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Numero do processo: 10920.911126/2012-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 26 /2 01 2- 25 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911126/201225 Acórdão n.º 3801003.323 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905883/2011-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 83 /2 01 1- 97 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 163 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 176.600,36. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 164 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 165 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905883/201197 Acórdão n.º 3803006.045 S3TE03 Fl. 166 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720671/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum.
INCORPORAÇÃO REVERSA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS.
As operações estruturadas entre partes relacionadas, visando um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicam também uma causa jurídica única e devem ser examinadas em conjunto. Para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso indagar se existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico, se o motivo é extra-tributário e se o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito. Na incorporação reversa, se a mudança no ramo de atividade da empresa evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada e não o da incorporadora, devem ser afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Inexiste propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado, o qual deve ser glosado.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam a falta de intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária, evidenciando que o conjunto de operações realizadas foi articulado, dolosamente, entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico com o único propósito de reduzir a tributação sobre os lucros do grupo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e quanto à multa de ofício qualificada, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos a relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. Após proclamado o resultado do julgamento, foi levantada, pelo patrono do contribuinte, questão de ordem quanto à aplicabilidade do art. 112 do CTN ao caso, que foi negada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum. INCORPORAÇÃO REVERSA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. As operações estruturadas entre partes relacionadas, visando um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicam também uma causa jurídica única e devem ser examinadas em conjunto. Para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso indagar se existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico, se o motivo é extra-tributário e se o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito. Na incorporação reversa, se a mudança no ramo de atividade da empresa evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada e não o da incorporadora, devem ser afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Inexiste propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado, o qual deve ser glosado. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam a falta de intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária, evidenciando que o conjunto de operações realizadas foi articulado, dolosamente, entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico com o único propósito de reduzir a tributação sobre os lucros do grupo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e quanto à multa de ofício qualificada, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos a relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. Após proclamado o resultado do julgamento, foi levantada, pelo patrono do contribuinte, questão de ordem quanto à aplicabilidade do art. 112 do CTN ao caso, que foi negada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Inexiste alteração dos critérios jurídicos ou fáticos do lançamento, ou cerceamento de defesa, quando a decisão recorrida se limita a justificar o não acolhimento dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua defesa, sem aperfeiçoar o lançamento. INCORPORAÇÃO REVERSA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. As operações estruturadas entre partes relacionadas, visando um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicam também uma causa jurídica única e devem ser examinadas em conjunto. Para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso indagar se existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico, se o motivo é extra tributário e se o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito. Na incorporação reversa, se a mudança no ramo de atividade da empresa evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada e não o da incorporadora, devem ser afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Inexiste propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado, o qual deve ser glosado. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam a falta de intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária, evidenciando que o conjunto de operações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 71 /2 01 1- 80 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 3 2 realizadas foi articulado, dolosamente, entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico com o único propósito de reduzir a tributação sobre os lucros do grupo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao principal e quanto à multa de ofício qualificada, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos a relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. Após proclamado o resultado do julgamento, foi levantada, pelo patrono do contribuinte, questão de ordem quanto à aplicabilidade do art. 112 do CTN ao caso, que foi negada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente o lançamento de IRPJ e CSLL, com multas de ofício de 150%. Por economia processual e com a vênia do colegiado, transcrevese o relatório da decisão recorrida. O interessado foi autuado, em 28/07/2011, por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL decorrente de compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa no anocalendário de 2007, em razão de os respectivos saldos apurados até 30/04/2006 terem sido glosados pela fiscalização, que constatou que a cisão parcial de sua excontroladora e respectiva versão da parte cindida ao interessado (incorporação às avessas) foram simuladas, tendo sido exigido um crédito tributário total de R$ 13.237.241,22, incluindo imposto, contribuição, multas qualificadas de 150% e juros de mora calculados até 30/06/2011 (fls. 1 a 270). Os Termos de Verificação n.ºs 1 e 4 (TVS) apontam (fls. 245 a 258): “(...) INCORPORAÇÃO REVERSA OU ÀS AVESSAS GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. (...) b) Incorporação pela fiscalizada da parte cindida da empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175: A análise da documentação apresentada pela empresa mostrou que a mesma procedeu, no período base sob fiscalização, à incorporação de parte cindida da empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175, obrigando a verificação da regularidade dessa operação, sendo solicitada a documentação do evento de cisão parcial/incorporação, conforme Termo de Intimação .... A verificação dos balancetes, com os valores das operações da empresa sob fiscalização mostrou que, na data de 30/04/2006, esta incorporou o patrimônio resultante da cisão parcial feita pela empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175, a qual prosseguiu suas atividades com a parcela da citada cisão que não foi incorporada pela fiscalizada. A citada incorporação foi feita com base em "PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE CISÃO PARCIAL DA ALSTOM BRASIL LTDA. E INCORPORAÇÃO DE ACERVO LÍQUIDO CONTÁBIL POR ALSTOM BRASIL ENERGIA E TRANSPORTE LTDA." e "LAUDO DE AVALIAÇÃO" emitido pela empresa GSRA Consultoria Empresarial S/C Ltda., assinado pelo Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 5 4 contador Sr. Alexandre Tróia Menezes da Silva, CRC/SP 1SP180606, datado de 01/05/2006, com registro na JUCESP em 25/05/2006 (fls. ). A incorporada apresentou ... DIPJ do evento Cisão Parcial, retificadora, na data de 17/04/2008 ... do período de 01/01/2006 a 30/04/2006 (fls. — ). ... constatado que a empresa considerada incorporada no processo é a detentora da totalidade de todas as cotas patrimoniais menos uma da empresa considerada incorporadora sendo, portanto, controladora da mesma, valendo R$ 53.873.319,11 o seu investimento na controlada na data do evento, como pode ser comprovado na página dois do Laudo de Avaliação (fls. —). A controladora fez, no período sob fiscalização, aporte de capital na controlada, no valor de R$ 22.900.000,00, conforme 5ª Alteração do Contrato Social, datada de 28/03/2006, formalmente registrada na JUCESP Protocolo 277513/066, aumentando o capital social de R$ 57.100.000,00 para R$ 80.000.000,00 (fls.). Portanto a controlada apresentava redução patrimonial de R$ 26.126.680,89, na data do evento, configurandose como empresa deficitária, considerando a equivalência patrimonial na controladora. Na outra mão, a controladora mostrou na DIPJ do evento de 30/04/2006 Lucro Real de R$28.920.196,45, com Lucros Acumulados e/ou Saldo à Disposição da Assembléia de R$67.062.871,06, nessa data, conforme fichas 09 A, linha 49 e 37 A, linha 36 (fls. — ). No entanto a empresa incorporadora nessa operação é a controlada e deficitária, que trazia na data de 31/12/2005 um total de Prejuízos Acumulados na sua contabilidade no valor de R$54.618.673,05, convertendose esse resultado contábil em Lucros Acumulados e/ou Saldo à Disposição da Assembléia no valor de R$ 22.388.033,12 no Balanço Patrimonial de 31/12/2006, conforme ficha 37 A, linha 36 da DIPJ/2007 .... Confirmandose, por meio dessa demonstração, o fato da transformação da fiscalizada, chamada de incorporadora, de empresa deficitária em empresa lucrativa, com futuros lucros compensáveis com prejuízos de períodos anteriores. c) Da simulação operada no evento e dos seus efeitos: Em resumo, a incorporadora nesse evento é uma empresa deficitária carregada de Prejuízos Fiscais, em teoria compensáveis com futuros lucros apurados após a incorporação, com a permissão do Art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99), sendo controlada pela incorporada, empresa lucrativa, cuja anexação Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 6 5 certamente trará lucros, que serão compensados com os prejuízos oriundos da incorporadora. O resultado é evidente simulação chamandose a controlada de incorporadora, quando de fato é a incorporada e a controladora de incorporada, quando de fato é a incorporadora, com o objetivo de conseguir mediante esse artifício o aproveitamento dos prejuízos fiscais da incorporada de fato, vedados não fosse essa simulação. A relação sucedida/sucessora foi alterada e invertida mediante artifício ardiloso cujo resultado é o pretenso enquadramento da operação em beneficio da ... fiscalizada, de fato incorporada e sucedida e não incorporadora e sucessora, tendo seus prejuízos impedimento legal para a compensação. A existência de contrato, protocolo e outros documentos, que supostamente dariam direito a essa inversão, não podem ter seus efeitos levados em consideração, porque são produtos de contratação entre pessoas jurídicas estritamente ligadas, sendo uma controladora quase total da outra, com mesma atividade e até mesmo nome nas razões sociais. Havendo ainda que considerar o fato da inexistência de motivação plausível do ponto de vista negocial para a efetivação da cisão/incorporação, promovida pela fiscalizada e sua controladora, restando apenas como motivação o ganho tributário que seria obtido por meio dessa engenharia tributária, sendo a forma utilizada simulação, cujo único objetivo é a obtenção de ganho tributário e o conteúdo dessa operação todo motivado pelo referido ganho. Enquadrandose a operação como infração prevista no Art. 514 do ... RIR/99 ...: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei n° 2.341, de 1987, art. 33). Dessa forma, cumpre desconstituir, com fundamento no § único do Art. 116 da Lei 5172/66 (CTN), a nomenclatura e a ordem incorporativa do evento, atribuídas em seu benefício pelo contribuinte, considerando para efeitos fiscais que a íncorporadora é, de fato e de direito, a incorporada e vice versa, efetuando a glosa do saldo de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da fiscalizada, ficando a mesma desautorizada a compensálos. [omissis] e) Da simulação e seus efeitos legais e tributários: [omissis] A simulação operada pela autuada irá gerar no futuro as condições previstas nos Arts. 71 a 73 da Lei 4502/64, de sonegação, fraude e conluio, definidos nesses dispositivos legais, Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 7 6 ao aproveitarse de saldos de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL, com infração a essa legislação, além da legislação tributária. f) Glosa dos Prejuízos Fiscais e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: Em face do exposto e do fato que a empresa apresentou Prejuízo Fiscal e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no período compreendido entre 01/01/2006 e 30/04/2006, esses valores serão somados aos saldos existentes em 31/12/2005, sendo as somas resultantes objeto de glosa, reduzindose seus saldos a zero, pela impossibilidade, legalmente declarada pelo citado Art. 514 do RIR/99, de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo da CSLL da empresa incorporada, no caso a fiscalizada. g) Intimação: Fica o contribuinte intimado a proceder à glosa do total dos saldos de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL registrados respectivamente nos seus livros de Apuração do Lucro Real LALUR e de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACOS, ZERANDO o saldo dos mesmos, na data de 30/04/2006, em face da impossibilidade legal da sua compensação com lucros futuros. (...) ADOS FATOS: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. (...) e) Compensação indevida de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da CSLL efetuada em 2007 pela empresa fiscalizada: O exame da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, apresentada pela fiscalizada para o ano calendário de 2007, mostrou que houve compensação de R$19.337.961,51 de Prejuízos Fiscais de Períodos Base Anteriores e R$19.346.477,75 de Base Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também de períodos base anteriores. Ocasionando redução indevida da base tributável dos dois tributos, em face de haverem tais valores sido obtidos pela aplicação de 30% sobre os valores do Lucro Real e da Base de cálculo da CSLL apuradas na DIPJ/2008, ano base 2007, ou seja, R$ 64.459.871,71 e R$ 64.488.259,12, conforme a legislação tributária, se existissem Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL para serem compensados. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 8 7 Os valores compensados pelo contribuinte não levaram em consideração os efeitos das glosas dos Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL e foram lançados considerando a possibilidade legal de compensar até 30% do Lucro Real e da Base da CSLL com Prejuízos de períodos anteriores. Pelo exposto acima encontramse ZERADOS os prejuízos e bases negativas da CSLL anteriores à data de 30/04/2006 do evento irregular de incorporação e ZERADO o prejuízo e a base negativa da CSLL do período de 2006 pela autuação fiscal anteriormente mencionada. f) Exigência dos tributos não recolhidos em face das compensações indevidas, com aplicação da multa de oficio majorada: Os valores das compensações indevidas, retirados das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, deverão ser submetidos à tributação desses tributos, sendo desse modo exigidos, pela lavratura de Auto de Infração, com os acréscimos dos juros legais e da multa de oficio majorada pela ocorrência, em tese, de Crime contra a Ordem Tributária, previsto no Art. 2º, I, da Lei 8137/90. A citada majoração da multa de oficio fundamentase no fato de ter o contribuinte se exonerado do pagamento de tributo com base em alteração societária elaborada com simulação, denominandose de incorporadora a empresa de fato incorporada e viceversa, pretendendo fazer valer para compensação com futuros lucros os Prejuízos Fiscais e as Bases Negativas da CSLL da empresa que chamou de incorporadora, a qual os fatos mostraram ser a incorporada, sendo em face disso vedada a compensação desses valores, com base na legislação citada no item b, acima. (...)”Os TVS apontam, também, que foram infringidos os dispositivos a seguir: arts. 514, 246 a 250, 251 a 274, 275, 276, 509 a 512, 541 a 543, 808 a 826, 835, 840 e 841, 844 e 845, 905 e 906, 910 a 926, 927 e 928, 957, inciso II, 985 a 987 e 992, todos do RIR/99, § único do art. 116 do CTN, e arts. 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. Os autos de infração constam as fls. 259 a 270. Os formulários FAPLI e FACS constam às fls. 275 a 280. Os extratos de compensação de prejuízo fiscal e base negativa do SAPLI constam às fls. 281 a 288. O interessado apresentou impugnação, em 29/08/2011 (fls. 290 a 331), por meio de seus advogados (fls. 331 a 358), acompanhada de cópias de elementos (fls. 359 a 799). Relaciona seus setores de atividades (produção de equipamentos e prestação de serviços), a saber: 1 "Power", geração de energia elétrica; Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 9 8 2 "Transport", metroferroviários; 3 "T&D", transmissão e distribuição de energia elétrica; 4 "Marine", navios de cruzeiro e carga; e 5 Power Conversion", equipamentos elétricos industriais. Descreve os seguintes fatos relacionados ao grupo francês Alstom, de 2001 em diante: 1 a partir de fins de 2001, a recessão e os atentados de 11 de setembro afetaram o mercado de infraestrutura e turismo; além disso, surgiram dificuldades financeiras decorrentes de alguns negócios malsucedidos do grupo Alstom (falência da Renaissance Cruises, que resultou na devolução de 8 navios de cruzeiro por conta de um financiamento do tipo vendor's financing; problemas de performance em turbinas a gás de alto rendimento GT24/26, cuja tecnologia foi adquirida na consolidação do Setor "Power"; e problemas na manutenção de trens no Reino Unido), que levaramno a vender ativos, por volta de 2003; 2 o governo francês ofereceu um “pacote” de ajuda que, conforme a legislação da União Européia, deveria ser aprovado pela Comissão Européia, o que se deu em julho de 2004, por meio da decisão da Comissão de 07/07/2004 (processo 2005/418/EC Doc. 3), condicionada ao cumprimento de certas exigências: venda de ativos; formação de uma jointventure (50%/50%) para os negócios "Hydro" do setor "Power" (geração de energia hidroelétrica). A esse respeito, lêse na decisão da Comissão Européia (em tradução livre): "(97) A França também se compromete quanto à constituição uma jointventure com um sócio, em que a Alstom deterá controle conjunto, e será titular de no máximo 50% do capital, que cobrirá as atividades da Alstom "Hydro Power" (...)"; 3 o grupo Alstom, em seu relatório de 2004, noticiou essa decisão, com destaque para a criação da jointventure para as atividades "Hydro" (Doc. 4), em tradução livre: "Aprovação de compromissos pela Comissão Européia O regular procedimento iniciado pela Comissão Européia em Setembro de 2003 e concluído em 07 de Julho de 2004 com a aprovação pela Comissão Européia de nossos pacotes econômicos. Como parte da aprovação, nós nos comprometemos a não fazer aquisições no Setor de Transportes dentro da Área Econômica Européia nos próximos 4 anos, e de dispor de negócios, cujo montante é de aproximadamente 1,5 bilhões de Euros em vendas. Metade do compromisso de alienação será completado pela venda das seguintes atividades: Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 10 9 • Nossas atividades de frete de locomotiva em Valência, Espanha (alienação completada em 31 de Março de 2005) • Nosso Setor de Atividades de Transporte na Austrália e Nova Zelândia (acordo vinculativo assinado em 02 de Junho de 2005) e; • Nossos empreendimentos em caldeiras industriais, que é parte de nosso Power TurboSystems/Setor de Energia Ambiental (disposição em andamento) Os negócios remanescentes para concretização de nosso Compromisso, que representam 800 milhões de euros em vendas anuais oriundas de atividades nãoespecificadas do exercício fiscal de 2002/03 está parcialmente coberto pela venda de nosso setor de TI e Produtos Industriais na Austrália (representando 103 milhões em vendas no ano fiscal de 2002/03) e pela alienação da FlowSystems activities (representando 131 milhões de euros em vendas em 2002/03) Além disso, iniciamos a alienação de nossas atividades de Conversão de Energia com vendas de 592 milhões de euros no ano fiscal de 2002/03 (incluindo transações entre companhias). A realização de todas as alienações completadas, ou em andamento deve ser suficiente para cumprir a o Compromisso firmado perante a Comissão Européia, cujo escopo era a disposição de algumas atividades industriais. Também concordamos em entrar em uma '5050 joint venture', em nossas Atividades Hídricas. Por fim, nos comprometemos a concluir as parcerias industriais dentro de um período de 4 anos com relação a uma significativa parte de nossas atividades, para garantir nosso desenvolvimento futuro'. 4 a aprovação desse “pacote” foi noticiada por órgãos da imprensa internacional, como a rede britânica BBC (Doc. 5). A impugnante alega, em resumo, que: 1 não há qualquer prova, seja da simulação, seja da dissimulação, havendo apenas a alegação de que seria deficitária enquanto sua controladora seria superavitária, à época dos eventos societários; ou seja: há, apenas, presunção de simulação; 2 não há, no direito brasileiro, qualquer norma que permita presumirse que incorporação de controladora superavitária por controlada deficitária constitua simulação; a jurisprudência administrativa proclama não ser vedado esse tipo de operação; em resumo: é possível, em tese, que uma incorporação "às avessas" seja simulada, mas tal operação não autoriza presumir que houve simulação, pois esse tipo de operação não é proibido por qualquer norma; portanto, a simulação exige sua clara demonstração, pela fiscalização; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 11 10 3 a manutenção da exação, em casos de simulação, só foi possível diante de ações fiscais aprofundadas, que buscaram indícios numerosos e convergentes; a total carência de provas deste caso é evidenciada pelo seu cotejo com aqueles, como por exemplo, o RE 946.707RS e o Acórdão CSRF/0102.107; 4 havia propósito negocial para a reorganização societária em tela pois, para formar a jointventure seria necessário segregar as atividades Hydro" das demais; assim, foram as exigências da União Européia que levaram à operação ora questionada, internamente denominada "Projeto Harmony"; 5 antes de o Projeto Harmony ser acionado no Brasil, a Alstom Brasil desempenhava todas as atividades do setor "Power", isto é, atividades "Hydro", de energia hidroelétrica, e "NonHydro", de geração de energia por outros meios, como termoelétrica, além de outros setores, como "Transport" (20ª alteração do contrato social Doc. 6); 6 o projeto Harmony resultou na cisão parcial da Alstom Brasil, para a formação da jointventure com a empresa francesa Bouygues, ocorrida em setembro de 2006 (Doc. 8), de modo que a cisão da Alstom Brasil (uma das operações consideradas simuladas) tinha por único objetivo separar as atividades "Hydro" das atividades "NonHydro", conforme o Protocolo de Justificação, de maio de 2006 (Doc. 7): “4. A presente proposta de cisão parcial da HYDRO [Alstom Brasil], com versão de parcela do seu patrimônio para a ABR [Impugnante], decorre de reestruturação societária e operacional conduzida pelo grupo em nível mundial, com o propósito de segregar determinadas linhas de negócios em pessoas jurídicas distintas”. 7 em conseqüência da cisão, o objeto social da Alstom Brasil foi alterado, a fim de abranger apenas as atividades "Hydro", conforme item III da 20ª alteração do seu contrato social (Doc. 6): "Em decorrência da aprovação da cisão parcial desta Sociedade, foi deliberada a alteração do objeto social da Sociedade de forma a excluir do mesmo as atividades relacionadas às áreas transferidas a ABr, quais sejam, os setores Transport, dedicado à produção de bens e serviços relacionados ao mercado de transporte metroferroviário, e Power Service, dedicado a prestação de serviços e fornecimento de equipamentos para a operação, manutenção, assistência técnica e melhora de desempenho de centrais de geração de energia e parcela não Hydro do Setor Power Turbo System/Power Environment, dedicado à produção de bens e prestação de serviços relativos à geração de energia elétrica, exceto equipamentos e serviços ligados à geração de energia hidrelétrica, [Businesses ERP (Caldeiras); ECS (Controle Ambiental) e Turbo, dedicados a produção e fornecimento de equipamentos e serviços de relativos a caldeiras, sistemas de controle ambiental e geração de energia Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 12 11 termoelétrica]. Assim, tornase necessária a alteração da cláusula 2ª do Contrato Social que tinha a seguinte redação:" 8 no mesmo ato, a Alstom Brasil alterou sua denominação social para Alstom Hydro Energia Brasil Ltda. e sua sede para Av. Carlos Schneider, s/n, Taubaté, São Paulo; 9 a versão do acervo cindido foi decorrência natural desse processo, vez que esta era a única empresa do grupo no Brasil que tinha condições de levar adiante as atividades "NonHydro", antes desempenhadas pela Alstom Brasil, sendo que até a versão do acervo cindido tinha razões negociais, pois: existe há cerca de 40 anos (Doc. 9), faz parte do grupo desde 2001 (Doc. 10), e estava regularmente inscrita no CNPJ e no CREA, o que tornava descabida a constituição de uma nova empresa; e apresentava, à época, saúde financeira que a permitia assumir as atividades cindidas, e inclusive participar de licitações, conforme seu balanço (Doc. 11); denominavase, até março de 2006, Alstom ELEC Equipamentos Elétricos Ltda., passando a Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda., conforme a 5ª alteração do contrato social (Doc. 12); “Como preparativo para a reorganização que ocorreria dois meses depois ... teve seu contrato social alterado, a fim de que pudesse acolher as novas atividades "Hydro"” (sic); 10 tinha o seguinte objeto social original: "CLÁUSULA 2ª OBJETO A Sociedade tem por objeto: i) projetar, reparar, recondicionar e montar manufaturados, estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição e acessórios, fabricar aparelhos em geral, maquinários, complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, podendo, ainda, comercializar, representar ou exportar no ramos das atividades supra mencionadas; ii) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista". 11 por meio da 5ª alteração de contrato social, foram acrescidas diversas atividades ao seu objeto social, sem supressão ou substituição de suas atividades pelas atividades da Alstom Brasil; eis a redação da cláusula 2ª do seu contrato social, com destaque para suas atividades originais, que foram mantidas (um absurdo, caso se tratasse de uma incorporação simulada!), conforme a 5ª alteração do seu contrato social (Doc. 12): "CLÁUSULA 2ª OBJETO A Sociedade tem por objeto: i) projetar, fabricar, reparar, recondicionar. modernizar, montar. comissionar equipamentos e sistemas de transporte metro ferroviários; estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 13 12 e acessórios, aparelhos em geral, maquinários. complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, equipamentos e sistemas de tratamento de ar, gases e líquidos para controle ambiental em indústrias, irrigação e saneamento básico, estações de bombeamento, secagem industrial, tratamento de superfície e transporte pneumático, locomotivas, motores elétricos, pontes rolantes e outros equipamentos de levantamento, equipamentos e máquinas em geral, principalmente os ligados direta e indiretamente a transportes terrestres, sistemas elétricos de propulsão para veículos rodoviários (trólebus) e ferroviários (metrô e trens de subúrbio), equipamentos e sistemas destinados à geração, medição e controle de processos de energia e suas aplicações, produtos eletrônicos, mecânicos e de caldeiraria, equipamento e peças mecânicas para a utilização em usinas geradoras de energia e indústrias em geral, equipamentos elétricos destinados aos mercados de saneamento, irrigação, indústria, peças, partes e sobressalentes para serem usados nos equipamentos e sistemas mencionados anteriormente; ii) Serviços afins à operação industrial da Sociedade, em especial, mas sem se limitar a esses, os de projeto, montagem, supervisão de montagem, comissionamento e gerenciamento de projetos relacionados à infraestrutura de energia e transporte metroferroviário, consultoria e assistência técnica, econômica e administrativa ligadas aos produtos e serviços elencados; iii) Comercialização, revenda, consignação, distribuição, importação e exportação, de produtos e serviços relacionados com o campo de energia e transporte metro ferroviário. Estes serviços poderão ser prestados diretamente pela Sociedade, ou através de terceiros; iv) Representação comercial, intermediação e agência de produtos nacionais e estrangeiros, por conta própria ou de terceiros, relativas aos produtos e serviços elencados acima; v) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista, bem como a administração, por conta própria ou de terceiros, de bens e valores mobiliários e imobiliários; vi) pesquisas, estudos de viabilidade técnica e econômico, projetos, supervisão de projetos; vii) Outros serviços, inclusive com emprego de explosivos, relacionados ao seu campo industrial e operacional; viii) obras civis; ix) locação de bens móveis. (...)"; 12 não alterou sua sede e não passou a ser administrada pelos mesmos administradores da exAlstom Brasil (atual Alstom Hydro Energia Brasil Ltda.), conforme 6ª alteração do seu Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 14 13 contrato social (Doc. 13) e 20ª alteração do contrato social da Alstom Brasil (Doc. 6); embora com membros em comum, pois continuavam a integrar o mesmo grupo, os conjuntos de administradores não eram os mesmos; 13 por fim, pouco tempo depois, nem mesmo seu controle societário era o mesmo que o da exAlstom Brasil, pois enquanto continuou controlada pela Alstom Espana IB, SL (Doc. 14), o setor "Hydro" passou ser detido pela já mencionada joint venture, de modo que a Alstom Hydro Energia Brasil Ltda. tornouse controlada da Alstom Hydro Holding (jointventure com 50% do Grupo Alstom, e 50% da Bouygues); 14 assim, existiam razões negociais para justificar as operações societárias de 2006; portanto, o fato de ter surgido alguma "vantagem tributária" por conta dos atos praticados perde importância, não passando de efeito colateral positivo, mas que não foi a causa desses atos; afinal, nenhum grupo empresarial do mundo desejaria entrar em crise, quase falir, implorar por ajuda do governo francês, apenas para aproveitar prejuízos fiscais acumulados no Brasil; 15 nem a teoria do “business purpose” obriga o contribuinte a "jogar fora" benefícios fiscais; o que não se admite, segundo essa teoria, é que o contribuinte adote condutas com o único objetivo de obter vantagens fiscais que, do contrário, não lhe tocariam; neste caso, não há dúvidas de que todos os fatos ocorridos em 2006, envolvendo o grupo, possuem origem em circunstâncias empresariais, econômicas, não relacionadas à busca ardilosa de benefícios fiscais ilegítimos; 16 na verdade, é até duvidosa a afirmação de que a "manutenção" dos seus prejuízos fiscais seria uma vantagem tributária, passível de ser buscada mediante planejamento tributário, pois tais prejuízos poderiam vir a ser compensados, independentemente da reorganização societária; notese: no caso de empresa já desativada, sem qualquer possibilidade de voltar a operar, podese vislumbrar a adoção de medidas tendentes à "comercialização" de prejuízos fiscais (como parece ter ocorrido no caso objeto do acórdão CSRF/0102.107); em resumo: não é razoável supor que uma empresa de um grande grupo desenvolva esforços apenas para ter vantagem fiscal ilegítima; 17 assim, ainda que se adote a teoria do “business purpose”, a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL próprios, em 2007, não pode ser condenada, pois não foi a causa dos eventos societários em tela, de modo que descabe a acusação de simulação; 18 eis os quadros de resumo: Business Purpose? Sim Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 15 14 I crise do grupo Alstom no início dos anos 2000; II plano de socorro aprovado pelo governo francês/Comissão Européia; III condição: jointventure para atividades "Hydro"; IV reflexo no Brasil: necessidade de cisão da Alstom Brasil; V versão do acervo cindido para a impugnante: empresa existente há 40 anos, devidamente habilitada para assumir as atividades "NonHydro", com balanço saudável para participar de licitações; Impugnante Assumiu o Nome da Alstom Brasil? Não Nome da Impugnante Nome da Alstom Brasil Alstom Brasil Energia e Transporte Ltda. Alstom Hydro Energia Brasil Ltda. Impugnante Assumiu a Sede da Alstom Brasil? Não Sede da Impugnante Sede da Alstom Brasil Al. Campinas, 463, 14° and., SP, SP Av. Carlos Schneider, s/n, Taubaté, SP Impugnante Abandonou Seu Objeto Social, Passando a Explorar apenas o Objeto Social da Alstom Brasil? Não I não houve supressão das atividades originais da impugnante; II houve, apenas, a adição de novas atividades; III após reestruturação do grupo, inexiste identidade entre os objetos sociais da impugnante e da Alstom Brasil; Identidade entre as Administrações da Impugnante e da Alstom Brasil? Não Administração da Impugnante Administração da Alstom Brasil: Isidro Quinonero Carlos Alberto Cardoso de Almeida Carlos Vera Y Domingues Carlos Vera Y Domingues José Antônio Fernandes Michel Boccaccio Bernard Franchel Bernard Franchel Carlos Capistrano César Guimarães Luiz Eduardo Leite Luiz Eduardo Leite Stephane Ferey Identidade entre os Controladores da Impugnante e da Alstom Brasil? Não Controlador da Impugnante Controlador da Alstom Brasil Alstom Espana IB, SL Alstom Hydro Holding Simulação? Não, quer se adote os precedentes jurisprudenciais, quer se adote a teoria do “business purpose” 19 diferentemente do que ocorre em casos de incorporação às avessas simulada, não perdeu sua identidade empresarial, "transformandose" na incorporada; o absurdo dessa suposição, neste caso, reside no fato de que a cindida continuou tendo vida própria, distinta da sua, embora ambas do mesmo grupo; “Tentese vislumbrar na Impugnante, após a versão do acervo cindido, a própria empresa cindida, e nenhuma coincidência será constatada.” (sic); 20 a Câmara Superior de Recurso Fiscais já reconheceu que um dos objetivos de operação societária pode ser a manutenção dos prejuízos fiscais acumulados; Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 16 15 21 portanto, a cisão da Alstom Brasil, bem como a versão do acervo cindido à Impugnante foi real, razão pela qual deve ser cancelada a autuação, não só porque a fiscalização nada provou, mas também porque, embora não incumbisse a si o ônus probandi, demonstrou que não houve simulação e que, ao contrário do que afirmado, há, sim, propósito negocial; 22 não cabe a multa de 150%, pois assim como não foi comprovada a simulação, tampouco o foi o "evidente intuito de fraude", não tendo sido esclarecida a conduta, dentre as dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/62, e tampouco há descrição da infração subjetiva que teria sido cometida, para caracterizar o evidente intuito de fraude; os tipos legais em tela requerem o dolo, que não pode ser presumido; ou seja: ainda que tivesse errado ao entender que poderia compensar os seus próprios prejuízos fiscais, não esteve imbuída do dolo específico de prejudicar o Fisco, sem o qual não se pode majorar a penalidade; quando foi analisado caso semelhante e se decidiu pela existência de simulação, foi afastada a penalidade agravada, diante da ausência do evidente intuito de fraude, conforme o acórdão n° 103.21.046, do Primeiro Conselho de Contribuintes; 23 há que se excluir, por ser ilegal, a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme argumentos de praxe; É o relatório. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 ILEGALIDADE. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Tal cobrança não faz parte do presente litígio, visto que não consta da autuação, razão pela qual não será examinada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. REORGANIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Os elementos evidenciam que as operações societárias foram simuladas e que não possuíam qualquer propósito negocial. MULTA DE 150%. O cuidadoso planejamento das operações simuladas e sua dispersão no tempo evidenciam o intuito de fraude. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. PERÍODOS ANTERIORES. Não cabe a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, seja por ter havido simulação, seja pela mudança no seu controle societário concomitante à alteração de seu objeto social. AUTO REFLEXO. CSLL. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração estabelecidas para o IRPJ. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 17 16 Inconformado, o contribuinte, cientificado em 19/01/2012 (fl.832) apresentou recurso voluntário ao CARF em 16/02/2012 (fls.833 e ss.) em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, alegando, em síntese, preliminarmente, a nulidade da decisão por cerceamento da defesa, por ter implementado inovação fática e jurídica à autuação. No mérito, (i) aponta a improcedência da acusação de simulação em razão de suas próprias fragilidades; (ii) subsidiariamente, sustenta o propósito negocial da reorganização societária em que se envolveu a recorrente; (iii) aduz a inaplicabilidade do art. 513 do RIR/99, pela interpretação teleológica do termo “cumulativamente”; (iv) alega o descabimento da multa agravada de 150%; (v) ao final, questiona a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Em contrarrazões, a PGFN sustenta, em síntese, inicialmente, que não houve inovação promovida pelo julgador de piso, senão a confirmação da simulação que fundamentou o auto de infração desde o início, tendo sido mantidos os fundamentos fáticos ou jurídicos do lançamento, que continuaram sendo a ausência de propósito negocial nas operações de cisão e incorporação, notadamente pelo caráter reverso desta última, com o objetivo único de manter aproveitáveis os prejuízos e bases negativas, ao arrepio da legislação. Sustenta estar correta a conclusão da DRJ no sentido de que o cuidadoso planejamento, inclusive quanto à dispersão, no tempo, de todas essas operações societárias, evidenciam o intuito de fraude, de modo que está correta a multa de 150%. Acrescenta que, no caso concreto, a compensação levada a efeito ainda encontra óbice no art. 513 do RIR/99. Rechaça o argumento da recorrente de que o ramo de atividade da empresa sempre foi o mesmo, qual seja, o setor de infraestrutura. Considerar que a atividade de fabricar, projetar, reparar, recondicionar e montar equipamentos elétricos e/ou hidráulicos, ainda que estes venham a ser usados em obras de infraestrutura, não se confunde com atividades do setor de infraestrutura propriamente ditas, as quais somente passaram a fazer parte do objeto social a partir de 2006. Ademais, a alteração do controle societário (que não foi contestado), e a proibição prevista no art. 513 do RIR/99, representa mais um fator impeditivo da compensação dos prejuízos acumulados pela Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (antigo nome da recorrente) até 28/03/2006. Por fim, afirma que é legal e válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Após incluído o processo na pauta da sessão de outubro de 2013, a recorrente peticionou pela retirada de pauta, alegando que a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao verificar a existência de conexão, convertera em diligência o julgamento de outro processo da mesma empresa, para que a unidade de origem anexasse o presente processo àquele, para que fossem julgados conjuntamente. Instada, pelo Presidente da Turma, a se manifestar sobre o pedido de retirada de pauta, esta relatora verificou que a DRJ, naquele caso, vinculou expressamente os processos, confirmando a dependência em relação a este processo, deixando claro que este é o principal e aquele, o decorrente, consoante se vê a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. PERÍODOS ANTERIORES. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 18 17 Não cabe a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, pois não há certeza desse direito, que depende da decisão definitiva do processo de n.º 19515.720671/201180, no qual foi “zerado” o saldo de prejuízos fiscais acumulados até 30/04/2006. Diante disso, concluiuse que, muito embora exista a conexão, não cabe falar em redistribuição, nos termos do art. 49, §7º do RICARF (“§ 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.”), visto que o processo principal já fora distribuído através de sorteio e incluído em pauta de julgamento. Nesse caso, o julgamento do processo decorrente é que dependerá da decisão definitiva deste processo principal, inexistindo razão para a retirada de pauta. É o relatório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 19 18 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. PRELIMINAR Da nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa A recorrente alega que a DRJ implementou inovação fática e jurídica à autuação, o que lhe teria cerceado o exercício do direito de defesa, ao indicar a contradição nos argumentos utilizados pela então impugnante para justificar o propósito negocial de suas operações societárias. Verificase que a DRJ destacou a inexistência de propósito negocial, a qual, na verdade, constou como fundamento indireto da autuação, decorrente da análise dos casos de planejamento tributário diuturnamente fiscalizados. Essa constatação pela autoridade julgadora em nada inovou na acusação fiscal, representando apenas mais um argumento para mantêla. Inexiste alteração dos critérios jurídicos ou fáticos do lançamento, nem em cerceamento de defesa, quando a decisão recorrida se limita a justificar o não acolhimento dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua defesa, sem aperfeiçoar o lançamento. Ademais, a qualidade da defesa apresentada atesta a inexistência de prejuízo à defesa, afastando a incidência do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Diante disso, rejeitase a preliminar de nulidade. MÉRITO Conforme relatado, o procedimento fiscal pretendeu verificar a regularidade da operação de incorporação, pela recorrente, de uma parte cindida da empresa ALSTOM BRASIL LTDA., CNPJ n° 44.682.318/000175, em 30/04/2006. Constatouse que a recorrente Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (controlada, deficitária) incorporou parte da ALSTOM BRASIL LTDA. (controladora, superavitária). Ao final da análise, a autoridade fiscal concluiu pela “inexistência de motivação plausível do ponto de vista negocial para a efetivação da cisão/incorporação, promovida pela fiscalizada e sua controladora, restando apenas como motivação o ganho tributário que seria obtido por meio dessa engenharia tributária, sendo a forma utilizada simulação, cujo único objetivo é a obtenção de ganho tributário e o conteúdo dessa operação todo motivado pelo referido ganho”. Em razão, disso, glosou os saldos de prejuízo fiscal e base negativa a compensar, apurados até 30/04/2006, pois a cisão parcial e a versão da parte cindida à recorrente (incorporação às avessas) eram operações societárias simuladas, sem propósito negocial. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 20 19 Sobre a compensação de prejuízos fiscais na incorporação às avessas, cumpre referir que o art. 33 do DecretoLei nº 2.341/87 e o art. 514 do RIR/99 prevêem que a “pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida”. Assim, com base na leitura destes artigos, uma empresa lucrativa que incorpore uma empresa deficitária, não pode compensar prejuízo desta. Diante desta proibição, muitas empresas passaram então a realizar a “incorporação às avessas”, denominação dada à operação em que uma empresa deficitária incorpora uma empresa lucrativa e compensa seu prejuízo com o lucro apurado pela incorporada, sob a alegação de omissão da lei sobre o assunto. A resolução do presente litígio impende verificar se a incorporação realmente ocorreu tal como formalizada (com a empresa deficitária incorporando a superavitária) ou se ocorreu mera simulação (encobrindo o verdadeiro negócio, em que a empresa superavitária incorporava a deficitária) para o fim exclusivo de compensação dos prejuízos fiscais. Para isso, cumpre analisar o modelo de planejamento tributário adotado no caso. Marco Aurélio Greco, reconhecido como uma das maiores autoridades no assunto, em sua obra Planejamento Tributário (São Paulo, Dialética, 2004), que se tornou referência nacional, aduz que, em planejamento tributário “ [...] ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto)." Na referida obra, o doutrinador apresenta um conjunto de situações ou operações que, segundo ele, merecem uma atenção particular do intérprete, antes que se possa considerálas como procedimentos autênticos de planejamento tributário, dentre elas: (a) Operações estruturadas em seqüência; (b) Operações invertidas; (c) Operações entre partes relacionadas; (d) Uso de sociedadesveículo; (e) Deslocamento da base tributável; (f) Substituições jurídicas; (g) Neutralização de efeitos indesejáveis; (h) Ingresso de sócio seguido de cisão seletiva; (i) Ágio de si mesmo; (j) Empréstimo ao invés de investimento; (k) Operações interestaduais de ICMS sem trânsito; (1) Criação de distribuidoras e base de cálculo do IPI; (m) Autonomização de operações; (n) Outras (ato normal de gestão, negócios indiretos ou fiduciários, redesenhos societários sucessivos, operações recíprocas). No caso concreto, os fatos foram bem resumidos pela decisão recorrida, cujo trecho do voto se reproduz abaixo: A então controladora da impugnante efetuou, em 2006, uma cisão parcial, vertendo à impugnante parte de seu patrimônio. Ocorre que a impugnante possuía expressivos saldos de prejuízo fiscal e base negativa a compensar, que foram utilizados, já em 2007. A fiscalização entendeu que tais saldos, apurados até 30/04/2006, deviam ser glosados, pois a cisão parcial e a versão da parte cindida ao interessado (incorporação às avessas) eram operações societárias simuladas, sem propósito negocial. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 21 20 A impugnante, por seu turno, admite que os saldos de prejuízo fiscal e base negativa a compensar influenciaram suas decisões, mas nega: 1 que isso seja vedado; 2 existir simulação, da qual não haveria prova; 3 a inexistência de motivação negocial, para a: cisão da ex controladora, que decorreria da necessidade de separar as atividades do setor de geração de energia hidroelétrica (dito “Hidro”), em vista de acordos, no âmbito do governo da França e da Comunidade Européia, que obrigariam o grupo Alstom a, dentre outras providências, criar uma “jointventure” nesse setor, com participação paritária com outra empresa (no caso, a francesa Bouygues); em conseqüência, as atividades do setor “Hidro” foram mantidas na excontroladora; e, para a incorporação das atividades do setor “NonHidro” pela impugnante, pois não faria sentido criar uma nova empresa se já havia outra empresa do grupo, no Brasil, apta a absorvêlas. Como relatado, a recorrente sustenta que as operações engendradas se justificam diante da necessidade de formação de uma joint venture para gerir os negócios de energia hidrelétrica, conforme imposição da Comissão Européia. Segundo ela, a cisão da Alstom Brasil teria sido produzida a fim de segregar as atividades Hydro da demais atividades da empresa, passando o controle da parte da empresa responsável pelos negócios Hydro à joint venture formada entre o grupo Alstom e a Bouygues, sendo a parte restante da Alstom Brasil incorporada pela recorrente. Essa incorporação final representou um fato atípico: a incorporação de empresa superavitária (controladora) por empresa deficitária, por ela controlada. Uma operação estruturada como a que está sendo examinada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias exigem que a operação seja apreciada como um todo sem que se perca de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa que integra a operação global. As operações entre partes relacionadas, como estas, segundo o magistério de Marco Aurélio Greco, merecem cuidadosa análise, tendo em vista a real possibilidade de que a causa da operação vise unicamente obter algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado, pois quando se está analisando operações entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário, não se pode ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Neste sentido, o reconhecido doutrinador alerta que merece atenção a ocorrência de alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 22 21 deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não causam alterações substanciais. Isto é, operações mediante as quais jurídica e patrimonialmente o grupo permanece inalterado; a única consequência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Assim, o foco da análise deve ser a eficácia do negócio jurídico perante o Fisco, ou seja, sua oponibilidade ou inoponibilidade ao Fisco. Na atual fase do debate sobre planejamento tributário, passase a dar maior relevância às formas lícitas dos negócios jurídicos, buscandose levantar o conteúdo, motivo e finalidade destes. A princípio, qualquer motivo extratributário, não somente aqueles de ordem negocial, mas também de ordem familiar, econômica, política etc., pode ser alegado para justificar determinado negócio realizado. Tratando do tema, o mesmo Greco (2008, p. 115) cita justamente o exemplo da incorporação às avessas, considerando que, enquanto a incorporação é instituto lícito expressamente previsto no ordenamento, a forma da sua utilização, uma incorporação às avessas — em que uma empresa deficitária incorpora uma empresa superavitária para fins de compensação de prejuízos fiscais — pode trazer dúvidas quanto a estar ou não dentro do perfil “normal” do instituto, para fins de oponibilidade ao Fisco. Sobre a questão dos motivos, ainda consoante a lição de Greco, devese perguntar se o motivo: a) é existente (se existia de verdade), b) é pertinente (se tinha a ver com o ato praticado e a alternativa menos onerosa), c) é suficiente (para fundamentar o modo e o momento em que o ato foi praticado), d) é congruente (para atingir o objetivo adequado diante daquele quadro). Em outras palavras, para se aferir o limite às operações de planejamento tributário, é preciso responder às seguintes questões: 1) existe motivo para a realização do ato ou negócio jurídico? 2) o motivo é extratributário? 3) o motivo seria suficiente para a realização do negócio nos moldes que foi feito? Neste ponto, é de se concordar com a conclusão da DRJ, segundo a qual: Há de se destacar, ainda, que os documentos trazidos aos autos – notadamente a decisão da Comissão Européia (doc. 3), repleta de reticências (vide parágrafo 97 e article 2.4, do dispositivo da decisão) – não deixam claras as circunstâncias e condições em que se determinou a necessidade de segregação das atividades Hydro e formação da joint venture. O que emerge cristalino dos documentos constantes dos autos é que a segregação das atividades Hydro teve vida curta (característica própria dos planejamentos abusivos, como visto acima), diante das alterações societárias e estatutárias que em pouco tempo levaram tudo ao status quo ante: o grupo Alstom mantendo o controle sobre todas as atividades de infraestrutura relevantes Hydro e nonHydro, concentradas em uma única empresa no Brasil. .................. A recorrente alega que não havia sentido em incorporar uma empresa que fazia parte do grupo Alstom desde 2001, inscrita regularmente no CNPJ e no CREA, com saúde financeira que lhe Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 23 22 permitia assumir as atividades cindidas e participar de licitações. No entanto, tais características também eram encontradas na empresa cindida – que, aliás, contava com melhor saúde financeira do que a autuada –, de modo que a constituição de uma sociedade a partir do patrimônio cindido manteria tais características, incorporasse ela a autuada ou não. ........... Como já mencionado, no caso em apreço, não se verifica o propósito negocial que justifique a inversão praticada no ato de concentração, com a controlada deficitária incorporando a controladora superavitária. Somese a isso: i) o fato de que algum tempo depois, o objeto social da autuada passou a contemplar o exercício das atividades Hydro; ii) o fato de que o controle acionário das duas partes da empresa cindida (da Alstom Hydro e da parte incorporada à autuada) voltaram a ser exclusivamente do Grupo Alstom, por intermédio da Alstom Espana e da Alstom Hydro Holding, apenas poucos anos depois da cisão (o grupo Bouygues deixou a Holding em troca de ações do Grupo Alstom). Estes fatos põem em cheque os fundamentos da própria cisão, e não apenas da incorporação inversa. ........... O único efeito prático verificado foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado na Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (que posteriormente teve a denominação alterada para Alstom Brasil Energia e Transporte – a autuada), mediante incorporação, por ela, da parte cindida da Alstom Brasil, cheia de lucros que podiam ser compensados. Nesta seara, não procede o argumento da recorrente no sentido de que não teria havido alteração do ramo de atividade por ela exercido. Dos autos se extrai que, de fato, ocorreu uma relevante alteração no ramo de atividade exercido pela recorrente (antes denominada Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda), sendo que, até a 5ª alteração contratual, ocorrida em 28/03/2006, tinha como objeto social: i) projetar, reparar, recondicionar e montar manufaturados, estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição e acessórios, fabricar aparelhos em geral, maquinários, complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, podendo, ainda, comercializar, representar ou exportar no ramos das atividades supra mencionadas; ii) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista". Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 24 23 Após a referida alteração, a recorrente passou a ser denominada Alstom Brasil Energia e Transporte ltda., e ter o seguinte objeto social: i) projetar, fabricar, reparar, recondicionar. modernizar, montar, comissionar equipamentos e sistemas de transporte metro ferroviários; estruturas metálicas, máquinas hidráulicas, térmicas, elétricas, bem como peças de reposição e acessórios, aparelhos em geral, maquinários. complementos e acessórios elétricos conexos à produção de energia elétrica, equipamentos e sistemas de tratamento de ar, gases e líquidos para controle ambiental em indústrias, irrigação e saneamento básico, estações de bombeamento, secagem industrial, tratamento de superfície e transporte pneumático, locomotivas, motores elétricos, pontes rolantes e outros equipamentos de levantamento, equipamentos e máquinas em geral, principalmente os ligados direta e indiretamente a transportes terrestres, sistemas elétricos de propulsão para veículos rodoviários (trólebus) e ferroviários (metrô e trens de subúrbio), equipamentos e sistemas destinados à geração, medição e controle de processos de energia e suas aplicações, produtos eletrônicos, mecânicos e de caldeiraria, equipamento e peças mecânicas para a utilização em usinas geradoras de energia e indústrias em geral, equipamentos elétricos destinados aos mercados de saneamento, irrigação, indústria, peças, partes e sobressalentes para serem usados nos equipamentos e sistemas mencionados anteriormente; ii) Serviços afins à operação industrial da Sociedade, em especial, mas sem se limitar a esses, os de projeto, montagem, supervisão de montagem, comissionamento e gerenciamento de projetos relacionados à infraestrutura de energia e transporte metroferroviário, consultoria e assistência técnica, econômica e administrativa ligadas aos produtos e serviços elencados; iii) Comercialização, revenda, consignação, distribuição, importação e exportação, de produtos e serviços relacionados com o campo de energia e transporte metro ferroviário. Estes serviços poderão ser prestados diretamente pela Sociedade, ou através de terceiros; iv) Representação comercial, intermediação e agência de produtos nacionais e estrangeiros, por conta própria ou de terceiros, relativas aos produtos e serviços elencados acima; v) participação em quaisquer outras sociedades como sócio, quotista ou acionista, bem como a administração, por conta própria ou de terceiros, de bens e valores mobiliários e imobiliários; vi) pesquisas, estudos de viabilidade técnica e econômico, projetos, supervisão de projetos; vii) Outros serviços, inclusive com emprego de explosivos, relacionados ao seu campo industrial e operacional; viii) obras civis; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 25 24 ix) locação de bens móveis. Muito embora a recorrente argumente que o ramo de atividade da empresa permaneceu o mesmo: o setor de infraestrutura, verificase que as antigas atividades de fabricar, projetar, reparar, recondicionar e montar equipamentos elétricos e/ou hidráulicos, ainda que estes venham a ser usados em obras de infraestrutura, não se confundem com atividades do setor de infraestrutura propriamente ditas, as quais somente passaram a fazer parte do objeto social a partir de 2006, destacandose os seguintes exemplos: “comissionar equipamentos e sistemas de transporte metro ferroviários, (...) sistemas de tratamento de ar gases e líquidos para controle ambiental em industrias, irrigação e saneamento (...), equipamentos e sistemas destinados à geração (...) de energia, (...) gerenciamento de projetos de infraestrutura de energia e transporte metroferroviário, (...) obras civis”. Como se vê, o ramo de atividade da empresa passou de manufatura e manutenção de equipamentos elétricos para realização de obras e projetos de infraestrutura urbana. Tal alteração evidencia que o objeto social predominante após a incorporação é o da empresa incorporada (com a agregação das atividades relativas ao ramo de infraestrutura urbana, de equipamentos para meios de transportes, de gerenciamento de projetos, entres outros) e não o da incorporadora (recorrente). Com isso, são afastadas as razões negociais alegadas como suporte à incorporação da controladora pela controlada. Ademais, é fato incontroverso que a recorrente passou a ser controlada, logo após a cisão, pela ALSTOM ESPANA IB, SL. Assim, diante da alteração do controle societário da recorrente e do seu objeto social, conforme a comparação retro entre a 4ª (23/12/2005, às fls. 7 a 18) e a 5ª alteração do contrato social (23/12/2005, às fls. 19 a 55), a compensação levada a efeito ainda encontra óbice no art. 513 do RIR/99, que dispõe expressamente sobre a vedação: Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Diante disso, o filme mostra que a incorporação reversa, ou seja, da empresa superavitária pela deficitária não possuía outro propósito senão o imediato aproveitamento dos prejuízos acumulados na recorrente para reduzir a carga tributária sobre os expressivos lucros da parcela cindida da Alstom Brasil. Como se extrai dos autos, não se verifica propósito negocial apto a justificar a incorporação de uma controladora superavitária por uma controlada deficitária, quando o único efeito prático verificado com a incorporação reversa foi o aproveitamento imediato do prejuízo fiscal acumulado na Alstom Elec Equipamentos Elétricos Ltda (atual Alstom Brasil Energia e Transporte, ora recorrente). Assim, deve ser mantida a autuação. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 26 25 Da multa agravada No caso dos autos, foi aplicada a multa de 150%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente para os anoscalendário a que se referem as infrações, cujos excerto de interesse transcrevese a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos inc. II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 27 26 a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Sobre o tema, assim se manifestou a DRJ: A impugnante alega que não há prova da simulação, mas isso não é verdade, como se verá a seguir. O exame da 13ª alteração do Contrato Social da impugnante (Doc. 01, de fls. 338 a 358) mostra que a ALSTOM ESPANA IB, SL e a ALSTOM HYDRO HOLDING eram as únicas sócias da impugnante em 18 de abril de 2011, que tinha como objeto social: “i) Projetar, fabricar, reparar, recondicionar, modernizar, montar, comissionar equipamentos e sistemas de transporte metroferroviários, equipamentos para geração de energia hidroelétrica, equipamentos hidromecânicos, estruturas ....... Ou seja: em algum momento entre o registro na JUCESP da 7ª alteração do contrato social (20/08/2007, às fls. 57 a 82) e a data de elaboração da 13ª alteração do contrato social (18/04/2011, às fls. 338 a 358) da impugnante, as atividades conexas à fabricação de equipamentos para geração de energia hidroelétrica (ditas “Hidro”) foram incluídas entre as atividades da impugnante. Além disso, a ALSTOM HYDRO HOLDING foi a empresa que: 1 passou a deter, logo após a cisão, o controle direto da ex controladora da impugnante, e que, conforme a tese da defesa e o Doc. 08 (fls. 464 a 601), deveria ter seu controle compartilhado com o grupo Bouygues, nas atividades do setor dito “Hidro”; e, 2 em algum momento entre a 7ª e a 13ª alteração do contrato social, passou a deter mais de 40% de participação societária na impugnante, conforme fl. 344. Assim, algum tempo após as operações societárias em tela, foram incluídas no objeto social da impugnante as atividades ditas “Hidro” e a ALSTOM HYDRO HOLDING, que deveria, em tese, cuidar apenas dessas atividades, passou a deter expressiva participação societária na impugnante. Com isso fica claro que a cisão/incorporação tinha por único objetivo aproveitar os saldos de prejuízo fiscal e de base negativa e que a tese de segregação das atividades “Hidro” e “NonHidro” não possui respaldo fático. O tempo e os fatos demonstraram que não havia propósito negocial nas operações de cisão/incorporação e que estas foram simuladas. Assim, no caso concreto, temos: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 28 27 1 o motivo sério e importante para a simulação é a posssibilidade de compensar rapidamente saldos expressivos de prejuízo fiscal e base negativa; 2 a falta de execução material do contrato é evidenciada pela inclusão, pouco tempo após as operações societárias, das atividades do setor “Hidro” no objeto social da impugnante; 3 a conduta das partes mostra que a empresa que deveria concentrar a gestão de empresas voltadas para as atividades do setor “Hidro” (em parceria com a Bouygues), pouco tempo após as operações societárias, detinha expressiva participação societária na impugnante; 4 o objeto dos negócios diverge absolutamente, pois o negócio que deveria ter sido efetuado por meio das operações societárias (segregação das atividades do setor “Hidro”) na realidade não ocorreu, tendo apenas existido “próforma”. O cuidadoso planejamento, inclusive quanto à dispersão, no tempo, de todas essas operações societárias, evidenciam o intuito de fraude, de modo que está correta a multa de 150%. A doutrina distingue a elisão da evasão. Consoante lição de Ricardo Mariz de Oliveira (in "Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda", Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004), a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal, nos seguintes termos: A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados. Nessa toada, o referido doutrinador, na mesma obra, considera os indicativos de um ato simulado: A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida [...] se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 29 28 No caso concreto, a sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e, especialmente, o retorno ao status quo ante revelam que nunca houve a intenção real de incorporar, de fato, a empresa superavitária. Assim, é evidente que o conjunto de operações descritas no presente processo foi articulado, dolosamente, pela recorrente em conjunto com outras pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, com o único propósito de criar, formalmente, uma situação que reduzisse a tributação sobre os lucros do grupo. A existência de simulação em casos como este já foi reconhecida no âmbito administrativo, podendo ser referido o seguinte julgado do antigo Conselho de Contribuintes: SIMULAÇÃO — CONJUNTO PROBATÓRIO — Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA— O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA— O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA— SIMULAÇÃO — MULTA QUALIFICADA — Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art.44 II, da Lei n°.9.430, de 1996). (Acórdão n°.: 10421.675, sessão de junho de 2006) Ademais, em caso similar ao presente, o E. Superior Tribunal de Justiça manteve o entendimento do tribunal a quo que entendeu presente a simulação no negócio jurídico, confirmando o procedimento fiscal de glosa dos prejuízos fiscais da "incorporadora" com lucros da "incorporada", consoante o julgado abaixo colacionado: STJ RECURSO ESPECIAL 2007/00926564 25/08/2009 Superior Tribunal de Justiça STJ T2 SEGUNDA TURMA (Data da Decisão: 25/08/2009 Data de Publicação: 31/08/2009) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 25/08/2009 Data da Publicação/Fonte : DJe 31/08/2009 Ementa : PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 30 29 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ.1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa [Comercial Ltda]. formalmente incorporou [S/A] (posteriormente incorporada pela recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a [S/A] que incorporou a [Comercial Ltda]. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Comercial Ltda pela S/A), seria impossível a compensação de prejuízos realizada,nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987.4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados ([Comercial Ltda]) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da [S/A] (empresa financeiramente sólida) pela [Comercial Ltda](empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a [S/A] que incorporou a [Comercial Ltda]. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de [Comercial Ltda]e [S/A], a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ.13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Da mesma forma, na situação dos autos, como exposto, verificase a presença de motivos para a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser mantida no patamar de 150%. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 31 30 Dos juros sobre a multa de ofício A recorrente ainda se insurge, subsidiariamente, sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, alegando a falta de previsão legal. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado em sentido oposto a essa tese, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 32 31 (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 4 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 33 32 débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 34 33 sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1° do art.161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n° 10.522/02, para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ......................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma intepretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, concordo com as colocações da Fazenda Nacional quando afirma que fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 35 34 Vêse que todos os argumentos retro mencionados convergem para a conclusão de que é perfeitamente legal e válida a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, aplicandose a taxa de juros Selic. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 36 35 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator designado Trata o presente voto apenas do julgamento de juros sobre a multa de ofício, objeto de impugnação específica. Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 37 36 Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 38 37 valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 39 38 restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 40 39 direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 41 40 (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 42 41 nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por conseqüência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 43 42 Lei n° 9.430, de 1996. Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 44 43 juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.720671/201180 Acórdão n.º 1202001.060 S1C2T2 Fl. 45 44 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19515.003050/2003-28
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.099
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.003499/2004-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PREJUÍZOS COMPENSADOS. SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR.
A inexistência do saldo de prejuízo a compensar no ano-calendário de 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento de ofício relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento fiscal foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, situação que tem como desdobramento a apuração de saldo suficiente ao final do ano-calendário de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1103-001.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade.
Assinado Digitalmente
Eduardo Martins Neiva Monteiro No Exercício da Presidência
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade. Assinado Digitalmente Eduardo Martins Neiva Monteiro No Exercício da Presidência Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR. A inexistência do saldo de prejuízo a compensar no anocalendário de 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento de ofício relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento fiscal foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, situação que tem como desdobramento a apuração de saldo suficiente ao final do ano calendário de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade. Assinado Digitalmente Eduardo Martins Neiva Monteiro – No Exercício da Presidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 99 /2 00 4- 77 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.026 2 Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face da decisão da 2ª Turma da DRJ/Brasília (fls. 994/1000), que apresentou a seguinte ementa: PREJUÍZOS COMPENSADOS. SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR. A inexistência do saldo de prejuízo a compensar em 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, havendo, por conseguinte, saldo suficiente ano final de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte. De acordo com o Termo de Verificação de Infrações de fls. 187/190, o lançamento de ofício em análise decorreu de glosa integral da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores por insuficiência de saldo a compensar. Por sua vez, a ausência do saldo foi resultado de reversão de prejuízos em razão de lançamento de ofício de infrações constatadas nos períodosbase de 1993, 1994 e 1995, materializado pelo auto de infração lavrado em 1996 e formalizado nos autos do processo 10880.030038/9617. Nesse sentido, em razão da reversão dos prejuízos fiscais referentes aos períodos base de 1993, 1994 e 1995, o saldo de prejuízos fiscais relativo ao anocalendário de 1999 foi glosado, resultando na lavratura do auto de infração de IRPJ de fls. 191/195, cuja ciência pessoal deuse em 27/12/2004. Foi apresentada impugnação de fls. 200/224 em 21/01/2005, no qual discorre o sujeito passivo sobre os pontos relacionados a seguir. Preliminares. Conforme documento anexo, em 20/05/91 ajuizou Medida Cautelar Preparatória de Depósito visando ao reconhecimento do direito de pagar as quotas vincendas do 1RPJ e da CSLL com base na variação do IPC, desconsiderando, pois, a aplicação do BTNF e da TRD; Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.027 3 Em 29/05/91 foi deferida a medida liminar pleiteada, mediante realização de depósito judicial dos valores em discussão, correspondentes à diferença entre o IPC e o BTNF, sem aplicação da TR; Em 28/06/91, ajuizou Ação Declaratória cumulada com Condenatória pelo procedimento ordinário, visando ao reconhecimento do seu direito de proceder a dedução da parcela da correção monetária correspondente à diferença IPC/BTNF a partir do anobase de 1990 na apuração do CSLL e IRPJ, assim como a condenação da Fazenda Nacional à aceitação de tal procedimento; Em 24/02/93 foi proferida sentença julgando procedente o pedido nos autos da Medida Cautelar de Depósito, determinando que fossem mantidos os depósitos judiciais efetuados até o trânsito em julgado da ação principal. Em 20/04/94 foi proferida sentença julgando parcialmente procedente o pedido formulado nos autos da ação principal; Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso de Apelação Cível ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região da medida cautelar e da ação principal, sendo que a requerente interpôs recurso de Apelação Cível somente dos autos da ação principal; Em 05/08/98, o TRF deu integral provimento à apelação da requerente nos autos principais, negou provimento à remessa oficial e à apelação da Fazenda Nacional na principal e deu por prejudicado o reexame necessário e o apelo da Fazenda na cautelar; A Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF), o qual foi não foi admitido. Esta interpôs, então ,recurso de Agravo de Instrumento, o qual foi rejeitado pelo STF; Nesse ínterim, em 09/08/96, foi lavrado o auto de infração que originou o processo administrativo 10880.030038/9617; Do exame desse processo, fica evidente que a fiscalização federal optou por constituir o crédito tributário do IRPJ relativo aos anos 1993 a 1995 em decorrência do receio de que a requerente viesse a aproveitar em duplicidade de um mesmo beneficio já discutido nos autos da Medida Cautelar e da Ação Declaratória, e posteriormente autorizado pela Lei 8.200/91 (com a limitação temporal); Contra essa exigência apresentou impugnação, sendo proferida decisão de primeira instância, que julgou parcialmente procedente o lançamento. Visando à reforma dessa decisão, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes sob o nº 10880.002058/200334; Este processo, após determinação de baixa para a realização de diligências, encontra~se pendente de julgamento em virtude dos esclarecimentos prestados pela requerente, no sentido de que (1) não executou e nem possui interesse na execução do valor da condenação; (2) não se opõe à conversão dos valores depositados nos autos da medida cautelar em renda da União, e o faz independentemente de sua previa oitiva, tão logo se torne irrecorrível a decisão que julgar improcedente e cancelar o auto de infração que originou o processo 10880.030038/9617; (3) isto porque, tendo em vista o trânsito em julgado da decisão proferida na ação declaratória, a requerente apresentou petição em 23/01/2003 nos autos da medida cautelar manifestando sua concordância com a conversão dos valores depositados em renda. No mesmo sentido, manifestações semelhantes foram apresentadas nos autos da medida Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.028 4 cautelar em 17/03/2003, 05/03/2004 e 15/09/2004; (4) isto porque o benefício em discussão foi aproveitado pela requerente quando da edição da Lei 8.200/91, observando a limitação temporal imposta, sem trazer qualquer prejuízo ao Fisco. Tal procedimento certamente seria mais conservador em comparação àquele reconhecido nos autos da medida judicial, que autorizava as exclusões da diferença IPC/BTNF a partir de 1991; Atualmente, tanto os autos da medida cautelar como os da ação declaratória encontramse na secretaria da vara da seção judiciária aguardando o desfecho do processo administrativo 10880.030038/9617 (recurso voluntário 10880.002058/200334) perante o Conselho de Contribuintes, conforme os extratos de andamento e Certidão de Objeto e Pé em anexo; O auto de infração é nulo por ofensa à coisa julgada, o que é vedado pelo art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal de 1988 (CF/88); O auto de infração foi lavrado por autoridade fiscal incompetente, sendo nulo nos termos do art. 59, l do Decreto 70.235/72 (PAF) – o auto não poderia ter sido lavrado pela Divisão de Fiscalização II Comércio da Defic/SP, mas sim pela Divisão de Fiscalização I Indústria da Defic/SP, vez que sua atividade é eminentemente industrial, consoante Anexo Único da Portaria SRF 325/2003; O auto de infração é nulo por descrição imprecisa dos fatos e das supostas infrações cometidas, descumprindo requisitos do PAF. Mérito. Da impossibilidade de glosa da diferença de IPC/BTNF do anobase 1990 e a viabilidade de seu aproveitamento em l999 além de seu procedimento não ter trazido qualquer prejuízo ao fisco, já que superado o apontado risco de gozo de um mesmo beneficio em duplicidade, ainda veio a observar a constitucional limitação temporal imposta pela Lei 8200/91 (assim declarada pelo STF), para o fim das realizadas deduções decorrentes da diferença IPC/BTNF do anobase 1990. Não procede a afirmação de que a requerente não mais possuía saldo decorrente da diferença IPC/BTNF. Não apenas possuía saldo para promover a compensação na forma de prejuízos fiscais, decorrente do saldo negativo de diferença IPC/BTNF, conforme controlado no Lalur, como compensou no ano 1999 tais prejuízos fiscais dentro do limite legal de 30%. A ausência do saldo no Sapli decorre do lançamento e da posterior decisão de primeira instância nos autos do processo 10800.030038/9617,.ainda pendente de julgamento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. A documentação presente nos autos e perfeitamente suficiente para que se demonstre que os valores em questão decorrem de inquestionável saldo devedor de correção monetária IPC/ BTNF; Multa de oficio confiscatória; Inaplicabilidade da taxa Selic, Requer o sobrestamento do presente processo enquanto pendente de julgamento o processo administrativo 10880.030038/9617 (recurso voluntário 10880.002058/200334); Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.029 5 Pugna, se necessário, pela conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a veracidade dos fatos alegados na impugnação, mediante esclarecimentos e juntada de documentos complementares. Consta nos autos requerimento de fls. 961/963, protocolado em 12/09/2005, no qual o contribuinte junta o Acórdão 10194973 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido nos autos do processo 10880.00205834 (referente a recurso voluntário em face de Acórdão da DRJ/BA nº 2906/2003, proferido nos autos do processo 10880.030038/9617), que, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário. Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/Brasília decidiu, por meio do Acórdão nº 03 22.281, na sessão de 10 de setembro de 2007, julgar o lançamento improcedente. Tendo em vista que a exclusão de crédito tributário ocorreu em valor superior ao disposto na legislação vigente, o Presidente da Turma recorreu de ofício ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Tratase de recurso de ofício, interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ/Brasília, que julgou o lançamento de ofício improcedente. A matéria referese à glosa promovida pela Fiscalização na compensação de prejuízos fiscais no valor de R$8.058.424,56 efetuada pela contribuinte, referente ao ano calendário de 1999. De acordo com a autoridade autuante, no SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL, da Receita Federal, constava saldo zero de prejuízos fiscais. Ocorre que o prejuízo fiscal teve origem nos anoscalendário de 1993, 1994 e 1995. Na ocasião, obteve a contribuinte decisão judicial favorável no sentido de corrigir as demonstrações financeiras pelo índice do IPC/IBGE (em detrimento do BTNFiscal), e apurar os tributos sem a utilização da TRD. Contudo, com a edição da Lei nº 8.200, de 1991, passou a ser autorizada a correção monetária das demonstrações financeiras com base no IPC/IBGE. Nesse contexto, foi lavrado auto de infração, nos autos do processo administrativo nº 10880.030038/9617, visando evitar a utilização pela contribuinte, em duplicidade, da diferença apurada entre os índices IPC e BTNFiscal. Isso porque, de um lado, apurouse que sujeito passivo promoveu a dedução nos termos da Lei nº 8.200/1991 e, de outro, em razão da sentença favorável, poderia executar a sentença transitada em julgado. O auto de infração foi contestado pela contribuinte, tendo a DRJ/BA julgado parcialmente procedente o lançamento de ofício (Acórdão nº 02.906, de 23/01/2003). Da decisão foram interpostos recurso de ofício (processo nº 10880.030038/9617) e voluntário (processo nº 10880.002058/200334). O recurso de ofício teve provimento negado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, ou seja, foi mantida a exoneração de parte do lançamento Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.030 6 fiscal decidida pela decisão de primeira instância (Acórdão nº 10194.389). Por sua vez, foi dado provimento ao recurso voluntário, no Acórdão nº 10194.973, conforme ementa a seguir. DIFERENÇA IPC/BTNF SALDO DEVEDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO Tendo a pessoa jurídica obtido sentença favorável à sua pretensão, tendo inclusive ocorrido trânsito em julgado e, posteriormente, manifestado a desistência na execução da sentença, é de se cancelar o auto de infração lavrado para prevenir eventual utilização em duplicidade (da decisão judicial e, posteriormente, da dedução prevista pela Lei n° 8.200/91). Ocorre que, mesmo diante do trânsito em julgado administrativo, do processo que tratou dos anoscalendário de 1993, 1994 e 1995, a DeratSão Paulo não ajustou, no SAPLI, o saldo de prejuízos fiscais referente aos períodos, razão pela qual a Fiscalização, ao analisar o anocalendário de 1999, nos presentes autos, deparouse com o valor “zero”, e por isso glosou a utilização da contribuinte no valor de R$8.058.424,56. Mostrouse, portanto, acertada a decisão proferida pela DRJ/Brasília, que inclusive, teve a prudência de efetuar uma simulação no próprio sistema, como se pode observar na tela de fl. 990. Concluiu o relator do acórdão de primeira instância: 14. Uma vez que a Derat/SP não providenciou o acerto no Sapli como determina norma de execução da RFB, efetuei uma simulação no referido sistema, cujo demonstrativo está anexado à fl. 983, que indica claramente que o contribuinte possuía um saldo de prejuízo fiscal a compensar em 1999 de R$ 14.716.234,03. 15. Como a compensação realizada pelo contribuinte foi de R$ 8.058.424,56, resta considerar que o saldo existente era suficiente para tanto, sendo improcedente a glosa efetuada e, por conseqüência, o lançamento ora contestado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.031 7 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 15374.002881/99-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 12/01/1995 a 28/12/1995
ARTIGO 526, IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO
Fere o princípio da reserva legal e da tipicidade a generalidade que se encerra no referido dispositivo. A infração descrita no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro é de indefinido conteúdo, o que torna inaplicável para fins tributários.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3401-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Robson Bayerl e Júlio Ramos votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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A infração descrita no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro é de indefinido conteúdo, o que torna inaplicável para fins tributários. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Robson Bayerl e Júlio Ramos votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 28 81 /9 9- 27 Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 03/01/2008, que julgou procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, extinguindo o crédito tributário constituído. A matéria em discussão referese a auto de infração aduaneiro, no qual a contribuinte foi autuada por descumprir requisitos administrativos de contrato de importação, fazendo constar nas declarações de importação relativas ao ano de 1995 que o importador não seria vinculado ao exportador, valendose do Primeiro Método de Valoração Aduaneira. Segundo a fiscalização, a utilização deste método, entre empresas vinculadas, somente é admitido quando o importador demonstra que a vinculação não influenciou o preço, tendo esta conduta induzido o fisco a erro para a avaliação aduaneira dos bens importados. Em razão disso, foi aplicada em desfavor da autuada a multa prevista no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro. Em sede de impugnação (fls. 51 a 59), a contribuinte alega que o preço de transação é o valor aduaneiro correto para as importações efetivadas, sem que haja qualquer necessidade de adequação a outro método de valoração em razão da vinculação. Sustenta, ainda, que a vinculação efetuada não trouxe qualquer benefício ou vantagem econômica à impugnante ou prejuízo à arrecadação do fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu provimento ao pleito da contribuinte, julgando o lançamento improcedente. O acórdão restou assim ementado (fls. 68 a 74): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/1995 a 28/12/1995 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Não cabe a aplicação da penalidade prescrita no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05 de março de 1985, por não haver correlação entre a infração apontada no auto de infração e o dispositivo considerado como infringido. Lançamento Improcedente Por ser o valor do crédito tributário exonerado superior a R$ 1.000.000,00, os autos foram remetidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise de recurso de ofício da Fazenda Nacional, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532/1997 e pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 03/01/2008. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.002881/9927 Acórdão n.º 3401002.569 S3C4T1 Fl. 1.516 3 A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes manteve o entendimento esposado na primeira instância ao negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 101 a 103), com pedido de reratificação do julgado, sob a alegação de que a decisão de primeira instância foi proferida por pessoa incompetente, que atuou por delegação de competência (Portaria DRJ/RJ nº 7/99), e que, depois da edição da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 13, inciso II, passou a ser descabida a delegação dessa atribuição a outra pessoa que não o titular da DRJ. Em razão disso, os autos foram novamente remetidos a este Conselho, que proferiu acórdão acolhendo os embargos interpostos para anular o processo desde a decisão de primeira instância. Em novo julgamento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente a impugnação ofertada pela contribuinte, pelo que os autos foram novamente remetidos a este Conselho para apreciação de recurso de ofício, nos termos da legislação aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício foi respaldado pelo primeiro órgão julgador no art. 34 do Decreto 70.235/1971, no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, combinados com o art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007, abaixo colacionados: DECRETO 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. “ Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 DECRETO 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999 – REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. “ Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). II relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 1o No caso de decisão de autoridade delegada, o recurso de ofício será dirigido, por intermédio do delegante, à autoridade competente. (Renumerado com nova pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 2o O Ministro de Estado da Previdência Social poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.032, de 2007) § 2o O recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 3o O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.224, de 2007).” Portaria 158, de 11042007 “Art. 1o Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2o ,das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização;” A interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) sofreu modificação, conforme o artigo. 1º da Portaria MF 03/2008: Portaria MF 3, de 3 de janeiro de 2008 DOU de 7.1.2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.002881/9927 Acórdão n.º 3401002.569 S3C4T1 Fl. 1.517 5 Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, artigo 6º; a lei nova (latu sensu) é aplicada aos processos ainda em curso, observandose o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada: DECRETOLEI 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942. Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) Verifico que o valor apurado inicialmente pelo fisco foi de R$2.655.591,16 (dois milhões, seiscentos e cinquenta e cinco mil, quinhentos e noventa e um reais e dezesseis centavos). Dessa forma, constato que o débito deixou de ser exigido em sua totalidade, portanto, dentro do escopo da legislação que regia o recurso de ofício. Assim, conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o débito tributário exonerado à época que deu o seu ensejo foi superior ao limite determinado na Portaria MF 158/2007. DA MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Como mencionado no relatório, o processo ora em apreço já foi apreciado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, de acórdão da lavra da Conselheira Márcia Regina Machado Melaré, de quem adoto as razões de decidir, mormente em respeito a composições anteriores que tão bem serviram esse tribunal administrativo. Ora, não há como reformar a decisão a quo, uma vez que o lançamento não poderia persistir em razão de o artigo 326, IX, do Regulamento Aduaneiro contar um “previsão abstrata”, mais comumente conhecida como “norma penal em branco”. A aplicação da penalidade pressupõe a especificação, por parte da norma geral, de modelo de conduta passível de punição. Sem que haja esta especificação, a regra tornarseá genérica, a ser aplicada discricionariamente, o que fere o princípio da reserva legal. De fato, não há como se capitular a infração descrita no Auto de Infração de fls. na disposição constante do artigo 526, IX, do RA. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 O citado dispositivo não é capaz de tipificar, como exige a lei tributária, a suposta infração, pois contém hipótese de conduta passível de interpretação maleável, a critério fiscal. E, os tipos tributários nos seus contornos essenciais não pode ser criados pelo costume ou por regulamentos, mas apenas por lei. Para que a norma sancionatória tributária seja passível de aplicação necessário é que ela traga, em seu bojo, os elementos essenciais do tipo, pois é vedado ao aplicador do direito eleger, de forma unilateral e arbitrária, fatos tributáveis. Nesse diapasão, especial destaque merece o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, proferido no Ag n. 1.160.816, de lavra do Ministro Mauro Campbell Marques. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. GUIA DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO EQUIVOCADA DO PAÍS DE ORIGEM. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. DECISÃO Em exame agravo de instrumento interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que inadmitiu recurso especial intentado contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional da 3ª Região, assim ementado: ADMINISTRATIVO. IMPORTAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DO PAÍS DE ORIGEM. MULTA. ART. 526, IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO. INCABÍVEL. MERA IRREGULARIDADE Discutese o direito à exoneração da multa, imposta com base no artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, tendo como fundamento a irregularidade na indicação do país de origem dos produtos importados. Ao tempo da importação (09/11/1990) ainda não havia sido expedida a Portaria DECEX nº 8, de 13 de maio de 1991, que autoriza seja a Declaração de Importação retificada, antes de promovido o desembaraço aduaneiro. A norma em questão veio consolidar os inúmeros julgados relativos à matéria. O inciso IX do artigo 526 quando descreve a conduta de “descumprir outros requisitos de controle de importação, constantes ou não da Guia de Importação ou de documentos equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII ...”, não tipifica a conduta ou o fato que autorizaria a imposição da multa, deixando ao administrador uma margem de subjetividade que não se compatibiliza com o princípio da legalidade. Nesse sentido já vem se posicionando o Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais tendo decidido que “não cabe a aplicação da multa prevista no item IX, do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, por falta de tipicidade da mesma” e, ainda. “.... a divergência entre a origem e fabricação, entre o verificado na conferência física e o constante da LI, não constitui infração ao controle das importações prevista no artigo 526, inciso IX do RA . Nada obsta que a (in Nota 5 e 6 ao item IX do artigo 526, do Regulamento Aduaneiro Anotado com textos legais transcritos, Paulo César Alves Rocha, Aduaneiras, 5ª Edição) Administração, quando detectado o erro, determine seja feita a sua retificação, oportunidade em que poderá aferir a regularidade dos demais atos, inclusive em relação ao pagamento de impostos e, aí também, informar ao CACEX, para que esse órgão possa retificar os seus dados Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.002881/9927 Acórdão n.º 3401002.569 S3C4T1 Fl. 1.518 7 estatísticos, preservando o controle das atividades de comércio exterior. Mesmo tendo sido apurada a irregularidade na indicação incorreta do país de origem das mercadorias importadas a impetrada não demonstrou que esse fato teria alterado outros dados da importação, no sentido de fraudar a tributação, não incorrendo, como conseqüência, qualquer tipo de lesão ao erário. No apelo nobre, interposto com fundamento no art. 105, III, alínea a, do permissivo constitucional, apontase ofensa ao art. 167, inciso III, da Lei nº 37/66 e art. 526, inciso IX, do Decreto nº 91.030/85. Requer, em síntese, que o erro na indicação do país de origem na declaração de importação enseje a aplicação de multa. É o relatório. Passo a decidir. Agravo de instrumento conhecido, pois presente os requisitos para tanto. Entretanto, o mesmo destino não pode ser dado ao especial. A pretensão recursal não merece prosperar. O TRF da 3ª Região consignou expressamente que: Assim, nada obsta que a Administração, quando detectado o erro, determine seja feita a sua retificação, oportunidade em que poderá aferir a regularidade dos demais atos, inclusive em relação ao pagamento de impostos e, aí também, informar ao CACEX, para que esse órgão possa retificar nos seus dados estatísticos, preservando o controle das atividades de comércio exterior. Consignese, ainda que, mesmo tendo sido apurada a irregularidade na indicação incorreta do país de origem das mercadorias importadas, a União Federal não demonstrou que esse fato teria alterado outros dados da importação, no sentido de fraudar a tributação, não incorrendo, como conseqüência, qualquer tipo de lesão ao erário. Como se infere, a Corte de origem entendeu que a recorrente não demonstrou que a irregularidade teria ocasionado qualquer lesão ao erário. Conforme orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte, "mero erro de preenchimento na guia de importação constitui simples irregularidade, sendo inaplicável ao caso a multa do art. 169, III, do Decretolei 37/66, alterado pela Lei 6.562/78" . No mesmo sentido, destacamse: "ADUANEIRO IMPORTAÇÃO DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO ERRO NA INDICAÇÃO DO PAÍS DE ORIGEM RETIFICAÇÃO ADI (AgRg no REsp 279.102/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 18.3.2002) TIVO MULTA NÃOINCIDÊNCIA DL N. 37/69, ART. 169. Se o importador retifica espontaneamente a guia de importação, para corrigir a indicação do país de origem, não é lícito aplicarlhe multa, nem apreenderlhe a mercadoria. Alcance do Preceito contido no Art. 169 do DL 37/66." Referida decisão da a noção da questão e sobreleva a imperiosa necessidade de observância das garantias asseguradas ao contribuinte, consagradas nos princípios tributários da tipicidade e da legalidade. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso de ofício para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002605/2002-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
CONFISSÃO DE DÍVIDA. TRIBUTO DECLARADO A TÍTULO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ART. 5º DO DECRETO-LEI N° 2.124/84.
Improcede a pretensão do recorrente de trazer à discussão os efeitos da confissão de dívida de tributo declarado na condição de exigibilidade suspensa se o lançamento foi efetivado de ofício pela autoridade administrativa.
LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 82 DO CARF.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível o lançamento de ofício de CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1801-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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TRIBUTO DECLARADO A TÍTULO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ART. 5º DO DECRETOLEI N° 2.124/84. Improcede a pretensão do recorrente de trazer à discussão os efeitos da confissão de dívida de tributo declarado na condição de exigibilidade suspensa se o lançamento foi efetivado de ofício pela autoridade administrativa. LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 82 DO CARF. Após o encerramento do anocalendário, é incabível o lançamento de ofício de CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 05 /2 00 2- 10 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 2 Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrado em 15/02/2002 (fl. 20), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 536.332,32, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confirmação do processo judicial informado para fins de suspensão da exigibilidade do débito declarado sob código 2484 para o período de dezembro de 1997. Na referida peça, indicase, como embasamento legal, os Arts. 1ºe 4ª da Lei 7689/88; Art. 25 c/c Art. 57 da Lei 8981/95; Art. 1º e 19 da Lei 9249/95; Arts. 2º e 6º (c/c Art. 28) e Arts. 30, 55 e 60 da Lei 9430/96. Aplicouse multa com base no Art. 160 do CTN, Art. 1º da Lei 9249/95 e Art. 44 e inc. I e par. 1º da Lei 9430/96. Juros de mora foram exigidos com base no Art. 161, §1º; Art. 43, par. Único e par. 3º da Lei 9.430/96. À fl. 62, junta o contribuinte cópia de decisão de 27/01/1998 que liminarmente lhe assegura o direito de não se submeter à cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro e da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS, enquanto permanecer não mantendo empregados, ressalvando à autoridade competente o controle da situação ora questionada. Em 17/04/2002 foi publicada sentença concedendo parcialmente a segurança pleiteada (fls. 88 e 91), o que ensejou interposição de Recurso de Apelação pela Impetrante, além de recurso exofício. Em 07/07/2010 foi publicada decisão do TRF da 3a Região, homologando o pedido de renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação, e declarando extinto o processo com fundamento no artigo 269, inciso V do Código de Processo Civil. Apreciando os argumentos da impugnação apresentada, a DRJ julgou parcialmente procedente o pedido para cancelar a multa de ofício sobre os valores amparados por liminar em Mandado de Segurança à época do lançamento, inclusive sem aplicação de multa de mora, não cabível no momento do lançamento, dada a interrupção de sua incidência pelo prazo previsto no art. 63, § 2° da Lei 9.430/96, atentandose para as notícias, contidas na decisão judicial de fls. 91, de (i) opção pelo parcelamento da Lei 11.941, de 2009, bem como de (ii) pedido de conversão em renda de depósitos judiciais. Eis a ementa (fl. 125): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a sua nulidade se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ Processo nº 13896.002605/200210 Acórdão n.º 1801001.957 S1TE01 Fl. 3 3 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE CONFIRMADA. MULTA DE OFÍCIO. Confirmada a suspensão da exigibilidade por medida judicial favorável ao contribuinte no momento do procedimento fiscal e conseqüente lançamento, cancelase a multa de ofício aplicada. JUROS DE MORA. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. Nos termos da Súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO POSTERIOR À APURAÇÃO ANUAL. AÇÃO JUDICIAL. Confirmada a validade do lançamento tão só para aferição da regularidade da vinculação apontada em DCTF, não há impedimento à formalização do principal devido para demarcação do momento em que a estimativa deveria ter sido recolhida, como parâmetro para cálculo dos acréscimos moratórios cabíveis em eventual recolhimento decorrente da reversão da decisão judicial que suspendeu sua exigibilidade. Notificado em 09/11/2011, dessa decisão (fl. 137), interpõe o contribuinte recurso voluntário em 09/12/2011 (fl. 138) pugnando para que o mesmo seja provido, reformandose a decisão recorrida na parte em que manteve o auto de infração, “cancelandose” integralmente a exigência fiscal. Para tanto sustenta: a) Os valores informados em DCTF como suspensos não constituem confissão de dívida (o artigo 5º do DecretoLei n° 2.124/84 e da Instrução Normativa n° 73/96 se aplica somente aos valores declarados na DCTF como devidos e não pagos). Não é possível a cobrança do crédito tributário sem o competente lançamento; b) Encerrado o período de apuração anual do imposto de renda e da Contribuição Social, e ultrapassada a data para entrega DIRPJ, a confissão de dívida de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o efetivamente devido com base no lucro real. Cita em seu favor, o artigo 16 da IN n° 93/97. Por fim, ressalta que não altera tal conclusão o fato de a estimativa exigida não ter sido paga por força de decisão judicial; c) A exigência fiscal deve ser apurada com base no lucro líquido concernente ao encerramento do anobase, e não com base nas estimativas, alterando o termo inicial para a contagem dos juros de mora eventualmente devidos e não desde o momento em que as estimativas eram originalmente devidas; d) Que, na eventualidade de decisão plenária do E. Supremo Tribunal Federal favorável aos contribuintes nessa matéria, com base no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, seja afastado o cálculo dos juros com base na taxa SELIC. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 4 Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Presentes os pressupostos recursais, conheço o presente recurso, passando ao mérito. Confissão de dívida e o alcance do artigo 5º do DecretoLei n° 2.124/84 À fl. 20, se verifica que o crédito tributário exigido nos presentes autos foi constituído por lançamento de ofício, sendo assegurado ao contribuinte o exercício ao contraditório e ampla defesa. Sendo assim, não cabe trazer à discussão os efeitos de confissão de dívida no presente caso, uma vez que o crédito tributário foi constituído por ato da autoridade administrativa (consoante disposto no Arts. 142 e 149 do CTN), com descrição dos fatos às fls. 21 e 22 e atendimento dos demais requisitos do Art. 10 do Decreto 70.235/72. Por fim, deve ser ressaltado que as causas previstas no Art. 151 do CTN – dentre elas a concessão de liminar em mandado de segurança (inc. IV) – não impedem a constituição do crédito tributário via lançamento pelo sujeito ativo da obrigação tributária que, aliás, permanecendose inerte, pode até perdêlo caso reste configurada a decadência. Lançamento de estimativas após o encerramento do anocalendário Neste aspecto, merece provimento a irresignação do contribuinte. A exigência reportase à estimativa de CSLL (código 2484) declarada para o período de dezembro de 1997. O regime de apuração por estimativa é especial e transitório, esgotandose até a apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Após tal evento, as estimativas, desde que pagas, ostentam natureza de mera “dedução” na apuração do saldo de tributo efetivamente a ser pago ou compensado. Confirase na legislação: Lei 9.430/96 Art. 2º. [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º. [...] § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ Processo nº 13896.002605/200210 Acórdão n.º 1801001.957 S1TE01 Fl. 4 5 I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. (redação vigente à época dos fatos) Cumpre ainda ressaltar, ainda mais especificamente, o Art. 16 da IN nº SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Instrução Normativa nº SRF Nº 093 Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Pelo exposto, e com escopo na Súmula 82 do CARF1, merece ser julgada improcedente a pretensão fiscal materializada no auto de infração contido nos autos. Termo inicial dos juros e afastamento da Selic Acolhido o pleito de improcedência total do lançamento, afastase a necessidade de apreciação dos pedidos subsidiários. Por todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro 1 Súmula CARF nº 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas". Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 6 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911149/2012-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 49 /2 01 2- 30 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10935.003383/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2403-002.533
Decisão:
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003383/201061 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.533 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TOLENORTE MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 33 83 /2 01 0- 61 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.003383/201061 Acórdão n.º 2403002.533 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0632,111 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. MULTA POR INFRAÇÃO. ENTREGA DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA Constitui infração a empresa deixar de apresentar os documentos devidamente solicitados pela fiscalização. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em decorrência de a empresa ter deixado de apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias. O débito totaliza a importância de R$ 14.107,77. O enquadramento legal da autuação encontrase fundamentado nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/1991 e art 283, II, " j" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/1999. Segundo o relatório fiscal a autuação foi lavrada porque a empresa, devidamente intimada, não apresentou as Notas Fiscais emitidas pela cooperativa de trabalho UNIMED e suas Convenções Coletivas de Trabalho. Intimada da Autuação, a empresa apresentou impugnação alegando em apertada síntese que: Os agentes fiscais levaram um longo tempo em seu "zeloso" trabalho fiscal com diversas exigências. Quando da intimação, a empresa apenas informou que naquele momento não dispunha das Notas Fiscais da Unimed e que seus Acordos Coletivos foram pactuados mediante Convenções Coletivas de Trabalho. Alega que outras exigências se seguiram sem que os agentes tenham requerido novamente as Notas Fiscais da Unimed. A empresa foi cumprindo as exigência dos agentes fiscais e não imaginou que seria multada pela falta da exibição de documentos. Argumenta que a obrigação dos fiscais era de lavrar de imediato a autuação e, não o fazendo e não retornando a exigir os Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 documentos, não poderiam autuar a empresa de forma extemporânea. Afirma que o Estatuto Nacional da Micro e da Empresa de Pequeno Porte definiu em seu art.26, §4°, que as empresas estariam sujeitas a outras obrigações acessórias estabelecidas pelo Comitê Gestor. Nesse sentido, o agente fiscal deixou de indicar a Norma do comitê gestor que a empresa infringiu. Por fim, pede a improcedência da Autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Fato superveniente à impugnação: A recorrente foi surpreendida com a lavratura de autuações de obrigações principais na Sperafigo Agroindustrial Ltda. · Relaciona as ações fiscais na Tolenorte e na Sperafigo Agroindustrial Ltda · Ação fiscal demorou mais de 1 ano. · Autuação deveria ser lavrada de imediato. · Autoridade fiscal não retornou a exigir os documentos. · Cita a Lei Complementar 123/2006. Micro e Pequena Empresa. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.003383/201061 Acórdão n.º 2403002.533 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes, necessárias e suficientes para o julgamento deste processo. A autuação foi motivada, segundo o documento constituidor do crédito, por a empresa ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O Relatório Fiscal da Infração apresenta que, apesar de intimado e reintimado, não foram apresentadas as convenções coletivas e as notas fiscais da UNIMED. Foi dado início em ação fiscal MPF N° 0910300.2009.005909, perante a empresa através do TIPF Termo de Início de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Procedimento Fiscal de 05/05/2009 (cópia anexa apenas na via da RFB, uma vez que a empresa já está de posse de sua via). No TIPF foi solicitado, entre outras coisas, os Acordos, convenções e dissídios coletivos (item B5). Em resposta ao TIPF (cópia anexa apenas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de sua via), foi informado que a empresa não teria tais documentos a apresentar. Através do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 2 (cópia anexa apenas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de sua via), de 16/11/2009, foi solicitado a apresentação de notas fiscais referente a UNIMED (cooperativa de trabalho), no item A2, e no item A5, a apresentação de cópias de convenções/acordos coletivos relativamente aos segurados empregados. Foi solicitada prorrogação de prazo para atendimento ao TIF 2, o que foi atendido. Em resposta ao TIF n° 2 (cópia anexa apenas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de sua via), em relação às notas fiscais de cooperativa de trabalho, foi informado em relação às notas fiscais da Unimed: Por a empresa ser tributada pela modalidade do simples/lucro presumido, não temos neste momento as referidas faturas ou notas fiscais. Em resposta a TIF n° 2 com relação as convenções/acordos coletivos: Não faziam Acordo Coletivo (Empresa Ind. X Sindicato), usávamos Convenções Coletivas (Conj. de Empresas X Sindicato). Ou seja, apesar de claramente solicitadas convenções ou acordos coletivos a empresa não apresentou. Na primeira informação disse não os ter e numa segunda informação informou que "não faziam acordo coletivo (empresa ind. X sindicato), usávamos convenções coletivas (conj. de empresas x sindicato)", entretanto, não apresentou as convenções conforme solicitado. Também foi solicitada a apresentação de notas fiscais de prestação de serviços no TIPF e, mais especificamente, no TIF n° 1 item A2, a apresentação de notas fiscais referente a UNIMED. Em resposta ao item A2 foi informado que: "Por a empresa ser tributada pela modalidade do simples/lucro presumido, não temos neste momento as referidas notas fiscais". No TIF n° 3, de 09/12/09 foi novamente solicitada a apresentação de notas fiscais referente à UNIMED. Foi solicitada prorrogação do prazo para atendimento, o que foi concedido. Em resposta ao TIF 3 a resposta acima referente ao TIF n° 1 foi repetida. Cópias anexas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de suas vias. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.003383/201061 Acórdão n.º 2403002.533 S2C4T3 Fl. 5 7 Posteriormente, em 05/02/10, através do TIF n° 4, foi reiterada a solicitação para apresentar notas fiscais referente à UNIMED. Foi solicitada prorrogação do prazo para atendimento, o que foi concedido. Em resposta ao TIF 4 a resposta acima referente ao TIF n° 1 foi repetida. Cópias anexas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de suas vias. Em razão do não atendimento às Intimações para apresentação de documentos foi aplicado o presente Auto de Infração. Entendo caracterizada a infração e não percebo razão nas alegações da recorrente. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000396/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA VERIFICAR A APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL.
Incabível a verificação, por parte do Fisco, da atividade desenvolvida pelo contribuinte com o fito único de apurar o tributo devido ou saldo negativo no encerramento do ano-calendário, quando tiver sido correta e adequada sua informação na declaração pertinente, após o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. Aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 1202-001.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as prejudiciais de reconhecimento de plano do crédito de CSLL retratado na DIPJ e de insuficiência de fundamentação do despacho decisório, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL do ano-calendário de 2002, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designada para redigir o voto vencedor neste último ponto, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA VERIFICAR A APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Incabível a verificação, por parte do Fisco, da atividade desenvolvida pelo contribuinte com o fito único de apurar o tributo devido ou saldo negativo no encerramento do anocalendário, quando tiver sido correta e adequada sua informação na declaração pertinente, após o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. Aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as prejudiciais de reconhecimento de plano do crédito de CSLL retratado na DIPJ e de insuficiência de fundamentação do despacho decisório, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2002, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designada para redigir o voto vencedor neste último ponto, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 03 96 /2 00 3- 21 Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) retificadora (fls. 54/55), em relação à de fls. 1/02, bem como outras relacionadas no quadro de fls. 103, em que foram empregados alegados créditos de saldos negativos de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), respectivamente, no valor de R$ 23.441.045,99 e R$ 19.237.056,16. Dos autos se extrai que, para fins de análise das referidas DCOMP, foi realizada diligência para apurar o efetivo valor dos saldos negativos declarados, que teria restado frustrada ante a falta de resposta da interessada, conforme despacho (fls. 92). Através do parecer conclusivo Diort/Derat/RJ n.° 58/08 (fls. 103/106), com fulcro no art. 74 da Lei n.° 9.430/96, os art. 2°, 4°, 5° e 26 da IN SRF n.° 600/05, o art. 170 da Lei n.° 5.172/66 (CTN) e o art. 36 da Lei n.° 9.784/99, bem como no não atendimento, pela interessada, à intimação, o direito creditório não foi reconhecido e, conseqüentemente, não homologadas as compensações analisadas. Despacho decisório do titular da Derat/RJ (fls. 107), que aprovou o referido parecer, determinou o apensamento ao presente do processo n.° 15374.720026/200862, cuja compensação também não foi homologada, por valerse do mesmo direito creditório não reconhecido (fls. 135/136). Nas manifestações de inconformidade de fls. 162/180 e 488/502, no interesse das compensações autuadas, respectivamente, nos processos n.° 13708.000396/200321 e 15374.720026/200862. foram apresentados os argumentos sintetizados no relatório da decisão recorrida, cujo trecho ora se reproduz: • que não tendo a fiscalização empreendido diligência capaz de desconstituir os valores declarados e nem havendo indícios de irregularidade, a “documentação de suporte" para a homologação da compensação é a DIPJ; • que, para deixar de reconhecer o crédito empregado nas compensações revisadas, caberia à autoridade fiscal demonstrar a "insuficiência da documentação apresentada" e apontar "inconsistências e irregularidades" nas informações declaradas; • que o próprio órgão fiscalizador reconheceu não haver indícios de irregularidades em sua documentação fiscal, tanto que o auditor encarregado da segunda diligência afirmou que "a empresa 'não foi selecionada para ser fiscalizada no ano calendário de 2002, o que indica não terem sido detectados, em análise parametrizada, indícios de irregularidades na apuração do IRPJ e CSLL devidos"; • que "o prazo de que a Receita dispõe para analisar a compensação requerida é o mesmo de que dispõe para homologar o pagamento antecipado feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, cinco anos (art. 150, § 40) a contar da apresentação do pedido de compensação, que no Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 5 4 caso dos autos, ocorreu em 13.03.2003" e que, portanto, o despacho decisório que denegou a compensação, do qual fora cientificada em 14.04.2008 "não tem o condão de produzir qualquer efeito jurídico válido"; • que o direito de a Fazenda refazer a apuração do IRPJ do ano calendário 2002 já havia decaído por ocasião da pretendida diligência, pois, se decorridos cinco anos do fato gerador "já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte"; • que "o único documento fiscal hábil a demonstrar a ocorrência de prejuízo fiscal é a DIPJ (...) no presente caso, foi apresentada pela Requerente retificadora, recepcionada pela RFB em 17.12.2004"; e • que, "como forma de fornecer subsídios contábeis para determinação do prejuízo fiscal utilizado", trouxe aos autos "cópia de seu balancete em 31.12.2002, que apura o mesmo resultado (doc. n° 10), bem como razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (doc. nº 11). A decisão de primeira instância negou provimento às manifestações de inconformidade e não homologou as respectivas compensações, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. Para a verificação da certeza e da liquidez de existência de crédito alegado por contribuintes, não há restrição temporal ao poder de investigação da Fazenda Pública, COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da última declaração retificadora que tenha tratado da mesma compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão e o conseqüente não reconhecimento do direito creditório do contribuinte quando este, intimado a apresentar documentos comprobatórios do seu direito, deixa de apresentálos ou de indicar motivos para a não apresentação. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 25/01/2010 (AR, fl. 851), apresentou recurso voluntário ao CARF em 24/02/2010 (fls.858 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, pedindo, ao final, em síntese: Preliminarmente, pede o reconhecimento de plano do Crédito de CSLL devidamente retratado na DIPJ, em relação ao saldo negativo inalterado em todas as DIPJ's Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 6 5 retificadoras transmitidas pela empresa, assim como o reconhecimento parcial do saldo negativo de IRPJ, também não alterado nas DIPJ's retificadoras, considerando que: o crédito aproveitado pela Recorrente nas compensações tratadas no presente processo administrativo — saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002 (R$ 23.441.045,99 e R$ 19.237.056,19, respectivamente) encontramse devidamente registrados, na DIPJ apresentada pelo contribuinte. entretanto, apesar disto, a autoridade fiscal, ao examinar a compensação entendeu que, diante da existência de 04 DIPJs (01 original e 03 retificadoras) apresentadas para o anocalendário 2002, os créditos pleiteados (saldo negativo de IRPJ e CSLL) não estariam dotados da liquidez e da certeza necessárias para homologação das compensações. logo, se a lógica adotada pela autoridade fiscal foi a de que a existência de alterações nas informações prestadas na DIPJ trariam incerteza quanto à existência do crédito, esta lógica não poderá ser aplicada ao caso dos créditos de CSLL, pois, o saldo negativo da CSLL (R$ 19.237.056,19) apontado tanto na DIPJ original quanto nas DIPJ's retificadoras permaneceu inalterado em todas as declarações, não havendo, portanto, nenhum indício de tal valor esteja incorreto. quanto aos créditos de IRPJ, registrese que, a princípio, foi informado saldo negativo no valor de R$ 21.295.215,34. Já nas DIPJ's retificadoras, a alteração ocorrida referese ao aumento do valor do benefício fiscal de Isenção e Redução do Imposto (Lucro da Exploração), o que implicou na majoração do saldo negativo de IPRJ para R$ 27.876.299,63. logo, aplicandose ao IRPJ a própria lógica adotada pela autoridade fiscal como fundamento para indeferimento das compensações, deverseia, ao menos, reconhecer de plano o saldo negativo de IRPJ no limite de R$ 21.295.215,34, já que se trata de valor inalterado em todas as DIPJ's. Aponta a insuficiência de fundamentação do despacho decisório, por considerar ser ônus do Fisco apontar os equívocos na apuração do saldo negativo de IRPJ e CSLL e, que a Divisão de Fiscalização, destacando o prazo a iminência do vencimento do prazo para homologação tácita da compensação e, ainda, á impossibilidade fática e jurídica de tal reapuração, não realizou a diligência solicitada pela autoridade fiscal, bem como a própria DIFISI destacou que não havia nenhum indício de irregularidade nas declarações fiscais da empresa. Alega a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IRPJ do anocalendário 2002, já que a diligência requerida pela autoridade fiscal não foi realizada, nem se apontou de forma concreta nenhuma irregularidade eventualmente cometida pela empresa em sua DIPJ. Entende que, “como não houve nenhum auto de infração para alterar a apuração informada pela empresa em sua DIPJ do anocalendário de 2002, temse que o saldo negativo de CSLL e IRPJ registrado na declaração fiscal da empresa não pode mais ser alterado”, pois, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 7 6 Sustenta a homologação tácita da compensação, tendo em vista que: No caso dos autos, o contribuinte protocolou sua declaração de compensação em março de 2003, ao passo que a intimação do despacho decisório de não homologação da compensação ocorreu apenas em 14.04.08. Logo, como será visto, configurada está a homologação tácita da compensação, pelo decurso ' de mais de cinco anos entre o protocolo da compensação e a intimação do despacho decisório. O procedimento administrativo federal de restituição/compensação sofreu importantes alterações no final dos anos de 2002 e 2003, com a publicação das Leis 10.637/02 (fruto da conversão da MP 66/02) e 10.833/03, que modificaram significativamente a redação do art. 74 da Lei n' 9.430/96. Contudo, o prazo de que a Receita dispõe para analisar a compensação requerida é o mesmo de que dispõe para homologar o pagamento antecipado feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, cinco anos (art. 150, §42) a contar da apresentação do pedido de compensação, que no caso dos autos, ocorreu em 13.03.2003. Sendo assim, se o Fisco deixa transcorrer este prazo sem notificar o contribuinte acerca da regularidade (ou não) do pedido de compensação, o pagamento efetuado tornase definitivo, via homologação tácita da compensação. Sendo assim, é evidente que a declaração de compensação transmitida pela Requerente em março de 2003 já estava tacitamente homologada no momento em que foi cientificada do despacho decisório em questão (ciência da empresa em 14.04.2008), razão pela qual ele não tem o condão de produzir qualquer efeito jurídico válido. No mérito, pretende demonstrar a existência do crédito, considerando que o único documento fiscal hábil a demonstrar a existência do saldo negativo é a DIPJ, tendo sido apresentada DIPJ retificadora, em 17.12.2004. Com base nisso, sustenta que: Na Ficha 06A, atinente à demonstração do resultado (p. 5) (doc.nº 09 da Manifestação de Inconformidade), foi apurado lucro líquido contábil no valor de R$ 687.259.665,80. O valor consignado nesta linha corresponderá ao efetivo lucro ou prejuízo líquido apurado contabilmente. Ainda como forma de fornecer subsídios contábeis para determinação do saldo negativo utilizado, a Recorrente traz aos autos cópia de seu balancete em 31.12.2002, que apura o mesmo resultado (Doc. nº 10 da Manifestação de Inconformidade), bem como razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (Doc. nº 11 da Manifestação de Inconformidade). Partindose do lucro líquido contábil, constante das apurações contábeis e da DIPJ (documento fiscal), e considerando as adições e exclusões, chegase a um lucro real de R$ Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 8 7 198.105.206,47, informado na linha 46, da ficha 09A da DIPJ de 2002 (p.7). Em contrarrazões, a PGFN sustenta, em síntese: a impossibilidade de reconhecimento de plano os créditos de CSLL constantes da DIPJ, bem como a parcela do saldo credor de IRPJ, no montante que não foi alterado nas DIPJ’s retificadoras, visto que, o motivo determinante da não homologação da compensação não reside na apresentação de DIPJ’s retificadoras relativas ao exercício de 2002, mas na ausência, nos autos, de documentos que permitissem ao julgador aferir a efetiva existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado; que o ônus da prova de fato constitutivo do direito incumbe a quem o alega e a declaração de compensação não havia sido suficientemente instruída com documentos que possibilitassem ao Fisco esclarecer a correção das parcelas que compunham o saldo credor do IRPJ e da CSLL; que o Fisco deve, necessariamente, analisar todos os elementos de quantificação do tributo, de modo a poder confrontar o valor recolhido pelo contribuinte com aquele efetivamente devido e que a eventual circunstância de o Fisco não dispor mais de prazo para constituir possível crédito tributário relativo ao período em que teria sido gerado o saldo negativo não afasta o fato de que o contribuinte deve demonstrar a liquidez e certeza de seu crédito; que não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas DCOMP apresentadas, já que o prazo para homologação (5 anos) deve ser aplicado tão somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela administração fiscal. Ainda que se pretendesse aplicar o referido prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, então, referido lapso, em tais hipóteses, deveria ser contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva à legislação de regência; que, ainda que sejam superados os argumentos acima a tese da homologação tácita encontra óbice no fato de que a declaração sob análise foi retificada em 05.02.04 (fls. 5455), data que passou a ser o termo inicial para a análise da compensação pelo Fisco, nos termos de que dispunha a Instrução Normativa SRF nº 460/04. Intimada a recorrente em 14.04.08 do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório da contribuinte e não homologou sua declaração de compensação, restou plenamente atendido o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96; Quanto à alegação de existência do crédito, assevera,“a exemplo do que já decidiu a DRJ, que a recorrente, mesmo por ocasião da manifestação de inconformidade, não supriu a lacuna probatória que impediu a anuência do Fisco com a compensação efetivada, pois deixou de carrear aos autos “extrato da escrituração fiscal que demonstrasse o seu direito creditório, o que fez apenas na aparência, ao mencionar na impugnação a juntada dos documentos de fls. 626/713, que digase, em nada lhe socorrem, até mesmo pela ausência na peça de bloqueio de argumentação que permita inferir, a partir das informações estampadas naqueles documentos, a existência do direito creditório pretendido”. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Tratase de analisar o pedido de compensação apresentado, em 5 de fevereiro de 2004, via DCOMP retificadora (fl. 5455), com crédito no valor de R$ 42.678.102,18. A recorrente, preliminarmente, pede o reconhecimento de plano do “crédito de CSLL” retratado na DIPJ, já que foi mantido o saldo negativo inalterado em todas as DIPJ's retificadoras transmitidas pela empresa, assim como o reconhecimento parcial do saldo negativo de IRPJ, na parte em que não sofreu alteração nas DIPJ's retificadoras. O argumento, segundo a recorrente, lógico, de que se o valor permaneceu inalterado em todas as declarações retificadoras não haveria nenhum indício de que tal valor estaria incorreto, permitindo o reconhecimento do crédito de forma sumária não encontra respaldo no ordenamento jurídico. Dos autos se extrai que a autoridade fiscal, ao analisar a DCOMP em questão, constatou que a recorrente apresentara, relativamente ao anocalendário de 2002, quatro DIPJ’s, em que foram modificados os valores das parcelas formadoras do saldo credor de IRPJ (valor das deduções a título de isenção e redução do imposto devido, PAT, valor do próprio IRPJ devido e respectivo adicional). O fato de ter havido retificação de DIPJ sem alteração do saldo objeto de pedido de restituição/compensação em nada afeta a obrigatoriedade de comprovar o crédito pleiteado. Se não havia indícios de irregularidade na composição dos saldos negativos, a Administração Tributária, muito provavelmente, não determinaria sua verificação de ofício. Todavia, a partir do momento em que o contribuinte pretende se valer de um alegado direito, deve fazer prova dele, a menos que ocorra a homologação tácita. Nessa questão preliminar invocada, não se trata de ceder a indícios, mas de atender à regra de ônus da prova. A recorrente aponta a insuficiência de fundamentação do despacho decisório. Verificase que consta dos autos a proposta da DRJ de realização de diligência, “tendo em vista que não existem nos autos quaisquer documentos que levem à convicção quanto à existência do crédito alegado, e, especialmente, para que sejam atendidas as disposições contidas no artigo 170 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66” (fl. 89/90). Em razão do pedido de diligência, o contribuinte foi intimado (fl. 93) a apresentar, no prazo de dez dias úteis, os seguintes documentos: “PERÍODO: 01/01/2002 A 31/12/2002 1 – Livro Razão (IN 86/2001, regulamentada pelo ato declaratório executivo Cofis 15/2001). 2 – Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 10 9 3 – Documentação comprobatória, referente as deduções relacionadas na DIPJ/2003 (pág. 13)” Todavia, a interessada não atendeu a essa intimação, consoante descrito no despacho de fl. 92. A partir disso, então, a autoridade fiscal manifestouse no sentido da impossibilidade de atender ao pedido de diligência (fls.96/97). O Parecer Diort/EQPEJ nº 58/2008, editado em seguida, concluiu que, “em virtude de o interessado, regularmente intimado, não ter apresentado a documentação comprobatória do crédito aqui pleiteado, não se comprovou de forma inequívoca o indébito fiscal, tudo conforme o disposto no art. 36 da Lei 9.784, de 1999” (fl. 105), o que foi confirmado pelo despacho decisório (fls. 107) que não reconheceu o direito creditório pleiteado pela interessada e não homologou as respectivas compensações. Como se vê, o despacho decisório foi perfeitamente justificado e motivado em razão da falta de comprovação do direito creditório pleiteado pela recorrente. Quanto à alegação de decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IRPJ do anocalendário 2002, tampouco tem razão a recorrente. No denominado lançamento por homologação, ocorre a chancela, pela Administração Tributária, dos procedimentos adotados pelo contribuinte na produção da norma individual e concreta de incidência tributária, quando a autoridade fiscal, após verificar a correta apuração do crédito tributário, convalidará os atos praticados, com a consequente extinção do crédito tributário apurado, dentro do prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §§1º e 4º combinado com o art. 156, ambos do CTN. Neste caso, estáse diante de verdadeiro prazo decadencial do direito da Administração Tributária de verificar a correção da apuração do crédito tributário, após o qual não poderá ser realizado lançamento de ofício em caráter suplementar previsto no art. 149, inciso V, do CTN. De outro lado, em relação ao pedido de compensação de saldo credor de IRPJ e CSLL, tal regra não se aplica, visto que se trata de verificar a apuração da composição do saldo resultante de recolhimentos efetuados a maior durante o período. Aquela chancela prevista no art. 150, §§1º e 4º do CTN atinge apenas o tributo efetivamente devido em face da legislação tributária aplicável, não se aplicando neste caso, em que a apuração do indébito tributário é efetuada pelo contribuinte. Assim, mesmo que já transcorridos mais de cinco anos desde a apresentação das DIPJ nas quais foram consignados saldos negativos de IRPJ e CSLL, inexiste previsão de confirmação tácita dos montantes creditórios apurados a tal título, ainda que silente a Administração Tributária. O fato de, em relação ao fato gerador do tributo ou contribuição, ter sido superado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário em nada prejudica o direito de se verificar a formação do saldo credor de IRPJ e de CSLL para fins de restituição/compensação, visto que, neste caso, não existe previsão de convalidação da apuração do indébito pelo contribuinte em face do decurso do prazo. Assim, equivocase a recorrente ao sustentar que “a Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 11 10 permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto)”. Aqui vale ressaltar que a verificação da liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte em sede de procedimento de compensação constitui não somente um poder, mas um dever conferido às autoridades fiscais, à luz do CTN, que dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse sentido, cabe citar a lição de Paulo Cesar Conrado (in “Compensação Tributária e Processo (nos termos da Lei Complementar n. 104, de 10 de janeiro de 2001)”, Ed. Max Limonad, p. 155), in verbis: A compensação consubstancia um procedimento cometido ao contribuinte, tal como se passa no lançamento por homologação, em que há o asseguramento à Administração do direito (um dever em rigor) de verificar a regularidade do ato compensatório, o que quer significar que, ao lado do direito subjetivo do contribuinte de compensar, coexiste o dever da Administração de verificar se a compensação foi efetivada de acordo com os critérios e diretrizes a que está jungido o contribuinte, além, por óbvio do plano quantitativo. A recorrente ainda sustenta a homologação tácita da compensação, alegando que apresentou DCOMP em 13/03/2003 e que só tomou ciência do despacho denegatório da homologação em 14/04/2008. O prazo para a Administração Tributária homologar a compensação encontra se previsto no § 5° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, in verbis: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Como relatado, contudo, a referida DCOMP foi retificada em 05/02/2004 (fls.54/55), data que passou a ser o termo inicial para a análise da compensação pela Receita Federal do Brasil. Em relação às outras DCOMP (relacionadas à fl. 103), verificase que foram transmitidas à base de dados da RFB em data posterior a 14/04/2003, o que foge ao alcance do instituto da homologação tácita. No mérito, a recorrente pretende demonstrar a existência do crédito, baseado nas informações da DIPJ. Equivocase a recorrente ao sustentar que o saldo negativo de IRPJ e de CSLL registrado na DIPJ é a prova que lhe caberia apresentar. A própria recorrente cita que “caberia ao Fisco, por exemplo, questionar: (i) o valor da base de cálculo do IRPJ e suas adições e exclusões, (ii) as deduções de incentivos fiscais (PAT, Operações de caráter cultural e Atividades de audiovisual), (iii) redução de IRPJ calculados sobre o lucro da exploração, Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 12 11 (iv) o valor das retenções realizadas por fontes pagadoras de órgãos públicos, (v) o efetivo pagamento de IRPJ/CSLLEstimatiavas.” O fato é que a recorrente foi intimada a apresentar o Livro Razão, o LALUR, bem como a documentação referente às deduções relacionadas na DIPJ/2003 (fl.96), nada apresentando. Na manifestação de inconformidade, afirmou (i) que seu crédito já fora declarado em DIPJ entregue tempestivamente e (ii) que o auditor responsável por empreender nova diligência afirmara que o fato da RFB não ter préquestionado os valores declarados depõe pela ausência de indícios de irregularidades. A fim de comprovar o crédito de saldo negativo, nos termos informados na DIPJ/2003, apresentou (a) balancete; (b) razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados e (c) Parte A do LALUR (fls.626/838). Competindolhe o ônus de demonstrar o direito alegado, a mera juntada de documentos fiscais, de forma incompleta, pois, além de desacompanhado de demonstrativos de cálculos, sem o acompanhamento da documentação referente às deduções relacionadas na DIPJ/2003, quais sejam, “operações de caráter cultural e artístico, PAT, Atividade áudio visual, Isenção e redução do Imposto, IRRF, IRRF por órgão público e IRPJ e CSLL pagos por estimativa”, conforme solicitado no Termo de Intimação (fl.93), não permite que se acate o pleito da recorrente. Diante do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta – Redatora designada Em que pese às razões expostas pela ilustre relatora, peço licença para dela discordar em relação apenas ao reconhecimento da decadência do direito do Fisco refazer a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativos ao anocalendário 2002. Os artigos 2º, 6º e 28 da Lei nº 9430/96 estabelecem que as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do IRPJ com base no lucro real, devem seguir o mesmo regime para a apuração da CSLL. Uma vez optado pela apuração com base no lucro real, essas pessoas jurídicas estão também obrigadas à realização mensal de pagamentos desses tributos a título de antecipação, sob o regime de estimativa. Da mesma forma que estão obrigadas ao recolhimento mensal das estimativas, também estão obrigadas à incidência desses tributos (IRPJ e CSLL) na fonte, também devidos a título de antecipação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário ou períodobase, se não for coincidente. Vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Parágrafo 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. (...) Parágrafo 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os parágrafos 1º e 2º do artigo anterior. Parágrafo 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 14 13 Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir. Parágrafo 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, se positivo, observado o disposto no parágrafo 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Parágrafo 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o parágrafo 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Parágrafo 3º O prazo a que se refere o inciso I do parágrafo 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. Art. 28 Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1ºa 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 desta lei.” Assim, ao final do anocalendário (ou períodobase se não coincidir com o final do anocalendário), as pessoas jurídicas, que optarem pela apuração do IRPJ e CSLL com base no lucro real, deve confrontar o valor do IRPJ e da CSL devidos (apurados no final do anocalendário ou do períodobase) com as antecipações efetuadas no seu decorrer. Consideramse como antecipações tanto as apuradas com base nas estimativas mensais (receita bruta e acréscimos) como as retenções desses tributos feitas pela fonte pagadora. É de se ressaltar que o IRPJ e CSLL devidos ao final do períodobase ou anocalendário devem ser calculados nos estritos termos da legislação vigente, considerando todos os aspectos relativos a tal apuração. Como resultado dessa confrontação, teremos: i) apuração de saldo positivo desses tributos, portanto IRPJ e CSLL a pagar ou obrigação de liquidar o crédito tributário junto ao Fisco, tendo em vista que o valor das antecipações pagas com base em estimativas mensais ou por retenção da fonte pagadora foram inferiores aos tributos devidos ao final do períodobase; ii) apuração de saldo negativo desses tributos, portanto IRPJ e CSLL a restituir ou ressarcir, portanto o Fisco tem a obrigação de devolver (via restituição ou ressarcimento) determinado valor à contribuinte, tendo em vista que os valores pagos a título de antecipação, mediante estimativa mensal ou retenção pela fonte pagadora, foram maiores que os tributos devidos ao final do períodobase; ou, Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 15 14 iii) apuração de saldo nenhum ou a inexistência de saldo negativo ou positivo, quando os valores pagos a título de antecipação (estimativa mensal ou retenção na fonte) foram iguais aos devidos ao final do períodobase. Para o nosso caso em comento, o que ocorreu foi que a Recorrente efetuou recolhimentos de antecipações de IRPJ e CSLL durante o anocalendário de 2002 que superaram o valor do IRPJ e CSLL devidos no seu encerramento, logo, apurouse saldo negativo de IRPJ e de CSLL ao final do anocalendário de 2002, que é o valor que o Fisco deve restituir ou ressarcir à Recorrente. Isto é, a Recorrente efetuou pagamento a maior de IRPJ e de CSLL em virtude das antecipações efetuadas ao longo do anocalendário de 2002 (estimativas mensais e retenções suportadas na fonte) terem superado o valor do IRPJ e CSLL devidos no término do mesmo anocalendário de 2002. Em virtude de ter apurado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o qual restou adequadamente demonstrado em sua DIPJ/2003 – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica entregue em 2003 e retificada em 17 de dezembro de 2004. Como podemos ver, a existência e exatidão do saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados ao final do anocalendário de 2002 pela Recorrente, implica, ao final, em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, que é uma atividade do Fisco prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, é a atividade de lançamento a ser realizada pelo Fisco. A autoridade fiscal, para verificação da existência e veracidade desse saldo negativo, deve analisar os elementos formadores das bases de cálculo do IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário de 2002, se as receitas, as despesas e os ajustes obrigatórios (adições) ou permitidos (exclusões) por lei foram corretamente observados, bem como se a alíquota e adicional competentes foram também corretamente aplicáveis, a fim de que se identifique se há valor que deveria ser recolhido ao Erário Público ou se há valor que deveria ser restituído/ressarcido à Recorrente. Ou seja, a verificação do saldo negativo do IRPJ e CSLL depende de procedimento de fiscalização para análise da sua exatidão e sua veracidade, consequentemente, sua liquidez e certeza, uma vez que essa verificação implica em análise dos aspectos vinculados à apuração do IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e, caso estejam incorretos, o prazo que a autoridade lançadora tem para sua verificação, correção e lançamento de ofício é o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, ou o do artigo 173, I, ambos do CTN. O entendimento pacificado é que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e, consequentemente, submetemse à disciplina do artigo 150 do CTN, ou seja, nesse caso, o responsável pela realização desse ato é a contribuinte, a quem a legislação tributária confere a obrigação de determinar o “quantum” devido e efetuar o seu recolhimento, cabendo à autoridade fiscalizadora tão somente a homologação dessa atividade. É o que dispõe o referido dispositivo legal: “Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 16 15 Em outras palavras, no âmbito administrativo, a homologação significa o ato pelo qual a autoridade administrativa competente confirma ou ratifica atos particulares, a fim de instituir validade jurídica aos mesmos. Assim, conforme o disposto no artigo 142 do CTN , os atos de apuração do crédito tributário, que compreendem: i) verificação da ocorrência do fato gerador; ii) a determinação da matéria tributável; e, iii) o cálculo do montante do tributo devido, são todos privativos da autoridade administrativa. Quando praticados pelo particular, reclamam a figura jurídica da homologação e, após ela, passam a ser tidos, todos eles, como atos administrativos, não praticados pela própria autoridade competente, mas como se assim fossem. Nessa mesma toada, temos o entendimento pacificado no STJ – Superior Tribunal de Justiça de que se o contribuinte declarar determinado montante como tributo devido e não efetuar algum pagamento, o Fisco pode cobrar diretamente, como se depreende da decisão no AgRg no AREsp 177137 / MGAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2012/00984376 DJe 09/04/2014. Vejamos a Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. SÚMULA 393/STJ. ISS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PARA COBRANÇA DO TRIBUTO INADIMPLIDO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a declaração feita pelo contribuinte afasta a necessidade de homologação formal pelo fisco, sendo o tributo exigível independentemente de procedimento administrativo fiscal" (REsp 1.198.632/SP, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 6/10/10). 2. Dispõe a Súmula 393/STJ: "A exceção de préexecutividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória". 3. Agravo regimental não provido.” (grifos nossos) Então, uma vez o contribuinte informa o tributo devido e não cumpre com sua liquidação, o Fisco pode fazer a cobrança do tributo não pago diretamente, independentemente de lançamento de ofício. Na verdade, sua informação equivale a um lançamento. Mas, para o Fisco rever o lançamento por homologação, há limites temporais a serem observados. No caso do lançamento por homologação, que é o que ocorre com o IRPJ e CSLL, é firmado o entendimento dessa mesma Corte que o prazo é de 5 anos, consoante a decisão que se obteve no REsp 973.733/SC, conforme a Ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 17 16 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 18 17 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009)." Logo, o Fisco possui o prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, para verificar a exatidão e veracidade dos procedimentos realizados pela contribuinte. Se ficar inerte, o lançamento será considerado homologado e definitivamente extinto o crédito tributário, segundo o parágrafo 4º do mesmo artigo 150 retrotranscrito, a saber: “Parágrafo 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo fraude e simulação.” Para o nosso caso aqui em discussão, a ressalva feita na parte final do normativo não está sob discussão, não houve nenhuma acusação de dolo, fraude ou simulação pela autoridade fiscal. Dessa forma, nos termos do que determina o parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, o Fisco tem cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para verificar se o contribuinte cumpriu corretamente com sua obrigação tributária. Decorrido esse prazo, o lançamento considerase homologado e, conseqüentemente, extinto o crédito tributário. Isto é, consideramse homologadas as atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo para a apuração das suas obrigações tributárias, não podendo mais serem alteradas após o prazo de 5 anos. Esse entendimento se confirma quando combinado com o disposto no inciso V e no parágrafo único do artigo 149 do CTN, o qual trata das hipóteses em que o lançamento deve ser feito e/ou revisto de ofício, in verbis: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V – quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 19 18 No caso do lançamento por homologação, o inciso V, acima, diz que é cabível a revisão de ofício desse lançamento quando restar comprovada a omissão e/ou inexatidão por parte da contribuinte. Todavia, a revisão do lançamento deve ser iniciada enquanto não tiver extinguido o direito do Fisco lançar. Isto é, o Fisco pode revisar o lançamento quando houver sido comprovada a omissão e/ou inexatidão antes do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Como conclusão inicial, mediante a interpretação sistemática dos normativos do Código Tributário Nacional acima transcritos, o Fisco tem o dever de verificar e revisar o lançamento por homologação dentro do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, isto é, 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso em tela, o Fisco se manteve inerte nos cinco anos seguintes à data da ocorrência do fato gerador, 31 de dezembro de 2002, em consequência, a atividade exercida pelo sujeito passivo foi homologada, não podendo mais ser objeto de verificação, lançamento ou mesmo revisão, isto é, a atividade da contribuinte foi legitimada pela autoridade fiscal. Nesse contexto, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, após o transcurso do prazo de decadência do direito de o Fisco efetuar e/ou revisar de ofício o lançamento, tornarseá imutável a apuração dos resultados pelo sujeito passivo, que não mais poderão ser alterados pela fiscalização. É o que depreendemos da Ementa do Acórdão nº 130100.478, Processo nº 10.768.014987/200200, da sessão de 26 de janeiro de 2011: “REVISÃO DE SALDOS NEGATIVOS ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA POSSIBILIDADE.A redução do saldo negativo do IRPJ somente representa revisão do lançamento, submetida ao limite temporal de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, se decorrer de alteração da matéria tributável (base de cálculo após a compensação de prejuízos de períodos anteriores) e da apuração do imposto devido (resultante da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo apurada).” Esse colegiado tem exarado o mesmo posicionamento para o caso de alteração dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL e, esclarecemos, o entendimento sobre a verificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL comina por confirmar o entendimento exarado nesse voto de que decaiu o prazo para o Fisco verificar a adequação das atividades da contribuinte para apuração do cálculo do tributo devido, como veremos em algumas Ementas abaixo transcritas: a)Acórdão n. 10809621, de 28.5.2008: “DECADÊNCIA – ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO – GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.” b) Acórdão n. 10246305, de 17.3.2004: “IRPF – REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 20 19 prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente.” c) Acórdão n. 10806921, de 17.4.2002: “DECADÊNCIA – ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO – GLOSA NO APROVEITAMENTO – Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.” d) Acórdão n. 10706572, de 20.3.2002: “CSLL – BASE NEGATIVA – AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA – DECADÊNCIA – Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência.” Desse modo, a divergência que temos em relação ao entendimento da ilustre relatora está em que, em relação ao pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o prazo de 5 anos também se aplica, tendo em vista que, como o Fisco não pode mais revisar as atividades do contribuinte executadas durante o anocalendário de 2002, então, o saldo negativo de IRPJ e de CSLL foram homologados ou mesmo legitimados pelo Fisco. O limite previsto no artigo 150, § 4º, do CTN atinge as atividades que a contribuinte executou para chegar à apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Essas atividades resultaram, ao final do anocalendário de 2002, em saldo negativo, após o confronto com os recolhimentos das antecipações (mediante estimativas ou pela fonte pagadora), sempre em face da legislação tributária aplicável. Ou seja, transcorridos mais de cinco anos desde a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, quando se apurou os saldos negativos de IRPJ e CSLL, legitimouse os montantes creditórios apurados por ter Fisco ficado silente durante esse prazo de 5 anos. A decadência para a constituição do crédito tributário coincide com o reconhecimento do saldo negativo do IRPJ e CSLL por decurso de prazo. Portanto, está correta a Recorrente ao afirmar que “a Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto)”. A interpretação sistemática dos normativos do CTN acerca do lançamento e as regras de compensação dispostas no artigo 74 da Lei nº 9430/1996 convivem em harmonia dentro do seu campo de aplicação; e, consequentemente, os processos concernentes às Declarações de Compensação e também Pedido de Ressarcimento/Restituição deve ter sua veracidade e exatidão examinados dentro do prazo previsto pelo CTN, uma vez que o crédito/saldo negativo é resultado das atividades da contribuinte para a apuração do IRPJ e CSLL, tributos em comento. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 21 20 Diante de todo o exposto, o voto, portanto, é no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, redatora designada Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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