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Numero do processo: 13116.722656/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012
NULIDADE.
Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifesta-se na fase de impugnação da exigência.
DILIGÊNCIA
Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência que deixar de expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados.
ARBITRAMENTO DE LUCROS.
O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
CONFUSÃO PATRIMONIAL. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, com a caracterização de confusão patrimonial e fraudes com intuito de frustrar eventual cobrança de créditos tributários.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa de ofício qualificada será aplicada quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte adotou práticas que visaram impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, consubstanciadas em condutas reiteradas e sistemáticas de declarar a menor suas receitas ou omitir a informação, deixando de recolher os tributos devidos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifesta se na fase de impugnação da exigência. DILIGÊNCIA Considerarseá não formulado o pedido de diligência que deixar de expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. ARBITRAMENTO DE LUCROS. O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 26 56 /2 01 6- 05 Fl. 522DF CARF MF 2 CONFUSÃO PATRIMONIAL. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, com a caracterização de confusão patrimonial e fraudes com intuito de frustrar eventual cobrança de créditos tributários. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada será aplicada quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte adotou práticas que visaram impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, consubstanciadas em condutas reiteradas e sistemáticas de declarar a menor suas receitas ou omitir a informação, deixando de recolher os tributos devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13116.722656/201605 Acórdão n.º 1401003.015 S1C4T1 Fl. 523 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no valor total do auto de R$ 23.321.917,75, conforme tabela abaixo indicada: Na ação fiscal foi verificado que: “(a) no Sped consta emissão de Notas Fiscais Eletrônicas em 2011 e 2012, CFOP 5101 e 6101, nos montantes de R$ 114.119.093,43 e R$ 113.423.038,22, respectivamente; (b) não constam Escrituração Contábil Digital e Escrituração Fiscal Digital; e (c) na Declaração de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ) e na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) não constam valores declarados”. Diz ainda que “após inúmeras intimações, a contabilidade não foi apresentada, sendo assim, houve arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, inciso III, do Decreto n° 3.000 de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), com base nas Notas Fiscais Eletrônicas, Anexo III, conforme previsto na Lei n° 9.249 de 1995 c/c art. 27 da Lei n° 9.430 de 1996”. Houve inclusão do Sr. Antônio Cesar Maia como responsável tributário solidário, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN). E, “sendo caracterizada a confusão operacional com a contribuinte fiscalizada, a empresa Santo Antônio Comércio de Subprodutos Animais Ltda, também foi incluída no pólo passivo deste processo na qualidade de responsável solidária, nos termo do art. 124, I, do CTN”. Ciente da autuação, o interessado/contribuinte e os responsáveis, apresentam uma única IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA – em 11/01/2017 (fls. 422/434), na qual alegou em síntese: 1. Como preliminar, “sugere a nulidade da autuação uma vez que há, no processo, uma teia que demonstra, em tese, um grupo econômico. No entanto, apesar de inúmeras pessoas serem citadas, apenas o contribuinte e os responsáveis tributários foram imputados. Tal fato Fl. 524DF CARF MF 4 infringe os princípios viscerais do Estado Democrático de Direito, ampla defesa, contraditório e devido processo legal”. 2. Quanto à responsabilização do Sr. Antônio César Maia, alega “que a suposta falta de pagamento dos tributos lançados não configura como circunstância suficiente para acarretar a responsabilidade tributária do sócio, pois é imperioso que ele tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei ou ao contrato social, entendimento que vai ao encontro da Súmula 430 do Superior Tribunal de Justiça”. 3. Quanto à responsabilização da empresa Santo Antônio Comércio de Subprodutos Animais Ltda, afirma que “essa não tem qualquer interesse comum com as atividades e tampouco com os fatos geradores decorrentes das obrigações principais da empresa Santa Luzia. As atividades de ambas apenas se complementam uma vez que a empresa Santa Luzia realiza o abate, o desossamento e a venda das carnes dos animais, e a empresa Santo Antônio, por sua vez, comercializa os subprodutos não comestíveis provenientes dos animais abatidos anteriormente”. 4. Afirma que “apesar de aparentemente dividirem o mesmo espaço físico, a empresa Santo Antônio ocupa a "PARTE C" do lote, além de haver, sim, uma separação lógica entre estas. Dessa forma, totalmente indevidas as classificações temerárias utilizadas pelo fisco no sentido de que se trataria de uma "empresa de fachada, com existência apenas no papel, servindo apenas para a artificial fragmentação das atividades do grupo, com o intuito de evitar a correta contribuição à previdência social".” 5. Já no mérito a impugnante afirmou que “não há que se falar em arbitramento do lucro, uma vez que ela apresentou todos os documentos necessários, tendo cumprido, portanto, todas as obrigações acessórias do âmbito federal. Ainda, na hipótese de não cancelamento total do auto de infração, o lançamento fiscal merece ser reformado, em função da aplicação da multa na ordem de 150%, uma vez que entre as limitações do poder de tributar, a Constituição da República incluiu a vedação de "utilizar tributo com efeito de confisco".” 6. Requereu que a impugnação fosse julgada procedente, reconhecendo se a nulidade do auto de infração, ou, “quando menos, que sejam desconsiderados todos os argumentos levantados pelo Fisco envolvendo os terceiros que não foram incluídos no lançamento, especialmente o que restou nomeado como "grafo de relacionamentos"; b)reconhecida, caso assim não entenda, o que só se admite por argumentar, a ilegalidade da inclusão do Sr. Antônio César Maia como coobrigado pelo crédito tributário exigido pelo presente Auto de Infração; e c) reconhecida, de igual forma, a ilegalidade da inclusão da empresa Santo Antônio Comércio de Subprodutos Animais Ltda. como coobrigada pelo crédito tributário exigido pelo presente Auto de Infração. No mérito, solicita que: a) seja efetuado o cancelamento dos lançamentos, bem como o arquivamento do processo administrativo, sem quaisquer ônus aos Impugnantes, ou Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13116.722656/201605 Acórdão n.º 1401003.015 S1C4T1 Fl. 524 5 que, quando menos, seja o feito convertido em diligência; e b) ou que, caso assim não entenda, o que só se admite por argumentar, seja reconhecida, ainda, a ilegalidade e inconstitucionalidade das penalidades exigidas pela Fiscalização, em função da afronta os princípios constitucionais da razoabilidade/proporcionalidade e do não confisco em relação à aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) ou, quando menos, que a penalidade seja reduzida no percentual máximo de 30% (trinta por cento), de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal”. O Acórdão ora Recorrido (0273.611 2ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO DE LUCROS. O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. CONFUSÃO PATRIMONIAL. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, com a caracterização de confusão patrimonial e fraudes com intuito de frustrar eventual cobrança de créditos tributários. NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Observados os pressupostos para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa manifesta se na fase de impugnação da exigência. Fl. 526DF CARF MF 6 DILIGÊNCIA Considerarseá não formulado o pedido de diligência que deixar de expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada será aplicada quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte adotou práticas que visaram impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, consubstanciadas em condutas reiteradas e sistemáticas de declarar a menor suas receitas ou omitir a informação, deixando de recolher os tributos devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Isto porque, conforme entendimento da Turma julgadora houve no caso, “responsabilidade solidária do sócio com relação às infrações ora expostas nos autos de infração, bem como a manutenção do Termo de Responsabilidade Solidária lavrado contra esse mesmo sócio, pelas mesmas razões, ressaltando que o crédito tributário fora constituído através do lançamento”. Pois, considerou que e “o Sr. Antônio César Maia foi incluído no pólo passivo nos termos do art. 124, I e 135 do CTN. Pelas peças juntadas aos autos, depreendese que o Sr. Antônio César Maia possuía, à época do fato gerador, 99% do capital social e era sócio administrador na empresa autuada”. Considerou também no caso, “o arbitramento do lucro, por falta de escrituração contábil, foi com base em notas fiscais emitidas pelo próprio contribuinte no âmbito da sua atividade comercial, não sendo apresentado a fiscalização, mesmo diante de reiteradas intimações, a escrituração contábil necessária para apuração do lucro. Sendo assim, correta a aplicação do regime de tributação, lucro arbitrado”. Em relação ao agravamento da multa de ofício, “contatouse que encontrase embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrarse na hipótese prevista pela norma. Com efeito, nos termos do artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades”. Ciente da decisão do Acórdão em 25/07/2017 (fls. 484/485) o interessado/ contribuinte e os responsáveis apresentam um único Recurso Voluntário (fls. 486/499) em 02/08/2017, trazendo em seu bojo reprodução das mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. (422/434) dos autos. É o relatório do essencial. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13116.722656/201605 Acórdão n.º 1401003.015 S1C4T1 Fl. 525 7 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Fl. 528DF CARF MF 8 Ademais, as centenas de documentos juntados pela Recorrente, se não bastasse a preclusão processual que impediria esse julgador de apreciálos, em nada lhe acrescem vez que supostamente serviriam para confirmar a tese de impugnação reafirmada em sede recursal. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: Nulidade e cerceamento de defesa: No decorrer da Impugnação, o contribuinte argui pela nulidade do processo administrativo fiscal. O ato praticado pelo Fisco revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se configurando qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do Art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado à autuada o direito de defesa: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além disso, os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 foram cumpridos em sua totalidade. Sendo assim, não assiste razão à impugnante nesse ponto. E mais, o recorrente alegou cerceamento no direito de defesa por falta de intimação as demais pessoas citadas no grafo de relacionamento, tal alegação não merece prosperar. Os sujeitos passivos da autuação fiscal são a empresa Santa Luzia – Indústria, Comércio e Distribuição de Alimentos Ltda, como contribuinte e, Antonio César Maia e Santo Antônio Comércio de Subprodutos Animais Ltda, como responsáveis. Todos cientificados no encerramento autuação. Ao longo da ação fiscal, há intimações dirigidas à Santa Luzia – Indústria, Comércio e Distribuição de Alimentos Ltda, o que nos faz concluir que durante todo o processo de fiscalização a empresa foi chamada ao processo para apresentar a escrituração contábil. Nesses momentos, a empresa teve liberdade para demonstrar o regular recolhimento dos tributos federais e de sua legal atuação comercial. No entanto, não foi o que preferiu fazer a empresa, ficando silente durante toda a ação fiscal. Cabe ressaltar que a fiscalização é apenas um procedimento investigativo, pré processual, no qual a fase contenciosa ainda não se iniciou. A partir do Recurso, que é um fato posterior à lavratura do Auto de Infração e ciência do contribuinte, que se inicia o regular processo administrativo, ou seja, o devido processo legal propriamente dito. O que o contribuinte está exercendo agora, impugnando o Auto de Infração na 1ª instancia administrativa, é o exercício do seu direito de defesa previsto no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal. Em momento nenhum lhe foi subtraído tal garantia constitucional. Apesar disso, a impugnação só apresentou seu descontentamento em relação aos Autos de Infração, não trazendo suporte probatório para Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13116.722656/201605 Acórdão n.º 1401003.015 S1C4T1 Fl. 526 9 comprovar que escriturou e transmitiu toda a escrituração pertinente referente aos anoscalendário de 2011 e 2012. Assim, não deve ser acolhida a alegação de nulidade por cerceamento no direito de defesa. Mérito Da Responsabilidade: Os Termos de Responsabilidade Tributária lavrados pela fiscalização têm como fundamento legal o artigo 124, I e 135 do Código Tributário Nacional, que assim dispõem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” O Sr. Antônio César Maia foi incluído no pólo passivo nos termos do art. 124, I e 135 do CTN. Pelas peças juntadas aos autos, depreendese que o Sr. Antônio César Maia possuía, à época do fato gerador, 99% do capital social e era sócioadministrador na empresa autuada. Cabe lembrar que a responsabilidade tributária imposta pelo representante se caracteriza quando se comprova infração à lei praticada pelo dirigente, que é o caso sob análise. Não obstante a isso, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. Neste caso, o representante é responsável não por ser representante ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Neste caso, há a responsabilização de terceiro (representante e administrador) sem que o dolo específico seja elementar. Aqui, a infração específica é referente à lei tributária. Ainda, não é imprescindível que o administrador, para fins de responsabilização tributária, tenha praticado diretamente o ato ilícito, sendo suficiente que apenas o tenha tolerado, quando em condição de interferir para evitar a sua ocorrência. Assim, entendo haver no caso responsabilidade solidária do sócio com relação às infrações ora expostas nos autos de infração, bem como entendo manutenção do Termo de Responsabilidade Solidária lavrado contra esse Fl. 530DF CARF MF 10 mesmo sócio, pelas mesmas razões, ressaltando que o crédito tributário fora constituído através do lançamento. Já a empresa, Santo Antônio Comércio de Subprodutos Animais Ltda, foi incluída no pólo passivo nos termos do art. 124, I que prevê que são solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Conforme consta no Relatório Fiscal, em diligência constatouse que essa empresa funciona no mesmo endereço da contribuinte autuada, Santa Luzia, sem nenhuma separação física ou lógica entre ambas, sendo que o que há de fato é um frigorífico que abate bovinos e vende carnes e subprodutos. Ainda, a empresa Santo Antônio não emitiu notas fiscais nos anos calendário 2011 a 2013, todavia, não obstante a isso, possuí uma folha de pagamentos a empregados no valor anual de R$ 3 milhões. É clara, pois, a confusão patrimonial entre as empresas, configurando interesse jurídico e convergente no fato gerador dos tributos, sendo que os devedores solidários estão situados no mesmo pólo dessa relação, sendo coobrigados por ela. Ademais, o Recurso apresentou, mais uma vez, apenas seu descontentamento em relação aos Termos de Responsabilidades, não trazendo suporte probatório para desqualificar os termos lavrados. Ainda, o Termo de Responsabilidade Tributária confere aos responsáveis tributários legitimidade para impugnar exigência fiscal. Assim sendo, resguardase a lógica do direito de defesa daqueles aos quais é atribuído o dever jurídico de extinguir a obrigação tributária. E justamente por isso é que se mostra plenamente justificável a conjugação dos artigos 124, inciso I e 135 do CTN com a Portaria nº. 2.284, de 29 de novembro de 2010 e, por último, utilizada subsidiariamente no processo administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/1999, arts. 9º e 58. Pelo exposto, mantenho a responsabilidade solidária para os tributos e multas para o Sr. Antônio César Maia e para a empresa Santo Antônio Comércio de Subprodutos Animais Ltda. Arbitramento: Preliminarmente, cabe ressaltar que o feito fiscal encontra amparo no art. 530, III, do RIR/99, que dispõe verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Já no que se refere à determinação da base de cálculo do arbitramento do lucro, o art. 532 do mesmo RIR/99 estabelece, verbis: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13116.722656/201605 Acórdão n.º 1401003.015 S1C4T1 Fl. 527 11 Ora, a receita bruta pode ser conhecida de duas maneiras: (1) receita declarada pelo próprio contribuinte; ou (2) receita apurada pela fiscalização em procedimento de auditoria. A receita apurada pelo Fisco, por sua vez, pode ter origem nos mais diversos procedimentos de auditoria, que resultam em provas diretas, indiretas ou por presunção legal. No caso, o arbitramento do lucro, por falta de escrituração contábil, foi com base em notas fiscais emitidas pelo próprio contribuinte no âmbito da sua atividade comercial, não sendo apresentado a fiscalização, mesmo diante de reiteradas intimações, a escrituração contábil necessária para apuração do lucro. Sendo assim, correta a aplicação do regime de tributação, lucro arbitrado. Da Diligência: O pedido de diligência feito pelo contribuinte não poderá ser aceito. É, de amplo conhecimento, que esse pedido deve conter os motivos que o justifiquem e os quesitos referentes aos exames desejados, não sendo admitido quando efetuado de forma genérica (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, IV e § 1º). A falta de ação do contribuinte não pode ser suprida por diligência. Seu objetivo é esclarecer dúvidas ou omissões. Não se presta a elucidar ou recompor escrituração omissa ou produzir novas provas. O desejo de produzir novas provas, revelado no recurso, não obriga o julgador a retardar o julgamento, pois a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo depois, salvo nos casos excepcionais previstos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º). No caso concreto, não se vislumbra o cumprimento dos requisitos legais para a realização de diligência, nem sua necessidade, pois os elementos dos autos são suficientes para formar a convicção do julgador. Da Multa de ofício qualificada: Na peça de defesa, o recorrente contesta a multa de 150%, com base no argumento de que a multa gera um efeito confisco. No entanto, são procedentes as multas qualificadas, cuja base legal são os arts. 44 c/c 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a seguir transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 532DF CARF MF 12 No tocante à alegação de vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal, cumpre esclarecer que é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por ser inconstitucional. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Assim, a multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrarse na hipótese prevista pela norma. Com efeito, nos termos do artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não cabe, portanto, à autoridade administrativa apreciar argumentos que negam validade a dispositivos legais regularmente inseridos no ordenamento normativo. Assim, não deve ser acolhida a alegação de inconstitucionalidade da multa qualificada no percentual de 150%. De fato, entendo que não há o que se reparar na decisão recorrida. Não vislumbro nenhuma hipótese de nulidade prevista no art. 10 do RPAF. O procedimento de fiscalização é inquisitório e investigatório, não é necessário que os eventuais responsáveis participem de todo o procedimento vez que, ao início da fiscalização não há como saber se haverá infração a ser lançada, quanto mais responsabilização. Ademais, é a partir do lançamento que se pode instaurar o litígio administrativo, sendo garantido todo o direito de defesa das partes, como ocorreu no presente caso. Entretanto, cumpre ressaltar que uma das responsáveis é pessoa jurídica que funciona no mesmo local da autuada, e o outro é o controlados das duas pessoas jurídicas. Foram feitas 4 intimações ao longo de 5 meses de fiscalização, as quais não foram respondidas. Outrossim, por todo o contexto fático e provas trazidas pela autoridade fiscal, é possível constatar que o grupo comandado pelo Sr. Antônio Maia é formado por diversas empresas que fragmentam suas atividades com o objetivo de reduzir a tributação, em especial de contribuições previdenciárias. Outras empresas do grupo já foram autuadas e, o que se verifica é que em uma atividade sistemática essas empresas vão sendo dissolvidas irregularmente e sendo substituídas por outras. Assim, não há nulidade e não é crível que diante de todo esse contesto as partes e solidários não tivessem conhecimento do procedimento fiscalizatório. Nego a preliminar arguída. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13116.722656/201605 Acórdão n.º 1401003.015 S1C4T1 Fl. 528 13 Também indefiro o pedido de diligência em razão da ausência de qualquer justificativa plausível, e por entender que encontramse nos autos todos os elementos necessários para julgamento. Quanto ao arbitramento essa era a medida cabível diante da ausência de escrituração fiscal e contábil. Ademais, a apuração da base de cálculo foi feita a partir do faturamento conhecido da autuada, seguindo os ditames legais. Por último, no que concerne à responsabilização solidária, cumpre ressaltar que não se trata de mero inadimplemento de tributos. Primeiro, a pessoa jurídica solidária funcionava no mesmo endereço e sem nenhuma separação lógica. Ficou constatado que a empresa SANTO ANTÔNIO é apenas empresa de fachada, servindo apenas para a artificial fragmentação das atividades do grupo, com o intuito de evitar a correta contribuição à previdência social. O modus operandi adotado é o de registrar nessa empresa quase todos os trabalhadores do frigorífico, e optar pela sistemática do SIMPLES NACIONAL, o que acabou causando a sua exclusão do regime no ano de 2013. A autoridade fiscal apurou através das declarações GFIP entre 2011 e 2015 que a SANTA LUZIA Indústria tinha apenas um único empregado registrado, e a SANTO ANTÔNIO tinha em média 242 empregados registrados, cuja folha de pagamentos atingia a cifra anual de R$ 3 milhões. Por sua vez, enquanto a SANTA LUZIA comprava bovinos vivos e vendia carnes (ou seja, realizava o abate e desossa) com faturamento anual acima de R$ 100 milhões, a SANTO ANTÔNIO não emitiu notas fiscais eletrônicas entre 2011 e 2013. Em diligência efetuada no local, nas instalações industriais onde deveriam funcionar as duas empresas não há nenhuma separação física ou lógica entre elas. O que funciona de fato é um frigorífico que abate bovinos e vende carnes e subprodutos em operação única. Em razão disso e da confusão patrimonial, restou configurada hipótese de interesse comum, até porque de fato apenas existia uma atividade econômica desenvolvida. Outro aspecto interessante é que o Antônio Maia consta formalmente como controlador, mesmo de forma indireta, da SANTO ANTÔNIO, através da empresa Santo Antônio Industria Comércio e Distribuidora de Alimentos Ltda da qual é sócioadministrador. Esta detém desde 2008 51% de participação societária na SANTO ANTÔNIO Subprodutos. A SANTO ANTÔNIO é ou foi a fonte pagadora em DIRF de dois exsócios da SANTA LUZIA, e da atual sócia da BRASLUZ, que veio a suceder as autuadas após dissolução irregular. Isso e todo o contexto fático apresentado, que demonstra um complexo esquema de formação de grupo empresarial com o objetivo de fragmentar atividades e reduzir tributação constitui prática dolosa de fraude, simulação e infração à lei, razão pela qual restam Fl. 534DF CARF MF 14 absolutamente satisfeitas as hipóteses legais para atribuição de responsabilidade pessoal ao Sr. Antônio Maia, além de ser fundamento para qualificação da penalidade aplicada. Assim, face a tudo o quanto exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários, mantendo, em razão da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 535DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.733898/2017-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Imposto de Renda incidente sobre proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, percebidos por portadores de moléstia grave, estão isentos independentemente de comprovação de contemporaneidade dos sintomas ou da recidiva da enfermidade.
Numero da decisão: 2002-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MOLÉSTIA GRAVE. Imposto de Renda incidente sobre proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, percebidos por portadores de moléstia grave, estão isentos independentemente de comprovação de contemporaneidade dos sintomas ou da recidiva da enfermidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 38 98 /2 01 7- 26 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.733898/201726 Acórdão n.º 2002000.551 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 83/85) contra decisão de primeira instância (fls. 77/78), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: O contribuinte foi notificado de lançamento relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2016, anocalendário de 2015 (fls.9/13), por meio do qual reduziuse de R$3.400,58 para R$438,34 a restituição apurada em declaração retificadora. O lançamento foi motivado por omissão de rendimentos recebidos do Fundo do Regime Geral de Previdência Social, no valor de R$12.240,63, indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Segundo a descrição dos fatos, com base no laudo médico pericial oficial apresentado, o contribuinte é portador de moléstia grave desde maio/2015. Assim, os rendimentos recebidos até abril/2015 são tributáveis. O contribuinte contesta o lançamento, argumentando em síntese que os rendimentos apontados são isentos do imposto de renda por se tratarem de proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave. E que apresentara dois laudos médico periciais oficiais do INSS, sendo portador de moléstia grave desde março/2012, doença passível de controle, com prazo de validade do laudo até 31/03/2016 e um outro laudo médico oficial de moléstia grave desde maio/2015. Portanto, os rendimentos recebidos em 2015 são não tributáveis (fls.4/5). Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 26/03/2018 (fl. 80); Recurso Voluntário protocolado em 24/04/2018 (fl. 83), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 8). Responde o contribuinte, por exigência de imposto suplementar. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11080.733898/201726 Acórdão n.º 2002000.551 S2C0T2 Fl. 4 3 A r. decisão de origem, firmou entendimento pela improcedência da impugnação, em razão do laudo pericial atestar que o contribuinte era portador de moléstia grave, no período de Março/2012 a Março/2013, não incluindo o período de 2015. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, onde lança razões preliminares e combate o mérito, juntando jurisprudência deste CARF, e a aprovação do Parecer PGFN/Nº 701 de 03 de maio de 2016, da Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional, aprovada pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Assim diz o Parecer “concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recurso e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, inc. XIV e XXI, da Lei nº 7.713 de 1988, não exige a demonstração de contemporaneidade dos sintomas nem a indicação de validade do laudo pericial ou da comprovação da recidiva da enfermidade”. Pois bem, a preliminar lançada confundese com o mérito, e com este será julgado. Tendo em vista o Parecer da PGFN, Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional, dáse provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a ação fiscal. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.000565/2007-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995
RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - FALECIDO. PRAZO 5 ANOS.
Havendo bens a inventariar a restituição do IR do falecido deverá ser feita sob Alvará judicial, a contrário senso, não havendo bens sujeito a inventário, a restituição será liberada mediante requerimento dirigido ao Delegado da RFB. artigo 897, parágrafo único, RIR/99
Numero da decisão: 2001-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - FALECIDO. PRAZO 5 ANOS. Havendo bens a inventariar a restituição do IR do falecido deverá ser feita sob Alvará judicial, a contrário senso, não havendo bens sujeito a inventário, a restituição será liberada mediante requerimento dirigido ao Delegado da RFB. artigo 897, parágrafo único, RIR/99
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PRAZO 5 ANOS. Havendo bens a inventariar a restituição do IR do falecido deverá ser feita sob Alvará judicial, a contrário senso, não havendo bens sujeito a inventário, a restituição será liberada mediante requerimento dirigido ao Delegado da RFB. artigo 897, parágrafo único, RIR/99 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 05 65 /2 00 7- 26 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre pedido de restituição da quantia de 456,09 UFIR e não REAIS, conforme constou no requerimento à fl 01, relativamente a Imposto de Renda Pessoa Física, ingressado em nome da Sra. ROSA TEIXEIRA SILVA, viúva do “de cujus” Sr. Belchior Silva, na condição de inventariante, face o falecimento ter ocorrido em 08 de julho de 1995, de acordo com a cópia da Certidão de Óbito, fl 06. O processo foi analisado na Delegacia de Origem que indeferiu ao pedido, conforme Despacho SEORT/DRF/BEL n° 426/2007, datado de 09.04.2007, por não ter sido observado o prazo limite para pleitear a restituição, que de acordo com o inciso I, do art. 168, da Lei 5.172/66 (CTN) e de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário, fls 12 e 13. O contribuinte, inconformado com a decisão, recorreu a Delegacia argumentando que o contribuinte faleceu em 08.07.1995 sem receber a restituição do Imposto de Renda, no valor na época de R$ 456,09, tendo deixado como herdeiros a esposa e um filho de maioridade que, no decorrer da tramitação do processo de inventário renunciou aos seus direitos em favor de sua genitora; que em 29 de março de 1996 foi requerida a abertura do inventário e que o inventariado deixou entre os bens arrolados, o crédito do imposto de renda a restituir, do exercício de 1995, conforme consta nos autos do inventário anexado. Que o Ministério Público em manifestação nos autos do inventário pediu que fosse oficiado à Receita Federal para informar quanto à existência ou não de débito do espólio para com a União, o que foi feito na data de 10.08.99, respondido em 20 de setembro de 1999; que em 10 de outubro de 2006 foi requerida à MM Juíza do feito, que sentenciasse o processo de inventário, o que ocorreu no dia 01.12.2006, gerando em decorrência, a expedição de ALVARÁS, inclusive direcionado ao Banco do Brasil S/A, Agência 1436, autorizando a herdeira Sra ROSA SILVA a receber a integralidade do imposto de renda do seu ex marido, referente ao exercício de 1995, o que não aconteceu face não haver depósito relativo ao crédito. A DRJ Belém do Pará manifestou seu entendimento no sentido de que não cabe razão ao sujeito passivo de acordo com a legislação já citada no despacho emanado do Seort da DRF/BEL( Inciso I do art. 168, da Lei n° 5.172/66), fls 12 e 13 haja vista não ter observado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos. Inconformado com a decisão, maneja Recurso Voluntário arguindo que só recebeu o ALVARÁ JUDICIAL no ano de 2006, onze (11) anos após 0 falecimento do referido contribuinte, não lhe cabendo a culpa pela morosidade de nossa Justiça, e por, conseguinte, não pode ser penalizada por isso. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10280.000565/200726 Acórdão n.º 2001000.794 S2C0T1 Fl. 3 3 Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorreu do pedido de restituição de crédito de imposto de renda Pessoa Física da quantia de 456,09 UFIR e não REAIS, , ingressado em nome da Sra. ROSA TEIXEIRA SILVA, viúva do “de cujus” Sr. Belchior Silva, na condição de inventariante, face o falecimento ter ocorrido em 08 de julho de 1995, de acordo com a cópia da Certidão de Óbito, fl 06. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o que foi colocado foi o respeito ao PLEITO da restituição, que não foi observado pelo contribuinte. O mencionado art 168 do CTN deixa claro que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) e II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Sendo assim, ratifico o quanto colocado pela decisão a quo no sentindo de que de acordo com os documentos acostados ao processo verificouse que a restituição do imposto de renda objeto deste processo esteve disponibilizada no Banco do Brasil S/A, no período de 09.10.1995 a 09.04.1996, de conformidade com a tela de consulta, fl.l2. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo no sentido de não reconhecer o direito creditório guerreado pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000982/2005-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
RESSSARCIMENTO. ESTALEIRO NAVAL. CONSTRUÇÃO E REPARO DE EMBARCAÇÕES. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. INSUMOS. RESTRIÇÃO TEMPORAL. INEXISTÊNCIA.
Não existe amparo legal, no caso de pedido de ressarcimento em razão de equiparação das atividades de construção e reparação naval à exportação, para a limitação do aproveitamento do crédito ao mês de auferimento de receita decorrente da atividade equiparada.
Numero da decisão: 3001-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 RESSSARCIMENTO. ESTALEIRO NAVAL. CONSTRUÇÃO E REPARO DE EMBARCAÇÕES. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. INSUMOS. RESTRIÇÃO TEMPORAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal, no caso de pedido de ressarcimento em razão de equiparação das atividades de construção e reparação naval à exportação, para a limitação do aproveitamento do crédito ao mês de auferimento de receita decorrente da atividade equiparada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 583 1 582 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.000982/200582 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.555 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente DETROIT BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 RESSSARCIMENTO. ESTALEIRO NAVAL. CONSTRUÇÃO E REPARO DE EMBARCAÇÕES. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. INSUMOS. RESTRIÇÃO TEMPORAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal, no caso de pedido de ressarcimento em razão de equiparação das atividades de construção e reparação naval à exportação, para a limitação do aproveitamento do crédito ao mês de auferimento de receita decorrente da atividade equiparada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 09 82 /2 00 5- 82 Fl. 583DF CARF MF 2 Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep Exportação de incidência não cumulativa, relativo ao 4º trimestre do ano calendário de 2004, no valor de R$ 45.952,29 (quarenta e cinco mil novecentos e cinquenta e dois reais e vinte e nove centavos). Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento da COFINS Exportação nãocumulativa (Lei n° 10.833/2003) do 4º trimestre de 2004, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 20 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório PARECER SAORT/DFtF/ITJ N.°040 / 2006 INCENTIVOS À MARINHA MERCANTE Equiparamse à exportação as operações de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no REB, executadas pelos estaleiros navais. PIS NÃOCUMULATIVO — CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Período de apuração: 01/12/2002 a 31/03/2004 Os saldos de créditos do Pis apurados na sistemática da nãocumulatividade, desde que tenham origem em operações de exportação, são passíveis de serem / utilizados: na dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado, interno; na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita • Federal. Ao final de cada trimestre do ano civil, remanescendo créditos, este pode ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. COFINS NÃOCUMULATIVA — CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 Os saldos de créditos da Cofins, apurados na sistemática da não cumulatividade, desde que tenham origem em operações de exportação, são passíveis de serem utilizados: na dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; na compensação o débitos Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 584 3 próprios, vencidos, ou vincendos, tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ao final de cada trimestre do ano civil, remanescendo créditos, este pode ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Desse modo, confrontou a receita bruta da empresa com a proveniente de exportação, alcançando os patamares de 98,47%, 75,93% e 82,15% em relação, respectivamente, aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004. insumos Também cotejouos acerca dos gastos da contribuinte com insumos empregados em suas atividades equivalentes à exportação, com transporte de tais matérias primas (fretes) e com a porção desses valores que resulta em carcaças comercializadas no mercado interno. energia elétrica aluguéis Ainda, pontuou a existência de despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país e a possibilidade de créditos de COFINS advindos da aquisição de energia elétrica. Finalmente, constatou a existência de crédito presumido relativo ao estoque de abertura e revisou o valor concedido no 1º trimestre de 2004. Com isso, o presente despacho decisório concluiu pela existência do direito creditório no valor de R$ 205.168,27, sendo R$ 190.864,01 passíveis de ressarcimento, deduzido os montantes de R$ 1.667,41 em função do estoque de abertura e R$ 1.555,65 relativamente à correção dos créditos do 1º trimestre de 2004, e R$ 14.304,26 que poderia ser utilizado para fins de deduções dos valores devidos para a COFINS, portanto, deferiu parcialmente o pedido da contribuinte. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, havendo direito ao ressarcimento integral dos créditos de COFINS Exportação. Ressarcimento decorrente dos custos com insumos Alega a manifestante que praticamente a totalidade de suas receitas seria proveniente de atividade equiparada à exportação e que, a despeito da utilização dos insumos haver sido registrada nos livros fiscais a cada seis meses, no momento em que se concluía o trabalho nas embarcações, os mesmos eram empregados continuamente, de modo que deveria prevalecer o reconhecimento do seu direito de ressarcimento da COFINS na integralidade. A manifestante requereu, ainda, a produção posterior de provas e diligências. Fl. 585DF CARF MF 4 DRJ/RJOII A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ESTALEIRO NAVAL. CONSTRUÇÃO E REPARO DE EMBARCAÇÕES. AQUISIÇÃO DE MATERIAIS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÃO. As atividades de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, realizadas por estaleiro naval brasileiro, são equiparadas, para todos os efeitos legais e fiscais, à operação de exportação. EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. Somente os créditos vinculados à Receita de Exportação auferida podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher, ou compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Se não for possível essa utilização ao final de cada trimestre do ano civil, pode ser feito o Pedido de seu Ressarcimento em dinheiro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Solicitação Indeferida O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para a o PIS (regime nãocumulativo), por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 45.952,29, referente ao quarto trimestre de 2004. Em análise do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC o deferiu apenas parcialmente, conforme despacho decisório de fls.224, que teve como base o Parecer SAORT/DRF/ITJ N° 042/2006, de fls.216/223, reconhecendo a existência de crédito do PIS passível de ressarcimento, no Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 585 5 montante de R$ 40.749,11, apurados na sistemática da não cumulatividade e que tiveram origem em operações equiparadas a exportação, além de reconhecer que os saldos de créditos do PIS, R$ 3.061,97, "decorrente de operações no mercado interno, somente poderá ser utilizado para fins de deduções dos valores devidos para o PIS." Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 232/237, onde alega em resumo que: 1. A Manifestante é pessoa jurídica de direito privado, regularmente inscrita, que se dedica as operações de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações; 2. Para tanto compra diversos insumos que são tributados pelo PIS e pela COFINS. Desta forma paga estas contribuições nas compras, que deveriam, conforme preceito constitucional, ser recuperadas por ocasião da venda/reparo das embarcações (registradas no REB); 3. Todavia, referidas embarcações têm suas saídas isentas (devido à equiparação à exportação), ocasionando, assim, em acúmulo de créditos, como os ora pleiteados; 4. Ocorre que na decisão ora recorrida, a SAORT/Itajaí indeferiu o ressarcimento dos créditos de inúmeros insumos, sob o argumento de que a Manifestante só poderia aproveitar os créditos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmoperíodo de apuração mensal; 5. Em outras palavras, a SAORT entendeu que somente os insumos adquiridos/contabilizados nos meses em que a Manifestante tenha auferido receitas de exportação (vendareparo da embarcação/emissão da nota fiscal de saída) é que poderiam ser ressarcidos (no percentual existente entre a receita bruta obtida com as operações no mercado externo e a receita bruta total, auferidas em cada mês); 6. A Manifestante tem uma atividade/operação muito peculiar, pois o seu processo produtivo é prolongado, onde cada embarcação leva entre 6 e 12 meses para ficar pronta; Fl. 587DF CARF MF 6 7. Por conta disto, no período em questão, a Manifestante emitia a nota fiscal somente na saída efetiva da mercadoria/produto, e durante os meses da produção a empresa recebia de seus clientes antecipações e registrava somente na contabilidade. Desta forma, no livro fiscal só existia faturamento a cada 6 e 12 meses, mas havia aquisições de insumos durante todo o período produção/fabricação; 8. Entretanto, a SAORT/Itajaí, sem conhecer as particularidades da operação da Manifestante, fez uma interpretação restritiva no sentido de conceder somente os créditos de PIS e COFINS apurados nos meses em que houve receitas de exportação (faturamento da venda/reparo das embarcações registradas no REB), ficando os meses da produção prejudicados em função de não haver base para o rateio; 9. Embora a Manifestante entenda a interpretação adotada pela SAORT/Itajaí, a mesma não pode ser aplicada ao caso em comento, pois embora não tenha vinculado em sua contabilidade a aquisição dos insumos às vendas das embarcações, esta relação é inconteste. Até pelos percentuais citados na decisão (ex: out/2004: 98,47%; nov/2004: 75,93%; dez/2004: 82,15%), vêse que, de fato, praticamente 100% das receitas da Manifestante advêm da exportação (venda/reparos de embarcações registradas no REB), sendo irrelevantes as receitas do mercado interno (prestação de serviços de reparos em embarcações não registradas no REB); 10 .Em via paralela, temse que as aquisições dos insumos se deram de forma proporcional às saídas ao exterior, ou seja, quase tudo foi destinado para a fabricação/reparo de embarcações registradas no REB. Seria ilógico que, por exemplo, a Manifestante tivesse receitas de exportação (embarcações registradas na REB) em percentuais de 99% e somente 10% dos insumos fossem destinados para a fabricação/reparo das mesmas; 11. Ademais, essa relação foi devidamente esclarecida e demonstrada quando das respostas às intimações fiscais n° 171/2005; 12. Concluise, assim, que em se mantendo o entendimento esposado pela SAORT/Itajaí, estarseá priorizando uma formalidade, em detrimento do direito da contribuinte e dos princípios da nãocumulatividade, da verdade material, da vedação ao enriquecimento ilícito e da justiça fiscal; Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 586 7 13. Ao final, pretende a Manifestante provar o alegado por todos os meios de prova, em direito admitidas; em especial, através da produção eficaz de provas documentais e diligenciais, em fim, tudo que seja necessário para que se faça justiça ao caso; 14. Ex positis, requer a Manifestante que se digne Vossa Senhoria em receber a presente Manifestação de Inconformidade, ordenando de imediato a correção e a modificação do Despacho Decisorio ora guerreado, haja vista, a total lisura dos procedimentos fiscais da Manifestante, no que se refere ao seu direito de ressarcimento aqui discutido e por ser medida de mais límpida e merecida justiça. Caso esse não seja o imediato entendimento destaDelegacia de Julgamento, que seja determinada a realização de diligência fiscal no estabelecimento da Manifestante para que se verifique, na prática, o que defende a contribuinte. Junto com a presente manifestação, o contribuinte carreou aos autos documentos de identidade, Ata de Reunião de Quotistas e cópia da 5a Alteração Contratual. O presente processo foi encaminhado para julgamento nesta DRJ/RJ2 face ao disposto na Portaria RFB n° 535, publicada no DOU em 31/03/2008. A DRJ entendeu que não há previsão legal para que a recorrente utilize créditos de COFINS referentes a todas as aquisições de insumos se apenas uma parte de suas receitas se refere a exportações. Desse modo, apenas os insumos empregados com a finalidade de exportação dão direito ao creditamento da contribuição e a possibilidade de ressarcimento, reputando correta a avaliação realizada pela autoridade fiscal no bojo do despacho decisório. Do exposto, concluise que não há permissão legal para a pessoa jurídica utilizar os créditos calculados em relação ao total de suas aquisições de insumos quando somente parte de suas receitas se refere a exportações. Especificamente quanto ao motivo da negativa do ressarcimento, ou seja, a exigência de receita de exportação para a efetiva , retratase: Frisese que somente os créditos referentes às aquisições de insumos no mês, vinculados à receita de exportação auferida nesse mês, podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, ou ainda compensados com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições Fl. 589DF CARF MF 8 administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Não sendo possível as situações anteriormente previstas, será admitido o pedido de seu ressarcimento em dinheiro, ao final de cada trimestre do ano civil, o que foi atendido de forma parcial. Quanto ao pedido de posterior produção de provas e de diligência, a DRJ decidiu por bem indeferilo, afirmando que em sede de processo administrativo fiscal, o momento do contribuinte trazer elementos que embasem sua pretensão seria até a apresentação da impugnação, no presente caso manifestação de inconformidade, havendo após isso a preclusão, com base nos arts. 15 e 16, §4º do Decreto n. 70.235/1972, que regula o PAF. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. A recorrente declara, a existência de duas formas de apuração da Cofins, e a classificação de suas receitas. Embarcações não Registradas no REB Insumos 1) oriundas de venda ou reparo de embarcações não registradas no REB, sob o seguinte raciocínio embarcações registradas ou préregistradas no REB Equiparação a Exportação 2) quando oriundas de venda ou reparo de embarcações registradas ou pré registradas no REB. Portanto, tendo em vista que a Recorrente sujeitase à incidência da nãocumulatividade da COFINS, em relação ao total de suas receitas, o único requisito para que seja concedido o ressarcimento desses créditos é que os custos, despesas e encargos sejam vinculados à receita de exportação. Restrição temporal Peculiaridade do Processo Produtivo Alega a recorrente que realiza atividades equiparadas à exportação mediante construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), registrando seus gastos corretamente nos livros fiscais. Porém, devido ao fato da finalização dos trabalhos ocorrerem a cada seis meses, em decorrências das peculiaridades de seu serviço, a apuração dos créditos de COFINS Exportação acabam não ocorrendo mensalmente, a despeito da aquisição e utilização de insumos ocorrem continuamente. Desse modo, a recorrente entende ser devido o ressarcimento integral dos créditos da contribuição exatamente como requerido em seu pleito inicial. diligência fiscal Por fim, pugna pela realização de diligência fiscal em seu estabelecimento para a verificação de seus argumentos. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 587 9 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente improcedente o Pedido de Ressarcimento de COFINS Exportação de incidência não cumulativa. Alega a recorrente que produz embarcações registradas e não registradas no registro especial brasileiro REB, sendo posto em evidencia Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 07.08.2009, conforme Aviso de Recebimento AR, fl. 276, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 08.09.2009, conforme comprova o carimbo da DRF JOINVILLE, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Exportação de incidência não cumulativa, referente ao período de apuração 10 a 12/2004 (4° trimestre de 2004). O pedido está lastreado em créditos obtidos na aquisição de insumos e prestação de serviços de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), equiparadas à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997. O direito creditório foi reconhecido parcialmente pelos órgãos “a quo”, que deferiram o direito creditório no valor de R$ 205.168,27, sendo R$ 190.864,01 passíveis de ressarcimento, deduzido os montantes de R$ 1.667,41 em função do estoque de abertura e R$ 1.555,65 relativamente à correção dos créditos do 1º trimestre de 2004, e R$ 14.304,26 que poderia ser utilizado para fins de deduções dos valores devidos para a COFINS. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 14.304,26. Fl. 591DF CARF MF 10 Limites do Recurso Voluntário A recorrente é clara ao circunscrever a lide em torno, apenas, dos créditos referentes ao ressarcimento, ou seja, provenientes da equiparação à exportações tornase imperioso o destaque da discussão para fins de admissibilidade do recurso e do escopo tratado em seu cerne. O mencionado parecer SAORT, em item 51, exorta o entendimento pelo qual há indeferimento dos créditos advindos das operações de mercado interno, e procedência no ressarcimento dos valores de saldo de crédito decorrente das operações de exportação. Face ao exposto, os saldos de créditos do Pis, R$ 11.204,84, e da Cofins, R$21.297,77, apurados na sistemática da nãocumulatividade e que tenham origem em operações de exportação, são passíveis de serem ressarcidos em espécie, observando a legislação específica aplicável à matéria, Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e suas alterações posteriores, conforme demonstrado abaixo: Os saldos de créditos do Pis, R$ 36.706,69, e da Cofins, R$ 28.566,17, decorrentes de operações no mercado interno, somente podem ser utilizados para fins de deduções dos valores apurados para o Pis ou Cofins, conforme o caso. Já em sede de seu Recurso Voluntário, a recorrente, Logo, restando clara a pretensão da Recorrente em ressarcir apenas os créditos oriundos do total das aquisições de insumos vinculados à receita de exportação E, em sede pedidos, no sentido de rever seu entendimento sobre o direito de ressarcimento, Decisão Desta forma, conheço Totalmente do Recurso, para apreciar a matéria restrita ao pedido de ressarcimento das operações vinculadas às exportações por equiparação. MÉRITO O Recurso Voluntário apresentado, após determinarse os limites e cernes dos tema discurtido, qual seja, a análise do pedido de ressarcimento, traz, em breve síntese, descritivo de suas atividades voltadas ao ramo naval. Esclarece que se dedica às operações de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações, registradas e não registradas no Regime Espcecial Brasileiro REB. Por este motivo, a aquisição dos diversos insumos, alocados em sua atividade econômica, submetido ao regime da não cumulatividade, que permite a recuperação do montante, calculado sobre a aquisição de insumos utilizados nas embarcações, registradas e não registradas no REB. Do voto condutor do Aresto A fim de verificar o fundamento e raciocínio combatido pelo presente recurso voluntário, necessário se faz adentrar ao voto do venerando acórdão de primeira instância administrativa. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 588 11 O aresto trazido em via recursal, será analisado mediante duas perspectivas. Inicialmente sobre o ponto pacifico e inconteste, qual seja, a legitimidade do direito ao ressarcimento em dinheiro decorrente dos créditos motivados pela aquisição de insumos destinados ao conserto e construção de embarcações registradas ou pré registradas no REB. Frisese que somente os créditos referentes às aquisições de insumos no mês, vinculados à receita de exportação auferida nesse mês, podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, ou ainda compensados com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Não sendo possível as situações anteriormente previstas, será admitido o pedido de seu ressarcimento em dinheiro, ao final de cada trimestre do ano civil, o que foi atendido de forma parcial. Em segunda análise, serão postos em evidencia os fundamentos do voto, utilizados para sustentar a negativa do direito ao ressarcimento total pleiteado pelo contribuinte. São eles, a metodologia de cálculo, segundo propõe a autoridade de piso, e a vinculação do auferimento de receita decorrente da exportação para beneficiarse do ressarcimento. Importante retratar alguns pontos do acórdão de primeira instância, a fim de conciliálo com a peça impugnatória recursal mediante a qual o assunto fora devolvido a este colegiado. Extraise, conforme se depreenderá da leitura do excerto a seguir transcrito, que o Voto, parte essencial do acórdão de primeira instância, fixou dois tópicos de negativa. O critério de cálculo para verificação do crédito, método da proporcionalidade, e a vinculação ao mês de auferimento de receita. Vejase o trecho do voto: temos que o contribuinte mostra sua contrariedade sobre o fato de ter sido considerado pela autoridade administrativa no deferimento parcial dos Pedidos de Ressarcimento da COFINS, somente os créditos dos insumos proporcionalmente às Receitas de Exportação, nos meses em que as mesmas foram declaradas Vinculação à obtenção de receita decorrente de exportação O fundamento da negativa ao direito de ressarcimento utilizado pela autoridade de julgamento, ou seja, a vinculação à obtenção de receita decorrente de exportação no mês da aquisição dos insumos, utilizou de forma subsidiária o Parecer SAORT anexo aos autos, que fundamenta o raciocínio da seguinte forma, Parecer SAORT As operações de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registrada no REB, equiparamse à exportação, nos termos do art. 11, §9°, da • Lei 9.432, de 1997:sendo facultado ao estaleiro o aproveitamento dos créditos vinculados às receitas de exportações. auferidas no mesmo período de apuração, mensal, podendo ser utilizados na forma dos §§ 1° e 2° do art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002, e §§ 1°c 2° do art. 6° da Lei n° 10.833 de 2003, Estes artigos estabeleceram, entre outras hipóteses que geram direito ao crédito, que os créditos serão determinados com base nos valores dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na Fl. 593DF CARF MF 12 fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, todos adquiridos no mês de apuração. A orientação exposta pelo Parecer SAORT foi convertida em norma obrigatória pela autoridade julgadora administrativa, sendo que a vinculação à obtenção de receita de exportação, para legitimar o ressarcimento dos créditos advindos das aquisições de insumos destinados às operações equiparadas à exportação, encontrase transcrita abaixo: 4. Ocorre que na decisão ora recorrida, a SAORT/Itajaí indeferiu o ressarcimento dos créditos de inúmeros hialinos, sob o argumento de que a Manifestante só poderia aproveitar os créditos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração mensal; 5. Em outras palavras, a SAORT entendeu que somente os insumos adquiridos/contabilizados nos meses em que a Manifestante tenha auferido receitas de exportação (vendareparo da embarcação/emissão da nota fiscal de saída) é que poderiam ser ressarcidos (no percentual existente entre a receita bruta obtida com as operações no mercado 411 externo e a receita bruta total, auferidas em cada mês); A limitação do direito ao ressarcimento conforme destacado, fundado na exigência auferimento de receita decorrente e vinculada à exportação, consoante expôs a autoridade julgadora de primeira instância nos fundamentos de seu voto, tornase clarividente no trecho a seguir colacionado: , desde que nesse mês tenha auferido receita de exportação, mesmo as equiparadas à exportação. Critério de Cálculo Destacase, na transcrição acima realizada, que o critério de cálculo restou claramente definido, quanto às receitas vinculadas às exportações por equiparação. Serão tomados integralmente para efeito do cálculo a que faz jus a contribuinte.. Neste caso, não será utilizado o critério de rateio, a alocação será feita de forma integral. Aplicação direta do artigo 3.º da Lei 10833/03, mais especificamente seus parágrafos: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal Dos Argumentos Expostos no Recurso Voluntário Foi visto no tópico relacionado aos limites deste recurso voluntário, que o ponto contestado na via recursal, é a restrição de beneficiarse apenas no mês que aufere receita vinculada à Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 589 13 exportação, pois o direito ao ressarcimento do crédito decorre da aquisição de insumos destinados à operação equiparada à exportação, conforme a própria decisão de piso e o parecer saort atestam. Foi expressamente fixado, portanto, o cerne da discussão levantado pela recorrente; apenas a restituição dos valores destinados à exportação equiparada. Desta forma, não se cogita haver litígio sobre a metodologia de cálculo de formação do crédito, se proporcional, ou integral, pois a própria decisão piso já a firmou: Os custos, despesas e encargos relacionados às receitas de exportação serão integralmente considerados, para efeito de cálculo do crédito a que faz jus a requerente O critério de cálculo do crédito, portanto, não é objeto de litigio neste PAF, mesmo porque não fora combatido pela Recuros Voluntário, e será considerado, conforme a decisão de piso, na integralidade. Impugnação ao limite temporal No acórdão em comento, reparase o destaque do cerne da discussão devolvida a este colegiado, qual seja, o pedido de ressarcimento decorrente das operações equiparadas à exportação. tipos de receita Segrega suas receitas em duas espécies, oriundas de reparos de embarcações registradas e não registradas. Merece destaque as operações equiparadas às exportações, que, de acordo com o artigo 11, parágrafo 9.º, são aquelas pré registradas ou registradas no REB. O contribuinte apresenta expressa manifestação acerca de sua discordância com o limite temporal prescrito no parecer SAORT e homologado pela Decisão de primeira instância. Confira se o argumento exposto: Entretanto, os §§ 2 e 3 , do art. 6 , da Lei 10.833/03; não contém essa restrição temporal comentada pelo fiscal, apenas dispõe o seguinte: a Recorrente está legalmente amparada em seu pedido de ressarcimento, devendo ser rejeitada a interpretação extensiva do ilustre fiscal que ao incluir um requisito temporal (mês), não observou o princípio da estrita legalidade. Portanto, está clara a possibilidade de ressarcimento dos créditos relativos a apuisição de insumos utilizados em operações equiparadas a exportação, mesmo em meses que não haja a emissão de nota de saída, tendo em vista a inexistência de restrição temporal e a individualizada contabilização das receitas mensalmente auferidas por meio de adiantamento, relativo aos custos respectivamente dispendidos. Análise dos Fundamentos legais invocados Acerca de todo o exposto, é de se concluir pelo incontestável direito da contribuinte ao ressarcimento dos valores oriundos de créditos decorrentes da aquisição de insumos para utilização em operações equiparadas à exportação. Tal é o que ocorre com a contribuinte, pois efetivamente subsume Fl. 595DF CARF MF 14 suas atividades, que são voltadas ao reparo e construções de embarcações inscritas no REB, equiparadas à exporaçao, conforme se verifica na legislação. Registro Especial Brasileiro REB Lei 9.432/97: Art. 11. É instituído o Registro Especial Brasileiro REB, no qual poderão ser registradas embarcações brasileiras, operadas por empresas brasileiras de navegação. (...) § 9 A construção, a conservação, a modernização e o reparo de embarcações préregistradas ou registradas no REB serão, para todos os efeitos legais e fiscais, equiparadas à operação de exportação. O tratamento tributário concedido às exportações, no que tange à legislação da Cofins, está expressa abaixo, e leva à inarredável conclusão pela não incidência da contribuição sobre as receitas da recorrente. Seguese: COFINS Exportação Lei 10 833/03 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; Inexistência de Respaldo Legal que Iniba o direito ao Ressarcimento Urge, contudo, enfrentar o raciocínio sobre o qual o benefício do ressarcimento somente tem vez nos meses em que a contribuinte aufere receita vinculada à exportação. Traz em seu favor, a autoridade fazendária, no bojo do Parecer SAORT, o qual foi tornado norma individual e concreta pela decisão de primeiro piso, os parágrafos 1.º e 2.º do artigo 6.º da Lei 10.833/03 como os fundamentos legais para a imposição da restrição. Merecem, portanto, ser transcritos os referenciados textos legais, inicialmente, o parágrafo primeiro: § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 30, para fms de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Tal parágrafo, como encampado acima, referese à utilização do credito mediante a dedução do valor a recolher com débitos da própria contribuição, conforme a leitura de seu inciso I, ou, seguindo na interpretação literal do inciso II, na compensação com débitos de outros tributos. Por se tratar de dedução com débitos próprios e compensação com outros tributos, nem o inciso I e II, do parágrafo primeiro aplicamse ao caso presente. Pois bem, consoante amplamente se demonstrou ao longo desta decisão, o cerne deste recurso voluntário é o ressarcimento dos créditos provenientes da aquisição de insumos voltados à exportação equiparada. Isto porque, como bem evidenciado na peça recursal, a contribuinte possui, em seu favor, acúmulo de créditos, justamente por sujeitarse ao tratamento fiscal concedido às exportações. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10909.000982/200582 Acórdão n.º 3001000.555 S3C0T1 Fl. 590 15 Neste sentido, importa salientar o fundamento legal para autorizar o ressarcimento solicitado pela contribuinte, que o fez, justamente pela previsão legal, qual seja, a impossiblidade de utilizarse das formas previstas no parágrafo primeiro acima mencionado. Fazse mister a leitura do parágrafo segundo do mencionado artigo 6.º da Lei 10.833/03: § 2° A pessoa jurídica que, até o fmal de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1° poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Este parágrafo segundo sim, é aplicável à espécie, vez que prevê, no caso de impossibilidade de debitar ou compensar, como é, de fato, o caso da contribuinte, a alternativa de ressarcim. Anotase que não, neste parágrafo, limite algum para o benefício do ressarcimento, em especial, a necessidade de auferir receita de decorrente de exportação no mês da aquisição do insumo. A construção da norma concreta e individual pleiteada pelo contribuinte, deve atentar se aos comando dos parágrafos 8.º e 9.º, em respeito à referência legal constante do parágrafo 3.º, que, atentase, em momento algum menciona quaisquer tipos de restrição ao beneficiário do ressarcimento nos moldes propostos pelo Parecer SAORT e a decisão de primeira instância. § 3° O disposto nos §§ 1° e 2° aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8° e 9° do art. 3°. Portanto, seguiuse que, para a fiel normatização jurídica da relação posta em julgamento, os mencionados parágrafos, conforme se viu em transcriçao acima, não condicionam, em momento algum, o benefício do ressarcimento ao auferimento de receita no mesmo mês de aquisição dos insumos destinados às operações equiparadas à exportação. Ao contrário, a legislação prevê três formas de beneficiar o contribuinte; a uma, pelo creditamento perante débitos da propria contribuição, a duas, pela compensação com outros tributos; e, a três, no caso de impossibilidade das anteriores, é facultado o ressarcimento, sem nenhum tipo de restrição ao seu benefício, bastando comprovar a vinculação à exportação equiparada. Aliás, a própria decisão sob vergasta assim determina O crédito, apurado mensalmente, se não for aproveitado/utilizado no mês de apuração poderá sêlo nos meses subseqüentes. 12. Se em determinado mês de apuração, a contribuinte obtiver receitas decorrentes de operações de mercadorias para o exterior e/ou de prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, os créditos das contribuições apurados nesse mês, na forma dos artigos 3' das mencionadas Leis, podem ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Depois de efetuadas as deduções e compensações cabíveis, ao final de um trimestre do ano civil, remanescendo créditos na escrita contábil estes podem ser objeto de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Em continuidade na análise da decisão de primeira instância, fundada no parecer SAORT, é de se utilizar trechos deste último que demonstra a regularidade da prestação de informações Fl. 597DF CARF MF 16 quanto às operações equiparadas às exportações, conforme atestado pela autoridade fazendária em face da cosntatação dos lançamento em DACON e nos balancetes mensais. DACON Das receitas auferidas no período na Ficha 04 Apuração dos Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, preencheu a coluna destinada as pessoas jurídicas que obtiveram receitas de exportação. Com base nos balancetes mensais, constatase que em alguns meses a requerente auferiu receitas decorrentes da construção de embarcações préregistradas no REB e de serviços de reparos em embarcações registradas no REB, DECISÃO Diante do exposto, voto por conhecer totalmente do recurso e darlhe provimento total no sentido de autorizar o ressarcimento dos créditos advindos das aquisições de insumos destinados às operações equiparadas à exportação sem a necessidade de haver receita no mês de aquisição dos mencionados insumos. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721177/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA.
As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
Numero da decisão: 3201-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 11 77 /2 01 4- 98 Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 3 2 Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal pela DRF de Presidente Prudente. Merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal: A fiscalização da DRF elaborou o referido Termo, no qual explicou as glosas efetuadas e os cálculos indicando um crédito inferior ao pleiteado pela empresa. Em síntese, foram glosados os créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nem estariam relacionados na legislação de regência. Inicialmente, o Auditorfiscal assim entendeu: Como sobredito, esse crédito deve referirse a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, é fundamental que o insumo seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 4 3 Sob este entendimento, explicase as glosas: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. O entendimento contrário levaria à inadequada situação em que bastaria ao contribuinte evitar a ativação de suas máquinas, optando pelo arrendamento mercantil ou pelo simples aluguel, para ampliar sobremaneira suas possibilidades de creditamento. Com base nessas premissas, foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 06 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), 07 (Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) e 12 (Devoluções de vendas sujeitas às alíquotas não cumulativas). Nesse último caso, as devoluções objeto de glosa referemse a retorno de mercadorias não oneradas nas antecedentes saídas, caso do leite resfriado ou prébeneficiado, objeto de suspensão tributária, como será explanado mais adiante. Ainda tratando dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, porém mais especificamente no que respeita aos dispêndios com edificações (aproveitados no prazo de 24 meses com base no custo de aquisição ou de construção), foi realizada a glosa integral dos créditos calculados pelo contribuinte, em razão da inobservância do disposto no artigo 6°, caput e parágrafos 5° e 6°, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Além disso, a autoridade fiscal também informou que outro procedimento considerado irregular por esta fiscalização reportase ao aproveitamento de crédito básico sobre a aquisição de leite resfriado e leite prébeneficiado. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 5 4 Explicou que a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, em seu artigo 8º admite a apuração de créditos presumidos sobre a aquisição de insumos destinados a produção de mercadorias para à alimentação humana ou animal: Em suma, a venda de leite por fornecedor que exerça as atividades de resfriamento, transporte e venda a granel de leite in natura é efetuada, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins quando o comprador dessa mercadoria apurar o IRPJ com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar esse leite como insumo na produção de diversos alimentos, dentre eles o leite e seus derivados industrializados. Ademais, percebese que os três requisitos citados no parágrafo anterior são supridos pela fiscalizada, visto que: 1) seu imposto de Renda Pessoa Jurídica é apurado com base no lucro real; 2) sua atividade econômica é considerada agroindustrial, pois produz mercadorias arroladas nos incisos do caput do citado artigo 5o e não se encontra dentre as excludentes do artigo 2o da Lei 8.023, de 12 de abril de 1990;e 3) os insumos em comento são efetivamente aplicados na produção dessas mercadorias. Por fim, quanto aos créditos presumidos, assim se reportou: Portanto, não há que se falar em apuração de crédito básico (100% da alíquota) para tais aquisições, apenas sendo admitida a constituição de crédito presumido, à proporção de 60% das alíquotas nãocumulativas dos dois tributos em apreço. Já os créditos calculados sobre o transporte do leite pré beneficiado e resfriado não foram reclassificados para o presumido. Tais créditos foram integralmente glosados, pois não há previsão legal para aproveitamento de créditos presumidos sobre o transporte dessas mercadorias. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14057.035, de 26/02/2015, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 6 5 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; b) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; c) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido; d) Arrendamento mercantil: a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. Os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado; e) Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas: lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Recorrente, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e IN 660/06 é legitimo o direito creditório em tela. É o relatório. Voto Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 7 6 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.324, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.721176/201443, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.324): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 8 7 de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 9 8 No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 10 9 Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 11 10 PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 12 11 Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Do Arrendamento mercantil Sustenta, noutros termos, que a legislação de regência não determina que o bem objeto do arrendamento mercantil deve estar intrinsecamente ligado ao processo produtivo. Assim, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente seriam, no seu entender, essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na forma seguinte: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (g.n.) A fiscalização explicou a glosa na forma seguinte: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. (g.n.) Contudo, o legislador não restringiu o tipo de bem objeto do arrendamento mercantil, mas apenas exigiu que seja utilizado nas atividades realizadas pela pessoa jurídica, não diretamente utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, por exemplo, os gastos com o arrendamento de um caminhão utilizado na entrega dos produtos fabricados por uma indústria, ainda que não diretamente utilizados na produção, podem ser considerados créditos na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 13 12 Vejam, a propósito, como dispôs, nos fundamentos, a Solução de Consulta nº 205 Cosit, de 24/04/2017: 6. O que tais diplomas legais estabelecem é a possibilidade de se descontar créditos relativos aos valores pagos a título de “contraprestações de operações de arrendamento mercantil”. Nenhuma imposição quanto ao objeto do arrendamento é fixada pela legislação. Portanto, nenhum óbice existe em relação a arrendamento mercantil de veículo, desde, naturalmente, que ele seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica. 6.1 Evidentemente, devem ser observados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie, entre outros, a exigência de que tais valores sejam pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, e que tal pessoa jurídica não seja optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim, a nosso juízo, os gastos com o arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa geram o direito ao crédito do PIS/Cofins. Do Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Sustenta a Recorrente, neste tópico do recurso, que a lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, de forma que, ainda que adquiridos de pessoas físicas, é legitimo o direito creditório, em conformidade com a Lei 10.925, de 2004, e Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. Bem, o que se vê do Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 291 e ss., é que, quando a fiscalização tratou do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fêlo apenas com relação à aquisição de leite, conforme comprovam alguns de seus parágrafos, onde o tema é tratado: (...) (...) Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10835.721177/201498 Acórdão n.º 3201004.326 S3C2T1 Fl. 14 13 No concernente ao tema, apenas a afirmação, no voto condutor do acórdão recorrido, de que a aquisição de produto desonerado não pode gerar o direito ao crédito básico de PIS/Cofins. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 837DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.000433/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Nos termos do Decerto 7.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO TRABALHISTA.
Considera-se rendimento tributável o montante recebido em face de acordo trabalhista firmado entre as partes, ainda que homologado judicialmente, se nele não constar a discriminação, por espécie, dos rendimentos auferido .s.
MULTA DE 75%. LANÇAMENTO DE OFICIO CABIMENTO.
É cabível nos lançamentos de oficio a aplicação da multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de Imposto nos casos de falta de pagamento, pagamento após o prazo sem o acréscimo de multa moratória, de fata de declaração ou de declaração inexata..
JUROS DE MORA TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE.
A cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC está em conformidade com a legislação vigente, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei ordinária a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento cm porcentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é competência da instância administrativa apreciar a constitucionalidade de atos legais.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA -
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e diligência, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia e diligência para produzir provas, que caberiam ao autuado apresentar.
Numero da decisão: 2301-005.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Joaõ Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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NULIDADE. Nos termos do Decerto 7.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO TRABALHISTA. Considerase rendimento tributável o montante recebido em face de acordo trabalhista firmado entre as partes, ainda que homologado judicialmente, se nele não constar a discriminação, por espécie, dos rendimentos auferido .s. MULTA DE 75%. LANÇAMENTO DE OFICIO CABIMENTO. É cabível nos lançamentos de oficio a aplicação da multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de Imposto nos casos de falta de pagamento, pagamento após o prazo sem o acréscimo de multa moratória, de fata de declaração ou de declaração inexata.. JUROS DE MORA TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. A cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC está em conformidade com a legislação vigente, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei ordinária a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento cm porcentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é competência da instância administrativa apreciar a constitucionalidade de atos legais. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e diligência, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia e diligência para produzir provas, que caberiam ao autuado apresentar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 04 33 /2 00 5- 88 Fl. 162DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Joaõ Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, exercício 2002, anocalendário 2001, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual. De acordo com os autos, foram alterados os rendimentos recebidos de pessoa(s) jurídica(s) para R$ 99.000,00, devido a omissão de rendimentos. decorrentes de trabalho com vínculo empregatício recebidos da pessoa jurídica Reunidas Paulista de Transportes Ltda, conforme informado pela fonte pagadora. O contribuinte apresentou impugnação efls 02/10 onde alegou em síntese: Que o auto de infração deve ser considerado nulo por falta de perícia contábil. Aduz que a autoridade fiscal apurou erroneamente o crédito tributário em função do tendencioso comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda do anocalendário de 2001 emitido pela fonte pagadora Reunidas Transportes; Defende que a autoridade fiscal deve observar rigorosamente o acordo judicial, em observância à coisa julgada; Afirma que o acordo trabalhista homologado foi dividido em 13 parcelas, das quais 08 foram pagas em 2001 e as demais em 2002, acordo esse que previu como verbas salariais o equivalente a 28,95% do valor total e 71,01% atinentes a verbas indenizatórias; Questiona a multa de 75% alegando não ter havido dolo do contribuinte, devendo esta ser fixada em 2%. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10820.000433/200588 Acórdão n.º 2301005.650 S2C3T1 Fl. 163 3 Sustenta que os juros de mora com base na taxa SELIC são ilegais e inconstitucionais; Entende que caso sejam devidos os tributos, pleiteia a compensação dos valores pagos quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual ou em outra oportunidade; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília julgou procedente o lançamento mantendo a autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso reiterando os mesmos argumentos constantes na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos do recorrente, estes não são suficientes para alterar o lançamento fiscal. Tendo em vistas que o recurso sob análise repetiu todas as alegações constantes da impugnação e por concordar plenamente com a decisão de primeira instância, peço vênia para transcrever o voto nela contido , nos termos do art. 57, III, § 3º do Regimento Interno do CARF. Da Preliminar O contribuinte traz questionamento acerca da nulidade do auto de infração, alegando a ausência de perícia contábil. Pois bem, há de se constatar que todos os requisitos previstos no art. l0 do Decreto n" 70.235/ l972, que regula o processo administrativo fiscal, t`oram observados quando da lavratura do auto de in fração, a saber: Art10. O auto de infração será lavado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; VI .a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 164DF CARF MF 4 No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do auto de infração suscitada pelo impugnante. No Mérito O contribuinte recebeu no anocalerldário de 2001, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido ira Fonte (Dirf), rendimentos tributáveis de R$ 99.000,00, com retenção de imposto de renda na fonte de,R$ 3.513,97, correspondentes ao acordo trabalhista homologado judicialmente. Na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2002, inseriu apenas a quantia de R$ 14.238,11 como rendimentos tributáveis. Tal foi feito pelo Auto de Infração. Considerando que no acordo trabalhista feito com a empresa Reunidas Paulista de Transportes Ltda, constante dos autos às lls. l8/20 foi estabelecido que 71,05% do valor pago seria de natureza indenizatória, entendeu o contribuinte que R$ 70.339,50 (7l,05% dos R$ 99.000,00 recebidos em 2001) estariam isentos de tributação. Por oportuno, cabe mencionar que o contribuinte reconhece que recebeu o valor de R$ 99.000,00 no anocalendário2001 referente ao acordo trabalhista. Desta forma, o litígio instaurado diz respeito à natureza desses rendimentos auferidos e considerados isentos pelo contribuinte. Assim, passase a analisar o item concernente à tributação de valores considerados pelo contribuinte isentos, por se tratarem de parcelas indenizatórias Da natureza dos valores recebidos Sobre a matéria, o art. 43 do Código Tributário Nacional determina que o fato gerador do imposto de renda e a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Transcrevese, para melhor entendimento, o art. 43 .do CTN: "Art. 43 O imposto de competência da União, sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato geradora aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10820.000433/200588 Acórdão n.º 2301005.650 S2C3T1 Fl. 164 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." Do exame desse dispositivo, temse que rendas e proventos de qualquer natureza São espécies do gênero acréscimo patrimonial, quer decorrentes do capital ou do trabalho ou não. . Adicionalmente, o art. l76 do CTN consagra o princípio da legalidade em matéria de isenção e o art. 4º do mesmo diploma legal estipula que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei. O CTN definiu o fato gerador do imposto de renda e, por sua vez, a Lei nº 7.7l3, de l988, ao alterar a sistemática de apuração do imposto, indicou em que momento ele ocorre, assim dispondo: “Art. 1º. Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de janeiro de I989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente com as modificações introduzidas por esta lei.. AIrt. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida eim que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º e. 14 desta Lei. § I” Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Importante ressaltar que o § 4º do art. 3º desse mesmo diploma legal estabelece que: (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Fl. 166DF CARF MF 6 Inferese dos dispositivos transcritos que a incidência do imposto de renda vinculase à natureza do rendimento independentemente da denominação ou classificação contábil adotada pela fonte pagadora. Quanto à nãoincidência do imposto de renda sobre “verbas indenizatórias”, vale notar que o art. 6” da Lei n" 7.7I3, de l988, ressalvou, entre outras, as seguintes hipóteses de isenção de rendimentos: "/Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas (...): l V as indenizações por acidente de trabalho;; V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (...) Conforme se verifica, as indenizações isentas são as decorrentes de acidente de trabalho e aquelas previstas na Consolidação das .Leis do Trabalho C.L.T. .Decretolei n.° 5.452, de 1º de maio de l943, mais especificamente nos arts. 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base.na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9" da Lei n.“ 7.238, de 29 de outubro de. I984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei n." 5.107, de l3 de setembro de l966, alterada pela Lei nº 8.036, de 11 de maio de l990. Quaisquer outros rendimentos,. mesmo remunerados a título de indenizações, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, urna vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts.111 e 176 do CTN. Daí resulta que todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o transcrito art. 6º, consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º,l.04l, de 11/01/l 994 (RIR/I994), art. 40, bem assim no RIR/1999, art. 39. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST n.° 5, de l984, ao discorrer sobre hipótese em que parcela da remuneração seja paga a assalariado a título de “indenização" esclarece em sua ementa: "O caráter indenizatório e a exclusão dentre os rendimentos tributáveis do pagamento efetuado a assalariado devem estar previstos pela legislação federal para que seu valor seja excluído do rendimento bruto." Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10820.000433/200588 Acórdão n.º 2301005.650 S2C3T1 Fl. 165 7 No caso em questão, houve um acordo onde as partes estabeleceram o valor que o empregador devia ao empregado. Caracterização geral de rendimento do trabalho. Para que um rendimento escape desta incidência deve estar demonstrada a sua natureza de rendimento isento. O acordo, evidentemente, é um instrumento legal para a solução do litígio. Mas do ponto de vista tributário, não é suficiente para a caracterização da natureza do rendimento. Do contrário, hipoteticamente, empregador e empregado poderiam estabelecer que todos rendimentos seriam indenização. E vejase que a homologação pela Justiça do Trabalho não melhora a caracterização da natureza dos rendimentos, pois não ha nessa homologação a avaliação da definição tributária. Não estava em lide no processo definir se as verbas estariam ou não sujeitas ao tributo. No aspecto tributário, a sentença teve função meramente homologatória, não criando o direito a isenção reclamada pelo interessado no presente processo. Assim, um acordo particular que estabelece o pagamento de 71,05% do valor devido corno se indenização fosse, ainda que homologado judicialmente, não tem o condão de caracterizar aquele pagamento corno de indenização isenta, visto que para que um rendimento possa obter a condição de não tributável deve estar bem caracterizada sua natureza. Na documentação acostada aos autos, não está identificado que espécie de verbas indenizatórias I`oi recebida pelo sujeito passivo, uma vez que o acordo firmado entre as partes não discrimina as verbas que comporiam as parcelas de indenização. Logo, não é possível separar o que poderia ser classificado como rendimento isento ou não tributável do que e tributável. Portanto, com base na Dirf da fonte pagadora, , entendemos estar correto o lançamento, no que se refere à omissão de rendimentos tributáveis. Da Multa de Ofício A multa de ofício aplicada ao lançamento está prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996 que estipula: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 20017) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 20017) (...) Como se pode ver da leitura do artigo supracitado, a multa de ofício aplicada seguiu rigorosamente a legislação vigente. Cumpre ressaltar que a multa de ofício tem, atualmente, duas alíquotas, 75% e 150%, aquela de aplicação genérica me esta última aplicada nos casos em que houver Fl. 168DF CARF MF 8 intuito de fraude. A primeira delas tem natureza material, ou seja, verificado o fato concreto, aplicase a multa, sem considerar a natureza volitiva do descumprimento da legislação. A multa de ofício aplicada ao caso teve como lato gerador a omissão de rendimentos tributáveis, não tendo qualquer relação com o intuito do contribuinte. ` Confirmando a tese exposta, a respeito da legalidade e aplicabilidade da multa de ofício de 75%, transcrevese o acórdão abaixo: CRÉDITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (CTN art. 136) Ademais, o procedimento administrativo de lançamento e atividade plenamente vinculada e obrigatória, cabendo à Autoridade Lançadora e Julgadora (Delegacia da Receita Federal de' Julgamento) somente a aplicação da lei ao caso concreto. A exclusão de parte do crédito tributário corresponde á isenção, só passível de ser deferida mediante lei. Portanto, mantémse a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, nos termos das normas que regem a matéria. Da Taxa Selic No tocante ao questionamento da aplicação da taxa de juros Selic ao crédito tributário exigido, ressaltese que a Autoridade Julgadora está adstrita a verificar' a ocorrência do fato gerador que gerou _a obrigação tributária, se a lei foi corretamente aplicada ao caso e analisar os argumentose provas apresentados pelo sujeito passivo. Não compete à Autoridade declarar, reconhecer ou apreciar argüição de inconstitucionalidade, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal (art. l02, I, “a” e IIIl, “b”). Por outro lado, não há inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal contra a aplicação da taxa Selic na cobrança dos juros de mora. As normas que amparam sua cobrança continuam válidas. Há que se citar também o Código Tributário Nacional CTN, que determina o quanto segue: Art. 161. O crédito tributário não integralmente pago ao vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das peua1idades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §' 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (grifei) A Lei nº 8.98l, de 1995, que trata dos pagamentos de tributos c contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, assim dispõe: Art. 84. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer à partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10820.000433/200588 Acórdão n.º 2301005.650 S2C3T1 Fl. 166 9 I juros de mora, equivalentes a taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Deferal Interna; (...) § 1 º. Os juros de mora incidirão à partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento e a multa de mora, à partir do primeiro dia após o vencimento do débito; § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. Posteriormente,o art. l3 da Lei nº 9.065, de 20/O6/l995, assim determina: Art, 13, à partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n° 8847 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei 8850 de 28 de janeiro de 1994 e pelo art. 90 da Lei 8981 de 1995, o art 84, inciso I e o art 91 parágrafo único, alínea "a.2" da Lei 8981 de 1995 serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por último, os juros Selic foram ratificados pelo art. 6l da Lei n“ 9.430, de 27/l2/l996. Inferese, daí, que a utilização dos percentuais equivalentes a taxa referencial Selic para fixação dos juros moratórios esta em conformidade com a legislação vigente, pois existe a autorização legal específica preconizada pelo art. 161, § 1º do CTN. Do Pedido de Perícia/Diligencia ` Em relação ao seu pedido de perícia, inicialmente cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de perícias, em conformidade com o artigo l6, inciso IV do Decreto n“ 70.235/l972, com redação dada. pelo artigo I" da Lei n" 8.748/ I993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. I" da Lei nº 8.748/I993). Por outro lado, em regra, justificase o deferimento da produção de prova pericial tãosomente quando o simples exame, pela autoridade tributária, dos elementos e provas documentais coligidos pelo fisco, bem como daquelas aportadas aos autos pelo interessado, revelarse insuficiente para embasar sua convicção da lide, ensejando, pois, o pronunciamento de técnico especializado. Logo, a perícia será prescindível e deverá ser indeferida quando a prova do fato independer do conhecimento especial de técnicos ou quando for desnecessária em vista de que as provas produzidas e os elementos coligidos aos autos forem suficientes. No presente caso, não se cogita da realização de perícias, uma vez que a analise das questões de mérito delas prescinde. O entendimento da fiscalização sobre o assunto foi consubstanciado no próprio auto de infração c, se houver discordância por parte Fl. 170DF CARF MF 10 do contribuinte, a este cabe manifestála, na condição de impugnante, e não somente sugerila, procurando transferir o ônus da produção de provas em contrario para a autoridade administrativa. Além do mais, a perícia requerida deve objetivar a prova de fatos que o sujeito passivo não tenha condições de trazer para os autos, ou cujo carreamento lhe traria ônus desproporcional. No presente caso, o que poderia ter sido apresentado com o fim específico de afastar a exigência, referese à memória de calculo elaborada pelo perito, quando da apuração dos valores pleiteados na ação trabalhista. Desta forma, o pedido de perícia será indeferido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Em relação a realização de diligência, cabe frisar que a mesma tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido de diligência pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, exigindo~se, portanto, o pronunciamento sobre o assunto por parte de um terceiro. A diligência solicitada pelo interessado é considerada prescindível por esta autoridade julgadora, urna vez que as intimações solicitadas pelo contribuinte já foram prestadas pela fonte pagadora na apresentação da Dirf . Ademais, o contribuinte reconheceu em sua peça impugnatória que recebeu no ano de 2001 a importância de R$ 99.000,00 decorrentes do acordo celebrado na Justiça do Trabalho. .Desse modo, descabe o pedido de diligência formulado pelo interessado (...). Como visto, a decisão de primeira instancia rechaçou todos os argumentos da recorrente, razão pela qual eu, concordando com ela, as tomo como razão de decidir. Ante ao exposto, Voto no Sentido de Conhecer do recurso, denegar o pedido de diligência, Rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento mantendo a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901875/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/06/2004
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/06/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 75 /2 00 8- 13 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901875/200813 Acórdão n.º 3302006.084 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não havia sustentado a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que "temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, (...) portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo" (sic). Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, que fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 05035.487, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de prova do direito creditório pleiteado. Ressaltou a DRJ que o contencioso administrativo não se prestava ao pedido formulado pelo contribuinte, havendo rito específico para pedido de cancelamento, e que a autoridade encarregada da cobrança haveria de cuidar para que, comprovada a coincidência entre os débitos exigidos por meio da DCOMP e os relacionados com o pagamento alegado, não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegando não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promovera o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destacou o recorrente que o pagamento integral do débito ocorrera antes mesmo da ciência da não homologação da compensação declarada, não podendo ser compelido ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustentou, ainda, que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário e que, muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que fosse promovida a revisão de ofício. Por fim, pediu que, em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, fosse a repartição de origem oficiada para que não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.901875/200813 Acórdão n.º 3302006.084 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.068, de 24/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13819.900462/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.068): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13819.901875/200813 Acórdão n.º 3302006.084 S3C3T2 Fl. 5 4 comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, por meio de DARF, o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP. Assim, no que cinge ao suposto crédito declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13819.901875/200813 Acórdão n.º 3302006.084 S3C3T2 Fl. 6 5 cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Observese, entretanto, que há indícios de que o débito antes pretendido compensar foi pago por meio de DARF pelo contribuinte antes da emissão do despacho decisório, devendo a unidade responsável avaliar se o referido pagamento é passível de alocação ao débito oriundo da DCOMP em comento. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.724577/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO ACOLHIMENTO.
Incabível a nulidade do lançamento com base em cerceamento do direito de defesa, alegado pela contribuinte, que não foi constatado nos autos. Pelo contrário, no ato de intimação o contribuinte declara receber os anexos que alega não ter sido fornecido. Também não há juntada de documentos novos após a intimação, ao contrário do que alegou, o que demonstra serem inverídicas suas afirmações.
PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a sua causa.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO ACOLHIMENTO. Incabível a nulidade do lançamento com base em cerceamento do direito de defesa, alegado pela contribuinte, que não foi constatado nos autos. Pelo contrário, no ato de intimação o contribuinte declara receber os anexos que alega não ter sido fornecido. Também não há juntada de documentos novos após a intimação, ao contrário do que alegou, o que demonstra serem inverídicas suas afirmações. PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a sua causa. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 45 77 /2 01 4- 43 Fl. 2003DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte. O lançamento em questão referese à exigência de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, em razão de irregularidade consubstanciada em "pagamento não identificado ou sem causa operação não comprovada". Exigiuse do contribuinte acima identificado, o IRRF no valor de R$ 14.292.370,41; Multa de ofício de R$ 10.719.278,21 e juros de mora de R$ 5.203.197,74 (cálculo válido até maio de 2014), totalizando o crédito tributário de R$ 30.214.846,36. Extraise dos autos, através do Termo Fiscal às fls.475/480, a intimação do contribuinte para apresentar “os documentos de suporte aos lançamentos encontrados na conta de passivo 2.01.01.01.03 FORNECEDORES NACIONAIS INTEGRAÇÃO em especial em relação ao fornecedor FLEXPACK Ind. De Embalagens, CNPJ 36.123.339/000122 (como consta dos registros) bem como os da conta de passivo de longo prazo 2.02.01.01.03 FINANCIAMENTOS e, ainda, com os esclarecimentos quanto à sua motivação. Foram elaboradas planilhas extraídas da contabilidade com os referidos lançamentos. A contribuinte não apresentou os documentos nem os esclarecimentos solicitados, alegando em princípio que estariam disponíveis para exame e, a final, como consta da sua última resposta, que não teriam sido localizados, sendo, pois, considerados inexistentes para fins da comprovação necessária”. Segundo o TVF, “a conta 2.01.01.01.03 FORNECEDORES NACIONAIS – INTEGRAÇÃO começa o ano com saldo de R$ 1.071.629,00 e termina com R$ 1.215.090,93. No mês de janeiro o saldo inicial vai sendo paulatinamente reduzido por pagamentos com contrapartidas principalmente nas contas 1.01.01.02.04 BANCO ITAU S/A MARECHAL HERMES e 1.01.01.02.05 BANCO BRADESCO S/ANTLOPOLIS com os seguintes históricos: LANÇAMENTOS DOS SISTEMAS GERADORES CAP AP número FLEXPACK IND. DE EMBALAGENS LTDA CHEQUE, atribuídos aos mais diversos centros Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 18470.724577/201443 Acórdão n.º 1401002.995 S1C4T1 Fl. 2.004 3 de custos (administração, RH, diretoria, jurídico, representantes), a princípio, incoerentes. No último dia do mês, o saldo é alimentado com um crédito com contrapartida na conta 2.02.01.01.03 FINANCIAMENTOS com histórico de valor referente transferência para melhor classificação, e recomeça a redução do mesmo com os mesmos tipos de pagamentos e referencias, e assim se repete até o fim do exercício”. O contribuinte não apresentou os documentos nem os esclarecimentos a respeito dessas contas, não se podendo determinar a causa nem comprovar a operação. Assim, concluiu a fiscalização que “ainda que se considerasse identificado o beneficiário do pagamento, a causa deste, a operação que deu causa ao pagamento não ficara comprovada. Diante disso, o Fisco, com base no Decreto nº 3.000, de 1999, art. 674 § 1º (que tem por base legal a Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º) considerou ocorrido pagamento sem causa, procedendo à lavratura do auto de infração. Tendo em vista o disposto no § 3º do referido artigo 674, foi considerado líquido o valor pago, sendo reajustada a base de cálculo do IRRF”. Ciente da autuação em 02/06/2014, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMNISTRATIVA em 30/06/2016 (fls. 515/522), na qual alegou em síntese: Do Cerceamento do direito de defesa: 1. Afirma que “o presente lançamento foi decorrente do entendimento ao risco da suposta existência de pagamentos sem causa (crédito das contas 1.01.01.02.04 Banco Itaú S/a Marechal Hermes e 1.01.01.02.05 Banco Bradesco S/A Nilópolis e débito da conta 2.01.01.01.03 Fornecedores Nacionais). A Impugnante se insurge, preliminarmente, contra o presente lançamento posto que, como a seguir se constatará, foi completamente preterida no seu direito de defesa. O auditor afirma em seu Termo de Constatação de Infração Fiscal (Item 131), que "Em anexo se encontram as planilhas extraídas da contabilidade com os referidos lançamentos”. 2. “Tendo em vista que a Impugnante jamais recebeu ou foi informada a respeito de qualquer planilha anexa cabe a seguinte indagação: Que planilha é esta? A que verdadeiramente se refere? Nenhuma planilha foi apresentada à Impugnante e, se alguma foi anexada ao processo posteriormente à data de lavratura e do conhecimento do auto de infração, o que se admite somente por hipótese, esta, certamente, não tem a ciência da Impugnante, o que, convenhamos, seria um absurdo sem precedentes que macula por completo o lançamento”. 3. A Impugnante se insurge, preliminarmente, “contra o presente lançamento, pois, na hipótese de ocorrência de qualquer destas situações teve claramente seu direito de defesa cerceado posto que ficou impedida de fazer uso de seus direitos fundamentais, uma vez que um dos princípios reguladores do Processo Administrativo Fiscal, que decorre do art. 5o, inciso LV da Constituição Federal de 1988, é o Fl. 2005DF CARF MF 4 contraditório, ou seja, contradizer as alegações que pesam contra si, e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. 4. Destarte, “o diploma legal que regulamenta a constituição e a cobrança dos créditos tributários dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Decreto n° 70.235/1972 impede que sejam expedidas autuações que não contenham um mínimo de informações para que o contribuinte possa nelas identificar a acusação que lhe está sendo imputada e, se for o caso, para que possa exercer o seu sagrado direito de defesa, impugnando o lançamento”. Da Comprovação dos valores que supostamente foram objeto de tributação: 1. Afirma que “o presente lançamento foi efetivado em decorrência do entendimento completamente equivocado do Fisco de que não houve comprovação dos valores contabilizados. O agente do Fisco insiste de forma cômoda e simplória que não foi apresentada a documentação comprobatória dos lançamentos correspondentes aos pagamentos ao fornecedor FLEXPACK indústria de Embalagens Ltda. 2. Diz que “as afirmações do fisco estão completamente divorciados da verdade e não refletem de forma alguma a realidade dos fatos. Como se pode comprovar pela resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL datada de 11/03/2014. cópia anexa (Doe. 04), a Impugnante relatou as inúmeras dificuldades encontradas para acesso e entrega no prédio da Delegacia da Receita Federal do Brasil na Barra da Tijuca, DRF/RJ2 de considerável quantidade de documentos solicitados em função do seu grande volume. Naquela ocasião colocou que, em função da dificuldade apontada para transporte do material e para maior conveniência da fiscalização, os demais documentos ficariam à sua disposição no estabelecimento da empresa. Entretanto, para sua surpresa, a fiscalização, demonstrando total desinteresse ou talvez por pura comodidade jamais retornou ao endereço da empresa optando por encerrar a fiscalização alegando, de forma surpreendente, que a documentação em questão não foi apresentada, o que motivou a absurda e simplória autuação a título de pagamento sem causa ou beneficiário não identificado”. 3. Afirma que “no presente caso, os pagamentos devidamente contabilizados decorrentes das aquisições de matérias primas no mercado interno, jamais poderiam ter sido precipitadamente considerados sem causa por parte da fiscalização”. 4. Aduz que “em um simples exame nas notas fiscais anexadas se constata a existência de carimbos indicando datas e valores dos pagamentos, que somados totalizam o valor da nota fiscal. Vale esclarecer também que os valores constantes dos carimbos, na maioria das vezes, referemse a vários pagamentos, ou seja, vários créditos bancários. Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 18470.724577/201443 Acórdão n.º 1401002.995 S1C4T1 Fl. 2.005 5 5. E que comprova, “através das notas fiscais, extratos bancários e registros contábeis não só a existência da obrigação como também de seus correspondentes pagamentos. Incumbe ainda relembrar, mesmo com risco de ser repetitivo, que no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação, efetivamente, teve seu nascimento. Dessa forma, tendo sido apresentados os documentos idôneos comprobatórios das operações escrituradas pela Impugnante deve ser afastado o presente lançamento a título de pagamento sem causa ou beneficiário não identificado”. 6. Assim, pugna pelo cancelamento integral do presente auto de infração. O Acórdão ora Recorrido (1455.992 3ª Turma da DRJ/RPO) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a sua causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. Incabível a nulidade do lançamento com base em cerceamento do direito de defesa, alegado pela contribuinte, que não foi constatado nos autos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da Turma julgadora, “sem a apresentação do registro contábil da obrigação quando assumida, nem comprovada a existência de tal passivo na contabilidade da empresa quando do encerramento de cada balanço patrimonial nos anoscalendário anteriores a 2010, é de se concluir que os documentos trazidos pela impugnante são insuficientes para comprovar a causa dos pagamentos efetuados, escriturados em nome da Flexpack Ind. de Embalagens Ltda". Fl. 2007DF CARF MF 6 Diante disso, “sem que tenha havido por parte da contribuinte a apresentação de outras provas concretas de que de fato existiu a obrigação da empresa, os pagamentos em questão devem ser considerados sem causa, ou de causa torpe”. Ressaltandose, que “pagamento “sem causa”, ou causa torpe, é definido no Direito Civil como aquele que é feito para cumprir uma suposta prestação, não fundado em erro, mas na inexistência da obrigação”. (...) Portanto, diante da documentação que foi apresentada, a qual não contem requisitos suficientes para serem aceitas, sem outros elementos que realmente comprovem a causa dos pagamentos objeto da lide, cabe a exigência do IRRF previsto na Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º, base legal do art. 674 do RIR de 1999”. Ciente da decisão do Acórdão em 06/02/2015 (fls. 1487), o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 09/02/2015 (fls. 1489/1498), alegando as mesmas razões trazidas em sede de impugnação administrativa às fls. 515/522, acrescentando apenas os seguintes argumentos, que também apenas reafirmam suas razões de impugnação: 1. “O lançamento deve ser nulificado, posto que, após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, foram incluídos nos autos provas fundamentais. Tal medida representa inconcebível cerceamento ao seu direito de defesa”. 2. No mérito, afirma que “não procede a conclusão da DRJ de que o contribuinte não teria comprovado a existência da obrigação que motivou os pagamentos tidos como sem causa, haja vista que foram anexadas (doc. 03 da defesa) todas as notas fiscais que deram origem à dívida liquidada com os pagamentos em questão”; 3. Sustenta que o fisco jamais questionou a idoneidade das notas fiscais, portanto, se estas são idôneas a obrigação é legítima. Nesse sentido não caberia ao órgão de julgamento manter a autuação com base em argumento que a própria autoridade lançadora não mencionou em seu relato. 4. Para espancar qualquer dúvida acerca do registro contábil das obrigações, “junta cópias de folhas do Livro Diário (doc. 05), onde restam demonstrados os lançamentos das notas fiscais que deram causa aos pagamentos sob análise. Desse modo, ficaria comprovada contabilmente a escrituração das operações, inclusive aquelas relativas há anos anteriores”. 5. Pugnou pelo provimento integral do recurso, com reforma da decisão da DRJ. Às fls. 1944 dos autos – Despacho de Encaminhamento ao CARF Às fls. 1946 dos autos – Resolução nº 2402000.555 da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF – CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos em que, “considerando que o fisco não tomou conhecimento dos documentos acostados à defesa e ao recurso, é prudente que, por respeito ao princípio da verdade material, convertase o presente julgamento em diligência de modo que a autoridade lançadora possa se manifestar, Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 18470.724577/201443 Acórdão n.º 1401002.995 S1C4T1 Fl. 2.006 7 emitindo parecer conclusivo se os documentos em questão (notas fiscais e cópias do Livro Diário) são hábeis a alterar o lançamento”. Às fls. 1959/1965 dos autos DILIGÊNCIA FISCAL, concluindo que: 1. “O registro contábil puro e simples das notas sem documentação hábil para sustentálos se transforma apenas numa equação matemática. Retirar um valor de uma conta a qual não teve sua composição demonstrada e comprovada transferindoo para outra conta da mesma natureza (passivo) e realizar pagamentos com base em notas fiscais vencidas há oito anos, as quais não foram cobradas, exige uma prova robusta de que estas operações realmente são fidedignas”. 2. “Quando da pretendida comprovação da obrigação apresenta relação dos pagamentos com indicação da data, número da nota fiscal e valor pago (fls.577 a 660). Há que se observar o seqüencial das Notas que indica que são emitidas apenas contra o Recorrente e ainda que são destinados vários “cheques” para uma mesma nota no mesmo dia até, com os mais diversos valores, não fazendo o menor sentido”. 3. “Se entendermos que o saldo inicial não esclarecido da conta FINANCIAMENTOS, que alimentou a conta Fornecedores onde ocorreu o pagamento, seria formado por créditos de FLEXPACK, estaríamos a falar de R$ 109.055.944,00 (CENTO E NOVE MILHÕES!)”. 4. Que “os elementos apresentados (notas fiscais e cópias do Livro Diário), por si só, não comprovam o que indicariam”. 5. Por fim, “não foi comprovado efetivamente o recebedor das quantias indicadas em cada cheque do Bradesco e do Itaú relacionados na conta Fornecedores que serviu de base para a autuação”. Às fls. 1974/ 1979 dos autos – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE, afirmando que: 1. “As obrigações que deram origem aos pagamentos, ou seja, as compras da Flexpack constantes das notas fiscais estavam devidamente registradas na escrituração contábil apresentada pela Recorrente, o que evidencia a existência da obrigação e afasta qualquer consideração em contrário”. 2. “O fiscal limitouse a repetir os mesmos argumentos anteriormente apresentados concentrando suas avaliações basicamente nos pagamentos que efetivamente ocorreram e não estavam sendo Fl. 2009DF CARF MF 8 contestados, sem trazer qualquer elemento de prova que pudesse afastar as informações prestadas pela Recorrente, restou comprovado através dos registros contábeis apresentados, a origem das obrigações e pagamentos realizados”. 3. E tendo em vista que “o Relatório de Diligência Fiscal não trouxe novos e conclusivos elementos que pudessem contradizer as alegações constantes do Recurso Voluntário apresentado, que se sustentam em vasta documentação hábil e idônea anexada, resta integralmente comprovada a total improcedência do lançamento efetuado”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Em sede recursal, as poucas inovações trazidas pela parte em nada inovam a tese defendida na impugnação, apenas a reafirmam. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 18470.724577/201443 Acórdão n.º 1401002.995 S1C4T1 Fl. 2.007 9 § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: A impugnação atende aos requisitos previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Processo Administrativo Fiscal (PAF). Assim, dela conheço. Nulidade do auto de infração. Cerceamento do direito de defesa. Não há dúvida de que o cerceamento do direito de defesa é fator que determina a nulidade de procedimento fiscal, conforme dispõe o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Todavia, não é o caso, como se verá a seguir. Como anteriormente relatado, a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os documentos de suporte aos lançamentos encontrados na conta de passivo 2.01.01.01.03 FORNECEDORES NACIONAIS INTEGRAÇÃO em especial em relação ao fornecedor FLEXPACK Ind. de Embalagens, CNPJ 36.123.339/000122 (como consta dos registros) bem como os da conta de passivo de longo prazo 2.02.01.01.03 FINANCIAMENTOS e ainda com os esclarecimentos quanto à sua motivação, sendo anexadas as planilhas extraídas da contabilidade com os referidos lançamentos, conforme consta da intimação. Constam dos autos às fls. 334/456 os registros dos pagamentos efetuados, no Razão. Às fls. 457/461, consta demonstrativo que discriminam os valores pagos, cujas operações não foram comprovadas, e a planilha do cálculo do reajuste da base de cálculo do IRRF, conforme determina o § 3º do art. 674 do RIR de 1999. Todos os demonstrativos e planilhas de cálculo dos valores tributáveis constam dos autos e foram Fl. 2011DF CARF MF 10 anexados ao TVIF (fls. 475/480) do qual a contribuinte teve ciência em 02/06/2014. Ainda, o “item G Encerramento” do TVIF, informa: “Além dos demonstrativos e planilhas anexas serão juntados no processo administrativo os termos, as declarações, as respostas, cópias dos contratos e alterações, e os demais documentos pertinentes ao mesmo, que poderão ser consultados pelo representante do Contribuinte.” (grifei) Assim, se não conhecida a juntada de algum outro documento pertinente, como contratos, declarações respostas à intimação etc, foi esclarecido à contribuinte que além dos demonstrativos e planilhas já anexas ao termo, seriam juntados no processo administrativo os termos, as declarações, as respostas, cópias dos contratos e alterações e os demais documentos pertinentes, que poderiam ser consultados pelo representante da contribuinte. Além disso, a contribuinte teve trinta dias após a ciência da lavratura do auto de infração, para obter vistas de todo o conteúdo dos documentos anexados ao processo. Portanto, inexiste o alegado cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual não cabe declarar a nulidade do auto de infração ora questionado. Operação não comprovada. Pagamento sem causa. A contribuinte intimada durante a ação fiscal, não apresentou documentos que comprovassem a operação que deu causa aos pagamentos efetuados mediante cheques dos Bancos Itaú e Banco Bradesco, em 2010, que conforme seus próprios registros, teriam sido pagos à FLEXPACK Ind. de Embalagens Ltda. Na fase impugnatória, apresentou listagem “Relação de Pagamentos Efetuados – ano 2010” (fls. 577/660), informando os pagamentos efetuados que estariam vinculados às notas fiscais ali relacionadas e cópias das notas fiscais, tendo como emitente a empresa Flexpack Industria de Embalagens Ltda (fls. 661/1422), com o intuito de comprovar a causa de tais pagamentos. Da análise dos documentos trazidos aos autos pela contribuinte, na fase impugnatória, não se pode admitir que as notas fiscais, as quais contêm como data de emissão 2002, 2003 e 2004, e com diversos recibos na própria nota, sem acréscimos, sirvam de prova da causa dos pagamentos efetuados somente em 2010. Ressaltese que algumas notas fiscais informam vencimentos parcelados, mas não prazo para pagamento de seis a oito anos após a data de emissão. Ora, sem a apresentação do registro contábil da obrigação quando assumida, nem comprovada a existência de tal passivo na contabilidade da empresa quando do encerramento de cada balanço patrimonial nos anoscalendário anteriores a 2010, é de se concluir que os documentos trazidos pela impugnante são insuficientes para comprovar a causa dos pagamentos efetuados, escriturados em nome da Flexpack Ind de Embalagens Ltda. Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 18470.724577/201443 Acórdão n.º 1401002.995 S1C4T1 Fl. 2.008 11 Diante disso, sem que tenha havido por parte da contribuinte a apresentação de outras provas concretas de que de fato existiu a obrigação da empresa, os pagamentos em questão devem ser considerados sem causa, ou de causa torpe. Ressaltese, que pagamento “sem causa”, ou causa torpe, é definido no Direito Civil como aquele que é feito para cumprir uma suposta prestação, não fundado em erro, mas na inexistência da obrigação (segundo a conceituada Profª Maria Helena Diniz – Dicionário Jurídico). Portanto, diante da documentação que foi apresentada, a qual não contem requisitos suficientes para serem aceitas, sem outros elementos que realmente comprovem a causa dos pagamentos objeto da lide, cabe a exigência do IRRF previsto na Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º, base legal do art. 674 do RIR de 1999 que dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR de 1999) Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Dessa forma, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por não acatar a argüição de nulidade do lançamento, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido. Fl. 2013DF CARF MF 12 A decisão recorrida não merece reparos. Ora, quanto à preliminar de nulidade sustentada pela Recorrente, tal qual a DRJ, entendo que a mesma não merece ser acolhida. Isto porque, as alegações da Recorrente não condizem com a realidade. Na intimação do recebimento do Auto de Infração pela Recorrente, consta claramente a observação de que junto ao auto a parte recebeu todas as planilhas e anexos, senão vejamos: Desta forma, ao se declarar ciente do auto e anexos a presunção que recai sobre a parte é de recebimento de todas as cópias dos papéis de trabalho, não tendo a mesma se desincumbido da obrigação de provar o contrário. Ademais, da ordem dos documentos anexados ao eprocesso é possível confirmar que o auto de infração e a intimação do contribuinte foram anexados posteriormente aos anexos e papéis de trabalho, razão pela qual não corresponde à realidade a alegação da parte de que haveria a juntada de documentos após a sua intimação. Face ao exposto, assim como a DRJ, não dou provimento à preliminar arguída. No mérito, também reitero que acato a decisão da DRJ, não tendo trazido a Recorrente nenhuma nova razão que justificasse a revisão da decisão adotada. Pelo contrário, a diligência realizada foi esclarecedora e apenas confirmou e reiterou os fundamentos do lançamento. Conforme relatado nos itens 4 e 5 do Relatório de diligência, desde o ano de 2008 a RFB já constatou que a suposta fornecedora FLEXPACK não mais existia no endereço indicado no seu CNPJ, lá funcionando desde 2002 a empresa Aparas Boa Esperança (12897.000004/2009 76, fls. 223 do auto de infração de Cibrapel). Ademais, a empresa Flexpack em suas declarações, enquanto as prestava, nunca apresentou movimento significativo, informando ter contas a receber de no máximo R$ 200 mil, com declarações até o anocalendário de 2008, este sem movimento. Em contrapartida, os pagamentos declarados pela Recorrente à referida empresa superam o exorbitante montante de R$ 100 milhões de reais. Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 18470.724577/201443 Acórdão n.º 1401002.995 S1C4T1 Fl. 2.009 13 A Recorrente apresentou as supostas notas que embasaram os pagamentos realizados no ano de 2010, entretanto, as notas foram emitidas entre os anos de 2002 e 2005, o que não tornam críveis as alegações da contribuinte. Outrossim, como bem esclarecido pelo Relatório de Diligência: 12 Das Notas Fiscais, além do sequencial indicando que foram emitidas apenas para a Recorrente, podemos notar que a pretensa quitação não obedece a ordem cronológica, constam mais de um carimbo informando um valor de pagamento, alguns com data de 2009, o valor pode ser resultado de vários cheques no mesmo dia, não consta informação quanto ao transportador, mesmo quando para a filial em outro município (Guapimirim). A seguir vamos apresentar alguns exemplos dessa incoerência geral que afasta a credibilidade dessa documentação apresentada. 13 Uma das primeiras a ser apresentada na relação por data (fls.577), a 15803 (fls.1333), tem emissão em 06/04/2005, vencimentos em 21/05, 10/06 e 20/06, constando carimbos de pagamentos em 10/12/2009 R$ 10.000,00, 10/12/2009 R$ 3.320,35, 11/12/2009 R$ 9.446,00, 10/12/2009 R$ 2.109,00, 14/12/2009 R$ 15.530,00, 15/12/2009 R$ 28.061,00 e, finalmente 04/01/2010 R$ 1.379,05. 14 A seguir, na 15808 (fls.1335) com emissão em 08/04/2005, vencimentos 23/05, 12/06, 22/06, constam carimbos 21/12/2009 R$ 28.504,89, 21/12/2009 R$ 16.398,00, 04/01/2010 R$ 14.445,00, 06/01/2010 R$ 1.700,00, 07/01/2010 R$ 5.970,00 e 22/01/2010 R$ 1.737,16. 15 Perguntase: qual a lógica de se fazer mais de um pagamento por documento? Mais de um pagamento no mesmo dia? Mais de um cheque no mesmo grupamento de pagamento de um dia? Somente com um fornecedor? Com títulos vencidos a mais de 5 anos? Sem descontos ou correções? 16 Qual a lógica do pagamento de 04/01/2010 (fls.577) da NF 15808 de R$ 14.445,00 ter sido registrado com 7 cheques > R$ 1.910,00, R$ 1.806,00, R$ 1.400,00, R$ 1.320,00, R$ 1.350,00, R$ 3.659,00 e R$ 3.000,00. O de 07/01/2010 o foi com 2 > R$ 2.000,00 e R$ 3.970,00 (fls.578)? 17 A 15813 seguinte (fls.577/578) tem 15 pagamentos no dia 04/01/2010, 7 no dia 05/01/2010 e 2 no dia 11/01/2010 (a NF não foi localizada como juntada). Qual a lógica disso? 18 A primeira NF 13284 (fls.661) de 05/11/2002 foi registrada como paga em 24/11/2010 R$ 9.019,45 e 25/11/2010 R$ 40.311,51 (fls.653/654). Qual a lógica de se pagar primeiro algo de 2005 frente a faturas de 2002, 2003 e 2004? Financeira não é, porque já vimos que não contemplam descontos nem correções!!!! Fl. 2015DF CARF MF 14 Neste espeque é que concordo com a conclusão do diligente no sentido de que a simples juntada dessas notas fiscais não justifica os pagamentos, nem se tivessem sido apresentadas no curso da fiscalização, bastando uma análise perfunctória para que o cheiro da dúvida se eleve. Uma comprovação mais efetiva se faria prudente e necessária, e isso a Recorrente não logrou. Ademais, já em 2008 a empresa emissora das Notas Fiscais já não estava no local do seu endereço, o que culminou na declaração da sua inaptidão, e que a empresa que lá foi encontrada estava estabelecida no local desde 2002. Ademais, as Notas Fiscais além de seqüenciais para o Recorrente também tem seqüência cronológica praticamente diária, mais de uma por dia, emissão e saída no mesmo dia, com pesos declarados de 27.000 kg, o que exigiria uma logística de grande porte para o responsável pela entrega, a Flexpack, uma empresa não localizada. Entretanto, também não há nenhum registro dos veículos transportadores. Assim é que, a diligência apenas confirmou o que já estava absolutamente claro, a inexistência de prova efetiva da causa e do benefíciário dos pagamentos vez que a empresa sequer existia no seu local indicado. Desta feita, face a tudo o quanto exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários, mantendo, em razão da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2016DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008802/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 88 02 /2 00 9- 10 Fl. 390DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 2/9), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 40.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 8 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada à fl. 10 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações, a DRJ afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 18/11/2010 e, não concordando, interpôs em 16/12/2010 o Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumida nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional; Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 3402005.879 S3C4T2 Fl. 391 3 2) que a planilha com dados extraídos do SISCOMEX que integra o presente Auto de Infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no Sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no SISCOMEX; 3) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 4) que as mercadorias embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a Solução de Consulta n° 215/04 da RFB, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta. Por fim, acrescentou as seguintes razões: (i) o caráter confiscatório da multa e (ii) da possibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF, que após serem analisados, foi proferido o Acórdão nº 3803006.289 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 144/151), que no voto condutor, o Relator aduz que "em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento". Ao final, decidem que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 144): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.793, de 26/04/2016, fls. 302/310), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Fl. 392DF CARF MF 4 Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, cabe informar que a Recorrente, lançou mão ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrante SOCIETE AIR FRANCE (fls. 339/388). Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no recurso voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no recurso que (i) ocorreu erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do SISCOMEX, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Acrescentou no recurso as seguintes alegações: (vii) caráter confiscatório da multa e (viii) impossibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas, matéria esta, já enfrentada e decidido pelo seu afastamento pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 3402005.879 S3C4T2 Fl. 392 5 Desta forma aduz a Recorrente, "(...) O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional". Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada a infração. Quanto a alegação de que não haveria provas do cometimento da infração, resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados nos demonstrativos de fl. 10, separado por numero de DDE, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Alega também a Recorrente que, "(...) A planilha Siscomex que integra o presente auto de infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no Siscomex, conforme comprovado abaixo (...)". Fl. 394DF CARF MF 6 Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborada pela Fiscalização e anexada à fl. 10. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento de psio, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. 2. Da contagem do prazo para inserção dados de embarque retroatividade benigna Sustenta a Recorrente que, (...) As mercadorias descritas no item III, embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a solução de consulta n° 215/04 da Receita Federal, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta". Afirma que a redação da Solução de Consulta n° 215/04, é clara ao afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextasfeiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira". Quanto a contagem dos prazos, o Fisco acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Art. 210 Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 3402005.879 S3C4T2 Fl. 393 7 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei). No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada (obrigação efetuada pela própria Recorrente em seu estabelecimento). Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Desta forma, encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo, o que totalizou 08 vôos, no caso em apreço, resultando no valor de R$ 40.000,00. No entanto, há que se destacar que o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, desta forma dispunha na época dos fatos (redação dada pela IN RFB 510, de 2005): Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor do excerto supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de julho de 2005, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, dada pela IN SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que fixava o prazo de 2 (dois) dias para a prestação das informações no Siscomex. Contudo, posteriormente, foi editada a IN RFB n.º 1.096, de 13 de outubro de 2010, que alargou para 7 (sete) dias o prazo para a prestação das informações de embarque. Vejase: Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Grifei) Como se vê do artigo acima, a Instrução Normativa nº 1.096/2010 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no SISCOMEX os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque, e que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como Fl. 396DF CARF MF 8 infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados, não resta dúvidas quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração, a inserção de dados no SISCOMEX realizada anteriormente ao prazo de 07 dias da data de embarque. No mesmo diapasão, destacase que a aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido pela IN RFB nº 1.096/2010, também já é matéria pacificada neste Colegiado. Mesmo que haja opiniões divergentes acerca da aplicação a fatos pretéritos das dilações de prazo introduzidas pelas Instruções Normativas que alteraram a IN SRF nº 28/94, o fato é que a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14/02/2008, admitiu tal possibilidade. Vejase no trecho abaixo: “9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” Ante ao acima exposto, entendo que este Conselho não pode ignorar a interpretação que a própria Administração Tributária deu ao assunto, flagrantemente favorável ao administrado, mesmo que, em alguns casos, a retroação de prazos legais possa parecer indevida. Nesse diapasão, considerando os dados apurados pela Fiscalização presentes no Anexo do Auto de Infração (planilha de fl. 10), devem ser canceladas as parcelas da multa exigidas com base no prazo de 2 (dois) dias, que não excederem o prazo de 07 (sete) dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, alíneas "a" e "b" do Código Tributário Nacional (CTN), que trata da retroatividade benigna. Por conseguinte, da análise da tabela acostada aos autos de fl. 10, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e informados nos seguintes dias: 11/01, 13/01, 26/01, 28/01 e 30/01, todos de 2006, visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010), sendo exoneradas as penalidades em que a prestação de informações ocorreu em prazo inferior. Como o critério estabelecido para aplicação da penalidade em considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo e, restaram 05 vôos sujeito à infração, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 25.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita indisponibilidades do SISCOMEX Aduz em seu recurso que, "(...) O Siscomex inegavelmente apresenta falhas técnicas (comprovadas abaixo que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 3402005.879 S3C4T2 Fl. 394 9 ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa". No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos distintos ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: Fl. 398DF CARF MF 10 “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e darlhe parcial provimento, para manter o lançamento referente aos embarques informados nos seguintes dias: 11/01, 13/01, 26/01, 28/01 e 30/01, todos de 2005, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 25.000,00 (conforme disposto no item "2" deste voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10715.008802/200910 Acórdão n.º 3402005.879 S3C4T2 Fl. 395 11 Fl. 400DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.720031/2014-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.907
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), por falta de comprovação de recolhimento a maior e/ou indevido. Segundo a autoridade administrativa, no que tange à apuração das contribuições ao PIS e à Cofins, o contribuinte desempenhava concomitantemente atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo. No Dacon, conforme relato, o método de determinação dos créditos se dera pela “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA SOBRE RECEITA PARCIAL E/OU RECEITA DE EXPORTAÇÃO COM RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .7 20 03 1/ 20 14 -4 0 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 19679.720031/201440 Resolução nº 3302000.907 S3C3T2 Fl. 3 2 BASE NA PROPORÇÃO DOS CUSTOS DIRETAMENTE APROPRIADOS”, pressupondo, tal opção, a existência de um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração que possibilitasse a verificação do percentual de cada nota fiscal destinado à atividade sujeita ao regime cumulativo (serviços de concretagem) e à atividade não cumulativa (vendas de cimento, argamassa etc.). No Despacho, foi ressaltada uma característica importante na atividade de serviço de concretagem, relativamente à utilização da matériaprima principal, o cimento produzido pelo próprio contribuinte, que estava sujeito ao regime da não cumulatividade. Nesse caso, quando o contribuinte adquiria insumo para produção do cimento, apenas parte poderia ser aproveitada como crédito, a outra parte não. Nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, todas as notas ali elencadas estavam com a totalidade dos valores classificados como crédito, por isso foram solicitadas informações mais específicas dos bens e serviços utilizados como insumos e fretes contratados, com a indicação do processo produtivo e o cálculo de rateio. Não havendo atendimento por parte da interessada concluiuse que as informações prestadas não eram aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte confirmou que desempenhava, concomitantemente, atividades sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, realizando serviços de concretagem enquadráveis como ‘execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil’, cujas receitas se sujeitavam ao regime cumulativo, enquanto todas as demais receitas eram tributadas pelo regime não cumulativo. Segundo ele, equivocadamente, oferecera à tributação das contribuições (PIS/Cofins), na sistemática não cumulativa, a totalidade de suas receitas, inclusive a de prestação de serviços de concretagem, sujeita ao regime cumulativo, aplicando a alíquota de 7,6% e apropriando todos os créditos de insumos e serviços tomados no âmbito de sua atividade. Posteriormente, entretanto, refizera a apuração e retransmitira todas as respectivas obrigações acessórias para (i) desfazer a apropriação dos créditos de insumos e serviços de concretagem e (ii) fazer incidir sobre as receitas do regime cumulativo a correta alíquota de 3%, o que resultou em recolhimentos superiores aos valores realmente devidos, que foram objeto das declarações de compensação apresentadas. Contestou a decisão da autoridade fiscal, ressaltando que, se não houvera a comprovação da apropriação dos créditos pelo método direto dos custos, como destacado no despacho decisório, deveria ter sido utilizado o método da proporcionalidade, legitimando o rateio de custos entre as atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo (apresentou o cálculo de rateio dos insumos a partir da proporcionalidade da receita bruta que, segundo ele, encontravase de acordo com o previsto no § 8º do art. 3ª da Lei nº 10.833, de 2003). Salientou que o Despacho Decisório não fizera qualquer menção à imposição de juros e multa, presumindose daí que eles não estavam sendo exigidos, tornandose nula uma possível cobrança a esse respeito, em razão da impossibilidade de se defender. Admitiu que, no caso, tratavase de mero erro formal, sem qualquer lesão ao fisco, uma vez que não houvera redução do valor do montante tributável, não tendo sido logrado qualquer benefício, o que demonstrava que a não homologação da compensação Fl. 528DF CARF MF Processo nº 19679.720031/201440 Resolução nº 3302000.907 S3C3T2 Fl. 4 3 pretendida deflagrava um rigor excessivo, incompatível com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como com a verdade material prevalecente no âmbito do processo administrativo tributário. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob fundamento de falta de comprovação da existência do direito creditório, por meio de documentos fiscais e/ou escrituração contábil hábeis, e por considerar que a aplicação do cálculo de rateio dos créditos a partir da proporcionalidade não podia ser considerada antes que se comprovasse o montante dos créditos informados no Dacon. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade, ressaltando o seguinte: a) o fornecimento de argamassa preparada em betoneiras no trajeto até a obra é prestação de serviços, razão pela qual refez a apuração da contribuição; b) ao verificar estarem as receitas decorrentes de prestação de serviço de concretagem sujeitas ao regime cumulativo, refez sua apuração, constatando que os recolhimentos outrora efetivados foram superiores aos valores realmente devidos; c) houve indevida desconsideração do método de apuração adotado; d) defendeu a busca pela verdade material. É o relatório Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.901, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 19679.720027/201481, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.901): A Recorrente reformulou sua escrituração contábil com o objetivo de refazer a sua apuração de COFINS com o escopo de tributar as receitas relativas às atividades de "concretagem" no regime CUMULATIVO, eis que originalmente o havia feito sob a sistemática NÃO CUMULATIVA. A Recorrente insurgese contra o fato da autoridade fiscal haver deixado de reconhecer o controle elaborado por ela, mormente diante de planilhas com identificação individual de cada nota fiscal de entrada dos insumo de forma separada em relação à atividade sujeita à sistemática cumulativa e não cumulativa. Requer seja acatada ao menos a COFINS apurada de forma cumulativa referente à mesma competência do crédito que deveria ter sido compensada, eis Fl. 529DF CARF MF Processo nº 19679.720031/201440 Resolução nº 3302000.907 S3C3T2 Fl. 5 4 que entende tratarse de mera reclassificação de receita, seja segundo o método de apropriação direta ou pelo método do rateio proporcional. Vale destacar que originalmente a Recorrente apresentou DACON pela sistemática NÃO CUMULATIVA, apropriandose de todos os insumos adquiridos, mas apurando COFINS a uma alíquota de 7,6%. Contudo, retificou a declaração para adequarse à sistemática CUMULATIVA, sujeitandose à alíquota de 3%. A fiscalização, contudo, entendeu por bem desconsiderar o controle de custos da Recorrente para fins de repartição dos créditos de insumos passíveis de apropriação. Argumenta a Recorrente que a não homologação da DCOMP em discussão implicaria exigência em duplicidade da COFINS da competência de setembro de 2008. Aduz ainda que a fiscalização tinha o dever de empregar o método alternativo da proporcionalidade (rateio proporcional) previsto no § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, e não simplesmente deixar de reconhecer qualquer pagamento a título de COFINS cumulativa. Não obstante os argumentos esposados pela Recorrente é de se notar que ao prestar o "serviço de concretagem" ela utiliza como principal matéria prima o CIMENTO por ela mesmo produzido e sujeito ao regime não cumulativo. Como da aquisição dos insumos para a fabricação do cimento apenas uma parte foi destinado ao serviço utilizado na operação de concretagem, apenas uma parte dos créditos poderia ter sido utilizado. Foi por esta razão que a Autoridade Fiscal entendeu que os créditos apresentados não possuiriam a liquidez e certeza necessários ao seu aproveitamento aos fins almejados pela Recorrente. "Entretanto, como constatado pela autoridade fiscal, as planilhas apresentadas em 26/06/2015 não contemplavam os dados solicitados no TIF 12/2015, não trazendo a informação individualizada de cada nota fiscal: rubrica correspondente do Dacon, mês em que o valor foi apropriado, número da nota fiscal, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, CNPJ/CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence (cimento, argamassa, concreto etc). Concluindo, dessa maneira, que as informações prestadas pela contribuinte não estavam aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados." (efls. 482) Se por um lado é verdade que a Recorrente possui o direito de utilizarse dos créditos tributários, por outro é necessário que tais créditos sejam dotados da liquidez e certeza necessários à compensação. Em sede de Recurso Voluntário, é de competência deste colegiado aferir, em grau recursal, se a documentação apresentada é suficiente à demonstração do direito ao crédito. A negativa do fisco, que foi acompanhada pela DRJ, é no sentido de que a Recorrente, mesmo intimada, deixou de apresentar todas as informações relevantes à aferição da liquidez e da certeza dos créditos, merecendo destaque a rubrica correspondente do DACON, mês de apropriação, número da nota, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19679.720031/201440 Resolução nº 3302000.907 S3C3T2 Fl. 6 5 detalhada, CNPJ ou CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence, o que levou ao fisco a entender que o crédito não era dotado dos predicados imprescindíveis à sua compensação. No entanto, pela análise do processo é possível aferir que muitas destas informações estão contidas na documentação trazida aos autos pela Recorrente, havendo indícios de que podem existir créditos a serem aproveitados. Neste cenário, proponho converter o julgamento em diligência, à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 531DF CARF MF
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