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Numero do processo: 10940.905362/2009-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 86 1 85 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.905362/200979 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.714 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PRIDELI IND E COM DE PAPEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 53 62 /2 00 9- 79 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – DCOMP nº 07699.82406.220607.1.3.049800, por meio da qual a contribuinte, valendo se de um crédito de R$ 12.908,71, relativo ao DARF de Cofins cumulativa (código 2172), recolhido em 28/01/2003, no valor de R$ 42.870,40, extinguiu o débito de Cofins cumulativa (código 2172), do período de apuração de junho de 2003, com vencimento em 15/07/2003, no valor principal de R$ 25.541,72. Em 07/10/2009 foi emitido despacho decisório de não homologação das compensações (Rastreamento nº 848583585), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava totalmente utilizado para a quitação do débito de Cofins cumulativa do período de apuração de dezembro de 2002, não restando saldo disponível para realizar a compensação dos débitos indicados na DCOMP. Cientificada do despacho decisório em 20/10/2009 a interessada apresentou, em 27/10/2009, a manifestação de inconformidade acompanhada de cópia dos instrumentos societários e de um demonstrativo de crédito (relativo ao DARF de Cofins recolhido em 28/01/2003). Na manifestação a interessada sustenta a existência de crédito (relativamente ao pagamento Cofins utilizado na DCOMP) invocando a aplicação do princípio da Igualdade Tributária em relação às Instituições Financeiras. Afirma que as empresas dessa atividade econômica gozam do direito à exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais no apuração da base de cálculo da COFINS e do PIS, consoante as previsões contidas nas Leis n.° 9.718/98 e 10.637/2002, recolhendo as referidas contribuições sobre o Lucro Bruto, enquanto que as empresas em geral recolhem sobre as Receitas. Sustenta que tal situação colide com os princípios constitucionais de igualdade, equidade, e da capacidade contributiva. Diz que não existe razão para a concessão desse privilégio somente a uma categoria empresarial e que não resta outra alternativa senão estender o benefício às demais pessoas jurídicas. Para fundamentar o seu entendimento transcreve diversas Jurisprudências acerca do assunto. Requer, à vista do exposto o reconhecimento do direito à restituição, referente ao pagamento indevido a título de COFINS, e a não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0635.692, de 29/02/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.905362/200979 Acórdão n.º 3802003.714 S3TE02 Fl. 87 3 Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea não ocorre nos casos de compensação não homologada, tendo em vista que esse benefício exige a quitação do tributo devido e dos juros de mora conjuntamente com o declaração do débito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COFINS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. EMPRESAS COMERCIAIS. As empresas comerciais sujeitamse à contribuição de acordo com as normas tributárias estabelecidas para o seu tipo de atividade econômica, não sendo possível invocar a aplicação do princípio da isonomia tributária para fazer incidir para as mesmas as normas aplicáveis às instituições financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer o mesmo privilégio concedido às instituições financeiras, permitindo se a dedução/compensação, na base de cálculo da COFINS e do PIS, das despesas operacionais incorridas em sua operação. Anexa planilhas onde o mesmo vem recolhendo a COFINS e o PIS sem as devidas exclusões a que tem direito. Sendo assim, não resta dúvida acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior desde aquela competência até os dias atuais. Assim como, não deve incidir a multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Mérito Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Versa o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a recorrente amparado de um crédito, requer a extinção total do débito. Através do despacho decisório observa a homologação parcial da compensação, onde verifica que resta saldo disponível inferior ao crédito pretendido e insuficiente para a compensação do débito indicado na DCOMP. A Recorrente solicita o reconhecimento do seu direito à restituição, referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Inicialmente, para que a compensação declarada pela recorrente possa ser homologada pela autoridade administrativa, e surta os efeitos desejados, ou seja, a extinção de um crédito tributário fazse necessário a existência do direito creditório informado na DCOMP. A recorrente invoca a aplicação de regras tributárias concernentes às empresas financeiras, no entanto, esse aproveitamento feriria o princípio da legalidade, criando novas regras de tributação em detrimento daquelas já legalmente estabelecidas. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação. No entanto, o êxito só decorre desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos, o que não restou configurada essa possibilidade. Multa moratória Por fim, para fruição do benefício do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), exigese do sujeito passivo, como condição primordial, que ele, efetue o pagamento do tributo devido e dos juros de mora concomitantemente com a declaração do débito. Como é sabido, a compensação tributária, equivalente ao pagamento, extingue o crédito, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do § 2° do art. 74 da lei de n° 9.430/96. No caso, não confirmando a existência de crédito total, não há o pagamento integral do tributo, restando um débito e em mora, daí perfeitamente aplicável a incidência da multa moratória. Por todo o exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.905362/200979 Acórdão n.º 3802003.714 S3TE02 Fl. 88 5 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906357/2012-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/04/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/04/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 57 /2 01 2- 58 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.805, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 17701.53253.110209.1.2.046503, rastreamento nº 041906752, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.041,61, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/03/2007, efetuado em 20/04/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906357/201258 Acórdão n.º 3802002.655 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/04/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906357/201258 Acórdão n.º 3802002.655 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906357/201258 Acórdão n.º 3802002.655 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906357/201258 Acórdão n.º 3802002.655 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13312.900020/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO.
A análise do processo produtivo, a correta escrituração dos livros fiscais, o correto estorno dos créditos e a análise das notas fiscais de entradas são elementos de prova imprescindíveis ao reconhecimento da legitimidade dos créditos do IPI. Nos termos do art. 170 CTN, o reconhecimento do direito creditório depende da demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - EXPORTAÇÃO INDIRETA - VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO - Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas relatora e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. A análise do processo produtivo, a correta escrituração dos livros fiscais, o correto estorno dos créditos e a análise das notas fiscais de entradas são elementos de prova imprescindíveis ao reconhecimento da legitimidade dos créditos do IPI. Nos termos do art. 170 CTN, o reconhecimento do direito creditório depende da demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - EXPORTAÇÃO INDIRETA - VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO - Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas relatora e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. A análise do processo produtivo, a correta escrituração dos livros fiscais, o correto estorno dos créditos e a análise das notas fiscais de entradas são elementos de prova imprescindíveis ao reconhecimento da legitimidade dos créditos do IPI. Nos termos do art. 170 CTN, o reconhecimento do direito creditório depende da demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EXPORTAÇÃO INDIRETA VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas – relatora e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 90 00 20 /2 00 6- 12 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 320 2 Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 321 3 Relatório Por bem relatar os fatos descritos nesses autos, adoto em sua integralidade o Relatório prolatado pela Delegacia de Julgamento de Belém no caso concreto: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do 1PI referente ao 1° trimestre de 2003, no valor de R$ 98.601,36, transmitido em 19.08.2003 juntamente com declaração de compensação, conforme fls. 01/11 2. A DRF Sobral/CE indeferiu o pedido e considerou não homologada a compensação (fls. 169/173), acatando posicionamento do Serviço de Fiscalização da Unidade (fls. 161/163). Segundo o Sefis, a empresa inicialmente informou não haver apurado crédito no período. No dia 07.04.2008 apresentou documentação relatando equívoco na informação prestada anteriormente, atestando ter havido apuração do crédito presumido no 4° trimestre de 2002 e nos trimestres de 2003, e anexando demonstrativos de apuração' (DCP e DCTF). 3. Intimada a apresentar o Livro de Apuração do IPI, informou não haver escriturado, motivo pelo qual foi proposto o indeferimento. 4. Cientificada em 18.08.2008 (AR fl. 174) a interessada apresentou, tempestivamente, em 16.09.2008, manifestação de inconformidade (fls. 172/188), na qual solicita a apreciação do presente processo em conjunto com os referentes aos demais trimestres, principalmente para aproveitamento dos documentos anexados no processo 13312.900023/200648. 5. Alega haver sido levada a prestar a informação equivocada de que não possuía o crédito e o Livro de Apuração do período, devido a troca de assessoria contábil, o que não deverá prejudicala na fruição do beneficio, em respeito ao princípio da verdade real. 6. Tece comentário sobre todas as fases de industrialização e exportação dos camarões que produz, sobre seu enquadramento como estabelecimento industrial e sobre os insumos utilizados na sua produção. 7. Indica a existência de documentos relativos à sua operação, exportação direta, venda para comerciais exportadoras e declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil, solicitando prazo de trinta dias para a apresentação do Livro de Apuração do IPI. A DRJ, analisando as questões trazidas nos autos, entendeu por bem desprovêlos por meio de aresto (fls.293/297), cuja ementa a seguir se transcreve: Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 322 4 Remanescendo saldo credor, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas pelo Fisco, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no Livro Registro de Apuração do IE. VENDA PARA COMERCIAL EXPORTADORA COMUM ("NÃOTRADING"). Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, tais como armazéns gerais, descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação. Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls. 200/320), apontado essencialmente o seguinte: (i) houve excesso de formalismo por parte da fiscalização ao deixar de reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado pela recorrente em razão da não escrituração da mesma; (ii) entende que restou atendido o requisito descrito na norma para o fim do gozo do benefício fiscal decorrente da exportação de seus produtos por meio de empresa comercial exportadora. Isso porque “as mercadorias objeto da exportação se encontravam nas instalações da empresa exportadora e não teria sentido terse de emitir nota do produto rexportador tendo como destinatário o porto”. Descreveu, ainda, que “como a mercadoria se encontrava na comercial exportadora, para que fosse enviada diretamente para a exportação e para que o documentário fiscal espelhasse a realidade e obedecesse ao dispositivo legal acima, a RECORRENTE (produtor exportador) emitiu nota fiscal de venda para a comercial exportadora figurando na nota fiscal como adquirente a ser exportado, e descrevendo, claro e legível, em dois carimbos ali apostos: "MERCADORIA EXCLUSIVA PARA EXPORTAÇÃO" e "REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO...”. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 323 5 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A discussão travada nesses autos envolve duas questões, a saber: (i) a ausência de escrituração do crédito presumido de IPI é razão suficiente para se deixar de reconhecer o crédito presumido de IPI?; e (ii) é possível ser reconhecido crédito presumido de IPI quando há venda de produto a uma comercial exportadora com fim específico à exportação, mas os produtos ou não são remetidos ou não há comprovação de que foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados? Desde já adianto que, quanto ao primeiro questionamento, entendo assistir razão ao contribuinte, ora recorrente. Já no tocante ao segundo questionamento, em vista da firme jurisprudência desse Eg. CARF, entendo falecer créditos à tese do contribuinte. DA ESCRITURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO CONDIÇÃO À SUA EFETIVA EXISTÊNCIA Quanto a esse ponto, entendo que andou mal a r. decisão a quo e isso porque estabeleceu sua convicção não nos fatos e provas carreados aos autos, mas no excessivo formalismo. No caso concreto, a recorrente trouxe à baila diversos documentos para comprovar efetivamente seu direito ao crédito pleiteado. Dentre os documentos estão os seguintes: Notas Fiscais da venda dos seus produtos à empresas comerciais exportadoras com fim específico de exportar, Livros Contábeis, DCPs de 2002, 2003 e 2004, DCTF de 2002, 2003 e primeiro trimestre de 2004 e DIPJ 2002, 2003 2 2004, planilhas contendo registro de exportações, datas de embarques, registro dos cálculos dos créditos presumidos de IPI apresentados e submetidos à Fiscalização, bem como todas as informações solicitadas pela Fiscalização no tocante aos insumos utilizados no processo produtivo da mercadoria exportada. A colocação supra se faz necessária, na medida em que revela que a Fiscalização teve todo o arcabouço fáticoprobatório à disposição e pôde analisar a existência efetiva ou não do crédito pleiteado. Tanto isso é verdade que analisou o crédito pleiteado a fundo e, no tocante ao crédito oriundo de vendas indiretas para o exterior, resolveu indeferilo por entender que não houve entrega de mercadorias em recinto alfandegado. Já no tocante ao crédito presumido de IPI decorrente de exportação direta, a Eg. DRJ apenas levantou como óbice o fato de não ter sido o mesmo devidamente escriturado. Nesse ponto destacase o seguinte trecho do v. aresto recorrido, na parte que interessa: Inferese, como derivação direta da legislação tributária acima transcrita, o óbvio: que o direito ao ressarcimento do crédito em questão, previsto em abstrato na lei, vinculase a que o titular da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 324 6 pretensão tenha mantido e mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, fato que não ocorre neste processo em análise. Em que pese o respeito que tenho pela D. Autoridade julgadora a quo, a situação dos autos foi tratada, de fato, com excessivo formalismo. Pelo que se infere da leitura do voto condutor a quo o crédito decorrente das exportações diretas efetuadas pelo contribuinte não foi questionada. Não se atribuiu qualquer vício no cálculo do benefício decorrente dessas exportações a não ser a ausência de escrituração dos mesmos. Nesse passo, noto que os documentos apresentados pela contribuinte são suficientes a comprovar a efetiva exportação dos produtos a despeito de não terem sido escriturados, e isso em respeito aos princípios da verdade material, da fungibilidade das formas. De fato, a formalidade da escrituração não pode se sobrepor à realidade dos fatos. O crédito em si não pode ser afastado tão somente por um rigorismo formal, perfeitamente superável pela vasta documentação trazida pelo contribuinte no caso concreto. Situação muito similar a presente foi tratada pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste órgão colegiado, que nos autos do PA nº 11080.001914/200665, cujo relator foi o eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo. Em seu voto, o Relator foi muito feliz ao se posicionar da seguinte forma: Cabe ressaltar que, diante das sucessivas e ininterruptas apurações saldo credor de IPI que se constata no Livro Registro de Apuração desse imposto, a exigência de escrituração do crédito presumido apurado e declarado em DCP não alteraria o direito creditório da Recorrente conforma já explicitado na decisão que converteu o julgamento em diligência: “Ademais, inobstante a Recorrente confirmar que seu pedido de ressarcimento/compensação foi enviado no mesmo trimestre calendário em que escriturou seu crédito presumido no Livro de Apuração do IPI, entendo que os princípios da instrumentalidade e da fungibilidade das formas podem ser invocados no presente caso, conforme precedente do próprio CARF, em acórdão de relatoria do Ilmo. Conselheiro Dr. Jorge Freire, no Processo Administrativo Fiscal no13976.000189/9606 – Acórdão 20173.440, que firmou entendimento no sentido de que a possibilidade de se apurar o saldo credor do benefício pleiteado por outras formas, que não a objetivamente prevista, não prejudicará o direito do contribuinte, vejamos: Ementa IPI CRÉDITO INCENTIVADOS 1 Descabe limitação ao benefício instituído pela Lei no 8.402/92(art. 1o, II, c/c o art. 2o) pelo singelo fato de o crédito não ter sido escriturado no Livro Registro de Apuração, se o fisco, por outros meios, conclui que o crédito é líquido e certo. A norma veiculadora do referido incentivo fiscal não fulmina o próprio direito pela inobservância de forma quanto à escrituração do mesmo no Livro de Apuração do IPI. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 325 7 2 Firmouse o escólio na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a correção monetária, por não se constituir em nenhum plus, requeira expressa previsão legal. Recurso Voluntário provido. Tal posicionamento, inclusive, reforça a vinculação do Processo Administrativo ao princípio da verdade real, de modo que, na possibilidade de se demonstrar eventual saldo positivo do crédito presumido de IPI em favor da Recorrente, por outra forma igualmente idônea que não seja a estipulada pelo art. 22 da Instrução Normativa no 315/2003, indiscutível será o seu direito ao ressarcimento/compensação, na forma do art. 4º Lei no 9.363/99, vejamos: Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Desta forma, entendo que a norma de regência, ao dispor “em caso de comprovada impossibilidade de utilização do cred́ito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido”, dá ensejo que havendo saldo credor ou tendo sido recolhido o IPI resultado da apuração em livro próprio, o valor apurado em DCP e objeto de pedido administrativo de ressarcimento autônomo, consiste em forma que atendo ao objetivo da lei, qual seja, “farseá o ressarcimento em moeda corrente”. A Portaria MF nº 38/1997, é mais explícita ao dispor, em seu art. 4º que a apuração poderá ser feita de forma centralizada no estabelecimento Matriz, inobstante de esse estabelecimento ser ou não contribuinte do IPI, facultando a transferência a filiais: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o cred́ito. ... § 3º No caso de impossibilidade de utilização do cred́ito presumido na forma do caput ou do § 1º, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. § 4º pedido de ressarcimento será apresentado por trimestre calendário, em formulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. § 5º O ressarcimento em moeda corrente, na hipótese de apuração centralizada, será efetuado ao estabelecimento matriz. § 6º Constitui requisito para a fruição do crédito presumido a inexistência de deb́ito relacionado com tributos ou contribuições federais de responsabilidade da empresa. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 326 8 Assim, o requisito da escrituração não é exclusivo para dar ao contribuinte produtor exportador o direito ao Cred́ito Presumido de IPI. Ademais, é de saltar aos olhos que a fiscalização procedeu à apuração do cred́ito presumido de IPI dos períodos de 2º, 3º Trimestres de 2003 e 1º Trimestre de 2004 sem que houvesse a escrituração mensal dos Créditos Presumidos de IPI nos meses imediatamente anteriores. No caso concreto, a contribuinte requereu a compensação do seu crédito presumido de IPI e demonstrou por meio de sua documentação contábil a efetiva origem do mesmo. O excessivo formalismo utilizado pela decisão a quo decorre da inobservância da realidade dos fatos e de haver, na própria legislação de regência, a possibilidade de outras formas de constituição desse crédito, tal como foi reconhecido por esse Eg. Conselho no precedente supra transcrito. Diante desse entendimento, com o qual comungo inteiramente, e do fato de, nos autos, não ter sido levantado outro óbice para o aproveitamento do crédito presumido decorrente das exportações diretas, concluo por, nessa parte, dar provimento ao recurso da contribuinte para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI decorrente das exportações diretas. DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação indireta, entendo que andou bem o v. aresto recorrido. Com efeito, o mencionado crédito deixou de ser reconhecido ao fundamento de que os produtos vendidos para a comercial exportadora não teriam sido entregues na forma preconizada pelo art 39 da Lei . 9.532/97, pois não foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos. Entendo que o v. aresto recorrido está correto quanto ao óbice destacado. É que, no entender desse Eg. CARF, para que haja a comprovação de que a venda à comercial exportadora teve o fim específico de exportação é necessário, na forma do art. 39 da Lei n. 9532/97, que tais produtos tenham sido remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Nesse sentido os seguintes precedentes: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 SUSPENSÃO DO IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Produtos que tenham sido remetidos do estabelecimento industrial para o estabelecimento do próprio adquirente não podem ser considerados adquiridos com o fim específico de exportação, para fins de suspensão do IPI, benefício que exige a remessa direta do estabelecimento fabricante para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como parabrisas em Fl. 329DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 327 9 automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse no código 7007.21.00 da TIPI, com alíquota de 15%. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os parabrisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. RECURSOS VOLUNTÁRIO NEGADO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO” (PA 11020.001557/201026; Rodrigo Mineiro Fernandes) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para a COFINS, fazse necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS e Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. RO Provido e RV Provido em Parte”( PA 15586.001586/201043, Maria da Conceição Arnaldo Jacó) A despeito de qualquer desses precedentes tratarem especificamente da questão atinente ao crédito presumido de IPI, entendo que o conceito do que seja venda à comercial exportadora com fim específico de exportação está muito bem retratada, assim como os requisitos para assim considerálas. CONCLUSÃO Diante desses fatos e da ausência de comprovação ou mesmo da não impugnação do contribuinte ao fato de que tais produtos não foram remetidos nas condições exigidas pela legislação (remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados), é de se negar o crédito presumido de IPI decorrente das exportações indiretas, seja porque não atendidas as exigências legais, seja por entender que restou inatacado fundamento autônomo e suficiente à manutenção do julgado a quo nessa parte. Fábia Regina Freitas – Relator Fl. 330DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 328 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Esclareço que o presente voto vencedor vai abordar somente a parte do voto da ilustre relatora que reconheceu parcialmente o direito creditório, sendo que na parte negada houve consenso da turma em acompanhála. A relatora em seu voto, considerou que foram apresentados todos os elementos necessários e suficientes à apuração do crédito presumido do IPI, porém este crédito não teria sido considerado pela autoridade julgadora tão somente por meras questões formais relativas à escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI. Com todo respeito ao voto da relatora, ouso discordar de suas conclusões. A decisão recorrida concluiu, entre outras coisas, que o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido e mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, fato que não ocorre neste processo em análise. Desde o início, o contribuinte teve várias oportunidades de demonstrar o seu direito inequívoco de que possuía crédito presumido de IPI passível de ressarcimento. Durante a fiscalização, foi intimado e reintimado, a apresentar todos os documentos comprobatórios do crédito, além do seu controle por meio do Livro de Registro de Apuração do IPI. Durante a fiscalização, além de pedidos de prorrogação de prazos, chegou a responder por escrito que não possuía direito a crédito presumido de IPI e que não havia efetuado a sua apuração e também que não possuía o referido livro. Ou seja, desde o início, demonstrou desprezo pelos controles determinados pela legislação. Somente em sede de sua manifestação de inconformidade teria apresentado o livro de apuração do IPI, porém sem fazer o controle da apuração do crédito presumido e sem os estornos preconizados na legislação. Além disto, também discordo da relatora, quando disse que os documentos apresentados pelo contribuinte são suficientes para apuração do crédito presumido. Os documentos apresentados somente comprovam a exportação e a possível existência de crédito presumido do IPI. A apuração do crédito está totalmente dependente da análise das notas fiscais de entrada com incidência do PIS e da COFINS. Ou seja, depende da análise se os produtos adquiridos permitem direito ao crédito. Pois bem, as notas fiscais de entrada nunca foram juntadas no presente processo. Não há a prova do direito líquido e certo ao crédito presumido do IPI. Esta prova está a cargo do interessado, que teve várias oportunidades de fazêlo e não fez. Aliás esta era uma prova muito fácil de realizar pois as notas fiscais de entrada eram poucas, conforme se deprende da relação informada no PER/Dcomp. Assim nos termos do art. 170 do CTN, não há como reconhecer o pedido de ressarcimento por ausência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 331DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13312.900020/200612 Acórdão n.º 3301002.377 S3C3T1 Fl. 329 11 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Por oportuno cabe ressaltar que deve ser negado o pedido de diligência efetuado pelo contribuinte, pois esta não se presta a complementar a instrução probatória do processo. Portanto não há reparos a fazer na decisão da DRJ, que indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações efetuadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assi nado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909604/2012-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 96 04 /2 01 2- 37 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909604/201237 Acórdão n.º 3801002.755 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10932.720083/2011-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.534
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 83 /2 01 1- 51 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 338 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – LOTUS SERVICOS TECNICOS LTDA. contra Acórdão nº 0536.447 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação tributárias: (i) AIOP nº. 37.294.5376, com valor inicial de R$ 1.111.344,90; (ii) AIOA nº. 37.294.5384, CFL 78, com valor inicial de R$ 5.000,00; (iii) AIOA nº. 37.294.6316, CFL 91, com valor inicial de R$ 1.523,57; (iv) AIOA nº. 37.348.6324, CFL 37, com valor inicial de R$ 1.523,57. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 43 a 44, identificouse notas fiscais emitidas pelo contribuinte em razão de prestação de serviço, enquadradas no conceito de cessão ou empreitada de mão de obra: Tal relação jurídica enseja a retenção de 11%, conforme preceitua o artigo 219 do Decreto 3048 de 06 de maio de 1999 (Regulamento da Previdência Social), combinado com o artigo 31 da Lei 8212 de 23 de julho de 1991. Em que pese o fato do contribuinte ter informado em GFIP’s os valores das retenções das notas fiscais discriminadas no relatório anexo ao presente processo “RELATÓRIO DE NOTAS FISCAIS GLOSADAS”, bem como ter compensado tais valores nas contribuições previdenciárias apuradas, não houve o destaque da retenção nas Notas Fiscais e nem ficou provado que houve, de fato as retenções, nem os respectivos recolhimentos por parte das contratantes dos serviços prestados. (...) Os valores declarados em GFIP’s de retenção efetuada pelo contribuinte nas competências 13/2006 e 13/2007 (décimos terceiros salários) foram objeto de glosa, em razão da não comprovação por parte da empresa, da origem de créditos de retenção que deram suporte aos valores compensados. Tal justificativa foi demandada no Termo de Intimação Fiscal 02, emitido em 04/07/2011. Seguem as autuações, conforme o Relatório Fiscal: (i) AIOP nº. 37.294.5376, com valor inicial de R$ 1.111.344,90; GL1 – GLOSA RETENÇÃO – referente aos valores de retenção que trata o artigo 31 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP, não retidos em época própria e não comprovados os respectivos recolhimentos, nos períodos 07/2006, 09/2006 a 13/2006 (décimo terceiro salário de 2006), 02/2007, 03/2007, 05/2007e 13/2007 (décimo terceiro salário de 2007). Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 (ii) AIOA nº. 37.294.5384, CFL 78, com valor inicial de R$ 5.000,00 Auto de Infração DEBCAD 37.294.5384 – AI 78 – Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei 9528/97 e redação da MP 449 de 03/12/2008, convertida em Lei 11941/99, com informações incorretas ou omissas. A multa aplicada está prevista no inciso I, artigo 32A da Lei 8.212/91, que, na data da autuação, correspondia a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), conforme descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. (iii) AIOA nº. 37.294.6316, CFL 91, com valor inicial de R$ 1.523,57 Auto de Infração DEBCAD 37.348.6316 – AI 91 – Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei 9528/97, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, conforme Lei 8212/91, art. 32, IV, parágrafos 1 e 3, combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. A multa aplicada está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e parágrafo 3º, caput do artigo 283 e artigo 373 do RPS/1999, que, na data da autuação, correspondia a R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. (iv) AIOA nº. 37.348.6324, CFL 37, com valor inicial de R$ 1.523,57 Auto de Infração DEBCAD 37.348.6324 – AI 37 – Deixar a empresa cedente de mão de obra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme dispõe o art. 31, parágrafos 1 e 6, da Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 9711/98, com redação da Lei 11941/09, combinado com o art. 219, parágrafo 4, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. A multa aplicada está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e parágrafo 3º, caput do artigo 283 e artigo 373 do RPS/1999, que, na data da autuação, correspondia a R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Em relação à comparação de multas, o Relatório Fiscal informa que aplicou a mais benéfica ao contribuinte a partir do quadro comparativo de multas: Faz parte deste Auto de Infração o relatório “SAFIS – Comparação de Multas”, onde é demonstrado a comparação de multas com o advento da MP 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida em Lei 11.941/09, de 27 de maio de 2009. De acordo com o Código Tributário Nacional – CTN a lei Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 339 5 aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista em lei vigente ao tempo da sua prática. A Recorrente teve ciência dos Autos de infração em 18.07.2011, conforme Aviso de recebimento AR às fls. 207. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 07/2006, 09/2006 a 13/2006, 02/2007, 03/2007, 05/2007e 13/2007. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa apresentou impugnação, em 17/08/2011, onde informa que optou pelo parcelamento de que trata a Lei 11.941, de 27/05/2009 e requer a possibilidade de inclusão de também esse débito em referido processo de parcelamento. Voltase contra a aplicação da multa em valor diferente do que prevê a alínea ‘c’, inciso I, artigo 35 da Lei 8.212/1991. Alega que a atividade fiscal não é discricionária e, portanto, a multa que lhe foi imposta está equivocada devendo por isso ser o lançamento anulado. Pondera que, não sendo anulado o lançamento, deve ser excluído o valor cobrado a maior da multa, pois sua aplicação à taxa de vinte por cento configurase verdadeiro abuso do poder fiscal. Entende que a multa de mora e os juros cobrados POSSUEM A MESMA NATUREZA JURÍDICA DE SANÇÕES RESSARCITÓRIAS, não há como se negar que está ocorrendo o chamado BIS IN IDEM, em decorrência da aplicação da mesma PENALIDADE por duas vezes. Assegura que os juros calculados com base na taxa do SELIC não podem ser aplicados como de mora, vez que essa taxa foi criada para remunerar o capital investido na compra de títulos públicos. No seu entender a cobrança dos juros calculados com base no SELIC é ilegal, pois não foi criada por lei, mas sim pela Resolução do Banco Central nº 11124/85. Cita o artigo 13 da Lei 9.065/95, artigo 161 do Código Tributário Nacional– CTN, artigos 150 e 192 da Constituição Federa de 1988, artigo 4º do Decreto 22.626/33, Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal, doutrina e jurisprudência para fazer valer sua tese. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 296, observa que a empresa não abordou as infrações lhes imputadas pela lavratura dos autos de infração nº 37.294.5384, 37.348.6316, 37.348.6324 e, tão pouco apresentou impugnações específicas para cada um deles. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0536.447 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir: Acórdão 0536.447 7 ª Turma da DRJ/CPS Sessão de 05 de janeiro de 2012 Processo 10932.720083/201151 Interessado LOTUS SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA CNPJ/CPF 49.319.882/000141 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA S Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente a matéria não expressamente impugnada. MULTA DE MORA. A multa de mora prevista na antiga redação do inciso II do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 não tem a mesma natureza da multa moratória instituída pelo artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, impedindo que esta retroaja para substituir aquela. SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros de mora está determinada por lei, o que impede a autoridade julgadora administrativa de apreciar as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE a impugnação apresentada e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO ora exigido, por meio dos Autos de Infração nº 37.294.5384, 37.348.6316, 37.348.6324 e 37.294.5376, conforme voto da relatora. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 340 7 À DRF jurisdicionante, para dar ciência deste acórdão ao sujeito passivo e demais providências. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação e combatendo a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Solicita a inclusão do débito no parcelamento da Lei 11.941/2009 (ii) Questiona a imposição da multa de 75% sobre o valor do imposto devido efeito confiscatório da multa No presente caso, houve imposição de multa de 75% (setenta e cinco por cento)sobre o valor do pretenso Imposto devido, conforme se depreende do próprio auto de infração. "Data vénia", a multa aplicada à base de 75% (setenta e cinco por cento) pela ilustre autoridade fiscal, configurase num verdadeiro abuso do poder fiscal, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado. Nesse passo, a norma insculpida no artigo 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco está sendo desrespeitada, cabendo, portanto, tanto aos Tribunais Administrativos como aos Judiciais coibir as multas exigidas de feitio confiscatório. Aliás, a jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal é mansa e pacífica neste sentido e determina reduzir as multas excessivas aplicadas pelo fisco. (...) Impugnante, cumpridora dos seus deveres para com o fisco, ressalta estar plenamente imbuída da consciência cívica e política a que alude o ilustre Professor, porém, no estrito cumprimento de seus deveres, não pode concordar de forma alguma, com a cobrança de multa excessiva e confiscatória a base de 75% do valor principal, pois tal fato não é condizente com a realidade democrática pela qual atravessa o país e, que vai de encontro aos ditames constitucionais. (iii) Da cobrança concomitante de multa e juros de mora Além das multas moratórias estão sendo cobrados juros dessa mesma natureza. Tanto uma quanto a outra POSSUEM A MESMA NATUREZA JURÍDICA DE SANÇÕES RESSARCITÓRIAS, não há como se negar que está ocorrendo o chamado BIS IN IDEM em decorrência da aplicação da mesma PENALIDADE por duas vezes, ou seja, pela cobrança de multa Fl. 343DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 pela mora e juros pela mora que como visto possuem a natureza jurídica e função equivalentes. (iv) Impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC como taxa de juros moratórios Ainda que fosse possível a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, o que de fato não pode ocorrer, tendo em vista que a SELIC é taxa de juros remuneratórios, não podendo ser aplicada como juros moratórios. Assim, sua cobrança é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei, como abaixo restará demonstrado. Como mencionado anteriormente, a Taxa SELIC foi instituída pela Resolução do Banco Central n° 11124/85, tendo sua definição mais recente sido feita pela CIRCULAR BACEN n° 2900/99. Portanto, toda a definição do que seja a taxa SELIC e como ela está concentrada em meras resoluções do Banco Central, não existindo nenhuma lei que estabeleça o que vem a ser esta Taxa e como ela é composta está concentrada em meras resoluções do Banco Central, não existindo nenhuma lei que estabeleça o que vem a ser esta Taxa e como ela é composta. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 341 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Preclusão de discussão de matéria não impugnada Analisemos. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 296, observa que a empresa não abordou as infrações lhes imputadas pela lavratura dos autos de infração nº 37.294.5384, 37.348.6316, 37.348.6324 e, tão pouco apresentou impugnações específicas para cada um deles. Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e do art. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Fl. 346DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 342 11 Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, temse que a matéria de direito não argüida pela Recorrente em sede de Impugnação ocasiona a preclusão da discussão de matéria de direito neste momento processual do Recurso Voluntário. Portanto, considerase ocorrida a preclusão da discussão das matérias elencadas nos autos de infração:(i) AIOA nº. 37.294.5384, CFL 78, com valor inicial de R$ 5.000,00; (i) AIOA nº. 37.294.6316, CFL 91, com valor inicial de R$ 1.523,57; (iii) AIOA nº. 37.348.6324, CFL 37, com valor inicial de R$ 1.523,57. DO MÉRITO (i) Solicita a inclusão do débito no parcelamento da Lei 11.941/2009 Analisemos. A Recorrente deve verificar a possibilidade de adesão a parcelamentos na Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, posto que o CARF não é a instância adequada para análise de tal requerimento administrativo. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Questiona a imposição da multa de 75% sobre o valor do imposto devido efeito confiscatório da multa. No presente caso, houve imposição de multa de 75% (setenta e cinco por cento)sobre o valor do pretenso Imposto devido, conforme se depreende do próprio auto de infração. "Data vénia", a multa aplicada à base de 75% (setenta e cinco por cento) pela ilustre autoridade fiscal, configurase num verdadeiro abuso do poder fiscal, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado. Nesse passo, a norma insculpida no artigo 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco está sendo desrespeitada, cabendo, portanto, tanto aos Tribunais Administrativos como aos Judiciais coibir as multas exigidas de feitio confiscatório. Aliás, a jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal é mansa e pacífica neste sentido e determina reduzir as multas excessivas aplicadas pelo fisco. (...) Impugnante, cumpridora dos seus deveres para com o fisco, ressalta estar plenamente imbuída da consciência cívica e política a que alude o ilustre Professor, porém, no estrito Fl. 347DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 cumprimento de seus deveres, não pode concordar de forma alguma, com a cobrança de multa excessiva e confiscatória a base de 75% do valor principal, pois tal fato não é condizente com a realidade democrática pela qual atravessa o país e, que vai de encontro aos ditames constitucionais. Analisemos. A Recorrente argumenta que a aplicação da multa de 75% possui efeito confiscatório. No entanto, compulsandose os autos, observase no Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 53 a 55, que na presente autuação fiscal, AIOP nº 37.294.5376, não foi aplicada a multa de ofício de 75 %. No mesmo sentido, o Relatório Fundamentos legais do Débito DD, às fls. 56 a 57, também não apresenta qualquer referência à multa de ofício de 75 %. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da cobrança concomitante de multa e juros de mora Além das multas moratórias estão sendo cobrados juros dessa mesma natureza. Tanto uma quanto a outra POSSUEM A MESMA NATUREZA JURÍDICA DE SANÇÕES RESSARCITÓRIAS, não há como se negar que está ocorrendo o chamado BIS IN IDEM em decorrência da aplicação da mesma PENALIDADE por duas vezes, ou seja, pela cobrança de multa pela mora e juros pela mora que como visto possuem a natureza jurídica e função equivalentes. Analisemos. Em relação aos juros, observase do Relatório Fundamentos legais do Débito DD, às fls. 56 a 57, a correta aplicação nos termos da legislação: 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 07/2006, 09/2006 a 13/2006, 02/2007 a 03/2007, 05/2007, 13/2007 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E Fl. 348DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 343 13 DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. Por outro lado, em relação aos acréscimos moratórios, devese observar o art. 35, Lei 8.212/1991 posto que a autuação principal AIOP nº 37.294.5376 trata de glosa de compensação indevida e tem como fundamento o art. 89, da Lei 8.212/1991 que limita a multa de mora a 20%, conforme se depreende do Relatório Fundamentos legais do Débito DD, às fls. 56 a 57: 705 COMPENSAÇÃO INDEVIDA 705.01 Competências : 07/2006, 09/2006 a 13/2006, 02/2007 a 03/2007, 05/2007, 13/2007 Multa de mora (0,33 % ao dia, limitada a 20%) compensação indevida Lei 8212/91 art. 89, parágrafo 9º: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei Os acréscimos moratórios previstos no art. 35, caput, da Lei 8.212/1991 (na redação dada pela Lei 11.941/2009): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 35, caput, da Lei 8212/91 se refere ao para o art. 61 da Lei 9.430/1996 o qual disciplina a aplicação da multa de mora: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(destacamos) Verificandose o Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 53 a 55, do AIOP nº 37.294.5376, bem como o Relatório Fundamentos legais do Débito DD, às fls. 56 a 57, e ainda o quadro comparativo de multas elaborado pela Fiscalização, constatase que a AuditoriaFiscal utilizou no cálculo da multa de mora o previsto no art. 35, lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a limitação da multa de mora a 20 %, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996. Diante do exposto, correta a aplicação dos acréscimos moratórios, não prosperando a argumentação da Recorrente. (iv) Impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC como taxa de juros moratórios Ainda que fosse possível a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, o que de fato não pode ocorrer, tendo em vista que a SELIC é taxa de juros remuneratórios, não podendo ser aplicada como juros moratórios. Assim, sua cobrança é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei, como abaixo restará demonstrado. Como mencionado anteriormente, a Taxa SELIC foi instituída pela Resolução do Banco Central n° 11124/85, tendo sua definição mais recente sido feita pela CIRCULAR BACEN n° 2900/99. Portanto, toda a definição do que seja a taxa SELIC e como ela está concentrada em meras resoluções do Banco Central, não existindo nenhuma lei que estabeleça o que vem a ser esta Taxa e como ela é composta está concentrada em meras resoluções do Banco Central, não existindo nenhuma lei que estabeleça o que vem a ser esta Taxa e como ela é composta. Analisemos. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91 (na redação à época dos fatos geradores): Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.720083/201151 Acórdão n.º 2403002.534 S2C4T3 Fl. 344 15 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18490.000078/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECISÃO DEFINITIVA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Tendo sido o crédito indicado para fins de compensação analisado em processo administrativo diverso e ocorrendo decisão definitiva acerca do não reconhecimento, as correspondentes compensações consideram-se não homologadas.
Numero da decisão: 1301-001.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18490.000078/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.524 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria CSLL/COMPENSAÇÃO Recorrente ALBRAS ALUMINIO BRASILEIRO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECISÃO DEFINITIVA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tendo sido o crédito indicado para fins de compensação analisado em processo administrativo diverso e ocorrendo decisão definitiva acerca do não reconhecimento, as correspondentes compensações consideramse não homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 00 00 78 /2 01 0- 03 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Por bem relatar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: “Versa o presente processo sobre declarações de compensação n°s 35281.75113.120608.1.3.036331 (fls.2/7), 38862.57754.140708.1.3.037949 (fls.8/11) e 30917.74722.120808.1.3.032204 (fls.12/15) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL exercício 1993, ano calendário 1992 no montante de R$ 13.674.623,70 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta das DCOMP's, o crédito em questão teria sido pleiteado via processo administrativo 13204.000099/200780. Por intermédio do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0447 e respectivo Despacho Decisório de 10/05/2010 (fls.20/24), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem se ampara nos termos do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0197 e respectivo Despacho Decisório de 03/03/2010 (fls.16/19), proferidos no processo administrativo n° 13204.000099/200780. Nesse último, a unidade de origem considerou não formulado o pedido de restituição de saldo negativo CSLL ano calendário 2002 pelo fato do contribuinte ter se utilizado de formulário em papel para requerer a restituição, enquanto que a legislação (§§2° a 4 o do art.76 da INSRF600/2005) determinaria que o pleito fosse efetuado via programa PER/DCOMP. Além disso, afirmou que o pleito estaria alcançado pela decadência. Ainda em relação ao processo administrativo n° 13204.000099/200780, pelo fato do pedido ter sido considerado não formulado, não foi permitida a apresentação de manifestação de inconformidade para a DRJ/BEL ao amparo do § 13 do art.74 da Lei 9.430/96, todavia, foi admitida a apresentação de recurso à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil com fundamento nos arts.56 a 65 da Lei 9.784/99. Tendo tomado ciência do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0447 e respectivo Despacho Decisório em 11/10/2010 (fl.30), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 10/11/2010 (fls.32/64), via procurador (fls.65/92), alegando em síntese que: 1. A origem da presente discussão remonta a auto de infração lavrado contra a requerente em 1996, do qual fora formalmente notificada em 13/12/1996, instandoa a recolher aos cofres da requerida o valor, à época, de 15.558.794,58 UFIR, relativo à CSLL dos meses de janeiro a abril/1992; 2. Os valores exigidos logo reduziramse aos meses de janeiro, fevereiro e março e uma pequena parcela de abril, já que grande parte da exação de abril/1992 foi excluída pelo fato da autoridade administrativa reconhecer o pagamento; 3. A razão da autuação repousara em pretensa desobediência ao art. 87, § 2° da Lei 8.383/1991, porquanto desde janeiro de 1992 a CSLL teria de ser recolhida mês a mês, de acordo com o resultado de cada exercício mensal, deixando de viger o regime anual; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 18490.000078/201003 Acórdão n.º 1301001.524 S1C3T1 Fl. 12 3 4. A requerente não recolheu a CSLL de janeiro a março/1992 por entender que deveria ser aplicada a anterioridade nonagesimal, constante do art.195, §6° da CF/88; 5. A autora ostentava prejuízos acumulados a compensar, os quais em sendo realizados, extinguiriam os pretensos lucros dos ditos meses de janeiro a março/1992 (vide Balanço e Demonstrações Financeiras da declaração de rendimentos dos anos calendário 1990 e 1991); 6. Considerando a não vigência da lei 8.383/91 para o 1o. trimestre/1992, a apuração do lucro desses meses restaria submetida ao balanço anual, cujo resultado fora de prejuízo, inexistindo enfim base positiva/lucro para a tributação pela CSLL; 7. Através do Acórdão n° 10193.406 foi denegada a pretensão de compensação dos prejuízos dos anos calendário 1990 e 1991, mas se registrou que a legislação permitira tal quitação compensatória para o ano calendário de 1992 em diante; 8. Como a ALBRAS apurou prejuízo ao final do ano calendário 1992, caso houvesse pago a CSLL nos meses de janeiro a março/1992, faria jus, por óbvio, à compensação do prejuízo daquele com resultados anteriores; 9. Em suma, a requerente foi instada a pagar e posteriormente compensar o que pagou e, ainda, pagar sobre o prejuízo, já que não houve lucro algum em 1992; 10. Em Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 14/03/2005, decidiu que a compensação dos prejuízos acumulados poderia ocorrer do ano calendário 1992 em diante; (transcreve trechos do acórdão); 11. Sendo comunicada da decisão administrativa final que negara a anterioridade nonagesimal e a compensação dos prejuízos acumulados nos anos de 1990 e 1991, a requerente procedeu ao pagamento via PER/DCOMP n° 07663.20813.140605.1.3.024465 em 14/06/2005 com crédito do IRPJ/2005, ano calendário 2004; 12. Como demonstrado e comprovado, não havia CSLL a pagar em 1992 e a empresa até poderia ter pedido o ressarcimento logo em seguida à compensação ainda em 2005 para recuperar os créditos de IRPJ utilizados para quitação da CSLL, mas o fez dois anos depois em 31/10/2007, quando ainda havia prazo para tanto, pois, o prazo qüinqüenal para pedir a restituição começa a contar do pagamento indevido, que ocorrera em 14/06/2005; 13. Logo, não poderia pleitear a restituição já que a CSLL 1992 somente tornouse exigível em 2005, quando finalmente encerrouse o processo administrativo fiscal onde a mesma fora cobrada; 14. Nas próprias ementas, tanto do Conselho de Contribuintes quanto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é explicitamente mencionado que a compensação de prejuízos passou a ser permitida para o ano calendário 1992 em diante; 15. Em resposta ao pedido de restituição da CSLL 1992, paga com juros e demais encargos com crédito e IRPJ ano calendário 2004, no valor histórico original, sobreveio o surpreendente despacho decisório homologando o aludido Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010, indeferindo o pleito porque padeceria de extemporaneidade; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 16. O vertente Despacho Decisório que homologou o Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0447 de 10/05/2010, adotando como fundamentação para a não homologação do crédito apresentado as razões constantes do Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010, há que ser revisto; 17. 0 referido Despacho Decisório no presente processo 18490.000078/2010 03, referindose ao exercício de 1993, ano calendário 1992, informa ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição eis que formulado em 31/10/2007; (transcreve trechos do Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010); 18. Resta evidenciado que a requerente fora autuada indevidamente, por CSLL em um ano onde apurou prejuízo, durando a discussão administrativa quase dez anos, após os quais fora compelida a pagar a exação sabidamente indevida, pedindo em seguida a compensação de tal pagamento indevido, seguindo orientação do próprio órgão fazendário; 19. 0 pedido de restituição efetuado em 31/10/2007 está dentro do prazo legal de cinco anos, mesmo considerando os cinco anos pela aplicação da Lei Complementar n° 118/2005; (transcreve artigos 207, 173, 199, 109 e 110 do CTN, doutrina e jurisprudência do STJ a respeito); 20. Enquanto a decisão administrativa em face do auto de infração de CSLL 1993/1992 não fora proferida, o prazo não havia se vencido, pendia condição suspensiva, de modo que seria impensável argüir consumação da prescrição ou decadência; 21. Consumado o pagamento indevido em 2005, exsurgiu a pretensão e/ou direito potestativo à compensação/restituição que fora enfim realizada em 2007, de modo que a decisão administrativa definitiva do Ministério da Fazenda constituíra se até aquele momento, condição indispensável ao exercício do direito à restituição, (transcreve doutrina a respeito e exemplo de caso envolvendo pagamento indevido de PIS e COFINS); 22. Em que Instrução Normativa, Decreto, Lei Ordinária, Complementar ou preceito constitucional baseouse a autoridade fazendária para solenemente afirmar que a compensação realizada pelo contribuinte em 31/10/2007 em face de um débito de CSLL do exercício 1993, ano calendário 1992, que até 2005 não era sequer líquido, certo e tampouco exigível, sucedera extemporaneamente?; 23. Consoante o art.165 do CTN, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; 24. No mesmo sentido, o art.74 da Lei 9.430/96, estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão; 25. Não há como opor invalidade ao Pedido de Restituição/Declaração de Compensação de saldo negativo CSLL exercício 1993, ano calendário 1992, vez que tal procedimento fora feito dentro da mais estrita legalidade; 26. Na ocasião em que fora, enfim, realizado o julgamento do processo 13204.000003/9688, mais de nove anos depois, o sistema utilizado já era eletrônico não permitindo que fosse feito por essa via, pedido relativo a crédito de 1992; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 18490.000078/201003 Acórdão n.º 1301001.524 S1C3T1 Fl. 13 5 27. Requer o reconhecimento do direito creditório referente a saldo negativo CSLL ano calendário 1992 no valor de R$ 13.674.623,71 e a homologação das compensações. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: despacho SEORT/DRF/BEL n° 978/2006 processo 13204.000003/9688 (fl.206), Acórdão CSRF n° 0105.184 de 14/03/2005 processo 13204.000003/9688 (fls.217/223), demonstrativo de débito (fl.225), cópia DIPJ/2005 ano calendário 2004 (fls.230/232 e 275/277), demonstrativo atualização CSLL janeiro a março/1992 (fl.249), Acórdão 1o. CC n° 10193.406 de 22/03/2001 (fls.280/288), Decisão DRJ/BLM n° 153/9722.01 (fls.312/317), cópia declaração rendimentos exercício 1993 ano calendário 1992 (fls.348/358), despacho (fl.382) e tela do COMPROT (fl.383). Foi juntado a este, por apensação, o processo administrativo 10280.720796/201055, o qual trata das declarações de compensação já sendo analisadas no processo administrativo n° 18490.000078/201003.” A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/BELÉM) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0121.658, de 12/05/2011 (fls. 390), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 1992 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo, porque essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. O mesmo ocorre com as decisões judiciais citadas, com aplicação restrita às partes envolvidas naqueles litígios. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECISÃO DEFINITIVA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tendo sido o crédito indicado para fins de compensação analisado em processo administrativo diverso e ocorrendo decisão definitiva acerca do não reconhecimento, as correspondentes compensações consideramse não homologadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Convém salientar que os autos do presente processo veio a julgamento por esta Turma Ordinária em Sessão do dia 08 de agosto de 2012, da qual os membros da Turma acordaram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte (DRF/BELÉM) adote as providências no sentido de apensar a este, o processo administrativo 10280.003347/200581 em que foi analisado a PER/DCOMP 07663.20813.140605.1.3.024465, transmitida em 14/06/2005 e, objeto do pagamento da CSLL dos meses de janeiro a abril do ano calendário de 1992. É o relatório. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório e voto recorrido vêse que o presente processo trata sobre declarações de compensação (DCOMPs) apresentadas em 12/06/2008, em que a ora recorrente indica crédito de saldo negativo CSLL, exercício 1993, ano calendário 1992, no montante de R$ 13.674.623,70 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta das DCOMP's, o crédito em questão teria sido pleiteado via processo administrativo 13204.000099/200780. Nesta fase recursal a interessada repete com algumas variações as argumentações iniciais, cita vasta doutrina e jurisprudência a respeito da matéria, em especial, a Lei Complementar 118, de 2005 e, finaliza sua defesa com o seguinte pedido: “Seja CONHECIDO e PROVIDO integralmente o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, porque regular e tempestivamente apresentado, a fim de considerar HOMOLOGADAS as PER/DCOMPs 35281.75113.120608.1.3.036331, 38862.57754.140708.1.3.037949 e 30917.74722.120808.1.3.032204, reconhecendo o direito creditório referente ao Saldo Negativo da CSLL ano calendário 1992 constante do processo administrativo 13204.000099/200780.” De início, constatase que o direito creditório conforme pleiteado, de fato, fora analisado no processo administrativo 13204.000099/200780 e considerado NÃO FORMULADOS, conseqüentemente não declarados, pois não observados as disposições dos §§ 2° a 4° do art. 76 e art. 31 da Instrução Normativa SRF 600, de 2005, ou seja, não utilizou o Programa PER/DCOMP para formular o pedido de restituição. Nos autos do presente processo, então a Unidade de origem bem como a Turma de Julgamento em primeira instancia, decidiu pela não homologação das compensações haja vista que o crédito indicado já foi objeto de análise em processo administrativo diverso (13204.000099/200780), tendo, inclusive, a decisão definitiva na esfera administrativa. Alega a recorrente que a origem da demanda remonta ao auto de infração lavrado no ano de 1996, relativo a CSLL dos meses de janeiro a abril de 1992 (processo administrativo 13204.000003/9688) e, cujo deslinde se deu somente em 14 março de 2005 (Acórdão CSRF/0105.184), logo, entende, que os créditos tributários tornaramse exigíveis após esta data. Daí ter efetuado o pagamento da CSLL, dos meses de janeiro a abril de 1992, (após decisão final que lhe foi desfavorável), com crédito de imposto de renda do ano calendário de 2004, por intermédio da PER/DCOMP 07663.20813.140605.1.3.024465 transmitida em 14/06/2005. Nos autos do presente processo (18490.000078/201003), como já relatado, o indeferimento das compensações pleiteadas pelas autoridades administrativas que me precederam tem como fundamentos (i) a unidade de origem considerou não formulado o pedido de restituição de saldo negativo CSLL ano calendário 1992 pelo fato do contribuinte ter Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 18490.000078/201003 Acórdão n.º 1301001.524 S1C3T1 Fl. 14 7 se utilizado de formulário em papel para requerer a restituição e, (ii) alegam ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição eis que formulado em 31/10/2007, (Parecer SEORT /DRF/BEL n° 0197/2010). Pois bem, no caso, a questão que se coloca é o pagamento da CSLL do ano calendário de 1992 (meses de janeiro a abril) através do PER/DCOMP 07663.20813.140605.1.3.024465, transmitida em 14/06/2005, (processo administrativo 10280.003347/200581) conforme alegado pela recorrente. Diante dos fatos expostos, o presente processo foi baixado em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte (DRF/BELÉM) adote as providências no sentido de apensar a este, o processo administrativo 10280.003347/200581. Da diligência extraise o seguinte relatório: Em atendimento à DRF/BELÉM (PA) apensou o referido processo, com a devida ciência a interessada, que não se manifestou. Da analise do processo apensado (10280.003347/200581) extraise a seguinte conclusão: O crédito acima reconhecido (no valor de R$ 93.614.071,97) deve ser utilizado na quitação dos débitos compensados conforme Quadro IV DCOMP ADMITIDAS APÓS ANÁLISE (fl.616), constante do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0474/2010. Isto posto, voto no sentido de reconhecer o direito creditório referente a saldo negativo IRPJ anocalendário 2004 no valor de R$ 93.614.071,97 e declaro homologada a compensação dos débitos indicados nas DCOMP's relacionadas no Quadro IV, (fl.616). No referido Quadro IV (fls.616), naquilo que nos interessa, encontrase relacionada na situação admitida a Dcomp 20418.84636.210808.1.7.028026, esta, esclareça se, retifica a Dcomp em discussão (07663.20813.140605.1.3.024465), na qual a ora recorrente pretende extinguir os débitos da CSLL dos meses de janeiro a abril de 1992 (ORIUNDOS DE AUTO DE INFRAÇÃO), por compensação com o SNIRPJ, AC/2004 e, decidiuse pela homologação até o limite do crédito reconhecido (Parecer Seort/DRF/Belém 0474/2020 e Despacho Decisório no Processo 10280.003347/200581, fl. 618/619). Por tais razões, constatase às fls. 645, extrato de encerramento por compensação SIEF dos citados débitos de CSLL oriundos de auto de infração (Processo: 13204.000003/9688) nos seguintes valores em UFIR: 1.387.037,85 (janeiro/1992); 10.767.363,03 (fev/1992) e 2.855.745,35 (mar/1992). Valor total em reais na PerDcomp R$ 45.928.958,61. Sem dúvida, o que se vê, é que o processo apensado (10280.003347/2005 81), trata, na espécie, de Saldo Negativo do IRPJ, ano calendário de 2004 e, que serviu, entre outras compensações, para a extinção dos débitos retro mencionados. Não há, no entanto, nenhuma vinculação deste processo ((10280.003347/200581) com o processo ora em análise (que trata da SNCSLL, ano Fl. 474DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 calendário/1992, no montante de R$ 13.674.623,70, do qual restou não homologado pelas razões já declinadas (Processo 13204.000099/200780). Pelo exposto, voto no sentido de manter a não homologação do SNCSLL, ano calendário 1992, no montante de R$ 13.674.623,70 (compensação em papel não reconhecida, portanto, não declarada), haja vista a definitividade do quanto decidido naquele processo 13204.000099/200780, pelo que NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 475DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10950.904831/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 31 /2 01 2- 19 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904831/201219 Acórdão n.º 3801004.471 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10314.002169/2002-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Tratando-se de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta que a fiscalização apenas apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindo-lhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos extraídos dos produtos importados, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.474
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Declarou-se impedido o conselheiro Mara Cristina Sifuentes. Fez sustentação oral dr Alberto Daudt de Oliveira OAB/RJ 50952.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratando-se de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta que a fiscalização apenas apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindo-lhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos extraídos dos produtos importados, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Declarou-se impedido o conselheiro Mara Cristina Sifuentes. Fez sustentação oral dr Alberto Daudt de Oliveira OAB/RJ 50952. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratandose de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta que a fiscalização apenas apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindolhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos extraídos dos produtos importados, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Declarouse impedido o conselheiro Mara Cristina Sifuentes. Fez sustentação oral dr Alberto Daudt de Oliveira OAB/RJ 50952. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 21 69 /2 00 2- 94 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 3402002.474 S3C4T2 Fl. 427 3 Relatório Trata o processo de Auto de Infração relativo à diferenças de II, IPI, juros de mora e multa de mora, com fundamento no art. 530 do Regulamento Aduaneiro e no art. 61, §3º da Lei 9.430/96, e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/97 (quanto a multa de mora). A fiscalização entendeu, baseada na Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF n° 007, de 13/02/2002, que a correta classificação da mercadoria seria na Posição NCM 8471.80.19, referente a “Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, enquanto a contribuinte importou as mercadorias declarando serem “Roteadores digitais com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos, modelo Cisco AS 5300”, classificandoos na Posição NCM 8517.30.62 relativa a “Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia, com velocidade de interface serial de, pelo menos, 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos”. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do despacho decisório, a interessada apresentou, tempestivamente, impugnação, expondo em sua defesa as razões de fatos e direito a seguir sintetizadas: i. Contesta a Solução de Consulta DIANA/SRRF/8a. RF n° 007/2002, que classificou as mercadorias em questão na posição TEC 8471.80.19 e afirma ter levado o assunto a apreciação da COANA, pois que o AS 5300 não seria capaz de realizar quaisquer das funções previstas na nota 5A do capítulo 8471. ii. Afirma que modens e roteadores não se classificam na posição referida. Quanto aos roteadores, salienta que sua exclusão dessa posição resulta de disposição expressa da Instrução Normativa 157 de 10 de maio de 2002. iii. Aduz que o AS 5300 é uma parte dos aparelhos de telefonia da posição 8517. iv. Salienta que a IN SRF 123/98 vigorava quando dos fatos geradores, inaplicável portanto a IN SRF 157/2002. v. Traz favorável manifestação do INT, indicando o laudo que a função principal do equipamento é a de roteador, apesar de servir como servidor de acesso. Segue pontuando que: “se retirada a função de roteador, ele não funciona como servidor de acesso. Todavia, funciona como roteador se eliminada a função de servidor de acesso.” vi. Afirma haver, na decisão de consulta, inobservância ao art. 30 do Decreto 70.235/72. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA Distribuído o processo à 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), a mesma julgou a Impugnação Improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, proferindo o Acórdão 1716.876, datado de 29/11/2006, cuja ementa restou assim consignada: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002 Ementa: Nos termos da solução de consulta protocolada pela própria interessada, o produto Cisco AS 5300 deve ser classificado na posição 8471.80.19. Ao não respeitar a classificação proposta na consulta, a interessada incorre na diferença dos tributos, seus juros e penalidades cabíveis. Lançamento Procedente. Inicialmente a DRJ entende que a questão controversa resolveuse a partir da Solução de Consulta DIANA/SRRF/8a.RF n° 007, de 13/02/2002, carreada aos autos, segundo a qual a mercadoria objeto do presente processo deve ser classificada no código 8471.80.19 da NCM. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA Cientificado do Acórdão da DRJ/SPOII em 26/12/2006 o contribuinte apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 24/01/2007, argumentando, em síntese: I. Que a decisão não está fundamentada, violando o art. 30, do Decreto 70.235/72, sendo por este motivo, nula. II. Que as mercadorias importadas classificamse não na posição indicada pela consulta, mas na Posição 8517.30.62 da TEC, onde, com base em laudo do INT foram classificadas. III. Que se algum imposto fosse devido, a quantia lançada seria indevida, uma vez que os juros de mora foram calculados também em relação ao período de pendência da consulta mediante utilização da taxa SELIC, em inobservância aos parágrafos 1º e 2º do CTN, sendo que a multa não seria devida. Requer, ao final, o provimento do Recurso Voluntário a fim de se reformar a decisão recorrida, anulando e tornando sem efeito o auto de infração. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTÂNCIA Após a análise do Recurso Voluntário interposto pela interessada, a Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu, através do Acórdão de nº Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 3402002.474 S3C4T2 Fl. 428 5 30240.016, de 10/12/2008, fls. 207/214, por unanimidade de votos, anular o processo a partir da decisão de primeira instância por entender que a mesma não analisou as razões expostas na impugnação, em especial, a matéria já tratada no processo de consulta. Eis a Ementa do Acórdão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002 Ementa: É nula a decisão que deixa de apreciar matéria impugnada pelo contribuinte, por preterição ao direito de defesa. Processo Anulado.” Esclarece o acórdão que ao contrário do que entende a turma julgadora de primeira instância, a Solução de Consulta não vincula o consulente e que o assunto classificação tarifária deve ser apreciado pela DRJ pois que, as soluções proferidas nas consultas se transformariam em uma verdadeira exigência para a qual não se admitiria a instauração do devido processo legal nos moldes em que ele foi concebido no âmbito administrativo. Segue afirmando que “não ha nada de estranho em se admitir que a manifestação da administração sobre a correta interpretação de uma determinada norma possa conduzir o contribuinte a um entendimento em sentido oposto, na medida em que estejam nela contidos argumentos e fundamentos que agreguem novos conceitos capazes complementar o entendimento sobre o assunto e levar o consulente a formar sua convicção, mesmo que contrária ao entendimento manifesto. Isso não significa, é claro, que a consulta não possa ter efeito contrário a esse, levando o contribuinte à adoção do entendimento veiculado, como esperase que, de fato, normalmente ocorra.” Salienta que as Soluções de Consulta não se confundem com um regulamento ou ato normativo. Discorda ainda que a legislação vincula mercadoria a classificação indicada na Solução de Consulta, sendo que se assim fosse, haveria lançamento de multa agravada no caso de inobservância da solução consignada, sendo este o teor da IN 569/05, na parte em que disciplina os efeitos da Consulta. Por fim, declara nula a decisão de primeira instância. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII apresentou EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ao Acórdão 30240.016 do Egrégio Conselho de Contribuintes, conforme consta as fls. 272/277, entendendo que o Acórdão prolatado por aquela 2ª Turma esclarece que a impugnação apresentada trata da mesma discussão já levada ao conhecimento da Administração por meio do processo de Consulta e, por essa razão, não poderia apreciar qualquer manifestação relativa a esse aspecto. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Através do Acórdão de nº 310201.406, de 21/03/2012, fls. 284/288, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais rejeitou os Embargos de Declaração, cuja Ementa do referido Acórdão transcrevese: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos quando não demonstrada a contradição no acórdão embargado.” DO 2° JULGAMENTO PELA DRJ Em face da anulação da 1ª decisão de primeira instância, houve prolação de novo julgamento, pela 11ª Turma da DRJ/SP1, que adentrando ao mérito da classificação de mercadorias, proferiu Acórdão cuja ementa está assim colacionada: Acórdão 16.043.401 – 11ª Turma da DRJ/SP1 Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 12/12/2000 a 17/01/2002 Ementa: O equipamento CISCO AS 5300 é um servidor remoto, com correta classificação fiscal 8471.80.19, conforme entendeu a fiscalização. Para o caso, existe Solução de Consulta regularmente exarada especificamente para a mercadoria objeto do litígio fiscal, a pedido da própria autuada. Cabíveis a diferença do tributo, juros e multa de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Em síntese, na decisão de piso afirma a autoridade julgadora, antes do exame da matéria que “o presente litígio se restringirá àquelas questões cujo fundamento é suficiente à compreensão das razões de decidir e da defesa apresentada, com supedâneo no entendimento que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações da impugnante, consoante se depreende do Recurso Especial no 779.680 MG (2005/01490020), julgado em 12.12.2005”, o qual é transcrito. Sustenta que a interessada apresentou o pedido de consulta de classificação da mercadoria juntamente com o laudo do INT, sendo a solução de consulta exarada especificamente para a mercadoria objeto do litígio fiscal, a pedido da própria interessada, devendo ser o referido documento considerado porquanto vinculador. Independentemente do resultado da Consulta, ressalta que ainda que o produto apresente a função de roteamento, o equipamento em questão é mais do que isso. Os conceitos de unidade e de interconexão o levam à posição 8471, mais precisamente para 8471.80.19, relativa a “Outras unidades de controle ou de adaptação para máquinas automáticas para processamento de dados”, como entendeu a fiscalização. Reforça seu Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 3402002.474 S3C4T2 Fl. 429 7 entendimento de que o resultado da Consulta é vinculante, fundamentando referido posicionamento. Quanto aos juros moratórios, afirma serem devidos em razão de não terem sido efetuados os pagamentos dos tributos no prazo previsto na legislação, conforme determina, em seu §3º, o art. 61 da Lei 9.430/96 e devem ser calculados à taxa SELIC. Por fim, considera correta a classificação no código NCM 8471.80.19 e vota pela procedência do lançamento. DO SEGUNDO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão 16043.401 da DRJ/SPOI em 07/02/2013 o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 11/03/2013, repisando os fundamentos até então utilizados, argumentando, em síntese: No mérito, novamente questiona a ofensa ao art. 30, Decreto 70.235/72 e afirma que se cabe à DIANA competência para responder a consulta formulada pela contribuinte, por outro lado, caberia a INT competência para analisar os dados técnicos do produto consultado. Segue reiterando sua posição como correta, quanto a classificação fiscal adotada e debate mais uma vez as funções do equipamento AS 5300, utilizandose do laudo a fim de explicar que se retirada a função de roteador, o aparelho não funcionaria como servidor de acesso, sendo por tal motivo, incorreta a classificação do fisco. Traz julgados favoráveis ao seu entendimento, proferidos pelo CARF e pelo Processo de Consulta 45/03 da SRF da 7ª Região. Salienta que com o advento da Solução de Consulta DIANA/SRRF/8º nº 07/2002 e o novo entendimento adotado somente pode ser aplicado a fatos geradores ocorridos após instauração do processo de consulta, não devendo retroagir, ferindo o art. 146 do CTN. Aduz que, quando do despacho aduaneiro, o fisco tem a oportunidade de checar os produtos importados ”conferindo a classificação adotada pelo contribuinte. Nesse sentido, segue pontuando que ‘ainda que haja instituto de revisão aduaneira, esta não pode alterar o critério jurídico, aplicandoos retroativamente, e mesmo que pudesse, somente teria o condão de cobrar a diferença de tributo, jamais multa e juros nos termos do § 2º, art. 161 c/c art. 138 do CTN e art. 14 da IN 740/2007.” Que tendo a fiscalização todos os elementos para verificação do crédito tributário, como ocorre numa denúncia espontânea ou consulta, não pode posteriormente alterar seus critérios jurídicos para cobrar eventual diferença de imposto, acrescido de multas e juros. Quanto a incorreta aplicação dos juros moratórios, afirma haver equívoco seja no tocante as datas a partir das quais foram contados, seja ao aplicar a taxa SELIC para seu cálculo. Quanto aos juros de mora, diz terem sido calculados a partir das datas em que ocorreram os desembaraços aduaneiros das mercadorias importadas, sem levar em conta a pendência da resposta a consulta formalizada pelo sujeito passivo, conforme regulado pelo art. 161, do CTN. Aduz que, consoante o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, a taxa de juros deve Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 estar prevista em lei, não tendo cabimento a sua fixação unilateral pelo próprio fisco, como acontece com a Taxa Selic. Por fim, requer a reforma da decisão de 1ª instância, julgandose procedente seu pedido, cancelando a cobrança dos tributos, multas e juros, ou, caso se dê a procedência do lançamento, que a contagem seja feita nas formas defesas em sede deste Recurso. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes e demais páginas anexadas eletronicamente, no todo numerado até a folha 425 (quatrocentos e vinte e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 3402002.474 S3C4T2 Fl. 430 9 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de desenvolvimento válido e eficaz, de modo que dele tomo conhecimento. A análise dos autos dá conta de que o litígio tem como ponto principal de divergência a Classificação Fiscal do equipamento CISCO AS 5300, objeto das Declarações de Importação arroladas nos instrumentos de lançamento, sendo que o contribuinte sustenta trataremse de “roteadores digitais, com velocidade de interface serial de pelo menos 4Mbits, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos”, situados na Posição NCM 8517.30.62 da TEC, enquanto que a autoridade autuante, valendose da Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRegião Fiscal nº 07/2002, reclassificou referidos equipamentos para a Posição NCM 8471.80.19 relativos a “outras máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades”. Questionase ainda, alteração de critério jurídico e, também, questões relativas aos encargos incidentes sobre os lançamentos em questão. Inicialmente, pontuo que a matéria relativa à vinculação do contribuinte à Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRegião Fiscal nº 07/2002 já foi solucionada pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, tendo emergido a “coisa julgada administrativa” vinculando as partes ao entendimento de que efetivamente, para o caso em concreto, não é mais questionável a aplicabilidade da referida Solução ao caso dos autos, devendo, consequentemente, ser julgado o mérito relativo à Classificação Fiscal aplicável aos produtos importados. Sustenta a Recorrente que conforme dois Laudos Técnicos por ela acostados aos autos, de autoria do Instituto Nacional de Tecnologia – INT e do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico LSIT, os aspectos técnicos do equipamento descrito foram dissecados, porém, o Acórdão da DRJ recorrido, mesmo após a reforma da decisão pelo 3º Conselho de Contribuintes, acabou ainda se apegando unicamente na Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª Reg. 07/2002, a qual, no entanto, ao analisar os Laudos do INT e do LSIT, equivocouse quanto a conclusão, vez que o Laudo não classificou o equipamento (e nem poderia), mas apenas descreveu suas funcionalidades, estas quais, no entanto, corroboram a classificação adotada pela Recorrente, do que desponta estar incorreta a conclusão da Consulta. A controvérsia principal diz respeito ao fato de que o equipamento possui a função de roteador e de servidor de acesso integrados, mas que, se retirar a função de rotador de equipamento, a função de servidor de acesso não seria funcional, enquanto que mesmo se for retirada a função de servidor, o roteador funcionaria normalmente, já que este seria meramente acoplado àquele. Além disso, foi atestado pelos Laudos Técnicos apresentados pela Recorrente, que o equipamento apresentaria velocidade de interface serial superior a 4Mbits, preenchendo o requisito para enquadrarse na Posição relativa a “roteadores digitais, com velocidade de interface serial de pelo menos 4Mbits, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos”. Tais requisitos deslocariam o equipamento para a Posição NCM 85.17 relativo a equipamentos para telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital, sustentando ainda que nem os roteadores e nem os modens (igualmente acoplado ao equipamento em questão) isoladamente, são classificáveis na posição 84.71, por expressa exclusão da IN 157/2002 que aprova o texto da NESH. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Por sua vez, a decisão recorrida parte da classificação emergente da Solução de Consulta n° 07/2002, destacando que se possui a função de servidor de acesso, mesmo possuindo as funções de roteador e de modem, a Posição NCM estaria deslocada para o Capítulo 84.71, e na falta de subposição específica, utilizando as NESH, restaria a subposição 8471.80.19 relativa a “outras máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades”. Resta a este Colegiado, portanto, adentrar na análise técnica dos produtos importados e que foram objeto de revisão aduaneira, para o que, sem sombra de dúvidas, torna se indispensável o amparo na prova que sustenta o lançamento fiscal sob análise. Considerando, no entanto, que no caso de lançamento de ofício a prova para contrapor a classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo compete à Administração, que deve valerse de peritos com qualificação técnica específica e devidamente credenciados pela Receita Federal do Brasil, tenho que deveriam os lançamentos estar respaldados em Laudo Técnico elaborado pela Administração previamente ao lançamento, não sendo o amparo na classificação emanada unicamente da Solução de Consulta COANA n° 07/2002, suficiente para suprir o ônus da prova que incumbe ao Poder Público. A matéria, à obviedade, é preponderamente técnica, no sentido de se identificar se os produtos importados pelo sujeito passivo são servidores de acesso ou se são roteadores, se formam um todo indissociável, sua aplicabilidade e atributos, analisando se a funcionalidade que prepondera é a relativa à função de servidor de acesso ou a de roteador. Preliminarmente, analisando a Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRegião Fiscal nº 07/2002, verificase que a autoridade consultada expressamente discordou dos teores dos dois Laudos Técnicos (elaborado pelo INT e pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico – LSIT), nos seguintes termos: “Foram apresentados dois documentos, o primeiro é um Parecer Técnico emitido pela empresa Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico, em 20/02/2001 (constante às fls. 34 a 45) e o segundo, o Relatório Técnico n° 021/2001 do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), constante às fls. 47 a 58. Em ambos os documentos, observouse que o equipamento em análise realiza várias funções, destacandose as de servidor de acesso e roteador. Verificouse ainda que, retirada a placa de acesso, a função de roteamento continuava operante, porém, quando se desabilitava por software a função de roteamento, a função de acesso ficava prejudicada. Desta forma, concluiuse que a função de roteamento era a principal e a de servidor de acesso secundária. Porém esta linha de raciocínio não é sempre verdadeira. Características construtivas ou de projeto podem fazer com que blocos funcionais sejam diferentemente afetados quando da falta ou mal funcionamento de outros blocos. E isso não tornaria os blocos funcionais afetados menos importantes.” – {sic} Grifei. Assim sendo, entendeu a Solução de Consulta em sentido contrário ao que apontava o Laudo Técnico, e a autoridade autuante simplesmente fundamentou o lançamento tributário na Solução de Consulta, sem contrapor nenhuma prova técnica àquelas já acostadas à referida Solução de Consulta, mas que não foram acatadas em suas conclusões pelo órgão consultado. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 3402002.474 S3C4T2 Fl. 431 11 Consequentemente, tenho que a autoridade lançadora não cumpriu com o ônus que lhe incumbia de lastrear o lançamento com a prova de que a classificação que pretendia empregar estava tecnicamente correta, fazendoo a partir da análise do produto em questão e por perito credenciado pela Administração, para com isso, sustentar a reclassificação do produto em detrimento daquela empregada pelo contribuinte e lastreada em Laudos Técnicos pertinentes. Consequentemente, antes de se aferir se a função principal dos equipamentos importados seria a de servidor de acesso ou a de roteador, tenho que se deve perquirir se o lançamento está lastreado em prova suficiente para amparar a classificação fiscal, e se aplicase às importações concretamente realizadas pelo contribuinte. Isso porque, como bem se sabe, é ônus de quem alega a prova do direito de que se diz titular. Assim o estabelece o art. 333 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo tributário: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, em sede de Auto de Infração, em que a Administração impinge ao sujeito passivo a prática do fato gerador ou de uma infração, exigindolhe o tributo e aplicando lhe a penalidade correspondente, é ônus dela comprovar o fato constitutivo do direito ao crédito tributário correspondente. Discorrendo sobre o ônus da prova em sede fiscal, PAULO CELSO BERGSTROM BONILHA, em sua obra “Da Prova no Processo Administrativo Tributário” (Ed. LTR, 1992, p. 93), assim explicita: “De fato, com a obra de Gian Antonio Micheli, os efeitos processuais da presunção de legitimidade dos atos administrativos foram devidamente equacionados, evidenciando se a imprestabilidade dos argumentos que o invocaram para justificar a exoneração da prova da administração. Eis a lição do grande mestre peninsular: Não pode ser, ao reverso, invocada a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de dúvida’. Como bem salientou o saudoso e ilustre professor que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma ‘relevatio ab onere agendi’ e não uma ‘relevatio ab onere probandi’, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas este atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” – grifei. Assim sendo, considerando que não bastava a pura e simples aplicação da Solução de Consulta, já que esta, por seu turno, desconsiderou a conclusão da prova técnica produzida pelo LSIT e pelo INT, temse que os lançamentos em questão deveriam estar corroborados por prova técnica prévia, hábil e capaz para demonstrar trataremse os produtos importados, de servidores de acesso e que esta função preponderaria à de roteador, através de elementos técnicos e não de simples mídia com viés comercial extraída do “site” do fabricante, de modo que padecem de higidez os lançamentos, por contrariarem ao disposto no art. 9º, do Decreto nº 70.235/1972, assim vazado: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” (grifamos) Inclusive em caso análogo ao ora sob exame, a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara desta 3ª Seção do CARF proferiu julgamento unânime assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 17/04/2006 a 03/04/2008 FALTA DE PROVAS. É ônus do Fisco instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Em se tratando de um auto de infração relativo à classificação de mercadorias, fazse imperiosa a instrução do lançamento com as declarações de importação e outras provas que corroborem a nova classificação imposta pela fiscalização. CIRCUITOS INTEGRADOS HÍBRIDOS. Restando demonstrado que as mercadorias importadas pela Interessada atendem aos requisitos previstos no texto da NESH referente à posição NCM 8542, é de se concluir que as premissas aduzidas pela fiscalização não devem prosperar, quer no plano formal, quer no plano material. (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão 3201001.170. Sessão de 27 de novembro de 2012). Aqui, não há a juntada das Declarações de Importação, assim como não há Laudo de Avaliação produzido pela Administração, acostado ao lançamento. Assim sendo, em face do que se viu, embora, se para Administração não é possível refazer a classificação atribuída pelo sujeito passivo sem se verificar concretamente o produto efetivamente importado (já que se trata de revisão aduaneira), e também não seja possível para o órgão julgador firmar categoricamente que o produto correspondeu à descrição Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.002169/200294 Acórdão n.º 3402002.474 S3C4T2 Fl. 432 13 aposta nas DI’s (já que se trata de produtos já internalizados), resta claro que realmente a matéria prescindiria de avaliação técnica dos produtos, a cargo da Administração tributária, previamente ao lançamento. Além disso, quanto a análise da questão posta no recurso voluntário de que estaria havendo mudança de critério jurídico, seria indispensável que se verificassem as Declarações de Importação para se aquilatar os canais de conferência aduaneira empregados quando dos desembaraços aduaneiros, o que, todavia, igualmente resta prejudicada pela falta de juntada aos autos de infração, das referidas DI’s que foram objeto da revisão aduaneira, redundando em falta de prova para aferição mais profunda da questão. Por outro lado, esta Turma julgadora já apreciou matéria similar e concluiu, por unanimidade de votos, no sentido da necessidade de produção de prova técnica a cargo da Administração, como soa concluir pela seguinte Ementa: Assunto: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratandose de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindolhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. (CARF. Terceira Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão 3402002.015. Processo n° 15165.002600/201087 Sessão de 27 de fevereiro de 2013). Assim, à míngua de prova técnica cujo ônus incumbia à Administração Tributária, tenho que não seja possível esgotar as funcionalidades dos produtos importados, até porque as conclusões dos Laudos Técnicos constantes dos autos, produzidos pela Recorrente, foram desconsideradas quando da emissão da Solução de Consulta n° 07/2002, de modo que acabaram tornandose inócuos para a solução do litígio, sendo que, então, deveria ter sido produzida prova técnica pela Administração, através de seus peritos credenciados, para então amparar a alteração de classificação emergente dos lançamentos. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. É como voto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006641/00-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1995, 1996
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. EXECUÇÃO DE ACÓRDÃO DO CARF. NOVA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CABIMENTO.
A Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2012 não pode reabrir o contencioso administrativo fiscal. Os acórdãos proferidos pelo CARF ou pelo antigo Conselho de Contribuintes no julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como de recursos de natureza especial, são definitivas (Decreto nº 70.235/1972, art. 42). Eventual insurgência do sujeito passivo no cumprimento do acórdão deve ser submetida ao Poder Judiciário. Uma solução de consulta interna não tem o condão de alterar a natureza definitiva da decisão nem de reabrir as etapas de contencioso administrativo fiscal já encerrado, sob pena de eternização da controvérsia e de violação ao princípio constitucional da duração razoável do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pela conclusões Francisco José Barroso Rios e Bruno Maurício Macedo Curi.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1995, 1996 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. EXECUÇÃO DE ACÓRDÃO DO CARF. NOVA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CABIMENTO. A Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2012 não pode reabrir o contencioso administrativo fiscal. Os acórdãos proferidos pelo CARF ou pelo antigo Conselho de Contribuintes no julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como de recursos de natureza especial, são definitivas (Decreto nº 70.235/1972, art. 42). Eventual insurgência do sujeito passivo no cumprimento do acórdão deve ser submetida ao Poder Judiciário. Uma solução de consulta interna não tem o condão de alterar a natureza definitiva da decisão nem de reabrir as etapas de contencioso administrativo fiscal já encerrado, sob pena de eternização da controvérsia e de violação ao princípio constitucional da duração razoável do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pela conclusões Francisco José Barroso Rios e Bruno Maurício Macedo Curi. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 66 41 /0 0- 48 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1995,1996 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a homologação tácita, se a autoridade administrativa cientificou a contribuinte do despacho decisório de apreciação do pleito dentro do prazo de cinco anos, contado da data de entrega da declaração de compensação. DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Por resumir a controvérsia até a presente fase do procedimento administrativo fiscal, transcrevese o relatório da decisão recorrida: “Cuidam os autos de Declaração de Compensação Dcomp, débitos próprios da contribuinte, com crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, referente ao período de apuração de maio/1989 a fevereiro/1996, correspondente à diferença entre o apurado com base na Lei Complementar 07/70 e o recolhido com base nos Decretos Leis 2.445 e 2.449 de 1988, declarados inconstitucionais pelo STF. Irresignada com a nãohomologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10120.006641/0048 Acórdão n.º 3802003.643 S3TE02 Fl. 584 3 O prazo para se reaver o imposto pago a maior é de dez anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, para os contribuintes que protocolizaram os pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da LC 118/2005, conforme jurisprudência do STJ; Há que se destacar ainda, se considerado que o pedido fora formulado em 27/10/2000 e a ciência do Despacho Decisório ora guerreado foi dada em 17/06/2013, temse um prazo de mais de 12 anos. Ou seja, ocorreu a homologação tácita da compensação por força do art. 74, parágrafo 5º da Lei 9.430/1996; Destarte, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado.” O Recorrente, nas razões de fls. 563 e ss., sustenta a inocorrência da prescrição, bem como a violação aos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade, em face do transcurso do prazo de cinco anos para a homologação da compensação. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 08/05/2004 (fls. 561), protocolizando tempestivamente a petição recursal em 15/05/2014 (fls. 563). Cumpre destacar que o direito creditório do contribuinte já foi parcialmente reconhecido por decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, no Acórdão de fls. 447: “NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição do indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contato a partir daquela data. COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Até a vigência da MP 1212/95 a contribuição para o PIS deve ser calculada observandose que a alíquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte.” (fls. 447). Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Portanto, o despacho decisório de fls. 494, objeto da manifestação de inconformidade de fls. 508, julgada pelo acórdão recorrido, limitouse a dar cumprimento ao que foi decidido pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Assim, preliminarmente, devese examinar a admissibilidade da interposição de um novo recurso voluntário, o que, como se sabe, foi objeto da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2012, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 151, III;; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66.” Referida consulta, com a devida vênia, não pode reabrir o contencioso administrativo fiscal. Os acórdãos proferidos pelo CARF ou pelo antigo Conselho de Contribuintes no julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, são definitivos, nos termos do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10120.006641/0048 Acórdão n.º 3802003.643 S3TE02 Fl. 585 5 Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” Portanto, tornandose definitiva a decisão do CARF, eventual insurgência do sujeito passivo deve ser submetida ao Poder Judiciário. Uma solução de consulta interna não tem o condão de suprimir a natureza definitiva da decisão nem de reabrir as etapas de contencioso administrativo fiscal já encerrado, sob pena de eternização da controvérsia e de violação ao princípio constitucional da duração razoável do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal: “Art. 5º. [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” Ademais, cumpre destacar que, no caso em exame, as questões ventiladas na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário envolvem matéria já decidida pelo Segundo Conselho de Contribuintes, razão pela qual, mesmo admitindose a validade da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2012, o recurso não poderia ser conhecido. Votase, assim, pelo nãoconhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16004.001454/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 45 4/ 20 08 -6 3 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 515 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/11/2008, em razão de a empresa acima qualificada ter atribuído cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento, estando em débito com a Previdência Social, infringindo, dessa forma, o inciso II, art. 52 da Lei 8.212/91, c/c art. 280, inc.II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 55), a empresa efetuou pagamentos aos sócios durante o ano 2003, a titulo de "Distribuição de Lucros" referentes ao ano 2002, lançados na conta CAIXA n° 111010001, estando, porém, em débito com a Previdência Social desde o exercício 2001, conforme lançamentos na conta "INSS A RECOLHER n° 211030002", sendo que tais valores não foram recolhidos na época própria e nem até a presente data, conforme telas do sistema de arrecadação. A autoridade lançadora informa que foi verificada a ocorrência de dolo, fraude ou máfé, o que configura circunstâncias agravantes da penalidade, nos termos do artigo 290, II, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, mas informa que o valor da multa não foi elevado uma vez que, para a infração cometida, a ocorrência de agravante não produz efeitos para a gradação da multa, conforme determina a IN 03/2005. Esclarece que a ação foi desenvolvida por uma junta fiscal e teve início em 01/2005, tendo sido retomada, em 05/10/2006, por determinação judicial, uma vez que a Policia Federal desencadeou a operação denominada "GRANDES LAGOS”, procedendo buscas e apreensões de documentos em diversos locais, com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados pela organização, constituída de várias células ou núcleos, cujo objetivo era sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades relacionadas às áreas trabalhistas e previdenciárias. Observa que o crédito tributário em comento foi lançado em nome de Coferfrigo ATC Ltda "E OUTROS", vez que, analisando a documentação apreendida pela Policia Federal, Receita Federal do Brasil e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificouse que a empresa Coferfrigo ATC Ltda, juntamente com outras pessoas jurídicas, formam um grupo econômico de fato. A seguir, sintetiza algumas informações a respeito das empresas integrantes do grupo e informa que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. No item 19 do Relatório Fiscal (fls. 69), o agente autuante informa que o Relatório do Grupo Econômico Anexos I e II será encaminhado em arquivo digital, de acordo com o artigo 663, parágrafos 1° e 2° da IN 3/2005, alterado pela IN 851/2008 e, no item 21, esclarece que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estão a disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 516 3 Os sujeitos passivos Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, apresentaram defesa tempestiva em conjunto, e o Sr. João Pereira Fraga, espólio, representado por João Adson Fraga (inventariante), também impugnou o lançamento. Apesar de devidamente cientificadas, as demais empresas que, segundo entendimento da fiscalização, integram o grupo econômico de fato e, nessa condição, são responsáveis solidárias pelo débito, não apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1426.547, da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 305), julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário. Inconformados com a decisão, os recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, considerados pela fiscalização como coresponsáveis pelo débito, apresentaram recurso tempestivo em conjunto (fls. 403), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reiteram que os Recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, foram considerados responsáveis solidários pelo débito tendo como única fundamentação para tanto um "Relatório da Polícia Federal", extraído de Inquérito Policial, sendo certo que a ação penal até a data de hoje não transitou em julgado. Entendem que o presente Auto de Infração é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como viola o principio da presunção de inocência, além do órgão autuador não ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que lhe competia. Defendem que a prova emprestada do Inquérito Policial presidido por Delegado da Policia Federal não é meio licito para se fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes, uma vez que não foram observados os .princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório no processo onde ela foi produzida. Reafirmam que, no caso dos autos, o órgão autuador não fez prova licita alguma da responsabilidade dos Recorrentes, o que impõe a nulidade/inconsistência do auto de infração sobre a responsabilidade atribuída aos mesmos e discorre sobre o princípio da presunção da inocência, tentando demonstrar que apenas após o trânsito em julgado da ação criminal é que se poderia afirmar algo. Finalizam requerendo que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado nulo o AI. O recorrente Sr. João Pereira Fraga espólio, considerado coresponsável pelo débito, representado por João Adson Fraga (inventariante), apresentou recurso tempestivo (fls. 416) requerendo, inicialmente, que o Espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA falecido, em 02/10/08, seja excluído da condição de passivo solidário. Traz o histórico da empresa COFERCARNES COMERCIAL FENANDOPOLOIS DE CARNES LTDA, da qual seu falecido pai e sua mãe eram sócios fundadores, desde sua constituição. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 517 4 Informa que, após separação judicial, sua mãe vendeu 50% do Capital Social da COFERCARNES para ALFEU MOZAQUADRO, que colocou essas quotas de capital social em nome da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual era o proprietário, e impôs que a planta do imóvel industrial fosse integralmente arrendada para uma filial da empresa COFERFRIGO ATC LTDA que, apesar de pertencer no papel a Valter Francisco Rodrigues Junior, havia fortes suspeitas de a mesma pertencer de fato ao Sr ALFEU, uma vez que foi ele quem pessoalmente determinou o arrendamento das instalações do frigorífico Cofercarnes, entabulou o preço e as condições do arrendamento. Discorre sobre o temperamento do Sr. Alfeu e a sociedade, que durou apenas oito meses, concluindo que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela empresa COFERFRIGO ATC LTDA, da qual não fora sócio, por ter deixado esta empresa de arrecadar contribuições devidas no período de 01/12/2002 a 31/10/2006. Tenta demonstra que inexiste qualquer relação mercantil ou comercial de seu pai com as empresas mencionadas no Processo e requer a exclusão de seu pai da responsabilidade solidária pelos débitos devidos pela empresa COFERFRIGO, da qual não tinha o menor conhecimento e da qual não participava, por quaisquer de suas formas. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por falta de clareza, argumentando que as autoridades fiscais não indicaram a conta contábil ou outro elemento constante da escrituração contábil da COFERFRIGO das quais foram extraídas as importâncias oras lançadas, bem como não elencaram, nos autos, quais seriam as remunerações admitidas como base de calculo das contribuições ou pagamentos que se sucedeu a esse titulo, denotando que não avaliou ou não se aprofundou suficientemente na natureza das rubricas, desconhecida do recorrente. Entende que houve cerceamento de defesa por terlhe sido entregue apenas um CDR, o que impediu o inventariante de manipular os documentos que o fisco julga supostamente representativas das operações praticadas pela Coferfrigo. Sustenta que o arbitramento e o termo de sujeição passiva solidária sobre as contribuições que o Fisco julga devidas pela COFERFRIGO ATC LTDA se deram apenas e estritamente por presunção. Assevera que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, exigindo dos solidários, no caso o espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, os tributos eventualmente devidos por aquela, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria. Informa que as empresas que, segundo o fisco, integram o grupo econômico Mozaquatro, declararam espontaneamente, nos prazos regulares, toda a movimentação fiscal e contábil em seus nomes, mediante entrega das DCTFs, nos respectivos anoscalendário, bem como as Declarações de Rendas Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2002 a 2006, sendo que o fisco não poderia estender a responsabilidade pelo débito constituído em face da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, em razão de que tal prática não está autorizada pelo artigo 135, inciso III, do CTN. Argumenta que, não sendo JOÃO PEREIRA FRAGA diretor, gerente ou representante da COFERFRIGO ATC LTDA, não responde por ela, não podendo a cobrança por tais descumprimentos ser redirecionada para a pessoa física de seu pai, como solidário, por Fl. 561DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 518 5 não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135, do CTN, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Infere que não é possível, ao Fisco, atribuir a seu falecido pai a responsabilidade pela não retenção de contribuições previdenciárias que seriam de ordem da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., do denominado GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO, uma vez que, em nenhum momento, os fiscais autuantes lograram comprovar a existência do vinculo entre a citada empresa e a pessoa do Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal contra ele. Insurgese contra a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia limitada, que depende de lei ordinária para sua regulamentação e reitera que a empresa de seu pai estava paralisada no período entre 10/2004 a 10/2006, não podendo, portanto, responder pelos débitos previdenciários da empresa Coferfrigo, integrante, segundo o fisco, de um grupo econômico, com empresas instaladas em vários municípios e em outros Estados. Discorre sobre contrato de arrendamento mercantil para tentar demonstrar que o arrendador não responde pelos tributos devidos pela Arrendatária ou outras empresas das quais a Arrendatária seja signatária ou faça parte e conclui que, no caso em apreço, o Espólio de FRAGA, como arrendador, não possuía a obrigação de proceder a retenção ou arrecadar contribuições devidas pela empresa COFERFRIGO ATC. Insiste no entendimento de que ocorrera a decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, uma vez que o que o contribuinte entregou regularmente ao INSS as informações concernentes a todas contribuições previdenciárias relativas ao período fiscalizado, bem como sequer ocorreu indícios de fraude, dolo ou simulação comprovados. No mérito, reitera que seu pai nunca foi sócio, de fato ou de direito da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, bem como não restou provado, nos autos, que seu falecido pai, João Pereira Fraga, tivesse qualquer participação com as empresas do denominado "GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO”, e nem que seria solidariamente responsável pelos débitos supostamente devidos pelas empresas acima nos períodos mencionados, havendo, no caso, apenas presunções, ou seja, indícios sem comprovações. Entende que, no caso em tela, os fiscais autuantes promoveram o lançamento contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA por ter deixado de arrecadar, no período de 12/2002 a 10/2006, contribuições de segurados, e quer atribuir, por presunção, a responsabilidade pela falta das retenções ao Espólio de Joao Pereira Fraga, alegando que no período de 15.10.04 a 14.10.05 teria arrendado a planta do seu estabelecimento frigorifico para a empresa COFERFRIGO ATC LTDA, como parte integrante do "Núcleo Mozaquatro" e que, assim o sendo, em decorrência do arrendamento, dele também é parte integrante. Informa que o Espólio tentou o acesso aos documentos que estão em poder da empresa COFERFRIGO e junto à fiscalização federal e estadual para promover a sua defesa, o que lhe foi negado, sob a alegação de que João Pereira Fraga ou o Espólio não fazem parte do quadro societário e há impedimento legal para o acesso, e chama atenção para o fato de que nem mesmo os fiscais autuantes tiveram total acesso a contabilidade da empresa envolvida. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 519 6 Discorre sobre o instituto da solidariedade e traz a doutrina para reforçar o entendimento de que o fisco não poderia incluir o espólio no pólo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da Coferfrigo. Finaliza, requerendo, em obediência ao principio constitucional de celeridade e economia processual, a improcedência, de plano, da presente exigência fiscal e, pelas razões expostas, sejam acolhidas as preliminares levantadas para, ao final, decretar a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga na multa aplicada contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA. Lucélia Aparecida Nunes Lacerda, sócia do Frigorifico Mega Boi Ltda, que, segundo o fisco, é uma das empresas integrantes do grupo econômico, também apresentou recurso (fls. 480), alegando que nunca foi dona de empresa, que não sabia como era a operação da empresa e tampouco injetou dinheiro para ser sócia de empresa, sendo que recebia seu salário da empresa Frigorifico Lister Ltda, administrada pelo Sr. Ivo Chiodi de Jesus e, posteriormente, pela empresa Coferfrigo Atc Ltda e Friverde Industria de Alimentos Ltda de Campina Verde, MG, que era administrada pelo Sr. Djalma Buzolin. Informa que nunca teve casa para morar, vive de aluguel e com um recurso financeiro de R$ 1.155,00 do INSS, que recebeu mais 14 cópias de processos da Receita Federal, leuos, mas não entendeu do assunto mencionado, que nem conhece várias empresas e pessoas mencionadas nos processos, mas somente as empresas e pessoas que trabalharam em Campina Verde — MG. Às fls. 491, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua procuradora, com fundamento no art. 48, §2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, apresentou contrarazões ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 520 7 VOTO Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que a fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato entre a empresa autuada e as demais apontadas no Relatório Fiscal, e lavrou o AI com fundamento no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, informando que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. Da mesma forma, o Acórdão recorrido faz referência a esses Anexos, citando, inclusive, folhas onde constam os documentos comprobatórios das acusações fiscais. A autoridade julgadora de primeira instância informa que, no Anexo I, a fiscalização tece inúmeras considerações acerca das empresas que integram o "Grupo Mozaquatro", das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo, inclusive aquela referente à Coferfrigo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava, e discorre detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo e pessoas físicas vinculadas às mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, a juntada de inúmeros documentos, sendo que o referido anexo totaliza 12 (doze) volumes. Da mesma forma, o citado Anexo II, segundo o Relator do Acórdão recorrido, é “composto por inúmeros documentos tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático”. Contudo, em que pese a afirmação de que tais documentos integram o AI, constatase que os Anexos citados não constam dos autos, o que impossibilita que os julgadores deste CARF tenham conhecimento pleno de todos os fatos motivadores do lançamento, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Cumpre observar, ainda, que não vislumbro a nulidade do AI pela ausência dos referidos anexos, já que, tanto em suas peças impugnatórias quanto em seus recursos, as recorrentes demonstram ter pleno conhecimento do que está lhes sendo imputado. Ademais, a autoridade lançadora, deixou claro nos itens 19 e 21 do Relatório Fiscal, que os referidos Anexos estavam sendo encaminhados por arquivo e que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estariam à disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, mas apenas em falta de elementos suficientes para a tomada da decisão por este Colegiado, o que pode ser sanado com a juntada da documentação solicitada. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001454/200863 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.298 S2C3T1 Fl. 521 8 Dessa forma, em face da necessidade de mais informações sobre os elementos de provas que levaram as autoridades fiscais à convicção de que as empresas listadas no presente processo integram de fato o grupo econômico, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que sejam juntados os Anexos citados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Tal procedimento é imprescindível para o julgamento do processo, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe a responsabilidade solidária entre as empresas apontadas pela fiscalização. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por converter o julgamento em diligência; É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 565DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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