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Numero do processo: 10580.722537/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Comprovado a falta de ciência do auto de infração quanto a solidários da exigência fiscal, deve-se anular o julgamento para que a Unidade de Origem providência a ciência de todos os arrolados no processo como solidários, abrindo o prazo legal para apresentação de impugnação e a partir daí seja dado prosseguimento ao processo nos termos previstos no Decreto nº 70.235/72;
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e determinar que a unidade de origem dê ciência do auto de infração a todos os responsáveis solidários.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado a falta de ciência do auto de infração quanto a solidários da exigência fiscal, devese anular o julgamento para que a Unidade de Origem providência a ciência de todos os arrolados no processo como solidários, abrindo o prazo legal para apresentação de impugnação e a partir daí seja dado prosseguimento ao processo nos termos previstos no Decreto nº 70.235/72; Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e determinar que a unidade de origem dê ciência do auto de infração a todos os responsáveis solidários. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 37 /2 01 3- 27 Fl. 10224DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.069.776,25, referente a fatos geradores entre 30/04/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 26/04/2013; b) o segundo formalizou a exigência de PIS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 448.451,51, referente a fatos geradores entre 30/04/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 150% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 26/04/2013. Foi produzido longo Termo de Verificação Fiscal, onde ficou registrado (excertos): 5. A ação fiscal abrangeu o período de jan/2008 a dez/2009. 7. Os representantes legais declararam, por escrito, não possuir a COOPERSAÚDE processos judiciais ou administrativos concernentes a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; nem processos de consulta formulados. 8. O período de janeiro a março de 2008 foi objeto de lançamento através de auto de infração de 28/12/2012 (processo n° 10580720.011/201311), tomando ciência a contribuinte nesse mesmo dia. Esse lançamento teve como fundamento a falta de recolhimento das contribuições para o Pis e Cofins. 9. Novos fatos que chegaram a conhecimento desta fiscalização, posteriormente à lavratura do auto de infração referido no parágrafo anterior, e levaram à qualificação da multa e à responsabilização dos membros do Conselho de Administração e membros do Conselho Fiscal. 10. Depoimentos colhidos em diversos processos trabalhistas (vide parágrafos 60 e seguintes deste Termo) e na Ação Civil Pública tombada sob n° 5290076.2009.5.05.0196, em 19/05/2009, na 6ª Vara do Trabalho de Feira de Santana, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho, configuraram desvirtuamento da atuação da COOPERSAÚDE, com repercussão no tratamento tributário da cooperativa. 15. Em 13/07/2012, a COOPERSAÚDE foi intimada, e reintimada em 10/09/2012, a apresentar, dentre outros Fl. 10225DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3201001.871 S3C2T1 Fl. 10.225 3 documentos, memória de cálculo da apuração do PIS e COFINS, com a indicação da rubricas contábeis de registro correspondentes, e que esclarecesse por escrito por que não havia apurado e declarado as referidas contribuições. 16. Em resposta, elaborou as planilhas reproduzidas abaixo que explicitam a segregação das receitas em decorrentes de atos cooperados (que eram repassados a estes na proporção dos serviços prestados a terceiros) e as correspondentes taxas administrativas cobradas dos membros. Só sobre as últimas a contribuinte entende que havia incidência do PIS e da COFINS, que eram contabilizados nas contas 21104 e 21105, respectivamente. 29. Importa que, nem sobre as receitas de taxas administrativas, nem sobre as receitas dos serviços médicos prestados, a fiscalizada recolheu as devidas contribuições de COFINS e PIS, contribuições essas, repisese, provisionadas e baixadas contabilmente, como se tivessem sido pagas, mas efetivamente não recolhida. 40. Figuram como associados da COOPERSAÚDE, segundo relação fornecida por ela: médicos; enfermeiros, bioquímicos, farmacêuticos, odontologistas, cirurgiões dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, auxiliares de enfermagem, técnicos de laboratório, agentes de serviços hospitalares, técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, agentes de serviços gerais, técnicos de laboratório, técnicos de administração hospitalar, assistentes sociais, coordenadores administrativos, técnicos auxiliares odontológicos (vide "Relação Cooperados Coopersaúde"). Então, possui nos seus quadros elenco de profissionais capaz de assumir qualquer serviço de saúde, da atividade meio à atividade fim. 45. Constatase então que a totalidade do faturamento da COOPERSAÚDE foi oriundo de contratos com órgãos públicos com o objeto de fornecimento de profissionais da área de saúde, para cumprir jornadas de trabalho em estabelecimentos dos contratantes, segundo as determinações administrativas destes, e com a determinação de observação da legislação trabalhista e previdenciária pela contratada. 57. A primeira conclusão, conforme o teorizado, é que não se pode considerar como atos cooperativos típicos as relações estabelecidas entre a pessoa jurídica COOPERSAÚDE e as contratantes de sua mão de obra especializada. No mínimo, à primeira vista, seriam atos nãocooperativos intrínsecos se cumprissem os requisitos legais. Com a prática de atos externos (contratos de prestação de serviços com terceiros) há faturamento. Os profissionais alocados na prestação dos trabalhos receberam a contraprestação da cooperativa (e não do contratante) na proporção do labor realizado. 62. A segunda conclusão que se assenta, tomadas em conta as constatações que defluem dos fatos documentados nos processos trabalhistas, é que a COQPERSÁUDE não atendeu aos princípios cooperativos, descumprindo frontalmente a Lei n° 5.178/17: não propiciou que os associados obtivessem retribuição superior à que obteriam caso não estivesses associados; não houve prestação de serviços pela cooperativa Fl. 10226DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 aos reclamantes; houve de fato, prestação de serviços pela cooperativa aos terceiros contratantes; a cooperativa se prestou a fraudar relação de emprego e o próprio instituto do cooperativismo. 63. A terceira conclusão: a de que os administradores da autuada ao descumprirem dispositivos da Lei n° 5.764/1971, dispositivos do próprio Estatuto Social (a exemplo do art. 15º que proíbe vantagens e privilégios a associado em detrimento dos demais associados) e perpetrarem infrações a dispositivos da legislação tributária, devem ser responsabilizados solidariamente. Os fatos correspondentes a essa conclusão estão narrados no tópico, "VIII. Da Responsabilidade dos Membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal". 64. Contudo, repisese o já dito que será explicitado no próximo tópico: a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos não é relevante para incidência das contribuições para o Pis e para a Cofins. Independentemente de se tratar de ato cooperado ou não cooperado, as receitas apuradas pela COOPERSAÚDE são tributadas pelo Pis e pela Cofins. Mas restou comprovado que as receitas recebidas pela COOPERSAÚDE não foram decorrentes de atos cooperativos típicos. As irregularidades, documentadas indicaram fraude do próprio instituto do cooperativismo. 94. No § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996, há determinação de que a multa de oficio de 75% deve ser duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, ou seja, nos casos de sonegação, fraude ou conluio. 95. Restou claro que os atos e negócios foram praticados com o fim de modificar as características essências do fato gerador de modo a reduzir o montante das contribuições devidas, constituindo a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. 96. A multa de ofício referente a esta infração foi aplicada nos termos da Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, e § 1º, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007. Em 28/05/2013 a contribuinte transmitiu (email eletrônico), através de procuradores, arrazoado impugnatório referente aos lançamentos (PIS/COFINS) onde alegou (em síntese): Dos fatos • o Fisco pretende impor curioso e particular entendimento segundo o qual a sociedade não pratica qualquer tipo de ato cooperativo. Conclui que por ter seus ingressos derivados da prestação de serviços para terceiros não associados/cooperados, a cooperativa pratica unicamente atos não cooperativos. Em sua concepção, os atos cooperativos seriam tão somente, apenas, única e exclusivamente aqueles praticados interna corporis, ou seja, entre os próprios cooperados, pelos próprios cooperados e para os próprios cooperados. Afirma, também, ser irrelevante tratar de segregação contábil entre atos cooperativos e não cooperativos, eis que todos os atos praticados são não cooperativos, constituindose, integralmente, hipótese de incidência do PIS e da COFINS; • em seu Relatório o Fisco concluiu: Fl. 10227DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3201001.871 S3C2T1 Fl. 10.226 5 I) que não podem ser considerados como atos cooperativos típicos aqueles estabelecidos entre a cooperativa e terceiros não associados/cooperados; II) que as constatações do quanto documentado no processo trabalhista são de que a sociedade não atendeu aos princípios cooperativos (dentre os quais a ausência de participação associativa; ausência de adesão espontânea; e da dupla qualidade e retribuição pessoal diferenciada); III) que os administradores da cooperativa seriam responsáveis solidários pelos créditos tributários, uma vez que teriam infringido dispositivos do próprio Estatuto Social. Da impugnação. Natureza jurídica. Preenchimento de todas as condições para ser sociedade cooperativa desde sua constituição, a cooperativa sempre atuou no intuito de atingir o bem comum dos cooperados. Dos valores recebidos pelos serviços prestados pessoalmente pelos seus cooperados, uma parte (Taxa Administrativa) é destinada ao custeio da estrutura administrativa, melhorias na estrutura física da sede e também na comunicação social da entidade, de forma a cumprir o seu objetivo social; • considerando que os valores recebidos dos tomadores de serviço, depois de descontado um percentual para o pagamento das despesas da cooperativa, são repassados diretamente aos cooperados em razão do trabalho desenvolvido por cada um deles e, considerando que eventual sobra dos valores destinados à administração da cooperativa e à realização do seu objeto social é devolvida aos cooperados também na proporção do seu trabalho, resta indubitável que a cooperativa, cumpre um dos requisitos básicos da sociedade cooperativa, qual seja a não realização de lucro; • não restam dúvidas de que a negociação da prestação dos serviços de seus cooperados, incumbida à cooperativa, caracterizase como ato cooperativo típico, integralmente alinhado ao quanto preceituado na lei das cooperativas (Lei nº 5.764/1971), inclusive sem qualquer objetivo de lucro, vez que seu objeto social concerne, justamente, à aproximação de seus cooperados do mercado consumidor; • o Fisco desconsiderou as demandas trabalhistas ajuizadas e que foram julgadas improcedentes por considerarem a ora autuada como sendo uma sociedade cooperativa típica. Frisese que os juízos trabalhistas reconhecem a existência de relação de cooperativismo e o atendimento aos princípios da dupla condição e da retribuição pessoal diferenciada; • no campo da prestação de serviços a terceiros, frisese que todos os cooperados têm a liberdade de trabalhar quando e onde escolherem. Não há hierarquia ou ordem da cooperativa para que tal ou qual cooperado necessariamente vá trabalhar em tal ou qual hospital; • conclui que; a) pelos documentos carreados, a intenção cooperativista é claríssima, agindo sempre a cooperativa em benefício dos cooperados; Fl. 10228DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 b) os cooperados sabem e concordam com os termos das ações tomadas pela cooperativa. Supostas ações trabalhistas são insignificantes ante o número de cooperados. Natureza do ato cooperativo típico. Não incidência de PIS/COFINS sobre ingressos decorrentes de atos cooperativos • ato não cooperativo é aquele que nada diz respeito ao objeto de uma sociedade cooperativa, caracterizando uma atividade mercantil praticada pela pessoa jurídica. O resultado positivo auferido em razão da prática de tal ato, mesmo que praticado pela cooperativa, configura auferimento de receita, sendo, portanto, passível de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Já ato cooperativo, ou ato cooperado, é aquele pelo qual a cooperativa realiza a sua finalidade social, qual seja a prestação de serviços aos seus associados. Conforme a Lei nº 5.764/1971 (parágrafo único do art. 79), os atos cooperados não implicam em operações mercantis, tampouco em contrato de compra e venda; • todos os ingressos contábeis verificados pelo Fisco são decorrentes e pertencem aos cooperados, em razão da prestação de serviços realizados de forma pessoal por estes, à exceção da taxa administrativa retida para o custeio da estrutura da sociedade. Tratase de ato cooperativo típico, concernente ao objetivo social da cooperativa, envolvendo esta e o cooperado; • não se pode dizer que, por ser um terceiro o tomador do serviço prestado pessoalmente pelos cooperados, restaria descaracterizado o ato cooperativo, já que se trata de um negócio feito pela cooperativa em nome dos cooperados e com o intento de que estes alcancem o mercado consumidor e aufiram renda. Não seria razoável pensar que os cooperados poderiam prestar serviços apenas a outros cooperados, o que inviabilizaria economicamente a atividade; • a intermediação da contratação dos serviços de seus cooperados, efetuada pela cooperativa, configura ato cooperativo típico. Tendo em vista que a cooperativa repassa os honorários auferidos aos cooperados, em razão direta dos serviços prestados por cada um, tais ingressos jamais poderiam ser considerados como receita/faturamento da cooperativa; • o Fisco considerou como sendo faturamento todos os ingressos havidos pela cooperativa, inclusive as receitas decorrentes da prática de ato cooperativo típico. A autuação é, portanto, improcedente; • ao contrário do pretendido pelo órgão fiscalizatório, o conceito de faturamento não se amolda aos atos cooperados, havendo por isso a não incidência do PIS ou da COFINS sobre os referidos atos; • a análise do Relatório Fiscal leva à conclusão de que o Fisco considerou como receita e, por decorrência, como base de cálculo para a tributação pela COFINS e pelo PIS, o somatório do valor das notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Ocorre que os ingressos no caixa dos honorários dos associados, pela prática de atos cooperados, não se confundem com receitas da cooperativa. No caso concreto, o ingresso no caixa de valores decorrente de atos cooperados não se enquadra no conceito de faturamento/receita por não ser uma riqueza própria da Sociedade. Assim, no mérito, deve ser declarada a total improcedência do auto de infração. Divergências contábeis. Erros de preenchimento Fl. 10229DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3201001.871 S3C2T1 Fl. 10.227 7 • o Fisco apontou a existência de divergências contábeis. Cumpre esclarecer que os erros em questão são atribuíveis apenas e tão somente à equipe de contabilidade da cooperativa. Tais erros por si só não são capazes de criar fatos geradores, nem implicam em confissão de dívida. No Direito Tributário deve prevalecer, sempre, a verdade real, sendo que a verdade real é que tratase de uma cooperativa de trabalho e como tal, no exercício do seu mister, os ingressos decorrentes da prática de atos tipicamente cooperativos não podem ser considerados como sendo faturamento, daí porque não se submetem à incidência nem do PIS nem da COFINS. Regularidade nas contratações com o Poder Público • o relatório fiscal busca demonstrar que a relação entre a cooperativa e os contratados (órgãos do Poder Público) teria caráter empresarial, não podendo se confundir com a relação de intermediação sem fins lucrativos próprios das sociedades cooperativas. Diz que os contratos firmados trazem terminologias próprias de quem contrata com sociedades empresárias; • de fato, as terminologias aplicadas aos contratos são terminologias próprias da contratação de sociedades empresárias. Tanto que nela há termos como salários, recolhimento de FGTS, responsabilização pelo transporte, etc. Contudo, a mera avaliação literal/textual dos contratos não é capaz de levar à compreensão da relação jurídica travada entre as partes contratantes. Quanto ao negócio jurídico, o primeiro ponto a se levar em consideração é o fato de que os contratos firmados são elaborados juntamente com o edital de licitação. Ou seja, os contratos não são personalizados, são genéricos, e são elaborados exclusivamente pelo Poder Público, sem a participação dos contratados. E como a maioria das licitantes são sociedades empresárias, não faria sentido a elaboração de um contrato somente para cooperativas; • as atecnias contidas nos contratos firmados com o Poder Público não têm o condão de desvirtuar a realidade fática e o enquadramento jurídico que deve ser dado aos negócios firmados pela cooperativa, sendo improcedente a autuação; • caso a autuação seja julgada procedente, descaracterizando a prestação do serviço como ato cooperativo, deveria o Fisco devolver aos órgãos contratantes toda a contribuição previdenciária devida pelo tomador de serviço de cooperativa que foi paga no período. Tal contribuição de 15% sobre o valor pago a cooperativas e devido pelas contratantes está prevista no art. 22, IV , da Lei nº 8.212/1991. Conclusão e pedidos • a cooperativa requer que seja reconhecida a total improcedência da autuação. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, indicando, de logo, e em especial, a juntada posterior de documentos, pareceres, decisões dos Tribunais Administrativos e Judiciais, inclusive em contra prova, diligências, exames, vistorias, perícias e revisão do lançamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação." Fl. 10230DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificadas da decisão, a Coopersaude e as pessoas arroladas como solidárias: Paulo Cesar Queiroz Rocha, Ubirajara Jorge Muniz da Silva, Rômulo José Cunha Araújo, Marlea Paladino Ferreira da Silva Machado, Marcelo César Almeida de Oliveira Pinto, Edmo de Castro Dourado Jr., Carlos Costa Neto, Ana Maria Guimarães Dortas Matos e Victoria Villapardo dos Santos interpuseram Recurso Voluntário, pedindo a reforma da decisão, nos seguintes termos. Recurso Coopersaúde A Coopersaúde repisa as alegações já apresentadas na impugnação, reafirmando a impossibilidade de tributação dos atos cooperativos praticados, em razão de ausência de relação mercantil, pois, tais recursos não se configuram em faturamento e não lhe pertenciam, somente transitaram pela Cooperativa por pertencerem aos seus cooperados. Ubirajara Jorge Muniz da Silva, Rômulo José Cunha Araújo, Marlea Paladino Ferreira da Silva Machado, Marcelo César Almeida de Oliveira Pinto, Edmo de Castro Dourado Jr., Carlos Costa Neto, Ana Maria Guimaraes Dortas Matos e Victoria Villapardo dos Santos apresentaram Recurso Voluntário em conjunto, alegando em síntese. Em sede preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, sob o arrimo que não foram intimadas do auto de infração e do prazo para impugnar o lançamento. A comunicação que tiveram deste processo foi uma carta comunicando a existência da ação fiscal. Quanto ao mérito alegam a ilegitimidade para figurar como responsáveis tributários por não existir a responsabilidade solidária imputada pelo Fisco, em razão de não Fl. 10231DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3201001.871 S3C2T1 Fl. 10.228 9 terem auferido qualquer ganhou ou remuneração com a participação na diretoria ou nos conselhos administrativos e fiscais da Cooperativa. Da impossibilidade de conferir à ação civil Pública 005290076 2009.5.05.0196 a qualidade de fator determinante para desqualificação das atividades da Coopersaúde como cooperativa. Reafirmam que o ato cooperativo não é apenas àquele praticado entre associados de uma cooperativa de trabalho. As atividades da Coopersáude é tão somente arrecadar os honorários dos contratantes, descontar a taxa de administração para cobrir suas despesa e repassar o saldo para o seus cooperador. Assim, as suas atividades estão classificadas dentro do conceito de atos cooperados. Alega a impossibilidade de utilizar simples erros contábeis para gerar multa por descumprimento de obrigação acessória. Não existe prova nos autos de irregularidade na contratação com órgãos públicos. Ausência de motivos autorizadores da aplicação da multa qualificada, em razão do total desconhecimentos dos Recorrentes dos fatos a eles imputados. Encerram o recurso, pedindo que seja afastada a corresponsabilidade e a substituição da multa de ofício pela multa moratória. Recurso de Paulo Cesar Queiroz Rocha Inicialmente pede a anulação do julgamento da primeira instância, pois, jamais foi intimado para apresentar sua impugnação ao auto de infração. Quanto ao mérito, afirma que a Coopersaúde é uma cooperativa de trabalho típico e realiza atos cooperativos. Assim, não procede a exigência do Fisco sob os atos praticados pela Coopersaúde por não se configurarem em faturamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 10232DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Inicialmente por tratarse de questão preliminar, merece analise a discussão quanto a ciência do Auto de Infração às pessoas arroladas nos termos de sujeição solidária ás fls. 61 a 78. Consultando os autos não foi possível identificar a existência da ciência do lançamento fiscal e do prazo para impugnação. A solidariedade pressupõe a integral corresponsabilidade nas implicações advindas do lançamento tributário. Assim, fica assegurado dentro do processo administrativo fiscal, a impugnação e o Recurso Voluntário ao solidário com a consequente apreciação de suas alegações nas esferas administrativas de julgamento. Em regra geral, aplicase aos processos administrativos, os procedimentos previstos na Lei nº 9.784/99. Este diploma normativo determina no seu art. 9º, que são legítimos interessados no processo administrativo, aquele que, mesmo sem ter iniciado o processo têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão adotada. "Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.." É inconteste que sendo o Termo de Sujeição Passiva atribui ao solidário a situação de corresponsável por todos as obrigações constantes do lançamento e lhe outorga o direito a questionar tal posicionamento da Autoridade Fiscal, tanto a sua qualificação como solidário da obrigação tributária quanto ao próprio mérito deste lançamento. Assim, a impugnação tempestiva apresentada pelo solidário atende os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72 e instaura quanto a este interessado também o litígio administrativo, sendo necessária o cumprimento de todos as esferas de julgamento previstas no Processo Administrativo Fiscal. Ao apreciar a matéria o STF na decisão do RE 608426, em 28/11/2011, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, manifestouse quanto a situação do solidário na obrigação tributária. O entendimento caminhou no sentido da aplicação do princípios do contraditório e da ampla defesa aos devedores solidários, transcrevo abaixo trecho constante desta decisão: "Em relação ao art. 5º, LV da Constituição, observo que os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse plenamente à constituição do crédito tributário em desfavor de qualquer espécie de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, Fl. 10233DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3201001.871 S3C2T1 Fl. 10.229 11 devedores solidários etc.). Por outro lado, a decisão administrativa que atribui sujeição passiva por responsabilidade ou por substituição também deve ser adequadamente motivada e fundamentada, sem depender de presunções e ficções legais inadmissíveis no âmbito do Direito Público e do Direito Administrativo. Considerase presunção inadmissível aquela que impõe ao sujeito passivo deveres probatórios ontologicamente impossíveis, irrazoáveis ou desproporcionais, bem como aquelas desprovidas de motivação idônea, isto é, que não revelem o esforço do aparato fiscal para identificar as circunstâncias legais que permitem a extensão da relação jurídica tributária." Este Conselho já se manifestou em discussões anteriores quanto a matéria, assegurando o direito ao contraditório administrativo aos solidários arrolados no processos, cito abaixo algumas destas decisões: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento do direito de defesa, e portanto é nula, a decisão que deixa de apreciar a impugnação proposta pelo sujeito passivo solidário.(Acórdão 120100.686, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Rel. Marcelo Cuba Netto)." " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário. 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a fiscalização, nos termos do art. 124 do CTN conclui pela presença de solidariedade em razão de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e levando em conta que segundo o § único do mesmo artigo, a solidariedade não importa em beneficio de ordem, resulta que todos os devedores solidários devem constar no lançamento tributário e do titulo executivo, uma vez que a responsabilidade tributária é una e todos os envolvidos encontramse na posição de sujeitos passivos da obrigação tributária, assim, não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados no autos para compor o p6lo passivo da obrigação tributária constitui cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 110300.043. 1ª Câmara/3ª Turma Ordinária. Rel. Albertina Silva Santos de Lima.)" Fl. 10234DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA. Por força dos princípios do contraditório e da ampla defesa, deve o órgão administrativo discutir a questão da solidariedade, pois essencial ao deslinde do litígio e por efetivamente produzir efeitos concretos. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (Acórdão 20217.251. 2ª Câmara / 2º Conselho. Rel. Gustavo Kelly Alencar.)" "Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO Carece de respaldo legal a decisão de primeira instância que deixa de conhecer impugnações interpostas por sujeitos passivos solidários com base no argumento de que o acórdão prolatado em segundo grau é inexeqüível. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados no autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa.. (Acórdão 10517.371. 5ª Câmara/ 1º Conselho de Contribuintes. Rel. Wilson Fernandes Guimarães.)" Por fim, jogando uma pá de cal sobre a discussão, o CARF editou a Súmula nº 71 que determina a apreciação administrativa dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários. “Súmula CARF nº 71 Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade.” Diante dos fatos, não há outro caminho que não seja a anulação da decisão proferida pela autoridade de piso, sendo necessária a realização de novo julgamento, para que a Unidade de Origem proceda a regular cientificação do Auto de Infração a todas as pessoas arroladas como solidárias, abrindo o prazo para apresentação de impugnação nos termos previstos no Decreto nº 70.235/72. Quando aos efeitos da anulação da decisão a quo, ao meu sentir, não existe dúvida quanto ao prejuízo dos atos decorrentes, pois um novo julgamento do auto de infração, por tratarse de matérias fáticas idênticas, poderá ter caminhos diferentes daquele que foi Fl. 10235DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3201001.871 S3C2T1 Fl. 10.230 13 anulado e sendo assim, eventuais posicionamentos da decisão poderão prejudicar ou trazer novos julgados que poderão ser objeto de questionamento e manifestação pelas partes envolvidas, tanto o sujeito passivo quanto à Fazenda Nacional representada pela sua Procuradoria. Diante do exposto, voto no sentido de anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive. Determinando que a Unidade de Origem proceda a ciência do Auto de Infração a todas as pessoas arroladas como solidárias, com o prazo legal para apresentação de impugnação, nos termos previstos no Decreto nº 70.235/72. Winderley Morais Pereira Fl. 10236DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13982.000249/2005-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Mudança de Critério Jurídico
Não há mudança de motivação quando a autoridade julgadora adota o mesmo critério jurídico dado ao lançamento.
Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa.
Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contra-provas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1801-002.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios interpostos pela contribuinte e re-ratificar o Acórdão n° 303-35.266, da 3a. Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido na sessão realizada em 24 de abril de 2008, para, no mérito, manter o provimento parcial do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Mudança de Critério Jurídico Não há mudança de motivação quando a autoridade julgadora adota o mesmo critério jurídico dado ao lançamento. Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contra-provas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo.
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Interessado AVESUL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Devem ser conhecidos os embargos de declaração que apontam, no acórdão embargado, omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não há mudança de motivação quando a autoridade julgadora adota o mesmo critério jurídico dado ao lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios interpostos pela contribuinte e reratificar o Acórdão n° 30335.266, da 3a. Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido na sessão realizada em 24 de abril de 2008, para, no mérito, manter o provimento parcial do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 49 /2 00 5- 73 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos por AVESUL INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA., em face de acórdão n° 30335.266, proferido pela Terceira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes na sessão de julgamento realizada em 24/04/2008 que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela interessada, contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC, e reduziu a multa de ofício isolada exigida de 150% para 75%. Adoto o relatório da decisão embargada: Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls. 04 a 08, a título de Multa Exigida Isoladamente, no valor de R$ 864.511,27, tendo como enquadramento legal o artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003, c/ a redação dada pelo art.25 da Lei 11.051/2004, art.74 da Lei 9.430/96 c/ redação dada pelo art. 4° da Lei 11.051/2004, IN, SRF 460/2004, IN, SRF 534/2005 e Ato Declaratório Interpretativo 17/2002 (f1 05). Após descrever e comentar a legislação supra mencionada acerca da aplicabilidade do lançamento da Multa Isolada, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal — Auto de Infração — Multa Isolada — PER/DCOMP (fls.09/17), do qual a interessada recebeu cópia fl. 17), a autoridade autuante destacou as razões que a levaram à aplicação da multa isolada qualificada (150%): [...] 4. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO Esclarecido está que é cabível a aplicação de multa isolada ao caso corrente, justificamos agora a exasperação da multa no percentual de 150%. Por primeiro, destacase que as informações necessárias ao preenchimento da PER/DCOMP, qual seja, dados cadastrais, foram inseridos assomadamente (sic) pelo contribuinte com o propósito de burlar o sistema, e desta forma conseguir transmitir a mencionada declaração (5), visto que o programa da PER/DCOMP não aceita créditos da espécie dos alegados pelo contribuinte. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.000249/200573 Acórdão n.º 1801002.312 S1TE01 Fl. 3 3 É de se destacar que a transmissão da PER/DCOMP, consoante parágrafo 2° do artigo 74 da Lei 9.430/96, implica na extinção sob condição resolutória dos débitos nela mencionados. Sendo assim, a conduta do contribuinte em ocultar o real motivo de não solver os créditos tributários constantes naquela compensação, e de apresentar instrumento extintivo de suas obrigações formulado fraudulentamente, se coaduna com o previsto nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, que assim dispõe. [...] O mesmo ocorre em relação às informações prestadas pelo contribuinte nas DCTF's de (fls.141 a 146 e 155 a 158) onde o contribuinte se valeu das PERD/COMP 's (sic) transmitidas fraudulentamente afim de ocultar o saldo a pagar daquelas exações. Por segundo, há de se ressaltar que as PER/DCOMP 's apresentadas pelo contribuinte contém débitos que, à época, dos pedidos, encontravamse parcelados no âmbito do PAES, e que por sua vez tiveram origem em processos de inscrição de dívida ativa e do REFIS (fls.160 a 192). O parágrafo 3° do artigo 74 da Lei 9.430/96 veda expressamente que o contribuinte requeira através de PER/DCOMP a compensação de débitos parcelados no âmbito da SRF ou inscritos em dívida ativa. [...] Desta forma, existia vedação expressa em lei sobre a impossibilidade de compensação dos débitos pretendidos pelo contribuinte, sendo assim, aplicável o entendimento esposado no artigo único do Ato Declaratório Interpretativo n° 017/2002, que em seu inciso III, assim dispõe: Artigo único. Os lançamentos de oficio relativo a pedidos ou declarações de compensação indevidos (...) por se caracterizarem em evidente intuito de fraude nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I de natureza não tributária; II não passível de compensação por expressa disposição de lei; Parágrafo único: O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. A multa aplicada de 150% encontra previsão legal no inciso II do artigo 44 da lei 9.430/96, in verbis: [...] Os lançamentos referentes à multa isolada pelas compensações indevidas de PIS, COFINS e IRPJ, e que dizem respeito aos débitos constantes das PER/DCOMP's antes mencionadas, foram autuados nos Processos Administrativos Fiscal de n° 13982.000247/200584, 13982.000243/200504 e 13982.000248/2005 29, respectivamente. (5) O contribuinte informou que seus créditos tinham por gênese ação judicial (fls.65/135/148). Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Irresignada com o lançamento, a autuada apresentou sua impugnação (fls.196 a 269) onde transcreve o Decreto 70.235/72 com as atualizações pertinentes (fls.196 a 259), trazendo argumentações acerca da natureza e validade do suposto crédito que alega possuir e que utilizou para compensar seus débitos (/7s.260 a 261) além de transcrever a Lei 10.179/2001 (fls.262 a 266) onde conclui (fls.267/268): [..] De acordo com a própria Lei 10.179/2001, os títulos da recorrente são os transformáveis em LTN, NTN e LFR que, conforme a mesma lei, são plenamente aceitáveis no pagamento de tributos. O próprio agente fiscal admite que as LTN, NTN e LFT podem compensar tributos; 2.5 Pelos fundamentos retro e Legislação, por si só necessárias diligências eis que a conformação do Ministério da Fazenda, através da Secretaria do Tesouro Nacional, daria, inequivocamente por vencida a matéria da compensação/possibilidade/não; 2.6 Não se fala aqui de títulos prescritos, mas sim de títulos com amparo legal, reconhecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional e com legislação de amparo Lei 10.179/2001; 2.7 são títulos que, como a própria Lei diz, admitem a compensação de QUALQUER DÉBITO TRIBUTÁRIO; 2.8 Se os títulos são válidos e possível a compensação não há que se falar em glosa ou mesmo qualquer tipo de autuação (Multa) decorrente de sua utilização ou mesmo, negar compensação; 2.9 Adentrando ao campo das Multa, não há motivação para lançamento da Multa Isolada eis que a instrução normativa 460/2004 só contempla diapasão às infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64; 2.10 Portanto, incabível o lançamento de multa isolada; 2.11 Reforcese, o Título da Divida Pública Externa, em libras, e objeto de compensação não é o enquadrado na Lei 9.430/95 e Lei 10.833/2003 e sim, os da Lei 10.179/2001; 2.12 Quanto à transmissão da PER/DCOMP após 29/12/2004, observese que o impugnante já tinha direito ao crédito desde a autorização do Ministério da Fazenda, antes da data de 29/12/2004, ficando excluída das restrições da lei 11.051/2004; 2.13 Não houve nenhum propósito de burlar a legislação, sonegação ou mesmo o PER/DCOMP, não pode a empresa ser penalizada por autorização dada pelo próprio Ministério da Fazenda quando do protocolizar do pedido primário com a liberação do COMPROT para que realizase a compensação; 2.14 Quanto à compensação PAES/REFIS a Lei 10.179/2001 não faz nenhuma vedação a ela e à utilização de seus créditos. Relata firmemente a Lei que QUITA QUALQER DÉBITO TRIBUTÁRIO; 2.15 Há um conflito entre a Lei 10.179/2001 e a Lei 9.430/96; Ex positis, Requer: Reconhecimento das compensações; Improcedência dos autos de infração; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.000249/200573 Acórdão n.º 1801002.312 S1TE01 Fl. 4 5 Diligências junto ao Ministério da Fazenda/Secretaria do Tesouro Nacional para colher informações se os títulos apresentados pelo impugnante são recebíveis e se estão enquadrados dentro dos ditames da Lei 10.179/2001, podendo ser resgatados e conseqüentemente serem objeto de compensação; Ponderando os fundamentos expostos na impugnação, decidiu o órgão julgador de 1a. instância, nos termos do voto do relator, considerar a exigência integralmente procedente, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DIANTE DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Constatado que o instituto da compensação foi utilizado de forma fraudulenta, cabível a Multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96. Lançamento Procedente. Mantendo sua irresignação, comparece a recorrente aos autos para, em sede de Recurso Voluntário, sinteticamente, reiterar suas razões de inconformidade e pugnar pela reforma da decisão de 1a. instância, acrescendo a essas razões: 1. mudança de critério jurídico, decorrente da sucessiva alteração da legislação que disciplinaria o instituto da Compensação, que, no seu sentir, daria espeque ao pleito formulado por meio da declaração que motivou a autuação ora discutida; 2. nulidade por cerceamento do direito de defesa, por suposta insuficiência na descrição da conduta; 3. nulidade por suposta ofensa ao princípio da capacidade contributiva e vedação ao confisco; 4 retroatividade benigna, pelo tratamento menos gravoso, imposto pelo art. 72 da Medida Provisória n° 252, de 15 de junho, de 2005; De se acrescentar que a recorrente, que aderiu ao Paex, fez juntar aos autos a petição de fls. 338 a 340, esclarecendo que o presente processo não faz parte do pedido de desistência inerente a tal regime de parcelamento, que abrangeu exclusivamente o processo n° 10168.002643/200471, onde se discutia o cabimento da compensação cujo indeferimento redundou na aplicação da multa discutida nos presentes autos. Renovou, portanto, nessa oportunidade, sua intenção de recorrer da decisão de 1a. instância perante este Colegiado. Examinandose o Recibo da Confirmação da Transmissão da Declaração do PAEX, acostado por cópia às fls. 341, confirmase a inexistência de desistência do presente litígio. No acórdão proferido pela 3a. Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes o relator delimitou o litígio e passou a apreciar a tipificação da conduta fraudulenta caracterizada pela auditoria fiscal e ratificada pela Turma Julgadora de 1a. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Instância e concluiu que, no caso dos autos, teria havido mera prestação de informações inexatas no PERDCOMP. Eis o teor da ementa que sintetiza o voto proferido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Multa Agravada. Evidente intuito de fraude. Não caracterização. A mera prestação de informações inexatas na PER/DCOMP não caracteriza, por si só, a aplicação de multa qualificada que, à época do fato, era estabelecida pelo art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Como resultado, o recurso voluntário foi provido parcialmente e houve redução da multa de ofício isolada de 150% para 75%. Do acórdão foi intimada a PGFN que apresentou Recurso Especial (efls. 365 e ss), admitido. No Despacho n°. 365 em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (efl 381 e ss), foi determinada, dentre outras providências, a ciência do sujeito passivo do acórdão de recurso voluntário proferido pela 3a. Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, e concessão de prazo para oferecimento de contrarazões. Conforme quota inserta na carta de intimação à efl. 389, a interessada foi cientificada, em 15/12/2008, do teor do Acórdão da 3a. Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e das razões do Recurso Especial interposto pela PGFN. Em 17/12/2008 foi protocolizado, pela interessa, Embargos de Declaração (e fls. 390 e ss). Alega a recorrente que o acórdão n° 30335266 da 3a. Câmara/3° Conselho foi omisso a respeito de pontos sobre os quais deveria ser pronunciar a Turma e que dizem respeito a não apreciação das seguintes questões deduzidas no Recurso Voluntário: 1.a) Da nulidade do lançamento pela modificação de critério jurídico. Modificação na motivação do ato administrativo de lançamento 1.b) Da nulidade do lançamento cerceamento de defesa por ausência da Indicação e da correta descrição da conduta incorrida 1.c) Da Interpretação e Retroatividade Benigna da Legislação Tributária. É o relatório. Voto Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.000249/200573 Acórdão n.º 1801002.312 S1TE01 Fl. 5 7 Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora Como visto a interessada foi cientificada do acórdão embargado em 15/12/2008 e, em 17/12/2008, apresentou o presente recurso de embargos de declaração, dentro, portanto, do prazo regimental. Por tal razão, os embargos são tempestivos. Com efeito, vislumbrase que o acórdão embargado foi omisso e não apreciou as alegações preliminares suscitadas pela recorrente, o que determina o acolhimento do recurso. Passo ao exame das questões embargadas: 1) Da nulidade do lançamento pela modificação de critério jurídico. Modificação na motivação do ato administrativo de lançamento A embargante alegou, no recurso voluntário, que o lançamento e o acórdão da Turma Julgadora de 1a. Instância seriam nulos pois teria havido modificação de critério jurídico, e de motivação no ato de lançamento. E nesse sentido consignou: Pelo entendimento manifestado pelo ilustre auditor fiscal, autor do lançamento, o critério jurídico que motivou a aplicação da multa de oficio de 150%, com arrimo no Ato Declaratório Interpretativo n° 17, de 02 de outubro de 2002, é que o crédito postulado pela recorrente era de natureza não tributária. Já o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Ac. 6.274), entendeu que o citado Ato Declaratório Interpretativo n° 17/2002, estava derrogado, mantendo o lançamento com a motivação de que estaria comprovado o evidente intuito de fraude previsto nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. O Acórdão ora recorrido, afrontou desta forma o art. 146 do Código Tributário Nacional, que veda a alteração do critério jurídico que motivou o lançamento fiscal, em relação aos fatos geradores já ocorridos. Não houve qualquer alteração de critério jurídico introduzida no lançamento pelo acórdão da Turma Julgadora de 1a. Instância. No Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração (efls. 11 e ss), o agente fiscal afirma que no Despacho Decisório proferido nos autos do processo n° 10168.002643/200471, que analisou o direito creditório pleiteado e as compensações a ele vinculadas a autoridade administrativa não homologou as compensações porque o crédito reivindicado teria natureza não tributária. Sendo o direito creditório considerado de natureza não tributária pela autoridade que proferiu o Despacho Decisório, a legislação de regência (art. 18 da Lei n°. 10.833/2003, alterado pela Lei n°. 11.051/2004, e 30 da Instrução Normativa SRF n ° 460/2004, alterado pela Instrução Normativa SRF n°. 534/2005), na interpretação dada pelo Ato Declaratório Interpretativo n°. 17, de 02 de outubro de 2002, e adotada pelo agente fiscal autuante, determinavam que esse tipo de conduta a compensação de créditos de natureza não tributária caracterizava fraude, nos termos do que dispõem os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 e, assim, deveria ser apenada com a multa de ofício de 150%. É exatamente isto o que consta detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal, que talvez a defesa não tenha tido a oportunidade de ler detidamente. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Por outro lado, a Turma Julgadora de 1a. Instância afirmou, no voto proferido, que com a publicação da Instrução Normativa SRF de n° 534, de 2005, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 2002, teria sido derrogado "...uma vez que esta recente instrução, alterando o art. 31 da IN SRF 460/2004, estabeleceu que nos casos de compensação não declarada [em que o crédito refirase, como no caso, a "título público" ou "não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF"], a penalidade a ser aplicada poderá ser de 75% ou 150%, previstas nos inciso I e II, respectivamente, do art. 44 da lei 9.430/96", mas que, no caso dos autos, a conduta adotada pela recorrente teria sido fraudulenta, subsumida, assim, ao que dispõem os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, o que determinaria a aplicação do percentual de 150%. À propósito, observese o que constou do voto, nos seguintes trechos: [...] Também entendo que ficou configurada nos autos a intenção deliberada da contribuinte em efetuar uma compensação ao arrepio da legislação, com utilização de créditos que não possuía, de compensação de valores de tributos e contribuições federais, consoante relato do autuante às fls.13 a 15, que passo a comentar. [...] Como demonstrado, é perfeitamente legal a aplicação de multa isolada no caso constatado nos autos, onde ficou configurado o evidente intuito de fraude, sendo, portanto, cabível a aplicação de multa isolada, no percentual de 150% previsto no inciso II do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 e legislação mencionada no lançamento (fl.05). Percebese, pois, que ambas as autoridades o agente fiscal autuante que formalizou o lançamento e a Turma Julgadora de 1a. Instância consideraram que a conduta da recorrente foi fraudulenta. Portanto, nenhuma inovação na motivação ou no critério jurídico do lançamento foi perpetrada pela Turma Julgadora "a quo", razão pela qual afasto a preliminar suscitada. 1.b) Da nulidade do lançamento cerceamento de defesa por ausência da Indicação e da correta descrição da conduta incorrida Conforme visto acima, o agente fiscal descreveu de forma minuciosa a conduta adotada pela recorrente e que determinou o lançamento de ofício, como também descreveu, de forma amiúde, o enquadramento legal aplicável com todas as alterações legislativas. Desses argumentos defendeuse a recorrente demonstrando ter conhecimento de toda a acusação. Por tal razão a preliminar suscitada caracterizase como meramente protelatória e não deve ser acolhida. 1.c) Da Interpretação e Retroatividade Benigna da Legislação Tributária. Nesse tópico pediu, a recorrente, pela redução da penalidade aplicada, de 150% para 75%, como se verifica do seguinte trecho de suas razões recursais: "[...] impende aplicarse o principio da retroatividade benigna, preconizado no art. 106, II, "c", reduzindose em caso do manutenção do lançamento, a multa de oficio para a multa normal de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430/96." Tal pleito foi atendido pelo acórdão embargado e a multa exigida, de 150%, foi reduzida para 75%, o que torna inócua a solicitação da embargante. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.000249/200573 Acórdão n.º 1801002.312 S1TE01 Fl. 6 9 Em face do exposto, voto no sentido de manter o provimento parcial dado ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 423DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15892.000427/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria faz-se necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Tendo em vista que tais condições não restaram comprovadas nos autos do presente processo, o reeenquadramento efetuado deve ser anulado.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões que davam provimento. Apresentará voto vencedor a conselheira Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Ana Maria Bandeira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria faz-se necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Tendo em vista que tais condições não restaram comprovadas nos autos do presente processo, o reeenquadramento efetuado deve ser anulado. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 850 1 849 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15892.000427/200762 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.468 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2013 Matéria AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL Recorrente FRIGORIFICOVANGELIO MONDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Tendo em vista que tais condições não restaram comprovadas nos autos do presente processo, o reeenquadramento efetuado deve ser anulado. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 04 27 /2 00 7- 62 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões que davam provimento. Apresentará voto vencedor a conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Ana Maria Bandeira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 851 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por FRIGORIFICOVANGELIO MONDELLI LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente a NFLD n. 35.902.6290, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias devidas a seguridade social e ao SENAR, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produção rural própria própria e de terceiros, conforme Termo de Reenquadramento de atividade FPAS. O auditor aponta que foi constatado que a empresa desenvolve suas atividades na condição de agroindústria, em consonância com o disposto no artigo 22A da Lei 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei n°. 10.256, de 09/07/2001, tendo em vista que além da produção adquirida de terceiros industrializa também produção própria, oriunda da filial Fazenda Santo Antonio Ademais, consta do relatório fiscal que o legitimo sujeito passivo das obrigações previdenciárias formalmente consignadas em nome da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ROMA LTDA, CNPJ. 02.782.276/000102 e filiais, é a empresa FRIGORIFICO MONDELLI (recorrente), razão pela qual o lançamento fiscal, apesar de englobar também contribuições sobre a receita da comercialização da produção formalmente consignada em nome da empresa ROMA, foi lavrado em nome do FRIGORIFICO MONDELLI, uma vez que é a empresa que teve relação direta com os fatos geradores objeto desta notificação fiscal. O caso, portanto foi tratado como simulação havida entre as empresas, para fins de evasão ao pagamento das contribuições devidas, cuja caracterização se deu, em resumo, pelos seguintes elementos: 1. em ação fiscal simultânea nas duas empresas, os Auditores Fiscais constataram que a empresa Roma era administrada e dirigida pelo Frigorifico Mondelli, funcionando como se fosse uma filial deste, realizando negócios com o objetivo de atender os interesses do Frigorifico e com a finalidade de livralo do cumprimento das obrigações previdenciárias; 2. até 02/2001, a Roma desenvolvia suas atividades normais compatíveis com seu objetivo social. No entanto, a partir de 12/02/2001, foi criada uma filial na cidade de Ribas do Rio Pardo/MS, alterando o seu objetivo social, atribuindo as filiais de Bauru e de Ribas do Rio Pardo a atividade de abate de animais, sendo verificado que tais mudanças afetaram diretamente as atividades do Frigorifico Monde/li. Sugerese que o objetivo era simular uma situação onde a Roma, que não possuía ativos permanentes compatíveis com a atividade de abate de animais e nem capacidade financeira ou patrimonial, seria a compradora dos animais para o abate, livrando, dessa forma, o Frigorifico Mondelli dos encargos decorrentes da subrogação, originada dessa operação comercial, reduzindo o faturamento do Frigorifico na mesma proporção em que aumentou o seu próprio faturamento; Fl. 852DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. para chegar it conclusão acima, foi elaborada meticulosa e cautelosa verificação nas atividades de ambas as Empresas, até se constatar que a empresa Roma funcionava efetivamente como uma filial do Frigorifico. Nesse sentido, cabe destacar os seguintes fatos que ensejaram tal entendimento: 3.1. contratação de funcionários pela ROMA para prestação de serviços no Frigorifico; 3.2. utilização do mesmo plano de contas contábil e mesma forma de contabilização nas duas Empresas da subrogação das contribuições devidas pelos produtores rurais pessoas fisicas bem como a utilização dos mesmos procedimentos para o seu destaque em nota fiscal, utilizando apalavra "desconto"; 3.3. do exame de diversos processos de Reclamatória Trabalhistas, verificase processos movidos contra as duas Empresas, os advogados e prepostos são os mesmos — e empregados do Frigorifico — a contestação é comum as duas, melhor dizendo, uma única defesa para as duas Reclamadas, não sendo identificados quaisquer pagamentos da empresa Roma para esses; 3.4. da análise da escrituração c ontábil da Roma, verificase que a mesma ou não possuiu ou possuiu insuficientemente imobilizado para lhe proporcionar meios de concretização dos negócios formalizados em seu nome, não possuindo condição financeira e nem patrimonial que pudesse assegurar garantias aos fornecedores e as obrigações previdenciarias. E, mais, não consta qualquer registro de pagamentos efetuados pela prestação de serviço para os Procuradores mencionados, embora praticaram todos atos administrativos, judiciais e bancários, representando a Empresa em todas as situações, assinando, inclusive, contratações e demissões de empregados. Da mesma forma para o Preposto e Advogados citados, aos quais foram outorgadas procurações para defendêla em todas as ações trabalhistas; 3.5. que esses Profissionais — Prepostos, Advogados, Procuradores— que prestavam serviços para a Empresa Roma são todos sócios ou empregados do Frigorifico e que agiram como verdadeiros "donos" da Roma, assinando documentos de toda espécie, tomando decisões, determinando atribuições, enfim, pondo toda a estrutura fisica, patrimonial e administrativa para a realização dos seus objetivos; 3.6. demonstrado no item 5.6 do Relatório de sujeição passiva que os sócios e os empregados do Frigorifico Mondelli praticaram todos os atos que possibilitaram a concretização dos negócios realizados e formalizados em nome da empresa Roma, como relatado em seus subi ens e nos documentos apresentados os quais, embora pertencentes a Roma, foram assinados por sócios do Frigorifico Mondelli; 3.7. e no item 5.7, para não pairar qualquer dúvida da Roma ser um estabelecimento do Frigorifico, apresenta mais evidências, juntando documentos para corroborar no procedimento fiscal, identificando Roma como um estabelecimento/filial da Fl. 853DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 852 5 verdadeira empreendedora do negócio agroindustrial — o Frigorifico. O lançamento compreende o período de 11/2001 a 02/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/09/2006 (fls. 99). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a a conseqüência imediata da desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa é estender os efeitos de suas obrigações aos sócios. E isto não foi feito, onde ao invés de chamar os sócios da Empresa Roma para responder pelo lançamento, equivocadamente, considerouse a empresa Roma como mera filial do Mondelli; 2. que outro aspecto de vital importância está no fato que a letra "u" do item 6, de fls. 25/25 do Relatório Fiscal "ANÁLISE E CONCLUSA.0 DA SUJEIÇÃO PASSIVA DA EMPRESA FRIGORIFICO VANGELIO MONDELLI LTDA" (além de outros momentos), concluir que a simulação foi a motivação para desconsideração da personalidade jurídica. Como já explanado anteriormente, o artigo 149 do CTN não tem aplicação no auto que ora se discute, pois enumera motivos para lançamento de oficio, bem como revisão oficio, e, assim, como não há fundamentação legal, para a desconsideração da pessoa jurídica, fica totalmente afastada simulação como motivação desta desconsideração. 3. registra que a livre iniciativa é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, argumenta sobre a liberdade de iniciativa na atividade econômica e registra que qualquer restrição à liberdade de iniciativa deve decorrer da Constituição ou de lei editadas com fundamento nela; 4. transcreve o art. 1.097 do Novo Código Civil e doutrina, no sentido de que não há qualquer hipótese de ser as empresas — Roma e Frigorifico —coligadas ou uma ser controladora da outra, vez que se cuida de empresas diversas, distintas e independentes. Portanto, totalmente descabida a Notificação; 5. que para justificar a desconsideração da personalidade jurídica não basta a simples prova de insatisfação do direito do credor. Reportase a monopólio empresarial. Não há embasamento jurídico para se proceder a desconsideração da personalidade jurídica no caso dos Fl. 854DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 autos e a verificação de eventual ato contrário à lei deveria ser imputado aos sócios, não sendo hipótese, portanto, de desconsideração. Não há que se falar em simulação, traz doutrina e art. 167 do Novo Código Civil e argumenta, novamente, que suposta infringência à lei por parte da empresa Roma, acaso verificada desde já como sendo de responsabilidade de seus sócios, deveria ser imputada aos mesmos, sem haver a desconsideração da personalidade jurídica, diante, também, da não ocorrência de simulação; 6. que o presente caso não se enquadra nas hipóteses de fusão, transformação, incorporação, tampouco cisão. O que houve foi a venda da Roma para a Mondelli Participações S/C Ltda, não havendo relação com o Frigorifico. A relação entre a Roma e o Frigorifico é comercial. São empresas distintas, autônomas e independentes. Descabida a autuação frente a não existência de monopólio entre as empresas bem como pela não ocorrência de empresas coligadas ou controladora e controlada, ante a ausência de responsabilidade de uma sobre as obrigações da outra; 7. que em existindo créditos para com a Seguridade Social, o lançamento não guardou relação de justiça com o fato gerador produzido daquela empresa, eis que nunca foi produtora rural. Para a caracterização de uma empresa como agroindustrial é elemento essencial que ela tenha produção própria (art. 22A da Lei n° 8.212/91), o que não ocorreu com a Roma. Dessa forma, se mantido o Lançamento, deve ser revisto, considerandose a folha de pagamento dos empregados da Roma e seus respectivos recolhimentos; 8. que os diversos estabelecimentos das empresas Roma e Frigorifico receberam tratamento tributário idêntico, como se vê na discriminação da Receita Bruta da Comercialização da Produção e a receita bruta é resultado da soma dos estabelecimentos das duas empresas. Portanto, a comercialização da Roma ao Frigorifico deve ser considerada como mera transferência, pois sendo estabelecimentos da mesma empresa, não se admite outro tratamento. Apresenta demonstrativo dos valores a ser excluídos — período de 11/2001 a agosto/2002; 9. que a sua atividade é a industrialização de carne bovina e o fato de possuir a fazenda Santo Antônio não a transforma em agroindústria, já que essa fazenda fornece quantidade insignificante de gado para abate para o frigorifico. Esclarece que a DMG Demonstrativo da Movimentação do Gado não é base para se concluir o total do gado da Fazenda para o abate, pois nem tudo Fl. 855DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 853 7 que é transferido pertence a Fazenda. Muitas vezes o gado transferido é resultado de parceria entre a fazenda e o produtor. A caracterização como agroindústria só pode ser feita quando a produção própria é maior que a produção adquirida de terceiros. A Fazenda Santo Antônio não possui produção própria, que é a ligada diretamente a produção de matrizes, fato que não ocorre na Fazenda Santo Antônio. Assim, deve ser mantida a situação da Empresa como indústria; 10. que possui dois estabelecimentos que se dedicam exclusivamente à atividade comercial, pois comercializam produtos industrializados pela Impugnante e outros adquiridos de terceiros, não devendo ser enquadrados como agroindústria. A atividade exercida nesses estabelecimentos não serve de suporte ao negócio essencial, primeiro, por comercializar produtos industrializados por terceiros, e, segundo, diante da insignificância do que representa a receita dos dois estabelecimentos comerciais face à receita da atividade principal. Insurge contra o contido no art. 148 da Instrução Normativa SRP no 03/2005, que ampliou o alcance do fato gerador da obrigação tributária; 11. j) Da Bitributação. Dentre os lançamentos efetuados há os que consideraram como base de cálculo de crédito valores devidos em razão da compra de produtos rurais adquiridos de produtor rural, cujo valor faturado foi considerado fato gerador de contribuição previdencidria. E quando industrializado e comercializado, foi novamente tributado, com base na sua receita bruta, representada pelo seu faturamento, o que representa dupla incidência. Reportase ao Principio da não cumulatividade, previsto no art. 154, I, da CF: 12. que a contribuição criada pela Lei n° 10.256/2001, a cargo das agroindústrias, é inconstitucional, pois deveria ser criada por lei complementar. A contribuição não pode prevalecer porque veio criar novo tributo sobre a receita bruta, quando este fenômeno já é gravado pela incidência tributária da Cofins; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Vencido Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE A recorrente alega que foi absolutamente descabido o reenquadramento de seu FPAS, agora, para a qualidade de agroindústria. Sustenta, em verdade, que sua atividade é industrial e o fato de possuir a Fazenda Santo Antônio não a caracteriza como agroindústria. Tenho que referida matéria já foi objeto de análise por este Eg. Conselho quando do julgamento do processo 37322.001070/200737 no qual também era interessada a ora recorrente de relatoria do Em. Conselheiro Rogério de Léllis Pinto, que culminou no acórdão n. 20600.626, quando restou entendido que não estavam presentes os requisitos para caracterizála como agroindústria, mesmo com a problemática acerca da relação com a DISTRIBUIDORA DE CARNES E GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ROMA LTDA O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 01/02/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. I Para o enquadramento na condição de Agroindústria fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. II O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n°10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal tratase de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 854 9 Referido julgamento também originouse da mesma ação fiscal que gerou a presente NFLD. Trago a lume, portanto, os fundamentos de decidir constantes naquela julgado, os quais peço licença para adotar como razões de decidir no presente caso, in verbis: “Recurso tempestivo, dispensado do depósito prévio por força de decisão judicial, e considerando presentes todos os requisitos de sua admissibilidade, apto se encontra ao seu conhecimento. [...] Em sede de impugnação, alega a recorrente que sua atividade é de industrialização de carne bovina e que, em virtude de sua produção própria ser insignificante se comparada a produção de terceiros, não pode ser considerada como agroindústria, apresentando quadro demonstrativo do percentual da aludida produção própria (fls. 372). Salientese, ainda, que ao apreciar a contestação (fls. 218 a 220) realizada em decorrência da informação fiscal emitida para reenquadrar o contribuinte na tabela de código FPAS como agroindústria (fls. 209 a 211), a auditoria fiscal previdenciária manifestouse no sentido de que a realização do enquadramento da empresa como agroindústria independe da quantidade da produção própria (fls. 330 a 333)1 Portanto, o cerne da questão gira em torno da caracterização ou não da recorrente como agroindústria, tendo em vista o fato de que a sua produção própria é insignificante se comparada com a produção de terceiros. Ou seja, há de se concluir se a empresa recorrente deve recolher as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários ou sobre a receita bruta. O artigo 22A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, aplicável a partir de 01/11/2001, prevê para as agroindústrias uma contribuição incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção em substituição às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 desta mesma Lei, in verbis: "Art. 22A. A contribuição devida péla agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produ cio própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos 1 e 11 do art. 22 desta Lei, é de:(grtfet). 1 dois virgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; 11 zero virgula um por cento para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de Fl. 858DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade." O aludido dispositivo legal é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo Agroindústria, ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar PRODUCÂO PRÓPRIA, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido a legislação busca incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal, praticando, assim, uma evasão fiscal. É verdade que a legislação previdenciária não estipula o percentual de produção própria ou adquirida de terceiros suficiente para qualificação de uma pessoa jurídica como agroindústria, todavia não se pode deixar de analisar a realidade tal como ela se apresenta, em busca da Verdade Material, como meio garantidor da certeza do crédito tributário, no qual se deve buscar a realidade dos fatosi Em que pese a força da literalidade dos dispositivos legais, assume grande relevância o aspecto substancial da realidade sobre a qual a tributação incide. Não basta aterse simplesmente ao texto legal, é necessária a busca pela realidade fática em perseguição à verdade material. A reunião desses dois aspectos resultará na aplicação adequada da lei. Caso contrário qualquer indústria (inclusive os grandes complexos industriais) que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menos que fosse, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial, o qual, na verdade, é um regime substitutivo criado para ser aplicado ao verdadeiro produtor rural. Não é por outra razão que a Receita Federal do Brasil — RFB, ao se deparar com a situação na qual o percentual de produção própria é insignificante se comparada com a de terceiros, tem desconsiderado o enquadramento destas empresas coma agroindústrias e efetuado o reenquadramento como empresas industriais, conforme precedente que, por oportuno, ora colacionase os seguintes trechos (Acórdão n° 0710.906 da 6 1 Turma da DRUFNS): Fl. 859DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 855 11 "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD 31060.7724, de 12/03/2007 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciá rias Período de apuração 01/10/1005 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD 37.060.7724, de 12/03/2007 CONVTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDUSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento económico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Lançamento Procedente. A empresa, regularmente intimada (fl 01), apresentou impugnação (fls. 128/136), alegando, em síntese: Agroindústria: que, no período do lançamento, industrializou produção rural própria e adquirida de terceiros, daí ter recolhido a exação na forma estabelecida pelo art. 12A da Lei 8.212/91, e, por ser empresa predominantemente exportadora, beneficiouse da regra imunizante do art. 149, § 2°, 1 da Constituição Federal; que o percentual de 1,470% obtido pela auditoriafiscal, de matériaprima própria utilizada em seu processo produtivo, no período de 10 a 12/1005, está divorciado da realidade porque foi obtido pelo confronto entre a totalidade da matériaprima industrializada no referido período e tida a produção do ano de 2005; que o quantum industrializado de produção própria não importa para fins de enquadramento da pessoa jurídica como agroindástria; que a norma não estabelece o percentual mínimo de produção própria; que o auditorfiscal, ao estabelecer o percentual de 10%, está a inserir na letra da lei elementos que ela não possui. Requer a anulação da NFLD. (.). Do Mérito Produtor Rural Agroindástria: A empresa notificada, que antes se declarava como indústria do setor moveleiro com predominância em madeira (FPAS 507), a partir da competência 06/2003. passou a declararse como Agroindástria e deixou de recolher as contribuições previdenciá rias sobre a remuneração dos segurados que lhe prestavam serviços. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Todavia, fazendose a necessária análise dos requisitos para tal, previstos na legislação que trata do assunto, concluise que a impugnante não pode ser enquadrada como Agroindústria. Com a edição da Lei n°10.256, de 09 de julho de 2001, com vigência a partir de 01/11/2001, que acrescentou o artigo 22A à Lei 8.212/91, foi instituída, para as agroindástrias, a aliquota de substituição das contribuições previdenciárias sobre sua folha de pagamento, previstas nos incisos I e II do art. 22 desta mesma Lei, pela contribuição incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Art. 22A. A contribuição devida pela agroindástria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (grifei). 1— dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II — zero virgula um por cento para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 6° Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei n°10.684, de 30/5/2003). Da análise deste dispositivo legal, venficase que, na definição do que seja Agroindústria estão contidos os seguintes requisitos: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar PRODUCÃO PRÓPRIA, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Além disso, a norma afasta o beneficio do tratamento fiscal substitutivo em qualquer fase do processo produtivo, quando a empresa se dedique apenas ao florestamento ou reflorestamento empregado na industrialização que modque a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. Tal previsão demonstra com clareza o objetivo almejado pela norma, ou seja, favorecer o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção, podendo, ainda, somar a esta a de terceiros. Nesse sentido a legislação busca incentivar o produtor rural que busque e efetivamente realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comerciaL Este mesmo entendimento pode ser traduzido do disposto no art. 201A do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. E. sucessivamente, as disposições contidas no art. 7° da Instrução Normativa INSS/DC e. 68, de 10 de maio de 2002, no art. 147 da Instrução Fl. 861DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 856 13 Normativa INSS/DC n°. 100, de 18 de dezembro de 2003, e no art. 240 da Instrução Normativa MPS/SRP n°. 03, de 14 de julho de 2005, todos transcritos no Relatório Fiscal, foram no sentido de que para o enquadramento da empresa como Agroindústria, além dos requisitos já mencionados, acrescentese a necessidade de desenvolver duas atividades num mesmo empreendimento econômico com departamentos. divisões ou setores rural e industrial distintos. Estas Instruções Normativas trazem, ainda, a definição de Produtor Rural como sendo "a pessoa flsica ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultura bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos" (art. 247, da IN 100/2003; art. 240 da IN 03/2005). Já para o enquadramento como Agroindústria, a norma requer não apenas que haja produção rural pela empresa, mas que ocorra também a industrialização desta produção, ainda que parte dela, ou que, além dela, industrialize também produção rural adquirida de terceiros. No presente caso, no entanto, observase que a empresa percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústrias. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legaL A lei, muito embora não proíba esta prática, não pode ser utilizada para viabilizar a evasão fiscal e sangrar os cofres públicos. No caso dos autos, o objetivo principal da impugnante, e que consta de seu contrato social (fls. 141/147), é a industrialização e comercialização de móveis de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do adv nto da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. Em que pese a impetrante efetuar reflorestamento e tal atividade demonstrar a existência de produção própria, no período posterior a 10/2005, esta é insigncante. Ou seja, embora passasse a exercer alguma atividade rural, esta não é preponderante. A atividade preponderante da impugnante é a fabricação de móveis em madeira, que além de empregar os insumos que provêm da atividade de reflorestamento, seja própria ou de terceiros, agrega ainda outros materiais (colas, metais, vidros, tintas, etc.) e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, típico da atividade move/eira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustriat Produção Rural Própria: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Ressalvese, todavia, que o aproveitamento da produção rural própria, efetuada a partir de 10/2005, conforme planilha elaborada pela fiscalização (fl. 51), é mínimo, sendo de apenas 1,47% no período de 10 a 12/2005, e de tão somente 5.39% em todo o ano de 2006. Este percentual reflete a quantidade de matériaprima própria utilizada no seu processo de industrialização, em comparativo com a quantidade total de matériaprima que foi necessária para esta mesma industrialização, nos mesmos respectivos períodos, cuja maior parcela foi adquirida de terceiros. C. J. Por isto é que a correta verificação do enquadramento dos contribuintes em geral como Agroindástria requer redobrado cuidado por parte da autoridade lançadora e desta julgadora, afim de se evitar a burla à legislação previdenciária, sendo que o auditorfiscal chamou a atenção para o caso em que, na produção rural empregada em seu processo de industrialização, mais de 90% provém de terceiros. Portanto, em momento algum o auditor afirma que o mínimo de produção própria para ser considerada agroindústria seja de 10% como contrariamente alegado pela impugnante." E mais, em situação análoga à do Acórdão supra colacionado, o Tribunal Regional Federal da 4' Região, por intermédio de sua 1'. Turma, nos autos da Apelação em Mandado de Segurança de n° 200532.00.0070924/SC, de Relatoria do Des. Federal Vilson Darós, DJ 15/08/2007, manifestouse pela manutenção da Notificação de Lançamento de Débito questionada, nos seguintes termos: "A impetrante pleiteia, em mandado de segurança, com pedido de liminar, seja reconhecida a nulidade do lançamento descrito na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n" 35515.8159, em relação às parcelas compreendidas entre as competências de julho de 2003 a julho de 200. A questão posta nestes autos se refere ao enquadramento da empresa impetrante como agroindústria, afim de determinar se deve recolher as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários ou sobre a receita bruta. O artigo 22A da Lei n" 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, assim dispõe, verbis: (.). Tal previsão demonstra com clareza o objetivo almejado pela norma, ou seja, favorecer o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção, podendo, ainda, somar a esta a de terceiros. C.). Em que pese a impetrante efetuar reflorestamento e tal atividade demonstrar a existência de produção própria, consta de sua inscrição no CNPJ que sua principal atividade económica é a Fl. 863DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 857 15 'fabricação de móveis com predominância em madeira" ot 416). Com isso, a meu ver, resta evidenciado que a empresa impetrante não pode ser enquadrada como agroinchistria, porquanto, embora exerça alguma atividade própria de agroindústria, esta não é preponderante. A atividade preponderante da impetrante é a fabricação de móveis com predominância em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. Isso posto, nos termos da fundamentação, voto por dar provimento à apelação do INSS e à remessa oficia" O julgado acima transcrito culminou com a expedição da seguinte ementa: "MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRL4. FÁBRICA DE MÓVEIS DE MADEIRA. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI N° 8.212/1991. LEI N° 10.256/2001. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n" 10.256/2001 tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da impetrante é a fabricacão de móveis com predominância em madeira que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira Assim sendo não pode ser considerada como en2reittatustrial".(gnfet). (AMS n° 2005.72.00.0070924/SC, TRF (. Região, I°. Turma, Relator: Des. Federal Vilson Darás, DJ 15/08/2007). No presente caso, não obstante a produção própria da recorrente ser insignificante (1,09% em 2001; 3,42% em 2002; 5,57% em 2003; 3,92% em 2004; 1,39% em 2005 e 3,30% em 2006), observase que a fiscalização previdenciária percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústrias, ao considerar a recorrente como tal. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial (abatedouro), cuja produção própria industrializada é insignificante. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, e assim excluir da exação os lançamentos decorrentes do re enquadramento, por parte da fiscalização, da empresa como agroindústria. Referido acórdão foi, ainda, objeto de Recurso Especial por iniciativa da PGFN, tendo este sido admitido e distribuído, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, à relatoria do Em. Conselheiro Elias Sampaio Freire, que entendeu por manter incólume referido entendimento, tendo sido seguido, à unanimidade, por seus pares a época. O julgamento fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 08/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal tratase de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A industrialização de produção própria da empresa é insignificante se comparada com a adquirida de terceiros. Não caracterizada a condição de agroindústria. Recurso especial negado. Por fim, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 865DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 858 17 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir os lançamentos decorrentes do reenquadramento da recorrente como agroindústria, prejudicada a análise dos demais argumentos constantes no recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira Redatora Designada Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto ao seu entendimento de que reenquadramento da empresa como agroindústria efetuado pela auditoria fiscal seria indevido. O entendimento em questão baseiase na tese de que se a produção própria industrializada for insignificante perante à produção adquirida de terceiros, a empresa se caracterizaria como indústria e não como agroindústria. A auditoria fiscal reenquadrou a recorrente como agroindústria e para esse tipo de empresa o recolhimento das contribuições se dá de forma diferenciada. As contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 foram substituídas pela aplicação de um percentual sobre o valor da receita bruta da comercialização e tais contribuições são recolhidas no FPAS 744, juntamente com a contribuição destinada ao SENAR. As contribuições dos segurados, por sua vez, não abrangidas pela substituição trazida pela Lei nº 10.256/2001 devem ser recolhidas pela empresa em FPAS próprios. No caso das agroindústrias não relacionadas no DecretoLei nº 1.146/1970, para os empregados da área rural, o FPAS utilizado é o 604, onde são recolhidas as contribuições dos segurados, as devidas ao FNDE (SalárioEducação) e ao INCRA. O FPAS 833 é utilizado para o recolhimento da contribuição dos segurados empregados da área industrial juntamente com as contribuições destinadas ao FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE. A recorrente alega que não poderia ser considerada agroindústria em razão de sua atividade rural ser insignificante face à atividade industrial que seria a principal. Alega que o montante de gado fornecido por suas fazendas representa um valor ínfimo quando relacionado ao gado fornecido por terceiros. Tal alegação leva a inferir que a recorrente admite a produção própria, mas considera que o volume dela não seria suficiente para caracterizála como agroindústria. Inicialmente cumpre registrar que a lei não faz qualquer ressalva quanto a quantidades mínimas de produção própria, ou seja, não dá qualquer margem de se dar um tratamento diferenciado a determinada empresa que, embora, industrialize produção própria não seja considerada agroindústria. Asseverese que o que pretende a recorrente é poder efetuar recolhimentos como se fosse apenas indústria, tentando comprovar que não se enquadraria no conceito de agroindústria tomando por base parâmetro totalmente subjetivo e sem previsão legal. A Lei nº 10.256/2001 ao inserir o art. 22A na Lei nº 8.212/1991 não fez qualquer ressalva que ensejasse a aplicação do entendimento apresentado pela recorrente. Pela Fl. 867DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15892.000427/200762 Acórdão n.º 2402003.468 S2C4T2 Fl. 859 19 lei, havendo a industrialização de produção própria estaria caracterizada a condição de agroindústria. A lei não conferiu aos contribuintes ou à administração a possibilidade de, com base em juízo de valor totalmente subjetivo, afastar o comando legal. A subjetividade residiria na completa inexistência de quaisquer parâmetros que pudessem disciplinar o que seria considerado ínfimo ou insignificante. Cumpre informar que a Lei nº 10.736/2003, na redação aprovada pelo Congresso Nacional, pretendia acrescentar ao art. 22A o § 8º que dispunha o seguinte: § 8º O regulamento poderá dispor sobre a faculdade da empresa agroindustrial contribuir, na forma do art. 22, nos casos em que desenvolva atividade rural tãosomente na produção de matéria prima para aplicação no processo industrial cujo custo represente menos de dez por cento da sua receita bruta total proveniente da comercialização da produção Notase que o que se pretendia era conceder à agroindústria a possibilidade de efetuar o recolhimento com base na folha de pagamentos, diante de situação específica (desenvolver atividade rural tão somente na produção de matéria prima para aplicação no processo industrial) e parâmetro claramente delineado (o custo da produção teria que ser inferior a 10% da receita bruta total). Não obstante a especificidade da situação proposta no citado parágrafo, tal dispositivo foi vetado pela Mensagem de Veto nº 463/2003, com base na manifestação do Ministro da Previdência Social, nos seguintes termos: “Esse parágrafo autoriza o Poder Executivo a permitir que empresa agroindustrial que somente produz matériaprima para industrialização própria, cujo valor represente menos de dez por cento da receita de comercialização, possa contribuir com base na folha de salário e não com base no valor da comercialização da produção. A mesma razão que levou o Congresso Nacional, na ocasião da votação do PLC convertido na Lei nº 10.684/03, a não incluir esse parágrafo no mencionado art. 22A da Lei nº 8.212/91, continua válida, ou seja, não há razão que justifique essa delegação de poderes para que se faculte, por Decreto, que determinadas empresas agroindustriais recolham de forma diferenciada das demais empresas do mesmo segmento econômico. A manutenção desse dispositivo, além de inconveniente, poderá ensejar gestões de empresas, que, eventualmente, teriam vantagem com a mudança da sistemática de contribuição, junto ao Poder Executivo, para que lhe conceda o tratamento diferenciado, razão pela qual propomos o correspondente veto, também por contrariar o interesse público.” Observase que o dispositivo pretendia delegar poderes para que fosse facultado às empresas agroindustriais recolher de forma diferenciada mediante regras a serem estabelecidas em decreto. Ainda assim, o dispositivo foi vetado. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Entendo que a definição de agroindústria está clara no texto legal e pelo Princípio da Estrita Legalidade não cabe à autoridade administrativa, com base em seu juízo de valor, ir além do que a lei determina. Diante do exposto. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso apresentado. Conselheira Ana Maria Bandeira. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA MARIA BANDEIRA, Assin ado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.914932/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA.
Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito.
Numero da decisão: 3401-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 49 32 /2 00 9- 66 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS supostamente recolhido a maior em 15/03/2005 (fls.01/05). A delegacia de origem negou o ressarcimento em razão de o crédito localizado ter sido utilizado para quitação de outros débitos (fl.06). A DRJ em Belém/PA manteve o indeferimento (fls.32/35). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/03/2011 (fl.37) e interpôs recurso voluntário em 11/04/2011 (fls.38/58). O recurso voluntário foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (fls.118/120). Na ocasião, constatouse que o crédito não foi localizado em razão de diversas DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente. Por isso, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse analisada qual a DCTF retificadora é válida e se existe crédito em favor da Contribuinte. O resultado da diligência está presente nas fls. 127/130 Apesar de cientificada, a Recorrente não se manifestou quanto ao resultado da diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em diligência, após analisar a documentação fiscal da Contribuinte e as DCTF retificadoras apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que a retificação válida foi a última apresenta, cuja transmissão ocorreu em 10/06/2009 e que essa retificação está correta, de modo a restar um crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 6.308,45. O crédito localizado na diligência tem exatamente o mesmo valor pleiteado pela Recorrente. Portanto, deve ser reconhecido o direito creditório. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado, bem como homologar a compensação apresentada até o limite do crédito. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11020.914932/200966 Acórdão n.º 3401002.854 S3C4T1 Fl. 137 3 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10825.720819/2012-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Verificado que o contribuinte auferiu rendimentos recebidos de pessoa física em montante maior que o declarado, procedente o lançamento da diferença apurada como omissão.
ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007.
Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.166,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do ano-calendário 2008, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Verificado que o contribuinte auferiu rendimentos recebidos de pessoa física em montante maior que o declarado, procedente o lançamento da diferença apurada como omissão. ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007. Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.166,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do ano-calendário 2008, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
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Verificado que o contribuinte auferiu rendimentos recebidos de pessoa física em montante maior que o declarado, procedente o lançamento da diferença apurada como omissão. ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007. Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.166,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do anocalendário 2008, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 08 19 /2 01 2- 99 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1 que julgou procedente em parte Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 558.832,99 relativo ao anocalendário 2009. O lançamento se deu em virtude da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, com a imposição de multa isolada e qualificada sobre tais rendimentos. Por bem descrever os fatos sob exame, cabe reproduzir, com a devida vênia, a descrição dos termos da impugnação constante no relatório da decisão recorrida. Antes, todavia, deve ser esclarecido que serão excluídos os trechos referentes às alegações e matérias que não foram objeto de recurso voluntário, intitulados: "Rendimento a deduzir dos valores apurados", "Multa de ofício excessiva", e "Despesas indedutíveis". Eis a transcrição: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As omissões, segundo Relatório Fiscal, foram divididas em 5 grupos da seguinte forma: Primeiro grupo: valores extraídos do sistema eletrônico da Receita Federal, confirmados pelo fiscalizado e registrados em seu Livro Caixa (fls. 332/333); Segundo grupo: valores extraídos do sistema eletrônico da Receita Federal, contestados em parte pelo fiscalizado e registrados no Livro Caixa pelo valor alegado (fls. 334); Terceiro grupo: valores extraídos do sistema eletrônico da Receita Federal, confirmados pelo fiscalizado na maioria dos casos e que não constam no Livro Caixa (fls. 335); Quarto grupo: valores que não constam do sistema eletrônico da Receita Federal, foram informados pelo fiscalizado e não constam no Livro Caixa (fls. 336); Quinto grupo: valores verificados pela fiscalização em informação do sócio, foram confirmados pelo fiscalizado que não os lançou em Livro Caixa (fls. 337). As contestações apresentadas pelo impugnante foram divididas também por grupos, e são as seguintes: Primeiro grupo alguns dos valores lançados como omissão de rendimentos já foram tributados sobre seu sócio, Pedro Fernandes Cardoso, CPF 053.700.88888, por meio do processo de fiscalização nº 10825.720617/201247; um valor foi repassado para Dr. João Rosa de Moraes, outro advogado; além de valores de honorários que foram recebidos no anocalendário diverso ao do que trata a autuação; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 2802003.344 S2TE02 Fl. 712 3 cliente José Osmar dos Santos (R$ 29.989,00) e Lázaro Correa (R$ 9.258,34): referidos valores foram lançados também no auto de infração de seu sócio acima mencionado. Alega que o ato do advogado assinar o recibo de pagamento não quer dizer que ele seja o beneficiário daquele rendimento. Os pagamentos de honorários são feitos sempre para um dos sócios, que assina o recibo, e nem sempre é o próprio beneficiário. Também, o pagador informa na sua DAA o nome/CPF do assinante do recibo. O próprio sistema informatizado da RFB não tem informação sobre qualquer pagamento feito ao impugnante por José Osmar Santos, e a informação feita por Lázaro Correa se baseou apenas no nome constante no recibo, e que pode não ser o beneficiário do rendimento; Segundo grupo cliente Adão Donizetti dos Santos (R$ 9.000,00): alega que o valor recebido pelo cliente na ação foi de R$ 30.599,00, gerando honorários de 30%, ou seja, R$ 9.000,00. Entretanto, metade do valor foi repassado para o seu sócio na ação, o advogado Pedro Fernandes Cardoso, conforme recibo juntado. A fiscalização não aceitou o repasse e atribuiu o total dos honorários para o impugnante. Atestando o fato narrado, o sócio foi tributado sobre o valor de R$ 4.500,00, conforme documento anexo, de modo que referida importância deve ser excluída da tributação; cliente Ivan Ferreira Lima (R$ 27.160,39): da mesma forma como costuma acontecer, só um dos advogados tratou do recebimento dos honorários, e depois repassou para o outro sócio o valor de sua parte correspondente, ou seja, R$ 13.580,00. O AFRFB disse que o Sr. Ivan não reconhece o pagamento ao Dr. Pedro, mas o que ele afirmou em diligência é que não sabe como é feita a divisão dos valores entre os sócios. Essa afirmação é corroborada pela outra ação fiscal desenvolvida contra o sócio. O valor de R$ 13.580,00 deve ser excluído da tributação; cliente Josué Carvalho dos Santos (R$ 35.358,98): a metade desse valor, ou seja, R$ 17.679,49 foi repassada ao sócio do impugnante, como comprova o documento anexo, que integra o Auto de Infração lavrado contra ele. O valor também deve ser excluído da tributação; cliente Sebastião da Silva (R$ 13.797,00): a metade desse valor, ou seja, R$ 6.898,50 foi repassada para seu sócio. Na mesma fiscalização dirigida sobre o sócio, conforme comprova o documento anexo, mostra que o repasse foi atribuído como rendimento dele. O valor de R$ 6.898,50 deve ser excluído da tributação; cliente Valter Mariotto (R$ 41.356,00): neste caso atuou como outro advogado na ação o Dr. João Rosa de Moraes, para quem foi repassado o valor de R$ 13.666,66, devidamente comprovado com a cópia do TED. Para sua única argumentação, o AFRFB transcreve a afirmação do cliente de que ele desconhece a divisão dos honorários com o outro atuante no processo. Ele não nega que tenha havido o repasse, apenas desconhece como é feito. Requer a exclusão do valor de R$ 13.666,66 da tributação; em alguns casos a fiscalização afirmou que o recibo passado pelo sócio Pedro Cardoso poderia ter sido feito apenas para exibir para a sua fiscalização, e não aceitou como verídico. Não está correta a argumentação do fiscal baseada apenas em afirmações dos autores. É de conhecimento geral de quem conhece os trabalhos de escritórios de advocacia, que só um dos advogados mantém relacionamento com o cliente, e ao final os honorários são divididos entre os participantes da ação; Fl. 713DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 o AFRFB afirma que quando os honorários foram divididos, eram emitidos recibos apartados, por advogado, aos respectivos clientes. Essa afirmação contradiz o comportamento dele próprio, não aceitando o recibo emitido pelo sócio do impugnante; essa afirmação rigorosa do AFRFB não tem suporte nos costumes desses escritórios. Ela foi feita unicamente no caso do cliente Vanderlei Dornella, em que o advogado parceiro do impugnante, Dr. Marcelo Verdiani Campana, que trabalhou naquele processo, não é um parceiro constante dele, por isso o relacionamento pessoal é diferente daquele mantido com seu sócio predominante nos processos. Outro fato importante é que o escritório do impugnante é em Botucatu, e o do Dr. Marcelo em Bauru, 90 km distante. E o autor da ação também é de Bauru, conforme documentos anexos; Terceiro grupo cliente Gilberto Vassoler; a fiscalização alega que o impugnante recebeu os honorários em dezembro/2008, baseado unicamente no comprovante de rendimentos emitido pelo INSS, como informou o beneficiário da ação. Porém, o que ocorreu em 2008 foi apenas o reconhecimento do direito ao crédito, tendo o pagamento ocorrido em 08/01/2009, conforme comprovam os TED anexos. Pelo exposto, requer a exclusão da tributação o valor de R$ 46.945,88; cliente Zeni Rosa Jacyntho (R$ 1.500,00): a ficha de honorários registra 2 recebimentos: um no valor de R$ 1.500,00 no dia 02/08/2007, e outro de R$ 2.000,00 no dia 25/02/2009. Os 2 recebimentos estão devidamente assinados pela cliente na referida ficha. Em resposta à intimação fiscal, a cliente informou que pagou R$ 1.500,00 no período aproximado de setembro/2008, e que perdeu o recibo. É muito difícil que em janeiro/2012, data da resposta, sem qualquer documento, pudesse se lembrar da data do pagamento, tanto que disse “período aproximado de setembro de 2008”. Existe só presunção contra o impugnado, mas existe comprovante assinado pela cliente a seu favor. O valor de R$ 1.500,00 deve ser excluído do total tributável; Quarto grupo cliente Carlos Eduardo Pagnin (R$ 16.274,86): referido rendimento não consta do sistema eletrônico da RFB. Esse mesmo valor foi tributado sobre seu sócio, Pedro Fernandes Cardoso, que é o procurador do autor na ação. O valor deve ser excluído da tributação; (...) MULTA ISOLADA a multa aplicada com base na Lei nº 9430/96, com a redação dada pela Lei nº 11488/07, jamais poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício sobre a mesma matéria tributável, conforme legislação e jurisprudência transcrita; (...) A DRJ/SP1, após esclarecer não haver o contribuinte contestado as omissões do 1º grupo (valores informados no sistema eletrônico da Receita Federal, confirmados pelo fiscalizado e registrados em seu Livro Caixa), e do 5º grupo (valores informados pelo sócio e confirmados pelo fiscalizado que não os lançou em seu Livro Caixa), limitandose o litígio ao valor de R$ 136.826,54, excluiu da base de cálculo da infração os valores recebidos de Ivan Ferreira Lima (R$ 13.580,00 em maio/2008) e Gilberto Vassoler (R$ 23.479,69 em dez/2008). Fl. 714DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 2802003.344 S2TE02 Fl. 713 5 Consubstanciou seu entendimento no acórdão assim ementado, no qual resta asseverado, outrossim, o cancelamento da qualificação da multa de ofício: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Deve ser mantido parte do lançamento decorrente da omissão de rendimentos recebidos a título de honorários advocatícios quando o contribuinte não logrou comprovar que repassou os valores ao seu advogado parceiro. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Incabível a aplicação da multa qualificada de 150%, quando não se encontram identificados nos autos, de forma inconteste, os elementos caracterizadores da fraude e/ou dolo, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Súmula 25 do Carf. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carnêleão não recolhido concomitante com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, porquanto são multas aplicáveis sobre bases de cálculo distintas e penalizam infrações diferentes. O autuado interpôs recurso voluntário em 17/12/2012, reiterando em linhas gerais os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cumpre frisar mais uma vez que, não obstante terem sido reiteradas na peça recursal examinada, as demandas do contribuinte relativas aos pagamentos efetuados a Ivan Ferreira Lima e Gilberto Vassoler já foram acatadas no julgamento a quo; noutro giro, saliente Fl. 715DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 se que não foi vertida irresignação quanto à dedução de valores dos rendimentos apurados, inclusive das despesas de livrocaixa, matérias essas que quedam, em decorrência, incontroversas. Da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. O contribuinte, advogado, trabalhava à época dos fatos com Pedro Fernandes Cardoso, também profissional da espécie, e que também foi fiscalizado. Traz a alegação, em síntese, de que alguns dos valores tidos por omitidos já foram objeto de tributação na lavratura da autuação sobre o referido sócio. Defende que é procedimento normal nos escritórios que o cliente mantenha relacionamento direto com apenas um dos advogados, o qual recebe os honorários e os repassa aos demais participantes da causa. Ora, ainda que tal proceder possa ser habitual no âmbito dos escritórios de advocacia, o que não resta evidenciado no processo, o fato é que eventuais repasses de honorários a terceiros devem ser comprovados por documentos hábeis e idôneos. Nessa linha, deveria ter o autuado trazido comprovantes de transferências bancárias, cheques, etc., que assim os atestassem. Não obstante, tal rigor pode ser amenizado, desde que seja amealhado arcabouço probatório suficiente para demonstrar ser verossimilhante o bastante a versão de que os montantes percebidos foram transferidos para os demais patronos das ações, e inconsistentes as conclusões da autoridade lançadora. Da mesma forma, sustentação no sentido de que dado recebimento de honorários já foi todo tributado por outro beneficiário deve ser devidamente acompanhada de documentos que permitam o conhecimento acerca do total de honorários que são decorrentes de uma determinada ação judicial, a forma de divisão desses valores entre os patronos, etc. No caso dos valores atinentes aos clientes Adão Donizete dos Santos, Josué Carvalho dos Santos, Valter Mariotto e Zeni Rosa Jacyntho, entendo que os documentos presentes nos autos amparam as razões do contribuinte, pelos motivos expostos na sequência. 1. Adão Donizete dos Santos. Restou claro que esse cliente auferiu R$ 30.599,00 da ação judicial (fl. 688), e que pagou R$ 9.000,00 a título de honorários para o autuado (fl. 689); e que este e Pedro Cardoso receberam ambos procuração e foram contratados para atuar no processo (fls. 690/691). Além disso, foi verificado na respectiva fiscalização que R$ 4.500,00 foram recebidos por Pedro Cardoso (fl. 685) desse cliente. Assim, a despeito do recibo de R$ 9.000,00 ter sido emitido em nome do recorrente, todos os demais elementos apontam para a efetividade do repasse de R$ 4.500,00, até mesmo porque, como bem refere a contestação, se o total de honorários correspondesse a soma das duas parcelas, alcançaria a cifra de R$ 13.500,00, equivalente a mais de 44% do resultado obtido na causa. Assim, deve ser cancelada a omissão no valor de R$ 4.500,00, relativa ao mês de maio de 2008. 2. Josué de Carvalho Santos. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 2802003.344 S2TE02 Fl. 714 7 O autuado recebeu R$ 35.358,98 a título de honorários desse cliente (conforme recibo e transferência bancária, fls. 161/162), pelo qual foi contratado, juntamente com seu sócio Pedro Cardoso, para promover ação judicial contra o INSS (fl. 691). Também foi verificado na respectiva fiscalização que R$ 17.679,49 (50% de R$ 35.358,98) foram recebidos por Pedro Cardoso (fl. 685) desse mesmo cliente. Assim, a despeito do recibo de R$ 35.358,98 ter sido emitido em nome do recorrente, os demais elementos apontam para a efetividade do repasse de R$ 17.679,49, ainda que de uma maneira não tão robusta quanto a descrita no item anterior. Destarte, deve ser cancelada a omissão no valor de R$ 17.679,49, relativa ao mês de setembro de 2008. 3. Valter Mariotto. O contribuinte recebeu R$ 41.356,00 a título de honorários desse cliente (conforme recibo e transferência bancária, fls. 178/179), havendo recebido procuração do advogado João Rosa dos Santos, por subestabelecimento com reservas de poderes iguais, para promover ação judicial contra o INSS (fls. 699/700). O documento de fl. 696 atesta ter ocorrido o repasse de R$ 13.666,66 a João Rosa dos Santos poucos dias depois do recebimento dos honorários, motivo pelo qual reputase haver evidências suficientes para cancelar a omissão no valor de R$ 13.666,66, pertinente ao mês de abril de 2008. 4. Zeni Rosa Jacyntho. No caso, não existe documento bancário que confirme a percepção dos honorários de R$ 1.500,00, havendo apenas informação da epigrafada de que pagou esses valores no período aproximado de setembro de 2008, e de que não mais possui o correspondente recibo (fl. 233). Já o recorrente afirma que tal pagamento se deu em 2/8/2007, juntando icha de Honorários de controle interno (fl. 572). Vejase que há fundamentada controvérsia acerca da data em que ocorreu o pagamento em comento, não existindo sequer recibo ou documento bancário que esclareça a questão, atestando a concreta percepção dos rendimentos em momento distinguível. Dessa feita, impende cancelar a omissão de R$ 1.500,00 relativa ao mês de setembro de 2008. De outra sorte, no que tange ao valores vinculados a Sebastião da Silva, Lázaro Corrêa, Carlos Eduardo Pagnin e José Osmar Santos, não foram apresentadas provas suficientes de que ocorreram repasses ou eventual bitributação dos honorários recebidos, consoante explicação abaixo. 5. Sebastião da Silva. O cliente em referência asseverou ter pago em 27/6/2008 R$ 13.797,00 ao autuado em função do processo nº 42/117.926.5308, comprovandoo mediante recibo (fl.173). Fl. 717DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 O recorrente não contesta tal afirmativa, apenas alega que foram repassados R$ 6.898,50 para seu sócio Pedro Cardoso, referindo, ainda, que a fiscalização movida em desfavor deste último verificou ter sido o valor total de R$ 13.797,00 tributado também no mês de junho (fl. 685), o que se traduziria em dupla exigência. O fato, porém, é que não há maiores evidências do montante auferido em virtude da causa em comento, tampouco dos termos da partilha de valores dos honorários. O contribuinte poderia ter obtido documentos bancários, apresentado documentos do processo judicial, procurações, contratos, etc., que permitissem o deslinde das questões ora debatidas. Não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe aproveitaria, deve ser mantida a autuação nesse aspecto. 6. Lázaro Corrêa. A situação aqui é similar à narrada no item anterior. O recibo de fl. 68 atesta ter o contribuinte recebido R$ 9.258,34 desse cliente, mas o autuado meramente diz que esse mesmo valor foi tributado quando da fiscalização de seu sócio a Pedro Cardoso, colacionando planilha extraída da respectiva fiscalização em que consta tal montante como percebido desse mesmo cliente (fl. 686). Com base nas mesmas considerações expendidas no item anterior, é de rigor manter a autuação também no particular. 7. Carlos Eduardo Pagnin e José Osmar Santos. Carlos Eduardo Pagnin afirmou ter pago R$ 16.274,86 ao contribuinte, e José Osmar Santos, R$ 29.989,00 (recibos às fl. 249 e 68, respectivamente); porém o autuado mais uma vez somente alega que esses valores vinculados a esses cliente já foram tributados quando da fiscalização sobre seu sócio, de acordo com documento de fl. 264. Aplicandose novamente as razões constantes no item 5 ao norte, não há reforma a realizar no lançamento, nesses pontos. Da multa isolada. Consoante giza o artigo 8º da Lei 7.713,de 22 de dezembro de 1988, c/c os arts. 4º e 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, o rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e o ganho de capital, recebido de pessoa física ou do exterior, quando em valor superior ao limite mensal de isenção, fica sujeito ao carnêleão mensal, a titulo de antecipação do que vier a ser apurado na Declaração de Ajuste Anual. Constatado pela fiscalização tributária que não ocorreu o recolhimento do carnêleão mensal em conformidade as normas de regência, verificase a infração de multa isolada sobre o respectivo imposto apurado mensalmente, nos termos previstos no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esse artigo, em sua redação original, assim versava sobre essa multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento Fl. 718DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 2802003.344 S2TE02 Fl. 715 9 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (grifei) Tal enunciado legal padecia de uma melhor redação, por não deixar claro se as hipóteses constantes dos incisos I e III do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 eram prescrições a incidirem de forma alternativa ou concomitante. Em decorrência, reiteradas decisões da segunda instância administrativa vêm reconhecendo que a leitura mais adequada desses preceitos é a de que se tratam de situações alternativas, por não ser concebível a aplicação simultânea de duas multas sobre os mesmos fatos. Entre outros argumentos, tais como ocorrência de bis in idem e falta de proporcionalidade, também foi considerado que tais incisos se referem, na verdade, a duas formas distintas de cobrança da multa. Ainda que não partilhe de uma forma mais ampla dos diversos óbices levantados à concomitância das multas, dos quais apenas se vislumbrou um estreito quadro, é forçoso reconhecer que tais empecilhos justificam a controvérsia instaurada, face à já mencionada precariedade da redação dos dispositivos em tela. Sendo assim, tenho por razoável e pertinente a invocação do art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), para comungar do entendimento majoritário das Turmas do CARF pela não concomitância da multa isolada e da multa de ofício, até o mês de janeiro do anocalendário 2007, razão pela qual devem ser canceladas, no caso concreto, as exigências de multa isolada até o referido período. A ressalva temporal é realizada porque com o advento do art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 teve sua redação modificada nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (grifei) A partir de 2007, então, ficaram claramente apartadas no texto legal as hipóteses de incidência que motivam cada uma das multas. Para o imposto de renda de pessoa física, a multa proporcional é aplicada caso haja diferença a pagar decorrente do ajuste anual; já a multa isolada é cabível no descumprimento da obrigação de fazer o recolhimento das antecipações mensais a título de carnêleão. São hipóteses de fato distintas, cujo descumprimento gera sanções jurídicas também distintas; descabido, portanto, falar em bis in idem, dado que os fatos antecedentes às respectivas exigências tributárias são diversos, sob os aspectos temporal e quantitativo. Também não prospera raciocínio segundo o qual a multa isolada só seria passível de aplicação entre o momento do inadimplemento da obrigação de antecipação e o do ajuste, pois tal entendimento vai de encontro à prescrição da alínea 'a' do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a qual regra expressamente que a multa em apreço deve ser aplicada mesmo que não tenha sido apurado imposto na declaração de ajuste, no caso da pessoa física. Já alertava o exegeta Carlos Maximiliano que se deve compreender as palavras da lei como tendo alguma eficácia, só sendo adequada a interpretação que encontra um significado útil e efetivo para cada expressão do texto normativo. Nesse contexto, oportuno anotar que eventual aplicação do princípio da consunção na espécie encontra severas dificuldades frente ao caráter patrimonial das respectivas obrigações jurídicas, segundo o qual o dever de pagar a antecipação independe da existência de imposto devido, e está vinculado à perspectiva de antecipação no ingresso de recursos com vistas à viabilização da atuação estatal, inexistindo, destarte, relação de meio e fim entre as exigências. À evidência, é perfeitamente possível que ocorra a falta de recolhimento do carnêleão mas que ao final do ajuste não haja imposto a pagar, ou até mesmo se verifique tributo a restituir. Da mesma forma, podem ser recolhidas todas as antecipações devidas e restar saldo de imposto a pagar, sujeito a lançamento de ofício. Exsurge, assim, não uma relação meiofim ou causa e efeito necessária entre o cometimento das infrações em comento, mas sim a independência entre elas. Com efeito, também frente ao disposto no art. 136 do CTN o entendimento pela aplicabilidade do referido princípio resta prejudicado, pois acabaria por condicionar a imposição da multa isolada aos efeitos ulteriores do ato, ou seja, a sanção em tela só incidiria caso se verificasse, posteriormente, excesso relativamente à multa de ofício aplicada no tocante ao imposto apurado no ajuste, este considerando as antecipações realizadas. Tal linha de raciocínio, além de não se harmonizar com a lei complementar e não possuir respaldo legal, inviabilizaria, na prática, o recolhimento dessas antecipações tal como preconizado no regime da Lei nº 7.713/88. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10825.720819/201299 Acórdão n.º 2802003.344 S2TE02 Fl. 716 11 A autuação em foco versa sobre fatos geradores relativos ao anocalendário 2008, estando então vigente a novel redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dadas as razões acima discorridas, deve ser mantida a multa isolada concomitante com a multa de ofício aplicada sobre os rendimentos omitidos, portanto. Em suma, e recapitulando, devem ser excluídos da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física R$ 13.666,66 pagos por Valter Mariotto em abril/2008, R$ 4.500,00 pagos por Adão Donizete dos Santos em maio/2008, e R$ 17.679,49 e R$ 1.500,00 pagos em set/2008 correspondentemente por Josué Carvalho dos Santos e Zeni Rosa Jacyntho (total de R$ 19.179,49 nesse mês). Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos R$ 13.166,66, R$ 4.500,00 e R$ 19.179,49, relativos, respectivamente, aos meses de abril, maio e setembro do anocalendário 2008. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10860.722008/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada.
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA.
Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO.
Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Oseas Coimbra Junior, para manter o lançamento fiscal, vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Fabio Pallaretti Calcini quanto ao PLR; II- por unanimidade de votos, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica a norma em favor do contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
(assinatura digital)
Oseas Coimbra Junior Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Ballaetti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Oseas Coimbra Junior, para manter o lançamento fiscal, vencidos os Conselheiros Ricardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 20 08 /2 01 1- 15 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 2 Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Fabio Pallaretti Calcini quanto ao PLR; II por unanimidade de votos, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica a norma em favor do contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator (assinatura digital) Oseas Coimbra Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Ballaetti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 553 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RODOVIÁRIO E TURISMO SÃO JOSÉ LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) que julgou improcedente a Impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de Infração lavrado por suposta falta de recolhimento de verbas de natureza previdenciária , bem como suposto desatendimento formal com relação ao cumprimento de obrigações realizados sob tal titulo. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização “O presente Auto de Infração originouse das Contribuições patronais sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, Levantamentos: EM, EN1 e EN2 – remunerações apuradas em folha de pagamento (empregados). PL, PL1 e PL2 descaracterização de participação nos lucros e resultados (empregados). 02, 071, 12, 121, 122, 16, 161 e 201 – acordos e reclamatórias trabalhistas (empregados), IN, IN1 e IN2 – remunerações em GFIP e em lançamentos contábeis (contribuintes individuais). Contribuições de segurados, cuja arrecadação, mediante desconto na remuneração dos segurados, é de responsabilidade da fonte pagadora (empregador/contratante). Levantamentos: EM, EN1 e EN2 – remunerações relacionadas ou não em folhas de pagamento (empregados) e não declaradas em GFIP.,PL, PL1 e PL2 – descaracterização de participação nos lucros e resultados (empregados). 011, 02, 071, 11, 111, 112, 121, 122, 16, 161, 201, 22, 221, 281, 31, 311, 312, 32, 321 e 331 – acordos e reclamatórias trabalhistas (empregados). IN, IN1 e IN2 – remunerações não declaradas em GFIP, encontradas em lançamentos contábeis (contribuintes individuais). Contribuições para terceiros (outras entidades ou fundos).Levantamentos: 02, 071, 12, 121, 122, 16, 161, 201, EN, EN1, EN2, PL, PL1 e PL2 e apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciária (conforme legislação anterior à Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009).” Após devidamente intimado do lançamento em 08/12/2012 o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls.310/324. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Nos termos da Lei 10.101/2000, um dos requisitos legais que caracterizam o pagamento de participação nos lucros e resultados é a prévia definição, negociada entre as partes, dos resultados ou metas a serem alcançados. Por isso, pagamentos incondicionais (ou condicionados apenas à existência de vínculos empregatícios) não podem ser inseridos no contexto da integração do capital e o trabalho, constituindose meramente remuneração do trabalho pelo capital. ASSERTIVAS GENÉRICAS. A Impugnação, nos termos do Decreto 70.235/1972, deve ser acompanhada dos elementos probatórios que dão suporte às assertivas do Contribuinte, não sendo possível levar em consideração meras declarações e, ainda assim, de caráter geral. MULTAS APLICADAS. CARÁTER ABUSIVO E CONFISCATÓRIO. Atendidos pelo lançamento fiscal os limites e parâmetros legais aplicáveis, de acordo com a legislação vigente e devidamente informada, não há o que considerar, quanto às alegações de que as multas aplicadas seriam desproporcionais, teriam caráter abusivo ou efeito confiscatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Intimando da instância a quo, em 10/12/2012, conforme aviso de recebimento da ECT de fls.506, o recorrente interpôs, tempestivamente , o recurso voluntário fls.508/531, alegando em síntese: a) Que teria havido contradição na fundamentação da irregularidade pois o próprio Auditor Fiscal teria reconhecido e afirmado “... que os valores pagos podem ser atribuídos como PLR ...”; b) Aduz quanto aos valores constantes de folhas de pagamento, não declarados em GFIP, declara que as GFIP teriam sido corrigidas durante a ação fiscal, não existindo tributo a ser recolhido; c) Informar que não teria havido a contratação de contribuintes individuais, tampouco a contratação de serviços de cessão de mãodeobra; d) Ao final, requer que seja o auto de infração declarado nulo e julgado improcedente o lançamento tributário. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 554 5 Voto Vencido Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da PLR Cingese a controvérsia principal dos presentes autos, à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 6 “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Considerando que as Convenções Coletivas de Trabalho carreadas aos autos demonstram a existência de um programa de participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros é suficiente para o cumprimento das formalidades legais (fls 264/273). Ademais, observase pelas convenções arrimadas ao processo que o sindicato representante da categoria dos empregados esteve devidamente representado pelo seu presidente, indo por terra o argumento da fiscalização de que não houve negociação prévia entre a recorrente e seus empregados. Assim, entendo que a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos excluindoos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 555 7 Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 8 estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre as partes, que possuem o condão de retificar a autuação fiscal. Diante desses elementos, deve ser provido o recurso neste tópico, com a invalidação da exação lançada sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 556 9 § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 10 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 557 11 meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 12 Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 558 13 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Das demais alegações As demais alegações lançadas pela recorrente são extremamente genéricas, não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, razão pela qual não pode este conselheiro acolhelas, mormente porque a recorrente limitase a informar que se não há o principal, não há que se falar em obrigação acessoria, “uma vez que o acessório segue o principal”. Ora, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado pela recorrente, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. A exata configuração do efeito devolutivo resulta na análise de dois aspectos: o primeiro concerne à extensão do efeito; o segundo, à sua profundidade. Delimitar a extensão do efeito devolutivo é precisar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem; medirlhe a profundidade é determinar com que matéria há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. Ademais, a decisão recorrida tem o seu objeto: pode haver julgado o mérito da causa (sentença definitiva), ou matéria preliminar ao exame do mérito (sentença terminativa). Devese analisar se a decisão do tribunal cobrirá ou não área igual á coberta pela do juiz a quo. A questão é analisada aqui do ponto de vista horizontal. Por outro lado, a decisão recorrida tem os seus fundamentos: o órgão de primeiro grau, para decidir, precisou enfrentar e resolver questões, isto é, pontos duvidosos de fato e de direito suscitados pelas partes ou apreciados de ofício. Cumpre averiguar se todas essas questões, ou nem todas, devem ser reexaminadas pelo Conselho, para proceder, por sua vez, ao julgamento; ou ainda se, porventura, hão de ser examinadas questões que o órgão a quo, embora pudesse ou devesse apreciar, de fato não apreciou. Aqui o problema é tratado em perspectiva vertical. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 14 Assim, não recorrendo a contribuinte especificamente dos termos decididos pela DRJ, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso. Razão pela qual não enfrento os demais lançamentos efetuados pela fiscalização e mantidos no acórdão a quo. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de PLR e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Voto Vencedor Conselheiro Oseas Coimbra Júnior Senhor Presidente, Possuo entendimento diverso do que expressado pelo e. Relator na parte referente ao PLR. A convenção coletiva aponta em seu item 47 que “As empresas pagarão Participação em Resultado (...) duas parcelas de R$ 225,00 cada uma, totalizando R$ 450,00(...)” A desdúvida que tal regramento não atende ao disposto na lei 10.101/00, que traz: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 2803003.869 S2TE03 Fl. 559 15 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” A desdúvida que as regras elencadas não atendem o disposto na legislação referente a participação nos resultados. A convenção firmada não traz índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa tampouco programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. A mera previsão de pagamento sem contrapartida objetiva, configura liberalidade do empregador, sujeita a contribuições previdenciárias, conforme art. 28 da lei 8212/91. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para manter o lançamento fiscal, sendo que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica a norma em favor do contribuinte.. (assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior Redator designado Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Numero do processo: 10970.720026/2013-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 26 /2 01 3- 87 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 356 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 357 3 Relatório VULCAFLEX SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA EPP recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0828.318 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Fortaleza, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Tratase de impugnação formalizada contra o lançamento efetuado sob a sistemática do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 2006). O procedimento fiscal, referente ao anocalendário 2008, foi instaurado em razão de a movimentação financeira da pessoa jurídica, constante dos sistemas de controle da RFB, ser da ordem de R$ 8,0 milhões, enquanto a receita oferecida à tributação, constante da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), ser de apenas R$ 1,7 milhões. A fiscalização iniciouse com a apresentação de termo próprio, notificado à interessada em 24/01/2012, fls. 94/95, ocasião em que foi determinada a apresentação, no prazo de 20 (vinte) dias, do contrato social e alterações posteriores, dos livros Diário e Razão, do Livro de Apuração do ISS e dos extratos bancários que deram origem à movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras Banco do Brasil, Banco Real, Itaú/Unibanco e Banco Bradesco. Em resposta, apresentada na repartição fiscal em 10/02/2012, a requerida apresentou os Livros Diário, Razão e Registro de Serviços Prestados, além de cópias do contrato social e de sua 3ª alteração. No que se refere aos extratos bancários, registrou que “nos reservamos o direito a não entrega, por entendermos nos ser preservado o direito ao sigilo bancário da empresa, consoante estabelece o artigo 5º, incisos X e XII da Constituição Federal de 1988”. Não logrando êxito junto à empresa e tendo por base o disposto no inciso VII do artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, a Unidade Local emitiu as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF de números 06109002012000211, 06109002012000220, 0610900 2012000238 e 06109002012000327, documentos que foram encaminhados às instituições financeiras Banco do Brasil, Banco Real, Itaú/Unibanco e Banco Bradesco, respectivamente, com a determinação para a apresentação dos dados constantes das fichas cadastrais do sujeito passivo e dos extratos das contas correntes e das aplicações financeiras, fls. 102, 107, 113 e 117. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 358 4 Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 103/105 (Banco do Brasil), fls. 108/112 (Banco Real, atual Santander), fls. 114/116 (Banco Itaú) e fls. 118/125 (Banco Bradesco). Analisada a documentação, deuse a lavratura do Termo de Intimação Fiscal nº 01, fls. 126/127, notificado ao interessado em 23/07/2012, fl. 146, em que o sujeito passivo foi instado a justificar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, as origens dos créditos a seguir quantificados: · no valor total de R$ 6.571.475,09, encontrado na conta nº 168.7506, agência 0268 do Banco Bradesco, fls. 128/141; · no valor total de R$ 96.926,12, encontrado na conta nº 19.7394, agência 2591 do Banco do Brasil, fl. 142; · no valor total de R$ 489.800,70, encontrado na conta nº 370372, agência 0148 do Banco Itaú, fl. 143; e · no valor total de R$ 248.561,91, encontrado na conta nº 2002294, agência 1747 do Banco Real, atual Santander, fl. 144. Atentese para a existência no processo de documento chamado Demonstrativo de Diferenças Apuradas, fl. 145, abaixo sintetizado: Créditos Não Justificados (A) Estornos e Devoluções (B) (C = A – B) Valores Tributados DASN (D) Valores Lançados (E = C –D) R$ 7.406.763,82 R$ 988.762,99 R$ 6.418.000,83 R$ 1.765.605,55 R$ 4.652.395,28 Em resposta, datada de 31/07/2012, o contribuinte assegurou que: VULCAFLEX SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, [...], vem com esta, informar que com relação aos documentos solicitados, nos reservamos o direito a não entrega, por entendermos nos ser preservado o direito ao sigilo bancário da empresa, consoante estabelece o aratigo 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988. Tendo em vista a não comprovação da origem dos créditos observados nas contas bancárias do sujeito passivo, a configurar a hipótese de omissão de receita do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com a adoção da sistemática do Simples Federal (Lei Complementar nº 123, de 2006), foram efetivados os lançamentos a seguir quantificados: · Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ................................................... R$ 99.349,14 · Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ................................... R$ 96.684,36 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 359 5 · Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) ......... R$ 296.887,35 · Contribuição para o PIS/Pasep .................................................................... R$ 69.886,02 · Contribuição Patronal Previdenciária ........................................................ R$ 973.853,85 · Total Lançado ......................................................................................... R$ 1.536.660,72 A ciência dos autos, juntamente com a apresentação da documentação correlata (demonstrativos, planilhas, Relatório Fiscal e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal), deuse em 30/01/2013, fl. 219. Não conformada com a situação, em 20/02/2013 a pessoa jurídica impugnou os lançamentos, fls. 101/118, conforme parcialmente reproduzido: [...] 2 DO DIREITO 2.1 DO SIGILO BANCÁRIO / FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL / IRREGULARIDADE DO PROCESSO DE QUEBRA E SIGILO BANCÁRIO / AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL Sabese que os direitos da personalidade, parafraseandose Adriano de Cupis, são aqueles "sem os quais a personalidade restaria uma susceptibilidade completamente irrealizada , privada de todo o valor concreto: direitos sem os quais todos os outros direitos subjectivos perderiam todo o , interesse para o indivíduo o que equivale a dizer que , se eles não existissem, a \^ pessoa não existiria com tal". Vale dizer, esses direitos são imprescindíveis para a , constituição do indivíduo, sem o que não poderá ser sujeito de direitos e obrigações. Com o advento da Carta Constitucional de 1988, dentre os quais, o que aqui nos interessa, o direito à privacidade. Essa garantia constitucional pode manifestarse através de inúmeras maneiras , tais como o direito à imagem ou o direito ao segredo, consoante a conhecida doutrina de Carlos Alberto Bittar. Ademais, o artigo 5o, inciso X, da Super Carta de 1998, guindou aquele direito à condição de direito fundamental, ao determinar a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas. Naquele mesmo dispositivo, no inciso XII, também tutelou o direito ao segredo, protegendo o sigilo de correspondência, comunicações e dados. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 360 6 No entanto, tem se entendido, no âmbito do STF, que o sigilo bancário, o sigilo fiscal e o sigilo telefônico, ainda que representem projeções específicas do direito à intimidade, fundado no artigo 5º, X, da Super Lei, não têm caráter absoluto, podendo ceder passo em circunstâncias especialíssimas. De fato, temos como exemplo mais recente desse entendimento, em 15.10.2010, o julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 , no STF, ONDE FOI REJEITADA A POSSIBILIDADE DE ACESSO PELO FISCO AO SIGILO BANCÁRIO DOS CONTRIBUINTES SEM A IMPRESCINDÍVEL DETERMINAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO OU DO PODER LEGISLATIVO. Não se discute, é bem verdade, que o Poder Judiciário tem competência constitucional para determinar a restrição do direito à privacidade (segredo), aplicando o princípio da proporcionalidade para priorizar o valor jurídico tutela pelo princípio constitucional. Poderá, portanto, o magistrado, “verbi grafia”, determinar , na presença de um caso concreto, que seja afastado o sigilo bancário para investigar a prática de infração penal. De outro lado, aquela garantia também cederia passo diante de autorização do Poder Legislativo. Na hipótese concreta dos autos, a autoridade fiscalizadora, ao proceder, “sponte” própria, a quebra do sigilo bancário da impugnante, invocou em seu favor a Lei Complementar n° 105/2001, em seu artigo 6º. No entanto, a norma invocada não se sustenta quando confrontada com o artigo 5º, inciso X , da Carta Política de 1988. Com efeito, o sigilo bancário consiste no deve jurídico imposto às instituições financeiras e entidades equiparadas de não divulgarem informações a respeito da movimentação bancária de seu clientes. Qualquer informação e dados sobre clientes das instituições financeiras estão inseridos na acepção de sigilo bancário, o qual, como vimos de ver, está incluído no rol das garantias previstas nos incisos X e XII do art. 5º da nossa Carta Magna, não admitindo qualquer desrespeito sob pena de flagrante violência ao Texto Constitucional, ressalvada a hipótese em que houver expressa e justificável autorização judicial. De acordo com o entendimento manifestado pelo STF, no âmbito do RE 389.808, caso exista fundada suspeita de sonegação fiscal, as autoridades fiscais devem recorrer ao Poder Judiciário para obter autorização para a quebra do sigilo bancário, uma vez que se revela totalmente incompatível com a Constituição Federal a edição de qualquer lei autorizando a quebra do sigilo bancário diretamente pela RFB. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 361 7 A toda evidência, a norma contida no art. 6º da LC 105/2001 é excessivamente ampla, por disponibilizar a RFB acesso irrestrito às informações sobre a movimentação financeira dos clientes, mediante simples emissão de RMF no âmbito do processo administrativo instaurado ou MPF, sem qualquer amparo constitucional. SENDO ASSIM, UMA VEZ QUE, CONFESSADAMENTE, A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DA IMPUGNANTE OPEROUSE DE FORMA IRREGULAR E INDEVIDA, A PROVA UTILIZADA PARA ORIGINAR A PRETENSÃO FISCAL ORA RESISTIDA FOI OBTIDA SOB A MÁCULA DE VÍCIO INSANÁVEL, COMO DEMONSTRADO. NÃO PODE, POIS, PREVALECER E, VIA DE CONSEQÜÊNCIA, TAMBÉM A FISCALIZAÇÃO DELA DECORRENTE, FRENTE AOS PEREMPTÓRIOS TERMOS DO ART. 5º, LVI, DA LEX SUPREMA. Sempre que se verificar que as provas que sustentam o lançamento tributário foram obtidas por via ilícita, seja por dolo, fraude, violação à privacidade, quebra de sigilo sem autorização judicial, abuso de autoridade, dentre outros, deverá ser considerado que o fato enunciado no lançamento tributário não está fundado em provas. É ESSA A “MENS LEGIS” DAQUELE PRECEITO CONSTITUCIONAL. 2.2 DA TRIBUTAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÃO / SIMPLES DEPÓSITOS BANCÁRIOS / OMISSÃO DE RECEITA / DESCUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL POR PARTE DO FISCO DE PROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR / VIOLAÇÃO DO ARTIGO 142 DO CTN. Quando se pretende receber elevada importância, a titulo de IRPF, alegando existência de omissão de receita, em depósitos bancários / créditos sem origem comprovada, sem que se demonstre de forma inconcussa o suporte fático tributário daquele tributo, está, em verdade, pretendendose tributar escorado em mera presunção, o que não é juridicamente aceitável. Os depósitos bancários apontados pela autoridade fiscal, nos moldes do que foram invocados, revelamse como simples indícios, não justificando, por si só, o lançamento tributário. Destarte, tal atividade administrativa sempre foi considerada, sob o ângulo da ciência do Direito, matéria de infraestrutura científica, vale dizer, mero cálculo, sistematicamente confundida como exclusividade funcional de um determinado servidor público. Atualmente, porém, a matéria galgou a importância que merece, estando, pois, submetida a relevante investigação científica, diante dos seus efeitos condicionantes para o cumprimento do dever jurídico anteriormente referido. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 362 8 Por isso tudo, o lançamento, como ato de aplicação do direito, envolve a interpretação da lei, a caracterização do fato previsto na hipótese normativa e a sua ulterior subsunção no tipo legal. De fato, como é sabido, a finalidade do procedimento administrativo de lançamento é a busca da verdade material, a qual deve ser demonstrada de forma objetiva, sempre observando os rigores do devido processo legal. Dessa forma, a verdade material há de ser objeto de prova realizada pela autoridade administrativa, a quem cabe, nos termos da nossa Carta Política de 1988 e do nosso CTN, a função de aplicar a lei tributária. O dever de prova decorre inexoravelmente da atividade administrativa de aplicação de lei tributária consubstanciada no lançamento. Toda atuação administrativa deve estar fundada em lei e no motivada demonstração da ocorrência do fato gerador previsto na lei. A motivação é exigência inarredável da atuação administrativa, já que tem origem direta no princípio constitucional da legalidade. Exigir que a Administração se conduza conforme a lei e, no entanto, dispensála da motivação de seus atos significa fazerse tabula rasa daquela diretiva constitucional. Toda e qualquer atuação administrativa no âmbito do Estado Democrático de Direito há que estar pautada na legalidade motivada. Vale dizer, não basta estar calcada formalmente em lei, devendo estar devidamente acompanhada da efetiva demonstração da ocorrência dos fatos previstos em lei como imprescindíveis à sua materialização. No entanto, “in casu”, como dito linhas atrás, não é essa a ilação que se chega, ao analisarse a formalização do crédito tributário. Partiu a fiscalização de 'prova' indiciária para justificar a sua autuação, abandonando a investigação mais acendrada para caracterizar a ocorrência do fato gerador. Nas questões tributárias, como ocorre na seara do direito penal, para a responsabilização de alguém, devese buscar a verdade material do fatos, onde a investigação exaustiva ganha extrema evidência. Melhor dizendo, não basta uma simples dificuldade ou maior onerosidade no exercício do dever de investigação em decorrência de vícios isolados da documentação ou escrita, para exonerar o Fisco do cumprimento do seu dever funcional, autorizandoo desde logo ao recurso à prova indiciária. Enquanto essa possibilidade subsiste deve o Fisco prosseguir no cumprimento de tal dever, seja qual for o grau de complexidade e o custo de tal investigação. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 363 9 Nessa linha de raciocínio, na atividade de lançamento a caracterização da matéria tributável, descrita pelos estudos doutrinários como aspecto (elemento) material da hipótese de incidência, há de restar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. A caracterização da matéria tributável na atividade de lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, sendo vinculada e obrigatória, por força de expressa determinação do artigo 142 do CTN. Assim sendo, se o lançamento é atividade vinculada e obrigatória, onde a motivação dos pressupostos dá origem à sua materialização, é absolutamente equivocado falarse em ônus da prova na atividade administrativa do lançamento. Com efeito, como a atuação administrativa no Estado de Direito é calcada na legalidade motivada, não se pode conceber um ônus da prova da Administração Pública, relativo à demonstração dos fatos que desencadearam a ação administrativa, mas de um dever jurídico de prova. A propósito do tema, o então Ministro Eros Roberto Grau assevera que: [...] Como se nota, ônus é figura jurídica distinta de dever e obrigação. Da mesma forma, no âmbito estritamente processual, o ônus da prova envolve a repartição dos encargos probatórios entre os litigantes, significa a exigência feita pelo legislador, a um, ou a ambos os litigantes, de que demonstrem a verdade dos fatos por ele alegados. Aquele que não cumpre esse encargo da prova não se habilita a obter o reconhecimento da pretensão jurídica perseguida. ENTRETANTO, COMO VIMOS DE VER, O ESTADO NÃO TEM ÔNUS DE PROVAR A OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS ENSEJADORES DO FATO IMPONÍVEL DO TRIBUTO, MAS VERDADEIRO DEVER DE PROVAR A REALIZAÇÃO DAS PREMISSAS FÁTICAS QUE VALIDAM A SUA ATUAÇÃO. Em outras palavras, revelase absolutamente incompatível com os princípios constitucionais da legalidade e da motivação , bem como a própria definição legal de lançamento, constante no artigo 142 do CTN, o entendimento de que a autoridade fiscal tem o ônus de provar a ocorrência do fato gerador. EM VERDADE, NÃO SE TRATA DE ÔNUS LEGAL, MAS DE DEVER CONSTITUCIONAL DE INVESTIGAÇÃO E PROVA DA REALIZAÇÃO DO FATO GERADOR. Isto implica na certeza de que o ônus da prova admite inversão entre os litigantes, já que assim definida em lei processual. O Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 364 10 DEVER DE PROVA, NO ENTANTO, CONSTITUI UMA IMPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL DERIVADA DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA MOTIVAÇÃO, RATIFICADA PELO ARTIGO 142 DO CTN, E INCAPAZ DE QUALQUER INVERSÃO. A fio e ouro, José Souto Maior Borges ensina que o lançamento envolve sempre um dever de prova da autoridade fiscal, razão pela qual orienta que: [...] É IMPORTANTE FRISAR QUE EXISTEM DUAS ESPÉCIES DE NORMAS JURÍDICAS QUE TÊM FUNÇÕES DIFERENTES. EXISTE A NORMA QUE PREVÊ HIPÓTESES DE OMISSÃO DE RECEITAS E AS NORMAS QUE DETERMINAM COMO O VALOR OMITIDO SERÁ CALCULADO. AS NORMAS QUE ESTABELECEM CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO MONTANTE DOS TRIBUTOS NÃO PAGOS TÊM UM PRESSUPOSTO DE APLICAÇÃO QUE É A DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SEM QUE SEJA DEMONSTRADA A OCORRÊNCIA DO AUFERIMENTO DE RENDA OU RECEITA, SERÁ INVÁLIDO O PROCEDIMENTO FISCAL E NULA A EXIGÊNCIA FISCAL, como tem decidido o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, como se pode ver: [...] São inúmeras as circunstâncias fáticas jurídicas que podem revelar indícios de omissão de receitas, mas, em qualquer caso, a exaustiva investigação é necessária e imprescindível. Só os autos de infração bem fundamentados podem resguardar os interesses da Fazenda e propiciar a concretização do princípio constitucional que garante o contraditório e a ampla defesa, na forma do item LV do art. 5º da Constituição Federal. A fiscalização deve apresentar provas sobre a natureza da eventual receita omitida. Assim, se os indícios indicarem que houve omissão de receitas decorrentes da venda de bens ou serviços, cabe à autoridade fiscalizadora provar quem teria sido o adquirente dos bens ou o tomador dos serviços eventualmente prestados. Em caso de indícios de suprimento de numerário sem origem, é exigível que sejam reunidas provas sobre as pessoas que tenham feito esses suprimentos e a que título jurídico. Quando esses requisitos não são observados o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda tem determinado a anulação do procedimento fiscal, como v.g.: [...] Da mesma forma, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais , em decisão cuja ementa foi publicada no Diário Oficial da União, de 14 de dezembro de 2000, na página 15, no Acórdão CSRF/0102.863, decidiu: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 365 11 [...] Como visto, para que se legitime a exigência fiscal, desde o seu nascedouro, é necessário que a autoridade fiscalizadora aprofunde a investigação e colha elementos de prova. Sem que essa providência seja adotada não é válida o lançamento tributário. Esse procedimento é requerido mesmo nos casos em que existam elementos de omissão de receitas originados de quebra de sigilo bancário, a exemplo da hipótese dos autos. Essa, também, é a lição do grande PAULO DE BARROS CARVALHO: [...] A quebra do sigilo bancário, então, é um instrumento de fiscalização que não tem o poder de converter as informações obtidas junto às instituições financeiras em dados definitivos para a lavratura de auto de infração. O princípio da legalidade da tributação requer a comprovação da ocorrência do fato gerador de modo que, nas hipóteses legais de \ caracterização de omissões de receitas e rendimentos, é exigida a prova cabal da ocorrência daquele fato gerador. As informações obtidas com a quebra do sigilo bancário podem ser indícios da ocorrência de omissões e esses indícios devem ser transformados em provas debaixo do princípio do contraditório e ampla defesa. Destarte, no que se refere às presunções e indícios, como no caso sob exame, identificada a sua ocorrência(presunções/indícios) terseá por não provado o fato alegado. Se a prova de sua ocorrência cabia ao fisco, então a presunção, por parte do aplicador da lei, revela uma inversão do ônus da prova contrária à lei e, por isso, deve ser afastada se dá por insatisfeito o dever da autoridade fiscal, não se podendo considerar sustentada a pretensão fiscal. A razão porque não cabe o emprego de presunções em lugar das provas imediatas é bastante simples: estando o sistema tributário brasileiro submetido à rigidez do princípio da legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese de incidência tributária é mandatória para que se dê o nascimento da obrigação do contribuinte. Admitir que o mero raciocínio de probabilidade por parte do fiscal substitua a prova é conceber a possibilidade de que se possa exigir um tributo sem que necessariamente tenha ocorrido o fato gerador. EM CONCLUSÃO, CUMPRIA À FISCALIZAÇÃO PROVAR, DE PLANO, O FATO QUE ALEGA TER OCORRIDO (OMISSÃO DE RECEITA), QUE DEU ENSEJO AO NASCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, COMO NÃO SE DESINCUMBIU DESSA OBRIGAÇÃO É DE TER SE COMO INVÁLIDO O LANÇAMENTO ORA COMBATIDO. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 366 12 Finalmente, ao contrário do que afirmou a autoridade fiscalizadora, não se pode tributar com base na ilação de que o artigo 42, da Lei n° 9.430/96, trata de uma modalidade de presunção que dispensaria a autoridade fiscal de seu dever de provar. Primeiro porque, além do que vimos de ver, aquela norma apenas reproduziu a regra anteriormente existente no artigo 6º, § 5º, da Lei 8.021/90, onde nunca se cogitou de tal presunção, e, em segundo lugar, porque tal interpretação estaria totalmente contrária aos ditames dos artigos 43 e 142, ambos do Código Tributário Nacional. 3DO PEDIDO Isto posto, requerse a integral procedência da presente impugnação, mediante a anulação dos créditos tributários anteriormente identificados, diante da absoluta ilegalidade da sua exigência, notadamente em face dos vários vícios apontados na sua constituição. . Em análise da impugnação apresentada, a 3ª Turma da DRJ em Fortaleza julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 07 de março de 2014 conforme aviso de recebimento de fl. 305 – apresentando recurso voluntário de fls. 308342 em 31 de março de 2014. Em síntese, a recorrente repisa seus argumentos apresentados em impugnação, em especial quanto às arguições de inconstitucionalidade quanto à obtenção dos extratos bancários, bem como em relação à impossibilidade de tributação com base em depósitos bancários. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 367 13 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2. RESUMO DA LIDE Tratase de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos à omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96). A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Interposto recurso voluntário, a recorrente reafirmou seus argumentos da impugnação. 3. PRELIMINARES 1.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da Recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.174, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 368 14 sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não desconheço que em 15/12/2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 369 15 Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Em resumo, no que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 370 16 que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Desse modo, voto por não conhecer do recurso no que atine às arguições de inconstitucionalidade. 2 MÉRITO 2.1 DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 371 17 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, não o fazendo durante o procedimento fiscal, tampouco em suas peças impugnatória e recursal. De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 372 18 O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, em relação aos demais argumentos expedidos pela recorrente, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apurada em depósitos bancários de origem não comprovada. 2.2 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispões o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que assim dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências nas mesmas condições, ante a íntima relação e causa e efeito. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.720026/201387 Acórdão n.º 1402001.933 S1C4T2 Fl. 373 19 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer das arguições de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16004.000716/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADAS.
Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado e diante da inexistência de contradição no Acórdão re corrido.
Numero da decisão: 1202-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos presentes embargos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADAS. Negase provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado e diante da inexistência de contradição no Acórdão re corrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos presentes embargos para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Cristiane Silva Costa (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 16 /2 00 9- 53 Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.000716/200953 Acórdão n.º 1202001.223 S1C2T2 Fl. 4.599 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela FRIGOPOTI – FRIGORIFICO POTI LTDA. em face de alegada contradição e omissão no Acórdão nº 1202 001.038 proferido por esta E. Turma. Os autos do processo versam sobre omissão de receitas por parte da Embargante, o que foi verificado após a constatação de notas fiscais “frias” emitidas por terceiros e depósitos bancários de origem não comprovada, razão pela qual se exigiu o crédito tributário inadimplido (IRPJ e reflexos). A Embargante apresentou impugnação, que foi julgada parcialmente procedente para reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL lançados para os três primeiros trimestres de 2004 e as respectivas multas de ofício, bem como PIS e a COFINS lançados para os meses de janeiro a novembro de 2004 e a respectiva multa de ofício. Após, o Recurso Voluntário da Embargante foi julgado totalmente improcedente, conforme Acórdão nº 1202 001.038, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DECADÊNCIA NOTAS FISCAIS “FRIAS” DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARBITRAMENTO DO LUCRO. TRIBUTOS JÁ RECOLHIDOS PELO SIMPLES MULTA QUALIFICADA Nas situações em que for constatada conduta dolosa do contribuinte na prática de infrações tributárias, o prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É correta a imputação ao contribuinte das receitas auferidas em operações por ele realizadas e ocultadas por meio de notas fiscais “frias” emitidas por terceiros. Presumemse receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Uma vez demonstrado que a escrituração contém vícios que a tornam imprestável para a apuração do lucro real, correto é o arbitramento do lucro. Devem ser deduzidos dos créditos tributários apurados os valores já recolhidos pela sistemática do SIMPLES. A aplicação de multa qualificada foi devidamente fundamentada, pois o contribuinte informou na DIPJ do anocalendário 2003 somente valores referentes à prestação de serviços, não declarou débitos em DCTF, não comprovou a origem dos créditos ingressados em suas contas bancárias e utilizou notas fiscais “frias” emitidas por terceiros para a comercialização de produtos decorrentes do abate de bovinos, com o objetivo de não recolher os tributos devidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AUTO REFLEXO. Aplicamse à CSLL as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AUTO REFLEXO. Aplicamse à COFINS as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.000716/200953 Acórdão n.º 1202001.223 S1C2T2 Fl. 4.600 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO. Aplicamse ao PIS/PASEP as mesmas razões que deram fundamento ao IRPJ por tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: EXCLUSÃO DO SIMPLES PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Uma vez constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõese a exclusão do SIMPLES, com efeitos retroativos ao mês da ocorrência das infrações, nos termos do art. 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. O art. 151 do CTN não se aplica por analogia, pois trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Notificada da decisão supra, foram apresentados os presentes Embargos de Declaração, nos quais são apresentados os seguintes argumentos: · Suposta contradição quanto ao motivo que levou à recomposição do lucro da Embargante pelo procedimento arbitrado. Alega a Embargante que este E. Conselho se justificou na imprestabilidade da escrita fiscal, enquanto a Autoridade lançadora teria se baseado na falta de apresentação dos livros e declarações exigidos; · Suposta omissão quanto ao enfoque conferido pela Embargante, uma vez que este E. Conselho deixou de analisar a suposta falta de fundamento na exigência de escritura fiscal quando o contribuinte estava no regime de tributação simplificado, quando os livros contábeis requisitados não eram obrigatórios. É o relatório, passo a decidir. Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.000716/200953 Acórdão n.º 1202001.223 S1C2T2 Fl. 4.601 4 Voto O recurso é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Os Embargos de Declaração têm lugar nos casos em que o acórdão proferido se mostra obscuro, omisso ou contraditório (art. 65 do RICARF – Anexo II da Portaria MF 256/09). No presente caso, todavia, não se apresenta nenhuma das referidas situações, buscando referidos Embargos modificar o quanto já decidido por esta Turma. Alega inicialmente a Embargante suposta contradição que estaria representada pela divergência entre a motivação deste E. Conselho em sustentar a recomposição do lucro da Embargante pelo procedimento arbitrado e a motivação da D. Autoridade Fiscal em fazêlo. Segundo entende a Embargante, a D. Autoridade Fiscal baseou a recomposição do lucro pelo procedimento arbitrado com fundamentação no Artigo 530, I do RIR, enquanto este E. Conselho teria considerado viável tal realização com fundamentação no mesmo artigo, mas em decorrência dos demais incisos. Neste sentido, cumpre transcrever o que determina o inciso I do Artigo 530 do RIR: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; O que deve ser verificado (e o foi quando do julgamento anterior) é que a D. Autoridade Fiscal, de fato, sustenta a recomposição do lucro com base no Artigo 530, I do RIR (fls. 810). Ou seja, por tal dispositivo, o arbitramento está validado pela falta de apresentação da documentação solicitada (livros fiscais/contábeis). E neste aspecto, vale notar, que esta E. Turma abordou a questão nos mesmos moldes, conforme se verifica do trecho retirado do r. acórdão embargado: “Frisese que em todo o período que fora fiscalizado o contribuinte permaneceu de maneira ilegal no Simples. Além disso, não se pode admitir que a exclusão do sistema simplificado atinja somente a obrigação principal, permanecendo as obrigações acessórias reguladas pelas normas relativas ao Simples”. Entendase, novamente, que o contribuinte não fazia jus ao regime do Simples (permanecendo em referida sistemática de maneira ilegal). Estaria, então, obrigado a manter as obrigações acessórias respectivas do lucro real. Assim, não tendo disponibilizado os respectivos livros, deu ensejo à determinação do artigo 530, inciso I do RIR/99. Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.000716/200953 Acórdão n.º 1202001.223 S1C2T2 Fl. 4.602 5 Este também é o entendimento deste E. CARF, conforme se verifica abaixo: “ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES deve apurar seu resultado pelo lucro real ou presumido. Não existindo escrituração na forma da legislação comercial e fiscal, nem o Livro Caixa, correto o arbitramento do lucro.” (Acórdão nº 10196690) Ademais, há que se notar ainda que outros fatos contribuíram para ensejar ao arbitramento do lucro, quais sejam, a existência de notas fiscais “frias” e os depósitos não comprovados. O fato do r. acórdão demonstrar mais de uma motivação à realização do arbitramento do lucro não produz uma contradição, mas sim mera complementação das razões de decidir. Seja em decorrência da falta de entrega dos livros fiscais, seja ainda em razão dos evidentes indícios de fraudes, fato é que o arbitramento do lucro ocorreu de forma correta e válida, uma vez que foram constatadas as duas situações no caso em tela. Neste sentido, inclusive, já se posicionou este E. Conselho. Vejamos: “EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa do SIMPLES e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita ou rendimento a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. (...)”(Acórdão nº 10709224 do Processo nº 10950.000.538/200632) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DE LUCRO. A exclusão do regime do SIMPLES e a falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação com base no lucro real, ou lucro presumido, justificam o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa.(...)” (Acórdão nº 1401001141 do Processo nº 10315.000013/200935) Por fim, a omissão alegada pelo Embargante consiste na suposição de que o r. acórdão não teria se pronunciado expressamente sobre o dispositivo legal que ensejou o arbitramento, uma vez que teria tomado por base dispositivo legal diverso. Fl. 4602DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.000716/200953 Acórdão n.º 1202001.223 S1C2T2 Fl. 4.603 6 Entretanto, todo o exposto acima se aplica também em relação a esta suposta omissão, a qual, a bem da verdade, não se constata. Tendo comprovado que o r. acórdão baseouse no mesmo dispositivo legal trazido pela D. Autoridade Fiscal, não há que se falar em omissão, conforme trecho já destacado do referido r. acórdão (fl. 4553). Alias, conforme já exposto, o r. acórdão proferido se manifestou expressamente sobre as razões da D. Autoridade Fiscal e trouxe, ainda, outras motivações que seriam suficientes para sustentar o procedimento do arbitramento, quais sejam, as notas fiscais “frias” e os depósitos não comprovados. Em razão do quanto acima exposto, entendo não estarem presentes no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de conhecer e rejeitar os embargos de declaração. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 4603DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 11050.000652/2002-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS IMUNES E NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
O direito ao crédito do IPI condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são não tributados (NT), nos termos do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998), vigente à época dos fatos.
ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Tatiana Midori Migiyama. Vencidos na votação os Conselheiros Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama.
Declarou-se impedido o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Proferiu sustentação oral, pela recorrente, a Dra Nina Pencak, OAB nº 186.829 (RJ).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS IMUNES E NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são não tributados (NT), nos termos do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998), vigente à época dos fatos. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 06 52 /2 00 2- 45 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Tatiana Midori Migiyama. Vencidos na votação os Conselheiros Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Declarouse impedido o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Proferiu sustentação oral, pela recorrente, a Dra Nina Pencak, OAB nº 186.829 (RJ). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ de Porto Alegre RS (fls. 219/223 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS IMUNES E NÃO TRIBUTADOS (NT). CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento do saldo credor do IPI apurado em cada trimestrecalendário, como ressarcimento e/ou compensação, somente alcança os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados em produtos tributados, ainda que imunes destinados ao exterior, isentos ou tributados à alíquota zero, não contemplando os demais produtos imunes e não tributados (NT). Solicitação Indeferida Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A interessada manifesta sua inconformidade com o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal em Rio Grande, RS. de fls. 71, que deferiu apenas parcialmente o seu pedido de ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo ao 2° trimestre de 1999, no valor de R$ 242.735,46. autorizado pelo art. 11 da Lei nº' 9.779/99 e pela 1N SRF nº 33/99. conforme fl. 01, e homologou as compensações por ela pretendidas somente até o limite co crédito reconhecido. O despacho decisório fundamentouse no Parecer DRF/RGE/Saort nº 79. de fls. 66 . 70. que por sua vez. invocou o Relatório de Verificação Fiscal, de fls. 36/37. onde. após o exame das notas fiscais que deram suporte aos créditos Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11050.000652/200245 Acórdão n.º 3802004.241 S3TE02 Fl. 322 3 escriturados pela interessada em sua escrituração fiscal, conforme demonstrativos de fls. 26)35, a fiscalização entendeu ser legítimo o ressarcimento no valor de apenas R$ 158.505,19, decorrente de operações registradas pela requerente nos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CF0P) indicativos de compras para industrialização (1.11. 2.11 e 3.11), desconsiderando os valores de créditos registrados nos demais códigos, por não representarem aquisições de matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem, conforme determina a lei. Cientificada da decisão, a requerente, no devido prazo. apresentou as razoes de sua inconformidade, pelo arrazoado de fls. 93:102. firmado por seus procuradores devidamente instrumentados, alegando em síntese o que segue. Após descrever os fatos, diz que o critério utilizado pela fiscalização para glosar parte do valor creditado foi o CFOP utilizado pela requerente para registrar as operações de aquisição que deram origem aos créditos. No entanto. afirma que. mesmo as operações com credito do imposto registradas nos demais CFOP, que não os considerados pela fiscalização, tratamse de aquisições de produtos por ela efetivamente empregados como insumos em seu processo produtivo, razão pela qual faz jus aos referidos créditos. Para comprovar as suas alegações, relacionou as notas fiscais que foram desconsiderados pela fiscalização. cujas cópias anexou aos autos (fls. 131/201). e elaborou demonstrativo do seu processo de produção (fls.203/206), concluindo que a partir do exame desses elementos é possível verificar a pertinência de suas afirmações e a conformidade dos insumos adquiridos com o estatuído no Parecer Normativo nº 6/79. Por fim, pede o acolhimento da sua manifestação de inconformidade, em todos os seus efeitos, para reformar o despacho decisório e homologar integralmente a compensação formalizada neste processo, ou, se julgadas insuficientes as comprovações trazidas. seja determinada diligencia fiscal para este fim. É o relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 19/04/2007 (fl. 225). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 21/05/2007 (fl. 234), o recurso voluntário de fls. 234/270, onde ressalta, em resumo, o seguinte: a) que a recorrente desenvolve no pais, dentre outras a atividade econômica, a industrialização de lubrificantes acabados, derivados ou não de petróleo. Adquire insumos tributados pelo IPI, que são aplicados na industrialização de lubrificantes derivados de petróleo que, por sua vez são produtos imunes ao IPI, conforme artigo 155, § 3° da Constituição Federal; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) que a aquisição desses insumos gera créditos de IPI, que, contudo, ficam acumulados na sua escrita fiscal, haja vista a imunidade dos produtos que industrializa, quais sejam, lubrificantes derivados de petróleo; c) dada a impossibilidade de compensação escritural dos créditos de IPI lançadas e apropriados, durante o trimestrecalendário, com débitos do próprio IPI devido na saída de outros produtos, apresentou. em 30.04.2002, Declaração de Compensação informando a compensação com fundamento no artigo 11, da Lei n° 9.779/99, de saldo credor de 1PI no valor de RS 242.735,46, com débitos de IRPJ e da CSLL, com vencimento em 30.04.2002; d) do direito aos créditos: aduz que o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não mencionou expressamente a palavra imune, mas citou “inclusive isentos ou tributados à alíquota zero”. Assim sendo, ficou claro à época, tanto para o Fisco quanto para os contribuintes, a finalidade do dispositivo e que o mesmo abarcava os insumos relativos à industrialização de produtos beneficiados também pela imunidade; e) que, desta forma, e considerando também que os produtos industrializados pela Recorrente, em relação aos quais apurouse créditos de IPI compensáveis, são óleos lubrificantes derivados de petróleo, imunes ao IPI de acordo com o artigo 155, § 3°, da Constituição Federal/88 e com artigo 18, inciso IV, § 3°, do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento de IPI), a Declaração de Compensação desses créditos deveria, necessariamente, ter sido homologada, como o foi, ainda que parcialmente, pela DRF de Rio Grande (RS); f) da correta interpretação da Lei e da Instrução Normativa: resta claro que a modificação introduzida pela Lei n° 9.779/99, e regulamentada pela IN SRF n° 33/99 e, posteriormente, pelo Decreto n° 4.544/02, visou permitir o aproveitamento dos créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos imunes, razão pela qual o cerne da fundamentação contida na decisão recorrida não pode prosperar; g) do processo de consulta formulado: a Recorrente formalizou, em relação à matéria abordada nos autos, o processo de consulta n° 11080.0l0165/0082 à Delegacia da Receita Federal da 10ª Região Fiscal, questionando acerca da possibilidade de apropriação dos créditos de IPI decorrentes dos insumos adquiridos para fabricação de produtos imunes. A referida Consulta originou a Decisão SRRF/10ªRF/DISIT n° 180/01, de 11.10.2001, favorável à então Consulente, ora recorrente. Acontece que tanto a DRF como a DRJ desconsideraram a decisão de consulta, negligenciando todos os dispositivos legais que regulam o processo de consulta; h) discorre também sobre a violação à Constituição Federal e à Lei nº 9.779/99, sobre o princípio da nãocumulatividade para o IPI; i) alega estar demonstrada a inequívoca comprovação da idoneidade dos créditos de IPI compensados. Encerra sua petição recursal pleiteando a reforma do acórdão vergastado, e, alternativamente, a realização de diligência para o fim de que seja apurado os créditos de IPI declarados através do Pedido de Ressarcimento objeto deste processo. Elabora Anexo Único ao recurso, com os quesitos a serem formulados, para realização da perícia. Por fim, solicita ainda, realização de sustentação oral, para tanto que seja efetuada intimação na pessoa do primeiro signatário – nome e endereço indicados. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11050.000652/200245 Acórdão n.º 3802004.241 S3TE02 Fl. 323 5 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da admissibilidade do recurso A recorrente foi intimada do Acórdão em 19.04.2007. Sendo de 30 dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário, sua apresentação findarseia em 19.05.2007, sábado, passandose a data final do prazo para o primeiro dia útil subseqüente, ou seja, 21.05.2007, segundafeira, razão pela qual, o mesmo é devidamente tempestivo. Portanto, o recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Da solicitação de Diligência No que se refere ao pedido de diligência, não vejo necessidade de baixa dos autos à Unidade de Origem em virtude de que o processo foi instruído com documentos suficientes para subsidiar a decisão do Colegiado. Além do que a matéria a ser decidida é de cunho material e não fática. Fato que afasta a necessidade de complementação da instrução processual. Desta forma, nego o pedido de diligência. Da alegada violação à Constituição Federal e à Lei. O julgamento administrativo é pautado pela legalidade, de forma que cabe ao julgador administrativo zelar pela aplicação da lei, sendolhe vedado afastar sua aplicação ainda que sob o argumento de fazer justiça ou de inconstitucionalidade. Não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art.102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Ademais, a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, prescreve: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Do Mérito O ponto central da lide reside em determinar a possibilidade de aproveitamento de créditos básicos de IPI referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos imunes que constam na TIPI com anotação “NT” e dos efeitos da Solução de Consulta formulada pela empresa que originou a Decisão SRRF/10ªRF/DISIT n° 180/01. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 O Contribuinte entende que tem assegurado o direito Constitucional de manter e aproveitar o crédito de IPI relativo a operações anteriores, ainda que as saídas posteriores sejam não tributadas (NT). Neste aspecto, também não assiste razão à Recorrente, senão vejamos. O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 475.551/PR, manifestouse sobre a temática da aquisição de insumos tributados seguidos de saída desonerada, vejamos: “EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO.ART.153,§3°,INC.II,DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART.11DALEIN.9779/99.PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA.RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída: o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a conseqüência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5.Com o advento do art. 11 da Lei n. 9.779/99 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou , apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributada se utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. Recurso extraordinário provido” (Data do Julgamento 06/05/2009 grifos nossos). No mesmo sentido, o Recurso Extraordinário nº 561.676/SC, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o qual faz uma breve síntese sobre a operacionalização do princípio da nãocumulatividade: Fl. 326DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11050.000652/200245 Acórdão n.º 3802004.241 S3TE02 Fl. 324 7 “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO.OPERAÇÕES COM ENERGIA ELÉTRICA. I – Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. (...) III–Agravo Regimental improvido.” (DatadoJulgamento01/06/2010 – grifos nossos) Por fim o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.015.855/SP, entendeu por dar especial destaque ao caráter restritivo do preceito legal: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I,CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS.INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, não tributados ou imunes. 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I,168, I, 156,VII,e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão préquestionados ,não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo,situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal(art.11daLei9.779/99), o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou não tributado,mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final,concluiu pelo não provimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99, prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de não tributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude delei (art. 5º, II).No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado,extinto,aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I,CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento podeser atribuído a benefício concedido ao contribuinte,como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos não tributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6.O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes,está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI,conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9.Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99,temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observando se a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desdeadatade08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinham se no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo Fl. 328DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11050.000652/200245 Acórdão n.º 3802004.241 S3TE02 Fl. 325 9 contribuinte,sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tão somente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero.” (Data do Julgamento 08/04/08 – Grifos nossos). Em consonância com a jurisprudência supracitada este Conselho Administrativo editou a Súmula CARF nº 20, publicada no DOU de 22/12/2009, de observância obrigatória por este Conselho, no seguinte sentido, in verbis: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Dos efeitos da Solução de Consulta formalizado pela empresa. Aduz a Recorrente que formalizou, em relação à matéria abordada nos autos, o processo de consulta n° 11080.0l0165/0082 à DRF da 10ª Região Fiscal, questionando acerca da possibilidade de apropriação dos créditos de IPI decorrentes dos insumos adquiridos para fabricação de produtos imunes, que originou a Decisão SRRF/10ªRF/DISIT n° 180/01, favorável à ora recorrente. Reclama que tanto a DRF como a DRJ desconsideraram a decisão da consulta. No caso, trata de produtos, cuja classificação fiscal informada pela recorrente é no código 2710.19.32 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070 de 28 de dezembro de 2001. Consta da decisão recorrida que no período em exame, os produtos estavam classificados no código 2710.00.61 da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 2.092/96, ao qual correspondia a notação “NT”. Vejase o que ficou asseverado no Parecer proferido pela DRF de Rio Grande (RS), sobre a referida Solução de Consulta (fl. 120): (...) 3. Outro ponto a ser destacado diz respeito à Consulta formulada pela Empresa Matriz da interessada junto á Superintendência Regional da Receita Federal da 10º RF, nos autos do processo administrativo n° 11080.010165/0082 , cuja Solução de Consulta SRRF/10ºRFIDISIT n°180, de 2001, às fls.55/58 assim concluiu: “Ante o exposto concluise que o saldo credor do IPI existente ao termino de cada trimestrecalendário, formado pelos créditos do imposto incidente sobre as materiasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem entrados em Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 estabelecimento industrial ou equiparado, a partir de 1º de janeiro de 1999, e empregados na industrialização de produtos em geral incluídos os isentos e os tributados a alíquotas zero, ressalvados unicamente os não tributados (N/T) remanescentes após a devolução do imposto devido pela saldo das produtos tributados com alíquota não nula, pode ser utilizado para ressarcimento out compensação. como previste nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430. de 1996, na forma da IN SRF n°33 de 1999 e da IN SRF n°21, de 1997, com redação dada pela IN SRF nº 73 de 15 de setembro de 1997" (grifamos). Na mesma linha, observese também na decisão recorrida, que ficou desta forma consignado (destaquese trecho da fl. 223). (...) Cumpre ainda, frisar que a decisão proferida pelo Delegado da Receita Federal em Rio Grande, orientouse na antes referida Solução de Consulta emanada pela Superintendência Regional da Receita Federal na 10ª Região Fiscal, que interpretou literalmente a legislação vigente anteriormente à edição do Ato Declaratório Interpretativo n° 5/2006. Por fim, passamos a analisar quanto ao alegado pela Recorrente, que seria “inevitável o reconhecimento da inconstitucionalidade e ilegalidade da interpretação estabelecido pelo ADI nº 5/05, ou ao menos, o que se admite apenas por hipótese, da irretroatividade do referido ato (...)”. Ao contrário do que aduz a recorrente, tal dispositivo se aplica retroativamente por tratarse de norma interpretativa, conforme dispõe o art. 106, I do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – (...). (grifamos). Portanto, entendese que, não obstante as razões apresentadas pela Recorrente, não cabe o direito ao ressarcimento do IPI no caso concreto. Este, consoante previsto no art. 2º, I e II, do ADI/SRF n° 05/2006, não se aplica aos produtos amparados por notação NT e imunidade, ressalvada a imunidade das operações de exportação, na forma do art. 5° do Decreto Lei n° 491/1969: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decreto lei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (não tributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002 ; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11050.000652/200245 Acórdão n.º 3802004.241 S3TE02 Fl. 326 11 II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Nesse sentido, cabe destacar julgado desta Turma relatado pelo Eminente Conselheiro Francisco José Barroso Rios: (CARF 2ª T.E. Acórdão 380200.300, de 08/12/2010), do qual me filio: [...] INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (IMUNIDADE OBJETIVA (...) A leitura que se deve fazer do art. 4° da IN SRF n° 33/99 não pode ser isolada de sua matriz legal (art. 11 da Lei n° 9.779/99) e do ordenamento como um todo, ou seja, uma interpretação sistemática, no caso, se faz mister, esclarecendo ou dissolvendo possível antinomia existente no ordenamento jurídico. Na verdade, como se sabe, esse novo regramento, longe de dar maior concretude ao princípio da não cumulatividade, apenas inovou na ampliação das hipóteses de utilização e de compensação dos créditos decorrentes de créditos incentivados previstos na legislação tributária em casos tais que a legislação anterior não permitia, perdendo o sentido a distinção anteriormente existente entre créditos básicos e créditos incentivados, uma vez que foi concedida autorização para se utilizar de quaisquer desses créditos quando provenientes da aquisição tributada de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem e aplicados na industrialização apenas, sublinhese: de produtos tributados, isentos ou tributados à alíquota zero e é claro, das situações existentes anteriormente enquadradas como incentivos fiscais, como é o caso dos créditos oriundos de insumos aplicados em produtos que gozem da imunidade constitucionalmente prevista nas exportações. Dessa forma, fica clara qual foi a intenção da IN n° 33/99 ao incluir a expressão "imune" na redação original fornecida pela indigitada Lei: apenas explicitar que não havia sido revogado o direito ao crédito para os casos dos produtos tributados que gozem de imunidade constitucionalmente prevista nas exportações e não estender, sem base legal, para os casos de produtos NT que por acaso gozem de imunidade objetiva, tais como: energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (...). Por estas razões restam prejudicadas as alegações da Recorrente e entendo correta às glosas dos créditos nas aquisições de produtos para emprego na produção de óleo lubrificante derivado de petróleo (imunes ao mesmo tempo NT). Da intimação pessoal e da sustentação oral Quanto a intimação pessoal para apresentação de sustentação oral, não encontra previsão no Regimento Interno deste Conselho, devendo o contribuinte interessado e/ou seu representante legal acompanharem a publicação da pauta de julgamentos no Diário Oficial da União para, querendo, se fazerem presentes. (Arts. 55 e 58 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Da conclusão Por todo o acima exposto e com fundamento na Súmula CARF n° 20, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19647.020860/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - EXCLUSÃO INDEVIDA.
Na hipótese de exclusão de despesa já deduzida e informada pelo Relatório Fiscal, há de ser retificado o acórdão embargado em face de contradição, pois inexiste fundamento que justifique exclusão de valor que não constava na base de cálculo.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2202-002.922
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para retificar o Acórdão 2202-002.279 de 17/04/2013, sanar a inexatidão apontada, para que seja negado provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL PANDOLFO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - EXCLUSÃO INDEVIDA. Na hipótese de exclusão de despesa já deduzida e informada pelo Relatório Fiscal, há de ser retificado o acórdão embargado em face de contradição, pois inexiste fundamento que justifique exclusão de valor que não constava na base de cálculo. Embargos acolhidos.
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Na hipótese de exclusão de despesa já deduzida e informada pelo Relatório Fiscal, há de ser retificado o acórdão embargado em face de contradição, pois inexiste fundamento que justifique exclusão de valor que não constava na base de cálculo. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para retificar o Acórdão 2202002.279 de 17/04/2013, sanar a inexatidão apontada, para que seja negado provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado digitalmente) RAFAEL PANDOLFO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 08 60 /2 00 8- 58 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.922 S2C2T2 Fl. 1.042 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em razão de requerimento apresentado pela Juíza Federal Silvia Maria Rocha, foi iniciado procedimento de fiscalização em nome do recorrente (fls. 3739), ocasião em que foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua movimentação bancária durante os anos calendários 2003 e 2004. Notificado em 26/02/07 (fl. 40), o recorrente ofereceu resposta (fls. 4142), informando que estava domiciliado em Recife, e solicitou que o procedimento de fiscalização fosse transferido para sua nova residência com a concessão de novo prazo para entrega dos documentos solicitados. Verificada a veracidade dos fatos, o procedimento fiscal foi transferido para a DRF/RECIFE (fls. 4849). Em 27/06/07, o recorrente foi intimado, agora em Recife, para apresentar em relação aos anoscalendário 2003 e 2004: a) documentação comprobatória, com discriminação mensal, de todos os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos e seus dependentes; b) documentação comprobatória, com discriminação mensal, da receita da atividade rural; c) documentação comprobatória do efetivo recebimento do rendimento isento e não tributável declarado, relativo à doação recebida da Sra. Ana Paula D. G. Barbosa, no valor de R$ 869.461,17; d) Informes de Rendimentos Financeiros fornecidos pelas instituições financeiras para efeito de elaboração da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física; e) documentação comprobatória da aquisição de bens ou direitos discriminados em lista anexa (fls. 6364). Ciente em 02/07/07, e após solicitação de novo prazo (fl. 67), foi novamente intimado (fls. 7072). Nesta oportunidade o recorrente juntou os seguintes documentos em relação aos anos calendário 2003 (fls. 74219) e 2004 (fls. 220342): a) recibo de entrega de Declaração de Ajuste Anual Completa (fls.7684); b) comprovantes de rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte em 2003 (fls. 85178) e 2004 (fls. 220276 e 279307); c) receitas da Atividade Rural em 2004 (fls. 277278); Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 d) comprovantes de rendimentos financeiros de instituições financeiras em 2003 (fls. 179180) e 2004 (fls. 307308); e) comprovantes de aquisição de bens ou direitos em 2003 (fls. 181219); e.1) aquisição de um Jeep Cherokee; e.2) aquisição de quotas de capital; e.3) subscrição e integralização de 298.000 quotas de capital e declaração de ajuste anual. f) comprovantes de aquisições de bens e direitos em 2004: f.1) subscrição de 700 quotas de capital (fls. 309317); f.2) aquisição de apartamento no edifício dona izabel (fls. 318320); f.3) aquisição de ações nominativas (fls. 320323); f.4) crédito de Club Finacap de Investimentos (fls. 342325); f.5) consórcio Rodobens (fls. 326342). Em 14/09/07, o recorrente foi novamente intimado para apresentar (fls. 343 344), em relação aos anos calendários 2003 e 2004: a) documentação comprobatória, com discriminação mensal, das receitas e despesas da atividade rural; b) em relação às doações recebidas da Sra. Ana Paula Dias Gomes Barbosa, documentação comprobatória do recebimento bem como guia de arrecadação de ITCD; c) documentação comprobatória da aquisição dos bens ou direitos listados; d) documentação comprobatória dos pagamentos e doações efetuados relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual. Notificado em 21/09/07 (fl. 345), o recorrente apresentou declaração alegando ter ocorrido incêndio na propriedade onde estavam arquivados os documentos da atividade rural declarada em DIRPF nos anos calendários 2003 e 2004. Acrescentou, quanto à solicitação de comprovação de pagamento de ITCD, que o tributo não foi pago em razão do desconhecimento de sua exigência (fl. 346). Por fim, anexou: Boletim de Ocorrência e Comprovantes de Pagamentos e Doações nos anos 2003 e 2004 (fls. 347452). Em 10/03/08 (fls. 453454), o recorrente foi intimado para apresentar, em relação ao ano calendário de 2004: a) documentação comprobatória dos rendimentos isentos e não tributáveis recebidos a título Lucros e Dividendos no montante de R$ 631.951,53, conforme informado em sua Declaração de Ajuste Anual; b) os comprovantes dos meses de novembro e dezembro da despesa com instrução de dependente Luiza Guimarães Gomes; Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.922 S2C2T2 Fl. 1.043 5 c) comprovantes de pagamentos mensais (faturas/extratos mensais) efetuados a título de gastos com cartões de crédito, de sua titularidade de e de seus dependentes. d) Livro Diário da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ 02.909.530/000182. Ciente em 13/03/08, o recorrente ofereceu resposta (fl. 456) arguindo que houve erro escritural nas declarações de IRPF dos anos calendário entre 1999 e 2004, referentes aos pagamentos realizados nos consórcios para compra de Jeep Cherokee. Sustentou ter solicitado comprovantes do pagamento de parcelas de despesa de instrução da dependente Luíza Guimarães, assim como os demais documentos do procedimento fiscal. Juntou comprovantes referentes à aquisição de veículo, cópia de faturas de cartão de crédito e cópia de extrato de mútuo firmado em 2003, fruto de empréstimo realizado pelo Sr. José Osmar Alves (fls. 457567). O Fisco intimou novamente o recorrente (fls. 568569), em 30/05/08, para juntar ao procedimento de fiscalização, em relação ao ano calendário de 2003: a) em relação à empresa Gêneses Importadora e Exportadora Ltda, considerando que a integralização de capital realizada informada em sua Declaração de Ajuste Anual foi no montante de R$ 200.040,00, e foram anexadas folhas do Diário da empresa com lançamentos de integralização de quotas que atingem o montante de R$ 162.258,67, apresentar documentação comprobatória hábil e idônea da diferença observada; b) apresentar todos os demais comprovantes de pagamentos mensais (faturas/extratos mensais) efetuados a título de gastos com cartões de crédito, de sua titularidade e de seus dependentes, além dos já entregues por meio do Protocolo de Entrega de Documentos datado de 02/04/2008 e recebidos por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil nessa mesma data; c) apresentar o Livro Diário da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ 02.909.530/000182; Notificado da intimação em 05/06/08, o recorrente apresentou manifestação em 18/06/08 (fl. 571817), sustentando, em síntese, que houve um equivoco na elaboração da DIRPF AnoCalendário 2002, na Declaração de Bens e Direitos, desse modo, juntou esquema de como a declaração deveria ter sido feita. Anexou, ainda, em relação ao ano calendário 2004, extratos bancários e folhas do Diário onde consta o registro da distribuição na Federal Petróleo e recibos e comprovantes dos meses de novembro e dezembro de 2004 da dependente Luiza Gomes Guimarães. Relata que sua filha e dependente esteve doente por determinada período no qual não houve pagamento à escola. Por fim, juntou comprovantes de pagamentos mensais de cartão de crédito. Em 08/10/08 (fls. 818850), o recorrente juntou ao processo: a) cópia da certidão de casamento; Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 b) cópia da escritura do imóvel situado na Rua Real da Torre, n° 1450, tendo como comprador a empresa Padrão Comércio e Incorporação de Imóveis Ltda; Em 16/10/08 (fls. 852855): a) cópia de declaração emitida pela Queiroz Galvão Empreendimentos S/A, referente ao contrato firmado de compra e venda do Apartamento n° 801, do Edifício Dona Izabel, situado na Av. Boa Viagem, n° 1196, em 22 de julho de 2004, com o Sr José Roberto dias Gomes da Silva e sua esposa, Cristiana Barbosa Guimarães; b) cópia de declaração emitida pela Sra Ana Paula Dias Gomes Barbosa, referente a transferência a título de doação de quotas da empresa Federal Distribuidora de Petróleo Ltda para seus irmãos; José Roberto Dias Gomes da Silva e José Romero dias Gomes da Silva em 07/03/2004. Em 28/10/08 (fls. 866869): a) cópia de Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios e outros Pactos. Cedente: Padrão Comércio e Incorporação de Imóveis Ltda; b) cópia de Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios e outros Pactos: Cedente: José Romero Dias Gomes. Cedente: José Romero Dias Gomes; c) cópia de Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios e outros pactos. Cedente: José Romero Dias Gomes. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 04/12/2008 (fls. 134), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anos calendários 2003 e 2004, apurando crédito tributário no montante de R$ 418.350,45, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. As infrações imputadas foram (a) acréscimo patrimonial a descoberto (b) dedução de base de cálculo pleiteada indevidamente (c) dedução indevida com despesa de instrução. 3 Impugnação Ciente em 06/12/08, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 894895) e anexou documentos (fls. 921936). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 2ª Turma da DRJ/REC (fls.949967), mantendo o crédito tributário exigido. 5 Recurso Voluntário O recorrente interpôs, tempestivamente (fl. 1009), recurso voluntário, em 29/07/2011. 6 Acórdão de Recurso Voluntário Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.922 S2C2T2 Fl. 1.044 7 Em 17/04/13 (fls. 10121031 do eprocesso), esta Turma, por unanimidade, no julgamento do Acórdão nº 2202002.279, rejeitou a preliminar suscitada pelo contribuinte e deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado para restabelecer o valor das despesas médicas no montante de R$ 60,00, pois se tratava de despesa com exames de RaioX, que se enquadra na hipótese de prestação de serviço radiológico, elencado no art. 8º da Lei nº 9.250/95. 7 Embargos de Declaração Em 01/08/16, foram opostos embargos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2202002.279 proferido no presente processo. A contradição alegada diz respeito ao fato de julgamento ter restabelecido a despesa referente ao RaioX, no valor de R$ 60,00, sendo que a mesma não foi glosada, conforme Relatório Fiscal (fls. 10331035 do eprocesso). 8 Despacho em Embargos Foram prestadas informação ao Ilmo. Sr. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo, por este Relator, onde se concluiu a ocorrência das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 10381039 do eprocesso). É o relatório. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional, a fim de que se retifique o acórdão embargado. A embargante sustenta a existência de contradição, pois a decisão embargada restabeleceu despesa de RaioX no valor de R$ 60,00. Contudo, essa despesa não teria sido glosada, conforme Relatório Fiscal. Assiste razão à embargante. A decisão embargada determinou a exclusão do valor de R$ 60,00 (referente à despesa com RaioX), pois o Relatório Fiscal informava que o contribuinte deduziu despesas cujos comprovantes encontravamse às fls. 388391 do eprocesso. Dentre as despesas constantes nas referidas folhas, além daquelas decorrentes de vacinas, estava a despesa de Raio X no valor de R$ 60,00. Entretanto, ao somar todos os valores dos comprovantes de pagamento constantes nas fls. 388391 do eprocesso, concluise que o valor de R$ 1.465,00, lançado como dedução indevida de despesas médicas, diz respeito, exclusivamente, aos valores relativos às despesas decorrentes de vacinas, conforme tabela abaixo: Data Valor Serviço fl. 03/02/03 280,00 Aplicação de vacina 388 do eprocesso 20/02/03 150,00 Aplicação de vacina 388 do eprocesso 20/03/03 280,00 Aplicação de vacina 389 do eprocesso 17/04/03 150,00 Aplicação de vacina 389 do eprocesso 20/05/03 335,00 Aplicação de vacina 390 do eprocesso 20/06/03 180,00 Aplicação de vacina 390 do eprocesso 03/12/03 90,00 Aplicação de vacina 391 do eprocesso 1.465,00 Como se verifica, inexiste fundamento que justifique a exclusão do valor de R$ 60,00, uma vez que o mesmo sequer constava na base de cálculo. Face ao exposto, voto por ACOLHER os embargos de declaração para que seja RETIFICADO o acórdão embargado, alterandose o resultado e o dispositivo de julgamento para que seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19647.020860/200858 Acórdão n.º 2202002.922 S2C2T2 Fl. 1.045 9 Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO
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