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Numero do processo: 10880.938965/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 89 65 /2 00 9- 17 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.081,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 5 4 "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 6 5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.938965/200917 Acórdão n.º 3402005.442 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.900918/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 18 /2 00 8- 91 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.777, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.900918/200891 Acórdão n.º 3402005.410 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003161/2008-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
A apresentação de alegações genéricas, sem a impugnação específica de qual seja a discordância, não enseja a apreciação das razões recursais.
Numero da decisão: 2001-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. A apresentação de alegações genéricas, sem a impugnação específica de qual seja a discordância, não enseja a apreciação das razões recursais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 31 61 /2 00 8- 24 Fl. 230DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em face do Acórdão da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de nº 2001000.036, em 30/10/17, fls. 209 a 215, dando provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Selecionamos passagens dos embargos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: " (...) deixando, contudo, de se pronunciar a respeito da glosa de deduções indevidas a título de contribuição à previdência privada e FAPI. Tal decisão, data máxima vênia, se mostra eivada do vício da omissão, uma vez que não emitiu qualquer pronunciamento a respeito da procedência ou não da glosa de despesas a título de previdência privada e FAPI. Com efeito, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento capaz de legitimar as referidas despesas, limitando se a requerer que a administração tributária se digne a intimar a BrasilPrev Seguros e Previdência S/A, CNPJ n° 27.665.207/000131, a fim de que apresente documentos comprobatórios das despesas pagas pelo recorrente. Diante da inexistência de qualquer documento comprobatório desta despesa e do fato de que o pleito do contribuinte na sua insurgência é pelo cancelamento do auto de infração, não se vislumbra qual teria sido o motivo a ensejar o provimento total do recurso voluntário. A obscuridade do julgado se evidencia, na medida em que o contribuinte não comprovou qualquer despesa, daí porque nenhuma delas poderia ser acolhida, conforme o próprio raciocínio adotado pelo decisium. E não se está aqui falando de valoração probatória, mas sim da inexistência de qualquer prova. Não há o que ser valorado! Reiterese que o único comprovante apresentado pelo contribuinte já foi considerado pela DRJ e a correspondente glosa já foi devidamente afastada. Assim, as glosas que ainda são objeto de discussão nestes autos estão todas enquadradas no que o i. relator descreveu como “despesas cuja documentação não foi apresentada, despesa não constante do rol daquelas amparadas legalmente; e, as despesas Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13888.003161/200824 Acórdão n.º 2001000.692 S2C0T1 Fl. 3 3 com pessoas não dependentes do Recorrente para efeitos fiscais”, e, portanto, não podem ser acolhidas. Com isso, salvo melhor juízo, o resultado do julgamento deveria ter sido o de negar provimento ao recurso voluntário e não o de dar provimento parcial, como restou consignado no r. voto condutor do julgado. Afinal, se o resultado do julgamento foi o de “manter a glosa das deduções utilizadas indevidamente” e todas as deduções em discussão foram indevidas (considerando a inexistência de documentos apresentados pelo contribuinte), o lógico seria concluir que todas as glosas deveriam ter sido mantidas. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes. Os embargos de Declaração foram apresentados tempestivamente pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra o acórdão indicado. Reexaminamos o processo, e os fundamentos da decisão anterior. Para dirimir dúvidas, acataremos os embargos para esclarecer os vícios apontados, e comentaremos cada assunto, adicionando explicações do que havia sido decidido, em relação a esses problemas. Esclareçase, acolhendo os embargos, que no recurso voluntário não foram feitas alegações específicas sobre previdência privada, não se estabeleceu efetiva discordância sobre a matéria. Observese que o pedido genérico de diligência, pelo contribuinte, não teve aplicação, não foi examinado, por ser genérico, e não indicar como substituir as provas que não foram apresentadas. Assim, como não houve questionamento de mérito nas razões recursais sobre previdência privada, declarase matéria não recorrida. Em relação às despesas médicas, observese que há fartos documentos apresentados pelo contribuinte. O lançamento limitouse a exigir provas financeiras de comprovação do que os recibos atestavam, sem indicar vícios nos documentos. Repetese que o fundamento do provimento ao recurso foi: O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, recibos, exames e declarações de vários profissionais: Na fundamentação do acórdão foi citado um Acórdão do CARF que fala na recusa de deduções na presença de fortes indícios de que não foram prestados serviços médicos. Pois é justamente o que falta no lançamento, fortes indícios. Cabe mencionar que os indícios, vícios, problemas, necessariamente devem ser apontados no lançamento. Não podem as instâncias administrativas, pois incorreriam em cerceamento de defesa, fazer esse exame no julgamento do litígio. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não Fl. 232DF CARF MF 4 comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Observese que argumentos do acórdão de impugnação foram examinados, mas não necessitam ser rebatidos, principalmente se o fundamento da segunda instância entendeu pela insuficiência ou falha no lançamento. Também se aponte que fundamentos adicionais, além do que foi disposto no lançamento original, se constituem em inovação, cerceando direito de defesa, suprimindo instância. Se o lançamento fundamentou a recusa a documentos nos argumentos a, b ou c; não se pode em instâncias de julgamento recusarse documentos por x,y ou z, nem em primeira, nem em segunda instância. Além disso, a decisão de segunda instância reexamina o lançamento, em relação ao que o recurso voluntário litiga. Tratase de um novo julgamento. Tanto o acórdão de impugnação como o de recurso voluntário devem se restringir à legislação e aos fundamentos apontados no lançamento. O recurso voluntário pode solicitar reexame do lançamento e ignorar o acórdão de impugnação. Superados os problemas apontados no lançamento não podem ser colocados outros problemas nas instâncias seguintes. Conclusão Adicionese ao acórdão embargado a nova ementa e, aos fundamentos do voto, os comentários feitos. Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, sanando os vícios apontados no acórdão, e delimitando o litígio às despesas médicas, e voto por manter a decisão original de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10954.000032/2004-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA.
Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃO-CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 32 /2 00 4- 21 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 9303005.931 CSRFT3 Fl. 377 2 Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3403001.594, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativo ao segundo trimestre de 2004, e Declarações de Compensações Dcomps eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações e Despacho Decisório, os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 9303005.931 CSRFT3 Fl. 378 3 A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente na decisão de primeira instância. A 3ª TO da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, assim decidiu: (i) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; e (ii) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência em relação ao conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, questionando o direito creditório relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS. Enquanto a Egrégia Turma aplicou uma interpretação própria para o termo “insumo” na legislação de PIS e COFINS para fins de creditamento, ao admitir que movimentação e descarga de carvão, movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria são passíveis de gerar crédito da contribuição, porque estes bens se enquadrariam no conceito de "insumo", os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, empregando um alcance mais restritivo do termo “insumo”, que guardaria correspondência com o obtido da legislação do IPI. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. Os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 9303005.931 CSRFT3 Fl. 379 4 Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o Fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a nãocumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10954.000032/200421 Acórdão n.º 9303005.931 CSRFT3 Fl. 380 5 Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê, que demandam intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo (minério de quartzo, carvão mineral, cavaco, material lenhoso, tijolos, argamassa e tubos). Constam nos autos diversas notas fiscais de empresas que prestaram serviços de (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Também consta do laudo técnico apresentado informação que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério. Em atendimento ao já referido conceito intermediário de insumo, dentro do critério da essencialidade, considero que tanto as matériasprimas e produtos intermediários utilizadas no processo produtivo do silíciometálico e da SilicaFumê, ou seja, o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, argamassa e tubos, quanto os serviços vinculados a tais itens, ou seja, o serviço de carregamento e descarga de carvão, a movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria, são considerados como insumos do processo produtivo. Geram, portanto, direito a crédito na sistemática nãocumulativa das contribuições. Assim, considerase como insumo, por se tratar de gastos incorridos essenciais e diretamente ligados ao processo produtivo, os serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de dispêndios compreendidos na despesa operacional da Recorrida, necessárias para a regular execução de sua exploração mineral e fabricação do silíciometálico e da SilicaFumê, nas diversas etapas de produção. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobre as despesas incorridas acima relacionadas, no mesmo sentido que decidiu o julgador a quo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000021/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
Numero da decisão: 2401-005.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 00 21 /2 00 7- 14 Fl. 267DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15504.000021/200714 Acórdão n.º 2401005.473 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS FHEMIG, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração concernente às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social relativas à parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho SAT (para competências até 06/1997) e as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre a parcela paga a título de Gratificação de Incentivo à Eficientização GIEFS aos detentores de função pública, bolsistas, cedidos e contratados sob a modalidade de contrato administrativo, no período de 01/1996 a 12/1996. O crédito importa em R$ 6.822.801,08 (seis milhões oitocentos e vinte dois mil oitocentos e um reais e oito centavos), conforme consolidação em 20/12/2006. A auditoria fiscal foi realizada nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 09215217 e seus complementares 01 a 11, tendo os documentos pertinentes sido solicitados mediante Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 131 a 144). A contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG entendeu por bem julgar improcedente o lançamento, exonerando o crédito tributário, por entender que alcançado pela decadência quiquenal, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 02 18.623/2008, de efls. 255/258, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 DECADÊNCIA. PRAZO. NOVO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO CTN. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. Em que pese não haver sido argüida pelo sujeito passivo, é de se reconhecer, de oficio, a decadência do direito de constituir parte do crédito lançado. É que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 (dez) anos, estabelecido na legislação previdenciária, sendo, em conseqüência, aplicável o prazo geral de 5 (cinco) anos determinado pelo CTN. Lançamento Improcedente Fl. 269DF CARF MF 4 Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15504.000021/200714 Acórdão n.º 2401005.473 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado pela primeira instância monta a importância de R$ 2.277.746,56 e, portanto, não alcança o limite de alçada, hoje de R$ 2.500.000,00, não levado a efeito os juros. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, maio de 2017. Fl. 271DF CARF MF 6 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001786/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial, quando o Recorrente não se desincumbe do ônus de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, vez que, além de colacionar trecho de voto estranho ao acórdão recorrido, verifica-se ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
Numero da decisão: 9202-006.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial, quando o Recorrente não se desincumbe do ônus de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, vez que, além de colacionar trecho de voto estranho ao acórdão recorrido, verifica-se ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial, quando o Recorrente não se desincumbe do ônus de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, vez que, além de colacionar trecho de voto estranho ao acórdão recorrido, verificase ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 17 86 /2 00 9- 17 Fl. 700DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, relativa aos exercícios de 2005 e 2006, tendo em vista a omissão de rendimentos provenientes de Atividade Rural. Em sessão plenária de 11/04/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301004.589 (efls. 651 a 661), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 IRPF. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ATIVIDADE RURAL. RECEITAS OMITIDAS APURADAS. Para prevalecer a infração de omissão de receita da atividade rural, a autoridade fiscal deverá demonstrar de forma inequívoca o auferimento da receita. O fato de o contribuinte deixar de comprovar a origem de depósitos bancários não autoriza a presunção de que tais depósitos sejam receita da atividade rural. Neste caso, o Fisco abre mão da presunção legal que inverte o ônus da prova. Recurso Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, Julio Cesar Vieira Gomes e Ivacir Julio de Souza. Fez sustentação oral o Dr. Nelson Fraga da Silva, OAB/MG 57.133.” O processo foi encaminhado à PGFN em 03/05/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 662) e, em 16/05/2016, foi interposto o Recurso Especial de efls. 663 a 672 (Despacho de Encaminhamento de efls. 673). O Recurso Especial está fundamentado nos arts. 64 e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 671 3 aplicação da tributação favorecida decorrente da atividade rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente e não o cancelamento do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 09/09/2016 (efls. 675 a 681). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: não obstante a respeitável decisão da Turma, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendimento diverso para situações como a dos presentes autos; de acordo com a decisão recorrida, a instrução processual confirma que os rendimentos omitidos pelo contribuinte têm origem no exercício da atividade rural; pois bem, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular; no entanto, de acordo com o § 2°, do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, “os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.”; no caso, a autoridade lançadora entendeu que a origem de parte da movimentação bancária do contribuinte não restou comprovada, motivo pelo qual fez incidir sobre ela a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; por outro lado, a decisão recorrida concluiu, pelas provas trazidas aos autos após o término da ação fiscal, que toda a movimentação bancária do interessado advém da atividade rural; tendo em vista a impossibilidade de se discutir a efetiva comprovação ou a não comprovação da origem dos depósitos bancários, por ausência de divergência jurisprudencial específica em relação a esse ponto, resta apenas atacar os efeitos jurídicos no lançamento atribuídos pela Egrégia Turma, ante o reconhecimento da origem dos recursos; para esta situação, a conclusão é reduzir para 20% a base de cálculo do lançamento efetuado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e não cancelar o lançamento, pois aos rendimentos omitidos pelo contribuinte se aplica a regra do artigo 5º, da Lei n° 8.023, de 1990, em razão da previsão do § 2º, do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido para restabelecer o lançamento com a adoção da base de cálculo de 20%, prevista na Lei nº 8.023, de 1990. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 23/09/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 684), o Contribuinte ofereceu, em 06/10/2016, as Contrarrazões de efls. 686 a 696 (carimbo de efls. 696), contendo os seguintes argumentos: Fl. 702DF CARF MF 4 Erro inescusável/ Falta de confronto analítico o voto transcrito pela Fazenda Nacional nas fls. 665/666 do Recurso Especial não é referente ao acórdão recorrido; nestes termos, o confronto analítico entre o acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas não ocorreu; amparado pelos §§ 1º e 8º do art. 67, do RICARF, o Recurso Especial não atendeu aos requisitos legais. Falta de prequestionamento no acórdão recorrido não houve debate, questionamento quanto a redução da base de cálculo pretendida pela Fazenda Nacional; no caso em comento, para ter o devido prequestionamento, deveria a Fazenda Nacional ter oposto Embargos de Declaração, com o objetivo de indagar o acórdão recorrido acerca da aplicação da Lei nº 8.023, de 1990. Acórdãos paradigmas não se aplicam ao caso no sentido inverso aos acórdãos paradigmas, o acórdão recorrido partiu da premissa de que o Fisco não comprovou a Atividade Rural: "No que tange a exploração da atividade rural, verificase que o Fisco abriu mão da presunção legal, que inverte o ônus da prova, transformando a omissão de rendimentos através de depósitos bancários de origem não comprovada como sendo omissão de rendimentos de atividade rural, sem contudo comprovála. Verificase que em nenhum momento, conforme consta do Termo de verificação Fiscal de fls. 10/18, o Fisco fez prova de que o contribuinte omitiu rendimentos da atividade rural, prova que a este cabia, pois no presente caso, ao arbitrar omissão de rendimentos de atividade rural, a prova de que a omissão dos rendimentos são oriundos de tal atividade (rural) cabe a autoridade fiscal, não bastando meramente alegar que tais omissões são decorrentes da atividade rural." no caso em lide, não procedem as alegações do Recurso Especial que têm a seguinte redação: "No caso dos autos, constatada a omissão de rendimentos oriundas da atividade rural, a Egrégia Turma, em vez de ter adequado o lançamento a legislação vigente e ter excluído o excesso, decidiu por cancelar o auto de infração". o acórdão recorrido afirma que não há provas da Atividade Rural e os acórdãos paradigmas afirmam que há provas: "Restou comprovado nos autos que os valores que tramitaram nas contas bancárias do sujeito passivo possuíam como origem a atividade rural". Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 672 5 Ao final, a Contribuinte pede que seja julgado improcedente o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, relativa aos exercícios de 2005 e 2006, tendo em vista a omissão de rendimentos provenientes de Atividade Rural. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a aplicação da tributação favorecida decorrente da Atividade Rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente e não o cancelamento do lançamento. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte alega ausência de cotejo analítico, uma vez que o trecho atribuído ao acórdão recorrido seria estranho àquela peça processual. Ademais, argumenta que estaria ausente o prequestionamento. Por fim, assevera que não existiria similitude fática entre os acórdãos em confronto. Quanto ao primeiro argumento, conforme o art. 67, § 8º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a divergência deve ser demonstrada analiticamente, com a indicação dos pontos no paradigma colacionado, que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Ocorre que, quando da demonstração, pela Fazenda Nacional, dos pontos divergentes entre os julgados em confronto, foi citado trecho que, além de ser estranho ao acórdão recorrido, apresenta situação fática diversa daquela observada no julgado guerreado. Confirase o trecho que erroneamente foi atribuído pela Fazenda Nacional ao acórdão recorrido: "Omissão de Rendimentos caracterizado por depósito bancário Alega o recorrente que os valores creditados nas suas contas correntes são provenientes, exclusivamente, de atividade rural, devendo ser tributada a omissão no percentual de 20% sobre a receita bruta, nos termos da Lei 8.023/90. No particular a CSRF (Acórdão 2102002.066), ao analisar a questão referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários decorrentes de atividade rural, entendeu que,para acatar os valores depositados como provenientes da referida atividade, devese obedecer dois requisitos, quais sejam: 1) ter como única atividade desenvolvida a rural; 2) comprovar que os demais depósitos bancários comprovados decorrem majoritariamente de tal atividade. Vejase a ementa do referido julgado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. Acolhese a alegação do contribuinte de que a totalidade dos depósitos efetivados em suas contas bancárias é proveniente da atividade Fl. 704DF CARF MF 6 rural, nos casos em que o contribuinte comprova tal alegação em relação a significativo percentual dos depósitos efetivados em todas as suas contas bancárias e quando a atividade rural é a única atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. (CARF 10530002135200831, Acórdão 2102002.066). Quanto à omissão de rendimentos caracterizada pela parcela mantida dos depósitos bancários não comprovados, entendo que deve ser tributada nos termos da Lei n.º 8.023, 1990, uma vez que, da análise dos autos, constatase que as origens de recursos do Contribuinte são originárias exclusivamente da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo Suplicante tem relação direta com a atividade rural. Assim, em se tratando de contribuinte cuja atividade exercida é exclusivamente da rural, qualquer omissão dever ser tributada nos termos da Lei n.º 8.023, 1990, com apuração de forma anual, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.º 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação específica. Portanto, no caso, considero que o critério adotado pelo fisco não é válido, não devendo prosperar a autuação nessa parte em face do erro na forma de tributação. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.” (destaques da Recorrente) Ainda que o lapso pudesse ser superado e se buscasse a demonstração da alegada divergência com base no que efetivamente consta do acórdão recorrido o que se admite apenas para argumentar isso não seria possível, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. No caso do acórdão recorrido, a ação fiscal teve início pela constatação de depósitos bancários sem identificação de origem em conta bancária em nome do Contribuinte. Entretanto, a autuação foi efetivada como omissão de rendimentos de Atividade Rural, com base na Lei nº 8.023, de 1990, sob a presunção de que os depósitos bancários que restaram não comprovados teriam origem na Atividade Rural. Nesse passo, o Colegiado recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que a omissão de rendimentos da Atividade Rural não poderia ser apurada com base em presunção mas sim em comprovação, por parte da Fiscalização, de que os valores omitidos seriam efetivamente oriundos dessa atividade. Confirase: "Verificase que a presente autuação reportase à omissão de rendimentos da atividade rural. A decisão a quo manteve o lançamento e assentou que: "[...] atividade rural por ele exercida restou confirmada, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal. Aliás, exatamente por esse motivo, a infração apontada na autuação foi relativa omissão de rendimentos da atividade rural (fl. 04) e não "omissão — origem não comprovada", como alegado. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 673 7 (...) Percebese, claramente, verdadeira confusão na fundamentação legal utilizada para lavrar o presente Auto de Infração, uma vez que o contribuinte fora autuado por Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, sendo que o Auditor Fiscal utilizouse da presunção legal, relativa aos depósitos bancários para constituir o lançamento, o que não se admite. Ainda, verificase que na fundamentação legal do Auto de Infração, o Fisco buscou utilizar legislação pertinente ao Imposto de Renda sobre a Atividade Rural e Omissão de Rendimentos através de Depósitos Bancários: In verbis: "ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1º a 22 da Lei nº 8.023/90; Arts. 9 e 17 da Lei nº 9.250/95; Art. 59 da Lei n°9.430/96; Art. 57 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002; Art. 10 da Lei n°11.119/05 e Art. 849 do RIR/99. " No que tange a exploração da atividade rural, verificase que o Fisco abriu mão da presunção legal, que inverte o ônus da prova, transformando a omissão de rendimentos através de depósitos bancários de origem não comprovada como sendo omissão de rendimentos da atividade rural, sem contudo comprovála. Verificase que em nenhum momento, conforme consta do “Termo de Verificação Fiscal" de fls. 10/ 18, o Fisco fez prova de que o contribuinte omitiu rendimentos da atividade rural, prova que a este cabia, pois no presente caso, ao arbitrar omissão de rendimentos da atividade rural, a prova de que a omissão dos rendimentos são oriundos de tal atividade (rural) cabe a autoridade fiscal, não bastando meramente alegar que tais omissões são decorrentes da atividade rural. Por pertinente, cabe transcrever excertos do Relatório Fiscal que assim atestam o agir do Fisco. Vejamos: [...] Como não foi possível identificar entre os créditos efetuados quais seriam responsabilidade da Farmácia Queiroz ou do Sr. Anardino Costa, já que ambos, ao serem intimados, não identificaram nem comprovaram a origem destes recursos, e que a situação de fato apurada muito se assemelha ao movimento de conta conjunta, considerei os depositantes cotitulares desta conta bancária. [...] Fl. 706DF CARF MF 8 Deste modo, considerei 50% dos recursos creditados na conta no Banco UNIBANCO, que não tiveram sua origem comprovada, como sendo receitas da atividade rural do sujeito passivo, por presunção legal, amparado pelo Artigo 42, da Lei 9.430/96 (doc. fls. 19) (...) Com efeito, não poderia o Auditor Fiscal valerse da presunção legal relativa, à qual aplicase tãosomente para os depósitos bancários de origem não comprovada. No caso, verificase que o auditor fiscal, inicialmente, criou uma conta conjunta inexistente (como se fosse de titularidade do contribuinte e da Farmácia), e após, utilizouse desta presunção legal atribuindo 50% do montante dos depósitos bancários (excluindo do montante os cheques devolvidos e o valor de R$16.000,00 da atividade rural) como se do contribuinte fossem, e os denominou como provenientes do exercício da atividade rural. Todavia, a omissão de rendimentos da atividade rural deve ser devidamente comprovada. Inclusive, como bem assentou a decisão a quo, o contribuinte, reconheceu, expressamente, que, apenas o depósito no valor de R$ 16.000,00, efetuado em 11/02/2004, teria vínculo com sua atividade econômica de produtor rural (este valor foi excluído pelo fiscal, portanto, não consta da base de cálculo do lançamento), não reconhecendo os demais créditos como de sua responsabilidade. Dessa forma, não poderia a fiscalização ter presumido que tais depósitos seriam receitas da atividade rural, e simplesmente tributadoos na proporção de 50%, como omissão de rendimentos da atividade rural. Frisase que a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova, poderia ser aplicada tãosomente em relação à omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários com origem não comprovada. Neste caso, não tendo sido este o fundamento para lavrar a autuação, equivocouse o Auditor Fiscal em ter se utilizado desta presunção legal em relação à omissão de rendimentos da atividade rural." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a divergência seria representado por julgado em que, apurandose omissão de rendimentos de Atividade Rural, por presunção, com base em valores creditados em conta bancária e não comprovados, a exigência fosse mantida. Isso porque a interpretação divergente a ser perseguida seria aquela que orientou o acórdão recorrido, qual seja, a legislação que regulamenta a tributação da Atividade Rural. Quanto ao Recurso Especial, logo de início já se verifica o equívoco quanto à exigência tratada no acórdão recorrido: "Tratase de lançamento exigindo IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2003, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A Egrégia Turma, porém, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar a exigência, sob a justificativa de que os depósitos eram oriundos exclusivamente de atividade rural, sendo que a omissão deveria ter sido tributada de acordo com a Lei nº 8.023/90." Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 674 9 Não obstante, tanto o lançamento como o entendimento esposado no acórdão recorrido foram o contrário do que concluiu a Recorrente, além de se referirem aos anos calendário de 2004 e 2005, e não de 2003. Com efeito, a exigência teve como base a omissão de rendimentos da Atividade Rural, por presumirse que os depósitos bancários não comprovados teriam essa origem. Ademais, a conclusão do acórdão recorrido foi no sentido de que somente caberia a presunção se a autuação fosse com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Na sequência, a Fazenda Nacional cita trecho atribuído ao acórdão recorrido (acima reproduzido), que efetivamente confirmaria sua premissa, porém repitase que dito trecho não diz respeito ao acórdão recorrido. Assim, partindo dessa premissa equivocada, eis que incompatível com a situação fática do acórdão recorrido, assim conclui: "Conforme se observa, a Egrégia Turma constatou que os rendimentos omitidos eram decorrentes de atividade rural e, por canta disso, cancelou o auto de infração." Na esteira dessa premissa equivocada, a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 930400.134 e 9202002.350, que poderiam ser comparados com a situação que a seu ver teria ocorrido no acórdão recorrido, mas não com a situação verificada no julgado guerreado, que, repitase, é diversa. Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 930400.134 a Fazenda Nacional colaciona os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 PAF NULIDADES Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. PAF OMISSÃO DE RECEITAS ÔNUS DA PROVA Nos casos de lançamento por omissão de receitas, excetuandose as presunções legais, incumbe a Fazenda provar os pressupostos do fato gerador da obrigação e da constituição do crédito. Comprovado o direito constitutivo de lançar ele se opera sobre uma base imponível exata. PAF PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como 'vetores interpretativos'.'O agente público' que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei que disciplina o tributo ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei n. 5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcional".(Aliomar Baleeiro). Fl. 708DF CARF MF 10 IRPF OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL BASE IMPONÍVEL DIMENSIONAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 42 DA LEI 9430/1996 FRENTE AO CONCEITO DE RENDA INSCULPIDO NO ARTIGO 43 do CTN POSSIBILIDADE Havendo nos autos a prova fornecida pela recorrente quanto à real base de cálculo do tributo e não sendo esta expressamente contestada pelo autor da ação, a autoridade julgadora deverá aceitála como suficiente para realização do lançamento de ofício devendo cancelar, apenas, a parcela que exceder a este valor. Recurso Especial Parcialmente Provido.” (destaques da Recorrente) Voto "Tratase de exigência de IRPF, por presunção legal de omissão de rendimentos, arbitrados em face de depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em contas corrente de José Carlos Rampelotti e de titularidade de Lídia Zelinda Marchi, também movimentada pelo autuado. A fiscalização acatou a justificativa da existência de condomínio agrícola em parceria com quatro irmãos, motivo porque este lançamento é 1/5 do valor apurado pelo fisco. No tocante à conta bancária em nome de Lídia Zelina Marchi, a fiscalização entendeu que os recursos movimentados pertencem ao condomínio mantido pelo Sr. José Carlos Rampelotti e irmãos, sendo aquela tão somente interposta pessoa. Aqui, também, os valores apurados foram rateados à razão de vinte por cento. A Fazenda Nacional pede a revisão do decidido, conforme anteriormente relatado, por entender equivocada a sua conclusão, inclusive, a adequação do lançamento à conclusão exarada no acórdão 10422954, de 23/01/2008, assim ementado: [...] A conclusão a qual chega o nobre relator desse acórdão é a mesma que tenho, inclusive já manifestada em outras ocasiões, e esta Câmara Superior já decide desta forma. Ao argumento oferecido nas contra razões de que o ajuste do lançamento implicaria em novação do feito, não prospera. A causa de lançar foi a omissão de rendimentos, ditas receitas oriundas da atividade agrícola, apuradas com base no artigo 42 da Lei 9430/1996. O relator do acórdão recorrido entendeu que o lançamento deveria ser cancelado porque, os fatos narrados, nos termos de verificação fiscal, não se subsumiam aos ilícitos detectados. Discordo de tal conclusão por entender que é perfeitamente possível, no exercício de aplicador da lei, conjugar o conceito insculpido neste artigo com as determinações constantes no artigo 43 do CTN em seu parágrafo primeiro, pois a renda, neste caso, seria perfeitamente extraída dos movimentos Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 675 11 bancários, a partir das informações oferecidas pelo próprio sujeito passivo. [...] Presentes se encontravam os pressupostos de ocorrência do fato imponível. A partir de então, para quantificar o ilícito, este seria operado sobre uma base de cálculo, que é a grandeza decorrente de regra matriz tributária. [...] Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para ajustar a base de cálculo para 20%, o percentual aplicável no arbitramento das receitas correspondentes à atividade rural." Assim, nesse primeiro paradigma, a autuação foi levada a cabo com base na presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996 e, como considerouse comprovado que os depósitos diziam respeito à Atividade Rural, entendeuse que a presunção não mais podia ser aplicada, reduzindose a respectiva base de cálculo a 20%, sob a convicção que os depósitos bancários teriam origem na Atividade Rural. No caso do acórdão recorrido, a situação fática em nada se assemelha a esse primeiro paradigma, já que, apesar da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o autuante presumiu serem oriundos da Atividade Rural e assim formalizou a exigência como omissão de rendimentos dessa atividade. Confirase a decisão de Primeira Instância, que evidencia essa situação: "Embora tenha sido intimado a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, como já relatado, o autuado declarou, expressamente, que apenas o depósito no valor de R$ 16.000,00, efetuado em 11/02/2004, teria vínculo com sua atividade econômica de produtor rural, não reconhecendo os demais créditos como sendo de sua responsabilidade (fl. 415). Assim, a autoridade lançadora, convicta da atividade exercida pelo contribuinte, considerou os valores creditados, que não tiveram a sua origem comprovada, como receitas da atividade rural, que foram auferidas e omitidas no mês correspondente aos créditos efetuados pelas instituições financeiras, agindo em conformidade com o estabelecido no art. 42, §§ 10 e 2°, da Lei 9.430/96." Quanto ao segundo paradigma indicado Acórdão nº 9202002.350 a Fazenda Nacional colaciona os seguintes trechos: Ementa “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1999, 2000 Fl. 710DF CARF MF 12 TRIBUTAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. TRIBUTAÇÃO ESPECÍFICA. LEI 8.023/1990. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houver sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. IRPF. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.” Relatório "Tratase de Recurso Especial (fls. 1811/1826), interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 340100.020 (fls. 291/ss) da Primeira Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, proferido em 03/06/2009, que, por unanimidade de votos, em desqualificou a multa de oficio e, no mérito, por maioria de votos, em deu provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Tratase de Auto de Infração de fls. 15 a 20, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 14 e pelo Relatório da Atividade Fiscal de fls. 23 a 32, pela qual exigese do contribuinte o Imposto de Renda Pessoa Física de R$ 2.347.519,21, acrescido da multa de oficio de 150% e juros de mora. A fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, Banco do Brasil S.A., ao BESC S.A. e A Cooperativa de Crédito Rural do Meio Oeste Catarinense (Credimoc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, nos montantes de R$ 1.180.403,29, R$1.137.286,79, R$1.564.655,52, R$2.089.345,90 e R$2.569.389,35, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] O que se observa do acórdão combatido é que, segundo o voto condutor, no caso dos autos, o fato tributado foi ‘omissão de Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 676 13 rendimentos caracterizada por depósito bancário não justificado’ e a norma apontada como de incidência foi o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. No decorrer do processo, segundo o julgado, se apurou que não se tratava de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário, mas sim de receita proveniente da atividade rural cuja norma de exigência tributária é o artigo 4º da Lei n° 8.023, de 1990. Em tais circunstancias não seria lícito que o órgão julgador, a pretexto de corrigir, faça um novolançamento indicando nova matéria fática; nova regra de incidência e novo montante do tributo devido. De acordo com o relator, tal modo de agir se constitui em procedimento que a autoridade julgadora não tem competência para tal. Quem julga não pode fazer lançamento e quem faz lançamento não pode julgar. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não teria competência para, em julgamento, alterar a descrição da matéria tributável e a regra de incidência tributária e ao mesmo tempo proferir julgamento em relação ao seu próprio lançamento. Sendo assim, tendo a Câmara Julgadora, na análise da prova, formado convencimento de que todos os recursos que transitaram na conta bancária são oriundos da atividade rural, decidiu esta pela invalidade do lançamento feito com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário não justificado (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996) e, assim, não cabendo ao órgão alterar a fundamentação legal da exigência para exigir crédito tributário com base no artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990, sob pena de violação das disposições constantes no artigo 18, § 3º, do Decreto n° 70.235, de 1972." Voto Vencedor Com todo respeito ao excelso relator, divirjo de seu entendimento na questão da negativa de provimento, no que tange aos valores encontrados em estabelecimentos bancários. Restou comprovado nos autos que os valores que transitaram nas contas bancárias do sujeito passivo possuíam como origem a atividade rural, devendo, portanto, como determina a legislação, serem tributados na forma específica: Lei 9.430/1996: (...) Assim, em nosso entender, devem ser tributadas conforme a legislação específica (20% Art. 5º, da Lei 8.023/1990) as diferenças entre os valores lançados como depósitos bancários não justificados e os valores declarados de atividade rural." (grifei) Da mesma forma que o primeiro, esse segundo paradigma revela situação que em nada se assemelha à do recorrido, já que a autuação foi feita com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, porém considerouse que ditos depósitos teriam origem Fl. 712DF CARF MF 14 comprovada e não apenas presumida na Atividade Rural, daí a redução da base de cálculo a 20%. Verificase, assim, em síntese, que os paradigmas, ao contrário do acórdão recorrido, tratam de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com menção a conjunto probatório que evidenciaria que o contribuinte exerceria exclusivamente a Atividade Rural. Nesse passo, ao constatarse que os rendimentos omitidos seriam decorrentes dessa atividade, entendeuse por ajustar o lançamento, conforme a legislação específica, reduzindose para 20% a base de cálculo. Assim, a regramatriz de incidência aplicada foi a presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, porém como as receitas de Atividade Rural foram comprovadas, reduziuse a base de cálculo remanescente dos depósitos bancários a 20%. Já no caso do acórdão recorrido, ocorreu exatamente o contrário: a origem dos depósitos bancários não foi comprovada, presumindose então que o valor dos depósitos bancários, que superou o prejuízo do Contribuinte obtido na Atividade Rural, seria oriundo dessa atividade, efetuandose o lançamento como omissão de rendimentos de Atividade Rural, cuja regramatriz de incidência é a Lei nº 8.023, de 1990. Ressaltese que, antes de aplicar a presunção para apurar tributação específica, o autuante facultou ao Contribuinte a oportunidade de, após o início da ação fiscal, elaborar Declaração de Ajuste Anual Retificadora (apresentadas em 14/11/2009, fls. 486 a 494 Volume 3), contendo receitas que teriam sido comprovadas e despesas "afirmadas", nada disso tendo constado na declaração original. Nesse contexto, não considerou essas receitas como omitidas (já que não haviam sido declaradas) mas sim utilizouse dos depósitos bancários não comprovados como se fossem oriundos da Atividade Rural. Confirase o Termo de Verificação Fiscal de fls. fls. 15/16, Volume 1: E) DO LANÇAMENTO DE IRPF RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO DE 2004: O contribuinte, ao preencher o Demonstrativo da Atividade Rural em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, referente ao anocalendário de 2004, exercício 2005, através de Declaração Retificadora (doc. fls. 442 a 526 ), declarou e apresentou comprovantes das receitas auferidas no valor de R$177.411,19 e afirmou ter tido despesas de custeio e investimento de R$181.959,11, resultando um prejuízo apurado de R$4.547,92. Ao ser intimado a comprovar a origem dos créditos efetuados na conta 10002586, agência 664 do Banco UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S/A declarou, expressamente, que apenas o depósito no valor de R$16.000,00 (dezesseis mil reais), efetuado no dia 11/02/2004, referente a venda de gado Jersey, teria vínculo com sua atividade econômica de produtor rural, não reconhecendo os demais créditos como sendo de sua responsabilidade (doc. fls. 394 a 915 ). No entanto, os documentos das páginas 259 a 393 e 439 e o depoimento do Sr. José Benedito Borges, CPF 237.531.10604, seu empregado e procurador, durante o anocalendário de 2004, comprovam que receitas e despesas decorrentes de sua atividade rural foram creditadas ou pagas, conforme o caso, com débitos nesta conta bancária. Deste modo, considerei 50% dos recursos creditados na conta no Banco UNIBANCO, que não tiveram sua origem Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10660.001786/200917 Acórdão n.º 9202006.732 CSRFT2 Fl. 677 15 comprovada, como sendo receitas da atividade rural do sujeito passivo, por presunção legal, amparado pelo Artigo 42, da Lei 9.430/96 (doc. fls. 19). O total calculado, R$463.434,92, conforme planilha RECEITAS OMITIDAS 2004 CONTA UNIBANCO, sofreu uma dedução de R$4.547,92, referente ao prejuízo anteriormente apurado no Demonstrativo da Atividade Rural da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF (declaração retificadora), resultando um montante de R$463.434,92 de omissão de receita na atividade rural, que esta sendo exigida através do presente lançamento de oficio. F) DO LANÇAMENTO DE IRPF RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO DE 2005: O contribuinte, ao preencher o Demonstrativo da Atividade Rural em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, referente ao anocalendário de 2005, exercício 2006, através de Declaração Retificadora (doc. fls. 442 a 526), declarou e apresentou comprovantes das receitas auferidas no valor de R$426.666,41 e afirmou ter tido despesas de custeio e investimento de R$428.669,36, resultando um prejuízo apurado de R$2.002,95. Ao ser intimado a comprovar a origem dos créditos efetuados na conta 10002586, agência 664 do Banco UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S/A declarou, expressamente, que apenas o deposito no valor de R$16.000,00 (dezesseis mil reais), efetuado no dia 11/02/2004, referente a venda de gado Jersey, teria vinculo com sua atividade econômica de produtor rural, não reconhecendo os demais créditos como sendo de sua responsabilidade (doc. fl. 415). No entanto, os documentos das páginas 259 a 393 e 439 e o depoimento do Sr. José Benedito Borges, CPF 237.531.10604, seu empregado e procurador, durante o anocalendário de 2004, comprovam que receitas e despesas decorrentes de sua atividade rural foram, conforme o caso, creditadas ou pagas com débitos nesta conta bancária. Em relação aos créditos no valor de R$165.527,16, no dia 06/05/2005, R$400,00, em 05/10/2005 e R$480,00, em 21/12/2005, efetuados na conta 10002586, agência 664, do BANCO ABN AMRO REAL S/A, o sujeito passivo não comprovou sua origem (doc. fls. 394 a 415). Deste modo, somei 50% dos recursos creditados na conta no Banco UNIBANCO, que não tiveram sua origem comprovada, conforme planilha RECEITAS OMITIDAS 2005 CONTA UNIBANCO, aos depósitos na conta no Banco ABN AMRO REAL S/A, discriminados no parágrafo anterior, e considerei o total obtido, R$674.562,01, como sendo receitas da atividade rural do contribuinte, por presunção legal, amparado pelo Artigo 42, da Lei 9.430/96. Fl. 714DF CARF MF 16 O valor omitido, R$674,562,01, sofreu uma dedução de R$2.002,95, referente ao prejuízo apurado no Demonstrativo da Atividade Rural da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF (declaração retificadora), resultando um montante de R$672.559,06 de omissão de receita na atividade rural, que também esta sendo exigida através do presente lançamento de oficio." (grifei) Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações absolutamente diversas, de sorte que o dissídio interpretativo não restou demonstrado. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001996/2006-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003.
As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003.
As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013.
Numero da decisão: 9303-006.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 19 96 /2 00 6- 73 Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.516 2 As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.517 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3403001.289, de 09 de novembro de 2011 (fls.1898 a 1908 do processo eletrônico), proferido Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo das contribuições os seguintes valores: 1) as sobras até o limite destinado à formação dos fundos de reserva e FATES; 2) as receitas financeiras; 3) as corresponsabilidades cedidas; e 4) a totalidade dos eventos ocorridos e pagos, líquidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade”. A discussão dos presentes autos tem origem nos autos de infração lavrados contra o Contribuinte, que lhe exige um crédito tributário no valor total de R$ 9.858.707,92, sendo: R$ 3.699.616,33 de Cofins; R$ 1.628.719,25 de juros de mora, calculados até 30/11/2006; R$ 2.774.712,17 de multa proporcional; R$ 801.583,54 de PIS; R$ 352.889,08 de juros de mora, calculados até 30/11/2006; R$ 1.755.660,17 de multa proporcional Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais constantes dos autos de infração, os lançamentos decorreram de "Falta de Recolhimento / Declaração" das contribuições — "Apuração Incorreta". O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Em preliminar: I o reconhecimento da nulidade do lançamento fiscal, tendo em vista que o Auto Fiscal sub examen embasouse fundamentalmente na descaracterização da Impugnante como sociedade cooperativa, tributandolhe a totalidade de suas operações (atos cooperativos e não cooperativos), sem apartálos, pedido que se ampara na jurisprudência que no Conselho de Contribuintes há muito vem se solidificando; No mérito: II com fulcro nas razões de fato e de direito elencadas, que se julgue procedente a presente impugnação administrativa, anulandose integralmente o auto de Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.518 4 infração MPF n° 0610500/00111/06 — COFINS (PIS), invocandose a regra geral de não incidência tributária que respaldam os atos cooperativos das sociedades cooperativas (arts. 79, 87 e 111 da Lei nº 5.764/71 e art. 6°, I da Lei nº 70/91), e na extensão em que postulado na presente impugnação; III requerse que sejam decotados da CDA combatida os valores referentes ao intercâmbio, face à inexistência de base tributável (receita) da Impugnante nesta modalidade, vez que, em sendo cabível a incidência, esta deverá se dar na cooperativa na qual se efetivou o atendimento, pois seria dela a eventual receita, destacandose ainda que se trata de em ato cooperativo, nos moldes do art. 79, caput, da Lei n. 5.764/71; IV requerse, ainda, a exclusão no auto de infração combatido dos valores lançados a título de sobras, porquanto, por determinação expressa estas podem ser deduzidas da base de cálculo da COFINS, a teor do que dispõe a Lei nº 10.676/2003 (art. 1°); V ademais, e independentemente do acima postulado, que, ante a sua participação e definição jurídicaeconômica de operadora de planos de saúde, reconheçase a possibilidade da Impugnante em proceder a necessários ajustes na base de cálculo da COFINS (PIS), de forma a se colher somente o que se configurar efetiva receita (comissão/taxa de administração), destacandose a previsão contida no § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, com redação dada pelo art. 2° da MP nº 2.158 35/2001, anulandose, em consequência, o auto de infração guerreado; VI requerse, outrossim, a exclusão da COFINS (PIS) sobre receitas financeiras, uma vez que excluídas do conceito de faturamento; VII finalmente, pleiteiase a exclusão na base de cálculo autuada dos valores referentes a ICMS, já que este não se configura como base imponível da COFINS (PIS) — faturamento/receita bruta." A DRJ em Juiz Fora/MG julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve o lançamento. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo das contribuições os seguintes valores: 1) as sobras até o limite destinado à formação dos fundos de reserva e FATES; 2) as receitas financeiras; 3) as corresponsabilidades cedidas; e 4) a totalidade dos eventos ocorridos e pagos, líquidos das Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.519 5 importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade”, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e o Programa de Integração Social PIS/PASEP. Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.12.2004. Ementa: SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. Ementa: OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS – LEI Nº 9.656/98. Legislação permite à exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das pessoas jurídicas de direito privado, cooperativas, que operam planos de assistência à saúde, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas oriundas de aplicação financeira das cooperativas decorrente de sobra de caixa não estão sujeitas à tributação das contribuições para o PIS e a COFINS, por estarem submetidas ao regime cumulativo. Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO RESSARCIMENTO DE INTERCÂMBIO. CORESPONSABILIDADE CEDIDA. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. A legislação vigente autoriza a exclusão da base de cálculo: coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas e as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, o que Assunto: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e o Programa de Integração Social PIS/PASEP. Período de Apuração: 01.01.2003 a 31.12.2004. Ementa: SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.520 6 As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. Ementa: OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS – LEI Nº 9.656/98. Legislação permite à exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das pessoas jurídicas de direito privado, cooperativas, que operam planos de assistência à saúde, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Ementa: RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas oriundas de aplicação financeira das cooperativas decorrente de sobra de caixa não estão sujeitas à tributação das contribuições para o PIS e a COFINS, por estarem submetidas ao regime cumulativo. Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO RESSARCIMENTO DE INTERCÂMBIO. CORRESPONSABILIDADE CEDIDA. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. A legislação vigente autoriza a exclusão da base de cálculo: corresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas e as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, o que engloba valores pagos à rede conveniada como médicos (honorários), hospitais, clínicas e laboratórios. Recurso provido em parte A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 1911 a 1913, sendo que estes foram acolhidos em efeito modificativo para sanar o vício apontado pela embargante, passando o resultado do julgamento a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo das contribuições os seguintes valores: 1) as sobras até o limite destinado à formação dos fundos de reserva e FATES; 2) as receitas financeiras; 3) as corresponsabilidades cedidas; e 4) a totalidade dos Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.521 7 eventos ocorridos e pagos, líquidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade." A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1944 a 1949) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, as divergência suscitadas pela Fazenda Nacional dizem respeito: I corresponsabilidade cedida e transferência de responsabilidade e II – dedução das sobras de cálculo. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 20217.428, 10707.914 e 20402.084. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documento de fls. 1950 a 1994. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls. 2094 a 2097. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 2109 a 2139, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade parcial do recurso conforme despacho de fls. 2094 a 2097, sob os argumentos abaixo relacionados: Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.522 8 Preliminarmente, relativamente à exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em que pese constar do pedido do recurso especial a sua reversão, a Fazenda não colacionou ou especificou qualquer decisão deste Conselho Administrativo que tenha divergido da decisão recorrida, de maneira que, tocante a esta questão, não atendeu ao requisito formal de admissibilidade. Respeitante às matérias para as quais foram coligidos paradigmas de dissenso, temse que, em relação às corresponsabilidades cedidas, os arestos dissidentes arregimentados (20217.428 e 10707.914) não trataram desta rubrica especificamente, mas sim dos valores repassados a hospitais e clínicas e custos administrativos. Portanto, a questão abordada pelos aludidos julgados, lastreada na dicotomia atos cooperativos/atos não cooperativos, cingiuse à possibilidade de abatimento dos valores vertidos a terceiros nãocooperados, p.e., hospitais, clínicas, laboratórios, dentre outros, tendo concluído que tais despesas, pelas suas características, não poderiam ser abatidas na apuração das contribuições em comento por ausência de previsão legal específica. Já o acórdão recorrido, em entendimento oposto, entendeu que estes valores repassados à rede conveniada poderiam, sim, ser excluídos da apuração, eis que albergados pela expressão “eventos ocorridos, efetivamente pagos” mencionados no art. 3º, § 9º, I da Lei nº 9.718/98. Retornando às responsabilidades cedidas, como dito alhures, não se verificou o conflito interpretativo alegado. Quanto à dedução das sobras de cálculo, ainda que não tenha contestado propriamente a legalidade do abatimento, a Fazenda Nacional questionou a adoção da medida em hipótese como a dos autos, em que a contabilidade do contribuinte não permitiu segregar a receita vinculada aos atos cooperativos e nãocooperativos. Neste passo, o Acórdão n.º 20402.084 assentou que ausente a prova da apartação das receitas (atos cooperativos/nãocooperativos), não há como reconhecer o direto à sua exclusão. Ficando comprovada a divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.523 9 Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Do Mérito A controvérsia se refere à dedução das sobras da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, conforme autorizado pela Lei n. 10.676/2003 e exclusões na base de cálculo do PIS e COFINS concedidas às sociedades que operam planos de saúde, consoante regência da Lei n. 9.656/98 e forma da adoção da medida em hipótese como a dos autos, em que a contabilidade do contribuinte não permitiu segregar a receita vinculada aos atos cooperativos e nãocooperativos. Inicialmente não encontrei no TVF qualquer referência à falta de segregação dos atos na contabilidade. Na verdade a fiscalização entendia que o contribuinte não era cooperativa e dessa forma recalculou as bases de cálculo do PIS e da Cofins e, por óbvio, retirou a dedução das Sobras, pois não aplicável as Pessoas Jurídicas normais. Ademais, no Acórdão DRJ de fl. 1526, verificase que o contribuinte foi tratado como cooperativa de trabalho médico, mas manteve o lançamento entendendo que na nova legislação tanto os atos cooperativos como os não cooperativos são tributados pelo PIS e pela Cofins. Quanto às sobras, manteve a glosa, porque a segregação efetuada pelo contribuinte em sua contabilidade estaria incorreta, pois o conceito de ato cooperativo adotado não era compatível com a legislação. E, portanto, como a segregação estava incorreta, por consequência, a apuração das sobras também estaria comprometida. Veja a conclusão: Quanto à base de cálculo, para sua apuração, além de exclusões gerais que beneficiam todas as pessoas jurídicas, previstas nos incisos I e II do § 2º do art. 3º, para as sociedades cooperativas de serviços médicos, além das exclusões previstas nos incisos, são também permitidas as exclusões previstas para as operadoras de planos de assistência à saúde e Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.524 10 mais a exclusão especifica prevista no art. 1º da MP nº 101, de 30/12/2002, convertida na Lei nº 10.676, de 22/05/2003, com vigência a partir de 26/10/1999, que assim dispõe: “Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. §2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. §3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Conforme acima, é devida a dedução da base de cálculo da COFINS, das sobra apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), pelas cooperativas em geral, bem como é permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde os ajustes relativos à exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; à dedução os valores das corresponsabilidades cedidas; à dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e à dedução do valor de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.525 11 Entendo que mesmo não havendo segregação das receitas decorrentes de atos cooperativos e de atos não cooperativo, estas poderão ser analisadas e poderão ser excluídas da base de cálculo da contribuição e os valores lançados e exigidos sobre elas serão excluídos do crédito tributário, ao final do processo, pois, as receitas decorrentes de não atos cooperativos, ao contrário do seu entendimento, conforme será demonstrado no julgamento das questões de mérito, excluem da base de cálculo da COFINS. Ademais, é possível efetuar o cálculo dos valores destinados aos fundos, apenas com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003, para em seguida efetuarse a dedução das bases de cálculo utilizadas nas autuações. Foi o que decidiu o acórdão Recorrido, vejase trecho (fls. 1944): “Nesse passo, a decisão recorrida deu contorno jurídico acertado ao caso na parte em que reconheceu in abstrato o direito à dedução limitada ao valor destinado à constituição dos fundos de reserva e FATES. Contudo, deve ser reformada na parte em que negou o direito àquela dedução in concreto em razão da falta de segregação entre atos cooperados e não cooperados. Isto porque é possível efetuar o cálculo dos valores destinados aos fundos, apenas com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, §2º da Lei n.º 10.676/203, para em seguida efetuar a dedução das bases de cálculo utilizadas nas autuações.” Assim, considerandose que o resultado de atos cooperativos e não cooperativos foi segregado, de acordo com a Lei n.º 10.676/03, resta aferível que improcede a exigência de crédito fiscal relativo ao percentual das sobras destinado ao FATES e ao Fundo de Reserva. Ademais, verificase que a acusação foi equivocada de que o contribuinte não teria segregado os atos cooperativos dos não cooperativos. Ele o fez. E não foi esse o fundamento do lançamento para glosar as sobras da Base de Calculo. A DRJ criou este empecilho, mas ele não adveio do lançamento. E segundo, porque é possível saber os valores correspondentes à formação dos referidos fundos. Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.526 12 Por fim, vale ainda ressaltar que a matéria quanto às exclusões na base de cálculo do PIS e COFINS concedidas sociedades que operam planos de saúde, se encontram superada, uma vez que, com a edição da Medida Provisória MP n.º 619, de 2013 (convertida na Lei n.° 12.873, de 2013), introduziuse, no art. 3º da Lei da n.º 9.718, de 1998, o § 9ºA, segundo o qual, para efeito de interpretação, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade, a questão litigiosa não se resume apenas a esta matéria. Eis a sua redação: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Portanto, devem ser levados em conta, na determinação da base de cálculo do PIS/Cofins, os valores despendidos com os próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Há varias decisões desse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre assunto: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.527 13 planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os DF CARF MF Fl. 7387 Processo nº 13888.723007/201330 Acórdão n.º 3402004.337 S3C4T2 Fl. 7.373 5 beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9º A, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do § 9º A, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao § 9ºA, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei n.º 12.873, que retroage para alcançar fatos geradores do presente processo administrativo.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais Processo Administrativo n.º 13982.001408/200981 Data da Sessão 09/11/2016. Relatora Vanessa Marini Cecconello. Nº Acórdão 9303 004.399. Unânime)”. Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.528 14 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/1999, 01/01/2002 a 31/12/2003 COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9ºA e 9º B. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” (destaques nossos) (CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. Processo nº 10680.007677/200452 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.295 – 3ª Turma Sessão de 24 de março de 2015) “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO EXCLUSÕES. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. A dedução previstano art. 3º, § 9º, I, da Lei nº 9.718/98 só alcança os valores pagos a título de corresponsabilidades cedidas (transferência do risco), não se incluindo nesta dedução valores pagos a título de intercâmbio eventual. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. A teor do § 9º A do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pela Lei nº 12.873/2013, a exclusão prevista no § 9º, III, do art. 3º da Lei nº 9718/98 alcança não só os custos incorridos com beneficiários da cobertura oferecida pelos planos da própria operadora, mas também aqueles incorridos com beneficiários de outra operadora. Em hipótese alguma esta dedução inclui valores gastos com a rede própria. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS Excluise da base de cálculo da contribuição as receitas Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.529 15 distintas do faturamento proveniente da venda de bens e serviços, por extensão administrativa da decisão do STF proferida no RE nº 357.950. SOBRAS LÍQUIDAS. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF afastar a aplicação de dispositivo legal, sob alegação de inconstitucionalidade. Recurso voluntário provido em parte.” (Processo nº 13864.720070201121, relator o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, julgado em 15/10/2014.) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2001 a 01/03/2002 PIS e COFINS. BASE DE CÁLCULO OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Com a introdução do parágrafo 9º A ao art. 3º da Lei nº 9.718/98 pela Lei no. 12.973/13, ficou esclarecido, de forma explícita e definitiva a legitimidade de as operadoras do plano de saúde deduzirem da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor correspondente às indenizações aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso Voluntário provido.” (Processo nº 10845.003073/200245, relatora a Conselheira Fábia Regina Freitas, julgado em 11/12/2014.) “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.530 16 assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, por interpretação dada pelo §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” (Processo nº 10830.723730/201396, relator a Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, julgado em 25/02/2015.) COFINS CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições para a COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. A receita referente a comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da COFINS por tratarse de prestação de serviços. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3102 001.712, de 29/1/2013). Como se verifica acima, a questão é pacífica na jurisprudência do Carf, de modo que não há dúvidas sobre a necessidade de manutenção da aplicação das deduções da totalidade dos custos assistenciais no atendimento de usuários próprios e usuários de outras operadoras. Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10650.001996/200673 Acórdão n.º 9303006.773 CSRFT3 Fl. 2.531 17 Fl. 2531DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.908432/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 32 /2 00 9- 33 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.908432/200933 Acórdão n.º 1301003.121 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908432/200933 Acórdão n.º 1301003.121 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908432/200933 Acórdão n.º 1301003.121 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908432/200933 Acórdão n.º 1301003.121 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000262/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/07/1999 a 30/09/2003
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991.
AUTUAÇÃO. FUNDAMENTOS. VINCULAÇÃO.
O julgamento dos processos administrativos referentes a lançamento devem tomar em conta os fundamentos adotados na autuação, não podendo extrapolá-los, de modo a emendar a autuação.
Numero da decisão: 3401-004.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 02, constante do voto, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 03 do voto.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/07/1999 a 30/09/2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991. AUTUAÇÃO. FUNDAMENTOS. VINCULAÇÃO. O julgamento dos processos administrativos referentes a lançamento devem tomar em conta os fundamentos adotados na autuação, não podendo extrapolá-los, de modo a emendar a autuação.
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LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991. AUTUAÇÃO. FUNDAMENTOS. VINCULAÇÃO. O julgamento dos processos administrativos referentes a lançamento devem tomar em conta os fundamentos adotados na autuação, não podendo extrapolálos, de modo a emendar a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 02, constante do voto, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 03 do voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 62 /2 00 4- 25 Fl. 1405DF CARF MF 2 Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 153 a 1671, datado de 17/03/2004 (com ciência em 08/04/2004 – fl. 168), para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao período de outubro de 1997 a setembro de 2003, no valor original de R$ 1.596.078,06, acrescido de juros de mora e de multa de ofício (75 %), por falta de recolhimento em virtude de divergências entre os valores declarados e os escriturados nos livros Registros de Saídas e Registro de Apuração o ICMS, e em DIPJ (Fichas 6A e 19A, de 1999 a 2002). Em Impugnação (fls. 174 a 182), argumentou a empresa, em síntese, que: (a) houve cerceamento do direito de defesa, pela não devolução de diversos livros fiscais (relacionados à fl. 175), demandando reabertura de prazo para impugnação; (b) os dados constantes da autuação não condizem com a contabilização apresentada, e são discrepantes da realidade operacional da empresa (confronto efetuado na tabela de fls. 177 a 180); (c) de janeiro a dezembro de 2003, deixou o autuante de considerar a alteração promovida na legislação que rege a contribuição; (d) não foram computadas as devoluções de mercadorias, de outubro a dezembro de 2003; (e) em autuação distinta, sobre COFINS, as bases de cálculo são diferentes das utilizadas no presente lançamento; e (f) restam atingidos pela prescrição os valores exigidos referentes aos períodos de outubro de 1997 a fevereiro de 1998. Em 25/10/2004, a DRJ converte o julgamento em diligência, pelo despacho de fls. 1049 a 1052, para que a unidade forneça esclarecimentos complementares em relação a oito itens, respondidos às fls. 1088 a 1092, admitindose a devolução dos livros após a autuação, com proposta de reabertura de prazo de impugnação, e que alguns valores (julho/1999, e janeiro a setembro/2003) foram indevidamente lançados e devem ser excluídos da autuação. Ciente da análise fiscal em 04/04/2005 (fl. 1094), a empresa apresenta aditivo à impugnação (em 16/04/2005 – fls. 1091 a 1098), reiterando que houve cerceamento do direito de defesa, que os valores do lançamento não correspondem aos escriturados, mas a planilhas elaboradas pela própria fiscalização, e ratificando a exclusão dos valores que a própria fiscalização entendeu indevidos. A DRJ converte novamente o julgamento em diligência em 15/06/2005 (fls. 1206/1207), para que sejam juntados aos autos cópia dos Livros Diário e Razão dos anos calendários 2000, 2001 e 2002, onde constem o total das receitas de vendas de mercadoria, nos períodos de apuração. A empresa peticiona à fl. 1214, informando que as cópias de tais livros já se encontravam anexadas aos autos, e, posteriormente, à fl. 1216, comunicando que colacionava o teor dos livros, às fls. 1218 a 1274. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.471 S3C4T1 Fl. 1.395 3 A decisão de primeira instância, proferida em 29/11/2005 (fls. 1278 a 1290) foi, unanimemente, pela parcial procedência do lançamento, excluindose os valores referentes ao fato gerador ocorrido em 31/07/1999 e os períodos atinentes aos anoscalendários 2000, 2001, 2002 e 2003, sob os fundamentos de que: (a) houve saneamento do processo com a devolução do prazo para complementação da impugnação; (b) o prazo decadencial para exigência das contribuições é de dez anos, conforme artigo 45 da Lei no 8.212/1991; (c) devem ser excluídos do lançamento os valores que a própria fiscalização assumiu como indevidos; e (d) devem ser excluídos os lançamentos referentes a 2000, 2001 e 2002, por estar confirmada nos livros apresentados a escrituração fiscal da empresa. Em função do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício. Após ciência da decisão da DRJ, em 09/01/2006 (fl. 1292), a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1296 a 1299, em 03/02/2006, não questionando a decadência, mas juntando livros referentes ao período com a alegação e que provariam o recolhimento em harmonia com a legislação da época. No CARF, por meio da Resolução no 3401000.218, de 03/02/2011 (fls. 1374 a 1379), o julgamento foi convertido em diligência, basicamente para aferição da efetiva base de cálculo dos períodos de apuração mantidos pela decisão de primeira instância, à luz dos documentos coligidos pelo recorrente, sem prejuízo de outros elementos que a fiscalização reputasse necessários. No Relatório Fiscal de fl. 1388, a fiscalização afirma que os valores aferidos estão em planilhas de cálculo (fls. 1385 a 1387). Cientificada a empresa do relatório em 19/05/2017 (fl. 1389), não consta que tenha havido manifestação adicional sua. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em julho de 2017. Em janeiro, fevereiro e março de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto ao recurso de ofício, percebe se que o valor exonerado a título de principal resulta em um total de crédito tributário de R$ 2.519.772,36, a título de tributos e multa, conforme tabela a seguir: Tabela 01: Valores exonerados pela DRJ Tributo exonerado Multa exonerada Total exonerado jul/99 8.590,41 6.442,81 15.033,22 jan/00 33.062,08 24.796,56 57.858,64 fev/00 30.830,17 23.122,63 53.952,80 mar/00 33.050,98 24.788,24 57.839,22 Fl. 1407DF CARF MF 4 abr/00 25.402,24 19.051,68 44.453,92 mai/00 30.441,54 22.831,16 53.272,70 jun/00 28.899,96 21.674,97 50.574,93 jul/00 35.324,52 26.493,39 61.817,91 ago/00 33.926,97 25.445,23 59.372,20 set/00 35.513,41 26.635,06 62.148,47 out/00 38.141,53 28.606,15 66.747,68 nov/00 39.157,56 29.368,17 68.525,73 dez/00 36.719,69 27.539,77 64.259,46 jan/01 30.412,31 22.809,23 53.221,54 fev/01 30.485,85 22.864,39 53.350,24 mar/01 35.148,92 26.361,69 61.510,61 abr/01 30.651,23 22.988,42 53.639,65 mai/01 32.772,27 24.579,20 57.351,47 jun/01 29.082,66 21.812,00 50.894,66 jul/01 30.968,39 23.226,29 54.194,68 ago/01 27.137,55 20.353,16 47.490,71 set/01 33.328,31 24.996,23 58.324,54 out/01 35.093,90 26.320,43 61.414,33 nov/01 26.723,75 20.042,81 46.766,56 dez/01 34.152,32 25.614,24 59.766,56 jan/02 29.005,57 21.754,18 50.759,75 fev/02 23.662,22 17.746,67 41.408,89 mar/02 24.703,04 18.527,28 43.230,32 abr/02 22.771,20 17.078,40 39.849,60 mai/02 26.705,14 20.028,86 46.734,00 jun/02 24.166,44 18.124,83 42.291,27 jul/02 26.015,77 19.511,83 45.527,60 ago/02 24.066,99 18.050,24 42.117,23 set/02 14.447,47 10.835,60 25.283,07 out/02 27.773,88 20.830,41 48.604,29 nov/02 25.118,13 18.838,60 43.956,73 dez/02 30.813,36 23.110,02 53.923,38 jan/03 45.025,48 33.769,11 78.794,59 fev/03 39.953,62 29.965,22 69.918,84 mar/03 43.648,59 32.736,44 76.385,03 abr/03 36.936,14 27.702,11 64.638,25 mai/03 35.323,09 26.492,32 61.815,41 jun/03 32.558,97 24.419,23 56.978,20 jul/03 36.485,85 27.364,39 63.850,24 ago/03 38.739,96 29.054,97 67.794,93 set/03 46.930,49 35.197,87 82.128,36 TOTAL 1.439.869,92 1.079.902,44 2.519.772,36 Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.471 S3C4T1 Fl. 1.396 5 Sobre a interposição de recurso de ofício, assim dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda” (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” (grifo nosso) Como dispõe a Súmula CARF no 103, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, que: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. E, na data de apreciação em segunda instância, vige o limite fixado na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00, cabendo ser conhecido o recurso de ofício apresentado. No mérito, em relação ao Recurso de Ofício, dois dos três temas resultantes em exoneração (alegação de pagamento e de créditos da nãocumulatividade desconsiderados) sequer foram originados da DRJ, mas resultaram, em verdade, de revisão efetuada em sede de diligência pela própria fiscalização, que defendeu sua exclusão do lançamento (fls. 1089 e 1092): E o tema derradeiro que resultou em exoneração pela DRJ (exigências referentes aos anoscalendários 2000, 2001 e 2002) decorre da alegação fiscal incorreta de que os valores extraídos do Livro de Apuração do ICMS eram superiores aos constantes em DCTF e DIPJ. Fl. 1409DF CARF MF 6 Tendo a empresa trazido aos autos na fase litigiosa cópias dos referidos livros, e confirmada a compatibilidade dos valores informados, endossada ainda pelos Livros Diário e Razão, não deve prosperar o lançamento, fundamentado em premissas equivocadas. Reparese qual o fundamento da autuação, aqui integralmente transcrito, pela pouca extensão (fl. 154): A fundamentação é calcada na divergência entre valores declarados (nas DIPJ, que foram anexadas às fls. 11 a 80) e escriturados (nos livros de registro de saída – fls. 133 a 146, e apuração de ICMS – fls. 109 a 132, que estariam sintetizados nas planilhas anexas – fls. 85/86), resultando na apuração constante às fls. 87 a 108. Anexos ainda à autuação excertos de cópias do livro Diário, de agosto a dezembro de 1999 (fls. 147 a 152). A DRJ, após conversão em diligência para esclarecimentos, decidiu, em relação aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, que (fl. 1289): A DRJ não anexa nenhum quadro onde se possa verificar que, efetivamente, os valores escriturados nos dos livros coincidem com os declarados em DCTF/DIPJ. Verificando os valores constantes da autuação, à luz de sua fundamentação, em cotejo com as declarações e a escrituração, para os períodos exonerados sob o fundamento de não haver Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.471 S3C4T1 Fl. 1.397 7 divergência, percebemos que não há total coincidência de valor, como aponta a DRJ, mas coincidência “quase total” de valores, restando algum saldo, conforme tabela a seguir: Tabela 02: Cotejamento de valores exonerados pela DRJ Fato Gerador BC Declarado em DIPJ fls. 25 a 80 (R$) BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo a fiscalização (fls. 85/86) BC Diferença lançada (R$) 0,65% x diferença lançada (R$) 0,65% x valor declarado em DIPJ (R$) = valor pago BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo cópias juntadas (fls. 310/426 e 1101 a 1178) Diferença entre BC DIPJ e Livro ICMS juntado (R$) PIS devido, segundo os fundame ntos da autuaçã o (R$) 31/01/2000 1303033,67 6389509,9 5086475,38 33062,09 8469,72 1303374,54 340,87 2,22 29/02/2000 1357326,15 6100428,21 4743103,08 30830,17 8822,62 1358431,15 1105,00 7,18 31/03/2000 1411620,00 6496387,86 5084767,69 33050,99 9175,53 1412364,02 744,02 4,84 30/04/2000 1468084,62 5376123,8 3908038,46 25402,25 9542,55 1468743,54 658,92 4,28 31/05/2000 1585530,77 6268846,53 4683315,38 30441,55 10305,95 1587105,71 1574,94 10,24 30/06/2000 1637061,54 6083210,46 4446149,23 28899,97 10640,90 1642988,8 5927,26 38,53 31/07/2000 1713676,00 7148218,42 5434541,54 35324,52 11138,89 1713676 0,00 0,00 31/08/2000 1779587,69 6999123,38 5219535,38 33926,98 11567,32 1782780,69 3193,00 20,75 30/09/2000 1747766,38 7211367,1 5463601,54 35513,41 11360,48 1747766,38 0,00 0,00 31/10/2000 1887498,51 7755428,37 5867929,23 38141,54 12268,74 1887498,51 0,00 0,00 30/11/2000 1902491,44 7926730,28 6024240,00 39157,56 12366,19 1902491,44 0,00 0,00 31/12/2000 2508910,65 8158074,57 5649183,08 36719,69 16307,92 2512024,71 3114,06 20,24 31/01/2001 2609266,83 7288085,67 4678818,46 30412,32 16960,23 2610216,47 949,64 6,17 28/02/2001 2199437,90 6889569,12 4690130,77 30485,85 14296,35 2215510,45 16072,55 104,47 31/03/2001 2581824,62 7989351,67 5407527,69 35148,93 16781,86 2583295,33 1470,71 9,56 30/04/2001 2701443,12 7417018,97 4715573,85 30651,23 17559,38 2701443,12 0,00 0,00 31/05/2001 2880149,10 7922038,19 5041889,23 32772,28 18720,97 2881005,50 856,40 5,57 30/06/2001 2851192,08 7325448,64 4474256,92 29082,67 18532,75 2851192,08 0,00 0,00 31/07/2001 2265239,76 7029609,04 4764369,23 30968,40 14724,06 2265239,76 0,00 0,00 31/08/2001 2446458,94 6621466,96 4175009,23 27137,56 15901,98 2446458,94 0,00 0,00 30/09/2001 2074630,17 7202062,9 5127432,31 33328,31 13485,10 2074630,17 0,00 0,00 31/10/2001 2401002,28 7800063,41 5399061,54 35093,90 15606,51 2401002,28 0,00 0,00 30/11/2001 2001252,40 6112600,91 4111347,69 26723,76 13008,14 2001252,40 0,00 0,00 31/12/2001 1110001,32 6364204,9 5254203,08 34152,32 7215,01 1270208,82 160207,50 1041,35 31/01/2002 835243,66 5297639,9 4462396,92 29005,58 5429,08 836960,89 1717,23 11,16 28/02/2002 838004,21 4478346,63 3640341,54 23662,22 5447,03 838529,21 525,00 3,41 31/03/2002 851024,12 4651493,32 3800469,23 24703,05 5531,66 852935,01 1910,89 12,42 30/04/2002 848489,99 4351751,97 3503261,54 22771,20 5515,18 849146,17 656,18 4,27 31/05/2002 901444,12 5009927,35 4108483,08 26705,14 5859,39 1433033,87 531589,75 3455,33 30/06/2002 957753,18 4675669,57 3717915,38 24166,45 6225,40 1141836,67 184083,49 1196,54 31/07/2002 499401,42 4501829,97 4002427,69 26015,78 3246,11 703365,20 203963,78 1325,76 Fl. 1411DF CARF MF 8 31/08/2002 490529,48 4193142,4 3702613,85 24066,99 3188,44 798347,69 307818,21 2000,82 30/09/2002 480012,28 2702702,24 2222689,23 14447,48 3120,08 1141535,12 661522,84 4299,90 31/10/2002 481001,42 4753906,23 4272904,62 27773,88 3126,51 821452,14 340450,72 2212,93 30/11/2002 500122,41 4364452,9 3864329,23 25118,14 3250,80 848765,11 348642,70 2266,18 31/12/2002 515476,12 5255993,32 4740518,46 30813,37 3350,59 897243,31 381767,19 2481,49 TOTAL 20545,61 Assim, considerando exclusivamente os fundamentos adotados na autuação, que não podem ser emendados por este tribunal administrativo, e tendo em conta que ainda restam diferenças não justificadas entre os valores escriturados (juntados aos autos, e com autenticidade não questionada pela fiscalização) e declarados, dou parcial provimento ao recurso de ofício, conforme a tabela retro, mantendo o lançamento para o período de janeiro/2000 a dezembro/2002, nos valores constantes da última coluna da tabela retro. No que se refere ao montante mantido pelo julgador de piso, a peça recursal argumenta que os recolhimentos foram conformes à legislação de regência (fls. 1298/1299): Retomese que o fundamento da fiscalização para a lavratura da autuação nos períodos com valores mantidos pela DRJ é idêntico ao adotado para os períodos já analisados. Sobre tais períodos (anocalendário 1999), assim dispôs a DRJ: Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.471 S3C4T1 Fl. 1.398 9 Realmente, o único período para o qual a autuação anexou Livro Diário e Livro de Registro de Saídas (praticamente ilegíveis) foi o de julho a dezembro de 1999. No entanto, não se aclara como, a partir de tais documentos, apurouse a divergência, repitase, que fundamenta a autuação, entre valores escriturados e declarados. E, da mesma forma que a DRJ não detalhou as exonerações, igualmente não apresentou tabela comparando as bases mantidas com aquelas apresentadas nos documentos, limitandose a afirmar que, da mesma forma que nos demais períodos, a cópia do registro de apuração do ICMS juntada apresenta valores condizentes com as declarações (DCTF e DIPJ), mas que não as aceitou por não restarem confirmadas pelo Livro Diário. Há que se verificar, no entanto, o efetivo cotejamento das informações com os documentos anexados aos autos, à luz dos fundamentos da autuação, tarefa que se leva a cabo na tabela a seguir: Tabela 03: Cotejamento de valores mantidos pela DRJ Fato Gerador BC Declarado em DIPJ fls. 14 a 16 (R$) BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo a fiscalização (fls. 85/86) BC Diferença lançada (R$) 0,65% x diferença lançada (R$) 0,65% x valor declarado em DIPJ (R$) = valor pago BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo cópias juntadas (fls. 432 a 447) Diferença entre BC DIPJ e Livro ICMS juntado (R$) PIS devido, segundo os fundamentos da autuação (R$) 31/08/1999 792961,80 5114578,46 4321616,66 28090,51 5154,25 794053,80 1092,00 7,10 30/09/1999 817722,00 5505779,09 4688057,09 30472,37 5315,19 817722 0,00 0,00 31/10/1999 849980,67 5622937,74 4772957,07 31024,22 5524,87 937477,37 87496,70 568,73 30/11/1999 854398,67 5049609,59 4195210,92 27268,87 5553,59 854690,77 292,10 1,90 31/12/1999 1193735,67 7247689,68 6053954,01 39350,70 7759,28 1194035,7 300,00 1,95 Da mesma forma em que para os demais períodos, considerandose exclusivamente os fundamentos adotados na autuação, que não podem ser emendados por este tribunal administrativo, e tendo em conta que restam diferenças não justificadas entre os valores escriturados (juntados aos autos, e com autenticidade não questionada pela Fl. 1413DF CARF MF 10 fiscalização) e declarados, entendo que deve ser dado parcial provimento ao recurso voluntário, mantendose o lançamento exclusivamente em relação aos valores constantes da última coluna da tabela retro. Por fim, ainda que não haja expressa demanda recursal, por se tratar de matéria de ordem pública, há que se destacar que há valores lançados em 08/04/2004 (fl. 168), ainda que ínfimos, mas que se referem a fatos geradores de 31/10/1997 e 28/02/1998: A DRJ entendeu pela manutenção do lançamento em relação a tais períodos com fundamento no artigo 45 da Lei no 8.212/1991 (que estabelece prazo decadencial de dez anos). Contudo, a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal (publicada em 12/09/2008, após o julgamento de primeira instânciaDRJ) estabeleceu que são inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase, assim, ao caso, o prazo decadencial de cinco anos, estabelecido no Código Tributário Nacional, já não se podendo exigir as citadas contribuições lançadas. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 02, constante do voto, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 03 do voto. Rosaldo Trevisan Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.471 S3C4T1 Fl. 1.399 11 Fl. 1415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901046/2008-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE DR. CHISTOVÃO DA GAMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 46 /2 00 8- 00 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 154 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 07372.88628.040504.1.3.048303 (fl. 07/11), transmitido em 04/05/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 18), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 27/05/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 26/06/2008 (fl. 22/28), na qual informou que cometeu alguns erros no momento da apuração da base de cálculo e recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS. Informa, também, que deixou de efetuar as deduções permitidas pelo inciso II do artigo 3° da Lei 10.637/02, por mera inobservância da regra a que estava submetida na época, o que gerou um recolhimento a maior do PIS e, conseqüentemente, a apuração de um saldo credor do tributo. A recorrente segue relatando que, ao verificar a falta de dedução de tais créditos, promoveu a devida correção monetária do crédito detido, o que deu origem ao saldo credor no valor de R$ 20.353,42 (vinte mil, trezentos e cinqüenta e três reais e quarenta e dois centavos). Aduz, ainda, que a compensação não foi homologado por ela ter cometido erro no preenchimento do DARF e da DIPJ 2004. Ademais, enumera os seguintes fatos: "(i) diante das alterações promovidas na sistemática de apuração do PIS, somado ao fato de que a imediata aplicação do regime nãocumulativo não propiciou tempo suficiente para que a Manifestante se adaptasse aos novos procedimentos do sistema de créditos e débitos, esta acabou por cometer alguns equívocos na apuração da base de cálculo da contribuição ao Pis, nos descontos de créditos permitidos pela lei e, também, no recolhimento do imposto; (ii) o primeiro equivoco foi com relação ao código de receita adotado para o recolhimento do PIS nãocumulativo que constou 8109 (Pis Faturamento), conforme se observa no comprovante de arrecadação ora juntado, quando o correto seria ter procedido ao recolhimento da exação no código de receita 6192 (Pis nãocumulativo Lei 10.637/02); Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 155 3 (iii) o segundo equivoco se deve ao fato de que a Manifestante, quando da apuração da contribuição ao Pis, deixou de deduzir os valores relativos aos insumos utilizados na prestação dos seus serviços, permitido nos termos do art.3°, inciso II da Lei 10.637/02; (iv) em tempo, observou a possibilidade da dedução de tais créditos e promoveu as devidas correções, o que deu origem a apuração de um saldo credor no valor de R$ 20.353,42; (v) ato continuo e, no intuito de aproveitar os créditos devidamente apurados, apresentou a PER/DCOMP para saldar débitos de PIS e IRPJ; (vi) por fim, é possível observar a existência do crédito mencionado na linha 23 da Ficha 20 da DIPJ/2004, equivocandose apenas no momento de transportar tais valores para a linha 27 da Ficha 21 da mesma declaração e não ter procedido a devida retificação da declaração." Por fim, invoca o Princípio da Verdade Material e pede a reforma do Acórdão recorrido, a fim de ver homologada a compensação pleiteada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou as fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e Relatório de Saldo de Contas à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 156 4 por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 107/117), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que a DIPJ e o Relatório de Saldo de Contas, ao contrário do asseverado pela Turma Julgadora da DRJ/CPS, são documento hábeis para comprovar o crédito da contribuinte, segundo os Acórdãos nº 110100.517 e 372.371 proferidos, respectivamente, pela 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pelo TRF da 2ª Região. Da mesma forma, a recorrente assevera que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo reconhece que, se comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ, deve se reconhecer o direito creditório do contribuinte, segundo Acórdão nº 130100.504 proferido pela 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Além disso, a recorrente alega que as provas apresentadas na Manifestação de Inconformidade são suficientes para a comprovação do crédito e não apresenta novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 157 5 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 158 6 Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia das fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e de um Relatório de Saldo de Contas. Se, por um lado, é certo que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, por outro, também é certo que isso não afasta seu valor probatório. Assim, considerandose que essa declaração foi transmitida no momento devido, creio que faz prova em favor do contribuinte, porém, tênue e, desse modo, não afastou a necessidade de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 159 7 apresentação de outros documentos, que também comprovassem o suposto crédito de forma mais robusta. De maneira diversa, deve ser apreciada a cópia de um Relatório de Saldo de Contas, visto que não se pode confirmar que ele espelhe um Livro Razão revestido das formalidade legais. Por isso, a meu ver, não tem nenhum valor probatório. Dessa forma, entendo que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Quanto à jurisprudência trazida pela recorrente, importa salientar que, em primeiro lugar, as decisões de Turmas Julgadoras do CARF não implicam em vinculação de outras Turmas sobre a mesma matéria, além do mais, devese levar em conta que o Acórdão 110100.517 referese a julgamento realizado há cerca de sete anos e que o entendimento majoritário desta Corte foi alterado. Em segundo lugar, ressaltese que a decisão judicial, também colacionada pela recorrente, deixa claro que as declarações devem espelhar a escrita fiscal do contribuinte e somente isso daria suporte às compensações pleiteadas. Logo, ao invés de corroborar a alegação da recorrente, o Acórdão demonstra a necessidade de apresentação dos livros fiscais obrigatórios para a comprovação do direito creditório. Melhor sorte não assiste a recorrente, quando da menção ao Acórdão 130100.504, pois ele deixa consignado a necessidade da comprovação do erro de fato no preenchimento DIPJ para reconhecimento do crédito. Fato que, no presente caso, não ocorreu. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 160 8 Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Para corroborar seus argumentos a manifestante juntou ainda parte do "Relatório do Saldo de Contas" extraído de sua contabilidade. Entretanto, também esse documento sem os elementos (notas fiscais) que deram sustentação para os respectivos lançamentos contábeis não pode ser sobreposto à declaração efetuada na DCTF originalmente, pois não tem o condão de comprovar efetivamente que os valores ali descritos correspondem de fato à autorização legal de dedução para a apuração da base de calculo da contribuição. Destaquese que nos termos do art. 226, caput, do Código Civil, abaixo transcrito, os livros e fichas da sociedade provam a seu favor quando escriturados sem vícios e forem confirmados por documentos hábeis e idôneos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10805.901046/200800 Acórdão n.º 3002000.123 S3C0T2 Fl. 161 9 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 161DF CARF MF
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