Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19311.720659/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
ÓRGÃO PÚBLICO. ALÍQUOTA. SAT/GILRAT. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE PREPONDERANTE.
Para fins de determinação do grau de risco e da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, o órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados.
Com a mudança, implementada pelo Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, o Órgão Público, será enquadrado na tabela CNAE - no código 84.11-600 - Administração Pública em Geral e a alíquota GILRAT passou de 1% para 2%, a partir de junho/2007.
Numero da decisão: 2401-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ÓRGÃO PÚBLICO. ALÍQUOTA. SAT/GILRAT. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Para fins de determinação do grau de risco e da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, o órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados. Com a mudança, implementada pelo Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, o Órgão Público, será enquadrado na tabela CNAE - no código 84.11-600 - Administração Pública em Geral e a alíquota GILRAT passou de 1% para 2%, a partir de junho/2007.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19311.720659/2013-23
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5792035
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-005.051
nome_arquivo_s : Decisao_19311720659201323.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19311720659201323_5792035.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6991904
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735160397824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720659/201323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.051 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente MUNICIPIO DE BRAGANCA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ÓRGÃO PÚBLICO. ALÍQUOTA. SAT/GILRAT. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Para fins de determinação do grau de risco e da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, o órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados. Com a mudança, implementada pelo Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, o Órgão Público, será enquadrado na tabela CNAE no código 84.11600 Administração Pública em Geral e a alíquota GILRAT passou de 1% para 2%, a partir de junho/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 06 59 /2 01 3- 23 Fl. 655DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 19311.720659/201323 Acórdão n.º 2401005.051 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado, em 07/10/2013, o Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 51.038.2770 (fl. 03) no valor de R$6.258.947,07 (seis milhões, duzentos e cinquenta e oito mil novecentos e quarenta e sete reais e sete centavos), relativa à diferença de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho SAT/GILRAT, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, sob sua responsabilidade no período de 01/2010 a 12/2011, inclusive 13º salário. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 12/19, apos análise da documentação apresentada pelo contribuinte, bem como as informações constantes nos sistemas da RFB foi constatado que o Município embora se auto enquadre na CNAE 84116 00 Administração Pública em Geral declarou a alíquota do RAT 1%, reajustada pelo FAP – Fator Acidentário de Prevenção de 1,63 para os anos de 2010 e 2011. Informa a fiscalização que os fatos geradores deste crédito ocorreram com os pagamentos aos segurados empregados do Município e pela falta da declaração na GFIP em sua totalidade, dos valores devidos a título de SAT/GILRAT (art. 22, II da Lei nº 8.21/91). Destaca que o percentual de incidência de SAT/GILRAT é definido pelo CNAE Fiscal da empresa, cujo enquadramento é de responsabilidade do contribuinte e que para os órgãos públicos o CNAE Fiscal é o 84116/00, com a alíquota de 1% (um por cento) até a competência 05/2007 e de 2% (dois por cento) a partir de 06/2007, por força da alteração no anexo V do Decreto nº 3.048/99, trazida pelo Decreto 6.042/2007. Informa ainda que a partir de 01/2010 a alíquota do RAT poderá ser reduzida em até 50% ou aumentada em até 100%, nos termos do art. 202A do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica. Esclarece que o FAP informado pelo Ministério da Previdência Social referente ao contribuinte em tela é para 2010 = 1,6264 e 2011 = 1,6959. A fiscalização questionou a existência de eventual processo judicial com decisão favorável autorizando o reconhecimento dessas contribuições mediante a aplicação de alíquota reduzida, mas foi informada de que não existe nenhuma decisão judicial. Ademais, esclarece o autuante que, a partir da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, a multa em lançamento de oficio passa a ser sobre a totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias, simultaneamente nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e no caso de declaração inexata em GFIP, que passou a ser regido pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, respeitado o disposto no Código Tributário Fl. 657DF CARF MF 4 Nacional CTN que prevê, em seu art. 106, inciso II, c, que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Pela não declaração dos fatos geradores, objeto do presente lançamento, em GFIP, restou configurada, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária, definido pelo art. 337A, inciso I do DecretoLei n° 2.848 de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14 de julho de 2000, que foi objeto de Representação Fiscal Para Fins Penais. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 109/116) em 08/11/2013 alegando que embora a fiscalização indique que na qualidade de Administração Publica em Geral deve ser enquadrada no grau de risco médio do SAT/RAT submetendose à alíquota de 2%, o Decreto nº 3.048/99 em seu art. 202 dispõe de forma inequívoca que o enquadramento se dá em função do maior número de trabalhadores em cada atividade, e no caso do Município a maioria está vinculada à atividade de baixo risco de acidentes Secretaria de Educação e Paço Municipal, entendendo que a alíquota a ser paga pela Prefeitura é de 1%. Conclui, portanto, que a multa imposta é flagrantemente abusiva e totalmente divorciada da base de cálculo. Cita jurisprudência sobre a contribuição destinada ao RAT e a definição de atividade preponderante. Exige, então a reanalise do presente caso, que no seu entendimento, interessa não apenas a fazenda municipal, mas também à própria União a qual evitará a sucumbência desnecessária. Ao final, requer a nulidade/cancelamento do lançamento e protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0362.267 da 5ª Turma da DRJ/BSB, às fls. 135/145, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 51.038.2770 SAT/RAT. LEGALIDADE. Com a mudança, implementada pelo Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, o Órgão Público, será enquadrado na tabela CNAE no código 84.11600 Administração Pública em Geral e a alíquota GILRAT passou de 1% para 2%, a partir de junho/2007. ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19311.720659/201323 Acórdão n.º 2401005.051 S2C4T1 Fl. 4 5 A atividade preponderante é apurada no ente público, pessoa jurídica, como um todo, quando este possuir apenas um CNPJ ou, em cada órgão, individualmente, quando este possuir CNPJ próprio. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 27/08/2014, conforme Aviso de Recebimento às fls. 151. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 152/160, em suma, sustentando a dispensa da exigência de depósito recursal, e, no mérito, reitera os argumentos lançados em sua peça de impugnação no sentido de que a maioria de seus funcionários está lotada na Secretaria Municipal de Educação e no paço municipal, sendo que suas atividades são desempenhadas em ambientes escolares ou administrativos. Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Ao analisar a questão, este Egrégio Conselho converteu o julgamento em diligência para que a Fiscalização se pronuncie, de maneira conclusiva, a respeito da real atividade preponderante de cada um dos CNPJ do Município Recorrente, isoladamente considerados, de acordo com a Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE 2.0, conforme se depreende da decisão de fls. 389/413. Em seguida, a Fiscalização se pronunciou no sentido de que a atividade preponderante onde estão incluídos o maior número de segurados do sujeito passivo corresponde ao grau de risco médio, e, portanto, as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT neste órgão público, no período em questão, deverão ser calculadas na alíquota de 2% (dois por cento) (fls.576/585). Devidamente cientificada em 30/09/2016 (fl. 585), a Recorrente não se manifestou (fl. 652). É o relatório. Fl. 659DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 27/08/2014 conforme Avisos de Recebimento às fls. 151, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 03/09/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da alíquota do SAT A controvérsia estabelecida nos autos gira em torno da correta aplicação da alíquota incidente sobre as contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. Narra a Fiscalização, que restou constatado que a prefeitura, embora auto enquadrada no CNAE 8411600 – Administração Pública em Geral, declarou a alíquota do RAT 1% (um por cento), reajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção – FAP I,63 para o ano de 2010 e 2011. Afirma que, por se tratar de um Órgão da Administração Pública Direta, o CNAE previsto no Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06 de maio de 1999, e utilizado pela Prefeitura do Município de Bragança Paulista é, de fato, o CNAE 8411600. Porém, tal CNAE, segundo consta no já citado anexo V do Regulamento da Previdência Social, corresponde a um grau de risco cujo alíquota para recolhimento do GILRAT é definida em 2% (dois por cento). A Recorrente se defende no sentido de que, embora a fiscalização indique que na qualidade de Administração Publica em Geral deve ser enquadrada no grau de risco médio do SAT/RAT submetendose à alíquota de 2%, o Decreto nº 3.048/99 em seu art. 202 dispõe de forma inequívoca que o enquadramento se dá em função do maior número de trabalhadores em cada atividade, e no caso do Município a maioria está vinculada à atividade de baixo risco de acidentes Secretaria de Educação e Paço Municipal, entendendo que a alíquota a ser paga pela Prefeitura é de 1%. Em seguida, apresentou o rol de servidores que constam na folha de pagamento da prefeitura e os respectivos cargos ocupados durante o período fiscalizado. Para definir a atividade preponderante, tornase necessária a análise do artigo 202, do Decreto nº. 3.048, de 1999. Confirase: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 19311.720659/201323 Acórdão n.º 2401005.051 S2C4T1 Fl. 5 7 incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Da leitura dos dispositivos transcritos acima, não paira nenhuma dúvida de que a forma correta para definir a atividade preponderante para o correto enquadramento no grau de risco é aquela disposta no §3º, do artigo 202, Decreto nº 3.048/1999. A propósito, o Colendo Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou sobre o tema. Confirase: (...) SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. (...) 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança do contribuição do SAT, estabelecendo os Fl. 661DF CARF MF 8 elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador — remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo — o total dessas remunerações; (c) alíquota — percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto n. 2.173/97 e Instrução Normativa n. 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (...) (STJ, 1ª Turma, AgRg no REsp 753.635/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, julgado em 16/09/2008, DJe 02/10/2008) Sobre essa matéria, após o parecer nº 2.12/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011, que acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: “PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 19311.720659/201323 Acórdão n.º 2401005.051 S2C4T1 Fl. 6 9 (...) 5. Sobre a matéria, a Lei nº 8.212/91, em seu inciso II, com redação conferida pela Lei nº 9.732/98, estabelece as alíquotas de 1% (um por cento), 2% (dois por cento) ou 3% (três por cento) conforme o grau do risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave. Regulamentando o dispositivo, o Decreto nº 3.048/99, em seu art. 202, reproduziu o disposto no art. 26 do Decreto nº 2.173/97, o qual previa como critério para identificação da atividade preponderante, o maior número de segurados da empresa como um todo. Convém mencionar que, anteriormente, o Decreto nº 612/92 estabelecia como o critério para aferição da atividade preponderante o maior número de empregados por estabelecimento. No entanto, com a sua revogação pela superveniência do Decreto 2.173/97, a verificação de risco da atividade preponderante passou a ser feita considerando a empresa como um todo, o que foi mantido pelo Decreto nº 3.048/99. (...) 16. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas ações promovidas contra a Fazenda Nacional, oriundas de causas de natureza fiscal, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, face ao disposto no art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993; e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro’.” Fl. 663DF CARF MF 10 Outro não é o entendimento adotado por este egrégio Conselho. Recordese: “CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, Acórdão: 2401004.007, Rel. ARLINDO DA COSTA E SILVA, Data da Sessão: 26/01/2016)” “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ENQUADRAMENTO. § 3º DO ART. 202 DO DECRETO Nº 3.048, DE 1991. NÃO QUESTIONAMENTO DO CRITÉRIO ESTABELECIDO NA LEGISLAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VERDADE MATERIAL NÃO OBSERVADA. Não paira nenhuma dúvida de que o enquadramento na atividade preponderante não é realizado na forma apontada na decisão recorrida, ou seja, CNAE x Alíquota, conforme as disposições do Anexo V do Regulamento. A forma correta para definir a atividade preponderante para o correto enquadramento no grau de risco é aquela disposta no § 3º do artigo 202 do Decreto nº 3.048, de 1999. O fato de o contribuinte não ter questionado o critério estabelecido na legislação previdenciária para a identificação da atividade preponderante (RPS / IN RFB nº 971), não tem a menor importância para o deslinde da questão controvertida, tendo em vista a preponderância, em situações como a debatida, do princípio da verdade material, princípio esse totalmente ignorado pela autoridade administrativa quando da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Turma Especial, Acórdão: 2803 003.959, Rel. AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Data da Sessão: 20/01/2015)” Ainda, de acordo com o artigo 202, § 5º do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, a responsabilidade do auto enquadramento é de inteira responsabilidade da empresa, Fl. 664DF CARF MF Processo nº 19311.720659/201323 Acórdão n.º 2401005.051 S2C4T1 Fl. 7 11 cabendo ao Fisco revêlo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas cabíveis à sua correção, bem como orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. Verificase, portanto, que a regra em relação ao ponto controvertido é bastante clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme § 3º do artigo 202 do RPS, e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. Observase dos presentes autos, que após a determinação de diligência por parte deste Conselho, a Fiscalização concluiu, com base nas informações prestadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, que entre as diversas atividades exercidas pela Recorrente, o número de segurados sujeitos a classificação de risco de grau médio, de 2% (dois por cento), é preponderante (fls. 576/585). Demais disso, constatase que o Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, publicado no Diário Oficial da União de 13/02/2007, com base na experiência estatística de acidentes do trabalho das diversas atividades econômicas e os seus correspondentes graus de risco, modificou o Anexo V do Decreto 3.048/1999, alterando para mais ou para menos o grau de risco de inúmeras atividades e determinou que os novos graus de risco e alíquota entrariam em vigor no 4º mês seguinte ao da sua publicação, ou seja, em junho de 2007. Em consonância com o Decreto 6.042/2007, para os órgãos públicos, Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 84116/00, a correspondente alíquota do SAT/GILRAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio), a partir da competência 06/2007. Confirase: ANEXO V RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTES GRAUS DE RISCO (CONFORME A CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES ECONÔMICAS) (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) CNAE DESCRIÇÃO % NOVO 84116/00 Administração Pública em Geral 2% Com isso, a partir de junho/2007, inclusive, a Recorrente era obrigada a observar a alíquota de 2% para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT, conforme o novo grau de risco definido para a sua atividade. Portanto, não vislumbro razões para reforma da decisão de primeiro grau, devendo esta, pois, manterse na sua integralidade. Fl. 665DF CARF MF 12 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910584/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 29/05/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910584/2011-41
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789285
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.485
nome_arquivo_s : Decisao_16327910584201141.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910584201141_5789285.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986515
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735165640704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910584/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.485 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 84 /2 01 1- 41 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910584/201141 Acórdão n.º 3402004.485 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.729, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910584/201141 Acórdão n.º 3402004.485 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910584/201141 Acórdão n.º 3402004.485 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910584/201141 Acórdão n.º 3402004.485 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13710.000516/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES/NT EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea d da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação dos produtos.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, relator. Designado Redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES/NT EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea d da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação dos produtos. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13710.000516/2003-41
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5799278
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.690
nome_arquivo_s : Decisao_13710000516200341.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13710000516200341_5799278.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, relator. Designado Redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7014363
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735240089600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13710.000516/200341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.690 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria IPI DCOMP Recorrente PETROBRAS DISTRIBUIDORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES/NT EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação dos produtos. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, relator. Designado Redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 05 16 /2 00 3- 41 Fl. 3154DF CARF MF 2 Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Declaração de Compensação protocolizada em 26/02/2003, tendo por lastro crédito originário do saldo credor do IPI acumulado no 4º trimestre de 2002, pelo estabelecimento filial detentor do crédito 34.274.233/026675 (fl.5), situado em Duque de Caxias RJ, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou o Despacho Decisório de fls. 63/67 que indeferiu o direito creditório e não homologou a DCOMP, sob o fundamento de que “o crédito oferecido pelo sujeito passivo não preenche os requisitos de ‘liquidez’ e de ‘certeza’ exigidos pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66 e, como tal, não se presta a promover a compensação tributária por ele pretendida”, aduzindo, ainda, que o contribuinte “não se preocupou em trazer ao autos do processo elementos capazes de comprovar de maneira irrefutável a existência do seu pretenso crédito, pois, como já dito anteriormente, as cópias de páginas do livro ‘Registro de Apuração do IPI’, por si só, não têm força probante da existência do crédito oferecido para promover a compensação tributária por ele pleiteada”. Recorreu, portanto, a autoridade administrativa ao art. 170 do CTN, ao art. 333 do CPC (o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito) e, por fim, ao parágrafo primeiro do art. 26 da IN SRF nº 460/2004 (que estabelece sejam anexados à DCOMP apresentada em formulário os documentos comprobatórios do direito creditório). Ciente do Despacho Decisório em 31/01/2006 [fls. 68/69] manifestou a interessada a sua inconformidade em 24/02/2006, por intermédio do arrazoado de fls. 70/83, no qual alega ser pouco razoável o entendimento do Fisco quanto à falta de liquidez e certeza dos créditos pleiteados e informa estar anexando cópia de cerca de três mil notas fiscais que demonstram o crédito a que tem direito. Acrescenta, ainda, que seria mais adequado, em vista das circunstâncias fáticas, que a RFB determinasse a realização de diligência no estabelecimento do contribuinte, nos termos do art. 4º da IN SRF nº 600/2005. Assim, foi realizada diligência para verificação da materialidade e legitimidade dos créditos a que se referia o pedido de ressarcimento. Desse procedimento resultou o Relatório de Diligência de fls. 192/199, do qual se destaca que a imensa maioria dos insumos adquiridos o foram para a produção de derivados do petróleo, que são imunes, e que o não atendimento de parte das solicitações impediu a segregação dos créditos de insumos utilizados em produtos tributados, isentos ou alíquota zero. Concluiu ao final que o Contribuinte não teria legitimidade para pleitear tais créditos. Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 3 3 Intimado, o Contribuinte apresentou manifestação sustentando o direito ao créditos de MP, ME e PI utilizados em produtos imunes com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e art. 4º da IN SRF nº 33/99 e que os derivados do petróleo são indicados na NCM como "NT". A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS IMUNES/NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). IN SRF nº 33/99. IMUNIDADE. ALCANCE A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicado no inciso III, §3º, do art.153 da Constituição Federal. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando suas razões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Em primeiro lugar, a glosa referese a créditos decorrentes de insumos tributados utilizados na fabricação de derivados de petróleo, apresentados na TIPI com a notação NT. Tal notação decorre do fato de estarem abrangidos pela imunidade tributária prevista no art. 155, §3º da Constituição Federal de 1988, não sendo segregada pela fiscalização os insumos utilizados em alguns poucos produtos tributados em razão de alegação do próprio Recorrente da inexequibilidade de tal segregação, em termos práticos. Dito isto, pareceme que a questão principal nesse processo, como restou claro no voto proferido pela DRJ, é a possibilidade do Fisco aplicar o entendimento disposto no ADI SRF nº 05/2006, citado abaixo: Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: Fl. 3156DF CARF MF 4 I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi).Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Naturalmente, como se trata de um ato interpretativo, há que se verificar de plano os dispositivos que pretende interpretar, nomeadamente o art.11 da lei nº 9.779/99 e o art.4º da IN SRF nº 33/99, verbis: Lei 9779/99 Art.11.O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. IN SRF 33/99 Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. No exato sentido atribuído ao dispositivo pela Instrução Normativa foi reproduzido no RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores, que preceituava em seu art.195, §2º que: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (...) § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 4 5 tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Por força do art.212 do Código Tributário Nacional, cabe ao Poder Executivo consolidar a legislação sobre determinado tributo e veiculála na forma de uma regulamento próprio, como o fez nesse caso do IPI, para que sirva de orientação exclusiva para o contribuinte na assunção de suas atividades econômicas. Isso se dá pelo fato da realização de uma consolidação implicar na revogação formal das leis incorporadas à essa consolidação, nos termos do art.13, §1º da Lei Complementar 95/98, com alteração promovida pela Lei complementar nº107/01: Art. 13. As leis federais serão reunidas em codificações e consolidações, integradas por volumes contendo matérias conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação da Legislação Federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) § 1º A consolidação consistirá na integração de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único diploma legal, revogandose formalmente as leis incorporadas à consolidação, sem modificação do alcance nem interrupção da força normativa dos dispositivos consolidados. O dispositivo é de matemática clareza, conquanto a expressão revogação formal precise de certa explanação. O que acontece, nesses casos, é a substituição do texto legal que fundamenta determinada norma do ordenamento jurídico nesse caso, com a substituição do art.11 da lei 9.779/99 pelo art. 195, §2º do RIPI/2002, ambas dispondo sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI. Em vista disso, ao pretender dispor sobre a aplicação "do art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999", o ADC SRF Nº5/2006 está dispondo, em rigor, sobre o RIPI/2002, nos termos da Lei Complementar 95/98. É preciso que o comando do art.13, §1º da LC 95/98 reste bem compreendido: ao pugnar o reconhecimento do direito à utilização dos créditos, a Recorrente não está a pretender uma interpretação extensiva do art.11 da lei 9.779/99, mas sim uma interpretação literal do RIPI/2002 que, por força da lei complementar mencionada é a fonte formal reconhecida pelo ordenamento para a matéria. Cotejando os dispositivos do ADI e do RIPI, verificase que enquanto este autoriza expressamente a tomada de créditos de insumos aplicados na produção de produtos imunes, aquela veda expressamente, configurando um conflito normativo meramente aparente. A aparência de conflito decorre da simples solução que o mesmo comporta com a aplicação do critério hierárquico, haja vista que enquanto o RIPI tem força de lei ordinária, conforme os dispositivos supracitados, o ADI tem natureza infralegal, consistindo em ato administrativo de caráter normativo, nos termos do art.230, III da Portaria MF nº30/2005. Fl. 3158DF CARF MF 6 Poderseia também discutir a natureza interpretativa do ADI nº5/2006, todavia, diferentemente do que a interpretação autêntica poderia operar, atuando de forma inaugural no sistema jurídico, as disposições interpretativas exaradas do Executivo somente tem força nos estritos limites semânticos da lei (ou texto normativo que o valha) que pretenda interpretar. Como já nos manifestamos no Processo 10925.003204/200890, acerca dos atos normativos de natureza interpretativa há que se observar algumas coisas, frisando que na ocasião tratávamos de LEIS interpretativas: Em primeiro lugar, acerca do conteúdo do ato, podese aduzir que ele assumirá (seguindo a tipologia de Guastini) forma declarativa, decisória ou criativa o que nos parece poder ser reduzido a três possibilidades (GUASTINI, Ricardo. Interpretare e Argomentare. Milano: Giuffré, 2011, p.84): i) Em primeiro lugar, pode ser o caso de existir uma moldura (para usar o léxico kelseniano) de múltiplos sentidos interpretativos possíveis para determinado texto de lei, sejam eles gramaticais, jurisprudenciais ou de qualquer outra fonte, cabendo ao legislador escolher um dentre eles. ii) Em segundo lugar, pode suceder que exista a moldura citada acima, mas que o legislador escolha um significado além desse marco preexistente. iii) Em terceiro lugar, pode ser o caso de que não haja, em absoluto, uma multiplicidade de interpretações divergentes, mas uma interpretação determinada e consolidada (jurisprudencialmente, por exemplo), e que o legislador imponha significado distinto do usualmente aceito. Como precisamente colocado por Gustavo Zagrebelsky2, apenas no primeiro caso estaremos diante de uma lei interpretativa que constitua genuína interpretação, isto é, que atue de forma decisória, sem inovar no conteúdo do Direito vigente. Nos demais casos, o que há é inovação, criação de norma nova, não suportada semanticamente pela lei interpretada. (ZAGREBELSKY, Gustavo. Il sistema delle fonti del diritto. Torino: UTET, 1984. P.91.) No caso de atos administrativos de caráter interpretativo, além da restrição semântica há um segundo constrangimento, estritamente relacionado à sua força normativa, qual seja, o fato de ser destinado apenas aos agentes administrativos vinculados ao prolator da ordem. Prova material da discrepância entre o conteúdo do RIPI/2002 e do ADI mencionado é que o RIPI/2010 alterou a redação do dispositivo para adequálo à interpretação pretendida pela Fazenda Pública, em seu art.256, §2º: Art.256.Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos §2oO saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 5 7 produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Como se vê, o que há é uma clara retração da amplitude do direito à utilização de créditos de IPI após 2010, mas que não estava presente à época da vigência do RIPI 2002, salvo pela malfadada tentativa de "interpretar" o dispositivo de forma absolutamente contrária à sua literalidade. Entender desta forma representaria uma radical subversão da ordem jurídica, pois um ato infralegal, como o ADI nº. 05/2006, jamais poderá se sobrepor a uma disposição expressa de uma norma hierarquicamente superior. Mais do que isso, o ADI nº. 5/06, poderia escolher uma das interpretações possíveis dentre aquelas oferecidas pelas normas hierarquicamente superiores, mas não inovar no ordenamento jurídico, criando uma distinção artificiosa entre saídas imunes destinadas à exportação e saídas imunes voltadas para o mercado interno. Sobre a distinção pretendida pelo administradorintérprete, sempre válida a lição milenar: Ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir, é dizer, devese cumprir a norma tal qual é, sem pretender acrescentar condições novas, nem tampouco dispensar qualquer das expressas (Cf. FALCONE, Giuseppe. Regulae juris: esposizione sistematica in confronto al Codice Civile italiano. 2. ed.. Palermo: Alberto Reber, 1906. P.50; No mesmo sentido, MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito, 18ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1998. P.246247). Desse modo, resta claro que o administrador andou mal ao proferir o ADI nº05/06, distinguindo indevidamente onde o RIPI/02 não diferençou, sendo portanto francamente inválido nesse ponto. Pelo texto literal do RIPI/2002, tem direito à utilização dos crédito de insumos aquele que utilizálos para a produção de produtos imunes. Ultrapassando a discussão das fontes normativas que devem orientar a atividade administrativa, há que se enfrentar diretamente os argumentos materiais levantados pela DRJ, como forma de apontar motivadamente a nossa discordância. O relator do processo na DRJ faz um apanhado legislativo acerca da não cumulatividade do IPI, reproduzindo o art. 153, §3º, II da CF/88 e aduzindo que o IPI é regido por um "sistema de créditos" que opera da seguinte forma: dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, eram deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. (...) Fl. 3160DF CARF MF 8 Logo, pela própria sistemática da nãocumulatividade, não existindo débito na operação de saída, tornavase completamente inviável, por impossível, deduzir de um montante inexistente os créditos do imposto relativos às anteriores aquisições de insumos. Por conseguinte, devia o registro de tais créditos na escrita fiscal da contribuinte ser invalidado, por meio da operação de estorno contábil. O relator usa esse argumento para sustentar que como os produtos imunes não serão tributados na saída, o seu crédito deveria ser estornado pelo contribuinte. Tal raciocínio é impecável quando aplicado aos casos abrangidos pelo art. 25 da Lei 4.502/64, cujo conteúdo foi "expandido" pelo art. 164 do RIPI 2002, como se vê abaixo: Lei nº 4.502/64 Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. RIPI/2002 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 6 9 VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Como se verifica no presente rol de hipóteses de créditos básicos, todos os casos em que ele é franqueado se pressupõe que a saída será tributada normalmente. Totalmente diferente é o caso em tela, em que as saídas serão imunes, logo, estando o presente crédito glosado fora da lógica dos créditos básicos que o relator a quo pretendeu aplicar. O advento da MP nº 1.788/98, convertida na Lei nº 9.779/99, especialmente com seu art. 11, veio a criar uma nova sistemática de apuração de créditos do IPI, criando uma espécie de crédito incentivado (explicaremos melhor o porquê de o denominarmos assim) para aqueles que utilizassem MP, ME e PI na industrialização de produtos isentos, sujeitos a alíquota zero, inclusive os imunes, permitindo que eles utilizassem esse crédito acumulado (visto que não haveria débitos a serem abatidos na conta corrente) de acordo com as regras dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99, criou um regime excepcional em relação ao regime de créditos básicos baseado no art. 25 da Lei nº 4.502/64, temporalmente vigente à partir de 1 de Janeiro de 1999. Tal fato foi expressamente reconhecido pela Receita Federal, ao exarar a IN SRF nº 33/1999, pela dicção de seus arts. 2º, §3º e art. 4º: Art. 2° Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: § 3° Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à Alíquota Zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. A leitura propalada pela decisão recorrida conduz, inexoravelmente, a uma antinomia interna à Instrução Normativa, que reflete a interpretação vigente da RFB e vincula Fl. 3162DF CARF MF 10 seus próprios auditoresfiscais. Duas leituras coerentes podem ser feitas a partir dos dispositivos: (i) a primeira conduz à distinção temporal entre os créditos originários de MP, PI e ME utilizados em produtos não tributados antes de 1º de janeiro de 1999 (art. 2º, §3º), e o regime inaugurado pelo art. 11 da Lei 9.779/99, vigente a partir desta data (art. 4º); ou (ii) a fiscalização traçou a distinção de resto pacífica na doutrina entre produtos não tributados e produtos imunes, autorizando o crédito para estes últimos (ponto este que nos parece relevante ao enfrentar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 20 ao presente caso). Resta claro da leitura dos dispositivos que o comando do §3º do art. 2º da IN 33/99 não se aplica aos casos tratados em seu art. 4º, estes sim alcançados pelo art. 11 da lei 9779/99. A intenção do legislador era absolutamente clara, tendo por finalidade beneficiar o estabelecimento que produza produtos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, com a finalidade de não esvaziar economicamente o sentido da criação de uma exoneração qualitativa ou quantitativa àquele sujeito ou produto. Caso se estornasse o crédito, como era feito no regime de créditos básicos, o impacto econômico da isenção, por exemplo, seria anulado pelo estorno era exatamente isso que o art. 11 da Lei 9.779/99 veio tocar. Para corroborar essa leitura, colaciono abaixo trecho da Exposição de Motivos nº 834A/MF, que acompanhou a MP 1.788/98, publicada no Diário do Congresso Nacional de 14/01/1999 (pgs. 779782), de autoria do então Ministro da Fazenda, Pedro Malan: O objetivo declarado da medida era permitir que os créditos fossem utilizados na quitação de outros tributos e contribuições federais, permitindo a desoneração pretendida sobre determinada cadeia produtiva. Ao contrário da argumentação da decisão da DRJ, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 pressupõe que a saída não seja tributada é dizer, se direciona a todos aqueles casos que a ausência de tributação na saída implicaria em consequente estorno dos créditos, afastandose do regime tradicional utilizado nos créditos básicos. Façamos um breve aparte, para explicar o motivo de considerarmos que a manutenção dos créditos de MP, ME e PI utilizados em produtos isentos, imunes ou com alíquota zero serem aproximados aos créditos incentivados. Os créditos básicos são aqueles que estão imbricados a uma sistemática de não cumulatividade, isto é, são responsáveis por conduzir o ônus econômico da tributação indireta ao consumidor final, evitando a tributação em cascata, através de um sistema de créditos e débitos que tenta, na maior medida possível, tributar economicamente apenas o acréscimo de valor que ocorreu em certa etapa da circulação/produção. No caso dos créditos mantidos por força do art. 11 da Lei nº 9.779/99, a finalidade deles não é essa, mas sim garantir o estímulo tributário, isto é, a função extrafiscal indutora que as normas de imunidade, isenção e alíquota zero buscavam atingir e que impreterivelmente se via prejudicada pelo estorno desse crédito. Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 7 11 Desse modo, por não se tratar de um crédito relacionado à não cumulatividade, mas sim à eficiência de técnicas tributárias com função indutora, vemos o crédito do art. 11 da Lei nº 9.779/99 muito mais como "incentivado" do que "básico" Isso basta para demonstrar que o raciocínio esposado pelo acórdão recorrido não tem cabimento no presente caso. Mais ainda, no Acordão da DRJ, a turma reconhece que o produto da Recorrente é imune, na maneira como dispõe o §3º do art. 155 da Constituição Federal e afirma, ainda, que os produtos são enquadrados como NT, pela impossibilidade de denominar os produtos de outra forma, para pugnar pela aplicação da Súmula CARF nº 20. Em respeito ao princípio da legalidade tributária, o IPI está previsto na Lei nº. 4.502/1964 que, em seu art. 1º, previu a incidência do imposto sobre os produtos industrializados descritos na TIPI. Contudo, é importante destacar que a TIPI adota a classificação NT para duas situações distintas: imunidades e não incidências em sentido estrito. Delimitado o campo da competência tributária, tem o legislador ampla liberdade para definir, abstratamente, a hipótese tributária. Fazendoo, delimita o campo de incidência do tributo e, por exclusão por força do princípio da legalidade do art.150, I da CF , determina o campo da não incidência em sentido estrito (Cf. SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário, 5ªed. São Paulo: Saraiva, 2015, p.242243). Especificamente em relação ao IPI, corrobora essa distinção a abalizada doutrina de Ricardo Lodi Ribeiro: “Embora os produtos que estão fora do campo de incidência do IPI por não sofrerem processo de industrialização (não incidência em sentido estrito) sejam corretamente classificados pela Tabela do IPI como não tributados (NT), não sendo suscetíveis, como vimos, ao regime de creditamento, é forçoso reconhecer que a adoção da referida sigla pela tabela não adota o critério técnicojurídico adequado, uma vez que elenca como NT produtos que sofreram processo de industrialização, sendo sua intributabilidade derivada de imunidade ou isenção, e não de não incidência em sentido estrito. Entre tantos outros é o caso, por exemplo, do gesso (código 2520.20.90 na TIPI), material obtido por meio do processo de industrialização a partir da transformação da gipsita (código 2520.10.1). Na TIPI consta como NT, mas tratase de verdadeira não incidência determinada pelo legislador (isenção). O mesmo fenômeno é encontrado em operações imunes, como os combustíveis e derivados de petróleo, imunizados pelo art. 155, parágrafo 3º, CF, mas que constam na tabela como sendo NT, como é o caso da gasolina (código 2710.11.59). Evidentemente, se os itens classificados como NT na TIPI não derivam de não incidência em sentido estrito, mas de imunidade ou isenção, o direito de crédito deve ser reconhecido nos termos do art. 11 da Lei nº. 9.779/99”. (Ribeiro, Ricardo Lodi. “Não Cumulatividade do IPI, Fl. 3164DF CARF MF 12 Insumos Imunes, Isentos e Não Tributados e o Novo RIPI”, In.: Revista Dialética de Direito Tributário nº. 183, 2010, p. 116.) Tal distinção não assume foro somente doutrinário, mas gozando de respaldo jurisprudencial do próprio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Ordinário em Mandado de Segurança de nº 13.947/SP tratou disso. A ementa do julgado é a seguinte: Isenção e não incidência de impostos. A revogação do favor legal restaura para o Fisco a faculdade de exigir tributo preexistente, não se deparando assim a hipótese do art. 141 § 34 da Constituição. Desprovimento do apêlo extremo.(RMS 13947, Relator(a): Min. PRADO KELLY, Terceira Turma, julgado em 17/05/1966, DJ 16111966) No acórdão, julgado por unanimidade, o Ministro traz o seguinte exemplo de caso típico de não incidência: "o caso de não incidência do imposto de consumo sobre máquinas de costura, pois, adotando o legislador federal a técnica da enumeração nominal das máquinas sujeitas à tributação, deixou de mencionar a máquina de costura, ao passo que arrolou a máquina de cortar papel, concluindose, daí, que as máquinas de costura escapam à incidência do imposto do consumo" (Cf. SCHOUERI. Ob.Cit. P.244) Tal distinção é relevante quando se analisa a incidência ou não da Súmula CARF nº20 ("Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.") no caso em tela. É preciso, para definir a aplicabilidade ou não da mesma, a análise dos seus fundamentos determinantes, consubstanciados nos acórdãos paradigmas de sua elaboração, procedimento este imposto pelo art.489, §1º, V do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2016), que se aplica ao procedimento administrativo, verbis: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; No caso da súmula em comento, os acórdãos em questão são os seguintes, conforme pesquisa no sítio virtual do CARF: Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003; Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003; Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004; Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005; Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. 1) Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003 Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 8 13 O primeiro acórdão indicado sequer trata do tema do IPI, tampouco da notação NT, versando sobre a exigência de PIC, conforme se depreende de sua ementa: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o da resolução do Senado da República que suspendeu do ordenamento jurídico a lei declarada inconstitucional. Pedido acolhido para afastar a decadência. COMPENSAÇÃO. Os indébitos, oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. 2) Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 e Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Quanto ao segundo e terceiro acórdão, a ementa é basicamente a mesma, pelo que reproduzo a do primeiro deles: IPI CRÉDITOS BÁSICOS RESSARCIMENTO INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT na TIPI). Com a entrada em vigor da Lei nº 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Recurso ao qual se nega provimento. De pronto, verificase que não há opção de download do acórdão no sitio virtual do CARF, o que nos obriga a especular de que insumo se trata. Felizmente, o contribuinte de ambos os processos é denominado "INDUSTRIA DE CAL SN LTDA", provavelmente versando a discussão sobre o mesmo produto: concreto usinado. Nesse caso, tratase de produto sujeito à não incidência em sentido estrito, e não à imunidade tributária. 3) Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 O presente acórdão, por sua vez, versa sobre a tomada de créditos de insumos utilizados na produção de águas minerais, gaseificadas ou não, que estão, conforme Fl. 3166DF CARF MF 14 reconhecido na própria decisão do eminente Conselheiro Jorge Freire, fora do campo de incidência do IPI, caracterizando não incidência em sentido estrito e sujeita à notação NT na TIPI. 4) Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Por fim, o último acórdão versa sobre os insumos utilizados na produção de manga e uva frescas, que estão fora do campo de incidência do IPI, recebendo a notação NT por se tratar de não incidência em sentido estrito. Essa minuciosa análise dos acórdãos paradigmas que embasaram a súmula CARF nº20 bastam para demonstrar que ela não pode ser aplicada em casos outros que não sejam de não incidência em sentido estrito, sob pena de considerarse não fundamentada a decisão proferida com base nela, com fulcro no art.489, §1º, V do Novo CPC. Dessa forma, não cabe a aplicação da súmula mencionada ao caso em tela. Conclusão Forte no exposto, voto por DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário, para o reconhecimento dos créditos decorrentes de insumos utilizados na produção de produtos imunes. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator, ressalto minha discordância em relação a glosa de créditos decorrentes de insumos tributados utilizados na fabricação de derivados de petróleo, apresentados na TIPI com a notação NT. O núcleo da questão a ser solvida nestes autos é se produtos classificados na TIPI com notação NT (Não Tributado), permitem creditamento dos valores de seus insumos. Preliminarmente há que se pontuar que desta forma restou consignado no Relatório: "(...) Assim, foi realizada diligência para verificação da materialidade e legitimidade dos créditos a que se referia o pedido de ressarcimento. Desse procedimento resultou o Relatório de Diligência, do qual se destaca que a imensa maioria dos insumos adquiridos o foram para a produção de derivados do petróleo, que são imunes, e que o não atendimento de parte das solicitações impediu a segregação dos créditos de insumos utilizados em produtos tributados, isentos ou alíquota zero. Concluiu ao final que o Contribuinte não teria legitimidade para pleitear tais créditos". (Grifei) Por outro lado, a Recorrente sustenta o direito ao créditos de MP, ME e PI utilizados em produtos imunes com base no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, em que os derivados do petróleo são indicados na NCM como "NT". Vejase: Lei nº 9.779/99 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Grifei) Observase que o dispositivo legal acima expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, nada citando em relação aos imunes e não tributados (NT). Se faz necessário ressaltar também que, no final do artigo, a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela Receita Federal do Ministério da Fazenda. Nesse sentido, a Receita Federal do Brasil (RFB) expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa nº 33, de 1999, que, em seu artigo 4°, já não silenciou em relação a produtos imunes: Fl. 3168DF CARF MF 16 IN SRF 33/99 Art. 2º. Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I (...). § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...). Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Como é cediço, os produtos com notação NT, independentemente de sua causa, estão fora do campo de incidência do IPI. Assim sendo, em relação a esses produtos, mesmo que por hipótese seu insumo sofra alguma modificação, não incide a legislação do IPI. E uma vez não incidindo a legislação do IPI, não há, em consequência, direito a crédito algum. Disso decorre o mandamento a que se refere o citado acima no §3º do art. 2º, da IN SRF 33/99, ao estatuir que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". Verificase também, como reforço importante em terno desse tema, o que ficou estabelecido pelo art. 6º da Lei nº 10.451/2002, que prescreveu o seguinte: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). Dentro desse espeque, a própria RFB, editou o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n° 05, de 2006, esclarecendo que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° O disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n~ 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). II amparados por imunidade; Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 10 17 III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (Grifei) Ressaltase que o entendimento aqui manifestado, não exclui nenhum direito assegurado à Recorrente por norma anterior. Reiterese que nem o art. 11 da Lei nº 9.779/99, nem o art. 4º da IN SRF nº 33/99, garantiram o direito de manutenção do crédito quando o produto industrializado é imune (imunidade objetiva), o que foi corroborado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006. Nesse mesmo sentido, temos o Parecer Normativo CST nº 204, de 02/08/1972 (DOU de 17/10/1972), a seguir reproduzido em parte, baseado no entendimento manifestado no presente voto: "(...) Conforme já foi esclarecido através os Pareceres Normativos nºs 91/71 e 180/71, o direito ao crédito do IPI relativo às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem está condicionado a que o produto resultante da industrialização seja tributado na saída do estabelecimento. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não deixa margem a dúvidas sobre o assunto, de modo que não pode ser admitido o crédito referente às matérias primas e demais insumos utilizados na industrialização de produtos imunes, os quais, por estarem excluídos do campo de incidência do imposto, são por definição, mercadorias não tributadas". (Grifei) Assim, a Recorrente poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, a Recorrente não demonstrou essa destinação (exportação), pecando, portanto, em seu dever de carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido, é o que foi decidido por este CARF, no Acórdão n° 3201 002.096, de 15/03/2016, de Relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, em decisão unânime: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART, 150, INCISO III, alínea "d" da CF, IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO, Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art, 150, inciso III, alínea "d" da Constituição Federal. A previsão para Fl. 3170DF CARF MF 18 manutenção dos créditos previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. Em consonância com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça STJ já havia decidido, nos autos do REsp nº 1.015.855/SP (DJe de 30/04/2008), que os casos de produtos com notação NT e imunes estão fora do alcance do previsto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Confirase: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. (...) 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de não tributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. (Grifei) 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5o, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos não tributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. Por fim, e não menos importante, para encerrar a fundamentação deste voto, há de se observar que o art. 45 do Regimento Interno (RICARF), ao elencar as hipóteses de perda de mandato dos Conselheiro, estatui em seu inciso VI uma delas: VI deixar de observar enunciado de Súmula ou de Resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 13710.000516/200341 Acórdão n.º 3402004.690 S3C4T2 Fl. 11 19 Portanto, se a matéria já tiver sido objeto de enunciado de Súmula CARF, descabe a discussão do mérito, mas de simples aplicação da mesma. A referida Súmula tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como pode ser visto, a Súmula CARF acima é clara no sentido de que, independentemente de serem os produtos imunes, descabe crédito de valores de insumos que serão aplicados em produtos cuja notação seja NT. Assim, descabe, inclusive, a discussão se os produtos NT estejam no campo de incidência do IPI ou não porque os Conselheiros, que devem lealdade ao RICARF, deverão aplicar a Súmula de forma objetiva. Dispositivo Forte no acima exposto e nos termos da Súmula CARF nº 20, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para não reconhecer dos créditos decorrentes de insumos utilizados na produção de produtos imunes/NT. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 3172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725096/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA.
Inexiste agravamento da situação do Recorrente, e tampouco lhe causa qualquer prejuízo a decisão que acrescenta outros argumentos àqueles já tomados anteriormente para negar seu pedido - principalmente quando novos documentos foram trazidos aos autos e precisavam ser analisados.
EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL.
A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado.
Numero da decisão: 1302-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar suscitada. Vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca quanto à preliminar de nulidade. Quanto, ao mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta). Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR. DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA. Inexiste agravamento da situação do Recorrente, e tampouco lhe causa qualquer prejuízo a decisão que acrescenta outros argumentos àqueles já tomados anteriormente para negar seu pedido - principalmente quando novos documentos foram trazidos aos autos e precisavam ser analisados. EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12448.725096/2013-75
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5826128
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.382
nome_arquivo_s : Decisao_12448725096201375.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 12448725096201375_5826128.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar suscitada. Vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca quanto à preliminar de nulidade. Quanto, ao mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta). Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
id : 7100243
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735248478208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 653 1 652 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.725096/201375 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.382 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA. Inexiste agravamento da situação do Recorrente, e tampouco lhe causa qualquer prejuízo a decisão que acrescenta outros argumentos àqueles já tomados anteriormente para negar seu pedido principalmente quando novos documentos foram trazidos aos autos e precisavam ser analisados. EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar suscitada. Vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca quanto à preliminar de nulidade. Quanto, ao mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 50 96 /2 01 3- 75 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 654 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Por bem sintetizar o processo, passo a transcrever o relatório da DRJ/RJ1, complementandoo ao final: Fl. 654DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 655 3 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 656 4 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 657 5 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 658 6 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 659 7 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 660 8 Após a análise das razões opostas pelo contribuinte, os membros da 6ª Turma da DRJ/RJ1, negaram provimento à impugnação, declarando devida a integralidade do crédito tributário lançado, conforme denota sua ementa: Fl. 660DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 661 9 Inconformada com a decisão acima, a interessa interpôs Recurso Voluntário a este Conselho reforçando as razões antes sustentadas na peça impugnatória, além de insurgirse especificamente quanto à decisão recorrida alegando, que nessa haveria questionamento de ponto diverso daquele que ensejou o lançamento impugnado. Desse modo, além de no mérito requerer a total improcedência da autuação, a recorrente pede a nulidade do Acórdão recorrido, sob a alegação de ter trazido argumentos novos para a manutenção da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O contribuinte foi cientificado do Acórdão 1267.001 6ª Turma da DRJ/RJ1, em 01/09/2014 (cf. fl 458) e interpôs o presente Recurso Voluntário em 30/09/2014 (fl. 573), o que configura sua tempestividade. Sendo assim, conheço do presente recurso. Da Preliminar de Nulidade Em sede preliminar, a recorrente aduz ser nula a decisão de 1 instância sustentando que a DRJ teria questionado ponto diverso daquele que ensejou o lançamento impugnado, isto é, enquanto o lançamento de ofício entende que teriam ocorrido duas exclusões ao lucro real não justificadas, a DRJ haveria questionado a idoneidade da exclusão decorrente da reversão da provisão. No entanto, não merece provimento a preliminar suscitada, tendo em vista tratarse rigorosamente do mesmo valor questionado pela fiscalização, ou seja, R$ 39.010.444,01 que foi excluído por duas vezes, em um mesmo anocalendário, da base para apuração do lucro real. Outrossim, as inconsistências quanto ao fato que teria dado lastro à reversão da Provisão para Passivo a Descoberto foram verificadas pela DRJ a partir dos elementos trazidos aos autos, não havendo motivos para que a autoridade julgadora se ativesse exclusivamente aos argumentos levantados pela fiscalização. Nesse sentido: PRELIMINAR. DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA. Inexiste agravamento da situação do Recorrente, e tampouco lhe causa qualquer prejuízo a decisão que acrescenta outros argumentos àqueles já tomados anteriormente para negar seu pedido principalmente quando novos documentos foram trazidos aos autos e precisavam ser analisados. (Acórdão CARF nº 2102 002.923, Data da Sessão 14/04/2014) Sendo assim, nego provimento à preliminar de nulidade. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 662 10 Do Mérito Em síntese, a autoridade fiscal relata que no período de apuração correspondente a abril/junho de 2008, a recorrente constituiu uma Provisão para Passivo a Descoberto na controlada Bakarne Investments Ltd., no valor de R$ 39.010.444,01. Considerando que a referida provisão é uma despesa indedutível (cf. art. 335 do RIR/99), a recorrente adicionou o referido valor ao Lucro Líquido para o cálculo do Lucro Real. O que a fiscalização reputou como correto, a teor do disposto no art. 249 do RIR/99. Em outros termos, a adição feita no LALUR, referente ao período mencionado, devese ao fato que na Ficha 05 A – Despesas Operacionais, foi lançada como despesa no item 31, o qual se refere a outras despesas operacionais, a Provisão a Título de Passivo a Descoberto na controlada Bakarne, é dizer que houve uma exclusão do Lucro Real, neutralizada, para fins tributários, pela adição ao Lucro Líquido. Ocorre que, no balancete que compreendia o período de 01/07/2008 a 31/12/2008, o contribuinte excluiu novamente do Lucro Líquido para o cálculo do Lucro Real a Provisão acima mencionada, ou seja, a Provisão Indedutível no montante de R$ 39.010.444,01. Esta (segunda) exclusão foi considerada indevida pela fiscalização, tendo a autoridade autuante delimitado no Termo de Verificação Fiscal – TVF o efeito tributário da exclusão indevida, isto é, o não oferecimento à tributação do valor de R$ 39.010.444,01. Importante ressaltar que, no tocante ao valor em referência, o contribuinte fora intimado a comprovar seu oferecimento a tributação (cf. Item 09 do TVF), tendo respondido, em resumo, o seguinte: Fl. 662DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 663 11 Com relação ao mês de julho de 2008, a fiscalização verificou que a contabilidade da recorrente, de fato, refletia o descrito acima, o que estava correto. No entanto, com relação ao balanço do período de 01/07/2008 a 31/12/2008, não foi acolhida a argumentação de que na nova conta contábil “4501”, com a rubrica de “Despesa de Equivalência Bakarne”, no valor de R$ 56.370.196,28, estaria contido o valor de R$ 39.010.444,01, uma vez que haveriam sido contabilizados outros valores de adição ao Lucro Real, referentes ao seguimento das operações da controlada Bakarne ao longo do anocalendário. Averiguando a DIPJ do período de 01/07/2008 a 31/12/2008, a fiscalização constatou que as alegações da autuada não procediam, isto é, apurou que o valor de R$ 56.370.196,28, não tinha relação alguma com o valor de R$ 39.010.444,01, constituídos a título de Provisão para Passivo a Descoberto na controlada Bakarne. Vejamos: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 664 12 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 665 13 Portanto, o ponto central da divergência consiste em saber se a Provisão para Passivo a Descoberto no valor de R$ 39.010.444,01, está incluída, ou não, no valor de R$ 56.370.196,28. Pois bem. Ao avaliar a legitimidade da exclusão realizada no lucro líquido à título de “reversão de provisão” analisou dois pontos: (i) a comprovação da existência dos fatos que justificassem a mencionada reversão; e (ii) a comprovação da incorporação da receita nãotributável ao lucro líquido. Na análise do primeiro tópico, a Turma Julgadora entendeu não haverem elementos probatórios suficientes à comprovação das circunstâncias materiais que teriam justificado a reversão da provisão. Nada obstante o brilhantismo da decisão da Turma Julgadora, para o presente voto, incorporarse a decisão referente ao segundo ponto analisado pelo Acórdão, ou seja, a comprovação da neutralidade tributária da constituição e reversão da suposta provisão para passivo a descoberto na controlada Bakarne. Isto porque, a comprovação dos fatos que teriam justificado a reversão da provisão, in casu, a comprovação da integralização de capital, apesar de importante no Fl. 665DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 666 14 convencimento do órgão julgador a quo, no meu entendimento, não é o único, nem o mais importante ponto para a decisão do caso. Explico. Mesmo admitindose que tenha ocorrido a integralização de capital alegada pela recorrente como justificativa para a reversão da provisão constituída, ainda assim, teria este que comprovar a neutralidade tributária do conjunto de lançamentos feitos em sua contabilidade correspondentes ao balancete do período de 01/07/2008 a 31/12/2008. Com relação a este ponto, apesar de insistentemente alegar que a DRJ questionou ponto diverso daquele que ensejou o lançamento impugnado – o que já foi rechaçado anteriormente – a recorrente não apresenta novas razões de defesa, trazendo apenas outros documentos que, no seu entender, comprovam que a receita relativa a reversão de Provisão para Passivo a Descoberto foi incorporada ao lucro líquido da recorrente, atestam a neutralidade tributária dos lançamentos contábeis realizados e, em decorrência, a insubsistência da autuação. Entretanto, os documentos trazidos pela recorrente para a comprovação da neutralidade do conjunto de operações na sua contabilidade no período de 01/07/2008 a 31/12/2008, ou seja, o comprovante da inclusão da reversão de provisão no resultado contábil do período (Doc. 04); a DRE Analítica e Balancetes (Doc. 05), além de não possuírem autenticação/ateste da unidade preparadora, percebese na DRE algumas inconsistências em cálculos, bem como alguns valores acompanhados de asteriscos (*), aos quais não foi fornecida qualquer esclarecimento ou explicação. Portanto, não aceito os documentos acima mencionados (Docs. 04 e 05 do Recurso Voluntário), como aptos a constituir alguma prova em favor da recorrente. Assim, não havendo novos argumentos levantados pelo contribuinte em seu recurso, manifesto minha conformidade com o entendimento exarado pela DRJ quanto ao segundo ponto analisado, ou seja, a ausência de neutralidade tributária do conjunto de lançamentos contábeis procedidos. Nesse sentido, destaco que a recorrente não se desincumbiu de seu ônus de comprovar que na conta “resultados negativos de participações societárias”, no valor de R$ 56.370.196,28, estariam incluídos os R$ 39.010.444,01, referentes à reversão da provisão contábil. Ao contrário, a fiscalização deixou claro que aquela quantia se refere a Despesa de Equivalência Patrimonial da controlada, nada tendo que ver com a reversão de provisão mencionada. No entanto, a recorrente não trouxe aos autos provas ou argumentos convincentes em sentido contrário. Logo, não tendo havido qualquer contrapartida para a suposta “reversão da provisão”, a meu ver, resta claro que este lançamento resultou no não oferecimento à tributação do montante R$ 39.010.444,01. Eis o trecho do Acórdão recorrido que, conforme previsão do art. 57, §3º do RICARF (conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) passa a integrar o presente voto: “O segundo e principal aspecto da comprovação da legitimidade da exclusão realizada a título de “reversão de provisão” diz respeito à neutralidade tributária do conjunto. A reversão de provisão é operação que inclui, por um lado, o reconhecimento da receita correspondente à baixa da provisão e, por Fl. 666DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 667 15 outro, uma exclusão extra contábil que terá como efeito, justamente, anular, sob o aspecto tributário, a receita incorporada ao resultado do exercício. Por óbvio, o procedimento completo não possui qualquer efeito fiscal. Porém, tal neutralidade fica condicionada à prova de que de fato tenha sido reconhecida a receita correspondente à baixa da provisão. No caso concreto, apesar de intimada a comprovar a legitimidade da exclusão que realizou, a interessada sequer fez menção ao reconhecimento da referida receita . Limitouse, tanto na auditoria quanto na impugnação, a indicar outra adição que fez ao lucro real do período, de valor idêntico ao da exclusão que foi objeto da glosa, relativa a “resultados negativos de participações societárias”. Ora, a adição referente à equivalência patrimonial tem como contrapartida despesa (perdas) com o investimento considerado. Assim, apesar da coincidência de valores, a mencionada adição não se confunde e não corresponde à contrapartida questionada pela autoridade autuante, hábil a demonstrar que a exclusão realizada a título de “reversão da provisão” de fato não teve qualquer efeito fiscal. A conclusão, portanto, no que diz respeito à comprovação da contrapartida da exclusão questionada, é a de que as alegações apresentadas pela interessada, ainda que verdadeiras, não a auxiliam. Necessário seria a demonstração, não efetivada, de que a reversão da provisão foi baixada em contrapartida à conta de receita efetivamente levada a resultado do exercício. Pertinente ressaltar que na DIPJ apresentada para o período de julho a dezembro de 2008 (fls 33), a interessada não informou qualquer valor na linha 28 “Reversão dos saldos das provisões operacionais” da Ficha 06 – A “ Demonstração do Resultado”, fato este que comprova, a despeito da cópia do razão apresentada às fls 73, que a receita relativa à reversão da provisão constituída a título de acobertar patrimônio a descoberto da controlada Bakarne de fato não foi incluída no resultado contábil do período. Neste ponto vale ressaltar que é da interessada, uma vez intimada, o ônus de demonstrar a legitimidade dos valores considerados subtrativamente na apuração das bases tributáveis do período. Na ausência de tal demonstração, cabível a glosa do valor correspondente.” (fls. 448/449) Em conclusão, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 667DF CARF MF Processo nº 12448.725096/201375 Acórdão n.º 1302002.382 S1C3T2 Fl. 668 16 Fl. 668DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.726200/2015-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011, 2012
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS DESTINADAS AO FUNDEB E DAS TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS DO FUNDEB.
A base de cálculo do PIS/Pasep do Município em relação ao FUNDEB deve ser a soma das transferências constitucionais recebidas da União e do Estado (valor bruto incluindo os 20% de destaque do FUNDEB, exceto as transferências que sofreram a retenção de 1% pela STN), deduzida do valor positivo entre a dedução para a formação do fundo e a transferência recebida do FUNDEB (dedução para o FUNDEB superior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos) ou acrescida do valor positivo entre a transferência recebida do FUNDEB e a dedução para a formação do fundo (dedução para o FUNDEB inferior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para permitir a dedução das transferências efetuadas ao FUNDEB, vencidos os Conselheiros Walker Araujo e Charles P. Nunes. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011, 2012 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS DESTINADAS AO FUNDEB E DAS TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS DO FUNDEB. A base de cálculo do PIS/Pasep do Município em relação ao FUNDEB deve ser a soma das transferências constitucionais recebidas da União e do Estado (valor bruto incluindo os 20% de destaque do FUNDEB, exceto as transferências que sofreram a retenção de 1% pela STN), deduzida do valor positivo entre a dedução para a formação do fundo e a transferência recebida do FUNDEB (dedução para o FUNDEB superior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos) ou acrescida do valor positivo entre a transferência recebida do FUNDEB e a dedução para a formação do fundo (dedução para o FUNDEB inferior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.726200/2015-89
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801288
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.899
nome_arquivo_s : Decisao_10480726200201589.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10480726200201589_5801288.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para permitir a dedução das transferências efetuadas ao FUNDEB, vencidos os Conselheiros Walker Araujo e Charles P. Nunes. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 22/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7024092
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735258963968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.726200/201589 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.899 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/PASEP Recorrente MUNICÍPIO DE SÃO LOURENÇO DA MATA/PE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS DESTINADAS AO FUNDEB E DAS TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS DO FUNDEB. A base de cálculo do PIS/Pasep do Município em relação ao FUNDEB deve ser a soma das transferências constitucionais recebidas da União e do Estado (valor bruto incluindo os 20% de destaque do FUNDEB, exceto as transferências que sofreram a retenção de 1% pela STN), deduzida do valor positivo entre a dedução para a formação do fundo e a transferência recebida do FUNDEB (dedução para o FUNDEB superior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos) ou acrescida do valor positivo entre a transferência recebida do FUNDEB e a dedução para a formação do fundo (dedução para o FUNDEB inferior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para permitir a dedução das transferências efetuadas ao FUNDEB, vencidos os Conselheiros Walker Araujo e Charles P. Nunes. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 62 00 /2 01 5- 89 Fl. 1006DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 22/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 827836: I DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto ao interessado qualificado, foi lavrado o Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) (fls. 2/9), conforme demonstrativo abaixo: (...) Os detalhes do procedimento fiscal estão descritos no Relatório Fiscal (fls. 11/17), cujo resumo no tocante à autuação está a seguir descrito. Na apuração das bases de cálculo mensais da contribuição ao Pasep foram utilizados os dados constantes do Balancete Mensal da Receita (Anexo IV) dos anos de 2011 e 2012 apresentados pelo Município. A obtenção das bases de cálculo deu se a partir da adição dos valores constantes nos referidos balancetes nos itens "1100.00.00.00 Receita Tributária", "1200.00.00.00 Receitas de Contribuições", "1300.00.00.00 Receita Patrimonial", "1600.00.00 Receita de Serviços", "1700.00.00.00 Transferências Correntes", "1900.00.00.00 Outras Receitas Correntes" e "2400.00.00.00 Transferências de Capital". Dos valores mensais devidos a título de contribuição ao Pasep, obtidos mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre as bases de cálculo, foram deduzidos os valores retidos de Pasep por ocasião dos repasses das transferências efetuadas pela União (valores das retenções obtidos mediante consulta ao sítio do Banco do Brasil na Internet). Foram também deduzidos os valores recolhidos pelo Município, antes do início da ação fiscal, a título de contribuição ao Pasep (DARF código da receita "3703 PASEP Pessoa Jurídica de Direito Público"), valores esses que coincidem com os informados como devidos pelo Município nas DCTF relativas ao período de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. Ressaltese que os valores das contribuições ao Pasep não recolhidos, lançados neste auto de infração, não foram declarados em DCTF. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 3 3 O resultado da apuração está detalhado no Anexo I (2011) e Anexo II (2012). Sobre os valores lançados foram acrescidos juros de mora (art. 9º da Lei n° 9.715/98; art. 161 do CTN; art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96) e multa de ofício de 75 % (art. 9º da Lei n° 9.715/98; art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/96). Pela falta de recolhimento e informação na DCTF dos valores apurados da contribuição ao Pasep dos anoscalendário de 2011 e 2012, lavrouse a Representação Fiscal para Fins Penais noticiando a prática, em tese, do ilícito previsto no inciso I, artigo 1º, da Lei n° 8.137/1990, consubstanciado no processo administrativo nº 10480.726202/201578 (apensado ao presente). II DA IMPUGNAÇÃO Cientificada por via postal da autuação em 11/08/2015 (fl. 50), a Interessada apresentou, em 10/09/2015, a impugnação (fls. 512/513) e documentos anexos, para alegar, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: Os demonstrativos de apuração da contribuição ao Pasep consideraram receitas indevidas na base de cálculo, quer no que se refere às transferências correntes, quer no que se refere às despesas de capital. Conforme documentação em anexo, as referidas transferências não podem ser consideradas por se tratarem de recursos vinculados a programas de saúde (SUS) e de assistência social (SUAS), além do FUNDEB e convênio para a execução de obras. As transferências sobre as quais eram devidas a retenção ocorreram na fonte, conforme consta nos demonstrativos e extratos que instruem a impugnação. Requer, assim, a desconstituição do auto de infração. Em 10 de maio de 2016, houve por bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/BHE), por unanimidade de votos, negar provimento a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. TRANSFERÊNCIAS CORRENTES. TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os recursos recebidos pelo Município do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Sistema Único de Saúde (SUS), do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e as transferências de capital recebidas da União ou do Estado integram a base de cálculo de contribuição para o Pasep. Fl. 1008DF CARF MF 4 FUNDEB. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem valores relativos as transferências constitucionais, inclusive a parte destacada para o FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas na legislação pertinente. Intimada da decisão de piso em 09.06.2016 (fls.848), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 08.07.2016 (fls.851853), reproduzindo, os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 09.06.2016 (fls.848) e protocolou Recurso Voluntário em 08.07.2016 (fls.851853) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito II. Base de Cálculo do PIS/PASEP A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I – União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 4 5 julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, 2011 e 2012, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715/98, com alterações promovidas pela MP nº 2.15835/01, que assim dispõe: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III – pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (Grifouse) Decreto nº 4.524/2002 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. (...) No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a Fl. 1010DF CARF MF 6 investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. Considerando o texto dos dispositivos legais acima transcritos, concluise que a base de cálculo do Pasep, no caso da autuada, corresponde à soma das receitas correntes, das transferências correntes e das transferências de capital, conforme apurado pela autoridade fiscal. Assim, o presente lançamento diz respeito ao Pasep apurado com base na Lei nº 9.715/98, conforme visto, decorrendo as diferenças exigidas pela Fiscalização da constatação de insuficiência de recolhimento desta contribuição pela autuada, relativamente ao valor devido. Analisandose os valores considerados no lançamento, vêse que a autoridade fiscal tomou por base aqueles informados pelo contribuinte nos Balancetes. Tal divergência decorre do fato de que, do total da receita informada nos demonstrativos, foram deduzidas as parcelas da receita recebida pelo Município destinadas à formação do Fundeb, Programa de Sáude (SUS), Assistência Social (SUAS) e convênio para a execução de obras. Quanto à inclusão ou não dos valores destinados ao Fundeb na base de cálculo do Pasep, cabem as seguintes ponderações. O Fundef Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério foi originalmente instituído pela Lei nº 9.424/1996. Posteriormente, foi substituído pelo Fundeb Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, implantado em janeiro de 2007, por meio da Emenda Constitucional nº 53/2006, regulamentada pela Lei nº 11.494/2007. Ambos os fundos destinamse à distribuição de recursos para toda a educação básica dos municípios (incluindo creches, préescola, ensinos fundamental, médio e especial, entre outros). Da legislação citada extraise que se trata de mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Conforme o disposto no artigo 7º da Lei nº 9.715/1998, somente podem ser excluídas da base de cálculo do Pasep as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Considerandose que o Fundeb não é entidade pública, não possuindo personalidade jurídica própria, os valores que eventualmente forem repassados a esse fundo não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município, ainda que efetivamente sua destinação final sejam outras entidades públicas, considerando a finalidade para a qual foi instituído. A propósito, foi emitida pela Coordenação Geral de Tributação da RFB (COSIT) a Solução de Divergência nº 12, de 28 de abril de 2011, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 5 7 Os valores das receitas repassados/alocados para o FUNDEB (antigo FUNDEF) pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores se enquadram como transferências recebidas de outra entidade da administração pública, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição está prevista na alínea “b” do inciso II do art. 2º da Lei Complementar nº 8, de 1970, e o no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Quando ficar comprovado que houve a retenção pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) da Contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, poderão os Estados, o Distrito Federal e os Municípios excluir de suas respectivas bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 8, de 1970: e Lei nº 9.715, de 1998, (art. 2º, inciso III, e § 6º e arts. 7º e 8º). Dessa forma, vêse que a coordenação encarregada de resolver divergências entre órgãos julgadores da RFB estabeleceu que nas transferências recebidas da União, aquelas parcelas destacadas para o Fundeb devem compor as bases de cálculo do Pasep. Portanto, ainda que um percentual dessas transferências recebidas seja direcionado ao Fundeb, o valor a ser considerado na base de cálculo da contribuição devida pelo Município continua sendo o valor total recebido da União, excluindose a contribuição retida, o que foi feito pela autoridade lançadora. A própria retenção do Pasep na fonte, que deve incidir sobre a integralidade da verba recebida, comprova tal conclusão. A impossibilidade de dedução do valor destinado ao Fundeb devese ao fato de tratarse de um fundo meramente contábil (artigo 1º, caput, Lei nº 9.424/1996), frisandose que o artigo 7º da Lei nº 9.715/1998 permite tãosomente a dedução de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Irrelevante, também, é a destinação específica dos recursos vinculados ao Fundeb, uma vez que, ainda assim, continuam tais valores integrando as receitas correntes, que compõem a base de cálculo da contribuição estabelecida nas normas acima. Neste sentido, trazse à colação decisões proferidas por este Conselho Administrativo com este posicionamento: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a eleestinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP.” (3403002.806) “PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. FUS. Fl. 1012DF CARF MF 8 As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Os recursos recebidos pelos municípios e destinados ao FUNDEB e FUS não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal.” (Acórdão 3202001.601) “BASE DE CÁLCULO. FUNDEF E FUNDEB. CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores destinados pelo município ao Fundef/Fundeb não podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep porque originários de receitas arrecadadas por outras entidades da administração pública e por falta de previsão legal, já que as exclusões permitidas contemplam as transferências efetuadas a outras entidades públicas, o que não é o caso desses fundos, que se constituem em meros fundos de natureza contábil, não possuindo personalidade jurídica.” (3403003.104) Quanto as demais receitas, adoto os fundamento da decisão de piso para afastar o direito da Recorrente, a saber: A primeira receita, Receita Serviços Saúde, consta do Balancete Mensal da Receita apresentado pelo Município classificada como Receitas Correntes/Receita de Serviços/Serviços de Saúde. Não resta dúvida, portanto, que, ao contrário do alegado pela Impugnante, as Receitas de Serviços de Saúde são classificadas como Receitas Correntes e, nos termos da legislação transcrita, compõem a base de cálculo da contribuição para o Pasep. As transferências referentes ao Sistema Único de Saúde (SUS), Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) e Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) são classificadas como Transferências Correntes/Transferências Intergovernamentais. O já citado Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público assim conceitua as Transferências Intergovernamentais: TRANSFERÊNCIAS DE RECURSOS INTERGOVERNAMENTAIS 1. Conceito As Transferências Intergovernamentais compreendem a entrega de recursos, correntes ou de capital, de um ente (chamado “transferidor”) a outro (chamado “beneficiário”, ou “recebedor”). Podem ser voluntárias, nesse caso destinadas à cooperação, auxílio ou assistência, ou decorrentes de determinação constitucional ou legal. [...] 3. Transferências constitucionais e legais Enquadramse nessas transferências aquelas que são arrecadadas por um ente, mas devem ser transferidas a outros entes por disposição constitucional ou legal. Exemplos de transferências constitucionais: Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Compensação dos Estados Exportadores (FPEX) e outros. Exemplos de transferências Legais: Transferências da Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir), Transferências do FNDE como: Apoio à Alimentação Escolar para Educação Básica, Apoio ao Transporte Escolar para Educação Básica, Programa Brasil Alfabetizado, Programa Dinheiro Direto na Escola. (Grifouse) Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 6 9 As transferências destinadas ao SUS e ao FNAS são também classificadas como transferências legais, pois estão regulamentadas por leis específicas. O Sistema Único de Saúde SUS, instituído pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis nº 8.080/1990 e nº 8.142/1990 (Leis Orgânicas da Saúde), compreende todas as ações e serviços de saúde estatais das esferas federal, do Distrito Federal, estadual e municipal, bem como os serviços privados de saúde contratados ou conveniados. O Fundo Nacional de Assistência Social FNAS tem por objetivo proporcionar recursos e meios para financiar o benefício de prestação continuada e apoiar serviços, programas e projetos de assistência social (Decreto nº 1.605/1995, art. 1º). O Decreto nº 1.605/1995 regulamenta o Fundo Nacional de Assistência Social, instituído pela Lei nº 8.742/1993. No mesmo sentido, dispõe a publicação sob o título TRANSFERÊNCIAS DE RECURSOS E A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL Orientações Fundamentais, elaborada pelo Tribunal de Contas da União, no capítulo II – Transferências Legais, verbis: As transferências legais são regulamentadas em leis específicas que disciplinam os critérios de habilitação, forma de transferência, formas de aplicação dos recursos e prestação de contas. Incluemse entre as transferências legais as transferências automáticas (na área de educação) e as transferências fundo a fundo referentes ao repasse do SUS e na área de assistência social. Do exposto resta claro que, ao contrário do alegado pela Impugnante, as transferências referentes ao SUS, FNAS e FNDE são tipos de Transferências Intergovernamentais, classificadas como Transferências Correntes, que por sua vez fazem parte das Receitas Correntes e, da mesma forma, compõem a base de cálculo da contribuição para o Pasep. (...) Quanto às Transferências Convenio/Obras, estas constam do Balancete Mensal da Receita apresentado pelo Município classificadas como Receitas de Capital/Transferências de Capital, espécie de receita já conceituada no presente Voto nos termos do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. No que se refere às receitas de Transporte Escolar, estas constam do Balancete Mensal da Receita classificadas como Transferências Correntes/Transferências Intergovernamentais/Transferências dos Estados/Participação no Transporte Escolar. Esta espécie de receita também já foi conceituada no presente Voto, nos termos do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, como exemplo de transferências legais do tópico Transferências de Recursos Intergovernamentais. Assim, não resta dúvida de que, ao contrário do alegado pela Impugnante, as Transferências Convenio/Obras classificadas como Transferências de Capital e as receitas de Transporte Escolar classificadas como Transferências Correntes/Transferências Intergovernamentais, compõem a base de cálculo da contribuição para o Pasep, nos termos da legislação de regência. Percebese, portanto, que a base de cálculo do Pasep encontrase bem definida pela legislação, não dando azo a interpretações tendentes a mitigar as receitas que Fl. 1014DF CARF MF 10 compõem a base de cálculo dessa contribuição. Estas se restringem, como visto, ao montante das receitas correntes arrecadadas pelo Município e das transferências correntes e de capital recebidas. Quanto à alegação de que as transferências, correntes ou de capital, não poderiam compor a base de cálculo da contribuição uma vez que já teriam sofrido retenção na fonte, também não assiste razão à Impugnante. Obviamente, quando da apuração da base de cálculo do Pasep, poderá o Município excluir os valores recebidos a título de transferências correntes ou de capital que já sofreram retenção daquela contribuição, efetuada por parte da Secretaria do Tesouro Nacional, quando do repasse dos recursos, em face do disposto no § 6º (acrescentado pelo artigo 19 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) do artigo 2º da Lei 9.715, de 1998, in verbis: Art. 2º [...] § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. Cumprindo a disposição legal acima, a autoridade fiscal deduziu, dos totais mensais apurados, os valores retidos a título de contribuição ao Pasep por ocasião dos repasses das transferências efetuadas pela União, consoante discriminado nos Anexos I e II (fls. 18/27). Os valores retidos foram obtidos mediante consulta ao sítio do Banco do Brasil na internet, conforme documentação anexada às fls. 292/419, e consolidados por competência no Anexo III (fl. 28). De tudo resta, então, que o procedimento fiscal foi realizado corretamente e que, portanto, o lançamento deve ser mantido, não merecendo guarida nenhuma das argumentações trazidas pela Impugnante. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde. Com o devido respeito aos argumentos do relator, divirjo, em parte, quanto à conclusão de que os valores transferidos ao FUNDEB não podem ser deduzidos da contribuição para o PIS/Pasep devido pelo município, para efeito de apuração da correta base de cálculo. O FUNDEB foi instituído pela Lei nº 11.494/2007 e regulamentado pelo Decreto nº 6.253/2007, com fundamento constitucional no art. 60, §7º do ADCT, nos termos abaixo transcritos: Art. 60. Nos dez primeiros anos da promulgação desta Emenda, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios destinarão não Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 7 11 menos de sessenta por cento dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino fundamental, com o objetivo de assegurar a universalização de seu atendimento e a remuneração condigna do magistério. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 1º A distribuição de responsabilidades e recursos entre os Estados e seus Municípios a ser concretizada com parte dos recursos definidos neste artigo, na forma do disposto no art. 211 da Constituição Federal, é assegurada mediante a criação, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, de natureza contábil. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º O Fundo referido no parágrafo anterior será constituído por, pelo menos, quinze por cento dos recursos a que se referem os arts. 155, inciso II; 158, inciso IV; e 159, inciso I, alíneas "a" e "b"; e inciso II, da Constituição Federal, e será distribuído entre cada Estado e seus Municípios, proporcionalmente ao número de alunos nas respectivas redes de ensino fundamental. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º A União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o § 1º, sempre que, em cada Estado e no Distrito Federal, seu valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ajustarão progressivamente, em um prazo de cinco anos, suas contribuições ao Fundo, de forma a garantir um valor por aluno correspondente a um padrão mínimo de qualidade de ensino, definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 5º Uma proporção não inferior a sessenta por cento dos recursos de cada Fundo referido no § 1º será destinada ao pagamento dos professores do ensino fundamental em efetivo exercício no magistério. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 6º A União aplicará na erradicação do analfabetismo e na manutenção e no desenvolvimento do ensino fundamental, inclusive na complementação a que se refere o § 3º, nunca menos que o equivalente a trinta por cento dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 7º A lei disporá sobre a organização dos Fundos, a distribuição proporcional de seus recursos, sua fiscalização e controle, bem como sobre a forma de cálculo do valor mínimo nacional por aluno. Fl. 1016DF CARF MF 12 De acordo com o art. 211, §§2º e 3º2 da CF, de 1988, os Estados e Municípios devem atuar prioritariamente no ensino fundamental. O FUNDEB, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, é um fundo de natureza meramente contábil, conforme a Lei nº 11.494/2007, cujos artigos abaixo transcrevemse: Art. 1o É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Parágrafo único. A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus recursos não isentam os Estados, o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino, na forma prevista no art. 212 da Constituição Federal e no inciso VI do caput e parágrafo único do art. 10 e no inciso I do caput do art. 11 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de: I pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino; II pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. [...] CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO FINANCEIRA Seção I Das Fontes de Receita dos Fundos Art. 3o Os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, são compostos por 20% (vinte por cento) das seguintes fontes de receita: 2 Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. ... § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 8 13 I imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no inciso I do caput do art. 155 da Constituição Federal; II imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do art. 155 combinado com o inciso IV do caput do art. 158 da Constituição Federal; III imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art. 155 combinado com o inciso III do caput do art. 158 da Constituição Federal; IV parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. 154 da Constituição Federal prevista no inciso II do caput do art. 157 da Constituição Federal; V parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural, relativamente a imóveis situados nos Municípios, prevista no inciso II do caput do art. 158 da Constituição Federal; VI parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966; VII parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. 159 da Constituição Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; VIII parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. 159 da Constituição Federal e na Lei Complementar no 61, de 26 de dezembro de 1989; e IX receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo, bem como juros e multas eventualmente incidentes. § 1o Incluise na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, conforme disposto na Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. Fl. 1018DF CARF MF 14 § 2o Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo, os Fundos contarão com a complementação da União, nos termos da Seção II deste Capítulo. Seção II Da Complementação da União Art. 4o A União complementará os recursos dos Fundos sempre que, no âmbito de cada Estado e no Distrito Federal, o valor médio ponderado por aluno, calculado na forma do Anexo desta Lei, não alcançar o mínimo definido nacionalmente, fixado de forma a que a complementação da União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art. 60 do ADCT. [...] CAPÍTULO III DA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS Seção I Disposições Gerais Art. 8o A distribuição de recursos que compõem os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, darseá, entre o governo estadual e os de seus Municípios, na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, na forma do Anexo desta Lei. É formado por 20% dos recursos dos Estados e Municípios decorrentes de diversas receitas tributárias nos termos do artigo 3º, bem como de complementação da União, na forma do artigo 4º, de modo a atingir o valor mínimo por aluno definido nacionalmente. A distribuição dos recursos ocorre entre o governo estadual e os seus Municípios, na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, de acordo com o artigo 8º. Temse, portanto, que se trata de um fundo de natureza contábil, não possuindo personalidade jurídica própria. A Secretaria do Tesouro Nacional – STN – assim dispôs em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público – Parte III – Procedimentos Contábeis Específicos3, ao tratar do FUNDEB: “03.01.02.02 NATUREZA DO FUNDEB O Fundeb não é considerado federal, estadual, nem municipal, por se tratar de um fundo de natureza contábil, formado com recursos provenientes das três esferas de governo e pelo fato de a arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados, com a participação do Banco do Brasil, como agente financeiro do fundo. Além disso, os créditos dos seus recursos são realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios, de forma igualitária, com base no número de alunos. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização 3 https://www.tesouro.fazenda.gov.br/images/arquivos/artigos/Parte_III__PCE.pdf Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 9 15 como Federal, Estadual ou Municipal. Assim, dependendo do ponto de vista, o fundo tem seu vínculo com a esfera federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos), a estadual (os Estados participam da composição, da distribuição, do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a municipal (os Municípios participam da composição, do recebimento e da aplicação final dos recursos). É importante destacar, no entanto, que a sua instituição é estadual, conforme prevê a Emenda Constitucional nº 53, de 19/12/2006, como segue: “Art. 1º. É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação Fundeb, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT.” De modo similar, a Controladoria de Controle Externo do Tribunal de Contas de Pernambuco dispôs em sua cartilha sobre o FUNDEB4: “No âmbito de cada Estado e do Distrito Federal foi criado um Fundo (para efeito de levantamento das matrículas presenciais e de distribuição dos recursos). Entretanto, o FUNDEB não é considerado Federal, Estadual, nem Municipal, por se tratar de um Fundo de natureza contábil, formado com recursos provenientes das três esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal); pelo fato da arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados, com a participação do Banco do Brasil, como agente financeiro do Fundo e, por fim, em decorrência de os créditos dos seus recursos serem realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios de forma igualitária, com base no número de alunos.” Ainda sobre a natureza jurídica, o artigo publicado na revista da PGFN5 Ano I – Número 1 – 2011 pondera: “3 A natureza do Fundeb e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal A classificação dos fundos tem sido recorrentemente um problema para a Administração Pública, especialmente no que se refere aos efeitos práticos de qualquer iniciativa definitiva de taxonomia. Em âmbito federal a questão preocupa, principalmente, o Tesouro Nacional, a quem incumbe, efetivamente, o controle dos fluxos dos altíssimos valores envolvidos. Neste sentido, há previsão de fundos de gestão orçamentária, de gestão especial e de natureza contábil. O Fundeb se encontra no último grupo. Ao que consta, os fundos de gestão orçamentária realizam a execução orçamentária e financeira das despesas orçamentárias financiadas por receitas 4 consulta à internet: http://www.mprs.mp.br/areas/infancia/arquivos/cartilhafundeb.pdf 5 http://www.pgfn.fazenda.gov.br/revistapgfn/revistapgfn/anoinumeroi/arnaldo.pdf. Detalhar a referência Fl. 1020DF CARF MF 16 orçamentárias vinculadas a essa finalidade. De acordo com o Tesouro Nacional entre os fundos de gestão orçamentária se classificam o Fundo Nacional da Saúde, o Fundo da Criança e Adolescente e o Fundo da Imprensa Nacional, entre outros. Os fundos de gestão especial subsistem para a execução de programas específicos, mediante capitalização, empréstimos, financiamentos, garantias e avais. Exemplificase com o Fundo Constitucional do CentroOeste, com o Fundo de Investimento do Nordeste, com o Fundo de Investimento da Amazônia. Os fundos de natureza contábil instrumentalizam transferências, redefinem fontes orçamentárias, instrumentalizam a repartição de receitas, recolhem, movimentam e controlam receitas orçamentárias (bem como a necessária distribuição) para o atendimento de necessidades específicas. É o caso do Fundo de Participação dos Estados, do Fundo de Participação dos Municípios e do Fundeb, especialmente. O fundo é uma mera rubrica contábil. Não detém patrimônio. Não é órgão. Não é entidade jurídica. Não detém personalidade própria. É instrumento. Não é fim. Propicia meios. Eventual inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (no caso de alguns fundos) é determinação que decorre da necessidade da administração tributária deter informações cadastrais. Em outras palavras, segundo documento do Tesouro Nacional, a criação do CNPJ não interfere na execução orçamentária e financeira [...] o fundo que contratar e receber notas fiscais utilizando o CNPJ do próprio fundo, terá apenas as obrigações tributárias decorrentes de seus atos.” (grifos não originais) O FUNDEB, de modo semelhante ao FUNDEF, não deve ser considerado, portanto, um fundo específico de determinada esfera governamental, mas um fundo multigovernamental, que não possui personalidade jurídica própria, e que é composto por recursos primordialmente dos Estados e Municípios, complementarmente pela União, distribuído pelos Estados e complementarmente pela União, sendo seus recursos aplicados por Estados e Municípios e fiscalizados de forma concorrente pelas três esferas de governo. A contabilização segue os ditames da Lei nº 4.320, de 1964, a qual conceitua as receitas correntes, transferências correntes recebidas e efetuadas: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) ... Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (Vide Decretolei nº 1.805, de 1980) Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 10 17 § 1º Classificamse como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. Relativamente à questão tributária, a contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas governamentais incide sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III e Decreto nº 4.524, de 2002, art. 70). Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno (Decreto nº 4.524, de 2002, art. 70, §2º). O art. 68 do referido decreto dispôs que a STN efetuará a retenção do PIS/Pasep sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno. Decreto nº 4.524, de 2002 Art. 67. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III). Parágrafo único. A contribuição é obrigatória e independe de ato de adesão ao Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público. Seção II Responsáveis Art. 68. A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção do PIS/Pasep incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, § 6º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 19, e Lei Complementar nº 8, de 1970, art. 2º, parágrafo único). Parágrafo único. Não incidirá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. ... CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE RECEITAS E TRANSFERÊNCIAS Fl. 1022DF CARF MF 18 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Art. 71. O Banco Central do Brasil deve apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base no total das receitas correntes arrecadadas e consideradas como fonte para atender às suas dotações constantes do Orçamento Fiscal da União (Lei nº 9.715, de 1998, art. 15). Analisando os procedimentos relativos ao FUNDEB, entendo que os destaques relativos aos 20% nas transferências constitucionais, efetuadas pela União ou pelo Estado, possuem a mesma natureza das próprias transferências, ou seja, devem ser tributadas pelo Município, exceto caso se comprove que tenha havido a retenção pela STN, no caso das transferências recebidas da União. O fato de se destacar a parcela relativa ao FUNDEB não altera a natureza da transferência que é o repasse das receitas tributárias previstas no artigo 3º da Lei nº 11.494/2007. Neste sentido, o Acórdão nº 20402.717, proferido pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes e Acórdão 220100.094, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Acórdão nº 20402.717 PASEP. TRANSFERÊNCIAS PARA O FUNDEF. As transferências recebidas do FUNDEF compõem a base de cálculo da contribuição por constituir transferência corrente, e as transferências realizadas para o citado fundo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição, por não ser o destinatário da transferência entidade pública, mas sim um fundo de natureza meramente contábil. Recurso negado. Acórdão 220100.094 PASEP. MUNICÍPIO, BASE DE CÁLCULO. DESTINAÇÕES AO FUNDEF. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores destinados pelo Município ao Fundef não podem ser excluídos da base de cálculo do Pasep, primeiro, porque originários de receitas arrecadadas por outras entidades da administração pública, e, segundo, por falta de previsão legal, já que as exclusões permitidas contemplam as transferências efetuadas a outras entidades públicas, o que não e o caso do Fundef, que se constitui em um mero fundo de natureza contábil, Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 11 19 não possuindo personalidade jurídica. Aplicação do disposto no inciso III do artigo 2º e no caput do artigo 7º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 . Recurso negado. No âmbito da Receita Federal, interpretouse inicialmente (Parecer Cosit nº 46, de 1999 e pela Solução de Consulta Interna nº 12, de 2002) que os repasses ao FUNDEF não comporiam a base de cálculo do PIS/Pasep. Posteriormente foi editada a Solução de Divergência Cosit nº 2, de 2009, reformando parcialmente os atos anteriores e concluindo pela tributação das transferências repassadas pela União a título de FPE e FPM, incluindo o destaque para o FUNDEF/FUNDEB, exceto quando se comprovasse a retenção de 1% dos valores relativos aos destaque, e ainda decidiu pela impossibilidade de exclusão da base de cálculo da União, Estados, Distrito Federal e Municípios dos valores deduzidos para a formação do FUNDEF/FUNDEB. Por fim, a Solução de Divergência nº 12, de 2011 seguindo a mesma linha da Solução de Divergência nº 2, de 2009, foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Os valores das receitas repassados/alocados para o FUNDEB (antigo FUNDEF) pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores se enquadram como transferências recebidas de outra entidade da administração pública, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição está prevista na alínea “b” do inciso II do art. 2º da Lei Complementar nº 8, de 1970, e o no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Quando ficar comprovado que houve a retenção pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) da Contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, poderão os Estados, o Distrito Federal e os Municípios excluir de suas respectivas bases de cálculos da Fl. 1024DF CARF MF 20 Contribuição para o PIS/Pasep os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 8, de 1970: e Lei nº 9.715, de 1998, (art. 2º, inciso III, e § 6º e arts. 7º e 8º). As decisões do CARF acima referidas, bem como a SD nº 12/2011 da RFB, interpretaram, ainda, pela impossibilidade de exclusão das deduções/alocações para o fundo (segundo lançamento contábil) em razão de que o fundo não era uma entidade pública, e, portanto, a transferência ao fundo não poderia ser excluída da base de cálculo. O Acórdão nº 20402.717 foi além, decidindo, ainda, pela tributação do retorno dos recursos do FUNDEF para o Município ou Estado. Neste ponto, discordo, em parte, das decisões mencionadas do CARF e da Solução de Divergência nº 12/2011. Considerando que o fundo não é entidade, nem pública, nem privada, ou seja, é apenas um instrumento, um meio, para fazer cumprir uma determinação constitucional, entendo que as transferências líquidas efetuadas no âmbito do FUNDEB devem ser consideradas como efetuadas aos entes destinatários dos recursos, ou seja, Estados e Municípios, que, de fato, são os que efetivamente ordenam as aplicações de recursos do fundo, já que ele não possui gestão própria. Destarte, a tributação destas transferências (dedução para formação do fundo e retorno dos recursos distribuídos do FUNDEB) deve ser feita pelo valor efetivamente transferido para ou do Município. Esta diferença ocorre em razão de que os recursos para formação do fundo são calculados a 20% das transferências constitucionais e legais recebidas, mas a distribuição dos recursos do fundo é realizada proporcionalmente ao número de matrículas efetivas matriculados nas redes de educação básica pública presencial do governo estadual e de seus Municípios, na forma do Anexo da Lei nº 11.494/2007. Assim, o valor repassado não será, provavelmente, o mesmo recebido do fundo. Esta diferença é o que se denomina ganho ou perda com o FUNDEF. Se os 20% contribuídos para o fundo forem menores que o recebido proporcionalmente às matrículas, temse, efetivamente, que a diferença referese a parte das receitas decorrentes das transferências constitucionais de outros municípios ou do Estado, no qual está inserido o Município em análise. Ao contrário, se os 20% forem superiores ao recebido, o Município, de fato, está transferindo a outro ente público, seu Estado ou outros municípios, esta diferença, cuja origem foram as transferências constitucionais recebidas na forma da Lei nº 9.424, de 1996. Assim, a base de cálculo do PIS/Pasep do Município em relação ao FUNDEB deve ser a soma das transferências constitucionais recebidas da União e do Estado (valor bruto incluindo os 20% de destaque do FUNDEB, exceto as transferências que sofreram a retenção de 1% pela STN), deduzida do valor positivo entre a dedução para a formação do fundo e a transferência recebida do FUNDEB (dedução para o FUNDEB superior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos) ou acrescida do valor positivo entre a transferência recebida do FUNDEB e a dedução para a formação do fundo (dedução para o FUNDEB inferior à transferência do FUNDEB baseada nas matrículas dos alunos). Tributase, então, os recursos efetivamente transferidos e utilizados pelo ente público. No caso concreto, o relatório fiscal na efl. 14 (informando a inclusão da conta 1.7.0.0.00.00.00 Transferências Correntes), os demonstrativos de efls. 18 a 27 e os balancetes de efls. 124 a 291 demonstram que a totalidade dos valores recebidos do FUNDEB Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10480.726200/201589 Acórdão n.º 3302004.899 S3C3T2 Fl. 12 21 com base nas matrículas dos alunos foi incluída na base de cálculo mediante a conta contábil 1724.01.00.00 TRANSF. FUNDO MANUT E DESENV. EDUC. VAL. PROF. EDUC. FUNDEB e não apenas a diferença positiva entre esta transferência e a dedução para a formação o fundo. Destarte, para ajustar matematicamente a base de cálculo, necessária efetivar a exclusão da dedução para a formação do FUNDEB. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação, os valores deduzidos para a formação do FUNDEB. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.902284/2009-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.228
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10660.902284/2009-05
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796686
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.228
nome_arquivo_s : Decisao_10660902284200905.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10660902284200905_5796686.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6999863
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735266304000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10660.902284/200905 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.228 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria PER/DCOMP. PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 22 84 /2 00 9- 05 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10660.902284/200905 Acórdão n.º 9303005.228 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.065, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10660.902284/200905 Acórdão n.º 9303005.228 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10660.902284/200905 Acórdão n.º 9303005.228 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10660.902284/200905 Acórdão n.º 9303005.228 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10660.902284/200905 Acórdão n.º 9303005.228 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10660.902284/200905 Acórdão n.º 9303005.228 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.720335/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2014
COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIRETOR DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL.
É descabida a compensação de IRPF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretor da pessoa jurídica fonte pagadora dos rendimentos, quando não comprovado o recolhimento, tendo em vista a sua responsabilidade solidária.
Numero da decisão: 2201-003.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 31/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIRETOR DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. É descabida a compensação de IRPF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretor da pessoa jurídica fonte pagadora dos rendimentos, quando não comprovado o recolhimento, tendo em vista a sua responsabilidade solidária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18050.720335/2015-11
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800181
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.977
nome_arquivo_s : Decisao_18050720335201511.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 18050720335201511_5800181.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
id : 7015704
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735328169984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1549; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.720335/201511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.977 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2017 Matéria IRPF Recorrente WALTER FRANCISCO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIRETOR DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. É descabida a compensação de IRPF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretor da pessoa jurídica fonte pagadora dos rendimentos, quando não comprovado o recolhimento, tendo em vista a sua responsabilidade solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 31/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 72 03 35 /2 01 5- 11 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de impugnação protocolizada pelo interessado, contra Lançamento de Ofício nº 2014/377266952315306 relativo ao Exercício de 2014 Ano Calendário 2013 que resultou na alteração do Saldo de Imposto a Restituir Declarado no valor de R$ 5.743,98 em Saldo de Imposto a Restituir Ajustado no valor de R$ 2.429,65 , conforme Notificação de Lançamento fls. 90/94. A Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados no Demonstrativo de fl. 92, versando sobre a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. De acordo com o extrato do sistema Sucop de fl. 97, bem como de acordo com o extrato do Portal IRPF de fl. 104, não consta a ciência por via Postal do interessado, bem como também não consta emissão de Edital, logo temse como data de ciência, a data da protocolização da impugnação constante às fls. 03/06, de 05/06/2015, onde consta em síntese: “...Ressaltese que o contribuinte PF desempenha o cargo de Diretor Industrial, tendo ele feito a prova da natureza de sua ocupação, classificada como ‘01’, através de sua CTPS – que exibe um contrato de trabalho em aberto, quando da apresentação do Dossiê citado (Anexos IX, X e XI); haja visto que, embora formalmente eleito pelo Conselho de Administração do contribuinte PJ (Anexos XII e XIII), não houve suspensão desse contrato até então. Embora ‘ativa’, as atividades industriais do contribuinte PJ foram encerradas em março de 1990, justificandose a presença de um Diretor Industrial pela necessidade da administração dos ATIVOS remanescentes e defesa de argumentos relativos a questões ambientais, considerandose a sua formação de Engenheiro Químico (Anexo XIV) e sua longa militância nessa área...” O interessado discorre sobre o Estatuto da Pessoa Jurídica da qual é Diretor Industrial. Vale salientar: “...Com mandatos vencidos desde 30.04.1990, os Diretores permaneceram em seus cargos e no pleno exercício de suas funções por força do PARÁGRAFO 2º do ART. 13º desse Estatuto Social, situação parcialmente regularizada pelo Conselho de Administração, em 04.11.2009, quando foram reeleitos por tempo indeterminado, fora dos cânones do Estatuto Social, não havendo na respectiva ATA menção a qualquer alteração da natureza do vínculo contratual entre as partes e suas repercussões...” Fl. 193DF CARF MF Processo nº 18050.720335/201511 Acórdão n.º 2201003.977 S2C2T1 Fl. 3 3 Salienta ser portador de moléstia grave, solicita prioridade na análise de seu pleito, bem como que seja liberada a parcela glosada do imposto pago, devidamente corrigida. O contribuinte anexou aos autos às fls. 07/81, cópia de documentação em sua defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Sendo o beneficiário do rendimento diretor de sua fonte pagadora, fazse necessária a comprovação do recolhimento do IRRF para que este possa ser compensado na Declaração de Ajuste Anual do interessado. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, tempestivamente no qual o contribuinte sustentou, em síntese, estar restrito a competência de diretor industrial estritamente às atividades necessárias à operação da fabrica encerrada em 1990, nos termos abaixo: É o relatório. Voto Fl. 194DF CARF MF 4 Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme a Notificação de Lançamento de fls. 92, a glosa na compensação em razão de o contribuinte estar na condição de diretor industrial da Companhia de Carbono Coloidais. Sobre o tema, a decisão de primeira instância assim dispôs: Desta forma, não obstante os argumentos defensivos do interessado em sua impugnação, no que diz respeito à Responsabilidade dos Diretores de Pessoa Jurídica, impõese observar o que dispõe o art. 723 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Com base no dispositivo acima transcrito, entendo que sendo o interessado Diretor da pessoa jurídica em questão, (sua fonte pagadora), não basta a apresentação do Comprovante de Rendimento e da DIRF com a indicação da retenção do imposto de renda para que o mesmo possa ser compensado na sua Declaração de Ajuste Anual. Fazse necessário, além da comprovação da retenção, a confirmação do recolhimento do IRRF através da apresentação do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF correspondente, o que não ocorreu no caso em exame. Face ao exposto, deve ser mantida a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte lançada pela Fiscalização. Compulsandose os autos, observase que o contribuinte apresentou os recibos de pagamentos, fls. 121 e seguintes, bem como as cópias dos extratos bancários, fls. 134 e seguintes, além do comprovante emitido pela fonte pagadora, fls. 134 e seguintes, e demais documentos que corroboram a existência da retenção. Cabe destacar que a confirmação do recolhimento do IRRF, através de DARF correspondente, fazse necessária, tendo em vista a responsabilidade solidária constante do art. 723 do RIR. O recorrente era diretor da empresa, à época dos fatos geradores, embora não tenha exercido ingerência administrativa, situação que autoriza a manutenção da glosa da compensação em análise. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 18050.720335/201511 Acórdão n.º 2201003.977 S2C2T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003071/2004-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. RECONHECIMENTO. ACÓRDÃO EMBARGADO. RERRATIFICAÇÃO.
Comprovada a omissão, acolhem-se os embargos para corrigir o equívoco, sem efeitos infringentes, com a rerratificação do acórdão embargado.
Numero da decisão: 9303-005.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para, por maioria de votos, acolhê-los, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.236, de 13/09/2016 e sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram e acolheram os embargos, com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. RECONHECIMENTO. ACÓRDÃO EMBARGADO. RERRATIFICAÇÃO. Comprovada a omissão, acolhem-se os embargos para corrigir o equívoco, sem efeitos infringentes, com a rerratificação do acórdão embargado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.003071/2004-21
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5805283
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.486
nome_arquivo_s : Decisao_10283003071200421.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10283003071200421_5805283.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para, por maioria de votos, acolhê-los, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.236, de 13/09/2016 e sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram e acolheram os embargos, com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7044910
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735343898624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.003071/200421 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303005.486 – 3ª Turma Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria IPI Multa Embargante TATIANA MIDORI MIGIYAMA Interessado TCE SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. RECONHECIMENTO. ACÓRDÃO EMBARGADO. RERRATIFICAÇÃO. Comprovada a omissão, acolhemse os embargos para corrigir o equívoco, sem efeitos infringentes, com a rerratificação do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para, por maioria de votos, acolhêlos, re ratificando o Acórdão nº 9303004.236, de 13/09/2016 e sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram e acolheram os embargos, com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 30 71 /2 00 4- 21 Fl. 17997DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 3 2 Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por essa Conselheira contra acórdão 9303004.236, vez que não foram apreciadas pela Turma as outras matérias trazidas em Recurso Especial, quais sejam, discussões acerca da Nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação e falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação. Cabe trazer que em relação à matéria apreciada no acórdão embargado – “manutenção da multa equivalente a 100% do valor das mercadorias importadas, prevista no art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – art. 463, I do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98)”, o Colegiado, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Para melhor elucidar, recordase que o Recurso Especial foi interposto pela TCE COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA contra Acórdão nº 3402001.905, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para excluir da sujeição passiva a empresa SDW Serviços Empresariais Ltda, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL' Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO. NULIDADE. É legítimo o lançamento cujo teor contenha os elementos necessários para o sujeito passivo saber do quê, como e diante de quem se defender, possibilitando o devido processo legal, com contraditório e ampla defesa, mesmo quando efetuado com base em documentos que, durante o procedimento fiscal, não se encontravam com o sujeito passivo. LICITUDE DA PROVA. E licita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a assinatura de duas testemunhas, bem como a descrição genérica dos documentos apreendidos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PARECER. NULIDADE. INCABÍVEL. A participação no julgamento de auditorflscal nomeado para a função de julgador na DRJ que, anteriormente, tenha assinado o MPF relativo ao procedimento fiscal instaurado não configura nulidade da decisão recorrida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PARECER. NULIDADE. INCABÍVEL. O órgão julgador não está obrigado à apreciação de Parecer elaborado por encomenda das partes, apresentado após o transcurso do prazo impugnatório. Fl. 17998DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 4 3 PEDIDO DE PERÍCIA. INCABÍVEL. É despicienda a realização de perícia quando constam dos autos todos os documentos necessários à solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000 MULTA REGULAMENTAR. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. A instrução da Declaração de Importação com fatura comercial internacional falsa configura importação irregular e fraudulenta, que reclama a aplicação da multa regulamentar correspondente ao valor comercial da mercadoria importada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE NÃO COMPROVADA. E incabível o lançamento contra duas pessoas jurídicas distintas quando não se comprovar a solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN, devendo ser mantida no pólo passivo a pessoa jurídica responsável pela maioria das infrações, desde que seja possível separar as infrações cometidas por cada uma das pessoas jurídicas. ” O que, por conseguinte, insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão 3402001.905, requerendo a reforma do r. acórdão. Contesta as seguintes matérias, com a indicação dos respectivos paradigmas: Manutenção da multa equivalente a 100% do valor das mercadorias importadas, prevista no art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – art. 463, I do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98) – (Acórdãos 30238.072 e 3202001.340): “Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); [...]” Nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação, bem assim, pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação (Acórdãos 310100.361 e 30239.260). Fl. 17999DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 5 4 O apelo do sujeito passivo havia sido admitido em sua integralidade, nos termos do Despacho às fls. 17956 a 17959. Contrarrazões haviam sido apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos Embargos de Declaração, entendo que devem ser acolhidos, pois evidente as omissões apontadas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre as matérias omitidas, quais sejam, alegação de nulidade da decisão de primeiro grau por participação de julgador envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação, bem assim, ainda pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação. Atento apenas que a apreciação dessas matérias poderá alterar o resultado do julgamento dado por essa turma. Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo, relativamente à primeira matéria, que a “participação de julgador” envolvido na operação fiscal da qual resultou a autuação e a pela falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação não subsumem à hipótese de nulidade. O que adoto como razão de decidir o voto da relatora do acórdão recorrido que, por sua vez, contemplou as razões da exConselheira Nayra Bastos Manatta. O que transcrevo a parte que interessa: “[...] No que diz respeito à participação do Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira no julgamento proferido pela DRJ em Fortaleza por ter sido ele inspetor da Alfândega do Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo inclusive assinado MPF, através do qual se deu o início dos trabalhos de fiscalização em uma das empresas, e que a sua participação fere os princípios da imparcialidade e macula o julgamento proferido, nos termos do 5 art. 19, inciso I da Portaria MF 258/01, tornando nula a decisão proferida, entendo não ser exatamente a situação em tela que está a ser descrita no dispositivo legal citado. Realmente não poderia a autoridade lançadora participar do julgamento dos seus feitos em virtude do princípio da imparcialidade que está exatamente contemplado no art. 19, inciso I da Portaria MF 258/01. Mas aqui deve ser ressaltado que a vedação Fl. 18000DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 6 5 se refere àqueles que participaram diretamente da ação fiscal que culminou na autuação, ou seja, os fiscais que participaram da ação fiscal e da autuação. A estes sim, resta vedada a participação do julgamento do litígio travado em virtude de autuação que eles próprios tenham sido os autores. No caso dos autos a situação é outra. O Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira não participou efetivamente da operação de fiscalização nem efetuou ele próprio o lançamento. Apenas como autoridade administrativa, no caso inspetor da Alfândega do Porto de Manaus, expediu e assinou os MPF necessários para que as empresas fossem fiscalizadas, dentro daquelas funções que são próprias do cargo que ocupava à época. Nenhuma participação direta teve nos trabalhos realizados pelos fiscais responsáveis e designados para a realização dos trabalhos fiscalizatórios, nem na autuação que veio a ser formalizada por meio do auto de infração aqui sob análise. Desta forma, entendo que nenhuma restrição há para que aquele que desempenhou papel de administrador com as funções que lhe são próprias do cargo ocupado, na época da ocorrência dos trabalhos fiscais que culminaram na autuação, possa em momento posterior, ocupando a função de julgador, participar de solução de litígio gerado em uma ação fiscal da qual ele não foi parte integrante. [...]” Sendo assim, considerando que, no caso vertente, o Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira não participou efetivamente da operação de fiscalização nem efetuou ele próprio o lançamento, apenas expediu e assinou os MPF necessários para que as empresas fossem fiscalizadas, dentro daquelas funções que são próprias do cargo que ocupava à época, entendo que não assiste razão à recorrente. No que tange à discussão acerca da falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação, concordo com o entendimento bem exposto sobre a mesma questão, fatos e sujeito passivo no acórdão 310100.363. O que, peço vênia para transcrever o voto da Conselheira Vanessa Valente que considerou manifestação do Conselheiro Zenaldo Loibman: “[...] Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de apreciação do Parecer Jurídico apresentado em 11.01.2005, como complementação da defesa, antes da realização do julgamento. 0 referido parecer elaborado por jurista, especialista em direito tributário e em processo administrativo fiscal, foi ignorado sob a alegação de não atendimento as condições previstas no § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72 (PAF). Entretanto, tal norma Fl. 18001DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 7 6 disciplina tãosomente a apreciação de prova documental no PAF, e evidentemente não abrange a hipótese de apresentação de parecer jurídico em complemento à impugnação. As interessadas citaram oportunamente a doutrina de Sérgio Ferraz e de A. A. Dallari para explicitar a natureza de um parecer jurídico. No caso, a disciplina adequada seria efetivamente a do art. 38 da LGPAF (Lei 9.784/99), utilizada subsidiariamente, já que o PAF (Decreto 70.235/72) é omisso quanto a isto. A norma evocada prevê que antes da decisão, na fase de instrução, podese juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Portanto, a recusa de apreciação do parecer jurídico juntado aos autos na fase de instrução, antes da tomada de decisão, caracteriza cerceamento ao direito de defesa, eivando de nulidade absoluta a decisão recorrida. Enfatizase que nesta situação a juntada do parecer não afetou de forma alguma o trâmite processual, não o prolongou, e não se justifica a recusa de conhecimento de matéria de defesa que necessariamente haveria de ser apreciada também em segunda instancia, de forma que a omissão do julgador a quo também afronta o direito do contribuinte ao duplo grau de jurisdição. Houve claro cerceamento ao direito de ampla defesa. (b) Cerceamento ao direito de defesa pela recusa de juntada de documentos solicitada pelas impugnantes e que estavam em poder da Administração. Na ótica dos ora recorrentes tais documentos visavam a demonstrar a inexistência de fraude na importação. Ora, durante a fase de impugnação todos os documentos das ora recorrentes estavam em poder da Administração. As impugnantes, então, com base no art. 37 da lei 9.784/99, que apenas expõe norma processual já assentada no ordenamento pátrio, válida também no processo civil, requereram a juntada de certos documentos que consideravam essenciais a provar a regularidade das operações de importação praticadas. Aqui não importa o juízo prévio da autoridade julgadora de primeira instância quanto necessidade ou prescindibilidade de tais provas, entre outras razões porque era interesse da defesa apresentálas e circunstancialmente se encontravam em poder da administração, além do mais deveriam ser passíveis de apreciação também pela segunda instância julgadora em caso de insucesso no primeiro julgamento. A recusa em permitir essa produção de provas por parte das impugnantes, em relação a documentos que estavam em poder da administração, fulmina de nulidade absoluta a decisão de primeira instância Fl. 18002DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 8 7 por interferência perniciosa no contraditório e impor indevida limitação a defesa. [...]” Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração quanto à preliminar de nulidade inerente à falta de apreciação de parecer jurídico apresentado após a impugnação, com efeitos infringentes, para anular a decisão de 1ª instância, retornando o processo para apreciação daquela turma julgadora. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Discordo da Ilustre Relatora, quanto ao acolhimento dos embargos de declaração, com efeitos infringentes, em relação à suscitada nulidade da decisão "a quo" sob o argumento de que o Colegiado da 2ª Turma da Quarta Câmara não se manifestou sobre o parecer jurídico apresentado depois da impugnação. O Decreto nº 70.235, de 6 d março de 1972, assim dispõe sobre o julgamento na instância administrativa: "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências." Quanto ao julgamento em segunda instância, assim dispõe, em seu art. 37: "Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno." No Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) não há determinação sobre quais matérias a Turma de Julgamento se deve manifestar literalmente. O parecer jurídico apresentado pelo contribuinte nada mais é do que o entendimento do seu autor quanto à matéria em litígio. Tratase de parecer produzido por advogado sob encomenda do contribuinte com o objetivo de reforçar seu entendimento quanto à matéria em litígio. Portanto, por mais fundamentado que esteja, não se trata de prova a suscitar o princípio da verdade material. Fl. 18003DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 9 8 Inexiste qualquer comando legal que obrigue o julgador se manifestar literalmente sobre todos os documentos carreados aos autos. O que não pode deixar de ser feito é a apreciação de provas e/ ou de matérias, objeto dos autos. Importante também esclarecer que o prazo para o contribuinte apresentar a sua defesa com os elementos de prova está prescrito nos art. 15, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 18004DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 10 9 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) É fato incontroverso que o parecer jurídico foi juntado aos autos de maneira intempestiva, portanto, de acordo com o art. 17, acima transcrito, tratase de matéria preclusa, cuja análise não é de cunho obrigatório às instâncias de julgamento. Esse também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se verifica da ementa do julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315 DF (2014/02570569), transcrita, a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (...). 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art.1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016)." Assim sendo, embora os Membros da 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF não tenham se manifestado de forma expressa sobre o parecer jurídico apresentado pelo contribuinte, depois da interposição da impugnação, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido e nem do Acórdão da DRJ que também não o considerou. Por todo o exposto, voto pelo acolhimento dos embargos, sem efeito infringentes, para esclarecer e informar que o julgador não está obrigado a manifestar sobre Fl. 18005DF CARF MF Processo nº 10283.003071/200421 Acórdão n.º 9303005.486 CSRFT3 Fl. 11 10 todos os documentos carreados aos autos, no presente caso, sobre parecer jurídico apresentado intempestivamente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 18006DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000313/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Art. 530, II, RIR/99.
A fiscalização tem o ônus de provar os fatos indicados como base para o arbitramento do lucro. Depoimentos de testemunhas desacompanhados de provas concretas de que a escrituração se revela imprestável não são suficientes a embasar o arbitramento. Uma expressiva omissão de receita pode ser um elemento corroborador do fato testemunhado e suficiente para justificar o arbitramento do lucro, no entanto no caso a receita omitida comprovada pela fiscalização ou é inexistente (ano 2005) ou insuficiente (ano 2006) para justificar o arbitramento.
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS POR EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO REAL. CABIMENTO.
A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999.
LIVROS COMERCIAIS (DIÁRIO E RAZÃO). PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO REAL.
A apuração do IRPJ e da CSLL advém do lucro líquido do exercício, que decorre do encontro de receitas e custos/despesas da contabilidade da empresa. Assim, as empresas optantes pelo lucro real (anual ou trimestral) devem ter contabilidade preparada de acordo com as normas contábeis, no máximo, até a data para apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL, que, no caso mais remoto da ocorrência do fato gerador, finda-se em 31 de março do ano subsequente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1401-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Art. 530, II, RIR/99. A fiscalização tem o ônus de provar os fatos indicados como base para o arbitramento do lucro. Depoimentos de testemunhas desacompanhados de provas concretas de que a escrituração se revela imprestável não são suficientes a embasar o arbitramento. Uma expressiva omissão de receita pode ser um elemento corroborador do fato testemunhado e suficiente para justificar o arbitramento do lucro, no entanto no caso a receita omitida comprovada pela fiscalização ou é inexistente (ano 2005) ou insuficiente (ano 2006) para justificar o arbitramento. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS POR EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO REAL. CABIMENTO. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. LIVROS COMERCIAIS (DIÁRIO E RAZÃO). PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO REAL. A apuração do IRPJ e da CSLL advém do lucro líquido do exercício, que decorre do encontro de receitas e custos/despesas da contabilidade da empresa. Assim, as empresas optantes pelo lucro real (anual ou trimestral) devem ter contabilidade preparada de acordo com as normas contábeis, no máximo, até a data para apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL, que, no caso mais remoto da ocorrência do fato gerador, finda-se em 31 de março do ano subsequente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10240.000313/2010-79
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805302
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-002.107
nome_arquivo_s : Decisao_10240000313201079.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 10240000313201079_5805302.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
id : 7045056
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735370113024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.067 1 2.066 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.000313/201079 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401002.107 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria LUCRO ARBITRADO. APREENSÃO DE DOCUMENTOS Recorrentes TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO. Art. 530, II, RIR/99. A fiscalização tem o ônus de provar os fatos indicados como base para o arbitramento do lucro. Depoimentos de testemunhas desacompanhados de provas concretas de que a escrituração se revela imprestável não são suficientes a embasar o arbitramento. Uma expressiva omissão de receita pode ser um elemento corroborador do fato testemunhado e suficiente para justificar o arbitramento do lucro, no entanto no caso a receita omitida comprovada pela fiscalização ou é inexistente (ano 2005) ou insuficiente (ano 2006) para justificar o arbitramento. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS POR EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO REAL. CABIMENTO. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. LIVROS COMERCIAIS (DIÁRIO E RAZÃO). PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO REAL. A apuração do IRPJ e da CSLL advém do lucro líquido do exercício, que decorre do encontro de receitas e custos/despesas da contabilidade da empresa. Assim, as empresas optantes pelo lucro real (anual ou trimestral) devem ter contabilidade preparada de acordo com as normas contábeis, no máximo, até a data para apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL, que, no caso mais remoto da ocorrência do fato gerador, findase em 31 de março do ano subsequente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 03 13 /2 01 0- 79 Fl. 2067DF CARF MF 2 Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra o acórdão nº 0120.546, proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.068 3 De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas de revenda de mercadorias. O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão (i) da falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração e (ii) da apresentação de documentos fiscais inidôneos. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício, qualificada e agravada, de 225 %. Extraio ainda do Termo de Verificação de Infração Fiscal que: [...] 5. JUSTIFICATIVA DAS PENALIDADES APLICADAS A conduta do sujeito passivo, conforme item 3., demonstra ânimo de fraude, pois inseriu elementos inexatos em seus livros fiscais, utilizandose de documentos inidôneos e/ou inexistentes, em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas, conforme declarado pela Gerente Administrativa, Contadora e outras pessoas com vínculos com a empresa e/ou sócios. Acrescentese, por relevante, que tais fatos estão também inseridos em contexto de declaração falsa do efetivo valor pago por mercadorias importadas, conforme autos da “Operação Titanic” e respectivos processos compulsados, já informado no item 3.2.2 deste Termo. Simultaneamente, procurou omitir e ocultar, de forma deliberada, o conhecimento do Fisco em relação a fatos geradores de tributos, adotando conduta dissimulada ao declarar apreensão de documentação/escrituração contábil, por parte de autoridade policial/judicial. Ressaltese que as Intimações continham orientações claras para a empresa caso realmente estivesse apreendida a escrituração/documentação pendentes de entrega à Fiscalização solicitar cópias às autoridade policial/judicial. Porém, tal providência foi sequer tentada pela empresa. Assim, está perfeitamente justificada a imposição de multa qualificada e gravada, conforme previsão no § 2° do art. 44 da Lei 9.430/1996. [...] 7. CONCLUSÕES As provas obtidas e constantes do Processo do qual faz parte este Termo, permitiram concluir que: 1. A melhor base de cálculo possível de ser utilizada como receita bruta no arbitramento é aquela que o próprio sujeito passivo declarou ao Fisco Estadual, conforme Anexo II a este Termo, haja vista o interesse da própria empresa em assim proceder, em função de Termo de Acordo com aquele Fisco, no Fl. 2069DF CARF MF 4 sentido de obter beneficio fiscal no ICMS devido na saída das mercadorias. Também, pela ampla legislação que alicerça o aproveitamento da receita declarada pelo contribuinte ao Fisco Estadual, para sustentar o lançamento de oficio pelo Fisco Federal. Relativamente aos Códigos Fiscais de Operação (CFOP), informados na GIAM/ICMS e adotados como base de cálculo no auto de infração do qual faz parte este Termo, ressaltese que, devido às declarações da própria Gerente Administrativa, da Contadora e outras duas pessoas com vínculos com a empresa e/ou sócios da empresa fiscalizada, foram considerados também como tributáveis aqueles relativos às operações de remessas para demonstração/exposição/conserto. 2. O método adotado para apurar a base de cálculo dos tributos devidos sobre o lucro, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, foi o “arbitramento do lucro” haja vista estar perfeitamente configurada as hipóteses previstas no art. 530 do Decreto 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), ou seja, em 2005 e 2006 a escrituração apresentada foi desconsiderada, por inservível para apurar lucro real e, em 2007, não foi apresentada escrituração alguma. O montante de IRPJ calculado como devido por arbitramento teve compensado os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF, de acordo com os períodos consignados nas declarações (jan/ago/set/out/dez 2006 e jul/ago/set 2007). Em função do arbitramento do lucro, fica o contribuinte cientificado das providências a serem adotadas para as correções necessárias no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). 3. As Contribuições Sociais apuradas pela pessoa jurídica originalmente no regime nãocumulativo, em razão da opção de apuração do Imposto de Renda com base no lucro real formalizada e demonstrada através da entrega da DCTF passam, em função do arbitramento de oficio do Imposto de Renda, a serem devidas no regime cumulativo no período objeto de arbitramento. Da mesma forma que o IRPJ, foram compensados os valores das Contribuições declaradas em DCTF, porém limitados aos valores calculados como devidos e no período em que houve tal declaração (janeiro/2006). 4. Caracterizouse a necessidade de aplicação de multa qualificada e agravada, conforme devidamente explicado no Item 5. deste termo, haja vista a conduta da empresa ao utilizar documentos fiscais inidôneos em sua escrituração, assim como deixar de atender diversas intimações, evidenciando descaso premeditado com a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, não se vislumbrando outra intenção senão atrasar e embaraçar a continuidade do procedimento fiscal. 5. Tipificouse a responsabilidade solidária do sócio ADRIANO MARIANO SCOPEL, pois as declarações por escrito de sua Gerente Administrativa foram no sentido de que as Notas Fiscais inidôneas, geralmente adquiridas de terceiras pessoas sem a efetiva contraprestação de fornecimento de bens e/ou serviços, Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.069 5 tinham como objetivo justificar pagamentos feitos com cheques da empresa TAG Importação e Exportação de Veículos Ltda, relativos a bens/despesas cujo beneficiário real era somente a pessoa física do sócio. A responsabilidade solidária foi materializada em Termo de Responsabilidade Solidária. [...] O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 19/03/2010 (fls. 78). Também foi responsabilizado pelo cumprimento da obrigação tributária o sócio da pessoa jurídica, ADRIANO MARIANO SCOPEL, CPF 076.693.60747, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001 (fls. 7980), entregue em 20/03/2010 (fl. 81). O responsável solidário apresentou sua impugnação em 22/04/2010 (fls. 305341), na qual alega em síntese que: Do arbitramento 1. A fiscalização desconsiderou a contabilidade da empresa com base apenas nos depoimentos de FERNANDO COUTO, MAURENICE GONZAGA, ALDENIR PORTELA e FABIANO FURTADO, constantes do inquérito policial, sem sequer se preocupar com a veracidade das informações destes; 2. Os depoimentos foram colhidos sem assistência de advogado, o que por si derruba todo o lançamento vez que se os depoimentos, prestados sem inquérito e sem observância do contraditório, são imprestáveis para respaldar a condenação criminal (art. 155 do CPP), também são imprestáveis para respaldar o lançamento tributário; 3. O arbitramento só é válido se for efetuado na forma do art. 148 do CTN; 4. O arbitramento é um procedimento excepcional que só pode ser utilizado quando os documentos e informações prestados pelo contribuinte não mereçam credibilidade. O que não ficou demonstrado. Ao contrário, as informações fornecidas ao fisco estadual foram utilizadas para fundamentar o lançamento; 5. Ademais, a maioria dos interrogatórios prestados só dá conta de irregularidades na emissão de algumas notas fiscais específicas. Assim, se admitido o arbitramento, ele só deveria abranger os períodos onde ocorreram as supostas irregularidades; 6. Por tais razões, o arbitramento, assim como o Termo de Responsabilidade Solidária, deve ser declarado nulo; Da multa de ofício Fl. 2071DF CARF MF 6 7. Meros depoimentos prestados em fase de inquérito, desacompanhados de advogados, e durante o período de prisão temporária do depoente, não servem para comprovar a fraude que motivou a qualificação da multa (150%); 8. Uma vez que os documentos solicitados ao contribuinte foram apreendidos por ordem da Justiça Federal, era ônus do fisco diligenciar os órgãos federais competentes a fim de obter a referida documentação, nos termos do art. 37 da Lei n 9.784/99. Razão porque descabido o agravamento da multa; 9. O arbitramento também não autoriza o agravamento da multa; 10. O conselho de contribuintes afirma não ser insuficiente para justificar o agravamento a circunstância do contribuinte deixar de apresentar tempestivamente os livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória; 11. A insuficiência da resposta do contribuinte não justifica o agravamento da multa, nos moldes pretendidos pela exação; Do regime de apuração do IRPJ e das contribuições 12. A desconsideração da opção do contribuinte pelo Lucro Real e a transferência ao regime da nãocumulatividade do PIS e COFINS, desrespeita o art. 24 da Lei nº 9.249/95; Da bitributação 13. Mesmo que se admita que as mercadorias (carros) constantes das notas fiscais de saída para demonstração, exposição e conserto, não retornariam ao contribuinte, não se pode tributar estas operações, sob pena de tributar duas vezes o mesmo fato, porque no momento da venda dessas mercadorias era emitida uma nova nota fiscal de revenda da mercadoria. O contribuinte encaminhou, por via postal, sua impugnação ao lançamento (fls. 424473), em 22/04/2001 (fls. 824825), na qual, em outras palavras, apresenta os mesmos argumentos do responsável solidário e ainda acrescenta: Do arbitramento 14. Ficara impossibilitada de apresentar os documentos solicitados em razão da apreensão destes determinada pela Justiça. Que pediu restituição da coisa apreendida, todavia esta ainda se encontra em poder da Justiça Federal do Espírito Santo; 15. Não há nos autos a expressa motivação para a desconsideração da documentação contábil da recorrente; 16. No caso de considerar inaproveitáveis os documentos apresentados pela recorrente, caberia à fiscalização utilizarse de outros documentos e diligências para demonstrar a imprestabilidade da escrituração contábil; 17. A provas obtidas em interrogatórios policiais não podem ser utilizadas para outras finalidades que não as penais; Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.070 7 18. O inquérito policial utilizado fundamentar o lançamento está sedimentado em dados coletados em interceptações telefônicas, cuja utilização é restrita à investigação criminal e instrução penal; 19. Não há provas que as mercadorias saídas para demonstração/exposição/concerto foram, de fato, comercializadas; Da multa de ofício 20. A multa aplicada viola é inconstitucional pois viola os princípios do não confisco e da proporcionalidade; 21. Não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação na conduta da recorrente; 22. O arbitramento do lucro e aplicação simultânea da multa representa uma “dupla penalidade”; Dos juros moratórios 23. As taxas de juros SELIC cobradas são inconstitucionais por ofenderem os princípios da legalidade, da isonomia e da segurança jurídica. Ilegais, por estarem definidas em circulares do BACEN. Antiisonomicas, por não permitir que os contribuintes deixem de pagar imposto para aplicar no mercado, o que é um erro pois muitos não pagam o imposto porquê não tem recursos. Inseguras, por serem modificadas de acordo com as conveniências do Executivo; Da instrução processual 24. Pede (i) prazo de 60 dias para apresentar dos documentos mencionados na impugnação e (ii) nomeação de perito contábil para analisar os documentos apresentados. É o relatório. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, esta proferiu o acórdão nº 0120.546 (fls. 859/878), cancelando os créditos tributários relativos a 2005 e 2006 e mantendo o auto de infração relativo a 2007, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo Fl. 2073DF CARF MF 8 constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei nº 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, mormente quando do exercício do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida necessária quando o contribuinte, sob intimação, não apresenta os livros exigidos para apuração do lucro real ou presumido, conforme o caso. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa do contribuinte de omitir suas receitas tributáveis, com o fim de impedir, ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, devese aplicar a multa qualificada sobre os tributos decorrentes da receita omitida. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a majoração da multa de ofício pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, não presta os esclarecimentos necessários para o bom andamento do procedimento fiscal. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos empregados, prepostos, procuradores, diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorrem de infração dolosa à lei ao tempo que aqueles exerciam poderes de gestão sobre as atividades desta. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. VEDAÇÃO. As empresas tributadas com base no lucro arbitrado não se submetem ao regime da nãocumulatividade, instituído pela Lei nº 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. VEDAÇÃO. As empresas tributadas com base no lucro arbitrado não se submetem ao regime da nãocumulatividade, instituído pela Lei nº 10.637/2002. Impugnação Procedente em Parte Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.071 9 Crédito Tributário Mantido em Parte Intimados a empresa em 1o de abril de 2011, uma sextafeira (fl. 889) e o responsável solidário em 4 de abril de 2011 (fl. 890), ambos apresentaram Recurso Voluntário conjunto em 3 de maio de 2011 (fls. 1.7781.801), reiterando os fundamentos da impugnação. Em 8 de agosto de 2013 esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, considerando que, não obstante o argumento da empresa de que estava impossibilitada de fornecer as informações requeridas pela Autoridade Fiscal em razão da apreensão de diversos documentos por parte da Polícia Federal, decorridos vários anos é muito provável que todos os documentos apreendidos já tenham sido devolvidos (Resolução nº 1401 000.260, fls. 1.9081.926). Assim, foi proposto que o presente processo retornasse à unidade de origem, para adoção das seguintes providências: a) Verificar, junto ao recorrente e/ou junto ao Poder Judiciário, se todos os documentos apreendidos pela Justiça Federal já foram devolvidos ao contribuinte. Caso tais documentos ainda não tenham sido devolvidos, deve a autoridade diligenciante empreender novos esforços junto ao Poder Judiciário, visando disponibilizar os referidos documentos ao contribuinte; b) Confirmada a disponibilidade dos aludidos documentos, deve a autoridade diligenciante intimar o contribuinte a, no prazo de 30 dias, apresentar a escrituração contábil e fiscal completa referente ao anocalendário de 2007, colocando à disposição do Fisco toda a documentação que embasou a referida escrituração; c) Após a análise da escrituração contábil e fiscal da recorrente, deve a autoridade diligenciante elaborar relatório circunstanciado, informando se a escrituração e a correspondente documentação apresentada pelo contribuinte são suficientes para a apuração do lucro real relativo ao ano calendário de 2007. Caso a escrituração/documentação seja considerada imprestável para esta finalidade, deve a autoridade diligenciante informar os motivos que impedem a apuração do lucro real (consoante a legislação vigente à época dos fatos); d) Dar ciência do citado relatório ao contribuinte, concedendo lhe o prazo de 20 dias para se manifestar acerca das conclusões do relatório fiscal. Após diversas tentativas infrutíferas de intimar a empresa por via postal e eletrônica, bem como realizadas as diligências perante a Justiça Federal visando a esclarecer a situação dos documentos apreendidos, o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.9531.962) concluiu o seguinte: 30. Ante o exposto, tendo em conta todas as tratativas realizadas perante a Justiça Federal (SJ/ES) na busca de se fazer um levantamento acerca da atual situação de todo o material apreendido em poder da empresa, sendo esgotados todos os esforços ao alcance da Fiscalização Tributária e considerando a inércia da contribuinte, durante todo o período de diligência, Fl. 2075DF CARF MF 10 não atendendo as intimações a ela endereçadas, nem, ao menos, se pronunciando acerca do teor das mesmas, entendese, salvo melhor juízo, que restou prejudicado o exame da escrituração contábil e fiscal da recorrente (ref. AC/2007), nos termos em que demandados na alínea c) do Voto Vencedor (Resolução nº 1401 000.260 – 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária); dandose, assim, por encerrada a presente Diligência, ao tempo em que se submeter a matéria, novamente, à apreciação da colenda 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, nos autos do Processo nº 10240.000313/201079, para providências julgadas cabíveis. A empresa e o responsável foram intimados do Relatório de Diligência (fls. 2.0592.063), porém não se manifestaram. Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de maio de 2017. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Recurso de Ofício A DRJ cancelou os autos de infração referentes aos anos calendários de 2005 e 2006 em função de não restar configurada a hipótese de arbitramento do lucro. O arbitramento do lucro referente aos anoscalendário de 2005 e 2006 teve por base o artigo 530, II, do RIR/99 e foi fundado na imprestabilidade da escrituração para identificar a movimentação financeira e determinar o lucro real. Extraise do Termo de Verificação Fiscal as razões pelas quais a fiscalização entendeu que a escrituração referente aos anos calendário de 2005 e 2006 eram imprestáveis: Os depoimentos de testemunhas que afirmaram ter havido a escrituração de despesas inexistentes, subfaturamento de vendas nos documentos fiscais e simulação do retorno das mercadorias saídas sob o CFOP 6912, 6914 e 6915 (remessas para demonstração, exposição ou reparo); A significativa diferença entre a receita declarada ao Fisco Estadual, por meio da Guia de Informação e Apuração Mensal do ICMS e Guias de Liberação de Mercadorias Estrangeiras e a receita declarada ao Fisco Federal; A falta de comprovação dos eventuais serviços prestados nas operações de saídas de “remessa para teste”. Em relação à impossibilidade de arbitramento do lucro referente aos anos calendário 2005 e 2006, transcrevo abaixo e acolho os fundamentos da decisão recorrida mantendo o cancelamento do auto de infração neste particular, por ausência de provas contundentes do quanto alegado pela fiscalização: Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.072 11 A respeito das despesas do sócio da pessoa jurídica, não foi apresentada pela fiscalização qualquer outra prova material (notas fiscais, recibos, etc.), além das provas testemunhais, que permitam assegurar a ocorrência do ilícito, menos ainda mensurar o impacto da irregularidade na determinação do lucro real. É que, para desprezar a escrituração fiscal com base nesse argumento, é imprescindível que se demonstre que a recorrência da irregularidade é de tal monta que torne impossível a apuração do resultado do exercício. O que definitivamente não restou demonstrado nos autos. No que tange a simulação das saídas de mercadorias para demonstração, exposição ou reparo, também não há provas materiais do ocorrido, além das provas testemunhais. A falta de atendimento da intimação para justificar as saídas de “remessa para teste” não serve de prova da comercialização da mercadoria. Leva no máximo a falta de comprovação da operação, deixando incerto a efetividade ou a natureza da operação. Assim, sendo a venda de mercadoria um fato que aproveita ao fisco, fica ao encargo deste o ônus de sua comprovação. Do contrário, estarseia imputando ao sujeito passivo o ônus de provar a inexistência de um fato não comprovado, uma verdadeira prova diabólica. Outrossim, de acordo com a razão social da empresa “TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA”, parece que a principal atividade do sujeito passivo é a comercialização de veículos importados. De efeito, não parece razoável que haja vendas dos veículos sem as respectivas notas fiscais de venda, quando, salvo melhor juízo, o registro do veículo tem como requisito a apresentação destes documentos. O subfaturamento das notas fiscais, em si, também não está comprovado. Todavia, uma expressiva omissão de receita pode ser um elemento corroborador do fato testemunhado e suficiente para justificar o arbitramento do lucro. Ocorre que receita omitida comprovada pela fiscalização é inexistente (ano 2005) ou insuficiente (ano 2006) para justificar o arbitramento. É o que se depreende da análise da Tabela 1: Assim, pelas razões acima considerase não comprovada a imprestabilidade da escrituração fiscal do contribuinte, relativa aos anoscalendário 2005 e 2006, e, portanto, insubsistente o arbitramento do lucro referente a estes períodos. Fl. 2077DF CARF MF 12 Por conseguinte, a exigência dos créditos de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário 2005 e 2006, deve ser considerada improcedente por erro na identificação da base de cálculo do fato gerador do lançamento. Deixase de apreciar os demais argumentos relacionados à imprestabilidade da escrituração por haverem perdido seu objeto. Diante desses fundamentos, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Ressalto que, embora se trate de um recurso interposto em conjunto pela empresa e o responsável solidário (art. 124, I do CTN cf. fl. 81), este contempla argumentos de defesa em favor de ambos. O arbitramento do lucro relativo ao ano calendário de 2007 teve por base o artigo 530, III, do RIR/99, sendo fundamentado na falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. A DRJ manteve o arbitramento sob o argumento de que a Recorrente não fez prova da apreensão judicial de seus livros. No entanto, compulsando os autos (fls. 112 a 150), verificase o cumprimento de várias ordens judiciais emanadas pelos Mandados de Busca e Apreensão direcionados à Recorrente, seus sócios e outras pessoas jurídicas a ela relacionadas. Todos os Mandados de Busca e Apreensão tiveram por escopo a busca e apreensão de documentos e tudo o mais quanto tenha relação com os crimes em apuração (crime de evasão de divisas, contra o sistema financeiro nacional, de falsidade ideológica, contra a ordem tributária a incolumidade pública e a fé pública, além da lavagem de bens e capitais). Conforme pode ser constatado do Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, às folhas 114 a 118, foi apreendido o seguinte material na sede da Recorrente: 1. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD800, S/N, WMAM9A646138, 80 0 GB (SERVIDOR); 2. Disco rígido, marca Samsung, Modelo SP0411N PZZCVAN1A70777, 40 0 GB (computador Fernado Operacional); 3. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD800, S/N, WMAM9A646138, 80 0 GB (gaveta externa computador Fernando); 4. Disco rígido, marca Samsung, modelo SP0411N, S/N, PZZCX5N1B70232, 40 0 GB (computador Rodolfo). 5. Disco rígido, marca Maxtor, modelo STM38021SAS, S/N: 60Z3RNZN, 60 0 GB (computador Marcos Vinícius operacional); 6. Disco rígido, marca Samsung, modelo SP08002N, S/N, PZCDY9D1C40089, 80 0 GB (computador Denise); Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.073 13 7. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD740, S/N, WMAKE 1881611, 74.3 GB (computador Adriano – conectado); 8. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD800, S/N, WMAMD1609715, 80 0 GB (computador Adriano Desconectado); 9. Disco rígido, marca Maxtor, modelo diamondmax plus 8, S/N E13Q922E, 40.0 GB (computador Maurenice – Financeiro;) 10. Disco rígido, marca Maxtor, modelo 6V080E0, S/N, V221PVG, 80.0 GB (computador Maurenice Financeiro); 11. 05 (cinco) caixas arquivo contendo processos de importação da empresa TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. (SALA OPERACIONAL); 12. Caixa de CD contendo 04 (quatro) CDRs (com um deles contendo a inscrição GLOBAL); 13. Pendrive Kingston, modelo DTI/1GB, capacidade de 1GB, com numeração CN 05250704183301 A00LF; 14. 11 (onze) fichários contendo diversas notas fiscais da empresa TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (sala operacional); 15. 3 (três) fichários contendo documentos diversos (sala operacional); 16. 01 (uma) caixa arquivo contendo notas fiscais e documentos diversos (sala operacional); 17. 01 (uma) pasta contendo certificados de veículos diversos (sala operacional); 18. 01 (uma) pasta contendo comprovantes de depósitos e documentos diversos (sala operacional); 19. 01 (uma) caixa arquivo contendo notas fiscais diversas (emitidas para empresa TAG) e documentos diversos (sala operacional); 20. 04 (quatro) caixas arquivo contendo documentos diversos de importação (sala operacional); 21. 09 (nove) caixas arquivo contendo documentos diversos de importação, referentes a comprovantes de importação, processos de veículos, comprovantes de pagamentos de compradores, comprovantes de operações de câmbio e demais documentos referentes a importação de diversos produtos (sala operacional); 22. 05 (cinco) caixas arquivo, com documentos retirados do arquivo (móvel de aço com pastas suspensas) da sala da Maurenice, contendo comprovantes de pagamento, comprovantes de depósitos em conta, emissão de TED para outras contas e gastos em geral; Fl. 2079DF CARF MF 14 23. 06 (seis) caixas arquivo, com documentos retirados da sala da Maurenice, contendo comprovantes de pagamento, comprovantes de depósitos em conta, emissão de TED para outras contas, boletos bancários emitidos pela empresa TAG, relatórios de notas e demais despesas, processos de importação, cópias de cheques emitidos e gastos em geral. Pela relação de materiais e documentos descrita no Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, é possível verificar que a Recorrente restou impossibilitada de realizar sua escrituração em relação ao ano calendário de 2007, tendo em vista que foram apreendidos documentos que revelavam a receita da empresa (notas fiscais), os seus custos e suas despesas (documentos de importação, comprovantes de pagamento, de emissão de TED, de depósitos). Fazse necessário destacar que a busca e apreensão de todo material relacionado acima ocorreu em 07.04.2008, data em que a empresa poderia não ter finalizado a escrituração contábil conforme as regras definidas pela legislação de regência, referente ao ano calendário de 2007, evento que a todo momento foi ressaltado pela empresa durante o processo de fiscalização. Neste ponto, incumbe ressaltar que a legislação não prevê data limite para elaboração da escrituração contábil (Livro Diário e Razão). Entretanto, como na DIPJ deve ser informado o número das folhas do Livro Diário em que o balanço estaria transcrito, o número do próprio Livro Diário, bem como o número de registro do Livro, concluise que os livros deveriam estar escriturados até o prazo de entrega da DIPJ (apesar de não haver norma específica determinando esse prazo). O prazo de entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2007, exercício 2008, era até o último dia útil do mês de junho de 2008 (art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 849/2008). É dizer: no dia da apreensão dos documentos a empresa poderia não ter concluído sua escrituração contábil. Diante dessa situação, quando a Recorrente foi intimada do Termo de Início de Fiscalização (07.08.2008 – fl. 86), alertou à Autoridade Fiscal (fl. 91) que estava sendo investigada pela Polícia Federal e que foram apreendidos diversos documentos desta empresa tais como livros fiscais, notas fiscais e dados utilizados para elaboração de documentos contábeis (inclusive HD´S – onde acreditamos estarem as informações que V.Sa almeja), ainda encontramse apreendidos em depósito judicial, motivo pelo qual pleiteouse, perante o mesmo juízo, dois incidentes de RESTITUIÇÃO DE COISA APREENDIDA, respectivamente sob os números 2008.50.01.0094563 (requerente Adriano Scopel – Doc. 02) e 2008.50.01.0131894 (requerente TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. Doc. 03). Apesar do pleito, a Recorrente não obteve êxito na restituição de coisa apreendida, e, assim, os documentos e materiais apreendidos continuaram no processo investigativo. Empenhandose na fiscalização que ensejou a lavratura dos autos de infração em discussão, a Autoridade Fiscal expediu Ofício de nº 038/2009/GAB/DRF/PVO, no qual requereu à Procuradora da República com o objetivo de imprimir celeridade aos procedimentos, otimizando tempo e força de trabalho, e, ainda, proporcionar maior certeza relativamente à identificação de omissão de receitas, de bens para arrolamento e de sujeitos passivos solidários, solicitados a Vossa Excelência verificar a possibilidade junto à Justiça federal no Espírito Santo de serem fornecidas cópias dos documentos contábeis/fiscais Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.074 15 apreendidos de interesse ao escopo da Fiscalização, bem como os respectivos arquivos digitais, relativos ao período de 2005 a 2007 (fls. 164 e 165). Em resposta ao pleito da Autoridade Fiscal, o Ministério Público requereu à d. Juíza que fosse autorizado à Delegacia da Receita Federal em Porto VelhoRO a obtenção de cópias dos documentos contábeis/fiscais, bem como dos respectivos arquivos digitais, apreendidos na empresa TAG IMP. EXP. LTDA, na ocasião do cumprimento dos mandados de busca e apreensão expedidos no bojo dos autos do IPL 138/2008 (tal como requerido no ofício em anexo), para fins de subsidiar eventuais procedimentos administrativos fiscais que, futuramente, poderão também contribuir com as investigações levadas a efeito nos presentes autos (fl.167). Em despacho exarado na própria petição, o Juiz federal Pablo Coelho Charles Gomes deferiu o requerimento em 30.03.2009. Assim, dando andamento à Fiscalização, os Auditores Fiscais Pedro Eugênio Barbosa Machado e Nemer Bosco Damous compareceram na Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado do Espírito Santo e, conforme consta no Ofício nº 95/2009/GAB/DRF/PVO (fl. 176), compulsaram os autos do Processo acima referenciado, no período de 18 a 21 de maio de 2009, com o objetivo de verificar documentos que possam constituir provas de infrações fiscais. E, analisando os autos, solicitaram a obtenção de cópias para conclusão dos trabalhos fiscais, conforme se verifica do pleito transcrito (fl. 176): 2.A análise documental realizada pelos Auditores Fiscais, relativamente à pessoa jurídica domiciliada no Estado de Rondônia, resultou na tabela anexa onde estão relacionadas as folhas dos respectivos Processos cujas cópias seriam de grande importância à conclusão dos trabalhos de auditoria fiscal. 3. Assim, com o objetivo de racionalizar os procedimentos administrativos decorrentes, solicitamos ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES designar servidor para comparecer a essa Vara para receber tais documentos e enviar para esta Unidade. A extração das cópias solicitadas na fl. 177 foi deferida (fl. 179). Em prosseguimento à Fiscalização, a Autoridade Fiscal intimou a Recorrente a apresentar as Guias para Liberação de Mercadorias Estrangeiras sem Comprovação de Recolhimento do ICMS – GLME (Termo de Intimação nº 004, fl. 210) e comprovar, mediante documentação fiscal hábil e idônea, o histórico das contas a seguir: Adiantamentos a Fornecedores, Custo das Mercadorias Importadas Revendidas, Outros Custos com Importação, Serviços Prestados por Terceiros, Despesa com Pessoa, Revenda de Mercadorias Importadas, relativas aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. Em resposta, a Recorrente alertou que os documentos solicitados do ano calendário 2007 não poderão ser encaminhados devido à retenção dos documentos contábeis em Ação da Polícia Federal (ocorrido em ABRIL/2008) e que até o momento não foram devolvidos a empresa. O mesmo se procede com as notas fiscais de ENTRADA e SAÍDAS de Fl. 2081DF CARF MF 16 2005/2006 e 2007 que também foram retidas na referida ação fiscal e até o momento não foram devolvidas (fl. 218). Diante da referida resposta, a Autoridade Fiscal encaminhou o Ofício nº 306/2009/GAB/DRF/PVO ao Juiz Federal da 1ª Vara Criminal da Seção Judiciária do Espírito Santo, informando e solicitando (fls. 225 e 226): Meritíssimo Juiz, Conforme observado nos documentos referenciados, os Auditores Fiscais responsáveis pela condução de ação fiscal na empresa TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA., compulsaram autos de Processos e formularam relação para obter cópias de documentos que poderiam subsidiar/constituir provas de infrações fiscais. Durante os trabalhos de auditoria fiscal, constatouse omissão de receita à tributação. No entanto, o quantum devido depende do regime de tributação a ser observado no caso concreto (art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000, de 26/03/1999). Acontece que empresa sob fiscalização reiteradamente declara ser impossível atender às intimações pare entregar parte da escrituração contábil/fiscal e o total das notas discais, haja vista que tais documentos foram objeto de apreensão e que teria solicitado a restituição – inclusive para atender às Intimações da Receita Federal , conforme Processo 2008.50.01.0131894. Por ocasião da estada dos Auditores Fiscais nesta Vara Criminal tal Processo não foi compulsado, vez que já estava “baixado” – conforme se pode observar na “consulta processual”. Isto posto, solicitamos a V.Exa mandar informar se persiste a apreensão dos Livros Diários e Razão (2007) e, especialmente, Notas Fiscais emitidas pela e para a empresa sob fiscalização. Caso positivo, solicitamos que seja indicado o local onde tais documentos se encontram para que possamos deslocar Auditor Fiscal com o objetivo de obter cópias, haja vista a proximidade de que tais fatos geradores sejam fulminados pela decadência. Caso negativo, solicitamos informação a respeito da data de devolução e a qualificação do responsável pelo recebimento para que possamos adotar as providências cabíveis em relação à empresa fiscalizada. Em cumprimento ao Ofício nº 306/2009/GAB/PVO, o Ministério Público Federal encaminhou cópia do Relatório de Análise de Documentos e Mídias apreendidas na sede da empresa Recorrente, conforme se verifica na folha 230. O Relatório de Análise de Documentos e Mídias (fls. 234 a 267) detalha alguns documentos relativos ao ano de 2007 e ressalta que diversos documentos, principalmente mídias digitais, foram encaminhados para perícia e não consta qualquer menção do conteúdo de tais arquivos. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.075 17 Não houve mais tentativa de obtenção das informações relativas ao ano calendário de 2007, lavrandose, em seguida, o Auto de Infração. Diante do conjunto probatório que pôde ser analisado, verificase que a Recorrente, perante a apreensão de todos os documentos relacionados no Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, às folhas 114 a 118, estava impossibilitada de realizar a escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007, uma vez que foram apreendidos documentos que revelavam a receita da empresa (notas fiscais), os seus custos e suas despesas (documentos de importação, comprovantes de pagamento, de emissão de TED, de depósitos). Verificase, ainda, que a Recorrente diligenciou e tentou obter tais documentos por meio de Restituição de Coisa Apreendida, sendo obstada pelo juízo. Neste cenário, não vislumbro a possibilidade de a Recorrente cumprir com as exigências fiscais, já que estava, por determinação judicial, impossibilitada de realizar sua própria escrituração contábil relativa ao anocalendário de 2007. Lado outro, a Autoridade Fiscal tentou diligenciar para obter os documentos relativos ao ano calendário de 2007 perante o juízo criminal. Entretanto, não conseguiu acessar os autos que, conforme relata no Ofício nº 306/2009/GAB/DRF/PVO, o processo “estava baixado”. Em função disso, solicitou informações ao Juiz sobre os documentos relativos ao anocalendário de 2007. Em resposta, obteve acesso apenas ao Relatório de Análise de Documentos e Mídias (fls. 234 a 267) que detalha diversos documentos e afirma que as mídias estavam em procedimento de perícia. É dizer: a Recorrente comprovou que a documentação necessária à escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007 fora apreendida. Comprovou, ainda, sua intenção em obtêlas mediante procedimento de restituição de coisa apreendida, que fora indeferido. Diante desse cenário, questiono: qual seria o procedimento a ser adotado pela Recorrente que teve sua documentação, bem como mídias digitais apreendidas e não restituídas durante a fiscalização? Penso que as Autoridades Fiscais deveriam ter se empenhado em acessar a documentação apreendida, o que foi franqueado pelo juízo criminal. Ocorre que no comparecimento à Vara Criminal não conseguiram acessar os autos. Deveriam, então, se esforçar para alcançar essa documentação e não simplesmente arbitrar o lucro da Recorrente pelo fato de o processo não se encontrar na Vara quando da presença dos auditores. Não se trata, assim, de beneficiamento da Recorrente em razão de sua própria torpeza, até porque, se houve torpeza, esta não foi da Recorrente que buscou judicialmente reaver os documentos mas teve o pedido indeferido mas da fiscalização que teve franqueado o acesso aos documentos mas não se empenhou em seu acesso. Poderseia, ainda, alegar que, diante da situação narrada, a Recorrente deveria realizar o auto arbitramento para apurar sua própria base de cálculo, já que estava sem acesso a seus documentos contábeis? Penso que não. Primeiramente porque é direito do contribuinte ver o imposto sobre a renda incidindo sobre a verdadeira grandeza do seu aumento patrimonial e, havendo possibilidade de ser determinado e comprovado, o lucro real deve servir de base de cálculo para apuração do imposto sobre a renda. Dessa forma, não há como admitir que, nessa situação, o contribuinte Fl. 2083DF CARF MF 18 deveria ser obrigado a arbitrar o seu lucro, sem que tenha concorrido para qualquer causa de arbitramento. Ademais, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99) apenas prevê a possibilidade de auto arbitramento na hipótese de ser conhecida a receita bruta, conforme se depreende dos artigos citados abaixo: CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Arbitramento pelo Contribuinte Art.531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§1ºe 2º, e Lei nº9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano calendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. Além de a hipótese de auto arbitramento ter como requisito o conhecimento da receita bruta, o artigo do RIR/99 que especifica a base de cálculo do arbitramento quando não conhecida a receita bruta impõe sua determinação por meio de procedimento de ofício. Confirase: Base de Cálculo quando não conhecida a Receita Bruta Art.535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº8.981, de 1995, art. 51): Assim sendo, entendo incabível o auto arbitramento já que os documentos comprobatórios da receita bruta estavam apreendidos na investigação policial. Improcede, também, o arbitramento por meio do lançamento de ofício quando o contribuinte estava impossibilitado de fornecer as informações requeridas pela Autoridade Fiscal. Caberia, portanto, aos Auditores persistirem para obtenção dos documentos e mídias apreendidos e realizar a fiscalização e apuração do lucro real da Recorrente. Apenas após acessar toda documentação apreendida e caso ficasse comprovada a impossibilidade de apuração do lucro real, seria cabível o arbitramento. Isso porque, sendo o arbitramento uma medida extrema, deve ser cabalmente comprovada a impossibilidade da apuração do lucro real da empresa, em uma detida busca da verdade material, consubstanciada por um conjunto probatório que afaste a possibilidade de ser alcançado. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.076 19 Por fim, vale observar que a possibilidade de que os documentos apreendidos eventualmente possam ter sido devolvidos à empresa após a autuação, conforme se buscou apurar por ocasião da conversão do julgamento em diligência nos termos da Resolução deste CARF 1401000.260, não descaracteriza o fato de que, à época da autuação fiscal, a empresa estava impossibilitada de mostrar seus documentos e, portanto, a hipótese do artigo 530, III, do RIR/99 não pode ser aplicada. Por consequência, voto pela procedência do recurso voluntário, cancelando se os autos de infração para exigência de CSLL, PIS e COFINS. Conclusão Ante o exposto, voto por julgar improcedente o recurso de ofício e procedente o recurso voluntário, cancelando o auto de infração em análise. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado. Em pese o voto da I. Conselheira Livia de Carli Germano, peço venia para dela divergir quanto à sua proposta de dar provimento ao recurso voluntário em relação ao ano calendário de 2007. A recorrente optou pela apuração do lucro real, conforme informações contidas nas DCTFs entregues em época própria. A fiscalização, por sua vez, arbitrou o lucro da recorrente em razão da falta de apresentação, pela recorrente, dos livros comerciais (Diário e Razão) do anocalendário de 2007, o que teria violado o artigo 530 do RIR/99, mais especificamente o disposto no inciso III. Veja: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A recorrente alegou que os livros Diário e Razão não estavam em sua posse no momento em que a fiscalização os solicitou, uma vez que já havia ocorrido a busca e apreensão pela Polícia Federal datada de 07/04/2008 . Fl. 2085DF CARF MF 20 Desta forma, o que se deve verificar é o seguinte: i) A Polícia Federal realmente apreendeu os livros Diário e Razão da recorrente? ii) Caso negativo, a empresa já deveria ter preparado os livros Diário e Razão da recorrente no momento da busca e apreensão de documentos que seriam utilizados para efetuar a contabilização dos livros Diário e Razão? Pois bem. Como se vê no voto vencido, a I. relatora afirma que a impossibilidade da realização da escrituração se deve ao fato de que os documentos (exceto os livros contábeis) que davam suporte à citada contabilização haviam sido apreendidos. Assim, podese concluir que os livros Diário e Razão não estavam preparados no momento da busca e apreensão, ou, se estavam, não foram apreendidos. Veja: Pela relação de materiais e documentos descrita no Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, é possível verificar que a Recorrente restou impossibilitada de realizar sua escrituração em relação ao ano calendário de 2007, tendo em vista que foram apreendidos documentos que revelavam a receita da empresa (notas fiscais), os seus custos e suas despesas (documentos de importação, comprovantes de pagamento, de emissão de TED, de depósitos). A própria defesa da recorrente indica que não houve apreensão dos referidos livros comerciais, o que me leva a ter certeza de que os livros não estavam preparados na data da busca e apreensão, qual seja, em 07/04/2008. Ultrapassado isto, o que se deve buscar é se a empresa já deveria estar de posse dos livros contábeis no momento da busca e apreensão. Entendo que sim! Como já tratado, a empresa elegeu a forma de apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro real conforme informações da DCTF . Se o fez, sabia que a regra para apuração destes tributos parte da contabilidade elaborada nos termos da legislação comercial, conforme dispositivo contido no DecretoLei nº 1.598/1977, citado abaixo: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Partindo desta premissa, o que deve avaliar é se o lucro real teve apuração trimestral ou anual, podendo esta última forma ser calculada com base na estimativa pura ou monitora sendo esta (monitorada), com base em balanço/balancete de suspensão ou redução . Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10240.000313/201079 Acórdão n.º 1401002.107 S1C4T1 Fl. 2.077 21 Bem. Independentemente da forma de apuração do lucro real, entendo que na data de 07/04/2008, a empresa já deveria estar de posse de seus livros contábeis, como se verá adiante: 1) Caso a empresa optasse pelo lucro real trimestral, o prazo para recolhimento do IRPJ e da CSLL expiraria conforme a seguinte tabela (vigente na época dos fatos apurados): Período de Apuração Encerramento do Período Data para Recolhimento 1º Trimestre 31/03/2007 30/04/2007 2º Trimestre 30/06/2007 31/07/2007 3º Trimestre 30/09/2007 31/10/2007 4º Trimestre 31/12/2007 31/01/2008 2) Caso a empresa optasse pelo lucro real anual, independentemente da forma de cálculo (por estimativa pura ou monitorada) o prazo para recolhimento do IRPJ e da CSLL referente ao encerramento do exercício fiscal (ou seja 31/12/2007), expiraria na data de 31/03/2008. Ainda, cabe observar que, se empresa optasse pela estimativa monitorada, deveria preparar balanços/balancetes mensais para o cálculo dos tributos (efetuados mensalmente), os quais partem do lucro apurado conforme as normas contábeis. 3) Importante observar que a DIPJ 2008, ac 2007, entregue a destempo pela empresa inclusive após o lançamento fiscal , contém informação de que a empresa havia optado pelo lucro presumido. Conforme se verifica na linha 11, da ficha 61B (efl. 1.829), da DIPJ 2008, ac 2007, a empresa informou que possuía escrituração contábil, o que nos leva a concluir que também deveria ter os livros contábeis em boa guarda, no momento em que sofreu a busca e apreensão da Polícia Federal, pois o prazo para recolhimento pelos optantes pelo lucro presumido segue o mesmo prazo do lucro real trimestral, acima reproduzido. Outra questão, não menos importante, é que a entrega da DCTF, com base no lucro real, também serve como prova de que a empresa deveria ter contabilidade no momento da busca e apreensão, pois, conforme se verifica na tabela anexada ao Termo de Verificação Fiscal, a empresa apresentou DCTF mensal. Por conseguinte, o prazo para entrega da DCTF mensal é o 5º dia útil do 2º mês subsequente ao mês da ocorrência dos fatos geradores, conforme art. 8º da IN SRF 695/2006. Desta forma, também o prazo para elaboração dos livros Diário e Razão também já havia expirado na data da busca e apreensão, qual seja, em 07/04/2008. Desta forma, concluise que a empresa deveria estar de posse dos livros contábeis (Diário e Razão) na data da busca e apreensão efetuada pela Polícia Federal (em 07/04/2008). Por fim, outra questão que precisa ser avaliada é se a fiscalização poderia ter efetuado o arbitramento com base na falta dos livros contábeis. Entendo que é justamente este motivo que permite o arbitramento do lucro. A fiscalizada não comprovou que seus livros contábeis (Diário e Razão) foram apreendidos. E, mesmo que apresentasse as notas fiscais e demais documentos que Fl. 2087DF CARF MF 22 foram efetivamente apreendidos, a única solução para o caso era pelo arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/99, novamente reproduzido para facilitar a compreensão: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Desta forma, correto o arbitramento do lucro em relação ao anocalendário de 2007. CSLL, PIS e COFINS Por decorrerem dos mesmos fundamentos, aplico aos referidos tributos o quanto disposto no IRPJ, mantendo, portanto, o lançamento fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para manter a autuação fiscal referente ao anocalendário de 2007. No mais, sigo o voto da I. Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2088DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000021/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
MULTA ISOLADA. DENUNCIA EXPONTÂNEA
É contraditório submeter à multa isolada um contribuinte que, antes do início do procedimento fiscal, recolhe a diferença de tributo devido. Ademais as estimativas do imposto de renda são antecipações do tributo que será devido quando do encerramento do ano calendário, razão pela qual, finalizado o exercício financeiro, a obrigação tributária passa a ser regida pelo ajuste
anual dele decorrente. É com base nesta lógica que este Conselho, em sucessivas decisões, cancela a aplicação da multa isolada (i) quando se apura prejuízo no exercício (acórdão 10322182) ou (ii) quando ocorre a formação de saldo negativo (acórdãos 10515806, 10708110
Numero da decisão: 1401-001.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONHECER dos embargos e, por maioria de votos, RERRATIFICARAM o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira
Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 MULTA ISOLADA. DENUNCIA EXPONTÂNEA É contraditório submeter à multa isolada um contribuinte que, antes do início do procedimento fiscal, recolhe a diferença de tributo devido. Ademais as estimativas do imposto de renda são antecipações do tributo que será devido quando do encerramento do ano calendário, razão pela qual, finalizado o exercício financeiro, a obrigação tributária passa a ser regida pelo ajuste anual dele decorrente. É com base nesta lógica que este Conselho, em sucessivas decisões, cancela a aplicação da multa isolada (i) quando se apura prejuízo no exercício (acórdão 10322182) ou (ii) quando ocorre a formação de saldo negativo (acórdãos 10515806, 10708110
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19311.000021/2010-20
conteudo_id_s : 5828056
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-001.070
nome_arquivo_s : Decisao_19311000021201020.pdf
nome_relator_s : Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
nome_arquivo_pdf_s : 19311000021201020_5828056.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, por maioria de votos, RERRATIFICARAM o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
id : 7107720
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049735378501632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000021/201020 Recurso nº 000.001 Embargos Acórdão nº 1401001.070 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de outubro de 2013 Matéria multas Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CONCESSIONARIA DO SISTEMA ANHANGUERABANDEIRANTES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. DENUNCIA EXPONTÂNEA É contraditório submeter à multa isolada um contribuinte que, antes do início do procedimento fiscal, recolhe a diferença de tributo devido. Ademais as estimativas do imposto de renda são antecipações do tributo que será devido quando do encerramento do ano calendário, razão pela qual, finalizado o exercício financeiro, a obrigação tributária passa a ser regida pelo ajuste anual dele decorrente. É com base nesta lógica que este Conselho, em sucessivas decisões, cancela a aplicação da multa isolada (i) quando se apura prejuízo no exercício (acórdão 10322182) ou (ii) quando ocorre a formação de saldo negativo (acórdãos 10515806, 10708110). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, por maioria de votos, RERRATIFICARAM o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 21 /2 01 0- 20 Fl. 1596DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.14030.9DFX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira Da Silva Fl. 1597DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.14030.9DFX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.070 S1‐C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração aviados pela Fazenda Nacional, por meio do qual questiona contradição infalível no voto proferido por este Conselheiro, na redação das razões de voto vencedor do entendimento acolhido pela maioria da Turma Julgadora. Dessas razões de voto vencedor, aplicouse o entendimento majoritário no âmbito deste Conselho Administrativo, no sentido de não aceitar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada, razão pela qual esta – multa isolada , foi cancelada com relação aos anoscalendário 2005 e 2006, e mantida apenas e tão somente com relação ao ano calendário 2007. Em suas razões de embargos, aduz, a Fazenda Nacional, que não houve a aplicação da multa de ofício no ano calendário 2005, razão pela qual o fundamento de cancelamento do auto de infração não se mantém. É o relatório, no necessário. Fl. 1598DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.14030.9DFX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Estando presentes os requisitos necessários, conheço dos embargos de declaração. Analisando detidamente os autos, de fato os argumentos trazidos nas razões de voto vencedor não se aplicam ao ano calendário 2005, posto não ter havido o lançamento da multa de ofício. Conforme se extrai do TVF, com relação ao ano calendário 2005, a Embargante promoveu a retificação de suas DCTF’s, apurando uma diferença no recolhimento dos tributos, que foram pagos antes do procedimento de fiscalização: Neste sentido, não tendo havido o lançamento do saldo de tributo a pagar – posto que antecipadamente pago , não houve a aplicação da multa de ofício. E, sem a multa de ofício, a multa isolada não pode ser considerada cumulativa, elidindo os fundamentos adotados pelo voto vencedor. Noutro norte, todavia, não existem fundamentos suficientes para, afastados esses fundamentos, manterse a aplicação da multa isolada. A uma, por ser contraditório submeter à multa isolada um contribuinte que, antes do início do procedimento fiscal, recolhe a diferença de tributo devido, para excluir a mesma multa quando o contribuinte não promove referido recolhimento; A duas, por serem, as estimativas do imposto de renda, antecipações do tributo que será devido quando do encerramento do ano calendário, razão pela qual, finalizado o exercício financeiro, a obrigação tributária passa a ser regida pelo ajuste anual dele decorrente. É com base nesta lógica que este Conselho, em sucessivas decisões, cancela a aplicação da multa isolada (i) quando se apura prejuízo no exercício (acórdão 10322182) ou (ii) quando ocorre a formação de saldo negativo (acórdãos 10515806, 10708110). Fl. 1599DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.14030.9DFX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19311.000021/201020 Acórdão n.º 1401001.070 S1‐C4T1 Fl. 4 5 Lógica diferente não existe com a confissão da dívida pelo contribuinte com o consequente pagamento dos tributos devidos, caracterizadores da chamada denúncia espontânea. Aqui, com mais razão ainda, a multa isolada deve ser afastada, uma vez que o art. 138 do CTN preconiza que a denúncia espontânea, quando válida, afasta a aplicação de qualquer penalidade. Neste sentido, também, é farta a jurisprudência: IRPJ E CSLL MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS DENÚNCIA ESPONTÂNEA Em face do disposto no art. 138 do CTN, descabe a multa prevista no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte, que deixara de escriturar no Livro Diário, os balancetes mensais com prejuízo, supre a omissão dessa obrigação dessa obrigação acessória, com a inserção em sua DIPJ dos resultados negativos constantes dos balancetes, antes de qualquer procedimento do fisco. Recurso especial negado. (acórdão 401.05685) Diante do exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração, re ratificando a decisão embargada, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1600DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.14030.9DFX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 05/12/2013 10:42:00. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 05/12/2013. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 11/12/2013 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 05/12/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0218.14030.9DFX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2B9EB3EF230EC3FD25E0711D8F8DBBF2A429B070 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19311.000021/2010-20. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
