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Numero do processo: 13896.910078/2012-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 07 8/ 20 12 -9 1 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910078/201291 Resolução nº 3801000.879 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910078/201291 Resolução nº 3801000.879 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910078/201291 Resolução nº 3801000.879 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910078/201291 Resolução nº 3801000.879 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910078/201291 Resolução nº 3801000.879 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13204.000136/2004-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/10/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.
Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 30/10/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 36 /2 00 4- 15 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 484 2 Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 340300.727, proferido pela Terceira Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, a qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que se refere (i) aos gastos com os serviços de decapeamento, (ii) lavra, (iii) locação de máquinas e equipamentos e (iv) com a aquisição de óleo combustível tipo ABPF, “utilizado na evaporação e secagem da água contida na polpa do caulim”. Por outro lado, a Terceira Turma Ordinária negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, sob entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Adicionalmente, também negou provimento ao recurso voluntário para afastar o direito creditório sobre os gastos com (xi) combustíveis, nestes compreendidos a gasolina comum e o óleo diesel, consumidos nos veículos que transportam matériaprima, materiais intermediários e produtos finais entre os diversos setores produtivos, desde a extração, produção até a distribuição, tendo, para tanto, alegado que os mesmos não são utilizados na produção, mas sim na área produtiva. Para tanto, foi considerado que a atividade realizada pelo contribuinte dividi se na extração do caulim das minas e o seu beneficiamento no parque fabril do próprio contribuinte, tendo sido aduzido que “nem todo bem ou serviço necessário ao processo, tomado em sua integralidade, pode ser caracterizado como insumo, mas tão somente aqueles Fl. 484DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 485 3 que, além de imprescindíveis, são consumidos ou aplicados diretamente na produção, ainda que não tenham contato direto com o produto final”. Quanto às alegações de inconstitucionalidade relacionadas ao conceito de insumos, foi entendido que as mesmas, além de serem infundadas (“eis que a CF/88 não impôs ela própria um conceito de insumo ou mesmo o alcance da não cumulatividade para estas contribuições), também não poderiam ser suscitadas no âmbito do CARF, com base, para tanto, na Súmula nº 2 do CARF. O acórdão recorrido restou assim ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 30/10/2004 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ACEPÇÃO. Consoante dicção das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, consideramse insumos os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, donde se depreende que aludida utilização deve se dar de forma direta sobre o processo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 30/10/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face da parte do acórdão que reconheceu o direito creditório sobre serviços de decapeamento, lavra e locação, bem como sobre a aquisição de óleo tipo ABPF, tendo aduzido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deve ser o mesmo daquele considerado na legislação do IPI. Para tanto, utilizou, para embasar a divergência de entendimentos, o acórdão de nº 20312.448, a seguir ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base de cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto Fl. 485DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 486 4 sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matéria prima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval, etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntos, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado” Suscitou a Fazenda Nacional que tal acórdão seria aplicado devido ao fato de ter sido entendido, naquela ocasião suscitada como paradigma, que “a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumos” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a preda de propriedades físicas ou químicas”. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte também interpôs recurso especial contra a parte do acórdão recorrido que negou o restante dos seus créditos, suscitando que o conceito de insumos a ser aplicado para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deveria ser aquele considerado na legislação do IRPJ para custos e despesas. Para tanto, embasou a divergência nos acórdãos utilizados como paradigmas de nºs 20181.139 e 3202 00.226. Abaixo alguns trechos dos acórdãos utilizados como paradigmas que foram selecionados pelo contribuinte, acrescidos de alguns selecionados por esta Conselheira: Acórdão nº 20181.139 “(...) Mas ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 487 5 No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver direito ao crédito No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os “custos, despesas ou encargos” vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 21 da IN SRF nº 460/2004. (...)” Acórdão nº 320200.226 “(...) É de se concluir, portanto, que o termo “insumo” utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os cutos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artugos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 488 6 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Os recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte são tempestivos e após refletir com meus pares sobre a configuração do requisito da divergência, conforme justificada pelos Recorrentes (Fazenda Nacional e contribuinte), passei a entender que há divergência a sustentar o cabimento dos mesmos. Primeiramente, quanto ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vejase que o mesmo pretende afastar o direito de crédito do contribuinte, oriundo da sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, no que respeita (i) ao serviço de decapeamento; (ii) ao serviço de lavra; (iii) à locação de máquinas e equipamentos e (iv) aos gastos com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Quanto ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, veja se que a pretensão recursal é a de se ter reconhecidos os direitos de créditos não cumulativos de PIS e COFINS sobre os dispêndios com serviços de (i) alteamento, (ii) limpeza; (iii) transporte; (iv) vigilância patrimonial; (v) melhoria de estradas; (vi) fornecimento de refeições e, ainda, sobre os gastos com (vii) combustíveis (gasolina comum e óleo diesel). Inicialmente, entendo relevante apontar as despesas pleiteadas no processo como insumos para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, em razão de sua participação do desenvolvimento do objeto social do contribuinte, conforme por ele identificado ao pleitear o crédito em questão, a saber: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeitos. 2. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. 3. SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. 4. FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários, em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas, sendo necessário fornecer aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. 0 fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratarse de condição intrínseca a manutenção do fator mãode obra da atividade. 5. SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. Tratase do primeiro passo necessário a atividade extrativa mineral. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de funcionários. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 489 7 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILÂNCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial dada a localização geográfica e as características da planta produtiva, de forma de garantir a integridade e o funcionamento da referida planta. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso, adequadas ao acesso de homens e máquinas as fontes de minério. 10. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo é feito por meio de veículos movidos a gasolina. 11. ÓLE0 DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim, bem como para o transporte de matériaprima, produtos intermediários entre os diversos setores da produção ou ainda da produção para a distribuição. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP ABPF: utilizado na fase da “evaporação” (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A decisão recorrida, como informado no relatório, negou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com (v) “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; (vi) “serviço de limpeza (desobstrução de vias de acesso)”; (vii) de transporte de funcionários, (viii) de vigilância patrimonial; (ix) de melhoria de estradas; (x) de fornecimento de jantar, e (xi) e combustíveis sob o entendimento de que a ausência destes serviços não inviabilizaria a produção, mas apenas a limitaria. Despesas estas objeto de recurso do contribuinte. Por conseguinte, entendeu como insumos, as despesas com (i) serviço locação de equipamentos; ii) serviço de decapeamento, iii) serviço de lavra e iv) óleo combustível TP ABPF. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese contra a decisão que reconheceu o direito de creditamento em relação aos serviços de decapeamento, de lavra, de locação, bem como o referente ao óleo tipo ABPF sob a alegação de que “a Câmara recorrida, que reconheceu como insumos determinados bens e serviços que neste conceito não se enquadram para fins de geração de créditos de COFINS nãocumulativo, conforme determina o art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 (e Lei n° 10.637/2002, para o PIS) em concomitância com o entendimento exposto na IN n° 404/2004.” Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei 10.833, em matéria de COFINS, que, do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004). Fl. 489DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 490 8 E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS e COFINS ditos não cumulativos? Como já me manifestei em outros acórdãos de minha relatoria, entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: “(...) créditos calculados em relação a ‘bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda’.”. O dispêndio para se consubstanciar em insumo, suscetível de abatimento, deve ser indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela Cofins. E nesta linha de raciocínio é que entendo que a Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, andou mal ao limitar a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 491 9 Essas ponderações sobre a limitação ao termo insumo perpetrado pela Instrução Normativa 247/02 foi afastada pelo acórdão recorrido, a meu ver, acertadamente. Por conseguinte, entendo que não assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional ao sustentar a aplicação de referida Instrução em seu recurso, de modo a ver reformada a decisão recorrida no tocante às despesas com decapeamento, lavra, locação de máquinas e equipamentos e com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Por outro lado, ressalto também, que do mesmo modo que entendo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos à produção, geradores de receita tributável pelas referidas contribuições, não entendo correto adotar, como sustentado pelo contribuinte em se recurso, o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto à produção. Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da Cofins, eis que não são indispensáveis para a sua produção, strictu senso. Todavia, apesar de não divergir do critério utilizado pelo acórdão recorrido ao identificar as despesas consideradas insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei nº 10.833, em matéria de COFINS, entendo que, pela características e afetação à produção do contribuinte, compreendem também no conceito de insumos os gastos com “serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Com efeito, deixo de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar. E ao assim me posicionar não nego a necessidade da empresa de ter que suportar referidas despesas para viabilizar sua produção, em razão, como a mesma justifica, da localização da mina, de sua posição geográfica. Todavia, não reconheço as mesmas como insumos na produção, aqui considerada a extração e o beneficiamento de caulim. Repito, a meu ver, insumos não são todas as despesas incorridas no processo produtivo, mas aquelas que afetem, participem e sejam indispensáveis à produção, no sentido estrito. De forma a ilustrar a minha opinião, caso a mina de caulim fosse situada próxima a determinada área urbana, se possível fosse, o fornecimento de refeições, como o transporte de funcionários e a vigilância patrimonial, seriam despesas desnecessárias à extração e o beneficiamento do caulim. E neste sentido que, a meu ver, nem toda despesa necessária é indispensável à produção, em si considerada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos aos serviços de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos)”; “serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso)”; melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Nanci Gama Fl. 491DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 492 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Já foi corretamente delineado pela i. relatora que a divergência que se estabeleceu em relação a seu brilhante voto se restringiu tãosomente ao recurso do contribuinte, para o qual a maioria qualificada pelo voto do Presidente apenas deu provimento quanto ao óleo empregado nos veículos que fazem o transporte, dentro da área de produção, dos insumos aí consumidos. Tal divergência se deve não tanto a questões conceituais, as quais foram, em meu entender, muito bem expostas pela n. relatora. De fato, não prevalece mais no âmbito deste colegiado a interpretação assaz restritiva intentada pela Fazenda Nacional com base nas normas expedidas acerca do IPI, tanto que ao recurso fazendário foi negado provimento por unanimidade. Além das razões já muito bem apontadas pela dra. Teresa, e das quais em nada divirjo, vale sempre o registro de que a legislação específica das contribuições expressamente admitiu o cômputo como insumos dos serviços consumidos no processo produtivo. Ora, sabendose que não contêm eles, de regra, o atributo da materialidade imprescindível à aplicação do critério da legislação do IPI para definir matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isto é, o contato físico com o produto em elaboração, como se pode reivindicar que a elas se aplique o princípio daquele? Tudo isso não obstante, o que ainda não é pacífico no colegiado é o alcance que se deve dar ao conceito de insumos uma vez afastadas as restrições acima. De que há a necessidade de que o item físico em questão (ou mesmo o serviço, também previsto na norma legal) seja consumido no processo produtivo não há dúvida. A dúvida se resume a demarcar a abrangência da expressão “consumido no processo”. Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de Fl. 492DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13204.000136/200415 Acórdão n.º 9303002.655 CSRFT3 Fl. 493 11 depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. Aplicandose tais balizas aos itens postulados pelo sujeito passivo, apenas o óleo cumpre todos os requisitos: é utilizado no processo produtivo, nem antes nem depois, e consomese em um único ciclo produtivo. De fato, os serviços de alteamento, de remoção de minérios e de manutenção de estradas são gastos que devem ser ativados, uma vez que os seus resultados ocorrem ao longo de vários ciclos produtivos. Já no que tange aos gastos com fornecimento de refeições e de transporte para os funcionários, além da gasolina consumida para transportar o produto final e os serviços de vigilância, eles não ocorrem no processo produtivo, ainda que sejam absolutamente relevantes ao desiderato empresarial. Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Foi com essas considerações que o colegiado restringiu o provimento do recurso do contribuinte ao óleo consumido nos caminhões que movimentam a matériaprima na área de produção, sendo este o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 493DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/03/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10715.008366/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 83 66 /2 00 9- 71 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.008366/200971, contra o acórdão nº 0728.223, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 65.000,00 para R$45.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 04/10/2005, 05/10/2005, 06/10/2005 e 18/10/2005,devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$ 45.000,00, para R$20.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008366/200971 Acórdão n.º 3801004.898 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10283.909634/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 34 /2 00 9- 09 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909634/200909 Acórdão n.º 3202001.518 S3C2T2 Fl. 382 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000421/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
As contribuições relativas ao 13.º salário de 2002, somente poderiam ter sido exigidas até 31/12/2007, pois o prazo legal para recolhimento encerrou em dezembro de 2002.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) pelo voto de qualidade, excluir do lançamento o 13 salário de 2002, face a aplicação da decadência quinquenal, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a decadência até 04/2003. II) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PROCEDÊNCIA DA MULTA. É cabível a imposição da multa, posto que no período do lançamento inexistia qualquer provimento judicial favorecendo o sujeito passivo que pudesse interferir na exigência das contribuições sociais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. As contribuições relativas ao 13.º salário de 2002, somente poderiam ter sido exigidas até 31/12/2007, pois o prazo legal para recolhimento encerrou em dezembro de 2002. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 04 21 /2 00 8- 41 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, I) pelo voto de qualidade, excluir do lançamento o 13 salário de 2002, face a aplicação da decadência quinquenal, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a decadência até 04/2003. II) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13639.000421/200841 Acórdão n.º 2401003.850 S2C4T1 Fl. 217 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 20.300 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.155.6619. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 45/46, a lavratura em questão referese a exigência de contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Segundo a autoridade lançadora, no período lançado a empresa já havia sido excluída do Simples, conforme Ato Declaratório acostado, mas continuava a se declarar como optante do regime simplificado de pagamento de tributos. Cientificada do lançamento em 28/05/2008, a autuada ofertou impugnação de fls. 64/75, cujas razões foram acatadas em parte pelo órgão de primeira instância (ver fls. 85/86). A DRJ acolheu em parte a decadência suscitada, excluindo do crédito as competências de 01 a 11/2002. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 99/106, no qual, em síntese, alegou que a decadência deveria ter sido reconhecida até a competência 05/2003. Asseverou que a multa por descumprimento da obrigação de pagar o tributo deve ser excluída, posto que a empresa era detentora de decisão liminar no Mandado de Segurança n.º 1999.38.01.0030450, na qual a 2.ª Vara da Subseção Judiciária de Juiz de Fora da Seção Judiciária de Minas Gerais determinou a reinclusão da recorrente no Simples. Afirmou que a decisão é datada de 29/07/1999. Sustentou que manutenção da penalidade configurará manifesta afronta à decisão judicial que balizava a relação tributária entre a recorrente e a Fazenda Pública, o que configura absoluta afronta ao Estado Democrático de Direito. Assegurou que é irrelevante a afirmativa de que a recorrente não fez prova de ser substituído no Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Minas Gerais, visto que o referido sindicato tem o direito de defender os interesses de toda a categoria econômica que representa, sem que haja necessidade de individualização dos associados. Ao final, pediu a exclusão em razão da decadência das competências até 05/2003 e, no mérito, o afastamento da multa imposta. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ...................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13639.000421/200841 Acórdão n.º 2401003.850 S2C4T1 Fl. 218 5 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso em tela não houve recolhimento antecipado dos tributos exigidos, uma vez que a empresa recolhia como se optante do Simples fosse. Essa constatação desloca a contagem do prazo decadencial pela regra do inciso I do art. 173 do CTN, conforme fez a DRJ. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 28/05/2008, devem ser afastadas pela decadência, além das competências já excluídas pela DRJ, aquela referente ao 13.º Salário, posto que o vencimento desta ocorreu ainda no mês de dezembro de 2002. Quanto à competência 12/2002, esta deve ser mantida, haja vista que o seu vencimento ocorreu apenas em 01/2003, então, o lançamento somente poderia ser efetuado a partir de então. Contandose o prazo decadencial como o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo fatal para constituição do crédito em relação a esta competência foi 31/12/2008. Da multa Requer a recorrente a exclusão da multa, sob a alegação de que detinha decisão judicial que lhe garantia a reinclusão como optante do Simples. Essa tese não merece sucesso. É que em consulta ao andamento processual do Mandado de Segurança n.º 1999.38.01.00304501, pude verificar que a pretensão deduzida pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino em Minas Gerais, deferida em sede de liminar, não foi acolhida na decisão de mérito, a qual teve publicação em 18/04/2000. O Sindicato, então, manejou embargos de declaração, os quais foram desacolhidos em decisão publicada em 14/06/2000. Portanto, no período do lançamento, 01/2002 a 12/2006, inexistia qualquer amparo judicial para que a empresa recolhesse as contribuições sociais como se fora optante pelo Simples. Nessa toada, deve ser mantida a multa incidente sobre as contribuições lançadas. Tendo concluído que a decisão que supostamente favorecia a recorrente havia sido revogada antes da competência inicial do lançamento, tornase dispensável a apreciação da questão relativa à legitimidade do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino para representála. 1 http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=199938010030450&secao=JFO Fl. 220DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Conclusão Voto acolher a decadência para a competência relativa ao 13.º salário de 2002 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 15578.000247/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 2.406 1 2.405 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000247/200824 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.336 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de fevereiro de 2015 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente RIO DOCE CAFE S.A IMP E EXP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao PIS não cumulativa referente ao período de apuração : 01/10/2004 a 31/12/2004 ( Quarto Trimestre de 2004). A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 63, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 3.423, de 19/11/2008 (fls. 54/62), decidindo reconhecer RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 24 7/ 20 08 -2 4 Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.407 2 em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 489.723,35 e homologar as compensações apresentadas no presente processo, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis por 78% das aquisições da Rio Doce Café no ano de 2004; • Nesta amostragem, 49% do volume financeiro total registrado referemse a fornecedores que se enquadram como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é nula, portanto totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o ora requerente; • Ressaltase que dentre o valor das compras dos fornecedores analisados, 63% enquadramse nas situações acima descritas, não sendo, portanto exceção, e sim a regra as compras de café da Rio Doce Café de pessoas jurídicas em situação incompatível com as transações informadas. • A tabela às fl. 60 apresenta as compras dos fornecedores irregulares; • Como se pode extrair, a situação é paradoxal, haja vista que a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior; • Diante do que foi retratado, a plausível conclusão conduz inadmissibilidade do pleito formulado, no que toca às ditas compras, em razão de um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representa uma cessão de interesses públicos em favor de particulares; • Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II da CF/88 (não obstante referirse ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sem sombra de dúvida é o paradigma adotado para esta novel roupagem das contribuições sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior; • Irrefragável é a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, é condição sine qua nom para a admissão do creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de apuração e recolhimento do montante devido, é caracterizada pela efetiva adoção de referidos procedimentos; • Isto se dá porque, diversamente do que só ocorre com o IPI, onde o imposto vem destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins tal cálculo é realizado pela aplicação da alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura; • Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.408 3 pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Outrossim, não se diga que tal compreensão do problema trará irreparáveis prejuízos ao contribuinte, ora requerente, porquanto, sendo o café uma "commodity" agrícola, tal qual a soja e o algodão, seu preço de compra e venda infalivelmente acompanha as cotações das bolsas de mercadorias nacionais e estrangeiras, de modo que a incidência tributária, seja a que titulo for, não influencia sobremaneira as oscilações de preço; Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas situações descritas e respectivos valores de vendas, bem como, promovida a glosa pertinente, conforme tabela A (fls.60); • Os exames efetuados nos Livros Fiscais (Razão e Registro de Saídas) apontaram irregularidades quanto ao valor da base de cálculo e ao valor da contribuição apurada pela interessada; • O contribuinte apurou nos meses de agosto e setembro de 2004 receita não operacional decorrente de alugueis e rendas eventuais, conforme balancete às fls.36/46, totalizando R$43.039,13. Este valor foi incluído na base de cálculo da contribuição; • No regime da nãocumulatividade, apurase a contribuição para o PIS/Pasep confrontando os montantes dos débitos e créditos, obtendose como resultado ou o valor a recolher da contribuição, se devedor o saldo, ou o valor do crédito a ser transferido para o período seguinte, se credor o saldo; • No tocante ao crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições, ficou assentado que, nos termos do art. 5°, § 1º, da Lei 10.637 e IN SRF n° 291/03, o mesmo corresponde ao valor apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; • No processo administrativo 13770.000629/200412, o contribuinte buscou utilizar créditos no valor de R$ 329.895,53 (f1.05) referente ao mês de julho/2004. A análise deste processo reconheceu o crédito no valor de R$210.327,27, homologando parcialmente as compensações apresentadas naquele processo. Desta forma, do crédito total reconhecido para o período compreendido entre julho/04 a setembro/04 (3° trimestre /2004), abateuse o valor previamente reconhecido e utilizado, restando, pois saldo credor para utilização com compensação de outros tributos no valor de R$194.220,03. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 22/03/2010 (fl. 81) e apresentou, em 15/04/2010, a Manifestação de Inconformidade de fl. 82 e ss. alegando, em síntese que: • As mercadorias (café) adquiridas das empresas supostamente inativas, baixadas, omissas ou com receitas declaradas incompatíveis com as vendas, cujas notas fiscais foram pagas através de depósitos bancários, TED ou DOC diretamente aos emitentes, devidamente registradas, escrituradas e contabilizadas, geram créditos de PIS, visto que a requerente não tem o poder de fiscalizar se as contribuições foram ou não devidamente recolhidas. Ressaltese que todas as informações fiscais são sigilosas, não tendo a recorrente, por isto, acessos aos dados fiscais dos seus fornecedores; • Toda a sistemática da nãocumulatividade do PIS e também da COFINS está assentada na permissão de que compras e a prestação de serviços, mesmo Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.409 4 que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e COFINS, geram créditos; • Importante frisar que a Recorrente realiza pagamentos aos seus fornecedores, somente via depósito bancário ou via TED/DOC diretamente aos emitentes das notas fiscais. Sua escrituração contábil e fiscal obedece as normas exigidas pela legislação. Agindo assim, de boafé; • No Direito Tributário o que confere a pessoa jurídica e física a condição de contribuinte é o fato dessa pessoa possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; • No caso da contribuição do PIS nãocumulativo, são contribuintes as pessoas jurídicas em geral e a elas equiparadas pela legislação do IR, que auferem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Se as empresas comercializam bens e serviços sujeitas a incidência da referida contribuição, elas são contribuintes da exação tributária, independentemente das receitas por elas auferidas terem sido declaradas ao Fisco Federal; • Desse modo, os argumentos contidos no Parecer são desprovidos de legalidade e qualquer lógica jurídica, haja vista que as vendas de café por essas empresas, objeto da glosa, foram sim oneradas com a incidência do PIS; • É sabido que para configurar a incidência do tributo, basta que ocorra o seu fato gerador ou a sua hipótese de incidência. Vale lembrar, conforme dicção do artigo 114 do CTN, o fato gerador da obrigação principal se constitui quando se efetiva a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; • No presente caso, restou configurada a ocorrência do fato gerador do PIS quando essas empresas, que estão sujeitas a referida contribuição, realizaram vendas de café para a requerente. Nesse sentido, cabe ao fisco efetuar o lançamento e realizar a cobrança, não podendo a requerente ser penalizada pela negligência da autoridade fazendária; • Todas as notas fiscais foram registradas e contabilizadas de acordo com a legislação; • Cabe ao Fisco cobrar das empresas fornecedoras das mercadorias (café) os impostos devidos por elas. Não pode penalizar a Recorrente glosando os créditos lançados sobre as referidas notas fiscais; • Ademais, o artigo 3º da Lei n. 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); • Diante do exposto, glosar os lançamentos de créditos de PIS, nas hipóteses de notas fiscais supostamente inidôneas, quando estas, em seus aspectos, em suas aparências, nada tem de irregular, é responsabilizar terceiro por obrigação tributária acessória que não lhe compete. Ressaltese que todas as notas fiscais foram devidamente registradas, lançadas, escrituradas e contabilizadas de acordo com a legislação, cujos pagamentos foram realizados através de depósito bancário, TEC ou DOC em nome do emitente da mesma; • Os valores pagos a título de combustíveis e aquisição de sacaria, entre outros, são insumos utilizados na produção de seus produtos, possibilitando, todavia, o lançamento de crédito de PIS sobre os mesmos; • A pessoa jurídica enquadrase na redação do artigo 8º, § 6º, da Lei 10.925/2004, sendo, portanto, uma produtora em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (café), uma vez que executa, Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.410 5 cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial; • Os créditos lançados pela contribuinte sobre as compras de combustíveis desconsiderados pela fiscalização, são lícitos, tendo em vista que são insumos utilizados na prestação de serviços e na produção de seus produtos destinados à venda e, além disso, todos foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país e suportados pelo comprador (a requerente); • Caso seja mantida a glosa dos créditos conforme proposta pelo Auditor Fiscal, que seja determinado à restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%), uma vez que os referidos valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo. Em 17/05/2012, a 17ª Turma da DRJ/RJ1 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 110 (fls. 1.350/1.351) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto ás irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 1.353/1.847 e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Relatório Fiscal em fls. 1.848/2.017. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; • No início, as investigações restringiramse ao estado do Espírito Santo, onde estão localizadas importantes exportadoras de café do país. E, após a “Operação Broca”, foram realizadas diligências no Sul da Bahia (café conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica); • No período analisado, RIO DOCE CAFÉ era preponderantemente compradora de café arábica principalmente de Minas Gerais, maior produtor de café do país. O Espírito Santo produz mais de 70% de café conilon; • Fato é que na diligência efetuada em 2008 na RIO DOCE CAFÉ já despontavam como supostos maiores fornecedores da empresa a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, de VARGINHA/MG, com mais de R$75 milhões; CAIXETA & SCALCO, com R$27 milhões, SANCOSTA, com R$26 milhões, ambas de MACHADO/MG; COMERCIAL ATACADISTA TRIÂNGULO, de MONSENHOR PAULO/MG, CAFEEIRA SUL DE MINAS, de VARGINHA/MG, S.A. SILVEIRA, de SÃO GONÇALO DO SAPUCAI/MG Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.411 6 e COMERCIAL DE CAFÉ ARÁBICA, de CAMBUQUIRA/PATROCÍNIO/MG, todas com mais de R$20 milhões cada. No Espírito Santo, COLÚMBIA, com R$16 milhões, e NOVA BRASÍLIA, com R$12 milhões, foram os destaques; • O quadro societário RIO DOCE CAFÉ era composto da CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO LTDA (acionista majoritário) e NICCHIO CAFÉ S/A EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO, ambas de COLATINA/ES, que foram alvo da Operação Broca; • Muito embora não tenha sido alvo de busca e apreensão durante a Operação Broca, as investigações da Receita Federal realizadas antes da deflagração da aludida operação delinearam diversas negociações de compras de café da própria RIO DOCE CAFÉ no ES, nas quais restou comprovado a interposição fraudulenta de empresa de fachada na compra de café de produtor/maquinista; • O modus operandi descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas) foi devidamente demonstrado mediante confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido com aqueles apreendidos na Operação Broca; • No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor; • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do esquema; • Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos; • Quanto à origem dos recursos creditados nas contas correntes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café; • Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora; • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”; • Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.412 7 pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”; • No início, em 2003, as exportadoras sinalizaram e algumas chegaram a indicar as pseudoempresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas, produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada; Criouse, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal. A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudoatacadistas de café expandiuse rapidamente de tal modo que gerou uma concorrência no preço cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade silenciosa; • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início, a maioria produtores de café conilon do norte e noroeste do estado, estendendo posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O critério utilizado foi ouvir aqueles identificados como maiores produtores de determinadas regiões; • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo, no momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente, criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ; • Cada exportadora/torrefadora criou o seu próprio padrão para fazer referência à tributação do PIS/COFINS, conforme declaração unânime dos corretores. Nas suas compras tanto no Espírito Santo quanto nas demais regiões do país, a RIO DOCE CAFÉ usava o mesmo padrão acima mencionado; • Os documentos apreendidos mostram que a corretora fazia o controle do pagamento de café por meio de uma planilha, onde anotava o nome do vendedor (empresa laranja/produtor/maquinista), comprador, valor, data de entrega, banco para depósito e etc. No caso da operação entre Elaison Armani e RIO DOCE CAFÉ demonstrada nos autos, a planilha de controle corrobora que foi a L&L quem falsamente documentou a operação respaldada pela ordem de compra VT0013, da RIO DOCE CAFÉ; Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, exauxiliar de classificação de café da RIO DOCE CAFÉ e corretor autônomo no Ed. Palácio do Café, onde compartilhava espaço cedido pelo corretor Luciano Arpini Gobbi, da corretora GECAFÉ, disse em 03/06/2008 que intermediava compra de café principalmente dos seguintes maquinistas: Luiz Carlos Bernabé, conhecido como Lila; José Valentim Fracaroli, conhecido como Zezinho; Ronan Roque Fortuna, conhecido como Ronan; José Nivaldo Casagrande, conhecido como Nivaldo; Frederido Graziotti, Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.413 8 conhecido como Liquinho; Alair Bergamaschi, conhecido como Alair Berg e Luiz Cristiano Muller; • O corretor Luciano Arpini Gobbi, da GECAFÉ, em 03/11/2008, confirmou “que as empresas exportadoras e indústrias do Estado têm conhecimento quanto à origem do café (maquinista ou produtor rural), não obstante o café estar sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica”. Dito de outro modo: as exportadoras e torrefadoras sabiam que estavam comprando café de produtor/maquinista documentado com nota fiscal de empresa laranja; • Nos controles do corretor Luiz Fernandes Alvarenga, que foram apreendidos durante a Operação Broca, constam anotações relatando venda de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ por meio das empresas de fachada COLÚMBIA e WR DA SILVA. Por exemplo, o controle de Luiz Alvarenga traz a anotação no dia 07/11/2008 da entrega de 300 sacas de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ guiadas em nome da COLÚMBIA. Essa operação de compra e venda foi respaldada na confirmação 2400/08 e ordem de compra n° 412, da RI O DOCE CAFÉ; • Na busca e apreensão na residência de Luiz Fernandes Alvarenga e suas corretoras, foram encontradas confirmações de compra para a RIO DOCE CAFÉ, bem como controle de suas operações guiadas por empresas laranjas e anotações para identificar os vendedores produtores/maquinistas: L&L/RONAN (Ronan Roque Fortuna), WR DA SILVA/CUZZUOL (Ronaldo Cuzzuol), WR DA SILVA/MAZOLINI (Luiz Mazolini), CAFÉ BRASILE/MAZOLINI, WR DA SILVA/TAMANINI (Marcelo Fausto Tamanini/Carlos Alberto Tamanini), YPIRANGA/EDIMAR (Edimar Francisco Muller), L&L/ARMANI (Elailson José Armani), WR DA SILVA/AMÉRICO (Américo José Mai), RODRIGO SIQUEIRA/ADEMAR VALANE, L&L/FRANCISCO PRANDO, CAFÉ BRASILE/ADEMIR (Ademir Biazatte Lonardelli), Colúmbia/ROQUE (Roque Romeu Bonfante), NOVA BRASÍLIA/BARNABÉ (Luiz Carlos Bernabé) e WR DA SILVA/JARBAS (Jarbas Alexandre Nícoli). • Entre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um arquivo magnético em formato Excel denominado “COLÚMBIA SAÍDAS”. Na verdade, tratase de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA nos anos de 2005 a 2008. Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica o verdadeiro vendedor – distinguindo o ficto (COLÚMBIA) do real vendedor (produtor/maquinista), o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação; • Ao compulsar o citado arquivo, verificouse que Luiz Mazolini efetuou várias vendas de café para a RIO DOCE CAFÉ documentadas com nota da COLÚMBIA, especialmente no ano de 2006 com mais de 5 mil sacas, intermediadas pela CASA DO CAFÉ, de Luiz Fernandes Alvarenga; • Jarbas Alexandre Nícoli, de Jaguaré/ES, com produção de 10.000 sacas de café conilon, informou em 04/07/2008 que negociou seu café, preponderantemente, por meio dos seguintes corretores de COLATINA: Luiz Fernandes Alvarenga (CASA DO CAFÉ) e Junior Preti (RP COMISSÁRIA); • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R. DA SILVA, Altair Bráz Alves, gestor da V. MUNALDI – ME, e Fernando Mattede, gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L; • Alegou Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.414 9 que desde 2003 não consegue vender café diretamente para as empresas exportadoras, ou seja, com nota fiscal de produtor. Assim, teria sido orientado pelos corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc; • Questionado, então, sobre as suas notas de produtor supostamente destinadas à COLÚMBIA, V. MUNALDI, DO NORTE CAFÉ, WR DA SILVA, ACÁDIA, DO GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a figura da fícta interposição de uma pessoa jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina; • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” anota vendas de Jarbas Alexandre Nícoli para a RIO DOCE CAFÉ nos anos de 2006 e 2007. Por intermédio da CASA DO CAFÉ e RP COMISSÁRIA, foram vendidas mais de 4,5 mil sacas de café guiadas em nome da COLÚMBIA para a RIO DOCE CAFÉ; • A relação de contratos (confirmações), apreendidas durante a Operação Broca na Corretora Cristal Brasil e na residência do seu sócio Devanir Fernandes dos Santos, mostram vendas de Nivaldo Casagrande em 2008 para a RIO DOCE CAFÉ com notas da laranja NOVA BRASÍLIA; • Os corretores demonstraram unidade em relação aos seguintes pontos: a) com o surgimento do PIS/COFINS não cumulativos as empresas comercias exportadoras e torrefadoras de café passaram a dificultar compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoa jurídica; b) com tal exigência surgiram no mercado empresas de fachada, pseudoempresas atacadistas de café; c) com frequência novas empresas de fachada foram criadas e incorporadas ao mercado, passando do dia para a noite a terem movimentação de notas em volume assustador; d) pela venda de nota usada para guiar café do produtor/maquinista, a empresa de fachada recebia um valor por saca de café, pago por produtor/maquinista e exportadores; e) as comerciais exportadoras e torrefadoras sabiam de antemão que o café adquirido por elas era de pessoa física (produtor/maquinista), bem como tinham pleno conhecimento da interposição de empresas de fachada para guiar o café; • A RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, conforme anotações nas próprias notas fiscais apresentadas pela empresa que foram extraídas do processo 15586.720174/201197, bem como das declarações prestadas pelo então comprador da RIO DOCE CAFÉ, em VARGINHA/MG, Regis Roriz de Oliveira, onde se concentrou o maior volume de compras da empresa. Cita se o seguinte trecho sobre a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, suposta maior fornecedora da RIO DOCE CAFÉ com R$110 milhões: “a Cafeeira São Sebastião Ltda só vendia as notas fiscais para o exportador”; • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela RIO DOCE CAFÉ de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé. São operações fingidas, que mascaram a realidade; • Os representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionários das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais; • No curso das Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.415 10 investigações, os Auditores Fiscais constataram registros de vultosas compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado de Minas Gerais, principalmente, no município de Manhuaçu (municípios da Zona da Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais); • Entretanto, a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais dessas supostas atacadistas de café no estado de Minas Gerais não mostrou um quadro diferente do encontrado pelos AuditoresFiscais no Espírito Santo: movimentação financeira milionária para empresa na situação de inativa, omissa ou simplesmente preenchida zerada; Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que foi reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo, situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG; • Restou demonstrado que a RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada; • Foram analisadas minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada na compra e venda de café; • Os fatos apontados neste Relatório repercutem tanto na glosa de créditos do ano de 2004 quanto na glosa dos créditos dos anos de 2005 a 2010. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 06/03/2013 –fl.2.043 e ss. e apresentou, em 02/04/2013, a Manifestação de fls. 2.045 e ss., alegando o seguinte: • O relatório elaborado após a Diligência propõe a alteração completa do ato administrativo que deu causa a negativa de homologação dos créditos; • O primeiro ato (Parecer e Despacho Decisório) teve como base fática normativa para a negativa dos créditos, simplesmente, o não pagamento das contribuições nas etapas econômicas anteriores e que tal realidade, pela essência da Lei, impediria a homologação. • Após a intimação da DRJ/RJ1, porém, o argumento mudouse por completo, a DRF introduziu a ausência de boafé da adquirente, que pretensamente era sabedora de um elaborado esquema descrito pela Receita Federal, como fator decisivo para a negativa da homologação; • Assim, ou temse como nulo o antigo ato administrativo, que negou primariamente a homologação (devolvendo os autos para a feitura de novo Parecer e Despacho Decisório), ou devese simplesmente desconsiderar os novos argumentos e documentos juntados; • O novo relatório fiscal, os milhares de documentos trazidos aos autos e a mudança radical da motivação para a negativa de homologação implicam em novo ato administrativo e a nulidade do ato anterior pela deficiência de motivação ou de base probatória; A não observância desse requisito legal implica também em violação direta ao devido processo legal e à ampla defesa, ou seja, afronta ao artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal; • Devese também ter em mente que, se Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.416 11 considerado o novo despacho decisório como mera resposta à diligência, a DRJRJ não poderá alterar o motivo primário que deu causa a negativa inicial dos créditos: não pagamento de PIS ou COFINS nas etapas econômicas anteriores. Haveria se assim procedesse, lançamento por órgão incompetente ou supressão de instância. De qualquer modo, o Acórdão da DRJRJ 1 seria nulo; • Dos documentos juntados aos autos e das afirmações elencadas no Parecer SEORT e Despacho Decisório da DRFVitória glosando créditos de PIS/COFINS da recorrente, teve por base as operações Tempo de Colheita e seu sucedâneo policial Operação Broca; • No dia 14 de novembro de 2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região, analisando Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.0000, em face de ato do Juízo Federal de Colatina – ES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (surgida da operação broca), por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Assim, os supostos crimes foram rechaçados pelo TRF 2ª Região; • A ação transitou em julgado, sendo os argumento que motivaram o indeferimento foram rechaçados definitivamente pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região; • Logo no início do processo administrativo, a Fiscalização demonstra o porque de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior; • Notase que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão e L&L responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação; • Observase que alguns desses comunicados padrão datam de março de 2008. Não se entende o porque da Receita Federal manter em funcionamento essas empresas, que hoje afirma inexistentes, por tanto tempo depois de ter certeza de suas práticas. Com isso, manteve as exportadoras reféns dessas fraudes; • Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Broca, ou seja, não houve indiciamento, denúncia, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Rio Doce Café ou qualquer um de seus diretores (extinta pelo TRF2); • Após o advento dos créditos integrais de PIS e COFINS, muitas empresas atacadistas eclodiram nos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais (apesar de algumas já existirem como, por exemplo, a Colúmbia, criada em 2001) para, ao que parece hoje, unicamente, interpor a venda de café dos produtores rurais aos compradores finais; • É relevante citar que a Receita Federal de Vitória – ES já sabia das práticas destas empresas desde o final de 2007 e nada fez, por muitos anos, para coibir seus atos ilícitos. Ao que parece, preferiu aguardar, fomentar a prisão de alguns empresários (não da Rio Doce Café) e imputar a eles a responsabilidade de fiscalizar, que é unicamente sua; • As provas documentais trazidas pela fiscalização são, todas elas, produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.417 12 Mesmo que tais documentos apreendidos implicassem em alguma prova contra a Rio Doce Café, se a própria Fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas e corretores, não deveria usálas para afastar a boafé de uma empresa que sequer é citada Operação Broca ou qualquer outra operação; • Quanto à empresa Colúmbia, por exemplo, todas as mercadorias compradas foram devidamente entregues, deram entrada na Rio Doce Café, foram registradas na contabilidade da empresa e todos os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se pode verificar do CNPJ extraído do site da Receita Federal e do SINTEGRA emitido pela Fazenda Estadual. Por fim, o processo de inaptidão da Colúmbia (processo nº 15586.000037/200918) iniciouse em 2009, assim, certamente, ela não estava inativa nas épocas das compras pela Rio Doce Café. O mesmo ocorreu com todas as demais empresas; • Não há prova alguma da máfé e muito menos do dolo da recorrente. Ao contrário, foram juntados a manifestação de inconformidade os CNPJs e os SINTEGRAS, emitidos na época da compra, que provam os cuidados tomados na verificação da regularidade dessas atacadistas; • A fiscalização deveria ter demonstrado, de alguma forma, que a recorrente sabia ou incentivava o não recolhimento de tributos pelas empresas atacadistas ou, no mínimo, que tinha pleno conhecimento da inatividade das empresas; • A recorrente não tem tempo nem poder de investigar as suas centenas de fornecedoras e, após cotejar as declarações de imposto de renda, as DIRFs, as Dcreds, as DOIs, as Dmobs, as Gfips e outras tantas informações disponíveis à Receita Federal, verificar que sua atividade é restrita a corretagem de café ou a uma interposição fraudulenta; • Não havia nenhum Ato Declaratório ou até mesmo baixa de ofício dos contribuintes fornecedores da Rio Doce Café, na época em que foram adquiridas as mercadorias(café); • Os registros contábeis da recorrente, relativo às aquisições das mercadorias para revenda estão corretamente amparados por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. O acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PESSOAS JURÍDICAS OMISSAS. INATIVAS. GLOSA DOS CRÉDITOS. FUNDAMENTO INSUFICIENTE. A caracterização dos fornecedores como pessoas jurídicas inativas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas é Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.418 13 insuficiente como fundamento para glosar créditos dos adquirentes relativos às mercadorias compradas destas pessoas jurídicas. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Verifico que a questão gira em torno da desconsideração das notas fiscais de aquisições feitas de empresas caracterizadas com inaptas que geraram a glosa de créditos por parte da fiscalização. O artigo 82 da Lei nº 9430/96 fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos, senão vejamos: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.419 14 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Vêse, portanto, que a efetivação do pagamento do preço constante da nota fiscal, bem como o recebimento de bens pelo adquirente, são critérios objetivos a serem observados para a desconsideração jurídica dos documentos que ensejaram o crédito glosado nestes autos e que necessitam ser minuciosamente confirmados. Além disso, é importante realizar o cotejo destes itens (prova da entrega da mercadoria e prova do pagamento pela aquisição da mercadoria), com a declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, em termos de cronologia dos acontecimentos, já que isso pode ter influência direta na análise a ser proferida pelo por esta Turma. Destaco, inclusive, que existem situações em que a inaptidão de fornecedores se deu após as compras realizadas pela Recorrente e outras após a autuação. Além disso, parecem existir operações objeto de glosa que foram realizadas até mesmo antes da operação deflagrada pela Polícia Federal. Diante das dúvidas apontadas anteriormente, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, com relação a todos os créditos objeto da glosa, elaborar demonstrativo relacionando os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, assim como os comprovantes de pagamento do preço de aquisição das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais objeto de glosa, indicando as folhas dos autos em que constem referidas informações ou juntadoas; b) Informar a fiscalização conclusivamente (com cópias) quais as datas de publicação no DOU e a íntegra da decisão e respectiva fundamentação, quanto aos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos foram glosadas; c) Elaborar Demonstrativo em que conste, por operação, as datas das aquisições, dados das Notas Fiscais de aquisição que foram glosadas, data e endereço da entrega dos produtos adquiridos, data e forma de pagamento pela respectiva compra dos produtos, cotejando com a data de declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, se for o caso, ou então, manifestando sobre a condição do CNPJ nas datas das operações (CNPJ ativo ou inativo); e d) Elaborar Parecer Conclusivo especificamente quanto a Diligência realizada, bem como informando se a Recorrente consta da lista de empresas apontadas pelo Ministério Público Federal nas operações da Polícia Federal e se existem depoimentos dos dirigentes ou que citam os dirigentes da Recorrente; Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifeste acerca do tema. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15578.000247/200824 Resolução nº 3202000.336 S3C2T2 Fl. 2.420 15 É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10120.727896/2011-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO.
O pedido de parcelamento dos créditos discutidos implica confissão da dívida ao tempo em que caracteriza desistência do contencioso.
Compensação indevida sem que tenha sido efetivamente comprovado falsidade da declaração não é passível de penalização com multa isolada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso afastando a tributação do AI 51.003.531-5, multa isolada. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Caetano da Silva - OAB/GO 11.767, sustentando que o AI nº 51003533-7 foi parcelado
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas .
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2011 PREVIDENCIÁRIO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. O pedido de parcelamento dos créditos discutidos implica confissão da dívida ao tempo em que caracteriza desistência do contencioso. Compensação indevida sem que tenha sido efetivamente comprovado falsidade da declaração não é passível de penalização com multa isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.727896/201126 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.866 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIOBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente LIMA LOGISTICA E DISTRIBUICAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2011 PREVIDENCIÁRIO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. O pedido de parcelamento dos créditos discutidos implica confissão da dívida ao tempo em que caracteriza desistência do contencioso. Compensação indevida sem que tenha sido efetivamente comprovado falsidade da declaração não é passível de penalização com multa isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso afastando a tributação do AI 51.003.5315, multa isolada. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fez sustentação oral o Dr. Marcos Caetano da Silva OAB/GO 11.767, sustentando que o AI nº 510035337 foi parcelado CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 78 96 /2 01 1- 26 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas . Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.727896/201126 Acórdão n.º 2403002.866 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Na forma do Relatório Fiscal de fls. 23, o Auto de Infração AI, em comento foi lavrado na Auditoria Fiscal realizada conforme Mandado de Procedimento Fiscal Nº 01.2.01.002011006113, de 27/05/2011. Os valores lançados e consolidados conforme o sobredito Relatório referem se a contribuições previdenciárias a cargo do contribuinte em tela, destinadas à seguridade social, relativas a glosas de compensações decorrentes de valores compensados pelo contribuinte, em desacordo com as normas vigentes. Relata a Autoridade autuante que : Intimada a apresentar a base legal e memorial de cálculo dos créditos utilizados para compensar os débitos relativos às contribuições previdenciárias, no período de 03/2009 a 03/2011, a empresa LIMA LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO DE BEBIDAS LTDA – CNPJ 09.608.725/000131, esclarece, com relação a compensação efetuada para o período de 03/2009 A 03/2011: 1 Que adquiriu, através de INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA, convertida em ativo financeiro, parte da Apólice n. 104.883 emitida por força do Decreto Estadual – Estado de Pernambuco n. 393, de 06 de abril de 1935 e Decreto Federal n. 196 de 21 de junho de 1935, fundo para realização das OBRAS NOVAS DO PORTO DO RECIFE E FUNDO DE FOMENTO DA PRODUÇÃO. 2 A referida Apólice encontrase custodiada na Caixa Econômica Federal, Ag. 06823 – Justiça Federal/GO onde consta como depositante FLAVIA CAROLINE PEIXOTO REZENDE e que foi transferida para ELAINE DO SOUZA ARANTES HELOU em 26/05/2003 conforme termo de CUSTODIA DE APOLICE e TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE CUSTÓDIA E DIREITOS CORRELATOS DE TÍTULO DA DÍVIDA PÚBLICA em anexo. (..) Tendo comprovado que é detentora do Título da Dívida Pública (Apólice n. 104.883) e com o intuito de comprovar a legalidade da compensação efetuada, a empresa juntou aos documentos apresentados a copia da sentença de primeira instancia do processo n° 2001.35.00.0068982 e também “ síntese perfunctória do processo” (copia anexa) onde alega que apesar dos recursos e agravos apresentados, restou mantida a antecipação de tutela autorizando a compensação dos Títulos Públicos com tributos e contribuições previdenciárias. (..) Expõe, ainda, que mencionada Ação foi julgada procedente, nos termos da Sentença proferida em Ação Ordinária, processo n° 2001.35.00.0068982 fls. 1.410 a 1.531 de 12.12.2001, onde o Magistrado Carlos Humberto de Souza defere, a pedido, a antecipação de tutela tão só para os autores utilizarem as apólices pelo valor de face como aporte de capital Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ou integralização de capital, isto em benefício próprio ou para quem forem transferidas as apólices. Às fls. 29 a Autoridade autuante afirmando comprovar falsidade, imputou multa isolada de 150% sobre o total do débito em razão de estar convencida de que a compensação foi indevida: "Uma vez comprovada a falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, em razão da inserção de créditos inexistentes de fato, além da glosa correspondente, foi aplicado a multa isolada de 150% sobre o total do débito indevidamente compensado. ...(..) " Em resumo , lavrou as autuações abaixo definidas "AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.003.5337 Levantamento = CG – Glosa de Compensação, código de lançamento CMP Glosa de compensação com o valor indevidamente compensado na competência da GFIP em questão, sendo: GC – Glosa de Compensação – para o período de 03/2009 a 03/2011 e 13/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.003.5345 Levantamento = MI – Multa Isolada, código de lançamento CF – Compensação com falsidade. Não confundir, a multa aplicada no lançamento acima com a multa isolada de 150% aplicável neste lançamento distinto, uma vez que restou comprovada a inserção de créditos inexistentes na GFIP, ou seja, houve compensação com falsidade de declaração. Observar ainda, quanto ao lançamento efetuado no sistema de auditoria fiscal SAFIS, realizado na competência de entrega da GFIP, e apenas para aquelas com data de envio a partir de 04/12/2008." DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação fls. 161/173 onde em preliminar alegou que : " É verdade, realizou compensações das contribuições previdenciárias que tinha de recolher, no período de 03/2009 a 04/2011, inclusive 13°s salários, mas que o fizera sob o amparo da decisão prolatada nos autos do processo n° 2001.35.00.0068982, pelo juiz titular da 3° Vara da Seção Judiciária de Goiás, combinado com o pronunciamento desse ínclito órgão, contido na Solução de Consulta n° 386, de 12 de setembro de 2006, exarado na Superintendência Regional da Receita Federal 8a Região Fiscal, e demais decisões complementares, conforme adiante estará demonstrado. e ainda, que cabe realizar um exercício básico de Introdução ao Direito, sobejamente ensinado nos cursos regulares, o qual estatui que todo processo tem o seu rito; logo, enquanto não houver o trânsito em julgado da causa, ou seja, enquanto a demanda não encerrar, não existe vencedor, tampouco vencido. Enquanto Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.727896/201126 Acórdão n.º 2403002.866 S2C4T3 Fl. 4 5 isso, nenhum dos contendores pode exigir, do outro, coisa alguma. " No mérito desfilou diversas razões para justificar o feito e colacionou a Solução de Consulta N° 386 de 12 de setembro de 2006, que , entre outras alegações, entende sustenta seu procedimento : “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 8a REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 386 de 12 de setembro de 2006 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: De acordo com o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, em consonância com a vedação estabelecida pelo artigo 170A do CTN, apenas é autorizada a compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Entretanto, em respeito aos ditames da Constituição Federal, as decisões da Justiça, mesmo enquanto provisórias, são soberanas e se aplicam a todos, inclusive à Administração Pública, que deve acatálas, não cabendo à SRF e seus servidores descumprilas, ainda que sob a alegação de que referida decisão contraria disposição literal de lei. Sendo assim, admitese a compensação de crédito do sujeito passivo reconhecido por decisão judicial vigente, ainda não transitada em julgado, quando referida decisão, além de reconhecer o direito creditório do contribuinte para com a União, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, também reconhece seu direito à utilização desse crédito, antes do trânsito em julgado da referida decisão, na compensação de débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Essa compensação, no entanto, é realizada sob condição resolutiva e deve ser revista se a decisão final da Justiça for diferente da decisão provisória." ( Grifos de minha autoria) DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento em em Campo Grande (MS) DRJ/ CGE, em 13 de novembro de 2013, exarou Acórdão de n ° 0434.109 , fls.209, negando provimento ao contribuinte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls.306, onde guerreou a autuação como um todo inclusive da aplicação das multas. É o Relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Na forma do despacho de fls.347, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR Não há prejudicial de nulidade para considerar. DO MÉRITO Conforme a manifestação às fls. 75, em 12 de setembro de 2011, embora não observando se houvera ou não ocorrido o trânsito em julgado da a ação proposta, o lançamento teve respaldo nos argumentos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Estado de Goiás uma vez instada a se pronunciar sobre eventuais impedimentos. Às fls.101, no item "i" do Rec Esp n 791. 515 0 GO onde a autuada é litisconsorte , consta como um dos objetos da ação o direito de compensar, inclusive de natureza previdenciária. No Acórdão de Primeira Instância prolatado em 13 de novembro de 2013, o i. Julgador registrou que na oportunidade não houvera ocorrido o trânsito em julgado , verbis : " COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA Em relação aos créditos fiscais objeto do presente processo, tanto a autoridade fiscal como a interessada reconheceram a existência de demanda judicial, sob o n°. 2001.35.00.0068982 que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. De fato, de acordo com a consulta realizada na data de 11/11/2013, no sítio do referido tribunal colado a seguir (http://processual.trf1.gov.br), confirmouse a existência da referida ação judicial sem a ocorrência do transito em julgado, conforme excertos colados a seguir." Busca no sítio http://processual.trf1.gov.br, em 22/10/2014, informa que o processo recebeu nova numeração 000689296.2001.4.01.3500 e encontrase em fase de apelação ao tempo que registra movimentação em 14/03/212 para o STJ: Processo: 2001.35.00.0068982 Nova Numeração: 000689296.2001.4.01.3500 Grupo: Ap APELAÇÃO Assunto: Tributo em Geral (outros casos) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.727896/201126 Acórdão n.º 2403002.866 S2C4T3 Fl. 5 7 Data de Autuação: 19/02/2004 Órgão Julgador: SÉTIMA TURMA Juiz Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE Processo Originário: 2001.35.00.0068982/JFGO 1.1.1 Movimentação Data Cod Descrição Complemento 14/03/2012 09:35:00 220362 PROCESSO DIGITALIZADO E ENVIADO ELETRONICAMENTE AO STJ Fase lançada para correção de registro de informação processual 14/03/2012 09:34:00 221100 PROCESSO RECEBIDO NO(A) COORDENADORIA DE RECURSOS AGUARDANDO JULGAMENTO DO RESP NO STJ O patrono da Recorrente, Dr. Marcos Caetano da Silva, apresentou cópia de documento protocolizado em 03/11/2014 registrando que , no que concerne ao DEBCAD N 51.003.5337 ( compensação indevida) a autuada requereu e obteve parcelamento com os benefícios da Lei n 12.996/2014 e que quanto ao DEBCAD 51.003.5345 ( multa isolada), mantém seu questionamento. Busca no sistema eprocesso registra juntada de documentos na sobredita data porém não revela que tipo de documento e se , de fato o pedido de parcelamento fora aceito. Partido da hipótese de que o pedido de parcelamento referente ao Auto de Infração DEBCAD 51.003.5337, levantamento = CG – Glosa de Compensação, código de lançamento CMP resta confirmado, tal ato reflete assunção explícita da irregularidade descabendo inclusive proceder o julgamento da matéria. Cabe verificar a imputação da multa isolada. DA MULTA ISOLADA Movida por decisão não transitada em julgado, a autuada procedeu compensações indevidas e informou nas GFIPs o procedimento implementado. No art. 170A do Código Tributário Nacional CTN, consta determinado que é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)" Como alhures relatado, às fls. 29 a Autoridade autuante, em razão dos créditos na oportunidade ainda não se revestirem de existência de fato, entendeu que o procedimento de inserilos nas GFIPs caracterizou falsidade e afirmando que tal circunstância comprovaria o ilicito visto por este prisma, imputou multa isolada de 150% sobre o total do débito : "Uma vez comprovada a falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, em razão da inserção de créditos inexistentes de fato, além da glosa correspondente, foi aplicado a multa isolada de 150% sobre o total do débito indevidamente compensado. ...(..) " Em resumo , lavrou as autuações abaixo definidas "AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.003.5337 Levantamento = CG – Glosa de Compensação, código de lançamento CMP Glosa de compensação com o valor indevidamente compensado na competência da GFIP em questão, sendo: GC – Glosa de Compensação – para o período de 03/2009 a 03/2011 e 13/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.003.5345 Levantamento = MI – Multa Isolada, código de lançamento CF – Compensação com falsidade. Não confundir, a multa aplicada no lançamento acima com a multa isolada de 150% aplicável neste lançamento distinto, uma vez que restou comprovada a inserção de créditos inexistentes na GFIP, ou seja, houve compensação com falsidade de declaração. Observar ainda, quanto ao lançamento efetuado no sistema de auditoria fiscal SAFIS, realizado na competência de entrega da GFIP, e apenas para aquelas com data de envio a partir de 04/12/2008." Às fls. 20, no item 706 do Relatório de Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais, a Autoridade autuante confirma registro de que aplicara MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DA DECLARAÇÃO, verbis: " 706 COMPENSAÇÃO COM FALSIDADE. MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DA DECLARAÇÃO 706.01 Competências : 04/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010, 01/2011 a 04/2011 150 % compensação indevida comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo Lei 8.212/91 art. 89, parágrafo 10º: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.727896/201126 Acórdão n.º 2403002.866 S2C4T3 Fl. 6 9 indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ( grifos de autoria do Relator) " Na forma do Relatório Fiscal às fls. 05, a fundamentação legal foi o art. 74, § 12, lei 9.430/956. Exceto na condução do voto a quo , não se alcança fundamentado o lançamento sob os exortados comandos do art. 89, § 10 , lei 8.212/91, c/c art. 44, I, Lei 9.430/96, c/c art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64 onde, inclusive, não se informa em qual hipótese desta última citação se enquadraria a ocorrência. Oportuno ressaltar que tendo os fatos geradores ocorridos no período 01/03/2009 a 31/12/2011, a IN RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012, encampada pela Instância a quo para negar provimento , se apresenta superveniente contrapondo o comando do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN, quando define que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, verbis: "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Falsificação não é matéria tributária, é penal. Então, premido pelo comando do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN e ainda pela imposição legal de restar comprovada a falsidade da declaração, impõe trazer à lume a tipificação da infração de falsificação à luz do Diploma Penal prevista nos art. 297, 298 e 299. A falsidade material, está prevista nos artigos 297 e 298 do Código Penal. Ela ocorre quando alguém imita ou altera documento público ou documento particular verdadeiro. Vejamos: " Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro : ( .. ) . Art. 298 Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: (..). " Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Já a falsidade ideológica está prevista no artigo 299 do Código Penal. Ela ocorre quando "Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: " Nesse sentido, observase a falsidade ideológica toda vez que for inserido um dado falso em documento verdadeiro, ou seja, alterando a verdade em um documento verdadeiro, ocorre a falsidade ideológica. Por fim, a falsidade ideológica ocorre apenas quando se altera a verdade em documento público ou particular verdadeiro. É compulsório não confundir declaração falsa com indevida. No caso presente, agindo às claras , a autuada procedeu de forma a indevida por não observar o pressuposto do art. 170A . Neste sentido, o pedido de parcelamento do lançamento corrobora a exação. No Acórdão de Primeira Instância prolatado em 13 de novembro de 2013, também o i. Julgador registrou que " de fato, de acordo com a consulta realizada na data de 11/11/2013, no sítio do referido tribunal colado a seguir (http://processual.trf1.gov.br), confirmouse a existência da referida ação judicial sem a ocorrência do transito em julgado, conforme excertos colados a seguir." A possibilidade de aplicação da multa isolada passou a existir com a edição da MP nº 135/2003, em 31/10/2003, convertida na Lei nº 10.833 /2003, cujo art. 18 prevê a sanção nas hipóteses em que o crédito ou o débito não é passível de compensação por expressa disposição legal, em que o crédito é de natureza não tributária ou em que a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502 /1964 ficar caracterizada. Abaixo, na leitura dos sobreditos arts. 71, 72 e 73 , também não se nota possibilidades de enquadrar a conduta da autuada nos aludidos tipos da Lei nº 4.502 /1964 : " Lei nº 4.502 /1964 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. " Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.727896/201126 Acórdão n.º 2403002.866 S2C4T3 Fl. 7 11 De tudo que foi exposto, não observo sólidos motivos para convalidar a aplicação de MULTA ISOLADA. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para determinar a EXCLUSÃO do crédito tributário definido pelo Auto de Infração DEBCAD 51.003.5345 , levantamento = MI – referente a Multa Isolada, código de lançamento CF – Compensação com falsidade. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.000152/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 01 52 /2 00 8- 65 Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.452 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 30.891 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) (fls. 664/679), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.055.9185. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições da empresa para a Seguridade Social, inclusive RAT,.e para outras entidades ou fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 54/62, as contribuições foram apuradas por aferição indireta, com base na área construída e padrão da obra, em razão das irregularidades verificadas na contabilização da obra CEI n.º 5002466561/71, as quais podem ser assim resumidas: a) a empresa não contabiliza os fatos geradores em títulos próprios de sua contabilidade. Cita como exemplo a conta 5.1.65.0003.00002 (Serviços de Terceiros — PJ), na qual houve lançamentos de adiantamentos de salário a funcionários nas datas de 10/10/2006, valor de R$600,00 e 06/11/2006, no valor de R$2.220,00 e valores lançados com aquisições de materiais aplicados na obra, sendo várias notas fiscais mercantis da empresa Kamila Materiais p/ Construção e da empresa Rebolixas Comércio de Abrasivos LTDA conforme planilha extraída da contabilidade (fls. 18/46) apresentada em meio digital e cópias das notas fiscais mercantis apresentadas; b) na mesma conta 5.1.65.0003.00002 (Serviços de Terceiros — PJ), houve lançamentos de notas fiscais avulsas de serviços prestados por pessoas físicas, conforme discriminado no relatório fiscal (fls. 55/56); c) a empresa também deixou de atender ao principio contábil do registro em regime de competência, ou seja, as despesas realizadas em um determinado mês, mesmo que pagas em competências seguintes, devem ser registradas no mês de efetiva realização, citando como exemplo a Nota fiscal da empresa Goiás Artefatos de Cimento LTDA, São Paulo Concreto e Artefatos de cimento LTDA e Orca Construtora e Concretos LTDA, contabilizadas na conta de material aplicado em datas bem posterior ao de sua emissão conforme notas fiscais e planilha constantes às fls. 81/199. Da mesma forma, a empresa contabilizou as NFs 8.232; 8,234; 8.235 e 8,236, emitidas em 16/10/2006 e 17/10/2006 pela soma total destas em 13/11/2006. d) detectouse notas fiscais não contabilizadas, fornecendo como exemplo a NF 01263 de 30/09/2006 (Orca Construtora e Concretos) no valor de R$4.401,50, assim como a NF 277 emitida pela empresa São Paulo Concreto e Artefatos de Cimento LTDA em 29/11/2006, no valor de R$330,00, não localizadas em sua escrituração contábil; e) verificação de divergências entre valores informados em folha de pagamento, quando comparados com os valores de remuneração informados na escrita contábil, assim como em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, conforme demonstrado (quadro constante à fl.57). Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 As falhas contábeis deram ensejo à lavratura do Auto de Infração n.º 37.055.9169, por falta de escrituração de fatos geradores em títulos próprios, e do Auto de Infração n.º 37.055.9177, este pela apresentação de documento com informação divergente da realidade. Cientificada em 21/12/2007, a notificada contestou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 260/294. Não tendo as razões defensórias sido acolhidas pela DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 684/724, no qual, inicialmente argumentou que o recurso deve ser conhecido independentemente da efetivação de depósito prévio. Depois, em síntese, passou a tratar dos pontos abaixo mencionados. Não cabimento da aferição indireta É inverídica a alegação de que o sujeito passivo não teria colaborado com a fiscalização, posto que sempre disponibilizou sua documentação, como se percebe pelo fato da sua contabilidade ter sido examinada durante a auditoria. Os seus pedidos para que o processo fosse baixado em diligência foram ignorados, o que representa ferimento ao seu direito à ampla defesa, posto que havia necessidade de que fossem pesquisados documentos em empresas que lhe prestaram serviço, bem como a produção de outras provas, inclusive perícias contábeis e de engenharia. Afirma que os lançamentos em que houve erro são de pequena monta, posto que de um total de 1.251 lançamentos contábeis no período, apenas 19 foram apontados como falhos pela fiscalização e destes apenas 13 foram identificados como pagamentos a pessoas físicas, escriturados como pagamentos a pessoas físicas. Argumenta que a falta de desconto de adiantamentos efetuados a empregados causou prejuízo apenas à recorrente, não tendo havido redução na base de cálculo das contribuições, portando, os cofres públicos nada sofreram. As notas fiscais emitidas pela empresa Kamila Materiais para Construção Ltda, ao contrário do que afirmou o fisco, foram contabilizadas, embora em contas distintas, conforme comprovam os documentos juntados. Isso prova que não houve alteração no custo total da obra. A nota fiscal da Rebolixas Comércio de Abrasivos foi emitida somente em 27/02/2007, portanto, após a conclusão da obra, por esse motivo foi contabilizada na conta de obras concluídas (3.1.01.001.00002). A omissão na declaração de serviços prestados por pessoas físicas quando muito daria ensejo à cobrança de contribuição a alíquota de 20%, nunca no patamar exigido na NFLD. Advoga que, sendo optante pela sistemática do lucro presumido, poderia utilizar o regime de caixa para contabilizar as suas despesas. Além de que os lançamentos em datas posteriores à emissão das notas fiscais não são indício de que a empresa tenha tentado dificultar o trabalho do fisco ou obter algum benefício com relação ao pagamento de tributos. Ocorre que os lançamento foram efetuados no mesmo exercício fiscal da emissão das notas, não se verificando qualquer prejuízo aos cofres públicos. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.453 5 A nota fiscal emitida pela empresa ORCA Construções e Concretos Ltda de fato não foi contabilizada. Por equívoco foi registrada na contabilidade de outra empresa, onde os impostos e contribuições foram devidamente recolhidos, além de que não há de se falar em retenção, haja vista que é nota mercantil. A nota fiscal número 277, emitida em 29/11/2006, no valor de R$ 330,00, pela São Paulo Concretos e Artefatos de Cimento Ltda, foi lançada corretamente, na rubrica de materiais aplicados (5.1.65.0001.00001), quem se equivocou foi o fisco que se confundiu com o nome de fantasia da empresa (CSV Blocos Santa Vitória). O fato das informações prestadas na GFIP divergirem das informações contábeis não desclassifica a escrita contábil, que é formal e regular. Para isso, bastaria exigir a conciliação destas informações com base no diário contábil. Mais uma vez, a Fiscalização não deu oportunidade de ajustar corretamente as informações. Outra forma de resolver a incorreção seria determinar a contribuição devida gerada pelas discrepâncias, jamais desconsiderar a contabilidade na íntegra. Após a finalização da obra, a recorrente necessitou de proceder a reparos na mesma, motivo pelo qual contratou a empresa MM PINTURAS E REVESTIMENTOS ACRiLICOS LTDA, NF 175, emissão 07/05/2007, no valor de R$1.036,00, ocasião em que procedeu à retenção e respectivo recolhimento. Do procedimento efetuado Existe uma gritante contradição entre os dados informados pela empresa mediante a "DISO" e os dados constantes no "ARO" expedido pela fiscalização. A obra foi equivocadamente enquadrada como "comercial andares livres padrão alto" quando o correto seria "galpão". A autoridade lançadora inobservou as características próprias da empresa no que diz respeito às técnicas de construção e índices de produção. Não esquecendo dos inúmeros equívocos técnicos facilmente detectados no sistema adotado pelo INSS para aferição indireta de salários. O procedimento adotado feriu a norma do art. 472 da IN SRP n.º 03/2005, na medida em que deixou de lado a contabilidade da empresa para apurar as contribuições devidas por um método impreciso. Isso porque a recorrente possui escrita contábil regular e formalizada. Em momento algum foi observado que a fiscalizada possui alta tecnologia no ramo da construção civil, o que diminui há um só o tempo o custo da obra, como também a quantidade de mãodeobra, dai porque o principio in dubio prócontribuinte foi totalmente ignorado. Farta é a jurisprudência que repele a adoção da aferição indireta das contribuições quando o fisco dispõe de elementos suficientes para apurar a base de cálculo. Apresenta outros argumentos para demonstrar que a aferição da base de cálculo das contribuições pelo "Método CUB" é irreal e inadequado, principalmente quando se Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 observa que o sistema construtivo por ela utilizado é altamente produtivo e avançado tecnologicamente não podendo ser comparado aos métodos de construção tradicionais. Apresenta arrazoado sobre as técnicas de trabalho que utiliza. Afirma que a contribuição ao INCRA não pode ser exigida das empresas urbanas. Insurgese contra a contribuição destinada ao SEBRAE posto que é integrante do segmento das pequenas e microempresas. Advoga que a taxa Selic não pode ser utilizada para fins tributários. A multa de mora no patamar que foi aplicada fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, assumindo feição confiscatória. Ao final, requereu que: a) seja deferido efeito suspensivo ao recurso voluntário interposto; b) seja o recurso voluntário conhecido e provido para que o Auto de Infração seja havido como insubsistente, arquivandose definitivamente o processo administrativo correspondente; c) seja apreciado o pedido o deferimento de produção de todas as provas em direito permitidas, especialmente, oitiva de testemunha, perícia contábil e perícia de engenharia civil; d) requer seja o processo administrativo baixado em diligência para que determine as empresas C B Ferreira Ltda (Alameda Tupinambás, s/n, Qd. 4, Lt. 23, Bairro Morumbi, Nerópolis — GO.) e, DINIZ E SOARES LTDA (Rua Prudente de Morais, n. 144, Qd. 15, Lt. 28, Jardim Vila Boa, Goiânia — GO.), para que apresentem as folhas de pagamento e GFIP's do período da obra em questão; É o relatório. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.454 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Cabimento da aferição indireta O sujeito passivo asseverou que não há justificativa legal para desconsideração de sua contabilidade, de modo que não deve prevalecer o arbitramento das contribuições lançadas, além de que não houve recusa em apresentar todos os elementos requeridos pela Autoridade Fiscal. Façamos um breve passeio acerca da legislação que dá guarida à aferição indireta da remuneração para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. A legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que fisco justificou a adoção da aferição indireta em falhas contábeis que podem ser resumidas em: a) contabilização de adiantamentos a empregados e pagamentos a pessoas físicas em conta própria para registro de serviços de pessoas jurídicas; a) desrespeito ao regime de caixa; b) falta de contabilização de duas notas fiscais; c) divergência entre os valores declarados na GFIP, folha de pagamentos e contabilidade para a obra em questão. Os erros apontados quanto à escrita contábil foram punidos com a aplicação de multa em dois autos de infração, conforme mencionado no relatório deste voto. Uma pergunta, todavia, mostrase pertinente nesse momento: essas infrações seriam suficientes para que toda a escrita contábil fosse desconsiderada e as contribuições fossem apuradas por aferição indireta? Fazendose uma interpretação sistemática entre as disposições previstas nos §§ 3. e 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, podese chegar a conclusão de que é prerrogativa do fisco a utilização da aferição indireta para se calcular o montante das remunerações pagas para execução de obra de construção civil, desde que o sujeito passivo não apresente os documentos necessários ao cálculo da contribuição devida ou os apresente com deficiência. Nessa toada, somente cabível a aferição indireta do saláriodecontribuição quando o fisco se veja impossibilitado de apurar as remunerações com base nos documentos apresentados pela empresa. Na espécie, não se registrou a falta de apresentação de documentos necessários à quantificação da mãodeobra, eis que foram disponibilizados os livros contábeis, folhas de pagamento, GFIP, recibos e notas fiscais, todos com vinculação inequívoca à obra. A meu ver de posse desses elementos o fisco teria total possibilidade de aferir a base de cálculo, a prova é que no relatório fiscal, fl. 57, há um quadro onde são apresentadas as remunerações constantes na contabilidade, nas folhas de pagamento e nas GFIP, sem que se perceba significativa divergência entre os números, a exceção da competência 01/2007, onde o valor contabilizado é aproximadamente 6 vezes maior que as outras, que coincidem. (...) Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.455 9 Mesmo com essa divergência, entendo que o fisco poderia ter feito a apuração tomando como base o valor contábil, caso a empresa não demonstrasse a ocorrência de algum equívoco. Todavia a desconsideração total da contabilidade em razão da ocorrência de falhas em 19 dos 1.251 lançamentos contábeis mostrase desarrazoada, até porque as falhas foram punidas com aplicação de dois autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias. Um dos pressupostos legais que autorizam o arbitramento é que o fisco demonstre a existência de remuneração não formalizada para execução da obra, nos termos do § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. A meu ver esse fato não se configurou posto que a autoridade lançadora pode analisar toda a documentação relativa ao pagamento de remunerações, não deixando claro quais os valores deixaram de ser formalizados. Podemos concluir, então, que, malgrado o fisco tenha apresentado indícios de irregularidades, não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência dos pressupostos necessários a autorizar a apuração das contribuições por arbitramento. Nessa toada, é de se declarar a improcedência do lançamento, posto que o fisco dispunha dos elementos necessários a reconstituição dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Sobre essa questão há precedentes do CARF no sentido de que falhas contábeis que não interfiram na apuração das contribuições previdenciárias não podem ser tomadas como motivo para desconsideração total da contabilidade, com consequente apuração das contribuições por arbitramento. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003 AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Não se pode adotar o método excepcional da aferição indireta sob o argumento de imprestabilidade da contabilidade apresentada, quando ocorridos meros equívocos em contas contábeis que em nada dizem respeito à apuração dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. (Acórdão n. 2301003.016 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 16/08/2012) ................................................................................................ ........ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento.(...) (Acórdão n. 2401002.221 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 20/01/2012) ................................................................................................ ......... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2003 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DA PRESENÇA DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, além da juntada dos documentos que orientaram a Autoridade Fiscal, e a apresentação de relatório fiscal devidamente fundamentado com todos os fatos que levaram à desconsideração da contabilidade da empresa, elementos estes que serão importantes para a defesa do contribuinte, não bastando a simples menção de que algumas notas fiscais ou folhas de pagamento não foram contabilizadas. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A base de cálculo e o cálculo do montante devido constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso voluntário provido. (Acórdão n. 2402002.126 – 4.ª Câmara /2.ª Turma Ordinária, de 30/09/2011). Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.456 11 De se concluir que a apuração por arbitramento das contribuições relativas à obra CEI n.º 5002466561/71 não deve prevalecer, posto que a justificativa do fisco para desconsideração da contabilidade se funda em falhas que não impedem a apuração do salário decontribuição com base nos documentos apresentados e na própria escrita contábil. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13850.000023/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/10/2005
COMPENSAÇÃO COM SUPOSTO CRÉDITO DEMONSTRADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO. PROVAS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal aceita todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, ela esteja corroborada por indícios sérios e consistentes.
RETIFICAÇÃO DAS DCTF CORRESPONDENTES. INDÍCIOS DE AUTORIA SUBSISTENTES. Provada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue desconhecer a compensação formalizada, nada esclarece acerca das retificações correlatas promovidas em DCTF, e limita-se a indicar que os débitos compensados permaneceriam contabilizados como obrigações tributárias, e deveriam ter sido consolidados no PAEX, providência inviabilizada em razão da inexistência de saldo a pagar em DCTF, após as retificações mencionadas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TERCEIRO. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE CRÉDITO. FALSIDADE EM DCOMP TRANSMITIDA POR MEIO ELETRÔNICO. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos de terceiros, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%.
CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA ANTES DA LEI N° 11.196, DE 2005. Aplica-se a penalidade vigente à época da infração se a alteração posterior, no que tange à compensação com créditos de terceiros, apenas restringiu a hipótese de sua incidência aos casos em que efetivamente provada a fraude, e tal circunstância está demonstrada nos autos.
Recurso Voluntário Improvido.
Numero da decisão: 1102-000.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra, que reduziam o percentual da multa para 75% nos termos da redação dada pela Medida Provisória nº 252, de 2005, ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO. PROVAS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal aceita todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, ela esteja corroborada por indícios sérios e consistentes. RETIFICAÇÃO DAS DCTF CORRESPONDENTES. INDÍCIOS DE AUTORIA SUBSISTENTES. Provada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue desconhecer a compensação formalizada, nada esclarece acerca das retificações correlatas promovidas em DCTF, e limitase a indicar que os débitos compensados permaneceriam contabilizados como obrigações tributárias, e deveriam ter sido consolidados no PAEX, providência inviabilizada em razão da inexistência de saldo a pagar em DCTF, após as retificações mencionadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TERCEIRO. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE CRÉDITO. FALSIDADE EM DCOMP TRANSMITIDA POR MEIO ELETRÔNICO. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos de terceiros, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA ANTES DA LEI N° 11.196, DE 2005. Aplicase a penalidade vigente à época da infração se a alteração posterior, no que tange à compensação com créditos de terceiros, apenas restringiu a hipótese de sua incidência aos casos em que efetivamente provada a fraude, e tal circunstância está demonstrada nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 00 00 23 /2 00 9- 00 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra, que reduziam o percentual da multa para 75% nos termos da redação dada pela Medida Provisória nº 252, de 2005, ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à multa isolada por compensação indevida, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 3.053.980,69, em virtude da apresentação em 05/10/05 de Declaração de Compensação — DCOMP n° 40771.53800.051005.1.3.048231, com o objetivo de extinguir débitos de Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na folha de continuação do Auto de Infração de fls. 02/09, a autoridade lançadora assevera que o contribuinte apontou na DCOMP, como origem do crédito, processo administrativo que não pertence ao interessado, e sim à empresa TI Brasil Ind. E Com. Ltda. Questionada, esta empresa negou a existência de qualquer cessão de crédito à fiscalizada. Consta também da Descrição dos Fatos que a empresa fiscalizada, no curso do procedimento fiscal, negou a existência da compensação em referência, informando que todos os impostos devidos pela empresa estão declarados em DCTF e que os não pagos deveriam ter sido consolidados no PAEX. Todavia, constatou o fiscal autuante que os referidos débitos foram declarados em DCTF como compensados em razão da DCOMP em epígrafe, apresentandose como supostamente quitados. Concluiu a autoridade lançadora que o interessado prestou informação falsa à esta Secretaria, informando possuir, para compensação de débitos próprios, crédito tributário (inexistente de fato), o que caracteriza a ocorrência de fraude. Em seu entendimento, objetivava o interessado, por meio de compensação com créditos fictícios, evitar Fl. 966DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 4 3 o pagamento de seus débitos, modificandolhes uma de suas características essenciais, qual seja, sua exigibilidade. Ressaltando que a caracterização da compensação como não declarada se fez nos termos do Parecer SEORT n° 13884.513/2008 (processo de representação n° 13850.000133/200882), a autoridade lançadora promoveu a exigência da multa no percentual previsto no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430/96, em sua redação original, aplicado sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, alterada pela Lei no 11.051/2004. Cientificado da exigência em 10/06/2009 (fl. 49), o contribuinte, por seu advogado e procurador, apresentou em 10/07/2009 impugnação de fls. 51/74, acompanhada dos documentos de fls. 75/100, na qual alega, em síntese, o que segue: • Relata que a fiscalização presumiu que o sujeito passivo efetuou a compensação referida, vinculada a processo administrativo de outra empresa, o que ensejou a aplicação do disposto no art. 74, §12, II, a da Lei no 9.430/96, bem como a aplicação de multa agravada no percentual de 150%, em função da presunção de fraude, desconsiderando as informações da empresa de que desconhecia o pedido de compensação, pois todos os débitos estavam declarados em DCTFS, com pedido de parcelamento consolidado no PAEX ou aguardando nova oportunidade de parcelamento. • Descreve suas atividades para demonstrar sua ilibada reputação, até porque atuando na guarda e conservação de mercadorias pertencentes a terceiros, a Impugnante necessita estar em dia com suas obrigações fiscais, pois da confiança de seus clientes e instituições depende sua sobrevivência. • Opõese à imputação de fraude pois jamais requereu ou forneceu dados a terceiros que pudesse requerer qualquer tipo de compensação, lícitas ou ilícitas, portanto não se sente responsável por qualquer processo nesse sentido. • Aduz que pediu vistas ao processo, acesso que lhe foi negado pelo Sr. Auditor Fiscal afrontando o direito constitucional de ampla defesa e do contraditório. • Além disso, o auditor responsável não informou no Auto de Infração que a empresa apresentou junto com a mesma Declaração, o Balanço Patrimonial de 2005 que destaca o passível tributário objeto de parcelamento solicitada ou a solicitar; Entende, assim, ser possível avaliar o constrangimento causado pelo Sr. Auditor Fiscal ao autuar a empresa, imputando penalidades com fundamentado em presunção de sonegação fiscal e fraude, violando os princípios da legalidade e da tipicidade tributária. • Expõe seu entendimento fundamentado em doutrina quanto à necessidade de caracterização do dolo para configuração da sonegação, fraude ou conluio, os quais classificam como formas Fl. 967DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 5 4 diversas de evasão de divisas e tributos de forma ilícita. Conclui, daí, que o que se pretende com a prática realizada pelo Auditor Fiscal, é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta, ou mediante ficção jurídica, contrariando a doutrina e a jurisprudência inerentes ao direito tributário, o que nem mesmo a lei poderia fazer. • Desrespeitados teriam sido os princípios constitucionais norteadores e limitadores do exercício do poder de tributar, como os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação. E neste contexto, não há como prevalecer uma imputação duvidosa. Em suma, no Sistema Tributário Brasileiro, não há lugar para a imputação das chamadas "infrações presumidas ". • Subsidiariamente, afirma que mesmo que a impugnante tivesse se aventurado a cometer a suposta fraude, a multa agravada de 150% não seria aplicável, em razão do disposto no art. 90 da Medida Provisória n 2.158/2001 e da ausência de disposição legal específica que estabeleça essa modalidade de imposição tributária nessas situações, sobre fatos que ocorreram antes do advento da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Ressalta, inclusive, que até a edição desta lei, os órgãos da Receita Federal vinham estabelecendo imposições de penalidades mediante presunção de fraude com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 03/10/2002. • Reportase às hipóteses de não declaração trazidas pela Lei n° 11.051/2004 e aduz: • Portanto, somente com o advento da Lei 11.051/2004 passou a existir uma relação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao crédito prêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e a contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades. Conseqüentemente, não há como imputar quaisquer penalidades aos contribuintes, que fizeram as compensações em vista de qualquer um dos itens abordados, acusandoos de terem efetuado a compensação de forma temerária e de, ao efetuála, terem cometido um ato doloso, ou seja, uma fraude fiscal, uma vez que os atos praticados foram realizados em conformidade com a legislação existente à época da compensação, mediante o cumprimento de todas as obrigações acessórias inerentes. • In casu o processo de compensação citado no Auto de Infração foi em 31.10.2005, porém o vínculo normativo entre as compensações com as limitações, e, por essas razões consideradas não declaradas, e a imposição de penalidades, no caso da multa isolada de 150%, até 21 de novembro de 2005, vinham sendo estabelecidos com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 534/2005, passando a ser disciplinada por lei através da edição da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, fator que vem reforçar a tese de que, em relação aos fatos Fl. 968DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 6 5 ocorridos antes da vigência dos mencionados diplomas legais, não havia tipificação legal para o enquadramento dos contribuintes que exerceram o direito à compensação. • Portanto, para aplicação da penalidade pertinente à multa isolada de 150%, em outubro de 2005, seria necessário como fundamento uma combinação de várias instruções normativas, sem qualquer base legal, ressaltandose que somente através de Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência iniciada em 01.01.2006, também de constitucionalidade duvidosa, foi introduzida no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada de 150% sobre o valor compensado, caso a suposta compensação estivesse enquadrada no rol de restrições. • Defende a irretroatividade das normas publicadas ao final de 2004 e de 2005, que só seriam aplicáveis, respectivamente, a partir de 01/01/2005 e 01/01/2006, sob pena de violar direito adquirido, coisa julgada e ato jurídico perfeito, apesar de a multa não se tratar de um tributo. E acrescenta que o Código Tributário Nacional não poderia ser alterado por lei ordinária, sendo que seus arts. 105 e 106 somente admitem a retroatividade benigna, além de a sanção somente ser aplicável se houver lei anterior neste sentido. Em resumo, multa não é tributo, porém, o legislador deve aplicar o princípio da anterioridade quando forem instituídas novas multas ou forem feitas alterações em seus valores, pois seguem a mesma regra das obrigações principais em direito tributário. • Menciona a proteção constitucional contra o exercício do poder tributário de forma exorbitante e desordenada, além da vedação ao estabelecimento de penalidades fundamentado apenas em presunção de fatos. • Reitera que além de informar que desconhecia a compensação e que havia declarado os débitos, bem como aderido ao PAEX, também apresentou à Fiscalização o balanço consolidado (cópia anexa) demonstrando explicitamente a dívida tributária declarada, o que foi omitido pela Fiscalização, cerceando seu direito de defesa. • Afirma que não houve a perfeita subsunção do fato à norma, tornando a acusação, portanto, defeituosa, opõese à penalidade fundada em presunção e aduz: • A regra que qualifica a fraude, sonegação ou conluio pressupõe o elemento objetivo de impedir o fato jurídico a ensejar a cobrança do tributo, ou atrasar o seu respectivo pagamento. Desta forma, não poderia o fiscal, in casu, apontar na peça vestibular natureza da infração típica da fraude, já que a impetrante elaborou e apresentou o seu BALANÇO prevendo o crédito tributário passível de parcelamento e, portanto confessando DE FORMA CLARA E OBJETIVA A DÍVIDA TRIBUTÁRIA. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 7 6 Defende, assim, a nulidade do feito, em razão de falhas quanto à determinação da natureza da infração. • Acrescenta, ainda, que como a elaboração do balanço patrimonial foi concluído em 2005 e registrado antes da ação fiscal, e apresentado junto com o pedido de parcelamento previsto no PAEX, implicou a confissão da dívida, inexistindo a conduta típica sujeita à aplicação da penalidade qualificada. Invoca o disposto no art. 138 do CTN no sentido de que a confissão de dívida do crédito tributário por si, exclui o pagamento de qualquer penalidade. • Assim, prevalecendo a constatação que o Tributo Original é devido e que não foi incluído no PAEX, a multa merece ser reduzida para no máximo em 75%. Até porque, no caso de concurso de Leis, devese aplicar a mais benéfica ao contribuinte, dando ênfase à máxima in dúbio pro réu, no caso in dúbio pro contribuinte, visto tratarse do elemento mais fraco na relação. Questiona a inversão do ônus da prova, firmando que à autoridade lançadora incumbe fazer a exigência com sólidas bases, não bastando a simples. alegação e deixar que a Impugnante prove o contrário, se puder. • Reproduz ementas de julgados administrativos e afirma ser possível avaliar que nenhum desses casos descritos acima pode ser atribuído à Impetrante, portanto não pode ser considerado culpado apenas com base em presunção. Reportase, ainda, ao art. 923 do RIR/99, para firmar que o auditor fiscal ignorou e contestou um fato relevante escriturado na Contabilidade, a DCTF e o Balanço Patrimonial, caso em que o ônus da prova seria seu, mormente se tais informações foram apresentadas em resposta a intimação. • Menciona novamente a necessidade de perícia técnica para atestar de onde foram transmitidos os dados para compensação, afirmando que a Fiscalização não quis utilizar procedimentos alternativos de fiscalização e preferiu recorrer à comodidade de "achismos ". Sem a prova de que a DCTF e o Balanço seriam documentos inidôneos, devem ser eles admitidos como legítimos. • Finaliza afirmando que não processou pedido de compensação, mas sim declarou a dívida em DCTF e apresentou balanço (cópia anexa) com o crédito tributário destacado para posterior pedido de parcelamento, e conclui pela inaplicabilidade da multa fundada em presunção e ainda ignorandose a retroatividade benigna, além do vício formal pela omissão de fatos decisivos a apreciação do mérito. • Relaciona os documentos anexados, dentre os quais: Cópia do Balanço Patrimonial de 2005 e Declaração do Contador atestando que os Tributos Declarados em DCTF, nunca foram objetos de compensação. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 8 7 • Pede, assim, a declaração de nulidade de pleno direito do auto de infração. Às fls 105 – 194, a autoridade de primeira instância providenciou a juntada aos autos das DCTF´s mencionadas pela autoridade lançadora na descrição dos fatos contida no Auto de Infração, dado também se tratar de documentos produzidos pelo próprio interessado, o que não constitui qualquer prejuízo à sua defesa, mormente se as características das referidas DCTF foram regularmente relatadas no lançamento cientificado ao contribuinte. No julgamento da Impugnação Administrativa, decidiu a 5a Turma de Julgamento da DRJ de Campinas, por unanimidade, JULGAR IMPROCEDENTE a impugnação e MANTER o crédito tributário lançado, nos termos da ementa abaixo transcrita: Acórdão 0527.146 5' Turma da DRJ/CPS Sessão de 22 de outubro de 2009 Processo 13850.000023/200900 Interessado RODOVIÁRIO TRANSBUENO LIMITADA CNPJ/CPF 50.437.409/000148 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/10/2005 COMPENSAÇÃO COM SUPOSTO CRÉDITO DEMONSTRADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO. PROVAS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal aceita todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, ela esteja corroborada por indícios sérios e consistentes. RETIFICAÇÃO DAS DCTF CORRESPONDENTES. INDÍCIOS DE AUTORIA SUBSISTENTES. Provada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue desconhecer a compensação formalizada, nada esclarece acerca das retificações correlatas promovidas em DCTF, e limitase a indicar que os débitos compensados permaneceriam contabilizados como obrigações tributárias, e deveriam ter sido consolidados no PAEX, providência inviabilizada em razão da inexistência de saldo a pagar em DCTF, após as retificações mencionadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TERCEIRO. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE CRÉDITO. FALSIDADE EM DCOMP TRANSMITIDA POR MEIO ELETRÔNICO. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir Fl. 971DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 9 8 informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos de terceiros, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA ANTES DA LEI N° 11.196, DE 2005. Aplicase a penalidade vigente à época da infração se a alteração posterior, no que tange à compensação com créditos de terceiros, apenas restringiu a hipótese de sua incidência aos casos em que efetivamente provada a fraude, e tal circunstância está demonstrada nos autos. Impugnação Improcedente Irresignada com a decisão de 1ª instância, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegativas da impugnação administrativa e aduzindo ainda que: A inconstitucionalidade da multa de 150%; A aplicação do Código de Defesa do Consumidor nas relações jurídicotributárias; Requer que seja excluída a presunção de sonegação fiscal e fraude bem como afirmação inverídica de ocorrência de falsidade ideológica; Requer que seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da multa; Requer o deferimento de perícia para que se possa provar que não foi o recorrente que requereu a compensação dos créditos; Requer seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade de sua aplicação na proporção de 150%, determinandose a aplicação no percentual de 20%, pelo que dispõe a Lei 9430/96 parágrafo 2º, art. 61, anulandose a mesma ou, pelo menos, reduzila no percentual acima. Em 25/10/2010, a recorrente junta aos autos petição alegando fato novo (fls. 785 à 795 e, em seguida, fls. 256 às fls. 258 – digitalização errada), aduzindo e requerendo, em suma, que: recebera o Oficio n° 086/2010/GAB/DRF/SJC, através do qual a RFB se negara a fornecer o endereço IP transmissor da Dcomp ensejadora da autuação; os indícios erigidos pela fiscalização e utilizados pela autoridade julgadora não são suficientes para imputar à RECORRENTE além de multa punitiva EFETIVA PRÁTICA CRIMINOSA. A classificação da conduta exposta pela autoridade fazendária classificase como crime contra a ordem Fl. 972DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 10 9 tributária e, portanto, punível na forma da legislação de regência; Neste sentido, insiste a RECORRENTE: a) Nunca autorizou qualquer funcionário ou representante legal a efetuar a pretendida compensação de créditos de terceiros com débitos próprios; b) A RECORRENTE não possui qualquer relação, envolvimento, contato ou pessoa conhecida direta ou indiretamente relacionada com a empresa TI BRASIL, a suposta detentora do crédito utilizado no indigitado PER/DCOMP; e c) A RECORRENTE desconhece e sequer consegue aludir qual seria a intenção ou motivação para que terceiro desautorizado pudesse efetuar as transmissões de PER/DCOMP e retificação das DCTFs. até o recebimento do Auto de Infração originário (n° 13850 000.023/200900), NÃO ERA DE CONHECIMENTO DA RECORRENTE, de sua Diretoria e dos demais responsáveis pela gestão da empresa, que havia sido elaborado e entregue a Receita Federal do Brasil documento eletrônico n° 40771.53800.051005.1.3.048231 realizando a indigitada compensação; para retificar as DCTFs de 2002 e transmitir PER/DCOMP não era necessária certificação digital; somente a partir do ano calendário 2005, com a IN 482/2004, passou a ser exigida certificação digital; E REQUER: (i) sejam considerados todos os fundamentos legais e documentos referidos e anexados tanto na impugnação quanto neste expediente; (ii) a juntada do laudo pericial extrajudicial; (iii) reunir o presente processo administrativo ao processo administrativo nº 13850000.222201043; (iv) previamente intimada a RECORRENTE da data de julgamento do presente recurso, para que possa realizar sustentação oral perante esse E. Conselho; (v) por fim, dado integral provimento ao presente recurso para os fins de anular o auto de infração relativo à multa isolada e, conseqüentemente, extinto o crédito tributário corporificado no Processo Administrativo nº 13850000.023/200900 e 13850 000.222/201043; Alternativamente, caso este douto Conselho entenda necessário, requer sejam os autos retornados à Receita Federal do Brasil Fl. 973DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 11 10 para que a mesma execute as diligências necessárias para coleta de elementos concretos quanto à participação da RECORRENTE no ilícito apontado. Como documentos, a recorrente anexou à petição vasta documentação, a qual incluiu: Petição administrativa requerendo o IP transmissor das Dcomps(fls. 260261), protocolizado em 03 de setembro de 2010, pelo qual a recorrente requere ao Delegado da Receita Federal de São José dos Campos a identificação do endereço IP (Internet .Protocol constante da respectiva base de dados, em que cujo terminal de informática que teria sido a responsável pela transmissão de PerDeomp e de DCTF retificadoras em nome da aludida pessoa jurídica referente ao processo em epígrafe; Laudo pericial extrajudicial (fls. 262 – 783), por meio do qual o perito chegou às seguintes constatações: a. Foi constatado que os valores apresentados pela RFB não foram baixados na escrituração contábil da Empresa até 31 de dezembro de 2009, valores esses, que foram informados a RFB através das DIPJ's (Doc. n° 04; 05; 06; 07; 08; 09; 10 e 11) b. Os valores compensados através do Perd/Comp (Doe. 01 —Anexo A) não procedem, pois, tais compensações apresentadas pela RFB, em momento algum, foram base para a liquidação contábil das referidas Obrigações Tributárias estando, portanto, até essa data pendente na escrituração contábil. Como conclusão, o perito contábil asseverou que: Diante das constatações feitas em perícia, para que não paire nenhuma dúvida, os trabalhos periciais foram suportados por documentações hábeis e idôneas, por isso podemos concluir que os Autos de Infração de Multa Regulamentar (Doe. 02 e 03), lavrados pelos Agentes Fiscais da Receita Federal do Brasil nasceram afetados de vícios materiais e formais, pois, nos registros contábeis da Rodoviário Transbueno Ltda:, inscrita no CNPJ sob no 50.437.4091000148. consta, e sempre constou, no Passivo Tributário todos os valores que devem ser Recolhidos ao Erário Público Federal, portanto, os valores lançados não procedem, conseqüentemente, a Multa Regulamentar não são devidas em hipótese alguma. Distribuído a esta Turma para julgamento do recurso voluntário. Este é o relatório. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. a) Da preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Não há de se falar em cerceamento ao seu direito de defesa em razão de supostamente lhe ter sido negada vistas ao processo. A recorrente aduziu que não se conformando com a imposição da multa, a Impugnante surpresa diante dos fatos narrados no citado Auto de Infração, em diligência a DRFB de São José dos Campos pediu vistas ao processo, acesso que lhe foi negado pelo Sr. Auditor Fiscal. Contudo, nenhum registro há nos autos neste sentido. O recorrente não apresentou qualquer petição formalizada junto à DRFB São José dos Campos, bem como a correspondente negativa ou, ao menos, a omissão da autoridade a quem teria sido dirigida. O Auto de Infração que lhe foi cientificado traz, em seu corpo, completa descrição dos fatos e enquadramentos legais, relatando todos os elementos probatórios e suas conseqüências tributárias, uma vez que garantido o contraditório e a ampla defesa no presente processo administrativo. Ademais, é de se destacar que os autos foram formalizados com documentos dos quais o contribuinte não pode alegar desconhecimento, porque deles foi cientificado pela autoridade lançadora: (Auto de Infração, fls. 01/09; Parecer SEORT n° 13884.513/2008, fl. 22/27; Intimações e Reintimações, fls. 29/30, 34/35, 37/38); (DCOMP, parcialmente sintetizada em resumo elaborado pela fiscalização, fls. 10/18, Demonstrações Financeiras, fls. 39/40; Contrato Social, fls. 41/48). Eventualmente, como aduziu a julgadora de 1ª instância, a recorrente poderia alegar desconhecer a intimação dirigida à TI Brasil Indústria e Comércio Ltda, e a informação por ela prestada (fls. 31/33). Todavia, esta prova é irrelevante para aplicação da penalidade aqui discutida, na medida em que restou inconteste, já no curso do procedimento fiscal, a inexistência de cessão, ao autuado, do crédito titulado pela TI Brasil Indústria e Comércio Ltda nos autos do processo administrativo nº 10980.007641/200494. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 13 12 Assim, rejeitase a argüição de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. b) Da compensação indevida Inicialmente, cabe destacar que, conforme relatado, a autoridade administrativa de 1ª Instância providenciou a juntada aos autos das DCTF mencionadas pela autoridade lançadora na descrição dos fatos contida no Auto de Infração (fls. 105/194), dado também se tratar de documentos produzidos pelo próprio interessado, o que não constituiu qualquer prejuízo à sua defesa. A recorrente nega veementemente a formalização da compensação que ensejou a penalidade aqui aplicada, bem como junta declaração de quem seria responsável pela contabilidade da empresa (José Rodrigues Rangel) no sentido de que a aludida tentativa de compensação através do processo de DCOMP n° 40771.53800.051005.1.3.048231 é de total desconhecimento deste profissional (fl. 90). Afirma que esta ocorrência foi presumida pela fiscalização, desconsiderando as informações da empresa de que desconhecia o pedido de compensação, pois todos os débitos estavam declarados em DCTF´s, com pedido de parcelamento consolidado no PAEX ou aguardando nova oportunidade de parcelamento. Inclusive, o Balanço Patrimonial de 2005, apresentado à Fiscalização, destacaria o passível tributário objeto de parcelamento solicitado ou a solicitar, circunstância também afirmada na declaração de fl. 90. A DCOMP nº 40771.53800.051005.1.3.048231, motivadora da autuação, foi transmitida por meio eletrônico em 05/10/2005, após ter sido elaborada em 04/10/2005, para fins de extinção de vários débitos do contribuinte autuado, mediante utilização de crédito informado em Processo Administrativo Anterior n° 10980.007641/200494, no valor original de R$ 3.684.891,89, do qual foi utilizada a parcela de R$ 3.171.085,99, com o acréscimo de juros de 1,50% para liquidação dos débitos resumidos às fls. 12/18, no valor consolidado de R$ 3.218.652,28. A referida DCOMP aponta como responsável pelo seu preenchimento a mesma pessoa responsável pela pessoa jurídica perante a Receita Federal: Benedicto Bueno, CPF n° 132.576.50825, sócio administrador da empresa conforme contrato social às fls. 41/48. É certo que nos autos não há qualquer registro quanto à investigação da identificação do computador que teria transmitido este documento, havendo inclusive nos autos o Oficio n° 086/2010/GAB/DRF/SJC, através do qual a RFB de São José dos Campos se nega a fornecer o IP transmissor da DCOMP e das DCTF´s retificadoras. Todavia, desnecessária seria a perícia técnica referida pelo impugnante, na medida em que as informações dos débitos compensados na DCOMP estavam integralmente idênticas com as existentes nas DCTF´s, circunstância por ele não contestada na impugnação. Assim firmou a autoridade lançadora no Auto de Infração (fl. 05): Para que a situação fosse elucidada, o interessado foi intimado, por meio do Termo de Intimação SEORT n° 13884.5 7512008, à Fl. 976DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 14 13 fl. 29, a se manifestar. Apesar de ter sido cientificado da intimação em 24109108, conforme AR à fl. 30, o interessado não se manifestou. Nova oportunidade foilhe dada por meio do Termo de Reintimação SEORT n° 13884.02412009, à fl. 34. Na resposta, de fl. 36, o interessado afirma inexistir a compensação em pauta. Além disso, informa que todos os impostos devidos pela empresa estão declarados em DCTF e que os não pagos deveriam ter sido consolidados no PAES. De fato, os débitos estão informados nas DCTF, mas sua forma de quitação é exatamente a compensação por meio do documento eletrônico em pauta. O mesmo que o interessado afirma inexistir. Ou seja, o interessado fez a compensação de débitos próprios com supostos créditos de terceiros e fez constar da DCTF referida compensação. Ao proceder dessa maneira, os débitos ficaram supostamente quitados. As DCTFs apresentadas de 2002 a 2004 foram retificadas em 07/10/2005 para que delas constasse a informação de compensação dos débitos por meio da DCOMP n° 40771.53800.051005.1.3.048231 (fls. 105/193). Releva notar, inclusive, a exata correspondência entre os débitos indicados nas DCTF originais (ou nas retificadoras apresentadas em fevereiro/2005) como "saldo a pagar" e aqueles informados para compensação na DCOMP citada (fls. 12/18), a evidenciar que quem preencheu e transmitiu a DCOMP tinha conhecimento preciso da dívida tributária do contribuinte perante a Receita Federal. Também, interessante observar que a retificação das DCTF de 2004 exigiu a indicação do número de recibo da DCTF retificada, informação que dificilmente seria detida por outra pessoa que não o próprio contribuinte ou o responsável por sua escrituração (fl. 181). E, como dito, a correspondência entre as DCTF e a DCOMP, embora evidencie circunstâncias relevantes para formação da convicção acerca do autor da DCOMP em referência, não foi refutada pelo impugnante. Analisando as Dcomps presentes às fls. 105 – 194, percebese claramente que o contribuinte se beneficiou das compensações efetuadas a partir dos créditos firmados na DCOMP nº 40771.53800.051005.1.3.048231. Através do relatório presente às fls. 105, percebese que nas competências de janeiro a abril de 2003 e 2004, respectivamente, foram enviadas as DCTF´s atestando Saldos a Pagar de IRPJ, CSLL, IRRF, Pis e Cofins. Todas elas foram retificadas em 07/10/2005 para constar às compensações, extinguindo os créditos tributários, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do art. 74, § 2º da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. De outro lado, o fato de a escrituração do contribuinte eventualmente não refletir esta operação em nada desconstitui a sua existência, considerada como confissão. Antes, porém, de fundamentar tal assertiva, registrese que o Balanço Patrimonial referido pelo contribuinte prestase, apenas, a apontar Obrigações Tributárias no Fl. 977DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 15 14 valor de R$ 4.227.247,36 em 31/12/2007 (fl. 39) e de R$ 4.972.034,21 em 31/12/2005 (fl. 75), sem especificar quais tributos, com detalhamento de fato gerador e valor individual, compõem este saldo, de modo que sequer existe início de prova de que a compensação não foi escriturada contabilmente. Acrescentese que a prova dos fatos contabilizados é documental, e não pode ser substituída pela declaração do contador constante à fl. 90, a qual se reporta genericamente aos tributos declarados em DCTF nos anos de 2002 a 2005. Ainda, com relação à afirmação de que o Sr. Auditor Fiscal não informou no Auto de infração que a empresa apresentou junto com a mesma Declaração, o Balanço Patrimonial de 2005, além de não ser clara quanto ao momento no qual o Balanço teria sido apresentado à Fiscalização, não é acompanhada de qualquer prova da sua efetiva ocorrência. Somente se vê nos autos a resposta à intimação apresentada em 13/02/2009 (fl. 36), que não indica qualquer anexo, e a resposta à intimação de fl. 37, relativa às Demonstrações Financeiras de 31/12/2007. De toda sorte, como descrito pela Fiscalização e reconhecido pelo contribuinte, não houve qualquer operação de cessão de crédito entre ele e a empresa titular do processo administrativo informado na DCOMP. Logo, inexistindo a aquisição do direito, a contabilidade não teria suporte patrimonial para permitir o registro das correspondentes compensações. Evidente, assim, que a escrituração comercial do contribuinte não poderia se apresentar de outra forma que não a alegada. E, justamente por isso, a omissão da compensação naquele suporte documental não pode se prestar como meio de defesa ao interessado. Impróprio, portanto, pretender que a Fiscalização desconstituísse a escrituração contábil, nos termos dos arts. 923 a 925 do RIR/99, ou declarasse a inidoneidade do Balanço Patrimonial apresentado, antes de afirmar que uma conduta nela não registrada existiu. Para caracterização da compensação indevida basta a prova da apresentação da DCOMP, pois esta é a única providência exigida pela legislação para extinção dos débitos por compensação, e conseqüente interrupção de qualquer procedimento de cobrança a eles dirigido. Isto porque a DCOMP não se trata de mero pedido, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002) e conseqüente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002). Em razão de tais efeitos, a DCOMP foi criada para viabilizar às compensações nos estritos termos do que disposto no caput art. 74 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 978DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 16 15 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Vejase, inclusive, a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002: O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais. Justamente por isto o seu uso abusivo e/ou fraudulento é punido com rigor. Em conseqüência, para aplicação da penalidade, bastam as evidências da forma e do conteúdo da declaração assim apresentada, sendo dispensável a confirmação de que a compensação também se fez escrituralmente. E, frente à DCOMP transmitida eletronicamente, e às evidências de que o contribuinte dela tinha conhecimento, na medida em que retificou suas DCTF para firmar, mais uma vez, a extinção dos débitos, nada há que desconstitua a conclusão de que o próprio contribuinte formalizou a compensação em referência. Embora a Fiscalização não tenha uma prova direta da autoria da elaboração da DCOMP, reuniu indícios sérios e convergentes no sentido de somente o próprio contribuinte, conhecedor dos detalhes de sua dívida tributária e maior interessado na interrupção e sua exigibilidade, poderia ter transmitido à declaração em referência. Na verdade a empresa responde pelos atos de seus agentes, ainda mais quando estes agentes tem o dever de guarda do sigilo fiscal da empresa. Destacase novamente que os valores de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e inclusive de IRRF constantes na DCOMP, que a recorrente nega ter sido por ela declarada, são justa e exatamente os resultados das operações de apuração dos seus tributos, cujas informações de faturamento e de folha de pagamento teria o autor que ter tido acesso. Esse conjunto de fortes indícios serve e comprova ser a recorrente a autora da compensação indevida. E neste ponto, importa esclarecer que indícios são substratos fáticos para construção de presunções, sendo oportuna é a evocação do voto vencedor do acórdão n° CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tomando por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que 'Indícios vários e concordantes são prova", com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 521140 apud Fl. 979DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 17 16 Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22' ed., 1997, p. 97.) (destaques acrescidos) De todo o exposto, concluise que o fato de o lançamento fundarse em presunções ou indícios em nada o desabona a autuação, pois são os indícios, ou fatos conhecidos, as bases para construção da prova. Em face de indícios veementes, o lançamento deve ser formalizado, bastando à fiscalização a demonstração inequívoca dos fatos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração. Por sua vez, ao autuado impõese a desconstituição destes indícios, providência que o impugnante não logrou alcançar, na medida em que não esclareceu o motivo da informação contida em suas DCTF, limitandose a opor a existência de dívida tributária não individualizada em seu balanço patrimonial. Ou seja, incumbe ao contribuinte, e não ao Fisco firmar a inidoneidade das DCTF, já que estas foram retificadas para refletir a compensação aqui questionada. Ainda, especificamente no que tange à alegada adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX, diz que deixou de inserir no requerimento em 17/10/2006 (fl. 194) pelo fato dos débitos compensados se encontrarem na condição de extintos e, portanto, não disponíveis para parcelamento do PAEX, e sequer providenciou o cancelamento da DCOMP com a retificação das DCTF´s para restabelecêlos na condição de "saldo a pagar", ou ao menos ter informado na Declaração PAEX a intenção de vêlos parcelados. Nenhuma destas providências foi adotada, na medida em que não constou na Declaração PAEX, permanecendo ativas as DCTF retificadas em 07/10/2005, assim como subsistia a DCOMP apresentada até o procedimento fiscal que resultou em sua não declaração. É relevante notar ainda que, no âmbito do PAEX, a adesão do contribuinte representou sua opção por parcelar seus débitos vencidos até 28/02/2003 em 130 (cento e trinta) prestações mensais, nos termos da Medida Provisória no 303/2006, circunstância na qual a ausência, na consolidação de sua dívida, de parte dos débitos compensados na DCOMP em referência, não poderia lhe passar desapercebido. Deixar de pagar mais de três milhões de reais em tributos gozando de regularidade fiscal decorrente de compensação indevida, ou deixar de aproveitar um parcelamento extraordinário (PAEX) não é algo que qualquer administrador deixe passar desapercebido, ainda mais quando a recorrente declara em seu defesa ser a regularidade fiscal condição sine qua non de sua atividade econômica. Por todo o exposto, restou caracterizada a autoria, por parte do contribuinte autuado, da compensação que ensejou a penalidade aqui formalizada, independentemente de a obrigação tributária correspondente eventualmente permanecer integrando o passivo do contribuinte em sua escrituração comercial. c) Da multa isolada por compensação indevida mediante DCOMP. Caracterização de fraude. Do cabimento da qualificação da penalidade. Constatou a autoridade lançadora que o contribuinte transmitiu DCOMP utilizando créditos dos quais não era detentor, ao contrário do que informado na referida declaração. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 18 17 Firmada a autoria no que tange à apresentação da DCOMP, como antes exposto, e sendo inconteste o fato de que o crédito nela informado nunca existiu em favor do contribuinte autuado — como declarado pela TI Brasil Indústria e Comércio Ltda, titular do processo administrativo de origem do crédito indicado na DCOMP (fl. 32/33) e reconhecido pelo interessado no curso do procedimento fiscal (fl. 36) — evidente está que a compensação foi formalizada demonstrando como próprio um crédito que seria de terceiro. Ao assim proceder, o contribuinte alcançou a extinção, sob ulterior condição resolutória, dos débitos indicados na DCOMP, dadas as feições deste documento estabelecidas no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a partir das alterações inseridas pela Lei n° 10.637/2002. Contudo, como expresso no caput do referido dispositivo, a compensação ali prevista somente pode ser efetivada na presença de créditos do próprio sujeito passivo, decorrentes de tributos ou contribuições também administrados pela antiga SRF, passíveis de restituição ou ressarcimento, e, se decorrentes de decisão judicial, quando já ocorrido o trânsito em julgado, conforme preceitua o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004. Concluise, daí, que o contribuinte descumpriu as determinações legais ao efetivar compensações mediante DCOMP tendo por referência crédito do qual não era titular, ficando caracterizada o evidente abuso de forma nas compensações indevidas. Por força do art. 4º da Lei n. 11.051/2004, publicado em 30.12.2004, que acrescentou redação o § 12 ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, determinou que as compensações ocorridas após janeiro de 2005, como foi o presente caso (DCOMP enviada em 05/10/2005), seriam consideradas como nãodeclaradas quando utilizarem créditos de terceiros, literis: Art. 74. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito: a) seja de terceiros; [..]. § 13. O disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Essa mesma legislação em seu art. 25 (Lei. 11.051/2004) alterou e acrescentou redação ao art. 18 da Lei n° 10.833/2003 para prescrever a imposição de multa isolada nos casos de compensações consideradas como nãodeclaradas, verbis: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações Fl. 981DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 19 18 previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Tais condutas, por sua vez, nos termos dos §§2º e 4º do art. 18, são reprimidas com a aplicação da multa isolada de 75% e com o restabelecimento da exigibilidade dos débitos compensados, independentemente de qualquer discussão administrativa acerca da compensação. Mas, se caracterizada uma das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, autorizada está a duplicação daquele percentual. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n'4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento que se impôs às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros: Art. 74. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito: a) seja de terceiros; [..]. § 13. O disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 20 19 Nestes termos, o contribuinte que efetuasse compensação com créditos de terceiros a partir da vigência da Lei nº 11.051/2004 se sujeitaria à nãodeclaração desta compensação, e este fato, associado à presunção de fraude até então estabelecida pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17/2002, ensejaria a aplicação de multa qualificada, nos termos do novo caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, c/c seus §§ 2 ° e 4º. No caso a DCOMP foi enviada em 5/10/2005 e a qualificação da multa se deu com base no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, por se considerar a compensação como não declarada. Verificase, então, que a lei apenas previa a aplicação de multa isolada nos percentuais qualificado (150%) e qualificado e agravado (225%), nos casos de evidente intuito de fraude e de falta de atendimento de intimação, tanto para as compensações não homologadas, quanto para aquelas consideradas não declaradas. No caso, o evidente intuito de fraude foi observado nos termos art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, abaixo transcrito: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e a evitar ou diferir o seu pagamento. Alega a recorrente em sua defesa: · somente com o advento da Lei 11.051/2004 passou a existir uma relação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao crédito prêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e a contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades. Conseqüentemente, não há como imputar quaisquer penalidades aos contribuintes, que fizeram as compensações em vista de qualquer um dos itens abordados, acusandoos de terem efetuado a compensação de forma temerária e de, ao efetuála, terem cometido um ato doloso, ou seja, uma fraude fiscal, uma vez que os atos praticados foram realizados em conformidade com a legislação existente à época da compensação, mediante o cumprimento de todas as obrigações acessórias inerentes. · In casu o processo de compensação citado no Auto de Infração foi em 31.10.2005, porém o vínculo normativo entre as compensações com as limitações, e, por essas razões consideradas não declaradas, e a imposição de penalidades, no caso da multa isolada de 150%, até 21 de novembro de 2005, vinham sendo estabelecidos com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 534/2005, Fl. 983DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 21 20 passando a ser disciplinada por lei através da edição da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, fator que vem reforçar a tese de que, em relação aos fatos ocorridos antes da vigência dos mencionados diplomas legais, não havia tipificação legal para o enquadramento dos contribuintes que exerceram o direito à compensação. · Portanto, para aplicação da penalidade pertinente à multa isolada de 150%, em outubro de 2005, seria necessário como fundamento uma combinação de várias instruções normativas, sem qualquer base legal, ressaltandose que somente através de Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência iniciada em 01.01.2006, também de constitucionalidade duvidosa, foi introduzida no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada de 150% sobre o valor compensado, caso a suposta compensação estivesse enquadrada no rol de restrições. · Defende a irretroatividade das normas publicadas ao final de 2004 e de 2005, que só seriam aplicáveis, respectivamente, a partir de 01/01/2005 e 01/01/2006, sob pena de violar direito adquirido, coisa julgada e ato jurídico perfeito, apesar de a multa não se tratar de um tributo. E acrescenta que o Código Tributário Nacional não poderia ser alterado por lei ordinária, sendo que seus arts. 105 e 106 somente admitem a retroatividade benigna, além de a sanção somente ser aplicável se houver lei anterior neste sentido. Em resumo, multa não é tributo, porém, o legislador deve aplicar o princípio da anterioridade quando forem instituídas novas multas ou forem feitas alterações em seus valores, pois seguem a mesma regra das obrigações principais em direito tributário. Entende a recorrente que a conduta fraudulenta se verifica só no momento da ocorrência do fato gerador com a finalidade de evitar ou diferir o seu pagamento, mediante exclusão ou modificação das características essenciais. Logo para a recorrente o citado artigo somente poderia ser aplicado para ações ou omissões relacionadas ao fato gerador, seja impedindo, retardando sua ocorrência, seja excluindo ou modificando suas características essenciais. Contudo, no caso sob análise, não haveria qualquer ataque ao fato gerador, que foi devidamente reconhecido e declarado, mas apenas à forma de extinção do crédito tributário dele decorrente. Descreve a essa linha de raciocínio o Acórdão nº 1201000.683 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1a Seção de Julgamento, julgado na sessão de 11 de abril de 2012, tendo por relator o Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz: A lei em questão define “fraude” como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 984DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 22 21 características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Quer dizer, para que a multa isolada em questão possa ser imposta é preciso que o contribuinte tenha agido de forma dolosa para (i) impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou para (ii) excluir ou modificar as suas características essenciais de modo a (ii.a) reduzir o montante do imposto ou (ii.b) evitar (ii.c) ou diferir o seu pagamento. Vêse que a imputação de fraude a que alude a lei para justificar a qualificadora versa exclusivamente sobre ações ou omissões que afetem o fato gerador do imposto, seja impedindo ou retardando a sua ocorrência, seja excluindo ou modificando suas características essenciais para reduzilo, ou evitar ou atrasar o seu pagamento. No caso em tela, a fraude ocorreu na geração artificial de crédito contra a Fazenda Nacional. Estes créditos foram depois utilizados para compensar tributos que na ocasião já estavam constituídos em sua integralidade, sem que seus fatos geradores do tributos compensandos viessem a sofrer qualquer impacto pela ação da recorrente. Os fatos geradores dos tributos compensandos fluíram e ocorreram normalmente porque a ação fraudulenta do contribuinte teve impacto na sua (pretensa) extinção pela compensação. Nenhum ato praticado pela recorrente mirou os fatos geradores dos tributos compensados uma vez que sua ação (i) gerou artificialmente os créditos e (ii) pretendeu quitar os tributos já devidamente constituídos (fatos geradores perfeitos e acabados). Realmente, nenhum de seus atos mirou o fato gerador de nenhum tributo. Não houve em momento algum impedimento ou retardamento de sua ocorrência. E a suposta extinção dos tributos pela compensação indevida ocorre em momento posterior à verificação do fato gerador e à constituição daqueles. Tanto que os tributos que foram apurados integralmente e corretamente pelo contribuinte no ato de compensação. Versaram seus valores efetivos, sem nenhuma redução, e versaram seus vencimentos nos prazos normais, ocasião em que foram indicados a uma compensação com créditos indevidos. Nos termos desta lei, se não há ataque ao fato gerador, não há fraude. Apesar de muito bem fundamentada, não posso aderir a essa linha interpretativa. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 23 22 Entender que os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964 nunca serão aplicação nos casos de compensação de tributos, porque somente se aplicariam aos tributos compensados e não a seus créditos, significa esvaziar completamente o conteúdo legal. É função do intérprete extrair da lei seu significado, harmonizandoa com todo o sistema normativo. Não é possível, contudo, indicar suposta contradição interna na norma e retirar toda sua força normativa, realizando, assim, uma verdadeira “revogação interpretativa”, instituto inexistente em nosso ordenamento. Ao contrário, deve o intérprete obter da norma um sentido possível, diante do objetivo pretendido pelo legislador, em harmonia com as demais leis e, especialmente, com a Constituição Federal. Nesse sentido, é evidente que o legislador pretendeu, com essa norma, penalizar os contribuintes que buscassem, de forma fraudulenta, extinguir seus tributos com créditos inexistentes. Se, nesse intuito, a norma aponta para dispositivo legal que previa ações dolosas contra o fato gerador, devese entender que se pretendeu dar sentido mais amplo que o original, aplicandoo, agora, também às situações de extinção do crédito tributário. Isto é, o legislador, diante da ausência de dispositivo que penalizasse diretamente a conduta de compensar fraudulentamente o crédito tributário, apontou para outro que regulava situação semelhante, pretendendo, assim, aproveitar todos os elementos que se amoldam aos fatos e circunstâncias que se objetivava legislar. Observese que diversas Turmas Julgadoras do CARF, e também as Câmaras do antigo Conselho de Contribuintes, não tiveram dificuldades em manter a multa qualificada em situações semelhantes. Observese que as ementas abaixo transcritas analisam a matéria antes da publicação da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, que passou a prever a penalidade quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Declarar informação falsa em PER/DCOMP, objetivando dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos decorrentes de natureza não tributária e de terceiros, demonstra o evidente intuito de fraude que deve ser penalizado com o lançamento de multa de oficio qualificada no percentual de 150%. (Acórdão nº 110100.103, 1ª Turma/1ª Câmara/1a SJ, sessão de 17 de junho de 2009, relator Conselheiro Valmir Sandri) INFORMAÇÕES FALSAS — CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO/FRAUDE — MULTA QUALIFICADA. A inserção de informações falsas em PER/DCOMP caracteriza a sonegação/fraude, acarretando a multa de oficio isolada qualificada. (Acórdão nº 110100.480, 1ª Turma/1ª Câmara/1a SJ, sessão de 27 de maio de 2011, relator Conselheiro José Ricardo da Silva) Fl. 986DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 24 23 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA A indicação de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal justifica o lançamento de oficio para imposição de multa isolada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A prestação de informação falsa na DCOMP transmitida constitui fundamento para a imposição da multa isolada no percentual de 150%, por caracterizar evidente intuito de fraude. (Acórdão nº 10196.610, 1ª Câmara/1a Conselho de Contribuintes, sessão de 06 de março de 2008, relator Conselheira Sandra Maria Faroni) Entendo pois que o cabimento da duplicação do percentual de 75% para cálculo da multa isolada agravada está enquadrada com a conduta do contribuinte que reuniu as características dos casos previstos nos arts. 72 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. E nem poderia ser diferente, a medida em que a penalidade prevista na lei, não decorre da mera constatação de falta de recolhimento do tributo, mas sim da conduta abusiva e/ou fraudulenta no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário, fato que necessariamente se verifica após a ocorrência do fato gerador. c) Do laudo pericial extrajudicial interposto Nos termos do art. 58, § 6º do Decreto 7.574/2011, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Nesse ínterim, a recorrente anexou aos presentes autos o Laudo pericial extrajudicial (fls. 262 – 783), por meio do qual o perito privado chegou às seguintes constatações: a. Foi constatado que os valores apresentados pela RFB não foram baixados na escrituração contábil da Empresa até 31 de dezembro de 2009, valores esses, que foram informados a RFB através das DIPJ's (Doe. n° 04; 05; 06; 07; 08; 09; 10 e 11) b. Os valores compensados através do Perd/Comp (Doe. 01 — Anexo A) não procedem, pois, tais compensações apresentadas pela RFB, em momento algum, foram base para a liquidação contábil das referidas Obrigações Tributárias estando, portanto, até essa data pendente na escrituração contábil. Como conclusão, o perito contábil asseverou que: Diante das constatações feitas em perícia, para que não paire nenhuma dúvida, os trabalhos periciais foram suportados por documentações hábeis e idôneas, por isso podemos concluir que os Autos de Infração de Multa Regulamentar (Doe. 02 e 03), Fl. 987DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 25 24 lavrados pelos Agentes Fiscais da Receita Federal do Brasil nasceram afetados de vícios materiais e formais, pois, nos registros contábeis da Rodoviário Transbueno Ltda:, inscrita no CNPJ sob no 50.437.4091000148. consta, e sempre constou, no Passivo Tributário todos os valores que devem ser Recolhidos ao Erário Público Federal, portanto, os valores lançados não procedem, conseqüentemente, a Multa Regulamentar não são devidas em hipótese alguma. Embora tenha sido fundamentado irrepreensivelmente, o laudo pericial apresentado não conseguiu nem afastar, nem enfrentar o principal argumento o qual norteia a presente autuação fiscal: caso ultrapassados 5 anos da apresentação da DCOMP nº 40771.53800.051005.1.3.048231, o crédito seria homologado tacitamente, e as compensações efetuadas definitivamente, extinguindo de uma vez por todas o crédito tributário. Mesmo que presentes em seu passivo tributário, os débitos estavam extintos perante a Receita Federal, o que poderia ter sido notado quando do Parcelamento no PAEX, como anteriormente asseverado. Como já asseverado, a DCOMP se trata de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 10.637/2002) e consequente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002). A simples alegação de seu desconhecimento foge aos critérios de razoabilidade, motivo pelo qual julgamos serem irrelevantes os resultados trazidos pelo referido laudo, mantendose a procedência da autuação. A fraude, como se vê, está provada na conduta de inserir elementos sabidamente inverídicos na declaração, a fim de viabilizar sua transmissão por meio eletrônico, e dele se valer para evitar a cobrança de débitos já confessados em DCTF. Como se vê, a conduta fraudulenta se verifica não só na ocorrência do fato gerador, como também em momento posterior, com a finalidade de evitar ou diferir o seu pagamento, mediante exclusão ou modificação das características essenciais, agora, da obrigação tributaria, a qual tem como objeto o crédito tributário. Diante de todo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão de 1ª instância pela procedência da autuação fiscal em todos os seus termos. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 988DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 26 25 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10166.000392/2014-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 14/02/2014
IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO.
As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento - "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" -, assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções".
Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95.
Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções".
IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE. LAUDO DO DETRAN QUE O HABILITA APENAS À CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMÁTICO OU COM EMBREAGEM ADAPTADA À ALAVANCA DE CÂMBIO. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO.
Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considera-se deficiente físico o indivíduo portador de espondilite anquilosante, que, em função das sequelas da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO. As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" , assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções". IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE. LAUDO DO DETRAN QUE O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 03 92 /2 01 4- 81 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 HABILITA APENAS À CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMÁTICO OU COM EMBREAGEM ADAPTADA À ALAVANCA DE CÂMBIO. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO. Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considerase deficiente físico o indivíduo portador de espondilite anquilosante, que, em função das sequelas da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 33/35 do processo digitalizado – doravante utilizado como padrão de referência), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do interessado, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. DEFICIÊNCIA PERMANENTE. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional quando o laudo de avaliação médica não atesta deficiência permanente. Manifestação de Inconformidade Improcedente A lide decorre dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A pessoa física interessada em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 3802004.089 S3TE02 Fl. 49 3 Mediante o Despacho Decisório de fls. 19/23, a Delegacia da Receita Federal do Brasil/DRF em Brasília/DF indeferiu o pedido, tendo em vista que nos laudos acostados ao processo não consta nenhuma das deficiencias contempladas no inciso IV, §1º, art 1º, da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 Regularmente cientificada (fls.25/26), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 27/28), por meio da qual alegou que, ao realizar a renovação da carteira de habilitação, o DetranDF emitiu laudo impondo restrição ao dirigir veículos automotores. De acordo com a decisão de primeira instância, o laudo apresentado pelo interessado atesta como deficiência física "espondilite ancilosante", "espondilolistese" CID10 respectivamente M45 e M43.1, espécies que não se encontram dentre as elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Ademais, ressaltou ainda a instância a quo que "nas definições constantes do Anexo IX da IN RFB nº 988, de 2009, introduzido pela IN RFB nº 1.369, de 26 de junho de 2013, consta que o laudo só poderá ser emitido se a deficiência atender ao critério de ser permanente, o que não ocorre no presente caso, conforme laudo acima transcrito". Cientificado da referida decisão em 17/07/2014 (fls. 37), o interessado, em 07/08/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 41/45 onde aduz que, ao realizar a renovação de sua carteira de habilitação, o DETRANDF emitiu o Laudo de Junta Médica Especial impondo restrição à condução de veículos automotores devido à "sacroileite esquerda". Assim, o mesmo foi autorizado a conduzir veículos desde que os mesmos viessem equipados com transmissão automática. A título de prova apresenta cópia de sua carteira de habilitação com a anotação da letra "D" no campo observações, que, segundo alega, diz respeito à adaptação veicular mencionada. Aduz que, de acordo com o "Perguntas e Respostas Dirf 2014", pergunta 18, "os portadores de espondiloartrose anquilosante (também conhecido como espondilite anquilosante) são isentos do IRPF", afirmação que tem como fundamento legal a Lei nº 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV. Assim, por analogia, poderseia conceder também a isenção do IPI. Assevera ainda que o rol de moléstias discriminadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 seria apenas exemplificativo, e alicerça sua tese em decisão proferida na apelação cível nº 013072952.2000.4.01.0000. Por fim, transcreve trecho da Portaria do Ministério da Saúde nº 640, de 24/07/2014, que trata da espondilite anquilosante. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Conforme relatado, vêse que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de isenção de IPI Deficiente físico onde a manifestação de inconformidade formalizada pelo interessado contra o indeferimento do pleito foi julgada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto (fls. 33/35). Não obstante, penso que o recorrente faz jus à isenção pleiteada. Extraise do laudo de fls. 07, emitido pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal, o seguinte: 2. Histórico [...] Histórico da doença atual: Paciente com sacroileíte mais evidente à esquerda devido a Espondilite Anquilosante diagnosticada em 2005. Refere dor importante no quadril esquerdo. Também apresenta espondilólise com listese L5SI. 3. Exame Específico: Lombalgia mais evidente à esquerda. Força muscular preservada. [...] 5. Diagnóstico CID 10: M45, M43.1 6. Discussão: Adaptações indicadas devido à sacroileite esquerda. Apresenta risco adicional para conduzir veículos automotores convencionais (comuns ou básicos) Tipo: Sacroileite / Espondilite Anquilosante A apresentação atual das limitações observadas são: pedal de embreagem Do ponto de vista evolutivo as limitações observadas são de caráter: Indefinidas Observações obrigatórias: Veículo adaptado com: transmissão automática. Liberado da banca especial. 7. Conclusão: Apto(a) na categoria (B115) com restrição a esta categoria (grifos nossos) Já o laudo de fls. 08, expedido pelo HBDF, atesta o seguinte: Paciente com espondilite anquilosante (CID 10 M45), conforme laudo anexo. Doença encontrase parcialmente controlada com o uso de medicações [...]. [...] doença inflamatória podendo evoluir com danos articulares/estruturais [...] Às fls. 12 foi anexada a Carteira Nacional de Habilitação, expedida em 03/02/2000, em cujo campo observações consta a designação "D", que, segundo a Resolução CONTRAN nº 192, de 30/03/2006, anexo II, diz respeito a "veículo automático ou embreagem adaptada a alavanca de câmbio". Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 3802004.089 S3TE02 Fl. 50 5 Portanto, não resta dúvida de que o interessado tem limitações físicas significativas, atestadas pelo HBDF e pelo DETRAN, em razão das quais necessita de veículo automotor automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Com efeito, não faria nenhum sentido o Departamento de Trânsito restringir a condução de veículo pelo reclamante a apenas àqueles automáticos ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio não estivesse o interessado com as suas funções motoras limitadas. Ademais, as disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física elencados no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas), o que se extrai pela conjunção "também" utilizada no início do preceito em comento – "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, assim como pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Segue o inteiro teor do dispositivo referenciado: § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifos nossos) Assim, se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, notadamente no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Refirome a "disfunções motoras" porque são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária – e não o acometido de toda e qualquer deficiência –, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Com efeito, monoparesia, paraparesia, tetraparesia e hemiparesia designam a paresia – disfunção, funcionamento comprometido – respectivamente, em um membro, em ambos os membros (geralmente inferiores), em todos os membros, ou nos membros de um lado do corpo. Na mesma toada, quando os prefixos mono, para, tetra e hemi são associados ao sufixo plegia – que diz respeito à perda total da força muscular, paralisia – temos designadas as deficiências físicas que causam a paralisia dos membros do corpo, conforme o prefixo adotado (monoplegia, tetraplegia, triplegia, triparesia, hemiplegia). Já quando há amputação ou ausência de um membro, o comprometimento da função motora é evidente. O mesmo se diga em relação à paralisia cerebral ou à existência de membros com deformidade congênita ou adquirida. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Como se vê, TODOS os exemplos elencados pelo legislador, destinados a guiar o intérprete no que concerne ao alcance do conceito de deficiência física que buscou amparar pela norma, dizem respeito a deficiências que causam comprometimento das funções motoras do indivíduo. Logo, seria equivocado defender que o uso do termo "também", empregado no início do § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 – "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, daria guarida à aplicação da isenção do IPI a toda e qualquer deficiência. Os exemplos de deficiências físicas discriminadas no aludido dispositivo não permitem interpretação nesse sentido. E isso é reforçado pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções" (grifei), o que reforça a exegese que defendemos no sentido de que a deficiência física amparada pela isenção de que trata o § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 é aquela que causa comprometimento das funções motoras do indivíduo. Importa destacar que o legislador não se restringiu apenas às deficiências físicas nos moldes definidos pelo § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, mas garantiu o direito também aos deficientes visuais, aos deficientes mentais (severa ou profunda) e aos autistas (conforme inciso IV do artigo 1º da Lei nº 8.989/95). A conceituação de deficiência visual ou mental, para fins da isenção tributária objeto da norma em evidência, deverá obedecer aos ditames contidos nos parágrafos 2º e 4º do artigo 1º da Lei nº 8.989/951. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais (assim definidos aqueles com acuidade visual igual ou menor que 20/200 – tabela de Snellen – no melhor olho – § 2º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95) e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções", como no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, e dadas as sequelas decorrentes da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Cumpre destacar que o entendimento supra está em perfeita sintonia com o disposto no artigo 111, inciso II, do CTN. Com efeito, Interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva. Compreendase. Todas devem, na medida do possível, contribuir para manter o Estado. As exceções devem ser compreendidas com extrema rigidez. (Sacha Calmon Navarro Coêlho. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 10. ed., 2009, p. 610) 1 § 2º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) [...] § 4º A Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor e o Ministério da Saúde definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação delas. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 3802004.089 S3TE02 Fl. 51 7 Por fim, corroborando o presente entendimento de que o suplicante faz jus ao direito à isenção, não é por demais destacar alguns trechos do anexo à Portaria do Ministério da Saúde nº 640, de 24/07/2014, que aprova o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da espondilite ancilosante, e que deixa claro a gravidade e a natureza degenerativa dessa enfermidade de evolução crônica, cujo acompanhamento médico deve ser feito por tempo indefinido. 2 INTRODUÇÃO A espondilite ancilosante ou anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica classificada no grupo das espondiloartrites que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Assim, as formas mais iniciais de EA, nas quais o dano estrutural é menor ou inexistente, podem ser classificadas como espondiloartrites axiais (Quadro 2). [...] O sintoma inicial costuma ser lombalgia, caracterizada por dor noturna, de início insidioso, que não melhora com repouso (mas melhora com exercícios). Além do comprometimento axial, a EA também costuma acometer articulações periféricas (oligoartrite de grandes articulações de membros inferiores) e pode causar manifestações extraesqueléticas, tais como uveíte anterior aguda (UAA), insuficiência aórtica, distúrbios de condução cardíacos, fibrose de lobos pulmonares superiores, compressão nervosa ou neurite, nefropatia ou amiloidose renal secundária. [...]. O comprometimento axial referese ao acometimento das estruturas do esqueleto axial (por exemplo, vértebras, articulações sacroilíacas, pelve), e o comprometimento periférico, ao acometimento das estruturas do esqueleto apendicular (por exemplo, dedos, calcâneo, joelhos). [...]. No Brasil, cerca de 70% das espondiloartrites são EA, com um custo anual médio para a sociedade estimado em US$ 4.597,00 por paciente (8, 14). Além do custo social, a EA acarreta piora da qualidade de vida para o paciente, impactando de forma negativa diversos domínios da vida pessoal, inclusive a atividade sexual (15). A identificação da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão à Atenção Básica um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos. [...] 8.5 TEMPO DE TRATAMENTO CRITÉRIOS DE INTERRUPÇÃO O tempo de tratamento não é prédeterminado, devendo o tratamento ser mantido enquanto houver benefício clínico. Apesar de alguns estudos observarem manutenção de remissão após a retirada dos biológicos anti TNF (60, 71, 72), inexistem critérios para a interrupção do tratamento. Após a remissão, a maioria dos pacientes apresenta recidiva com a interrupção do tratamento (49). Na falha ao segundo antiTNF (ausência de resposta depois de, pelo menos, 6 meses de uso da dose preconizada), pode ser considerado um terceiro antiTNF, embora as evidências em favor dessa conduta sejam escassas (67, 68). Na ausência de resposta com o terceiro antiTNF utilizado por, pelo menos, 6 meses, deve haver interrupção dessa terapia. 8.6 BENEFÍCIOS ESPERADOS Fl. 54DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Com o tratamento adequado, esperase melhora da dor, rigidez axial e periférica, capacidade funcional e laboral e qualidade de vida do paciente (20, 23, 2731, 38, 42, 4648, 65, 67, 7396). 9 MONITORIZAÇÃO Devem ser monitorizados as resposta terapêutica, efeitos colaterais e risco cardiovascular (21, 22, 97). A resposta ao tratamento de EA axial consiste na redução mínima de 50% ou de 2 pontos (valor absoluto) no escore BASDAI (1). Artrite periférica, entesite e dactilite são avaliadas por anamnese e exame físico. Reavaliações clínicas podem ser realizadas a cada 3 meses em doença ativa e anualmente em doença estável (1, 22). Exames laboratoriais (por exemplo, velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa), que devem ser feitos antes e durante o tratamento (nos períodos de maior atividade de doença, a cada 1 3 meses e de menor, a cada 3 meses), são úteis na avaliação de atividade de doença. Radiografias simples de articulações sacroilíacas, bacia, coluna dorsal e lombossacra podem ser realizadas no início do acompanhamento e a cada 2 anos, buscando danos estruturais evolutivos, que, quando presentes, indicam mudança de tratamento (1, 22). [...] Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo, consequentemente, em favor do recorrente, o direito à isenção de IPI na aquisição de veículo automotor. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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