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Numero do processo: 19515.000576/2011-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES.
Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 76 /2 01 1- 66 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000576/201166 Acórdão n.º 2803002.912 S2TE03 Fl. 358 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, III e parágrafo 22 do Decreto 3.048/99 e alterações posteriores. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 226/227) a empresa deixou de prestar todos os esclarecimento necessários à fiscalização. A multa aplicada está prevista no artigo 283, II, alínea "b do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n 568 de 31/12/2010, em função do disposto nos artigos 92 e 102, ambos da Lei no. 8.212/91 e art. 373 do Decreto 3.048/99. Não houve circunstância agravante nem atenuante. O Termo de Verificação Fiscal , de fls. 226 a 227, informa que: da análise da Declaração de Informações Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) referentes ao ano calendário de 2006, a empresa optou pelo regime de tributação do lucro presumido e adotou o regime de competência para apuração de suas receitas, além de ter apresentado sua DIPJ sem movimento; a fiscalização constatou nos extratos bancários apresentados pela empresa valores debitados tendo como histórico o pagamento de salários, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, razão pela qual a empresa foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários. A empresa informou que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário; novamente intimada, a empresa também não apresentou todos os contratos de prestação de serviço e aditivos, com a vinculação ao sócio que efetivamente prestou o serviço, para que fosse possível a identificação dos beneficiários e os respectivos valores de cada transferência, razão pela qual foi lavrado o presente Auto de Infração. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O Contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal. Inconformado apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000576/201166 Acórdão n.º 2803002.912 S2TE03 Fl. 359 3 menciona que a impugnação é parte integrante do recurso voluntário; a conexão dos processos nº 19515.000577/201119, nº 19515.000576/2011 66 (DEBCAD 37.315.0253), nº 19515.004024/201046, nº 19 15.003768/201043 (IRPJ e seus reflexos); a diligência, perícia e juntada de documentos é direito do contribuinte; os juros deve ser limitado a 1% ao mês. Os juros com base na taxa selic é exorbitante. Assim, requer a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa; requer o restabelecimento dos prejuízos fiscais e a base negativa da CSLL nos FAPLI – Formulário de Alteração de Prejuízo Fiscal e FACS – Formulário de Alteração da Base Negativa da CSLL; por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo a improcedência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000576/201166 Acórdão n.º 2803002.912 S2TE03 Fl. 360 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. CONEXÃO/JUNTADA DOS PROCESSOS PARA JULGAMENTO EM CONJUNTO A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não se vê necessidade de juntar os processos nº 19515.000577/201119, nº 19515.000576/201166 (DEBCAD 37.315.0253), nº 19515.004024/201046, nº 19 15.003768/201043 (IRPJ e seus reflexos), para decisões conjuntas por se tratar de rubricas e assuntos distintos e já distribuídos às turmas de julgamento. DESCRIÇÃO DOS FATOS DO LANÇAMENTO FISCAL O Auto de Infração foi lavrado em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, III e parágrafo 22 do Decreto 3.048/99 e alterações posteriores. Consta do Termo de Verificação Fiscal , de fls. 226 a 227, que a empresa deixou de prestar os esclarecimento necessários à fiscalização. A empresa não esclareceu os valores de pagamento de salários constantes nos extratos bancários. Apenas informou que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, entretanto, não disponibilizou as informações à fiscalização que pudesse identificar os valores pagos a cada beneficiário. Intimada, novamente, a empresa também não apresentou todos os contratos de prestação de serviço e aditivos, com a vinculação ao sócio que efetivamente prestou o serviço, para que fosse possível a identificação dos beneficiários e os respectivos valores de cada transferência. Por estas razões foi lavrado o Auto de Infração com base no art. 32, inciso III da Lei 8.212/91. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000576/201166 Acórdão n.º 2803002.912 S2TE03 Fl. 361 5 Em que pesem os argumentos da recorrente, não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal, pois tratam de argumentações genéricas e sem comprovação documental. As argumentações sem comprovação dos fatos não são suficientes para a desconstituição do lançamento fiscal. A recorrente deve esclarecer as informações solicitadas pela fiscalização que deram origem a autuação fiscal, o que não fez. O restabelecimento dos prejuízos fiscais e a base negativa da CSLL nos FAPLI – Formulário de Alteração de Prejuízo Fiscal e FACS – Formulário de Alteração da Base Negativa da CSLL, requeridos pelo contribuinte, não dizem respeito à autuação. Assim, não será apreciado. DILIGENCIA/PERÍCIA A recorrente alega, genericamente, a necessidade de diligência, perícia e juntada de documentos para a comprovação dos fatos e que é seu direito, entretanto, não especifica quais as razões e documentos a serem examinados. O julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e para a solução do litígio, sendo facultado ainda o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Não há necessidade de diligência/perícia para constatar os fatos já comprovados nos autos. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a recorrente fazêla em outro momento processual, a menos que se demonstre com fundamentos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 16, § 4º, § 5º, do Decreto 70.235/72. Até o presente momento o contribuinte não requereu nem justificou interesse na juntada de documentação aos autos. JUROS. TAXA SELIC. É devida e legal a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000576/201166 Acórdão n.º 2803002.912 S2TE03 Fl. 362 6 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não há previsão legal da redução ou fixação da taxa de juros em 1% ao mês, tampouco, para a suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito fiscal na esfera administrativa. Indefiro o pleito por falta de previsão legal. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, a Instrução para o Contribuinte, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 362DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002418/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/11/2007
DEPÓSITOS JUDICIAIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O fato do contribuinte, antes de procedimento fiscal, buscar a tutela jurisdicional e realizar depósitos judiciais não impede o Fisco de, com vistas a prevenir a decadência, proceder o respectivo lançamento, cuja cobrança só poderá ser implementada após o trânsito em julgado da decisão judicial.
Numero da decisão: 3201-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Presidente e redator designado.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Guilherme Deroulede, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/11/2007 DEPÓSITOS JUDICIAIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato do contribuinte, antes de procedimento fiscal, buscar a tutela jurisdicional e realizar depósitos judiciais não impede o Fisco de, com vistas a prevenir a decadência, proceder o respectivo lançamento, cuja cobrança só poderá ser implementada após o trânsito em julgado da decisão judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Presidente e redator designado. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Guilherme Deroulede, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 544 1 543 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.002418/200837 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.304 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Recorrente CENTRO DIAGNÓSTICO ÁGUA VERDE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/11/2007 DEPÓSITOS JUDICIAIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O fato do contribuinte, antes de procedimento fiscal, buscar a tutela jurisdicional e realizar depósitos judiciais não impede o Fisco de, com vistas a prevenir a decadência, proceder o respectivo lançamento, cuja cobrança só poderá ser implementada após o trânsito em julgado da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Presidente e redator designado. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Guilherme Deroulede, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 24 18 /2 00 8- 37 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10314.002418/200837 Acórdão n.º 3201001.304 S3C2T1 Fl. 545 2 Relatório A ora Recorrente foi autuada, apenas para efeitos de prevenção da decadência, para a exigência das contribuições COFINS Importação e PIS/PASEP Importação e do IPI, acrescidos dos juros de mora, incidentes nas importações das mercadorias submetidas a despacho pela Declaração de Importação 07/15260450, registrada em 06/11/2007. Destarte, foram impetrados mandados de segurança nas ações, processos 2007.61.00.0287795 e 2007.61.00.0287801, cujo objeto é a exigibilidade do PIS e da COFINS e do IPI. Constatase das fls. 315 a 317, que os valores em discussão foram integralmente depositados em juízo, conforme confirma a decisão recorrida. Intimada do auto de infração, a autuada apresentou impugnação para aduzir que as mercadorias importadas foram desembaraçadas sem o recolhimento do IPI, PIS e COFINS, tendo em vista a suspensão de sua exigibilidade tanto por depósito do montante integral quanto pelos mandados de segurança impetrados. Aduziu, ainda, que o lançamento foi efetuado antes de se operar qualquer descumprimento de pagamento desses tributos tendo em vista a suspensão pelo depósito do montante integral, de maneira que não devem ser aplicados juros e multa de mora. Finalmente, no mérito, pugnou pela nãoincidência do IPI, bem como da inconstitucionalidade da lei 10865/04. O Acórdão1751.037 da 2a Turma da DRJ/SP2, manifestouse no sentido de não reconhecer a impugnação por entender restar configurada a concomitância, porém, dando lhe provimento no que tange aos juros moratórios, em vista do reconhecimento do depósito integral do montante do crédito tributário em discussão, como se depreende: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/11/2007 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO. REPERCUSSÃO DIRETA E DEPENDENTE. FATO SUPERVENIENTE. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de impugnação em que se discute matéria cujo objeto, além de idêntico, tem repercussão direta no resultado da ação judicial movida pela impugnante importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. A alegação embasada em suposta circunstância ou evento superveniente e incerto, em face de decisão judicial não transitada em julgado, não tem o condão de instaurar o litígio administrativo. Os juros de mora não são devidos por haver depósito integral. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10314.002418/200837 Acórdão n.º 3201001.304 S3C2T1 Fl. 546 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos expendidos anteriormente, aduzindo, em síntese, que: i. estando suspensa a exigibilidade os atos de cobrança não podem prosseguir, em evidente contrariedade com o entendimento; ii. não há renúncia à instância administrativa, pois foi o Fisco que lavrou o auto de infração e a intimou para apresentação de defesa, sendo assim, é indispensável a apreciação da peça impugnatória em todos os seus termos, sob pena de "negativa de vigência ao art. 151, inciso III do CTN e ao artigo 5°, inciso LV da CF/88; iii. a própria decisão reconhece que não há identidade dos processos, pois julgou parcialmente procedente a Impugnação, determinando que fossem excluídos os juros; iv. sobrestamento do processo nos termos do artigo 62A. §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, na medida que se impõe a fim de se evitar decisões antagônicas, além de restar observada a prevalência soberana das decisões judiciais; v. há depósito do montante integral do crédito ficar vinculado à decisão final no processo judicial, sendo convertido em renda após a decisão Judicial definitiva; vi. violação ao Decreto 70.235/72, artigo 23, incisos I, II e III, que dispõe que a intimação do contribuinte será feita de forma pessoal, provada com assinatura do sujeito passivo, mandatário ou preposto, ou por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ou ainda por meio eletrônico; in casu, a ciência do sujeito passivo foi dada por um desconhecido da ora Recorrente, de sorte que a declaração de nulidade do auto de infração em tela é medida que se impõe; vi. uma vez intimado para impugnar o auto de infração, há necessidade de apreciação das razões apresentadas na defesa/recurso administrativo (tanto as razões preliminares quanto as razões de mérito), sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório; vii. há explícita a proibição de instauração de procedimento fiscal em casos de suspensão da exigibilidade de tributos por força de decisão judicial; viii. verificase que os Autos de Infração foram lavrados com base em inúmeros dispositivos legais, sem a indicação precisa de quais especificamente foram infringidos e em que extensão, o que se configura em evidente o cerceamento do direito de defesa; ix. inexigibilidade do IPI nas operações de importação realizadas por pessoa jurídica não contribuinte; x. ofensa ao Princípio da Seletividade pois se trata de importação de equipamentos médicos de alta tecnologia, sem similar nacional, por não contribuintes, pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços médicos; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10314.002418/200837 Acórdão n.º 3201001.304 S3C2T1 Fl. 547 4 xi. quanto às contribuições, é imprescindível que se observe a necessidade de sua veiculação por intermédio de lei complementar conforme dispõe o artigo 146, inciso III alínea 'a' da referida Carta Magna; xii. inconstitucionalidade da base de cálculo das contribuições; xiii.violação à capacidade contributiva e da vedação da tributação com efeitos confiscatórios (CF/88, arts.145, § 1o, e 150, IV); É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Nos termos do relatado, a Recorrente teve contra si lavrado auto de infração, para efeitos de prevenção de decadência do crédito tributário, objeto de ação judicial, no bojo da qual, há depósito integral dos valores em discussão. Em sede de impugnação, houve conhecimento parcial, e no ponto conhecido, foi dado provimento à defesa, para excluir os juros moratórios da exigência. No mais, na decisão administrativa de primeira instância entendeuse a ocorrência de concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Não obstante, entendese que, de fato, o lançamento de ofício é improcedente, na medida em que o crédito tributário está resguardado pelo depósito integral do crédito tributário, nos termos do art.151, II do CTN, o qual, de acordo com jurisprudência remansosa do Superior Tribunal de Justiça, equivale à constituição do crédito tributário, revestindoo dos atributos de certeza e liquidez, como se depreende: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1216466 / RS, SEGUNDA TURMA, Rel. Ministra DIVA MALERBI, DJe 04/12/2012) Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10314.002418/200837 Acórdão n.º 3201001.304 S3C2T1 Fl. 548 5 RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedentes da Primeira Seção. 3. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 1163271 / PR, SEGUNDA TURMA, Ministro CASTRO MEIRA Assim sendo, em face de todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Com todo o respeito à posição externada pela eminente relatora, peço vênia para dele discordar, por entender que o fato da recorrente ter depositado em juízo o montante integral do crédito tributário não invalida o lançamento efetuado para prevenir a decadência. Em relação ao tema, adoto o entendimento exposto pela Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim no Acórdão nº 3201000.780 (1º Turma, 2ª Câmara, 3ª Seção do CARF, sessão de 31/08/11), abaixo transcrito: O fato de a matéria objeto da autuação encontrarse sub judice não afasta a obrigatoriedade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento para constituição do crédito tributário e evitar os efeitos da decadência, já que a fluência do prazo decadencial ocorre independentemente de estar ou não suspensa a exigibilidade do crédito tributário ou de estar ou não o sujeito passivo litigando judicialmente. A inexigibilidade do crédito tributário, até que haja sentença judicial transitada em julgado, não impede de ser o mesmo Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10314.002418/200837 Acórdão n.º 3201001.304 S3C2T1 Fl. 549 6 devidamente constituído, salvo se houver ordem judicial expressa impedindo a lavratura do auto de infração. Sobre o assunto, destacase o Parecer PGFN/CRJN/Nº 743, de 1988, em seu item 14: 14. Não constituído o crédito tributário, haverá a autoridade fiscal que preservar a obrigação tributária do efeito decadencial. Incumbelhe, como dever de diligência no trato da coisa pública, constituir o crédito tributário pelo lançamento. (grifei) O lançamento feito para prevenir a decadência representa apenas a constituição do título hábil a lastrear a cobrança futura caso o Fisco emerja vencedor na ação judicial, ou caso o contribuinte perca, no transcurso do processo, a proteção judicial de suspensão da cobrança. O art. 142, parágrafo único, do CTN, é expresso ao determinar que a constituição o crédito tributário é obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.”. Cito ainda, o Recurso Especial do STJ de nº 332693, em que segundo o voto da Ministra Eliana Calmon “o Fisco não está inibido de constituir o seu crédito, dispondo então de cinco anos para fazêlo, com ou sem depósito, porque, como já visto, a única inibição provocada pelo depósito referese à exigibilidade, existente em um segundo momento, quando já constituído o crédito, nos termos do art. 142 do CTN”. E, finalmente, a súmula CARF nº 48, prevê que a suspensão da exigibilidade não impede a lavratura do auto de infração, súmula esta ainda vigente e genérica em suas disposições o que, a meu sentir, alcançaria, também, o caso do depósito judicial. Ademais, constatase que jurisprudência administrativa já se consolidou no sentido de dar validade ao lançamento efetuado para prevenir a decadência mesmo quando constatado o depósito do montante integral do crédito tributário: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL.LANÇAMENTO. Ainda que despiciendo, não é nulo o lançamento efetuado para prevenir a decadência de crédito tributário cujo montante integral tenha sido objeto de depósito judicial (acórdão 3402 002.237, relatora Sílvia de Brito Oliveira) AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, em seu montante integral, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10314.002418/200837 Acórdão n.º 3201001.304 S3C2T1 Fl. 550 7 decadência. A realização do depósito do montante integral, entretanto, descaracteriza a ocorrência de mora, sendo, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios.[...](Acórdão 2403001.794, Relatora Carolina Wanderley Landim) LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O lançamento de tributos objeto de depósito de seu montante integral, apesar de desnecessário, não é inválido. Precedentes do STJ. (Acórdão 1201000.776, Relator Marcelo Cuba Neto) Em relação as demais matérias levantadas pela recorrente em seu recurso voluntário, esclareço que todas as questões de mérito foram submetidas ao Poder Judiciário, devendo ser aplicada a ao caso a Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, deixamos de conhecer todos os argumentos relativos à discussão sobre a incidência tributária. Quanto ao pedido de sobrestamento do processo administrativo até o julgamento final da ação pelo Poder Judiciário, não vemos justificativa para tanto, pois como a recorrente vem efetuando o depósito judicial dos tributos em discussão, o processo administrativo não resultará em cobrança ou ajuizamento de execução fiscal. Caso a recorrente seja vitoriosa em sua ação judicial, o resultado será a improcedência total do presente lançamento, independente da manifestação desse Colegiado. O sobrestamento pretendido atentaria contra o princípio da eficiência, uma vez que o resultado da ação judicial, pela abrangência da matéria tratada naquela esfera, se favorável à recorrente irá prevalecer. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/01/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000520/2008-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
É válida a decisão de primeira instância que tem como um de seus
fundamentos a ausência de provas do suposto direito creditório.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999
DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, inclusive os sujeitos a lançamento por homologação, decai após o transcurso de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.414
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Flavio de Castro Pontes
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É válida a decisão de primeira instância que tem como um de seus fundamentos a ausência de provas do suposto direito creditório. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, inclusive os sujeitos a lançamento por homologação, decai após o transcurso de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO .., Processo n° 13002.000520/2008-18 Recurso n° 513.865 Voluntário Acórdão n° 3801-00.414 — r Turma Especial Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria PIS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É válida a decisão de primeira instância que tem como um de seus fundamentos a ausência de provas do suposto direito creditório. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, inclusive os sujeitos a lançamento por homologação, decai após o transcurso de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurs . • !..) 41, o ,' ,j.,;2? Ma d1 otta Cardozo - Presidentee 41110,- ' pOrr".,/ FI, vi:, e e--.81f0 Pontes - Relator EDITADO EM: 18/05/2010 1 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Corta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo Jerke Júnior, Paulo Sérgio Celani (suplente) e Maria Adelaide Carrreiro Gonçalves de Aquino(suplente). Ausente, justificadamente, as conselheiras Andréia Dantas Lacerda Moneta e Renata Auxiliadora Marchetti. Relatório Por meio de Declaração de Compensação, fl. 01, apresentada em 10/04/2008, a requerente postula a compensação de débitos das contribuições PIS e COF1NS, período de apuração 31/03/2008, com crédito referente a valores que teriam sido recolhidos a maior a título da contribuição PIS (cód. 8109), relativamente aos períodos de apuração de 30/06/99 a 31/08/99, fls. 02 a06. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS, nos termos do Parecer DRF/NHO/Seott n° 184/2008, fls. 23 a 27, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas, em virtude dos efeitos da decadência. Após ter sido cientificado dessa decisão, AR de fls. 34, a interessada interpôs em 15/07/2008 manifestação de inconformidade, fls. 37 a 46. Aduziu que não ocorreu a decadência do direito de restituição/compensação. Argumentou, em síntese, que deve ser aplicada a legislação vigente à época do pagamento indevido, cujo entendimento era de que o direito de pleitear a restituição/compensação de indébitos prescreveria no prazo de cincos anos a contar da extinção do crédito tributário, entendendo-se como extinção do crédito tributário o momento da homologação, pelo Fisco do pagamento antecipado (art. 150, § 40 c/c art. 168, I, ambos do CTN). Desta folina, somente após o ato administrativo de homologação do lançamento, seja de forma expressa ou tácita, é que inicia a contagem do prazo prescricional, de sorte que o prazo para se formular pedido de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é dez anos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu o pleito de restituição e não homologou a compensação, fls. 63 e 64, nos termos do acórdão abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999 ALEGAÇÃO - FALTA DE COMPROVAÇÃO - IMPROCEDÊNCIA DA DEFESA. As razões de fato e direito do indébito, devido à necessidade de liquidez e certeza do crédito favorável ao contribuinte, devem ser comprovadas de forma inequívoca, sendo obrigação do contribuinte, nos termos do art.333 do Código de Processo Civil, devendo ser indeferida a restituição/compensação que desrespeita este requisito. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 68 a 87, instruído com os documentos de fls. 88 a 100, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida em razão da alteração do fundamento do ato decisório que não homologou a compensação, sel ndo teoria dos motivos determinantes. 2 ler Processo n° 13002.000520/2008-18 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.414 Fl. 103 Outrossim, sustentou, quanto à decadência, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância em razão da alteração do fundamento do ato decisório que não homologou a compensação. A argumentação não procede, visto que a decisão recorrida apenas observou que caberia ao contribuinte provar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ao contrário do alegado de afronta a princípios que são de observância obrigatória pela Administração Pública, a mencionada decisão, de forma inequívoca, observou esses princípios, porquanto não é legal e moral reconhecer a repetição de indébito sem o exame criterioso da liquidez e certeza do crédito. O sujeito passivo ao apresentar a manifestação de inconformidade tinha a obrigação de carrear aos autos os elementos comprobatórios de sua pretensão, conforme dispõe o art. 333, do Código de Processo Civil (CPC) e o art. 16, inciso III, do Decreto n 2 70.235, de 1972. Com efeito, não houve violação à teoria dos motivos determinantes, porque era uma obrigação legal do sujeito passivo colacionar aos autos as provas de seu suposto direito creditório. Não se concebe o deferimento de uma restituição sem a comprovação efetiva do pagamento a maior ou indevido. Assinalo, ainda, que a constatação do fato de que não há nos autos nenhum elemento de prova a comprovar o direito creditório não se confunde com o mérito do indeferimento do pedido de restituição, pois aquela ocorrência refere-se tão-somente à instrução probatória. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto n° 70.235/72: "Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontra-se presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a própria 3 recorrente admitiu que a decisão recorrida enfrentou a matéria da decadência, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Registre-se, por oportuno, que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Por tais razões não há que se falar em nulidade do acórdão guerreado. Quanto ao mérito, o litígio tem como controvérsia principal o prazo que o sujeito passivo tem para pleitear a restituição total ou parcial de contribuição paga indevidamente ou a maior que o devido. A propósito, o art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN estabelece as hipóteses em que o sujeito passivo tem direito à repetição do indébito: "Art. 165 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,sç' 4° do artigo 162, nos seguintes casos: - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (-)" Por seu turno, na hipótese do inciso I, o art. 168 combinado com o art. 156 do CTN fixa esse prazo em cinco anos, in verbis: "Art. 156. Extinguem o crédito Tributário: 1— o pagamento; (-)-" "Art. 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;" Desta forma, o CTN fixou um prazo decadencial de cincos anos, contados do pagamento, para a devolução de valores recolhidos a maior ou indevidos. Embora a tese da recorrente tenha acolhida em alguns tribunais, prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, tese dos "cinco mais cinco", o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeito a lançamento por homologação é a data do pagamento. Cabe, mais, acrescentar que a Lei Complementar n° 118/2005 dispôs nos arts. 3° e 40 que, em se tratando de lançamento por homologação, o termo inicial do prazo para pedido de restituição é a data do pagamento Art. 30- Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Códigoo . ributá rio ird# 4 Processo n° 13002.000520/2008-18 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.414 Fl. 104 Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. • Art. 4' Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3', o disposto no art. 106, inciso 1, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Outrossim, por se tratar de lei meramente interpretativa, aplica-se a fato pretérito, conforme previsto no art. 106, I do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Assinale, ainda, que a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de norma jurídica, visto que o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26-A do Decreto n° 70.235/72: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (grifou-se) (.) § O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) I — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) — que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n' 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) b)súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar 1'2'73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da Repúbli a, na forma do art. 40 da Lei / 5 Complementar ri' 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Vale observar que, in casu, não ocorreu nenhuma das situações previstas no § 60 desse artigo, em especial a declaração de inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, da Lei Complementar n° 118/2005. Quanto ao prazo extintivo, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 1 l a ed. — São Paulo: Saraiva, 2005, p. 427, esclarece: A restituição deve ser pleiteada no prazo de cinco anos, contados do dia do pagamento indevido, ou, no dizer inadequado do Código Tributário Nacional (art. 168, I), contados" da data da extinção do crédito tributário". Esse prazo — cinco anos contados da data do pagamento indevido — aplica-se, também, aos recolhimentos indevidos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em relação aos quais o Código prevê que o pagamento antecipado (art. 150) "extingue o crédito, sob condição resolutória" 019 (.) Destarte, os pagamentos ocorreram em 1999, logo, o direito de pleitear a restituição extinguiu-se em 2004, salientando que a declaração de compensação, em que é indicada a origem do crédito, foi apresentada em 10/04/2008. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. (astro astro Pontes 6
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Numero do processo: 23034.042376/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.246
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 42 37 6/ 20 06 -0 1 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 79 ___________ 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Data da lavratura da NRD: 16/12/2006. Data da Ciência do NRD: 21/12/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 0000233/2006, de 16 de dezembro de 2006, conforme Informação nº 872/2006 a fl. 02. O caso em estudo versa sobre Apuração Especial das deduções de valores devidos a contribuição social do SalárioEducação, Estabelecimento CNPJ nº 00.360.305/264004, tributo previsto no art. 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98 e 10.832/03 e pelos Decretos nº 3.142/99 e 4.943/03, referentes ao benefício instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, programa pelo qual a empresa propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes desses, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n° 14/96. O exame em questão visou a identificar as deduções realizadas indevidamente, na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA dessa Autarquia. O critério do levantamento consistiu em verificar, a partir do 2º semestre de 1996, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, se o valor deduzido é equivalente ao número de alunos informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAI. O número de vagas referenciado no Demonstrativo de Divergências por Estabelecimento reflete a quantidade de alunos beneficiários por mês e que o valor per capita do benefício é de R$ 21,00 por aluno/mês. Assim, o cálculo é realizado da seguinte forma: Va = Dr ( Id x Vp ) Onde: Indicação de Dependentes no cadastro do FNDE (Id) Deduções realizadas no mês (Dr) Valor per capita R$ 21,00 aluno/mês (Vp) Valor apurado (Va) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 80 3 Observados os critérios expostos, e considerando que foram apuradas deduções indevidas na contribuição social do SalárioEducação, houvese por emitida a Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 000233/2006, a fl. 08, de acordo com o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento a fl. 03, e com os Quadros de Lançamento e de Atualização de Débitos, a fls. 04/07. Insatisfeito, o Recorrente ofereceu impugnação a fls. 11/16 contestando a referida cobrança. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão 0340.892 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 38/43, julgando parcialmente procedente o lançamento, para deste fazer excluir as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 12/96 a 11/2001, em razão do decurso do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo às competências em questão, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, e retificando o débito na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 44/46. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 49. Inconformado com a decisão proferida pelo órgão julgador a quo, o Recorrente ofereceu Recurso Voluntário a fls. 50/54, deduzindo seu inconformismo nas alegações que se vos seguem: · Que houve falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos; · Que os valores que vêm sendo cobrados pelo FNDE encontramse devidamente quitados, tendo sido inviabilizada a comprovação por meio da RAI em razão de inconsistências e falhas do sistema do FNDE, o qual permaneceu sem acesso por longo período, aliados à estrutura da CAIXA que centralizou as informações, tomando por base a sede da empresa; · Que conseguiu recuperar comprovantes de pagamento das competências 12/2002 e 12/2003, bem como lista de beneficiários, declaração de frequência e contracheques; · Que seja procedida rigorosa perícia nos registros internos da CAIXA, de forma a se saber o montante realmente devido. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 81 4 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/04/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 04/05/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES Alega o Recorrente ter havido falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos. Não procede. De início, não se mostra verborrágico enfatizar que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Atentese que a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou pela sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege, tão somente. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 82 5 Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). De tais considerações avulta que o simples fato de o Órgão Julgador não ter acolhido as razões expostas pelo Impugnante, ou não ter apreciado as provas segundo a ótica do Autuado, ou não ter interpretado a lei em conformidade com a exegese de conveniência da parte, não significa negativa de prestação jurisdicional administrativa ou que o órgão julgador não haja apreciado os argumentos e/ou documentos trazidos pelo Impugnante. Compete enfatizar que o Direito Processual Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o sistema da persuasão racional do juiz, também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Cabe ainda citar que, por determinação expressa do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, Diploma Normativo que rege o Processo Administrativo Fiscal, o Impugnante tem o ônus de instruir seu instrumento de impugnação em face do lançamento com a exposição de todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 83 6 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997) Nessa perspectiva, adotando o sistema jurídico desta Nação o critério da livre convicção pessoal motivada do Julgador, detendo este liberdade para, apreciando as provas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 84 7 contidas nos autos, decidir acerca de seu conteúdo probatório e de pertinência, consoante seu convencimento, obviamente circunscrito às condições de contorno estabelecidas pela lei e pela Constituição, resta esvaziada a competência deste Colegiado para sindicar as razões da convicção do Órgão Julgador de 1ª Instância, de molde que o exame desta Corte se adstringe a perscrutar a sintonia da Decisão Recorrida com os termos dos autos, nos limites cercos da impugnação, e a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Quanto ao pedido de realização de perícia, cabe iluminar ao Recorrente que a prova pericial tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento da autoridade lançadora na ocasião da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 85 8 De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso vertente, o requerimento para produção de prova pericial foi apresentado de forma vaga e imprecisa. Além de não demonstrar a sua necessidade, o Impugnante não atendeu aos requisitos legais para sua concessão, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, não podendo a autoridade julgadora fechar os olhos às exigências legais a todos impostas para a formulação do pedido de perícia. Dessarte, considerando que o Recorrente, em sua impugnação, apenas formulou pedido genérico de perícia sem observar os requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. 16 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 86 9 supra, imperiosa é a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. 4. DOS ALEGADOS RECOLHIMENTOS Argumenta o Recorrente que os valores que vêm sendo cobrados pelo FNDE encontramse devidamente quitados, tendo sido inviabilizada a comprovação por meio da RAI em razão de inconsistências e falhas do sistema do FNDE, o qual permaneceu sem acesso por longo período, aliados à estrutura da CAIXA que centralizou as informações, tomando por base a sede da empresa. Aduz ter conseguido recuperar os comprovantes de pagamento referentes às competências 12/2002 e 12/2003, bem como, lista de beneficiários, Declarações de Frequência e respectivos contracheques. De fato, o Recorrente traz aos autos, a fls. 56/57, comprovantes de arrecadação direta de Salário Educação CAD, referentes às competências 12/2002 e 12/2003, nos quais se encontram consignados valores de Dedução para o SME, dedução essa tida como indevida, razão pela qual os valores deduzidos integram o objeto do vertente lançamento. Traz, igualmente, cópia dos seguintes ofícios: a) Ofício nº 144/2005/CERHU, de 19 de janeiro de 2005, a fls. 58/68, contendo relação de alunos. b) Ofício nº 0102/2004 – COINS/CGEACI/DIFIN/FNDE/MEC, de 20 de outubro de 2004, a fls. 70/72. Com efeito, o conteúdo de tais documentos pode representar alterações quantitativas nos fatos geradores apurados pela Fiscalização e, em consequência, no quantum debeatur do lançamento. Por tais razões, considerando que os membros deste Conselho Administrativo não dispõem de acesso aos bancos de dados do FNDE, e tratandose de legislação específica dessa Autarquia, pugnamos pela conversão do presente julgamento em diligência fiscal, para que a Fiscalização/FNDE se pronuncie, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 58/72. A diligência fiscal deve ser concluída com parecer claro e conclusivo acerca da eventual influência de tais recolhimentos/relação de alunos no montante do débito lançado. 5. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos detalhados nos parágrafos precedentes. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.246 S2‐C3T2 Fl. 87 10 Na sequência, antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do teor e resultado da Diligência Fiscal acima comandada ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.003272/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006 e 2007.
OMISSÃO DE RECEITAS. ESCRITURAÇÃO FALHA.
Ante a não comprovação de pagamentos não escriturados, majoração indevida de custos e falta de escrituração de vendas de mercadorias, aplica-se o art. 281 do RIR/99 c/c art. 40 da Lei nº 9.430/96 que versam sobre a presunção relativa de omissão de receita.
LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, PIS, COFINS e INSS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1101-000.915
Decisão: Por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso
voluntário.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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ementa_s : Imposto sobre a renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 e 2007. OMISSÃO DE RECEITAS. ESCRITURAÇÃO FALHA. Ante a não comprovação de pagamentos não escriturados, majoração indevida de custos e falta de escrituração de vendas de mercadorias, aplica-se o art. 281 do RIR/99 c/c art. 40 da Lei nº 9.430/96 que versam sobre a presunção relativa de omissão de receita. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, PIS, COFINS e INSS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida Fazanda Nacional Assunto: Imposto sobre a renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 e 2007. OMISSÃO DE RECEITAS. ESCRITURAÇÃO FALHA. Ante a não comprovação de pagamentos não escriturados, majoração indevida de custos e falta de escrituração de vendas de mercadorias, aplicase o art. 281 do RIR/99 c/c art. 40 da Lei nº 9.430/96 que versam sobre a presunção relativa de omissão de receita. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, PIS, COFINS e INSS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão exarado pela 2ª Turma da DRJ em Campinas que julgou procedente a exação do crédito tributário aqui sob análise. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (proc. fls. 49 a 63), a ação fiscal teve início em 24/09/2008 com o requerimento de apresentação de diversos documentos, os quais foram apresentados pelo contribuinte. A autoridade fazendária intimou a empresa Usina Dracena Açúcar e Álcool Ltda. a apresentar as operações de saídas de mercadorias destinadas ao fiscalizado, referentes ao período de 01/01/2005 a 31/12/2006. Em resposta, foi noticiada uma operação cujos pagamentos se realizaram em 21/12/2005 e 23/12/2005, no valor total de R$ 3.000.000,00 e apresentada cópia da nota fiscal nº 00095, de mesmo valor, datada de 15/12/2005 (proc. fls. 227/228). O contribuinte foi então intimado a apresentar os arquivos magnéticos contendo os Livros Registro de Entradas e Registro de Saídas, algumas notas fiscais lançadas no Livro Razão à conta de Manancial Distribuidora de Petróleo Ltda., bem como a via original da nota fiscal nº 00095 e o comprovante do pagamento da operação que originou tal nota. A Usina Dracena Açúcar e Álcool Ltda. também foi intimada a apresentar os comprovantes de pagamentos efetuados pela fiscalizada concernentes à nota fiscal nº 00095. A referida usina encaminhou os documentos exigidos, inclusive extrato bancário no qual constam os depósitos efetuados pela Euro Petróleo para pagamento da nota fiscal em questão (proc. fls. 236/239 ilegível). Em 08/04/2009, o contribuinte foi intimado a esclarecer a origem do valor de R$ 3.000.000,00, pago em dinheiro à Usina Dracena Açúcar e Álcool Ltda., por conta da nota fiscal nº 00095, e apontar as folhas do Livro Diário nas quais o mencionado pagamento teria sido registrado. O fiscalizado acostou aos autos cópias dos comprovantes de depósitos feitos em benefício da Usina Dracena às fls. 260/261. Em 25/05/2009, o contribuinte apresentou resposta ao Fisco informando que “com relação à reintimação para apresentação das notas fiscais de compras lançadas no livro razão, bem como, à intimação para esclarecer a origem do valor de R$ 3.000.000,00, pagos em dinheiro a Usina Dracena Açúcar e Álcool Ltda., esclarece a Contribuinte que houve um Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003272/201022 Acórdão n.º 1101000.915 S1C1T1 Fl. 2 3 erro de contabilidade, razão pela qual não será possível apresentalas em prestar maiores esclarecimentos” (proc. fls. 285). A autoridade fazendária concluiu que restou “demonstrado que as operações de compra relativa à nota fiscal nº 00095, bem como os correspondentes pagamentos, não foram devidamente escriturados pela pessoa jurídica, razão pela qual fica caracterizada a omissão no registro de receita decorrente da falta de escrituração dos pagamentos efetuados”. Já no que diz respeito às operações de compra com a Manancial, o agente fiscalizador asseverou que foram contabilizadas como custo pelo fiscalizado e que este, intimado, não apresentou a documentação comprobatória da operação e, ainda, afirmou que houve erro de contabilidade em sua escrituração. Portanto, restou evidenciada a inexistência de tais operações, razão pela qual o contribuinte ficou sujeito ao lançamento de ofício. Após nova intimação para esclarecimentos, a Usina Dracena comunicou que a despeito de ter efetuado a entrega de álcool etílico hidratado carburante (AEHC) à Manancial Distribuidora Ltda., esta não realizou nenhum pagamento, pois a entrega se deu segundo determinação da empresa Euro Petróleo, conforme determinado no “Instrumento Particular de Compra e Venda de Álcool Etílico Hidratado Carburante de Canadeaçúcar” datado de 20/12/2005 e que implicou em pagamento antecipado em favor da Usina Dracena. Verificouse que segundo consta em referido contrato, o fiscalizado obrigou se ao pagamento de R$ 3.000.000,00 até a data de 30/12/2005, referente à compra antecipada de 4.500.000 litros de AEHC, ao preço unitário do litro a R$ 0,67. As entregas do AEHC adquirido da Usina Dracena e destinados à distribuidora Manancial, ocorreram em 03/01/2007 (500.000 litros ao preço de R$ 0.91 o litro), 03/01/2007 (3.638.808 litros a R$ 0,97 o litro) e, 03/01/2007 (138.320 litros a R$ 1,03). Intimado a apresentar os documentos correspondentes à transação que deu causa à autorização de entrega do AEHC pela Usina Dracena à Distribuidora Manancial, o fiscalizado juntou o contrato de Compra e Venda de AEHC celebrado em 03/10/2006 com referida distribuidora, por meio do qual o contribuinte vende à Manancial 4.284.000 litros de AEHC adquirido da Usina Dracena (proc. fls. 303/308). A autoridade fiscalizadora mais uma vez intimou o contribuinte em 23/11/2009. Requereuse a apresentação das folhas do Livro Diário em que foi registrado o pagamento de R$ 6.813.706,98, por parte da empresa Manancial Distribuidora de Petróleo Ltda., referente ao contrato de Compra e Venda de AEHC, celebrado em 03/10/2006, bem como de documento hábil e idôneo, coincidente em data e valor, que comprovasse o efetivo ingresso dos recursos financeiros em suas contas bancárias. Em 01/12/2009, o contribuinte informou que “não houve a escrituração contábil do contrato firmado entre as partes, eis que se trata de transferência de titularidade (venda e compra) de direito de receber mercadoria da Usina Dracena, ou seja, não houve compra efetiva da mercadoria para justificar a sua entrada no estoque, assim como não houve a escrituração de venda do direito de receber a mercadoria à empresa Manancial Distribuidora de Petróleo Ltda., pois esta não realizou o pagamento de qualquer quantia até o presente momento, apesar de notificada pela empresa contribuinte, ... Por estes motivos, a Contribuinte deixa de apresentar comprovantes de ingresso de recursos financeiros, bem como a escrituração contábil correspondente” (proc. fls. .310). Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Entendeu o agente fiscalizador que as receitas auferidas na operação de compra e venda de AEHC entre o fiscalizado e a empresa Manancial não foram registradas e nem seus valores foram oferecidos à tributação, ficando o contribuinte sujeito ao lançamento de ofício. Ainda no curso da fiscalização, o contribuinte foi ainda intimado a apresentar as notas fiscais de compras lançadas no Livro Razão em nome de Hedic Distribuidora de Petróleo Ltda., bem como os respectivos comprovantes de pagamento e informar as folhas do Livro de Registro de Entradas em que foram registradas. O fiscalizado em resposta do dia 11/12/2009 informou que “houve um erro de contabilidade quanto às notas fiscais da empresa Hedic Distribuidora de Petróleo, razão pela qual não será possível apresentálas nem prestar maiores esclarecimentos”. Mais uma vez entendeu a autoridade fazendária que restou demonstrada a inexistência de tais operações o que motivou o lançamento de ofício. Após resposta de intimação feita à Petrobrás pela autoridade fazendária, ao confrontar os registros contábeis da fiscalizada, verificouse que algumas notas fiscais não tiveram suas entradas e pagamentos registrados. Intimado a prestar esclarecimentos, o contribuinte apresentou as notas fiscais correspondentes e apontou como pagamentos das mesmas antecipações de recursos efetuados em datas anteriores e em valores superiores (proc. fls. 315/322). A fiscalização ainda verificou que os pagamentos (antecipações de recursos) estão vinculados à quitação de outras notas fiscais que foram registradas na contabilidade do fiscalizado. Ademais, analisando o Livro Razão e os Balancetes de Verificação, constatouse que todos os recursos antecipados foram utilizados nos pagamentos de compras regularmente registradas. Desta forma, ficou demonstrado que o contribuinte não tinha em sua contabilidade saldo de adiantamento que pudesse ser apontado como origem de recursos para os pagamentos das notas fiscais emitidas pela Petrobrás. Em conclusão, foram apuradas as seguintes irregularidades que embasaram a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (proc. fls. 11/18, 21/24, 28/31 e 36/40): i) pagamentos não escriturados – receita tributável presumivelmente omitida, ii) majoração indevida de custos e, iii) falta de escrituração de venda de mercadorias – omissão de rendimento tributável. O contribuinte apresentou Impugnação em 16/04/2010 (proc. fls. 1112/1123). Inicialmente o Impugnante alegou que em momento algum se furtou a apresentar todos os documentos requeridos por meio das intimações fiscais decorrentes do procedimento fiscal. Arrolou todos os documentos apresentados. Referente à aquisição de álcool etílico hidratado carburante da Usina Dracena Açúcar e Álcool Ltda., o Autuado alegou que firmou contrato para entrega futura, no valor de R$ 3.000.000,00, “razão pela qual, conforme informado durante o procedimento de fiscalização, por um equívoco, não houve a escrituração contábil do contrato firmado entre as partes, entretanto, sem qualquer caracterização de omissão de estoque, eis que não ocorreu, de fato, a transferência da titularidade da mercadoria, mas mera aquisição de direito futuro”. Já concernente ao contrato celebrado com a distribuidora Manancial, o Impugnante asseverou que, “por um lapso, não escriturou a cessão dos seus direitos relativos ao Contrato de Compra e Venda antecipada de Álcool à empresa Manancial Distribuidora de Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003272/201022 Acórdão n.º 1101000.915 S1C1T1 Fl. 3 5 Petróleo Ltda., que efetivamente recebeu a mercadoria, assim como não realizou o pagamento de qualquer quantia até o presente momento, apesar de notificada pela empresa Autuada, conforme documentação anteriormente apresentada”. Especificamente quanto à intimação para apresentar as notas fiscais de compras lançadas no Livro Razão, bem como, para esclarecer a origem do valor de R$ 3.000.000,00, pagos em dinheiro à Usina Dracena, relatou que conforme já mencionado em documento apresentado em 25/05/2009, “houve erro de contabilidade, razão pela qual não é possível apresentálas e nem prestar maiores esclarecimentos, até mesmo porque o dinheiro não saiu do caixa da empresa”. Em seguida, afirmou que houve transferência da titularidade do seu direito de aquisição futura de álcool junto à Usina Dracena para a distribuidora Manancial. Ressaltou que a “Euro transferiu um direito pelo simples fato de não ter a mercadoria, não paga por ela com recursos do seu caixa, tampouco ser dela a posse da mercadoria para a entrega à Manancial”. Relatou ainda que não houve o ingresso dos recursos financeiros decorrentes dessa venda, pois a Manancial jamais realizou qualquer pagamento. Concluiu que, “por se tratar de uma transferência da titularidade do direito de receber o combustível que não era efetivamente de propriedade ou posse da Impugnante, mas da Usina Dracena, e porque não recebeu qualquer pagamento pelo direito cedido, a Autuada deixou de apresentar comprovante de ingresso de recursos financeiros, bem como a escrituração contábil correspondente”. Ainda em sede de Impugnação, o contribuinte afirmou que após algumas notificações, enviadas à distribuidora Manancial, referentes ao inadimplemento da dívida, a notificada asseverou ser em verdade credora do ora autuado, motivo pelo qual solicitou o encontro de contas entre as duas empresas, o que justificou a transferência de titularidade do combustível comprado. O Impugnante afirmou ainda que “não houve a escrituração contábil do contrato firmado entre as partes, eis que se trata de transferência de titularidade (venda e compra) de direito de receber mercadoria para justificar a sua entrada no estoque, assim como não houve escrituração da venda do direito de receber a mercadoria à empresa Manancial Distribuidora de Petróleo Ltda., pois esta não realizou o pagamento de qualquer quantia até o momento”. O interessado mencionou também que embora exista um recibo de depósito em nome do Autuado, o recurso não era de sua titularidade, tanto que nunca ingressou, tampouco saiu de sua conta corrente. Como forma de comprovar o alegado, o contribuinte aproveitou a oportunidade para acostar aos autos o extrato de sua conta corrente, bem como a folha do Livro Razão Analítico da empresa Autuada, no período de 01/12/2005 a 31/12/2005. O contribuinte ainda relatou que houve um erro de contabilidade quanto às notas fiscais da empresa Hedic Distribuidora de Petróleo, razão pela qual não foi possível apresentalas nem prestar maiores esclarecimentos. Assim, entendeu que “restou demonstrada a inexistência de tais operações”. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Já quanto às notas fiscais emitidas pela Petrobrás, o contribuinte alegou que foram apresentadas no curso da fiscalização, bem como apontou como pagamento das mesmas, “antecipação de recursos”, no entanto, os mesmos foram desconsiderados pela autoridade fiscalizadora. Asseverou que o saldo de aditamento dos fornecedores demonstra a origem de recursos para pagamento das notas fiscais. Concluiu pela declaração de nulidade do Auto de Infração, pois não se verificou a formação do crédito tributário. Em 22/06/2010, a 2ª Turma da DRJ em Campinas exarou Acórdão que julgou procedentes os lançamentos (proc. fls. 1171 a 1200). No tocante à majoração indevida de custos o órgão julgador afirmou que instado a comprovar tais custos o contribuinte não o fez, e em sede de Impugnação apenas alegou que houve um erro de contabilidade motivo pelo qual não pode prestar maiores esclarecimentos sobre o fato. Destarte, a DRJ julgou correto o lançamento, pois entendeu não ser crível que a escrituração na ordem de mais de 5 milhões de reais tenha sido fruto de “erro de contabilidade” e que, portanto, as notas fiscais que embasam estes custos “não possam ser apresentadas”. Já no que concerne à imputação de omissão de receitas – pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade, o colegiado ressaltou que a par de toda a operação de compra antecipada de álcool e posterior transferência dos direitos ao recebimento da mercadoria, o Impugnante em momento algum explicou a origem dos recursos utilizados na compra, R$ 3.000.000,00 em espécie, posto que este montante não transitou pela contabilidade da empresa. Em sua defesa, o contribuinte asseverou que “embora exista um recibo de depósitos em nome da autuada, o recurso não era de sua titularidade, tanto que nunca ingressou, tampouco saiu de sua conta corrente, conforme denotam os extratos bancários anexos”. Ocorre que os recibos de depósitos em questão, acostados a estes autos pela própria autuada e tendo como depositante a Euro Petróleo do Brasil, revelam que as remessas foram feitas em dinheiro, o que fulmina a pretensão do Impugnante de comprovar, via extrato bancário, que os recursos não entraram e nem saíram de sua conta corrente. Ademais, o órgão julgador a quo ainda ressaltou que confrontando as informações recebidas da Petrobrás com os registros contábeis da fiscalizada, foram constatadas 3 compras cujas entradas e respectivos pagamentos não foram registradas. Ainda foi imputado à contribuinte omissão de receitas – receitas não contabilizadas referentes às operações comerciais realizadas entre a autuada, a Usina Dracena e Manancial, posto que, a despeito dos contratos comerciais formalizados entre as partes, o que efetivamente se verificou foi uma compra e venda entre a Euro Petróleo que adquiriu e pagou o álcool à Usina dracena e o vendeu à Manancial, optando ao invés de receber a mercadoria em seu estabelecimento e depois repassála à sua cliente (Manancial), autorizou a remessa diretamente da usina para a referida cliente. Desta feita, a eliminação do trânsito das mercadorias pelo estabelecimento da Euro Petróleo não descaracterizou a clara operação de compra e venda e que se ocasionou um ganho na ordem de R$ 1.261.547 que não foi tributado. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003272/201022 Acórdão n.º 1101000.915 S1C1T1 Fl. 4 7 A par da alegação da contribuinte de que não se verificou o ingresso dos recursos financeiros decorrentes da venda à Manancial, o Colegiado asseverou que o surgimento da receita independe do cumprimento de evento posterior (recebimento da venda). A DRJ constatou a defesa não se manifestou sobre os lançamentos das multas isoladas de IRPJ e CSLL, portanto, tal matéria encontrase definitivamente julgada. Por fim, a Turma afirmou que as exigências de CSLL, PIS e COFINS têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, tratandose, portanto, de tributação reflexa. Em 08/09/2010, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, nos exatos termos da Impugnação. É o relatório. Voto Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tendo em vista que as infrações imputadas ao Recorrente estão todas relacionadas com a sua escrituração, é necessário primeiramente mencionar que a legislação tributária obriga o contribuinte a manter em boa ordem e guarda seus livros contábeis e documentos. Vide o que determina o artigo 251 do RIR/99: RIR/99 Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto – Lei nº 1598, de 1977, art. 7º) Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n º 486, de 1969, art. 4 º ). (...) §3º. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n º 9.430, de 1996, art. 37). Desta forma, quaisquer alegações de erro na contabilidade ou lapso que impediu a escrituração fazem prova contrária ao contribuinte. Compulsando os autos verificase que o Postulante primeiramente, em 22/12/2005, celebrou contrato de compra e venda com a Usina Dracena por meio do qual adquiriu álcool para entrega futura. No ano seguinte, firmou novo contrato de compra e venda de álcool com a distribuidora Manancial, em 03/10/2006, segundo o qual forneceria a esta o AEHC. Verificase desta forma que o autuado efetivamente atuou como intermediária ao adquirir o AEHC e posteriormente vendêlo. No primeiro contrato, celebrado com a Usina Dracena, o pagamento foi efetivamente realizado, em espécie, no montante de R$ 3.000.000,00, em dezembro de 2005. Questionado pela fiscalização sobre a origem destes valores, a despeito de ter juntado aos autos copias dos recibos de depósitos no qual figura como depositante e a Usina como beneficiária, o contribuinte limitouse a informar que “embora exista um recibo de depósitos em nome da autuada, o recurso não era de sua titularidade, tanto que nunca ingressou, tampouco saiu de sua conta corrente, conforme denotam os extratos bancários anexos”. Tendo em vista que o mencionado valor foi depositado em espécie, a apresentação de extratos bancários não prova a origem de tal recurso, muito pelo contrário, salta aos olhos que o autuado mantem recursos à margem de sua escrituração e que não consegue comprovar a origem. Verificase, ainda, que o contrato celebrado com a Usina Dracena concluiuse com a entrega da mercadoria, previamente paga pelo autuado, à distribuidora Manancial segundo determinações do próprio contratante. Ou seja, constatase o pagamento e a entrega, no entanto, a origem deste numerário em momento algum foi comprovada. Já no que toca ao segundo contrato, firmado com a distribuidora Manancial, verificase que a entrega da mercadoria foi efetivamente realizada e o pagamento se deu por meio de compensação. Segundo relatou o próprio Recorrente, a distribuidora Manancial era credora e devedora do fiscalizado, desta forma, procedeuse o encontro de contas. Como é sabido, a compensação é forma de adimplemento contratual. Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003272/201022 Acórdão n.º 1101000.915 S1C1T1 Fl. 5 9 Código Civil Art.368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. Portanto, quando o Postulante alega que não possui nota fiscal referente a esta venda, pois até hoje não recebeu qualquer tipo de pagamento da distribuidora Manancial, equivocase. Ademais, verificase que a venda se deu por preço bem superior ao comprado, o que denuncia aumento de capital que não foi tributado. Neste diapasão, mesmo sendo intimado diversas vezes a comprovar a origem do valor depositado, bem como a acostar aos autos as notas fiscais referentes a venda à distribuidora Manancial, o contribuinte não obteve êxito. No que diz respeito às notas fiscais em nome de Hedic Distribuidora de Petróleo Ltda., estas foram lançadas no Livro Razão, no entanto, o contribuinte não as apresentou, não comprovou o pagamento e nem mesmo informou as folhas em que foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas. Instado a se manifestar, apenas alegou que “houve um erro de contabilidade quanto às notas fiscais da empresa Hedic Distribuidora de Petróleo, razão pela qual não será possível apresentálas nem prestar maiores esclarecimentos”. Desta feita, verificase uma majoração indevida nos custos, o que afetou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma a reduzir o montante devido. Já quanto às notas fiscais apresentadas pela Petrobrás, algumas não tiveram as entradas e os pagamentos registrados. Questionado pela fiscalização, asseverou que tais notas correspondem a antecipações de recursos. No entanto, a fiscalização constatou que os pagamentos efetuados sob a rubrica “antecipações de recursos” estão vinculados à quitação de outras notas fiscais. Além disso, todos os recursos antecipados foram utilizados nos pagamentos de compras regularmente registradas. Ante tudo o exposto, verificase que o caso em análise versa sobre presunção de omissão de receitas, confirase: RIR/99 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Lei nº 9.430/96 Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Vale mencionar que tal presunção é relativa e como tal pode ser elidida a qualquer momento com a apresentação de documentação hábil e idônea apta a comprovar a origem dos recursos. No entanto, sempre que questionado, o Recorrente alegou erro de contabilidade ou apontou escrituração que não condiz com o verificado. A mera alegação de erro de escrituração não é suficiente para afastar a presunção legal. Ante o exposto, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10670.722000/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, a mesma é intempestiva.
Se esse preliminar não foi suscitada pelo contribuinte, não como conhecer do recurso voluntário apresentado.
Numero da decisão: 2202-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto.
(Assinado Digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt, Heitor De Souza Lima Junior
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, a mesma é intempestiva. Se esse preliminar não foi suscitada pelo contribuinte, não como conhecer do recurso voluntário apresentado.
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Se esse preliminar não foi suscitada pelo contribuinte, não como conhecer do recurso voluntário apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 20 00 /2 01 1- 96 Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt, Heitor De Souza Lima Junior Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10670.722000/201196 Acórdão n.º 2202002.533 S2C2T2 Fl. 2.908 3 Relatório Em nome da contribuinte acima identificado foi lavrado, em 15/12/2011, pela Fiscalização da DRF/Montes Claros MG, o Auto de Infração de fls. 01/16, com ciência do sujeito passivo por via postal em 20/12/2011 (AR fls. 2843/2844) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2007, 2008 e 2009, anoscalendários 2006, 2007 e 2008 Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/05), em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi efetuado o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), em face da apuração das infrações fiscais abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. 1) Atividade Rural. Omissão De Rendimentos Da Atividade Rural (Arbitramento Do Resultado). 2) Depósitos Bancários De Origem Não Comprovada. Omissão De Rendimentos Caracterizada Por Depósitos Bancários De Origem Não Comprovada Afirma a autoridade lançadora que ao não declarar a totalidade das receitas auferidas na atividade rural, na nas Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) apresentada, o sujeito passivo omitiu do fisco, com a ajuda de terceiros, valores e informações, incorrendo na falta de declaração e recolhimento da totalidade do imposto devido sobre o exercício da atividade rural. Assim, restou caracterizada a ação e a omissão do sujeito passivo e, ainda, de terceiros, com o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da natureza e das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, bem como das condições do contribuinte passíveis de afetar o crédito tributário correspondente, tipificando a sonegação e o conluio. Sobre o tributo devido referente ao rendimento omitido, foi lançada multa de oficio agravada, no percentual de 150%, em virtude da caracterização de sonegação/conluio, conforme previsto no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, vigente até 21/01/2007, e no inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, vigente a partir de 15/06/2007. No caso do lançamento do IRPF sobre depósitos bancários não identificados foram lançadas multas de ofício de 75% (presunção legal). Foi lavrada Representação Fiscais para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência de SONEGAÇÃO FISCAL/CONLUIO, que caracterizam crimes contra a ordem tributária. Os elementos probatórios que basearam o lançamento tributário constam do intervalo de fls. 29 a 2845 do presente processo digital. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em 24 de janeiro de 2012 apresentou a interessada, por via postal, a impugnação de fls. 2848 a 2855. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, DRJ/JFA ao analisar a impugnação, não a conheceu pela intempestividade conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde não se manifesta sobre a tempestividade da impugnação se limitando a questionar o mérito da autuação. É o relatório. Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10670.722000/201196 Acórdão n.º 2202002.533 S2C2T2 Fl. 2.909 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Antes de mais nada devemos analisar se o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade para ser conhecido. Podemos verificar que a impugnação apresentada pela Recorrente foi considerada intempestiva pela Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora. Tal fato não foi objeto de questionamento por parte da Recorrente, em sede de preliminar, o que prejudica a análise do mérito do lançamento por parte desse colegiado. Desta forma, não conheço do recurso apresentado pela Recorrente, tendo em vista que não há como superar a análise dessa preliminar que não foi objeto de questionamento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009800/2006-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/07/2002
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma refere-se à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/07/2002 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma refere-se à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma referese à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 98 00 /2 00 6- 31 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 340200.571, proferido pela Segunda Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar que a obrigação tributária relativa ao pagamento da COFINS referente ao período de setembro de 2001 a julho de 2002 teria sido satisfeita, por meio de depósito judicial realizado pelo contribuinte (entidade previdenciária) em 30/09/2002, no montante do principal da COFINS, sem juros e multa, em consonância à anistia concedida no período por meio do artigo 12 da MP nº 75/2002, conforme ementa a seguir: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO. A realização de depósito cujos valores são repassados à conta única do Tesouro Nacional, no mesmo prazo de repasse dos tributos pagos, satisfaz a obrigação tributária e configura o exercício da faculdade de pagar o tributo deferida pelo art. 12 da Medida Provisória nº 75, de 2002. Recurso Provido.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência por meio do qual aduziu, em síntese, a impossibilidade de que o depósito judicial realizado pelo contribuinte pudesse ser considerado como efetivo pagamento do tributo para fins de extinção do crédito tributário e para efeitos de cumprimento das condições para se fazer jus ao benefício previsto no artigo 12 da MP nº 75/2002, tendo suscitado, para tanto, como acórdão paradigma, o de nº 20214.940, a seguir ementado: “NORMAS PROCESSUAIS – DEPÓSITO JUDICIAL: Não se confunde com pagamento, dele juridicamente se externa, pois justamente exprime a recusa ao pagamento de parte do depositante. Não possibilita o lançamento por homologação em relação ao valor depositado, nem torna dispensável a constituição do crédito tributário pelo lançamento formal para prevenir a decadência e garantir a exequibilidade do crédito tributário. Afasta a comunicação de multa e juros moratórios neste lançamento, já que elide os efeitos da mora em face das obrigações de prazo certo. DCTF – Os créditos tributários nela declarados, com exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais, prejudica, inclusive, a sua utilidade como instrumento de “confissão de dívida”, pois nessa circunstância retrata a rejeição do sujeito passivo aos débitos ali declarados. Recurso negado.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10680.009800/200631 Acórdão n.º 9303002.450 CSRFT3 Fl. 157 3 Em despacho de nº 34001219, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, na qual suscitou a inadmissibilidade do recurso especial, aduzindo, para tanto, que as premissas fáticas e de direito objeto do acórdão recorrido (relativo à validade do depósito judicial para fins de fruição do benefício instituído pela MP nº 75/2002) seriam distintas daquelas constantes do acórdão utilizado como paradigma (relativo à validade de depósito judicial como meio hábil de excluir um lançamento lavrado para prevenir a decadência), ou, caso assim não se entendesse, que fosse julgado totalmente improcedente o recurso especial para que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. Conforme se infere do voto proferido nos autos do acórdão recorrido, a Câmara a quo analisou se a realização de depósito judicial pelo contribuinte teria o condão de atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, qual seja: a de “pagar em parcela única, até o último dia útil o mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins”. Paralelamente, o acórdão utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional referese à análise acerca da possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins de que seja tido como “dispensável a constituição do crédito tributário pelo lançamento formal para prevenir a decadência e garantir a exequibilidade do crédito tributário”. A meu ver, a análise acerca dos efeitos do depósito judicial em cada uma das hipóteses será diferenciada a depender do caso concreto. Ao passo que o presente caso concreto se refere aos efeitos do depósito judicial para fins de subsunção do fato à norma constante do artigo 12 da MP nº 75/2002, o caso utilizado como paradigma se refere aos efeitos do depósito judicial como instrumento suficiente para a confissão da dívida pelo contribuinte para fins de dispensabilidade de auto de infração lavrado para prevenir a decadência. Tratamse, a meu ver, de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA 4 Face ao exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por não ter sido configurada a divergência. Nanci Gama Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10865.001026/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 227 1 226 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001026/200814 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.422 – 2ª Turma Especial Data 3 de dezembro de 2013 Assunto Não Homologação de Compensação Recorrente TRW AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 02 6/ 20 08 -1 4 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 228 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação da DCOMP sob o n° 22065.43751.281206.1.3.020892 (retificada pela DCOMP n° 26021.63737.300907.1.7.02 0760 e devidamente admitida), cujo crédito se refere a suposto saldo negativo de IRPJ remanescente do anocalendário de 2001, com débito de IRPJ Estimativa (Código DARF 2362), referente ao mês de Novembro de 2006. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, colaciono a seguir o Relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1433.967, constante às fls. 157: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/18, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. Por intermédio do despacho decisório de fls. 66/69, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que nem todo o imposto de renda devido a título de estimativa foi compensado ou recolhido no decorrer do exercício, não se confirmando, portanto, excesso do pagamento de estimativas em relação ao IRPJ devido no anocalendário de 2001, conforme quadrodemonstrativo à fl. 69 dos autos. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 102/117, acompanhada dos documentos de fls. 118/153, na qual alega, em síntese, que: a) a retificação da declaração de compensação de n° 22065.43751.281206.1.3.020892 pela PER/Dcomp n° 26021.63737.300907.1.7.020760 foi admitida; b) o crédito sobre o qual a Recorrente pleiteia a compensação está demonstrado na Ficha 12A da DIPJ/2002, na qual apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.077.443,56 para o anocalendário de 2001; c) o valor de R$ 16.377.697,62 corresponde ao total do imposto de renda devido por estimativa durante o anocalendário de 2001, tendo sido parte compensado e outra parte recolhido, conforme declarado em DCTF; d) os valores apurados na DIPJ/2002 foram integralmente adimplidos por pagamentos e compensações; e) transcreve parte dos fundamentos do despacho decisório proferido pela autoridade fiscal; f) a autoridade fiscal não concluiu de modo adequado as disposições legais que se aplicam a matéria em questão; g) as compensações que a autoridade fiscal entendeu como não homologadas são, de fato, pendentes de homologação, de julgamento pelos Órgãos Fazendários, conforme demonstrado; h) conforme se comprova com os documentos anexados a esta manifestação, não há decisões definitivas naqueles autos e, conseqüentemente, não se poderia exigir tributos que dependeriam da Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 229 3 não homologação dos créditos que lá constam como sendo de direito do contribuinte; i) o despacho recorrido antecipouse às decisões que estão pendentes naqueles autos, afrontando diretamente ao direito do contribuinte; j) alega a tempestividade do pedido; k) discorre sobre compensação, citando os artigos 170 do CTN e 74 da Lei n° 9.430/96; 1) o artigo 151 do CTN determina que as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; m) todos os procedimentos do contribuinte estão conformes os ditames legais que se aplicam a matéria, assim como o mesmo detém os documentos legalmente exigidos para lastrear seu procedimento compensatório. Ao final, requer a insubsistência e improcedência da decisão que não homologou as compensações declaradas, para o fim de homologar integralmente as compensações declaradas no presente e cancelar a cobrança levada a termo nestes autos. É o relatório. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme sintetiza a seguinte Ementa (fls. 156): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão em 30/06/2011, apresentou Recurso Voluntário com Pedido de Conversão em Diligência em 28/07/2011, reiterando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade e informando que do valor pleiteado, a parte dos valores que constavam como pendentes de homologação na totalização do saldo negativo, foram devidamente homologados e/ou pagos, resultando no concreto direito pleiteado, requerendo o envio dos autos para diligência a fim de consolidar o seu pleito. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 230 4 É o relato do essencial. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 231 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, o crédito pleiteado pelo contribuinte relativo a saldo negativo do anocalendário de 2001 não restou reconhecido pela autoridade fiscal. O crédito original pleiteado é de R$ 401.511,84, sendo remanescente do saldo negativo declarado de R$ 2.913.387,87. Este saldo atualizado foi utilizado na DCOMP para suportar o débito de IRPJ Estimativa Mensal referente a Novembro de 2006, no valor de R$ 745.446,88. Do Despacho Decisório emitido pela autoridade fiscal (fls. 66/69), identificase que as compensações não foram homologadas por ter, o saldo negativo pleiteado, influência de compensações (conforme coluna “Compensação” abaixo) (fls. 67): Mês DIPJ/2002 DCTF Compensação Pagamento Janeiro 25.225,71 25.225,71 25.225,71 Fevereiro 721.772,15 721.772,15 721.772,15 Março 1.301.331,71 1.301.331,71 524.732,08 776.599,63 Abril 1.595.920,72 1.595.920,72 55.342,71 1.540.578,02 Maio 2.194.981,08 2.194.981,08 2.194.981,07 Junho 1.509.392,73 1.509.392,73 1.509.392,73 Julho 1.775.944,20 1.775.944,20 1.775.944,20 Agosto 1.657.516,48 1.657.516,48 333.327,83 1.324.188,65 Setembro 3.127.280,04 3.127.280,04 3.115.801,04 11.478,99 Outubro 2.023.356,98 2.023.356,98 376.217,09 1.647.139,89 Novembro 444.975,82 444.975,82 444.975,82 Total 16.377.697,62 16.377.697,62 8.882.731,36 7.494.966,25 No Despacho Decisório a autoridade fiscal identificou que (i) parte dos valores constantes da coluna “Compensação” (acima) haviam sido homologados (definitivo), (ii) parte não haviam sido homologados e (iii) parte estavam pendentes de homologação, conforme a seguir (fls. 71): Mês Compensações Homologadas Compensações não Homologadas Compensações Pendentes Janeiro 25.225,71 Fevereiro 650.126,50 71.645,65 Março 55.342,71 201.124,57 267.828,98 Abril 55.342,71 Maio Junho 1.508.753,93 Julho 1.383.498,50 392.445,70 Agosto 252.135,12 81.192,71 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 232 6 Setembro 1.109.986,97 1.617.821,85 387.992,22 Outubro 376.217,09 Novembro 444.975,82 Total 5.152.684,43 2.966.732,69 762.239,62 Além disso, o Despacho Decisório determinou outras divergências conforme conclusões a seguir (fls. 68/69): O valor total das compensações homologadas, não homologadas e pendentes de apreciação totaliza R$ 8.881.656,74 enquanto que as compensações informadas em DCTF haviam totalizado R$ 8.882.731,36. A diferença de R$ 1.074,62 se refere a R$ 435,82 do mês de março que não foram declarados (fls. 184 e 205) e R$ 638,80 do mês de junho para a qual também não foi solicitada a compensação, como relatado anteriormente. Quanto à retenção na fonte, o valor do imposto de renda retido informado em DIRF foi de R$ 992.192,26 e se referem apenas às informações prestadas pelo Banco Citibank S/A (fl. 26), estando ausentes as informações do Banco ABN Amro Real S/A (fl. 61). No entanto, apesar de ainda não ter finalizado o prazo para atendimento da intimação, na análise do processo 10865.000657/200310 referente à compensação com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002, houve a necessidade de confirmar a existência de saldo negativo no anocalendário de 2001. Naquele processo, foi verificado que mesmo que se considerassem válidas as deduções referentes ao imposto pago no exterior, retido na fonte e oriundo de ganhos no mercado de renda variável, bem como a parcela referente às compensações pendentes de análise, o valor das compensações não homologadas combinada com a falta de recolhimento de R$ 11.478,99 suplanta o saldo negativo que havia sido apurado, o que implica a apuração de imposto de renda a pagar ao invés de saldo negativo de IRPJ: Ficha 12 A – Cálculo do IR sobre o Lucro Real AC 2001 A alíquota de 15% 9.932.799,33 Adicional 6.597.866,22 () Operações de Caráter Cultural e Artístico 397.327,99 () Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 99.327,99 () Imposto Pago no Ext. s/Lucros, Rend.e Ganhos de Capital 602.992,20 () Imposto de Renda Retido na Fonte 48.077,09 () Imposto Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável 1.082.702,24 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 13.398.411,31 Imposto de Renda a Pagar 901.826,73 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 233 7 Com a redução do valor considerado como “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa”, não houve o reconhecimento do crédito de saldo negativo pleiteado (ano calendário 2001), ao contrário, identificouse saldo devedor, e a compensação restou não homologada na integralidade, resultando na exigência do débito que se tentou compensar, relativo ao IRPJ Estimativa Mensal de Novembro de 2006. O contribuinte expôs em sua Manifestação de Inconformidade que não havia decisão definitiva nas declarações de compensação com as estimativas devidas no ano calendário de 2001 e, portanto, seria equivocada a demonstração acerca de “Compensações não homologadas”, visto que os processos referenciados pela autoridade administrativa constavam na situação “Em Andamento”. A autoridade julgadora a quo, entendeu que como os créditos pleiteados não preenchiam os requisitos de liquidez e certeza, descabido era o reclamo do contribuinte. Em sede de Recurso Voluntário, a ora recorrente noticia que entre a emissão do Despacho Decisório e sua interposição recursal, ocorreram alterações nos processos administrativos que pendiam de análise. Neste sentido, informa que das compensações efetuadas, parte restou homologada pela autoridade fiscal, com o término do processo administrativo e ou homologação tácita e parte procedeu ao pagamento, sustentando que essas definições habilitam o saldo negativo noticiado, capacitando o direito creditório pleiteado, conforme a seguir: Mês 2001 DCTF Compensação Pagamento Homologação Pendente Saldo Devedor Dívida Ativa Quitação Janeiro 13816.000091/2001 20 25.225,71 25.225,71 0,00 25.225,71 0,00 0,00 Fevereiro 13816.000091/2001 20 10865.000349/2001 14 721.772,15 721.772,15 0,00 650.126,50 0,00 71.645,65 71.645,65 Março 10865.000349/2001 14 13817.000088/2001 04 13816.000210/2001 44 1.301.331,71 534.732,08 776.599,63 227.417,01 267.828,98 29.486,09 29.486,96 CDA Abril 1.595.920,72 55.342,71 1.540.578,02 0,00 0,00 55.342,71 55.342,71 Maio 2.194.981,08 0,00 2.194.981,08 0,00 0,00 0,00 0,00 Junho 10865.001040/2001 41 1.509.392,73 1.509.392,73 0,00 1.508.753,93 0,00 638,80 638,80 CDA Julho 1.775.944,20 1.775.944,20 0,00 1.383.498,50 0,00 392.445,70 392.445,70 Agosto 10865.001040/2001 41 10805.001306/2001 61 1.657.516,48 333.327,83 1.324.188,65 0,00 81.192,71 252.135,12 252.135,12 DARF Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 234 8 10865.000844/2004 76 Setembro 13817.000433/2001 00 10805.002093/2001 94 10865.000562/2005 50 10830.006920/2001 10 10865.000074/2003 81 10865.001389/2001 83 10865.001146/2004 98 10805.001306/2001 61 10865.502140/2005 14 13816.000681/2001 52 3.127.280,04 3.115.801,04 11.478,99 1.109.986,97 373.704,21 1.632.109,86 1.632.109,86 DARF e CDA Outubro 13816.000681/2001 52 2.023.356,98 376.217,09 1.647.139,89 0,00 151.292,63 224.924,46 224.924,46 CDA Novembro 444.975,82 444.975,82 0,00 444.975,82 0,00 0,00 0,00 Total 16.377.697,62 8.882.731,36 7.494.966,25 5.324.758,73 913.532,25 2.644.440,38 2.658.728,39 * Situação interpretada pela contribuinte, no Recurso Voluntário. O contribuinte alega no sentido de que ocorreu homologação tácita de tais processos, por suposto transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para manifestação da autoridade fiscal reconhecendo ou não seu direito creditório. Cita a situação dos processos da seguinte forma: Processo Situação 13816.000091/200120 Em andamento, SERV ORIENT ANALISE TRIBUTARIA DRFSBCSP 10865.000349/200114 Arquivado por 10 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 09/05/2008 13817.000088/200104 Arquivado por 10 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 31/05/2010 13816.000210/200144 Em andamento, SERV ORIENT ANALISE TRIBUTARIA DRFSBCSP 10865.001040/200141 Arquivado, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 12/05/2009 10805.001306/200161 Em andamento, SERV ORIENT ANALISE TRIBUTARIA DRFSAESP 27/09/2013 10865.000844/200476 Em andamento, SERV ORIENT ANALISE TRIBUTARIA DRFSAESP 27/09/2013 13817.000433/200100 Em andamento, CARF 10805.002093/200194 Arquivado por 10 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 17/06/2010 10865.000562/200550 Arquivado por 5 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 01/09/2010 10830.006920/200110 Arquivado por 5 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 19/10/2010 10865.000074/200381 Arquivado por 5 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 19/10/2010 10865.001389/200183 Arquivado por 5 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 20/03/2012 10865.001146/200498 Arquivado por 5 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 19/10/2010 10805.001306/200161 Em andamento, SERV ORIENT ANALISE TRIBUTARIA DRFSAESP 27/09/2013 10865.502140/200514 Arquivado por 5 anos, ARQUIVO GERAL DA SAMFSP 07/03/2008 13816.000681/200152 Em andamento, SERV ORIENT ANALISE TRIBUTARIA DRFSAESP 22/06/2011 * Situação interpretada pela contribuinte, no Recurso Voluntário e Memorial de Julgamento. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 235 9 Pois bem, a restituição é fundada num direito líquido e certo, logo, não se pode restituir tributo ainda não pago, ou que será pago no futuro. Esta é clara disposição do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Como parte das estimativas que formaram o saldo negativo ora pleiteado foram objeto de outras compensações, carece a liquidez e a certeza que conduziriam a uma conclusão extintiva destes débitos, o que acarretaria no completo reconhecimento do saldo negativo pleiteado. Sob outro viés, também não se pode traspassar o direito creditório por não identificar a atual situação de cada processo que “compensou” as estimativas apuradas. Pois, na medida em que ocorrem alterações na condição das estimativas, há um reflexo direto no saldo negativo apurado. Neste caso, é de se esclarecer o marco temporal em que as compensações das estimativas foram levadas a efeito. Assim sendo, é necessário que os autos retornem à Delegacia de origem para que verifique e informe: 1 – a situação atual de cada compensação relacionada à quitação das estimativas de IRPJ do anocalendário 2001, identificando a fase em que se encontram; 2 – o valor do saldo negativo disponível até a data de 28/12/2006 (data de entrega da DCOMP inicial do referido crédito), considerando as compensações das estimativas realizado (homologado) até esta data e; 3 – o valor do saldo negativo disponível até a presente data de 03/12/2013 (data desta Resolução), considerando as compensações das estimativas realizado (homologado) até esta data. Referidas informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência do contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Portanto, converto o presente julgamento em diligência, determinando a remessa dos autos à DRF/LimeiraSP a fim de que providencie as referidas informações. Após retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.001026/200814 Resolução nº 1802000.422 S1TE02 Fl. 236 10 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10925.001515/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO.
A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo.
CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE.
No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado.
CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE.
Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não-cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais.
FRETES. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Isso leva à manutenção da redução do crédito cujos fundamentos não foram impugnados pela Recorrente.
RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS não-cumulativos dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.
O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO.
Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigi-lo.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR.
A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e formar o convencimento do julgador.
Numero da decisão: 3401-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO. A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS nãocumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. FRETES. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17, do Decreto nº 70.235/72, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 15 /2 00 9- 03 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 impugnante”. Isso leva à manutenção da redução do crédito cujos fundamentos não foram impugnados pela Recorrente. RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS nãocumulativos dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigilo. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR. A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e formar o convencimento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 213 3 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 3º trimestre de 2005. Na análise do crédito, a delegacia de origem fez algumas glosas, por entender que alguns bens e serviços utilizados pela Contribuinte não geram crédito, por não serem insumos, mas sim despesas gerais. São eles: a Material de embalagem e etiquetas – Segundo a autoridade fiscal, constatouse que as embalagens são utilizadas para transporte; b Manutenção – peças para reposição; c Conservação e limpeza Detergente, ácido nítrico, soda líquida, hidróxido de sódio, e etc. d Outros itens: peus, óeo diesel, lubrificantes, fretes e etc. e Despesas com energia elétrica – falta de comprovante dessa despesa; f Encargo de depreciação de ativo imobilizado, porque os bens apresentados não fazem parte do processo produtivo; g Crédito presumido do PIS/COFINS – uma parte por falta de apresentação das notas que geraram o crédito e outra parte,porque a autoridade fiscal entende que a lei não permite o ressarcimento desse crédito, mas somente a utilização para abatimento do valor devido; No despacho decisório, reconheceuse parcialmente o direito creditório. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Em seu julgamento, a DRJ em Florianópolis/SC cancelou parte das glosas em relação ao material de embalagem e despesa com energia elétrica. A ementa do acórdão da DRJ ficou do seguinte modo: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 214DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ouressarcimento é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. (...) REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS.CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. REQUISITOS. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados a venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam As despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados A venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. . DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 214 5 Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos no regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de energia elétrica, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro titulo As empresas concessionárias de energia elétrica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a titulo de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 ão podem ser objeto de pedido de ressarcimento, nem compensação com tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ e interpôs recurso voluntário com as alegações resumidas abaixo: 1 As peças de reposição são essenciais para a conservação das instalações industriais da Recorrente. Tais produtos são empregados nas tubulações por onde circula o leite, nos locais de armazenamento do leite, na pasteurização e esterilização do leite. Por isso, sem a aplicação destes produtos, não há como proceder a industrialização do leite; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 2 Em razão do produto produzido pela Recorrente, o material de limpeza não é mero material de limpeza, mas sim produtos de higienização, essenciais para manter o leite livre de qualquer impureza; 3 O óleo diesel é utilizado na caldeira para geração de vapor e também nos caminhões que transportam a matériaprima do produtor até o estabelecimento da Recorrente. Os pneus são utilizados nestes mesmos caminhões; 4 O frete é serviço utilizado como insumo no processo produtivo da Recorrente; 5 Os créditos dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado glosado têm origem na aquisição dos seguintes bens: palets, caixa d’água e bombas. Esses equipamentos não têm contato direto com o produto, mas são de extrema necessidade e essenciais na cadeia produtiva; 6 Outro motivo de glosa em relação à depreciação de bens do ativo imobilizado consiste na aquisição de algumas máquinas antes de 01/05/2004. Contudo, essas máquinas somente foram efetivamente recebidas no estabelecimento da Recorrente no dia 06/05/2004; 7 O crédito presumido é gerado pela aquisição de leite in natura de pessoa física. A lei limita a utilização do crédito presumido com o próprio PIS e a COFINS somente quando a aquisição é de cooperados, contudo, a maior parte da aquisição da Recorrente é de pessoas físicas nãocooperadas. Assim, o crédito presumido deve ser mantido; 8 A autoridade julgadora, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito, pois utilizou para o rateio todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica. Ao fim, a Recorrente pediu, em suma, a reforma do acórdão da DRJ para que fosse reconhecido integralmente o crédito e homologadas as compensações declaradas. Caso não seja reconhecido o crédito, que seja designada diligência ao estabelecimento da Recorrente para a verifica in loco os documentos e os processos de industrialização. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o cancelamento das glosas efetuadas na apuração do seu crédito do PIS. Pelo recurso voluntário, foram devolvidas para apreciação as seguintes matérias: Possibilidade de geração de crédito na aquisição de peças para reposição; possibilidade de geração de crédito nos gastos com material de limpeza; geração de crédito nos gastos com óleo diesel; geração de crédito nos gastos com frete na aquisição de produto; créditos gerado pelos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; possibilidade de aproveitamento do crédito presumido; ajustes do rateio proporcional. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 215 7 1. Da possibilidade de geração de crédito na aquisição de peças para reposição A autoridade fiscal glosou o crédito originado em peças de reposição discriminadas da seguinte forma: MatMas, Mukk50, Hidralm, gás, rolo parafuso, adesivo, etc. No recurso voluntário, a Recorrente limitouse a afirmar que estes materiais são essenciais, pois, apesar de não se integrarem ao produto, sem eles não seria possível a industrialização do leite. A Recorrente tenta enquadrar o seu crédito no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, o qual tem a seguinte redação: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. Como é possível notar, o dispositivo transcrito acima permite a geração de crédito em relação às despesas com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviço. Dessa forma, para verificar se determinada despesa gera ou não o crédito, é necessário que se saiba se ela é insumo. Ocorre que o PIS e a COFINS nãocumulativos, o conceito de insumo não é simples. Enquanto no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), no PIS e na COFINS esse definição sofre contornos subjetivos. Para se saber o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, é necessário saber se o bem é essencial à processo produtivo, ainda que dele não participe diretamente. Nessa linha, cabe ao contribuinte demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo. Todavia, apesar de a Recorrente ter citado onde cada peça será reposta, ela não logrou demonstrar a essencialidade dessas peças específicas para a produção do leite. Por isso, deve mantida a glosa em relação a essas peças. 2. Possibilidade de geração de crédito nos gastos com material de limpeza Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 A Recorrente sustenta que o material de limpeza na sua atividade é essencial, em razão da necessidade da higiene exigida pelas autoridades sanitárias. Considerando que a atividade da recorrente é a produção de leite, é intuitivo que a higiene do local é essencial, pois, se não fosse assim, certamente a linha de produção seria lacrada na primeira fiscalização dos órgãos competentes. Desse modo, seguindo a linha da essencialidade e considerando a atividade da empresa, in casu, deve ser reconhecido o direito creditório em relação à aquisição de material para limpeza. 3. Da geração de crédito nos gastos com óleo diesel e pneus Em relação ao óleo diesel e pneus, a Recorrente alega que eles são utilizados no transporte da matériaprima do produtor até o estabelecimento da Recorrente. Ocorre que esses gastos não estão diretamente relacionados à produção. A manutenção dos caminhões é elemento secundário à atividade da empresa. Portanto, não há geração de crédito nos gastos com óleo diesel e pneus utilizados nos caminhões da empresa. Quanto ao óleo diesel utilizado durante o processo produtivo, na caldeira para a geração de vapor, ele tem previsão expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, como insumo gerador do crédito. Não obstante, a Recorrente não logrou provar essa utilização, nem a segregação entre o diesel que é utilizado nos caminhões e o diesel utilizado na caldeira. Ainda que a Recorrente tivesse provado a utilização do óleo diesel para o aquecimento da caldeira, a falta da segregação impossibilita alcançar o valor real do diesel considerado essencial, gerador do crédito, de modo que o crédito padece de falta de liquidez e certeza, razão que leva ao seu indeferimento. 4. Geração de crédito nos gastos com frete na aquisição de produto Como já explicado anteriormente, no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, permitese a geração do crédito do PIS nãocumulativo em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Em outro julgado desta turma, ficou entendido que o conteúdo da norma mencionada pode ser interpretada de modo ampliativo e que qualquer bem ou serviço utilizado como insumo gera crédito do PIS/COFINS. Ainda ficou entendido que o frete também compõe, diretamente, o custo da aquisição insumo. Dessa forma, o valor dele deve compor o cálculo do crédito. Assim ficou a ementa do acórdão nº 3401001.896, relativo ao processo nº 10882.001594/200645, julgado por esta Turma em julho de 2012: “(...) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 216 9 CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE. Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS nãocumulativa, nos termos do art. 3o, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. (...)”. (CARF. 3º SJ, 4 Cam, 1º TO. Rel. Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça. Processo10882.001594/200645, julgado em 18/07/2012). Muito embora o julgamento tratasse de COFINS nãocumulativa, em razão da conhecida semelhança na apuração de crédito com o PIS nãocumulativo, o raciocínio da transcrita acima é plenamente aplicável ao presente caso. Ocorre no presente caso, a DRJ já reconheceu o crédito em relação à aquisição de insumos, mantendo somente as glosas em relação ao cálculo em duplicidade e em relação aos transportes entre filiais. Como a Recorrente não combateu diretamente as glosas mantidas pela DRJ, entendese que ela concordou com o julgamento e isso é matéria não impugnada, de modo que, em relação ao frete, o acórdão da DRJ deve ser mantido. 5. Créditos gerados pelos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado A Recorrente alega que os créditos em razão da depreciação de bens ativos imobilizados que foram negados são relativos a palets, caixa d’água e bombas. Alega ainda que, muito embora esses equipamentos não tenham contato direto com o produto, são de extrema necessidade e essenciais na cadeia produtiva. A Recorrente descreve a utilização de cada item do seguinte modo: “a) palets que são utilizados para armazenagem do leite; b) caixa d’água, que é utilizada para a higienização, abastecimento, desinfecção dos tanques dos caminhões no momento do descarregamento do leite e na higienização da indústria; c) Bombas são utilizadas no descarregamento e carregamento do leite, tanques e rodoviários utilizados para transporte de leite, silos de armazenamento de leite, etc”. Essa turma tem firmado entendimento que para ter direito ao crédito do PIS e COFINS nãocumulativa dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. Da descrição feita pela Recorrente, entendo que a depreciação dos palets e da caixa d’água não gera o crédito pleiteado, pois não participam diretamente do processo industrial. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Por outro lado, noto a real impossibilidade de continuidade do processo produtivo sem existirem as bombas para transpor o leite pelas diversas fazes do processo. Por isso, reconheço o direito creditório somente em relação os encargos com a depreciação das bombas. Ainda quanto às glosas em relação aos encargos com depreciação do ativo imobilizado, o fisco glosou alguns itens adquiridos antes 01/05/2004, em razão da vedação expressa do art. 31, da Lei nº 10.865/2004, que assim dispõe: “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004”. A relação desses bens está na fl. 40, na planilha elaborada pelo auditorfiscal. A Recorrente alega que se trata somente de uma nota fiscal, emitida em 30/04/2004, todavia, o produto só saiu da empresa vendedora em 04/05/2004 e entrou no estabelecimento da Recorrente somente em 06/05/2004. Todavia, a lei é clara e estabelece como marco temporal a data de aquisição, isto é, da compra. Se não bastasse isso, muito embora a Recorrente alegue que pode provar a entrada do ativo imobilizado somente em 06/04/2004, pelos carimbos na nota fiscal, tal nota não foi apresentada. Por essa razão, com exceção do encargo da depreciação das bombas, deve ser mantida a glosa em relação a depreciação dos demais ativos imobilizados. 6. Possibilidade de aproveitamento do crédito presumido A Recorrente pretende o aproveitamento do crédito presumido do PIS para compensar com débitos de outros tributos, sob a alegação de permissão legal, pois a maioria das suas vendas são tributadas à alíquota zero, de modo que não há como utilizar todo o crédito no abatimento do PIS e COFINS devidos. O art. 8º e § 1º Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 217 11 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o §4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas cooperativas agropecuárias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe no seu art. 17 a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 12 incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra especificar. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido do PIS pelas cooperativas em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. 7. Ajustes do rateio proporcional A Recorrente sustenta que a autoridade julgadora, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito, pois utilizou para o rateio todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica. A argumentação trazida no recurso voluntário foi a mesma apresentada na manifestação de inconformidade. Após a análise dos autos, a DRJ concluiu os seguintes: “Em análise aos autos, verificase que não tem razão a contribuinte. De se ver. A autoridade fiscal intimou a cont ri buinte, as folhas 8 e 9, a apresentar "memória de cálculo dos rateios das bases de cálculos (vinculados a receita — mercado interno e exportação e/ou tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) efetuados na apuração do crédito do PIS e da Cofins pleiteados". A contribuinte, por sua vez, respondeu as folhas 12 e 13 do processo administrativo n° 10925.001499/200941, que apresenta "planilha digital, memória de cálculo referente a apuração dos débitos e créditos do PIS e COFINS, contendo os critérios de rateio para apropriação dos créditos nas colunas 'Tributado Mercado Interno' e 'Não Tributado Mercado Interno'." A citada planilha digital e memória de cálculo, apresentadas pela contribuinte em CD foram anexadas pela autoridade fiscal no processo administrativo n° 10925.001497/200951, no Anexo 1, as folhas 2 e 3. Extraídas as plani1has digital e memória de cálculo do meio digital, juntadas ao presente processo as folhas 115 e 116, constatase que, para o quarto trimestre de 2005, a contribuinte não fez apropriação de custos direta, como alega. Todos os insumos e demais itens que compõem a base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade foram informados com o número ‘1’, correspondente, na legenda da contribuinte, ao mercado interno, sem quaisquer informações sobre tributação ou não. Não consta dos relatórios apresentados pela contribuinte quaisquer informações acerca da apropriação direta dos custos de produção, no que se refere a vendas tributadas e não tributadas no mercado interno. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 218 13 Ademais, verificase que os percentuais da receita do mercado interno tributada e não tributada, apurados pela contribuinte, são os mesmos informados pela autoridade fiscal no Despacho Decisório. Desta forma, nenhum reparo merece o Despacho Decisório, no que se refere ao rateio dos insumos, a fim de se conhecer a parcela possível de ser ressarcida em dinheiro”. Em análise cuidadosa dos autos, verificase que todas as divergências apontadas pela DRJ são verdadeiras. Por outro lado, a Recorrente não rebateu ou justificou nenhuma das falhas apontadas. Tudo isso não leva a outro caminho senão à manutenção do acórdão da DRJ neste ponto. 8. Da diligência Conforme o art. 18 e o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a decisão sobre a realização de diligência parte da análise subjetiva do julgador. O julgamento somente será convertido em diligência se a autoridade julgadora entender necessário. No caso em tela, seria pertinente a diligência se este conselheiro, levando em conta os argumentos da Recorrente e a fundamentação da decisão recorrida, ficasse em dúvida quanto a qualquer ponto do qual negou provimento. Todavia, nas matérias nas quais o provimento foi negado, as alegações ventiladas no recurso não foram suficientes para suscitar dúvidas. As descrições relatadas pela própria recorrente foram suficientes para formar a convicção deste Relator. Diante disso, é desnecessária a realização de diligência, razão pela qual a nego. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para reconhecer para cancelar as glosas em relação às despesas com material de limpeza e encargos com a depreciação das bombas. É como voto Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Por força de designação do Presidente da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara, Terceira Seção de Julgamento, recebi a incumbência de redigir o voto vencedor quanto à possibilidade de apropriação de crédito em relação ao material de limpeza e à depreciação das bombas. Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Conselheiro Relator, com as vênias de praxe, entendo que andou bem a decisão recorrida, não merecendo reforma, ainda que tenha adotado o conceito restritivo das INs SRF 247/02 e 404/04. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Com efeito, revendo os termos da decisão de primeira instância administrativa, verifico que, concernente ao material de limpeza, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos empregados na higienização das máquinas produtoras de laticínios, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal, não se estendendo àqueles destinados à limpeza do área de produção como um todo. O excerto que trata do tema encontrase vazado nos seguintes termos: “Esclarecese inicialmente que somente os materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, o qual é considerado despesa operacional. Podese considerar como materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo os produtos utilizados para higienização das máquinas produtoras de leite, por suas características fisicoquímicas, tendo em vista que a sua não utilização inviabilizaria a produção do leite. No caso em análise, no entanto, a contribuinte faz apenas alegações genéricas da função dos produtos relacionados como ‘Materiais de Limpeza Industrial’. Nesta condição, como visto no tópico inicial deste voto, a contribuinte deveria descrever especificamente a função de cada produto diretamente relacionado com o processo produtivo, além de apresentar os respectivos documentos de aquisição.” Como se extrai, os gastos com material de limpeza utilizados na assepsia do maquinário destinado à produção de leite e derivados é admitida, contudo, o mesmo não ocorre em relação àqueles destinados às outras áreas da empresa, como, por exemplo, áreas industriais não afetas à produção, administração, almoxarifado e congêneres, devendo o contribuinte segregar os produtos por finalidade e local de uso, especificando ainda sua forma de utilização. No caso vertente, a argumentação deduzida pelo recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, como no recurso voluntário, parece caminhar na defesa da apropriação ampla e irrestrita de tais produtos (de limpeza), eis que demasiadamente genérica, o que, a meu sentir, fere a acepção do termo “insumo” hodiernamente vigente na jurisprudência desta Casa Julgadora. Como aludido linhas atrás, o entendimento do CARF acerca do que seja insumo, para fins da legislação das contribuições do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, vem se consolidando no sentido de não circunscrevêlo apenas aos bens e serviços que sofram desgaste ou perda das propriedades em função da ação diretamente exercida sobre o bem em produção ou fabricação, como entende a Receita Federal do Brasil; tampouco admitir o conceito formulado por aqueles que entendem que insumo possui um conceito equivalente ao de despesa operacional, segundo a legislação do IRPJ. Nesta linha de idéias, o insumo, para o PIS/Pasep e Cofins, possuiria um conteúdo próprio, ocupando um meio termo entre o seu conceito para a legislação do IPI e o de despesa/custo para o IRPJ, correspondendo àqueles bens e serviços que sejam prestados, utilizados ou consumidos diretamente no processo produtivo ou de fabricação, dependente de um exame casuístico, isto, caso a caso, para seu reconhecimento. Em síntese, não tendo o recorrido logrado êxito em esclarecer a função/finalidade de cada produto consumido como material de limpeza destinado à higienização do maquinário – detergente, ácido nítrico, soda líquida, detergente, hidróxido de Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001515/200903 Acórdão n.º 3401002.454 S3C4T1 Fl. 219 15 sódio, dentre outros –, não há como reconhecer o direito vindicado, porquanto é impossível aferir sua real utilidade. Respeitante ao crédito dos encargos e depreciação das bombas, também aqui entendo não merecer qualquer censura a decisão recorrida. Tais equipamentos, de acordo com o recorrente, são utilizados no descarregamento/carregamento do leite, tanques rodoviários para transporte de leite, silos de armazenagem de leite, dentre outros fins. Consoante art. 3º, VI das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, o aproveitamento do crédito está vinculado à sua utilização na produção. Subsumindo os ditames legais ao caso sob julgamento, temse que as bombas são utilizadas, ora quando a produção ainda não se inicou, como na descarga/armazenagem do leite in natura, tal qual recebido dos produtores rurais; ora quando a produção já se encerrou, como se dá no carregamento/descarregamento/armazenagem do leite já processado. Ou seja, na movimentação de insumos (leite in natura) ou de produtos acabados (leite processado) dentro do estabelecimento fabril do recorrente, mas não durante o processo de produção/fabricação. Desta forma, as bombas em questão não estão vinculadas à produção, para o desiderato do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, motivo pelo qual não geram crédito da não cumulatividade. Robson José Bayerl Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10865.908887/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2005
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-001.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 87 /2 00 9- 14 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.142, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908887/200914 Acórdão n.º 3802001.829 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908887/200914 Acórdão n.º 3802001.829 S3TE02 Fl. 113 5 A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Eg. CARF. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS
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