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Numero do processo: 14751.000726/2007-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização ou sua apresentação de forma deficiente.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.731
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização ou sua apresentação de forma deficiente. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 07 26 /2 00 7- 49 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000726/200749 Acórdão n.º 2403002.731 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1122.558 da 6ª Turma, que julgou o lançamento procedente. A descrição sumária da autuação é deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. O Relatório Fiscal da Infração apresenta as deficiências encontradas na contabilidade da empresa: Relacionamos a seguir as situações encontradas na contabilidade da empresa que se coadunam com o preconizado no art. 233 do RPS, acima mencionado: a Notas Fiscais não lançadas na contabilidade; b. Valores relativos à retenção de 11% em favor da Previdência Social, destacados nas notas fiscais e não lançados na contabilidade na conta 11.9033 INSS C/CONTRIBUIÇÃO A COMPENSAR. Neste caso, não foi reconhecido pela contabilidade o direito à compensação; C. Ao contrário do itemb, há valores lançados na conta 11.9õ3 3 INSS C/CONTRIBUIÇÃO A COMPENSAR como "direito a Fl. 220DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 compensação de retenção", sem que tenha havido . o destaque nas notas fiscais; d. Notas Fiscais lançadas corretamente, sem retenção, já que efetivamente não houve o destaque, em 19/03/99. Posteriormente em 26/04/99, foram feitos incorretamente lançamentos relativos a retenções inexistentes; e. Notas Fiscais lançadas em duplicidade; f. Lançamentos com erro no valor da retenção; g. Lançamentos com erro de data; h. Valores pagos ao contribuinte individual Ítalo Oriente nas competências 12/2003 e 01/2004 no valor de R$ 600,00, informados em GFIP, e não localizados na contabilidade; i. Valores do Salário Família divergentes entre a folha de pagamento e a contabilidade; A título de demonstração, elaboramos a Planilha: Anexo I: Dados da Escrituração Contábil, onde foram citados exemplos para cada uma das situações acima descritas. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Da Autuação Ressaltase, inicialmente, que o presente AI, DEBCAD n° 37.049.1238, foi cadastrado no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT), sob o número 14751.000726/200749. O presente Auto de Infração foi lavrado em virtude de o contribuinte, acima identificado, ter infringido o disposto nos §§ 2° e 3°, artigo 33, da Lei n° 8.212, de 24.07.1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração (fl. 21), é considerado deficiente o documento que não atenda as formalidades legais, que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. A empresa apresentou, durante a ação fiscal, Livro Diário sem as formalidades legais exigidas, ou seja, de forma deficiente. O Auditor Autuante informa as situações encontradas que se enquadram como a infração tipificada nos dispositivos legais mencionados, ou seja, valores de retenção destacados em nota fiscal e não lançados na contabilidade, valores de retenção não destacados e lançados na contabilidade, notas fiscais não lançadas na contabilidade, além de outras lançadas em Fl. 221DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000726/200749 Acórdão n.º 2403002.731 S2C4T3 Fl. 4 5 duplicidade, valores de saláriofamília divergentes entre a folha e a contabilidade e vários. lançamentos com erros nos valores e nas datas. Em planilha anexa, o Agente do Fisco apresenta as situações irregulares apresentadas. A multa aplicada foi apurada conforme previsto no artigo 92 e 102, da Lei n° 8.212/1991, e artigo 283, inciso II, alínea "j", e art. 373, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com valor atualizado pela Portaria do Ministério da Previdência Social — WS n° 142, de 11/04/2007, conforme descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 22). Da Impugnação Cientificada desta Notificação, pessoalmente, em 06/12/2007 (f.1), a Notificada protocolou impugnação tempestiva, em 04/01/2008 (fl.37/45), anexando documentos, onde apresenta, em síntese, as seguintes argüições: a) que o seu perfil econômico, conforme contrato social, engloba várias atividades, embora prepondere a prestação de serviços de telecomunicação. Argumenta que a prestação de serviços envolvia mão de obra e fornecimento de material e equipamentos. No tocante à mão de obra, afirma existir característica peculiar, quando comparada com outras prestadoras de serviço, na medida em que há um índice elevado na mobilidade da mão de obra técnica em um mesmo período de tempo. Diante deste fato, argúi não haver como vincular um empregado a um tomador; b) não haver omissão quanto ao número de segurados nem a redução no valor das contribuições, carecendo de justo título a aplicação de multa; C) apresenta documentos (Doc. 01 a Doc. 08), tentando demonstrar que as notas fiscais mencionadas foram objeto de lançamento contábil, além de que destacava a retenção nas notas fiscais. Também argumenta, de acordo com a documentação anexada, que não houve erros nas datas fato alegado pelo Fisco e que as divergências apontadas entre valores de saláriofamília informados em folha e contabilidade seriam impróprias e inadequadas. Por fim, mencionando provar o alegado através de todos os meios admitidos em direito, requer a desconstituição do presente AI. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Discorre sobre o perfil econômico da recorrente. · vícios, erros ou deficiências só legitimam a imputação de multas se os mesmos tornarem a documentação imprestável para os fins a que se destina, vale dizer, se comprometerem a descoberta do objeto que se Fl. 222DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 pretende provar. Se o fisco tiver meios para sanar os erros apontados, deve suprir, de oficio, os erros apontados; · argumenta sobre as notas fiscais, retenções e datas; · quanto as divergências de valores do saláriofamília entre a folha de pagamento e a contabilidade, temse como imprópria e inadequada. Isto porque, ocorreram dentro do período pagamentos indevidos, cujos crédito não foram aproveitados pelo reclamante em virtude da falta de documentos obrigatórios não fornecidos por funcionários. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000726/200749 Acórdão n.º 2403002.731 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação é fundamentada no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/91 (aqui apresentados com a redação da época dos fatos geradores). Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Relatório Fiscal da Infração apresenta as deficiências encontradas na contabilidade da empresa, tendo o cuidado de anexar planilha com exemplos para cada uma das situações descritas. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Relacionamos a seguir as situações encontradas na contabilidade da empresa que se coadunam com o preconizado no art. 233 do RPS, acima mencionado: a Notas Fiscais não lançadas na contabilidade; b. Valores relativos à retenção de 11% em favor da Previdência Social, destacados nas notas fiscais e não lançados na contabilidade na conta 11.9033 INSS C/CONTRIBUIÇÃO A COMPENSAR. Neste caso, não foi reconhecido pela contabilidade o direito à compensação; C. Ao contrário do itemb, há valores lançados na conta 11.9õ3 3 INSS C/CONTRIBUIÇÃO A COMPENSAR como "direito a compensação de retenção", sem que tenha havido . o destaque nas notas fiscais; d. Notas Fiscais lançadas corretamente, sem retenção, já que efetivamente não houve o destaque, em 19/03/99. Posteriormente em 26/04/99, foram feitos incorretamente lançamentos relativos a retenções inexistentes; e. Notas Fiscais lançadas em duplicidade; f. Lançamentos com erro no valor da retenção; g. Lançamentos com erro de data; h. Valores pagos ao contribuinte individual Ítalo Oriente nas competências 12/2003 e 01/2004 no valor de R$ 600,00, informados em GFIP, e não localizados na contabilidade; i. Valores do Salário Família divergentes entre a folha de pagamento e a contabilidade; A título de demonstração, elaboramos a Planilha: Anexo I: Dados da Escrituração Contábil, onde foram citados exemplos para cada uma das situações acima descritas. A recorrente destaca que sua atividade preponderante é a de prestação de serviços de telecomunicação destacando suas peculiaridades, que a contabilidade registra adequadamente todas as manifestações econômicas, que cumpriu todas obrigações acessórias e que vícios, erros ou deficiências só legitimam a imputação de multas se os mesmos tornarem a documentação imprestável para os fins a que se destina. Não dou razão à recorrente. Entendo que a contabilidade apresentava deficiências, que a recorrente não conseguiu demonstrar a correção de seu procedimento e que isso dá motivo à autuação. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14751.000726/200749 Acórdão n.º 2403002.731 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10283.909709/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 09 /2 00 9- 43 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909709/200943 Acórdão n.º 3202001.568 S3C2T2 Fl. 383 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 384DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721386/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/01/2013
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DECISÃO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos dos artigos 156, inciso II, e 170-A do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar, impondo, ainda, a ocorrência de seu trânsito em julgado. Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fiscal relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sentença judicial. Somente as compensações procedidas pelo contribuinte com estrita observância da legislação de regência, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Auto de Infração. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando não comprovada a intenção de fraude.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/01/2013 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DECISÃO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos dos artigos 156, inciso II, e 170-A do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar, impondo, ainda, a ocorrência de seu trânsito em julgado. Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fiscal relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sentença judicial. Somente as compensações procedidas pelo contribuinte com estrita observância da legislação de regência, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Auto de Infração. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando não comprovada a intenção de fraude. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DECISÃO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos dos artigos 156, inciso II, e 170A do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar, impondo, ainda, a ocorrência de seu trânsito em julgado. Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fiscal relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sentença judicial. Somente as compensações procedidas pelo contribuinte com estrita observância da legislação de regência, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Auto de Infração. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando não comprovada a intenção de fraude. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 13 86 /2 01 3- 12 Fl. 7947DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 7948DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10855.721386/201312 Acórdão n.º 2402004.601 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes as compensações indevidamente efetuadas em GFIP e, portanto, objeto de glosa no presente procedimento fiscal, nas competências de 11/2008 e 13/2008 (competência 13 se refere ao 13º salário), 02/2009 e 01/2010 a 13/2012 e à diferença de recolhimento de RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) no período de 11/2008 a 13/2012. Integra também AI referente ao descumprimento de obrigações acessórias pertinentes à empresa Relatório Fiscal às fls. 2736/2757. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnações de fls. 5026/5029, 5104/5108, 5777/5781 e 6506/6510, que restaram improcedentes às fls. 7388/7429, sob os seguintes fundamentos: 1) A Impugnação argui a constitucionalidade de parte da legislação que fundamenta os lançamentos fiscais. Porém, em face das disposições do artigo 26A do Decreto n° 70.235/1972, é vedado à presente instância administrativa de julgamento proferir decisões sobre a inconstitucionalidade das normas legais vigentes; 2) Não consta que os julgados colecionados pela Impugnação tenham atendido aos requisitos legais pertinentes, quanto aos efeitos legais capazes de afastar a vinculação deste Órgão de Julgamento Administrativo à legislação formalmente vigente, com base na qual se realizou o lançamento fiscal, tampouco que se trate de Súmulas Vinculantes (Constituição Federal, artigo 103A, EC 45/2004 e Lei n° 11.417/2006); 3) No caso em análise constatase que o Contribuinte patrocina três ações judiciais (Mandados de Segurança nºs 0014868.83.2008.4.03.6110, 0005618 55.2010.4.03.6110 e 0003197 58.2011.4.03.6110, relacionadas com questões de interesse dos lançamentos fiscais integrantes dos processos constituídos nesta mesma Fiscalização. Assim, já que o Contribuinte discute em processo judicial a constitucionalidade da legislação que também argui em sua Impugnação, não cabe no presente decisório qualquer decisão a respeito dessas questões; 4) A viabilidade legal do procedimento de fixação da alíquota e demais critério legais determinantes da contribuição para o SAT, por ato do Poder Executivo, é pacificamente aceita pelas altas cortes do Poder Judiciário; 5) A Fiscalização, tendo considerado exigíveis contribuições previdenciárias para custeio do seguro de acidente de trabalho, à alíquota de 2%, realizou lançamento fiscal complementar (nas competências em que o Contribuinte promoveu recolhimentos com alíquota de 1%); Fl. 7949DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6) Sob o aspecto da adequação à legislação vigente, os procedimentos da Fiscalização devem ser considerados procedentes e corretos, até que sobrevenha definitiva decisão em contrário, a ser eventualmente proferida nos autos do Mandado de Segurança 001486883.2008.4.03.6110, em trâmite pelo TRF 3, ou até ocorrência de uma das hipóteses que afastem aplicação das vigentes disposições legais previstas no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, seja quanto ao lançamento fiscal relativo à cobrança de SAT (nas competências em que foi aplicada alíquota de 1%) – lançamento DEBCAD 37.395.7971, seja em relação às glosas das mesmas contribuições a pretexto de que os recolhimentos à alíquota de 2% teriam sido “indevidos ou a maior” – lançamento DEBCAD 37.395.7980; 7) A compensação de contribuições previdenciárias tem legislação própria e exige o cumprimento de requisitos legais específicos, especialmente quando se tratam de contribuições realizadas em base em legislação formalmente vigente; 8) Admitese a compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias e das disposições da Lei n° 8.212/1991, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada (artigo 31); 9) Ainda no âmbito da Lei n° 8.212/1991, mesmo nessas hipóteses, a compensação deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (justamente aquelas estabelecidas pelas sucessivas Instruções Normativas mencionadas); 10) A compensação deve ser feita através de GFIP, que é o mecanismo próprio para tal. A obrigatoriedade de apresentação de GFIP foi determinada pela Lei n° 9.528/1997, devendo ser observadas, para tanto, as regras e procedimentos estabelecidos pelo Manual da GFIP, que foi sucessivamente alterado, encontrandose presentemente na sua versão 8.4, que foi aprovado pela Instrução Normativa 880/2008 e pela Circular Caixa 451/2008; 11) Caberiam ao Contribuinte duas alternativas: o requerimento administrativo ou o recurso ao Judiciário, podendo concretizar a compensação somente após autorização do competente Órgão da Administração ou com a obtenção de decisão judicial transitada em julgado, autorizando o procedimento (artigo 170A do CTN); 12) A todas estas considerações convém acrescentar que o Contribuinte é um órgão da Administração Pública – uma Prefeitura Municipal, no caso – o que mais fortemente obriga ao cumprimento das regras constitucionais, especialmente as que vinculam os entes da federação ao estrito cumprimento da legislação formalmente vigente; 13) A Fiscalização, tendo considerado exigíveis contribuições previdenciárias para custeio do seguro de acidente de trabalho, à alíquota de 2%, realizou lançamento fiscal complementar (nas competências em que o Contribuinte promoveu recolhimentos com alíquota de 1%); Fl. 7950DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10855.721386/201312 Acórdão n.º 2402004.601 S2C4T2 Fl. 4 5 14) Com acerto, entendeu a Fiscalização que o Contribuinte, além de ter promovido o pagamento de contribuintes previdenciárias menores do que devia (sujeitandose à multa de mora), utilizouse de falsa informação (a inserção em GFIP da informação de que teria recolhido contribuições previdenciárias indevidas ou a maior), sujeitandose, por isso, à multa isolada; 15) Não há razões de ordem prática para a realização da diligência, especialmente considerando os fundamentos que legitimam no caso o enquadramento do Contribuinte – órgão da Administração Pública; 16) Até que a Autoridade Pública competente receba a Representação Fiscal e tome as providências cabíveis (realização de diligências, intimação do Contribuinte ou formalização de denúncia), não existe nem mesmo o formal trâmite de procedimento investigatório ou acusatório; 17) Também quanto à alegação de “preterição do direito de defesa”, não há absolutamente o que considerar, pois as circunstâncias presentes nos autos demonstram que, não apenas a Fiscalização estabeleceu completa e claramente as razões e fundamentos dos lançamentos correspondentes, como também o Contribuinte compreendeu perfeitamente as mesmas razões e fundamentos adotados pela Fiscalização, pois: apresenta longas considerações acerca da questão; coleciona inúmeros julgados que considera pertinente e, inclusive, patrocina processo judicial com o qual discute o caso; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 7450/7462 alegando, em síntese: 1) Apuraramse créditos compensados com os débitos vincendos previdenciários das verbas de natureza indenizatória/compensatória; 2) Nos “MS” impetrados pela Recorrente, temse obtido liminar para que se efetue o “autoenquadramento” da alíquota do SAT, a teor do art. 202, do Decreto 3048/99 e IN/RFB97109; 3) As provas que corroboram o direito alegado estão contidas nos documentos apresentados junto às Impugnações, devendo ser mantidos neste Recurso Voluntário, para todos os efeitos legais; 4) A respeito da multa isolada de 150%, foi atualizada a pasta de documentos juntada nos autos, complementandoa com as recentes decisões emanadas pelo STJ e pelo CARF; ' Por fim, a Recorrente requereu a anulação integral dos autos de infração. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 7951DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No mérito Da Glosa de Compensações A Recorrente argumenta que houve falhas na autuação, uma vez que possui decisão judicial favorável à compensação, portanto a medida está respaldada. Ademais, alega que a limitação imposta pelo artigo 170A do CTN não se aplica ao caso. Não merece guarida. O artigo 170A do Código Tributário Nacional veda qualquer compensação de tributo que seja objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vejase a literalidade do excerto legal: “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” A Recorrente obteve em sede judicial decisão que lhe favorece, no sentido de reconhecer o caráter indenizatório sobre diversas verbas, tais como 1/3 de férias e aviso prévio indenizado, o que ensejou o pedido de compensação. Contudo, conforme se afere nos autos, e de consulta realizada em 05/02/2015 no site do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, são estas as situações processuais: 1) Processo 000561855.2010.4.03.6110 – Mandado de Segurança “Horas extras, 1/3 de férias e verbas indenizatórias” – Apelação não provida com proibição expressa de compensação. Processo encontrase sobrestado em razão de repercussão geral no STF (RE 593.068/SC); 2) Processo 000815116.2012.4.03.6110 – Mandado de Segurança “Férias gozadas pelo empregado, gratificações eventuais, 13º salário e salário maternidade” – Liminar indeferida. Apelação da União e da Recorrente pendentes de julgamento. 3) Processo 000319758.2011.4.03.6110 – Mandado de Segurança “API, Férias indenizadas, férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença, afastados, abono assiduidade, abono único anual, VT, adicional de periculosidade, insalubridade e adicional noturno” Liminar deferida. Apelação da União e da Recorrente pendentes de julgamento. Portanto, inexiste até o momento decisão definitiva que autorize qualquer compensação pela Recorrente. É importante destacar, ademais, que em que pese o contribuinte tenha alegado que a matéria discutida em suas ações judiciais já tenha inúmeros precedentes favoráveis, alguns até com trânsito em julgado, não é possível aplicar o conteúdo dessas decisões ao caso concreto do contribuinte, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 7952DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10855.721386/201312 Acórdão n.º 2402004.601 S2C4T2 Fl. 5 7 Dessa maneira, concluo pela procedência do crédito tributário constituído através da glosa das compensações efetuadas com créditos relativos à contribuição sobre a folha de pagamentos. Da Multa Isolada No tocante à multa isolada, a penalidade foi aplicada com base no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, o qual estabelece o seguinte: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Razão assiste a Recorrente. Não demonstrado o intuito doloso, a vontade do contribuinte em praticar a sonegação, fraude ou conluio, não há que se falar em incidência de multa isolada. No presente caso concreto, verificase que não estão presentes os fatores que justificam a aplicação da multa de 150%, sobretudo a comprovação pela fiscalização da falsidade da declaração. Salientese que o motivo do indeferimento da compensação não foi a inexistência do crédito ou a falsidade da declaração, mas sim a compensação antes do término das ações judiciais propostas pelo contribuinte ou do momento em que poderia ser feita a compensação, determinado pela decisão judicial, e a ausência de apresentação de documentos pelo contribuinte comprovando a origem dos créditos utilizados. Neste ponto, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto recentemente proferido sobre este mesmo assunto no PAF nº 15215.720059/201131, de Relatoria da E. Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, julgado na sessão de 18/06/2013, que resultou no acórdão nº 2302002.521, por unanimidade, para fins de exclusão da multa qualificada de 150% aplicada na glosa de compensação (destaques do original): “Sob este prisma, nas palavras do Relator Arlindo da Costa e Silva, por ocasião do julgamento do PAF 13433.000631/201061 (Acórdão 2302002.285), para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo (consciência e vontade de Fl. 7953DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 concretizar o tipo penal) e o elemento objetivos (fatos em si) são essenciais. Nestes casos, para a caracterização da penalidade mais severa, o agente fiscal deve se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Daí a necessidade de comprovação, tal como exposto no art. 89, §10 da Lei 8.212/91. Esta Egrégia Turma não discrepa. Em recente julgado nos autos do PAF nº 10855.720678/201257 (Acórdão 2302002.402), de relatoria da Dra. Liege Lacroix Thomasi foi assim decidido: ‘Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 28/02/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.’ Isto posto, não restando comprovado nos autos que o Recorrente tenha agido de forma dolosa ao informar em GFIP valores compensáveis relativos às contribuições incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos, ainda que a compensação tenha sido considerada indevida pelo fisco, não há que se aplicar a multa isolada sem a cabal demonstração do dolo e da fraude cometida de modo a permitir a subsunção ao disposto no artigo 89, §10º da Lei n.º 8.212/91.” O mesmo entendimento foi proferido pela CSRF no julgamento do PAF nº 11020.003681/200992, Acórdão nº 9101.01.402, julgado na sessão de 17/10/2012, que, embora tratando de outro tributo (IRPJ), igualmente concluiu pela necessidade de comprovação da ocorrência de fraude para aplicação da multa de 150%: “(...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.” Entendo, portanto, que a multa aplicada no percentual 150% deve ser excluída do lançamento. Fl. 7954DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10855.721386/201312 Acórdão n.º 2402004.601 S2C4T2 Fl. 6 9 Conclusão Pelo exposto, voto para CONHECER do recurso voluntário e a ele dar PROVIMENTO PARCIAL para ser excluída a multa de 150%. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 7955DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 23034.042668/2006-36
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/01/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
A contribuição do salário-educação previsto no art. 212, parágrafo 5º, da Constituição Federal/88 é devida pelas empresas, calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/12/1996 a 30/01/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. A contribuição do salário-educação previsto no art. 212, parágrafo 5º, da Constituição Federal/88 é devida pelas empresas, calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424, de 1996. Recurso Voluntário Negado.
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SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente ERMOR TABARAMA TABACOS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1996 a 30/01/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIOEDUCAÇÃO. A contribuição do salárioeducação previsto no art. 212, parágrafo 5º, da Constituição Federal/88 é devida pelas empresas, calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 26 68 /2 00 6- 36 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042668/200636 Acórdão n.º 2803003.916 S2TE03 Fl. 680 2 Relatório Tratase de Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) nº 510/2006, Debcad nº 49.904.9829, destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), relativo ao salárioeducação. Consta da NRD nº 510/2006 que o lançamento fiscal decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao salárioeducação e/ou na aplicação dos recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), conforme a fundamentação legal e de acordo com relatórios e demonstrativos acostados aos autos. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A Delegacia de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/SDR, deu provimento parcial à impugnação, declarando a decadência do período 07/1996 a 11/2001. O contribuinte foi cientificado da decisão da 5ª Turma da DRJ/SDR, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a impossibilidade do inadimplemento de obrigação acessória (atualização do sistema de Relação de Alunos Indenizados – RAI) ensejar a exigência de obrigação principal; apesar da recorrente não ter cumprido a obrigação de atualizar a Relação de Alunos Indenizados – RAI, indenizou corretamente os seus funcionários. Todo o valor devido a título de contribuição ao salárioeducação foi recolhido, inexistindo diferença. Os documentos juntados aos autos são suficientes para comprovar o direito a dedução efetivada; a improcedência da NRD nº 510/2006. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042668/200636 Acórdão n.º 2803003.916 S2TE03 Fl. 681 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e será analisado. A Lei 11.457/2007, que dispõe sobre a Administração Tributária Federal, nos termos dos arts. 2º, 3º , 4º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB para administrar os créditos, constituídos ou em constituição, das contribuições sociais relativas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos), aplicando, no que couber, as disposições da lei. O processo administrativo fiscal passa a ser regido pelo Decreto 70.235/72, conforme art. 25 da citada lei. A competência para julgamento de recursos referente às citadas contribuições (Terceiros) passa a ser do 2o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos do art. 29 da Lei 11.457/2007, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com competência para julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 48 da Lei 11.941/2009, e art. 25, inciso II, do Decreto 70.235/72, bem como, Portaria Conjunta PGFN/RFB/PGF/FNDE n° 9, de 11/06/2010 e na Nota CODAC/DICOP n° 05, de 16/06/2010. Consta dos autos que foi emitida Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 510/2006 (fl. 25 dos autos digitalizados) decorrente de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao salárioeducação e/ou na aplicação dos recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), conforme a fundamentação legal e de acordo com Relatórios e Demonstrativos acostados aos autos. Consta das folhas 7/10 o demonstrativo das divergências, contendo as deduções (R$), devoluções (R$), vagas no cadastro do FNDE e a diferença em número de vagas. Consta da Informação nº 1149/2006 – SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC (fl. 3) o esclarecimento do cálculo efetuado. O valor per capita do benefício é de R$ 21,00 por aluno/mês. O cálculo foi realizado da seguinte forma: Indicação de Dependentes no cadastro do FNDE (Id) Deduções realizadas no mês (Dr) Valor per capita R$ 21,00 aluno/mês (Vp) Valor apurado (Va) Va = Dr(IdxVp) Fl. 693DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042668/200636 Acórdão n.º 2803003.916 S2TE03 Fl. 682 4 O contribuinte junta aos autos cópias de documentos, cuja análise só interessa a partir da competência 12/2001 em razão do período anterior está decadente (fls. 148 e ss). O mês 12/2001 consta registrado que faltam os comprovantes (fl. 155). As Resoluções FNDE nº 02/ 2001 e nº 02/2002 (art. 8o e 10o, II) estabelecem que a empresa deverá prestar contas ao FNDE, dos recursos financeiros aplicados nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, respeitando os procedimentos e os prazos estabelecidos, sob pena de serem glosadas todas as deduções efetivadas no semestre, resultando em notificação para recolhimento de débito. A informação da empresa para atualização do cadastro dos alunos beneficiários, na modalidade indenização de dependentes, será por meio eletrônico (www.fnde.gov.br) para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Indenizados RAI, cujo envio deverá, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao 1º semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2º semestre. Como se pode notar das Resoluções FNDE nº 02/ 2001 e nº 02/2002 (art. 8o e 10o, II), o contribuinte não cumpriu a obrigação legal de prestar contas ao FNDE dos recursos financeiros aplicados por intermédio da atualização do sistema de Relação de Alunos Indenizados RAI, sujeitandose a glosa das deduções efetivadas. Confrontados os valores deduzidos com o número de alunos não informados no sistema de Relação de Alunos Indenizados – RAI gerou a divergência constante no Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento (fls. 7/10). Ressaltase que o contribuinte declara no recurso voluntário que não cumpriu a obrigação de atualizar a Relação de Alunos Indenizados – RAI no prazo legal estabelecido. Destarte, a indenização feita aos funcionários é indevida e sujeita a glosa pela fiscalização, gerando divergência nos valores recolhidos. A decisão recorrida (fls. 625/632) informa que o lançamento fiscal teve como base informações prestadas pelo contribuinte, constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação (SIGA), Relação de Alunos Indenizados (RAI), assim como os valores deduzidos, conforme explicitado na Informação nº 1.149, de 17/12/2006 (fl. 03). Os documentos juntados ao processo pelo contribuinte, relativos ao período não decadente (fls. 148 a 619), foram analisados e não foram suficientes para a desconstituição das informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação (SIGA) e Relação de Alunos Indenizados (RAI) informados pela empresa na época do lançamento fiscal, segundo a decisão recorrida. O cruzamento entre os valores recolhidos e os declarados pelo contribuinte geraram as glosas e diferenças apuradas pela fiscalização. A obrigação do recolhimento correto das contribuições do salárioeducação ao FNDE se refere ao cumprimento de obrigação principal, que pode gerar glosa de valores deduzidos indevidamente e diferença a recolher em razão de recolhimento insuficiente. É totalmente diferente do cumprimento da obrigação acessória de declarar as informações corretas e nas épocas estabelecidas pela norma legal. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042668/200636 Acórdão n.º 2803003.916 S2TE03 Fl. 683 5 O lançamento fiscal trata de obrigação principal quando relativo a glosa de deduções de contribuições não declaradas ou declaradas indevidamente, bem como, quando se refere a diferença de contribuições de salárioeducação recolhida a menor. Assim, não há que se falar em impossibilidade do inadimplemento de obrigação acessória (atualização do sistema de Relação de Alunos Indenizados – RAI) ensejar a exigência de obrigação principal, como quer o contribuinte. O lançamento fiscal encontrase fundamentado no art. 212, § 5º, da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis n° 9.424/96, nº 9.766/98 e 10.832/03, bem como pelos Decretos n° 3.142/99 e nº 4.943/03, referentes ao benefício instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME). CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 695DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10380.726309/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza-se como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita contabilizada/declarada pelo sujeito passivo e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, apurado em procedimento de circularização efetuado junto a clientes da autuada.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de não-pagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual.
RECEITAS CONTABILIZADAS A MENOR. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. INADMISSIBILIDADE.
A ação de omitir receitas, sem fazê-las transitar pela apuração do resultado do exercício, caracterizando declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada.
Descabe a aplicação da multa qualificada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores declarados em DCTF.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1401-000.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desqualificar a penalidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e o conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator
(assinado digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Jose Sergio Gomes, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antonio Bezerra Neto e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita contabilizada/declarada pelo sujeito passivo e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, apurado em procedimento de circularização efetuado junto a clientes da autuada. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de nãopagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual. RECEITAS CONTABILIZADAS A MENOR. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. INADMISSIBILIDADE. A ação de omitir receitas, sem fazêlas transitar pela apuração do resultado do exercício, caracterizando declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa qualificada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores declarados em DCTF. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desqualificar a penalidade, nos termos do relatório e voto que integram o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 63 09 /2 01 0- 30 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 405 2 presente julgado. Vencidos o Relator e o conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Jose Sergio Gomes, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antonio Bezerra Neto e Mauricio Pereira Faro. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 406 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido (fls. 280286): Tratase de procedimento fiscal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPFFiscalização) de nº 0310100/00930/09, do qual resultou a constituição de crédito tributário nos valores a seguir especificados: • Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) R$ 1.933.254,95 • Multa Isolada (Estimativas Não Recolhidas) R$ 238.033,67 • Programa de Integração Social (Pis) R$ 137.085,47 • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) R$ 721.083,79 • Contribuição para Financiamento Seguridade Social (Cofins) R$ 631.424,52 • Crédito Tributário Total R$ 3.660.882,40 No dia 07/07/2009, mediante Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 44/45, o sujeito passivo foi instado a apresentar o documentário contábil e fiscal necessário à apuração das exações fiscais inseridas na competência deste órgão federal, concernente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. Paralelamente, a autoridade fiscal diligenciou perante terceiro, no caso a pessoa jurídica HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS S/A, CNPJ 04.194.145/000121, contratante de serviços da empresa sob ação fiscal. De acordo com Termo de Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos, fls. 46/47, foi determinada a apresentação da relação dos serviços prestados pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, CNPJ 07.326.937/000109, com a indicação das notas fiscais emitidas, das datas de emissão, dos valores e das descrições dos serviços, dentre outros, tudo referente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. Tendo presentes a resposta e a documentação apresentadas pela diligenciada, HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS S/A, CNPJ 04.194.145/000121, a autoridade fiscalizadora procedeu ao lançamento fiscal do IRPJ e reflexos, face à verificação da ocorrência de omissão de receitas por parte da fiscalizada. No que se refere ao IRPJ, fez constar a seguinte Descrição dos Fatos: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 407 4 Omissão de Receitas, no anocalendário 2005, no montante de R$ 2.638.056,86, em decorrência da contabilização dos recebimentos por afretamento de barcos, na conta de Fornecedores, código 2150100009 HIDROCLEAN, pagos por Hidroclean Serviços Maritimos Ltda, conforme cópia do Razão (Doc 1) extraída por meio do aplicativo ContAgil. Com efeito, no decorrer dos trabalhos de auditoria, ainda em prosseguimento, foram constatados movimentos econômicos da autuada com fornecedores de outras praças, por essa razão, expediuse intimação para Hidroclean Serviços Marítimos S/A informar o conteúdo da movimentação. Em sua resposta, por meio eletrônico (Doc 2), dá conta de que alugou quatro barcos (Marimar VIII, Marpex X, Piauí XVIII e Incopesca XIX), além de transmitir vários arquivos referentes aos extratos bancários, demonstrando as transferencias de recursos, bem como recibos e planilha de pagamentos, todos constantes do eprocesso. De fato, todos os pagamentos efetuados estão contabilizados na industria Naval, só que em conta de passivo (Doc 1), ENQUANTO DEVERIA TER SIDO EM CONTA DE RECEITA, gerando, assim, pela falta de registro em conta de receita, uma omissão de receita, ao mesmo tempo em que constituiu um passivo fictício do mesmo valor. Os valores também constam de planilha elaborada pela locadora dos barcos, Hidroclean Serviços Marítmos (Doc 3). Considerando que ficou patente a locação dos barcos citados, aliás, mais do que os citados (o barco Piauí XV não estava na relação), como provam vários recibos anexos, e que no anocalendário 2005 foram feitos 37 pagamentos pela Hidroclean à Ind. Naval, em montante significativo em relação à receita declarada – quase 40% –, todos lançados na Naval, na conta 2150100009, no passivo circulante, fica patente a intenção deliberada de não reconhecer os tributos incidentes, sendo esse o motivo da qualificação da multa aplicada. O presente auto de infração é parcial e diz respeito somente à matéria abrangida no anocalendário 2005. [...] O Enquadramento Legal da infração deuse nos seguintes dispositivos: art. 24 da Lei n° 9.249/95; e arts. 249 inc. II, 251 § único, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Foi ainda efetivado o lançamento correspondente às MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 408 5 BASE DE CÁLCULO ESTIMADA, com a seguinte Descrição dos Fatos: Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada com base em balanços de suspensão ou redução nos meses de janeiro a agosto do anocalendário 2005, em decorrência de apuração de omissão de receitas descrita na infração anterior, com multa qualificada, e ajustada em função dos resultados apresentados na ficha 11 da DIPJ/2006 [...] [...] Para este último lançamento foi considerado o seguinte enquadramento legal: arts. 222 e 843 do RIR/99 combinados com o art. 44, § IV, inc. IV, da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 e com o art. 106, inc. II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. Em decorrência da infração correspondente à omissão de receita, verificada relativamente ao IRPJ, também foram efetivados os lançamentos reflexos relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS, com a mesma Descrição dos Fatos e com os seguintes Enquadramentos Legais: [...] A ciência do lançamento, por via postal, deuse no dia 03/01/2011, fl. 197. Inconformada com a autuação, em documento recepcionado na DRF de origem no dia 25/01/2011, a pessoa jurídica impugnou o lançamento, fls. 198/247, sob os fundamentos a seguir delineados. I – Decadência: Com sede em preliminar, aduziu que o “referido auto de infração se encontra em sua totalidade irremediavelmente fulminado pelo instituto da decadência”, pelo que postulou que fosse declarado extinto o crédito tributário “uma vez que a empresa autuada foi intimada da constituição do crédito tributário em 03/01/2011, (...) para os fatos ocorridos no ano de 2005, portanto, fora do prazo legal de 5 (cinco) anos previstos na totalidade da legislação aplicável em vigor (principalmente o CTN) para que a Fazenda Nacional possa constituir crédito tributário, portanto, enquadrado em todas as correntes tributárias, que hoje em dia, é única”. Argumentou que a matéria encontrase “pacificada e sumariada em todas as esferas administrativas (CARF / DRF de Julgamento)”, trazendo à colação, em abono à sua tese, as seguintes ementas: Recurso nº 105141648/CARF; Recurso nº 101122277/CARF; Recurso nº 105131992; e Acórdão nº 10323497/CARF. Com substrato nos julgados apresentados, culminou por afirmar que o Auto de Infração teria sido lavrado “em desconformidade Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 409 6 com a legislação vigente, especialmente quanto a decadência/extinção do direito da Fazenda Nacional constituir crédito tributário, por qualquer que seja o entendimento tributário que se queira interpretar (art. 150, § 4º ou art. 173, ambos do CTN)”. 2 – Não Caracterização da Infração Omissão de Receitas: No que tange ao mérito, proferiu que “melhor sorte não aguardava este malsinado auto de infração”. Segundo seu entendimento, não teria sido configurada a omissão de receita que lhe foi imputada, que os fatos narrados no lançamento poderiam dar ensejo, no máximo, à incidência em infração diversa, qual seja, a postergação de receita, isso se daria por constar da descrição dos fatos que “De fato, todos os pagamentos efetuados estão contabilizados na Indústria Naval só que em conta de passivo (Doc 1), ENQUANTO DEVERIA TER SIDO EM CONTA DE RECEITA, gerando, assim, pela falta de registro em conta de receita, uma omissão de receita, ao mesmo tempo em que constituiu um passivo fictício do mesmo valor. Os valores também constam de planilha elaborada pela locadora dos barcos, Hidroclean Serviços Marítimos (Doc 3).” De modo a contraditar esse entendimento, a impugnante fez constar que Ora pois, sabe muito bem a fiscalização, que em todos os documentos por ela solicitados lhes foram entregues, e constam sem qualquer sombra de dúvidas, que exatamente esses valores tidos como OMITIDOS e que se encontravam devidamente contabilizados no ano de 2005, foram devidamente levados para CONTA DE RECEITA, isto posto, em data de 28/09/2007, rigorosamente nos exatos valores do total de R$ 2.195.407,73 (Dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e setenta e três centavos), conforme expressos em toda a documentação contábil / fiscal da empresa autuada Indústria Naval do Ceará S/A revestida das formalidades legais explícitas e implícitas. Como também, jamais poderia esses valores receber da fiscalização a pecha de "passivo fictício ", já que a empresa autuada Indústria Naval do Ceará S/A, é produtora de "embarcações" que demandam um longo período para sua execução, sendo equiparada a "construção civil" e para tanto se utiliza em sua contabilidade de contas do ATIVO e PASSIVO (em contrapartidas, como: "Adiantamentos de Clientes Por Conta de Barcos" Passivo (onde os valores se encontravam lançados) / "HIDROCLEAN Outras Receitas Recebimento Para Posterior Faturamento" Ativo). Nesse caso específico, os valores não tiveram suas classificações apuradas na época (2005), em razão da inexistência dos CONTRATOS próprios, tendo em vista que as embarcações locadas necessitavam de adaptações, pois se tratavam de embarcações próprias para pesca (lagosta / camarão / peixe) e teriam que ser adaptadas para Off Shore (transporte de pessoas Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 410 7 e/ou materiais), gerando durante aquele período, divergências de prazo, validade, valores, etc, etc. Anotou ainda se tratar de empresa exportadora ou a ela equiparada quando da fabricação das embarcações para a Marinha do Brasil, que vem obtendo prejuízos, pelo que disporia de elevados valores de “Prejuízos a Compensar”, bem como de expressivos créditos também a compensar decorrentes do PIS/COFINS e da CSLL, em razão do que não teria por que omitir receitas. Prosseguindo, indicou haver juntado aos autos “fotocópias oficiais do LIVRO RAZÃO da empresa autuada Indústria Naval do Ceará S/A do período de 01/01/2007 a 31/12/2007, onde constam os lançamentos contábeis dos valores levados para conta específica 42101.0005 OUTRAS RECEITAS, em data de 28/09/2007 nos exatos valores arrolados pela fiscalização na quantia de R$ 2.195.407,73 (Dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e setenta e três centavos )”. 3 – Multa Qualificada: Quanto à qualificação da multa, assegurou se tratar de procedimento “despropositado e desarrazoado, uma vez que não se verificou sonegação ou fraude lastreada em ato doloso do contribuinte autuado, consoante exige o art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96”, que a autoridade fiscal “imputou o cometimento de ‘crime contra a ordem tributária’, com o agravamento da multa sobre meros supostos créditos tributários, como se houvesse por parte da empresa autuada ‘evidente intuito de fraude’ (dolo)’, que “o auto de infração não indica sequer o enquadramento legal desse seu delírio, em total desrespeito ao Art. 957, inciso II, do Decreto 3.000/99 (vigente Regulamento do Imposto de Renda), que exige que se enquadre em qual(is) do(s) artigo(s) dispostos na Lei 4.502/64 (art. 71, art. 72, ou art. 73?)”. Em aditamento ao afirmado, argumentou que “o agravamento da multa nos casos de lançamento de ofício representa uma infração imposta ao contribuinte, portanto, consoante determina o art. 112 do CTN (princípio da interpretação in bonam partem), a lei tributária que define infrações, ou comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (I) à capitulação legal do fato; (II) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (III) à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (IV) à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação”. Anotou ainda a necessidade da observação do estabelecido pela Súmula CARF nº 25, com efeito vinculante perante a Administração Tributária Federal, segundo a qual “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”, pelo que restaria comprovado que “o comando fiscal ao enquadrar, totalmente equivocado, nas normas legais que caracterizam "crime de sonegação fiscal", imputando Fl. 411DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 411 8 ilegalmente à Impugnante tamanho disparate, somente demonstra um perfeito ato de arbitrariedade e desvirtuamento proposital das normas legais”. 4 – Multas Isoladas / Falta de Recolhimento do IRPJ/CSLL sobre BC Estimada: Quanto ao lançamento correspondente às Multas Isoladas, efetivado pelo não recolhimento das estimativas ao longo do anocalendário 2005, indicou se tratar de tributação reflexa da omissão de receita. Em assim sendo, pelo que já teria sido demonstrado quando atacou o lançamento correspondente àquela infração, também o lançamento das multas isoladas deveria ser prontamente cancelado. Em abono a esse entendimento, transcreveu as ementas dos seguintes julgados: Acórdão CSRF/011.410 – Sessão de 19/11/1992 e Acórdão 10313.506 – Sessão de 28/01/1993. Em razão do exposto, finalizou com a postulação da decretação da total improcedência do lançamento e a consequente extinção do crédito tributário. 5 – Pis / Cofins / CSLL / Tributação Reflexa: Argumentou a impugnante que os valores apurados a título de Pis, Cofins e de CSLL originaramse, de modo exclusivo, do que foi lançado a título de IRPJ. Que já tendo demonstrado a improcedência do lançamento matriz, pelo princípio da causa e do efeito, também seriam improcedentes os lançamentos decorrentes. Objetivando fundamentar o seu entendimento, transcreveu as seguintes ementas: Acórdão CSRF/011.410 – Sessão de 19/11/1992 e Acórdão 10313.506 Sessão de 28/01/1993. A DRJ Fortaleza, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, por meio do Acórdão 08 21.959 – 3ªa Turma da DRJ/FOR, que recebeu a seguinte ementa, fls. 279280: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoalendário: 2005 IRPJ E CSLL. MULTAS ISOLADAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, estando presente o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo decadencial flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex vi o artigo, 173, inciso I, do CTN. Considerandose que o crédito constituído referese ao anocalendário 2005, o lançamento poderia ter se efetivado a partir de 01/01/2006, situação em que Fl. 412DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 412 9 o termo inicial do lustro decadencial foi o dia 01/01/2007 e termo final o dia 01/01/2012. Tendo a ciência se concretizado em 03/01/2011, afastase a preliminar de decadência suscitada, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), assim como no que se refere às Multas Isoladas decorrentes do não recolhimento das Estimativas Mensais do IRPJ e da CSLL. PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, estando presente o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo decadencial flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex vi o artigo, 173, inciso I, do CTN. Considerandose que o crédito constituído referese a período compreendido entre janeiro/2005 e agosto/2005, o lançamento poderia ter se efetivado ainda no anocalendário 2005, hipótese em que o termo inicial do prazo decadencial foi o dia 01/01/2006 e termo final o dia 01/01/2011. Tendo a ciência se concretizado somente em 03/01/2011, acolhe se a preliminar de decadência suscitada, no que diz respeito à Contribuição para o Pis/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). IRPJ E CSLL. MULTAS ISOLADAS. ALUGUEL DE EMBARCAÇÃO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ e o valor efetivo de suas receitas de prestação de serviços, obtido em procedimento de circularização efetuado perante cliente da autuada, face a não contabilização em Conta de Resultado das Receitas auferidas. MULTA QUALIFICADA. PERTINÊNCIA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando presentes nos autos elementos suficientes para a caracterização da ocorrência de evidente intuito de fraude no procedimento do sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do Acórdão em 16/12/2011 (fls. 372), a contribuinte, em 16/01/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 313366, repisando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 413 10 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Por questões práticas, somente apreciarei a arguição de decadência ao final do presente voto. Afinal, antes é necessário analisar se, no presente caso, ocorreu evidente intuito de fraude por parte da recorrente, posto que tal fato influirá diretamente na fixação do termo inicial do prazo decadencial. Omissão de receitas Conforme relatado, as autoridades fiscais constataram omissão de receitas, caracterizada pela contabilização incorreta de valores recebidos da pessoa jurídica HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, em razão do afretamento de barcos de propriedade da autuada. Confome demonstram os elementos constantes dos autos, os aludidos valores foram contabilizados na conta FORNECEDORES código 2150100009 HIDROCLEAN, componente do PASSIVO CIRCULANTE. No entanto, no entender dos autuantes, o procedimento correto seria contabilizar tais valores em conta de RECEITA. A HIDROCLEAN, pessoa jurídica contratante, devidamente intimada a esclarecer as transações mantidas com a contribuinte ao longo dos anoscalendário 2005 a 2007, encaminhou diversos documentos, fls. 57/165. Tais documentos, no entender dos autuantes, demonstram que a contribuinte afretou à HIDROCLEAN (e outras empresas do mesmo grupo econômico) quatro embarcações – Marimar XIII, Marpex X, Piauí XVIII e Incopesca XIX e que as transferência havidas naquele periodo referiamse aos pagamentos destes aluguéis. Por esta razão, o Fisco procedeu ao presente lançamento, com base nos valores contabilizados no Livro Razão da pessoa jurídica, os quais coincidem com os valores da transferências de numerário, fls. 57/165. Em seu recurso, a contribuinte sustentou que os valores considerados omitidos foram corretamente contabilizados, pois teriam sido transferidos para CONTA DE RECEITA, em 28/09/2007, nos exatos valores do total de R$ 2.195.407,73 (dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e setenta e três centavos), conforme expressos em toda a documentação contábil/fiscal da recorrente. A recorrente acrescentou que é uma empresa “produtora de embarcações”, as quais demandam um longo período para sua execução, podendo ser equiparada ao setor de “construção civil”. Não merecem prosperar as alegações da recorrente. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 414 11 O fato de a contribuinte ser uma empresa “produtora de embarcações” não traz nenhuma implicação em relação à natureza ou à forma de contabilização das receitas decorrentes de operações de arrendamento de embarcações. Conforme bem apontado pelo acórdão recorrido, fls. 293, a receita decorrente do aluguel de embarcações “não poderá ser registrada ao talante do sujeito passivo, mas em obediência aos preceitos legais estabelecidos pela legislação contábil e fiscal.” Sobre o tema, acrescentou o acórdão recorrido (fls. 293): Segundo estabelecido pelo art. 177 da Lei 6.404, de 1976, a chamada Lei da Sociedades Anônimas (SA), “A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência.” (grifos nossos). Um dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, a serem obrigatoriamente observados, é o Princípio da Competência que tem por finalidade o reconhecimento contábil das receitas, dos custos e das despesas no período a que competirem, independentemente do seu recebimento (receitas) ou do seu pagamento (custos e despesas). Também não é correta a alegação da recorrente, no sentido de que os valores considerados omitidos teriam sido posteriormente contabilizados em conta de receita. Sobre o tema, foi suficientemente esclarecedor o arrazoado constante do acórdão recorrido, fls. 295: Ademais, enquanto a fiscalização considerou receita omitida no montante de R$ 2.638.056,86 (dois milhões, seiscentos e trinta e oito mil, cinquenta e seis reais e oitenta e seis centavos), a quantia escriturada pela fiscalizada, no anocalendário 2007, foi de apenas R$ 2.195.407,73 (dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e setenta e três centavos). Esses valores são consideravelmente diferentes entre si, pelo que não há como afirmar tratarse do reconhecimento tardio da receita decorrente da locação de embarcações para a HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA., fato suficiente para elidir o argumento da impugnante de que teria havido a escrituração da receita em momento posterior. Além disso, é importante considerar que o aludido valor de R$ 2.195.407,73 (significativamente inferior ao montante das receitas omitidas), apesar de ter sido posteriormente transferido para uma conta de receita, não foi oferecido à tributação, conforme bem demonstrou o acórdão de piso, fls. 295: Ocorre que no caso em apreciação, a despeito do registro no anocalendário 2007 da receita no valor de R$ 2.195.407,73 (dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete Fl. 415DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 415 12 reais e setenta e três centavos), conforme documento apresentado pela impugnante, fl. 230, não houve o recolhimento do imposto a essa quantia correspondente posto que, conforme consta da Ficha 06A – Demonstração do Resultado, DIPJ/2008, processada sob o nº 095398621, Linha 05, fl. 275, a receita de prestação de serviços considerada naquela declaração foi de apenas R$ 423.281,33 (quatrocentos e vinte três mil, duzentos e oitenta e um reais e trinta e três centavos), valor sobejamente inferior àquele considerado omitido ao cabo do procedimento fiscal. [...] Vale enfatizar que a contabilização apresentada pela impugnante, fl. 230, relativa à conta 42101.0005 – OUTRAS RECEITAS, contém uma série de débitos e de créditos com um único histórico – “TRANSF. ENTRE CONTAS” – procedimento a partir do qual restou saldo credor de tão somente R$ 62.638,77 (sessenta e dois mil, seiscentos e trinta e oito reais e setenta e sete centavos), que foi levado para a apuração do resultado do exercício em montante significativamente inferior ao valor considerado quando do lançamento fiscal, de R$ 2.638.056,86 (dois milhões, seiscentos e trinta e oito mil, cinquenta e seis reais e oitenta e seis centavos). A recorrente alegou que inicialmente pretendia vender as quatro embarcações para a empresa HIDROCLEAN e que somente em 2007 houve “desistência” do negócio, sendo então firmado os contratos de arrendamento, com a transferência dos valores correspondentes para as contas definitivas. Tal alegação não se sustenta, com base nos elementos constantes dos autos. Afinal, a HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, pessoa juridica que transacionou com a contribuinte, foi suficiente clara ao afirmar que desde 2005 afretou quatro embarcações de propriedade da autuada e que as transferências efetuadas ao longo do ano calendário de 2005 referiamse, exatamente, ao pagamento do aluguéis devidos à contribuinte. Os elementos constantes dos autos corroboram estas informações. O acórdão recorrido fez uma detalhada análise desta alegação da recorrente, ra~zoa pela qual adoto e transcrevo parcialmente suas considerações, fls. 299300: A principal alegação da impugnante foi a de que os valores que deram substrato ao lançamento, recebidos ao longo do ano de 2005, no montante de R$ 2.638.056,86 (dois milhões, seiscentos e trinta e oito mil, cinquenta e seis reais e oitenta e seis centavos), teriam sido oferecidos à tributação, nesse exato valor, no ano de 2007. A se comprovar verdadeira essa assertiva, não se poderá confirmar a presença do primeiro elemento essencial na caracterização do dolo, qual seja, a consciência de encontrarse atuando de forma contrária às normas estabelecidas, com o que o dolo não existirá. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 416 13 De acordo com o que foi afirmado na peça impugnatória, as fotocópias do Livro Razão da pessoa jurídica se prestariam para esse desiderato, visto nele ser possível observar o lançamento contábil da receita postergada na conta específica 42101.0005 – OUTRAS RECEITAS, efetivado em 28/09/2007, no valor de R$ 2.195.407,73 (dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentos e sete reais e setenta e três centavos), fl. 230. Acontece que o somatório das transferências bancárias que deram ensejo ao lançamento foi de R$ 2.638.056,86 (dois milhões, seiscentos e trinta e oito mil, cinquenta e seis reais e oitenta e seis centavos), enquanto o valor levado a crédito da apontada conta de receita foi de apenas R$ 2.195.407,73 (dois milhões, cento e noventa e cinco mil, quatrocentose sete reais e setenta e três centavos), valores destoantes entre si, pelo que não há como se afirmar, de forma peremptória, tratarse do reconhecimento, ainda que tardio, das receitas decorrentes do fretamento de embarcações para a pessoa jurídica HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA. Ademais, o somatório dos valores recebidos pela autuada, provenientes dos serviços prestados à HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, de acordo com o demonstrativo de fl. 56, contendo os valores recebidos não somente em 2005 mas também em outros exercícios, alcança o montante de R$ 3.070.688,61 (três milhões, setenta mil, seiscentos e oitenta e oito reais e sessenta e um centavos). Logo, ainda que se admitisse que o lançamento apresentado no Livro Razão correspondesse ao registro da receita proveniente dos serviços prestados à pessoa jurídica HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, o lançamento teria sido efetivado em valor inferior àquele efetivamente recebido. Além disso, paralelamente aos valores levados a crédito na especificada conta de receita, foram observados diversos outros valores levados a débito dessa mesma conta, sem que fosse proferida qualquer explicação minimamente plausível para esse fato. Com efeito, era de se esperar que conta dessa natureza fosse debitada somente por ocasião do encerramento do exercício. Não o sendo, caberia à impugnante demonstrar, com argumentos convincentes e a apresentação da documentação correlata, a motivação desses diversos lançamentos a débito. Todavia, nada a esse respeito consta da peça impugnatória ora apreciada. A propósito, tendo presentes os diversos lançamentos a débito na apontada conta de receita, o valor que foi considerado no encerramento do exercício e, por consequência, oferecido à tributação, foi de apenas R$ 62.638,77 (sessenta e dois mil, seiscentos e trinta e oito reais e setenta e sete centavos), valor absurdamente inferior àquele percebido pela autuada da HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA que, ao longo dos anoscalendário, alcançou o montante de R$ 3.070.688,61 (três milhões, setenta mil, seiscentos e oitenta e oito reais e sessenta e um centavos), conforme demonstrado. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 417 14 Resulta, pois, inteiramente afastada a possibilidade de mera postergação do pagamento do imposto, conforme indevidamente alegado pela recorrente. Considero sobejamente demonstrada a omissão de receitas, decorrente da não tributação dos valores referentes às receitas de afretamento de navios, correspondentes às 37 (trinta e sete) transferências bancárias creditadas em contacorrente da autuada no anocalendário 2005. Multa qualificada Segundo as autoridades autuantes, a atitude da contribuinte de omitir receitas de afretamento de embarcações, sem fazêlas transitar pela apuração do resultado do exercício, demonstra a intenção deliberada da contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Em sua defesa, a recorrente alegou, sucessivamente, que: a) o auto de infração não indica o enquadramento legal da qualificação da multa; b) no presente caso, não foi observado o disposto no art. 112 do CTN (princípio da interpretação in bonam partem), c) no presente caso, não foi observado o disposto na Súmula CARF nº 25, segundo a qual “a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da mu lta aplicada”. Nenhuma desssas alegações merece prosperar. No tocante ao enquadramento legal a multa qualificada, cumpre observar que o auto de infração fez., sim, clara e expressa referência ao 44, II da Lei nº 9.430/96, em pleno vigor na data de ocorrência dos fatos de que trata o presente processo. Para maior clareza, transcrevese o inteiro teor do citado dispositivo legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Sobre a suposta inobservância do disposto no art. 112 do CTN (princípio da interpretação in bonam partem), vale dizer que tal artigo somente encontra aplicação nos casos em que existir alguma dúvida sobre a capitulação legal do fato; a natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. No presente caso, contudo, não restam quaisquer dúvidas sobre o cometimento da infração, sobre a sua autoria bem como sobre a natureza e graduação da penalidade aplicável. Discorrendo sobre o tema, manifestouse com grande propriedade o acórdão recorrido, razão pela qual adoto integralmente e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 297300: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 418 15 [...]O que deve ser perquirida é a presença, ou não, do evidente intuito de fraude no modus operandi da autuada. Em outro dizer, deve ser aferido se o contribuinte operou à margem da legislação de regência com a perfeita consciência desse fato, com a intenção deliberada de, assim procedendo, eximirse da tributação, em outras palavras, se agiu dolosamente. [...] [...] restam plenamente demonstradas as presenças dos dois elementos necessários à caracterização do dolo, ou seja, a consciência e a vontade, por parte dos administradores da autuada, em proceder, de forma livre e deliberada, de forma a eximirse do pagamento dos tributos devidos, fato que se mostra suficiente para a qualificação da multa ora tratada. Anotese que a falta de registro das Receitas auferidas não se deu apenas em uma ou duas ocasiões, situação a partir da qual poderseia cogitar estarse perante meros equívocos. Em verdade, a não contabilização em conta de Receita manifestou se, de forma sistemática e reiterada, em 37 (trinta e sete) ocasiões somente no ano de 2005, ressaltandose, ainda, conforme registrado no demonstrativo de fl. 56, que o mesmo procedimento repetiuse em outros exercícios. Por fim, resta analisar o pleito da recorrente, que requereu a aplicação da Súmula CARF 25, segundo a qual “a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64”. Ora, no presente caso, conforme exposto anteriormente, restou claramente comprovada a hipótese de sonegação, caracterizada pela aitude dolosa da contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Tal fato, por si só, já seria suficiente para afastar a aplicação da Súmula CARF 25, indevidamente invocada pela recorrente. Além disso, devese ter em conta que, no presente caso, não se trata de lançamento baseado em nenhuma espécie de presunção de omissão de receitas, tais como a constatação de passivo fictício, depósitos bancários de origem não comprovada ou qualquer outra hipótese prevista em lei. Sobre o tema, pronunciouse com suficiente clareza o acórdão recorrido, fls. 301: No caso em apreciação, a tributação não se deu em razão de passivo fictício, depósitos bancários de origem não comprovada, ou de qualquer outra presunção legal. Pelo contrário, restou plenamente demonstrada a não tributação sistemática de receitas auferidas pela prestação de serviços à pessoa jurídica HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, do que resultou a autuação por omissão de receita com a exasperação da multa de ofício em razão de a pessoa jurídica haver atuado à margem dos preceitos contábeis e fiscais determinados pela legislação de Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 419 16 regência, com evidente intuito de fraude, objetivando o proveito financeiro advindo da não apuração dos tributos devidos. Diante do exposto, concluo que agiu corretamente o acórdão de piso, que reconheceu a integral procedência da multa de ofício qualificada. Decadência Repetindo o que fizera na fase impugnatória, a recorrente alegou que, por se tratar de lançamento por homologação, o crédito tributário estaria fulminado pelo transcurso do prazo decadencial de cinco anos, independente da regra de contagem utilizado (art. 150, §4º ou art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Ab initio, esclareçase que no presente caso claramente deve ser utilizada a regra de contagem prevista no art.173, I do CTN, tendo em vista a qualificação da multa de ofício, conforme análise do tópico antecedente. Compulsando os autos, constato que o acórdão recorrido procedeu a correta subsunção dos fatos à legislação de regência, conforme se observa pela simples leitura dos seguintes excertos, fls. 289291: [...] havendo a comprovação da prática de dolo, fraude ou de simulação, a contagem do prazo decadencial iniciarse á no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex vi o art. 173, inc. I do CTN. Adotandose essa linha de raciocínio e considerandose que o lançamento da multa neste processo tratado teve por fundamento legal o inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a preconizar a aplicação da penalidade pecuniária no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades cabíveis, adotandose a contagem de prazo estabelecida pelo art. 173, inc. I do CTN terseá a seguinte situação, no que se refere ao IRPJ e à CSLL submetidos à apuração anual: • data da ocorrência do fato gerador 31/12/2005 • exercício em que o lançamento poderia ter se efetivado 01/01/2006 a 31/12/2006 • termo inicial do prazo decadencial de cinco anos 01/01/2007 • termo final do prazo decadencial de cinco anos 01/01/2012 Em assim sendo, observandose que a ciência do lançamento efetivouse no dia 03/01/2011, em data anterior ao termo final do prazo decadencial, o dia 01/01/2012, conforme demonstrado, manifestome pelo afastamento da preliminar de decadência suscitada, no que diz respeito ao IRPJ e à CSLL, assim como Fl. 420DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 420 17 no que se reporta às Multas Isoladas decorrentes do não recolhimento de Estimativas de IRPJ e de CSLL mensais. A propósito, oportuno que se traga à colação o estabelecido pelo art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, que trata da apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das pessoas jurídicas, a partir do anocalendário de 1997, a seguir reproduzido: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. (grifos nossos) Verificada a falta de pagamento das Estimativas Mensais, em consonância com o estabelecido pelo dispositivo legal enfocado o lançamento de ofício abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, a ser efetivado após o término do anocalendário, a partir de 01/01/2006, portanto, o que desloca o termo inicial do prazo decadencial para o dia 01/01/2007 e o final para o dia 01/01/2012, o que confirma a inocorrência da decadência, concernente às Multas Isoladas. Entretanto, diferente se vislumbra a situação correspondente à Contribuição para o Pis/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), submetidos à apuração mensal. Observandose que os fatos geradores para os quais foram constatadas as omissões de receitas estão compreendidos entre os meses de janeiro/2005 e agosto/2005, o lançamento poderia ter se efetivado ainda no anocalendário 2005. Logo, adotando se a contagem de prazo estabelecida pelo inc. I do art. 173 do CTN, o termo inicial do interregno decadencial foi o dia 01/01/2006, enquanto o termo final consolidouse no dia 01/01/2011. Assim, considerandose que a ciência do lançamento somente se consolidou no dia 03/01/2011, manifestome pelo acolhimento da preliminar de decadência correspondente à Contribuição para o Pis/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ressalto, por oportuno, que mesmo na hipótese de desqualificação da multa de ofício, não se verificaria a decadência do direito de constituir o presente lançamento. Nesta Fl. 421DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 421 18 hipótese, a contagem do prazo decadencial se daria segundo as regras do art. 150, § 4º do CTN. Consequentemente, teríamos: • data da ocorrência do fato gerador 31/12/2005 • termo final do prazo decadencial de cinco anos 31/12/2010 Registrese, por oportuno, que a formalização do presente lançamento se deu no decorrer do anocalendário de 2010. Diante do exposto, julgo que, em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Multas isoladas A partir da constatação de omissão de receitas, as autoridades lançadoras também aplicaram a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), correspondente às estimativas que deixaram de ser recolhidas na época oportuna, conforme arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei n° 9.430/96 e art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/66. Em sua defesa, a recorrente considerou que, uma vez demonstrada a improcedência do lançamento referente ao IRPJ, as multas isoladas também deveriam ser canceladas. A procedência do lançamento referente ao IRPJ, em decorrência das omissões de receitas, já restou devidamente demonstrada no tópico correspondente do presente voto. Constatada a procedência do lançamento do IRPJ, e não tendo a recorrente apresentado nenhuma contestação específica referente ao lançamento das multas isoladas, o lançamento em apreço também merece ser mantido. Vale dizer que, no âmbito desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, tem prevalecido a tese de que a falta de recolhimento de antecipação e a falta de pagamento do imposto definitivo são infrações distintas e não excludentes entre si. Importante destacar que a Constituição Federal e a legislação tributária infraconstitucional não vedam a aplicação concomitante de penalidades, como comprova o art. 74 da Lei n° 4.502, de 30/11/64, que estabelece, expressamente, que "apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas”. Ressaltese, outrossim, que as bases de cálculo da multa isolada (por falta de recolhimento de antecipação) e da multa de ofício genérica (por falta de pagamento do tributos) também são distintas, tanto de fato como de direito. Afinal, o pagamento do tributo definitivo apurado na declaração extingue o crédito tributário (CTN, art. 150, inc. I), ao contrário do recolhimento da antecipação, que não tem esse efeito. Assim sendo, concluo que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, ao manter a aplicação da multa isolada. Conclusão Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 422 19 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 423 20 Voto Vencedor Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Não obstante a coerente fundamentação contemplada no voto do Ilustre Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, tão bem exposto à Turma em relação ao recurso voluntário, onde os membros do colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial para desqualificar a multa de ofício. Apresento aqui minhas homenagens ao Fernando Luiz Gomes de Mattos, mas observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com as razões de decidir em relação à qualificação da multa constante dos autos. Neste ponto, sinto em divergir do Ilustre relator, tendo em vista que a ação de omitir receitas, sem fazêlas transitar pela apuração do resultado do exercício, caracterizando declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Isso porque, para a aplicação da Multa Qualificada deve esta configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações durante todo o ano calendário (ou mais de um), que tenham como objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Isso porque, a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 424 21 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Assim, cabe ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. Caso isso não aconteça, entendo que não pode ser imputado ao sujeito passivo da obrigação tributária a demonstração que nas suas ações ou omissões hoje intuito de fraude, nos termos e parâmetros da Lei nº. 9430/1996; isso porque, a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. Ressaltese que a Recorrente é penalizada pelo inadimplemento do tributo devido, com uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor devido. Porém, para que seja justificada a duplicação dessa penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, o intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. Veja que não pode o Fisco, para a qualificação da multa, deixar de comprovar as duas características que entendo serem pressupostos validadores na ação do sujeito passivo: (i) O pressuposto evidente Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, pela leitura do relato do Fisco deve ficar comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza, que o propósito da Recorrente era, ao praticar o ato, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. Esse é o entendimento Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando do julgamento consubstanciado através do Acórdão nº. 10617.015, que peço vênia para reproduzir: “(...) Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. (...) Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 425 22 Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. (...) Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: ‘A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo’. Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: (...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido”. Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente não aponta para o intuito consciente e deliberado de reduzir a base tributável, e sim um erro que tem a sua punição prevista na norma legal. Nessas condições, a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) por não configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a seguir transcrito: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 426 23 “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Referido entendimento encontra amplo respaldo na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme pode ser visto abaixo: “Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão nº 920202.185 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2012) “MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos” (CSRF Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão nº 9101001.393 – 1ª Turma Sessão de 17 de julho de 2012). “Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Somase a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão nº 9202002.229 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012). Diante de tudo que vimos acima e para que seja agravada a multa deve ser observado um dos princípios balizadores que lastreiam o processo administrativo fiscal: O Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. O Principio da Legalidade determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10380.726309/201030 Acórdão n.º 1401000.869 S1C4T1 Fl. 427 24 Assim, para que seja imputada a Recorrente a multa qualificada e também a multa agravada fazse necessário que o auto de infração comprove, com uma clareza meridiana a conduta eivada de dolo, com o objetivo de dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Assim, não tendo sido comprovado que a Recorrente, deliberadamente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada não se pode manter a inclusão da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), devendo ser reformada a decisão da 3ª Turma da DRJ/FortalezaCE, consubstanciada através do Acórdão 0821.959, desta forma voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 10580.006676/00-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2000 a 28/02/2001
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
PRAZO PRESCRICIONAL.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301002.511 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria Pedido de Compensação de PIS Recorrente Companhia Química Metacril Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 28/02/2001 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 66 76 /0 0- 97 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 899 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador BA: Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade contra o Parecer SEORT/PJ e Despacho Decisório da DRF Salvador n°168/2005 (fls.122/126), proferido em 02/06/2005, que indeferiu o pedido de restituição protocolado em 10/08/2000, de valor atualizado monetariamente até o mês de julho/2000 de R$1.819.408 (fls.01/05), relativamente aos valores da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (DARF de fls.16/36 e demonstrativo de fls.14/15), recolhidos com base nos Decretosleis n°2.445 e 2.449, ambos de 1988. O pedido foi indeferido sob a argüição de decadência do direito de a empresa pleitear restituição — cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, na forma do art.165 da Lei n°5.172, de 1966, e Ato Declaratório SRF n°96, de 1999. Por conseguinte, indeferiu os pedidos de compensação vinculados, de fls.48, 51/53, 55, 57 e 111/112. Excetuase o PA de dezembro de 1995 (DARF de fl.16, recolhimento efetuado em 15/01/1996), que não obstante não se encontrar decaído o direito de restituição, não coube recálculo da contribuição na forma da Lei Complementar n°07, de 1970, haja vista a vigência da Medida Provisória n°1.212, de 1995, posteriormente convertida na Lei n°9.715, de 1998, que alterou a forma de apuração da contribuição a partir de 01/10/1995. Por fim, o SEORT requereu o cancelamento dos débitos indevidamente encaminhados para inscrição na Divida Ativa da Unido constantes dos processos 10580.504047/200531 e 10580.504046/200596, e a adoção dos procedimentos para cobrança administrativa de todos os débitos indicados para compensação (PIS de agosto de 2000 a fevereiro de 2001 e Cofins de agosto/2000 a fevereiro/2001), no processo 10580.006804/0075, anexado ao presente processo, salvo manifestação de inconformidade. A requerente foi sucedida pela Companhia Brasileira de Estireno, CNPJ n° 61.079.232/000171. Em 04/11/2005, a interessada através da petição de fls.137/139 requereu a juntada de documentos de fls.140/150, a fim de comprovar que a empresa gozava de incentivos fiscais do Imposto de Renda incidente sobre o lucro da exploração, fazendo jus à diferença positiva entre o que foi recolhido com base nos decretosleis e a Lei Complementar n° 07/70, cuja petição foi tomada indevidamente pela DERAT/DIORT/ECRER/SP por manifestação de inconformidade intempestiva (f1.188). Consta dos autos a cópia do Mandado de Segurança, com pedido de liminar, nos autos n°2006.0002056 impetrado pela interessada em 09/01/2006 (fls.151/187), para que não sejam exigidos os débitos tributários inscritos, declarada a suspensão da exigibilidade destes créditos tributários enquanto perdurar o julgamento na esfera administrativa e por conseguinte canceladas as inscrições, notificação da autoridade coatora e confirmação da liminar. Cientificada do despacho decisório em 22/08/2005 (fl.126), e inconformada com o indeferimento do seu pedido, a interessada apresentou em 20/09/2005 sua manifestação de inconformidade (fls.189/214), alegando que: Fl. 608DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 900 3 • A manifestação de inconformidade tempestiva instaura a fase litigiosa e suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art.151 do Código Tributário Nacional, §11 do artigo 74 da Lei n°9.430, de 1996, redigido pela Lei n°10.833, de 2003; • A autoridade administrativa opinou pelo indeferimento do pedido de restituição do crédito do PIS recolhido com base nos decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos e 1988, considerados inconstitucionais pelo STF, e não homologou as compensações vinculadas, porque adotou como inicio do prazo de contagem para repetição do indébito a data do recolhimento e não da data da publicação da Resolução do Senado Federal; • Transcreve diversos julgados para demonstrar que não ocorreu a decadência, destacando o Parecer PGFN/CAT n°436/98 e Parecer COSIT n°58/98, não se aplicando o prazo do art.165 do Código Tributário Nacional; • Tem direito de reaver a diferença entre o que pagou no período compreendido entre 1988 e 1995 e o que pagaria caso o PIS fosse apurado na forma da LC n°07/70, com base no IRPJ como se devido fosse, à alíquota de 5%, conforme o disposto no §3° do art.3§ da LC 07/70 ou ainda reconhecendo a semestralidade do PIS, tendo a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, bem como a lª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n°240.9381RS, decidido de modo favorável ao contribuinte; • Outro não é o entendimento da Receita Federal manifestado no Parecer COSIT n°156/95, que prevê a incidência do PIS Dedução sobre as empresas que gozam de isenção do IRPJ, e também contido no Ato Declaratório SRF n°39/95; • Requer o afastamento da decadência pois seu prazo expiraria em 10/10/2000, cálculo do crédito do PIS durante o período e 03/1990 a 12/1995 com base no §3, do art.3°, da LC 07/70, ou seja 5% sobre o Imposto de Renda devido, homologação das compensações e declarada a suspensão da exigibilidade dos créditos exigidos com base no art.74, §1° da Lei n° 9.4390/96, com as alterações da Lei n°10.637/2003 e 10.833/2003, combinado com o art.151, III do Código Tributário Nacional e art.48 da IN SRF n°460/2004. O processo foi encaminhado para a Delegacia de Julgamento de Salvador BA, que indeferiu a manifestação de inconformidade sob a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 28/02/2001 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 901 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 28/02/2001 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Cumpre ressaltar que, apesar da ementa do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador BA tratar também de compensação da Cofins, esse não é o caso do processo. O contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando que não há decadência do seu direito a pleitear restituição dos tributos em tela. É o relatório. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 902 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Toda a controvérsia processual está centrada no prazo de que o contribuinte dispunha para entrar com o pedido de restituição. Se cinco anos contados da extinção do crédito tributário como entendia as decisões recorridas ou se dez anos contados da Resolução nº 49 do Senado Federal, que se deu em 10/10/1995. Entretanto, é pacífico o entendimento de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN e desde que o pedido tenha sido efetuado até 08 de junho de 2005. O prazo para os contribuintes apresentarem o pedido de restituição foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 611DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 903 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Após esta decisão, esta corte administrativa passou a adotála em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a observância de decisões proferidas pelo STF e STJ no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1991 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 612DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 904 7 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (Acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9303002.333, sessão do dia 20/06/2013) Sem dúvida a jurisprudência deste tribunal administrativo já vem reconhecendo pacificamente esses direitos, conforme se depreende de recente Acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, processo de relatoria do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados.(Acórdão CSRF nº 9303002.304 3ª Turma, 20/06/2013). (grifei) Portanto, seguindo a linha das decisões acima alinhavadas, há que se reconhecer que o contribuinte detinha o prazo de dez anos, contados da data do fato gerador do pagamento indevido, para pedir restituição dos valores recolhidos a maior do PIS e da COFINS. Considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 10/08/2000, todos os pagamentos efetuados decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir de 10/08/1990 podem ser objetos de análise de seu direito creditório. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte em ter analisado o seu pedido de restituição e o consequente pedido de compensação para os pagamentos, cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 10/08/1990, estando os períodos compreendidos entre 01/01/1988 a 10/08/1990 atingidos pelo prazo prescricional de dez anos para apresentar o seu pedido de restituição. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006676/0097 Acórdão n.º 3301002.511 S3C3T1 Fl. 905 8 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907071/2009-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF)
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ).
COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da
tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.907071/200942 Acórdão n.º 210202.051 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 25091.06508.280205.1.3.045078, transmitida eletronicamente em 28 de fevereiro de 2005, relativo a crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.907071/200942 Acórdão n.º 210202.051 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ e CSLL. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10830.720033/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/02/2008
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO DE CARGA - EXTRAVIO DE MERCADORIA NO TRANSPORTE ANTES DO DESEMBARQUE - RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR E DO AGENTE MARÍTIMO SEU REPRESENTANTE NO PAÍS - OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO II, IPI, PIS E COFINS - DECRETO-LEI Nº 37/66 (arts. 1º, §§ 2º, 23, § único, 32, incs. I e II e § único, inc. II, 41, inc. III, 60, inc. II e § único)
Comprovado o nexo de causalidade entre o transportador e o extravio parcial da mercadoria importada antes do seu desembarque, sem que se pudesse opor as eximentes ou excludentes de responsabilidade (caso fortuito ou força maior), restam caracterizadas, nos termos da legislação de regência, a responsabilidade tributária do transportador pelos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, e a consequente responsabilidade solidária do agente marítimo na qualidade de representante, no País, do transportador estrangeiro.
MULTA - EXTRAVIO OU FALTA DE MERCADORIA APURADOS EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO DE CARGA - PRINCÍPIOS DA TIPICIDADE CERRADA E DA PERSONALIDADE DA SANÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A PESSOAS ALHEIAS À INFRAÇÃO.
Em face dos princípios da tipicidade cerrada (CTN - arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114) e da personalidade da sanção (art. 5º, XLV da CF/88), a multa punitiva pela infração de extravio ou falta de mercadoria apurada em Vistoria Aduaneira (art. 106, inc. II, alínea d do Decreto-lei nº 37/66), somente é aplicável àqueles que praticaram a conduta típica e sejam diretamente responsáveis pela infração (extravio ou falta de mercadoria), não podendo ser estendida a terceiros não relacionados com a infração, aplicando-se o adágio nemo punitur pro alieno delicto.
Numero da decisão: 3402-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Maria Aparecida Martins de Paula que apresentarão declaração de voto. [Tabela de Resultados]
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/02/2008 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO DE CARGA EXTRAVIO DE MERCADORIA NO TRANSPORTE ANTES DO DESEMBARQUE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR E DO AGENTE MARÍTIMO SEU REPRESENTANTE NO PAÍS OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO II, IPI, PIS E COFINS DECRETOLEI Nº 37/66 (arts. 1º, §§ 2º, 23, § único, 32, incs. I e II e § único, inc. II, 41, inc. III, 60, inc. II e § único) Comprovado o nexo de causalidade entre o transportador e o extravio parcial da mercadoria importada antes do seu desembarque, sem que se pudesse opor as eximentes ou excludentes de responsabilidade (caso fortuito ou força maior), restam caracterizadas, nos termos da legislação de regência, a responsabilidade tributária do transportador pelos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, e a consequente responsabilidade solidária do agente marítimo na qualidade de representante, no País, do transportador estrangeiro. MULTA EXTRAVIO OU FALTA DE MERCADORIA APURADOS EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO DE CARGA PRINCÍPIOS DA TIPICIDADE CERRADA E DA PERSONALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A PESSOAS ALHEIAS À INFRAÇÃO. Em face dos princípios da tipicidade cerrada (CTN arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114) e da personalidade da sanção (art. 5º, XLV da CF/88), a multa punitiva pela infração de extravio ou falta de mercadoria apurada em Vistoria Aduaneira (art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 37/66), somente é aplicável àqueles que praticaram a conduta típica e sejam diretamente responsáveis pela infração (extravio ou falta de mercadoria), não podendo ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 33 /2 00 8- 16 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 2 estendida a terceiros não relacionados com a infração, aplicandose o adágio “nemo punitur pro alieno delicto”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Maria Aparecida Martins de Paula que apresentarão declaração de voto. [Tabela de Resultados] GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão/DRJ/SPI nº 16037838 de 19/04/12 (fls. 124/129) exarado pela 24ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido” e consubstanciado nos Autos de Infração (fls. 01/13 MPF nº 0817700/00005/08) notificados em 13/02/08, no valor total de R$ 314.590,60 (II R$ 95.199,45, Multa R$ 47.599,73; IPI R$ 142.799,18; PIS IMPORTAÇÃO R$ 5.171,59; COFINS IMPORTAÇÃO R$ 23.820,65), e imputados à ora Recorrente em procedimento de Vistoria Aduaneira, em razão dos fatos descritos (fls. 14/17) nos seguintes termos: “DESCRIÇÃO DOS FATOS Em ato de conferência final de manifesto, efetuada nos termos do Decreto n° 4543/2002, em seus arts. 51 e 589 (DecretoLei n° 37/66, art. 39, § 1°), constatou esta fiscalização o não armazenamento da seguinte carga no armazém de importação desta alf5ridega: 1) 08 (oito) volumes, peso 2616,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 040029484, de 26/07/2004, com o documento de carga aérea MAWB 307 1235 1010 HAWB 605580, no Vôo N47888; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 186 3 O documento de carga supracitado foi devidamente declarado pelo contribuinte no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento MANTRA, instituído pela IN SRF n° 102/94 Considerando o disposto no art. 4°, caput e incisos, art. 6°, caput e incisos e art. 8° da IN SRF n° 102/94, onde se dispõe que: "As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veiculo transportador" (grifo nosso), depreendendo se dai que o transportador poderia ter solicitado a exclusão do documento de carga supracitado, dentro do prazo previsto, caso esse documento tivesse sido informado erroneamente, e não o fazendo, a carga foi, para todos os efeitos legais, considerada manifestada junto a esta unidade da SRF. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Consoante o art. 72, § 10 do Decreto 4.543/2002 (Decretolei n° 37/66, art. 1°, § 2°, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472/88, art. 1°), é considerada como entrada no território aduaneiro a mercadoria constante de manifesto, cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira, devendose considerar, por presunção legal, ocorrido o fato gerador do imposto de importação. Assim, constatada a falta do(s) volume(s) manifestado(s), pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passa a ser exigido, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei n°. 37/66, art. 105, inciso II (DecretoLei no 37/66, art. 32, inciso I, com a redação dada pelo DecretoLei n.° 2.472/1988, art. 1o) c/c os artigos 72 e 73, inciso II, alínea "c", todos do Decreto 4.543/2002, o imposto de importação referente A(s) mercadoria(s) faltante(s), acompanhado da multa prevista no artigo 628, inciso III, alínea "d", com inteligência dos artigos 602 (DecretoLei n° 37/66, art. 94) a 604, inciso IV, todos do mesmo Decreto. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Consoante o art. 2°, § 3° da Lei 4502/64, com redação dada pelo art. 80 da Lei 10.833/03, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela autoridade fiscal. Assim, constatada a falta do(s) volume(s) manifestado(s), pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passa a ser exigido, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/66, o imposto sobre produtos industrializados que incidiria sobre a(s) mercadoria(s) faltante(s) quando de seu desembaraço aduaneiro. PIS/PASEP E COFINS Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 4 Consoante o art. 3º, § 1º da Lei 10.865/04, para efeito de incidência das contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. Dispõe ainda o art. 4°, inciso II da mesma Lei, que, para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio for apurado pela autoridade aduaneira. Assim, constatada a falta do(s) volume(s) manifestado(s), pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passam a ser exigidas, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/66 c/c o art. 6°, inciso II da Lei 10.865/04, as contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS, que incidiriam sobre a(s) mercadoria(s) faltante(s) na data do registro da declaração de importação. Posto isso, lavramos o presente auto de infração contra a empresa RCM — SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AÉREO LTDA, CNPJ n° 02.807.052/000108 (representante no Brasil do transportador estrangeiro Centurion Air Cargo), responsável tributária pelo extravio constatado conforme arts. 591 e 592, inciso VI do Regulamento AduaneiroDecreto 4.543/02, art. 21, inciso II do RIPIDecreto 4.544/02, art. 6°, inciso II da Lei 10.865/04. Informações Complementares MAWB 307 1235 1010 HAWB 605580 Para esta carga foram manifestados 08 (oito) volumes, pesando 2616,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 040029484 de 26/07/2004, com Tratamento de Carga TC = 4 (carga trânsito imediato) Em 10/08/2004 foi formalizado o PAF 10831.008199/200427, interessado RODOVISA TRANSPORTES LTDA, solicitando cancelamento da DIA 04/02093216 para que a carga fosse liberada em Viracopos. A DIA 04/02093216 foi cancelada, entretanto não ocorreu o armazenamento/desembaraço da carga. VALORACÃO / IDENTIFICACAO (AL1QUOTA): MAWB 307 1235 1010 HAWB 605580 Para valoração da mercadoria extraviada MAWB 307 1235 1010 HAWB 605580 foram utilizadas informações da fatura comercial n.° BRT/PH1/DF048B (INCOTERM CPT), apresentada pelo Representante no Brasil do Transportador Aéreo INTIMACAO 253/2007 e também presente no PAF 10831.008199/200427. Tendo em vista a impossibilidade de identificação da mercadoria importada, aplicouse, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 187 5 cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (Cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos do artigo 67, caput da lei 10833/2003 Juntamse ao presente instrumento, como elementos de prova: 1) Cópia das INTIMAÇÕES EQMAF N° 253/2007, N° 356/2007 e N° 360/2007 (prorrogada e não respondida), lavrada(s) contra o transportador aéreo, INFRAERO e importador, respectivamente, em que se solicitam esclarecimentos sobre os volumes extraviados. 2) Cópia das respostas às referidas intimações, na qual não são apresentadas provas excludentes de responsabilidade pelo extravio apurado. 3) Extrato obtido do sistema MANTRA relativo ao documento de carga 4) Conhecimento aéreo MAWB 307 1235 1010 HAWB 605580 5) Consulta da carga MAWB 307 1235 1010 HAWB 605580 e Extrato da Declaração DTA 04/02093216 no Sistema Trânsito Aduaneiro 6) Cópia do PAF 10831008199/200427 7) Cotação do Dólar obtido no Sistema SISCOMEX 8) Planilha de Cálculo de PISPASEP/COFINS” Por seu turno a r. decisão recorrida fls. fls. 124/129 da 24ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem “julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido” e consubstanciado nos Autos de Infração (fls. 01/13 MPF nº 0817700/00005/08), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 12/02/2008 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento) que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. Atribuise ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 6 Nas razões de Recurso de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta e insubsistência do lançamento e da r. decisão de 1ª instância na parte em que o manteve tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva da Recorrente tendo em vista que “não realizou o transporte aéreo da carga, incontroversamente efetuado pela companhia aérea CENTURION AIR CARGO; não agenciou o transporte; não recebeu ou lhe foi confiada a mercadoria supostamente embarcada no exterior; e, ainda, não contratou e nada recebeu pelo frete aéreo”, limitandose a “prestarlhe apoio na chegada e saída de seus vôos no Aeroporto Internacional de ViracoposSP, consequentemente representandoa perante as autoridades públicas de imigração, de alfândega, de vigilância sanitária e de agricultura”; b) ainda preliminarmente a nulidade do lançamento “por erro formal decorrente de apuração indevida do valor da penalidade”, em “desrespeito aos comandos dos artigos 51, 589 e 592 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002”; c) no mérito “reitera” todos os termos e fundamentos de sua impugnação, no sentido de que “não há como prevalecer a presunção júris tantum de ocorrência do fato gerador fustigado, posto que a carga tidacomo ‘extraviada’ não entrou em território nacional”. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, mas no mérito não merece provimento. O Código Tributário Nacional claramente distingue entre a figura do contribuinte, atributo de quem realiza o fato típico ou cerne do fato gerador (art. 121, § único, inc. I do CTN), da figura do responsável tributário, qualificado como aquela terceira pessoa que, embora sempre vinculada ao fato gerador, sem revestir a condição de contribuinte, a lei atribui de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário, atribuindolhe em caráter exclusivo ou supletivo, o cumprimento total ou parcial, da referida obrigação (art. 121, § único, inc. I e art. 128 do CTN). Em suma, distinguese claramente a responsabilidade patrimonial por dívida própria, atribuída a quem realiza o fato típico ou cerne do fato gerador, denominado contribuinte, da responsabilidade patrimonial por dívida alheia, atribuída a terceiras pessoas que, embora sempre vinculadas ao fato gerador, sem revestir a condição de contribuinte, a lei obriga a responder também pela mesma prestação jurídicotributária, em caráter exclusivo, supletivo ou substitutivo. Assim a Lei Complementar expressamente autoriza à lei ordinária do ente tributante competente, a “atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação” (art. 128 do CTN). Na primeira hipótese (exclusão da responsabilidade do contribuinte) substituise a responsabilidade do contribuinte, devedor original do tributo (substituído), pela do responsável vinculado ao fato gerador da obrigação tributária original, que passa a ser o substituto tributário; na segunda hipótese (responsabilidade em caráter supletivo), por estarem vinculados e terem interesse comum na Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 188 7 situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, as pessoas do contribuinte e responsável, são solidariamente obrigadas, sendo que a referida solidariedade das pessoas, sempre expressamente designadas por lei, “não comporta benefício de ordem” (art. 124 do CTN). Nessa ordem de idéias verificase que a atribuição de responsabilidade tributária ao transportador e agentes de carga pelo extravio ou avaria de carga na importação está expressamente prevista no Decretolei nº 37/66 que, nos arts. 1º, §§ 2º, 23, § único, 32, incs. I e II e § único, inc. II, 41, inc. III, 60, inc. II e § único, estabelecem que: “Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarse á entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 3º Para fins de aplicação do disposto no § 2º deste artigo, o regulamento poderá estabelecer percentuais de tolerância para a falta apurada na importação de granéis que, por sua natureza ou condições de manuseio na descarga, estejam sujeitos à quebra ou decréscimo de quantidade ou peso. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...)” “Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento.” “Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único.É responsável solidário: .(Redação dada pela MP nº 215835, de 2001) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 8 (...) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela MP nº 215835, de 2001) (...)” “Art.41 Para efeitos fiscais, os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando: (...) III o volume for descarregado com peso ou dimensão inferior ao manifesto ou documento de efeito equivalente, ou ainda do conhecimento de carga.” “Art.60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II extravio toda e qualquer falta de mercadoria. Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.” (Revogado pela MP nº 320, 2006)” Fixadas essas premissas, desde logo verificase que a r. decisão recorrida se mostra incensurável e deu correta aplicação da lei aos fatos quando afirma: “Analisemos, inicialmente, o contexto normativo que disciplina o procedimento de conferência final de manifesto, tal como previsto pelo art. 589 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, vigente à época dos fatos: “Art. 589. A conferência final do manifesto de carga destinase a constatar extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decretolei no 37, de 1966, art. 39, § 1o).” Consoante os termos do artigo 39 do mesmo diploma legal, temos que toda mercadoria procedente do exterior, transportada por qualquer via, deve ser registrada em manifesto ou em outra declaração de efeito equivalente. A Instrução Normativa SRF n° 102, de 20 de novembro de 1994, instituiu um sistema de controle informatizado de cargas denominado “Mantra”, que atualmente disciplina os procedimentos de controle aduaneiro de carga aérea procedente do exterior, entre outras. De acordo com o art. 4° dessa norma, a carga procedente do exterior será informada no Mantra pelo transportador ou desconsolidador da carga, previamente à chegada do veículo transportador, sendo tais informações apresentadas à unidade local da SRF que jurisdiciona o seu local de desembarque. O § Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 189 9 3° do art. 4° prevê que referidas informações poderão ser complementadas, nos prazos que especifica, a saber: I – até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II– até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. Considerando que o transportador poderia ter solicitado a exclusão dos documentos de carga objeto do procedimento fiscal, dentro do prazo previsto no inciso II, concluiu a autoridade aduaneira que, em não o fazendo, as cargas foram consideradas manifestadas para os todos os efeitos legais, conforme o que determina o art. 6°, inciso I: “Art. 6º Para todos os efeitos legais, a carga será considerada manifestada junto à unidade local da SRF quando ocorrer, no MANTRA: I o registro de chegada de veículo procedente do exterior, relativamente à carga previamente informada;” Sobre o Manifesto Informatizado de Carga, esclarece o art. 11 da IN/SRF 102/94, que se trata do conjunto de registros de documentos de carga (conhecimentos de carga) relacionados a um determinado veículo chegado no território aduaneiro. Compõe referido manifesto, o conjunto das informações sobre carga manifestada a que se refere o art. 6°. Em outras palavras, temos que o manifesto é um rol ou relação dos conhecimentos de carga emitidos pelo transportador. Já o conhecimento de carga prova o recebimento da mercadoria pelo transportador, e a obrigação deste de entregála no local de destino, reputandose não escrita qualquer cláusula restritiva ou modificativa dessa prova ou obrigação (Decreto n° 19.473/1930). O procedimento fiscal de conferência final de manifesto, consubstanciado pelo confronto do manifesto com os registros de descarga, extrai tanto as informações do manifesto como aquelas da descarga do mesmo Sistema Gerencial – o Mantra Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento. No caso concreto, ao confrontar as informações constantes do manifesto informatizado da carga com aquelas relativas à sua descarga, constatou a fiscalização que as cargas relacionadas no Auto de Infração faltaram na descarga e, portanto, não foram objeto de armazenamento. Ora, se a mercadoria manifestada faltou na descarga, como o transportador tem contra si a prova de seu recebimento e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino, dele é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado. Se alguma excepcionalidade há contrária à irrepreensível lógica do raciocínio acima v.g., caso fortuito ou de força maior, essa deve ser provada pelo transportador, conforme se depreende da Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 10 leitura sistemática dos artigos 591, 592, inciso VI, parágrafo único, e 595, caput, do Decreto 4.543/2002, os quais transcrevemos: “Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): (...) VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea "d" do inciso III do art. 628; Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou força maior que possa excluir a sua responsabilidade.” Quanto às alegações apresentadas pela impugnante, no sentido de que a carga não foi extraviada, conforme comprovam: (i) declaração prestada pelo transportador, (ii) rasuras no manifesto de carga, acompanhadas de pretensas inclusão e exclusão equivocadas de “houses”; (iii) dificuldade em mais de duas toneladas e meia de carga se extraviarem na pista de pouso, não se sustentam. Primeiro, porque a declaração do transportador estrangeiro contrasta com aquela inicialmente prestada por seu representante no país, que reconheceu o extravio das mercadorias. Segundo, porque a mera declaração, aliada a rasuras no manifesto e conjecturas acerca do grau de dificuldade envolvido na extravio de carga superior a duas toneladas, evidentemente não se prestam como prova para elidir a responsabilidade tributária pelo ocorrido, conforme disciplina da matéria delineada linhas atrás. O fato é que o próprio transportador informou no sistema MANTRA a carga objeto do HAWB 605580 e, decorrido o prazo legal sem que procedesse às devidas correções, a carga considerouse manifestada para todos os efeitos legais. Significa dizer que, constatada sua falta na descarga e não armazenamento, o extravio e a conseqüente responsabilidade do transportador encontramse inexoravelmente caracterizados, a Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 190 11 menos que sejam apresentadas provas hábeis a excluir sua responsabilidade, o que não ocorreu no presente caso. Anotese, ainda, que a prova documental deve ser apresentada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o fazêlo em outro momento processual, consoante mandamento inscrito no parágrafo 4° do artigo 57 do Decreto n° 7.574/2011, verbis: “Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Ifique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” (negritamos) Em conclusão, considerando que a contribuinte não apresentou provas hábeis a refutar o extravio verificado pela fiscalização, devese reconhecer legitimidade ao lançamento realizado.” Uma vez demonstrado, o nexo de causalidade entre o transportador marítimo e o fato que ocasionou o extravio parcial da mercadoria importada antes do seu desembarque, sem que se pudesse opor as eximentes ou excludentes de responsabilidade (caso fortuito ou força maior), resta caracterizada, nos termos da legislação de regência retro transcrita, não só sua responsabilidade pelos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, mas a responsabilidade solidária pelo recolhimento destes últimos, do agente marítimo representante, no País, do transportador estrangeiro, tal como proclamado pela torrencial Jurisprudência Administrativa, e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA OCORRIDO DURANTE O TRANSPORTE. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR E DO SEU REPRESENTANTE NO PAÍS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PROPORCIONAL AO II. Os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando houver falta de mercadoria em volume descarregado com indícios de violação (sem o lacre de origem) e descarregado com peso inferior ao manifesto. É responsável solidário o agente marítimo representante, no País, do transportador estrangeiro. O extravio de mercadorias importadas constituise fato gerador do Imposto de Impostação, por força do art. 1°, caput e § 2° do DecretoLei n° 37/66. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 12 Aplicase a multa prevista no artigo 106, II, "d" do Decretolei n° 37, de 1966, quantificada em 50% do valor do imposto de importação exigível em razão do extravio de mercadorias. Recurso Voluntário Negado.” (cf. Acórdão nº 310200.609 da 1ª Câm. da 2ª Turma Ord. da 3ª Seção do CARF, Rec. nº 344233, Proc. nº 11128.003529/200405, em sessão de 23/06/04, Rel. Cons. Celso Lopes Pereira Neto) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário. 2000 VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. Demonstrado através do laudo SAT realizado em vistoria aduaneira que o transportador marítimo deu causa ao acidente que ocasionou a avaria à mercadoria importada, resta caracterizado sua responsabilidade nos recolhimentos devidos, por força do artigo 478 do RA/85 Desde o advento do DecretoLei n° 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei n° 37/96, legitimouse a responsabilidade do agente do transportador marítimo pelo crédito tributário apurado em conferência final de manifesto ou vistoria aduaneira. Recurso Voluntário Negado” (cf. Acórdão nº 310100.307 da 1ª Câm. 1ª Turma Ord. Da 3ª Seção do CARF ,Rec. nº 341.513, Proc. nº 11128.004403/0045, em sessão de 3/12/09, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo Relator) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/11/2004 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA SOB CUSTÓDIA DO DEPOSITÁRIO. FATO GERADOR DO II, IPI, PIS E COFINS. PENALIDADE. O extravio de mercadorias importadas constituise fato gerador do Imposto de Impostação, do Imposto sobre Produtos Industrializados e das contribuições para o PISImportação e CofinsImportação. Não tendo sido demonstrada a ocorrência de caso fortuito ou força maior, o depositário responde pelos tributos aduaneiros devidos, em relação às mercadorias que se encontravam sob sua custódia. Aplicase a multa prevista no artigo 106, II, "d" do Decretolei n° 37, de 1966, quantificada em 50% do valor do imposto de importação, exigível em razão do extravio de mercadorias. Recurso Voluntário Negado.” (cf. Acórdão nº 310200.547 da 1ª Câm. , 2ª Turma Ord. Da 3º Seção do CARF, Rec. nº 143.972, Proc. nº , em sessão de 17/11/09, Rel. Cons. Nilton Luiz Bartoli) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 191 13 “Vistoria aduaneira. Extravio de mercadoria. Caracterizada a responsabilidade do transportador. A agencia marítima, devidamente habilitada a atuar no processo em nome do transportador, responde por esse perante a Fazenda Nacional. Inocorrência de caso fortuito ou força maior. Recurso desprovido.” (cf. Acórdão nº 30229.895 da 2ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 106.161, Proc. nº 0845.050397/8312, em sessão de 22/05/84, rel. Cons. João Holanda Costa) VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA DE MERCADORIA. 1. É responsável pelo imposto, solidariamente, o representante no país de transportador estrangeiro, solidariedade esta que não comporta benefício de ordem (art. 32 do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pelo DecretoLei nº 2472/88 c/c art. 124, II e seu parágrafo único da Lei n º 5172/66 CTN). 2. No caso de avaria, a base de cálculo do imposto será reduzida proporcionalmente ao prejuízo, cabendo ao responsável pagar a diferença de tributos correspondente (DecretoLei nº 37/66, arts. 25 e 60 e parágrafo único; art. 482 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85). 3. Recurso negado.” (cf. Acórdão nº 30232.271 da 2ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 114.370, Proc. nº 11080.008982/9162, em sessão de 26/03/92, Rel. Cons. Elizabeth Emílio Moraes Chieregatto) Dos preceitos até aqui expostos resulta clara a insubsistência da alegação recursal de ilegitimidade passiva para responder, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no País, pelo recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas no transporte , que foi bem afastada pela r. decisão recorrida, e assim se mostra plenamente conforme com a legislação de regência e com a Jurisprudência Administrativa retro mencionada, devendo ser mantida neste particular. Entretanto, o mesmo não se pode afirmar em relação à multa punitiva de 50% pela infração de “extravio ou falta de mercadoria” prevista no art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 37/66 que, imputável exclusivamente ao transportador, não poderia ser transferida ao agente marítimo que por ela não responde. Realmente, consectário lógico do Princípio da Legalidade Penal, o Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas puníveis e as respectivas sanções delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a punibilidade de uma conduta somente se dê quando ocorra sua adequação exata ao tipo legal, sendo vedada a invocação de presunções, deduções e outras circunstâncias análogas mencionadas em outras leis distintas, não previstas expressamente na descrição da lei penal que define a infração e a sanção. Em decorrência do aludido princípio incorporado ao Direito Tributário sancionatório, a obrigação tributária que tem por objeto penalidade pecuniária, somente surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei, e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (CTN arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114). Consoante expressamente dispõe o Decretolei nº 37/66, nos arts. 106, inc. II, alínea “d”, 112, 114 e 118: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 14 “Art.106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: (...) II de 50% (cinqüenta por cento): (...) d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira;” “Art.112 No caso de extravio ou falta de mercadoria previsto na alínea "d" do inciso II do art. 106, os tributos e multa serão calculados sobre o valor que constar do manifesto ou outros documentos ou sobre o valor da mercadoria contida em volume idêntico ao do manifesto, quando forem incompletas as declarações relativas ao não descarregado. (...)” “Art.114 No caso de o responsável pela infração conformarse com o procedimento fiscal, poderão ser recolhidas, no prazo de 10 (dez) dias, independentemente do processo, as multas cominadas nos incisos III e V do art.106 bem como no art.108. “Parágrafo único. Não efetuado o pagamento do débito no prazo fixado, será instaurado processo fiscal, na forma do art. 118.” “Art. 118 A infração será apurada mediante processo fiscal, que terá por base a representação ou auto lavrado pelo Agente Fiscal do Imposto Aduaneiro ou Guarda Aduaneiro, observadas, quanto a este, as restrições do regulamento. Parágrafo único. O regulamento definirá os casos em que o processo fiscal terá por base a representação.” Dos preceitos expostos resulta claro que a multa de 50% proporcional ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria, somente se aplica a quem deu causa ao extravio ou falta de mercadoria apurados em ato de vistoria aduaneira, ou seja, ao “responsável pela infração”, no caso o transportador marítimo causador do extravio parcial da mercadoria importada antes mesmo do seu desembarque. Tratandose de responsabilidade por infração, a Lei Complementar faz clara distinção entre o tributo e sanção por ato ilícito (art. 3º do CTN) estabelecendo que “a imposição de penalidade não elide o pagamento integral do crédito tributário” (art. 157 do CTN), donde decorre que, embora o responsável tributário continue a responder (solidaria ou subsidiariamente) pela obrigação tributária principal inadimplida pelo transportador, o princípio da personalidade da sanção constitucionalmente assegurado (art. 5º, XLV da CF/88), impede que sanção eventualmente devida pelo devedor original (no caso o transportador) se transmita ou se estenda a pessoas alheias à infração, aplicandose o adágio “nemo punitur pro alieno delicto”. Não tendo praticado, participado, nem dado causa à conduta tipificada na norma capitulada na peça acusatória (“extravio ou falta de mercadoria”), não há como manter a responsabilidade do agente marítimo pela infração e respectiva multa somente imputáveis ao transportador, pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 192 15 penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer), vez que a responsabilidade por infração e respectiva multa não pode ser imputada em cadeia a terceiros não relacionados com a infração, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade, in casu incomprovada. Nessa ordem de idéias, vale lembrar ainda a preciosa lição ministrada pelo E. STJ na voz da E. Min. DENISE ARRUDA, que assentou que: “os atos da Administração Pública devem sempre pautarse por determinados princípios, dentre os quais está o da legalidade. Por esse princípio, todo e qualquer ato dos agentes administrativos deve estar em total conformidade com a lei e dentro dos limites por ela traçados. (...) A aplicação de sanções administrativas, decorrente do exercício do poder de polícia, somente se torna legítima quando o ato praticado pelo administrado estiver previamente definido pela lei como infração administrativa.(...). É descabida, assim, a aplicação de sanção administrativa à conduta que não está prevista como infração" (RMS 19.510/GO, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 3.8.2006).(...)”(cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 21274GO, Reg. nº 2006/00076016, em sessão de 26/09/06, rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 16/10/06 p. 292) Portanto, considerando que Recorrente não praticou, nem concorreu para a prática da conduta típica (“extravio ou falta de mercadoria” apurados na vistoria aduaneira) que autorizariam a aplicação da multa punitiva (art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 37/66), comprovadamente imputável ao transportador e intransferível a terceiros, impõese a exclusão da referida multa do lançamento. Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apenas para a exclusão da multa punitiva (art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 37/66) no valor de R$ 47.599,73, aplicada na ausência dos pressupostos legais, mantendo no mais a r. decisão recorrida. É como voto Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Declaração de Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 16 Em que pese o brilhante voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que concerne à responsabilidade pela infração prevista no art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 37/66, discordo do conceito que sustenta a sua tese, embora eu entenda, sob outro fundamento, que não caberia mesmo, in casu, a responsabilização da recorrente pela referida multa. Fui seguida nesse entendimento pelo Conselheiro FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, que assina conjuntamente comigo a presente Declaração de Voto. Na aplicação das normas de direito administrativo ou tributário pertinentes às infrações utilizase, por analogia, de algumas regras ordenadoras do Direito Penal, mas somente quando não as possua o direito administrativo ou tributário. De forma diferente do direito penal, no caso das infrações aduaneiras, além do próprio agente da infração, que praticou a ação ou omissão tipificada (art. 94 do Decretolei nº 37/66), podem também ser punidas outras pessoas, que serão consideradas responsáveis pela infração, em conformidade com o disposto expressamente no art. 95 do Decretolei nº 37/66, que segue transcrito: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) No entanto, no presente processo, a fiscalização não logrou êxito em identificar o enquadramento legal para a responsabilização pela infração, nem em demonstrar que a conduta da recorrente se subsumia a essa hipótese. Razão pela qual acompanhei, somente pelas conclusões, o Ilustre Conselheiro Relator na questão de exclusão da multa prevista no art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 37/66, acompanhando o seu voto nas demais matérias abordadas. É como declaro meu voto. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 10830.720033/200816 Acórdão n.º 3402002.557 S3C4T2 Fl. 193 17 (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula (Assinatura Digital) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por FERNANDO LUI Z DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assi nado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10855.722479/2013-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. PENALIDADE.
Não há que se falar em conduta antijurídica quando o contribuinte observa ordem judicial obtida por "contribuinte de fato" (substituído), determinando que não faça a retenção e o recolhimento do IPI, sob pena de crime de desobediência, circunstância que afasta qualquer tipo de cominação de penalidade.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA.
Quando "contribuinte de fato" ingressa em Juízo, sob o argumento de suportar o ônus econômico do tributo, e obtém provimento judicial que impeça os seus fornecedores de reterem e recolherem o tributo devido, tal ordem judicial constitui norma individual e concreta que desloca a responsabilidade tributária do tributo, sendo ele quem exclusivamente deu causa ao não recolhimento e ele quem tem legitimidade, reconhecida pela decisão, para responder por eventuais prejuízos ao Fisco.
A discussão judicial entre o "contribuinte de fato" e o Fisco apenas gera efeito entre ambos, fazendo "lei" entre tais partes, não envolvendo o contribuinte, sendo que em razão do artigo 811 do CPC é o "contribuinte de fato", quem deu início à discussão judicial e obteve provimento judicial em seu favor, que deve responder pela reversão da medida liminar.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. AUSÊNCIA DE COBRANÇA.
Se não há conduta antijurídica e por essa razão o afastamento das penalidades, sob o ponto de vista lógico não há que se falar em dever jurídico de recolhimento do IPI, o que impede que o contribuinte que simplesmente recebeu e cumpriu a ordem judicial obtida por "contribuinte de fato" sofra a exigência do tributo em questão por meio de atos jurídicos denominados auto de infração e de imposição de multa, pois ausente a ilicitude a fundamentar o AIIM.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. IMPOSTO COBRADO A PARTE. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA.
A cobrança dirigida ao contribuinte que recebeu e cumpriu ordem judicial ofende o próprio mecanismo de cobrança do IPI, pois como o Imposto é cobrado à parte, o contribuinte seria cobrado do Imposto (acrescido de multa punitiva e juros) que não foi repassado ao próximo elo da cadeia (contribuinte de fato), que justamente é o "contribuinte de fato", que se valeu da medida judicial para maximizar os seus lucros, não respondendo, com a autuação do contribuinte, pelo prejuízo que causou, e enriquecendo sem causa, o que é vedado em nosso Direito, ao se locupletar indevidamente de forma dupla.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. CONSULTA FORMAL.
A Consulta formal vincula o contribuinte e o Fisco e nunca o Fisco e terceiro, sendo que deve ser observada a resposta a consulta obtida pela contribuinte que expressamente determinou, em obediência às regras processuais, que em hipótese de medida liminar obtida por "contribuinte de fato" é o próprio "contribuinte de fato", quem deu causa ao não recolhimento do tributo, que arque exclusivamente com o crédito tributário, não sendo necessário que o contribuinte obtenha tantas respostas à consulta quantos os terceiros que ingressarem com ação com tal pedido. Entendimento da Secretaria da Receita Federal, ademais, se encontra em perfeita consonância com o posicionamento adotado em outros atos do mesmo Órgão e com as regras adjetivas e substantivas vigentes.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de voto, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o contribuinte do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período da vigência da tutela antecipada (excluir do lançamento as saídas sem destaque do imposto ocorridas entre janeiro de 2009 e 11 de janeiro de 2010). Vencido o Conselheiro Jorge Freire que negou provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim apresentou declaração de voto. Sustentou pela Recorrente o Dr. Alessandro Barreto Borges, OAB/SP 196.401.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Freire, Ivan Alegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. PENALIDADE. Não há que se falar em conduta antijurídica quando o contribuinte observa ordem judicial obtida por "contribuinte de fato" (substituído), determinando que não faça a retenção e o recolhimento do IPI, sob pena de crime de desobediência, circunstância que afasta qualquer tipo de cominação de penalidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. Quando "contribuinte de fato" ingressa em Juízo, sob o argumento de suportar o ônus econômico do tributo, e obtém provimento judicial que impeça os seus fornecedores de reterem e recolherem o tributo devido, tal ordem judicial constitui norma individual e concreta que desloca a responsabilidade tributária do tributo, sendo ele quem exclusivamente deu causa ao não recolhimento e ele quem tem legitimidade, reconhecida pela decisão, para responder por eventuais prejuízos ao Fisco. A discussão judicial entre o "contribuinte de fato" e o Fisco apenas gera efeito entre ambos, fazendo "lei" entre tais partes, não envolvendo o contribuinte, sendo que em razão do artigo 811 do CPC é o "contribuinte de fato", quem deu início à discussão judicial e obteve provimento judicial em seu favor, que deve responder pela reversão da medida liminar. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. AUSÊNCIA DE COBRANÇA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 24 79 /2 01 3- 64 Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Se não há conduta antijurídica e por essa razão o afastamento das penalidades, sob o ponto de vista lógico não há que se falar em dever jurídico de recolhimento do IPI, o que impede que o contribuinte que simplesmente recebeu e cumpriu a ordem judicial obtida por "contribuinte de fato" sofra a exigência do tributo em questão por meio de atos jurídicos denominados auto de infração e de imposição de multa, pois ausente a ilicitude a fundamentar o AIIM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. IMPOSTO COBRADO A PARTE. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. A cobrança dirigida ao contribuinte que recebeu e cumpriu ordem judicial ofende o próprio mecanismo de cobrança do IPI, pois como o Imposto é cobrado à parte, o contribuinte seria cobrado do Imposto (acrescido de multa punitiva e juros) que não foi repassado ao próximo elo da cadeia (contribuinte de fato), que justamente é o "contribuinte de fato", que se valeu da medida judicial para maximizar os seus lucros, não respondendo, com a autuação do contribuinte, pelo prejuízo que causou, e enriquecendo sem causa, o que é vedado em nosso Direito, ao se locupletar indevidamente de forma dupla. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. CONSULTA FORMAL. A Consulta formal vincula o contribuinte e o Fisco e nunca o Fisco e terceiro, sendo que deve ser observada a resposta a consulta obtida pela contribuinte que expressamente determinou, em obediência às regras processuais, que em hipótese de medida liminar obtida por "contribuinte de fato" é o próprio "contribuinte de fato", quem deu causa ao não recolhimento do tributo, que arque exclusivamente com o crédito tributário, não sendo necessário que o contribuinte obtenha tantas respostas à consulta quantos os terceiros que ingressarem com ação com tal pedido. Entendimento da Secretaria da Receita Federal, ademais, se encontra em perfeita consonância com o posicionamento adotado em outros atos do mesmo Órgão e com as regras adjetivas e substantivas vigentes. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de voto, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o contribuinte do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período da vigência da tutela antecipada (excluir do lançamento as saídas sem destaque do imposto ocorridas entre janeiro de 2009 e 11 de janeiro de 2010). Vencido o Conselheiro Jorge Freire que negou provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim apresentou declaração de voto. Sustentou pela Recorrente o Dr. Alessandro Barreto Borges, OAB/SP 196.401. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 32 3 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Freire, Ivan Alegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa Cervejaria Petropolis S/A, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$ 120.085.189,63, acrescido de multa de ofício proporcional em função de saldo devedor de IPI sem cobertura de crédito no montante de R$ 180.127.784,52, de multa de ofício em relação ao IPI não lançado mas com cobertura de crédito no valor de R$ 50.287.475,99 e dos juros de mora de R$ 36.364.751,32, totalizando a exigência de R$ 386.865.201,46. Restou comprovada a saída de mercadoria de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 sem o lançamento de IPI em notas fiscais em virtude da utilização indevida de suspensão de exigibilidade do IPI por força de medida judicial no âmbito de Ação de Procedimento Ordinário com Pedido de Antecipação de Tutela (processo nº 200451100064866) concedida em 28/10/2004 e cassada em 11/01/2010 (IPI não lançado). Em razão da ação fiscal, foi empreendida a recomposição dos saldos da escrita fiscal do contribuinte até o fim de 2010. De 01/01/2009 a 31/01/2010, constatou a fiscalização que o contribuinte irregularmente não efetuou o destaque do IPI nas notas fiscais. Desta análise, temse que parte dos débitos estavam acobertados com créditos de IPI, resultando no lançamento de multa pela falta de destaque do imposto com cobertura de créditos nos documentos fiscais (não há a cobrança do tributo em razão da existência de créditos de IPI) no valor de R$ 50.287.475,99, detalhado à fl. 1758. Ainda de 01/01/2009 a 31/01/2010, verificouse que a outra parte dos débitos, sem destaque de IPI nas notas fiscais, estavam sem cobertura de créditos de IPI. Ademais, no período de 01/02/2010 a 31/12/2010, em que pese o contribuinte destacar o imposto nas notas fiscais, o tributo não foi recolhido aos cofres públicos (IPI lançado e não recolhido). Desse Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 saldo devedor de IPI, foi exigido o imposto (R$ 120.085.189,63), multa proporcional (R$ 180.127.784,52) e juros de mora sobre o principal (R$ 36.364.751,32), com detalhamento à fl. 1760. Pela pertinência, a seguir alguns trechos do Relatório Fiscal: Os procedimentos fiscais realizados tiveram por enfoque a verificação de lançamento do IPI pelo contribuinte nas saídas de mercadorias classificadas no Capítulo 22 da Tipi, produzidas no seu estabelecimento industrial, sem o devido destaque do tributo nas Notas Fiscais de Saída, com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, cujos efeitos foram cassados em 11/01/2010; O presente relatório fiscal aterseá a análise das saídas de produtos industrializados efetuadas pelo estabelecimento CNPJ nº 73.410.326/000322 no período de jan/2009 a dez/2010; O contribuinte em tela já foi anteriormente autuado por promover a saída do seu estabelecimento de produtos tributados sem o respectivo lançamento de IPI, utilizandose do expediente relativo ao período de jan/2005 a maio/2007, do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0811000200700224, e no período de jan/2008, já pelo presente Mandado de Procedimento Fiscal. A contribuinte apresentou Impugnação, em que alega o seguinte: i) O auditor fiscal utiliza como momento para a autuação fundamentos conflitantes entre si, já que deixou de observar que a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de IPI decorrentes das saídas com destino a autora de ação judicial se deu exclusivamente por determinação judicial (fundamento no art. 151, V, do CTN); ii) O agente fiscal esqueceu que, estando o crédito tributário sujeito aos efeitos de uma medida judicial, prevalecem sobre estas consequências não levadas em consideração na autuação, como as questões delineadas na Solução de Consulta nº60/2006, que tratam da ausência de responsabilidade da impugnante nos casos em que não for parte em ação judicial (arts. 472 e 811 do CPC); iii) O IPI não recolhido à época por determinação judicial não pode ser exigido da impugnante, uma vez que não sendo parte no processo judicial de onde se emanou a determinação que suspendeu a exigibilidade do imposto, não pode arcar com o insucesso na demanda; iv) Relativamente ao período de 28/02/10 a 31/12/10 em que o Sr. AFN reestruturou os créditos de IPI por força da imputação dos débitos no período de 01/01/09 até 01/01/10, comete o mesmo pecado, ao desconsiderar os efeitos da liminar e exigir o imediato recolhimento sem a possibilidade de compensação do IPI acumulado em virtude do cumprimento da medida judicial; v) Com relação às multas aplicadas, aduz que houve a aplicação de multas qualificadas de duas naturezas distintas, ambas no importe de 150% sobre o valor do débito supostamente devido, estas, além de não serem aplicáveis (acessória) em razão de não haver imposto devido pela impugnante (principal), as multas qualificadas são nulas por não terem sido motivadas pela autoridade autuante, e por não se enquadrarem nos fundamentos legais; vi) No mérito, não devem persistir o lançamento do IPI exigido, pois, este foi objeto da ação judicial da empresa Leyroz em face da União Federal, sendo assim, Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 33 5 não pode ser cobrado da impugnante, por: a) a impugnante é terceira não participante do processo; b) a impugnante formulou consulta à RFB, visando obter entendimento sobre a aplicação dos artigos 472 e 811 do CPC em relação a sua responsabilidade interposta pelo contribuinte de fato; c) o SR. AFR não tem poder nem competência para se insurgir e desconsiderar decisão judicial com efeitos reflexos; vii) A determinação judicial estava vigente e eficaz para produzir seus regulares efeitos de direito, desta forma, pouco importa quais os efeitos produzidos pela nova decisão monocrática proferida pelo Ministro do Superior Tribunal de Justiça, mencionada pelo auditor fiscal, uma vez que os fatos geradores abrangidos pelo auto de infração não somente são anteriores a esta decisão como também estavam albergados pela determinação judicial que vigorou até janeiro de 2010; viii) É incabível a reestruturação dos créditos do IPI do período 28/02/2010 a 31/12/2010 em virtude da ausência de responsabilidade quanto ao objeto da referida ação judicial; com o recebimento da comunicação a Impugnante deixou de destacar no documento fiscal o tributo devido ao cliente (Leyroz), porém o importe pago pela Impugnante, e utilizado na apuração do imposto continuou a ser contabilizada em consonância ao princípio da não cumulatividade, observandose que a empresa Leyroz não era sua única cliente; ix) No período de 28/02/10 a 31/12/10 a Impugnante utilizouse dos créditos tributários suspensos para compensação do tributo devido no período; x) Com relação aos efeitos da solução de consulta, verificase que a análise da autoridade competente para responder à consulta formulada pela impugnante, versou sobre a responsabilidade do contribuinte de direito (indústria) em caso de interposição de ação pelo contribuinte de fato (distribuidora), à luz do ordenamento jurídico posto, concluindo a autoridade administrativa não haver qualquer responsabilidade da indústria frente ao eventual insucesso nas demandas judiciais de que não fez parte; xi) A Administração Pública e o próprio AFR emitiu decisões, sempre com o entendimento de que a responsabilidade tributária, como na hipótese dos autos, deverá ser imposta exclusivamente ao contribuinte de fato, ou seja, à distribuidora, autora da ação; xii) Neste passo, qualquer restrição aos direitos da impugnante não prevista em lei configura violação ao princípio da legalidade; xiii) O auto de infração bate de frente contra a decisão judicial, e não pode prevalecer sobre esta, sob pena de atentar contra o monopólio da jurisdição e até contra a tripartição de poderes, pois, o executivo estará invadindo seara do Poder Judiciário desrespeitando suas decisões; xiv) Quanto a multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, diz que é totalmente ilógica a aplicação da multa de 150%, amparada em dispositivo legal revogado há mais de 5 anos, apontandose ainda, como período do fato gerado, período de apuração anterior ao período autuado, ocorridos com relação à 01/01/1997 a 15/06/2007; xv) Se já estão sendo cobrados impostos e multa qualificada, não há que se aplicar outra multa, pois, haveria dupla penalização da impugnante, sem qualquer fundamentação legal; Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 xvi) Quanto a multa qualificada de 150% sobre o valor do crédito tributário, alega por fim a empresa que, na hipótese em que o imposto seja devido, que não é o caso da presente autuação, a multa será qualificada somente quando ocorrer a reincidência especifica, ou mais de uma circunstância agravante previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502. A DRJ em seu acórdão afirma que quanto a alegação de indevida constituição dos créditos tributários de IPI suspensos por determinação judicial, não houve cessação do efeito suspensivo conferido à apelação da União, conforme o Ofício nº 1174/2013/DIAJU/PSFN/SOR encaminhado, em 09/05/2013, ao SEFIS/DRF/SOR, tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestado no sentido de plena exigibilidade do crédito tributário. Entende que, não merecem prosperar os argumentos apresentados pela impugnante, diante da suspensão dos efeitos da liminar que afastava a exigibilidade do IPI. A contribuinte, segundo afirmou, confunde os efeitos da decisão com entendimento de extinção do tributo no lugar da suspensão de sua exigibilidade. Em seguida, a defesa alega que no período de 28/02/2010 a 31/12/2010 utilizouse dos créditos tributários suspensos para compensação do tributo devido no período. Mas, com a suspensão da liminar e com a reescrita fiscal do contribuinte, os créditos de IPI do período anterior, janeiro/2009 a janeiro/2010, foram integralmente utilizados para reduzir o saldo devedor. Assim, o saldo credor de períodos anteriores para o ano calendário de 2010 foi integralmente utilizado, razão pela qual evidenciouse saldo devedor do imposto naquele ano calendário, exigido por meio do lançamento do imposto e da multa de ofício proporcional. No tocante à indevida constituição dos créditos tributários de IPI diante de solução de consulta, afirma a Autoridade Fazendária que a impugnante mantinha relações comerciais com as empresas JM Indústria Comércio e Logística e Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda., e estas, individualmente, ajuizaram ações judiciais, obtendo decisões distintas. A empresa JM obteve sentença favorável, porém perdeu sua eficácia com o acórdão proferido na respectiva apelação interposta pela Fazenda Nacional; quanto a empresa Leyroz, obteve antecipação de tutela favorável, posteriormente, como visto, houve a atribuição, pelo TRF da 2ª Região, do efeito suspensivo à apelação da União, com o sobrestamento dos efeitos da antecipação de tutela citada acima. A impugnante, ciente das decisões proferidas nas duas ações judiciais optou por realizar consulta somente com relação à primeira ação judicial, a da JM. Alega a impugnante que a solução dada à consulta relativa à JM se aplicaria às operações que envolveram a Leyroz. Contudo, a solução de consulta formulada pela impugnante somente se aplicaria às saídas de mercadorias destinadas à empresa JM, pois somente essa situação foi levada (fls. 43 a 49 do processo de consulta nº 13748.000523/2005 87, em apenso) ao conhecimento da autoridade responsável pela resposta à consulta. A decisão jamais afastou a aplicação da tributação das operações, optando por apenas suspender a exigibilidade. Com o fim de sua eficácia em janeiro de 2010, a situação retornou a sua condição normal de exigibilidade, estando totalmente correto o lançamento dos débitos decorrentes das saídas para esse adquirente. Feitas estas considerações, entende a DRJ que, mais uma vez, não deve prosperar a linha argumentativa da defesa. Quanto às multas de ofício aduz que, esta decorre Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 34 7 sempre de uma irregularidade fiscal praticada pelo sujeito passivo e não espontaneamente por ele sanada, sendo que, posteriormente, tal infração é descoberta/constatada pelo Fisco em procedimento regular de fiscalização, cabendo a este, por dever de ofício, aplicar sobre o infrator a sanção pecuniária correspondente. Em relação ao primeiro período (1 Fato Gerador 31/01/2009 a (31/01/2010), a multa de ofício para a mencionada infração é proporcional ao IPI não lançado na nota fiscal, incidindo sobre todas as operações praticadas pela contribuinte com essa irregularidade. Explica a DRJ que a única implicação advinda dessa apuração, efetuada de ofício, de saldo devedor ou credor do IPI é uma divisão no auto de infração, meramente operacional, daquela multa de ofício sobre o IPI não lançado, feita pelo sistema eletrônico da Receita Federal que processa a lavratura do auto de infração. Tal sistema divide a aludida multa de ofício em duas rubricas no auto de infração: a) multa de ofício sobre o IPI não lançado sem cobertura de crédito e b) multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. A rubrica “a” trata do valor da multa de ofício proporcional à parcela do IPI não lançado na nota fiscal que, na reconstituição da escrita feita pelo Fisco, ensejou a apuração de saldo devedor do imposto. Ou seja, tal rubrica corresponde ao valor da multa de ofício proporcional à parcela do IPI não lançado que, registrado a débito na reconstituição da escrita fiscal, excedeu, no período de apuração, o montante dos créditos escriturais admitidos, redundando em saldo devedor e IPI a ser exigido de ofício no auto de infração. A rubrica “b” corresponde ao valor da multa de ofício proporcional à parcela do IPI não lançado na nota fiscal (débito de IPI) que, no confronto escritural implementado pelo Fisco na reconstituição da escrita, foi absorvida pelos créditos admitidos do período de apuração. A soma destes dois valores totaliza o montante da multa de ofício aplicada sobre as operações irregulares. No segundo período (2 Fato Gerador 28/02/2010 a 31/12/2010), como o contribuinte lançou o imposto nos documentos fiscais, teremos apenas a multa de ofício proporcional ao imposto não recolhido, decorrente de saldo devedor apurado, inexistindo a diferenciação informada para o lapso inicial. Portanto, novamente não há amparo a alegação da impugnante no sentido de que houve no lançamento de ofício aplicação dúplice da multa de ofício. Ocorreu a aplicação de multas de ofício distintas, uma pelo fato de não ter sido destacado o IPI nas notas fiscais e outra por não ter sido recolhido o saldo devedor; sendo assim, a falta de lançamento ou recolhimento do IPI sujeitase à multa de ofício de 75%, percentual que deve ser duplicado (150%) se houver sonegação, fraude ou conluio. A defesa alega que “não há qualquer reiteração de conduta, pois, a impugnante apenas deixou de recolher o IPI nas saídas à empresa distribuidora por determinação judicial e em um período único, sem intervalos ou interrupções”, tendo a fiscalização dividido a autuação em 3 períodos distintos. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Neste ponto, de fato, entendese que não restou configurada a conduta reiterada, uma vez que se trata de conduta praticada em um único lapso temporal, decorrente de uma única ação judicial, dividida em 3 autuações distintas por critério exclusivo da autoridade fiscalizadora. Assim sendo, a DRJ entende que não há como moldar a conduta do autuado aos tipos infracionais que ensejaram o lançamento da multa de 150% objeto da autuação. Neste caminho, em obediência ao princípio da estrita tipicidade na aplicação de penalidades, deve ser aplicada a multa de ofício ordinária, de 75%, com fulcro no art. 80, caput, da Lei nº4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007. Conclui a DRJ por considerar parcialmente procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração, exonerando o contribuinte do valor de R$ 115.207.630,21, referente à multa de ofício majorada (150%) aplicando a multa de ofício ordinária apenas (75%), mantendo integralmente a exigência principal e os juros de mora. A empresa apresentou Recurso Voluntário em que reitera a sua Impugnação, reforçando suas alegações acerca de sua condição de terceira no processo judicial e da ausência de responsabilidade quanto ao objeto da referida ação, e defende que o IPI não pode ser dela exigido, tendo em vista que no período em que estava vigente a determinação judicial sob pena de descumprimento de ordem judicial. Defende ainda os efeitos da solução de consulta nº 60/2006 que afastou a responsabilidade sobre os créditos tributários que foram objeto da ação judicial pela JM, e que apesar da consulta não se referir a Leyroz os fundamentos de direito seriam idênticos, motivo pelo qual a consulta deveria ser aplicada. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, em que defende requer seja negado provimento ao Recurso da Recorrente, repisando o fundamento do acórdão da DRJ e, adicionalmente, discorrendo que o STJ vem decidindo, de forma pacífica, inclusive em sede de recurso repetitivo, sobre a ilegitimidade das distribuidoras figurarem no pólo ativo para pleitearem a devolução do IPI. E, por essa razão, apenas a Recorrente poderia, na qualidade de contribuinte do imposto, figurar no pólo passivo da exigência fiscal. Importante ressaltar que o objeto do Recurso Voluntário foi devidamente identificado acima, e se refere à exigência do IPI e à aplicação de multa de ofício em dois períodos distintos, havendo ainda Recurso de Ofício, decorrente da redução da multa de ofício qualificada de 150% para 75%, conforme a Decisão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 35 9 O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A matéria ora tratada é exclusivamente de Direito. Os fatos são certos e claros, conforme descritos no Relatório. Ou seja, a empresa Leyroz de Caxias Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda. ("Leyroz") ingressou com Ação Judicial (Ação de procedimento ordinário com pedido de antecipação de tutela processo n 2004.51100064866) perante a 4 Vara Federal de São João do Meriti/Rio de Janeiro, e obteve medida liminar que vigorou de 28 de outubro de 2004 até 11 de janeiro de 2010, quando os efeitos de sua medida foram cessados por decisão em Agravo de Instrumento proferida pelo Tribunal Regional Federal. Mencionada Liminar foi concedida com “o fim de suspender a exigibilidade do IPI incidente nas aquisições dos produtos que a parte autora realizar junto a seus fornecedores”, dentre os quais a Recorrente, que, nesse período, passou a emitir nota fiscal sem o destaque do IPI nas vendas realizadas pela Leyroz, em estrita observância à ordem judicial. A Recorrente, por medida de cautela, formulou ainda Consulta formal perante a Receita Federal, em que, sem determinar o nome do contribuinte "de fato" relatou discussão (fls. 1833/1837) idêntica àquela proposta pela Leyroz, obtendo a resposta de que não teria qualquer responsabilidade sobre o Imposto que deixou de ser recolhido em virtude do reconhecimento judicial da legitimidade processual da "contribuinte de fato". Tendo em vista que a Autoridade Fazendária já havia autuado a Recorrente sobre esse mesmo fato, em duas oportunidades anteriores, divididas simplesmente pelo período a exclusivo critério da fiscalização, a Recorrente foi novamente autuada em face da revogação da liminar da Leyroz, sendo, por conseguinte, alvo da exigência do IPI não recolhido no período compreendido entre 31 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2010, eis que mesmo após a revogação da liminar a Recorrente, que possuía crédito de IPI, não recolheu o Imposto sobre Produtos Industrializados em decorrência de sua própria apuração. O primeiro período, de 31 de janeiro de 2009 a 31 de janeiro de 2010, refere se ao período em que a Recorrente teria, na visão da Fiscalização, promovido a saída de mercadorias sem imposto, em razão da medida liminar. O segundo período compreende 28 de fevereiro de 2010 a 31 de dezembro de 2010, em que a Autoridade Fazendária reputou, portanto, que os créditos tomados pela Recorrente seriam indevidos, e por essa razão a ausência de recolhimento do Imposto. Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 A Autoridade Fazendária aplicou, ainda, multa de ofício de 150%, posteriormente reduzida pela DRJ, nos diferentes períodos acima ilustrados, sendo que em relação ao primeiro período (1 Fato Gerador 31/01/2009 a 31/01/2010), a multa de ofício, denominada MULTA PROPORCIONAL no Auto de Infração, para a mencionada infração é proporcional ao IPI não lançado na nota fiscal, incidindo sobre todas as operações praticadas pela contribuinte com essa suposta irregularidade. Relativamente ao segundo período, a multa é denominada no auto de infração como MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO, que corresponde ao valor da multa de ofício proporcional à parcela do IPI não lançado na nota fiscal (débito de IPI) que, no confronto escritural implementado pelo Fisco na reconstituição da escrita, foi absorvida pelos créditos admitidos do período de apuração. Dessa forma, discutese nos presente processo se a Recorrente pode ser alvo de cobrança do IPI e acréscimos legais que não foram destacados em nota e tampouco recolhidos em estrita observância a ordem judicial emanada em processo promovido pela empresa Leyroz. E, ainda, se ela deve responder por qualquer tipo de penalidade, por ter cumprido a ordem judicial obtida pela Leyroz, motivo pela qual ela não destacou o IPI na nota fiscal no período em que a liminar vigorou, tendo posteriormente utilizado os créditos fiscais decorrentes da suspensão da exigência do IPI nas vendas para a Leyroz. Penalidade Multas de Ofício Por outro lado, a pretensão fiscal, originada de uma desconfiança quanto a eventual conluio havido entre a Recorrente e a Leyroz, o qual não foi, em nenhum momento, comprovada nos presentes autos, e que se sustenta pela cassação da medida liminar obtida pela Leyroz, fazendo com que, na visão da Fiscalização, a situação concreta retornasse ao seu "status quo ante". Ou seja, de acordo com a Fiscalização, revogada a liminar, uma decisão provisória, o IPI deveria ter sido destacado e recolhido em relação ao passado e, por essa razão, a exigência do Imposto da Recorrente e a aplicação de penalidade punitiva e cobrança de juros de mora. Já tive a oportunidade de analisar caso semelhante, envolvendo distribuidora de combustível de um lado e a Petrobrás, de outro, em que me manifestei acerca de escandalosa decisão obtida pela pessoa jurídica, no Estado do Rio de Janeiro, sem o oferecimento de uma contracautela ou qualquer outra medida capaz de evitar dano ao Erário, conforme, aliás, faculta a legislação processual em hipóteses de decisão provisória. Nessa ocasião, conforme consubstanciado no Acórdão nº 3403003.183, julgado por unanimidade por este Colegiado, que tinha como pano de fundo auto de infração lavrado em face de substituído tributário (distribuidor), no setor de combustíveis, esta Turma não conheceu do Recurso Voluntário em razão da discussão judicial anterior promovida pelo contribuinte que, a exemplo desse caso, obteve escandalosa medida liminar, que determinou a não retenção e recolhimento do IPI em face da Petrobrás. Utilizandose de eufemismo, no mínimo, estranha a decisão judicial obtida pela Leyroz, que, por incrível que pareça, vigorou por longo período, de outubro de 2004 a janeiro de 2010 mais do que 5 anos , o que igualmente chama a atenção, sem que tenha sido revogada anteriormente pelo Poder Judiciário. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 36 11 No presente caso, claro está que a Recorrente, conforme determina a legislação especificamente para o setor de bebidas, é a responsável tributária do Imposto sobre Produtos Industrializados, devendo destacar o IPI em sua nota fiscal, efetuar a retenção do IPI e o recolhimento antecipado, sendo os demais integrantes da cadeia comercializadora como substituídos, de modo que, idealmente, o peso econômico do tributo seja arcado pelo contribuinte final, o consumidor. Essa digressão se faz relevante para deixar claro que a Leyroz, inicialmente, na qualidade de substituída, passou adquirir os produtos da Recorrente por um preço bem inferior ao que praticado no mercado, justamente porque obteve medida liminar dirigida a todos os seus fornecedores, inclusive a Recorrente, que determinava a não retenção e recolhimento do Imposto. E por essa razão, no período em que vigorou a liminar, por conta da não retenção e do não recolhimento que ela deu causa, certamente auferiu lucro muito superior às demais distribuidoras do mercado, concorrendo em desigualdade de condições em razão da decisão judicial. Por outro lado, ao contrário do defendido pela Recorrente, a decisão judicial obtida pela Leyroz lhe gerou sim impacto de ordem financeiro, pois passou a realizar desembolsos para o recolhimento do IPI em valores inferiores àqueles que estava acostumada a fazêlo. E esse impacto financeira, posteriormente, acabou tendo reflexos econômicos, pois em razão da ausência de retenção e consequente recolhimento do Imposto em observância à decisão judicial, passou a acumular créditos do IPI, os quais foram, em parte transferidos para a sua filial no Rio de Janeiro, e que, posteriormente, foram utilizados para pagamento do IPI no segundo período de apuração. A simples análise dessas circunstâncias econômicofinanceiras afasta, de pronto, o conluio inicialmente alegado pela Autoridade Fazendária e que em nenhum provado, sequer resvalando em indício de prova , que, digase de passagem, foi rechaçado pela DRJ, que, por outro lado, entendeu que não havia reincidência na conduta da Recorrente, pois havia, sem interrupção, observado a medida liminar, ao passo que os autos de infração anteriores decorreram do exclusivo arbítrio da Fiscalização. Por essa simples razão, ingressando efetivamente no mérito, não vejo como a Recorrente possa ser apenada pela Autoridade Fazendária, posto que agiu em estrita observância à determinação judicial obtida por terceira empresa, a Leyroz. Em outras palavras, juridicamente, não consigo enxergar ato ilícito praticado pela Recorrente, pois, ainda que decisão judicial seja suspeita, ela é válida, pois emanada por órgão competente em conformidade com o procedimento previsto para tanto, fundado, pois, no Código de Processo Civil, que dispõe sobre a concessão de tutela antecipada em seu artigo 273, conforme segue: Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e: (Redação dada pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 12 I haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) II fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 1o Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as razões do seu convencimento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 2o Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de irreversibilidade do provimento antecipado. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 3o A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e conforme sua natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461, §§ 4o e 5o, e 461A. (Redação dada pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) § 4o A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 5o Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final julgamento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 6o A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles, mostrarse incontroverso. (Incluído pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) § 7o Se o autor, a título de antecipação de tutela, requerer providência de natureza cautelar, poderá o juiz, quando presentes os respectivos pressupostos, deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado. (Incluído pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) E a Recorrente, longe de ter cometido um ilícito, de acordo com a prova dos autos, apenas observou a tutela antecipada concedida pelo Juízo Federal, tutela esta que, como dito anteriormente, curiosamente, vigorou por mais de 5 (cinco) anos. Não havendo ato ilícito por parte da Recorrente, que não figurou no pólo ativo da Ação e não guarda nenhuma relação com a discussão judicial, não há que se falar em imposição de penalidade, muito menos de aplicação de multa de ofício pelo fato de a Recorrente não ter efetuado o destaque do IPI na nota fiscal, no primeiro período, diretamente decorrente da medida liminar, nem de ter utilizado crédito fiscal acumulado de períodos anteriores, em decorrência de suas vendas com suspensão do Imposto. O inciso V, do artigo 97 do Código Tributário Nacional dispõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos ou para outras infrações nela definidas: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 37 13 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. E não há dispositivo legal que preveja a inflingência de multa a contribuinte que tenha observado e cumprido ordem judicial que lhe foi dirigida, pois, naturalmente, não seria esse o contribuinte que deu azo à ordem judicial, não tendo ele contrariado dispositivo legal ou cometido qualquer infração. Não há ato antijurídico praticado pela Recorrente! Dessa forma, antes mesmo de adentrar no tópico da exigência do Imposto, não vejo como a cobrança das multas de ofício veiculadas no auto de infração podem subsistir, uma vez que a Recorrente não cometeu nenhum ato ilícito ao ter observado religiosamente a ordem que lhe foi dirigida por autoridade judicial. Dessa forma, afasto as exigências consubstanciadas na MULTA PROPORCIONAL e MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO, que, haviam sido reduzidas para 75% pela DRJ. Imposto No tocante à exigência do Imposto, pertine observar, de início, que essa Turma, em sua anterior composição, julgou, de forma unânime, por meio do Acórdão 3403 002.567, nos autos de processo n 15563.720300/201171, em que foi Relator o Conselheiro Domingos de Sá Filho, hipótese idêntica à havida nos presentes autos, porém em sede de Recurso de Ofício, decidindo então pela manutenção da decisão da DRJ que havia anulado o Auto de Infração, in verbis: Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 14 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 10/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Sendo deficiente a descrição dos fatos, realizada em termo de verificação fiscal, e o evidente descompasso entre esta e o auto de infração configura vício que impossibilita o amplo direito de defesa do autuado, impondo a inevitável declaração de nulidade do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Em seu voto, o Eminente Conselheiro, seguido pelos seus Doutos pares, assim se manifestou: No caso dos autos por tratarse de distribuidoras de bebidas ao adquirir o produto industrializado da fabricante para posterior revenda ao comerciante final, suporta o encargo financeiro do IPI, em razão da obtenção do provimento judicial que manda afastar a exigência, passando as distribuidoras, a ostentar a condição de contribuinte de fato, por tanto, nessa condição, a distribuidora, passa desfrutar de legitimidade para questionar base de cálculo e perseguir possíveis direitos decorrente dessa transação, assim como, é responsável pelos tributos não recolhidos. Assim, no caso aqui tratado não pode atribuir ao contribuinte de direito, fabricante, bem como, os administradores, a responsabilidade da obrigação tributária. Por tanto, há de manter intacta a decisão recorrida por ter dado contorno jurídico acertado a questão por seus próprios fundamentos. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. A hipótese dos presentes autos é exatamente a mesma, com a diferença que, nessa ocasião, a DRJ manteve o Auto de Infração, apenas reduzindo as multas punitivas aplicadas de 150% para 75% pelo fato da conduta da Recorrente não poder ser enquadrada, de nenhuma forma, como reiterada, vez que apenas observou a ordem judicial, pois caso assim não o fizesse seus diretores responderiam por crime de desobediência. Na ocasião do julgamento, decidiu a Turma que não poderia a Recorrente, na qualidade de contribuinte de direito, responder pela obrigação tributária em razão da discussão judicial promovida exclusivamente pela distribuidora, contribuinte de fato. Julgo relevante distinguir precisamente a figura da Recorrente e da Leyroz perante o Fisco, pois ainda que adotemos a denominação contribuinte de direito e contribuinte de fato, fazse necessária perquirir quem efetivamente seria o contribuinte do Imposto e se há quem possa ser qualificado como responsável tributário. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 38 15 Inclusive porque a denominação "contribuinte de direito" e "contribuinte de fato" não é rigorosamente jurídica, mas sim econômicofinanceira, sendo necessária a investigação sobre o que realmente significa ser contribuinte de direito ou de fato no presente caso. Ora, da maneira em que se dá a incidência do IPI sobre bebidas, ressaltamos, a Recorrente, na qualidade de industrializadora (que seria naturalmente a contribuinte do Imposto), é expressamente designada pela legislação como a responsável pela retenção do Imposto, abrangendo toda a cadeira de comercialização, e por seu recolhimento antecipado. E os distribuidores atacadistas, substituídos, seriam os verdadeiros contribuintes do IPI, e daí a denominação utilizada pelo Conselheiro Domingos de Sá Filho, contribuinte de fato (distribuidora) e contribuinte de direito (responsável tributário) para a Recorrente. Pois bem. Analisando inicialmente o caso, me deparei com dois caminhos interpretativos. O primeiro, que a decisão liminar obtida não transfere ou suprime a condição de responsável da Recorrente, mas apenas incluiria no pólo passivo a Leyroz, de modo que a Fiscalização deveria cobrar desta última empresa o Imposto não recolhido no período da liminar, inclusive porque foi ela quem deu origem ao não recolhimento do IPI, sendo possível a cobrança da Recorrente de forma solidária. Nessa senda interpretativa, em razão da patente ausência de prática de ato ilícito por parte da Recorrente naturalmente as multas de ofício aplicadas deveriam ser afastadas, pelas razões acima descritas. A segunda interpretação, por sua vez, admite que a decisão judicial obtida pela Leyroz constitui norma individual e concreta que incide, naquele caso específico, na relação jurídicotributária, em que a Leyroz, substituída, alegando suportar todo o ônus econômico do tributo, se torna pela decisão judicial como a única responsável pela não retenção e não recolhimento do Imposto, passando então a figurar exclusivamente como contribuinte na relação jurídico tributária, no período em que a decisão judicial vigorou. Nesse caso, a norma individual e concreta decorre do mandamento de que a sentença (e os efeitos da Decisão) faz Lei entre as partes, em conformidade com os dispositivos do Código de Processo Civil, que serão relacionados no corpo do presente voto. Colocando os dois raciocínios à prova lógica, de pronto transparece o desacerto da primeira interpretação. O primeiro motivo residiria no próprio Auto de Infração e Imposição de Multa, que, exceto no caso de AIIM realizado para prevenir a decadência, constitui um instrumento de lançamento consubstanciado em dois atos jurídicos, em que a Fiscalização, tendo como pressuposto uma conduta antijurídica, exige o tributo devido e aplica a multa correspondente. Ora, no presente caso, é inquestionável que a Recorrente não praticou nenhuma conduta antijurídica, o que seria condição indispensável para sofrer uma autuação, de modo que se concluo que a multa não pode ser dela exigida pela ausência de prática de ilícito, a Recorrente nunca poderia figurar no pólo passivo de uma lançamento. Assim, me parece que a segunda interpretação é a mais adequada, tendo sido inclusive referendada pela Receita Federal do Brasil, como será tratado adiante, pois, se admitir Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 16 o contrário, estaria obrigando a Recorrente, que observou uma ordem judicial travada por terceira empresa (Leyroz), a responder financeira e economicamente pelo prejuízo ao Erário provocado por terceiro. Ou seja, subverteria totalmente a ordem jurídica, responsabilizando a Recorrente, que não cometeu ato ilícito ato ilícito este traduzido no não recolhimento por ter justamente observado ordem judicial para tanto. E tal afirmação assume maior intensidade, quando verifico que a Recorrente, em uma operação regular, destaca o IPI em sua nota fiscal de venda, recebendo do comprador a quantia relativa ao Imposto, que, então, é recolhida aos cofres públicos. Como responsável tributária a Recorrente, não apenas deve destacar o IPI na nota fiscal de venda, como também efetuar a retenção e o recolhimento antecipado do Imposto Federal, que é arcado economicamente pelo comprador, que, no presente caso, seria a Leyroz, a distribuidora. Ou seja, em se admitindo que a Recorrente possa sofrer a cobrança do IPI, além de responsabilizar quem agiu no estrito cumprimento de dever legal decorrente de uma ordem judicial, passaria a admitir que ela, que não recebeu do comprador o montante equivalente ao não destaque do Imposto, suporte um ônus econômico que não lhe pertence e que ela não deu causa. Ao passo que a Leyroz, quem suporta o ônus econômico do IPI, foi beneficiada duplamente, pois adquiriu na vigência da liminar produtos com preço bem inferior ao de mercado, e se esquivou, sem nenhuma justificativa jurídica, da cobrança do Imposto, cuja não retenção e não recolhimento foi ela exclusivamente que deu causa! Admitiria, portanto, o enriquecimento sem causa da Leyroz, não permitido em nossa ordem jurídica pelos artigos 884/886 do Código Civil, e, o que é pior, do próprio Fisco, pois a Recorrente, na vigência da liminar, não pode responder por uma conduta legitimamente praticada constante na observância de uma ordem judicial. E não é só! Se admitisse que a Recorrente poderia ser cobrada estaria exigindo que ela, mesmo não tendo recebido o equivalente em pecúnia do comprador, que usufruiu de preços reduzidos, por medida de cautela, em uma decisão judicial travada por terceiros, fosse obrigada financeiramente a constituir uma provisão contábil (expectativa de perda) para uma discussão de um terceiro, contrariando regras contábeis e o próprio Pronunciamento nº 25 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Enfim, por todos os ângulos de análise, a conclusão é apenas uma só, a de que a Recorrente não pode responder por período em que observou ordem judicial, não tendo praticado ilícito nenhum, vez que a não retenção e o não recolhimento foi gerado por um terceiro, a Leyroz, que, em razão da ordem judicial, assumiu, pelo período de duração da liminar, a condição de exclusiva contribuinte perante o Fisco. A legislação adjetiva também aponta nesse mesmo sentido, pois, conforme o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, toda discussão judicial envolve, como regra, apenas as partes do processo, não beneficiando nem prejudicando terceiros, conforme estabelece o artigo 472 do Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 39 17 no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. (negritouse) E nessa linha de raciocínio, a discussão havida entre a Leyroz e a Fazenda Nacional produz efeitos, como regra, apenas a essas duas partes do processo e daí a norma individual e concreta emanada da decisão judicial , que não contou, em nenhum momento, com a participação da Recorrente, que apenas foi uma das destinatárias da ordem judicial expedida pelo Juízo determinando a não retenção e o não recolhimento. O artigo 804 do CPC, dispõe sobre a faculdade do Juiz exigir a prestação de contracautela ou caução, que, aliás, se faz presente em outros dispositivos da legislação adjetiva, e. g., execução provisória de sentença e etc., conforme segue: Art. 804. É lícito ao juiz conceder liminarmente ou após justificação prévia a medida cautelar, sem ouvir o réu, quando verificar que este, sendo citado, poderá tornála ineficaz; caso em que poderá determinar que o requerente preste caução real ou fidejussória de ressarcir os danos que o requerido possa vir a sofrer. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) No presente caso, a tutela antecipada obtida pela Leyroz não exigiu contra cautela, de maneira a prevenir prejuízo ao Fisco, devendo, conforme determina o artigo 811 do Código de Processo Civil, portanto, responder à Fazenda Nacional pelo prejuízo causado com a medida liminar: Art. 811. Sem prejuízo do disposto no art. 16, o requerente do procedimento cautelar responde ao requerido pelo prejuízo que Ihe causar a execução da medida: I se a sentença no processo principal Ihe for desfavorável; II se, obtida liminarmente a medida no caso do art. 804 deste Código, não promover a citação do requerido dentro em 5 (cinco) dias; III se ocorrer a cessação da eficácia da medida, em qualquer dos casos previstos no art. 808, deste Código; IV se o juiz acolher, no procedimento cautelar, a alegação de decadência ou de prescrição do direito do autor (art. 810). Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos do procedimento cautelar. (negritouse) Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 18 Depreendese, portanto, da leitura do artigo 811 do Código de Processo Civil, que a Autoridade Fazendária contrariou o referido dispositivo, que estabelece expressamente que o requerente de uma medida liminar responde ao requerido, a Fazenda Nacional, pelo prejuízo que lhe causar em decorrência da Ação por ele promovida. Ao ingressar com Ação judicial, a Leyroz, que deu causa à não retenção e ao não recolhimento do IPI, passou a guardar relação pessoal e direta com o fato gerador, passando a figurar, de forma exclusiva, perante o Fisco como a pessoa obrigada ao pagamento do tributo e da penalidade pecuniária decorrente de seu ato, conforme dispõe expressamente o inciso I, do artigo 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Nessa linha de raciocínio, não há fundamento lógico para a exigência do Imposto em face da Recorrente, pois não foi ela que ingressou com a medida judicial nem ela que obteve a decisão judicial em seu favor, mas sim a Leyroz, que, ao fazêlo, assumiu todos os riscos de sua empreitada, passando a figurar pessoal e diretamente perante o Fisco como a pessoa obrigado ao pagamento do tributo e da respectiva penalidade e acréscimos moratórios. Adicionalmente, não posso deixar de observar que a Recorrente, tendo recebido ordem judicial de outra distribuidora, anteriormente àquela obtida pela Leyroz, por medida de cautela, ingressou com processo de consulta formal perante a Secretaria da Receita Federal para se certificar de sua responsabilidade decorrente de uma disputa judicial travada por terceiro. E a Resposta à Consulta n 60/2006, da Sétima Região Fiscal, foi categórica ao decidir que acaso deferida a liminar eventual insucesso da autora da ação judicial em questão deve ser por esta suportado, deixando, portanto, a Recorrente, completamente fora dos lindes da responsabilidade tributária, conforme se verifica abaixo: Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 40 19 A DRJ afasta a vinculação desta Consulta, sob o fundamento de que o fato determinado por ela versado, ainda que trate da mesma hipótese do processo da Leyroz, seria distinto deste, por se referir a uma decisão judicial obtida por outra pessoa jurídica Distribuidora. Questiono tal posicionamento da DRJ, muito embora, ressalto, nos termos do presente voto, em meu entendimento, os motivos acima devidamente fundamentados seriam suficientes para resolver a lide, vez que, conforme descrito, desde a ausência de ilicitude por parte da Recorrente, verificase um conjunto lógico de normas que não permitem a sua responsabilização, mas antes apontam exclusivamente para a Leyroz. Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 20 De qualquer forma, não posso deixar de chamar a atenção para uma circunstância jurídica que considero relevante a respeito da posição da Recorrente no processo de consulta que enfraquece sobremaneira a Decisão da DRJ nesse ponto. E tal decorre de um simples argumento. Ora, se admitido que a Resposta à Consulta n 60/2006 apenas atinge a determinada situação, não alcançando fato idêntico decorrente de discussão judicial promovida pela Leyroz, então a conclusão é que a Recorrente, caso desejasse se precaver, deveria formular uma nova Consulta específica para o processo da Leyroz. Veja que, nessa hipótese específica, implicitamente, a DRJ responsabilizou a Recorrente por ter sido negligente, vez que culposamente não obteve novo pronunciamento Fiscal para um novo processo judicial de outra distribuidora, a Leyroz, sendo, com base nesse curioso raciocínio, necessário tantos processos de consulta quantas forem as ordem judiciais recebidas pela Recorrente. Admitiria tranquilamente tal premissa caso o inciso IV, do artigo 15 da Instrução Normativa n 573, de 23 de novembro de 2005, não dispusesse expressamente sobre a impossibilidade prática da Recorrente ingressar com novo processo de Consulta: Art. 15. Não produzirá efeitos a consulta formulada: .... VI quando o fato houver sido objeto de solução anterior proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte o consulente, e cujo entendimento por parte da administração não tenha sido alterado por ato superveniente; (negritos nossos) Isso porque o mencionado dispositivo dispõe que não produz efeitos a consulta formulada quando o fato e o fato é justamente idêntico houver sido objeto de solução anterior proferida em consulta em que tenha sido parte a Recorrente, e cujo entendimento por parte da Administração não tenha sido alterado por ato superveniente. Aliás, pertine observar que o inciso IV, do artigo 15 da IN SRF n 573/2005 reproduz o constante no mesmo inciso IV, do artigo 52 do Decreto n 70.235, de 06 de março de 1972, que, adicionalmente, em seu inciso VI, também estabelece a ausência de efeitos da consulta quando o fato estiver definido ou declarado em disposição expressa de Lei: Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: ... IV quando o fato já houver sido objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte o consulente; ... Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 41 21 VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; ...". Quer me parecer que os comandos previstos nos artigos 472 e, principalmente, artigos 811 do Código de Processo Civil, declaram que em caso de discussão judicial o requerente (Leyroz) responde perante o requerido (Fisco) pelos prejuízos que causar com sua Ação, o que, em última análise, impediria qualquer manifestação do Fisco sobre o tema ante as regras então vigentes do Código de Processo Civil, veiculado por legislação de âmbito nacional. De qualquer modo, vejase, então, a situação da Recorrente, cuja consulta n 60/2006 não foi reconhecida pela Autoridade Fazendária, que lhe exigiu um novo pronunciamento para idêntico fato, mas a própria legislação, expedida pela Receita Federal do Brasil, que reproduz o artigo 52 do Decreto n 70.235/1972, impede a formulação de nova consulta quando o fato houver sido objeto de consulta anterior proferida em consulta em que a Recorrente tenha figurado como parte. Nesse aspecto, ainda, não se pode perder de vista que a solução de consulta também, a exemplo do artigo 472 do Código de Processo Civil, faz leis entre as partes, ou seja, o seu resultado vincula, de forma exclusiva, a Consulente (Recorrente) e o Fisco, não vinculando a Consulente (Recorrente) ao terceiro (e.g., Leyroz) e muito menos o terceiro (Leyroz) ao Fisco. Pela regra da vinculação bilateral dos atos administrativo apenas são afetados pelos efeitos do ato consubstanciado na resposta à solução de consulta, a Consulente, que no presente caso, é a Recorrente, e o Fisco. Tudo isso sem mencionar que o conteúdo da Resposta à Consulta n 60/2006 não constitui inovação à ordem jurídica, pois, analisandoa mais detidamente, verificase que ela, na realidade, reproduz os comandos insertos nos dispositivos do Código Tributário Nacional e do Código de Processo Civil acima mencionados e analisados pormenorizadamente, e decorre da ausência de conduta antijurídica por parte da Recorrente, que no período da medida liminar, apenas observou ordem judicial que lhe foi dirigida. Em verdade, a conduta praticada pela Autoridade Fazendária me chamou ainda mais a atenção não porque, em meu entendimento, a Resposta à Consulta n 60/2006 deveria ter sido observada e nem porque os dispositivos legais do CTN e CPC impediriam que o lançamento fosse realizado em face da Recorrente, mas sim porque o tema por ela versado não pode ser tido como novidade no âmbito da Receita Federal, que já se pronunciou de forma semelhante por meio do Parecer Normativo n 01, de 24 de setembro de 2002, aplicável ao Imposto de Renda na Fonte: Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 22 "IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. (...) DECISÃO JUDICIAL. NÃO RETENCÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. E mais recentemente, a Solução de Consulta Interna COSIT n 01, de 15 de janeiro de 2013, que ao tratar sobre a contribuição previdenciária sobre a produção rural, em caso de medida judicial, nada mais fez do que reproduzir o entendimento assente na Receita Federal sobre o assunto, que, digase de passagem, simplesmente decorre dos dispositivos legais anteriormente mencionados: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Existindo medida liminar que impeça a empresa adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural adquirida, a RFB deve proceder ao lançamento do débito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial. Cassada a medida liminar, e sendo favorável ao fisco a decisão deverá ser feita a cobrança do crédito tributário lançado, observado, com relação à multa de mora, o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Não tendo sido efetuado o lançamento para prevenir a decadência, o produtor rural pessoa física ou o segurado especial ficam obrigados ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da sua produção rural, considerandose a data de vencimento originária para o recolhimento da contribuição subrogada, observado o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, no que se refere à multa de mora. Não havendo pagamento da contribuição previdenciária no prazo previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser efetuado o lançamento de ofício nos termos do art. 33, §7º, da Lei nº8.212, de 1991, combinado com o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 42 23 Em suma, por todos os ângulos de análise, tanto a cobrança de multas, como a cobrança do próprio Imposto em face da Recorrente não se justificam, conforme reconhecido pelo próprio Fisco em fato idêntico, o qual, na realidade, deveria ter endereçado a sua pretensão relativa ao período da liminar contra a Leyroz. Recurso de Ofício No tocante ao Recurso de Ofício, conforme se depreende do próprio voto, o seu destino é o não provimento, vez que, reiterando, as penalidades foram afastadas pela ausência de ato ilícito por parte da Recorrente. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício e dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a aplicação de multa de ofício (MULTA PROPORCIONAL E MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO), e a exigência do Imposto em face da Recorrente, com seus respectivos acréscimos moratórios, inclusive no que se refere ao crédito adotado pela Recorrente decorrente do período em que a medida liminar esteve vigente, ou seja, de janeiro de 2009 até 11 de janeiro de 2010. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Declaração de Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim É fato incontroverso nos autos que a Cervejaria Petrópolis, por meio de decisão judicial proferida em âmbito de antecipação de tutela, foi compelida a não destacar o IPI sobre seus produtos com base em pautas fiscais ou pautas de valores. Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 24 A certidão de objeto e pé da ação 2004.51.100064866, ajuizada pelo distribuidor Leyroz de Caxias Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda, consta às fls. 537/539 e contém o histórico completo da referida ação até o julgamento de um Agravo pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio do qual foi determinado ao TRF da 2ª Região que julgasse um embargo de declaração interposto pelo autor. Conquanto a referida certidão não mencione as datas de prolação e de revogação da tutela antecipada, é fato incontroverso nos autos que antecipação dos efeitos da tutela foi concedida em 28/10/2004 e suspensa a partir de 11/01/2010. Em outras palavras, é incontroverso que a tutela antecipada vigorou e foi eficaz no período compreendido entre 28/10/2004 e 11/01/2010. A fiscalização entendeu que com a revogação da tutela antecipada as coisas retornaram ao status quo ante, como se a ação judicial jamais houvesse existido, passando o imposto a ser exigível do contribuinte de direito no período em que seu destaque em nota fiscal esteve vedado por aquele provimento judicial. Em sede de recurso voluntário, o principal argumento da defesa foi o seguinte: "(...) Ocorre que não é a extinção ou o afastamento do crédito tributário pela sentença que impede que o IPI exigido seja cobrado da recorrente, haja vista que a decisão que afastava a incidência do imposto foi reformada pela segunda instância, mas sim, a incidência dos efeitos dos arts. 472 e 811, que impedem que se responsabilize o terceiro que não participou da ação judicial por eventual insucesso, como de fato ocorreu no caso. (...)" (Os grifos são do original, fls. 1905/1906) Verificase que o principal argumento da defesa sustenta que o art. 811 do CPC retira do contribuinte de direito a responsabilidade pelo pagamento do tributo e a transfere ao contribuinte de fato, situação que teria sido corroborada pela Administração Tributária na solução de consulta nº 60/2006, formulada pela própria recorrente em relação a uma ação semelhante ajuizada por um outro distribuidor. Neste ponto, não há como concordar com a tese da recorrente e tampouco com a interpretação da Administração Tributária quanto aos efeitos do art. 811 do CPC, pois o referido dispositivo legal estabelece uma hipótese de responsabilidade processual objetiva e em momento algum retira do contribuinte de direito a condição de sujeito passivo direto da obrigação tributária. O STJ já fixou a interpretação a ser dada ao referido dispositivo legal, conforme ementas a seguir transcritas: (...) 5. O art. 811 do CPC trata de hipótese de responsabilidade processual objetiva do requerente da medida cautelar, derivada, por força de texto expresso de lei, do julgamento de improcedência do pedido deduzido na ação principal. Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 43 25 6. Para a satisfação de sua pretensão, basta que a parte lesada promova a liquidação dos danos imprescindível para identificação e quantificação do prejuízo , nos autos do próprio procedimento cautelar. (...) (RESP 1.327.056/PR, 24/09/2013, in:www.stj.jus.br/jurisprudencia) (...) 2. Recurso especial interposto por Mozariém Gomes do Nascimento: 2.1. Os danos causados a partir da execução de tutela antecipada (assim também a tutela cautelar e a execução provisória) são disciplinados pelo sistema processual vigente à revelia da indagação acerca da culpa da parte, ou se esta agiu de máfé ou não. Basta a existência do dano decorrente da pretensão deduzida em juízo para que sejam aplicados os arts. 273, § 3º, 475O, incisos I e II, e 811 do CPC. Cuidase de responsabilidade objetiva, conforme apregoa, de forma remansosa, doutrina e jurisprudência. 2.2. A obrigação de indenizar o dano causado ao adversário, pela execução de tutela antecipada posteriormente revogada, é consequência natural da improcedência do pedido, decorrência ex lege da sentença e da inexistência do direito anteriormente acautelado, responsabilidade que independe de reconhecimento judicial prévio, ou de pedido do lesado na própria ação ou em ação autônoma ou, ainda, de reconvenção, bastando a liquidação dos danos nos próprios autos, conforme comando legal previsto nos arts. 475O, inciso II, c/c art. 273, § 3º, do CPC. Precedentes. (...) (RESP 1.101.262/DF, 25/09/2012, in:www.stj.jus.br/jurisprudência) Tratandose de dispositivo legal que atribui responsabilidade processual objetiva ao contribuinte de fato, no caso o distribuidor Leyroz de Caxias, o art. 811 do CPC não pode ser tomado como um dispositivo legal que altera a sujeição passiva tributária, como entendeu a solução de consulta. Em outras palavras: em que pese o fato da Leyroz de Caxias estar obrigada a indenizar o prejuízo causado à União pela execução provisória da tutela antecipada, tal fato não retira do contribuinte de direito, no caso a Cervejaria Petrópolis, a condição de sujeito passivo direto do IPI. A obrigação de indenizar prevista no art. 811 do CPC é autônoma e independente da obrigação tributária principal. A obrigação de indenizar do art. 811 do CPC vincula o contribuinte de fato à União. A obrigação tributária principal vincula o contribuinte de direito à União. São coisas completamente distintas e incomunicáveis. Ainda que o Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 26 contribuinte de fato venha a indenizar a União pelo dano causado, persiste a obrigação tributária principal do contribuinte de direito. Com a revogação da tutela antecipada, deveria o contribuinte de direito ter emitido notas fiscais com destaque do imposto para retificar as notas fiscais que haviam sido emitidas sem destaque por força da tutela antecipada. Esta obrigação legal decorre dos arts. 24, II e 407, XII do RIPI/2010, in verbis: Art.24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: Iomissis... IIo industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea “a”); (...) Art.407. A nota fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida: (...) XIIno destaque que deixou de ser efetuado na época própria, ou que foi efetuado com erro de cálculo ou de classificação, ou, ainda, com diferença de preço ou de quantidade; (...) Não tendo a Cervejaria Petrópolis tomado as providências legais que lhe competiam, sujeitouse à exigência do imposto pela via do lançamento de ofício. Neste ponto é que discordo do voto do ilustre relator Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, pois do fato de o art. 811 do CPC determinar que o requerente da medida repare o prejuízo ao requerido, não decorre logicamente a conclusão de que o contribuinte de direito não pode ser alvo do lançamento de ofício. Ele pode sim ser alvo da exigência, pois continua sendo contribuinte de direito. Sendo assim, com base nesse entendimento, meu voto seria no sentido manter o lançamento de ofício, mas com a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora no período em que a Cervejaria Petrópolis esteve compelida a não efetuar o destaque do imposto pelo Poder Judiciário. E para dar lastro à exclusão da multa de ofício no período de vigência da tutela antecipada eu invocaria o art. 100 do CTN, que é perfeitamente aplicável ao caso concreto por analogia. A aplicação da analogia para exclusão da multa e dos juros no período de vigência da tutela antecipada é perfeitamente viável, pois além de não se estar dispensando o pagamento de tributo (art. 108 do CTN), o contribuinte agiu compelido por uma ordem judicial. Ou seja, ele não deixou de destacar o imposto porque quis. Ele deixou de destacar o imposto porque foi obrigado a respeitar uma ordem judicial. Se o art. 100 do CTN exonera o contribuinte da multa e dos juros de mora nos casos em que ocorre observância das normas complementares à legislação tributária, com muito mais autoridade devem ser exonerados aqueles consectários, no caso em que o contribuinte cumpre uma decisão do Poder Judiciário. Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 44 27 Entretanto, no caso concreto, existe um óbice intransponível à aplicação da interpretação sustentada nos parágrafos acima, pois o contribuinte, antes do início desta fiscalização, formulou uma consulta à Administração Tributária, que foi objeto de resposta por meio da Solução de Consulta nº 60/2006. O Termo de Início de Fiscalização foi notificado ao contribuinte em 14/02/2012 (fl. 22/23) e a Solução de Consulta nº 60 da SRRF/7ª RF foi proferida em 17/02/2006. A referida solução de consulta, específica para a Cervejaria Petrópolis, reproduziu o entendimento veiculado na Solução de Divergência COSIT nº 27, de 29 de outubro de 2002. Essas soluções de consulta interpretaram o alcance do art. 811 do CPC e decidiram de forma diametralmente oposta ao entendimento desta declaração de voto. Em outras palavras, a Administração Tributária entendeu que nada pode ser exigido do contribuinte de direito, quando o contribuinte de fato obtém provimento judicial que obriga o contribuinte de direito a não efetuar o destaque do imposto. O entendimento da Administração é no sentido de que ocorre alteração na sujeição passiva no período de vigência do provimento judicial que impede o contribuinte de direito de destacar o imposto. O excerto a seguir transcrito, extraído da Solução de Consulta 60/2006, específica para a recorrente, deixa bem claro o entendimento da Administração Tributária, in verbis: "(...) Desta feita, caberá à consulente responder pelas dívidas relativas ao IPI, oriundas de operações com a autora, apenas em relação às operações que se deram até o momento do recebimento da ordem judicial que determinou o não pagamento, bem como em relação às operações imediatamente posteriores à eventual cassação da tutela. Aquelas dívidas decorrentes das operações aperfeiçoadas na vigência na (sic) medida judicial aludida são exigíveis da autora, de forma a se guardar coerência com o tratamento dispensado judicialmente a esta. (...)" A Coordenação Geral do Sistema de Tributação deixou bem claro seu entendimento de que ocorre alteração na sujeição passiva nos excertos abaixo grifados da Solução de Divergência nº 27/2002, in verbis: "(...) Versando, portanto, a consulta sobre sujeição passiva, é eficaz e comporta apreciação de mérito, para definir qual o sujeito passivo da obrigação quando, por força de decisão judicial, o contribuinte de direito fica impedido de agir em face de tutela judicial concedida a contribuintes de fato. 7.Da análise da decisão proferida pela SRRF07, verificase estar correto seu entendimento, uma vez que, em face de obstáculo judicial, os contribuintes de direito (consulentes) ficaram, no período abrangido pela tutela judicial, impedidos de destacar e recolher o IPI referente às saídas de produtos tributados de seus estabelecimentos. Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 28 8.A reforçar o entendimento daquela Superintendência, a atual Constituição Federal arrola entre os direitos e garantias individuais os princípios do devido processo legal e da ampla defesa, contidos, respectivamente, nos incisos LIV e LV do seu art. 5o. Da conjugação dos mencionados dispositivos extraise que não se pode estender os efeitos de uma medida judicial a quem não foi parte, e, portanto, não teve oportunidade de produzir provas no processo. 8.1 Caso em decisão judicial definitiva sejam vencidos os autores da ação judicial, cabelhes recolher o imposto que deixou de ser destacado como conseqüência da demanda por eles intentada. 9.Ademais, como bem salientou aquela Superintendência, reza o inciso I do art. 811 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC) que, em caso de improcedência da ação principal, o requerente do procedimento cautelar (no caso, o contribuinte de fato) deve responder perante o requerido por eventual prejuízo que a execução da medida lhe causar. Diante do exposto, não se vislumbra no caso sob comento a possibilidade de se estender ao contribuinte de direito os efeitos da sentença proferida em demanda da qual não foi parte. Concluise, portanto, pelo cabimento da representação ora formalizada, bem assim pela eficácia de ambas as consultas e, ainda, pela homologação do entendimento da SRRF07, que analisou corretamente a matéria" No que tange ao efeito e ao alcance da consulta, é fato incontroverso que na consulta específica a Cervejaria Petrópolis incluiu apenas a ação judicial movida pelo distribuidor JM Indústria Comércio e Logística Ltda, deixando de mencionar o distribuidor Leyroz de Caxias, mas tal fato não significa que a consulta não ampare as saídas sem destaque de IPI realizadas ao fornecedor Leyroz de Caixas. Não há como se concordar com a decisão de primeira instância quando afirma que a referida consulta não pode ser aplicada à ação da Leyroz de Caxias ao argumento de que a IN 740/2007 estabelece que a consulta se circunscreve a fato certo e determinado. No caso concreto, o fato certo e determinado é a existência de ações judiciais, não importa quantas sejam, movidas por contribuintes de fato (distribuidores de bebidas) com o objetivo de impedirem a Cervejaria Petrópolis (contribuinte de direito) de destacar o IPI sobre bebidas com base em pautas fiscais estabelecidas por ato administrativo do Secretário da Receita Federal. Esse é um fato único. As ações podem ser múltiplas, tantas quantos forem os distribuidores que se julgam lesados em seus direitos. Mas o fato é único: o mesmo contribuinte de direito foi impedido destacar o IPI por medidas judiciais interpostas pelos seus clientes contribuintes de fato. As tutelas judiciais obtidas pela Leyroz de Caxias e pelo JM Indústria e Comércio foram exatamente as mesmas: impediram a Cervejaria Petrópolis de destacar o IPI sobre bebidas com base em pautas fiscais baixadas por ato administrativo. A simples mudança do número da ação ou do nome do distribuidor é um discrímen que não é hábil para sustentar a afirmação de que se tratam de fatos diferentes. Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 45 29 Ademais, com o advento do art. 15 da IN RFB nº 1.464/2014 e dos arts. 8º e 9º da IN RFB nº 1.396/2013, a Administração Tributária passou a atribuir novos efeitos às soluções de consulta. Vejamos. Art. 15 da IN RFB 1.464, de 8 de maio de 2014, in verbis: Art. 15. A Solução de Consulta, a partir da data de sua publicação, tem efeito vinculante no âmbito da RFB e respalda qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. Arts 8º e 9º da IN RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, in verbis: Art. 8º Na solução da consulta serão observados os atos normativos, as Soluções de Consulta e de Divergência sobre a matéria consultada proferidas pela Cosit, bem como as Soluções de Consulta Interna da Cosit e os demais atos e decisões a que a legislação atribua efeito vinculante. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1434, de 30 de dezembro de 2013) Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1434, de 30 de dezembro de 2013) O art. 15 da IN RFB nº 1.464/2014, atribui efeito vinculante às consultas formuladas no âmbito da classificação fiscal de mercadorias. A atribuição desse efeito se justifica porque se contribuintes diferentes trabalham com a mesma mercadoria, a solução de consulta que decide a classificação de determinada mercadoria se aplica para todos os demais contribuintes que trabalhem com a mesma mercadoria, uma vez que as regras de interpretação aplicáveis serão as mesmas independentemente do contribuinte que venha a formular a consulta. Ora, se vários contribuintes diferentes passaram a poder utilizar uma solução de consulta específica para um determinado contribuinte, por qual razão a Cervejaria Petrópolis não poderia utilizar o mesmo entendimento que foi a ela dispensado em relação a um distribuidor para uma situação idêntica provocada por outro distribuidor? Pouco importa quantos sejam os distribuidores que ingressem com ações judiciais para impedir a Cervejaria Petrópolis de destacar o IPI com base em pautas fiscais. A solução a ser adotada pela Administração Tributária em relação a cada ação seria a mesma que foi adotada para o caso do distribuidor JM na Solução de Consulta nº 60/2006, mesmo porque as Superintendências passaram a ficar vinculadas à Solução de Divergência COSIT nº 27, de Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 30 29 de outubro de 2002, por força do disposto no art. 9º da IN RFB nº 1.396/2013, com a nova redação que lhe foi dada pela IN RFB nº 1.464/2014. Embora discorde da interpretação contida nas soluções de consulta quanto ao alcance do art. 811, do CPC, é inequívoco que tal interpretação vincula a Administração Tributária enquanto não for revista, a teor do art. 48, § 12, da Lei nº 9.430/96, in verbis: "(...) §12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial.(...)" Sendo assim, se tanto na solução de consulta específica da Cervejaria Petrópolis, quanto na Solução de Divergência COSIT nº 27/2002, está expresso o entendimento da Administração Tributária no sentido de que nada pode ser exigido do contribuinte de direito no período de vigência de medida judicial interposta pelo contribuinte de fato, a fiscalização não poderia ter incluído no lançamento tributário os fatos geradores ocorridos anteriormente à suspensão da tutela antecipada, ou seja, fatos geradores ocorridos até 10/01/2010. A consequência desse entendimento conduz à conclusão de que a fiscalização, além de não poder lançar o imposto não destacado no período de vigência da tutela antecipada, também não pode reconstituir os saldos da escrita fiscal, realocando créditos utilizados pelo contribuinte no período de fevereiro a dezembro de 2010 para abater débitos do período coberto pela tutela antecipada. Em outras palavras, a adoção da interpretação contida nas soluções de consulta liquida a pretensão fiscal, no período coberto pela tutela antecipada, para as duas infrações lançadas no auto de infração, quais sejam: a) IPI não lançado; e 2) IPI lançado, mas não recolhido. Entretanto, no caso concreto verificase que o provimento do recurso voluntário não pode ser integral, pois o exame do auto de infração e do relatório fiscal, revela que a empresa, após ter recebido a comunicação da suspensão da tutela antecipada em 14/01/2010 (fl. 858), continuou a dar saída sem destaque do imposto para o distribuidor Leyroz até 31/01/2010 (conforme item 3.9 do relatório fiscal de fls. 910/911 e demonstrativo de apuração de fls. 1178/1745). Sendo assim, o lançamento deve ser mantido em relação à falta de destaque do imposto quanto às saídas ocorridas no período compreendido entre 11/01/2010 (data da revogação da tutela antecipada) e 31/01/2010, pois tais saídas deveriam ter ocorrido com destaque do IPI, uma vez que para esse período não existia amparo na tutela antecipada e muito menos na solução de consulta. Fica mantido também o imposto não recolhido que eventualmente venha a ser apurado nos períodos de apuração subsequentes, quando da reconstituição dos saldos da escrita fiscal, que será efetuada com base no critério estabelecido no parágrafo anterior. A multa de ofício a ser mantida sobre a falta de lançamento e sobre a falta de recolhimento de débitos apurados na parte remanescente do lançamento é a de 75%, pois acompanhei o relator quanto à negativa de provimento do recurso de ofício. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o contribuinte do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período de vigência da tutela antecipada Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10855.722479/201364 Acórdão n.º 3403003.538 S3C4T3 Fl. 46 31 (excluir do lançamento as saídas sem destaque do imposto ocorridas entre janeiro de 2009 e 11/01/2010). (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10280.904343/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.645
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 43 /2 01 2- 41 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 12424.66641.050810.1.1.084266, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 2° trimestre de 2010, no valor de R$ 6650617,8899999997. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 4227040,9800000004. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 842 (fls. 12 a 39), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 2423576,9099999992, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 528 3 (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.190, de 9/30/2014 (fls. 323 a 349), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 529 5 No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 357 a 401, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 357 a 401 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.190, de 9/30/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 530 7 A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 534DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 531 9 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 532 11 a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de Fl. 538DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 533 13 alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 842 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da Fl. 540DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 534 15 vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.904343/201241 Acórdão n.º 3402002.645 S3C4T2 Fl. 535 17 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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