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Numero do processo: 17883.000070/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/12/2007
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 70 /2 01 0- 52 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000070/201052 Acórdão n.º 2402004.886 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VIAÇÃO SANTO ANTÔNIO E TURISMO LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto De Infração n. 37.249.2371, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, cujos fatos geradores foram os seguintes: a) 8.1 — Cesta Básica Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa forneceu ao empregados o benefício da cesta básica sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. b) 8.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000. c) 8.3 — Folhas de Pagamento — Remunerações pagas aos empregados nas folhas de pagamento deduzidos das contribuições recolhidas/parceladas e também as que foram declaradas em GFIP. Os valores lançados foram retirados das informações constantes em folha de pagamentos. Consta do relatório fiscal que a multa aplicada em cada competência fora aquela considerada como mais benéfica, em decorrência das alterações levadas a efeito pela Lei 11.941/09. O lançamento se refere ao período de 06/2005 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/04/2010 (fls. 29). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a não incidência de contribuições previdenciárias em razão do fornecimento de cestas básicas, mesmo diante da não inscrição da recorrente no PAT; 2. sobre a participação nos resultados aduz que, sobre ela, não há incidência de contribuição previdenciária, não havendo como se entender que sobre o parcelamento dessa mesma participação, ainda que de forma adiantada, para se evitar perda de poder aquisitivo dos empregados, deva incidir aludida contribuição na medida em que o que deve ser considerado é que a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 parcela paga nada mais é que a participação nos resultados e não salário, desde que esta ação não mascarasse uma intenção de suprimir direitos do empregado. 3. acresce que a periodicidade da distribuição não é não pode ser considerada como aspecto substancial da qualificação da verba como salarial ou isenta das contribuições lançadas; 4. no que se refere ao lançamento de contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, constante em folha de pagamentos, defende que todas as contribuições devidas relativas a esta rubrica encontravamse parceladas na data do lançamento e não foram abatidas quando do lançamento; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000070/201052 Acórdão n.º 2402004.886 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Do lançamento sobre a concessão de cestas básicas A fiscalização apontou que a recorrente forneceu cesta básica aos seus empregados sem recolher as contribuições previdenciárias incidentes, agindo, pois, em desacordo com a legislação já que não possuía inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Todavia, referida matéria já fora objeto de pacificação, por meio do parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, mediante o qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional passou a reconhecer estar definitivamente vencida quanto no que se refere a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, concedida pelos empregadores a seus empregados, conforme consolidada jurisprudência do STJ. O parecer restou assim ementado: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos". No mesmo sentido foi editado o Ato Declaratório PGFN n. 03/2011, confira se: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. No caso dos autos, consta expressamente do relatório fiscal do presente Auto de Infração que a recorrente fornecia a alimentação in natura, no caso, cestas básicas, sendo, portanto, o caso de acatarse aquilo o que determinado pelo parecer supra. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Logo, sobre a concessão de cestas básicas, não incidem as contribuições previdenciárias. Da participação nos Lucros e Resultados Sobre referido fato gerador, assim se manifestou o ilustre fiscal: "8.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000". Verificase, portanto, que a fiscalização considerou que os pagamentos efetuados estavam em desacordo com a Lei 10.101/00, em razão da inobservância da regra da periodicidade da distribuição dos valores pagos a título de PLR. Sobre o assunto, a Lei 10.101/00 dispunha, à época dos fatos geradores, de forma bastante clara, que os pagamentos da PLR não poderiam ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, conforme se verifica do §2º de seu artigo 3º, a seguir: "§ 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil". No caso dos autos, a recorrente efetuou pagamento da PLR mensalmente aos seus segurados empregados, agindo em desacordo ao que determinado pelo dispositivo legal supramencionado. E a recorrente alega, em sua defesa, que a regra da periodicidade não poderia ser considerada como aspecto substancial, a determinar a classificação da verba como salaria ou não, tendo em vista que a Participação nos Lucros e Resultados possui previsão constitucional que a caracteriza como verba imune a incidência das contribuições previdenciárias, devendo este conselho afastar a incidência da regra inscrita no art. 3º, §2º, da Lei 10.101/00. Tenho, no entanto, que tais irresignações, da forma como constam no recurso voluntário, não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Ademais, percebese que a Constituição Federal de 1988 remeteu de forma expressa à lei ordinária a incumbência na fixação dos direitos da participação nos lucros, confirase: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000070/201052 Acórdão n.º 2402004.886 S2C4T2 Fl. 5 7 "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei". Dessa forma, a meu ver, a norma supra, apesar de insculpir verdadeira imunidade, fez clara a alusão à necessidade de promulgação de norma infraconstitucional que regulamente e integre o pagamento da participação nos lucros e resultados, para que então venha a ser desvinculada do salário. A própria constituição Federal exige a promulgação de legislação ulterior que venha a definir as condições necessárias para que o direito por ela garantido, possa surtir seus efeitos de forma prática. O saudoso jurista Pontes de Miranda já dizia que nem todas as normas constitucionais são aplicadas em decorrência da simples promulgação do texto constitucional, conforme lição a seguir: “quando uma regra se basta, por si mesma, para a sua incidência, dizse bastante em si, self executing, self acting, self enforcing. Quando, porém, precisam as regras jurídicas de regulamentação, porque, sem a criação de novas regras jurídicas, que as complementem ou suplementem, não poderiam incidir e, pois, ser aplicadas, dizemse não bastantes em si”(MIRANDA, Francisco Cavalcanti Pontes de.Comentários à Constituição de 1946.São Paulo: Max Limonad, 1953, p.148)." Assim, em virtude de a própria constituição ter determinado a necessidade de norma regulamentadora, in casu, somente com a existência desta e desde que respeitado os limites que por ela vierem a ser impostos, é que irão surtir, na prática, os efeitos essenciais da norma constitucional. No que se refere a PLR a questão veio a ser tratada por intermédio da Lei 10.101/00, que regula a forma de pagamento da verba em questão, para que venha a ser consumado o efeito prático pretendido pelo legislador constituinte, de modo que não cabe a este relator deixar de aplicar ao caso referida legislação ao caso em concreto, ainda considerado o comando do art. 28, §9o da Lei 8.212/91. Assim, verificada a desobediência aos critérios de periodicidade da distribuição da PLR, é de ser mantido o lançamento sobre este aspecto. Dos pagamentos constantes em folha No que se refere a este tópico, a recorrente sustenta que o fiscal deveria ter abatido do lançamento, os valores já recolhidos pela empresa por ocasião do parcelamento efetuado relativamente ao AI 37.040.3339. Em verdade, os argumentos de recurso apenas repetem aqueles constantes na impugnação apresentada, não trazendo qualquer inovação ou apontamento que demonstre que os abatimentos não foram efetuados, ainda mais considerando os argumentos constantes do v. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 acórdão de primeira instância, que apontou claramente que os valores pagos em parcelamento foram considerados quando do lançamento. Cito, a propósito, o esclarecedor trecho "28. Consultando o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, verificase, por exemplo, que na competência 06/2005 o valor da GPS recolhida corresponde a R$ 10.099,63 referente ao valor relativo ao INSS e o valor do parcelamento R$ 26.887,53, que somandose totaliza no valor de R$ 36.987,16. 29. O que se verifica no anexo RADA é que os valores aparecem duplicados, entretanto, verificase isto com facilidade. E ademais, o anexo RDA elenca todos os documentos apresentados. 30. E mais, a planilha de fls. 68 demonstra claramente que os valores parcelados no LDC 37.040.3339 foram utilizados para abater os débitos lavrados na ação fiscal. 31. Assim, verificamos que todos os documentos apresentados pela empresa foram utilizados para abater os valores lançados na presente autuação, descabendo quaisquer alegações no sentido oposto". Assim, o entendimento não merece qualquer reparo. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO tão somente para excluir do lançamento as rubricas CB e CB1. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10580.013402/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996
PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72.
A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 34 02 /2 00 2- 14 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de declaração de compensação protocolada em 18/12/2002, compensando débitos de Pasep, código 3703, e parcelamento de Pasep, código 8707 de novembro de 2002, com créditos de R$ 548.453,59, sem indicação da origem do direito creditório. Intimada, a recorrente afirmou serem decorrentes dos créditos alegados nos pedidos de restituição nº 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565 e que a compensação referese apenas ao débito de Pasep sob o código 3703, efl. 24. O despacho decisório não homologou a declaração de compensação em razão do indeferimento dos pedidos de restituição referentes aos processos acima mencionados. Em manifestação de inconformidade, a recorrente reafirmou a pendência de julgamento dos pedidos de restituição acima referidos, alegando a necessidade de se aguardar a decisão dos referidos processos, como também defendeu que o prazo para efetuar o pedido de restituição seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995 ou, alternativamente, de dez anos contados do fato gerador conforme jurisprudência do STJ. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade pela inexistência dos créditos em comento, decidindo pela inaplicabilidade da semestralidade e pelo prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, inciso I do CTN, nos termos dos Acórdãos DRJ/SDR nº 9.390/2005 e 9.391/2005, afastando o pedido de sobrestamento por falta de previsão legal. A recorrente interpôs recurso voluntário, alegando que o prazo para pedir a restituição de indébito tributário seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995 e propugnando pela aplicação da semestralidade no cálculo do Pasep. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência nos seguintes termos: "À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a delegacia de origem, onde a autoridade lançadora deverá incluir as informações pertinentes às questões abaixo formuladas, e outras que julgar necessárias à boa apreciação da preliminar e do mérito do presente recurso: 1 se a contribuinte solicitou parcelamento correspondente aos períodosbase compreendidos entre 1992 e 1996, a quais fatos Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 4 3 geradores se referiram, quais foram as bases de cálculo declaradas e quais os valores envolvidos, assim como as parcelas relativas à atualização monetária e multa moratória porventura consignada, e se foram efetivamente recolhidos conforme alega a recorrente; e 2 informação sobre se o parcelamento fora feito considerando as bases de cálculo, alíquotas, atualização monetária e multa moratória constantes dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 ou se pertinentes à Lei Complementar n 2 8/70 e ao Decreto n 2 71.618/72. 3 se a contribuinte efetivamente recolheu ao erário o referido parcelamento, uma vez que em algumas Declarações de Compensação, aparentemente, ele busca compensar os pretendidos créditos com algumas parcelas devidas a esse título". Foram anexados a este processo algumas peças do processo 10580.002854/200351, contendo cumprimento da diligência, tendo a autoridade fiscal informado os seguintes parcelamentos cadastrado: 10580.012163/9215, (débitos parcelados relativos a fatos geradores de 01/1990 a 09/1992), 10580.000824/9610 (débitos parcelados de 04/1994 a 11/1995), 10580.009598/9391 (débitos parcelados de 06/1993 a 10/1993 e transferido para o processo 10580.007020/9308), 10580.004015/9434 (débitos parcelados de 01/1994 a 04/1994 e transferidos para o processo 10580.007020/9308), 10580.007020/9308 (débitos parcelados de 10/1992 a 12/1992) , 10580.007019/9311 (débitos parcelados de 01/1993 a 05/1993), conforme extratos constantes no processo 10580.002854/200351. Concernente às bases de cálculo, a autoridade fiscal informou que não dispunha de informações para responder, intimando a recorrente a esclarecer o regime jurídico dos débitos parcelados, tendo esta respondido que foram os débitos parcelados foram calculados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Duas são as questões postas em julgamento: o prazo decadencial para efetuar o pedido de restituição e a aplicação da semestralidade ao Pasep aos recolhimentos efetuados de acordo com a LC nº 08/1970 e o Decreto nº 71.618/72. Concernente ao prazo para efetuar o pedido de repetição de indébito, a matéria está pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 5 4 reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, §4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 6 5 sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 7 6 anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 8 7 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados antes de 09/06/2005, devese aplicar o prazo de restituição de indébito de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN a partir da homologação tácita do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN, a qual ocorre cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ressalvada a hipótese da data da homologação expressa como termo inicial para contagem do prazo de cinco anos de que trata o artigo 168. Este processo trata de pedido de restituição protocolado em 16/04/2003, relativo a Pasep recolhido de 1992 a 1996. Assim, devese afastar a decadência declarada em despacho decisório, relativa aos recolhimentos efetuados de maio/1993 a 1996, que se refiram a fatos geradores posteriores a 16/04/1993, ou seja, fato gerador de abril/1993, inclusive, em diante. Relativamente à semestralidade, após a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e a suspensão da execução dos referidos decretos pela Resolução nº 49/1995 do Senado Federal, as contribuições para o PIS e para o Pasep voltaram a ser reguladas pelas Leis Complementares nº 07/70 e nº 08/70, respectivamente, até a edição da MP nº 1.212/95. Para o PIS, a questão restou pacificada no REsp nº 1.127.713/SP3 e com a edição da Súmula CARF nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. De fato, a Lei nº 07/70 assim dispunha em seu artigo 6º: Art. 6.º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Por sua vez, o Decreto nº 71.618/72, regulamentando a Lei Complementar nº 8/70, assim dispôs: Art. 13. A contribuição dos Estados e Municípios, bem como das respectivas entidades de administração indireta e fundações 3 TRIBUTÁRIO. PIS. SEMESTRALIDADE. ART. 6º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LC 7/70. NORMA QUE SE REFERE À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. O art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70 não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas à base de cálculo do tributo, que, sob o regime da mencionada norma, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 9 8 supervisionadas, para o PASEP, será devida a partir de 1 de julho de 1971 (Artigo 2º, item II, da Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970), qualquer que seja a data de expedição na norma legislativa, referida no artigo 8º da mencionada Lei Complementar. Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior. Art. 15. As contribuições devidas ao PASEP serão recolhidas até o último dia do mês em que forem devidas. Portanto, é de se reconhecer que as razões que levaram à edição da Súmula CARF nº 15 devem ser aplicadas ao Pasep, no sentido de que o cálculo da contribuição deve ser efetuado considerando a aplicação da semestralidade, ou seja, a base de cálculo deve ser as receitas e transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao fato gerador, sem correção monetária, até a edição da MP nº 1.212/95. Neste sentido, citamse acórdãos do Antigo Conselho de Contribuintes e deste Conselho: Acórdão nº 20179.086: BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. ALÍQUOTA. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, eleita pela Lei Complementar 112 8/70 e pelo Decreto n2 71.618/72, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n9 1.212/95. O mesmo ocorreu com a alíquota. Acórdão nº 3201001.473: SEMESTRALIDADE PASEP. O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP, que está disciplinado no artigo seguinte. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre maio/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de abril/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.013402/200214 Acórdão n.º 3302003.020 S3C3T2 Fl. 10 9 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13116.002626/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO.
Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas a partir da própria escrituração do contribuinte.
Numero da decisão: 3201-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendia necessária a realização de uma diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas a partir da própria escrituração do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendia necessária a realização de uma diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 26 26 /2 01 0- 85 Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.141 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O presente processo originouse do auto de infração de fls. 599/609, lavrado contra o interessado, em 17/12/2010 (AR à fl. 610), para exigência do crédito tributário de IPI no montante de R$ 6.458.688,51, relativamente a períodos de apuração dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, assim discriminado: Imposto sobre Produtos Industrializados. R$2.877.767,12 Juros de Mora (calculados até 31/11/2010). R$1.422.596,13 Multa Proporcional (Passível de Redução)..R$2.158.325,26 Total de Crédito Tributário Apurado...R$6.458.688,51 O Termo de Verificação de Infração Fiscal, parte integrante o Auto de Infração, consta das fls. 586/588, e o Enquadramento Legal está descrito às fls. 602 (infração) e 607 (multa proporcional e juros de mora). Segundo o Termo de Verificação de Infração Fiscal TVF, a autuação resultou de averiguações realizadas em estabelecimentos da CECRISA, localizados no estado de Santa Catarina, nos quais a fiscalização local verificou que créditos calculados naqueles estabelecimentos eram transferidos para a filial sob jurisdição da Delegacia da Receita Federal em Anápolis, GO. Dirigiu, então, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, SC, representação à Delegacia da Receita do Brasil em Anápolis, com as conclusões sobre o trabalho fiscal ali realizado, assim sintetizados no TVF: 1. Os estabelecimentos industriais da CECRISA S/A aproveitaram créditos de IPI originários de aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou com alíquota reduzida a zero o crédito presumido (ficto) do IPI , com base na medida judicial n° 1997.34.00.0369592/DF. Tais créditos foram lançados por meio de auto de infração com exigibilidade suspensa; 2. O contribuinte incluiu, indevidamente, na base de cálculo dos créditos presumidos (fictos) do IPI, itens que "não são considerados insumos" (não abrangidos no conceito de matéria prima, material intermediário ou de embalagem), tais como "Energia Elétrica", "Carvão Mineral" e "Gás GLP", entre outros, sendo que os créditos de IPI referentes a estes itens foram lançados com a devida exigibilidade; 3. Eram aproveitados créditos decorrentes de exportações de produtos industrializados, o chamado créditoprêmio do IPI, com base na ação declaratória não provida de n° Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.142 3 2003.34.00.0213924/DF, e estes créditos também foram lançados com exigibilidade imediata; 4. O contribuinte transferiu CréditoPrêmio do IPI dos estabelecimentos fiscalizados para a unidade industrial de CNPJ 79.655.916/002850, em Anápolis (GO). Estas operações foram estornadas nas respectivas origens, porque, não eram permitidas pela legislação, nem estavam amparadas judicialmente. Sendo assim, os créditos ficaram indevidos e pendentes de lançamento, na unidade destino. Em anexo, a DRF de Florianópolis (SC) encaminhou demonstrativos das notas fiscais de transferência de crédito de IPI (fls. 0406). Tomando conhecimento dos fatos ocorridos em outras filiais, a DRF em Anápolis também promoveu fiscalização no estabelecimento da Cecrisa , sob sua jurisdição. O procedimento fiscal que se iniciou em 12/02/2010 foi realizado com a colaboração da DRF em Florianópolis, que, em diversas oportunidades, foi consultada pela DRF em Anápolis, e também mediante intimações dirigidas ao contribuinte. Antecipandose à fiscalização, o contribuinte providenciou o parcelamento dos débitos decorrentes da anulação de créditos escriturados sob aquisição dos chamados energéticos e da anulação dos créditos relativos ao crédito prêmio de IPI recebidos em transferência. Os parcelamentos se deram, respectivamente, ao amparo da Lei nº 11.941, de 2009, e MP nº 470, de 2009. Também no estabelecimento filial havia aproveitamentos, em razão das respectivas aquisições, de créditos sobre os energéticos; créditoprêmio transferido e apuração créditos sobre insumos desonerados, em razão de decisão judicial transitada em julgado, contra a qual a União interpôs ação rescisória. Nesse contexto, apesar dos parcelamentos adotados, em havendo no RAIPI do contribuinte créditos contrários à legislação tributária, bem como créditos contestados judicialmente pela União, a escrituração fiscal do contribuinte foi reconstituída, determinando a existência de débitos em diversos períodos de apuração dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. Foram então lavrados autos de infração para exigência dos créditos tributários inadimplidos e prevenir a decadência de débitos decorrentes de aproveitamento de créditos contestados pela União. Nesse diapasão, foram lavrados dois autos de infração: um para exigir débitos pelo aproveitamento de créditos indevidos, com exigência imediata do tributo (o presente processo); outro, com o intuito de prevenir a decadência dos débitos decorrentes da anulação de créditos referentes à ação judicial transitada em julgado, favoravelmente ao sujeito passivo e contestada em ação rescisória pela União, lançados com exigibilidades suspensas (processo nº 13116.002625/201031). Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.143 4 À ação rescisória, seguiram as demais ações competentes para legitimar o lançamento. Estes últimos créditos, embora não compatíveis com a legislação tributária, pois que decorrentes de insumos desonerados contavam com amparo judicial, não podendo ser considerados ilegítimos, à luz de nosso ordenamento jurídico. No entanto, o auto de infração de que trata o presente processo diz respeito apenas aos débitos com exigência imediata, contra o qual o contribuinte, por intermédio de seus procuradores(fl. 629), apresentou a impugnação de fls. 617/628, para alegar: 1) preliminarmente, a decadência dos créditos tributários lançados no anocalendário de 2005, tendo em vista que foi cientificado da atuação no mês de dezembro de 2010; que houve pagamento do tributo naquele período; que não foram verificados dolo, fraude ou simulação. Nessas circunstâncias, haveria de se considerar o prazo decadencial de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no art. 150, §4º, do CTN; 2) no mérito, a quitação integral dos débitos decorrentes dos créditos indevidos, mediante parcelamento, informação essa corroborada pela DRF em Florianópolis, SC. A identificação de débitos remanescentes aos parcelamentos se deveu à “confusão que se instaurou no momento em que a Autoridade Administrativa procedeu à reconstituição dos Livros RAIPI's. Prova disso são os documentos, bem como a planilha por ela elaborada, que seguem anexos a presente Impugnação.” Nesse sentido, o contribuinte apontou uma série de erros de cálculo e desconsideração de pagamentos e créditos, que no seu entender demonstrariam a falta de fundamento do trabalho fiscal e sua respectiva nulidade. Ad cautelam, caso não fosse esse o entendimento da autoridade julgadora, conforme expresso no parágrafo anterior, o contribuinte solicitou que ela determinasse a realização de diligência fiscal, a fim de sanar as divergências apontadas, procedimento este que comprovaria a inexistência do crédito tributário combatido. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou, pelo voto de qualidade, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007 1) ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE: ERRO NA RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL.ACATAMENTO PARCIAL Somente as alegações do contribuinte sobre erros cometidos na reconstituição da escrituração fiscal, confirmadas objetivamente Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.144 5 na análise dos autos, devem ser acatadas, afastandose aquelas que, pelas provas e evidências que compõem os autos, se mostrarem descabidas. Assim sendo, alegações de erros que não se comprovam pela análise dos autos e procedimentos corretos, equivocadamente tomados por inexatos, em virtude de exame superficial do contribuinte, são de pronto rechaçados. No entanto, quando confirmada a inexatidão da apuração fiscal, de imediato, o erro deve ser sanado, computandose o pagamento negligenciado na reconstituição da escrita fiscal do contribuinte. 2) DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE Provada ser prescindível a diligência, é de se indeferir a solicitação do impugnante (art. 18, PAF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO REFERENTE AO IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Decorridos cinco anos do encerramento de período de apuração em que a fiscalizada tenha realizado pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o IPI, nos termos dos incisos I e III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, a aplicação do disposto pelos arts. 150, § 4º, e 156 do CTN implica, para tal mês, a impossibilidade definitiva de se constituir/exigir crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Foi exonerado o crédito tributário relativo aos períodos de apuração mensais abril/2005, setembro/2005 e novembro/2005, porquanto atingidos pela decadência; e o crédito tributário do IPI no valor de R$ 8.124,97 (mais os consectários correspondentes), relativo ao período de apuração março/2007, mantendose os demais valores exigidos. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A requerente sustenta a nulidade do procedimento fiscal devido a falta de motivação. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.145 6 Em atenção ao alegado, verificase que o auto de infração é claro ao expor as infrações praticadas pela recorrente, não se olvidando de nenhuma das informações exigidas pela legislação fiscal. No tocante a formalização de dois autos de infração para exigir o IPI devido pela recorrente, a sua motivação encontrase devidamente justificada pela autoridade fiscal, como demonstra o trecho extraído do auto de infração abaixo transcrito: Por fim, observamos que, após a reconstituição dos RAIPIs, há créditos tributários a constituir, e que tais valores têm, em sua composição, uma parte decorrente de créditos que, apesar de indevidos (entradas isentas, NT ou com alíquota zero), estão amparados por medida judicial (processo 1997.34.00.0699592), e devem ser lançados com exigibilidade suspensa. O restante deve ser exigido, imediatamente. Sendo assim, utilizamos o presente processo, de número 13116.002626/201085, para lançar os débitos com exigibilidade imediata, e outro processo, de número 13116.002625/201031, para os lançamentos com exigibilidade suspensa. Assim sendo, negase provimento ao pleito de nulidade do auto de infração. Ingressando nas razões de mérito, a Recorrente alega que a autoridade fiscal incorreu em equívocos na reconstituição de sua escrita fiscal, delineandoos. Observo, contudo, que os alegados equívocos foram analisados um a um e com muita propriedade pela julgadora Dulcemar Fernandes de Mello, conforme excerto do acórdão recorrido que se transcreve abaixo, o qual se adota como razão de decidir: PARTE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS, SUSPENSOS POR MEIO DE MEDIDA JUDICIAL, NÃO FORAM CONSIDERADOS NA APURAÇÃO FISCAL Justificativa do contribuinte: O impugnante manteve na apuração do IPI, créditos de entradas isentas, não tributada ou com alíquota reduzida a zero, em vista do provimento judicial obtido nos autos nº 1997.34.00.0369592/ DF. Tais valores, em face da suspensão da sua exigibilidade, deveriam ser excluídos da apuração do IPI. No entanto, não o foram na sua integralidade. Ou seja, do simples confronto da planilha fiscal elaborada às fls. 114, com àquela que demonstra a reconstituição dos Registros de Apuração do IPI, para os anos de 2005 a 2007, constatase que em diversos meses a exclusão desses créditos passou despercebida. É o que se tem, por exemplo, nos períodos de janeiro a março de 2005, em que contribuinte conta com um crédito em ação judicial de R$63.616,22, R$63.154,86 e R$63.791,68, respectivamente, devidamente relacionados no relatório de fls. 114 (fl. 115 do processo digitalizado, nota da relatora), e que não foram abatidos na reconstituição fazendária. Tal divergência reflete numa apuração equivocada e, Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.146 7 conseqüentemente, num débito inexigível que merece ser revisto de imediato. Análise da relatora: Para evidenciar o erro supostamente cometido na elaboração da reconstituição da escrita fiscal, o autuado indica como respectiva prova o relatório de fl. 115. Nele estariam claros os valores de R$63.616,22, R$63.154,86 e R$63.791,68, relativos a créditos reconhecidos na ação judicial provida, respectivamente, para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2005. Analisando o documento citado, constatase que é parte de correspondência eletrônica, às fls.113/116, enviada pelo contribuinte ao auditor fiscal, na qual procura esclarecer valores relativos à UNIDADE 3 estabelecimento 0003, no que respeita aos créditos de IPI, sejam os calculados sobre insumos desonerados, sejam valores parcelados e confessados em DCTF ou o créditoprêmio do IPI. Ali não se evidenciam a exatidão dos valores mencionados pelo contribuinte, pois que é impossível deduzir os valores referidos de um montante referente a uma unidade que não o estabelecimento 0028, de que cuida a presente autuação. Não há individualização de valores por estabelecimento, apenas a simples referência à UNIDADE 3. Mas à fl. 635, na planilha apresentada pelo próprio contribuinte para ilustrar erros na reconstituição da escrituração fiscal, destacamse os créditos por ele tomados como esquecidos pela fiscalização, mas que, contrário senso, compuseram o lançamento com exigibilidade suspensa, considerados na sua integralidade no processo nº 13116.002625/2010 31, lançamento com exigibilidade suspensa. É fácil concluir dessa maneira, conjugandose a planilha do contribuinte, sobretudo as colunas onde informa SALDO DE IPI OU “CONFISSÃO A MAIOR” e o “CRÉDITO EM AÇÃO JUDICIAL” com a planilha de reconstituição da escrita fiscal, no tocante aos demais dados. De início é importante reiterar que não houve glosas relativas aos créditos em razão dos insumos desonerados. Considerálos então no lançamento exigiu tratamento especial para tais créditos. A fórmula utilizada para tanto foi deduzilos do saldo a pagar, quando remanesceram débitos, a par das confissões realizadas pelo contribuinte (DCTF e parcelamento da MP 470, de 2009) ou da confissão de débitos, quando a confissão superou o saldo a pagar da reconstituição da escrita. Resultando saldo de imposto a pagar, preferencialmente, foi lançado com exigibilidade suspensa até o limite dos créditos decorrentes de ganho judicial. Ultrapassado esse limite, a diferença foi lançada com exigência imediata. Explicando melhor: o saldo devedor, quando resultante dos créditos por insumos desonerados, foi lançado com exigibilidade suspensa pelo total dos créditos legitimados na ação judicial e neste processo pela diferença, quando existente, entre o débito total obtido na reconstituição da escrita e o crédito obtido judicialmente. Entretanto, se havia confissão de débito que superava o saldo devedor, não houve qualquer lançamento. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.147 8 Portanto, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, citados pelo contribuinte, tendo em vista que a confissão de dívida foi superior aos créditos relativos à ação judicial, não houve lançamento. No entanto, é inquestionável que o montante daqueles créditos foi considerado para se chegar à conclusão pelo não lançamento do tributo naqueles períodos de apuração. [...] Depreendese das explicações e planilha elaborada acima, não se confirma a hipótese de erro aventada pelo contribuinte. DÉBITOS EM DCTF COBRADOS A MAIOR NA AUTUAÇÃO Justificativa do contribuinte: A confissão dos débitos em DCTF, ocorreu no mês de lançamento do crédito no livro RAIPI e não do seu real aproveitamento; idêntico procedimento ocorreu com o crédito prêmio de IPI, apurado em janeiro, março e abril de 2005. Diante disto, é razoável concluir que em determinados meses o contribuinte confessou créditos a maior e em outros, a menor. Entretanto, tal procedimento, de forma alguma, resulta na sua confissão parcial. Notese, por exemplo, que, segundo apuração fiscal, no mês de janeiro de 2005, a contribuinte contou com um saldo devedor de IPI no montante de R$298.700,93, porém confessou em DCTF (Lei 11.941/09) a quantia de R$391.254,72 e parcelou por meio da MP 470/09, valor de R$102.970,41. Ou seja, a Impugnante confessou a maior, apenas nesse período (jan./05), a quantia de R$197.524,20. Observese que o mesmo se repete nos meses subsequentes. Entretanto, destacado critério não foi observado pelo Sr. Fiscal, que ao realizar sua apuração , não descontou as confissões realizadas a maior. Reiterese, feitas com base no mês de lançamento do crédito no Livro RAIPI. Tal equivoco, assim como os demais relatados, resultaram num crédito tributário totalmente indevido. Análise da relatora: O mote do presente tópico é a alegação de cobrança a maior no auto de infração, pois o auditor fiscal não transferiu débitos confessados para outros períodos de apuração, assim por dizer, não “compensou” débitos de um período em outro período de apuração. Afirma o contribuinte que sofrera, nesses casos, lançamento em valor superior ao que realmente devia. É fato que na reconstituição da escrituração fiscal, o auditor fiscal manteve intactos os débitos confessados em DCTF ou em parcelamentos solicitados, mas deduziuos dos débitos apurados, como “crédito” favorável ao contribuinte. Esse é sem dúvida o procedimento correto. Débito confessado não deve integrar o lançamento de ofício. No entanto, quando o saldo devedor Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.148 9 apurado na reconstituição da escrituração fiscal era inferior ao valor confessado, apenas não houve lançamento naquele período de apuração, mas se manteve o débito confessado pelo contribuinte. Ou seja, se confessados R$500,00 e o saldo devedor era de R$400,00, não houve tributo lançado de ofício, mas permaneceu no período o débito confessado de R$500,00. Nada de errado no comportamento fiscal. Isso porque débito confessado é tributo devido. Não cabe ao auditor fiscal alterar as características da declaração do contribuinte, modificando a essência dos débitos por ele confessados, não só em seu valor mas no período de apuração ao qual se refere. Não o fez o auditor fiscal , porque essa não é atitude compatível com a atividade fiscal. Nos débitos declarados a maior, apenas o contribuinte tem a competência para alterálos. Para tanto, deve oferecer justificativas legais para tal feito. Se está descontente, se cometeu erro na DCTF, a ele cabe modificar tal situação, apresentando à unidade de sua jurisdição, que é a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis, provas irrefutáveis para tal fim e solicitar àquela unidade que reveja de ofício os valores confessados. Mas, repitase, a iniciativa de conduzir ao acerto da DCTF, se for o caso, é do contribuinte. Mantémse, pois, a apuração tal qual realizada na reconstituição da escrituração fiscal. DIVERGÊNCIA NA RECONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A AGOSTO/2006 Justificativa do contribuinte: Se não bastassem as razões anteriores, constatouse que o Sr. Fiscal, ao elencar o crédito listado na coluna "G" da sua planilha, o fez no montante de R$27.070,44, quando o correto seria R$27.085,54. Corroborando o dito, seguem anexas as notas fiscais (Doc. 01), que demonstram um crédito a maior de R$15,10 (= R$ 27.085,54 R$ 27.070,44). Análise da relatora: Para fundamentar o suposto erro de avaliação do crédito, o contribuinte juntou aos autos, às fls. 638/640, cópias de três notas fiscais, nas quais foram destacados créditos no montante de R$15,10 (R$13,00 + R$0,78 + R$1,38). Segundo o autuado, o erro cometido pelo auditor fiscal se evidenciou num cálculo a menor dos créditos escriturados em R$15,10. Assim sendo, foi calculado o crédito de R$27.070,44, mas o correto seria apurar R$27.085,54 (R$27.070,44 + R$15,10). Ou seja, as notas fiscais que geraram o crédito de R$15,10 teriam sido ignoradas pelo auditor fiscal. É impossível verificar a procedência da alegação do contribuinte, pois não há nos autos a relação completa das notas fiscais que perfizeram o crédito total escriturado no mês de agosto de 2006. Apenas constam dos autos as três notas fiscais Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.149 10 isoladamente. No entanto, na Reconstituição da Escrita Fiscal, à fl. 595, considerouse, no mês de agosto de 2006, o crédito escriturado de R$358.037,54, valor idêntico ao que consta do RAIPI, à fl. 75, apresentado pelo contribuinte (CRÉDITO PRÊMIO DE R$10.093,82 + CRÉDITO PRESUMIDO DE R$105.816,01 + CRÉDITO POR ENTRADAS NO MERCADO NACIONAL DE R$242.127,71 = R$358.037,54). Isso indica que tudo o que foi escriturado foi levado à reconstituição da escrita, certamente com os devidos ajustes, em vista da glosa do crédito prêmio de R$10.093,82, do crédito presumido ficto de R$105.816,01 e dos créditos transferidos de outras filiais de R$215.057,27, gerando o crédito reconstituído reconhecido de R$27.070,44. Não há erro evidente. Mais uma vez o contribuinte lança mão de justificativas que nada provam e, consequentemente, não confirmam o erro alegado. Ademais, as referidas notas fiscais foram preenchidas com o CFOP nº 2.949 que identificam OUTRAS ENTRADAS DE MERCADORIA OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇO NÃO ESPECIFICADO. Ainda que fosse provada a desconsideração do crédito total de R$15,10, tal conduta seria legitimada na presente análise. Concluise, portanto, por não se acatar a alegação do contribuinte. VALORES EFETIVAMENTE CONFESSADOS EM DCTF E DESCONSIDERADOS PELA AUTORIDADE FISCAL Justificativa do contribuinte: Da análise das DCTF’s retificadoras que seguem anexas, constatase que, do crédito apurado em dezembro/2006 e dezembro/2007, o contribuinte confessou espontaneamente, os montantes de R$79.000,06 (12/2006) e R$87.477,37 (12/2007), os quais não foram considerados pela Autoridade Fiscal. É o que demonstra a coluna "J" da planilha fazendária. Análise da relatora: Nos meses de dezembro de 2006 e dezembro de 2007 não houve lançamento de oficio, uma vez que naqueles períodos de apuração foi calculado saldo credor na reconstituição da escrita fiscal. Assim sendo, considerar ou não, indicar ou não, o IPI confessado em DCTF não faria a menor diferença, pois não modificaria o saldo credor já obtido e nem acarretaria saldo devedor naqueles períodos. Optou o auditor fiscal por encerrar o demonstrativo naqueles períodos desde logo constatou saldo credor. É importante que se diga que o saldo credor obtido no mês de dezembro de 2006, R$48.093,98, foi transferido para o período de apuração seguinte (janeiro de 2007) e o saldo credor de dezembro de 2007 de R$241.406,14 só não foi transferido para o período de apuração seguinte porque nele se encerrou a apuração fiscal. Injustificada a contestação do contribuinte. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.150 11 VALORES EXCLUÍDOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO FISCAL Justificativa do contribuinte: Ainda neste cenário, constatou o contribuinte que duas exclusões foram praticadas equivocadamente pela Autoridade Fiscalizadora. São elas: (1) R$154.318,65 e (2) R$30.673,90, relativas março e abril de 2007, respectivamente. Dizse isso, pois, o valor referente ao mês de março de 2007, decorre da transferência de crédito extemporâneo de DCP, conforme demonstra o processo de levantamento de crédito que segue anexo (Doc. 03) e àquele correspondente a abril, referese a créditos básicos de IPI transferidos do estabelecimento matriz (CNPJ 79.655.916/002850) para o estabelecimento autuado. É o que demonstra o Doc. 04, que traz os livros de apuração do IPI desde o anocalendário 2005, que comprovam o crédito acumulado na matriz. Análise da relatora: A primeira exclusão indevida, segundo o contribuinte, diz respeito, à transferência de crédito presumido de IPI, realizada por meio da Nota fiscal de fl. 647, com o IPI destacado de R$154.318,65 e descrita como TRANSFERÊNCIA DE IPI ALIQ. ZERO RECÁLCULO. Fez a transferência, segundo ele, porque recalculou o incentivo nos anoscalendário de 2002 e 2003, contando também com os insumos desonerados, o que não fizera na apuração original. De fato, o contribuinte retificou os Demonstrativos da Apuração do Crédito Presumido de IPI, para os anoscalendário de 2002 e 2003. Há nos autos parecer sobre essas retificações, anexado às fls. 648/789 e 793/837, denominado RECÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO, acompanhado dos respectivos Demonstrativos de Apuração do Crédito Presumido de IPIDCP. As informações sobre transferências de créditos devem compor o DCP. Assim sendo para se verificar a veracidade da alegação do contribuinte, foram feitas as comparações entre o primeiro DCP (documento original) e o último DCP (documento retificador). Para dar confiabilidade ao que ora se afirma, foram juntados aos autos, às fls. 1008/1030, as relações de documentos apresentados e os respectivos documentos, especificamente a parte que trata das transferências de créditos para os estabelecimentos filiais, seja quando os DCP eram inseridos nas DCTF (1º trimestre de 2002 ao 3º trimestre de 2002), seja quando passaram a compor documento próprio (4º trimestre de 2002 ao 4º trimestre de 2003) . O que se notou na análise desses documentos é que documentos originais e documentos retificadores não foram alterados no tocante as transferências. As transferências permaneceram nos documentos retificados tais quais estavam nos documentos originais. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.151 12 Vejase: Período de Apuração Nº DCP/DCTF Original/Retificador Transferências 1º trimestre /2002 40991794 Original 0,00 1º trimestre /2002 52010428 Retificador 0,00 2° trimestre /2002 81034679 Original 1.350.655,18 2° trimestre /2002 81884628 Retificador 1.350.655,18 3º trimestre /2002 81140552 Original 123.734,79 3° trimestre /2002 32135169 Retificador 123.734,79 4º trimestre /2002 01193 Original 80.000,00 4º trimestre /2002 34238 Retificador 80.000,00 1º trimestre /2003 01240 Original NÃO FOI INFORMADA TRANSFERÊNCIA 1º trimestre /2003 34237 Retificador NÃO FOI INFORMADA TRANSFERÊNCIA 2° trimestre /2003 04645 Original 180.166,89 2° trimestre /2003 34235 Retificador 180.166,89 3º trimestre /2003 08560 Original 344.648,85 3° trimestre /2003 34239 Retificador 344.648,85 4º trimestre /2003 11560 Original (NÃO TEVE RETIFICAÇÃO) NÃO FOI INFORMADA TRANSFERÊNCIA Os dados transcritos na tabela acima demonstram que o contribuinte retificou os DCP, mas não alterou as respectivas transferências de crédito presumido. Nesse contexto, não serve como prova legitimadora do crédito pretendido a nota fiscal de fl. 647. Sobre a nota fiscal de fl. 839, a que o contribuinte atribuiu a transferência de créditos no montante de R$30.673,90 justificandose por representar créditos básicos de IPI transferidos do estabelecimento matriz é de se destacar que a transferência de créditos só é possível quando legalmente admitida e créditos básicos não podem ser transferidos de um estabelecimento para outro, ainda que pertencentes a mesma pessoa jurídica. A transferência de créditos entre estabelecimentos de uma mesma empresa são admitidos, mas somente nas seguintes condições e situações: Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.152 13 dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I – créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II – créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 34, de 18 de fevereiro de 1992; e III – créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87, de 21 de agosto de 1989. O texto acima reproduzido corresponde ao §1º do art. 16 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, mas representa não só a legislação vigente à época do aproveitamento de créditos realizada pelo contribuinte, bem como a legislação atual: transferências de créditos são admitidas desde que haja autorização legal para tal feito e essas autorização são as descritas nos itens I a III acima, ainda assim, somente na dedução de débitos escriturados, sendo vedado o ressarcimento em espécie. Não é sem causa o dito acima, uma vez que estabelecimentos industriais, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa jurídica são autônomos em relação ao IPI (art. 518, inc. IV, do RIPI/2002), são obrigados à escrituração e apuração própria do IPI. Para o IPI são contribuintes autônomos, não se comunicados créditos entre eles, a não ser que, como já dito, estiver autorizado pelo legislação pertinente. Não se enquadrando a situação do contribuinte em quaisquer das condições em que a transferência de créditos é permitida, é ilegítimo transpor créditos de um estabelecimento a outro, ainda que pertencente a uma mesma pessoa jurídica. Mantémse, pois, as exclusões realizadas pela fiscalização. [...] PAGAMENTOS REALIZADOS E EQUIVOCADAMENTE CONSIDERADOS COMO DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF Justificativa do contribuinte: Conforme comprovam os DARF's anexos (Doc. 06), nos meses de abril a julho e novembro de 2007, o contribuinte realizou diversos pagamentos a titulo de imposto devido, que foram devidamente declarados nas DCTF's também anexas, entretanto, Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.153 14 tais recolhimentos foram ajustados equivocadamente na apuração fiscal. São eles: Abril/ 2007: Recolhimento de R$36.683,69; Maio/ 2007: Recolhimento de R$106.505, 56; Junho/ 2007: Recolhimento de R$143.875,23; Julho/ 2007: Recolhimento de R$102.822,03; Novembro/ 2007: Recolhimento de R$137.634,81. Isso porque foram considerados como débitos confessados em DCTF, ao invés de pagamentos realizados. Tal equivoco merece ser revisto de imediato. Análise da relatora: Nada do que disse o contribuinte se confirma nos autos. Os pagamentos foram lançados pelo contribuinte nas DCTF, aliás, de forma correta, na dedução do IPI devido nos citados meses de apuração, resultando no saldo a pagar de IPI, pois que já considerados os respectivos pagamentos. Por seu turno, a fiscalização, ao reconstituir a escrita fiscal do contribuinte, considerou o débito confessado pelo seu valor bruto, sem deduzir o pagamento. Poderia ter feito de outra forma: lançar o tributo confessado pelo líquido e à parte considerar o pagamento realizado, como aliás foi feito na planilha que compõe o item 2.1 acima, em que foi dado destaque ao pagamento com a introdução de uma coluna especial denominada VALOR PAGO POR DARF. Ou se considera o imposto bruto confessado ou seu valor líquido mais o pagamento. Isso se dá porque o que importa é deduzir o montante do débito confessado, incluído nele o pagamento, ou o saldo a pagar mais o pagamento realizado, pois se há valor confessado ou pagamento não cabe sobre eles lançamento de ofício. Mas em nenhum momento, na reconstituição da escrita fiscal, o pagamento foi tomado como débito, causando prejuízo ao contribuinte. Certamente que se há débito espontaneamente confessado e pagamento realizado eles se vinculam. Tem o segundo a função de quitação do primeiro. Jamais podem ser tomados como entidades distintas. Portanto, a conduta fiscal foi correta, não lhe cabendo alteração. (grifo nosso) Em síntese, as arguições da recorrente quanto a erros de cálculo não se confirmaram, posto que: os créditos por ele tomados como esquecidos pela fiscalização compuseram o lançamento com exigibilidade suspensa, sendo considerados na sua integralidade no processo nº 13116.002625/2010 31, lançamento com exigibilidade suspensa; Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.154 15 nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, citados pela recorrente, tendo em vista que a confissão de dívida foi superior aos créditos relativos à ação judicial, não houve lançamento, de forma que consequentemente o montante daqueles créditos foi considerado; em relação à alegação de cobrança a maior no auto de infração, pois o auditor fiscal não transferiu débitos confessados para outros períodos de apuração, e, assim por dizer, não “compensou” débitos de um período em outro período de apuração, o que se constatou foi que, quando o saldo devedor apurado na reconstituição da escrituração fiscal era inferior ao valor confessado, apenas não houve lançamento naquele período de apuração, mas se manteve o débito confessado pelo contribuinte, sendo este o procedimento correto; no tocante ao alegado erro cometido pelo auditor fiscal se resultou num cálculo a menor dos créditos escriturados em R$15,10, como o mesmo foi baseado apenas na anexação de notas fiscais que gerariam o crédito de R$15,10, mostrase impossível verificar a procedência da alegação da recorrente, pois não há nos autos a relação completa das notas fiscais que perfizeram o crédito total escriturado no mês de agosto de 2006; quanto ao argumento que do crédito apurado em dezembro/2006 e dezembro/2007, o contribuinte teria confessado espontaneamente, os montantes de R$79.000,06 (12/2006) e R$87.477,37 (12/2007), os quais não teriam considerados pela Autoridade Fiscal, verificase sua improcedência tendo em vista que para estes meses não foi efetuado qualquer lançamento de ofício, uma vez que naqueles períodos de apuração foi calculado saldo credor na reconstituição da escrita fiscal. em atenção a exclusão de R$154.318,65, relativa a março de 2007, a mesma diz respeito à transferência de crédito presumido de IPI, decorrente do recalculo de incentivo nos anoscalendário de 2002 e 2003. As informações sobre transferências de créditos devem compor o DCP. O que se notou na análise desses documentos é que documentos originais e documentos retificadores não foram alterados no tocante as transferências, de forma que a nota fiscal anexada não comprova que a exclusão foi indevida; no tocante à exclusão de R$30.673,90, a qual o contribuinte afirma decorrer de transferência de créditos básicos de IPI provenientes do estabelecimento matriz, créditos básicos não podem ser transferidos de um estabelecimento para outro, ainda que pertencentes a mesma pessoa jurídica, exceto nas situações expressamente previstas, o que não pe o caso; em relação aos recolhimentos que a recorrente afirma não terem sido aproveitados no cálculo fiscal, tais pagamentos foram lançados pelo contribuinte nas DCTF. Como a fiscalização, ao reconstituir a escrita fiscal do contribuinte, considerou o débito confessado pelo seu valor bruto, sem deduzir o pagamento, constatase que os pagamentos forma, sim considerados. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13116.002626/201085 Acórdão n.º 3201002.072 S3C2T1 Fl. 1.155 16 Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001424/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Existindo recolhimento de imposto de renda no curso do ano-calendário, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficientes os valores recolhidos, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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PRAZO. TERMO A QUO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo recolhimento de imposto de renda no curso do anocalendário, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficientes os valores recolhidos, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 24 /2 00 3- 71 Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001424/200371 Acórdão n.º 2201002.905 S2C2T1 Fl. 1.618 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 439.500,71, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 765/766 deste processo digital, que o lançamento de ofício foi efetuado em razão de ter sido apurada, no ano calendário de 1997, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 775/811 deste processo digital. Em primeira instância administrativa o lançamento foi julgado procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 1.280/1.288. Entenderam os julgadores da instância de piso que o imposto devido deveria ser reduzido de R$ 162.537,26 para R$ 110.146,57 e a multa de ofício de R$ 121.902,94 para R$ 82.609,92. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/08/2008 (fl. 1.299), o Interessado interpôs, em 04/09/2008, o recurso de fls. 1.300/1.353, acompanhado dos documentos de fls. 1.354/1.612. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Prova Pericial A prova pericial, ao contrário do que foi decidido, é necessária e pertinente. Os depósitos contendo vários cheques não têm os valores dos mesmos discriminados no extrato ou informados pelos bancos. Isso só ocorre quando são feitos individualmente. Em alguns casos fica impossível a identificação dos depósitos efetuados. Se o auditor não acolhe o depósito pelo total, fica evidente o prejuízo do contribuinte, que apresenta a origem de vários créditos em processos trabalhistas, mas não consegue identificálos totalmente nos depósitos que fez. Os diversos códigos informados como crédito na conta corrente também não possuem identificação clara, não dizem a que se referem, o que caracteriza cerceamento de defesa, sendo determinante a designação da perícia requerida. Nulidade do Lançamento Se a esposa do contribuinte era a proprietária de um dos imóveis vendidos, a tributação deveria receber o tratamento tributário específico previsto na legislação, assim como os valores recebidos em processos trabalhistas. Tanto no que se refere aos valores recebidos pelas intermediações na venda das fazendas, como nos processos trabalhistas, o lançamento deve ser anulado. MÉRITO Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001424/200371 Acórdão n.º 2201002.905 S2C2T1 Fl. 1.619 3 Foram aceitas como recebidas algumas parcelas de um determinado processo. Entretanto, não foram aceitas outras do mesmo processo, recebidas da mesma forma e comprovadas do mesmo modo. Em alguns poucos casos foram considerados depósitos somados, ou seja, crédito de dois processos feitos em um único depósito, porém, em outros não. Se diante de tantos documentos alguns depósitos tiveram apenas parte da origem comprovada, todo o depósito foi considerado como sem origem, o que é verdadeiramente um absurdo. Tanto o Auditor como os julgadores de primeira instância limitaramse a observar o que estava evidente, claro. Não analisaram individualmente os processos e principalmente extratos com os respectivos depósitos. A documentação que acompanha o recurso tem como objetivo apenas facilitar o entendimento e a comprovação das alegações, porém a documentação completa de cada um dos lançamentos informados poderá ser consultada nos próprios autos, juntadas por ocasião da petição de 08.10.2002, de 24.03.2003 e da impugnação. No empenho de localizar a origem de alguns depósitos feitos em sua conta, reviu, repassou seus arquivos e acabou localizando outros documentos que comprovam o recebimento de acordos em processos trabalhistas. Esse novos documentos, especificamente, estão sendo juntados aos autos e contam com a observação em vermelho (DOCUMENTO NOVO). Devem ser excluídos da base de cálculo: 1) Transferências de recursos entre contas do mesmo titular e depósitos com recursos próprios no montante de R$ 29.546,10. 2) Depósitos em cheques que não foram compensados no montante de 4.250,00. 3) Lançamentos estornados da conta corrente no montante de R$ 10.000,00. 4) Depósitos inferiores a R$ 100,00 no montante de R$ 150,00. 5.1) Valores recebidos em processos trabalhistas considerados sem observância do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 no montante de R$ 37.136,54. 5.2) Valores referentes a processos trabalhistas que não foram considerados, embora exista documentação nos autos, e valores que somente agora foi obtida a comprovação, no total de R$ 87.945,12. 6) Reembolso no montante de R$ 714,00. 7) Devolução de empréstimos no montante de R$ 87.000,00. 8) Valores declarados no montante de R$ 27.810,42. 9) Valores recebidos como intermediário na venda de imóveis da família no montante de R$ 325.543,00. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001424/200371 Acórdão n.º 2201002.905 S2C2T1 Fl. 1.620 4 Caso não se considere como mera intermediação do contribuinte os valores recebidos pelas vendas dos imóveis de propriedade de sua esposa, tais valores deverão ter tratamento tributário específico. Ao final, requer o acolhimento do presente recurso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Analiso, inicialmente, por se tratar de matéria de ordem pública, a possibilidade de ter ocorrido a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário. A Súmula CARF nº 38 dispôs sobre o momento da ocorrência do fato gerador do imposto de renda nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por outro lado, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O entendimento do STJ, em sede de recurso repetitivo, é de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ao teor do que dispõe o art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001424/200371 Acórdão n.º 2201002.905 S2C2T1 Fl. 1.621 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pois bem. No caso concreto, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e decorre da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Houve recolhimentos durante o ano calendário de 1997, conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 8/10. Aplicável, portanto, conforme a orientação do STJ acima indicada, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador (31/12/1997). A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 764, revela que o mesmo foi lavrado em 14/04/2003 e o aviso de recebimento de fl. 768 evidencia que o Interessado foi cientificado do lançamento em 17/04/2003. Logo, ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário, porquanto o termo final para a feitura do lançamento se deu em 31/12/2002. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de o Fisco constituir crédito tributário relativo ao anocalendário de 1997. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727013/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
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DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 70 13 /2 01 4- 15 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.727013/201415, em face do acórdão nº 0955.008, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 10 de outubro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: A notificação de lançamento de fls. 6/9 informou ao sujeito passivo, já qualificado nos autos, que, após a revisão de sua Declaração de Ajuste Anual(DAA)/2012, houve a redução do saldo de imposto a restituir, de R$ 10.485,50 para R$ 2.162,06. Mediante o procedimento fiscal restou apurada, à fl. 7, a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF) na monta de R$ 8.323,44, vinculada à pessoa jurídica COOPER REP REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA, assim motivada: "Não há IRRF em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) da fonte pagadora. Não foi apresentado DARF de recolhimento do IRRF declarado conforme requisitado pelo Termo de Intimação Fiscal 2012/875235639169963. Não foi apresentado comprovante emitido pela fonte pagadora (pessoa jurídica locatária) que comprove o valor do IRRF declarado." O notificado, por intermédio de procuradora habilitada (instrumento de fl. 3), impugnou o lançamento, à fl. 2, aduzindo que: "Infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte ... Valor da Infração: R$ 8.323,44 O valor consta do comprovante de rendimentos ou informe de rendimentos financeiros fornecido pela fonte pagadora. O contribuinte quando do preenchimento da sua declaração, utilizou o documento enviado para empresa com os valores de rendimento bruto e imposto de renda retido, não podendo ser deduzido de sua restituição o valor de imposto de renda que efetivamente foi deduzido." Para amparo de suas alegações, o impugnante fez colacionar os elementos de fls. 10/22. A 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora entendeu improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.727013/201415 Acórdão n.º 2202003.191 S2C2T2 Fl. 132 3 Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fl. 107, reiterando os argumentos lançados na impugnação, juntando aos autos novos documentos, inclusive 5 (cinco) DARFs pagas de parte do IRRF (fls. 114/118). Ainda, apresenta também: comprovantes anuais de rendimentos de aluguéis (fls. 119 e 122), relatório de boletos quitados (fls. 120/121 e 123/124) e DIMOB (fl. 125). É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Verifico que o dossiê fiscal, em fl. 37, consta Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéís, onde se verifica que foi retido R$ 8.323,44 pela fonte pagadora COOPER REP REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS, assim como R$ 2.733,21 referente a fonte pagadora CLAITON FRANZEN. Documentos estes que também foram juntados pelo contribuinte em recurso voluntário (fls. 119 e 122). Ambos os imóveis foram locados por intermédio da DLEGEND LOCAÇÕES LTDA. Consta também nos autos o contrato existente entre o contribuinte e a imobiliária DLEGEND (fls. 46/47), bem como procuração outorgada pelo contribuinte a ela (fl. 48). Ainda, consta os contratos de locação dos imóveis locados em fls. 67/72 (locatária: COOPER REP REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS) e 73/79 (CLAITON FRANZEN), sendo ambos os imóveis no mesmo endereço, todavia no primeiro contrato é locado o primeiro pavimento com o pátio, segundo pavimento e box de garagem, enquanto que no segundo contrato é locado uma loja comercial. O contrato do contribuinte com a COOPER REP REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS, realizado por intermédio da DLEGEND, foi assinado em 31 de agosto de 2009, tendo o valor do aluguel em R$ 4.500,00. O contrato possui firmas reconhecidas em tabelionato de notas com data da época. Consoante se verifica há nos autos prova clara que a locação se realizou, bem como que a DLEGEND intermediou o negócio e que era ela que recebia os valores referente aos aluguéis da COOPER REP REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS e que, após descontos de comissão e/ou taxa de administração, repassava o restante ao contribuinte, fazendo a retenção do IRRF. Há nos autos comprovante de recolhimento das DARFs referente a fev/2011 (valor retido: R$ 770,86, em fl. 114), mar/2011 (valor retido: R$ 1390,66, pagos em DARFs que somadas perfazem este valor: R$759,14, fl. 115 e R$ 631,22, fl. 117), abr/2011 (valor retido: R$ 631,22, fl. 116) e maio/2011 (valor retido: 600,05). Todavia, ausentes os recolhimentos da retenções referente aos meses posteriores. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Pelo demonstrado pela prova dos autos, temse claro que a DLEGEND realizou as retenções de IRRF, tendo sido comprovado, inclusive, que realizado o recolhimento do referido imposto em parte do período. Logo, não há razões para manter a glosa realizada. Portanto, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720108/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
null
Numero da decisão: 9202-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. O Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora-Designada
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. O Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora-Designada EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ADA E AVERBAÇÃO. A exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de 'preservação permanente' e de 'reserva legal' é permitida pelo art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 c/c as regras do Código Florestal. Exigência de condições formais para fruição desse direito extrapola os limites de atuação do legislador regulamentar. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 01 08 /2 00 7- 18 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 509 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. O Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – RedatoraDesignada EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 210200.875, da 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção deste Conselho (efls. 431 a 443), julgado na sessão plenária de 24 de setembro de 2010, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar como passíveis de exclusão as áreas de 137,79 ha e 507,35 ha., respectivamente, de preservação permanente e de utilização limitada, bem como restabelecer o VTN declarado de R$ 1.133.000,00. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 510 3 ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Acatase o VTN declarado pelo contribuinte, mormente se no período de três anos o valor do VTN apurado com base no SIPT sofre variações absolutamente incompatíveis com a inflação e valorização dos bens imóveis. SÚMULA CARF N°4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou, em 30 de março de 2011, recurso especial de divergência, na forma do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009 (efls. 447 a 461), onde defendeu a necessidade de apresentação tempestiva de ADA para ser possível a dedução tanto da área de preservação permanente como da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. Fundamentou seu pedido, em síntese, na contrariedade ao teor do art. 17O, § lo da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. lo da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, c/c o art. 10, inciso II e §7o. da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e, ainda, em relação ao art. 10 do Decreto no 4.382,de 19 de setembro de 2002 e aos art. 17 da IN SRF no 60, de 06 de junho de 2001 e arts. 111, II e 113, §§ 2o. e 3o. do CTN. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou, ainda, os seguintes paradigmas, alegados como divergentes em relação ao recorrido: Acórdão no 30239244 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 511 4 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO/ RESERVA LEGAL Para que as Áreas de Utilização Limitada/ Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato Aqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Acórdão no 30239384 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1999 ÁREAS DE RESERVA LEGAL A Área de reserva legal, para ser excluída da base de cálculo do ITR, precisa ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, sendo, também, necessária a sua averbação à margem da matricula do imóvel. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls .490 a 491. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte ofertou contrarrazões (efls. 501 a 507), onde defende, em síntese, que: a) As áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal encontramse devidamente averbadas na matrícula do imóvel (efls. 20 a 35); b) que o ADA foi devidamente entregue junto ao IBAMA (efl. 18), alegando, ainda que c) os fundamentos da glosa são ilegais, a partir do disposto no art. 10, §7o., da Lei no 9.393, de 1996. Ressalta ainda a existência de laudo técnico respaldando as respectivas áreas (efls. 39 a 54, complementado por efls. 214 a 232) e a existência de termos de responsabilidade junto ao Instituto Estadual de Florestas (efls. 180 a 183). É o relatório. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 512 5 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso atende seus requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2004. No caso concreto, se encontra ADA acostado aos autos, datado de 13/03/2006 (efl. 18). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. Entendo a princípio que, em se tratando de requisito para fins de redução da base de cálculo do ITR, a apresentação do ADA para fins da referida redução deveria se dar até a data de ocorrência do fato gerador (no caso 01/01/2004). Todavia, de se respeitar o fato de que a legislação vigente à época do fato gerador, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 73, de 18 de julho de 2000, em seu art. 17, inciso III, concedia prazo adicional ao contribuinte, possibilitando a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR – DITR, ressaltandose aqui meu entendimento de competência plena da referida Instrução Normativa para determinar a data para cumprimento de obrigação prevista em lei. In casu, a DITR do exercício de 2004 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2004, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 435, de 27 de julho de 2004. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2004 poderia ser entregue até o dia 30 de março de 2005. No presente caso, ele só foi apresentado em 13/03/2006, assim, em meu entendimento de forma intempestiva. Faço notar, de forma a que todos possam firmar sua convicção acerca do tema e, considerando o posicionamento majoritário deste Colegiado no sentido de admissão do referido ADA desde que protocolizado antes do início da ação fiscal, que, ainda que intempestivo quanto ao prazo suprareferido, o referido ato foi, sim, protocolizado antes do início da ação fiscal, que se deu em 10/09/2007 (efls. 07 a 09). Assim, em meu entendimento, não suprida a obrigação de apresentação de ADA de forma tempestiva (considerado o prazo estabelecido pelo art. 17 da IN SRF no 60, de Fl. 513DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 513 6 2001, cujo termo inicial de contagem foi estabelecido pelo art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 435, de 2004) entendo que não é de se admitir a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, devendose dar provimento ao Recurso da Fazenda nesta seara, restabelecendose a glosa da área de preservação permanente, de 393,0 ha. Por sua vez, sobre o tema da reserva legal, esclareçase que essa tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) como já citado, a apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido dispensou a obrigação de apresentação do ADA, considerando que tal reserva ficou documentada como existente, a partir de sua averbação no registro competente (efl. 20) e apresentação de Laudo Técnico elaborado por engenheiro florestal habilitado (efls. 39 a 54, complementado por efls. 214 a 232). A propósito, também julgo que a averbação tempestiva da área na matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato, mesmo se desacompanhada de ADA. Quanto à tal averbação, na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal concedida no recorrido é de 507,35 ha. e que tal montante (que coincide com o valor do laudo, mas, notese, excede o valor declarado de 370,1 ha.), teve sua averbação realizada em 15/06/2000 (vide efl. 20), assim, anteriormente à ocorrência do fato gerador em 01/01/2004. Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 514 7 da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, com a averbação tempestiva da área de reserva legal, é de se admitir sua dedução da base de cálculo do ITR, negandose provimento ao Recurso Especial quanto a esta matéria. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa da área de preservação permanente. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 515 8 Voto Vencedor Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, designada. Peço vênia para discordar do Ilustre Relator no que tange ao tema ora discutido, pois entendo que os critérios para fixação da base de cálculo do ITR são aqueles descritos na norma específica que trata do imposto e que primeiro disciplinou as características da regra matriz desse tributo, qual seja a Lei nº 9.393/96, não podendo ser alterado por meio de condições não previstas pelo legislador. A Lei nº 9.393/96, em seu art. 10, §1º, inciso II, ao fixar um dos critérios quantitativos do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural base de cálculo, deixou claro que não está no campo de incidência do ITR aquelas terras classificadas como "área de preservação permanente" e "área de reserva legal". Vejamos (redação vigente na época do fato gerador 2004): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: ... II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) ... Da análise da lei em questão não vislumbramos qualquer exigência de manifestação do Poder Público quanto ao reconhecimento dessas duas áreas, ao contrário do que ocorre com as áreas das alíneas 'b' e 'c' interesse ecológico e as comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal. Entretanto, para dirimir quaisquer dúvidas sobre o assunto, temos que analisar também o Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 516 9 Código Florestal de 1965, pois é exatamente por meio desta norma que se podia compreender o alcance exato das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Ora, o Código Florestal também não fazia qualquer exigência no que tange a declaração do poder público para definição ou criação das áreas "de preservação permanente" e "de reserva legal". A definição dessas áreas era feita apenas com base nas características das propriedades, não se exigindo qualquer formalidade prévia do proprietário para sua configuração. Em relação à área de preservação permanente não há dúvidas, pois o cuput do art. 2º foi expresso ao definir que pelo simples fato de constar na lei já haveria a caracterização da área como de interesse ambiental relevante. Vejamos o dispositivo do Código Florestal que tratava da matéria: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d'água, em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 5 (cinco) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura: 2 igual à metade da largura dos cursos que meçam de 10 (dez) a 200 (duzentos) metros de distancia entre as margens; 3 de 100 (cem) metros para todos os cursos cuja largura seja superior a 200 (duzentos) metros. 1. de 30 (trinta) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura; 2. de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; 3. de 100 (cem) metros para os cursos d’água que meçam entre 50 (cinqüenta) e 100 (cem) metros de largura; 4. de 150 (cento e cinqüenta) metros para os cursos d’água que possuam entre 100 (cem) e 200 (duzentos) metros de largura; igual à distância entre as margens para os cursos d’água com largura superior a 200 (duzentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, mesmo nos chamados "olhos d'água", seja qual for a sua situação topográfica; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 517 10 f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos taboleiros ou chapadas; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, nos campos naturais ou artificiais, as florestas nativas e as vegetações campestres. a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 518 11 Ora, se pelo só efeito da lei podese concluir pela existência e definição da área como de preservação permanente, não há como cogitar em condicionar o direito do contribuinte de abater da respectiva base de cálculo o montante da área improdutiva ao cumprimento de requisitos formais desnecessários. O legislador ao estabelecer como requisito para exclusão da base de cálculo do ITR a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, extrapolou o âmbito regulamentar, pois delegou ao Poder Público a função de definir quais áreas poderiam ou não ser classificadas com de preservação permanente, entretanto, repitase pela relevância: é o Código Florestal que nos traz essa delimitação. Assim, para aplicação do art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 basta que o contribuinte consiga demonstrar qual parte de sua propriedade preenche os requisitos do Código Florestal, o que pode ser feito por meio de qualquer documento legítimo e idôneo, como por exemplo, laudo técnico assinado por profissional habilitado, documento esse diga se de passagem, imprescindível para apresentação do pedido de ADA. Concluo, portanto, não ser o ADA requisito essencial para permitir a redução da base de cálculo do ITR em razão da presença de áreas tidas como de preservação permanente. É admitido ao contribuinte utilizarse de outros meios de prova. No que tange a reserva legal, destacamos que, apesar de toda a discussão, no presente caso como bem destacado pelo ilustre Relator, não há dúvidas quanto a possibilidade de sua dedução, pois houve a averbação da respectiva área junto ao registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Mesmo que assim não o fosse, aplico à reserva legal o mesmo raciocínio construído para a área de preservação permanente. Também é o Código Florestal que delimita tais áreas, fixando o valor mínimo que deve ser observado por cada proprietário, ou seja, independente de qualquer declaração do Poder Público o proprietário de imóvel rural deverá destinar parte de sua propriedade para cumprir o interesse de preservação ambiental. E aqui não concordo com a posição de que a obrigatoriedade trazida pelo art. 16, §8º da Lei nº 4.771/65, tenha efeitos sobre o ITR pois ao determinar que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, somente o fez no intuito de regular os limites para exploração da área protegida, pois o artigo assim dispunha: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 519 12 mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 520 13 protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. No meu entender, a função da averbação da área no registro do imóvel é a de dar publicidade a terceiros das restrições decorrentes da eleição da área como de reserva legal, e não a de declarar sua existência. Sua existência, como dito, também decorre da norma florestal, o Código Florestal de 1965. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 521 14 Por fim, importante mencionar ainda que o já citado art. 10 da Lei nº 9.393/81, em seu §7º dispunha que a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas ora tratadas não estava sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso ficasse comprovado que a sua declaração não era verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Ora se a própria norma que previa a exclusão dos valores da base de cálculo do ITR deixou claro não ser necessária a prévia comprovação do direito do contribuinte, como poderia o a norma regulamentar dispor de forma diversa? Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 522 15 Declaração de Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao voto da Relatora e também ao posicionamento esposado pela tese vencedora, entendo de forma diversa quanto ao prazo para apresentação do Ato Declaratório Ambiental. A propósito, faço notar que não há um prazo estabelecido em lei para a apresentação do referido ato. Assim, alinhome à posição de que, na forma do artigo 108, I do CTN, se deva recorrer à analogia às demais declarações relativas ao tributo (DIAT e DIAC), considerado aqui seu escopo comum de permitir a verificação da existência da área de preservação permanente, para o fim específico de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Considerado tal objetivo, entendo que a referida declaração pode cumprir sua função, desde que entregue até o início da fiscalização, momento a partir do qual não mais poderá ser aceita para fins da referida redução da base de cálculo do tributo. Assim, mantenho aqui o posicionamento por mim esposado na qualidade de redator adhoc do voto vencedor no âmbito do Acórdão 9202003.620, verbis: " (...) De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/ 01, que assim dispõe, verbis: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 10675.720108/200718 Acórdão n.º 9202003.751 CSRFT2 Fl. 523 16 "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Assim, como, no caso em tela, o ADA foi entregue antes do início da ação fiscal, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 524DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Numero do processo: 13016.000410/2005-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROVA. ALEGAÇÕES SEM DOCUMENTOS. INÉPCIA.
São ineptas as meras alegações de fatos ou motivos trazidas pela Recorrente sem a juntada qualquer prova ou indício com o objetivo de demonstrar a sua veracidade, não se prestando para desconstituir o feito fiscal.
Numero da decisão: 3803-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa relativa à cessão de crédito de ICMS. Vencido o Relator e o Conselheiro Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Daniel Maurício Fedato (Relator), Belchior Melo de Sousa (Redator designado), Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin.
Nome do relator: DANIEL MAURICIO FEDATO
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RECEITA. CONCEITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A cessão de direitos de ICMS não configura o conceito de receitas auferidas e em consequência não constitui fato gerador da contribuição para o PIS e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROVA. ALEGAÇÕES SEM DOCUMENTOS. INÉPCIA. São ineptas as meras alegações de fatos ou motivos trazidas pela Recorrente sem a juntada qualquer prova ou indício com o objetivo de demonstrar a sua veracidade, não se prestando para desconstituir o feito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa relativa à cessão de crédito de ICMS. Vencido o Relator e o Conselheiro Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 10 /2 00 5- 46 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 186 2 Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Daniel Maurício Fedato (Relator), Belchior Melo de Sousa (Redator designado), Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original, transcrevo o voto vencido e, posteriormente, adoto o voto vencedor redigido pelo redator designado, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. A matéria iniciase com pedido de ressarcimento relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa, apenso declaração de compensação, onde o pleito foi atendido parcialmente. Insatisfeita a Autora ingressou com Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento parcial do pleito, com as seguintes alegações: “a) referente a tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros, alegou que tais operações não se enquadrariam como fato gerador da contribuição, pois tais créditos teriam sido cedidos a terceiros "sem lucro algum e/ou entrada de dinheiro" e se tratariam de receitas decorrentes de exportação imunes à incidência das contribuições. Considera também que tais transferências de ICMS não poderiam ser consideradas como receita, pois não acarretaram em aumento de seu patrimônio, pois se tratariam de mera troca dos créditos por mercadorias, sem qualquer ágio. Cita e transcreve jurisprudência administrativa que entende retratar sua situação; b) sobre às glosas referentes à falta de inclusão de receitas financeiras tributáveis em sua base de cálculo, pois considera que tal procedimento violaria o disposto no Decreto 5.164, de 30 de julho de 2004. Afirma que não teria realizado operações de hedge ou auferido juros sobre capital próprio, desta forma, as suas exclusões da base de cálculo referentes à receitas financeiras deveriam ser consideradas como válidas.” Com essas considerações, encerrou sua impugnação aguardando o reconhecimento integral ao direito do crédito pleiteado. Ocorre que a DRJ de Porto Alegre/RS, em seu Acordão proferido em 21.01.10, por unanimidade de votos, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente não reconhecendo o direito creditório. Ementa da Decisão: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 187 3 contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7°, 8° e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. ALEGAÇÕES SEM QUALQUER COMPROVAÇÃO. Não assiste razão à simples alegações de fatos ou motivos trazidas pelo manifestante que não procurou juntar qualquer prova ou indício com o objetivo de demonstrar a veracidade de tais afirmações.” A Recorrente irresignada com a decisão, ingressou com Recurso Voluntário contra o Acordão em epígrafe, requerendo revisão e análise do mesmo, para que este Conselho reconheça integralmente o direito creditório postulado. Em síntese, é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Inicialmente cabe salientar que a Interessada em sua oportunidade no Recurso Voluntário, não apresentou qualquer nova prova ou indício que poderia demostrar a veracidade das afirmações já expostas no Relatório, no que tange ao fortalecimento do arrimo do pleito. A respeito das operações de transferência dos créditos do ICMS, cabe esclarecer que configuram uma espécie de alienação, ou melhor dizendo, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e a Unidade da Federação, o do cedido. Conforme o disposto nas Leis 9.718/1998, 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS nãocumulativo) e Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (incidência não cumulativa da Cofins), estas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Constatase que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Já, ao tratar das hipóteses de exclusão da base de cálculo, a norma foi bastante seletiva, restringindoas a um pequeno rol, numerus clausus. Observo que os negócios jurídicos ora analisados não se enquadram em nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição para a Cofins previstas na legislação pertinente. Ademais, de acordo com o art. 97, inc. VI, do Código Tributário Nacional, para que fossem excluídas as precitadas receitas operacionais (decorrentes de transferências de créditos de ICMS) da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, seria necessário disposição expressa de lei. Assim, as hipóteses de exclusão previstas no § 2º do art. 3° da Lei n. 9.718/1998, § 3° do art. 1° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 não comportam Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 188 4 interpretações extensivas. As deduções, por conseguinte, são tãosomente aquelas expressamente contempladas no dispositivo legal, cuja interpretação deve ocorrer nos termos do art. 111 do CTN. Além disso, a cessão de créditos do ICMS não é operação de exportação de mercadorias ou serviços, motivo porque não está albergado por qualquer imunidade em favor das exportações, inexistindo qualquer ofensa ao art. 149 da Constituição Federal. Concluise, assim, que as receitas. decorrentes das transferências de créditos do ICMS não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. Por fim, observo também que houve o pronunciamento da Coordenadoria do Sistema de Tributação COSIT, através da Solução de Consulta Interna n° 48, de 30/12/2004, no qual a posição acima defendida é inteiramente corroborada pelo órgão central, havendo incidência não somente de PIS e Cofins, mas também de IRPJ e da CSL sobre os valores auferidos com a cessão de créditos de ICMS. Todavia, cabe observar que recentemente houve a edição da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, cujos arts. 7º,8° e 9" desoneram da incidência do PIS e da Cofins as transferências onerosas de ICMS. Entretanto, o art. 22, inciso I, da mesma Medida Provisória, estabelece a sua entrada em vigor na data da publicação e a produção de efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009, no caso dos artigos acima citados. Sobre o aspecto da inclusão de Receitas Financeiras Tributáveis na Base de Cálculo, repiso na integra as considerações do Relator da DRJ, pois considereias irretocáveis: “Quanto às glosas referentes à falta da inclusão de receitas financeiras tributáveis na base de cálculo, devese' destacar que o interessado, novamente, limitouse a afirmar que não teria auferido juros sobre capital próprio ou realizado operações de hedge, mas não trouxe qualquer elemento para comprovar tal afirmação e demonstrar que o valor glosado poderia corresponder à operações cuja alíquota foi reduzida a zero após a vigência do Decreto 5.164, de 2004. Também não procurou contestar as demais inclusões na base de cálculo elencadas no relatório fiscal, referentes à. receitas classificadas em subgrupos como: "Restituições de Impostos e Contribuições", "Créditos de Incentivo à Exportação", "Renda na Venda de Ações" e "Rendas Diversas". Desta forma, devem permanecer válidas as glosas referentes à este item.” Por todo o exposto, podese verificar que se tratam de dispositivos de leis em vigor, regularmente aprovadas pelo Poder Legislativo, competindo exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre sua constitucionalidade, não podendo ser afastada sua aplicação no julgamento administrativo. Com arrimo na Súmula n° 02 do CARF, in verbis: ”O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Diante da jurisprudência trazida à colação pela Impugnante, devese contrapor que são decisões isoladas do CARF, que não vinculam a essa questão específica. Por essas razões expostas, não reconheço o direito creditório postulado, negando provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 189 5 Daniel Maurício Fedato Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme consta do relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto vencedor redigido pelo redator designado, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Duas questões remanescem no presente recurso voluntário, quanto às glosas no pedido de ressarcimento: a) dos valores creditados correspondentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por empresa considerada inapta, no que pretendeu a Recorrente demonstrar a validade das aquisições, sustentadas no princípio da boafé; b) dos valores correspondentes às transferências de ICMS para terceiros seus fornecedores, em permuta com insumos fornecidos. Uma vez que compôs o voto vencido as razões de decidir quanto à primeira glosa1, dispenso reiterálas, esposandoos no presente voto vencedor, como se meus fossem; e passo a discorrer acerca da questão em que foi vencido o nobre relator: a glosa das transferências de ICMS para os fornecedores da Recorrente. O deslinde da controvérsia passa por identificar a situação fática que envolve a relação jurídica entre a Recorrente e seu fornecedor, investigar se a sua feição está ao alcance do campo gravitacional semiótico do conceito de receitas auferidas, e concluir se a natureza jurídica da atividade por ela conduzida encontrase no raio de incidência da norma entalhada no art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 1º da Lei nº 10.833/2003, conteúdo aplicável às Contribuições PIS/Cofins, aqui, portanto, tratados conjuntamente. Quanto ao fato que demarca a relação de negócios, a que imputou a fiscalização ocorrer o antecedente da regramatriz de incidência da contribuição para o PIS não houve controvérsia nas etapas antecedentes deste processo quanto ao que a Recorrente declarara: ser a transação permuta de seus direitos de crédito de ICMS não aproveitados por força da imunidade tributária decorrente de suas vendas para o exterior , com insumos de fornecedores, e as operações concernentes contabilizadas no molde como descrito em um item do relatório, a seguir transcrito: · Na aquisição dos insumos, os registros contábeis processamse com dois débitos em contas do ativo, “estoques” e “ICMS a recuperar” e um crédito na conta do passivo “fornecedores”, aumentando ambas as contas patrimoniais. Na transferência do imposto estadual, há crédito na conta “ICMS a recuperar” e débito na conta “fornecedores”, desta vez diminuindoas. 1 Tais razões rejeitaram as alegações da recorrente de que não realizara operações de hedge ou auferira juros sobre capital próprio, na tentativa de justificar as suas exclusões da base de cálculo referentes à receitas financeiras Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 190 6 Conforme esses lançamentos, os valores não transitam em conta de resultado, nem para a recorrente nem para o fornecedor. Com respeito à prospecção do significado e alcance do signo receitas auferidas, convém reconstituir alguns ângulos de visão abordando, primeiramente, o conceito de receita. Considerável é a contribuição de Edmar Oliveira Andrade Filho2, para quem “O conceito jurídico de “receita” não destoa daquele adotado no âmbito das Ciências Contábeis, nada obstante, este abrange também as reduções de passivos, ou não há um ingresso em sentido positivo; existe um ingresso em sentido negativo porque os valores não sairão do patrimônio social.”[g.n] Já na perspectiva da Ciência Contábil, consigna Iudícibus3, que receita “é o valor monetário, em determinado período, da produção de bens e serviços da entidade, em sentido lato, para o mercado, no mesmo período, validado, mediata ou imediatamente, pelo mercado, provocando acréscimo de patrimônio líquido e simultâneo acréscimo de ativo, sem necessariamente provocar, ao mesmo tempo, um decréscimo do ativo e do patrimônio líquido, caracterizado pela despesa.” [g.n.] Para Hendriksen e Van Breda4 receita é “o acréscimo de benefícios econômicos durante o período contábil na forma de entrada de ativos ou decréscimos de exigibilidades e que redunda num acréscimo do patrimônio líquido, outro que não o relacionado a ajustes de capital.” [g.n.] O IBRACOM5 define que “receita é entrada bruta de benefícios econômicos durante o período em que ocorre no curso das atividades ordinárias de uma empresa, quando tais entradas resultam em aumento do patrimônio líquido, excluídos aqueles que decorrem de contribuições dos proprietários e acionistas.” [g.n] Dos conceitos de receita emitidos por cada uma das autoridades acima, abordando sua materialidade, origem, e efeitos patrimoniais, o que importa extrair é que, em visão unívoca no âmbito da Ciência Contábil, receita resulta em acréscimo do patrimônio líquido. De tanto se reiterar a idéia de afetação positiva do patrimônio líquido Ricardo Marins de Oliveira de igual modo a reverbera em sua doutrina. Em seus termos: Realmente, há um conhecimento universal de que receita é um dado formador de acréscimo patrimonial, e acréscimo patrimonial é o substrato do imposto de renda, de tal sorte que é válido para a perseguição do que seja receita o que se aplica à renda, até porque renda, quando existente, deriva de uma receita.[g.n.] 2 PIS e COFINSQuestões polêmicas. ed. Quartier LatinL. 2005, p.220. 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade, 7ª ed. São Paulo. ed. Atlas, 2004, p.167. 4 HENDRIKSEN, Eldo S. e BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. Tradução por Antonio Zoratto Sanvicente. 1ª. ed. São Paulo. ed. Atlas, 1999. 5 Normas e Procedimentos de ContabilidadeNPC nº 14 Receitas e Despesas Resultados Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 191 7 Há na doutrina quem não perfilhe deste entendimento, tanto como há de que essa visão não goza de (re) “conhecimento universal”. Justas são suas razões. como hei de destacar. Importa, contudo, no passo até aqui palmilhado, suscitar uma conclusão provisória. Em vista de como o fato sob o presente foco se amolda não há afetação do patrimônio líquido, e sim uma recomposição de valores entre contas do ativo e do passivo, em face da ocorrência de um fato permutativo, qualitativo [nãoquantitativo]. Cada uma dessas contas movimentase no mesmo sentido, ou seja, diminuir o ativo com registro a crédito pela transferência dos saldos de ICMS resulta em diminuição do passivo na obrigação com fornecedores, lançandose a débito; aumentar o ativo pela escrituração de débitos na conta “estoques” e “ICMS a recuperar” repercute em aumento de passivo na obrigação com fornecedores, face à correspondente contrapartida do lançamento a crédito. À luz deste prisma, podese ver que a atividade conduzida pela Recorrente, de transferir crédito para seus fornecedores em permuta com os insumos que deles recebe, não perfaz o conceito erigido pelos enunciados destacados retro, uma vez não resultar em acréscimo nem mesmo em qualquer alteração do patrimônio líquido. O entendimento exposto encontra eco nos diversos julgados trazidos à colação pela Recorrente, tendo o peso da jurisprudência de algumas Cortes intermediárias, como também na posição uma vez expressa pela Administração Tributária Federal na Decisão abaixo, da SRRF/3ª RF/Disit nº 47, de 11/12/1998, conformandose, todas, em manifestações esclarecedoras sobre a natureza dos créditos de ICMS escriturados em razão de aquisição de mercadorias, mantidos e não utilizados na conta gráfica, e realizados por uma das modalidades previstas pela legislação do ICMS, inclusive transferência a terceiros. Desta última manifestação transcrevo ementa e fundamentos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. INCIDÊNCIA. O recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas e escrituradas pela empresa, e a recuperação de créditos do ICMS, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação específica, não constituem fato gerador para a Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Artigos 2° e 3° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998. (...) FUNDAMENTOS LEGAIS A princípio, cumpre observar que, conforme dispõe o § 3° do artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/1/94 RIR/94, os impostos não cumulativos, recuperáveis mediante créditos na escrita fiscal, não integram o custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas na produção. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 192 8 Nesse sentido, sendo o ICMS nãocumulativo, os valores pagos na aquisição de matérias primas e mercadorias não integram o respectivo custo, constituem crédito compensável com o que for devido na saída subseqüente. Entretanto, ocorrendo a hipótese de não incidência na saída subseqüente com manutenção do direito ao crédito, caso das operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados, fica inviabilizada a compensação pela sistemática usual, restando à empresa adotar as formas alternativas de recuperação do crédito disciplinadas pelo artigo 69 do Regulamento do ICMS6. Mister se faz ressaltar que a recuperação de créditos do ICMS, escriturados em conta patrimonial representativa de direitos a recuperar, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação de regência, constitui fato administrativo permutativo, uma vez que apenas modifica a composição dos bens e direitos integrados ao patrimônio, não altera a situação líquida da empresa. Da mesma forma, não altera o patrimônio líquido, o recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas pela empresa, devidamente contabilizadas e computadas no resultado do exercício, por tratarse de fato administrativo permutativo.” À vista destes precedentes não há dúvida de que a realização dos créditos do ICMS por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, inclusive as transferências de créditos de ICMS para terceiros, não perfaz o conceito de “receitas auferidas”, materialidade eleita pelo art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e art. 1º da Lei nº 10.833/2003. Todavia, não vejo que basta laborar nesta seara técnicocontábil para esgotar a análise e definir, de modo insofismável, se o valor das transferências de ICMS consubstanciam o conceito de receitas auferidas. Não obstante o que já foi dito, para não deixar em superfície ainda rasa a exploração desta matéria, esforçome para capturar as proposições judiciosas, fruto de percuciente busca do conteúdo e alcance do conceito de receita e, bem no âmago, de receitas auferidas, feitas por Minatel7. Concebe ele ser receita a “... qualificada pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio de pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício de atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos.” 6 Regulamento do ICMS do Estado do Ceará. 7 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para Sua Tributação, São Paulo: MP editora, 2005. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 193 9 Notese que o conceito aí expendido é, segundo a expressão cunhada por Marco Aurélio Greco, jurídicosubstancial, e se descola em várias de suas partes da tecitura técnicocontábil, atrás vista. Vejo tal concepção como sistêmica, estruturante, de tal forma que a combinação dinâmica de suas partes tem a aptidão de determinar a natureza jurídica dos mais variados fatos econômicos pertinentes à vida da empresa e suscetíveis de escrituração contábil, de sorte a identificar seu ajuste à regramatriz de incidência da contribuição para o PIS/Cofins. Decompondo o conceito em frases negativas, conforme suas partes, ou seja, não ocorrendo qualquer um dos eventos dele componentes, não se configurará auferimento de receita. Aplicandoo ao caso presente temse que não há ingresso, o que é bastante para a descaracterização do fato como imponível, uma vez que a entrada do recurso financeiro é a substância da capacidade contributiva, pressuposto necessário inerente à ação nuclear “auferir” receita. O negócio empreendido é jurídico, mas não decorrente de esforço empresarial no cumprimento os seus fins, não há contraprestação financeira pela venda de mercadorias ou pela prestação de serviços, não há remuneração de investimentos, ou de cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros. O adjetivo “temporária” delimita o perfil da atividade empresarial que é remunerada pela cessão para uso de bens e direitos. O que não é o caso da cessão dos direitos de crédito de ICMS em apreço. Esmiuçandose ainda mais a questão, agora sob a perspectiva lógica, partese do fato que estamos a cuidar da sistemática nãocumulativa de tributação estabelecida para as Contribuições PIS/Cofins. Sob este prisma, os créditos de PIS/Cofins mantidos e não aproveitados, objeto de ressarcimento em face da imunidade dos produtos destinados ao mercado externo, são calculados da mesma forma como na hipótese de serem deduzidos dos débitos apurados quando os produtos são destinados ao mercado interno, a teor do § 1º, do art. 5º, da Lei nº 10.637/2002 e § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.637/2002. Para a materialização da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, tais créditos não são físicos, como ocorre na regime do ICMS, quando se abate do valor devido o valor pago nas operações anteriores. Na operacionalização da nãocumulatividade das Contribuições PIS/Cofins, temse que, para cálculo dos créditos, devem incidir sobre os valores de algumas bases eleitas pela lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 as mesmas alíquotas de 1,65% e 7,6% a serem aplicadas para apuração do débito do período. A lógica da concessão do crédito está em que o os tributos que incidiram na aquisição dos insumos não deve incidir outra vez quando do cálculo das contribuições na venda dos produtos. Assim é que do encontro entre débito e créditos, remanescendo débito de contribuição este se perfaz apenas sobre o valor agregado. O raciocínio acima inclui o ICMS que integra a base de cálculo das indigitadas contribuições. Dada a sistemática acima descrita, que consagra o resultado da incidência não cumulativa sobre uma base agregada, é notório que a parcela do ICMS pertinente aos insumos que receberam a incidência das contribuições, quando da sua aquisição, não sofre uma segunda incidência quando da apuração do débito relativo ao produto final, quando destinado este para o mercado interno. Por não haver débito das contribuições em razão das vendas sujeitas à imunidade, pelo destino do produto ao estrangeiro, o crédito é mantido por força dos já citados dispositivos do art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Ora, se Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 194 10 não há segunda incidência sobre a dita parcela de ICMS quando o produto é destinado ao mercado interno, é assimétrico considerar que o teria quando destinado o produto ao exterior. Além do arrazoado técnicojurídico tocante à não abrangência da cessão de créditos de ICMS pelo conceito de “receitas auferidas” e da singela construção lógicojurídica quanto à (as)simetria de tratamento tributário, podese ainda erigir questão relativa à formalidade processual, que prejudicaria a análise do mérito, dandose, de igual modo, provimento ao recurso do contribuinte, conforme já decidira nesta matéria a Terceira Câmara. Antes, registrese que a opção de enfrentar este mérito é feita, firmandose o entendimento acima, tendo em vista lembrar que a Administração Fazendária não pode causar detrimento ao princípio da informalidade, deixando de obedecer formalidade exigível, para homenagear os princípios da eficiência e da economia processual, ao risco de ao fim não lograr confirmar o feito fiscal. À questão da formalidade processual. Tratando estes autos de pedido de ressarcimento de saldo credor de Contribuições PIS/Cofins submetidas à forma de cobrança nãocumulativa, conforme Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833/2003, de plano, causa espécie que neles se debatam aspectos estritamente relacionados à base de cálculo dessa contribuição, portanto, próprios do lançamento tributário, com vista ao deslinde do litígio que decorre de glosas efetuadas no saldo credor objeto do pedido de ressarcimento protocolizado pela recorrente. Assim, na hipótese em apreço, ressalvada a alteração de valores com base na Dacon anexada, a fiscalização não proferiu nenhuma manifestação sobre a (i)legitimidade do crédito pleiteado. Ao contrário, ao proceder à dedução dos valores necessários a satisfazer o suposto crédito tributário, ela atesta, em face do que dispõe o art. 170 do CTN, a certeza e a liquidez desse crédito, apto a ser ressarcido, pois, aos olhos da fiscalização, tal crédito prestase a satisfazer a obrigação tributária que a contribuinte teria omitido. Então, ao proceder à glosa do crédito objeto do pedido de ressarcimento, com o escopo de satisfazer a acusada obrigação tributária nascida com a venda ou permuta de créditos do ICMS, o que se tem é uma compensação efetuada de ofício daquele crédito com “crédito tributário” não constituído, nem confessado em nenhum dos documentos instituídos como obrigação acessória pela administração tributária e capazes de constituir confissão de dívida. Ora, a compensação de ofício, ademais de estar subordinada a rito próprio, que visa a assegurar, inclusive, o contraditório e a ampla defesa para se ter a respeito do débito do contribuinte que a administração pretenda satisfazer por meio da compensação , a certeza e a liquidez necessárias. Por essas razões, entendo que é indevido o procedimento da glosa efetuada nestes autos, sob pena de, em completa inversão do processo de determinação e exigência de crédito tributário, estarse conferindo certeza e liquidez a crédito que sequer foi constituído, revelando, inclusive, clara ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Neste sentido já decidiu a Terceira Câmara, em vários julgamentos, em decisão unânime, dentre outros, no Acórdão nº 20311760, Recurso Voluntário nº 134.005. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000410/200546 Acórdão n.º 3803000.867 S3TE03 Fl. 195 11 Em outras palavras, a redução do valor a ser ressarcido ao contribuinte se deveu, não porque tivessem sido constatadas irregularidades materiais ou legais nos fundamentos do crédito, mas, sim, nos dos débitos da contribuição do PISPasep/Cofins Não Cumulativo/a, na medida em que as transferências de ICMS, que se constituem em receitas tributáveis na visão da Fiscalização, não foram adicionadas às bases de cálculo de cada um dos períodos. Diante de um valor de débito das Contribuições PIS/Cofins apuradas a menor, o Fisco, em vez de efetuar um lançamento de ofício na forma dos artigos 13, § 1º, 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Código Tributário Nacional, combinados com os dispositivos pertinentes do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, apenas retificou o correspondente valor então solicitado no Pedido de Ressarcimento com a subtração das indigitadas “receitas”. Assim, até que haja alteração específica nas regras para se apurar o valor dos ressarcimentos Contribuições PIS/Cofins NãoCumulativas, a constatação, pelo Fisco, de irregularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor; jamais um mero acerto escritural de saldos, conforme foi feito neste processo. Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para desconstituir as glosas correspondentes às transferências de ICMS para terceiros. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator ad hoc Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13804.003339/2001-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
FRETE. CUSTO DA MERCADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
A despesa com frete não se constitui em item contemplado com o direito ao ressarcimento do crédito presumido do PIS e da Cofins previsto na Lei 9.363/96, por não se conceituar como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Para fazer jus ao creditamento, a despesa com frete deve fazer parte do custo de aquisição da matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, devidamente comprovada com as notas fiscais e CTRC vinculados.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.338
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para excluir da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às despesas com frete.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 FRETE. CUSTO DA MERCADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A despesa com frete não se constitui em item contemplado com o direito ao ressarcimento do crédito presumido do PIS e da Cofins previsto na Lei 9.363/96, por não se conceituar como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Para fazer jus ao creditamento, a despesa com frete deve fazer parte do custo de aquisição da matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, devidamente comprovada com as notas fiscais e CTRC vinculados. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
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CUSTO DA MERCADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A despesa com frete não se constitui em item contemplado com o direito ao ressarcimento do crédito presumido do PIS e da Cofins previsto na Lei 9.363/96, por não se conceituar como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Para fazer jus ao creditamento, a despesa com frete deve fazer parte do custo de aquisição da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devidamente comprovada com as notas fiscais e CTRC vinculados. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 33 39 /2 00 1- 43 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003339/200143 Acórdão n.º 9303003.338 CSRFT3 Fl. 890 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para excluir da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às despesas com frete. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de nº 20401.478, de 29/06/2006, o qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para reconhecer o direito de incluir no cálculo do credito presumido de IPI o valor do frete, bem como a atualização pela Taxa Selic a partir do protocolo do pedido, conforme se verifica da sua ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES AONDE NÃO HAJA INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Tendo a Lei n° 9.363/96 instituído um benefício fiscal a determinados contribuintes, com conseqüente renúncia fiscal, deve ela ser interpretada restritivamente. Assim, se a Lei dispõe que farão jus ao crédito presumido, com o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS incidentes sobre as aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, não há que se falar no favor fiscal quando não houver incidência das contribuições na última aquisição, como no caso de aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os produtos que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do PN CST n° 65/79. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003339/200143 Acórdão n.º 9303003.338 CSRFT3 Fl. 891 3 RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. CRÉDITO SOBRE A EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. A receita de exportação de produtos não tributado (NT) pelo IPI deve ser considerada no cálculo da relação entre a receita de exportação e a receita bruta. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, que foram acolhidos, com efeitos infringentes, para determinar a supressão da parte referente à inclusão dos produtos NT na receita de exportação para efeito da base de cálculo do benefício. A matéria litigiosa vinculase ao crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei n° 9.363, de 1996, e a Portaria MF n° 38/97, relativo ao 2° trimestre do ano de 2001, da empresa BERTIN LTDA. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI, com base na informação fiscal (fls. 442 a 448), em virtude das seguintes retificações efetuadas no cálculo do incentivo fiscal: (i) exclusão de valores de compras de insumos não contemplados pela legislação regente do crédito presumido, tais como, aquisições de não contribuintes, insumos importados, fretes, despesas com telefonia e energia elétrica; e (ii) inclusão da receita de prestação de serviços no total de receita operacional bruta. A decisão de primeira instância indeferiu a solicitação da contribuinte, confirmando o entendimento da DRF, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. Inconformada com o julgamento de primeira instância, a contribuinte interpôs tempestivamente seu recurso voluntário, cuja decisão reconheceu o direito de incluir no cálculo do credito presumido de IPI o valor do frete, bem como a atualização pela Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, que foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, em despacho exarado à fl. 675. O sujeito passivo interpôs Recurso Especial, que teve seu seguimento negado pela Presidência da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF por intempestivo, conforme Despacho nº 340000.050 (fl. 887). É o relatório. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003339/200143 Acórdão n.º 9303003.338 CSRFT3 Fl. 892 4 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço do recurso especial por contrariedade à lei da Fazenda Nacional por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade. Quanto ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, este teve sua admissibilidade negada, por intempestividade, nos termos do Despacho nº 340000.050 (fl. 887). Assim, a matéria revolvida nesse recurso não subiu a esta instância. Por conseguinte, somente as questões trazidas no apelo fazendário inclusão dos fretes no cálculo do crédito presumido e correção pela taxa Selic subiram para apreciação deste Colegiado. Da inclusão do frete no cálculo do crédito presumido A Procuradoria da Fazenda Nacional alegou que a inclusão dos fretes no cálculo do crédito presumido viola o art. 20 da Lei n° 9.363/1996, não se inserindo no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Já o acórdão recorrido reconheceu o direito de incluir no cálculo do credito presumido de IPI o valor do frete, sem tecer maiores considerações acerca de sua posição. No que se refere ao direito de creditamento decorrente do pagamento de frete a terceiros, entendo que a mera aquisição de prestação de serviço de transporte não se enquadra em quaisquer das hipóteses de incidência, definidas no art. 2° da Lei n° 9.363/96, para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Porquanto, não se trata de aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para serem utilizados no processo produtivo. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante aplicação de um percentual sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Para fazer jus ao crédito decorrente de custo com pagamento de frete, seria necessário que tal custo compusesse o preço do insumo (matériaprima; produto intermediário ou embalagem). Portanto, se o valor do frete for arcado pelo adquirente, fica embutido no custo da mercadoria e faz parte da base de cálculo do benefício. Nesse caso, o frete estará destacado na Nota Fiscal ou o Conhecimento de Transporte estará vinculado única e exclusivamente à Nota Fiscal de aquisição. Entretanto, se for custeado pelo fornecedor ou não for vinculado ao insumo em questão, o frete não poderá entrar no cálculo do benefício, pois não se subsumirá aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou de material de embalagem. No presente caso, ainda que se admita seja essa a situação da contribuinte, caberia a ela demonstrar tal vinculação, mediante a juntada de documentação idônea e suficiente a comprovála, o que não logrou fazêlo. Daí, não se vislumbrar qualquer possibilidade da aplicação desse entendimento ao caso concreto dos autos. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003339/200143 Acórdão n.º 9303003.338 CSRFT3 Fl. 893 5 Concluise, assim, que a despesa com fretes isoladamente considerada, consoante prevê a legislação de regência, não deve compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI por não caracterizar matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, mas mera prestação de serviços. Da inaplicabilidade da taxa Selic Quanto à inaplicabilidade da taxa Selic, o meu entendimento é no mesmo sentido da pretensão fazendária. Todavia, de acordo com o § 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos devem ser observados no julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame (AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS), decidiu que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome à decisão do STJ, e passo a admitir a atualização dos créditos a ressarcir pela variação da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Das conclusões Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido e restabelecer a Fl. 893DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13804.003339/200143 Acórdão n.º 9303003.338 CSRFT3 Fl. 894 6 decisão de primeira instância quanto à glosa do valor do frete no cálculo do crédito presumido de IPI. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 894DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10855.000230/2004-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO VERSANDO SOBRE DECISÃO ESTRANHAS AOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
Para que determinado recurso seja admitido, faz-se necessário que atenda a todos os requisitos de admissibilidade, dentre esses, o de que a decisão atacada refira-se à lide objeto do processo em julgamento. Demonstrado que o recurso especial fazendário versa, em sua inteireza, sobre acórdão que não diz respeito à lide travada nestes autos, mas a de outro processo, não se pode dele conhecer, por absoluta ausência de atendimento dos requisitos básicos de admissibilidade. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por absoluta ausência de atendimento dos requisitos básicos de admissibilidade.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
EDITADO EM: 19/01/2016
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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RECURSO VERSANDO SOBRE DECISÃO ESTRANHAS AOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Para que determinado recurso seja admitido, fazse necessário que atenda a todos os requisitos de admissibilidade, dentre esses, o de que a decisão atacada refirase à lide objeto do processo em julgamento. Demonstrado que o recurso especial fazendário versa, em sua inteireza, sobre acórdão que não diz respeito à lide travada nestes autos, mas a de outro processo, não se pode dele conhecer, por absoluta ausência de atendimento dos requisitos básicos de admissibilidade. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por absoluta ausência de atendimento dos requisitos básicos de admissibilidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. EDITADO EM: 19/01/2016 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho Demes Brito, Rodrigo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 02 30 /2 00 4- 11 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial, interposto em face do acórdão no 20312.179, exarado em 20/06/2007, que excluiu da tributação os atos cooperativos realizados entre julho e outubro/99, por força das modificações ocorridas na MP 1.858/99. O Acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, quando nesta são apreciadas todas as alegações contidas na peça impugnatória, sem omissão ou contradição, e perícia é negada porque despicienda. COFINS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. A isenção da COFINS relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontrase revogada pela MP n° 2.15835/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da COFINS, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. UNIMED. BASE DE CALCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 01/2002 A 01/2003. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI N° 9.718/98, ART. 3°, § 9 0• Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9° do art. 3° da Lei a' 9.718/98, introduzido pelo art. 2° da MP n° 2.158 Fl. 763, que permite deduzir da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins, a partir de dezembro de 2001, as co responsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Todavia, em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. Recurso de Oficio negado e Voluntário provido em parte. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10855.000230/200411 Acórdão n.º 9303003.370 CSRFT3 Fl. 976 3 A Fazenda Nacional contesta a decisão e, como paradigmas de divergência, reportase aos acórdãos 201.79.075 e 203.10.547, cujas ementas foram integralmente reproduzidas no corpo da peça recursal. O recurso fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fls. 970/971. É o Relatório Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo, mas não merece ser conhecido pelas razões a seguir aduzidas. O processo trata de auto de infração lavrado contra a sociedade empresária UNIMED SOROCABA — COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, julgado pela Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, quando nesta são apreciadas todas as alegações contidas na peça impugnatória, sem omissão ou contradição, e perícia é negada porque despicienda. COFINS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. A isenção da COFINS relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontrase revogada pela MP n° 2.15835/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da COFINS, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. UNIMED. BASE DE CALCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 01/2002 A 01/2003. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI N° 9.718/98, ART. 3°, § 9 0• Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9° do art. 3° da Lei a' 9.718/98, introduzido pelo art. 2° da MP n° 2.158 Fl. 763, que permite deduzir da base de cálculo do PIS Faturamento e Fl. 977DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 da Cofins, a partir de dezembro de 2001, as co responsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Todavia, em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. Recurso de Oficio negado e Voluntário provido em parte. Todavia, o recurso especial da Fazenda Nacional defende o cabimento de seu recurso, nos termos seguintes: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA 3) A Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela Unimed de Souza Cooperativa de Trabalho, para excluir da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS as receitas que entendeu serem provenientes de atos cooperativos. 4) 0 acórdão recorrido ostenta da seguinte ementa, verbis: "COFINS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO. INOBSERVÂNCIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS. Caso a contribuinte não promova a contabilização de forma a possibilitar a inequívoca identificação e quantificação de receitas relativas a atos cooperativos porventura realizados, sujeitamse tais receitas à incidência da Cofins. ATOS NÃO COOPERATIVOS. Considerase ato não cooperativo os contratos de plano de saúde e aqueles praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltarlhes o requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocial, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos. RECEITAS DE ATOS COOPERATIVOS. IDENTIFICAÇÃO INEQUÍVOCA. Identificadas de forma inequívoca, nos assentamentos contábeis, receitas decorrentes de atos cooperativos, sobre eles não há de incidir a COFINS, exceto para o período de vigência da MP 18586, cuja tributação da Cofins é pelo total das receitas obtidas pela cooperativa, independente de serem elas advindas de atos cooperados ou não cooperados. Recurso provido em parte." (destacouse) Fl. 978DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10855.000230/200411 Acórdão n.º 9303003.370 CSRFT3 Fl. 977 5 5) Com efeito, tal entendimento é totalmente divergente do perfilhado pela Primeira e Terceira Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, que, em situação análoga à versada dos autos, firmaram que a isenção da Cofins atribuida aos atos cooperativos pelo art. 6 °, inciso I, da LC n. ° 70, de 1991, foi revogada pela MP n.° 18586, de junho 1999 e suas reedições, motivo pelo qual é despicienda a distinção entre receita decorrente de ato cooperativo ou não cooperativo. 6) Eis os julgados ora colacionados como paradigma, in verbis: "COFINS. COOPERATIVA. BASE DE CALCULO. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins, atribuída aos atos cooperativos pelo art. 6º da LC n°70, de 1991, foi revogada pela Lei n°9.430, de 1996. Recurso negado. "COFINS. PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A alegação de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, não merece acolhimento, quando estão minuciosamente relacionados todos os fatos e dispositivos legais que o ensejaram, possibilitando a recorrente o pleno exercício do seu direito de defesa, nos termos do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Preliminar rejeitada. BASE DE CALCULO E FATO GERADOR. PERÍODO ANTERIOR A MP Nº 1.858/99 Apenas os atos cooperativos estão isentos por força do art. 6" da LC IV 70/91. Os serviços auxiliares, prestados por hospitais, clinicas e laboratórios ou por outras instituições que tenham por objeto a realização de serviços médicos, contratados pela cooperativa de serviços médicos para atendimento dos usuários dos seus planos de saúde são meros atos de intermediação nãocooperativos e, portanto, sujeitos à incidência da Cofins. BASE DE CALCULO E FATO GERADOR. PERÍODO POSTERIOR A MP nº 1.858/99. A Cofins incide sobre o faturamento, que abrange a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MP n° 1.858/99, DA LEI N° 9.718/98 E DAS LEIS QUE REGEM A MULTA DE OFICIO E OS JUROS DE MORA. 0 juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de Fl. 979DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de 75% tem amparo no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, visto que a exigência foi formalizada de oficio. JUROS DE MORA. O § 1º, do art. 161, do CTN dispõe que serão calculados a taxa de 1% ao mês somente quando a lei não dispuser de modo diverso. SELIC. A taxa SELIC tem previsão legal para ser utilizada no calculo dos juros de mora devidos sobre os reditos tributários não recolhido no seu vencimento, ou seja, Lei n° 9.430/96. Recurso negado." (TERCEIRA CÃMARA, Número do Processo: 10945.014516/200386, Relator: Antonio Bezerra Neto, Decisão: ACÓRDÃO 20310547) (destacouse) 7) Temse, assim, a divergência quanto à correta interpretação da legislação tributária entre as Câmaras do Conselho de Contribuintes, que se projeta na exigência de uniformização por parte desta Câmara Superior, para o fim de segurança jurídica. 8) Nessas condições, afiguramse presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, consoante As disposições dos artigos 7º e 15, do Regimento Interno da Câmara de Superior de Recursos Fiscais. A transcrição desse excerto do especial fazendário demonstra, insofismavelmente, que o acórdão recorrido pela Fazenda Nacional não é o referente ao julgamento deste processo, mas o de outro, cujas partes são diversas das destes autos. não há coincidência nem entre os colegiados que proferiram uma e outra decisão. No caso destes autos, o sujeito passivo é a UUNNIIMMEEDD DDEE SSOORROOCCAABBAA CCOOOOPPEERRAATTIIVVAA DDEE TRABALHO MEDICO, a decisão foi proferida pela Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes e o acórdão abordou recurso de ofício e recurso voluntário. Já o acórdão que constou do especial fazendário como recorrido traz como sujeito passivo a sociedade empresária UNIMED DE SOUZA COOPERATIVA DE TRABALHO, o Colegiado que proferiu a decisão foi a quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, e o acórdão versou apenas sobre recurso voluntário. Diante do exposto e considerando que o recurso especial fazendário versa, em sua inteireza, sobre acórdão que não diz respeito à lide travada nestes autos, mas a de outro processo, não dá para conhecer desse recurso, por absoluta ausência de atendimento dos requisitos básicos de admissibilidade. Posto isso, voto no sentido de não conhecer do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 980DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10855.000230/200411 Acórdão n.º 9303003.370 CSRFT3 Fl. 978 7 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/01/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 11516.003485/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990.
O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano-calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
(assinado digitalmente)
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990. O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no anocalendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 85 /2 00 9- 46 Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora (assinado digitalmente) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Salvador/BA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Adoto o relatório da decisão recorrida para descrever os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade: (...) Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 384/424) apresentada contra Despacho Decisório de efls. 372/373, que indeferiu o direito creditório relativo ao crédito presumido do IPI no valor de R$95.875,34, homologou parcialmente a compensação de créditos de ressarcimento de IPI relativos ao 4º trimestre/2003, transmitida no PER/DCOMP. Às efls. 219/365, foi juntada a cópia do Termo de Verificação FiscalTVF da DRF/Florianópolis, no qual a fiscalização apontou e descreveu supostas infrações que apuradas demonstram três tipos de fraudes contábeis, lá descritas. A Fiscalização esclareceu que: · a verificação fiscal abrangeu em conjunto as quatro empresas do mesmo grupo, coligadas à época, Indústria de Molduras Moldurarte, Indústria de Molduras Catarinense Ltda, Indústria de Molduras H. Effting Ltda, Incomarte Indústria e Comércio de Molduras Ltda, denominadas como “Moldureiras”, tendo a análise relativa aos pedidos de ressarcimento de IPI, constituídos de créditos básicos e presumidos, oriundos da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados pelas empresas, concluído que não fazem, as referidas contribuintes, jus ao crédito presumido haja vista a prática reiterada de fraudes contábeis no pagamento de matériasprimas, nos anos calendários de 2002 e 2006, que desqualificou a escrita contábil quanto ao Documentário Fiscal apresentado; · as empresas tinham como objeto social, à época, a fabricação de molduras para decoração, tendo como matéria prima principal a madeira. Em média, quase metade dos pagamentos efetuados pelas quatro empresas fiscalizadas (Incomarte, Modurarte, H. Effting e Catarinense) na aquisição de madeira foi efetuada por meio “pagamentos antecipados”. A Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.248 3 conta contábil era utilizada para registrar adiantamentos e devoluções de adiantamentos, “nem sempre com respaldo em registros bancários”; · o crédito presumido baseado na Lei 10.276, de 2001, tendo por base de cálculo os pagamentos antecipados aos fornecedores não foram devidamente demonstrados, pois mostraramse inexatos e inconsistentes, supervalorizando os custos, pagamentos sem causa. Os cheques relativos aos pagamentos foram emitidos em nome das próprias moldureiras, e não em nome dos fornecedores. Segundo o contador da empresa, “esses cheques eram transformados em moeda corrente, para que fossem assim repassados aos fornecedores, ‘em mãos’”; · observaramse casos em que os adiantamentos eram reduzidos, “supostamente pelos mesmo fornecedores adiantados”, a título de “devolução de adiantamentos realizados a maior”, muitas vezes na mesma data do próprio adiantamento. As devoluções, ao contrário dos adiantamentos, seriam efetuadas por transações bancárias e não em moeda corrente, conforme descrição no TVF: Os valores contabilizados são deveras significativos e o que mais chamou a atenção, já numa avaliação inicial, é que mesmo quando ainda existiam valores consideráveis de créditos (adiantamentos) atribuídos a um fornecedor, antes mesmo de se fazer um abatimento desses créditos (com o esperado fornecimento da madeira), constatava se novas transferências a titulo de adiantamento. Tudo isso lançado na contabilidade, mas nem sempre com respaldo nos registros bancários, pois nesses as transações que se tem são outras, especialmente diferentes, conforme se detalhará no decorrer deste Termo. · vários fornecedores nunca entregaram as madeiras compradas e nem devolveram os adiantamentos, equivalentes a milhões de Reais, mas continuavam a receber os tais adiantamentos, inclusive até a data de encerramento da ação fiscal em 2010; · a Fiscalização efetuou diligência em vários fornecedores e os intimou a apresentar os lançamentos contábeis e extratos bancários, tendo obtido resposta de apenas duas empresas: Madeireira Menagali Ltda, que tinha os registros contábeis dos adiantamentos, mas não das devoluções e a Madedino Madeiras Ltda, esta que não tinha registros contábeis. Uma não foi localizada e as demais não atenderam às intimações; · as irregularidades observadas são enquadradas na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1º, inciso II, que levaram a aplicação do art. 59 da Lei 9.069, de 1995, e proposta de glosa do crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal à exportação: Ressaltese também que as irregularidades contábeis encontradas nos pagamentos dos adiantamentos de madeira, assim como nos Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 4 pagamentos diretos desta, que é a principal matéria prima para produção de varetas para molduras, além da supervaloração de custos, pagamentos sem causa sugerindo a possibilidade de manutenção de "caixa dois" – entre outras irregularidades encontradas, possibilitaram não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos. E, como tais créditos presumidos (fraudados) foram utilizados para pagamento de tributos, mediante declarações de compensação (Dcomp's), caracterizouse de forma ainda mais evidente a redução indevida de tributação. Por isso, os fatos adiante narrados enquadramse duplamente na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1 0, inciso II, acima referido. Isto posto, não restam dúvidas que deve ser aplicado o art. 59 da Lei 9.069/95 para glosar o crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal ã exportação, o que não pode prosperar num ambiente maculado pelos atos aqui encontrados. · a Fiscalização requereu aos bancos do Brasil e o Bradesco, cópias de alguns cheques e de “fitas detalhe de caixa”, relativamente aos valores superiores a R$ 5.000,00, concluindo o seguinte: O cotejamento POR AMOSTRAGEM destas fitas de caixa com os registros contábeis das Moldureiras permitiu a esta auditoria compreender o "modus operandi" destas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e incorrendo nos crimes tributários anteriormente citados. Foram identificadas três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes, que passaremos a descrever: O primeiro tipo de fraude, foi identificado no Bradesco e, em geral, envolvia duas ou mais Moldureiras ao mesmo tempo. Uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu, verificar que os valores eram sacados das contas de uma Moldureira e na seqüência depositado na conta da outra Moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas Moldureiras. Porém, identificouse também que em alguns casos, assombrosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma Moldureira que realizou o saque !!!. [...] Um segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos, inclusive, constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira nada mais nada menos que familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). Um terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.249 5 fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos. É importante ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap). Justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito posteriormente neste Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente, contra entrega deste insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Grifos nossos (...) · relacionou várias operações bancárias que demonstraram os procedimentos e tratou de cada tipo de fraude, discriminando várias operações nos dois bancos, descrevendo as; · a suposta beneficiária dos pagamentos inexistentes, a empresa Madecamp Indústria e Comércio, fora objeto de um processo por falsidade ideológica, o que seria uma confirmação da suposta falsidade ideológica de documentos emitidos; · citase a “Operação Isaías”, reproduzindo partes do Inquérito Policial n. 44, de 2006, o que demonstraria a grande proximidade entre as empresas de moldura e as madeireiras, vindo acrescentar as apurações nos seguintes termos: Não se pretende aqui afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas de seus fornecedores de madeira, mas, mesmo não sendo este um dos motivos para as glosas dos créditos ora em discussão, não se pode deixar de apresentar os cálculos feitos referentes aos recolhimentos de Pis/Cofins destas empresas. Conforme planilha abaixo, estimouse que, no mínimo, em torno de 64% dos recolhimentos de Pis/Cofins dos 50 maiores fornecedores de madeira das contribuintes não foram efetivados: [...] · a interessada foi intimada a justificar a falta de contabilização de pagamentos e a divergência de beneficiários nos depósitos bancários. Ao final a fiscalização concluiu que: Ficou devidamente comprovado, pelas diversas irregularidades demonstradas no presente Termo de Verificação Fiscal, que o grupo Moldurarte cometeu ilícitos contábeis, fiscais e tributários, ao longo do período analisado, que se constituíram, inclusive, em crimes contra a ordem tributária, motivos mais do que suficientes para indeferir os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, no que tange Aqueles Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 6 decorrentes de crédito presumido para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme preconiza o art. 59 da Lei n° 9.069/95. Consta à efolha 366, que os documentos originais utilizados pela Fiscalização, e ora também juntados ao presente, estão anexados ao processo 11516.002223/201006 (Ressarcimento de IPI). Segundo informação fiscal e o despacho decisório cientificado em 16/07/2010 (efl.374), com subsídio na diligência, foram constatadas e descritas diversas irregularidades, que levaram a conclusão de que as informações relativas a crédito presumido prestadas no PER diferem do escriturado no livro RAIPI. Conforme informações constantes do item IV do Termo de Verificação Fiscal, relativo a aquisição irregular de madeira, constatouse que o grupo de empresas formado por INCOMARTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MOLDURAS LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS MOLDURARTE LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS H. EFFTING LTDA e INDÚSTRIA DE MOLDURAS CATARINENSE LTDA praticaram reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis, que se constituem indubitavelmente em crimes contra a ordem tributária, irregularidades previstas no artigo 1º, incisos I e II, da Lei 8.137/90 e no artigo 59 da Lei 9.069/95. Assim, considerando a inexistência de controles de entrada e de consumo de madeira, porém existente e razoável o controle dos demais materiais, levandose ainda em conta que os adiantamentos para pagamento de madeira e os próprios pagamentos eram realizados com cheques nominais à própria contribuinte, constatouse que somente são ressarcíveis os créditos decorrentes de entradas de Matériasprimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Material de Embalagem (ME) no trimestre de referência no valor de R$26.634,78. Os documentos disponíveis apresentados foram anexados ao Termo de Verificação Fiscal. Em sua manifestação de inconformidade, a Interessada informa que: · é sucessora por incorporação; · tinha como principal objeto social a fabricação e a importação e exportação de molduras de madeira, consoante comprova a inclusa cópia de seu contrato social inicialmente; · narrou as operações que realizava, os fatos ocorridos e a legislação que ampara seu pedido, reproduzindo trechos relevantes do termo de verificação fiscal TVF e do despacho decisório que fundamentou o indeferimento do crédito; · entende que não merece prosperar a decisão atacada em relação ao crédito presumido, pois não praticou nenhuma fraude na aquisição dos insumos que dão direito ao Crédito Presumido do IPI postulado. Não omitiu informações sobre a origem, quantidade e valores dos insumos adquiridos e, principalmente, não cometeu nenhum crime de sonegação fiscal; Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.250 7 · as supostas fraudes contábeis (que não ocorreram, conforme será demonstrado em item específico), além de configurarem crime por si só, teriam colaborado para o não recolhimento de tributos e a prática de crimes contra a ordem econômica e a flora, pelos quais foi indiciada a empresa Madecamp Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., a qual fornecia madeira à ora recorrente e diante disso a DRF/Florianópolis entendeu que a interessada não faz jus ao aproveitamento do Crédito Presumido do IPI correspondente aquele anocalendário, nos termos do artigo 59 da Lei n° 9.069/1995. · transcreve legislação e doutrina que entende apoiar sua defesa contra o indeferimento; · alega que não se aplica ao presente o art. 59 da Lei n. 9.069, de 1995, como causa impeditiva ao crédito pois inexiste ação penal (denúncia) ou decisão judicial imputando e reconhecendo a prática de crime; não se teria configurado crime pela atipicidade das condutas (irregularidades contábeis), à vista da ausência de constituição de crédito tributário; seria impossível imputar a prática de crime sem comprovação da conduta; não teria ocorrido nenhuma das hipóteses dos arts. 1º e 2º da Lei n. 8.137, de 1990; impossibilidade para estender a responsabilidade fiscal dos fornecedores à Interessada; inexistência de supressão ou redução de tributos e de fraude de documentos exigidos pela lei fiscal das empresas optantes pela tributação pelo lucro presumido, com a finalidade de suprimir ou reduzir ou eximirse dos pagamentos de seus tributos; · a Receita Federal não indicou no processo administrativo a existência de qualquer processo ou ação penal judicial contra a interessada, muito menos de decisão judicial condenatória transitada em julgado, pois somente decisão de juiz federal teria o efeito de caracterizar a prática de crime, sendo inconcebível conceder à autoridade administrativa tal prerrogativa, para condenar antecipadamente mediante um simples despacho decisório; · o Conselho de Contribuintes teria decidido em sentido similar no julgamento do Recurso Voluntário nº112.565, cujo teor reproduziu. Citou também acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e outras decisões do Judiciário; · em relação ao crime contra a ordem tributária, mediante à Lei nº 8.137, de 1990, a consumação do crime dependeria da demonstração da supressão do pagamento do tributo pelo autor e da constituição definitiva do crédito tributário, sem a qual é obstada a condenação pela prática do delito de sonegação fiscal. Citou ementas e trechos de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal; · se não há demonstração clara e específica de que as irregularidades contábeis tipifiquem crime contra a ordem Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 8 tributária e se não há lançamento não há mesmo que se falar crime. A utilização do crédito presumido do IPI é legítima, razão pela qual também não há supressão ou redução de tributo neste ponto; · considerando que as supostas fraudes teriam ocorrido no ano de 2003, o lançamento fiscal e a conseqüente consumação do crime, nesse momento, são impossíveis, eis que nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a Fazenda decaiu do direito de constituir o suposto crédito tributário suprimido ou reduzido pela contribuinte, em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, sendo esse o entendimento consolidado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Habeas Corpus n° 81.6118, que afirmou a necessidade de constituição do crédito tributário para a consumação do crime previsto no artigo 1º da Lei n° 8.137/1990; · supostas fraudes apontadas pelo Fisco, são, em verdade, apenas irregularidades contábeis, ainda que existentes, o que se admite apenas para argumentar, não teriam o condão de suprimir ou reduzir tributos devidos pela interessada e, por isso mesmo, não configuram crimes contra a ordem tributária; · de acordo com o inciso LVII do artigo 5º da CF, em face do princípio da presunção de inocência "toda pessoa se presume inocente até que tenha sido declarada culpada"; · a autoridade fiscal não identificou qual a conduta praticada pela empresa que configuraria o tipo penal tributário, limitandose a alegar genericamente o enquadramento da sua conduta nos artigo 1º e 2º da Lei n° 8.137/1990; · era optante pela tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com base no lucro presumido. Transcreve artigos da legislação que disciplina a tributação e dá as definições da base de cálculo, art.25 da Lei n° 9.430/1996, artigos 15 e 20 da Lei n° 9.249/1995, art. 31 da Lei n° 8.981/1995, e conclui que as irregularidades contábeis, rotuladas pela fiscalização como fraudes, relativas a contabilização dos pagamentos realizados a fornecedores não alteram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, que incidiam sobre a receita da empresa, nem tem reflexo sobre a base de cálculo de Cofins e PIS, de modo que não poderiam caracterizar crime. Se não houve supressão ou redução de tributo, não há como se imputar a ela a prática de crime contra a ordem tributária; · a opção da interessada pela tributação com base no lucro presumido a desobriga de escrituração contábil completa, situação reconhecida pela própria Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal; · todos os tributos devidos foram pagos pela empresa, tanto que a Fiscalização não indica qualquer tributo que tenha sido suprimido ou reduzido pela empresa, o que reforça a inocorrência dos supostos crimes a ela imputados. Já aqueles Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.251 9 débitos extintos mediante compensação com o crédito presumido do IPI foram regularmente declarados à Receita Federal do Brasil; · a Fiscalização, igualmente, em nenhum momento afirmou que os insumos que formam a base de cálculo do Crédito Presumido do IPI não ingressaram na empresa. Também não afirmou que não foram industrializados, o que desautoriza o indeferimento do benefício fiscal; · as irregularidades constatadas são meramente formais, pois não há nenhum pagamento de fornecedor pendente. Aliás, a Fiscalização também não afirma e nem demonstra que os insumos ingressados na empresa não foram pagos; · ademais, o fato de a Interessada ter optado pelo lucro presumido e estar desobrigada à escrituração comercial implica que a “contabilidade da empresa que extrapola a exigência legal serve apenas para controle interno e gerencial da sua atividade. Não pode, portanto, ser oposta contra a interessada, em face da expressão "em documento ou livro exigido pela lei fiscal" contida no artigo 1º da Lei n° 8.137/1990.”; · o Fisco pretende estender à Recorrente a responsabilidade fiscal/tributária e penal dos fornecedores de matériaprima mas tal ato fiscal não procede porque não se enquadra nos arts.121, 124, 134 ou 135 do Código Tributário Nacional, dada a ausência de qualquer vínculo obrigacional previsto em norma tributária; · a Recorrente não é responsável solidária pelos tributos devidos pelas suas fornecedoras, porque não tinha qualquer interesse na venda da madeira, mas sim na sua aquisição. A solidariedade não se presume. Decorre de lei; · nos termos do parágrafo único do artigo 18 do Código Penal, salvo os casos previstos expressamente em lei, somente está sujeito a punição o agente que praticar conduta dolosa; · não tinha qualquer ingerência sobre a administração das suas fornecedoras, que possuíam diretores e personalidade jurídica própria; · a contabilidade da empresa não possui qualquer relação com a administração dos seus fornecedores. A relação entre eles é meramente de compra e venda de matériaprima, documentada em notas fiscais que deram ingresso em seu estabelecimento. A Recorrente não poderia supor que eventuais ATPF's não correspondessem à realidade; Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 10 · as origens dos recursos são perfeitamente identificáveis, porém há um equivoco nos registros contábeis que dificultam essa correlação; · não se verifica na hipótese qualquer intenção de fraudar o Fisco. A Recorrente não deixou de oferecer à tributação qualquer receita de fato auferida. A presumida omissão apontada pela Fiscalização é infundada. Os equívocos na escrituração da Recorrente não geraram qualquer falta de recolhimento de tributos, eis que não tiveram reflexos em contas de resultado, conforme passa a demonstrar; · eventuais aquisições em montantes um pouco superiores à pauta fiscal, como ocorreu em algumas operações acima listadas não levam à conclusão de que tenha havido superfaturamento. Isso é mera conjuntura do mercado; · a fiscalização apenas aventa uma suposta supervaloração das compras, mas em nenhum momento apontou um só parâmetro ou fato concreto que pudesse levar à conclusão e comprovação de superfaturamento; · nesse trimestre ante as altas vendas de varetas de madeira para moldura necessitou de aquisição de grande quantidade de madeira, matériaprima (madeira), não havendo como serem reputadas de ilegítimas as aquisições por ela realizadas; · consoante se pode extrair do quadro que apresenta, não só adquiriu a madeira, como esta ingressou no seu estoque, foi industrializada e revendida como varetas de madeira para moldura tanto no mercado interno como no mercado externo; · não se tem notícias de que alguma das notas fiscais de aquisição de madeiras tenha sido declarada inidônea. Conforme o Termo de Verificação Fiscal no inquérito policial instaurado contra a Madecamp somente foi declarado a inidoneidade do ATPF's expedidos pelo IBAMA e de responsabilidade das madeireiras e não os seus documentos fiscais; · as autoridades fiscais podem ter apurado o corte ilegal da madeira. Não obstante, como já antecipado, as notas apresentadas pelo fornecedor tinham aparência normal e continham carimbos das fiscalizações estaduais, não tendo a adquirente, por ocasião das compras, condições de saber se eram ou não eram idôneas, assim como as ATPF's que acompanhavam e acobertavam essas operações; · o inquérito policial instaurado para a verificação de crime das empresas Madecamp, CSS e A. B Abreu ME só se iniciou em 22/03/2006, não tendo o contribuinte como saber, na época das aquisições, que os seus fornecedores estavam fraudando o Fisco; · eventual operação de sonegação praticada pelos fornecedores da Recorrente não tem o condão de infirmar o Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.252 11 direito ao Crédito Presumido do IPI assegurado à ela exportadora, que adquiriu, pagou, industrializou e exportou; · a obrigação de se verificar a inidoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do Fisco e não do contribuinte. Permitir à autoridade administrativa criar a obrigação para o comprador de investigar a regularidade tributária do fornecedor é atribuir ao próprio Fisco uma função legislativa, no sentido de criar uma norma inexistente. Transcreve julgado do Superior Tribunal de Justiça que entende apoiar sua defesa; · a irregularidade contábil atribuída à Recorrente não se deu no vínculo obrigacional consistente no contrato de aquisição da matériaprima, documentado pelas notas fiscais. A irregularidade contábil se deu no registro do pagamento dos fornecedores, como está claramente demonstrado no próprio relatório fiscal. O pagamento é apenas satisfação de prestação; · as cópias dos livros de entrada (livros fiscais) demonstram que todas as notas fiscais de aquisição de madeira foram devidamente registradas. O Livro de Inventário, por sua vez, confirma o saldo anual de madeiras da empresa, conforme documentos anexados; · além da legítima aquisição de matériaprima, do seu ingresso e industrialização no estabelecimento da empresa, a empresa também efetuou todos os pagamentos aos seus fornecedores; · o fato de haver algumas inconsistências na contabilidade, que não causam qualquer prejuízo ao Erário, não infirma o que se quer comprovar, que é o efetivo recebimento das mercadorias adquiridas, inexiste demonstração da omissão de entradas pelo Fisco. Inclusive, as inconsistências na contabilidade já estão sendo corrigidas; · totalmente falaciosa a afirmação de que a Recorrente teria supostamente contribuído para as fraudes cometidas (e provadas) pelas madeireiras, ao manter uma escrituração contábil deficiente dos pagamentos relativos a aquisição da madeira; · não há como se verificar em relação as notas fiscais de aquisição a ocorrência de crime que possibilite a perda do Crédito Presumido do IPI. Mesmo que o fornecedor não tenha efetuado o recolhimento das contribuições que se pretende o ressarcimento, conforme alegado pela autoridade administrativa, tal fato não gera efeitos tributários para o contribuinte; · a Lei n° 9.363/1996 (estabeleceu o crédito presumido do IPI) não exige a comprovação do pagamento das contribuições pelos fornecedores, sendo suficiente o contribuinte Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 12 provar a aquisição do insumo com o documento hábil. Os documentos de aquisição são hábeis, mesmo que haja irregularidade contábil no registro dos pagamentos na escrita da Recorrente; · o art. 82 parágrafo único da Lei n° 9.430/1996 estabelece que não se pode presumir a máfé do adquirente quando houver prova do ingresso da mercadoria e do respectivo pagamento; · preenche os requisitos e condições para se beneficiar do crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei n. 9.363, de 1996. Optou pela apuração alternativa. Quanto às aquisições registradas entende que restou perfeitamente demonstrado o recebimento das mercadorias e a satisfação do preço (crédito), estando assim preenchidos os requisitos para o aproveitamento do Crédito Presumido do IPI estabelecido pela lei n° 9.363/1996, bem como afastado a aplicação de qualquer dolo da interessada e demonstra a boafé da empresa adquirente; · a cobrança dos tributos devidos pelas Madeireiras (fornecedores de matériaprima) é dever do Fisco. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento representativo de controvérsia, sob o rito do art. 543C do CPC, é pacífica no sentido de considerar terceiro de boafé o adquirente de mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea; · caso a empresa não pudesse utilizar os créditos decorrentes das aquisições de matériaprima das empresas Madecamp (Madecap), CSS e B.A. de Abreu ME, o que se admite apenas para fins de argumentação, deveriam ser desconsideradas somente tais notas; · ressalta que neste trimestre somente parte do percentual de madeiras foram adquiridas da empresa Madecamp e não houve nenhum recebimento das demais empresas referidas no termo de verificação fiscal, consoante comprova o livro de Registro de Entradas e planilha com nome dos fornecedores, conforme documento que anexa; · no relatório de verificação fiscal consta que o indeferimento do pleito da Recorrente se daria pela aplicação à hipótese do artigo 59 da Lei n° 9.069/1995, no qual cita que a pessoa jurídica infratora perde no ano calendário correspondente os benefícios e incentivos da legislação tributária se praticado crime contra a ordem tributária; · os créditos fiscais e eventuais condutas ilícitas são fatos e circunstâncias distintas não havendo qualquer sustentação no argumento da autoridade fiscal, tendo assim direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de MP, PI, ME, para utilização no processo produtivo; Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.253 13 · requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, para reformar o Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em face da argumentação específica contida em cada um dos itens retroexpostos e que os créditos tributários já extintos pela compensação com o Crédito Presumido do IPI sejam homologados; · requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Anexa documentos que relaciona ao fim da manifestação. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB o processo foi encaminhado para esta DRJ para julgamento. (...) Mediante o Acórdão nº 1535.422, de 30 de abril de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SDR julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. Constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições. A contribuinte apresentou, em 18/12/2014, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), repisando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando, em síntese, a tempestividade do recurso em face da nulidade Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 14 da intimação por edital da decisão de primeira instância, bem como a ilegalidade das provas obtidas da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Assiste razão à recorrente no que concerne à preliminar de tempestividade do recurso voluntário, eis que, não obstante já constasse que a contribuinte tinha sido baixada por incorporação pela empresa de CNPJ nº 86.429.834/000132, a correspondência para a ciência da decisão de primeira instância foi enviada, pela autoridade preparadora, para empresa já baixada no seu endereço original. Desta forma, não se configurou a hipótese descrita no art. 23, §1° do Decreto nº 70.235/72 para a intimação por edital: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Como a contribuinte compareceu aos autos com a apresentação do recurso voluntário, considerase suprida a irregularidade processual quanto à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do §5º do art. 26 da Lei nº 9.784/99. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Quanto à preliminar suscitada pela recorrente relativa à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, efetuada pela fiscalização com base no art. 6º da Lei Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.254 15 Complementar 105/20011, como os argumentos utilizados pela recorrente estão no âmbito da verificação da constitucionalidade desse dispositivo de lei, entendo que se encontra fora da alçada desse Conselho examinar a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A atividade administrativa é vinculada, cabendo ao agente administrativo prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, não conheço da preliminar da recorrente relativa à ilegalidade das provas obtidas por quebra do sigilo bancário da recorrente. Passase à análise do mérito. Depreendese da leitura dos autos que, diante das irregularidades contábeis da contribuinte que possibilitaram "não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos", a fiscalização entendeu que se caracterizava o crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Em decorrência desse fato, entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte não fazia jus aos Créditos Presumidos do IPI no período, em conformidade com o artigo 59 da Lei n° 9.069/95, o qual dispõe: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim 1 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 16 a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Cabe primeiro indagar se a autoridade fiscal teria competência para verificar a "prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Obviamente que não, segundo entendo. Como é consabido, a configuração de um crime somente se dá após o devido processo legal na esfera judicial. Assim, apenas após a manifestação do Poder Judiciário, mediante sentença penal condenatória, poderseá dizer que a prática de determinado ato pela contribuinte configurou um crime contra a ordem tributária. Em referência ao princípio da presunção de inocência, não é lícito que a autoridade administrativa antecipese à manifestação judicial para declarar que a prática de determinado ato configura um crime contra a ordem tributária. Com efeito, quando o AuditorFiscal identificar fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária, incumbelhe a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, para a devida comunicação ao Ministério Público, que é o órgão competente para verificar a existência de prova de materialidade e indícios de autoria de crime suficientes para a deflagração da persecução penal. Nesse sentido, dispõe o art. 1º do Decreto nº 2.730/98: Art 1º O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese; I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. [grifos da Relatora] De forma que ao AuditorFiscal incumbe tão somente a comunicação ao Ministério Público do fato que configura, em tese, um crime contra ordem tributária, para que, sendo o caso, se instaure o correspondente processo penal para a verificação, pela autoridade judicial, se efetivamente ocorreu o referido crime. No sentido de que não cabe a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 quando ausente a sentença penal condenatória à contribuinte pelo crime contra a ordem tributária, muito bem se manifestou o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, em seu Voto, no Acórdão no 340200.887 4° Câmara / 2ª Turma Ordinária, em sessão de julgamento de 28 de outubro de 2010: (...) Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.255 17 Inicialmente anoto que o fato invocado na motivação, tanto da r. decisão ora recorrida, como do r, despacho decisório da DRJ (suposta "pratica, pelo interessado, nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, de atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, como consta no Relatório Fiscal das fls. 61/63 do procedimento fiscal"), por não apurado em processo criminal regular não autoriza as respectivas conclusões (perda do direito ao crédito), posto que somente autorizaria a perda do crédito, após de sentença condenatória transitada em julgado, cuja noticia não consta dos autos. De fato, inserido no "âmbito ou núcleo de proteção" dos direitos de defesa, a Constituição tutela o principio constitucional da "nãoculpabilidade" (art. 5°, inc. LVII da CF/88) que, no entendimento da Suprema Corte "consagra uma regra de tratamento que impede o Poder Público de agir e de se comportar, em relação ao suspeito, ao indiciado, ao denunciado ou ao réu, como se estes já houvessem sido condenados definitivamente por sentença do Poder Judiciário" sendo certo que essa "prerrogativa jurídica da liberdade" por possuir "extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) não pode ser ofendida em detrimento de direitos e garantias fundamentais proclamadas pela Constituição"( cf. Ac. da 2' Turma do STF no HC n° 80.719, em sessão de 26/06/01, REI. Mm. Celso de Mello, publ. in DJU de 28/09/01, pág. 37, EMENT VOL0204501 pág. 143 e in RTJ vol. 180/262), não se expõe, nem deve submeterse, a qualquer juízo de oportunidade ou de conveniência, muito menos a avaliações discricionárias fundadas em razões de pragmatismo governamental" vez que "a relação do Poder e de seus agentes, com a Constituição, há de ser, necessariamente, uma relação de respeito" (cf. Ac. do STF Pleno, na ADInQO 2010DF, em sessão de 30/09/99, Rel. Min. Celso Mello, publ. in DJU de 12/04/02, pág. 51, e in RTJ vol. 181/73) (...) Sustentase também o Ilustre Conselheiro Relator em decisão anterior do Conselho de Contribuintes, proferida no Acórdão n° 20310.061, da 3° Câm. do antigo 2° CC, Rel. Cons. Walter Ludvig, cujo voto se transcreve parcialmente abaixo: (...) Portanto, quanto aos fatos em tela e à pretensa aplicação das penas do art. 59 da Lei n° 9.069/95, entendo que apenas as condutas que configurem crime, tal como o ordenamento jurídico pátrio entende o que seja crime, podem dar ensejo perda dos benefícios fiscais.. Não considero razoável pretender que o legislador tenha querido, com a norma em exame, conceituar uma nova modalidade de crime: aquela a ser utilizada apenas para efeitos .fiscais ou administrativos. A interpretação sistemática do ordenamento jurídico determina a necessidade de que se conjugue, à hipótese de incidência do mencionado art, 59 atos que configurem crime o conceito do mesmo tal como entendido pelo legislador penal, pena de se ver Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 18 criada modalidade administrativa de crime, o que não pode ser aceito. Assim, para que seja dada aplicação ao art. 59 da Lei n° 9.060/95, é necessário que os atos cometidos pelo contribuinte sejam típicos (objetiva e subjetivamente) e antijuridicos. Sem tais pressupostos, inexistem atos que configurem crime. Desse modo, à vista de que a Lei n° 8137/90 não prevê a modalidade culposa dos tipos que descreve, apenas aqueles atos que, além de serem objetivamente descritos na norma penal, sejam informados pelo dolo do autor e, ainda, que não sejam acobertados por nenhuma das hipóteses de exclusão da antijuridicidade previstas no art. 23 do CP, podem dar ensejo aplicação das penalidades descritas na norma em exame. E, para comprovação do elemento subjetivo do tipo, a norma processual penal prevê um longo caminho a ser trilhado, de modo que fique aquele cabalmente demonstrado na instrução, caso contrário será o denunciado absolvido por ausência de prova. Em arremate, não incumbe ao Poder Executivo, através da Administração Tributária, considerar determinado fato como se crime fosse. Apenas a manifestação do poder Judiciário através de sentença penal condenatória dará ensejo aplicação da penalidades do artigo 59 da Lei n° 9069/95 A partir daí sim, poderá dar ensejo a aplicação da aludida norma no que se refere a perda de benefícios fiscais. Assim, a mencionada perda dos benefícios e incentivos constitui se inequívoca conseqüência de sentença penal, não cabendo à SRF, desprezando os dispositivos constitucionais do devido processo legal, da universalidade da jurisdição exclusivamente através do Poder Judiciário e da presunção de inocência criminal (CF, art. 50, incisos XXXV, LIII, LIV, LV, LVII), impor ao contribuinte a pena típica de condenação penal sem que a mesma se tenha verificado no caso. (...) Assim, diante da ausência de sentença penal condenatória à contribuinte por crime contra a ordem tributária, entendo que é incabível a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 ao presente caso concreto. Desta forma, não se configurou o justo motivo que prejudicava a análise do mérito do crédito presumido pleiteado, tendo sido, então, o Despacho Decisório, nesta parte, proferido com preterição do direito de defesa da contribuinte, devendo ser declarada a sua nulidade e dos atos posteriores dele decorrentes, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório e os atos dele decorrentes, a fim de que a autoridade fiscal, com o afastamento da norma veiculada pelo art. 59 da Lei n° 9.069/95, pronunciese sobre a legitimidade do crédito presumido pleiteado, retomandose, a partir deste ponto, o curso do devido processo legalmente previsto para o contencioso administrativo do ressarcimento e compensação tributários. (Assinatura Digital) Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.256 19 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 20 Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo da relatora quanto à conclusão de seu voto no sentido de anular o despacho decisório, medida extrema, para que outro seja prolatado afastando a incidência do art. 59, que a seguir transcrevo novamente, da Lei 9.069/95. Entende a ilustre relatora que a dicção legal "A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária..." só incide após sentença penal de crimes dessa natureza com trânsito em julgado. Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Já tive oportunidade de me debruçar sobre o tema há muito anos. A situação fática era outra, havendo ínfimos documentos fiscais com algum vício e, por isso, a fiscalização, glosou a todos. Naquela hipótese, entendi que não se aplicava a referida norma porque não restara provado o animus dolandi do contribuinte em relação aos crimes contra a ordem tributária. Naquele caso concreto, entendi que a prova do dolo seria formada nos autos de um processo penal, uma vez ausente tal prova nos autos. Aqui estamos diante de outra circunstância: há prova inexorável das fraudes perpetradas pelas empresas (que, em verdade, atuavam como se fosse um só "ser"), fazendo com que o Fisco, embasado em vastíssimo material probatório, desqualificasse, "tanto a escrita contábil quanto o documentário Fiscal apresentado". Na forma em que feita, levada a cabo para inflar artificialmente um crédito em prejuízo do Erário e ainda usar este crédito falseado propositalmente para quitar débitos seus líquidos e certo contra o Tesouro nacional, o animus dolandi da fraude é inexpugnável no caso vertente. A questão reside, a meu juízo, ao que se refere à expressão "a prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Assim, a questão a ser deslindada é se os autos fraudulentos se subsumem aos fatos típicos da Lei 8.137/1990. Faço, antes, porém, um breve relato dos fatos. Versam os autos pedido de compensação com supostos créditos de IPI no período de apuração em epígrafe. O presente processo, conforme atesta a fiscalização, abrangeu quatro empresas de molduras (Incomarte Ind. e Comércio de Molduras Ltda. e Ind. de Molduras Catarinense Ltda., pela Ind. de Molduras Moldurarte Ltda., conforme de fls. 218 e segs, e Ind. de Molduras H. Effiting Ltda.), sendo a recorrida sucessora por incorporação. O extenso Termo de Verificação Fiscal (148 páginas) concluiu que a empresa não tem direito ao ressarcimento do crédito presumido "haja vista terem praticado, reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis no pagamento de matérias primas", ou seja, na aquisição de madeiras. Verificou o Fisco que os adiantamentos a fornecedores de madeira (identificados no Termo Fiscal) foram realizados em sua maior parte por intermédio de Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.257 21 cheques nominais às próprias moldureiras (Catarinense, Moldurarte, Effting, Incomarte), em vez de serem emitidos nominalmente às fornecedoras de madeira. Por que os cheques de adiantamento a fornecedores deixariam de ser emitidos diretamente aos fornecedores, mas sim, transformados em dinheiro (descontados pelas "moldureiras" na boca do caixa), para depois, então, supostamente, serem pagos em numerário (ou depositados nas contas dos fornecedores), questionouse a fiscalização? Surpreendeuse o Fisco ao perceber que nos registros contábeis das contribuintes um notável quantitativo desses "adiantamentos a fornecedores" que eram reduzidos, provavelmente pelos mesmos fornecedores adiantados, a titulo de "devolução de adiantamentos realizados a maior", devoluções essas que muitas vezes ocorriam concomitantemente com os supostos "adiantamentos" ("no mesmo dia, vindo do mesmo fornecedor supostamente adiantado"). Além disso, a auditoria fiscal concluiu, em face à contabilidade das contribuintes (moldureiras), que alguns desses fornecedores, ao final de vários anos recebendo tais "adiantados", terminavam por não quitar completamente o suposto compromisso de fornecer a madeira paga antecipadamente. Pontua o Fisco: "Isso acarretou um crédito às moldureiras de proporções milionárias, uma vez que seus fornecedores deviam vultosas quantias e continuavam recebendo tais adiantamentos (alguns supostamente até hoje em dia em 2010)." Estranhando esses adiantamentos/devoluções, o Fisco solicitou informações bancárias das empresas. Assim, foram analisadas as transações bancárias das recorrentes com os bancos do Banco do Brasil e Bradesco, obtidas conforme LC 105/2001, já tendo sido a questão acerca da legalidade da quebra do sigilo bancário enfrentada pela relatora, acompanhada à unanimidade pelos demais membros desta Câmara. A fiscalização solicitou além da cópia dos cheques, as FITAS DETALHE DE CAIXA dos adiantamentos (e devoluções), "superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para tentar descobrir o que mais poderia estar envolvido em tais singulares procedimentos." O cotejo por amostragem dessas fitas de caixa com os registros contábeis das moldureiras permitiu a auditoria compreender o modus operandi dessas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e, em consequência, incorrendo, com a fraude, em tese, do tipo penal da Lei 8.137/90. Foram constatadas pela fiscalização três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes: Foi identificado no Bradesco que uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu verificar que os valores eram sacados das contas de uma moldureira e, na seqüência, depositado na conta da outra moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas moldureiras. Identificouse também que em alguns casos, curiosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma moldureira que realizou o saque. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 22 Restou provado que o primeiro intento para aqueles procedimentos (desconto na boca do caixa dos cheques de adiantamento a fornecedores e surpreendentes devoluções, algumas até no mesmo dia) foi revelado pelas fitas de caixa fornecidas pelas instituições financeiras. Dessa análise, foi constatado, em exauriente trabalho fiscal, ao longo de no mínio mais de três anos (Termo de Constatação item II) que boa parte desses "adiantamentos a fornecedores" tiveram como destino final, em vez dos fornecedores que a contribuinte contabilizava como beneficiárias dos pagamentos/adiantamentos, as contas bancárias das próprias contribuintes (as moldureiras), que emitiram os cheques como se fossem para adiantamentos aos fornecedores (contabilizavam como se assim o fosse), descontaramnos em conjunto, e ao mesmo tempo, num mesmo caixa bancário (com se viu anteriormente, em seu próprio nome), para logo em seguida, minutos ou segundos depois, por intermédio do mesmo caixa bancário, depositálos de volta nas contas bancárias das mesmas empresas do grupo (II sob registros contábeis de "devolução de adiantamento" a fornecedor. O segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira, familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). O terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos, superestimando os valores do créditos supostamente ressarcíveis. Impende ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap), justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente contra entrega desse insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Gisese, conforme item IV do termo fiscal ( a partir página 138 deste), que o inquérito policial 44/2006 demonstrou uma enorme proximidade entre o grupo Moldurarte e algumas empresas ali denunciadas, tais como a "Madecamp" (ou "Madecap"), referida, a "CSS" (que segundo aquele relatório nada mais era do que uma ramificação da Madecamp, possuindo os mesmos sócios: Jairo Serra e Sueli Pires Campanhola, que também foram denunciados pela Justiça Federal), e "B. A de Abre ME", de propriedade dos senhores Benedito Almeida Abreu e José Antonio Almeida. Este último, José Antonio Almeida, inclusive, nos autos de inquérito policial, chegou a afirmar que "trabalhava para o grupo Moldurarte". Não se está aqui a afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas das madeireiras citadas, mas também não se pode olvidar que ao simular pagamentos Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.258 23 (ou antecipações) para as empresas em questão, maculadas por falsidades ideológicas, o grupo Moldurarte, no mínimo, colaborou para que os documentos emitidos pelas acusadas estejam à margem de qualquer tipo de controle fiscal, ou florestal, e também por isso se vejam alcançados por uma constante suspeita de inidoneidade (além daquelas suspeitas levantadas no inquérito policial 44/2006, que tinham como objetivo principal, apurar apenas falsidades ideológicas em documentos do IBAMA, as ATPF). Como dito alhures, minha divergência com a i. relatora é quanto à leitura que a mesma faz do art. 59 da Lei nº 9.06/1990. Enquanto ela entende que a norma se reporta à decisão condenatória penal com trânsito em julgado, eu entendo, atualizando meu alcance sobre a quaestio, que a norma, em verdade, incide quando estiver provado, mesmo que em nível administrativo, como in casu, o animus dolandi do contribuinte de modo que esse dolo possa ser enquadrado, em tese (A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária), como crime contra a ordem tributária a que alude a Lei 8.137. Em tese, por que a competência para editar a decisão penal é do Judiciário, por certo. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, assim dispõem: Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) Ora, dúvidas não há que as fraudes levadas a efeitos pela recorrente (ou seja a prática de atos) se subsumem às hipóteses tanto dos incisos I e II do art. 1º da norma penal quanto do inciso I do art. 2º. Ao inflar fraudulentamente seus créditos e os compensando com débitos líquidos e certo perante à Fazenda Nacional, estreme de dúvida que teve como desiderato "suprimir ou reduzir tributo", bem como "fazer declaração falsa ..." "para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo". Ademais, inconteste que os valores declarados na PER/DCOMP divergiam daqueles escriturado no RAIPI. Não nos esqueçamos que alem da verificação da certeza do crédito, estamos frente à análise de um pedido de compensação. Nestes autos o que restou hialino é que de um lado temos um crédito absolutamente incerto e, portanto, ilíquido, com débitos do contribuinte que ele mesmo confessou sua dívida, em consequência, certos e liquidados. Nesse sentido, concluiu a CSRF no Acórdão CSRF/0202.995/2008, cujo excerto transcrevo: Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 24 A questão diz respeito a saber, unicamente, se o referido dispositivo referese à hipótese de haver ou não sentença penal condenatória transitada em julgado. ... Dispõe o art. 59 da Lei n 9.069, de 1995: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Portanto, a hipótese legal referese a "atos que configurem crimes contra a ordem tributária", não exigindo a sentença transitada em julgado. Primeiramente, se houvesse a intenção de subordinar a perda dos incentivos ou benefícios aos casos em que houvesse condenação judicial, certamente a Lei terseia referido a esse requisito especificamente, estabelecendo que "a condenação por prática de crimes contra a ordem tributária" importaria a perda dos incentivos ou benefícios. Segundo o paradigma, a caracterização da hipótese do artigo dependeria da configuração específica de crime, que dependeria da tipicidade e da antijuridicidade dos atos praticados. Dai a necessidade de trânsito em julgado da sentença condenatória. Entretanto, o dispositivo referese à "prática de atos que configurem crimes" e não à prática de crimes ou, mais especificamente, à condenação por crime contra a ordem tributária, que seria a real condição da perda dos incentivos e benefícios, segundo o acórdão paradigma. Assim, a prática de atos passíveis de configurar crimes contra a ordem tributária é razão suficiente para a perda dos incentivos e benefícios fiscais, não havendo que se cogitar de sentença penal condenatória transitada em julgado. A redação do artigo, ademais, subentende, na expressão "a perda, no anocalendário correspondente", a possibilidade de perda imediata do incentivo ou beneficio, o que seria impossível se fosse necessária a sentença transitada em julgado.(grifei) No mesmo rumo, Parecer COSIT nº 75/99: "... b) a autoridade administrativa tributária constatando, no exercício de suas atribuições, a prática de atos que, em tese, configurem crimes contra a ordem tributária é competente para a aplicação, contra a pessoa jurídica, da sanção administrativa de decretação da perda de incentivos e benefícios fiscais, no anocalendário da infração, cominada no art. 59 da Lei nº Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003485/200946 Acórdão n.º 3402002.732 S3C4T2 Fl. 1.259 25 9.069, de 1995, independentemente de intervenção prévia do Poder Judiciário.(grifei) Por fim, apenas para argumentar, ainda divirjo da relatora quanto ao alcance processual versado em sua decisão. Se a conclusão é que a indigitada norma (art. 59 da Lei 9.069/90) não se aplica para fins de "perda do incentivo", a consequência processual, a meu sentir, é que o processo seria nulo ab initio, pois a informação fiscal fundou sua decisão de glosa na referida norma. Assim, forte em todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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