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Numero do processo: 19647.003731/2004-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/06/1997 a 31/03/1999
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR.
No lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN.
Recurso Especial da Procuradoria provido
Numero da decisão: 9303-004.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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COFINS. DECADÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA E INCORPORADORA NASSAU LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1997 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR. No lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Recurso Especial da Procuradoria provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 37 31 /2 00 4- 71 Fl. 289DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340100.358, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário e, de ofício, reconhecendo a decadência para os lançamentos relativos aos períodos de apuração anteriores a abril de 1999, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1997 a 31/03/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA SUSCITADA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos Fl. 290DF CARF MF Processo nº 19647.003731/200471 Acórdão n.º 9303004.914 CSRFT3 Fl. 290 3 ao lançamento por homologação é a do § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/1999 a 31/08/2000 AUTO DE INFRAÇÃO DE PIS E DE COFINS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PODERES PARA REPRESENTAR. O instrumento de mandato deve ser claro de maneira a permitir a perfeita identificação e correlação dos poderes delegados ao ato administrativo a ser impugnado. No caso, os poderes foram conferidos especificamente para a defesa do sujeito passivo em processo administrativo de compensação de débito e não para a impugnação de lançamentos de PIS/Pasep e de Cofins, ainda que originados do não reconhecimento daquela compensação. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que reconheceu a decadência para os lançamentos relativos aos períodos de apuração anteriores a abril de 1999, por aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. O que, requer a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, alegando a ausência do recolhimento antecipado pelas contribuintes. Em Despacho à fl. 253, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, requerendo a manutenção do decidido pelo acórdão recorrido no que tange a aplicação prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão 340100.358, alegando a regularidade de sua representação processual e, assim, requerendo o retorno dos autos à DRJ em Recife/PE para que esta aprecie o mérito da impugnação – para o fim de anular o Auto de Infração, tendo em vista que o crédito tributário objeto desse foi compensado com o crédito de FINSOCIAL nos autos do processo administrativo Fl. 291DF CARF MF 4 10480.009424/9743 – conforme autorização judicial nos autos do Mandado de Segurança 98.00072233. Em Despacho às fls. 278 a 279, o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo não foi admitido. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial à fl. 280, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve totalmente o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial de divergência interposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. Contrarrazões devem ser consideradas, pois tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário referente ao PIS e à Cofins. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou os cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19647.003731/200471 Acórdão n.º 9303004.914 CSRFT3 Fl. 291 5 preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Fl. 293DF CARF MF 6 Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a princípio, seria importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. A priori, depreendendose da análise dos autos, recordase que o Auto de Infração foi lavrado em 20.4.04, envolvendo débitos constituídos de ofício relacionados aos períodos de apuração compreendidos entre junho de 1997 a agosto de 2000. Aquele Colegiado entendeu pela decadência daquele período, aplicandose o prazo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. É de se verificar que o sujeito passivo entregou as declarações daquele período. O que, por conseguinte, em vista da declaração, nos termos do decidido pelo STJ, aplico o art. 150, § 4º, do CTN, mantendo a decisão recorrida. Sendo assim, é de se aplicar para fins de contagem do prazo decadencial a regra preceituada no art. 150, § 4º, do CTN, por ter havido declaração pelo sujeito passivo”, mantendo a decadência dos créditos relativos aos períodos de apuração anteriores a abril de 1999. Em vista do exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19647.003731/200471 Acórdão n.º 9303004.914 CSRFT3 Fl. 292 7 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Diz a il. Relatora que a contribuinte não promoveu o recolhimento das contribuições. Não obstante, concluiu que o prazo extintivo do direito do Fisco regerseia pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN pelo fato de haver declaração prévia do tributo. Contudo, é matéria assente na jurisprudência administrativa, a aplicação do referido dispositivo somente se dá quando há pagamento antecipado, consoante entendimento já aqui há muito pacificado. À título de ilustração, confiramse as seguintes ementas de decisões do CARF: DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, aplicase o artigo 150, § 4º, do CTN. Do contrário, aplicase o art. 173, I, do mesmo Código. (Acórdão nº 9202005.220, de 21/02/2017) NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 295DF CARF MF 8 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Acórdão nº 9303004.586, de 24/01/2017) Como se vê, o acórdão recorrido não está em sintonia com o entendimento deste Colegiado, sendo necessário, portanto, reformálo. Não havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado conforme o disposto no art. 173, I, do CTN, não na forma como estabelece o art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19647.003731/200471 Acórdão n.º 9303004.914 CSRFT3 Fl. 293 9 Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000691/2004-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. NÃO CONHECIMENTO.
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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REQUISITOS. NÃO CONHECIMENTO. É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 91 /2 00 4- 85 Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.757 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 340301.551, de 24 de abril de 2012 (fls. 2631 a 2649) do processo eletrônico, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, rejeitouse a preliminar de nulidade e, no mérito, deuse provimento não só para cancelar a glosa do crédito pela aquisição de energia elétrica, mas também para excluir as variações cambiais da base de cálculo da contribuição; e (ii) por maioria de votos, deuse provimento para excluir os valores relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS da base de cálculo da contribuição; conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. A cessão onerosa de saldo credor acumulado de ICMS não oferece em contrapartida para a pessoa jurídica cedente a percepção de receitas, motivo pelo qual é descabida a exigência da COFINS sobre referidas importâncias. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA x COMPETÊNCIA. ÔNUS FAZENDÁRIO DA PROVA. O regime de caixa é aquele legalmente estabelecido para a tributação das variações cambiais ativas, tendo o contribuinte a opção pelo regime de competência e o Fisco o ônus de demonstrar a eleição deste em pedidos de ressarcimento de créditos acumulados. As variações cambiais ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.758 3 cálculo da COFINS, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras e falíveis. COFINS. CRÉDITO. ATIVIDADE EQUIPARADA A INDUSTRIAL. Contribuintes equiparados a industriais para fins de IPI não fazem jus à apropriação dos créditos da COFINS nãocumulativa aludidos nos incisos II e VI do art. 3° da Lei n° 10.833/03. COFINS. CRÉDITO. ENERGIA ELÉTRICA. Independentemente de serem comerciais, industriais ou prestadores de serviços, aos contribuintes é permitida a apropriação de créditos relacionados a despesas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento seguido de três declarações de compensação nas quais foi utilizado saldo credor da COFINS nãocumulativa, originado de vendas destinadas ao mercado externo e relativo aos períodos de apuração 08, 09 e 12/2004 (fls. 01/02, 13/22 e 121/122). Traz o Contribuinte aos autos cópias da DACON, DCTFs, DIPJ (fls. 24/120, 169/245 e 248/285), LRAIPI, LAICMS e demonstrativos contábeis (fls. 288/741). Ao cabo de processo fiscalizatório (fls. 875/890), a DRF apurou fatos capazes de reduzir o saldo de créditos ressarcíveis do período. Essa redução decorria tanto em razão de débitos de PIS e Cofins alegadamente calculados a menor, quanto de créditos apurados a maior, a saber: Débitos Calculados a Menor: a) cessão de créditos do ICMS (fls. 880): verificouse que as entradas decorrentes da cessão de créditos do ICMS, no anocalendário 2004, não haviam sido oferecidas à tributação pela COFINS, razão pela qual foram incluídas na base de cálculo da contribuição, conforme valores constantes no Livro de Apuração do ICMS; b) variações cambiais ativas (fls. 881): foram adicionadas à base de cálculo da COFINS as receitas financeiras decorrente de variações cambiais ativas, salientando a fiscalização não ser possível compensálas com variações passivas num determinado mês ou em meses subsequentes. Crédito Apurados a Maior: Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.759 4 a) devoluções de vendas – filial Santa Cruz do Sul – 09/2004 (fls. 884): por meio de mensagem eletrônica encaminhada pelo recorrente, este informou que a quantia de R$1.737.648,00, relativa às devoluções de vendas da filial Santa Cruz do Sul, teria sido contabilizada também em 09/2008 (fls. 743), motivo pelo qual, a fim de evitar duplicidade, tal montante foi glosado no anocalendário 2004, permanecendo como gerador de crédito apenas em 2008; b) fretes (fls. 883): foram glosados os créditos sobre fretes apropriados quando da transferência de produtos entre estabelecimentos do próprio recorrente, em razão da ausência de previsão legal para tal creditamento e pelo fato de que tal despesa não integra o custo de aquisição; c) energia elétrica – 2004 (fls. 884): foram glosados os créditos equivalentes à diferençaentre as despesas de energia elétrica apropriadas nas DACONs e aquelas verificadas nos arquivos digitais pelo CFOP 1253 – “Compra de Energia Elétrica por Estabelecimento Comercial"; d) depreciação – 2004 (fls. 885): foram glosados os créditos decorrentes do cálculo da depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, conforme mensagem eletrônica encaminhada à fiscalização em 03.10.2008, segundo a qual a atividade da empresa consistia em "beneficiamento do fumo em folha cru junto a terceiros" (fls. 743); e) aluguel de empilhadeiras (fls. 886): foram glosados os créditos decorrentes de despesas com manutenção e combustível consumido em máquinas e equipamentos alugados e utilizados nas atividades da empresa, conforme contrato de locação (fls. 751/763). Além disso, os contratos vigeram até 06/2004. Foi proferido despacho decisório (fls. 891) que, com base no Relatório de Verificações Fiscais, reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou também parcialmente as DComps apresentadas. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 914/932). Desta forma, foi proferido acórdão (fls. 1077/1093) pela DRJ/Santa MariaRS, pelo qual se julgou improcedente a inconformidade apresentada, rechaçandose todas as alegações do contribuinte. Irresignado com a decisão desfavorável, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.760 5 O colegiado, por sua vez, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 2653 a 2686) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, suscitando a divergência quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores (1) referentes ao ICMS transferidos para terceiros e (2) das variações cambiais ativas. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, os acórdãos de números 330100.230 e 220100.165 (divergência –1), e; 20180.817 e 3302 01.408 (divergência 2, cuja ementas foram transcrita na peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional teve seu seguimento admitido parcialmente, apenas em relação à exclusão das variações cambiais da base de cálculo da contribuição social, conforme despacho de fls. 2688 a 2693. No reexame de admissibilidade (fls. 264 e 2695), mantevese a decisão que deu seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Fazenda. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 2722 a 2733 postulando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade é de não conhecêlo, vez que não houve apontamento de divergência jurisprudencial, senão vejamos: A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 2653 a 2686) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.761 6 suscitando a divergência quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores (1) referentes ao ICMS transferidos para terceiros e (2) das variações cambiais ativas. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, os acórdãos de números 330100.230 e 220100.165 (divergência –1), e; 20180.817 e 330201.408 (divergência 2, cuja ementas foram transcrita na peça recursal. No entanto, o Recurso Especial da Fazenda Nacional somente teve seu seguimento apenas em relação à exclusão das variações cambiais da base de cálculo da contribuição social, conforme despacho de fls. 2688 a 2693. A decisão recorrida assentou que as variações cambiais ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo da COFINS, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras e falíveis, ; conforme acórdão assim ementado in verbis: VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA x COMPETÊNCIA. ÔNUS FAZENDÁRIO DA PROVA. O regime de caixa é aquele legalmente estabelecido para a tributação das variações cambiais ativas, tendo o contribuinte a opção pelo regime de competência e o Fisco o ônus de demonstrar a eleição deste em pedidos de ressarcimento de créditos acumulados. As variações cambiais ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo da COFINS, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras e falíveis. Restou assentado no voto vencedor do Acórdão recorrido, de lavra da i. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, o entendimento segundo o qual é devido a exclusão das variações cambiais da base de cálculo da contribuição. O que, peço vênia para transcrever parte (Grifos meus): (...) A respeito deste subitem, cabe primeiramente ressaltar que, de acordo com o relatório fiscal (fls. 875/890) e o voluntário (fls. 1100/1122), a controvérsia existente reside na tributação das variações monetárias: se esta deve obedecer ao regime de caixa ou ao de competência. Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.762 7 De fato, verificasse das planilhas acostadas às fls. 865 e 871 que a fiscalização, a despeito do regime legal aplicável a este tipo de ingresso financeiro, incluiu na base de cálculo dos débitos da COFINS valores decorrentes de variações monetárias ainda não liquidadas, ou seja, sujeitas a mudanças em decorrência da livre flutuação cambial, em desacordo com o disposto no art. 30, da MP no 2.15835/ 01: (...) Fato é que não há nenhum elemento documental nos autos que comprove a adesão pelo recorrente ao regime de competência, para fins de tributação das variações cambiais. Lembro que, neste capítulo, laborou a fiscalização em termos de reduzir o direito creditório reivindicado por meio da imposição de obrigações que o requerente espontaneamente não reconhecera. Daí porque, na linha do que afirmei ao rejeitar a preliminar de nulidade, repito que é da auditoria tributária o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato gerador, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Deste encargo, todavia, o órgão de origem não se desincumbiu. Não fosse este argumento suficiente, isto é, mesmo que o recorrente houvesse, de fato, optado pelo regime de competência no reconhecimento das receitas de variação cambial, sua escolha não implicaria tributação dos resultados positivos independentemente de ter adquirido, em definitivo, o direito a eles. É que a sujeição – obrigatória ou por opção – ao regime de competência na escrituração contábil não quer significar que as variações cambiais positivas sobre os direitos e as obrigações da pessoa jurídica constituam receita passível de tributação pela COFINS independentemente de o sujeito passivo ter adquirido, em definitivo, o direito a elas. Enquanto as oscilações positivas na paridade cambial não se incorporarem em caráter irreversível ao patrimônio do contribuinte, vale dizer, enquanto puderem ser Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.763 8 neutralizadas por subsequentes oscilações negativas, não se caracterizam como receita para o fim de constituírem, inclusive sob o regime de competência, base de cálculo da contribuição. Segundo se lê do artigo 178, §2o da Lei n 6.404/76, o patrimônio líquido das sociedades anônimas compõese de “capital social, reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e lucros ou prejuízos acumulados”. Os “lucros ou prejuízos acumulados”, de seu turno, correspondem à soma, a outras parcelas, do “lucro líquido do exercício” (art. 186, II). E, finalmente, a definir o “lucro líquido do exercício”, o artigo 187 do mesmo diploma, dispõe: “§1 Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.” Estes dispositivos têm permitido à doutrina conceituar “receita” como a percepção de ingressos aptos a influir positivamente sobre o patrimônio líquido de um sujeito de direitos. Nesse sentido, expõe Marco Aurélio Greco: “esse ingresso deve ter cunho patrimonial no sentido de corresponder (no momento em que ocorrido) a um evento que integra o conjunto de eventos positivos que inferem com o patrimônio da empresa, (...) ainda que, em sua totalidade ou individualmente, não implique um ganho, pois este poderá existir, ou não, conforme vier a ser aferido no final do período de apuração” (Cofins na Lei no 9.718/98: variações cambiais e regime da alíquota acrescida. Revista dialética de direito tributário, São Paulo: SP, v. 50, p. 110/151 (130)). Em sentido análogo, leiase, respectivamente, em Ricardo Mariz de Oliveira e em Douglas Yamashita: Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.764 9 “Ora, toda e qualquer receita é um ‘plus’ no patrimônio da pessoa jurídica, algo a mais que se acrescenta a ele.” (Repertório IOB de jurisprudência, no 24/99, p. 704) “(...) do necessário exame do arquétipo constitucional de receita resulta que seja como produto da empresa e seja como aumento bruto de ativos (patrimônio) da empresa, todo ativo que não resulta da empresa ou não aumenta o patrimônio, está fora das fronteiras semânticas do arquétipo constitucional de receita e não pode ser definido pelo legislador infraconstitucional como receita.” (Repertório IOB de jurisprudência, no 13/00, p. 328 e ss.) Ocorre que o patrimônio – e aqui já ingressamos na seara do direito civil – não é senão a soma dos direitos e das obrigações dotados de valor economicamente apreciável, conforme define o artigo 91 do Código Civil em vigor. Por coerência, então, a obtenção de receitas, por induzir ao aumento do patrimônio, há de necessariamente se materializar, em termos jurídicos, através da aquisição de direitos novos ou, quando menos, da supressão das obrigações existentes. É necessário precisar, portanto, o momento a partir do qual um novo direito pode ser havido por adquirido, a fim de se considerar implementado o aumento patrimonial e, enfim, recebida a respectiva receita. Novamente é no direito civil que se consegue a resposta. O artigo 121 do atual Código conceitua “condição” como a cláusula do negócio jurídico que, “derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”. Complementao, em seguida, o artigo 125 para, no que interessa, prescrever que “subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa”. Significa que, na pendência de uma condição suspensiva, o direito por ela subordinado não estará ainda incorporado ao patrimônio do indivíduo a quem favorece até o seu implemento. É o que se dá com as variações Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.765 10 monetárias positivas enquanto não vencido, segundo o contrato, o prazo para o fechamento do câmbio. Valorizandose o real em relação ao dólar, o devedor de obrigação contraída na moeda estrangeira não adquire, imediatamente, o direito de pagar menor montante em moeda nacional, o que caracterizaria a percepção de receita, mas, por ora, a mera expectativa de que, mantendose inalterada paridade cambial até o vencimento do prazo contratual, ter a possibilidade de despender menos reais quando liquidar a dívida. Numa palavra: as oscilações cambiais positivas só se agregam ao patrimônio de quem favorecem quando, em razão do disposto em contrato, se tornarem impassíveis de reversão. Até que isso ocorra, subordinamse à condição suspensiva. Por isso, explica Mariz de Oliveira, “o direito à receita de variação cambial, que se incorpora ao ativo a receber, somente é adquirido quando definitivo, não mais passível de fato ou condição falível. Vale dizer, isto somente ocorre na data do vencimento do período de apuração previsto no ato jurídico que dele decorre, porque antes desse momento nenhuma variação cambial positiva pode ser exigida da pessoa, não porque haja um prazo para pagamento, o que seria irrelevante para a aquisição do direito, mas, sim, porque o direito à receita de variação cambial está subordinado a que não haja reversão da taxa cambial, o que é fato futuro de realização incerta e independente da vontade das partes” (Conceito de receita como hipótese de incidência das contribuições para a seguridade social (para efeitos da COFINS e da Contribuição ao PIS. 9o Simpósio nacional IOB de direito tributário, p. 3980 (50)). Dois preceitos encontráveis no Código Tributário Nacional induzem a semelhante conclusão. O primeiro deles é o artigo 116, inciso II, de acordo com o qual, definindo a lei como fato gerador da obrigação tributária uma “situação jurídica”, precisamente o que se dá com o fato gerador “receita”, considerasse consumada a hipótese de incidência “desde o momento em que Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.766 11 esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável”. O segundo é o artigo 117, inciso I, onde se lê que, sendo suspensiva a condição que subordina a eficácia do direito, o fato gerador só ocorre com o implemento dela. Mais do que isso, até: sabese que os fatos suscetíveis de desencadearem o surgimento de obrigações tributárias devem revelar capacidade contributiva de quem os pratica. Imaginar, então, que a opção pelo regime de competência possa, por si só, expor a pessoa jurídica a exigências tributárias sobre variações cambiais não incorporadas ao seu patrimônio, representaria menoscabar o princípio. Evidentemente que, se no momento em que a obrigação se vencer, apurarse variação cambial positiva em relação à paridade existente na data da contratação, a pessoa jurídica beneficiada deverá oferecer a receita auferida à incidência do PIS, independentemente de qualquer movimento de caixa. Não é preciso haver pagamento, já o diz o artigo 187 da LSA, para que se caracterize, no regime de competência, a percepção da receita. Por outro lado, friso, nada autoriza acreditar que a sujeição tributária seja possível antes da definitiva aquisição do direito. Sob esta perspectiva de análise, é muito menos ampla e significativa a modificação advinda ao trato da matéria com a MP no 2.15835, artigo 30. A substituição do regime de competência pelo regime de caixa permite tão só diferir o reconhecimento da receita do átimo em que o crédito de variação cambial é adquirido para o momento em que é extinto (liquidação). Nada além disso. Feitas essas considerações, a validade da modificação da base de cálculo dos débitos neste ponto pressuporia concluir que, submetendose o recorrente, no período, ao regime de competência, os números apurados pela fiscalização e constantes do Livro Razão trazido aos autos representam direitos de variações cambiais definitivamente adquiridos pelo contribuinte e Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.767 12 não o registro contábil de oscilações mensais flutuantes e ainda passíveis de reversão em períodos subseqüentes. Embora deva emprestar valor probatório à escrituração contábil, especialmente quanto a fatos contrários ao obrigado, não estou convencido de que a realidade ali ilustrada seja a de direitos definitivamente adquiridos. E isso fundamentalmente porque a autoridade fiscalizadora não identificouum negócio jurídico sequer que, por amostragem, pudesse evidenciar que os valores tributados de fato corresponderiam a direitos de variação cambial definitivamente adquiridos. Acrescentese que o preceito normativo que dá fundamento à conduta da fiscalização (art. 1º da Lei nº 10.833/03), textualmente declara ser irrelevante, para fins de ocorrência do fato gerador, a “classificação contábil” adotada pelo sujeito passivo para escriturar suas receitas. Quer isso significar que, “a incidência da contribuição deverá alcançar todas aquelas figuras que correspondam a efetiva receita ou faturamento, qualquer que seja a sua forma de contabilização. Não o inverso! Primeiro é preciso ter a natureza de receita ou faturamento: depois a forma de contabilizar é irrelevante. Mas, não é a forma de contabilizar que irá determinar se algo é, ou não, receita ou faturamento” (GRECO, Marco Aurélio. Ob. cit., p. 131). Em face disso, e estando evidente a inclusão na base de cálculo da COFINS das variações cambiais ainda não liquidadas pelo recorrente, é de se prover o recurso voluntário também nesta parte. Já o Acórdão indicado como paradigma n° 20180.817, ao contrário, decidiu que essas receitas têm natureza de receitas financeiras e como tal integram, a base de cálculo da Cofins, aplicandose o mesmo regime adotado da apuração do IRPJ e da CSLL. Segue os trechos dos acórdãos paradigmas: Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 13005.000691/200485 Acórdão n.º 9303005.052 CSRFT3 Fl. 2.768 13 (...) As variações cambiais ativas, tem natureza de receita financeira, integram, como tal, a base de cálculo da Cofins, aplicandose o mesmo regime adotado pela apuração do IRPJ e CSLL caixa ou competência. E o mesmo se concentra exclusivamente na discussão de ser ou não a variação cambial base de cálculo daquelas exações, sem adentrar na discussão que foi travada pelo acordão recorrido relativa a opção pelo regime de caixa ou de competência. Ora o recurso especial de divergência, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o Recurso não deve ser conhecido. Em vista de todo o exposto, pela falta de comprovação da divergência jurisprudencial, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900248/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 48 /2 01 4- 90 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900248/201490 Acórdão n.º 3401003.656 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900248/201490 Acórdão n.º 3401003.656 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900248/201490 Acórdão n.º 3401003.656 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721280/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
DECADÊNCIA
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
ÁGIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. DEDUTIBILIDADE.
É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio tiver sido regularmente constituído em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes, lastreadas em expectativa de rentabilidade.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio.
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE.
O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA
No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995.
Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ.
IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA
A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido.
Numero da decisão: 1301-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; e (2) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. ÁGIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. DEDUTIBILIDADE. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio tiver sido regularmente constituído em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes, lastreadas em expectativa de rentabilidade. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.996 1 3.995 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.721280/201302 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301002.433 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria IRPJ: Ágio Recorrentes RIO GRANDE ENERGIA S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. ÁGIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. DEDUTIBILIDADE. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio tiver sido regularmente constituído em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes, lastreadas em expectativa de rentabilidade. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 12 80 /2 01 3- 02 Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 3.997 2 patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (1) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; e (2) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 3.998 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 3.999 4 Relatório RIO GRANDE ENERGIA S.A, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo para cancelar os valores de R$ 6.331.164,68, referente ao IRPJ, e R$ 2.279.219,28, referente a CSLL, mais a multa de ofício e juros de mora correspondentes. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL no valor de R$196.513.547,83 (fls. 3.208/3.225 e 3.226/3.239), cumulados de juros e multa qualificada, lavrado contra RIO GRANDE ENERGIA S.A. (RGE), em razão da exclusão de ágio decorrente de incorporação reversa de sua controladora, mos anoscalendários de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, nos termos dos arts. 3º da Lei 9.249/95, arts. 247 e 250 do RIR/99 para IRPJ e art. 2º da Lei 7.689/88, e alterações, art. 1º da Lei 9.316/96, art. 57 da Lei 8.981/95, art. 28 da Lei 9.430/96, art. 37 da Lei 10.637/02. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 3.245/3.319), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: A composição societária inicial do contribuinte era a seguinte: No anocalendário de 2001 (13/07) a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) Paulista adquire a participação societária que a Serra da Mesa e a 521 Participações detinham junto à RGE, pagando um ágio de R$ 755.585.030,22, sob o fundamento da rentabilidade futura. (...) Até o anocalendário de 2006 a CPFL Paulista amortizou o valor aproximado de R$ 268 milhões do ágio pago. Em agosto de 2002 foi constituída a CPFL Energia Holding, que passou a deter 100% do capital da CPFL Paulista, conforme abaixo: Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.000 5 Em maio de 2006 a CPFL Energia adquire a Ipê Energia (esta registrava um ágio anterior de 8 milhões). Por alteração contratual a Ipê Energia passou a se denominar CPFL Serra. A composição societária ficou da seguinte maneira: Em março de 2007 a CPFL Paulista efetua a transferência do investimento que detinha na RGE para a CPFL Holding, ficando a composição societária da seguinte maneira: Logo em seguida, a CPFL Holding efetua a capitalização da CPFL Serra mediante a transferência das ações da RGE, ficando a composição societária da seguinte forma: Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.001 6 Passo seguinte foi a incorporação pela RGE de sua controladora, a CPFL Serra, ficando a composição societária da seguinte forma: Conforme demonstrado acima, no anocalendário de 2001 a CPFL Paulista adquiriu participação societária que a Serra da Mesa e a 521 Participações detinham junto à RGE, pagando um ágio de 756 milhões. Até o anocalendário de 2006 a CPFL Paulista havia amortizado contabilmente o montante de R$ 268 milhões desse ágio, mas adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, neutralizando, com isso, os efeitos tributários para fins de IRPJ. Essa neutralização não foi efetivada para fins de CSLL. Em maio de 2006 a CPFL Energia adquire a Ipê Energia, alterando a denominação social para CPFL Serra. Em março de 2007 a CPFL Paulista efetua a transferência do investimento que detinha na RGE para a CPFL Holding. Logo em seguida, a CPFL Holding efetua a capitalização da CPFL Serra mediante a transferência das ações da RGE. Com essa operação, a CPFL Serra passa a deter 100% das ações da RGE. Passo seguinte, a RGE incorpora a sua controladora, a CPFL Serra, passando a realizar o ágio de R$ 756 milhões pagos pela CPFL Paulista quando da aquisição da participação societária que Serra da Mesa e a 521 Participações detinham junto à RGE. O LALUR (fls. 1281/1282) registra o crédito do referido ágio segregando os valores R$ 268 milhões (R$ 278.660.248,45), que havia sido adicionado ao lucro líquido pela CPFL Paulista, e de R$ 488 milhões (R$ 478.070.108,25). Fl. 4001DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.002 7 Entre os anoscalendário de 2007 e 2011, o contribuinte excluiu do Lucro Líquido e da base de cálculo da CSLL a título de ágio em incorporação CPFL Serra os seguintes valores: O autuante entende que essas exclusões foram efetuadas indevidamente, porque a capitalização da CPFL Serra pela CPFL Holding, mediante a transferência das ações da RGE e a incorporação reversa da CPFL Serra pela RGE, teria se dado, não por questões negociais, mas como um ato pensado para proporcionar a dedução do montante de R$ 488 milhões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na forma prevista no art. 386, inc. III, do RIR/99, e não para atender a Lei nº 10.848, de 2004, que introduziu o § 5º, inc. IV e V, no art. 4º da Lei nº 9.074, de 1995, e impôs a necessidade de segregação societária do Grupo CPFL e a participação de forma direta da CPFL Energia no capital da RGE, pois proibiu que as concessionárias, as permissionárias e as autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica, atuantes no Sistema Interligado Nacional, participassem em outras sociedades de forma direta ou indireta e a desenvolver atividades estranhas ao objeto da concessão, permissão ou autorização. Esse processo iniciou durante o ano de 2004, por força da Lei nº 10.848, quando, depois de uma série de tratativas com a ANEEL, o Grupo CPFL enviou para aquela agência proposta de Modelagem para Segregação de Participações Acionárias, apresentando detalhes de como seriam implementadas as novas imposições legais (ver Oficio 30/R – fls. 255/285). A configuração societária final ficaria na forma demonstrada a seguir (ver Nota Técnica ANEEL 306 – fls. 295/298): Por solicitação do Grupo CPFL, que alegou representativos impactos tributários, a ANEEL prorrogou até 14 de março de 2007 o prazo para a execução do programa de segregação das participações societárias (ver Nota Técnica ANEEL 306 – item 9 – fls. 295/298 – Resolução Autorizativa 305 – fls. 314/315). Em dezembro de 2006, o Grupo CPFL encaminhou à ANEEL, sem nexo algum no contexto das informações enviadas como modelagem da segregação societária, novo pedido de anuência para implementação das duas novas operações: (i) capitalização da CPFL Serra com o investimento e o ágio detido junto à RGE (67%), e (ii) em seguida, a incorporação reversa da CPFL Serra pela RGE. Tais operações não haviam sido cogitadas na modelagem anuída inicialmente pela ANEEL. Em 2007, por meio de nota técnica, a ANEEL anuiu com as novas propostas, justificando que ao final das operações os efeitos seriam idênticos ao plano original de descruzamento societário. Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.003 8 Então foram implementadas as operações de (i) transferência do investimento da CPFL Paulista para a CPFL Energia; (ii) a transferência do investimento que CPFL Energia detinha junto à RGE para a CPFL Serra e, (iii) incorporação da CPFL Serra pela RGE. Em razão desses fatos, o autuante concluiu que a capitalização da CPFL Serra, mesmo sendo lícita sob o aspecto formal, sob a intencionalidade do negócio jurídico praticado foi acéfala, sem substância. Visou de forma exclusiva atender o disposto no inc. III do art. 386 do RIR/99 e não, de fato, a participação nas atividades da RGE por meio da CPFL Serra. No momento da capitalização, inexistiam vontade e ânimo efetivo do Grupo CPFL em exercer atividade econômica de participação societária por meio de tal empresa. A intenção sempre foi manter o investimento direto da CPFL Energia na RGE, conforme as imposições legais trazidas pela Lei nº 10.848, de 2004, e detalhado no plano originalmente enviado à ANEEL em 2004. Mesmo antes das operações serem anuídas pela ANEEL, já havia expressa manifestação da incorporação reversa implementada (ver Ofício 47/R – fls. 404/464), a qual levou o ágio de R$ 488 milhões para dentro da RGE e foi a última parte do planejamento tributário. Inexistiria atendimento ao inc. III do art. 386 do RIR/99 se o investimento na RGE permanecesse mantido de forma direta pela CPFL Energia, conforme planejado deste o início do processo de descruzamento e desverticalização societária. A invocação da capitalização no cenário apresentado foi um mero artifício para aproveitamento do referido ágio. A regra geral do art. 391 do RIR/99 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inc III), é a indedutibilidade das parcelas do ágio fundamentado na rentabilidade futura, amortizadas contabilmente na apuração do lucro real, salvo por ocasião da alienação ou liquidação da participação, quando seria acrescido ao valor contábil do investimento para fins de apuração de ganho ou perda de capital. O art. 386, inc. III, do RIR/99, prevê uma exceção à regra geral, e como tal, deve ser interpretado de forma literal, uma vez que, em se cumprindo sua condição a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio, em virtude de incorporação, fusão ou cisão – é permitida a amortização fiscal do ágio fundamentado na rentabilidade futura nos balanços que se seguirem ao evento, à razão de um sessenta avos ao mês, no máximo. O evento condicionante trazido pela norma não é em si a incorporação, fusão ou cisão, mas sim a absorção do patrimônio em razão desses eventos. Ou seja, a norma condiciona a amortização fiscal do ágio (em momento anterior a regra geral do art. 426 do RIR/99 que prevê que o mesmo possa integrar o custo do investimento quando da alienação deste) à impossibilidade de uma alienação futura do investimento que o gerou, uma vez que este desaparece diante do evento de incorporação, fusão ou cisão. Ou seja, exemplificando, se A adquire participação societária em B com ágio fundamentado em rentabilidade futura, este ágio poderá ser fiscalmente amortizado quando da incorporação/cisão/fusão entre A e B ou vice versa. Assim, quando a investidora (que detém participação societária na investida, adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade futura) absorver o patrimônio da investida numa operação de incorporação, por exemplo, o investimento deixa de existir e é substituído pelo acervo líquido da investida/incorporada, a valor contábil. Ou seja, a investidora/incorporadora leva para dentro dela a causa da rentabilidade futura, fazendo jus ao direito legal de amortizar o ágio para fins de apuração do lucro real, uma vez que não mais Fl. 4003DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.004 9 poderá alienar este investimento futuramente, aproveitando fiscalmente o ágio pago na aquisição deste como custo, conforme a regra geral do art. 426 do RIR/99 prevê. Da mesma forma, no caso de uma incorporação reversa, quando a investida absorver o patrimônio da investidora (que detém participação societária na investida, adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade futura), o investimento que esta detinha naquela desaparece, e a investida (incorporadora) passa a carregar o ágio de sua própria rentabilidade futura, fazendo jus ao direito legal de o amortizar para fins de apuração do lucro real. Neste caso também desaparece a possibilidade de utilização fiscal do ágio como custo na alienação futura do investimento (art. 426 do RIR/99). O autuante aplicou a multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 1996, duplicada na forma prevista no § 1º do referido artigo, sob o fundamento de que o Grupo CPFL implementou um aumento de capital sem intenção alguma de manter o investimento na RGE por meio da CPFL Serra, tanto que, no final do processo de incorporação tudo permaneceu exatamente como previsto no plano original de modelagem societária. O autuante afirma que a operação de capitalização da CPFL Energia na CPFL Serra foi simulada, não houve uma razão econômica para a capitalização da CPFL Serra, mas apenas razões de cunho tributário, que visaram a possibilidade de dedução do ágio, que inexistiria se tal operação não fosse implementada. Para o autuante, o caso tratado nos autos é sonegação e fraude decorrentes da simulação, pois através de um ato meramente formal e sem substância material, houve a modificação da situação da obrigação tributária, a qual, antes, era de indedutibilidade do ágio de R$ 756 milhões, e, depois, passou para a dedutibilidade do saldo de tal ágio (R$ 488 milhões). O elemento “dolo”, que qualifica o agir do sujeito passivo como sonegação ou fraude, está presente nessas operações, que demonstram que o contribuinte tinha vontade e a consciência de estar reduzindo, evitando, ou diferindo imposto que sabia devido. A Nota Técnica ANEEL 101/2007 (fls. 575/582) faz um histórico dos fatos e um estudo aprofundado de todas as reestruturações intentadas, os investimentos e ágios envolvidos. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação de fls. 3.322/3.431, que alega em síntese: decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, já que o ágio surgiu em 2001, tendo sido transferido à CPFL Serra em 2007, tendo assim ocorrido o prazo decadencial de 5 anos até a ciência da autuação que ocorreu em 2013. erros no lançamento referentes aos valores que teriam sido amortizados, bem como a desconsideração de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. interpretação equivocada do autuante, no tocante ao art. 386 do RIR/99, quanto à conclusão ao considerar que apenas o adquirente original poderia usufruir da amortização do ágio. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.005 10 Jurisprudência consolidada do CARF. Inexistência de "empresa veículo" da CPFL Serra. Operação realizada com total substrato econômico e dentro dos ditames legais. Falta de previsão legal para adição da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL. Inocorrência da simulação. Existência de norma da ANEEL que a impediu de realizar outras operações societárias, que não aquela que foi feita. Inaplicabilidade da multa qualificada Decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário quanto ao anocalendário de 2007. Inaplicabilidade dos Juros sobre a multa de ofício. Após diligência realizada para confirmar valores indevidamente adicionados, em relatório de Diligência Fiscal, fls. 3671/3679, manteve alguns valores e excluiu R$23.172.621,34 (ágio de R$88 milhões) e R$2.152.037,37 (ágio de R$8 milhões). Em julgamento realizado em 18 de dezembro de 2013, a 1ª Turma da DRJ/POA, considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1048.250, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 IRPJ/CSLL DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O fisco tem o direito examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a data de formação desses elementos e a data do seu aproveitamento. Na ocorrência de simulação o prazo para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ/CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO As irregularidades, as incorreções e as omissões não relacionadas à competência do autuante, forma, objeto, finalidade e motivação, não importam em nulidade do auto de infração e devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. IRPJ/CSLL ERRO NA APURAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL Cancelase a parcela do lançamento decorrente de erro na apuração da base tributável. Fl. 4005DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.006 11 IRPJ/CSLL AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. SIMULAÇÃO A prática de atos simulados e o abuso de direito para obtenção de vantagem tributária ofendem os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia tributária e devem ser desconsiderados para fins tributários. IRPJ/CSLL MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. IRPJ/CSLL DILIGÊNCIA. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO Não caracteriza inovação dos critérios jurídicos do lançamento quando na diligência apenas são esclarecidas questões dúbias surgidas em razão da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 3.796/3.952), onde pugna pela improcedência dos lançamentos, cancelandose os valores de IRPJ e CSLL. (I) Preliminares (I.1) Erros cometidos pela fiscalização Impossibilidade de inovação; (I.2) Preclusão/Decadência da possibilidade do Fisco questionar a origem do ágio; (I.3) Da Nulidade da Decisão Recorrida ausência de apreciação de todos os argumentos de defesa Cerceamento de defesa; (II) Do Direito (II.1) Legitimidade da aquisição da Rio Grande Energia pelo Grupo CPFL e posterior aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio; (II.2) Propósito Negocial; (II.3) Inexistência de previsão legal para adição das despesas de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL; (II.4) Da ausência de simulação Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.007 12 (II.5) Da inexistência de sonegação e fraude para aplicação da multa qualificada (II.6) Decadência do IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 2007. (II.7) Ilegalidade da cobrança de Juros sobre a multa; A PGFN apresentou suas contrarrazões às fls. 3.958/3.992, alegando em síntese acerca da: (I) Pela validade da decisão proferida e ausência das nulidades alegadas; (II) Inocorrência da decadência na formação do ágio; (III) Da ausência de propósito negocial. Fato simulado . Higidez do lançamento; (IV) Da legalidade da multa qualificada. Configuração da fraude, na modalidade simulação; (V) Da legalidade da incidência dos juros sobre a multa de ofício. Em 26/01/2017, recebi os presentes autos, por sorteio. É o relatório. Fl. 4007DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.008 13 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/POA foi intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e de CSLL em 08/01/2014 (ciência abertura do documento à fl. 3.793), e apresentou em 03/02/2014, recurso voluntário, juntados às fls. 3.796/3.952, tempestivamente, portanto dele conheço. Contra essa decisão também foi interposto recurso de ofício, o qual passo a analisar. RECURSO DE OFÍCIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Conforme decisão recorrida, em razão de diligência realizada para se contrapor os valores glosados pela Fiscalização e os valores apresentados pelo contribuinte, já que os valores inicialmente apresentados não permitiam a identificação individualizada dos valores deduzidos à título de amortização do ágio. O contribuinte apresentou o quadro abaixo, alegando que o único ágio contestado na autuação foi aquele decorrente da transferência à CPFL Serra em razão da integralização do capital de R$488 milhões, ao passo que na autuação da glosa foram também incluídos os valores não contestados pelo autuante, correspondentes ao ágio registrado na Ipê Energia antes de sua aquisição pelo Grupo CPFL (R$8 milhões) e o ágio registrado no momento da aquisição de 33% da participação na RGE pela Ipê Energia (R$88 milhões). Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.009 14 Por fim, a diligência requerida pelo órgão a quo saneou o lançamento reduzindo o valor tributável, cancelandose os montantes de R$6.331.164,68 de IRPJ e de R$ 2.279.219,28 de CSLL, em razão da desconsideração da amortização do ágio de R$88 milhões e de R$8 milhões. Dessa forma, considerando que a alegação do contribuinte foi procedente, e o julgador da decisão a quo elaborou um novo demonstrativo de cálculo, baseandose no quadro acima confirmado em diligência realizada com esta finalidade, comprovado que houve, de fato, erro no montante do ágio, entendo que a decisão a quo deve ser mantida. Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINARES 1 Das nulidades apontadas Erros cometidos pela fiscalização/Inovação da Turma Julgadora nos fundamentos da decisão/Cerceamento de defesa Preliminarmente, alega a recorrente a existência de erros no que tange aos valores de ágio que levaram à glosa de IRPJ e CSLL, que levariam à nulidade do lançamento, bem como a ocorrência de inovação da Turma Julgadora, ensejando também a nulidade do lançamento. No caso em tela, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração ou da decisão recorrida. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 4009DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.010 15 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ademais, o contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Por fim, a diligência requerida pelo órgão a quo saneou o lançamento reduzindo o valor tributável, cancelandose os montantes de R$6.331.164,68 de IRPJ e de R$ 2.279.219,28 de CSLL, não havendo que se falar em inovação nos critérios jurídicos do lançamento. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. 2 Da decadência origem do ágio Também em sede de preliminar, a Recorrente pugna pela impossibilidade do Fisco efetuar lançamentos sobre fatos pretéritos, já consumados em razão do decurso do prazo decadencial, uma vez que o ágio, como elemento contábil e societário, surgiu em 13 de junho de 2001 com a aquisição de 67% da RGE pela CPFL Paulista, tendo sido posteriormente transferido à CPFL Serra em 14/03/2007. No seu entender, numa fiscalização levada a efeito em 2013, a Autoridade Fiscal não poderia questionar os atos societários que deram origem ao ágio, na medida em que esse direito já teria decaído. Quando da análise da decadência envolvendo fatos pretéritos com repercussão futura, devemos observar o fato que está repercutindo, a fim de avaliar se o lançamento que está sendo efetuado implica alteração de resultado fiscal alcançado pela decadência. No presente caso, o fato pretérito que está repercutindo no lançamento não é o resultado fiscal de período anterior, mas reorganização societária que a fiscalização imputou artificiosa e simulada, para produzir uma despesa dedutível. E o que está sendo objeto de lançamento não são os atos societários, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por seus agentes, não valida ou invalida atos societários, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige os tributos porventura deles decorrentes. Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.011 16 Segue trecho do recente Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Dessa forma, tendo em conta que o ágio apurado em 2001 só foi amortizado em 2007 e seguintes, quando fez valerse de sua condição de direito creditório, alterando a base de cálculo dos tributos e, assim, sendo passível de glosa pelo Fisco, entendo adequada a formalização da exigência em tela. Por conseguinte, REJEITO a preliminar de decadência arguida. Assim, meu voto é no sentido de rejeitar também esta preliminar suscitada. MÉRITO Tratase o presente de lançamento em razão da exclusão indevida de valores que reduziram as bases de cálculo de IRPJ e CSLL nos anos calendários de 2007 a 2011, à título de despesas de amortização do ágio a ela transferido, por sucessão, quando da incorporação da CPFL Serra (antiga Ipê Energia), sua controladora. Conforme se verifica dos autos, e da decisão a quo, reiterese que não é caso de ágio gerado artificialmente, mas de ágio decorrente da aquisição pela CPFL Paulista da participação societária que a "Serra da Mesa" e a "521 Participações" detinham junto à RGE, correspondente a 67% das ações, em junho de 2001, em que foi pago um ágio de R$756 milhões, operação com propósito negocial visível e envolvendo pessoas jurídicas independentes, com dispêndio de recursos e com previsão de ganho com base na rentabilidade futura. Até o anocalendário de 2006, a CPFL Paulista amortizou R$268 milhões, e adicionou esse valor ao lucro líquido, tornandoo neutro para fins fiscais para IRPJ e não para a CSLL. Ressalta, ainda, a DRJ que esta operação societária ocorreu no período de privatizações, e efetuado nos termos do Programa Nacional de Desestatização. O cerne da questão encontrase nas ocorrências posteriores, quando em agosto de 2002, foi constituída a CPFL Energia Holding, que passou a ser a controladora de diversas empresas do grupo e detendo 100% do capital da CPFL Paulista. Isso em razão da necessidade de se obter uma gestão mais eficiente, já que se visava a abertura de seu capital que ocorreu, efetivamente em 2004, nas bolsas de valores de São Paulo e Nova York. A estrutura societária da RGE ficou da seguinte forma: Fl. 4011DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.012 17 E então adveio a Lei 10.848/04, dentro do "Plano de Desverticalização", que proibiu as concessionárias, as permissionárias e as autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica, atuantes no Sistema Interligado Nacional, participassem em outras sociedades de forma direta ou indireta e que desenvolvessem atividades estranhas ao objeto da concessão, permissão ou autorização, pretendendose separar as participações em empreendimentos de geração, transmissão e comercialização de energia, assim como segregar participações acionárias em outras empresas e em atividades alheias à concessão do serviço de distribuição, nos seguintes termos: Art. 4o As concessões, permissões e autorizações de exploração de serviços e instalações de energia elétrica e de aproveitamento energético dos cursos de água serão contratadas, prorrogadas ou outorgadas nos termos desta e da Lei nº 8.987, e das demais. ... § 5º As concessionárias, as permissionárias e as autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica que atuem no Sistema Interligado Nacional – SIN não poderão desenvolver atividades: I de geração de energia elétrica; II de transmissão de energia elétrica; III de venda de energia a consumidores de que tratam os arts. 15 e 16 desta Lei, exceto às unidades consumidoras localizadas na área de concessão ou permissão da empresa distribuidora, sob as mesmas condições reguladas aplicáveis aos demais consumidores não abrangidos por aqueles artigos, inclusive tarifas e prazos; IV de participação em outras sociedades de forma direta ou indireta, ressalvado o disposto no art. 31, inciso VIII, da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, e nos respectivos contratos de concessão; ou V estranhas ao objeto da concessão, permissão ou autorização, exceto nos casos previstos em lei e nos respectivos contratos de concessão. Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.013 18 Importa, ressaltar, ainda, que dentro do mencionado plano, havia a obrigação de apresentar um cronograma à ANEEL, de "segregação de atividades" para a implementação e cumprimento da norma, inclusive, dentre os tópicos, avaliandose os impactos tributários e fiscais, bem como requerimento solicitando a anuência da ANEEL. Dessa forma, surgindo a necessidade de segregação societária do Grupo CPFL, pois a CPFL Paulista não poderia mais participar de forma direta no capital social da RGE. Em 01/08/2005, o Grupo CPFL, por meio do Ofício 30/R (fls.255/285), apresentou à ANEEL pedido de anuência à segregação de participações acionárias detidas pela CPFL Paulista na RGE, que passaria a ser detido pela CPFL Energia e que resultaria na seguinte estruturação societária: Em junho de 2006, a CPFL Energia adquiriu a participação remanescente de 33% da RGE, a Ipê Energia, passando a denominarse CPFL Serra, com ágio de R$88 milhões (este é o ágio que não faz parte desta autuação e que foi cancelado na DRJ): Neste ponto, aduz a decisão recorrida e o autuante que: Além da formatação inicial de segregação da participação acionária detida pela CPFL Paulista na RGE, proposta pelo Grupo CPFL, surge também a necessidade da segregação da Fl. 4013DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.014 19 participação acionária detida pela CPFL Serra na RGE, de forma que, ao final, a participação societária do Grupo CPFL na RGE ficasse integralmente na CPFL Energia. A forma mais simples e direta de se efetuar essa segregação de participação acionária seria (i) a transferência da participação acionária detida pela CPFL Paulista na RGE para a CPFL Energia, na forma proposta inicialmente e como efetivamente foi feita, e (ii) a transferência da participação acionária detida pela CPFL Serra na RGE para a CPFL Energia, ou a incorporação da CPFL Serra pela CPFL Energia ou pela RGE. Entretanto, nessas hipóteses, o ágio permaneceria na CPFL Energia, sem possibilidade de dedução, em face da legislação tributária. Então, para oportunizar a dedução do ágio na forma disposta no art. 386, inc. III, do RIR/99, que autoriza a amortização pela pessoa jurídica que absorvesse o patrimônio de outra pessoa jurídica na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado na rentabilidade futura da sociedade coligada ou controlada, ou em razão da incorporação reversa, o Grupo CPFL buscou uma outra fórmula que permitisse atender ao disposto nesse dispositivo. E essa nova formulação consistiu em (i) retirada do controle direto da CPFL Paulista, por meio de redução de capital correspondente as ações da RGE, passandoo para a CPFL Energia (operação não contestada); (ii) capitalização da CPFL Serra com o investimento e ágio recebido da CPFL Paulista (operação contestada) e (iii) incorporação reversa da CPFL Serra pela RGE. Figuras 1 a 3 abaixo: Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.015 20 O autuante entendeu que a capitalização da CPFL Serra, na forma em que foi feita, foi um planejamento tributário abusivo, que visou apenas a amortização do ágio, que de outra forma não seria passível de amortização. Observemse suas conclusões: A operação de capitalização na CPFL Serra, mesmo sendo lícita sob o aspecto formal, sob o aspecto da intencionalidade do negócio jurídico praticado foi acéfala, sem substância. Visou outros fins que não, de fato, a participação nas atividades da RGE por meio da CPFL Serra. No momento da capitalização, inexistiram vontade e ânimo efetivo do Grupo CPFL em exercer atividade econômica de participação societária por meio de tal empresa. A intenção sempre foi manter o investimento direto da CPFL Energia na RGE, conforme as imposições legais trazidas pela Lei 10.848 e todo o plano enviado à ANEEL ainda em 2004. Mesmo antes das operações serem anuídas pela ANEEL, já havia expressa manifestação da incorporação reversa implementada, a qual levou o ágio de R$ 488 milhões para dentro da RGE e foi a última parte do planejamento tributário. Inexistiria atendimento ao inciso III do artigo 386 se o investimento na RGE permanecesse mantido de forma direta pela CPFL Energia, conforme planejado deste o início do processo de descruzamento e desverticalização societária. A invocação da capitalização no cenário apresentado foi um mero artifício para aproveitamento do referido ágio. Em março de 2007, a ANEEL aprova o processo de reestruturação do Grupo CPFL, implementandose assim, a desverticalização, contemplando as operações societárias que agora são objeto de contestação por parte do Fisco. (i) Retirada da RGE do controle direto da CPFL Paulista por meio de redução de capital na CPFL Paulista, que passou a ser detida pela CPFL Energia: (ii) CPFL Energia aporta capital na CPFL Serra com o investimento e ágio recebido da CPFL Paulista, decorrente da redução de capital, objetivando o agrupamento das participações societárias da RGE em uma única sociedade: Fl. 4015DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.016 21 (iii) RGE incorpora CPFL Serra, que passa a ser controlada diretamente pela CPFL Energia, detendo 99,76% do capital da RGE: A Fiscalização e a Turma Julgadora no acórdão recorrido entenderam que a capitalização do investimento com ágio na CPFL Serra (antiga Ipê Energia) e sua posterior incorporação pela Recorrente visou "(..) de forma exclusiva, atendimento ao inciso Ill do artigo 386 do RIR. Tal reestruturação não teve em sua essência motivação econômica e negocial"(fls. 16 do TVF) Portanto, aqui, importante ressaltar e pontuar que a fiscalização entende como válida a originação do ágio, bem como seu valor. Isso não é de nenhuma forma aqui atacado. O ponto crucial está na transferência do ágio da aquisição da RGE remanescente que se encontrava na CPFL Energia para a CPFL Serra e consequente incorporação reversa desta pela RGE. Bem como da invocação da Ipê Energia (CPFL Serra) como empresaveículo, considerando sua existência apenas e tãosomente para o atendimento do inc. III do art. 386 do RIR/99. Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.017 22 O quadro abaixo, de fls. 38 do TVF, bem resume o que é atacado pelo Fisco: Nos termos do art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, e art. 386, II do RIR/99, a amortização do ágio é um benefício fiscal, expressamente previsto na legislação, que de início Fl. 4017DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.018 23 possuía foco nas privatizações, porém aplicável a qualquer pessoa jurídica que preencha as condições determinadas pela norma. No caso, todo o processo, pelo qual se originou o ágio ocorreu dentro do PND. Nesse termos, os requisitos necessários para fruição de tal benefício são os seguintes: a) efetivo pagamento do valor da compra; b) operação realizada entre partes independentes e não relacionadas; c) baseado em documento que comprove a rentabilidade futura, no qual se baseou o ágio. Lembrese que tais requisitos não estão previstos em lei, mas baseados em jurisprudência, e assim, demais elementos podem ou não comprovar a existência ou não do benefício legal. E conforme já dito, esses requisitos fora totalmente preenchidos e nem são aqui discutidos. Assim, passemos à análise daquilo que é crucial: Da Transferência do Investimento Uso de EmpresaVeículo O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Importante trazer aqui o contexto que os fatos aqui tratados ocorreram, conforme trazido pelo Recorrente, quais sejam, o Processo de Desverticalização determinado pela ANEEL, e não o da simples e única pretensão de economia tributária. Reforcese aqui, que tais passos societários, foram previamente analisados e não questionados pela Agência Reguladora, à qual a recorrente está submetida. Nas palavras do autuante, caso o contribuinte tivesse se valido de outras formas de reestruturação não teria alcançado o mesmo resultado, ao que rebate a recorrente e reconhece a turma julgadora. Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.019 24 Da mesma forma, como menciona o Recorrente, não fosse pela norma da ANEEL, seria possível que até hoje a RGE estivesse sob o controle da CPFL Paulista. E que nesse sentido, a compra da CPFL Serra, que detinha 33% da Recorrente, e a sua capitalização com o investimento de 67% detido pela CPFL Energia também na Recorrente, nada mais representou que a complementação do objetivo da CPFL Energia de manter o controle integral da RGE, e concomitantemente, a organização dos negócios desenvolvidos pelas diversas empresas do Grupo CPFL, atendendo as normas da Lei 10.848/04. Assim, tendo em vista os diversos princípios a que é dado às entidades empresarias, dentre elas o da liberdade de organização, ela pode dentro da legalidade escolher a que melhor lhe atende, considerando todas as hipóteses e possibilidades a que se adstringe, objetivando o atendimento aos seus objetivos e dos seus acionistas. Ora, a empresa é sujeita a órgão regulador e assim deve obedecer sob pena de sofrer penalidades. A lei fiscal permite a adoção, já que não impede, de empresasveículos e transferências de ágio, da mesma maneira, objetivando a fruição de um benefício fiscal previsto em lei. Ainda, no mesmo sentido, o entendimento do professor Marco Aurélio Grecco1, quando menciona o direito do contribuintes de se autoorganizar, dispondo da melhor forma que lhe aprouver. Como diversas vezes afirmado acima, o contribuinte tem o direito de se autoorganizar; e dispor a sua vida como melhor lhe aprouver; não está obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Porém, o que disse acima é que esta reorganização deve ter uma causa real, uma razão de ser, um motivo que não seja predominantemente fiscal. Sublinhei o termo "predominantemente", pois este é o conceito chave. Se determinada operação ou negócio privado tiver por efeito reduzir a carga tributária, mas se num motivo empresarial, o direito de autoorganização terá sido adequadamente utilizado. Não haverá abuso! O Fisco nada poderá objetar! (...) Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal,se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. 1 Planejamento tributário, 3ª edição, São Paulo: Dialética, 2011, p. 204. Fl. 4019DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.020 25 Por outro lado, isto não significa que o Fisco possa simplesmente invocar o abuso para desqualificar o negócio jurídico. Ao contrário, como o negócio jurídico é resultado do exercício de um direito de autoorganização que se apóia no valor liberdade, os negócios lícitos gozam de presunção de não abusividade. Assim, cabe ao Fisco o ônus da prova da finalidade predominantemente fiscal do negócio para que, aí sim, possa justificar a desqualificação. (destacamos) Assim, entendo que plenamente válidas as operações realizados, dentro das razões negociais e regulatórias, não havendo que se falar em dedução indevida do ágio. Trago à colação importante decisão deste CARF, em similar situação caso da CELPE Ac. 1301000.999: A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse a permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresas veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais diversos setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). [...] O problema da reorganização societária “ilícita” do ponto de vista tributário está quando a causa, isto é, a função econômico social que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico, é distorcida para criar, instituir ou estabelecer uma vantagem fiscal. Seria o caso (não presente neste processo) de “ágio fabricado internamente”, quando a operação societária cria um ágio artificialmente, para assim obter a vantagem fiscal. O vício está na formação do ágio e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação. Entretanto, é óbvio que o vício do ágio macula o seu próprio aproveitamento. Mas se o ágio é legítimo como no caso em tela, o seu aproveitamento deve seguir a causa típica estipulada no ordenamento para a incorporação de empresas. Se na compra e venda a causa é a permuta entre a coisa e preço, como asseverou Moreira Alves, na incorporação a causa típica é a Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.021 26 absorção de uma ou mais sociedades por outra; esta é a função econômicosocial que lhe atribui o direito objetivo, como deixa patente o art. 227 da Lei nº 6.404/76, verbis: “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.” A absorção do patrimônio de uma empresa por outra é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam as empresas incorporadoras e incorporadas, constituindo, esta, por conseguinte, a sua causa típica. E foi exatamente esta causa típica, a pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra, estipulada pelo artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/97, como condição para o contribuinte usufruir da regra do benefício fiscal oneroso. Neste caso, a lei concede o benefício fiscal, e condiciona o seu aproveitamento, isto é, a vantagem fiscal estipulada em lei, à pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra. Tratase de indução da norma fiscal à realização de absorção de patrimônio de empresa por intermédio de incorporação, cisão ou fusão, o que não passou despercebido do Poder Legiferante, que corroborou isso ao vetar o projeto de lei que pretendia revogar a norma isencional em tela. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo, sem nenhuma dúvida, não ter ocorrido, quer simulação, quer abuso de direito e/ou planejamento tributário em desacordo com a lei, mas tão somente a prática de conduta abarcada e induzida pelo ordenamento jurídico, por intermédio das regras estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, sem qualquer prejuízo para Fazenda Pública que pudesse caracterizar economia ilícita de imposto, pois a escolha de outras soluções legais e diretas produziria idêntica conseqüência tributária com relação à amortização de ágio feita por intermédio da empresa veículo. O questionamento, do uso indevido de empresasveículo ou a impossibilidade fática de incorporação às avessas são apenas conseqüências de uma intenção do investidor em apenas visar o benefício fiscal de amortização do ágio, fato que, para a fiscalização, não norteia o conceito de propósito negocial ou substância econômica. Quanto a utilização de empresasveículo, entendo, não há qualquer vedação, vez que irrefutável a aplicação do art. 2º, § 3º da Lei n. 6.404/76, base legal para a constituição de holdings com o objetivo único de beneficiarse de incentivos fiscais. No que tange à incorporação reversa, esta é totalmente possível no âmbito do direito societário e, ademais, é autorizado por lei que regula especificamente a amortização fiscal do ágio, qual seja, o art. 8º, “b” da Lei nº 9.532/97: Fl. 4021DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.022 27 “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, que se consumou, como anteriormente demonstrado (pela redação do art. 7º da Lei nº 9532/97), e nesse contexto, se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. A mera transferência do ágio da investidora para a investida, por meio de veículo, ao final, quando incorporada aquele veículo, demonstra apenas uma conseqüência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. Se o legislador permite literalmente a amortização do ágio nos casos de incorporação às avessas, interpretação extensiva e lógica confere legitimidade para o instrumento imprescindível ao atingimento do objeto. Em outras palavras, o gozo do benefício fiscal pela investida só seria possível com a transferência do ágio, vez que este último fora registrado pela investidora. Ademais, na mesma linha de raciocínio, a extinção da participação societária não se torna requisito essencial para a amortização do ágio nos casos em que ocorre a incorporação reversa. Da mesma forma que não faria sentido a manutenção da participação societária e do investimento propriamente dito no caso de incorporação, também não teria qualquer fundamentação lógica a extinção destes no caso de incorporação reversa. Mais uma vez se está diante de caso em que a lei promove interpretação extensiva e lógica conduzindo a possibilidade/necessidade de adequação da norma ao caso concreto. A jurisprudência do CARF aponta para a possibilidade de tal operação societária: ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. (Acórdão nº 1301002.009 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04/05/2016) ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.023 28 mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questionálo, descabe fazêlo em momento processual posterior. (Acórdão nº 1302001.532 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 21/10/2014) Veja, se não fossem as reorganizações que se deram anteriormente, o gozo do benefício fiscal não se concretizaria. A fiscalização deve analisar a operação como um todo, do conjunto de etapas e operações da qual surgiu a composição societária final, e não se baseando em “fotografias estanques”. A forma utilizada, conforme já mencionado, tem base na legislação, tornandose a amortização fiscal do ágio definitivamente passível de ser utilizada e assim ser benefício fiscal nos termos legais, os requisitos formais foram atendidos, assim como os materiais. Da qualificação da Multa Afastada a possibilidade de glosar o ágio aproveitado pela constatação de emprego de empresaveículo, cabe analisar os elementos pelos quais a Fiscalização entendeu que o Recorrente empregou o artifício da simulação, sob o pretexto de atendimento às normas da Lei 10.848/04, buscou de forma dolosa benefícios tributários, impedindo ou retardando, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, recorrendo a uma reestruturação societária artificial, simulando a capitalização da CPFL Serra com as ações da RGE, e a imediata incorporação daquela pela RGE, permitindo a dedução do ágio. E que o fato do Grupo CPFL ter contabilizado todas as operações, ter atendido as intimações fiscais, ter registrado e arquivado todos os atos societários nos órgãos competentes e de ter informado à ANEEL a reorganização societária não tem a força de afastar a certeza de que a capitalização da CPFL Serra foi procedida com o fim específico de reduzir de forma ardilosa as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ora, por todo o já exposto anteriormente, não há que se falar em simulação ou fraude, mas tendo, todos os atos sido praticados nos termos da lei e de norma de agência reguladora (ANEEL), entendo que não há que se falar em qualificação da multa. Fl. 4023DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.024 29 Infração da base de cálculo CSLL falta de previsão legal No entendimento da Fiscalização, este ágio não seria passível de dedução para fins de cálculo da CSLL, nos termos do art. 57 da Lei 8.981/95, com a redação dada pela Lei 9.065/95 e do art. 28 da Lei 9.430/96. Assim como, a decisão recorrida, que a manteve em razão da desconsideração dos efeitos tributários da operação de capitalização da CPFL Serra pela CPFL Energia. Nos termos da norma aplicável à CSLL, art. 2º da 7.689/88, os ajustes aplicáveis são taxativos, e dentre eles, não temos a necessidade de adição dos valores relativos à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Nesse sentido, valhome voto vencedor do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, no Acórdão n. 1301001.893, desta mesma Turma Ordinária, datada de 20/01/2016, em situação semelhante, onde foi tratada a questão da dedutibilidade do ágio para fins de cálculo da CSLL, no que se refere à falta de previsão legal para sua adição. No que se refere à análise dos contornos próprios da definição da base de cálculo da CSLL, essencial se verifica a análise das expressas disposições do art. 2 da Lei 7.689/88, que, ao instituíla, assim especificamente destacou: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) O resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.025 30 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) As disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95, por sua vez, visando estabelecer os específicos e particulares contornos aplicáveis a esta Contribuição, especificamente destacou: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) Ora, conforme se verifica da leitura dessas disposições – ao contrário do que afirma a decisão de primeira instância, o mencionado art. 57 da Lei 8.981/95 não autoriza, de forma alguma, a aplicação indiscriminada das disposições regentes do Imposto de Renda na verificação dos contornos de incidência da CSLL, mas preserva, expressamente, os ditames próprios da definição de sua base de cálculo, da forma como realizado pelas disposições até então vigentes, mantendo, assim, as normas contidas na mencionada Lei 7.689/88, nos termos ali então especificamente apontados. A partir dessas considerações, verificase que, conforme destacado das disposições do art. 2º, parágrafo 1º, alínea ‘c’ da Lei 7.689/88, ali expressamente se faz referência aos específicos ajustes (exclusões e adições) a serem aplicados ao resultado do períodobase, apurado a partir da aplicação das expressas disposições da legislação comercial, distinguindo a composição da base de cálculo da Contribuição em questão, assim, às regras próprias da legislação do Imposto sobre a Renda. Assim, para admitirse como valida qualquer exclusão e/ou adição na apuração da base de cálculo da CSLL, fazse essencial, no caso, a existência de legislação especificamente a ela relacionada, sem a qual, estarseia admitindo a possibilidade de interpretação ampliativa de normas restritivas de direito, o que, definitivamente, não tem qualquer cabimento em nosso ordenamento jurídico pátrio. (gn) Nessa linha, fixando o ponto de partida do nosso pensamento sobre a matéria, as regras de dedutibilidade de despesas que sejam aplicáveis na apuração do lucro real, não podem ser estendidas, sem a necessária préexistência de previsão legal, à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fixada essa premissa necessária, relevante destacar, ainda, que a amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora.(gn) Nessa linha, portanto, penso que o que se deve exigir e verificar não é a previsão legal expressa para que seja admitida a dedução do ágio iniludivelmente pago, mas sim a inexistência de vedação para essa operacionalização, o que, no caso, efetivamente é o que se verifica em relação à CSLL. A matéria aqui apresentada já foi objeto de específico enfrentamento nesta 1ª Turma Ordinária, especificamente nos autos do PAF 16682.720281/201017, tendo como relator o Conselheiro Valmir Sandri, o qual ora acompanho, especificamente quando afirma: Fl. 4025DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.026 31 “Inicialmente, registro, com a devida vênia, ser equivocado o entendimento manifestado na decisão recorrida, quanto ao alcance do art. 57 da Lei n 8.981, de 1995. Tal dispositivo preceitua que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por aquela Lei. Logo, regras de dedutibilidade de despesas que, por expressa disposição legal, sejam aplicáveis na apuração do lucro real não podem ser estendidas, sem previsão legal, à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A norma legal disciplinadora da apuração da base de cálculo da CSLL, vigente à época do fato gerador, dispõe: Lei n 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. §1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) (...) Pelo que se depreende dos autos, e especialmente pelo que está expressamente descrito no auto de infração, a autoridade fiscal entendeu que a adição que o contribuinte efetuou para fins de apuração do lucro real, mas não efetuou para fins de CSLL, correspondia a ajuste por diminuição do valor do investimento avaliado pelo MEP, e promoveu a adição indicando como fundamento legal o art. 2º, § 1º, alínea “c”, da Lei n 7.689/99. Pois bem. Se essa fosse a verdade dos fatos, inquestionável seria a adição feita de ofício. Contudo, as cópias do LALUR apresentadas à fiscalização indicam que o valor adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real (e não adicionado para fins de apuração da base de Fl. 4026DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.027 32 cálculo da CSLL), se refere à amortização do ágio decorrente de participação societária na empresa (...). A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. Na linha desse entendimento, inclusive, destacamse precedentes desta Corte Administrativa, que, sob esse específico foco, assim inclusive já se manifestaram, destacandose, apenas a título de exemplificação, o seguinte e específico aresto: Número do Processo: 18471.000003/200585 Contribuinte: VALEPAR S/A Tipo do Recurso: Recurso Voluntário / Recurso de Ofício Data da Sessão: 06/12/2006 Relator(a): Márcio Machado Caldeira N Acórdão:10322.749 Decisão: Por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999 e, em conseqüência, não tomar conhecimento do recurso ex officio em relação ao ano calendário de 1999, vencido o conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que não a acolheu e, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso ex officio para restabelecer a exigência fiscal relativa ao anocalendário de 2001 referente à CSLL constante na DIPJ porém não inclusa na DCTF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL – DECADÊNCIA Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é a data do respectivo fato gerador, decaindo o direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento após o prazo de cinco anos, na forma do disposto no parágrafo 4 do artigo 150 do CTN. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995 Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. LANÇAMENTO – ERRO FORMAL – ANOCALENDÁRIO DE 2001 Atendendo o lançamento os requisitos legais, descrevendo a infração com perfeita identificação dos valores efetivamente levados à tributação e com o devido enquadramento legal, não há irregularidade formal que possa ensejar o seu cancelamento. JUROS DE MORA – CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (Súmula 1 C.C. nº 4) JUROS DE MORA TAXA SELIC São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Sumula 1 C.C. nº 5) Preliminar acolhida, recurso de ofício parcialmente provido. (Publicado no D.O.U. n 230 de 30/11/2007). Desta feita, entendo que não há base legal para se proceder com a adição das despesas de amortização de ágio, haja vista a ausência de fundamento legal para tanto. Da decadência do IRPJ e da CSLL referente ao anocalendário de 2007 Fl. 4027DF CARF MF Processo nº 11020.721280/201302 Acórdão n.º 1301002.433 S1C3T1 Fl. 4.028 33 Por todo o exposto acima, em razão do cancelamento do lançamento, não há que se falar em decadência do período mencionado. Da exigência de Juros sobre multa de ofício Também, em razão do entendimento pelo cancelamento do lançamento, não há que se falar da exigência de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário, para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 4028DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721982/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer o recurso. Por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir a resolução o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer o recurso. Por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir a resolução o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer o recurso. Por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir a resolução o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 98 2/ 20 13 -1 4 Fl. 29932DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.933 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas, mantendo, na sua integralidade, o valor dos créditos constantes dos Autos de Infração DEBCAD 51.045.9404, 51.045.9412, 51.011.4334 e 51.011.4342, e exonerando o valor total do crédito referente ao AIOA DEBCAD 51.045.9420 (CFL 30), nos termos do Relatório e Voto que integram o julgado, conforme ementa do Acórdão nº 0129.234 (fls. 29.800/29.843): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PRINCÍPIOS GERAIS. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. A Administração Pública deve obedecer, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, de forma que deve ser declarado improcedente o auto de infração lavrado com ausência de motivação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA SUPRIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIOS DA ECONOMICIDADE E DA CELERIDADE. Uma vez informado no Relatório Fiscal, com clareza e precisão, os fatos que demonstram a inequívoca ocorrência do fato gerador de contribuições, no caso, pela indicação da rubrica constante das folhas de pagamento dos empregados a que se referem os lançamentos fiscais, estando ausentes nos autos apenas as referidas folhas de pagamento, é de se entender por suprida a ausência destas quando o contribuinte, na impugnação, além de não negar a existência de tais rubricas, combate os lançamentos fiscais tão somente no sentido de desenquadrar do Fl. 29933DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.934 3 conceito de remuneração as verbas lançadas como saláriode contribuição, não havendo assim que se falar em cerceamento de defesa, sendo com isso prescindível a realização de diligência com o fito apenas de juntar cópia de tais documentos aos autos, tudo em respeito aos princípios da economicidade e da celeridade. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados, pois a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS As decisões exaradas por ocasião do julgamento de processos administrativos fiscais não são vinculantes, de forma que o julgador administrativo fiscal é livre pra decidir a partir da sua própria convicção. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não cabe à autoridade julgadora em sede de contencioso administrativo manifestarse acerca do cabimento, ou não, de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presente processo é composto pelos autos de infração (AI), referentes ao período de 01/01/2010 a 31/12/2010, conforme se segue: 1. AIOP DEBCAD 51.011.4334 (fl. 61/71): Lavrado em 10/07/2013, referente às contribuições previdenciárias, parte patronal (FPAS 20% e RAT 2% + Fap a taxa de 1,4412), incidente sobre o pagamento de remuneração via “Comissão de Conciliação Prévia (CCP) ”, no valor total de R$ 3.011.392,50, incluídos juros de mora e multa de ofício (Levantamento C1 COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA); 2. AIOP DEBCAD 51. 011.4342 (fl. 72/81): Lavrado em 10/07/2013, referente às contribuições para Terceiros (5,8%), incidente sobre o pagamento de remuneração via “Comissão de Conciliação Prévia (CCP) ”, no valor total de R$ 763.161,19, incluídos juros de mora e multa de ofício (Levantamento C2 COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA); 3. AIOP DEBCAD 51.045.9404 (fls. 82/93): Lavrado em 10/07/2013, referente às contribuições previdenciárias, parte patronal (FPAS 20% e RAT 2% + Fap a taxa de 1,4412), incidente sobre o pagamento de “indenização por tempo de serviço”, no valor total de R$ 133.495,05, incluídos juros de mora e multa de ofício (Levantamento F1 PAGAMENTO INDENIZAÇÃO TEMPO DE SERVIÇO); Fl. 29934DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.935 4 4. AIOP DEBCAD 51.045.9412 (fls. 94/101): Lavrado em 10/07/2013, referente às contribuições para Terceiros (5,8%), incidente sobre o pagamento de “indenização por tempo de serviço”, no valor total de R$ 33.837,01, incluídos juros de mora e multa de ofício (Levantamento F2 PAGAMENTO INDENIZAÇÃO TEMPO DE SERVIÇO); 5. AIOA (CFL 30) DEBCAD 51.045.9420 (fl. 102): Lavrado em 18/07/2013, referente a multa por descumprimento da obrigação assessoria, no valor total de R$ 1.717,38, pelo fato da empresa ter deixado de elaborar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social, conforme previsto na Lei 8.212/91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e § 9º, o Regulamento da Previdência Social – RPS, envolvendo nominalmente todos os demandantes dos acordos [via CCP] com as respectivas verbas pagas. O Demonstrativo Consolidado dos Débitos Tributários acima referidos encontrase à fl. 58. O Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 149/165), em síntese, informa que: · Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 09.2.01.002013000712, foi instaurado o procedimento de fiscalização, do período de 01/2010 a 12/2010, com o objetivo verificar a discrepância significativa de valores das declarações DIRF X GFIP · Em 20/03/2013, emitiuse o TIPFTermo de Início de Procedimento Fiscal solicitando os documentos em poder da empresa para análise e comparação com as declarações já existentes no sistema da RFB Receita Federal do Brasil, tais como GFIP, DIRF e lançamentos contábeis; · Em 22/04/2013, emitiuse o TIF 1 Termo de Intimação Fiscal1, solicitando outro documento, também sob a guarda da empresa, face o surgimento de fatos geradores declarados em DIRF e não declarados em GFIP; · Em 03/06/2013, por meio do TIF 2 Termo de Intimação Fiscal2, solicitouse o preenchimento, por empregado, na planilha de termo de acordo da comissão prévia trabalhista, discriminando as verbas salariais e verbas indenizadas, esta, individualizada por eventos, acompanhadas dos documentos comprobatórios, inclusive notas fiscais, tendo por base as relações dos CCP´s extraídos da contabilidade nas seguintes contas: 60692 CCPSC/PR; 60701 CCP SP; e 60686 CT Telefônica; · Da análise dos documentos constatouse que: Fl. 29935DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.936 5 1. No período fiscalizado, ocorreram aproximadamente quatro mil desligamentos de colaboradores diretos, sendo que aproximadamente 80% destes desligamentos foram realizados por meio da Comissão de Conciliação Prévia Trabalhista do Setor de Telecomunicação; 2. As discriminações das verbas rescisórias, composto por verbas de natureza salarial e indenizatória, estão relacionadas nos documentos elaborados individualmente identificado por Termo de Acordo; 3. As verbas consideradas indenizatórias, discriminadas no ato do acordo, não foram pela empresa somadas às de natureza salarial para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por considerálas não tributáveis; 4. A empresa não incluiu em folhas de pagamento (coletiva) os acordos firmados entre os demandantes (empregados) e a demandada (empresa) nos moldes determinados pela Lei 8.212 de 24/07/1991, artigo 32, item I. Em razão disso solicitouse por meio do TIF2, o preenchimento do relatório no formato proposto contendo todos os demandantes envolvidos na sessão de conciliação com as respectivas verbas salariais e indenizatórias, esta individualizada com a apresentação dos elementos comprobatórios, inclusive Notas Fiscais para análise da incidência previdenciária afim de identificálas e enquadrálas na legislação vigente como base tributável (INInstrução Normativa RFB nº 971/09, artigo 107, I; Regulamento da Previdência Social Decreto nº 3048/99 artigos 214, 276 e 277; Lei nº 8212/91, artigo 43; Lei 10.035/00). A solicitação TIF2 foi feita pelo fato da legislação vigente não fazer previsão legal de diversas verbas relacionadas nos termos do acordo como verbas indenizadas sem incidência de contribuição previdenciária; 5. A partir da análise do cálculo mensal das folhas de pagamento, dentre os diversos eventos que constitui a remuneração dos segurados empregados, o evento (266INDENIZ. TEMPO SERVIÇO) não sofre incidência de contribuição previdenciária. Tal entendimento se baseia no acordo coletivo de trabalho 20092010 que criou através da cláusula 49ª, o que segue: CLAUSULA 49ª INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO Fl. 29936DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.937 6 A empresa concederá aos seus empregados, indenização por tempo de serviço, em valores atuais, iguais e equivalentes a sua última e maior remuneração, obedecendo as seguintes proporções. · De 05 a 10 anos de serviço – o equivalente a 10 dias de remuneração; · De 10 a 15 anos de serviço – o equivalente a 20 dias de remuneração; · De 15 a 20 anos de serviço – o equivalente a 30 dias de remuneração; · De 20 a 25 anos de serviço – o equivalente a 50 dias de remuneração; · De 25 a 30 anos de serviço – o equivalente a 60 dias de remuneração; e · Acima de 30 anos de serviço – o equivalente a 80 dias de remuneração. Parágrafo Primeiro: utilizarseá, para efeito de cálculo das indenizações o mesmo critério adotado para o pagamento de verbas rescisórias. Parágrafo Segundo: tendo em vista que a indenização prevista no caput tem idêntica natureza jurídica da indenização sobre o saldo do FGTS, inexistem recolhimentos previdenciários a serem realizados. · Os créditos previdenciários foram lançados em AIAutos de Infração sobre as divergências apontadas em DIRF X GFIP por Fato Gerador da contribuição previdenciária (Conforme descrito acima); · As análises dos termos dos acordos firmados via CCP, que apresentaram separadamente verbas salariais e verbas indenizatórias, só poderiam ser feitas se a empresa atendesse ao solicitado no TIF2, emitido em 03/06/2013. · A documentação solicitada no TIF2, não foi apresentada, prejudicando o correto enquadramento de incidência de contribuição previdenciária, nos moldes previsto na legislação, dos seguintes eventos: 1. Indenização de combustível. 2. Gratificação de viagens. 3. Referente a outros (natureza indenizatória). Fl. 29937DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.938 7 4. Ressarcimento fatura de celular. 5. Desconto de farmácia. 6. Diferença de aluguel de veículos. 7. Aluguel de notebook. 8. Descontos indevidos. 9. Devolução de multas de veículos. 10. Ajuda de custo. 11. Saldo de férias. 12. Gratificação de férias. 13. Diferença de ticket alimentação; · Lavrouse os correspondentes AI´s, considerando como base de cálculo os valores totais lançados na contabilidade nas contas 60692 CCPSC/PR, 60701 CCPSP e 60686 CTTelefônica, devido a impossibilidade de analisar as verbas consideradas indenizatórias, por falta dos elementos solicitados no TIF2 e da planilha contendo todos os empregados envolvidos no processo de conciliação prévia (CCP), com subtotais mensais por eventos e prova documental; · No ato da lavratura, do valor resultante da base considerada, foram compensados os recolhimentos efetuados pela empresa, em GPS, no código 2950, exclusivo para Acordo Perante Comissão de Conciliação Prévia (CCP), Dissídio ou Acordo Coletivo e Convenção Coletiva; · O auto de infração AIOA DEBCAD 51.045.9420 tem por finalidade abrigar a multa lavrada por descumprimento de obrigação assessoria, qual seja, deixar de elaborar, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social, as folhas de pagamento envolvendo nominalmente todos os demandantes dos acordos (CCP), com as respectivas verbas pagas. Os dispositivos legais referentes à multa aplicada via AIOA DEBCAD 51.045.9420 são: Lei 8.212, 24.07.91, arts. 92 e 102 e RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06.05.99, art. 283, "a" e art. 373; · Os valores considerados como base de cálculo do lançamento estão também demonstrados no RL RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS; · As bases de cálculo (salário de contribuição), a unidade monetária utilizada, as alíquotas aplicadas, as diferenças apuradas, os valores relativos a juros e multas, bem como a fundamentação legal do débito apurado, encontramse devidamente discriminados nos seguintes Fl. 29938DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.939 8 relatórios que fazem parte dos presentes Autos de Infração: Discriminativo de Débito DD e Fundamentos Legais do Débito – FLD; · Será emitida Representação Fiscal para Fins Penais, para que as autoridades competentes tomem as providências que julgarem cabíveis, uma vez que as contribuições constantes dos autos não foram informadas em GFIP, conduta esta que, em tese, pode caracterizar o Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, tipificado no art. 337A do Código Penal, incluído pela Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000 (DOU de 17/07/2000). O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado dos AIOP’s em 17/07/2013 (fls. 61, 72, 82 e 94) e do AIOA em 18/07/2013 (fl. 102), tendo apresentado tempestivamente, em 16/08/2013, sua Impugnação (fls. 168/217, 9.996/10.046, 19.851/19.879, 20.024/20.053 e 20.195/20.219, e os anexos às fls. 218/29.786), onde basicamente requer que os autos de infração sejam julgados nulos e improcedentes. Em 17/12/2013 foi encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 4ª Turma da DRJ/BEL que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas, exonerando o valor total referente ao AIOA DEBCAD 51.045.9420 (CFL 30) e mantendo na integralidade o valor dos créditos constantes do demais autos de infração (AIOP´s DEBCAD 51.045.9404, 51.045.9412, 51.011.4334 e 51.011.4342). Vale salientar que neste Acórdão o membro da Turma, Celene Maria de Lima Guimarães, proferiu Declaração de Voto (fls. 29.842/29.843), nos seguintes termos: Examinando o Relatório Fiscal e as peças que integram o lançamento em confronto com os argumentos da defesa, entende esta julgadora que o critério utilizado pela autoridade fiscal (de lançar como base de cálculo o total dos pagamentos efetuados por meio dos citados Termos de Conciliação apurados na contabilidade nas mencionadas contas contábeis) não foi razoável, vez que não há motivação suficiente nos autos para o lançamento, como base de cálculo, dos totais contabilizados nas contas contábeis mencionadas no Relatório Fiscal, uma vez que se verifica que em uma parte dos Termos de Conciliação apresentados ao fisco, dentre os valores totais acordados, há rubricas relacionadas a multas e a verbas de FGTS, que a priori, de forma pacifica, não integram o conceito de saláriodecontribuição previdenciário, independentemente de apresentação de documentos por parte da fiscalizada e cujo montante era passível de apuração mediante o exame dos respectivos Termos de Conciliação que lhes foram apresentados. Intimada do Acórdão nº 0129.234 em 13/06/2014 (AR fl. 29.846), apresentou tempestivamente, em 14/07/2014, seu Recurso Voluntário (fls. 29.847/29.925) onde, em suma, aduz: 1. Preliminarmente: a. Do cerceamento ao direito de defesa – Da ofensa ao art. 5º, LV, da CF e 2º da Lei nº 9.784/99 – Do não preenchimento dos Fl. 29939DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.940 9 requisitos formais previstos no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972: Que o agente fiscal não acostou aos autos os documentos que lhes foram entregues oportuna e tempestivamente em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal 1 e 2; b. Do erro na indicação do fato gerador da obrigação tributária – Da ofensa ao art. 42, § 3º, da Lei nº 8.212/91: Há erro na indicação da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária porque as competências utilizadas pelo Fisco, no que se refere aos lançamentos concernentes às verbas pagas em decorrência de acordos firmados via Comissão de Conciliação Prévia, referemse à data do pagamento das verbas, contrariando o disposto nos §§ 2º, 3º e 6º do artigo 43 da Lei nº 8.212/91, que dispõem que o fato gerador ocorre na data da prestação do serviço. Argumenta que se o Fisco tivesse lançado os valores levando em consideração as competências da ocorrência dos fatos geradores, restaria evidente a decadência de parte do débito referente ao período até a competência 06/2008; c. Da arbitrariedade da fiscalização – Da desconsideração da verdade material quando do lançamento das NFLDs nºs 51.011.4334 e 51.011.4342. Omissão do dever de fiscalizar: O fiscal cometeu falha grave ao se eximir da busca da verdade material, especialmente por não ter analisado os quatro mil termos de acordo firmados em sede de Comissões de Conciliação Prévia, constituindo o crédito tributário sob a alegativa de não ter a contribuinte apresentado a planilha contendo o resumo dos termos de acordo celebrados, o que teria impossibilitado a análise dos valores pagos pela recorrente aos seus exfuncionários; 2. Do Mérito: a. Da indenização por tempo de serviço. Natureza não remuneratória. NFLDs DEBCAD nºs 51.045.9404 e 51.045.9412: O fiscal considerou como fato gerador o pagamento de verbas de indenizações por tempo de serviço pagas com base na cláusula 49ª do no acordo coletivo de trabalho 2009 – 2010, sob a justificativa de que não foi constatado, no âmbito da Legislação Previdenciária, fundamentos legais que ampare tal procedimento, o que infringe o dispositivo da Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I, e § 9º, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo decreto 3.048 de 06.05.99. b. Das verbas pagas em acordos firmados em Comissões de Conciliação Prévia (CCP). NFLDs DEBCAD nºs 51.011.4334 e 51.011.4342: Foi constituído indevidamente crédito tributário relativo às Contribuições Previdenciárias (Cota Patronal, SAT/RAT e Contribuições devidas a Terceiros) incidentes sobre Fl. 29940DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.941 10 pagamentos de verbas indenizatórias, assim discriminadas nos Termos de Acordo, realizados nas CCP. Por fim, pleiteia que sejam declaradas nulas as exigências contidas nas NFLDs DEBCADs nºs 51.045.9404, 51.045.9412, 51.011.4334 e 51.011.4342, em razão de erro na indicação do fato gerador das obrigações, cerceamento de defesa e arbitrariedade nos atos praticados pelo agente fiscal. Requer ainda o reconhecimento da improcedência do crédito tributário constituído sobre verbas expressamente excluídas da exação fiscal por lei (isenção) e sobre verbas de natureza não remuneratória (não incidência tributária). É o relatório. Fl. 29941DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.942 11 VOTO VENCIDO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de diligência No que tange aos créditos tributários vinculados aos acordos firmados em sede de Comissões de Conciliação Prévia, a minha avaliação foi que a fiscalização não conseguiu se aprofundar no exame dos elementos dos fatos envolvidos, na busca da verdade material, inobstante toda a documentação apresentada pelo contribuinte, consubstanciando sua base em pilares precários que não atestam de modo irrefutável a ocorrência do fato gerador da forma como descrita na acusação fiscal, consoante exigência do artigo 142 do CTN. Em consequência, votei por afastar a exigência fiscal contida nos respectivos lançamentos (Autos de Infração nº 51.011.4334 e nº 51.011.4342). Todavia, restei vencida na matéria, pois o entendimento da maioria do Colegiado foi no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de agregar dados adicionais ao processo administrativo para a convicção do julgador sobre a procedência ou não do lançamento de ofício. Os termos e fundamentos para a realização de diligência estão contidos no voto vencedor do conselheiro Cleberson Alex Friess, a seguir redigido. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 29942DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.943 12 VOTO VENCEDOR Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir do seu voto quanto à análise do lançamento de ofício advindo dos acordos celebrados no âmbito de Comissão de Conciliação Prévia Trabalhista. O Relatório Fiscal está acostado às fls. 149/155. Observase que a autoridade tributária, em uma etapa inicial, identificou na escrituração da empresa, relativamente a fatos do ano de 2010, diversos lançamentos em contas contábeis a título de acordos trabalhistas firmados em Comissão de Conciliação Prévia (Contas 60692 CCPSC/PR; 60701 CCPSP.; e 60686 CTTelefônica). Aparentemente, posto que não localizei elementos em contrário nos autos, os registros contábeis foram efetuados de forma global, isto é, sem figurar uma discriminação entre parcelas remuneratórias e indenizatórias (fls. 127/148). Os pagamentos devidos aos trabalhadores, por falta de previsão na legislação previdenciária, não foram incluídos em folhas de pagamento. Por sua vez, a empresa disponibilizou à fiscalização os acordos que levaram à solução dos conflitos trabalhistas entre empregador e trabalhadores. Segundo consta, compõem um universo em torno de 4 mil documentos. Com base nesses papeis, o agente lançador verificou que os acordos trabalhistas eram compostos por verbas de natureza salarial e indenizatória. Por considerálas não tributáveis, as parcelas indenizatórias deixaram de ser incluídas pela empresa na base de cálculo previdenciária. Nesse quadro fático, o agente fiscal intimou a empresa, por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 2, em 03/06/2013, para o preenchimento de uma planilha, com detalhamento das verbas salariais e indenizatórias, estas últimas individualizadas pela sua finalidade, acompanhadas dos documentos comprobatórios, observado, em qualquer caso, os valores oriundos dos lançamentos da contabilidade (fls. 02/56). De acordo com a fiscalização, a intimação não foi cumprida a contento. A recorrente contesta e afirma que o pedido foi plenamente atendido, tendo sido ofertado à autoridade fiscal todas as informações que lhe foram solicitadas. Assim não me pareceu, nesse ponto. Na resposta da empresa ao TIF nº 2 não consta carimbo ou assinatura de recebimento do documento na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 253). Além disso, a pessoa jurídica elaborou planilha por amostragem, tendo em vista o elevado número de dados. Já a mensagem eletrônica de fls. 255/256, destinada ao agente fiscal, está datada em 13/05/2013, ou seja, anteriormente ao supracitado Termo de Intimação Fiscal. A organização em planilha da totalidade dos acordos celebrados, e não somente uma amostra segundo critério de seleção escolhido pela própria empresa, é condição imprescindível, no caso concreto, para o adequado desenvolvimento da auditoria fiscal, como Fl. 29943DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.944 13 forma de verificar a confiabilidade das informações fornecidas pela pessoa jurídica, tendo em vista os registros constantes da sua escrituração contábil. Na fase do contencioso administrativo, a empresa trouxe aos autos planilhas com o detalhamento das verbas indenizatórias, em princípio, abrangendo todos os acordos extrajudiciais (fls. 20.457/20.493). Entendo, por isso, que a solicitação da fiscalização é razoável e não arbitrária, encontrando amparo na lei e no regulamento da Previdência Social. Constitui obrigação tributária acessória a discriminação pela empresa dos fatos geradores de contribuição previdenciária, em contrapartida das parcelas de cunho indenizatório, alheias que estão à incidência tributária, inclusive por meio do lançamento mensal em títulos próprios da contabilidade da empresa (art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). A falta de apresentação de documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, enseja o lançamento de ofício da importância reputada devida, cabendo o ônus da prova ao sujeito passivo (art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991). Exigir que a fiscalização analise um a um os termos de acordos celebrados no âmbito das Comissões de Conciliação Prévia, para fins de identificar os valores e a natureza das parcelas remuneratórias e indenizatórias, é medida que subverte a legislação tributária, impondolhe tarefa que incumbe, em um primeiro momento, à empresa responsável pelos pagamentos aos trabalhadores. Por outro lado, a utilização, como base de cálculo da contribuição previdenciária, do valor integral das contas da contabilidade não se mostra efetivamente compatível com a verdade material. É que as cópias dos termos de conciliação, às fls. 20.494/29.786, revelam o pagamento ao trabalhador, em alguns casos, de verbas de nítido caráter indenizatório, como Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e multa rescisória de 40%. Em contraponto, há outras situações que acarretam dúvidas a respeito da incidência tributária, a exemplo do auxílio combustível e pagamento pelo aluguel de carro. As planilhas confeccionadas pela empresa indicam algumas dezenas de tipos de verbas indenizatórias, aplicadas aos mais variados fins. Penso que a necessária articulação entre indisponibilidade do crédito tributário e verdade material deve ser obtida a partir da conversão do julgamento em diligência, de maneira a trazer aos autos elementos adicionais para o convencimento do julgador a respeito da procedência do lançamento de ofício, incluindo a elucidação sobre o montante da matéria tributável. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar à fiscalização que adote os providências na sequência indicadas, sem exclusão de outras práticas pertinentes, a seu prudente critério, com vistas ao esclarecimento integral das questões controvertidas no âmbito dos Autos de Infração nº 51.011.4334 e nº 51.011.4342: Fl. 29944DF CARF MF Processo nº 11516.721982/201314 Resolução nº 2401000.571 S2C4T1 Fl. 29.945 14 (i) intime a empresa para apresentar, em meio digital e papel, as planilhas de fls. 20.457/20.493, que correspondem à discriminação das parcelas remuneratórias e indenizatórias contidas nos termos de acordo; (ii) verifique a credibilidade e/ou compatibilidade dos dados com os lançamentos da contabilidade; (iii) utilizandose, preferencialmente, de critérios de amostragem, segundo técnicas internacionais de auditoria, proceda à avaliação da natureza das verbas apontadas pela empresa como indenizatórias, com análise, sempre que entender necessário, de documentação comprobatória fornecida pela empresa; (iv) ao final, manifestese de modo conclusivo a respeito das verbas denominadas de indenizatórias, enumerando aquelas que, eventualmente, devem ser mantidas no lançamento de ofício, acompanhando o seu montante, por competência, e as justificativas para a inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária; e (v) a fiscalização também deverá elaborar, por competência, discriminativo que contenha a base de cálculo original do auto de infração e o valor da remuneração mantida no lançamento, se for o caso. Após o pronunciamento da fiscalização, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 29945DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000609/2008-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-005.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade benigna da multa. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade benigna da multa. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 09 /2 00 8- 97 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 225 2 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.118, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 27 de outubro de 2011 (efls. 116 a 125). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ.APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores pagos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 226 3 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Auto de Infração, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarado parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por unanimidade de votos, para excluir do cálculo da multa os valores pagos a título de vale transporte; e b) Por maioria de votos, para que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no AI da obrigação principal correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que aplicava a regra do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91. Enviados em 03/01/2012 os autos à Fazenda Nacional para ciência (efl. 126), a PGFN apresentou, em 16/01/2012 (efl. 130), embargos de efls. 127 a 129, não admitidos, consoante despachos de efls. 139 a 145. Encaminhados os autos novamente à PGFN em 06/06/2012 (efl. 146) esta ingressa, em 13/06/12 (efl. 200), com Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 147 a 161 e anexos). Alegase, no pleito, divergência passível de apreciação por esta Turma em duas diferentes matérias, a saber: a) Aplicação de decisão proferida no feito principal sem trânsito em julgado: Alega divergência em relação ao decidido, em 18/10/2005, pela 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30130.894, de ementa e decisão a seguir transcritas (A ementa do primeiro paradigma apresentado não se encontra no sítio deste CARF, tendo sido, porém, conferida através dos autos do processo 18336.000065/0010, fls. 126 a 130, em consulta ao sistema eprocesso): Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 227 4 Acórdão 30130.894 NORMAS PROCESSUAIS ACÓRDÃO CONDICIONADO NULIDADE A atividade judicante não pode expressarse de forma condicionada a fato futuro e incerto, em especial de processo administrativo fiscal pendente de julgamento, sob pena de não solucionar a lide proposta ou promover solução que não pode ser açambarcada pela ocorrência futura. Na impossibilidade de ser prolatada decisão considerando a interdependência de processos ou decorrência, é cabível a suspensão do julgamento para aguardar a solução da lide principal. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos para anular o Acórdão n.° 30130.894, de 01/12/2003, e suspender o julgamento até o trânsito em julgado do Processo Administrativo Fiscal n.° 18336.000729/200220. EMBARGO ACOLHIDO E PROVIDO Decisão: por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração, para anular o acórdão, nos termos do voto do Relator. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto que: a.1) Entende haver clara divergência jurisprudencial que, diante da mesma situação, qual seja, a aplicação de decisão proferida em processo vinculado, os órgãos julgadores decidiram de forma contrária. O acórdão recorrido se fundamentou exclusivamente em decisão proferida nos processos relativos à obrigação principal, desconsiderando o fato de que a referida deliberação não é definitiva e que pode vir a ser reformada por força de recurso especial interposto pela União, enquanto que a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acolheu a tese de que a decisão proferida em processo principal somente poderia ser aplicada aos seus decorrentes após ter se tornado definitiva; a.2) Ressalta que a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes afirma que o trânsito em julgado da decisão proferida no processo principal seria condição, futura e incerta, para o julgamento da lide decorrente, razão pela qual configuraria um empecilho à atividade judicante no processo reflexo; a.3) Entende a Fazenda Nacional que existe uma diferença latente em simplesmente concordar com alguns dos fundamentos adotados em outra decisão e utilizálos também como motivação, e adotar o decidido em outro processo como único fundamento para afastar a tributação sobre valores, cuja discussão não está encerrada na esfera administrativa. Nesta última hipótese, a decisão proferida em outro processo é a própria razão de decidir daquele que está sob análise. É o que geralmente ocorre com processos ditos decorrentes, cujo único pretexto de existência é o próprio processo principal. Neste diapasão, por ser decorrente de outro processo, é de se concluir que deverá ser dada a mesma solução a ambos processos, sob pena de se estar proferindo decisões contraditórias. Daí porque, normalmente, ao se decidir o processo decorrente, costumase determinar a aplicação, in casu, do que restou deliberado no processo principal; a.4) Contudo, na hipótese dos autos, entende a recorrente que não foi isso o que aconteceu. Aqui, o colegiado a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário para Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 228 5 excluir os valores pagos a título de vale transporte, sob o argumento de que tais valores haviam sido afastados da incidência das contribuições previdenciárias, fato este inverídico, sem a ressalva de que fosse adotada a solução que vier a ser dada, definitivamente, no processo principal; a.5) Cita, a seguir os arts. 42 a 45 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, para defender que somente após o julgamento da insurgência nos autos de lançamento da obrigação principal é que poderá a decisão referente se tornar imutável, apta a produzir seus efeitos de forma ampla, inclusive no que tange à sua aplicabilidade ao presente processo. Antes disso, o contribuinte possui apenas uma expectativa de direito. Entende, assim, que a confirmação da decisão em sede de obrigação principal é evento futuro e incerto e, diante da impossibilidade de se efetivála na prática, não há como considerar que os valores excluídos não sofrem a incidência das contribuições previdenciárias; a.6) Ressalta que, na eventualidade de se ter reformada a decisão proferida no processo em trâmite na Câmara Superior de Recurso Fiscais, o mesmo não poderá acontecer no presente feito, tendo em vista a impossibilidade de reversão da decisão nele proferida, se não acolhido o presente recurso. a.7) Finalmente, entende que os valores pagos a título de vale transporte, portanto, não podem ser expurgados do cálculo da multa, sob o único fundamento assentado em uma assertiva equivocada de que tais valores não mais comporiam o lançamento principal. Afastada esta argumentação, constatase que o aresto proferido se tornou deficitário em expor os fundamentos que motivaram a exoneração do crédito tributário, fato este que ocasiona a nulidade do julgado. b) Retroatividade benéfica da multa: Aqui, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 29/04/2010, no Acórdão 240300.035, de lavra da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 240300.035 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 229 6 documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". A procedência de AI pela omissão de fatos geradores em GFIP está diretamente relacionado ao resultado da NFLD lavrada durante o mesmo procedimento. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social dispõe que a contribuição a cargo da empresa, relativa aos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, está prevista no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.876/99 e no art. 201, inciso III, do Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. O previsto no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.876/99 e no art. 201, inciso III, do Decreto 3.04811999qua1 seja, a Lei n° 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999, não pode ser anulado por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIOUTILIDADE ALUGUEL RESIDENCIAL CONFIGURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos pelo empregador por imóveis locados em grande centro urbano em beneficio de empregados, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, I, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE Fl. 229DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 230 7 ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Em 22/08/2007 foi dada ciência à Recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), enquanto que a cientificação da NFLD pela Recorrente ocorreu em 25/10/2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social nas competências 01/1001 a 10/2001; 01/2002 a 06/2002; 10/2002; 02/2003 a 06/2003; 03/2004 e 04/2004; 06/2004 e 0712004; 10/2004 a 09/2005; 11/2005 a 01/2006; 08/2006 a 12/2006. Na hipótese, em relação à decadência se aplica a regra geral disposta no art. 150, § 4°, CTN, pois configurase a hipótese de tributo lançado por homologação, caso das contribuições sociais previdenciárias com recolhimentos a homologar; o que fulmina a constituição dos créditos ora lançados da competência 01/2001 até a competência 09/2002, inclusive. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: por unanimidade de votos: a) em acatar a preliminar de decadência até a competência 09/2002 inclusive, com base no art. 150 § 4' do CTN; b) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei n° 9.430, de 1996. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: b.1) Quanto à obrigação acessória, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; Fl. 230DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 231 8 b.2) Devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. b.3) Ressalta que houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Requer, assim, que seja dado provimento ao recurso, para que se aplique a multa na forma do art. 44, I, sem dedução da multa correlata, cabendo, na execução do julgado, a autoridade competente aferir qual a regra mais benéfica; se o art. 35.A da Lei 8212/91 ou as penalidades previstas no art.35, II e 32, IV da mesma lei, antes de sua revogação. O recurso foi regularmente admitido, consoante despacho de efls. 202 a 206. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência ocorrida em 26/09/13 (efl. 211), esta apresentou contrarrazões de efls. 213 a 216, onde: a) Defende que a exclusão de valores a título de valetransporte não se trata de redução da base de incidência da multa de fato futuro. Tratase de fato presente, ou seja, houve o entendimento de que a contribuição previdenciária não incide sobre o vale transporte; b) Defende a aplicação da retroatividade benigna realizada pelo recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator a) Quanto à aplicação de decisão proferida no feito principal sem trânsito em julgado: Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto à admissibilidade porém, discordando do exame de admissibilidade de efls. 202 a 206 quanto à esta matéria, faço notar que: a.1) No caso em questão se está diante de auto de infração de descumprimento de obrigação acessória, com os autos julgados conjuntamente aos de lançamentos de obrigação principal desde antes do julgamento do Recurso Voluntário pelo Colegiado a quo (Processos 18088.00603/200810,18088.00604/200864 e 18088.00605/2008 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 232 9 17). Assim, possibilitado, ou melhor, efetivamente levado a cabo o julgamento conjunto dos feitos (visto que conjuntamente pautados), realizado pelo Colegiado a quo em 27 de outubro de 2011. a.2) Já no caso do paradigma (Acórdão 30130.894), se está diante de caso onde o julgamento dos autos estava dependente daquele a ser realizado no âmbito de outro Colegiado (3a. Cãmara do 3o. Conselho de Contribuintes), daí a suspensão do julgamento até o trânsito em julgado daquela outra decisão. Ou seja, no presente caso, o que se tem é uma série de julgamentos realizados simultaneamente, a partir da clara dependência dos autos dos lançamentos de obrigação principal e acessória decorrente, situação fática completamente diferente da do paradigma, o que é evidenciado através do teste de aderência, que resultaria, a meu ver, em total inconsistência, caso se assumisse que o Colegiado paradigmático aqui suspenderia o julgamento do presente AI, até que os processos de obrigação principal, pautados na mesma sessão, transitassem em julgado, retomando o julgamento deste feito somente quando daquele trânsito em julgado daqueles autos, repitase, pautados conjuntamente. Não se trata, aqui, de decisão condicionada a evento futuro e incerto, mas de lançamento decorrente do lançamento de obrigação principal e acessória, os quais são apreciados conjuntamente até seu trânsito em julgado administrativo, em prol da economia processual e com plena coerência, inclusive, com a lavratura conjunta das NFLDs e do presente AI. No caso, a razão de decidir dos autos de obrigação principal vincula as razões de decidir do auto de obrigação acessória decorrente do descumprimento daquela, sem qualquer nulidade, uma vez devidamente fundamentada a decisão devidamente no lançamento de obrigação principal, como efetivamente se verifica nos presentes autos. Entendo que para fins de caracterização da divergência interpretativa, in casu, deveria a Fazenda Nacional ter trazido caso onde, possibilitado o julgamento simultâneo conjunto dos autos por estarem as matérias interdependentes contidas em mesma pauta, assim sujeitas à competência de um mesmo Colegiado, se sobrestou (suspendeu) o julgamento da matéria dependente até o trânsito em julgado da matéria principal, o que não é o caso dos paradigmas, repito. Destarte, diante da inexistência de similitude fática entre a situação do recorrido e as dos Acórdãos paradigmas trazidos aos autos, voto por não conhecer o Recurso da Fazenda Nacional quanto a esta primeira matéria de aplicação de decisão proferida no feito principal sem trânsito em julgado, por não caracterizada a existência de divergência interpretativa. b) Quanto à retroatividade benéfica da multa: Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto ao interesse recursal, faço notar que o pedido pela Fazenda Nacional difere do que foi aplicado pelo Acórdão recorrido, onde, ao se fazer a dedução da multa correlata, notese, se poderia levar à redução do montante total das multas aplicadas Fl. 232DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 233 10 individualmente a valor inferior aos 75% estabelecidos pelo art. 44, I da Lei no. 9.430, de 1996, ainda que seu somatório fosse superior a este percentual, o que na hipótese defendida pela Fazenda Nacional, inocorre. Assim, conheço do Recurso e passo à sua análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 234 11 previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada Fl. 234DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 235 12 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 235DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 236 13 mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 236DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 237 14 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa tendo como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias no AI da obrigação principal correlata. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 238 15 Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Fl. 238DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 239 16 (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada Fl. 239DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 240 17 atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação Fl. 240DF CARF MF Processo nº 18088.000609/200897 Acórdão n.º 9202005.388 CSRFT2 Fl. 241 18 acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito dos autos de obrigação acessória lavrado sob os DEBCADs 37.205.3998, 37.205.4005 e 37.205.4013, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, também reproduzida na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assim, quanto à matéria, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, também reproduzida na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, exclusivamente quanto à retroatividade benéfica da multa, para, no mérito, quanto à parte conhecida, darlhe provimento parcial, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, também reproduzida na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, ressalvada somente a exclusão dos valores principais devidos a título de valetransporte, realizada nos respectivos feitos onde se analisou as obrigações principais objeto de lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910846/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.856
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 46 /2 00 9- 68 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910846/200968 Acórdão n.º 9303004.856 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.150, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.910846/200968 Acórdão n.º 9303004.856 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.910846/200968 Acórdão n.º 9303004.856 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11065.910846/200968 Acórdão n.º 9303004.856 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901753/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2009
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.469
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2009 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/08/2009 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 17 53 /2 01 4- 51 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.901753/201451 Acórdão n.º 3302004.469 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14055.552. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.901753/201451 Acórdão n.º 3302004.469 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.901753/201451 Acórdão n.º 3302004.469 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.009895/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO NO DIÁRIO.
A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa..( Súmula CARF nº 93:)
MULTA ISOLADA - ESTIMATIVA REDUÇÃO SUSPENSÃO.
A apresentação de toda a escrita fiscal e contábil, nestas incluídos os livros diários, razão e LALUR, ainda que sem a devida escrituração de balanços ou balancetes, na forma mais completa e desejável, não pode justificar a aplicação da multa exclusiva, nos casos em que o contribuinte acusa erro na confecção dos balancetes e existem elementos suficientes para a veracidade em parte do que fora alegado através de diligência.
ERROS DE CALCULO DA FISCALIZAÇÃO.
Constatado o cometimento de erros de cálculo nos levantamentos fiscais, deve o lançamento ser retificado para o valor correto.
Numero da decisão: 1401-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter o IRPJ no valor principal de R$ 6.151,82, em maio, e da CSLL, no valor de R$ 1.494,66, em janeiro, acrescidos da multa de ofício e juros de mora, bem assim manter as multas isoladas sobre as bases remanescentes.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente e Relator
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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FALTA DE TRANSCRIÇÃO NO DIÁRIO. A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa..( Súmula CARF nº 93:) MULTA ISOLADA ESTIMATIVA REDUÇÃO SUSPENSÃO. A apresentação de toda a escrita fiscal e contábil, nestas incluídos os livros diários, razão e LALUR, ainda que sem a devida escrituração de balanços ou balancetes, na forma mais completa e desejável, não pode justificar a aplicação da multa exclusiva, nos casos em que o contribuinte acusa erro na confecção dos balancetes e existem elementos suficientes para a veracidade em parte do que fora alegado através de diligência. ERROS DE CALCULO DA FISCALIZAÇÃO. Constatado o cometimento de erros de cálculo nos levantamentos fiscais, deve o lançamento ser retificado para o valor correto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter o IRPJ no valor principal de R$ 6.151,82, em maio, e da CSLL, no valor de R$ 1.494,66, em janeiro, acrescidos da multa de ofício e juros de mora, bem assim manter as multas isoladas sobre as bases remanescentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 98 95 /2 00 9- 51 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente e Relator . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0632.293, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CuritibaPR. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 4149) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 52 59), mediante os quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 1.280.322,90, incluindo juros moratórios calculados até 30/10/2009, conforme discriminado nos Demonstrativos Consolidados do Crédito Tributário do Processo espelhados às fls. 0102. Duas são as infrações atribuídas à contribuinte. A primeira consiste na falta de recolhimento ou confissão, mediante declaração em DCTF, dos saldos a pagar resultantes dos ajustes anuais de sua DIPJ/2007 espelhados na Ficha 12A (IRPJ), reproduzida às fls. 27; e Ficha 17 (CSLL), reproduzida às fls. 30, cabendo esclarecer que a fiscalização informa haver lançado o valor já deduzido das estimativas recolhidas, uma vez que a contribuinte não adotara tal providência em sua DIPJ. A Segunda infração consiste na falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de ambas as exações, nos anoscalendário 2005 e 2006, conforme demonstrativos de fls. 3839 (IRPJ) e 40 (CSLL) razão pela qual foi lançada a multa de oficio isolada respectiva. Os fundamentos legais das exações lançadas se encontram transcritos no campo próprio do respectivo auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 25/11/2009 (fls. 65), e apresentou tempestivamente, em 18/12/2009, a impugnação de fls. 6768, alegando que o lançamento tem base em suas DIPJ, mas que as informações das DIPJ foram retificadas e que se faz necessária revisão da totalidade dos valores lançados, modificando e/ou anulando este, haja vista que erros podem acontecer, inclusive por parte da Receita Federal do Brasil, como no caso do lançamento, uma vez que a autuante teria deixado de incluir em sua planilha valores recolhidos pela empresa relativos aos meses de fevereiro e março de 2006. Intentando demonstrar o alegado, elabora quadro demonstrativo dos valores que teria recolhido. Pleiteia modificação e/ou anulação do lançamento com base nos seguintes documentos retificados que afirma trazer A colação: (i) LALUR que teria dado base a suspensão das estimativas do IRPJ e CSLL; DARF dos recolhimentos efetuados; (ii) 1 la alteração contratual e (iii) procuração. Colocase A disposição para atender eventual diligência e também quanto ao encaminhamento de outros documentos eventualmente considerados necessários. Foram juntados os documentos de fls. 69205. Posteriormente, foram juntados os documentos de fls. 207231. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 5 4 É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 BALANCETES DE REDUÇÃO/SUSPENSÃO. REQUISITOS LEGAIS. A suspensão ou redução dos valores a serem recolhidos a titulo de estimativas se condiciona à existência de balanços/balancetes levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. ERROS DE CALCULO DA FISCALIZAÇÃO. Constatado o cometimento de erros de cálculo nos levantamentos fiscais, deve o lançamento ser retificado para o valor correto. No caso, o provimento parcial foi para considerar erro de fato na apuração das bases de cálculo. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF repisando os tópicos trazidos anteriormente. É o relatório. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento da falta de recolhimento ou confissão, mediante declaração em DCTF, dos saldos a pagar resultantes dos ajustes anuais de sua DIPJ/2007 espelhados na Ficha 12A (IRPJ); bem assim multa isolada de 50% por falta ou insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa nos anoscalendário de 2005 e 2006. A Recorrente alega que cometera equívocos nas DIPJ, trazendo em comprovação cópia de novo Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) que escriturou (fls. 69144). Com base nessa nova escrituração, elaborou novas DIPJ, que foram apresentadas em 11/12/2009 (anocalendário 2005, fls. 241) e 12/12/2009 (anocalendário 2006, fls. 244). Segundo a defesa, através do novo LALUR e DIPJ apresentados, não seriam devidas as estimativas que a contribuinte deixou de recolher no anocalendário 2005 e, por conseqüência, as multas de ofício exigidas isoladamente. Também não seriam devidos os saldos anuais a pagar de IRPJ e CSLL lançados, relativos ao anocalendário 2006. A Recorrente na verdade traz como argumento de defesa a retificação dos seus dados contábeis e fiscais, porém a DRJ não achou suficiente os elementos apresentados para provar o alegado erro. Porém, esta Turma, ainda na relatoria do então Conselheiro Alkmim, divergiu quanto ao fundamento utilizado pela DRJ para descartar a prova trazida, qual seja, a falta de transcrição no diário dos balancetes de redução e suspensão: Por consequência, para que seja acatada uma nova expressão para os resultados que a contribuinte afirma ter apurado em balancetes levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário haverá que ser apresentada uma escrituração revestida dos mesmos atributos que conferia credibilidade Aquela feita anteriormente: observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Entretanto, a impugnante não apresenta os balancetes devidamente escriturados em seu livro Diário. Por outro lado, mesmo as páginas do LALUR trazidas colação omitem qualquer referência a registro no Diário. Aliás nem assinadas estão. Como se vê, esse LALUR apresentado não pode ser tomado como indicio de que existam balancetes regularmente escriturados e registrados no Diário o que poderia ensejar a realização de eventual diligência tendente a apurar tal circunstância. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 7 6 Cabe aqui transcrever o voto por mim proferido a esse respeito no contexto de processo assemelhado, isso porque no caso do processo referido tratavase de fundamento da atuação e aqui, apenas fundamento da DRJ: Na verdade, o litígio se resume na não transcrição no livro Diário da Demonstração de Resultado em períodos em que os recolhimentos por estimativa foram suspensos por haver prejuízos fiscais em todos eles, mensalmente. Entendo que se trata de um caso particular onde suas peculiaridades devem ser sopesadas. E essa ponderação tem que vir a reboque do verdadeiro fundamento pelo qual a regra foi criada e existe. Julgo que a exigência de registro no diário de balanço ou balancete em cada período de apuração quando o contribuinte apura resultados segundo o lucro real estimativa suspensão ou redução, tem por finalidade impedir a manipulação de dados, bem assim a confecção de dados extemporâneos e permitir ao Fisco buscar uma exata tomada de posição, se necessário, no momento próprio. Não há dúvida de ser ela uma obrigação de caráter formal, que dá segurança ao fisco até para que ele não precise aprofundar investigações mais detalhadas na contabilidade. Poupalhe esforço. Por outro prisma, o fato de existir uma legislação que comande a transcrição dos balanços de suspensão no livro Diário implica em dotar a regra de uma condição suficiente para se garantir ao fisco em tese a inexistência daquela manipulação indevida ressaltada no parágrafo anterior. Porém, o argumento a contrario senso não é verdadeiro, ou melhor é uma falácia, a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “P” implica “Q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não P” implique também em “não Q”. Isso porque existem outras forma de chegarse a “Q” (Segurança, não manipulação dos resultados, confecção de dados extemporâneos, etc) sem ter necessariamente que passar por “P” (transcrição dos balancetes no livro Diário). E essa outra forma, obviamente, passa pelo reconhecimento de que aquela omissão em nada afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária. Se esta existe, o Fisco pode, e deve, a partir dela, empreender as diligências necessárias à configuração do fato tributário. Nesse diapasão, analisando o que consta dos autos, verifico que a escrita contábil da Recorrente existia, sendo que ainda presente neles demonstração de resultados, o LALUR, o Diário e registro no RAZÃO. Por isso, entendo que a desconsideração da contabilidade da Recorrente, nesse caso específico se configura com um excesso de rigor formal. É que os balancetes por ela apresentados demonstram facilmente a existência de prejuízos fiscais em todos os meses dos anos envolvidos, sem se constituir em nenhuma operação muito complexa essa verificação e até de fácil entendimento até para uma criança, para daí concluir facilmente pela desnecessidade do recolhimento das estimativas. O Fisco, em 2005, quando do lançamento de ofício, já dispunha das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, dos anoscalendário de 2000 a 2003, juntadas aos autos pelo próprio autuante, peça que tem como elemento integrante a Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, que por sua vez foi constituído a partir dos balanços de suspensão e redução mensais, onde todos eles indicam prejuízos fiscais. E isso tudo Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 8 7 não foi questionado, bem assim serve como baliza inicial para indicar que os dados não foram extemporaneamente produzidos ou mesmo manipulados. Nesse ponto, se constata duas coisas. O ônus da prova, nesse caso, estaria invertido. Caberia ao fisco cumprir nesse caso específico o mandamento nuclear que determina a procura pelo fato verdadeiro. A rigidez do formalismo, como uma espécie de barreira fictícia erigida pela legalidade, levouo a desconsiderar o registro dos custos e das despesas contabilizados pelo contribuinte, escudandose, tãosomente, nas receitas, tomadas como único divisor para apuração das estimativas. O dever investigatório deveria ter sido acionado, não se podendo admitir um formalismo exagerado sem apreço pela situação específica do caso, bem assim do fundamento maior pelo qual uma regra foi criada. (...) Hoje a matéria está inclusive sumulada: Súmula CARF nº 93: A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. Nesse contexto, justamente em função de dever investigatório nesses casos, é que o processo foi baixado em diligência para averiguação dos fatos alegados. “... de que seja verificada documentação apresentada pelo Recorrente, mediante a devida conferência junto aos livros fiscais apresentados, em especial o livro diário, apresentandose parecer conclusivo acerca da matéria em litígio” O Resultado de diligência foi favorável em parte à Recorrente, nos seguintes termos: (...) O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Diários dos anos calendário 2005 e 2006 e Lalur do anocalendário 2006. Foram anexadas cópias legíveis dos balancetes registrados nos Livros Diários, anexados ao Processo às fls. 1064 a 1136 do ano calendário 2005 e fls. 1137 a 1213 do anocalendário 2006, bem como das folhas de abertura e fechamento destes Livros, anexadas às fls. 1214 a 1231. Os balancetes registrados nos Livros Diários apresentados pelo contribuinte conferem com os documentos originais. Os Livros Diários do anocalendário 2005 foram registrados em 14/06/2006 e os do anocalendário 2006 em 10/05/2007, portanto, antes da ação fiscal. A demonstração do Lucro Líquido do Exercício, para o anocalendário 2006, a partir do lucro apurado no balancete foi demonstrado nas planilhas Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 9 8 apresentadas pelo contribuinte às fls. 1236 e 1237 e os dados apresentados conferem com os dados apresentados nos balancetes. Com base no Lucro Real da planilha à fl. 1236, referente ao anocalendário 2006, teríamos o seguinte cálculo de tributos: [TABELA] No entanto, os valores apurados na DIPJ retificadora, apresentada pelo contribuinte após a fiscalização, apresenta valores diferentes de IR e CSLL pois inclui deduções, sobre as quais não foram apresentados alegações/documentos seja na impugnação ou no recurso voluntário. Para esclarecer os valores de deduções utilizados foi feito o Termo de Intimação nº 3, fls. 1238 e 1239, no qual se solicita a: “1. Demonstrar, relativo ao anocalendário 2006, onde estão registrados, nos balancetes do LivroDiário e/ou no LALUR, os valores declarados na DIPJ2007, do ano calendário 2006, localizados na: a) linha 05 da ficha 11 para todos os meses do ano: Deduções de Incentivos Fiscais b) linha 11 da ficha 11 para o mês de maio: Imposto de Renda Pago s/ Ganhos no Mercado de Renda Variável c) linha 04 da ficha 16 para o mês de janeiro: Créditos s/ a Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (Lei nº 11.051/2004) Os valores são reproduzidos na tabela a seguir. A partir das duas últimas colunas da primeira tabela e das deduções da tabela acima, foi tabela abaixo mostra como ficam os tributos, considerando as deduções. [TABELA] Os valores da tabela acima de IR e CSLL menos as deduções conferem com os valores apurados na DIPJ retificadora e com os valores recolhidos pelo contribuinte. Na resposta ao Termo de Intimação nº 3, fls. 1240 a 1243, são apresentados explicações e cálculos somente sobre os incentivos fiscais, linha 05 da ficha 11 da DIPJ, referentes ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Os valores retirados dos balancetes conferem. O limite 2, fl. 1243, usa como base o número de refeições servidas, mas a coincidência da valores, chegando à casa de centavos, permite inferir que os cálculos são corretos. O contribuinte não se pronunciou sobre o valor referente à linha 11 da ficha 11 para o mês de maio, Imposto de Renda Pago s/ Ganhos no Mercado de Renda Variável. Não foi encontrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil registro deste valor. O contribuinte não se pronunciou sobre o valor referente linha 04 da ficha 16 para o mês de janeiro, Créditos s/ a Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (Lei nº 11.051/2004), nem é possível, com base nos documentos do Processo, fazer análise e tirar conclusão sobre este valor. PARECER As DIPJ retificadoras dos anoscalendário 2005 e 2006, fls. 444598 e 726 811, apresentadas pelo contribuinte após a fiscalização, foram embasadas em Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10980.009895/200951 Acórdão n.º 1401001.880 S1C4T1 Fl. 10 9 escrituração efetuada tempestivamente, fls. 1064 a 1231, elaborada em consonância com as exigências legais. Em relação às deduções apresentadas na DIPJ2007, anocalendário 2006, deverseia aceitar apenas os valores de incentivos fiscais, coluna linha 05 da ficha 11 referentes ao Programa de Alimentação do Trabalhador, pois foram baseados em dados dos balancetes e existe razoabilidade nos cálculos apresentados pelo contribuinte à fl. 1243. Portanto, os únicos valores devidos seriam os relativos ao anocalendário 2006 que constam nas colunas linha 11 da ficha 11 e linha 04 da ficha 16 da tabela acima, ou seja, o valor de IR de R$ 6.151,82 em maio e de CSLL de 1.494,66 em janeiro. Sobre estes valores incorreria ainda a multa isolada de 50%. (destaquei) Como se vê, o processo foi baixado em diligência onde se oportunizou à Recorrente se pronunciar e justificar as retificações efetuadas, sendo apenas não acatadas aqueles modificações em que a mesma silenciouse a respeito, não produzindo qualquer prova a seu favor. . Por todo, o exposto, ratifico o resultado de diligência e, por consequência, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso para manter apenas o IRPJ no valor de 6.151,82 em maio e de CSLL, no valor de R$ 1.494,66 em janeiro, com os acréscimos de multa de ofício e juros de mora, bem assim as multas isoladas sobre as bases mantidas. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1259DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722626/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a prejudicialidade e declinar da competência para o julgamento, por se tratar de processo decorrente, para encaminhar os autos para a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção, com base no artigo 6o, § 2º, do RICARF.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca, ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
Relatório.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a prejudicialidade e declinar da competência para o julgamento, por se tratar de processo decorrente, para encaminhar os autos para a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção, com base no artigo 6o, § 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca, ausente Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório. Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$7.962.265,36, devido à infração 001 Custos não Comprovados, nos anoscalendário 2008 e 2009, 002 Saldo Insuficiente/Compensação Indevida de Prejuízos Operacional com Resultado da Atividade Geral, fato gerador em 31/12/2008; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$2.875.055,52, relativa às mesmas infrações; ambas exigências apenadas com multa de 75%, págs. 372/395; às págs. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 62 6/ 20 12 -4 1 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1201000.252 S1C2T1 Fl. 3 2 382/385, Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e às págs. 395/397 de Bases de Cálculo Negativas da CSLL. Termo de Verificação Fiscal às págs. 362/370. O contribuinte apresentou impugnação de págs. 427/440, que, em sessão no dia 24 de abril de 2013. a DRJ em São Paulo/SP, no Acórdão 1646.158 DRJ/SP1, págs. 1.585/1609, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2008. 2009 Glosa de Despesa. Comprovação. Documentação Hábil. Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços. devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Para que sejam aceitas como documentação hábil e idônea para a comprovação dos custos/despesas escriturados, as notas fiscais/faturas devem discriminar todos os elementos da relação jurídica descrita no documentário (sujeitos, objeto, datas, valores, etc), imprescindíveis à apreciação dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação de regência. Quando não adequadamente descritos os produtos, as mercadorias ou os serviços prestados, as notas fiscais faturas não devem ser admitidas como hábeis à comprovação das operações. Glosa de Compensação de Prejuízo Fiscal. Diante das reversões dos prejuízos fiscais apurados e da utilização, em lançamento anterior, de todo o saldo acumulado de períodos anteriores, deve ser a manutenção da glosa da compensação de prejuízos, devido à ausência de saldo disponível. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão de auto de infração decorrente. Haja vista o cancelamento de R$7.505.711,23 de IRPJ e R$5.629.283,56 de CSLL e respectivos multa de ofício e juros de mora, a DRJ/SP1, recorreu de ofício. Cientificado em 15/05/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 1.618/1.628, em 16/06/2013, tempestivo. Descreve as despesas glosadas pela fiscalização e que foram mantidas no Acórdão DRJ/SP1 e discorda porque o único argumento é que a Contribuinte não teria comprovado (destaca) o pagamento das despesas relacionadas na planilha "Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados" , porém não colocou em dúvida a existência ou a necessidade das mesmas para as operações exigidas pela atividade da empresa; mas ocorre que, em razão do regime de competência a que estão submetidas as empresas tributadas pelo regime do Lucro Real, como é o caso da Contribuinte, basta que se tratem de despesas necessárias e que tenham sido incorridas (art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1201000.252 S1C2T1 Fl. 4 3 3.000, de 26 de março de 1999) pela Contribuinte para serem as mesmas dedutíveis, sendo desnecessária a prova da respectiva quitação; invoca Solução de Consulta nº 229, de 15 de setembro de 2010, e cita autores, de que a prova do pagamento não é requisito essencial à dedutibilidade de despesa comprovadamente incorrida pela empresa. Aponta que em momento algum, no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal comprovou (ou sequer alegou) que as despesas glosadas não seriam necessárias à atividade da empresa, ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e destaca que as despesas glosadas estão regularmente escrituradas na contabilidade, o que faz prova a favor do contribuinte cabendo à autoridade fiscal provar a inveracidade dos fatos ali registrados; e que o Ato Administrativo de Lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocamente, se subsuma à hipótese descrita na norma jurídica; a fundamentação da glosa de custos ou despesas operacionais realizadas e contabilmente apropriadas pelo sujeito passivo há de ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela fiscalização, de que os gastos suportados não são necessários à atividade da empresa ou à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Portanto, entende que cabialhe demonstrar a escrituração da despesa e não comprovar o desembolso dos valores relativos a ela e não poderia a decisão de Primeira Instância adentrar na seara relativa à fundamentação da glosa, trazendo argumentos que não tenham constado do Auto de Infração, sob pena de inovar no feito em prejuízo ao direito à ampla defesa, constitucionalmente assegurado à Contribuinte. Sobre a glosa da compensação do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, no valor de R$299.265,03, porque o autuante entendeu que todo o saldo de prejuízo fiscal já havia sido consumido em anos anteriores, descreve que foi feita compensação de ofício pela RFB, no ano 2007, no âmbito de outra autuação, processo nº 19515.720891/2012 94, ainda em discussão administrativa; estando suspensa a exigibilidade não pode gerar efeitos enquanto não esgotada a instância administrativa; por isso, a glosa deve ser desconstituída. O processo foi remetido ao CARF, que requereu a Diligência de págs. 1.650/...: No entanto, a infração relativa a saldos insuficientes de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL que teriam sido aproveitados em 2009. mas que foram absorvidos integralmente na autuação relativa ao ano de 2007. acompanhada no processo n° 19515.720891/201294. verificase a existência de conexão entre o presente processo e aquele. A apreciação do processo n° 19515.720891/201294 é prejudicial ao exame deste. Pesquisa efetuada no site do CARF. em 30/10/2013, indica que o mencionado processo encontrase distribuído a relator (Viviane) na atividade "para relatar". Com efeito, concluise que a melhor solução a ser dada é aguardar a decisão definitiva no processo n° 19515.720891/201294. para então proceder no julgamento do presente recurso voluntário, efetuandose os ajustes porventura necessários. Voto Conselheira Eva Maria Los Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 19515.722626/201241 Resolução nº 1201000.252 S1C2T1 Fl. 5 4 Verificouse que os seguintes processos guardam conexão com o presente: 1. processo do qual este depende nº 19515.720891/201294, relativo a autos de infração de IRPJ e CSLL do anocalendário 2007; o recurso especial interposto pelo contribuinte já foi objeto da Resolução 1402000.415, de 14 de fevereiro de 2017, pela 2ª TO, da 4ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, convertendo o recuso em diligência, anexada às págs. 1.663/1.671; 2. processo que depende do anterior nº 19515.892/201239, autos de infração de PIS e Cofins, relativos ao anocalendário 2007; no momento deste voto, encontrase para distribuição às DRJ, no CEGEP/DRJ/RPO; 3. processo que depende do que está sendo julgado neste voto nº 19515.722627/201295, autos de infração de PIS e Cofins, relativos aos anoscalendário 2008 e 2008; no momento deste voto, encontrase para distribuição às DRJ, no CEGEP/DRJ/RPO. Duas infrações devem ser analisadas: a) a glosa de custos; b) compensação indevida de Base de Cálculo Negativa de CSLL. A análise desta última infração depende diretamente do julgamento do processo nº 19515.720891/201294, objeto da Resolução 1402000.415, de 14 de fevereiro de 2017, pela 2ª TO, da 4ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, convertendo o recurso em diligência. À vista do exposto, VOTO por reconhecer a prejudicialidade e declinar da competência para o julgamento, por se tratar de processo decorrente, para encaminhar os autos para a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção, com base no artigo 6o, § 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Fl. 1675DF CARF MF
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