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Numero do processo: 13851.902180/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 80 /2 00 9- 33 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902180/200933 Acórdão n.º 1302002.494 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (IRPJ) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902180/200933 Acórdão n.º 1302002.494 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902180/200933 Acórdão n.º 1302002.494 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13851.902180/200933 Acórdão n.º 1302002.494 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13851.902180/200933 Acórdão n.º 1302002.494 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000776/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS NAO COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens:
I-os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos;
II-os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação;
III-as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte;
IV-os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meio-fio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel;
V-o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante;
VI-o valor da contribuição de melhoria.
Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens.
Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data.
GANHO DE CAPITAL VALORES E DATAS DE AQUISIÇÃO E VENDA Os valores de aquisição e de alienação dos imóveis são os constantes das escrituras de compra e venda ou equivalente, assim como a data do recebimento e pagamento dos valores são consideradas as lá constantes. Só podem ser acatados valores e datas distintos, se forem acompanhados de prova da efetividade da discrepância
Numero da decisão: 2402-006.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS NAO COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I-os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II-os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III-as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV-os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meio-fio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V-o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI-o valor da contribuição de melhoria. Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data. GANHO DE CAPITAL VALORES E DATAS DE AQUISIÇÃO E VENDA Os valores de aquisição e de alienação dos imóveis são os constantes das escrituras de compra e venda ou equivalente, assim como a data do recebimento e pagamento dos valores são consideradas as lá constantes. Só podem ser acatados valores e datas distintos, se forem acompanhados de prova da efetividade da discrepância
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CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS NAO COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: Ios dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; IIos dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; IIIas despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IVos dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; Vo valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VIo valor da contribuição de melhoria. Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data. GANHO DE CAPITAL — VALORES E DATAS DE AQUISIÇÃO E VENDA — Os valores de aquisição e de alienação dos imóveis são os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 07 76 /2 00 6- 25 Fl. 161DF CARF MF 2 constantes das escrituras de compra e venda ou equivalente, assim como a data do recebimento e pagamento dos valores são consideradas as lá constantes. Só podem ser acatados valores e datas distintos, se forem acompanhados de prova da efetividade da discrepância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13005.000776/200625 Acórdão n.º 2402006.012 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para constituição de IRPF no valor principal de R$ 36.434,44, acrescido da multa de ofício (75%) e juros legais. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Acréscimo Patrimonial a Descoberto; e 2 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em Reais. Os fatos apurados pela fiscalização podem assim ser resumidos: 1 Quanto ao Ganho de Capital: Em 2002, o contribuinte teria alienado, por meio de dação em pagamento, dois imóveis adquiridos em 2000. O de matrícula 42783 do RGI de Capão da Canoa, adquirido em 11.12.2000 por R$ 64.000,00 e o de matrícula 42724 do mesmo RGI, adquirido na mesma data e pelo valor de R$ 6.000,00. Como dito acima, referidos imóveis foram alienados por meio de dação em pagamento em 30.05.2002, pelo valor de R$ 110.000,00, com vistas a quitar parte do preço ajustado (R$ 280.000,00) no Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda, relativo a outros imóveis. Após intimado a comprovar as melhorias que teria realizado em 2002, o contribuinte informou que: "No tocante a comprovação dos gastos de melhoria no apartamento, .....não possui os documentos fiscais que poderiam comprovar tais aquisições, no entanto, anexa fotos que comprovam a melhoria realizada no dito imóvel." Nesse sentido, apurouse ganho de capital da ordem de R$ 40.000,00, consubstanciado pela diferença positiva entra a alienação (R$ 110.000,00) e o valor de aquisição dos imóveis declarados (R$ 64.000,00 + R$ 6.000,00). 2 Quanto ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto: Por meio de informações obtidas ao longo do procedimento fiscal, a Fiscalização elaborou o fluxo mensal de caixa (entradas e saídas), por meio do qual configurouse o acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de julho (R$ 82.432,29) e dezembro (R$ 29.444,40), totalizando os R$ 111.87,69 em 2003, levados ao lançamento de ofício. O saldo mensal a descoberto resultou, primordialmente, da aplicação de R$ R$ 125.500,00 em julho, que seria decorrente da aquisição de dois imóveis: Fl. 163DF CARF MF 4 1 Apartamento 207 do Edifício REsidencial Victor I. O contrato Particular de Compra e Venda estipulou o preço ajustado de R$ 25.500,00, pagos em moeda nacional no ato (12/07/2003) fls. 42/43; e 2 Terreno com casa de alvenaria. Escritura Pública de Compra e Venda (fls. 44/46), pelo valor de R$ 100.000,00, registrado na matrícula 8806 em 31/07/2003, pelo mesmo valor. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ. Em seu Recurso Voluntário, sustenta, em resumo: 1 Quanto ao Ganho de Capital: Insiste no aproveitamento, como melhorias no imóvel alienado, do valor de R$ 40.000,00, aos argumentos: Para afirmar que não houve comprovação dos gastos com o imóvel alienado a r. decisão singular desconsidera as fotos do imóvel de quando o adquiriu e após as melhorias, aí compreendendo também os móveis e eletrodomésticos, por entender que tal prova não é documento hábil à comprovação de tais melhorias. Ora, é sabido que a maior parte dos contribuintes não guardam notas fiscais de compra de móveis, aparelhos e de materiais para melhorias em seus imóveis, por isto, as fotos apresentadas comprovam de forma visual que ditas melhorias ocorreram no referido imóvel. Também é de conhecimento geral que na alienação de imóveis em zonas de praia é costumeiro integrar o valor de venda o mobiliário, utensílios e equipamentos domésticos em geral. No caso, ora debatido, o imóvel foi alienado na sua integralidade, isto é , o próprio imóvel com mobiliário e outros pertences, e é daí que surge a diferença positiva entre custo do bem e o valor de sua venda, não traduzindo se portanto, em ganho de capital, mas sim em ressarcimento das melhorias e pertences domésticos integradas ao imóvel. Logo, em razão do alegado, é de se dar valor a prova apresentada Ci.fotos do apartamento na aquisição e fotos após as melhorias e instalação de móveis e equipamentos), pois esta representa a realidade dos fatos. E, também, na valoração da prova apresentada devese levar em conta a tradição na alienação de imóveis na zona praiana, isto é, que nestas alienações, a maior parte das vezes, é incluída no valor do imóvel, os bens que o guarnecem. 2 Quanto ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13005.000776/200625 Acórdão n.º 2402006.012 S2C4T2 Fl. 4 5 Nesse ponto, insurgese o contribuinte contra a data tomada pela Fiscalização como a de pagamento por aquele terreno com casa em alvenaria, no valor de R$ 100.000,00. Sustenta que a operação, em verdade, derase em 1998, quanto em 30.04.1998 efetuara o pagamento de R$ 74.000,00 pelo referido imóvel. Argumenta, para isso, que i) aquele bem já havia sido declarado ao Fisco, em DIRPF anteriores, que já foram, inclusive por ele homologas tacitamente; ii) que o Conselho de Contribuintes tem posicionamento de que havendo prova inequívoca que o teor contratual contido na escritura pública não foi cumprido, a fé pública do citado ato cede lugar a esta prova; e iii) que no "Perguntas e Resposta da RFB" constaria a seguinte orientação: 433 Como declarar as aquisições efetuadas por meio de contrato particular de compra e venda ou contrato de gaveta, quando a aquisição ocorre num determinado ano calendário e a escritura em cartório em outro ano calendário? O contrato particular firmado entre construtora/agente financeiro ou pessoa física e o adquirente é instrumento válido para configurar a aquisição do imóvel, mesmo que o adquirente não tenha desembolsado qualquer quantia. Assim, o adquirente deve informar os dados da aquisição na coluna Discriminação e o valor pago até 31 de dezembro, na coluna do anocalendário do contrato. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do Acórdão em 02.03.2010 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 22.03.2010. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Os argumentos trazidos pelo recorrente não encontram guarida na legislação de regência, tampotucoão pouco se prestam a comprovar a efetividade dos gastos efetuados àquele título. O § 7º do artigo 128 do RIR/99 é claro ao estabelecer as hipóteses em que referidos gastos podem ser incorporados ao custo de aquisição do imóvel, SEMPRE que comprovados como documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. Verbis. Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 19 de janeiro de 1992 ate' 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 41', e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e .discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ónus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meio fio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria. § 8º Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ónus ao adquirente, desde que comprovados com Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13005.000776/200625 Acórdão n.º 2402006.012 S2C4T2 Fl. 5 7 documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. O contribuinte não apresentou a documentação tendente a comprovar referidos gastos em 2002. Ademais, as informações em sua DIRPF/2003, ainda que tomadas de forma simplista, não evidenciam aqueles gastos, vejamos. O valor dos pretensos gastos não se encontrava discriminado em sua DIRPF. Ao contrário, foi declarado compondo o próprio valor de aquisição utilizado pela fiscalização (R$ 64.000,00), ao titulo de "aplicado em melhorias no ano de 2002 o valor de R$ 40.000,00 recursos recebidos de herança de Ivo Lessing." DIRPF/2003 BENS E DIREITO AO FINAL DE 2001 174.152,43 BENS E DIREITO AO FINAL DE 2002 485.668,41 EVOLUÇÃO (AUMENTO) PATRIMONIAL => 311.515,98 DÍVIDAS E ÔNUS REAIS AO FINAL DE 2001 215,28 DÍVIDAS E ÔNUS REAIS AO FINAL DE 2002 117.758,76 EVOLUÇÃO (AUMENTO) DAS DÍVIDAS E ÔNUS REIAS => 117.543,48 RENDIMENTOS ISENTOS (HERANÇAS E OUTROS) 197.596,72 TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA 2.468,33 TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE 27.790,90 CÔNJUGE 3.842,38 TOTAL DOS RENDIMENTOS => 203.907,43 PAGAMENTOS DEDUÇÃO PARA O IR 5.811,59 IRRF 2.067,70 TOTAL DOS PAGAMENTOS => 7.879,29 ORIGENS 321.450,91 APLICAÇÕES 319.395,27 Note que as informações acima, extraídas da DIRPF/2003 do recorrente, em especial de fls. 5, conduzemnos a concluir que as origens lá aportadas (rendimentos mais aumento das dívidas e ônus reais), desconsideradas todas as outras despesas comuns e não Fl. 167DF CARF MF 8 levadas ao IR, tais como alimentação, vestuário, transporte e lazer, suplantam as aplicações (pagamentos mais aumento dos bens e direitos) em apenas R$ 2.055,64. Nesse sentido, caso os alegados gastos com melhorias tivessem sido declarados discriminadamente, implicando aumento no saldo dos Bens e Direitos para 2002, as origens declaradas não seriam suficiente a lastreálos. No que toca aos argumentos trazidos acerca da autuação em função do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, cumpre tecermos algumas considerações. O fato de ter transcorrido o prazo de cinco anos 1 com relação à data da entrega da primeira DIRPF com a informação acerca do imóvel em questão, não significa dizer que o Fisco tenha homologado, expressa ou tacitamente, as informações lá declaradas. O que ocorre é a perda do prazo para a constituição do crédito tributário referente àquele exercício. E é só. Não implica reconhecer, em outras palavras, que as informações lá declaradas, sobretudo quando se pretenda dar a elas efeitos tributários prospectivos, não precisam estar documentada e mantida em boa guarda. Como, por exemplo, na alienação de imóvel adquirido há mais de 5 (cinco) anos. Veja o que dispõem o artigo 797 do RIR/99, a seguir: Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). No que diz respeito ao julgado trazido, vale destacar que, além de não se referir a caso semelhante ao em tela, as decisões administrativas, excetuadas as do artigo 75 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de REcursos Fiscais RICARF, não vinculam este colegiado. Da forma já exposta, a controvérsia reside em se determinar quando se dera o pagamento de R$ 100.000,00 por aquele imóvel da Av Independência, 1.255, em Santa Cruz do Sul/RS. Se em 1998, por força do declarado na DIRPF do contribuinte, pelo valor de R$ 74.000,00 ou se em 2003, por conta da Escritura Pública de Compra e Venda, devidamente registrada no RGI, pelo valor de R$ 100.000,00. Como bem colocou o Acórdão recorrido, o artigo 215 do código Civil dá o direcionamento para o deslinde da questão: Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. Ademais, o inciso II do artigo 19 da CRFB/88 veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios recusar fé aos documentos públicos, presumindose, desta feita, verdadeiros e legítimos, até que sobrevenha prova cabal em contrário. 1 Artigo 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, conforme o caso. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13005.000776/200625 Acórdão n.º 2402006.012 S2C4T2 Fl. 6 9 Por sua vez, o artigo 333 do CPC vigente à época do recurso interposto define caber ao sujeito passivo, aqui recorrente, comprovar, pelos meios admitidos, a ocorrência de fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito da Fazenda Nacional. No caso em comento, ao declarar uma operação em data e valor distintos daqueles consubstanciados na Escritura Pública, deveria o contribuinte trazer elementos robustos e incontestes que conduzissem à comprovação de sua alegação, em detrimento do que constou naquele documento público. Assim, deveria o contribuinte ter trazido aos autos, como por exemplo, o alegado instrumento particular por meio do qual teria firmado o negócio em questão, com exatamente o mesmo objeto tratado e mesmas partes envolvidas, observado o artigo 370 do CPC (art. 409 da Lei 13.105/2015) e acompanhado do comprovante de pagamento tendente a demonstrar a transferência do numerário entre as partes, valor e data envolvidos no negócio. Art. 370. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Mas, em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: I no dia em que foi registrado; II desde a morte de algum dos signatários; III a partir da impossibilidade física, que sobreveio a qualquer dos signatários; IV da sua apresentação em repartição pública ou em juízo; V do ato ou fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da formação do documento. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000866/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2001
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA.
A atividade desempenhada pela recorrente, caracterizada por serviços de consultoria e treinamento na área de informática, assemelhados aos serviços profissionais prestados por consultor, analista, programador e professor, é legalmente vedada para usufruir do sistema.
Numero da decisão: 1401-000.495
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator e o conselheiro Maurício Pereira Faro. Designado o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2001 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. A atividade desempenhada pela recorrente, caracterizada por serviços de consultoria e treinamento na área de informática, assemelhados aos serviços profissionais prestados por consultor, analista, programador e professor, é legalmente vedada para usufruir do sistema.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 348 1 347 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.000866/200513 Recurso nº 508.954 Voluntário Acórdão nº 140100.495 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente DIRETRIZ NETSAFE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. A atividade desempenhada pela recorrente, caracterizada por serviços de consultoria e treinamento na área de informática, assemelhados aos serviços profissionais prestados por consultor, analista, programador e professor, é legalmente vedada para usufruir do sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator e o conselheiro Maurício Pereira Faro. Designado o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro Fl. 358DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 349 2 Relatório Trata o presente feito de recurso voluntário interposto pela empresa DIRETRIZ NET SAFE LTDA., objetivando o reconhecimento de seu direito à opção pelo – Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições – SIMPLES, tendo em vista o exercício de atividade vedada prestação de serviços profissionais de consultor, programador, analista de sistemas para microcomputadores e de professor em treinamentos e cursos profissionalizantes na área de informática, em conformidade com o inciso XIII do artigo 90; artigo 12; inciso I do artigo 14 e inciso II do art. 15 da Lei 9.317/1996 e art. 73 da MP 2.158 34,de 27/07/2001,à f1:211. A empresa foi excluída do SIMPLES por meio do ADE DRF/VAR nº 32, de 08 de abril de 2005, sendo que, apresentada SRS, a autoridade preparadora manteve a exclusão. Adoto, por razões de economicidade, o relatório elaborado no âmbito da DRJ de Juiz de Fora, de onde se extrai o seguinte: A contribuinte entregou impugnação, às fls. 248/255, onde alega, em resumo, 1 Nunca exerceu as atividades que lhe estão sendo imputadas e a descrição das notas fiscais não autorizam a conclusão de que tenha ocorrido o "efetivo exercício de atividade impeditiva"; 2 Na data da ocorrência retratada no ADE (05062001), seu objeto social em nada se assemelhava à atividade econômica vedada, relatada naquele ato; 3 Somente até fevereiro de 1997, seu objeto social englobava as atividades de consultoria e de treinamento e aperfeiçoamento profissional, contudo, como nunca as exerceu, deixaram de fazer parte do foco empresarial, sendo excluídas de seu objeto social; 4 A atividade que exerce trata tão somente de "Prestação de serviços de acesso à internet; Processamento de dados, Redes Internas e Redes Externas, Armazenagem e Segurança de Dados em meios Magnéticos; Comercialização e Suporte Técnico de Softwares"; 5 Atividades com permissão legal para opção pelo Simples, como consta do ADI SRF 35/2004 e ADI SRF 4/2005; 6 O contrato em anexo comprova que os serviços prestados não se enquadram nas atividades impeditivas, não podendo ser concluído de forma contrária pela descrição das notas fiscais. As notas fiscais de fls. 54 a 103 trazem a descrição "suporte técnico no sistema acima" ou "suporte técnico a clientes". Tais descrições não permitem concluir da necessidade de conhecimentos de programador ou analista de sistema para executar a atividade. A simples suspeita de que seriam necessários tais conhecimentos não autoriza a exclusão; Fl. 359DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 350 3 7 Suas atividades não necessitam de habilitação profissional legalmente exigida. As atividades exercidas, faturadas nas mencionadas notas fiscais, consistem em instalar os programas nelas discriminados, desenvolvidos por terceiros e, através de técnicos e não de analistas ou programadores, dar suporte necessário ao funcionamento do programa. Os "folders" anexados comprovam que os programas não são por ela desenvolvidos; 8 A prestação de serviços técnicos consiste basicamente em digitar as informações obtidas junto à produtora, sendo que, caso sejam necessários — conhecimentos de analistasoude programadoresestes sãobuscados junto às produtoras. Tanto que os contratos prevêem a responsabilidade da produtora sobre cada sistema; 9 Destaca o item b2 da clausula V. Reforça que os serviços prestados não exigem conhecimento de programador ou analista de sistema, requerendo somente algum conhecimento básico em informática, sem necessidade de formação na área; 10A informação lançada no rodapé das notas fiscais emitidas em 05/06/2001, relativa à promoção em curso de informática, foi apenas um teste para avaliar a viabilidade de entrar no nicho empresarial de cursos nessa área. Não contratou pessoal para tanto por não haver demanda. Não chegou a realizar nenhum curso. A cópia do livro Caixa, fls. 42/53, não registra nenhum recebimento de valores a esse título. A simples inscrição nos rodapés das notas fiscais não é prova de que a atividade impeditiva foi exercida. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de Juiz e Fora, restou consignado que a empresa prestou os seguintes serviços, in litteris: Consta das notas fiscais de serviços de fls. 54/208 que a empresa: • no ano de 2001; prestou serviços de suporte técnico para seus clientes em diversos sistemas, como exemplos: ATDC Biro DOS WK; XT DC Mono Windows WK; Liscal Mono DOS WK; Liscal Biro DOS WK; Liscal Biro Rede WK; Herc.JR Biro DOS WK; Radar Contábil; MT Fiscal; MT Patrimônio; Total Mono – Rede Oficina; Rubi Mono/multi Senior; Ronda Senior; Medicina; Segurança; • no ano de 2003, nos sistemas: Vetor H (Rubi, Medicina, Segurança, Ronda Ponto, Recrutamento e Seleção, Jurídico); Maquiavel (Fortune e Supply); Sapiens (Financeiro, Contábil, Comercial, Patrimônio); In Cash; FCP; MT Vendors Em quase todas as notas fiscais consta a existência de contrato de manutenção mensal; • no ano de 2003, temse notas fiscais de—Treinamento Básico em Informática (fl. 183); VetorH treinamento e treinamento WEB (fl. 175); suporte técnico para diversas empresas (fls. Fl. 360DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 351 4 186/194;196; 198/204), constando na nota fiscal de fl. 196 confecção de layout. No contrato de fls. 257/262, referente aos sistemas Ronda Ponto, Medicina e Segurança, consta que: • cl. Consultoria são os serviços (suporte técnico, treinamento e aperfeiçoamento) prestados na sede do cliente/contratante. Que serão cobrados em horasconsultoria. • c2. Todo e qualquer atendimento efetuado nas instalações do cliente/contratante pelos técnicos/consultores da revenda/contratada (...); • c5. A revenda/contratada se compromete a manter sempre à disposição do cliente/contratante, técnico/consultor aptos a prestar toda e qualquer assistência sobre cada sistema; • d. O STRD (Suporte Técnico Regional Diretriz) também poderá executar atividades das alíneas "h" e "c" acima descritas. Permanecendo a revenda/contratada como a responsável por toda e qualquer atividade por ele executada; • na alínea "b" do contrato está definido que a manutenção será também realizada pela revenda/contratada. O item "cl" do contrato, conjugado com o item "c2", define que a impugnante realiza os serviços de consultoria, envolvendo suporte técnico, treinamento e aperfeiçoamento, na sede da contratante. Além disso, as notas fiscais já evidenciavam a prática de todos esses serviços pela contribuinte. Diante desses fatos, entendeu a DRJ não poder, a Recorrente, valerse do regime do SIMPLES, por exercer atividade vedada pela legislação Ao contrário do alegado pela impugnante, da análise das notas fiscais, às fls. 54/208, e do contrato por ela juntado aos autos, às fls. 257/262, constatase que a empresa efetivamente praticou, nos anos de 2001 a 2003, atividades típicas de consultor, professor, analista e programador que impedem sua opção pelo Simples. Os serviços referidos no art. 9 2, inc. XIII, da Lei n2 9.317/1996, impõem às pessoas jurídicas que os prestem a apuração e pagamento dos tributos segundo as normas tradicionais (isto é, elas não podem optar pelo Simples), independentemente de se enquadrarem nas categorias de microempresa e empresa de pequeno porte; definidas pelo art. 2º da Lei nº 9.317/1996. Entre esses serviços, destacamse, pela sua abrangência, aqueles cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. E é exatamente aqui que nos deparamos com óbice legal à opção pelo Simples da pessoa jurídica que exerça as atividades desenvolvidas pela empresa. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 352 5 Importa esclarecer que não podem exercer opção pelo Simples aqueles que prestem serviços de consultor, analista, programador e professor e assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, ou seja, não há necessidade de que o prestador de serviços seja consultor, programador, analista, professor ou possua curso profissionalizante nessas áreas, basta que desempenhe atividades típicas dessas profissões. Postos esses fundamentos, a solicitação da Recorrente foi indeferida. Inconformada, a Recorrente aviou o presente recurso voluntário, em que postula a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. Conforme se extrai da representação às fls. 01/02, temse o seguinte: Em 07 de agosto de 2003, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/VAR n° 432.199, para a exclusão da contribuinte DIRETRIZ NETSAFE LTDA, CNPJ 01.547.271/000124, do Simples, por se considerar incorrida na hipótese de vedação do inciso IX do art. 9° da Lei n° 9.317/96 (participação de sócio com mais de 10% do capital de outra empresa e receita bruta global superior ao limite legal evento 311). A contribuinte, por sua vez, apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples SRS, na qual refutou especificamente esse motivo de sua exclusão, cujas alegações foram julgadas procedentes e, em conseqüência, cancelado o ato excludente citado pela autoridade administrativa (fls. 03 a )9 ). 2. Contudo, em análise à documentação apresentada naquela SRS, constatouse a ocorrência de outra hipótese de vedação do Simples, prevista do inciso XII do art. 90 da Lei n° 9.317/96: o efetivo exercício de atividade de consultoria, programação e análise de sistemas para microcomputadores e de treinamentos e cursos profissionalizantes na área de informática. 3. Na verdade, desde a sua constituição, a empresa, estabelecida em Varginha/MG, tem como objeto, dentre outros, a prestação de serviços de processamento de dados, redes internas e redes externas, suporte e consultoria, e treinamento e aperfeiçoamento Fl. 362DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 353 6 profissional, de acordo com a cláusula terceira de seu contrato social, registrado em 24/09/1996 (fls. 10 a 14 ). A partir da segunda alteração contratual, registrada em 10/05/2002, fez constar expressamente em seu contrato social o objeto "licença de uso, manutenção e suporte técnico de software próprios e de terceiros" sublinhamos (fls. 25 a 32). Já na 11ª alteração contratual, registrada em 28/06/2002 (fls.33 a 40), o objeto social é mais explícito, cujo texto abaixo transcrevemos: "Cláusula terceira A empresa tem por objeto social: a) Análise e desenvolvimento de sistemas para microcomputadores, compostos por programas para uso próprio, para venda da licença de uso, ou locação da licença de uso; b)Prestação de serviços de manutenção, customização e suporte em programas e sistemas, sejam próprios ou de terceiros; c) Consultoria especializada em: 1) Informática; 2) processamento de dados; 3) organização e métodos; 4) auditoria de informática; 5) e em atividades relacionadas com os sistemas e programas comercializados; d) Treinamento, certificação e aperfeiçoamento profissional em informática e processamento de dados e atividades relacionadas com os sistemas e programas comercializado; e) Cursos profissionalizantes de informática à distância; I) Prestação de serviços de impressão para terceiros." (negritamos) 4. As Notas Fiscais de Prestação de Serviços n° 1096 a 1145, 3444 a 3529 e 3531 a 3539 (fls.5 a 21) comprovam o efetivo exercício das atividades descritas em seu contrato social pela contribuinte, o que lhe veda a opção/permanência no Simples. 5. Dispõe o art. 9°, XII, da Lei n° 9.317/96: "Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica.'' (..) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" Diante dessa representação, foi lavrado o ato declaratório executivo nº 32, de 08 de abril de 2005, em que se promoveu a exclusa da Recorrente do Simples, pela seguinte fundamentação, in litteris: Fl. 363DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 354 7 Art.1° Fica, o contribuinte a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo, segundo informações contidas no processo administrativo n° 10660.000866/200513: Nome: DIRETRIZ NETSAFE LTDA CNPJ: 01.547.271/000124 Data da opção pelo Simples: 01/01/1997 Situação excludente (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada — prestação de serviços profissionais de consultor, programador e analista de sistemas para microcomputadores e de professor em treinamentos e cursos profissionalizantes na área de informática. Data da ocorrência: 05/06/2001 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória n° 2.158 35, de 24/08/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. De referidos dispositivos legai, extrase que a exclusão operouse pelo enquadramento no disposto no inciso XII do art. 20 da IN SRF nº 355, de 29 de setembro de 2003, que dispõe o seguinte: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: (...) XII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;(sem grifos no original). Segundo a representação para exclusão do simples, o desempenho dessas atividades vedadas estaria comprovado pelas notas fiscais de Prestação de Serviços n° 1096 a 1145, 3444 a 3529 e 3531 a 3539. Compulsando os autos, identifiquei que os serviços descritos nas notas fiscais são os seguintes: a) as notas fiscais de nº 1096 a 1145 (fls. 54 a 103), 1147 (fls. 105), 1150 (fls. 108), 3521 a 3529 (fls. 186/194), 3531 a 3539 (fls. 196/204), e 3543 (fls. 208) referemse a suporte técnico em softwares, redes e hardwares; Fl. 364DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 355 8 b) as notas fiscais de nº 1146 (fls. 104), 1148 e 1149 (fls. 106/107), 3530 (fls. 195), e 3540 a 3542 (fls. 205/207) referese a impressão a laser; c) as notas fiscais de nº 3444 a 3457 (fls. 109 a 122), 3460 a 3462 (fls. 125/127), 3465 a 3469 (fls. 130/134), 3471 a 3490 (fls. 126/155), 3492 a 3517 (fls. 157/182) e 3519 a 3520 (fls. 184/185) referemse a sistemas de computador (softwares) d) as notas fiscais de nº 3458/3459 (fls. 123/124), 3463/3464 (fls. 128/129), 3470 (fls. 135) e 3491 (fls. 156) referemse a plano de internet; e) a nota fiscal de nº 3518 (fls. 183), assim, como a nota fiscal nº 3510 (fls. 175) referemse a serviços de treinamento. A partir desses elementos, não identifico como enquadrar os serviços prestados pela Recorrente como vedados ao regime do SIMPLES. Ao contrário, as atividades tomadas como fundamento para a exclusão da Recorrente do regime simplificado de apuração de tributos não estão enquadradas na vedação do inciso XII do art. 20 da IN SRF nº 355. Em verdade, os serviços descritos na referida instrução normativa a que poderia a Recorrente estar enquadrada são os de consultoria, programação, análise de sistemas ou ensino. E nas atividades praticadas pela Recorrente não identifico nenhuma dessas atividades. O serviço de suporte de softwares não exige qualquer formação especial, podendo ser desenvolvido por qualquer um que tenha se dedicado um pouco mais à compreensão do funcionamento do sistema e, não raras vezes, são prestados por via remota, com instruções ao próprio usuário do computador. De fato, os programas de computador quando ocorre travamento de sistema operacional (windows ou DOS etc.), ou de um programa previamente desenvolvido, demanda uma assistência por alguém que conheça com maior profundida o seu funcionamento, sem que, com isso, esteja caracterizada a atividade de um analista de sistemas ou de um programador. Estas atividades, análise de sistemas e programação, exigem o desenvolvimento de programas para atendimento de demandas específicas do cliente, mediante a efetiva criação de um sistema próprio que funcionará na base do sistema operacional. As atividades descritas – e até mesmo os valores cobrados pelos serviços constantes nas notas fiscais – são incompatíveis com as atividades do analista de sistemas ou programador. O mesmo se diga com relação à manutenção de harware e de redes, que nada mais representam do que a instalação e/ou substituição de peças necessárias ao funcionamento das máquinas. No que toca às notas fiscais em que estão descritos programas de computador, é necessários fazermos uma distinção: basicamente são duas as formas de aquisição de um software, quais sejam, (i) a aquisição de uma licença de uso de um software padrão (também chamado de “software de prateleira”); ou (ii) o desenvolvimento, por encomenda e de acordo com especificações, de um software próprio para a demanda do cliente (software por encomenda). O primeiro, software de prateleira, não demanda serviços de Fl. 365DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 356 9 consultoria, análise de sistemas ou programação. Já o software por encomenda, ao contrário, demanda o exercício das atividades descritas e que são vedadas ao regime do SIMPLES. Dos documentos constantes dos autos, não vejo como reconhecer os sistemas descritos nas notas fiscais, que fazem referência aos nomes VETORH, INCASH, MAQUIAVEL, SAPIENS, RUBI, PPP, T VENDORS, RONDA, FCF FARTURAMENTO CONSUMIDOR FINAL, como sendo o desenvolvimento de programas de computador a partir de encomenda específica dos clientes da Recorrente, mesmo porque referidos produtos com a mesma denominação, são destinados a diferentes pessoas de direito público e privado. Esse fato, aliado à ausência de outros elementos, me leva a crer tratarse de softwares de prateleira, e não de prestação de serviço de consultoria, análise de sistema ou programação. Quanto aos treinamentos descritos no item e, não vejo como, na análise do conjunto probatório, caracterizalos como atividade de ensino (professor). Além de o valor descrito ser diminuto, o oferecimento de instruções para o funcionamento de sistemas de computador, ainda que softwares de prateleira, prestados àqueles que adquiriram referidos produtos e de forma eventual, não caracteriza a atividade de professor. Diante desses fatos, não vejo como suficientes os elementos de prova constantes dos autos para o enquadramento em atividade vedada no âmbito do SIMPLES. Em casos análogos, também assim decidiu o extinto Conselho de Contribuintes, in verbis: PROCESSO N° : 13056.000323/200199 SESSÃO DE : 24 de fevereiro de 2005 ACÓRDÃO N° : 30331.877 RECURSO N° : 128.572 RECORRENTE : FOUR NETWORK LTDA. RECORRIDA : DRJ/PORTO ALEGRE/RS SIMPLES EXCLUSÃO — RAMO DE COMERCIALIZAÇÃO, INSTALAÇÃO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS PARA ESCRITÓRIO, COMUNICAÇÃO INFORMÁTICA, não se encontra enquadrado nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. Comprovado que a recorrente se dedica ao ramo de comercialização, instalação e prestação de serviços de assistência técnica e manutenção de equipamentos para escritório, comunicação e informática, prestados por técnicos em informática (analistas de suporte) e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas, sendo essas atividades exercidas pela recorrente perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável, é de se Fl. 366DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 357 10 reconsiderar o ATO DECLARATORIO que a tomou excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte PROCESSO N° : 10825.000131/9914 SESSÃO DE : 09 de julho de 2004 ACÓRDÃO N' : 30331.524 RECURSO N° : 126.306 RECORRENTE : FK COMPUTAÇÃO PARA CRIANÇAS E COMÉRCIO LTDA. RECORRIDA : DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP SIMPLES. EXCLUSÃO. ART. 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/96. Pessoa jurídica que comprovou não estar dedicada à prestação de serviços de educação, representando tal atividade parcela desprezível de suas receitas, mas que demonstrou, por outro lado, que seus contratos de fornecimento celebrados com órgãos públicos não envolvem curso livre, mas sim, a implantação de projetos de informática educacional dentro das escolas municipais de ensino fundamental, e bem assim, o fornecimento de equipamentos, programas, suprimentos, material didático, capacitação técnica para professores e alunos, com suporte técnico total, pedagógico e tecnológico". Não há, na espécie, fundamento para a exclusão da sistemática do SIMPLES. Ainda, o ato declaratório executivo SRF nº 08, de 18 de janeiro de 2005, firmou o seguinte: Ato Declaratório Executivo SRF no 8, de 18 de janeiro de 2005D0U de 20.1.2005 Cancela os Atos Declaratórios Executivos que excluíram do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) as pessoas jurídicas a que se refere. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 40 da Lei no 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei no 11.051, de 29 de dezembro de 2004, declara: Artigo único. Ficam cancelados os Atos Dedaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 90 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: Fl. 367DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 358 11 I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, tornando sem efeito o ato de exclusão combatido. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Redator Designado Versa o presente litíio sobre a exclusão da contribuinte do SIMPLES, em razão do alegado exercício de atividade vedada prestação de serviços profissionais de consultor, programador, analista de sistemas para microcomputadores e de professor em treinamentos e cursos profissionalizantes na área de informática, em conformidade com o inciso XIII do artigo 9º, artigo 12; inciso I do artigo 14 e inciso II do art. 15 da Lei 9.317/1996 e art. 73 da MP 2.15834,de 27/07/2001,à f1:211. O ilustre Conselheiro Relator considerou os elementos de prova constantes dos autos insuficientes para demonstrar o exercício de atividade vedada no âmbito do SIMPLES. Com a devida vênia, divirjo deste entendimento. Ao apreciar a presente questão, assim se manifestou o acórdão recorrido, fls. 275276 (grifado): Destaquese que o livro Caixa não identifica as atividades desenvolvidas pela empresa, portanto seria difícil através de sua análise encontrar discriminada a realização de cursos. As notas fiscais são mais apropriadas para tal análise, exatamente por discriminarem ainda que sucintamente os serviços prestados ou as vendas realizadas. Merece registro também o fato do sócio Eric Guimarães Paiva, que esteve nessa condição até 22/03/2005 (data de registro na JUCEMG) como se depreende da alteração contratual de fls. 265/270, possuir a qualificação de Consultor em Informática. Consta das notas fiscais de serviços de fls. 54/208 que a empresa: Fl. 368DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 359 12 • no ano de 2001; prestou serviços de suporte técnico para seus clientes em diversos sistemas, como exemplos: ATDC Biro DOS WK; XT DC Mono Windows WK; Liscal Mono DOS WK; Liscal Biro DOS WK; Liscal Biro Rede WK; Herc.JR Biro DOS WK; Radar Contábil; MT Fiscal; MT Patrimônio; Total Mono – Rede Oficina; Rubi Mono/multi Senior; Ronda Senior; Medicina; Segurança; • no ano de 2003, nos sistemas: Vetor H (Rubi, Medicina, Segurança, Ronda Ponto, Recrutamento e Seleção, Jurídico); Maquiavel (Fortune e Supply); Sapiens (Financeiro, Contábil, Comercial, Patrimônio); InCash; FCP; MT Vendors Em quase todas as notas fiscais consta a existência de contrato de manutenção mensal; • no ano de 2003, temse notas fiscais de Treinamento Básico em Informática (fl. 183); VetorH treinamento e treinamento WEB (fl. 175); suporte técnico para diversas empresas (fls. 186/194;196; 198/204), constando na nota fiscal de fl. 196 confecção de layout. No contrato de fls. 257/262, referente aos sistemas Ronda Ponto, Medicina e Segurança, consta que: • cl. Consultoria são os serviços (suporte técnico, treinamento e aperfeiçoamento) prestados na sede do cliente/contratante. Que serão cobrados em horasconsultoria. • c2. Todo e qualquer atendimento efetuado nas instalações do cliente/contratante pelos técnicos/consultores da revenda/contratada (...); • c5. A revenda/contratada se compromete a manter sempre à disposição do cliente/contratante, técnico/consultor aptos a prestar toda e qualquer assistência sobre cada sistema; • d. O STRD (Suporte Técnico Regional Diretriz) também poderá executar atividades das alíneas "h" e "c" acima descritas. Permanecendo a revenda/contratada como a responsável por toda e qualquer atividade por ele executada; • na alínea "b" do contrato está definido que a manutenção será também realizada pela revenda/contratada.. O item "cl" do contrato, conjugado com o item "c2", define que a impugnante realiza os serviços de consultoria, envolvendo suporte técnico, treinamento e aperfeiçoamento, na sede da contratante. Além disso, as notas fiscais já evidenciavam a prática de todos esses serviços pela contribuinte. Ao contrário do alegado pela impugnante, da análise das notas fiscais, às fls. 54/208, e do contrato por ela juntado aos autos, às fls. 257/262, constatase que a empresa efetivamente praticou, nos anos de 2001 a 2003, atividades típicas de consultor, Fl. 369DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 360 13 professor, analista e programador que impedem sua opção pelo Simples. Sob o meu ponto de vista, são bastante robustos os elementos de prova que revelam a prática reiterada das atividades de consultor, programador, analista de sistema, e professor na área de informática. O exercício da atividade de consultor, analista de sistema e de professor está explicitamente mencionada no contrato de fls. 257/262, abrangendo as atividades de suporte técnico, treinamento e aperfeiçoamento, prestadas na sede do cliente/contratante. O referido contrato revela que a contribuinte se comprometia a manter permanentemente à disposição do cliente/contratante, técnicos/consultores aptos a prestar toda e qualquer assistência sobre cada sistema, nas próprias instalações do cliente/contratante. Da mesma forma, as notas fiscais de fls. 54/208 demonstram claramente que a contribuinte prestava serviços de suporte técnico relativos a diversos sistemas de informática. Estes serviços eram prestados/cobrados sob a forma de contrato de manutenção mensal, o que evidencia a prestação de serviços continuados de consultoria (ou seja, não se trata de serviços de consultoria prestados esporadicamente). O mesmo se pode dizer em relação ao exercício da atividade vedada de professor, conforme se observa por meio das notas fiscais de Treinamento Básico em Informática (fl. 183); VetorH treinamento e treinamento WEB (fl. 175); suporte técnico para diversas empresas (fls. 186/194;196; 198/204). A nota fiscal de fl. 196, por sua vez, referese à atividade de confecção de layout, o que caracteriza o exerício da atividade vedada de programador. O ilustre Conselheiro Relator, em seu bem elaborado voto, afirmou que “o serviço de suporte de softwares não exige qualquer formação especial, podendo ser desenvolvido por qualquer um que tenha se dedicado um pouco mais à compreensão do funcionamento do sistema”. No entanto, abstevese o ilustre Consellheiro Relator de considerar que, no caso das atividades de consultor, programador, analista de sistemas e professor, a formação do prestador do serviço é irrelevante para fins de vedação à opção pelos SIMPLES. Sobre o tema, foram bastante precisas as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 276277 (grifado no original): Importa esclarecer que não podem exercer opção pelo Simples aqueles que prestem serviços de consultor, analista, programador e professor e assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, ou seja, não há necessidade de que o prestador de serviços seja consultor, programador, analista, professor ou possua curso profissionalizante nessas áreas, basta que desempenhe atividades típicas dessas profissões. Importa frisar que as atividades títpicas de consultor, programador, analista e professor não foram inseridas nas exceções desta norma, instituídas pela Lei nº 11.051/2004. Em outras palavras, até hoje o exercício destas atividades, por parte de uma pessoa jurídica, Fl. 370DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 361 14 configura fator impeditivo para sua opção pelo Simples (independentemente da formação das pessoas físicas responsáveis pela prestação dos serviços). O ilustre Conselheiro Relator também considerou que, no seu entendimento, a contribuinte presta serviços apenas em relação a “softwares de prateleira” e não em relação a “softwares produzidos sob encomenda”. Data máxima vênia, a distinção entre “software de prateleira” e “software produzido sobre encomenda” somente possui relevância para fins de incidência de ISS ou ICMS sobre a sua comercialização. Para fins de vedação à opção pelo SIMPLES, tal questão é totalmente irrelevante. Em outras palavras: o exercício das atividades típicas de consultor, analista de sistemas e professor constituem fatores impeditivos à opção pelo SIMPLES, independentemente de tais atividades se referirem a “software de prateleira” ou “software produzido sobre encomenda”. No caso do exercício de atividades desta natureza, este Conselho Adminsitrativo de Recursos Fiscais tem sempre decidido pela impossibilidade de opção pelo SIMPLES, conforme se observa por meio dos seguintes julgados (grifado): SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. A atividade desempenhada pela recorrente, caracterizada por serviços de consultoria e assessoria, assemelhados aos serviços profissionais prestados por consultor, assessor, despachante e professor, incluindo treinamento e aperfeiçoamento de pessoal na empresa contratante, é legalmente vedada para usufruir o sistema. Acórdão nº 30334491, Processo 10680.018626/200375, de 04/07/2007. VEDAÇÃO OBJETO SOCIAL A previsão no objeto social do exercício de atividade de consultoria, assessoria, planejamento e análise de sistemas, impede a opção ao SIMPLES na forma do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96. Acórdão nº 30134513, Processo 13894.000441/200397, de 21/05/2008. SIMPLES. DESENQUADRAMENTO. A lei veda a opção pelo SIMPLES por pessoa jurídica que exerça atividade de programador, analista de sistema e professor ou a estas assemelhadas. Acórdão nº 30131772, Processo 10820.001557/0096, de 14/04/2005. Diante do exposto, voto por dar NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Fl. 371DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10660.000866/200513 Acórdão n.º 140100.495 S1C4T1 Fl. 362 15 . Fl. 372DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003723/2003-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO.
Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que a declaração de compensação foi encaminhada em 25.09.2003 para a recuperação de valores apurados com relação a agosto a outubro de 1997.
Numero da decisão: 9101-003.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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DECADÊNCIA. Recorrente RICSHOPPING EMPREENDIMENTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO. Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, ao que se subsume o presente caso, uma vez que a declaração de compensação foi encaminhada em 25.09.2003 para a recuperação de valores apurados com relação a agosto a outubro de 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 37 23 /2 00 3- 16 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13706.003723/200316 Acórdão n.º 9101003.114 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratamse de declarações de compensação (Efls. 2 ss.) apresentadas em 25.09.2003 para a recuperação de valores apurados com relação a agosto a outubro de 1997, pleito este negado pelo Despacho da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro (Efls. 23 ss.), com fundamento na decadência do direito à restituição. Insurgindose, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 29 ss.) pleiteando a aplicação do prazo decenal e, noutra petição, que não fosse inscrita no CADIN. Com o acórdão n. 11584, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (Efls. 86 ss.) não acolheu o pleito do contribuinte, aplicandose o prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, e não conheceu a mencionada petição. O Recorrente apresentou recurso voluntário (Efls. 98 ss.), renovando as razões postas para defender a inaplicabilidade da Lei Complementar n. 118/05, com o objetivo de afastar a decadência. O recurso voluntário foi julgado pelo acórdão n. 10196.889 (Efls. 132 ss.), em que se que manteve o entendimento de que o pedido de restituição deveria ser formulado no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. A contribuinte interpôs então recurso especial (Efls. 141 ss.) requerendo a sua procedência no sentido de homologar as compensações, com fundamento nas alegações de decadência, e cancelar as exigências. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade às Efls. 222 ss. e a Recorrida ofereceu contrarrazões às Efls. 227 ss. Passase à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13706.003723/200316 Acórdão n.º 9101003.114 CSRFT1 Fl. 4 3 Conheço o recurso nos termos do despacho de admissibilidade. Tratase de pedido de restituição encaminhado em 2003 com relação a valores de 1997, pleito este que, por formulado anteriormente à vigência da Lei Complementar n.118/05, deve observar o prazo decenal correspondente aos cinco anos decadenciais para o lançamento de ofício/homologação tácita do pagamento antecipado, somado de mais cinco anos prescricionais para o pedido de restituição, nos termos do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13706.003723/200316 Acórdão n.º 9101003.114 CSRFT1 Fl. 5 4 analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Subsumese, portanto, a questão, à Súmula CARF 91, de obrigação vinculada deste colegiado, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim sendo, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte, determinadose o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro para a verificação da liquidez e certeza do crédito, porque considerado não decaído por este colegiado. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720737/2011-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720737/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.169 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2017 Matéria INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Recorrente F. CARABOLANTE APOIO OPERACIONAL LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2011 A existência de débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é hipótese de indeferimento da inclusão no Simples Nacional, nos termos do inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 07 37 /2 01 1- 75 Fl. 121DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão 1441.756, proferido pela 9ª Turma da DRJ/RPO, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos para com a Fazenda Nacional, conforme a seguir transcrito: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) CNPJ: 11.619.583/000150 NOME EMPRESARIAL: FCARABOLANTE APOIO OPERACIONAL LTDA ME DATA DA SOLICITAÇÃO DE OPÇÃO: 19/01/2011 A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguinte(s) situação(ões) que impediu(ram) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 11.619.583/000150 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Competências 1)Competência 02/2010 Valor : R$ 158,10 A DRJ proferiu a seguinte decisão: Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em relação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, emitido em razão da empresa possuir débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil com exigibilidade não suspensa. O Termo de Indeferimento anexado às fls. 5 indica a existência de um débito de natureza previdenciária na competência 02/2010, no montante de R$158,10. Aduz, em síntese, que na data do débito apontado a empresa ainda não exercia atividade, sendo a sua abertura concretizada em 03/03/2010 emitindo a primeira nota fiscal em 06/04/2010. Assim, informa ter enviado em 21/01/2011 GFIP sem movimento. Que em 14/02/2011 ainda constava a pendência perante a RFB e foi informado pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto que a GFIP já constava na base de dados Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10840.720737/201175 Acórdão n.º 1001000.169 S1C0T1 Fl. 3 3 da receita e que deveria aguardar o dia 15/02/2011 que era o prazo final para deferimento da opção. Em 16/02/2011 foi surpreendida com o indeferimento da opção. Insurgese contra o despacho decisório que indeferiu o requerimento apresentado nesta impugnação. Alega ter acompanhado todo o processo, atendido todas as exigências, sendo orientada a aguardar a data final. Caso fosse orientada a excluir a GFIP primeiro e após enviar nova GFIP, teria feito como o fez em 18/02/2011. Que a GFIP apresentada foi transmitida e aceita pelo banco de dados do órgão, induzindo o contribuinte em erro. Que caso não tenha o seu direito de ingresso no Simples Nacional respeitado, a empresa se sujeitará às penalidades que importarão em dificuldades e transtornos, pois porta se de fato como optante pelo Simples Nacional. Face o exposto requer seja deferida a presente manifestação de inconformidade, com a sua inclusão no Simples Nacional a partir de 01/01/2011. É o relatório. Voto A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, dela conheço. Procedendo à análise dos elementos constantes nos autos, observase a improcedência da manifestação de inconformidade. Insurgese o contribuinte contra a decisão que indeferiu o requerimento para opção pelo Simples Nacional a partir do ano calendário 2011 alegando ter cumprido todas as exigências. Observase, no entanto, que a pendência previdenciária identificada para a competência 02/2010 foi sanada somente em 18/02/2011 com a transmissão pelo SEFIP do pedido de exclusão de informações anteriores’, portanto, após o prazo conferido pelo artigo 7o da Resolução CGSN nº 4/2007, vigente na data dos fatos: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Fl. 123DF CARF MF 4 § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo;(grifo não consta no original). O procedimento para exclusão de fato gerador declarado em GFIP consta no ‘capítulo V retificação de informações’ do Manual da GFIP/SEFIP para usuários do SEFIP 8.4, nos seguintes termos: 2 – PEDIDO DE EXCLUSÃO DE INFORMAÇÕES ANTERIORES A partir da versão 8.0, a exclusão de uma GFIP/SEFIP indevida passa a ser realizada no próprio SEFIP, na tela de abertura do movimento, selecionando a opção “Pedido de exclusão de informações anteriores”, onde é necessário informar os dados da GFIP/SEFIP a excluir: competência e código de recolhimento, CNPJ/CEI do estabelecimento e o FPAS informado na GFIP/SEFIP anteriormente apresentada. Neste caso o SEFIP emite, para a Previdência Social, o “Comprovante/Protocolo de Solicitação de Exclusão”, que deve ser guardado pelo prazo legalmente previsto, conforme disposto no item 13 do Capítulo I. Para o FGTS, as informações prestadas incorretamente ou indevidamente, devem ser corrigidas conforme as orientações contidas na Circular CAIXA que trata da matéria. Esclarece, em seguida os casos em que se faz necessário o pedido de exclusão: a) O empregador/contribuinte entregou uma GFIP/SEFIP contendo informações quando na verdade não houve fatos geradores nem outros dados a informar; ou seja, a GFIP/SEFIP deveria indicar “ausência de fato gerador (sem movimento)”. Primeiramente, é necessário fazer um pedido de exclusão, e depois transmitir a GFIP/SEFIP com “ausência de fato gerador (sem movimento)”. Neste caso, se na GFIP/SEFIP apresentada anteriormente houve recolhimento ao FGTS, é ainda possível solicitar a devolução do valor recolhido a maior, observadas as orientações da Circular Caixa que estabelece procedimentos pertinentes ao FGTS. Não observou, a manifestante, as orientações constantes no manual mencionado, deixando, dessa forma, de regularizar a pendência identificada em relação ao débito de natureza previdenciária no prazo previsto na legislação para fins de opção pelo Simples Nacional no ano calendário de 2011, devendo ser considerada improcedente qualquer manifestação que considere o desconhecimento, por parte do contribuinte, das disposições legais e normativas ou que atribua a manutenção da pendência em ato praticado por servidor público. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10840.720737/201175 Acórdão n.º 1001000.169 S1C0T1 Fl. 4 5 DIANTE DO EXPOSTO, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A LC 123/2006, no artigo 17, inciso V, dispõe que: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifei) A GEFIP/SEFIP, relativa ao mês de fevereiro de 2010, sem movimento, somente foi entregue no dia 21 de janeiro de 2011, portanto, tempestivamente. De acordo com as normas, que disciplinam o assunto, bem citadas, pela DRJ: Primeiramente, é necessário fazer um pedido de exclusão, e depois transmitir a GFIP/SEFIP com “ausência de fato gerador (sem movimento)”. Assim, é de concluirse que a recorrente não cumpriu as regras estabelecidas, permanecendo o débito, à época, o que impede a opção pelo Simples Nacional, consoante o inciso V, art. 17 d a LC 123/2006. Recurso Voluntário negado, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 125DF CARF MF 6 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002419/2004-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE
A Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164-MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas.
Consoante ao art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal- STF e pelo Superior Tribunal de Justiça- STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, atualizado pelo CPC 2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO.
Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI.
Numero da decisão: 9303-005.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da receita de exportação os produtos exportados adquiridos no mercado interno, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE A Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164-MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Consoante ao art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal- STF e pelo Superior Tribunal de Justiça- STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, atualizado pelo CPC 2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da receita de exportação os produtos exportados adquiridos no mercado interno, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE A Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Consoante ao art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, atualizado pelo CPC 2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir da receita de exportação os produtos exportados adquiridos no mercado interno, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 19 /2 00 4- 05 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 3 2 vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito – Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 340200.538, de 28 de abril de 2010, proferido pela 4º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) para reconhecer o direito ao credito de insumos adquiridos de pessoa física e (ii) em dar provimento parcial para reconhecer a inclusão das receitas de revenda na receita operacional bruta. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Recurso Voluntário (fls. 94/107) contra o Acórdão DRJ/STM n° 188.588 de 07/12/07 constante de fls. 85/91 exarado pela la Turma da DRJ de Santa Maria RS que, por unanimidade de votos, houve por bem "indeferir" a Manifestação de Inconformidade de fls. 26/39, mantendo o Despacho Decisório de fls. 20 da DRF de Passo Fundo — RS e respectivo Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 17/18), que indeferiu parcialmente (glosa de R$ 214.387,54; reconhecimento de R$ 19.784,03) o Pedido de Ressarcimento ou restituição de declaração de compensação de crédito presumido de IPI (fls.02/06) protocolado em 23/07/04 no valor de R$ 234.171,57 e relativo ao período relativo ao 2° trimestre de 2004. O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO. LEI 9.363/96. IN/SRFs nos Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 4 3 23/97 e 103/97. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. ARTS. 96, 99 E 100 DO CTN. Incluemse na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a pessoas físicas, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. RECEITA DE EXPORTAÇÃO: INCLUSÃO PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS E EXPORTADOS. Não há vedação expressa na Lei para que seja desconsiderado no cômputo da receita bruta de exportação a venda para o exterior e para empresa comercial exportadora de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros". Recurso Provido em Parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto as aquisições de pessoas físicas, por não sofrerem a incidência de PIS/Pasep e Cofins, e não devem compor a apuração do crédito presumido em tela, por ausência de previsão legal, bem assim, como as receitas de exportação decorrentes de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, que não sofrerem industrialização, não devem ser incluídas dentre as receitas de exportação, por integrarem a receita operacional bruta. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 20402.250 e 20179.254. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento ao recurso, fls. 152/153. A Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 159/172, requerendo que seja mantido o acórdão a quo por seus próprios fundamentos jurídicos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 5 4 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, dizem respeito a duas controvérsias: (i) as aquisições de pessoas físicas, por não sofrerem a incidência de PIS/Pasep e Cofins, devem ou não compor a apuração do crédito presumido em tela e (ii) as receitas de exportação decorrentes de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, que não sofrerem industrialização, devem ou não ser incluídas dentre as receitas de exportação que integrarem a receita operacional bruta. Quanto a primeira divergência, a Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 6 5 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 7 6 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Referente a segunda matéria divergente, A Fazenda Nacional aduz que as receitas de exportação decorrentes de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, por não sofrerem industrialização, não devem ser incluídas dentre as receitas de exportação, por integrarem a receita operacional bruta. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 8 7 Com efeito, à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, entendo que, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. A Lei 9.363/96, ao instituir o benefício aos exportadores, misturou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, às contribuições, vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Dessa forma, a Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afetos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, in verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Como visto, essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção referente à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Por outro lado, não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Sem embargo, resta claro que, a norma não restringiu o benefício aos produtores aos produtores, exportadores contribuintes do IPI, em razão de que é indevida a exclusão da Receita de Exportação de Produtos adquiridos de terceiros para efeito de determinação da relação do percentual entre Receita de Exportação e Receita Operacional Bruta. Diante do que foi exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional.. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 9 8 Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao ilustre relator, discordo de seu entendimento quanto à possibilidade de inclusão, na receita de exportação, para os fatos geradores do presetne processo, dos produtos adquiridos de terceiros e exportados, para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9363/96. Ou seja, aqui os produtos não foram industrializados pelo exportador, mas adquiridos e revendidos em operação de exportação. Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 10 9 (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Portanto o benefício foi concedido para a empresa produtora e exportadora. Porém, a discussão travada no âmbito do presente recurso referese à composição da Receita de Exportação RE para cálculo do coeficiente de exportação a ser aplicado sobre os insumos adquiridos para cálculo do crédito presumido do IPI. Nesse sentido, o art. 6º da Lei nº 9.363/96, de forma expressa delegou competência ao Ministro da Fazenda a regulamentação do cálculo, inclusive quanto à definição do que seja receita de exportação. No uso destas atribuições, foi editada inicialmente a Portaria MF nº 38/97, que assim dispôs quanto ao cálculo do coeficiente de exportação: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 11 10 Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 12 11 § 16. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. Assim, tem se que o coeficiente de exportação, composto pela receita de exportação (RE) e receita operacional bruta (ROB), tinha a seguinte cofiguração: RE/ROB. Da leitura da referida portaria destacase que compõe a RE todas as exportações de mercadorias nacionais, não fazendo qualquer limitação de que seja restrita a produtos industrializados pelo exportador. Constatase, que se estivéssemos analisando fatos geradores ocorridos na vigência da citada portaria, estariam corretos o acórdão recorrido bem como o entendimento conspurcado no voto do relator do presente processo, de que exportação de mercadorias adquiridas de terceiros, compunham tanto a RE quanto a ROB. Porém, os fatos geradores do presente processo referemse à apuração do crédito presumido do IPI relativos ao 4º trimestre de 2003, quando não mais vigente a Portaria MF nº 38/97, a qual foi revogada pela Portaria MF nº 64, de 24/03/2003, que passou a regulamentar a apuração do crédito presumido de forma diversa. Vejamos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, de MP, de PI e de ME utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual referida no inciso II sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso III por 5,37%, cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração, observado o disposto nos §§ 13 e 14 deste artigo; V diminuir, do valor apurado conforme o inciso IV, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para dedução do valor do IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Secretaria da Receita Federal (SRF). § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do § 1º. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11030.002419/200405 Acórdão n.º 9303005.895 CSRFT3 Fl. 13 12 (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Observase que a partir da vigência da Portaria MF nº 64/2003, houve uma mudança substancial no cálculo do coeficiente de exportação, passando a compôlo somente o resultado das operações com produtos industrializados pelo próprio contribuinte, alterandose os dois lados do coeficiente. Passou a ser uma relação entre a receita de produtos industrializados exportados (mercado externo) sobre a receita total com produtos industrializados pelo contribuinte (mercados interno e externo). Concluise então que as receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem a receita de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI em relação ao 4º trimestre de 2003. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para excluir das receitas de exportação o valor das exportações de produtos adquiridos de terceiros. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910786/2008-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2001
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.739
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 86 /2 00 8- 26 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.910786/200826 Acórdão n.º 9303005.739 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.030, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.910786/200826 Acórdão n.º 9303005.739 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.910786/200826 Acórdão n.º 9303005.739 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35226.002875/2001-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 29/10/2001
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 29/10/2001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 22 6. 00 28 75 /2 00 1- 75 Fl. 846DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 35226.002875/200175 Acórdão n.º 2202004.291 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 848DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904281/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/05/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 81 /2 01 2- 73 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 12918.56905.010811.1.3.044045, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/05/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 26/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/05/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904281/201273 Acórdão n.º 1302002.429 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720017/2010-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento (i) quanto à desmutualização, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra e, (ii) quanto à concomitância, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.455 1 1.454 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.720017/201021 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.016 – 1ª Turma Sessão de 9 de agosto de 2017 Matéria IRPJ DESMUTUALIZAÇÃO Recorrente MAXIMA S/A CORRETORA DE CAMBIO, TITULOS E VALORES MOBILIARIOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 17 /2 01 0- 21 Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.456 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento (i) quanto à desmutualização, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra e, (ii) quanto à concomitância, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de autuação fiscal (Efls. 850 ss.) formalizada para a exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativamente ao ano calendário 2007, acrescidos de juros, multa de oficio e multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas, diante de supostas irregularidades no tratamento tributário de ganhos decorrente do processo de desmutualização da BM&F. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (Efls. 822 ss.), a acusação baseiase no fato de que a contribuinte não haveria tributado o ganho verificado em decorrência da devolução de capital identificada com a cisão realizada na antiga BM&F, ao deixar de ser tratada como associação civil sem fins lucrativos para tornarse sociedade anônima que abriu o seu capital. Valendose da transcrição de trecho do relatório produzido na decisão da DRJ, trazse mais detalhes do TVF: Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.457 3 “I) Da desmutualização da BM&F e seus desdobramentos a) Foram constatadas irregularidades no tratamento tributário de ganhos decorrentes do processo de desmutualização da BM&F; b) Desmutualização é o termo utilizado para denominar o processo pelo qual a BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros, associação civil sem fins lucrativos, transferiu suas atividades para companhia de capital aberto (sociedade anônima); c) No momento da desmutualização, o capital da BM&F era representado por 618 títulos, divididos em 4 categorias, de acordo com a atuação de seus detentores na Bolsa: Membro de Compensação; Corretora de Mercadorias; Operador Especial e Sócio Efetivo; d) Em 20/09/2007 iniciouse a desmutualização, com a cisão parcial da BM&F e a versão do patrimônio cindido em favor da BM&F S/A. Esta alterou sua denominação para BM&F Associação e seus títulos patrimoniais foram unificados em uma categoria única com valor unitário de R$ 1,00; e) A BM&F S/A absorveu as atividades antes desempenhadas pela BM&F, ficando esta última restrita a atividades de cunho assistencial, educacional e desportivo, entre outras; f) Em contrapartida ao patrimônio recebido, a BM&F S/A emitiu ações em favor dos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F (entre estes a corretora MÁXIMA); g) O patrimônio cindido da BM&F foi de R$ 1.281.136.136,78, o qual foi vertido em favor da BM&F S/A, sendo que o patrimônio remanescente da BM&F foi de R$ 1.282.549,72; h) Os títulos patrimoniais foram unificados em uma só categoria, com valor unitário de R$ 1,00; i) O patrimônio vertido em favor da BM&F S/A teve a seguinte destinação: R$ 901.786.792,00 foram acrescidos ao capital social (que passou de R$ 500,00 para R$ 901.786.792,00); R$ 24.904.425,01 foram destinados à reserva de reavaliação; e R$ 354.354.919,77 foram destinados à reserva para constituição de fundos e salvaguardas, mantendo a contabilização antes existente na BM&F; j) Em contrapartida ao patrimônio recebido, a BM&F S/A emitiu 901.876.792 novas ações (preço de emissão de R$ 1,00), em favor dos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F, na seguinte proporção: para cada título de Membro de Compensação, no valor de R$ 4.961.610 – 4.961.610 ações; para cada título de Corretora de Mercadorias, no valor de R$ 4.898.015,00 – R$ 4.898.015,00 ações; para cada título de Operador Especial, no valor de R$ 1.335.141 1.335.141 ações e para cada título de Sócio Efetivo, no valor de R$ 10.000,00 – 10.000 ações (confr. Ata da Assembléia Geral da BM&F S/A, de 20/09/2007); k) Concluída a desmutualização, seguiuse a oferta pública de parte das ações da BM&F S/A recebidas pelas corretoras (Initial Public Offering – IPO), em dois lotes: o principal (28/11/2007) e suplementar (30/12/2007); l) Estas ações, recebidas pelas corretoras pelo preço unitário de R$ 1,00, foram vendidas, na oferta pública, pelo valor unitário de R$ 20,00. Os vendedores arcaram com as comissões de 2,75% do valor da ação, recebendo o valor líquido de R$ 19,45 por ação; m) Cumpre registrar a existência de acordo firmado por associados da BM&F, delineando diretrizes para a venda das ações recebidas com a Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.458 4 desmutualização. Os associados não signatários poderiam manifestar concordância através de Termos de Adesão; n) Nos termos do acordo, os associados signatários/aderentes se comprometiam a alienar 35% das ações havidas na desmutualização, sendo 10% a investidor estratégico e 25% na oferta pública (IPO); o) A cláusula 4.2 estabelecia a proibição de venda das ações de forma distinta da prevista no acordo, durante prazos determinados segundo o modelo de Termo de Adesão assinado (6 meses ou 2 anos); p) Posteriormente, mediante instrumento de rerratificação do acordo, abriuse aos detentores das ações a possibilidade de alienar, no IPO, percentual superior aos 25% antes previstos; II) Aspectos Tributários do Processo de Desmutualização a) Antes da desmutualização, as Bolsas, constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos, submetiamse ao regime da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil de 2002), gozando da isenção prevista no artigo 15 da Lei nº 9.532/1997 e seus títulos patrimoniais eram registrados pelas corretoras associadas, em contas de Ativo Permanente. No momento da aquisição, os títulos eram registrados pelo seu custo. Posteriormente, como os títulos representavam parcelas ideais do patrimônio das Bolsas, registravam se as variações do valor patrimonial dos títulos, reflexos das alterações dos patrimônios das próprias Bolsas; b) As variações positivas eram registradas a débito da conta de Ativo Permanente representativa dos títulos, com contrapartida a crédito de conta especial de Reserva de Capital. Estas variações positivas não sofriam tributação, desde que não fossem distribuídas aos sócios e permanecessem em conta de reserva, para futuro aumento de capital (confr. Portaria MF nº 785/1977); c) A Portaria em questão determina que a valorização dos títulos patrimoniais não será tributada, nas corretoras associadas que os detêm, desde que mantida em reserva ou utilizada para aumento de capital das detentoras. Ela também adverte que, caso a detentora dos títulos utilize a Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais para aumentar seu capital, este aumento deverá obedecer o artigo 3º, § 3º do Decretolei nº 1.109/70; d) Depreendese que as variações positivas do valor patrimonial dos títulos BOVESPA e BM&F eram afastadas da tributação, nas corretoras associadas detentoras destes títulos, enquanto mantidas em conta de reserva ou utilizadas para aumento de capital. Vale lembrar que, para as corretoras associadas, os títulos patrimoniais das Bolsas tinham por princípio a característica de bens permanentes, necessários ao desempenho de suas atividades sociais. E é neste contexto que se situa a Portaria MF nº 785/1977, que apenas autoriza o sobrestamento da tributação e desde que observadas determinadas condições; e) Resta claro que alterações nestas circunstâncias dariam ensejo à tributação, como no caso da alienação dos títulos patrimoniais pela corretora associada, ou no caso da disponibilização da variação positiva do título aos sócios da corretora, pelo instrumento da redução de capital; f) Destacase que, contrariamente à tese defendida por alguns contribuintes destes títulos, o regime acima descrito não se confunde com Método da Equivalência Patrimonial. Esta é instrumento das sociedades mercantis, para avaliação de investimentos (participações societárias), desde que atendidos os Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.459 5 requisitos de relevância e influência descritos em lei; g) Este, portanto, era o cenário anterior à desmutualização das Bolsas; h) Cabe mencionar que a Receita Federal examinou a matéria antes mesmo do advento da desmutualização das Bolsas (confr. Solução de Consulta COSIT nº 10/2007, formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores); III) Do Procedimento de Auditoria a) A interessada, após ter sido intimada, em 28/02/2008, tendo em vista a abertura de procedimento fiscal, informou que, no momento da desmutualização, era titular de títulos patrimoniais da BM&F, divididos em 3 categorias: Corretora de Mercadorias (valor de R$ 4.898.015,00); Sócio Efetivo (valor de R$ 10.000,00) e Membro de Compensação (valor de R$ 4.961.610,00); b) Informou ainda que para cada R$ 1,00 em títulos patrimoniais da BM&F, distribuiuse uma ação da nova companhia BM&F S/A; c) Juntou cópia do Razão das contas em referência e da que registrava a Reserva de Atualização dos Títulos BM&F de 2006 e 2007, expressando, ainda, o entendimento de que não havia ganho de capital na operação, pois as ações foram recebidas pelo mesmo valor contábil dos títulos patrimoniais; d) Pela análise dos citados livros, foi revelado que os valores em títulos patrimoniais das 3 categorias foram integralmente convertidos em ações da BM&F S/A em 01/10/2007 (valor de R$ 9.869.625,00); e) Metade das ações BM&F S/A recebidas na desmutualização foi utilizada, na mesma data (01/10/2007), para o pagamento de dividendos a acionistas, mediante a transferência de 4.934.813 ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 4.934.813,00. Ainda segundo os livros, as ações remanescentes, no valor de R$ 4.934.812,00 permaneceram na carteira até o fim do ano; f) Além disto, o valor que vinha se acumulando na conta Reserva de Atualização de Títulos BM&F foi integralmente utilizado para aumento de capital (R$ 6.759.625,00) em 30/09/2007; g) Encaminhouse cópia de extrato de movimentação das ações da BM&F S/A, fornecido pela instituição custodiante (BRADESCO), o qual indica que a interessada recebeu, em 01/10/2007, 9.869.625 ações ON, no valor de R$ 9.869.625,00; h) A empresa informou, ainda, que na mesma data, metade das ações foram entregues ao seu controlador, o BANCO MÁXIMA, a título de pagamento de dividendos “in natura”, conforme cópia de Ata da AGE, de 01/10/2007. A Ata em questão menciona que as ações transferidas não incluem aquelas comprometidas à venda. Esta observação alude ao já referido acordo entre a BM&F e seus antigos associados, firmando compromisso de oferta pública de grande parte das ações havidas na desmutualização; i) Os balancetes contábeis registram que, em outubro de 2007, os títulos patrimoniais foram substituídos por ações da nova companhia. As contas que registravam os títulos patrimoniais BM&F foram zeradas, transferindose o seu saldo para outra conta do Ativo Permanente, denominada Ações Bolsa de Mercadorias S/A. Ainda em outubro de 2007, metade destas ações foram transferidas ao Banco Máxima, mediante o seguinte lançamento: crédito na conta de Ativo que registrava as ações e débito a título de “dividendos e lucros pagos antecipadamente”; j) Examinados os fatos e o procedimento da empresa, à luz da legislação Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.460 6 aplicável, concluise que deveria ter sido oferecido à tributação o ganho representado pela diferença entre o custo original dos títulos patrimoniais e o valor das ações recebidas na chamada desmutualização (R$ 9.869.625,00). O custo original de aquisição dos títulos patrimoniais convertidos para reais foi demonstrado pela contribuinte: Custo original dos títulos Corretora de Mercadorias R$ 3.127,50 Membro de CompensaçãoR$ 1.550.000,00 Sócio EfetivoR$ 5.060,51 Custo Total R$ 1.558.188,01 Ganho a ser tributado em 2007 R$ 9.869.625,00 – 1.558.188,01 = R$ 8.311.436,99 k) Fazse necessária, portanto, a reconstituição do cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007 (com a aplicação da multa isolada de 50% demonstrative de fls. 839/843), bem como o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste do anocalendário de 2007 (fls. 843/844), a fim de apurar o efeito tributário do referido ganho (na devolução do capital de entidade isenta – desmutualização da BM&F);” Insurgindose contra o lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação (Efls. 915 ss.), defendendo (i) não haver vedação legal à realização do ato jurídico de cisão em uma associação civil, sendo, inclusive, autorizado expressamente pelo art. 2033 do Código Civil de 2002; (ii) que a natureza patrimonial dos títulos da BM&F se transmitiria às ações da BM&F S/A, razão pela qual não haveria que se falar em devolução de capital, mas mera substituição do título representativo do patrimônio; (iii) haveria autorização expressa para a atualização do valor dos títulos patrimoniais e a exclusão dessa correção da base de cálculo do IRPJ; (iv) a classificação das ações da BM&F S/A no ativo permanente decorreria da natureza patrimonial dos títulos, e se justificaria pela manifestação originária de não alienação dos ativos em função de serem requisitos para a operação no mercado de capitais e, agora, pelo interesse econômico em sua manutenção; e, por fim, (v) impossibilidade de concomitância entre as multas isolada e de ofício. A autuação, no entanto, foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (Efls. 999 ss.), sintetizada pela seguinte ementa, com destaque para o seu entendimento sobre a possibilidade de cisão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SOLUÇÕES DE CONSULTA. ORIENTAÇÕES FISCAIS DISTINTAS. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Modificado o quadro normativo de referência de determinada orientação fiscal dada em Solução de Consulta a posteriori, tomandose por fundamento dispositivo legal novo (conforme o disposto pelo artigo 17 da Lei 9.532/97, que sujeita à incidência do IRPJ o ganho de capital apurado por ocasião de Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.461 7 devolução de patrimônio de entidade isenta para associado), não obsta que a Administração Pública chame à tona para nova reflexão entendimento acerca de assunto já debatido. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO SOB A FORMA DE AÇÕES. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do IRPJ e da CSLL, computandose na determinação do lucro real do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. CISÃO PARCIAL. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. PATRIMÔNIO DA CINDIDA VERTIDO PARA SURGIMENTO DE UMA EMPRESA S/A. IMPOSSIBILIDADE DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. O novo Código Civil não proíbe que as associações civis sem fins lucrativos sejam objeto de cisão. Entretanto, o que não se permite é que a natureza jurídica de uma entidade que não possua fins lucrativos transmudese e passe a configurar uma S/A, utilizando o patrimônio da entidade cindida, já que se estaria modificando seu regime jurídico. Tal fato, por si só, faz com que caia por terra a isenção anteriormente conferida à entidade social que não possua fins lucrativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pelo que ambas podem ser aplicadas ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. IRPJ E CSLL DO ANO NÃO RECOLHIDOS. É cabível a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a totalidade ou diferença do imposto ou da contribuição nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efls. 1051 ss.), reiterando o defendido em sua impugnação administrativa e adicionando um ponto sobre a inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício, não tratado naquela oportunidade. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.462 8 A turma a quo então julgou o recurso voluntário, por voto de qualidade decidinco negarlhe provimento, mantendose o posicionamento fiscal e da decisão da DRJ, como consignado na ementa do Acórdão n. 1201000.934 (Efls. 1086 ss.): A contribuinte opôs Embargos de Declaração (Efls. 1051 ss.) em face do Acórdão n. 1201000.934 com o objetivo de que a turma a quo (i) esclarecesse como, na prática, uma associação com mais de hum milhão de reais em seu patrimônio poderia ser considerada extinta; (ii) definisse definitivamente se consideraria legal ou ilegal a cisão parcial de uma associação civil como a BM&F e a versão do patrimônio cindido à pessoa jurídica de natureza diversa, à luz da expressa autorização contida no art. 16, parágrafo único, da Lei n. 9532/1997; (iii) analisasse a jurisprudência do CARF a respeito da concomitância de multas de ofício e isolada; (iv) se pronunciasse sobre a impossibilidade de tributação do acréscimo patrimonial correspondente à atualização dos títulos patrimoniais da associação BM&F ocorrida até 01.01.1998, eis que acobertados pelas regras de não incidência contida na Portaria n. 785/77. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.463 9 De acordo com o despacho de admissibilidade (Efls. 1231 ss), os embargos delcaratórios não foram admitidos. A contribuinte interpôs, assim, Recurso Especial (Efls. 1245 ss) tendo como objeto de divergência (i) a legalidade da cisão da BM&F e (ii) a impossiiblidade de concomitância entre as multas de ofício e isolada. Em seus pedidos, requereu subsidiariamente o cancelamento integral da autuação ou, subsidiariamente, a impossibilidade da tributação do valor integral da atualização dos títulos patrimoniais da BM&F, somente podendo alcançar os acréscimos verificados posteriormente a 01.01.1998. Ao recurso especial foi dado seguimento por despacho de admissibilidade (Efls. 1432 ss.), sem se avaliar o pedido subsidiário, e a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (Efls. 1438 ss.). Passase, então, à apreciação do recurso da contribuinte. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Relatora. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.464 10 Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, em linha com o despacho de admissibilidade, consideramse preenchidos os requisitos necessários ao conhecimento do recurso especial, com relação às divergências apresentadas, nominadas pela própria recorrente como: legalidade da cisão e concomitância das multas de ofício e isolada, para o que foram apresentados os respectivos paradigmas. Ressaltase, porém, que há no recurso mais um item, que revela um pedido subsidiário formulado pela contribuinte, no senido de que ainda que se entenda pela efetiva devolução de capital da associação da BM&F e pela consequente incidência do artigo 17 da Lei n. 9532/97, haveria outro fundamento a demonstrar que as autuações não poderiam ser mantidas tais como lavradas. Isso porque, nas suas palavras, a legislação em vigor sempre determinou o registro dos títulos patrimoniais da associaçãoo BM&F como Ativo Permanete dos associados, nos termos do item 2.2.5.10.005 do COSIF, aprovado pela Circular BACEN n. 1273/8, e da Portaria n. 785/77 do Ministério da Fazenda, que dispunha sobre o tratamento da atualização de títulos. Assim, explica que a atualização do valor dos títulos patrimoniais era por ela registrada em conta do Ativo Permanente, como acréscimo ao valor do título patrimonial, e, como contrapartida, era realizado um lançamento em conta de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido, sendo que tais atualizações, por força do disposto na Portaria MF n. 785/77, não estava sujeitas à incidência do IRPJ e da CSLL. Entendeu, nesse sentido, que embora algumas decisões proferidas sobre o tema tenham compreendido que essa norma não seria mais aplicável diante da superveniência do artigo 17 da Lei n. 9532/97, o qual teria autorizado sua incidência no caso de devolução de capital de sociedade civil, isso não afetaria a definitiva desoneração tributária dos “ganhos” correspondentes à atualização dos títulos patrimoniais da associação BM&F e ocorridos no período anterior ao início da vigência do art. 17 da Lei n. 9.532/97. Considerando, então, que o fato gerador do IRPJ ocorreria segundo o regime de competência no momento de cada atualização do valor dos títulos, quando incidia a regra da Portaria MF n. 785/77, pela qual não havia a incidência, porque não constituíam receita nem ganho de capital, o que só foi alterado com o art. 17 da Lei n. 9.532/97, pleiteia a Recorrente subsidiariamente que se aplique o artigo 104 do CTN, para que a tributaçãoo alcance somente os acréscimos verificados a partir de 01.01.1998. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.465 11 Ocorre que, quanto a este ponto específico, talvez porque chamado de mais um fundamento para cancelar a autação, não foi apresentada divergência. Como a matéria principal foi sustentada com base na legalidade da cisão de associação sem fim lucrativo, entendo que embora se alterando esta premissa adotada pela fiscalização signifique dar outro tratamento à operação de desmutualização, e por isso se podendo adentrar nesse tema para se chegar ou não à tributação, não consigo com base na divergência apresentada alcançar essa outra “fundamentação” baseada no terceiro tópico, sem a devida comprovação de divergência específica. Assim sendo, deixo a ressalva de que não tratarei do pedido subsidiário mais adiante, por entender que deveria ser objeto e diverência própria. De todo modo, VOTASE POR CONHECER o Recurso Especial, porque as duas divergências apontadas disseram respeito à legalidade da cisão de associação civil sem fins lucrativos e concomitância de multas de ofício e isolada. Mérito I. Legalidade da cisão e tratamento tributário relacionado ao processo de desmutualização Relativamente à primeira matéria a ser enfrentada neste recurso especial, adoto como razões de decidir, conforme autorização das normas que regem o processo administrativo fiscal, a declaração de voto proferido pelo conselheiro Rafael Correia Fuso no acórdão ora recorrido, que traduz meu entendimento sobre o tema. Leiase: Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.466 12 Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.467 13 Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.468 14 Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.469 15 Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.470 16 Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.471 17 Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.472 18 Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.473 19 Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.474 20 Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.475 21 Assim sendo, VOTASE POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte quanto a este ponto, para desconstituir o crédito tributário ora exigido. II. Concomitância entre multas de ofício e isolada Passandose ao segunto ponto de divergência, tratase da possibilidade de cominação simultânea da multa isolada por não pagamento do IRPJ e CSLL calculado com base no regime de estimativas mensais e a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo ao final do ano calendário 2007, fundamentadas nos artigos 44, inciso I e II, b, da Lei n. 9430/96., com redação dada pela Lei n. 11.488/07: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (…)” Muito embora o veículo introdutor dessa norma seja posterior à edição da Súmula n. 105, editada por este conselho no ano de 2004 e aplicável aparentemente de forma pacífica para os anos calendários até 2006, entendese que a norma jurídica, enquanto significação que pode ser construída a partir do enunciado do artigo 44, II, b da Lei n. 9.430/96, em sua nova redação, não difere em sua substância daquela que deu origem à referida súmula e, portanto, continuase a aplicála: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” (grifouse) Contudo, ainda que assim não fosse, vale dizer, ainda que não houvesse súmula editada nesse sentido ou que se estivesse referindo a períodos posteriores à mencionada alteração legislativa, a visão que se possui sobre o tema não se modificaria, pois, no posicionamento adotado, não se discorda da existência de dois fato jurídicos distintos, embora ambos tendo como objeto central o não recolhimento do IRPJ e como obrigação o pagamento de multa pelo seu descumprimento. Entendese cuidar, sim, de dois Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.476 22 fatos jurídicos, porque quando se altera qualquer um de seus critérios, a exemplo do temporal, tornase o fato diferente de um outro que não possua a mesma condição. Ocorre que se vê proximidade tanto no objeto de suas hipóteses de incidência – originadas do descumprimento de normas que se referem à obrigação tributária de recolhimento do IRPJ e CSLL –, seja em caráter antecipatório ou definitivo, como na consequência imputada correspondentes às penalidades, diferenciadas sim pela grandeza considerada, nos diferentes incisos do mencionado artigo 44 da lei n. 9.430/96. Vêse como elemento de diferenciação, portanto, o caráter antecipatório da obrigação, cujo descumprimento gera como consequência a imputação da multa isolada – como, afinal, se vislumbra em diversas regras da sistemática do Imposto sobre a Renda, a exemplo da substituição tributária que antecipa o pagamento no regime de retenção na fonte –, mas, uma vez se encerrando o período de apuração, temse a identificação precisa da base de cálculo do tributo devido e a determinação da multa efetiva pelo seu não recolhimento, não mais devendo prevalecer aquilo que era calculado com base em estimativas, assim como a multa pela não não pagamento neste regime. O fato de haver estimativas para o cômputo do IRPJ que será adiantado mensalmente não pode significar que a sua base de cálculo – ou seja, aquilo que juntamento com a hipótese de incidência diferencia um tributo, numa linha há muito ensinada por Rubens Gomes de Sousa – seja desvirtuada daquele montante que deve sofrer os necessários ajustes para se alcançar a renda objeto da competência da União Federal, o que muito provavelmente não é o que se encontra a partir, como o próprio nome sugere, das estimativas verificadas ao longo do período de apuração. Daí porque não se considera a possibilidade de imputação de multas distintas sob a justificativa de possuírem diferentes bases de cálculo, quando se chega ao final do período e se identifica a efetiva base de cálculo do tributo e, então, se impõe uma multa pelo seu não recolhimento – ainda que isso pareça esvaziar o conteúdo do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n. 9430/96, a não ser para se penalizar quando a autuação ocorra no decorrer do período de apuração ou não gerar um tratamento não equânime entre os contribuintes que, diligentes, recolhessem o tributo antecipadamente, em relação aos que não procederiam a tal adiantamento e, ao final, verificando haver prejuízo fiscal ou saldo negativo, não se sujeitariam a qualquer penalidade. Dizer ser o IRPJ no regime mensal recolhido sobre bases estimadas não infirma a proximidade substancial das obrigações, mas justamente confirma que, se se está tratando de adiantamento, apenas se pode estar estimando aquilo que ainda não foi mensurado em caráter definitivo e que, o sendo, prevalece sobre as presunções efetuadas, assim como prevalece a multa pelo seu não recolhimento, por identificarse, afinal, com a que pune igualmente o não recolhimento do tributo, mas de forma antecipada. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.477 23 Por essa linha, não se precisaria também buscar no Direito Penal o princípio da consunção (vide acórdãos n. 9101001.307, 1803001.263, 9101001.261), muito embora se coincidam quanto ao resultado alcançado, embora nesse caso não se possa sofrer as críticas de que não haveria previsão para aplicação da espécie na legislação fiscal. De todo modo, esse é um dos argumentos que sustentam os precedentes administrativos da referida Súmula n. 105 do CARF, assim como as duas decisões que se encontram proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, retratadas por trecho do voto do Ministro Humberto Martins no REsp 1496354, do qual se transcreve trecho representativo, em que também se orientou o acórdão do AgRg no REsp 1499389: “(…) Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a títul de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normative tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.478 24 aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. (…)” Assim sendo, considerandose a linha ora adotada ou os próprios fundamento dos precedentes da Súmula n. 105 do CARF, que neste caso se pautaram na compreensão da base de cálculo da multa isolada pela multa de ofício ou na aplicação do princípio da consunção, não se vê as alterações promovidas pela Lei n. 11.488 como capazes de alterar tais circunstâncias e sustentar questionamentos quanto à aplicação da súmula a períodos posteriores a 2007, ano em que publicada a lei. Portanto, além de se poder estar aplicando o entendimento da Súmula CARF n. 105 para se afastar a imputação da multa isolada mesmo fundamentada no artigos 44, inciso II, alínea b, da Lei n. 9430/96., em função de sua concomitância com a multa de ofício pevista no inciso I do mesmo dispositivo, as razões para se decidir desta maneira caberiam ainda que não houvesse referido enunciado sumulado e que a autuação se referisse a ano calendário posterior à Lei n. 11.488/2007. Assim sendo, seja em função da impossibilidade de cominação da multa isolada em razão das regras próprias de apuração anual do ajuste de preço de transferência, seja porque não se aceita a sua concomitância com a multa de ofício, somada ao fato de se compreender não haver limitação temporal para a aplicação da Súmula CARF n. 105, entendese que não deve ser mantida essa parcela da autução. Por essas razões, VOTASE POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.479 25 Voto Vencedor André Mendes de Moura – Redator Designado Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, peço vênia para discordar do mérito. Passo ao exame das matérias. Desmutualização. Associação Civil Sem Fim Lucrativo. Dissolução. Devolução do Patrimônio. A matéria devolvida encontrase no contexto do evento denominado "desmutualização". A BOVESPA e a BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) eram entidades do mercado de capitais constituídas sob forma de associações civis, sem finalidade lucrativa. A captação de recursos, desde a criação da instituição mutualizada Bolsa de Valores de São Paulo, em 1960, deuse por meio da emissão de títulos patrimoniais, que legitimava os adquirentes, pessoas jurídicas e físicas, a atuar nas operações intermediadas do mercado. Seguindo uma tendência internacional, em 2007, as bolsas de valores empreenderam um processo de mudança, deixando de operar na forma de associação civil sem fins lucrativos, para uma sociedade por ações. Transcorreramse reorganizações, com a cisão parcial da BOVESPA e da BM&F, criandose novas sociedades por ações. Ao final, consumouse a integração das sociedades Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo, resultando na criação da BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros. Fato é que as entidades que detinham títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F foram transformadas em acionistas da nova sociedade por ações criada. E a Contribuinte era detentora de títulos patrimoniais das associações civis BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) nas modalidades Membro de Compensação (MC), Corretora de Mercadorias (CM) e Sócio Efetivo (SE), e Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). No decorrer do ano de 2007, em razão da desmutualização de títulos da BM&F e da BOVESPA, efetuouse a substituição dos títulos das entidades por ações da nova companhia. Entendeu a autoridade autuante que, a partir da cisão da BOVESPA e BM&F (associações civis sem fins lucrativos), teria ocorrido a devolução dos títulos patrimoniais aos associados, e, por isso, caberia a tributação da devolução do patrimônio de entidade isenta (art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997): Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.480 26 dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. (grifei) Contesta a Contribuinte a interpretação dada pela Fiscalização, fundamentando sua divergência nos dois pontos devolvidos para apreciação do Colegiado: (1) possibilidade de aplicação do instituto de cisão para as associações civis, e (2) atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP fora da incidência de tributação. Entendo que a interpretação dada pela recorrente não merece acolhida. Na realidade, pretende a Recorrente que a legislação empresarial destinada às sociedades com fins lucrativos seja estendida para as associações sem fins lucrativos nas situações em que lhe parecer mais conveniente. Não se pode desconsiderar as bases que sustentam a formação das diferentes espécies de pessoas jurídicas. Vale recorrer à abalizada doutrina de GOMES1 : Caracterizamse pela qualidade da iniciativa de sua criação. Tanto faz que se constituam para a realização de obra de interesses coletivo como para a consecução de fins particulares. Importa que sejam fruto da iniciativa privada. A distinção é importante porque se diferenciam, conforme o modelo adotado, a posição jurídica dos membros, seus direitos e obrigações, sua responsabilidade e a vinculação entre eles. A própria estrutura de cada qual ostenta traços inconfundíveis. É, no entanto, mais fácil distinguilas pelo fim para que se constituem e pela vinculação entre as pessoas agrupadas ou incorporadas. Na sociedade, o fim colimado é o proveito comum dos sócios, na associação, o fim é ideal (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo) e na fundação, é o propósito de atender a interesses de caráter geral ou de uma categoria particular de indivíduos. Quanto à vinculação, somente a sociedade estabelece, entre os sócios, direitos e obrigações recíprocas. Na associação, os sócios não se encontram nessa relação de prestações correlatas e a fundação é antes um conjunto de bens do que de pessoas. As realidades diferentes entre associações e sociedades, naturalmente, são reproduzidas no Código Civil. 1 GOMES, Orlando. Introdução ao direito civil, 19ª ed. Rio de Janeiro : Forense, 2007, p. 172. Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.481 27 Logo no art. 53, delimitamse com clareza as distinções apresentadas pelo inolvidável doutrinador. Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Diante de tais premissas, em que o fim colimado é o ideal da entidade (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo, dentre outros), tanto que não há entre os associados direitos e obrigações recíprocos, e que é organizada para fins não econômicos, ou seja, não lucrativos, a associação, para a consecução dos seus objetivos, recebeu tratamento especial do ramo tributário, gozando de isenção de tributos. Nesse contexto, a própria dissolução de uma associação regese por regras próprias, conforme art. 61 do Código Civil. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Observase que o remanescente do patrimônio da associação é destinado para (1) entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou (2) para instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. E, no caso de associação, a previsão é de que, caso tenha sua atividade descontinuada, que seja dada baixa de seus atos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Não se fala em "transformação" da associação. Se resolver descontinuar suas atividades, o caminho é a sua dissolução. E o seu patrimônio, acumulado em razão da consecução da sua finalidade, com eventual superávit blindado da tributação, não por acaso deve ser destinado para entidades da mesma natureza, ou seja, sem fins econômicos. Não há como ignorar a lógica do sistema. Por sua vez, o fim colimado pela sociedade é o proveito comum dos sócios, razão pela qual entre eles existem direitos e obrigações recíprocas. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.482 28 Nesse contexto, o art. 981 do Código Civil não poderia ser mais didático: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Na sociedade, sendo de proveito comum dos sócios, e com fins lucrativos, há a partilha dos resultados. Cenário completamente diferente da associação, cujo patrimônio e resultados obrigatoriamente não podem ser partilhados e caso extinta, devem ser direcionados para uma outra entidade sem fins lucrativos. Por isso que, no escopo de uma sociedade empresária, são permitidos os efeitos de metamorfose societária. Não interesse se o resultado positivo será destinado aos sócios ou para aumentar o capital da própria sociedade. Tratase de decisão dos sócios, vez que o fim colimado da sociedade é o proveito comum deles. A transformação (a sociedade muda o seu tipo societário), a incorporação, a fusão e a cisão não alteram a finalidade de auferir lucro, pelo contrário, são reorganizações que visam, em tese, otimizar a operacionalização das atividades. Não por acaso, os eventos de transformação, incorporação, fusão e cisão são tratados pelo Código Civil como exclusivos de sociedades. CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. Portanto, resta evidenciada situação completamente desvirtuada a defendida pela Contribuinte, para que se admita que, em uma cisão, parcela de uma associação sem fins lucrativos, possa ser transformada em uma sociedade empresária, cuja finalidade essencial seria o lucro, sem nenhuma prestação de contas de todo o patrimônio que foi acumulado no decorrer de anos sob a premissa de uma finalidade social, isenta de tributação. É precisamente nesse contexto que se insere o art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, situação que prevê a tributação em razão da devolução do patrimônio de entidade isenta. E o art. 2.033 do código não estende para as associações civis o mesmo tratamento dado às sociedades. Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.483 29 Ora, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas do art. 44 (associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada) e sua transformação, incorporação, cisão ou fusão regemse pelo disposto no Código Civil. E o que dispõe o código? Restringe os institutos da transformação, incorporação, cisão ou fusão às sociedades empresárias, conforme arts. 1.113 a 1.122. E a exceção disposta em lei especial é precisamente a Lei nº 6.404, de 1976 (Lei da S.A.), aplicada às sociedades anônimas de capital aberto ou fechado. Portanto, considerando que o caso concreto trata, na realidade, de uma extinção de associações sem fins lucrativos, e a criação de outras pessoas jurídicas com fins lucrativos, aplicase o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, vez que se consumou a devolução do patrimônio de entidade isenta à recorrente por meio de ações de sociedades empresárias. Resta apreciar, na sequência, qual o valor do custo de aquisição do título patrimonial. Defende a Contribuinte que cabe a atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP, conforme metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM, e o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF nº 758/77. Ocorre que o MEP é instituto previsto na mencionada Lei nº 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de atualização de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF nº 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos. Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.484 30 Os arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976, deixam claro o vetor que direciona a relação entre as empresas do grupo: o poder de deliberar sobre o destino da empresa. Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. .............................................................................................. Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício.(...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Vale transcrever a parte da Exposição de Motivos que versa sobre o § 2º do art. 243: ʺ(...) O conceito de sociedade controladora corresponde ao de acionista controlador, do parágrafo único do art. 116, com as adaptações necessárias para compreender quaisquer formas de sociedades controladas (e não apenas a de companhia) e a possibilidade de controle indireto, através de cadeia ou pirâmide de sociedades. Além disso, não se requer, no caso de sociedades, o efetivo exercício do poder de dirigir as atividades das sociedades controladas, que se presume nas relações intersocietárias.ʺ Como não poderia deixar de ser, o Código Civil de 2002 ratifica o entendimento: Art. 1.098. É controlada: Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.485 31 I a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; II a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. MARTINS 2, no Manual de Contabilidade Societária, ao tratar da consolidação das demonstrações contábeis, discorre sobre os aspectos relevantes para se caracterizar o controle. Dessa forma, os aspectos relevantes para se caracterizar o controle são: Poder sobre a investida: provém de direitos que conferem ao investidor a capacidade para dirigir as atividades relevantes da investida (aquelas que afetam significativamente seu desempenho). Um investidor pode ter poder sobre uma investida mesmo que outra entidade tenha direitos que lhe garanta a capacidade de participar da gestão de atividades relevantes, como é o caso da influência significativa. Contudo, um investidor que tenha somente direitos de proteção sobre uma investida não tem poder sobre a investida e, portanto, não controla sua investida. Exposição (ou direitos) a retornos variáveis em razão de seu envolvimento com a investida: o que ocorre na medida em que os retornos do investidor provenientes do seu envolvimento com a investida variam em função do desempenho da investida e da participação da investidora no capital da investida. Capacidade para utilizar seu poder sobre a investida para afetar seus rendimentos sobre o investimento: o que implica que o investidor tem poder sobre a investida e usa esse poder para influenciar o retorno sobre o seu investimento por meio do seu envolvimento com a investida. Como se pode observar, a determinação do controle baseiase no poder (sobre as atividades relevantes da investida), nos retornos (para o investidor) e na relação entre eles (o uso desse poder para obter retornos sobre o investimento). (grifos originais) Como se pode observar, a equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. A propriedade de títulos patrimoniais não confere nenhum poder sobre os destinos da associação, os associados não tem direitos e obrigações recíprocos, o fim colimado não é o proveito comum dos sócios, mas sim o ideal da associação. Por outro lado, o MEP reflete a valorização de ações que a empresa possui, de participações societárias de empresas controladas ou coligadas, sobre as quais exerce poder de decisão. 2 MARTINS, Eliseu... [et. al]. Manual de Contabilidade Societária, 2ª ed. São Paulo : Atlas, 2013, p. 7356. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.486 32 Propriedade de títulos patrimoniais X propriedade de ações de empresas controladas e coligadas são situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei nº 6.404, de 1976) ou no direito tributário. E, não havendo de se falar em MEP, não se aplica o disposto no art. 418, § 1º do RIR/99. Como se considerar como valor contábil do bem aquele que estiver registrado na escrituração do contribuinte, se a atualização do valor deuse em desacordo com as normas de vigência? O caso tratado nos autos é de devolução de patrimônio de entidade isenta, tratada pelo art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997. Enfim, mostrase imprescindível comentar a respeito da Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26/10/2007, formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, e respondida pela Receita Federal antes de se consumar a desmutualização, no qual esclareceu que a cisão é instituto aplicável apenas às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade, e que as bolsas de valores, na condição de associações, sujeitamse ao regime jurídico estatuído pelos arts. 53 a 61 do Código Civil. Ainda, predicou que as corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais dos seus títulos patrimoniais pelo MEP, mas, sim a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos, que se consumaria, dentre outras situações, a partir da extinção das associações sem fins lucrativos. Verificase, portanto, que as conclusões apresentadas foram solenemente ignoradas pela Contribuinte. Nesse sentido, não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a autuação. Multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.487 33 E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (grifei) Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)): Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.488 34 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. Penalizase a conduta de descumprimento de obrigação tributária, de pagamento de tributo de maneira antecipada conforme determinação expressa da legislação. A sanção tem base legal. E mais: expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Fato é que o descumprimento de norma que determina o pagamento do tributo em regime de antecipação proporciona substancial prejuízo, por permitir uma liberalidade no ordenamento jurídico sem base legal, por fomentar um tratamento desigual entre os contribuintes, e por implicar em não ingresso de recursos aos cofres do Estado. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.489 35 Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Enfim, a nova redação para imputação de multa isolada em debate, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (o caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. A matéria foi tratada exaustivamente no mencionado Acórdão nº 9101 002.438. de relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que de maneira precisa e objetiva, apresentou uma interpretação histórica, teleológica e sistêmica do dispositivo normativo. Transcrevo excerto no qual trata da não aplicação do princípio da consunção, no qual menciona entendimento da exConselheira Karem Jureidini Dias. Há argumentos no sentido de que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Dizem seus adeptos que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.490 36 qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.491 37 Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.492 38 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.493 39 configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos e exigidas de forma isolada. Enfim, transcrevo parte de conclusão do didático voto: A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 19740.720017/201021 Acórdão n.º 9101003.016 CSRFT1 Fl. 1.494 40 registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Portanto, não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1494DF CARF MF
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