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Numero do processo: 10480.000565/2003-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. IPI. MÉRITO APURADO EM OUTRO PROCESSO
ADMINISTRATIVO.
É incabível neste processo administrativo eventuais discussões sobre o direito creditório, visto que o mérito do ressarcimento do IPI foi objeto de outro regular processo administrativo.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO COMPENSADOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA.
De acordo com a Súmula nº 360 do STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
CORREÇÃO MONETÁRIA. CRÉDITO ESCRITURAL DE IPI. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não é possível a correção monetária de crédito escritural de IPI no ressarcimento e na compensação por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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IPI. MÉRITO APURADO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. É incabível neste processo administrativo eventuais discussões sobre o direito creditório, visto que o mérito do ressarcimento do IPI foi objeto de outro regular processo administrativo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO COMPENSADOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA. De acordo com a Súmula nº 360 do STJ: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. CORREÇÃO MONETÁRIA. CRÉDITO ESCRITURAL DE IPI. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não é possível a correção monetária de crédito escritural de IPI no ressarcimento e na compensação por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 05 65 /2 00 3- 46 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 323 2 Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 324 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida abaixo transcrito: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 30.042,48, referente ao 4º trimestre de 2002, com fundamento na Instrução Normativa – IN SRF n.º 33/99 e no art. 148 do Decreto n.º 2.637/98 (Regulamento de IPI – RIPI/98), cumulado com pedido de compensação. 2. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 230/240, a autoridade diligenciadora, depois de discorrer sobre a legislação aplicável à espécie, propôs o deferimento parcial do crédito, no valor de R$ 24.702,73, com base nos seguintes argumentos: 3.1. O contribuinte solicitou o ressarcimento, no valor indicado no demonstrativo de fls. 189/200, no qual relaciona notas fiscais de aquisição, com os respectivos valores de IPI acrescidos de juros calculados à taxa Selic. Constatouse que as aquisições correspondem efetivamente a insumos utilizados na industrialização dos produtos pelo contribuinte, que escriturou as notas fiscais na data da efetiva entrada no seu estabelecimento; 3.2. A maioria dos produtos (impressos gráficos) para as quais o contribuinte emite notas fiscais de serviços são tributados à alíquota zero. Entretanto, aos produtos “calendários”, que são tributados à alíquota positiva, o contribuinte deu saída sem a indicação da classificação fiscal e da alíquota, bem como sem o destaque do IPI devido. Por tal motivo, lavrouse auto de infração, abrangendo os períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2002 (19647.006391/200511); 3.3. Como o contribuinte possuía saldo credor no período da autuação, tal saldo foi considerado na reconstituição da escrita fiscal (fls. 221/226). Em conseqüência, os débitos de IPI relativos às saídas sem destaque reduziram o saldo credor, repercutindo sobre o valor passível de ressarcimento; 3.4. Os valores a serem ressarcidos não estão sujeitos à incidência de correção monetária e de juros equivalentes à taxa Selic, por falta de previsão legal. 4. Despacho Decisório de fl. 292 deferiu parcialmente o pleito, no valor de R$ 24.702,73, e homologou as compensações no limite do crédito reconhecido. 5. À fl. 243, o contribuinte informa que atualizou o saldo credor acumulado de IPI e os seus débitos pela taxa Selic. Por isso, nos débitos informados nas Declarações de Compensação estão incluídos os juros a esta taxa, existindo, assim, discrepância entre o valor informado em DCTF e o valor informado nas referidas declarações, razão por que solicita que se leve em consideração os valores informados em DCTF. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 325 4 6. Em Informação Fiscal de fls. 254/256, o SEORT da DRF do Recife propôs o mesmo valor para o ressarcimento, ocasião em que consignou as seguintes informações: 6.1. De acordo com o art. 56 da IN SRF n.º 460/2004, os pedidos de restituição, ressarcimento e compensação somente podem ser retificados pelo sujeito passivo no caso de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, bem como deve ser observado, no caso de Declaração de Compensação, o disposto nos arts. 57 e 58. De acordo com o primeiro, a retificação só será admitida no caso de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, na nãoocorrência da hipótese prevista no art. 58; 6.2. Da análise dos autos, verificase que houve inexatidão material. Considerando que o contribuinte ainda não foi cientificado do Despacho Decisório, cabível a retificação da Declaração de Compensação; 6.3. O contribuinte atualizou indevidamente o crédito e não acrescentou aos débitos a multa de mora estabelecida no art. 61 da Lei n.º 9.430/96. 7. À fl. 321, acostouse novo Despacho Decisório, reconhecendo o direito ao ressarcimento no valor de R$ 24.702,73 e homologando as compensações no exato montante do crédito reconhecido. 8. No prazo legal, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 264/275), na qual pleiteia, preliminarmente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (sic), com fundamento no art. 74 da Lei n.º 9.430/96. No mérito, alega: 8.1. Adquire matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, insumos tributados pelo IPI e utilizados na industrialização de diversos produtos gráficos (tributados à alíquota zero ou imunes); 8.2. Não abateu dos créditos que pleiteou qualquer débito de IPI, visto que seus produtos somente sofrem a incidência do Imposto Sobre Serviços ISS, nos termos da Súmula 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos, corroborada pela Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça STJ, embora o AuditorFiscal responsável tenha considerado os “calendários personalizados’ tributados pelo IPI (mais adiante, discorre sobre o direito aplicável à espécie, fundamentandose em dispositivos constitucionais e infraconstitucionais, além de escólios doutrinários e decisões judiciais); 8.3. Atualizou os saldos credores pela taxa Selic, o que foi desconsiderado pelo Fisco (sustenta a aplicação da referida taxa com base em dispositivos legais vigentes e decisões do Conselho de Contribuintes, além de afirmar que o AuditorFiscal fundamentou a sua decisão na IN SRF n.º 460/2004, cuja vigência se iniciou somente depois da data em que apresentado o pedido, o que contrariaria o art. 103 do CTN); 8.4. Como as compensações foram anteriores a qualquer procedimento adotado pelo Fisco, não calculou a multa moratória dos débitos a serem compensados, tendo em vista configurarse verdadeira denúncia espontânea. Contudo, incluiuse ilegalmente a multa nos débitos a serem compensados, o que fez com que não fizesse jus ao benefício previsto no art. 138 do CTN (cita decisão do Conselho de Contribuintes entendendo indevida a multa de mora, quando o débito é Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 326 5 recolhido antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização); 9. Ao final, requer: a) a determinação de auditoria, para que se comprove que os “calendários personalizados”, feitos sob encomenda, são tributados pelo ISS, não pelo IPI, e a reescrituração dos saldos credores acumulados de IPI, levando em consideração que todos os produtos que fabrica são tributados à alíquota zero ou imunes; b) a realização de novo “encontro de contas”, visto que os débitos objeto da compensação não podem sofrer a incidência da multa de mora, haja vista que foram pagos (extintos) antes de qualquer procedimento de ofício, o que configura denúncia espontânea, bem como os saldos credores de IPI devem ser atualizados pela taxa Selic. É o que importa relatar. Ao julgar referida manifestação de inconformidade a 5ª Turma da DRJ/RecifePE, proferiu o Acórdão nº 1118165, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decretolei n.º 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IPI operação que se caracteriza dentre as modalidades de industrialização previstas no Decreto n.º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002). Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário apresentando em síntese as mesmas alegações da manifestação de inconformidade. Requer preliminarmente a suspensão da exigibilidade dos débitos que não foram homologados pelas decisões anteriores. No mérito solicita o integral provimento do recurso voluntário para reconhecer: que os calendários personalizados e sob encomenda são tributados exclusivamente pelo ISS e não pelo IPI; que seja realizada uma nova imputação para afastar a exigência da multa moratória em relação aos débitos confessados. Alega denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN. Pede também que os valores de ressarcimento do IPI sejam corrigidos com base na Taxa Selic. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 327 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Preliminarmente, destacase que não é necessário o contribuinte solicitar a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do presente litígio, pois esta decorre de lei (art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96. Eventuais cobranças indevidas devem ser solucionadas na unidade de origem. Como relatado, o contribuinte obteve deferimento parcial do seu pedido de ressarcimento de IPI em face de reconstituição de sua escrita fiscal do IPI determinada de ofício, que resultou em auto de infração que foi objeto do processo administrativo nº 19647.006391/200511. Ou seja, o mérito do direito creditório é dependente do resultado do julgamento do processo de auto de infração. Cumpre esclarecer que o contribuinte apresentou pedidos de ressarcimento de IPI relativo a vários trimestres de apuração entre 1999 a 2002, cujas análises foram efetuadas em conjunto resultando diversos processos cuja controvérsia também é dependente do citado procedimento. Estes processos estão relacionados em petição do contribuinte constante da fl. 244. Pude verificar que a maior parte deles foi submetida a julgamento e as respectivas turmas julgadoras entendeu por determinar a realização de diligência para que fosse juntada a decisão final do processo do auto de infração nº 19647.006391/200511. Alguns deles retornaram da diligência e já foram julgados com decisão definitiva deste colegiado. Citase os Acórdãos nº 3801003235, 3801001020 e 3403002777 que podem ser vistos no site desse CARF. Por economia processual deixo de baixar o presente processo em diligência para utilizar o resultado da diligência que está citado nos acórdãos em referência. Para tanto transcrevo o trecho de informações prestadas na Informação Seort/DRF/Recife, que consta do Acórdão nº 3403002777, relatoria do Conselheiro Alexandre Kern: 1. O processo nº 19647.006391/200511 tratava de auto de infração lavrado contra a empresa no qual foi reconstituída a escrita fiscal da empresa e lançado o imposto não lançado pelo contribuinte; 2. Devidamente intimado do auto de infração o contribuinte deixou escoar o prazo de impugnação no que foi declarada a revelia e os débitos foram encaminhados à inscrição em Dívida Ativa da União; 3. Após inscritos os débitos o contribuinte protocolou requerimento de revisão de inscrição alegando que os débitos do Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 328 7 processo nº 19647.006391/200511 eram os mesmos débitos objeto de cobrança do processo nº 19647.006417/200521; 4. Esta aparente duplicidade ocorreu porque, inadvertidamente, junto com aquele processo foi formalizado o processo nº 19647.006417/200521. Só que, apesar de ter sido formalizado este processo nunca foi cadastrado para a cobrança de débitos, conforme consta do despacho SECAT de fls. 518 do processo nº 19647.006391/200511; 5. Assim, com base na informação emitida pelo SECAT, a PRFN5 emitiu o despacho de fls. 528/530 no processo nº 19647.006391/200511, no qual manteve integralmente a cobrança dos débitos do processo por restar caracterizado que não existiu a duplicidade de cobrança alegada pela empresa; 6. Quanto ao mérito do lançamento, este sequer foi objeto de discussão no processo nº 19647.006391/200511, tendo em vista a declaração de revelia em função da perda do prazo de impugnação pelo contribuinte; 7. Finalmente, para concluir a diligência, informamos que o processo nº 19647.006391/200511 será devolvido para a PRFN5 para prosseguimento da execução contra a empresa. (grifouse). Constatase então que a questão ou não da incidência do IPI sobre os calendários personalizados não podem ser objeto de apreciação no presente processo, uma vez que esta matéria era objeto do processo de nº 19647.006391/200511. Como visto, a recorrente não impugnou o auto de infração, processo em que se discutia a reconstituição da escrita fiscal e a incidência do IPI, portanto concordou implicitamente com o mérito. De forma que inexiste direito creditório a ser deferido, ante a definitividade da reconstituição da escrita fiscal levada a efeito no processo de auto de infração. O contribuinte sustenta que deve ser afastada a cobrança de multa de mora incidente sobre os débitos objeto da compensação, em face de ter realizado a denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Por longos anos a Receita Federal e, com algumas exceções, a jurisprudência administrativa, entendia que o instituto da denúncia espontânea era aplicado somente para as multas de caráter punitivo não se aplicando às de caráter moratório. Sem entrar no mérito de um ou de outro entendimento, a verdade é que este assunto foi objeto de decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, art. 543C do CPC, cuja decisão abaixo se transcreve: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 329 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Assim, citada decisão deve ser aplicada no âmbito do processo administrativo por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Considerando então que os débitos do contribuinte estavam declarados em DCTF, e não foram pagos no vencimento, correto está a exigência da multa moratória. Por último, o contribuinte pede que seja incluído no cálculo do seu crédito decorrente do ressarcimento do IPI a incidência da taxa Selic, uma vez que esta mesma taxa incidiu no cálculo dos débitos. Esclareço que, neste caso, não houve oposição ilegítima por parte da RFB para que o contribuinte utilizasse o seu direito ao ressarcimento do IPI. Neste processo o contribuinte apurou o valor de seus créditos de IPI a que se supunha ter direito e apresentou as correspondentes declarações de compensações para extinguir valores devidos a títulos de outros tributos. Portanto, assim que apurou os créditos, compensou com débitos que ficaram suspensos até a homologação da compensação, que neste caso foi parcial, em decorrência do indeferimento de parte dos créditos. Esta ressalva está sendo feita para afastar a aplicação do entendimento do STJ que reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010, quando houvesse demora em face oposição ilegal ao direito do contribuinte. Por outro lado há que se aplicar, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, a regra contida no acórdão proferido no Recurso Especial nº 1035847 RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que afasta a correção monetária sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, segue a ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 330 9 IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃOMONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como o acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, sua observância é obrigatória por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.000565/200346 Acórdão n.º 3301002.621 S3C3T1 Fl. 331 10 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11684.720067/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, a advogado Otácio Battochio, OAB/SP nº. 339.129.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO CDRJ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, a advogado Otácio Battochio, OAB/SP nº. 339.129. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto de Importação – II, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS, que, acrescidos de multa de ofício de 75% e de juros de mora, montam, respectivamente, R$ 4.741.657,95, R$ 2.904.798,68, R$ 2.252.499,02 e R$ 192.647,94, bem como da penalidade isolada prevista no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, no valor de R$ 11.955.369,30. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 84 .7 20 06 7/ 20 13 -6 1 Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.082 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: DOS LANÇAMENTOS Cuida o presente processo de Autos de Infração – AI’s, em desfavor da SEPETIBA TECON S.A. e da COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO – CDRJ (Responsável Solidária), relativos à exação do Imposto de Importação – II (às fls. 4/7), do IPIImportação (às fls 8/11), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Importação (às fls. 12/15), da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP Importação (às fls. 16/19), e seus correspondentes acréscimos legais (Multa de Ofício de 75%), nos valores, respectivamente, de R$ 4.741.657,95, R$ 2.904.798,68, R$ 2.252.499,02, R$ 192.647,94, além da penalidade prevista no § 3º do art. 23, do Decretolei nº 1.455/1976 (às fls. 20/23), no valor de R$ 11.955.369,30, equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias estrangeiras importadas, objeto de perdimento, e mantidas sob guarda e custódia, na condição de Fiel Depositário, em razão de não serem localizadas e/ou extraviadas, constituindose, por ocasião de suas lavraturas, datadas de 21/09/2012, em um crédito tributário no montante total de R$ 22.046.972,89. Na descrição dos fatos e enquadramentos legais (anexo às fls. 3251), a fiscalização faz um relato pormenorizado acerca dessa ação fiscal e dos correspondentes créditos constituídos, bem como suas fundamentações legais, conforme a seguir apresentado em apertada síntese. Inicialmente, informa que em razão de sua nomeação para a presidência da Comissão de Leilão da Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Itaguaí foram realizados os leilões de nºs 01/2011 e 02/2011, assim como os de nºs. 01/2012 e 02/2012. Que na fase de entrega das mercadorias para os arrematantes, ficou evidenciado que o depositário não as entregou em razão de não saber a localização das mesmas, ou seja, as mercadorias foram extraviadas. Como comprovação dos fatos foram juntadas cópias das guias de licitação dos lotes arrematados pelas empresas Pollar Comercial e Importadora Ltda., Bloise Comercial Ltda., Ukipi Têxtil – Indústria, Comércio e Exportação e Premier Comercial Ltda (Anexo I), por serem tais informações de natureza pública e constarem do sítio eletrônico da RFB/Leilões. Que, após ser constatado o extravio de mercadorias em dois leilões, e tendo em vista a necessidade de se realizar outros mais, intimouse o depositário SEPETIBA TECON S/A, doravante denominado apenas DEPOSITÁRIO, a realizar inventário de todas as cargas sob sua guarda, conforme intimações e relação das mercadorias em estoque (Anexo II). Em 02/05/2012, o depositário apresentou o inventário físico dos estoques sob sua guarda, onde ficou demonstrado o extravio de Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.083 3 mercadorias apreendidas objeto de aplicação de penalidade de perdimento de mercadorias, bens da União. (Anexo III). Que, em razão da constatação do extravio, tornouse necessário se decidir se o depositário poderia ser considerado responsável pelo extravio e assim poder figurar no polo passivo dessa autuação. DA RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO De início, faz citações a diversos dispositivos da legislação aduaneira, tais como: artigo 131 e parágrafos do Decretolei nº 37/1966, artigos 660, 662 e 701, do Regulamento Aduaneiro RA (Decreto nº 6.759/2009), inferindo que o depositário é responsável por qualquer extravio de mercadorias, inclusive naquelas operações que antecedem o despacho aduaneiro, ou em razão do despacho, o que alcança também o extravio de mercadorias que foram objeto de aplicação da penalidade de perdimento em regular processo administrativo. Aduz que o instituto jurídico do depositário não é de natureza eminentemente fiscal estando previsto e definido nos artigos 647 e 652 do Código Civil. Sendo que o CTN autoriza o uso dos institutos de outros ramos do direito, sem lhes alterar o significado, conforme está expresso nos seus artigos 109 e 110. E esses institutos autorizadores dão respaldo à responsabilização do depositário pela indenização que devem ao Erário, no caso de extraviarem mercadorias sob sua custódia. Sendo assim, é que o Decretolei nº 1.455/1976, no seu artigo 23, §§ 1º e 3º, estabeleceu a forma de o depositário ressarcir os prejuízos que se originaram com o extravio da mercadoria apreendida que estava em seu poder, tendo em vista ser um interveniente nas operações do comércio exterior, na forma do artigo 71, da Lei n° 10.833/2003, e do artigo 18, § 5º, do citado RA. Que além de ser um interveniente nas operações de comércio exterior, o depositário assumiu o encargo de ser o fiel depositário das mercadorias apreendidas na Alfândega do Porto de Itaguaí, mediante termo, como condição sine qua non, para que ocorresse o alfandegamento do Terminal de Contêineres que o depositário explora sob contrato de arrendamento (Anexo IV), da concessão obtida junto à CDRJ, empresa pública criada para explorar o Porto de Itaguaí. E, por ser o depositário um interveniente nas operações do comércio exterior que explora o Terminal de Contêiner do Porto de Itaguaí, na condição de fiel depositário, e, sendo as mercadorias objeto da presente autuação bens da União, infere que, ocorrendo o extravio das mercadorias apreendidas que estão sob a guarda do depositário, dele será a responsabilidade. Como a lei não elegeu rol exaustivo de responsáveis, nem excluiu o depositário da responsabilidade pelo extravio de cargas importadas sob sua custódia, não há como excluir do depositário a responsabilidade pelo extravio dos bens da União. Sendo esta a razão pela qual ele irá figurar nos presentes Autos de Infração como autuado. Que, além das disposições do Direito Aduaneiro, o depositário está sujeito às normas que estipular com a Administração Pública, Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.084 4 mediante contrato. No presente caso, destaca que não há contrato escrito firmado entre o autuado e a Administração. Relata ainda que o contrato de depósito, bem como as suas obrigações e direitos, decorrem da legislação, na forma de depósito necessário, com a observância dos princípios que regem a matéria, e que as suas cláusulas estão disseminadas nos contratos de arrendamento, no próprio Estatuto Social da SEPETIBA TECON S.A., e nas cláusulas gerais, que decorrem de lei. DA INDENIZAÇÃO AO ERÁRIO Faz citações ao artigo 23, §§ 1º e 3º do Decretolei 1.455/1976 (na redação da Lei nº 10.637/2002) e ao artigo 689, §1º do citado RA (redação original), lembrando que os mesmos dispõem que o extravio de mercadorias apreendidas objeto de pena de perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro. Que a exegese dos dispositivos legais citados leva à conclusão que se deva aplicar a multa ao responsável pela não localização das mercadorias apreendidas, pois há evidente dano ao Erário. E que a lei não nomeou quem seriam os responsáveis pela não localização em lista exaustiva, mas deixou o rol inominado, o que se permite dizer que será qualquer um que der causa ao extravio da carga. E assim, para todas as mercadorias que tiveram o extravio configurado em guia de licitação ou em resposta à intimação e estavam sob a guarda do depositário, como comprovam as cópias das guias de licitação e as folhas de rosto dos autos de infração, anexados ao presente processo, onde se registra o termo de recebimento das mercadorias pelo depositário, na relação de mercadorias (ANEXO V) e na resposta do depositário. Que, desse modo, se o depositário as extraviou, é dele a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e acréscimos legais. Portanto, considera devido o Imposto sobre a Importação, o Imposto sobre os Produtos Industrializados Importação, a COFINS Importação e o PIS/PASEPImportação, na norma dos artigos 72, § 1º; 238, § 1º; e 251, § 1º, todos do RA, por se considerar ocorrido o fato gerador de tais tributos, em caso de extravio sob a guarda do depositário. E em razão do lançamento de ofício dos tributos, entende também cabível a multa de 75%, prevista no art. 725, inciso I, do referido RA. Aduz ainda que a responsabilidade por indenizar a União pelo extravio de mercadoria importada sob a guarda do depositário é do tipo objetiva, ou seja, independe de culpa, conforme artigo 660, do RA, c/c o artigo 136, do CTN. E que as mercadorias foram apreendidas pela RFB e ao arrepio da legislação aduaneira foram internalizadas na economia nacional sem o cumprimento dos gravames aduaneiros, pecuniários ou de controle. Para exemplificar, expressa que mercadorias contrafeitas introduzidas na economia brasileira ao arrepio da lei (ver fl. 40), e que estavam sob a custódia do depositário, enseja ao depositário o dever de indenizar a União pelo extravio, cabendolhe a aplicação da multa equivalente ao valor das mercadorias depositadas, mais os tributos (II, IPI Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.085 5 Importação, COFINSImportação e PIS/PASEPImportação) e a multa de 75%. Outrossim, faz uso, por analogia, da Nota Cosit nº 115/2004, por entender que a mesma orienta a fiscalização em casos semelhantes ao presente e que o fato jurídico relevante é o extravio de mercadoria apreendida (bens da União) em posse do depositário e não as causas que ensejaram o perdimento. No mais, averba que deixou de promover o ato de vistoria aduaneira para verificar a existência de extravio (ver fl. 46), apesar de previsto no item 4 dessa Nota Cosit nº 115/2004, por ser totalmente desnecessário, vez que o extravio foi constatado pelos próprios licitantes quando da retirada das mercadorias junto ao depositário, o que ficou comprovado nas guias de licitação, inclusive, reconhecido pelo depositário, bem como por inventário realizado pelo depositário em razão de intimação fiscal, o que serve de instrumentalização para o ato de vistoria. Averba ainda que o montante do ressarcimento seguirá o disposto nos itens 4.6 e 5.2 e seguintes da supracitada Nota, mas que deixará de aplicar a multa prevista no item 4.5, cuja capitulação legal é o artigo 107, inciso VII, “a”, e seu §2º, do Decretolei 37/1966, por considerar essa aplicação bis in idem em relação à multa prevista no artigo 689, §1º, do RA. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A fiscalização considera a COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO – CDRJ, responsável solidária pelas infrações cometidas pelo depositário, com fulcro nos artigos 673 e 674, inciso I, do RA, por não ter cumprido sua obrigação de fiscalizar as operações portuárias realizadas pela arrendatária, conforme previsto em estatuto (artigo 4º, inciso I, e §1º incisos I e II) e no contrato CDPJUR nº 69/98 (cláusula décima sétima e vigésima segunda, I e IV, do contrato de arrendamento, por exemplo), como também pelo fato de a CDRJ ter firmado termo de fiel depositário no processo de alfandegamento do Porto de Itaguaí, sendo sua responsabilidade solidária objetiva pelas infrações cometidas pela arrendatária e conforme artigo 673 do RA a responsabilidade por infrações também se dá nos casos de omissão, mesmo involuntária. DOS ANEXOS Consta, à fl. 31, Catálogo de Elementos Informativos e Provas, fazendo referência a todos os elementos de provas dessas autuações, contendo, por exemplo: (i) portarias de constituição da comissão de leilão; (ii) intimações; (iii) petições de licitantes; (iv) relação de mercadorias extraviadas; (v) inventário; (vi) termo de fiel depositário; (vii) despacho; (viii) atos de alfandegamento; (ix) estatuto social; (x) contrato de arrendamento; (xi) cópias de folhas de rosto dos AITAGF etc, bem como demonstrativos do valor das mercadorias extraviadas e da apuração dos tributos. Em 09/10/2012, a SEPETIBA TECON S.A. e a COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO – CDRJ (Responsável Solidária) foram Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.086 6 cientificadas das autuações, pela via pessoal, respectivamente, através de Mariana Liu (Advogada) pela SEPETIBA e Alexandre das Neves Pereira (Superintendente) pela CDRJ, conforme consta dos autos às fls. 2530. DAS IMPUGNAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO DA SEPETIBA A SEPETIBA TECON S.A., irresignada com a autuação, subscrita por procurador (a) constituído (a), protocolizou Peça Impugnativa, em 07/11/2012 (às fls. 686711), e anexos (às fls. 712756), alegando, em síntese, conforme a seguir. Dos Fatos ∙ Que a impugnação é tempestiva; ∙ Que a autuação contempla exações relativas a II, IPIImportação, CofinsImportação e PIS/PASEP Importação, além de multa regulamentar, sendo todas insubsistentes, conforme demonstrará; Da Inexistência de Descrição Clara e Precisa dos Fatos ∙ Que a autuação infringe o inciso III do artigo 39 do Decreto nº 7.574/2011, pois restou impossível se saber, somente com as escassas informações trazidas no presente Auto de Infração, no que concerne o motivo para a decretação da pena de perdimento das mercadorias, quais dos produtos teriam sido abandonados em recinto alfandegado e quais deles teriam sido apreendidos por contrafação; ∙ Que essa informação é de suma importância ao bom exercício do seu direito de defesa, isso porque, no caso de as mercadorias terem sido apreendidas e contra elas decretada a pena de perdimento por contrafação, o que acredita ter acontecido com quase a totalidade delas, a Secretaria da Receita Federal do Brasil teria agido em desconformidade com as normas vigentes, posto que essas mesmas mercadorias deveriam ter sido, desde então, destruídas e não levadas a leilão como o foram. Essa distinção ressaltese, é extremamente relevante, vez que sobre mercadorias contrafeitas, destruídas pela fiscalização, não incidem quaisquer tributos; ∙ Se para a conversão da pena de perdimento em multa, o fato jurídico relevante, segundo o que alega a Fiscalização, seria tão somente o extravio de mercadoria em posse do depositário e não se o perdimento teria se dado por abandono ou outro motivo, fato é que para a incidência de tributos na hipótese a causa da origem do perdimento é imprescindível; ∙ Que o procedimento realizado contraria, data venia, a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal, assim como a própria Constituição Republicana, evidenciandose sua nulidade de pleno direito, posto que desprovido de requisito essencial para sua validade, devendo ser considerada essa autuação insubsistente por padecer de irregularidade; Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.087 7 ∙ Cita jurisprudência administrativa do CARF no sentido de declarar a nulidade do lançamento quando desprovido da descrição clara e precisa dos fatos; Da Inexistência de Dano ao Erário ∙ Cita diversos dispositivos acerca da obrigatoriedade da aplicação do perdimento e da inutilização de produtos falsificados ou contrafeitos (artigos 605 e 689, inciso VII, do RA; artigo 103, § 3º da Lei nº 4.502/1964; artigo 536 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI); artigos 1º e 2º, III, “e”, da Portaria MF nº 282/2011, dentre outros); ∙ Que o procedimento adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando determinou que as mercadorias fossem leiloadas, infringiu por completo o ordenamento jurídico pátrio; ∙ Que, partindose da premissa de que as mercadorias, em verdade, deveriam ter sido destruídas, não há que se falar em incidência de tributos, tampouco em indenização ao erário, posto não ter havido qualquer dano passível de reparação. Nesse sentido regem as normas que disciplinam a cobrança dos tributos de importação; ∙ Que constitui caso de não incidência do II a entrada de mercadoria avariada, que não se preste ao fim para o qual foi importada, e que seja destruída sob controle aduaneiro (artigo 1º, § 4º do Decretolei nº 37/1966); ∙ Com base nesse raciocínio, as mercadorias estrangeiras apreendidas por contrafação teriam que ser destruídas. Assim, concluise que prejuízo algum sofreu o erário pelo extravio das mesmas, o que, por conseguinte, afasta a aplicação da multa pecuniária para fins de indenização. Em não havendo dano, não há o que ser indenizado; ∙ Que, diante desta linha de raciocínio, resta claro que o Auto de Infração em apreço é totalmente improcedente, devendo ser cancelado, desde já, em razão da inaplicabilidade dos dispositivos legais que o embasam, ante a ausência de dano ao Erário passível de indenização; ∙ Ademais, ainda que assim não o fosse, nos termos dos dispositivos acima mencionados, é absolutamente improcedente a cobrança dos tributos incidentes na importação em casos como o presente, em que houve ou deveria haver o descarte das mercadorias apreendidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; Da Impossibilidade da Conversão da Pena de Perdimento em Multa ∙ Conforme se depreende do artigo 689, § 1º do RA, a multa deveria ter sido aplicada àquele que promoveu a importação e abandonou as mercadorias ou importou produtos falsificados , portanto, a quem deu causa ao dano ao Erário (artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976); ∙ A cominação capitaneada pelo artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976 não é aplicável à impugnante, por ser esta mera responsável pelo depósito das mercadorias apreendidas; ∙ Cita jurisprudência administrativa da DRJ e CARF; Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.088 8 ∙ Ressalta que as mercadorias objeto do presente processo administrativo já tinham sido alvo da aplicação de pena de perdimento, razão pela qual estariam sob responsabilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a quem cabe dar destinação às mercadorias que se encontram nessa situação jurídica; ∙ Não pode a impugnante ser responsabilizada por furtos ou situações do gênero, o que lhe impõe autuações de valores que, somados, tendem a inviabilizar a sua operação (equilíbrio econômicofinanceiro do contrato), eis que impossível suportar a aplicação de multas elevadas pelo desaparecimento de produtos (mercadorias falsificadas, inclusive) que estão sob a verdadeira guarda da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo em vista as apreensões e penas de perdimento aplicadas; ∙ No caso do perdimento, há a expropriação do bem, antes da propriedade do importador, de forma que o bem passa ao domínio do Fisco, sendo este o verdadeiro responsável por eles, não cabendo a responsabilidade da impugnante; ∙ A título de argumentação, caso tivesse realmente havido dano ao Erário e, ainda, se se levar em consideração que as mercadorias falsificadas apreendidas não devessem ser destruídas mas sim leiloadas, como fez a Fiscalização, mais uma vez não haveria que se falar em aplicação de multa pecuniária; ∙ Se a impugnante está imbuída na qualidade de responsável o que, admitese apenas por amor à dialética, vêse que ela terá como obrigação pelo extravio da mercadoria apenas o pagamento dos tributos que em decorrência daquele fato deixaram de ser recolhidos. Nesse ponto, faz referência ao artigo 60 do Decretolei nº 37/1966 e artigo 660 do RA (na redação original), bem como a jurisprudência do CARF; Da Impossibilidade de Cobrança da Multa de Ofício ∙ Na hipótese tratada não é cabível a multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, pois não se confunde com a mera falta de pagamento; ∙ No caso em tela, a obrigação do pagamento só surgiu no momento da lavratura do Auto de Infração, pelo que a impugnante, até então, não estava obrigada a solvêla em data anterior; ∙ Assim, se não há descumprimento da obrigação, evidentemente, não há que se falar em penalidade; ∙ Cita jurisprudência administrativa do CARF; Da Impossibilidade de Incidir Juros de Mora sobre a Multa de Ofício ∙ Pelo princípio da eventualidade, acaso se entenda pela aplicabilidade da multa de ofício ao caso em concreto, o que não se espera, não deverão incidir juros de mora sobre essa multa, por ausência de previsão legal para tanto; Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.089 9 ∙ Para o deslinde da questão de direito objeto deste tópico, necessário frisar o óbvio, ou seja, que tributo não é a mesma coisa que multa, pois têm naturezas jurídicas diversas (artigo 3º do CTN); ∙ Após tecer breve histórico acerca da legislação pertinente, averba que no âmbito dos tributos administrados pela RFB, a legislação em vigor desde 1995 não autoriza a exigência de juros de mora sobre multa de ofício, salvo aquela prevista no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996, que não é hipótese que se subsume ao caso presente; ∙ Assim, sem prejudicar a discussão do mérito dos débitos em análise, requer o cancelamento do crédito tributário concernente à incidência dos juros de mora que se fez incidir sobre a multa de ofício; Da Conclusão Infere que o lançamento não merece subsistir pelos seguintes motivos: 1. Inexistência de dano ao Erário, vez que as mercadorias contrafeitas deveriam ter sido destruídas pela RFB e não destinadas à leilão e com isso não haveria incidência de tributos sobre mercadorias destruídas; 2. Impossibilidade da conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro contra a autuada, eis que esta não deu causa ao dano ao Erário, seja pelo abandono pelo importador, seja pela importação de produtos contrafeitos; 3. Subsidiariamente, acaso não se entenda pelo afastamento da multa aplicada, o que não se espera, a autuada seria responsável apenas pelo pagamento dos tributos incidentes na importação, conforme art. 60 do Decretolei nº 37/1966; 4. Inaplicabilidade da multa de ofício de 75% ao caso, eis que a obrigação só surgiu no momento da lavratura do Auto de Infração, pelo que a autuada, até então, não estava obrigada a solvêla em data anterior, e se não há descumprimento de obrigação, não há falar em imposição de penalidade; 5. Ainda subsidiariamente, impossibilidade da aplicação de juros moratórios sobre a multa de ofício, ante a inexistência de previsão legal; Do Pedido Diante do exposto, requer seja julgado integralmente improcedente o Auto de Infração ora impugnado, cancelandose, por conseguinte, o crédito tributário a ele vinculado. DA IMPUGNAÇÃO DA CDRJ A COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO CDRJ, irresignada com a autuação, subscrita por procurador (a) constituído (a), protocolizou Peça Impugnativa, em 14/11/2012 (às fls. 757760), e anexos (às fls. 761810), alegando, em síntese, conforme a seguir. Dos Fatos Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.090 10 ∙ Que havendo sido notificada em 13/06/2011 vem no prazo legal apresentar sua impugnação; ∙ Que recebeu a autuação em epígrafe, enquadrada no artigo 131, §§1º e 2º, do Decretolei nº 37/1966, por ser responsável solidária junto à arrendatária SEPETIBA TECON S.A., pelo perdimento de mercadoria depositada em armazém arrendado por esta última; ∙ Que a autoridade aduaneira alega que a solidariedade se deu em razão da ocorrência das cláusulas de nºs 17ª, 21ª, 22ª, 23ª, 28ª e 29ª do Contrato CSUPJUR nº 69/98, que impuseram responsabilidade à mesma em fiscalizar as operações da arrendatária, além das disposições estatutárias que atribuem dentre suas funções, a de fiscalizar as operações portuárias; Do Direito ∙ Que a SEPETIBA no papel de delegatária de serviço público possui inteira responsabilidade objetiva por eventos danosos cometidos. Já em relação à recorrente, pelo descumprimento de seu dever legal e contratual de fiscalizar as operações contratadas, haveria uma falta de serviço ou uma omissão, da qual se depreende uma responsabilidade subjetiva, já consagrada doutrinária e jurisprudencialmente, donde é mister que o dolo e/ou culpa do ente administrativo sejam comprovados; ∙ Que a autuação se limita a mencionar cláusulas contratuais que imputam a recorrente obrigação de fiscalizar, o que em nada comprova sua culpa, uma vez que a simples menção a um dispositivo contratual apenas denota uma obrigação avençada na relação contratual, e não que a recorrente foi negligente na sua obrigação de fiscalizar; ∙ O mesmo pode ser dito a respeito das relações e inventários acostados como anexos, visto que foram apresentados à autoridade aduaneira mediante intimação desta, nada garantindo que tenham sido esses mesmos relatórios entregues à recorrente; ∙ Que as obrigações legal e contratual na fiscalização do contrato diz respeito às atividades operacionais do arrendamento, não tendo ela que assumir obrigações fiscais, nem de verificar se cargas dadas como perdidas ainda se encontravam em armazém arrendado; ∙ Não se pode olvidar que o Contrato em pauta é um contrato administrativo que se subsume à Lei nº 8.666/1993, a qual atribui responsabilidade pelo pagamento de encargos trabalhistas, fiscais e comerciais exclusivamente ao contratado (artigo 71, § 1º da Lei nº 8.666/1993); ∙ Que este dispositivo foi considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF; ∙ Que esse mesmo posicionamento consta da cláusula 21ª do Contrato; Do Pedido Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.091 11 Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e a improcedência da autuação, requer o acolhimento dessa impugnação e o cancelamento do feito. Eis um breve relato. DA INFORMAÇÃO FISCAL TRAZIDA A POSTERIORI Consta, às fls. 811812, informação da fiscalização, datada de 14/12/2012, apensada aos autos após a apresentação da impugnação, conforme a seguir reproduzida. PROCESSO N.: 11684.721097/201212 INTERESSADO: Sepetiba Tecon S/A 1. Declaro, para todas as finalidades legais, e sob pena de responsabilidade, que entreguei todos os anexos citados no Auto de Infração, controlado por este processo, à autuada, na pessoa da chefe do departamento jurídico, advogada Mariana Cristina Liu, CPF nº 175.562.80802, que, na condição de representante da autuada e advogada, conferiu e recebeu cada anexo na sala de reuniões situada no prédio da autuada. 2. Declaro também que foram identificados como anexos ao auto de infração as seguintes peças: a Descrição dos fatos, enquadramento legal e planilha de cálculo, termos, demonstrativos, anexos e documentos citados no auto de infração do Imposto de Importação (folha 6); b Descrição dos fatos, enquadramento legal e planilha de cálculo, termos, demonstrativos, anexos e documentos citados no auto de infração do imposto sobre Produtos Industrializados (folha 10); c Descrição dos fatos, enquadramento legal e planilha de cálculo, termos, demonstrativos, anexos e documentos citados no auto de infração da CofinsImportação (folha 14); d Descrição dos fatos, enquadramento legal e planilha de cálculo, termos, demonstrativos, anexos e documentos citados no auto de infração do PIS/PASEPImportação (folha 18); e Descrição dos fatos, enquadramento legal e planilha de cálculo, termos, demonstrativos, anexos e documentos citados no auto de infração da multa isolada (folha 22); 3. Os termos de recebimento do auto de infração, e seus anexos, constam das folhas nº 646 a 651, onde aparece, de forma inequívoca, a seguinte declaração: “Declarome ciente deste Auto de Infração e seus anexos, dos quais recebi cópia”, com identificação e carimbo da signatária, representante e advogada da autuada. 4. Declaro, adicionalmente, que em nenhum lugar do auto de infração, ou de seus anexos, fezse menção a leilões de mercadorias contrafeitas. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.092 12 5. As obrigações do advogado estão expressas no Estatuto da Ordem do Advogados, Lei nº 8.906/94, principalmente no art. 34, define que o advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo ou culpa. O advogado deve, também, cumprir rigorosamente o Código de Ética e Disciplina, como manda o art. 33 do mesmo Estatuto. Conforme se vê nas folhas 646 a 651 deste processo, a descrição dos fatos, o enquadramento legal e os demonstrativos foram recebidos pelo advogado. Talvez, por descuido, tais documentos não foram entregues ao escritório de advocacia que patrocina a impugnação do autuado. 6 Entre os deveres do advogado, estatuído no art. 2º, do Código de Ética e Disciplina da OAB, estão a preservação da conduta, honra, nobreza, dignidade reputação, honestidade, boafé, lealdade e dignidade, sob pena de violar princípios e normas éticas profissionais. Talvez, na presença de alguma dúvida, seja o caso de se consultar o advogado que representa a autuada e o advogado que patrocina a causa a fim de dirimir o que ocorreu com os citados anexos. DO TERMO DE RESSALVA Consta, à fl. 813, para fins dos devidos efeitos legais e regulamentares, Termo de Ressalva, datado de 07/02/2013, lavrado pela Seção de Arrecadação e Cobrança da Alfândega do Porto de Itaguaí, pelo qual, em caráter de ressalva, expressa o cancelamento do processo nº 11684.721097/201212 e sua concomitante substituição pelo processo nº 11684.720067/201361, mantendose integralmente a documentação juntada aos autos, observandose, no que couber, todas as peças processuais, petições, impugnações e outros documentos, que passam a constar com o número de registro do novo processo. DA DILIGÊNCIA Em 25/06/2013, o julgamento foi convertido em diligência, conforme excerto da Resolução abaixo transcrito. Vejase: No tocante à impugnação perpetrada pela SEPETIBA TECON S.A., estou que a mesma foi apresentada tempestivamente e por parte legítima, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, com esteio no princípio do formalismo moderado, norteador do processo administrativo fiscal PAF, dela TOMO CONHECIMENTO. Já em relação à defesa feita pela COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO – CDRJ (Responsável Solidário), restou demonstrado nos autos que, apesar de a ciência das autuações ter se dado em 09/10/2012, na pessoa de Alexandre das Neves Pereira (Superintendente), tão somente, em 14/11/2012, ou seja, após o decurso do trintídio legal, que a Peça Impugnativa foi protocolizada, sendo assim, INTEMPESTIVA. Desse modo, não obstante apresentada por parte legítima, tal defesa deixou de atender requisito essencial para sua admissibilidade, razão pela qual, dela NÃO TOMO CONHECIMENTO, incorrendo sobre essa autuada os efeitos da Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.093 13 revelia, observandose, contudo, o disposto pelo art. 7º, caput, da Portaria nº 2.284/2010. Pois bem. Examinando de forma percuciente os autos, tenho que, não me parece razoável o fato de a fiscalização, por sponte sua, e sem comprovar a correspondente cientificação, vir em momento posterior ao da apresentação da impugnação, manifestarse de forma isolada, mormente, quanto à matéria constante da Peça Impugnativa, a qual, na visão da defendente (SEPETIBA TECON S.A.), foi considerada relevante para o desenvolvimento de sua tese defensória. Dessarte, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, e com fulcro nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, e no art. 8º, caput, da Portaria nº 2.284/2010, VOTO PELA CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam adotadas, pela unidade de origem, as providências a seguir: a) dar ciência, de forma exclusiva, à impugnante SEPETIBA TECON S.A., de cópia da informação fiscal constante às fls. 811812; b) dar ciência, de forma exclusiva, à impugnante SEPETIBA TECON S.A., de cópia do TERMO DE RESSALVA constante à fl. 813; c) apensar aos autos, demais documentos e/ou esclarecimentos que considere necessários à instrução e julgamento do feito; d) outrossim, de forma exclusiva, cientificar à impugnante SEPETIBA TECON S.A., acerca do teor da presente Resolução (fornecendolhe cópia), bem como de qualquer outra informação ou documentação referente à instrução e julgamento do feito que porventura venha a ser apensada aos autos pela fiscalização, assegurandolhe o prazo de trinta dias para sua eventual manifestação, a qual, por sua vez, deverá tratar exclusivamente da matéria trazida pela informação trazida às fls. 811812, do TERMO DE RESSALVA (à fl. 813), bem como contida em informação ou documentação porventura apensada pela fiscalização, por ocasião dessa diligência, objetivando, dessa forma, atender o contraditório e o amplo direito de defesa. DO CUMPRIMENTO DA DILIGÊNCIA A fiscalização deu cumprimento à diligência, conforme assinatura de representante da impugnante aposta em sua Intimação (à fl. 829), em 09/07/2013. DA MANIFESTAÇÃO DA IMPUGNANTE Às fls. 830833, consta manifestação da impugnante assinada por procurador devidamente constituído, recebida em 09/08/2013, porém enviada (postada nos Correios) em 08/08/2013 (às fls 852853), na qual se reiteram todos os pontos constantes de sua impugnação, com ênfase na preliminar de pecha na descrição dos fatos, alegando a título ilustrativo não ser possível se aferir quais dos produtos sujeitos ao perdimento foram abandonados no recinto alfandegário e quais foram apreendidos em razão da contrafação, fato a seu ver imprescindível à ampla defesa, ensejando a nulidade do lançamento. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.094 14 A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 0828.112, de 05/12/2013 (fls. 855 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/09/2012 SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. REVELIA. EFEITOS. A apresentação intempestiva da impugnação por parte do sujeito passivo solidário acarreta o seu não conhecimento pelo órgão julgador, e, por consequência, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram tempestivamente o lançamento. Todavia, em havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestivamente apresentada por um dos autuados e conhecida pelo órgão julgador suspende a exigibilidade do crédito tributário no tocante aos demais. ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei, devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/09/2012 EXTRAVIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA CONTRA DEPOSITÁRIO. Na impossibilidade de localização de mercadoria à qual tenha sido aplicada a pena de perdimento, e esteja sob custódia de depositário, este responde pela multa substitutiva prevista no art. 23, §3°, do Decretolei nº 1.455/1976. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/09/2012 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. COFINSIMPORTAÇÃO. PIS / PASEP / IMPORTAÇÃO. FATOS GERADORES. OCORRÊNCIA. EXTRAVIO DE MERCADORIA. Para efeito de ocorrência dos fatos geradores relativos aos tributos e contribuições incidentes na importação, considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como importada e cujo extravio haja sido apurado pela autoridade fiscal. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.095 15 EXTRAVIO DE MERCADORIA. MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO. Em caso de extravio de mercadoria constante de manifesto ou documento equivalente, considerase ocorrido o fato gerador na data do lançamento do correspondente crédito tributário, razão pela qual não se aplicam, nessa ocasião, as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e art. 80 da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, por não estarem configuradas, até a mencionada data, as hipóteses de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 917/946, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. A apontada responsável solidária, a COMPANHIA DOCAS DO RIO DE JANEIRO – CDRJ, apresentou Pedido de Revisão de fls. 977/988. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Após a apresentação de seu recurso voluntário, a Recorrente apresentou a petição de fl. 966/967, por meio do qual informa ter aderido a parcelamento dos débitos lançados e informa que “irá proceder à renúncia de todas alegações de fato e de direito que fundamentaram a sua pretensão e a desistência de todo e qualquer pedido que tenha por objeto a anulação total ou parcial do presente crédito tributário”. Adverte, contudo, que “a desistência só deverá operar com a consolidação do parcelamento com a inclusão do referido crédito tributário objeto deste processo”. Ocorre que o art. 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 2013, que reabriu o prazo para pagamento e parcelamento de débitos junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, dispõe que a desistência do recurso deve se dar de forma irrevogável, assim como expressa deve ser a renúncia quaisquer alegações de direito: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. (g.n.) Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11684.720067/201361 Resolução nº 3202000.321 S3C2T2 Fl. 1.096 16 No caso em tela, isso não ocorreu, uma vez que a desistência/renúncia foi condicionada à regular inclusão no parcelamento. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem informe se a Recorrente foi incluída no parcelamento de que trata a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 2013. Encerrada a diligência, os autos devem retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.003509/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVEM SER ACOLHIDOS OS EMBARGOS QUANDO EXISTENTE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para explicitar os termos da decisão embargada e sua aplicação, tendo em vista a existência de omissão, sem alteração no resultado do julgamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CONDIÇÃO DE PROCURADOR.
A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro não titular da conta quando restar comprovado por indícios veementes e convincentes que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem efetivamente a tal terceiro e não ao titular da conta.
Numero da decisão: 2201-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 2201-002.329, de 19/02/2014. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados nas contas nºs 45200483, do Merchants Bank of New York e 710103, do Audi Bank. Vencidos os Conselheiros FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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DEVEM SER ACOLHIDOS OS EMBARGOS QUANDO EXISTENTE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para explicitar os termos da decisão embargada e sua aplicação, tendo em vista a existência de omissão, sem alteração no resultado do julgamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CONDIÇÃO DE PROCURADOR. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro não titular da conta quando restar comprovado por indícios veementes e convincentes que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem efetivamente a tal terceiro e não ao titular da conta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 2201002.329, de 19/02/2014. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados nas contas nºs 45200483, do Merchants Bank of New York e 710103, do Audi Bank. Vencidos os Conselheiros FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 09 /2 00 7- 17 Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 2201002.329 de lavra do I. Conselheiro Odmir Fernandes. O Embargante sustenta que o acórdão foi omisso em relação (i) ao pedido de exclusão dos depósitos bancários de valores inferiores a R$ 12.000,00 e não superiores a R$ 80.000,00, em que deixou de analisar a aplicação de tais limites em bases mensais, (ii) ao pedido de reconhecimento da ilegalidade da autuação com base exclusivamente em extratos bancários, e (iii) à alegação de que a movimentação bancária pertencia a terceiros, sendo o contribuinte parte ilegítima no presente lançamento. Os embargos foram admitidos pela I. Presidente desta Turma após a prestação de informações por este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad – Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando aclarar supostas omissões do acórdão nº 2201002.329, de lavra do I. Conselheiro Odmir Fernandes. Passo a examinálas. Exclusão de depósitos bancários inferiores a R$ 12.000,00 e não superiores a R$ 80.000,00 Examinando as razões de recurso voluntário verifico que o Embargante expressamente pleiteou a exclusão do lançamento dos depósitos bancários inferiores ao valor de R$ 12.000,00 e não superiores ao montante de R$ 80.000,00, aplicandose tais limites em bases mensais. Sustentou o Embargante em seu recurso voluntário, verbis: Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.003509/200717 Acórdão n.º 2201002.581 S2C2T1 Fl. 845 3 “5.1. Como se verifica, ao contrário do que concluiu a r. decisão recorrida, o limite de apuração das receitas só pode ser o período mensal pois, como já se demonstrou na argüição da decadência, o regime de tributação, a que está sujeito o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, é o de Caixa, o que significa que o IMPOSTO PASSOU A SER DEVIDO MENSALMENTE NO MOMENTO DA PERCEPÇÃO DO RENDIMENTO, sem qualquer intervenção fiscal, desvinculandose o prazo do pagamento do imposto com a entrega de declaração de rendimentos, o que qualifica o referido regime de lançamento por homologação.” O acórdão embargado, analisando o requerimento do Embargante de cancelamento do lançamento em questão, não acatou tal requerimento ante a suposta ausência de identificação dos valores impugnados, conforme se verifica da transcrição abaixo: “Com relação à exclusão dos valores inferiores a R$ 12.000,00 e não superiores a R$ 80.000,00, reclamados pelo Recorrente, consta que a decisão recorrida fez a exclusão de algumas parcelas inferiores a esses limites. Nas razões de recurso o Recorrente não indica e nem explica quais seriam as parcelas que eventualmente deixaram de ser excluídas pela decisão a quo, de forma que sem essa demonstração clara e precisa de qual seria a falta de exclusão das parcelas, não vemos não haver qualquer reparo na decisão recorrida.” Entendo que o acórdão embargado foi omisso nesse ponto, devendo, portanto, ser devidamente aclarado. O inciso II do parágrafo 3o do artigo 42 da Lei 9.430\1996 é claro em fazer referência à aplicação dos limites de R$ 12.000,00 por depósito e de R$ 80.000,00 por ano calendário, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Não há, assim, como aceitar que tais limites devam ser computados em bases mensais, não tendo tal leitura amparo no ordenamento. Logo, em relação a este tópico, os embargos devem ser acolhidos para que o acórdão seja aclarado sem qualquer modificação no resultado do julgamento. Ilegalidade do lançamento Verifico, ainda, a existência de outra omissão no v. acórdão, em relação à alegação de ilegalidade do lançamento efetuado somente com base nos extratos bancários. Examinando as razões de recurso verifico que o Embargante expressamente suscitou tal ilegalidade, tendo, inclusive, o I. Relator informado tal ponto em seu relatório. O voto condutor do acórdão, no entanto, deixou de se pronunciar sobre tal tema. Como se sabe a presunção de omissão de rendimentos relativa a depósitos bancários sem origem comprovada encontra previsão legal no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações e acréscimos introduzidos pelas Leis nº 9.481, de 1997 e nº 10.637, de 2002. Com base em tais dispositivos verificase que a fiscalização está devidamente autorizada a presumir a omissão de rendimentos pelo contribuinte caso este, instado a comprovar a origem de depósitos bancários, não o faça. Claro está, portanto, que a regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.340, de 1996 trata de presunção legal do tipo juris tantum, invertendo o ônus da prova relativamente à suposta omissão de rendimentos, cabendo à autoridade fiscal provar a existência dos depósitos bancários e, ao contribuinte, o ônus de demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Assim, na prática, identificada pela autoridade fiscal a existência de depósitos bancários que possam configurar omissão de rendimentos, por força do supra mencionado dispositivo legal invertese o ônus da prova cabendo ao contribuinte comprovar a origem desses depósitos. A jurisprudência uníssona deste colegiado inspirou a edição da Súmula CARF nº 26, segundo a qual “a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Destarte, não acolho tal alegação. Ilegitimidade passiva O Embargante sustenta, por fim, que o acórdão foi omisso em relação à alegação de que a movimentação bancária pertencia a terceiros, sendo o contribuinte parte ilegítima no presente lançamento. A alegação de ilegitimidade foi tangencialmente enfrentada pelo acórdão embargado, conforme trecho abaixo transcrito: “Em relação a alegação de ilegitimidade passiva do autuado, erro de fato do lançamento do IR sobre rendimentos de terceiro, e de não ser o beneficiário Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.003509/200717 Acórdão n.º 2201002.581 S2C2T1 Fl. 846 5 das supostas contas mantidas no exterior, o Relatório de Fiscalização a fls. 947, explica: “Assim, o valor dos rendimentos omitidos provenientes dos créditos de origem não comprovada, na conta conjunta n° 45200483 no Merchants Bank of New York e na conta ° 710103 mantida no Audi Bank foi imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos omitidos pela quantidade de titulares. (§ 6° do art. 42, da Lei 9.430/96, acrescido pelo art. 58 da Lei 10.637/02). “ O Recorrente não contraria essas informações e o demonstrativo de fls. 948, elaborado pela fiscalização, nos dá conta que, embora a conta bancários existente no exterior seja conjunta, não houve a exigência sobre totalidade dos depósitos bancários, mas apenas de 50% dos valores depositados, por se tratar de conta conjunta. Assim, não há ilegalidade, erro de fato ou do sujeito passivo.” Ocorre que o Embargante, em suas razões de recurso voluntário, suscitou (i) que os elementos de prova trazidos aos autos não poderiam ser utilizados para fins do presente lançamento posto que sua utilização era vedada pelo Acordo Internacional de Cooperação firmado entre o Brasil e os Estados Unidos e (ii) que a titularidade da conta corrente era empresa “Chettiar Business” sem que tivesse havido prova de que o beneficiário efetivo fosse o contribuinte. Como o acórdão embargado deixou de se pronunciar sobre dois pontos relevantes entendo existente a omissão, razão pela qual passo a analisar tais questões. Quanto ao primeiro ponto, o Embargante sustenta que a utilização das informações no presente processo dependeria de expresso consentimento do estado responsável pelo fornecimento dessas informações nos termos do artigo 7.1 do Acordo Internacional de Cooperação firmado entre o Brasil e os Estados Unidos da América. Verifico, no entanto, que as informações foram devidamente encaminhadas às autoridades fiscais pelo MM. Juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba (fls. 449), por meio do Ofício nº 173/2005GJ (proferido nos autos do Processo nº 2005.70000089254), sendo que o próprio ofício autoriza a utilização das informações para fins de instrução de ações fiscais, in verbis: “O referido material poderá instruir ações fiscais em relação aos contribuintes identificados a partir de transações das contas, bem como em relação ao próprio controlador da conta.” Assim entendo que a autoridade fiscal estava devidamente autorizada a utilizar tais informações para fins de apuração de eventual crédito tributário. Por outro lado o acórdão embargado também foi omisso no tocante à alegação de sendo titular da conta a empresa “Chettiar Business” o lançamento em face do contribuinte dependeria de prova de que ele era o efetivo titular da movimentação financeira. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Examinando os autos verifico que o Embargante foi considerado como o efetivo beneficiário da movimentação bancária no exterior efetuada nas contas denominadas “Chettiar Business” e “Crescent City”, sendo que sua inclusão no polo passivo do presente lançamento decorre do disposto no parágrafo 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Transcrevo, a seguir, a fundamentação utilizada pela autoridade fiscal para imputar ao Embargante a titularidade da movimentação verificadas nas referidas contas, verbis: “Analisadas as respostas dos responsáveis pelas contas Chettiar Business e Crescent City, constatamos o que segue: · Que embora tenhamos fornecido ao fiscalizado cópia de toda a documentação, por ele solicitada, que embasou a ação fiscal, o mesmo continuou a afirmar que desconhecia totalmente os elementos nos quais a fiscalização se baseou para deduzir a sua suposta responsabilidade. Dentre os documentos fornecidos estão as relações de Ordens Recebidas da conta Chettiar Business, os extratos bancários da conta Crescent City, cartão assinatura e documentação cadastral e operacional da conta. Cabe ressaltar que nestas documentações, constam as assinaturas do fiscalizado e do Sr. Fernando, como responsáveis pelas contas, assinaturas estas semelhantes as do passaporte (fls. 476 e 477); · Por sua vez, o outro titular, Sr. Fernando, informou que ambos eram procuradores da empresa Chettiar Business. Contudo, não consta da documentação apresenta pelo Merchants Bank e pelo Audi Bank, nenhuma procuração outorgada ao Sr. Joacyr e ao Sr. Fernando para que pudessem movimentar a conta. No curso da ação fiscal, essa procuração também não foi apresentada pelo fiscalizado e nem pelo Sr. Fernando. Cabe ressaltar que no depoimento do fiscalizado na 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba às fls. 454, ao ser interrogado sobre a conta Chettiar, declara ser executivo da mesma. · Diante do volume de recursos movimentados, é de se estranhar que a empresa desse amplos poderes aos procuradores sem qualquer garantia de licitude das operações realizadas pelos mesmos, o que vem a sugerir que utilizaram o nome de uma offshore para responsabilizála pela movimentação, ficando os verdadeiros titulares das contas ocultos. · O Sr. Fernando informa também que o Sr. Joacyr recebeu da empresa Chettiar Business, o valor de US$ 140.172,00 por serviços prestados. Esta informação não foi prestada pelo fiscalizado em atendimento às intimações. Cabe ressaltar que nenhuma documentação referente ao fato foi apresentada pelo fiscalizado, ou pelo declarante no curso da ação fiscal. Documentos disponibilizados pela Justiça que vinculam o fiscalizado com as contas Chettiar e Crescent City Ltd: 1. No documento de fls. 746 e 747, intitulado “Account Opening Form” referente a conta Crescent City Ltd do Audi Bank, com características de Formulário de Abertura de Conta Bancária, constam indicados os nomes de Fernando Ribeiro e Joacyr Reynaldo, e respectivas assinaturas; Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.003509/200717 Acórdão n.º 2201002.581 S2C2T1 Fl. 847 7 2. O documento de fls. 760 intitulado “Signature Card”, com características de cartão de assinatura referente a conta Crescent City Ltd do Audi Bank, possui os nomes e assinaturas de Fernando Ribeiro e Joacyr Reynaldo; 3. Os documentos de fls. 480 referente a conta Chettiar e fls. 764 referente a conta Crescent City Ltd, intitulados “Certificate of Foreign Status of Beneficial Owner for United States Tax Withholding – W8BEN”, que, conforme descritos em laudos econômicos emitidos por peritos criminais federais, é o Certificado do Departamento de Tesouro Americano destinado ao preenchimento de pessoas físicas e jurídicas não residentes nos Estados Unidos, que efetuarem transações financeiras. Nestes documentos foram informados o nome do fiscalizado, seu endereço (coincidente com o constante do cadastro da Receita Federal do Brasil), o nome e número da conta, sendo estes formulários assinados pelo fiscalizado. 4. O Laudo nº. 756 faz referência ao documento de fls. 478 que tem características de transmissão via FAX, de uma correspondência enviada por Tereza e dirigida à Carolina. Neste documento consta informação dos endereços do fiscalizado e de Fernando Janine Ribeiro e o número de telefone e fax, com código de (DDD) de São Paulo, para onde deveriam ser enviados os extratos bancários, bem como solicitação de manutenção das correspondências em Hold Mail. Diante dos elementos de prova que ampararam esta fiscalização, destacandose os documentos relativos á abertura e movimentação da conta e da offshore Chettiar, com respaldo no Laudo Pericial nº. 756/2005 e seus anexos, bem como, documentos elencados e anexos nos Relatórios de Identificação de Titulares das contas Chettiar Business e Crescent City Ltd., cabe a esta fiscalização considerar o fiscalizado Joacyr Reynaldo CPF 134.869.36816, um dos titulares de fato da conta nº 45200483, denominada “Chettiar Business”, mantida no Merchants Bank of New York, e da conta nº 710103 denominada “Crescent City”, mantida no Audi Bank, fato esse já constatado pelos membros da Equipe Especial de Fiscalização – Portaria SRF nº. 463/04, através do Relatório de Identificação de Conta Mantida no Merchants Bank of New York e no Relatório de Identificação de Conta Mantida no Audi Bank, conforme documentos de fls. 573 e 745, respectivamente.” Ocorre que ao examinar as provas constantes dos autos verifico que somente foram apresentados documentos que comprovam ser o Embargante procurador da empresa estrangeira. De fato, o Termo de Verificação se baseia em documentos de abertura de contas no exterior, cartão de assinatura e outros documentos/formulários aparentemente usados para abertura de conta no exterior por uma empresa estrangeira. Não há qualquer documento ou prova de que a conta era efetivamente movimentada ou utilizada pelo Embargante tendo a empresa estrangeira como interposta pessoa. A possibilidade de responsabilização de terceiros em casos de interposta pessoa nos lançamento de omissão de receitas efetuados com base em depósitos bancários encontra previsão legal no parágrafo 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 abaixo transcrito: Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.” O parágrafo 5º acima transcrito é claro em exigir a necessidade de “prova” de que os valores creditas em conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro para fins de sua aplicação. No presente caso, como afirmado anteriormente, tal prova não foi acostada aos autos. Examinando os elementos de prova utilizados pela autoridade fiscal verifico que o Embargante está sempre atuando na qualidade de procurador de ume empresa estrangeira. Ressaltese, por oportuno, que existem documentos societários nos autos que efetivamente comprovam a eleição do Embargante para o cargo de Secretary (fls. 757) de empresa no exterior. O Embargante jamais negou sua condição de procurador, tendo, inclusive, constando no termo de depoimento de fls. 211 e seguintes que o Embargante era, de fato, executivo da empresa embora não tivesse conhecimento da movimentação. Embora possa haver indícios a gerar suspeitas sobre a origem dos depósitos, é fato que a presunção operada por lei é a de que o titular da conta corrente é o titular dos depósitos que não tenham origem comprovada. A imputação a terceiro exige prova robusta de que a movimentação de fato a ele pertencia e beneficiava. A condição de “procurador” de empresa no exterior titular de conta bancária, sem outros elementos que demonstrem o benefício econômico para o recorrente, não serve por si para caracterizar que a movimentação bancária e o respectivo acréscimo patrimonial pertença ao Recorrente. Essa é, inclusive, a orientação que consta da Súmula 32 do CARF segundo a qual a movimentação bancária é do titular da conta corrente, salvo prova em contrário. Nesse sentido: Súmula CARF nº 32: “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.” Assim, não havendo demonstração por indícios veementes e robustos de que os valores movimentados na conta corrente da empresa do exterior eram de sua efetiva titularidade, a presunção opera no sentido de que os depósitos bancários devam ser considerados como da sociedade sediada no exterior. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.003509/200717 Acórdão n.º 2201002.581 S2C2T1 Fl. 848 9 Logo, encaminho meu voto para conhecer dos embargos e dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à movimentação bancária verificadas nas contas nºs 45200483 do Merchants Bank of New York e 710103 do Audi Bank. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos apresentados para, RERATIFICANDO o acórdão n.º 2201002.329, de 19/02/2014, sanar as omissões apontadas e dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados nas contas nºs 45200483 do Merchants Bank of New York e 710103 do Audi Bank. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10825.902144/2012-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 44 /2 01 2- 02 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902144/201202 Acórdão n.º 3803005.816 S3TE03 Fl. 12 3 maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.634, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.634, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902144/201202 Acórdão n.º 3803005.816 S3TE03 Fl. 13 5 salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902144/201202 Acórdão n.º 3803005.816 S3TE03 Fl. 14 7 tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902144/201202 Acórdão n.º 3803005.816 S3TE03 Fl. 15 9 ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902144/201202 Acórdão n.º 3803005.816 S3TE03 Fl. 16 11 Relator Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16327.721427/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, declarar a decadência para as competências até 11/2007 nos AI n. 37.360.963-9 e n.º 37.360.964-7.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, declarar a decadência para as competências até 11/2007 nos AI n. 37.360.963-9 e n.º 37.360.964-7. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de parcelamento formulado pelo contribuinte equivale à desistência do recurso na parte que foi objeto da confissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 27 /2 01 2- 44 Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, declarar a decadência para as competências até 11/2007 nos AI n. 37.360.9639 e n.º 37.360.9647. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721427/201244 Acórdão n.º 2401003.929 S2C4T1 Fl. 1.562 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 47.347 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n. 37.360.9639: exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) AI n. 37.360.9647: exigência de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; c) AI n. 37.360.9620: aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Esse AI referese apenas às competências em que foi mais favorável ao sujeito passivo a multa foi aplicada com base na legislação anterior à MP n. 449/2008, depois convertida na Lei n. 11.941/2009. De acordo com o termo de verificação fiscal, a empresa, anteriormente denominada Banco IBI S/A – Banco Múltiplo, pagou a segurados a seu serviço remunerações a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR em desacordo com a Lei n. 10.101/2000. Diante deste fato as parcelas em questão foram incluídas na base de cálculo das contribuições sociais. Informa o fisco que, mesmo regularmente intimado, o sujeito passivo deixou de lhe apresentar as memórias de cálculo e as avaliações que deram ensejo ao pagamento da PLR; ata de eleição da comissão de empregados, bem como as atas das reuniões para negociação visando à elaboração dos acordos para pagamento do benefício em questão. Acerca dos planos para pagamento da PLR, foram lançadas as seguintes informações: a) o Plano próprio para o ano de 2006, com vigência de 12 meses – 01/03/2006 a 28/02/2007, foi assinado em 19/10/2007; b) o Plano próprio para o ano de 2007, com vigência de 12 meses – 01/03/2007 a 28/02/2008, foi assinado em 19/10/2007; c) o Plano próprio para o ano de 2008, com vigência de 12 meses – 01/03/2008 a 31/12/2008, foi assinado em novembro de 2008. Afirmase que a empresa considera seus diretores estatutários como empregados, inclusive com direito a participar do programa próprio de PLR. Ocorre que o pagamento da participação a esses diretores foi feito em consonância com o que dispõe o § 1. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 do art. 152 da Lei n. 6.404/1976 (Lei das SA), diante disso os valores envolvidos não podem ficar de fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, posto que o diploma legal a que se referem a Constituição Federal e a Lei n. 8.212/1991 é a Lei n. 10.101/2000. Assim, os valores pagos aos diretores estatutários foi considerado saláriodecontribuição. Asseverou a auditoria que a participação dos sindicatos na negociação da PLR foi apenas figurativa, uma vez que os acordos foram assinados apenas ao final do período aquisitivo, sendo que no ano de 2006 há pagamento da PLR efetuado oito meses antes da data da assinatura do acordo. Segundo o fisco o diretor presidente, em 2007 e 2008, recebeu PLR em três competências dentro do mesmo ano civil, prática que se mostrou rotineira no período fiscalizado, conforme atestam as folhas de pagamento. Resumindo o fisco apresenta como motivação para o lançamento a falta de acordo prévio, o pagamento a diretores estatutários e não observância da periodicidade legal. Cientificada do lançamento em 10/12/2012, a empresa ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que a declarou improcedente, mantendo o crédito tributário na integralidade. Inconformada a empresa interpôs recurso, no qual alegou, em apertada síntese, os pontos abaixo relatados. Foram fulminadas pela decadência as contribuições relativas a fatos geradores anteriores a 12/2007; Há decisões dos Tribunais Regionais Federais no sentido de que o inciso XI do art. 7. da Carta Magna tem eficácia plena, sendo indevida a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a título de PLR; A exposição de motivos da MP n. 794/1994, que antecedeu a Lei n. 10.101/2000, é clara no sentido de que deve ser incentivada a livre negociação entre capital e trabalho, como forma de avanço das relações trabalhistas, por esse motivo a PLR, mesmo quando eventualmente não revestida de todas as formalidades legais, não tem a sua natureza jurídica alterada; Não tem respaldo na realidade a conclusão da DRJ de que não houve a participação do ente sindical nos programas próprios do Banco IBI para pagamento da PLR – PROPAR; Os PROPAR dos anos de 2006, 2007 e 2008 foram devidamente assinados pelo sindicado representativo dos trabalhadores e tiveram suas metas discutidas com comissão de empregados antes da distribuição da verba, conforme comprova o doc n. 9 da impugnação. As metas previstas nos PROPAR 2006 e 2007 foram expressamente negociadas e aceitas pelos empregados, como se percebe da assinatura das Cartas Individuais em março de 2006 e março de 2007. É improcedente a conclusão do órgão recorrido de que houve mera ratificação dos acordos pelo ente sindical, isso porque as negociações se deram mediante comissão de empregados assistida pelo sindicato, conforme comprovam as cópias de email trocadas entre a empresa e o Sindicato dos Bancários de São Paulo (doc. n. 8). Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721427/201244 Acórdão n.º 2401003.929 S2C4T1 Fl. 1.563 5 O CARF tem se mostrado favorável à formalização da negociação dos programas de PLR mesmo após o início do período aquisitivo do direito de percepção da verba. Se há dúvidas de que os empregados participaram de fato e de forma prévia nas negociações da PLR, essa constatação pode ser feita mediante as seguintes provas: a) edital convocando reunião para o dia 16/02/2006 entre a comissão de empregados e representantes da empresa com intuito de iniciar as negociações do PROPAR para o biênio 2006/2007 (doc n. 10); b) PROPAR para o biênio 2006/2007, assinado em 01/03/2006 (doc n. 10); c) Termo de Compromisso de 01/03/2007, por meio do qual a comissão de empregados e o empregador acordam expressamente com o Plano Operacional de 2007 (doc. n. 11); d) convocação, em 08/02/2006, dos empregados para eleição dos membros da comissão responsável pela negociação da PLR (doc. n. 09); e) ficha de candidatura para a referida eleição (doc. n. 11); f) documento de eleição dos membros da comissão, datado de 15/02/2006 (doc. 11); g) Cartas Individuais assinadas em março de 2006 e março de 2007 (doc. n. 07). Ressaltese que os PROPAR dos anos de 2006 e 2007possuíam critérios para pagamento da PLR similares aos utilizados em períodos anteriores, sendo certo que os empregados já tinham ciência das metas a serem atingidas desde o início do exercício. Há precedentes do CARF no sentido de que é legal que a data de assinatura dos acordos seja posterior ao período de aferição dos resultados, desde que tal prática não prejudique os trabalhadores. Afirma que os pagamentos efetuados ao diretor presidente em outubro de 2007 e novembro de 2008, representaram antecipações dos pagamentos da PLR dos exercícios de 2007 e 2008, conforme previsto nas CCT. Por outro lado os pagamentos efetuados a esse administrador em abril de 2007 e março de 2008 corresponderam aos PROPAR de 2006 e 2007 e as suas Cartas Individuais (doc. n. 07). Notese que não houve quebra da periodicidade legal, posto que a empresa pagava a PLR conforme dois instrumentos – CCT e PROPAR, assim para um mesmo acordo houve o respeito ao intervalo seis meses ou de duas parcelas anuais para os pagamentos efetuados a cada empregado. Cita jurisprudência administrativa e judicial em que se admite a prevalência de normas coletivas de trabalho alterando a periodicidade da Lei n. 10.101/2000. O fato de um diretor ser contratado como empregado não retira o seu direito de ser eleito para ocupar cargo de direção da empresa (diretor estatutário). O que definirá a natureza jurídica da relação entre esse diretor e a empresa é a situação de fato existente na Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 relação de trabalho. Ou seja, independentemente de qualquer outro ajuste, caso presentes os pressupostos fáticojurídicos da relação de emprego, será reconhecido o liame empregatício. No caso concreto, o próprio fisco considerou os diretores como segurados empregados, conforme item 10.2 do seu relatório, portanto, como não há na Lei da PLR vedação de pagamento da verba aos diretores empregados, descabe a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a trabalhadores a título de PLR. Mas caso se entenda que os valores pagos aos diretores referemse à participação estatutária prevista no art. 152 da Lei n. 6.404/1976, o CARF tem adotado o entendimento no sentido de que tais pagamentos representam distribuição de lucro acumulado, portanto, não componentes da base de cálculo das contribuições sociais. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a edição da MP n. 449/2008, deve ser aplicada a multa de mora prevista no art. 35, II, “a” da Lei n. 8.212/1991, por ser norma mais favorável ao sujeito passivo. Apresenta precedente do CARF. Para o levantamento PL1 – Participação nos Lucros, portanto, deve ser aplicada a multa de mora no patamar de 24%. Para o AI relativo ao descumprimento de obrigação acessória é imperiosa a aplicação do art. 32A da Lei n. 8.212/1991, norma posterior que se mostra mais benéfica. A taxa Selic é inaplicável aos créditos tributários, consoante tem se manifestado reiteradamente os tribunais pátrios. Ao final, requereu o reconhecimento parcial da decadência, a declaração de improcedência das lavraturas ou, alternativamente, a redução da multa de mora e a exclusão da taxa Selic. Protestou por provar o alegado mediante todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos e a realização de prova pericial. O processo veio a pauta de julgamento em 15/05/2014 e turma resolveu converter o julgamento em diligência, de modo que o fisco juntasse planilha demonstrativa do pagamento da verba onde fosse discriminados por competência todos os segurados beneficiários, com indicação também da parcela a que corresponderia o pagamentos, se do plano próprio ou da CCT. Tal medida mostravase necessária para que a turma pudesse aferir se houve a quebra da periodicidade legal. O processo retornou com a Informação Fiscal de fls. 1.553/1.555, na qual o fisco informou que a empresa, ao ser intimada a apresentar demonstrativo individualizado dos pagamentos a título de PLR, informou que: a) optou por se beneficiar do programa de parcelamento previsto no art. 1.º da Lei 11.941/2009 e art. 2.º da Lei n.º 12.996/2014; b) para tanto, efetuou os pagamentos, nos termos do programa, da multa administrativa em cobrança no AI n.º 37.360.9620, bem como dos débitos referentes aos AI n.º 37.360.9639 e n.º 37.360.9647 não atingidos pela decadência (período de 12/2007 a 11/2008). Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721427/201244 Acórdão n.º 2401003.929 S2C4T1 Fl. 1.564 7 Ressaltouse ainda que restou em discussão apenas a parte dos AI para exigência das obrigações principais referentes a fatos geradores anteriores a 12/2007. Informa se que o contribuinte deixou claro que, em relação a tais débitos, pretende apenas discutir a aplicação da Súmula n.º 99 do CARF. Por fim, o fisco acrescenta que o sujeito passivo requereu o encerramento da diligência por entender que, considerando as questões acima narradas, teria havido perda do objeto desta ação fiscal. Foram anexadas à Informação Fiscal: a) Termo de Intimação Fiscal; b) Resposta do contribuinte; e c) Pedido de desistência parcial do recurso. É o relatório. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento apenas na parte em que não houve a desistência, constante no documento de fl. 1.545/1.546. Decadência Após a exclusão do período que faz parte do pedido de desistência restanos apreciar a questão da decadência para as competências até 11/2007, para os AI n. 37.360.9639 e 37.360.9647, haja vista que o AI n. 37.360.9620 foi integralmente quitado pelo sujeito passivo. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721427/201244 Acórdão n.º 2401003.929 S2C4T1 Fl. 1.565 9 A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Analítico do Débito, os autos levamme a concluir que houve recolhimentos para o período, uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal –TEAF, fl. 95, traz a informação de que foram lavrados na ação fiscal apenas os AI constantes do processo ora apreciado. De se concluir que as guias não foram apropriados em razão do fisco ter lançado na apuração apenas as parcelas não reconhecidas pela empresa como integrantes do saláriodecontribuição. Esse fato é corroborado pelo item 12.1 do termo de verificação fiscal, no qual a autoridade lançadora assevera que não houve nenhum recolhimento da rubrica PLR, o que, a contrário senso, indica que para as demais parcelas a empresa não estava inadimplente quanto à quitação das contribuições previdenciárias. Assim, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência para os processos de exigência da obrigação principal, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Essa questão, inclusive, já se encontra sumulada no âmbito do CARF, como se vê: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Esse posicionamento conduz à conclusão de que devem, nos AI n. 37.360.9639 e 37.360.9647, ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2007, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 10/12/2012. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 Conclusão Voto por conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, declarar a decadência para as competências até 11/2007 nos AI n. 37.360.9639 e n.º 37.360.9647. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722734/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2006
DIREITO DE IMPOR PENALIDADE. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO.
O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extingue-se em cinco anos a contar da data da infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
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INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 27 34 /2 01 1- 79 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 01/12/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 58.903,38, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 06/06303779, de 31/05/2006, registradas em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa JOÃO LUIZ ZIMMER ME, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: • JOÃO LUIZ ZIMMER ME. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Edital nº 06/11/DRF/BLU/SAANA, afixado nas dependências da DRF/Blumenau, em 09/12/2011 (folhas 387), o contribuinte JOÃO LUIZ ZIMMER ME não apresentou impugnação, consoante despacho de folhas 584/585. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 01/12/2011 (fls. 213 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 23/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 392 à 454, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 4 3 Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no Fl. 887DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 5 4 despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro Fl. 888DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 6 5 na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar Fl. 889DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 7 6 caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos Fl. 890DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 8 7 termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios Fl. 891DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 9 8 constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa JOÃO LUIZ ZIMMER seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei n° 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Como se vê, para a concretização da pena de perdimento é imprescindível se obter a exata e completa identificação do proprietário da mercadoria, pois é unicamente este o sujeito que poderá ser apenado ou alcançado pela sanção do perdimento. No presente caso, apesar de identificar quem supostamente seria o real proprietário oculto, o Fisco autuou as empresas D&A e JOÃO LUIZ ZIMMER conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção. Assim, se o Auditor Fiscal entende que JOÃO LUIZ ZIMMER se ocultou, então deveria, vem Processo Administrativo e Auto de Infração próprio, individualizar sua conduta, e punila unicamente. Não existe, porque impossível, a "pena de perdimento solidária". A responsabilização solidária, quando prevista em lei, só pode ocorrer para fins de pagamento de tributo, que não se confunde com pena de perdimento e, evidentemente, também não pode ser confundida com a responsabilização penal do agente infrator, esta prevista no art. 95 do Dec.Lei 37/66. O Decreto 70.235/72 veda e impede que sejam reunidos em um só processo. Autos de Infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. In casu, porém, não se trata de reunião em um só processo de dois autos de infração contra dois contribuintes diversos, o que já seria ilegal. No presente caso a ilegalidade é ainda mais flagrante, pois se trata de constituir em um único auto de infração, ou seja, um único crédito tributário constante em um único processo administrativo contra dois contribuintes distintos. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 10 9 · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 11 10 Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na Fl. 894DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 12 11 qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 13 12 Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 14 13 Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Fl. 897DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 15 14 Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI Com efeito, a Autoridade Fiscal aduz, em síntese, que a D&A e a DGF Teriam deliberadamente ocultado o real encomendante das mercadorias em questão, ao pretexto de deixar de recolher IPI, mesmo que proporcionalmente. No entanto, é flagrante o equívoco da Autoridade Fiscal. Ora, as mercadorias objeto das DI's que embasam este Auto de Infração a alíquota de IPI sempre foi 0%. · EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS –DECADÊNCIA O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no DecretoLei n° 37/66. O direito de a Administração punir se extinguiu, não podendo gerar conseqüências sancionatórias sobre a Impugnante, o que torna o Auto de Infração NULO DESPE O NASCIMENTO. Ora, em razão do transcurso in a/bis do período de 5 anos, a contar da data da suposta Infração leiase: registro da DI), extinguiuse o direito de o Fisco aplicar a pena de perdimento e, por consequência, de cobrar multa de conversão. Declaração de Importação nº 06/03524952, de 28/03/2006 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 16 15 Declaração de Importação nº 06/10806364, de 11/09/2006 A REVISÃO ADUANEIRA, ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação (art. 638 do RA), extrapolou o prazo legal para sua conclusão. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela Fl. 899DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 17 16 importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de Fl. 900DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 18 17 perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.7); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.8); · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.8); Fl. 901DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 19 18 No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou subfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.9); · Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão, mormente diante de ser produto não tributável e/ou de alíquota 0% (tópico 2.10); · Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento do Auto de Infração (tópico 2.11); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real adquirente/encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão; · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. (tópico 2.10); · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável (tópico 2.11). A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.673, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 31/05/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle Fl. 902DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 20 19 absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. A empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA tomou ciência da referida decisão no dia 21/10/2013 e a firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME no dia 22/10/2013. Os responsáveis pessoais CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT tomaram ciência desse decisão no dia 19/10/2013. No dia 20/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido. A firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME não apresentou recurso voluntário. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado conjuntamente por D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Preliminarmente, registrese que é tempestivo o recurso voluntário apresentado por CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT porque os referidos contribuintes tomaram ciência do acórdão da DRJ no dia 19/10/2013, um sábado, iniciando a contagem do prazo para apresentação do recurso voluntário no primeiro dia útil seguinte, ou seja, na segundafeira dia 21/10/2013. Como, na contagem do prazo excluise o dia do início e incluise o do vencimento, a contagem do prazo iniciou no dia 22/10 e terminou no dia 20/11, data da apresentação do recurso voluntário (art. 5º, e seu parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72) Dito isso, passemos ao exame das razões dos recursos. Como relatado, contra a empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e a firma JOÃO LUIZ ZIMMER – ME foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Os Recorrentes alegaram que ocorreu a extinção do direito de a Fazenda Nacional realizar a revisão aduaneira, por decurso de prazo, e, conseqüentemente, de efetuar o lançamento da multa objeto deste processo. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 21 20 As mercadorias objeto do perdimento, convertido em multa, foram desembaraçadas por meio da DI nº 06/06303779, registrada no dia 31/05/2006. A ciência do Auto de Infração pelos recorrentes D&A, Caio e Érica ocorreu no dia 01/12/2011. Portanto, já havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data do registro da referida DI nº DI nº 06/06303779, de 31/05/2006, objeto da autuação. Sobre esse tema, comungo com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento no Recurso de Ofício contido nos autos do Processo nº 12466.002712/201055, cujo Acórdão nº 3202001.391, da lavra do conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, tem a seguinte ementa: PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado. No voto condutor do referido Acórdão nº 3202001.391, o Ilustre Conselheiro Relator transcreve o seguinte enxerto do voto da decisão da DRJ, objeto do recurso de ofício: Todavia o artigo 139 do Decretolei n° 37/1966, assim dispõe, in verbis: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Tal dispositivo foi reprisado no Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/2002, nos seguintes termos, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 139). Desses dispositivos, observase que as penalidades têm prazo de contagem próprio para sua constituição, qual seja, cinco anos contados a partir da data da infração. No presente caso, considerandose que as infrações imputadas à interessada possuem como data de seu cometimento a data do registro das Declarações de Importação e que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, ocorreu em 18/10/2010, o lançamento referente a Declarações de Importação registradas antes de 18/10/2005 deve ser declarado nulo. O auto de infração em tela se refere as Declarações de Importação registradas entre 07/03/2005 e 20/06/2005, portanto nulo. Sobre essa matéria, não posso concordar com a fundamentação da decisão recorrida que, após um longo arrazoado, concluiu o seguinte: Fl. 904DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 22 21 Assim, o marco inicial para transcorrer o prazo a que se refere o artigo 139 do DecretoLei nº 37/66 é quando se apreende a mercadoria (retirada do mercado interno) ou o órgão responsável pelo controle aduaneiro tem a ciência inequívoca da infração [...] Portanto, a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, que vem a ser substitutiva da pena de perdimento, na forma do §3º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, tem como inicio do seu prazo decadencial o primeiro dia ao ano subsequente da data da intimação não respondida pelo autuado para a apresentação das mercadorias passíveis de serem apenadas com perdimento. Em primeiro lugar, a decisão recorrida utilizouse de disposições da Lei nº 9.873/99 que, pelo disposto no seu art. 5º, abaixo reproduzido, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária, como é o presente caso. Art.5o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em segundo lugar, não posso concordar com a referida conclusão do acórdão recorrido sobre essa matéria, acima reproduzida. E não o faço porque, a meu sentir, o art. 139 do DL 37/66 diz que extinguese em cinco anos o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. E para mim, a infração, neste caso, não é continuada, como alegado pela decisão recorrida, e ocorreu pontualmente com o registro da DI, onde deixou de ser informado o real importador. Tudo o que aconteceu antes do registro da DI era absolutamente normal e legal as tratativas de compra no exterior e as transferência de recursos da firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME para a D&A, devidamente contabilizado. Se tivesse sido registrado a DI como importação por conta e ordem da firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME, não haveria que se falar que ocorreu ocultação do real importador. E o que ocorreu depois venda pela D&A e compra e venda pela firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME das mercadorias não se constitui na mesma infração imputada às empresas autuadas: interposição fraudulenta de terceiros. Diante da extinção do direito de a Fazenda Nacional de impor a penalidade, e a conseqüente improcedência do Auto de Infração, desnecessário abordar e discutir aqui as demais questões preliminares e de mérito argüidas pelas recorrentes. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar improcedente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 905DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 23 22 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15922.000473/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comprová-las em parte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, para retificar o Acórdão 2101-001.350, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.450,00 (hum mil, quatrocentos e cinqüenta reais).
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas em parte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, para retificar o Acórdão 2101001.350, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.450,00 (hum mil, quatrocentos e cinqüenta reais). (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 04 73 /2 00 8- 48 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 111 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (efls. 61/63) interposto em 16 de dezembro de 2011 em face do acórdão de efls. 54/57, do qual a Recorrente teve ciência em 10 de dezembro de 2011, que, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso voluntário interposto pelo contribuinte em virtude de intempestividade. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo se o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância.” (efl. 54) O contribuinte opôs embargos de declaração pedindo “seja sanada a omissão acima apontada (o fato de o recurso ter sido postado em 05 de novembro de 2010), a fim de que o Recurso Voluntário interposto seja conhecido e, por conseguinte, tenha seu mérito devidamente analisado” (efl. 63). O recurso foi admitido por meio do despacho de efl. 81/82. Em sessão realizada em 02 de dezembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, “para que o dossiê do contribuinte seja trazido aos autos”. Juntado referido dossiê, os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O presente recurso, apresentado pelo contribuinte com fundamento no disposto no art. 65 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 112 3 No presente caso, a Embargante aduz que o acórdão proferido por esta Turma foi omisso quanto à apreciação do fato de que o Recurso Voluntário interposto não foi protocolado diretamente na Unidade da Receita Federal do Brasil em 09/11/2010, mas sim postado tempestivamente, em 05/11/2010, em Agência dos Correios. Corroboram sua assertiva os documentos ora anexados, quais sejam a cópia do aviso de recebimento postal assinado por funcionário da Receita Federal do Brasil (efls. 72/73) e a cópia do rastreamento da postagem emitido pelo site dos Correios (efl. 74). Eis os motivos pelos quais os presentes embargos poderiam ser acolhidos para, suprindo a omissão apontada, retificar o Acórdão 2101001.350 para conhecer do recurso voluntário. Passo então a analisar as razões do recurso voluntário. Para tanto, transcrevo o relatório da Conselheira Celia Murphy: “Em desfavor de MARIA LIGIA FARIA RIBEIRO foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 6, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 3.790,82 (três mil, setecentos e noventa reais e oitenta e dois centavos), que, com juros de mora calculados até 29.08.2008 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 8.929,27 (oito mil novecentos e vinte e nove reais e vinte e sete centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 5) a Fiscalização informa ter apurado dedução indevida a título de despesas médicas realizadas junto aos profissionais abaixo descritos: 1. ALZIRA FRANCHI (CPF 723.198.52891): Valor glosado: R$ 8.260,00. 2. MARCONI GONZAGA TAVARES (CPF 858.793.47168): Valor declarado R$ 12.000,00. Valor glosado R$ 1.450,00. 3. MARIANA CHAVES BORSATTO (CPF 218.539.87840): Valor glosado R$ 5.000,00. Em 8 de setembro de 2008, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 e 2), na qual requer o cancelamento da alteração no valor da restituição, alegando, em síntese, que: 1) Os recibos comprobatórios das despesas médicas foram apresentados tempestivamente e são idôneos; 2) Com a indicação do CPF ou CNPJ, a Receita Federal tem acesso ao endereço atualizado do emitente do recibo, que, por isso, deve ser validado Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 113 4 apesar da falta de endereço, bem como, pela falta de indicação do beneficiário, haja vista que, se o recibo está na posse do contribuinte é óbvio que este efetuou o pagamento. A 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2, mediante o Acórdão n.º 1743.378, de 11 de agosto de 2010, julgou a Impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados documentos comprobatórios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Em relação à glosa de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 114 5 Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Cabe mencionar, ainda, que, no entender deste Conselheiro, a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis eventualmente acostados aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 115 6 "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pela Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, foram glosadas despesas médicas de três profissionais. Com relação à Sra. Alzira Franch, os recibos não teriam discriminado o endereço da emitente; no que se refere ao Sr. Marconi Gonzaga Tavares, os recibos também não teriam discriminado o endereço do emitente; quanto à Mariana Chaves Borsatto, os recibos não teriam indicado o beneficiário. A DRJ decidiu que, além da identificação do beneficiário, a prova do pagamento efetuado e da efetiva prestação dos serviços deveria ser feita, pois as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual equivalem a percentual acima de 50% de seus rendimentos tributáveis. Em seu recurso, a Recorrente apresenta razões genéricas que, no entender deste Conselheiro, têm o condão de infirmar apenas parte das razões do acórdão recorrido. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 116 7 De fato, ao contrário do que afirmado na notificação de lançamento, há sim em recibos do Sr. Marconi Gonzaga Tavares o endereço da emitente, o que já seria suficiente para afastar a glosa. Não obstante, quanto às demais despesas, o lançamento tem de ser mantido, pois a Recorrente não trouxe nenhum argumento que pudesse afastar a conclusão da DRJ. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para retificar o Acórdão 2101001.350, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento em parte para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.450,00 (hum mil, quatrocentos e cinqüenta reais). (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13896.910099/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 09 9/ 20 12 -1 4 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 35431.000256/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
ESTAGIÁRIOS. Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, i, da Lei 8.212/91, , diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários.
PAGAMENTOS DA PLR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS VALORES FORAM PAGOS A ESTE TÍTULO. O pagamento de participação nos lucros e resultados somente estará fora da incidência das contribuições previdenciárias, quando efetuado em conformidade com o que dispõe a Lei 10.101/00, o que não foi verificado no caso dos autos.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE do SEBRAE, SAT e INCRA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2)
TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4).
DA MULTA APLICADA. Não há que se falar em demonstração do dolo pelo contribuinte a fim da aplicação da multa art. 35 da Lei 8.212.91, devendo ser mantida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. ESTAGIÁRIOS. Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, “i”, da Lei 8.212/91, , diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários. PAGAMENTOS DA PLR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS VALORES FORAM PAGOS A ESTE TÍTULO. O pagamento de participação nos lucros e resultados somente estará fora da incidência das contribuições previdenciárias, quando efetuado em conformidade com o que dispõe a Lei 10.101/00, o que não foi verificado no caso dos autos. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE do SEBRAE, SAT e INCRA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 43 1. 00 02 56 /2 00 7- 14 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 DA MULTA APLICADA. Não há que se falar em demonstração do dolo pelo contribuinte a fim da aplicação da multa art. 35 da Lei 8.212.91, devendo ser mantida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 385 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTO ANDRE ATLETICA DE GINASTICA LTDA, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n.° 37.089.0531, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, parte não descontada dos segurados, SAT/RAT e as destinadas a terceiros, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. Consta do Relatório Fiscal que foram considerados como fatos geradores: a) pagamentos efetuados a estagiários: no período de 05.2003 a 12.2004, uma vez que não foram apresentados os Termos de Ajuste de Cooperação entre a instituição e a empresa, bem como Termos de compromisso dos Estagiários, nem os Termos de Aditamento comprovando prorrogações, relativos ao período de prestação de serviços de 05.2003 a 12.2004; b) participação nos lucros e resultados, em razão de que: b.1) quando intimada através de TIAD para apresentação dos acordos e convenções coletivas, e dos instrumentos decorrentes da negociação, não apresentou nenhum documento, e quando solicitamos esclarecimentos informou que os acordos/convenções existentes não disciplinavam o assunto, e também não apresentou nenhum instrumento decorrentes da negociação, apenas informando o site para obtenção das convenções. b.2) foram encontrados registros nas contas 3.02.05.01.09 (outros serviços), conta imprópria, já que havia conta especifica para tal verba Conta 3.02.01.01.23 — Participação nos Lucros, bem como foram constatados reclassificação entre contas, envolvendo valores relativos a desconto de PLR— Participação nos Lucros e Resultados, entre a conta 3.02.05.01.09 (outros serviços) e a conta 10302010111 Benfeitorias em Imóveis de Terceiros que não tem nenhum vínculo com a rubrica analisada. Ao terem sido solicitados esclarecimentos sobre tais pagamentos de PLR, via TIAD, a recorrente informou que "tratase de critério da empresa para fins de imposto de renda e que a despesa teria sido diferida para ser apropriada em período posterior", justificativa que ao nosso ver não tem nenhum amparo legal. b.3) que ao analisar s documentos contábeis que deram origem aos lançamentos a titulo de participação nos lucros, verificamos que os pagamentos foram efetuados aos segurados empregados conforme cópias de cheque apresentadas, e em face da não comprovação regular do pagamento desta rubrica, concluímos que tal verba embora intitulada de "participação nos lucros", na realidade tratase de verba de natureza salarial que deve integrar o salário de contribuição uma vez que não se comprovou tratarse da real "participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração", que deveria ser concedida de acordo com lei especifica, que é a Lei no 10.101, de 19/12/2000 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 c) contratação de mãodeobra temporária: pagamentos efetuados na Conta MO Temporária, que embora tenha recebido o nome de M.O.Temporária, ao solicitarmos os comprovantes recibos , notas fiscais de empresas de mão de obra temporária , fomos informados que não foram contratados tais serviços, logo inexiste notas fiscais de empresa prestadoras de Mão de Obra Temporária na empresa ora fiscalizada. Logo, concluímos que foi atribuído um nome impróprio a esta conta, pois na realidade tratase de serviços prestados pessoa física, que não tem nada a haver com a efetiva cessão de mão de obra temporária. Além das contas supra mencionadas, ainda nesta rubrica, foram considerados como fatos geradores valores lançados nas contas: Conta 3.02.01.01.36 Bonificação; Conta 3.02.02.01.42 — Premiações e Incentivos; .Conta 3.02.02.01.46 — Despesas com aulas diversas. O lançamento compreende as competências de 05/2003 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 23/04/2007 (fls. 64). O recorrente apresentou impugnação (fls. 152/161), restando mantido o lançamento constante da NFLD nº 37.017.2469. Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta preliminarmente que: 1. que o auto de infração merece ser anulado, tendo em vista que a adoção das informações do sistema águia e CNIS como base de cálculo das contribuições lançadas não foram apresentados ao contribuinte, de forma a permitir o exercício de seu direito de defesa; 2. que a não indicação, no bojo da evidenciada NFLD, do dispositivo legal que autoriza e mensura a alíquota de contribuição do SAT a ser aplicada na hipótese previdenciária do contribuinte; 3. que em relação aos estagiários, a fiscalização não comprovou a sua efetiva condição de empregados, na medida em que não demonstrou a presença dos requisitos inscritos no art. 3o da CLT; 4. que as verbas pagas a título de bonificação, premiação, incentivos e aulas diversas devem ser consideradas como verbas cujo pagamento fora efetuado de forma eventual, não podendo ser consideradas como verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que não foram pagas de forma habitual; 5. a necessidade de serem apropriados como fator de abatimento dos valores lançados como devidos nesta NFLD, aqueles que, eventualmente, tenham sido recolhidos aos cofres previdenciários, pelos próprios contribuintes individuais, ou por outras empresas Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 386 5 tomadoras dos seus serviços, ou, ainda, na qualidade de segurados empregados; 6. que a justificativa adotada para desconsideração dos pagamentos efetuada a título de PLR é absolutamente subjetiva, de modo que não podem ser consideradas, pois desprovidas da objetividade determinada pela Lei 10.101/00, sendo certo que os pagamentos possuem imunidade constitucional frente a incidência das contribuições previdenciárias; 7. que a imunidade constitucional da PLR deve ser reconhecida, em razão da autoaplicabilidade do art. 7o, XIV da CF; 8. a inconstitucionalidade e ilegitimidade do SAT, INCRA, SEBRAE; 9. impossibilidade do INSS efetuar a cobrança das contribuições destinadas a terceiros; 10. inconstitucionalidade da SELIC; 11. que a multa aplicada, não é adequada ao presente lançamento, por não haver dolo, fraude ou sonegação; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES A recorrente sustenta a nulidade do presente lançamento, em razão de que não lhe fora oportunizada vistas de relatórios utilizados pela fiscalização para a composição da base de cálculo das contribuições lançadas, e que assim teria sido cerceado o seu direito de defesa. No entanto, não é o que vislumbro dos autos. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias não adimplidas e apuradas em sua contabilidade, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento, sobretudo em razão de que ao contribuinte fora franqueado acesso ao inteiro teor da presente NFLD. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Da análise do relatório fiscal, ao revés do que sustenta a recorrente, verifica se que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos, de fato e de direito, e documentos que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das Fl. 389DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 387 7 contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Assim, rejeito a preliminar. MÉRITO Dos Pagamentos efetuados a estagiários A presente rubrica referese à cobrança de valores de contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a estagiários, considerados pela fiscalização como segurados empregados, em razão da inobservância do art. 28, § 9º, “i”, a seguir: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977 Por sua vez, assim dispõe o art. 3º da Lei 6.494/77: “ Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino.” A imputação fiscal, pois, baseouse no fato de que a recorrente deixou de apresentar os Termos de Ajuste de Cooperação entre a instituição e a empresa, bem como Termos de compromisso dos Estagiários, e os Termos de Aditamento comprovando prorrogações contratuais, relativos ao período de prestação de serviços de 05.2003 a 12.2004 Da análise dos autos verifico que tais documentos também não foram juntados pela recorrente, seja em sua impugnação, ou mesmo em seu recurso voluntário, de modo que resta patente a não comprovação do cumprimento da Lei 6.494/77. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Assim, é cediço que em se tratando da concessão de isenções, a Lei tributária deve ser interpretada de forma literal, em conformidade com o que dispõe o art. 111 do CTN, não havendo, portanto, que se falar na necessidade de demonstração da presença dos requisitos ensejadores da relação de emprego, como alega a recorrente. “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção;” Logo, não acolho os argumentos da contribuinte. Da Desconsideração dos Pagamentos da PLR Sobre o assunto, inicialmente a recorrente sustenta a auto aplicabilidade do artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, se tratando de regra de imunidade, de modo que não são cabíveis, in casu, a verificação do cumprimento das condições previstas na Lei 10.101/01. Fato é que, sobre o assunto, recentemente já se manifestou o Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal, em 30/10/2014,ao julgar o RE 569.441 sob o rito da repercussão geral, no caso, entendendo que a não incidência das contribuições previdenciárias sobre pagamentos efetuados a título de PLR somente poderá ser reconhecida quando cumpridos os requisitos da legislação infraconstitucional, de modo que não há que se falar em auto aplicabilidade da regra de imunidade constante na Carta Magna. Ademais, argumenta que o fiscal utilizouse de critérios subjetivos não previstos na Lei 10.101/00, para descaracterizar o caráter não salarial dos pagamentos efetuados a título de PLR. Sobre o assunto, não restam dúvidas de que o pagamento de participação nos lucros e resultados somente estará fora da incidência das contribuições previdenciárias, quando efetuado em conformidade com o que dispõe a Lei 10.101/00, o que não foi verificado no caso dos autos. Ressalto que, quando intimada, a recorrente deixou de apresentar os acordos inerentes ao pagamento da verba por ela intitulada como PLR, de modo que a fiscalização pudesse mesmo aferir o devido cumprimento das condições insertas na Lei 10.101/00, sendo que tais acordos sequer vieram a ser juntados aos autos por ocasião da impugnação ou mesmo do recurso voluntário. Ademais, as conclusões da fiscalização nos levam a entende que sequer havia tal acordo, uma vez que a própria recorrente declarou que efetuava a classificação de pagamentos a título de PLR de acordo com sua conveniência, pois, “tratase de critério da empresa para fins de imposto de renda e que a despesa teria sido diferida para ser apropriada em período posterior”. Logo, concluiu a fiscalização que diante da inexistência de mínimos traços de que os pagamentos alocados na contabilidade se relacionavam ou tinham previsão em um acordo devidamente formalizados pela empresa, dentre as opções trazidas à lume pela Lei 10.101/00, entendeu que se tratavam de meros pagamentos diversos, até porque atendiam Fl. 391DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 388 9 conveniência exclusiva da própria recorrente, não havendo que se falar, portanto, na adoção de critérios subjetivos alheios ao que dispõe a Lei 10.101/00. No caso dos autos, portanto, a meu ver restou apurado, de acordo com o relatório fiscal que a descrição de pagamentos a título de PLR, se tratavam de pagamentos diversos, sem qualquer correlação com aqueles previstos na Lei 10.101/00, que se justificam diante da relação entre o capital e o trabalho. Assim, não vejo como prosperar a pretensão da recorrente. Dos pagamentos a título de bonificação e premiação. Relativamente ao presente levantamento, a alegação de recurso é no sentido de que se tratavam de pagamentos de natureza eventual, de sorte a não atrair a incidência das contribuições previdenciárias. E a demonstrar o seu caráter eventual, a recorrente sustenta que se tratavam de pagamentos que não eram efetuados de forma habitual, ou seja, com determinada periodicidade. Não compartilho do entendimento. Valores recebidos de forma eventual referemse a pagamentos que são efetuados pela recorrente sem que os empregados tenham a expectativa de recebêlo, ou seja, sem que estes esperem recebêlo, o que, de fato não ocorreu. Oportunamente, vale transcrever, o significado da palavra eventual, que fora extraído do Dicionário Aurélio, senão vejamos: “1 Dependente de acontecimento incerto; casual; fortuito; possível mas incerto. 2 herança eventual: a que se obtém sem ser por ordem legítima de sucessão.” Resta inequívoco, pois, que as bonificações bem como prêmios pagos pela recorrente aos seus empregados não se restringiam ao campo da mera liberalidade, mas sim a uma complementação salarial, vislumbrandose, de forma clara, a figura de salário contribuição, daí porque resta prejudicada a alegação de que tais verbas eram pagas em caráter eventual. Tendo em vista que a recorrente não comprovou a eventualidade do pagamento na forma supra, também entendo por descabida a sua pretensão recursal. Da inconstitucionalidade do SEBRAE, SAT e INCRA O Recorrente alega a inconstitucionalidade das contribuições ao SEBRAE, SAT e INCRA, no entanto tenho que tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Da taxa Selic Sabese que a aplicação da taxa SELIC, enquanto juros moratórios e multa, aplicada sobre as contribuições objeto do lançamento, fora efetuada com amparo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: “Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.” Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Da multa aplicada No tocante a multa aplicada pela autoridade fiscal, como bem apontou o v. acórdão de primeira instância, tenho que a fiscalização se resumiu apenas em efetuar o lançamento em conformidade com o disposto no art. 35 da Lei 8.212.91, ademais, não há necessidade de comprovação do dolo por parte do contribuinte, sendo o mero não adimplemento da obrigação tributária do contribuinte já é apenada pela legislação com multa, razão pela qual deve ser mantida no patamar aplicado pela fiscalização, em respeito ao artigo 112 do CTN. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 389 11 Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13808.003581/2001-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman (ausente momentaneamente).
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 35 81 /2 00 1- 87 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman (ausente momentaneamente). Relatório Tratase, o presente feito, de homologação parcial de pedidos de compensações, declaradas nos autos do processo n. 11610.002519/200311, protocolizadas, em 14/02/2003, e as demais declarações de compensação listadas em fls. 208 e transmitidas em 14/06/2006. A empresa recorrente apresenta, inicialmente, pedido de Restituição, na data de 20.07.2001, referindo ser credora do IRPJ gerado pelo IRfonte sobre serviços prestados, PJ, Lei 7450/85 e sobre rendimentos de aplicações financeiras, não compensados no IRPJ devido nos anos de 1995,1996,1997,1998. O Despacho Decisório proferido pela DRF de origem aduz que o prazo para o pleito de restituição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1995 iniciouse na data de sua apuração, 31/12/1995, extinguindose em 21/12/2000 e tomando em conta a data do protocolo do pedido de restituição (20.07.2001) ser posterior a esta data, tal pedido não observa o requisito de tempestividade relativamente ao ano calendário de 1995. Atenta o Despacho em virtude da empresa não ter solicitado a restituição do saldo negativo de IRPJ, mas sim do IRPJ gerado pelo IRfonte, analisarseá apenas as retenções na fonte indicadas na DIPJ para efeito de cálculo do crédito de IRPJ restituível a mesma. Nesse sentido, afere o despacho que em pesquisa aos Sistema IRFConsulta (lis. 196 a 199), constatouse as retenções na fonte que compõem um valor total de R$ 85.616,13; as receitas correspondentes ao valor total retido foram oferecidas à tributação, conforme as rubricas 'Receita Liquida' e 'Outras Receitas Financeiras' da Demonstração do Lucro Liquido da DIRPJ/97 (A 192). Deduzindose o valor retido do Imposto devido, obtémse um saldo negativo de IRPJ gerado pelas retenções na fonte no montante de R$ 65.511,93. De igual modo, aduz que conforme a DIRPJ/98 e DIRPJ/99, a empresa não apurou saldo negativo de IRPJ em relação a nenhum dos oito trimestres que abrangem os anos calendários em análise. Assim, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em relação a esse anos calendários. Devidamente cientificada do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação dos valores, a empresa apresenta suas razões em seara de manifestação de inconformidade de forma tempestiva, alegando que no despacho recorrido, teria sido analisado o pedido de restituição referente ao ano calendário de 1996 pela rubrica de 2 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 IRPJ gerado pelo IR fonte, desconsiderando o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ declarado que é bem maior. Ainda, afere que fosse admitido que o pedido teria sido nominado como IRPJ gerado pelo IRfonte, o que teria ocorrido seria simples erro de fato que não poderia ser desconsiderado, haja vista que o pedido era, como visto, de restituição pelo saldo negativo de IRPJ. No seu entendimento, deveria ser reconhecido que o pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ, no valor acumulado do anoanterior de 1995, em R$ 350.331,58. Portanto requer, que seja analisado o pedido de restituição pela rubrica de saldo negativo de IRPJ, para fins de reconhecimento do direito creditório para a compensação do valor integral declarado pela empresa recorrente. A autoridade de primeira instância entendeu por bem seguir a linha da decisão proferida no despacho, atentando preliminarmente para a conversão em declaração de compensação, desde o seu protocolo, dos presentes pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, conforme preceito do art. 74, §4° da Lei 9430/96. Atenta ainda que o despacho decisório recorrido não reconheceu o direito creditório relativos aos anos calendários de 1995, 1997 e 1998, tendo reconhecido parcialmente o relativo ao ano calendário de 1996. Aduz que a empresa recorrente não se insurgiu contra o indeferimento relativos aos anos calendários 1995, 1997 e 1998, sendo assim devese prosseguir na cobrança de eventuais débitos confessados e declarados no PER/DCOMP listados em fls. 208, para serem compensados com remanescentes desse ano calendário. Por essa razão entende que a decisão a ser proferida diz respeito apenas ao ano calendário de 1996, ou seja, ano de insurgência da empresa recorrente. No que tange ao indébito do IRRF e o saldo negativo do IRPJ, o julgador de primeira instância afastou o fundamento adotado no despacho decisório para o indeferimento do reconhecimento do direito creditório, para aplicar a legislação que rege a matéria, qual seja o art. 773 do RIR/99. Afirma que os rendimentos e ganhos líquidos decorrentes das aplicações financeiras, bem assim os pagos sobre ganhos líquidos mensais das pessoas jurídicas devem ser adicionados ao lucro real, presumido ou arbitrado, para efeitos de determinação do imposto de renda devido, e o IRRF incidente sobre tais operações deve ser considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Dessa forma, sob a ótica dos preceitos jurídicos referidos, não seria possível a restituição do IRRF incidente sobre o saldo negativo do IRPJ apurado ao final do período, tal como previsto no art. 2°, §4°, III, c/c art. 6°, §10 da Lei 9430/96. Cita legislação pertinente e refere que o tema também foi objeto de normatização no âmbito da administração (Ato Declaratório Normativo SRF n°003/2000). Verifica que desde 1995, a lei determina que somente é passível de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado no final de cada ano calendário. Assim, caso existam recolhimentos a título antecipação, dentre eles as estimativas mensais os recolhimentos de IRRF, o efeito do indébito somente se verifica ao final do período de apuração, em uma destas duas situações: a) contribuintes que obtiveram como resultado final prejuízo fiscal, não apurando IRPJ ou CSLL devidos no exercício, e b) embora tenham apurado lucro real e débitos de IRPJ e/ou CSLL, o valor devido desses tributos ao final 3 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 do período é inferior à somatória dos recolhimentos por estimativa e/ou outras antecipações efetuadas durante o anocalendário. Cita a IN SRF n° 460/2004. Afere que os pedidos de restituição de IRRF e de estimativas devem sempre ser interpretados como pedido de restituição de saldo negativo, de IRPJ ou de CSLL. No entanto, apesar do erro da autoridade local na apreciação do pedido de restituição, atenta para o fato de que também há erro da recorrente quanto à sua adequada formalização, na medida em o IRRF, seja aquele incidente sobre as receitas financeiras, seja aquele retido por órgão público, bem como aquele retido na prestação de serviços, não é restituível. Afirma ainda que a decisão de convalidar o pedido formalizado inadequadamente para o pedido juridicamente possível sustentase no fato de que, em regra, a decisão administrativa acerca da inadequação do pedido somente é cientificada ao interessado no pleito quando já não mais é possível a formalização adequada de novo pedido, tendo em conta o decurso do prazo decadencial/prescricional. Desta forma, o presente pedido de restituição de IRRF incidente sobre prestação de serviços e sobre aplicações financeiras deve ser interpretado como pedido de saldo negativo de IRPJ. Cumpre observar, no entanto, que a presente análise será restrita à composição do saldo negativo apurado ao final do anocalendário de 1996. Nesse contexto, passou à análise dos valores que devem compor o saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 1996, sendo que não se insurgiu a empresa recorrente quanto ao valor reconhecido a título de IRRF. Quanto ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1996, a autoridade julgadora a quo faz algumas ponderações, tomando em conta a Declaração apresentada pela empresa recorrente. No que diz respeito à dedução do valor com vale transporte a despeito de a pessoa jurídica poder deduzir do IRPJ devido valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto (25% ou 15%) sobre a soma das despesas comprovadamente realizadas, no ano calendário, na concessão do vale transporte, consoante disposições nos arts. 594 a 597 do RIR/94, temse que esta dedução limitase a 8% do imposto devido, observado o limite global para todos os outros incentivos baseados no próprio imposto, a exemplo do Programa de Alimentação ao Trabalhador. Ainda, salienta que para a dedução deste beneficio, a empresa empregadora deverá destacar contabilmente, de forma a permitir sua determinação com clareza e exatidão, as despesas efetivamente realizadas na aquisição do Vale Transporte (..). Este é o teor do art. 597 do RIR/94. Frisa que a empresa não juntou ao feito elementos que comprovasse a procedência das deduções dos valores com vale transporte e tampouco com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), sendo imprescindível, para tanto, a apresentação de documentação especifica comprobatória, prevista na legislação do programa. O não cumprimento dessa norma impede a dedução do valor declarado e diminui o saldo credor de IRPJ do período. Atenta que a empresa não logrou sequer apresentar a cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial da postagem ou o comprovante de adesão ao PAT via INTERNET que deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. Além disso, também não apresentou a documentação relacionada aos 4 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes que deve estar disposição da fiscalização, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação pertinente, normas essas previstas no parágrafo 2, art. 4 da Portaria Interministerial MTB/MF/MS 5/1999 e § 1 e 2 do art. 2 da Portaria SIT 3/2002. Lembra que o fornecimento de refeições e lanches para funcionários tem especificações próprias e comprovações especificas, detalhadas na citada portaria MTB/MF/MS /1999, que não se coadunam com a documentação apresentada pela empresa a guisa de comprovação. E, sendo assim, entende que não há como reconhecer os valores deduzidos do IRPJ a titulo de Vale Transporte e PAT. Não merece melhor sorte o reconhecimento da dedução do valor de R$ 50.038,42, na linha 18 () DEMAIS COMPENSAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA da referida Ficha 08. Observa que o manual para preenchimento da declaração de rendimentos para o anocalendário de 1996, na linha 18, da Ficha 08 (fls. 43), orienta que "nesta linha poderá ser indicado o valor do imposto recolhido ou pago indevidamente ou a maior, nos termos do art. 66, 80, 8 a 83 da Lei n° 8.383/91. A referida linha está a referirse nas compensações sem processo de tributo de mesma espécie, que devem ser devidamente escriturados pelo contribuinte, em seus assentamentos contábeis. Prossegue salientando que a compensação é forma de extinção do crédito tributário prevista no inciso II do art. 156, do CTN. Mas que para a correta utilização da compensação, como fruição de um direito, fazse necessário que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja dotado de liquidez e certeza. A exigência está contida no caput do art. 170 do CTN. Cita legislação referida. Prossegue aduzindo que a compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o que não poderá ser admitida, sendo que o ônus da prova da composição do saldo negativo do IRPJ; fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. E no que diz respeito à dedução do montante de R$ 50.038,42, na Linha 18, nenhuma comprovação foi colacionada pela recorrente, portanto não há de ser aceita a referida compensação. Salienta que a empresa não se insurgiu especificamente contra o montante de IRRF de R$ 65.511,93, reconhecido pelo despacho decisório. Mas, mesmo que assim não fosse, cumpre esclarecer, contudo, que para empresas de propaganda e publicidade, como é o caso, fazer jus à dedução do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos computados, além do dever de indicar referido imposto nas notas fiscais de prestação de serviço, deve a beneficiária do rendimento, adicionalmente, demonstrar o seu efetivo recolhimento, ou seja, a real antecipação do imposto devido, por ser ela própria a responsável pelo cumprimento de tal obrigação tributária, na qualidade de empresa de propaganda. E nada foi colacionado aos autos. E vota o julgador de primeira instância no sentido de considera procedente em parte a manifestação de inconformidade quanto ao pedido de apreciação do direito creditório, referente ao saldo negativo do anocalendário de 1996, e, quanto ao mérito, por não reconhecer o direito creditório requerido. 5 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta recurso voluntário, de forma tempestiva, insurgindose contra a decisão a quo. Aduz que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao não reconhecer o direito creditório da recorrente incidiu em violação direta ao principio da busca da verdade formal que orienta a atividade fiscalizatória estatal. Salienta que em violação ao princípio da busca da verdade material, os auditores sequer analisaram as informações prestadas nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de 1997 e nos próprios pedidos de compensação (PerdComps) que de forma expressa evidenciam a existência de tais créditos. Cita jurisprudência desse Egrégio Conselho de Contribuintes. Aduz ainda que a empresa tem a irrestrita aplicação, no processo administrativo, tributário, dos princípios constitucionais que asseguram a mesma o recurso a todos os meios de provas hábeis à comprovação dos fatos ou acontecimentos relacionados a qualquer aspecto de obrigação tributária, principal ou acessória. E nesse sentido, entende que a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e compensado com outros débitos administrativos pela RFB já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido da empresa e em especial a comprovação da existência de um crédito tributário, sendo que o descumprimento de um dever formal não tem como pena a perda do direito ao crédito. Aduz que se tivesse, a análise administrativa, sido devida e corretamente elaborada, no exercício da atividade de fiscalização, concluirseia de forma inexorável pelo deferimento dos créditos de IRPJ em favor da Recorrente. E que a análise administrativa deveria ter aprofundado as investigações para se confirmar ou se infirmar a presunção de que a empresa recorrente não possuía direito aos créditos pleiteados, visto que o ônus da prova é da própria Administração. Cita doutrina nesse sentido. Contrapõese ao fato da autoridade a quo não ter aceitado os documentos que acostou como prova e pleiteado outros que entendeu serem pertinentes. E observa que a empresa atendeu a todos os requisitos para o pleito da restituição, não podendo a autoridade requerer juntada de documentação que sequer consta como necessário para instruir o pedido de restituição. E, atenta para o fato de que a fiscalização sequer dignouse a conceder prazo para a recorrente suprir a suposta falta de comprovação do crédito pleiteado, o que poderia facilmente esclarecer a existência dos créditos pleiteados. E pede a realização de diligência. Quanto ao mérito, a empresa recorrente aduz que o crédito no valor de R$ 350.331,58 pleiteados é decorrente do saldo negativo do Imposto de Renda gerado no ano calendário de 1996. Demonstra através de tabela. Frisa que os dados sobre o crédito de Imposto de Renda, decorrentes do saldo negativo ao final do exercício de 1996 foram devidamente informados no pedido de restituição não havendo razão para o indeferimento do crédito sobre a alegação infundada de que os valores não procedem. Já no que se refere à dedução dos valores referentes ao vale Transporte, observa que os art. 594 a 597 são claros ao disposto que a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido, o valor equivalente a 8% sobre a soma das despesas comprovadamente realizadas, desde que estejam destacadas contabilmente. 6 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 E, contrapõese ao acórdão proferido pela primeira instância, porquanto que o mesmo desconsidera os valores deduzidos, sob o argumento de que a empresa recorrente não colacionou nenhum elemento que permitisse firmarse convicção a respeito da procedência das deduções. Atenta para o fato de que não foram requeridos pela fiscalização os documentos contábeis que podem comprovar a idoneidade das deduções em comento. No mesmo sentido quanto ao PAT. Quanto à desconsideração do IRFonte sobre serviços prestados e sobre rendimentos de aplicações financeiras, salienta que da análise da DIPJ/97 verificase que as receitas da prestação de serviços da empresa superam significativamente o considerado pela fiscalização, que utilizou de maneira precária o Sistema IRFConsulta para suas análises. Isso porque as receitas correspondentes ao valor total retido, que serviram de base para as retenções na fonte no valor de R$ 85.616,13 já admitidas pela DERAT, não refletem a real situação da Requerente, tributada pelo IRFonte no exercício de 1996 em R$ 311.787,63. Além disso, afirma que a própria empresa recorrente, por se tratar de empresa de propaganda e publicidade, destaca o IRFonte nas notas fiscais de prestação de serviços, o que só vem a corroborar com a falta de diligência da autoridade administrativa em analisar os documentos apresentados pela empresa. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de pedido de Restituição, formulado pela empresa recorrente, na data de 20.07.2001, referindo ser credora do IRPJ gerado pelo IRfonte sobre serviços prestados e sobre rendimentos de aplicações financeiras, não compensados no IRPJ devido nos anos calendários de 1995, 1996, 1997 e 1998. O despacho decisório proferido na DRF deu parcial provimento, entendendo que não caberia o pedido na sua integralidade, uma vez que o ano de 1995 já se encontrava caduco e que o pedido formulado pela empresa não fora a solicitação de restituição do saldo negativo do IRPJ, mas sim do IRPJ gerado pelo IRFonte. Assim passou a analisar apenas as retenções na fonte indicadas na DIPJ para efeito de cálculo do crédito de IRPJ restituível a mesma. A matéria devolvida a este colegiado para apreciação referese tão somente ao ano calendário de 1996. Nesse sentido, os demais anos tratarseá de matéria preclusa. 7 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Ocorre que na realidade tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório foi postulado de forma equivocada, por um lapso material cometido pela interessada, mas que não inviabiliza o seu direito creditório, oriundo do saldo negativo de IRPJ. Assim, assiste parcial razão à interessada. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo relativo ao não calendário em apreço, qual seja 1996. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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