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Numero do processo: 10166.904911/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF)
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF) Fato Gerador: 25/04/2001 IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido.
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904911/200834 Acórdão n.º 210202.050 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 0099.23294.160604.1.3.040059, transmitida eletronicamente em 16 de junho de 2005, relativo a crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação foi considerada não homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904911/200834 Acórdão n.º 210202.050 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722995/2010-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES.
A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Para a decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA
Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.943
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para a decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.722995/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.943 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MANUFATURA ALEFRA ARTEFATOS E CALÇADOS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SIMPLES. A empresa optante pelo SIMPLES está obrigada a reter e recolher a contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para a decadência, aplicase às contribuições previdenciárias o prazo qüinqüenal estabelecido pelo CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 95 /2 01 0- 95 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em rejeitar a tese de decadência. No mérito: a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados e determinar a exclusão da multa de ofício. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.493 da 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda e Outros, no montante de R$1.839,93 (um mil oitocentos e trinta e nove reais e noventa e três centavos), consolidado em 31/08/10, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 44/63, referese a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, apuradas sobre os seguintes fatos geradores: · pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados a título de "Participação nos Lucros", conforme discriminado no Anexo I Levantamentos PR e PR1; · parcelas pagas pela empresa a seus empregados a título de "Prêmio Férias" ou "Prêmio Assiduidade", conforme discriminado no Anexo II Levantamentos PF e PF1. Conforme esclarece o relatório fiscal, a empresa foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 0317/2010, de 13/08/2010, com efeitos a partir de 27/02/2004, por se dedicar, de acordo com os elementos consignados no processo n° 15504.012605/201020, à atividade de locação de mão de obra, ou seja, forma de prestação de serviços expressamente impedida de opção pelo SIMPLES, de acordo com o inciso XII, alínea " f do artigo 9o da lei 9.317/96 e ainda por ter sido constituída por desmembramento da empresa OTO CALÇADOS LTDA, a quem presta serviços de forma exclusiva. Foi excluída do SIMPLES NACIONAL pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 0319/2010, de 13/08/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007, por se dedicar, de acordo com os elementos consignados no processo de Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional n° 15504.012587/201086, à atividade de locação de mão de obra, ou seja forma de prestação de serviços expressamente impedida de opção pelo SIMPLES NACIONAL, conforme inciso XII do artigo 17 da Lei Complementar n° 123/2006, e ainda por ter sido constituída por desmembramento da empresa OTO CALÇADOS LTDA, a quem presta serviços de forma exclusiva, que exclui a empresa do Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 tratamento jurídico diferenciado, de acordo com o inciso IX do parágrafo 4o do artigo 3 o da Lei Complementar n° 123/2006. Foram arroladas as seguintes empresas, componentes do Grupo Econômico: • Injeton Componentes Para Calçados LtdaCNPJ 05.654.993/000139 • Oto Calçados Ltda CNPJ 16.638.900/000107 • Via Mazzoni Manufatura de Calçados e Acessórios Ltda CNPJ 07.525.106/000158 Foram formalizados processos de "Representação Fiscal para Fins Penais", tendo em vista que foram constatados fatos que, "em tese", configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a Ordem Tributária, definidos no artigo Io da lei n° 9.983, de 14/07/2000, que acrescentou o artigo "337A", inciso III, ao DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940 Código Penal e no artigo I o da Lei n° 8.137/90. Inconformada com a decisão, a ALEFRA apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · regularidade da conduta empresarial da Impugnante – exclusão do SIMPLES e Simples Nacional; · não incidência de contribuições previdenciárias sobre férias prêmio e PLR (verbas indenizatórias); · não incidência de contribuição previdenciária patronal calculada sobre a folha de pagamento em razão da opção da empresa pelo simples e posteriormente pelo simples nacional; ∙ · discute administrativamente a exclusão do SIMPLES e do Simples Nacional; · decadência. A INJETON, a OTO CALÇADOS e a VIA MAZZONI também apresentaram recurso onde, praticamente, repetem os argumentos apresentados pela ALEFRA. O processo baixou em diligência para verificar a existência de parcelamento. A DRF Belo Horizonte respondeu que “não foi constatada a existência de parcelamento para o crédito n° 37.268.8179.” É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Observo que este lançamento referese às contribuições dos segurados pessoas físicas e não da patronal, motivo pelo qual algumas questões apresentadas nos recursos não serão analisadas. DECADÊNCIA Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal para as contribuições previdenciárias. O período do lançamento é de 06/2006 a 10/2008. A ciência do lançamento ocorreu em 26/10/2010. Constato que o crédito lançado não foi atingido pela decadência. PARTICIPAÇÃO NO LUCROS OU RESULTADOS PLR Também para a PLR, a recorrente argumenta que a verba é indenizatória e não passível de incidência da contribuição e que pagou os benefícios nas exatos termos da Convenção Coletiva de Trabalho. Novamente não entendi o que se está indenizando. Segundo o Relatório Fiscal, a autuação se deu por “ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado”. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 6.2 A empresa apresentou Convenção Coletiva de Trabalho de 2006, 2007 e 2008 celebrada entre os Sindicatos Patronal e Profissional. Na cláusula terceira do referido documento a mesma visa estabelecer o Sistema de Participação nos Lucros ou Resultados para todos os empregados das indústrias de calçados e correlatos. 6.3 Em linhas gerais, este Instrumento, além de dispor sobre a data de pagamento, estabeleceu que o valor da participação corresponderá o percentual do salário nominal de cada empregado, distribuída em duas parcelas iguais. ... 6.11 Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de "Participação nos Lucros", face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9o , inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Apresento abaixo, a cláusula correspondente da Convenção de 1º/03/2007, folhas 123 a 139. TERCEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Tendo em vista o estabelecido na Lei no. 10.101, de 19/12/2000, as empresas deverão pagar a seus empregados um valor a título de PLR Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, de acordo com os seguintes critérios: a) O valor a ser pago será equivalente a 20 % (vinte por cento) dos salários de março de 2007, no limite máximo de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), em duas parcelas iguais, sendo a primeira em 31/08/07 e a segunda em 28/02/08. b) Para receber a 1ª parcela o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados na empresa no período de 01/03/07 a 31/08/07. c) Para receber a 2ª parcela o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados pela empresa no período de 01/09/07 a 28/02/08. d) Para apuração da freqüência não poderão ser computadas as faltas legais e as previstas nesta convenção coletiva. e) Os empregados admitidos após 1o de março de 2007 e os afastados por qualquer motivo durante o período de vigência desta convenção, terão direito a 1/12 (um doze avos) do valor aqui combinado, por mês ou fração igual ou superior a 15 dias efetivamente trabalhados, considerandose também como trabalhado o período de licença gestante e de licença por acidente do trabalho (até 6 meses). Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 5 7 f) Os empregados desligados antes do pagamento da parcela a que fizer jus, deverão recebêlo proporcionalmente, junto com as parcelas rescisórias, em recibo à parte. g) Os valores pagos pelas empresas em cumprimento do disposto na presente cláusula serão compensados, caso sejam obrigadas ao pagamento de qualquer parcela a título de participação nos lucros ou resultados, em decorrência de legislação ou Medida Provisória superveniente ou por decisão da Justiça. h) Estão excluídas da obrigatoriedade de cumprimento do disposto na presente cláusula, as empresas que já possuem programas de participação nos lucros ou resultados para o período desta Convenção, desde que de acordo com legislação vigente. i) As empresas que se interessarem poderão negociar com uma comissão escolhida pelas partes um plano específico de participação nos lucros ou resultados, respeitando os critérios estabelecidos na legislação. O Sindicato profissional indicará um representante para integrar a comissão e arquivará o Acordo Coletivo celebrado, o qual deverá estar assinado até o dia 30/07/07. j) Conforme legislação, se for o caso, os valores pagos a título de PLR serão tributados na fonte em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos do empregado, competindo à empresa a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. k) Conforme art. 7o da Constituição Federal, art. 3° da Lei no. 10.101, de 19/12/2000 e art. 20" da Lei 9.711, de 20/11/98, o pagamento previsto nesta cláusula não constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. A Lei 8.212/91 estabelece que a PLR, quando paga de acordo com a Lei 10.101/2000 não integra o salário de contribuição. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A Lei 10.101/2000 determina o estabelecimento de regras claras e objetivas, inclusive mecanismos de aferição. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Discordo da autuação. A convenção estabelece meta clara: “o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados pela empresa” e também mecanismo de aferição: “d) Para apuração da freqüência não poderão ser computadas as faltas legais e as previstas nesta convenção coletiva.” Entendo por excluir do lançamento os levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados. PRÊMIO FÉRIAS E PRÊMIO ASSIDUIDADE Argumenta a recorrente que a verba é indenizatória e não passível de incidência da contribuição e que pagou os benefícios nas exatos termos da Convenção Coletiva de Trabalho. Apresento abaixo como a questão é apresentada na Convenção: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 6 9 7.4 – Para melhor entendimento transcrevemos a seguir cláusula décima nona e alguns itens da Convenção de 31/03/2007. CLAUSULA DÉCIMA NONA RETORNO DE FÉRIAS OU PRÊMIO ASSIDUIDADE. As empresas asseguram a todos os seus empregados, sem prejuízo do abono concedido pelo art. 7°., inc. XVII, da Constituição Federal o pagamento de um prêmio assiduidade, quando do retorno de férias, nas seguintes bases: a) No valor correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) do salário nominal, desde que o empregado, durante o período aquisitivo respectivo não tenha faltado ao serviço por mais de dois dias, justificadamente ou não. O valor máximo do benefício a ser pago será de R$216,00 (duzentos e dezesseis reais). b) No valor correspondente a 20% (vinte por cento) do salário nominal, desde que o empregado, durante o período aquisitivo respectivo, não tenha faltado ao serviço por mais de quatro dias, justificadamente ou não. O valor máximo a ser pago será de R$156,00 (cento e cinqüenta e seis reais). Não consegui identificar o que se está indenizando. Entendo que esses valores decorrem de fatores de ordem pessoal relativas ao trabalho. A regra geral, artigo 28, I, da Lei 8.212/91, é a tributação da totalidade do rendimento. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Entendo a verba sujeita à tributação. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.722995/201095 Acórdão n.º 2403002.943 S2C4T3 Fl. 7 11 Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, na preliminar, rejeitando a tese da decadência e, no mérito, determinando a exclusão dos levantamentos PR e PR1 correspondentes à Participação nos Lucros ou Resultados, determinando a exclusão da multa de ofício e determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte e por fim, Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.006853/2006-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO.
Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4).
DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA.
Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares.
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no ano-calendário de 2001, R$ 34.269,71 no ano-calendário de 2002, R$ 19.143,16 no ano-calendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO A QUO. Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira - RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PRAZO. TERMO A QUO. Existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). DADOS BANCÁRIOS REPASSADOS AO FISCO PELO PODER JUDICIÁRIO. SIGILO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em quebra de sigilo quando os dados bancários do contribuinte são repassados ao Fisco por Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte previstas no art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 68 53 /2 00 6- 30 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 699 2 decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. CARNÊLEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no anocalendário de 2001, R$ 34.269,71 no anocalendário de 2002, R$ 19.143,16 no anocalendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 281/285 do processo físico), reproduzido a seguir: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 700 3 Do Lançamento Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 197.306,55 (cento e noventa e sete mil, trezentos e seis reais e cinquenta e cinco centavos), por OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR VALORES RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR e MULTAS ISOLADAS PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO, anoscalendário 2001, 2002 e 2003 sendo R$ 70.299,21 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 52.724,39 referentes à multa de oficio proporcional, R$ 43.763,71 referentes aos juros de mora (calculados até 30/11/2006) e R$ 30.519,24 de multa isolada, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 04/18, com fundamento legal especificado, às fls. 09 e 10. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no próprio Auto de Infração, fls. 05/09 e nos da conta dos seguintes aspectos: O enfoque dos procedimentos ficou restrito à análise das informações constantes da Representação Fiscal relacionada à movimentação financeira no exterior no ano de 2000, atendendo a demanda requisitória da Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná processo n.° 2003.70000303334; Da análise das informações repassadas pela Justiça Federal, constatouse que o fiscalizado foi apontado nos documentos de cadastros apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova York como responsável, conjuntamente com outras duas pessoas físicas, pela movimentação da conta denominada de "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank, com sede na cidade de Nova York/NY/EUA. A referida conta foi utilizada para a movimentação de recursos financeiros nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, num total de US$ 1.841.489,48; Intimado o contribuinte reconhece ser titular da conta sob análise, conjuntamente com Joaquim de Paula Barreto Filho e Cristiane Barreto Fonseca Antunes de Oliveira. Alega que a maioria dos créditos efetuados na conta sob análise provém de resgates de aplicações financeiras cujos valores já foram objeto de tributação em sua declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Não informa, porém, quais são estes valores que já foram objeto de tributação pelo Imposto de Renda e quando isto aconteceu, não apresentando qualquer documentação que lastreasse sua alegação. Informa o contribuinte que com relação aos demais ingressos, aqueles que não se referem a resgate de aplicação financeira, são de pequena monta, referindose a valores de reembolsos de gastos de viagens pela participação em congressos e outros eventos; Informa a autoridade fiscal que examinando os extratos bancários constatase que, parte dos ingressos realizados na conta denominada de "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank NY, no período de 2001 a 2003, referese a resgates/retornos de Fl. 700DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 701 4 aplicação financeira vinculada a conta, perfazendo um total de US$ 1.569.240,04, não representando assim, efetivos ingressos no referido período. A outra parte, US$ 272.249,44, referese a efetivos ingressos no período, conforme demonstrado nos autos; Que examinando as Declarações de Ajuste Anual apresentadas pelo Fiscalizado, bem como aquelas apresentadas pelos demais titulares da conta, constatouse que nem os saldos da conta em questão, nem as aplicações financeiras a ela vinculadas foram declarados; Assim, concluiuse que o contribuinte obteve disponibilidade de renda no exterior nas datas e valores relacionados, que não comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses recursos, que omitiu as informações referentes ao recebimento dos recursos à Secretaria da Receita Federal; A conta "Shorcut" n° 605.235, conforme já mencionado, tem como responsáveis o Fiscalizado conjuntamente com mais dois titulares. Desta forma, uma vez que as declarações de rendimentos dos titulares foram apresentadas em separado, e não houve comprovação da origem dos recursos ingressados nesta conta, os valores foram imputados a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares, conforme demonstrado nos autos; As transações financeiras foram convertidas em Reais do Brasil de acordo com a IN SRF n.° 73/98, artigo 16, § 2°, conforme prescrito no Manual do Imposto de Renda Pessoa Física/Manual de Preenchimento Declaração de Ajuste Anual. Foram cobradas multas, exigidas isoladamente, pela falta de recolhimento do carnêleão, referentes aos rendimentos recebidos no exterior. A base legal para o lançamento encontrase nos artigos 1º, 2°, 3° e §§ e 8° da Lei nº 7.713/88, artigos 1° a 4° da Lei n.° 8.134/90 e artigos 55, inciso VII, e 995 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 3.000/99 e artigo 1° da Lei n.° 9.887/99. Da Impugnação Recebido o Auto de Infração, em 20/12/2006, fls.04, o contribuinte apresentou impugnação, em 18/01/2007, fls.154/195, alegando, em síntese, que: Das preliminares • O acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados; • O processo judicial n° 2003.70000303334 foi ajuizado com o escopo de verificar as eventuais práticas de condutas fraudulentas perpetradas pelas instituições financeiras sob investigação e não quebra de sigilo de seus correntistas; Fl. 701DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 702 5 • A fiscalização se valeu de dados sigilosos do Impugnante, tendo por base apenas e tão somente uma decisão judicial em que o contribuinte nem mesmo é parte; • A quebra do sigilo bancário não seguiu os requisitos constantes na Lei Complementar n° 105/2001 e Decreto n° 3.724/2001, os quais determinam que as autoridades fiscais poderão examinar dados bancários e fiscais dos contribuintes, independentemente de prévia autorização judicial, desde que exista prévio procedimento administrativo em curso, e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente; • Em verdade, a fiscalização somente foi iniciada por conta da quebra do sigilo bancário do Impugnante, foram aqueles dados que motivaram o inicio dos trabalhos pela SRF; • Considerando o termo inicial do prazo de decadência como sendo a data da ocorrência do fato gerador que in casu é mensal verificase que o período abrangido pela autuação, referente ao fatos geradores de 31/06/2001 e 30/11/2001, já se encontra atingido pela decadência, nos termos do disposto no § 4° do artigo 150 do CTN; • Com relação à multa isolada lançada pelo Fisco, e que foi calculada com base nos fatos geradores do imposto apurado, também a parcela que se refere ao anocalendário 2001 foi extinto pela decadência. Do mérito • Os depósitos bancários constantes da conta corrente de titularidade do Impugnante possuem origem comprovada. Pelos dados das declarações apresentadas a Secretaria da Receita Federal, resta certo que ao longo de sua vida este obteve ganhos suficientes que lhe garantem, por meio de aplicações financeiras, rendimentos perfeitamente harmônicos com o seu nível de vida, tudo sempre declarado ao Fisco; • No que pertine à conta corrente denominada "Shorcut", importante consignar que esta foi iniciada pelo Impugnante ainda na década de 60, quando este morou nos Estados Unidos da América, para fins de estudos acadêmicos, e que resultou na criação de vínculos com Universidades e Academias Médicas, sendo que, até os dias de hoje, o Impugnante frequentemente retorna ao EUA, na qualidade de Professor Visitante, para fins de participação de congressos, bem como, para ministrar palestras médicas, sendo inclusive, membro de algumas instituições naquele país; • Os depósitos bancários não têm o condão de, de per si, configurarem efetiva comprovação de disponibilidade de renda pelo Impugnante. No caso em tela, a fiscalização parte do pressuposto, com dados obtidos de meros extratos bancários, que o Impugnante deixou de informar ao fisco, por meio das competentes declarações de renda, a ocorrência do "fato Fl. 702DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 703 6 gerador" do imposto, bem assim de comprovar o respectivo pagamento; • Ocorre que, in casu, resta comprovada, ainda que por via indireta, a origem dos valores movimentados pelo Impugnante, eis que, tais montas se constituíram a partir de resgates de aplicações financeiras; reembolso de despesas e numerários obtidos por conta da atividade do Impugnante, devidamente declaradas nas DIRPF por ele apresentadas à SRF; • Nada obstante isso, tal procedimento deixou de seguir os ditames do artigo 42, § 3º, II, da Lei n° 9.430, com as alterações precedidas pela Lei 9.481/97, a qual reza que, para fins de apuração de omissão de receitas, não será considerado o crédito de valor individual de R$ 12.000,00, desde que a somatória de todos eles, dentro do mesmo anocalendário, não seja superior a R$ 80.000,00; • Ilegalidade da aplicação da multa isolada cumulativamente com a multa punitiva. A multa isolada tem por objeto efetuar punição ao contribuinte que deixar de efetuar o recolhimento do carnêleão. É dizer, o objetivo da presente multa não é a cobrança do crédito tributário em si, mas sim, a imputação de penalidade ao cidadão que deixar de cumprir obrigações acessórias a ele inerentes; • Entretanto, a fiscalização já imputou ao contribuinte multa punitiva por conta de sua conduta omissiva, no percentual de 75% do valor do suposto IRPF devido. Percebese que houve uma dupla incidência de multa punitiva sob o mesmo fato gerador e sob a mesma base de cálculo; • Requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração e Imposição de Multa e determinado o seu cancelamento e arquivamento. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 280/294 do processo físico, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 QUEBRA DE SIGILO. Em se tratando de autuação lastreada em dados obtidos mediante quebra de sigilo bancário por via judicial, descabem os argumentos sobre violação de quebra de sigilo bancário por autoridade administrativa em processo administrativo fiscal. A decisão judicial transferiu o sigilo bancário do Impugnante para o fisco, que passou a ser depositário dos dados sigilosos, devendo utilizálos em seu mister constitucional. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 704 7 Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. São tributáveis os rendimentos recebidos de fontes no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Inteligência do artigo 55, VII, do RIR/99. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO SIMULTANEIDADE. E cabível o lançamento da multa isolada sobre carnêleão não recolhido concomitante à multa de oficio sobre o imposto apurado de oficio na declaração inexata, visto que se trata de infrações distintas. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/12/2008 (fls. 296/297), o Interessado interpôs, em 22/01/2009, o recurso de fl. 298/335. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial Os julgadores da instância de piso, equivocadamente, entenderam que a quebra de sigilo bancário do Recorrente foi escorada em decisão judicial, proferida no processo nº 2003.70000303334, em trâmite perante a 2ª Vara Federal de Curitiba. Ocorre que o referido processo judicial foi ajuizado com o escopo de verificar as eventuais práticas de condutas fraudulentas perpetradas pelas instituições financeiras sob investigação (Banestado e outras), consubstanciada na formação de esquemas de remessas de dinheiro ao exterior sem autorização do Banco Central do Brasil. A conduta delitiva a ser apurada por meio da quebra de sigilo fiscal era a das instituições financeiras, não de seus correntistas. O próprio Auditor responsável informou no relatório fiscal que tais operações foram rastreadas por conta dos resultados de investigações levadas a cabo pela Polícia Federal acerca das operações realizadas pelo DELTA BANK NY, em virtude de conexão entre os responsáveis pelas contas ali mantidas e outras administradas por "Beacon Hill Services Corporation", Banco Safra NY, MTB Bank e Merchats Bank, todas estas analisadas pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito CPMI do Banestado. Objetivando a verificação de tais operações, em 23.11.2004 a Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Federal em Curitiba, a quebra de sigilo bancário no exterior das contas bancárias movimentadas no Delta Bank NY, pedido este que foi acatado pelo MM. Juízo em 24.11.2004. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 705 8 Posteriormente, em 14.02.2005, o Juízo da 2ª Vara Federal de Curitiba proferiu nova decisão, desta vez autorizando o compartilhamento com a Secretaria da Receita Federal dos dados obtidos pela CPMI do Banestado, chegando ao conhecimento da Delegacia de Campinas que o ora Recorrente, conjuntamente com mais dois cotitulares, seria responsável por conta bancária junto ao Delta Bank NY, denominada de "Shorcut", e que, nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003, movimentou a monta de US$ 1.841.489,48. Assim, o procedimento da fiscalização que embasou o presente Auto de Infração é ilegal e arbitrário, posto que a quebra de sigilo bancário do Recorrente, e que embasou as atividades da RFB, foi realizada sem qualquer ordem judicial existente nesse sentido, posto que, em nenhum momento, constou da decisão judicial oriunda da Justiça Federal de Curitiba o nome do Recorrente. Os correntistas pessoas físicas nem mesmo estão apontados como partes do referido processo judicial. A decisão judicial proferida em 24.11.2004 em momento algum cita o nome do Recorrente, apesar de citar o nome de outros correntistas, determinando a quebra do sigilo bancário dos mesmos. Não há como permitir que a fiscalização se valha de dados sigilosos do Recorrente tendo por base apenas e tão somente uma decisão judicial em que o contribuinte nem mesmo é parte. Quebra de sigilo sem os requisitos da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001 O artigo 6° da Lei Complementar 105/2001 determina que as autoridades fiscais poderão examinar dados bancários e fiscais dos contribuintes, independentemente de prévia autorização judicial, (i) desde que exista prévio procedimento administrativo/fiscal em curso, e que (ii) tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade competente. O artigo 2° do Decreto nº 3.724/2001, repetindo o artigo 6° da Lei Complementar, determinou que a quebra do sigilo bancário somente poderia ser realizada no curso de procedimento de fiscalização, desde que indispensáveis para o deslinde do caso. Em seu § 2° define como "procedimento de fiscalização" aquele compreendido nos termos do artigo 7° e seguintes do Decreto nº 70.235/1972, qual seja, o procedimento de fiscalização federal, devidamente iniciado com a instauração de Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Percebese, assim, que o sigilo bancário do contribuinte somente poderá ser violado se, e somente se, houver a prévia instauração de MPF, e que, no decorrer dos trabalhos, a fiscalização entenda ser indispensável tal diligência. In casu, o Auditor, antes mesmo de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, já dispunha dos dados bancários do Recorrente. Em verdade, a fiscalização somente foi iniciada por conta da quebra do sigilo bancário do Recorrente, é dizer, foram aqueles dados que motivaram o inicio dos trabalhos pela RFB. Como permitir que extratos bancários, oriundos da quebra de sigilo anterior, possam motivar a instauração de Mandado de Procedimento Fiscal se, de acordo com a própria legislação de regência, a requisição de violação dos dados bancários somente poderá ser realizada dentro de MPF já existente? Para que um agente fiscal possa requisitar informações às instituições bancárias deverá ser formalizada a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira Fl. 705DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 706 9 – RMF, que deverá ser precedida da intimação do sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira (Decreto nº 3.724/2001, art. 4º, § 2º). No curso da fiscalização que ensejou esta autuação em momento algum o Recorrente foi intimado acerca da quebra de sigilo bancário realizada. Decadência do Fisco em constituir parte do crédito tributário O IRPF consubstanciase num tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, modalidade de tributo cujo pagamento é realizado de forma antecipada pelo contribuinte, cabendo a autoridade administrativa competente a posterior homologação de referido pagamento, consoante art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. Sendo certo que o IRPF consiste num tributo sujeito ao lançamento por homologação, emerge certa a necessidade de observância ao prazo decadencial previsto no § 4° do artigo 150 do CTN. Assim, considerandose o termo inicial do prazo de decadência como sendo a data da ocorrência do fato gerador que in casu é mensal verificase que o período abrangido pela autuação, referente aos fatos geradores de 31.06.2001 e 30.11.2001, já se encontra atingido pela decadência, posto que decorridos 5 (cinco) anos a contar da data dos fatos geradores (a cientificação do contribuinte acerca da lavratura do lançamento tributário se deu em 20.12.2006). Importante consignar que, além do crédito tributário referente ao período de 31.06.2001 a 30.11.2001 ter sido extinto pela decadência, o mesmo ocorreu com parte da multa isolada lançada. Em consonância com os dados constantes do relatório do Auto de Infração o valor da multa isolada, referente à falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão, foi calculada de acordo com os valores depositados na conta "Shorcut", de titularidade do Recorrente. A multa isolada é decorrente da falta de recolhimento mensal do IRPF, ou seja, seu fato gerador é mensal. E, da mesma forma que o tributo principal, o seu lançamento é regido pela sistemática do artigo 150, §4°, do CTN. Logo, o Fisco terá o prazo de cinco anos, contados do fato gerador da multa isolada para efetuar o competente lançamento tributário, sob pena de ocorrer a decadência de seu direito. MÉRITO Origem comprovada dos depósitos bancários O Recorrente comprovou que os recursos originaramse de: (i) resgates de aplicações financeiras; (ii) reembolso de despesas e (iii) numerários obtidos por conta da atividade devidamente declarada nas DIRPF apresentadas à RFB. Especificamente no que concerne à conta corrente denominada "Shorcut", mantida junto ao Delta Bank NY, importante consignar que esta foi iniciada ainda na década de 60, quando o Recorrente morou nos Estados Unidos da América. Atualmente retorna aos EUA, na qualidade de Professor Visitante, para fins de participação em congressos, bem como para ministrar palestras médicas, sendo inclusive, membro de algumas instituições naquele país. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 707 10 Por conta das frequentes visitas ao exterior, para fins de trabalho, o Recorrente sempre recebeu valores a título de reembolso de despesas, por suas participações em tais eventos. E, por consequência, nos períodos em que esteve naquele país, houve a movimentação da conta "Shorcut" para pagamento de despesas percebidas em função de sua estadia no exterior. Uma análise mais atenta dos extratos demonstra que parte dos créditos tem origem em resgates de aplicações financeiras, as quais já foram objeto de tributação em sua pessoa física à época em que os mesmos foram por ele percebidos. O histórico de rendimentos do Recorrente, o qual pode ser facilmente verificado em suas declarações de imposto de renda, evidencia que este sempre manteve em suas contas bancárias rendimentos suficientes para justificar os ingressos de valores na conta corrente do exterior. Resta inequívoca a necessidade de análise dos dados acima mencionados para o deslinde do caso, vez que um dos mais significativos preceitos que devem nortear o processo administrativo é o Principio da Verdade Material. Depósitos bancários não configuram, de per si, disponibilidade de renda A fiscalização, sem trazer aos autos qualquer prova ou indicio plausível, simplesmente com base em extratos bancários isolados do Recorrente, presumiu a ocorrência do fato gerador do IRPF, mesmo tendo o Recorrente comprovado a origem de tais recursos. O Recorrente não pode admitir a manutenção de exigência que atribua, sem qualquer respaldo fático ou legal, a qualidade de "renda" aos valores movimentados em sua conta corrente, de forma indistinta e despreocupada à efetiva realidade, fato este que corrobora o descabimento da aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Necessidade de exclusão dos valores inferiores a R$ 12.000,00 No anocalendário 2003 a Fiscalização aponta em tabela especifica que o Recorrente teria percebido R$ 58.555,09 a titulo de depósitos bancários em sua conta corrente. E, com base nestes depósitos bancários, os considerou como "omissão de receitas", procedendo ao lançamento tributário. Tal procedimento deixou de seguir os ditames do artigo 42, § 3°, II, da Lei nº 9.430, com as alterações procedidas pela Lei nº 9.481/97, a qual reza que, para fins de apuração de omissão de receitas, não será considerado o crédito de valor individual de R$ 12.000,00, desde que a somatória de todos eles, dentro do mesmo anocalendário, não seja superior a R$ 80.000,00. Desta forma, inconteste o erro perpetrado pela fiscalização ao glosar tais valores como "omissão de receitas", posto que, por expressa determinação legal, estas não deveriam ter sido relacionadas no lançamento tributário perpetrado. Ilegalidade de aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de 75% Fl. 707DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 708 11 A multa isolada tem sua base legal no artigo 8° da Lei nº 7.713/88, bem como nos artigos 43 e 44 da Lei n. 9.430/96, e tem por objeto efetuar punição ao contribuinte que deixar de efetuar o recolhimento do carnêleão. É dizer, o objetivo da presente multa não é a cobrança do crédito tributário em si, mas sim, a imputação de penalidade ao cidadão que deixar de cumprir obrigações acessórias a ele inerentes. Entretanto, temse que a fiscalização, no exercício de suas atribuições, já imputou ao contribuinte multa punitiva por conta de sua conduta omissiva, no percentual de 75% do valor do suposto IRPF devido. Tal atitude revelase descabida, posto que configura verdadeiro confisco ao Recorrente que teve contra si a imputação de duas multas idênticas, com a mesma base de cálculo, fato gerador e com o mesmo objetivo, qual seja, penalizar o contribuinte por ato omissivo contrário à lei. Pedidos Ao final, requer o Recorrente o acolhimento das razões recursais, afim de que seja declarado insubsistente o Auto de Infração e Imposição de Multa, determinandose o seu cancelamento e arquivamento. Pleiteia, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a juntada de novos documentos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo físico. Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, constatada em virtude da não comprovação da origem de recursos depositados em instituição financeira alienígena, bem como à aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. PRELIMINARES Acesso aos dados bancários do contribuinte Alega o Recorrente que o procedimento de fiscalização foi ilegal e arbitrário, posto que a quebra de seu sigilo bancário se deu sem qualquer ordem judicial existente nesse sentido. Segundo o Interessado, em nenhum momento constou o seu nome na decisão judicial oriunda da Justiça Federal de Curitiba. Sem razão o Recorrente. A decisão do MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, às fls. 25/27, evidencia que houve a quebra do sigilo bancário sobre contas mantidas no Delta Bank, por solicitação da Polícia Federal do Paraná. Confira o item 18 da decisão: Fl. 708DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 709 12 18. Portanto, com base no exposto, decreto a quebra do sigilo bancário sobre as contas relacionadas no oficio 002/04/FT/CC5/NY e mantidas no Delta Bank e no Banco Safra em Nova York e cujo material respectivo foi disponibilizado pela Promotoria Distrital de Nova York. A autoridade policial deverá providenciar a obtenção e cópia da documentação pelos meios mais fáceis, servindose do auxilio, se necessário, de Promotoria Distrital do Condado de Nova York e ainda do Consulado brasileiro. O “Relatório de Identificação de Titulares de Contas Delta National Nank”, acostado aos autos em fl. 36, revela que Joaquim de Paula Barreto Fonseca, ora Recorrente, era um dos titulares das contas mantidas no Delta Bank. Confira: Em trabalho de análise documental da conta acima identificada, mantida junto ao Delta National Bank and Trust Company, nos Estados Unidos da América, foi(ram) identificado(s) como titular(es) da mesma o(s) contribuinte(s): Joaquim de Paula Barreto Fonseca, CPF nº 014.262.73800, Joaquim de Paula Barreto Fonseca Filho, CPF nº 184.254.41870 e Cristiane Barreto Fonseca Antunes de Oliveira, CPF nº 035.356.62842, todos residentes na cidade de Campinas/SP, em conformidade com os documentos abaixo citados: No ofício de fl. 32, enviado à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB pela Justiça Federal do Paraná, consta a informação de que “Na presente data, foi proferida decisão autorizando o compartilhamento de tal material para fins tributários com a Receita Federal”. Da referida decisão extraise as seguintes passagens, nas partes que aqui interessa: Cabe, por outro lado, especialmente a Receita Federal extrair a consequências administrativas de eventual omissão dos titulares de contas ou ativos, depositantes ou beneficiários de pagamentos efetuados através das referidas contas. É possível aventar a prática de crimes tributários pelos titulares das contas ou pelos ordenantes e beneficiários das transações, caso não tenham declaradoas à Receita Federal, o que é provável visto que as contas, aparentemente, seriam controladas por doleiros brasileiros. Neste caso, o auxilio da Receita Federal é ainda mais imprescindível, não só para verificar a regularidade da relação Fisco/contribuinte, mas também para a eventual caracterização de crime tributário, considerando o atual entendimento do STF de que fazse necessário o lançamento definitivo. (...) Portanto, ante todo o exposto, defiro o requerido pela autoridade policial, autorizando o compartilhamento dos documentos e arquivos eletrônicos obtidos no exterior pela Força Tarefa Policial CC5 relativamente às contas mantidas no Banco Audi, Lespan, Delta Bank e no Banco Safra em Nova York. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 710 13 Verificase, assim, que o acesso aos dados bancários do Interessado se deu regularmente, mediante autorização do Poder Judiciário, motivo pelo qual entendo que a primeira preliminar suscitada deve ser rejeitada. Requisitos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001 Entende o Interessado que a quebra do sigilo ocorreu sem o atendimento dos seguintes requisitos previstos no art. 6° da Lei Complementar nº 105/2001: (i) existência de prévio procedimento administrativo/fiscal em curso e (ii) que os exames sejam considerados indispensáveis pela Autoridade competente. Sem razão o Interessado. É que o 6º da Lei Complementar nº 105/2001 cuida do exame de documentos, livros, registros e contas de depósitos em instituições financeiras por iniciativa do Fisco, hipótese em que o procedimento fiscal prévio é imprescindível. Na espécie, a RFB recebeu os extratos bancários por determinação judicial, “não só para verificar a regularidade da relação Fisco/contribuinte, mas também para a eventual caracterização de crime tributário, considerando o atual entendimento do STF de que fazse necessário o lançamento definitivo”, ou seja, os dados bancários foram repassados ao Fisco por intermédio de Autoridade judiciária no interesse da justiça, sendo desnecessário, nestes casos, o atendimento aos requisitos previstos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, assim como a formalização de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF e a respectiva intimação prévia do contribuinte (art. 4º do Decreto nº 3.724/2001). Nesse cenário, sou pela rejeição da segunda preliminar suscitada pelo Interessado. Inexistência de decadência do Fisco em constituir parte do crédito tributário Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Recorrente alega que o termo inicial do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador, que, in casu, seria mensal. Logo, o período abrangido pela autuação referente aos fatos geradores de 30.06.2001 e 30.11.2001 já se encontraria atingido pela decadência. Mais uma vez, sem razão o Recorrente. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 711 14 Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e houve recolhimento durante o anocalendário de 2001, conforme comprova a declaração de ajuste anual acostada aos autos em fls. 119/122. Aplicável, portanto, conforme a orientação do STJ, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador. A Súmula CARF nº 38 explicita quando se deve considerar ocorrido o fato gerador do imposto de renda nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, verbis: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 04, revela que o mesmo foi lavrado em 18/12/2006 e a intimação pessoal do Procurador do Interessado se deu em 20/02/2006 (parte inferior da fl. 04). Considerando que o termo a quo do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2001, descabe falar em decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário (tributo e multas) relativo ao anocalendário de 2001. Nesse contexto, sou pela rejeição da terceira preliminar suscitada pelo Interessado. MÉRITO Depósitos com origem não comprovada Dispõe o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Nesse diapasão, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre Fl. 711DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 712 15 prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Na espécie, a Recorrente não explica, de forma satisfatória, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, insistindo em afirmar que os recursos originaramse de resgates de aplicações financeiras, reembolso de despesas e numerários obtidos por conta da atividade devidamente declarada nas DIRPF apresentadas à RFB. Ocorre que para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada (§ 3º do referido dispositivo legal), não bastando a alegação de que a disponibilidade de recursos têm origem em resgates de aplicações ou em reembolsos de despesas, tampouco de que os valores decorrem de atividades declaradas, mas sem a apresentação de vinculação com os depósitos objeto da autuação fiscal. Demais disso, a Autoridade lançadora exclui os resgates de aplicações financeiras da base de cálculo do lançamento e examinou as declarações de ajuste anual do Interessado, chegando as seguintes conclusões (“Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 07/08): 12. Considerando as alegações do fiscalizado, em relação aos ingressos na referida conta, e a cópia do demonstrativo emitido pelo Delta Bank com descrição dos históricos utilizados no extrato bancário (doc. de fls. 87/88), bem como do extrato do saldo das aplicações financeiras em 29/12/2000 (doc. de fls. 150/152), examinamos mais uma vez os extratos e constatamos que: 12.1 Parte dos ingressos realizados na conta denominada de "Shorcut", n° 605.235, no Delta Bank NY, no período de 2001 a 2003, referese a resgates/retornos de aplicação financeira vinculada a conta, perfazendo um total de U$$ 1.569.240,04, não representando assim, efetivos ingressos no referido período; 12.2 A outra parte, U$$ 272.249,44, referese a efetivos ingressos no período, conforme relação abaixo: (...) 13. Examinamos as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física apresentada pelo fiscalizado para os referidos anos, bem com aquelas apresentadas pelos demais titulares da conta e constatamos que nem os saldos da conta em questão, nem as aplicações financeiras a ela vinculadas foram declarados. 14. Por todo exposto e pelo fato do fiscalizado, com relação aos valores discriminados no item 12.2, limitarse a alegar que: "as operações que não são referentes ao resgate, crédito ou transferência de aplicação financeira da própria conta são de pequena monta, referindose a valores de reembolso de gastos de viagens pela participação em congressos outros eventos científicos", sem apresentar qualquer documentação que comprove esta alegação, concluímos que o fiscalizado: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 713 16 14.1 obteve disponibilidade de renda no exterior nas datas e valores relacionados no item 12.2; 14.2 não comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem desses recursos; 14.3 omitiu as informações referentes ao recebimento dos recursos à Secretaria da Receita Federal. Nesse panorama, penso que a tentativa de comprovação da origem dos recursos mediante alegações genéricas e em descompasso com o disposto na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” também não merece acolhida. Valores inferiores a R$ 12.000,00 cujo somatório não ultrapassou o montante de R$ 80.000,00 dentro de cada anocalendário O Recorrente alega que a Fiscalização deixou de seguir os ditames do art. 42, § 3º, II, na medida em que os créditos de valor individual a R$ 12.000,00, dentro do mesmo anocalendário, não ultrapassaram R$ 80.000,00. Sobre este ponto, adiro aos fundamentos delineados no voto do Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, quando do julgamento do recurso voluntário interposto no bojo do Processo nº 10830.006852/200695, cujo sujeito passivo era a filha do Recorrente, cotitular da conta "Shorcut". Assim, evitase decisões conflitantes dentro da mesma Turma de julgamento e a preservase a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. São deles as palavras abaixo: Entretanto, verifico que há um rol de depósitos dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, conforme interpretação dada pela Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Apesar de entender que a leitura sistemática do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, na ordem em que se apresentam seus parágrafos, impende à conclusão de que esses limites referemse à conta corrente e não a cada cotitular (após divisão proporcional dos valores), curvome ao entendimento já expresso pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, em observância aos princípios da eficiência, segurança e confiança dos julgamentos administrativos. Neste sentido, citese o Acórdão 9202002.621, proferido justamente para resolver divergência entre entendimentos de Câmaras/Turmas do Conselho, julgado na sessão de 23 de abril de 2013, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 713DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 714 17 Anocalendário: 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES. Os limites legalmente estabelecidos para a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 3ª, II) devem ser aplicados de modo a respeitar a devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta. A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta. Recurso especial negado Naquele voto, explicou o Relator: Entendo que a melhor aplicação do dispositivo, no caso de conta conjunta (de dois titulares, in cant) está em somar os depósitos de valor nominalmente inferior a R$ 12.000,00; dividir essa soma por 2; verificar se o resultado ultrapassa R$ 80.000,00; se não ultrapassar, excluir os depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 da atribuição proporcional. Assim, devem ser excluídos da tributação, por anocalendário, os seguintes depósitos: Anocalendário de 2001: R$ 8.044,74; Anocalendário de 2002: R$ 2.384,00 + R$ 10.201,53 + R$ 8.919,39 R$ 10.637,32 + R$ 2.127,47 = R$ 34.269,71; Anocalendário de 2003 : R$ 6.746,46 + R$ 6.750,03 + 4.884,33 + R$ 762,34 = R$ 19.143,16; Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 715 18 Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202 002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 8.044,74 no anocalendário de 2001, R$ 34.269,71 no anocalendário de 2002, R$ 19.143,16 no anocalendário de 2003 e para cancelar a aplicação da multa isolada no valor de R$ 30.519,24. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 715DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.006853/200630 Acórdão n.º 2801003.912 S2TE01 Fl. 716 19 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10283.005286/2007-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
PRODUTO ISENTO. CRÉDITO DE IPI.
O STF passou a estampar o seu posicionamento de que constitui pressuposto ao crédito de IPI que o imposto tenha incidido na operação anterior, no âmbito do regime da não cumulatividade, o que se aplica a uma gama variada de hipóteses, especialmente aos casos de isenção.
Sob outro prisma, especificamente à isenção e ao crédito presumido na Zona Franca de Manaus, o mesmo STF reconheceu Repercussão Geral, procedimento este que, com a devida vênia, não teria adotado caso o posicionamento havido no RE n 212.484 não tivesse se alterado pela enxurrada de julgados posteriores ao RE n 370.682.
Embargos de Declaração Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.613
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Flávio de Sá Munhoz, OAB/SP nº 131.441.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 PRODUTO ISENTO. CRÉDITO DE IPI. O STF passou a estampar o seu posicionamento de que constitui pressuposto ao crédito de IPI que o imposto tenha incidido na operação anterior, no âmbito do regime da não cumulatividade, o que se aplica a uma gama variada de hipóteses, especialmente aos casos de isenção. Sob outro prisma, especificamente à isenção e ao crédito presumido na Zona Franca de Manaus, o mesmo STF reconheceu Repercussão Geral, procedimento este que, com a devida vênia, não teria adotado caso o posicionamento havido no RE n 212.484 não tivesse se alterado pela enxurrada de julgados posteriores ao RE n 370.682. Embargos de Declaração Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Flávio de Sá Munhoz, OAB/SP nº 131.441. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 86 /2 00 7- 29 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Embargos de Declaração em que a Embargante aponta que o Acórdão atacado teria incorrido em contradição, pois, segundo o seu raciocínio, devidamente fundamentado, o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n 212.484/RS não teria sido alterado até os dias de hoje. Aliás, de acordo com a Embargante, contrariamente ao entendimento firmado por esta Terceira Turma Ordinária, no julgamento do RE 566.819, encerrado em 29 de setembro de 2010, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, muito embora tenha desprovido o recurso da empresa, consignou não ter alterado o posicionamento adotado no RE 212.484, em que foi reconhecido o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição isenta de insumos fabricados por empresa instalada na Zona Franca de Manaus. Aduz a Embargante que nos Embargos de Declaração apostos no RE 566.819, a Ministra Carmen Lúcia, que não figurou como Relatora do processo em questão, teria expressado claramente a não alteração do posicionamento havido no RE 212.484. Ressalta, ainda, que ao ser reconhecida a Repercussão Geral, no RE 592.891, a então Ministra Ellen Gracie deixou bem claro tratarse de caso excepcional em relação àqueles analisados pela Corte. Por fim, a Embargante alega ainda que houve omissão em relação à aplicação da taxa SELIC, que, realmente, sequer foi analisada em razão da negativa de provimento ao Recurso Voluntário, requerendo, pois, a sua aplicação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, Fl. 674DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10283.005286/200729 Acórdão n.º 3403003.613 S3C4T3 Fl. 7 3 O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O patrono da Embargante levantou essa questão, que reputo relevante, na data do julgamento, instrumentalizando, pois, a sua irresignação por meio dos presentes Embargos de Declaração. Não é demais relembrar que tratase de pedido de ressarcimento de IPI referente ao 4 trimestre de 2000, decorrente da aquisição de insumos com isenção de IPI por estar instalada na Zona Franca de Manaus, nos termos dos artigos 3 e 4 do Decretolei n 288/1967, nos artigos 59 e 63 do Regulamento do IPI/1998 e 69 e 73 do Regulamento do IPI/2002. Como observado, a tese da Embargante possui bastante relevância, sendo necessária a análise de todos os julgados sobre a matéria havidos no Supremo Tribunal Federal, inclusive o estudo do objeto do Recurso Extraordinário n 592.891/SP, ora de Relatoria da Ministra Rosa Weber. O argumento principal da Recorrente sustentase na tese de que o julgado ocorrido por meio do Recurso Extraordinário n 212.484/RS não teria sido alterado pela modificação de posicionamento do Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, teria ratificado o seu posicionamento ao julgar o RE 566.819/RS e, principalmente, os seus Embargos de Declaração. Não me parece ter sido essa a orientação dada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Pois bem. Quando do julgamento do Recurso Voluntário já havia analisado toda a jurisprudência sobre o tema, como subsídio para o julgamento então realizado no âmbito do Recurso Voluntário apresentado, mas diante dos Embargos de Declaração e dos intensos argumentos apresentados sou abrigado a rever toda a matéria. De início, não posso deixar de apontar o que considero uma falha no raciocínio da Embargante, embora, nesse patamar, não seja determinante para o deslinde da questão. Isso porque, conforme se verifica na própria ementa dos Embargos de Declaração do RE 566.819/RS, restou claro que aquele Recurso não tratou do crédito de IPI decorrente do artigo 11 da Lei n 9.779/1999, como apontado no Acórdão atacado, e sequer da legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Essa última matéria, conforme consignado na Ementa do Acórdão lavrado, será apreciada no RE n 566.819/RS, in verbis: IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO – ABRANGÊNCIA. No julgamento deste recurso extraordinário, não se fez em jogo situação jurídica regida quer pela Lei nº 9.779/99 – artigo 11 –, quer por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Esta última matéria será apreciada pelo Plenário ante a Fl. 675DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber. E aqui reside a falha no raciocínio, pois se o posicionamento do RE n 212.484 tivesse se mantido a Repercussão Geral que recaiu sobre o Recurso Extraordinário n 592.891/SP sequer existiria, não sendo necessário que o Supremo Tribunal Federal decida sobre questão definitivamente julgada. A menos que se reconheça que o julgamento do RE n 212.484 se aplicou tão somente para o contribuinte em questão ou que o Supremo Tribunal Federal não tenha, então, analisado a matéria. Por essa razão que as notas taquigráficas citadas pela Embargante que fazem referência a frases efetivamente ditas e transcritas do Ministro Marco Aurélio de Mello e Carmen Lúcia, em meu pensar, não contém ratificação do julgamento havido no RE n 212.484, mas sim que se tratam de discussões distintas e, por essa razão, passa a ter lógica o reconhecimento da Repercussão Geral no RE 592.891/SP. De qualquer forma, prosseguindo no julgamento dos Embargos, no Recurso Extraordinário n 212.484, seguindose a divergência aberta pelo Ministro Nelson Jobim, decidiu o STF, por maioria de votos, que não ofende o inciso II, do parágrafo 3 , do artigo 153 da Constituição Federal quando o contribuinte se credita de insumos adquiridos sob o regime da isenção. De igual modo, no Recurso Extraordinário n 350.446, em que figurou como Relator o Ministro Nelson Jobim, o Supremo Tribunal Federal, com base no julgamento havido no RE n 212.484/RS, aplicou o mesmo raciocínio para os produtos adquiridos com alíquota zero, permitindo, portanto, o creditamento, conforme se verifica na ementa do Acórdão: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. A isenção e a alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido. Por outro lado, no Recurso Extraordinário n 370.682, relatado pelo Ministro Ilmar Galvão, que havia sido o Relator no Recurso Extraordinário n 212.484, o Supremo Tribunal Federal alterou, como observado no acórdão atacado, diametralmente o seu posicionamento, conforme se verifica na ementa dos presentes Embargos de Declaração: Fl. 676DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10283.005286/200729 Acórdão n.º 3403003.613 S3C4T3 Fl. 8 5 Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. A menção à ementa dos Embargos de Declaração julgados no RE n 370.682 se faz emblemática porque nela se verifica a decisão expressa de que não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos a alíquota zero ou não tributáveis. Aliás, no RE n 370.682, a discussão possuía amplitude, conforme se verifica no relatório do acórdão, abordando não apenas os isentos, como também a alíquota zero, imunes e não tributados, mas o Recurso da União Federal, que foi provido por maioria, atacou apenas a questão da matéria prima adquiria sob o regime da alíquota zero e da não tributação. Importante observar que no julgamento do RE n 370.682 foi suscitada questão de ordem pelo Ministro Levandowski a respeito do caráter prospectivo da decisão proferida, tendo em vista a alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal a alterar anteriores julgados sobre a matéria. E o Supremo Tribunal Federal, julgando a matéria, afastou a modulação dos efeitos, sobretudo porque o Recurso Extraordinária da União Federal atacava, como observado anteriormente, apenas a alíquota zero e a não tributação, sendo que não havia um interregno temporal longo o bastante e a estabilização da jurisprudência a autorizar a prospecção dos efeitos da decisão. De qualquer forma, o julgamento havido no RE n 370.682 constituiu um verdadeiro divisor de águas em relação ao crédito de matérias primas adquiridos sob o regime da isenção, alíquota zero e não tributados. Por fim, no Recurso Extraordinário n 566.819, o Supremo Tribunal Federal reafirmou que a isenção, por si só, não gera direito a crédito, em conformidade com a nova orientação traçada no RE n 370.682: IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. Pertine observar que o julgamento do RE n 566.819 se deu em 29 de setembro de 2010, anteriormente ao reconhecimento da Repercussão Geral dada ao RE n Fl. 677DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 592.891, ocorrida em 01 de outubro de 2010, sendo que, posteriormente, como aludido, no julgamento dos Embargos de Declaração restou decidido que a decisão relativa à impossibilidade de crédito de matéria prima adquirida com isenção seria diversa da questão colocada em discussão no RE n 592.891. Desse modo, como observado no voto atacado, não vejo contradição no julgado, pois, conforme descrito, o Supremo Tribunal Federal alterou a sua orientação jurisprudencial iniciada justamente por meio do RE n 212.484. E ainda que tenha, em momento posterior, reconhecido que as discussões relativas à Zona Franca de Manaus são distintas daquelas havidas no RE n 370.682 e 566.891, seja por conta de legislação especial aplicável à ZFM, seja pelo reconhecimento da Repercussão Geral, não consigo enxergar nessa distinção específica de matérias relacionadas o obstáculo a não alteração do posicionamento do STF. Me parece claro que o STF passou a estampar o seu posicionamento de que constitui pressuposto ao crédito de IPI que o imposto tenha incidido na operação anterior, no âmbito do regime da não cumulatividade, o que se aplica a uma gama variada de hipóteses, especialmente aos casos de isenção. Sob outro prisma, especificamente à isenção e ao crédito presumido na Zona Franca de Manaus, o mesmo STF reconheceu Repercussão Geral, procedimento este que, com a devida vênia, não teria adotado caso o posicionamento havido no RE n 212.484 não tivesse se alterado pela enxurrada de julgados posteriores ao RE n 370.682. Por essa razão, rejeitos os Embargos de Declaração. No tocante à taxa SELIC, julgo prejudicada a análise, posto que a negativa de provimento ao Recurso Voluntário afasta o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a aplicação de acessórios legais. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 678DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10580.733682/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário; no entanto, a definitiva do STJ submetida ao regime do art. 543-C do CPC soluciona os processos sobrestados no tribunal de origem.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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FATOS GERADORES Recorrente RD TURISMO TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário; no entanto, a definitiva do STJ submetida ao regime do art. 543C do CPC soluciona os processos sobrestados no tribunal de origem. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 36 82 /2 01 1- 71 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 722 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal com ciência em 13/12/2011 em razão de erro no preenchimento em GFIP do destinado as “compensações”. É um processo correlato ao processo nº 10580.733456/201191 relativo a glosas de compensações com supostos créditos de contribuições previdenciárias incidentes sobre férias, 1/3 de férias, auxíliodoença, auxílioacidente, saláriomaternidade (ação judicial nº 2008.33.00.0009265), exclusão do valor do ICMS da base de cálculo de PIS/COFINS (ação judicial nº 2008.33.00.0009279) e inconstitucionalidade da majoração da alíquota de COFINS (ação judicial nº 2008.33.00.0008753). Os processos ainda não transitaram em julgado. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO OU INCORREÇÃO DE INFORMAÇÕES EM GFIP. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração prevista na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e § 9º, incluídos pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. GFIP. DOCUMENTO DE CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O crédito tributário pode ser constituído: por meio de lançamento por homologação expressa ou tácita, por meio de confissão de dívida tributária e de ofício. A GFIP, como documento declaratório de valores devidos, e, por conseguinte, como instrumento de confissão de dívida, para a legislação previdenciária, é um documento de constituição de crédito. A Lei nº 8.212, de 1991 determina que, nos casos em que não houver informação de dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária em GFIP, ou seja, quando não se formalizar a constituição do crédito tributário por meio de GFIP, mostrase necessária a lavratura de Auto de Infração, ressalvada a confissão do débito mediante Lançamento do Débito Confessado (LDC) ou parcelamento. Tratandose de compensação de contribuições previdenciárias efetuada na GFIP, caso a fiscalização a considere indevida, e portanto, discorde do valor confessado no referido documento, deverá, a autoridade fiscal, por ocasião da auditoria dos valores nela informados, proceder a glosa total ou parcial do valor que a empresa se aproveitou inapropriadamente. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, segue o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE POR VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA PROPORCIONALIDADE, DA RAZOABILIDADE E DA SEGURANÇA JURÍDICA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142, do CTN. Os atos praticados pela administração devem obedecer aos estritos ditames da lei. O julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar argüições de justeza, inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação previdenciária. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Competência da DRJ, o julgamento da manifestação apresentada. Considerando que, no caso, há divergência de entendimento quanto à aplicação da legislação tributária a Administração entendendo pela possibilidade de cobrança dos supostos débitos, uma vez que a peticionante não dispõe de decisão judicial autorizando o creditamento nos termos do artigo 66 da Lei 8.383/91 poderseia, afirmar então que o julgamento da manifestação apresentada seria de competência da DRJ, por força do artigo 25 do decreto 70.235/72 alterado pela Medida Provisória 449/08. Infundada a decisão que não homologou a compensação declarada pela ora Peticionante. Cabe esclarecer que a Peticionante declarou em suas GFIP a compensação dos débitos em questão, não em virtude apenas do Mandado de Segurança n°.2008.33.00.0009265, que tem natureza meramente declaratória. A compensação aludida decorreu da uniformização de jurisprudência sobre as verbas discutidas em âmbito judicial, bem como face o prescrito no art. 66 da Lei 8.383/91 c/c com o art. 74 da Lei 9.430/96, por se tratar de tributos sujeito ao lançamento por homologação. Assim, infundada a decisão que não homologou a compensação declarada pela ora Peticionante. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão de apresentação de Manifestação de Inconformidade. Indubitável que a exigibilidade dos supostos débitos em questão, cuja compensação não foi homologada, está suspensa em razão da Manifestação de Inconformidade, devendo a autoridade competente, além de dar o devido prosseguimento à Manifestação de Inconformidade, tomar as medidas cabíveis para que os débitos não constem como restrição à expedição de Certidão Negativa de Débitos ou outra com o mesmo efeito, assim como para que não sejam inscritos em Dívida Ativa da União e no CADIN. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 723 5 Do direito em debate nos autos do processo judicial nº 2008.33.00.0009265 e trâmite na 3a Vara da Justiça Federal da Comarca de Salvador/Bahia. Análise sob a égide do princípio da legalidade tributária (CF, art. 150, inciso I) . Acórdão substitutivo, prolatado desde o dia 20/08/2010, contempla parte das verbas objeto do processo judicial, substituindo a sentença de improcedência alegada pela autoridade autuante. Ação encontrase atualmente no STJ para fins de julgamento do Recurso Especial. Em apertada síntese, busca a Peticionante através do processo judicial n° 2008.33.00.0009265 em trâmite na 3a Vara da Justiça Federal da Comarca de Salvador/Bahia – a declaração do direito de não ser compelida a recolher a contribuição previdenciária sobre auxílio acidente/doença, férias gozadas e 1/3 de férias, bem como salário maternidade. O cerne da questão consiste face a nãoincidência da contribuição previdenciária patronal sobre os valores em debate diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso. Não se discute a eventual natureza destes valores se remuneratória, salarial ou indenizatória , nem mesmo o conteúdo destes conceitos para fins previdenciários ou trabalhistas, posto que construídos em outros contextos e arraigados sob outras óticas. Do mesmo modo, não se discute o fato destes pagamentos serem incorporáveis ou não ao salário, se são considerados para fins de aposentadoria, ou, ainda, se integram ou não o saláriode contribuição dos segurados. Na verdade, analisase, sob a égide do princípio da legalidade tributária (CF, art. 150, inc. I) , se tais valores subsumemse à hipótese de incidência eleita pelo legislador para fins de exigência da contribuição previdenciária devida pelas empresas, qual seja, a prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91. E, ao contrário do que afirma o Auditor, há decisão favorável nos autos do processo acima citado, e pela teoria da substituição o Acórdão prolatado desde o dia 20/08/2010 que já contempla parte das verbas substitui a sentença de improcedência alegada pela autoridade autuante. Neste sentido, segue anexo a Petição Inicial da ação ora informada, bem como o Acórdão publicado. Frisese que a ação encontrase atualmente no STJ para fins de julgamento do Recurso Especial. Equivocada qualquer argumentação de que a discussão em Juízo impede a compensação. Do direito de efetuar a auto compensação, de acordo com o previsto no artigo 66 da Lei n° 8.383/91. Não se aplica ao presente caso o regime dos artigos 170 e 170A do CTN. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Possui a Peticionante o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente pagos de imediato, independentemente de autorização ou processo administrativo. Ora, o direito de se efetuar a autocompensação de acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91 já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 78.301BA ... Após essa histórica decisão, ficou assentado que os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação como é o caso da contribuição previdenciária podem e devem ser compensados pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela simples aplicação do art. 66, da Lei n. 8.383/91, afastadas as regras infralegais editadas em sentido contrário. Nesse contexto, fazse necessário eventual socorro ao Judiciário apenas para que a Peticionante não sofra indevidas retaliações por parte do Fisco, o que é, em síntese, o objetivo primordial da ação em questão, sendo equivocada qualquer eventual argumentação no sentido de que a discussão em Juízo impediria a compensação. ... Como se não bastasse, a Lei n° 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário e seu apêndice, o artigo 170A cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. ... Portanto, não se aplica ao presente caso o regime dos artigos 170 e 170A do CTN, pois o que está sendo postulado no writ em destaque repitase é a compensação no regime do lançamento por homologação (autolançamento), previsto no art. 66 da Lei n.8.383/91. Da constituição do crédito tributário. As informações apresentadas em GFIP são meramente declaratórias e não têm o condão de constituir o suposto crédito tributário. As declarações constantes das GFIP não constituem confissão de dívidas sobre créditos. É função do sujeito ativo da obrigação tributária, em caso de averiguação de ausência de pagamento, pagamento a menor, suspensão ou compensações supostamente indevidas, proceder ao lançamento de ofício e notificar o sujeito passivo para que pague no prazo assinalado, sob pena de, não o fazendo, sujeitar se à cobrança judicial, desde que precedida da inscrição na dívida ativa. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 724 7 Por decorrência lógica, ao informar por via de GFIP a operação de compensação com fundamento em processos judiciais, não pratica o sujeito passivo qualquer ato tendente a constituir o crédito tributário, não havendo razão para que o Fisco proceda à inscrição na dívida ativa e à respectiva cobrança de seus créditos. Assim, eventual saldo devedor apurado pelo fisco envolve as informações apresentadas em GFIP e estas são meramente declarações transmitidas pela empresa não têm o condão de constituir o suposto crédito tributário. Outrossim, o fato das declarações constantes em GFIP, além de não poder ser visto como confissão de dívidas sobre créditos, não exime o Fisco de proceder ao lançamento de ofício e posterior instauração de eventual procedimento administrativo a fim de verificar a existência de supostas irregularidades e lançar o tributo, constituindo o crédito tributário. Dos índices de atualização. Observância. No que tange aos índices de correção monetária e juros para atualização do crédito tributário da Peticionante, foram observadas as regras vigentes. No que tange a atualização pela UFIR, esta decorre do disposto na Lei 8.383/91 nos arts 1o e 66, parágrafo 3o, bem como juros de mora de 1% ao mês a partir de cada recolhimento indevido. No que tange a taxa SELIC, esta decorre do disposto no art. 39, parágrafo 4o da Lei 9.250/95. Nulidade do Auto de Infração. Crédito tributário com a exigibilidade suspensa, inicialmente, por força de determinação judicial, o que atrai a regra do inciso V do art. 151 do CTN. Nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96, o Auto de Infração somente pode ser lavrado para prevenir a decadência, sem a cobrança da multa de ofício ou moratória. ... O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, prescreve que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária". Notase que é a impontualidade no pagamento do tributo ou, em outras palavras, a sua quitação a destempo que confere à Fazenda Pública o direito de apenar o contribuinte. ... Multa excessiva e indevida. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 É nula a multa lançada sem fundamento legal ou com fundamento em dispositivos normativos que não prevêem infração alguma, e nem sequer a correlata sanção. ... Não observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade na aplicação das multas fiscais. Temse como parâmetro dos limites das multas fiscais a razoabilidade e a proporcionalidade da exação. A doutrina constitucional moderna e o Supremo Tribunal Federal, nesse sentido, determinam que não se deve analisar as leis somente sob a ótica do princípio da reserva legal. ... Da natureza confiscatória das multas em peleja. A cobrança e a multa ora combatidas são injustas, indevidas, excessivas e escorchantes, padecendo de vícios de inconstitucionalidade, pois ofendem magnos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, capacidade contributiva e segurança jurídica. E ainda, não há falar na aplicação da malfadada multa, uma vez que não se comprovou a ocorrência do fato que a originou. Traz aos autos o recurso especial nº 1.322.945/DF: RECURSO ESPECIAL Nº 1.322.945 DF (2012/00974088) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : GLOBEX UTILIDADES S/A ADVOGADO : NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELO PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. Pesquisado o andamento especial, foram acolhidos os embargos declaratórios da Fazenda Nacional atribuindose efeitos infringentes em razão do RESP nº 1.230.957/RS EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.322.945 DF (2012/00974088) Fl. 728DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 725 9 RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : GLOBEX UTILIDADES S/A ADVOGADO : NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES EMENTA TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. PROCESSO PAUTADO. PUBLICIDADE. ADIAMENTO. JULGAMENTO REALIZADO NA SEGUNDA SESSÃO SUBSEQÜENTE. TEMPO RAZOÁVEL.DESNECESSIDADE DE REINCLUSÃO EM PAUTA. PARTE QUE NÃO PODE ALEGAR SURPRESA. OMISSÃO QUANTO À TESE DE QUE O ART. 543C DETERMINA A SUSPENSÃO DOS DEMAIS PROCESSOS QUE TRATEM DO MESMO ASSUNTO. COMANDO LEGAL DIRIGIDO APENAS AOS TRIBUNAIS DE SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECEDENTES. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NOVA ORIENTAÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO. ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP 1.230.957/RS, REL. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. POSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES. É o Relatório. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 726 11 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares passo ao mérito. No mérito De fato, a jurisprudência do STJ em recurso repetitivo é pela não incidência sobre algumas das parcelas considerados pelo recorrente como origem de seu crédito (Adicional de férias gozadas e Auxíliodoença nos primeiros 15 dias). No mesmo acórdão Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 também se reconheceu a incidência sobre o saláriomaternidade, revendo entendimento no julgamento do Resp nº 1.322.945 DF: RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (2011/00096836) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA/ ADVOGADO : LUCAS BRAGA EICHENBERG E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ASBACE ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR E OUTRO(S) INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR ABMES ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543A e 543B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que, "reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005". No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no REsp 1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543C do CPC, ficando consignado que, "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN". 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 727 13 decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção Acontece que o entendimento no Resp nº 1.230.957 não se tornou definitivo, está pendente de revisão no âmbito do STF pela interposição de recursos extraordinários com repercussão geral (RE 576967 Saláriomaternidade e RE 593.068 Adicional de férias): Resp nº 1.230.957 24/07/2014(15:55hs) Processo Suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (265) O entendimento do STJ em recurso repetitivo somente pode ser aplicado aos processos judiciais sobrestados no tribunal de origem quando se tornam definitivo. Como permanecem sobrestados no STF todas as matérias discutidas pelo recorrente, o processo nº 2008.33.00.0009265 ainda não transitou em julgado. Ressaltase também que o artigo 62A da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 somente prevê a reprodução pelas turmas do CARF no cso de decisão definitiva: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, pela ausência de uma solução definitiva no âmbito dos tribunais superiores, a ação judicial individual promovida pelo recorrente, onde se discute o reconhecimento ou não de que os tributos tenham sido pagos indevidamente por não incidência, é concomitante ao presente processo administrativo, o que implica a renúncia de se discutirem as mesmas questões: Lei nº 6.830/80 Art. 38 (...) Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Lei n.º 8.213, de 24/07/91: Art.126 (...) Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 §3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No que se refere ao sobrestamento do processo, como já salientamos, as matérias estão pendentes no STF em repercussão geral. Acontece que a Portaria MF nº 545, de 18/11/2013 revogou a necessidade de sobrestamento no CARF: PORTARIA No 545, de 18/11/2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 Art. 62A.(...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Assim, de acordo com as regras acima não cabe o sobrestamento e se deve reconhecer a concomitância para o não conhecimento do mérito. A revisão da autuação ficará condicionada ao entendimento definitivo do STF sobre as verbas e a demonstração de que, de fato, o recorrente é efetivamente possuidor do crédito não prescrito alegado às fls. 210. Multa Aplicada No processo nº 10580.733456/201191 a fiscalização observou a legislação e não aplicou multa de ofício, mas tão somente a multa moratória no limite máximo de 20%, conforme artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, o que é o critério mais benéfico ao recorrente: Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.733682/201171 Acórdão n.º 2402004.397 S2C4T2 Fl. 728 15 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. No presente processo por erro de preenchimento de GFIP a fiscalização também observou a regra mais benéfica ao recorrente. Em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 aplicou o artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, observando assim o artigo 106 do Código Tributário Nacional. Por fim, a recorrente alega inconstitucionalidades, sobretudo pelo seu entendimento de que a multa teria fins confiscatórios; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11845.000478/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 45 .0 00 47 8/ 20 08 -8 0 Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11845.000478/200880 Resolução nº 2402000.486 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 20/11/2008, para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, no período de 10/2003 a 12/2007, conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 05/06). Foi aplicada multa equivalente a cem por cento do valor devido referente à contribuição não declarada, limitado ao multiplicador em função do número de segurados, nos termos do art. 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97 vigente à época. O Recorrente apresentou Impugnação em 29/12/2008 (fls. 111/162), onde basicamente apresenta cópia de protocolo de envio de GFIP’s e requer, diante disso, o cancelamento do auto de infração. A DRJ de Brasília manteve integralmente os valores exigidos, haja vista que: (i) em relação ao período de 10/2003 a 12/2004, apesar de ter havido a retificação de GFIP, os valores declarados como base de cálculo são inferiores aos constantes nas planilhas elaboras durante o período de fiscalização (fls. 15/97), além de não contemplarem os valores referentes à comercialização da produção rural (fls. 98/105); e (ii) não houve entrega de GFIP retificada correspondente ao período de 01/2005 a 12/2007. Consignouse, ainda, na decisão ora recorrida que, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 a análise do valor das multas para verificação e aplicação da norma mais benéfica deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento. Intimada da decisão em 06/06/2011, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/07/2011, no qual sustenta a improcedência da autuação, no qual declara estar juntando todas as GFIP’s correspondentes ao período objeto da presente autuação, visando demonstrar que as informações contidas nestas contemplam todos os valores e informações apontadas pela fiscalização como omitidas. Requer, com isso, a realização de nova diligência junto à base de dados do fisco, a fim de que seja verificado as informações prestadas pelos CNPJ’s da Matriz e da Filial e através dos códigos FPAS 604 e 833 (Códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social). Ao final, em observância ao princípio da eventualidade, requer a aplicação do disposto no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, por ser regra superveniente mais benéfica. Em 15/06/2012 o Recorrente trouxe aos autos novos documentos, dentre eles a decisão proferida nos autos do PAF nº 13123.720164/201254, visando demonstrar que as adversidades/omissões apontadas pela fiscalização nestes autos decorrem do fato de haver parcelamento de débito, razão pela qual alguns valores declarados não foram identificados pela fiscalização. É o relatório. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11845.000478/200880 Resolução nº 2402000.486 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo versa sobre a exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, no período de 10/2003 a 12/2007. Temse, portanto, que a análise da procedência ou não da cobrança de multa nestes autos, por se tratar de obrigação acessória, depende do julgamento da exigência do montante principal. Contudo, não se tem nos autos informações dos julgamentos dos processos conexos onde há a exigência das contribuições previdenciárias, razão pela qual é necessário que o presente processo baixe em diligência para que a fiscalização preste informações acerca do andamento destes processos. Diante disso, para que seja possível proceder com o julgamento do presente auto de infração, é necessário que sejam prestadas informações relacionadas às demais NFLD’s lavradas neste procedimento fiscal, tais como as nº 37.170.0434, 37.170.0442, 37.170.0418, 37.170.0450 (fl. 13). Inicialmente, dentre as NFLD’s mencionadas acima, devem ser identificadas pela fiscalização aquelas que versam sobre a exigência das contribuições previdenciárias (obrigação principal) que deixaram de ser declaradas e que resultaram na lavratura do presente auto de infração. Após, em relação aos autos das NFLD’s conexas, cfe. parágrafo acima, deve ser verificado: A existência de decisão definitiva proferida no respectivo processo administrativo; A existência de pagamento ou parcelamento das contribuições exigidas; O atual andamento dos processos administrativos. Por fim, requer seja juntado ao presente processo cópia integral do processo administrativo relativo às NFLD’s conexas, ou, se possível, sejam apensadas ao presente processo. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11845.000478/200880 Resolução nº 2402000.486 S2C4T2 Fl. 5 4 Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e responda as questões expostas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 13706.000662/00-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1990 a 28/02/1995
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
PRAZO PRESCRICIONAL.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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Voluntário Acórdão nº 3301002.505 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente Curso Américo de Oliveira LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 28/02/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 06 62 /0 0- 49 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 567 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Delegacia do Rio de Janeiro – II: Trata o presente processo de pedido de restituição de fl. 1, pedidos de compensação de fls. 132, 141, 151, 162, 169, 182, 194 e 207 e Declarações de Compensação de fls. 217/218 e 220/221. Os pedidos em questão foram originalmente protocolizados como pedidos de compensação, mas, convertidos em DCOMP por força do disposto no § 4° do art. 74 da Lei 9.430, de 27/12/1 996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002. Apensos ao presente encontramse os Processos de números 13707.000109/200392, com DCOMP em fls. 01/02, 13707.000636/200305, com DCOMP em fls. 01/02, 13707.000641/200318, com DCOMP em fls. 01/02, 05/06 e 13707.000915/200361, com DCOMP em fls. 01/02. Também constam as fls. 262/277 DCOMP eletrônicas de números 01561.98701.180803.1.3.041007, 25932.94773.160703.1.3.047130, 00676.47386.160703.1.3.041943 e 30434.19588.300703.1.3.048081, as quais foram baixadas do sistema PERDCOMP passando a ter tratamento manual para fins de análise e parecer. Nas citadas DCOMP a interessada menciona como origem de seu crédito o mesmo crédito objeto do presente processo. A interessada se compensa, nas citadas declarações de compensação, de um crédito de PIS no valor total de R$ 157.367,75 (cento e cinqüenta e sete mil, trezentos e sessenta e sete reais e setenta e cinco centavos) com débitos que informa nas mesmas. Os créditos teriam origem em recolhimentos do PIS calculados com base nos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88, que previam como base de cálculo da exação a receita bruta operacional e como alíquota o percentual de 0,65%. Tais recolhimentos revelarseiam maiores que os devidos em virtude da declaração de inconstitucionalidade de referidos Decretos, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 148.7542 e conseqüente Resolução do Senado Federal n° 49/95. Em fls. 09/11 relaciona os pagamentos de PIS que teriam sido efetuados a maior ou indevidamente, no período de 05/02/1990 a 28/12/1995, que entende constituir o crédito utilizado nas compensações. Em fls. 12/39 junta cópias de DARF referentes aos pagamentos acima citados. Mediante o Despacho Decisório autoridade competente: a) reconheceu parcialmente o direito creditório relativo à contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 1.672,09 (mil seiscentos e setenta e dois reais e nove centavos), mais acréscimos legais cabíveis, ao argumento de que em relação aos pagamentos efetuados até 12/03/1995, ocorreu a decadência, uma vez que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário, com base nos artigos 165,1 e 168,1, da Lei n° 5.172 e no Ato Declaratório SRF n° 96/99, e o presente pedido foi formalizado em 13/03/2000; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 568 3 b) homologou a compensação com os débitos listados nas dcomps de fls. 132, 141, 151, 162, 169, 182, 194, 207, 216/217, 220/221 do presente processo, nas dcomps constantes dos processos números 13707.000109/200392, em fl. 01, 13707.000636/200305, em fls. 01/02, 13707.000641/200318, em fls. 01/02, 05/06, 13707.000915/200361, em fls. 01/02, e nas dcomps eletrônicas de números 01561.98701.180803.1.3.041007, 25932.94773.160703.1.3.047130, 00676.47386.160703.1.3.041943 e 30434.19588.300703.1.3.048081 constantes de fls. 260/275, até o limite do crédito reconhecido. O interessado contestou o despacho decisório que indeferiu seu pleito (fls. 354/359), argumentando, em síntese, que: a) O Senhor Delegado deixou de observar que trata o presente processo do pedido de Restituição de PIS, tributo sujeito a lançamento por HOMOLOGAÇÃO, conforme preceitua o parágrafo primeiro do artigo 150 do CTN; b) Ressaltese que o inciso I, do artigo 156 do CTN (pagamento) não pode ser analisado isoladamente, por estar diretamente vinculado ao inciso VII do mesmo artigo (pagamento antecipado e homologação do lançamento); c) Considerando que o prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador expirouse e que a exação em exame não foi expressamente homologada pela autoridade administrativa, verificouse a ocorrência da HOMOLOGAÇÃO TÁCITA (artigo 150, parágrafo 4º do CTN), e conseqüentemente, que o direito de pleitear a restituição somente ocorreria após decorridos 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, acrescido de mais 5 (cinco) anos, contados da homologação tácita do lançamento; d) Conforme consta da Lei n°. 5.172/66 (Código Tributário Nacional) não ocorreu, de maneira alguma, a perda do direito do contribuinte visto que: De acordo com o artigo 165, "o sujeito passivo tem direito independentemente de prévio protesto, à RESTITUIÇÃO total ou parcial do tributo, seja qual for à modalidade de seu pagamento"; Já o artigo 168, inciso I do mesmo diploma como modalidade de EXTINÇÃO o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafo 1º e 4º". O prazo para ocorrência da HOMOLOGAÇÃO TÁCITA é definido no artigo 150, parágrafo 4o , o qual estipula que "se a lei não fixar prazo à homologação) será ele de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda publica se tenha pronunciado considerase HOMOLOGADO o lançamento e definitivamente EXTINTO o crédito , salvo se comprovado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. e) Verificase, portanto, através de interpretação literal das normas contidas o Código Tributário Nacional, que o prazo para a interessada pleitear a restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior, expirase 10 (dez) anos após a ocorrência do respectivo fato gerador, de acordo com o entendimento do Senhor Secretário da Receita Federal (manifestado através do já citado ato Declaratório n° 96/99) (SIC). f) Este, inclusive, é o entendimento firmado pelo STJ — Superior Tribunal de Justiça, manifestado através de recentes e reiteradas decisões; Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 569 4 g) Além das considerações anteriores há, ainda, em favor do contribuinte a tese relativa à contagem do prazo relativo ao direito à restituição quando se trata de tributo recolhido com base em legislação declarada inconstitucional; h) Segundo HUGO DE BRITO MACHADO (Extinção do Direito à restituição de Tributos, Repertório IOB de Jurisprudência, ementa 1/11761): "Constitui entendimento pacífico no âmbito da Administração Tributária Federal, que a autoridade administrativa não têm competência para dizer da inconstitucionalidade das leis, Inúmeras, reiteradas e uniforme manifestações dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda o atestam. Assim sendo o pedido de restituição fundamentado na inconstitucionalidade da lei tributária não pode ser pleiteado administrativamente. Não há, portanto, que se cogitar na incidência do artigo 168, inciso 1, do CTN. Inexistente o direito, não de pode cogitar na sua extinção. O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa, em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, SOMENTE NASCE com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta " i) Tal entendimento havia sido adotado inclusive pela Secretaria da Receita Federal, magnificamente fundamentado no Parecer Cosit n° 58/98, que posteriormente foi alterado pelo lacônico Ato Declaratório SRF n° 96/99. j) Da mesma maneira que a mudança de interpretação, por parte da Administração, que não se confunde com erro de direto, não presta como fundamento para revisão do lançamento tributário, não poderia também ensejar um cancelamento de uma decisão anterior, sendo esta a interpretação vigente à época em que foi proferida, ou seja, baseada no entendimento da Secretaria da Receita Federal manifestado através do Parecer Cosit n° 58/98. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – II reconheceu em parte o direito creditório sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 28/02/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A partir de 31/10/2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, consideramse tacitamente Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 570 5 homologadas as compensações declaradas que não forem apreciadas pela autoridade administrativa dentro do prazo de cinco anos contados da data da protocolização do pedido de compensação O contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando que não há decadência do seu direito a pleitear restituição dos tributos em tela. É o relatório. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 571 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Parte da controvérsia processual está centrada no prazo de que o contribuinte dispunha para entrar com o pedido de restituição. Se cinco anos contados da extinção do crédito tributário como entendia as decisões recorridas ou se dez anos contados da Resolução nº 49 do Senado Federal, que se deu em 10/10/1995. O prazo para os contribuintes apresentarem o pedido de restituição foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 572 7 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Após esta decisão, esta corte administrativa passou a adotála em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a observância de decisões proferidas pelo STF e STJ no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1991 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 573 8 INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (Acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9303002.333, sessão do dia 20/06/2013) Sem dúvida a jurisprudência deste tribunal administrativo já vem reconhecendo pacificamente esses direitos, conforme se depreende de recente Acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, processo de relatoria do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados.(Acórdão CSRF nº 9303002.304 3ª Turma, 20/06/2013). (grifei) Portanto, seguindo a linha das decisões acima alinhavadas, há que se reconhecer que o contribuinte detinha o prazo de dez anos, contados da data do fato gerador do pagamento indevido, para pedir restituição dos valores recolhidos a maior do PIS. Assim, considerando que o primeiro pedido de restituição do contribuinte foi apresentado em 13/03/2000, todos os pagamentos efetuados decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir de 13/03/1990 podem ser objetos de análise de seu direito creditório. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte em ter analisado o seu pedido de restituição e o consequente pedido de compensação para os pagamentos, cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 13/03/1990, estando os períodos de 01/01/1990 a 13/03/1990 atingidos pelo prazo prescricional de dez anos, a contar do fato gerador, para apresentar o seu pedido de restituição. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000662/0049 Acórdão n.º 3301002.505 S3C3T1 Fl. 574 9 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15889.000448/2007-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.026
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO. 1. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 2. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 04 48 /2 00 7- 37 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15889.000448/200737 Acórdão n.º 2803004.026 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15889.000448/200737 Acórdão n.º 2803004.026 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação, no período (não contínuo) compreendido entre as competências 08/2004 e 12/2005, conforme previsto no art. 32, I, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 225, I, e § 9º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de maio de 2009 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo fiscal deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses legais expressamente previstas. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A exigência impugnada é decorrente de lançamento de oficio formalizado por auto de infração contra a recorrente, pelo qual foi exigida multa (regulamentar) pelo descumprimento de obrigação acessória. A decisão recorrida, de certa forma até esperada, dada a natureza fiscalista dos julgadores de primeira instância, não reconheceu os argumentos do contribuinte, mantendo as exigências como inicialmente formuladas. No presente caso a exigência impugnada, multa regulamentar, é decorrente do fato de a empresa, na ótica da fiscalização, não ter preparado folhas de pagamento contendo Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15889.000448/200737 Acórdão n.º 2803004.026 S2TE03 Fl. 5 4 as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela SRP. As rubricas não incluídas como salários ou honorários e assim entendidas pela fiscalização, de fato não o são, pelo que improcedente é o auto de infração em discussão. O que, de fato, ocorreu é que verificando outros elementos da contabilidade a fiscalização entendeu que alguns pagamentos feitos a título de ressarcimento de despesas poderiam corresponder a pagamentos por serviços prestados e, assim, através de uma interpretação subjetiva dos fatos presumir o fato gerador. Demonstrada e verificada a improcedência do AI impugnado, requer seja o mesmo julgado improcedente, cancelandose a multa nele contida reformandose o V. Acórdão recorrido. Se assim não for o entendimento requer seja a multa reduzida para valores compatíves com a capacidade contributiva da impugnante. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15889.000448/200737 Acórdão n.º 2803004.026 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório do Auto de Infração (fls. 45), o contribuinte deixou de preparar folha(s) de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditas a todos os segurados a seu serviço, conforme os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária – SRP. Ao proceder na forma especificada no parágrafo anterior, a empresa infringiu o disposto no inciso I do art. 32 da lei nº 8.212/91 c/c o § 9º e inciso I do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Como se pode observar, restou amplamente demonstrado que a falta apontada existiu. Não tendo o contribuinte cumprindo as determinações previstas na legislação de regência, correto o lançamento. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, combinado com o inciso I e parágrafo 9º do artigo 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Os citados artigos estão assim redigidos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15889.000448/200737 Acórdão n.º 2803004.026 S2TE03 Fl. 7 6 por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. É, pois, obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Vêse da análise dos autos, que constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. É obrigatória, portanto, a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em seu recurso o contribuinte não discutiu o mérito. Ele ficou restrito a questões genéricas. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. Por último, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15889.000448/200737 Acórdão n.º 2803004.026 S2TE03 Fl. 8 7 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.007278/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.600
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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(assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Em ação levada a efeito na contribuinte DIVINA BRAIDO ROQUETO, foi lavrado auto de infração onde se apurou crédito tributário na importância correspondente a R$ 169.312,61 (cento e sessenta e nove mil, trezentos e doze reais e sessenta e um centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física tendo como fundamento OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS, no ano-calendário 1998, sendo R$ 62.126,23 referentes ao imposto, R$ 46.594.67 referentes à multa proporcional e R$ 60.591,71 referentes aos juros, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 08/09. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontra-se relatada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 53 a 58) e nos dá conta, segundo relato, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações; Trata-se de demanda através de requisição do Ministério Público Federal, visando à instrução do processo criminal n° 2003.61.05.012468-9; A ação fiscal visou averiguar os indícios de sonegação fiscal em face à movimentação financeira presumida com base na CPMF, inicialmente, restringindo ao ano calendário 1998, e posteriormente estendendo-se aos anos-calendário 2000 e 2001, tendo em vista a extensão da quebra do sigilo banca'rio obtida pelo Ministério Público Federal; Em relação à regularidade de entrega das DIRPFs referentes aos anos-calendário de 1998, 2000 e 2001, foram constatados nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal: a) 1998 e 2000, consta omissão de entrega; b) 2001, entregou a Declaração de Isentos; Ainda, na data de 22/10/2004, a Sra. Heloísa Terezinha Roqueto Assalin, representando a fiscalizada, na condição de filha em vista de sua iminente interdição, protocolizou resposta aos Termos de Constatação e Intimação Fiscal de 05/10/2004 e 14/10/2004, requerendo dilação de mais 60 (sessenta) dias para atendimento das pendências em questão, informando que ajuizou perante a 2' Vara Cível da Comarca de São João de Boa Vista, ação de curatela e interdição da fiscalizada. Prazo concedido; A fiscalização informa que, passados 200 dias, não havia conseguido êxito em nenhuma de suas solicitações, apesar de sempre atender as reiteradas solicitações de dilação de prazo. Assim, em relação ao ano-calendário de 1998, não teve alternativa senão a de considerar a totalidade dos depósitos bancários pendentes de comprovação, por presunção legal, a infração de omissão de rendimentos, tendo em vista a não comprovação da origem dos depósitos bancários conforme montante a seguir: Banco Bradesco S/A - R$ 241.622,69; O Auto de Infração foi lavrado em 07/12/2004, tomando o autuado ciência em 09/12/2004, via postal, AR de fl. 61, tendo ingressado com a impugnação (fls. 63 a 89), em 29/12/2004, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 3 3 A Recorrente impetrou Mandado de Segurança, processo n° 2001.61.05.004646- 7, fls 95 a 101, onde requereu que a Receita Federal se abstivesse de obter informações da movimentação financeira e da quebra de seu sigilo, sem a devida autorização judicial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, DRJ/SPOII, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/SPOII n° 17-25.253, de 27 de maio de 2008, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO. SIGILO BANCÁRIO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, naquilo em que houver identidade de objetos. CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. À autoridade administrativa julgadora não compete formar juízo sobre a validade jurídica das normas aplicadas na determinação do crédito tributário, sendo-lhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O lançamento encontra-se correto, tendo sido consideradas todas as exclusões cabíveis. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 4 4 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É de se indeferir a solicitação de perícia quando não for necessário o conhecimento técnico especializado, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde alega em síntese: a) Teria ocorrido a decadência, de constituir o crédito tributário; b) Ocorreu cerceamento de direito de defesa ao denegar o pedido de perícia; c) Que a prova obtida através meios ilícitos, pois foi efetuada sem a devida autorização judicial; d) Que a Recorrente ingressou com medida judicial, onde requereu que a Receita Federal se abstivesse de obter informações da movimentação financeira e da quebra de seu sigilo, sem a devida autorização judicial; e) foi reconhecido no mandado de segurança impetrado junto à 3ª Vara Cível da Justiça Federal em Campinas-SP, Processo n° 2001.61.05.004747-9, na decisão proferida pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, em julgamento realizado em 06/09/2006, a qual foi taxativa em confirmar a ilegalidade da utilização, pela autoridade fiscal, para fins de constituição de crédito tributário relativo o imposto de renda pessoa física, das informações de que tratam os parágrafos 2° e 3° do artigo 11 da Lei n° Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 5 5 9.311/96, relativas as operações ocorridas antes do advento da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001; f) Que é ilegítimo o lançamento efetuado através de depósitos ou extratos bancário; Em sessão de julgamento realizada em 15 de maio de 2012 os autos foram convertidos em diligência através da Resolução 2202-00.215, onde se determinou: Como não há como se saber qual é o atual andamento do processo judicial, e por uma questão de segurança para ambas as partes, proponho a conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem a DRF de origem para: 1. intimar a Recorrente a apresentar certidão de objeto e pé do processo judicial n° 2001.61.05.004747-9, para fins de verificarmos qual a atual situação processual, para verificarmos se houve admissão ou não dos recursos especial e extraordinário; 2. que após a apresentação da referida certidão, que a procuradoria da fazenda nacional seja intimada para se manifestar no prazo de 15 dias. A Recorrente foi intimada e não apresentou a certidão de objeto e pé do processo judicial, nem a Procuradoria da Fazenda Nacional foi regulamente intimada a se manifestar. É o relatório Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto O presente processo administrativo, versa sobre autuação com base no artigo 42, da Lei 9.430, de 1996, cujo fundamento é a omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Podemos verificar que a quebra do sigilo bancário da Recorrente foi efetuada através de requisição do Ministério Público federal, para instruir o processo crime n° 2003.61.05.012468-9, para verificar se houve crime de sonegação fiscal. Ocorre todavia, que a Recorrente ingressou com Mandado de Segurança processo n° 2001.61.05.004646-7, fls 95 a 101, onde requereu que a Receita Federal se abstivesse de obter informações da movimentação financeira e da quebra de seu sigilo, sem a devida autorização judicial. Conforme acórdão proferido pela Tribunal Regional Federal da 3ª Região em julgamento realizado em 06/09/2006, foi reconhecido: “...a ilegalidade da utilização, pela autoridade fiscal, para fins de constituição de crédito tributário relativo a imposto de renda pessoa fisica, das informações de que tratam os parágrafos 2° e 3° do artigo 11 da Lei n.° 9.311/96, relativamente às operações ocorridas antes do advento da Lei Complementar n.° 105/2001 e da Lei n.° 10.174/2001.”(fls. 169). Consubstanciado na seguinte ementa: CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - SIGILO BANCÁRIO - QUEBRA - PROCEDIMENTO FISCAL – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI - IMPOSSIBILIDADE I - Na vigência da Lei n.° 4.595/96 não era possível a quebra do sigilo bancário do contribuinte em processo administrativo sem autorização judicial (art. 38). II - A Lei n.° 9.311/96, que instituiu a CPMF, estabelece de forma taxativa que é vedado à autoridade fiscal a utilização das informações fornecidas pelas instituições bancárias para fins de constituição do crédito tributário (art. II § 3.°). III - A partir da edição da Lei n.° 10.174/2001 e da LC n.° 105/2001 a autoridade fiscal pode quebrar o sigilo bancário do contribuinte, observados critérios objetivos, mas as informações recolhidas não podem ser utilizadas para a constituição do crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos em período pretérito. IV - Autorizar que as informações sigilosas sirvam à constituição do crédito tributário, limitado o lançamento apenas ao prazo decadencial a que aludem os arts. 173 e 150 § 4.° do CTN, representaria alcançar o fato jurídico de forma indireta, resultando em surpresa para o contribuinte , além de violar o princípio da irretroatividade das leis. V - É de ser, portanto, afastada a utilização pela autoridade fiscal das informações de que tratam os §§ 2.° e 3.° do art. 11 da Lei n.° 9.311/96, para fins de constituição do crédito tributário relativo a Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 7 7 imposto de renda pessoa física, no tocante às operações ocorridas antes da edição da LC 105/2001 e da Lei n° 10.174, de 09/01/2001. VI - Apelação parcialmente provida. Podemos verificar que nos termos da referida decisão judicial, reconhece que os dados bancários obtidos antes da edição das Lei Complementar n° 105/2001 e Lei n° 10.174/2001, não podem ser utilizados para constituição de crédito tributário, dessa forma, a utilização dos dados bancários, no presente lançamento deveria ser desconsiderada. Em sessão de julgamento realizada em 15 de maio de 2012 os autos foram convertidos em diligência através da Resolução 2202-00.215, onde se determinou: Como não há como se saber qual é o atual andamento do processo judicial, e por uma questão de segurança para ambas as partes, proponho a conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem a DRF de origem para: 3. intimar a Recorrente a apresentar certidão de objeto e pé do processo judicial n° 2001.61.05.004747-9, para fins de verificarmos qual a atual situação processual, para verificarmos se houve admissão ou não dos recursos especial e extraordinário; 4. que após a apresentação da referida certidão, que a procuradoria da fazenda nacional seja intimada para se manifestar no prazo de 15 dias. A Recorrente foi intimada e não apresentou a certidão de objeto e pé do processo judicial, nem a Procuradoria da Fazenda Nacional foi regulamente intimada a se manifestar. Efetuando uma pesquisa no site do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, podemos verificar que houve ingresso de recurso especial e recurso extraordinário por parte da União Federal, e os mesmos foram admitidos conforme extrato abaixo: Data Descrição Documentos 10/09/2009 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2009192998 Destino: JUIZO FEDERAL DA 3 VARA DE CAMPINAS >5ªSSJ>SP - 01/09/2009 RECEBIDO DE OUTROS TRIBUNAIS ORIGEM - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA - 19/12/2007 REMESSA PELA PASSAGEM DE AUTOS AOS TRIBUNAIS SUPERIORES GR.2007296888 Destino: SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA - Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 8 8 19/12/2007 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2007290060 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA - 12/12/2007 REMESSA PELA DINT À DPAS PARA STJ GUIA NR.: 2007290060 DESTINO: PASSAGEM DE AUTOS - 12/12/2007 CERTIDÃO HOUVE ALEGAÇÃO DE REPERCUSSÃO GERAL. - 12/12/2007 APENSAMENTO A/DE OUTROS AUTOS Apensado ao processo: 2007.03.00.088462-9. Descrição : CONFORME R.DECISÃO FLS.270 AGRESP:200703000884629 - 08/10/2007 INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO DE DESPACHO DENEGATORIO EM RE E RESP 200703000884629 (AGRESP:APENSO PRINCIPAL) E 200703000884575 AGREXT - 03/09/2007 RECEBIDO(A) DA FAZENDA NACIONAL - 17/08/2007 REMESSA PELA DINT A(O) GUIA NR.: 2007191220 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) - 17/08/2007 PUBLICADO NO DJU DECISÃO(õES) DE RECURSO(s)NÃO ADMITIDO(s) E/OU ADMITIDO(s) BLOCO 128409 DINT 31DF - 08/08/2007 RECEBIDO PELA DINT C/ DESPACHO/DECISÃO - AGUARDANDO PUBLICAÇÃO GUIA NR. : 2007181910 ORIGEM : ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICE-PRESIDENCIA - 07/08/2007 REMESSA GUIA NR.: 2007181910 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA - 31/07/2007 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2007174161 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA - 30/07/2007 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF P/DEC.ADMIS. RECURSO GUIA NR.: 2007174161 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICE-PRESIDENCIA - 19/07/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRA-RAZOES Petição Número 2007208528 - 19/07/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRA-RAZOES Petição Número 2007208529 - 19/07/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO Petição Número 2007201233 - 18/07/2007 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP158792E - 06/07/2007 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR L XI C.740 OAB: SP158792E - 03/07/2007 PUBLICADO NO DJU VISTA PARA CONTRA RAZOES EM 03/07/2007. EXP. 4614 P. 61 E - 27/06/2007 RECEBIDO PARA PROCESSAMENTO DE RECURSO(S) EXCEPCIONAL(IS) GUIA NR. : 2007148267 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA TERCEIRA TURMA - 26/06/2007 REMESSA GUIA NR.: 2007148267 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA - 15/06/2007 RECEBIDO(A) DO MPF *** - 01/06/2007 REMESSA GUIA NR.: 2007127536 DESTINO: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL - 31/05/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RE Petição Número 2007150669 - 31/05/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RE Petição Número 2007150658 - 30/05/2007 RECEBIDO(A) DA FN COM CIENCIA DE ACÓRDÃO DE 2/5/07 - 30/04/2007 REMESSA GUIA NR.: 2007093578 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) - 27/04/2007 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP180255 - 25/04/2007 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP180255 - 25/04/2007 JUNTADA DE PETIÇÃO Petição Número 2006306483 - 11/04/2007 PUBLICADO NO DJU ACORDÃO Visualizar 09/04/2007 INFORMAÇÃO ENVIADO A PUBLICAÇÃO - Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoImagemSitaItaNumeroData?numeroProcesso=200161050047479&dataPublicacao=2007-04-11 Processo nº 10830.007278/2004-21 Resolução n.º 2202-00.600 S2-C2T2 Fl. 9 9 27/03/2007 RECEBIDO COM ACORDÃO GUIA NR. : 2007066397 ORIGEM : GAB.DES.FED. NERY JUNIOR - 22/11/2006 INFORMAÇÃO REQUISITADO PARA JUNTAR PETIÇÃO - 22/09/2006 CONCLUSOS AO(A) JUIZ(A) CONV.DESIGNADO(A) PARA ACORDÃO VALERIA NUNES - 20/09/2006 RECEBIDO DO GABINETE GUIA NR. : 2006213267 ORIGEM : GAB.DES.FED. MARCIO MORAES - 15/09/2006 CONCLUSOS AO(A) DES.FED. MARCIO MORAES - 06/09/2006 JULGADO RECURSO/ACAO (DECISÃO: "Prosseguindo o julgamento, após o voto- vista do Desembargador Federal MÁRCIO MORAES proferido nos autos da AMS n.º 2001.61.05.004782-0, a Turma, por unanimidade, rejeitou a preliminar argüida e, por voto-médio, deu parcial provimento à apelação, nos termos do voto da Juíza Federal Convocada VALÉRIA NUNES, vencidos o Relator que lhe negava provimento e do Desembargador Federal MÁRCIO MORAES que lhe dava provimento.¶ Lavrará o acórdão a Juíza Federal Convocada VALÉRIA NUNES.¶") (RELATOR P/ACORDÃO: JUIZA CONV VALERIA NUNES) (EM 06/09/2006) - 20/04/2005 APREGOADO O PROCESSO ADIADO O JULGAMENTO (DECISÃO: "Prosseguindo o julgamento, após o voto da Juíza Convocada VALÉRIA NUNES, rejeitando a preliminar e dando parcial provimento à apelação, foi adiado o julgamento, aguardando o voto-vista a ser proferido pelo Desembargador Federal MÁRCIO MORAES, nos autos da AMS n. 2001.61.05.004782-0.¶") (EM 20/04/2005) - 09/03/2005 APREGOADO O PROCESSO ADIADO O JULGAMENTO (DECISÃO: "Após o voto do Relator rejeitando a preliminar argüida e negando provimento à apelação, foi adiado o julgamento, aguardando o voto vista a ser proferido pelo Juíza Convocada VALÉRIA NUNES, nos autos da AMS n.º 2001.61.05.004782-0.¶") (EM 09/03/2005) - 17/02/2005 INCLUIDO EM PAUTA PEDIDO DE DIA PELO RELATOR DO DIA 09.03.2005 SEQ.: 131 (DO DIA 09/03/2005 SEQ: 131) - 15/02/2005 RECEBIDO DO GABINETE PARA INCLUSÃO PAUTA 09/03/05 - 09/02/2005 REDISTRIBUIÇÃO POR SUCESSÃO Redistribuição por atribuição CARLOS MUTA registro do dia 09.02.2005 13:06:53 - 26/08/2002 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2002126657 DESTINO: GAB.JUIZ CONV. JOHONSOM DI SALVO - 26/08/2002 RECEBIDO(A) DO MPF C/ PARECER - 30/07/2002 REMESSA GUIA NR.: 2002108367 DESTINO : MINISTERIO PUBLICO FEDERAL - 24/07/2002 DISTR. POR DEPENDÊNCIA/PREVENÇÃO Distribuição por dependência por processo 2001.03.00.021462-2-MPF do dia 24.07.2002 13:22:55 Tendo em vista a atual situação processual, proponho a conversão dos autos em diligência, para que a procuradoria da fazenda nacional seja intimada para se manifestar no prazo de 15 dias a respeito da decisão judicial proferida para a Recorrrente no caso dos autos. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Jr. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ txtfls txtSigla txtMinisterio txtCARF txtNomeOrgao labProcesso txtProcesso labRecurso txtRecurso labDespacho txtDecisao txtTurma labData txtData labAssunto txtAssunto labRecorrente txtRecorrente labRecorrida txtRecorrida
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Numero do processo: 11080.904352/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA.
As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
Numero da decisão: 1801-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
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SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadramse na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 43 52 /2 01 2- 51 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Clínica Traumatológica Moinhos de Vento Sociedade Simples LTDAEPP contra o acórdão de nº 0357.451, prolatado pela 4ª Turma da DRJ de Brasília/DF, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 12987.05356.211209.1.3.040050 (fls. 2427), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débitos de COFINS. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl.22, deixou de homologar a compensação alegando que o valor recolhido através do DARF (R$11.785,08) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2008, declarado na DCTF da Recorrente (fl. 36). Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0207), a Recorrente requereu a reforma do despacho decisório alegando que o valor declarado como débito de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2008 (fl. 36) teria sido calculado equivocadamente com a base de cálculo presumida de 32%, quando deveria ter sido calculado com a base de 8%, já que a Recorrente presta serviços hospitalares e, por isso, se enquadraria na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 4º Turma da DRJ de Brasília/DF, através do acórdão ora recorrido (fls. 6067), manteve o despacho decisório alegando em síntese que: (i) “para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração Tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal”; e que (ii) ainda que a Recorrente tivesse cumprido todas as exigências e requisitos, “a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo.” Sustentou ainda a DRJ que a jurisprudência judicial acostada pelo Recorrente em sua manifestação de inconformidade não teria o condão de vincular aquele órgão administrativo e que, por isso, ela deveria se manter vinculada aos atos normativos editados pela Receita Federal do Brasil. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904352/201251 Acórdão n.º 1801002.238 S1TE01 Fl. 82 3 Irresignado com essa decisão, o Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 7178), que apenas reitera os termos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Antes de analisar especificamente o caso dos autos, é importante fazer uma breve consideração acerca do art. 15 da Lei nº 9.249/95, cuja redação vale ser transcrita: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Da leitura do artigo percebese claramente que a intenção da norma é fixar uma regra geral de aferição da base de cálculo no lucro presumido: aplicação de 8% sobre a receita bruta. Em seus incisos, o art. 15 estabelece algumas exceções a essa regra. Caso a atividade dos contribuintes se enquadre nos incisos, a regra geral é afastada e a base de cálculo do lucro presumido deve ser aferida de acordo com as alíquotas excepcionais (previstas nos incisos). E aqui é importante fixar uma premissa de extrema importância: as alíquotas do art. 15 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Ou seja, para a venda a varejo de gasolina, o legislador presume que o lucro da atividade gira em torno de 1,6% (inciso I acima transcrito); para a atividade de transporte (exceto a de transporte de carga), presumese que o lucro gira em torno de 16% (inciso II acima transcrito); para os serviços em geral, presumese que o lucro gira em torno de 32% (inciso III acima transcrito). É exatamente por isso que essa sistemática de cálculo é denominada lucro presumido (com a devida vênia por estar, aqui, dizendo o óbvio). No entanto, essa presunção feita pelo Legislador não é aleatória. O Congresso Nacional não fixou essas alíquotas por puro arbítrio. A fixação é precedida de rigoroso estudo que indica as margens de lucros ordinárias de determinadas atividades. Se a fixação desses percentuais não obedecesse a um critério científico, o Legislativo estaria afrontando a isonomia entre os contribuintes, pois, por exemplo, qual seria o motivo de o transporte de carga possuir um lucro presumido inferior (8%) às demais espécies de transporte (16%) – conforme inciso II acima transcrito? Não há outra resposta senão esta, que é óbvia: porque o serviço de transporte de cargas demanda um custo maior para ser prestado (carretas mais sofisticadas; normalmente percorrem trajetos maiores; motoristas mais qualificados e etc). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904352/201251 Acórdão n.º 1801002.238 S1TE01 Fl. 83 5 No caso dos serviços (que possuem o maior lucro presumido – de 32% – e onde o Fisco pretende enquadrar a Recorrente), notase que eles possuem uma presunção de terem uma maior margem de lucro, exatamente porque não possuem um custo tão elevado, pois demandam, na maioria das vezes, “insumos” de natureza intelectual. Vejase que as alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do inciso III (que fixa a alíquota de 32%) elencam exclusivamente serviços que giram em torno da capacidade intelectual de seu prestador: (b) intermediação de negócios; (c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; (d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). O custo dessas atividades é relativamente baixo, e é exatamente por isso que o Legislador presumiu que a margem de lucro obtida é bastante superior às demais atividades (32%). Pois bem, voltando para o caso específico destes autos, o que aqui se discute é se a atividade desenvolvida pela Recorrente se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, previsto na alínea ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95. É que tais serviços, como se nota, têm seu lucro presumido através da regra geral de 8% da receita bruta, pois o Legislador presumiu que os serviços hospitalares possuem um custo superior àqueles serviços simplesmente intelectuais, pois necessitam, para serem desempenhados, de ativos de valor expressivo. O STJ já se debruçou sobre a matéria e, decidindo a questão na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, consignou que somente meras consultas médicas é que não deveriam ter seu lucro presumido em 8% da receita bruta que gerar: DIREITO PROCESUAL CIVL ETRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 53 e 468 DO CP. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/5. IRPJ ECSL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINÇÃO DA EXPRESÃO "SERVIÇOS HOSPITALRES". INTERPETAÇÃO OBJETIVA. DESNECSIDADE DE ESTRUTRA DISPONIBLIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECNTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CP. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/5, par fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSL. Discutese a possiblidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global do paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, §1º, inciso I, da Lei 9.249/05, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas natureza Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 6 do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos depósitos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisito não previsto em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/05, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente promoção da saúde", de sorte que, "em rega, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/05 não se refere a toda recita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do§ 2ºdo artigo 15da Lei 9.249/5. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl... 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Percebese que o STJ estabeleceu um critério seguro para a aplicação do conceito de “serviços hospitalares”: será serviço hospitalar todo aquele que se referir à assistência à saúde e que não se resumir a simples consultas médicas. Muito embora a fundamentação adotada pelo STJ tenha sido diversa da que aqui está sendo exposta, a sua conclusão se enquadra perfeitamente no critério aqui utilizado, pois é fácil notar que as consultas médicas são serviços eminentemente intelectuais, que não exigem um custo considerável para serem prestados. Exigem tão somente um consultório e o conhecimento médico. Portanto, para as simples consultas é razoável que se presuma que elas gerem um lucro maior (32%). Pois bem, no caso da Recorrente, percebese do seu contrato social que ela é uma sociedade empresária que “tem por objetivo a clínica de traumatologia, serviços médicos e de raio ‘X’, sendo que as cirurgias serão realizadas em hospitais” (fl. 11). Notase, portanto, que o objeto social da Recorrente está intimamente ligado à assistência à saúde. Parece também que o objeto social da Recorrente não se resume a simples consultas médicas, mas também a exames traumatológicos e exames de imagem (raio X) – vale destacar que esta última atividade está, inclusive, expressamente prevista na alínea ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95 como “imagenologia”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904352/201251 Acórdão n.º 1801002.238 S1TE01 Fl. 84 7 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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