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Numero do processo: 10120.003828/2003-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS
Anos-calendário: 1998 a 2003
NORMAS PROCESSUAIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – EFEITOS Conforme entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, eis que a noção de faturamento para efeito de exigência das contribuições PIS/PASEP e COFINS não se confunde com a totalidade das receitas auferidas. Dessa forma, para as empresas comerciais e de prestação de serviços, o faturamento se restringe ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades, não alcançando receitas de natureza financeira. À luz do disposto no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, deve ser afastada a exigência de COFINS incidentes sobre receitas financeiras.
Numero da decisão: 9101-001.209
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Anoscalendário: 1998 a 2003 NORMAS PROCESSUAIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – EFEITOS Conforme entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, eis que a noção de faturamento para efeito de exigência das contribuições PIS/PASEP e COFINS não se confunde com a totalidade das receitas auferidas. Dessa forma, para as empresas comerciais e de prestação de serviços, o faturamento se restringe ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades, não alcançando receitas de natureza financeira. À luz do disposto no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, deve ser afastada a exigência de COFINS incidentes sobre receitas financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 980DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.003828/200368 Acórdão n.º 9101001.209 CSRFT1 Fl. 2 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 981DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.003828/200368 Acórdão n.º 9101001.209 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Inconformada com o Acórdão nº 10195.763, da antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial de Divergência. A decisão veiculada pelo Acórdão recorrido está vazada nos seguintes termos: (...) por unanimidade de votos, 1) CONHECER do recurso em relação aos itens 2 e 3 do Auto de Infração para DARlhe provimento; 2) declinar da competência em favor do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes em relação ao item 1 do Auto de Infração; 3) determinar que a repartição de origem adote as providências necessárias para transferir para outro processo o crédito tributário de que trata o item 1 do Auto de Infração e encaminhálo ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” O processo abrigou o lançamento da COFINS, em decorrência das seguintes matérias: 1) falta de recolhimento por diferenças apuradas entre os valores declarados em DCTF e a contabilidade da contribuinte; 2) receita escriturada sem observância do regime de escrituração; 3) omissão de receitas financeiras. O acórdão combatido cancelou as exigências dos itens 2 e 3 do auto de infração, entendendo inaplicável a Lei 9.718/98 para as receitas financeiras, tendo em vista decisão do plenário do excelso Supremo Tribunal Federal, no RE 390840MG, Relator o Ministro Marco Aurélio. A PFN alegou que a interpretação dada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho diverge da dada pela antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão 20311.431, cuja ementa expressa: "BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. LEI N° 9.718/98. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO. A definição de faturamento ou receita bruta para fins tributários, base de cálculo da COFINS e do PIS, após a Lei n" 9.718/98 equivale ao total dos valores da venda de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, somado às demais receitas, nestas incluídas as receitas financeiras" Fl. 982DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.003828/200368 Acórdão n.º 9101001.209 CSRFT1 Fl. 4 4 O Presidente da antiga Primeira Câmara negou seguimento ao recurso, porém o agravo apresentado pela Fazenda Nacional foi provido, tendo sido admitido o Especial. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.003828/200368 Acórdão n.º 9101001.209 CSRFT1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e a divergência de interpretações está demonstrada. Dele tomo conhecimento. Como se viu do Relatório, a Fazenda Nacional se insurge contra a decisão que afastou a incidência da COFINS sobre receitas financeiras, considerando inaplicável para as mesmas a Lei nº 9.718, de 1998, tendo em vista decisão do plenário do Excelso Supremo Tribunal Federal, no RE 390.840MG. No voto condutor do acórdão combatido, o insigne Relator, Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, com extrema lucidez ponderou que, não obstante não ser facultado ao Conselho declarar a inconstitucionalidade de lei regularmente editada... (...) não se constitui declaração de inconstitucionalidade a extensão de efeitos de decisão do Plenário do excelso Tribunal, por corresponder à última decisão que a matéria pode obter em qualquer instância. A extensão dos efeitos elimina o litígio, evitando custos desnecessários para as partes, notadamente para a Fazenda Nacional, que não sofrerá com qualquer ônus de sucumbência. A Procuradoria da Fazenda Nacional, contudo, invocando o art. 22A do Regimento Interno então em vigor, argumenta que somente é possível aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicabilidade de norma jurídica em função de inconstitucionalidade, caso exista decisão do Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade, ou Resolução do Senado Federal que suspender lei declarada inconstitucional em controle difuso, o que não ocorreu no caso concreto. Como argumento adicional, menciona que os fatos geradores do tributo ocorreram no período de 31/01/1999 a 31/12/2002, quando estavam vigorando medidas provisórias que alteraram a Lei n.° 9.718/99, entre elas a MP 1.807, de 28/1/1999 que foi republicada inúmeras vezes, e finalmente convertida na MP 2.15835, de 24/8/2001. Argumenta que as medidas provisórias foram editadas após a Emenda Constitucional n.° 20/98, incidiram sobre o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo instituída pela Lei n.° 9.718/98 (receita bruta prevista no art. 3º, §1º da Lei n.° 9.718/98), e que a nulidade da Lei nº 9.718/98, como afirmado pelo STF, não se comunica às Medidas Provisórias posteriores, editadas quando já estava em vigor a Emenda Constitucional nº 20/98. Não vejo como prosperarem os argumentos da Douta PFN. O Supremo Tribunal Federal não só declarou, em sua composição plena, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, como assentou expressamente que a Emenda Constitucional n. 20/98 não restaurou a sua constitucionalidade, conforme se pode Fl. 984DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.003828/200368 Acórdão n.º 9101001.209 CSRFT1 Fl. 6 6 verificar da ementa a seguir transcrita, do RE nº 346.084, de idêntico teor das ementas dos RE nº 357.950, 390.840 e nº 358.273, verbis: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019). O dispositivo regimental invocado pelo ilustre representante da Fazenda Nacional, por seu turno, encontrase superado pelo inciso I do Parágrafo Único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II – (...)” Pelas razões acima declinadas, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 985DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.003828/200368 Acórdão n.º 9101001.209 CSRFT1 Fl. 7 7 Sala das Sessões, em 17 17 de outubro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 986DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900232/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 30/09/2003
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/09/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 66 1 65 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.900232/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110100.600 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2011 Matéria DCOMP Pagamento indevido ou a maior CSLL Recorrente VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/09/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 67 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 68 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 37890.51028.070906.1.7.040143, na qual foi utilizado crédito de R$ 432,15, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 31/10/2003 e relativo à apuração de 30/09/2003. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 30/09/2003. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 69 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 70 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 71 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 72 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de CSLL inferior ao recolhimento de R$ 36.046,05, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 37890.51028.070906.1.7.040143. Embora tenha juntado à sua defesa cópia da apuração de outro período, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, de processada sob nº 127631, a apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 35.566,49. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 479,56, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 03222.02147.070906.1.7.048917 (processo administrativo nº 10245.900309/200929), pelo valor de R$ 47,41, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 432,15), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 35.566,49) e o valor principal recolhido (R$ 36.046,05). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 73 8 informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 74 9 Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 75 10 Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 76 11 § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 77 12 Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 78 13 Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 79 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 80 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 81 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900232/200997 Acórdão n.º 110100.600 S1C1T1 Fl. 82 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11330.000144/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2001
Ementa: DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000144/200725 Acórdão n.º 230102.426 S2C3T1 Fl. 281 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, além de diferença de acréscimos legais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 33), o crédito se refere à diferenças de contribuições patronais e de terceiros, e foi apurado com base no confronto entre valores declarados em GFIP e os valores devidamente recolhidos. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1214.668, da 15a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 242), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 256), alegando, em apertada síntese, nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, equívoco no valor apurado e ilegalidade e inconstitucionalidade de contribuição aos terceiros, ao SAT, e da taxa de juros e correção aplicada. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a notificada alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000144/200725 Acórdão n.º 230102.426 S2C3T1 Fl. 282 5 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Conforme informado pela autoridade lançadora, o débito se refere à diferença de contribuição, deixando claro que houve recolhimento de parte do tributo em todo o período do lançamento. A NFLD foi consolidada em 28/03/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 29/03/2007, conforme fl. 01. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Dessa forma, considerando que o débito se refere ao período compreendido entre 01/99 a 13/01, constatase que se operara a decadência do direito de constituição da totalidade do crédito lançado. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, por decadência. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.020058/2001-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS DECLARADAS NA DIPJ
A declaração das estimativas em DIPJ não afasta a imposição da sanção pecuniária isolada pelo descumprimento do dever de recolhimento dos referidos valores.
Numero da decisão: 1201-000.581
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Os conselheiros Rafael Correia Fuso, Régis Magalhães Soares de Queiroz e Claudemir Rodrigues Malaquias acompanharam o relator pelas conclusões.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS DECLARADAS NA DIPJ A declaração das estimativas em DIPJ não afasta a imposição da sanção pecuniária isolada pelo descumprimento do dever de recolhimento dos referidos valores.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Os conselheiros Rafael Correia Fuso, Régis Magalhães Soares de Queiroz e Claudemir Rodrigues Malaquias acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10480.020058/200167 Acórdão n.º 120100.581 S1C2T1 Fl. 197 2 Relatório O objeto da autuação é constituído exclusivamente pelo lançamento de multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL para os meses de 1997 a 2000. Na impugnação (fls. 130 a 137, a defesa reclama a improcedência da autuação por duas razões: (i) denúncia espontânea, uma vez que os valores estavam corretamente declarados em suas DIPJ’s e (ii) não se poder exigir multa isolada após o encerramento do ano calendário. A decisão recorrida (fls. 168 a 175) deu provimento parcial ao recurso ao reconhecer de ofício a retroatividade benigna da redução do patamar punitivo de 75% para 50% promovida pela MP nº 351/2007. Rejeitou, assim, os argumentos da reclamação inicial. Com relação à denúncia espontânea, aduziu que a apresentação da DIPJ não se qualifica na hipótese prevista no art. 138 do CTN; já com relação ao encerramento do anocalendário, a lei é expressa ao prever a punição inclusive no caso de apuração de prejuízo fiscal. No recurso voluntário (fls. 187 a 193), a defesa reiterou as mesmas razões apresentadas na peça impugnatória, mas destacou o argumento de que pagamentos, nos termos do próprio art. 138 do CTN, só são exigidos para fins de caracterizar a denúncia espontânea “se for o caso”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10480.020058/200167 Acórdão n.º 120100.581 S1C2T1 Fl. 198 3 É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Dessa forma, ainda que não subsista mais, após o encerramento do ano calendário, o dever de recolhimento de estimativas, a punição pelo descumprimento desse dever não é extinta. Com relação ao argumento da denúncia espontânea, o STJ considera que esse instituto não se aplica para todo e qualquer dever tributário, conforme podemos verificar pela jurisprudência baixo reproduzida: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. (REsp 1129202 / SP) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10480.020058/200167 Acórdão n.º 120100.581 S1C2T1 Fl. 199 4 O fundamento dessa jurisprudência esteiase justamente no fato de que, no caso de deveres acessórios autônomos, não há pagamento a se fazer e, portanto, não haveria como se caracterizar a espontaneidade, situação, portanto, análoga a presente. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 18471.002512/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
Ementa: SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL.
A sociedade cooperativa que realiza operações típicas dos atos cooperados, com amparo na legislação cooperativista, não sofrem a incidência do IRPJ, nos termos do art. 182 do RIR/99. A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88.
Numero da decisão: 1202-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL. A sociedade cooperativa que realiza operações típicas dos atos cooperados, com amparo na legislação cooperativista, não sofrem a incidência do IRPJ, nos termos do art. 182 do RIR/99. A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL. A sociedade cooperativa que realiza operações típicas dos atos cooperados, com amparo na legislação cooperativista, não sofrem a incidência do IRPJ, nos termos do art. 182 do RIR/99. A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 733DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 734 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Trata o processo da exigência do IRPJ e da CSLL de Sociedade Cooperativa, formalizada em Autos de Infração, relativos aos anos de 1998 à 2002, com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na Taxa Selic, o que totalizou o valor de R$ 214.765,27, fls. 39 e seguintes. De acordo com o relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 35 a 38, a autuação ocorreu porque o quadro de profissionais da interessada (Tecnocoop Serviços) presta serviços junto a terceiros, não associados e a contratação desses serviços ocorre por intermédio de um dos seus associados, a Cooperativa de Trabalho de Trabalho de Assistência Técnica a Equipamentos de Processamento de Dados Ltda (Tecnocoop Informática). Assim, a autoridade fiscal entendeu, que a autuada não teria direito à isenção fiscal, conforme se percebe na transcrição de parte do seu relatório: “Referido contribuinte para facilitar identificação chamado aqui Tecnocoop Serviços, foi criado por interesses da Cooperativa de Trabalho de Assistência Técnica a Equipamentos de Processamento de Dados Ltda (Tecnocoop Informática, para simplificar) e seus associados, conforme ata da reunião de 13 de junho de 1996, com os objetivos definidos no Estatuto Social também aprovado. Com a finalidade de alcançar seus objetivos, a Tecnocoop Informática contrata junto a terceiros, não associados, serviços que são executados pelo quadro técnico de profissionais associados a Tecnocoop Serviços. Deste modo, os serviços assim contratados são diretamente prestados pelos associados da Tecnocoop Serviços a usuário não associado, algumas das vezes lotados no cliente, ou seja, desempenhando atividades nas suas próprias instalações, nas várias localidades do país. Em face destas contratações, a Tecnocoop Informática promove sistematicamente repasses de recursos a Tecnocoop Serviços, os quais se destinam ao pagamento dos cooperados a título de remuneração dos serviços executados e das demais despesas. Os recursos destinados a citados pagamentos são contabilizados a titulo de adiantamento, em contrapartida de conta corrente mantida entre as partes, sendo o citado adiantamento posteriormente lançado como receita de serviços prestados. O procedimento adotado nas operações realizadas pela cooperativa não satisfaz aos requisitos do principio cooperativista. Isto porque, sendo a Tecnocoop Serviços uma cooperativa classificada na modalidade de Cooperativa Singular (mínimo de 20 associados), o ato cooperativo se caracteriza pela prestação direta dos serviços aos associados, como assim define o art. 7o. da Lei 5.764/71. Por conseguinte, não tendo sido os tomadores dos serviços contratados pela Tecnocoop Informática qualificados como cooperados ou associados das cooperativas envolvidas nas operações realizadas, temse a considerar a Fl. 734DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 735 3 convicção formada de que os requisitos básicos do ato cooperativo não foram satisfeitos.” (grifei) Ao considerar todo o resultado do exercício apurado como tributável, a Autoridade Fiscal procedeu a glosa, na apuração do Lucro Real e na base de cálculo da CSLL, dos valores excluídos no LALUR a título de “Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas”, fls. 76 e seguintes. Em seguida, por bem resumir a impugnação apresentada, passo a adotar o relatório do Acórdão nº 1214.044 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 415 a 428, o qual transcrevo na parte que mais interessa: “5 Irresignado, o interessado apresenta, às fls.99/142 e 257/298, a impugnação aos lançamentos. 6 Diz que é sociedade cooperativa, constituída em conformidade com a Lei n° 5.764/1971, sem fins lucrativos, atuando nas "áreas de assistência técnica de equipamentos eletroeletrônicos e de informática, projeto e implementação de redes de computadores, desenvolvimento, produção e manutenção de sistemas de programas de computadores, entre outras". [...] 8 Alega que celebrou contrato com a Cooperativa de Trabalho de Assistência Técnica e Equipamentos de Processamento de Dados Ltda, para a prestação de serviços, onde se vê que uma das cooperativas está angariando tomadores de serviços e outra se beneficiando com os cooperados. 9 Mude que o ato cooperativo não é operação de mercado, e que o seu produto não é faturamento ou receita, mas "quando o faz pretende beneficiar exclusivamente seu cooperado, não havendo que se exigir tributos dela, como se agisse como sociedade comercial", aspecto que, segundo o interessado, o autuante ignorou, já que o fato de firmar contratos com terceiros não desnatura a relação entre duas cooperativas, em que cooperados da primeira prestam serviços à segunda, nos moldes do art. 79 da Lei n 5.671/1974. [...] 11 Aduz que não é a cooperativa que está prestando serviços à outra cooperativa, mas, os próprios cooperados, enquanto trabalhadores autônomos, e que, sendo assim, não se pode impor tributação sobre numerários que beneficiam os cooperados e não as cooperativas, porquanto o único numerário que permanece na cooperativa são as taxas de administração arcadas pelo cooperado, e que não podem sofrer imposição de 1RPJ porque são atos cooperativos, cobertos pela isenção prevista no art. 111 da Lei n 5.764/1971. 12 Observa que, nos termos de seu balanço patrimonial, no que chama momentos 1 a 3 de suas atividades, presta serviços a seus cooperados, buscando aproximálos do mercado de trabalho, firmando contratos, acordos e ajustes em nome deles, que prestarão o serviço contratado, conforme art.2°, § 2°, inciso IV de seu Estatuto e cláusula 2.2.do contrato firmado entre a Cooperativa e a tomadora de serviços. 13 Nos momentos 4 e 5, afirma que recebe da tomadora de serviços os rendimentos dos serviços prestados e os repassa aos cooperados, descontando a taxa de administração prevista no art. 80 da Lei 5.761/1974 (diz que, na Demonstração Fl. 735DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 736 4 do Resultado do Exercício de 2002, o item Receita para a Transferência da Produção — R$ 17.053.58,79 representa os valores que foram pagos pela tomadora, enquanto que o item Receita Liquida de Serviços — R$ 17.343.133,29 são os repassados aos cooperados). [...] 15 Diz que se trata de relação que envolve duas cooperativas em atos cooperativos, que não têm finalidade lucrativa e não são operações de mercado, nos exatos moldes do art. 79 da Lei n°5.764/1971, razão por que não se pode cogitar a incidência do Imposto de Renda, que exige a incidência de lucro, nem da CSLL, "onde não há fato gerador que dê ensejo ao nascimento da relação jurídico tributária". 16 Afirma que o que obtém são sobras, cujo conceito não se confunde com o de lucro, conquanto sobra é a devolução para o cooperado do valor pago para a obtenção de recursos, o que não caracteriza acréscimo patrimonial aos associados da cooperativa, enquanto que lucro é resultado positivo. [...] 20 Alega que o STJ vem decidindo que não estão sujeitos à tributação os resultados obtidos na prática de atos cooperativos, e que todas as operações realizadas pela cooperativa como longa manus dos cooperados, inerentes ao objeto social, estão inseridas no conceito de ato cooperativo, impossibilitando a incidência de IRPJ em tais operações. 21 Afirma que o art.44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, é inconstitucional, porque a multa de 75% é um verdadeiro abuso. Ofende a propriedade, tem caráter confiscatório e lesa o contribuinte, além de exceder em muito a proporcionalidade do que caberia para atender ao interesse público, razão por que deve ser diminuída, para se adequar à Constituição Federal. 22 Diz que a taxa Selic viola: o princípio da indelegabilidade tributária, porque é determinada pelo Banco Central; o da segurança jurídica, porque está vinculada a acontecimentos e a fatos econômicos nacionais e mundiais, e o da anterioridade (conforme voto do Ministro Relator Franciulli Netto, nos autos do Recurso Especial 215.881). [...] “ Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1214.044 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 415 a 428, com o seguinte ementário: INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC O exame da constitucionalidade das leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário. COOPERATIVAS INCIDÊNCIA CARÁTER OBJETIVO. Os atos que não se enquadram na definição legal de ato cooperativo estão sujeitos à incidência de IRPJ. CONTRIBUINTE. COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas sujeitamse à incidência de CSLL. MULTA DE OFICIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Fl. 736DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 737 5 A alegação de ofensa ao principio da vedação de confisco referese apenas a tributos. MULTA DE OFICIO. SETENTA E CINCO POR CENTO Decorre de mandamento expresso de lei a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) em caso de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os impostos e as contribuições sociais não pagos até o vencimento serão acrescidos de juros de mora, equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido, podem ser assim resumidos, conforme transcrição que segue: “33 Não obstante isso, a citada Lei n° 5.764, de 1971, também permite às cooperativas a prestação de serviços a nãoassociados, senão vejamos: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com apresente lei. 34 E é a própria citada Lei n° 5.764, de 1971, determina que os resultados do fornecimento de bens e serviços a nãoassociados, de que trata o acima transcrito art.86, sejam contabilizados em separado, de sorte a serem oferecidos à incidência de tributos, verbis: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. 35 Com igual dicção, o art.183 do RIR/1999 enumera, exemplificativamente, os resultados positivos que a cooperativa deve oferecer à tributação, entre eles, "o fornecimento de bens ou serviços a nãoassociados para atender aos objetivos sociais da cooperativa": Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como:(..) II — de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais. 36 Temse, então, que, nos estritos termos da lei, o fornecimento de bens ou serviços a nãoassociados não se inclui na definição legal de ato cooperativo, ou seja, é ato nãocooperativo. 37 No caso, o interessado não contesta que seus serviços são prestados a não associados. Fl. 737DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 738 6 38 Ora, na forma da retrotranscrita legislação, o fornecimento de serviços a nãoassociados, ainda que para atender aos objetivos sociais da cooperativa, não configura ato cooperativo, e, como tal, a receita dele decorrente deve ser normalmente oferecida à tributação (em que pese a existência de decisões judiciais em sentido diverso (porque só produzem efeito entre as partes), como é o caso das sobras apuradas em operações de caráter não cooperativo. 39 Dessa forma, o lançamento do IRPJ deve ser mantido. [...] 46 Não tendo, a Lei n.° 7.689, de 1988, eleito nenhum tipo especial de pessoa jurídica, de sorte a excluílo do campo de incidência da CSLL, temse que a cooperativa, na condição de pessoa jurídica, está dentre aquelas abrangidas pelo campo de incidência da Contribuição Social a que se refere o parágrafo 4° acima reproduzido. [...] 66 Assim, não se incluindo na competência da autoridade julgadora administrativa o exame da constitucionalidade da lei em que se embasa a exigência de juros à taxa Selic (taxa que, aliás, tem, entre seus méritos, o de desestimular a inadimplência fiscal planejada, observo), não há nenhum reparo a ser feito no lançamento, também relativamente à taxa de juros utilizada, cujo afastamento ou reforma, solicitado pelo interessado, não encontra amparo legal. [...] 73 Assim, imputado ao interessado a falta de pagamento e recolhimento, a multa de 75% (setenta cinco por cento) exigida está nos estritos termos da lei, razão por que não pode ser afastada. [...]” Em sua peça recursal, de fls. 457 a 489, a recorrente praticamente repisa os mesmos argumentos trazidos com a impugnação. Em preliminar, contudo, alega a ocorrência da decadência aos lançamentos da CSLL relativo aos fatos geradores de 31/03/1998, 30/06/1998 e 30/09/1998, posto que a ciência do lançamento ocorreu em 11/11/2003 (sic)(na verdade em 28/10/2003), invocando a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, pela ocorrência de pagamentos antecipados da CSLL. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo diz respeito em esclarecer se as atividades desenvolvidas pela autuada são considerados atos cooperativos e, portanto, fazendo jus à isenção/não incidência tributária. De acordo com o Estatuto Social, o objeto social da autuada está assim delimitado, fls. 162: Fl. 738DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 739 7 “DO OBJETO SOCIAL. Art. 2o. A Cooperativa com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus Associados, todos autônomos e prestadores de serviços em caráter eventual, tem por objetivo desenvolver atividades diversas, incluindo funções administrativas, técnicas, operacionais e comerciais, dos profissionais ligados direta ou indiretamente no segmento de informática, que se disponham a contribuir com sua atividade, para fins econômicos, de proveito comum à totalidade dos sócios, sem fins lucrativos, nas seguintes áreas: a) Assistência técnica de equipamentos eletroeletrônicos e de informática; b) Projeto e implementação de redes de computadores; c) Desenvolvimento, produção e manutenção de sistemas de programas de computadores; d) Representação e comercialização de produtos e serviços; e) Treinamento (cursos, palestras e seminários); f) Consultoria, assessoria e auditoria (organizacional, administrativa, financeira, jurídica, cooperativista); g) Apoio técnico, administrativo, contábil, fiscal, jurídico e cooperativista; h) Planejamento empresarial e de marketing; i) Preparo, digitação e conferência de documentos. § lo. Para o cumprimento de seus objetivos,deverá: , I Fornecer condições de trabalho adequadas para seus Associados; [...] § 2o. Poderá ainda, a Cooperativa: [...] III Associarse a outras Cooperativas e Empresas não Cooperativas dentro do limite da Lei; IV Firmar contratos, acordos, ajustes e convênios, em nome de seus Associados, para execução dos serviços com pessoas jurídicas de direito público ou privado.” (grifei) Já por ocasião da Ata da Assembléia de Constituição da cooperativa ora autuada, realizada em 13/06/1996, verificase que um dos seus associados é a Tecnocoop Informática Cooperativa de Trabalho de Assistência Técnica a Equipamentos de Processamento de Dados Ltda., com inscrição no CGC/MF nº 28.194.652/000123, fls. 157. Por seu turno, a Tecnocoop Informática e a Tecnocoop Serviços, ora autuada, celebraram, em 27/04/1999, “Contrato de Associação Cooperativa”, com o seguinte objeto, fls. 201: “CLÁUSULA PRIMEIRA: OBJETO Fl. 739DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 740 8 1.1. Realização de ato cooperativo, inerente à prestação de serviços nas áreas constantes no artigo 20 (DO OBJETO SOCIAL) do Estatuto Social, da Tecnocoop Informática Serviços. 1.2. Os serviços relativos ao objeto deste Contrato serão executados pela Tecnocoop Informática Serviços, em associação com a Tecnocoop Informática, através de seus Profissionais Cooperados, constituindo "ato cooperativo" conforme definido na Lei 5764/71 e Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000 de 26/03/99 Artigos 182e 183. 1.3. A Tecnocoop Informática Serviços, neste ato, concede à Tecnocoop Informática, os poderes para contratar seus serviços, também em nome dos Cooperados, substabelecendo os poderes que lhe foram estatutariamente outorgados.” Da leitura das disposições acima transcritas, podese perfeitamente depreender que a finalidade da Tecnocoop Informática, que se intitula cooperada da Tecnocoop Serviços, tem por finalidade angariar clientes no mercado para esta última, cujo objeto é a colocação à disposição dos seus cooperados, profissionais técnicos habilitados em informática, a possibilidade de prestar serviços contratados pela primeira. A fiscalização entendeu que essa sistemática de funcionamento descaracterizaria as operações como sendo típicas de “ato cooperativo”, portanto sujeitas à tributação, segundo relata em seu Termo de Verificação: “Com a finalidade de alcançar seus objetivos, a Tecnocoop Informática contrata junto a terceiros, não associados, serviços que são executados pelo quadro técnico de profissionais associados a Tecnocoop Serviços. Deste modo, os serviços assim contratados são diretamente prestados pelos associados da Tecnocoop Serviços a usuário não associado, (...).Por conseguinte, não tendo sido os tomadores dos serviços contratados pela Tecnocoop Informática qualificados como cooperados ou associados das cooperativas envolvidas nas operações realizadas, temse a considerar a convicção formada de que os requisitos básicos do ato cooperativo não foram satisfeitos.” Já o Acórdão recorrido corrobora esse entendimento, ao fundamentar o seu voto no sentido de que ocorre, no presente caso, o fornecimento de serviços a nãoassociados, não se incluindo na definição legal de ato cooperativo, portanto, sujeito à tributação. Vejamos a legislação que trata da matéria. O art. 182 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim estabelece em seu art. 182, verbis: Art. 182 As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. A legislação específica, à qual se refere o art. 182 acima transcrito, é a Lei n° 5 764, de 16 de dezembro de 1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo, e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. O citado diploma legal determina que as cooperativas são constituídas com a finalidade de prestarem serviços a seus associados, nos termos do seu art. 4º: Fl. 740DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 741 9 Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características. I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; (...) A definição de “ato cooperativo” consta do seu art. 79, verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Conforme redação do art. 79 acima transcrito, depreendese que o “ato cooperativo” é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados e pelas cooperativas entre si. Já o acórdão recorrido fundamentou sua decisão nos arts.86 e 87 da citada Lei n° 5.764, de 1971, a qual determina que os resultados do fornecimento de bens e serviços “a nãoassociados” sejam contabilizados em separado, de maneira a serem oferecidos à incidência dos tributos: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com apresente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Creio que essa não é a melhor interpretação a ser dada aos citados arts. 86 e 87. A recorrente é cooperativa de trabalho que presta serviços profissionais predominantemente de informática, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, obedecendo aos princípios das sociedades cooperativas, destacandose o fornecimento de condições adequadas de trabalho aos seus associados, profissionais com habilitação na prestação de serviços de informática, e a ausência de finalidade de lucro. O Estatuto Social da Tecnocoop Serviços prevê expressamente a possibilidade de ser exercida atividade negocial externa, (art. 2º, § 2o, IV), viabilizada pela contratação dos serviços que presta com pessoas jurídicas públicas e privadas. Fl. 741DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 742 10 Os contratos celebrados com essas terceiras pessoas são contratos externos, realizados no mercado, como meio de oferecer aos associados oportunidade de trabalho e aprimoramento profissional sendolhe, ainda, permitido a associação com outras cooperativas (Estatuto Social, art. 2º, § 2o, III). Assim, é da essência da consecução dos seus objetivos sociais a prestação de serviços a terceiros, pessoas jurídicas públicas ou privadas, serviços esses que serão executados pelos seus associados. Portanto, as pessoas que se associam em cooperativa, o fazem de modo a que estas prestem serviços aos seus associados, viabilizando a consecução do seu objeto social, nos exatos termos do art. 4º da Lei nº 5.764, de 1971. A prestação dos serviços a terceiros não cooperados, em tese, sempre irá ocorrer, tendo em vista a necessidade de se angariar recursos financeiros para cobrir os dispêndios da sociedade cooperativa na remuneração dos serviços colocados à disposição pelos seus associados/cooperados. Walmor Franke, em sua conceituada obra Direito das Sociedades Cooperativas, Ed. Saraiva, São Paulo, 1973, p. 12 e 24, assim se manifesta: “O que é, certamente, essencial ao conceito de cooperativa é que esta promova a defesa e melhoria da situação econômica dos cooperados, quer obtendo, para eles, ao mais baixo custo, bens e prestações de que necessitam, quer colocando, no mercado, a preços justos, bens e prestações por eles produzidos”. [...] “O negócio interno (negóciofim), comumente, só pode realizarse em benefício do cooperado se precedido ou sucedido de um negócio externo, ou de mercado, denominado ‘negócio com terceiros’ ou ‘negócio meio”. (destaquei) Como se percebe é natural que a cooperativa celebre negócios externos, de mercado, com terceiros não cooperados, disponibilizando os bens e serviços por eles produzidos. Dessa forma, creio que equivocouse o acórdão recorrido na interpretação dada aos arts. 86 e 87 da Lei nº 5.764, de 1971, ao entender que a celebração de contratos externos pela cooperativa, caracterizaria operações com “não associados” e, portanto, sujeitos à tributação. Na verdade, a melhor interpretação que se dá aos dois dispositivos legais é que a Sociedade Cooperativa, para a consecução de seu objeto social, pode obter a ajuda/complemento de pessoas não cooperadas, sem que com isso se descaracterize a sua natureza jurídica. Nessa hipótese, os resultados advindos da participação desses não cooperados devem ser contabilizados em separado, de modo a permitir o cálculo para a incidência dos tributos devidos. Com efeito, não há notícias nos autos de que existam terceiras pessoas, não cooperadas, prestando serviços com a finalidade do cumprimento do objeto previsto no Estatuto Social da autuada. Conforme mencionado em item anterior deste voto, a própria Tecnocoop Informática, que angaria e contrata os clientes para que os serviços possam ser prestados pelos associados, também é uma associada, nos termos do seu Estatuto e do próprio art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, tendo como finalidade o atendimento do seu objetivo social. Em vista do exposto, entendo que as operações realizadas pela autuada encontram amparo na legislação cooperativista, caracterizandose pela realização de “atos cooperativos”, sem a incidência do IRPJ, nos termos do art. 182 do RIR/99. Fl. 742DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 743 11 Definido que as atividades desenvolvidas pela autuada revestemse das características dos “atos cooperativos”, passemos ao exame da incidência da CSLL. Inicialmente, cabível a transcrição do art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, norma legal que criou a CSLL na forma prevista no art. 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. De acordo com os dispositivos transcritos, verificase que a hipótese de incidência da CSLL é a existência de “lucro”, apurado de acordo com o resultado do exercício da pessoa jurídica. Já as sociedades cooperativas foram disciplinadas pela Lei nº 5.764, de 1971, estatuto legal que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico dessas sociedades. O legislador, à época da edição da lei, quis dar um tratamento especial a esse tipo de sociedade, com regramento próprio e distinto das demais pessoas jurídicas. Para melhor análise, passo à transcrição dos 3º, 4º e art. 79, parágrafo único, da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que recíprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro." Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; (...) Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (negritei) Fl. 743DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 744 12 Os arts. 3º e 4º da Lei nº 5.764, de 1971, estipulam claramente algumas diferenciações em relação às demais sociedades empresariais, podendose destacar que as sociedades cooperativas têm “natureza civil” e devem atuar “sem objetivo de lucro”. Por esse motivo, os dispositivos da referida lei tratam os possíveis resultados obtidos como “sobras”, não se referindo, em nenhum momento, no auferimento de “lucros”. Além disso, o “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, como explicitado no próprio art. 79, parágrafo único da lei das cooperativas, o que afasta o caráter mercantil presente nas sociedades em geral. Assim, da leitura das normas legais que regem as sociedades cooperativas depreendese que os resultados obtidos por essas sociedades, em razão dos atos cooperativos, são denominadas “sobras”, com destinação própria definidas na lei, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, que exige a ocorrência de “lucro”, termo de conteúdo diverso e bem definido em nosso ordenamento jurídico, que se relaciona à atividade mercantil. Essa matéria também encontrase pacificada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos acórdãos CSRF/0105.674, sessão de 11/06/2007, e CSRF/0105.874, sessão de 23/06/2008, dentre outros, assim ementados: Acórdão CSRF/0105.674: CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA — A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2º da Lei n° 7.689/88, c/c os arts. 79 e III da Lei nº 5.764/71. Acórdão CSRF/0105.874 CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Dessa forma, por se tratar de resultados originados de receitas relativos a “atos cooperativos”, é de se reconhecer a inaplicabilidade da incidência da CSLL exigida no Auto de Infração. Face ao decidido, fica prejudicado o exame da preliminar de decadência. Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 744DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.002512/200381 Acórdão n.º 1202000.647 S1C2T2 Fl. 745 13 Fl. 745DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 19515.004494/2003-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
PIS – LANÇAMENTO – MOTIVAÇÃO Afastado pelo Conselho de
Contribuintes o motivo que deu ensejo à cassação da imunidade do
contribuinte, eventual exigência tributária exigida com base em tal ato deve ser afastada.
Numero da decisão: 1301-000.715
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004494/200381 Acórdão n.º 1301000.715 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Contra Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo foi lavrado, em 24/11/2003, Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, alcançando fatos geradores ocorridos no período de 31/01/1998 a 31/12/2002. Conforme consta do Termo de Verificação (fls. 394/395), a exigência decorreu da suspensão de imunidade fiscal da entidade, materializada no Ato Declaratório Executivo n° 12 Defic/Spo, de 15/01/2003 (Processo n° 19515.002021/2003 49). Como corolário da suspensão de imunidade, apontou a autoridade fiscal que o Liceu ficou sujeito ao recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS à alíquota de 0,65% incidente sobre o seu faturamento mensal, consoante a legislação aplicável a matéria. A suspensão da imunidade (Processo n° 19515.002021/2003 49), foi julgada improcedente pelo Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 10194.827, de 27 de janeiro de 2005, assim ementado: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA — INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS — A Constituição Federal e o Código Tributário Nacional ao conferirem imunidade aos bens, serviços e rendas, das instituições de educação e assistência social supõem, necessariamente, que elas as aufiram das vendas de bens e serviços. Entretanto, para dar guarida à imunidade tributária, mister se faz que a entidade destine o patrimônio adquirido, a renda e os proventos auferidos na vendas de bens e prestação de serviços aos seus fins institucionais, sem qualquer distribuição dos superávits apurados aos seus associados ou administradores. IRPJ e CSLL — RESTABELECIMENTO DA IMUNIDADE — Restabelecida a imunidade do Recorrente, impõese o cancelamento dos Autos de Infração procedido com base no ato que a suspendeu. Recurso provido. Considerando a decisão acima, no processo que suspende a imunidade, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo cancelou o auto de infração do PIS, recorrendo de ofício ao CARF. É o relatório. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004494/200381 Acórdão n.º 1301000.715 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O valor do crédito exonerado supera o limite de alçada, sujeitando a decisão à revisão necessária. Dele tomo conhecimento. A decisão recorrida não merece censura, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos. De fato, o lançamento relativo ao PIS teve por motivação a suspensão da imunidade. É que esse fato altera não só a base de cálculo, mas também a alíquota que servem de base à apuração do valor da contribuição. Como consignou o Termo de Verificação Fiscal, com a suspensão da imunidade a entidade deixaria de contribuir com 1% sobre a Folha de Salários, ficando sujeita ao recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à alíquota de 0,65% incidente sobre o seu faturamento mensal, consoante a legislação aplicável a matéria. O voto condutor do acórdão recorrido chama atenção para o fato de que a contribuição ao PIS estava sendo recolhida pela interessada mediante a aplicação de 1% sobre a Folha de Salários, e que a Autoridade Fiscal autuante, aponta nas Planilhas de fls. 396/398, os valores da Contribuição para o PIS recolhidos/declarados pela autuada. Em seguida, detevese em analisar se a entidade reunia as condições para contribuir com base na folha de salários, tendo destacado que, não obstante não se tratar de imunidade, a análise dessas condições deve ser feitas, também, a partir das condições para o gozo da imunidade. Vejase: Embora, como já consignado anteriormente, não se trate o caso de "imunidade" em relação à contribuição para o PIS, o enquadramento da forma de apuração da contribuição (de 1% sobre a Folha de Salários) passa pela análise do gozo da imunidade prevista no artigo 150, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, por força da remissão da legislação de regência ao artigo 12 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, que trata justamente das condições para o gozo da imunidade. 8.1. Neste ponto, cabe observar que a suspensão da imunidade fiscal da entidade, materializada no Ato Declaratório Executivo n° 12 Defic/Spo, de 15/01/2003, acarretou, sim, alteração na forma de apuração da contribuição para o PIS, de 1% sobre a Folha de Salários para 0,65% de seu Faturamento/Receita Bruta, conforme assinalado pela autuante nos documentos que compõem o auto de infração. E concluiu, afinal: 9.3 Com efeito, com a decisão de segunda instância restou afastado o motivo que deu ensejo à conclusão de que a contribuição para o PIS deveria ser calculada sobre o faturamento (0,65%), ao invés de ser calculada sobre a folha de salários (1%), qual seja: a suspensão da imunidade fiscal da Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004494/200381 Acórdão n.º 1301000.715 S1C3T1 Fl. 4 4 entidade, materializada no Ato Declaratório Executivo nº 12 Defic/Spo de 15/01/2003. 9.4. Em sendo assim, entendo que o lançamento impugnado deve ser considerado improcedente, frente ao Acórdão n° 10194.827, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Sessão de 27/01/2005). Nesse passo, entendo que não merece qualquer reparo ao bem fundamentado voto da julgadora Silvia Helena Stefani Bismara Antico. Isto posto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 19 19 de outubro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11444.000175/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA.
Válido o auto de infração lavrado na repartição se o autuante dispunha dos elementos necessários ao lançamento, sendo a competência de lançamento da autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal, e não da Agência local.
NULIDADE.
Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL.
Tratando-se de receita proveniente de intermediação de negócios aplica-se o percentual de 32%, acrescido de 20% por ter sido arbitrado o lucro.
IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
MULTA QUALIFICADA.
A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadir-se do pagamento dos tributos devidos.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Súmula 2 do CARF
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. Súmula 4 do CARF.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e André Almeida Blanco, que reduziam a multa de ofício de 150% ao patamar de 75%. Designado o
conselheiro Marcelo Cuba Netto para a redação do voto vencedor.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA. Válido o auto de infração lavrado na repartição se o autuante dispunha dos elementos necessários ao lançamento, sendo a competência de lançamento da autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal, e não da Agência local. NULIDADE. Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. Tratando-se de receita proveniente de intermediação de negócios aplica-se o percentual de 32%, acrescido de 20% por ter sido arbitrado o lucro. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. MULTA QUALIFICADA. A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadir-se do pagamento dos tributos devidos. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Súmula 2 do CARF JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula 4 do CARF. Recurso conhecido e não provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA. Válido o auto de infração lavrado na repartição se o autuante dispunha dos elementos necessários ao lançamento, sendo a competência de lançamento da autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal, e não da Agência local. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. Tratandose de receita proveniente de intermediação de negócios aplicase o percentual de 32%, acrescido de 20% por ter sido arbitrado o lucro. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 737 2 As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. MULTA QUALIFICADA. A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Súmula 2 do CARF JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula 4 do CARF. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e André Almeida Blanco, que reduziam a multa de ofício de 150% ao patamar de 75%. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para a redação do voto vencedor. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Marcelo Cuba Netto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 738 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 26/02/2010, em que cobra IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sob a sistemática do arbitramento do lucro, em razão do contribuinte ter deixado de apresentar: Diário e Razão ou Livro Caixa com escrituração do período de 01/01/2005 31/12/2007; Notas Fiscais de Saída e Notas Fiscais de Prestação de Serviços referente ao período de 01/01/2005 a 31/12/2007; Livros fiscais em conformidade com o regime de tributação (Registros de Entradas, Saídas, Apuração do ICMS, Prestação de Serviços, Inventário, Utilização de Documentos e Termos de Ocorrência) com escrituração do período de 01/01/2005 a 31/12/2007. Vejamos com detalhes os tributos e multas aplicadas pela fiscalização: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 2 a 28. Imposto: R$ 62.643,38 Juros de mora: R$ 22.037,61 Multa Proporcional: R$ 61.290,71 Total: R$ 145.971,70 Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, arts. 146, I, 147, I, 218, 219, 220, 224, 516, § 4°, 518, 519, § 1°, III, "b", § 4° e § 6°, 530, I e III, 532, 537, 538, 540, 541, 836, 841, IV e VI, 856 e 904; Lei n° 8.981, de 1995, arts. 31 e 47, III; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 3° e 24; Lei n° 9.250, de 1995, art. 40; Lei n° 9.311, de 1996, art. 11, § 2°; Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 1°, 5° e 27, I, 42; Lei n° 9.716, de 1998, art. 5°, parágrafo único; Instrução Normativa (IN) SRF n° 152, de 1998. 2 Contribuição para o PIS fls. 29 a 52. Contribuição: R$ 21.357,65 Juros de mora: R$ 7.889,08v Multa Proporcional: R$ 18.475,26 Total: R$ 47.721,99 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 739 4 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) n° 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1° e 3°, "b"; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Lei n° 9.311, de 1996, art. 11, § 2°; Lei n° 9.430, de 1996, art. 42; Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2°, I, 8°, I, 9°, 10 e 11; Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2° e 3°; Medida Provisória (MP) n° 2.15833, de 2001, art.18, e reedições; Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 1°, 2°, I, a e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51, 74, 82, I, 91, 92 e 93; Lei n° 10.637, de 2002, art. 8°, II. 3 Contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) fls. 53 a 74: Contribuição: R$ 44.718,12 Juros de mora: R$ 15.815,24 Multa Proporcional: R$ 44.544,83 Total: R$ 105.078,19 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 1°, 2° e §§, 4° e 6°, caput e parágrafo único; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 57; Lei n° 9.311, de 1996, art.11, §2°; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 28, 29 e 42; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37; Lei n° 9.249, de 1995, art. 20, com a redação dada pela Lei n° 10.684, de 2003, art. 22. 4 Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) fls. 75 a 98. Contribuição: R$ 98.602,57 Juros de mora: R$ 36.427,54 Multa Proporcional: R$ 85.3.13;97 Total: R$ 220.344,08 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2 °, 3° e 8°; Medida Provisória (MP) n° 2.15833, de 2001, art.18, e reedições; Lei n° 9.311, de 1996, art.11, §2°; Lei n° 9.430, de 1996, art. 42; Decreto n°4.524, de 2002, arts. 1°, 2°, II, parágrafo único, 30, 10, 22, 51, 74, 82, I, 91, 92 e 93; Lei n° 10.833, de 2003, art. 10, II. A origem da fiscalização se deu em análise de movimentação financeira da contribuinte, conforme exposto abaixo: Fl. 852DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 740 5 Consta no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que nos anoscalendário de 2005 a 2007, o sujeito passivo declarou através da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (fls. 118 a 146), utilizando como forma de tributação o lucro presumido, receitas no valor de R$ 57.964,59, porém sua movimentação financeira informada pelo Banco ABN AMRO REAL S/A, atingiu o valor de R$ 3.529.225,70. Consta também que o sujeito passivo foi beneficiário, nestes anos, de receitas/rendimentos relativos a serviços prestados e/ou outros rendimentos, declaradas por pessoas jurídicas, através da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF (fls. 220 a 228) no valor de R$ 556.922,56. Seguem ainda as transcrições do trabalho fiscal: Em 03/03/2009, sujeito passivo, através de correspondência protocolada na Agência da Receita Federal am Assis, apresentou cópia do Contrato Social e da 1ª alteração contratual (fls. 235 a 243). Em 16/03/2009, protocolou correspondência com cópias dos extratos bancários do Banco ABN AMRO REAL S/A, dos anos de 2005 a 2007, que por ser idêntico ao apresentado pela instituição financeira, será devolvido ao sujeito passivo (ver item 2.3). Não tendo sido apresentado o extrato bancário dentro do prazo concedido, foi emitido em 09/03/2009, portanto, antes da entrega do extrato pelo sujeito passivo, Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF – ao Banco ABN AMRO REAL S/A (fls. 244 a 249), que apresentou os extrato e os dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo (fls. 250 a 359). Na correspondência datada de 16/03/2009 cf fls. 360 a 363), além da apresentação dos extratos bancários, a pessoa jurídica argumenta que a movimentação bancária "não se trata de receitas" pois as "vendas de nossos produtos (carros) am sua maioria efetuadas em consignação ou seja, os veículos não são de nossa propriedade. Eles são financiados, entre nossos clientes e a instituição financeira, e que a cada operação o dinheiro passa necessariamente por nossa contacorrente e de imediato oi repassado a instituição financeira, permanecendo em nossa conta apenas a comissão pela intermediação do negocio que VV.SS. poderá confirmar analisando a cópia dos extratos cujo saldo em 30 de cada mês é compatível a denúncia feita através da DIRF". Tal argumentação não prospera diante da falta de comprovação através da escrituração contábil e dos livros e documentos fiscais, e sem sustentação conforme demonstrado no item 2 do Termo de Intimação e Cientificação Fiscal, de 22/05/2009 (fls. 432 a 455). A análise dos extratos bancários, revelou que, após a exclusão dos créditos decorrentes de devolução de TED e de cheques, no total de R$ 46.993,16, foram creditados e/ou depositados nas mesmas recursos no montante de R$ 905.213,15, no ano Fl. 853DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 741 6 calendário 2005, R$ 1.066.466,93, no anocalendário 2006 e R$ 1.460.644,33, no anocalendário 2007 (demonstrativo das fls. 437 a 453), montante esses muito superiores as receitas declaradas pelo sujeito passivo à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por intermédio das respectivas DIPJ's (fls. 118 a 146), no valor de R$ 14.616,50, 11.648,00 e 31.700,09 respectivamente para os anoscalendários de 2005, 2006 e 2007. Intimada a comprovar, através do citado Termo de Intimação e de Cientificação Fiscal, de 22/05/2009, (fls. 432 a 455), por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos bancários, não houve manifestação por parte do sujeito passivo. Também intimada a apresentar pelo citado Termo de Intimação e de Cientificação Fiscal as cópias dos contratos que embasaram os créditos bancários efetuados à título de "LIBERAÇÃO FINANCIAMENTO" dos extratos bancários, não houve apresentação de qualquer documento ou esclarecimento por parte do sujeito passivo. Em relação à natureza da operação, as financeiras informaram tratarse de pagamentos de comissões pela intermediação no financiamento de veículos, exceção dos seguintes pagamentos efetuados pela CREDICENTER, que tratase de repasses de patrocínio para propaganda da loja SOMA MULTIMARCAS (conforme extrato analítico de pagamentos da CREDICENTER das fls. 398 a 411). Em 27/07/2009, o sujeito passivo foi cientificado, através do Termo de Constatação e de Cientificação Fiscal (fls. 478 a 488), de que, tendo sido constatado omissão de receitas de comissões pela intermediação de negócios, omissão de receitas de patrocínio, omissão de receitas por depósitos bancários no Banco ABN AMRO REAL S/A de origem não comprovada e aplicação indevida de percentual reduzido para apuração do lucro, a apuração o Imposto de renda e de seus reflexos seria discriminadas pelo tipo de receitas omitido. Foi também cientificado das bases que serviriam para apuração do imposto e de seus reflexos. Tendo em vista que não consta, no banco de dados da RFB, a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON , no período de 01/2005 a 12/2007 e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativo ao período de 01/2007 a 06/2007, INTIMAMOS o sujeito passivo, através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 13/08/2009 (fls. 489 e 490), a, efetuar a entrega dos documentos a RFB, sob pena de aplicação de multa regulamentar por declaração/demonstrativo nãoentregue. O sujeito passivo não comprovou, até a presente data, a entrega dos documentos intimados. Em 12/11/2009, através de nova Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 495 a 503), solicitamos ao Banco Real S/A, cópias de contratos de financiamento relativos aos créditos efetuados a título de "LIBERAÇÃO DE Fl. 854DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 742 7 FINANCIAMENTO", tendo sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços de Intermediário, celebrado com o sujeito passivo cf fls. 504 a 508). Dos valores de receita acima apurados, serão deduzidos os declarados pelo sujeito passivo, através da DIPJ e DCTF. 0 demonstrativo com a apuração dos valores de receita lançados estão detalhadas no item 6 deste Relatório Fiscal. APLICAÇÃO INDEVIDA DO PERCENTUAL REDUZIDO PARA APURAÇÃO DO LUCRO Comprovado que a empresa não é pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços, não faz jus a redução da alíquota de presunção de lucro prevista no artigo 40 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, no percentual de 16%. Constatase ainda da planilha relativas a comissões recebidas, do subitem 3.1, que, nos anoscalendários de 2005 a 2007, o sujeito passivo auferiu receitas desta atividade que ultrapassar o limite de R$ 120.000,00, estabelecido pela legislação que instituiu o beneficio. OMISSÃO DE RECEITAS DE PATROCÍNIO E PROPAGANDA Os pagamentos efetuados pela CREDICENTER, a título de repasses de patrocínio para propaganda da loja SOMA MULTIMARCAS abaixo demonstradas terão o imposto de renda calculada como receitas da atividade comercial: MS RENDIMENTO INFORMADO IRRF 07/2005 680,00 0,00 12/2005 680,00 0,00 05/2006 1.500,00 0,00 OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – Os créditos efetuados nas contas mantidas am instituições financeiras e para os quais não houve comprovação da origem, são consideradas, por presunção legal, omissão de receitas e sujeitos A tributação nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/96. Para o calculo destes valores omitidos, foram abatidos da planilha ANEXO 1, do Termo de Intimação e Cientificação Fiscal, de 22/05/2009, os seguintes valores: a) R$ 109.210,81 relativo aos créditos com histórico de lançamento "LIBERAÇÃO GARANTIDA", por se tratar de financiamentos efetuados pelo sujeito passivo, tendo sido vinculados aos débitos relativos à sua quitação conforme demonstrativo das folhas 511 e 512; b) R$ 431.677,56 relativos aos valores de comissão pagos pelas financeiras, os quais foram possíveis a identificação no extrato Fl. 855DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 743 8 bancário do Banco ABN AMRO REAL S/A e relacionadas no demonstrativo das folhas 513 a 520; C) R$ 109.688,24 relativos aos valores de comissão pagas pela Banco ABN AMRO REAL S/A, os quais não foi possível a identificação nos extratos bancários. O sujeito passivo alegou em sua correspondência de 16/03/2009, de que a maior parte de suas vendas feitas mediante consignação. Sobre a equiparação do comércio de veículos usados como operação de consignação dispõe assim o artigo 5° da Lei n° 9.716/98: "Art. 5° As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do prego da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação." Não tendo a pessoa jurídica apresentados as Notas Fiscais de Entrada, bem como as Notas Fiscais de Saída, não ha como equiparar a atividade do sujeito passivo, como operação de consignação. Não sendo possível tal equiparação, serei aplicada para o cálculo do lucro relativo a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a alíquotas aplicada ao comércio em geral. Tendo o Banco ABN AMR0 REAL S/A sido intimado a apresentar os documentos comprobatórios dos créditos com histórico "LIBERAÇÃO DE FINANCIAMENTO", apresentou o contrato constante das folhas 505 a 508, que comprovam que tais créditos referemse a receitas de comercialização de veículos usados por se tratarem de valores creditados pelas financeiras para pagamento do bem alienado, no termos do item 6 do Contrato de Prestação de Serviços de Intermediário, celebrado entre o sujeito passivo e a instituição financeira e que assim dispõe: "6. A liberação dos recursos para o pagamento do bem financiado ou do bem objeto de arrendamento mercantil será efetuado mediante cheque cruzado intransferível, de emissão das CONTRATANTES, a favor do vendedor do bem ou mediante crédito em conta de depósito a vista de titularidade do vendedor do bem.". A existência de varies liberações durante o mês (por exemplo: 12 liberações em 04/2005, 16 em 10/2006, 19 em 07/2007) e a falta de lançamentos, nos extratos apresentados, relacionados a quitação deste financiamento, comprovam que não se tratam de financiamentos efetuados pelo sujeito passivo, Fl. 856DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 744 9 mas sim pelos seus clientes que adquiriram os veículos mediante financiamento. Entendemos, assim, tratarse de créditos da mesma natureza do efetuado pela BV FINANCEIRA, abaixo relacionada, relativos as Cédulas de Crédito Bancário CCD das fls. 420 a 423 e 428 a 429, nos quais consta como vendedor do bem financiado a SOMA VEICULOS DE ASSIS LTDA, sendo o emitente da CCD o comprador do bem e responsável por sua quitação. Inconformada com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que: Ilegitimidade e ilegalidade do lançamento efetuado com base em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Não basta a simples presunção legal de que os depósitos bancários constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida evidenciando sinais exteriores de riqueza, uma vez que tais depósitos, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; Não pode o Fisco promover o lançamento sobre os valores constantes dos extratos de movimentação bancária, mas sim sobre o lucro efetivamente auferido na venda dos veículos. A IN SRF n° 152, de 1998, dispõe que o valor a ser computado como receita é a diferença entre o valor de venda do veiculo usado e o seu custo de aquisição. A Lei n° 9.716, de 1998, art. 5° é enfática ao assentar que é opção do comerciante de veículos usados proceder equiparação da venda de operação de consignação; Cabe ao Fisco a comprovação não só da utilização de valores depositados como renda consumida, bem como em aplicações em mercados financeiros, a demonstrar sinais exteriores de riqueza; O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, baseado exclusivamente em presumir a omissão de rendimentos de valores creditados em conta de depósito ou investimento está a malferir a ordem constitucional e noções elementares encartadas no direito tributário que define o seu fato gerador e o conceito de renda; Inviolabilidade do sigilo de dados. Não se poderia dizer que a Lei Complementar (LC) n° 105, de 2001, de constitucionalidade discutível, permite ao Fisco a quebra do sigilo bancário sem que haja necessidade de autorização judicial, sendo que para mitigar os seus efeitos, o Decreto n° 3.724, de 2001, que a regulamentou, deixou expresso que isso só seria possível quando houver procedimento de fiscalização em curso e desde que ocorra, no caso concreto, Fl. 857DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 745 10 uma das hipóteses elencadas no texto legal. No presente procedimento o poder público primeiro acusa, depois tenta reunir provas, para após formalizar o procedimento administrativo; As multas aplicadas ofendem os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. 0 Fisco não demonstrou que ela tenha agido com intuito de fraude. Quando intimada apresentou os extratos bancários que serviram de substrato para a lavratura do auto de infração e não existe qualquer indicio de que tenha embaraçado os trabalhos da fiscalização ou que tenha agido com intuito de fraude; Apresentou justificativa plausível da movimentação bancária, o que afasta a multa agravada por ausência de dolo, tendo em vista que promoveu os recolhimentos com base no lucro liquido apurado. Além disso, sobre as comissões recebidas dos bancos e financeiras por conta dos financiamentos dos veículos alienados a terceiros, a maioria deixados em consignação, houve retenção do imposto de renda na fonte e, sobre as demais receitas (lucro liquido) auferidas houve denúncia e recolhimento, bastando cotejar as DIPJ de fls. 118 a 218; A lavratura do auto de infração fora do local da hipotética verificação da falta configurou violação aos diplomas legais que regulam o Processo Administrativo Fiscal (PAF), devendo o procedimento fiscal observar, sob pena de nulidade, os ditames do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; A autoridade fiscal relata que "Não tendo apresentado o extrato bancário dentro do prazo concedido, foi emitido em 09/03/2009, portanto, antes da entrega do extrato pelo sujeito passivo, Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF — ao Banco ABN AMRO Real S/A (fls. 244 a 249), que apresentou os extratos e os dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo (fls. 250 a 359). Na correspondência datada de 16/03/2009 (fls. 360 a 363), além da apresentação dos extratos bancários, a pessoa jurídica argumenta que a movimentação bancária "não se trata de receitas"pois as "vendas de nosso produtos (carros) em sua maioria efetuadas em consignação ou seja, os veículos não são de nossa propriedade. Eles são financiados, entre nossos clientes e a instituição financeira, e que a cada operação o dinheiro passa necessariamente por nossa contacorrente e de imediato é repassado a instituição financeira, permanecendo em nossa conta apenas a comissão pela intermediação do negócio que V. Sa. poderá confirmar analisando a cópia dos extratos mês a Fl. 858DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 746 11 mês, cujo saldo em 30 de cada mês é compatível a denúncia feita através da DIRF". O fiscal asseverou que tal argumentação não prospera diante da falta de comprovação através da escrituração contábil e dos livros e documentos fiscais e sem sustentação. O demonstrativo dos créditos bancários das contascorrentes (fls. 437/453, 511/512 e 513/520) comprovam extreme de dúvidas que a maioria dos históricos referemse a liberações e pagamentos de financiamentos. Aliás, esses representam os de maior valor justamente por se referir à venda dos veículos deixados em consignação e que foram adquiridos mediante financiamento, que eram depositados em suas contas correntes e depois repassados as financeiras; O auditor fiscal teve conhecimento dos históricos de suas movimentações bancárias, por meio dos extratos que exibiu (fls. 270/359), que se referem na maioria em liberação de financiamento. Logo, jamais poderiam ser considerados como lucro liquido e, por presunção, sobre eles promover o lançamento de oficio, o que demonstra excesso de exação; Pela descrição dos fatos a imposição mais se adequaria a uma obrigação de fazer e não fazer, cuja penalidade derivaria, em tese, de uma obrigação tributária acessória, que, segundo o art. 113 do CTN, é decorrente da legislação tributária. Sendo o auto de infração um ato administrativo vinculado ao principio da reserva legal, concluise que a imprecisão decorrida da ausência de provas e presunção baseada em documentos e fatos discutíveis, constantes do processo, nulifica todo o procedimento; Por todo o exposto e considerando a inexistência de dolo ou máfé, não se pode penalizar a impugnante por fatos inexistentes e discutíveis, desprovidos da necessária convicção de certeza e sem a apresentação de provas materiais objetivas que dêem respaldo a esse enquadramento, que fere o principio da capacidade tributária da defendente. Assim, sendo deve ser aplicado o previsto no art. 112, II, do CTN; Houve duplicidade de tributação sobre as receitas de comissões recebidas das financeiras por intermediação de negócios. As comissões estavam englobadas nos valores dos financiamentos que foram creditados na contacorrente da impugnante e sobre esses valores foram lançados os tributos. Além disso, quando do pagamento das comissões dos financiamentos, as financeiras promoveram a retenção do imposto de renda na fonte; Foram depositados em suas contascorrentes valores que não lhe pertenciam, consubstanciados nos financiamentos Fl. 859DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 747 12 efetuados, não sendo cabível a tributação sobre o montante lançado nos extratos bancários. De acordo com a Instrução Normativa (IN) n° 152, de 1998, mesmo que se tratasse de venda de veículos usados, a receita deveria incidir sobre a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição. No caso, recebia, nas transações efetuadas, comissões como intermediária e sobre esse lucro líquido houve tempestivo recolhimento dos tributos. Portanto, no tocante à determinação da base de cálculo da CSLL e do PIS, a receita a computar seria a diferença entre os preços de compra e revenda do bem; Não bastasse, as empresas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS e Cofins As alíquotas de 0,65 % e 3%, respectivamente, sobre a diferença entre os preços de revenda e de compra de bem; Assim sendo, as receitas da compra e venda de veículos automotores equiparadas, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço na permuta de veículos usados, não estão sujeitos à incidência cumulativa das contribuições (Lei n° 10.833, de 2003, art. 10, e Lei n° 10.637, de 2002, art. 8°). Destarte, as multas aplicadas sobre a pseudo omissão de receitas, também são indevidas, já que acessórias da obrigação principal; A exigência da taxa Selic fere o principio da estrita legalidade, por não ser prevista em lei. Se destina A remuneração do dinheiro e compreende ainda correção monetária, não podendo ser aplicada cumulada com qualquer outro índice de atualização ou com juros moratórios em separado; Forçoso concluir que a sistemática adotada pelo Fisco para chegar ao crédito exigido malfere o sistema normativo que rege a matéria, maculando o procedimento fiscal em seu nascedouro, pois impede ao contribuinte o exercício pleno de seu direito, inclusive, se fosse o caso, o adimplemento justo do crédito reclamado. 0 ato administrativo que não obedece aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade é nulo; A receita de patrocínio e de propaganda por estar inclusa na movimentação bancária, foi alcançada pelo lançamento do tributo principal. Tratase de tributação reflexa, tal como ocorre nas contribuições, cuja exigência fica Fl. 860DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 748 13 condicionada àquele, sob pena de se constituir dupla tributação; O valor de R$ 2.860,00, recebido da empresa Credicenter, relativo a 07/2005, 12/2005 e 05/2006, já foi declarado na DIPJ como receita bruta sujeita ao percentual de 16%, conforme se verifica As fls. 128/218; Quanto à desconsideração do percentual reduzido para apuração do lucro, não deve prosperar pois, conforme se verifica de seu estatuto social (fl. 237), tem como objeto social "o comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários usados e prestação de serviços de lavagem e estacionamento de veículos, CNAE n° 50105/06". Nesse sentir, estando autorizada a prestação de serviços e, considerando que as comissões recebidas das financeiras não pode ser catalogada como intermediação de negócios, prevista na letra "b", do inciso IV do artigo 3° da Lei n° 9.250, de 1995, não prospera o lançamento, assim como as multas aplicadas de forma agravada. Os documentos colacionados às fls. 220/228, 390/394, 459/467 e 475/476, referemse A remuneração paga por serviços prestados por pessoa jurídica, mediante retenção do imposto de renda na fonte. A DRJ de Ribeirão Preto manteve o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutá la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. Tratandose de receita proveniente de intermediação de negócios aplicase o percentual de 32%, acrescido de 20% por ter sido arbitrado o lucro. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 749 14 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA. Válido o auto de infração lavrado na repartição se o autuante dispunha dos elementos necessários ao lançamento. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 750 15 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância administrativa em 19.11.2010. Inconformada, protocolou Recurso Voluntário em 15.12.2010, alegando que: Alega que a doutrina e jurisprudência caminham fortemente na direção de ser irrelevante qualquer pretensão a exação fiscal que tenha como sustentáculo movimentação financeira via extrato bancário, pois inexiste fato gerador do Imposto de Renda a lhe ensejar credibilidade jurídica. Menciona que esses entendimentos estão em consonância com o artigo 43, I do CTN e artigo 150, incisos I e IV da Constituição Federal. Assim, com espeque numa suposta omissão de receita, o Auditor Fiscal da Receita Federal efetuou o lançamento de oficio do débito, concernente ao IRPJ/2005, 2006 e 2007, exclusivamente em razão de movimentação bancária. Destaca que a questão que se coloca no presente processo é a legitimidade e legalidade do lançamento efetuado com base em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. De outro ponto, questiona de quem seria o ônus da demonstração do nexo causal entre cada depósito e o fato gerador para caracterizar omissão de rendimentos. E, ainda, se o fato gerador do Imposto de Renda pode ser aferido mediante presunção e ficção, com a subversão do conceito de renda estabelecido pelo artigo 43 do CTN. E, por último, se é possível quebra de sigilo bancário, sem autorização do poder judiciário. Tratou do conceito de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Cita ainda que Renda e proventos de qualquer natureza é expressão que limita o âmbito de incidência de imposto federal. A não ser assim, terseia de ler a norma constitucional como se esta atribuísse competência à União para instituir e cobrar imposto sobre qualquer fato, a critério do legislador e da autoridade autuante...E isto não está escrito na norma da Constituição. Considera que no procedimento fiscal tributário para haver a atuação, com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, como já dito alhures, não basta a simples Fl. 863DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 751 16 presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Em conclusão,afirma que, no sistema jurídico tributário brasileiro, (a) renda é o acréscimo patrimonial resultante do trabalho, do capital, ou da combinação desses dois fatos; (b) proventos de qualquer natureza são acréscimos patrimoniais que não têm origem no capital, no trabalho, nem na combinação desses dois fatos; (c) a expressão renda e proventos de qualquer natureza só abrange os fatos que possam ser considerado com acréscimo patrimonial; (d) o legislador ordinário não pode definir como acréscimo patrimonial aquilo que evidentemente não o seja, na linguagem comum e finalmente, (e) cabe ao Poder Judiciário, e em última instância ao Supremo Tribunal Federal, dizer o que se há de entender como acréscimo patrimonial, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo de lei que estabelecer conceito diverso (Hugo de Brito Machado, O Conceito Jurídico de Renda, em Repertório de Jurisprudência, n° 15/88, 1a quinzena de agosto de 1988). Cita inúmeros acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes sobre a matéria, conforme se observa abaixo: "Ementa: IRPJ — LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Incabível o lançamento efetuado tendo como suporte valores de depósitos constantes de extratos bancários, por não caracterizarem, por si sós, disponibilidade econômica de renda e proventos na forma definida no artigo 43 do Código Tributário Nacional. Recurso Provido." (Primeira Câmara, Proc. n° 13805.009746/9517, Recurso Voluntário, Matéria 1RPJ e outros, sessão realizada em 05/12/2000, Acórdão n° 10193301, Relator Raul Pimentel, Decisão por maioria de votos). Transcreve ainda que Qualquer exiqência de imposto que incida sobre "situação" ou "relação Mica" que não seja expressão de riqueza, especificada, qualificada e juridicamente delimitada como "patrimônio" será, simplesmente NULA, NENHUMA, INEXISTENTE, por absolutamente INCONSTITUCIONAL. Destaca que se houvesse algum imposto a ser recolhido, sem sombra de dúvidas, deveria incidir sobre o lucro efetivamente auferido pela recorrente, quando da venda dos veículos, mas nunca sobre o total da venda, mormente considerando que a maioria dos bens comercializados foram deixados por seus proprietários em regime de consignação. Cita que texto legal do artigo 50 da Lei 9.716/98 é enfático ao assentar que é opção do comerciante, de veículos usados, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 752 17 proceder á equiparação da venda de operação de consignação. Feita a opção, tanto a compra e como a venda ficam submetidas ao regime fiscal aplicável ás operações de consignação. Afirma que pelo artigo 96, da IN SRF 390 de 2004, que considerase receita bruta para efeito deste artigo, a diferença entre o valor pelo qual o veiculo usado tiver sido alienado. Assim, somente a diferença entre o preço de venda e o custo da aquisição do veiculo automotor usado é que fará parte da receita bruta. E, nesse particular os tributos foram recolhidos. Insurge em sua retórica que partindose da premissa de que são constitucionais a Lei Complementar 105/2001, o Dec. 3724/2001 e a Portaria SRF 180/2001, na lavratura de autos de infração envolvendo movimentações financeiras (depósitos bancários) de contribuintes (pessoas físicas e jurídicas), o ônus da prova dos fatos jurídicos tributários é do fisco. Merece temperança outra, eventuais posicionamentos arrimados no art. 42 da Lei 9.430/1996, no sentido de que nos casos de depósitos bancários "a descoberto" há presunção legal de omissão de rendimentos e/ou receitas tributáveis quando não for demonstrada, por documentação hábil e idônea, a natureza origem (que não de rendimentos e/ou receitas) dos recursos utilizados nessas operações. Transcreve que nos dias de hoje, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a administração de provar as ocorrências que se afirma terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o fisco tem que oferecer prova concludente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa. Seguindo adiante, vindo o sujeito passivo a contestar a fundamentação do ato aplicativo lavrado pelo Fisco, o ônus de exibir a improcedência dessa iniciativa impugnatória volta a ser, novamente, da Fazenda, a que; quadrará provar o descabimento jurídico da impugnação, fazendo remanescer a exigência. Vêse, no fundo, que é função precípua do EstadoAdministração, empregar a linguagem jurídica competente na produção dos atos de gestão tributária. O pressuposto de fato da incidência há que ser relatado de maneira transparente e cristalina, revestido com os meios de prova admissíveis nesse setor do direito, para que possa prevalecer, surtindo os efeitos de estilo, quais sejam os de constituir o vinculo obrigacional, atrelando o particular ao Fisco, em termos de satisfação do objeto prestacional. Argui ainda que se pudesse usar da presunção para a exigibilidade tributária, o legislador teria, de forma expressa, autorizado referida faculdade inserindoa em lei. Se não o fez, é porque tal procedimento não tem amparo legal. Não pode o Fisco disciplinar onde a lei não disciplina. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 753 18 Isso porque, o fato meramente alegado e cuja ocorrência não é demonstrada, simplesmente não têm o condão, "per si", de obrigar a contribuinte. 0 Fisco não demonstrou, quando era seu o ônus, de forma suficiente a ocorrência do fato gerador. Menciona que a inviolabilidade do sigilo de dados, foi erigida ao status de direito fundamental da pessoa (art. 5°, XII), representando, na verdade, um freio imposto na Lei Maior aos amplos poderes de que se julgam revestidos os órgãos fazendários no que tange à obtenção de informações, por terceiros, de dados privativos dos contribuintes. Afirma que a jurisprudência dos nossos tribunais tem repelido as mais variadas tentativas da administração fazendária para colher informações armazenadas em banco de dados, o mesmo se diga, no caso, quanto à insistente pretensão da Receita Federal de violar o sigilo bancário. No particular, têm decidido os tribunais que s6 se admite a quebra do sigilo, excepcionalmente, por expressa determinação judicial. Contesta que a LC 105/2001, de constitucionalidade discutível, não permite ao Fisco a quebra de sigilo bancário sem que haja necessidade de autorização judicial, sendo que para mitigar os seus efeitos, o Dec. 3724, também de 10.01.2001, que a regulamentou, deixou expresso que isso só seria possível quando houver procedimento de fiscalização em curso e desde que ocorra no caso concreto uma das hipóteses elencadas no texto legal. Mister, que para haver a quebra de sigilo bancário/fiscal na atualidade, deverá haver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, sendo certo que tais exames sejam considerados imperiosos e fundamentais pela autoridade administrativa competente. O que se vê no presente procedimento é justamente o contrário, onde poder público acusa, depois tenta reunir provas, para após formalizar o procedimento administrativo. Do exposto concluise que, a inviolabilidade do sigilo de dados é direito fundamental da pessoa, constitucionalmente assegurado no art. 5°, XII, da Carta Política de 1988, correlato ao direito à privacidade consagrado no inc. X do mesmo artigo. Questiona ainda as multas aplicadas, afirmando que as mesmas são confiscatórias. Aponta que o auto de infração não foi lavrado no domicilio da autuada, estabelecida em AssisSP, mas junto à Secretaria da Receita Federal de Marília SP. O Decreto n° 70.235/72, baixado por delegação de competência do Dec.Lei n° 822/69, com força de lei federal, continua em vigor (STF, RE n°113.658, AC1a T., DJUI 27.4.90, p. 3.425). Fl. 866DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 754 19 Mencionada que a doutrina especifica é taxativa quanto à obrigatoriedade da lavratura do auto de infração no local do estabelecimento fiscalizado, considerandose ineficaz e inválido a peça básica do processo administrativofiscal, in casu, o auto de infração quando lavrado na própria Repartição Fiscal, como ocorreu no presente caso; ou no escritório do agente fiscal ou em qualquer outro local diverso do estabelecimento fiscalizado, quando nenhum motivo relevante impedir esse procedimento norma e usual na fiscalização de todo e qualquer tributo ou contribuição; porque a lavratura fora do estabelecimento fiscalizado, quebra a segurança jurídica e a própria seriedade que deve existir nas relações fiscocontribuintes e nos atos administrativos de campo, da fiscalização, evitandose ainda, que sejam lavrados autos "por correspondência", sem qualquer fiscalização e enviados pelo correio, com um visível desprezo ao próprio principio do contraditório, pois, durante as diligências de fiscalização, o contribuinte tem o direito sagrado de se fazer representar, através de seu contabilista e se necessário, também pelo seu advogado (CF/88, arts. 5°,LV, 133). Ora, se o auto é lavrado fora do local, sem sequer serem pedidas explicações ou esclarecimentos por escrito, de eventuais falhas ou irregularidades, a que do contraditório é evidente e não poderá ser negada. Dessa forma, o Auto de Infração deve ser lavrado, obrigatoriamente, no local onde a hipotética infração é verificada, sob pena de não ter validade, visto ferir o principio da reserva legal, já que contrária previsão expressa encartada no art. 10 do Decreto Federal n° 70.235/72 (CF/88, arts. 37, caput, e 5°, II; art 96 do CTN). No mais, reproduz os mesmos fundamentos trazidos em sua impugnação, requerendo ao final: a) que sejam apreciadas e decididas todas as questões constantes deste recurso, mantendose integro na esfera administrativa, o direito de defesa e o principio do contraditório pleno, pugnando, outrossim, para que fique fazendo parte integrante do presente inconformismo as razões deduzidas na impugnação; b) a nulidade do Auto de Infração e imposição de multa, nos termos da exposição; C) a produção de todas as provas em direito permitidas, junção de documento; prova pericial e demais que se fizerem necessárias no transcorrer da instrução; d) que este recurso seja conhecido e provido na Integra, para o fim de reformar o v. acórdão objurgado e, em conseqüência, que o Auto de Infração seja declarado insubsistente e cancelado, administrativamente, por atentar contra dispositivos expressos de Lei e contra a ordem Constitucional, invocados ao longo deste recurso, e que seja declarada a ausência de qualquer Fl. 867DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 755 20 responsabilidade fiscal da Recorrente, por ser a mais legitima e escorreita JUSTIÇA. Este é o relatório! Voto Vencido Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, por questão de ordem, entendo que a despeito da matéria a constitucionalidade ou não da quebra de sigilo bancário encontrase pendente de julgamento em sede de repercussão geral, entendo que a decisão do STF em nada interfere o julgamento desse processo, visto que embora o Sr. Auditor Fiscal, no processo de fiscalização, apresentou RMF – Requisição de Movimentação Financeira ao Banco ABN, o fato é que em 16.03.2009, portanto, antes da lavratura do Auto de Infração e constituição o crédito tributário, o contribuinte apresentou os extratos bancários, permitindo o acesso à fiscalização às informações financeiras. Vejamos as descrições do relatório fiscal: Não tendo sido apresentado o extrato bancário dentro do prazo concedido, foi emitido em 09/03/2009, portanto, antes da entrega do extrato pelo sujeito passivo, Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF – ao Banco ABN AMRO REAL S/A (fls. 244 a 249), que apresentou os extrato e os dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo (fls. 250 a 359). Na correspondência datada de 16/03/2009 Cf la. 360 a 363), além da apresentação dos extratos bancários, a pessoa jurídica argumenta que a movimentação bancária "não se trata de receitas" pois as "vendas de nossos produtos (carros) am sua maioria efetuadas em consignação ou seja, os veículos não são de nossa propriedade. Nestes termos, não vislumbro a aplicabilidade do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, como forma de obstaculizar o julgamento do Recurso, visto que o sobrestamento do processo até a decisão do STF será inócua em razão dos atos praticados pelo contribuinte, que entregou os extratos à fiscalização. Quanto à matéria que trata da competência para a lavratura do Auto de Infração, conforme narrado pelo Recorrente, que considerou a obrigatoriedade da lavratura do auto de infração no local do estabelecimento fiscalizado, cumpre destacar que a lavratura do Auto de Infração se deu de forma correta pela Delegacia de Marília, onde se encontra a autoridade fiscal lançadora competente, sendo que em Assis funciona apenas uma AGÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, que não é competente para a realização desse tipo de procedimento. Assim, considero que os fundamentos da DRJ não merecem reparos. Quanto às inconstitucionalidades apontadas pelo Recorrente em seu longo e Recurso Voluntário, especificamente quanto à multa confiscatória, às violações relativas aos Fl. 868DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 756 21 arquétipos constitucionais do conceito de renda, cumpre informar que os julgadores dessa Colenda Corte não podem afastar matéria por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à inconstitucionalidade da taxa Selic, essa Corte também já sacramentou a discussão, editando a Súmula n° 4 do CARF. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à matéria de fundo, qual seja o arbitramento do lucro em razão do Recorrente não ter apresentado à fiscalização documentos imprescindíveis à apuração efetiva do lucro e da receita, para fins de identificação precisa do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, entendo que o contribuinte, mesmo em sua firme retórica, não trouxe aos autos elementos de prova (notas fiscais e de entrada e saída, contratos com clientes tratando da intermediação etc.) que pudessem confirma sua tese de que recebera apenas uma comissão pela intermediação nas vendas de veículos, tanto é que, a despeito do ônus da prova, em regra geral, caber ao fisco na lavratura do auto de infração, nos casos de cerceamento do fisco às informações, esse ônus se inverte, nos termos da Súmula n° 26 do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005 Com o advento da Lei nº 9.430, de 1996, criouse uma presunção mais sumária que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não justificados pelo contribuinte, para que se estes sejam tributados como omissão de rendimentos, como se observa pelo teor do art.. 42 do referido diploma legal: Art 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 757 22 §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta o fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Quanto à questão da quebra de sigilo bancário, conforme narrado no início dessa decisão, entendo pela possibilidade da análise da questão frente aos extratos apresentados pelo contribuinte. Observo que a jurisprudência dessa Corte vem refutando a quebra de sigilo bancário quando o contribuinte, mesmo que intimado a apresentar os extratos de movimentação financeira, apresentaos às autoridades fiscais. Valhome dos fundamentos da jurisprudência abaixo para reconhecer como legítima e superada a questão dos extratos bancários, que serviram de fundamento em conjunto com as DIRFs, para o lançamento fiscal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Exercício: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em quebra de sigilo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação da autoridade administrativa nesse sentido. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do Fl. 870DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 758 23 sujeito passivo (Súmula Carf nº 14). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Recurso n° 178439, Processo n° 19647.002931/200831, Data da Sessão: 26/01/2011, Relator: Sérgio Rodrigues Mendes, Acórdão 1803000.771) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Anocalendário: 1998. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste quebra do sigilo bancário quando os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte no curso da ação fiscal em atendimento à intimação do autuante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXTRATOS BANCÁRIOS. NORMA DE CARÁTER PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizou o acesso às informações bancárias do contribuinte, sem a necessidade de autorização judicial prévia, bem como a Lei nº 10.174, de 2001, que alterou o art. II, parágrafo 3º, da Lei nº 9.311, de 1996, por representarem apenas instrumentos legais para agilização e aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais, por força do que dispõe o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional, têm aplicação aos procedimentos tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cujo fato gerador se verificou em período anterior à publicação, desde que a constituição do crédito não esteja alcançada pela decadência. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. (Recurso n° 163711, Processo n° 19515.000527/200232, Relatora: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Acórdão 220200348) Fl. 871DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 759 24 Quanto à questão da multa agravada por fraude, entendo que as alegações da fiscalização não merecem prosperar, visto que a tese defendida pela Recorrente desde o início é somente ser tributada daquilo que considera como receita da intermediação da venda de veículos, o que resultou inclusive na entrega de declarações fiscais com base nessa tese. Assim, a despeito da recusa da entrega de livros fiscais, como consignado, entendo que a Recorrente já está sendo penalizada quando da cobrança dos tributos com base na majoração de 20% do lucro arbitrado, sendo que a fiscalização, apenas com a sua retórica, não demonstrou a efetiva existência de fraude, dolo ou simulação para a qualificação da multa em 150%, aplicando, inclusive, de forma não autorizada a fatos geradores pretéritos à edição da regra, o disposto na Lei n° 11.488/2007. Nesse sentido, aplico o disposto na Súmula n° 14 do CARF: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por fim, cumpre destacar ainda que sobre as receitas de comissões, patrocínio e propaganda e depósitos bancários de origem não comprovada, também serão apurados os valores devidos a título de CSLL, PIS e COFINS, conforme previsto no artigo 24, § 2°, da Lei 9.249/95. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, afasto as preliminares de nulidade e no mérito DOULHE parcial provimento, para reduzir a multa agravada de 150% para 75%, visto o disposto na Súmula n° 14 do CARF. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator Designado. Inicialmente é preciso esclarecer que a presente divergência limitase à questão da incidência da multa qualificada, uma vez que, quanto às demais matérias, acompanho integralmente o voto do relator. Ressaltese, ainda, que conforme consta dos autos de infração, a qualificação da multa de ofício foi efetuada apenas em relação aos seguintes ilícitos: (i) omissão de receitas de patrocínio e propaganda, e; (ii) omissão de receitas de comissões recebidas por intermediação de negócios. Quanto à omissão de receita por não comprovação da origem dos depósitos realizados em conta corrente bancária, e à utilização de percentual reduzido na apuração do lucro presumido, não houve qualificação. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11444.000175/201002 Acórdão n.º 120100.599 S1C2T1 Fl. 760 25 Pois bem, assiste razão ao Relator quando, escorado na súmula 14 do CARF, afirma que a “simples” ocorrência de omissão de receita não autoriza a imposição da multa qualificada. Entendese por “simples” a omissão de receita quando o prejuízo causado aos Cofres Públicos for fruto de mero erro cometido pelo sujeito passivo no que concerne às receitas oferecidas à tributação. Será, no entanto, “qualificada” a infração quando o sujeito passivo intencionalmente omitir receitas para evadirse do pagamento do tributo por ele devido. No caso sob exame não resta dúvida de que a omissão de receita não adveio de mero erro cometido pelo sujeito passivo quanto ao montante das receitas oferecidas à tributação, e sim de sua intenção livre e consciente de fugir ilegalmente à incidência dos tributos. De fato, conforme consta dos autos, o sujeito passivo omitiu receitas ao longo de todos os trimestres dos anoscalendários de 2005, 2006 e 2007. Ademais, neste mesmo período, apesar de haver informado nas respectivas DIPJs receita bruta no valor total de R$ 57.964,59, auferiu receitas, somente em comissões recebidas por intermediação de negócios, no montante de R$ 556.922,56. A reiteração da conduta ao longo dos anos de 2005, 2006 e 2007, bem como a enorme discrepância entre a receita bruta informada ao Fisco e aquela efetivamente auferida, permitem concluir que a omissão não foi fruto de “simples” erro da contribuinte, mas sim de sua intenção livre e consciente de fraudar o Erário Público. Por fim, peço licença para divergir do ilustre Relator quando afirma que a recorrente já está sendo penalizada pela cobrança dos tributos com base na majoração de 20% do lucro arbitrado. Conforme mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho, o arbitramento do lucro não é penalidade, mas forma de apuração do lucro da pessoa jurídica quando não for possível a sua determinação com base no lucro real ou presumido. Tendo em vista o exposto, voto pela manutenção da multa de 150%. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 873DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assin ado digitalmente em 30/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13827.003143/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA
DE REGISTRO DE DOCUMENTOS QUE DESCREVEM MÃO DE OBRA BEM
COMO IDENTIFICAÇÃO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS INVERSÃO
DO ÔNUS DA PROVA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações.
Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade
não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro.
No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição.
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO.
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.076
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 107DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 108 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.083.7045, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados não recolhidos na época própria, levantadas por aferição indireta, no período de 01/2004 a 12/2004. Observase que inicialmente ao processo em questão foi apensado ao DEBCAD 37.083.7053, por descrever fatos geradores relacionados, envolvendo a contribuição patronal. Contudo, apresentou o recorrente recursos em separado para cada AI. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 16 a 24, considerando que a empresa não possui nenhum empregado para o ano 2004 e somente as notas fiscais de serviço da empresa Lazaro Hailton Foganholo Junior ME conforme demonstrado na planilha anexo II do REFISC, e considerando, outrossim, que no exame da escrituração contábil a mesma não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro nos termos do art. 3 Lei 8212 de 24/07/91 combinado com o art. 235 do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3048 de 06/05/99, foi a massa salarial apurada em função da receita bruta e a massa salarial de empregados declarada em GFIP, cujos dados foram extraídos dos sistemas Fazendários SIF 4 e DW PESSOA JURÍDICA 14/08/2008, para o segmento Fabricação de Calçados de Couro do ano calendário 2004 do município de Jaú, cujos dados encontramse na planilhas anexo III do referido relatório. Esclarece a autoridade fiscal, que a apuração do percentual a ser aplicado sobre o faturamento encontrase demonstrado na planilha anexo IV e dos percentuais apurados de 90,92% (desvio padrão), 51,88% (média) e 26,65% (mediana) foi adotado como critério razoável e proporcional para a aferição indireta da massa salarial a partir do faturamento, o percentual de 26,65% que representa a MEDIANA, que aplicado sobre o faturamento do sujeito passivo fornece a massa salarial. Cabe esclarecer que do valor da mão de obra aferida apurado na aplicação do percentual de 26,65% sobre o faturamento demonstrado na planilha anexo I foi deduzido os valores da mão de obra contido nas notas fiscais de serviços emitidas pela empresa Lazaro Hailton Foganholo ME demonstrado na planilha anexo II, cujos valores foram apurados com base no $ 30 do art. 601 da INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP N° 3, DE 14 DE JULHO DE 2005 aplicandose 50% para a apuração do valor dos serviços contido nas notas fiscais, uma vez que a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato e para fins de aferição da remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços, foi aplicado 40% conforme previsto no inciso I do art. 600 IN 03 citada acima. Ainda conforme o relatório fiscal, restou detectado que a empresa não contabilizou: todas movimentações financeiras, perfazendo a movimentação anual de todos os bancos um total de R$8.438.194,53 conforme relatório do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e cópia do balanço patrimonial 2004; notas fiscais referente a serviços prestados pela empresa Lazaro Hailton Foganholo Junior ME, pagamentos de fretes a cargo da empresa, uma vez que na contabilidade não consta nenhum pagamento de frete tanto na compra como nas vendas de mercadorias. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 24/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 27 a 47. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 58 a 67. Indicou a autoridade julgadora, que considerando a conexão entre os diversos auto de infração lavrados durante o mesmo procedimento, procedeu a apensação do processos: 13827.003143/200867, 13827.003145/200856, 13827.003146/200809 e 13827.003148/200890, por entenderem que encontramse vinculados ao crédito apurado. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 74 a 103, onde, em síntese a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. O relatório fiscal não demonstra os motivos que ensejaram a autuação, por não comprovar a efetiva existência de empregados e, não mencionar a respectiva fundamentação jurídica, desrespeitando o contraditório e a ampla defesa, bem como o art. 661 da IN 03/2005, causando a nulidade do ato administrativo face a ausência de motivação. 2. Os dados informados pelo agente fiscal são genéricos, apenas registrando de quais documentos partiram suas conclusões, sem, ao menos, explicitar, de fato, o motivo que deu ensejo à cobrança das Contribuições Previdenciárias supostamente fundamentadas na omissão dos fatos geradores em GFIP, referentes ao ano calendário 2004. 3. A recorrente não realiza a industrialização de seus produtos, ficando apenas com os encargos de laboração, criação e venda, sendo que a efetiva "produção" da mercadoria fica a cargo da terceirizada que atualmente é a empresa Lázaro Hamilton Foganholo Júnior ME, por isso não há valores declarados em GFIP. 4. No tocante às vendas, por tratarse de mercadorias com comercialização reflexa em modas temporais, suas coleções eram extremamente limitadas e os produtos diretamente remetidos a uma lista de clientes, em especial grandes varejistas do mercado nacional, ficando tudo a encargo da empresa recorrente. 5. O agente fiscal ao dirigirse ao estabelecimento da recorrente, só encontrou um escritório administrativo, e descreve que ao procurar os maquinários não os encontrou. Entretanto estes se encontravam nos fundos do estabelecimento, sem utilização. 6. O fato de não ter sido comprovada a origem da mãodeobra utilizada na consecução de suas atividades, impossibilita a imputação de pagamentos de valores baseados em mera presunção. 7. São inúmeras as razões determinantes da impropriedade da conclusão de que não ter mãodeobra própria é fato indiciário da aludida omissão de contratações e registros contábeis obrigatórios. 8. Nesse desiderato, a fundamentação do ato administrativo constituise em exigência intransponível no cenário jurídico vigente, em especial quando se tratar de matéria intrínseca ao direito tributário, vez que viabiliza a aferição por parte do contribuinte da sua legalidade, onde a omissão ou contradição do dispositivo legal que motiva a ação Fl. 110DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 109 5 Estatal, implicará em verdadeira supressão oblíqua do devido processo legal, da ampla defesa e contraditório. 9. Notase, ainda, que ao contrário das afirmações externadas na r. decisão de que a ora recorrente valeuse do direito de impugnar o Auto de Infração o que por si só afasta a afronta aos princípios constitucionais supra aduzidos, necessário reafirmar que da singela análise do auto compelido verificase a impossibilidade de efetivamente identificar quais foram os motivos e fundamentos utilizados pelo nobre fiscal para configurar a soidisant exigência fiscal. 10. Nessa vereda, como é impossível para o contribuinte ou para qualquer outra pessoa que não seja o próprio fiscal autuante sabermos os verdadeiros motivos, como se deu, as razões e os fundamentos da autuação, é de rigor que seja rechaçada a NFLD ora altercada, haja vista que o vício macula o lançamento de forma integral. 11. No tocante a elaboração das mercadorias da recorrente, conclui não ter sido comprovada a origem da mãodeobra utilizada na consecução de suas atividades, impossibilitando, assim, à autoridade fiscal, a imputação à empresa ao pagamento de valores, baseandose em mera presunção. 12. Os dados fornecidos durante a fiscalização e que fazem parte da autuação (respostas às intimações) demonstraram cabalmente a origem da mãodeobra executora dos serviços e a real responsabilidade da contratação dos trabalhadores. Não tem sentido, portanto, tributar pela via das contribuições sociais previdenciárias a utilização de mãodeobra originada em acordo pactuado entre empresas, mesmo que esse acordo tenha sido celebrado verbalmente. 13. No presente caso não é válida a apuração por aferição indireta, efetuada nos moldes do artigo 597 da IN 03/2005 e art. 33, § 6° da Lei n 8.212/1991, vez que as inconsistências encontradas na escrituração contábil não estão relacionadas à remuneração de empregados, citando vasta jurisprudência para corroborar suas alegações; 14. O próprio agente fiscal, ao lavrar o auto de Infração elucida que as inconsistências apontadas na escrituração contábil se referem à inobservâncias de obrigações acessórias, não podendo, com base nesses argumentos atribuir ao contribuinte a restrita aferição indireta. 15. Ademais, em outro espeque, o artigo 33, 5 6°, da Lei n° 8.212/91 é firme ao prever que a as contribuições efetivamente devidas somente serão apuradas por aferição indireta caso a contabilidade da empresa não se preste a informar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. 16. Todavia, no presente AIIM, o Sr. Auditor Fiscal não comprovou todos os pressupostos legais de caracterização de uma relação trabalhista, simplesmente lançando argumentos e suposições, aguardando a comprovação de licitude do requerente, isto é, não provou com documentos e outras provas idôneas os fatos "in concreto" que respaldam a sua autuação. 17. Discorda, ainda, do índice de 26,65% para o cálculo da massa salarial, alegando parâmetros superiores à sua receita bruta, já que o fisco utilizou dados empresariais de outras pessoas jurídicas, as quais sequer fazem parte da mesma atividade profissional desenvolvida pelo recorrente. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 18. Para fins de arbitramento foi utilizado o malfadado percentual de 26,65%, contudo, para os descontos relativos às notas fiscais emitidas pela empresa Lazaro Hamilton Foganholo Junior ME, a autoridade fiscal utilizou apenas o percentual de 20%, sendo creditado à recorrente apenas R$ 24.193,20, quando na verdade deveria ser R$ 32.073,79 . 19. Não foi excluído da receita bruta, os valores de faturamento, gerados pela venda dos produtos, fabricados pela empresa prestadora de mãodeobra. 20. Para a fixação do índice em comento, o agente fiscal estabeleceu como parâmetro dados empresariais de pessoas jurídicas outras, além das fabricantes de calçados, as quais sequer fazem parte da mesma atividade profissional desenvolvida pela ora recorrente, o, que definitivamente não se pode asilar! 21. O Sr. Fiscal não se utilizou de base de cálculo "pura" para aferição dos tributos supostamente devidos, o que vicia todo o cálculo da apuração. 22. A busca da verdade material e a tentativa de inversão do ônus da prova almejado pelo Sr. Fiscal, apenas ocorre em casos extremamente específicos e, da forma como vem empregando as autoridades fiscais, além de ferir o artigo 142 do CTN, torna impossível a defesa do contribuinte, ao passo que necessita fazer prova negativa de suposições. 23. O Sr. Fiscal não comprovou todos os pressupostos legais de caracterização de uma relação trabalhista, simplesmente lançando argumentos e suposições, aguardando a comprovação de licitude do requerente, não provando com documentos e outras provas idôneas os fatos "in concreto" que respaldam a autuação; 24. Frisase que a fundamentação adotada pelos julgadores para o indeferimento do pedido da recorrente se perfez à luz dos artigos 16, 18 e 28 do Decreto n°. 70.235/72. 25. No entanto, em sentido diverso, identificamse na doutrina e na jurisprudência posicionandose pela admissibilidade de produção de prova documental em fase seguinte à impugnação. 26. Neles, existe expressa referência ao comando da Lei 9784/99, e aos princípios da legalidade, da oficialidade e da verdade material, dentre outros. 27. De todo o exposto, a recorrente requer a este E. Conselho seja dado provimento ao presente recurso, para o fim de modificar o , Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro/RJ, anulando o lançamento fiscal ou, assim não entendendo, que seja anulada a decisão, convertendose o julgamento de mérito em diligência para que seja dada a oportunidade à recorrente de produzir as provas necessárias. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 110 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 105. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES O cerne do recurso apresentado referese a falta de motivação para realização de aferição indireta, e apuração de contribuição de segurados, sendo que a empresa alega que não realizava qualquer industrialização. Entendeu que o auditor não descreveu de forma adequada os motivos que respaldaram a aferição, nem tampouco apreciaram o julgadores os pontos trazidos em fase de impugnação que comprovariam a nulidade do lançamento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, valendose do critério da aferição indireta, entendo que razão não assiste ao recorrente. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições apuradas, tendo o relatório fiscal detalhado de forma satisfatória todos os motivos que levaram a autoridade fiscal a valerse da aferição. Assim, primeiramente descreveu a autoridade as irregularidades quanto a contabilização de valores bancários, bem como de contrato com a empresa prestadora de mão de obra, que segundo a recorrente era quem efetivamente realizava a mão de obra. Ditos fatos, associado a ausência de contratos com a prestadora, ausência de pagamentos a contador, além de outros, levaram a autoridade a lançar valores de mão de obra por aferição, considerando que a contabilidade não apresentava todos os registros para comprovação da regularidade fiscal. Ao contrário do entendimento do recorrente, a falta de contabilização de valores, enseja o descrédito da contabilidade da empresa, levando a autoridade fiscal, a considerar parâmetros para que se apure a mão de obra, capaz de refletir o movimento real da empresa. Neste caso, perfeitamente aceitável não apenas a aferição, como também entendo plenamente cabível a inversão do ônus da prova. Notese que não se trata de contabilização de valore pela empresa, que acabaram desconstituídos pela autoridade fiscal. Pelo contrário, a autoridade fiscal constatou diversas omissões contábeis da empresa, solicitando esclarecimentos, contudo, simplesmente apresentou a empresa defesa e recurso, sem demonstrar com elementos probatórios suas alegações. Entendo que competiria a empresa demonstrar que efetivamente não industrializava os produtos, mas apenas promoveu alegações, sem qualquer elemento de prova. Entendo que para comprovar a não utilização de mão de obra, competiria a empresa demonstrar qual o teor do contrato com a empresa Lázaro, e não simplesmente alegar que o mesmo era verbal. Como aceitar que um contrato de utilização de mão de obra, para fabricação de calçados é feito de forma verbal. Ademais, também não demonstrou o recorrente que entregava a matéria prima para execução dos serviços pela prestadora, deixando em aberto dito fato, resumindose a alegar que a nota era emitida de forma genérica. Pelas alegações da empresa, a mesma agia como mera compradora e vendedora, passando a terceiro toda a sua industrialização. Pois bem, neste caso, competiria a empresa demonstrar a entrada da matéria prima comprada, a saída da mesma para a empresa prestadora de mão de obra, com a apresentação de contrato, indicando de forma detalhado, o custo dos produtos fabricados, o retorno dos mesmos a empresa e sua efetiva venda. Não há como se admitir que a empresa não contabilizava e registrava de forma detalhada, seus custos, a entrada e saída da mercadoria. O custo do frete na saída, já que conforme descrito pelo auditor fiscal, na próprias nota constava que o custo do mesmo era do emitente. Entendo que em demonstrando tais fatos de forma detalhada, poderia a empresa comprovar que toda sua industrialização competiria a terceiros. Oras, o registro contábil dos fatos da empresa, é que servirá como meio hábil a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não se trata aqui de mera obrigação acessória, posto que o desrespeito a contabilização de todos os fato geradores, ou mesmo a falta do registro da entrada e saída de matéria prima, de mercadorias prontas até sua venda final, é que levou ao descrédito de todo o procedimento da empresa. Assim, por ser a atividade do auditor vinculada e havendo indícios de ausência de contabilização de mão de obra, compete a autoridade fiscal, lançar o que entende devido, é claro que dentro de parâmetros descritos pelas normas da previdência social. Assim, prescreve o artigo 33, §§ 1°c 6° da Lei n°8.212/1991: " Art. 33. (.) Fl. 114DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 111 9 § I° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova, em contrário." (grifei). Simplesmente alegar, sem demonstrar a ausência de movimento com documentos relacionados a desconstituição da empresa, ou encontrarse paralisada não é suficiente para refutar o lançamento. Caso a empresa tivesse apresentados os documentos e registro, poderseia cabalmente identificar a pertinência dos mesmos com os fato geradores aqui elencados. Neste caso, a inversão do ônus é bem aplicável, passando para empresa comprovar a inexistência dos fatos geradores, o que não restou provado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando provas, ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. DA PERÍCIA Fl. 115DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Por fim, quanto ao indeferimento da perícia, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Assim, como já demonstrado pela autoridade julgadora, de acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar Fl. 116DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 112 11 cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no Fl. 117DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória suscitada pelo recorrente deveria constar dos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado por aferição, considerando que a documentação apresentada pelo recorrente, e os registros contábeis não registravam em sua totalidade a movimentação da empresa, seguindo a autoridade fiscal o procedimento previsto na legislação. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO As questões alusivas ao mérito, trazidas pelo recorrente possuem pertinência direta com a preliminar de nulidade apreciada, visto tratarse de alegação de impropriedade na aferição executada. Conforme descrito anteriormente, considerando que a contabilidade da empresa não espelhava o movimento real da empresa, e que as explicações apresentadas pelo recorrente vieram desprovidas de provas, correto a utilização da aferição indireta. Aferição Indireta Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a SRP para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; (...) IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros Fl. 118DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 113 13 órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Novamente, ao contrário do alegado pelo recorrente, entendo que os parâmetros trazidos pelo auditor para apuração foram perfeitamente razoáveis, posto que foi apurada base de cálculo em empresas com atividades semelhantes a da autuada. Se entende a empresa, que a mesma não pertence ao segmento, deveria identificar por documentos e não simplesmente alegar, qual a atividade exercida e como se dava a execução da mesma, quais as justificativas para não contabilização das notas, do movimento financeiros e do valores devidos ao contador (que mesmo que fossem pagos a posteriori deveriam ser contabilizados, posto que o fato gerador surge com o valor pago, devido ou creditado. Assim, esclareceu na forma devida, quais os valores seriam utilizados para aferir a base, entendo os mesmos em perfeita consonância com a legislação, nos termos do art. 601 da IN n. 03/2005. Aferição Indireta da Remuneração da MãodeObra com Base na Nota Fiscal, na Fatura ou no Recibo de Prestação de Serviços Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. Art. 601. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de Fl. 119DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 600. § 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 600. § 2º Caso haja discriminação de valores de material ou de utilização de equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, mas não existindo previsão contratual de seu fornecimento, o valor dos serviços será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãodeobra, o disposto no art. 600. § 3º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãode obra utilizada na prestação de serviços, o disposto no art. 600 e observado, no caso da construção civil, o previsto no art. 605. Assim, Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências. Sendo válida a aferição para apurar a base de cálculo dos segurados, surge a obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a Fl. 120DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003143/200867 Acórdão n.º 240102.076 S2C4T1 Fl. 114 15 seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 121DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13894.002000/2002-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR. VALOR PLEITEADO RECONHECIDO. MAJORAÇÃO. DESCABIMENTO.
Impossibilidade da alteração do pleito original com vistas a pretensão de majoração de valor do direito creditório, originalmente indicado nas DCOMP, após o despacho decisório administrativo, cujo direito já foi integralmente reconhecido por aquele, de conformidade ao pedido inicialmente.
Numero da decisão: 1202-000.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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PAGAMENTO A MAIOR. VALOR PLEITEADO RECONHECIDO. MAJORAÇÃO. DESCABIMENTO. Impossibilidade da alteração do pleito original com vistas a pretensão de majoração de valor do direito creditório, originalmente indicado nas DCOMP, após o despacho decisório administrativo, cujo direito já foi integralmente reconhecido por aquele, de conformidade ao pedido inicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Gilberto Baptista, Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13894.002000/200249 Acórdão n.º 1202000.578 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada em 2/11/2002 apontando a utilização de crédito decorrente de parcela de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 1999, no total de R$ 468.543,28 objetivandose a compensação de valores parciais de estimativas de CSLL de setembro e outubro de 2002. Após, juntaramse aos autos DCOMP eletrônicas, transmitidas entre 14/07/2003 e 13/08/2004, bem como DCOMP em formulário, vinculando diversas compensações ao direito de crédito aqui objeto, no total de R$ 453.371,20 O Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária, da DRF de Guarulhos/SP, aprovou parecer nº 440/2007, homologando as compensações efetuados pelo Recorrente até o montante reconhecido de R$ 453.371,20. Noticiou a autoridade administrativa que ante análise preliminar do saldo negativo da CSLL foi constatada, tendo por base a DIPJ 2000, ficha 30 (fls. 48), uma inconsistência nas informações prestadas nas Declarações de Compensação, qual seja, inexistência de saldo negativo de CSLL. Aponta que intimou a Recorrente a prestar esclarecimento sobre a origem do crédito, tendo sido entregue em resposta uma declaração de que o direito creditório informado nas declarações de compensação em verdade se trataria de pagamento a maior efetuado em 29/02/2000 relativo à débito de CSLL apurado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica, no anocalendário de 1999. Desta feita, a análise do direito creditório foi realizada tomandose como base o pagamento a maior e não o saldo negativo de CSLL. Consoante a DIPJ 2000, ficha 30, verificouse que a Recorrente no ano calendário de 1999 apurou um saldo de contribuição social a pagar no de R$ 4.801.913,58, tendo recolhido R$ 5.225.284,78, ante pesquisa em sistema. Consequentemente, reconheceuse como valor passível de compensação a importe de R$ 453.371,20, decorrente de pagamento a maior da CSLL efetuado em fevereiro de 2000. A Recorrente foi notificada da decisão em 8 de agosto de 2008, apresentando tempestivamente manifestação de inconformidade e alega em síntese a necessidade de reforma do despacho decisório posto que teria deixado de considerar na apuração os juros de mora sobre o principal recolhido a maior em 29/02/2000, no valor de R$ 4.533,71, totalizando o crédito devido de R$ 457.904,91. Ainda, afirma que apesar de homologar as compensações efetuadas pela Recorrente até o montante do crédito apurado, a autoridade administrativa teria informado no despacho decisório somente as compensações realizadas através da PER/DECOMP no anos de 2002 a 2004, não se manifestando sobre as compensações voluntárias realizadas de abril de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13894.002000/200249 Acórdão n.º 1202000.578 S1C2T2 Fl. 3 3 2000 a setembro de 2002, dentro do limite do crédito reconhecido e com o tributo da mesma espécie, qual seja, a CSLL, apresentando planilha demonstrativa de sua alegação. Requereu naquela oportunidade que fosse reconhecido o montante do crédito pleiteado e fossem homologadas as compensações realizadas entre abril de 2000 e setembro de 2002. Diante das razões apresentadas a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, São Paulo, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. PEDIDO DE REVISÃO. COMPETÊNCIA DAS DRJ. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Restringindose os autos a Declarações de Compensação DCOMP, já expressamente homologadas pela autoridade administrativa, o pleito de revisão de compensação não instaura o litígio no contencioso administrativo, faltando competência à Delegacia de Julgamento da RFB para manifestação, segundo a legislação que disciplina a matéria. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR. VALOR PLEITEADO RECONHECIDO. MAJORAÇÃO. DESCABIMENTO. Não configura manifestação de inconformidade a pretensão de majoração de valor do direito creditório originalmente indicado nas DCOMP, e integralmente reconhecido no despacho decisório recorrido. Impugnação Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Em tal decisão, preliminarmente, consignouse que em contrário ao afirmado pela Recorrente, o despacho decisório não consigna qualquer indeferimento sob alegação de que o direito creditório originouse de um pagamento a maior da CSLL realizado em 29/02/2000 e não do saldo negativo da contribuição supostamente existente na DIPJ 2000. Destaca ainda que o crédito de CSLL pleiteado pela Recorrente em todos os demonstrativos carreados aos autos, correspondem ao valor original de R$ 453.371,20, ocorrido em 29/02/2000, frisandose que o valor de R$ 468.543,28, apontado pela Recorrente como total de crédito no demonstrativo inicial (fls. 03), corresponde, na data da formalização da DCOMP, ao saldo remanescente do valor original do crédito (R$ 453.371,20) atualizado a partir de janeiro de 2000 (taxa Selic mais 1%) e deduzido das compensações de estimativa de CSLL, relativas aos meses de março de 2000 e agosto de 2002, sem formalização de pedido, bem como das constantes em Declaração de Compensação de fls. 01 Nesse sentido, o direito creditório auferido pela autoridade administrativa correspondeu à diferença entre o valor principal da CSLL apontado no recolhimento em 29/02/2000 e o saldo a pagar apurado em 31/12/1999, resultante no montante correspondente indicado pela Recorrente antes do despacho decisório, nos demonstrativos juntados aos autos, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13894.002000/200249 Acórdão n.º 1202000.578 S1C2T2 Fl. 4 4 as fls. 03/04, 242/243, 247/248, 275/576, 280/281, 312/313, 344/345, 349/350, 380/382, 386/387, 420/422, 426/427, 457/459, 463/464, 494/496 e 500/501. Entendeu por inexistir, no caso dos autos, pedido anterior formalizado para reconhecimento da alegada diferença de direito creditório, bem como, ausente dos autos qualquer exigência de tributo resultante de compensação não homologada, não se justificando a instauração de litígio no contencioso administrativo, em que pese a apresentação de manifestação de inconformidade com vistas a combater o despacho decisório. Tal ausência de justificação para instauração do litigio se dá, no que concerne à compensação de tributos, se limita a não homologação de compensação de débitos constantes das DCOMP submetidas à análise da autoridade administrativa, e que, no caso dos autos, não há petição anterior vinculada à diferença de crédito pretendida. Por essas razões, entendeu não ser possível à autoridade julgadora conhecer de petição apresentada contra despacho decisório que homologa todas as compensações constantes das DCOMP formalizadas, por faltar objeto a ser apreciado, dado que nos autos não existem pendências a serem exigidas da Recorrente. A limitação da matéria se daria no fato de a Recorrente pretender que o direito creditório já reconhecido fosse acrescido da parcela de R$ 4.533,71, referente a juros de mora sobre o recolhimento a maior, vindo o crédito a totalizar valor superior ao inicialmente pleiteado, bem como quanto a não observância de utilizações anteriores de parcelas do crédito apontado nas DCOMP, em compensações realizadas pela empresa, sem formalização de pedidos junto à autoridade administrativa, pretendente que sejam também homologados. Esclarece, a autoridade julgadora, que as compensações feitas pela Recorrente em escrituração, declaradas na DCTF, não se submetem à homologação da autoridade administrativa, cuja aferição se restringe aos pedidos e Declarações de Compensação. Por fim, entendeu que, ante o fato de não remanescer nos autos qualquer compensação não homologada ou mesmo saldo de direito creditório pleiteado e não reconhecido, não há competência para a DRJ em Campinas apreciar pleito de revisão de implementação de compensações efetivadas pela unidade preparadora, inábil para instaurar o litigio, de acordo com a legislação de regência. A Recorrente fora intimada da decisão em 26 de novembro de 2009, e com ela não se conformando, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário a este Conselho, sustentando em síntese que: Em 08/08/08, a Recorrente tomou ciência do despacho proferido nos autos do processo em epígrafe, que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, autorizando, por sua vez, a compensação até o limite do crédito de CSLL reconhecido, no valor de R$ 453.371,20, com débitos da própria contribuição e de outros tributos administrados pela SRF, referentes aos períodos de apuração dos anos de 2002 a 2004. Em relação à parcela do crédito indeferida pelo despacho, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em que demonstrou a origem do crédito pleiteado (pagamento a maior) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13894.002000/200249 Acórdão n.º 1202000.578 S1C2T2 Fl. 5 5 e os cálculos das compensações, objetivando seu reconhecimento integral, no valor de R$ 457.904,91 e a consequente homologação das compensações realizadas (abril de 2000 a setembro de 2002). Ocorre que sobreveio a decisão da DRJ que, por equívoco, não conheceu da manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de objeto. Preliminarmente, sustenta o cabimento da manifestação de inconformidade apresentada, posto que a decisão recorrida não reconheceu a integralidade do crédito a que teria direito a Recorrente, assegurando a legislação o direito à impugnação. De outro turno, aponta que o voto prolatado, ao delimitar o litigio, acabou por apreciar as razões aduzidas, muito embora concluído pelo não cabimento da manifestação de inconformidade. No mérito, sustenta que a decisão combatida manteve o não reconhecimento do acréscimo de R$ 4.533,71 no valor do crédito, correspondente aos juros de mora sobre o recolhimento a maior da CSLL, devido sobre o principal de R$ 453.371,20, inicialmente pleiteado na compensação. Aponta que houve equivoco do julgador ao entender que tal diferença, referente aos juros de mora, não fora requerida pela Recorrente, isto porquanto seria notório que o crédito já homologado é oriundo de pagamento a maior realizado em 29/02/2000, referente ao saldo a pagar da CSLL do ajuste 1999. Tal valor resulta da diferença entre o valor pago em DARF e o valor da CSLL devida, qual seja, R$ 5.255.284,78 – R$ 4.801.913,58 = R$ 453.371,20. Por ter o valor da CSLL recolhido a maior contemplado os juros de 1% seria devido o acréscimo de R$ 4.533,71. Aponta que o fato de o acréscimo referente aos juros não ter sido pleiteado no PER/DCOMP se constitui como equivoco de ordem formal, não importando em vedação ao seu reconhecimento, posto o principio da verdade material é norteador do processo administrativo fiscal. Assim, requer seja feita a conjugação entre realidade material envolvida com a formal vertida no PER/DCOMP, constatandose o erro de fato. Neste ponto se socorre de decisões do CARF. Argumenta quanto ao direito de restituição de valores recolhidos a maior, tanto administrativamente quanto por via judicial, ante as garantias fundamentais insculpidas na Constituição da República, se socorrendo de doutrina em defesa de seus argumentos. Aponta por fim que o equivoco de ordem acessória constante do PER/DCOMP não suporta o indeferimento do crédito referente ao acréscimo dos juros de mora, requerendo a reforma da decisão combatida para que seja reconhecido seu direito ao Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13894.002000/200249 Acórdão n.º 1202000.578 S1C2T2 Fl. 6 6 acréscimo de R$ 4.533,71 correspondente aos juros de mora sobre o recolhimento a maior da CSLL, resultando no montante total do crédito pleiteado de R$ 457.904,91. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O objeto em discussão no presente recurso, como exaustivamente exposto no relatório é a possibilidade de aproveitamento de crédito oriundo de juros de mora no valor de R$ 4.533,71 não apontados pela Recorrente antes de proferido despacho decisório que homologou integralmente o pedido de compensação efetuado. Como bem apontada a Recorrente as fls.674, houve erro formal, em seus termos: Desta feita, inferese que o fato do acréscimo de R$ 4.533,71 não ter sido pleiteado no PER/DCOMP se constitui como equivoco de ordem puramente formal e frente ao que determina os primados norteadores da atividade administrativa, em especial, o da Verdade Material, tal equívoco não importa dizer em qualquer vedação ao lídimo direito patrimonial do Recorrente frente ao Fisco. (grifei) Tratase de analisar se o erro formal cometido pela Recorrente pode ser sanado por este Conselho, posto que deixou de pleitear tais valores quando do pedido inicial. Apesar do esforço da Recorrente em demonstrar seu direito creditório, sempre com vistas a concretização do princípio da busca da verdade material, inclusive carreando jurisprudência deste Conselho e abalizada doutrina, no presente caso há obstáculo, insuperável, para o provimento de sua pretensão. O despacho decisório se restringe a apreciação de crédito indicado no pedido de restituição ou de compensação, atendose ao constante da inicial, podendo a todo tempo, antes de proferido o despacho, ser emendado ou corrigido. Há momento oportuno para tanto, que não foi observado pela Recorrente, que se insurge contra a negativa que algo que sequer foi oportunamente pleiteado. Os pedidos extemporâneos feitos pela Recorrente não podem ser conhecidos, isto em razão de o presente processo limitarse ao que declarado no pedido. Destaquese que a pretensão posta nos autos foi integralmente conhecida, homologandose a totalidade dos créditos pleiteados, sendo posteriormente, em sede de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13894.002000/200249 Acórdão n.º 1202000.578 S1C2T2 Fl. 7 7 manifestação de inconformidade, alegado que se deixou de apreciar a existência de crédito referente aos juros de mora. Não há que se falar em negativa de seus direitos constitucionais à restituição/compensação de indébitos, posto que a autoridade administrativa há de se ater ao pedido, que no caso, reiterese, foi deferido, surgindo a pretensão a diferença relativa aos juros de mora posteriormente. E analisando sobre a causa para exigência dos juros, bem se verifica que decorreu de recolhimento fora do prazo legal, cuja previsão de sua incidência, pela impontualidade, se encontra clara e legitimamente estabelecida na regra legal do art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, e, caso fosse reconhecida o direito creditório seria somente sobre o suposto pagamento a maior, mas não sobre a intempestividade do recolhimento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 16004.000628/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente lançamento de contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e destinadas às terceiras entidades INCRA, SENAR e FNDE, no período de 01/2004, 12/2004, 03/2005 a 01/2006, 03/2006 a 06/2006 e 08/2006 a 12/2006. O auto de infração foi lavrado em 25/09/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 29/09/2009. Após impugnação, Acórdão de fls. 309/319, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo: a) que não pode ser excluído do SIMPLES, porque se trata de direito adquirido e o ato jurídico perfeito não pode ser afastado pelo fisco; b) que a exclusão não pode ter efeitos retroativos; c) que é necessária a edição de lei complementar para instituir novas contribuições; d) que o MPF é inválido; e) que o vínculo empregatício deve ser demonstrado; f) que a prova emprestada não oferece segurança; g) que a SELIC é inconstitucional. Requer a reforma da decisão recorrida porque o auto de infração não possui respaldo legal e deve ser julgado insubsistente, sendo que, subsidiariamente requer o afastamento da SELIC por ilegal e inconstitucional, da multa por ser confiscatória. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000628/200951 Acórdão n.º 230201.361 S2C3T2 Fl. 2 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 309/319, em 17/09/2010, fls.322, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 20/09/2010, fruindo até 19/10/2010. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 20/10/2010, conforme protocolo de fls. 323, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000628/200951 Acórdão n.º 230201.361 S2C3T2 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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