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Numero do processo: 35588.002729/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2001, 31/12/2006 DECADÊNCIA - No presente caso houve antecipação de pagamentos, devendo, portanto, ser aplciado o que disposto no artigo 150, 4ª do CTN. PEDIDO DE DESISTÊNCIA – Havendo pedido de desistência das matérias recorrida há de se manter o julgamento, confirmando a improcedência das demais questões ventiladas, como ocorreu no presente caso. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2001, anteriores a 11/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a)a. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso nas demais questões, devido a pedido de desistência. - Fez sustentação oral:PROFARMA DISTR DE PROD FARMACÊUTICOS S/A
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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PEDIDO DE DESISTÊNCIA – Havendo pedido de desistência das matérias recorrida há de se manter o julgamento, confirmando a improcedência das demais questões ventiladas, como ocorreu no presente caso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2001, anteriores a 11/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a)a. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso nas demais questões, devido a pedido de desistência. Fez sustentação oral:PROFARMA DISTR DE PROD FARMACÊUTICOS S/A (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete Oliveira de Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) materializado pelo n° 37.050.4720, consolidado em 17/11/2006, em desfavor da empresa Recorrente pelo não recolhimento das retenções de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, mediante cessão de mão de obra realizada pela empresa Farmadacta Informática Ltda., no período de JANEIRO/2001 a DEZEMBRO/2005. No relatório fiscal (fls. 101/104) consta que a empresa Recorrente contratou serviços da empresa Farmadacta Informática Ltda., inscrita CNPJ n° 27.287.820/000162, no período de JANEIRO/2001 a DEZEMBRO/2005. No entanto, a fiscalização apurou pelas Declarações de Imposto de Renda na Fonte – DIRF, que a empresa autuada não apresentou a escrituração contábil exigida, bem como deixou de apresentar o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais emitidas do período supramencionado. Levando em consideração que o fisco classifica a atividade econômica da empresa contratada (Farmadacta Informática Ltda.) como processamento de dados, entende que os serviços foram executados mediante cessão de mão de obra, portanto, estando sujeitos a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, conforme prevê o artigo 31 da Lei n° 8.212/91. In verbis: “ Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” A fiscalização sustenta que foram oferecidas inúmeras oportunidades, por meio de Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, para a empresa Recorrente apresentar os documentos pendentes. Todavia, as tentativas foram infrutíferas, ao modo que a empresa não exibiu os documentos exigidos. Diante do descumprimento acima mencionado, foi lavrado em desfavor da empresa Recorrente o Auto de infração (AI) n° 37.030.6252, de acordo com o que dispõe o artigo 33, § 3° da Lei 8.212/91. In verbis: "Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário." Além disso, em decorrência dessa ação fiscal foram lavrados os seguintes documentos: AI 37.030.6236; AI 37.030.6244; AI 37.030.6252; AI 37.030.6260; AI 37.030.6287; AI 37.050.4704; AI 37.030.4712; NFLD 37.050.4739; NFLD 37.050.4747; NFLD 37.050.4755; NFLD 37.050.4763; NFLD 37.050.4771; NFLD 37.050.4780; NFLD 37.050.4798; NFLD 37.050.4801; NFLD 37.050.4810; NFLD 37.050.4828; NFLD Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35588.002729/200726 Acórdão n.º 230102.099 S2C3T1 Fl. 2 3 37.050.4836; NFLD 37.050.4844; NFLD 37.052.7704; NFLD 37.052.7712; NFLD 37.052.7720; NFLD 37.052.7739; NFLD 37.052.7747; NFLD 37.052.7755. Para a consolidação do débito foram analisados os seguintes documentos: a) Folhas de pagamento, no período de 01/1996 a 12/2001 em meio papel, e em meio digital de 01/2002 a 12/2005; b) Livros Razão de 01/1996 a 08/1999, sendo de 09/1999 a 06/2000 em meio digital; c) Livros Diário do n° 28 ao 80, compreendendo o período de 01/1996 a 12/1999; d) Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, constantes do sistema CNISA; e) Relação Anual de Informações Sociais — RAIS, sendo de 1996 a 2003 obtidas no sistema CNISA e de 2004 a 2005 apresentadas pelo sujeito passivo em meio digital; f) Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, anos calendário 1999 a 2005; g) Notas fiscais de serviços e faturas de serviços emitidas pelas empresa Incentive House S/A e Expertise Comunicação Total S/C LTDA; h) Contratos de serviços referentes às empresas do item anterior; i) Notas fiscais de serviços e faturas de serviços, referentes a serviços de construção civil, emitidas pelas empresas Rodrigues Lima Construtora S/A, Sociedade Técnica de Engenharia Cimontre LTDA, Hobras Terraplenagem e Pavimentação LTDA, Emozf — Empreiteira de Mão de Obra Zeferino LTDA, Central Beton LTDA, Jabu Engenharia Elétrica LTDA; j) Termos de Audiência relativos a Reclamatórias Trabalhistas do período de 01/1996 a 12/1998; k) GRPS e GPS do conta corrente do sujeito passivo; l) Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício dos exercícios de 1999 e 2000; m) Termos de Compromisso de Estágio; n) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do ano calendário 2000; o) Convenções Coletivas apresentadas; p) Estatuto Social e alterações; q) Recibos de pagamento a autônomos apresentados; r) Termos de rescisão de representação comercial apresentados; e s) Relação de pagamentos de comissão para representantes apresentadas. Inconformada com a autuação realizada, a Recorrente apresentou sua impugnação tempestiva (fls. 202/219) onde, em síntese, alega a decadência do direito da Fazenda Previdenciária de constituir créditos tributários relativos as infrações ocorridas no período de janeiro a outubro de 2001, respaldado pelo artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional; Sustenta, ainda, a improcedência do lançamento tributário, haja vista a impossibilidade do duplo recolhimento da Contribuição Previdenciária. Ainda nesse contexto, a Recorrente sustenta que a Farmadacta Informática Ltda. recolheu as contribuições previdenciárias devidas, juntando aos autos a documentação (fls. 270/503), constituída por folhas de pagamento da prestadora de serviços, guias de recolhimento da contratada, GFIPs e contratos celebrados entre a Farmadacta Informática Ltda. e outras empresas prestadoras de serviços. E, por fim, a Recorrente solicitou a realização de perícia para constatar se a prestadora de serviço por ela contratada recolheu todas as contribuições devidas à Previdência Social. No entanto, a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão Notificação n° 17.402.4/092/2007 (fls. 506/509), julgou o lançamento fiscal procedente, nos seguintes termos: “RETENÇÃO DE 11%. A retenção sempre se presumirá feita pela contratante, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelas importâncias que deixar de reter. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 LANÇAMENTO PROCEDENTE.” Irresignada com a aludida decisão, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 517/552) alegando, em síntese o que segue: a) Decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos a infrações ocorridas no período de janeiro a outubro de 2001, fundamentado pelo artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. b) Violação do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Alega a impossibilidade de duplo recolhimento da Contribuição Previdenciária e do enriquecimento sem causa da Fazenda Previdenciária. c) Da necessidade da perícia para ser demonstrar a veracidade dos documentos apresentados pela Recorrente, conforme prevê com fundamento no artigo 9°, inciso IV, da Portaria MPS n° 520/04. Eis o relato dos fatos. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. DECADÊNCIA Argumenta a Recorrente a aplicação do artigo 150, § 4° do CTN, o que lhe assiste razão. A decadência é questão de ordem pública e deve ser examinada de ofício, ainda que não argumentada pelo Recorrente, o que não é o caso ora examinado. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35588.002729/200726 Acórdão n.º 230102.099 S2C3T1 Fl. 3 5 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, cedo à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo 150, parágrafo 4ª, já que considero que os valores lançados foram objeto de recolhimento previdenciário, ainda que Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 parcial e ou incompleto, mas o fato é que a Recorrente de alguma forma antecipou, nesta rubrica, parte da contribuição previdenciária. Diante disto, urge dizer que se encontram atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, excluindoa. Assim, da aplicação da decadência no prazo de cinco anos, assiste razão a Recorrente, aplicandolhe ao caso o artigo 150, parágrafo 4ª do CTN, porque, de alguma forma houve antecipação do recolhimento. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 142 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Diz a Recorrente que o entendimento da Fiscalização de emissão de NFLD pela ausência da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária com a empresa tomadora de serviço é equivocado, porque não há dispositivo em lei que autorize a retenção sem a efetiva existência do débito. E diz mais, que tal entendimento é uma afronta ao disposto no artigo 142 do CTN. Não penso como a Recorrente, porque, ao contrário do que alega, a NFLD não está condicionada se a empresa prestadora de serviço recolheu ou não o que devido à Previdência. É que o artigo 31 da Lei 8.212/91 faz clara remissão ao § 5° do artigo 33 da mesma lei, assim determinando: "§5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei." Como sempre dito, na clareza da lei cessa sua interpretação, isto já dito pelos latinos. Então, esvaecida a alegação de afronta a legislação, até porque a lei colocada em questão complementa a lei previdenciária, que, por sua vez autoriza a lavratura de NFLD, quando a empresa tomadora do serviço deixa de recolher e ou arredar a contribuição previdenciária. Veja que os documentos acostados às fls. 270/503, é constituída por folhas de pagamento, guias de recolhimento e GFIPs da empresa prestadora de serviço, bem como contratos celebrados entre a FARMADACTA e terceiras empresas. Referidos documentos não comprovam que esta empresa recolheu as contribuições referentes aos serviços prestados à Recorrente, pois não se referem especificamente àqueles serviços. Por isso, podem englobar, ou não, os funcionários que prestaram serviços à Recorrente. Há de esclarecer que a tese da Recorrente até teria algum sentido se tivesse ela juntado aos autos o contrato celebrado entre ela e a prestadora de serviço, no intuito de provar algo como a responsabilidade de retenção e ou da obrigação de recolhimento por parte da prestadora de serviço, para robustecer a sua tese. Todavia, não o fazendo, não há como entender que está havendo duplicidade de cobrança por parte do INSS e tão pouco agressão a dispositivo de lei. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35588.002729/200726 Acórdão n.º 230102.099 S2C3T1 Fl. 4 7 Diante do exposto, neste quesito, com a tese apresentada, também não assiste razão a Recorrente. DA NECESSIDADE DE PERÍCIA Diz a Recorrente haver a necessidade de perícia para demonstrar que os documentos apresentados comprovam o recolhimento previdenciário por parte prestadora de serviço. Ora, para se verificar se os documentos juntados são assaz suficiente para comprovar o recolhimento previdenciário, como quer a recorrente, ‘data venia’ , não precisa de um ‘expert’ e tão pouco que este profissional realize uma perícia. Basta que eles (docuemtnos) existam. É o que não se verifica nos autos, pois não há comprovante dos recolhimentos. Assim, também neste quesito, não assiste razão a Recorrente. CONCLUSÃO E diante de todo exposto, reconheço a admissibilidade do presente recurso, por tempestivo e atendido os demais pressupostos e, em preliminar, quanto a decadência, julgo que por ter ocorrido reolhimento, ainda que parcial ou incompleto, mas o fato é que houve, por isto a regra do artigo 150, parágafo 4ª do CTN, deve ser aplicado, decaindo os meses anteriores a novembro de 2001, inclusive, e, no mérito negarlhe provimento, mantendo a integralidade da decisão objurgada, uma vez que houve o pedido de desistência das demais questões. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Ssouza Corrêa – Relator. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 13629.001139/2003-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/08/1999, 31/05/2002, 30/11/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003 SEMESTRALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. INCONSTITUCIONAIS DECRETOS-LEIS Nº 2.445/88 E 2.449/88. ART. 6º DA LC Nº 7/70. MATÉRIA SUMULADA NO ÂMBITO DO CARF (Súmula CARF nº 15): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, cabe à autoridade administrativa competente homologar as compensações dos débitos fiscais, efetuada por ele, até o limite do montante dos créditos financeiros apurados. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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INCONSTITUCIONAIS DECRETOSLEIS Nº 2.445/88 E 2.449/88. ART. 6º DA LC Nº 7/70. MATÉRIA SUMULADA NO ÂMBITO DO CARF (Súmula CARF nº 15): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, cabe à autoridade administrativa competente homologar as compensações dos débitos fiscais, efetuada por ele, até o limite do montante dos créditos financeiros apurados. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 EDITADO EM: 11/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração de Cofins dos períodos de apuração descritos na ementa abaixo reproduzida, em decorrência da não homologação do pedido de compensação efetuada pela Recorrente, relativo ao credito de PIS, recolhidos indevidamente com base nos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/08/1999, 31/05/2002, 31/03/2003 Ementa: IMPUGNAÇÃO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Correto o procedimento fiscal que promoveu o lançamento de oficio do crédito tributário, tendo em vista a não homologação da compensação apresentada à SRF até 30/10/2003. Lançamento Procedente Instruem o presente processo o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 23/26, as planilhas de fls. 27/32, cópia do Despacho Decisório da SACAT DRF/Coronel Fabriciano MG, de fis. 36/42, proferido em 26/09/2003 nos processos 13629.001110/200223, 13629.001280/200216, 13629.000300/200312 e 13629.000436/200314, relativos a pedidos de compensação formulados pela interessada, e demais demonstrativos e documentos de fls. 43/111. Nas impugnações apresentadas nos processos acima identificados, cópias juntadas As fls. 240/297, a interessada manifesta sua inconformidade com relação ao Despacho da SACAT/DRF/CFNMG, nas quais, citando manifestações da doutrina, dos Conselhos de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça, reiterou seu pleito. Consta do acórdão recorrido que o crédito pleiteado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da DRF/CFN/SACAT, de 26 de setembro de 2002, que indeferiu o pleito da recorrente, não reconhecendo os créditos do PIS, e não homologando a compensação pleiteada nos processos números 13629.001110/200223, 13629.001280/200216, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13629.001139/200396 Acórdão n.º 330101.452 S3C3T1 Fl. 193 3 13629.000300/200312 e 13629.000436/200314, sendo objeto do Acórdão da Primeira Turma da DRJ, de N° 09.14.441, Sessão de 31 de agosto de 2006, cópia ás fls. 147/151, cujos fundamentos são a seguir reproduzidos: Crédito pleiteado O direito de restituir/compensar créditos oriundos da inconstitucionalidade dos Decretoslei n.° 2.445/88 e n.° 2.449/88 está reconhecido e normatizado em nosso sistema legal. Entretanto, o crédito pleiteado pela interessada não se confirmou em face de entendimento divergente daquele esposado pela requerente. A semestralidade do PIS foi instituída pelo parágrafo único do art. 6º da LC n.° 07/70. Segundo o entendimento adotado pela SRF, por força do Parecer PGFN/CAT n.º 437/98, o referido comando legal não tratou de base de cálculo, mas sim de prazo de recolhimento. 0 indigitado Parecer aduziu que o art. 3º da Lei n.° 7.691/88, "ao dizer que sobre a contribuição recolhida no prazo ali estabelecido incidiria apenas a correção do art. 1°, o legislador afastou, definitivamente, qualquer dúvida quanto a aplicabilidade de atualização monetária no período compreendido entre o fato gerador e a pagamento da contribuição. Também deixou bastante claro que: fato gerador da contribuição é o faturamento de um determinado mês e a base de cálculo é o montante desse faturamento. Assim, ainda que admitida, apenas para argumentar, alguma logicidade no entendimento que defendia estarem fato gerador e base de cálculos separados por um lapso de seis meses, após a edição desta lei, este raciocínio tornouse absolutamente insustentável. O respectivo acórdão (processo nº 13629.001110/200223) encontrase assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TRATAMENTO PROCESSUAL. As razões de defesa apresentadas pela contribuinte contra a não homologação da compensação pleiteada serão analisadas como manifestação de inconformidade, nos ritos do Decreto n°70.235/1972. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIS. SEMESTRALIDADE. Incabível a alegação de existência de créditos contra a Fazenda Nacional com fulcro em interpretação de que, após a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n.° 2.445/88 e 2.449/88, a contribuição para o PIS deva ter como base de cálculo o faturamento do sexto Ines anterior h. ocorrência do fato gerador. Compensação não Homologada. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 No citado Acórdão foi indeferida a solicitação da interessada, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado e, em conseqüência, não homologada a compensação declarada. Assim, definido naqueles processos a inexistência do direito creditório, em conformidade com a legislação que rege a matéria deve ser mantido o lançamento de oficio dos débitos do PIS lançados no item 001 do presente auto de infração. Na impugnação a autuada contestou o lançamento do crédito tributário levado a efeito no presente processo, pela falta de recolhimento da COFINS, argüindo, em síntese, que "não merece prosperar o entendimento exarado no despacho decisório na parte em que entende que com edição da Resolução 49/95 e conseqüente suspensão dos Decretos leis, o que passou a viger foi a Lei Complementar 07/70 com as alterações posteriores, e não apenas e tão somente a Lei Complementar". Informa, por fim, que "as diferenças apuradas nos demonstrativos de situação fiscal, nos meses de abril/99, agosto/99 e maio/2002 são devidas e, portanto, foram devidamente recolhidas, como se comprova com os documentos anexos". Cientificada em 29/09/2006 (AR – fl. 160), foi interposto o recurso voluntário de fls. 161 e seguintes, em 31/10/2006, onde alega, em síntese que a compensação foi efetuada com amparo em decisão transitada em julgado que reconheceu o direito da empresa de compensar os valores de PIS, recolhidos a maior com base nos inconstitucionais DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, com débitos do próprio PIS e com a COFINS, proferida nos autos do processo n° 1997.38.00.0558227. Esclarece que ajuizou Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela contra a Unido Federal — Processo n°1997.38.000558227, objetivando a tutela jurisdicional que a desobrigasse de recolher o PIS nos moldes dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, bem como fosse reconhecido seu direito de compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo de PIS na forma dos citados Decretosleis, com parcelas vencidas ou vincendas do próprio PIS ou outra contribuição que venha a substituila. Transitado em julgado a ação ordinária, prevaleceu os ditames da sentença, bem como do acórdão prolatado, a qual reconheceu o direito da empresa, ora Recorrente, de compensar os valores de PIS recolhidos a maior, com base nos inconstitucionais Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88. Assim, com base em decisão transitada em julgado, adquiriu a empresa ora Recorrente o direito de recolher o PIS na forma da Lei Complementar 07/70, observandose a alíquota e a base de cálculo nela previstas, e de efetuar a compensação dos valores pagos a maior a titulo de PIS com base nos inconstitucionais Decretosleis. Frisese, respaldada em decisão judicial irrecorrível que lhe foi favorável, passou a empresa Recorrente a compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo de PIS, com débitos da Cofins. Aqui, cumpre registrar, que a ora Impugnante só tomou conhecimento do teor do Despacho Decisório, que indeferiu seu pedido, deixando de homologar a compensação pretendida, quando foi intimada para impugnar o presente processo administrativo n° 13629.001139/200396. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13629.001139/200396 Acórdão n.º 330101.452 S3C3T1 Fl. 194 5 Portanto, não lhe foi dada oportunidade de se defender ou impugnar o citado despacho decisório, restando violados os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, já que o fisco, arbitrariamente, entendeu por bem indeferir o pedido da ora Impugnante, sem lhe dar a chance de se manifestar. É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Embora não conste qualquer cópia da decisão judicial que teria originado o indébito utilizado pela Recorrente, a mesma está noticiada no acórdão nº 0914.441 – 1ª Turma da DRJ/JFA, cuja cópia encontrase acostada às fls. 147/151, constando o seguinte: “Tratase de pedido de restituição/Declaração de Compensação de indébito de PIS com outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, listados nas respectivas Declarações de Compensação. 0 crédito pleiteado decorre de decisão judicial transitada em julgado, ação ordinária O 97.558227, ajuizada junto à 3ª Vara Federal em Belo Horizonte MG, na qual a contribuinte requereu a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei 2445/88 e 2449/88. (...) Em conseqüência do despacho supracitado, constam dos Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, objeto dos processos administrativos fiscais números 13629.001141/200365, 13629.001140/200311, 13629.001138/200341 e 13629.001139/200396, respectivamente, dentre outras infrações, as compensações consideradas indevidas. Nas impugnações apresentadas nos processos acima identificados, cópias juntadas As fls. 240/297, a interessada manifesta sua inconformidade com relação ao Despacho da SACAT/DRF/CFNMG, nas quais, citando manifestações da doutrina, dos Conselhos de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça, reiterou seu pleito.”(grifado). Logo, no presente processo não há qualquer discussão sobre outro ponto, senão sobre a semestralidade da base de cálculo do PIS, se a mesma se refere a prazo de pagamento ou sobre base de cálculo, é o que passaremos a decidir. De acordo com a decisão que não homologou as compensações declaradas, cujos fundamentos foram também reproduzidos na decisão recorrida, “a semestralidade do PIS foi instituída pelo parágrafo único do art. 6º da LC n.° 07/70. Segundo o entendimento adotado pela SRF, por força do Parecer PGFN/CAT n.º 437/98, o referido comando legal não tratou de base de cálculo, mas sim de prazo de recolhimento. 0 indigitado Parecer aduziu que o art. 3º da Lei n.° 7.691/88, "ao dizer que sobre a contribuição recolhida no prazo ali Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 estabelecido incidiria apenas a correção do art. 1°, o legislador afastou, definitivamente, qualquer dúvida quanto a aplicabilidade de atualização monetária no período compreendido entre o fato gerador e a pagamento da contribuição. Também deixou bastante claro que: fato gerador da contribuição é o faturamento de um determinado mês e a base de cálculo é o montante desse faturamento. Assim, ainda que admitida, apenas para argumentar, alguma logicidade no entendimento que defendia estarem fato gerador e base de cálculos separados por um lapso de seis meses, após a edição desta lei, este raciocínio tornouse absolutamente insustentável." Salienta ainda que, “os acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, embora de inestimável valor como fonte de consulta, não constituem normas complementares da legislação tributária (PN CST n.° 390/71) nem expressam o entendimento da SRF (Port. SRF n.° 01/2001)” Ocorre, porém, que o assunto em tela encontrase definitivamente pacificado no âmbito deste CARF, conforme sintetiza a Súmula nº, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Assim sendo, deve ser assegurado o direito à Recorrente, quanto ao indébito decorrente da aplicação da sistemática da semestralidade da base de cálculo do PIS/PASEP, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos exercício de 1992, 1993, 1994 e 1995, sem correção monetária. Em face do exposto, voto pela procedência parcial do recurso, devendo a Autoridade Administrativa competente, adotada a semestralidade da base de cálculo do PIS, apure os valores pagos indevidamente pela requerente, a título dessa contribuição, para os exercícios de 1992, 1993, 1994 e 1995, levando em consideração a semestralidade da base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, efetuandose, posteriormente, a homologação da compensação do débito fiscal declarado até o limite do montante dos créditos apurados. Os valores do indébito devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 08, de 27/06/97, e, a partir de 1º/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à Taxa SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.908682/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/12/2002
PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 86 82 /2 00 9- 19 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908682/200919 Acórdão n.º 3801001.701 S3TE01 Fl. 87 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida em 24/10/2006, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville manifestouse pela homologação parcial da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação de que parte do crédito informado já teriam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que possuía créditos para a compensação pleiteada, tendo deixado de apontar no PerDcomp um segundo DARF no valor de R$ 131,24, suficiente para cobrir o débito; que na DCTF do 4º trimestre de 2002 aponta as duas guias DARF, sendo que houve desconto apenas parcial em relação a uma delas; que o Dacon está em consonância com a DCTF do 2º semestre de 2005; que o único documento que não continha informações fidedignas com a realidade fiscal da empresa foi a Dcomp; e que, em uma análise mais apurada, seria de fácil constatação a origem do crédito; Argumenta, ainda, que conforme orientações gerais no site da Receita Federal do Brasil, nas divergências constatadas em pedidos de compensação, deve ser oportunizado ao contribuinte que retifique eventuais erros de declaração. Transcreve trecho do site acerca do Termo de Intimação, onde trata das “orientações gerais”, e remete a ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, bem como de processos judiciais. Requer o deferimento da compensação”. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende da comprovação de liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 39 a 44, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Em 16 de fevereiro de 2012, por meio da Resolução 3801000.307, da Primeira Turma Especial da Terceira Seção, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informar a data da apresentação da DIPJ 2003. 2. juntar ao processo uma cópia da DCTF referente ao período de apuração 11/2002, onde consta o débito apurado do Pis/Pasep, bem como informar a data da apresentação da referida Declaração. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL”, fls. 81, onde consta: · a data da apresentação da DIPJ/2003 ativa é 29/09/2006; · a data da apresentação da DCTF ativa referente ao período de apuração 11/2002 é 29/09/2006. · Outrossim, foi juntada ao processo cópia da DCTF ativa referente ao período em apreço, em que consta o débito apurado do Pis/Pasep. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908682/200919 Acórdão n.º 3801001.701 S3TE01 Fl. 88 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 35054.17244.241006.1.3.040740, em 24/10/2006, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de Pis/Pasep, referente ao período de apuração 11/2002, recolhido em 13/12/2002, no valor original de R$ 657,07. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville homologou parcialmente a compensação pretendida, sob o fundamento de que o crédito consignado na DCOMP já havia sido utilizado parcialmente para a quitação de débitos da contribuinte, restando saldo inferior ao pretendido. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · A DCTF de novembro/2002 informou um débito de Pis de R$ 1.593,76, efetuando o pagamento através de dois DARF’s, sendo um de R$ 1.593,76 (sic) e outro de R$ 131,25, sendo que este último não foi utilizado. · Que na DIPJ 2003 está em consonância com a DCTF do 4º trimestre de 2002. · Que a diferença evidenciada se deu em vista de erro na declaração de compensação que não mencionou o DARF estampado na DCTF. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 A DRJ/Florianópolis – SC manteve a nãohomologação, com a seguinte fundamentação: No caso concreto que aqui se tem, o DARF (consignado na DCOMP para compensar outros débitos) consta na referida DCTF como crédito (parcialmente) vinculado ao débito do período de apuração de outubro/2002. Consta ainda um segundo DARF vinculado ao mesmo débito, não utilizado no mesmo período (fl. 22), cujo valor seria o saldo de créditos que a contribuinte desejaria ter consignado em sua DCOMP e não o fez à época da transmissão. O litígio posto trata da validade ou não do PerDcomp apresentado pela contribuinte em contraponto ao despacho decisório, sendo que não há qualquer contradição entre as razões deste procedimento de ofício com o que foi declarado pela contribuinte no PerDcomp, a qual alega erro na vinculação entre débito e crédito.Assim, mesmo que a contribuinte evidenciasse em DCTF que teria crédito remanescente, nada poderia ser feito em sede de manifestação de inconformidade, não há como validar procedimento compensatório, considerando um DARF não vinculado à DCOMP, objeto do litígio. Mesmo que ainda restem eventualmente créditos líquidos e certos passíveis de serem compensados, tal retificação só poderia ser feita pela própria contribuinte. Além disso, a demonstração de que o segundo DARF constante na DCTF não foi totalmente utilizado em outubro/2002, não implica em afirmar categoricamente que restaram créditos líquidos e certos a serem considerados no PerDcomp sob análise. Isso porque este DARF não participou da DCOMP implementada pela contribuinte, portanto, não foi objeto de rastreamento pelo sistema (quando do procedimento de ofício), sendo que não se pode descartar a possibilidade da eventual utilização deste saldo remanescente em outro(s) PerDcomp. No caso presente, não se trata de retificar o PerDcomp apresentado pela interessada, mas tão somente, a luz dos documentos carreados aos autos pelas partes, verificar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior que o devido e, assim, homologar a compensação efetuada pelo contribuinte até o limite do valor a restituir. Quanto a possibilidade da eventual utilização do saldo remanescente, caso tenha ocorrido, deve o mesmo ser exigido de ofício, uma vez que o referido valor tinha sido destinado pelo próprio contribuinte para quitar débito do PIS do PA 11/2002, conforme vinculação efetuada na DCTF do 4º/Trimestre/2002, fls. 77, abaixo transcrita: Valor do débito declarado: R$ 1.593,76 Pagamentos com DARF Total: R$ 2.299,56 Relação de DARF Vinculados ao Débito: PA Código Data da Arrecadação Valor Valor Utilizado 11/02 8109 13/12/2002 131,24 0,00 11/02 8109 13/12/2002 2.168,32 1.593,76 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.908682/200919 Acórdão n.º 3801001.701 S3TE01 Fl. 89 7 Compulsandose as peças que compõem o presente processo, em especial aquelas resultantes da diligência requerida por esse Colegiado, verificase que a recorrente apurou como devida a importância de R$ 1.593,76 a título de PIS, referente ao período de apuração novembro/2002, conforme DCTF do 4º/semestre/2002, fls. 78 e DIPJ 2003, fls. 26 e efetuou o pagamento de R$ 2.168,32 em 13/12/2002. Também, que consta às fls. 28 a informação de pagamento de R$ 131,24, realizado em 13/12/2002, referente ao mesmo período de apuração e código de receita, corroborando a informação prestada pela requerente. Por conseguinte, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de PIS em valor superior ao devido, relativamente ao PA 11/2002, sendo devido o montante de R$ 1.593,76 e recolhida a importância de R$ 2.299,56 (R$ 2.168,32 + 131,24), o que, descontado o valor de R$ 574,56 utilizado para amortizar o débito de IRPJ, do período de apuração 09/2006, resta como pagamento indevido o valor de R$ 131,24. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 131,24, na data de 13/12/2002, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001853/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008
APRESENTAÇÃO DE DEFESA. REVISÃO DE LANÇAMENTO PELO ÓRGÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.POSSIBILIDADE.
A legislação tributária oferece ao órgão de julgamento administrativo a possibilidade de revisão do lançamento por provocação do sujeito passivo, não sendo cabível nesses casos a declaração de nulidade do lançamento, mas tão somente a sua retificação.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS PARA DAR GUARIDA A ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Não deve ser determinada a realização de diligência para que o fisco produza provas, cujo ônus é do sujeito passivo.
PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal que obrigue a Administração Tributária a efetuar a intimação em endereço diferente do domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Em apuração da contribuição dos contribuintes individuais, somente é a cabível a exclusão de valores recolhidos diretamente pelo segurados, quando a empresa apresenta os comprovantes dos recolhimentos.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A VÁRIAS EMPRESAS. POSSIBILIDADE DE DISPENSA DA RETENÇÃO.
Para que a empresa contratante de contribuinte individual seja dispensada da obrigação de reter e recolher a contribuição dos segurado, há a necessidade de que comprove que o mesmo prestava serviço a outras empresas, que já efetuavam o desconto da contribuição pelo teto legal do salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 2401-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2003; II) afastar as preliminares de nulidade suscitadas; III) rejeitar o pedido de diligência; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, de modo que sejam recalculadas as contribuições dos segurados para os quais tenha havido a efetiva comprovação da existência de recolhimentos.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008 APRESENTAÇÃO DE DEFESA. REVISÃO DE LANÇAMENTO PELO ÓRGÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.POSSIBILIDADE. A legislação tributária oferece ao órgão de julgamento administrativo a possibilidade de revisão do lançamento por provocação do sujeito passivo, não sendo cabível nesses casos a declaração de nulidade do lançamento, mas tão somente a sua retificação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS PARA DAR GUARIDA A ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser determinada a realização de diligência para que o fisco produza provas, cujo ônus é do sujeito passivo. PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal que obrigue a Administração Tributária a efetuar a intimação em endereço diferente do domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado. Recurso Voluntário Provido em Parte Em apuração da contribuição dos contribuintes individuais, somente é a cabível a exclusão de valores recolhidos diretamente pelo segurados, quando a empresa apresenta os comprovantes dos recolhimentos. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A VÁRIAS EMPRESAS. POSSIBILIDADE DE DISPENSA DA RETENÇÃO. Para que a empresa contratante de contribuinte individual seja dispensada da obrigação de reter e recolher a contribuição dos segurado, há a necessidade de que comprove que o mesmo prestava serviço a outras empresas, que já efetuavam o desconto da contribuição pelo teto legal do salário-de-contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2003; II) afastar as preliminares de nulidade suscitadas; III) rejeitar o pedido de diligência; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, de modo que sejam recalculadas as contribuições dos segurados para os quais tenha havido a efetiva comprovação da existência de recolhimentos. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA POR COOPERATIVAS DE TRABALHO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COOPERADOS OU NÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. É da cooperativa de trabalho o ônus da retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias dos segurados, incidente sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais cooperados ou não. ASSOCIADOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO. Os associados das cooperativas de trabalho são segurados obrigatórios do RGPS, na condição de contribuintes individuais. RECOLHIMENTO EFETUADO POR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL DIRETAMENTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. ABATIMENTO DA APURAÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS RECOLHIMENTOS PELO SUJEITO PASSIVO. Em apuração da contribuição dos contribuintes individuais, somente é a cabível a exclusão de valores recolhidos diretamente pelo segurados, quando a empresa apresenta os comprovantes dos recolhimentos. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A VÁRIAS EMPRESAS. POSSIBILIDADE DE DISPENSA DA RETENÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 18 53 /2 00 8- 60 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Para que a empresa contratante de contribuinte individual seja dispensada da obrigação de reter e recolher a contribuição dos segurado, há a necessidade de que comprove que o mesmo prestava serviço a outras empresas, que já efetuavam o desconto da contribuição pelo teto legal do saláriode contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008 DECADÊNCIA.. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. NORMA APLICÁVEL. Quando o fisco alega a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para justificar a não aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN na contagem do prazo decadencial, é necessário que o relatório fiscal demonstre cabalmente que na conduta do contribuinte ocorreu o intuito doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008 APRESENTAÇÃO DE DEFESA. REVISÃO DE LANÇAMENTO PELO ÓRGÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.POSSIBILIDADE. A legislação tributária oferece ao órgão de julgamento administrativo a possibilidade de revisão do lançamento por provocação do sujeito passivo, não sendo cabível nesses casos a declaração de nulidade do lançamento, mas tão somente a sua retificação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS PARA DAR GUARIDA A ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser determinada a realização de diligência para que o fisco produza provas, cujo ônus é do sujeito passivo. PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal que obrigue a Administração Tributária a efetuar a intimação em endereço diferente do domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 943 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2003; II) afastar as preliminares de nulidade suscitadas; III) rejeitar o pedido de diligência; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, de modo que sejam recalculadas as contribuições dos segurados para os quais tenha havido a efetiva comprovação da existência de recolhimentos. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.180.7727, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para exigência da contribuição dos segurados incidente sobre as remunerações pagas pela autuada a contribuintes individuais transportadores autônomos, cooperados e não cooperados. Asseverou o fisco em seu relato que na apuração da contribuição devida foi respeitado o limite máximo do saláriodecontribuição. Informase ainda que o fato da empresa não ter declarado os referidos fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP deu ensejo à emissão de Representação para Fins Penais, em tese, pelo crime de sonegação. A conduta acima apontada, afirma o fisco, por se caracterizar como fraude, desloca a contagem do prazo decadencial do § 4.º do art. 150 para o inciso I do art. 173, ambos do CTN. A autuada ofertou impugnação, fls. 56/98, cujas razões foram acatadas parcialmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), ver fls. 314/322, que declarou procedente em parte o lançamento. A DRJ exclui da base de cálculo os valores que entendeu terem sido pagos, a título de frete, para pessoas jurídicas. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 326/378, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) são decadentes as contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes de 16/12/2003; b) a contagem do prazo decadencial deve ser feita pelo § 4.º do art. 150 do CTN, posto que, ao contrário do que afirmou o órgão recorrido, o fisco não demonstrou a ocorrência de dolo ou fraude na espécie; c) comprova que não foi considerado no lançamento, nem na decisão recorrida, o teto do saláriodecontribuição, conforme documentos colacionados. Por esse motivo, solicita a realização de diligência fiscal para que sejam demonstrados os recolhimentos previdenciários de todos os transportadores envolvidos no lançamento. d) a fundamentação legal citada pela Autoridade Fiscal é equivocada, o que é causa de nulidade de lançamento; e) não há base legal para equiparar o cooperado de cooperativa de trabalho a contribuinte individual; d) é improcedente a exigência de contribuições constantes no AI, posto que a autuada não é a tomadora dos serviços de transporte, não lhe cabendo a retenção tratada no lançamento; Fl. 945DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 944 5 e) a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição dos segurados sobre o pagamento de frete aos transportadores não cooperados é do tomador dos serviços que contratou à cooperativa, jamais desta; f) nessas situações, o tomador de serviços é a empresa contratante, atuando a cooperativa como mera intermediária; g) não há fundamento legal que dê sustentação ao lançamento combatido; h) não caberia à DRJ simplesmente afastar os valores indevidamente incluídos na base de cálculo, mas declarar a nulidade do lançamento, uma vez que a imprecisão do fisco implica irremediavelmente na nulidade do lançamento; i) a falta de intimação do contribuinte para se manifestar sobre o novo demonstrativo do crédito elaborado pela DRJ também é causa para que se nulifique o AI; l) a errônea menção ao § 4.º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, para fundamentar a exigência de contribuições sobre as remunerações pagas a transportadores pessoas físicas não cooperadas é também mácula que conduz a nulidade da autuação; n) o fisco informa que a empresa deixou de apresentar alguns documentos, todavia, há a comprovação nos autos de que os mesmos foram exibidos. Por fim, pede a nulificação do lançamento ou, alternativamente, a declaração parcial da decadência, a revisão de valores para aplicar o teto do saláriodecontribuição e a realização de diligência fiscal para que sejam discriminadas as contribuições de todos os segurados envolvidos no lançamento. Requer ainda que as intimações sejam feitas no endereço dos advogados subscritores da peça recursal. Foram acostados relatórios de vínculos e recolhimentos de contribuintes individuais, os quais serviriam para demonstrar que o fisco não respeitou o limite máximo do saláriodecontribuição na sua apuração. É o relatório. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 945 7 Na situação sob enfoque, verifico que o período do lançamento é de 07/2003 a 06/2008, tendo a cientificação do mesmo ocorrido em 16/12/2008. Tanto no pronunciamento fiscal, como na decisão a quo, justificase a contagem do prazo decadencial pelo inciso I do art. 173 do CTN, em razão da ocorrência de fraude, caracterizada pela falta reiterada de declaração dos fatos geradores em GFIP, bem como, no fato de ter sido lavrada, por esse motivo, Representação Fiscal para Fins Penais. De fato, a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN, para a contagem do lapso decadencial, é afastada quando se comprova ter ocorrido dolo, fraude ou simulação. Eis o dispositivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Está sedimentado na jurisprudência tributária, administrativa e judicial, que havendo dolo, fraude ou simulação a regra aplicável é o art. 173, I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de decadência iniciase no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Nas lides envolvendo falta de declaração de fatos geradores na GFIP, a Auditoria tem corriqueiramente lavrado Representações Fiscais para Fins Penais – RFFP com esteio no art. 337A do Código Penal, o qual trata do crime de sonegação de contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Fl. 948DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) A despeito da falta de declaração dos fatos geradores autorizar a lavratura de RFFP, com esteio no dispositivo acima, atrevome a dizer que essa conduta omissiva não autoriza, por si só, a conclusão de que houve fraude por parte do sujeito passivo que deixou de informar na GFIP a totalidade das contribuições devidas. É que a omissão na GFIP pode se dar em decorrência de divergência de interpretação entre a Fazenda e o contribuinte. A ação fiscal que deu ensejo ao lançamento sem tela colocanos diante de dois fatos do mundo cuja incidência de contribuição previdenciária não é tão pacífica quanto se pode pensar. Demonstrarei. A incidência de contribuições sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho está sendo questionada mediante a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n.º 2594, proposta pela Confederação Nacional da Indústria, tendo a tese da inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 recebido, inclusive, parecer favorável do Procurador Geral da República. Quanto aos pagamentos efetuados pelas cooperativas à pessoas físicas para prestarem serviços a seus contratantes, há quem entenda que a tributação deve recair sobre a empresa tomadora do serviço das cooperativas, não parecendo absurda essa tese, embora esse julgador não concorde com a mesma. Assim, tenho entendido que, quando se pesquisa sobre a ocorrência de conduta dolosa ou fraudulenta, há de se buscar mais elementos de que a mera falta reiterada da declaração dos fatos geradores em GFIP. O conceito de fraude consta do art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, que dispõe: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Da leitura do dispositivo há de se inferir que a falta de declaração de fatos geradores, cuja existência possa ser comprovada pela documentação da empresa e por sua escrituração contábil, como é o caso dos autos, não autoriza a automática conclusão pela existência de fraude. No caso sob enfoque, verificase que o fisco em nenhum momento cuidou de caracterizar a existência de conduta dolosa tendente a desconfigurar o fato gerador, limitando se a afirmar que a autuada reiteradamente contrariou a legislação ao deixar de declarar na GFIP os pagamentos a contribuintes individuais não cooperados e à cooperativa de trabalho. Esse omissão, de per si, não pode ser tomada como único fundamento para caracterizar a fraude, diferentemente ocorreria se viesse à tona a comprovação de que a empresa houvera pago pela prestação de serviços e registrado as notas fiscais como compra de Fl. 949DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 946 9 materiais, posto que nesse caso restaria evidente a intenção de suprimir fato gerador de contribuição. Embora não se referindo diretamente à questão da contagem do prazo decadencial, mas à aplicação de multa qualificada em razão da ocorrência de dolo, é possível que se ter um indicativo sobre o pensa do tema o CARF, quando se analisa a Súmula n.º 14: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Percebese que o CARF tende somente a acatar a imposição de efeitos legais decorrentes da ocorrência de fraude, quando o fisco cabalmente comprova a existência do intuito doloso do sujeito passivo. Feitas essas considerações, posicionome pela aplicação, para a contagem do prazo decadencial, do § 4.º do art. 150 do CTN Esse posicionamento levame à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2003, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 16/12/2008. Adequação do instrumento de constituição do crédito Alega a recorrente que o AI seria nulo, por não ser instrumento hábil a constituir crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal. Sobre essa questão, há de se ter em conta que, quando da ciência do AI pelo sujeito passivo, em 16/12/2008, já eram aplicadas às contribuições sociais às disposições procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972. Tal situação decorreu da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Receita Previdenciária na atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A alteração legislativa que criou a nova estrutura da Administração Tributária da União foi a Lei n.º 11.457, de 16/03/2007. Esta determinou em seu art. 25 que, a partir de abril de 2008, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de exigência das contribuições previdenciárias passariam a ser regidos pelo Decreto n.º 70.235/1972. Eis o dispositivo: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972: 1 a partir da data fixada no § 1.º art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei; O referido Decreto, por sua vez, determina: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e Fl. 950DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente na data da lavratura) Nos termos do dispositivo acima a exigência do crédito tributário pode ser perfeitamente formalizado por auto de infração, não havendo atualmente, em relação às contribuições previdenciárias, a antiga regra que previa a utilização de Auto de Infração apenas para aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, podendose lançar mão do mesmo para exigência das contribuições não adimplidas. Para elucidação desse ponto do recurso, devese observar que o Decreto n.º 70.235/1972, trata o Auto de Infração como documento a ser emitido pelo servidor competente, que no caso das contribuições sociais é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em ação fiscal desenvolvida junto ao sujeito passivo. É o que indica a leitura do art. 10: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Já a Notificação de Lançamento diz respeito à formalização de crédito efetuada pela Administração Tributária, em face da constatação de infração à legislação tributária decorrentes da análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo (contribuinte) e/ou da análise das informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Tal documento pode inclusive ser emitido eletronicamente. É o que se pode ver da redação do art. 11 do Decreto n.º 70.235/1972: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Assim, a utilização de Auto de Infração para constituição de crédito decorrente de contribuições não recolhidas encontra amparo na legislação atualmente em vigor, Fl. 951DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 947 11 não devendo ser acatada a tese de nulidade do lançamento, em razão da utilização do AI para exigência das contribuições sob questão. Possibilidade de retificação do crédito pela DRJ Alegou a recorrente que o órgão a quo não poderia efetuar a retificação do crédito, mas declarar a sua nulidade em face dos erros detectados. Por outro lado, afirma que seu direito de defesa foi atropelado por não ter tido a oportunidade de se contrapor ao novo discriminativo de débito. O fato do órgão a quo haver determinado a retificação do crédito, com esteio em documentação acostada na impugnação não é motivo para que se declare a nulidade do crédito, pelo contrário, a retificação realizada é mais uma garantia de que o julgamento administrativo expurgou do lançamento valores indevidos, realizando o controle de legalidade do ato administrativo, que é o seu principal mister. A revisão de lançamento é prevista no CTN, art. 145, o qual elenca, dentre as hipóteses que autorizam esse procedimento, a provocação do sujeito passivo. Eis o dispositivo: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, tendose em conta que a lei prevê que é possível a revisão do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo, em razão da impugnação deste, não há o que se falar em nulidade do crédito constituído, em razão de se ter retificado os valores originariamente lançados. Há de se convir que o fato de haver retificação nas bases de cálculo apuradas não significa que estamos diante de um novo discriminativo do crédito, mas de mera revisão de valores provocada pelo próprio sujeito passivo em sua impugnação. Não podendo ser acatada a afirmação de que a DRJ houvera procedido a uma nova apuração das contribuições. Não procede, assim, a alegação de cerceamento ao direito de defesa da autuada, posto que da decisão que expurgou valores da base de cálculo do lançamento lhe foi dada ciência com possibilidade de se contrapor a mesma, mediante recurso voluntário, prerrogativa que foi utilizada. Fundamentação legal A maior parte das alegações da recorrente diz respeito à falta ou erro na fundamentação legal que suporta o lançamento. Com a edição da Medida Provisória n.º 83/2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.666/2003, a partir da competência 04/2003, passou obrigatória a retenção pela empresa contratante da contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.(redação original) Não há dúvida de que os transportadores autônomos são enquadrados na categoria de contribuintes individuais, conforme dispõe o art. 12, Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (...) Decorre dos normativos acima transcritos que a cooperativa de trabalho, equiparada às empresas em geral por força do parágrafo único do art. 15 da Lei n.º 8.212/1991, ao remunerar transportadores autônomos, tem a obrigação de reter a contribuição previdenciária dos mesmos e recolher os valores correspondentes à Seguridade Social. Assim, ao contratar transportadores autônomos para suprir excesso de demanda não atendida pelo seus cooperados, a recorrente, na condição de tomadora dos serviços, deve assumir o ônus de reter e recolher as contribuições dessas pessoas físicas, enquadradas no Regime Geral da Previdência Social – RGPS na condição de segurados contribuintes individuais. Deve, portanto, ser desacolhida a tese da recorrente de que a retenção das contribuições dos transportadores pessoas físicas não cooperados seria responsabilidade dos seus tomadores de serviço, posto que o trabalho de fato foi prestado à cooperativa. É evidencia demonstrada nos autos que os valores pagos aos transportadores autônomos foram registrados na contabilidade da impugnante, nas contas 3.1.1.01, 4.1.2.02, 3.1.1.02. Estes pagamentos, comprovadamente inclusos na escrita contábil da cooperativa, demonstram de forma inequívoca que esta procedeu aos pagamentos inerentes aos fretes efetuados pelos contribuintes individuais. Assim, verificase que a situação fática se subsume à legislação colacionada, posto que estão presentes os requisitos necessários à perfeita identificação do fato gerador e do sujeito passivo responsável pelo desconto e recolhimento da contribuição dos contribuintes individuais, que no caso concreto é a COOTRAVALE. Não custa assinar que existem duas relações jurídicas envolvidas. A primeira é entre a cooperativa e a empresa contratante, sobre a qual não existe incidência de contribuições sociais; a outra se estabelece entre a cooperativa e o transportador autônomo, esta situada no campo de incidência das contribuições, as quais devem ser retidas e recolhidas pela cooperativa. No que diz respeito aos associados da cooperativa de trabalho, a Lei n.º 10.666/2003 apresenta dispositivo específico, qual sejam os §§ 1.º e 2.º do art. 4.º: Art. 4.(...) Fl. 953DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 948 13 §1oAs cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia vinte do mês subseqüente ao de competência a que se referir, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. Portanto, é clara a fundamentação no sentido de que, ao efetuar o pagamento aos seus cooperados, estes enquadrados como contribuintes individuais, a cooperativa de trabalho tem a obrigação de reter a contribuição dos mesmos e efetuar o recolhimento. O inconformismo da recorrente quanto à falta de fundamentos legais a embasar o lançamento, portanto não se justifica. Para espancar qualquer dúvida, vou transcrever excerto do Relatório Fiscal e do anexo Fundamentos Legais, que além dos dispositivos mencionados, menciona outros dispositivos da Lei n.º 8.212/1991 e do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999: Relatório Fiscal “Sobre esses pagamentos, aplicase o percentual de 20% (vinte por cento) a fim de determinarse a base de calculo que se refere a mão de obra propriamente dita, conforme artigo 201, § 4°, do Decreto n° 3.048199 —•Regulamento da Previdência Social combinado com o artigo 290 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária n° 03 de 14/07/2005, e a partir dessa base de cálculo, temse as seguintes contribuições, a saber: (...) b) Contribuição previdenciária a cargo do segurado contribuinte individual (transportador autônomo) com alíquota de 11% (onze por cento), em que a empresa esta obrigada a reter e repassar aos cofres do INSS, respeitandose o teto do salário de contribuição vigente, conforme os artigos 4° e 5° da Lei n° 10.666/03 combinado com o artigo 216, § 26, do Decreto n° 3.048/99, tendo sido apurado por presunção da realização do desconto, conforme artigo 33 § 5° da Lei n° 8.212/91, sem contudo, configurar o crime de apropriação indébita previdenciária, uma vez que efetivamente não se efetuou o desconto; (...)” Fundamentos Legais das Rubricas 114 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUICOES DESCONTADAS PELA EMPRESA/COOPERATIVA DE TRABALHO Fl. 954DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 114.01 Competências :07/2003 a 12/2003, 01/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 06/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 12, V, art. 21, art. 28, III, art. 30, II e parágrafos 2., 4. e 5., com as alteracoes introduzidas pela Lei n. 9.876, de 26.11.99 c/c art. 4.,caput e parágrafo 1.º da Lei n. 10.666, de 08.05.2003. Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., V, art. 199, art. 214, III, paragrafos 3. 05., art. 216, I, parágrafos 20, 21, 23, 26, 27, 28 e 29 (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03). Diante das considerações acima, estou seguro da para afirmar que os transportadores cooperados ou não que prestaram serviços à COOTRAVALE são enquadrados como contribuintes individuais e que a autuada descumpriu a obrigação de reter e recolher a contribuição dos referidos trabalhadores. Outra causa de nulidade apontada pela recorrente diz respeito à citação no relato fiscal ao § 4.º do art. 201 do RPS, posto que, no seu entender, esse dispositivo não se prestaria a fundamentar a incidência de contribuição sobre a remuneração paga aos transportadores autônomos. O mencionado texto normativo está assim redigido: Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (...) §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (...) Ora o dispositivo invocado trata da fixação da base de cálculo das contribuições decorrentes de prestação de serviço por condutor autônomo de veículo rodoviário, no qual estão incluídos os transportadores de carga pessoas físicas, ou seja, os “freteiros”, conforme denominou a Autoridade Fiscal. Assim, não há o que se falar em erro de fundamentação jurídica para esse caso. Dos recolhimentos efetuados pelos contribuintes individuais Alega a recorrente que não houve o respeito ao teto do saláriode contribuição pelo fisco, conforme comprovantes de vínculos de contribuintes individuais incluídos no lançamento, fls. 443 e segs. Para solução desse tópico da contenda é necessária a citação da normatização relativa à operacionalização do desconto da contribuição dos contribuintes individuais. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 949 15 A própria Lei n.º 10.666/2003 traz um dispositivo determinando que, nas hipóteses em que a retenção da contribuição previdenciária do contribuinte individual efetuado pelos tomadores de seu serviço for inferior ao piso legal, o segurado deve complementar a contribuição. Eis os termos da norma: Art. 5o O contribuinte individual a que se refere o art. 4o é obrigado a complementar, diretamente, a contribuição até o valor mínimo mensal do saláriodecontribuição, quando as remunerações recebidas no mês, por serviços prestados a pessoas jurídicas, forem inferiores a este. Uma conclusão importante que deve ser tirada da regra acima é que o segurado somente deve efetuar o recolhimento das contribuições, quando o somatório dos valores retidos pelas empresas para as quais trabalhou não atinja o limite mínimo do saláriode contribuição. Assim, a obrigação das empresas tomadoras dos serviços desses segurados de reter a contribuição não é afetada pelos recolhimentos que os mesmo fizerem diretamente à Previdência Social, posto que o momento da retenção é quando do pagamento da remuneração, que certamente é anterior ao pagamento das contribuições pelos segurados, cujo vencimento ocorre somente no mês posterior à ocorrência dos fatos geradores. Sobre essa questão, RPS estabelece as seguintes prescrições: Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: (...) b)recolher o produto arrecadado na forma da alínea “a” e as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, inclusive adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, acordo ou convenção coletiva, aos segurados empregado, contribuinte individual e trabalhador avulso a seu serviço, e sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviço, relativo a serviços que lhe tenham sido prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, até o dia vinte do mês seguinte àquele a que se referirem as remunerações, bem como as importâncias retidas na forma do art. 219, até o dia vinte do mês seguinte àquele da emissão da nota fiscal ou fatura, antecipandose o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte; (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo Fl. 956DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. (...) §26.A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §27.O contribuinte individual contratado por pessoa jurídica obrigada a proceder à arrecadação e ao recolhimento da contribuição por ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao limite mínimo do saláriodecontribuição, é obrigado a complementar sua contribuição mensal, diretamente, mediante a aplicação da alíquota estabelecida no art. 199 sobre o valor resultante da subtração do valor das remunerações recebidas das pessoas jurídicas do valor mínimo do saláriode contribuição mensal. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §28.Cabe ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do saláriode contribuição, comprovar às que sucederem à primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do salário decontribuição. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §29.Na hipótese do § 28, o Instituto Nacional do Seguro Social poderá facultar ao contribuinte individual que prestar, regularmente, serviços a uma ou mais empresas, cuja soma das remunerações seja igual ou superior ao limite mensal do salário decontribuição, indicar qual ou quais empresas e sobre qual valor deverá proceder o desconto da contribuição, de forma a respeitar o limite máximo, e dispensar as demais dessa providência, bem como atribuir ao próprio contribuinte individual a responsabilidade de complementar a respectiva contribuição até o limite máximo, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber remuneração ou receber remuneração inferior às indicadas para o desconto. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §30.Aplicase o disposto neste artigo, no que couber e observado o § 31, à cooperativa de trabalho em relação à contribuição devida pelo seu cooperado. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §31.A cooperativa de trabalho é obrigada a descontar onze por cento do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas e vinte por cento em relação aos serviços prestados a pessoas físicas e recolher o produto dessa arrecadação no dia vinte do mês Fl. 957DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 950 17 seguinte ao da competência a que se referir, antecipandose o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte. (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). O disposto acima reafirma a obrigação das cooperativas de trabalho de descontar a contribuição dos contribuintes individuais a seu serviços, que sejam cooperados ou não, e traz regra para as situações em que o segurado presta serviço a mais de uma empresa sofra retenção acima do teto legal do saláriodecontribuição De acordo com o RPS, cabe ao contribuinte individual que estiver nessa situação comprovar junto a uma ou mais empresas para as quais preste serviço que já sofreu o desconto previdenciário pelo limite máximo, isentado esses tomadores de serviço da obrigação de reter. Na situação sobre testilha, a recorrente quer, com os documentos colacionados, comprovar que os transportadores autônomos por ela contratados recolhiam por conta própria ao INSS, justificando a retificação do lançamento de modo que sejam abatidas as contribuições vertidas, de modo que não seja superado o teto do saláriodecontribuição. Não vejo como acolher essa pretensão. É que a empresa para a qual foi prestado o serviço somente está dispensada de efetuar a retenção quando o contribuinte individual comprova que foi efetuado o desconto da contribuição previdenciária por outros contratantes, conforme prevê o § 28 acima. No caso sob enfoque, não há qualquer comprovação de que os segurados que prestaram serviço a autuada sofreram retenção de contribuição por outras empresas. Por outro lado, como já visto, somente cabe ao contribuinte individual efetuar o recolhimento direto à Previdência Social, quando o valor da contribuição previdenciária retido pelas empresa que contrataram os seus serviços não atinge o piso do saláriode contribuição. De se concluir que não serve como argumento para retificar o presente crédito a alegação de que houve recolhimentos pelos segurados, posto que a empresa descumpriu uma obrigação legal e para a qual não cabe a justificativa apresentada para se omitir do desconto nos termos do § 5.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (...) A apresentação de relatórios de vínculos não deve provocar a alteração do lançamento. É que, para deixar de efetuar a arrecadação total da contribuição dos contribuintes individuais, deveria a empresa ter exigido a comprovação de que já teria havido retenção em outra empresa para a qual o segurado prestara serviço. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Deixando a contratante de exigir o comprovante da retenção, não tem esta agora como, apenas com base em relatório de vínculo, absterse de reter o valor da contribuição do segurado, posto que não haveria como saber se o valor porventura retido atingira o limite superior do saláriodecontribuição. Todavia, quanto aos relatórios de recolhimento apresentados, há de se considerálos para aferir o teto da contribuição do segurado, sob pena de se exigir valores indevidos, com o indesejável enriquecimento sem causa da Fazenda. Por isso, deve a Autoridade Fiscal, efetuar o recálculo das contribuições dos segurados para os quais tenham sido acostados os relatórios de recolhimentos, de modo que se evite a exigência de contribuições sob bases superiores ao limite do saláriodecontribuição. Pedido de diligência Não deve ser acatado o pedido de diligência para que seja pesquisada pelo fisco a situação de cada um dos contribuintes individuais envolvidos no lançamento, no que diz respeito a existência de recolhimentos efetuados pelo próprio segurado, posto que a prova de que estava dispensado da retenção das contribuições é da empresa. Não há de se impor ao fisco um encargo probatório que cabe ao sujeito passivo. Vejase que o procedimento adotado pelo sujeito passivo de não efetuar a retenção contraria as normas que regulamentam a matéria, portanto, cabe a este demonstrar a possível duplicidade de cobrança. Exibição de documentos Outra nulidade suscitada pela recorrente diz respeito à citação no relato do fisco de que a empresa deixara de apresentar contratos e faturas de seu relacionamento empresarial com a UNIMED, posto que afirmar haver comprovação nos autos de que a documentação foi exibida. Essa alegação é impertinente no lançamento sob cuidado, posto que o mesmo não trata da contribuição sobre as faturas emitidas pela UNIMED, a qual está lançado no AI n.º 37.180.7743, o qual está, inclusive, sendo objeto de apreciação nessa sessão de julgamento. Pedido para intimação no endereço dos advogados Não devo deferir o pleito recursal para que as intimações seja efetuadas no endereços dos patronos da autuada. Nos termos do Decreto n.º 70.235/1972 as intimações podem ser feitas por três modalidades, não se firmando ali nenhuma ordem de preferência. Assim, a Administração Tributária pode se valer para dar ciência o contribuinte dos atos processuais das intimações pessoal, postal ou eletrônica. Eis o dispositivo que trata da matéria: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; Fl. 959DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001853/200860 Acórdão n.º 2401002.784 S2C4T1 Fl. 951 19 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) Como se vê, não há norma que obrigue a Administração Tributária a encaminhar as intimações ao procurador do sujeito passivo. Nesse sentido tem se manifestado a jurisprudência administrativa, conforme se vê: “INTIMAÇÕES ATOS PROCESSUAIS PROCURADOR Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.” Acórdão nº 104 20408, (sessão de 26/01/2005). Posicionome pela denegação desse pedido. Conclusão Diante do exposto, voto por reconhecer a decadência até a competência 11/2003, por afastar as preliminares suscitadas, por denegar o pedido de diligência fiscal e para que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da empresa e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso, de modo que sejam recalculadas as contribuições dos segurados para os quais tenha havido a efetiva comprovação da existência de recolhimentos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 960DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11128.008158/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 26/09/2005
NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PENALIDADE
A não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal justifica a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c" do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-001.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 26/09/2005 NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PENALIDADE A nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal justifica a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/11/2005, formalizando a exigência de recolhimento da multa pela não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. Relata a autoridade lançadora, no auto de infração, que o contribuinte protocolou junto a Alfândega do Porto de Santos em 04/06/2004, Requerimento de Concessão do Regime de Admissão Temporária para 01 máquina para trabalhar metais. Tal solicitação foi fundamentada no artigo 4º, § VI, da Instrução Normativa SRF n° 285, de 14/01/2003, que permite a admissão de bens destinados a promoção comercial, inclusive amostras sem destinação comercial e mostruários de representantes comercias, com suspensão total do pagamento dos tributos e contribuições incidentes na importação Em 20/07/2004, o importador efetuou o registro da DSI de n° 04/00171170, sendo concedido o prazo de 03 meses para o regime, conforme despacho datado de 05/04/2004. Em 15/03/2005, a interessada solicitou a baixa do Termo de Responsabilidade, anexando a Declaração de Importação nº 04/12792472, de 14/12/2004, parametrizada para o canal verde de conferência aduaneira, através da qual a mercadoria admitida sob o regime de admissão temporária havia sido nacionalizada. Segundo ainda a autoridade fiscal, quando do registro da Declaração de Importação n°04/012792472 foi informada a Alfândega do Porto de Santos, como a repartição de jurisdição, e não a repartição que efetivamente jurisdiciona o local em que o mesmo se encontra (IRE/São Paulo). Em 25/08/2005, foi expedida a Intimação n° 009/2005/EQDAT/DIDAD, com ciência em 25/08/2005, fls. 82, para que, no prazo de 30 dias da ciência, apresentar (sic) a mercadoria descrita na adição 001 da DI n° 04/12792472, no recinto alfandegado EADI MESQUITAGUARUJA, a fim de ser dado o prosseguimento à Nacionalização de Admissão Temporária ou Solicitar o cancelamento da DI supra com base na IN n° 206/2002, art. 70, inciso VI, alínea "b", para após o deferimento, dentro do prazo de vigência do regime, requerer novo despacho na unidade da SRF com jurisdição sobre o local onde se encontrar o bem. Diante do não atendimento à intimação acima referida, foi lavrado o presente auto de infração exigindo da autuada o recolhimento de R$ 5.000,00, referente a multa preceituada no artigo 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003, pela não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.008158/200521 Acórdão n.º 3201001.062 S3C2T1 Fl. 150 3 Cientificado da lavratura do auto de infração em 10/01/2006 fls. 89v, o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador, protocolizou impugnação, tempestivamente, em 09/02/2006, alegando, resumidamente, que: a informação a Alfândega do Porto de Santos como repartição de jurisdição não causou ônus aos cofres públicos, uma vez que na admissão da máquina foi feita conferência física com acompanhamento de engenheiro designado por esta Alfândega, conforme DSI n°04/00171170; quando da solicitação de Baixa do Termo de Responsabilidade não nos foi solicitado a alteração ou cancelamento da Declaração de Nacionalização devido a jurisdição informada na referida DI, somente solicitaram esclarecimentos conforme intimação DIDAD/EQDAT respondida em 26/04/2005, onde informamos que a máquina estava na linha de produção de nossa empresa. Posteriormente alegou ainda: entendíamos que quando da admissão foi feito a conferência física da máquina com termo de identificação e demais procedimentos aduaneiros normais, por um grande equivoco não atentamos a necessidade de mais uma conferência física após o desembaraço da Declaração de Nacionalização; a informação indevida de Unidade Fiscal de Desembaraço da Nacionalização na Declaração de Importação de Nacionalização foi inserida equivocadamente e, que a mesma não causou nenhum ônus ao FISCO; conforme informado na Notificação 631/05, determinar que a D.I. de Nacionalização fosse cancelada e registrada uma nova Declaração p/alterar a Unidade de Desembaraço seria penalizar também o importador, pois o mesmo teria que pagar novamente todos os tributos/contribuições para a mesma importação e ainda requerer a restituição dos valores o que iria prejudicar muito a empresa que não disponibilizava dos valores, sabendo se que a restituição não ocorre em menos de 03 anos; por se tratar de um erro ou equivoco de informação, causado sem dolo, e não causando diferenças de recolhimentos de tributos federais e estaduais, solicita o cancelamento da penalidade nos termos do Inciso I e II do Artigo 654 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°4.543/02. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 14/01/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1729.483 de fls. 105109: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 26/09/2005 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PENALIDADE A nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal justifica a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 10/02/2009 (f1. 110v), tendo protocolado seu recurso voluntário em 09/03/2009 (fls. 113/120), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação (fls. 92/93). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. Penso que o cerne da controvérsia travada no presente contencioso administrativo consiste em saber se é cabível a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37 de 1966. Ao nacionalizar os produtos ingressados no País sob o regime de admissão temporária, a Recorrente deveria ter atendido à Intimação n° 009/2005/EQDAT/DIDAD no prazo de 30 (trinta) dias e não o fez. Com efeito, o auto de infração foi lavrado para exigir a multa prevista no art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37 de 1966, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) A conduta passível de punição é objetiva, qual seja a nãoapresentação de resposta à intimação no prazo estipulado. Tratase de uma conduta que não exige o prejuízo financeiro ao erário público para que a multa possa ser aplicada. Aliás, como muito bem Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11128.008158/200521 Acórdão n.º 3201001.062 S3C2T1 Fl. 151 5 destacou a decisão recorrida, o não cumprimento de obrigações acessórias também acarreta prejuízo ao erário público na medida em que cerceia o poderdever de fiscalização, sobretudo em matéria aduaneira. Desse modo, como a Recorrente tomou ciência pessoalmente, o mínimo que poderia ter feito é respondêla ainda que fosse para prestar esclarecimentos ou pleitear um prazo mais dilatado para cumprir a determinação nela contida. Não tem amparo legal a suposição da Recorrente no sentido de que a solicitação de baixa do Termo de Responsabilidade firmado na DSI n° 04/00171170, acompanhada da DI nº 04/12792472 (declaração de despacho para consumo), teria o condão de eximila de responder a qualquer intimação posterior acerca do produto importado. Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida na íntegra. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11853.000980/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/05/2005
DEIXAR DE APRESENTAR GFIP. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO.
Entende-se por cooperativa de trabalho a estrutura responsável por prestar serviços a seus cooperados, podendo, inclusive, executar obra ou serviço com os contratantes (pessoas físicas ou jurídicas), não produzindo bens próprios.
No presente caso, o fisco não fundamentou o lançamento com o
embasamento fático e jurídico necessários para a sustentação do débito, restando prejudicada a caracterização da cessão de mãodeobra.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.294
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento à preliminar de conexão dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em declarar a
conectividade dos autos com o relativo à exigência de obrigações principais; b) em negar provimento à preliminar de diligência dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência; c) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Vencidos os Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/05/2005 DEIXAR DE APRESENTAR GFIP. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO. Entende-se por cooperativa de trabalho a estrutura responsável por prestar serviços a seus cooperados, podendo, inclusive, executar obra ou serviço com os contratantes (pessoas físicas ou jurídicas), não produzindo bens próprios. No presente caso, o fisco não fundamentou o lançamento com o embasamento fático e jurídico necessários para a sustentação do débito, restando prejudicada a caracterização da cessão de mãodeobra. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento à preliminar de conexão dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em declarar a conectividade dos autos com o relativo à exigência de obrigações principais; b) em negar provimento à preliminar de diligência dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência; c) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO. Entendese por cooperativa de trabalho a estrutura responsável por prestar serviços a seus cooperados, podendo, inclusive, executar obra ou serviço com os contratantes (pessoas físicas ou jurídicas), não produzindo bens próprios. No presente caso, o fisco não fundamentou o lançamento com o embasamento fático e jurídico necessários para a sustentação do débito, restando prejudicada a caracterização da cessão de mãodeobra. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento à preliminar de conexão dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em declarar a conectividade dos autos com o relativo à exigência de obrigações principais; b) em negar provimento à preliminar de diligência dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em converter o julgamento em diligência; c) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Declaração de Voto (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 259 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pelo INSTITUTO RUI BARBOSA DO BRASIL LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito por descumprimento de obrigação acessória, referente ao período de 06/2001 a 05/2005. 2. Segundo narrado no relatório fiscal “a empresa deixou de considerar, na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, fatos geradores de contribuição previdenciária, referentes ao período de agosto de 2001 a julho de 2004, relativos a diversos pagamentos efetuados a segurados que lhe prestam serviços por intermédio da Cooperativa de Serviços Técnicos Empresariais – COOPSEM, enquadrados pela Auditoria Fiscal na categoria de segurados empregados”. (fl. 12) 3. A decisão vergastada restou ementada nos termos que ora transcrevo abaixo: “APRESENTAR A EMPRESA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração capitulada no §5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” (fl. 188) 4. Buscando a procedência do seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo contra a decisão de primeira instância, em síntese, que: a) tem direito à reunião dos lançamentos em um único processo para julgamento unificado, pois todos os lançamentos perpetrados durante a fiscalização realizada no período compreendido entre 06/2001 a 05/2005 tratam da mesma rubrica; b) a nulidade do feito por inobservância das normas procedimentais, posto que não foram acostados junto ao relatório fiscal o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e o TAB – Termo de Arrolamento de Bens e Direitos; c) a multa aplicada é ilegal, tendo em vista seu caráter confiscatório, defende que o valor foi arbitrado excessivamente; d) incompetência do Fisco para declarar a existência de vínculo de emprego, pois agiu com excesso de poder e desvio de finalidade; e) inexistência de requisitos da relação de emprego, pois o trabalhador cooperado é autônomo e dirige o próprio trabalho, sendo que a cessação da prestação do serviço dependia apenas de sua própria vontade; Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 f) violação ao procedimento legislativo previsto na Constituição Federal, já que as cooperativas de trabalho distribuem integralmente o resultado obtido pelo trabalhador; g) a assinatura do termo de compromisso de ajustamento de conduta não significa confissão de qualquer irregularidade cometida; h) inaplicabilidade dos juros de mora calculados com base na taxa SELIC; i) por fim, batalha em demonstrar a necessidade de diligência junto à COOPSEM com o objetivo de comprovar os recolhimentos feitos ao INSS e o cumprimento das obrigações acessórias relativas a atividades de seus associados enquanto filiados à entidade. 5. Ao tomar ciência do recurso apresentado pelo contribuinte, o Fisco se limitou a encaminhar os autos à apreciação deste Conselho sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 260 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Preliminarmente, requer o contribuinte a reunião dos processos para julgamento unificado, tendo em vista que todos os lançamentos perpetrados durante a fiscalização realizada no período compreendido entre 06/2001 a 05/2005 referemse à mesma rubrica. 3. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 4. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. 5. Dessa forma, entendo que, embora necessária em algumas situações, a conexão não deve ser aplicada a todos os casos, notadamente no que diz respeito a autos que trazem multa por descumprimento de obrigações acessórias, os quais podem ser objeto de julgamento autônomo, e o lançamento de crédito tributário. 6. Nesse sentido, não obstante a evolução do instituto no âmbito administrativo, o artigo 9º, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, reza, expressamente, que: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” 7. Ademais, o referido decreto, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, não faz qualquer menção a cerca da necessidade de estabelecer uma conexão entre processos do mesmo contribuinte. 8. Seguindo essa linha de raciocínio, sito a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 “REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NOMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado.” (Acórdão n.º 240100.578; julgado em 20.08.2009; Conselheiro Relator Kleber Ferreira de Araújo) 9. E conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 10. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 11. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 12. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo, a análise será delimitada pelo julgador caso a caso. 13. Dessa forma, afasto a preliminar de conexão, suscitada pela recorrente, dos presentes autos com o processo referente à exigência de obrigações tributárias principais, devido à existência de todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência e passo à análise das demais questões recursais. DA PRELIMINAR DE DILIGÊNCIA FISCAL 14. No que diz respeito à preliminar suscitada com vista a realização de diligência entendo que as razões do contribuinte não merecem guarida, uma vez que o seu resultado não acrescentará novos elementos ao processo, o qual já possui todas as informações necessárias ao conhecimento da motivação da exigência fiscal. DO LANÇAMENTO FISCAL 15. Narra o relatório fiscal que “foi constatado que a empresa deixou de considerar, na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social — GFIP, fatos geradores de contribuição previdenciária, referentes ao período de agosto de 2001 a julho de 2004, relativos a diversos pagamentos efetuados segurados que lhe prestam serviços por intermédio da Cooperativa de Serviços Técnicos Empresariais — COOPSEM, enquadrados pela Auditoria Fiscal na categoria de segurados empregados”. (f.12) 16. Ainda segundo o auditor fiscal “foram considerados, para efeito do enquadramento acima, os empregados registrados pelo Instituto Rui Barbosa, além daqueles contratados irregularmente por intermédio da COOPSEM, conforme reconhece o contribuinte Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 261 7 quando da assinatura do TERMO DE COMPROMISSO E AJUSTAMENTO DE CONDUTA N° 043/2004 (Fls. 13/ a. 433), porém não declarados em GFIP”. (f. 15) 17. Dessa forma, verificase que a controvérsia trazida nos autos se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos feitos pela recorrente na contratação de cooperativas de trabalho, mas caracterizados pela fiscalização como empregados. 18. Ocorre que a autuação fiscal não comprova efetivamente a relação de emprego. O relatório fiscal não mencionou, em nenhum momento, qual tipo de serviço teria sido prestado, se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo e se o serviço realmente envolvia a contratação de empregados segurados. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e cotejamento jurídico para a constituição do lançamento com a realidade encontrada na empresa, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura do auto de infração. 19. A prova fundamental trazida pelo Fisco para efeito do enquadramento foi a assinatura do TERMO DE COMPROMISSO E AJUSTAMENTO DE CONDUTA Nº 043/2004 (ff. 131 a 133). (f. 15) 20. Porém, a prova é fragilizada na medida em que o simples fato de empresa ter assinado o Termo se comprometendo a não contratar trabalhadores, por meio de cooperativas de mãodeobra, para a prestação de serviços ligados às ‘suas atividadesfim ou meio’ ensejaria por si só a descaracterização de uma relação jurídica admitida pelo contribuinte. Na verdade, o que o argumento fiscalista lança nos autos são sérias dúvidas no que poderia ser ou não configurar como atividade meio ou fim. 21. Além disso, também não há indicação nos autos de elementos substanciosos de como a fiscalização chegou aos nomes que compõem as listas de “Remuneração não declarada em GFIP”, anexadas às fls. 16/128. 22. E como asseverado anteriormente, o referido Termo, foi assinado em 3 de maio de 2004 e a fiscalização engloba o período de junho/2001 a maio/2005, dessa forma, notase que parte do auto de infração referese a período anterior à existência do objeto no qual se fundamenta sua atuação, o que enfraquece a autuação fiscal. 23. Cumpre destacar, ainda, que as expressões utilizadas no Termo de Compromisso fazem referência a um tempo futuro. Em outras palavras, somente após a assinatura do referido documento é que seria possível a exigência da conduta nele delimitada, sendo que há óbice para fazer retroagir os efeitos do documento a parte do período fiscalizado. 24. Mesmo assim, conforme a Cláusula Segunda do ajuste assinado “é lícita a contratação de genuínas sociedades cooperativas desde que os serviços sejam prestados em caráter coletivo e com absoluta autonomia dos cooperados, seja em relação às cooperativas, seja em relação ao tomador de serviço”. No que restaria demonstrado que a recorrente poderia contratar sociedades cooperativas, caso atenda aos requisitos determinados, e não houve demonstração pelo fisco de que as empresa não tenha observado os termos estipulados. 25. Com efeito, entendo que o lançamento é insubsistente porque ausente a comprovação do surgimento do fato gerador da obrigação tributária e sua fundamentação está Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 fragilizada, uma vez que o relatório fiscal e os documentos acostados ao processo não trazem os elementos necessários para a verificação da caracterização como segurados empregados de cooperados pertencentes à cooperativa de trabalho, notadamente o disposto no art. 3º da CLT, que traz os parâmetros necessários (considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário). 26. Com efeito, cumpre destacar, porque aplicado ao caso ora em tela, que a ausência de motivação nos autos é patente. O art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 27. Celso Antônio Bandeira de Mello, em sua obra intitulada ‘Curso de Direito Administrativo’ (2000, p. 433), traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto, in verbis: “Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar.” (g.n.) 28. Nessa esteira, registrase a importância de uma clara descrição dos fatos, como elemento motivador do lançamento fiscal, conforme nos relata em lapidar lição Leliana Pontes Vieira, em sua obra ‘Contencioso e Processo Fiscal’ (1996, p. 40), colacionamos: “c) Descrição dos fatos esta descrição deve ser bastante clara, de modo a permitir, de um lado, que o acusado, conhecendo o fato ilícito que lhe é imputado possa exercer o seu direito constitucional de ampla defesa. E, de outro, para que o julgador nela encontre, conjugandoa com os demais elementos do processo, o necessário suporte para formar sua convicção.” 29. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 30. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 262 9 discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (g.n.) 31. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 32. Sobre o ônus da prova, convém destacar importante contribuição do jurista Paulo Celso Bergstrom Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário”: “O vocábulo ônus provém do latim (onus) e conserva o significado de fardo, carga, peso ou imposição. Nessa acepção, o ônus de provar (onus probandi) consiste na necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento da autoridade julgadora. Bem de ver que a ideia de ônus da prova não significa a de obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar. Tratase de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. São sujeitos da prova, assim, tanto o contribuinte quanto a Fazenda, com o intuito de convencer a autoridade julgadora da veracidade dos fundamentos de suas opostas pretensões. Esse direito de prova dos titulares da relação processual convive com o poder atribuído às autoridades (preparadora e julgadora) de complementar a prova.” 33. No mesmo sentido é o Código de Processo Civil ao asseverar em seu artigo 333, inciso I, que o “ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. 34. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 35. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre a necessidade de análise de conexão do presente processo com outro. Processos conexos. Conceito. Necessidade de distribuição para a mesma Câmara e para o mesmo Relator. Prejuízo para as partes, segurança jurídica e princípio da eficiência. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 263 11 Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo Fl. 293DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os Fl. 294DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 264 13 débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 No caso em análise, os fatos são comuns entre o lançamento da obrigação principal e os lançamentos das obrigações acessórias decorrentes, logo a conexão é óbvia entre os respectivos processos. Em adição, há prejuízo para o fisco no provimento do Recurso conforme proposto pelo Relator, sendo que este poderia não ser declarado se a conexão fosse reconhecida. Tivesse o RICARF sido obedecido, os processos relativos aos mesmos fatos geradores seriam julgados na mesma sessão pelo mesmo relator e ficaria evidenciado que não existiu cerceamento de defesa ou falha na fundamentação fática e/ou jurídica, pois o fiscalizado tomou amplo conhecimento dos fatos geradores e da fundamentação dos lançamentos em seu conjunto sem que qualquer prejuízo à sua defesa tenha ocorrido. Assim, votamos pela conversão do julgamento em diligência para que seja verificada a existência de conexão do presente processo com outros que tratem dos mesmos fatos. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11853.000980/200719 Acórdão n.º 230102.294 S2C3T1 Fl. 265 15 Declaração de voto. Conselheiro Marcelo Oliveira, Com todo respeito aos que divergem, não há motivos para que seja decretada a conexão entre processos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) traz determinação sobre o tema: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) Devemos, em primeiro lugar, definir o termo conexo. O Código de Processo Civil (CPC) nos auxilia na solução da questão: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. A causa de pedir, em nosso entender, diverge nos processos citados. Neste processo, o objeto trata de obrigação de informar, obrigação tributária acessória de fazer algo, que descumprida, gerou a autuação. No processo em que se busca a conexão o objeto trata de obrigação de recolher, pagar, obrigação tributária principal, que descumprida, gera o lançamento tributário. Portanto, os objetos dos processos não são comuns. Quanto a causa de pedir, também não encontramos interação entre elas. Em um, o sujeito passivo busca a desconstituição de uma obrigação de fazer, em outro, o sujeito passivo busca a desconstituição de uma obrigação de recolher. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Creio que em muitos casos o que se busca são novas informações para justificar a autuação e/ou o lançamento e essa medida, quando ocorrer, deve ser rechaçada. Tanto o Decreto 3.048/1999 quanto o Código Tributário Nacional (CTN) determinam que a descrição do descumprimento de obrigações deve possuir clareza e precisão, até em respeito ao devido processo legal, que é, em última análise, o direito do acusado conhecer todos os motivos da acusação. Decreto 3.048/1999: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, como não identificamos objeto e causa de pedir comuns nos processos, entendemos que não há motivo para a decretação da conexão. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 13/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10675.907149/2009-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0939.082/12 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 57 a 62, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 06. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 14 9/ 20 09 -8 9 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907149/200989 Resolução nº 1801000.181 S1TE01 Fl. 3 2 “A interessada transmitiu a DCOMP n° 02717.45036.140606.1.3.048880,, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de pagamento indevido de CSLL, efetuado em 28/11/2003. A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 07 do processo virtual, no qual não homologa a compensação pleiteada diante da inexistência de crédito. A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · ao calcular e preencher o DARF relativo a Contribuição Social s/Lucro LíquidoCSLL, referente ao 3° trimestre de 2003, cometeu um equivoco fazendo constar naquele documento um valor maior que o devido; · apresenta a cópia da ficha 18 A (doc. em anexo) da DIPJ onde constam os valores da receita bruta do 3° trimestre de 2003, bem como o respectivo cálculo dessa contribuição; · o recolhimento a maior da Contribuição Social S/ Lucro LíquidoCSLL, relativa ao 3° trimestre de 2003, se deu através dos Darfs (doc. em anexo). · após constatar que havia efetuado o recolhimento a maior, providenciou a retificação da DCTFOriginal (doc. em anexo) entregue em 14/11/2003, transmitindo a DCTFRetificadora (doc. em anexo), em 29/12/2008, onde fez constar, respectivamente, o valor informado originariamente e o valor realmente devido; · diante da existência do crédito acima discriminado, resolveu, então, aproveitar parte desse valor para compensar o débito apurado de COFINS, da competência 05/2006, cuja data de vencimento se deu em 14/06/2006, tudo isso em conformidade com a legislação vigente àquela época, e, para demonstrar esta compensação, entregou em 14/06/2006 a Declaração de Compensação PER/DCOMP (doc. em anexo), onde informou que estava realizando a compensação da quantia de R$ 5.948,79, crédito apurado em relação a parcela da Contribuição Social recolhida em 28/11/2003, que, corrigida, atingiu o valor de R$ 8.413,97, conforme demonstra o PER/DCOMP retro citado, em sua página de n° 02. · além da informação constante do PER/DCOMP, a requerente também informou esta compensação na pág. 46 (doc.em anexo) da DCTF do 1° Semestre do ano 2006. [...] A empresa apresentou as declarações (DCTF e DIPJ) originais do 3° trimestre de 2003 com informação de débito de CSLL no total de R$ 39.042,64, vinculado a pagamento em DARF's de R$ 19.521,32, com datas de vencimento em 31/10/2003 e 28/11/2003. A DCOMP em análise foi transmitida em 14/06/2006. A ciência do despacho decisório eletrônico ocorreu em 19/08/2009 (AR de fl. 10 do processo virtual). A contribuinte apresentou DCTF retificadora em 29/12/2008 e DIPJ retificadora em 18/09/2009, após a ciência do despacho decisório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907149/200989 Resolução nº 1801000.181 S1TE01 Fl. 4 3 Portanto, na data da transmissão da DCOMP, só existiam a DCTF e a DIPJ originais. A manifestação de inconformidade confirma que esse novo valor, informado na DCTF e na DIPJ retificadoras, fora apurado e declarado à RFB em data posterior à transmissão da DCOMP n° 02717.45036.140606.1.3.048880, sem comprovar que houve erro de fato na informação prestada nas declarações originais (DCTF e DIPJ). Erro de fato é aquele que independe de averiguações para sua constatação. Considerando que a DCTF constituise em confissão de dívida, os débitos nela declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP em análise. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. A Lei 9.430/1996, em seu artigo 74, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002, assim dispõe: [...] Assim não resta dúvida de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia o crédito declarado na DCOMP analisada. O despacho decisório considerou a informação contida em DCTF porque somente essa existia quando da apresentação da DCOMP e quando da emissão do despacho decisório. A informação em DCOMP da existência de crédito disponível em função de pagamento a maior de tributo tem que estar suportada em informações existentes nos sistemas utilizados pela RFB (controle de DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, DACON) ou suportada nos livros e documentos escriturados à época da transmissão da DCOMP. O crédito registrado em DCOMP deve ser líquido e certo, a teor do artigo 170 do CTN, para que ocorra a homologação da compensação a ele vinculada, cabendo à contribuinte, quando instada, fazer prova a seu favor, uma vez que se constitui num pleito seu e não em lançamento realizado pela administração tributária. [...] Assim, quanto ao pedido de produção de novas provas, só se pode aqui dizer que a inserção de novos elementos de prova no processo depois de transcorrido o prazo de impugnação, só pode ser deferida no caso de estarem presentes alguma(s) das circunstâncias previstas no parágrafo 4.° do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72 (impossibilidade de apresentação durante o prazo de impugnação, por conta de "força maior", "fato ou direito superveniente" etc.), o que só poderá ser avaliado quando da situação em concreto. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907149/200989 Resolução nº 1801000.181 S1TE01 Fl. 5 4 [...] Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada.” A empresa interpôs, tempestivamente (AR – 27/02/12; Recurso – 27/03/12), o Recurso de fls. , reiterando as argumentações da defesa exordial e juntou aos autos folhas do Razão Analítico buscando comprovar o valor das receitas brutas auferidas no período e o cálculo devido de apuração do tributo em espécie. Pretende com esta providência comprovar os erros de recolhimentos a maior realizados e o seu direito no indébito tributário. É o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2003, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que o valor devido e correto é R$ 27.145,06, mas recolheu R$ 39.042,64, em duas parcelas (R$ 19.521,32 cada uma), e traz contas do Razão Analítico para comprovar as receitas auferidas no período. Este processo tem como objeto um dos DARF relativo à parcela recolhida em 28/11/2003 e o valor pleiteado é a diferença entre R$ 19.521,32 e R$ 13.572,53 (R$ 27.145,06 : 02), que perfaz R$ 5.948,79. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de as declarações retificadoras – DIPJ e DCTF – foram entregues após o despacho decisório e porque entende que à data do pedido de compensação, o débito tributário da CSLL confessado na DCTF original foi devidamente pago. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo da CSLL devida, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907149/200989 Resolução nº 1801000.181 S1TE01 Fl. 6 5 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, as contas do Razão analítico que são utilizadas para apurar o tributo devido, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que: a) a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2003 junto a contabilidade completa da recorrente, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes; b) a autoridade competente informe se os valores já foram inscritos na Dívida Ativa da União. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907149/200989 Resolução nº 1801000.181 S1TE01 Fl. 7 6 A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10865.720261/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE APP. PARECER
TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. ÁREA MAJORADA EM RELAÇÃO À DECLARADA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DA ÁREA DECLARADA DA APP POR PARTE DA AUTORIDADE LANÇADORA. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA NOS AUTOS A JUSTIFICAR O RECONHECIMENTO DE ERRO DE FATO.
Não se deve debater o pedido recursal de majoração da área de preservação permanente – APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova
robusta nos autos que comprove um erro de fato na declaração do ITR (DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural.
PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA RURAL SUBSCRITO POR PROFISSIONAL COMPETENTE. DEFINIÇÃO DO VTN. VTN DA ÁREA TRIBUTÁVEL DO PARECER SUPERIOR AO CONSIDERADO PARA A BASE DE CÁLCULO PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
MANUTENÇÃO DO VALOR ARBITRADO PELO SIPT.
Em princípio, parece razoável considerar o valor do VTN apresentado no parecer técnico trazido pelo recorrente, porque subscrito por profissional competente e tende a apreciar as especificidades do imóvel auditado, o que não ocorre com o SIPT, que é uma planta geral de valores. Entretanto, como o VTN/hectare da área agriculturável do Parecer sobeja o utilizado pela autoridade fiscal, com base do SIPT, mantém-se o valor arbitrado, sob pena de agravar a situação do recorrente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. A Conselheira Núbia Matos Moura votou com o relator pelas conclusões.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE APP. PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. ÁREA MAJORADA EM RELAÇÃO À DECLARADA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DA ÁREA DECLARADA DA APP POR PARTE DA AUTORIDADE LANÇADORA. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA NOS AUTOS A JUSTIFICAR O RECONHECIMENTO DE ERRO DE FATO. Não se deve debater o pedido recursal de majoração da área de preservação permanente – APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova robusta nos autos que comprove um erro de fato na declaração do ITR (DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural. PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA RURAL SUBSCRITO POR PROFISSIONAL COMPETENTE. DEFINIÇÃO DO VTN. VTN DA ÁREA TRIBUTÁVEL DO PARECER SUPERIOR AO CONSIDERADO PARA A BASE DE CÁLCULO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. MANUTENÇÃO DO VALOR ARBITRADO PELO SIPT. Em princípio, parece razoável considerar o valor do VTN apresentado no parecer técnico trazido pelo recorrente, porque subscrito por profissional competente e tende a apreciar as especificidades do imóvel auditado, o que não ocorre com o SIPT, que é uma planta geral de valores. Entretanto, como o VTN/hectare da área agriculturável do Parecer sobeja o utilizado pela autoridade fiscal, com base do SIPT, mantém-se o valor arbitrado, sob pena de agravar a situação do recorrente. Recurso negado.
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PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. ÁREA MAJORADA EM RELAÇÃO À DECLARADA PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DA ÁREA DECLARADA DA APP POR PARTE DA AUTORIDADE LANÇADORA. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA NOS AUTOS A JUSTIFICAR O RECONHECIMENTO DE ERRO DE FATO. Não se deve debater o pedido recursal de majoração da área de preservação permanente – APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova robusta nos autos que comprove um erro de fato na declaração do ITR (DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural. PARECER TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA ÁREA RURAL SUBSCRITO POR PROFISSIONAL COMPETENTE. DEFINIÇÃO DO VTN. VTN DA ÁREA TRIBUTÁVEL DO PARECER SUPERIOR AO CONSIDERADO PARA A BASE DE CÁLCULO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. 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A Conselheira Núbia Matos Moura votou com o relator pelas conclusões. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A, CNPJ/MF nº 60.892.098/000160, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 03/12/2007, auto de infração, decorrente da revisão da DITRexercício 2004 do imóvel FAZENDA DO FUNIL GLEBA C, código NIRF 3.835.0548. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 92.763,91 MULTA DE OFÍCIO R$ 69.572,93 Ao contribuinte foi imputada uma reavaliação do valor do VTN de R$ 17.923.440,00 para R$ 40.117.886,39, com a motivação que segue: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.720261/200716 Acórdão n.º 2102002.178 S2C1T2 Fl. 2 3 Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando apresentou laudo técnico, confeccionado com a metodologia do método comparativo direto de dados de mercado, do qual os seguintes dados e informações são extraídos (fls. 37 a 88): § área de preservação permanente de 1.650,0 hectares, sem registro da existência de área de reserva legal; § lavoura de cana de açúcar de 4.442,61 hectares, em janeiro de 2004, conforme informações do proprietário (fl. 50); § preço de mercado de R$ 118.000.000,00 (terra nua+APP+benfeitorias civis + cultura de cana) e valor da terra nua de R$ 37.000.000,00 no resumo da avaliação. No corpo do laudo, consta um valor da terra nua de R$ 37.642:763,00, valor das terras APP 6.521.865,00, valor das benfeitorias (edificações e plantações) de R$ 73.900.827,67 e um valor total da propriedade de R$ 118.065.455 67 (fl. 51); § considerando a inexistência de ofertas de imóveis semelhantes ao avaliando, não foi possível colher elementos comparativos suficientes, devendo o laudo ser enquadrado com parecer técnico. Houve a colheita de 04 eventos amostrais, obtidos junto às imobiliárias ABC e PISA; § “Para obtenção do valor unitário de terras no local foi feita uma pesquisa de mercado, por meio da qual realizouse um tratamento dos dados e valores, resultando no preço unitário básico de R$ 10.245,00/ha para área de terra nua, com data base de Jan /2008. Os valores retroagidos foram obtido com base na tabela 1. e 2. do IEA, resultando no preço unitário, básico de R$ 6.464,33/ha para área de terra nua, e R$ 3.964,66/ha para área de preservação permanente, com data base de Jan/2003”1 (fl. 56 – transcrição do Laudo). A 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0418.100, de 10 de julho de 2009. A decisão acima afastou o laudo técnico com a seguinte fundamentação (fl. 99): (...) Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. 11á de ser respeitado o disposto no item 9.2.3.5, alínea "b", que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados". Os dados de 1 Utilizaramse as tabelas do IEA Instituto de Economia Agrícola para a Região Metropolitana de Campinas. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1° de janeiro de 2004). Ademais, o item 9.2.3.1 da NBR 146533 assevera que no caso de a maioria dos dados coletados se referir a opiniões (Conforme se verifica no Parecer, à f. 52, tratase de "aferição de valores atuais" em que 'foram consultados vários profissionais do mercado imobiliário da regido"), ficará caracterizado o Grau de Fundamentação I. E o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. (...) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/08/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 08/09/2009. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 1. apresentou laudo técnico confeccionado de acordo com a Norma ABNT 146533, no qual se apurou um valor de terra nua de R$ 37.642.763,00, não havendo qualquer justificativa para a decisão recorrida rejeitar o laudo apresentado; 2. o laudo acima aferiu uma área de APP de 1.645,0 hectares, diferente dos 531,6 hectares considerados pelo fisco, tendo havido, na espécie, a informação equivocada da APP na DITR, pois na época não havia um estudo técnico como o agora feito. Indo mais além, o laudo especificou corretamente o valor das benfeitorias e das culturas plantadas, o que influencia o valor da terra nua, com valores discrepantes daqueles considerados pelo fisco; 3. “Portanto deve o lançamento impugnado ser devidamente revisado e retificado de forma a considerar todas as informações constantes do laudo técnico em anexo, especialmente os valores das benfeitorias. culturas e terra nua, bem como ainda a área de preservação permanente — APP a fim de que o lançamento suplementar corresponda à realidade, de forma a atender os princípios da legalidade, capacidade contributiva, verdade real e às disposições da Lei Federal n° 9.396/1996” (fl. 119 – excerto do recurso voluntário – grifos do original); 4. é desnecessária a apresentação do ADA para as APP e áreas de utilização limitada, como se pode ver pelo art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96, não se exigindo prévia comprovação. É o relatório. Voto Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.720261/200716 Acórdão n.º 2102002.178 S2C1T2 Fl. 3 5 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 11/08/2009, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 08/09/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/09/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo aqui não se apreciará a irresignação no tocante à majoração da área de preservação permanente – APP, a uma porque tal área não foi objeto de alteração pelo lançamento, o que impede, como regra, qualquer discussão a respeito no contencioso fiscal, que fica adstrito às controvérsias inauguradas a partir das alterações perpetradas pela fiscalização; a duas porque não há uma prova robusta nos autos que viesse a comprovar um erro de fato na declaração do ITR (DIAT/DIAC) auditada, o que poderia justificar a alteração das áreas declaradas nesta instância administrativa, pois não se pode considerar um mero parecer técnico para avaliação patrimonial de bens imóveis rurais, como se viu nestes autos, que não tem plantas, coordenadas, georreferenciamento etc., como um laudo descritivo de um imóvel rural, este sim um instrumento que descreve a geografia do imóvel e hábil para comprovar eventual erro de fato nas áreas declaradas. Assim, rejeitase toda a irresignação no tocante à APP trazida pelo recorrente, restringindose somente à discussão inaugurada pelo lançamento, qual seja, o valor da terra nua. Apreciando os valores considerados no lançamento, vêse que a autoridade lançadora considerou um valor do VTN de R$ 5.371,90/hectare (R$ 40.117.886,39 dividido pela área total de 7.468,1 hectares – fl. 3). O recorrente, por seu turno, considerou um VTN de R$ 6.464,33/hectare para a área diversa da APP e R$ 3.964,66/hectare para a área de APP. Como a base de cálculo do ITR é o VTN tributável, este que exclui as avaliações das áreas de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal e outras), como se pode ver pelo quadro de fl. 3, é irrelevante o valor das áreas de APP (e de utilização limitada) para cálculo do ITR. Tanto assim o é que se o imóvel auditado for tomado inteiramente por áreas de preservação permanente e utilização limitada, temos a área tributável igual a zero, o que também zera a base de cálculo do ITR. Diferentemente do que entendemos no julgamento do recurso voluntário tombado no processo administrativo fiscal nº 10865.720258/200794, que versa sobre o mesmo imóvel rural, com Parecer técnico idêntico, para o exercício 2003, aqui não se utilizará o VTN/ha da área agriculturável proposto no Parecer, pois este (R$ 6.464,33/hectare) é maior que o utilizado pela fiscalização (R$ 5.371,90/hectare), como se viu acima. Ora, esta instância não pode agravar a situação do recorrente, pois não tem poderes de autoridade lançadora. Observese que a diferença do VTN tributável, aqui e no laudo, para a área agriculturável, decorreu apenas do afastamento da discussão da majoração da APP, ou seja, caso seja aplicado o VTN/ha da área agriculturável trazido no Parecer (R$ 6.464,33/hectare) para a área aqui considerada tributável (área total do imóvel menos a APP declarada = 6.936,5 hectares – fl. 3), a base de cálculo do ITR (Valor da Terra Nua Tributável – campo 21 do quadro da fl. 3), pelo Parecer, sobejaria à considerada pela fiscalização, o que não pode ser acatado, sob pena de agravar a situação do recorrente. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Por fim, são irrelevantes as considerações do recorrente sobre os valores das benfeitorias e das culturas (cana de açúcar), pois a tributação do ITR incide apenas sobre o Valor da Terra Nua, este que não é impactado pelos valores das benfeitorias e culturas. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.907607/2008-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Uma vez comprovada a retenção realizada na fonte em nome do contribuinte, a este pertencerá o direito creditório aos valores envolvidos
Numero da decisão: 1802-001.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 243 1 242 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.907607/200858 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.572 – 2ª Turma Especial Sessão de 6 de março de 2013 Matéria CSLL Recorrente PETROBAHIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 Ementa: Uma vez comprovada a retenção realizada na fonte em nome do contribuinte, a este pertencerá o direito creditório aos valores envolvidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 76 07 /2 00 8- 58 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.907607/200858 Acórdão n.º 1802001.572 S1TE02 Fl. 244 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA (“DRJ/SDR”), que reconheceu apenas em parte saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano calendário de 2004. Por esclarecer os fatos e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° de rastreamento 808234547, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não homologou as compensações de débitos relativos a estimativas mensais de IRPJ dos períodos de apuração correspondentes aos meses de março/2006, no valor principal de R$8.753,21, e maio/2006, no valor principal de R$39.395,88, declaradas nos PER/Dcomp n° 36197.93138.190606.1.7.033816, transmitido em 19/06/2006, e 35206.72215.280606.1.3.031298, transmitido em 26/06/2006, nos quais foi utilizado crédito oriundo de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, no valor original de R$39.892,97. De acordo com o Despacho Decisório, a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/Dcomp não é suficiente para comprovar a quitação da Contribuição Social devida no anocalendário de 2004 e a apuração do saldo negativo informado. Em sua manifestação de inconformidade, de 24/12/2008, a Contribuinte argumenta que existe realmente saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, conforme demonstrado na ficha 17 da DIPJ, ou seja: valor de CSLL devido no ano calendário 2004 R$236.778,21; CSLL mensal paga por Estimativa (R$276.239,46); CSLL retida por Entidade Adm. Pública (R$401,72) Saldo negativo de CSLL 2004 (R$39.862,97). Informa que durante o ano houve pagamentos e retenção na fonte suficiente para quitar a CSLL devida, e valor a maior, gerando o saldo negativo indicado no PER/Dcomp. Ressalta a importância de se consentir a retificação do PER/Dcomp não homologado, possibilitando ao contribuinte demonstrar todos os pagamentos e retenções de CSLL ocorridos na competência 2004. Requer a reconsideração do despacho decisório, possibilitando ao contribuinte regularizar as divergências verificadas, por meio da retificação do PER/Dcomp julgado. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.907607/200858 Acórdão n.º 1802001.572 S1TE02 Fl. 245 3 Em 21/05/2009, a Contribuinte requer a retificação de oficio da composição do crédito informado nos PER/Dcomp n° 36197.93138.190606.1.7.033816 e 35206.72215.280606.1.3.03 1298, com a consequente homologação da compensação ali demonstrada, até o limite do crédito efetivamente apurado, expondo suas razões de fato e de direito, basicamente as mesmas já apresentadas anteriormente na manifestação de inconformidade de 24/12/2008. Explica que ao efetuar o preenchimento da ficha relativa ao crédito a ser compensado no PER/Dcomp n° 36197.93138.190606.1.7.033816 Demonstrativo do Saldo Negativo, informou, por equívoco, apenas um dos pagamentos das estimativas que compuseram o saldo negativo, quando deveria ter consignado a totalidade dos pagamentos efetuados e retenções sofridas. Afirma que, cotejando os dados contidos na DIPJ/2005 (doc. 04) com os anexos Darf (doc. 06) e Comprovantes de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica Anocalendário 2004, emitidos pelas fontes pagadoras, concluise que a Requerente, por mero equívoco, não apresentou a correta composição do saldo negativo, ensejando assim a insuficiência do crédito detectada pelo sistema eletrônico de dados da RFB. Em vista das firmes razões expendidas, pugna que se proceda à retificação, de ofício, da composição do crédito informado nos PER/Dcomp, homologando integralmente as compensações ali declaradas até o limite do crédito efetivamente apurado a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004. Através do acórdão 1527.516, a 2ª Turma da DRJ/SDR, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, oriundo de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004 e, porconseguinte, homologou parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Em face das alegações e Darf apresentados pelo sujeito passivo e informações extraídas dos sistemas internos da RFB, há de se reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, oriundo de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, e homologar parcialmente a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.907607/200858 Acórdão n.º 1802001.572 S1TE02 Fl. 246 4 Ou seja, o saldo negativo de CSLL, pleiteado pela recorrente e informado nos PER/Dcomp em análise, no valor de R$39.862,97, teria tido origem na CSLL mensal paga por estimativa, no valor de R$276.237,46, dos quais R$271.640,02, foram recolhidos através de Darf e, R$4.599,44, compensados com CSLL retida no decorrer do anocalendário e de CSLL retida no valor de R$401,72. Assentou a decisão recorrida que os DARFs anexados (fls. 151161) e confirmados pelo sistema sinal (fls. 200203) comprovam o pagamento de R$271.640,02. Entretanto, o valor de R$4.599,44, deduzido no cálculo das estimativas mensais a pagar nos meses de janeiro e, março a novembro de 2004 e quanto o montante de R$401,72, deduzido na linha 49 da ficha 17, da DIPJ/2005, ambos a título de CSLL retida na fonte por órgão público federal (Lei n° 10.833/2003) não foram comprovados, quer através dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica do Anocalendário 2004, emitidos pelas fontes pagadoras, quer pela consulta feita ao sistema Portal Dirf da Receita Federal do Brasil (extrato à fl. 204) que não exibiu nenhuma fonte pagadora que tivesse informado a Contribuinte como beneficiária de rendimento sobre o qual tivesse sido efetuada retenção de CSLL. Com efeito, o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, comprovado nos autos e reconhecido pela decisão da DRJ, importa em R$34.861,81, correspondente entre as estimativas mensais pagas através de DARF, de R$271.640,02 e a CSLL devida no anocalendário, de R$236.789,21. A decisão recorrida não reconheceu o valor de R$ 5.001,16, referente à CSLL retida na fonte. Ante a parcial procedência, a recorrente interpôs o Recurso Voluntário, argüindo que juntou os documentos comprovadores do valor retido na fonte a título de CSLL, apenas no valor de R$ 2.963,66, pleiteando, portanto, o reconhecimento desse crédito, não apresentando questionamento quanto a diferença de R$ 2.037,50. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 15/10/2011, conforme aviso de recebimento às fls. 179 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 11/11/2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Alega a recorrente que comprova através dos documentos de fls. 238 e 239, os valores retidos a título de CSLL pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, no valor de R$2.963,66. Analisando os documentos supra citado, entendo que os mesmos comprovam a respectiva retenção do CSLL pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, no valor de R$2.963,66 da Recorrente. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.907607/200858 Acórdão n.º 1802001.572 S1TE02 Fl. 247 5 O fato desses valores não terem sido comprovados através dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica, ou ainda, por não constar da consulta feita ao sistema Portal DIRF da Receita Federal do Brasil, não tem o condão de violar o direito da recorrente, comprovado pelos documentos dos autos. Assim, entendo que, de fato, os documentos de fls 238 e 239 dos autos comprovam as retenções efetuadas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, no valor de R$2.963,66. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, reformandose a r. decisão da DRJ, para reconhecer o direito creditório de R$2.963,66, referente a retenção do CSLL efetuada pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, que deverá compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004 e, por conseguinte, homologar as compensações declaradas nos PER/Dcomp n° 36197.93138.190606.1.7.033816 e 35206.72215.280606.1.3.031298, até o limite do crédito ora reconhecido. Marco Antonio Nunes Castilho Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 15504.003790/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõe-se afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, passando a recair sobre o próprio Órgão Público.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE REVOGADA. IMPOSSIBILIDADE LANÇAMENTO NA EMPRESA À ÉPOCA DO FATO GERADOR. IRRETROATIVIDADE NOVO REGRAMENTO MALIGNO.
Tratando-se de obrigação acessória em que a legislação de regência, vigente à época da ocorrência do fato gerador da penalidade, contemplava a responsabilização do Dirigente do Órgão Público, é defeso a legitimidade passiva ser direcionada à empresa no período anterior à revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, em observância a impossibilidade da retroatividade maligna da norma, para alcançar sujeito passivo/responsável tributário inexistente naquele período.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõese afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, passando a recair sobre o próprio Órgão Público. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE REVOGADA. IMPOSSIBILIDADE LANÇAMENTO NA EMPRESA À ÉPOCA DO FATO GERADOR. IRRETROATIVIDADE NOVO REGRAMENTO MALIGNO. Tratandose de obrigação acessória em que a legislação de regência, vigente à época da ocorrência do fato gerador da penalidade, contemplava a responsabilização do Dirigente do Órgão Público, é defeso a legitimidade passiva ser direcionada à empresa no período anterior à revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, em observância a impossibilidade da retroatividade maligna da norma, para alcançar sujeito passivo/responsável tributário inexistente naquele período. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 37 90 /2 00 9- 28 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.003790/200928 Acórdão n.º 2401002.881 S2C4T1 Fl. 188 3 Relatório FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 02 28.901/2010, às fls. 147/152, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar as contribuições previdenciárias devidas, mediante desconto das respectivas remunerações pagas ou creditadas aos servidores não efetivos detentores de função pública, designados ocupantes de cargo em comissão de recrutamento amplo, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 17/03/2009, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.329,18 (Um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 158/159, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, suscita a existência de acordo celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União Federal e o INSS, em 08/07/2010, homologado judicialmente pelo STJ nos autos da ação judicial consubstanciada no processo n° 1999.38.00.0178182 – Recurso Especial n° 1.135.162/MG. Nos termos de referido acordo, a Fundação ora recorrente indicou os débitos previdenciários a serem incluídos no Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 11.941/2009, com arrimo nas Portarias Conjuntas PGFN/RFB n° 06/2009 e 03/2010, desistindo expressamente da discussão administrativa e judicial, reconhecendo, portanto, a legitimidade dos débitos apurados, salvo àqueles alcançados pelo instituto da decadência ou pertinentes aos servidores vinculados ao RPPS. Alega que a partir do Acordo em comento, ficou estabelecido o cancelamento de todos os autos de infração lavrados contra as entidades do Estado de Minas Gerais, como é o caso da Fundação, consoante item “f” de tal acordo. Dessa forma, requer seja conhecido e provido o presente recurso de maneira a determinar a devida adequação do débito em questão aos termos constantes do Acordo celebrado entre o Estado de Minas Gerais, União Federal e INSS, ensejando a extinção do presente Auto de Infração, face à disposição das partes. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Alternativamente, não acolhida sua pretensão em relação à extinção do feito, repisa os argumentos suscitados em sede de impugnação, refutando, ainda, todos os fundamentos dados pela h. Turma de Julgamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.003790/200928 Acórdão n.º 2401002.881 S2C4T1 Fl. 189 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Em seu recurso voluntário insurgese a contribuinte contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, dando conta da existência de acordo celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União Federal e o INSS, em 08/07/2010, homologado judicialmente pelo STJ nos autos da ação judicial consubstanciada no processo n° 1999.38.00.0178182 – Recurso Especial n° 1.135.162/MG. Referido Acordo teve a finalidade de por termo à discussão quanto à exigibilidade de contribuições previdenciárias sobre as remunerações de servidores efetivos e comissionados contratados pelo Estado de Minas Gerais, suas autarquias, fundações, etc, sobretudo após a edição da Emenda Constitucional n° 20/1998. Nos termos de aludido acordo, a Fundação ora recorrente indicou os débitos previdenciários a serem incluídos no Parcelamento Especial instituído pela Lei n° 11.941/2009, com arrimo nas Portarias Conjuntas PGFN/RFB n° 06/2009 e 03/2010, desistindo expressamente da discussão administrativa e judicial, reconhecendo, portanto, a legitimidade dos débitos apurados, salvo àqueles alcançados pelo instituto da decadência ou pertinentes aos servidores vinculados ao RPPS. Ressalta que a partir do Acordo em comento, ficou estabelecido o cancelamento de todos os autos de infração lavrados contra as entidades do Estado de Minas Gerais, como é o caso da Fundação, consoante item “f” de tal acordo. Dessa forma, requer seja conhecido e provido o presente recurso de maneira a determinar a devida adequação do débito em questão aos termos constantes do Acordo celebrado entre o Estado de Minas Geral, União Federal e INSS, ensejando a extinção do presente Auto de Infração, face à disposição das partes. Alternativamente, não acolhida sua pretensão em relação à extinção do feito, repisa os argumentos suscitados em sede de impugnação, refutando, ainda, todos os fundamentos dados pela h. Turma de Julgamento. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância, em defesa da manutenção do feito, o inconformismo da contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Com efeito, extraise dos autos do processo que a contribuinte fora autuada por deixar de arrecadar as contribuições previdenciárias devidas, mediante desconto das respectivas remunerações pagas ou creditadas aos servidores não efetivos detentores de função pública, designados ocupantes de cargo em comissão de recrutamento amplo, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, infringindo Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 os preceitos inscritos no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. De início, impende registrar que, ao contrário do que a contribuinte afirma, o presente débito não se encontra incluído no Parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009, como se constata da informação inscrita no Despacho de Encaminhamento, de fl. 185, o que na verdade determinou o conhecimento de sua peça recursal. Isto porque, restasse comprovada a inclusão do crédito previdenciário em questão em referido parcelamento, não se poderia cogitar no conhecimento do recurso voluntário da contribuinte, em razão da necessária desistência da discussão administrativa e judicial. Partindo dessas premissas, boa parte das razões recursais da contribuinte já cai por terra, uma vez fundadas na pretensa extinção do crédito previdenciário diante da suposta inclusão no Parcelamento Especial, o que não representa a realidade dos fatos, como a própria autoridade fazendária informa em Despacho de fl. 185. Remanesce, porém, a alegação da contribuinte de que no Acordo em comento, ficou estabelecido o cancelamento de todos os autos de infração lavrados contra as entidades do Estado de Minas Gerais, como é o caso da Fundação, consoante item “f” de tal acordo, argumento que, por outros fundamentos, merece acolhimento. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.003790/200928 Acórdão n.º 2401002.881 S2C4T1 Fl. 190 7 Destarte, estabelece a alínea “f” do referido Acordo (transcrita na peça recursal), in verbis: “F) Ficam cancelados os autos de infração lavrados pessoalmente contra os dirigentes de órgão e entidades do Estado de Minas Gerais (incluindo suas autarquias, fundações, o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e todos os Poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário), nos termos do Parecer PGFN/PG n° 1.796, de 21 de agosto de 2008, bem como entendimento predominante da jurisprudência judicial e administrativa.” (grifamos) Na hipótese vertente, o que torna digno de realce é que a autuação não fora lavrada em face do dirigente do Órgão Público, mas, sim, da própria Fundação, o que poderia nos levar a concluir pela procedência do feito. Entrementes, do exame da legislação que regulamenta a matéria, vigente à época da ocorrência do fato gerador da penalidade, mais precisamente quanto à responsabilização pela inobservância da obrigação acessória, artigo 41 da Lei nº 8.212/91, constatase que atribuía a responsabilidade pela obrigação tributária e, bem assim, pela exigência fiscal ao Dirigente do Órgão Público e não à empresa. Dessa forma, não se pode deslocar, de maneira retroativa, a penalidade/responsabilidade inscrita no dispositivo legal encimado, vinculada ao Dirigente do Órgão Público, para outro sujeito passivo (Empresa – Fundação) que não aquele determinado pela norma, ou seja, anteriormente à revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, em homenagem à irretroatividade maligna da norma legal, o que afasta de plano a legitimidade passiva da recorrente, no período objeto do lançamento. E, como o artigo 41 da Lei nº 8.212/91, esteio da legitimidade passiva do Dirigente do Órgão Público, fora revogado pela Lei nº 11.941/2009, igualmente, não se poderia responsabilizálo, consoante jurisprudência já firmada neste Colegiado, na linha, inclusive, que restou determinado pelo Acordo celebrado entre o Estado de Minas Geral, União Federal e INSS, suscitado pela contribuinte. A jurisprudência administrativa oferece guarida à pretensão da contribuinte, afastando a legitimidade passiva do ente público em período anterior à revogação do dispositivo legal encimado, conforme se depreende dos julgados abaixo ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2006 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido.” (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo nº Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 13502.001209/200928 – Acórdão nº 2402.002.792, Sessão de 20/06/2012) Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido.” .” (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo nº 10835.004576/200842 – Acórdão nº 2402.002.713, Sessão de 16/05/2012) Certamente por essa razão a autoridade lançadora achou por bem autuar a empresa (Fundação) e não o Dirigente, olvidandose, porém, que à época da ocorrência do fato gerador da multa, a empresa não era responsável pela inobservância de referida obrigação, não podendo passar a ser retroativamente, maculando, assim, a pretensão fiscal em face de sujeito estranho à norma legal quando da ocorrência do fato gerador. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, decretando a insubsistência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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