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Numero do processo: 13982.721133/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
LUCRO REAL ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. ARBITRAMENTO.
Quando a fiscalização verifica que não é possível manter o regime de tributação escolhido pelo contribuinte, se a opção havia sido feita para o lucro real anual, deve proceder ao arbitramento de ofício nos quatro trimestres do ano-calendário.
Recurso Voluntário Negado
Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
MULTA DE OFÍCIO. VALORES PAGOS.
A multa de ofício deve ser aplicada sobre a totalidade dos tributos devidos após as deduções dos valores pagos.
Numero da decisão: 1102-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Omissão de receitas da atividade. Arbitramento. Multa qualificada. Responsabilidade tributária. Recorrente ADEMIR PEDRO RODRIGUES & CIA LTDA e seu responsável tributário Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 INVESTIGAÇÃO PENAL. ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Carece competência à autoridade administrativa para decretar ilegalidade sobre a instauração de procedimento investigativo no âmbito penal. PROVAS. DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PEÇA EXPLANATÓRIA. INUTILIDADE. É inútil a juntada de documentação sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Caracteriza sonegação a prática reiterada de omissão de vendas de mercadorias na escrituração contábil/fiscal e nas declarações apresentadas à Receita Federal. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA DE OFÍCIO. VALORES PAGOS. A multa de ofício deve ser aplicada sobre a totalidade dos tributos devidos após as deduções dos valores pagos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 11 33 /2 01 2- 09 Fl. 17751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.752 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 LUCRO REAL ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. ARBITRAMENTO. Quando a fiscalização verifica que não é possível manter o regime de tributação escolhido pelo contribuinte, se a opção havia sido feita para o lucro real anual, deve proceder ao arbitramento de ofício nos quatro trimestres do anocalendário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recursos voluntários interpostos por ADEMIR PEDRO RODRIGUES & CIA LTDA e seu responsável tributário contra acórdão proferido pela DRJ/Campo Grande que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/JoaçabaSC, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2007 a 2011, totalizaram o valor de R$ 6.031.579,90. A autuação promoveu o arbitramento do Fl. 17752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.753 3 lucro considerando a omissão de receitas da atividade com a correspondente aplicação de multas qualificadas. Foi também atribuída responsabilidade solidária à pessoa física de ADEMIR PEDRO RODRIGUES. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Às fls. 174/186 consta o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, onde é relatado como se desenvolveu o procedimento levado a efeito contra a empresa. Esclarece o autor do feito que a fiscalização teve origem com o recebimento do Ofício nº 241/GAECO/MRDS/11 de 19/10/2011, onde o Ministério Público do Estado de Santa Catarina encaminhou cópia integral do Laudo Pericial nº 164425/2011, emitido pelo Instituto Geral de Perícias do Núcleo Regional de Perícias de Joinville – SC, e que se refere a exame pericial de “Busca de Evidências – Fraude Fiscal” realizado nos equipamentos de informática da empresa Ademir Pedro Rodrigues & Cia. Ltda., CNPJ nº 03.668.422/000190, e da empresa A. S. Bebidas Ltda., apreendidos pela 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó – SC. Com o citado ofício foram disponibilizados cópia dos documentos arrecadados nos autos nº 049.11.0005501, nº 049.11.0016791 e nº 049.11.0017038, todos da Vara Única da Comarca de Pinhalzinho – SC. Consta do anexo denominado de Medida Cautelar cópia da decisão judicial que autoriza que os documentos acima referidos fossem franqueados para análise da Receita Federal do Brasil. A empresa fiscalizada se utilizava de um software da empresa CTA Sistemas, para administrar os dois controles sobre suas vendas. No primeiro, estão as vendas com notas fiscais, e são compatíveis com o montante das receitas declaradas à RFB. O segundo corresponde às vendas sem a emissão de notas fiscais. Foram verificados os registros de documentos nas seguintes quantidades: Nº de Registros Período Valor (R$) Vendas sem NF 154.329 01/10/2007 a 04/07/2011 31.162.172,86 Vendas com NF 44.868 30/11/2009 a 04/07/2011 7.300.549,52 Após a análise dos documentos acima indicados, foi encaminhada à empresa o Termo de Intimação Fiscal nº 3, acompanhada de CD, mencionando equivocadamente que se tratava de vendas totais da empresa e não somente das vendas sem a emissão de notas fiscais. Em resposta a contribuinte afirmou que não reconhecia as operações relacionadas nos arquivos digitais e que todas as suas operações estariam devidamente registradas nos documentos contábeis. Retificando a primeira intimação, foi enviado o Termo de Intimação Fiscal nº 4, para a contribuinte justificar a falta de escrituração de vendas sem a emissão de nota fiscal, conforme CD disponibilizado, bem como comprovar o custo relativo às vendas. A contribuinte não atendeu à solicitação. Nos anoscalendário de 2007 a 2011, a contribuinte optou pelo Lucro Real. Tendo em vista a constatação de vendas de mercadorias mantidas à margem do conhecimento do Fisco, bem como a não comprovação do custo relativo a essas mercadorias, a apuração do IRPJ e da CSLL se deu pelo Lucro Arbitrado. A omissão Fl. 17753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.754 4 de receitas foi detalhada no Demonstrativo de Apuração das Receitas – Ademir Pedro Rodrigues & Cia. Ltda. (coluna 8 e 9) e foram lançados nos autos de infração do IRPJ e da CSLL da seguinte forma (foram deduzidos os valores recolhidos ou declaradas em DCTF pela contribuinte): a) Omissão de Receitas da Atividade Receita Bruta Mensal na Revenda de Mercadorias – Omissão de Receitas Laudo Pericial; b) Receitas da Atividade – Receita Bruta na Revenda de Mercadorias – Vendas Contabilizadas; c) Demais Receitas e Resultados – Outras Receitas Contabilizadas; d) Receitas da Atividade – Receita Bruta Mensal na Prestação de Serviços de Transportes – Receita Contabilizada; Quanto ao PIS e à Cofins, a contribuinte, no período fiscalizado de 2007 a 2011, utilizouse do regime não cumulativo, por ter optado pelo Lucro Real. O Fisco apurou os resultado dos anoscalendário em análise na forma do lucro arbitrado e, portanto, apurou o PIS e a Cofins pela regra da cumulatividade. Em que pese parte expressiva das receitas da contribuinte originarse da venda de mercadorias (cervejas e refrigerantes) sujeitas à apuração monofásica do PIS e da Cofins, pelo arquivo denominado “Receitas Sem Nota Fiscal Laudo Pericial”, foram identificadas receitas de vendas de mercadorias sujeitas à apuração do PIS e da Cofins (ou seja, não sujeitas a alíquota zero). Sobre os lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins apurados sobre as receitas de vendas de mercadorias realizadas sem a devida escrituração fiscal foi aplicada a multa de ofício de 150%. E sobre o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins apurados sobre valores contabilizados e declarados à RFB e advindos da alteração do regime de tributação de Lucro Real para Lucro Arbitrado foi aplicada a multa de ofício de 75%. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra Ademir Pedro Rodrigues, CPF nº 834.632.32987 (fls. 188/189). Devidamente notificada em 22/10/2012 (fls. 187 e 190), a contribuinte apresentou as suas razões de defesa em 21/11/2012 (fls. 16.575/16.679), alegando, preliminarmente, em apertada síntese: a) a nulidade dos lançamentos por desrespeito à Súmula Vinculante STF nº 24, por basearse exclusivamente em documentos originários de dos autos nº 049.11.0005501, nº 049.11.0016791 e nº 049.11.0017038, todos da Vara Única da Comarca de Pinhalzinho – SC (não lhe foi oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa), por basearse em provas ilícitas colhidas no procedimento penal citado, pela ilegalidade na quebra do seu sigilo telefônico e na busca e apreensão na sede da empresa; b) a decadência dos créditos tributários referentes ao anocalendário 2007, pois se tratam de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), cujo prazo se extingue em cinco anos da ocorrência do fato gerador. Assim, há que se reconhecer a decadência quanto aos créditos cujo fato gerador ocorreram até setembro de 2007; c) a ilegalidade da utilização de presunção, ao utilizarse de provas produzidas pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina, em especial os dados do Laudo Pericial, pois baseadas em prova testemunhal, sem qualquer prova material das Fl. 17754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.755 5 vendas e dos recebimentos das mercadorias desacompanhadas de documento fiscal. Na autuação fiscal realizada pela Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina, embasada nos mesmos documentos compartilhados com a RFB, ficou confirmada a regularidade das operações realizadas, sem a comprovação de aquisições sem a devida documentação fiscal. Quanto, ao mérito alegou, em síntese, que na autuação fiscal, não foram descontados os valores dos tributos declarados e recolhidos pela impugnante, e que a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, foi aplicada de forma equivocada, utilizando como base de cálculo todo o valor lançado e não sobre a diferença de valor. Finalizou requerendo que a insubsistência dos autos de infração. O sr. Ademir Pedro Rodrigues, CPF nº 834.632.32987 também apresentou impugnação em 21/11/2012, repetindo exatamente as mesmas alegações da impugnação da empresa autuada. Juntouse extratos de consulta a sistemas da RFB (fls. 16.809/16.810). Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Campo Grande proferiu o Acórdão nº 0433.933, de 22 de outubro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência parcial do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. Havendo autorização judicial que expressamente permite o seu compartilhamento, não é ilícito, nem constitui causa de nulidade, o emprego pelo fisco de provas obtidas por meio de operações policiais. Não cabe à autoridade julgadora administrativa rejeitar essas provas a pretexto de irregularidade na operação policial se não existe decisão judicial que as considere ilícitas. A prova emprestada deve ser admitida principalmente quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. Fl. 17755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.756 6 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO CONTABILIZADAS. Caracterizase como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de vendas efetuadas. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a ação dolosa do contribuinte, mediante a prática reiterada de não escriturar e nem declarar a totalidade das receitas de venda, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Cumpre esclarecer que a parte não procedente do feito fiscal referiuse apenas ao auto de infração da CSLL. Isso porque os valores desta contribuição recolhidos a título de estimativa durante o anocalendário de 2011 não foram aproveitados na apuração anual nem deduzidos do correspondente crédito tributário apurado. Com isso, promoveuse a devida redução nos valores calculados pelo auto de infração. Inconformados, a empresa contribuinte e seu responsável tributário apresentaram recursos voluntários, novamente com idêntico teor, os quais repetem as alegações de desrespeito à Súmula 14 do STF, decadência e ilegalidade na utilização de presunção e de provas obtidas por compartilhamento. Além disso, inovam com os seguintes argumentos: Postulam que, a despeito da extemporaneidade, sejam recebidos documentos anexos ao recurso da empresa contribuinte, bem como o reconhecimento de todas as questões deduzidas. Conforme consta no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, a autoridade limitouse a determinar a apresentação do LALUR, buscar em seus sistemas internos as declarações prestadas pela recorrente e extrair informações do Livro Razão. Isso evidencia a ausência de diligência na busca da verdade material. Fl. 17756DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.757 7 Foram incluídos como omissão de receita alguns valores contabilizados a título de bonificações. Entretanto, a empresa contribuinte nunca recebeu mercadorias nesta condição da empresa INAB (Indústria Nacional de Bebidas Ltda). As notas fiscais que continham a indicação “desconto” ou o enquadramento da mercadoria no CFOP 6910 induziram o contador a erro na hora da contabilização. Elaboram um quadro com os valores contabilizados como bonificações da INAB que teriam sido erroneamente incluídos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Juntam também extratos de lançamentos contábeis (fls. 17301 a 17322) e algumas dessas notas fiscais (fls. 16886 a 17300) referentes ao período autuado. Considerando que não foi encontrada receita omitida para os meses de julho a dezembro de 2011, a fiscalização deveria ter utilizado o regime do lucro real para tributar o 3º e 4º trimestre deste mesmo ano. Mesmo que a fiscalização tenha demonstrado que excluiu da receita tributada pelo critério da cumulatividade (em razão do arbitramento) a receita da venda de mercadorias sujeitas ao sistema monofásico (refrigerante, cerveja e água), há erro nessa segregação no mês 04/2009. Ao invés de tributar o valor de R$ 108.249,29, o correto seria tributar o valor de R$ 96.203,92 (juntam algumas planilhas fls. 17323 a 17352 e extratos de lançamentos contábeis fls. 17353 a 17699 que, aparentemente, referemse a essa alegação). Evidentemente, deve haver erros também em outros períodos. Por isso, requerem perícia para a correta apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Não é possível a qualificação da multa nos casos de lançamentos calcados em presunções. Citam a Súmula nº 14 do CARF neste sentido. Caso assim não se entenda, pelo menos para o PIS e a COFINS as multas devem ser reduzidas porque, conforme atestam as DACON (fls. 212 a 215), houve apuração dessas contribuições. Foram aplicadas multas de 75% sobre os valores declarados e recolhidos. A decisão recorrida concordou com isso, mas o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 prevê que a aplicação dessa multa é limitada à diferença do imposto não recolhido. Caso não seja declarada a nulidade do lançamento ou da decisão recorrida, pedem a baixa dos autos em diligência e/ou perícia para comprovação dos pontos acima alegados ou de quaisquer outras dúvidas a serem sanadas. Por fim, requerem a insubsistência dos lançamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 17757DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.758 8 Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. As recorrentes alegam que houve desrespeito à Súmula Vinculante STF nº 24 pelo fato de a autuação ter se originado de atos (quebra de sigilo telefônico e busca e apreensão) decorrentes de procedimento penal investigativo de ilícitos tributários. Mas esses últimos deveriam ter sido comprovados diretamente por autoridades fiscais, as quais têm competência e liberdade para fiscalizar empresas que realizam atividades sujeitas à incidência tributária. Cita, inclusive, julgado do STJ que respaldaria tal entendimento. Nada obstante, a mencionada Súmula contém o seguinte enunciado: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Portanto, pelo menos diretamente, não está dito que a Receita Federal está impedida de se utilizar de provas obtidas em procedimentos penais investigativos. Mormente quando essas provas foram encaminhadas pela própria autoridade judiciária. Como bem esclarecido pela decisão recorrida, o lançamento tributário é condição necessária para que o juiz possa determinar a abertura do processo penal. Daí a necessidade do encaminhamento das provas: para que se fizesse o lançamento e se pudesse caracterizar a existência de crimes tributários também na esfera federal. Se houve alguma ilegalidade na instauração do procedimento investigativo, não cabe a esta instância administrativa decretála. No que diz respeito à preterição do direito de defesa, à impossibilidade de prova emprestada (incluindo aqui a alegação de houve ausência de diligência na busca da verdade material) e à utilização de presunção, vale a pena reproduzir o seguinte excerto do voto condutor da decisão recorrida: Quanto à alegação de que os impugnantes não puderam exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa no procedimento de investigação criminal que resultou na colheita dessas provas, essa circunstância não as torna ilícitas nem nulas. O art. 5º, inciso LV, da CF 1988 assegura o direito à ampla defesa e ao contraditório apenas aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, mas não aqueles sob investigação das autoridades. Antes de instaurados processos judiciais ou administrativos que importam acusação do cometimento de ilícitos penais, cíveis, tributários ou administrativos, não existe litigantes nem acusados, mas apenas investigados. Daí se segue que as autoridades incumbidas das investigações e coleta de provas não estão obrigadas a oferecer a essas pessoas oportunidades de prévia manifestação. A validade das provas colhidas durante a fase préprocessual e que importam violação de sigilo constitucional ou legalmente assegurado depende apenas de terem sido concedidas autorizações pela Justiça, quando esta é exigida por disposição legal. Obviamente, a Justiça não tem de ouvir a pessoa cujo sigilo será violado antes de conceder a autorização, sobretudo nos casos em que o conhecimento prévio da violação pode tornar inócua ou infrutífera a própria violação (tais como nas hipóteses de interceptação telefônica ou de transmissão de dados). A farta documentação fornecida pelo GAECO SC, inclusive o Laudo Pericial, indicaram que a impugnante era citada e suspeita de compor uma Fl. 17758DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.759 9 organização criminosa, tendo sido objeto de investigação, que levaram à conclusão de ser imprescindível a extensão a favor da Receita Federal do Brasil, das quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico, informática e telemático, bem como dos documentos apreendidos, por considerar que havia indícios da prática de ilícitos contra a ordem tributária. Assim, os trabalhos realizados pela fiscalização, procedendo ao exame dos documentos apreendidos e deles extraindose elementos de interesse tributário que culminaram na autuação, decorrem de ordem judicial sem desvio das orientações e determinações nela contida. É oportuno frisar que foram adotadas as cautelas pertinentes nos trabalhos desenvolvidos, como pode ser percebido pelos termos lavrados pelos Auditores Fiscais no exame e manuseio do material. Por fim, é infundada a tese dos impugnantes segundo a qual não se admite a prova emprestada para constituir o crédito tributário. A prova emprestada é aquela que consiste no traslado para outro do resultado da instrução probatória, isto é, das provas produzidas em juízo, que se dão sob a condução do magistrado e com participação das partes. Exemplos típicos são o depoimento pessoal e a oitiva de testemunhas. As restrições que segundo alguns doutrinadores devem se impor ao empréstimo desse tipo de prova decorrem do princípio da oralidade, do juiz natural, e do livre convencimento. A idéia é que a força de convencimento dessa prova está associada ao juiz que participou do processo de sua coleta. Há também considerações que dizem respeito à necessidade de contraditório. Nesse sentido, não se considera empréstimo de prova o emprego em mais de um processo de prova dita préconstituída, isto é, aquela que existe antes de ser produzida em juízo, a exemplo das provas documentais, periciais etc. Ora, no presente caso, todas as provas questionadas pelos impugnantes são préconstituídas. Não resultam da fase de instrução probatória dum processo judicial em curso, mas foram obtidas durante a realização de uma operação conjunta do GAECO SC. Não se pode nem sequer falar em traslado de peças processuais, uma vez que se trata somente de cópias de documentos que fazem parte do conjunto de itens apreendidos na execução dum mandado judicial de busca e apreensão. Em se tratando de prova préconstituída, ainda que eventualmente também usada em outro processo, judicial ou administrativo, não há mister de que os interessados tenham exercido o seu direito ao contraditório e à ampla defesa durante a sua obtenção. Esses direitos podem ser efetivamente exercidos, sem nenhum prejuízo, por ocasião da contestação da ação contra eles proposta ou das exigências administrativas (incluindo as fiscais), nos respectivos processos. Ao contrário do que sustentam os impugnantes, a prova cujo uso for eventualmente compartilhado não tem seu valor de convencimento reduzido nem limitado a um papel secundário no conjunto probatório. Vale tanto quanto aquelas que são usadas exclusivamente num determinado processo. De resto, não se conhece nenhuma norma que disponha que a prova que venha a ser usada em processo criminal somente pode integrar o conjunto probatório de processo administrativo depois de autorização do juízo cível. (...) A contribuinte alegou a impossibilidade de utilização de presunção pelo Fisco, ao basearse em provas produzidas pelo Ministério Público do Estado de Fl. 17759DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.760 10 Santa Catarina, em especial os dados do Laudo Pericial, pois baseadas em prova testemunhal, sem qualquer prova material das vendas e dos recebimentos das mercadorias desacompanhadas de documento fiscal. A presunção é expressamente admitida pelo art. 212 do atual Código Civil, editado em 2002. Já o art. 332 do Código de Processo Civil admite todos os meios legais de prova, sem vedar expressamente nenhum, o que legitima a presunção, visto que ela é permitida pela lei civil. Até mesmo no Código de Processo Penal facultase que o juiz tome diversas decisões com base em indícios. Por sinal, o seu art. 239 define indício como a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de uma ou mais circunstâncias diversas. No direito tributário, por sua vez, não se encontra nenhuma norma que vede o uso de indícios como meio de prova. Pelo contrário, há até inúmeras hipóteses de presunções legais, as quais fixam qual deva ser a conclusão que se deva tirar da circunstância conhecida e provada, transferindo ao sujeito passivo o ônus de provar que dela não se deriva o fato que se pretende provar. Nenhuma prova é capaz de reconstituir precisa e integralmente o fato que se pretende provar. O traço característico da presunção é que ela é considerada uma prova indireta, visto não provar o fato alegado, mas outro fato que permite ao julgador inferir, por indução, a ocorrência do primeiro. Sendo bem demonstrado o fato indutor e correto o raciocínio pelo qual se infere o fato final que se pretende provar, a presunção é meio de prova tão válido e efetivo quanto qualquer outro. Diante de uma alegação baseada em presunção, é inócuo que a parte contrária se ponha a alegar que tal meio de prova é inadmissível. A forma efetiva de a contestar é demonstrar que a ocorrência do fato indireto não está satisfatoriamente comprovada, ou que, ainda que esse esteja comprovado, dele não decorre necessariamente a conclusão alegada pelo oponente. Tampouco, no caso do direito tributário, são admitidas apenas as presunções legais. Estas distinguemse das demais apenas por ter o legislador fixado a conclusão que o julgador deve inferir do fato indireto, de modo que o ônus de quem acusa se limita a comprovar a ocorrência deste. Assim, se não há dúvida de que, na escrituração, a conta caixa apresenta saldo credor, daí se conclui que houve omissão de receita. Portanto, ao julgador não cabe genericamente descartar nenhuma prova trazida aos autos pela Fiscalização a pretexto de que se trata de mero indício ou presunção. Em vez disso, deverá avaliar concretamente cada elemento de prova, assim como o conjunto delas, para decidir se estão ou não comprovadas as infrações imputadas. Ao contrário do que argumenta a impugnante, o suposto princípio da verdade material não tem amparo expresso de nenhuma norma legal que se aplique ao processo administrativo fiscal. Tal princípio, em verdade, reduzse a uma construção doutrinária, por sinal muito controvertida e de aceitação cada vez mais restrita no meio jurídico. Não se conhece nenhuma definição unívoca e consensual desse princípio, mas uma maneira de entendêlo é confrontálo com o seu oposto, o chamado princípio da verdade formal. O conteúdo deste, por sua vez, estaria expresso no art. 128 do Código de Processo Civil, segundo o qual o juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Daí se segue que, não sendo a matéria de ordem pública, tomam se como verdadeiras as afirmações de uma parte não contestadas pela outra e a respeito delas fica vedado ao juiz determinar a produção de provas. Essa presunção de serem verdadeiras as afirmações não contestadas pela parte a quem interessaria Fl. 17760DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.761 11 demonstrar sua falsidade ou incorreção é que consistiria na verdade dita formal. Tendo em vista não haver norma semelhante no processo administrativo fiscal, alguns sustentam que à autoridade julgadora administrativa caberia empreender, de ofício, ainda que não provocada pelas partes, esforço probatório para apurar a verdade dita material e só depois de esgotadas todas as possibilidades de investigação e esclarecimento é que poderia, enfim, proferir o seu julgamento. Contudo é fácil demonstrar que esse raciocínio é descabido. Uma vez que o fato tenha ocorrido e se situe no passado, jamais será possível reconstituílo inteiramente e apurar com precisão todas as suas circunstâncias. Tudo que se pode obter são versões mais ou menos convincentes ou verossímeis. Qualquer relato, documento ou vestígio de um acontecimento nunca abrange todos os fatores e elementos que o compõem, além de ser inevitavelmente contaminado pelas falhas de percepção do eventual observador e por suas concepções prévias ou perspectiva particular. Insistir em recuperar a verdade em sua integridade, além de ingênuo e infrutífero, acabará por tornar inútil o processo, pois esse se prolongará indefinidamente e nunca produzirá nenhuma conclusão satisfatória, a não ser para a parte cujo propósito seja justamente ganhar tempo e protelar desnecessariamente a resolução do litígio. É por isso que, em vez de conferir força normativa à tese da verdade material, a legislação processual administrativa adota o princípio do livre convencimento do julgador, o qual se acha expresso no Decreto nº 70.235, de 1972, textualmente nestes termos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Em face do disposto na regra supra, embora a autoridade julgadora possa determinar de ofício a realização de diligências, ela não está obrigada a esgotar todas as possibilidades de investigação, mas apenas tomará providências para esclarecer os pontos que entender necessários para a solução do litígio. O princípio do livre convencimento do julgador é incompatível com certa conseqüência derivada por alguns do chamado princípio da verdade material, segundo a qual o julgador teria de esgotar todos os meios em busca da verdade. Tal interpretação implicaria retirar a liberdade do julgador prevista na norma invocada, pois ele se veria obrigado a determinar a realização de toda e qualquer possível providência investigativa, ainda que esteja convencido de que os dados e elementos dos autos já sejam suficientes para proferir o seu veredicto sobre o litígio. É também incompatível com a legislação processual administrativa outra implicação que alguns extraem do princípio em discussão, segundo os quais é ilimitada a faculdade de produzir provas no processo ou a este carreálas. O art. 16, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece requisitos formais e limites temporais para a produção de provas que não podem ser relevados pelo julgador, a não ser nos casos excepcionados pela própria norma. Assim, o processo administrativo fiscal distinguese do seu congênere civil, no que diz respeito à instrução probatória, apenas por ter o julgador liberdade para determinar a realização das provas que entender necessárias, independentemente da provocação dos interessados. Daí não se infere, contudo, que deve esgotar todas as provas possíveis de realizar, nem que não haja limitações concretas para a instrução probatória. Fl. 17761DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.762 12 No caso concreto, a partir dos documentos e Laudo Pericial fornecido pelo GAECO SC, com autorização judicial, foram apuradas receitas provenientes da venda de mercadorias, desacompanhadas de documentos fiscais, conforme relatórios de fls. 494/16.559. Às fls 16.560/16.561, a Fiscalização preparou o “Demonstrativo de Apuração das Receitas – Ademir Pedro Rodrigues & Cia. Ltda.”, comparandose os valores declarados pela pessoa jurídica em sua DIPJ, DCTF e/ou DACON dos anos calendários de 2007 e 2011, em relação às efetivas receitas encontradas nos citados relatórios. A autuação não foi baseada apenas em indícios ou no citado demonstrativo. Os relatórios de fls. 494/16.559 são documentos que contêm detalhes e minúcias que descrevem o nome dos clientes e estabelecimentos, a rota de entrega, o vendedor, a quantidade de mercadorias vendidas, seu preço unitário. Ou seja, é um documento complexo, com informações precisas, que revelam o conhecimento da venda de mercadorias por parte da fiscalizada e a contrapartida dos pagamentos por tais vendas. O documento foi apreendido no contexto da ordem judicial, dentro de estabelecimento do grupo investigado, do qual fazia parte a autuada. Cada fato ou aspecto listado constitui indício que no seu conjunto, somados, fazem prova do ilícito, porque indicam sempre a mesma direção. Considerando a excelência dos argumentos apresentados, peço vênia para também adotálos como razão de decidir. Quanto à alegação de decadência, a matéria está disciplinada no § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é Fl. 17762DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.763 13 apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o artigo 62A do Anexo II do RICARF dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos do CARF. Vejase seu teor: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.733SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 17763DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.764 14 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 17764DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.765 15 (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Voltando ao presente caso, importa notar que houve qualificação da multa decorrente de conduta dolosa qualificada no espectro dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Portanto, se essa qualificação ficar confirmada, devese aplicar a hipótese do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a contagem do prazo iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. De acordo com o Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 183 a 185), a empresa autuada praticou de forma reiterada no período fiscalizado a omissão de vendas de mercadorias em sua escrituração contábil e fiscal. Essa omissão foi também refletida nas DIPJ, DACON e DCTF apresentadas. A constatação dos fatos ocorreu a partir da análise de documentos apreendidos na sede da empresa. Tratase, portanto, da prática reiterada da figura da sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. As recorrentes invocam a aplicação da Súmula nº 14 do CARF. Eis o seu conteúdo: Fl. 17765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.766 16 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ora, o texto da Súmula é claro. Ela não autoriza a qualificação da multa a partir, e por si só, da simples apuração de omissão de receita. Há, neste sentido, a confirmação de que para se fazer a qualificação é necessária a “comprovação do evidente intuito de fraude”, tal como estava previsto no texto vigente no inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis A Lei nº 11.488/07, no entanto, reconfigurou os dispositivos deste artigo, deslocando a hipótese de qualificação da multa para o § 1º. Apesar de o novo texto ter suprimido a menção à “comprovação do evidente intuito de fraude”, foi mantida a exigência de observância das figuras penais definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Confirase: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Esse entendimento também não se altera pelo fato de ter havido apuração de tributos a pagar (no caso do PIS e da COFINS, como atestam as DACON de fls. 212 a 215). A qualificação das multas foi efetuada relativamente à primeira das infrações, qual seja, a omissão de receitas da atividade identificada no laudo pericial remetido à fiscalização. Essa infração foi verificada de forma reflexa também para o PIS e a COFINS. Outrossim, na apuração dessas contribuições também houve sonegação. Mantenho, portanto, a qualificação da multa e, por consequênica, reconheço como aplicável ao caso a hipótese do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a contagem do prazo iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Fl. 17766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.767 17 Na situação mais crítica para o Fisco, os períodos de apuração encerrados no curso do anocalendário de 2007, o início do prazo decadencial deve ser contado a partir de 1º de janeiro de 2008. Como a ciência de todos os autos de infração foi efetivada em 22/10/2012, os lançamentos correspondentes são legítimos. As recorrentes alegam que a empresa contribuinte nunca recebeu mercadorias da empresa INAB na condição de bonificações. As notas fiscais que continham a indicação “desconto” ou o enquadramento da mercadoria no CFOP 6910 induziram o contador a erro na hora da contabilização. Elaboram um quadro com os valores contabilizados como bonificações da INAB que teriam sido erroneamente incluídos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Juntam também extratos de lançamentos contábeis (fls. 17301 a 17322) e algumas dessas notas fiscais (fls. 16886 a 17300) referentes ao período autuado. Chegam também a argumentar que as bonificações contidas nas notas fiscais são incompatíveis com o que se observa normalmente no mercado. Nada obstante, somente a partir dos documentos colacionados, não é possível inferir a verdade do quanto alegado. Salvo melhor juízo, as notas fiscais apenas confirmam que houve parte da mercadoria adquirida com desconto ou enquadrada no CFOP 6910. Os extratos de lançamentos contábeis vieram desacompanhados de qualquer referência sobre eles nos recursos ou em qualquer outro documento do processo. No que diz respeito à alegação de que houve erro na segregação das receitas de venda de mercadorias submetidas ao sistema monofásico para efeito de apuração dos valores sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, novamente a documentação apresentada como prova carece de maiores explicações. As planilhas (fls. 17323 a 17352) e os extratos de lançamentos contábeis (fls. 17353 a 17699) não permitem uma rápida e fácil confirmação daquilo que foi alegado. Em ambos os casos, não é possível constatar a utilidade da documentação apresentada como meio de prova sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende. E também não assiste razão às recorrentes quanto às demais questões acrescidas nos recursos. O fato de a fiscalização não ter encontrado receita omitida nos meses de julho a dezembro de 2011 não permite concluir que a empresa deveria ser tributada pelo lucro real trimestral nos dois últimos trimestres daquele ano. Conforme informado na DIPJ/2012 (fls. 304), naquele ano, a empresa optou pelo regime de apuração segundo o lucro real anual. Se esse regime de apuração não pode ser mantido porque se verificou a imprestabilidade da escrituração e porque, apesar de intimado, o contribuinte não comprovou o custo relativo às vendas das mercadorias vendidas sem nota fiscal (Cf. Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal fls. 180), todo o ano de 2011 deve se submeter ao regime de apuração segundo o lucro arbitrado. Ademais, por determinação do artigo 3º da Lei nº 9.430/96, a opção pelo lucro real anual é irretratável para todo o ano calendário. Confirase: Lei 9.430/96 Fl. 17767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.768 18 Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata oart. 15 da Lei no9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1oe 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. (grifei) Então, quando a fiscalização verifica que não é possível manter o regime de tributação escolhido pelo contribuinte, se a opção havia sido feita para o lucro real anual, deve proceder ao arbitramento de ofício nos quatro trimestres do anocalendário. Por fim, a alegação de que também foram aplicadas multas de 75% sobre os valores declarados e recolhidos não é procedente. Como já atestado pela decisão recorrida, não houve declaração em DCTF nem recolhimentos de PIS e COFINS para todo o período fiscalizado. Quanto ao IRPJ, houve apenas declaração e recolhimentos de estimativa mensal referentes ao anocalendário de 2011, os quais foram devidamente aproveitados no auto de infração. No que concerne à CSLL, também houve declaração e recolhimentos de estimativa mensal somente naquele mesmo ano calendário. A princípio esses valores não haviam sido aproveitados no auto de infração, porém, a instância a quo acatou a reclamação da impugnante e corrigiu o equívoco. Portanto, os poucos valores declarados e recolhidos foram devidamente aproveitados nos autos de infração. Como pode ser observado nos documentos intitulados “Demonstrativos de Multa e Juros de Mora” de cada um dos quatro autos de infração (fls. 73 e 74; 144 e 145; 156 e 157; 170 e 171), em cada período de apuração, as multas são aplicadas sobre os valores dos tributos devidos após as deduções. Assim, em perfeita consonância com a determinação do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, segundo a qual as multas devem ser aplicadas “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Fl. 17768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13982.721133/201209 Acórdão n.º 1102001.326 S1C1T2 Fl. 17.769 19 Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 17769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10680.720570/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE.
Para ser possível a dedução da área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Hipótese em que a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador
Numero da decisão: 2101-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de Reserva Legal de 239,4 hectares. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator) e Gonçalo Bonet Allage que davam provimento, ainda, para fixar o VTN em R$ 20.424.198,18. Designada a conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda para redigir o voto vencedor.
(assinatura digital)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinatura digital)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 07/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CAIO MARCOS CÂNDIDO (Presidente), ODMIR FERNANDES, GONÇALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. Para ser possível a dedução da área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Hipótese em que a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de Reserva Legal de 239,4 hectares. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator) e Gonçalo Bonet Allage que davam provimento, ainda, para fixar o VTN em R$ 20.424.198,18. Designada a conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda para redigir o voto vencedor. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator ad hoc. EDITADO EM: 07/05/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 70 /2 00 7- 46 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CAIO MARCOS CÂNDIDO (Presidente), ODMIR FERNANDES, GONÇALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA. Relatório A presente autuação encontrase muito bem descrita na forma de excerto do Relatório produzido pela autoridade julgadora de 1a. instância, de efls. 251/252, o qual se adota aqui como relatório da autuação, verbis: “ A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das D1TR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 05/06, exigindose a apresentação de: 1o Cópia do ADA Ato Declaratório Ambiental; 2o Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2o. da Lei no 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), registrada no CREA, indicando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9o. do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002; 3o Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o. da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ato do poder público que assim a declarou; 4o Cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de Reserva Legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5o Cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva particular do patrimônio natural; e, 6o Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da SRF. Em atendimento, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 28, 29/32, 33/34, 35/52 e 53/95. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2005, a fiscalização resolveu glosar parcialmente as áreas declaradas como sendo de utilização limitada, reduzidas de 1.743,4 ha para Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.720570/200746 Acórdão n.º 2101000.694 S2C1T1 Fl. 362 3 807,7 ha, e totalmente as de reserva particular do patrimônio natural, de 1.034,2 ha, além de alterar o VTN de R$ 9.747.850,00 para R$ 36.117.000,00, com base no laudo técnico apresentado pela contribuinte. Desta forma, foi aumentada a área tributável do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado devido à glosa das áreas ambientais c ao novo VTN atribuído ao imóvel , com a manutenção da respectiva alíquota de cálculo, em 20,0%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através da presente notificação de lançamento, no valor de R$ 4.050.711,76, conforme demonstrativo de fls. 03. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 02 e 04. (...)” Cientificada do auto, a recorrente apresentou impugnação de efls. 99 a 118, tendo a autoridade julgadora, na forma de voto de efls. 250 a 265, julgado integralmente procedente o lançamento. Cientificada da decisão em 30/04/08 (efl. 270), insurgese a autuada contra a decisão de 1a. instância através do Recurso Voluntário de efls. 275 a 304, onde: a) Apresenta um resumo da ação fiscal, transcrevendo toda a capitulação legal e concluindo que se trata de imposição inteiramente insubsistente; b) Ressalta que a autoridade julgadora de 1a. instância reconheceu a existência material de 11.564,50 hectares de área de Interesse Ecológico no imóvel através de laudo de efls. 152 a 157, não tendo sido reconhecida a possibilidade de exclusão da base de cálculo da área do imóvel em questão sujeita à incidência do ITR pelo fato da mesma não constar em ADA. c) Ressalta, ainda, quanto à área de Reserva Legal, que a autuação foi mantida pelo fato da área declarada de 1.743,40 ha., apesar de parcialmente comprovada (valor comprovado novamente através de laudo de efls. 152 a 157 de 1.047,15 ha., com existência reconhecida pela autoridade julgadora de 1a. instância), não constar do ADA apresentado; d) No caso da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural declarada de 1.034,50 ha., ainda que novamente parcialmente comprovada por laudo técnico (valor comprovado novamente através de laudo de efls. 152 a 157 de 933,50 ha., com existência reconhecida pela autoridade julgadora de 1a. instância), mantevese a autuação pela inexistência de averbação na matrícula do imóvel. d) Ressalta que a autoridade julgadora de 1a. instância, ainda, quanto ao valor da Terra Nua, rejeitou o laudo apresentado em sede de impugnação (efls. 208 a 232), ainda que reconhecesse ser o VTN/ha. arbitrado pela autoridade fiscal (R$ 3.000,00/ha.) com base em laudo alegadamente incorreto, superior ao indicado no Sistema de Preço de Terras da Receita Federal do Brasil (SIPT). Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 e) Apresenta quadro comparativo do presente lançamento, vis à vis, as áreas declaradas e as apuradas pelo laudo técnico; f) Ressalta que, dos 1.743,4 ha. declarados como sendo de Reserva Legal, foram glosados 935,7 ha. Informa que o laudo técnico de efls. 152 a 157 indica que, em 01/01/2005, a Fazenda Rio do Peixe possuía 1.047,15 ha. de área de Reserva Legal (807,75 ha. solicitados em 1999 e 239,4 ha. em 2004). Estes últimos, averbados na matrícula de um dos imóveis (efl. 161); g) Aqui, ainda quanto à área de Reserva Legal, reconhece ter havido um equívoco em relação a área declarada de 1.743,40 ha., quando a área correta deveria ser de 1.047,15 ha., devendose manter, assim, a glosa de 696,25 ha., mas que, no entanto, o equívoco não trouxe qualquer prejuízo ao Erário Público, eis que o imóvel autuado estava localizado, em quase sua totalidade, dentro de uma região declarada como de Interesse Ecológico; h) Faz notar que, de acordo com o laudo técnico de efls. 152 a 157, em 01/01/2005, a Fazenda Rio do Peixe tinha 933,5 hectares de área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (810,50 ha + 62,50 ha + 6,00 ha + 54,5 ha) e cita os termos; i) Transcreve o art. 5o. do Decreto n° 1.922/96 para mostrar que o próprio proprietário do imóvel rural deve requerer o reconhecimento da área de RPPN ao órgão ambiental, com quadro demonstrando a data do requerimento ao IEF de Minas Gerais de cada uma das parcelas componentes da RPPN; j) Reproduz jurisprudência deste CARF que sustentaria sua argumentação de que a averbação da RPPN na matrícula do imóvel não é imprescindível para que o contribuinte usufrua da não incidência do ITR; l) Ainda quanto à RPPN, reconhece ter havido um equívoco em relação a área declarada de 1.034,20 ha., quando a área correta deveria ser de 933,50 ha., devendose manter, assim, somente a glosa de 100,70 ha. No entanto, o equívoco não trouxe qualquer prejuízo ao Erário Público, eis que o imóvel autuado estava localizado, em quase sua totalidade, dentro de uma região declarada como de Interesse Ecológico; m) Passa a discorrer extensivamente acerca da existência de área de Interesse Ecológico não declarada (por lapso), no valor de 11.564,50 ha., a qual, ao ser considerada, levaria à conclusão de improcedência do auto lavrado. Retoma a argumentação do fato da existência de tal área ser materialmente incontroversa, uma vez que se trata da parte do imóvel localizada dentro de área de proteção ambiental (APA SUL RMBH), citando novamente o mesmo laudo de efl. 152 a 157 e reproduzindo o teor do art. 10 da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e do art. 10 da Instrução Normativa SRF no. 256, de 11 de dezembro de 2002, bem como julgados oriundos do então 3o. Conselho de Contribuintes. Conclui que, considerando esta área como de utilização limitada, a recorrente teria, em verdade, declarado uma área tributável maior do que a correta. n) Sustenta a desnecessidade de apresentação de ADA para fins de não incidência do ITR no caso em questão, com fulcro no §7o. do art. 3o. da Medida Provisória 2.16667/2001, que alterou a redação do art. 10 da Lei no. 9.393, de 1996, e que seria aplicável, inclusive, a fatos pretéritos anteriores a 2000, com base em julgados do 3o. Conselho de Contribuintes, pronunciamentos oriundos do STJ em sede de Recurso Especial, bem como em linha com jurisprudência da CSRF, esta última estabelecendo a desnecessidade do ADA quando a existência das áreas não sujeitas à incidência do ITR deflui de laudos técnicos e/ou outros documentos; Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.720570/200746 Acórdão n.º 2101000.694 S2C1T1 Fl. 363 5 o) Ainda, cita a existência de laudo técnico elaborado por um engenheiro agrônomo, o Sr. Tiago Cotta de Carvalho (efls. 209 a 239), contendo informações detalhadas do imóvel autuado (diversas fotos, inclusive), no qual consta avaliação do imóvel no valor de R$ 700,00/ha, totahzando, em 2005, o valor de R$ 8.400.000.00. valor até mesmo inferior ao declarado na DITR/2005, a saber, R$ 9.747.850,00; p) Entende, assim, ter ficado demonstrado o valor correto da terra nua da Fazenda Rio do Peixe no anocaléndário 2005, não havendo qualquer motivo para manterse a autuação cm apreço, que aumentou o valor da terra nua para incríveis R$ 36.117.000,00, ou seja, R$ 3.000,00/ha., mormente a partir do indeferimento do pedido de perícia pela autoridade julgadora de 1a. instância. q) Faz notar, ainda, que o valor da terra nua apresentada em 2003 permanece o mesmo em 2005, conforme a declaração apresentada, e que o valor declarado na DITR/2005 seguiu rigorosamente o laudo técnico em anexo, descabendo, assim, a avaliação feita pela Fiscalização, no valor de R$36.117.000,00; r) Cita que, sobre o assunto, os Egrégios 2o. e 3o. Conselhos de Contribuintes já se manifestaram, em inúmeras oportunidades, no sentido de que o contribuinte deve comprovar o valor da terra nua por documentos idôneos, e cita tais manifestações, bem como entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais; s) Alega, assim, como comprovadas: a existência de 1.047,15 ha de área de Reserva Legal; a existência de 933,5 ha de área de Reserva Particular do Patrimônio Natural; a existência de 11.564,5 hectares de área declarada como sendo de interesse ecológico, fazendo com que a área tributável declarada na DITR/2005 tenha sido maior do que a efetivamente existente; t) Pugna pela desnecessidade de apresentação do ADA, uma vez devidamente comprovadas as áreas de Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural e de Interesse Ecológico e que o correto valor da terra nua da Fazenda Rio do Peixe, seria o constante do laudo de efls. 209 a 239, no valor de R$ 700,00/ha.; u) Assim, requer seja dado provimento à presente impugnação, reconhecendose a total improcedência do lançamento fiscal. Posteriormente, encarta pedido subsidiário de efls. 313314, onde requer que, caso o laudo técnico apresentado nos presentes autos seja rejeitado, que seja adotado o Valor de Terra Nua reconhecido por julgado de 1a. instância referente ao lançamento de ITR do mesmo imóvel para o exercício de 2006 (constante de outro Processo Administrativo e anexado às efls. 333 a 359), no valor de R$ 20.424.198,18, suportado por laudo também anexo ao referido expediente, constante de efls. 315 a 332. Em 19 de agosto de 2010, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de Reserva Legal de 239,4 hectares. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator) e Gonçalo Bonet Allage que davam provimento, ainda, para fixar o VTN em R$ 20.424.198,18. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Entretanto, a Conselheira designada para redigir o voto vencedor teve seu mandato encerrado sem que tivesse formalizado o referido Acórdão. Também o Conselheiro Relator vencido não mais compõe o presente colegiado. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator AdHoc designado. Faço notar que: a) o presente Redator não participava deste Colegiado à época do julgamento do Recurso e da conseqüente prolação do Acórdão aqui formalizado; b) Não se obteve sucesso na tentativa de obtenção das razões de decidir adotadas, seja pelo Conselheiro Relator em seu voto vencido, seja pela Conselheira designada para fins de redação do voto vencedor, ambos os quais não mais compõem o presente Colegiado. Destarte, me limito, na presente formalização, a reproduzir o decisum constante em ata. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de Reserva Legal de 239,4 hectares, averbada à efl. 161. È como voto. Heitor de Souza Lima Junior Redator AdHoc Designado Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 05/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10711.007249/2009-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/09/2008
PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente.
COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003.
Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente.
Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52).
Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.
Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa.
Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/09/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/09/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 72 49 /2 00 9- 20 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 140 2 Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração em que a fiscalização impõe multa à ora Recorrente por ter deixado de observar os prazos para a “prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”. Segundo a Fiscalização, o transportador ou o agente de cargas estão obrigados a prestar à Receita Federal do Brasil informações sobre a chegada das cargas transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação. No caso, a embarcação atracou no Porto do Rio de Janeiro/RJ em 02/09/2008, sendo que a Recorrente procedeu a desconsolidação somente no dia 17/11/2008. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 141 3 Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação de informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelouse insubsistente a alegação de nulidade formal, pelo que rejeitou a preliminar. E no mérito, concluiu que embora o artigo 22 da IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao tempo dos fatos, a solução do caso estava no parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, que impunha prazos de antecedência para a prestação de informações inerentes ao Controle Aduaneiro. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos. Em síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. Preliminarmente, alega o recorrente que o auto de infração não observou as formalidades previstas nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Pela leitura do auto de infração, constatase que o douto auditorfiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos e fundamentos legais e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional marítimo e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Deste modo, não merece guarida a alegação de violação aos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972, pelo que rejeito a preliminar. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 142 4 Passo a analisar o mérito do recurso. A questão me parece bastante simples. A Recorrente está certa ao defender que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800/2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800/2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 143 5 Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que a embarcação atracou em 02/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 17/11/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro argumentos capazes de infirmar a presente autuação. Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca da denúncia espontânea prevista na atual redação do artigo 102 e parágrafos do DecretoLei 37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 144 6 § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decretolei 37/66 não considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas ferramentas à disposição do controle aduaneiro, sobretudo a implantação do SISCOMEX Cargas, cujos prazos de transmissão de informação de conteúdo de carga estão disciplinados pela IN 800/2007. Isto é, pela observância obrigatória do SISCOMEC Cargas, o despacho aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo limite será o da atracação. Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração: A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art. 37 do DecretoLei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e na maneira prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido de acordo com a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe: "Art. 1º 0 controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RW) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso) I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFI0), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes". Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas às escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 145 7 Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga dar seá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. (...) 0 planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. 0 gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e consequentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate A pirataria. Portanto, a atracação se deu no dia 02/09/2008 e o conhecimento de embarque ocorreu apenas no dia 17/11/2008, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o que atrai a hipótese de não aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DecretoLei 37/66. Derradeiramente, ainda existe outra regra que afasta a denúncia espontânea no caso dos autos. Tratase do parágrafo 3º do artigo 612 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis: Art. 612, § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade formal do auto de infração, e no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.007249/200920 Acórdão n.º 3803006.935 S3TE03 Fl. 146 8 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13808.006343/2001-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Diferença entre o declarado e o escriturado
Período de apuração: Dezembro de 1996.
VALOR ESCRITURADO MENOR DO QUE O DECLARADO À RFB
Comprovando o Fisco que os valores declarados como base imponível são inferiores aos escriturados, e não demonstrando o contribuinte, nas várias oportunidades que teve, a origem dessa diferença, deve ser cobrado o tributo em função daquela.
TAXA SELIC
Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-000.035
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: Jorge Lock Freire
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ementa_s : Diferença entre o declarado e o escriturado Período de apuração: Dezembro de 1996. VALOR ESCRITURADO MENOR DO QUE O DECLARADO À RFB Comprovando o Fisco que os valores declarados como base imponível são inferiores aos escriturados, e não demonstrando o contribuinte, nas várias oportunidades que teve, a origem dessa diferença, deve ser cobrado o tributo em função daquela. TAXA SELIC Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Matéria COFINS Recorrente JOSÉ KESSADJIKIAN ARQUITETOS ASSOC. SC LTDA. Recorrida DRJ/SPO I Assunto: Diferença entre o declarado e o escriturado Período de apuração: Dezembro de 1996. VALOR ESCRITURADO MENOR DO QUE O DECLARADO À RFB Comprovando o Fisco que os valores declarados como base imponível são inferiores aos escriturados, e não demonstrando o contribuinte, nas várias oportunidades que teve, a origem dessa diferença, deve ser cobrado o tributo em função daquela. TAXA SELIC Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente assinado digitalmente JORGE LOCK FREIRE - Relator ad doc Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13808.006343/2001-23 Acórdão n.º 3401-2202-00035 S3-C4T1 Fl. 189 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho, Sílvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz, Evandro Francisco Silva Araújo, Leonardo Siade Manzan e Ali Zraik Jr.(relator) Relatório Versam os autos exigência de COFINS sobre a diferença entre o valor declarado em DCTF e o que consta do Livro Razão Analítico, relativamente ao período de apuração de dezembro de 2006. Mantido o lançamento pelo Acórdão DRJ/SPO I nº 08.441 (fls. 159/179), de 07/12/2005, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 191/217) contra o mesmo. Em suma, alega que faltou a devida motivação ao ato administrativo de lançamento, pelo que postula sua nulidade. Entende, ademais, que a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios é ilegal. É o Relatório. Voto De acordo com Despacho de folha 378, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, o presidente da atual Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF designou-me para formalizar a decisão não entregue à Secretaria pelo relator original, conselheiro Ali Zraik Jr., o qual não mais integra este Colegiado. Desta forma, a elaboração deste Acórdão reflete a posição adotada pelo relator original nos termos do que consta da Ata de Julgamento. Assim, o voto a seguir proferido, espelha o entendimento externado por ocasião do julgamento original, não tendo necessário vínculo com o entendimento deste redator designado sobre a matéria. Quantas às pugnadas preliminares, todas hão de ser refutadas. Não há vício algum no ato administrativo de lançamento. Ele decorreu de procedimento fiscal em que o Fisco propiciou a recorrente informar, contestar, explicar o porquê da diferença entre o valor de faturamento do mês de dezembro de 1996 escriturado e o declarado. Essa é a singela motivação do lançamento, estribado em irrefutável verdade material. Parece-me que a recorrente está se referindo a outra peça fiscal, dado o distanciamento entre o que articula e os fatos encetados nos autos. O que fica patente da peça recursal é que a sociedade civil autuada não tem o que dizer acerca da diferença entre o valor declarado em DCTF e o valor registrado em seu Livro. À fl. 39, cópia do Razão Analítico da empresa onde consta como faturamento no mês de dezembro de 1996 o valor de R$ 1.256.201,25. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13808.006343/2001-23 Acórdão n.º 3401-2202-00035 S3-C4T1 Fl. 190 3 De outro turno, no Termo de Reintimação e Prosseguimento de Ação Fiscal (fls. 7/11) a fiscalização cientifica a recorrente que "foi detectado divergências de informações de DIRFS fornecidas por empresas que pagaram rendimentos, através do código nº 1708, ref. retenção de Imposto de Renda na Fonte s/prestação de serviços, comparativamente aos valores informados na DIRPJ ano base 1996 da empresa beneficiária de tais rendimento, que é o Contribuinte ora em fiscalização". Esses referidos valores estão arrolados nesse mesmo Termo à fl. 09, onde resta constatado, em relação ao exercício 1996, uma diferença de R$ 991.148,20 entre os valores declarados como pagos à autuada e o valor por ela declarado em sua DIPJ 1997. Neste mesmo Termo, o contribuinte, cientificado em 05/07/2001, foi "REINTIMADO a prestar esclarecimentos e fornecer prova documental, ..., que justifiquem a divergência detectada acima descrita, sob penas de, não o fazendo, sofrer tributação prevista em lei para a omissão de receita acima apontada". O contribuinte quedou-se silente ante tal intimação, e, em 12/12/2001, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 53/55), o qual consigna que analisando "demonstrativo das bases de cálculo e recolhimentos efetuados e declarados relativos à COFINS - preparados e assinados pelo Contribuinte" foi constatada a insuficiência de recolhimento, em relação ao mês de dezembro de 1996, daquela contribuição no valor de R$ 24.996,35, objeto do lançamento. Assim, inconteste que o lançamento foi devidamente motivado e que o contribuinte não se desincumbiu, em sua prolixa peça recursal, de inverter o que foi devidamente demonstrado e provado pelo Fisco. Dessarte, escorreita a exigência fiscal quanto ao valor da obrigação principal exigida. Quanto à aplicação da taxa SELIC como juros de mora, sem reparos a decisão recorrida, eis que a matéria está sumulada por este sodalício nos termos da Súmula CARF nº 4, que se aplica ao período abarcado pela exação e que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. JORGE LOCK FREIRE Conselheiro designado ad hoc para redação do acórdão. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13808.006343/2001-23 Acórdão n.º 3401-2202-00035 S3-C4T1 Fl. 191 4 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 30/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 10865.001482/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARIA LUCIA MOTA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de insuficiências de recolhimentos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) nos períodos de outubro a dezembro de 2001, fevereiro, abril, novembro e dezembro de 2002, junho, novembro e dezembro de 2003, exigindoselhe contribuição de R$ 61.556,72, multa de ofício de R$ 35.171,36 e juros de mora de R$ 46.167,51, perfazendo o total de R$142.895,59. O enquadramento legal encontrase à fl. 05. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que o levantamento fiscal aponta valores recolhidos a maior de PIS e COFINS em alguns meses e estes poderiam ser compensados com os valores das diferenças de recolhimentos apuradas pelo Srº Agente Fiscal. Alega, ainda, a utilização de base de cálculo diferente para apuração dos tributos devidos, gerando fundada suspeita de que houve um equívoco na apresentação da base de diferença registrada na última coluna da tabela anexa ao Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. COMPENSAÇÃO. REGRAS. A compensação entre créditos e débitos tributários é regida por regras próprias, não constituindo o processo de constituição do crédito tributário o meio adequado de realizála. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Em sede de recurso voluntário, a empresa restringese à alegar a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo introduzido pela Lei 9.718/98. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARIA LUCIA MOTA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10865.001482/200511 Acórdão n.º 310201.256 S3C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Depreendese do auto de infração guerreado que os fatos geradores do crédito tributário constituído ocorreram durante os anos de 2001, 2002 e 2003. Vigia a época o artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que as alterações introduzidas na base de cálculo da Cofins pela Lei 10.833/03 surtiram efeito a partir de 1º de fevereiro de 2004, como segue. Lei 10.833/03. Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; A Lei 9.718/98 promoveu alargamento na base de cálculo, incluindo na base tributável toda e qualquer receita independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, a inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARIA LUCIA MOTA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Dispõe o artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, que as matérias de repercussão geral decididas no âmbito do Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Compulsando os autos, percebese que a planilha à folha 68, na qual se demonstram os critérios de apuração da base de cálculo utilizada no auto de infração, identifica diversas divergências entre os valores declarados em DCTF, na DIPJ e os apurados nos balancetes pela fiscalização. Concluise que nem todo o quantum exigido decorre de receitas incluídas na base de cálculo pela Lei 9.718/98. Em tais circunstâncias, acolhendo o entendimento reproduzido na decisão cuja ementa foi acima reproduzida, VOTO POR DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir o crédito tributário exigido no auto de infração que tenha por base receitas não compreendidas no conceito definido pela Lei Complementar nº 70/91, qual seja, o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Sala de Sessões, 10 de novembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por MARIA LUCIA MOTA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.000762/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/12/2005
CONCOMITÂNCIA. Não se conhece das alegações que versam sobre a inexigibilidade do crédito tributário, ao serem discutidas em Mandado de Segurança. Assim as matérias atinentes à inexigibilidade da CIDE, não são conhecidas tendo em vista que a matéria levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara administrativa.
AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é instrumento hábil para a constituição de credito tributário com o fim de prevenir a decadência.
INCONSTITUCIONAL1DADE. Não compete ao juízo administrativo apreciar arguições de inconstitucionalidade por vedação expressa. Art. 26-A lei nº. 11.941/2009.
JUROS DE MORA. Depósito do montante integral aferido pela própria fiscalização. Exigibilidade do crédito suspensa. Art. 151, II do CTN. Afasta-se a exigência dos juros de mora quando a exigibilidade do crédito estiver suspensa. Súmula CARF nº. 05.
Numero da decisão: 3102-01.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Não se conhece das alegações que versam sobre a inexigibilidade do crédito tributário, ao serem discutidas em Mandado de Segurança. Assim as matérias atinentes à inexigibilidade da CIDE, não são conhecidas tendo em vista que a matéria levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara administrativa. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é instrumento hábil para a constituição de credito tributário com o fim de prevenir a decadência. INCONSTITUCIONAL1DADE. Não compete ao juízo administrativo apreciar arguições de inconstitucionalidade por vedação expressa. Art. 26A lei nº. 11.941/2009. JUROS DE MORA. Depósito do montante integral aferido pela própria fiscalização. Exigibilidade do crédito suspensa. Art. 151, II do CTN. Afasta se a exigência dos juros de mora quando a exigibilidade do crédito estiver suspensa. Súmula CARF nº. 05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 30/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira e Helder Kanamaru. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão 1617.553 da 9ª Turma da DRJ/SPO1, que julgou procedente o lançamento. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurado, conforme termo de verificação às fls. 154158, crédito tributário da CIDE sobre remessas de valores ao exterior para fatos geradores que ocorreram entre 31/01/2001 e 31/12/2005, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 177183, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados. 2. O crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa, e compõese da contribuição e juros de mora, calculados até 31/03/2006, perfazendo o total de R$ 93.838.810,89. 2.1. A empresa impetrou o MS m° 2002.61.00.0206864, petição inicial fls.5578, objetivando concessão de liminar para suspender a exigibilidade da CIDE incidente sobre as remessas decorrentes de contratos de distribuição de software com a empresa alemã SAP AG. A liminar foi deferida às fls.549, porém em 07/02/2003 foi deferido o efeito suspensivo pleiteado em agravo de instrumento da União contra a medida liminar (fls.552 555). Em acórdão de 04/02/2004 (fls. 566569), o TRF deu provimento ao agravo, sob o argumento de que "a fundamentação e o embasamento legais apontados denotam a legitimidade da incidência da exação, independentemente de estar comprovada a existência ou não de transferência de tecnologia, em sentido estrito, mesmo porque as hipóteses descritas na lei abarcam situações em que ela é presumida." 2.2. Em 12/09/2006 foi publicada sentença denegando a segurança pleiteada, extinguindo o processo com resolução do mérito e revogando a liminar concedida (fis.577 579). A autora apelou da sentença e os autos subiram ao TRF, encontrandose conclusos ao relator (fis.601). 411 2.3. A empresa impetrou também o MS n.° 2004.61.00.0208390, requerendo concessão de liminar para suspender a exigibilidade da CIDE nas remessas efetuadas à SAP AG a partir de 01/2001 decorrentes de contratos de prestação de serviços. A liminar foi deferida (fis.573), porém a Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.000762/200638 Acórdão n.º 3102001.583 S3C1T2 Fl. 232 3 sentença denegou a segurança, revogando expressamente a liminar concedida (fl8.606). Em sede de embargos de declaração, o juízo decidiu reunir este processo com o de n.° 2001.61.00.0244423 (da mesma empresa e versando sobre IRRF), considerando que "a existência de depósitos naqueles autos também, garantiriam, em principio, o crédito tributário discutido nestes." Consultando as fases do processo, verificase que a impetrante interpôs recurso de apelação, estando os autos conclusos para despacho (fis. 603). 3. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 25/04/2006, a contribuinte apresentou em 25/05/2006 a impugnação de fls. 188/218, documentos anexos às fls. 219480, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Afirma que a exigibilidade do crédito permanece suspensa nos termos dos art.151, II e IV, do CTN, em razão das liminares concedidas e dos depósitos judiciais realizados, sendo improcedente o auto de infração nos termos do art. 62 do Decreto 70.235/72. Expõe trecho de interpretação desse artigo atribuída à RFB a corroborar sua tese. Transcreve a doutrina e julgado do Conselho de Contribuintes a embasar sua tese. Diz que a Autoridade Administrativa não pode alterar a natureza do auto de infração (penalizar) apenas para prevenir a decadência. Argumenta que no caso em tela não ocorreu infração nem penalidade visto que antes de qualquer ato procedimental do Fisco tendente ao lançamento a requerente já havia obtido perante o Poder Judiciário medidas liminares, seguidas da realização de depósitos judiciais no montante integral dos supostos créditos tributários que suspenderam sua exigibilidade, impedindo a autuação. 3.2. A impugnante discorre sobre a inexigibilidade da CIDE alegando, em suma, que nos contratos de distribuição de software por ela celebrados não há transferência de tecnologia, pressuposto indispensável à incidência da CIDE, concluindo que tais contratos não se enquadram nas hipóteses de incidência da CIDE. Afirma que tal exação é de duvidosa constitucionalidade e legalidade, vez que os benefícios de sua arrecadação não são direcionados aos seus sujeitos passivos, e sim a toda sociedade. Alega que a contribuição intervencionista visa somente corrigir imperfeições em determinados setores econômicos, devendo incidir apenas enquanto as irregularidades constatadas estejam sendo sanadas, o que não ocorre no presente caso. Argumenta que a CF/88 fixou necessidade de lei complementar para instituir os tributos previstos no art.149, e a CIDE foi instituída por lei ordinária, o que comprova a inconstitucionalidade da exação. 3.3. Sugere tratarse a CIDE de um possível imposto, o que reforçaria a necessidade de lei complementar para sua instituição, tornandoa inconstitucional por violação ao art.154, Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 I, da CF. Alega ainda que a CIDE possui o mesmo fato gerador e base de cálculo do IRF, gerando bis in idem, proibido pela CF/88. Expõe o conflito existente entre a base de cálculo da CIDE e o disposto no art.149, § 2Y, BI, "a", introduzido pela EC n.° 33/2001, gerando inconstitucionalidade da Lei n.° 10.332/01, que alterou dispositivos da lei instituidora da CIDE. Admitindo tratarse a C1DE de imposto, aduz que a exação afronta o inciso IV do art.167 da CF, por ter o produto de sua arrecadação destinação especifica. Ressalta que a CIDE viola os Tratados GATT e GATS, por tratamento discriminatório menos favorável às empresas estrangeiras, já que seus produtos e serviços estão sujeitos à incidência de tributo que não incide quando os produtos e serviços são fornecidos por empresa nacional. • 3.4. A requerente insurgese contra os juros de mora afirmando que nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais, estando amparada por depósitos e decisões judiciais, consoante art.151, II e IV do CTN. Cita decisões do Conselho de Contribuintes e STF a embasar seu raciocínio. Alega ainda ilegalidade ao se utilizar a taxa Selic na cobrança de juros moratórios, sob pena de violação ao art.150, 1, do CTN. Cita jurisprudência a esse respeito. 3.5. Conclui que é inexigível a CIDE sobre as remessas em questão, tendo em vista que os contratos de distribuição de software e de prestação de serviços não reúnem as condições fáticas necessárias à configuração do aspecto material da hipótese de incidência da exação, e que as liminares e os depósitos judiciais suspenderam a exigibilidade dos créditos tributários impedindo a lavratura do Auto de Infração. Pede o acolhimento da impugnação, reconhecendose a improcedência da autuação. 4. A fim de apurar se os depósitos efetuados pela empresa foram efetuados no montante integral do débito, foi o processo enviado em diligência à Dipac/Defis/SP para verificação do solicitado. Em relatório fiscal de fls.590592, a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar certidões de objeto e pé dos referidos processos (fis.588589) e concluiu que os débitos estão cobertos pelos depósitos efetuados pela empresa, notificandoa se manifestar a respeito da diligência conforme art. 44 da lei 9.784/99. Esgotado o prazo legal sem que o contribuinte apresentasse manifestação, os autos retornaram à DRJ para prosseguimento do julgamento. Após analisar a defesa ao auto de infração, decidiu a 9ª Turma da DRJ/SPO1, pela procedência do lançamento nos termos da ementa do voto abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a31/12/2005 CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.000762/200638 Acórdão n.º 3102001.583 S3C1T2 Fl. 233 5 O auto de infração é instrumento hábil para a constituição de credito tributário com o fim de prevenir a decadência. LANÇAMENTO. MATÉRIA "SUBJUDICE". O lançamento deve ser efetuado mesmo na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário e ainda que o crédito tributário não possa ser exigido. NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo Decreto, não há que se falar em anulação ou invalidação do auto de infração. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora são cabíveis também nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Cabimento dos juros determinados pela taxa Selic, com base na Lei 9.065/95. INCONSTITUCIONAL1DADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de _uiçõe• de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) com base no art. 62 do Dec. nº 70.235/72, não seria possível lavrar o auto de infração durante a vigência de medida judicial, que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, assim, o lançamento deve ser improcedente; b) em razão da natureza do auto de infração, não pode ele servir tão somente para prevenir a decadência; c) quanto ao aspecto material da CIDE, que seria a transmissão de conhecimento tecnológicos provenientes do exterior, esta não poderia alcançar bens, pessoas ou relações que não digam respeito à ciência e tecnologia. Assim, consoante às hipóteses previstas pelo art. 10 da Lei nº 10.332/2001, afirma que o pagamento de direito de autor a residente ou domiciliado no exterior, como no caso presente, não reside numa das hipóteses elencadas, razão pela qual não caberia sofrer incidência da CIDE. Ademais, o pressuposto da CIDE atinente à transferência de tecnologia não restaria presente na situação do sujeito passivo. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 d) A exação presente só seria possível caso verificada a existência de beneficio específico para o sujeito passivo, isto é, a caracterização da referibilidade constante das contribuições de intervenção no domínio econômico. Assim, nos moldes do art. 149 da CF/88, não se verifica a existência de uma contraprestação específica, em face da CIDE, para com o sujeito passivo, mas sim alcançando toda a sociedade, o que desvirtua a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico. Logo, restaria duvidosa a constitucionalidade da CIDE; e) A contribuição em tela fora instituída por Lei Ordinária, quando deveria ser por Lei Complementar, caracterizando a sua inconstitucionalidade. Referida inconstitucionalidade é repetida quando da verificação de fato gerador e base de cálculo iguais entre a CIDE e o IRF, configurando a tributação repelida “bis in idem”; f) A exigência da CIDE viola o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), assim como o GATS, que são tratados internacionais que o Brasil é signatário, visto que o Brasil não poderia tributar produtos ou serviços provenientes do exterior de forma distinta daquela aplicável aos similares nacionais. Logo, com a incidência da CIDE verificase um tratamento discriminatório, o qual é proibido; g) É infundada a exigência de juros de mora nestes autos, em face de que a Recorrente nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais, tendo em vista que é amparada por decisão judicial assim como já realizou os depósitos judiciais. Aliás, a mora seria uma consequência da exigibilidade, peculiaridade inexistente nos presentes autos. De outro norte, a taxa SELIC não poderia ser aplicada com vistas a que não fora criada para fins tributários bem como não possui caráter moratório, assim sendo, seja pela inexistência de mora ou pela sua inaplicabilidade, a taxa SELIC deveria ser afastada. O Recorrente anexa acórdãos para sustentar a posição delineada no tópico “c” e diversas jurisprudências para corroborar suas afirmações. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Inicialmente, insta salientar que a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico é de competência exclusiva da União, nos termos do art. 149 da CF, assim como deve ser analisada observando os princípios gerais da atividade econômica insculpidos no art. 170, I a IX da Constituição, pois seu objetivo é incentivar a economia, o que demonstra seu caráter extrafiscal. Segundo o professor José Eduardo Soares de Melo1: As contribuições interventivas têm por âmbito o domínio econômico, cujo o conceito não é de fácil compreensão e delimitação, devendo ser examinadas na Constituição Federal as 1 MELO, José Eduardo Soares de. "Contribuições Sociais no Sistema Tributário", 6ª ed. Editora Melheiros. São Paulo 2010. p 135 Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.000762/200638 Acórdão n.º 3102001.583 S3C1T2 Fl. 234 7 inúmeras ingerências do Estado na esfera econômica, abrangendo: a) serviços público; b) poder de polícia; c) obras públicas; d) atividades monopolizadas; e) a excepcional exploração direta da atividade econômica; f) a regulação da atividade econômica – contrapostas às situações em que se outorga liberdade para a atuação dos particulares. Não obstante os esclarecimentos delineados, perfazse a necessidade de destacar a concomitância, para o qual urge dizer que a mesma matéria em sede de Recurso Voluntário, a dizer, o crédito tributário constituído com base na CIDE, resta por já suscitada perante o Poder Judiciário. Neste passo, é importante atentar ao que a Lei 6.830/80 disciplina a respeito do instituto em tela: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Ora, em face do dispositivo acima, não resta outra conclusão senão de que, ante a conduta do Recorrente em propor Mandado de Segurança – MS 2004.61.00.0208390 e MS 2002.61.00.0206864, temse, por conseguinte, que as alegações que versam a respeito da inexigibilidade do crédito tributário não devem ser conhecidas no presente julgado. Afinal, analisandose o teor dos mandados correlacionados, inferese que as alegações ali suscitadas coincidem com as constantes do Recurso interposto. Logo, em face dos ditames constitucionais, não conheço das matérias atinentes à inexigibilidade da CIDE, tendo em vista que a matéria levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara administrativa, com base na soberania das decisões judiciais. Outrora, no que concerne à alegação do Recorrente de que a inexigibilidade do crédito tributário impossibilita a lavratura do Auto de Infração, importante se faz observar o art. 142 do Código Tributário Nacional, mais precisamente seu parágrafo único: "Art. 142 Compete privativamente á autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar aocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular omontante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e,sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, como bem delineado pela DRJ na decisão ora recorrida, a peculiaridade do ato administrativo de lançamento em ser vinculado e obrigatório afasta a alegação da Recorrente de impossibilidade de lavratura do Auto de Infração em tela e, como consequência, da improcedência do Auto de Infração lavrado para com a empresa Recorrente. Aliás, neste norte passase à afirmação da Recorrente de que, ante a natureza do Auto de Infração, este não poderia ser lavrado com o intuito de prevenir a decadência. Neste ponto, bastante elucidativo é o posicionamento da DRJ, constante na fls. 615: “Materializada a hipótese de incidência, isto é, dado o fato jurídicotributário, começa a fluir o prazo decadencial contra o direito subjetivo da Fazenda Pública que acaba de vir a lume. Necessário se faz, portanto, assegurar este direito. Do contrário, urna eventual decisão final contrária ao sujeito passivo, tida e havida após o decurso do prazo decadencial, suscitaria prejuízos ao erário, porquanto a Fazenda Pública não teria ao seu dispor titulo algum com o qual pudesse embasar urna execução judicial.” Ora, em assim não procedendo a autoridade fiscal, restaria prejudicado o direito subjetivo da Fazenda Pública, caso o prazo decadencial fosse ultrapassado perante a lide ajuizada no Poder Judiciário. Mister, pois, fazse a realização do lançamento do crédito tributário em deslinde, com vistas a assegurar, para o caso de decisão judicial em posição favorável ao crédito devido, a execução dos valores pertinentes e que lhe são devidos a título de crédito tributário. No que se refere às alegações acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade da CIDE, seja em sua instituição, aplicação ou cobrança, não é demais dizer que tal juízo deve ser afastado pela autoridade administrativa, haja vista que não compete ao juízo administrativo dispor a respeito, sob pena de constituir decisões – judicial e administrativa – divergentes embora plenamente válidas. Assim, frente à segurança jurídica, cabe afastar qualquer alegação que tenha o teor delineado, conforme prescreve a Lei 11.941/2009 em seu art. 26A: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Neste sentido seguem os ensinamentos, bastante elucidativos de Marcos Vinicius Neder, a seguir delineados: “Nossa Constituição não alberga norma que atribua às autoridades da Administração competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de leis. Assim, já é possível afirmarse que no desempenho de atividades substancialmente administrativas o exame da inconstitucionalidade é inadmissível. Resta, assim, saber se tal exame é possível nas situações em que a autoridade da Administração desempenha atividade substancialmente Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.000762/200638 Acórdão n.º 3102001.583 S3C1T2 Fl. 235 9 jurisdicional, como, por exemplo, quando aprecia uma questão fiscal. Quando os órgãos do Contencioso Administrativo Fiscal julgam as questões entre o contribuinte e a Fazenda Pública praticam atividade jurisdicional, desempenhada, aliás, em processo de certo modo idêntico àquele no qual se desenvolve a atividade peculiar, própria do Poder Judiciário. Poderseia, assim, admitir, em tais situações, o exame de arguições de inconstitucionalidade pela autoridade administrativa. A competência da autoridade administrativa resultaria implícita na competência no desempenho da atividade jurisdicional. Isto, porém, é inteiramente inaceitável, porque enseja situações verdadeiramente absurdas, posto que o controle da atividade administrativa pelo Judiciário não pode ser provocado pela própria Administração. Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a arguição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar na prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização.” 2(grifo nosso) Ora, vêse, consoante a passagem acima transcrita, as consequências de afastar alegações de inconstitucionalidade no contencioso administrativo. Passase, por fim, às derradeiras suscitações do contribuinte, ora Recorrente, quando se insurge contra a exigência de juros de mora, sob o argumento de que restaria incabível no caso em tela. Para tanto, afirma que, materialmente, jamais esteve lastreado pelo instituto da mora em vista do cumprimento de suas obrigações fiscais, seja por ser amparado por decisão judicial em sede de Mandado de Segurança, ora pela realização dos depósitos judiciais relativos aos valores constantes do débito lavrado. Ao fim, ressalta ainda que a mora é consequência da exigibilidade do crédito tributário, o que não se faria presente para com o crédito tributário em liça. Em que pese os argumentos delineados, necessário fazse analisar as condutas do Recorrente, que ora afirma como óbices para os juros moratórios. Neste passo, denotase, conforme se observa dos autos bem como da análise da própria fiscalização, que os valores atinentes ao crédito tributário, supostamente devido, fora depositado em juízo, consoante posicionamento da própria DRJ ao afirmar que: 4. A fim de apurar se os depósitos efetuados pela empresa foram efetuados no montante integral do débito, foi o processo enviado em diligência à Dipac/Defis/SP para verificação do solicitado. Em relatório fiscal de fls.590592, a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar certidões de objeto e pé dos referidos processos (fis.588589) e concluiu que os débitos estão cobertos pelos depósitos efetuados pela empresa, notificandoa se manifestar a respeito da diligência conforme art. 44 da lei 9.784/99. Esgotado o prazo legal sem que o contribuinte apresentasse manifestação, os autos retornaram à DR.! para prosseguimento do julgamento.(grifo nosso) 2 NEDER, Marcos Vinicius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010. p. 418. Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Assim, no presente caso, vêse, segundo o Código Tributário Nacional, a ocorrência de uma das hipóteses para suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; Logo, analisando que os valores depositados correspondem ao montante integral do crédito tributário, razão persiste a recorrente em dizer que houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Em conseguinte, lastreandose ao fato de inexigibilidade do crédito tributário, notase que o crédito lavrado encontrase pendente de exigibilidade até que seja dirimida a controvérsia acerca das questões aqui travadas. Não obstante, em razão da referida pendência, é correto a posição da Recorrente ao sustentar a impossibilidade a cobrança dos juros de mora. Ora, realizado o depósito judicial, não há como dizer que o contribuinte constituiu a situação caracterizada pela mora. A mora, a seu turno, consiste na inexecução culposa ou dolosa da obrigação. No que tange à mora do devedor, esta se lastreia ao fato deste não cumprir a prestação devida na forma, tempo e lugar estipulados, percebendo como requisito, desde logo, a exigibilidade imediata da obrigação. Não obstante, tendo em vista a inexigibilidade imediata da obrigação, com vistas ao depósito do montante integral já consubstanciado, não se preenche as condições pelas quais caracterizam o devedor em mora. Assim, em igual linha de raciocínio segue posicionamento do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: PIS. JUROS DE MORA, CRÉDITOS TRIBUTÁMOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Não há de ser aplicado juros de mora em relação a créditos tributários com a exigibilidade suspensa em virtude de depósito judicial do seu montante integral, cujo lançamento visa prevenir a decadência. (...)." (Acórdão n° 202149993 da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) É oportuno citar a súmula CARF nº 05, a qual consolidou o posicionamento no sentido de que quando o depósito for realizado em seu montante integral não serão devidos os juros de mora: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.000762/200638 Acórdão n.º 3102001.583 S3C1T2 Fl. 236 11 Em face da jurisprudência e ensinamentos esposados, demonstrase que os juros de mora na presente lide administrativa são incabíveis, frente à inexigibilidade do crédito tributário em decorrência do depósito judicial realizado. Diante do exposto, conheço do recurso para manter o entendimento pelo qual se afastou a discussão sobre o mérito do lançamento em atenção a concomitância e para afastar as alegações a título de inconstitucionalidade. Por outro lado, darse parcial provimento para dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a cobrança dos juros de mora. Sala de sessões 21 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 30/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10882.900926/2008-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2002 A 30/11/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 26 /2 00 8- 38 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900926/200838 Acórdão n.º 3801004.975 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.004691/2007-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores anteriores a 11/2000 inclusive.
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-004.218
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
assinado digitalmente
Ricardo Magaldi Messetti Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Obrigação Acessória Recorrente CONSTRUTORA ERG LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores anteriores a 11/2000 inclusive. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 46 91 /2 00 7- 75 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por apresentar GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. O r. acórdão conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, a decadência do direito de lançamento. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 19/12/2006 em razão da apresentação de GFIP com ausência de fatos geradores, período 01/1999 a 08/2005. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos _________________ Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 6 5 Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2000, inclusive. Ante o exposto, acolho parcialmente a preliminar de decadência nos termos do voto proferido. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 7 6 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive, e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 8 7 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Pedi vista do presente processo tão somente para averiguar a aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 ao caso concreto, e não por duvidar das razões de decidir do Nobre Conselheiro Relator, a quem rendo aqui as mais sinceras homenagens. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 10 9 lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 11 10 Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 12 11 O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004691/200775 Acórdão n.º 2803004.218 S2TE03 Fl. 13 12 infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 02/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.720448/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração:01/01/2005 a 31/12/2008
MULTA AGRAVADA. 112,5%. ATRASO NO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕS. CABIMENTO.
Deve ser mantido o aumento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente vale-se de conduta de procrastinação no cumprimento das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVOS DIGITAIS. ERROS E INCONSISTÊNCIA. PENALIDADE APLICÁVEL.
A prestação de informações incorretas em meio magnético enseja a aplicação da multa regulamentar de 5% sobre o valor das operações até o limite de 1% da receita bruta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre 01/2005 e 06/2006, e; (ii) pelo voto de qualidade, em manter o lançamento quanto as diferenças apuradas, a multa agravada e a multa por informação incorreta. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama DEça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que afastavam a multa por informação incorreta. Designado conselheiro Alexandre Kern para redigir o voto vencedor na matéria em que o relator foi vencido. Fez sustentação oral dra Tatiane Praxedes Garcia OAB/SP nº 249396
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RI CARF.Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:01/01/2005 a 31/12/2008 MULTA AGRAVADA. 112,5%. ATRASO NO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕS. CABIMENTO. Deve ser mantido o aumento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente valese de conduta de procrastinação no cumprimento das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVOS DIGITAIS. ERROS E INCONSISTÊNCIA. PENALIDADE APLICÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 48 /2 01 1- 32 Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.541 2 A prestação de informações incorretas em meio magnético enseja a aplicação da multa regulamentar de 5% sobre o valor das operações até o limite de 1% da receita bruta. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre 01/2005 e 06/2006, e; (ii) pelo voto de qualidade, em manter o lançamento quanto as diferenças apuradas, a multa agravada e a multa por informação incorreta. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D’Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que afastavam a multa por informação incorreta. Designado conselheiro Alexandre Kern para redigir o voto vencedor na matéria em que o relator foi vencido. Fez sustentação oral dra Tatiane Praxedes Garcia OAB/SP nº 249396 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram ainda do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da DRJ recorrida, adoto o mesmo por fidelidade: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1058/1063, constituindo o crédito tributário de R$ 5.330.803,32, referente a Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora, multa proporcional, multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito e multa regulamentar. Segundo a descrição dos fatos do auto e os Termos de Constatação Fiscal de fls. 991/1017 e 1035/1046, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Falta de lançamento do imposto em setembro e novembro de 2006 na saída de produtos tributados (classificação fiscal 8421.99.10 – alíquota de 10%) pela utilização de alíquota de IPI menor (0%) do que a estabelecida pela TIPI; 2. Falta de recolhimento ou recolhimento a menor de janeiro2005 a dezembro/2006 pela utilização de créditos básicos indevidos, decorrentes de Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.542 3 entradas de simples remessa que não geram direito ao crédito, e de entradas de mercadorias com alíquotas maiores do que as previstas; Em função das irregularidades constatadas foi realizada a reconstituição da escrita fiscal. Além disso, foi aplicada a multa agravada de 112,5% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a alteração dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, em virtude da falta e de atrasos no atendimento das intimações; 3. Falta e atraso na apresentação de arquivos magnéticos previstos na IN/SRF nº 86/2001, bem como a apresentação de arquivos inconsistentes, resultando na aplicação da multa regulamentar prevista no art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72, inciso II, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 1073/1102, alegando, em síntese, que: 1. O ano de 2005 foi fulminado pela decadência pela aplicação do art. 173 do Código Tributário Nacional, já que foi superado o prazo de cinco anos contados a partir de 01/01/2006; 2. O crédito relativo às notas fiscais nº 2.845, 18.230, 2.488 e 82.897 de simples remessa é legítimo, com base no art. 164, inciso I, do RIPI/2002; referemse a remessa de material de reposição ou material faltante requisitados a seus fornecedores e entregues e aplicadas em obras realizadas no cliente final; 3. O crédito relativo às notas fiscais nº 63.449, 8.036 e 180.954, referemse a materiais recebidos em demonstração, com pagamento do imposto, que geram crédito na entrada, mas que também há o débito na devolução das mercadorias; 4. Tanto no caso das aquisições de material de reposição e faltante, quanto nas entradas de produtos em demonstração, devese aplicar o princípio da nãocumulatividade; mantida a exigência do IPI, ocorreria o enriquecimento indevido da Receita Federal; 5. Em relação à glosa do crédito nas aquisições de insumos com alíquotas a maior, a contribuinte, de acordo com o art. 266 do RIPI/2002 não tem obrigação de verificar a classificação fiscal e não pode ser responsabilizada pela alíquota aplicada, tendo direito ao crédito com base no princípio da nãocumulatividade; mantida a exigência do IPI, ocorreria o enriquecimento indevido da Receita Federal; 6. Nas saídas de produtos classificados no código 8421.99.10, o autuante errou ao aplicar a alíquota de 10%, quando a TIPI determinava a alíquota de 8%, e por isso o auto de infração deve ser cancelado; subsidiariamente, deve se reduzir o lançamento da alíquota de 10% para 8%; 7. Não procede o agravamento da multa aplicada porque procurou atender as intimações, sendo que o auditor requisitou enormes quantidades de informações em apenas dois meses; não se comprovou o dolo da contribuinte no atraso ao atendimento à algumas intimações; 8. A cobrança da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91 está eivada de inconstitucionalidade por afrontar o princípio da legalidade e o princípio da proporcionalidade; 9. A multa deve ser anulada porque somente pode ser aplicada quando o sujeito passivo omite ou presta incorretamente as informações solicitadas pela fiscalização, o que não ocorreu; 10. A maior parcela das incongruências apontadas pela fiscalização no arquivo magnético referemse somente a arredondamento de casas decimais, em face de limitações do SVA (Sistema de Validação de Arquivos); Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.543 4 11. Parte das incongruências referemse a simples erros de digitação que não causaram qualquer prejuízo à fiscalização; o restante referese a divergência de alíquota de IPI, com base no valor de IPI lançado pelo fornecedor; 12. Não há comprovação da irregularidade dos arquivos magnéticos; 13. Ocorreu cerceamento de defesa porque a fiscalização não demonstrou, ao aplicar a multa; que as inconsistências chegariam a um valor acima de 1% da Receita Bruta; não se verifica nos Relatórios Sintéticos de Mensagens de Validação, emitido pelo SVA, discriminação dos erros encontrados e o valor de cada um deles. Por fim, requereu a decadência dos fatos geradores ocorridos em 2005, o cancelamento integral do lançamento, ou, subsidiariamente, a redução da multa agravada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Através do Acórdão nº 1436.424, restou o processo julgado em primeira instância, no qual a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) houve por bem em considerar procedente em parte a impugnação do contribuinte, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. ALÍQUOTA MENOR. Cobrase de ofício o imposto não lançado em virtude da aplicação, pela contribuinte, de alíquota menor, juntamente com os consectários legais. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ADOÇÃO DE ALÍQUOTA MAIOR QUE A CORRETA. Mantémse a glosa de créditos de IPI relativos a aquisições de insumos com destaque do imposto nas notas fiscais calculado com base em alíquota maior que a correta; compete às empresas fornecedoras impetrar administrativamente pedidos de restituição do imposto indevidamente pago e à adquirente requerer, na esfera civil, devolução do valor pago indevidamente. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL DE SIMPLES REMESSA. Como regra geral, as notas fiscais de simples remessa não geram direito ao creditamento do imposto. Nesses casos, a escrituração do crédito está condicionada à comprovação de que as mercadorias foram efetivamente aplicadas no processo produtivo. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É lícita a imposição de multa de ofício, com agravamento sobre a multa simples (112,5%), tendo em vista a falta de atendimento de intimações nos prazos estipulados. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.544 5 ARQUIVO EM MEIO MAGNÉTICO. MULTA REGULAMENTAR. A prestação de informações incorretas em meio magnético enseja a aplicação da multa regulamentar de 5% sobre o valor das operações até o limite de 1% da receita bruta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em síntese, a DRJ salienta que fato de a contribuinte usar indevidamente o crédito que afirma ter é o que causa consequências tributárias, sustenta que ao utilizar esses créditos não estará a contribuinte cumprindo com o pagamento dos tributos devidos. Com relação à preliminar de nulidade do lançamento, a DRJ rejeitou a mesma por não existir ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Já no que diz respeito às saídas de produtos sem lançamento do imposto, afirma que a fiscalização apurou que a contribuinte deu saída a produtos sem o lançamento do imposto, sendo que deveria ter lançado com aplicação a alíquota de 10%. Através da análise dos demonstrativos de fls. 1047/1057, verificou que o lançamento decorrente das saídas não originou lançamento do imposto, o que resultou apenas na aplicação da multa sobre IPI não lançado com cobertura de créditos. Deste modo, entende a DRJ que a multa aplicada deve ser reduzida. No que tange as glosas de crédito, a DRJ manteve a glosa efetuada por entender que o crédito utilizado não poderia existir, porém ressalvou a possibilidade da contribuinte fazer o pedido de restituição em relação aquisição de insumos com alíquotas de IPI maiores do que as previstas. Asseverou que a autuante glosou créditos decorrentes das notas fiscais de simples remessa e que não há nos autos qualquer prova de que as mercadorias efetivamente tenham sido aplicadas no processo produtivo, sendo assim, justificouse a glosa efetuada pela fiscalização. A DRJ entendeu ser correta a aplicação de multa de ofício com agravamento de multa simples, afirmando que tal entendimento é embasado pelo não cumprimento das intimações nos prazos estabelecidos. Com relação à multa regulamentar asseverou que prestar informações incorretas por meio magnético é fator para acarretar na aplicação da mesma. Por fim, votou no sentido de dar parcial provimento a impugnação, mantendo o valor do imposto, multa proporcional, juros de mora, e ainda a multa regulamentar, reduzindo a multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito de R$ 5.124,88 para R$ 4.099,91. RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente em 04/07/2012 do Acórdão nº. 1436.424, conforme a AR de fls. 1188 – numeração eletrônica, inconformado com a manutenção parcial das exigências impostas, o contribuinte apresentou em 03/08/2012 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, reiterou os argumentos alegados em sede de Impugnação. Ao fim requereu o provimento do Recurso visando: Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.545 6 a) Preliminarmente, a decadência dos fatos geradores ocorridos em 2005, pois já decorridos mais de 5 anos entre a tomada do crédito recebido e o auto de Infração, de modo que sejam cancelados os lançamentos de IPI bem como glosas de crédito relativos a este período; b) Cancelar os lançamentos de IPI relativos às supostas infrações com “notas de simples remessa” dado que, para algumas operações verificouse de fato a transferência de propriedade das mercadorias, conferindo assim o direito a crédito à recorrente e em outras ocasiões verificouse haver a devolução de mercadorias com o devido estorno do crédito de IPI no Livro de Apuração de IPI; c) Cancelar os lançamentos de IPI e as consequentes glosas de créditos decorrentes de operações acobertadas com notas com alíquota a maior de IPI, dado que o imposto foi suportado a maior conferindo direito ao crédito deste tributo para a fase da cadeia subsequente, ou seja, para a Recorrente prestigiando o princípio da não cumulatividade; d) Cancelar os lançamentos de IPI e as consequentes glosas de créditos decorrentes de operações acobertadas com notas com alíquota a menor de IPI, uma vez que o Auto de Infração encontrase maculado formalmente; e) Cancelamento da multa regulamentar decorrente de supostas incongruências nos arquivos magnéticos ao período de 2006 e 2008 uma vez que o contribuinte não incorreu na materialidade/tipicidade prevista no art. 12, inciso II, da Lei n° 8.212/91 e; f) Subsidiariamente ao item b, c e d, deverá ser determinada a redução da multa agravada aplicada com base no art.44 da lei n° 9.430/1966, tendo em vista que não houve dolo por parte da recorrente ou qualquer finalidade de lesão ao Fisco. DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado vieram os autos para relatoria por meio de processo eletrônico, em 1 (um) volume, numerado até a folha 1538, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Passo à análise detalhada das matérias versadas no recurso, a fim de consignar meu entendimento a respeito: 1. Decadência: Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.546 7 No que concerne à decadência, consigno inicialmente que versa o processo de auto de infração, cuja exigência, conforme o próprio Termo de Constatação Fiscal expressa: Falta de recolhimento ou recolhimento a menor de janeiro2005 a dezembro/2006 pela utilização de créditos básicos indevidos, decorrentes de entradas de simples remessa que não geram direito ao crédito, e de entradas de mercadorias com alíquotas maiores do que as previstas; Neste sentido, verificase que o lançamento se refere a períodos (01/2005 a 12/2006) de IPI que foram considerados não recolhidos, ou recolhidos a menor que o devido, pela Autoridade Fiscal, em razão da apropriação, segundo aquela ótica, indevida de créditos escriturais, reduzindo o montante do débito a pagar, ou ainda, pelo lançamento de débitos em montante inferior aos efetivamente devidos. Observase ainda que o auto de infração foi lavrado em 26/07/2011 e cientificado ao contribuinte na mesma data. O Acórdão Recorrido afasta a ocorrência da decadência alegada pelo então Impugnante, consignando que a mesma não se dá “a partir do creditamento”, e que “o uso indevido do crédito que o contribuinte diz ter é que gera conseqüências tributárias, pois ao usálo (deduzindo do imposto devido – aqui sim ocorre o fato gerador do tributo) deixase de pagar o tributo devido. Conseqüentemente, não há que se falar em decadência na glosa dos créditos básicos indevidamente escriturados pelo sujeito passivo.” Data máxima venia, ao contrário do que esposado no julgamento de Piso, tenho que os débitos de IPI que supostamente deixaram de ser recolhidos em razão da compensação escritural dita indevida é que foram lançados, e, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, têm o Fisco, ocorrendo o pagamento parcial de qualquer imposto, o prazo de 5 anos (a contar da data do fato gerador) para homologar este “pagamento” – é sabido que a compensação é forma de pagamento do tributo, sob ulterior condição resolutória. O que se homologa é a atividade de apuração, em cada período respectivo, mesmo que ao final do período de apuração, sobressaia acúmulo de créditos. Assim, todos os períodos anteriores a Julho de 2006, autuados pelo suposto não recolhimento ou recolhimento a menor, do imposto exigido (ainda que à parte de serem ou não indevidos os créditos apropriados com os quais foram compensados) não poderiam mais ser lançados, conforme aplicação da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), entendimento este já sedimentado ao qual, por força do artigo 62A do RICARF, devo me submeter. Eis a ementa da referida decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.547 8 casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra de decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito tributário” 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, do Codex tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro” 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne os fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC 2007/01769940. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 12/08/2009) No que concerne à esta questão, voto por prover o recurso na parte relativa a decadência, excluindo do lançamento as exigências relativas aos períodos de 01/2005 a 06/2006, tanto a nível de tributos, juros e multas, sejam elas de ofício, regulamentar ou isoladas. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.548 9 2. Mérito: Em seguida, pela descrição das infrações apontadas pela Autoridade Fiscal, bem como pelos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, passo à análise das questões que se mantém controvertidas: 2.a) Glosa dos créditos tidos por indevidos: Relativamente a glosa dos créditos efetuadas pelo Fiscal na recomposição dos saldos escriturais a descontar do imposto devido nas “saídas”, tenho que assiste razão a DRJ quando consigna que o destaque a maior do imposto, bem como a falta de responsabilidade sobre este fato por parte do adquirente, não concede direito a crédito que não deveria existir. É cediço que nestes casos, compete às empresas fornecedoras impetrarem administrativamente o pedido de restituição sobre o imposto indevidamente pago, ou ainda, autorizar que quem o tenha suportado, o restitua (art. 166, do CTN). Não sendo este último o caso, à Recorrente, na condição de terceiro, incumbiria apenas a anuência quanto à restituição pretendida pelo fornecedor, nos termos do artigo 166 do CTN. Vejase: “RESTITUIÇÃO DE IPI. IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. IN SRF Nº 67/98. O prazo para repetir o indébito tributário reconhecido por meio de ato infralegal, como a IN SRF nº 67/98, submetese à regra geral do CTN, sendo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ART. 166 DO CTN. PROVA DE ASSUNÇÃO DO ENCARGO RELATIVO AO IMPOSTO. AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE DE DIREITO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO POR PARTE DE CONSUMIDOR FINAL. Nos termos do art. 166 do CTN, a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita ao sujeito passivo que prove haver assumido referido encargo ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Tal autorização deve ser fornecida ao contribuinte do IPI que pleiteia a restituição, pelo seu adquirente, sem necessidade de autorizações por parte dos consumidores finais, que não assumiram o encargo financeiro a título de imposto, mas de preço da mercadoria adquirida.” (2º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 20310.348 em 10.08.2005) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995 Restituição de Tributos Indiretos Requisitos. No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito.” (Acórdão 9303.002.141 – 3ª T. CSRF. Em 17/10/2012) Neste sentido, mantenho a glosa de créditos relativo às aquisições efetuadas pela Recorrente, cuja alíquota tenha sido erroneamente destacada por seus fornecedores. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.549 10 2.b) Falta de lançamento de tributo nas operações de vendas. Diferença na classificação atribuída pela Autoridade Fiscal: No tocante à parte da autuação que recompõe os débitos da Recorrente, na qual foi constatado que determinadas saídas não continham nenhum lançamento de imposto, saliento que a decisão de Piso muito bem analisou a questão, acolhendo os argumentos do contribuinte quanto ao erro na classificação fiscal do produto efetuada pela Autoridade Lançadora , reduzindo a alíquota utilizada de 10%, para 8%. Deixo consignado que não entendo ser esta retificação de valores, razão suficiente para a anulação do auto de infração, vez que o mesmo foi retificado para beneficiar o contribuinte, além de não ter importado em cerceamento do seu direito de defesa. Conforme entendo, não assiste razão o argumento da Recorrente de que o referido erro na classificação fiscal do produto, e, consequentemente, na alíquota sobre o qual se pretendia exigir o tributo não escriturado, implicaria em vício capaz de anular o auto de infração, porquê, ao contrário do que argüido, o lançamento poderia ser até mesmo complementado em casos de mero erro formal, e, em não ocorrendo prejuízo ao sujeito passivo, não há o que se falar em sua nulidade: “CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. ERRO DE CÁLCULO. TRANSPOSIÇÃO DE VALORES ENTRE PLANILHAS. REAJUSTE DO LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O mero erro de transposição entre valores de planilhas contidas no auto de infração não enseja a sua anulação, se os documentos e demonstrativos contidos nos autos demonstram as origens dos lançamentos, e os reajustes nos levantamentos realizados pela DRJ não acarretarem em prejuízo (aumento da base de cálculo) ao contribuinte.” (ACÓRDÃO 2401003.600. CARF 2a. Seção 4A CAMARA / 1A TURMA ORDINARIA) Desta forma, considero a despeito dos argumentos do contribuinte, dirimida esta questão e concordando com o destino dado pela DRJ. Do mesmo modo, igualmente me curvo ao entendimento do julgamento de piso, quanto a questão da glosa relativa às notas fiscais de simples remessa, pois que, daquelas contestadas pelo contribuinte, deveria se ter pelo menos alguma evidência, ou indício, de que as mesmas não representariam uma situação diferente daquela vedada pela legislação. Nada houve de comprovação de que as operações realmente lhes deveriam garantir o direito ao crédito. Como bem observado, acaso as mercadorias que tivessem circulado com as notas fiscais de simples remessa – cuja presunção de idoneidade levam a crer que se tratam apenas de produto recebido em demonstração – fossem então aplicadas em seu processo produtivo, poderseia suscitar pelo menos a dúvida de que ensejariam o crédito. No entanto, não foi isso que se pôde verificar dos autos, ou até mesmo, que o contribuinte pretendeu demonstrar, pois não há qualquer prova que assim se possa interpretar. Merece então ser mantida a glosa dos créditos sobre estas notas fiscais. 2. Multa Agravada de 112,5%, pelo embaraço na fiscalização: Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.550 11 Adentrando nas multas aplicadas, quanto ao agravamento da multa de ofício com enquadramento no § 2º, do artigo 44, da Lei 9.430/96, aplicada ao sujeito passivo pelo atraso na entrega das declarações, tenho que, igualmente aqui, agiu com acerto a decisão de piso. E isto porque, está evidente que o contribuinte demorouse mais de 01 ano para responder aos questionamentos do Fisco, acabando por procrastinar, ainda que sem dolo comprovado, a conclusão dos trabalhos fiscais. O artifício utilizado neste mister, foi o de requerer dilação de prazos, cumprir parcialmente as intimações e ao mesmo tempo obter prorrogação de prazo e assim por diante. De fato, no caso em concreto, emerge que a penalidade aplicada é proporcional a conduta do contribuinte, de modo que entendo deva a mesma ser mantida. Assim dispõe o art. 44, da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Tenho, portanto, que deve ser mantida a qualificadora imputada pelo lançamento fiscal, não merecendo provimento o recurso neste particular. 3. Multa Isolada por falta ou entrega de arquivos magnéticos com incorreções: Por fim, no que concerne a aplicação da penalidade capitulada no inciso II, do artigo 12 da Lei 8.218/91, registro que a própria DRJ reconheceu que, ainda que tardiamente, os arquivos digitais – mesmo que considerados inconsistentes – foram entregues pelo contribuinte (vide fls. 1181 – n.e do processo), ao mesmo tempo que, a referida capitulação da infração, referese à omissão ou prestação incorreta das informações solicitadas. A entrega de arquivos digitais que não atendam à forma estabelecida possui capitulação própria, diversa daquela utilizada pelo Fiscal. Fazse pertinente transcrever, bem Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.551 12 como, também merece reprodução o artigo 11, expressamente citado no dispositivo utilizado na autuação: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Em seguida, transcrevese trecho da DRJ quanto aos motivos determinantes da aplicação da referida penalidade: MULTA REGULAMENTAR A fiscalização aplicou a multa regulamentar prevista no inciso II do art. 504 do RIPI/2002 (base legal: inciso II do art. 12 da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/ 2001) c/c o art. 318 do RIPI/2002 (base legal: art. 11 da Lei nº 8.218/91 e MP nº 2.15835/ 2001, art. 72), em virtude de erros e omissões nos dados fornecidos em meio magnético. [...] Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.552 13 De acordo com os atos administrativos transcritos, quando intimadas pelo auditorfiscal, as empresas são obrigadas a apresentarem, no prazo de vinte dias, os arquivos magnéticos relativos às informações enumeradas no parágrafo 1º, seguindo as orientações do Anexo Único. Além disto, a critério do auditor requisitante, os arquivos digitais poderão ser apresentados em formato distinto. Em sua peça impugnatória, a recorrente questiona que as incoerências registradas referemse em sua grande maioria a casos de arredondamento de casas decimais, em face de limitações do SVA (Sistema de Validação de Arquivos). Ora, o SVA segue exatamente as especificações às quais os arquivos devem obedecer. A empresa está obrigada a apresentar os arquivos na FORMA determinada pelo Anexo Único do Ato Executivo, que estabelece normas para todos os arquivos obrigatórios. A autuada contesta a aplicação da multa, pois no seu entender, apresentou os arquivos magnéticos. Isto não é verdadeiro. O autuante relatou que recebeu os arquivos, porém, fora das especificações. A apresentação de arquivos que não atendam as exigências legais, e que não permitam a fiscalização da empresa, significa o mesmo que a não apresentação dos arquivos. Como já explicado, a contribuinte não pode determinar o tipo de arquivo a ser apresentado. Observase, que o fator determinante para o apenamento dispensado à Recorrente é relativo à forma dos arquivos magnéticos apresentados, o que denota que a infração de omissão na entrega dos referidos arquivos, capitulada no inciso II utilizado pela Autoridade Fiscal não coincide com os motivos alegados, denotando erro no enquadramento legal utilizado. Ainda que entregues com atraso, os arquivos digitais solicitados ao contribuinte foram, reconhecidamente, entregues à fiscalização, configurandose a hipótese do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.218/91, e não a do inciso II apontada no auto de infração, devendose ser cancelada a multa capitulada erroneamente, aplicada ao sujeito passivo. Neste sentido, a jurisprudência acompanha este entendimento: MULTA PREVISTA NA LEI nº 8.218/91, ART. 12, II. ARQUIVOS MAGNÉTICOS INEXATOS. INAPLICABILIDADE. Descabe o lançamento da multa prevista no inciso II do artigo 12 da Lei nº 8.218/91, por omissão ou erro nos dados fornecidos em meio magnético, haja vista a aplicação da penalidade específica para esta infração. (2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 20217.588 em 06.12.2006) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/07/2007 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPRECISÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. O erro no enquadramento legal da conduta imputada leva a insubsistência do auto lavrado. Com a criação da Receita Federal do Brasil, através da lei 11.457, de 16.03.2007, a falta de apresentação dos arquivos digitais, de acordo com os leiautes previstos pela Administração Tributária, constitui falta punível conforme a Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 12, I, parágrafo único. Recurso Voluntário Provido. (SEGUNDA SECAO DE JULGAMENTO / Terceira Turma Especial / ACÓRDÃO 2803001.669 em 10/07/2012 AUTO DE INFRAÇÃO DE MULTA ARQUIVOS DIGITAIS ACÓRDÃO:1103 000.844 Obrigações Acessórias Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.553 14 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao anocalendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. (ACÓRDÃO 1103000.844 CARF 1a. Seção 1A CAMARA / 3A TURMA ORDINARIA) Nesta seara, verificase que, havendo cominação peculiar à entrega de arquivos digitais fora da forma estipulada, como é o que se evidencia da leitura dos autos, é de se cancelar a multa por erro na capitulação legal, uma vez que a mesma imputa à Recorrente a omissão na entrega, quando se verifica que a mesma entregou os referidos arquivos, porém não na forma solicitada pela Fiscalização. Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência do direito de constituir crédito tributário nos períodos de janeiro de 2005 a junho de 2006, e para cancelar a aplicação da multa do art. 12, II, da Lei n° 8.218/91. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern Redator designado. Ousei dissentir do voto do relator, ínclito Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, quanto à aplicação da multa isolada pela entrega de arquivos magnéticos com incorreções. É que, compulsando o Termo de Constatação n° 2, fls. 1.035 a 1.046, que descreve o procedimento fiscal naquilo que pertine aos arquivos magnéticos solicitados ao contribuinte, ora recorrente, ficou demonstrado que o contribuinte logrou apresentálos segundo os formatos obrigatórios. Nada obstante, continham ”... erros e inconsistências que os tornaram imprestáveis ...” (fl. 1.044). Por essa razão, aplicouse a multa cominada no art. 12, inc. II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pelo art. 82 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Vejase que não se trata, no caso concreto, de arquivos que não passaram no validador do SVA. O Termo de Constatação deixa claro que a infração punida tem a ver com os erros de informação (e não de formato) e ilustra as diferenças apuradas entre o Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI e os arquivos magnéticos apresentados (fl. 1.042): PERÍODO VALOR 1° Trimestre de 2007 200.578,50 2° Trimestre de 2007 2.396.332,47 3° Trimestre de 2007 (196.866,92) 4° Trimestre de 2007 1.569.690,88 Assim, sendo, a penalidade aplicada foi corretamente fundamentada no inc. II do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela MP n° 2.15835, de 2001 (multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.720448/201132 Acórdão n.º 3402002.686 S3C4T2 Fl. 1.554 15 incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. A Fiscalização foi atenta e não se olvidou da limitação constante do art. 12, in fine. Considerou que a multa aplicada sobre a soma das operações relativas aos arquivos magnéticos apresentados com inconsistências superaria em muito o limite de 1% da receita bruta da PJ no período e aplicou a multa exatamente no valor de 1% do valor da receita informado na DIPJ (fl. 1.045). Digno de nota, tocaria à recorrente, segundo o sistema de distribuição do onus probandi adotado no Processo Administrativo Federal, consubstanciado no art. 36 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, infirmar especificamente essa base de cálculo, o que não foi feito. Com essas considerações, peço vênia para discordar do relator e votar pela manutenção da aplicação da multa, negando provimento ao recurso nesta matéria. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015 Redator designado Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10680.922654/2012-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado.
Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 26 54 /2 01 2- 80 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator). Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 39), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40910543 emitido eletronicamente em 05/12/12, referente ao PER/DCOMP nº 23963.12474.231211.1.3.041568. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS –Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$ 3.294,27, representado por Darf recolhido em 20/08/08 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922654/201280 Acórdão n.º 3802004.282 S3TE02 Fl. 41 3 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o que ocorreu foram problemas com as Dacon, DCTF e DIPJ a que se vinculam as compensações glosadas. Que os documentos foram entregues com erro e alguns deixaram de ser entregues na época própria tendo sido necessária a apresentação das declarações faltantes e retificadoras. Afirma que juntamente com a manifestação de inconformidade juntou todos os documentos possíveis e que poderia apresentar todos os que a autoridade julgar necessários. Invoca o princípio da verdade material, a ampla defesa, o devido processo legal, a segurança jurídica e a oficialidade, discorrendo sobre eles. Que caberia ao julgador diligenciar para descobrir a verdade material. Que direito aos créditos de PIS e COFINS nascem de vendas tributadas à alíquota zero. Cita leis. Afirma que referidos créditos são comprovados pelos documentos pertinentes (demonstrativos de crédito, notas fiscais de aquisição e outros). Diante disso, pede que sejam realizadas diligências e perícias que a autoridade julgar necessárias e que seja reformado o despacho decisório com a homologação das compensações pleiteadas. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu pela improcedência do pleito do sujeito passivo, mantendo a glosa do crédito requerido e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que, diante da divergência entre os valores de débito constantes na DCTF e no Dacon (formadores do direito creditório), o pleito careceu de materialidade do crédito, mormente ante a ausência de prova nos autos. Afirma a decisão recorrida que: Nesse ponto, cumpre assinalar que as contradições foram evidenciadas entre informações prestadas pelo próprio contribuinte (DCTF original, Dacon e Dacon retificadora), motivo pelo qual o manifestante deveria cuidar de provar efetivamente qual valor (informação) corresponde à realidade dos fatos, a fim de conferir a necessária certeza ao crédito pretendido, não cabendo à autoridade julgadora mandar sanar a insuficiência de prova por meio de realização diligência. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Em seu Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, o direito creditório existe, e para tanto acosta diversos documentos aos autos, eminentemente notas fiscais de aquisições e de saídas. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 39), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, apurado erroneamente o PIS e a COFINS, mas afirma que o direito de crédito decorre de vendas efetuadas com alíquota zero nos termos do art. 17 da lei 11.033/2004, “bem assim das diversas rubricas previstas no art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que permitem o direito ao crédito das contribuições”. Ocorre que, nada obstante o Recorrente afirmar no Recurso Voluntário que acosta diversas notas fiscais comprobatórias do seu direito de crédito, estas não constam dos autos. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, pois ausente demonstração cabal da origem dos créditos de PIS e da COFINS a serem compensados. Conclusão Fl. 43DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922654/201280 Acórdão n.º 3802004.282 S3TE02 Fl. 42 5 Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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