária; 4) cabimento de qualificação da multa de ofício em situações de geração de ágio a partir de operações societárias realizadas entre empresas componentes de um mesmo grupo econômico. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou acórdãos de turmas de câmara do CARF que teriam dado aos temas combatidos interpretação diversa daquela esposada no acórdão recorrido. O recurso especial aborda de forma conjunta as três primeiras matérias questionadas, todas elas de alguma forma relacionadas à validade de operações societárias realizadas dentro de um mesmo grupo econômico com a finalidade de geração de ágio amortizável. As alegações perfiladas pela recorrente a respeito destas matérias serão, portanto, relacionadas de forma também integrada. Feito isso, serão também relatadas as razões recursais atinentes à questão da qualificação da multa de ofício. matérias 1, 2 e 3) Ágio gerado internamente e seus reflexos tributários Para fundamentar a divergência jurisprudencial em relação às três primeiras matérias objeto do recurso especial, a recorrente apontou a mesma decisão paradigma: o Acórdão nº 1101000.708. Para demonstrar a semelhança fática entre os casos examinados nas decisões recorrida e paradigma, a recorrente transcreve trecho do voto vencedor do acórdão paradigma que considera esclarecedor: "No dizer da fiscalização "o registro contábil e a amortização desse ágio são indevidos, por se tratar de ágio gerado internamente, ou seja, dentro de um grupo de sociedades sob controle comum". Também diz que "se Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 6 5 estivéssemos diante de verdadeiro ágio, os efeitos fiscais dessa amortização estariam amparados no art. 7° da Lei 9.532/97". Em contra partida, a fiscalização diz que o ganho de "A" é artificial e sem suporte econômico. Por fim, afirma que, no caso concreto, a empresa "C" é uma empresa veiculo, cuja característica é "sua breve existência, com o intuito único de transportar o ágio para tornálo dedutível para fins fiscais"." (Grifou se) A partir daí, discorre a recorrente sobre as diferenças interpretativas que podem ser verificadas na comparação entre os acórdãos, a despeito das semelhanças fáticas verificadas: Na decisão recorrida, afirmase que o fato de o ágio ter sido gerado por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, associado à conclusão de ocorrência de simulação, impede a dedução das despesas de sua amortização na apuração do IRPJ e da CSLL; já no acórdão paradigma alegase que a distinção entre o chamado "ágio interno" e o ágio surgido em operações entre empresas sem qualquer vínculo é irrelevante para fins fiscais, cabendo em ambos os casos a amortização prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997; A decisão recorrida se refere a "fundamentos econômicos" da operação como sendo os "benefícios operacionais" ou a lógica negocial que motiva a sua prática, enquanto o acórdão indicado como paradigma prega que fundamentos econômicos são as hipóteses elencadas no art. 20, § 2º, do DecretoLei nº 1.598/1977: valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas; A decisão recorrida entende que a aquisição das participações societárias deve ser feita de maneira onerosa e de terceiros sem vínculo, como condição necessária à verificação do seu fundamento econômico, requisito para que exista a possibilidade de amortização do ágio gerado; a decisão paradigma defende, de forma diversa, que a integralização de capital social feita por meio da entrega de ações/quotas por valor superior ao patrimonial opera os mesmos efeitos que seriam verificados caso a aquisição decorresse de uma compra tradicional; Defende o acórdão recorrido que indícios são suficientes para descaracterizar uma operação e fundamentar lançamentos tributários; já o acórdão paradigma diz que meros indícios implicam em existência de dúvida, que deve obrigatoriamente ser afastada por meio de aprofundamento da fiscalização, como condição necessária para a devida fundamentação do lançamento tributário; O acórdão recorrido não admite que contribuintes se utilizem de meios e operações menos onerosas, do ponto de vista tributário, mesmo que lícitos, enquanto a decisão paradigmática entende ser perfeitamente possível o planejamento tributário para redução da carga tributária, de forma intencional, se operada por meios lícitos; Após discorrer sobre o acórdão paradigma e sobre como a sua interpretação tributária relativa à questão da amortização do ágio diverge daquela abraçada pelo acórdão Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 7 6 recorrido, a recorrente passa a apresentar outras razões para a reforma da decisão. Em suma, argumenta que: Os atos societários de que tomou parte não poderiam ter sido desconsiderados pela fiscalização, pois tal providência só é possível diante de nulidade ou ilegalidade, que não foram constatadas no caso em questão; É incorreta a premissa, usada pela fiscalização, de que o ágio amortizado teria sido gerado internamente, uma vez que a contribuinte não compunha um grupo econômico com as demais empresas que tomaram parte nos atos societários; Todavia, mesmo que se considere o ágio como "interno", não há na lei ou na doutrina qualquer óbice ao seu aproveitamento; Os laudos de avaliação dos valores de mercado das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON, que serviram de base ao fundamento econômico do ágio (previsão de resultados positivos nos exercícios futuros), apresentaram resultados bem razoáveis, posteriormente confirmados pelos lucros obtidos pela empresa CAIMI & LIAISON, que as incorporou; O enquadramento da atuação da recorrente como negócio jurídico simulado, nos termos do § 1º do art. 167 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002), baseouse apenas em indícios, não existindo documentos ou provas que possibilitem a desconsideração do negócio, o lançamento tributário ou a penalização do contribuinte; O documento que foi apontado pela fiscalização como sendo "prova direta e cabal" da prática de ato ilícito pela recorrente, a Acta de Intenciones da empresa CAIMI CHILE, mereceu apenas 2 parágrafos nas quase 30 páginas do acórdão recorrido, o que denotaria a sua reduzida relevância para o caso. matéria 4) Aplicação da multa de ofício qualificada Além da questão da possibilidade ou não de se deduzir a amortização do ágio na apuração do IRPJ e da CSLL, a contribuinte questiona em seu recurso especial a qualificação da multa de ofício que lhe foi imposta. Como pressuposto de admissibilidade do recurso especial em relação a tal matéria, a recorrente apontou dois acórdãos que, no seu entendimento, trazem teses que lhe são favoráveis: nº 140100.155 (identificado no recurso apenas pelos números do processo administrativo 19515.001895/200711 e do recurso 165.479) e nº 130200.462. Em relação ao primeiro acórdão apontado como paradigma, a recorrente transcreve parte do voto vencedor em que se defende que a qualificação da multa de ofício deve ser afastada quando ausente a comprovação de fraude. Aponta em seguida as semelhanças que enxerga entre os dois casos: os atos societários e comerciais praticados tiveram a devida publicidade e basearamse em pareceres jurídicos. Tendo sido isto suficiente para afastar a aplicação da multa qualificada no caso indicado como paradigma, a recorrente defende que o mesmo valha para o seu caso. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 8 7 Já o segundo acórdão paradigma, segundo a argumentação desenvolvida pela recorrente, discorre sobre a impossibilidade de presumirse o dolo, cuja verificação é pressuposto indispensável para a aplicação da modalidade qualificada da multa de ofício. Além das teses alegadamente defendidas pelos acórdãos paradigmas a respeito da inaplicabilidade da multa de ofício em percentual de 150% em casos semelhantes ao esquadrinhado nos autos, alega também a recorrente, em resumo, que: A fiscalização não apresentou nenhuma prova de simulação ou de qualquer outra ação fraudulenta; Além da infração, que restou não comprovada, ainda seria necessário, para fins de aplicação de multa de ofício qualificada, demonstrar a clara, real e indubitável intenção do agente em cometer o ilícito (dolo), o que também não aconteceu; A conduta condenada pela fiscalização inegavelmente visou à economia tributária, mas não constituiu nenhuma infração à legislação tributária. A contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que seja dado o provimento almejado, no sentido de declarar o integral cancelamento do auto de infração objeto do presente processo, extinguindose o respectivo lançamento fiscal. A irresignação da contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. O resultado foi o despacho de 22/07/2014 que apresentou as seguintes conclusões: a) foi demonstrada a efetiva existência de divergência jurisprudencial em relação às matérias concernentes à existência de fundamento econômico de ágio amortizável em operações societárias intragrupo e à licitude de operações intragrupo que tenham a finalidade de reduzir a carga tributária; b) não foi demonstrada a existência de divergência jurisprudencial a respeito da possibilidade de desconsideração de um ato jurídico e consequente lançamento tributário com base apenas em indícios. Sendo assim, e restando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos regimentalmente, o recurso especial foi admitido em relação às duas matérias mencionadas acima no item "a". Registrese que o despacho de exame de admissibilidade não se pronunciou a respeito das alegações feitas pela recorrente sobre o pretenso descabimento de cobrança de multa qualificada. Em 03/11/2014, os autos foram eletronicamente remetidos para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para fins de ciência da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão parcial, em conformidade com os arts. 70 e 81, §3º, do Anexo II do RICARF/2009. Em resposta, foram apresentadas, ainda em 03/11/2014, contrarrazões às alegações da recorrente. No referido documento, a PGFN faz as seguintes afirmações: Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 9 8 Restou claro durante a fiscalização que a vontade real das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON sempre foi a fusão das empresas, o que poderia ter sido efetivado por meio de um único evento societário; Foi adotada, entretanto, forma jurídica distinta, operada mediante diversos eventos societários sucessivos, motivada unicamente pela possibilidade de "gerar" ágio internamente e, posteriormente, amortizálo reduzindo o resultado fiscal da empresa resultante; A fiscalização pôde concluir que o ágio gerado a partir da transferência das ações da CAIMI BRASIL e LIAISON para a recorrente não estava devidamente fundamentado em rentabilidade futura, não podendo gerar amortização que reduzisse as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; O estudo do caso concreto, a partir do organograma e do histórico societário das empresas, a proximidade temporal entre as operações, a intrínseca relação (ligação societária) entre as pessoas jurídicas envolvidas e a confusão na representação das empresas, leva à conclusão de que não existiu uma aquisição onerosa de terceiros na formação do ágio, o que seria necessário para que pudesse existir a despesa dedutível referente à sua amortização; Quando a participação societária é adquirida de partes interligadas, não se verifica fundamento econômico na operação por conta da ausência de dispêndio financeiro; Por conta de tudo que expôs, a PGFN conclui que a decisão recorrida observou rigorosamente os ditames normativos e jurisprudenciais aplicáveis à temática das despesas com amortização de ágio, pedindo, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte. O processo foi remetido a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e distribuído, em 09/12/2015, para relatoria e julgamento. Constatado que uma das matérias questionadas no recurso especial da contribuinte (qualificação da multa de ofício) não tivera sua admissibilidade analisada, sugeriuse, por meio de despacho de saneamento processual de 03/02/2016, a devolução dos autos à 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento para fins de complementação do exame de admissibilidade recursal. A sugestão foi acatada pelo Sr. Presidente da CSRF e o processo foi devolvido à Câmara a quo. Em 07/07/2016, foi expedido novo despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, focado somente na matéria que deixou de ser abordada na primeira análise. Concluiuse que, em relação à matéria "aplicação da multa de ofício qualificada", não foi demonstrada pela recorrente a existência de dissenso jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, por tratarem as decisões de situações fáticas distintas. Assim, negouse seguimento ao recurso em relação ao tema. A contribuinte foi cientificada da negativa de seguimento de seu recurso especial, na parte atinente à questão do cabimento ou não da qualificação da multa de ofício, em 27/07/2016, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico). Em 01/08/2016, a recorrente protocolou, de forma eletrônica e tempestiva, agravo contra a decisão de negativa de seguimento de seu recurso, nos termos do art. 71 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03/05/2016. Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 10 9 No agravo interposto, argumentou a contribuinte: O ponto objeto da controvérsia, na parte do recurso especial a que se negou seguimento, é a aplicação da multa qualificada, ou seja, o sentido que foi conferido ao texto do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Interpretando tal dispositivo legal, o acórdão recorrido obviamente concluiu de forma divergente da adotada nas decisões paradigma, o que apenas comprova que a matéria merece seguimento; Nem o Regimento Interno do CARF vigente à época da interposição do recurso especial (RICARF/2009) nem o atual (RICARF/2015) exigem que os fatos descritos nos acórdãos recorrido e paradigma sejam absolutamente idênticos; O art. 1.029 do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, prevê que, no recurso especial fundado em divergência jurisprudencial, devem ser mencionadas "as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados", o que claramente significa que os casos concretos não devem ser necessariamente idênticos; O primeiro acórdão paradigma apontado pela recorrente (nº 140100.155) trata de circunstâncias suficientemente assemelhadas às encontradas na decisão recorrida: reestruturação societária complexa. Apesar disso, adotou solução diversa quanto à aplicação da multa qualificada, afastandoa diante da ausência de dolo do contribuinte, que agira segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final de seus negócios; As semelhanças fáticas mais relevantes entre a decisão recorrida e o Acórdão nº 140100.155 são: i) ambos os contribuintes deram a devida e exigida publicidade aos atos societários e comerciais praticados, não ocultando do Fisco sua conduta; e ii) em ambos os casos, havia o amparo de pareceres jurídicos comprovando a noção de que os atos e negócios praticados estavam no campo da elisão fiscal e da licitude; Já o segundo acórdão paradigma indicado pela contribuinte (nº 1302 00.462), ao analisar especificamente a utilização de presunção para a apuração de dolo a ensejar a aplicação de multa qualificada, mostrase igualmente divergente do acórdão recorrido. Em ambos os processos, haveria dolo presumido, não devidamente comprovado pelo Fisco. Após repetir algumas razões de mérito que, no seu entender, deveriam provocar a revisão do acórdão recorrido na parte que manteve a aplicação da multa qualificada, a contribuinte, então agravante, pede a reforma da decisão que negou seguimento ao seu recurso quanto a esta matéria. Em despacho de 07/10/2016, o agravo da contribuinte foi apreciado. Levandose em conta que a divergência arguida relacionase aos motivos para a qualificação da multa de ofício, concluiuse que existe semelhança entre as acusações que foram apreciadas no acórdão recorrido e no Acórdão nº 140100.155. Em que pese as situações fáticas que motivaram os dois lançamentos serem substancialmente diferentes, considerouse haver a demonstração da divergência acerca da suficiência, ou não, da constatação da prática de atos simulados para a qualificação da multa de ofício. Já em relação ao cotejo da decisão recorrida com o segundo acórdão paradigma (nº 130200.462), corroborouse a conclusão do despacho agravado, no sentido de Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 11 10 que não foi demonstrada divergência jurisprudencial apta a provocar a admissibilidade do recurso, em razão da ausência de semelhança entre as provas e as acusações fiscais analisadas nos dois acórdãos. Assim, em razão da constatação da existência de divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o primeiro acórdão paradigma, o agravo da contribuinte foi acolhido e deuse seguimento ao recurso especial da contribuinte também no que toca à matéria "multa qualificada". Em seguida, ofereceuse à Fazenda Nacional a oportunidade de apresentar novas contrarrazões ao recurso especial da contribuinte, em virtude do seguimento dado a matéria não contrarrazoada na primeira ocasião. Tendo recebido novamente os autos eletrônicos em 17/10/2016, a PGFN apresentou, em 24/10/2016, a complementação de suas contrarrazões. Assim podem ser resumidas as alegações apresentadas pela PGFN: O Presidente da CSRF se equivocou ao entender configurada a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma nº 140100.155. Inexiste o alegado dissídio sobre a qualificação da multa, já que a decisão paradigma desqualificou a penalidade em razão da ampla publicidade dada aos atos negociais, assunto que sequer foi tangenciado pelo acórdão recorrido; A doutrina entende que o conceito de simulação pressupõe o dolo de locupletamento diante da ignorância de terceiro a respeito da avença dissimulada. No caso dos autos, o terceiro prejudicado foi exatamente a Fazenda Nacional; A conduta da contribuinte constituiu simulação e apresentou intuito doloso de fraude. A Fiscalização demonstrou que o propósito das operações societárias realizadas era apenas a evasão da incidência tributária pela dedução indevida de ágio gerado internamente; Também se constata nos autos a caracterização de sonegação, uma vez que a contribuinte, por meio de reorganização societária, retardou parcialmente o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; As partes envolvidas nas operações societárias analisadas no processo uniram suas vontades para praticar diversos atos simulados, com o único fim de ludibriar o Fisco para pagar menos tributo, caracterizando planejamento tributário abusivo. A realização destes atos simulados demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática da contribuinte com o claro propósito de burlar o cumprimento da obrigação fiscal, restando assim caracterizado o dolo de atingir tal objetivo; No presente caso, a multa de 150% deve ser mantida, uma vez que as operações foram realizadas sem fundamentação econômica e propósito negocial, de modo fraudulento, com o único objetivo de gerar um benefício fiscal indevido, que foi alcançado por meio de um ágio criado via operações societárias simuladas, se enquadrando a hipótese fática nas situações elencadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964; O fato de as operações societárias serem formalmente válidas não afasta delas a característica de simulação e o evidente intuito fraudulento. Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 12 11 Ao final de suas contrarrazões, a PGFN pede que seja negado seguimento ao recurso especial da contribuinte, na parte atinente à qualificação da multa de ofício ou, em caso de seguimento, que lhe seja negado o provimento, mantendose o acórdão recorrido em sua integralidade. Os autos retornaram, então, à CSRF para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme relatado, a recorrente combate quatro pontos do Acórdão nº 120200.753: 1) existência de fundamento econômico de ágio amortizável em operações societárias realizadas dentro de um grupo econômico; 2) possibilidade de desconsideração de atos jurídicos e lançamentos tributários com base em indícios; 3) licitude da adoção de operações intragrupo com o objetivo de redução da carga tributária e; 4) cabimento de qualificação da multa de ofício em decorrência da geração de ágio "interno". A admissibilidade do recurso especial da contribuinte foi primeiro analisada por despacho expedido em 22/07/2014. Naquela ocasião, verificouse o cumprimento dos requisitos de admissibilidade recursal apenas em relação às três primeiras matérias questionadas e a conclusão foi pelo seguimento do recurso relativamente aos temas acima identificados como itens 1 e 3 e pela negativa de seguimento quanto à matéria relacionada no item 2. Ao apresentar suas contrarrazões ao recurso em 03/11/2014, a PGFN não apresentou arguições preliminares de nãoconhecimento a respeito das matérias que então obtiveram seguimento. Mais tarde, contatouse que uma das matérias recorridas deixou de ter sua admissibilidade apreciada, razão pela qual determinouse a complementação daquela análise. Novo despacho, datado de 07/07/2016, concluiu que a recorrente não demonstrou a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas no que diz respeito à matéria "aplicação da multa de ofício qualificada", em razão de as decisões contrapostas tratarem de situações fáticas distintas. Desta decisão recorreu a contribuinte por meio da interposição de agravo, previsto no art. 71 do Anexo II do RICARF/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03/05/2016. O agravo foi acolhido em decorrência do reconhecimento da existência de divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o primeiro acórdão paradigma trazido pela contribuinte (nº 140100.155). Assim, a decisão anterior foi reformada e o recurso especial teve seguimento também em relação à matéria "cabimento de qualificação da multa de ofício em decorrência da utilização tributária de ágio gerado internamente". Instada a complementar suas contrarrazões, uma vez que a matéria que obteve seguimento extemporâneo não havia sido contraditada na oportunidade anterior, a PGFN apresentou alegação preliminar de nãoconhecimento do recurso relativamente ao novo tema, sob o argumento de que a decisão paradigma determinou o afastamento da multa qualificada com base na ampla divulgação dada aos atos societários, aspecto que não foi analisado no acórdão recorrido. Passarei inicialmente à análise de mérito do principal tema dos debates travados nos autos, concernente à possibilidade de aproveitamento tributário do ágio gerado internamente (pela proximidade temática existente entre as matérias "existência de fundamento econômico de ágio amortizável em operações societárias realizadas dentro de um grupo econômico" e "licitude da adoção de operações intragrupo com o objetivo de redução da carga Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 14 13 tributária", sua análise se dará de forma conjunta). Isso se faz necessário, tendo em vista a prejudicialidade da multa qualificada, em relação ao principal. Na seqüência, analiso a preliminar de nãoconhecimento do recurso arguida pela PGFN na complementação de suas contrarrazões. Por fim, caso não prospere a alegação de nãoconhecimento recursal da PGFN, analisarei a questão do cabimento da qualificação da multa de ofício no caso concreto. Diante do exposto e do constante no despacho que primeiro analisou a admissibilidade do recurso especial apresentado pela contribuinte (datado de 22/07/2014), cujas razões acolho, CONHEÇO do recurso em relação à: 1) existência de fundamento econômico de ágio amortizável em operações societárias realizadas dentro de um grupo econômico; 2) licitude da adoção de operações intragrupo com o objetivo de redução de carga tributária. 1) Aspectos relativos ao ágio interno e seus reflexos tributários O presente tópico engloba a análise relativa a duas das matérias que obtiveram seguimento: "existência de fundamento econômico de ágio amortizável em operações societárias realizadas dentro de um grupo econômico" e "licitude da adoção de operações intragrupo com o objetivo de redução da carga tributária". Pela proximidade temática existente entre os temas, considero mais eficiente sua análise conjunta. O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela recorrente (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, nos anoscalendário de 2005 a 2008, do lucro real e do resultado ajustado positivo do exercício financeiro, despesas com amortização do ágio registrado em sua contabilidade. Tal ágio decorreu de operações societárias celebradas entre a recorrente, suas controladoras CAIMI CHILE e JOFECRED e suas controladas CAIMI BRASIL e LIAISON. A recorrente foi constituída em 29/12/2004 pelas empresas CAIMI CHILE e JOFECRED. Cada uma das pessoas jurídicas sócias da empresa recémcriada ficou responsável por integralizar 50% do capital social subscrito, de R$28.000.000,00. A CAIMI CHILE integralizou sua parte de R$14.000.000,00 por meio da cessão e transferência das quotas que detinha junto à CAIMI BRASIL, cujo valor nominal era de R$3.000.000,00. Já a JOFECRED integralizou os R$14.000.000,00 de sua responsabilidade por meio da cessão e transferência das quotas que possuía da empresa LIAISON, de valor nominal de R$110.000,00. As quotas utilizadas por ambas as empresas subscritoras foram, portanto, reavaliadas a valor de mercado, com fundamento econômico na expectativa de rentabilidade futura. Na contabilidade da recorrente, a diferença entre o valor reavaliado e o valor contábil das participações societárias cedidas foi registrado como ágio, que atingiu valores próximos a R$25.000.000,00. Já em 30/07/2005, a recorrente incorporou suas então controladas CAIMI BRASIL e LIAISON, sob a justificativa de que a operação representaria "significativas vantagens do ponto de vista operacional, com a redução de custos e despesas administrativas, diante da racionalização dos serviços de controladoria, finanças e contabilidade, eliminando a duplicidade e superposição de atividades". Assim, a partir do 4º trimestre de 2005, a recorrente passou a aproveitar fiscalmente o saldo restante do ágio relativo às empresas incorporadas (que, àquela altura, era Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 15 14 de pouco mais que R$22.400.000,00) para reduzir os valores de IRPJ e de CSLL devidos ao Fisco, sob a alegação de que tal procedimento estaria amparado pelo art. 7º da Lei nº 9.532/1997 (art. 386 do RIR/1999). Entre os anos de 2005 e 2008, as reduções das bases de cálculo dos tributos totalizaram quase R$17.800.000,00. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do DecretoLei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 16 15 patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 17 16 poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese a transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 18 17 remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no recente Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 19 18 aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19971, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas 1 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 20 19 jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista3 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19974: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." 3 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 21 20 Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 22 21 II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 23 22 II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 5. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 24 23 E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 25 24 sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa se o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI6, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. 6 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 26 25 Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 27 26 que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa onde investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que o ágio cujas despesas de amortização a recorrente pretende dedutíveis teve origem no momento em que as empresas CAIMI CHILE e JOFECRED cederam e transferiram à recorrente a totalidade das quotas que detinham do capital social das pessoas jurídicas CAIMI BRASIL e LIAISON, respectivamente. Os valores pelos quais as quotas de participação foram recepcionadas contemplaram seus valores patrimoniais (R$3.000.000,00 da CAIMI BRASIL e R$110.000,00 da LIAISON) e o ágio quantificado com base em laudos que avaliaram o valor de mercado das participações societárias cedidas (R$11.453.726,02 para a CAIMI BRASIL e R$13.448.044,50 para a LIAISON). A recorrente incorporou suas duas controladas em 30/07/2005, passando a deduzir de seu lucro líquido, entre 2005 e 2008, as despesas decorrentes da sua amortização, sob o argumento de que sua situação amoldavase à previsão legal abrigada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e pelos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Ocorre que tal entendimento não tem amparo legal nos mencionados dispositivos legais ou em quaisquer outros. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A configuração do aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 requer, como foi visto, que a pessoa jurídica que vier a absorver o patrimônio da outra em que detenha participação societária tenha acreditado na "mais valia", feito estudos de rentabilidade futura e efetivamente desembolsado os recursos para a aquisição do investimento. No caso dos autos, é incontroverso que não houve desembolso algum, por qualquer das partes envolvidas, nas operações que originaram as parcelas de ágio de R$11.453.726,02 e R$13.448.044,50. Estes números advieram simplesmente da diferença entre as reavaliações encomendadas pelos controladores da recorrente e os valores nominais das participações societárias cedidas e transferidas. Sendo assim, não há que se falar na existência de uma investidora real, que faria jus à possibilidade de aproveitamento tributário do ágio nos moldes delineados no art. 386 do RIR/1999. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 28 27 Além disso, também o aspecto material da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 não restou caracterizado no caso concreto. Para que o ágio possa ser objeto de aproveitamento fiscal, é necessária a ocorrência de "confusão patrimonial" entre investidora e investida porque assim passam a coexistir dentro da mesma pessoa jurídica a "mais valia" paga com base na expectativa de rentabilidade futura e o próprio investimento de que se espera tal rentabilidade. É justamente por conta deste encontro que a legislação permite que os contribuintes dêem por perdido o capital investido na "mais valia" e passem a utilizar as despesas de sua amortização como deduções da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se não existiu o efetivo dispêndio da investidora por tal "mais valia", não há valor pago a maior que possa ser considerado perdido por ocasião de seu encontro, na contabilidade da mesma pessoa jurídica, com o investimento de que se esperava a produção futura de resultados positivos. Logo, perde o sentido a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio. Assim, a amortização operada pela recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. No caso dos autos, não existiu a figura da investidora originária porque não houve dispêndio apto a amparar a criação do ágio que se pretendeu amortizável. O ágio contabilizado decorreu de reavaliações anteriores dos ativos das empresas cujas quotas foram utilizadas na integralização do capital social da contribuinte, não tendo sido verificado nenhum dispêndio que viesse a satisfazer os aspectos pessoal e material da hipótese de incidência da benesse estabelecida no art. 386 do RIR/1999. Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a investidora arque com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio a que se refere diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores proporcionais ao negócio celebrado. O ágio inicialmente contabilizado pela recorrente e posteriormente utilizado para fins tributários foi criado sem esta troca de riquezas entre adquirente e alienantes. A criação de tal ágio foi um fenômeno puramente contábil. Ninguém sacrificou valores ou direitos que justificassem sua criação. Isto só foi possível por causa dos vínculos existentes entre as empresas CAIMI & LIAISON, CAIMI CHILE, JOFECRED, CAIMI BRASIL e LIAISON, partícipes das operações societárias que foram caracterizadas pela Fiscalização como uma simulação que tinha o único objetivo de criar artificialmente ágio para posterior aproveitamento tributário. Neste ponto, é conveniente a análise acerca do vínculo que existia entre a recorrente, as empresas cujas quotas lhe foram transferidas e a antigas controladoras de tais empresas. Frisese que o recurso especial nega que as empresas pertencessem ao mesmo grupo econômico, embora mais à frente argumente que tal fato é indiferente para o deslinde da questão, entendendo que o ágio registrado teria sua amortização dedutível em qualquer das duas hipóteses. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 29 28 O acórdão recorrido expõe entendimento a respeito do que significaria o termo "grupo econômico", tantas vezes repetido nos embates travados ao longo do processo: "Vale lembrar que a Lei 6.404/76 prevê dois tipos distintos de grupos econômicos ou de sociedades empresárias, a saber: a) os grupos de fato, estabelecidos entre sociedades interligadas (Capítulo XX) e b) os grupos de sociedades, estabelecidos por meio de uma convenção entre as empresas participantes (Capítulo XXI). A definição legal de grupo econômico propriamente encontrase prevista no § 2º do art. 2º da CLT, que dispõe: “sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas” (destaquei). Dessa definição vêse claramente a previsão de controle a caracterizar a relação de subordinação entre controlada e controladora. A legislação tributária, a seu turno, adota expressamente o conceito amplo de grupo econômico em algumas normas específicas, como a que trata de responsabilidade tributária das contribuições sociais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 30, inciso IX (“as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”) (destaquei)." (Grifo no original) No caso das empresas CAIMI & LIAISON (contribuinte autuada, ora recorrente), CAIMI BRASIL e LIAISON (empresas cujas quotas foram cedidas à recorrente) e CAIMI CHILE e JOFECRED (controladoras da recorrente e antigas controladoras diretas da CAIMI BRASIL e LIAISON, respectivamente), é fácil a verificação de que todas elas estavam, à época das operações societárias que culminaram na criação do ágio que se pretendia amortizável, sob o comando das pessoas físicas SEVERINO ADOLFO OPPELT e RENZO CAIMI SOLARI, que já foram sócios indiretos e tinham um relacionamento profissional de longa data, conforme comprovam os seguintes fatos: Renzo Caimi Solari, cidadão chileno, é sócio e representante da empresa CAIMI CHILE, sediada no Chile; Severino Adolfo Oppelt era o representante, no Brasil, da CAIMI CHILE, por ocasião da constituição da CAIMI BRASIL, em 14/05/2001; A CAIMI BRASIL foi constituída em 14/05/2001, com 90% do capital social pertencente à CAIMI CHILE e os demais 10% à empresa LIAISON. Esta relação das participações societárias permaneceu inalterada até 15/01/2005, quando as quotas da LIAISON foram cedidas à CAIMI CHILE por R$ 1,00 (seu valor patrimonial era de R$ 300.000,00); A LIAISON foi constituída em 05/11/1984. Em 27/04/1999, todo o capital social estava nas mãos de Severino Adolfo Oppelt (99%) e Eliane de Fátima da Silva Oppelt (1%). Em 28/12/2004, a JOFECRED é admitida na sociedade, ficando com 95,65% do capital social, contra 4,35% de Severino Adolfo Oppelt; A JOFRECRED foi constituída em 01/10/2002, por Severino Adolfo Oppelt (80% do capital social) e mais dois sócios. Após algumas alterações do quadro societário, em Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 30 29 27/12/2004, os únicos sócios da empresa são Severino Adolfo Oppelt (99,5%) e Eliane de Fátima da Silva Oppelt (0,5%). Como se vê, ao final de dezembro de 2004, quando foi realizada a cessão das quotas da CAIMI BRASIL e da LIAISON à contribuinte, pelas empresas CAIMI CHILE e JOFECRED, por valor substancialmente superior ao valor contábil, praticamente toda a administração das empresas envolvidas estava nas mãos de SEVERINO ADOLFO OPPELT e RENZO CAIMI SOLARI. Frisese que, em relação à atuação da CAIMI CHILE, empresa com operação em vários países, tal administração restringiase ao Brasil, país em que os interesses da empresa eram inclusive representados por Severino Adolfo Oppelt. Sendo assim, forçosa se faz a conclusão de que as empresas envolvidas nas operações societárias efetivamente atuavam como um grupo econômico. Diante disso, é óbvio que o negócio celebrado entre as empresas relacionadas não aconteceu em um ambiente de livre concorrência, em que os atos negociais visam a atender aos interesses de ambos os contratantes, que assumem direitos e deveres proporcionais. O fato de as empresas integrarem um mesmo grupo econômico adiciona novos elementos e interesses maiores ao negócio. Não necessariamente os atos celebrados têm como objetivo beneficiar ambas as partes. A engenharia societária promovida pelo grupo econômico a que pertencia a recorrente lançou mão do art. 36 da Lei nº 10.637/2002 para que ficasse diferida a tributação sobre o ganho de capital que a CAIMI CHILE e a JOFECRED auferiram no momento da utilização das quotas das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON, a valores reavaliados, para fins de integralização do capital social da recorrente. É comum que se alegue que a reorganização societária operada nos moldes do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, ainda que sem qualquer circulação efetiva de recursos financeiros, associada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e aos arts. 385 e 386 do RIR/1999, autorizaria o registro e a posterior amortização do ágio decorrente da reavaliação patrimonial. O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 teve vigência entre outubro de 2002 (a lei foi produto de conversão da MP nº 66/2002) e dezembro de 2005, tendo sido expressamente revogado pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005. Enquanto vigeu, o dispositivo tinha a seguinte redação: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 31 30 II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º. A análise do dispositivo legal demonstra que é descabida a interpretação de que haveria ali autorização para a criação de ágio por meio da entrega de participação societária de uma pessoa jurídica, a um valor reavaliado superior ao registrado em sua escrituração contábil, para fins de integralização do capital social de uma segunda pessoa jurídica. O que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 previa era simplesmente que o ganho de capital auferido por uma empresa controladora na integralização de capital de sua controlada, por meio da cessão de participação societária sobre uma terceira empresa por um valor superior ao registrado contabilmente, não seria computado na apuração do IRPJ e da CSLL. Tal ganho só viria a ser tributado quando o investimento (terceira empresa) fosse alienado, liquidado ou baixado a qualquer título. Colocando de outra forma, o dispositivo reconhecia que uma empresa que realiza investimentos em uma controlada cobrando uma "mais valia" paga com quotas ou ações de sua propriedade não aufere, neste momento, ganho de capital algum. O ganho de capital só vai existir quando o investimento que lhe deu origem for transferido para fora do grupo econômico. Somente neste momento, com a inevitável participação de terceiros, haverá circulação de riquezas e a consequente disponibilidade econômica que caracterizará o ganho de capital a ser tributado pelo IRPJ e pela CSLL. O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 reconhece, portanto, a neutralidade tributária do ganho de capital advindo de um negócio entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico e sem circulação efetiva de riquezas. Tal neutralidade é inclusive expressamente mencionada no item 28 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na citada lei: "O art. 39 estabelece, igualmente, a neutralidade tributária nas operações de reorganização societária e, ao mesmo tempo, adequado controle fiscal para o acompanhamento dessas operações." (Grifouse) Esclareçase que o art. 39 a que se refere a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002 foi convertido no art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Na operação a que se refere o artigo, o direito de uma pessoa jurídica convertese em outro, de maior valor, por ação determinada unicamente pelo titular de tal direito, que é a controladora direta de duas empresas (após a operação, passa a ser indireto o controle sobre a empresa cujas quotas foram utilizadas para integralização do capital social da outra controlada). Assim, tal direito não chega a deixar o patrimônio da empresa que promove a operação, razão pela qual criouse a determinação legal de que o correspondente ganho de capital não deveria ser imediatamente tributado. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 32 31 Além de trazer como objeto principal a determinação do diferimento da tributação do ganho de capital, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 efetivamente autorizava, por via indireta, a integralização do capital social de uma empresa por meio da entrega de participação societária em uma outra pessoa jurídica. Autorizava também que esta participação societária passasse por processo de reavaliação, o que provocaria um descompasso entre o valor de integralização e o valor contábil de registro das ações ou quotas. Todavia, não se encontra no dispositivo legal analisado, seja de forma direta ou indireta, autorização para que o valor resultante de tal descompasso fosse registrado como ágio. E não poderia ser de outra forma, uma vez que não se pode falar em ágio relacionado a operações exclusivamente internas, em que inexista parte não relacionada que concorde em pagar o valor estimado para a "mais valia". Logicamente, a reavaliação do valor da participação societária dada em integralização de capital social deverá provocar um registro correspondente, em atendimento ao método das partidas dobradas, princípio basilar da Teoria Contábil. Tal registro poderia se dar sob a forma de uma reavaliação de ativos ou ainda de outro ativo intangível. O que não se poderia admitir era o registro de tal diferença sob a rubrica de ágio, ainda mais para fins de posterior obtenção de vantagens fiscais. Em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637 menciona ou sugere a possibilidade de que a operação ali tratada tivesse como contrapartida o registro de um ágio. Reiterando o que já foi dito: não há sentido em se cogitar da existência de ágio com base em reavaliação promovida unilateralmente por uma empresa controladora, sem que o valor estipulado para a "mais valia" passe pelo crivo de razoabilidade do mercado, por meio da aceitação, por um terceiro nãorelacionado, em arcar com o correspondente ônus (não necessariamente por meio de pagamento, mas de algum sacrifício patrimonial proporcional). Mesmo que se aceitasse como válido um outro argumento, no sentido de que, embora não autorizasse expressamente o registro contábil do ágio, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 também não o proibia, a pretensão da recorrente continuaria sem amparo. A possibilidade de utilização tributária do ágio, por meio da dedução das despesas decorrentes de sua amortização, não tem previsão na Lei nº 10.637/2002, mas sim nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme foi detalhadamente analisado, a sequência de operações societárias promovidas pela recorrente e por outras empresas pertencentes ao seu grupo econômico provocou uma situação que não se amolda à hipótese de incidência requerida pela legislação para fins de acesso à possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio. É a subsunção ao art. 386 do RIR/1999 (cópia dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e que utiliza requisitos previstos no art. 385 do RIR/1999) que define se determinado caso concreto fará jus ou não à dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, sendo inútil a tal análise o exame do art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Este último raciocínio foi desenvolvido apenas para demonstrar a total improcedência do argumento de que o dispositivo da Lei nº 10.637/2002 autorizaria alguém a deduzir despesas de amortização de ágio de seu lucro real ou de sua base de cálculo da CSLL. Na realidade, não havia permissivo legal nem mesmo para o simples registro contábil de ágio em contrapartida à reavaliação da participação societária entregue a empresa controlada a título de integralização de seu capital social. Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 33 32 Este entendimento é corroborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já se pronunciou de forma contrária à possibilidade de geração de ágio em operações societárias envolvendo empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, por meio do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de onde se transcreve o seguinte trecho: "Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Grifouse) Assim, verificase que a CVM não chancela a existência contábil do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, sem dispêndio algum. Também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) já se manifestou de maneira semelhante, por meio da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008: "É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação." Por fim, relevante ainda mencionar que o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tampouco reconhece a legitimidade do ágio gerado intragrupo, como foi expresso nas seguintes Resoluções: Resolução CFC nº 1.110/2007 “O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 34 33 Resolução CFC nº 1.303/2010 "48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo." Os atos administrativos mencionados e parcialmente transcritos foram todos exarados de 2007 em diante, posteriormente, portanto, ao fim da vigência do art. 36 da Lei nº 10.637/2002 e ao período em que a recorrente e seu grupo econômico praticaram as operações societárias que pretensamente originaram ágio passível de aproveitamento tributário (2004 e 2005). Isto não significa, entretanto, que o entendimento exposto nos atos administrativos daqueles órgãos fosse novo. A este respeito, observese a manifestação da própria CVM por ocasião do julgamento de recurso constante do Processo Administrativo CVM RJ 2007/3480: "RELATÓRIO No caso concreto, as demonstrações financeiras da Companhia do exercício de 2006 continham uma informação que a SEP e a SNC consideraram errada: o valor de um ativo (a participação acionária na CPM USA) foi contabilizado por um valor apurado em laudo de avaliação, mas esse bem estava, antes, contabilizado em companhia do mesmo grupo por valor mais baixo, e o aumento de seu valor se deu por incorporação entre partes relacionadas. A Companhia não recorreu quanto ao mérito desse entendimento, mas entende que ele somente foi manifestado pela CVM ao mercado através do Oficio Circular de 2007, divulgado em 14.02.2007,(...) SEP e SNC confirmam que essa dicção somente constou a partir do Oficio Circular 01/2007, mas sustentam que o entendimento já era este desde sempre, porque ele decorre dos princípios contábeis geralmente são aplicáveis à escrituração contábil das companhias brasileiras por força do art. 177 da Lei 6.404/76 (...) O recurso apresentado pela Companhia sustenta que a introdução desse entendimento pela CVM constituiria mudança de critério contábil de que trata o art. 186, §1º da Lei 6.404/76, e, por isso, a determinação de baixa do ágio poderia ser feita mediante ajuste de exercícios anteriores, na primeira ITR, como já teria sido aceito pela CVM em outros precedentes. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 35 34 Quanto ao primeiro ponto, entendo ter razão a área técnica. Não se pode afirmar que seja novo o entendimento da CVM quanto à impossibilidade contábil de aproveitamento do ágio interno (assim entendido como aquele gerado em operações entre partes relacionadas). Como lembra a SNC, essa impossibilidade está ligada ao Principio do Custo como Base de Valor — segundo os especialistas "o mais antigo e discutido principio de contabilidade" — que considera o valor de entrada como o que deve servir de base para registro de qualquer ativo, ressalvada a hipótese restrita (e mesmo inexistente em alguns países, como nos Estados Unidos) de reavaliação e, ainda, observandose o valor de recuperação, sempre que menor. Como destacam as áreas técnicas, esse principio foi expressamente reconhecido na "Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade" desde a Deliberação 29/86, além de estar à base da Deliberação 183/95. Portanto, ainda que o OficioCircular 01/2007 tenha vindo a dar maior destaque à questão especifica do ágio interno, o entendimento da CVM sempre existiu, com fundamento do Principio do Custo como Base de Valor, e era público. Assim, não vejo como sustentar, portanto, que se possa falar em "mudança de critério contábil" (grifouse). Diante de todo o exposto, concluise que as próprias Ciências Contábeis têm restrições em relação à existência do ágio gerado internamente, por meio de operações societárias realizadas no interior de um grupo econômico e sem o lastro de efetiva circulação de riquezas. Com base nisso e na inexistência de lei que estabeleça tratamento tributário diferenciado para este instituto, forçoso se faz concluir pela inutilidade do denominado "ágio interno" para os fins tributários pretendidos pela recorrente. Ainda que não bastassem todos os argumentos já apresentados no sentido da indedutibilidade das despesas de amortização do ágio gerado nas operações societárias celebradas no interior do grupo econômico de que fazia parte a recorrente, a análise do caso realizada sob outro enfoque leva à mesma conclusão. O aproveitamento tributário do ágio discutido nos presentes autos consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 36 35 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 37 36 características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Acrescentese à análise reproduzida que os pronunciamentos da CVM, CPC e CFC, transcritos alhures, deixam claro que as Ciências Contábeis não reconhecem o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico. Assim, do ponto de vista contábil, são inexistentes tanto este ágio quanto as despesas decorrentes de sua amortização. Sendo inexistentes as despesas de amortização do "ágio interno", não podem afetar a apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL (que decorrem do lucro líquido calculado nos termos da legislação comercial). Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como a encontrada nos presentes autos, internas, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, relativamente às matérias relacionadas à legitimidade do aproveitamento tributário do ágio gerado internamente, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. 2) Preliminar de nãoconhecimento do recurso especial quanto a multa qualificada Conforme já foi mencionado, a PGFN defende que a matéria "cabimento da multa de ofício qualificada" não pode ser conhecida em razão da inexistência de divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma nº 140100.155. Assim, estaria equivocada a decisão do Sr. Presidente da CSRF que acolheu o agravo manejado pela contribuinte e reformou despacho anterior que havia negado seguimento à matéria. A inexistência de dissenso jurisprudencial, segundo a tese da Fazenda Nacional, adviria do fato de o acórdão recorrido sequer ter mencionado aspecto que foi considerado determinante pelo acórdão paradigma na decisão de afastar a incidência da Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 38 37 qualificação da multa de ofício: a ampla publicidade dada aos atos negociais que integraram a reorganização societária condenada pela Fiscalização. Pois bem. No que diz respeito a esta matéria, a contribuinte defende, em seu recurso especial, que a autoridade tributária teria se equivocado ao determinar a aplicação da multa de oficio no percentual qualificado de 150%. Segundo a tese da recorrente, as condutas supostamente apuradas pela Fiscalização não foram praticadas com dolo, o que impediria a qualificação da multa aplicável ao caso. Com o intuito de comprovar a existência de divergência jurisprudencial a respeito do tema, requisito regimentalmente exigido para a admissibilidade do recurso especial, a recorrente indicou dois acórdãos paradigmas que, em tese, teriam adotado interpretação conflitante com a presente na decisão recorrida: nº 140100.155 e nº 130200.462. O voto condutor do acórdão recorrido afirma que os negócios jurídicos analisados nos presentes autos foram praticados de forma simulada, nos termos do art. 167, §1º, do Código Civil Brasileiro. Assim, terseia caracterizada a fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 e seria perfeitamente cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, de acordo com o disposto no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Da análise do voto condutor da decisão consubstanciada no primeiro acórdão paradigma, verificase que a discussão ali desenvolvida gira em torno do cabimento da qualificação da multa de ofício aplicada a uma situação em que a autoridade tributária considerou caracterizados sonegação, fraude e conluio. De início, tratando especificamente da sonegação, tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, o i. Conselheiro Relator daquela decisão conclui que sua caracterização pressupõe dolo específico e a prática de ação ou omissão dolosa: "Da contraposição da "falta de declaração ou declaração inexata" constante do inciso I do art, 44 da Lei nº 9.430/96, com a "omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente", o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da Lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante "ação ou omissão dolosa", que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da Lei n 9.430/96." Logo adiante, indaga o i. Conselheiro Relator se a sonegação subsistiria diante da ampla divulgação dada aos atos societários que integraram a reorganização que a Fiscalização considerou como sendo uma simulação: "A dúvida é saber se, num caso como o presente, em que todos os atos praticados pela Recorrente, apesar de terem sido considerados sem intenção negocial, no primeiro momento, e com simulação, no segundo momento, mas mediante ampla publicidade de todo o processado, permitiria a identificação do chamado evidente intuito de fraude ou a prática de sonegação fiscal. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 39 38 Isso por que a sonegação importa necessariamente em práticas de encobrir o fato realizado, de forma a que a conduta do Contribuinte tenha necessariamente de vir acobertada por um doloso véu de ocultação." Inicialmente, a linha narrativa desenvolvida no voto pode levar à conclusão de que o raciocínio adotado teria sua aplicação restrita à sonegação fiscal (art. 71 da Lei nº 4.502/1964), uma vez que defendese ali que a publicidade dada aos atos societários praticados pelo contribuinte (sequência de atos que visavam à simulação da venda de participações societárias) teria descaracterizado a intenção de "impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária" a respeito da ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal. Todavia, mais à frente o nobre Conselheiro Relator estende seu argumento para a fraude e o conluio, concluindo que um ato pode ser simulado sem ser necessariamente merecedor da qualificação da multa de ofício. In verbis: "Temse, assim que, apesar de o negócio ter sido considerado simulado, afastandose os seus efeitos para fins de tributação, identificandose ser o tributo devido, resta evidente que a Recorrente agiu certa de que estaria praticando o chamado negócio jurídico indireto, de forma absolutamente pública, respaldado por entendimentos abalizados de que o estaria abarcado pela chamada elisão fiscal. Não existiu, assim, o dolo especifico pedido pelo caput dos artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502, de 1964, elemento essencial para se promover a qualificação da multa de oficio, ainda que tenha havido alteração das chamadas circunstâncias materiais ou a modificação das características essenciais do fato gerador. Importante ressaltar que o fundamento legal para afastar a simulação (art. 167 do Código Civil) é diverso daquele que respalda a qualificação da multa (art. 71 a 73 da Lei n° 4.502)." (grifouse) Sendo assim, em que pese o fato de o acórdão paradigma e o acórdão recorrido não tratarem do mesmo tipo de simulação (aquele cuida de uma venda de imóvel industrial formalmente tratada como comercialização de participações societárias; este, de uma fusão disfarçada de sucessivas cessões e incorporações), podese vislumbrar suficientes semelhanças entre os casos: reconhecida uma simulação que desnatura os efeitos fiscais desejados pelos contribuintes, discutese se ainda assim seria possível o afastamento da multa qualificada diante do fato de que os atos societários formalmente praticados sofreram ampla divulgação. As conclusões alcançadas nas decisões efetivamente são divergentes. Enquanto o acórdão recorrido entende que a simulação implicaria na caracterização da fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 e na aplicação da multa de ofício qualificada nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, o Acórdão nº 140100.155 admite a possibilidade de existência de atos simulados sem a necessidade da qualificação da multa. A decisão paradigma entende que pode haver simulação sem o dolo específico necessário à configuração da sonegação, fraude ou conluio previstos na Lei nº 4.502/1964 como causas de aplicação da multa em sua modalidade qualificada. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 40 39 A respeito do argumento da PGFN, de que a questão da ampla divulgação não teria sido analisada pelo acórdão recorrido, não se vislumbra aí nenhum óbice ao conhecimento da matéria sob análise. O acórdão nº 140100.155 considerou que tal divulgação afastaria o dolo específico de ocultar do Fisco as operações condenadas pela Fiscalização. Já o acórdão recorrido, embora reconheça que também no caso dos presentes autos tenha havido a divulgação e o registro das operações societárias, considerou tal fato irrelevante (tanto que não o abordou) e concluiu pela manutenção da multa de ofício qualificada. Diante do exposto, entendo como comprovada a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 140100.155, apontado como paradigma pela recorrente, em relação ao cabimento ou não de qualificação da multa de ofício em casos de negócio jurídico simulado, restando satisfeito o requisito estabelecido pelo art. 67, caput e § 6º, do Anexo II do RICARF/2015 (art. 67, caput e § 4º, do Anexo II do RICARF/2009). 3) Qualificação da multa de ofício Conforme relatado alhures, a recorrente se insurge contra o fato de lhe ter sido aplicada multa de ofício no percentual qualificado de 150%. Argumenta que a qualificação da multa só se sustenta quando a Fiscalização logra êxito em comprovar a clara, real e indubitável intenção em cometer o ilícito, ou seja, o dolo. No caso dos autos, defende a recorrente que não existe prova alguma de que tenha havido simulação ou qualquer outra conduta fraudulenta de sua parte. Tudo que a Fiscalização apontou para fundamentar a qualificação da multa de ofício seriam meros indícios. Assim, teria se equivocado a autoridade tributária, uma vez que a aplicação da multa qualificada exige que o dolo seja efetivamente provado, não sendo suficiente sua presunção. A recorrente afirma que não tentou omitir ou ocultar informações do Fisco, já que todos os atos societários foram devidamente registrados perante os órgãos competentes e tiveram a publicidade exigida e necessária. Por fim, aduz ainda que a assumida intenção de promover a fusão das operações das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON e o fato de se ter buscado a forma que possibilitaria uma maior economia tributária não configuram infração alguma e nem são suficientes para que se considere como dolosa a sua atuação. A respeito da figura da qualificação da multa de ofício, registrese inicialmente que é prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 41 40 (...) No caso sob análise, a autoridade lançadora entendeu que a conduta da contribuinte teria configurado fraude, conforme definição do art. 72 da Lei nº 4.502/1964: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Justificouse tal decisão com base nas seguintes alegações, perfiladas no Relatório da Fiscalização: "Nas três situações previstas na Lei nº 4.502/64 há que ser caracterizado o dolo. O conceito de dolo, por sua vez, encontrase no inciso I do art. 18 do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Isto significa que o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Examinando os procedimentos adotados pela fiscalizada constatamos que fica evidenciado o dolo. Isto porque, para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalizada utilizouse de despesas decorrentes da amortização de "ágio" gerado internamente, a partir de "reestruturações societárias" cercadas de artificialismo. A constituição de uma nova empresa (CAIMI & LIAISON), cujo capital foi integralizado mediante a transferência de participações societárias na CAIMI BRASIL e na LIAISON com "ágio" bastante expressivo e a posterior incorporação destas empresas para possibilitar a amortização do "ágio", evidencia a intenção da fiscalizada de reduzir os tributos devidos. Analisando as operações como um todo, verificase que, ao final do processo, houve a efetiva fusão de duas empresas: a LIAISON e a CAIMI BRASIL. Todas as etapas intermediárias utilizadas tiveram como único objetivo a geração de "ágio", cuja posterior amortização, reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. E mais. Esta ação dolosa adotada pela fiscalizada caracteriza a fraude a que se refere o art. 72 da Lei nº 4.502/64. A título de ilustração, citamos Silva, De Plácido e, Vocabulário Jurídico 11ª ed. Rio de Janeiro, Forense, 1993, que esclarece o conceito de fraude: "por fraude, derivado do latim fraus, fraudis (engano, má fé, logro), entendese geralmente engano malicioso ou ação astuciosa, promovidos de má fé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. ... E a prova da fraude se faz por todos os meios permitidos em Direito, admitindose mesmo sua evidência em face de indícios e conjecturas, tanto bastando a verificação do prejuízo ocasionado a outrem pela Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 42 41 prática do ato oculto ou enganoso. A fraude, assim, firmase na evidência do prejuízo causado intencionalmente, pela oculta maquinação." Os fatos descritos no presente Relatório Fiscal convergem para a hipótese da fraude a que se refere o artigo 72 da Lei 4.502/1964. Isto porque foram adotadas, de forma dolosa, providências administrativas, societárias e contábeis que tiveram por intuito impedir a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Consequentemente, foi aplicada a multa de 150% para as irregularidades fiscais descritas nos itens IX (exclusão da amortização do "ágio" na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL) e XII (compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL) deste Relatório." (grifos no original) A respeito da aplicação da multa qualificada, dispôs o voto condutor do Acórdão nº 1024.966, da Delegacia de Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS, ao apreciar a impugnação apresentada pela contribuinte: "Entendo que o dolo (consciência e intenção no agir), inerente à prática simulação, foi provado fartamente. Os diversos elementos trazidos aos autos mostram que os negócios jurídicos foram praticados de forma simulada, consoante fixado no § 1º do art. 167 da Lei n° 10.406, de 2002. A análise, portanto, foi criteriosa. As operações societárias complexas e simuladas, consoante tudo que já sustentei no presente voto, tiveram por finalidade a redução dos encargos tributários, e são ilegais diante da inadmissibilidade da evasão tributária por meio da prática da simulação." (grifouse) Por fim, o acórdão recorrido também se pronunciou acerca da qualificação da multa de ofício imposta à contribuinte: "Diante de todo o exposto em relação à infração, resta evidenciado que os negócios jurídicos foram praticados de forma simulada, nos termos do § 1º do art. 167 do Código Civil. Verificouse que, a partir do engrendramento de operações societárias complexas e simuladas, incluindo a participação de interposta pessoa (JOFECRED), pretendeu a recorrente, intencionalmente, subtrairse à tributação, o que tornou tais operações ilegais, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro não permite a evasão tributária por meio de simulação." (grifouse) Pois bem. Registrese inicialmente que é incontroverso que a real intenção do grupo econômico de que era parte a recorrente sempre foi promover a fusão das operações das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON. Em anexo à sua impugnação, a contribuinte apresentou um documento denominado "Acta de Intenciones", firmado entre a CAIMI CHILE e a LIAISON em 29/04/2004, em que se aborda o projeto de unir as operações das duas empresas (a CAIMI BRASIL era o braço nacional da companhia chilena) em uma nova pessoa jurídica cujo controle e capital social seria dividida em partes iguais. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 43 42 A própria contribuinte admite que o objetivo final das operações societárias esquadrinhadas neste processo era a unificação das operações das empresas e a constituição de uma única sociedade em que teriam iguais participações a CAIMI CHILE e a JOFECRED (empresa criada pelos sócios da LIAISON). Por esta razão, de início já se pode concluir que as reavaliações promovidas para se chegar ao valor de mercado das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON, teoricamente com base na expectativa de rentabilidade futura, foram na realidade verdadeiras "contas de chegada", uma vez que já se sabia que os valores reavaliados deveriam ser iguais, em virtude da confessada intenção do grupo econômico de que as participações societárias cedidas representassem, para cada uma das empresas, 50% do capital social da pessoa jurídica recém constituída (a recorrente). Em seu recurso especial, a contribuinte confirma a intenção de seu grupo econômico e defende seu direito de promover a operação da forma que pudesse gerar um maior ganho tributário: "Todos os atos praticados pela recorrente, e todo o conjunto de operações societárias, sejam ou não complexas, foram feitas as claras, devidamente registrados perante os órgãos de registro e controle competente e quanto a isto não há qualquer dúvida ou questionamento. Não há como negar que a Recorrente efetivamente visou economia tributária com seus atos, porém, tal intenção, além de não constituir qualquer infração, conforme já demonstrado, não pode ser tida como infração à lei tributária." (grifouse) Assim, verificase que a recorrente e as empresas a ela associadas sempre tiveram consciência de que o objetivo do grupo econômico poderia ser alcançado por meio de uma única operação societária: a fusão das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON. Ao invés de adotar a forma mais racional, simples e rápida, o grupo optou por promover uma série de operações societárias intermediárias (inclusive com a participação da JOFECRED, que a Fiscalização considerou como "empresaveículo"), com a exclusiva motivação de possibilitar a criação artificial de ágio que posteriormente pudesse ser utilizado para promover a redução de tributos devidos ao Fisco. O caminho societário eleito pela recorrente e por seu grupo econômico, mais complexo e tortuoso, apresentou várias características de negócios jurídicos simulados, conforme definições trazidas pelo art. 167 do Código Civil Brasileiro: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. (...) Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 44 43 O acórdão recorrido, de forma didática, identificou um considerável conjunto de elementos presentes nos autos, a maioria deles indiciários, que levam à conclusão de que os sucessivos atos societários perpetrados pela contribuinte e pelas empresas a ela associadas caracterizaram negócios jurídicos simulados: "(i) indícios de que os negócios aparentaram conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, nos termos do inciso I do § 1º do art. 167 do Código Civil: a JOFECRED prestouse, na operação societária como um todo, como veículo da transferência das quotas da LIAISON para a CAIMI & LIAISON, pois sem essa participação, os sócios pessoas físicas anteriores deveriam pagar IRPJ sobre o ganho de capital, tendo em vista o disposto no art. 3º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 7.713, de 1988; As quotas da LIAISON foram transferidas pela JOFECRED para a CAIMI & LIAISON a título de integralização de capital, sem a incidência de IRPJ e CSLL em função da exceção prevista no art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Tempo de permanência das quotas sob a titularidade da JOFECRED é muito exíguo (dois dias). (ii) indícios de que os documentos contenham declarações não verdadeiras, nos termos do inciso II do § 1º do art. 167 do Código Civil: a simples integralização de capital ou cessão de quotas, como alega a recorrente ter sido o objetivo das operações embargadas, não precisariam passar pela transferência das quotas do capital social da LIAISON e da CAIMI DO BRASIL para, respectivamente, JOFECRED e CAIMI SA (Chile) em valores muito superiores aos que foram praticados quando da integralização do capital da CAIMI & LIAISON, sendo certo, ainda, que as operações ocorreram em momentos muito próximos, sem qualquer justificativa plausível, enquanto os demais sócios foram remunerados por valores muito inferiores. (iii) indícios de que os instrumentos particulares foram antedatados, ou pós datados, nos termos do inciso III do § 1º do art. 167 do Código Civil: informações oficiais, buscadas junto à Polícia Federal Brasileira e à Policia de Investigaciones de Chile não acusam a presença do Sr. Renzo Caimi Solari nos dias 27/12/2004, 29/12/2004 e 30/7/2005, e a recorrente não logrou comprovar que esteve presente, como atestavam os instrumentos de integralização e cessão de quotas utilizados na reorganização societária. reabertura da contabilidade da JOFECRED, relativamente ao ano de 2004, com a finalidade de registrar aumento de capital de social através do qual foi adquirida a participação na LIAISON e o controvertido ágio verificado quando da constituição da CAIMI & LIAISON (fls. 407 a 415); pagamento relativo aos honorários dos profissionais que prepararam os laudos de avaliação que sustentam os ágios verificados quando da constituição da CAIMI & LIAISON efetuado quase um ano após a referida constituição." Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 45 44 Considero absolutamente relevantes as observações elencadas no acórdão recorrido como indicadoras de que configurou simulação a engenharia societária promovida pelo grupo de que era integrante a recorrente. No meu entender, o intuito simulatório advém, sem dúvida, de todo o conjunto de provas, constatações e indícios arrolados na decisão recorrida, mas primordialmente das inconsistências cronológicas encontradas em alguns documentos e declarações da recorrente. Como exemplo, temse a informação, presente no contrato social da recorrente, de que o Sr. Renzo Caimi Solari estava presente no Brasil em 29/12/2004, data da constituição da empresa. Da mesma forma, documentos juntados ao processo declaram que o empresário chileno estaria em território brasileiro em 30/07/2005, data da incorporação da CAIMI BRASIL e da LIAISON pela recorrente. Entretanto, informações obtidas junto à Polícia Federal, que controla o fluxo de entrada e saída de estrangeiros no país, dão conta de que em nenhuma destas datas o Sr. Renzo Caimi Solari estaria no Brasil. Tal constatação prova (não se trata de mero indício) que os documentos apresentados foram antedatados ou pósdatados (mais provável), caracterizando os respectivos atos como simulados, nos termos do art. 167, §1º, III, do Código Civil. Outra inconsistência temporal diz respeito às cessões das quotas de capital social da empresa CAIMI BRASIL. A documentação fornecida pela contribuinte afirma que a CAIMI CHILE cedeu e transferiu à CAIMI & LIAISON em 29/12/2004, pelo valor reavaliado de R$14.000.000,00, a totalidade das quotas de capital da CAIMI BRASIL. Ocorre que apenas em 15/01/2005 há o registro da alienação de 10% destas quotas pela LIAISON à CAIMI CHILE, pelo valor de R$1,00. Ou seja, a CAIMI CHILE teria cedido, em dezembro de 2004, quotas que ainda não eram suas. Somados a tais constatações, encontramos nos autos diversas anormalidades que depõe a favor da caracterização das operações societárias como simuladas e componentes de um planejamento tributário abusivo: i) a utilização da empresa JOFECRED especificamente para impedir que os exsócios diretos da LIAISON, pessoas físicas, sofressem tributação sobre o ganho de capital auferido com a estratosférica valorização da empresa proporcionada pela reavaliação de seu valor de mercado; ii) o período extremamente exíguo durante o qual as quotas cedidas permaneceram em poder da JOFECRED; iii) a elaboração do laudo de reavaliação das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON tem exatamente a mesma data do balanço que lhes serviria de subsídio, sugerindo que o trabalho teria sido iniciado e concluído no mesmo dia; iv) o efetivo pagamento dos honorários relativos à elaboração destes laudos foi realizado quase um ano após a data declarada das operações societárias que utilizaram seus resultados. Diante de todo o exposto, concluo que as operações adotadas pela contribuinte e pelas empresas que a constituíram, com o intuito de posterior aproveitamento do ágio gerado internamente para fins de irregular dedução nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, extrapolaram os limites da simples elisão fiscal por terem se baseado em simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002). Entendo cabível, portanto, a qualificação da multa de ofício aplicável ao caso, nos termos do art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 11065.002149/200931 Acórdão n.º 9101003.011 CSRFT1 Fl. 46 45 Assim, relativamente ao pleito de desqualificação da multa de ofício e a consequente redução de seu percentual de 150% para 75%, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela contribuinte, na forma em que admitido pelos despachos que analisaram sua admissibilidade. NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte quanto ao pleito de cancelamento do lançamentos tributários de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de dedução relativa à amortização de ágio; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte quanto ao pedido de redução da multa de ofício qualificada que lhe foi aplicada, de 150% para 75%, mantida. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723168/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL.
A escrituração faz prova contra o contribuinte, nos termos do art. 226 do Código Civil. O lançamento fundamentado em escrituração é hígido. Alegações de fato não comprovadas não alteram o valor probante da escrituração. Não obstante, a glosa procedida pelo Fisco, quando sem justificativa, deve ser afastada.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. TIPIFICAÇÃO. EFEITO CONFISCATÓRIO.
A constatação de negligência reiterada por parte do contribuinte em colaborar no alcance da verdade material dos fatos tributários, e no esclarecimento dos registros contábeis, enseja o agravamento da multa de ofício, conforme art. 44, §2º, inciso II da Lei 9.430/96. O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. Não é dado ao julgador administrativo afastar multa legalmente prevista com base em considerações de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que dava provimento para exclusão do ICMS da base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. A escrituração faz prova contra o contribuinte, nos termos do art. 226 do Código Civil. O lançamento fundamentado em escrituração é hígido. Alegações de fato não comprovadas não alteram o valor probante da escrituração. Não obstante, a glosa procedida pelo Fisco, quando sem justificativa, deve ser afastada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. TIPIFICAÇÃO. EFEITO CONFISCATÓRIO. A constatação de negligência reiterada por parte do contribuinte em colaborar no alcance da verdade material dos fatos tributários, e no esclarecimento dos registros contábeis, enseja o agravamento da multa de ofício, conforme art. 44, §2º, inciso II da Lei 9.430/96. O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. Não é dado ao julgador administrativo afastar multa legalmente prevista com base em considerações de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 858 1 857 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.723168/201510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.085 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS COFINS Recorrente MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. A escrituração faz prova contra o contribuinte, nos termos do art. 226 do Código Civil. O lançamento fundamentado em escrituração é hígido. Alegações de fato não comprovadas não alteram o valor probante da escrituração. Não obstante, a glosa procedida pelo Fisco, quando sem justificativa, deve ser afastada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. TIPIFICAÇÃO. EFEITO CONFISCATÓRIO. A constatação de negligência reiterada por parte do contribuinte em colaborar no alcance da verdade material dos fatos tributários, e no esclarecimento dos registros contábeis, enseja o agravamento da multa de ofício, conforme art. 44, §2º, inciso II da Lei 9.430/96. O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. Não é dado ao julgador administrativo afastar multa legalmente prevista com base em considerações de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 31 68 /2 01 5- 10 Fl. 859DF CARF MF 2 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que dava provimento para exclusão do ICMS da base de cálculo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Tratase de autos de infração de Pis e Cofins. A empresa em foco é distribuidora de álcool hidratado, cuja tributação pelo Pis e Cofins está regida, principalmente, pelo artigo 5º da Lei 9.718/98, alterado pelo art. 7º da Lei 11.727/2008: Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) e 6,9% (seis inteiros e nove décimos por cento), no caso de produtor ou importador; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), no caso de distribuidor. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 860DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 859 3 § 1o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda de álcool, inclusive para fins carburantes, quando auferida: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – por distribuidor, no caso de venda de álcool anidro adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – por comerciante varejista, em qualquer caso; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) III – nas operações realizadas em bolsa de mercadorias e futuros. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 2o A redução a 0 (zero) das alíquotas previstas no inciso III do § 1o deste artigo não se aplica às operações em que ocorra liquidação física do contrato. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 3o As demais pessoas jurídicas que comerciem álcool não enquadradas como produtor, importador, distribuidor ou varejista ficam sujeitas às disposições da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica distribuidora. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 4o O produtor, o importador e o distribuidor de que trata o caput deste artigo poderão optar por regime especial de apuração e pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no qual as alíquotas específicas das contribuições são fixadas, respectivamente, em: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) I – R$ 23,38 (vinte e três reais e trinta e oito centavos) e R$ 107,52 (cento e sete reais e cinqüenta e dois centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por produtor ou importador; (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) II – R$ 58,45 (cinqüenta e oito reais e quarenta e cinco centavos) e R$ 268,80 (duzentos e sessenta e oito reais e oitenta centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 5o A opção prevista no § 4o deste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o último dia útil do mês de novembro de cada anocalendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o anocalendário subseqüente ao da opção. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 6o No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 4o e 5o deste artigo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil divulgará o Fl. 861DF CARF MF 4 nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 7o A opção a que se refere este artigo será automaticamente prorrogada para o anocalendário seguinte, salvo se a pessoa jurídica dela desistir, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, até o último dia útil do mês de novembro do anocalendário, hipótese em que a produção de efeitos se dará a partir do dia 1o de janeiro do ano calendário subseqüente. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 8o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas no caput e no § 4o deste artigo, as quais poderão ser alteradas, para mais ou para menos, em relação a classe de produtores, produtos ou sua utilização. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 9o Na hipótese do § 8o deste artigo, os coeficientes estabelecidos para o produtor e o importador poderão ser diferentes daqueles estabelecidos para o distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 10. A aplicação dos coeficientes de que tratam os §§ 8o e 9o deste artigo não poderá resultar em alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins superiores a, respectivamente, 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) do preço médio de venda no varejo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 11. O preço médio a que se refere o § 10 deste artigo será determinado a partir de dados colhidos por instituição idônea, de forma ponderada com base nos volumes de álcool comercializados nos Estados e no Distrito Federal nos 12 (doze) meses anteriores ao da fixação dos coeficientes de que tratam os §§ 8o e 9o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 12. No anocalendário em que a pessoa jurídica iniciar atividades de produção, importação ou distribuição de álcool, a opção pelo regime especial poderá ser exercida em qualquer data, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do mês em que for exercida. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 13. O produtor e o importador de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeitos ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor ou de outro importador. (Redação dada pela Lei nº 12.859, de 2013) § 14. Os créditos de que trata o § 13 deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 862DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 860 5 § 15. O disposto no § 14 deste artigo não se aplica às aquisições de álcool anidro para adição à gasolina, hipótese em que os valores dos créditos serão estabelecidos por ato do Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 16. Observado o disposto nos §§ 14 e 15 deste artigo, não se aplica às aquisições de que trata o § 13 deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) § 17. Na hipótese de o produtor ou importador efetuar a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, para pessoa jurídica com a qual mantenha relação de interdependência, o valor tributável não poderá ser inferior a 32,43% (trinta e dois inteiros e quarenta e três centésimos por cento) do preço corrente de venda desse produto aos consumidores na praça desse produtor ou importador. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 18. Para os efeitos do § 17 deste artigo, na verificação da existência de interdependência entre 2 (duas) pessoas jurídicas, aplicarseão as disposições do art. 42 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 19. O disposto no § 3o não se aplica às pessoas jurídicas controladas por produtores de álcool ou interligadas a produtores de álcool, seja diretamente ou por intermédio de cooperativas de produtores, ficando sujeitas às disposições da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica produtora. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009) Relata o auditorfiscal que a empresa foi omissa em apresentar DCTF e Dacon. Após inúmeras intimações para esclarecimentos, o auditorfiscal apurou as contribuições a partir dos balancetes constantes no sistema público de escrituração digital SPED. A base de cálculo foi a conta Receita Bruta com a Venda de Álcool Hidratado – 3.1.1.01.001.00028, apurando créditos a partir das contas PIS A RECUPERAR – 1.1.3.05.006 e COFINS A RECUPERAR – 1.1.3.05.007. As planilhas com a apuração estão às fls. 654 e 655. A multa de ofício foi agravada em 50%, para 112,5%, nos termos da Lei 9.430/96, art. 44, §2º, inciso II1. O auditorfiscal afirma que a empresa foi negligente em atender às intimações. Transcrevo a parte pertinente do relatório fiscal (fl. 652): 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 863DF CARF MF 6 “No que se refere ao pedido de esclarecimentos a respeito da ausência de declaração e recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS, objeto do TIF nº 3, cuja ciência se deu em 20/03/2014, a fiscalizada alega que estaria com dificuldades de implantação de um novo sistema de apuração que seria capaz de gerar os demonstrativos e declarações exigidos. Solicitou para tanto, inicialmente, mais quarenta dias de prazo, em resposta de 09/04/2014. Reiterou tal pedido em 14/07/2014, rogando por mais trinta dias “para apresentação dos resultados dos trabalhos que foram implementados para a disponibilização dos dados das contribuições sociais”. No entanto, não houve o cumprimento e as intimações foram reiteradas nos termos de nº 5 – item 2, de 16/07/2014 e no de nº 6 – item 1, de 01/09/2014. Este último com a exigência de apresentação dos arquivos digitais complementares do PIS/COFINS (ADE/Cofis/RFB nº 15/2001, anexo único, item 4.10), exigidos das pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico para registro de suas operações. Desde então foram recebidos nada menos que outras nove solicitações de extensão de prazo, com regularidade mensal, repetindose a mesma argumentação incial. A última recebida é de 09/03/2015. Portanto, a despeito do prazo concedido, cerca de um ano, a fiscalizada não logrou apresentar sequer os demonstrativos de apuração das bases de cálculo daquelas contribuições, permanecendo omissa quanto ao DACON e a DCTF. Exigiu, dessa forma, que a fiscalização o fizesse de ofício, de modo a permitir o cálculo e o lançamento dos créditos tributários devidos.” Cientificada, a empresa apresentou Impugnação, na qual apresenta suas razões de defesa, em resumo: preliminarmente, sustenta a nulidade do lançamento, porque não teria alcançado a verdade material. Aduz e colaciona considerações doutrinárias acerca do amplo direito de defesa, do ônus da prova, da fundamentação do lançamento e da verdade material; no mérito, argumenta pela exclusão do ICMSSubstituição da base de cálculo das contribuições; apresenta planilha de apuração que considera correta; defende a exclusão do ICMS próprio da base de cálculo das contribuições, a partir de jurisprudência do STF; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 861 7 sustenta a legalidade dos créditos apurados, trazendo diversos dispositivos legais e normativos como suporte; Pede pela exoneração da multa de ofício, por entendêla como confiscatória, em especial a parte relativa ao agravamento; assevera não ter sido notificada do atraso do atendimento; A DRJ/Porto Alegre/RS, por meio do acórdão 1057.171, de 24/06/2016, prolatado pela 2ª Turma, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Demonstrada inequivocamente a motivação do ato administrativo, estando os dispositivos legais que fundamentam a exigência tributária inseridos no relatório fiscal e no auto de infração, o que é suficiente para proporcionar a ampla defesa à autuada, não se cogitando de qualquer nulidade. BASES DE CÁLCULO. DIFERENÇAS. Identificadas pela fiscalização diferenças entre as bases de cálculo do PIS e da COFINS apuradas em função de dados dos balancetes, diferenças essas que não foram justificadas pela interessada, nem no curso do procedimento fiscal, nem na impugnação, ocasião em que foram apresentadas apenas alegações com suporte documental insuficiente, mantémse a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre tais diferenças. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A exclusão da base de cálculo de valores correspondentes ao ICMS Substituição só pode ser efetuada com base em permissivo legal para a hipótese e quando o contribuinte responsável pelo pagamento daquele tributo apresentar prova documental da ocorrência da referida retenção bem como demonstrar sua inclusão no valor tributável que ensejou o lançamento. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Cabível a aplicação da multa de ofício no percentual de 112,5% previsto no inciso II, art 44, da Lei 9.430/96, nos casos em que o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos. Fl. 865DF CARF MF 8 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Por envolver os mesmos elementos fáticos, aplicase o decidido em relação à Cofins no julgamento das questões envolvendo o litígio da contribuição para o PIS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Sobreveio o Recurso Voluntário, no qual a recorrente reitera as razões da Impugnação. Acrescenta, em reforço, que os valores utilizados pelo auditorfiscal não conferem com os valores contabilizados; que o auditorfiscal não teria utilizado os saldos credores de cada mês nos meses subsequentes; e por isto, reitera o pedido de nulidade, a legalidade dos créditos, a exclusão do ICMSST, a exclusão do ICMS próprio, o afastamento da multa de ofício agravada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Relator Preliminar de nulidade A recorrente alega que o lançamento não teria atingido a verdade material e careceria de firme fundamentação. Não lhe assiste razão nesta parte. A fundamentação do lançamento está na contabilidade da empresa, em especial, nos balancetes (fls. 628 a 651). Os registros contábeis fazem prova contra o contribuinte, nos termos do art. 226 do Código Civil: “Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e em seu favor, quando escrituradas sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública , ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos” Desse modo, qualquer divergência quanto ao que está contabilizado deve ser comprovado pela recorrente. No Recurso Voluntário, a recorrente assevera que os valores utilizados pelo Fisco não conferem com os valores contabilizados. Todavia, não é o que se verifica. Comparando a planilha fiscal (fls. 654) com os valores dos balancetes, constatase a convergência, com exceção de pequenas diferenças: Fl. 866DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 862 9 Contas Contábeis Créditos a Recuperar fls. 639 a 651 Valores usados pelo Fisco fl. 654 Diferença Cofins jan 3.765.077,00 3.765.077,00 0,00 fev 3.785.989,31 3.785.989,31 0,00 mar 4.181.968,26 4.181.968,26 0,00 abr 2.607.121,89 2.607.121,89 0,00 mai 2.097.152,05 2.097.152,05 0,00 jun 2.656.305,78 2.656.305,76 0,02 jul 1.624.099,49 1.620.331,80 3.767,69 ago 1.359.113,45 1.359.113,45 0,00 set 1.465.349,72 1.465.349,72 0,00 out 2.404.031,37 2.391.139,75 12.891,62 nov 3.283.983,56 3.283.728,01 255,55 dez 4.047.889,65 4.047.643,81 245,84 Pis jan 818.483,89 818.483,89 0,00 fev 823.028,75 823.028,75 0,00 mar 909.107,95 909.107,95 0,00 abr 566.700,92 566.700,92 0,00 mai 455.889,97 455.889,97 0,00 jun 577.445,24 577.445,24 0,00 jul 353.056,34 352.237,28 819,06 ago 295.447,69 295.447,69 0,00 set 318.529,05 318.529,05 0,00 out 548.171,17 519.801,78 28.369,39 nov 713.896,62 713.841,14 55,48 dez 879.964,14 879.910,77 53,37 Os valores de receita bruta convergem em todos os meses, conforme os mesmos documentos citados. De outro lado, a planilha de apuração apresentada pela empresa na Impugnação (fl. 746) apresenta valores inteiramente diferentes dos contabilizados. Ora, tais diferenças na apuração fiscal não ensejam a nulidade do lançamento, mas sua correção, o que de fato deve ser feito, no mérito. A nulidade somente deve ser declarada nos casos previsto no art. 59 do PAF – Decreto 70.235/722, que não se verificam no presente caso. Também não se constata ausência de quaisquer dos requisitos formais do art. 103 do mesmo Decreto. 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 867DF CARF MF 10 Afasto, pois, a preliminar. Mérito Legalidade dos Créditos A recorrente sustenta a legalidade dos créditos de Pis e Cofins. Ora, não há controvérsia nessa matéria de direito. De fato, o auditorfiscal concedeu os créditos contabilizados, conforme relatado, com exceção das pequenas diferenças apontadas em preliminar. Há, portanto, apenas pequenas divergências de valores, e não divergência de interpretação do direito, nesta matéria. Verifico que não há, no Relatório Fiscal, qualquer referência quanto a essas diferenças, razão pela qual assiste parcial razão à recorrente nesta divergência de valores. Os valores contabilizados como contribuições a recuperar devem ser totalmente reconhecidos como passíveis de creditamento, uma vez que não há qualquer acusação quanto à sua impropriedade. Presumo que tal fato tenha ocorrido por lapso no lançamento. Por outro lado, não corresponde à verdade a alegação, da recorrente, de que o auditorfiscal não teria aproveitado os saldos credores de um mês nos meses subsequentes. A planilha de fls. 654 apresenta o respectivo cálculo, permitindo confirmar que os eventuais saldos credores dos meses positivos foram aproveitados nos meses subsequentes. Portanto, nesta matéria, o lançamento deve ser corrigido, para incluir as diferenças de créditos contabilizados, conforme apurado na planilha abaixo, reajustandose as respectivas bases de cálculo. Contas Contábeis Créditos a Recuperar fls. 639 a 651 Valores usados pelo Fisco fl. 654 Diferença Cofins jan 3.765.077,00 3.765.077,00 0,00 fev 3.785.989,31 3.785.989,31 0,00 mar 4.181.968,26 4.181.968,26 0,00 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 3 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 863 11 abr 2.607.121,89 2.607.121,89 0,00 mai 2.097.152,05 2.097.152,05 0,00 jun 2.656.305,78 2.656.305,76 0,02 jul 1.624.099,49 1.620.331,80 3.767,69 ago 1.359.113,45 1.359.113,45 0,00 set 1.465.349,72 1.465.349,72 0,00 out 2.404.031,37 2.391.139,75 12.891,62 nov 3.283.983,56 3.283.728,01 255,55 dez 4.047.889,65 4.047.643,81 245,84 Pis jan 818.483,89 818.483,89 0,00 fev 823.028,75 823.028,75 0,00 mar 909.107,95 909.107,95 0,00 abr 566.700,92 566.700,92 0,00 mai 455.889,97 455.889,97 0,00 jun 577.445,24 577.445,24 0,00 jul 353.056,34 352.237,28 819,06 ago 295.447,69 295.447,69 0,00 set 318.529,05 318.529,05 0,00 out 548.171,17 519.801,78 28.369,39 nov 713.896,62 713.841,14 55,48 dez 879.964,14 879.910,77 53,37 ICMS próprio na base de cálculo das contribuições A recorrente sustenta que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições nãocumulativas, apresentando jurisprudência a respeito. A base de cálculo da Cofins, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, é a receita bruta, cf. art. 1º, caput, e §1º, da Lei 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. A Receita Bruta é definida pelo art. 12 do Decretolei 1.598/77, com a seguinte redação então vigente: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Fl. 869DF CARF MF 12 §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Como se vê, a exclusão dos tributos incidentes somente se faz para encontrar o valor da receita líquida, conforme §1º. Para o Pis (Lei 10.637/2002) a redação é semelhante. Desse modo, conforme expressa definição legal, a base de cálculo do Pis e da Cofins abrange os tributos incidentes sobre a receita bruta ou faturamento, tais como o ICMS e o ISS. O Carf não pode afastar a aplicação da Lei sob considerações de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula 2 e artigo 26A do Decreto 70.235/72: Súmula 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. As exceções do §6º não estão caracterizadas. Também não se verificam as exceções tratadas no §1º do artigo 62 do Regimento Interno do Carf – RICARF. Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em regime de repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Fl. 870DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 864 13 Carf, nos termos do §2º do art. 624 do Ricarf. Com efeito, a falta de definitividade não enseja a imediata aplicação da decisão, porque é possível ainda a modulação dos efeitos da inconstitucionalidade declarada. Pelo exposto, não acolho os motivos de defesa nesta matéria. ICMSSubstituição Sustenta a recorrente que o ICMSST não integra a base de cálculo do Pis e da Cofins. Também não há controvérsia nessa matéria. Não há dúvidas de que o ICMS ST não compõe a base de cálculo das contribuições em foco, cf. art. 12, §4º, do Decretolei 1.598/77, já citado. Tratase, na verdade, de discussão impertinente, porque não há, no Relatório Fiscal, qualquer referência à inclusão do ICMSST na base de cálculo. O que houve foi o lançamento sobre a receita bruta, e foram aproveitados todos os créditos contabilizados, com exceção das pequenas diferenças referidas em preliminar. Ressalto que a empresa foi exaustivamente intimada a apresentar demonstrativo de apuração das contribuições, e não cumpriu o que foi intimado. Os documentos trazidos pela recorrente (fls. 747 a 764) em sede de recurso não apontam o destaque de ICMSST. Pelo contrário, as notas fiscais juntadas informam valor zero tanto para a base de cálculo do ICMSST quanto para o valor devido de ICMSST. Não há nos autos qualquer notícia de incidência de ICMSST, ou de sua inclusão na base de cálculo. Portanto, não há como dar razão ao contribuinte. Multa agravada O agravamento da multa de ofício, prevista no §2º, art. 44 da Lei 9.430/965, tem como fundamento teleológico o incentivo para que o contribuinte colabore no alcance da verdade material dos fatos tributários. Essa colaboração é dever do contribuinte, art. 4º da Lei 9.874/996. 4 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 5 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fl. 871DF CARF MF 14 No presente caso não houve essa colaboração. Com efeito, conforme relatado, houve nove intimações respondidas de modo repetitivo, no sentido de alteração do sistema, sem que o contribuinte apresentasse razões de fato a justificar tanto atraso na operacionalização de seus sistemas, atrasos que se estenderam por um ano. A disponibilização da contabilidade no sistema público de escrituração digital – SPED não exime o contribuinte do dever de apresentar esclarecimentos quanto aos fatos contabilizados, e apresentação dos arquivos digitais, conforme previsto no artigo 11 da Lei 8.218/917. A Súmula Carf nº 968 não se aplica ao caso, por não se tratar de arbitramento. Nos casos de arbitramento, a omissão do contribuinte prejudica a ele mesmo, enquanto, no presente caso, a ação omissiva é prejudicial aos objetivos do processo administrativo. Desse modo, a tipificação da penalidade está caracterizada, sem necessidade de outros requisitos, tais como a alegada falta de notificação de atraso, requisito este ausente da Lei. A comprovação de prejuízo é prescindível, nos termos do art. 1369 do CTN. Quanto às alegações de efeito confiscatório, tal diretriz constitucional é dirigida ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. Não é dado ao julgador administrativo afastar multa legalmente prevista com base em considerações de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula Carf nº 210. Conclusão Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para ajustar os créditos apurados pelas diferenças calculadas na planilha abaixo: Contas Contábeis Créditos a Recuperar fls. 639 a 651 Valores usados pelo Fisco fl. 654 Diferença 6 Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. 7 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. 8 Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. 9 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 10 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 12448.723168/201510 Acórdão n.º 3201003.085 S3C2T1 Fl. 865 15 Cofins jan 3.765.077,00 3.765.077,00 0,00 fev 3.785.989,31 3.785.989,31 0,00 mar 4.181.968,26 4.181.968,26 0,00 abr 2.607.121,89 2.607.121,89 0,00 mai 2.097.152,05 2.097.152,05 0,00 jun 2.656.305,78 2.656.305,76 0,02 jul 1.624.099,49 1.620.331,80 3.767,69 ago 1.359.113,45 1.359.113,45 0,00 set 1.465.349,72 1.465.349,72 0,00 out 2.404.031,37 2.391.139,75 12.891,62 nov 3.283.983,56 3.283.728,01 255,55 dez 4.047.889,65 4.047.643,81 245,84 Pis jan 818.483,89 818.483,89 0,00 fev 823.028,75 823.028,75 0,00 mar 909.107,95 909.107,95 0,00 abr 566.700,92 566.700,92 0,00 mai 455.889,97 455.889,97 0,00 jun 577.445,24 577.445,24 0,00 jul 353.056,34 352.237,28 819,06 ago 295.447,69 295.447,69 0,00 set 318.529,05 318.529,05 0,00 out 548.171,17 519.801,78 28.369,39 nov 713.896,62 713.841,14 55,48 dez 879.964,14 879.910,77 53,37 Marcelo Giovani Vieira – Relator Fl. 873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900296/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.720
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 96 /2 01 3- 74 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.754, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.900296/201374 Acórdão n.º 3301003.720 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002173/2005-65
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2001
DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS EFETIVAMENTE PAGOS.
Verificadas diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente pagos subsiste o lançamento das tais diferenças.
Numero da decisão: 1802-000.840
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2001 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS EFETIVAMENTE PAGOS. Verificadas diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente pagos subsiste o lançamento das tais diferenças. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, André Almeida Blanco. Relatório Fl. 160DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG. Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 0508), tendo sido constituído crédito tributário no valor de R$ 14.098,99, decorrente da constatação de falta de recolhimento da contribuição, em razão das diferenças apuradas entre valores devidos e os declarados/pagos no ano calendário 2001, conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 18) do qual se depreende que a recorrente fez a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido e informou que o critério de reconhecimento de suas receitas de vendas no ano calendário 2001 foi o regime de competência e a par disso, os valores recolhidos ou confessados em DCTF são inferiores àqueles devidos, conforme detalhadamente apontado nos demonstrativos de folhas 14 a 18. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 107 – 112) aduzindo em síntese que os pagamentos efetuados por órgãos públicos, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, na forma do art. 64 e parágrafos da Lei 9.430/1996 e por outro lado, o art. 5° da IN/SRF/STN/SFC 23/2001, estabeleceria que os valores retidos somente podem ser compensados a partir do mês da retenção, de sorte que o ato normativo da Administração Tributária teria fixado o regime de caixa para tratamento tributário a ser dispensado às retenções efetivadas pelos órgãos públicos, o que implica no diferimento da tributação das receitas correspondentes para a data do recebimento, nos casos de serviços e fornecimentos a órgão público. Sustentou, destarte, que não é outro o entendimento trazido pelo art. 7° e parágrafo único da Lei 9.718/1998, asseverando que adotou o regime de competência para todas as receitas, inclusive nos casos de faturamento para órgão público, por considerar, erroneamente, que a opção facultada pela legislação concernente ao lucro presumido, deveria obrigatoriamente alcançar todas as receitas, bem como os valores a serem retidos na fonte relativos a essas receitas. Destacou a contribuinte que ao proceder dessa maneira acabou por infringir o art. 5° da IN/SRF/STN/SFC 23/2001, porém, sem acarretar danos aos cofres públicos. Dessa forma, qualquer falta/insuficiência de recolhimento que viesse a ser apurada pela fiscalização somente poderia decorrer da não inclusão de alguma receita na base de cálculo, como as receitas financeiras, por exemplo, ou da falta do adicional do imposto de renda, devido no quarto trimestre do ano calendário 2001. No que toca ao critério adotado pela fiscalização, assentou a contribuinte que foram distorcidos os resultados obtidos ao considerar todas as receitas pelo regime de competência, inclusive as derivadas de fornecimento de bens a órgão público, enquanto que as respectivas retenções foram levadas à compensação pelo regime de caixa, pelas datas dos pagamentos, asseverando que o procedimento adotado pela fiscalização não se coaduna com a legislação em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em questão. Com vistas a sustentar seus argumentos, foram desenvolvidos novos demonstrativos para cálculo das diferenças que realmente ocorreram nos recolhimentos de impostos e contribuições relativos ao ano calendário 2001, sendo que a única modificação que se faz em relação aos demonstrativos da fiscalização está localizada no quadro que demonstra a receita de vendas para efeito de cálculo dos impostos e contribuições, onde as vendas para órgãos públicos foram consideradas pelo regime de caixa, enquanto que as demais vendas continuam a ser consideradas pelo regime de competência. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10660.002173/200565 Acórdão n.º 180200.840 S1TE02 Fl. 158 3 A autuação foi julgada procedente nos termos do acórdão e voto de folhas 125 a 129, fundamentandose para tanto, que por serem distintos, não se imiscuem como sugeriu a recorrente, os horizontes da retenção na fonte dos tributos e contribuições disciplinados a exemplo da IN/SRF/STN/SFC n° 23, de 2001, com o regime de reconhecimento das receitas, dados o seu objeto disciplinado e seus limites normativos. Demais disso, salientou a decisão recorrida, que instada a informar o critério adotado para o reconhecimento de suas receitas de vendas de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcela, incluindo as efetuadas a órgãos públicos (fls. 92 – 93), a contribuinte respondeu (fl. 94) que, relativamente ao ano calendário 2001 adotou o regime de competência, ou seja, segundo os períodos em que foram incorridas, sem levar em conta as datas dos seus efetivos recebimentos, registrandose que tivesse a contribuinte utilizado a opção de adotar o regime de caixa para fins de incidência da COFINS e PIS, estaria condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao IRPJ e à CSLL, conforme dispõe o art. 20 da Medida Provisória 2.15835/2001, mantendose assim, o auto de infração. Devidamente cientificada (fl. 138), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 139 – 145) reiterando seus argumentos e pugnando por provimento e a consequente modificação da decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 162DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Salientese de início que a imputação fiscal consiste, nos moldes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 – 13), na constatação de diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente pagos pela contribuinte. Como destacado no relatório acima, afirma a contribuinte que as inegáveis diferenças apuradas, decorreram do tratamento tributário dado ao faturamento decorrente das vendas para órgão público, em razão da retenção de impostos e contribuições obrigatoriamente efetivadas no momento do pagamento. Diante desses fatos, entendo que a decisão recorrida não está a merecer reforma. Por óbvio, não se desconhece na esteira do que argumentou a recorrente, que exista uma regra de exceção que possibilite às empresas tributadas pelo lucro real, para as quais o regime de competência no tratamento tributário das receitas é obrigatório, e às empresas optantes pelo lucro presumido que adotaram o regime de competência facultado pela legislação tributária, que os valores que serviram de base para a retenção efetivada por órgão público possam ser incluídos na formação da base de cálculo para apuração dos tributos e contribuições devidos a este título no mês do seu efetivo recebimento. O que não se pode olvidar, contudo, que a própria recorrente, em Resposta contida à folha 94, informou que no ano calendário 2001, adotou o critério do Regime de Competência, permitindo depreender, portanto, que os efetivos recebimentos foram desconsiderados nas suas apurações. Ademais, como bem salientou a decisão recorrida, as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido somente poderão adotar o regime de caixa, para fins de incidência da contribuição para o PIS e a COFINS, na hipótese de adotar o mesmo critério em relação ao IRPJ e à CSLL, conforme dispunha o artigo 20 da Medida Provisória 2.15835/2001, in verbis. Art.20. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido somente poderão adotar o regime de caixa, para fins da incidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, na hipótese de adotar o mesmo critério em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas e da CSLL. Diante de tais fatos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 29 de março de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 163DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10660.002173/200565 Acórdão n.º 180200.840 S1TE02 Fl. 159 5 Fl. 164DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 10580.720011/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que se considera o sujeito passivo intimado de decisão, na forma disposta no art. 23, III, "a" e § 2º, III, "a" c/c art. 33, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3201-003.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso quanto à tempestividade e não conhecer do restante do recurso voluntário em razão da sua intempestividade.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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RECURSO INTEMPESTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que se considera o sujeito passivo intimado de decisão, na forma disposta no art. 23, III, "a" e § 2º, III, "a" c/c art. 33, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso quanto à tempestividade e não conhecer do restante do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Winderley Morais Pereira Presidente. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 11 /2 01 3- 11 Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 200.204,04, referente aos fatos geradores 31/01/2008, 29/02/2008 e 31/03/2008. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 28/12/2012; b) o segundo formalizou a exigência de PIS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 43.377,54, referente aos fatos geradores 31/01/2008, 29/02/2008 e 31/03/2008. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 28/12/2012. Foi produzido Termo de Verificação Fiscal, onde ficou registrado (excertos): 4. A ação fiscal abrangeu o período de jan/2008 a dez/2009. 6. Foi declarado, por escrito, não possuir a COOPERSAÚDE processos judiciais ou administrativos concernentes a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; nem processos de consulta formulados. 7. A contribuinte declarou em DIPJ para o anocalendário 2008 (DIPJ ND 1641146), receita bruta de R$ 31.913.519,12 e entregou DACON e DCTF sem informação de débitos. 10. As DACON e DCTF também foram retificadas (em 13/11/2012 e 19/11/2012, respectivamente) passando a informar débitos de PIS e COFINS, conforme será detalhado adiante 12. (...) elaborou as planilhas reproduzidas abaixo que explicita a segregação das receitas em decorrentes de atos cooperados (que eram repassados a estes na proporção dos serviços prestados a terceiros) e as correspondentes taxas administrativas cobradas dos membros. Só sobre as últimas a contribuinte entende que havia incidência do PIS e da COFINS (...). 13. (...), a despeito de ter a fiscalizada registrado contabilmente tais obrigações, ela não as confessou em DCTF, mesmo as incidentes sobre as receitas decorrentes de atos não cooperados. Só apresentou DACONs e DCTFs retificadoras em 13 e em 19/11/2012, confessando dever as contribuições incidentes apenas sobre as receitas oriundas das taxas administrativas. Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 4 3 14. (...), é interessante observar que nas DIPJs transmitidas, referentes aos anos de 2008, a contribuinte informa descontos de Cofins e Pis sobre o total das receitas de prestação de serviços auferidas, conforme se pode verificar (...). 23. (...), nem sobre as receitas de taxas administrativas, nem sobre as receitas dos serviços médicos prestados, a fiscalizada recolheu as devidas contribuições de COFINS e PIS 29. Constatase no rol apresentado acima que nenhuma das exclusões se aplicam à contribuinte fiscalizada. 30. Corroborando entendimento referente à base de cálculo do PIS e COFINS com alicerce no faturamento ou receita bruta, o artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 635 de 24 de março de 2006, determina que o fato gerador das contribuições citadas incidentes sobre o faturamento é o auferimento de receita. 31. Do todo acima exposto, constatase que a receita bruta da COOPERSAÚDE é representada pela soma dos ingressos dos atos cooperativos (conta 6101010000) e as taxas administrativas cobradas dos cooperados (código da conta 6101010000), conforme planilha disposta no parágrafo 21. 37. Do todo acima exposto constatase que a contribuinte, qualificada como cooperativa da área de saúde humana, conforme se depreende do Estatuto Social, é contribuinte da COFINS com base no faturamento mensal, ou receita bruta. 38. Da análise realizada nos documentos apresentados pela contribuinte, concluise que a receita bruta/faturamento mensal da COOPERSAUDE é representada pela soma dos ingressos dos atos cooperativos (conta 6101010000) e as taxas administrativas cobradas dos cooperados (código da conta 6101010000), conforme planilha disposta no parágrafo 21. Em 28/01/2013 a contribuinte apresentou, através de procuradores, arrazoado impugnatório referente aos lançamentos (PIS/COFINS) onde alegou (em síntese): Dos fatos · o Fisco reconheceu que a cooperativa, no desenvolvimento de seu objetivo social, pratica apenas atos cooperativos, não tendo sido detectada a prática de qualquer ato não cooperativo, à exceção daqueles cuja receita encontrase registrada contabilmente na conta 61101; · desde sua constituição, a cooperativa sempre atuou no intuito de atingir o bem comum dos cooperados. Dos valores recebidos pelos serviços médicos prestados pessoalmente pelos seus cooperados, uma parte era destinada ao custeio da estrutura administrativa, melhorias na estrutura física da sede e também na comunicação social da entidade, de forma a cumprir o seu objetivo social; Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 5 4 · considerando que os valores recebidos dos tomadores de serviço, depois de descontado um percentual para o pagamento das despesas da cooperativa, são repassados diretamente aos cooperados em razão do trabalho desenvolvido por cada um deles e, considerando que eventual sobra dos valores destinados à administração da cooperativa e à realização do seu objeto social é devolvida aos cooperados também na proporção do seu trabalho, resta indubitável que a cooperativa cumpre um dos requisitos básicos da sociedade cooperativa, qual seja a não realização de lucro; · não restam dúvidas de que a negociação da prestação dos serviços de seus cooperados, incumbida à cooperativa, caracterizase como ato cooperativo típico, integralmente alinhado ao quanto preceituado na lei das cooperativas (Lei nº 5.764/1971), inclusive sem qualquer objetivo de lucro, vez que seu objeto social concerne, justamente, à aproximação de seus cooperados do mercado consumidor; · nos autos de infração não houve a descaracterização da sociedade cooperativa, nem a escrita fiscal foi desqualificada, de onde se assume ser fato incontroverso que os ingressos havidos em razão dos serviços prestados pessoalmente pelos cooperados e registrados na contabilidade decorrem unicamente da prática de atos cooperativos típicos. Da autuação · o Fisco considerou todos os ingressos da cooperativa como se faturamento fosse. Ocorre que tal exigência é inteiramente improcedente, pois os ingressos decorrentes da prática de atos cooperativos não podem ser classificados como faturamento, eis que por definição legal, não são atos mercantis. E não sendo atos de mercancia, os ingressos da cooperativa estão fora da hipótese de incidência do PIS/COFINS, em face do art. 79 da Lei nº 5.764/1971. Do direito · os atos cooperativos, tais quais os reconhecidamente praticados pela sociedade, não se constituem em atos mercantis, e por isso não se enquadram no conceito de faturamento. O ingresso de valores no caixa das cooperativas, quando da prática de atos cooperativos, não se confunde com faturamento nem com receitas próprias. Portanto, não incidem as contribuições sobre os atos cooperativos praticados pela sociedade; · os valores pagos pelas tomadoras de serviço, representam meros ingressos no caixa da cooperativa e não podem ser considerados como faturamento/receita, visto serem honorários dos médicos associados em razão da prática de atos cooperativos. Ato cooperativo. Atuação da cooperativa. Inexistência de receita Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 6 5 · ato não cooperativo é aquele que nada diz respeito ao objeto de uma sociedade cooperativa, caracterizando uma atividade mercantil praticada pela pessoa jurídica. O resultado positivo auferido em razão da prática de tais atos, mesmo que praticados pela cooperativa, configura auferimento de receita, sendo, portanto, passível de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Já ato cooperativo, ou ato cooperado, é aquele pelo qual a cooperativa realiza a sua finalidade social, qual seja a prestação de serviços aos seus associados. Conforme a Lei nº 5.764/1971 (parágrafo único do art. 79), os atos cooperados não implicam em operações mercantis, tampouco em contrato de compra e venda; · todos os ingressos contábeis verificados pelo Fisco são decorrentes e pertencem aos cooperados, em razão da prestação de serviços realizados de forma pessoal por estes, à exceção da taxa administrativa retida para o custeio da estrutura da sociedade. Tratase de ato cooperativo típico, concernente ao objetivo social da cooperativa, envolvendo esta e o cooperado; · não se pode dizer que, por ser um terceiro o tomador do serviço prestado pessoalmente pelos cooperados, restaria descaracterizado o ato cooperativo, já que se trata de um negócio feito pela cooperativa em nome dos cooperados e com o intento de que estes alcancem o mercado consumidor e aufiram renda. Não seria razoável pensar que os cooperados poderiam prestar serviços apenas a outros cooperados, o que inviabilizaria economicamente a atividade; · a intermediação da contratação dos serviços de seus cooperados, efetuada pela cooperativa, configura ato cooperativo típico. Tendo em vista que a cooperativa repassa os honorários auferidos aos cooperados, em razão direta dos serviços prestados por cada um, tais ingressos jamais poderiam ser considerados como receita/faturamento da cooperativa. Não incidência do PIS/COFINS sobre atos cooperados · o Fisco considerou como sendo faturamento todos os ingressos havidos pela cooperativa, inclusive as receitas decorrentes da prática de ato cooperativo típico. No entanto, a autuação é improcedente; · ao contrário do pretendido pelo órgão fiscalizatório, o conceito de faturamento não se amolda aos atos cooperados, havendo por isso a não incidência do PIS ou da COFINS sobre os referidos atos; · a análise do Relatório Fiscal leva à conclusão de que o Fisco considerou como receita e, por decorrência, como base de cálculo para a tributação pela COFINS e pelo PIS, o somatório do valor das notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Ocorre que os ingressos no caixa dos honorários médicos, pela prática de atos cooperados, não se confundem com receitas da cooperativa. No caso concreto, o ingresso no caixa de valores Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 7 6 decorrente de atos cooperados não se enquadra no conceito de faturamento/receita por não ser uma riqueza própria da Sociedade. Assim, no mérito, deve ser declarada a total improcedência dos autos de infração. Erros contábeis. Esclarecimentos · o Fisco apontou a existência de divergências contábeis. Cumpre esclarecer que os erros em questão são atribuíveis apenas e tão somente à equipe de contabilidade da cooperativa. Tais erros por si só não são capazes de criar fatos geradores, nem implicam em confissão de dívida. No Direito Tributário deve prevalecer, sempre, a verdade real, sendo que a verdade real é que tratase de uma cooperativa de trabalho médico e como tal, no exercício do seu mister, os ingressos decorrentes da prática de atos tipicamente cooperativos não podem ser considerados como sendo faturamento, daí porque não se submetem à incidência nem do PIS nem da COFINS. A cooperativa irá exigir dos responsáveis pelas declarações a reparação por perdas e danos que for cabível. Pedido · a cooperativa requer que seja reconhecida a total improcedência das autuações. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, indicando, de logo, e em especial, a juntada posterior de documentos, pareceres, decisões dos Tribunais Administrativos e Judiciais, inclusive em contra prova, diligências, exames, vistorias, perícias e revisão do lançamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 8 7 cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento por ciência eletrônica registrada em sua Caixa Postal, do Módulo eCAC do site da Receita Federal. Consta no Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 3.019) que o documento referente à ciência foi disponibilizado na Caixa Postal na data de 27/12/2013, sendo considerada data da ciência por decurso de prazo o dia 11/01/2014. O conhecimento do teor dos documentos referentes a decisão da Delegacia de Julgamento deuse na data de 20/03/2014, pela abertura dos arquivos correspondentes no Link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), conforme consta do Termo de Abertura de Documento (fl. 3.020). Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 3.022/3.036), juntandoo ao processo por meio eletrônico, em 03/04/2014, no módulo do Processo Digital, conforme consta do Termo de Solicitação de Juntada (fl. 3.021) e confirmado pelo Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fl. 3.037). Na preliminar, a recorrente alega a tempestividade do recurso voluntário, pois que interposto em prazo inferior a 30 dias, a contar de 20/03/2014, data em que considera realizada sua ciência. Cita a folha 3.020, onde consta o Termo de Abertura de Documento. Quanto ao mérito repisa os argumentos já apresentados na impugnação e enfrentados em sede de julgamento a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Ressaltase inicialmente que não há qualquer insurgência da contribuinte quanto à modalidade de ciência ou a prática de comunicação dos atos processuais por intermédio do Domicílio Tributário Eletrônico DTE, vez que desde a peça inaugural do litígio a impugnação do lançamento, as partes utilizaramse amplamente do meio eletrônico processual. Destarte, a lide cingese tão somente acerca da controvérsia quanto à data em que a recorrente foi cientificada da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente sua impugnação. Consta dos autos a ciência da decisão da DRJ em 11/01/2014, conforme o documento " Termo de Ciência por Decurso de Prazo" à folha fl. 3.019. Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 9 8 A recorrente, por sua vez, alega que a ciência ocorreu em 20/03/2014, conforme o documento " Termo de Abertura de Documento" à folha 3.020, data esta em que tomou conhecimento do teor da decisão da DRJ, por abertura dos documentos acostados na sua Caixa Postal. Por outro lado, é inconteste a data de interposição do recurso voluntário, que está expressa nos documentos " Termo de Solicitação de Juntada" e " Termo de Análise de Solicitação de Juntada" fls. 3.021 e 3.037, qual seja, o dia 03/04/2014. Assim, a questão a decidir circunscrevese à data a partir da qual foi a contribuinte cientificada do acórdão da DRJ para proceder à contagem do prazo final para interposição de recursos; se 11/01/2014 ou 20/03/2014. Tal decisão exige a análise da legislação que trata das formas e datas de ciência dos atos processuais Decreto nº 70.235/1972 e atos infralegais da Receita Federal e Ministério da Fazenda. Vejamos aquelas pertinentes à solução da lide: Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (...) Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 10 9 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. Portaria MF nº 527, de 09 de novembro de 2010: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a caixa postal a ele atribuída pela Administração Tributária e disponibilizada no centro virtual na Internet, desde que o sujeito passivo expressamente autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo aos órgãos competentes do MF de Termo de Opção, por meio do centro virtual, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. A leitura conjugada do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 permite concluir que a intimação realizada de forma eletrônica (art. 23, III) terá como prova de recebimento o envio ao domicílio tributário do contribuinte (art. 23, "a") e que a intimação será considerada realizada (art. 23, § 2º) em um dos seguintes momentos: (i) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo (art. 23, § 2º, III, "a"), ou Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 11 10 (ii) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a (art. 23, § 2º, III, "b"). Resta claro que a data da ciência mediante a abertura de mensagem, que equivale à "consulta no endereço eletrônico", somente prevalecerá como a data da intimação se este fato (a abertura do documento) ocorrer antes da fluência do prazo de 15 dias a contar da data de registro da disponibilização dos documentos pertinentes à ciência. Mostrase elementar a interpretação: na ciência eletrônica, por meio de envio de documentos à Caixa Postal, considerase intimado o sujeito passivo na data da abertura dos documentos, se ocorrer no prazo de até 14 (catorze) dias do envio; na hipótese de o interessado não abrir os documentos, terseá por intimado no décimoquinto dia a contar do envio. Atentase que em relação à autorização para envio de intimações por meio eletrônico (art. 23, §§ 4º, II e 5º do PAF), esta é efetivada com o envio pelo contribuinte do Termo de Opção (§ 2º, art. 4º das Portarias transcritas), que a partir do qual as comunicações serão por tal via. De fato, a análise das peças processuais apontam que, a partir da impugnação, os atos processuais são realizados por meio do Domicílio Tributário Eletrônico DTE. Retornando aos autos, os documentos de ciência foram disponibilizados na Caixa Postal da recorrente em 27/12/2013, cujo prazo de 15 dias expirou em 11/01/2014, sábado. Nos termos do art. 5º e parágrafo único do Decreto nº 70.235/721, esta data não é dia de expediente normal o que prorroga a ciência para o dia 13/01/2014, segundafeira, e a data de início para a contagem do trinídio legal para interposição do recurso foi o dia 14/01/2014, terçafeira, extinguindose o prazo no dia 13/02/2014, quartafeira. O recurso voluntário foi interposto em 03/04/2014, revelandose intempestivo, não atendendo os pressuposto de admissibilidade. Isto posto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO quanto à tempestividade e NÃO CONHECER DO RESTANTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO em razão da sua intempestividade. Paulo Roberto Duarte Moreira 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 10580.720011/201311 Acórdão n.º 3201003.083 S3C2T1 Fl. 12 11 Fl. 3052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000229/2005-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.375
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 29 /2 00 5- 30 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13016.000229/200530 Acórdão n.º 9303005.375 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.855. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13016.000229/200530 Acórdão n.º 9303005.375 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13016.000229/200530 Acórdão n.º 9303005.375 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13016.000229/200530 Acórdão n.º 9303005.375 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729251/2012-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA.
Em se verificando a existência de vício na norma introduzida e não na norma introdutora, trata-se de vício de natureza formal e não material, aplicável assim o disposto no art. 173, II do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para declarar o vício formal das parcelas do lançamento de obrigação principal e acessória vinculada (DEBCADs 37.376.488-0 e 37.343.642-4) decorrente da efetiva remuneração de serviços prestados através de cessão de mão de obra, não inclusos aqui quaisquer valores referentes a materiais e equipamentos objeto de fornecimento pelas contratadas, desde que contratualmente previstos e comprovados e excluindo-se, ainda, qualquer tributação decorrente dos contratos realizados com a SIL Soluções Ambientais Ltda. (levantamento SS). Excluindo-se também a tributação das operações com a com a COOTRAVIPA - Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (DEBCAD 37.376.487-1). Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, em relação ao conhecimento, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo e, em relação ao mérito, as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para declarar o vício formal das parcelas do lançamento de obrigação principal e acessória vinculada (DEBCADs 37.376.488-0 e 37.343.642-4) decorrente da efetiva remuneração de serviços prestados através de cessão de mão de obra, não inclusos aqui quaisquer valores referentes a materiais e equipamentos objeto de fornecimento pelas contratadas, desde que contratualmente previstos e comprovados e excluindo-se, ainda, qualquer tributação decorrente dos contratos realizados com a SIL Soluções Ambientais Ltda. (levantamento SS). Excluindo-se também a tributação das operações com a com a COOTRAVIPA - Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (DEBCAD 37.376.487-1). Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, em relação ao conhecimento, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo e, em relação ao mérito, as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
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NATUREZA. Em se verificando a existência de vício na norma introduzida e não na norma introdutora, tratase de vício de natureza formal e não material, aplicável assim o disposto no art. 173, II do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para declarar o vício formal das parcelas do lançamento de obrigação principal e acessória vinculada (DEBCADs 37.376.4880 e 37.343.6424) decorrente da efetiva remuneração de serviços prestados através de cessão de mão de obra, não inclusos aqui quaisquer valores referentes a materiais e equipamentos objeto de fornecimento pelas contratadas, desde que contratualmente previstos e comprovados e excluindo se, ainda, qualquer tributação decorrente dos contratos realizados com a SIL Soluções Ambientais Ltda. (levantamento SS). Excluindose também a tributação das operações com a com a COOTRAVIPA Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (DEBCAD 37.376.4871). Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, em relação ao conhecimento, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo e, em relação ao mérito, as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 92 51 /2 01 2- 95 Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.355 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402003.986, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de março de 2014 (efls. 2222 a 2238). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, bem como a base de cálculo. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da base de cálculo pautada na prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, o que não aconteceu. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da base de cálculo pautada na prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu. LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.356 3 nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a base de cálculo consignada no contrato de prestação de serviço e nas planilhas orçamentárias. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Enviados em 22/04/2014 (conforme sistema eprocesso) os autos à Fazenda Nacional para ciência, a PGFN apresentou, em 21/05/2014 (também conforme sistema e processo), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 2240 a 2251). Alega a Fazenda Nacional divergência passível de apreciação por esta Turma em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 3ª Câmara e pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, ambas da 2ª Seção de Julgamento do CARF, respectivamente através dos Acórdãos 230200.386, datado de 26 de janeiro de 2010, e 240100.018, datado de 03 de março de 2009, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 230200.386 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/12/2006 RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos AuditoresFiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n ° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.357 4 Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n ° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n ° 70.235. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado. Decisão: por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões. Acórdão 240100.018 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.358 5 O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO. Decisão: I) por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 03/2002. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas somente até a competência 11/2001; e III) Por unanimidade de votos, em anular, por vicio formal, a NFLD. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Cotejando o acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição deficiente no relatório fiscal de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador e da base de cálculo dos créditos tributários lançados. Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos confrontados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido deu provimento do recurso voluntário para anular o lançamento tributário por vício material, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização do fato gerador acarretam a nulidade do lançamento por vício meramente formal. Entende, assim, caracterizada a existência de divergência interpretativa; b) Cita o artigo 10 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, para defender que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. Na hipótese em apreço, a descrição deficiente dos fatos, vício apontado pelo colegiado como causa nulidade do lançamento por vício material, a toda vista, não pode ser considerado como de tal natureza e intensidade a ponto de determinar a exclusão dos valores do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato) nunca existiu; c) Não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. No caso em debate, o voto condutor é claro ao afirmar que a descrição fática é deficiente. Tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vício de forma; d) A propósito, cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.359 6 alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma. Conclui que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constitui causa pura e simples para a anulação do lançamento por vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar, portanto, a nulidade do lançamento nesses termos. Assim, requer que seja conhecido o presente recurso e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão para reformar parcialmente o acórdão atacado e declarar a natureza meramente formal do vício que maculou o lançamento tributário, facultando ao Fisco efetuar novo lançamento, obedecido o prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. O recurso foi regularmente admitido, consoante despachos de efls. 2257 a 2259. Encaminhados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 24/02/15 (efl. 2277), esta apresentou, inicialmente, contrarrazões de efl. 2279 a 2293. Incluído o Recurso Especial em pauta desta Turma de 23/06/2016, achouse por bem converter o julgamento em diligência, por não se ter encontrado, no sítio deste CARF, o primeiro paradigma citado pela Fazenda Nacional. Realizada a diligência e devidamente cientificada novamente a contribuinte, reabrindose o prazo para sua apresentação de contrarrazões, esta as apresenta através de documento de efls. 2308 a 2323, onde, após relato do trâmite processual, alega: a) Quanto à admissibilidade do Recurso: a.1) Uma vez que o acórdão paradigma não estava disponibilizado no sítio do CARF quando da interposição do recurso, não houve o preenchimento do pressuposto recursal estabelecido no art. 69, §§ 6o à 9o do RICARF/09, razão pela qual o recurso não pode ser conhecido. Entende que tal vício é insanável e posterior inserção do acórdão no sítio deste Tribunal não autoriza a admissão do Recurso Especial; a.2) Não há, nas razões recursais, o cotejo analítico entre o acórdão vergastado e os paradigmas escolhidos como viabilizadores para a insurgência, o que, por consequência, afasta a sua admissibilidade em razão do não preenchimento de pressuposto recursal; a.3) O Acórdão recorrido explicitou a violação do art. 142 do CTN por parte da autoridade fiscal, apontando que não houve, por parte do fisco, a indicação de qualquer indício que justificasse a adoção de métodos de aferição indireta e, assim, ordenou a nulidade por vício material por descumprimento dos comandos do art. 142 do CTN e não por violação dos arts. 10 e 11 do Decreto no. 70.235, de 1972, como tenta induzir o Recorrente. Ou seja, no entender da Câmara, o lançamento fiscal deve ser motivado para bem identificarse a efetiva ocorrência do fato gerador e da matéria tributável. No caso, o Fisco não conseguiu apontar as razões para entender como implementadas as hipóteses de incidência tributária, e tal fato, nem ao largo pode ser considerado vício de forma. Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.360 7 Já os paradigmas, segundo a autuada, não examinaram as situações fáticas sob a mesma égide jurídica, pois em ambos os julgados, a nulidade formal foi declarada por simples violação ao direito de defesa. Nos dois casos não houve o reconhecimento, como no caso em tela, da não demonstração de ocorrência do fato gerador. Ora, uma coisa é a falta de explicitação dos critérios adotados no arbitramento (acórdão paradigma), outra é a falta de demonstração da implementação do fato gerador do tributo e a existência de matéria a ser tributada. Reproduz julgados desta Câmara Superior que sustentariam a posição adotada pelo recorrido. a.4) Finalmente, alega que, nos termos dos julgados colacionados aos autos, a tese dos paradigmas é indiscutivelmente anterior aos julgados desta Câmara Superior reproduzidos, os quais chancelam o entendimento de que a deficiência na verificação do fato gerador e da matéria tributável (art. 142 do CTN) implica em vício de ordem material, que macula o lançamento por impor dúvidas concretas ao crédito por ele pretensamente constituído. Neste contexto, também por comprovada alteração na tese sustentada pelo Recorrente, amparada em acórdãos antigos, de 03.03.2009 e 26.01.2010, resta estampada a sua inadmissibilidade, nos termos do Regimento Interno deste Tribunal, por se tratar, ali, de tese superada, na forma do §10 do mesmo art. 67 citado. b) Quanto ao mérito do Recurso Especial: b.1) Alega a contribuinte que o lançamento fiscal deve conter os elementos indispensáveis para bem identificar a ocorrência efetiva do fato gerador do tributo e da matéria a ser tributada. Do contrário, há patente ilegalidade no lançamento, que merece ser extinto por total insubsistência, sendo este o caso dos autos; b.2) O recorrido, acolhendo as alegações trazidas em sede de recurso voluntário, verificou que o Fisco não comprovou ter constado quaisquer fatos concretos que justificassem o ilegal e irregular arbitramento implementado contra o Recorrido, uma vez ter efetuado as devidas retenções das contribuições previdenciárias, nos termos da lei; b.3) Apesar da diligência, realizada antes da decisão de instância ordinária, o Fisco não apontou qualquer irregularidade na escrituração contábil das Cooperativas e empresas prestadoras de serviços não havendo qualquer razão que justificasse, sem indícios da ocorrência da hipótese de incidência, o lançamento pela integralidade das notas fiscais de serviço; b.4) Não se trata da mera "falha" ou "descrição deficiente do relatório fiscal", como quer conduzir a Recorrente, mas a ausência completa do próprio motivo para a lavratura do auto de infração, falha esta insanável. Se não houve o fato gerador e não foi identificada a matéria a ser tributada, insubsistente, na essência, é o lançamento. Sobre os custos transferidos ao DMLU pelos contratos, todos apresentados aos auditores fiscais, não incidem a contribuição previdenciária, por expressa previsão da lei. Da simples análise dos contratos e dos serviços, fácil constatar que os mesmos abarcavam, de forma relevante, custos com materiais, equipamentos, transporte e alimentação, todos custos que não compõe a base de cálculo do tributo. Importante alertar que a autoridade fiscal constatou que os contratos continham esses custos e os relatou no despacho de diligência. Neste tocante, é nulo por insubsistente, na integralidade, o lançamento fiscal sobre todos os valores pagos às prestadoras, pois não houve o apontamento de qualquer indício de fato gerador ou matéria tributável. O elemento cerne do fato gerador é questão de ordem material, e sua identificação ou não no auto de infração, a Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.361 8 justificar, inclusive, uma aferição indireta, se traduz na subsistência ou insubsistência do lançamento, e não sua simples anulabilidade formal; b.5) Não houve a análise dos contratos, dos serviços de fato prestados, nem das escritas contábeis das empresas ou da própria Recorrida que justificasse a autuação arbitrária com base no valor "cheio" da nota fiscal, sem as deduções legais de custos, materiais, equipamentos, dentre outros, que não integram, à toda evidência, a base da contribuição previdenciária. Nos termos do art. 31, caput, da Lei 8.212, de 1991, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é o valor bruto na nota, fatura ou recibo no tocante, repitase, exclusivamente, ao valor correspondente aos serviços, não podendo incluir o custo com materiais e equipamentos; b.6) Prevê a Lei. no. 8.212, de 1991, em seu art. 33, § 6o, que a aferição indireta somente se justifica após o exame da escrita contábil ou documentos que demonstrem a ocorrência de fato gerador ou de erro na base de cálculo, jamais autorizando presunções desamparadas de motivação. E a aferição indireta, para ocorrer, deve valerse dos elementos previstos em lei, com ampla defesa ao contribuinte, pois a identificação da matéria tributável deve compor o lançamento sob pena de defeito de substância (art. 142 do CTN); b.7) Assim, mostrouse ilegal a prática da autoridade fiscal de ignorar, conscientemente e por completo, todas as planilhas de composição de custos que integram os contratos por disposição expressa, e lançar, de forma voraz e injustificada, o tributo sobre o valor final da nota {nota cheia) inserindo na base de cálculo os custos com materiais e equipamentos que, em muitos dos contratos inseridos na autuação, perfaziam a maior parte do preço final. A verdade é que, independentemente da forma adotada no documento fiscal para expressar a base de cálculo do recolhimento, este se deu nos termos do que prevê a lei tributária, ou seja, foram recolhidos 11% sobre o valor bruto correspondente à prestação de serviços. Não houve a identificação ou apontamento de qualquer indício de base de cálculo deprimida ou fato gerador não tributado; b.8) Ainda que estivesse autorizado o arbitramento da base de cálculo, impõese ao Fisco a obrigação de examinar detidamente os documentos existentes e não desconsiderálos por completo como fez, em atuação inversa ao "processo regular" previsto no art. 148 do CTN. Tal procedimento ilegal da autoridade fiscal resultou no lançamento de tributo sobre base não imponível e portando nula de pleno de direito por vício material. Fazer incidir contribuição previdenciária sobre custos de caminhõescaçamba, gasolina e óleo diesel, tratores e roçadeiras mecânicas, materiais e produtos em geral, depreciações de veículos, locação de automóveis e equipamentos, etc, é de ilegalidade patente. No caso, estão sendo tributados custos acessórios e vultosos com materiais e equipamentos contratados pelo ente municipal que não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária e até mesmo custos com alimentação e valetransporte, expressamente passíveis de exclusão por força da IN SRP 03/05 foram desprezados. Exemplifica o relevante percentual de tais custos nos casos das contratadas Delta Construções S.A. e Qualix Serviços Ambientais. b.9) Ainda, alega que foram tributados contratos de transporte desvinculados diretamente dos serviços de coleta e tratamento de resíduos, o que por si só afastaria a tributação. Não houve qualquer motivação no auto de infração para a inserção destes contratos, não houve auditoria nos serviços nem na contabilidade das empresas e do Recorrido, bem como houve total desprezo aos contratos firmados. A exclusão deste tipo de contrato está consagrada na IN SRP n. 03/05, art. 176, V. E ainda foram tributados convênios com entidades de catadores que não caracterizavam sequer contratos de cessão de mãodeobra; Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.362 9 b.10) Assim, entende que a realização de novo lançamento, considerando o que restou decidido no acórdão em comento, implicará anuir com o refazimento de lançamento que violou o art. 142 do CTN, lavrado por erro de direito e materialmente viciado, permitindo, neste condão, a alteração de critério jurídico a qualquer tempo, em clara violação à lei e à jurisprudência deste Tribunal. Requer, assim: a) o acolhimento das preliminares para não conhecer nem admitir o presente recurso especial por não preencher os requisitos de admissibilidade e pressupostos recursais; b) na remota hipótese de ser superada a preliminar retro, seja então, no mérito, negado provimento acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator 1. CONHECIMENTO Em tendo sido levantada pelo contribuinte óbice preliminar em sede de contrarrazões à admissibilidade do recurso, através de diferentes alegações, passo a enfrentá las em tópico próprio, relativo ao conhecimento do pleito fazendário. 1.1) Inicialmente, quanto ao disposto no art. 67 (e não 69), §§3o. e 6o. a 9o., do Regimento Interno deste Conselho, vigente à época da interposição do Recurso, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009, com alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, rezavam estes: "Art. 67 (...) § 3o O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. (...) § 6o A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7o O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8o Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Interpet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.363 10 § 9o As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade (...)" A propósito, entendo que a interpretação correta do referido §9o. é no sentido de restar atendido o requisito de admissibilidade sempre que se reproduza, no corpo do Recurso Especial, de forma integral, a ementa do paradigma utilizado para fins de caracterização de divergência, uma vez que esteja tal ementa devidamente publicada no sítio do CARF ou na Imprensa Oficial anteriormente à interposição do pleito. Ou seja, uma vez devidamente publicado o Acórdão paradigma e/ou sua ementa no sítio do CARF ou na Imprensa Oficial anteriormente à interposição do Recurso e reproduzida tal ementa integralmente no corpo do Recurso Especial, encontrase atendido o requisito de admissibilidade. Ad argumentandum tantum, entendo que, ainda que não tivesse havido tal publicação, seu objetivo é o de garantir o conhecimento do Acórdão Paradigma a outra parte envolvida no litígio, de forma a possibilitar o seu pleno exercício de defesa em sede de contrarrazões ao Recurso Especial. Assim, entendo que se deve conhecer do recurso sempre que se opte por suprir eventual não publicação com diligência onde, após a publicação ser efetuada, ainda que tardiamente, a contraparte envolvida no litígio seja devidamente cientificada do referido paradigma e do referido exame de admissibilidade que o abrangeu, com nova abertura de prazo para o oferecimento de suas contrarrazões, evitandose assim, qualquer cerceamento de defesa. De se notar que foi esta exatamente a providência determinada por este Colegiado, através da Resolução 9202000.026 (efl. 2.301 e ss.), onde, repitase, a partir da realização de diligência, entendo que se eliminou qualquer possibilidade de violação ao direito de defesa do contribuinte quanto à aceitação do referido paradigma. Assim, com base no aqui disposto, rejeito esta primeira preliminar de negativa de admissibilidade (nãoconhecimento), levantada pela autuada. 1.2) Quanto à demonstração de divergência através de cotejamento analítico, prevista no art. 67, §§ 3o. e 6o. daquele referido Regimento, tem entendido esta Turma tal requisito suprido, seja quando de Recurso Especial de iniciativa do contribuinte, seja quando de Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional, quando se possa depreender do pleito, de forma clara, a divergência alegada, desde que cumpridos os demais requisitos de admissibilidade. Se verifica ser esta a hipótese dos autos, no que diz respeito à discussão da natureza do vício em questão (material ou formal). Assim, também rejeito esta preliminar levantada. 1.3) Quanto ao disposto no §10 do mesmo artigo 67 e à alegação de se tratar a tese fazendária de tese superada, esclareçase que a superação a que ali se refere o Regimento diz respeito à tese refutada através de Súmula editada por este Conselho ou Resolução do Pleno deste mesmo CARF, não podendo se considerar determinada tese superada pela simples existência de eventuais julgados em contrário por parte desta Câmara Superior, daí, inclusive, Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.364 11 poderem julgados desta instância especial ser utilizados como paradigmas para fins de caracterização de divergência interpretativa. Rejeitese, assim, também tal argumentação. 1.4) Finalmente, quanto à falta de similitude fática alegada pelo contribuinte, verifico que, no âmbito do primeiro paradigma trazido aos autos (Acórdão 2.302000.386), o voto condutor deste paradigma, em minha leitura, é bastante claro em estabelecer a possibilidade de se estabelecer somente duas diferentes consequências para hipóteses de ocorrências de vício no lançamento, aqui inclusa a não verificação de ocorrência do fato gerador: a) o saneamento através de complementação demandada pela autoridade de 1a. instância e posterior convalidação ou b) a invalidação (anulação), com a necessidade de realização de novo lançamento. É o que se depreende dos seguintes trechos do julgado paradigmático, expressis verbis: "(...) O disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto n ° 70.235/1972, que tratam de nulidades, somente se aplicam para os atos praticados no curso do processo administrativo. O lançamento é ligado ao procedimento fiscal de apuração do crédito. Desse modo, há que se reconhecer a possibilidade de existência de outras nulidades que não somente as previstas nos arts. 59 e 60. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n ° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n ° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. A falha na motivação pode ser corrigida, desde que o motivo tenha existido. Não é outra a lição do mais abalizado administrativista brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello. De acordo com esse doutrinador, na obra Curso de Direito Administrativo, 22 edição, Ed. Malheiros, pág. 385, verbis: "em se tratando de atos vinculados, o que mais importa é haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação. Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira indisputavelmente objetiva e para Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.365 12 além de qualquer dúvida ou entredúvida, que o motivo exigente do ato preexistia, deverseá considerar sanado o vício do ato." Na mesma obra, página 451, o autor afirma que "a convalidação, ou seja, o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fora produzido de modo inválido, em nada se incompatibiliza com interesses públicos. Isto é: em nada ofende a índole do Direito Administrativo. Pelo contrário". Na lição de Celso Antônio, página 453: "A Administração não pode convalidar um ato viciado se este já foi impugnado, administrativa ou judicialmente. Se pudesse fazêlo, seria inútil a argüição do vício, pois a extinção dos efeitos ilegítimos dependeria da vontade da Administração, e não do dever de obediência à ordem jurídica. Há entretanto, uma exceção. É o caso da "motivação" de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a lei exigia que, perante eles, o ato fosse praticado com o exato conteúdo com que o foi é razão bastante para sua convalidação." Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n° 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3°, nestas palavras: Art. 18 (..) § 3o Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1o da Lei n° 8.748/93) Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de oficio, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. É como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a rega geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. Sem a manifestação oportuna do sujeito passivo, o ato administrativo portador de vício permanece no sistema. Embora o ato implique em atentado à ordem jurídica, a restauração da juridicidade violada depende da expedição de outro ato. A invalidação e a convalidação são meios estabelecidos pelo próprio regime jurídicoadministrativo para a eliminação material do vício. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.366 13 Se a Receita Federal não convalida, o ato se toma passível de invalidação pelo órgão julgador, caso este seja provocado para fazêlo. O mesmo serve para a hipótese de a Receita Federal se abster de invalidar quando deveria têlo feito. A invalidação do ato administrativo tem como efeitos jurídicos: o efeito declaratório da invalidade; e o efeito constitutivo negativo da pertinência do ato administrativo. A convalidação do ato administrativo decorre exclusivamente de competência administrativa; determinando a manutenção do ato administrativo viciado no sistema pelo saneamento do vício constatado. Tal como o ato de invalidação, o ato de convalidação tem o efeito jurídico de declarar a invalidade. Todavia, possui um efeito jurídico de natureza constitutiva positiva, pois prescreve a manutenção da imperatividade e da eficácia do ato convalidado. O CARF não convalida lançamento; mas sim declara o grau de invalidade do ato administrativo viciado: nulo ou irregular. Se for nulo, há que ser realizado novo lançamento; se meramente irregular, o ato permanecerá, apenas será reconhecida a não importância do seu erro. Destacase que no Direito Administrativo não há ato anulável, pois o mesmo é classificado como convalidável. Entendo que os meros erros materiais podem ser corrigidos no lançamento, agora as falhas mais graves, os vícios, demandam a realização de um novo ato. A correção do erros materiais, a complementação de informações, ou esclarecimentos, já constantes no relatório fiscal, podem ser trazidos aos autos por meio de diligência, inclusive comandada pelo CARF. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER DO RECURSO do notificado para no mérito ANULAR o lançamento fiscal. (...)" Feita tal consideração, ainda que se esteja a tratar de situação não idêntica à do primeiro paradigma (onde se tratava de não indicação, no Relatório Fiscal, dos fundamentos de enquadramento dos serviços prestados como cessão de mão de obra), creio se estar diante de situação notadamente análoga (mácula a requisito previsto no art. 10 do Decreto no. 70.235, de 1972, que "torna improcedente o lançamento", na linguagem do paradigma). Destarte, se pode concluir que, uma vez apresentada a situação fática dos autos ao Colegiado paradigmático ("teste de aderência"), concluiria aquele Colegiado pela anulação do lançamento com necessidade de seu refazimento, em sentido diverso do Recorrido, que concluiu pela nulidade do lançamento por vício material, sem que se cogitasse em nenhum momento acerca de seu possível refazimento. Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.367 14 Assim, verificada a dissonância de critérios jurídicos através do teste de aderência, reconheço a existência de divergência interpretativa com base no primeiro paradigma, e, portanto, conheço do Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional. Ainda que despicienda a análise do segundo paradigma (Acórdão 2401 00.018), entendo, todavia, assistir razão à autuada no que diz respeito à falta de similitude fática para este segundo Acórdão paradigmático, por se tratar, ali, de não demonstração de forma circunstanciada/pormenorizada dos critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento e de não especificação clara e precisa no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD, com consequente cerceamento de defesa, sem que se esteja, todavia, no caso do paradigma, a se cogitar de eventual inocorrência do fato gerador. Daí não se poder concluir pela existência de divergência interpretativa em relação ao recorrido, no caso do segundo paradigma. Todavia, como reportado, com base no primeiro paradigma apresentado (Acórdão 230200.0386), entendo caracterizada a divergência e, assim, conheço do pleito fazendário. Passo, assim, a sua análise de mérito. 2. MÉRITO Inicialmente, ressalto que a única matéria em litígio diz respeito à caracterização da natureza do vício existente do lançamento, ensejador de sua nulidade, se de natureza formal ou material. Ou seja, não se está mais a discutir a validade ou não do lançamento efetuado, a esta altura já definitivamente declarado nulo, mas sim a natureza do vício que acarreta a sua, repitase, incontroversa a esta altura, nulidade: Discutese aqui se se trataria de vício formal, com o consectário de possibilidade de refazimento do lançamento, na forma preconizada pelo art. 173, II do CTN ou de vício material, na forma concluída pelo recorrido. Ainda, faço notar que, quanto à existência de vício e quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101 002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.368 15 Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzila. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regramatriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (...) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. (...)" Feita tal digressão, adianto que a aplicação de tais considerações ao litígio em tela será feitas em itens, consoante se segue: a) Quanto ao lançamento efetuado referente aos valores pagos decorrentes dos contratos junto à SIL Soluções Ambientais Ltda. (elementos de efls. 276 a 305): Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.369 16 Entendo restar, a esta altura, incontroversa a inocorrência do fato gerador para os valores lançados decorrentes desta contratada, a partir da manifestação de item 7.2 de efls. 2184/2185, constante de diligência realizada pela autoridade preparadora, verbis:. 7.2. Com relação ao contrato da Autarquia com a empresa SIL SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA, tendo em vista que os serviços foram prestados na sede da Contratada, não é devida a retenção, sendo devida a retificação do lançamento de DEBCAD 37.376.4880, com a exclusão dos levantamentos SS e SS2. Reconhecida, assim, de forma expressa a inocorrência do fato gerador (erro na aplicação da regramatriz de incidência) quanto aos valores pagos a esta contratada constantes de notas fiscais, é de se manter a conclusão de existência de vício material quanto a esta parcela do lançamento, sendo de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto a este item. b) Quanto ao lançamento efetuado referente aos valores pagos decorrentes dos contratos junto à COOTRAVIPA Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (elementos de efls. 1548 a 1682) DEBCAD 37.376.4871: Refirome, aqui, ao Acórdão 9202004.002, de 11/05/2016, relatado pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, onde se manifestou esta Turma pela inconstitucionalidade da hipótese de incidência utilizada nos presentes autos. Por essa razão, peço vênia para reproduzir o voto por ela exarado, em tudo aplicável ao presente caso: " (...) o crédito tributário ora exigido teve como fundamento o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999, que assim dispunha: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho." Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, tal exigência foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Em 25/02/2015, foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, nos seguintes termos: "(...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838/SP EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.370 17 Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91,com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional.(...)” De acordo com o artigo 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. (...)" Assim, reconhecida a referida inconstitucionalidade por esta Turma, posicionamento que há de se manter aqui, não há que se falar em regra matriz de incidência válida, aplicável aos serviços prestados pela Cooperativa em questão, sendo de se manter, assim, também a conclusão do Recorrido de existência de vício material também quanto a esta parcela do lançamento, sendo de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional também neste item. c) Quanto ao lançamento efetuado referente aos valores pagos decorrentes dos contratos junto às demais contratadas, excetuada a SIL Transportes Ambientais Ltda. e a COOTRAVIPA Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (elementos de efls. 03 a 1801, excetuadas as efls. 276 a 305 e demonstrativo detalhado de efls. 2037 a 2053): Aqui, a regramatriz de incidência quanto à retenção sob análise pode ser perfeitamente delineada a partir da análise dos seguintes dispositivos, perfeitamente consistentes entre si: Lei 8.212/91 "(...) Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos).(grifei) § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.371 18 a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). (...)" Decreto 3048/99 "(...) Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2o Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.372 19 II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. §3o Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. §4 o O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.373 20 à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5 o O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6 o A empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7 o Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8 o Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. (...)" Da leitura dos dispositivos, entendo que estarão sujeitos a retenção os valores constantes do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que se caracterizem como executados por cessão de mão de obra, sendo passíveis de exclusão da retenção valores correspondentes a materiais e equipamentos objeto de obrigação contratual da contratada, desde que tais valores estejam contratualmente previstos e devidamente comprovados, sendo facultada ao contratado a sua inclusão em nota fiscal. Em não havendo previsão contratual dos valores correspondentes a materiais e equipamentos, devese recorrer a dispositivo infralegal, através do qual o INSS regulamentou, na forma delineada no art. 8o. do Decreto, acima reproduzido, a base de cálculo de tal retenção (IN MPS/SRP no. 03, de 2005). Assim, em linha com o recorrido, também não comungo da idéia de que a mera não inclusão em nota fiscal seria suficiente para que se estabelecesse a tributação pelo valor cheio da nota fiscal, tal como realizado pela autoridade lançadora Feita tal digressão, entendo, todavia, que, no caso em análise, o montante de crédito tributário objeto de lançamento que remanesce sob análise no presente item, obtido utilizandose como base de cálculo o valor bruto das notas fiscais emitidas pelas contratadas junto à tomadora, desprezandose, assim, a existência dos contratos anexados aos autos, contempla duas diferentes parcelas possuidoras de vício de natureza bastante diversa, a saber: c.1) Valores para os quais não há que se falar em incidência da regra matriz, visto que dela expressamente excluídos, dentre os quais se pode elencar: Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.374 21 c.1.1) Valores referentes a materiais e equipamentos e outros custos contratuais relacionados, desde que devidamente previstos em contrato e devidamente comprovados os quais, em linha com o recorrido, não guardam correlação com o serviço prestado por cessão de mão de obra (tais como materiais e veículos fornecidos, custos de combustível e de locação de veículos, etc..); c.1.2) Contratos para os quais, ainda que se realize atividade passível de cessão de mão de obra, esta não se configurou no caso em questão ou, ainda, que não guardam relação sequer com o serviço prestado através de cessão (tal como alega o contribuinte ser o caso de alguns contratos de transporte que tiveram valores lançados). Para tais valores, perfeita a conclusão do recorrido no sentido de inexistência de motivo para o lançamento e de não correspondência adequada da realidade fático com o pressuposto de incidência de direito. Destarte, para tal parcela, entendo caracterizada a ocorrência de vício na norma introduzida (não havendo como se garantir a correta aplicação da regra matriz de incidência no lançamento), afirmandose, assim, sua natureza material, sendo, destarte, de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional; c.2) Todavia, de se notar, também, que o montante objeto de lançamento, obtido através do valor bruto das nota fiscais, abrange, ainda, parcela relevante decorrente da remuneração efetiva do serviço prestado através de cessão de mão de obra, não havendo quanto a esta parcela (que notese não abrange qualquer dos custos e exclusões de materiais e equipamentos acima delineadas em "a"), qualquer vício na norma introduzida, mas tão somente na norma introdutora, que, erroneamente, não a explicitou de forma segregada das outras parcelas para as quais houve vício na aplicação da regra matriz de incidência. Indubitável, em meu entendimento, que, para a parcela constante de nota fiscal que se destinava a efetivamente remunerar os serviços prestados através de cessão de mão de obra, perfeitamente aplicável a retenção, perfeitamente respeitada aqui a regra matriz de incidência quanto aos seus aspectos material, espacial, temporal, quantitativo e pessoal. Assim, para a parcela do crédito tributário constituído decorrente do percentual dos valores brutos das notas fiscais que efetivamente se destinava a remunerar os serviços prestados através de cessão de mão de obra, não entendo como se defender que esteja caracterizada a existência de vício material. Se vício há (o que não é mais passível de discussão a esta altura), como já concluído, este é de natureza formal, cabível assim eventual novo lançamento desta parcela, no prazo previsto no art. 173, II do CTN. Assim, ao analisar o presente item, entendo que se deva dar provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional, para declarar o vício formal da parcela do lançamento de obrigação principal (DEBCAD 37.376.4880) decorrente da efetiva remuneração de serviços prestados através de cessão de mão de obra, não inclusos aqui quaisquer valores referentes a materiais e equipamentos objeto de fornecimento pelas contratadas, desde que contratualmente previstos e comprovados e excluindose, ainda, qualquer tributação decorrente dos contratos realizados com a SIL Soluções Ambientais Ltda. e com a COOTRAVIPA Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre. Para os valores objeto do presente provimento parcial, permitida nova constituição do crédito tributário, respeitado o previsto no art. 173, II do CTN. Finalmente, quanto à motivação para realização da aferição indireta, com a devida vênia às considerações traçadas pelo Recorrido acerca do tema, não se encontra nem no relatório de fundamentos legais do débito de efl. 1971 e nem no Relatório de efls. 1976 e ss. Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 11080.729251/201295 Acórdão n.º 9202005.572 CSRFT2 Fl. 2.375 22 menção à sua utilização do referido art. 33, §6o. da Lei no. 8.212, de 1991, pela autoridade lançadora, despiciendo, assim, que se trate do tema, por ser estranho, em meu entendimento, ao lançamento efetuado. d) Quanto ao auto lavrado de obrigação acessória (DEBCAD 37.343.6424): Entendo aqui, em linha com o recorrido, que se está a tratar no âmbito do presente, de caso em que "(...) o lançamento da obrigação instrumental segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente de valores que não foram declarados em GFIP(...)". Assim, de se declarar também o vício formal para a obrigação acessória constante do DEBCAD 37.343.6424, decorrente da não informação em GFIP da efetiva remuneração de serviços prestados através de cessão de mão de obra, não inclusos aqui quaisquer valores referentes a materiais e equipamentos objeto de fornecimento pelas contratadas, desde que contratualmente previstos e comprovados e excluindose, ainda, qualquer tributação decorrente dos contratos realizados com a SIL Soluções Ambientais Ltda. e com a COOTRAVIPA Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre. Aqui, quando da eventual nova constituição do crédito tributário, além de respeitado o previsto no art. 173, II do CTN, de se respeitar, também, a retroatividade benéfica disposta no art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009. Conclusão: Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso da Fazenda Nacional, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para declarar o vício formal das parcelas do lançamento de obrigação principal e acessória vinculada (DEBCADs 37.376.4880 e 37.343.6424) decorrente da efetiva remuneração de serviços prestados através de cessão de mão de obra, não inclusos aqui quaisquer valores referentes a materiais e equipamentos objeto de fornecimento pelas contratadas, desde que contratualmente previstos e comprovados e excluindose, ainda, qualquer tributação decorrente dos contratos realizados com a SIL Soluções Ambientais Ltda. (levantamento SS) e com a COOTRAVIPA Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (DEBCAD 37.376.4871). É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 2375DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000497/2010-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição.
DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE.
O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplica-se não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplica-se apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, cana-de-açúcar, eucalipto), aplica-se a exaustão.
Numero da decisão: 9101-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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EXAUSTÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE. O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplicase apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 97 /2 01 0- 24 Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.102 2 dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL quanto ao anocalendário de 2005 relativamente às seguintes infrações: (i) exclusões / compensações indevidas quanto a financiamentos securitizados; (ii) exclusões/compensações indevidas de depreciação incentivada acelerada. O Auditor Fiscal imputou multa de ofício de 75%, além de multa pela falta de recolhimento das estimativas mensais quanto aos meses de setembro a dezembro do mesmo ano (fls. 2/23). Consta no Termo de Conclusão do Procedimento Fiscal (fls. 23/64 volume 1): Tendo em vista a base legal da atividade rural seria de se esperar que a atividade desempenhada pela fiscalizada fosse a produção agrícola ou a transformação de produtos decorrentes da atividade rural. A empresa dedicase, preponderantemente, à venda de cana de açúcar e álcool. Como é constatado pela letra da Lei n° 8.023/90, a transformação da produção agrícola exige as seguintes condições para se considerar como atividade rural: Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.103 3 1Que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura. 2Que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais 3Que a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador. 4Que seja utilizada matériaprima exclusivamente produzida na área rural. Os conceitos e contornos modelados pela norma evitam que a atividade de transformação ultrapasse o escopo protetivo legislado para os rurícolas. Assim, se por um lado permite que a transformação seja feita pelos produtores, de outro limita" as atividades dos transformadores. Ou seja, do que se 16, fácil constatar que os benefícios tributários afetos aos produtores no desempenho de atividade rural não são elásticos como interpreta a fiscalizada ao fazer uso da depreciação acelerada incentivada. De inicio a limitação imposta atinge a fiscalizada, eis que na produção de açúcar e álcool combustive l há nítida alteração das características do produto in natura. Consta inclusive do artigo 2° inciso IV, alínea b da Instrução Normativa n°83/2001 que a atividade permitida como rural é a moagem de canade açúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura. Esta instrução permite a produção deste açúcar devido à manutenção das características e composição, ao ensejo de que da transformação do produto não derive produto de outra espécie. No caso sob análise é claro que o açúcar fabricado em nada se aproxima do açúcar mascavo. Portanto, para ter seus resultados tributados como atividade rural, a usina não poderia produzir açúcar e álcool, mas tão somente açúcares como o mascavo, que mantém as características e composição do derivado em bruto da canadeaçúcar. No presente, o açúcar cristal produzido não mantém a característica, nem a composição do açúcar mascavo. Nos balancetes contábeis referentes aos custos de produção resta clara a utilização de produtos químicos para fabricar o açúcar e o álcool, bem como na própria descrição do processo produtivo acima transcrito, de molde a alterar a composição e as características do açúcar fabricado. Quanto ao álcool combustível fabricado, maior ainda a distancia entre o legislado e o produzido pela usina. Impossível esconder a alteração das características e composição da canadeaçúcar quando se transforma em álcool combustível. Sendo assim, claro está que também a transformação para o álcool descaracteriza a atividade como rural. (...) Quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, evidente é que em nada se assemelham as enormes moendas e caldeiras ou Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.104 4 colunas de destilação encontradas no processo produtivo da usina para produzir açúcar e álcool com o moinho usado na atividade do produtor rural de açúcar mascavo. (...) Outra condição para que haja atividade rural é de que o produtor utilizese somente de matériaprima produzida na área rural de sua exploração. Continuando a conceituação de referida atividade, observase que impedido está o produto rural de adquirir produtos de terceiros para que os transforme. 15.3.4 DO BENEFÍCIO DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA: O tratamento acima considerado da usina como pertencente à atividade rural ainda não teve esclarecido seus efeitos fiscais. Da análise das declarações do Imposto de Renda verificase que a empresa utilizouse do beneficio da depreciação incentivada disposta no artigo 314 do Regulamento do Imposto de Renda. Reza a norma ser possível que os bens do ativo permanente imobilizado utilizados na atividade rural poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. Para tanto pode ser feita uma exclusão na apuração do lucro real no valor do bem quando imobilizado, com as posteriores adições nos anos subseqüentes medida que a quota de depreciação for sendo incorrida. Por meio do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) constatase que assim foi feito na fiscalizada. Considerando que a conceituação da fiscalizada como exercente de atividade rural em sua totalidade está errada, os efeitos fiscais na apuração do lucro real devem ser desfeitos. Assim, cabe a esta fiscalização desfazer os efeitos fiscais dos ajustes na determinação no imposto de renda, a começar pelas glosas nas exclusões incorretas, terminando pela desconstituição das adições, referentes ao bens adquiridos o ano calendário de 2005, que também foram incorretas. No ano calendário de 2005, consta no LALUR como exclusões os valores das aquisições ocorridas no período. Nesta rubrica de exclusões aparecem os maquinários agrícolas para o trato da canadeaçúcar, os veículos agrícolas, bem como o valor ativado da lavoura de cana. Cabe esclarecer que a lei tributaria permite que as pessoas jurídicas possam depreciar integralmente os bens do ativo permanente, e que a fiscalizada está utilizandose deste beneficio não apenas para o maquindrio, mas também para as exclusões dos custos da cana em formação. É bom que se explique que a cana em formação cuida do plantio das mudas de canade açúcar plantadas em cada ciclo de cinco anos de produção (20% ao ano). Neste qüinqüênio a planta é apenas podada, mas não replantada. Logo, neste processo produtivo os custos de formação da lavoura canavieira estão sendo ativados, para depois serem depreciados. (...) Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.105 5 Resumidamente, dizse que o sujeito passivo está excluindo integralmente, ajustes do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, os custos da lavoura em formação em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 60 meses, ou seja, próximos 5 anos, nos ajustes do Lucro Liquido do período.(...) Além das considerações já feitas a respeito da depreciação acelerada incentivada como beneficio fiscal, temos que fazer outras considerações importantes acerca das exclusões efetuadas pelo sujeito passivo. Há de se mencionar que não há previsão legal para a dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, vez que a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, bens sujeitos a exaustão. Além disso, a lei rural permite exclusivamente a dedução integral da depreciação, e no caso em tela deparase com quotas de exaustão. (...) A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 1.168, volume 6), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 1.367, volume 7), conforme acórdão ementado da forma seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. LUCRO REAL. Somente se admite a exclusão do lucro liquido, na determinação do lucro real, dos valores cuja dedução seja autorizada pela legislação e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração, bem assim dos resultados e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro liquido que não sejam computados no lucro real. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ. CANADE AÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6º da Medida Provisória n° 2.15970, de 2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrario o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.106 6 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucional idade de lei. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de oficio. cujo percentual é fixado em lei. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de oficio isolada, de que trata o inciso IV do § 10 do art. 44 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.392/1.431), qual sustenta: (i) decadência quanto aos meses de janeiro a agosto de 2005; (ii) impossibilidade de glosa das despesas financeiras relacionadas a financiamentos securitizados decorrentes do PESA; (iii) aplicabilidade da depreciação acelerada incentivada no cultivo da canadeaçúcar; (iv) nulidade do auto de infração por desconsiderar os efeitos das glosas nos exercícios subsequentes; (v) Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.107 7 inaplicabilidade de multas isoladas; (vi) impossibilidade de cobrança da multa de ofício e da multa isolada diante do princípio do não confisco. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento determinou a baixa dos autos em diligência relacionada à "glosa de valores pretensamente pagos a título de juros" (fls. 1456/1.465). O Relatório de diligência consta às fls. 1.862/1.886. Nesse contexto, a Turma Ordinária afastou a decadência, no mérito dando provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. ATIVIDADE RURAL INTEGRADA COM ATIVIDADE INDUSTRIAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA Produzir de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado, o que possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da canadeaçúcar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA IRPJ CSLL O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.108 8 ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105) Destaquese trecho do voto condutor, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, tratando do tema ainda em discussão em recurso especial: No recente acórdão 1401001.522, de 01 de fevereiro de 2016, enfrentei o tema da depreciação da lavoura canavieira. Lá proferi o seguinte voto: Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, divirjo em relação ao não reconhecimento do incentivo da depreciação incentivada em relação à cultura da canadeaçúcar. De fato, há decisão do CARF desfavorável à pretensão da defesa. Cito, nesse sentido, o acórdão nº 10318.812, de 20/08/1997: (...) Todavia, há também decisão favorável, como o Acórdão nº 1202000.795, de 12/06/2012: (...) As razões do Acórdão podem ser identificadas no seguinte trecho do voto condutor: Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memoriais, os cortes feitos na canadeaçúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Tenho para mim que a posição adotada é a correta. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da canade açúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.109 9 Em 16/06/2016 foi proferido despacho de encaminhamento dos autos à PGFN para ciência do acórdão, sendo interposto recurso especial em 18/07/2016 (fls. 2.036/2.051), no qual sustenta divergência quanto à depreciação acelerada da lavoura de cana de açúcar, indicando como paradigmas os acórdãos (i) 10318.812 (processo administrativo nº 10469.004428/9298), do qual se extrai: "A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão." e (ii) 110100.334 (processo administrativo nº 10850.001767/200511, no qual decidido que "a diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita à exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume explorado". O recurso especial foi admitido por decisão do Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 2.054/2.060): Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "o benefício fiscal da depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado aplicados na atividade rural não alcança os elementos integrantes deste grupo patrimonial que se sujeitam a exaustão ou amortização [e ainda] a diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita à exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume explorado." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada." Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. (...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo, II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela PGFN, admitindo a rediscussão da matéria em relação à formação da lavoura canavieira, se está sujeita à exaustão ou a depreciação. A contribuinte foi intimada para contrarrazões em 18/08/2016 (fls. 2.073), apresentando suas razões em 02/09/2016, em síntese, alegando: (i) preliminarmente, menciona que o recurso especial delimitase ao questionamento da submissão dos custos do plantio de cana ao regime de exaustão. Assim, sustenta que não estaria em debate: (i.a) a exclusão de despesas relativas a financiamentos securitizados; (i.b) reconhecimento da possibilidade de aproveitamento integral do benefício de depreciação acelerada incentivada, independemente de sua atividade ser preponderamente industrial; (i.c) multas isoladas. Por tal razão, pede não seja acolhido o pleito da Recorrente de restabelecimento integral do lançamento. Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.110 10 (ii) no mérito, alega que a cultura da cana de açúcar classificase como perene, permitindo cortes em até 5 anos com manutenção de qualidade do produto, o que seria atestado por laudos apresentados nos autos. (iii) alega que a Receita Federal emitiu Solução de Consulta nº 33, no qual reconhece que a canadeaçúcar submetese à depreciação, sendo incorreta a equiparação da canadeaçúcar às florestas; (iv) a única ressalva feita pelo artigo 6º, da MP 2.159 foi com relação à terra nua, inexistindo qualquer ressalva no que se refere à lavoura da canade açúcar; (v) subsidiariamente, requer a "recomposição das bases de cálculo do IRPJ e CSL nos anos subsequentes" tanto porque a autuação alterou o valor do prejuízo fiscal e base de cálculo negativo, quanto porque há que se "considerar a depreciação normal ou quota de exaustão aplicável" (trecho do arrazoado). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária a respeito da possível submissão da lavoura de canadeaçúcar à depreciação acelerada incentivada. Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecer do recurso especial nesse sentido. Ressalvo que a restrição de matéria em recurso especial na medida em que a Recorrente tratou unicamente da lavoura da canadeaçúcar, embora outras matérias tenham sido julgadas pelo Colegiado a quo não implica em negativa de conhecimento ao recurso especial, como pretende a Recorrida. Rejeito, assim, o pedido de não conhecimento do recurso especial. Passo a enfrentar o mérito. Como consta do TVF que “não há previsão legal para a dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, vez que a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, bens sujeitos a exaustão. Além disso, a lei rural permite exclusivamente a dedução integral da depreciação, e no caso em tela deparase com quotas de exaustão. (...) A depreciação distinguese da exaustão por força do artigo 183, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.As.), que prescreve: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.111 11 V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Modesto Carvalhosa trata de depreciação e exaustão da forma seguinte, em comentários ao artigo 183, da Lei das S.As.: Tanto a depreciação quanto a exaustão registram a diminuição do valor de bens físicos. A natureza desses bens é que distingue as duas modalidades de encargos: a) depreciase um ativo que é objeto de uso; b) constituise o fundo de exaustão para um ativo que se esgota à medida que ele o próprio ativo é transformado em matéria prima. (...) É interessante reiterar que tanto o item V deste art. 183 como o seu §2º consideram a amortização e a exaustão como diminuição do valor de elementos do ativo imobilizado. Isso significa dizer que a Lei inclui no imobilizado as florestas destinadas a corte e comercialização, assim como os direitos com prazo de utilização determinado. (...) Podem ser objeto de depreciação todos os bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolecência. (...) O fundo de exaustão tem por objeto recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (...) O valor da quota de exaustão constituída no exercício variará em função do volume de minerais ou de madeira extraída no período, pois será determinado tendo em vista o volume da produção do ano e a sua relação com a possança conhecida da mina, ou a dimensão da floresta explorada, ou ainda em função do prazo de concessão ou do contrato de exploração. (Comentários à Lei das S.As. volume 3, 6ª edição, São Paulo, Saraiva, 2014 grifamos) Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.112 12 A legislação fiscal delimitou as condições de depreciação, como se observa dos artigos 305 a 323 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999). A depreciação poderá, portanto, ser computada como custo ou encargo, em cada período de apuração, como explicita o artigo 305 do RIR: Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Nesse contexto, foi editada a Medida Provisória nº 2.159/2001, que em seu artigo 6º prevê a depreciação acelerada incentivada quanto às pessoas jurídicas que explorem atividade rural: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O dispositivo legal foi reproduzido no Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999), nos seguintes termos: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). O RIR reproduziu a disposição legal, apenas mencionando de forma complementar à lei o seu artigo 58 , que prevê: Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.113 13 Art. 58. Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). O artigo 58 tem fundamento na Lei nº 8.023/1990, com redação alterada pela Lei nº 9.250/1995, que define a atividade rural: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.114 14 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) Nesse contexto, passo à apreciação do único tema objeto de recurso especial: a sujeição da canadeaçúcar à depreciação acelerada. Destaco trechos do acórdão recorrido ao tratar da depreciação da lavoura de cana de açúcar, conforme voto condutor do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: No recente acórdão 1401001.522, de 01 de fevereiro de 2016, enfrentei o tema da depreciação da lavoura canavieira. Lá proferi o seguinte voto: Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, divirjo em relação ao não reconhecimento do incentivo da depreciação incentivada em relação à cultura da canadeaçúcar. De fato, há decisão do CARF desfavorável à pretensão da defesa. Cito, nesse sentido, o acórdão nº 10318.812, de 20/08/1997: (...) Todavia, há também decisão favorável, como o Acórdão nº 1202000.795, de 12/06/2012: (...) As razões do Acórdão podem ser identificadas no seguinte trecho do voto condutor: Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memoriais, os cortes feitos na canadeaçúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Tenho para mim que a posição adotada é a correta. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da canade açúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.115 15 relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso Pondero que a contribuinte acostou aos autos diversos Pareceres Técnicos tratando do tema em debate. Em caso similar (processo nº 10835.720015/201432, acórdão 9101 002.799), pronunciei meu entendimento sobre a submissão da canadeaçúcar à depreciação e, assim, a possibilidade de depreciação acelerada incentivada. Destaco trecho daquele julgamento: O primeiro Parecer Técnico apresentado foi elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQUSP, fls. 489/499 – PDF 2), do qual destaco trecho relevante ao julgamento deste processo: “De fato, do ponto de vista morfológico, a canadeaçúcar é basicamente constituída por uma parte aérea, representada por colmos e folhas, e por uma parte subterrânea relativa ao sistema radicular. Nesse sentido, a colheita da canadeaçúcar limitase exclusivamente à parte aérea da planta, ou seja, ao corte dos colmos produzidos, que, na realidade, correspondem aos seus frutos. Notese que é nos colmos que a cana armazena o caldo e nele os excedentes de açúcares produzidos no processo da fotossíntese, os quais, após extraídos por meio da moeagem, serão utilizados na fabricação do açúcar e de etanol. Entendase que a parte subterrânea, usualmente denominadas soqueiras, tem como o primordial promover a rebrota da parte aérea após cada uma das colheitas. Portanto, à luz dos fatos mencionados, fica evidente o caráter perene desta cultura que se renova após cada uma das colheitas e permanece ativa, enquanto as condições edafoclimatológicas assim o permitirem. Isso significa afirmar que o canavial não se esgota. Mesmo após a realização de diversos cortes, que, na prática, repitase, é a extração dos frutos, haverá a possiblidade de uma nova colheita no ano seguinte e assim sucessivamente. O vegetal não deixa de existir. (...) – fls. 494/495 A contribuinte apresenta, também, Parecer elaborado pela PricewaterhouseCoopers (fls. 500/517) tratando do tema e concluindo que “a Usina Alto Alegre tem o direito de usufruir o benefício da depreciação acelerada rural em relação aos custos com a formação da lavoura da canadeaçúcar, nos termos do artigo 6º da Medida Provisória nº 2.15970/01”. Consta, ainda, Parecer Técnico elaborado pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (fls. 518/546 – PDF 31) no qual consta que “exaustão não é aplicável à canaldeaçúcar”. Discorrendo sobre o tema, Misabeu Abreu Machado Derzi e Fernando Daniel de Moura Fonseca: Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.116 16 Como no caso da canadeaçúcar a plantação não é extinta com o corte, mas permite sucessivas colheitas, a depreciação seria o instituto aplicável a este bem do ativo imobilizado. Com efeito, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz, de modo que não há que se falar em exaurimento do recurso, mas de perda de valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. (Depreciação Acelerada na Agroindústria – Questões Controvertidas, in 50 Anos do Código Tributário Nacional, São Paulo, Editora Noeses, 2016, fls. 935) A respeito do tema, vale transcrever, ainda, Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995: “Soluciono a consulta com base nos atos normativos inicialmente mencionados, respondendo à consulente que os canaviais (recursos financeiros aplicados na formação desta cultura), uma vez que são classificados no ativo imobilizado e destinados à produção, poderão ser totalmente depreciados no ano em que integrarem o seu ativo imobilizado" A canadeaçúcar, portanto, está sujeita a diversas colheitas e, por isso, seus frutos não se esgotam em cada uma destas colheita. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido. Caso vencida, voto pela baixa dos autos à Turma Ordinária para julgamento dos demais temas não apreciados, quais sejam: (i) nulidade do auto de infração por desconsiderar os efeitos das glosas nos exercícios subsequentes; (ii) impossibilidade de cobrança da multa de ofício diante do princípio do não confisco. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.117 17 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, peço vênia para discordar. Passo ao exame. O debate empreendido consiste em definir se os dispêndios para a formação de lavoura de cana de açúcar podem ser objeto de depreciação acelerada da atividade rural ou se submetem ao regime de exaustão. O dispositivo normativo suscitado pela Contribuinte que permitiria a depreciação incentivada da lavoura de canadeaçúcar é o art. 6º da MP nº 2.15970/2001: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. (grifei) Por outro lado, entendeu a Fiscalização que os dispêndios na formação de lavoura de canadeaçúcar contabilizados no ativo imobilizado estariam sujeitos à exaustão, portanto, fora do alcance do benefício em debate. A princípio, entendo ter sido a questão bem delineada no voto proferido no Acórdão nº 1202000.794, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner. Não obstante ter sido o voto vencido, discorre com precisão sobre a situação: Resta agora perquirir sobre a questão da sujeição da cultura canavieira à depreciação ou à exaustão. Depreciação e exaustão, ao lado da amortização, são conceitos distintos, não se confundindo, como se vê da legislação societária (Lei no 6.404/76) abaixo: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.118 18 b) amortização, quando corresponder a perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (destaquei) Dentre as Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, vale destacar o seguinte trecho da NBC T10 Atividades Agropecuárias, aprovada pela Resolução CFC 909, de 08.08.2001 (disponível em www.cfc.org.br): 0.14.4 — Entidades Agrícolas: Aspectos Gerais 10.14.4.1 As entidades agrícolas são aquelas que se destinam produção de bens, mediante o plantio, manutenção ou tratos culturais, colheita e comercialização de produtos agrícolas. 10.14.4.2 As culturas agrícolas dividemse em: a) temporárias: a que se extinguem pela colheita, sendo seguidas de um novo plantio; e b) permanentes: aquela de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. 10.14.5 Dos Registros Contábeis Das Entidades Agrícolas 10.14.5.1 Os bens originários de culturas temporárias e permanentes devem ser avaliados pelo seu valor original, por todos os custos integrantes do ciclo operacional, na medida de sua formação, incluindo os custos imputáveis, direta ou indiretamente, ao produto, tais como sementes, irrigações, adubos, fungicidas, herbicidas, inseticidas, mãodeobra e encargos sociais, combustíveis, energia elétrica, secagens, depreciações de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na produção, arrendamentos de máquinas, equipamentos e terras, seguros, serviços de terceiros, fretes e outros. 10.14.5.6 A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativos às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao inicio da primeira colheita, tais como preparação da terra, mudas ou sementes, mãodeobra, etc., deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, a partir da primeira colheita. 10.14.5.10 Os custos de produção agrícola devem ser classificados no Ativo da entidade, segundo a expectativa de realização: Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.119 19 a) no Ativo Circulante, os custos com os estoques de produtos agrícolas e com tratos culturais ou de safra necessários para a colheita no exercício seguinte; e b) no Ativo Permanente Imobilizado, os custos que beneficiarão mais de um exercício. (destaquei) Notase, assim, que a contabilidade agrícola segrega os lançamentos entre os tipos de cultura existentes: temporária ou permanente. Culturas temporárias são arrancadas do solo na colheita e depois feito novo plantio, como arroz, feijão e milho, e o custo da plantação é contabilizado no Ativo Circulante. Por outro lado, culturas permanentes duram mais de um ano e proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café e canadeaçúcar. Nestes casos, os custos para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado e devem ser avaliados pelo montante que efetivamente representam dentro do patrimônio total da pessoa jurídica. Com apoio nos estudos de José Sérgio Della Giustina na dissertação de mestrado "Um sistema de contabilidade analítica para apoio a decisões do produtor rural", apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, em 1995 (Disponível em http://www.eps.ufsc.br/disserta/giustina/indice/index.htm#index), podem ser referidos exemplos claros de cada um dos institutos na atividade rural: (i) por se tratar a depreciação da perda de eficiência ou capacidade produtiva de bens do Ativo Permanente que são úteis a mais de um ciclo de produção, estão sujeitos a ela a máquinas, tratores, animais reprodutores ou de trabalho, fruticultura, dentre outros; (ii) por outro lado, estarão sujeitos as quotas de amortização os direitos adquiridos sobre bens de terceiros, traduzidos em Ativos Intangíveis, como direito de extração de madeira em floresta de propriedade de terceiros ou de gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício financeiro, incrementando o processo produtivo, registrados no Ativo Diferido, tais como: desmatamento, corretivos, etc.; (iii) finalmente, considerando que, enquanto as propriedades físicas se deterioram física ou economicamente, os recursos naturais exauríveis se esgotam, na proporção em que são extraídos os recursos naturais, registrase a exaustão deste recurso, uma vez que o esgotamento é a extinção dos recursos naturais e a exaustão é a extinção do custo ou do valor desses recursos naturais. Como esclarece o autor do estudo, in verbis: exemplos de culturas que têm seu custo de formação, apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos, de pinos, a canadeaçúcar, as pastagens artificiais etc. (destaquei) Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.120 20 Sob esse aspecto, distinguemse claramente a cultura da cana deaçúcar da fruticultura, por exemplo, haja vista que, neste caso, o aproveitamento econômico do bem não compromete sua existência, por se limitar à extração dos frutos, enquanto na exploração canavieira, o resultado econômico apenas se verifica com o sacrifício da própria planta, a qual se esgota e se torna imprestável após três ou quatro ciclos produtivos. Nesse caso, assim como nas florestas ou jazidas minerais, ocorre o esgotamento do próprio recurso natural com o passar do tempo. Como se pode observar, a cultura pode ser classificada como temporária ou permanente. A primeira é extinta pela colheita, demandando um novo plantio, como o arroz, feijão e milho, e o custo de plantação é escriturado no Ativo Circulante. O segundo caso trata de culturas que duram mais de um ano ou proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café, canadeaçúcar, pastagem artificial, dentre outros, situação na qual os dispêndios para sua formação são contabilizados no Ativo Permanente Imobilizado. As culturas contabilizadas no Ativo Permanente podem estar sujeitas à depreciação ou exaustão, a depender da sua natureza. Sujeitas à depreciação são aquelas frutíferas, do qual se pode extrair o fruto, como café ou uva, por exemplo. Por outro lado, aplicase à exaustão aquelas cuja extração demanda o sacrifício da planta em si, como a pastagem artificial, a canadeaçúcar, as florestas artificiais ou não (pinus, araucária, eucalipto, dentre outras). Vale investigar, com maior precisão, o conceito de fruto, que se mostra relevante para apreciação do caso concreto. Os arts. 307 e 334 tratam, respectivamente, dos bens objeto de depreciação e exaustão. Bens Depreciáveis Art. 307. Podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, inclusive: I edifícios e construções, observandose que (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 9º): a) a quota de depreciação é dedutível a partir da época da conclusão e inicio da utilização; b) o valor das edificações deve estar destacado do valor do custo de aquisição do terreno, admitindose o destaque baseado em laudo pericial; II projetos florestais destinados a exploração dos respectivos frutos (DecretoLei nº 1.483, de 6 de outubro de 1976, art. 6º, parágrafo único,). Parágrafo único. Não será admitida quota de depreciação referente a (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, §§ 10 e 13): IV bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.121 21 (...) Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, e DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42). § 1º A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor das florestas (Decreto Lei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 12). § 2º Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 22): I apurarseá, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quantidade de árvores extraídas durante o período de apuração representa em relação ao volume ou quantidade de árvores que no início do período de apuração compunham a floresta; II o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos. § 3º As disposições deste artigo aplicamse também as florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 3º). (grifei) Observase que há determinação expressa no art. 307 de que não será admitida quota de depreciação para os bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Também que o termo "florestais" em ambos dispositivos é interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. Vale recorrer novamente ao mencionado voto, que faz referência a doutrina especializada, do qual transcrevo na sequência. A doutrina especializada de José Carlos Marion (Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ, 4ª edição, São Paulo, Atlas, 1996, págs. 39, 41, 64, 65 e 71), corrobora o entendimento dado pelo Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação — CST n° 18/79, consoante trechos abaixo transcritos: Culturas permanentes são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de unia colheita ou produção. Normalmente, atribuise ás culturas permanentes uma duração Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.122 22 mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de uni ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: canadeaçúcar cafeicultura etc. (pg. 39; destaquei). No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado ... Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mãodeobra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc.... Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a canadeaçúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente. (ibidem, destaquei). Colheita ou produção (da cultura permanente): a partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como uni Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de 'colheita em andamento', sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ..), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "cultura permanente formada", sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. (op. cit., pg. 41; destaquei). Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que "a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias ern propriedades de terceiros etc". Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.123 23 Entendimento fiscal (na Agropecuária): Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST n. 18/79, o fisco dá sua interpretação no caso especifico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.) (pg. 64, op. cit.; destaquei). (pg. 65, op. cit.; destaquei). O que se observa com clareza, pelas conclusões doutrinárias e do citado Parecer Normativo CST nº 18, de 1979 (publicado no DOU em 17/04/1979), é que a depreciação dos recursos de origem florestal aplicase apenas àqueles que produzem frutos. Nesse contexto, é direta a assertiva no sentido de que, no que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Assim, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva. Percebese claramente que o conceito de fruto é aquele adotado pela biologia, no qual consiste em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Precisamente a situação da cultura do café, laranja, uva, dentre outras. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre da retirada do fruto, mas da extração da formação vegetal em si (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão prevista no art. 344 do RIR/99. A diferença é bem delineada pelo doutrinador: Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria arvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendose a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendose a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão. (Grifei) É incontroverso que a extração da canadeaçúcar demanda o corte do caule, não havendo em se falar em floração e formação do fruto. Ou seja, tratase de processo que guarda semelhança maior com o que ocorre em pastagens e florestas artificiais, como eucalipto, por exemplo, do que com árvores frutíferas. Impossível se falar em extração de Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 9101002.982 CSRFT1 Fl. 2.124 24 frutos, elemento comestível originado do ovário de uma flor que protege a semente, de uma cultura de canadeaçúcar. Portanto, os dispêndios da formação de lavoura de cana de açúcar submetem se à exaustão. Assim, entendo não haver reparos à autuação fiscal em relação à matéria apreciada. Enfim, tendo a decisão recorrida dado provimento ao recurso voluntário, os presentes autos devem retornar para a turma a quo para apreciação de matérias não apreciadas no julgamento de segunda instância: (i) nulidade do auto de infração por desconsiderar os efeitos das glosas nos exercícios subsequentes; (ii) impossibilidade de cobrança da multa de ofício diante do princípio do não confisco. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.015405/2002-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1991
Coisa Julgada. Limites.
Os efeitos da coisa julgada material devem ser interpretados mediante o cotejamento da petição inicial e da sentença que pôs fim ao litígio. Se, quando do deferimento do pleito, o magistrado limita seus efeitos aos períodos de apuração que constavam do processo quando da sua instauração, não se pode estender tal pronunciamento a outros períodos, para qualquer efeito.
NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/10/1991
Compensação. Hipóteses Admitidas.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou de ressarcimento,
poderá. utilizá-lo na compensação de débitos próprios, relativos à tributos igualmente administrados pela RFB.
Na vigência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, segundo a redação fornecida pela Lei n° 10.637, de 2002, o reconhecimento, no poder judiciário, do direito de restituição autoriza o sujeito passivo a promover, na esfera administrativa,
a compensação daqueles créditos, corrigidos nos exatos termos da sentença que reconheceu o indébito.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-000.166
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr
Neto e Nanci Gama, que deram provimento.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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materia_s : Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1991 Coisa Julgada. Limites. Os efeitos da coisa julgada material devem ser interpretados mediante o cotejamento da petição inicial e da sentença que pôs fim ao litígio. Se, quando do deferimento do pleito, o magistrado limita seus efeitos aos períodos de apuração que constavam do processo quando da sua instauração, não se pode estender tal pronunciamento a outros períodos, para qualquer efeito. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/1989 a 30/10/1991 Compensação. Hipóteses Admitidas. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá. utilizá-lo na compensação de débitos próprios, relativos à tributos igualmente administrados pela RFB. Na vigência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, segundo a redação fornecida pela Lei n° 10.637, de 2002, o reconhecimento, no poder judiciário, do direito de restituição autoriza o sujeito passivo a promover, na esfera administrativa, a compensação daqueles créditos, corrigidos nos exatos termos da sentença que reconheceu o indébito. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-02-05T20:39:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-02-05T20:39:08Z; Last-Modified: 2010-02-05T20:39:08Z; dcterms:modified: 2010-02-05T20:39:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-02-05T20:39:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-02-05T20:39:08Z; meta:save-date: 2010-02-05T20:39:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-02-05T20:39:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-02-05T20:39:08Z; created: 2010-02-05T20:39:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-02-05T20:39:08Z; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-02-05T20:39:08Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 667 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.015405/2002-96 Recurso n° 140.488 Voluntário Acórdão n° 3201-00.166 — 2 Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SUPERMERCADOS FEBERNATI S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1991 Coisa Julgada. Limites. Os efeitos da coisa julgada material devem ser interpretados mediante o cotejamento da petição inicial e da sentença que pôs fim ao litígio. Se, quando do deferimento do pleito, o magistrado limita seus efeitos aos períodos de apuração que constavam do processo quando da sua instauração, não se pode estender tal pronunciamento a outros períodos, para qualquer efeito. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/1989 a 30/10/1991 Compensação. Hipóteses Admitidas. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá. utilizá-lo na compensação de débitos próprios, relativos à tributos igualmente administrados pela RFB. Na vigência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, segundo a redação fornecida pela Lei n° 10.637, de 2002, o reconhecimento, no poder judiciário, do direito de restituição autoriza o sujeito passivo a promover, na esfera administrativa, a compensação daqueles créditos, corrigidos nos exatos termos da sentença que reconheceu o indébito. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2 Câmara / 1' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e Nanci Gama, que deram provimento. LUIS O GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. 2 Processo n° 11080.015405/2002-96 S3 -C2T1 Acórdão n.° 3201 -00.166 Fl. 668 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (DCOMPs — fls.01/06, 103/116 e 286/357) de créditos de Finsocial com débitos de Cofins, amparadas por decisão judicial • transitada em julgado em 05/03/2001. 2. Referida ação judicial (96.00.12113-3) reconheceu a inconstitucionalidade das majorações das aliquotas de Finsocial, autorizando a interessada a implementar compensações dos valores recolhidos indevidamente com débitos • da contribuição para a Cofins. Os créditos deveriam ser atualizados pelo IPC (jan/89 a fev/91)/INPC (março a dezembro de 1991)/UFIR (jan/92 a dez/95) incluindo os expurgos inflacionários previstos nas súmulas 32 e 36 do TRF e, a partir de 01/01/1996, incidiria apenas a taxa Selic (fis.18/46). 3. A Delegacia da Receita Federal (DRF) de Porto Alegre, ao analisar inicialmente o processo, solicitou à interessada que apresentasse declarações de: a) homologação do Poder Judiciário da desistência de eventual execução da sentença referente ao crédito objeto do processo; b) assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive honorários advocaticios; c) que não se utilizou dos valores correspondentes ao crédito pretendido, quer por precatório judicial ou mediante compensação com quaisquer outros débitos, exceto os declarados neste processo administrativo. 4. Declarou a empresa que não havia utilizado para outras compensações o crédito objeto do presente, tampouco teria requerido execução de sentença relativamente a esses indébitos. Afirmou ainda que existia execução de custas e honorários advocatícios e que não poderia assumir este encargo (fls.203). 5. Porém, a DRF ao consultar o sistema da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) identificou a existência de outros processos judiciais, além do constante das DCOMPs apresentadas, tratando do assunto inconstitucionalidade do Finsocial, optando por remeter o processo para a PFN a fim de dirimir as dúvidas existentes (fls.225/227). 6. Em resposta à solicitação, informou a PFN que um dos processos referir-se-ia tão somente à execução de verba honorária em favor dos advogados da parte, que outro era um Mandado de Segurança, o qual não se presta à execução de a.g2 valores e, com relação ao terceiro, sugeriu que fosse solicitado à interessada que comprovasse por meio de certidão judicial que nenhum valor havia sido executado naqueles autos, uma vez que o processo encontrava-se arquivado (11s.228). Devido à transferência de domicílio fiscal da empresa o processo foi encaminhado para a DRF Novo Hamburgo para prosseguimento (fls.244). 7. Intimada a apresentar certidão judicial referente ao processo n° 91.00. 10111-7 (fls.238), a empresa entregou o documento de fis. 250, o qual demonstra tratar-se de uma ação ordinária, onde foi determinado que o Finsocial fosse recolhido pela alz'quota de 0,5% até a vigência da Lei Complementar n° 70/1991 e, que a União devolvesse os valores pagos a maior, corrigidos monetariamente (súmula TFR 46) e com juros de mora de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado. A autora promoveu a execução de sentença, tendo sido emitido precatório. Entretanto, em 10 de setembro de 1998, requereu a suspensão do processo, informando que estava promovendo a compensação dos créditos reconhecidos judicialmente com parcelas vincendas de Cofins. Seu pedido foi deferido, limitando-se a execução aos honorários advocatz'cios. 8. A interessada apresentou também comprovação de homologação pelo Poder Judiciário de desistência da execução do título judicial (fls.277). A DRF Novo Hamburgo proferiu então o Parecer SACAT/DR_F/NHO n° 499/2006, onde esclarece que a decisão judicial determina que a compensação dos valores recolhidos à alz'quota superior a 0,5% deva ser feita com os valores constantes nos DARF's acostados à petição inicial. Assim, o cálculo ficou limitado aos períodos outubro de 1989 a setembro de 1991, conforme os comprovantes (DARF's) juntados pelo contribuinte, totalizando o montante de R$ 339.247,85, atualizado até 01/01/1996, devendo incidir a partir daí a taxa Selic, nos termos do determinado judicialmente. 9. O cálculo apresentado pela interessada apurou o valor de R$ 459.487,33, atualizado até 01/01/1996, sendo que foram incluídos valores relativos aos períodos 09/89, 06/91 e 10/91 a 03/92, cujos DARF's não constavam da ação judicial. 10. As compensações efetuadas foram homologadas até o limite do crédito reconhecido (fls.285). A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fi3..370/379), onde pondera que apesar de não ter juntado as guias de recolhimento referentes aos períodos 09/89, 06/91 e 10/91 a 03/92 esses foram efetivamente recolhidos, anexando os comprovantes (fls. 388, 434 e 580/627), Alerta para o fato de que os períodos 10/91 a 03/92 foram quitados por meio de parcelamento. Alega que a ação judicial n° 91.0010111-7 garantiu que o Finsocial fosse recolhido à alíquota de 0,5%, no período de 09/89 a 03/92, condenando a União a devolver os valores pagos a maior, acrescidos de correção monetária e juros de mora. Aponta também a existência de diferenças nos valores apurados pela DRF, sem qualquer justificativa. Cita como exemplo o período 01/90, onde apurou R$ 7.223,22 e a DRF, em contrapartida, encontrou R$ 6.649,75 (fls.281). Anexa os documentos de fls.385/579, requerendo que seja permitida a complementação Processo n° 11080.015405/2002-96 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.166 Fl. 669 dessa documentação, tendo em vista o arquivamento do processo de parcelamento. Cópia deste processo foi juntada a fls.580/627. Por fim, solicita a produção de perícia com o intuito de apurar a origem das diferenças verificadas entre o cálculo por ela elaborado e o confeccionado pela Secretaria da Receita Federal. Enumera 7 quesitos e indica perito. Ponderando tais argumentos e as demais razões expostas no voto condutor do acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de 1' instância pela manutenção da decisão proferida pela unidade administrativa da RFB de jurisdição. No sentir da autoridade jurisdicionante, a decisão proferida na ação n° 96.00.12113-3 1 não se prestaria à compensar, no presente processo o Finsocial recolhido em montante superior a 0,5% nos períodos 09/89, 06/91 e 10/91 a 03/92 Segundo sustenta, a sentença que pôs fim ao litígio somente reconhecera o direito de compensação dos períodos cujos DARF's foram juntados ao processo e, dentre as guias de recolhimento acostadas, não se encontravam as relativas às competências sob as quais recai o presente litígio administrativo. Não se tem notícia de decisão posterior, ainda que em sede de embargos, que modifique tal determinação. Por outro lado, também não se poderia reconhecer os créditos reconhecidos na ação n° 91.0010111-7, . Segundo argúi o órgão julgador "a quo", três seriam os motivos para tal decisão: a ação teria como objeto o reconhecimento do direito de restituição (e não de compensação); a forma de atualização do indébito ali deferida deveria seguir a súmula 46 do TFR, incidindo juros de 1% ao mês, contados a partir do trânsito em juliado da ação; e finalmente, que as Declarações de Compensação apresentadas não indicaram Ota ação judicial e sim a de n° 96.00.12113-3 e que não seria cabível proceder a tal alteração naquela fase processual. Em sentido contrário, sustenta a recorrente que, tal qual a decisão proferida no processo n° 96.00.12113-3, os créditos supostamente reconhecidos pela ação n° 91.0010111-7 possibilitariam a realização de compensação na via administrativa, eis que esta última poderia ser igualmente ser utilizada na compensação instituída pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, após alteração promovida pela Lei n° 10.637/02. Transcreve o dispositivo. Discorda, outrossim, da alegação de que estaria pretendendo "mesclar" as duas decisões e aproveitar a parte mais benéfica de cada uma delas. Roga para que as sentenças sejam cumpridas naquilo que não confrontarem, observando-se a que primeiro transitou em julgado. Não contestou os índices de correção aplicados pelo Fisco. É o Relatório. 1 Ação indicada nas Declarações de Compensação de fls.01/06, 103/116 e 286/357. Processo n° 11080.015405/2002-96 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.166 Fl. 670 antes de dar prosseguimento ao pedido de compensação investigou-se a desistência de processo de execução atrelado a tal ação. Ainda que se considere que tal pedido não estivesse sido atrelado à DCOMP no decorrer da análise da pertinência da compensação, indiscutivelmente, a partir da - manifestação de inconformidade, a recorrente pediu, talvez por meio da forma inapropriada (mas não ilegal), a inclusão daqueles créditos dentre aqueles que extinguiriam os débitos confessados. Importante trazer à colação os incisos VI e IX do parágrafo único do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, aplicados subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que diz: Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (.) VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (-) IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Tais incisos, que representam a dogmatização do princípio do informalismo (ou formalismo moderado),deixam claro que a formalidade, se não está a serviço de um bem maior, como o interesse público ou a segurança jurídica, certamente cede espao à garantia do direito de petição, gizado no inciso XXXV do art. 5° da Constituição Federal de 19882. Nessa linha, entendo despropositado indeferir a presente compensação e exigir do sujeito passivo que dê início a um novo processo com vistas ao reconhecimento de um direito passível de reconhecimento com os elementos disponíveis no presente recurso. Evidentemente, como bem destacou o ilustre relator no voto condutor do acórdão recorrido, não se pode aplicar a tais créditos os índices de correção somente reconhecidos na ação 96.00.12113-3, nem qualquer outro índice diverso do q-lie determinou a sentença transitada em julgado no processo n° 91.0010111-7. Por outro lado, compulsando os autos não localizei elementos que comprovem que os pagamentos relativos às competências sobre as quais recai o litígio tenham sido confirmados nos sistemas informatizados da RFB. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para o fim de reconhecer a possibilidade da utilização dos recolhimentos relativos períodos 09/89, 06/91 (fls. 388, 434) e 10/91 a 03/92 (processo de parcelamento às fls. 580 a 627) recolhidos em montante superior a 0,5 %, que deverão ser corrigidos nos termos do que preconiza a 2 XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 7 súmula 46 do extinto TFR3 , desde que tais recolhimentos sejam confirmados nos sistemas informatizados da RFB. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2009. LUÍS M 'IC) R.TERRA DE CASTRO - Relator 3 Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA +;,.'t*ZP CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO - Processo n°: 10108.000569/2001-10 Recurso n.°: 132.393 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de RecUrsos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.127. Brasília, 10 de dezembro de 2/19. / LUIZ HUMBERT • Z " RNANDES Chefe da r Câ • .2p7 -rceira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / _ Procurador (a) da Fazenda Nacional
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