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Numero do processo: 12448.721601/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 07/05/2008
IRRF. SOCIEDADE REGIDAS NA LEGISLAÇÃO LUXEMBURGUESA.
À luz do artigo 1 0, XXIII, da Instrução Normativa n° 188, de 2002, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Luxemburgo somente é considerado país com tributação privilegiada, em relação às sociedades holdings, regidas na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929.
PROVA. DOCUMENTOS
Provado nos autos de que a recorrente não se enquadra entre as sociedades com tributação favorecida, que goze de vantagens especiais em Luxemburgo, é de 15% a alíquota aplicável no caso de remessa de juros sobre o capital
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. André Gomes de Oliveira, OAB/RJ nº 85.266..
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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SOCIEDADE REGIDAS NA LEGISLAÇÃO LUXEMBURGUESA. À luz do artigo 1 0, XXIII, da Instrução Normativa n° 188, de 2002, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Luxemburgo somente é considerado país com “tributação privilegiada”, em relação às sociedades holdings, regidas na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929. PROVA. DOCUMENTOS Provado nos autos de que a recorrente não se enquadra entre as sociedades com tributação favorecida, que goze de vantagens especiais em Luxemburgo, é de 15% a alíquota aplicável no caso de remessa de juros sobre o capital Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. André Gomes de Oliveira, OAB/RJ nº 85.266.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 16 01 /2 01 2- 21 Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado). Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.721601/201221 Acórdão n.º 2202002.580 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, TRANSMISSORA ALIANÇA DE ENERGIA ELÉTRICA SA, auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, DRF/RJI, exigindo da Interessada, acima identificada, o IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF, no valor de R$48.219.243,95, acrescido de multa de ofício de 75%, com juros de mora calculados até 31.01.2012. Na descrição dos fatos consta que houve a falta de recolhimento do IRRF no ano de 2008. Consta no Termo de Verificação o que segue. A Interessada, TAESA TRANSMISSORA ALIANÇA DE ENERGIA ELÉTRICA S.A, originalmente controladora da empresa TERNA PARTICIPAÇÕES S.A, que por sua vez era a controladora da subsidiária integral ETEO EMPRESA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA DO OESTE S/A, hoje todas incorporadas em diversas operações sucessórias, de tal forma, que o patrimônio da ETEO EMPRESA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA DO OESTE S/A foi vertido no patrimônio da Interessada. Antes, em 2008, a ETEO teve suas ações adquiridas pela LOVINA PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ: 09.047.817/000190, sendo que, após isto, a ETEO incorporou a LOVINA. A LOVINA havia sido criada em 14/08/2007, com capital social de R$1.000,00 tendo como sócios quotistas em partes iguais, os Srs. Marcos Vinicios Bitencourt e Luiz Augusto de Azeredo Osório de Castro, ambos advogados, os quais promoveram a integração do capital social no caixa da LOVINA, em partes iguais, no dia da criação, conforme consta do Livro Diário da mesma. Nesta data o domicílio da LOVINA era Rua Almirante Barroso, 527/1202. Em 17/09/2007, firmou se contrato de compra e venda entre TROPAZ GROUP SARL, sociedade de responsabilidade limitada constituída em Luxemburgo e EARTH TECH BRASIL LTDA, CNPJ: 27.608.694/000109, sociedade com sede em São Paulo, como alienantes e como adquirente a LOVINA. Neste contrato, firmou se a intenção de aquisição da empresa detentora do contrato de concessão de nº.40/2000 junto a ANEEL, que até então era denominada ETEO. No contrato firmaram como garantidoras as empresas do grupo econômico: TERNA PARTICIPAÇÕES S.A., controladora da LOVINA e TYCO INTERNACIONAL FINCNACE, sociedade também com sede em Luxemburgo, no mesmo endereço da alienante TROPAZ. Ao promover a aquisição da ETEO, a LOVINA promoveu a remessa a TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL de R$504.336.883,37, através do contrato de Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cambio de Venda Tipo 4 TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS AO EXTERIOR, apresentado pela Interessada em sua resposta às intimações. A memória de cálculo apresentada pela Interessada em sua resposta à intimação, assim como os comprovantes de registro de capital internacional, demonstra que o total do capital registrado no BACEN pela TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL foi de R$176.445.942,00 e conseqüente ganho de capital de R$385.754.058,00. A Interessada demonstra ter promovido o recolhimento de IRRF sobre o ganho de capital à alíquota de 15%, portanto R$ 57.863.109,00. À época da negociação e da celebração do pré contrato de compra e venda o capital da empresa ETEO era propriedade de TROPAZ GROUP SARL, sociedade de responsabilidade limitada constituída em Luxemburgo, com 78% e EARTH TECH BRASIL LTDA, sociedade com sede em São Paulo, com os demais 22%. Por ocasião da efetivação da venda, e correspondente pagamento, entretanto, conforme informado pela Interessada, as participações acima foram alteradas passando a ser detentora de 99,99% da participação societária da empresa ETEO a TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, restando a EARTH TECH BRASIL LTDA, 0,01%. Destaquese que na 10° alteração do contrato social da ETEO a TROPAZ GRUP S.A.R.L. passa a apresentar a denominação de TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, que nesta operação declara ter pago R$38.972.528,11 pelos 21,99% que adquiriu da EARTH TECH BRASIL LTDA. Desta forma, no momento da aquisição da ETEO, apesar da negociação de venda ocorrida em 17092007, onde firmarase o contrato de compra e venda entre TROPAZ GROUP SARL e EARTH TECH BRASIL LTDA, como alienantes e como adquirente a LOVINA, as alienantes promoveram alteração da titularidade de suas cotas antes da efetiva alienação o que em princípio feriria o contrato de compra e venda, transferindo quase a totalidade das cotas para a holding company TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, nova denominação da antiga TROPAZ GROUP SARL, ambas com sede em Luxemburgo. Sendo assim reorganizada a sociedade ETEO, a adquirente LOVINA paga integralmente, o valor de aquisição a TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, sem efeturar qualquer pagamento a EARTH TECH BRASIL LTDA, pelos 0,01% que ainda detinha à época. Ao efetuar o pagamento integral à TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, a Interessada se responsabilizou pelo recolhimento do IRRF devido ao ganho de capital auferido por pessoa jurídica estrangeira. Não tendo sido encontrado na contabilidade da adquirente, a LOVINA, qualquer registro de pagamento do IRRF conforme a análise de seu livro diário, em 06/05/2008, a Interessada foi intimada a comprovar o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital auferido pela TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, sociedade com sede em Luxemburgo. Sendo esta detentora de 99,99% do capital da ETEO auferiu 99,99% do ganho de capital. O ganho de capital da TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, foi demonstrado pela Interessada, a partir do capital estrangeiro registrado no BACEN pela TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL. Ocorre que, a Interessada comprova o recolhimento de apenas 15% sobre o montante do ganho de capital calculado por ela, ou seja, R$57.863.109,00 Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.721601/201221 Acórdão n.º 2202002.580 S2C2T2 Fl. 4 5 de uma diferença entre o capital registrado no BACEN e o valor efetivamente recebido, antes do desconto do imposto de renda, ou seja, R$385.754.058,00. Assim sendo, sobre os ganhos incidiria 25% e não 15%, sendo os 10% adicionais devidos a paises com tributação favorecida, conforme previsto pela IN SRF nº.407 de 17032004, sendo a relação indicativa de países com tributação favorecida dada pela INSRF nº.188 de 06082002, que relaciona as empresas holding regidas pela legislação de Luxemburgo, no caso TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL. Nos termos do artigo 26 da Lei nº.10.833, de 2003, da INSRF nº.407/2004 e da IN SRF nº.188/2002, deve ser reconhecido o valor bruto a ser recebido pela TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, apurandose o IRRF devido à alíquota de 25%, descontando o montante pago à alíquota de 15% e constituir o crédito tributário devido pela Interessada que é responsável pela retenção do imposto na fonte sobre o ganho de capital. Nos termos do artigo 5o da Lei 4.154/62 e artigo 725 do RIR/99, a base de cálculo deverá ser reajustada, como se o valor pago fosse considerado líquido. Desta forma, ao apurarse o quanto recebido pela TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL, foram considerado os 10% não recolhidos de IRRF devidos pela LOVINA, incorporada pela ETEO, atual TAESA. O valor do IRRF compõe o valor pago pela aquisição da empresa e portanto compõe o ganho de capital, de tal forma, que ao recolher IRRF a alíquota menor, a TAESA (LOVINA), na prática, por ser responsável pelo recolhimento do IRRF, promoveu pagamento maior do que o pactuado pela ETEO. Para efetuar este cálculo, devese considerar o IRRF não pago como ganho de capital da TYCO, vez que devido pela LOVINA, deveria ter sido recolhido e não o foi, e recalcular o IRRF devido e o IRRF a recolher. Assim, recompondo o ganho de capital, pela incorporação do valor de IRRF de 25% devido cuja parcela não fora paga, o valor real pago pela LOVINA à TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL foi de R$504.336.883,37 + 10% de R$ 385.754.058,00 ou seja, R$552.556.127,32, com um ganho de capital de R$424.329.463,80 (R$385.754.058,00 + 10% de R$ 385.754.058,00), dos quais era devido o IRRF de R$106.082.365,95, e tendo sido apenas recolhido o montante de R$57.863.122,00, resta a constituir o montante de R$48.219.243,95 devidos na data do pagamento, ou seja, em 30/05/2008. A justificativa para o desconto por dentro do valor devido de IRRF é que a Interessada é responsável tributária pelo IRRF a ser retido, não o tendo feito e aceitado o ônus de fazêlo posteriormente, remunerou o contribuinte estrangeiro com a parcela do IRRF que deveria ser descontada e não o foi, pagando portanto maior ágio pelas ações. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 29022012, a Interessada apresentou em 29032012, impugnação instruída por documentos na qual argui o que a seguir se expõe. No ano de 2007, a ETEO deu início ao projeto de reestruturação societária, que contemplou a transferência da totalidade das quotas representativas do seu capital social, até então detido pela EARTH e pela TYCO, esta última sediada em Luxemburgo, para a LOVINA, esta, por sua vez, controlada pela TERNA PARTICIPAÇÕES S/A, antiga razão social da TRANSMISSORA ALIANÇA DE ENERGIA ELÉTRICA S/A, a Interessasa, (doc. 03). A LOVINA aprovou, por meio da Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 27.05.2008, o pagamento do preço de aquisição da ETEO, no valor de R$565.000.000,00 e, em Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 seguida, promoveu a remessa a TYCO da quantia de R$504.336.888,37, por ocasião da efetivação da venda, por meio do Contrato de Câmbio de Venda, Tipo 04 Transferências Financeiras para o Exterior (doc. 04). O valor da transação foi pago integralmente à TYCO, a qual detinha 99,99% do controle acionário da ETEO, sendo certo que a LOVINA não realizou qualquer pagamento à EARTH pelos 0,01% da qual ainda era detentora à época, informação esta que é, inclusive, confirmada no próprio relatório descritivo da autuação (parágrafo 34). Em decorrência da alienação, a TYCO apurou ganho de capital de R$385.754.058,00, sobre o qual incidiu o IRRF à alíquota de 15%, nos termos do artigo 18, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995, o qual foi devidamente retido e recolhido pela LOVINA, por força do disposto no artigo 1o, da Instrução Normativa SRF n° 407, de 17.03.2004. Contudo, equivocadamente, a Fiscalização entendeu que a TYCO seria residente em país de tributação favorecida (Luxemburgo) e, por esse motivo, a alíquota do IRRF incidente sobre o ganho de capital por ela auferido seria, na verdade, de 25% (vinte e cinco por cento), de acordo com a previsão contida no artigo 2o, da Instrução Normativa SRF n° 407, de 17.03.2004, sendo a relação indicativa de países com tributação favorecida dada pela Instrução Normativa SRF n° 188, de 06.08.2002 (artigo 1o, inciso XXVIII). O posicionamento adotado pela Fiscalização Federal para a aplicação da alíquota de 25% do IRRF' incidente sobre a referida operação está equivocado, pois, embora Luxemburgo tenha sido listado como país de tributação favorecida pela Instrução Normativa SRF n° 188, de 06.08.2002, a sua inclusão limitouse às sociedades holdings regidas, na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929, o que não é o caso da TYCO. A TYCO somente poderia ser considerada como residente ou domiciliada em país de tributação favorecida, na hipótese de regerse pela Lei de 31 de julho de 1929 de Luxemburgo, tal como previsto na Instrução Normativa n° 188, de 06.08.2002. Entretanto, a TYCO não se constituiu e tampouco é regida pela Lei de 31 de julho de 1929, não tendo jamais se beneficiado do regime especial de tributação aplicável às "holding companies de 1929 de Luxemburgo", conforme comprovam os seus atos societários (doc. 07), o certificado de residência expedido pela "Administration des contríbutions directes" do Governo de Luxemburgo (doc. 08) e a declaração assinada pelo representante legal da empresa em conjunto com as autoridades fiscais de Luxemburgo (doc. 09), todos devidamente acompanhados de suas versões em português, e transcritos na impugnação. A INSRF 188/2002 foi revogada pela INSRF 1.037/2010, que alterou a lista dos países de tributação favorecida. Com essa alteração, as empresas passaram a não mais estar sujeitas à alíquota de 25%, tendo em vista que esta alíquota majorada é prevista unicamente para os países ou dependências de tributação favorecida. Com a edição do Ato Declaratório Executivo RFB 3, de 25.03.2011, as "holding companies” regidas pela Lei de 31 de julho de 1929 em Luxemburgo, foram excluídas da relação de regimes fiscais privilegiados prevista na Instrução Normativa RFB n° 1.037, de 04.06.2010, como se observa pela leitura do ato declaratório transcrito na impugnação. Tendo em vista que a TYCO não é residente ou domiciliada em país de tributação favorecida, o ganho de capital auferido por essa sociedade não está sujeito à alíquota majorada de 25%, mas, sim, à alíquota de 15%, já devidamente retida e recolhida aos cofres públicos. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.721601/201221 Acórdão n.º 2202002.580 S2C2T2 Fl. 5 7 A DRJ ao apreciar as razões do interessado, por maioria de votos, julgara, a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2008 DOCUMENTOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos redigidos em língua estrangeira deverão ser traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. IRRF. GANHO DE CAPITAL. BENEFICIÁRIA RESIDENTE OU DOMICILIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. ALÍQUOTA. 25% (VINTE E CINCO POR CENTO). O ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada ou residente em país com tributação favorecida sujeitase à incidência do imposto na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), nos termos dos artigos 1º e 2º da IN SRF nº 407/2004 c/c o art. 1º, inciso XXVIII, da IN SRF nº 188/2002. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Indica que não houve por parte da autoridade julgadora, questionamento quanto ao fato de que as sociedades luxemburguesas não regidas pela Lei de 31 de julho de 1929 estariam sujeitas a retenção do IRRF à alíquota regular de 15%; Para justificar a cobrança do IRRF à alíquota de 25% é imprescindível que a TYCO seja constituída ou regida sob a Lei de Luxemburguesa de 31/07/1929, o que sequer restou comprovado pela autoridade lançadora; Da efetiva comprovação de que a TYCO Internacional Holding SAR não se constituiu e não é regida pela lei de 31/07/1929. Apresentado agora também em português; Da extinção do sistema dos “1929 Holding Companies” de Luxembourgo em momento anterior à constituição da Tyco International Holding SARL. É o relatório. Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Conforme relatado, a Fiscalização informou que a recorrente comprovou o recolhimento de 15% sobre o montante do ganho de capital auferido pela TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL quando da venda da ETEO, sendo que, o correto deveria ter sido aplicado a alíquota de 25%, uma vez que tratase de empresa sediada em pais com tributação favorecida, conforme previsto pela INSRF nº.407 de 17/03/2004, e 188 de 06/08/2002. Alegou a Recorrente que não se aplica a alíquota de 25% do IRRF no presente caso, pois, embora Luxemburgo tenha sido listado como país de tributação favorecida pela INSRF 188, de 2002, a sua inclusão limitouse às sociedades holdings regidas na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929, o que não é o caso da TYCO. Acrescentou que a TYCO somente poderia ser considerada como residente ou domiciliada em país de tributação favorecida, na hipótese de regerse pela Lei de 31 de julho de 1929 de Luxemburgo, tal como previsto na Instrução Normativa n° 188, de 06.08.2002. Registrese que a Instrução Normativa SRF nº 188, de 6 de agosto de 2002, no seu artigo 1º., inciso XXVIII, diz que: “Art. 1º Para todos os efeitos previstos nos dispositivos legais discriminados acima, consideramse países ou dependências que não tributam a renda ou que a tributam à alíquota inferior a 20% ou, ainda, cuja legislação interna oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade as seguintes jurisdições: (...) XXVIII Luxemburgo (no que respeita às sociedades holding regidas, na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929); (...)”(Grifado nosso) Especificamente, no que se refere à Luxemburgo, depreendese dos dispositivos acima transcritos que a incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% aplicase às sociedades holding regidas, na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929. Na apreciação dos fatos o voto condutor do acórdão da DRJ, assim se pronunciou a autoridade recorrida: Com relação aos docs. 07 e 08, documentos redigidos em língua estrangeira, respectivamente, Estatuto Social da Tyco Internacional Holding Sarl e Certificado de Residência desta empresa emitido pelo Grão Ducado de Luxemburgo, apesar de acompanhados de suas respectivas traduções por tradutor Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 12448.721601/201221 Acórdão n.º 2202002.580 S2C2T2 Fl. 6 9 público juramentado, não consta que estão registrados no Registro de Títulos e Documentos, não produzindo, por conseguinte, efeitos em repartições da União (Secretaria da Receita Federal do Brasil). Com relação ao doc 09, documento de procedência estrangeira, cujo teor é uma declaração assinada por representante da Tyco Internacional Holding Sarl, supostamente em conjunto com autoridades fiscais de Luxemburgo, além de não estar registrado no Registro de Títulos e Documentos, não teve a tradução efetuada por tradutor juramentado. Cabe notar que a tradução consta no próprio corpo do documento. Todavia, se o documento tem procedência estrangeira, a tradução, para ter efeito legal, deverá ser efetuada por tradutor juramentado, o que não ocorreu. Por fim, o referido documento foi redigido em papel timbrado da própria Tyco Internacional Holding Sarl (fonte interna), e não por fonte independente (Administração Fiscal de Luxemburgo). Pelo exposto, com a devida venia, entendo que a documentação supra (docs 07, 08 e 09) não pode ser aceita para fins de comprovação. O interessado tem o ônus de provar (art. 333, I, do CPC) que a empresa Tyco Internacional Holding Sarl, sediada em Luxemburgo, não é uma holding regida, na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929. Não logrando fazêlo, deve ser mantida a aplicação da alíquota de 25% de IRRF sobre o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada ou residente em país com tributação favorecida, de que trata os artigos 1º e 2º da IN SRF nº 407/2004 c/c o art. 1º, inciso XXVIII, da IN SRF nº 188/2002. No recurso o recorrente apresenta os documento fls 1874 a 1881 uma versão legalizada pela Embaixada Brasileira em Bruxelas (Bélgica) e registrada no Cartório de Títulos e Documentos da declaração assinadas das autoridades fiscais de Luxemburgo atestando que a Tyco International Holding SARL não é regida pela Lei de 31/07/1929. Do exame dos documentos de fls.1.446/1.452, (docs. 7, 8, e 9) e , especialmente os de fls. 1874 a 1881, podese comprovar que, no que se refere à legislação luxemburguesa, a TYCO INTERNATIONAL HOLDING SARL não era regida pela Lei de 31 de julho de 1929. Os documentos atendem a todos o requisitos da legislação. Desse modo entendo que está provado que a recorrente não se enquadra entre as sociedade com tributação favorecida, que goze de vantagens especiais em Luxemburgo, é de 15% a alíquota aplicável no caso de remessa de juros sobre o capital próprio, enviados a credor com sede naquele país. Nestes termos, posicionome no sentido de dar provimento ao recurso de voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10920.911442/2012-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 42 /2 01 2- 05 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911442/201205 Acórdão n.º 3803005.691 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911442/201205 Acórdão n.º 3803005.691 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911442/201205 Acórdão n.º 3803005.691 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911442/201205 Acórdão n.º 3803005.691 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911442/201205 Acórdão n.º 3803005.691 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911442/201205 Acórdão n.º 3803005.691 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10240.000532/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa. Resta confirmado que não ocorreu cerceamento de defesa quando o contribuinte apresenta peça de defesa, na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2.
A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-002.336
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa. Resta confirmado que não ocorreu cerceamento de defesa quando o contribuinte apresenta peça de defesa, na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2. A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 32 /2 00 9- 14 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio de Auto de Infração de fls. 10, lavrado em 20/03/2009, exigese da contribuinte Sandra Pedreti Brandão, o montante de R$ 797.206,43 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 271.289,34 de juros de mora e R$ 597.904,82 de multa de ofício, totalizando R$ 1.666.400,59 (atualizados até a data da autuação) referente ao ano calendário de 2005. O lançamento fundamentase na omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Relatório Fiscal informa que foram excluídos do lançamento depósitos/créditos referentes a transferências da Contribuinte para dependentes, além dos aportes em investimentos e créditos decorrentes de outras contas da própria Contribuinte que foram identificadas na conciliação. A fiscalização solicitou os extratos bancários da Contribuinte, bem como os informes de rendimentos utilizados para elabora sua Declaração de Ajuste Anual (ano calendário 2005). A Contribuinte apresentou a referida documentação, porém quando intimada para justificar os créditos em sua conta bancária quedouse silente. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10240.000532/200914 Acórdão n.º 2201002.336 S2C2T1 Fl. 3 3 Tendo em vista a ausência de justificativa da Contribuinte acerca dos créditos em sua conta bancária, a Fiscalização lançou o tributo com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. O lançamento também tem como base a omissão de rendimentos constantes em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Fonte) que foram pagos à Contribuinte, porém não reportados em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA). Salientase que o IRRF incidente sobre os referidos rendimentos foram considerados na lavratura do Auto de Infração. A Contribuinte foi cientificada do lançamento em 24/03/2009 (fls. 25) e apresentou Impugnação (fls. 259 a 372) tempestiva em 23/04/2009, alegando, em suma, que: · Foram considerados como rendimentos de origem não comprovada, diversos depósitos decorrentes de aplicação financeira detida pela Contribuinte (resgates), bem como transferência entre bancos de titularidade da própria Contribuinte. · Parte dos depósitos corresponde à transferência da pessoa jurídica da qual a Contribuinte é sócia (advogada) e corresponde a distribuição de dividendos, conforme reportado na DAA como rendimentos isentos e nãotributáveis (R$ 675.000,00). · É profissional liberal (advogada) e os seus rendimentos (honorários) são auferidos de pessoas físicas ou de pessoa jurídica (sócia de escritório de advocacia) e em ambas situações os rendimentos devem transitar por suas contas bancárias, uma vez que é o único meio de recebê los. · Rateia os honorários com o Sr. Olympio Moraes Junior que é seu sócio no escritório de advocacia. Este recebe 55% e a Contribuinte 45% dos honorários. Desta forma, a Contribuinte recebe os valores integrais dos honorários em sua conta corrente e transfere em benefício do Sr. Olympio Moraes Junior. · Há provas na Impugnação que justificam os depósitos em suas contas bancárias. Apresenta uma listagem dos lançamentos, bem como anexa comprovantes dos mesmos. A Contribuinte apresentou Memoriais à Impugnação em 15/03/2010 (fls. 374 a 415), com os seguintes argumentos: · Nulidade do lançamento fiscal por desobediência do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Alega que o Auditor Fiscal iniciou a ação fiscal apresentando Termo de Documento que não menciona qual objeto da ação fiscal, qual sua abrangência e nem quais espécies tributárias a serem auditadas, tal fato acabou por cercear o direito de defesa da Contribuinte, posto que a mesma não tinha acesso ao trabalho da fiscalização, o que acabou por impedila de produzir documentos necessários para sua defesa. · Nulidade do lançamento fiscal por ter havido cerceamento do direito de defesa da Contribuinte que não teve suas solicitações de prorrogação do prazo para atendimento das intimações deferidas no tempo necessário para obtenção da documentação requisitada junto às instituições bancárias. · Nulidade do lançamento fiscal por ausência de motivação (art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN). A Contribuinte se insurge por não ter sido comunicada acerca das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A Contribuinte pondera que o auto de infração não restou motivado, visto que não fez referência a provas, não demonstrou a Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 composição da base de cálculo do imposto lançado e nem os meios que usou para atingir tais valores. · Improcedência da multa de ofício em razão do seu caráter confiscatório e desproporcional, devendo a multa ser reduzida ao patamar máximo de 2%. · Improcedência da aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, tendo em vista que CTN e Constituição Federal determinam o patamar máximo de 1% ao mês. · Improcedência do lançamento, pois a presunção de que depósitos bancários não justificados por documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/96) é acréscimo patrimonial, acaba por ampliar o conceito de renda do art. 43 do CTN. · Improcedência do lançamento, pois não basta a presunção para restar caracterizado acréscimo patrimonial injustificado em caso de depósito bancário. É necessário que haja uma correlação lógica entre os depósitos bancários não justificados e sinais externos de riqueza. Justifica seu entendimento em decisões do então Conselho de Contribuintes e Súmula nº 182 do TFR. · Improcedência do auto de infração por efetivar um novo lançamento com critério jurídico diferente. A 2ª Turma da DRJ/BEL, em 14/03/2011, em decisão de fls. 417 a 458 manteve o lançamento em parte, cabendo a Contribuinte o pagamento de IRPF na monta de R$ 691.454,82. A DRJ efetuou análise da documentação e razões apresentadas pela Contribuinte na Impugnação e excluiu do crédito tributário aqueles depósitos justificados com documentação hábil e idônea. A DRJ manteve o lançamento quando a Contribuinte não logrou êxito em apresentar documentação que justificasse suas alegações, observando a inversão do ônus da prova do art. 42 da Lei nº 9.430/96. De acordo com a decisão da DRJ, não são válidas, para fins de justificar depósitos bancários, explicações genéricas sem a comprovação fática. Ainda complementa que não basta identificar a pessoa que efetuou o depósito, também deve restar esclarecida a sua causa. A Contribuinte foi notificada da decisão em 04/05/2011 (fls. 462), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 30/05/2011 (fls. 463) requerendo, em síntese, os mesmos pleitos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. I. Das Preliminares I.1. Requisitos do Auto de Infração art. 10 do Decreto nº 70.235/72 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10240.000532/200914 Acórdão n.º 2201002.336 S2C2T1 Fl. 4 5 A Contribuinte requer a nulidade do lançamento fiscal por desobediência do disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Alega que o Auditor Fiscal iniciou a ação fiscal apresentando Termo de Documento que não menciona qual objeto da ação fiscal, qual sua abrangência e nem quais espécies tributárias a serem auditadas, tal fato acabou por cercear o direito de defesa da Contribuinte, posto que a mesma não tinha acesso ao trabalho da fiscalização, o que acabou por impedila de produzir documentos necessários para sua defesa. A Contribuinte foi devidamente notificada do início do procedimento fiscal, conforme se verifica na fl. 44 do presente processo. Ademais, no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (fls. 42), cientificado pela Contribuinte, resta demonstrado o objeto da ação fiscal – IRPF, a abrangência – 01/01/2005 a 31/12/2005 e as espécies tributárias a serem auditadas – depósitos bancários. Desta feita, não procede pleito de nulidade do auto de infração da Contribuinte, pois o mesmo foi conduzido observando os requisitos da norma tributária, não havendo vícios, conforme se depreende dos autos. I.2. Cerceamento de Defesa A Contribuinte pugna pela nulidade do lançamento fiscal por ter havido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que não teve suas solicitações de prorrogação do prazo para atendimento das intimações deferidas no tempo necessário para obtenção da documentação requisitada junto às instituições bancárias. A leitura do Relatório Fiscal (fls. 04), complementada pelos demais relatórios integrantes do Auto de Infração permite a constatação de que a Autoridade Fiscal narrou, com clareza e coerência, os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência, bem como a fundamentação legal para justificar o lançamento. A Contribuinte foi regularmente cientificada dos documentos integrantes do lançamento em comento, tendolhe sido conferido tempo hábil para apresentar seus questionamentos, consubstanciados em Impugnação (fls. 259 a 372), na qual demonstrou conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. Não cabe alegação de cerceamento de defesa em momento anterior à lavratura do Auto de Infração. Isso porque a defesa do contribuinte surge no momento que resta consubstanciada a infração tributária (lavratura do Auto de Infração). Antes da lavratura do Auto de Infração não há que se mencionar preterição ao direito de defesa, pois ainda não há acusação. Desta feita, a alegação da Contribuinte no sentido que seu direito de defesa foi cerceado em razão de suas solicitações de prorrogação do prazo para atendimento das intimações não foram deferidas no tempo necessário para obtenção da documentação requisitada junto às instituições bancárias, não procede. Assim, verificado que a Contribuinte conhecia a origem do imposto lançado, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, tendolhe sido concedido o tempo hábil para apresentar sua Impugnação, constatase que o contencioso administrativo Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 respeitou o contraditório e a ampla defesa, não havendo como se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. I.3. Motivação do Auto de Infração A Contribuinte pleiteia a nulidade do lançamento fiscal por ausência de motivação (art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN). A Contribuinte se insurge por não ter sido comunicada acerca das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A Contribuinte pondera que o auto de infração não restou motivado, visto que não fez referência a provas, não demonstrou a composição da base de cálculo do imposto lançado e nem os meios que usou para atingir tais valores. No MPF (fls. 42) há um código de acesso que assegura ao contribuinte o acompanhamento dos atos relacionados ao procedimento fiscal pela Internet. Assim, durante todo o procedimento fiscal, a Contribuinte poderia ter acompanhado os atos produzidos pelo Auditor Fiscal, inclusive a prorrogação do MPF. Cabe pontuar que é necessário que o MPF seja prorrogado, para não perder a validade, mas resta dispensada a notificação específica ao contribuinte, pois o mesmo se encontra notificado em face da possibilidade de acompanhar o procedimento fiscal pela Internet. No Auto de Infração (fls. 10 em diante) resta cabalmente demonstrada a sua motivação (fls. 4 a 9), provas colhidas (fls. 12 a 16) e base de cálculo (fls. 17, 18, 21 e 22). Desta feita, em face da documentação comprobatória acostada aos autos, rejeito a presente preliminar. II. Do Mérito II.1. Presunção e Ônus da Prova – art. 42 da Lei nº 9.430/96 A Contribuinte alega a improcedência do auto de infração, pois a presunção de que depósitos bancários não justificados por documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/96) é acréscimo patrimonial, acaba por ampliar o conceito de renda do art. 43 do CTN. Ainda defende que não basta a presunção para restar caracterizado acréscimo patrimonial injustificado em caso de depósito bancário. É necessário que haja uma correlação lógica entre os depósitos bancários não justificados e sinais externos de riqueza. Justifica seu entendimento em decisões do então Conselho de Contribuintes e Súmula nº 182 do TFR. Inicialmente, cabe pontuar que a Súmula nº 182 do TFR, bem como as jurisprudências colacionadas pela Contribuinte na sua peça recursal não são aplicáveis ao caso em questão, pois tiveram suas razões pautadas em outro arcabouço jurídico que não esse aplicável ao caso ora em análise. Os referidos precedentes têm como fundamento o art. § 5° do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, cujo teor foi revogado pelo artigo 88, inciso XVIII, da Lei n° 9.430/96. Portanto, não são aplicáveis ao caso em questão os precedentes ora mencionados. Em substituição ao referido dispositivo legal, foi inserido no ordenamento jurídico o art. 42 da Lei nº 9.430/96 que dispõe: Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10240.000532/200914 Acórdão n.º 2201002.336 S2C2T1 Fl. 5 7 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000, 00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Pela inteligência desse dispositivo legal, verificase que a autoridade fiscal pode efetuar lançamento tributário por omissão de rendimentos com base em extratos bancários, desde que devidamente intimado, o contribuinte não apresente justificativa da natureza dos respectivos valores. Em face do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não mais há necessidade de se correlacionar os depósitos bancários nãojustificados com sinas externos de riqueza. A ausência de justificativa dos depósitos já caracteriza acréscimo patrimonial. A necessidade da correlação ocorria em legislação anterior à Lei nº 9.430/96, que não mais se encontra em vigor. Notese que nesse caso há uma inversão do ônus da prova. O ônus de provar não mais cabe à fiscalização, mas sim ao contribuinte (presunção relativa). A Lei pode instituir presunções relativas para fins de tributação e o fez com o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tratase de uma presunção (relativa) que pode ser elidida pelo contribuinte que comprovar e justificar com documentação hábil e idônea os depósitos bancários. A referida presunção não amplia o conceito de renda do art. 43 do CTN, pois autoriza prova em contrário por parte do contribuinte. Se o contribuinte consegue justificar e comprovar a causa de seus depósitos bancários, bem como o tratamento tributário aplicável, não há que se falar em tributação por ficção (presumida), restará tributado o montante real. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Assim, como a Contribuinte não produziu documentação hábil a justificar a natureza dos depósitos em sua conta bancária, presumese que os mesmos são rendimentos (omitidos) e, portanto, sujeitos à tributação com base na tabela progressiva. Nesta mesma linha, Súmula do CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, não merece amparo a alegação da Contribuinte no sentido de que a presunção de depósitos bancários não justificados por documentação hábil e idônea é acréscimo patrimonial, acaba por ampliar o conceito de renda do art. 43 do CTN e nem tampouco ser necessária a correlação entre sinais externos de riqueza e depósitos bancários não justificados para se efetuar o lançamento. II.2. Caráter Confiscatório e Desproporcional da Multa de Ofício A Contribuinte pugna pela improcedência da multa de ofício em razão do seu caráter confiscatório e desproporcional, devendo a multa ser reduzida ao patamar máximo de 2%. Quanto ao caráter confiscatório e desproporcional da multa de ofício, por se tratar de matéria constitucional, não compete ao CARF sobre a mesma se pronunciar, conforme disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. II.3. Atualização Juros de Mora – Taxa SELIC A Contribuinte defende a improcedência da aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, tendo em vista que Código Tributário Nacional e Constituição Federal determinam o patamar máximo de 1% ao mês. O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, §1º, abaixo transcrito, permite, por autorização legal, exigência de juros de mora em valor superior a 1 % ao mês: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo d imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1 % (um por cento) ao mês. (grifos nossos) E, a Lei dispõe de modo diverso. Os arts. 5º § 3º e 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe que a taxa SELIC será utilizada para fins de cálculo de juros de mora dos créditos tributários vencidos e não pagos. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10240.000532/200914 Acórdão n.º 2201002.336 S2C2T1 Fl. 6 9 Logo, há expressa disposição legal acerca da utilização da taxa SELIC para os devidos fins que deve ser observada por esse órgão. Quanto à constitucionalidade da lei que instituiu a aplicação da taxa SELIC para atualização dos créditos tributários, não compete ao CARF sobre a mesma se pronunciar, conforme disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10945.000167/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCLUSÃO OBRIGATÓRIO DO SIMPLES FEDERAL.
Na ausência de comunicação de exclusão obrigatória do Simples Federal, impõe-se a exigência da penalidade prevista no art. 21 da Lei nº 9.317, de 1996.
Numero da decisão: 1402-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte em que contesta a exclusão do Simples e Simples Nacional; e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DESISTÊNCIA DO FEITO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece do recurso cujo crédito tributário em discussão foi alvo de parcelamento, bem como de informação de desistência do feito. Inteligência do art. 78 do Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCLUSÃO OBRIGATÓRIO DO SIMPLES FEDERAL. Na ausência de comunicação de exclusão obrigatória do Simples Federal, impõese a exigência da penalidade prevista no art. 21 da Lei nº 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte em que contesta a exclusão do Simples e Simples Nacional; e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 01 67 /2 01 0- 44 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.000167/201044 Acórdão n.º 1402001.619 S1C4T2 Fl. 374 2 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.000167/201044 Acórdão n.º 1402001.619 S1C4T2 Fl. 375 3 Relatório Tratam os autos de manifestação de inconformidade contra exclusões do Simples Federal (janeiro a junho de 2007) e Simples Nacional (julho a dezembro de 2007). Relata a autoridade fiscal que a exclusão deuse em razão da comprovação de que, no anocalendário de 2006, o interessado teria auferido receitas em montante superior ao limite estabelecido pela legislação de regência. A base legal para tal exclusão foi o artigo 9º, inciso II, combinado com os artigos 14, inciso I e 15, inciso IV, da Lei nº 9.317, de 1996 (Simples Federal) e, artigos 3º, 16, §1º, 29, inciso I e 30, inciso II, da Lei Complementar nº 123, de 2006 e artigo 5º, inciso XI e artigo 6º, inciso VII da Resolução do CGSN nº 15/2007 (Simples Nacional). Ato contínuo, lavrouse auto de infração para exigência de multa regulamentar de R$ 2.806,68, conforme determina o art. 21 da Lei nº 9.317, de 1996 (por falta de comunicação da exclusão da pessoa jurídica ao Simples), bem como exigiuse os tributos calculados com base em novos regimes de tributação após exclusões dos regimes diferenciados e favorecidos a que o contribuinte encontravase sujeito até a expedição dos atos declaratórios contestados. O interessado foi cientificado em 05/05/2010, apresentando sua irresignação tempestivamente (fls. 3964). Em relação às exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, repete os argumentos utilizados na impugnação referente à exigência dos tributos por meio de auto de infração (processo nº 10945.000151/201031 tributos sobre a parcela da receita bruta auferida no ano calendário de 2006 e supostamente não oferecida à tributação). Relativamente à exclusão ao Simples, alega: não seria possível a aplicação de multa regulamentar em razão da indefinição da receita tributável para o ano calendário de 2006; requer o sobrestamento do presente processo até que aquele seja julgado posto que em ambos os casos o motivo para a exigência é o mesmo, qual seja, a diferença entre as receitas apuradas, declaradas e aquelas efetivamente oferecidas à tributação. Aduz ainda que demonstrou, no processo de exigência de tributos, que a receita oferecida à tributação estaria correta. Nesse cenário, conclui que não se pode julgar a exclusão do Simples até que tal impugnação seja analisada. Do mesmo modo, o processo relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória não deveria permanecer sobrestado; discorre ainda sobre a pretensa impossibilidade de exclusão retroativa do Simples antes da decisão definitiva do processo 10945.000151/201031. Ao final, requer a improcedência dos atos de exclusão, com a extinção do crédito tributário exigido, ou ainda, o sobrestamento do feito até o julgamento do processo 10945.000151/201031. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.000167/201044 Acórdão n.º 1402001.619 S1C4T2 Fl. 376 4 A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: SIMPLES FEDERAL. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. SITUAÇÃO EXCLUDENTE. Cabe a exclusão do Simples a empresa de pequeno porte que tenha auferido receita bruta superior ao valor legalmente estipulado no ano calendário imediatamente anterior. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL ANUAL. Como a legislação de regência à época do fato excludente trazia como efeito a exclusão da sistemática simplificada para todo o anocalendário subsequente, a mudança do regime simplificado para o Simples Nacional acarreta também a exclusão da empresa para o período em que estaria adstrito ao regime. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para sobrestar o julgamento de determinado processo administrativo para aguardar decisão definitiva em outro. Em face do princípio da oficialidade, a administração deve impulsionar o processo até sua decisão final. Em relação à exigência do crédito tributário, de igual forma, a impugnação foi julgada improcedente, mantendose integralmente o lançamento. O contribuinte foi cientificado da decisão em 13 de novembro de 2012 (fl. 346) apresentando recurso voluntário de fls. 347 a 370. Limitouse a entoar os argumentados utilizados em sua impugnação. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.000167/201044 Acórdão n.º 1402001.619 S1C4T2 Fl. 377 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo. Contudo, deve ser conhecido somente de modo parcial. Isso porque, em relação aos questionamentos sobre a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional, no processo de exigência do crédito tributário (nº 10945.000151/201031), o interessado apresentou informação sobre desistência do feito em 19 de novembro de 2013 em face do pedido de parcelamento do montante em discussão, conforme reproduzido a seguir. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.000167/201044 Acórdão n.º 1402001.619 S1C4T2 Fl. 378 6 Como o presente processo trata da exclusão do Simples (Federal e Nacional), cujo efeito concreto foi o lançamento objeto de parcelamento por parte do contribuinte, entendo que houve desistência em relação à matéria ora discutida, nos termos do art. 78, e seus parágrafos, do Regimento Interno do CARF. Isso posto, deixo de conhecer do recurso em relação à exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional. Resta, contudo, a discussão quanto à exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Tratase, em verdade, de aplicação literal do disposto no art. 21 da lei nº 9.317, de 1996, verbis: Art. 21. A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados no § 3º do art. 13, sujeitará a pessoa jurídica a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de redução. Tendo sido discutida única e simplesmente a aplicabilidade da penalidade ante à suposta irregularidade na exclusão do Simples Federal, mantidos os efeitos de tal exclusão, impõese também a manutenção da penalidade aplicada. Isso posto, voto por não conhecer dos recursos quanto às exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 35242.000119/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 26/10/2006
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa de ofício dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa de ofício nos lançamentos correlatos.
Numero da decisão: 9202-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa de ofício dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa de ofício nos lançamentos correlatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 24 2. 00 01 19 /2 00 7- 07 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35242.000119/200707 Acórdão n.º 9202002.887 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Em face de Fasolo Artefatos de Couro Ltda, foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/39, em razão da não inclusão nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) da totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme TEAF de fls. 11, para os mesmos períodos envolvidos foi lavrada NFLD para lançamento das diferenças de contribuição previdenciária, formalizada em outro processo. A Terceira Câmara da Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 230200.326, que se encontra às fls. 130/132 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/10/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N ° 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n ° 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso determinando a aplicação ao caso da multa do art. 32 A da Lei 8.212/1991 em decorrência do disposto no art. 106, II do CTN. Intimada do v. acórdão em 26/08/2010, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 136/144) em 31/08/2011, sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 240100.127, o qual consigna que o dispositivo legal a ser aplicado é o artigo 35A da Lei 8.212/1991 e não o artigo 32A da referida lei. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 050/2011, de 20/06/2011 (fls. 146/148). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões intempestivamente (fls. 153) É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35242.000119/200707 Acórdão n.º 9202002.887 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 240100.127. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN.” (AC 240100.127) Tal se constata no exame do seguinte trecho do acórdão paradigma: “Asseverese que todas as contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificações já mencionadas e, a meu ver, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32a, sob pena de bis in idem. (...) No caso das notificações conexas e já julgadas, prevalecerem os valores de multa aplicados nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, o qual previa uma multa máxima de cinquenta por cento, ou seja, inferior ao percentual de setenta e cinco por cento estabelecido pela nova regra. Assim, para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes. (...)” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Verifico, no acórdão paradigma, que ele determina a aplicação, em situação semelhante às dos presentes autos, do previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (e não do art. 32A como fez o acórdão recorrido). Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º, não assistindo razão à Recorrente. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35242.000119/200707 Acórdão n.º 9202002.887 CSRFT2 Fl. 5 7 I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento. Como bem salientado nos autos, ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional (CTN) determina aplicação retroativa da Lei. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes da alteração legislativa os sujeitos passivos – em caso de descumprimentos de obrigações acessória e principal – eram punidos com duas multas de ofício. Com a mudança da legislação, descumprimentos de obrigações acessória e principal acarretam a penalidade em uma multa de ofício. Portanto, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual – que possui padrão único de 75 % (setenta e cinco por cento) – pode ser mais benéfico para a recorrente, em comparação as multas de ofício aplicadas antes da alteração legislativa. Conseqüentemente, para tanto, devese comparar a multa constante dos autos com a resultante do cálculo da multa expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35242.000119/200707 Acórdão n.º 9202002.887 CSRFT2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11065.101167/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
Ementa:
REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO.
O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens.
NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC.
Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, entre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 11 67 /2 00 6- 52 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.101167/200652 Acórdão n.º 3301002.154 S3C3T1 Fl. 188 2 BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em 28 de agosto de 2007 contra o Acórdão nº 1012.754, de 27 de julho de 2007, da 2ª Turma da DRJ/POA, cientificado em 14 de agosto de 2007, que, relativamente a declaração de compensação de COFINS, considerou a solicitação indeferida, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. Solicitação Indeferida A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, relativo ao saldo credor de COFINS não cumulativa, cumulado com declarações de compensação, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à depreciação e de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. O interessado pleiteia, também, a atualização monetária, pela taxa SELIC, de seus créditos indeferidos, desde a apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Isso posto, requer que seja julgada procedente a impugnação e deferido o ressarcimento da glosa impugnada, acrescida da variação da taxa SELIC. No recurso, a interessada discorreu sobre o princípio da nãocumulatividade em geral e das contribuições. Após, defendeu o direito de crédito em relação aos gastos com assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos, transporte de pessoal e refeições coletivas e despesas de exportação e manutenção de software, além de Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.101167/200652 Acórdão n.º 3301002.154 S3C3T1 Fl. 189 3 gastos com material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários etc. Por fim, requereu a incidência da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Como relata a Recorrente no corpo do Recurso Voluntário, do total de R$ 1.145.749,54 requeridos no pedido de compensação/ressarcimento inicialmente protocolado perante a Secretaria da Receita Federal, foram glosados R$ 53.024,50. Segundo entendimento do Fisco, teria havido apropriação indevida de créditos relacionados com materiais e serviços não enquadrados no conceito de insumo. No que concerne aos pretensos insumos, devese considerar que a questão não é nova, sendo imperioso se verificar o que deve ser classificado como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do sistema de apuração não cumulativo das Contribuições. Como é de conhecimento geral, a Secretaria da Receita Federal baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo encontrado nas Leis que especificam os critérios de apuração das Contribuições. As Instruções Normativas n.º 247/02, com alteração introduzida pela IN 358/03 e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, como é o caso, o conceito de insumo restringese a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A seu turno, a Recorrente defende critério fundamentado em pressupostos situados em posição diametralmente oposta à escolhida pelo Fisco, segundo o qual todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa enquadramse no conceito. É entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo, no sistema de apuração não cumulativo das Contribuições, situase em posição intermediária, nem tão restrito quanto a determinada pelo Fisco, nem tão amplo quanto defendem os contribuintes. Tem sido admitido o lançamento credor calculado com base nos gastos incorridos pela empresa, sob a condição de que tratemse de bens ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrário de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.101167/200652 Acórdão n.º 3301002.154 S3C3T1 Fl. 190 4 De fato, salvo melhor juízo, não vejo razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil na restrição de seu alcance, tanto quanto não vejo respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como tem defendido alguns os contribuintes. Essa conclusão decorre, a um tempo, da leitura que se faz das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito e, a outro, das particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. A legislação que introduziu a cobrança não cumulativa das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que o sistema de nãocumulatividade tributária traz em si a ideia inescapável de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do sistema de cobrança das contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Resulta daí a impertinência do critério proposto pelo Fisco, restringindo excessivamente o direito ao crédito. Disso sobrevém nova questão. Se a melhor compreensão do sistema claramente ampara e remete às definições sugeridas pela Recorrente e, de maneira geral, pelos contribuintes, qual a razão para rejeitála? A resposta é simples: porque a mecânica de apuração das Contribuições não está assim definida em Lei. Tal como consta do texto legal, o direito de crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nunca a integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. O fato é que não haveria mesmo como admitir outra interpretação. Se encampássemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota tudo o que é introduzido no processo com vistas a obtenção do resultado, no caso a venda da produção, restaria evidente uma inconcebível distorção promovida pelo legislador ordinário no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial e na prestação de serviços, ao mesmo tempo em que, ao definilo para o comércio, restringiu o direito aos gastos com bens adquiridos para revenda. Essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no caso das empresas comerciais, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.101167/200652 Acórdão n.º 3301002.154 S3C3T1 Fl. 191 5 empresa. No comércio, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria e no serviço, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção ou na consecução do produto/serviço vendido, de tal sorte que os créditos na indústria e na prestação de serviços observe o mesmo nível de restrição determinado para o crédito admitido no comércio. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no REsp 1.246.317/MG, de relatoria do Min. Mauro Campbell. Disso tudo se conclui que, para efeito da definição de “insumos” do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS): a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo; e por fim c) que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Expostos os postulados que norteiam minha decisão, passo ao exame do caso concreto. No vertente litígio, discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos com os gastos assim especificados e detalhados no Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado. Assistência médica e odontológica a empresa proporciona a assistência médica e odontológica aos seus funcionários, mediante a contratação de empresas especializadas para tanto, como forma de prover uma melhor saúde física aos seus funcionários; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.101167/200652 Acórdão n.º 3301002.154 S3C3T1 Fl. 192 6 Comissões s/vendas nesse item são incluídas as despesas relativamente às comissões pagas às pessoas jurídicas que intermediam as vendas da recorrente, sendo que tais despesas, inclusive, são consideradas como custo direto com vendas, para fins contábeis; Tratamento de resíduos industriais a empresa é obrigada, por expressa disposição legal, a tratar os seus resíduos industriais, o que realiza através de empresa especializada, Transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas a recorrente contrata empresas especializadas para o transporte de pessoal e o preparo de. refeições aos seus funcionários. Apesar de constar que as despesas são referentes ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, na verdade esses são os valores pagos às empresas credenciadas perante o PAT, para fornecer refeições coletivas a funcionários; Despesas de exportação e manutenção de software sem a contratação de empresas exportadoras, as mercadorias produzidas pela recorrente não serão remetidas ao mercado externo. Da mesma forma, sem a manutenção de software, que gerencie todas os controles internos, a empresa não poderá realizar adequadamente as suas atividades. Somados a isso, pode ser enquadrado como insumo às mercadorias adquiridas para uso e consumo, tais como: o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc Ainda que este Conselho apresente tendência a reconhecer direito de crédito partindo de um conceito menos restritivo do que aquele o que é utilizado no âmbito da Secretaria da Receita Federal, não vejo como admitilo para maior parte dos gastos relacionados acima. Alguns gastos, segundo me parece, estão relacionadas a etapas posteriores à produção, como no caso das comissões de venda e despesas de exportação. Outros associados indistintamente a todas atividades da empresa, tal como se depreende da designação genérica a: material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos, formação profissional dos funcionários, transporte de pessoal e auxílio refeição. Há também gastos administrativos, como manutenção de software e com a promoção de venda – propaganda, publicidade e anúncios. Como disse, temse admitido o aproveitamento de créditos com gastos incorridos na aquisição de bens, mesmo que eles não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; contudo, é necessário que tenham sido aplicados na produção ou a ela estejam diretamente vinculados, o que não parece ser o caso da maior parte dos gastos especificados. A exceção deve ser feita às despesas relacionadas ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual, ambos, a meu ver, diretamente vinculados ao processo produtivo da empresa. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.101167/200652 Acórdão n.º 3301002.154 S3C3T1 Fl. 193 7 Já com relação ao pedido de correção dos créditos objeto do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC, não assiste razão à Recorrente. É que, in casu, existe previsão legal expressa vedando a correção destes créditos, qual seja artigo 13 da Lei nº 10.833/03. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Destarte, uma vez prevista expressamente em lei a vedação à correção pretendida pela Recorrente, não pode este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ignorar a referida vedação, sob pena de usurpar suas funções, que tem, em última análise, aferir a legalidade dos atos praticados pelos contribuintes. Como sabido, não pode este Conselho afastar aplicação de lei sob o argumento de que esta é incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, sendo esta função exclusiva do Poder Judiciário. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para admitir o crédito com base nos gastos com ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual e indeferindo o pedido de correção dos créditos objetos do pedido de ressarcimento pela taxa SELIC. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10735.901062/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/04/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE.
Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratando-se de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO.
Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselehiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratando-se de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado.
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DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselehiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 62 /2 01 1- 61 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica não homologada de débito de IRPJ (cód. 236201), relativo ao período de apuração de jul/07, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 5856), recepcionada pela RFB em 31/08/2007, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 17). Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/04), alegando em resumo que: 1. constatou ter efetuado pagamento a maior de PIS/Cofins no período de apuração de novembro de 2006; 2. mas, nem retificou sua Dacon, nem apresentou DCTF retificadora, gerando inexistência de crédito e a não homologação da compensação declarada; 3. apresenta em anexo a DCTF e a Dacon retificadora. A contribuinte requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada.” A DRJRio de JaneiroII/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 25/27), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/04/2007 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 34/40), alegando, em síntese: que, em procedimento de revisão interna, verificou que, em diversos meses, deixou de se aproveitar de créditos de PIS e COFINS aos quais teria direito, conforme dispõe o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901062/201161 Acórdão n.º 3202001.185 S3C2T2 Fl. 101 3 art. 3º da Lei nº. 10.833/2003. Tais créditos seriam relativos a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados; que a empresa não poderia se aproveitar integralmente desses créditos, uma vez que parte de suas receitas não estão sujeitas ao regime nãocumulativo, vez que efetua a venda de veículos seminovos, não sujeita ao regime nãocumulativo. Assim, em conformidade com os §§8º e 9º do art. 3º da Lei nº. 10.833/2003, procedeu ao rateio para aproveitamento dos créditos. O método eleito foi a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total auferida em cada mês, chegando ao percentual de 87,07% de aproveitamento. Elaborou quadro demonstrativo dos valores encontrados a título de crédito; que, por não terse aproveitado do crédito informado, efetuou recolhimento de COFINS a maior, em 20/04/2007, referente a março de 2007, no valor de R$ 26.658,13. que, por equívoco, deixou de retificar a DCTF e a DACON referente a esse período; que, tendo identificado o pagamento a maior, apresentou DCOMP em 31/08/2007, compensando o referido crédito com débito de IRPJ, no valor de R$ 4.359,39; que em nenhum momento houve a análise das informações prestadas por parte da autoridade tributária, vez que se tratou de Despacho Decisório Eletrônico; que não apresentou os documentos de comprovação do crédito junto à manifestação de inconformidade, conforme afirmou a DRJ, por ter entendido que a DACON retificadora era documento hábil para comprovação; que em nenhum momento a autoridade preparadora solicitou qualquer documento que corroborasse se as receitas e os custos/despesas informados na DACON e/ou na DCTF correspondiam a fatos efetivamente incorridos e contabilizados; questiona: se a análise anterior trazida no Despacho Decisório baseouse nas informações constantes da DACON, por que não servem as novas informações trazidas nas Declarações retificadoras? que a DCTF e a DACON retificadoras foram apresentadas antes do julgamento de primeira instância; A contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias do Livro Razão, no intuito de demonstrar a origem do crédito alegado. Ao final requereu o provimento do recurso voluntário, a fim de que seja reconhecido o direito creditório para fins de compensação. É o Relatório. Voto Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A contribuinte informa que efetuou recolhimento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2007, no montante de R$ 4.359,39. Alega que realizou pagamento do tributo no valor de R$ 26.658,13 quando o correto seria R$ 22.298,74. A DCTF e a DACON foram retificadas em 20/05/2011, ou seja, as retificadoras foram apresentadas após o Despacho Decisório, que é de 04/05/2011. Alega a recorrente que, tendo verificado a existência de pagamento a maior de COFINS referente a março/2007, por equívoco deixou de retificar a DCTF e a DACON. O fato de a contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do Despacho Decisório, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido. Entretanto, necessário se faz a apresentação de provas suficientes para justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta `autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Dessa forma, não é concebível que, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, a contribuinte não fizesse prova do erro cometido quando do preenchimento das DCTF e DACON originárias, demonstrando, assim a origem do crédito que alega possuir. Não é cabível o argumento de que a querelante entendia que somente a apresentação das DCTF e DACON retificadoras seriam suficientes, visto que não se pode alegar o desconhecimento da lei. Demais disso, tratandose de fato constitutivo do seu direito, caberia à contribuinte fazer prova do direito creditório do qual pretende valerse, não competindo à autoridade preparadora requerer à contribuinte a comprovação do crédito. Assim, como no caso em questão caberia à recorrente comprovar ser detentora do crédito que alega, diante da falta de prova da existência do crédito informado pela recorrente nas DCTF e DACON retificadoras, correta se mostra a decisão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório invocado. Por outro lado, temse que, no processo administrativo fiscal, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, o momento da apresentação das provas se dá quando da instauração do litígio por meio da impugnação – no caso, por meio da manifestação de inconformidade – precluindo o direito de o fazêlo em outro momento, com as exceções previstas na lei. Confirase: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901062/201161 Acórdão n.º 3202001.185 S3C2T2 Fl. 102 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se tratando o caso das exceções constantes das alíneas “a” a “c” acima transcritas, incabível a juntada de novos documentos, com finalidade probatória, em fase recursal. Demais disso, a contribuinte apresentou apenas cópias de algumas folhas de seu livro razão que, desacompanhado das Notas Fiscais correspondentes e de planilhas demonstrativas dos cálculos efetuados, nada comprovam acerca do crédito alegado. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904553/2012-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/02/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 53 /2 01 2- 98 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904553/201298 Acórdão n.º 3801002.353 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904553/201298 Acórdão n.º 3801002.353 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904553/201298 Acórdão n.º 3801002.353 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904553/201298 Acórdão n.º 3801002.353 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902228/2012-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 28 /2 01 2- 91 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902228/201291 Acórdão n.º 3801002.306 S3TE01 Fl. 68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902228/201291 Acórdão n.º 3801002.306 S3TE01 Fl. 69 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902228/201291 Acórdão n.º 3801002.306 S3TE01 Fl. 70 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902228/201291 Acórdão n.º 3801002.306 S3TE01 Fl. 71 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.008502/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para verificação do cargo ocupado pelo recorrente.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 06/03/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para verificação do cargo ocupado pelo recorrente. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 06/03/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de notificação de lançamento resultante da revisão da declaração de ajuste anual do Interessado relativa ao anocalendário 2006 (exercício 2007), onde se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 7.121,09, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Da leitura da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal , à fl. 22, constatase que a referida revisão decorreu da apuração dos rendimentos recebidos de organismo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 08 50 2/ 20 08 -5 1 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.008502/200851 Resolução nº 2102000.179 S2C1T2 Fl. 11 2 internacional (UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O Recorrente impugnou o lançamento, contudo, sua impugnação foi considerada improcedente pela DRJ de Florianópolis, fls. 55 a 65. Irresignado apresentou o Recurso Voluntário de fls. 70 a 84 insistindo pelo seu direito de isenção sobre a verba que configurou a base de cálculo do lançamento discutido. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É o Relatório. VOTO Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O cerne da controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre os rendimentos de trabalho recebidos por técnicos residentes no Brasil em decorrência de contrato celebrado com a UNESCO, para o exercício de atividades no âmbito de projeto de interesse da referida Agência Internacional. Observo, de início, que a matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF nº 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Contudo, a 1ª Seção do STJ, em recente julgado submetido ao rito do art. 543C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF nº 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.008502/200851 Resolução nº 2102000.179 S2C1T2 Fl. 12 3 rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543 C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Examinando a divergência de entendimentos, tenho para mim que o deslinde da presente controvérsia depende da análise do Contrato de Serviço firmado entre o autuado e a UNESCO, que não consta dos autos, já que o STJ entendeu que os "peritos de assistência técnica" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, também estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o interessado seja intimado a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativos ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 com a fonte pagadora (UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, CNPJ nº 03.736.617/000168), esclarecendo o cargo/função ocupado pelo recorrente no referido período. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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