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Numero do processo: 13808.001236/00-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
ÔNUS DA PROVA.Na relação jurídico-tributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não', do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. (Acórdão n° 103-20481, 1° CC)
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-001.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado provimento em parte ao recurso, com retorno à câmara a quo. Vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Ad Hoc - Designado para o Voto Vencido
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1997 ÔNUS DA PROVA.Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não', do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. (Acórdão n° 10320481, 1° CC) Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dado provimento em parte ao recurso, com retorno à câmara a quo. Vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 12 36 /0 0- 01 Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 25/08/2009 (fls. 1831), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 26/08/2009, seu Recurso Especial (fls. 1859/1870), para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 120100.072, de 14/05/2009 (fls. 1822/1830) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, em 25/09/2006, pelo contribuinte Consórcio Nacional Brastemp SC Ltda. (fls. 1771/1789). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra o contribuinte foi lavrado, em 02/06/2000, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Programa de Integração Social – PIS e Contribuição Social (fls. 83/106), com ciência, em 02/06/2000 (fls. 83/106) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 708.934,90, a título de IRPJ, PIS e CSLL, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos referente ao exercício de 1997, correspondente ao anocalendário de 1996. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DOS EXERCÍCIOS FINANCEIROS: Observou a autoridade fiscal, que o regime econômico ou de competência recomendado pela legislação comercial na apuração dos resultados das sociedades por ações (Lei n° 6.404/76, art. 177) foi encapado pela lei tributária para todas as empresas que pagam o imposto de renda com base no lucro real (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, parágrafo 4°), ressalvados os casos especiais estabelecidos na própria legislação fiscal. Alerta a autoridade fiscal lançadora de com a finalidade de comprovar os dispêndios ocorridos no mês de dezembro, a empresa forneceu a esta fiscalização os documentos relativos às despesas com comissões, fazendo parte deles, as Nota Fiscais de Serviços fls.017 emitida pela empresa Benemar Representações Ltda., no valor de R$ 117,73, 038 e 039 da Telemax Representações Comerciais Ltda., nos valores de R$ 30,19 e 14,82 , respectivamente e a 052, emitida pela Jocafi Representações Comerciais Ltda., no valor de R$ Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 4 3 2.842,68 , todas na data de 02/01/97, que somadas perfazem o total de R$ 3.005,42 com o IR fonte de R$ 59,68 . Referida despesa, por infração ao inciso II do artigo 219 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, combinado com os artigos 193, 194, 195 e 197, pela inobservância ao regime de competência dos exercícios financeiros, será objeto da lavratura do competente Auto de Infração. 2 – DESPESAS NÃO COMPROVADAS: Observou a autoridade fiscal, que restou a diferença de R$ 642.678,53 pendente de apresentação de quaisquer documentos pertinentes aos pagamentos a titulo de comissões, concluindo pela redução indevida do seu lucro real , considerando ainda que, dentre os documentos acima referenciados , compondo o saldo demonstrado nos borderôs de pagamentos acima descritos, constam alguns efetuados sem embasamento da respectiva comprovação com documentos hábeis, no que se refere a nota fiscal emitida pela empresa prestadora dos serviços respectivos, conforme se demonstrou na parte B , no montante de R$ 216.462,61. O fato da escrituração conter valores não comprovados ou insatisfatórios , conforme aludido na parte A e parte B do item acima, constitui infração ao artigo 242 do Decreto n° 1.041 de 11/01/94, combinado com os arts. 193, 194, 195 I e 197 (Regulamento do Imposto de Renda 94). O ato constitutivo do crédito tributário alerta, ainda, de que os valores apurados , constantes da base de cálculo tributável do item 3.1, caracterizados como infringência à dispositivos da legislação tributária vigente constituem insuficiência de pagamentos de tributos e, para tanto, serão efetuados lançamento de oficio , para exigência dos créditos tributários correspondentes conforme prevê o artigo 926 do RIR/99 , aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 04/07/2000 (fls. 108/127) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I decide julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 1735/1751), com base, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que as notas fiscais são insuficientes para comprovar a efetividade da prestação de serviços referentes às comissões, cujos valores foram deduzidos como despesas operacionais; que inicialmente cabe ao Fisco demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário. Ao sujeito passivo, entretanto, compete igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada pela autoridade fazendária; que sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais; que a apreciação de inconstitucionalidade de leis e de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário; visto que se presumem constitucionais todas as normas emanadas pelos Poderes Legislativo e Executivo; que fica mantido, os lançamento decorrentes, em consonância com o decidido relativamente ao lançamento principal, de IRPJ. Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 24/08/2006, conforme Termo constante às fls. 1752/1753, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 25/09/2006, o seu Recurso Voluntário (fls. 1771/1789), o qual, ao ser apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 120100.072, de 14/05/2009 (fls. 1822/1830), cuja decisão foi, por maioria de votos, pelo provimento ao recurso, conforme se verifica de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 1997 LANÇAMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Apesar de a fiscalização se caracterizar como uma fase inquisitiva, para a autoridade promover o lançamento em razão de não comprovação de algum aspecto considerado essencial, como a ocorrência de despesas, é necessário que tenha franqueado ao sujeito passivo a oportunidade para realizar tal prova. Preliminares Suscitadas Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Consta dos autos, que o contribuinte protocolou, em 04/09/2000, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1998, anocalendário de 1997. Observando, que em 29/04/1998 a contribuinte apresentou a declaração de imposto de renda normal e que em 07/04/1999, apresentou declaração retificadora. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 25/08/2009, conforme Termo constante às fls. 1831, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (26/08/2009), o seu Recurso Especial de fls. 1859/1870, com amparo no art. 7º, inciso I, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a autoridade fiscal, além de relacionar as infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação Fiscal em anexo (fls. 77/82), que relata o resultado da auditoria fiscal. Vejamos como as infrações foram descritas e fundamentadas; que, em primeiro lugar, informa a autoridade autuante que, entre outros documentos, o contribuinte em epígrafe foi intimado a apresentar o demonstrativo mensal das despesas operacionais declaradas na ficha 05 da Declaração de Rendimentos de IRPJ, referente ao anocalendário de 1996; que após a apresentação dos documentos solicitados, apurou que o contribuinte não observou o regime de competência determinado pela legislação comercial e tributária para apuração da base de cálculo do IRPJ, do PIS (Repique, períodos de apuração: janeiro e fevereiro) e da CSLL, eis que algumas notas fiscais de serviços de comissão emitidas em 02/01/1997 foram escrituradas no anocalendário de 1996. O montante de despesas glosadas, excluindo o valor do IRRF, consubstanciou o valor de R$ 2.954,74; Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 6 5 que, como visto, o v. Acórdão ora recorrido entendeu que a autoridade fiscal não poderia promover o lançamento em razão de não comprovação de .algum aspecto considerado essencial, como a ocorrência de despesas, sem que fosse franqueado ao sujeito passivo a oportunidade, para realizar tal prova; que Fisco constatou ainda, durante a análise da documentação de suporte à escrita contábil e fiscal da autuada, que inexistia prova documental, ou que os documentos apresenta i os eram insuficientes para a finalidade de comprovação de parte do montante de despesas escrituradas pelo contribuinte; que, por outro lado, se o contribuinte sustentou que o prazo concedido pela autoridade fiscal foi curto, o autuado poderia ter formalizado expressamente uma solicitação de prorrogação do prazo, o que é bastante costumeiro nesses procedimentos de auditoria, sendo que as autoridades fiscais não costumam negar tais pedidos; que assim sendo e compulsando as provas contidas nos autos deste processo, constatase a inexistência de pleito dessa espécie por parte do contribuinte; que, ademais, analisando a documentação acostada aos autos (fls. 50 a 76), concluise que a autoridade fiscal teve acesso às notas fiscais de comissões pagas e escrituradas, as quais deveriam dar suporte probatório à escrita contábil e fiscal da empresa, conforme preconiza art. 223 do RIR/1994; que o contribuinte teve o espaço, através da impugnação e seu Recurso Voluntário, para apresentar não somente seus esclarecimentos, mas também as .razões de fato e de direito que pudessem atingir o crédito tributário então constituído. Concluise da mesma forma que não houve ofensa aos princípios da razoabilidade e da finalidade, eis que a autoridade autuante agiu da forma como determina e faculta a legislação tributária, pois como frisamos, a lavratura de auto de infração pode ser efetuada sem a participação, do contribuinte, dependendo apenas da verificação da ocorrência de infração à legislação tributária. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 12000.333/2009, de 05/10/2009 (fls. 1871/1872) dando seguimento ao Recurso Especial do Procurador, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência do contribuinte (24/11/2009), nos termos regimentais, foram apresentadas, em 09/12/2009, as contrarrazões (fls. 1877/1887), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que a autuação decorreu de fiscalização iniciada em 08/11/1999, oportunidade em que foi requerida à ora Recorrida a apresentação de determinados documentos, tais como, DIPJ dos últimos cinco exercícios, livros comerciais e fiscais, demonstrativo mensal das despesas operacionais declaradas no montante de R$ 12.569.667,63, etc., os quais foram devidamente apresentados; que, posteriormente, em 25/05/200, a ora Recorrida recebeu um novo termo de intimação fiscal para cumprimento em apenas 5 (cinco) dias, exigindo a apresentação dos seguintes documentos: "comprovante de todos os pagamentos efetuados à titulo de despesas de comissões ativas referente a janeiro/96 à Dezembro/96, demonstradas nas contas 345132 e 345133 dos Livros Diários de nos 323 a 334, referente aos doze meses do ano calendário de Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 7 6 1.996, no montante de R$ 2.195.916,37 (Dois milhões, cento e noventa e cinco mil, novecentos e dezesseis reais e trinta e sete centavos; que essa última intimação, apesar do exíguo prazo que foi concedido à Recorrida, foi observada, sendo que 7 (sete) dias depois da apresentação da referida intimação foi lavrado em 02/06/2000 "Termo de Verificação Fiscal", que indicou supostas irregularidades 'e m relação às despesas com comissões pagas e declaradas na DIPJ referente ao período de apuração de 1996, o que implicou a lavratura dos autos de infração em comento; que, como se pode observar, o Recurso Especial da Fazenda contra o qual a ora Recorrida se opõe, utilizase de argumentos já afastados pelo Acórdão recorrido, o qual deve ser mantido , sob pena de se validar Auto de Infração absolutamente ilegal; que os Doutos Conselheiros manifestaramse, em sua maioria, pela Improcedência do Auto de Infração em razão da ausência de pressupostos lógicos para, o lançamento dos tributos exigidos; que a Autoridade Fiscal não intimou a ora Recorrida, em nenhum momento, para apresentar documentos que comprovassem as despesas lançadas na escrituração da empresa. E, contrariamente, afirmou que a Recorrida não respeitou o regime de competência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes Moura, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado na condição de Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator Ad Hoc, estritamente transcrevo as razões expostas pelo relator original da decisão. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do Conselheiro José Ricardo da Silva na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Destarte, adoto como base a minuta de acórdão inicialmente apresentada quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em julho de 2012, para formalizar o voto do relator. Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 8 7 Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 25/08/2009 (fls. 1831) e tendo protocolizado o presente apelo em 26/08/2009 (fls. 1859/1870), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Procurador, já que demonstrou que a decisão foi nãounânime de Câmara, e foi contrária à lei ou à evidência da prova. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreendese do relatado, que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no art. 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 insurgindose contra decisão da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarado pelo Acórdão 120100.072, de 14/05/2009, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, baseado, em síntese, no argumento básico de que apesar de a fiscalização se caracterizar como uma fase inquisitiva, para a autoridade promover o lançamento em razão de não comprovação de algum aspecto considerado essencial, como a ocorrência de despesas, é necessário que tenha franqueado ao sujeito passivo a oportunidade para realizar tal prova. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte, com base nos seguintes argumentos básicos: 1 – Inobservância do regime de competência dos exercícios financeiros: Observou a autoridade fiscal, que o regime econômico ou de competência recomendado pela legislação comercial na apuração dos resultados das sociedades por ações (Lei n° 6.404/76, art. 177) foi encapado pela lei tributária para todas as empresas que pagam o imposto de renda com base no lucro real (DecretoLei n° 1.598/77 , art. 6°, parágrafo 4°) , ressalvados os casos especiais estabelecidos na própria legislação fiscal. 2 Despesas não comprovadas: Observou a autoridade fiscal, que restou a diferença de R$ 642.678,53 pendente de apresentação de quaisquer documentos pertinentes aos pagamentos à titulo de comissões, concluindo pela redução indevida do seu lucro real , considerando ainda que, dentre os documentos acima referenciados , compondo o saldo demonstrado nos borderôs de pagamentos acima descritos, constam alguns efetuados sem embasamento da respectiva comprovação com documentos hábeis, no que se refere a nota fiscal emitida pela empresa prestadora dos serviços respectivos, conforme se demonstrou na parte B , no montante de R$ 216.462,61. O fato da escrituração conter valores não comprovados ou insatisfatórios, conforme aludido na parte A e parte B do item acima, constitui infração ao artigo 242 do Decreto n° 1.041 de 11/01/94, combinado com os arts. 193, 194, 195 I e 197 (Regulamento do Imposto de Renda 94). Inconformado com a decisão de Primeira Instância, o Contribuinte, interpôs Recurso Voluntário, onde, entre outras, alega que a autuação decorreu de fiscalização iniciada em 08/11/1999, oportunidade em que foi requerida a apresentação de determinados documentos, tais como, DIPJ dos últimos 5 exercícios, livros comerciais e fiscais, Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 9 8 demonstrativo mensal das despesas operacionais declaradas no montante de R$ 12.569.667,63, etc., os quais foram devidamente apresentados. Posteriormente, em 25/05/200, recebeu um novo termo de intimação fiscal para cumprimento em apenas 5 (cinco) dias, exigindo a apresentação dos seguintes documentos: "comprovante de todos os pagamentos efetuados à titulo de despesas de comissões ativas referente a janeiro/96 à Dezembro/96, demonstradas nas contas 345132 e 345133 dos Livros Diários de nos 323 a 334, referente aos doze meses do ano calendário de 1.996, no montante de R$ 2.195.916,37 (Dois milhões, cento e noventa e cinco mil, novecentos e dezesseis reais e trinta e sete centavos. Essa última intimação, apesar do exíguo prazo que foi concedido à Recorrida, foi observada, sendo que 7 (sete) dias depois da apresentação da referida intimação foi lavrado em 02/06/2000 "Termo de Verificação Fiscal", que indicou supostas irregularidades em relação às despesas com comissões pagas e declaradas na DIPJ referente ao período de apuração de 1996. Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em se saber se há cerceamento do direito de defesa nos casos em que a autoridade fiscal concede um prazo exíguo para que o sujeito passivo apresente as justificativas necessárias para se considerar despesas dedutíveis gastos efetuados pela empresa. O acórdão ora recorrido posicionase no sentido de que a concessão de um prazo exíguo caracteriza cerceamento do direito de defesa, sob o entendimentos de que apesar de a fiscalização se caracterizar como uma fase inquisitiva, para a autoridade promover o lançamento em razão de não comprovação de algum aspecto considerado essencial, como a ocorrência de despesas, é necessário que tenha franqueado ao sujeito passivo a oportunidade para realizar tal prova. Por outro lado, a Fazenda Nacional entende que não, já que o contribuinte teve o espaço, através da impugnação e seu Recurso Voluntário, para apresentar não somente seus esclarecimentos, mas também as .razões de fato e de direito que pudessem atingir o crédito tributário então constituído. Entende, ainda, que não houve ofensa aos princípios da razoabilidade e da finalidade, eis que a autoridade autuante agiu da forma como determina e faculta a legislação tributária, já que a lavratura de auto de infração pode ser efetuada sem a participação, do contribuinte, dependendo apenas da verificação da ocorrência de infração à legislação tributária. As nulidades em matéria tributária são amplas e discutíveis e o Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, passa cotidianamente por diversas alterações de ordem normativa, gerando, pois uma nova visão sobre diferentes assuntos, visto que o princípio da legalidade, sendo pedra angular do Direito Público não pode se afastar da realidade fática dos mais variados acontecimentos envolvendo o interesse público e a administração. Não há dúvidas, que as questões preliminares relativas à distinção entre os casos de nulidade e de anulabilidade do lançamento são, e certamente continuarão sendo por muito tempo, controvertidas, assim como a convalidação ou invalidação dos atos administrativos. As nulidades em matéria tributária estão reguladas através do Processo Administrativo Fiscal aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: CAPÍTULO – III DAS NULIDADES Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 10 9 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Observase que, no tocante ao lançamento, esse dispositivo somente admite, literalmente, nulidade por incompetência do agente e por cerceamento do direito de defesa. Entretanto, este dispositivo traça as linhas mestras dos critérios que devem orientar os julgadores na apreciação das alegações de nulidade dos atos processuais. O sujeito passivo dificilmente pode praticar, no processo administrativo tributário, ato jurídico nulo, mas pode praticar ato anulável. Ensina a doutrina civilista (FRANÇA, Instituições de Direito Civil, 1991, p. 176) que: Ato nulo – é aquele que, eivado de vício essencial, torna o ato jurídico absolutamente ineficaz. Ato anulável – é aquele que, eivado de algum vício capaz de lhe gerar a ineficiência, pode regularizarse, uma vez que esse vício seja eliminado. Tal definição, todavia, não encontra apoio na moderna e melhor doutrina administrativa, que recusa ao ato administrativo a aplicação da dicotomia importada do direito comum, classificatória dos atos jurídicos em nulos e anuláveis, como Hely Lopes Meirelles ao opinar: (...) em direito público não há lugar para os atos anuláveis, como já assinalamos precedentemente. Isto porque a nulidade (absoluta) e a anulabilidade (relativa) assentam, respectivamente, na ocorrência do interesse público e do interesse privado na manutenção ou eliminação do ato irregular. Quando o ato é de exclusivo interesse dos particulares – o que só ocorre no direito privado – embora ilegítimo ou ilegal, pode ser mantido ou invalidado segundo o desejo das partes; quando é de interesse público – e tais são todos os atos administrativos – a sua legalidade se impõe como condição de validade e eficácia do Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 11 10 ato, não se admitindo o arbítrio dos interessados para a sua manutenção ou invalidação, porque isto ofenderia a exigência de legitimidade da atuação pública. O ato administrativo é legal ou ilegal, é válido ou inválido. ... . O que pode haver é correção de mera irregularidade que não torna o ato nem nulo nem anulável, mas simplesmente defeituoso ou ineficaz até a sua retificação (MEIRELLES, Direto Administrativo Brasileiro, Revista dos Tribunais, 1991, pp. 183/184). Neste caso, levando em conta que o principio da especificidade, que informa o sistema de nulidades processuais, prevê que as nulidades, por sua natureza sancionatória, devem ser expressamente cominadas em texto de lei, Meirelles estaria com a razão. Entretanto, segundo Teresa Wambier (Nulidades do Processo e da Sentença. 1997. pp. 148/149) esse princípio deve ser amenizado, pois é quase impossível ou, pelo menos, muito difícil que o legislador preveja todos os casos em que os vícios dos atos jurídicos sejam de tal porte a ponto de serem aptos a tornálos nulos. Não há dúvidas, que a questão é polemica, pois, para muitos autores, na esfera do Direito Público, por se estar a tratar de relações jurídicas que tratam de bens indisponíveis e sujeitos ao princípio da legalidade estrita, não caberia a figura dos atos anuláveis, ou seja, não haveria espaço para a figura das nulidades relativas, dos atos anuláveis; ou o ato atenderia os requisitos da lei e não poderia ser invalidado, ou então não atenderia tais requisitos e deveria ser anulado, sem possibilidades de saneamento. O que pode ser dito é que, apesar das polêmicas, certo é que já existem hoje vários fundamentos jurídicos formais a acobertar a tese da coexistência dos atos nulos e anuláveis no âmbito do processo administrativo fiscal. É importante frisar, que qualquer ato precedente em ofensa ao contraditório e à ampla defesa macula o ato decisório posterior que deverá ser tornado ineficaz por declaração de nulidade pelo julgador, o quer dizer, que se impõe no caso de o ato administrativo ter sido praticado com afronta aos princípios e normas legais, bem como normalmente, as nulidades estão ligadas a questões externas ao mérito da relação jurídicotributária, razão pela qual se mostram, em regra, como questões preliminares no âmbito dos julgamentos. Tal pensamento encontra apoio na doutrina de Antônio da Silva Cabral (in "Processo administrativo Fiscal", Ed. Saraiva, São Paulo, 1993, p. 525526), que critica a posição de tantos quantos defendem a idéia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são apenas aquelas elencadas nos incisos I e II do artigo 59 do decreto n.º 70.235/1972. Utilizandose de distinção efetivada por De Plácido e Silva, defende a idéia de que os citados dispositivos representam hipóteses de nulidade expressa ou legal (que devem ser declaradas a qualquer tempo, independentemente de argüição, sendo os atos inquinados inaproveitáveis), sem negar que existam outras causas que provocam a nulidade absoluta ou a declaração de nulidade; seriam estas as nulidades relativas ou acidentais (que dependem de argüição, podendo os atos inquinados serem ratificados ou sanados) e as nulidades virtuais (que resultam da interpretação das leis). Nesta mesma linha de raciocínio se encontra o pensamento de Marcos Vinicius Neder ao opinar: (...) o ato processual pode se desviar desse esquema, apresentando uma inadequação como tipo. São atos imperfeitos, Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 12 11 atípicos, sujeitos, portanto, a aplicação de uma regra sancionadora que os tornem inválidos e ineficazes, de modo a garantir a obediência aos imperativos do sistema. A imperfeição por si pode não ser evidente e o ato produzirá efeitos normalmente previstos pela ordem jurídica. Apenas com a declaração de nulidade pelo julgador é que o tornará ineficaz. Assim, tanto o legislador como julgador devem ponderar a relevância jurídica da atipicidade e o prejuízo de sua permanência no mundo jurídico. O primeiro, em sua tarefa legiferante, prescreve as causas merecedoras da sanção de nulidade e o segundo as aplica no caso concreto no processo. No dizer de J J Calmon de Passos, o ato só encontra no estado de nulidade após o pronunciamento sancionador do juiz, antes ele é um ato jurídico capaz de produzir efeitos, embora imperfeito (NEDER, Marcos Vinicius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2004, p. 467.) Existe, nesse sentido, jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais que sustentam a amplitude das nulidades em matéria tributária: Primeiro Conselho de Contribuintes. Sexta Câmara. Acórdão º 10611.750. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de “recursos” e “aplicações”, consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. DECLARAR a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Primeiro Conselho de Contribuintes. Oitava Câmara. Acórdão º 10807.556. VICIO FORMAL – NULIDADE – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. Primeiro Conselho de Contribuintes. Quarta Câmara. Acórdão º 10417.440. NULIDADE. LANÇAMENTO SEM ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE. A ausência no lançamento da capitulação prevista para as infrações imputadas ao contribuinte implica em nulidade da exigência uma vez que foi emitido em desacordo com o disposto no artigo 142 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e no artigo 11 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 13 12 Além das hipóteses citadas importante é o estabelecimento da distinção entre nulidades por vício formal e nulidades de caráter material. As por vício formal referemse especificamente à relação processual estabelecida em um dado processo, sem invadir a esfera do direito argüido; as de caráter material viciam o próprio direito, inviabilizando que qualquer relação processual se estabeleça a partir dele. Assim, declarada a nulidade por força de disposições de vicio formal, extinguese a relação processual, mas o direito do fisco pode voltar a ser pleiteado, depois de sanada a irregularidade; já a nulidade do direito material significa a extinção do próprio direito, não podendo o mesmo voltar a ser pleiteado. Como exemplo, declarada a nulidade por ilegitimidade passiva, extinguese a relação processual, dado que contribuinte era outro. De tais observações, inferese, então, que não são apenas os casos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 que se conformam como hipóteses de nulidade, tanto quanto se conclui, que não são todos os casos de nulidade que dão margem a novo lançamento por parte do fisco. Só são passíveis de novo lançamento as matérias constantes de processos que foram anulados por vícios processuais (falta de emissão de MPF, falta de descrição da irregularidade cometida, falta de intimação das partes, etc.); em relação aos processos que foram anulados por vícios materiais (erro de direito, decadência, etc.), o novo procedimento deve ser vedado. A necessidade da distinção das nulidades não é de cunho meramente acadêmico, mas, ao contrário, resulta da necessidade prática de determinar a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – omitido; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Cumpre observar, que os vícios materiais dificilmente podem ser sanados, pois atingem o motivo do ato, ou seja, o vício se refere à norma e aos fatos que fundamentam o ato administrativo. Já os vícios formais são passíveis de serem corrigidos e da continuação do processo. Assunto, que foi abordado de forma brilhante pelo Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, no voto proferido no Acórdão 10706.695 da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a devida vênia, transcrevo os seguintes excertos: Quanto à existência de vício formal no lançamento, relativamente às irregularidades descritas no item 002 do Auto de Infração, entendo que andou bem a autoridade julgadora de primeiro grau ao declarar a nulidade do lançamento, porém discordo da fundamentação de que a nulidade davase pela existência de vício meramente formal. De fato, são inquestionáveis os defeitos presentes no lançamento, porém, com a devida vênia, lanço dúvida quanto à caracterização do vício como sendo de forma, à falta de uma definição precisa, ou, pelo menos, mais debatida, a respeito, pelo que externo minha inquietação diante da situação atual em que, na espécie, temse adotado idêntica solução para situações fáticas diversas. Questiono, portanto, se em certos casos, como no presente, não estaríamos diante de um vício substancial, não meramente formal, sob a ótica de que a verificação da ocorrência do fato Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 14 13 gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, bem como a competência da autoridade que praticou o ato, constituirseiam em elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se poderia admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e seriam preparatórios à formalização do lançamento, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração e a conseqüente notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula, regrados nos artigos 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à “fachada”, na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura, que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na “fachada”, não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contornáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. E, a meu ver, são esses “defeitos menores” que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados, e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. Buscando na doutrina, encontrei referências que se enquadram perfeitamente ao tema sob estudo, no consagrado trabalho de Antonio da Silva Cabral, sobre o processo administrativo fiscal, nos tópicos relativos aos “efeitos da nulidade” 1 e ao “vício formal” 2, conforme segue: 5. Efeitos da nulidade. “...”. 1 CABRAL, Antonio da Silva. In: Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Saraiva, 1993. p. 531. 2 CABRAL, ibid. p. 532534 Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 15 14 O julgador deverá sanar o processo, determinando, inclusive, se repitam os atos posteriores àquele que foi declarado nulo. Acontece, entretanto, que o efeito do ato do julgador é “ex tunc”. Deste modo, o ato nulo pode, até, tornarse ato insanável. Suponhase que um processo chegue a julgamento no Conselho de Contribuintes após sete anos da lavratura do auto de infração que o motivou e o Conselho apure ter ocorrido erro na identificação do sujeito passivo. O erro seria insanável, pois se a repartição quisesse proceder ao lançamento contra o verdadeiro sujeito passivo verseia impossibilitada (pela decadência.)” O texto acima nos leva a concluir que o autor considera o erro na identificação do sujeito passivo como sendo um vício substancial, pois, se assim não fosse, estaria afastada a hipótese da caducidade do direito de a Fazenda Nacional efetuar novo lançamento, como sói acontecer quando a nulidade do ato se dá por vício de forma. Mais adiante, na mesma obra, contrapondose ao caso acima descrito, brindanos esse consagrado autor e eminente ex Conselheiro deste Primeiro Conselho de Contribuintes, com as seguintes colocações: “4. O vício formal. O art. 173 do CTN diz que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Um dos motivos da declaração de nulidade, portanto, é o chamado vício formal, antes mencionado. O art. 642 do RIR/80 também determina que os auditores fiscais procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados etc. Acrescenta o § 2º desse artigo que, em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame mediante ordem escrita do superintendente, do delegado ou do inspetor da Receita Federal. Se, após terminada a ação numa empresa, o fiscal aí reaparecer e tornar a examinar documentos sem a devida autorização poderá ter o respectivo auto de infração, que porventura vier a lavrar, totalmente anulado por vício de forma, isto é, por não ter obedecido à formalidade necessária, que era a autorização do superior. (...). Embora no texto supra se esteja fazendo referência à distinção entre ato nulo ou anulável, entendo que a questão fulcral não está nessa discussão, mesmo porque a doutrina não admite tais institutos como sendo próprios do Direito Público3 pátrio, como o são do Direito Privado, pois é consabido que o princípio da oficialidade rege o ato administrativo, que, por seu turno, é praticado visando e em função do interesse público. Nada impede, entretanto, que utilizemos essa distinção apenas para que dimensionemos os diferentes efeitos que, quanto à sua Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 16 15 natureza e intensidade, cada um desses erros podem ter sobre o crédito tributário constituído. Trago a lume tal avaliação para corroborar a tese anteriormente posta, colocando o erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, poderíamos extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. A dita questão fulcral residiria, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões extrairseia a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, tudo em homenagem ao princípio da segurança jurídica e dos limites temporais dos atos administrativos. Sem embargo, cumpre à administração tributária acercarse dos cuidados necessários para que o lançamento seja efetuado de acordo com os preceitos legais, mormente quando se está a estabelecer as bases do próprio ato de ofício, que precedem sua formalização e lhe são intrínsecos. Se é válido dizerse que o ato administrativo defeituoso pode e deve ser declarado nulo pela autoridade competente, também é justo admitirse que não se pode expor o administrado à incerteza da viabilidade do lançamento de ofício, diante da possibilidade de, a qualquer tempo e hora, ser submetido ao constrangimento de um novo lançamento, sem que tenha dado causa à ocorrência do erro que o inquinara de nulidade. Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, ao se proceder a um novo lançamento estarseia aperfeiçoando crédito tributário já constituído e, portanto, acabado, quanto aos seus aspectos estruturais, providência que entendo inviabilizada pelo transcurso do prazo decadencial. (...). Isso posto, entendo que, no caso sob análise, a nulidade se deu não por vício formal, mas em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável, não cabendo, pois, seu aperfeiçoamento mediante novo lançamento, por não estar caracterizada a situação prevista no inciso II do art. 173 do CTN. Como visto, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 17 16 Não há dúvidas, que a autoridade julgadora, antes de declarar a nulidade de ato processual, deve investigar a espécie de vício que o macula e se há prejuízo para os interessados no processo, nesta espécie teríamos os atos convalidáveis, que são aqueles portadores de anulabilidade relativa, em sede de provimento administrativo de convalidação, ou seja, a eficácia dos atos convalidáveis é mantida, havendo a preservação de seu conteúdo pelo ato de convalidação sem prejuízo à moralidade administrativa ou a direito de terceiro. Neste sentido decidiu a Primeira Turma da CSRF, em sessão realizada em 11 de setembro de 2007, quando prolatou o Acórdão CSRF/0105.716, cuja emenda a seguir se reproduz: NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ATO MERAMENTE IRREGULAR. Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a “motivação” feita pela autoridade administrativa que integra a “formalização” do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiram no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO – O princípio do contraditório se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida a decisão administrativa proferida em desobediência ao ditame constitucional do contraditório. Como visto, na atualidade, a tese mais aceitável no que se refere às nulidades em matéria tributária é aquela que divide os atos administrativos inválidos em duas classes distintas: os atos convalidáveis e os atos nulos, ou seja, a nulidade por vício formal, onde a autoridade lançadora pode dar continuidade ao processo desde que saneado o vício e observado o artigo 173, II do Código Tributário Nacional e a nulidade por vício material (substancial) onde o processo se extingue, não havendo mais possibilidade de saneamento. Tal distinção procurou seguir critérios próprios do Direito Público, servindo o Direito Privado como auxílio na melhor compreensão das invalidades dos atos administrativos. Restou claro nos autos do processo de que o provimento da decisão recorrida ocorreu em razão do entendimento de que a autoridade fiscal não poderia promover o lançamento em razão de não comprovação de algum aspecto considerado essencial, como a ocorrência de despesas, sem que fosse franqueado ao sujeito passivo a oportunidade para realizar tal prova. É fato comprovado nos autos, que autoridade fiscal lançadora não intimou o Contribuinte, em nenhum momento, para apresentar documentos que comprovassem as despesas lançadas na escrituração da empresa. Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 18 17 Por outro lado, para glosar as despesas incorridas a autoridade fiscal lançadora deveria ter considerado as despesas incorridas e não os pagamentos realizados, posto que no pagamento não estão incluídas as despesas. Ou seja, ao confrontar os pagamentos com o valor declarado não tinha como a autoridade fiscal lançadora chegar à outra conclusão senão a de que havia diferença, pois ele não corresponde à despesa efetivamente suportada pelo sujeito passivo sob fiscalização. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e, no mérito, negolhe provimento (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Com todo o respeito ao voto do relator, ouso divergir do seu entendimento, e indo no mesmo sentido do que decidiu a Delegacia de Julgamento. De fato, a decisão da Delegacia de Julgamento foi bastante esclarecedora, no aspecto do ônus da prova, razão pela qual peço licença aos meus pares para transcrevêla, nos pontos que interessam à lide: “(...) Quanto às demais questões preliminares levantadas pelo contribuinte, temos que informar, em primeiro lugar, que não está demonstrada nos autos a prática de qualquer ato pela autoridade administrativa que culmine na nulidade dos autos de infração, tal como estabelece o art. 10 do Decreto n° 70235/1972. O contribuinte foi i cientificado pessoalmente das intimações fiscais (fls. 3 e 45) e dos autos de infração (fi. 93, 98 e 103), tendo sido concedido as oportunidades necessárias para apresentar, 1 as justificativas e documentos pertinentes ao caso. 1 14. Temos que presumir que se o prazo concedido pela autoridade fiscal foi excessivamente curto, como alega a interessada em sua impugnação, esta poderia ter formalizado expressamente uma solicitação de prorrogação do prazo, o que é bastante costumeiro 'nesses procedimentos de auditoria. Vale a pena ainda frisa, r que as autoridades fiscais não costumam negar tais pedidos. Assim sendo e compulsando os autos deste processo, constatase a inexistência de pleito dessa espécie, o que nos impende a concluir que o contribuinte não o fez. (…) Deste modo, percebese que o lançamento fiscal em comento não foi efetuado com fulcro em presunções e indícios. Tem lastro na documentação contábil colocada à disposição pelo contribuinte à autoridade autuante. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 9101001.437 CSRFT1 Fl. 19 18 Mesmo classificando como exíguo o prazo concedido para atendimento da intimação, entendemos que o procedimento fiscal que culmina na lavratura de auto de infração não pode ser qualificado como nulo, simplesmente por não conceder um amplo espaço para manifestação do autuado. O lançamento é constituído de forma unilateral pela autoridade fiscal, sendo que a instauração da lide, com o necessário reconhecimento dos direitos ao contraditório e à ampla defesa, se instauram apenas quando da apresentação da impugnação, haja vista o art. 14 e 16, inciso III, do Decreto n°70.235/1972. (,,,) 23. Como já frisamos, cumpriria ao recorrente apresentar as provas que pudessem comprovar suas afirmações. Haveria o recorrente de Carrear aos autos provas inequívocas que debilitassem a robustez da autuação, como comprovantes das atividades comerciais que originaram as despesas com comissão glosadas, além dos comprovantes bancários de pagamentos e das notas fiscais de serviço. Neste sentido, lapidar se mostra o entendimento do Conselho de Contribuintes no julgado abaixo transcrito: "ÔNUS DA PROVA — Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não', do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada."(Acórdão n° 10320481, 1° CC) (...)” Diante do exposto,e por entender que compete ao contribuinte apresentar as provas em sua defesa, dou provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar à Câmara a quo para exame das demais matérias. È como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000891/2003-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO DA LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agente fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO COM BASE NA CPMF. LEL 10.174/01. IRRETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Aplicação da Súmula CARF nº 35.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. ANÁLISE PROBATÓRIA O texto legal determina presunção iuris tantum de omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. A presunção deve ser afastada sempre que o provas suficientes e idôneas da origem dos depósitos efetuados.
Numero da decisão: 2202-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR ,que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 117.445,07.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO DA LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agente fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO COM BASE NA CPMF. LEL 10.174/01. IRRETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Aplicação da Súmula CARF nº 35. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. ANÁLISE PROBATÓRIA O texto legal determina presunção iuris tantum de omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. A presunção deve ser afastada sempre que o provas suficientes e idôneas da origem dos depósitos efetuados.
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PREVISÃO DA LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agente fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO COM BASE NA CPMF. LEL 10.174/01. IRRETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Aplicação da Súmula CARF nº 35. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. ANÁLISE PROBATÓRIA O texto legal determina presunção “iuris tantum” de omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. A presunção deve ser afastada sempre que o provas suficientes e idôneas da origem dos depósitos efetuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e PEDRO ANAN JUNIOR ,que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte ANTONIO LOPO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 91 /2 00 3- 83 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 117.445,07. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 13/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de lançamento (fls. 274/277) referente ao anocalendário de 1998, formalizado em decorrência da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, formalizando a exigência do recolhimento do crédito tributário no valor R$1.749.107,19, já acrescido de juros e multa de 75%. Procedimento de Fiscalização Tratase de fiscalização amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.34.00 2001004204 (fl. 8), substituído em 25/01/2002 pelo Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002002010479 (fl. 07), que foi substituído em 14/03/2003 pelo Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.00.20030108981 (fl. 3). Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal o procedimento restringiuse à análise da Movimentação Financeira do contribuinte, com base nos recolhimentos do CPMF, de acordo com o que determina o artigo 11, parágrafo 2°, da Lei 9.311/96. Em 26/03/2001, foi encaminhado ao contribuinte, o Termo de Início de Fiscalização ( fl. 19) e o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.34.002001004204 de 20/03/2001 ( fls. 15). Sendo o contribuinte devidamente intimado em 02/04/2001 (fl. 20), para que apresentasse os extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem à movimentação financeira; comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias listadas; e apresentasse o Recibo de Entrega da Declaração de Ajuste Anual — Exercício: 1999 / ano calendário: 1998. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 16 3 Esgotado o prazo sem manifestação do contribuinte, para que fosse dado seguimento ao procedimento de fiscalização, foram expedidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira ao Banco do Brasil S/A. — (fls. 30/31); UNIBANCO — União de Banco Brasileiros S/A. — (fls. 82/83); BankBoston Banco Múltiplo S/A. — (fls. 141/142); Banco Bradesco S/A. (fls. 156/157); Banco do Estado de São Paulo S/A. BANESPA ( fls. 199/200); Banco Bandeirantes S/A. (fls. 206/207) Em resposta as RMF'S acima, os bancos encaminharam as informações solicitadas, acompanhadas das cópias dos extratos bancários das seguintes contas corrente: conta corrente n° 40054 — agência 0712 — Banco do Brasil S/A. (fls. 57/81); conta corrente n° 1395257 — agência 0110 — UNIBANCO — União de Banco Brasileiros S/A. — Banco1 ( fls. 84/140); conta corrente n° 92.9077.06 — agência Trianon — BankBoston Banco Múltiplo S/A. (fls. 143/155); conta corrente n° 714.1750 — agência 31143 — Banco Bradesco S/A. ( fls. 158/198); n° 010161968 — agência 0154 — Banco do Estado de São Paulo S/A (fls. 201/205); conta corrente n° 0010149692 — agência 0154 — Banco Bandeirantes ( fls. 208/219); Em sequencia foi lavrado Termo de Intimação Fiscal em 27/01/2003, para que o contribuinte prestasse informações sobre as movimentações bancárias listadas (fl. 220/233). O contribuinte intimado em 04/02/2003 (fl. 234), sem apresentar justificativa para a origem dos depósitos. Diante disso, foi lavrado o auto de infração de fls. 279/283. Impugnação Intimado do auto de infração em 11/04/2003 (fl. 286), o contribuinte apresentou impugnação, em 12/05/2003 (fl. 287/289), tempestivamente, alegando em síntese: No decorrer do anocalendário de 1998, fez diversas operações de aquisição de cheques prédatados junto a variados estabelecimentos comerciais. Em virtude de suas características, notadamente a repetitividade, tais operações, causaram recolhimento da CPMF em montante elevado, o que levou esse Órgão a promover a ação fiscal. Protestou pela tempestividade da presente impugnação visto que, tendo sido o Auto de Infração entregue a terceiros, do mesmo tomou ciência em 10/04/2003; O parágrafo 3°, do artigo 11 da Lei 9311/96, vedava expressamente, à época em que as informações foram obtidas na forma do parágrafo 2°, do artigo 11 da Lei 9311/96, Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 que os dados da CPMF fossem utilizados para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; Somente em 10/01/2001, tal vedação veio a ser abolida por meio da edição da Lei 10.174, que deu nova redação ao mencionado dispositivo. Mas a nova redação não pode retroagir e alcançar informações já prestadas anteriormente, posto que, somente as informações recebidas a partir de 10/01/2001 poderão ser alcançadas pela nova redação do parágrafo 3°, do artigo 11 da Lei 9311/96; A Receita Federal considerou depósitos efetuados em contacorrente sem atentar para o contido no inciso I, do parágrafo 3°, do artigo 42 da Lei n° 9430/96, posto que, conforme constante dos extratos bancários oferecidos, diversos valores decorrentes de transferências de outras contas do próprio intimado não foram excluídos da base de cálculo. A título de exemplo e como prova cita os seguintes: Ressalta que, na quase totalidade das transferências acima relacionadas, consta dos extratos bancários examinados a menção de tratarse de movimentação com isenção da CPMF, característica de transferências feitas entre contas do mesmo titular. Aduz que foram considerados valores isentos do Imposto de Renda ou tributados na fonte, depositados no BANCO DO BRASIL, a saber: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 17 5 Indica que tais valores, isentos do Imposto de Renda ou tributados na fonte, foram creditados por Fundação Banco Central de Previdência Privada CENTRUS (CGC 00.580.571/000142) ou Banco Central do Brasil (CGC 00.038.166/000954) e, por certo, constam das informações pertinentes prestadas a esse Órgão por aquelas instituições. Sendo assim, solicita a realização de diligências junto a esse próprio Órgão, ou junto àquelas instituições, para a comprovação do declarado; Expõe que a autoridade fiscal limitouse a simplesmente somar todos os valores creditados em contas de depósito, sem considerar que os mesmos valores estavam sendo computados múltiplas vezes, posto que saíam e retornavam repetidamente às mesmas contas , conforme se depreende da movimentação registrada nos respectivos extratos bancários; Tal procedimento culminou em apurar o exagerado valor de R$ 2.649.301,82 como rendimentos totais sujeitos a tributação, significando valor superior a R$ 220.000,00 por mês, montante esse sem qualquer correlação com a sua situação financeira e/ou patrimônio, em qualquer época que se queira considerar; A análise dos extratos bancários oferecidos atesta, pela comparação dos saldos existentes no início e no fim do período considerado, o despropositado montante apurado como rendimentos sujeitos à tributação. Tampouco o rastreamento de quaisquer dos valores sacados das respectivas contas de depósito demonstrará o direcionamento de valores para a constituição de patrimônio ou para gastos compatíveis com o valor de R$ 2.649.301,82. Em suma, tal cifra corresponde a mero exercício aritmético, não guardando qualquer correspondência com a realidade dos fatos. Acórdão da DRJ A 2a Turma de Julgamento da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligência feito e, no mérito, julgou procedente em parte o lançamento, para excluir da base do total de depósitos não comprovados, um total de R$ 214.000,00. O acórdão restou assim ementado: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/1998 LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. ,INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. É incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos mate ri ais do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e pericia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Tal pedido não serve para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. Lançamento Procedente em Parte. Segundo o acórdão a quo os valores excluídos do auto de lançamento decorrem transferências bancárias entre contas correntes de titularidade do contribuinte. Recurso Voluntário A recorrente foi notificada do resultado do julgamento de sua impugnação em 01/10/2007 (fl. 315), tendo interposto recurso voluntário (fls. 488/505) em 31/10/2007. Em suas razões, alega em preliminar que a ação fiscal restringiuse à análise da Movimentação Financeira do contribuinte, com base nos recolhimentos do CPMF, de acordo com o que determina o artigo 11, § 2°, da Lei 9311/96., repisando as alegações trazidas em sede de impugnação. Afirma que o §3º do mesmo dispositivo vedava expressamente que as informações colhidas na forma do § 2º fossem utilizadas para a constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, sendo tal vedação abolida somente 2001, quando da edição da Lei nº 10.174/21. No Mérito, alega que a autuação considerou depósitos realizado entre as contas correntes do recorrente, de forma que uma análise superficial dos extratos bancários demonstram que os depósitos apontados nas contas correntes correspondem a valores sacados de outras correntes de sua titularidade, na mesma data. Não traz o recorrente indicação de quais depósitos tiveram esse tratamento. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 18 7 Refere que foram considerados pela Fiscalização valores isentos do Imposto de Renda ou então que foram tributados na fonte, depositado no Banco do Brasil, a saber: 20/02/1998 (R$72.982,01), 23/06/1998 (R$2.499,74), 30/06/1998 (R$3.416,51), 28/07/1998 (R$2.499,74), 31/07/1998 (R$3.416,51), 17/08/1998 (R$1.718,46), 31/08/1998 (R$3.416,51), 18/09/1998 (R$1.153,69), 30/09/1998 (R$3.416,51), 30/10/1998 (R$3.416,51), 27/11/1998 (R$3.416,51), 07/12/1998 (R$7.394,32), 30/12/1998 (R$3.416,51). Alega que tais valores foram creditados por Fundação Banco Central de Previdência Privada (CENTRUS) ou Banco Central do Brasil e, por certo, constam das informações prestadas por estas instituições à Receita Federal. Realização de Diligência Vindo o Recurso Voluntário para Julgamento no CARF, a então relatora Rayana Alves de Oliveira Gonçalves França, referiu que não constam dos autos qualquer prova da origem dos depósitos bancários, não sendo demonstrado pelo contribuinte sequer a relação dos saques efetuados e depósitos em dinheiro em outras contas de sua titularidade. Ressalva que o contribuinte alega desde a sua impugnação que parte dos recursos depositados na sua conta do Banco do Brasil são provenientes de depósitos, isentos de Imposto de Renda ou tributados na fonte, recebidos da Fundação Banco Central de Previdência Privada CENTRUS (CGC 00.580.571/000142) ou Banco Central do Brasil (CGC 00.038.166/000954). Ainda, afirma que verificando os históricos dos créditos no extrato, que parte deles realmente faz menção ao Banco do Brasil. Assim, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que autoridade administrativa: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 a) Cruzasse as informações acima, com as declarações apresentadas pelas fontes pagadoras Banco Central de Previdência Privada CENTRUS (CGC 00.580.571/0001 42) ou Banco Central cio Brasil (CGC 00.038.166/000954); b) Verificasse se houve recolhimento na fonte em nome do contribuinte e/ou verbas isentas de IRPF, recebidos das fontes pagadoras acima especificadas; c) Juntasse ao processo cópia da DIPF Exercício 1999 do contribuinte; d) Formulasse parecer conclusivo pertinente ao deslinde desta questão; Foram juntadas informações fiscais do contribuinte às fls. 334/342. Foram expedidos termos de intimação fiscal para o Banco Central do Brasil (fl. 343), para que o banco indicasse, dentre os depósitos/créditos indicados, foram por ele efetuados, indicando a natureza tributária dos rendimentos. O Banco Central do Brasil apresentou a resposta de fls. 346. Da mesma forma procedeuse em relação ao Banco Central de Previdência Privada – Centrus, tendo sido apresentada resposta às fls. 350/351. Com base nessas informações foi lavrado relatório fiscal de fls. 365/371. Referiu o relatório que, analisando as informações prestadas pelos intimados, aliadas as pesquisas realizadas junto às fontes internas à disposição da SRFB, chegouse a conclusão os depósitos elencados tiveram sua origem comprovada, devendo excluído das base tributável, na seguinte forma: Ainda restou consignado que não foi apresentada a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1999. O contribuinte foi cientificado do Relatório Fiscal em 30/04/2013 (fl. 384), sem que tenha apresentado manifestação acerca das informações trazidas pela autoridade administrativa. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 19 9 O processo, então, retornou ao CARF, sendo distribuído para 2ª Turma Especial, da 2º Câmara, da 2º Seção de Julgamento (fl. 390). Sobreveio despacho de fls. 391/392, referindo que o montante dos valores tributados, mesmo consideradas as exclusões realizadas pelo acórdão a quo, superam o limite de competência das Turmas Especiais. Sendo assim, o processo foi distribuído a minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Ilegalidade do lançamento com base na CPMF A recorrente insurgese quanto à ilegalidade do lançamento com base em informações da CPMF da Lei 10.174/01, em vista da irretroatividade da lei tributária. O questionamento referente à possibilidade de uso das informações da CPMF para lançamento de outros tributos, já se encontra pacificado no âmbito deste conselho, conforme o enunciado da Súmula CARF nº 35. Por isso, não merece o questionamento maior aprofundamento. O referido enunciado assim dispõe: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Diante disso, entendo que não merece prosperar a pretensão da recorrente, pois conforme o enunciado da Súmula alhures, a intepretação dada por este Conselho à Lei 10.174/2001 é de aplicação retroativa de seus efeitos. Omissão de Rendimento Decorrente de Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada No que toca à alegação de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas do contribuinte com origem não comprovada, verificase que a autuação está respaldada no art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Em sua defesa o recorrente limitase a sustentar que foram considerados pela fiscalização valores originados de saques realizados, nas mesmas datas dos depósitos, em outras contas bancárias de sua titularidade; sem, contudo, indicar as quais, valores, depósitos e datas, tais transferências se referiam. Ainda indica, que foram considerados valores isentos do imposto ele renda ou tributados na fonte, depositados no Banco do Brasil; Quanto à primeira alegação, não merece prosperar a irresignação do recorrente. O Acórdão da DRJ já havia analisado os créditos que o contribuinte havia indicado como sendo decorrentes de transferência entre contas de mesma titularidade. Tal análise redundou na elaboração da planilha de fl. 308, que reproduzo: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 20 11 Vejase que os valores que não foram excluídos da base de cálculo, contiveram justificativa para tanto. Assim, não foram excluídos, por exemplo, o valor de R$ 20.000,00, que o contribuinte alegou tratarse de transferência entre o Banco de Boston para o Unibanco, ocorrida em 20/10/1998, pois naquela data só havia sido emitido um DOC do banco de Boston naquele valor, o qual já havia sido relacionado com um depósito no Banco Bradesco (fl. 146). O contribuinte não faz menção específica a qualquer uma das negativas do Acórdão recorrido e não traz qualquer prova ou fato novo capaz de afastar a decisão proferida. Não obstante, analisando referida planilha, há dois depósitos que devem ser excluídos. Refirome aos valores relativos à data de 14/07/1998, no valor de R$ 2.000,00, que supostamente decorreu de transferência entre o Banco Bradesco para o Unibanco, bem como Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 relativo à data de 16/07/1998, no valor de R$ 5.000,00, relativo a transferência entre o Bradesco e o Banco do Brasil. Em ambos os casos, entendeu o acórdão que as saídas não indica a transferência para outra agência, da mesma forma que, na entrada, constou apenas tratar de “deposito” e de “depósito compe.”. Analisando os extratos bancários (fl. 172: Bradesco; fl. 122: Unibanco e fl.70: Banco do Brasil) verificase que os valores são idênticos, em datas e quantias, sendo plenamente possível aceitálos como transferências realizadas entre as contas. Aliás, mais difícil seria acreditar que na mesma data se faça um pagamento a terceiro e se receba de outro terceiro valor idêntico. Sendo assim, entendo que no ponto deve ser excluída da base de cálculo a quantia de R$ 7.000,00, relativos aos depósitos em questão. No tocante aos supostos valores isentos do imposto de renda ou tributados na fonte depositados no Banco do Brasil, entendo que deve ser provido em parte o recurso voluntário. De acordo com as informações trazidas pelo Banco Central do Brasil (fl. 346) e pelo Banco Central de Previdência Privada (fls. 350), em sede de diligência, bem como das informações fiscais de fls. 334/342 da conclusão do relatório fiscal, percebese que: a quase totalidade dos rendimentos pagos e apontados pela Recorrente tratavamse de rendimentos pagos pelos referidas fontes, e que eram isentos ou que sofreram retenção na fonte (fls. 356/367). Assim o relatório fiscal elaborou a planilha conclusiva: Assim, deverá ser excluído da base tributável, o valor de R$ 110.445,07 (R$ 112.163,53 R$ 1.718,46), tendo em vista que tais depósitos tiveram sua origem devidamente comprovada, de acordo com o relatório fiscal. Entretanto, em relação aos outros créditos elencados na autuação, não houve comprovação/identificação de sua origem. Não havendo aqui questionar se tais depósitos culminam em acréscimo patrimonial, como propugna o Recorrente. Nesse sentido, no caso dos autos, a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/92 é inquestionável, pois, como verificado pelo Auditor Fiscal e, após, confirmado pela DRJ, o contribuinte sequer justificou minimamente com documentação hábil e idônea a origem destes depósitos realizados na sua conta bancária no anocalendário fiscalizado, sendo correta a tributação, como, aliás, vem entendendo essa Turma: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 21 13 Processo nº 16004.000110/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALFEU CROZATO MOZAQUATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. Sendo assim, sem prejuízo da exclusão determinada pelo Acórdão a quo, no valor de R$ 214.000,00, deve ser igualmente excluída da base de cálculo tributável o valor de R$ 110.445,07, referentes aos rendimentos isentos/retidos na fonte, que tiveram sua origem comprovada em razão da diligência, bem como R$ 7.000,00, decorrente de transferências bancárias de contas de titularidade do próprio recorrente. Conclusão Isso posto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do Recurso Voluntário para excluir da base tributável a quantia de R$ 117.445,07. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT – Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000891/200383 Acórdão n.º 2202002.999 S2C2T2 Fl. 22 15 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto a ilicitude da prova. Acompanho o relator na apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10675.001234/2003-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
Ementa:
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109978-2).
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Valmir Sandri, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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(RAZÃO SOCIAL ATUAL: ABC EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 12 34 /2 00 3- 46 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Valmir Sandri, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 30/10/2009 (fls. 188), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 30/10/2009, seu Recurso Especial (fls. 192/200), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 180200.109, de 28/07/2009 (fls. 185/187) cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto, em 22/11/2007, pelo contribuinte Consórcio Nacional ABC SC Ltda. Razão Social Atual: ABC Empreendimentos e Participações Ltda. (fls. 176/181). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo nos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte, Consórcio Nacional ABC SC Ltda., foi lavrado, em 23/04/2003, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia – MG, o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro liquido (fls. 101/108), com ciência, em 28/04/2003 (fls. 110) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 57.210,60, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo referente ao exercício de 1998, correspondente ao anocalendário de 1997. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão interna, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver compensação indevida da Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodosbase anteriores, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido antes da CSLL, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação. Infração capitulada no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995 e art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 4 3 Observase, ainda, que a autoridade fiscal lançou de ofício o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não recolhido pelo contribuinte. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de infração (fls. 101/108), entre outros, os seguintes aspectos: que por meio do Termo de Intimação lavrado em 02/10/2002, ciência em 10/10/2002, o contribuinte foi intimado a esclarecer sobre a compensação da base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário de 1997, no valor de R$207.453,48, considerando que esse valor excede limite de 30% do lucro líquido ajustado, previsto pelo art.16, da Lei nº 9.065/95; que em resposta à intimação, o contribuinte informou: "O Consórcio Nacional ABC S/C Ltda., está desobrigado de efetuar o pagamento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal STF, relativo ao Processo 015/89 Classe V, que não acatou Recurso Extraordinário da União n° 153.8201 Minas Gerais, por falha no processo contra decisão que declarou inconstitucional a Lei 7.678/88 (Lei que instituiu a CSLL)."; que, em virtude disto, o contribuinte entende estar dispensado do pagamento da referida contribuição, infringindo, assim, o Artigo 195 da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu de maneira clara e objetiva a obrigatoriedade de todos contribuírem para a seguridade social, não sendo esta, portanto, uma obrigação instituída por lei, mas pela própria Constituição Federal. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 23/05/2003 (fls. 111/129, instruído pelos documentos de fls. 130/146) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I, em 17/07/2007, decide julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 151/164), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo à CSLL é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência; que caso não se entenda aplicável o disposto na Lei n° 8.212, de 1991, não ocorre a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento da CSLL, quando este é efetuado dentro do prazo de cinco contados na forma do art. 173 do CTN, haja vista não ter o contribuinte efetuado recolhimento antecipado da contribuição devida; que não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado que afasta a incidência da Lei n° 7.689, de 1988, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando: a) a superveniência de leis posteriores regulando a incidência, e não abrangidas pela decisão judicial; e b) o pronunciamento posterior e definitivo do STF declarando que a Lei n° 7.689, de 1988, é, sim, constitucional; que o saldo de bases negativas de CSLL de períodos anteriores somente podem ser compensado até o limite de trinta por cento do resultado tributável; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 5 4 que legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 24/10/2007, conforme Termo constante às fls. 166/169, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 22/11/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 176/181), o qual, ao ser apreciado pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 180200.199, de 28/07/2009 (fls. 185/187), proferiu, por unanimidade de votos, a decisão de dar provimento ao recurso, conforme se verifica de sua ementa e decisão: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA A partir da Súmula 8 do STF, a contagem do prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais deve orientarse pelos dispositivos do Código Tributário Nacional CTN, e não mais pelo art. 45 da Lei 8.212/1991. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para os casos em que não foi imputada ao contribuinte a prática de fraude, tem reiteradamente adotado a teoria objetiva, também designada como teoria do regime jurídico, segundo a qual a análise da subsunção ao art. 150 do CTN, bem como da decadência prevista em seu § 4°, prescinde da apuração de tributo devido por parte do contribuinte e da existência de pagamento deste tributo. Este é o caso dos autos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 30/10/2009, conforme Termo constante às fls. 188, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (30/10/2009), o seu Recurso Especial de fls. 192/200, com amparo nos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a e. Turma Especial a quo aduziu que o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo estipulado no art. 150, § 4° do CTN, de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração (28/04/2003 fl. 110), havia perimido o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997; que a e. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes analisou caso semelhante ao apreciado pela e. Turma Especial a quo, e concluiu no sentido de que o não pagamento devido do tributo enseja a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 6 5 que há comprovação nos autos de que não houve qualquer pagamento do tributo devido nos meses em que se reconheceu a decadência; que, com efeito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento à fl. 156 asseverou que o contribuinte apurou a CSLL de forma anual, e não efetuou recolhimento algum antecipadamente (até porque alega estar afastado de tal obrigação) no ano calendário de 1997, exercício de 1998; que, portanto, vêse clara divergência jurisprudencial acerca da interpretação do art. 173 do Código Tributário Nacional, eis que, diante da mesma situação, qual seja, a ausência de recolhimento do tributo devido, os órgãos colegiados decidiram de forma contrária. A e. Turma Especial a quo, considerando que o termo inicial da contagem do prazo decadencial se dá segundo o art. 150, § 4º, do CTN, enquanto que a e. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, acolhendo a tese de que o dispositivo legal a ser aplicado in casu é o art. 173, inciso I, do CTN; que, assim, estando prequestionada a matéria e demonstrada a divergência jurisprudencial diante do acórdão paradigma em anexo, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial; que na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; que o Col. Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, ou havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN; que o entendimento acima sedimentado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do procedimento de recurso especial representativo de controvérsia, não deixa espaços para outras divagações ou interpretações senão a amplamente exposta e defendida pela Fazenda Pública: ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado (fls. 201), do qual transcrevo as respectivas ementas na parte que interessa: Acórdão 10246077: NORMAS PROCESSUAIS DECADÊNCIA O prazo para o Fisco exercer o direito de formalizar o crédito tributário que deixou de ser recolhido, antes sujeito à modalidade de lançamento por homologação, é de 5 (cinco) anos com marco inicial de contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, na forma dos artigos 149, V e 173, I do CTN. Inaplicável o prazo do artigo 150, § 4º do mesmo Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 7 6 diploma legal uma vez que a homologação tácita referese, apenas, crédito tributário pago pois não pode validar suporte fático em descompasso com a hipótese abstrata da lei. (...). Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 12000.398/2009, de 18/11/2009 (fls. 201/202), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 27/01/2010 (fls. 215), o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 03/02/2010, as contrarrazões (fls. 206/212), instruído pelos documentos de fls. 213/214, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que apesar de o artigo 45 da lei 8.212/91, estabelecer que o direito da Seguridade Social de constituir seus créditos extinguese em 10 anos, este prazo decadencial não se aplica à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, como pretende o Recurso Especial, visto que esta contribuição possui natureza tributária, conforme já pacificado no Supremo Tribunal Federal, sendo aplicável à mesma o prazo decadencial para os tributos em geral, estabelecido pelo Código Tributário Nacional e sumulado pelo STF; que nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como no caso, o que é homologado não é o pagamento em si, mas toda a atividade exercida pelo contribuinte para apurar o valor e efetuar a respectiva antecipação do mesmo; que, assim, os fatos geradores da exação em epígrafe se deram em 31/12/1997, diante disso, o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário em relação a este tributo, extinguiuse em 31/12/2002, contados 05 (cinco) anos da data do último fato gerador; que ocorre que a autuação se deu em 23 de abril 2003, data em que estava decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, motivo pelo qual, o acórdão deve ser mantido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aliado ao fato de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 8 7 o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator inicialmente designado para redigir o voto vencedor, também não mais integra nenhum dos colegiados do CARF, houve por bem o Presidente da 1ª Turma da CSRF designar este conselheiro como redator ad hoc, tão somente para formalizar o acórdão já proferido, mas ainda não publicado, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em 19/11/2013, passo a formalizar o voto vencido: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 30/10/2009 (fls. 188) e tendo protocolizado o presente apelo em 30/10/2009 (fls. 192/200), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 12000.398/2009, de 18/11/2009 (fls. 201/202), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é o termo inicial para a contagem do prazo decadencial da Contribuição Social sobre o Lucro líquido. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, questionase qual seria o dispositivo aplicável para aferição do prazo decadencial tratandose de tributos sujeitos à modalidade do lançamento por homologação, na hipótese de total ausência de pagamento. Contudo, enquanto os acórdãos paradigmas consideraram que no caso aplicase o art.173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pela ausência de antecipação de pagamento, o acórdão recorrido ao contrário, apenas ponderou que, por tratarse de tributo sujeito à lançamento por homologação, deveria ser aplicado o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 9 8 Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente ao termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos considerados lançamento por homologação. Neste ponto, cumpre registrar, inicialmente, que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Dispôs o art.62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 10 9 Assim, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 11 10 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 12 11 constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 13 12 iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do recurso, para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 14 13 CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ocorrido em 31/12/1997. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que houve recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O contribuinte declarou na Ficha 11, às fls. 22, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 12.968,71, que sem dúvidas deve ter recolhido este valor para os cofres da União. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 15 14 Assim, considerando os julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/01/1998, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/1997. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é data do fato gerador. Neste sentido, o prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2002, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 28/04/2003, está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado. Ultrapassado esse lapso temporal de cinco anos sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Nestas condições, entendo que se faz necessário adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negar provimento. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Voto Vencedor Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Conforme anteriormente mencionado, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Inicialmente, cumpre destacar que a minuta do voto vencedor foi entregue na Secretaria da 1ª Turma da CSRF, pelo redator designado na sessão de julgamento, Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Diante do fato de o mencionado Conselheiro não mais integrar o CARF, e levandose em consideração o que fora decidido, na ocasião, pela 1ª Turma da CSRF, conforme consta da Ata da Sessão, passo a formalizalo abaixo: A matéria sobre a qual me coube redigir o voto vencedor diz respeito ao dies a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, ou seja, se ao caso aplicarseia o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, cujo termo inicial do prazo quinquenal de decadência seria a data da ocorrência do seu fato gerador, ou se, conforme aduz a recorrente, do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Por tratar da mesma matéria, peço vênia para transcrever voto que proferi na sessão de 27/06/2011 desta CSRF, no Acórdão nº 910101.043, conforme segue: “A propósito, nos julgamentos em que participei neste Colegiado, vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 16 15 registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010 – DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está, acertadamente, sendo reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merece destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 17 16 Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 18 17 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 19 18 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 20 19 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 21 20 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto. (destaques acrescidos)” Extraise do relatório a apresentação dos seguintes argumentos recursais, dentre outros: (...); que o Col. Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, ou havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN; que o entendimento acima sedimentado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do procedimento de recurso especial representativo de controvérsia, não deixa espaços para outras divagações ou interpretações senão a amplamente exposta e defendida pela Fazenda Pública: ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie. (...) Sendo assim, na ausência de pagamento antecipado da obrigação, e em se tratando de CSLL cuja opção do sujeito passivo foi pela apuração anual, relativa ao período base encerrado em 31/12/1997, entendo que a contagem do prazo decadencial darseia com base no art. 173, I, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do ano de 1999, expirandose o quinquênio em 31/12/2003. Como a ciência do auto de infração foi efetuada em 28/04/2003 não estaria o mesmo alcançado pela decadência. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10675.001234/200346 Acórdão n.º 9101001.446 CSRFT1 Fl. 22 21 Por essas razões é que divergi do i. relator, ora vencido, votando por dar provimento ao recurso fazendário, reformando a decisão recorrida para restabelecer o lançamento por considerálo não alcançado pela decadência. Esse foi o meu voto. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO
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Numero do processo: 10675.004428/2004-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ITR. EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA ATÉ O EXERCÍCIO DE 2000. ILEGALIDADE.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41, A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. AVERBAÇÃO CARTORÁRIA.
Para exclusão da área de reserva legal da área tributável do imóvel, a reserva legal deve estar averbada no órgão de registro competente com a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2000, de 245,0 hectares, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA ATÉ O EXERCÍCIO DE 2000. ILEGALIDADE. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41, “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. Para exclusão da área de reserva legal da área tributável do imóvel, a reserva legal deve estar averbada no órgão de registro competente com a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2000, de 245,0 hectares, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 44 28 /2 00 4- 84 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: Tratase de notificação de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, referente ao imóvel rural denominado “Fazenda Bebedouro do Douradinho”, que resultou na cobrança suplementar de imposto, relativo ao exercício de 2000, no valor de R$139.920,04, acrescido de multa de ofício e juros.de mora calculados pela taxa SELIC. Resumidamente, o auto de infração aumentou a área total do imóvel, de 3.450,0ha para 3.547,6ha, glosou integralmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (245,0ha) utilização limitada (690,0ha) e utilizada com produtos vegetais (90,0ha), e parcialmente a área utilizada para pastagens (reduzida de 2.398,8ha para 904,2ha), além de alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT) o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que passou de R$1.426.000,00 (R$ 413,33 por hectare) para R$1.663.240,00 (R$ 468,83 por hectare). O contribuinte impugnou integralmente o lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou o lançamento procedente em parte, mantendo apenas a glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, nos termos do acórdão de fls. 82/95 Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 100/110) a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, requerendo a reforma do acórdão recorrido para que sejam restabelecidas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, com os seguintes argumentos: que a área de reserva legal de 685,17ha existe de fato, por comprovação do órgão público florestal, conforme consta da matrícula do imóvel; que, por equivoco, foi registrada na DITR uma área de utilização limitada de 690,00ha, mas que tal fato não prejudica a área de reserva legal devidamente averbada junto à matricula do imóvel; que, estando a área de reserva legal averbada à matricula do imóvel, comprovada sua existência de fato por meio de laudo técnico, a simples não entrega do ADA em tempo próprio não tem o poder de tornar tributável a referida área; que a área de preservação permanente, de 245,0ha, encontrase devidamente comprovada por meio de laudo técnico; que a IN/SRF n°. 67/97 e a IN/SRF n°. 43/97 ferem a hierarquia das leis, pois a Lei n° 9.393/96 não faz qualquer menção quanto à. exigência do ADA para convalidação das áreas de reserva legal e de preservação permanente. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.004428/200484 Acórdão n.º 2802002.688 S2TE02 Fl. 241 3 que o §7° do art. 10 da Lei 9.393/96 dispensa a prévia comprovação pelo contribuinte da área por ele declarada corno de reserva legal. Assim, a comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente não se dá pela entrega do ADA, mas pela comprovação da veracidade do que o contribuinte declara à Receita Federal, para fins de ITR, o que, neste caso, seria por meio do Decreto, pela planta, por vistoria ou por meio de perícia a ser realizada; que não reconhecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal fere o disposto no §4° do art. 153 da Constituição Federal. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais iniciou o julgamento do recurso voluntário interposto e, em análise à documentação acostada aos autos identificou as seguintes diferenças nas áreas apontadas como de preservação permanente e de reserva legal: ÁREA DE RESERVA LEGAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Averbada na matrícula do imóvel 685,17ha 69,02ha Declarada em ADA 140,6ha 506,4ha Declarada na DITR/2000 690,0ha 245,0ha Alegada no recurso voluntário 685,17ha 245,0ha Por tal razão, em sessão realizada em 19 de junho de 2009, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: oficiar o órgão de Meio Ambiente do Governo do Estado de Minas Gerais para que este informe a exata dimensão das áreas de reserva legal e de preservação permanente efetivamente existentes nos imóveis objeto das matriculas que consubstanciam a “Fazenda Bebedouro do Douradinho”, com envio de copias das matriculas dos registros imobiliários constantes dos autos às fls. 12/17; seja, ainda, questionado predito órgão estadual quanto a existência das referidas áreas no ano de 1999, vez que se trata de ITR do exercício do ano 2000; oficiar o contribuinte para que junte aos autos o mencionado Laudo Técnico e que esclareça as diferenças encontradas, acima explicitadas. Após cumprida a diligência, a Delegacia da Receita Federal em Uberlândia lavrou o despacho de fls. 236/238 do processo eletrônico, resumindo as ações tomadas em atendimento à determinação do CARF e propondo a devolução dos autos esse Conselho para prosseguir com o julgamento. Em síntese, a diligência apurou o seguinte: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Intimado a apresentar laudo técnico mencionado em seu recurso voluntário, bem como a esclarecer as diferenças nas áreas de reserva legal e de preservação permanente, o contribuinte manifestouse às fls. 147/148 do processo eletrônico, informando que o imóvel foi desmembrado entre os filhos e que a área de reserva legal totaliza 685,17 ha. Não foi juntado laudo técnico de forma a comprovar as áreas em litígio, mas o contribuinte instruiu sua manifestação com cópia dos registros dos imóveis com as seguintes anotações: · Matricula 6.272, área total de 565,6 ha, com averbação em 03.01.2001 de "Reserva Florestal" de 113,2 ha, AV36272, sendo que 75,6 ha encontramse em pastagem em regeneração e 37,4 ha em campo cerrado (fls. 151 do processo eletrônico); · Matricula 6.276, área total de 494,1 ha, com averbação em 03.01.2001 de "Reserva Florestal" de 93,8 ha, AV36276, sendo que 80,8 ha encontramse em pastagem em regeneração e 18,0 em campo cerrado (fls. 154 do processo eletrônico); · Matricula 6.274, área total de 930,8 ha, com averbação em 03.01.2001 de "Reserva Florestal" de 166,8 ha, AV46274 (fls. 158 do processo eletrônico); · Matricula 6.273, área total de 1.059.7 ha, com averbação em 03.01.2001 de que ficou preservado no imóvel uma área de 211,9 ha, AV36273, sendo que 175,2 ha. encontramse em pastagem em regeneração e 36,7 ha em campocerrado (fls. 160/161 do processo eletrônico); · Matricula 6.271, área total de 497,2 ha, com averbação em 03.01.2001 de que ficou preservado no imóvel uma área de 99,46 ha, sendo que 77,1 ha encontramse em pastagem em regeneração e 22,2 ha em campocerrado (fls. 163 do processo eletrônico). Todas as averbações foram registradas nas matriculas na data de 03/01/2001, conforme atestam as certidões dos imóveis. Intimando a apresentar levantamento planialtimétrico com delimitação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, assinado pelo proprietário e técnico responsável de acordo com as normas do CREA, o contribuinte apresentou apenas cópia dos mapas da “Fazenda Catingueiro” e da “Fazenda Arco Íris”. Em resposta aos Ofícios nº 0308/2010 (fls. 174 do processo eletrônico) e nº 0088/2011, (fls. 183 do processo eletrônico), ambos da Delegacia da Receita Federal em Uberlândia, o Coordenador do Núcleo de Regularização Ambiental informou, no Ofício nº 135/2011 (fls. 187 do processo eletrônico) que constatou em vistoria técnica a existência das seguintes áreas averbadas, por matrícula, para a “Fazenda Bebedouro do Douradinho”: MATRÍCULA ÁREA AVERBADA 6271 99,46 6272 113,12 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.004428/200484 Acórdão n.º 2802002.688 S2TE02 Fl. 242 5 6273 211,95 6274/6270 166,81 6276 93,83 Ainda nos termos do referido Ofício nº 135/2011, a área foi averbada estaria sendo utilizada no pastoreio. Com o retorno dos autos e tendo em vista as disposições regimentais do CARF, o processo foi redistribuído para essa 2ª Turma Especial, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamentos, com atribuição de nova Relatora. É o relatório". Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em julgamento resumese à glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal do imóvel rural denominado 'Fazenda Bebedouro do Douradinho', relativo ao exercício de 2000. Da Área de Preservação Permanente. A DRJ em Brasília manteve a glosa da APP por entender que a apresentação tempestiva do ADA seria requisito para a fruição do benefício da isenção do ITR. No caso dos autos, cuidase de lançamento relativo ao exercício de 2000, e a Súmula n° 41 do CARF expressamente afasta essa exigência para exercícios anteriores a 2000: Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. A controvérsia com relação à área declarada como de preservação permanente deve ser afastada, eis que o lançamento não questionou a existência da área declarada, apenas exigiu a apresentação tempestiva do ADA como requisito legal para que tal área não fosse considerada no cálculo da área tributável do imóvel, conforme se depreende da fundamentação do auto de infração (fls. 31/32): Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 “Ressalte que, em nenhum momento, questionamos a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquela possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as Reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, obrigatoriamente, atender as exigências legais. (...) Apesar de apresentados, a averbação e os ADA's não podem surtir os efeitos esperados pelo Contribuinte, para o exercício de 2000, pois são intempestivos, a averbação ocorreu em 03 de janeiro de 2001 (após a ocorrência do fato gerador em questão) e o protocolo dos ADA's em 31 de março de 2004 (quando já superado o prazo de seis, contados a partir da data limite para entrega da DITR). Ademais, as informações apontadas pela 3ª Seção de Julgamento como conflitantes em relação à área de preservação permanente não são aplicáveis ao caso, seja porque não há exigência para averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel, seja porque a área informada em ADA posteriormente protocolado é superior à considerada na DITR/2000. Desta forma, devese restabelecer o total da área excluída pelo próprio sujeito passivo na Declaração do ITR do exercício de 2000, no montante de 245 hectares. Da Área de Reserva Legal. No que tange à área de reserva legal, a decisão recorrida sustentou que, além de não cumprida a exigência da entrega tempestiva do ADA, constatouse, ainda, a averbação, fora do prazo, de uma área de 685,17ha, ligeiramente inferior à área declarada na DITR/2000, de 690,0ha. Superada a questão da exigência da entrega tempestiva do ADA pelo teor da Súmula CARF nº 41, resta analisar a necessidade de averbação da área de reserva legal no registro do imóvel. Com efeito, o § 8º do artigo 16 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), com as alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, é expresso no sentido de que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Por sua vez, o § 1º, inciso II, alínea “a” do artigo 10 da Lei nº 9.393/96, ao definir a base de cálculo do ITR, remete expressamente à Lei nº 4.771/65, para fins de reconhecimento da base de cálculo do imposto. Logo, concluise dos referidos dispositivos legais que a área de reserva legal somente poderá ser considerada com critério redutor do ITR quando estiver cumprido o requisito de averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel na época da ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, com a realização da diligência foi comprovado pelos documentos de fls. 151, 154, 158, 160/161 e 163 do processo eletrônico, que a averbação da área de reserva legal só ocorreu em 3 de janeiro de 2001, portanto, após a ocorrência do fato gerador do ITR relativo ao exercício de 2000. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.004428/200484 Acórdão n.º 2802002.688 S2TE02 Fl. 243 7 Nesse sentido já se manifestou essa 2ª Turma Especial, nos termos do acórdão nº 2802002.241, proferido em 17 de abril de 2013, nos autos do processo nº 13116.000781/200338, sendo Relator o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso: ITR. RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. Para exclusão da área de reserva legal da área tributável do imóvel, a reserva legal deve estar averbada no órgão de registro competente com a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores. Desta forma, concluo pela manutenção da glosa relativa à área de reserva legal. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e darlhe parcial provimento para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2000, de 245,0 hectares. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15374.724408/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL - DECISÃO JUDICIAL SUSPENDENDO A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO - DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO
O pagamento a maior que ensejou o crédito pleiteado pela Recorrente foi feito sob a égide de decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, o que deflagra o descabimento do recolhimento, impondo, por via de consequência, que se reconheça o direito creditório, homologando-se as compensações pretendidas até o limite do crédito confirmado.
Numero da decisão: 1201-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, a fim de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 11.728.027,00, homologando-se as compensações pretendidas, que devem ser efetuadas até o limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO PRESIDENTE
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, a fim de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 11.728.027,00, homologandose as compensações pretendidas, que devem ser efetuadas até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – PRESIDENTE (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 44 08 /2 00 9- 46 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Considerando o percuciente e escorreito trabalho da DRJ de origem, adoto integralmente o relatório elaborado pela 1ª instância administrativa, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação nº 41997.44483.050509.1.3.045319 (fls. 03/10) apresentada em 05/05/2009, cujo crédito informado referese a pagamento a maior de CSLL, período de apuração 30/09/2006, no valor de R$ 11.728.027,00, recolhido em 16/11/2006. A compensação foi considerada não homologada por meio do despacho decisório fundamentado no parecer conclusivo n° 119/2010 (fls. 24/28) em virtude da ausência de certeza e liquidez, uma vez que a interessada declarou débito de CSLL para o 3º trimestre de 2006 no total de R$ 52.362.802,54, isto é, superior ao valor recolhido. Acrescenta que a suspensão da exigibilidade do débito impede que a Fazenda Pública empreenda ações de cobrança e que eventual pagamento espontâneo efetuado pelo sujeito passivo para quitação de débito, por ele declarado, não pode configurar pagamento efetuado a maior. A ciência foi efetuada em 19/05/2010 (fl. 32) e foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 34/44) em 17/06/2010 alegando em síntese que: a requerente recolheu, a título de CSLL, valor maior do que realmente devia, conforme se pode depreender das planilhas ora acostadas (doc. 04), uma vez que o valor recolhido referese a pagamento a maior e não se refere a recolhimento do tributo incidente sobre sua receita de exportação discutidas nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.51.010031513; a requerente apresentou a DCTF referente ao mês de setembro de 2006, informando saldo zero de CSLL; apurou e recolheu incorretamente o DARF no valor total de 12.260.442,96. Apresentou DIPJ informando débito de CSLL no valor de R$ 52.362.802,54, e retificou a DCTF declarando o valor de R$52.362.802,54, sendo, R$ 500.955,94 pagos e R$ 51.861.846,60 suspensos. a requerente impetrou Mandado de Segurança com o objetivo de não se submeter ao recolhimento da CSLL incidente sobre as receitas resultantes de operações de exportação de bens por ela produzidos, bem como para que seja permitida a compensação do tributo indevidamente recolhido àquele título; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.193 S1C2T1 Fl. 250 3 o Juiz, confirmando a liminar anteriormente deferida, concedeu a ordem de segurança "para determinar, em definitivo, que a Impetrante não mais se submeta ao recolhimento de CSLL sobre suas receitas/lucros de exportação, autorizando expressamente a exclusão dessas parcelas do cômputo da base de cálculo da CSLL, bem como que seja determinada que tudo o que foi pago indevidamente a título de CSLL sobre as receitas de exportação possa vir a ser objeto de compensação tributária; a apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo e o TRF deu provimento à apelação para reformar a sentença e, por conseguinte, denegar a segurança e a requerente interpôs recurso Extraordinário ao STF; a requerente ajuizou Medida Cautelar no STF para conseguir efeito suspensivo do Acórdão do TRF e foi proferido Acórdão pela Segunda Turma daquele Tribunal suspendendo a eficácia do Acórdão objeto do apelo; "Isso quer dizer que se a requerente tinha débito de CSLL no 3º trimestre de 2006 no valor de R$ 52.362.802,54, dentre os quais, R$ 51.861.846,60 estavam com exigibilidade suspensa em razão da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.51.01.0031513, deveriam ter sido pagos por DARF apenas R$ 500.955,94." Pois bem. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, ora Recorrente, reputando que o recolhimento a maior ou indevido, em verdade, tratavase de recolhimento de tributo efetivamente devido, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Não se considera indevido o pagamento efetuado para quitar débito cuja exigibilidade esteja suspensa. A suspensão da exigibilidade do débito por determinação judicial impede que a Fazenda Pública promova a cobrança, mas se o contribuinte efetuar o pagamento espontaneamente não se configura pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Irresignada com a decisão advinda da 1ª instância administrativa, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls., repisando os argumentos dantes apresentados e expondo que: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 (i) adotou, com correção, todos os procedimentos administrativos que devem ser observados para se pleitear a compensação tributária; (ii) apresentou a DCTF referente ao mês de setembro de 2006, informando saldo zero de CSLL, mas que recolheu, incorretamente, o DARF no valor total de 12.260.442,96. Apresentou DIPJ informando débito de CSLL no valor de R$ 52.362.802,54, bem como DCTF retificadora, sendo que daquele montante apurado, R$ 500.955,94 estavam pagos por DARF e o restante, no montante de R$ 51.861.846,60, estaria com a exigibilidade suspensa em razão de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 0003151 63.2004.4.02.5101 (antigo 2004.51.01.0031513), oriundo do TRF da 2ª Região; (iii) restou devidamente demonstrada a origem de seu direito creditório na soma de R$ 11.728.027,00; (iv) as compensações pretendidas não foram homologadas pela Turma Julgadora de origem em razão do entendimento de que “a parcela de R$ 51.861.816,60 está com a exigibilidade suspensa, o que não significa que não haja a obrigação, e sim que a Fazenda não pode empreender ações de cobrança”, o que configuraria total descabimento, já que o recolhimento indevido foi feito sob a égide da decisão judicial que a desonerava do pagamento da CSLL incidente sobre as receitas provenientes de exportação. Ao final, requereu a integral reforma da decisão proferida pela DRJ/RJO – I, a fim de que, acolhido o Recurso Voluntário em espeque, seja reconhecida a integralidade do crédito existente em seu favor, homologandose todas as compensações pretendidas no PER/DCOMP nº 41997.44483.050509.1.3.045319. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Como já asseverado, a controvérsia dos presentes autos está em definir se o recolhimento feito quando suspensa a exigibilidade de parte do crédito tributário atinente à CSLL pode ser, de fato, considerado pagamento a maior, tendo em vista que, excluído da base de cálculo da contribuição aquelas receitas, o tributo devido remontava à soma de R$532.415,96 (valor acrescido de juros e multa, porquanto, como já consignado, pago a destempo – valor original R$ 500.955,94) e o DARF foi recolhido no montante de R$12.260.442,96, remanescendo o suposto crédito de R$ 11.728.027,00. É de sabença que a obrigação tributária nasce quando um fato exteriorizase no mundo fenomênico, amoldandose, com exatidão, à hipótese de incidência que a lei cuidou de prever. A ocorrência do fato gerador, fazendo nascer nova relação jurídica, implica na existência de um sujeito ativo – ente tributante que, munido da prerrogativa de criar e exigir os tributos que lhe competem, tem o direito de receber a exação – e um sujeito passivo – aquele contribuinte que, dando ensejo ao fato gerador ao praticar ato tributável, tem o dever de pagar o tributo devido, para a extinção do crédito tributário e a consequente satisfação da obrigação a que se sujeita junto ao Fisco. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.193 S1C2T1 Fl. 251 5 Vale salientar, entretanto, que o sujeito passivo há de ser compelido a adimplir o crédito tributário desde que presentes os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza, requisitos estes indispensáveis para que o pagamento se revista de legitimidade. Afinal, outra não é a consequência senão aquela que reputa indevido o pagamento realizado fora daqueles lindes, quais sejam, exigibilidade, liquidez e certeza. Sem maiores digressões, o que se vê, in casu, é que, embora tenha ocorrido a hipótese de incidência, é latente a ausência de exigibilidade do montante de R$51.861.846,60, posto que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que a eximia do recolhimento de CSLL incidente sobre as receitas auferidas nas exportações, senão vejamos: Em 26.02.2004, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 0003151 63.2004.4.02.5101 (antigo 2004.51.01.0031513), perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, com o fito acima destacado, qual seja, não mais se submeter ao recolhimento da contribuição em testilha sobre as receitas resultantes das operações de exportação. A medida liminar por ela pleiteada restou deferida em 27.02.2004, sendo ratificada e tornada definitiva quando da prolação da sentença que houve por bem conceder a segurança, sentença esta publicada em 26.04.2004. Ainda que a União tenha ofertado recurso de apelação, restou confirmado que o reclamo foi recebido, na origem, apenas no efeito devolutivo, donde se conclui que, até decisão da 2ª Instância, permanecia incólume e apta a produzir efeitos a decisão que amparava o não recolhimento da CSLL incidente sobre as receitas de exportação. Remetidos os autos ao TRF da 2ª Região, o provimento da remessa oficial só fora conferido por acórdão de 13.03.2007, publicado na imprensa oficial em 23.08.2007. Ora, se o recolhimento que a Recorrente considera indevido deuse em 16 de novembro de 2006 (fls. 121), de rigor concluir que sua alegação procede, já que feito na pendência de julgamento do apelo fazendário, recebido sem efeito suspensivo hábil a restaurar a exigibilidade do tributo em destaque, suspenso pela validade da medida liminar outrora concedida. Como consabido, a liminar concedida em mandamus tem o condão de afastar a exigência do crédito tributário, ex vi do artigo 151 do Código Tributário Nacional: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 VI – o parcelamento.” <grifos acrescidos> Nesse passo, porquanto ausente o requisito da exigibilidade, inadmissível convolar pagamento indevido por pagamento parcial espontâneo, tampouco admitir que o pagamento errôneo e indevido permaneça retido pelo ente tributante cujo direito à percepção do tributo estava suspenso, inábil a vigorar face ao cenário descortinado. Isso porque, como consectário da suspensão da exigibilidade do tributo submetido à discussão judicial, subsiste a vedação do Fisco proceder a atos de cobrança. Ora, reter para si, como se pagamento fosse, tributo recolhido indevidamente, porquanto pago a maior, é o mesmo que exigir o tributo cuja causa não se verifica. Ademais, há de se rememorar que, na vigência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, é franqueado ao contribuinte não se submeter a qualquer espécie de pagamento, sobretudo quando externa que seu intento jamais fora o de pagar tributo que reputa indevido, inclusive, junto ao Poder Judiciário. Nesse sentido: “o que se suspende, portanto, é o dever de cumprir a obrigação tributária, ou porque o prazo para pagamento foi prorrogado ou porque um litígio se esteja instaurando sobre a legitimidade da obrigação, e esse litígio seja acompanhado de alguma medida que impede a prática de atos do sujeito ativo no sentido de exigir o cumprimento da obrigação. Presente uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fica, portanto, o sujeito ativo impedido de exercitar atos de cobrança. Deve ele aguardar que cesse a eficácia da causa suspensiva; aí diferentes obrigações poderão ocorrer: a) o pagamento pelo sujeito passivo, extinguindo a obrigação tributária; b) o restabelecimento da exigibilidade, caso o sujeito passivo não efetue o pagamento, exigibilidade essa que dependerá da consecução do lançamento, se este ainda não tiver sido efetuado; c) o advento de causa legal de extinção da pretensão fiscal (por exemplo, decisão que declara a inexistência da obrigação tributária; conversão de depósito em renda etc.).” <grifos nossos> (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2008) Do exposto, é inexorável que o crédito tributário pressupõe um iter até sua extinção por quaisquer das modalidades legalmente previstas. Uma vez suspenso, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN, o pagamento a que procedeu a Recorrente há de ser reconhecido como descabido, posto que pendente tanto decisão judicial definitiva, tanto pela inexistência de vínculo jurídico que impusesse o pagamento, quanto no sentido de que a Recorrente estava obrigada ao recolhimento de CSLL sobre as receitas provenientes de exportação, o que teria como corolário a própria cobrança, pelos meios próprios, do montante discutido. Lado outro, não se olvide ainda que, à luz dos institutos civilistas, o pagamento indevido tem como consequência lógica e indissociável o enriquecimento sem causa, impondo Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.193 S1C2T1 Fl. 252 7 se, pois, o dever de reconhecer o crédito ao qual o devedor – que, em verdade, nada devia – faz jus, ressarcindoo da forma como lhe aprouver – no caso, a compensação com os débitos indicados na DCOMP nº 41997.44483.050509.1.3.045319. Segundo preleciona Venosa, “para a existência da obrigação, há um mínimo necessário: um devedor, um credor, um vínculo adstringindo o primeiro ao segundo, por meio de um liame psicológico e jurídico.” (VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 6. ed. – São Paulo: Atlas, 2006). Ora, o vínculo jurídico que subordinava a Recorrente ao recolhimento da CSLL sobre as receitas de exportação estava suspenso, portanto inapto a produzir qualquer efeito, equiparandose, ainda que temporariamente, dada a precariedade da medida que determinou sua suspensão, à sua inexistência. Por conseguinte, Venosa aduz, ainda, que “apesar de o pagamento ser forma de extinção de obrigações, o pagamento indevido produz exatamente o inverso, isto é, titulariza o solvens para a ação de repetição, criando uma nova obrigação.”(op.cit.). Nesse passo, dúvidas não restam acerca da existência do direito creditório em prol da Recorrente. Por fim, como se mais não bastasse, há que se consignar que, diligenciando na busca do atual status processual do Mandado de Segurança nº 000315163.2004.4.02.5101, vê se que a Recorrente renunciou ao direito no qual se fundava a ação, pugnando pela sua extinção, em virtude da adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo sido certificado o trânsito da sentença extintiva em 04.09.2012. Desta feita, tendo em consideração o parcelamento da integralidade do montante de CSLL incidente sobre as receitas de exportação apurada no 3º trimestre de 2006, forçoso reconhecer o crédito pela Recorrente pleiteado, sob pena de se incorrer em duplicidade na cobrança, o que não há de se admitir. Destarte, de rigor aquiescer que o recolhimento de CSLL consubstanciado no DARF de fls. 121 foi, de fato, feito a maior, e, por ser indevido, deu respaldo ao direito creditório em espeque. Do exposto, dáse provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 11.728.027,00, homologandose as compensações pretendidas, que devem ser efetuadas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901221/2008-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 12 21 /2 00 8- 36 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 4 de novembro de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 3 de dezembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901221/200836 Acórdão n.º 3803006.879 S3TE03 Fl. 98 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiuas, sistemicamente, em obstáculo material a ser transposto para a concreção da eficácia (técnica) de tal preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador, ao outorgar tal benefício tributário, condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidouse a jurisprudência deste Conselho e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19740.720018/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: SALDO NEGATIVO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Deve ser acatado o imposto de renda retido na fonte utilizado na apuração do saldo negativo do IRPJ quando demonstrada nos autos a apropriação da receita correspondente, ainda que não tenham sido apresentados todos os informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras.
Numero da decisão: 1102-000.670
Decisão: Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Deve ser acatado o imposto de renda retido na fonte utilizado na apuração do saldo negativo do IRPJ quando demonstrada nos autos a apropriação da receita correspondente, ainda que não tenham sido apresentados todos os informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Tomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho 2 Relatório Trata o presente de Per/Dcomp apresentada, fls. 06/11, que tem por objetivo ver reconhecida a compensação de direito creditório referente a saldo credor de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 no montante de R$ 270.674,19; com débito de IRPJ do período de janeiro de 2004. Na inexistência de imposto devido o saldo negativo correspondeu ao IRRF; informado pela requerente nos seguintes moldes: Fonte pagadora espécie Código Valor (R$) 00.360.305/000104 IRRF 1708 1.500,00 33.923.111/000129 IRRF 8045 14.765,67 33.923.111/000129 IRRF 8045 798,46 33.923.111/000129 IRRF 8045 796,42 60.889.144/000172 IRRF 5706 252.752,59 33.923.111/000129 pag. indevido 0588 61,05 Em primeira apreciação, a autoridade administrativa prolatou despacho decisório homologando parcialmente o pleito. Acatou integralmente as retenções nos valores de R$ 1.500,00 e R$ 14.765,67 e, quanto ao restante, pronunciouse da seguinte forma: O pagamento de R$ 61,05 foi confirmado, mas não pode ser considerado indevido por estar vinculado ao débito de IRRF, cód. 0588, período de apuração 2º sem/dez/03; As retenções de R$ 798,46 e R$ 796,42; totalizando R$ 1.594,88; foram confirmadas nos sistemas da RFB até o montante de R$ 1.587,65; A retenção no valor de R$ 252.752,59 teria origem em rendimentos pagos pela Brascan AS CTV a título de juros sobre o capital próprio que implicaram no imposto retido total de R$ 490.200,00. Entretanto, esse valor teria sido inteiramente compensado para quitação de parte do IRRF declarado pela empresa no montante de R$ 2.376.000,00; sendo o restante quitado mediante pagamento conforme DARF no valor de R$ 1.885.800,00. Assim, foi deferido o crédito de R$ 17.853,32 ( R$ 1.500,00 + R$ 14.765,67 + R$ 1.587,65). Cientificado do despacho decisório o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade sustentando em síntese que: em relação ao valor de R$ 61,05, informa que houve um equivoco na informação do débito e vinculação do pagamento de mesmo valor na DCTF, pois se refere a um pagamento indevido ocorrido no dia 17/12/2003, conforme é demonstrado no razão contábil (documento I), que não deveria ter Processo nº 19740.720018/200932 Acórdão n.º 1102 00670 S1C1T2 Fl. 2 3 sido informado na DCTF, mas apenas englobar o saldo negativo do imposto de renda do exercício de 2004; em relação ao valor R$ 1.594,88, que é a soma de 796,42 e 798,46, diverge do valor R$ 1.587,65, porque foi computado R$ 101,92 (retido pela Forpart) e R$ 11,58 (retido por Cibratel), cujas origens são comprovadas por meio das contas IRRF s/ corretagens e comissões s/ coloc. de títulos — ex atual, anexado como documento II e não os valores respectivamente de R$ 29,60 e R$ 76,67, identificados nas linhas 1 e 3 do quadro 2 do Parecer; quanto ao IRRF sob o código 5706, referese a juros s/ capital próprio no montante de R$ 742.952,59; conforme anexo III, tendo sido, realmente, utilizado o valor R$ 490.200,00, identificado no Parecer. Entretanto, recebeu juros de outras empresas e não só da Brascan AS CTV, o que pode ser observado pelo documento III e na ficha 53 da DIPJ/2004, cujo crédito consolidouse em R$ 252.752,59; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1233.781 considerando improcedente a manifestação de inconformidade. Em relação ao suposto pagamento indevido, afirma que o registro contábil não é suficiente para comprovar o indébito. Quanto à diferença de R$ 7,23 entre o valor de R$ 1.594,88 e R$ 1.587,65, verificou que os sistemas da RFB não informam as retenções suscitadas pela interessada. No que se refere à retenção concernente a juros sobre o capital próprio no montante de R$ 252.752,59; o acórdão recorrido registra que não foi comprovada a apropriação das receitas que geraram o IRRF computado. Em recurso dirigido a este Colegiado, o sujeito passivo desiste expressamente do litígio em relação ao suposto pagamento indevido (R$ 61,05) e à diferença de R$ 7,23. Quanto ao IRRF relativo ao pagamento de juros sobe capital próprio, apresenta tabela demonstrativa do que seriam os valores recebidos e a respectiva retenção no montante pleiteado. Sustenta que o valor em questão não tem qualquer relação com a retenção de R$ 490.200,00 e apresenta registros contábeis que demonstrariam a apropriação da receita correspondente. É o Relatório. 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, atende às demais condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O Per/Dcomp formalizado pelo sujeito passivo apresentou como crédito o saldo negativo apurado no anocalendário de 2003 no montante de R$ 270.674,19. Em primeira apreciação foi homologado parcialmente o crédito no valor de R$ 17.853,32, decisão essa que foi mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. A desistência parcial formalizada pela interessada envolveu o montante de R$ 68,28 (R$ 61,05 + R$ 7,23). Permanece na lide o valor de R$ 252.752,59 (R$ 270.674,19 – R$ 17.853,32 – R$ 68,28), correspondente ao valor do IRRF que incidiu sobre os pagamentos a título de juros sobre o capital próprio. Em primeira apreciação, a autoridade administrativa manifestouse no sentido de que a retenção no valor de R$ 252.752,59 teria origem em rendimentos pagos pela Brascan AS CTV a título de juros sobre o capital próprio que implicaram no imposto retido total de R$ 490.200,00. Entretanto, esse valor teria sido inteiramente compensado para quitação de parte do IRRF declarado pela empresa no montante de R$ 2.376.000,00; sendo o restante quitado mediante pagamento conforme DARF no valor de R$ 1.885.800,00. Na manifestação de inconformidade, a interessada sustentou que recebeu juros sobre capital próprio de outras fontes pagadoras que não a Brascan AS CTV cujo montante atingiu o valor pleiteado. Assim, o IRRF referente à Brascan AS CTV (R$ 490.200,00) não teria qualquer relação com o valor utilizado na composição do saldo negativo do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se pronunciou quanto às razões de defesa apresentadas e manteve o despacho decisório sob o argumento de que não teria sido demonstrada a apropriação das receitas que geraram o IRRF. Sob essa ótica, o eventual lapso da Delegacia de Julgamento não pode causar prejuízo ao sujeito passivo daí porque entendo que a melhor interpretação dos fatos vai no sentido de acatar a defesa apresentada no que se refere à existência do IRRF.Assim, questões como a ausência do informe de rendimentos para alguns dos valores pleiteados ou divergências entre a DIRF e a DIPJ, quanto ao IRRF, não serão objeto de análise. Ressaltese apenas o equívoco cometido pela interessada na elaboração da tabela integrante da manifestação de inconformidade, onde informou o código de retenção 8045 em relação à Telemar (IRRF = R$ 138.105,69) quando na verdade os valores referemse a juros sobre capital próprio e integram a lide sob exame. No que se refere à apropriação da receita correspondente, a interessada trouxe aos autos os registros contábeis acompanhado de tabela explicativa identificando a escrituração das receitas, com indicação do campo da DIPJ onde foram lançadas e acrescentadas ao Processo nº 19740.720018/200932 Acórdão n.º 1102 00670 S1C1T2 Fl. 3 5 resultado. A documentação apresentada pela interessada, inclusive na peça recursal, traz a indicação de todos os valores de IRRF que totalizaram o montante pleiteado e foram informados na DIPJ. Do exposto, como resultado do juízo de valoração probante inerente à atividade julgadora, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso e reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 252.752,59. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000115/00-87
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1989 a 31/03/1992
NORMAS PROCESSUAIS.EMBARGOS.CABIMENTO
Cabem embargos de declaração para corrigir contradição presente no dispositivo. Acolhidos os embargos, deve o dispositivo ser modificado para corrigir o vício.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9900-000.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, com efeitos modificativos, nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente.
Joel Miyazaki- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1989 a 31/03/1992 NORMAS PROCESSUAIS.EMBARGOS.CABIMENTO Cabem embargos de declaração para corrigir contradição presente no dispositivo. Acolhidos os embargos, deve o dispositivo ser modificado para corrigir o vício. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, com efeitos modificativos, nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente. Joel Miyazaki- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1989 a 31/03/1992 NORMAS PROCESSUAIS.EMBARGOS.CABIMENTO Cabem embargos de declaração para corrigir contradição presente no dispositivo. Acolhidos os embargos, deve o dispositivo ser modificado para corrigir o vício. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, com efeitos modificativos, nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 01 15 /0 0- 87 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de embargos declaratórios manejados pela Fazenda Nacional que apontou contradição em acórdão do Pleno da CSRF de no. 9900000.738, de 29/08/2012, que por unanimidade de votos, deu parcial provimento a recurso extraordinário em decisão assim ementada: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE n° 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4°, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). O acórdão embargado deu parcial provimento ao extraordinário fazendário, determinando a aplicação do entendimento pacificado no STF (RE 566.621 – Relatora Min Ellen Gracie) que definiu que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já nas ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo de 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). A decisão deixou claro que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, desse modo, aqueles que ajuizaram ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozavam do prazo decenal Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13891.000115/0087 Acórdão n.º 9900000.957 CSRFPL Fl. 467 3 (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Abaixo transcrevo o resultado do julgamento: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Argumenta ainda a Fazenda que, compulsando os autos, verificase que o presente processo veicula pedido de restituição protocolizado em 30 de agosto de 2000, relativo a valores recolhidos a título de Finsocial dos períodos base de setembro de 1989 a março de 1992. Desse modo, tendo sido protocolizado anteriormente a 9 de junho de 2005, aplicandose o prazo decenal, temos que encontramse prescritos o valores relativos a períodos anteriores a 30 de agosto de 1990. Como o pedido compreende valores referentes a fatos geradores ocorridos antes de 30 de agosto de 1990, parte dos valores teriam sido alcançados pela prescrição. (efls.461) Esclarece ainda a d. Procuradoria da Fazenda Nacional que o voto condutor, contraditoriamente, conclui que o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição, conforme excerto abaixo transcrito para maior clareza: No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 30/08/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 03/92. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto n° 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF.(grifo nosso) Pugna a embargante pelo acolhimento dos presentes embargos para que seja esclarecida e saneada a decisão, reconhecendose a prescrição parcial do créditos pleiteados nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki Conforme relatado, verificamos que a decisão embargada foi eivada pela contradição, pois deu parcial provimento ao recurso fazendário indicando corretamente o termo inicial da prescrição, mas não afastou a prescrição do direito à repetição. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Desse modo, proponho o conhecimento dos presentes embargos, pois a decisão embargada encontrase maculada pela contradição. Vencida a preliminar de conhecimento, verifico que assiste razão à embargante. De fato, consultando os autos, verifico que o pedido foi protocolizado em 30/08/2000, compreendendo o período de apuração de dezembro de 1989 a março de 1992. (petição inicial de efls. 6 a 20), dessa forma, encontramse prescritos os valores recolhidos anteriormente a 30/08/1990, logo, parte dos valores reclamados no presente pedido de restituição foram alcançados pela prescrição. Com esta considerações voto no sentido de conhecer e acolher os presentes embargos, com efeitos infringentes, para retificar a parte dispositiva do acórdão embargado, declarando prescritos os valores recolhidos referentes a fatos geradores anteriores a 30/08/1990. Joel Miyazaki Relator Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000260/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
ARBITRAMENTO DE LUCROS. Pessoa jurídica que omite no cumprimento do dever legal quanto apuração de resultados impõe à fiscalização a alternativa de seu arbitramento.
Numero da decisão: 1401-001.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Pessoa jurídica que omite no cumprimento do dever legal quanto apuração de resultados impõe à fiscalização a alternativa de seu arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 02 60 /2 01 0- 67 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000260/201067 Acórdão n.º 1401001.168 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Tratam os presentes autos de exigências de oficio do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 2.386.605,95, fls. 76; do PIS, R$ 652.872,40, fls. 84; da COFINS, R$ 3.013.257,42, fls. 92, e da CSLL, R$ 1.084.772,68, fls. 99, relativamente ao ano calendário de 2006, em consequência de arbitramento de lucro de pessoa jurídica, excluída do SIMPLES, a partir de 01/01/2002, pelo Ato Declaratório Executivo no 16/07, de 21/05/2007, fls. 66. 2. De acordo com a fiscalização, intimada, fls. 21, e reintimada, fls. 22 e 26, a pessoa jurídica não apresentou livros e documentos que dessem suporte à sua movimentação financeira e à apuração de lucro real, conforme artigo 46 da Lei no 10.637/02, uma vez que, a seu entendimento, a receita bruta apurada a partir da movimentação financeira bancária é superior a R$ 48.000.000,00, fls. 64. 2.1.. Ante sua omissão o sujeito passivo foi intimado, por duas vezes, a comprovar a origem e destinação de recursos individualmente identificados, depositados em instituições financeiras, fls. 28.e 49, quedandose, novamente, omisso. 2.2. Atesta, ainda, a fiscalização que, através do processo no 15.563.000201/200793, teve seu lucro arbitrado relativamente aos ano calendário de 2002 a 2005, mantido o arbitramento pelo Acórdão no 1402 00.010, , do'Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls. 67. 2.3. Tornada, como base de cálculo das exações o somatório dos depósitos bancários sem origem identificada, ressaltando o fisco que os valores pagos sob o SIMPLES poderio ser objeto de compensação proporcional ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, FLS:.64, 3. Ciente do Termo de Verificação Fiscal e das exigências em 11/08/10, fls. 64 e 77, o sujeito passivo acosta aos autos a impugnação de fls.118/119, protocolada em 10/09/10, fls. 118, através da qual alega, em síntese: 3.1. não ter sido intimado, clara e objetivamente, com prazo razoável, para providenciar a regularização da escrita e deixar de fazêlo, na forma que lhe convier, evitandose a arbitrariedade de exigir escrituração com base no lucro real trimestral; 3.2. não há como prosperar a presunção de que a atividade desenvolvida apresente lucro de tal monta, dado que custos e despesas correspondem a mais de 95% de todo o faturamento; 3.3. o enquadramento legal não corresponde aos fatos, houve apresentação dos livros de Registros de Entradas e de Saídas, Registro de Apuração do Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000260/201067 Acórdão n.º 1401001.168 S1C4T1 Fl. 4 3 ICMS e Livro Caixa, nada tendo sito esclarecido quanto a não utilização dos mesmos ou desclassificação da escrita, se fosse o caso; 3.4. a jurisprudência administrativa recomenda que se considere receita bruta conhecida, para fins de arbitramento, aquela apontada nos livros fiscais e contábeis. 3.5. finalmente, que os fatos apontados pelo autuante para justificar o arbitramento não correspondem á hipótese descrita no art. 530, III, do RIR199. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 2ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, indeferir a impugnação, nos seguintes temos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS. Pessoa jurídica que omite no cumprimento do dever legal quanto apuração de resultados impõe à fiscalização a alternativa de seu arbitramento. Impugnação Improcedente, Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão NOVO RIO COMÉRCIO DE ARTIGOS USADOS interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para cobrança de imposto de renda de pessoa jurídica – IRPJ, R$ 2.386.605,95, fls. 76; do PIS, R$ 652.872,40, fls. 84; da COFINS, R$ 3.013.257,42, fls. 92, e da CSLL, R$ 1.084.772,68, fls. 99, relativamente ao ano calendário de 2006, em consequência de arbitramento de lucro de pessoa jurídica, excluída do SIMPLES, a partir de 01/01/2002, pelo Ato Declaratório Executivo no 16/07, de 21/05/2007, fls. 66. Em preliminar, conforme o reconhece o próprio impugnante, este já fora autuado em 2007, por arbitramento de lucros, dada sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002. Portanto, desde 2007 estava ciente de sua exclusão do SIMPLES. Assim, carece de objetividade a alegação de prévia intimação, em 28/05/2009, data do inicio da fiscalização, fls. 21, com prazo razoável, para regularização da escrita contábil/fiscal. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000260/201067 Acórdão n.º 1401001.168 S1C4T1 Fl. 5 4 Isto porque, constatado que uma empresa tributada pelo SIMPLES "estourou" o limite de receita sujeitandose à exclusão desse sistema, é razoável que ela possa adequar seus registros e, respeitados os limites legais de receita e as normas de escrituração, optar pela sistemática de tributação (real, presumido ou arbitrado) que lhe convenha. Nesse caso, caberia ao Fisco cobrar de oficio tributo devido, mas respeitando a opção efetuada. Entretanto, em situações onde o "estouro" tem origem em omissão de receita em volume muito significativo em relação ao valor declarado, a prática mostrase um pouco diversa. As pessoas jurídicas tributadas pelo SIMPLES têm registro de suas operações de forma simplificada sem maior preocupação com a organização e a até mesmo a guarda de documentos o que pode implicar na dificuldade de comprovar despesas e custos ainda mais em situações, como é o caso, na qual a omissão de receita é apurada com base em presunção legal. Sob essas circunstâncias, a louvável preocupação em tratar o arbitramento como medida extrema, e, por conseguinte permitir a regularização da escrita para tributação pelo lucro real revelase uma armadilha para o sujeito passivo, pois haverá um grande incremento de receita tributável sem a contrapartida das despesas e custos. No caso dos anoscalendário 2006, por exemplo, a omissão apurada representa valor infinitamente maior do que a receita declarada. Perguntase: Considerando que a interessada não conseguiria demonstrar um montante de despesas compatível para fazer frente a urna diferença dessa magnitude, seria razoável simplesmente aplicar a alíquota do imposto sobre o valor da omissão? Para melhor visualização, no anocalendário de 2006 foi apurada uma omissão total de R$ 100.441.916,14; o que implicaria em IRPJ muito maior. O arbitramento de lucro efetuado pela Fiscalização gerou imposto mais favorável ao sujeito passivo, pois o uso do coeficiente de arbitramento supre o equivoco do uso da receita, e não do lucro, como base de cálculo do imposto. Destarte, o motivo do arbitramento não é apenas a omissão de receita, mas a significância dessa omissão em relação aos valores constantes dos registros da pessoa jurídica o que torna inviável a apuração do resultado pelo lucro real. No caso, em situações nas quais a receita declarada corresponde a 2,5% da omitida, ou menos, a imprestabilidade da escrituração mostrase irreversível. Tal entendimento mostrase de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: LUCRO ARBITRADO OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado. (Acórdão 10322502, 1° CC, 35 Câmara, sessão de 21/06/2006) Ementa: LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e da CSLL com Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000260/201067 Acórdão n.º 1401001.168 S1C4T1 Fl. 6 5 base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos tidos como decorrentes o resultado do julgamento da autuação principal, tendo em vista o liame fático que os une. (Acordão 140200.010, 1ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Sessão de 27/07/2009,Rel. Leonardo Couto) No mais, igualmente carece de objetividade a alegação de arbitrariedade da exigência de escrituração com base no lucro real trimestral. Basta atentar ao disposto no artigo 46, da Lei n. 10.637/02, verbis: Art 46. O art. 13, caput, e o art. 14, 1, da Lei n" 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a.vigorar com a seguinte redação: "Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do ano calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. No exato contexto legal, a pessoa jurídica nem poderia optar pelo SIMPLES, do qual fora excluída a partir de 01/01/02, nem, pelo lucro presumido. Haja vista que o somatório de seus créditos/depósitos bancários, no anocalendário de 2006, atingiu o montante de R$ 100.441.916,14, fls. 72. Com singelo detalhe: a receita bruta, ainda que, declarada indevidamente sob o SIMPLES, atingiu R$ 2.393.007,00, fls. 19. Portanto, se intimada, fls. 22 e reintimada, fls.26, a apresentar a escrituração com base no lucro real trimestral, quedandose omissa, e, não havendo a pessoa jurídica se submetido à tributação pelo auto arbitramento de resultados, autorização do artigo 531 do RIR/99 e, sim, optado por indevida tributação sob o SIMPLES, o próprio contribuinte impôs fiscalização a alternativa do arbitramento, de oficio, de seu resultado. Portanto, ao contrário do alegado, inteiramente coerente o procedimento fiscal com as disposições contidas no artigo 530, III, do RIR199 — o contribuinte deixou de apresentar A fiscalização os livros comerciais e fiscais, dever legal. Quanto a custos/despesas, em matéria de lucro arbitrado não há que deles se alegar. Pretendesse o sujeito passivo os apropriar à apuração de resultado, procederia em consonância com a prescrição no artigo 46 da Lei n. 10.6237/02, antes reportado. No pertinente aos Livros de Entradas e Saídas, de apuração do ICMS e Livro Caixa, se os Livros de Saídas e de Apuração do ICMS, dizem respeito à este tributo, ocioso mencionar tratarse o Livro Caixa, de auxiliar daqueles exigidos de pessoa jurídica tributada sob lucro real. A saber: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15563.000260/201067 Acórdão n.º 1401001.168 S1C4T1 Fl. 7 6 Livro Diário (DecretoLei n. 486/69, art. 50; RIR//99, art. 258); Livro Razão (Lei no 8.218/91, art. 14; Lei no 8.383/91, art. 62; RIR/99, art. 259; Livros Fiscais: registro de inventário; registro de entradas, LALUR (Lei no 154/47, art. 2 da Lei no 8.383/91, art. 48, DecretoLei no 1.598/877, art. 8. e 27; RIR/99. art. 260). Obviamente, omitidos à fiscalização. Por fim, mencionese o inusitado da proposição impugnatória — o fisco deve arbitrar o resultado com base no escriturado nos livros comerciais/fiscais. Sem comentário, dado que, a par de sua intrínseca contradição, evidenciada nestes autos, admitida a tese, a razão de ser da fiscalização do tributo (prescrita desde a Lei no 2.354, de 1954, referendada pelo CTN, arts. 194/200), implicaria em sua singela, ainda que, irracional, insustentabilidade. Assim, diante do exposto, rejeito a preliminar e nego provimento ao Recurso Voluntario, mantendose, por conseguinte, in totum o crédito tributário. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000160/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE.
Sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência é pacifica no sentido de que não se deva recebê-lo tendo em vista o fenômeno da preclusão. Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Uma vez extrapolado o limite estabelecido, tornam peremptos os recursos eventualmente interpostos
RO Negado e RV Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade
CARLOS LBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhaes Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/07/2004 PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE. Sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência é pacifica no sentido de que não se deva recebê-lo tendo em vista o fenômeno da preclusão. Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Uma vez extrapolado o limite estabelecido, tornam peremptos os recursos eventualmente interpostos RO Negado e RV Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade CARLOS LBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhaes Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência é pacifica no sentido de que não se deva recebêlo tendo em vista o fenômeno da preclusão. Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Uma vez extrapolado o limite estabelecido, tornam peremptos os recursos eventualmente interpostos RO Negado e RV Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade CARLOS LBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhaes Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 60 /2 00 7- 14 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14098.000160/200714 Acórdão n.º 2403002.972 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.898.0526 com ciência pessoal em 16/12/2005, f. 001. A exigência se refere as contribuição social previdenciária sobre a produção rural, contribuição sobre a comercialização da produção rural para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e contribuição sobre a comercialização da produção rural destinada ao SENAR. Compulsei os autos e corroboro o relato da instância a quo abaixo transcrito com grifos de minha autoria : "De acordo com o relatório fiscal de fls. 772776, o lançamento tem por fato gerador a remuneração dos segurados que prestaram serviços aos produtores rurais que comercializaram produtos rurais com a empresa adquirente, sendo a contribuição substituída pela incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, de acordo com o art. 25, incs. I e II da Lei 8.212/91. Prossegue o relatório fiscal afirmando que a empresa adquirente está legalmente subrogada na obrigação de recolher a contribuição, conforme art. 30, inc. IV da Lei 8.212/91, ainda que tenha deixado de retêla, ou o tenha feito em desacordo com a legislação, ao teor do § 7°, art. 259, da Instrução Normativa SRP 03/2005. As bases de cálculo foram apuradas com base na contabilidade da empresa, conta razão “Compra de bovinos”, constando os dados das notas fiscais no Relatório de Lançamentos, sob os levantamentos “RU Comercialização de Produto Rural” para valores declarados em GFIP e “RUR Comercialização de Produto Rural” para valores não declarados em GFIP. Na apuraçao do débito foram considerados os créditos correspondentes aos recolhimentos em nome de todos os estabelecimentos da empresa e foram deduzidos os valores confessados em CDF Confissão de Débito Fiscal e LDC Lançamento de Débito Confessado. O termo de encerramento de ação fiscal encontrase às f. 770 771." A autuada impugnou o lançamento e na forma do Acórdão de fls . 917 de n°, 0415.390. em 24 de setembro de 2008, a 3” Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE, concedeu parcial provimento reconhecendo decadentes constituídos para as competência 11/200 e anteriores( inclusive), conforme fls 927, parte final. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DO RECURSO DE OFÍCIO A Instância a quo recorreu de ofício c conforme abaixo transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3” Turma de Julgamento desta Delegacia, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em considerar procedente em parte o lançamento, deferindo em parte o requerido na impugnação, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Recorrese de ofício ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 34, inc. I, do Decreto 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei 10.522/2002, art. 366, inc. I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação do Decreto 6.032/2007, e art. 1° da Portaria MF n° 03/2008. Intimese o contribuinte para o pagamento, facultadolhe, caso inexista óbice O legal, parcelar 0 crédito mantido, ou, ainda, interpor, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2008." DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Às fls. 970, intimado do inteiro teor do Acórdão DRJ/MS N° 04 15.390, a Recorrente interpôs Recurso em 09.01.09. É o Relatório. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14098.000160/200714 Acórdão n.º 2403002.972 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio ed Souza DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA TEMPESTIVIDADE De plano, ressaltese que ás fls. 975 colacionaramse o despacho abaixo transcrito que registra inapelável intempestividade do Recurso Voluntário interposto, verbis: "Intimado que foi o contribuinte do inteiro teor do Acórdão DRJ/MS N° 04 15.390, da 33 Turma, conforme documento a folha 911 a 938 e AR à folha 942, cuja ciência deuse em 01/12/2008, o mesmo interpõe Recurso em 09.01.09 documentos às folhas 945 a 968, portanto, temse por intempestivo o relatado Recurso. Juntei, enumerei e rubriquei os documentos de folhas 941 a 975, fazendo parte integrante deste. Assim, encaminhese a_o SECAT/DRF/CBÁ/MT, face a intempestividade do Recurso, a fim de que esse serviço decida sobre,o envio do processo ao Egrégio Conselho de Contribuinte, assim como para as informações complementares quanto a suspensão dos débitos no Sistema Plenus. " Sob o comando do art. 5° do Decreto 70.235/72, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento: “ Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência é pacifica no sentido de que não se deva recebêlo tendo em vista o fenômeno da preclusão. DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Considerando que a autuada fora notificada em 16/12/2005, fls 02, observando os pagamentos antecipados às fls 707/725 e ainda os argumentos da instância aquo às fls 927, parte final, quando concedeu parcial provimento reconhecendo decadentes os créditos constituídos para as competências 11/200 e anteriores( inclusive) razão do Recurso em comento, CONHEÇO DO RECURSO PARA NEGARLHE PROVIMENTO. CONCLUSÃO Não conheço DO RECURSO VOLUNTÁRIO por INTEMPESTIVO. Conheço do RECURSO DE OFÍCIO, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como Voto Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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