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Numero do processo: 16327.721150/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE.
A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO.
Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa.
Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados.
No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL.
A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS.
Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS.
O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias.
PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA.
O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior.
Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-004.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e (b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidos as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Miriam Denise Xavier Lazarini. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS. O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. 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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. A existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo trabalhador e período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva, é compatível com a Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinamse, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limitese ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundarse no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindose o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 50 /2 01 4- 11 Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.291 2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do anocalendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, desde que não acarrete mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000, na hipótese de implementada a revisão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADOS EMPREGADOS. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.292 3 O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua Participação nos Lucros e Resultados da empresa, quando de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriodecontribuição para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário decontribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCORPORAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do Código Tributário Nacional estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da incorporação, mesmo que o crédito tributário tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa incorporada que se transfere à incorporadora, de modo que a sua cobrança não pode ser cingida (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.293 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e (b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidos as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Quanto ao pagamento de valores mínimos, votaram pelas conclusões os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Miriam Denise Xavier Lazarini. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.294 5 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0266.896 (fls. 1.174/1.194): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros e/ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. A participação nos lucros e/ou resultados atribuída a diretores estatutários, é tributada à alíquota de 20% (vinte por cento) como remuneração paga a contribuintes individuais, nos termos da Lei 8.212, de 1991 e alterações. PRÊMIOS. Os prêmios por sua natureza jurídica salarial e por não se enquadrar nas hipóteses legais de exclusões de tributação, integram o salário de contribuição. MULTA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA INCORPORADA. A empresa incorporadora é responsável pelas multas de qualquer natureza decorrentes de crédito tributário apurado em relação à empresa incorporada, nos termos da legislação tributária. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições, portanto, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.295 6 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. De acordo com a fiscalização, os fatos geradores objeto deste processo administrativo dizem respeito ao Banco Citicard S/A, cuja denominação social foi alterada para Banco Credicard S/A, posteriormente incorporado em sua totalidade pelo Banco Itaucard S/A, ora recorrente. 3. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 607/666, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), compreendendo o período de jan/2010 a nov/2012, a saber: (i) AI nº 51.032.9250, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, além daquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (fls. 584/595); e (ii) AI nº 51.032.9268, relativo às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados FPAS 736, código 0003 (fls. 596/606). 4. Expõe a fiscalização que o crédito tributário decorre dos seguintes fatos geradores: (i) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a segurados empregados, nas competências jan/2010 a mar/2010, out/2010, nov/2010, fev/2011, out/2011, nov/2011, jan/2012, fev/2012 e out/2012 (Levantamento Fiscal "PE" e Planilhas com as bases de cálculo, por beneficiário, às fls. 98/369); (ii) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a administradores (diretores estatutários), nos meses de jan/2010, out/2010, fev/2011, out/2011, fev/2012 e out/2012 (Levantamento Fiscal "PA" e Planilha com os valores, por beneficiário, às fls. 482); e (iii) Prêmio pago a segurados empregados, no período de jan/2010, jan/2011, fev/2011, set/2011, out/2011, dez/2011, fev/2012 a abr/2012, ago/2012 e nov/2012 (Levantamento Fiscal "PR" e Relação de pagamentos, por beneficiário, conforme fls. 573/578). Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.296 7 5. Especificamente no que tange à Participação nos Lucros ou Resultados, os pagamentos durante os exercícios de 2010 a 2012 foram regidos por diferentes instrumentos de negociação: (i) Acordos para o Programa de Participação nos Resultados (Planos Próprios), relacionados aos anos de 2010 a 2012, às fls. 370/434; e (ii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT), relativas aos anos de 2009 a 2012, às fls. 435/470. 6. A autoridade fiscal identificou problemas específicos e gerais no Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, que resultam na inobservância do regramento previsto na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 6.1 Relativamente às irregularidades específicas nos instrumentos de vontade, a fiscalização esclarece que estão restritas aos Planos Próprios, conforme a seguir enumeradas: (i) Planos Próprios 2011 e 2012, foram assinados posteriormente ao início do período de aferição dos lucros ou resultados (itens 5.17 a 5.30, às fls. 614/615); (ii) Planos Próprios 2010, 2011 e 2012, há previsão, na hipótese de ocorrência de fatos supervenientes, da regulamentação de valores, critérios e forma de distribuir a participação nos lucros ou resultados fora do instrumento original de negociação entre as partes (itens 5.32, 5.38 e 5.39, às fls. 618 e 626); (iii) Planos Próprios 2011 e 2012, há previsão de pagamento de um valor mínimo e fixo para todos os empregados, independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado, representado uma espécie de "prêmio" (itens 5.33, 5.40 e 5.41, às fls. 619 e 627); e (iv) Planos Próprios 2010, 2011 e 2012, não contêm regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição (itens 5.34 a 5.37 e 5.42 a 5.76, às fls. 619/634). 6.2 No concernente aos problemas gerais detectados pelo agente fiscal, resumidos logo abaixo, envolvem todos os instrumentos de negociação coletiva, ou seja, as Convenções Coletivas e os Planos Próprios: (i) os pagamentos a título de participação com base nos Planos Próprios e nas CCT´s, com relação aos mesmos segurados empregados, foram realizados de forma concomitante e sem compensação entre os valores pagos (itens 5.79 a 5.88, ás fls. 635/640); e Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.297 8 (ii) os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados nada mais são do que prêmios, gratificações, bonificações ou comissões aos trabalhadores, haja vista o montante altíssimo dos pagamentos a determinados beneficiários e a diferença de valores recebidos entre os empregados, em alguns casos chegando a quase 200 % (duzentos por cento) do respectivo salário anual (itens 5.89, 5.94, às fls. 640/641). 7. Quanto à participação nos lucros dos administradores da sociedade, a autoridade lançadora afirma que escapam à tributação, segundo a Lei nº 10.101, de 2000, apenas os pagamentos efetuados a segurados empregados. No caso dos autos, os valores foram pagos a pessoas físicas na condição de administradores da sociedade anônima, sendo irrelevante a existência ou não de vínculo empregatício mediante contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho CLT (item 6, às fls. 644/661). 8. Por fim, no tocante aos prêmios, declara a fiscalização que são valores totalmente vinculados ao desempenho laboral dos empregados, cujas parcelas foram identificadas nas folhas de pagamentos, rubricas "Prêmio Incentivo" e "Premiação" (item 7, às fls. 661/664). 9. Cientificado da autuação, em 24/11/2014, às fls. 584 e 596, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 694/754). 10. Intimada da decisão de piso em 27/11/2015, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, segundo fls. 1.202/1.204 a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 23/12/2015 (fls. 1.206/1.284). 10.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve a intacta a pretensão fiscal: (i) a Lei nº 10.101, de 2000, não impõe, como regra obrigatória, a assinatura dos instrumentos de negociação antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados. Os Planos Próprios 2011 e 2012 são substancialmente idênticos ao acordo de mesma natureza relativo ao período de 2010, de maneira tal que os empregados da sociedade incorporada pela recorrente tinham noção exata dos critérios pelos quais seriam avaliados; (ii) não há na Lei nº 10.101, de 2000, qualquer impedimento para que acordos celebrados nos seus termos sejam posteriormente revistos; (iii) a Lei nº 10.101, de 2000, não veda o pagamento de valores mínimos a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Em verdade, o valor mínimo representou tão somente um piso a ser recebido pelo trabalhador, visto que a maior parte dos empregados foi contemplado com quantias variáveis decorrentes do atingimento de metas (individual, por equipe e nacional); Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.298 9 (iv) em momento algum a autoridade fiscal solicitou esclarecimentos da empresa acerca da "ausência de regras claras e objetivas" nos planos, realizando a leitura e interpretação por conta própria. Não obstante, está demonstrado nos autos, de forma minuciosa e exaustiva, a existência de regras claras e objetivas pertinentes às quatro formas de aplicação dos Planos Próprios; (v) de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, há possibilidade de pagamento da participação mediante a convivência simultânea de dois planos distintos (Plano Próprio e CCT). Ainda que houvesse previsão, é descabido a fiscalização proceder a cobrança da contribuição previdenciária sobre os dois planos de Participação nos Lucros ou Resultados, pois ao menos um deles está a salvo da tributação; (vi) não há proibição na Lei nº 10.101, de 2000, para pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados em valores diferenciados entre os empregados ou em montante superior aos respectivos salários dos trabalhadores. Tampouco os elementos colhidos pela fiscalização no curso do procedimento fiscal amparam a tese da existência de pagamentos que privilegiam uma "casta de executivos do mercado financeiro"; (vii) não há incidência da contribuição previdenciária sobre a Participação nos Lucros ou Resultados paga a diretor empregado, com vínculo trabalhista; (viii) os prêmios recebidos pelos beneficiários, tendo em vista a frequência dos pagamentos, uma ou duas repetições em três anos, são ganhos eventuais, expressamente excluídos do saláriodecontribuição pelo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; (ix) na condição de sucessor, a recorrente não responde pelas penalidades impostas a empresa por ela incorporada, somente pelo tributo devido; e (x) é incabível a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.299 10 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Participação nos Lucros ou Resultados (Empregados) a.1) Considerações Iniciais 12. Antes de embrenharse nas questões controvertidas, cabe salientar que, ao disciplinar a Participação nos Lucros ou Resultados desvinculada da remuneração, prevista no inciso XI da Constituição da República de 1988, a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a observância obrigatória de requisitos formais e materiais para que as parcelas pagas aos trabalhadores gozem de benefício fiscal. 13. Embora consista a Participação nos Lucros ou Resultados um tema único, os requisitos da Lei nº 10.101, de 2000, são tidos como matérias autônomas, pois o descumprimento de um, dois ou mais deles pode levar a caracterização das parcelas pagas aos empregados como de natureza remuneratória e, por conseguinte, passam a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 14. Assim como é exigida da acusação fiscal, no Termo de Verificação Fiscal, especificar e detalhar os requisitos em descompasso com as prescrições da Lei nº 10.101, de 2000, compete ao julgador administrativo analisar também separadamente as irregularidades apontadas pela autoridade lançadora. Tal procedimento não é alterado pelo fato de que o desrespeito a um único requisito, por si só, já possui aptidão para comprometer a integridade do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados. 15. Até porque, não custa lembrar, o enfrentamento de todos os pontos reprovados pelo agente fiscal, devolvidos a exame para o órgão "ad quem", permitirá às partes a interposição de recurso especial, uma vez identificada e configurada a divergência interpretativa quanto à matéria específica, observada a disciplina própria do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 16. Fixadas tias premissas, passo à análise dos requisitos apontados pela fiscalização em desalinho à Lei nº 10.101, de 2000, mantidos pela decisão de piso e contestados na petição recursal, iniciando pelos problemas denominados gerais existentes nos instrumentos de negociação coletiva. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.300 11 a.2) Pagamentos com base em mais de um instrumento de negociação 17. Como mencionado, a autoridade lançadora identificou que a sociedade incorporada pela recorrente utilizou, nos anos de 2010 a 2012, dois planos distintos para o pagamento de parcelas, aos mesmos segurados empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados: os denominados "Planos Próprios" e as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT´s). 17.1 De acordo com a Cláusula Segunda dos Planos Próprios, os valores pagos no âmbito das CCT´s não poderiam ser compensados com os montantes devidos a título de Participação nos Lucros ou Resultados (itens 5.81 e 5.82, às fls. 637/638). 17.2 Na ótica da acusação fiscal, tendo em conta a ausência de previsão de compensação entre os planos, apenas uma das formas especificadas deveria prevalecer, isto é, ou o pagamento da participação se dava com base na Convenção Coletiva de Trabalho ou por intermédio de Plano Próprio. Transcrevo, "in verbis", o ponto de vista excludente do agente fiscal (fls. 638): 5.84 Claro está, portanto, que o contribuinte utiliza os dois planos, Acordos e Convenções Coletivas, os quais contemplam os mesmos empregados, sendo extensivos a todos estes. 5.85 Não obstante, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se realiza uma Participação nos Lucros através de Convenção Coletiva ou por Intermédio de um Plano Próprio. 5.86 A própria Lei nº 10.101/00 prevê a existência de dois instrumentos e a compensação entre eles, in verbis § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (gn) 18. Em linha de defesa, a recorrente advoga, em síntese, a possibilidade de pagamento por meio dos dois planos distintos, sem que tal conduta signifique inobservância da Lei nº 10.101, de 2000. 19. Pois bem. Segundo o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a Participação nos Lucros ou Resultados deverá decorrer de negociação coletiva entre o empregador e os seus empregados, nesses termos: 1 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1 A redação transcrita do art. 2º é aquela original, vigente na época dos fatos geradores. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.301 12 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) 19.1 O art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, em seus incisos I e II, autoriza três hipóteses de procedimento para elaboração de Participação nos Lucros ou Resultados: (i) comissão eleita pelo empregador e seus empregados, integrada também por um representante da categoria sindical; (ii) convenção coletiva; e (iii) acordo coletivo. 20. Por sua vez, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, antes reproduzido pela autoridade lançadora, menciona a possibilidade de compensação de valores na hipótese de um programa de Participação nos Lucros ou Resultados mantido espontaneamente pela empresa. Para melhor clareza, copio novamente o preceptivo legal: Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) (GRIFEI) 20.1. É de se convir, com apoio na redação transcrita, que o legislador ordinário ao fazer alusão a planos mantidos espontaneamente pela empresa pretendeu referirse à participação oriunda da comissão escolhida entre as partes (inciso I) em contraposição às obrigações surgidas das convenções ou acordos coletivos de trabalho firmados pelas partes (inciso II). 20.2 Em outros dizeres, a opção pela comissão paritária eleita pelo empregador e seus empregados, integrada por um representante da categoria sindical, não tem o condão de inviabilizar a utilização simultânea pelos interessados da via da convenção ou do acordo coletivo. 20.3 Inclusive, nessa situação, o legislador ordinário expressamente admitiu a possibilidade de compensação entre valores pagos em decorrência de planos espontâneos mantidos pela empresa, constituindo, no entanto, tal procedimento uma faculdade do empregador, na medida em que o dispositivo de lei utilizou a expressão "poderão ser compensados". 21. Acontece que é distinta a hipótese trazida nos autos. A despeito da denominação "Planos Próprios", os ajustes não foram objeto de negociação mediante comissão paritária escolhida pela empresa e seus empregados. A natureza jurídica dos instrumentos é de acordo coletivo de trabalho para participação nos resultados, dado que negociados diretamente entre o sindicato dos empregados e as instituições financeiras (fls. 370/434). Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.302 13 22. Mesmo assim, não vislumbro obstáculo à coexistência de convenção coletiva e acordo coletivo para disciplinar o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, em face do prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. 23. É verdade que o inciso II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, adotou a expressão "convenção ou acordo coletivo". Nada obstante, o viés interpretativo da norma jurídica não pode ignorar a realidade brasileira das negociações, nem acarretar o desprezo ingênuo das finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, as quais destinamse, entre outras finalidades, à proteção dos interesses dos trabalhadores. 24. As convenções coletivas, usualmente celebradas entre sindicato de empregados e sindicato de empregadores, não consideram necessariamente as peculiaridades de cada empresa da categoria econômica representada. Ao revés, os acordos coletivos, com participação direta da empresa, têm o propósito de estabelecer metas ou resultados de interesse específico das partes, inclusive mais benéficos aos empregados, contribuindo para incentivar a concepção de integração entre capital e trabalho. 25. A compensação de valores entre planos, na linha do prescrito no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, pressupõe, em primeiro lugar, a coexistência válida de dois ou mais acordos, produzindo efeitos que lhe são próprios. 25.1 Em qualquer caso, a compensação tão somente pode representar uma faculdade, afastado o caráter de obrigatoriedade na negociação. Não é recomendável que o intérprete, extrapolando a lei, conduza sua exegese no sentido contrário à obtenção de benefícios pelos empregados. 26. Logo, a interpretação sistemática da Lei nº 10.101, de 2000, possibilita a convivência, dentro da mesma empresa, para os mesmos empregados e mesmo período de aferição, de distintos programas de Participação nos Lucros ou Resultados, desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência. 27. Em resumo, a tese desenvolvida pela acusação fiscal é desprovida de amparo no texto legal. a.3) Existência de pagamentos desiguais entre os trabalhadores e, em alguns casos, em valores superiores ao respectivo salário anual 28. Para fins de desconsiderar os planos de Participação nos Lucros ou Resultados, a autoridade lançadora questiona a distribuição desigual de valores entre os empregados nos anos de 2010 a 2012, tomando como parâmetro de comparação a relação de proporção com o salário. Aponta também situações de recebimento por alguns empregados de valores, na forma de participação, superiores à sua remuneração anual. 28.1 As ponderações do agente fiscal estão baseadas nas planilhas de fls. 474/481, as quais indicam um comparativo, por amostragem, entre montante da participação recebida e salário anual do trabalhador. 29. Explica a autoridade lançadora que detectou a existência de diferentes "castas" de empregados, dada a significativa variação da relação entre Participação nos Lucros ou Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.303 14 Resultados e salário anual do trabalhador: (i) ano de 2010, 0,97% a 198,33%; (ii) ano de 2011, 3,33% a 92,61%; e (iii) ano de 2012, 1,71% a 178,72%. 29.1 Por fim, assevera a fiscalização tributária que, apesar da nomenclatura, os pagamentos realizados pela instituição bancária são utilizados como substituição de parcela salarial, em contrariedade, portanto, à Lei nº 10.101, de 2000. 30. Em contraposição, a recorrente sustenta que os próprios dados colhidos pela autoridade fiscal, conforme fls. 474/481, demonstram cabalmente a incorreção do enunciado acusatório. Mais que isso, a Lei nº 10.101, de 2000, não impõe como requisito a equivalência nos valores de Participação nos Lucros ou Resultados aos empregados, nem veda o pagamento em montante superior ao salário do trabalhador. 31. Pois bem. Pela natureza da matéria disciplinada pela Lei nº 10.101, de 2000, seria inviável a determinação de normas rígidas para a fixação dos valores de Participação nos Lucros ou Resultados, de maneira que o legislador optou em exigir a elaboração das regras tão somente de forma clara e objetiva. 31.1 Há uma natural liberdade conferida às partes para a confecção do ajuste, condicionada, evidentemente, à mínima observância dos ditames legais, autorizandose a variação das regras que podem ser estabelecidas, conforme exigir as peculiaridades do caso concreto. 32. A discrepância de valores pagos a título de participação, em função do cargo do trabalhador e da área que atua, ainda que para alguns possa causar sentimento de injustiça em relação aos demais empregados, é motivo insuficiente para desqualificar os planos e descaracterizar a natureza dos pagamentos realizados. 33. Segundo a Lei nº 10.101, de 2000, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizandose, desse modo, o papel do colaborador na empresa. 33.1 A princípio, quanto maior o nível hierárquico ou a importância estratégica da função, também maior será a sua responsabilidade pelo esforço da atividade empresarial e alcance de resultados, exigindose critérios de avaliação distintos, observadas a atividade econômica e demais especificidades de cada empresa. 34. Nem mesmo de maneira implícita a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 35. Haja vista que a Lei nº 10.101, de 2000, não instituiu um percentual limitador para a relação entre participação e salário, o recebimento de valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados superiores ao valor da remuneração só estará em descompasso com a legislação de regência quando comprovada pela fiscalização a utilização dos pagamentos como forma de substituição ou complementação da salário do trabalhador. 35.1 Para o fim comprovar que as parcelas pagas estão em desacordo com a lei específica, passando a integrar o saláriodecontribuição, é tarefa da fiscalização certificar que Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.304 15 os próprios instrumentos de negociação foram originalmente formulados em desarmonia com a legislação de regência, no que tange à metodologia prevista para o cálculo dos valores devidos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados, caracterizando pagamentos de natureza remuneratória. 36. Outra possibilidade para dar relevância tributária à participação em montante superior ao salário anual do trabalhador, seria o agente fazendário evidenciar que as quantias pagas aos empregados não guardavam correspondência com os valores previamente estipulados no Programa de Participação de Lucros ou Resultados, representando o montante excedente aos limites acordados pelas partes remuneração submetida à incidência da tributação. 37. Atento aos termos da acusação fiscal, observo que a autoridade lançadora escolheu realizar uma análise subjetiva da questão, mediante avaliações de ordem pessoal que se afastam da aplicação do texto de lei, passando ao largo da comprovação da natureza remuneratória de tais parcelas. 37.1 Não há evidências que os funcionários da empresa recebiam salários incompatíveis com suas funções e responsabilidades, discrepando com os valores praticados pelo mercado, de modo a sugerir a utilização da Participação nos Lucros ou Resultados como substituto ou complemento da remuneração principal do trabalhador. 38. Quanto à alegação de existência de altos valores pagos a determinados beneficiários, chegando a 200% dos seus salários anuais, as conclusões da autoridade fiscal, com respaldo nas planilhas de fls. 474/481, além do que exageradas, não condizem com uma apreciação razoável dos dados ali registrados. 38.1 Para a maior parte dos trabalhadores, a relação entre participação e salário anual não supera o percentual de 50%. São bastante reduzidos os casos existentes nas planilhas de percentual igual ou superior a 100%, inclusive atingindo trabalhadores com nível salarial, aparentemente, mais baixo. 38.2 Com relação aos trabalhadores cujo valor da participação ultrapassa o respectivo salário anual, a análise não dispensa o exame casuístico, de modo a verificar possível desvirtuamento do programa de Participação nos Lucros ou Resultados. 38.3 Ao contrário do raciocínio simplista da autoridade fiscal, a conclusão no sentido da utilização da participação como substituto ou complemento da remuneração do empregado não deve estar baseada unicamente no aspecto matemático da relação participação/salário anual. É necessário comprovar que o pagamento, na forma efetuada, transformou o valor em parcela salarial. 39. Em resumo, na minha avaliação o agente lançador priorizou uma análise subjetiva dos dados obtidos na documentação da empresa e deixou de aprofundar a auditoria fiscal para efetivamente demonstrar, por meio de linguagem de provas, a existência de pagamentos camuflados de remuneração, se fosse o caso. 40. O só fato de existir desproporção entre os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados para o conjunto de empregados, tendo em conta o comparativo com o respectivo salário anual, não tem o condão de fazer incidir sobre os valores pagos as contribuições previdenciárias. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.305 16 41. Para fins de incidência da tributação, é vital a fiscalização convencer o julgador administrativo que os valores estão sendo disponibilizados pela empresa aos segurados empregados a título salarial, razão pela qual possui natureza remuneratória. 42. Mais uma vez, com acerto as ponderações da recorrente. a.4) Revisão dos acordos celebrados 43. Quanto à tal matéria, com base em cláusula inserida nos Planos Próprios, a autoridade lançadora conclui que a previsão de regulamentação, na hipótese de ocorrência de fatos supervenientes, de valores, critérios e formas de distribuição da participação aos empregados, utilizandose de instrumento de negociação distinto do acordo original entre as partes, contrariava a disciplina da Lei nº 10.101, de 2000. 43.1 O raciocínio da fiscalização tomou por base a Cláusula Sexta dos acordos celebrados, que reproduzo abaixo (fls. 371/372, por exemplo): CLÁUSULA SEXTA REVISÃO A revisão do presente acordo darseá por meio de negociação entre as partes signatárias. PARÁGRAFO PRIMEIRO Eventuais alterações somente poderão ser feitas por mútuo acordo, sendo vedada qualquer modificação unilateral. PARÁGRAFO SEGUNDO Os valores, critérios e formas de distribuir a participação aos empregados, não regulamentados no presente instrumento, deverão ser acordados entre as partes, na ocorrência dos seguintes fatos relevantes: prejuízo, venda ou transferência do controle acionário, por qualquer motivo, e ampliação do capital social. 44. A seu turno, a recorrente alega que não há qualquer impedimento para que acordos celebrados nos termos do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, sejam posteriormente revistos. 45. Pois bem, não há dúvidas que assiste razão à recorrente. A interpretação da autoridade fiscal não encontra guarida na Lei nº 10.101, de 2000. 46. Com facilidade, se nota que a viabilidade de revisão do acordo é medida de cunho excepcional, prevista na hipótese de ocorrência de fatos relevantes para as partes, tais como prejuízo, venda, transferência do controle acionário ou ampliação do capital social da companhia. Em qualquer situação acima, para a revisão dos termos do acordado exigese o prévio consenso entre as partes signatárias, sendo impedida a modificação unilateral das cláusulas contratuais. 47. Os acordos entre particulares estão susceptíveis de alterações, por vontade das partes. A Lei nº 10.101, de 2000, não contém proibição de modificações no instrumento normativo de negociação relativo à participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.306 17 47.1 Nessas circunstâncias, repito, de caráter nitidamente extraordinário, o que importa é que a revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, não acarretem mudanças de conteúdo a ponto de corromper o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000. 48. De mais a mais, todo o discurso de censura da autoridade lançadora está escorado na existência da cláusula mencionada, porém abstratamente considerada. 48.1 Em outras palavras, a acusação fiscal é desprovida de elementos indicadores da ocorrência do evento de revisão do acordo nos períodos de autuação fiscal, de modo a permitir, no caso concreto, uma avaliação do julgador administrativo a respeito da natureza das alterações promovidas, isto é, se resultaram, efetivamente, no descumprimento de algum requisito previsto na Lei nº10.101, de 2000. a.5) Existência de valor mínimo a ser pago 49. No tocante aos Planos Próprios 2011 e 2012, a autoridade fiscal verificou, na Cláusula Segunda dos acordos formalizados, a previsão de pagamento obrigatório de um valor mínimo a todos os empregados da empresa. Eis o que diz a referida cláusula (fls. 393, por exemplo): CLÁUSULA SEGUNDA DA ESTRUTURA DO SISTEMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS As partes estabelecem sistema de participação nos lucros ou resultados, nos termos do anexo que integra o presente acordo para todos os efeitos. (...) PARÁGRAFO PRIMEIRO Fica estabelecido pelas partes o montante de R$ 120,00 (cento e vinte reais) como valor mínimo a ser pago através do presente acordo, o qual deverá ser acrescido à PLR definida na convenção coletiva da categoria bancária. PARÁGRAFO SEGUNDO Nenhum empregado receberá valor inferior a este mínimo, que não será compensado da PLR prevista na convenção coletiva, muito menos será aplicada a proporcionalidade pelo tempo de trabalho. (...) 50. Nesse contexto, a fiscalização entendeu, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 627): 5.41 Sem embargo, a existência de valores fixos pagos a título de PLR fere a legislação vigente, posto que representam uma espécie de "prêmio", com valores prédeterminados a todos, recebidos independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado, em desacordo com o art. 1º, e o § 1º do art. 2º, ambos da Lei nº 10,101/00. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.307 18 51. Em linha de argumentação, a recorrente pondera que a Lei nº 10.101, de 2000, em momento algum veda o pagamento de valores mínimos a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Adicionalmente, assevera que os Planos Próprios não estabelecem uma parcela mínima, mas concedem um valor mínimo de participação aos empregados, não havendo que se falar em "valores prédeterminados a todos". 52. Pois bem. Com relação às cláusulas que disciplinam o recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados, há diferentes opiniões a respeito da possibilidade de as partes acordarem o pagamento de valores fixos ou mínimos para a participação aos empregados. 52.1 É incontroverso, por outro lado, que o texto da Lei nº 10.101, de 2000, não contém vedação explícita quanto à determinação de pagamentos fixos ou em valores mínimos aos trabalhadores. 53. Nesse quadro normativo, penso que a avaliação da compatibilidade do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados com a Lei nº 10.101, de 2000, quando estabelece o pagamento de valores fixos aos empregados, demanda o exame específico do caso concreto. 53.1 Adianto que, segundo meu ponto de vista, a estipulação de uma parcela fixa, desconectada do alcance de índices de produtividade, metas ou resultados pactuados previamente entre as partes, é parâmetro que aparentemente distorce a essência do instituto de Participação nos Lucros ou Resultados previsto em lei, destinado à integração capital e trabalho, visto que a previsão negocial despreza qualquer esforço individual, da equipe ou mesmo do grupo de empregados. 54. Acontece que, diferentemente do exposto pela autoridade lançadora, o que se verifica no caso sob exame é a previsão a respeito de um valor mínimo de pagamento, e não a simples retribuição ao trabalhador de uma parcela fixa, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, de forma integralmente apartada do alcance de qualquer esforço individual ou coletivo, em valores prédeterminados a todos. 55. Com efeito, conforme depreendese dos Anexos aos Planos Próprios, há 4 (quatro) formas distintas de avaliação da Participação nos Lucros ou Resultados, duas gerais e duas específicas (fls. 396/413 e 418/434). 55.1 No que tange às formas gerais, abrange a grande maioria dos segurados empregados da empresa. Em breve síntese, para o cálculo do valor da participação levase em consideração (i) um método matricial, apurado com base em duas variáveis (performance individual, constituído pelo "rating individual", e resultado da área do trabalhador) ou (ii) um método de médias ponderadas, quando utilizado três indicadores na avaliação (performance individual, resultado da área do trabalhador e desempenho da instituição bancária em nível Brasil). 55.2 A regra do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados implementado pela empresa é a percepção pelo segurado empregado de valores variáveis, decorrentes dos resultados obtidos. A previsão de pagamento no valor mínimo, estabelecido na Cláusula Segunda dos acordos, é medida de exceção, aplicável somente àquele funcionário com "rating individual" abaixo do esperado pela instituição, medido através dos formulários interno de avaliação (fls. 403 e 405, por exemplo). Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.308 19 55.3 Quanto às formas específicas de Programa de Participação nos Resultados, destinamse aos empregados de vendas elegíveis ao programa de remuneração variável "Exceed" e aos demais funcionários elegíveis a programas de remuneração variável não incluídos no "Exceed". 55.4 Cuidamse de regras próprias, com base em indicadores para cada área de negócio, mais adequadas ao perfil funcional dos empregados avaliados. Porém, de modo semelhante às formas gerais de avaliação, o pagamento no valor mínimo previsto na cláusula segunda é de caráter excepcional, também direcionado aos segurados empregados com desempenho individual abaixo do esperado pela instituição (fls. 413, por exemplo). 55.5 Em todas as hipóteses de avaliação, percebo o estímulo à produtividade, recompensada pelo valor de participação variável. 56. À vista disso, pareceme bastante claro que o modelo dos Planos Próprios prescreve critérios de pagamento que levam em consideração que alguns trabalhadores podem contribuir mais ou menos do que outros, o que justifica o recebimento de valores de participação variável entre os empregados. 57. Pelo que se depreende dos documentos que instruem os autos, os Planos Próprios não foram concebidos alheios à finalidade de incentivo à produtividade dos empregados da empresa, na medida em que não há o recebimento pelos segurados empregados de uma quantia previamente sabida, independentemente de um esforço adicional do beneficiário 57.1 A estipulação do valor fixo, que equivale ao patamar mínimo da parcela devida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, não está desvinculada de qualquer meta ou resultados objetivo. 58. A leitura que faço do texto do acordo coletivo é que o valor mínimo representa, no caso sob exame, a recompensa pelo esforço insuficiente do empregado, de acordo com os critérios estabelecidos de maneira consensual entre as partes. 59. Logo, a previsão de valor mínimo, em patamar fixo, não descaracteriza, na hipótese dos autos, o Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, segundo finalidades e exigência prescritas na Lei nº 10.101, de 2000. a.6) Inexistência de regras claras e objetivas 60. Aponta a fiscalização, ao longo dos itens 5.42 a 5.76, às fls. 627/634, a inexistência de regras claras e objetivas, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.309 20 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) 61. A título de síntese dos fundamentos acusatórios, reproduzo, "in verbis", os itens 5.67 e 5.75 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 633): 5.67 Ante o exposto, vemos que no Acordo de PLR em apreço as definições dos elegíveis não são claras e a falta de definição das metas a serem atingidas, bem como a inclusão de parcelas não individuais nos critérios utilizados, impossibilitam entrever o valor a ser auferido pelos beneficiários. A falta dessas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Igualmente, a existência de critérios subjetivos de avaliação afasta a objetividade da aferição. Desta feita, não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. (...) 5.75 No caso em tela, chama a atenção que os acordos apresentados não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. 62. Em linha de defesa, a recorrente argumenta que a impugnação, bem como o recurso voluntário, acompanhados de seus anexos, demonstram, de forma minuciosa e exaustiva, a existência de regras claras e objetivas pertinentes às quatro formas de aplicação dos Planos Próprios. 62.1 Ressalta, nesse ponto, que o Relatório Fiscal discorreu a respeito de inúmeras questões "sem resposta" que deram respaldo ao lançamento de ofício devido à ausência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação. Porém, em nenhum momento do procedimento de auditoria, o agente fiscal tomou a iniciativa de solicitar quaisquer esclarecimentos e/ou explicações da empresa sobre as alegações apresentadas por ocasião da lavratura do auto de infração quanto à fixação dos direitos substantivos de participação e das regras adjetivas. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.310 21 63. Pois bem. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, estipula requisitos a serem observados nos acordos para pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, a fim de que produzam os efeitos tributários que a lei estabelece. 64. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. 65. Os instrumentos de negociação deverão conter regras inequívocas e de fácil compreensão para os trabalhadores no que tange à aquisição do direito ao pagamento das parcelas, inclusive quanto aos critérios de aferição do cumprimento das metas acordadas, de modo a que se possa atestar com segurança que os valores pagos equivalem à participação prevista no acordo. 66. É de assinalar, no entanto, que a Lei nº 10.101, de 2000, previu apenas os contornos básicos dos instrumentos de negociação, deixando de fixar normas rígidas e pré definidas para a elaboração dos documentos. 66.1 Acredito que não poderia ser diferente, dado que a participação é um direito social exercido com base na autonomia de vontade de atores que, muitas vezes, possuem interesses antagônicos, empresários e trabalhadores, aliado às diversidades de realidade empresarial quanto à necessidade de integração capital e trabalho. 66.2 Somase a tal característica própria, a presença dos sindicatos representativos das categorias dos trabalhadores, outro agente social dotado de suas peculiaridades, cuja presença nos acordos não só é conveniente, como também desejável para a proteção dos direitos dos empregados. 67. De tudo isso, pareceme bem evidente que a exigência de regras claras e objetivas não se destina, precipuamente, à compreensão do Fisco. Embora importante para a garantia do interesse público, é nítido o papel secundário exercido pela fiscalização tributária neste processo, a qual não lhe foi concedida a função de avaliação do mérito das regras aprovadas na negociação entre as partes. 67.1 Por essa razão, a interferência na autonomia privada é medida excepcional, exigindose a certeza da autoridade fiscal, apoiada em elementos objetivos, quanto à desconformidade do acordado frente aos preceitos legais da Participação nos Lucros ou Resultados. 68. O agente fiscal não participa do dia a dia da vida laboral da empresa e de seus empregados, de maneira que as questões que lhe configuram obscuras podem estar perfeitamente claras para o empresário e os trabalhadores. De maneira análoga, um critério e/ou informação que lhe pareça omisso no instrumento de negociação, podem estar univocamente delimitados pelos atores sociais principais, tendo em conta a proximidade com os fatos. 69. Desse modo, inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados. É inerente ao processo, dadas as suas características, o avanço da fiscalização no conhecimento da execução dos programas de Participação nos Lucros ou Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.311 22 Resultados. Caso contrário, não é exagero afirmar, haverá sérios riscos de cometimento de equívocos pelo agente fiscal. 70. As dificuldades de compreensão do agente fiscal não significam, necessariamente, obstáculos à cognição dos segurados empregados e dos sindicatos que os representam, pois podem acompanhar, obter esclarecimentos e questionar as regras e os critérios vinculados à aquisição do direito ao pagamento da participação, bem como os mecanismos de aferição do pactuado. 71. Na linha das ponderações trazidas no recurso voluntário, a lei de regência não é impositiva no sentido de que a disciplina integral do programa de participação deve figurar, necessariamente, no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado estar estipulado em documentos apartados ou, até mesmo, em outros canais de comunicação, desde que mantida a harmonia com as regras gerais e sempre com pleno acesso e conhecimento dos trabalhadores. 71.1 A inclusão em documento apartado é mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, contemplando com mais especificidade as condições e formas de cálculo, bem como os critérios de avaliação para concessão da verba de remuneração variável. 72. Especialmente em empresas estruturadas, como aparenta enquadrarse a recorrente, é comum a disponibilização de mecanismos internos de divulgação e esclarecimentos a respeito do programa de participação mantido, inclusive com o uso de plataformas digitais para avaliações de desempenho dos trabalhadores. 73. Nesse sentido, a recorrente apresentou, na fase de impugnação, vários documentos relativos à divulgação interna, incluindo comunicados sobre alterações efetuadas no programa, disseminação de resultados, informações sobre valores a serem pagos, além de cópias de avaliações individuais (fls. 774/1.164). 74. Segundo a documentação que instruem o processo administrativo, em especial os termos de intimação às fls. 4/22, o agente fiscal não procurou na fase do procedimento investigatório esclarecer, junto à recorrente, as questões suscitadas no Termo de Verificação Fiscal, as quais levaram à caracterização da inexistência de regras claras e objetivas concernentes aos quatro níveis dos Programas Próprios: "Nível Citi R/C10 e abaixo", "Nível Citi S/ C11 e acima", "Funcionários de Vendas Elegíveis ao Programa Exceed Independentemente do Nível Citi" e "Demais Funcionários Elegíveis a Programas de Remuneração Variável não Incluídos no Exceed Independentemente do Nível Citi". 74.1 Para melhor clareza da acusação fiscal, transcrevo os itens 5.45, 5.48, 5.49, 5.54, 5.55, 5.56, 5.61, 5.62, 5.64 e 5.66 do Termo de Verificação Fiscal, os quais justificam as razões pelas quais os instrumentos de negociação não se coadunam com as exigências legais (fls. 627/631): 5.45 Em nenhum momento, seja no texto do Acordo de PLR, seja em seu anexo, são evidenciados claramente os níveis de enquadramento dos empregados, nem quais deles são elegíveis ao programa Exceed ou a outros programas de remuneração variável existentes no banco. Não sabemos, portanto, se empregados, por exemplo, da área administrativa Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.312 23 ou outros não especificados estão aqui abrangidos, indo de encontro ao incentivo à produtividade e à integração entre o capital e o trabalho, ambos prescritos pelo art. 1ª da Lei nº 10.101/00. (...) 5.48 Observase que, para os empregados "Nível Citi R/C10 e Abaixo", o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho da área e do desempenho individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação. Não fixa os parâmetros para o enquadramento do desempenho em: não atendeu aos objetivos, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não aponta quais são as metas as serem alcançadas na área e individualmente para que os empregados fazer jus ao benefício. 5.49 Percebese nitidamente que a avaliação de desempenho individual é fator primordial na determinação do valor de PLR a ser distribuído a cada empregado. No entanto, em nenhum momento são apresentados: as regras que permeiam essa avaliação, as metas a serem atingidas, o mecanismo de aferição de seu alcance ou não, os parâmetros utilizados na avaliação dos funcionários, a forma como são avaliados, o modelo básico dessa avaliação individual. São apenas citadas a existência dessas metas e da avaliação, sem que nenhuma dessas duas integre o acordo firmado ou seu anexo, inviabilizando, dessa forma, o conhecimento prévio do esforço que o empregado deverá dispender para receber a participação, em total confronto com as determinações legais. (...) 5.54 Mais uma vez, notase que o Acordo de PLR de 2010, para os empregados "Nível Citi S/C11 e Acima", não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho do país, da área e individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não determina as metas a serem alcançadas para que cada empregado obtenha as faixas de pontos estabelecidas e que determinarão os fatores multiplicadores de "país" e "área". Não fixa os critérios para o enquadramento do desempenho individual em: não avaliado, não eficaz, parcialmente eficaz, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não traz previamente o "Valor de Referência" que será utilizado, o qual, de acordo com o texto, será elaborado por uma consultoria externa. 5.55 De mais a mais, a Nota Explicativa define que o desempenho "país", isto é, o "Resultado Brasil", corresponde ao mesmo valor, critério e definição, utilizados para pagamento de PLR prevista na Convenção Coletiva. Entretanto, não existe na Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.313 24 citada Convenção Coletiva de PLR dos Bancos qualquer menção a valor, critérios ou definição do "Resultado Brasil". 5.56 Outrossim, ainda em Nota Explicativa, o Anexo ao Acordo de PLR de 2010 determina que o desempenho da "área" será obtido conforme "scorecard" específico para cada área, de acordo com uma tabela de exemplo trazido pela citada Nota. Nesta vemos a utilização de critérios tais como: retenção de cliente, crescimento do negócio, qualidade da carteira negócio, custos do serviço e qualidade do serviço. Ora, o que vemos aqui é instituição de critérios que são normalmente utilizados para o pagamento de comissões e não de Participação nos Lucros. (...) 5.61 Em relação à aplicação do plano em comento aos "Funcionários de Vendas Elegíveis ao Programa de Remuneração Variável Exceed", notamos inicialmente que apesar do Anexo estabelecer a utilização de um grupo de indicadores, chamado "Scorecard", para cada área de negócio e determinar a aplicação de três diferentes modelos de "Socrecard", não existe no instrumento de negociação a definição das diferentes áreas de negócios nas quais serão utilizados os diversos modelos trazidos pelo Acordo de PLR. Não é possível, desta forma, definir as regras cabíveis a cada beneficiário, em desacordo frontal à legislação específica, a qual exige a presença de regras claras e objetivas pactuadas previamente. 5.62 Além disto, o Anexo em questão não traz claramente as metas a serem alcançadas, mas somente os indicadores que serão utilizados na avaliação. E, em relação a estes, verificase que o texto não apresenta a definição específica e os pesos de cada um dos indicadores que compõem o "Scorecard", nem determina como serão aferidos tais critérios, distanciandose, dessa forma, dos preceitos legais sobre a matéria. Ademais, os indicadores apontados nos três modelos acima descritos são parâmetros não muito afeitos a uma Participação nos Lucros, mas relacionados mais proximamente ao pagamento de comissões. (...) 5.64 O Anexo prevê, ainda, que tais indicadores, pesos e metas podem ser reajustados em virtude do momento econômico (local ou internacional), bem como em função da estratégia de negócios do banco. Todavia, como comentado anteriormente, a legislação específica estabelece que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes e integrada por representante do sindicato ou por convenção/acordo coletivo, ou seja, não é possível que, devido a fatos supervenientes, indicadores, pesos e metas possam ser reajustados fora do instrumento original de negociação entre as partes. (...) Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.314 25 5.66 Fazse mister salientar que, para os "Demais Funcionários Elegíveis a Programas de Remuneração Variável Não Incluídos no Exceed Independentemente do Nível Citi", o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho da área e do desempenho individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação. Não fixa os parâmetros para o enquadramento do desempenho em: não atendeu aos objetivos, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não aponta quais são as metas a serem alcançadas na área e individualmente para que os empregados possam fazer jus ao benefício. 75. Percebese o ponto de vista rigoroso do agente lançador no que diz respeito à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas no instrumento de negociação, incluindo os mecanismos de aferição ao cumprimento do acordado, exigindo a regulação integral e detalhada dos preceitos e regras, ao que me pareceu, no corpo do próprio instrumento de negociação. 76. A preocupação em coibir a utilização de parâmetros subjetivos para a concessão da Participação nos Lucros ou Resultados, bem como a criação de regras unilaterais pelo empregador, não pode chegar ao nível de inviabilizar o instituto da negociação coletiva, com desprezo a realidade do mundo real e extrapolando os limites estabelecidos pela lei de regência. 77. Como dito alhures, é possível o detalhamento, por intermédio de documentos apartados e/ou sistema de controle e acompanhamento interno, quanto às metas e aos critérios aplicáveis aos diferentes empregados, áreas e funções da empresa, ainda mais quando o modelo adotado para a Participação nos Lucros ou Resultados envolve parâmetros e avaliações de desempenho individual. 78. Tenho para mim, portanto, equivocado o procedimento fiscal, o qual, sem buscar esclarecimentos e/ou explicações adicionais da empresa, trabalhadores e/ou sindicato, ao menos não há elementos nesse sentido, fez a opção singela de analisar solitariamente, no âmbito do Fisco, os instrumentos de negociação coletiva. 78.1 A toda a evidência, os esclarecimentos e/ou explicações seriam dispensáveis, por óbvia desnecessidade, naqueles casos de "fratura exposta", em que é explícito o descompasso com a Lei nº 10.101, de 2000. Contudo, não é a hipótese dos Programas de Próprios da recorrente, conforme se pode verificar da leitura atenta dos documentos acostados às fls. 370/434. 79. Em seu recurso voluntário, a empresa prestou esclarecimentos detalhados acerca da estrutura dos Planos Próprios, firmados pela sociedade incorporada, inclusive com abordagem específica a respeito das várias objeções formuladas pela autoridade fiscal. 79.1 À vista disso, entendo que houve a demonstração satisfatória que o "Programa de Participação nos Resultados Citibank" não é despedido de regras claras e objetivas, atendendo o nível que demanda a Lei nº 10.101, de 2000 (fls. 1.226/1.245). Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.315 26 80. Dessa feita, após a avaliação do conjunto fáticoprobatório, concluo que os elementos de prova colhidos pela fiscalização são insuficientes para o fim de demonstrar a falta de clareza e objetividade nos instrumentos de negociação vinculados aos Planos Próprios. a.7) Falta de negociação prévia 81. A acusação fiscal é no sentido de que os Planos Próprios 2011 e 2012 não foram objeto de negociação prévia, eis que a formalização dos instrumentos ocorreu após o início do período a que se referem os lucros ou resultados. 82. A recorrente defende que são legítimos os pagamentos realizados a título de participação com fundamento em negociações coletivas realizadas antes do fim do período de apuração e do pagamento das respectivas parcelas, situação plenamente atendida nos acordos coletivos. 82.1 Salienta, em complemento, que os acordos relativos aos períodos de 2011 e 2012, em que pese assinado no início do mês de julho de cada ano, não trouxeram prejuízo aos empregados. 82.2 Os acordos de 2011 e 2012, além de "muito parecidos" entre si, possuem regras semelhantes ao ano de 2010, cujo acordo foi assinado em 7/12/2009, de modo que os funcionários da sociedade incorporada pela recorrente tinham noção exata dos critérios pelos quais seriam avaliados. 83. Pois bem. No caso em apreço, o acordo coletivo que rege o ano de 2011 foi assinado em 7/7/2011, ao passo que o acordo para o exercício de 2012 foi celebrado em 5/7/2012 (fls. 393/413 e 414/434, respectivamente. 84. A participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. 85. Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitadas individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. 86. É da essência do instituto que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a partir do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988, que instituiu a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em conjunto com a regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000. 87. É verdade que a lei não impõe de modo expresso qualquer momento para a assinatura do instrumento de negociação. Porém, tal característica da legislação não tem o condão de levar o intérprete à conclusão extrema de que é suficiente tão somente a formalização do acordo, devido ao término das negociações, não suceder ao pagamento da parcela da participação nos lucros ou resultados. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.316 27 87.1 A exigência de formalização do instrumento antes do pagamento, tal como defende a recorrente, é até mesmo óbvia, porquanto devese garantir ao trabalhador a possibilidade de examinar se o montante recebido está conforme as metas e critérios pré estabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento. 88. A prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, para autorizar a fruição do benefício fiscal é uma situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. 89. Daí porque é inevitável certa flexibilidade, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. 90. Essa possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração. 91. Nesse raciocínio finalístico, é possível, portanto, aceitar a assinatura depois de iniciado o período de aferição, sem que implique um desvirtuamento integral em face da legislação de regência, desde que evidenciada, considerando o tipo de metas e/ou resultados estabelecidos, a negociação em curso e o amplo conhecimento pelos empregados das regras discutidas, de maneira que os trabalhadores pudessem desde já adotar medidas práticas para atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes. 92. Tendo em conta as finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, penso inviável, contudo, legitimar a situação identificada pela fiscalização nos autos, mesmo que se adote a flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco. 92.1. Com efeito, no tocante aos anos de 2011 e 2012, não há prova documental nos autos a respeito do início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade. Tais aspectos, sem prejuízo da avaliação conjunta com outros fatores relevantes, são fundamentais para a decisão de validar a data da assinatura do acordo. 92.2 Realço, novamente, que instruem os autos diversos documentos relativos à divulgação interna no âmbito da empresa do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, incluindo comunicados sobre alterações efetuadas nos Planos Próprios, disseminação de resultados, informações sobre valores a serem pagos, além de cópias de avaliações individuais (fls. 774/1.164). Todavia, nenhum desses expedientes ganha contornos bastantes para convencer o julgador no que diz respeito a realidade da prova documental mencionada no parágrafo precedente. 93. Do ponto de vista pessoal, acredito que a existência de ajuste anterior, com características semelhantes, segundo enfatizado pela recorrente, pode até gerar expectativa do trabalhador, de forma a contribuir para o incentivo da sua produtividade. Porém, essa circunstância não é suficiente, por si só, para considerar o instrumento coletivo formalizado ao longo do período de avaliação em consonância com os preceitos legais. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.317 28 93.1 Caso contrário, se estaria admitindo uma presunção indevida, em desfavor do interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras para aquisição do direito de receber a participação por meio dos costumes ou verbalmente, em detrimento da sua implementação mediante instrumentos normativos previamente negociados para o período de avaliação, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. 93.2. Além do que, não custa lembrar, apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos que lhe são próprios para o respectivo período a que se refere. 94. Concluo, portanto, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000, que a autoridade fiscal procedeu de modo escorreito ao considerar os valores pagos com base nos Planos Próprios 2011 e 2012, relativos ao período de avaliação de 1º/1/2011 a 31/12/2012, como integrantes da remuneração e do saláriodecontribuição dos segurados empregados. 95. No quadro abaixo, com a finalidade de proporcionar maior clareza ao resultado final da minha avaliação sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, paga aos segurados empregados, reproduzo a totalidade das infrações imputadas pela autoridade lançadora, as quais restaram mantidas pelo acórdão de primeira instância, acompanhado das conclusões deste voto quanto ao descumprimento ou não dos requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, para fins de manutenção da exigência fiscal: Análise do Relator: o requisito foi descumprido? Infração (segundo a acusação fiscal, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000) CCT "Planos Próprios" (ACT) Pagamento com base em mais um instrumento de negociação (art. 2º, I e II e art. 3º, § 2º) NÃO NÃO Falta de proporcionalidade dos pagamentos entre os empregados (art. 3º, "caput") NÃO NÃO Revisão dos acordos celebrados (art. 2º, § 1º) NÃO Existência de um valor mínimo a ser pago (art. 1º) NÃO Inexistência de regras claras e objetivas (art. 2º, § 1º) NÃO Falta de negociação prévia (art. 2º, "caput", e § 1º) SIM. ACT 2011 e ACT 2012 96. Como se observa, apenas os pagamentos realizados aos segurados empregados com base nos Planos Próprios 2011 e 2012 estão em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, e devem ser mantidos no lançamento fiscal. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.318 29 97. Por outro lado, é improcedente a inclusão, na base de cálculo das contribuições lançadas, dos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010. (fls. 98/369). b) Participação nos Lucros ou Resultados (Administradores) 98. Com o propósito de compreender a motivação da autoridade lançadora no tocante à constituição do crédito tributário relativamente à Participação nos Lucros ou Resultados paga a administradores da sociedade fiscalizada, é indispensável a transcrição de excertos do Relatório Fiscal (fls. 644/661): 6.16 (...) não resta dúvida de que a intenção do legislador, seguindo a determinação constitucional, foi desvincular da remuneração a Participação nos Lucros ou Resultados recebida tãosomente pelo segurados empregados. A "contrario sensu", a participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado será considerada como base de incidência das Contribuições Previdenciárias pro falta de previsão legal de nãoincidência. (...) 6.30 Apesar da previsão estatutária de que a administração da sociedade compete à Diretoria, conforme apresentado nos itens anteriores, o banco considera seus diretores como empregados, conforme se verifica pelas informações declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte e DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Na GFIP os diretores são declarados na Categoria 1 Empregado, na DIPF, no Código de Retenção 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado; e, na DIPJ, como Diretores com Vínculo Empregatício. 6.31 Além disso, em CartaProtocolo, de 18 de novembro de 2013, o banco esclarece considerar seus Administradores, os diretores, como empregados e pagar a participação dos primeiros juntamente com a dos últimos. Na CartaProtocolo, de 24 de abril de 2014, afirma ainda que os "diretores desta empresa tem contrato de trabalho com vínculo empregatício e para fins tributários e previdenciários são considerados como empregados." E, em CartaProtocolo, de 19 de setembro de 2014, mais uma vez assevera "que todos os diretores da empresa possuem vínculo empregatício, devidamente registrados como funcionários em concordância com as regras da CLT." 6.32 Entretanto, independentemente da classificação atribuída pelo banco a seus diretores, eles são de fato os Administradores da Sociedade, conforme se verifica pelo Estatuto Social acima transcrito, o qual prevê que (i) a administração da companhia será exercida pela Diretoria; (ii) a remuneração anual global dos Administradores será fixada pela Assembleia Geral; (iii) a Diretoria será eleita pela Assembleia Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.319 30 Geral; (iv) a eleição da Diretoria deverá ser aprovada pelo Banco Central; (v) a representação da companhia será feita por um ou dois Diretores ou por procuradores sempre nomeados pelos Diretores. (...) 6.40 (...) é sabido que o simples fato do contribuinte remunerar seus diretores como empregados e declarálos em GFIP na Categoria 1 Empregado, na DIRF, no Código de Retenção 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado, e, na DIPJ, como Diretores com Vínculo Empregatício, quando de fato e de direito são Administradores, isto é, não possuem vínculo empregatício, não lhe concede o direito de usufruir da dedução permitida pela Lei nº 10.101/00, exclusiva para a Participação nos Lucros dos empregados. (...) 6.50 Foram encontrados, no período auditado, pagamentos de Participação nos Lucros aos Administradores aos seguintes diretores estatutários: · Francisco Cláudio Alves de Queiroz Facó diretor entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2012; e · Leonel Dias de Andrade Neto diretor entre janeiro de 2010 e outubro de 2012. (...) 99. Na ótica do agente fiscal, corroborada pela decisão de piso, o diretor estatutário, nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, é considerado contribuinte individual, independentemente da existência de contrato de trabalho como diretor empregado, não lhes sendo aplicáveis as normas de Participação nos Lucros ou Resultados previstas na Lei nº 10.101, de 2000. Essa é, pois, a delimitação da acusação fiscal. 100. Pois bem. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. 100.1 Não vou alongarme nos fundamentos, pois desnecessário ao caso em apreço. Apenas lembro que o inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, explicita a não incidência tributária sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, que rege a matéria: Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.320 31 X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) 101. A concepção tradicional do diretor eleito na forma do estatuto social nas sociedades por ações é como órgão da companhia, exercendo os poderes estatutários sem vínculo de emprego. No âmbito da legislação previdenciária, são qualificados como contribuintes individuais. 102. Ocorre que a sofisticação da atividade empresarial no mundo contemporâneo comporta, no âmbito das sociedades por ações, a figura do diretor empregado. A existência ou não de relação de emprego entre sociedade e seus diretores não pode ser conferida tão somente pela forma de escolha destes, ou pelo simples fato de exercerem cargos de administração da companhia. 103. Mais importante, com absoluta certeza, é verificar as características da relação mantida entre os diretores e o Conselho de Administração. Havendo traços de subordinação jurídica, existirá provavelmente relação de trabalho na condição de empregado, nos termos da CLT. 104. No tocante à legislação previdenciária, o art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, qualifica, expressamente, o diretor empregado como segurado empregado: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) (GRIFEI) 105. Nesse passo, conforme atesta o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente sempre reconheceu a existência de subordinação dos dois diretores da sociedade incorporada, mesmo que estatutários, mantendo as características inerentes à relação de emprego, com preenchimento do vínculo de segurado empregado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e nas demais declarações fiscais, além do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias inerentes à relação empregatícia. 105.1 Na fase de impugnação, inclusive, trouxe aos autos cópias das fichas financeiras, em que se verifica o pagamento de ordenados, gratificações e descontos dos encargos inerentes à relação de emprego, no período da autuação (fls. 1.096/1.136). 106. A Lei nº 10.101, de 2000, tampouco a legislação previdenciária, faz distinção entre o empregado tradicional e diretor empregado. Configurada a condição de diretor empregado, os beneficiários podem receber pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados sob a égide das disposições da Lei nº 10.101, de 2000, os quais escapam à Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.321 32 tributação das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a terceiros. 107. Como cediço, a prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato jurídico afirmado. Em outras palavras, caberia à autoridade lançadora, mediante a linguagem de provas, refutar a relação de emprego afirmada pela recorrente, mediante demonstração da inexistência de um ou mais requisitos do vínculo empregatício do art. 3º da CLT. Contudo, a fiscalização não se desincumbiu do seu dever probatório. 108. É bom ressaltar que a decisão recorrida, para não acatar os argumentos da impugnação, mantendo a autuação fiscal, desenvolveu um raciocínio meramente teórico no sentido de que a ligação entre a companhia e os diretores estatutários não apresentava todos os elementos típicos da relação de emprego, tais como a subordinação jurídica e o recebimento de salários. 109. Por fim, esclareço que a linha de entendimento aqui perfilhada está em consonância com a própria interpretação da legislação tributária realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vinculante no âmbito daquele órgão, por meio da Solução de Consulta nº 368, de 18 de dezembro de 2014, cuja ementa está reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DIRETOR DE SOCIEDADE ANÔNIMA. CONDIÇÃO DE SEGURADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para o cargo de direção de sociedade anônima, que não mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de contribuinte individual, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriode contribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, art. 12, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2º, e art. 28, Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.322 33 incisos I e III, e § 9º, alínea “f”; Lei nº 10.101, de 2000, arts. 1º a 3º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 9º, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2º e 3º. 110. Exposto assim, cabe decotar do lançamento fiscal o crédito tributário relacionado aos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados aos administradores (Levantamento Fiscal "PA"). c) Prêmios 111. De acordo com a autoridade lançadora, por meio do exame das folhas de pagamento e da escrituração contábil da empresa, identificou pagamentos a título de prêmios, sob as rubricas nº 1078 Prêmio Incentivo e 1081 Premiação, cuja natureza da parcela está vinculada ao desempenho laboral dos segurados empregados (fls. 661/664). 112. Por sua vez, com apoio na Planilha de fls. 573/578, a recorrente defende a ausência de habitualidade nos pagamentos, dado que os nomes dos beneficiários listados simplesmente ou não se repetem, ou figuram numa frequência de uma ou duas repetições no período de três anos. 112.1 Afirma, dessa maneira, a impossibilidade de tributação dos pagamentos recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) 113. Pois bem. Na definição de Maurício Godinho Delgado2, os prêmios consistem em: "parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstâncias tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa." 114. Não há como negar que, via de regra, a parcela denominada de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado, a exemplo da produção. 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 4a ed. São Paulo: LTR, 2005, p. 747. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.323 34 115. No que tange à instituição das contribuições previdenciárias, cuidou a lei ordinária federal. Transcrevo, nessa prescrição, a redação do inciso I do art. 22 e do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) (GRIFEI) 115.1 A habitualidade, a meu sentir, restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". Não há menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, sejam eles habituais ou não, por liberalidade ou ajustados contratualmente. 115.2 Diferentemente da nomenclatura da legislação trabalhista, a legislação previdenciária utiliza a expressão "destinados a retribuir o trabalho", em detrimento de "contraprestação do serviço", o que evidencia nitidamente, no âmbito previdenciário, o caráter da remuneração avaliado em função do conjunto do relação laboral, e não simplesmente prestação "versus" contraprestação. 116. Quanto a tais parcelas pagas aos empregados, a recorrente não contesta o caráter de retribuição pelo trabalho. A linha argumentativa é que apenas o prêmio concedido ao segurado empregado, de forma habitual, integra a remuneração do trabalho. E, na hipótese dos autos, cuidase de ganho eventual, expressamente excluídos do saláriodecontribuição pelo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.324 35 117. Penso, contudo, que a eventualidade da remuneração na legislação previdenciária está associada a incerteza, a imprevisão do seu pagamento. A empresa incorporada pela recorrente classificou, nas folhas de pagamento e na contabilidade, a verba paga ao trabalhador como prêmio, sendo que, no recurso voluntário, não há o mínimo esclarecimento e/ou detalhamento a respeito das circunstâncias e sobre quais fatores de ordem pessoal os pagamentos foram efetuados. 118. Os dados da Planilha de fls. 573/578, elaborada pela autoridade fiscal, revelam que os pagamentos a título de prêmio aos segurados empregados, em montantes variáveis, estão concentrados no ano de 2011, meses de 02/2011, 09/2011 e 12/2011, e ano de 2012, meses de 02/2012, 08/2012 e 11/2012, sinalizando a existência de uma aparente estrutura organizada que havia na sociedade incorporada para o cálculo dos valores devidos e recebimento das parcelas pelos beneficiários. 118.1 Assim como há beneficiários que receberam o pagamento apenas uma vez, existem outros tantos segurados empregados que foram agraciados com dois pagamentos no mesmo ano, ou três, até quatro em alguns casos, pagamentos relacionados ao período de 2011 e 2012. 119. Inviável, no estágio de instrução dos autos, a avaliação da existência da eventualidade nos pagamentos aos segurados empregados. Com base no tradicional critério de distribuição do ônus da prova, cabe ao sujeito passivo, ora recorrente, comprovar que o fato jurídico amoldase à previsão em lei que exclui a tributação sobre o pagamento. 119.1 Nesse sentido, o Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, aplicado em caráter subsidiário ao processo tributário federal, contém previsão expressa sobre a distribuição do ônus probatório: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 120. De todo modo, registro, segundo minha convicção, que o ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário por força de lei, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. 120.1 Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, o Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". 120.2 Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.325 36 espécies, como se infere do rol de parcelas não integrantes do saláriodecontribuição detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. 120.3 Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Mais que razoável, portanto, que estejam definidas em lei as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração, assim como as respectivas situações e condições, por ser inconcebível deixar, ao alvedrio do sujeito passivo, a exclusão da tributação. 121. Logo, por todo o exposto, sem razão a recorrente. d) Aplicação da multa por infração cometida pela incorporada 122. Reclama a recorrente que, na qualidade de sucessor, há impossibilidade de se exigir dela multa de qualquer espécie, em face de infração cometida pela empresa incorporada. 122.1 Em síntese, argumenta que além da inaplicabilidade do enunciado da Súmula nº 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a hipótese concreta dos autos, o lançamento de ofício foi efetuado posteriormente ao ato sucessório, relativamente a fatos tributáveis ocorridos antes da incorporação, sendo que não há como se cogitar da responsabilidade do sucessor no que tange à penalidade imposta em razão da infração cometida pela sucedida. 123. Pois bem. A sucessão empresarial implica sucessão tributária. A fim de orientar o viés interpretativo, ressalto que o patrimônio é composto por um conjunto de bens, direitos e obrigações, de maneira que o sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as obrigações integrantes do patrimônio do sucedido. 124. Em que pese o art. 132 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada de Código Tributário Nacional (CTN), refirase tão somente aos tributos, ao interpretálo conjuntamente com o art. 129, dispositivo que inaugura a Seção denominada "Responsabilidade dos sucessores", chegase à conclusão de que a regra também aplicase aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos. 124.1 Para maior clareza do raciocínio, reproduzo os artigos mencionados do CTN: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (grifouse) Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.326 37 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. 125. O momento da constituição do crédito tributário pelo ato de lançamento, que compreende também a penalidade, consoante o § 1º do art. 113 do CTN, acaba tornandose irrelevante, porquanto o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador. 126. Essa linha de pensamento é prevalente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo da decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja ementa reproduzo parcialmente, na parte que interessa ao presente feito: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) (...) 127. Não há dúvidas que a multa moratória e/ou punitiva analisada e mencionada no julgado abrange aquela aplicada pelo descumprimento da obrigação principal, hipótese que cuida o processo administrativo em apreço, decorrente do não pagamento de tributo na época do vencimento, coerente assim com a interpretação conjunta dos arts. 129 e 132 do CTN, antes referida. 128. Nesse sentido, foi redigido o voto nos Embargos de Declaração do mesmo REsp nº 923.012/MG, de lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Transcrevo a respectiva ementa no ponto em que vinculada à questão em debate: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.327 38 CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543 C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. (...) (GRIFEI) 129. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 130. Como se observa, o entendimento consubstanciado na decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, com trânsito em julgado em 4 de junho de 2013, deve ser reproduzido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 131. Portanto, sem razão a recorrente. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.328 39 e) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício 132. Ressalvo minha posição particular no sentido de que a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria, a rigor, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. 133. Todavia, é sabido que a maioria dos conselheiros da Turma é adepta do conhecimento da matéria. Portanto, por economia processual, passo diretamente a análise do mérito. 134. A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) 135. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 135.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.329 40 135.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 136. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 137. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) 137.1 Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 138. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.330 41 138.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 138.2 Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 138.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. 139. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) excluir da base de cálculo das contribuições lançadas os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010; e (ii) excluir do lançamento fiscal o crédito tributário relacionado aos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados aos administradores com vínculo de emprego (Levantamento Fiscal "PA"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.331 42 Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Acompanho o Relator quanto às demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao pagamento da PLR em valor mínimo. Vejamos o que dispõe a Lei 10.101/00 quanto à PLR: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Conforme se extrai dos dispositivos acima, a PLR se constitui não só em um instrumento de integração entre capital e trabalho, mas também um incentivo à produtividade. Dessa forma, seu pagamento deve estar sujeito a mecanismos de aferição da produtividade, da qualidade e da lucratividade da empresa, mediante programas de metas e resultados. Nesse contexto, temse por condição necessária a avaliação do desempenho da empresa e de seus empregados, e o comprometimento destes com o atingimento das metas. Pois bem, compulsando o “Plano Nível Citi – S/C11 e acima – Forma Geral”, fl. 405, constatase em sua nota de rodapé de número 1 que o funcionário que obtiver “Rating individual igual a 4, 5 ou 6 receberá a PPR no valor mínimo”. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 16327.721150/201411 Acórdão n.º 2401004.795 S2C4T1 Fl. 1.332 43 Por sua vez, nessa mesma folha, em quadro que mostra o Multiplicador Individual, consta que o “Rating” 6 corresponde à situação “Não Avaliado”: Cabe destacar que tal critério também foi aplicado ao “Plano Nível Citi R/C10 e abaixo – Forma Geral” e aos planos de “Forma Específica”. Ora, se os planos preveem situação em que não há avaliação de empregados, conforme se infere do quadro acima, e mesmo assim possibilitam o pagamento de PLR a tais empregados não avaliados, ou seja, independente do atingimento de qualquer meta, concluise que tais planos não estão em consonância com a Lei 10.101/00, que estabelece o pagamento de PLR mediante avaliação de desempenho dos empregados e com foco nas metas estabelecidas. Conclusão Isso posto, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto à PLR paga em valor mínimo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1332DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.004151/2002-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO.
Os processos com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando ele estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do regimento anterior.
Numero da decisão: 1103-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: André Mendes de Moura
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO. Os processos com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando ele estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do regimento anterior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 635 1 634 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.004151/200264 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1103001.046 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria CSLL JUROS DE MORA Embargante CHASE FLEMING BANCO DE INVESTIMENTO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO. REGRA DE TRANSIÇÃO. REGIMENTO CARF ANTIGO E NOVO. Os processos com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando ele estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do regimento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 41 51 /2 00 2- 64 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 636 2 Relatório Foram interpostos embargos de declaração (fls. 507/511) pela contribuinte, em face do Acórdão nº 10194.388, de 15 de outubro de 2003 (fls. 419/427), proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa apresentou o seguinte teor: DEPÓSITO JUDICIAL ENCARGOS MORATÓRIOS Incabível na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, a exigência dos juros moratórios incidentes sobre o valor do crédito tributário depositado em juízo anteriormente a autuação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINÇÃO Não é de competência deste E. Conselho de Contribuintes, o enquadramento ou não do contribuinte nas condições estabelecidas para o usufruto dos benefícios da Medida Provisória nº 38, de 15.05.2002, assim como, o reconhecimento da extinção do crédito tributário das importâncias ali recolhidas. Dos Fatos. Trata a ação fiscal da análise da DIRPJ, anocalendário de 1999, da CHASE MANHATTAN LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL, empresa incorporada pela contribuinte, no qual se constatou que parte da CSLL apurada não foi oferecida à tributação, por estar com exigibilidade suspensa. Tal situação tem origem no Mandado de Segurança nº 98.00534210, ocasião em que a contribuinte pediu a suspensão dos efeitos do art. 1º e 2º da Lei nº 9.316, de 22/11/1996: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Art. 2º A contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, será calculada à alíquota de dezoito por cento. Ou seja, o pedido impetrado no MS foi no sentido de (1) permitir a dedução da CSLL da base de cálculo do lucro real, (2) permitir a dedução da CSLL da sua própria base de cálculo e (3) aplicar a alíquota de 8%, em vez de 18%. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 637 3 Esclarece a autoridade autuante, à fl. 12 dos autos (Termo de Verificação Fiscal), que o valor lançado de ofício tem origem na diferença entre o valor calculado pela alíquota de 18%, conforme a Lei nº 9.316, de 1996 (R$12.724.866,45), e o calculado segundo o provimento judicial (R$5.236.578,78). Assim, o montante de R$7.488.307,67 foi objeto do lançamento fiscal com o fim de prevenir a decadência, sem multa e com exigibilidade suspensa. Da Fase Contenciosa. Devidamente intimada, apresentou a contribuinte impugnação de fls. 83/94, no qual discorreu sobre os seguintes pontos: ingressou com Mandado de Segurança n. 98.00534210, junto à 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, questionando a diferença de alíquota imposta às instituições financeiras, bem como a dedutibilidade, para formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, da despesa relativa ao pagamento da CSLL, nos períodosbase de 1998 e subseqüentes; tendo em vista os remédios jurídicos utilizados no Mandado de Segurança acima citado, e não tendo sido confirmada a liminar pleiteada, e em razão do disposto no artigo 11 da Medida Provisória n. 38, de 15 de maio de 2002, requereu a desistência parcial do Recurso de Apelação e, conseqüentemente, do feito, somente quanto ao direito de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo; por conseguinte, manteve na via judicial discussão a respeito da dedução da base de cálculo do IRPJ e do direito de recolher a contribuição a alíquota de 8%, tendo em relação a estas matérias, efetuado depósito judicial nos valores controvertidos, suspendendo, assim, a exigibilidade do crédito tributário é pacífico que não cabe incidência da multa de ofício concreto, conforme art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, logo, imputar juros moratórios sobre os valores depositados judicialmente, implica ofensa ao princípio de lógica (oposição das proposições), segundo o qual uma situação ou coisa não pode ser e ser ao mesmo tempo, ou seja, não se poderia apregoar não ocorrer (na multa) e ocorrer (nos juros), na mesma circunstância, a mora requer pela desconstituição do crédito tributário exigido, notadamente no que se refere aos juros moratórios, pugnando pelo cancelamento do Auto de Infração. A impugnação foi julgada pela 8ª Turma da DRJ/São Paulo, no qual foi proferido o Acórdão nº 3089, de 01 de abril de 2003, julgando procedente o lançamento, nos seguintes termos: de acordo com o art. 161 do CTN, os juros de mora são devidos mesmo durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial, pois, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo de lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, atributo da exigibilidade; Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 638 4 os juros de mora não precisam ser lançados para serem exigidos, porque, como obrigação acessória, seguem o principal, sendo que o lançamento dos juros no auto de infração é apenas indicativo; os juros de mora devem ser lançados mesmo na hipótese de depósito do montante integral, pois somente na data da conversão em renda para a União verificarseá a abrangência do depósito; acerca da desistência parcial da Ação Judicial e dos benefícios da MP nº 38, de 14/05/2002, esclarece que não cabe à DRJ apreciar o enquadramento ou não do contribuinte nas condições ensejadoras dos benefícios da aludida MP. Cientificado da decisão da primeira instância, a contribuinte interpõe recurso voluntário, no qual aduz o seguinte: incorre em equivoco a decisão recorrida no que diz respeito ao não reconhecimento da extinção do crédito tributário referente à despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo, tendo em vista o pedido de desistência parcial do Mandado de Segurança nº 2000.03.99.0022594, requerida na Medida Cautelar nº 1999.03.00.0409291, isso porque entende que não cabe ao colegiado a apreciação do enquadramento ou não da Recorrente nas condições estabelecidas para o usufruto dos benefícios da Medida Provisória nº 38, de 15/05/2002; em relação à matéria objeto do presente recurso, ou seja, a não incidência dos juros de mora sobre o crédito supostamente devido, alega as mesmas razões transcritas na impugnação, entendendo que exigir juros moratórios sobre valores depositados judicialmente implicaria ofensa ao próprio princípio de lógica, tendo em vista a inaplicabilidade da multa de ofício para o mesmo caso, previsto no art. 63, da Lei n. 9.430/96; enfim, requer a extinção do crédito tributário, notadamente no que se refere aos juros moratórios e o conseqüente cancelamento do Auto de Infração. O recurso voluntário foi apreciado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual, por meio do Acórdão nº 10194.388, de 15 de outubro de 2003 (fls. 419/427). As razões da decisão foram as seguintes: 1) não obstante a recorrente tenha se insurgido na impugnação e em sede recursal tão somente em relação à não incidência de juros de mora sobre o crédito tributário supostamente devido, em razão de seu pleito relativo à dedução da despesa referente ao pagamento da CSLL na formação da base de cálculo do Imposto de Renda, bem como o direito de efetuar o recolhimento da CSLL, para fatos geradores ocorridos no períodobase de 1998 e subseqüentes, à alíquota de 8% (oito por cento), resolve discorrer no recurso voluntário também sobre a extinção do crédito tributário decorrente do pagamento efetuado com os benefícios da Medida Provisória nº 38, de 14 de maio de 2002, em relação à pretensão de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSLL da sua própria base de cálculo; 2) apesar do pagamento efetuado pela contribuinte dos valores relativos à dedutibilidade da CSLL de sua própria base de cálculo, deve ser observado que a matéria não é objeto de discussão no presente caso, e mesmo que tivesse sido préquestionada, não caberia a este colegiado a apreciação do seu enquadramento ou não, conforme bem salientou a decisão recorrida e o próprio Recorrente em grau de recurso; Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 639 5 3) ou seja, o acerto do pagamento efetuado pelo Recorrente em relação à desistência do recurso de Apelação interposto, relativo à pretensão de deduzir a despesa do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro da sua própria base de cálculo, tendo em vista o disposto no artigo 11 da Medida Provisória nº 38, de 15/05/2002, deve ser procedido tão somente pela autoridade administrativa responsável pela análise do pagamento ou parcelamento de débitos; 4) em relação à matéria objeto do presente recurso, ou seja, da não incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário supostamente devido que se encontra depositado judicialmente, este E. Conselho de Contribuintes há muito vem decidindo no sentido de que não há o que se cogitar da exigência dos juros moratórios, se por ocasião da constituição do crédito tributário para evitar a decadência, o contribuinte já havia depositado judicialmente a importância lançada no auto de infração. Nesse contexto, decidiuse pelo provimento parcial do recurso voluntário, no sentido de excluir do lançamento os juros moratórios incidentes sobre o montante do crédito tributário depositado em juízo. Foi dada ciência à contribuinte da decisão em 03/03/2011 (AR fl. 505 e extrato de fl. 506), contra a qual foram interpostos os embargos de declaração de fls. 507/511 em 09/03/2011 (fl. 507), discorrendo sobre os seguintes pontos: destaca que os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial; o acórdão embargado foi contraditório ao afirmar que "(...) em relação à extinção do crédito tributário quando do pagamento dos valores relativos à dedutibilidade da CSLL de sua própria base de cálculo, deve ser observado que a matéria não é objeto de discussão no presente caso, e mesmo que tivesse sido préquestionada, não caberia a este colegiado a apreciação de seu enquadramento ou não, conforme bem salientou a decisão recorrida e o próprio Recorrente em grau de recurso. Sendo assim, o acerto do pagamento efetuado pelo Recorrente em relação à desistência do recurso de Apelação interposto, relativo a pretensão de deduzir a despesa do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro da sua própria base de cálculo, tendo em vista o disposto no artigo 11 da Medida Provisória n° 38, de 15/02/2002, deve ser procedido tão somente pela autoridade administrativa responsável pela análise do pagamento ou parcelamento de débitos de que trata o dispositivo acima citado. Por conseguinte, cabe, tão somente, àquela autoridade administrativa homologar o pagamento efetuado e extinguir o crédito tributário que ali estava sendo discutido (...)". isso porque a extinção do crédito tributário pago nos termos da Medida Provisória nº 38/2002, sempre esteve inserida no objeto de discussão do presente procedimento administrativo, haja vista que como afirmado no acórdão embargado tal ponto foi atacado na decisão proferida pela DRJ; o crédito tributário referente à CSL, objeto do presente Auto de Infração, encontravase sub judice, sendo discutido no Mandado de Segurança n.° 98.00534210, impetrado perante a 11º Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, que questionava a diferença de alíquota imposta às instituições financeiras, bem como a dedutibilidade, para formação da base de cálculo do IRPJ e da CSL, da despesa relativa ao pagamento da CSL, nos períodosbase de 1998 e subseqüentes; Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 640 6 tendo em vista o disposto no artigo 11 da MP n° 38, de 15 de maio de 2002, a Impugnante requereu a desistência parcial do Recurso de Apelação e, conseqüentemente, do pleito, somente quanto ao direito de deduzir a despesa relativa ao pagamento da CSL da sua própria base de cálculo, estando, pois, extinto o crédito tributário em comento; assim, face à quitação do débito em comento, caberia a D. Autoridade Julgadora a confirmação do mesmo e determinação da extinção do presente crédito tributário; no entanto, o acórdão vergastado entende por bem declarar que a matéria relativa ao pagamento do débito é matéria estranha a esta lide, malgrado a mesma tivesse sido analisada por ocasião da decisão proferida pela DRJ; o acórdão embargado também afirma não ser a autoridade competente para averiguar a regularidade do pagamento realizado, hipótese no qual caberia a conversão do julgamento em diligência para a autoridade administrativa dita competente pudesse se manifestasse quanto ao pagamento realizado pela Embargante; nesse contexto, resta evidente a necessidade de acolhimento dos presentes embargos para que se seja sanada contradição apontada ou, ao menos, determinada a conversão do julgamento em diligência, para que se verifique o pagamento realizado pelo Embargante e, consequentemente, a extinção do crédito tributário em comento. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Há que se realizar, inicialmente, aspecto referente à competência para julgamento, a ser apreciado no exame de admissibilidade. Observase que os embargos foram interpostos em face de decisão (Acórdão nº 10194.388, de 15 de outubro de 2003) proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, do qual foi relator o Conselheiro Valmir Sandri, o qual atualmente, sob a égide da Portaria nº 256, de 22 de Junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), encontrase na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Ocorre que o art. 3º do RICARF dispõe o seguinte: Art. 3° Os recursos já sorteados aos conselheiros anteriormente à edição desta Portaria não serão devolvidos ou redistribuídos e serão julgados na turma para a qual o conselheiro for designado. (...) § 4° Os processos que retornem de diligência e os com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.004151/200264 Acórdão n.º 1103001.046 S1C1T3 Fl. 641 7 exarados em sessões anteriores à vigência deste Regimento Interno serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do anterior. (grifei) Tratase precisamente da situação apresentada nos autos. O processo retornou com embargos de declaração, em sessão anterior à vigência do RICARF, e por isso deve ser distribuído ao relator original do recurso, já que o conselheiro continua atuando em colegiado com a mesma especialização do regimento interno anterior. Assim diante de todo o exposto, com fulcro no artigo 3º, § 4º do Regimento Interno do CARF, voto no sentido de encaminhar os presentes autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento para distribuição ao Conselheiro Valmir Sandri. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902165/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 65 /2 01 2- 60 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.005582/2001-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração. O despacho decisório proferido no último dia do prazo afasta a ocorrência da homologação expressa.
Numero da decisão: 1201-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração. O despacho decisório proferido no último dia do prazo afasta a ocorrência da homologação expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 55 82 /2 00 1- 76 Fl. 1745DF CARF MF 2 Relatório O presente processo originouse do Pedido de Restituição de fl. 01, recepcionado em 15/05/2001, ao qual foram vinculados Pedidos de Compensação, convertidos em Declarações de Compensação, nos termos do § 4 0 do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996. Em Despacho Decisório de fls. 347 a 349, cientificado à contribuinte em 05/09/2003, a Autoridade local não tomou conhecimento do Pedido de Restituição relativamente aos períodos atingidos pela decadência, indeferiu os demais períodos e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi analisada e julgada improcedente, em 28/08/2008, pela 2a Turma desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão n° 1618.276 (fls. 705 a 719). Ocorre que, em 11/11/2003, após a prolação do Despacho Decisório de fls. 347 a 349, e antes do Acórdão acima mencionado, a contribuinte havia enviado o PER/DCOMP n° 39662.33799.111103.1.3.020063 (fls. 721 a 734), vinculado ao presente processo. Assim, a Autoridade Administrativa local proferiu o despacho decisório complementar (fl. 735), não homologando as compensações. Cientificada em 11/11/2008 (fl. 736), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 10/12/2008 (fls. 742 a 753), aduzindo, em síntese, que todos os débitos que foram objeto das compensações efetivadas através da DCOMP n° 39662.33799.111103.1.3.02 0063 estariam extintos, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos para sua homologação tácita, a teor do previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional Decisão de 1° instância Em decisão de 04/03/09, a 3°Turma da DRJ/SPOI indeferiu a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ NÃO COMPROVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES VINCULADAS. Não comprovado o saldo negativo de IRPJ e indeferido o pedido de restituição, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP eletrônica vinculada ao mesmo crédito, enviada após a prolação do Despacho Decisório pela Autoridade Administrativa. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 13807.005582/200176 Acórdão n.º 1201001.628 S1C2T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOCORRÉNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração. 0 despacho decisório proferido no último dia do prazo previne a homologação tácita. Recurso Voluntário Inconformado, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratificou seus argumentos já trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Mérito Não merece qualquer reparo o v. acórdão recorrido. O ora recorrente não questiona nos autos deste processo o teor da não homologação das compensações e tampouco faz qualquer menção ao seu suposto direito creditório (alvo de indeferimento das restituições em momento pretérito). Ataca tão somente questão de ordem formal, referente ao prazo legal atribuído à homologação das compensações veiculadas por meio do PER/DCOMP n° 39662.33799.111103.1.3.020063. Inclusive em sede de recurso voluntário, suas alegações acerca da consumação de uma suposta homologação tácita e, por conseqüência, do decurso do prazo atribuído ao Fisco para a homologação expressa ou nãohomologação, são sucintas, de fundamentação rasa e completamente superficial. Transcrevo a única passagem que trata do tema no recurso, ipsis litteris: Fl. 1747DF CARF MF 4 “(...) De outro lado, é fato que as compensações feitas pela Recte. já estavam homologadas tacitamente, pois a intimação da decisão que as indeferiu foi efetivada após o prazo de que o Fisco dispunha para tanto.(...)” Presumese que o recorrente apenas reage a um ponto que não carece de qualquer elucidação. A verdade está escancarada de forma absoluta, por isso o contribuinte, de forma prudente, não se lança a enfrentar tal ponto de forma pormenorizada. Ora, de acordo com os ditames do art. 74 da Lei 9.430/1996, com redação dada pelo Lei 10.637/2002, o termo a quo do prazo para homologação expressa da declaração de compensação é exatamente o momento de sua entrega. No caso concreto, esta se deu em 11 de novembro de 2003. Já o termo ad quem se dá na data em que se consumam pontualmente 5 (cinco) anos da data da entrega. Isso ocorreu em 11 de Novembro de 2008, portanto. A Autoridade Administrativa proferiu despacho decisório não homologando as compensações, cuja a cientificação por parte do ora recorrente se deu em 11 de novembro de 2008. Exatamente no último dia do prazo para que a homologação se manifestasse em sua modalidade expressa. Portanto a tempestividade deste ato resta comprovada, o que invalida qualquer possibilidade de concretização da homologação tácita. Mantémse, assim, intacta a decisão que houve por bem não reconhecer a validade das declarações de compensação alvos desta lide. Superado este ponto de forma inequívoca e irretorquível, passase a análise da questão que mereceu maior atenção e destaque do recorrente em seu recurso voluntário: a aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário, incluindo o valor principal e a multa de ofício. Quanto a este ponto, o presente julgador alterou seu entendimento recentemente, em função da jurisprudência dominante que se desenha neste Conselho. A fundamentação resumese à aplicação do art. 113 c/c art. 139, ambos do CTN, os quais expressamente determinam que o crédito tributário decorre de uma obrigação principal (art. 139) e que esta última, por sua vez, tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade (art. 113, §1º). Os juros moratórios são calculados sobre o crédito tributário, portanto, sua incidência abrange tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Neste sentido têm se consolidado entendimento dominante na CSRF deste Conselho: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Relator: Valmir Sandri) Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 13807.005582/200176 Acórdão n.º 1201001.628 S1C2T1 Fl. 4 5 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011, Relatora: Karem Jureidini Dias) Inclusive o STJ já possui posicionamento neste sentido: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Por fim, a definição quanto a incidência de juros moratórios devidos à taxa SELIC se encontra respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, reputo acertada a incidência da Taxa SELIC sobre o crédito tributário, abrangendo este último, não só o valor principal como também a multa de ofício aplicada. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO, para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1749DF CARF MF 6 Fl. 1750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720238/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .7 20 23 8/ 20 14 -4 1 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 850 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 809 em face de decisão da DRJ/PE de fls. 786 que manteve o lançamento em sua integralidade, por insuficiência de recolhimento das constribuições de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo e glosa de créditos. Por ser costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório constante das decisões de primeira instância, segue para apreciação: "Tratase de Impugnação contra os dois Autos de Infração às fls. 595/604, relativos ao PIS e Cofins não cumulativos, nos valores totais de R$ 2.146.185,18 e R$ 9.885.458,98, respectivamente, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. A infração devese a créditos descontados indevidamente pelo sujeito passivo na apuração das duas Contribuições, estando detalhada no Relatório Fiscal de 580/590, que informa o seguinte: Nos Dacon de janeiro a dezembro de 2010, a fiscalizada apurou créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exclusivamente com relação a “Bens Utilizados como Insumos”, conforme informado, respectivamente, na linha 02 das fichas 06A e 16A desses demonstrativos: (...) Em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 17/10/2013, ela informou que, em 2010, prestou serviços de limpeza, conservação, dedetização, manutenção, jardinagem, capinação, adubação, conservação de áreas verdes e manutenção na área da construção civil. (...) a fiscalizada foi intimada a discriminar (por meio de planilha eletrônica) as operações que integraram os valores informados nas aludidas/fichas dos Dacon. Em resposta ao item "a" do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 31/10/2013, ela apresentou, em vez de a planilha solicitada, relatórios mensais denominados “Registro de Entradas”, listando, em tese, todas as entradas do seu estabelecimento nos meses de janeiro a dezembro de 2010. As operações listadas nesses relatórios totalizaram em cada mês valores muito inferiores aos das aquisições de insumos informadas nos respectivos Dacon, conforme exposto no quadro a seguir: (...) Além disso,todas as operações listadas nesses relatórios foram classificadas com Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) que não correspondem, necessariamente, a aquisições de bens utilizados como insumos, como se observa no quadro a seguir, onde foram dispostos os valores totais dessas operações por CFOP: (...) Diante das inconsistências quantitativas e qualitativas constatadas nos referidos Registros de Entradas, relatadas acima, considerouse não Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 851 3 atendido o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 31/10/2013, relativamente ao seu item “a”. Assim sendo, a fiscalizada foi reintimada a apresentar planilha discriminando as aquisições informadas na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010. Em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 05/02/2014, ela apresentou, em vez de a planilha solicitada, cópia de relatórios mensais, denominados “Folha Analítica”, relativos à sua “Folha de Pagamento, INSS Patronal e FGTS Créditos Utilizados no PIS e Cofins de 2010”, do período de março de 2009 a dezembro de 2010, conforme informado na folha de rosto, desses documentos. Tais Folhas Analíticas apresentaram dados dispersos e sem correspondência com os valores das aquisições de insumos informados na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a. dezembro de 2010. Ademais, se referiram a encargos e despesas com mãodeobra de pessoas físicas, que não dão direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins porque, no caso dos encargos, inexiste previsão legal e, no caso da mãodeobra de pessoas físicas, existe vedação expressa no inciso I do § 2o do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003. Desse modo, assim como os Registros de Entradas fornecidos anteriormente, as Folhas Analíticas apresentadas não foram consideradas hábeis a identificar as operações, que compuseram os valores das aquisições de bens utilizados como insumos informados na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010. .Nesse contexto, a fiscalizada foi cientificada do não atendimento às duas intimações anteriores, por meio do Termo de Constatação Fiscal lavrado em 31/03/2014, e foi novamente reintimada a discriminar as operações que integraram os valores informados na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010 Em resposta (...), informou que: “já apresentou o livro de entrada e todos os demais documentos necessários para comprovar a origem dos valores informados nos demonstrativos de Apuração de contribuições Sociais (Dacon) relativos ao ano calendário 2010” (sem grifos no original); e “o próprio Termo de Constatação Fiscal apurou a origem de parte dos valores em comento, sendo certo, por conseguinte, que este d. Serviço de Fiscalização possui todos os elementos necessários, juntamente com as demais declarações transmitidas ao Fisco; para apurar a origem, mês a mês, dos valores informados nos DACONs relativos ao ano calendário ora fiscalizado” (sem grifos no original). (...) Ocorre que, ao contrário do exposto na aludida resposta, os documentos apresentados ("Registro de Entradas" e "Folha Analítica") não foram considerados hábeis a identificar (e muito menos a comprovar) a origem das aquisições de bens utilizados como insumos informadas na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010, uma que, conforme já exposto: Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 852 4 a) os Registros de Entradas discriminaram operações em valores muito inferiores aos informados nos Dacon; apresentaram classificações fiscais que não denotaram, em tese, aquisições de insumos; e aquisições que não dão direito a crédito (compras de pessoa física); e b) as Folhas Analíticas relacionam dados dispersos, sem correspondência com os valores informados nos Dacon e de operações que não dão direito a crédito das contribuições (encargos e mãode obra de pessoas físicas). (...) Diante desse posicionamento da fiscalizada, no sentido de não fornecer as informações mais detalhadas solicitadas, acerca das operações informadas na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010, a análise da legitimidade dos créditos por ela apurados foi efetuada com base nos citados Registros de Entradas. Os dados das Folhas Analíticas não foram considerados pelas razões já expostas no presente relatório. Assim, a verificação da regularidade dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em tela foi efetuada, essencialmente, com base nas operações escrituradas nos Registros de Entradas, como se exporá a seguir 3 DOS CRÉDITOS INDEVIDOS 3.1) Das Aquisições de lnsumos não Comprovadas: (...) 3.2) Dos Créditos sobre Aquisições de lnsumos de Pessoa Física De acordo com os Registros de Entradas apresentados, a fiscalizada efetuou as seguintes compras de insumos junto à pessoa física de Joel Domingos da Silva, CPF... (...) A inclusão desses valores nas aquisições de “Bens Utilizados como lnsumos”, na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon, para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, foi considerada indevida tendo em vista o disposto no §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003. (...) 3.3) Dos Créditos sobre Compra de Bens para o Ativo Imobilizado (...) Considerando que o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre bens incorporados ao ativo imobilizado deve ser calculado sobre o valor dos encargos de depreciação dos referidos bens incorridos no mês (art. 3o, § 1°, inciso III, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente) e não sobre os valores de suas aquisições, os créditos sobre essas operações foram considerados indevidos. (...) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 853 5 3.4) Dos Créditos sobre Remessa de Equipamentos (...) R$ 93.000,00 correspondente à nota fiscal nº 6.367, da empresa RTLEA Locação de Equipamentos e Andaimes Ltda... (...) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 25/08/2014, ela apresentou uma cópia da mencionada nota fiscal, por meio da qual verificouse que o referido valor correspondeu ao total dos valores de equipamentos que recebeu daquela empresa naquele mês para locação. Por não existir previsão legal para o aproveitamento de créditos sobre o valor de equipamentos remetidos para locação, os créditos (...) apurados sobre o valor da mencionada nota fiscal foram considerados indevidos... (...) 3.5) Dos Créditos sobre Despesas com Cafés, Refeições e Lanches (...) 4 CONSOLIDAÇÃO DÁS IRREGULARIDADES. As irregularidades descritas no presente relatório foram consolidadas mês a mês, no Anexo II ao presente relatório, a fim de apurar os valores totais dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontados indevidamente das contribuições apuradas, nos respectivos Dacon. Expurgando dos valores das contribuições apuradas em cada mês os créditos aproveitados de forma indevida, foram apurados débitos, desses tributos, que ensejaram o respectivo lançamento de ofício. Na Impugnação de fls. 613/646, tempestiva, a contribuinte afirma que "todos os valores glosados pelo d. agente fiscal configuramse insumos intrínsecos à atividade desenvolvida pela impugnante e, por tal razão, foram corretamente descontados como créditos na apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo, nos termos das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03", alegando o seguinte, em resumo: (...) exerce "a atividade de prestação de diversos serviços, sendo certo, por conseguinte, que os gastos com a folha de salários, remessa de equipamentos locados, cafés, refeições, lanches, dentre outros, são inerentes e imprescindíveis à consecução de seu objeto social"; o Auditor Fiscal não atentou para a atividade desenvolvida pela Impugnante e, por tal razão acabou, indevidamente, glosando os créditos oriundos dos insumos consumidos diretamente na prestação de seus serviços; o procedimento adotado pela impugnante está em perfeita consonância com o entendimento do CARF; a impugnante é empresa prestadora de serviços, que se dedica às atividades de limpeza, conservação, dedetização, entre diversas outras, conforme se infere por meio da cláusula 3ª do seu contrato social; Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 854 6 além da mão de obra, "todos os materiais e equipamentos utilizados por essa mão de obra na prestação dos serviços também são insumos, pois, sem eles, seria inviável a execução do objeto social da impugnante e o consequente auferimento de receita"; conforme o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que transcreve, "a legislação autoriza de forma expressa o desconto de todo e qualquer insumo utilizado na prestação de serviço" (negrito no original), citando em seguida doutrina e julgados do CARF a amparar o que defende; conforme disciplinam os arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, "não há dúvidas que todos os valores em referência glosados pelo d. agente fiscal se tratam de custos inerentes à prestação dos serviços da impugnante, especialmente os inerentes à força humana utilizada na realização de seus serviços" (cita ementa de outro julgado do CARF, segundo a qual os gastos gerais da pessoa jurídica são insumos para fins do PIS e Cofins); com base no inciso X do art. 3, das Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, "os gastos relativos ao auxílio alimentação, que, evidentemente, englobam as despesas com cafés, refeições e lanches, podem ser utilizados como créditos na apuração das contribuições em referência, sendo notório que o d. agente fiscal não poderia ter efetuado a glosa de tais dispêndios"; o rol de despesas previstas nos incisos do referido art. 3º "é meramente exemplificativo, tanto é que, repitase, o inciso II autoriza o creditamento de todos os insumos aplicados/consumidos na execução da atividade do contribuinte, o que deixa claro que a possibilidade da utilização de determinado crédito depende da análise minuciosa do serviço desenvolvido por cada empresa", mencionando em seguida julgado do TRF da 4ª Região (Apelação Cível n° 0000007 25.2010.404.7200/SC ); ao contrário do mencionado no item 3.1 do Relatório Fiscal, "NÃO há que se falar na ausência de comprovação do crédito nele descrito, mas sim na discordância do d. agente fiscal acerca dos créditos utilizados pela impugnante relativos à mão de obra utilizada na prestação de serviço", tanto assim que o próprio autuante conseguiu apurar, mediante análise dos documentos apresentados pela impugnante, que grande parte do crédito glosado diz respeito aos gastos com a mão de obra, apresentando como comprovação dos créditos "o resumo da folha e o registro de apuração das contribuições em referência (doc. 08), por intermédio dos quais se comprova que o crédito em tela tem origem nos valores despendidos com a mão de obra"; o art. 3º, § 2º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (que veda o crédito sobre o valor de mãodeobra paga a pessoa física) vai de encontro à sistemática constitucional da não cumulatividade das duas Contribuições, contrariando, ainda, o art. 3º, II, dessas duas Leis; o art. 195, § 2º, da Constituição Federal, "instituiu a não cumulatividade plena para o PIS e para a COFINS, sendo que a única Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 855 7 margem de liberalidade dada pelo Texto Constitucional ao legislador ordinário se refere à escolha dos setores da atividade econômica para as quais as referidas contribuições serão não cumulativas, o que já ocorreu, conforme dispõe o art. 8° da Lei n° 10.637/02 e o art. 10 da Lei n° 10.833/03". Delimitados estes setores, "a não cumulatividade não pode sofrer qualquer outra restrição, especialmente pelo legislador ordinário, sendo certo que o art. 3º, § 2º, I, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 não podem ser aplicados ao presente caso", menciona doutrina na linha do que defende; não há nenhum dano ao erário no fato de ter sido utilizado o valor de aquisição de bem para imobilizado como crédito, pois isso significa que a impugnante não irá tomar mais crédito sobre tal despesa; a empresa tem direito a crédito com equipamentos locados para a prestação dos serviços (referese à Nota Fiscal emitida pela empresa RTLEA Locação de Equipamentos e Andaimes Ltda), à vista do art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; apesar da defesa dos créditos em questão, conforme exposto acima, de todo modo os Autos de Infração são improcedentes porque a Impugnante se sujeita à sistemática cumulativa do PIS e Cofins. Argúi que com a adoção do regime não cumulativo "ocorreu uma nítida infração ao princípio da isonomia em razão do fato de que algumas empresas prestadoras de serviço foram (sic) excluídas da sistemática não cumulativa e outras, tal como a ora impugnante, foram indevidamente mantidas, sendo certo que o d. agente fiscal deveria apurálas no regime cumulativo." por isonomia com as empresas de segurança e vigilância de que trata Lei nº 7.102, de 1983, também faz jus ao regime cumulativo; a prestação de serviços de vigilância e segurança é uma prestação de serviço como qualquer outra, apesar de possuir lei específica para regulamentar o uso de armas de fogo e exigir autorização da Polícia Federal, e nela há utilização intensiva de mão de obra, circulação de bem imaterial e ativo imobilizado insignificante, "ficando evidente a ausência de qualquer discrímen nesta conduta absolutamente casuística do legislador, não podendo prevalecer tamanha ilegalidade e inconstitucionalidade"; um "outro exemplo desse absoluto casuísmo (que se revela sem precedentes em nossa história legislativa tributária) é que as categorias excluídas da sistemática nãocumulativa de apuração do PIS e da COFINS estavam inicialmente discriminadas em oito incisos do art. 8º da Lei 10.637/02, sendo ao menos 3, de empresas de prestação de serviços", mas depois diversas categorias de serviços foram excluídas por puro "casuísmo" (referencia alterações no rol das atividades sujeitas ao regime cumulativo, citando as Leis nºs 10.865, 10.925, 11.051, as três de 2004, e 11.196, de 2005, bem como julgado do TRF da 5ª Região tratando da submissão de prestadora de serviços no regime não cumulativo e do aumento da tributação do PIS e Cofins decorrente); direito à manutenção da redução da multa de ofício aplicada em cinquenta por cento, apesar da presente Impugnação, porque o Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 856 8 contrário constitui ofensa ao art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal, não sendo lícito que a contribuinte seja punida por ter exercido o seu direito de defesa. Ao final, protestando pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, requer a improcedência total dos dois lançamentos, "afastandose todas as glosas dos créditos realizadas pelo d. agente fiscal, tendo em vista que se referem exclusivamente a insumos diretamente relacionados e consumidos na prestação dos serviços exercidos pela impugnante, possuindo respaldo no art. 3º, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03", ou por "erro na apuração em razão da necessidade de sujeição da impugnante ao regime cumulativo ou, ao menos, seja mantido o desconto do valor da multa em caso de pagamento ou parcelamento após o término do presente processo administrativo". É o relatório." A DRJ/PE em sua decisão de primeira instância, manteve os lançamentos, nos termos da ementa reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os serviços de limpeza, conservação, dedetização, manutenção, jardinagem, capinação, adubação, conservação de áreas verdes e manutenção na área da construção civil são tributados pelo regime não cumulativo do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Aquisições de insumos não comprovadas ensejam a glosa e o consequente lançamento da Contribuição, quando apurado saldo devedor ao final do período de apuração. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Excetuadas hipóteses específicas de crédito presumido, no regime não cumulatividade do PIS e Cofins aquisições de bens e serviços de pessoas físicas não dão direito ao crédito. BENS PARA O ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITO APURADO COM BASE NA DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM ADQUIRIDO. Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens incorporados ao ativo imobilizado são calculados com base nos encargos de depreciação, não se admitindo em seu lugar o valor total bem adquirido. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 857 9 LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTO. CRÉDITO APURADO COM BASE NO VALOR DO ALUGUEL PAGO NO MÊS. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM LOCADO. Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens locados são calculados com base no valor mensal do aluguel, não se admitindo em seu lugar o valor total bem locado. DESPESAS COM CAFÉS, REFEIÇÕES E LANCHES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CRÉDITO. O art. 3º, X, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê créditos de PIS e Cofins em relação ao valerefeição ou vale alimentação, mas não se aplica às despesas com cafés, refeições e lanches. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO PARA PAGAMENTO OU PARCELAMENTO EFETUADO NO PRAZO DE 30 DIAS. HIPÓTESES QUE NÃO SE APLICAM HAVENDO IMPUGNAÇÃO. O art. 6º, incisos I e II, da Lei nº 8.218, de 1991, ao estabelecerem a redução da multa de ofício em 50% (cinquenta por cento) ou em 40% (quarenta por cento) se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias ou se for parcelado o débito tributário, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento, não se aplica na situação em que há impugnação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os serviços de limpeza, conservação, dedetização, manutenção, jardinagem, capinação, adubação, conservação de áreas verdes e manutenção na área da construção civil são tributados pelo regime não cumulativo do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Aquisições de insumos não comprovadas ensejam a glosa e o consequente lançamento da Contribuição, quando apurado saldo devedor ao final do período de apuração. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Excetuadas hipóteses específicas de crédito presumido na não cumulatividade do PIS e Cofins, aquisições de bens e serviços de pessoas físicas não dão direito ao crédito. BENS PARA O ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITO APURADO COM BASE NA DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM ADQUIRIDO. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 858 10 Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens incorporados ao ativo imobilizado é calculado com base nos encargos de depreciação, não se admitindo em seu lugar o valor total bem adquirido. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTO. CRÉDITO APURADO COM BASE NO VALOR DO ALUGUEL PAGO NO MÊS. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM LOCADO. Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens locados é calculado com base no valor mensal do aluguel, não se admitindo em seu lugar o valor total bem locado. DESPESAS COM CAFÉS, REFEIÇÕES E LANCHES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CRÉDITO. O art. 3º, X, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevêem créditos de PIS e Cofins em relação ao valerefeição ou vale alimentação, mas não se aplica às despesas com cafés, refeições e lanches. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50% PARA PAGAMENTO EFETUADO NO PRAZO DE 30 DIAS. HIPÓTESE QUE NÃO SE APLICA HAVENDO IMPUGNAÇÃO. O art. 6º, I, da Lei nº 8.218, de 1991, ao estabelecer a redução da multa de ofício em 50% (cinquenta por cento) se e for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento, não se aplica na situação em que há impugnação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 859 11 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando a tempestividade do Recurso Voluntário, este deve ser conhecido. A lide trata do direito ao crédito na apuração das contribuições de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Neste caso em concreto há, por parte do contribuinte, importante indício de que os materiais de limpeza são aquisições essenciais ao processo produtivo ou de prestação de serviços de limpeza, conforme objeto social do contribuinte (vide fls. 527). Destacase esta parte da lide uma vez que, sobre as aquisições de materiais de limpeza constantes nas notas fiscais de fls. 538 e seguintes, foi realizada a glosa pela fiscalização. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: o contribuinte seja intimado para juntar laudo atestando a relação dos produtos, que pretendeu auferir crédito, com as suas atividades, com seu processo produtivo e de prestação de serviços e discriminar as respectivas utilizações, em especial dos materiais de limpeza adquiridos conforme notas fiscais de fls. 538 e seguintes. Ao contribuinte deve ser disponibilizado o prazo de 30 dias após ciência da intimação, prorrogado por mais um único período. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 860 12 Fl. 860DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.723736/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL.
Tributam-se os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa.
DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos.
Numero da decisão: 2402-005.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL. Tributam-se os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos.
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Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 37 36 /2 01 3- 61 Fl. 5472DF CARF MF 2 Tributamse os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.473 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 5433 a 5468) interposto contra decisão proferida no Acórdão 1658.581 18ª Turma da DRJ/SPO (Fls. 5404 a 5427) onde, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação (fls. 5336 a 5367) improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a apuração de IRPF, Juros e Multa, no montante de R$ 4.926.379,57 incidente sobre rendimentos omitidos. Em suma, a Auditora Fiscal constatou haver movimentação financeira 10 vezes superior ao valor declarado pelo Recorrente nas DIRPF dos anos calendários 2008 e 2009. Em decorrência de tal constatação o Recorrente foi regularmente intimado por diversas vezes à apresentar documentos bancários referentes e justificar discrepâncias tendo tido ampla participação na apuração dos possíveis fatos geradores. O Recorrente, ainda na fase fiscalizatória, apresentou justificativas das operações conforme Fls 3385 a 3393. Considerando tais justificativas e as análises documentais, a Auditora Fiscal entendeu por presente os elementos necessários a realização dos lançamentos: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Os fundamentos de tais lançamentos pode ser verificados no relatório fiscal de Fls 5307 a 5328. Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação com os seguintes tópicos: Em preliminar requer: Reconhecimento de nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que o mesmo foi decorrência de presunção não tendo o fisco comprovado que tais operações seriam rendimentos omitidos; No mérito alegou: Inocorrência de omissão ou composição indevida da base de calculo do IRPF, sendo indevidas a desconsideração de provas juntadas, a transferência do ônus da prova e a presunção adotada pelo fisco. Alega a impossibilidade de revisão de lançamento tributário com base em indícios, por afrontar o Art. 149 do CTN. Fl. 5474DF CARF MF 4 Disserta quanto ao caráter confiscatório da Multa aplicada, que não estaria em consonância com a moderna jurisprudência do STJ. Em conclusão, pede o reconhecimento da nulidade, o afastamento dos lançamentos realizados e multas aplicadas, e, alternativamente, a redução das multas ao percentual de 25% com base em entendimento jurisprudencial quanto aos limites confiscatório. O acórdão, por unanimidade não acolheu as razões impugnatórias por entender não estarem comprovadas a natureza das operações e não oponíveis os fundamentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados pelo contribuinte, decidindo por manter a integralidade do crédito tributário e respectivas sanções. Seguindo na lide, em seu recurso, apenas reitera os argumentos utilizados na Impugnação. Em complementação a narrativas de fatos e fundamentos registrados neste relatório até o momento, transcreveremos parte do relatório da decisão recorrida: "Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5291/5306, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 4.926.379,57, sendo que R$ 2.263.067,76 a título de imposto, R$ 883.161,11 a título de juros de mora, calculados até 11/2013, e R$ 1.780.150,70 a título de multa proporcional. A presente Ação Fiscal teve início com o termo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.06.002012000755, decorrente de procedimento fiscal referente às DAA Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda em nome do contribuinte, relativos aos exercícios 2009 e 2010, anoscalendário 2008 e 2009. Comparando as Declarações de Ajuste Anual apresentadas com as informações oriundas do banco de dados da Receita Federal do Brasil, constatouse que, nos anoscalendário sob ação fiscal, a movimentação financeira do contribuinte foi, aproximadamente, dez vezes maior do que os rendimentos por ele declarados. Foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 10/02/2012, no qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários mensais das movimentações bancárias mantidas junto a todos os bancos nos quais possuísse conta como titular ou cotitular (Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Carlos Barbosa, do Banco do Brasil S/A, da Caixa Econômica Federal, do Banco Real S/A, do Bradesco S/A e do Banco Santander S/A), do período de 01/01/2008 a 31/12/2009. Solicitouse também os informes de rendimentos anuais fornecidos pelas instituições financeiras e informação sobre a existência de outros titulares nas contas bancárias de sua titularidade. Posteriormente, foram emitidos Termos Fiscais nos quais o contribuinte foi intimado a complementar documentação e comprovar, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias de sua titularidade, mantidas junto ao Banco do Brasil S/A Fl. 5475DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.474 5 – agência 04863, conta corrente 13.5674; Banco Bradesco S/A – agência 1775 conta 39.9132; Banco Real S/A – agência 0095 conta corrente 6.7359897, conforme planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº 004 (fls. 635/654), elaboradas com base nos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte em cumprimento de Intimação Fiscal. Após intimações realizadas diretamente a algumas instituições financeiras, autorizadas pelo próprio contribuinte, e análise de todos os argumentos, esclarecimentos e elementos de prova apresentados e colhidos durante o procedimento fiscal, foi lavrado o presente auto de infração, com as seguintes infrações e os seguintes valores, conforme constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 5291/5306: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/05/2008 34.053,64 75,00 30/06/2008 29.000,00 75,00 31/07/2008 15.742,30 75,00 31/08/2008 14.000,00 75,00 30/09/2008 21.000,00 75,00 31/10/2008 23.984,00 75,00 30/11/2008 6.000,00 75,00 31/01/2009 11.000,00 75,00 31/03/2009 29.436,00 75,00 30/04/2009 16.900,00 75,00 31/05/2009 34.248,64 75,00 30/06/2009 7.000,00 75,00 31/07/2009 28.200,00 75,00 31/08/2009 37.500,00 75,00 30/09/2009 35.696,00 75,00 31/10/2009 66.782,02 75,00 30/11/2009 87.019,25 75,00 Fl. 5476DF CARF MF 6 31/12/2009 51.250,00 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 45 e 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. b) Omissão de Resultado Tributável da Atividade Rural Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/12/2008 246.754,14 150,00 31/12/2009 154.942,18 150,00 Enquadramento Legal: Arts. 57 a 62, 71 e 83 do RIR/1999; Arts. 1º a 8º e 13 a 22 da Lei nº 8.023/1990; Arts. 9, 17 e 18 da Lei nº 9.250/1995; Art. 59 da Lei nº 9.430/1996; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31/05/2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. c) Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/01/2008 215.358,04 75,00 28/02/2008 356.940,86 75,00 31/03/2008 334.412,09 75,00 30/04/2008 313.823,07 75,00 31/05/2008 344.239,63 75,00 30/06/2008 580.615,36 75,00 31/07/2008 409.211,33 75,00 31/08/2008 539.133,88 75,00 30/09/2008 427.237,46 75,00 31/10/2008 635.187,15 75,00 30/11/2008 394.376,42 75,00 31/12/2008 618.064,20 75,00 31/01/2009 477.676,80 75,00 Fl. 5477DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.475 7 28/02/2009 473.749,98 75,00 31/03/2009 399.706,87 75,00 30/04/2009 283.597,50 75,00 31/05/2009 5.000,00 75,00 30/06/2009 9.136,75 75,00 31/07/2009 77.557,35 75,00 31/08/2009 53.069,00 75,00 30/09/2009 140.811,64 75,00 31/10/2009 13.298,00 75,00 30/11/2009 80.978,65 75,00 31/12/2009 95.647,10 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/1999 e art. 58 da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172/66 e art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31/05/2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. Quanto às multas aplicadas, para os depósitos bancários de origem não comprovada e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica representados pelas transferências bancárias da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda. foi aplicada a multa de ofício de 75% com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Para a omissão de resultado tributável da atividade rural foi qualificada a multa de ofício, aplicandose o percentual de 150%, conforme determina o §1º do art. 44, acima citado, tendo em vista, em tese, prática de sonegação, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Foi elaborada, ainda, representação fiscal para fins penais (processo nº 11020.723742/201318), por dever de ofício e cumprindo o que determina o art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 5307/5328. Fl. 5478DF CARF MF 8 Cientificado do lançamento em foco em 12/11/2013, conforme fl. 5.332, o interessado apresentou impugnação de fls. 5336/5367, em 09/12/2013, aduzindo, em síntese, o que se segue: 1) RAZÕES PRELIMINARES Da Nulidade: O Fisco presumiu que todos os valores provenientes do desconto de títulos pela Monte Castelo representaram omissão de rendimento recebido pelo Impugnante de pessoa jurídica. Entretanto, o Fisco deveria apontar, de forma discriminada, quais os rendimentos foram dirigidos ao Impugnante, e determinar quais os seus valores, a fim de apurar a real base de cálculo, pois a tributação deve ocorrer de forma objetiva, não sendo crível presumir que toda e qualquer movimentação bancária do Impugnante referese a rendimentos recebidos da Monte Castelo. É esse o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 2) O mesmo foi feito em relação à apuração do resultado tributável da atividade rural. O ônus da prova cabe integralmente ao Fisco e sob tais condições o auto de infração padece de vício de origem, pelo que o mesmo não pode subsistir, com sua nulidade sendo reconhecida a partir do julgamento da impugnação. 3) Aplicandose o artigo 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, o artigo 145, III, do Código Civil de 1916, o artigo 166, IV do Código Civil de 2002 e a Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, devese determinar a anulação e o arquivamento do auto de infração, eis que restou demonstrada a ilegalidade e inconstitucionalidade do mesmo. A manutenção da pretensão fiscal afronta ainda o Princípio da Legalidade Tributária, previsto no artigo 150, I, da Constituição Federal de 1988 e confirmado pelo artigo 9º, I, do Código Tributário Nacional. 4) RAZÕES DE MÉRITO: A autoridade fiscal não produziu prova capaz de desqualificar a documentação apresentada pelo Impugnante durante o longo procedimento fiscal. O Impugnante só não comprovou documentalmente a origem das receitas quando tal prova lhe era impossível e, nesses casos, o Fisco não diligenciou no sentido de obter tais provas. 5) Atendendo a fiscalização, apresentou um grande volume de documentos, que demonstram que inocorreu a omissão alegada, inclusive com a comprovação, via notas fiscais, da origem devidamente comprovada. As operações junto a empresas de fomento, que nada de ilegal possuem, foram devidamente comprovadas por documentos fornecidos, inclusive pelas próprias empresas, de modo que tais receitas têm origens devidamente comprovadas. 6) O Fisco desconsiderou documentos apresentados como comprobatórios de despesas da atividade rural – tais como, por exemplo, os extratos fornecidos pela CEF que comprovam o Fl. 5479DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.476 9 pagamento do FGTS dos empregados e as constas de serviços de comunicação, que são despesas necessárias à atividade, pois correspondem ao serviço de rastreamento de caminhões que transportam os produtos rurais. 7) Faltou, no proceder do Fisco, a comprovação não só dos próprios indícios, mas também do nexo de casualidade entre os indícios e os fatos por ele presumidos, que teriam dado origem ao suposto débito tributário. Todo trabalho fiscal está baseado em presunção simples. 8) Trazendo a previsão legal de hipótese de incidência do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza apresentada no art. 43 do CTN, para o caso dos autos, fica evidente a ausência de qualquer fundamento em caracterizar como omissão de receitas por parte do impugnante. 9) É necessário considerar o quanto dispõe a teoria da Carga Dinâmica da Prova (ou Distribuição Dinâmica dos Ônus Probatórios), esmiuçada por Antônio Janyr Dall’Agnol Junior, na qual caberia ao Fisco buscar os documentos necessários, a fim de verificar as informações prestadas pelo Impugnante, pois tem em mãos melhores condições e ferramentas para a realização da prova. 10) Meras alegações, ou mesmo a vontade pessoal da autoridade tributária não servem para desconstituir a prova documental apresentada pelo Impugnante, lançando alegado crédito sem qualquer lastro, baseado somente em presunções simples que não substituem as provas. 11) O impugnante não apresentou meras alegações, apresentou documentos que comprovaram tais alegações, mas que foram, injustificadamente, ignoradas pelo Fisco, em prol de uma tributação sem fundamento fático e legal. 12) Deve ser afastada a pretensão fiscal de descaracterizar os documentos apresentados pelo Impugnante como capazes de comprovar a origem das receitas e das despesas de custeio. 13) Foi a ocorrência, no entendimento do Fisco, de simulação e fraude com intuito de sonegação (inciso VII do art. 149 do CTN) que levaram o Fisco a revisar de ofício o lançamento do IRPF do Impugnante. Não há em todo o processo administrativo qualquer prova de que o Impugnante tenha agido de forma espúria, simulando fatos com intuito de fraudar. 14) Do caráter confiscatório da multa aplicada conforme o moderno entendimento que se desenha no Supremo Tribunal Federal e a interpretação mais benéfica ao contribuinte: O impugnante não cometeu qualquer ato afrontoso à legislação tributária e não está sujeito a qualquer sanção. Entretanto, além de Fl. 5480DF CARF MF 10 impor ao impugnante tributação indevida, ainda o fez impondo concomitantemente, multas de 75% e 150%. 15) Se houvesse ilícito a punir, haveria de ser respeitado, pelo menos, um mínimo de proporcionalidade entre o montante do fato e da multa. Verificase a aplicação de multa em percentual elevadíssimo e desproporcional, sabendo que há previsão no ordenamento jurídico de multa no patamar de 20%. O art. 112 do CTN apresenta de forma expressa o princípio do in dúbio contra fiscum, ou, em outras palavras, determina a utilização de uma interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida no julgamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal recentemente decidiu que a sanção no percentual de 25% já tem característica de confisco." É o relatório. Fl. 5481DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.477 11 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Cientificando da decisão da DRJ em 27/06/14 (Fl 5431), o Recorrente interpôs tempestivamente seu Recurso Voluntário em 24/07/14 (Fl. 5433), estando presentes as demais condições de admissibilidade entendemos que o recurso merece ser conhecido. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega nulidade do lançamento alegando que o mesmo é decorrência de presunção, não tendo o fisco comprovado que tais operações seriam rendimentos omitidos. A nulidade, no âmbito do processo administrativo fiscal está regida pelo Art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Medida Provisória nº 367, de 1993)" Como é possível perceber, a nulidade alegada não encontra acolhimento claro na legislação de referência, não sendo tal alegação um caso de nulificação do auto de modo preliminar. De tal feita, votamos pelo não acolhimento da preliminar. Fl. 5482DF CARF MF 12 3. MÉRITO 3.1. QUANTO A ALEGAÇÃO DE INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO OU COMPOSIÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO E DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM INDÍCIOS, POR AFRONTAR O ART. 149 DO CTN. O recorrente resiste a perfectibilização dos seguintes lançamentos: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Ocorre que a metodologia de apuração adotada é aquela de trata o Art. 42 da Lei 9.430/96. Nesse sentido, o Recorrente alega ter comprovado com documentação hábil e idônea as operações tomadas como base para os lançamentos combatidos, sendo indevida a desconsideração de provas juntadas, a transferência do ônus da prova e a presunção adotada pelo fisco. Do ponto de vista da legalidade do regime de apuração em questão nos posicionamos pela legalidade do mesmo. No que tange a prova de omissão de rendimentos tributáveis a Lei 9.430/96 Art. 421, atribuí ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil, idônea e 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 5483DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.478 13 de forma individualizada, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento registrada em seu nome e mantida em instituição financeira. Após o contribuinte ser intimado à comprovar à origem das operações, a conseqüência normativa da não demonstração de tal origem é a presunção juris tantum de que tais recursos representam receitas ou rendimentos omitidos pelo mesmo, devendo ser oferecidos à tributação. Conforme dispositivo citado, tal comprovação deve ser realizada por meio de documentos hábeis e idôneos, de modo detalhado e individualizado, permitindo a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A caracterização de disponibilidade de renda, nestes casos, reside na conjunção da verificação de existência de depósitos em conta corrente ou de investimento2, notificação ao contribuinte para prestar esclarecimentos, contendo individualização dos depósitos a serem comprovados e ausência de comprovação com documentação hábil e idônea. Uma vez presente tais elementos, será estabelecida a presunção de renda, ficando o fisco dispensado de comprovar o consumo da renda, conforme Súmula CARF nº 26: "Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Quanto a legalidade do procedimento previsto no Art. 42 da Lei nº 9.430/96 o STJ tem se manifestado quanto a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) e se posicionado no sentido da licitude do citado dispositivo: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). 2 O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 61. Fl. 5484DF CARF MF 14 [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015)" Quanto ao argumento de que tal expediente fere o disposto no Art. 149 do Código Tributário Nacional, entendemos que este dispositivos justifica o procedimento adotado pela autoridade fiscal e não o contrário. Senão, vejamos o que dispõe o citado normativo: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; (...) Como se percebe o dispositivo prevê uma série situações jurídicas aptas a permitir a realização ou revisão de lançamento mesmo quando o contribuinte já tenha prestado declaração. No caso em análise, a revisão é pressuposto do lançamento, pois, tratase lançamento por homologação e, conforme Art. 150 do mesmo normativo oposto pelo Recorrente, sujeito a revisão de oficio. "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." Portanto, não há que se falar em qualquer afronta a lei capaz de macular o lançamento combatido. Em sede de recurso o Recorrente não tratou de indicações de fato e detalhamentos individualizados das operações, entretanto, alegou ter comprovado a origem das operações. Fl. 5485DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.479 15 Desta feita, afastados os argumentos meramente jurídicos, cabe a analisar a questão do ponto de vista fático verificando se os documentos acostados aos autos seriam hábeis e idôneos para comprovar as operações em questão. Analisaremos os documentos em função das respectivas autuações a que deram causa. 3.2. 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Para efetuar parte dos lançamentos, a autoridade fiscal, considerou as transferências bancárias efetuadas da conta corrente 38.9102, junto ao Banco Bradesco S.A, em nome da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda e diversos descontos de cheques da citada empresa. Conforme planilhas de fls. 5058/5060, foram efetuadas em beneficio do contribuinte, nas contascorrentes nº 13.5674, agência 04863, do Banco do Brasil, conta 39.9132, agência 1775, do Banco Bradesco S/A, e conta corrente 6.7359897, agência 0095, Banco Real S/A. O Recorrente alega que tais movimentações referemse a descontos de cheques que tomava “emprestado” da empresa Monte Castelo Participações Ltda – CNPJ 08.626.843/000100, da qual era sócio na época, o mesmo ocorrendo com cheques da nora (Marinei) e um sócio antigo (Ari Bueno). Revisamos os documentos relativos as essas operações e apuramos que os Livros Diário e Razão (fls 3586 a 4009) da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda, e confirmamos que, nos exercícios 2008 e 2009, não constam registros dos citados empréstimos. Também não constam registros de tais empréstimos em seu LivroCaixa de Produtor Rural (3401 a 33.585). Não foram juntados contratos de empréstimos, suas declarações de imposto de renda Pessoa Física não registram tais dividas, tão pouco foram apresentados outros documentos hábeis e idôneos capazes de firmar a veracidade das alegações do Recorrente quanto a natureza de empréstimo atribuída a tais operações. Quanto as transferências bancárias, o Recorrente alegou (fls 2245, item 6º) que: “Existiam transferências entre a conta da pessoa jurídica Monte Castelo Participações e a conta do SR. Vasco. Estas eram efetuadas após o depósito de cheques do Sr. Vasco na conta da empresa, unicamente com o intuito de gerar caixa” e mais uma vez a contabilidade não da suporte a alegação. Quanto a alegação de que a empresa citada, da qual era administrador, realizava operações de descontos de títulos e no mesmo dia ou dia seguinte os transferia para a conta do Recorrente, não identificamos registros contábeis de tal ressarcimento ou mesmo de créditos lançados contra o Recorrente, o que seriam um indicativo de que haveria a intenção de ressarcimento dos créditos. Portanto, também não é possível considerar tais alegações válidas. Diante de tais elementos, não são os documentos acostados, hábeis e idôneos ao suporte das alegações do Recorrente, razão pela qual votamos no sentido de manter a Fl. 5486DF CARF MF 16 integralidade do lançamento decorrente de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. 3.3. 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL No que se refere às operações decorrentes de Atividade Rural tidas por omitidas, revisamos toda a documentação referente e, de fato, não foi possível identificar em suas declarações de livrocaixa as notas fiscais de fls 5194 a 5199, o que altera a composição de sua renda decorrente da atividade rural. Quanto as operações glosadas, de fato existem operações que não seriam típicas da Atividade Rural. Citamos, apenas como exemplo, a Nota Fiscal de Fls 5094 referente a bens de uso doméstico como colher de arroz e saladeira. Revisitado os documentos que deram base a este lançamento, verificamos serem procedentes a indicação de existência de lançamentos duplicados, a maior, notas diversas do declarado e despesas não dedutíveis como juros de descontos de cheques, IOF e valores de consórcios não contemplados. Apenas para exemplificar tomemos as parcelas de consórcio e lances registrados como despesas dedutíveis no livrocaixa. Verificase que, apesar de existir na folha nº 4427 nota fiscal de veículo compatível com o descrito na ficha de consórcio juntada nas folhas 4424 a 4426, a data da respectiva nota está ilegível e não existe comprovação de que o mesmo tenha utilização na atividade rural, portanto, não sendo possível considerar tais documentos como hábeis e idôneos a comprovação da operação glosada. O registro de tal operação como despesa somente poderia acontecer nos termos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62, §§ 5º e 6º, ou seja, somente após o recebimento do bem e desde que o uso do veiculo seja dedicado a atividade rural. Enquanto não contemplado, os pagamentos devem ser registrados na ficha de Bens da Atividade Rural, não servindo a composição de resultados. Diante do exposto, votamos por rejeitar os argumentos autorais e manter a integralidade do lançamento neste ponto. 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Recorrente foi intimado a comprovar a origem de créditos/depósitos efetuados em suas contascorrentes ou de investimento nos anoscalendário de 2008 e 2009, sendo o único titular de tais contas. O mesmo alegou que tais operações tem origem na venda produtos rurais, tendo o agente fiscal realizados diligências e comprovado parte das alegações, restando ainda outras operações sem comprovação, conforme folhas 5037 a 5056. Entretanto, apesar das alegações de que as operações descritas na tabela existente na folha 5057 estarem comprovadas por notas fiscais, não foi possível traçar um paralelo entre tais notas e os depósitos, não havendo identidade datas e valores, razão pela qual não será possível acolher tais alegações. 004 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Fl. 5487DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.480 17 O recorrente, por fim, disserta quanto ao caráter confiscatório da Multa aplicada, alegando que não estaria em consonância com a moderna jurisprudência do STJ, entendendo que o percentual adequado seria de 25% com base em entendimento jurisprudencial quanto aos limites confiscatório. A invocação de princípios como a proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco conduzem a questão a uma análise de natureza constitucional, portanto, fora dos limites de competência deste colegiado conforme Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se enquadrando o caso em exame em nas hipóteses excepcionadas, aplicase a Súmula CARF nº 2: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ante ao exposto, votamos no sentido de não acolher este argumento Conclusão Ante o exposto, VOTO por rejeitar as preliminares e no Mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5488DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720202/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.018
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência para que a unidade local vincule este processo ao de nº 19311.720203/2015-25, de modo que ambos sejam encaminhados à Primeira Seção, competente para o julgamento dos mesmos nos termos § 4º do artigo 6º do RICARF.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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(Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Autos de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como juros de mora e multa de ofício. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do relatório do acórdão recorrido in verbis: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 20 2/ 20 15 -8 1 Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 334 2 2. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração em foco, a autoridade fiscal descreveu a infração praticada segundo abaixo: 2.1 O Termo de Verificação Fiscal (fls. 11971226) detalhou e contexto da ação fiscal em análise: Do lançamento do IPI 2.1.1. O procedimento fiscal foi instaurado para apurar a regularidade fiscal relativa ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI, nos anoscalendários 2011 e 2012. 2.1.2. De acordo com o contrato social, a pessoa jurídica autuada tem como objeto a fabricação de equipamentos industriais e industrialização par a terceiros. O quadro societário é formado pelos Srs. José Ailton Macedo Dias e Paulo Ricardo Torres, os quais detêm, respectivamente, 99% e 1% das cotas. 2.1.3. No que atine ao IPI, foi constatado que a escrituração contábil apresentava valores compatíveis com os valores escriturados nos Livros Fiscais de Registro de Saídas e Livro de Apuração do IPI, apresentados pelo sujeito passivo. A partir de tais informações foi elaborado para o período autuado demonstrativo detalhando as vendas de produtos e de serviços e o total mensal. 2.1.4. Confrontando os dados do Livro de Apuração do IPI, referente aos anos calendários 2011 e 2012, com as informações prestadas na DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a Fiscalização constatou que apesar de escriturar e apurar o IPI, o sujeito passivo deixou de declarar e recolher o referido tributo, situação que deu motivo ao lançamento de ofício. (...) Da responsabilidade solidária 2.1.5. A autoridade autuante vinculou, como responsáveis solidários pelo crédito tributário, o sócio e representante legal Sr. José Ailton Macedo Dias e as pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda), nos termos do artigo 124, inciso I combinado com o artigo 135, inciso III da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), pelas seguintes justificativas: (i) A REMEC teria deixado de declarar e recolher tributos, nos anos calendários 20112012, de forma contínua e reiterada, como por exemplo, em relação ao IPI, para o qual não houve declaração ou recolhimento para nenhum período de apuração. (ii) Intimado a apresentar extratos bancários, entre outros documentos, o sujeito passivo (REMEC) apresentou, inicialmente, apenas extratos referentes à movimentação bancária mantida no Banco Itaú S/A, sendo Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 335 3 que os valores movimentados em tal conta corrente estariam compatíveis com o faturamento da empresa. (iii) Após diversas outras intimações para apresentar os extratos bancários das demais contas correntes, o sujeito passivo apresentou extratos referentes à contacorrente mantida junto ao Banco Bradesco S/A, a qual não estava registrada na sua contabilidade. (iv) Diligências Fiscais realizadas junto aos Cartórios de Registro de Documentos em Jundiaí SP confirmaram a existência de procurações outorgando poderes para que terceiros pudessem movimentar contas bancárias da REMEC, conforme trechos transcritos a seguir: “Procuração lavrada em 14/01/2010 no Cartório do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Várzea Paulista SP, registrada sob o protocolo n° 00013005, Livro 0402, Folha 030, constando como OUTORGANTE o Sujeito Passivo, representado pelo sócioproprietário Sr. José Ailton Macedo Dias CPF 675.064.29853 e como OUTORGADOS as pessoas jurídicas Máximum Fomento Mercantil Ltda CNPJ 07.045.654/000180 e Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda CNPJ 07.721.591/000135, nos seguintes termos: ... a quem confere os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de, em conjunto ou isoladamente, representála perante o Banco Bradesco S/A, [...]. Procuração lavrada em 22/12/2010 no Cartório do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Várzea Paulista SP, registrada sob o protocolo n° 00013748, Livro 0412, Folha 018), constando como OUTORGANTE o Sujeito Passivo, representado pelo sócioproprietário Sr. José Ailton Macedo Dias CPF 675.064.298 53, nomeando e constituindo como Procuradores: Grupo A: Maximum Fomento Mercantil Ltda CNPJ 07.045.654/000180; Agamenone Callegari Júnior CPF 127.546.35840; Hélio Nilson Pornoi CPF 667.498.91853; Marcos Roberto Giacomelli CPF 085.504.72832 e Marco Aurélio Zago CPF 047.247.49873. Grupo B: Aparecido Antônio de Lima CPF 774.477.78834; Zilda de Souza Gaspar CPF 061.402.34832. Pelo presente instrumento a OUTORGANTE nomeia e constitui os OUTORGADOS, como seus bastantes procuradores, com poderes para, sempre em conjunto de 02 (dois), sendo obrigatoriamente um procurador do Grupo A, juntamente com um procurador do Grupo B, epresentála perante todas as instituições financeiras,[...].” (destaques incluídos)." (v) Instada a esclarecer a falta de escrituração contábil da conta corrente mantida no Bradesco, a comprovar a origem dos valores movimentados e o vínculo existente com a Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e a Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda), a REMEC informou que: (a) Firmou, inicialmente, acordo para realização de serviços de factoring (desconto de título de sua emissão) com a pessoa jurídica SILVERADO, a qual, posteriormente, passou a fazer parte da sua gestão financeira. (b) Não tinha acesso à conta corrente mantida no Banco Bradesco S/A, que não tinha conhecimento a que se referia tal movimentação e que desconhecia onde eram aplicados os volumosos recursos movimentados. (c) O objetivo inicial da conta corrente no Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 336 4 Banco Bradesco S/A era para que a empresa de factoring utilizasse esta conta para receber o pagamento dos títulos descontados pela REMEC. (vi) A análise dos extratos bancários constata que os históricos dos lançamentos de créditos e débitos efetivamente não são usuais para uma empresa industrial e comercial, que é o caso da REMEC. Aparentemente são lançamentos referentes a fundos de investimento. Além disso, também seriam atípicos os valores individuais dos lançamentos, haja vista que as escriturações contábil e fiscal da REMEC demonstram que as operações comerciais individuais desta empresa são em montante muito inferiores que os representados pelos mencionados lançamentos. (vii) Com base nestas informações, a autoridade fiscal concluiu que: (a) Os recursos movimentados no Banco Bradesco S/A pertenceriam, efetivamente, às empresas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda). A REMEC figuraria como interposta pessoa. (b) Existe uma confusão patrimonial, na qual duas empresas, Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) mantiveram volumosos recursos em conta corrente bancária de uma terceira empresa, no caso a REMEC. (c) As empresas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) tinham interesse comum nas operações e funcionamento da empresa Remec Equipamentos Industriais, pois, caso contrário não movimentariam volumosos recursos em sua conta corrente bancária. 2.1.6. Ao constatar que o crédito tributário consolidado de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassou 30% do patrimônio declarado e é superior a R$ 2.000.000,00, a autoridade fiscal procedeu ao Arrolamento de Bens e Direitos no patrimônio do sujeito passivo e dos responsáveis solidários. 3. Do lançamento, a autuada tomou ciência em 20/10/2015, data em que também foram cientificados o sócio José Ailton Macedo Dias e as pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda). Da impugnação da REMEC e do sócio José Ailton Macedo Dias 4. A pessoa jurídica REMEC apresentou a sua impugnação em 18/11/2015, conjuntamente com o sócio Sr. José Ailton Macedo Dias (instrumentos de mandado às fls. 13261353), alegando em apertada síntese: Da alegação de ilegitimidade do sócio José Ailton Macedo Dias 4.1. Em sede preliminar, suscitou ilegitimidade de figurar como responsável solidário da exigência tributária, visto que não teria dado causa à infração. Asseverou que a responsabilidade prevista no art. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 337 5 135, inc. III, do CTN, impõe comprovação da prática de atos infracionais, recaindo no Fisco o ônus da prova, o que não restou atendido no caso em apreço. 4.2. Sustentou que o lançamento se baseou no suposto não recolhimento de IPI e quanto a tal situação, a Súmula 430 do STJ é cristalina em dispor que: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." 4.3. Indagou qual teria sido a prática de excesso de poder tomada pelo sócio proprietário e não explicitada pelo Fisco? 4.4. Alegou ter agido de boafé, vez que outorgou poderes a terceiros para movimentarem sua conta corrente visando, unicamente, ao pagamento dos títulos descontados, e não para movimentar vultosas somas de dinheiro, movimentações estas referentes a lançamentos de fundos de investimentos, o que teria colocado ambos impugnantes (REMEC e JOSÉ AILTON) à mercê das diretrizes e desmandos das empresas SILVERADO e ITAIPU, fato que adveio dos Instrumentos de Confissão de Dívida que mantinham a REMEC sob o poder da gestão financeira das mencionadas pessoas jurídicas, as quais devem ser responsabilizadas pela satisfação do débito fiscal exigido. Do arrolamento de bens 4.6. Requereu o cancelamento do arrolamento de bens, pois o mesmo se ampara na Lei nº 9.532, de 1997, que é inconstitucional, tanto do ponto de vista formal, quanto do material, vez que tal procedimento fere as garantias fundamentais do devido processo legal, da ampla defesa e do direito de propriedade. Da interposição da REMEC 4.7. Disse que, em 2009, ao firmar acordo comercial de factoring com as empresas SILVERADO e ITAIPU, para possibilitar a manutenção de seu capital de giro, teria havido a exigência da abertura da contacorrente no Banco Bradesco, para o desconto de seus títulos. Contudo, neste mesmo ano, observando a dificuldade financeira enfrentada pela REMEC, as citadas pessoas jurídicas obrigaram o sócio José Ailton firmar Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Constituição de Penhor Industrial e Veicular para a liberação dos valores relativos ao desconto de títulos. Posteriormente, já em 2010, as empresas SILVERADO e ITAIPU teriam condicionado a liberação de recursos proveniente das operações de factoring à outorga de plenos poderes para a movimentação da conta do Banco Bradesco. 4.8. Asseverou que, com a manutenção do quadro de prejuízos e dívidas, paulatinamente as pessoas jurídicas SILVERADO e ITAIPU passaram a praticar atos de gestão na REMEC, situação que teria tomado proporções gigantescas, até o ponto do sócio proprietário José Ailton ser proibido de praticar diversos atos de gestão, sem autorização daquelas empresas, tais como: compra de insumos e matériaprima, pagamento dos salários dos empregados, exercer a gerência e administração financeira de suas entradas e respectivas destinações de valores, efetuar o pagamento de encargos sociais e fiscais. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 338 6 4.9. Sustentou que as empresas SILVERADO e ITAIPU devem ser responsabilizadas das exigências tributárias, uma vez que agiram de máfé execrando princípios fundamentais do direito, utilizandose de poderes mandatários públicos, para praticarem toda sorte de procedimentos financeiros e administrativos contra a empresa REMEC. 4.10. Justificou que nesses casos de fraude, em que a pessoa jurídica funciona apenas como escudo de proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto que também é sujeito passivo. Nestes termos, requereu o arrolamento de bens em nome dos administradores das empresas SILVERADO e ITAIPU. 4.11. Disse que é imprescindível, também, que ocorra o exaurimento da via administrativa contra as empresas beneficiárias da fraude, devendo estas serem mantidas no procedimento administrativo fiscal sob pena de se alegar, posteriormente, que jamais integraram a relação jurídico tributária, não figurando como devedor de qualquer tributo. Daí porque imprescindível a sua manutenção na autuação. Da exigência do IPI 4.12. Acerca da exigência do IPI lançada, alegou equívoco na definição dos sujeitos passivos, visto que dentro do fato gerador compreendido entre 30/01/2011 a 31/12/2012, as empresas SILVERADO e ITAIPU eram as mandatárias legais das movimentações bancárias realizadas na agência 3.3952, contacorrente 17.1786, do Banco Bradesco, onde aplicavam, sem a autorização expressa da REMEC volumosos recursos em Fundos de Investimento. 4.13. Justificou que, por agirem com excesso de poderes, tais empresas arredaram a administração e o gerenciamento da REMEC, tendo apresentado farta documentação probatória (confissões de Dividas, cópia do Inquérito Policial, emails que demonstram as reportadas ingerências). Da defesa da Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) 5. As pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) apresentaram, conjuntamente, impugnação em 19/11/2015 (instrumentos de mandado às fls. 15981624), alegando em apertada síntese: 5.1. Argüiu a nulidade do procedimento fiscal, haja vista que o Fisco não teria intimado previamente as defendentes para prestar esclarecimentos, em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 5.2. Justificou que nunca tiveram nenhum interesse na REMEC; nunca administraram nenhum bem ou interesse da REMEC; nunca praticaram um ato sequer (um mínimo ato que fosse) de ingerência na REMEC. Carece de sustentação atribuir às peticionárias a responsabilidade por dívidas tributárias da REMEC, pois a outorga de Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 339 7 uma única procuração, visando a movimentação de uma única conta bancária, não é e não pode ser suficiente para tanto. 5.3. Disse que a impugnante ITAIPU realizou operações de fomento mercantil, contudo, desde 2010, limitase à cobrança de créditos, seja decorrentes de operações de fomento antigas, seja de créditos não liquidados e comprados para cobrança. A impugnante SILVERADO é prestadora de serviço de consultoria a fundos de investimento. 5.4. Asseverou que a empresa ITAIPU, assim como o fundo assessorado pela impugnante SILVERADO, compraram créditos vendidos pela REMEC, exercendo assim seu objeto social. Descobriram, depois, que ambas haviam sido enganadas porque a REMEC teria inventado “pedidos de compra” que nunca foram feitos para, então, “criar” créditos que nunca existiram para depois vendê los a ambas impugnantes. 5.5. Aduziu que, para viabilizar o recebimento dos créditos, foi estipulado como condição negocial, que as impugnantes pudessem movimentar conta bancária em nome da REMEC, procedimento comum no mercado, denominado “Trava Bancária”. 5.6. Argumentou que a movimentação identificada na conta corrente em valor superior ao contabilizado pela REMEC devese ao fato de que a não liquidação dos créditos por terceiros devedores (na maioria das vezes porque os créditos não existiam, eram inventados fraudulentamente pela REMEC) fazia com que a própria REMEC os substituíssem mediante venda de novos créditos. 5.7. Além disso, informou que o dinheiro por vezes era retirado da conta ao final do expediente bancário e depois devolvido. E isso era feito por duas razões: (i) receio de que o dinheiro fosse bloqueado em razão de dívida da REMEC (dinheiro que obviamente não era de propriedade dela) e (ii) receio de que o próprio representante legal da REMEC comparecesse ao Banco Bradesco e revogasse as procurações para movimentar a conta e efetuasse saque de um dinheiro que não era (nem nunca foi) seu. 5.8. Mencionou que, num determinado momento, parou de comprar créditos novos e exigiu que a dívida da REMEC fosse consolidada. A REMEC, então, assinou confissões de dívida, reconhecendo tudo aquilo que devia, as quais estão sendo executados judicialmente. 5.9. Argumentou que não há o menor fundamento na aplicação do artigo 135, inc. III, do CTN, tendo em vista que ambas impugnantes não são administradoras, não são sócias, não são diretoras, gerentes ou representantes da REMEC. 5.10. Negou a prática de atos de gestão na REMEC, além de afirmar ser insustentável a conclusão de confusão patrimonial e a interposição fraudulenta, pois não há a menor ligação com a REMEC (senão de procuração específica para a única e exclusiva finalidade de movimentação de conta, e de crédito, já explicadas). 5.11. Sustentou que a autoridade fiscal considerou que as impugnantes seriam sócias de fato da REMEC, por um dia terem recebido uma Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 340 8 procuração para movimentação de uma conta bancária originalmente pertencente a esta empresa e que, por este único e exclusivo motivo, seriam responsáveis solidárias pelas obrigações desta empresa. 5.12. Comentou que a lei pode atribuir a terceiro que não praticou o fato gerador a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação do contribuinte, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. II, do CTN. Entretanto, o terceiro responsável deve guardar algum tipo de vínculo com o mesmo fato, ou seja, deve ter um interesse comum. Neste sentido, indaga qual vínculo as impugnantes possuem com a industrialização dos produtos da REMEC? 5.13. Apontou que na linha de raciocínio adotada pela autoridade fiscal, o interesse das peticionárias nos débitos tributários da REMEC pareceria residir na existência de sociedade de fato entre estas duas empresas. Afirmou, porém, que tal sociedade jamais poderia se configurar pelo simples fato da outorga da procuração pela REMEC às impugnantes. 5.15. Destacou que a aplicação do inc. III do art. 135 do CTN, também utilizado pela autoridade fiscal para a inclusão das impugnantes no pólo passivo da autuação, é condicionada aos seguintes pressupostos: (i) o agente da infração ser diretor, gerente ou representante de pessoas; e (ii) o inadimplemento da obrigação tributária decorrer de ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. E, no caso, defendeu que nunca foram diretoras, gerentes ou representantes da REMEC, além de ja mais terem praticado atos com excesso de poderes, pois a procuração nunca deu poderes para o exercício de qualquer outra atividade em nome da REMEC, limitandose a lhe autorizar a movimentar a referida conta no Banco Bradesco. 5.16. No que atine à acusação de confusão patrimonial justifica que a movimentação de uma única conta bancária da REMEC se dá porque adquiriram créditos desta empresa. Alega que não participaram, nem tiveram acesso a qualquer outra informação sobre a vida administrativa, financeira ou gerencial desta empresa. 5.17. Relativamente à interposição fraudulenta, disse que embora não exista um conceito unívoco acerca deste instituto na legislação brasileira, este definese sempre, em cada caso concreto, em virtude da comprovação acerca da existência de operação destinada a simular determinada operação ou situação com a finalidade dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Afirmou, entretanto, que em nenhum momento se falou de dissimulação do fato gerador, ou mesmo de simulação de determinada situação com a finalidade de redução da carga tributária e, isto, nem mesmo no decorrer do trabalho fiscal que culminou na autuação. (grifei) A DRJ de Porto Alegre julgou a impugnação apresentada pelo Contribuinte em 26/04/2016, concluindo pela parcial improcedência da autuação fiscal, como se depreende da ementa abaixo colacionada: Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 341 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DO REPRESENTANTE. CABIMENTO. A não declaração e falta de pagamento do tributo, de forma reiterada e contínua, caracteriza infração à lei, impondo a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica, na forma do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. FALTA DE INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCABIMENTO. A solidariedade prevista no inc. I do art. 124 do CTN pressupõe que todos os devedores tenham um interesse jurídico focado na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Deve ser afastada a solidariedade tributária quando os fatos atribuídos a pessoa imputada não tem capacidade de gerar a exigência dotributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: ARROLAMENTO DE BENS. QUESTIONAMENTO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para analisar questionamentos a respeito de arrolamento de bens. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÕES PRÉVIAS. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. A ausência de intimações na fase preparatória do lançamento não invalida a ação fiscal, pois somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o Fisco e o contribuinte, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife (PE),, em síntese: (a) em relação aos impugnantes REMEC e do sócio José Ailton Macedo Dias: (a.1) não tomar conhecimento das alegações relacionadas com o arrolamento de bens. (a.2) manter a responsabilidade solidária do sócio José Ailton Macedo Dias, em razão de infração à lei, pela prática reiterada e contínua de não declaração e falta de pagamento de tributo (inc. III do art. 135 do CTN). (a.3) considerar não impugnado o mérito da exigência. (b) em relação aos impugnantes Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda): Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 342 10 (b.1) não acatar a preliminar de cerceamento do direito de defesa (b.2) julgar procedente o afastamento da responsabilidade solidária Cientificados do resultado do julgamento em 17/06/2016 (conforme AR de fls 2005), na data de 14/07/2016 foi interposto recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) conjuntamente pela empresa Recorrente (REMEC) e pelo sócio José Ailton Macedo Dias. As razões expostas na peça dirigida a este Conselho são essencialmente as mesmas daquelas apresentadas na impugnação, com relação (i) inconstitucionalidade do arrolamento de bens; (ii) a ilegitimidade passiva ad causam do sócio José Ailton Macedo Dias; (iii) da responsabilidade solidária das empresas Itaipu e Silverado pelo crédito tributário. Porém, não consta mais da defesa das Recorrentes a contestação do mérito da exigência fiscal (IPI). Ademais, com relação ao item (ii) mencionado no parágrafo precedente, os Recorrentes chamam a atenção para a declaração de voto apresentada pelo julgador Emanuel Carlos Dantas de Assis no Acórdão recorrido, a qual deixou consignado que: "se o inadimplemento e a omissão, na DCTF, de determinado tributo à administração tributária constituíssem motivos suficientes para responsabilizar o sócio gerente, praticamente todos os autos de infração contra a pessoa jurídica também haveriam de responsabilizar a pessoa física. E como é cediço, assim não acontece, pois o comum é se atribuir a responsabilidade aos administradores apenas quando a infração é dolosa. Pelo exposto, voto por cancelar o lançamento também em relação à pessoa física José Ailton Macedo Dias, acompanhando o voto do Relator nas demais questões." Os Recorrentes também alegam trazer documentos aos autos. Afirmam que tais documentos constituiriam prova nova a respeito da atuação gerencial (financeira, fiscal e administrativa) que as empresas Taipu e Silverado efetivaram na REMEC, a qual acarretou na falta de recolhimento de tributo imputada pelo presente auto de infração. Tratarseia de notícia de jornal sobre as atividades fraudulentas de tais empresas, bem como depoimentos prestados junto ao Inquérito Policial n. 93/2015 instaurado na Delegacia de Polícia da Comarca de Várzea Paulista. Contudo, não foi possível localizar tais documentos nos presentes autos. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Compulsando as informações trazidas aos autos especialmente o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls 1197 a 1226 , constato que a Autoridade Administrativa, levantando que haveria por parte da REMEC a falta de recolhimento de tributos federais, em 26 de novembro de 2013 lavrou dois autos de infração contra a Empresa, dando origem aos processos administrativos n. 19311.720203/201525 e 19311.720202/201581. No primeiro, promoveu a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, enquanto no segundo, ora em julgamento, lançou o IPI entendido como devido. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 343 11 Tratase de processos reflexos, com base no que dispõe o artigo 6º, §1º, inciso III do Registro que o Regimento Interno do CARF (“RICARF”). Com efeito, o mandado de procedimento fiscal (08124.00.2014.004910) foi o mesmo, bem como os elementos de prova levantados pela fiscalização a respeito da omissão de receitas, falta de declarações à Receita Federal, bem como a ausência da respectiva tributação. Na realidade, o próprio Termo de Verificação Fiscal é um só, que foi aproveitado em ambos os autos de infração. Inclusive, para a cobrança de todos os tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI) está imputada a conduta dolosa por parte do sócio José Ailton Macedo Dias) e das duas pessoas jurídicas relacionadas à REMEC (Itaipu e Silverado), culminando na sua responsabilização solidária pelo crédito tributário. Tal responsabilização, registro, é o que resta em julgamento no CARF, uma vez que a REMEC não apresentou defesa a respeito do mérito (cobrança de IPI). No que tange à competência para julgamento de processos reflexos, o RICARF sofreu reforma com o advento da Portaria n. 343, de 09 de junho de 2015, de modo que passou à 3ª Seção do Conselho a competência para julgamento dos processos que versam sobre o IPI, mesmo se reflexos de processos principais de competência da 1ª Seção, quando o lançamento tributário não constasse do mesmo processo fiscal que o lançamento do tributo principal (artigo 2º, inciso IV). 1 Contudo, a Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016, novamente alterou o RICARF, trazendo a seguinte redação ao artigo 2º: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: .................................................................................................. IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; Pela leitura do texto do artigo 2º, inciso IV em vigor, constatase que o nosso Regimento Interno novamente prevê a competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF para a solução do caso da Recorrente, uma vez que se trata de processo sobre IPI, reflexo ao IRPJ. Tal norma tem por escopo evitar decisões conflitantes a respeito dos mesmos fatos ou pedidos, tratados em processos administrativos fiscais distintos. Por essa razão, é de suma importância a sua observância, sob pena de ferir um dos maiores objetivos deste Tribunal, uma vez que o Novo Código de Processo Civil (NCPC), cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15),2 determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” Ainda, ressalto que a distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão de matéria (competência 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; 2 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 344 12 absoluta), com vistas ao atendimento do interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo ser conhecida de ofício eventual incompetência, como salientam os Professores Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover e Antonio Carlos de Araújo Cintra: 3 Nos casos de competência determinada segundo o interesse público (competência de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna), em princípio o sistema jurídicoprocessual não tolera modificações nos critérios estabelecidos, e muito menos em virtude da vontade das partes. Tratase aí de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Iniciado o processo perante o juiz incompetente, este pronunciará a incompetência ainda que nada aleguem as partes (CPC, art 113; CPP art. 109), enviando os autos ao juiz competente (...) Por fim, cumpre registrar que a distribuição de competências efetuada pelo RICARF, via ato administrativo infralegal, deve ser observada da mesma forma que as normas cogentes de qualquer outra superior hierarquia legal (Constituição, leis em sentido estrito, etc), como adverte Cássio Scarpinella Bueno4 ao comentar o artigo 44 do NCPC. 5 Tendo em vista que o Processo Principal ainda não se encontra no CARF, é o caso de aplicação do §4º do artigo 6º do RICARF: § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Desse modo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora efetue a vinculação deste autos ao Processo Principal de n. 19311.720203/201525, para julgamento de ambos pela 1ª Seção do CARF, nos termos do artigo 6º, §4º do RICARF. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 3 Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, 23ª ed, p. 257. 4 Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, 2016, 2ª ed, p. 88. 5 Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados. Fl. 2046DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723934/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda.
In casu, deve-se fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão.
Numero da decisão: 2401-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. In casu, devese fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 34 /2 01 3- 15 Fl. 51176DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 51177DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lançado Crédito Previdenciário correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 16/08/2016, achou por bem conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO, e, conhecer o Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401004.471, com sua ementa abaixo transcrita: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Fl. 51178DF CARF MF 4 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Fl. 51179DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 4 5 Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subseqüente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte." O dispositivo do acórdão encimado, recebeu a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini." Fl. 51180DF CARF MF 6 No momento da formalização da minuta, depareime, quando da realização dessa incumbência, com a verificação da existência de omissão no dispositivo acerca de ponto sobre o qual a Turma se pronunciou, a saber, o resultado do Recurso de Ofício. Diante do exposto, proponho os presentes embargos, a fim de que o processo administrativo seja novamente pautado para saneamento da omissão por parte deste Colegiado, por ter o dispositivo do Acórdão nº 2402005.473 omitido ponto sobre o qual a Turma manifestou seu entendimento, conforme despacho, às efls 51.172/51.175, com o devido "de acordo" da Presidente desta Turma. É o relatório. Fl. 51181DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Os embargos de declaração foram opostos por iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no art. 65, § 1°, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs os presentes Embargos, constatase que, de fato, deixou de constar no dispositivo do Acórdão e da Ata de Julgamento, qual teria sido o resultado quanto ao Recurso de Ofício. Para uma melhor explicitação, transcrevo a Ementa, o resultado analítico, a parte do relatório e o voto que trataram do Recurso de Ofício, senão vejamos: A Ementa assim dispôs: "[...] NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.[...] O Resultado analítico elenca: "[...] Recurso de Ofício Negado Fl. 51182DF CARF MF 8 Recurso Voluntário Provido em Parte." Já o relatório é claro quanto a existência: "[...] Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal [...]". E por último, o voto enfrentou: "RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04034.373/ 2013, às efls.1.551/1.589, da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. [...] Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido, nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.[...]" De fato, consta do voto deste Relator o posicionamento quanto ao Recurso de Ofício. Tal aspecto da decisão, destaquese, foi objeto de debate, questionamentos e julgamento pelo Colegiado, não havendo sido, adicionado ao dispositivo lançado em Ata. Conforme se depreende dos trechos transcritos acima, resta claro que o Recurso de Ofício constava do voto deste Relator, sendo devidamente debatido, questionado e julgado por esta Colenda Turma. Para enterrar de vez qualquer dúvida acerca do julgamento do recurso em epígrafe, na mesma sessão em qual foi proferido o Decisão Guerreada, também foi proferido o Acórdão n° 10166.723933/201362, da mesma Contribuinte, mesmo período, mesmo fato gerador, e, naquela oportunidade constou no dispositivo e na ata o resultado do Recurso de Ofício, da seguinte forma: " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar Fl. 51183DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 6 9 provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.[...]" O dispositivo encimado, deve constar na demanda em questão, por terem sidas analisadas em conjunto, e, tendo sido proferido o mesmo resultado. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, para corrigir e acrescentar a parte dispositiva do acórdão, a seguinte transcrição: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 51184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000583/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria.
A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL.
Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no ano-calendário 2002.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE
Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituem-se em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988.
A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento".
ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
Numero da decisão: 2402-005.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao ano-calendário de 2002 e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira De Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria. A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no ano-calendário 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituem-se em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988. A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria. A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no anocalendário 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituemse em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988. A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 83 /2 00 8- 87 Fl. 1098DF CARF MF 2 No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contascorrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos cotitulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao ano calendário de 2002 e, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira De Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1100DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SPII (fls. 859/887), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativo ao anoscalendário 2002, 2003, 2004, 2005 / exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 85.832,61, sendo R$ 41.514,54 de imposto; R$ 31.135,90 de multa proporcional e R$ 13.182,17 de juros de mora calculados até 31/10/2008. Consta do Auto de Infração (fls. 263/307) que o procedimento fiscal teve como escopo a apuração de omissão de rendimentos i) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; ii) decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte por meio de documentos hábeis e idôneos. Impugnação Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 1731.919, da 8ª Turma da DRJ/SPOII: Da Impugnação Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 165/195, cujo teor, em suma foi o seguinte: • Não obstante o dever de averiguar todos os meios de prova, o agente público negouse a proceder à análise dos documentos localizados no escritório profissional do lmpugnante, o que impediu o contribuinte de plenamente exercer sua defesa, através da juntada de provas de suas alegações, o que gera a nulidade do auto de infração; • O impugnante patrocinou os interesses de diversos empregados da antiga Companhia Brasileira de Tratores – CBT, que constituíram uma cooperativa com a finalidade de facilitar o recebimento de seus créditos. Assim, na condição de credor de alguns ex funcionários da CBT, passou à condição de cooperado, como forma de receber seu crédito, portanto, os valores por ele recebidos, advindo das quotas da cooperativa, possuem esta natureza e não a de honorários advocatícios, como asseverado pela autoridade autuante; • Operou se a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento em relação aos valores recebidos em 2002 correspondentes à dação de pagamento aos serviços advocatícios prestados a alguns empregados da CBT, devendo ser excluída a multa de R$ 897,08; • No ano de 2005 foi autuado pela omissão de receita no importe de R$ 163.806,07. Conforme comprovam os documentos anexados na impugnação, 89% desse valor não constitui renda Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 4 5 do impugnante, o que demonstra excessos no arbitramento da autoridade fiscalizadora; • Houve a transferência de, ao menos, R$ 24.385,00, devendo tal valor ser excluído da tributação. Também houve entradas destinadas a pagamentos de acordos judiciais, que foram repassados a clientes, no valor aproximado de R$ 29.541,88, sem que tenham se constituído em renda ao impugnante; • Do total das entradas nas contas do impugnante, aproximadamente R$ 8.584,38 foram depositados por clientes para o pagamento de custas e despesas processuais destes; • Em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco, sendo que, ao invés de auferir R$ 1.840,22, auferiu apenas R$ 920,12; • Em 01/12/2005, houve a devolução de um cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao impugnante, devendo ser desconsiderado para fins de tributação; • O somatório dos valores acima, que constituem ingressos na conta do impugnante não chegaram a constituir renda auferida por este, resulta no valor de, no mínimo, R$ 66.431,38, que deve ser desconsiderado para fins de tributação; • Ademais, deve ser excluído da tributação o valor declarado pelo impugnante na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2005, no valor de R$ 44.680,00, devendo ser excluído da tributação, apesar da autoridade fiscalizante não tê lo feito; • Das entradas nas contas do impugnante, cerca de R$ 28.524,50 referemse a gastos que teve com o escritório de advocacia, que deverão ser excluídos da tributação, a teor do art. 75, III, do Regulamento do Imposto de Renda; • Com a dedução de todos os valores acima apontados temse que devem ser excluídos da tributação cerca de R$ 145.616,38, resultando sem comprovação o valor de R$ 18.189,69, que não geraram renda ao impugnante. Tal montante não pode ser considerado para fins de omissão de receita, uma vez que a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, § 3º, com a redação dada pela Lei n° 9.481/97, determina que não serão considerados para fins de receita omitida os créditos bancários, individualmente considerados, no importe igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório total não ultrapasse R$ 80.000,00 no exercício em análise. Nesse sentido transcreve decisões do Conselho de Contribuintes; • Em razão do principio da verdade material, requer a consideração dos recibos ora apresentados para a comprovação dos valores despendidos com a atividade profissional do impugnante, apesar de não possuir Livro Caixa. • Requer a juntada de novos documentos, oitiva ,de testemunhas, bem como produção de prova pericial e a concessão do prazo de Fl. 1102DF CARF MF 6 30 dias para a juntada de laudo definitivo, com valores exatos, no qual as alegações restarão amplamente demonstradas. As fls. 408/410, o impugnante requer ajuntada do laudo e da planilha, anexados As fls. 411/426, para efeito de exclusão da tributação e penalidade que lhe foram impostas. Acórdão da DRJ A DRJ/SPII, por seu turno, julgou a impugnação improcedente em razão dos entendimentos expostos a seguir: Preliminares a) nulidades: · todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam do auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado; · não é dever da autoridade autuante produzir provas documentais de responsabilidade do contribuinte relativamente à omissão de rendimentos evidenciada por depósitos em conta bancária sem comprovação de origem, pois tratase de presunção legal em favor do fisco, que transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante comprovação da origem de todos os recursos depositados, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa; b) omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas: · ficou comprovado por meio de diligência realizada na pessoa jurídica Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos (CNPJ: 01.396.542/000198) que os rendimentos pagos a Luiz Fernando Freitas Fauvel e outros são oriundos de honorários advocatícios e/ou peritagem, e em assim sendo, tributáveis; · acordo entre particulares que altere a sujeição passiva do imposto de renda e proventos de qualquer natureza não tem qualquer aplicação perante a Fazenda Pública; c) decadência: · sujeitamse às normas aplicáveis ao pagamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento; · não havendo pagamento a ser homologado pela autoridade, o prazo decadencial passa a ser regido pelas disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional; · pela regra do art. 173, I, do CTN, aplicável por se tratar de lançamento de oficio, o prazo decadencial somente começou a fluir a Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 5 7 partir de 01/01/2004, extinguidose o direito de a Fazenda Pública realizar o lançamento em 31/12/2008, não tendo se operado a decadência em relação ao tributo apurado; Mérito d) depósitos bancários: · o impugnante foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários relacionados no Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 003/118/2008 (fls. 96/106) 1, no entanto, deixou de fazêlo. Agora, juntou à impugnação comprovantes de repasses de acordos, que diz, foram depositados em sua conta corrente e valores destinados a pagamento de custas judiciais que não constam do extrato bancário; · os repasses efetuados pelo contribuinte em favor de outrem e as guias de pagamento de custas judiciais em nada modificam o lançamento, pois não está em pauta esta questão; · a base sobre a qual se funda o presente lançamento é a existência de recursos em favor do autuado cuja origem não foi comprovada; · no tocante ao laudo contábil de fls. 4112, verificase que este aponta como transferências de valores entre C/C do próprio autuado, a importância de R$ 24.385,00, valor este inferior de R$ 24.935,00, apurado e desconsiderado para fins de tributação pelo Auditor Fiscal, conforme Tabela 02, constante do acima referido Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 003/118/2008. Portanto, nada resta a providenciar quanto às transferências interbancárias das contas de titularidade do contribuinte; · com referência aos depósitos justificados na planilha anexa ao laudo contábil (fls. 412/421) 3, como sendo Acordos Processos Judiciais e custas processuais, o contribuinte não anexou aos autos quaisquer documentos que comprovassem essas afirmações, portanto não há como considerálas; · não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; · é incumbência do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas 1 Fls. 196 a 212 do Processo Digital. 2 Fl. 825 do Processo Digital. 3 Fls. 826 a 853 do Processo Digital. Fl. 1104DF CARF MF 8 verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte; · também não restou comprovada a alegação de que em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco; · sobre o pleito de desconsideração do cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao impugnante, observese que tal valor sequer integrou este levantamento, conforme se verifica à fl. 1584; · no que tange ao pedido de exclusão da tributação do valor de R$ 44.680,00, da mesma forma, não foram trazidos aos autos documentos que comprovassem que tal valor está contido no valor tributável de R$ 163.806,07, apurado pela fiscalização; · não tendo o impugnante trazido aos autos quaisquer elementos que pudessem infirmar o valor acima referido de R$ 163.806,07, permanece incólume o presente lançamento e prejudicado o argumento apresentado quanto ao limite do valor dos depósitos estabelecido na Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, § 3°, com a redação dada pela Lei no 9.481/97; e) inclusão de despesas: · a pretensão manifesta não merece acolhida, uma vez que se constituiria numa retificação de sua declaração em momento posterior ao de formalização do lançamento, o que contraria os termos do art. 147, § 1º, do CTN; f) pedido de produção de provas, realização de perícias e diligências: · em referência ao pleito de produção de provas, ressaltese que não há amparo legal que dê apoio a esta pretensão, uma vez que o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser produzidas por ocasião da impugnação, precluindo o direito de apresentação após transcorrido o prazo para tal; · apesar de ser facultado ao contribuinte o direito de pleitear a realização de diligencias ou perícias, em conformidade com o art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972, compete à autoridade julgadora decidir sobre a sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235/1972); · a realização de diligência e/ou perícia destinase, principalmente, a esclarecer ponto controvertido ou questão técnica levantada no processo fiscal, esclarecimento este que necessita ser dado por 4 Fls. 314 e 315 do Processo Digital. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 6 9 especialista, detentor de reconhecido saber, habilidade e experiência, sendo imprescindível que o pedido de perícia seja motivado e acompanhado de evidências referentes aos aspectos cuja apreciação se requer no exame pericial; · o impugnante não anexou aos autos nenhum elemento novo que justificasse a emissão de parecer técnico, deixando de atender ao inciso IV do art. 16 do PAF. Ademais, a prova do fato no presente caso, claramente, não depende de conhecimento especifico de técnico especialista para ser produzida; · é inadmissível que a perícia possa ser utilizada para suprir a ausência de provas que a parte poderia ter juntado à impugnação; · os esclarecimentos adicionais e/ou elementos de prova a favor do impugnante, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos com a juntada de documentos que sustentassem seus argumentos. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fls. 899/969) o sujeito passivo repisa as questões trazidas na impugnação e acrescenta , em síntese, o que segue: Preliminares a) nulidade por cerceamento do direito de defesa em razão de a autoridade julgadora a quo ter indeferido pedido de juntada de novos documentos e de realização de perícia; b) é totalmente possível a juntada de documentos após a impugnação, uma vez que o processo administrativo fiscal visa a busca pela verdade material, que autoriza a juntada de documentos a qualquer tempo. Cita doutrina a esse respeito; c) a Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito Federal, determina, em seu art. 39, III, ser direito do administrado “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente”. Cita excerto de decisão do antigo Conselho de Contribuintes que diz amparar sua tese; d) ao rejeitar a produção de tal meio probante, a autoridade julgadora asseverou não haver questões técnicas que envolvessem a produção de referidas provas; e) tal entendimento acaba também por afrontar os princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que isso o teria impedido de comprovar suas alegações; f) o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972 permite a produção de prova pericial, sendo que tal artigo deve ser interpretado luz do principio da ampla defesa, ou seja, a prova pericial deve ser deferida sempre que se consistir em elemento para comprovar alegações do litigante, uma vez que o principio constitucional garante à parte a defesa ampla, por todos os meios, não limitada pela livre discricionariedade da Administração; Fl. 1106DF CARF MF 10 g) a autoridade fiscalizadora negouse a averiguar documentos localizados no escritório profissional do recorrente, que seriam fundamentais para a verificação da ocorrência ou não do fato gerador tributário; h) a decisão recorrida equivocouse a analisar o fato de a fiscalização ter negadose a examinar os documentos do contribuinte; i) a presunção de omissão de renda em favor do Fisco não gera qualquer ilogicidade com a obrigatoriedade da Administração em averiguar provas indicadas pelo contribuinte como elisivas da presunção em razão do principio da verdade real, mas somente permitelhe exigir o tributo decorrente de omissão de renda presumida, caso o contribuinte não demonstre a origem dos rendimentos; j) para demonstrar que não houve a omissão de rendas, o contribuinte poderá juntar os documentos que entender pertinentes, além de indicar aqueles que esclareçam ao fisco se houve ou não a hipótese de incidência. Tais documentos devem ser considerados pela Administração, à luz do princípio da verdade material. Faz outras considerações acerca do principio da verdade material e reproduz excertos doutrinários e trechos decisões administrativas a esse respeito; k) faz referência à Lei nº 9.784/1999 no que trata da produção de provas; l) informa que no processo administrativo vigora, ao lado do principio da verdade real, e como corolário deste, e do principio da legalidade, o principio do informalismo, que impõe ao órgão processante o desapego ao formalismo exacerbado. Cita doutrina; m) anota que o Principio da ampla defesa implica no direito de produzir as provas necessárias à demonstração das alegações da parte junto à autoridade julgadora, como forma de valoração dos argumentos de defesa, sob pena de flagrante cerceamento do direito de se defender; n) a alegação da decisão recorrida, no sentido de haver ilogicidade jurídica na realização de diligência no escritório profissional do recorrente, ante a presunção que milita em favor do fisco, não se sustenta, uma vez que, ao mesmo tempo em que há tal presunção, é dever da Administração, ante os princípios da verdade material e da ampla defesa, averiguar todos os meios de prova indicados pelo contribuinte, como forma de se chegar à certeza a respeito da ocorrência ou não da hipótese de incidência; o) a autoridade fiscalizadora, quando do indeferimento da diligência requerida, no sentido de comparecer ao escritório profissional do recorrente, deveria têlo intimado para conceder prazo para a apresentação dos documentos; p) requer, com base em tais alegações, a reforma da decisão recorrida, para decretar a nulidade do auto de infração, por cerceamento defesa; Mérito r) natureza dos valores recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT: defende que a decisão recorrida mostrase equivocada; repisa todos os argumentos suscitados na impugnação; s) decadência: frisar que em momento algum alegou que o prazo decadencial deveria ser contado tendo por base o art. 150, § 4° do CTN e que sempre alegou que tal lapso temporal deveria seguir o disposto no art. 173, I do Código, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 7 11 ou seja, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”; defende que a decisão recorrida mostrase equivocada ao firmar que “o fato gerador se aperfeiçoa no momento em que se completa o período de apuração em 31 de dezembro de cada ano. Logo, a Fazenda Pública só poderia constituir eventual credito tributário decorrente da infração apurada na declaração de ajuste anual do anocalendário. de 2002 durante o ano de 2003 e, ainda assim, após o prazo estabelecido para a entrega da declaração”, o que levaria o prazo decadencial a fluir apenas a partir de 01.01.2004; repisa ipsis literis os argumentos suscitados na impugnação; acrescenta que a declaração de rendimentos referente ao ano de 2002 foi prestada em 2003, sendo que, no mesmo ano, foi apresentada a declaração de IRPJ da Cooperativa dos Exfuncionarios da CBT, o que permitiria ao Fisco apurar eventuais erros em sua declaração; as questões burocráticas, como o prazo estabelecido para a entrega da declaração, não podem ser opostas aos particulares, uma vez que estes não podem ser penalizados por questões internas da Administração, inerentes ao seu funcionamento; da data de entrega da declaração, a Receita teve prazo de sete meses para analisar qualquer equivoco ou irregularidade no seu preenchimento, se não o fez no prazo decadencial, operouse, por razões de segurança e estabilidade das relações jurídicas, a decadência, não sendo licito à Fazenda dilatar tal prazo por questões burocráticas; operouse a decadência em relação ao crédito oriundo da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT apurado em 2002; t) com relação aos lançamentos decorrentes de depósitos bancários que devem ser excluídos da tributação, requer aplicação do art. 4º da Lei 9.481/1997, e apresenta e alega que: apesar de não possuir Livro Caixa, possui todos os comprovantes de despesas, que devem ser considerados para tal fim, uma vez que comprovam as despesas efetuadas em nome da sociedade; os recibos apresentados na impugnação demonstram cabalmente a origem da grande maioria das entradas em suas contas, o que faz cair por terra o limitado e repetitivo argumento da decisão recorrida, no sentido de que não há provas das origens dos valores; não pode ser considerado o argumento da decisão atacada, no sentido de que as despesas feitas pelo recorrente em sua atividade profissional devem ser deduzidas da tributação, a teor do art. 75, III, do RIR, pois tal procedimento implicaria em retificação de declaração após o lançamento. Não se trataria assim de retificação da declaração, mas sim de esclarecimento a respeito de valores que sequer integraram a declaração de renda do exercício de 2005, ora em questão; o art. 147, § 1º do CTN aplicase às hipóteses nas quais houve a declaração de determinado valor e esta é retificada, mas, no presente caso, os valores gastos para o custeio de atividade profissional não foram objeto de declaração, tendose incluído apenas na impugnação, o que Fl. 1108DF CARF MF 12 demonstra não se tratar de retificação, mas sim de esclarecimentos, que devem ser levados em conta para efeitos de determinação do eventual tributo a ser recolhido; u) requer a anulação da decisão recorrida por cerceamento de defesa e, subsidiariamente, pleiteia sua reforma com base nas alegações apresentadas. Defesa Aditiva Em 20/05/2013 foi protocolado pelo contribuinte novo documento de defesa com razões aditivas ao recurso voluntário (fls. 981/989). Conversão do Julgamento em Diligência Por meio da Resolução nº 2101000.195 (fls. 992/995) o julgamento foi convertido em diligência para que a Fiscalização juntasse aos autos cópia dos livros Diário e Razão citados no auto de infração, bem como apresentasse os documentos de constituição da referida cooperativa e todas as atas de assembléias em que o contribuinte figurou como cooperado. Resultado da Diligência Concluída a diligência, o órgão preparador emitiu o Relatório Fiscal de Diligência (1.031/1.035) no qual: faz um relato acerca da CBT. Companhia Brasileira de Tratores, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos, abordando o fato de referida empresa, após passar por crise financeira na década de 1980, ter deixado de adimplir direitos trabalhistas de seus milhares de funcionários; tratou de aspectos relativos a inúmeros advogados que patrocinaram ações trabalhistas em favor dos exfuncionários da empresa e ao fato de que, por não receberem os valores decorrentes de suas ações trabalhistas, também não tiveram como honrar seu compromissos com os advogados; faz referência à instituição da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, MPL Motores e MPL Empreendimentos cujo objetivo foi disputar o patrimônio do GRUPO MPL com os bancos credores da empresa; Segundo o Relatório Fiscal de Diligência, Estatuto Social (da cooperativa) admitiu como cooperado não só os exfuncionários das empresas do GRUPO MPL, mas também todos os advogados que patrocinaram as ações trabalhistas (art. 6º do Estatuto Social)em favor dos empregados.Por conta dessa previsão estatutária, tanto os exfuncionários quanto os advogados subscreveram cotas na formação do capital social da Cooperativa, proporcionalmente aos créditos que cada um julgava possuir É obvio que os exfuncionários possuíam créditos trabalhistas junto às reclamadas (Empresas do Grupo MPL), enquanto os advogados possuíam créditos de honorários advocatícios junto aos exfuncionários (seus clientes). Todavia, no momento em que as cotas do capital foram subscritas, todos (exfuncionários e advogados) passaram a ser credores da Cooperativa e, consequentemente, cooperados. [...] Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 8 13 [...] à medida em que a Cooperativa efetuava os pagamentos de créditos trabalhistas aos exfuncionários, pagava simultaneamente os honorários dos advogados que patrocinaram as causas trabalhistas, proporcionalmente a quantidade de cotas que cada um subscreveu. Com relação aos documentos solicitados pelo órgão julgador, resta consignado no Relatório Fiscal de Diligência: Em resposta protocolizada em 11/06/2014,posteriormente complementada em 26/06/2015, a Cooperativa apresentou as declarações (fls. 1002/1005) e os documentos (fls. 1019/1030) reproduzidos abaixo: Ø Balancete relativo ao anocalendário de 2002; Ø Livros Diários dos anoscalendário de 2003 e 2004; Ø Livro Razão de 1998; Ø Ficha de Subscrição do Capital Social; Ø Declaração afirmando que o ato que tornou o advogado Luiz Fernando Freitas Fauvel cooperado é a subscrição de seus honorário transformados em cotas, resultando da subtração do percentual do cálculo trabalhista homologado, acordado no processo de cada cliente. A aceitação do advogado como cooperado foi para solucionar a questão de pagamentos de honorários, ou seja, nesse formato, o advogado teria seus honorários garantidos e sendo pagos no mesmo período de rateio aos demais cooperados; Ø Declaração informando que não existe contrato de dação em pagamento que comprova a transferência das quotas da Cooperativa para o Advogado, pois o Advogado do ex funcionário subscreveu seus honorários como cotas da Cooperativa, lançadas e assinada no Termo de Subscrição. Os valores das fichas de subscrição de todos os Cooperados são lançados em planilhas por ocasião de rateios para se apurar o recebimento e creditado na conta bancária de cada cooperado. Os rateios posteriores são realizados da mesma forma com os saldos apurados anteriormente;(Grifos do original). Segundo o órgão preparador, as declarações e a escrituração contábil de 1988 da Cooperativa comprovariam que os valores recebidos pelo recorrente tratamse de honorários advocatícios. Faz referência a processos semelhantes em que o órgão julgador de segunda instância exarou decisões favoráveis à Fazenda Nacional. Manifestação do Contribuinte a Respeito do Relatório de Diligência Fiscal Em vista do Relatório de Diligência, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 1045/1055) na qual expõe que Ainda que outros Autos de Infração, versando sobre a matéria tributária, tenham sido julgados procedentes pelo CARF, como Fl. 1110DF CARF MF 14 mencionado acima pela autoridade fiscal, o fato é que as decisões prolatadas naqueles processos fiscais não encerram a discussão sobre a natureza dos pagamentos feitos pela Cooperativa ao contribuinte. [...] [...] o contribuinte passou a condição de cooperado, mediante a subscrição de 70.904,98 cotas do capital social da Cooperativa, de acordo com o Termo de Subscrição (fls. 1019/1020); A conclusão da autoridade fiscal foi a de que os valores recebidos pelo contribuinte em 2002, 2003 e 2004, são honorários advocatícios por ter patrocinado as ações trabalhistas de cinco exfuncionários, nos processos judiciais 1435/94, 1436/94, 1437/94 e 1438/94. [...] Ocorre que os pagamentos feitos pela Cooperativa ao Contribuinte não devem ser enquadrados como honorários advocatícios, posto que a partir da subscrição do capital social, deixou de existir a figura do contribuinte como patrono das causas, passando a ser considerado tão somente integrante do quadro social da Cooperativa como cooperado. Assim, não há que se falar mais em honorários advocatícios, mas em cotas do capital social da Cooperativa porque todo o capital aportado pelo associado é um instrumento patrimonial e como tal deve ser contabilizado como patrimônio líquido. O mesmo ocorre com as verbas trabalhistas deferidas em sentenças judiciais transitadas em julgado e subscritas como quotas na Cooperativa. Mutatis mutandis, pelo raciocínio da fiscalização, também caberia averiguação do Fisco sobre os valores creditados aos exfuncionários da CBT, pois haveria de se indagar a natureza dos valores que compõem cada pagamento efetuado a esses cooperados, a fim de definir a incidência da respectiva tributação, bem como das contribuições que então sobre elas incidiriam. Mas isso não ocorre porque, no momento em que transformado em quotas da Cooperativa, a natureza trabalhista do crédito se divorcia da relação original e transmudase para cotas do capital social da Cooperativa, passando a ter o tratamento legal correspondente. [...] Assim, a matéria tributária não pode ser discutida à margem da Lei n9 5.764, de 16/12/1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas e dá outras providências. O recorrente transcreve disposições da Lei nº 5.764/1971 e destaca aspectos relacionados à apuração dos resultados de cooperativas. Aduz que o Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), dar o tratamento de não incidência para os casos em que a cooperativa exerce suas atividades segundo a legislação específica. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 9 15 Com base no disposto no RIR/1999, infere que as cotasparte que lhe foram pagas com as sobras apuradas pela Cooperativa não estão sujeitas à tributação e, por essa razão, não teria havido retenção em relação aos valores recebidos nos anos de 2002, 2003 e 2004. Por se tratar de recebimento de devolução de capital social subscrito pelo Contribuinte, a situação seria de isenção do imposto de renda, de acordo com o disposto no art. 182 do RIR/1999. Além de outras considerações sobre tributação de cooperados, inclusive aqueles vinculados a cooperativas de trabalho, alega o sujeito passivo que: Conclusivamente, podese dizer que, com a subscrição do capital social da Cooperativa, o Contribuinte celebrou uma espécie de "contrato jurídico", abandonando sua natureza jurídica anterior (advogado), passando a fazer parte desta sociedade cooperativa como cooperado (tão somente), com direito a devolução das cotas integralizadas. Os valores recebidos da Cooperativa a título de restituição de parte do capital social subscrito não estão sujeitos à tributação do imposto de renda, como demonstrado acima. Portanto, não se trata de omissão de rendimentos, referentes a honorários advocatícios, devendo o lançamento de ofício do IRPF, anoscalendário 2002, 2003 e 2004, ser julgado improcedente. Faz considerações a respeito de decadência, alegando que, em razão de antecipação de pagamento e, em face do disposto no art. 150, § 4º do CTN, estariam decadentes os valores relacionados ao ano calendário 2002. Reproduz súmula nº 29 do CARF que trata de depósitos bancários em conta conjunta, informa que em 2005 possuía três contas conjuntas com seu cônjuge e que o lançamento foi efetuado sem a oitiva deste para informar a origem dos recursos depositados nessas contas, padecendo o lançamento de vício, pelo que deve ser declarado improcedente. Destaca que, em relação a uma das contas, a autoridade lançadora considerou a integralidade (100%) dos valores depositados, enquanto que em face das outras duas contas, considerou 50% dos valores tidos como sem origem conhecida, a despeito de não ter intimado a segunda titular de tais contas. Requer o acolhimento de sua manifestação sobre as conclusões da Diligência requerida pela Resolução nº 2101000.195 l5, assim como, com relação às matérias de ordem pública e de natureza da verdade material, para ao final, julgar improcedente o lançamento do IRPF, anoscalendário 2002, 2003, 2004, nos termos da legislação tributária enfatizada nas razões de defesa. É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF 16 Voto Vencido Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. PRELIMINARES Cerceamento do Direito de Defesa Aduz o recorrente que teve seu direito a ampla defesa e ao contraditório atingido em razão da negativa contida na decisão recorrida quanto a produção de provas, após transcorrido o prazo para impugnação, e a realização de perícia e de diligência. No mesmo sentido, a ampla defesa também teria restado prejudicada pelo fato de a fiscalização ter se negado a averiguar documentos localizados no escritório do sujeito passivo, os quais seriam fundamentais para a verificação da ocorrência ou não do fato gerador tributário. Primeiramente, impende reproduzir o art. 69 da Lei 9.784/1999: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. O Processo Administrativo Fiscal – PAF, em âmbito federal, é regido pelo Decreto nº 70.235/1999, norma recepcionada com força de lei pela ordem constitucional vigente. Assim, considerandose que questões relacionadas a apresentação de defesa, prazos processuais, produção de provas e realização de perícias ou diligências estão exaustivamente tratadas na norma processual específica, é o regramento contido nessa norma que deve ser observado no se refere a tais aspectos, não lhes sendo aplicável as disposições contidas na Lei nº 9.784/1999. Convém esclarecer que, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972: “A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Já o inciso III e o § 4º do art. 16 e o art. 17 do referido Decreto, estabelecem que as razões de fato e de direito e os pontos de discordância devem ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Do mesmo modo, as provas que o contribuinte possuir devem ser apresentadas conjuntamente com a peça impugnatória. Passada essa fase, somente serão Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 10 17 admitidas novas provas caso fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refiramse a fato ou a direito superveniente ou destinem se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não é o caso. De se ressalvar, de início, que o princípio do informalismo ou do formalismo moderado, que orienta o Processo Administrativo, tem como finalidade a facilitação do acesso do cidadão à Administração, mas isso não significa que tal princípio autorize o administrado a agir a revelia da lei ou obrigue a Administração a flexibilizar as exigências legalmente estabelecidas. Com relação aos pedidos de perícia ou diligência, o inciso IV e o § 1º do supracitado art. 16 estabelecem como requisitos, os quais devem ser expostos ainda na impugnação: i) a apresentação dos motivos que os justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados; e i) no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado pelo impugnante. Reputamse não formulados, nos termos da norma legal, os pedidos que deixarem de atender aos citados requisitos. Além disso, a autoridade julgadora de primeira instância indeferirá os pedidos apresentados, quando considerálos prescindíveis ou impraticáveis, de conformidade com art. 18 do lei processual tributária. À luz do exposto, vêse que a autoridade julgadora de primeira instância, ao indeferir os requerimentos do contribuinte relativamente a produção de provas, realização de perícia ou diligência, agiu em estrita observância ao regramento estabelecido na norma disciplinadora do PAF, não se verificando na decisão vergastada qualquer evidência de cerceamento do direito à ampla defesa ou ao contraditório, ao revés do que sugere o recorrente. Sobre os documentos que o recorrente informa ter disponibilizado em seu escritório e que a fiscalização teria se negado a examinar, consta do documento intitulado “Esclarecimentos e Solicitações” (fls. 216/218) apresentado por ele à autoridade autuante: 3) Tendo em vista que no prazo concedido é impossível levantar documentos que demonstrem o ora alegado, solicito seja diligenciado em meus arquivos, ainda que por amostragem, a constatação dos valores destinados a diversos pagamentos ligados a processos judiciais, motivo pelo qual estou franqueando todo meu arquivo a esta fiscalização para comprovação "in loco" do alegado. Em relação a essa solicitação, restou consignado no Auto de Infração, mais especificamente na fl. 279: A verificação "in loco" dos documentos se mostrou inviável devido ao fato de a legislação dispor que compete ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos, e não à fiscalização. Apenas o contribuinte seria capaz de identificar, com base em suas atividades, movimentação financeira e em seus controles, a origem de cada deposito. Assiste razão à fiscalização. Fl. 1114DF CARF MF 18 O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que será analisado mais detidamente quando do exame das questões de mérito, é claro quanto à incumbência do contribuinte em fazer prova da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade lançadora. Não é minimamente razoável querer transferir tal encargo para a fiscalização sob o argumento de não ter tido tempo hábil levantar tais documentos. Ademais, diferentemente do que se afirma no recurso voluntário, não foram disponibilizados documentos no escritório do sujeito passivo para a análise da autoridade autuante, o que se requereu foi que a fiscalização procedesse a uma diligência nos arquivos do reclamante para localizar documentos aptos a identificar a origem de valores movimentados em suas contas bancárias, o que é completamente descabido. De mais a mais, se esses documentos eram tão determinantes para comprovar a origem dos depósitos e infirmar o lançamento do crédito tributário, porque não foram exibidos na impugnação? Em razão disso, afasto a preliminar de cerceamento de direito de defesa, pois não se verificaram quaisquer das circunstâncias alegadas pelo contribuinte quanto ao malferimento de princípios constitucionais como o da ampla defesa ou do contraditório. Defesa Aditiva e Manifestações Acerca de Matéria Estranha ao Objeto de Diligência No mesmo sentido, não cabe a análise de razões aditivas trazidas aos autos após decorrido o prazo para apresentação de recurso voluntário ou manifestações decorrentes de relatório de diligência, quanto a matérias alheias a seu escopo, a menos quando se trate de questão de ordem pública, com relação a qual o exame pela autoridade julgadora independe de manifestação do contribuinte. MÉRITO Decadência Não obstante tenha admitido no recurso voluntário que o prazo decadencial deveria obedecer aos ditames do art. 173, I do CTN, quando da manifestação apresentada por ocasião da realização de diligência requerida por este Conselho, segundo o contribuinte: [...]ao Fisco decaiu do direito de lançar os valores relativos ao anocalendário de 2002, face ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n9 5.172, de 25/10/1966, uma vez que houve antecipação do imposto de renda, de acordo com sua Declaração de Ajuste Anual 2003 Apesar de ter suscitado esse assunto (decadência com base no art. 150, § 4º do CTN) somente nas contrarrazões apresentadas em face de Relatório Fiscal de Diligência que não abordava a presente matéria, ou seja, após o prazo previsto para apresentação do recurso voluntário, por se tratar de questão de ordem pública, tornase imperioso proceder a análise do tema, o que seria feito independentemente de manifestação da parte recorrente. Observese que consta da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003 (fls. 54/57), linha 16, imposto devido no valor de R$ 461,41. Na linha 17, temse imposto retido na fonte de R$ 17,34 e na linha 25, saldo de imposto a pagar de R$ 444,07: Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 11 19 No Demonstrativo de Apuração do anobase 2002 (fl. 299), há referência a imposto pago de R$ 461,41: Fl. 1116DF CARF MF 20 Os documentos acima colacionados evidenciam que assiste razão ao recorrente quando esse afirma ter adiantado parte do pagamento do imposto relativo ao ano calendário 2002. Assim, há que se reconhecer que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o dispositivo a ser considerado para o exame dessa matéria é o art. 150, § 4º do CTN. Para os casos analisados no feito fiscal, o fato gerador do IRPF ocorreu em 31/12 do anocalendário. Assim, em relação a 2002, o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2007. Entretanto, o contribuinte somente foi notificado do Auto de Infração em 17/11/2008, por conseguinte, os fatos geradores relativos ao referido anocalendário foram alcançados pela decadência, devendo ser excluídos do lançamento. Natureza dos Valores Recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT Com relação a esse assunto, temse que a decisão de primeira instância considerou os valores recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos pelo contribuinte como honorários advocatícios e, desse modo, tributáveis. O recorrente, por sua vez, pugna para que esses pagamentos sejam considerados quotas apuradas como sobras da Cooperativa e, portanto, isentos do IRPF. Conforme se extrai do Relatório Fiscal de Diligência, a CBT e MPL Empreendimentos, entrou em crise financeira no final dos anos 1980 e veio ficar inadimplente com seus funcionários tanto na questão salarial como social a partir de 1989, dispensandoos paulatinamente até encerrar completamente suas atividades em 1994. Com isso, a exemplo do recorrente, inúmeros advogados vieram a patrocinar causas trabalhistas contra essa empresa. Encerrados os processos, a CBT e MPL Empreendimentos não conseguiu pagar os valores determinados pela Justiça em razão do caos financeiro em que estava mergulhada. Por não terem recebido os valores decorrentes das ações judiciais, os exfuncionários não honraram os compromissos assumidos com os advogados. Nesse contexto, foi criada a Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL Empreendimentos, com o objetivo exclusivo de administrar os bens recebidos em decorrência de crédito trabalhista que os exfuncionários possuíam com o GRUPO MPL. Nessa Cooperativa, além dos exfuncionários, foram admitidos também os advogados que patrocinaram as ações trabalhistas desses. Em vista do Estatuto da Entidade, exfuncionários e advogados subscreveram cotas na formação do capital social da entidade, proporcionalmente aos créditos que cada um julgavam possuir. Assim, o recorrente tornouse credor da Cooperativa, na condição de advogado de exfuncionários, fazendo jus ao recebimento de valor equivalente ao de seus honorários. Na medida em que a Cooperativa recebia os valores decorrentes das ações trabalhistas e efetuava os pagamentos dos créditos correspondentes aos exfuncionários, pagava simultaneamente os honorários aos advogados que patrocinaram as causas, proporcionalmente a quantidade de cotas subscritas. O trecho do Relatório Fiscal de Diligência denominado “A Origem dos Honorários Advocatícios”, é elucidativo quanto à situação acima descrita, especificamente em relação ao sujeito passivo: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 12 21 A ORIGEM DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O TERMO DE SUBSCRIÇÃO (fls. 1019/1020) comprova que Luiz Fernando Freitas Fauvel, na condição de advogado trabalhista, subscreveu 70.904,98 cotas do capital social da Cooperativa, no dia 10/02/1996, dando origem ao direito de recebimento de honorários advocatícios no valor de R$ 70.904,98. Esses honorários advocatícios são provenientes de ações trabalhistas patrocinadas em favor dos exfuncionários, conforme demonstrado no quadro abaixo: ExFuncionário (reclamante) Processo Judicial Crédito Trabalhista Honorários Advocatícios % honorários Angelo Carnelosi 1437/94 72.419,81 14.483,96 20% Antonio Carlos Zeferino Souza 1436/94 97.865,70 19.573,14 20% Antonio Carlos Zeferino Souza 1435/94 27.028,47 5.405,69 20% Claudionor Roberto Vansim 1437/94 79.817,39 15.963,48 20% Jurandir Rodrigues dos Santos 1438/94 77.393,53 15.478,71 20% Total 354.524,90 70.904,98 É muito importante observar que os honorários advocatícios a que teria direito o Recorrente representam exatamente 20% (vinte por cento) do valor das causas trabalhistas patrocinadas em favor de cada exfuncionário, conforme, aliás, devidamente contabilizado no Diário/Razão de 1998 (fls. 1021/1025). Notase que a conta 2401010001 – 1748 é muito clara ao registrar os valores acima como honorários advocatícios (fls. 1025). Nos anos de 2002, 2003 e 2004, com a alienação dos primeiros imóveis pela Cooperativa, o Recorrente começou a receber seus honorários, proporcionalmente às cotas que subscreveu, conforme discriminado no quadro abaixo, cujos valores foram extraídos do Balancete e dos Diários (fls.1026/1030). ANOCALENDÁRIO HONORÁRIO RECEBIDO FONTE 2002 R$ 5.980,55 Balancete 2002 R$ 3.355,85 Diário 2003 R$ 440,91 Diário 2003 R$ 2.802,31 Diário 2004 R$ 3.350,39 Diário Importa destacar que os reclamantes (exfuncionários) não receberam os seus créditos trabalhistas integralmente, nem os advogados receberam os honorários em sua totalidade. Todos os valores recebidos pela Cooperativa foram rateados entre os cooperados (exfuncionários e advogados) proporcionalmente ao capital subscrito. Esclarece a fiscalização, por meio do Relatório Fiscal de Diligência, que não houve retenção de imposto sobre os valores recebidos pelo sujeito passivo. Tais valores também não foram declarados ou oferecidos a tributação nas declarações de rendimentos respectivas. Fl. 1118DF CARF MF 22 Cumpre salientar, desde já, que a denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do IRPF, nesse sentido, dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. [...] Assim, embora o contribuinte assegure que os valores por ele recebidos tratamse de cotas do capital social da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL, o fato é que tais valores decorreram de serviços prestados por ele na condição de advogado, ou seja, referidos valores têm natureza de honorários advocatícios e, como tal, devem ser tributados. Apercebase que ao subscrever o capital equivalente a seus honorários, o contribuinte não providenciou sua integralização, o que foi diferido para a ocasião da entrada de valores resultantes da alienação de bens havidos pela entidade. Entretanto, quando da venda de imóveis pela Cooperativa ou do repasse dos valores correspondentes aos honorários ao sujeito passivo nada foi oferecido à tributação. Teria razão o recorrente se houvesse, quando da alienação de referidos bens, e antes da “integralização” de suas quotas, recolhido os valores correspondentes ao imposto de renda sobre os honorários, mas isso não ocorreu. Dessa forma, não há que se falar em ato cooperativo ou que a discussão acerca da matéria tenha que se dar à luz da Lei nº 5.764/1971, tampouco que as parcelas recebidas pelo recorrente estejam isentas de tributação com base no art. 182 do Regulamento do Imposto de Renda. Sobre o argumento de que os valores recebidos da Cooperativa pelos ex funcionários da CBT tiveram tratamento distinto ao que fora dispensado às verbas recebidas pelo recorrente, cabe esclarecer que, por não se tratar de questão atinente ao presente processo, não há como se emitir juízo a esse respeito. Vale lembrar, consoante esclareceu a fiscalização no Relatório Fiscal de Diligência, que a matéria tratada neste tópico já fora objeto de outras decisões no âmbito deste Conselho e que os lançamentos vêm sendo mantidos em vista de os pagamentos efetuados pela Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL a advogados terem também sido considerados honorários advocatícios. Tal constatação pode ser conferida a partir do exame, dentre outros, do Acórdão 210100292, de 23/09/2009 (processo 13857.000532/200611), Acórdão 220100.608, de 21/01/2011 (processo 13857.000079/200724) e Acórdão 2102 002.371, de 02/04/2013 (processo 13857.000573/200616). Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 13 23 Pelas razões acima elencadas entendo que, nessa parte, deve ser mantido o lançamento, consoante consignado na decisão a quo. Depósitos Bancários De outra parte, em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes a rendimentos declarados, ou seja, é perfeitamente válida a incidência do tributo sobre rendimentos não declarados procedentes de depósitos bancários. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. Com relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1120DF CARF MF 24 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter se ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1997, os valores ali definidos foram atualizados pela Medida Provisória n° 1.563, de 1997, convertida na Lei nº 9.481, de 1997, para, respectivamente, R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00. Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Trata se, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Esclarece a fiscalização (Auto de Infração – fl. 271) que das três contas bancárias onde foi constatada a existência de depósitos sem origem identificada, duas delas são Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 14 25 em conjunto com o cônjuge do autuado. Tal informação mostrase relevante, pois, a depender forma com que a ação fiscal foi conduzida, esse fato pode atrair a aplicação da Súmula CARF nº 29. Referida Súmula estabelece: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por certo, para se saber o verdadeiro alcance da citada Súmula, faz necessário analisar as decisões que deram suporte a sua edição. Nesse sentido, impõese reproduzir excertos de algumas dessas decisões: Acórdão n° 10617.009, de 6 de agosto de 2008 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta toma insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela. (Grifos Nossos) Acórdão n° 10248.460, de 26 de abril de 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6°, do artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. (Grifos Nossos) Acórdão n° 10248.163, de 26 de janeiro de 2007 CONTA CONJUNTA Em se tratando de conta conjunta, é necessário intimar todos os cotitulares da conta para que informem sobre a origem dos recursos. A divisão do total de Fl. 1122DF CARF MF 26 rendimentos ou receitas pela quantidade de cotitulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titularidade dos recursos. Não pode a fiscalização, sem a intimação do cotitular da conta, cuja declaração de rendimentos tenha sido apresentada em separado, presumir que a metade das receitas pertence a um dos correntistas e o saldo remanescente ao outro contribuinte. (inteligência art. 42, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996). (Grifos Nossos) De se notar que as decisões reproduzidas, e todas as outras que fundamentaram a edição da Súmula CARF nº 29, têm como supedâneo o § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e, por conseguinte, referemse a situações envolvendo contas conjuntas em que os cotitulares apresentam declaração de rendimento em separado. Diferentemente disso, no caso em questão o cônjuge do recorrente figura em suas Declarações de Ajuste Anual – DAA na condição de dependente (fls. 54/79), ou seja, como não houve a apresentação de DAA em separado, inaplicável ao caso referida Súmula. Com o intuito de infirmar o lançamento relativo aos depósitos bancários, alega o recorrente que 89% dos R$ 163.806,07 desse valor não se constitui em renda por ele auferida. Sobre essa questão, convém asseverar que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando a esse indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. A esse respeito, reputo acertada a análise contida na decisão de primeira instância que concluiu que os documentos apresentados pelo sujeito passivo (fls. 400/855) não se mostraram hábeis a comprovar a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias. No caso dos R$ 24.385,00 que, segundo o recorrente, seriam valores correspondentes a transferências de conta de mesma titularidade, percebese que a “Tabela 02 – Valores Desconsiderados”, constante do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fl. 194), demonstra que referida quantia foi desconsiderada pela fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração. Aliás, os valores desconsiderados pela fiscalização (R$ 24.935,00) são, inclusive, superiores aos apontados no laudo e nas planilhas de fls. 825, referidos na peça recursal. Com relação aos demais valores cuja origem o sujeito passivo insiste ter comprovado, entendo não haver o que acrescentar ao exame empreendido na decisão vergastada, segundo a qual: Com referência aos depósitos justificados na planilha anexa ao laudo contábil (fls. 412/421), como sendo Acordos Processos Judiciais e custas processuais, o contribuinte não anexou aos autos quaisquer documentos que comprovassem essas afirmações, portanto não há como considerálas. [...] Também não restou comprovada a alegação de que em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 15 27 Quanto ao pleito de desconsideração do cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao lmpugnante, observese que tal valor sequer integrou este levantamento, conforme se verifica às fls.158. No que tange ao pedido de exclusão da tributação o valor de R$ 44.680,00, da mesma forma, não foram trazidos aos autos documentos que comprovassem que tal valor está contido no valor tributável de R$ 163.806,07, apurado pela fiscalização. Frisese que, não tendo sido comprovada a origem de quaisquer dos valores creditados nas contas bancárias do recorrente, não há que se falar na aplicação do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 ao caso como forma de afastar o lançamento, visto que a soma dos valores abrangidos na autuação equivalem a 163.806,09 e os créditos bancários inferiores a R$ 12.000,00, somam quantia que ultrapassa os R$ 80.000,00 previstos no dispositivo suscitado (vide Termo de Constatação e Intimação Fiscal – Fls. 192/212). Por fim, a respeito da dedução das despesas com o escritório, que o recorrente requer sejam deduzidas do lançamento, além representar retificação indevida da declaração, o que contraria o § 1º do art. 147 do CTN, não há como vincular tais despesas ao custeio das atividades que levaram o contribuinte a auferir os rendimentos omitidos da tributação. Por todas essas razões, entendo que não se devam acolher os argumentos apresentados na peça recursal acerca dessa matéria. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário de modo a excluir do lançamento os valores relativos ao anocalendário 2002, por terem esses sido alcançados pela decadência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1124DF CARF MF 28 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Em que pese as bem colocadas razões do D. Relator, tenho entendimento diverso no que toca à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Na realidade, considero ser aplicável à espécie a Súmula CARF nº 29, dantes transcrita. Recordando, temse que duas das três contas bancárias cujo exame deu azo à infração as contas mantidas nos bancos Nossa Caixa e Real são incontestavelmente contas de titularidade conjunta com o cônjuge do recorrente, que consta como sua dependente nas DIRPFs dos anoscalendário examinados (fls. 54 e ss). Observese, também, que não se trata aqui de declaração conjunta, ou melhor, declaração de rendimentos conjunta, pois a dependente não ofereceu quaisquer rendimentos à tributação nessas DIRPFs. Então, deve ser reconhecido que o simples fato do cônjuge do contribuinte constar como dependente na sua DIRPF não consubstancia suporte suficiente para o entendimento segundo o qual, em decorrência, estaria o autuado a par de todas as das movimentações bancárias que foram realizadas nas contas bancárias de titularidade conjunta dessas pessoas físicas, de modo a poder comprovar sua origem nos termos demandados pela fiscalização. Decerto a dependente poderia nelas ter efetuado saques, depósitos, transferências, etc., sem que necessariamente o autuado soubesse dessas movimentações. Nessa toada, era necessário que todos os titulares das contas em apreço fossem intimados a justificar a origem dos depósitos, para a correta apreensão da materialidade do fato gerador do imposto de renda pessoa física na situação, forte no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que não ocorreu no caso. Por conseguinte, impõese a aplicação da Súmula CARF nº 29, em observância do disposto no art. 72 do Anexo II do RICARF. Mais: com a exclusão desses depósitos, temse que os créditos remanescentes objeto de justificação, atinentes à conta nº 704253 do Banco do Brasil S/A., são todos inferiores a R$ 12.000,00 e não atingem a cifra total de R$ 80.000,00, como evidencia o demonstrativo de fl. 309, integrante do lançamento fiscal. Tal fato atrai a incidência da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 16 29 R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. De rigor, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando se a infração em comento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao anocalendário de 2002 e, no mérito, darlhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1126DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.015001/2001-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
AUTO DE INFRAÇÃO - PROCESSO JUDICIAL - COMPROVAÇÃO
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o sujeito passivo demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, deve-se reconhecer a improcedência do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento.
Numero da decisão: 9303-004.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 50 01 /2 00 1- 12 Fl. 361DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3803002.296, de 24 de janeiro de 2012 (fls. 254 a 258 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. O lançamento decorrente de auditoria interna na DCTF cuja motivação da autuação tenha sido processo judicial não comprovado, ocorrendo sua comprovação, não há que ser mantido sob outra alegação. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna de DCTF, realizada pela DEFIC/SPO, em que foi apurada falta de recolhimento dos débitos de PIS de janeiro a junho de 1997, conforme auto de infração de fls. 28/30. Em impugnação ao lançamento, às fls. 1/12, o Contribuinte alegou: a) que a autuação é nula de pleno direito, vez que não foi cientificada do lançamento, como se observa no campo 8 do auto de infração, que não apresenta a assinatura de seu representante legal; b) que assinalou ter havido infringência do princípio constitucional da publicidade dos atos administrativos, com consequente violação do direito ao contraditório e à ampla defesa, assegurado pelo art. 5° da CR/88; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 362 3 c) quanto ao mérito, haver compensado os débitos lançados com créditos do próprio PIS amparada pela Medida Cautelar n.° 95.00430240, cuja petição inicial anexou aos autos, fls. 35/49,concluindo daí que, estando os débitos extintos por compensação, não há que se falar em falta de recolhimento; d) o nãocabimento, no caso, da multa imposta, uma vez que não houve prestação de informações inexatas às autoridades fiscais, mas tão somente erro de fato no preenchimento da DCTF. No julgamento da lide, a DRJ/SPO I consignou ser infundada a alegação de nulidade suscitada pelo Contribuinte. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, e o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Do relatório da decisão recorrida extraio: No curso dessa atividade, a citada delegacia levantou as compensações realizadas pela contribuinte, em que contrapôs seus créditos à exigência do PIS do anocalendário 1998 em outro auto de infração decorrente de auditoria de DCTF, que constituiu o processo administrativo nº 19679.005330/200306. O resultado foi consubstanciado no Parecer DRF/TSR/SACAT n°: 0498/2006, constante às fls. 74 /75, do qual se extrai o excerto abaixo: Passamos à análise propriamente dita: 1. as ações judiciais tiveram o seguinte andamento: • liminar deferida na Medida Cautelar 95.00430240 para que a impetrante compensasse os valores recolhidos a maior (com base nos Decretos Leis n° 2.445/88 e 2.449/88) a titulo de PIS, com parcelas vincendas do próprio PIS, calculado nos termos da Lei Complementar n° 7/70 e com parcelas vincendas do COFINS (fls.17 a 19); • a sentença proferida na Ação Ordinária 95.00480581 declarou ser inexigível o recolhimento do PIS com as alterações introduzidas pelos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88, subsistindo nos termos da Lei Fl. 363DF CARF MF 4 Complementar n° 7/70 e reconheceu o direito à compensação do PIS próprio PIS, observada a prescrição quinquenal (fls.38 a 46); • a Apelação da União foi recebida nos efeitos suspensivo e devolutivo (fls.70); • o Acórdão negou provimento à Apelação por unanimidade e deu parcial provimento à remessa oficial para fixar a correção monetária conforme os índicesoficiais do Fisco (fls.56 a 65 9 71). Inobstante o órgão julgador externar o que fora consignado no dito parecer, ignorou a constatação da autoridade preparadora quanto à existência de liminar na medida cautelar n° 95.00430240, ação judicial que escudou o procedimento compensatório da contribuinte, informado na DCTF alvo da auditoria. O auto de infração foi motivado por “declaração inexata”, que teria sido prestada pela contribuinte em sua DCTF com a indicação da compensação dos débitos que declarou autorizada pelo processo judicial n° 95.00430240. Tal motivo está claramente marcado pela ocorrência “Proc Jud não Comprovad”, constante do Demonstrativo de Débito integrante da peça de exigência fiscal. Visto assim, ante os elementos constantes dos autos, que o motivo é falso, do que, podese afirmar de outra forma ser inexistente o motivo que respalda o lançamento. Desta maneira, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 262 a 276) em face do acordão recorrido, a divergência suscitada da Fazenda Nacional está fundada no fato de que o acórdão paradigma decidiu por não conhecer do recurso no que trata do direito aos créditos, e, consequentemente, para que se procedesse à compensação com base na ação judicial; no que conheceu, cancelou a multa de ofício aplicada. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, o acórdão n.º 20312.427, proferido pela antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme cópia juntada às fls. 277 a 293. "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep ., Período de Apuração: 31/08/1997 a 31/12/1997 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 363 5 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte que trata do mesmo objeto. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃ0 CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI Nº 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de ofício respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei na 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso provido em parte." Do voto condutor do acórdão apresentado como paradigma evidenciase que, naquele processo, o lançamento decorrera de o processo judicial não estar comprovado ("proc. jud. não comprovad") e ter sido apresentado quando da impugnação. No processo judicial discutiase a mesma matéria do caso ora sob análise (exigência do PIS com base nos decretos leis inconstitucionais), mas na DCTF informarase a realização de compensação com os créditos dele decorrentes. No voto vencedor afirmouse que a mera comprovação da existência do processo não bastaria se nele não restasse provada a suficiência dos créditos alegados para a compensação informada na DCTF, o que ficou constatado após a impugnação apresentada, e do que resulta a falta de recolhimento de tributo, motivo, em última análise, do lançamento, nas palavras do redator designado. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 294 a 296, sob o argumento que foi apresentada decisão em sentido diverso do acórdão Fl. 365DF CARF MF 6 recorrido, considerando que o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido, assim ficando comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 301 a 317, em que manifestou pelo não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional e manter o v.acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial da Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Constatase que o fundamento para o provimento do Recurso Voluntário ora combatido diz respeito à motivação inadequada do Auto de Infração. Entendeu o julgador a quo que o Auto de Infração seria nulo porque se fundamentou na suposta inexistência de medida judicial que amparasse a compensação, conforme DCTF apresentada. Tal fato foi apreciado pela DRJ, mas inobstante o órgão julgador externar o que fora consignado no parecer da DRF/TSR/SACAT n°: 0498/2006, constante às fls. 74 /75, ignorou a constatação da autoridade preparadora quanto à existência de liminar na medida cautelar nº 95.00430240, ação judicial que escudou o procedimento compensatório da contribuinte, informado na DCTF alvo da auditoria. Desta maneira, manteve o lançamento por motivação diversa (AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO REGISTROS CONTÁBEIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS.). Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 364 7 Entendo, que nenhuma ressalva há que ser feita no acórdão recorrido. O auto de infração indicou como único motivo a ausência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário (“proc. jud. não comprova”), que posteriormente revelouse improcedente pela constatação da existência do processo judicial. Desta maneira, incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo Fl. 367DF CARF MF 8 administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato (auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. Esta 3ª Turma da CSRF vem decidindo, por unanimidade de votos, no sentido de se considerar improcedente o lançamento eletrônico que teve por fundamentação “proc. Jud. Não comprova”, quando comprovada a existência do processo judicial, e que nele houve decisão suspendendo a exigibilidade do crédito, informada na DCTF. Transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303003.400, de 25 de janeiro de 2016, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que foi acompanhado por unanimidade pelos demais membros do colegiado: “A teor do relatado, o Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo ao PIS, em razão da não confirmação da existência do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna "proc.jud. não comprovado".. De outro lado, como bem consignouse no acórdão recorrido, houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo judicial informado nas DCTF pela empresa, ao contrário do que informado no auto de infração, existia e, de fato, assegurava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão. O Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 365 9 No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a autuação deuse sob a premissa da inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de depósito judicial do montante integral, depósitos esses autorizados em sede de sentença transitada em julgado. Ora, se essa era a acusação, proc jud não comprova, e se o sujeito passivo comprovou a existência tanto da ação quanto da suspensão da exigibilidade do crédito, não resta dúvida de que a acusação fiscal é insubsistente.” No mesmo sentido, os acórdãos 9303003.400 9303003.362, 9303003.307 e 9303003.306, proferidos por este colegiado. Por se tratar de matéria idêntica, a partir dos mesmos fundamentos acima expostos, como no caso dos autos a autuação deuse sob a premissa da inexistência de processo judicial informado, e o sujeito passivo comprovou a existência da ação judicial, não resta dúvida de que a acusação fiscal é insubsistente, por erro em sua motivação, ocasionando a nulidade do lançamento. Desta maneira, corretíssima, pois, a decisão recorrida. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 369DF CARF MF 10 Fl. 370DF CARF MF
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