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Numero do processo: 10070.001529/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000, 2001
DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não se reconhece a parte do direito creditório de saldo negativo quando não está comprovado o IRRF que lhe daria fundamento.
Numero da decisão: 1201-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para que seja reconhecido o direito creditório adicional de R$ 3.723.195,51, correspondente a IRRF oriundo de aplicações financeiras no ano 2001. Vencido o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, que reconhecia o direito creditório em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não se reconhece a parte do direito creditório de saldo negativo quando não está comprovado o IRRF que lhe daria fundamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para que seja reconhecido o direito creditório adicional de R$ 3.723.195,51, correspondente a IRRF oriundo de aplicações financeiras no ano 2001. Vencido o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, que reconhecia o direito creditório em maior extensão. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 15 29 /2 00 2- 41 Fl. 4086DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.087 2 Relatório TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A (sucedida por OI S/A), pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1224.449 (fls. 3345), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpôs recurso voluntário (fls. 3612) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. Tratase de pedidos de compensação de débitos de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS, referentes aos períodos de apuração julho/1999 a abril/2002, convertidos posteriormente em Declarações de Compensação, com créditos contra a Fazenda Pública oriundos de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre Rendimentos de Aplicações Financeiras e Juros sobre Capital Próprio dos anoscalendário de 2000 e 2001. Ressaltese que a este processo foram apensados outros pedidos, referentes ao processo nº 10070.002422/200210. A demonstração completa de todos os processos, créditos e valores reunidos no presente feito pode ser encontrada no quadro de fls. 3353 a 3357, inclusive com a indicação das DCOMPs que foram retificadas pelo contribuinte no decurso dos diversos procedimentos de fiscalização. De se notar que, num primeiro momento, o processo n° 10070.002422/2002 10 não se encontrava apensado ao presente processo (n° 10070.001529/200241), de forma que a sua movimentação ocorria juntamente com diversos apensos, consubstanciados nos autos de nº 13706.000428/200316, 13708.000402/200340, 13706.000644/200353, 13706.000528/ 200334, 10070.000515/200391, 13706.000472/200318, 13706.000590/200326, 10070. 000508/200399, 13708.000628/200341, 13708.000505/200318, 10070.000537/200351. Posteriormente, em 2007, todos os processos citados foram apensados a este, que passou a controlar a totalidade dos valores envolvidos, a saber: Créditos (valor original total) R$ 208.210.502,81 Débitos (valor original total) R$ 237.415.894,45 Em 2005, foram emitidos despachos decisórios proferidos pela DERAT/RJ, baseados nos Pareceres Conclusivos nº 227/2005 e nº 213/2005, que não reconheceram os direitos creditórios pleiteados e consequentemente não homologaram os pedidos/declarações de compensação formulados. Ocorre que a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, decidiu acolher, por unanimidade, preliminar de nulidade da decisão proferida, sob o argumento de vício material decorrente da ausência de nexo causal entre os fundamentos adotados e a conclusão presente no despacho. Após a realização de novas diligências, foi proferido novo Despacho Decisório pela DERAT/RJ, cujo conteúdo em síntese, reproduzimos a seguir: Fl. 4087DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.088 3 1. Nos anoscalendário de 2000 e 2001 a interessada apresentou DIPJ informando saldo negativo de IRPJ nos valores de R$ 96.485.861,45 e R$ 111.785.054,55, respectivamente (fls. 448 e 449); 2. A Informação Fiscal relata que a interessada, regularmente intimada, não apresentou documentação que possibilitasse comprovar, de forma inequívoca, o valor total de IRRF decorrente dos rendimentos provenientes de Juros sobre Capital Próprio (JCP), bem como os oriundos do recebimento de rendimentos de aplicações financeiras; 3. Por essa razão, para efeito de cálculo do saldo negativo de IRPJ somente devem ser considerados os valores de IRRF constantes das DIRF dos anos calendário 2000 e 2001 (fls. 529 e 548), ou seja, R$ 23.145.249,02 e R$ 84.275.235,14, respectivamente; 4. Os valores informados na linha 23 da Ficha 06A (Demonstração de Resultado), concernentes aos rendimentos de JCP dos anoscalendário 2000 e 2001, foram confirmados pela interessada nas planilhas apresentadas (fls. 574/578), nos valores de R$ 477.108.997,65 e R$ 517.575.371,36, respectivamente; 5. Tais valores foram informados na linha 35, da Ficha 06A (fls. 442 e 493), correspondendo ao pagamento de JCP; entretanto, o Sistema DIRF (fls. 727 e 728) não informa valores de IRRF correspondentes ao pagamento de JCP pela interessada (código de recolhimento 5706); 6. Não ficando comprovado o pagamento ou crédito de JCP, a linha 35, da Ficha 06A, não deve ser preenchida, ajustandose os valores das Fichas 06A e 09A (Demonstração do Lucro Real); 7. Após os ajustes das referidas fichas, a interessada apresenta Imposto de Renda a Pagar, a ser informado na Ficha 12A, nos valores de R$ 96.132.000,39 e R$ 58.744.496,00, para os anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente; 8. O fiscal responsável pela diligência conclui, assim, que não resta comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado no Pedido de Restituição, indispensáveis à compensação pretendida, conforme determina expressamente o artigo 170 do CTN; 9. Ressalta, ainda, que consultas aos sistemas da Receita Federal revelam que a interessada efetuou compensações sem processo no decorrer do anocalendário de 2001, com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, conforme demonstram os extratos de fls. 738/741 e as consultas às DCTF de fls. 742/781; 10. Além disso, consultas ao sistema SIEFPERDCOMP (fls. 729/737) demonstram que até a data da emissão desse Parecer a interessada apresentou as DCOMP listadas na planilha de fls. 790 utilizando o crédito objeto do processo ora examinado, observandose que as DCOMP listadas às fls. 736/737, à exceção da DCOMP nº 22133.84017.280104.1.7.020009, estão vinculadas ao processo n° 13708.000627/200304, motivo pelo qual não foram relacionadas na referida planilha; 11. Diante do exposto, propôs o fiscal responsável pela diligência o não reconhecimento do direito creditório, além da não homologação das DCOMP e PER/DCOMP constantes do processo raiz e apensos; 12. Com base no Parecer Conclusivo foi emitido, em 07/10/2008, o Despacho Decisório de fls. 792, que ratificou, na íntegra, a proposta do autor da diligência. Inconformada com a nova decisão proferida pela DERAT/RJ, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentos, com os seguintes argumentos: Fl. 4088DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.089 4 1. Em 31/05/2002, protocolou Pedido de Restituição (fls. 05) e na mesma data foram protocolados Pedidos de Compensação (fls. 01/04), aproveitando integralmente crédito para fins de quitação de débitos de PIS e COFINS dos períodos de apuração julho/1999 a abril/2002; 2. O crédito pleiteado referese ao IRRF decorrente de retenções envolvendo o recebimento de JCP e aplicações financeiras nos anos de 2000 e 2001; 3. Posteriormente, em julho/2002, apresentou novo pedido de restituição, no valor de R$ 24.919.511,82, também abrangendo créditos referentes a IRRF oriundo de retenções havidas no recebimento de JCP e aplicações financeiras nos anos de 2000 e 2001, dando origem ao processo n° 10070.002422/200210; 4. Além desse novo pedido de restituição foram apresentados pedidos de compensação com débitos de IRRF, CSLL, PIS e COFINS, aproveitando parcialmente tais créditos; 5. Apresentou outras compensações, nas quais aproveitou o restante dos créditos de IRRF, abrangendo JCP e aplicações financeiras, que deram origem a diversos processos, todos em apenso; 6. Em análise preliminar do direito creditório (fls. 215), foram confirmados os recolhimentos dos DARF que instruem o presente processo, sendo, todavia, solicitada diligência para aferição da certeza e liquidez do crédito, que foi tratado como saldo negativo e não como IRRF sobre JCP; 7. A compensação de IRRF sobre JCP somente é possível caso comprovada a retenção a maior; porém, ao não exercer atividades operacionais por ser apenas uma "holding", temse que os valores retidos de IRRF sobre aplicações financeiras e JCP se confundem, em sua integralidade, com o saldo negativo dos anos fiscalizados; 8. Em razão da superveniência da Lei n° 10.637/2002, os pedidos de compensação constantes do presente processo e seus apensos foram transformados em Declarações de Compensação; 9. Após uma breve síntese dos fatos que ensejaram a declaração de nulidade dos despachos decisórios proferidos, esclarece que, analisando em conjunto os pedidos de restituição e as declarações de compensação, a Receita Federal proferiu um novo e único Despacho Decisório, com base no Parecer Conclusivo n° 124/2008, no qual novamente deixa de homologar as compensações por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado; 10. Ao concluir pela inexistência de saldo negativo para o período, a autoridade fiscal confundiu a sistemática de contabilização e declaração dos valores recebidos a título de JCP, na reapuração dos resultados dos anoscalendário de 2000 e 2001; 11. Todavia, tal decisão deve ser reformada, em razão: a) da homologação tácita das compensações protocoladas antes de 20/10/2003, visto que o primeiro despacho decisório foi anulado por vício material (e não formal), motivo pelo qual não se interrompeu o prazo para análise das compensações declaradas; b) da impossibilidade de reapuração dos resultados dos anoscalendário de 2000 e 2001, em face da preclusão do direito do Fisco de alterar dados de períodos já decaídos; e c) da existência de saldo negativo apto a gerar os créditos compensados; 12. De acordo com o disposto no art. 74, "caput", §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/1996, a simples declaração de compensação apresentada ao Fisco passou a ter o condão de extinguir a obrigação tributária sob condição resolutória de ulterior homologação, seja ela expressa ou tácita (pelo decurso do prazo decadencial), significando que o procedimento realizado exclusivamente pelo contribuinte já Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.090 5 produz os efeitos atinentes ao desaparecimento do crédito tributário, cabendo ao agente público emanar apenas um ato administrativo meramente confirmatório; 13. Assim, a declaração de compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado nos casos dos tributos lançados por homologação: ambos tem a capacidade de extinguir imediatamente o crédito tributário sem o prévio exame da autoridade administrativa; 14. Nesse caso, os pedidos de restituição/compensação (posteriormente convertidos em declaração de restituição/compensação), estão sujeitos às disposições do artigo 156, inciso VII, c/c artigo 150, §§ 1° e 4°, ambos do CTN; 15. Ante a evidente sujeição da declaração de compensação ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos para que a Fazenda Pública expressamente a homologue (como ocorre no pagamento antecipado), o legislador ordinário decidiu por incluir tal entendimento no corpo da Lei n. 9.430/1996 (introduzindo o § 5° no artigo 74, por meio da Lei n. 10.833/2003), reconhecendo a necessidade de positivar aquilo que já decorria da própria interpretação sistemática do CTN, qual seja, o prazo decadencial de cinco anos para o Fisco analisar a compensação declarada; 16. Se o Fisco deixa transcorrer esse prazo sem notificar o contribuinte acerca da regularidade (ou não) do pedido de compensação, o pagamento efetuado tornase definitivo, via homologação tácita da compensação; 17. Apesar da decisão da DRJ ter sido proferida ainda em 2006, dentro do prazo de cinco anos a contar da apresentação dos pedidos de compensação, a interessada somente foi intimada do novo despacho decisório em 20/10/2008, logo, configurada está a homologação tácita pelo transcurso de mais de cinco anos entre a apresentação das compensações e sua análise válida (a primeira foi anulada por ser manifestamente não fundamentada); 18. Por outro lado, o Fisco reapurou, em 2008, o resultado de período declarado, questionando o critério de preenchimento das DIPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001, modificando os efeitos da receita de JCP, estornando o lançamento efetuado, e modificando, consequentemente, o resultado final, que passou de saldo negativo para imposto a pagar; 19. Tal reapuração, porém, não é permitida, pois se trata de período para o qual o Fisco já homologou tacitamente os recolhimentos efetuados pela interessada; 20. As obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores praticados em 2000 e 2001 já estão definitivamente extintas ou pelo pagamento ou pela decadência, de modo que suas declarações fiscais não podem mais ser alteradas em razão da preclusão do direito de cobrar eventuais diferenças, sendo defeso ao Fisco discutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído, por se tratar de situação jurídica consolidada, já que se reporta a período pretérito alcançado pela decadência; 21. No caso dos autos, os créditos fiscais decorrem de pagamentos indevidos de IRPJ (saldo negativo, retenções a maior), cujo regime é o do lançamento por homologação, no qual o direito do Fisco de lançar eventuais créditos caduca em cinco anos contados do fato gerador, como dispõe o art. 150, § 4°, do CTN; 22. Assim, a Fiscalização somente pode questionar os resultados apresentados em suas declarações fiscais dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário, afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista sua declaração fiscal (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto); 23. Restando demonstrado que o direito de efetuar o lançamento de eventuais diferenças na apuração do tributo devido já se encontra decaído, de modo que não Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.091 6 pode mais haver discussão sobre os resultados declarados em DCTF e DIPJ, e uma vez que não se pode discutir sobre o efetivo pagamento do valor constante nos DARF do período (retenção de IRRF), não há como se sustentar a alegada inexistência do crédito. No que tange ao mérito, a impugnante fez longas considerações sobre a natureza contábil dos juros sobre o capital próprio, a aplicação do regime de competência para a espécie e os procedimentos de dedutibilidade, que estariam regulas pela Receita Federal. Assim, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, os valores pagos a título de juros sobre o capital próprio já seriam considerados como despesa, sendo necessário observar apenas o ajuste aos limites de dedução. Por outro lado, a CVM entende que os juros sobre o capital próprio não podem transitar pelo resultado, o que, para fins de declaração, equivale a dizer que juros sobre o capital próprio e dividendos são figuras idênticas. Aduz, ainda, que na distribuição de juros sobre o capital próprio a pessoa jurídica que efetua o pagamento incorre em despesa financeira, passível de dedução, sendo a contrapartida receita financeira considerada como "Outras Adições" para fins de determinação da base tributável. Nesse sentido, as sociedades anônimas de capital aberto não poderiam deixar de considerar os efeitos de um pagamento ou de um recebimento de juros sobre o capital próprio em suas bases, eis que, se contabilmente o efeito no resultado foi anulado por meio de uma reversão, para fins fiscais tal efeito deve ser excluído por meio de adição. E que não foi outro o procedimento adotado pela interessada, pois ao longo do anocalendário de 2000 houve o recebimento de juros sobre o capital próprio de quatorze diferentes empresas de telefonia, cujo pagamento de juros por essas empresas gerou retenção de IRRF no montante de R$ 71.566.349,67, valor esse que corresponde à antecipação do imposto de renda devido ao final do exercício pela interessada (recebedora dos valores de JCP), sendo um dos componentes do saldo negativo utilizado para compensação. Quanto aos fatos objeto da demanda, a empresa assim se manifestou: 1. O reconhecimento pela interessada do recebimento como receita dos valores de JCP foi informado na linha 23 da ficha 06A, nos moldes indicados pelo Manual de Preenchimento da DIPJ, assim, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, não houve pagamento de JCP pela interessada nos anos de 2000 e 2001, mas apenas recebimento; 2. A prova disso é que o valor adicionado como receita na ficha 09A da DIPJ (outras adições) é exatamente o valor informado na ficha 06A, linha 23, isto porque, visando atender as exigências da CVM de afastar o JCP da Demonstração do Resultado, a interessada realizou o estorno da receita de JCP informada na linha 23, por meio do lançamento como despesa na linha 35, sendo esse exatamente o valor questionado pela autoridade administrativa na composição do saldo negativo utilizado como base na compensação pleiteada; 3. Ainda que os lançamentos contábeis nas fichas 06A indiquem a anulação do efeito dos juros sobre o resultado (lançamentos a crédito e a débito), o fato é que sua adição na linha 23 da ficha 09A demonstra que a receita foi regularmente oferecida 6 tributação; 4. Eventual despesa financeira decorrente de pagamento de JCP deveria estar escriturada no LALUR; entretanto, tal escrituração não ocorreu por um simples Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.092 7 motivo: não houve pagamentos de JCP pela interessada nos anos calendário de 2000 e 2001; 5. Assim, o caso concreto não é de comprovação de pagamento de JCP pela interessada (pois tais pagamentos não ocorreram), mas sim de critério de contabilização e preenchimento da DIPJ no que tange às receitas recebidas a título de JCP; 6. A farta documentação trazida aos autos detalha o procedimento efetuado e a correta utilização do montante pleiteado, do mesmo modo que os lançamentos contábeis efetuados pelas fontes pagadoras (teles estaduais) e os extratos de conta corrente possibilitam a comprovação do recolhimento dos valores efetivamente retidos através de DARF, conjunto esse que demonstra de forma inequívoca a existência do crédito decorrente de JCP; 7. Quanto ao IRRF incidente sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras, os informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras e os lançamentos contábeis comprovam a efetiva contabilização dos valores. Por fim, a impugnante alega que a autoridade administrativa invocou como fundamento para a não homologação da compensação a ausência de certeza e liquidez do crédito informado, circunstância que poderá ser comprovada por meio de perícia contábil, visto que a complexidade da matéria e o valor envolvido referendam a necessidade da prova, atendendo ao principio da verdade material. Em sessão realizada em 29 de maio de 2009, a 4a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro decidiu, por unanimidade: I) Rejeitar a preliminar de realização de perícia; II) Rejeitar a prejudicial de decadência; III) Reconhecer, parcialmente, a existência dos saldos negativos informados nas DIPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001, nos valores originais de R$ 93.972.451,76 e R$ 103.557.917,20, respectivamente, totalizando R$ 197.530.368,96; IV) Considerar homologadas tacitamente as compensações declaradas nas DCOMP e PER/DCOMP relacionadas a seguir (tabela 1), anteriores a 20/10/2003, e, por conseguinte, considerar extintos os correspondentes débitos da pessoa jurídica com a Fazenda Nacional; V) Homologar as compensações dos demais débitos, declaradas nas DCOMP e PER/DCOMP não homologadas tacitamente (tabela 2), até o limite de eventual crédito remanescente, atualizado monetariamente. As tabelas com os demonstrativos das homologações acima reconhecidas constam das páginas 3349 e 3350 do processo eletrônico. As ementas a seguir expressam o entendimento exarado naquela instância de julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DISPENSA. Considerase desnecessária a realização de perícia, se do exame da matéria constatase que os documentos presentes nos autos são suficientes para o deslinde da pendência. Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.093 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para formar convicção sobre a certeza e liquidez de crédito objeto de compensação declarada, ao Fisco é facultado o direito de reapurar os resultados da pessoa jurídica relativos a períodos já alcançados pela decadência, desde que, manifestandose exclusivamente acerca da existência dos saldos negativos informados nas DIPJ, deixe de constituir eventual crédito tributário correspondente aos períodos já decaídos. PREJUDICIAL DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE COMPENSAÇÕES DECLARADAS. DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO APÓS CINCO ANOS. ACOLHIMENTO. Consideramse homologadas as compensações declaradas e, por conseguinte, extintos os débitos da pessoa jurídica com a Fazenda Nacional, nos termos do art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/1996 e do art. 156, inciso II, do CTN, se a ciência do Despacho Decisório, proferido em face da anulação do Despacho anterior, ocorre após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da entrega das DCOMP e PER/DCOMP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO DO IRRF INCIDENTE SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS COM DÉBITOS DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS. SALDOS NEGATIVOS APURADOS EM DIPJ. RECONHECIMENTO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Se a pessoa jurídica comprova parcialmente, com documentos hábeis e idôneos, a existência dos saldos negativos apurados em DIPJ, oriundos de IRRF incidente sobre receitas de juros sobre capital próprio e rendimentos de aplicações financeiras, impõese o reconhecimento da compensação declarada de créditos com débitos de impostos e contribuições federais, informados em DCOMP e PER/DCOMP, até o limite do crédito remanescente, atualizado monetariamente. Contra a decisão a interessada primeiro protocolizou documento informando sua discordância em relação à compensação de ofício decorrente da intimação recebida por força do Acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento. Isso porque a Comunicação nº 20/2010 informou que quando das verificações preliminares para o pagamento do valor pleiteado, constatouse a existência dos débitos administrados pela SRF em aberto e/ou inscritos em Dívida Ativa da União, relacionados em anexo. Posteriormente, a interessada apresentou Recurso Voluntário, no qual relatou novamente a cronologia dos fatos e repetiu os mesmos argumentos jurídicos, consubstanciados na decadência de direito de o Fisco refazer a apuração dos anoscalendário de 2000 e 2001 e na comprovação do crédito de IRRF sobre aplicações financeiras aproveitado nas compensações. Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.143 (fls. 3871), para que a RFB adotasse as seguintes medidas: Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.094 9 a) A Delegacia de jurisdição do contribuinte promova a anexação ao processo do extrato completo da DIRF sobre as operações financeiras de 2001, visto que o valor das somas não bate com as parcelas das DIRF presentes nos autos, pois ao se cotejar a página 914 com a decisão da DRJ verificase que a DIRF soma 29,6 milhões e a DRJ só teria considerado 25,9 milhões; b) A autoridade competente se manifeste sobre os créditos ainda remanescentes e as possíveis diferenças apuradas, bem assim sobre o argumento de que houve "compensação de ofício" na decisão, elaborando parecer acerca de tais fatos; c) Adotadas tais providências, deverá ser aberto prazo para que a interessada se manifeste. A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio do relatório de fls. 3980, em que a fiscalização informa: 4. Em atendimento ao item "a" da citada Resolução, o extrato completo da Declaração do Imposto Retido na Fonte (Dirf) sobre operações financeiras do ano calendário de 2001 foi anexado às fls. 3.918 a 3.959. 5. Quanto ao item "b" temse o seguinte: Inicialmente cabe esclarecer que conforme consta do despacho de fls. 3.591. os créditos requeridos de R$ 96.485.861.45 e de R$ 111.724.641.35, referentes aos saldos negativos dos anos de 2000 e 2001, foram cadastrados no presente processo e no de n° 15374.724193/200963 (apenso), respectivamente. Além disso, foram efetuadas atualizações de valores de débitos de Dcomp retificadoras, bem como a inclusão de outros débitos (de Dcomp) que não haviam sido cadastrados. A partir do Acórdão 1224.449. da 4a Turma da DRJ RJ I (fls. 3.345 a 3.425), registraramse os valores deferidos de R$ 93.972.451,76 e de R$ 103.557.917,20 nos respectivos processos e promovidas as compensações (fls. 3.960 a 3.970). Para o presente processo, após tal procedimento restou um saldo credor de R$ 3.976.078.54, consoante fls. 3.960. Na sequência, foi emitido a Comunicação n° 20/2010, mencionando o citado Acórdão e também que "quando das verificações preliminares para o pagamento do valor pleiteado, constatouse a existência dos débitos administrados pela SRF em abertos e/ou inscritos em Dívida Ativa da União, relacionados em anexo" e que tais débitos seriam compensados com o crédito reconhecido, caso o interessado não se manifestasse no prazo de 15 dias contados da ciência de tal comunicação (fls. 3.581 e 3.591). Os débitos em questão seriam os constantes dos processos 10768.462630/200498 e 10768.461211/200439 (fls. 3.583 a 3.589). Além disso, foram emitidas cartas cobranças em relação aos débitos não compensados, constantes dos processos n° 13708.000402/200340; 13706.000590/200326: 10070.002422/200210 e 10070.000537/200351, apensos ao presente (fls. 3.545 a 3.579 e 3.971 a 3.979); e Devido ao fato de o interessado ter se manifestado contrariamente à compensação de ofício (fls. 3.612 e 3.614). esta não foi efetivada, visto que o saldo credor permanece (fls. 3.960). O contribuinte foi cientificado do resultado da referida diligência e apresentou a manifestação de fls. 3991. Naquele documento, não há qualquer manifestação contrária ao resultado da diligência, mas o contribuinte apresenta novas razões de defesa. É o relatório Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.095 10 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 25/02/2010 (fls. 3815) e apresentou o seu recurso voluntário em 26/03/2010, dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. Todavia, entendo que as novas razões de defesa apresentadas na manifestação de fls. 3991, por ocasião da última diligência fiscal, não podem ser conhecidas, uma vez que já estava extrapolado, em muito, o prazo recursal. A oportunidade dada ao interessado, por ocasião da diligência fiscal, foi a de contradizer o resultado da diligência, o que não pode ser tomado como uma reabertura do prazo recursal. Em apertada síntese, o presente processo trata de pedidos de restituição com a finalidade de compensação, os quais foram posteriormente convertidos em Declarações de Compensação (DCOMP). O direito creditório pleiteado é o IRRF de rendimentos de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio dos anos 2000 e 2001. A DRF negou os pedidos. Os pedidos de restituição foram convertidos e utilizados em várias DCOMPs, as quais foram aglutinadas no presente processo. A DRJ reconheceu a homologação tácita das DCOMP anteriores a 20/10/2003 e reconheceu parte do direito creditório, a título de saldo negativo dos anos 2000 e 2001, no total de R$ 197.530.368,96. O direito creditório total era de R$ 208.210.502,81, dividido entre o saldo negativo de 2000 (R$ 96.485.861,45), e o saldo negativo de 2001 (R$ 111.724.641,35). A execução da decisão da DRJ está registrada no despacho de fls. 3591. A tabela seguinte sintetiza a distribuição dos valores envolvidos: JCP APLICAÇÕES PROCESSO PEDIDO 2000 2001 2000 2001 10070.001529/200241 R$ 83.234.049,44 R$ 71.566.349,63 R$ 11.667.699,80 R$ 65.908.192,70 R$ 100.056.941,55 R$ 4.257.151,92 R$ 29.891.596,93 10070.002422/200210 R$ 24.919.511,82 R$ 24.919.511,82 DEFERIDO R$ 71.566.349,63 R$ 77.636.305,71 R$ 22.406.102,13 R$ 25.921.611,49 NEGADO R$ 4.196.738,71 R$ 2.513.409,69 R$ 3.969.985,44 No que diz respeito ao IRRF sobre JCP no ano 2001, o contribuinte requereu o reconhecimento de pagamentos no valor total de R$ 81.833.044,42 (11.667.699,80 + 65.908.192,70 + 4.257.151,92), todavia a sua DIPJ apontava pagamentos no total de R$ 77.636.305,71. A decisão atacada verificou os dados possíveis de ser encontrados nos sistemas de informação da RFB (DIPJ, DIRF, DARF, SIEF) e não encontrou qualquer convergência para um valor específico, razão pela qual adotou o valor declarado pelo interessado em sua DIPJ, resultando no indeferimento do direito creditório em R$ 4.196.738,71 (fls. 3413). No que diz respeito ao IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2000, o contribuinte requereu o reconhecimento de pagamentos no valor de R$ 24.919.511,82. A Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.096 11 decisão atacada verificou os dados das declarações do interessado e de suas fontes pagadoras e entendeu que o comprovante de rendimento apresentado pela CEF, no valor de R$ 14.078.516,50 não atendia os requisitos formais de legitimidade e que não havia informação desse pagamento na correspondente DIRF. Assim, esse valor foi glosado, o que corresponde ao IRRF no valor de R$ 2.815.703,30. Considerando que a DRJ admitiu IRRF recolhido pelo Banco do Brasil no valor de R$ 302.293,61, apesar de o contribuinte não ter apresentado o respectivo comprovante de rendimentos, a glosa do IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2000 ficou em R$ 2.513.409,69 (2.815.703,30 302.293,61) (fls. 3417). No que diz respeito ao IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2001, o contribuinte requereu o reconhecimento de pagamentos no valor de R$ R$ 29.891.596,93. Todavia, a decisão atacada verificou que ele apresentou comprovantes de rendimento que somam apenas de R$ 23.391.803,04. Considerando que a DRJ admitiu outros recolhimentos de IRRF, não comprovados pelo contribuinte mas informados em DIRF pelas fontes pagadoras, o valor reconhecido chegou a R$ 25.921.611,49. Assim, a glosa do IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2001 ficou em R$ 3.969.985,44 (29.891.596,93 25.921.611,49) (fls. 3421). O recorrente combate a decisão recorrida, inicialmente, afirmando que o despacho decisório que não homologou as suas compensações realizou, em 2008, nova apuração dos tributos devidos em 2000 e 2001, já alcançados pela decadência. Verifico que o despacho decisório de fls. 1351 tem como fundamento a divergência entre as várias declarações analisadas, o que levou ao entendimento inicial de que não estaria comprovado o pagamento de JCP por parte do contribuinte e, com isso, a correspondente despesa não poderia ser deduzida do lucro real, levando ao entendimento secundário de que não haveria saldo negativo a restituir. Todavia, a decisão recorrida não apoiouse nesse entendimento e passou a analisar as apontadas divergências em relação às receitas de JCP e aplicação financeira por parte do contribuinte e os correspondentes pagamentos de IRRF. Assim, a decisão recorrida parte do imposto devido conforme declarado pelo contribuinte e prossegue na análise da medida da satisfação desse crédito tributário, por meio das antecipações em forma de IRRF. Com isso, entendo que esta reclamação do recorrente não mais tem objeto no atual momento processual. Em relação à falta de comprovação do IRRF sobre JCP e sobre aplicações financeiras, apontadas na decisão recorrida, o recorrente não apresenta qualquer argumento, limitandose a afirmar que os recolhimentos foram comprovados, nos seguintes termos (fls. 3649): No que diz respeito ao IRRF incidente sobre as receitas decorrentes de aplicação financeiras a Recorrente trouxe aos autos a documentação comprobatória de sua existência, o que é feito por meio dos informes de rendimentos expedidos pelas instituições financeiras, além dos lançamentos contábeis que comprovam a efetiva contabilização dos valores pela empresa. Sem embargo disso, ressaltese que todos os valores foram auditados por auditoria externa independente, encontrandose em consonância com as normas contábeis existentes. Entendo que a afirmação do recorrente, desacompanhada de qualquer evidência, não é suficiente para afastar os fatos apontados na decisão recorrida, de que não Fl. 4096DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.097 12 haveria nos autos prova daqueles pagamentos que fundamentam o entendimento adotado e ora combatido. Todavia, ao analisar os documentos juntados na referida diligência, o colegiado constatou que a soma dos recolhimentos de IRRF nos códigos 3426, 5273 e 6800 é de R$ 29.644.807,00 (10.180.143,07 + 7.305.682,32 + 12.158.981,61), conforme fls. 3959, e não o valor reconhecido pela decisão recorrida, no valor de R$ 25.921.611,49. Assim, entendo que cabe reparo à decisão recorrida, para que seja reconhecido o valor adicional de R$ 3.723.195,51 (29.644.807,00 25.921.611,49), relativo ao IRRF oriundo de aplicações financeiras no ano 2001. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para que seja reconhecido o direito creditório adicional de R$ 3.723.195,51. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Fl. 4097DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003775/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO.
Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido.
Numero da decisão: 9202-007.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 37 75 /2 00 7- 76 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202002.289, proferido na Sessão de 17 de abril de 2013, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora de 20%. A recurso visa rediscutir a seguinte matéria: substituição, no julgamento, da multa de ofício pela multa de mora. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Sessão do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 132 a 136. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o pagamento de tributo em atraso enseja o pagamento de multa e de juros de mora; que a multa de mora tem caráter indenizatório; que é possível a aplicação da multa de mora pela autoridade julgadora administrativa, sem prévio lançamento fiscal, pois a incidência da multa de mora decorre da lei, automaticamente; que, no caso, tanto a multa de mora quanto os juros de mora são encargos exigíveis do contribuinte independentemente de constituídos por meio de auto de infração; que, sendo a competência dos órgãos julgadores administrativos a revisão do lançamento, cumprelhe suprir a falta, em caso de erro da autoridade fiscal. A Contribuinte foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 22/11/2016 (AR, efls. 141) e não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10280.003775/200776 Acórdão n.º 9202007.651 CSRFT2 Fl. 145 3 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria a ser discutida diz respeito à validade da decisão de primeira instância, não corroborada pelo Acórdão Recorrido, de substituir a multa de ofício originalmente lançada pela multa de mora. Entendeu o Recorrido que a Delegacia de Julgamento não teria competência para modificar a multa aplicada, conforme o seguinte trecho: O lançamento tributário de ofício, nos termos do art. 142, do CTN, constitui ato que, identificando a ocorrência de fato jurídico tributário, constitui o respectivo enlace obrigacional, determinado a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo e, sendo caso, aplicando a respectiva penalidade. Constitui ato administrativo vinculado ao motivo que lhe serve de fundamento, conforme preceitua o parágrafo único do dispositivo há pouco referido. Desse modo, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois a nova multa possui inusitado fundamento fáticojurídico — pagamento fora do prazo, nos termos do art. 61, § 2º — em relação ao auto de infração, que tinha como fundamento falta de declaração. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazêlo a partir de esteio inaugural. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência deste Tribunal: De outro lado, o Acórdão nº 20178432 admite a validade da substituição das penalidades com base nos seguintes fundamentos: No tocante à decisão de primeira instância, que substituiu a multa de oficio pela de mora, não há, aí, nulidade. É que a questão de saber se, descabendo a aplicação da multa de oficio, pode ser aplicada a de mora é de mérito do recurso. Assim, o acórdão de segunda instância ou mantém a exigência da multa de mora ou a cancela, sendo absurda a solução de anulação da decisão de primeira instância por essa razão. Nesse contexto, descabe razão à interessada, porque o art. 142 do CTN dispõe que, na atividade de constituição do crédito tributário, a autoridade tributária deve propor a penalidade a ser aplicada, o que revela que a penalidade pode ser reduzida ou substituída por outra de menor gravame. A legislação prevê, ademais, que qualquer recolhimento efetuado com atraso deva ser acompanhado de multa de mora. É uma regra geral. Como não se trata de procedimento espontâneo, é induvidoso, no caso dos autos, que alguma multa seria devida. Fl. 146DF CARF MF 4 Se não a de oficio, certamente a de mora. Dessa forma, o Acórdão de primeira instância apenas substituiu a multa aplicada no caso específico do auto de infração pela multa mais genérica, devida em relação a todos os recolhimentos efetuados com atraso. Dessa forma, por ser devida em todas as hipóteses de recolhimento com atraso, em procedimento espontâneo ou decorrente de intimação da autoridade tributária, a multa de mora prescinde de lançamento para ser exigida. Que a autoridade julgadora pode promover alterações no lançamento originalmente realizado pela autoridade lançadora em razão de impugnação do sujeito passivo é incontroverso, posto que objeto de expressa previsão legal, no art. 145, I do CTN. Vejamos Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; [...] Com efeito, se o lançamento “só” pode ser alterado nesses casos, é certo que o lançamento “pode” ser alterado nesses casos. Aliás, o próprio acórdão recorrido reconhece essa possibilidade ao admitir que a DRJ teria competência para “corrigir” o lançamento, o que não poderia era “refazêlo a partir de esteio inaugural”. É interessante observar que o art. 142 do CTN referese a “se for o caso, a propor a penalidade”. Esse termo ensejou controvérsia doutrinária em torno do seu sentido e alcance, se de fato a autoridade lançadora apenas proporia a penalidade, que seria definida apenas após o contraditório, ou se o termo “propor” apenas ressalvaria as hipóteses em que a autoridade lançadora não fosse competente para aplicála. Porém, independentemente da tese abraçada, compete à autoridade julgadora reexaminar o lançamento do tributo e a aplicação da multa à luz do contraditório e, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, essa atividade não consiste, a meu juízo, apenas em confirmar ou não os termos da autuação original, mas em promover alterações de modo a adequar a norma individual e concreta à conformação dos fatos e sua subsunção à norma geral. No caso sob exame a autoridade julgadora, atendendo ao apelo da contribuinte, concluiu ser indevida a multa de ofício, pela omissão de rendimentos, por entender que a contribuinte teria sido induzida a erro pela fonte pagadora. Porém, considerando o não pagamento no prazo legal, concluiu ser devida a multa de mora. O que a autoridade julgadora de primeira instância fez não foi outra coisa que não revisar a autuação, acatando em parte o apelo da contribuinte, a meu juízo em absoluta conformidade com o artigo 145, I do CTN e as normas que disciplinam o processo administrativo fiscal. Registro que este Colegiado já decidiu, no Acórdão nº 9202004.245, de 22 de junho de 2016, de relatoria do Conselheiro Luis Eduardo de Oliveira Santos que não haveria necessidade de conversão da multa de ofício em multa de mora, pois esta teria expressa previsão legal, sendo exigível independentemente sempre que houver pagamento indevido, independentemente de lançamento. Na ocasião se julgava recurso da Fazenda Nacional em face de acórdão que afastou a multa de ofício. A Fazenda Nacional reivindicava a substituição da multa de ofício pela multa de mora. Confirase a ementa do julgado na parte pertinente: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10280.003775/200776 Acórdão n.º 9202007.651 CSRFT2 Fl. 146 5 MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. Na ocasião negouse provimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender desnecessária a providência de substituir a multa de ofício pela multa de mora. No caso ora examinado, Delegacia de Julgamento substituiu a multa de ofício pela multa de mora e a Turma a quo afastou a exigência da multa de mora, não por entender desnecessária a substituição, mas por entender que essa substituição constituiria inovação e alteração indevida no instrumento da autuação. Particularmente, penso que, se é certo que a multa de mora é devida nos casos de pagamento de tributo com atraso, a formalização da exigência da multa de mora em situações como a deste processo não se constituiria em providência desnecessária. Aliás, o art. 43, da Lei nº 9.430, de 1996 prevê expressamente a possibilidade do lançamento de ofício tanto da multa da multa e dos juros de mora, isolada ou conjuntamente, a saber: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Por outro lado, compete à autoridade julgadora, ao afastar a exigência da multa de ofício, decidir sobre a incidência ou não da multa de mora, não deixando a questão em aberto para a interpretação do órgão preparador. A rigor, não vejo diferença essencial em se afirmar que a substituição da multa de ofício pela multa de mora é desnecessária pois esta é devida, da afirmação de que, afastada a multa de ofício, é devida a multa de mora. No presente caso, ao reformar a decisão de primeira instância, a Turma a quo afirma a impossibilidade da exigência da multa de mora, o que, por tudo o que foi acima exposto, conduz ao provimento do recurso da Fazenda Nacional. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto do Ilustre Relator, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 148DF CARF MF 6 Tratase da conversão, levada a cabo no julgamento de Primeira Instância, da multa de ofício em multa de mora, que foi excluída pelo acórdão recorrido. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a reforma do julgado guerreado, restabelecendose a decisão de primeira instância. A esse respeito já se manifestou esse Colegiado, por meio do Acórdão nº 9202004.245, de 22/06/2016, da lavra do Ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, cujo brilhante voto ora adoto como minhas razões de decidir: "A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento no prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10280.003775/200776 Acórdão n.º 9202007.651 CSRFT2 Fl. 147 7 determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo não excluiu em momento algum a possibilidade de exigência de multa de mora, em sede de cobrança ou execução do crédito tributário. Apenas afastou a exigência de multa de ofício. Portanto, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional." No presente caso, a exclusão da multa de mora, levada a cabo no acórdão recorrido, significa tão somente a impossibilidade de exigência dessa penalidade em lançamento de ofício, o que não impede que dita exigência seja formalizada quando da execução do julgado, conforme determinação do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.729324/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO QUANDO O REQUISITO DE MANUTENÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decreto-lei nº 1.510/76 alcançará as alienações de participação societária, ainda que sob a égide da Lei nº 7.713, de 1988, desde que tenha sido cumprido o requisito do prazo de cinco anos previsto no artigo 4º, "d", do Decreto-lei nº 1.510/76 antes de 01/01/1989, conforme Ato Declaratório PGFN nº 12/2018.
CUSTO DE AQUISIÇÃO - GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
O procedimento para o cálculo do custo de aquisição de bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1991 é dado pelos arts. 125 a 127 do decreto 3.000/99. A utilização do valor nominal das ações, baseado no quociente entre o valor do capital social e o número de ações, na data de alienação, não tem amparo na legislação mencionada.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data
GANHO DE CAPITAL. REGIME DE CAIXA.
Comprovado que foi auferido sinal, ainda que anteriormente à assinatura do contrato de compra e venda, o mesmo deve ser tributado conforme o regime de caixa previsto no art. 21 da lei 7.713/88.
Numero da decisão: 2301-006.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a isenção do ganho de capital na alienação das ações que já contavam com cinco anos de aquisição em 01/01/1989.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DECRETOLEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO QUANDO O REQUISITO DE MANUTENÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 alcançará as alienações de participação societária, ainda que sob a égide da Lei nº 7.713, de 1988, desde que tenha sido cumprido o requisito do prazo de cinco anos previsto no artigo 4º, "d", do Decretolei nº 1.510/76 antes de 01/01/1989, conforme Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. CUSTO DE AQUISIÇÃO GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. O procedimento para o cálculo do custo de aquisição de bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1991 é dado pelos arts. 125 a 127 do decreto 3.000/99. A utilização do valor nominal das ações, baseado no quociente entre o valor do capital social e o número de ações, na data de alienação, não tem amparo na legislação mencionada. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data GANHO DE CAPITAL. REGIME DE CAIXA. Comprovado que foi auferido sinal, ainda que anteriormente à assinatura do contrato de compra e venda, o mesmo deve ser tributado conforme o regime de caixa previsto no art. 21 da lei 7.713/88. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 93 24 /2 01 4- 67 Fl. 750DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a isenção do ganho de capital na alienação das ações que já contavam com cinco anos de aquisição em 01/01/1989. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário de 2010, 2011 e 2012 acrescidos de multa e juros de mora. De acordo com a autoridade fiscal foi constatada a infração de omissão de rendimentos, caracterizada em razão da apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efls. 175/189): i) nos termos do "Contrato de Cessão e Transferência de Ações e Outras Avenças", o contribuinte vendeu 16.351.714 ações de sua propriedade do PróCardíaco Pronto Socorro Cardiológico S/A para o Hospital de Clínicas de Niterói Ltda., pelo valor total de R$ 10.434.444,00, sendo pagos R$ 1.897.172,00 a título de sinal em 05/04/2010, R$ 3.794.343,00 na assinatura do contrato (05/05/2010) e duas parcelas de R$ 2.371.465,00 a serem pagas em 2011 e 2012; ii) constatouse que o contribuinte majorou o custo de aquisição, visto que, ao dividir o capital social pelo número total de ações, realizou um cálculo que não encontra amparo na legislação. Nos termos dos arts. 125, 126, 128, 129, 130 e 131 do Decreto 3.000/99, verificouse que o cálculo do custo pelo valor de mercado era maior do que o cálculo pelo custo original corrigido, tendo sido apurada a quantia de R$ 453.042,92 como custo total das 16.351.714 ações de propriedade do contribuinte; iii) não se aplica a isenção pretendida pelo contribuinte (DecretoLei 1.510/76), visto que foi revogada pela lei 7.713/88. Como a isenção em questão não foi Fl. 751DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 3 3 concedida a prazo certo, há que se constatar que a mesma encontrase revogada, nos termos do art. 178 do CTN; iv) o imposto devido sobre a parcela paga em abril de 2010 deveria ter sido calculado e recolhido até 31/05/2010, o que só ocorreu, de fato, em 29/06/2010. Ressalta que o imposto é devido à medida em que os rendimentos são recebidos, nos termos do art. 2º da lei 7.713/88; v) tendo efetuado os cálculos, conforme as disposições da legislação, apurou a omissão de R$ 8.450.227,55 na apuração do ganho de capital e a consequente diferença de imposto de renda não recolhido na importância de R$ 1.267.534,14. Após a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Questiona a forma utilizada pela fiscalização na correção monetária do custo de aquisição das participações societárias; Afirma que as alienações das ações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data de subscrição ou aquisição estariam desobrigadas do pagamento do Imposto de Renda, conforme estabelecido pelo art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76. Que embora mencionado dispositivo tenha sido revogado pelo o art. 58 da lei 7.713/88 revogou, , nos termos do inciso XXXVI, do art. 5º da Constituição Federal, os contribuintes que possuíam o direito à isenção na data da revogação da lei, não poderiam perdêlo. No caso em questão, a condição estipulada foi o prazo de cinco anos após a subscrição ou aquisição da participação societária e a data da alienação. Cita várias decisões dos Tribunais de Justiça e do CARF; Defende que o contrato definitivo somente foi assinado em 15/05/2010. Como o imposto foi pago no último dia útil do mês seguinte à realização do negócio, não há que se falar em postergação no pagamento do imposto na espécie. Requer o provimento do recurso com o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Do cálculo do Custo de Aquisição Fl. 752DF CARF MF 4 A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. ( Já o art. 17 da Lei n. 9.249/95 dispõe sobre correção monetária do custo de aquisição de bens e direitos: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição de bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A seu turno, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001, que trata dos Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe: [...] Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo Fl. 753DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 4 5 corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. [...] Também o decreto 3.000/99, estabeleceu, com base nas leis que menciona, a forma como se deve proceder ao cálculo do custo de aquisição para efeitos de apuração do ganho de capital: Art.125. Considerase custo de aquisição dos bens ou direitos, adquiridos até 31 de dezembro de 1991, o valor de mercado, nessa data, de cada bem ou direito individualmente avaliado, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96 e §§5º e 9º). §1º Aos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1990, não relacionados na declaração relativa ao exercício de 1991, não se aplica o disposto no caput (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §8º, alínea "b"). §2º O disposto neste artigo não se aplica aos bens ou direitos pertencentes a residentes ou domiciliados no exterior. §3º A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor informado, sempre que este não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória administrativa ou judicial (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §3º). Art.126. Para as participações societárias não cotadas em bolsa de valores, considerase custo de aquisição o maior valor entre (Lei nº 8.218, de 1991, art. 16, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §10): I o apurado mediante a atualização monetária, até 31 de dezembro de 1991, do valor original de aquisição, com a utilização da tabela de índices divulgada pela Secretaria da Receita Federal; II o valor de mercado avaliado pelo contribuinte, utilizando parâmetros como valor patrimonial, valor apurado por meio de equivalência patrimonial nas hipóteses previstas na legislação comercial ou, ainda, avaliação de três peritos ou empresa especializada. (...) Bens ou Direitos Adquiridos no Período de 1ºde janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995 Art.128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de Fl. 754DF CARF MF 6 dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) §8º Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. §9º Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei nº 9.249, de 1995, arts. 17 e 30). Art.129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16 e §4º): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Art.130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §2º). §1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). §2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; Fl. 755DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 5 7 II no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; III quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. Subseção III Bens Adquiridos após 31 de dezembro de 1995 Art.131. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, inciso II). Do que se verifica dos autos, o lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, na sua constituição, amparouse na melhor leitura da Lei n. 9.249/95; da Lei n. 7.713/88; do Decreto Lei n. 3.000/99 e da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, bem assim em critérios técnicos e contábeis sobejamente demonstrados nos autos, inclusive em planilhas específicas e minucioso detalhamento dos procedimentos adotados. Notese que, como o recorrente não mais detém a posse da DIRPF 1992, bem como, dos valores originais que pagou pelas cotas adquiridas, a autoridade fiscal se baseou nos dados constantes das cópias dos livros Registros de Ações Nominativas, Registro de Ações Preferenciais e Transferência de Ações Preferenciais e Transferência de Ações Nominativas, para apurar o valor original das cotas em questão. Posteriormente, a autoridade fiscal se utilizou das demonstrações financeiras da empresa, publicadas em 24/04/1992 no Jornal Mercantil, para obter o valor de mercado das mesmas, e, em razão do valor encontrado ter sido maior que aquele relativo ao custo original corrigido, este último foi desconsiderado, nos exatos termos do art. 126 supra citado. Já a forma de cálculo do custo de aquisição utilizada pelo recorrente na apuração do ganho de capital, qual seja, o valor nominal das ações na data da alienação, padece de amparo legal. Logo, sem razão ao recorrente neste ponto. Da Isenção das Participações Adquiridas na Vigência do Decretolei nº 1.510/76 No que diz respeito a isenção pleiteada, temos o seguinte; Dispunha o Decretolei nº 1.510/76 em seu artigo 4º, "d", a não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital das pessoas físicas nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação; Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Fl. 756DF CARF MF 8 Reajustáveis do Tesouro Nacional. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 3º Considerase valor da alienação: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; b) o valor efetivo da contraprestação nos demais casos de alienação. Parágrafo único. Nos casos de alienação a título gratuito, será sempre imputável à operação o valor real da participação alienada. Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Esse benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei nº 7.713/88. Ele visava excluir da tributação os ganhos de capital decorrentes da alienação de participações societárias, após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Há um entendimento, ao qual me filio de que, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Dessa forma, se faz fundamental que sejam analisadas se as participações societárias posteriormente alienadas pelo Recorrente cumpriram ou não o requisito de terem permanecido durante mais de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Cumprido tal requisito, tratase de direito adquirido do contribuinte e não de expectativa de direito, uma vez que se o prazo de cinco anos foi atendido, o Recorrente já fazia jus à isenção do Decretolei n° 1.510/76. Sabendose que a vigência da Lei nº 7.713/88 se iniciou em 01/01/1989 e que o Decretolei nº 1.510/76 condiciona a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital a participação societária ter permanecido durante 5 anos sob a propriedade do alienante, as ações e quotas adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por ele até 01/01/1989 farão jus à isenção do Decretolei nº 1.510/76. Dessa forma, em todos os casos do Recorrente em que as ações ou quotas foram adquiridas até 31/12/1983 e alienadas em um período posterior a 01/01/1989, haverá isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital. Este entendimento tem sido adotado por esse conselho, como por exemplo no Acórdão 9202007.449 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Ilustre Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, Fl. 757DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 6 9 31/05/2005, 31/05/2006, 31/07/2006 GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decretolei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilitase a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado. Assim, adquiridas as ações e as bonificações adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, ainda que a alienação tenha ocorrido após a revogação da lei concessiva do direito à isenção. Esse entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: 1.22 Imposto de Renda (IR) u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Em 27 de junho de 2018, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 comunicando a aprovação do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda. Referido ato declaratório possui o seguinte teor: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a Fl. 758DF CARF MF 10 desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR. Como no caso sob análise existem ações adquiridas antes e depois de 1º/01/1989, entendo que somente as adquiridas e alienadas após esta data e que não cumpriam o prazo de cinco anos, não devem estar sujeitas a isenção do Decreto Lei 1510/76. Da Postergação de Pagamento do Imposto Sobre este aspecto entendo correta a decisão guerreada e utilizo seus argumentos. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, ou seja, o fato gerador somente se aperfeiçoa por ocasião da efetiva percepção dos rendimentos, na forma do art. 21, § 1°, da Lei n° 8.981/1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. (...) § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Em se tratando de alienações a prazo, a tributação sobre os ganhos de capital também está sujeita ao regime de caixa, na forma do art. 21 da Lei n° 7.713/1988: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Assim, ainda que o contrato de compra e venda tenha sido assinado em maio de 2010, resta comprovado à fl. 173 que o valor de R$ 1.897.172,00 lhe foi pago, em 05/04/2010, sob a forma de sinal na negociação. Tendo em vista o exposto, é de se considerar correta a constatação da autoridade fiscal de que o imposto relativo ao ganho de capital do valor auferido em 05/04/2010, deveria ter sido recolhido até 31/05/2010. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 7 11 Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer como isentas as alienações das ações que já contavam com 5 anos de aquisição em 01/01/1989, conforme Ato Declaratório PGFN nº 12/2018.. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 760DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.918764/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe um valor de IPI, para esse período de apuração, apurado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível no período.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Se a contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Havendo início de prova quando da apresentação da manifestação de inconformidade, poderá a contribuinte, aproveitar o processo administrativo para produzir prova hábil a demonstrar o desacerto das informações prestadas na DCTF.
PER/DCOMP. RESSARCIMENTO TRIMESTRAL E RESTITUIÇÃO MENSAL. MESMOS FATOS CONTROVERTIDOS. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
A prova pericial e documental realizada no âmbito de PER/DCOMP ressarcitória de saldo credor trimestral do IPI pode ser aproveitada em PER/DCOMP restitutória de indébito de IPI de mês desse mesmo trimestre, uma vez que os fatos controvertidos subjacentes (idoneidade dos créditos extemporâneos lançados) são rigorosamente os mesmos.
Numero da decisão: 9303-008.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe um valor de IPI, para esse período de apuração, apurado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível no período. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se a contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Havendo início de prova quando da apresentação da manifestação de inconformidade, poderá a contribuinte, aproveitar o processo administrativo para produzir prova hábil a demonstrar o desacerto das informações prestadas na DCTF. PER/DCOMP. RESSARCIMENTO TRIMESTRAL E RESTITUIÇÃO MENSAL. MESMOS FATOS CONTROVERTIDOS. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. A prova pericial e documental realizada no âmbito de PER/DCOMP ressarcitória de saldo credor trimestral do IPI pode ser aproveitada em PER/DCOMP restitutória de indébito de IPI de mês desse mesmo trimestre, uma vez que os fatos controvertidos subjacentes (idoneidade dos créditos extemporâneos lançados) são rigorosamente os mesmos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe um valor de IPI, para esse período de apuração, apurado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível no período. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se a contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Havendo início de prova quando da apresentação da manifestação de inconformidade, poderá a contribuinte, aproveitar o processo administrativo para produzir prova hábil a demonstrar o desacerto das informações prestadas na DCTF. PER/DCOMP. RESSARCIMENTO TRIMESTRAL E RESTITUIÇÃO MENSAL. MESMOS FATOS CONTROVERTIDOS. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. A prova pericial e documental realizada no âmbito de PER/DCOMP ressarcitória de saldo credor trimestral do IPI pode ser aproveitada em PER/DCOMP restitutória de indébito de IPI de mês desse mesmo trimestre, uma vez que os fatos controvertidos subjacentes (idoneidade dos créditos extemporâneos lançados) são rigorosamente os mesmos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 87 64 /2 00 9- 81 Fl. 266DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação eletrônico com créditos de IPI relativo ao pagamento a maior em DARF (à efl. 24). Pelo conteúdo do pedido, o pagamento fora efetuado em 15/10/2007, e tributo era no valor de R$ 25.758,74, relativo ao período de apuração de setembro de 2007. O pedido foi realizado no PER/DCOMP nº 07807.91125.300408.1.3.040335, de acordo com o documento de efls. 25 a 29, em 30/04/2008. Tal crédito visava a compensação de Cofins e PIS não cumulativos do período de apuração de abril de 2008, que montava a R$ 14.608,64. A DRF em Campinas SP emitiu despacho decisório eletrônico de nº 848721692, em 07/10/2009 (efls. 44), não homologando a compensação. O despacho informa que considerou o pagamento relativo ao DARF integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação. Intimada (efl. 49) do despacho, em 19/10/2009, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 04 a 10, em 18/11/2009, alegando a existência de créditos de IPI que não teriam sido escriturados no período correto, assim, teria identificado a existência de valores recolhidos a maior, apresentando cópias de folhas do livro de apuração do IPI para o período em discussão. Já a 2ª Turma da DRJ/RPO, em 16/06/2010, apreciou os pleitos da contribuinte, e elaborou o acórdão nº 1429.730, às efls. 65 a 67, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 02/09/2010, às efls. 70 a 92. Em apertado resumo, a contribuinte alega que não escriturou retroativamente os créditos extemporâneos. Para prova da idoneidade dos créditos aproveitados, trouxe aos autos comprovante de homologação (efls. 121) do PER/DCOMP nº 09534.85094.170408.1.3.011598 (efls. 122 a 192), com ressarcimento relativo precisamente ao 3º trimestre de 2007, para aproveitamento do saldo credor de R$ 10.306,04, formado após o referido creditamento extemporâneo. Alegou ainda, nesse sentido, que o deferimento do ressarcimento do saldo credor do trimestre presume necessariamente a regularidade dos créditos extemporâneos pois, não fossem esses, não haveria saldo credor a ressarcir. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10830.918764/200981 Acórdão n.º 9303008.472 CSRFT3 Fl. 267 3 A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no acórdão nº 3102001.785, apreciou o recurso em 28/02/2013, às efls. 196 a 200, e, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário. Tal julgado foi assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Basicamente o voto condutor considerou que, além de afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que os créditos não decorriam de pagamento indevido ou a maior, mas de crédito básico de IPI, inexistiriam provas da liquidez e certeza dos créditos pleiteados, mesmo em face dessas alegações, sem que se apresentasse documentação comprobatória. Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 206) do acórdão nº 3102001.785 em 07/08/2013 (efl. 180), e interpôs recurso especial de divergência às efls. 208 a 222, na mesma data. Esgrime a divergência com os acórdãos paradigmas nº 340301.031 e nº 1340301.032, os quais, em situação idêntica, apenas para períodos de apuração distintos, na qual era ela também o sujeito passivo, admitem que seja restituído o pagamento a maior de IPI em razão do creditamento extemporâneo de período anterior, sem que este tenha sido computado para apuração daquele valor recolhido, desde que comprovada sua correção, ainda que não retificada a DCTF com antecedência. O então Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho nº 3100000.437, às efls. 255 a 258, em 16/07/2014, analisou o recurso especial, concluindo por darlhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de efls. 255 a 258, em 23/07/2014 (efl 232), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da contribuinte, às efls. 260 a 264, em 05/08/2014. A Procuradora argumenta que os créditos alegados não foram comprovados de forma robusta e idônea, e que cabe ao sujeito passivo a comprovação da existência dos créditos líquidos e certos que pretenda recuperar e utilizar. Fl. 268DF CARF MF 4 Ao final, a Procuradora pleiteia que seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do sujeito passivo é tempestivo e cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Em regra, entendo inadmissíveis as provas extemporâneas, juntadas ao processo após a decisão de primeira instância, tendo em vista o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 PAF. Ocorre que a decisão recorrida se estabelece sobre os motivos, pontos de discordância e razões apresentados pelo sujeito passivo, com a base probatória que possua (art. 16, inc. III, do PAF), já então assentada nos autos; a apreciação dessa prova leva à convicção na decisão. O direito à apresentação de provas posteriormente à impugnação é situação excepcionada pelas condições alternativamente prevista nas alíneas do § 4º do mesmo artigo 16 do PAF. Contudo, no caso em apreço, observase que a contribuinte, na simulação da escrituração fiscal realizada em sua manifestação de inconformidade à efl. 09, já indicava, para o mês de setembro de 2007, crédito extemporâneo de R$ 27.394,20, com estofo em um princípio de prova, qual seja, o seu Registro de Apuração do IPI (Modelo 8), à efl. 41, que continha a indicação do mesmo valor entre os "OUTROS CRÉDITOS". Além disso, na ocasião dessa manifestação, 18/11/2009, apesar de inexistir retificação de DCTF para o período, a contribuinte já houvera apresentado pedido de ressarcimento relativo ao 3º trimestre de 2007, desde 17/04/2008, conforme se observa no Pedido de Ressarcimento nº 03149.29567.170408.1.1.015306 (efls. 127 a 192), quando do recurso voluntário. Ou seja, em 07/10/2009, quando emitido o despacho decisório eletrônico que denegou o PER/DCOMP em litígio, apesar de não haver registro em DCTF que permitisse ao sistema eletrônico reconhecer o pagamento a maior, já havia indício de que ele existia, desde que considerados os créditos extemporâneos que constaram do Registro de Apuração do IPI (Modelo 8). Em face do início de prova (registro contábil) juntado pelo sujeito passivo em sua manifestação de inconformidade, entendo que caberia à DRJ intimar a contribuinte para que comprovasse os dados que constavam daquele controle, tendo em vista que o programa que executa o despacho decisório eletrônico não teria como proceder à essa cautela, em face da singela comparação entre DCTF e DARF que por ele era realizada. Quando o acórdão de piso afasta as alegações da contribuinte, sem oportunizarlhe apresentar as demais provas, entendo que haja situação prevista na alínea "c" do § 4º do art. 16 do PAF1. Isso porque a ora recorrente, em face de a DRJ não ter aceito os 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10830.918764/200981 Acórdão n.º 9303008.472 CSRFT3 Fl. 268 5 referidos registros como prova suficiente, necessitou contraporse às razões trazidas aos autos apenas com essa decisão de primeira instância, uma vez que o despacho decisório eletrônico tão somente afirmava que o pagamento do DARF foi integralmente utilizado para quitação dos débitos, sem oferecer informações complementares da análise de crédito para o PER/DCOMP (efl. 46). Assim, entendo possível, no caso concreto, admitir as provas trazidas ao processo quando da interposição do recurso voluntário. A partir disso, diferentemente do aresto recorrido, penso que haja prova bastante nos autos de que haveria pagamento a maior no mês de setembro de 2007, desde que se considerassem corretos os registros que indicavam os saldos credores que ele utilizou nas suas apurações. Nessa quadra, adoto os argumentos esgrimidos pelo relator dos acórdãos paradigmas nº 340301.031 e nº 340301.032: Comprovação do Indébito. Pois a oportunidade processual foi, a meu ver, bem aproveitada pelo contribuinte. Convenceme a prova produzida, tornando desnecessária, inclusive, a baixa dos autos em diligência para complementação do quadro fático relevante à cognição do feito. Aqui saliento que, ademais do registro contábil da contribuinte, de setembro/2007, a prova de deferimento do ressarcimento no PER/DCOMP nº 03149.29567.170408.1.1.015306 (efls. 127 a 192) pareceme conclusiva da necessária idoneidade e legitimidade dos créditos extemporâneos objeto do litígio. Outrossim a soma dos valores de créditos extemporâneos apontados nas fichas deste PER/DCOMP para o mês de setembro/2007, às efls. 145 a 151, montam aos R$ 27.394,20, mesmo valor indicado nos 'OUTROS CRÉDITOS" pela contribuinte em seu registro contábil à efl. 41, acima citado. Daí prossigo com os argumentos dos paradigmas: Esse creditamento extemporâneo é o “fenômeno” responsável, a um só tempo, tanto pela formação do indébito em cada período de apuração mensal quanto pelo saldo credor resultante ao final do trimestre. Sem tal creditamento, não há saldo credor no trimestre, e os saldos devedores mensais são, consequentemente, devidos; se, por outro lado, o cômputo dos créditos extemporâneos é válido, o saldo do mês tornase credor, e integra o saldo total trimestral levado ao pedido ressarcitório. A sorte do indébito mensal e do ressarcimento trimestral é necessária e indissociavelmente a mesma, e depende exclusivamente da análise dos créditos extemporâneos escriturados no período. Assim, se o pedido ressarcitório trimestral foi deferido, é possível concluir com absoluta segurança que (i) os créditos extemporâneos foram examinados e aceitos pelo fisco e (ii) o c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 270DF CARF MF 6 saldo mensal era credor, não havendo IPI a recolher ao final do mês. Estáse diante de típica e legítima prova emprestada de processo administrativo envolvendo as mesmas partes e cujos fatos a serem provados eram rigorosamente os mesmos. Paulo Celso B. Bonilha define a prova emprestada como “aquela que, produzida num processo, seja por documento, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, possa ser trasladada e aproveitada em outro, por meio de certidão extraída do processo de origem” (Da prova no processo administrativo tributário. São Paulo:Dialética, 1997. p. 97). A jurisprudência do CARF admite largamente a prova emprestada: “IRPJ. Empréstimo de provas do fisco estadual. Legitimidade. É legítimo o empréstimo de provas do fisco estadual, de fatos que repercutem na área do imposto de renda” (Proc. 13.675/000.104/8776, 3ª Câmara do 1º CC, DOU 6.9.89). Ainda ressalto que a informação de homologação do PER/DCOMP nº 09534.85094.170408.1.3.011598, à efl. 121, que utilizou os créditos do pedido de ressarcimento nº 09534.85094.170408.1.3.011598, documenta, a meu ver, a produção e o conteúdo das provas documentais que, lá produzidas, atestaram a consistência dos créditos extemporâneos e por isso acho correta a assertiva dos paradigmas: Não vejo razão para que se reproduza, nestes autos, a mesmíssima e demorada prova da origem dos créditos que foram examinados e chancelados pelo próprio fisco em outro processo. Submeter o mesmo contribuinte a idêntica instrução probatória em dois processos com idêntica matéria fática controvertida definitivamente desatende à “adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados”, que o art. 2º, IX da Lei nº 9.784/99 preconiza como critério de necessária observância no contencioso administrativo. Resumidamente, podese dizer que a própria administração, para deferimento do PER/DCOMP nº 09534.85094.170408.1.3.011598, reconheceu a existência de um crédito extemporâneo suficiente para: (a) reverter, pelo menos parcialmente, o valor a recolher de cada período de apuração no trimestre implicando repetição de indébito, relativo a valores recolhidos nesses períodos de apuração e (b) gerar um saldo credor ao final do trimestre, passível de ressarcimento. Pois bem, aplicando o raciocínio a fortiori, verificase que: se os valores alegados pelo contribuinte foram aceitos pela fiscalização para comprovar o saldo credor ao final do trimestre; eles tiveram que ser considerados aceitos para todos os meses integrantes desse trimestre. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10830.918764/200981 Acórdão n.º 9303008.472 CSRFT3 Fl. 269 7 Ora, o valor que se pleiteia no presente processo é a devolução do recolhimento realizado, referente a um dos períodos de apuração do trimestre. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, para reformar o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724919/2010-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS.
Embora não se identificando a alegada omissão, acolhem-se os Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade do acórdão quanto à motivação da negativa de provimento em relação ao PLR.
Numero da decisão: 9202-007.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando a obscuridade verificada no Acórdão nº 9202-007.141, de 29/08/2018, sem efeitos infringentes, esclarecer a motivação da negativa de provimento no caso da PLR.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. Embora não se identificando a alegada omissão, acolhem-se os Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade do acórdão quanto à motivação da negativa de provimento em relação ao PLR.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando a obscuridade verificada no Acórdão nº 9202-007.141, de 29/08/2018, sem efeitos infringentes, esclarecer a motivação da negativa de provimento no caso da PLR. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. Embora não se identificando a alegada omissão, acolhemse os Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade do acórdão quanto à motivação da negativa de provimento em relação ao PLR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando a obscuridade verificada no Acórdão nº 9202 007.141, de 29/08/2018, sem efeitos infringentes, esclarecer a motivação da negativa de provimento no caso da PLR. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 19 /2 01 0- 14 Fl. 5983DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 9202007.141, proferido na Sessão de 29 de agosto de 2018, conheceu e negou provimento de Recurso Especial interposto pela contribuinte, e conheceu e deu provimento a Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, nos seguintes temos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. A Embargante apontou suposta omissão do Acórdão, o qual não teria se aprofundado no exame da matéria, relativamente ao PLR. Após transcrever fragmento do voto condutor do julgado, afirma a Embargante: Constatase, pois, que os Julgadores não se aprofundaram no exame da matéria, afirmando taxativamente, mas sem justificar, que o PLR da Recorrente “não atende aos requisitos da lei”! Contestando os fundamento do Acórdão vergastado, afirma que, “demonstrou exaustivamente que os instrumentos de negociação coletiva em questão possuem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. Vale citar o seguinte trecho do Recurso Especial que deixou de ser apreciado.” Em exame preliminar de admissibilidade, a Senhora Presidente da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os embargos e determinou a inclusão do processo em pauta. Concluiuse no Despacho que: Com efeito, em que pese tenha incluído os termos da autuação e da decisão recorrida, esclarecido o escopo do recurso e a legislação pertinente à matéria, o acórdão embargado não externa as razões pelas quais o acordo de PLR, no caso concreto, não teria cumprido a Lei nº 10.101, de 2000. Assim, os argumentos da Embargante estão a demonstrar que efetivamente não houve um enfrentamento objetivo da questão pelo acórdão embargado, o que demanda reapreciação pela Instância Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 5984DF CARF MF Processo nº 10680.724919/201014 Acórdão n.º 9202007.778 CSRFT2 Fl. 3 3 Os embargos foram interpostos tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, examino detidamente a questão. Verifico, de plano, que, apesar de apontar suposta omissão do acórdão recorrido, a Embargante pretende reabrir a discussão sobre o mérito da questão decidida, a saber, se o PLR atendeu ou não os requisitos da Lei nº 11.101, de 2000 quanto à definição das regras claras. A matéria, todavia, foi enfrentada no acórdão embargado, senão vejamos. O voto condutor do julgado começa por descrever minuciosamente o fundamento da autuação, no ponto, conforme o seguinte trecho: Segundo a autoridade lançadora nos referidos acordos estavam ausentes condições estabelecidas pela Lei nº 10.101/2000, que regula a matéria. Os ACTs foram realizados e assinados no mês de novembro de cada ano, ou seja, Acordo 2004/2005 assinado em 17 de novembro de 2004 (com pagamento da PLR em março/2005), acordo 2005/2006 assinado em 1º de novembro de 2005 (com pagamento da PRE em novembro e dezembro/2005 e PLR em março/2006) e Acordo 2006/2007 assinado em 30 de novembro de 2006 (com pagamento da PRE em dezembro/2006), o que implica na inexistência do estabelecimento prévio de “programas de metas, resultados e prazos”; que os referidos acordos, com relação ao pagamento da PLR, foram estabelecidos apenas para estipular valores e critérios para pagamento da mesma, ficando claro que estes pagamentos ou créditos não tinham qualquer pretensão ou objetivo de incentivar os trabalhadores a alcançar ganhos de produtividade no ano a que se referiam, visto que o mesmo já havia transcorrido; que no presente caso, a rubrica PLR poderia ser caracterizada como qualquer outra rubrica componente da remuneração dos segurados empregados, integrando o salário de contribuição para todos os fins e efeitos; que o valor a ser distribuído a cada trabalhador é composto de duas parcelas: a) parcela fixa, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, dividido pelo número de empregados; b) Parcela variável, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, multiplicado pelo salário base do empregado em dezembro de cada ano, dividido pelo total da folha de salários base de dezembro de cada ano. Na sequência, explicita a posição esposada pelo Acórdão de Recurso Voluntário. Confirase: Decidiu o acórdão recorrido, em síntese, que os acordos não estipulavam qualquer objetivo extraordinário não habitual a servir de parâmetro de perseguição pelos trabalhadores, tampouco informavam como se daria a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderia a 3% do Resultado Operacional da Cemig; que inexiste, igualmente, nos planos de PLR qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir; que a única regra existente que vincula a quota que Fl. 5985DF CARF MF 4 cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa; que se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. E concluiu que tais condições contrariam o disposto no §1° do artigo 2° da Lei 10.101/2000, ao não fixar regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e que, nessas condições, as participações nos lucros correspondem, em verdade, a um complemento salarial, sendo correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre essas verbas. Em seguida, resume a posição defendida pela contribuinte: A Contribuinte, por sua vez, sustenta a denecessidade do estabelecimento de metas ou resultados; sustenta que a lei não determina que os critérios e condições a serem estabelecidos devam ser, obrigatoriamente, o estabelecimento de metas ou resultados. Então, se delimita a matéria em litígio: O cerne da questão a ser decidida, portanto, é se, nas condições específica do caso, atendeuse ou não às condições legalmente estabelecidas para a caracterização da distribuição de lucros e resultados e a sua exclusão do conceito de saláriode contribuição. E após extensa análise da legislação aplicável, concluiuse que foram descumpridos na espécie os requisitos legais para a exclusão dos pagamento a título de PLR da base de cálculo da Contribuição. Vejamos: Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restaram descumpridos os requisitos legais, razão pela qual nego provimento ao recurso também nesta parte. É forçoso reconhecer, todavia, que o Acórdão Recorrido poderia ter sido mais claro ao explicitar em que aspecto o PLR descumpriu a norma, embora esse aspecto esteja o tempo todo implícito no voto. Tratase da ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, pois foi este o ponto apontado da autuação, foi o fato apontado no Acórdão de Recurso Voluntário e foi o ponto contra o qual se insurgiu expressamente a Contribuinte no Recurso Especial, e essas posições foram confrontadas no voto condutor do julgado. Assim, embora não se verifique a alegada omissão, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, reconhecendo obscuridade no acórdão recorrido quanto à explicitação do aspecto do PLR em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, apenas para explicitar que tal aspecto é a falta de regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Assinado digitalmente Fl. 5986DF CARF MF Processo nº 10680.724919/201014 Acórdão n.º 9202007.778 CSRFT2 Fl. 4 5 Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 5987DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15892.000128/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO
O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 3401-005.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 01 28 /2 00 9- 90 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15892.000128/200990 Acórdão n.º 3401005.947 S3C4T1 Fl. 296 2 1. Tratase do despacho decisório, situado às fls. 123 a 129, que não homologou as declarações de compensação, situadas às fls. 4 a 122, transmitidas com o objetivo de restituir crédito decorrente de valores indevidamente recolhidos a título de COFINS, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do art. 3, I da Lei n. 9.718/98. 2. A contribuinte, intimada via postal em 03/07/2009, em conformidade com o aviso postal situado à fl. 130, apresentou, em 31/07/2009, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) não há limitação a restituição de valores recolhidos indevidamente quando compensados ao invés de quitados via DARF, (ii) equívocos no preenchimento de declarações (DCTF, DIPJ ou qualquer outra) não pode prejudicar o contribuinte, tendo a Administração o dever de apurar a verdade material envolvida, sob pena de violação, dentre outros, ao principio da legalidade e ao art. 142, do CTN; (iii) que os indébitos pleiteados não têm origem no Mandado de Segurança n. 1999.61.08.0007840, que que foi impetrado para afastar as demais receitas (além daquelas atinentes ao faturamento da venda de mercadorias e da prestação de serviços) da base de cálculo da COFINS; (iv) o objeto da ação judicial e do processo administrativo não se confundem, No caso em exame, o pedido da recorrente fundamentase direta e exclusivamente na ilegitimidade do art. 3°, I, da Lei n° 9.718/98, que gerou o pagamento a maior objeto do pleito de restituição. 3. Em 29/10/2014, a 01ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu o Acórdão DRJ nº 1454.424, situado às fls. 233 a 245, de relatoria da AuditoraFiscal Leda Ignez Cherubini Fogaça, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DIREITO CREDITÓRIO AÇÃO JUDICIAL TRÂNSITO EM JULGADO É vedada a restituição/compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende o contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INDEFERIMENTO. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15892.000128/200990 Acórdão n.º 3401005.947 S3C4T1 Fl. 297 3 4. A contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 255 a 270, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Em que pese o inconformismo da Recorrente, entendo que a restituição demanda o pagamento de um tributo indevidamente recolhido. In casu, à época da transmissão das referidas PER/DCOMP, a contribuição foi recolhida de acordo com o art. 3, I da Lei 9.718/98 que só em 2008 teve sua inconstitucionalidade declarada com efeito erga omnes pelo plenário do Supremo Tribunal Federal através do RE 585235 QORG / MG, de relatoria do Ministro Cezar Peluso, assim ementado: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. 7. Nesse cenário, não poderia a Recorrente ter ingressado com os pedidos de restituição discutidos nos autos sem que uma decisão individual e concreta lhe outorgasse o devido respaldo. Isto posto, ainda que alegue não ser o Mandado de Segurança a fonte de seu crédito, somente este poderia lhe socorrer, pois de outra forma não há fundamento jurídico que respalde o pedido de restituição de imposto recolhido em conformidade com a legislação vigente. 8. Assim, vez que apenas o Mandado de Segurança poderia servir como pressuposto do pedido de restituição discutido nos autos, entendo que os pedidos devam ser considerados não declarados, haja vista que no momento de sua transmissão não havia transitado em julgado o Mandado de segurança em que se discutia o direito da recorrente aproveitar os créditos relativos ao recolhimento da COFINS de acordo com a Lei n. 9.718/98. 9. Por essa razão, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15892.000128/200990 Acórdão n.º 3401005.947 S3C4T1 Fl. 298 4 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720274/2012-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.720274/201254 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.761 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria Multa Retroatividade benigna Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ÁGUAS MINERAIS BRASILEIRA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 02 74 /2 01 2- 54 Fl. 400DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2301003.314, proferido na Sessão de 20 de fevereiro de 2019, que deu provimento parcial a Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. CONTRIBUIÇÃO AO GILRAT. LEGALIDADE. MULTA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A aferição indireta/arbitramento de crédito tributário é possível na hipótese de inércia do contribuinte quando intimado a apresentar documentos ou informações, invertendose, portanto, o ônus da prova. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula 2 deste CARF, é vedado aos órgãos de julgamento a apreciação de argumentos sob fundamento de inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. É legal a incidência de contribuição social ao GILRAT sobre os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A aplicação da multa deve ser a prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61, § 2º da Lei 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10783.720274/201254 Acórdão n.º 9202007.761 CSRFT2 Fl. 3 3 O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Multa mais benéfica ao contribuinte. Aplicação do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da segunda Seção de julgamento do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho e efls. 382 a 389. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o art. 35 da Lei nº 8.212. de 1991 não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido; que a Medida Provisória nº 449, de 2009, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 ao mesmo tempo em que alterou a redação do art. 35 da lei nº 8.212, de 1991, acrescentou o art. 35A, o qual instituiu nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e seus acréscimos legais; que, pela redação do art. 35A, no caso de lançamento de ofício das contribuições indicadas no art. 35, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, à semelhança do que já ocorria com os demais tributos federais; que diante dessa nova sistemática a multa de mora não mais é aplicável no caso de lançamento de ofício; que para se averiguar a retroatividade benigna a comparação deve ser feita entre o art. 35, na sua antiga redação, com o art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 08/09/2016 (efls. 393 a 395) a contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 402DF CARF MF 4 Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata os incisos “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10783.720274/201254 Acórdão n.º 9202007.761 CSRFT2 Fl. 4 5 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal; a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento Fl. 404DF CARF MF 6 consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidada deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10783.720274/201254 Acórdão n.º 9202007.761 CSRFT2 Fl. 5 7 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 406DF CARF MF 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10783.720274/201254 Acórdão n.º 9202007.761 CSRFT2 Fl. 6 9 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 408DF CARF MF 10 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10783.720274/201254 Acórdão n.º 9202007.761 CSRFT2 Fl. 7 11 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Essa posição foi recentemente consolidade na Súmula CARF nº 119, a saber: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Em face ao exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907085/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
Numero da decisão: 1402-003.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.907079/2009-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10480.907079/200946, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 70 85 /2 00 9- 01 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10480.907085/200901 Acórdão n.º 1402003.842 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife que decidiu por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Adoto o relatório da r. DRJ em sua integralidade, complementandoo ao final no que entender necessário. A contribuinte acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. [...], por meio da qual compensou crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurada por estimativa em [...], com débito da contribuição apurada por estimativa em [...]. O crédito pleiteado importa em [...]. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. [...], a Delegacia da Receita Federal do Recife – DRF/Recife não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor a maior pago por estimativa ao final do período de apuração. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. [...]), alegando, em síntese: preliminar de prescrição do direito de cobrança do crédito tributário indevidamente compensado com base no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN); apura seus resultados com base em balancetes mensais de suspensão e tendo verificado recolhimento de estimativa indevido entregou PER/DCOMP para compensação com base no art. 74 da Lei nº 9430/1996; não concorda com a decisão prolatada porque a compensação foi elaborada com base no seu balanço anual e nas disposições normativas tributárias vigentes. A r. DRJ em São Paulo proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. IN RFB N° 900/2008. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 19/2011. CARÁTER INTERPRETATIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19, de 05/12/2011, a revogação da vedação do uso de estimativa de IRPJ/CSLL como crédito, instituída pela IN RFB n° 900/2008, tem caráter interpretativo, sendo tal tipo de crédito permitido, mesmo para fatos geradores anteriores à publicação daquela instrução normativa. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10480.907085/200901 Acórdão n.º 1402003.842 S1C4T2 Fl. 4 3 estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário alegando preliminarmente a prescrição do débito pretendido. No mérito, sustenta que utilizou crédito de CSLL recolhido, incluindo juros e multa, para compensar com débito o mesmo imposto vencido posteriormente, através de PER/DCOMP. Afirma que a compensação carreada está em linha com a legislação tributária vigente. É o relatório. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.836, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10480.907079/200946, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.836): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. – PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A Recorrente alega que teria prescrito o direito de a Fiscalização cobrar o crédito definitivamente constituído. Ocorre que, in casu, a prescrição é instituto que visa a preservação da segurança jurídica, impedindo que o fisco exerça sua pretensão de cobrança após se manter inerte pelo prazo de 5 anos. No caso em análise, o contribuinte pleiteou a compensação, cujo prazo para homologação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, nos termos do §5 do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Além disso, o próprio art. 174 do CTN em seu Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10480.907085/200901 Acórdão n.º 1402003.842 S1C4T2 Fl. 5 4 inciso IV determina que interrompe a prescrição qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Nessa senda, ante o reconhecimento do débito, nos termos nos termos o § 6 do art. 74 da Lei 9.430/96, não há como se aplicar o instituto da prescrição ao caso em espécie, como bem observou a r. DRJ. Por esse motivo, afasto a preliminar suscitada. 3. DO MÉRITO Em que pese o inconformismo da Recorrente, razão não lhe assiste. O levantamento realizado pela DRJ em sua fundamentação de decidir mostram tanto a ausência de liquidez e certeza do crédito quanto a ausência do próprio crédito. Por essa razão, adoto os fundamentos da r. DRJ como razão de decidir: Assente a possibilidade, em tese, de promoverse a compensação na forma dos autos, cumpre averiguarse os requisitos de liquidez e certeza previstos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Conforme consta do Despacho Decisório, fl. [...], foi recolhido em [...], CSLL relativa à estimativa apurada em [...], no valor total de [...], pagamento confirmado no sistema SIEF, encontrando¬se disponível, sem alocações, reservas ou bloqueio. Também no sistema IRPJConsulta, se verifica que a contribuinte, em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais– DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005, não apurou CSLL por estimativa em [...], nada declarando a tal título na DCTF, conforme consulta no sistema DCTF (DCTF retificadora ativa entregue em [...]). No entanto, a contribuinte declarou em DCTF o valor total de CSLL por estimativa código 2484 de R$ 362.224,15 enquanto que para apuração da CSLL no ajuste anual (DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005) deduziu CSLL mensal paga por estimativa na Ficha 17 linha 43 no valor de R$ 492.466,92, portanto, valor superior em R$ 130.242,77 à soma dos valores efetivamente declarados em DCTF o que conduziria, caso homologada a compensação em análise, ao duplo aproveitamento do crédito. Logo, se utilizou de R$ 130.242.77 maior do que declarado em DCTF, conforme se demonstra. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10480.907085/200901 Acórdão n.º 1402003.842 S1C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, constatase que o valor das estimativas deduzidas no ajuste anual é superior à soma das estimativas declaradas mensalmente em DCTF, o que leva à conclusão de que o excesso de estimativa no montante de R$ 130.242,77 já foi utilizado ao final do anocalendário. Essa diferença é superior ao pagamento de estimativa feito a maior (ou indevidamente) relativo ao período de apuração [...], crédito oferecido na presente compensação, [...]. Isto posto, voto por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10480.907085/200901 Acórdão n.º 1402003.842 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.972287/2016-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 22 87 /2 01 6- 32 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.972287/201632 Acórdão n.º 3301005.920 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.979, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.972287/201632 Acórdão n.º 3301005.920 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.972287/201632 Acórdão n.º 3301005.920 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.972287/201632 Acórdão n.º 3301005.920 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720385/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
A ocorrência de saldo credor na conta Caixa caracteriza omissão de receitas.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - A multa isolada reporta-se ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período.
Numero da decisão: 1401-003.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário (i) por maioria de votos, para negar provimento ao recurso em relação à infração de saldo credor de caixa, vencido o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva; (ii) por maioria de votos, para dar provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada pela falta de pagamento de estimativas, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões, em relação à multa isolada, os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto e Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor na conta Caixa caracteriza omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 85 /2 01 1- 19 Fl. 2421DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário (i) por maioria de votos, para negar provimento ao recurso em relação à infração de saldo credor de caixa, vencido o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva; (ii) por maioria de votos, para dar provimento ao recurso para excluir da exigência a multa isolada pela falta de pagamento de estimativas, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões, em relação à multa isolada, os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto e Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 19311.720385/201119 Acórdão n.º 1401003.291 S1C4T1 Fl. 2422 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Packduque Indústria de Plasticos Ltda contra o acórdão de nº 1436.986 3ª Turma da DRJ/RPO, que por unanimidade negou provimento a impugnação e manteve os lançamentos objeto de discussão nestes autos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foram constatadas as seguintes infrações: 1) omissão de receitas, no anocalendário (AC) de 2008, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada pelo confronto entre a escrituração contábil e fiscal; 2) omissão de receita, no 2º trimestre do AC de 2007, caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa; 3) falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, recalculadas em função das omissões de receitas. Diante dessas infrações, foram lavradas autuações relativas a IRPJ e CSLL acrescidos de multa isolada. Conforme consta dos autos, a contribuinte foi intimada, relativamente aos anoscalendário de 2007 e 2008, a apresentar os livros Diário, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do IPI, Registro de Apuração do ISS, Registro de Apuração do Lucro Real, Demonstrativo com valores da vendas para 50 maiores clientes, comprovantes de receitas, custos e despesas, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras e arquivos digitais (contábeis e notas fiscais). Foram apresentados os livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Apuração do ICMS e de IPI, os extratos de contas correntes nos Bancos: Unibanco, Bradesco, Safra, Itaú, Sofisa, Banco Indusval Multistock e Bic Banco, Lalur de 2007 e 2008. Consta, também, a intimação de fl. 49, expedida em 27/04/2011, na qual foi solicitada a apresentação de livros auxiliares da conta “Caixa” e “Bancos” que contivessem os lançamentos nos seus respectivos dias, tendo em vista a constatação de saldos credores na conta “Caixa” e apenas alguns lançamentos totalizados no final de cada mês com os quais o saldo da referida conta passava a ser devedor. Solicitouse, alternativamente, a reconstituição diária da conta “Caixa”. Considerando que nada foi esclarecido ou justificado, o autuante adotou como tributariamente irregulares os saldos credores existentes no final de cada mês. Assim é que os meses de abril e maio do AC de 2007 apresentaram saldos credores de R$ 491.963,80 e R$ 1.456.341,50, respectivamente. Considerando que o saldo de abril está contido no mês de maio, o valor do saldo credor exclusivo do mês de maio/2007 é de R$ 964.377,70, tributando se, no 2º trimestre de 2007, como omissão de receita o total de R$ 1.456.341,50 (saldo credor de caixa). Analisando a movimentação financeira do AC de 2007, concluiu o autuante que o valor líquido dos créditos (depois de feitas as conciliações e os expurgos) confrontados com os recursos disponíveis oriundos da escrituração contábil e fiscal demonstram a regularidade da contribuinte quanto a essa matéria. Fl. 2423DF CARF MF 4 Foram intimados os clientes e fornecedores da contribuinte e, verificando as informações prestadas, o autuante concluiu, por meio de amostragem, que também estava regular a contribuinte. Quanto ao AC de 2008, relatou o autuante que, ao confrontar a escrituração fiscal com a escrituração contábil, verificou divergências, estando menor a escrituração contábil que se prestou para a apuração do lucro real anual. Foi elaborada uma planilha demonstradora de todos os meses do referido AC, por CFOP de saídas e o respectivo IPI. Foram lavrados os autos de infração para a exigência do IRPJ e CSLL, com aplicação da multa de 75%. A exigência do PIS, Cofins e IPI foi feita em outros processos e a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais se deu em razão da insuficiência de recolhimento do IPI lançado. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação com os seguintes argumentos: · Quanto ao IRPJ e CSLL: A contabilidade que serviu de supedâneo para o exame feito pela fiscalização padece de erros materiais nos assentamentos do razão analítico. Se o somatório dos recebimentos transacionados pelo Caixa foi de R$ 93.677.535,38, vale dizer que, na média, devese em condições normais haver recebimento em valor que se situa na faixa de R$ 7.800.000,00, podendo haver pequenas variações de um mês para outro, dependendo do prazo dado aos clientes, ou qualquer outro fator que possa provocar pequenas discrepâncias no comportamento da conta; · Notase, então, que os valores registrados nos meses de julho, agosto e dezembro, R$ 2.470.711,10, R$ 15.256.483,51 e R$ 396.870,04, respectivamente, destoam totalmente do número mediano acima calculado (R$ 7.800.000,00), tendo em vista que o faturamento a prazo da impugnante, por não estar sujeita a sazonalidade, tem um desempenho quase linear e o prazo médio de recebimento foi o mesmo para o período todo; · · O mesmo raciocínio deve ser levado em consideração com relação aos pagamentos a fornecedores, para que se possa avaliar o outro lado da moeda. Na questão dos pagamentos, os R$ 14.460.666,81, R$ 1.620.664,95 e R$ 657.543,94 estão totalmente fora da órbita que se estabeleceu acima, posto que se efetuam as compras em consonância com os fluxos de vendas de produtos e mercadorias; · · Apresenta a escrituração do livro Caixa, obedecendo a documentação que dá suporte aos lançamentos, tendo sido alocados os recebimentos e os pagamentos, ou seja, as entradas e as saídas de caixa nos seus devidos lugares, nos dias e meses das suas respectivas ocorrências dos fatos administrativos; · · Jamais a autoridade fiscal poderia valerse de uma escrituração que envolve lançamentos globalizados no mês de recebimentos e pagamentos para tributar saldo credor de caixa, uma vez que os valores ingressados ou saídos do caixa devem ser apurados diariamente. Essa ocorrência já é suficiente para invalidar todo o procedimento fiscal relacionado à presunção relativa de omissão de receita com base em saldo credor de caixa; · · Da incerta apuração do IRPJ e CSLL AC 2008. Não obstante a autuação cogitar de diferenças em livros fiscais e contábeis, não declinou se existem diferenças entre esses livros e a DIPJ, que em última análise apura a base imponível do IRPJ e da CSLL. Além disso, o autuante conferiu toda a movimentação financeira e bancária da impugnante e propugnou pela sua regularidade, não apurando qualquer incompatibilidade entre esta e a escrita contábil. Como todo o movimento de vendas transita pelos bancos, como pode haver diferenças entre a escrita fiscal e contábil; Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 19311.720385/201119 Acórdão n.º 1401003.291 S1C4T1 Fl. 2423 5 · · A multa isolada só é aplicável se a falta de recolhimento das estimativas for constatada dentro do próprio exercício, situação diversa da hipótese em tela, em que depois do encerramento do período de apuração houve um recálculo do que seria devido a título de estimativas mensais; · · Não há possibilidade da aplicação concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo apurado no ajuste anual. · · Requereu que os créditos tributários aqui apurados sejam excluídos do processo de arrolamento de bens. · · Protestou provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive com a juntada de demais documentos em diligência, além dos juntados por amostragem. Apreciada a impugnação, o lançamento foi julgado procedente por falta de provas suficientes a elidir a presunção legal de omissão de receitas caracterizada pela existência de saldo credor de caixa indicando que a interessada utilizou recursos mantidos à margem da escrituração, oriundos de receita não escriturada, para cumprimento de suas obrigações. Mantidas também a multa de ofício e a isolada. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário repisando todos os argumentos antes apresentados em sua impugnação e pretendendo, assim, a reforma do julgado, com a conseqüente desconstituição do lançamento. Vindo os autos para julgamento, o colegiado entendeu por bem, baixar os autos em diligência buscando à verificação de resposta aos seguintes apontamentos: 1) Se os ajustes promovidos pela contribuinte e noticiados nesses autos, em sua contabilidade em relação à conformação da conta caixa no período apontado pela fiscalização corresponde, fielmente, aos documentos que sustentam os mencionados lançamentos; e 2) Se, após os ajustes referenciados, remanesce ou não algum apontamento possível da mencionada existência de saldo credor na conta caixa. O Relatório de Diligência aponta as seguintes conclusões: 1 como resposta ao Item I, considerou: 2 como resposta ao item 2, considerou: Durante a realização de diligência, a contribuinte foi intimada a acompanhar o procedimento e apresentar documentos, contudo, como a Resolução não determinou sua Fl. 2425DF CARF MF 6 intimação para manifestarse sobre o resultado da diligência, na seguência à sua conclusão, os autos retornaram automaticamente para julgamento pelo colegiado. Com a finalidade de viabilizar a ampla defesa e o contraditório de forma plena e em obediência ao disposto no art. 18 do Decreto nº.70235/72, esta turma resolveu por bem diligenciar no sentido de que o contribuinte fosse intimado a respeito das conclusões do Relatório de Diligência e se manifestasse a respeito. Contudo, o Recorrente apesar de intimado, não ofereceu qualquer manifestação. Concluída a diligência fiscal, os autos retornaram para julgamento. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Trata o presente processo de exigência do IRPJ e CSLL, tendo em vista a ocorrência de saldo credor de caixa e a apuração de divergência entre a escrituração contábil e fiscal. Saldo Credor de Caixa. A presente tributação da omissão de receitas caracterizada pela existência de saldo credor de caixa está prevista no RIR, de 1999, art. 281, inciso I, tratase de presunção legal relativa que admite que a contribuinte produza prova em contrário, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Conforme fundamentado pela DRJ: "O fato determinante dessa presunção é a comprovação de saldo credor na conta Caixa, indicando que a interessada utilizou recursos mantidos à margem da escrituração, oriundos de receita não escriturada, para cumprimento de suas obrigações". Havendo mais saídas do que entradas, fica claro que foi utilizado numerário à margem da escrituração. Nesse caso, cabe à contribuinte provar que não ocorreu saldo credor. Ao apreciar o Recurso Voluntário, os autos foram baixados em diligência justamente para viabilizar à contribuinte os esclarecimentos necessários quanto a prova da não ocorrência de saldo credor. Contudo, embora ela tenha participado ativamente das apurações feitas pela autoridade fiscal durante o procedimento de diligência, inclusive tendo sido chamada a apresentação de todos os documentos de que dispunha para demonstrar a não ocorrência do saldo credor, concluiuse pela existência de inconsistências na contabilidade da empresa, sem o devido esclarecimento quanto a conformação da conta caixa em razão dos documentos apresentados, tendo remanescido o saldo credor do lançamento original, até porque, a Recorrente ao final, não logrou êxito em esclarece a origem das entradas em volume suficiente para fazer frente às saídas questionadas. Até porque, quando intimado a apresentar a documentação suficiente para dar suporte para os lançamentos glosados, o contribuinte indicou que tais lançamentos tiveram Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 19311.720385/201119 Acórdão n.º 1401003.291 S1C4T1 Fl. 2424 7 como finalidade proceder a conciliação contábil de anos anteriores, tendo em vista que há vários anos havia se acumulado tais diferenças, de sorte que estes valores se referiam a vários anos anteriores, não tendo sido apresentada qualquer documentação suporte ao registro desses valores de duplicatas a receber da conta de compras e matéria prima do resultado. Portanto, não merece reparo à decisão recorrida nesse ponto, de sorte que, há de ser confirmada. Multa isolada O auto de infração consigna aplicação da multa de ofício de 75% e mais multa isolada de 50%, alegandose a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, citando como embasamento legal os artigos 222 e 843 do RIR/99 e art. 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96. Ou seja, há cobrança cumulada das duas multas sobre o mesmo evento. Aqui entendo haver sim situação de concomitância ao passo que a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, assim a primeira conduta é meio de execução da segunda. Assim, quanto à imposição de multas isoladas sobre estimativas, sigo o entendimento que rejeita a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Neste sentido, sigo entendimento manifestado pela 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910101.455 de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias em 15 de agosto de 2012. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período. Fl. 2427DF CARF MF 8 Assim, ante o exposto, acolho o recurso voluntário quanto a este ponto para afastar integralmente a multa isolada, pelo reconhecimento da impossibilidade de sua aplicação em concomitância à multa de ofício. Apenas a título de esclarecimento, tendo em vista que alguns Conselheiros integrantes da Turma adotam a tese da consunção, anoto que o valor das multas isoladas é inferior ao da multa de ofício, sendo por esta passível de absorção, conforme ilustrado no item 19 do Auto de Infração. Razão pela qual, seja pelo fundamento da concomitância adotado por esta relatora, seja pelo da consunção, adotado por parte da Turma Julgadora, não há como prevalecer a aplicação da multa isolada. Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a multa isolada. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 2428DF CARF MF
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