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Numero do processo: 13971.916330/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 30 /2 01 1- 44 Fl. 70DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 12), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916330/201144 Acórdão n.º 3402003.923 S3C4T2 Fl. 71 3 Direito Creditório Não Reconhecido" Intimado pessoalmente desta decisão em 22/07/2013, foi apresentado Recurso Voluntário em 15/08/2013 no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição (código de receita 2172), vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa em novembro/2002 ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e "ALUGUÉIS RECEBIDOS", conforme planilha à efl. 66), que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para Fl. 72DF CARF MF 4 o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916330/201144 Acórdão n.º 3402003.923 S3C4T2 Fl. 72 5 ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 74DF CARF MF 6 de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916330/201144 Acórdão n.º 3402003.923 S3C4T2 Fl. 73 7 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Fl. 76DF CARF MF 8 O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916330/201144 Acórdão n.º 3402003.923 S3C4T2 Fl. 74 9 Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.006898/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.927
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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MARIT.LTDA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 68 98 /2 00 8- 15 Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 9303003.927 CSRFT3 Fl. 625 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3102002.040, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 9303003.927 CSRFT3 Fl. 626 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 9303003.927 CSRFT3 Fl. 627 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 9303003.927 CSRFT3 Fl. 628 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724759/2015-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. ACORDO HOMOLOGADO EM TEMPO LONGÍQUO. FILHO MAIOR DE 24 ANOS. AUSÊNCIA DE PROVA DA NECESSIDADE.
Diante da ausência de prova em sentido contrário, correto o entendimento do fisco de que, em razão do lapso temporal transcorrido entre o acordo homologado judicialmente e a data dos fatos, presume-se a capacidade de prover a própria subsistência por parte dos alimentados, sendo desnecessária a prestação alimentar.
Numero da decisão: 2201-003.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim votaram pelas conclusões por concordarem exclusivamente com a manutenção da glosa por ausência de comprovação do pagamento.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. ACORDO HOMOLOGADO EM TEMPO LONGÍQUO. FILHO MAIOR DE 24 ANOS. AUSÊNCIA DE PROVA DA NECESSIDADE. Diante da ausência de prova em sentido contrário, correto o entendimento do fisco de que, em razão do lapso temporal transcorrido entre o acordo homologado judicialmente e a data dos fatos, presume-se a capacidade de prover a própria subsistência por parte dos alimentados, sendo desnecessária a prestação alimentar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim votaram pelas conclusões por concordarem exclusivamente com a manutenção da glosa por ausência de comprovação do pagamento. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
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ACORDO HOMOLOGADO EM TEMPO LONGÍQUO. FILHO MAIOR DE 24 ANOS. AUSÊNCIA DE PROVA DA NECESSIDADE. Diante da ausência de prova em sentido contrário, correto o entendimento do fisco de que, em razão do lapso temporal transcorrido entre o acordo homologado judicialmente e a data dos fatos, presumese a capacidade de prover a própria subsistência por parte dos alimentados, sendo desnecessária a prestação alimentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim votaram pelas conclusões por concordarem exclusivamente com a manutenção da glosa por ausência de comprovação do pagamento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 47 59 /2 01 5- 04 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 12448.724759/201504 Acórdão n.º 2201003.408 S2C2T1 Fl. 135 2 AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão bem delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 09 a 15), referente ao exercício 2014, ano calendário 2013, que alterou o imposto a restituir apurado pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual de R$ 15.762,39 para R$ 6.778,95 . O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2014, anocalendário 2013. Valor: R$ 1.370,00. Motivo da glosa Falta de apresentação de comprovantes. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública– glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2014, ano calendário 2013. Valor: R$ 57.803,06. Motivo da glosa: sem apresentação de comprovantes de pagamento, petição inicial antiga. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/08, acompanhada de documentos, alegando que o valor questionado referese a pagamento efetuado a titulo de pensão alimentícia, decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. Continua afirmando que em decorrência de acordo homologado judicialmente ficou obrigado a pagar o valor de Cr$ 60.000,00 (sessenta mil cruzeiros) para custear despesas de sua exesposa e filho na proporção de 1/3 para cada um. Ressalta que não houve exoneração da pensão e que no ano de 2013 fez a conversão do valor de cruzeiros para real. Alega que efetua mensalmente o pagamento do valor da pensão diretamente para a Sra. Regina Maria Candido de Oliveira. Requer a juntada das planilhas comprovando a conversão dos valores. Ressalta que existe uma diferença a maior de R$ 2.997,81, do valor corrigido à época para o corrigido em 28/05/2015. Discorda da glosa do valor da pensão, entende que, no máximo, deveria ser glosada a diferença de R$ 2.997,81 Concorda com a glosa de despesas médicas no valor de R$ 120,00 relativo ao prestador Felipe Correol Daim. Afirma ainda que foi lançado um valor de R$ 1.250,00, por equivoco em duplicidade. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 12448.724759/201504 Acórdão n.º 2201003.408 S2C2T1 Fl. 136 3 A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sob o argumento principal de que a pensão alimentícia paga pelo autor não se enquadrava nas hipóteses previstas em lei para a dedução, tendo em vista que a decisão de conversão de separação judicial em divórcio foi silente acerca da obrigação alimentícia. A primeira instância também entendeu que, por ser datado no ano de 1980, o acordo convertido não teria mais validade, fazendose necessária uma prova mais recente de que tais prestações decorrem de decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública. Vale ressaltar que, a instância a quo não se manifestou em relação às despesas médicas, tendo em vista que tal glosa não foi impugnada. Cientificado do acórdão da DRJ em 30/11/2015, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário em 18/12/2015, alegando, em síntese, que: Concorda com a glosa das despesas médicas. Não é necessária a previsão expressa, na decisão de conversão, de todos os termos do acordo anterior, tendo em vista que tais preceitos são renovados tácita e automaticamente com a decisão de conversão da separação em divórcio. É necessária decisão judicial para exonerar o contribuinte do pagamento de pensão alimentícia, o que não é o caso. Que a glosa é devida no montante de R$ 2.997,81, valor referente à diferença da conversão feita à época do pagamento e a conversão feita atualmente no sítio do TJRJ na internet. Requer, por fim, o provimento do recurso para afastar a glosa incidente sobre pensão alimentícia ou considerála no montante de R$ 2.997,81. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da dedução de pensão alimentícia Fl. 136DF CARF MF Processo nº 12448.724759/201504 Acórdão n.º 2201003.408 S2C2T1 Fl. 137 4 Dois foram os argumentos utilizados pela DRJ para julgar improcedente a impugnação do ora recorrente, quais sejam: ausência de previsão expressa na decisão de conversão de separação em divórcio e antiguidade do acordo homologado judicialmente. No que tange ao tempo em que a decisão foi proferida, assiste razão à tese do fisco. Datada de 1980, a decisão pode não estar mais surtindo efeitos, sendo necessárias novas provas que atestem o pagamento regular da pensão alimentícia. Com uma simples conta matemática concluise que, os filhos do contribuinte possuíam, no mínimo, 33 (trinta e três) anos à época da ocorrência dos fatos geradores. Impende ressaltar que a sentença de conversão de separação judicial em divórcio consensual, datada de 08/05/2001, não faz qualquer menção ao pagamento da pensão alimentícia. Oportuno verificar o que estabelece o artigo 35 da Lei 9.250/95: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do Fl. 137DF CARF MF Processo nº 12448.724759/201504 Acórdão n.º 2201003.408 S2C2T1 Fl. 138 5 contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. § 5º Sem prejuízo do disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 3 o da Lei n o 10.741, de 1 o de outubro de 2003, a pessoa com deficiência, ou o contribuinte que tenha dependente nessa condição, tem preferência na restituição referida no inciso III do art. 4 o e na alínea “c” do inciso II do art. 8 o . (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência).(grifei). Em relação à pensão para filhos com tamanha idade, temos os seguintes julgados: ALIMENTOS. GENITOR E DUAS FILHAS MAIORES E CAPAZES (26 E 28 ANOS) QUE REQUEREM AO JUÍZO DE FAMÍLIA HOMOLOGAÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, PARA DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO. IRRESIGNAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO QUANTO À HOMOLOGAÇÃO, TENDO EM VISTA A POSSIBILIDADE DE INOBSERVÂNCIA DE NORMAS PREVIDENCIÁRIAS E TRIBUTÁRIAS. SENTENÇA QUE MERECE SER REFORMADA, UMA VEZ QUE INEXISTENTE UMA DAS CONDIÇÕES DA AÇÃO, QUAL SEJA, INTERESSE, NA MODALIDADE UTILIDADE. Sustenta o genitor que pretende ajudar na manutenção das filhas, ainda universitárias. A iniciativa é louvável, mas não depende de homologação de acordo pelo Juízo, pois o genitor pode, espontaneamente, depositar mensalmente a quantia que achar devida para suas filhas, sem que o empregador tenha que fazêlo. Os alimentos decorrentes do poder familiar se estendem, no máximo, até os 24 anos e os relacionados ao parentesco dependem da comprovação da necessidade. PROVIMENTO DO APELO.(grifei). (TJRJ APL: 00085208620128190045 RJ 000852086.2012.8.19.0045, Relator: DES. FLAVIA ROMANO DE REZENDE, Data de Julgamento: 01/04/2014, OITAVA CAMARA CIVEL, Data de Publicação: 08/04/2014 16:29). EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. MAIORIDADE. ATIVIDADE REMUNERADA NAS FILEIRAS DAS FORÇAS ARMADAS DA MARINHA. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. A prestação de alimentos aos filhos cessa no momento em que estes completam a maioridade civil, tendo em vista que a partir desse fato passam a ser os titulares de direitos e obrigações em sua plenitude. Raras são as situações em que os genitores são compelidos a arcarem com os alimentos, após a maioridade dos filhos. A prestação de alimentos após essa fase, portanto, é exceção. Cessada a menoridade, a obrigação de prestar alimentos passa a decorrer do grau de parentesco entre pai e filho e não mais do dever de munir a subsistência deste. Nesse sentido, há de se observar o disposto no art. 1.695 do Código Civil que "são devidos Fl. 138DF CARF MF Processo nº 12448.724759/201504 Acórdão n.º 2201003.408 S2C2T1 Fl. 139 6 os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento". Com o implemento da maioridade, afastase a presunção de necessidade do encargo alimentar. Nessas situações, há que se perquirir se o alimentante possui condições de prestar os alimentos e se o alimentando ainda necessita da pensão, necessidade esta cuja prova compete ao alimentando. Não há prova da necessidade especial ou extraordinária que viabilizaria a manutenção dos alimentos. O alimentando atingiu a maioridade civil e exerce atividade remunerada nas fileiras das Forças Armadas da Marinha, sem ter comprovado a matrícula em alguma instituição de ensino, não há como lhe ser reconhecido o direito de permanecer recebendo alimentos baseados apenas na relação de parentesco. Recurso desprovido.(grifei). (TJDF 20150111351929 Segredo de Justiça 001883934.2015.8.07.0016, Relator: HECTOR VALVERDE, Data de Julgamento: 20/07/2016, 6ª TURMA CÍVEL, Data de Publicação: Publicado no DJE : 26/07/2016 . Pág.: 226/248). Os julgados supra transcritos representam a melhor interpretação legal quando tratam de pensão alimentícia para filhos maiores e não incapacitados para o trabalho. É pacífico o entendimento de que o prazo para prestação alimentar pode se estender até 24 anos de idade, nos casos em que o filho cursa ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Excepcionalmente, essa idade ainda pode ser estendida, caso seja comprovada a impossibilidade física ou mental do alimentado para o trabalho, bem como a impossibilidade de prover a sua própria subsistência. Em suma, a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia tem lastro na necessidade do alimentado, que é presumida, para os capazes que cursam ensino superior ou escola técnica de segundo grau, até os 24 anos de idade. Após a referida idade, tal necessidade deixa de ser presumida, sendo necessária prova cabal de sua real necessidade, o que não aconteceu no presente caso. Diante da ausência de prova em sentido contrário, correto o entendimento do fisco de que, em razão do lapso temporal transcorrido entre o acordo homologado judicialmente e a data dos fatos, presumese a capacidade de prover a própria subsistência por parte dos alimentados, sendo desnecessária a prestação alimentar. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 139DF CARF MF Processo nº 12448.724759/201504 Acórdão n.º 2201003.408 S2C2T1 Fl. 140 7 Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.900012/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.986
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 2/ 20 12 -8 6 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.900012/201286 Resolução nº 3401000.986 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.010. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10480.900012/201286 Resolução nº 3401000.986 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.900012/201286 Resolução nº 3401000.986 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000516/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2005
PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte, à ocorrência do fato imponível, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543-C, do CPC/1973, de reprodução obrigatória, pelo §2º, do art. 62, do RICARF/2015)
BASE DE CÁLCULO. REGIME MISTO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃO-CUMULATIVIDADE.
As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo.
BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2005
PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte, à ocorrência do fato imponível, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543-C, do CPC/1973, de reprodução obrigatória, pelo §2º, do art. 62, do RICARF/2015)
BASE DE CÁLCULO. REGIME MISTO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃO-CUMULATIVIDADE.
As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo.
BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
RO Provido em Parte e RV Negado
Numero da decisão: 3401-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício, restabelecendo as exações imponíveis, com fulcro nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, nas competências de 01/2003 a 05/2003, aplicando-se o artigo 173, I, do CTN, por ausência de pagamentos das contribuições sociais não-cumulativas, no período indicado, mantendo o restante da decisão de primeira instância, quanto à preliminar de decadência, pelos seus próprios fundamentos, ao aplicar o artigo 150, § 4º, do CTN, por existência de pagamentos das contribuições sociais cumulativas. Vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Hélcio Lafetá Reis (Suplente), Rodolfo Tsuboi (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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TERMO INICIAL. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte, à ocorrência do fato imponível, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, de reprodução obrigatória, pelo §2º, do art. 62, do RICARF/2015) BASE DE CÁLCULO. REGIME MISTO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃOCUMULATIVIDADE. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo. BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 16 /2 00 8- 71 Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.173 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2005 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte, à ocorrência do fato imponível, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, de reprodução obrigatória, pelo §2º, do art. 62, do RICARF/2015) BASE DE CÁLCULO. REGIME MISTO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. DEMAIS RECEITAS. NÃOCUMULATIVIDADE. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados, sujeitam essas receitas ao regime cumulativo de apuração do Pis e da Cofins, cuja base de cálculo será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do veículo. BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RO Provido em Parte e RV Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício, restabelecendo as exações imponíveis, com fulcro nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, nas competências de 01/2003 a 05/2003, aplicandose o artigo 173, I, do CTN, por ausência de pagamentos das contribuições sociais nãocumulativas, no período indicado, mantendo o restante da decisão de primeira instância, quanto à preliminar de decadência, pelos seus próprios fundamentos, ao aplicar o artigo 150, § 4º, do CTN, por existência de pagamentos das contribuições sociais cumulativas. Vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.174 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Hélcio Lafetá Reis (Suplente), Rodolfo Tsuboi (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados e cientificados pessoalmente, em 02/06/2008 (fls.1 5/241), para exigência de créditos tributários relativos às contribuições para o PIS/PASEP (R$ 519.887,92) e COFINS (R$ 2.076.428,51) cumulativas e nãocumulativas, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, referentes às insuficiências de recolhimentos resultantes de recomposições das bases de cálculo das contribuições sociais, confrontadas com os valores pagos (DARF) e/ou confessados (DCTF e/ou DCOMP), no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, conforme Termos de Verificação Fiscal TVF (fls. 31/33 e 156/158). Nos TVF, restou consignado estar o contribuinte sujeito ao regime misto de apuração das contribuições sociais: receitas das vendas de veículos automotores usados, sujeitas a incidência cumulativa (artigo 8°, inciso VII, aliena "c" c/c artigo 68, inciso II, da Lei n° 10.637/02), e demais receitas, sujeitas ao regime da nãocumulatividade. A acusação fiscal é de insuficiências de recolhimentos, durante todo o período de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, resultantes das recomposições das bases de cálculo das contribuições sociais (QUADRO N° 001 DEMONSTRATIVO DA BASE DE CALCULO DO PIS[COFINS] E DAS DIFERENÇAS APURADAS), confrontadas com os valores pagos (DARF) e/ou confessados (DCTF e/ou DCOMP): R$12,00, em todos os meses, para cada tributo. Nas recomposições das bases de cálculo das contribuições sociais, além da imputação principal, no regime da cumulatividade, calculada com base no faturamento (receita com venda de veículos usados menos custo dos veículos usados), já que os veículos novos sujeitamse à substituição tributária, outros ajustes foram efetuados, descritos e demonstrados nos respectivos quadros indicados: crédito presumido calculados sobre o estoque de abertura (QUADRO N° 002); valores relativos as aquisições e vendas de peças sujeitas ao regime monofásico (QUADRO N° 003); e exclusões da base de cálculo (QUADRO N° 001), dentre outros, dos valores comprovados relativos ao ressarcimento de ICMS. Confrontados os valores das contribuições sociais, apuradas a partir das bases de cálculo recompostas de ofício, com os valores pagos (DARF) e/ou confessados (DCTF e/ou DCOMP): R$12,00, em todos os meses, para cada tributo, resultaram as diferenças apuradas nos QUADRO N° 001 DEMONSTRATIVO DA BASE DE CALCULO DO PIS[COFINS] E DAS DIFERENÇAS APURADAS, objeto da imputação de insuficiências de recolhimentos. Cientificada pessoalmente dos autos de infração, em 02/06/2008 (fls. 6 e 134), apresentou impugnação, em 01/07/2008 (fls. 952/974), em síntese, argüindo preliminar de decadência; e no mérito: (a) inconstitucionalidade da base de cálculo, (b) compensações de créditos, (c) caráter confiscatório da cobrança da multa de ofício, (d) inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da SELIC; além de protestar pela posterior (e) produção de provas. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.175 4 A decisão de primeira instância, proferida em 24/04/2015 (fls. 1074/1085), foi pela procedência parcial da impugnação, no que tange à decadência, excluindose da exação, apenas, os lançamentos de períodos de apuração anteriores a 31/05/2003, inclusive. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. NÃOCUMULATIVIDADE. Conforme determinação legal e constitucional expressa, o PIS e a Cofins, no vigente regime da nãocumulatividade, incidem sobre a receita ou faturamento, resultado este equivalente ao total da receita bruta decorrente da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS USADOS. CUMULATIVIDADE. Em se tratando de vendas de veículos usados o PIS e a Cofins sujeitamse ao regime da cumulatividade e são calculadas com base no faturamento (receita com venda de veículos usados menos custo dos veículos usados). PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. Nos exatos termos do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN. MULTA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONFISCO. A multa, no caso de lançamento de oficio, tem o percentual estabelecido na legislação, cabendo ao agente do Fisco o seu cumprimento. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador e não ao mero aplicador da lei que a ela deve obediência. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição da multa proporcional de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos julgadores administrativos é defeso apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.176 5 Por força de recurso necessário, o crédito exonerado, nos termos do art. 34, do PAF Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 03/082, alterada pela Portaria MF nº 63/17, foi submetido à apreciação do CARF. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 1111) em 26/05/2015, apresentase, em 29/06/2015, o recurso voluntário (fls. 1113/1142) quanto ao crédito mantido, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. É o relatório. 2 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida RECURSO DE OFÍCIO Cuidase de recurso de ofício, onde o valor desonerado supera o de alçada, atendendo os requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida, responsáveis pela exoneração de parcela do crédito tributário e objeto do presente reexame necessário: "DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Neste caso, assiste razão, em parte, à empresa. Vejamos. Em consonância com o Parecer PGFN nº 1.617, de 2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária, a regra matriz a ser aplicada para a contagem do prazo decadencial depende da existência ou não de pagamento antecipado. Assim, o prazo a ser considerado e aplicado quando há pagamento antecipado é aquele previsto no art 150, § 4º do CTN; no presente caso verificouse a ocorrência de pagamentos (conforme informações trazidas pela fiscalização no quadro demonstrativo nº 001 e DARF’s de fls. 924 a 934 e 1034 a 1044) efetuados pela empresa, de modo que, estando o lançamento regulamente notificado em 02/06/2008, encontramse caducos TODOS os lançamentos promovidos entre as competências de janeiro de 2001 a maio de 2003 (inclusive)." (grifei) Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.177 6 Passase, então, a avaliar as razões apontadas pela decisão recorrida de oficio para exoneração parcial da exação: decadência do art 150, § 4º do CTN, diante da existência de pagamentos antecipados das contribuições cumulativas: 8109 PIS FATURAMENTO e 2172 COFINS FATURAMENTO, nas competências exoneradas, de 01/2001 a 05/2003. Notar que nos DARF’s de fls. 924 a 934 e 1034 a 1044, considerados pela decisão recorrida, não existem pagamentos antecipados das contribuições nãocumulativas: 6912 PIS NÃO CUMULATIVO e 5856 COFINS NÃOCUMULATIVA, nas competências exoneradas, de 01/2001 a 05/2003. Concluiu a decisão recorrida, com fulcro no Parecer PGFN/CAT nº 1.617/08, que a regra matriz a ser aplicada para a contagem do prazo decadencial, na existência de pagamentos antecipados, é aquela prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, "...estando o lançamento regulamente notificado em 02/06/2008, encontramse caducos TODOS os lançamentos promovidos entre as competências de janeiro de 2001 a maio de 2003 (inclusive)." O Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, apontado, segue a mesma linha de precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ, consolidada no julgamento do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, determinada pelo §2º, do art. 62, do RICARF/2015. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.178 7 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Andou bem a decisão recorrida que, nos termos do ato normativo que invocou, utilizandose de regra hermenêutica, para a contagem dos prazos decadenciais do CTN, dependente da existência (150, § 4º) ou inexistência (173, I) de pagamento antecipado. Apenas, desacordo, em parte, com as conclusões alcançadas pelo acórdão recorrido ao decidir: "...estando o lançamento regulamente notificado em 02/06/2008, encontramse caducos TODOS os lançamentos promovidos entre as competências de janeiro de 2001 a maio de 2003 (inclusive).", aplicando a decadência do art 150, § 4º, do CTN, diante da existência de pagamentos antecipados das contribuições cumulativas: 8109 PIS FATURAMENTO e 2172 COFINS FATURAMENTO, sobre TODOS os FATOS IMPONÍVEIS, nas competências exoneradas, de 01/2001 a 05/2003, ainda que nos DARF’s de fls. 924 a 934 e 1034 a 1044, considerados pela decisão recorrida, não existam quaisquer pagamentos antecipados das contribuições nãocumulativas: 6912 PIS NÃO CUMULATIVO e 5856 COFINS NÃOCUMULATIVA, nessas competências exoneradas. Diante da ausência de pagamentos antecipados, sobre os fatos imponíveis, pelas distintas hipóteses de incidência das novas contribuições sociais nãocumulativas, nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: "O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação..." [REsp nº 973.733/SC], não tendo os pagamentos antecipados, sobre os fatos imponíveis sujeitos às LC nº 07/1970 e 70/1991; e Leis nº 9.715/1998 e 9.718/1998; das contribuições sociais cumulativas, o condão de antecipar o termo inicial da contagem decadencial, pela simples inexistência de pagamento sobre o fato imponível, subsumido às Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, à homologarse. O regime misto de recolhimentos das contribuições sociais a que esta sujeito o contribuinte, permite a perfeita identificação dos fatos imponíveis, subsumíveis à legislações e hipóteses de incidência distintas: receitas das vendas de veículos automotores usados, sujeitas a incidência cumulativa e demais receitas, sujeitas ao regime da nãocumulatividade. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.179 8 Assim, retificando a decisão recorrida, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício, restabelecendo as exações imponíveis, com fulcro nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, nas competências de 01/2003 a 05/2003, aplicandose o artigo 173, I, do CTN, por ausência de pagamentos das contribuições sociais nãocumulativas, no período indicado, mantendo o restante da decisão de primeira instância, quanto à preliminar de decadência, pelos seus próprios fundamentos, ao aplicar o artigo 150, §4º, do CTN, por existência de pagamentos das contribuições sociais cumulativas. RECURSO VOLUNTÁRIO No mérito, a Recorrente reitera a argumentação expressa na impugnação, sustentando: (a) inconstitucionalidade da base de cálculo incluindo todas as receitas auferidas, (b) compensações de créditos judiciais da execução contra a fazenda publica nº 95.02087631, (c) caráter confiscatório da cobrança da multa de ofício, (d) inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da SELIC INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO Reitera a Recorrente que estava adstrita ao recolhimento das contribuições sociais, sob o sistema cumulativo, bem como pelo regime não cumulativo, a partir de determinado período, incidente sobre todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, entendendo, porém de forma completamente inconstitucional. Extraise das alegações recursais que entende o contribuinte ser o recolhimento das contribuições sociais, incidentes sobre todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, completamente inconstitucional. Sobre o tema, pronunciose o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral e definiu que a noção de faturamento deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. “RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.” (grifei). No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1 do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (grifei) Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.180 9 A decisão definitiva de mérito do STF no RE 585.235/MG, decidido na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (§2º, do art. 62, do RICARF/15), sobre ser inconstitucional a ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS cumulativas, previstas no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, em nada afeta a base de cálculo dos tributos constituídos de ofício no presente processo. Reiterase estar o contribuinte no regime misto de apuração das contribuições sociais: receitas das vendas de veículos automotores usados, sujeitas ao regime cumulativo (art. 8°, inc. VII, aliena "c" c/c art. 68, inc. II, da Lei n° 10.637/02), e demais receitas, sujeitas ao regime da nãocumulatividade. Sobre o regime cumulativo, não há qualquer dúvida quanto ao lançamento, pois, como ficou evidenciado no quadro demonstrativo da base de cálculo (QUADRO N° 001 DEMONSTRATIVO DA BASE DE CALCULO DO PIS[COFINS] E DAS DIFERENÇAS APURADAS), foram consideradas tão somente as receitas auferidas com a venda de veículos automotores usados, sem qualquer “alargamento de base de cálculo”, ou seja, o faturamento nos exatos termos da interpretação dada pelo STF: receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas, no presente caso, pessoa jurídica que tem como objeto social a compra e venda de veículos automotores usados. Sobre o regime nãocumulativo, não há decisão da mesma natureza e de reprodução obrigatória, no sentido de qualquer inconstitucionalidade na base de cálculo, não sendo o CARF competente para pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nessa ou em qualquer outra matéria, por força da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse ponto, entendo deva ser mantida a decisão recorrida, entendendo, no mesmo sentido, que: não há que se falar em valores ilíquidos ou de valores que compuseram indevidamente as bases de cálculo, restando hígido o lançamento. COMPENSAÇÕES DE CRÉDITOS Noticiam, informações inseridas nos corpos dos DARF’s de fls. 924 a 934 e 1034 a 1044, da existência de Compensação Proc.9502087631, referindose a ação de rito ordinário em face da União Federal, distribuída sob o citado número, com o fito de obter a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigasse ao recolhimento do PIS, nos moldes dos Decretosleis n° 2.445/88 e 2.449/88. Em razão de decisão do Tribunal Regional Federal TRF 3ª Região, na Apelação Cível nº 97.03.0527442 (Ação Ordinária nº 95.02087631) de fls. 895 a 923 e 1007 a 1033, alega a Recorrente, possuir créditos que podem ser compensados a qualquer tempo e sem a necessidade de se aguardar o trânsito em julgado, que ocorreu em março de 2007, permitindo a realização da compensação de forma direta e sem se submeter às regras expedidas pela RFB à época, que inclusive não havia a previsão da PER/DCOMP; afirmando intenção futura de apresentação de cálculos e reconhecimento dos créditos no âmbito deste processo administrativo, submetendoos à compensação de oficio, prevista no art. 34, da IN n° 600/05. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.181 10 APELAÇÃO CíVEL N° 97.03.0527442/SP E M E N T A DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. Ação declaratória. Remessa oficial. Compensação de PIS com PIS, com observância do que dispõe o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, sem as limitações impostas pela Instrução Normativa n° 67/92. Cabimento. Possibilidade de se implementar a compensação das parcelas recolhidas de forma indevida antes de se operar o transito em julgado da sentença. Correção monetária. Inclusão de índice referente ao IPC. Juros moratórias. [...] 3. As parcelas vincendas de PIS, devidas por imposição da Lei Complementar n° 7/70, podem ser compensadas com as parcelas recolhidas de forma indevida a titulo do próprio PIS, nos termos do que dispõe o artigo 66, parágrafo 1º, da Lei nº 8.333/91, sem as limitações impostas pela Instrução Normativa no 67/92, a qual, ao restringir o direito do contribuinte, tornouse ilegal. 4. Considerando que a compensação prevista no art. 66 da Lei no 8.383/91 dirigese ao contribuinte, o qual realizará lançamento por homologação, implicando extinção de credito tributário somente após a homologação efetuada pela autoridade fisca1 (Código Tributário Nacional, art. 150), não é exigível da parte que espere pelo transito em julgado da sentença. (grifei) Inicialmente, notase que a tutela foi para: Compensação de PIS com PIS, com observância do que dispõe o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, sem as limitações impostas pela Instrução Normativa n° 67/92, estando, portanto, as compensações da COFINS ao desamparo de tutela judicial e/ou confissão em instrumento próprio, seja pedido de compensação previsto na IN n° 67/92 (Lei n° 8.383/91), seja Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e/ou Declaração de Compensação DCOMP (Lei nº 9.430/96). IN SRF nº 67, de 26/05/1992: Art. 2º A compensação de débitos vencidos a partir de 1º de janeiro de 1992 poderá ser efetuada por iniciativa do próprio contribuinte, independentemente de prévia solicitação à unidade da Receita Federal, ressalvado o disposto no Art. 3º, incisos II e III. (...) Art. 3º Dependerá de solicitação à unidade da Receita Federal jurisdicionante do domicílio fiscal do contribuinte, cabendo à projeção local do Sistema de Arrecadação analisar a procedência do pedido e realizar os procedimentos necessários, quando a compensação referirse aos seguintes casos: (...) II se o débito ou o crédito, ou ambos, tiveram origem em processo fiscal; (...) Parágrafo único. O pedido de compensação previsto neste artigo deverá descrever os fatos que lhe deram origem e será instruído com os elementos que comprovem o crédito e identifiquem o débito a ser compensado. Art. 4º A compensação será realizada pelo valor expresso em quantidade de UFIR, e entre códigos da receita relativos a um mesmo tributo ou contribuição." (grifei/sublinhei) Ainda, quanto as compensações do PIS e mesmo da COFINS, alega, inclusive em juízo, nos Embargos à Execução c/ a Fazenda Pública nº 2009.61.04.0067031, ter compensado os mesmos créditos, via DCTF, no período de 01/2001 e 12/2004, contudo, concluindo a DRJ e a Fiscalização, que os valores relativos às pretensas compensações foram declarados extemporaneamente e após o inicio da ação fiscal, portanto, com a espontaneidade excluída, para os anos de 2001 a 2004, nos termos do parágrafo único, do art. 138, do CTN; além do §1º, do art. 7º, do PAF; compensações nem mesmo declaradas em DCTF para 2005. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.182 11 Figura maior relevância, na esfera judicial, a empresa estar buscando a tutela concomitante para a compensação dos mesmos créditos (fls. 1062/1071), discutindo, inclusive, sobre as pretensas compensações em DCTF, no período de 01/2001 e 12/2004, via Embargos à Execução contra a Fazenda Pública (2009.61.04.0067031), do título executivo proveniente da Ação Ordinária nº 95.02087631 e da Apelação Cível nº 97.03.0527442, estando os autos conclusos ao relator Desembargador Federal Marcelo Saraiva (20/06/2016), importando a discussão concomitante, que tem por objeto a matéria sobre compensação, renúncia às instâncias administrativas, por força da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse outro ponto, também deve ser mantida a decisão recorrida, entendendo, no mesmo sentido, que: não há como proceder à compensação pleiteada, pois, como destacou a fiscalização, os valores relativos às pretensas compensações deveriam estar declarados em DCTF espontânea, e estando o tema sob a guarda do Judiciário, não cabe a este Colegiado proceder a pretensa compensação. MULTA DE OFÍCIO Quanto ao argumento de que o percentual de multa aplicada seria ilegal e inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório, em ofensa ao inciso IV, do art. 150, da CF/88, além da previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, como já frisado: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). Também não merece acolhida o pedido de redução para 20%, da multa de ofício proporcional de 75%, pois, lançada de acordo com o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14, da Lei nº 11.488/07. Ainda, por entender que nenhum comando judicial da Apelação Cível nº 97.03.0527442 (Ação Ordinária nº 95.02087631) foi violado pelo presente processo administrativo, também, não há de falarse em lavratura do auto de infração com exigibilidade suspensa, portanto, afastado o mandamento do artigo 63, da Lei nº 9.430/96. Logo, deve ser mantida a multa de ofício proporcional (75%), lançada no percentual previsto no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, não restando configurada nenhuma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, elencadas nos incisos IV e V, do art. 151, do CTN, na data do lançamento de ofício. JUROS SELIC O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, calculados à taxa de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso, nos termos do §1º, do art. 161, do CTN: Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 15983.000516/200871 Acórdão n.º 3401003.451 S3C4T1 Fl. 1.183 12 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Logo, por expressa disposição legal e em consonância com o CTN, foram definidos, para cobrança de juros de mora, percentuais equivalentes à taxa referencial Selic, a partir de 1º de abril de 1995, nos termos do art. 13, da Lei nº 9.065, de 20/06/1995, e do §3°, do art. 61, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Esse, outro ponto onde não há como revisar a decisão recorrida, também, por força de Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, ratificando a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 1183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002582/2004-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2000
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM
ESPÉCIE.
Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora
Numero da decisão: 9202-004.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2000 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora
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DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 02 83 .0 02 58 2/ 20 04 -2 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma ubro de 2016 ubro de 2016 IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL MARCELO DE PAULA SIMÕES MARCELO DE PAULA SIMÕES AA Fl. 412DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial, de fls. 367/373 do e-processo, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2102-001.525, julgado na sessão do dia 26 de setembro de 2011, pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO. DECLARAÇÃO ESPONTÂNEA DOS RENDIMENTOS. A multa isolada pela ausência do carnê-leão deve ser cobrada quando não concomitante com multa de ofício, em virtude de o contribuinte haver declarado os referidos rendimentos na correspondente declaração de ajuste anual, mas não haver pago o tributo devido no momento adequado. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, de fls. 249/260 e- processo, para exigência de IRPF referente ao ano-calendário 2000, multa de ofício, multa isolada por falta de recolhimento do Carne-Leão e juros de mora. De acordo com a fiscalização, a autuação decorreu de acréscimo patrimonial a descoberto e falta de recolhimento do IRPF a título de Carnê-Leão. Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de fls. 269/283 do e-processo, alegando inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, que a simples existência de valor como sendo "dinheiro em espécie" na declaração de bens do contribuinte ao término do exercício fiscal, não constitui renda tributável, dentre outros argumentos. A 3ª Turma da DRJ de Belém/PA, conforme acórdão nº 01-9.737, de fls. 319/327, julgou procedente em parte o lançamento, para reduzir a multa isolada aplicada sobre os valores não recolhidos de IRPF do Carnê-Leão de 75% para 50%. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, fls. 333/347, que foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 26 de setembro de 2011, sendo dado parcial provimento ao recurso, para cancelar a exigência Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10283.002582/2004-25 Acórdão n.º 9202-004.504 CSRF-T2 Fl. 413 3 do imposto apurado em decorrência do acréscimo patrimonial a descoberto, e manter a exigência da multa isolada devida por falta de recolhimento do imposto à título de Carnê-Leão. Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de fls. 367/373, requerendo a reforma do acórdão recorrido, para aplicação do entendimento exarado no Acórdão nº 102-46.072, utilizado como paradigma, de modo que o dinheiro em espécie declarado pelo Contribuinte seja considerado para fins de afastar acréscimo patrimonial a descoberto apenas nos casos que haja prova de sua existência, a partir da demonstração da origem do recurso. Acórdão nº 102-46.072, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Não logrando o contribuinte comprovar razoavelmente a origem do acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização, por meio de rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento como constituído. RECURSOS DISPONÍVEIS NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO ANTERIOR - O valor consignado na declaração do ano- calendário anterior, dinheiro em espécie, somente se presta a comprovar a origem do acréscimo patrimonial apurado no ano seguinte, quando comprovada a sua origem e movimentação contemporânea com o descompasso apontado. Recurso negado. Conforme despacho de fls. 384/385, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. O Contribuinte intimado, conforme AR de fls. 389 - apresentou contrarrazões alegando que não merece provimento o Recurso Especial, pois, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim, a questão da presente discussão diz respeito a aceitação do valor de R$ 200.000,00, o qual o Contribuinte declarou possuir em espécie desde 31/12/1998, conforme Fl. 414DF CARF MF 4 fls. 201 do e-processo, e que, segundo ele, foi totalmente consumido no ano-calendário 2000, de acordo com fls. 207 do e-processo. Analisando os autos, se pode observar das Declarações de Ajustes referentes aos anos-calendário 1999 e 2000, conforme fls. 198/208, o Contribuinte informou possuir a referida quantia e, posteriormente, informou que tal quantia foi inteiramente consumida. Essas declarações foram entregues tempestivamente, e antes do procedimento fiscal, conforme já foi esclarecido pela Turma a quo não se tratam de retificadoras. Neste sentido, a jurisprudência deste E. CARF assim descreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ANTERIORES, ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente pelo contribuinte, salvo prova inconteste em contrário produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos valores assim declarados. (Acórdão nº 2102- 003.249, referente ao processo nº 10980.002298/2008-15) Assim, com base no acórdão acima transcrito, devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente pelo contribuinte, salvo prova inconteste em contrário - produzida pela autoridade lançadora, no sentido de inexistência dos valores assim declarados. Neste sentido, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e no mérito negar provimento para manter a decisão recorrida, para desconsiderar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto e, consequentemente, seja cancelada a exigência do imposto a ela atrelado. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910489/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.665
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.910489/201270 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.665 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 89 /2 01 2- 70 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10480.910489/201270 Acórdão n.º 3302003.665 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.543. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10480.910489/201270 Acórdão n.º 3302003.665 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10480.910489/201270 Acórdão n.º 3302003.665 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910977/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.922
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 7/ 20 11 -1 1 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910977/201111 Resolução nº 3402000.922 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.111, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910977/201111 Resolução nº 3402000.922 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13896.910977/201111 Resolução nº 3402000.922 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723084/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
Ementa:
RETIFICAÇÃO. DCTF.
Retificação de DCTF é permitida para correção justificada, entretanto, retificadoras com intuito de driblar o fisco com intento de reduzir ou deixar de pagar o devido, implica em conduta típica passiva de fazer incidir multa qualificada.
DCTF APRESENTADA EM PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. EFEITOS. INEXISTENTE.
Declaração apresentada após o inicio da ação fiscal deixa de causar efeitos sobre o lançamento, Súmula CARF nº 33.
MULTA. CONFISCATÓRIA. JUROS. SELIC.
A Autoridade Administrativa falece de competência para apreciar alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, Súmula CARF nº 2. Juros exigidos com equivalência a taxa SELIC encontra respaldo em lei, bem como, disciplina a súmula CARF nº 4.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE PASSIVA DE PROCURADOR.
Comprovado existência de elementos capazes de revelar participação direta do procurador em manobras ilícita com o objetivo de ludibriar o Fisco como se verifica nestes autos, restou comprovado conduta contrária a norma do art. 134 e 135 do CTN, impõe à sujeição passiva.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010, 2011 Ementa: RETIFICAÇÃO. DCTF. Retificação de DCTF é permitida para correção justificada, entretanto, retificadoras com intuito de driblar o fisco com intento de reduzir ou deixar de pagar o devido, implica em conduta típica passiva de fazer incidir multa qualificada. DCTF APRESENTADA EM PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. EFEITOS. INEXISTENTE. Declaração apresentada após o inicio da ação fiscal deixa de causar efeitos sobre o lançamento, Súmula CARF nº 33. MULTA. CONFISCATÓRIA. JUROS. SELIC. A Autoridade Administrativa falece de competência para apreciar alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, Súmula CARF nº 2. Juros exigidos com equivalência a taxa SELIC encontra respaldo em lei, bem como, disciplina a súmula CARF nº 4. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE PASSIVA DE PROCURADOR. Comprovado existência de elementos capazes de revelar participação direta do procurador em manobras ilícita com o objetivo de ludibriar o Fisco como se verifica nestes autos, restou comprovado conduta contrária a norma do art. 134 e 135 do CTN, impõe à sujeição passiva. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo
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DCTF. Retificação de DCTF é permitida para correção justificada, entretanto, retificadoras com intuito de driblar o fisco com intento de reduzir ou deixar de pagar o devido, implica em conduta típica passiva de fazer incidir multa qualificada. DCTF APRESENTADA EM PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. EFEITOS. INEXISTENTE. Declaração apresentada após o inicio da ação fiscal deixa de causar efeitos sobre o lançamento, Súmula CARF nº 33.” MULTA. CONFISCATÓRIA. JUROS. SELIC. A Autoridade Administrativa falece de competência para apreciar alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, Súmula CARF nº 2. Juros exigidos com equivalência a taxa SELIC encontra respaldo em lei, bem como, disciplina a súmula CARF nº 4. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE PASSIVA DE PROCURADOR. Comprovado existência de elementos capazes de revelar participação direta do procurador em manobras ilícita com o objetivo de ludibriar o Fisco como se verifica nestes autos, restou comprovado conduta contrária a norma do art. 134 e 135 do CTN, impõe à sujeição passiva. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 30 84 /2 01 3- 90 Fl. 965DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo Relatório Cuida de Recurso Voluntário interposto pela empresa EXPRESSO LIMEIRA LTDA. com o objetivo de modificar decisão desfavorável que manteve na integra o crédito tributário apurado nos anos calendários de 2010 e 2011, relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS. O motivo do lançamento se refere informação a menor do que o valor devido em DCTF. Aponta o relatório fiscal que alguma retificação manteve os valores declarados inalterados, e, em outras os valores foram modificados substancialmente para menos do que o devido, o que levou os auditores considerar dolosa a conduta praticada pelos administradores, segundo eles tinha fins específicos de iludir o fisco, razão pela qual lançou multa qualificada. Afirma, também, que ao longo da ação fiscal a Contribuinte procedeu à retificação das declarações retificadas para consignar os valores originalmente declarados. Em sua defesa, tanto na fase inicial, bem como, em recurso, a Contribuinte alega que o crédito tributário apurado no período fiscalizado foi devidamente declarado e recolhido, motivo suficiente para que o lançamento fosse cancelado por ausência de causa, além do que, não teria causado qualquer dano ao erário. Discorda da qualificação da multa, sustenta tratarse de penalidade confiscatória, bem como, da taxa SELIC. Por derradeiro, combate a sujeição passiva da pessoa de Patrícia Jean Sassaki, por tratarse de procuradora e não de sócia. Observase, que impugnação e o recurso foram elaborados pela empresa recorrente e não pela interessada. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13888.723084/201390 Acórdão n.º 3302003.527 S3C3T2 Fl. 7 3 Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A discussão restringe ao comportamento da Contribuinte no tocante as retificações das DCTF sem motivo a justificar as alterações dos valores corretamente devidos e alterados ou substituídos de modo não configurar confissão de dívidas em razão da inexistência de débitos. Há afirmação que a conduta praticada pela Recorrente objetivava a ludibriar o Fisco, motivo justificador da aplicação pena qualificada. Deveras o procedimento revela a verdadeira intenção do contribuinte de recolher valor bem inferior ao devido ou nenhum. No caso concreto tratase de conduta típica de suprimir tributo, deixando inteiramente de declarar o montante devido e de pagar. Nas palavras de Andreas Eisele: “Supressão é a evasão total, consistente no não pagamento do que é devido, ou seja, a ocultação do tributo mediante a conduta omissiva de não recolher o que deve ser pago. É a completa inadimplência da prestação de uma determinada obrigação tributária, deixando de entregar ao credor o objeto daquela prestação ou contribuição social.” (EISELE. Crime contra a ordem tributária. 2. Ed.p.142) Tanto é assim, que alegação trazida se resume a inexistência de prejuízo ao erário. Em momento algum se registra defesa direta da inexistência da pecha atribuída, portanto, o fato é verdadeiro. Há de se manter o julgado nessa parte, pois, as retificadoras corrigindo os valores devidos, em outras palavras retornando o estado quo, durante o procedimento fiscal quando o contribuinte não mais gozava de espontaneidade deixa de gerar efeitos pretendidos, qual seja de declara o débito correto ao sujeito ativo evitando aplicação da multa qualificada. Esse assunto encontra pacificado por meio da Súmula CARF nº 33: “Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.” A conduta praticada sistematicamente de alterar valores devidos declarados em DCTF, substituindoos pela inexistência do débito, como restou manifestamente claro pelo que se vê do relatório fiscal, a meu sentir, configura estratagema com intuito único de enganar o Fisco. Portanto, tratase de procedimento doloso, haja vista, que a vontade revelada é de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco, isso configura fraude. Esse comportamento deve ser sempre penalizado com multa de ofício qualificada, no caso concreto, presente os requisitos a justificar aplicação. Também não procede a alegação de confisco. Fl. 967DF CARF MF 4 A penalidade aplicada decorre das normas especificadas na Lei nº 9.430/96, impõe penalidade qualifica, sendo que, a autoridade administrativa é despida de competência para afastar aplicação. Do mesmo modo exigência de juros de mora por meio de equivalência da taxa SELIC, também encontra respaldo na legislação de regência, assuntos esses pacificados nessa seara administrativa pelas súmulas: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sendo assim, impõe afastar os argumentos trazidos em sede inicial, bem como, recursal. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. A interessada, Patrícia Jean Sassaki, teve sua defesa inicial e recursal sustentada pela empresa Expresso Limeira. Não vislumbro prejuízo conhecer as razões recursais sustentadas pela empresa Expresso Limeira, em nome da senhora Patrícia Jean Sassaki, vez que, a impugnação restou conhecida e julgada. Concordo com argumento tecido no Acordo recorrido, que mantém a inclusão da senhora Patrícia Jean Sassaki, na qualidade de devedora solidária por ter atuado na administração da empresa recorrente na qualidade de procuradora ao argumento de que: “A participação da Sra. Patrícia se dá em todos os momentos: ela foi a pessoa que tomou a ciência do início do procedimento fiscal em 04/02/2013, e foi ela também que tomou a ciência dos Autos de Infração em nome da empresa. Além do mais se verifica que existe grau de parentesco da mesma com os sócios administradores da empresa. A procuração em posse dessa senhora dava amplos poderes, inclusive de movimentação bancária (fl. 5). Verificouse também que os imóveis alugados pela EXPRESSO LIMEIRA pertenciam a duas empresas em que a Sra. Patrícia era sócia (fls. 32 a 42). Além disso, a Sra. Patrícia estava apta: a gerir e administrar todos os negócios da EXPRESSO LIMEIRA; comprar e vender mercadorias; celebrar contratos comerciais; aceitar, endossar, caucionar, emitir e descontar duplicatas e notas promissórias; efetuar descontos, conceder prorrogações de prazos e modificar vencimentos de títulos; fazer pagamentos e recebimentos por via amigável ou judicial; prestar declarações, informações e esclarecimentos; Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13888.723084/201390 Acórdão n.º 3302003.527 S3C3T2 Fl. 8 5 representar junto às repartições públicas da União, recolhendo tributos e requerendo o que for necessário; assinar livros fiscais de qualquer natureza; e por aí vai. Vejamos as diversas intervenções da Sra. Patrícia nos autos: Fl. 3 – ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal Fl. 4 – ciência do Termo de Intimação Fl. 701 – ciência do Termo de Devolução de Documentos Fl. 747 – ciência do Termo de Constatação Fiscal Fl. 749 – ciência do Auto de Infração do PIS/Pasep Fl. 755 – ciência do Auto de Infração da Cofins Fl. 761 – ciência do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal De se registrar também que a procuração com os poderes concedidos a Sra. Patrícia para atuar em nome da empresa foi concedida em 13/08/2007 (fl. 5) e se perpetuou, pelo menos, até o encerramento do procedimento fiscal em 01/10/2013, ou seja, ela tinha totais poderes de atuação na empresa nas datas em que foram feitas as retificações das DCTFs: 07/11/2011 e 05/04/2013. Configurado assim o previsto nos arts. 134 e 135, do CTN, sendo ela coresponsável pelas obrigações tributárias resultantes dos atos praticados em infração a lei.” O exercício de poderes outorgado em princípio não qualifica o procurador na qualidade de responsável, para tanto, exige que o mesmo detenha poderes amplos e outros elementos capaz de atribuir conduta contrária a legislação, o que a meu sentir restou demonstrado pela autoridade fiscal. A existência de parentesco por si só não seria o bastante para levar à sujeição passiva, entretanto, outros elementos carreados aos autos demonstra perfeitamente o envolvimento e o interesse de obter vantagens. Além da qualidade filha dos proprietários e procuradora, as instalações e os demais bens todos pertence a outras pessoas jurídicas das quais a senhora Patrícia Jean Sassaki compõe o quadro societário, quando a autuada não possui de bens. Em sendo assim, vislumbro uma total confusão patrimonial entre as empresas dirigidas e as pertencentes aos proprietários dos bens utilizadas pela Recorrente. Impõe em manter à sujeição passiva. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 969DF CARF MF 6 Fl. 970DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000589/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. FATO GERADOR/FUNDAMENTO LEGAL DIVERSO.
A constatação de antecipação de pagamento parcial do tributo aplicável para fins de contagem do prazo decadencial de acordo com o § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, deve levar em consideração recolhimentos sobre o mesmo fato gerador ou fundamento legal de contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-004.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não o conheceram e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em determinar o retorno dos autos à turma a quo, para manifestação quanto ao mérito, relativamente às competências cuja decadência foi afastada, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. FATO GERADOR/FUNDAMENTO LEGAL DIVERSO. A constatação de antecipação de pagamento parcial do tributo aplicável para fins de contagem do prazo decadencial de acordo com o § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, deve levar em consideração recolhimentos sobre o mesmo fato gerador ou fundamento legal de contribuições previdenciárias.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. FATO GERADOR/FUNDAMENTO LEGAL DIVERSO. A constatação de antecipação de pagamento parcial do tributo aplicável para fins de contagem do prazo decadencial de acordo com o § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, deve levar em consideração recolhimentos sobre o mesmo fato gerador ou fundamento legal de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não o conheceram e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em determinar o retorno dos autos à turma a quo, para manifestação quanto ao mérito, relativamente às competências cuja decadência foi afastada, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 89 /2 00 7- 17 Fl. 232DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2402003.361, fls. 168 a 173 do eprocesso, que, por maioria, deu provimento ao Recurso Voluntário para: (i) aplicar o art. 150, §4º do CTN, por entender que houve o recolhimento parcial das contribuições devidas à Seguridade Social e; (ii) afirmar que não incide contribuição previdenciária, prevista no art. 22A da Lei nº 8.212/1991, sobre os valores decorrentes do ato praticado entre a cooperativa e seus cooperados. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Havendo o pagamento parcial dos valores devidos à Seguridade Social, o prazo decadencial deve observar a previsão contida no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ATO COOPERATIVO. IMUNIDADE. Não incide a contribuição previdenciária de que trata o art. 22 A da Lei nº 8.212/91 sobre os valores decorrentes do ato praticado entre a cooperativa e seus cooperados. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 9202004.431 CSRFT2 Fl. 229 3 Recurso Voluntário Provido. Na origem, tratase de Auto de Infração, antiga NFLD, lavrado em 24/12/2007, decorrente do suposto não recolhimento dos valores referentes à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e da contribuição devida ao SENAR, no período de 01/07/2002 a 31/12/2003. A 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou procedente o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 1419.785 de fls. 91/96 do eprocesso, entendendo que: (i) não foi realizado nenhum recolhimento parcial que justifique a aplicação do prazo decadência previsto no art. 150, § 4º do CTN; (ii) incidem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural de agroindústrias com adquirente do exterior quando intermediadas por cooperativas; e (iii) o contencioso administrativo não é o foro adequado para discussão da ilegalidade ou inconstitucionalidade das normas. A interessada, inconformada com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 101/125 do eprocesso, o qual foi julgado procedente pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 19 de fevereiro de 2013, conforme Acórdão nº 2402003.361 de fls. 168/173 do eprocesso. Cabe destacar que o contribuinte pediu a desistência parcial do Recurso Voluntário, em conformidade com o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos valores devidos a títulos de SENAR referente ao período de novembro de 2002 a dezembro de 2003 (fls.129/139). Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, visto que: (i) negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem como aplicou indevidamente o art. 150, § 4º do CTN e; (ii) determinou a exclusão da multa de mora, conforme fls. 175/185 do eprocesso, utilizando como divergência os Acórdãos ns. 20501.579 e , cujas ementas transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO 1, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Fl. 234DF CARF MF 4 Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 20501.579, referente ao processo nº 35464.004373/200508). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. (Acórdão nº 230201.871, referente ao processo nº 37311.012465/200611). Conforme despacho de admissibilidade de fls. 191/193, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o contribuinte intimado via Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme termo de ciência por abertura de mensagem de fls. 209 apresentou contrarrazões. O contribuinte, em suas contrarrazões, alegou, em síntese: (i) a decisão recorrida cancelou integralmente a exigência fiscal na parte não decaída, o que não foi objeto do Recurso especial da PGFN; (ii) os julgados elencados como paradigmas versam sabre questão fática distinta da existente nos autos e; (iii) que a conclusão adotada pelo acórdão recorrido está em consonância com a legislação e a jurisprudência sobre a questão. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 9202004.431 CSRFT2 Fl. 230 5 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cumpre os requisitos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Porém, cabe ressaltar que a exclusão da multa de mora, descrita pela PGFN em seu Recurso Especial, é matéria estranha ao presente caso, sendo que não foi prolatada nenhuma decisão nos autos desse processo sobre o tema. Assim, presente recurso tem como objeto a discussão sobre a regra aplicável para o termo inicial de contagem do prazo decadencial das contribuições relativas às competências 01/07/2002 a 31/12/2003. Ao analisar o Recurso Voluntário, o Ilmo. Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, em relação a esse ponto, descreve: Analisando os argumentos apresentados, verificase que lhe assiste razão, pois, diferente da conclusão em que chegou a E. DRJ, analisando os documentos juntados às fls. 116/125, houve o recolhimento parcial das contribuições devidas à Seguridade Social, o que justifica a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º no período de julho a novembro de 2002. (Grifei) Verificando os autos, podemos perceber, que nas folhas citadas pelo Ilmo. Conselheiro, consta o recolhimento parcial das contribuições devidas à Seguridade. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico nesse sentido, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NÃO CARACTERIZÇÃO. ADEQUAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA EM RAZÃO DA ALTERAÇÃODA SUCUMBÊNCIA. POSSIBILIDADE. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ART. 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTS. 150, § 4º, e 173 do CTN. IMPOSSIBILIDADE. (...) 3. O prazo decadencial para tributos lançados por homologação obedece à seguinte lógica: a) não ocorrendo pagamento antecipado, incide o art. 173, I, do CTN, por absoluta inexistência do que homologar; b) havendo pagamento antecipado a menor, aplicase a regra do art. 150, § 4º, desse mesmo diploma normativo. In casu, como não foi feita a antecipação do pagamento, atraise o disposto no art. 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após cinco anos contados do Fl. 236DF CARF MF 6 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 4. Agravo Regimental não provido. (STJ AgRg no AREsp: 105771 SC 2012/00074876, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 16/08/2012, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/08/2012) Nesse mesmo sentido é o Acórdão nº 230102.627 deste CARF, vejamos: (...) DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, § 4º do CTN )data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada par o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. (...) Portanto, em se tratando de lançamento por homologação, dos quais houve antecipação de pagamento e não tendo sido constatada a presença de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo, não há dúvidas de que o prazo decadências deve ser contado nos termos do art. 150, §4ª, do CTN. Esse posicionamento é pacífico nesta E. CSRF, conforme demonstro abaixo: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 9202004.431 CSRFT2 Fl. 231 7 Hipótese em que houve pagamento antecipado. (Acórdão nº 9202003.633, referente ao processo nº 35465.000478/200570 – julgado na sessão do dia 04 de março de 2015). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias”. No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 05/12/2007 e tendo ocorrido recolhimento, o art. 150, §4º, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 10/2002. (Acórdão nº 9202003.589, referente ao processo nº 15586.001141/200768 – julgado na sessão do dia 03 de março de 2015). Caso esta E. CSRF entenda em sentido contrário, o provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional não altera em nada o decido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Tal fato ocorre em razão da decisão de mérito proferida, onde a Turma consignou que não incide contribuição previdenciária de que trata o art. 22A da Lei nº 8.212/1991 sobre os valores decorrentes do ato praticado entre a cooperativa e seus cooperados, pois, ficou comprovado nos autos que a cooperativa realiza exportações em favor dos cooperados, conforme transcrevo abaixo: (...) Não incide a contribuição previdenciária de que trata o art. 22A da Lei nº 8.212/1991 sobre os valores decorrentes do ato praticado entre a cooperativa e seus cooperados. (Fls. 01 do Acórdão recorrido) (...) Como é possível verificar às fls. 27 do relatório fiscal, a autoridade fiscal constatou in loco que de fato as operações realizadas pela Recorrente e a Copersucar configuram uma associação cooperativa, não havendo dúvida de que as operações por elas realizadas resultam em atos cooperativos. Fl. 238DF CARF MF 8 Assim, ficou claro que a cooperativa realiza exportações em favor dos cooperados. (Fls. 04 do Acórdão recorrido – grifei) (...) Deste modo, o ato de a cooperativa receber a produção dos cooperados e comercializála com o adquirente no exterior configura ato cooperativo, não implicando em uma operação de mercado, como previsto no parágrafo único, art. 79, da Lei nº 5.764/71. Em decorrência disso, não há que se falar que a Recorrente auferiu receita bruta de comercialização no mercado interno e, consequentemente, que teria praticado o fato gerador da contribuição em tela. (Fls. 05 do Acórdão recorrido – grifei) Dessa forma, o mérito do acórdão recorrido se encontra concluído no momento em que houve o cancelamento da autuação fiscal, pois, não foi objeto do presente Recurso Especial. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negar provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 9202004.431 CSRFT2 Fl. 232 9 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Do recurso Especial da Fazenda Nacional Peço licença a ilustre conselheira, para divergir do seu entendimento quanto ao que se considera pagamento antecipado para efeitos de aplicação da regra vertida no art. 150, §4º do CTN. Ressalto, que o presente voto divergente restringese a apreciação desse fato, sendo que a apreciação de outras alegações do recorrente competem a relatora. Entendeu a relatora, acatando a tese do acórdão recorrido, que existem nos autos demonstração de recolhimento antecipado, estando correto a aplicação da tese do art. 150, §4º. Discordo de tal interpretação. Primeiramente, grande são as dúvidas que pairam acerca do que podemos considerar como antecipação de pagamento para efeitos de atrair a tese do art. 150, §4º do CTN em matéria previdenciária. O problema está no fato de que, inicialmente, a contagem do prazo para lançar contribuições previdenciárias era de 10 anos, conforme previsto no art. 45 da lei 8212/91, todavia, com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, deparamonos com lançamentos que não contemplam todas as informações necessárias para verificação de recolhimentos parciais. Ademais, a gama de fatos geradores e fundamentos jurídicos para as contribuições previdenciárias, também são alvo de dúvidas, razão pela qual merecem alguns esclarecimentos. Vale destacar, que no presente caso, não se trata de lançamento de diferença de folha, ou mesmo salários indiretos, mas de lançamento de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção rural, assim como descrito no relatório fiscal: Consoante Relatório Fiscal, a contribuinte é agroindústria do setor sucroalcooleiro, sendo fato gerador das contribuições lançadas a receita proveniente da comercialização da produção de açúcar e álcool destinada ao mercado externo, por intermédio da Copersucar Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar e Álcool do Estado de São Paulo. Como a produção não foi comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, mas sim via Cooperativa, a imunidade prevista no art. 149, § 2o , inciso I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional n° 33/01, não é aplicável. Ou seja, para apurar a existência de recolhimento, devemos identificar se para o fato gerador/fundamento legal do lançamento Contribuições Previdenciárias sobre a comercialização da produção Rural, promoveu o sujeito passivo o recolhimento de contribuição. No caso, deveríamos identificar se existem GPS sobre o fundamento legal, o que Fl. 240DF CARF MF 10 restou demonstrado de forma diversa pela Delegacia de julgamento na decisão de 1ª instância, fls. 92, que assim enfatizou: Ainda que se adote o entendimento jurisprudencial citado pela impugnante, de que nos lançamentos por homologação com pagamento antecipado o prazo decadencial de cinco anos deva ser contado da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional CTN), a alegação de decadência não merece acolhida, posto que o contribuinte não procedeu a qualquer recolhimento quanto aos fatos geradores objeto deste lançamento, consoante se verifica pelo Discriminativo Analítico de Débito DAD. Considerando o prazo de cinco anos para a constituição do crédito previdenciário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, temse que os fatos geradores objeto do presente lançamento (07/2002 a 12/2003), poderiam ter sido constituídos até 31/12/2007, em relação aos ocorridos no ano de 2002, e até 31/12/2008, em relação aos ocorridos no ano de 2003. Consta dos autos que o crédito previdenciário foi constituído em 24/12/2007, pela formalização do lançamento tributário devidamente notificado ao sujeito passivo (doe. fl.35). Portanto, a decadência não se verificou. Notese que o alegado recolhimento descrito no acórdão recorrido e ratificado pela relatora desse voto, referese a fato gerador diverso, qual seja, recolhimento sobre a Folha de pagamento, o que é facilmente identificável pelo código de pagamento 2100 (fls. 115/121), não se prestando a demonstrar recolhimento antecipado para efeitos de aplicação da decadência quinquenal pelo art. 150, §4º do CTN. A contribuição destinada a previdência social advém de diversos fatos geradores distintos, por exemplo: contribuições de segurados, patronais, contribuições destinadas a terceiros (onde a previdência é mera repassadora dos valores) sobre as folhas de pagamento; contribuições pela comercialização da produção rural; por subrrogação da produção rural decorrente da aquisição de produtores rurais pessoas físicas e segurados especiais; contribuições decorrentes da retenção de 11% pela contratação de prestadoras de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada; contratação de cooperativas de trabalho; receitas bruta decorrentes de espetáculos desportivos, dentre outras, cada um correspondendo a um fato gerador com fundamento legal específico. A demonstração de que se tratam de diferentes fatos geradores encontrase expressa na própria lei 8.212/91 que descreve dispositivos legais específicos para cada um deles. Essa visão também é facilmente detectável na medida que existem códigos de recolhimento de GPS específicos para cada um desses fatos geradores. Dessa forma, não há como alegar recolhimento antecipado sobre fundamentos legais distintos. Esclarecido esse fato, entendo que a decadência deve ser apurada a luz do art. 173, I do CTN, tendo em vista inexistirem recolhimentos sobre o mesmo fundamento legal. Considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 24/12/2007 e que o período objeto de recurso da PGFN envolve as competências 07/2002 a 11/2002, período esse dado pelo acórdão recorrido, entendo que não existe decadência a ser declarada. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15956.000589/200717 Acórdão n.º 9202004.431 CSRFT2 Fl. 233 11 Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO, porém com retorno dos autos à turma a quo, para manifestação quanto ao mérito, relativamente às competências cuja decadência foi afastada É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 242DF CARF MF
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