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Numero do processo: 35366.000326/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2402-006.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e conhecer e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 03 26 /2 00 7- 57 Fl. 1450DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interposto em face do Acórdão nº 1656.091 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), que julgou procedente em parte impugnação relacionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada sob o Debcad nº 37.010.1979 para a apuração de contribuições sociais previdenciárias correspondentes a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, do período de 01/12/2002 a 30/06/2006. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 1338/1390): DA NOTIFICAÇÃO Tratase de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad nº 37.010.1979, lavrada em 22/12/2006, de contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, abrangendo o período de 12/2002 a 06/2006, no montante de R$2.387.074,69 (dois milhões, trezentos e oitenta e sete mil e setenta e quatro reais e sessenta e nove centavos), consolidado em 22/12/2006. A NFLD é composta pelos seguintes levantamentos: · CO1 – Cooperdata Ind. Com. – período 12/2002 a 05/2003; · CO2 – Coopedata Coopersaalt período de 12/2002 a 05/2003; · CO3 – Nova Coopedata Coopersaalt período de 12/2002 a 08/2003; 06/2004 a 06/2006; Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 3 3 · CO4 – Cooperdata Vendas e Promoções período de 12/2002 a 05/2003; · CO5 – Cooper. Policiais Militares período de 05/2003 a 09/2004. O Relatório Fiscal, fls. 72/73, informa, em síntese, que: · a NFLD referese às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme a seguir exposto; · o crédito previdenciário aqui abrigado teve como fato gerador, os serviços prestados pelas cooperativas relacionadas, cujos dados dos documentos que serviram de base encontramse discriminados no Relatório de Lançamentos, que faz parte desta Notificação; · o presente crédito foi constituído tendose em vista a falta de apresentação do recolhimento devido; · a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no artigo 8º da Lei nº 10.666 de 08 de maio de 2003. O último Livro Diário de número 308 escriturado pela empresa relativo ao mês de dezembro de 2005 foi registrado na Jucesp sob nº 73891. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado da NFLD por via postal em 27/01/2007, e apresentou impugnação tempestiva em 12/02/2007, fls. 89/129, acompanhada de cópia dos seguintes documentos: Procuração e Adaptação e Consolidação do Contrato Social (Lei nº 10.406, de 11 de janeiro de 2002), Proposta/Contrato de Abertura de Conta Corrente e de Poupança – Pessoa Jurídica, Guias da Previdência Social – GPS, Notas Fiscais de Serviços, Acompanhamento de Produção – Mês, Relatórios de Viagens Diárias, Relação de Horas Trabalhadas para Faturamento, Relação dos Lançamentos de Outros Créditos, Controle Individual de Produção (Anexos I, II e III). Apresenta, em síntese, as seguintes alegações: I – Preliminarmente A ação fiscal foi iniciada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal 09293319F00, emitido em 13/03/2006, com validade até 13/05/2006 e recepcionado pela empresa em 14/03/2006. Seguiuse o Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C01 emitido em 12/05/2006, com validade até 13/06/2006 e recepcionado somente em 15/05/2006, deixando um vácuo no período de 13/05/2006 a 15/05/2006, quando a Notificada supunha que a ação fiscal já havia sido concluída, sem qualquer lançamento fiscal. Prosseguiu a ação fiscal com o Mandado de Procedimento Fiscal 09293319CO2 emitido em 09/06/2006, com validade até 30/06/2006 e recepcionado em 13/06/2006. Fl. 1452DF CARF MF 4 O Mandado de Procedimento Fiscal 09293319CO3 foi emitido em 30/06/2006, com validade até 29/08/2006 e recepcionado somente em 03/07/2006, mais uma vez deixando novo vácuo no período de 30/06/2006 a 03/07/2006, quando mais uma vez a Notificada entendeu que a ação fiscal havia sido concluída pelo decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C04 foi emitido em 25/08/2006, com validade até 24/10/2006 e recepcionado somente em 30/08/2006, mais uma vez deixando novo vácuo no período de 25/08/2006 a 30/08/2006, quando mais uma vez a Notificada entendeu que a ação fiscal havia sido concluída pelo decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C05 foi emitido em 24/10/2006, com validade até 30/11/2006 e recepcionado somente em 25/10/2006, mais uma vez deixando novo vácuo no período de 24/10/2006 a 25/10/2006, quando mais uma vez a Notificada entendeu que a ação fiscal havia sido concluída pelo decurso de prazo do mandado de procedimento fiscal. Por fim, novo Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C06 emitido em 28/11/2006, com validade até 22/12/2006 e recepcionado em 29/11/2006. Claro está, portanto, que a ação fiscal está eivada de nulidades, pela falta de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal a tempo e modo, isto em 15/05/2006, em 03/07/2006, em 30/08/2006 e em 25/10/2006, posto que a emissão e a remessa da notificação fiscal ocorreram em período não coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal e suas prorrogações. Não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte, que entende que a partir do dia 13/05/2006 a ação fiscal que estava em andamento fora devidamente encerrada, posto que não prorrogada a tempo e modo. A sua reativação com documento entregue em 15/05/2006 constitui se em um ato de flagrante nulidade, e assim deve o mesmo ser reconhecido, com a anulação de todos os atos constituídos a partir da prorrogação do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal de forma irregular. Ademais, seguiramse outras 3 nulidades, com o Mandado de Procedimento Fiscal sendo prorrogado quando já estava vencido. Por derradeiro, mesmo tendo o Mandado de Procedimento Fiscal o seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 16/01/2007 foram postadas parte das Notificações fiscais, 5 (cinco) para um total de 18 (dezoito) com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 18/01/2007. As demais Notificações, como a ora impugnada, somente foram postadas na ECT no dia 26/01/2007 e recebidas em 27/01/2007. A verdade é que as notificações fiscais não foram devidamente formalizadas até a data final do MPF, passaramse mais de 30 dias do vencimento do MPF e o contribuinte não as recebeu. Assim sendo, a ação fiscal está viciada, é nula, posto que preterido o disposto na Portaria MPS/SRP Nº 3.031, de 16/12/2005, D.O.U. de 22/12/2005, emitida pelo Secretário da Receita Previdenciária. O artigo 15 da referida Portaria dispõe que o MPF se extingue pelo decurso dos prazos a que se referem os artigos 12 e 13 que tratam do prazo quanto à emissão inicial e prorrogações. II – Dos fatos Descreve suas atividades, e informa que no período de 12/2002 a 06/2006 contratou cooperativas de trabalho para algumas de suas atividadesmeio. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 4 5 III – Da exação para os tomadores de serviços de cooperativas As contribuições para os tomadores de serviço de Cooperativas de Serviço, no período de 12/2002 a 06/2006 foram estabelecidas pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, redação da Lei nº 9.876 de 26/11/1999, com vigência a partir de 03/2000, que revogou a Lei Complementar nº 84/96. Referido dispositivo legal determina a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, alíquota de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Cooperativas de Trabalho. O dispositivo acima foi regulamentado pelo Decreto nº 3.048/99 em seu artigo 201, III. Transcreve o art. 86, inciso I, da IN SRP nº 03/2005, que dispõe sobre a referida contribuição. Neste particular, o Impugnante foi traído pela redação da Lei nº 8.212/91. Ocorre que um pouco antes da Lei nº 9.876/99, que criou a contribuição da empresa para as cooperativas de trabalho, com alíquota de 15%, foi editada a Lei nº 9.711, isto em 22/10/1998. Referida lei deu nova redação ao artigo 31 da Lei nº 8.212/91, introduzindo a figura da retenção de 11% incidente também sobre as notas fiscais faturas dos prestadores de serviço. Assim, conjugando as inovações que tributam o faturamento dos prestadores de serviço com obrigação de recolhimento pelo tomador de serviços, entendeu o Impugnante que a contribuição de 15% sobre o faturamento da cooperativa deveria ser recolhida até o dia 2 em nome da cooperativa cedente de mãodeobra. Ocorreu, portanto, que todas as contribuições lançadas nesta NFLD decorrentes de faturas emitidas pelas cinco cooperativas de trabalho foram devidamente recolhidas pela Impugnante, conforme Notas Fiscais e GPS – Guias da Previdência Social que ora são anexadas. Todas as GPS foram quitadas pelo Impugnante através do Banco do Brasil, Agência 33332, Conta 0000033278 de sua titularidade, conforme documento de abertura de conta corrente pessoa jurídica anexada à NFLD. O relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. Entretanto, a afirmação não é verdadeira. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, podem ser demonstradas pelos extratos bancários e razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviços em geral. A Lei nº 8.212, em seu artigo 22, IV, o artigo 201, III do Decreto nº 3.048/99 e o artigo 86 da Instrução Normativa nº 03 não são explícitos quanto a esta forma de recolhimento, razão pela qual o Impugnante recolheu a contribuição inserindo o identificador do prestador de serviços. Fl. 1454DF CARF MF 6 Todavia, sendo este um erro de recolhimento perfeitamente sanável com a alteração do identificador no documento de arrecadação bancário, que a Auditoria Fiscal poderia ter procedido a correção de oficio, requerse, portanto, a decretação de nulidade da autuação. IV – Da inconstitucionalidade da exação fiscal Mesmo tendo o Impugnante recolhido a contribuição lançada, pelo que o lançamento deve ser declarado nulo, aduz ainda o mesmo que a exação é inconstitucional, pelo que deverá em momento oportuno requerer a sua restituição. Transcreve o art. 195 da Constituição Federal de 1988, e a petição inicial da Ação Direta de Inconstitucionalidade 2594, cujo autor é a Confederação Nacional da Indústria – CNI, citando parecer enviado pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, a favor da referida ADI. V – Da preliminar de nulidade do lançamento Os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê a cobrança de contribuições previdenciárias no presente lançamento. Conforme se vê do relatório fiscal, primeiro item, foi dito que a exação se refere às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O relatório fiscal não aduz o dispositivo legal que norteia a cobrança. Os auditores fiscais não procederam à alocação nos lançamentos relacionados no DAD das GPS recolhidas, o que geraria saldo nenhum para a Previdência Social no confronto entre a incidência de 15% incidente sobre faturas e GPS recolhidas para as Cooperativas prestadoras de serviço. VI – Da não ocorrência da materialização do fato jurídico tributável no caso concreto Sabese hoje que após a Constituição Federal de 1988 não se podem restar quaisquer dúvidas quanto ao caráter tributário das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, e sua consequente disciplina pelo Código Tributário Nacional. Deste ponto de raciocínio, a fenomenologia da incidência no espectro do Direito Tributário somente pode ser descrita com base na conhecida RMI Regra Matriz de Incidência. Assim, referida incidência ocorre quando, na hipótese descrita pela norma jurídica existe a previsão de um fato, enquanto a consequência desta prescreverá os efeitos jurídicos que o acontecimento irá propagar. Os diversos ramos do Direito, em geral, procuram estabelecer o momento do nascimento da relação jurídica, ou dos fatos geradores das mesmas. São os fatos jurídicos. E a descrição que a norma faz de um ato ou fato que, ocorrido, irá gerar uma obrigação. Exatamente desta análise, percebese que os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional à contribuição do art. 22, IV da Lei nº 8.212/91 não estão presentes nesta NFLD. Ocorre que referido dispositivo que define contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, diz respeito às remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, às cooperativas de trabalho que lhe prestem serviços. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 5 7 Tudo isto, certamente, não está em consonância com o disposto no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, que estabelece a forma do financiamento da Seguridade Social. VII – Do arbitramento da contribuição e a base de cálculo utilizada Embora tenha apresentado toda a documentação solicitada pela fiscalização e que pudesse ratificar as informações declaradas quanto ao pagamento das faturas às Cooperativas prestadoras de serviço, o arbitramento das contribuições devidas não é correto. Referidas Cooperativas prestaram serviços de transporte de carga e monitoramento de segurança, com uso de veículos, equipamentos e material. Assim, caso fosse devida qualquer contribuição, a base de cálculo não deve incidir sobre o total da fatura, mas apenas sobre 20% da mesma, conforme dispõe o artigo 219, §§ 7º e 8º, do Decreto nº 3.048/1999. A Instrução Normativa nº 3/2005, em seu artigo 69, IV parágrafo 2º, é clara neste sentido. O Impugnante procedeu ao recolhimento aplicando a alíquota de 15% sobre o total da fatura, preservando assim, nesta impugnação, o seu direito de reaver, através de procedimento a ser efetivado, os valores recolhidos a maior. VIII – Do descabimento na aplicação da multa de mora Nada é devido, a NFLD deverá ser julgada nula. Entretanto, se por absurdo qualquer valor ficasse remanescente neste lançamento, a aplicação da multa não é correta. O lançamento de crédito foi consolidado em 22/12/2006 com a aplicação de multa no importe de 30% (trinta por cento) sobre os valores originários para as competências de janeiro de 2002 a junho de 2006, conforme a primeira folha da Notificação e Relatório de Fundamentos Legais do Débito. “Ad cautelam”, na improvável hipótese de vir a ser mantido o lançamento, impugna a defendente, os encargos moratórios que estão sendo exigidos, no tocante à multa e aos juros, posto que na forma que lhe estão sendo impostos não podem prevalecer, caracterizando verdadeiro confisco. A multa, se imposta, dever ser reduzida dos atuais 30% para razoáveis e aceitáveis níveis de 2%, sob pena de violação do principio constitucional da vedação do confisco. A leitura sistemática dos artigos e fatos acima descritos impõe as seguintes constatações: 1) caso a contribuição que está sendo lançada seja declarada em GFIP a multa de mora ser á reduzida em 50%; 2) não pode o contribuinte, com a alteração da legislação em momento posterior ao da ocorrência de alegada infração, sofrer maior gravame na aplicação da multa. Tendo em vista o alegado, requer a Impugnante a retificação dos valores aplicados com relação à multa de mora, no que tange redução de 50% em todo o período. Fl. 1456DF CARF MF 8 IX – Da inconstitucionalidade da taxa Selic Considerandose a natureza remuneratória da Taxa SELIC e a inconstitucionalidade e ilegalidade de sua aplicação, em matéria tributária, não há que se admitir sua utilização, no presente caso. Para o cômputo dos juros de mora que seriam eventualmente devidos se devida fosse a obrigação principal (o que se alega apenas por amor à argumentação) só poderia ser utilizado o percentual legal de 1% (um por cento) ao mês, se julgados devidos, o que já se viu acima, não ocorre. X – Da incorreta identificação dos responsáveis pelo pagamento do eventual crédito tributário. Inexistência de responsabilidade tributária. Outro vicio verificado na NFLD em epígrafe é quanto à imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário aos sócios e procuradores da empresa, conforme estabelecido na Relação de CoResponsáveis que compõe a NFLD, haja vista não serem eles sujeitos passivos da obrigação tributária, seja pela categoria de contribuintes, seja pela categoria de responsáveis. Por força de lei, somente a Impugnante estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária, e por consequência somente contra ela poderia ser lavrada uma NFLD e também dela serem cobradas as contribuições não recolhidas. As outras hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados subsidiariamente pelo pagamento das contribuições em comento estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, e não ocorreram na hipótese presente. Assim, requer desde já a exclusão da responsabilidade solidária imputada aos sócios e procuradores pelo pagamento da presente NFLD. XI – Conclusão Ante o exposto, requer a ora Impugnante: a) não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte, que entende que a partir do dia 13/05/2006 a ação fiscal que estava em andamento fora devidamente encerrada, posto que não prorrogada a tempo e modo. A sua reativação com documento entregue em 15/05/2006 constitui se em um ato de flagrante nulidade, e assim deve o mesmo ser reconhecido, com a anulação de todos os atos constituídos a partir da prorrogação do MPF forma irregular. Por derradeiro, mesmo tendo o Mandado de Procedimento Fiscal o seu término em 22/12/2006, somente em 26/01/2007 foi postada a Notificação Fiscal com recebimento pelo contribuinte em 27/01/2007; b) dignese a declarar nulo o lançamento representado pela NFLD 37.010.1928, posto que ficou clara a ausência de fundamentação legal do lançamento do débito pelo relatório fiscal; c) o relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. Entretanto, a afirmação não é verdadeira. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, podem ser demonstradas pelos extratos bancários e razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 6 9 identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. d) mesmo que, por absurdo, se constatasse que os pagamentos a cooperativas gerem contribuições previdenciárias, na forma do artigo 22, IV da Lei nº 8.212/91, redação da Lei nº 9.876/99, deveria ser observado o disposto no artigo 219 do Decreto 3.048/99 e artigo 69 da Instrução Normativa nº 03, que estabelecem o percentual da nota fiscal a ser utilizado para a contribuição sobre os pagamentos a cooperativas. No caso de transportadoras este percentual incide sobre 20% da Nota Fiscal. Todas as Cooperativas que prestaram serviços utilizam material, equipamentos e veículos para a prestação de serviços. Assim, tendo o Impugnante quitado a fatura dos prestadores com incidência da alíquota no total da nota fiscal, entende que possa ter direito a restituição, o que será requerido em momento oportuno. e) requerse, portanto, o conhecimento e provimento da presente impugnação, reconhecendo que os valores lançados estão quitados pelos documentos juntados. f) o notificado impugna ainda os valores lançados, que não estão corretos. Não foram considerados os valores que foram estornados em lançamentos contábeis posteriores, havendo em muitos dos lançamentos duplicidade, com a apropriação dos valores pagos nas contas de despesas e dos valores lançados na conta de passivo. g) ocorreu ainda nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que conforme relatório fiscal, a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no artigo 8º da Lei nº 10.666/2003. Entretanto, é obrigação da fiscalização também apresentar ao contribuinte os arquivos digitais dos relatórios fiscais, conforme art. 663 da IN SRP nº 03/2005; Informa a defendente que toda e qualquer intimação oriunda do processo administrativo deverá ser encaminhada à sede social da empresa. Protesta a ora defendente pela oportuna juntada de outros documentos fiscais que forem considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. DA DILIGÊNCIA FISCAL Considerando as alegações trazidas na impugnação quanto ao recolhimento dos valores lançados na NFLD, equivocadamente no CNPJ das cooperativas de trabalho contratadas, o processo foi encaminhado em diligência fiscal para manifestação do Auditor Fiscal Notificante, através do despacho de fls. 139. Como resultado da diligência fiscal, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 211/212, na qual, em seu item 5, o Auditor Fiscal Notificante conclui, em suma, que pelas provas apresentadas houve equívoco no preenchimento das guias de recolhimento, tendo sido adotada pela contratante dos serviços a mesma sistemática de recolhimento empregada na retenção de contribuição previdenciária por ocasião da quitação de notas fiscais (Lei nº 9.711/98), sugerindo, no entanto que, antes do procedimento de retificação das guias e liquidação do valor da NFLD seja verificado se os prestadores dos serviços já não se beneficiaram dos recolhimentos feitos pelo tomador. Fl. 1458DF CARF MF 10 Em 21/08/2008, a DIPAC encaminhou os autos à DIORT/DERAT/EQARP, para a verificação mencionada pelo Auditor Fiscal no item 5 da Informação Fiscal, e se fosse o caso, para a retificação das guias de recolhimento. Em 12/09/2008, a DERAT emitiu o despacho de fls. 223, informando que: 1. NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, consolidada em 22/12/2006, período 12/2002 a 06/2006, encaminhada pela DEFIS Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, após diligência fiscal, para alteração das guias apresentadas referentes às prestadoras para o CNPJ da tomadora. 2. Conforme despacho da 9ª Turma da DRJ/SPOII às fls. 139, a verificação do alegado pela empresa na defesa, exigiria diligência não só na notificada como também nas respectivas cooperativas prestadoras. 3. Conforme item 05 do despacho do auditor às fls. 211, o mesmo sugere que antes da alteração das guias recolhidas nos CNPJ's das empresas prestadoras, seja verificado se os prestadores dos serviços já não se beneficiaram dos recolhimentos feitos pelo tomador. Em pesquisa ao sistema Aguia, módulo GFIP constatamos divergências para as prestadoras no período levantado. 4. Considerando a necessidade de análise em relação às fiscalizações das prestadoras, para verificação do aproveitamento das guias apresentadas, sugerimos o retorno do processo para a DIPACDivisão de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal para esclarecimentos. (...) Através do despacho de fls. 224, a DIPAC novamente encaminhou o processo à fiscalização, a fim de que fosse realizada diligência nas empresas prestadoras e para os esclarecimentos solicitados pela DRJ/SPOII. Em atendimento às solicitações, foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 1178/1184, e os Anexos A, B, C, D, E, F, G e H, fls. 1188/1238, cientificados ao contribuinte em 08/06/2011, com reabertura do prazo para manifestação, caso desejado. O Auditor Fiscal responsável pela realização da diligência fiscal conclui pela retificação do lançamento, em virtude do aproveitamento dos recolhimentos efetuados pela empresa, conforme demonstrado nos Anexos A, B, C, D, E, F, G e H, e propõe o encaminhamento dos autos à DRJ/SPO II, para continuidade do julgamento do feito. Os Anexos A, B, C, D, E, F, G, e H, que acompanham o Relatório de Diligência Fiscal, apresentam as seguintes informações: Anexo A: situação verificada em relação à prestadora de serviços Cooperdata Indústria e Comércio CNPJ 04.758.275/000140, e conclusão referente ao levantamento CO1; Anexo B: situação verificada em relação à prestadora de serviços Coopersaalt Cooperativa de Trabalho em Serviços Autônomos de Apoio à Logística e Transporte – CNPJ 02.965.758/000190, e conclusão referente ao levantamento CO2; Anexo C: situação verificada em relação à prestadora de serviços Novacoop Sociedade Cooperativa de Trabalho e Prestação de Serviços CNPJ 02.993.259/000106, e conclusão referente ao levantamento CO3; Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 7 11 Anexo D: situação verificada em relação à prestadora de serviços Cooperdata Vendas e Promoções – Cooperativa de Trabalho dos Profissionais em Vendas CNPJ 04.752.251/000183, e conclusão referente ao levantamento CO4; Anexo E: situação verificada em relação à prestadora de serviços Coopm Cooperativa de Policiais Militares CNPJ 01.754.594/000199, e conclusão referente ao levantamento CO5; Anexo F: Relação das Guias Código 2100 recolhidas em nome das cooperativas, indicando o levantamento, CNPJ da cooperativa, competência, total líquido, total da guia, código de pagamento, data de pagamento, valor do INSS, Terceiros, Juros/Multa, retificação de GPS (sim ou não) e observações; Anexo G: Remuneração de Trabalhadores sem vínculo empregatício informada em DIRF pela Cooperativa de CNPJ 04.752.251/000183; Anexo H: Remuneração de Trabalhadores sem vínculo empregatício informada em DIRF pela Cooperativa de CNPJ 01.754.594/000199. DA MANIFESTAÇÃO O contribuinte foi cientificado do Relatório de Diligência Fiscal e dos Anexos A, B, C, D, E, F, G e H em 08/06/2011, e apresentou manifestação tempestiva em 17/06/2011, fls. 1240/1247, alegando, em síntese, que: I Da diligência e seu resultado Antes de adentrar ao mérito da diligência, cumpre ressaltar mais uma vez uma flagrante nulidade do lançamento, posto que o contribuinte tomou ciência do lançamento quando o mandado de procedimento fiscal já estava encerrado. Repete as alegações trazidas na impugnação e transcreve jurisprudência. A diligência empreendida denota que o Auditor Fiscal procurou no seu longo trabalho trazer ao processo o principio da verdade material. Foi laborioso, consultando dados das Cooperativas de Trabalho, seus cooperados, os informes em DIRF, o cotejo de informações em GFIPxDIRFxGPS, confrontando inclusive as modalidades da GPS constantes no sistema de pagamento constantes do conta corrente das Cooperativas de Trabalho. A diligência fiscal é conclusiva no sentido de que inúmeras guias de recolhimento efetuadas pelo tomador de serviços não foram aproveitadas pelas Cooperativas em relação aos débitos informados em GFIP. O trabalho foi inconclusivo em algumas competências, posto que o auditor fiscal não dispunha de informações que pudessem melhor avaliar o seu trabalho. II – Dos fatos Reitera que todas as contribuições lançadas na NFLD decorrentes de faturas emitidas pelas cinco cooperativas de trabalho foram devidamente recolhidas pela Impugnante, conforme Notas Fiscais e GPS – Guias da Previdência Social que foram anexadas à impugnação. O despacho da diligencia é claro no inciso I, Introdução, quando no item 3, “a” declara que foi constatado que as cópias das guias apresentadas na impugnação, volumes anexos I a III, recolhidas no CNPJ das cooperativas prestadoras de serviço, correspondem aos valores apurados pela fiscalização e lançados na presente NFLD. Fl. 1460DF CARF MF 12 No item 3 “b” a diligencia é clara no sentido de que as guias de recolhimento mencionadas foram quitadas pelo tomador de serviços e os montantes nelas informados foram lançados na escrituração contábil da Notificada. Ora, a alocação das guias de recolhimento como créditos da Impugnante que anulam a NFLD é procedimento que deve ser procedido de imediato, a decretação da nulidade do lançamento deveria ser requerida pelo próprio fiscal notificante quando constatou o fato. Não existe qualquer dúvida de que a contribuinte procedeu ao recolhimento da exação a que estava obrigado, fazendoo corretamente, aplicando o percentual de 15% incidente sobre os valores das notas fiscais quitadas às cooperativas. O que ocorreu foi apenas um erro na forma da quitação, procedendo a contribuinte à mesma forma adotada pela Lei nº 9.711/98 que estabeleceu a retenção de 11% incidente sobre os prestadores de serviço com cessão de mão de obra. Neste caso o recolhimento é feito pelo tomador de serviços com GPS no nome do prestador. Nas demais retenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a retenção é recolhida no CNPJ do tomador de serviços. Fica claro, portanto, que a própria Receita Federal é que induz o contribuinte ao erro, adotando critérios diferentes na forma de recolhimento na cessão de mãodeobra. Devem prevalecer os princípios insculpidos no Processo Administrativo Fiscal, adotados pelo Decreto nº 70.235/72, recepcionado como lei e na própria Lei nº 9.784/99, que lhe é complementar. Referidos dispositivos legais consagram os princípios da verdade material, da legalidade, formalismo moderado. Tendo sido constatado que o contribuinte procedeu ao recolhimento de GPS para quitação de sua obrigação em relação à exação prevista no pagamento do trabalho realizado por Cooperativas, dispondo do original das GPS, corroboradas pela escrituração contábil, com prova dos pagamentos pela movimentação bancária, não pode a Receita Federal desconhecer a titularidade dos recolhimentos em nome da Impugnante, em razão de algum obstáculo na retificação das mesmas no sistema de recolhimento. Não se pode privilegiar a forma em detrimento do conteúdo. A obrigação principal foi quitada, se alguma penalidade fosse aplicada, deveria ser meramente em razão do procedimento, com penalidade apenas acessória. Reitera o Contribuinte que todas as GPS foram quitadas pela Impugnante através do Banco do Brasil, Agência 33332. Conta 0000033278 de sua titularidade, conforme documento de abertura de conta corrente pessoa jurídica anexada à NFLD. O relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. Entretanto, a afirmação não é verdadeira. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, podem ser demonstradas pelos extratos bancários e razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 8 13 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. A Lei nº 8.212 em seu artigo 22, IV, o artigo 201, III do Decreto nº 3.048/99 e o artigo 86 da Instrução Normativa nº 03/05 não são explícitos quanto a esta forma de recolhimento, razão pela qual a Impugnante recolheu a contribuição inserindo o identificador do prestador de serviços. III – Do pedido Ante o exposto, reitera a ora Impugnante: a) tendo o Mandado de Procedimento Fiscal o seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 26/01/2007 foi postada a Notificação Fiscal com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 27/01/2007, o que acarreta a nulidade do lançamento feito após expirado o prazo do MPF. b) o relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, foram demonstradas pelos extratos bancários em razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. A Lei nº 8.212 em seu artigo 22, IV; o artigo 201, III do Decreto nº 3.048/99 e o artigo 86 da Instrução Normativa nº 03/05 não são explícitos quanto a esta forma de recolhimento da contribuição devida, razão pela qual a Impugnante recolheu a contribuição inserindo o identificador do prestador de serviços. Na diligência fiscal, item 3 do relatório, o Auditor Fiscal responsável pela diligência foi claro no sentido de reconhecer a titularidade dos recolhimentos pelo contribuinte, GPS recolhidas em nome dos prestadores de serviço Cooperativas de Trabalho. Diante do todo exposto, ratifica a Impugnante todos os termos da impugnação protocolizada no dia 09/02/2007, requerendo por final, conhecimento das impugnações, para que seja declarado nulo o lançamento fiscal, caso assim não se entenda, que no mérito seja declarado insubsistente o lançamento de débito, pelos motivos supra mencionados. Protesta a ora defendente pela oportuna juntada de outros documentos fiscais que forem considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. DA REABERTURA DO PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO Constatando nos autos que o contribuinte não foi cientificado da Informação Fiscal emitida pelo Auditor Fiscal Notificante por ocasião da primeira diligência fiscal, fls. 211/212, mas somente do Relatório de Diligência Fiscal e dos Anexos A, B, C, D, E, F, G e H, emitidos quando da segunda diligência fiscal, foi emitido o despacho de fls. 1253/1254, encaminhandose o processo à EQREC/DICAT/DERAT/SP, para que o contribuinte fosse cientificado dos documentos relacionados a seguir, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para nova manifestação, caso desejado: Fl. 1462DF CARF MF 14 despacho emitido em 14/09/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II, fls. 139; Informação Fiscal emitida pelo Auditor Fiscal Notificante em 28/12/2007, fls. 211/212. DA NOVA MANIFESTAÇÃO A empresa apresentou nova manifestação, fls. 1258/1281, acompanhada de Procuração, Adaptação e Consolidação do Contrato Social e documentos de identificação da sócia e procuradora, alegando, em síntese, que: I – Da preliminar Preliminarmente requer que seja recebida a manifestação por tempestiva, eis que a intimação foi recebida no dia 06/03/2013, vencendo o prazo no dia 05/04/2013 (30 dias), conforme demonstram os docs. 01 e 02. II – Dos fatos Informa que no período de 12/2002 a 06/2006 contratou cooperativas de trabalho para algumas de suas atividadesmeio, relacionando as referidas cooperativas. III – Da exação para os tomadores de serviços de cooperativas Repete as mesmas alegações trazidas na impugnação inicial. IV – Do fato gerador e fundamentação legal do débito Os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê a cobrança de contribuições previdenciárias no presente lançamento. Conforme se vê do relatório fiscal, primeiro item, foi dito que a exação se refere às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O relatório fiscal não aduz o dispositivo legal que norteia a cobrança. V – Da diligência a) despacho emitido em 14/09/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II, fls. 139 do PAF, renumerada para fls. 141 do e processo: Referido documento traz notícia de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II, determinando abertura de diligência fiscal em relação ao processo ora identificado que fora encaminhado àquela Delegacia para Julgamento, não somente em relação ao contribuinte bem como em relação às Cooperativas, atendendo requisição constante dos termos da impugnação. b) Informação Fiscal emitida pelo Auditor Fiscal Notificante em 28/12/2007, fls. 211/212, renumeradas para fls. 214/215 do eprocesso: O resultado da diligência corrobora os termos da impugnação apresentada. O item 5 do referido documento fiscal é claro: “pelas provas aqui apresentadas é possível concluir que houve equívoco no preenchimento das guias, tendo sido adotada pela contratante dos serviços a mesma sistemática de Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 9 15 recolhimento empregada na retenção de contribuição previdenciária por ocasião da quitação de notas fiscais (Lei nº 9.711/98). Sugiro, no entanto, que antes do procedimento de retificação das guias e liquidação do valor da NFLD seja verificado se os prestadores dos serviços já não se beneficiaram dos recolhimentos feitos pelo tomador”. O item 2.2 aduz ainda a existência de declarações prestadas pelas cooperativas, autorizando eventual retificação das guias. O resultado da diligência, portanto, é no sentido de liquidação do valor da NFLD, qual seja, retificadas as guias de recolhimento apresentadas pelo tomador de serviços, ora Impugnante, e alocadas como pagamentos efetuados tempestivamente, procedimento já com a concordância das cooperativas de trabalho, não restará qualquer valor remanescente nesta NFLD. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular, com a alocação dos pagamentos comprovados relativos ao fato gerador prestação de serviços por cooperativas de trabalho. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. Todavia, sendo este um erro de recolhimento perfeitamente sanável com a alteração do identificador no documento de arrecadação bancário, que a Auditoria Fiscal julga procedente na diligência fiscal, cuidando apenas para que os prestadores não se locupletem do referido valor, procedimento que não tem o condão de impedir que, imediatamente se proceda à retificação das Guias de Recolhimento em favor do Impugnante. Assim, reitera os termos da impugnação inicial. DA RETIFICAÇÃO DAS GUIAS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL –GPS NOS TERMOS DO “ANEXO F” DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Considerando o disposto no Anexo F, fls. 1208/1218, emitido no decorrer da diligência fiscal, que discrimina as guias código 2100 recolhidas no CNPJ das cooperativas de trabalho, e indica aquelas que podem ser objeto de retificação, de modo que o campo identificador seja alterado para o CNPJ da tomadora de serviços (LUA NOVA IND. E COM. DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. – CNPJ nº 62.461.140/000114); Considerando a necessidade de retificação das GPS – Guias da Previdência Social, conforme discriminado no Anexo F, alterandose o campo identificador para o CNPJ da empresa Lua Nova Ind. e Com. de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ 62.461.140/000114 antes do julgamento do presente processo; Em 01/08/2013, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/ SP, para as providências cabíveis e posterior retorno à DRJ/SPO para julgamento. Em atendimento, de acordo com o despacho emitido pela DERAT/DICAT/EQREC, fls. 1328, foram alteradas as Guias da Previdência Social – GPS nos termos do Anexo F, conforme telas constantes às fls. 1307/1325. Fl. 1464DF CARF MF 16 Por ocasião do Recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e na manifestação acerca de diligência demandada pelo DRJ/SP1 e no tópico referente à inconstitucionalidade da exação informa sobre a declaração de inconstitucionalidade da exação. A DRJ/SP1 interpôs recurso de ofício por entender que o crédito tributário exonerado tinha valor superior ao de alçada, definido em portaria do Ministro da Fazenda. É o relatório. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 10 17 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Recurso de Ofício De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Por ocasião da decisão de primeira instância administrativa, o ato que regulamentava o dispositivo legal acima referido era a Portaria MF nº 3/2008, a qual estabelecia: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Ocorre que, atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63/2017, cujo art. 1º dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Analisandose o Auto de Infração (fl. 3), constatase que o valor do tributo somado ao encargo de multa originariamente lançados equivale a R$ 1.688.086,64. Confirase: Fl. 1466DF CARF MF 18 Já o Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR (fl. 1337) demonstra que após decisão de primeira instância administrativa, que deu parcial provimento à impugnação do contribuinte, restaram na NFLD tributo e multa que somados totalizam R$ 781.087,59: Vejase que o valor exonerado pela decisão da DRJ/RJ1, de R$ 886.999,59, inferior àquele até mesmo àquele estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, que dirá aquele da Portaria MF nº 63/2017, que deve ser observado por ocasião do julgamento por este Conselho. Por essa razão, não conheço do recurso de ofício, Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Dispositivo de Lei Declarado Inconstitucional Extraise do documento denominado Fundamentação Legal do Débito – FLD (fl. 69), que o lançamento, que tem como fato gerador a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, está fundamentado no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Confirase: CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS EM GERAL RELATIVAMENTE A SERVIÇOS QUE LHE SAO PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Competências : 12/2002, 01/2003 a 12/2003, 01/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 01/2006 a 06/2006 Lei n. 8.212 de 24.07.91, art. 22, IV (com a redação dada pela Lei n. 9.876 de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art.201, III (na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). Corrobora o FLD o trecho de Relatório Fiscal a seguir reproduzido: 1. Referese a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por coooperados Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 11 19 por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme a seguir exposto. 2. O crédito previdenciário aqui abrigado, teve como fato gerador, os serviços prestados e pelas cooperativas a seguir relacionadas, cujos dados dos documentos que serviram de base encontramse discriminados no Relatório de Lançamentos que faz parte desta Notificação. Cooperdata Indústria e Comércio 04.758.275/000140: dezembro de 2002 a maio de 2003 Cooperdata Coopersaalt 02.965.758/000190: dezembro de 2002 a maio de 2003 NovaCoop Nova Coopserv 02.993.259/000106: dezembro de 2002 a agosto de 2003 Junho de 2004 a junho de 2006 Cooperdata Vendas e Promoções 04.752.251/000183: dezembro de 2002 a maio de 2003 Cooperativa Policiais Militares 01.754.514/000199: maio de 2003 a setembro de 2004 Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF, em decisão unânime, tomada no RE nº 595838/SP, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo em recurso com repercussão geral. Abaixo a transcrição da ementa do julgado: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a Fl. 1468DF CARF MF 20 inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO Dje196 DIVULG 07102014 PUBLIC 0810 2014) (Grifei) Além disso, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, suspendendo a execução do dispositivo legal tido por inconstitucional pela Suprema Corte. Logo, por força das disposições contidas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF, tal decisão deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, o que impõe cancelar os lançamentos abrangidos pela presente NFLD. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício e CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901096/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 96 /2 01 4- 89 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005912/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
TRIBUTOS ABRANGIDOS. DECISÃO APLICÁVEL.
O decidido quanto ao IRPJ se aplica também aos demais tributos abrangidos por este sistema de tributação que estão em discussão no presente processo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%.
Em lançamento de oficio é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. TRIBUTOS ABRANGIDOS. DECISÃO APLICÁVEL. O decidido quanto ao IRPJ se aplica também aos demais tributos abrangidos por este sistema de tributação que estão em discussão no presente processo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de oficio é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 12 /2 00 8- 61 Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.077 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.078 3 Relatório CONSIDER DISTR NACIONAL DE PROD SID LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1 (fls. 1.353 e ss), que, por maioria de votos, considerou procedente em parte os lançamentos. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 864/873) e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/09/2008 (fl. 951), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES (IRPJ, contribuição para o PIS, COFINS, CSLL, IPI e Contribuição para a Seguridade Social — INSS), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 860 a 863) e demonstrativos anexos (fls. 864 a 873), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas pela falta de declaração e consequente oferecimento a tributação de receitas com vendas de mercadorias constatada em circularização em dezessete empresas clientes da fiscalizada, tributadas no montante superior A. receita bruta declarada; e 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 877 a 883. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ Simples (fls. 896 a 899) com base nos artigos 185, 186, 187, 188, 190, 199, 836 e 841, inciso VI, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR11999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2°, § 2 0, 3°, § 1 0, alínea "a", 5 0, 7°, § 1 0, 18, 19 e 23 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998 (fls. 862, 898 e 899), formalizando crédito tributário calculado até 29/08/2008 no montante de R$32.104,62; 3.2. PIS Simples (fls. 906 a 909) com base no artigo 3°, alínea "b" da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 90 da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3 0, § 1 0, alínea "b", 5 0, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.079 4 9.317/1996, e 3° da Lei n°9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 29/08/2008, no montante de R$32.104,62; 3.3. CSLL Simples (fls. 916 a 919) com base nos artigos 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2°, § 2°, 3°, § 1 0, alínea "c", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 29/08/2008, no montante de R$55.115,70; 3.4. COFINS Simples (fls. 926 a 929) com base nos artigos 1° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2°, § 2°, 3 0, § 1 0, alínea "d", 5 0, 7°, § 1°, e 18 da Lei n°9.317/1996, e 3° da Lei no 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 29/08/2008, no montante de R$110.231,51; 3.5. IPI Simples (fls. 936 a 939) com base nos artigos 2°, § 2, 3, § 1°, alínea "e", 5 0, § 2°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n°9.317/1996, 3° da Lei n°9.732/1998 e 2°, 3°, 34, 35, 122 e 127 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2002), formalizando crédito tributário, calculado até 29/08/2008, no montante de R$27.557,78; e 3.6. Contribuição para a Seguridade Social INSS (fls. 946 a 949) com base nos artigos 2°, § 2°, 3 0, § 1°, alínea "f', 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n°9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 29/08/2008, no montante de R$202.916,72. 4. Sobre a parcela dos tributos lançados decorrente das receitas omitidas foi aplicada multa de oficio qualificada (150%), com fulcro no inciso II do artigo 4da Lei n° 9.430/1996 combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 e, sobre a parcela dos tributos lançados decorrente da insuficiência de recolhimento foi aplicada a multa de oficio regular (75%) com base no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 (fls. 892, 902, 912, 922, 932 e 942). 0 enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996 (fls. 892, 902, 912, 922, 932 e 942). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 474/506, que aduziu os seguintes argumentos: 5. Irresignada com os lançamentos, em 29 de outubro de 2008, a contribuinte apresentou, representada por sócia administradora (fls. 955 a 961), a impugnação de fls. 953 a 955, acompanhada dos documentos que comprovam a representação (fls. 956 a 961), na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. as alegações do fiscal autuante não são verdadeiras, pois, durante a fiscalização, prestou esclarecimentos, justificou o motivo da não apresentação da documentação, informou quais empresas possuíam notas fiscais inidôneas por não serem suas clientes, compareceu à repartição toda vez que solicitado, apresentou manifestações e juntou documentos, inclusive cópias dos Boletins de Ocorrência registrados para apuração dos ilícitos; 5.2. o auditor fiscal não excluiu as notas fiscais falsas, não fez as devidas investigações, não reconheceu as diferenças entre as notas fiscais reais da empresa e as notas fiscais falsas e deixou de exigir os comprovantes dos respectivos Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.080 5 pagamentos, com os quais descobriria que não existe nenhum pagamento feito a favor da empresa; 5.3. durante a fiscalização a empresa informou que não possuía os livros contábeis porque o contador da época, apesar de cobrado inúmeras vezes, além de não devolver estes livros, apropriouse dos valores destinados aos pagamentos dos tributos, motivo pelo qual aguarda o resultado da investigação policial para tomar as providências que o caso requer; 5.4. "recebida a relação das NOTAS FISCAIS INVESTIGADAS, em set/08, informou que as NOTAS emitidas no ano de 2004 contra as Empresas CLAUDETE ALICE HADDAD DARBELLO, FERRAMENTARIA CAXAMBU LTDA., MEMAPI EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., PAB — ASSISTÊNCIA TÉCNICA E REFORMA DE MÁQUINAS LTDA. e MARCONI — EQUIP. PARA LABORATÓRIOS LTDA., no total de R$158.968,58 eram FALSIFICADAS, uma vez que não foram emitidas e nem impressas por nossa solicitação, que não efetuamos nenhuma entrega de mercadorias e tampouco recebemos quaisquer valores. Para comprovação, juntouse as NOTAS REAIS dos mesmos números correspondentes, ou seja as compreendidas entre os n. 3579 ao 5235, emitidas no período de agosto/2005 a agosto/2006 para comprovação"; 5.5. embora ciente de sua responsabilidade, não agiu de máfé, não praticou fraude contra o fisco, mas foi somente vitima de profissional terceirizado, que era responsável pela escrituração e guarda dos documentos, e de estelionatários que emitem notas falsas com sua razão social e seu CNPJ; 5.6. quanto As Notas Fiscais emitidas contra as demais empresas, clientes A época, a fiscalização não provou concretamente a realização das operações de compra e venda, já que o fato de as notas existirem não quer dizer que são reais (pode ter havido alguma devolução), não há prova dos respectivos pagamentos e há necessidade de se aguardar os resultados da investigação policial feita contra o contador da época, com o objetivo de localizálo e a possibilidade de reaver os documentos contábeis extraviados; 5.7. "Ao apurar os IMPOSTOS TRIBUTÁVEIS, o Sr. Auditor tomou como base para cálculos o valor total da nota, quando deveria tomar por base o 'valor total dos produtos', valor esse que corresponde ao VALOR BRUTO, conforme Lei que regulamenta o IMPOSTO SIMPLES FEDERAL"; 5.8. a empresa não pode concordar com o valor do crédito tributado lançado (R$460.030,94), pois representa uma quantia exorbitante para seu porte, que é pequeno, e vem passando por sérias dificuldades financeiras, como a maioria das empresas do pais, principalmente por conta do sistema tributário imposto; 5.9. requer a desconsideração da Representação Fiscal para Fins Penais (processo 19515.005914/200851), pois está amplamente demonstrado que nunca houve máfé e que em momento algum agiu com dolo, tendo havido apenas culpa por ter confiado obrigações de primeira importância a profissional sobre o qual soube posteriormente que está envolvido em atividades ilícitas; e 5.10. a multa, que foi majorada, deve ser reduzida, já que não houve prática de fraude e nenhum crime contra a ordem tributária. Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.081 6 6. Em análise preliminar, o presente relator elaborou o despacho de diligência de fls. 973 e 974, no qual solicitou que a autoridade autuante intimasse os cinco clientes, cujas notas fiscais apresentadas, a autuada aponta como falsas, a apresentarem os comprovantes de pagamentos das operações relacionadas As questionadas notas fiscais. 7. Com o objetivo de cumprir a diligência solicitada, a autoridade autuante elaborou e colheu junto As cinco empresas clientes e A autuada os documentos de fls. 977 a 1349. A fiscalizada em 07/04/2011 tomou ciência da Informação Fiscal de fls. 1345 a 1348, documento que relata a diligência e as conclusões dela decorrentes e possibilita A interessada manifestação no prazo de dez dias. Segundo o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fl. 1349, cientificado A contribuinte em 19/04/2011, e o despacho de fls. 1351, o prazo para manifestação da autuada se expirou, tendo os presentes autos sido devolvidos a esta DRJ SP para conclusão do julgamento administrativo. Em julgamento realizado em 11 de maio de 2011, a 1ª Turma da DRJ/SP1, por maioria de votos considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1631446 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30106/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 RECEITA BRUTA AUFERIDA. OMISSÃO EM DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. CABIMENTO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. É cabível o lançamento de oficio para formalizar o crédito tributário relativo a receita bruta não declarada, cujo auferimento é comprovado pelas Notas Fiscais, hábeis e idôneas, emitidas pela própria fiscalizada. TRIBUTOS ABRANGIDOS. DECISÃO APLICÁVEL. O decidido quanto ao IRPJ se aplica também aos demais tributos abrangidos por este sistema de tributação que estão em discussão no presente processo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.082 7 Data do fato gerador: 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de oficio é de 75% no mínimo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de oficio é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 3037/3058, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: da preliminar de afrontamento da Súmula 14 CARF; da inclusão dos valores do IPI nas Notas Fiscais; Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.083 8 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2004, totalizando o crédito tributário de R$460.030,94, incluindo multa de ofício de 75% sobre a insuficiência de recolhimento e qualificada de 150% sobre a omissão de receitas, bem como juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SP1 e intimada ao recolhimento dos débitos em 28/11/2013 (AR de fls. 3.031/3.032), e apresentou em 27/12/2013, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 3.037 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A ação fiscal identificou omissão de receitas em razão da falta de declaração e tributação de receitas com vendas de mercadorias através da circularização de 17 empresas, clientes da recorrente, bem como pela insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa do aumento da receita declarada, no valor de R$1.532.298,37. A decisão recorrida exonerou parte das receitas omitidas, após diligência realizada, que identificou que não havia comprovação de pagamento das clientes para a recorrente, e embasada em cópias de boletins de ocorrência de que tais notas fiscais eram falsas. A recorrente alega em recurso voluntário, que os serviços oferecidos pelo seu contador não foram adequados, o que lhe prejudicou na entrega dos documentos solicitados pela fiscalização. Apenas rebate a questão da qualificação da multa e da base de cálculo dos tributos cobrados, em que restaria incluso o valor do IPI. Primeiramente, com relação à inclusão do IPI vejamos o entendimento da decisão recorrida: Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.084 9 Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.085 10 Em que pese o constante da decisão recorrida, não há que se falar em descontar valores relativos ao IPI. Ora, se o contribuinte aderiu ao SIMPLES, de fato não poderia fazer destaque do IPI, assim, o valor base é aquele constante da nota fiscal inteiro. Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.086 11 Da multa qualificada Questiona a recorrente a aplicação da multa qualificada de 150% sobre a omissão de receitas. Em seu entendimento, não haveria a configuração da qualificadora, ou seja, do intuito doloso de sonegação, fraude ou conluio. Segundo o TVF, a majoração da multa se deu pelo intuito fraudulento do recorrente, ao deixar de oferecer à tributação a totalidade de suas Notas Fiscais de Venda caracterizou a qualificação. A decisão da DRJ, por sua vez entendeu que o fato do contribuinte declarar como devido o valor de R$559.741,53 e ter auferido R$1.913.028,12, atestada pelas notas fiscais emitidas caracteriza o evidente intuito de fraude. No caso em tela, apesar da recorrente comprovar que algumas de suas notas fiscais haviam sido falsificadas, através de Boletim de Ocorrência, que demonstrou indicar eventual participação do seu antigo contador em situações criminosas, o que poderia demonstrar que foi vítima, não tendo atuado de forma dolosa, a verdade é que não trouxe quaisquer outros elementos posteriores, os fatos ocorreram em 2004, a fiscalização ocorreu em 2008, e o recurso voluntário com tal alegação foi apresentado no final de 2013, qual foi o desenrolar de tal ação penal, se é que houve. Pois Boletim de Ocorrência qualquer um pode apresentar, assim, no meu entendimento e também de todo o Colegiado, faltam elementos que descaracterizem a ação dolosa. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 19515.005912/200861 Acórdão n.º 1301002.925 S1C3T1 Fl. 3.087 12 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Assim, meu voto é no sentido de se manter a qualificadora. Há um pedido de sobrestamento do feito em razão de um BO registrado em face de seu contador, mas não vejo que isso gere a necessidade de sobrestamento, já que tal fato não traz qualquer alteração no julgamento. Até porque conforme mencionado acima, passados 5 anos não se trouxe outras informações. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 3087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728371/2015-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
O CARF não tem competência para realizar retificações em declarações, mas sim para julgar recursos interpostos contra decisões de primeira instância do contencioso administrativo tributário federal.
Numero da decisão: 2202-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, não conhecer do recurso nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que conheceram do recurso e negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES Recorrente JOSE ASSARUHY FRANCO DE MORAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não tem competência para realizar retificações em declarações, mas sim para julgar recursos interpostos contra decisões de primeira instância do contencioso administrativo tributário federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, não conhecer do recurso nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que conheceram do recurso e negaram provimento. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 83 71 /2 01 5- 74 Fl. 63DF CARF MF 2 Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício 2014, ano calendário de 2013, decorrente do lançamento da dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 13.872,26. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Que o valor contestado referese aos pagamentos realizados em beneficio de sua companheira, com a qual coabita há mais de cinco anos. b) as despesas médicas estão comprovadas pelos recibos e demais documentos anexados à Impugnação, sendo eles: demonstrativo de pagamentos efetuados à Qualicorp (fls. 11); boletos bancários com respectivos comprovantes de pagamento (fls. 12/15). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à Impugnação (fls. 34/38), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS.CONDIÇÕES. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, as despesas médicas pagas em benefício do contribuinte titular ou de seus dependentes. LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatada a ocorrência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto em acórdão proferido por Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, é proferido novo acórdão em que se corrigem as inexatidões e que substitui o anterior integralmente Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 55/57). É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O artigo 35 da Lei nº 9.250/95 dispôs sobre aqueles que poderão ser considerados dependentes, nestes termos: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 12448.728371/201574 Acórdão n.º 2202004.349 S2C2T2 Fl. 64 3 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II – o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV – o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V – o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI – os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII – o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo O artigo 8º, inciso II, da mesma lei prevê as deduções das despesas efetuadas com "a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias" e, em seu §2º, inciso I, dispõe que os valores pagos a empresas destinados a cobertura de tratamentos médicos e ondotológicos também estão abrangidos pela dedução. Finalmente, no inciso II, do mencionado §2º determina que tais despesas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e dos seus dependentes. Confirase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Fl. 65DF CARF MF 4 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. (grifamos). A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: Assim, apesar de ter anexado o comprovante de pagamentos de fl. 11, emitido pela Qualicorp, comprovando que foi pago o valor de R$ 9.620,25 relativo às despesas médicas de Maria Lúcia de C. F. de Moraes, e ter anexado a certidão de casamento de fl. 16, comprovando que Maria Lúcia é sua cônjuge, assim como a declaração de fl.31, em que sua esposa informa que é sua dependente no plano de saúde, o contribuinte não informou seu nome como sua dependente em sua declaração de rendimentos. . É preciso ressaltar que o responsável pelas informações prestadas na declaração de ajuste anual é o declarante, que, assim, deve adotar as cautelas necessárias ao perfeito cumprimento da obrigação acessória. Portanto, verificase que a autoridade lançadora agiu corretamente ao considerar indevida a dedução da despesa médica relativa ao pagamento realizado em favor da Qualicorp,tendo em vista a legislação supracitada, que restringe a possibilidade de dedução apenas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, assim, como Maria Lúcia não foi informada como sua dependente, o valor de R$ 9.620,25 lançado como dedução de despesas médicas não pode ser acatado. 13. Em relação ao questionamento do valor de R$ 702,00, da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, alegando que a despesa médica foi de R$ 78,00 e não 780,00, tendo havido erro de digitação identificado após observação da Receita Federal,verificase que a fiscalização já considerou o valor de R$ 78,00 como despesa médica, em consonância com a alegação do contribuinte. Ressaltese que no quadro de pagamentos, de fl. 24, informados na DIRPF/2014, o contribuinte havia informado o valor de R$ 780,00, tendo sido glosado apenas 702.00,14. Em seu recurso voluntário o contribuinte alega que "a não inclusão da dependente na declaração, não ocorreu por eventual omissão do declarante e sim, porque, dentro da lógica do sistema que controla a operação das declarações no computador, é recursada a inserção dos dependentes quanto já existe declaração dos mesmos em separado. A legislação do Imposto de Renda fornece aos casais a opção de apresentar a DIRPF em conjunto ou separado. No caso de erro no preenchimento da declaração deve ser requerida, no prazo prescricional, a retificação da declaração. Isso porque este Colegiado não Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.728371/201574 Acórdão n.º 2202004.349 S2C2T2 Fl. 65 5 tem competência normativa para realizar retificações em declarações transmitidas pelos contribuinte, muito menos para nelas efetuar "lançamentos", estando adstrito, nos termos do art. 145 do CTN, a realizar reformas, caso necessário, nas decisões administrativas de primeiro grau do contencioso administrativo tributário federal. Além disso, tampouco é facultado à instância julgadora realizar retificações de ofício, sob demanda do contribuinte, em declarações que não mais estão abrigadas pela espontaneidade, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN. Procedimentos do gênero são, na verdade, de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdicione o sujeito passivo, e não do CARF. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935062/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 62 /2 00 9- 54 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.887, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935062/200954 Acórdão n.º 3402005.205 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 15467.720048/2012-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PENDENTE.
Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa dentro do prazo determinado por lei.
Numero da decisão: 1001-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PENDENTE. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa dentro do prazo determinado por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 7. 72 00 48 /2 01 2- 70 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 15467.720048/201270 Acórdão n.º 1001000.444 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 90 a 99) interposto contra o Acórdão nº 1248.251, proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 80 a 86), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PENDENTE. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa dentro do prazo determinado por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de impugnação apresentada em face de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, nº 00.04.79.65.12, com data de registro em 14/02/2012. 2. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, nos autos, à fl.27 do eprocesso, assim explicita o motivo do indeferimento: Estabelecimento CNPJ: 28.248.185/000177 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1)Débito: 313705011 2)Débito: 365975516 3)Débito: 365975524 4)Débito: 366978659 5)Débito: 368906450 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 15467.720048/201270 Acórdão n.º 1001000.444 S1C0T1 Fl. 4 3 6)Débito: 368906469 7)Débito: 392939444 3. A interessada, inconformada com o indeferimento, encaminhou, em 23/02/2012, a manifestação de inconformidade de fls.02/10 do eprocesso, instruída com os documentos de fls.31/71 do eprocesso, alegando, em síntese, que: Não obstante a todos sacrifícios o impugnante não conseguiu que sua opção pelo Simples Nacional fosse deferida, mesmo tendo cumprido todas as situações de impedimento em prazo, senão hábil, mas, pelo menos não por sua culpa como será demonstrado. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, Sr. Luiz Augusto do Couto Chagas Matrícula n°. 0002019, informa em seu relatório que o impugnante possui com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, débitos relativos a contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do Art. 11 da lei 8.212/1991, cujo exigibilidade não esta suspensa, fato que, data vénia, não reflete exatamente a verdade. No entanto, às pendências descritas no termo de indeferimento não correspondem à realidade, muito menos conferem com o Relatório de Pendências à opção pelo Simples Nacional, datado de 04/01/2010 (cópia em anexo) O impugnante quando fez sua simulação para enquadramento no Simples Nacional , ainda em dezembro de 2011, o relatório de pendências acusou alguns impostos federais, muito pouco que prontamente foram parcelados. Acusou também sete débitos previdenciários,sendo três oriundos de T.P (Intimação de Pagamento) com um período não muito grande, já inserido em dívida ativa. (...) Depois de andar pelos CACs do Rio de Janeiro( Méier, Campo Grande, Ipanema, Madureira, Barra, etc), finalmente o representante legal do impugnante devidamente agendado compareceu no dia 31/01/2012 no CAC da Barra da Tijuca e apresentou os três processos todos prontos há mais de 15 dias para tentar desesperadamente dar entrada nos parcelamentos, pagar as GPS e apresentar ao fiscal para a suspensão da exigibilidade do débitos. Isso entorno das 11: 00h. Foi ai que o fiscal que o atendeu Sr. Ronaldo, recusouse a dar trad nos parcelamentos alegando que não dava entrada em parcelamentos no último dia após às 12:00h e, por muitas suplicas do impugnante a chefe do setor Srª. Helida Arruda, Matrícula 0910344, foi chamada e acabou de vez com a pretensão, ou melhor, com a busca para regularizar seus débitos junto a fisco, que não são baixos. Não obstante, Sr. Delegado, o termino do prazo para regularização dos débitos o impugnante compareceu ao CAC do Méier. Finalmente conseguiu dar entrada nos parcelamentos com a funcionária Sr.aMaria de Fátima. Isto no dia 09/02/2012. No dia 10/02/2012 as 3 GPS foram quitadas. O vencimento era dia 13/02/2012. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 15467.720048/201270 Acórdão n.º 1001000.444 S1C0T1 Fl. 5 4 Quitadas as guias no dia 10/02/2012, o impugnante compareceu ao CAC do Méier no dia 13/02/2012 para comprovar os pagamentos das guias e foi atendido pela funcionária Sr.a Kátia que disse que não poderia comprovar as guias visto não ter sido ela quem deu entrada no parcelamento. (...) Finalmente, após todo sacrifício e pedido do impugnante, a funcionária Sr.a Kátia, atendeu o seu representante legal e comprovou as guias e protocolou os processos. Sr.a Kátia, uma alma bondosa, (cópia das GPS e processo em anexo). Como se observa Sr. Delegado, 4 débitos (*) já eram objetos de parcelamento anteriores e os demais foram, as duras penas, objeto de parcelamento, não por culpa do impugnante que estivera no CAC Méier, CAC Barra da Tijuca e CAC Ipanema, foram também parcelados no dia 14/02/2012, no CAC Méier. Dúvida não resta Sr. Delegado de que o Simples Nacional, foi idealizado para atender às Micros e Pequenas Empresas, tratando se, portanto, de um fim social e do bem comum, que é o caso da creche escola em questão, Tic Tic Tac Creche Ltda. Pelo exposto, pela verossimilhança dos argumentos do Impugnante, pelos documentos anexados, requer ao Timo. Sr. Dr. Delegado da Receita Federal do Brasil, que se digne de acolher a presente IMPUGNAÇÃO contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples (n° do recibo 00.04.79.65.12) que impediu o ingresso do Impugnante ao referido sistema de recolhimento de impostos simplificados, tendo em vista que o embasamento do Termo de Indeferimento em questão, não condiz com a verdadeira situação do impugnante junto ao INSS, carecendo portando do embasamento devendo por tal ser cancelado, por ser medida de Direito, e sobretudo de JUSTIÇA." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário lastreado nos mesmos argumentos já oferecidos em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 132DF CARF MF Processo nº 15467.720048/201270 Acórdão n.º 1001000.444 S1C0T1 Fl. 6 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 6. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional informa com clareza qual o débito que está impedindo a Contribuinte de ingressar na sistemática do Simples Nacional, pois não está com a exigibilidade suspensa. 7. A Contribuinte argumenta que "não conseguiu que sua opção pelo Simples Nacional fosse deferida, mesmo tendo cumprido todas as situações de impedimento em prazo, senão hábil, mas, pelo menos não por sua culpa como será demonstrado". 8. Alega, em síntese, que, não obstante às dificuldades encontradas, realatadas em sua peça impugnatória, que ocasionou o fim do prazo para regularização dos débitos, o Impugnante comparecendo ao CAC do Méier, "Finalmente conseguiu dar entrada nos parcelamentos com a funcionária Sr.aMaria de Fátima. Isto no dia 09/02/2012. No dia 10/02/2012 as 3 GPS foram quitadas. O vencimento era dia 13/02/2012". 9. Face às informações constantes da documentação apresentada, também confirmadas pelo sistema informatizado da Receita Federal, somente em 10/02/2012, com o efetivo recolhimento dos valores referentes aos parcelamentos dos débitos de natureza previdenciária, é que a empresa Manifestante regularizou as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, constantes do Termo de Indeferimento, referente à Solicitação de Opção do anocalendário de 2012. 10. No presente caso, a consulta ao sistema informatizado da RFB confirma não ter havido a regularização do débito dentro do prazo legal, pois, consta das telas DÍVIDA ATIVA – CONSULTA AS INFORMAÇÕES DO CRÉDITO, que os débitos 36.697.8659, 36.890.6450 e 36.890.6469, listados no Termo de Indeferimento, constam na Fase 781, com data da Fase em 14/02/2012, e através das telas CONSULTA AOS PAGAMENTOS DE UM CRÉDITO, confirmando a data da Fase 781 PARCELAMENTO CONVENCIONAL MANUAL, em 14/02/2012. 11. Assim sendo, a despeito das argumentações da empresa Manifestante, quanto à dificuldade com a qual se deparou ao pretender regularizar seus débitos, restou comprovado que referidos débitos foram regularizados fora do prazo legal. 12. Ressaltese que, vencido o prazo para solicitação da opção, em 31/01/2012, o Contribuinte não havia regularizado as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, relativas à solicitação de opção referente ao ano calendário 2012. 13. De acordo com a legislação vigente, o contribuinte pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção. 14. As vedações para ingresso ao Simples Nacional estão estabelecidas na Lei Complementar nº 123/2006, in verbis: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 15467.720048/201270 Acórdão n.º 1001000.444 S1C0T1 Fl. 7 6 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); II que tenha sócio domiciliado no exterior; III de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; IV (REVOGADO); V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS,ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. (grifos nossos). 15. A Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 assim dispõe: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (...) (grifos nossos) 16. Isto posto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, confirmando o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional nº 00.04.79.65.12, com data de registro em 14/02/2012. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15467.720048/201270 Acórdão n.º 1001000.444 S1C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720358/2014-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
LUCRO PRESUMIDO. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO.
É cabível o lançamento de ofício do imposto de renda devido, apurado com base nas receitas auferidas, constantes das notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica, quando esta deixar de declará-lo e/ou recolhê-lo aos cofres públicos.
EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM MATERIAL FORNECIDO PELA CONTRATADA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE.
No caso de contratação por empreitada de construção civil com fornecimento de materiais pela empreiteira, o percentual aplicado sobre a receita bruta auferida em cada período, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido, será de 8% (oito por cento).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO.
A sistemática e deliberada falta de declaração dos débitos, bem como de seu pagamento configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, com o objetivo de sonegação de tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS/Pasep
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes, no que couber, igual entendimento.
Numero da decisão: 1402-002.986
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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PEREIRA & CIA. LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LUCRO PRESUMIDO. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. É cabível o lançamento de ofício do imposto de renda devido, apurado com base nas receitas auferidas, constantes das notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica, quando esta deixar de declarálo e/ou recolhêlo aos cofres públicos. EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM MATERIAL FORNECIDO PELA CONTRATADA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. No caso de contratação por empreitada de construção civil com fornecimento de materiais pela empreiteira, o percentual aplicado sobre a receita bruta auferida em cada período, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido, será de 8% (oito por cento). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. A sistemática e deliberada falta de declaração dos débitos, bem como de seu pagamento configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, com o objetivo de sonegação de tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 03 58 /2 01 4- 98 Fl. 1164DF CARF MF 2 Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes, no que couber, igual entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.165 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário e de Ofício interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE, a impugnação da agora recorrente. Os valores exonerados e mantidos pela decisão a quo foram os seguintes: Exonerados os valores autuados de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, no montante do valor principal destes tributos de R$ 1.433.040,43. Tais valores estavam com imputação de multa qualificada (150%), que redundariam em R$ 2.149.560,65. Ambos os valores somados (tributo + multa) ficam em R$ 3.582.601,82, mais os juros aplicados sobre o principal; Exonerados os valores recolhimentos espontâneos antes de iniciado o procedimento fiscal, bem como a respectiva multa de ofício; Aproveitados os valores retidos em DIRFs, conforme demonstração no acórdão, que corresponde aos seguintes valores anuais (principal, valor histórico): IRPJ de R$ 130.939,73; CSLL de R$ 87.483,54; PIS de R$ 56.864,02; e Cofins de R$ 262.450,61; Mantidos a autuação fiscal nos valores de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis, no montante do valor principal destes tributos de R$ 3.151.378,04, mais a multa qualificada (150%) aplicada e juros aplicados sobre o principal. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ, e respectivos reflexos, quais sejam CSLL, Cofins e Pis, referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2010. Envolve o montante autuado de R$ 12.854.469,47, assim discriminado: Tributo Principal Multa 150% Juros Total IRPJ 1.811.057,01 2.716.585,52 549.095,78 5.076.738,31 CSLL 818.663,94 1.227.995,92 246.859,45 2.293.519,31 PIS 348.096,82 522.145,25 106.398,41 976.640,48 Cofins 1.606.600,70 2.409.901,08 491.069,59 4.507.571,37 Total 4.584.418,47 6.876.629,27 1.393.423,23 12.854.469,47 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até janeiro/2014 ) Fl. 1166DF CARF MF 4 As autuações fiscais se basearam em omissão de receitas, caracterizada pelo não oferecimento das mesmas à tributação, comprovadas através de notas fiscais de prestação de serviços da recorrente. Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente da verificação da existência, nos quatro trimestres do anocalendário de 2010, de receitas escrituradas e não declaradas, conforme Relatório Fiscal, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 3° da Lei n° 9.249, de 1995, e aos artigos 518 e 519 do RIR/1999. Os Autos de Infração relativos à CSLL, à COFINS e ao PIS decorreram do Auto de Infração de IRPJ e a descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse, respectivamente, às fls. 20 a 21, 32 a 33 e 39 a 40. No Relatório Fiscal, às fls. 623 a 626, a Autuante declarou, em síntese, que: a empresa foi aberta em julho de 1973 e tem como atividade principal "Construção de rodovias e ferrovias", além de outras secundárias, de acordo com a CNAE cadastrada nos sistemas da RFB. Durante esta fiscalização, foram emitidos os seguintes termos: 1) Termo de Início de Procedimento Fiscal, recebido em 08/04/2013; 2) Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal n° 001, recebido em 07/06/2013; 3) Termo de Intimação Fiscal n° 002, recebido em 02/08/2013; 4) Termo de Intimação Fiscal n° 003, recebido em 26/08/2013; 5) Termo de Intimação Fiscal n° 004, recebido em 17/09/2013; 6) Termo de Intimação Fiscal n° 005, recebido em 13/11/2013; 7) Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal, recebido em 10/01/2014; a empresa foi selecionada para a fiscalização em virtude de divergências entre o que foi declarado em DIPJ, DCTF e Dacon e o que foi repassado pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de Maceió/Alagoas, através do sistema GISSONLINE Gerenciamento Eletrônico do ISS do ano de 2010. A empresa declarou valores totalmente incompatíveis com o declarado à RFB e também em relação ao informado pelos tomadores de serviços na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF); a fiscalização intimou a empresa (TIF n° 004) a apresentar os contratos de prestação de serviços e as respectivas notas fiscais relativas ao ano de 2010, para comprovar se nos serviços houve utilização de materiais fornecidos pela empresa, pois na DIPJ a base de cálculo foi apurada utilizandose o percentual de 8%, que se refere à prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais, enquanto o percentual do lucro presumido quando não há fornecimento de materiais é de 32%; apesar de o Livro Caixa não apresentar toda a movimentação financeira da empresa, não se procedeu ao arbitramento do lucro, conforme art. 530, III, do RIR/99, pois foi possível lançar o imposto e as contribuições devidas através das notas fiscais apresentadas, confrontandoas com a GISSONLINE. Ressaltese que a nota fiscal n° 39A, emitida em 01/06/2010, para o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado, no valor de R$531.997,97, considerada pela empresa como cancelada, foi incluída no levantamento fiscal, no mês da sua emissão, pois aparece como válida na relação da GISSONLINE, não havendo nenhum registro de cancelamento posterior e a empresa também não apresentou todas as vias da nota para confirmar o cancelamento. Segue em anexo a relação das notas fiscais Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.166 5 utilizadas no levantamento fiscal, discriminandose o coeficiente do IRPJ utilizado para cada uma delas, de 8% ou 32%, conforme o fornecimento ou não de materiais por parte da empresa; também através do TIF n° 004, intimouse a empresa a proceder à retificação das DCTF, para que fossem declarados os recolhimentos efetuados antes do início do procedimento fiscal, que não tinham sido declarados, de acordo com o art. 9°, §4°, da IN RFB n° 1.110, de 24/12/2010, sob pena desses recolhimentos não serem considerados. A empresa apresentou DCTF retificadoras em 27/09/2013 e incluiu débitos não correspondentes aos recolhimentos efetuados. Como o inciso II do §2° do art. 9° da citada IN deixa claro que não serão consideradas as DCTF que alteram os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal, não foram considerados nesse levantamento, portanto, os valores recolhidos pela empresa antes do procedimento fiscal, pois eles continuaram não declarados, já que as DCTF retificadoras não produziram efeitos; em relação ao IR retido na fonte, CSLL retida, Cofins retida e PIS retido, só foram considerados os valores discriminados nas notas fiscais. Sobre os valores do imposto e contribuições exigidos em decorrência da omissão de receitas, foram aplicadas multas de lançamento de ofício de 150%, de acordo com o §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007, visto que as condutas relatadas demonstram o propósito deliberado de sonegar tributos ao apresentar declarações com valores muito abaixo dos constantes da GISSONLINE, impedindo o conhecimento dos fatos geradores por parte do Fisco Federal. Por motivo semelhante, o contribuinte já foi autuado anteriormente, por fatos ocorridos nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme processos administrativos de n° 10410.721512/201015 e 10410.723637/201161, respectivamente. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Às fls. 634 a 648, a pessoa jurídica apresentou impugnação aos Autos de Infração, alegando, em resumo, que: primeiramente, relaciona todos os termos de intimação recebidos, os livros, documentos e esclarecimentos solicitados, além de tudo o que foi apresentado ao Fisco. Para a composição dos créditos tributários relativos aos Autos de Infração lavrados, foram imputadas multas de 150%, o que fere a todos os princípios constitucionais (transcreve decisões do CARF sobre o tema). Sobre o mesmo assunto transcreve julgado do STF; salientese que todas as receitas foram devidamente declaradas na DIPJ, no prazo legal. Na finalização da ação fiscal há mais um erro grotesco. Na Descrição dos Fatos do IRPJ citase como omitida parte da receita, o que sujeitaria este contribuinte à penalidade confiscatória de 150%. Outro equívoco foi a majoração da base de cálculo para 32%, erro este inaceitável. Há uma discrepância entre o valor apontado pela Fiscalização e o valor real declarado através das notas fiscais de serviços emitidas, e não há recebimento ou prestação de serviços sem que haja a Fl. 1168DF CARF MF 6 emissão da devida nota fiscal. Isso resta comprovado pela anexação, durante a ação fiscal, de todos os nossos contratos de prestação de serviços; foi feita uma separação das receitas, na apuração do IRPJ, como se uma parte delas fosse tributada à base de 8% (com aplicação de materiais) e outra parte à base de 32% (sem aplicação de materiais). Ora, não existe em nossos contratos prestação de serviços sem a aplicação de materiais. Exemplo disso é a primeira nota fiscal relacionada pela fiscalização como sendo sujeita à base de 32%, que é a 4A, emitida contra o DNIT, cujo contrato trata da "Restauração e Adequação da Rodovia BR 101 Alagoas. É uma receita sujeita à base de 8%, pois há aplicação de materiais por conta da contratada, no caso, esta contribuinte. Essas falhas prosseguem em todas as demais notas fiscais, como por exemplo a 48A, também emitida contra o DNIT, e a 63A, contra a Prefeitura Municipal de Cajueiro, cuja obra é recapeamento asfáltico; na apuração da CSLL, foram cometidos os mesmos equívocos, sendo a base de cálculo aplicada no percentual de 32%, quando na realidade seria de 8%, por ser todo o serviço realizado com a aplicação de materiais próprios da contratada. Quando da apuração da Cofins e do PIS, acontecem os mesmos erros nos valores das receitas ocorridos na apuração do IRPJ e da CSLL, em que o somatório das receitas mensais estão diferentes do efetivamente auferido nas atividades da empresa, gerando assim valores que não condizem com a realidade; os valores levantados pela fiscalização não levaram em consideração as retenções na fonte dos tributos PIS, Cofins, IR e CSLL, declarados pelos tomadores de serviços. Isso pode ser verificado na DIRF em poder da Receita Federal. A razão da desconsideração teve como premissa a não escrituração na nota fiscal dos valores retidos, o que contraria o entendimento dessa corte e prejudica a manutenção das atividades da contribuinte, uma vez onerado o valor da presente autuação. Em anexo, enviamos extrato de informações apresentadas em DIRF do anocalendário de 2010, emitido pela RFB, em cujo banco de dados existem de forma bem mais detalhada; este contribuinte, além de ser submetido aos equívocos da presente autuação, ainda está sendo penalizado com o agravante da multa de 150%, considerada confiscatória em todas as cortes, que não foi relacionada em nenhum momento, seja no conteúdo do Auto de Infração, seja no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Pede então que seja desconsiderada a multa de 150%, e alterada para 20%, em caso de nulidade desta impugnação. Pede ainda seja reformada a autuação para os valores corretos, correspondentes às receitas reais, bem como modificadas as bases de cálculo para as corretas, de 8%. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 649 a 1004. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem manter DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.167 7 Anocalendário: 2010 LUCRO PRESUMIDO. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. É cabível o lançamento de ofício do imposto de renda devido, apurado com base nas receitas auferidas, constantes das notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica, quando esta deixar de declarálo e/ou recolhêlo aos cofres públicos. EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM MATERIAL FORNECIDO PELA CONTRATADA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. No caso de contratação por empreitada de construção civil com fornecimento de materiais pela empreiteira, o percentual aplicado sobre a receita bruta auferida em cada período, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido, será de 8% (oito por cento). IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DIRF. DEDUÇÃO. Restando comprovada, por meio de DIRF apresentadas pelos tomadores dos serviços prestados pela Autuada, a retenção de imposto de renda na fonte, cabe sua dedução no cálculo do imposto apurado de ofício, desde que o referido rendimento tenha sido devidamente tributado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. A sistemática e deliberada falta de declaração dos débitos, bem como de seu pagamento configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, com o objetivo de sonegação de tributos, sujeitando a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. IMPOSTO NÃO DECLARADO EM DCTF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Deve ser exonerada a multa de ofício incidente sobre parcela do débito apurado de ofício, não declarada em DCTF, correspondente aos recolhimentos efetuados antes do início do procedimento fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos Fl. 1170DF CARF MF 8 lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes, no que couber, igual entendimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: foram informadas receitas (na DIPJ), em cada um dos trimestres do ano calendário, no valor de apenas R$100.000,00, valor este bastante inferior ao registrado tanto nos arquivos do sistema de Gerenciamento Eletrônico do ISS (GISSONLINE), fornecidos pela Prefeitura de Maceió (fls. 473 a 496), como no Livro Caixa da empresa (fls. 498 a 514), como também no Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados da Construção Civil (fls. 530 a 548). O lançamento fiscal fundamentouse, então, nos valores registrados nas próprias notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela Contribuinte (fls. 66 a 230), emitidas no ano de 2010. O resumo das informações contidas nas aludidas notas fiscais consta da planilha de fls. 627 a 630. os contratos apresentados pela recorrente, com exceção de um único (não apresentado), estão incluídos no valor total contratado os custos diretos e indiretos requeridos para a execução da obras e serviços, o que envolveria o emprego de materiais. Logo, alterouse o percentual da base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido para 8%. O fato de não estar claramente identificado nas notas fiscais o emprego de materiais, não seria o suficiente para desconfigurálo e atribuir o percentual de 32%, visto que as notas fiscais se reportam a obras contratadas com o fornecimento de materiais pela empresa contratada; as DIRFs se revestem da condição de importantes meio de prova para provar a retenção de tributos na fonte, efetuada pelos tomadores dos serviços prestados pela recorrente. Assim, em princípio, os valores retidos na fonte constantes dessas DIRFs serão considerados, desde que os rendimentos correspondentes não excedam as receitas agora submetidas à tributação. Destarte, deduziuse valores, conforme demonstrado em planilha no v. acórdão recorrido; quanto à multa qualificada, por considerála confiscatória, não cabe sua discussão na via administrativa, em obediência às disposições legais. E no presente caso, justificada a qualificação da multa, pois foi informado em DIPJ valor bem inferior às receitas efetivamente auferidas, havendo caráter reiterativo do ilícito cometido, por autuações em anos anteriores por fatos semelhantes; quanto aos valores recolhidos antes de iniciado o procedimento fiscal, não houve sua declaração em DCTF, e ao ser intimado a retificála, houve a inclusão de outros débitos não correspondentes aos valores recolhidos, o que impediu a DCTF retificadora de surtir efeitos. Por conseguinte, houve a constituição de todo o crédito tributário de ofício, sem considerar os recolhimentos efetuados antes do início do procedimento fiscal. Contudo, é cabível a exoneração da multa de ofício incidente sobre esta parcela, bem como a alocação dos aludidos recolhimentos aos débitos remanescentes decorrentes desta decisão. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.168 9 Do Recurso Voluntário: A recorrente apresentou recurso voluntário, que, em apertada síntese, destacase o seguinte: alega da necessidade de manutenção do acórdão recorrido quanto à base de cálculo de 8% e quanto à consideração dos valores retidos pelas fontes pagadoras, ou seja, pela improcedência do recurso de ofício; alega da indevida inclusão dos valores oriundos da NF 39 na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referente ao exercício de 2010. Ocorrência de evidente bis in idem. Necessidade de expurgar tais valores (R$531.997,97) das respectivas bases de cálculo dos referidos tributos, bem como da realização de perícia a fim de apurar a incidência de outros equívocos na autuação fiscal da mesma natureza. Argumenta que a NF 39 foi substituída pela NF 44, o que se poderia confirmar pelo simples cotejo entre ambas; com a entrega das DCTFs retificadoras, correspondentes ao ano de 2010, houve a reaquisição da espontaneidade, pois entre uma comunicação formal à recorrente e outra, decorreram mais de 60 dias; a multa qualificada é inadequada, pois há ausência de sonegação, fraude ou conluio. Recorre à súmula 14 do Carf, que se aplicaria plenamente ao presente caso. Igualmente, em seu benefício, durante o procedimento fiscal, retificou as DCTFs, numa demonstração que não visou fraudar, impedir ou retardar o conhecimento da fiscalização em relação à prática de fatos geradores de tributos. do seu pedido: I Receber e conhecer o presente recurso voluntário, face o seu cabimento e tempestividade; II Julgar totalmente improcedente o recurso de ofício e procedente o presente recurso voluntário para fins de (i) expurgar o valor da Nota Fiscal 39 (R$531.997,97) da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentemente ao exercício de 2010, devendo repercutir sobre o valor da multa aplicada e respectivos juros; (ii) deferir a realização de perícia para fins de apurar o real alcance das hipóteses em que sobre um mesmo fato gerador houve a dupla tributação (bis in idem), assim como ocorreu com a NF 39 substituída pela NF 44, mas não informada no sistema GISSONLINE da SMF de Maceió; (iii) afaste a responsabilidade pela reaquisição da denúncia espontânea, tendo em vista que entre uma comunicação formal ao contribuinte e outra, decorreram mais de 60 (sessenta) dias no curso do procedimento fiscal e que a recorrente procedeu com as retificações antes das lavraturas dos respectivos autos de infração; e (iv) subsidiariamente ao pleito retro, promover o re enquadramento da multa qualificada aplicada em todos os quatro autos de infração para o percentual normal previsto no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996. Fl. 1172DF CARF MF 10 Por fim, e por excesso de cautela, convém reiterar o pleito feito no corpo do presente recurso no sentido de que sejam efetivamente considerados e deduzidos, quando da apuração final, a totalidade dos valores dos tributos efetivamente retidos pelos tomadores de serviços, valores estes que se encontram devidamente descritos nas planilhas de fls. 1020 e 1021 do processo administrativo. É o relatório. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.169 11 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço, e quanto ao Recurso de Ofício atende os requisitos atualmente vigentes fixados na Portaria MF nº 63/2017, no que tange ao montante exonerado de tributo e multa, pelo que dele conheço. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre uma autuação fiscal de omissão de receitas relativa ao anocalendário de 2010, referente a apuração de notas fiscais de prestação de serviços, apuradas em decorrência da apresentação da própria recorrente, e de verificação de informações repassadas pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de Maceió, Alagoas, constantes do sistema de Gerenciamento Eletrônico do ISS (GISSONLINE), e de informações em DIRFs de terceiros, que não foram declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo aplicado a multa qualificada nesta omissão. Na sua impugnação, a recorrente alegou que declarou todas suas receitas, e a multa de 150% fere princípios constitucionais. Diz que em todos os seus contratos está prevista a prestação de serviços com aplicação de materiais, o que deveria ser usado na autuação o coeficiente de 8%, e não os 32% usados pela autoridade fiscal. Reclamou que deveriam ter sido consideradas as retenções na fonte dos tributos declarados em DIRF pelos tomadores de serviços. Na decisão a quo, contestou a informação que teria declarado suas receitas auferidas no período, e sim declarados R$ 100.000,00 por trimestre, bem inferior ao constatado pela autoridade fiscal. Contudo, considerou que os contratos de prestações de serviços deveriam ser analisados em conjunto com as notas fiscais para avaliar se houve ou não fornecimento de materiais, o que considerou que houve sim o fornecimento, alterando o coeficiente autuado de 32% para 8%. No que tange às retenções de tributos na fonte, entendeu que a DIRF se reveste das características necessárias probatórias, e entendeu que tais valores devem ser considerados para deduzir da autuação fiscal. Quanto à qualificação, entendeu que estão preenchidos os requisitos para sua aplicação e manutenção, excluindoa apenas dos valores recolhidos antes de iniciado o procedimento fiscal. No seu recurso voluntário, a recorrente alega da necessidade de manter o decidido quanto ao v. acórdão no que lhe foi acatado. Igualmente, há o erro de inclusão da NF 39, que teria sido cancelada e substituída pela NF 44, de mesmo valor e termos. Haveria entregue DCTFs retificadoras, que perfez sua reaquisição de espontaneidade, em virtude de transcurso de mais de 60 dias entre uma intimação fiscal e outra, e a multa qualificada é indevida. Fl. 1174DF CARF MF 12 Do mérito: quanto ao recurso de ofício: Na decisão a quo, houve a exoneração de parte da autuação fiscal aplicada sobre a recorrente, nas seguintes matérias: alteração da atividade de prestações de serviços para com fornecimento de materiais, o que no presumido (forma de tributação da recorrente) alteraria o percentual de 32% (aplicado pela autoridade fiscal) para 8% na base de cálculo de apuração do IRPJ e respectivos reflexos; aproveitamento e dedução dos valores retidos em DIRF, conforme informados por terceiros; e exoneração da multa qualificada sobre os valores recolhidos espontaneamente pela recorrente (antes do início do procedimento fiscal). Quanto a base de cálculo do imposto apurado pelo lucro presumido, observa se à fls. 627 a 630 uma planilha que se verifica o critério utilizado para cada nota fiscal, e respectiva alocação. Baseouse na discriminação dos serviços que consta em cada uma das notas fiscais emitidas pela recorrente, e ali se vislumbra que utilizou, de acordo com a discriminação, a aplicação de coeficientes de 8% ou 32%. Em anexo à autuação fiscal (fls. 235 a 468), há os contratos referentes aos serviços prestados e discriminados nas notas fiscais supracitadas. Todos apresentados pela recorrente. Numa análise dos mesmos, consta como objeto do contrato exemplificando, o primeiro a fl. 235 do tipo : obrigase a contratada por força deste instrumento, a executar as obras e serviços de restauração .... Tal contrato, no que tange à nota fiscal correspondente, parcial, no anocalendário em foco, foi considerado como 8%. Contudo, analisandoo, e, seguindo o mesmo raciocínio do v. acórdão recorrido, há indicativos muito fortes de que se trata de um contrato de empreitada global, ou seja, valor recebido pela obra em sua totalidade, incluindo os custos de material aplicados. Nada fala do contratante fornecer material para execução dos serviços. Analisando os demais contratos, e as respectivas notas fiscais, fica impossível dissociálos numa análise, devendo ser avaliados conjuntamente. A discriminação do serviço prestado na nota fiscal, para avaliar se houve emprego de materiais ou não, não deveria ser o bastante para se decidir aqui. Devese buscar a análise dos contratos, e o perfil da atividade desenvolvida. Ademais, analisando o contexto geral da autuação, verificase que a recorrente já foi autuada em anos anteriores, por fatos ocorridos nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme processos administrativos de n° 10410.721512/201015 e 10410.723637/2011 61, respectivamente. Analisandose estas autuações, notase que nestes há uma análise também de qual coeficiente a ser aplicado quando da apuração da receita omitida, e ali, houve até circularização junto aos contratantes para esclarecer este ponto. A decisão, retirando uma situação peculiar de um contrato que não está elencado atualmente, e nem uma nota fiscal respectiva, foi no sentido de que houve o emprego de material e manutenção dos 8% para apuração da base de cálculo do lucro presumido. Destarte, entendo que cabível o entendimento aplicado pelo v. acórdão recorrido neste ponto do coeficiente de apuração do lucro presumido, negandose o recurso de ofício. Quanto ao aproveitamento e dedução dos valores retidos em DIRF, conforme informados por terceiros, acompanho o raciocínio espelhado no v. acórdão recorrido, no Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.170 13 sentido de que a DIRF se reveste de um meio probatório o bastante para serem consideradas. Elas discriminam os tributos retidos e seus valores, e qual data do pagamento, e são informações prestadas por um terceiro, a princípio, idôneas, pois estes terceiros passam a assumir o papel de responsáveis pelo recolhimento destes valores retidos de quando ocorre a retenção, o que fica mais visível a autoridade fiscal quando entregam a DIRF correspondente. Inclusive, o prazo de entrega da DIRF é anterior ao período da entrega da DIPJ (no caso de pessoa jurídica) para que possibilite o cotejo destas informações de forma oportuna à Secretaria da Receita Federal. Destarte, considerar estes valores declarados em DIRF de terceiros para deduzir dos valores apurados a pagar com base nos valores globais de nota fiscal é o correto. A autoridade fiscal, quando da autuação, considerou apenas os valores retidos destacados em nota fiscal, e a recorrente se insurgiu quanto a isso, pois haveria valores não destacados em nota fiscal que foram retidos e informados em DIRF. A autoridade julgadora da decisão a quo, acatando este argumento da recorrente, analisou as receitas do código associado a prestação de serviços da recorrente, excluindo os códigos decorrentes de aplicações financeiras. Cotejou estes valores com os valores destacados de retenções considerados nas notas fiscais, para evitar a dupla dedução, e limitou os rendimentos correspondentes a estas retenções às receitas autuadas. Analisando este procedimento da autoridade julgadora a quo, tanto no que tange a suas premissas e como operacionalizou, não vislumbro nenhum reparo, negando o recurso de ofício neste quesito. Quanto à exoneração da multa qualificada sobre os valores recolhidos espontaneamente pela recorrente (antes do início do procedimento fiscal), cabe observar o ocorrido. A autoridade fiscal, ainda na fase do procedimento fiscal, identificou terem ocorrido recolhimentos de alguns tributos, mas que não foram declarados em DCTF. Para tanto, intimou a recorrente a apresentou a retificação da DCTF, e o fez, contudo, incluindo outros valores nesta declaração, além dos recolhimentos da intimação. A autoridade fiscal entendeu que tal postura foi indevido, e nos termos da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 20101, no seu artigo 9º, § 2º, que tal DCTF retificadora não surtiu qualquer efeito, efetuando a constituição de todo o crédito tributário conforme apurado no procedimento fiscal, sem considerar os recolhimentos efetuados espontaneamente e antes do início do procedimento fiscal. Entretanto, tais valores, em respeito à verdade material, e ocorrendo a proteção da Fazenda Nacional quanto a sua vinculação, deveriam ter sido excluídos da base 1 Art. 9° A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...). § 2° A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: (...) II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...). § 4°Na hipótese do inciso II do § 2°, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7°. Fl. 1176DF CARF MF 14 tributável que se aplicou a muita qualificada que ora fora aplicada. Como orientado na decisão a quo, tais valores pagos, anteriormente à autuação fiscal, devem ser alocados aos débitos remanescentes da decisão a quo. Assim, de resto e finalmente, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso de ofício, acatando o decidido quanto às exonerações aplicadas na v. decisão recorrida. quanto ao recurso voluntário: 1. do alegado erro de inclusão da NF 39A, que teria sido cancelada Na sua peça recursal, a recorrente alega que os valores referente a nota fiscal nº 39A foram incluídas no cômputo total da base de cálculo dos tributos autuados, enquanto fora na realidade cancelada. O valor envolvido é de R$ 531.997,97. Na planilha de apuração dos valores, que acompanha o relatório fiscal lavrado pela autoridade fiscal, consta tal nota fiscal, datada de 01/06/2010, cujo tomador de serviços é DER Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Alagoas CNPJ 12.201.034/000123, com a discriminação de serviços de ".Serv de Melhoramentos da Rod AL 220". Alega a recorrente na sua peça recursal o seguinte: Ocorre que a empresa recorrente teve a necessidade de emitir nova nota fiscal (NF 44), com data de emissão posterior à NF 39, em razão de problemas no empenho dos valores relacionados ao pagamento do serviço prestado. Houve, portanto, nesse caso e em muitos outros a necessidade de serem lançadas novas notas fiscais por problemas de empenhos e nas respectivas datas de pagamentos, divergências em cálculos de medições, entre outros fatores, sem que isso tenha sido perfeitamente informado no sistema GISSONLINE da Secretaria de Finanças de Maceió, destacandose, sobretudo, que constam nos presentes autos diversos contratos administrativos da empresa recorrente com órgãos públicos contratantes de seus serviços, já que correspondem a sua principal fonte pagadora. A autoridade fiscal já recebera tal argumento durante o procedimento fiscal, e registrou tal pleito da recorrente e o motivo que mantivera tal nota fiscal 39A no cômputo geral, nos seguintes termos: Cabe ressaltar que a nota fiscal n° 39A emitida em 01/06/2010 para o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado, no valor de R$ 531.997,97, que a empresa considerou como cancelada, foi incluída no levantamento fiscal no mês da sua emissão, pois ela aparece como válida na relação da GISSONLINE fornecida pela Prefeitura Municipal de Maceió na data da prestação do serviço em 31/03/2010, não aparecendo nenhum registro de cancelamento posterior na tal relação e a empresa também não apresentou todas as vias emitidas da nota para confirmar o cancelamento. Primeiramente, cabe destacar que não houve nenhuma alegação de tal fato na fase impugnatória, o que per si, já poderia definir como incontroverso tal pleito neste fase recursal. Contudo, em respeito à busca da verdade material, perpasso a análise da recorrente, para me posicionar. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.171 15 Primeiramente, analisando a nota fiscal 44A, vislumbrase que tem a mesma discriminação da nota fiscal 39A Serv de Melhoramentos da Rod AL 220, com esta sendo emitida em 01/06/2010, e aquela emitida em 08/06/2010. Ambas emitidas pelo mesmo contratante. Compulsando o processo, em relação aos contratos apostos que deram origem às notas fiscais objeto da presente autuação fiscal, identificase 2 contratos com a DER CNPJ 12.201.034/000123, que envolvem obras na rodovia AL220. Um a fls. 345 e segs Contrato nº 101/2006. que envolve o montante de R$ 23.247.176,05, e outro a fls. 362 e segs Contrato nº 129/2002, que envolve o montante de R$ 1.295.161,70. Ou seja, se o valor da nota fiscal envolve tais contratos, há valor muito substancial, havendo a possibilidade de ambas notas fiscais (39A e 44A) existirem e serem válidas. Na sua peça recursal, apresentou apenas as alegações, e uma cópia da nota 39A, com a escrita a mão de "cancelada". Nada mais foi aposto. Poderia ter trazido outros elementos comprobatórios, mas não o fez. A autoridade fiscal manteve a nota fiscal 39A pelo motivo supramencionado, de que ela aparece como válida na relação da GISSONLINE fornecida pela Prefeitura Municipal de Maceió na data da prestação do serviço em 31/03/2010, não aparecendo nenhum registro de cancelamento posterior na tal relação e a empresa também não apresentou todas as vias emitidas da nota para confirmar o cancelamento. Ou seja, a fiscalização ocorreu em ao longo do ano de 2013, encerrandose em 05/02/2014, referente a um período, anocalendário, de 2010. E neste período todo não regularizou a situação desta nota fiscal nos sistemas e declarações do fisco municipal de Maceió. E quando oportunidade na fiscalização de demonstração de forma cabal que era uma nota cancelada (a de 39A), não o fez adequadamente, e agora, na sua peça recursal ressurge com o assunto não abordado na sua impugnação, sem trazer nada novo, apenas a coincidência de valor e discriminação. Baseado nos elementos apresentados, não vislumbro condições de considerar a 39A como realmente cancelada, e o recorrente não logrou comprovar algo, que a princípio, é bem simples de comprovar, tipo o histórico dos recebimentos do órgão contratante, ou pagamentos recebidos, etc. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO quanto a tal item do recurso voluntário. 2. da alegada reaquisição de espontaneidade Na sua peça recursal, a recorrente alega que houve a reaquisição de espontaneidade, por conta da DCTFs retificadoras apresentados ainda no transcorrer do procedimento fiscal, por provocação da autoridade fiscal. Fl. 1178DF CARF MF 16 A reaquisição da espontaneidade transcorrese após 60 dias sem o contribuinte ter sido cientificado por qualquer ato do prosseguimento dos trabalhos fiscais, nos termos do art. 138 do CTN2, conjugado com artigo 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/723. Ou seja, para se falar em reaquisição de espontaneidade, necessário preencher os requisitos destes dois ditames legais. O primeiro critério, e do qual se parte para os demais, é se houve o transcurso de mais de 60 dias entre um ato escrito qualquer e outro, que indicasse o prosseguimento da fiscalização. Na sua peça recursal, a recorrente é vaga nesta análise, comentando genericamente que promoveu as retificações das DCTFs correspondente ao ano calendário de 2010, e que entre uma comunicação formal ao contribuinte e outra, decorreram mais de 60 (sessenta) dias. E cita jurisprudência deste Conselho a respeito. Nada mais apôs ou aprofundou, nem dizendo quando ocorreu o transcurso de mais de 60 dias. De qualquer forma, façase uma análise pertinente. Compulsando os autos, de fls. 47 e seguintes, há todas os termos emitidos pela fiscalização, e todos atendem o requisito de ciência entre cada um num intervalo máximo de 60 dias. Conforme lista abaixo: · Termo de Início de Procedimento Fiscal ciência em 08/04/2013 · Termo de Continuidade de Procedimento Fiscal ciência em 07/06/2013 (60 dias de transcurso o único neste limite) · Termos de Intimação Fiscal 2, 3, 4 e 5 ciências em 02/08/2013, 26/08/2013, 17/09/2013, 13/11/2013 nitidamente todos inferiores a 60 dias. · Termo de Continuidade de Procedimento Fiscal ciência em 10/01/2014 58 dias de transcurso do prazo. · E Autuação Fiscal, cientificada em 05/02/2014. Ou seja, não houve nenhum intervalo de tempo superior a 60 dias, para aplicação da reaquisição de espontaneidade. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.172 17 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO quanto a tal item do recurso voluntário. 3. da alegação de indevida a qualificação da multa Na sua peça recursal, a recorrente alega que a autuação fiscal é um caso que não se aplica o artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996, pois não seria um caso de sonegação, fraude ou conluio. Nos seus termos, da peça recursal: Percebam, Doutos Conselheiros, que tanto não existe qualquer prática dolosa ou intenção fraudulenta da empresa recorrente que justifique a qualificação da penalidade, que a fiscalização sequer conseguiu apontar precisamente, muito menos comprovar efetivamente, a existência deste tipo de conduta, limitandose simplesmente a afirmar que a contribuinte visou impedir ou retardar que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do fato gerador. Para reforçar seu ponto de vista, traz algumas ementas de decisões deste CARF, e a ressalta a disposição da súmula 14 do CARF, que entende aplicável ao presente caso. E para concluir, ao promover as retificações das DCTFs, demonstrou que não pretendeu fraudar, impedir ou retardar o conhecimento da fiscalização em relação à prática de fatos geradores de tributos. A autoridade fiscal autuante argumentou com base nos seguintes elementos: Sobre os valores do imposto e das contribuições exigidos em decorrência da omissão de receitas foram aplicadas multas de lançamento de ofício de 150%, de acordo com o disposto no § 1o do art. 44 da Lei 9.430 de 27/12/1996, com a redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007, porque as condutas relatadas neste Termo demonstram o propósito deliberado de sonegar impostos e contribuições arrecadados pela Receita Federal do Brasil ao apresentar declarações com valores muito abaixo daqueles constantes da GISSONLINE, desse modo impedindo o conhecimento dos fatos geradores por parte do Fisco Federal. Por motivo semelhante o contribuinte já foi autuado anteriormente por fatos ocorridos no anocalendário 2007, através do processo administrativo n° 10410.721512/201015 e por fatos ocorridos no anocalendário 2008 através do processo administrativo n° 10410.723637/201161. Analisando o acima exposto, preliminarmente cabe destacar que as ementas que a recorrente apresenta para reforçar sua alegação não se mostram claras o bastante para avaliar se o ocorrido naqueles processos são casos praticamente idênticos ao presente. Há, na primeira ementa, por exemplo, um caso de depósitos bancários sobre uma pessoa física. Na segunda ementa uma questão envolvendo fraude com grupo econômico. Ou seja, terseia que avaliar todo o conteúdo da matéria em litígio naqueles processos para verificar se exatamente compatíveis com o presente, e mesmo assim, não criam vinculação a este julgamento. Fl. 1180DF CARF MF 18 No caso da súmula 14 deste CARF, há no seu contexto a expressão a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ter seia que avaliar se no presente caso, há o ali explicitado e abrigado por esta súmula. Primeiramente, a recorrente declarou no anocalendário de 2010, declarou como rendimentos em cada trimestre o valor de R$ 100.000,00, o que dá no total anual de R$ 400.000,00. A fiscalização apurou o montante de receitas operacionais de R$ 55.182.599,36. Notase a gritante diferença entre o declarado nas obrigações acessórias para a União, e o realmente apurado. Destacase que o apurado no encerramento do procedimento fiscal foi declarado à Secretaria Municipal de Finanças de Maceió, de qual foi um dos suportes comprobatórios a autuação fiscal. Neste caso, houve a preocupação com o fisco municipal, e uma certa negligência com o fisco federal. E só depois de iniciar o procedimento fiscal que a recorrente resolve retificar as DCTFs, mesmo assim, provocada por uma intimação fiscal para tentar regularizar os valores espontaneamente recolhidos antes do início do procedimento fiscal, a qual, no entender da autoridade fiscal deveriam estar declarados em DCTF para o seu devido aproveitamento. Neste azo, tentou incluir mais valores, sabendo que probatoriamente não teria muito que contestar as suas receitas apuradas nos sistemas de controle da cidade de qual é contribuinte do ISS. Todo este contexto encontrado foi remetido pela autoridade fiscal quando da qualificação, e explicação do porquê desta aplicação à recorrente. A recorrente alega que tal conduta não foi comprovada, mas os fatos falam por si. Há uma nítida intenção de impedir, ou retardar, que a autoridade fiscal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ocultando suas receitas nas informações das obrigações acessórias prestadas à Secretaria Receita Federal, e pagando os tributos como se o informado fosse o válido. Iniciado o procedimento fiscal, e quis gerar uma ideia de colaboração, mas a legislação é bem clara neste ponto. Ademais, há o aspecto contextual relevante, que a recorrente já sofrera outras duas autuações referente aos anoscalendário de 2008 e 2009, o que demonstra um caráter reiterativo da sua conduta, apostando novamente, de certa maneira, na hipótese de não ser fiscalizada, o que teria grande benefícios tributários. No caso, não vislumbro uma simples omissão de receitas, e há uma demonstração do intuito de fraude da recorrente, só amenizado porque houve a abertura de procedimento fiscal. Neste caso, não vislumbro a aplicação da súmula 14 deste CARF a este caso. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO quanto a tal item do recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO integrais, tanto ao recurso de ofício quanto ao recurso voluntário, mantendo incólume o decidido no v. acórdão a quo. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10410.720358/201498 Acórdão n.º 1402002.986 S1C4T2 Fl. 1.173 19 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 1182DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.002170/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005
RESPONSALIDADE POR INFRAÇÕES. EXCLUSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO.
Nos termos do art. 138 do CTN c/c art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72, o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária exclui a espontaneidade em relação aos atos anteriores, afastando a possibilidade de exclusão da responsabilidade por infração tributária e, por conseqüência, impossibilitando a aplicação da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo cabível a multa de ofício do art. 44 do mesmo diploma.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005 RESPONSALIDADE POR INFRAÇÕES. EXCLUSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 138 do CTN c/c art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72, o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária exclui a espontaneidade em relação aos atos anteriores, afastando a possibilidade de exclusão da responsabilidade por infração tributária e, por conseqüência, impossibilitando a aplicação da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo cabível a multa de ofício do art. 44 do mesmo diploma. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 21 70 /2 00 9- 41Fl. 1742DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase, na origem, de auto de infração para exigência do IPI, período julho/2005 a dezembro/2005, em razão da indevida apropriação de crédito pelas aquisições de MP, PI e ME sujeitas à alíquota zero. Em impugnação o contribuinte aduziu que o lançamento se baseara em presunções; que houve desconsideração de determinados pagamentos na apuração do quantum debeatur; que a multa seria exorbitante; que a taxa selic seria inaplicável para fins tributários; e que haveria possibilidade jurídica de se reconhecer ilegalidades em sede administrativa. A DRJ Ribeirão/SP deu parcial provimento ao recurso, em decisão assim ementada: “APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO DO IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. Verificado que, na apuração do saldo devedor do IPI pela Fiscalização, não foram considerados créditos legítimos aptos a reduzir o montante final do crédito tributário, impõese a correção do lançamento para ajuste dos valores devidos. NULIDADE. PROVA DOS FATOS. Estando patente que os fatos geradores dos débitos de IPI considerados pela Fiscalização foram unicamente aqueles registrados pelo sujeito passivo em seus livros contábeis e fiscais, constituemse estes em provas suficientes para o lançamento do crédito tributário, não havendo que se falar em lançamento efetuado com base em ‘infração presumida’. No que diz respeito aos créditos glosados, cabe à impugnante comprovar a existência dos créditos que poderão ser utilizados para abater os débitos de IPI, reduzindo o saldo devedor em cada período de apuração. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado deve ser aplicada utilizando o percentual determinado expressamente em lei. É dever da autoridade fiscal, bem como do julgador administrativo, a aplicação da norma legal sem qualquer juízo dos aspectos de sua validade. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Previstos na lei, os juros de mora decorrentes da aplicação do percentual equivalente à taxa SELIC são devidos no lançamento efetuado.” Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10882.002170/200941 Acórdão n.º 3401005.010 S3C4T1 Fl. 1.743 3 Referida decisão manteve a exigência dos períodos de apuração setembro/2005 (R$ 183.326,77) e dezembro/2005 (R$ 69.876,88), acrescidas de multa de ofício e juros de mora, calculados até aquela data. O recurso voluntário, sem contestar o mérito do lançamento, registrou que houve adesão a parcelamento, instituído pela Lei nº 11.941/2009, para ambos os valores, e sustentou duplicidade da cobrança referente a setembro/2005, uma vez que, por equívoco, também o incluira no PA 10882.501708/201039, com consolidação no programa de parcelamento em 11/11/2009, de maneira que seria indevida a constituição do crédito pelo auto de infração e, por arrastamento, a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Ao final, pediu o cancelamento integral do lançamento. Em 20/04/2014 o contribuinte renovou o pedido de cancelamento da autuação. Em 10/07/2017 houve encaminhamento dos autos à unidade de origem para confirmação do parcelamento. À efl. 1.719 consta despacho do Presidente do CARF declarando a desistência do recurso e renúncia ao direito em que se fundaria a defesa. Ciente do despacho o contribuinte atravessou petição esclarecendo que não havia formalizado desistência do recurso, mas sim pedido de análise de débito cobrado em duplicidade. À efl. 1.736 consta despacho informando que o débito relativo a dezembro/2005 fora transferido para o PA 18208.134173/201121, não sendo mais parte do PA 10882.002170/200941. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido, com as observações necessárias. Preambularmente, quanto à petição de efls. 1.723/1.724, onde o contribuinte esclarece que não desistiu do recurso, mas apenas requereu a análise do débito cobrado, cumpre acentuar que não se encarta dentre as atribuições deste Conselho Administrativo a revisão de cobrança de débitos, seja qual for o seu motivo determinante, ainda que duplicidade ou mesmo que envolva lançamento objeto de contestação, sendo competência da RFB a adoção das providências necessárias aos acertos cabíveis. Concernente à desistência do recurso e renúncia ao direito sobre a qual se fundaria o direito veiculado em recurso, é inconteste que o recorrente não questionou o mérito dos valores mantidos pela decisão de piso, o que configura incontrovérsia da matéria, todavia, argüiu a incidência da multa de ofício sobre o período de apuração setembro/2005, enquanto Fl. 1744DF CARF MF 4 que, para o mês de dezembro/2005, houve parcelamento integral do débito, inclusive acessórios, não havendo qualquer altercação a respeito. Nesse passo, por pertinente, o parcelamento dos créditos tributários formalizados em lançamento não implica a sua improcedência, como parece defender o recorrente, mas sim a sua manutenção, aí incluídos os respectivos consectários, isso porque, ao optar pelo parcelamento, tácita ou expressamente (se houver declaração nesse sentido) o sujeito passivo reconhece a legitimidade do montante que lhe é exigido, ainda que possa contestar algum acessório (multa ou juros) ou erro de cálculo, ao passo que no direito tributário pátrio inexiste a figura do “pagamento sob protesto” ou do solve et repete. Não é por outra razão lógicojurídica que o art. 78 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15) prevê que o parcelamento ou pagamento acarreta a desistência do recurso e a renúncia ao direito. Portanto, atinente à exigência do principal (IPI) e dos juros de mora remanescentes, quanto a setembro/2005, e a totalidade do crédito tributário relativo a dezembro/2005, tal como mantido pela DRJ, não há mais litígio, concordando o recorrente com a sua procedência. Na seqüência, tocante ao descabimento da multa de ofício, não assiste razão ao contribuinte. A ação fiscal foi iniciada em 07/05/2009, com a ciência do termo de início de fiscalização, por via postal (efl. 11), cujo prosseguimento regular se desenvolveu até 11/09/2009, com a notificação pessoal do auto de infração (efl. 1.223). Consoante art. 138 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações é elidida pela sua denúncia espontânea, acompanhada, se for o caso, do recolhimento do tributo e dos demais valores devidos: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Já o art. 7º, I, § 1º do Decreto nº 70.235/72 dispõe o seguinte “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10882.002170/200941 Acórdão n.º 3401005.010 S3C4T1 Fl. 1.744 5 Por sua vez, nos casos de lançamento de ofício, as multas aplicáveis são aquelas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...)” (destacado) No caso vertente, o parcelamento a que alude o recorrente somente ocorreu após a decisão de primeira instância administrativa, uma vez que os valores incluídos no REFIS IV (Lei n 11.941/2009), segundo o contribuinte, coincidem com os valores definidos no voto condutor do aresto correspondente. Assim, uma vez ausente a espontaneidade exigida para exclusão da responsabilidade por infração, a multa aplicável é aquela prevista para o lançamento de ofício e não a multa moratória, como defende o recorrente. Outrossim, o fato do contribuinte, por lapso, haver incluído indevidamente o valor referente a setembro/2005 no PA 10882.501078/201039 eis que já exigido no presente processo , com sua consolidação em 11/11/2009 e acréscimo dos juros de mora, ou mesmo a circunstância da Administração Tributária não haver notado esta inconsistência, jamais poderia configurar a consideração do débito como “declarado e não pago”, de modo a garantir a substituição da multa de ofício pela multa de mora, pelos seguintes motivos: i) o contribuinte não gozava do benefício da espontaneidade, como já explicitado; ii) não há respaldo legal para pretendida substituição da penalidade; iii) o sujeito passivo não pode se valer do próprio erro para angariar vantagens; e, iv) o parcelamento de débitos é faculdade do contribuinte, não cabendo à Administração Tributária aferir a correção ou procedência dos valores declarados, mas tãosomente velar pela satisfação integral do crédito tributário, inclusive mediante a constituição de valores não declarados/pagos/parcelados. Então, se por equívoco do sujeito passivo, houve indicação indevida do processo administrativo em que deveria ser parcelado o débito de IPI de setembro/2005, com cobrança indevida da multa de mora, deve o interessado reportar essa situação à unidade de jurisdição e requerer a promoção dos ajustes necessários à correta liquidação do débito, com a cobrança da multa de ofício, conforme fixado pela decisão a quo. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 1746DF CARF MF 6 Fl. 1747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720898/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL - CONHECIMENTO
Não provada a similitude fática entre o aresto recorrido e o acórdão paradigma, não pode o especial ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL - CONHECIMENTO Não provada a similitude fática entre o aresto recorrido e o acórdão paradigma, não pode o especial ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 98 /2 00 8- 82 Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte (fls. 1042/1050), admitido pelo despacho de fls. 1117/119, que se insurge contra o Acórdão 3301002.760 (fls. 931/942), de 26/01/2016, que negou provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa, quanto à parte admitida, foi vazada com a seguinte dicção: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. A apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será efetuada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI deve ser creditado primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI da matriz para, que, em seguida, seja emitida nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. Recurso Voluntário Negado O Contribuinte articula em seu recurso como Acórdão paradigma o de nº 3401001.666, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/01/2002 a 20/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI APURADO POR ESTABELECIMENTO MATRIZ E UTILIZADO PELO ESTABELECIMENTO FILIAL AUTUADO MEDIANTE A RECOMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR DE IPI. DESCUMPRIMENTO DE FORMALIDADES E NÃO QUESTIONAMENTO QUANTO AO MONTANTE DO CRÉDITO. CANCELAMENTO. A indicação no DCP constante da DCTF de que houve a apuração pelo estabelecimento matriz do crédito presumido de IPI utilizado pela filial para diminuir o saldo a pagar de IPI e na compensação de débitos, bem como a ausência de qualquer questionamento quanto ao montante do crédito, suprem o descumprimento de formalidades que envolvem o referido benefício, devendo prevalecer a verdade material. Quanto ao processamento do recurso, alega que a divergência reside na interpretação distinta dos colegiados face a situações que considera similares, qual seja, apuração de crédito presumido de IPI na matriz, transferido para a filial sem a observação de todos os formalismos exigidos pelas normas de regência. Acresce que o recorrido se apegou excessivamente ao formalismo e manteve a glosa parcial desses créditos, enquanto que o paradigma teria acatado pleito similar. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 4 3 No mérito, em resumo, alega que houve excesso de formalismo, violando os princípios da verdade material e formalismo moderado, devendo ser mitigada "as regras insertas no artigo 15 da Lei nº 9.799/99 e artigos 18 e 19 da IN/SRF nº 313/2003", vez que "em momento algum o montante do crédito pleiteado foi objeto de discussão pela d. Fiscalização". A Fazenda Nacional contraarrazoou (fls. 1121/1123) o recurso do contribuinte, aduzindo que as regras estipuladas na legislação tributária possibilitam o controle da apuração do crédito presumido do IPI, não se prestando os princípios do formalismo moderado e da verdade material para legitimar "o grave descumprimento e desatendimento dos requisitos exigidos pela legislação de regência". Ademais, assevera que a glosa em questão não está suprimindo nenhum direito do contribuinte, pois o aproveitamento do crédito presumido não é uma obrigatoriedade, mas faculdade. Pede, alfim, a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE O Acórdão recorrido nestes autos, de nº 3301002.760, foi julgado em 26/01/2016. O aresto julgado imediatamente antes no mesmo dia pela mesma Turma, o de nº 3301002.759, referese à mesma empresa (no processo 10830.720261/200713), HEWLETT PACKARD COMPUTADORES LTDA, e idêntico assunto, porém referente a período gerador subsequente, e teve sua decisão exarada de forma idêntica ao recorrido. Naqueles autos, manejado o Especial, que em nada dissente do ventilado neste processo, o mesmo não foi admitido. Em ambos, só foi apresentado um mesmo aresto paradigmático, o de nº 340101.666. O despacho de admissibilidade no processo 10830.720261/200713 (fls. 1301/1305), de 08/06/2016, entendeu que a divergência jurisprudencial não foi comprovada, sob seguinte fundamento: Acórdão recorrido Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de tributos federais, cujo crédito utilizado é de ressarcimento de IPI atinente ao 3º trimestre/2003(...)Em síntese, o motivo exposto para a glosa foi a escrituração indevida, no 3º decêndio de agosto/2003, no campo “Outros Créditos” do livro Registro de Apuração de IPI, a título de Crédito Presumido de IPI – Lei nº 9.363/96, o valor de R$ 6.114.192,12. Conforme documentação apresentada, verificase que o crédito presumido de IPI, referente ao período de janeiro/2000 a abril/2003, abrange a movimentação da matriz e da filial. No entanto, o contribuinte se creditou do valor em análise diretamente no Livro Registro de Apuração do IPI da Filial 0002, quando o correto seria ter se creditado no Livro Registro de Apuração do IPI da Matriz e, em seguida, emitir uma nota fiscal de transferência para a Filial, com as devidas anotações no Livro Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 5 4 Registro de apuração do IPI da Matriz e da Filial 0002, conforme legislação em regência. ... Além do que está previsto nas normas, constatase que o procedimento usado por contribuintes em situações semelhantes e todas as orientações emanadas por consultorias contábeis, ao interpretarem as normas sobre o tema, indicam que quando o crédito presumido de IPI decorra de operações realizadas tanto pelo estabelecimento matriz quanto pelo estabelecimento filial, a contribuinte deve creditar tal valor primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI do estabelecimento matriz para, em seguida, emitir nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. ... A recorrente contestou a glosa do crédito alegando que argumentos exclusivos de não observância de aspectos formais, referentes a utilização do crédito presumido, contraria os princípios do formalismo moderado e da verdade material da tributação. Também não concordo que, in casu, haja excesso de formalismo. Entendo que as regras estipuladas possibilitam o adequado controle da apuração do crédito presumido de IPI. Acórdão paradigma Trata o presente processo de auto de infração de IPI,(...). De acordo com o autor do procedimento, a infração caracterizouse em face de o estabelecimento, uma filial, ter apurado o Crédito Presumido de IPI na própria filial e aproveitado esse crédito por meio da compensação de débitos do IPI e de outros tributos, quando, ao ver da autoridade fiscal, os dispositivos legais que regulam a concessão daquele benefício determinavam que, primeiro, a apuração deveria ter se dado no estabelecimento matriz e, segundo, que esta deveria, mediante a emissão de uma nota fiscal com essa exclusiva finalidade, ter transferido o crédito para a filial para fins da compensação pretendida. Assim, reconstituiu a escrita fiscal da autuada desconsiderando os valores do Crédito Presumido de IPI apurado naquelas circunstâncias e procedeu ao lançamento das diferenças de IPI que entendeu não recolhidas ao Erário; ... Ou seja, estamos diante de um lançamento de oficio motivado exclusivamente pelo descumprimento de formalidades, as quais, a meu ver, restaram de forma indireta supridas pelas informações constantes do DCP nas DCTF, contra as quais, aliás, não se insurgiu nem a autoridade fiscal e nem a DRJ. E, na sequência, concluiu o despacho de admissibilidade naqueles autos nos seguintes termos: Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 6 5 Em que pese a aparente divergência constante nos arestos confrontados, análise mais acurada impõe não reconhecer o alegado dissenso jurisprudencial em razão da dessemelhança fática das situações apreciadas. Primeiro, porque o acórdão recorrido cuida de apreciação de declaração de compensação, onde o ônus probatório do direito requerido é integralmente do recorrente. O paradigma, por sua vez, trata de auto de infração de IPI, lançamento de ofício, portanto, onde o ônus da prova é da autoridade fiscal. E neste mister a atuação do Fisco não foi suficientemente satisfatória, consoante afirmação de que "...os mapas de reconstituição do saldo de IPI elaborados pelo Fisco ... também não permitem a compreensão exata acerca de quais valores a título de crédito presumido efetivamente foram desconsiderados." Segundo, porque no paradigma restou assentado que o crédito pleiteado efetivamente foi apurado pelo estabelecimento matriz. Neste sentido, assenta o conselheiro relator que "... se depreende dos documentos constantes dos autos e do que relatei acima é que o crédito presumido de IPI foi apurado pelo estabelecimento matriz (com isso também a DRJ parece admitir)...". No recorrido, contudo, há apenas manifestação genérica que a documentação "abrange a movimentação da matriz e filial". Não há qualquer debate específico quanto este ponto. O recorrente, apenas agora, em sede de recurso especial, assevera que houve a devida apuração do crédito em DCP e DCTF da matriz, referindose a informação fiscal da unidade de origem. Não há, contudo, apreciação específica deste fato no recorrido, não podendo servir como ponto de eventual divergência face a ausência de seu prequestionamento. Entendesse o sujeito passivo ser tal fato relevante, deveria haver se manifestado em sede de embargos de declaração, instrumento próprio para suprir eventual omissão no julgado. Já o despacho de admissibilidade nestes autos, datado de 11/07/2016, fez, com a devida vênia, uma análise bem mais perfunctória quando do cotejo dos arestos, concluindo: O acórdão recorrido nega o aproveitamento de crédito presumido pelo estabelecimento filial, fundamentando no fato de que o contribuinte não procedeu às formalidades de apuração centralizada pela matriz em livro de apuração de IPI, e transferência do crédito à filial por meio de nota fiscal. Por sua vez, o acórdão paradigma, em circunstâncias semelhantes, admite o aproveitamento do crédito presumido pelo estabelecimento filial, ainda que faltando os mesmos requisitos exigidos pelo acórdão recorrido, por princípio de razoabilidade. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Entendo que a admissibilidade feita neste processo não foi a mais adequada, pois não adentrou em específico na similitude fática entre o aresto recorrido e o paradigma. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 7 6 Assim, com fundamento no despacho de admissibilidade feito nos autos do processo 10830.720261/200713, que acima transcrevi, que ora adoto como razões de decidir, não conheço do recurso especial, pois não comprovada a divergência jurisprudencial. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10830.720898/200882 Acórdão n.º 9303006.959 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 1131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000271/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES DE MERCADORIAS/PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes na transferência de mercadorias/produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade e relevância à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-006.632
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES DE MERCADORIAS/PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes na transferência de mercadorias/produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade e relevância à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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FRETES DE MERCADORIAS/PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes na transferência de mercadorias/produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade e relevância à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 71 /2 00 9- 19 Fl. 2364DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de Cofins oriundos da incidência não cumulativa na exportação no montante de R$ 5.884.193,05, referente ao primeiro trimestre do ano de 2006. O despacho decisório de efls. 243 e 244, em 03/02/2011, com base no Parecer SARAT/DRF/ITJ nº 016/2011, às efls. 206 a 242, não reconheceu a existência do crédito e denegou as compensações a ele associadas, em razão de o crédito a que a contribuinte Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.365 3 teria direito ter sido integralmente utilizado para quitar, por meio de desconto, as contribuições devidas no período. Foram efetuadas glosas de valores declarados em DACON, as quais a seguir apresento de forma resumida. · Com relação aos bens adquiridos no mercado interno para revenda, foram excluídos os valores de aquisição de produtos com alíquota zero; · Quanto a aquisições realizadas como insumos junto a pessoas jurídicas, inicialmente foram excluídos CFOP incompatíveis com a Linha 02 da Ficha 16A na DACON e, na sequência, glosadas as aquisições de: itens que não correspondem a insumos, insumos com alíquota zero; serviços de fretes para transferência de produtos acabados dos estabelecimentos produtores para os distribuidores; materiais de embalagens para transporte do produto acabado (palets). · Dedução dos valores de devoluções de insumos para industrialização fornecidos por pessoas jurídicas apenas quando não sujeitas à alíquota zero. Além disso, foram excluídos da base de cálculo dos créditos da Cofins os valores de IPI passíveis de recuperação. · Houve exclusão de percentual utilizado para apuração dos créditos de aquisições de insumos agrícolas de pessoas jurídicas calculados com alíquota de 4,56%, em face da suspensão da exigibilidade da Cofins até 04/04/2006. Já em relação à aquisição dos mesmos tipos de insumos fornecidos por pessoas jurídicas, houve recálculo dos créditos correspondentes, com base em alíquotas reduzidas. · Foram glosados ainda créditos correspondentes a bens importados sob regime de draw back ou para incorporação ao ativo permanente. Em face das alterações acima, foi realizado novo rateio de custos proporcional à receita bruta de exportação e receita bruta total para apuração final dos créditos de cada mês do primeiro trimestre de 2006. A conclusão foi de que o total de créditos era inferior às contribuições devidas em face das receitas. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 310 a 346, em 10/03/2011, para que fossem reformado o despacho decisório e reconhecido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento do presente Fl. 2366DF CARF MF 4 processo, para que se homologue as compensações a ele vinculadas. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0723.583, prolatado em 28/02/2012, às efls. 1900 a 1934, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ em 25/05/2012 (efl. 1936), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 26/06/2012, às efls. 1943 a 1983. Em apertado resumo, esgrimiu os seguintes argumentos: 1. Preliminarmente, quanto ao cerceamento ao direito de defesa e distribuição do ônus da prova, alega que: a) não foi intimada a apresentar as inúmeras notas fiscais que permitiria a correta análise da situação fática; b) a legislação restringe o crédito da não cumulatividade e pede o afastamento do conceito de insumo do IPI. 2. Defende a possibilidade de crédito, sendo que a legislação não pode limitar esse direito. 3. Alega que a fiscalização se equivocou quanto ao batimento de suas planilhas e das respectivas notas fiscais. 4. Alega que as glosas foram exageradas, pois: a) foram glosados valores de linhas da DACON que não correspondiam aos informados em memória de cálculo; mas b) foram reputados como corretos valores que, na DACON, estavam inferiores aos da memória de cálculo. 5. Alega que não pode apresentar a comprovação das operações cuja natureza não foi originalmente comprovada. 6. Alega haver direito constitucional a créditos relativos a vendas efetuadas com o fim específico de exportação. 7. Quanto ao crédito sobre aquisição para entrega futura, alega que: a) o crédito foi apropriado pelo registro da NF mãe, mas que as filhas também foram registradas no mesmo período; e b) o ônus da prova em sentido contrário não seria do contribuinte. 8. Quanto ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos, entende serem valores necessários à produção. 9. Quanto a insumos com alíquota zero, alega equivocada interpretação da lei, para defender a possibilidade do creditamento. 10. Quanto a materiais de embalagem, alega que não retornam à origem e, portanto, se incorporam ao produto. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.366 5 11. Quanto ao IPI na aquisição de insumos, alega que nem todas as NF tiveram aprorpiação de IPI. 12. Quanto à devolução de insumos, afirma que já estão deduzidos no item 02 da DACON. 13. Quanto ao crédito presumido de atividades agroindustriais insurgese quanto aos percentuais considerados, defende que os percentuais são relativos ao produto e não ao insumo. 14. Alega não ter se apropriado de crédito sobre aquisição no mercado externo. 15. Entende que deva ser cancelada a multa, por conta de sucessão empresarial. Em face do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciando os autos, na Resolução nº 3402000.478 (às efls. 2001 a 2008), de 25/10/2012, resolveu por converter o processo em diligência, em razão de entender que em processo administrativo que trate de créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deva ser analisado cada item relacionado como insumos e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Em atendimento à Resolução nº 3402000.478, a DRF em Florianópolis intimou a contribuinte (efl. 2011 e 2012) a apresentar documentos e prestar esclarecimentos, em 20/11/2014. Em face das informações e documentos apresentados pela contribuinte, foi elaborada informação fiscal, às efls. 2239 a 2244, em 19/12/2014, com os esclarecimentos relevantes ao atendimento da diligência e deles foi dada ciência à contribuinte em 22/12/2014. O recurso voluntário e a informação resultante da diligência foram apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 20/07/2016, resultando no acórdão nº 3402003.152, às efls. 2263 a 2313, que tem as seguintes ementas: CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO O procedimento foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurando se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não restou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o Fl. 2368DF CARF MF 6 ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.367 7 incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. GARANTIA DO CRÉDITO NA VENDA PARA ENTREGA FUTURA A compra de insumos na sistemática de "entrega futura" não desnatura a validade do crédito tomado pela Recorrente. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, DAR PARCIAL provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, reverter as glosas do crédito presumido da agroindústria; (b) por maioria de votos, para reverter as glosas sobre os seguintes itens (i) créditos tomados sobre fretes entre estabelecimentos (item 8.7 do voto). Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Freire. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) créditos tomados sobre aquisições para entrega futura CFOP 1922 (item 8.6 do voto). Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Antonio Carlos Atulim. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. Do acórdão decorreu a reversão de três glosas de créditos, sobre: (a) da agroindústria; (b) fretes entre estabelecimentos e (c) aquisições para entrega futura. Dos votos, em resumo, se extraem as seguintes razões para essas reversões: (a) o crédito presumido de atividade agroindustrial tem percentual atrelado ao produto (não ao insumo); (b) dadas as características dos produtos, o processo produtivo, para atender exigências sanitárias tem tratamento diferenciado que não termina no frigorífico, mas quando da entrega ao destinatário, assim, o frete de produto acabado, nesse caso, é necessário para que o produto chegue íntegro ao comprador; e (c) a compra de insumos para "entrega futura" não desnatura a validade do crédito, pois quando das aquisições de soja e milho a granel, para entrega futura, a contribuinte tomou crédito sobre a nota fiscal "mãe" e não aproveitou crédito sobre as notas fiscais "filhas", mas, pelo regime de competência, a aquisição já teria ocorrido, mesmo com os insumos ainda na posse do fornecedor. Fl. 2370DF CARF MF 8 Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3402003.152 em 01/08/2016 (efl.. 2314), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 12/09/2016, às efls. 2315 a 2345. O Procurador vê divergência quanto a duas matérias: (a) conceito de insumos para o aproveitamento dos créditos da Cofins não cumulativa e (b) acatar o frete de produto acabado entre estabelecimentos como insumo. No tocante a primeira matéria, afirma que o acórdão paradigma nº 203 12.448 exige, para caracterização de um bem como insumo, que ele sofra, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas (conceito próprio da legislação do IPI), enquanto o recorrido estende o conceito de insumo às despesas necessárias à percepção da receita. Finaliza sua argumentação quanto a esta matéria, pedindo que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Com relação a segunda matéria, especificamente afirma que o acórdão a quo compara frete de produtos simplesmente refrigerados ao frete de produtos de alta periculosidade, para concluir pela sua essencialidade ao processo produtivo, enquanto os acórdão nº 3302002.025 e nº 3402002.361, que tratam de industria alimentícia, concluem que tal frete de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não caracterizam insumos. Finaliza sua argumentação quanto a esta matéria, pedindo que seja restabelecida a glosa sobre o frete. Ao final, o Procurador requereu que fosse admitido e provido o recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, nos seguintes termos: ... para que seja restabelecida a decisão da DRJ quanto ao conceito de insumo e, em especial, no tocante ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos. (Grifos na transcrição) O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 24/01/2017, no despacho de e fls. 2347 a 2351, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. A contribuinte foi intimada (efl. 2354) do acórdão nº 3402003.152 e do despacho de admissibilidade de efls. 2347 a 2351, em 15/03/2017 (efl. 2355) e não Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.368 9 apresentou recurso especial de divergência quanto à parte do acórdão que lhe foi desfavorável, ou mesmo contrarrazões, dentro dos prazos regimentais. Há nos autos requerimento da contribuinte para juntada de laudo técnico sobre seu processo produtivo, em 25/07/2017 (efl. 2358). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. De início, há que se limitar o litígio decorrente do recurso especial de divergência da Fazenda. Em que pese, com relação à primeira matéria objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ter sido requerido, de forma genérica, o restabelecimento da decisão de primeira instância, é importante frisar que esse pedido se restringe ao restabelecimento da decisão da DRJ quanto ao conceito de insumo. Somente é realizado pedido específico no tocante ao frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Assim, entendo que não houve divergência alegada, muito menos comprovada, quanto às seguintes matérias: (I) a determinação do percentual aplicável ao crédito presumido de atividade agroindustrial (se dependente do produto ou do insumo); e (II) a desnaturação ou não da validade do crédito, no caso de compra de insumos para "entrega futura". Reparase que, além de inexistir pedido específico quanto às duas matérias acima, o argumento da Fazenda Nacional é o de que o critério para reconhecimento do crédito seria o de consumo do insumo, por contato, no processo de produção. Ora, isso é irrelevante para sequer iniciar a discussão das matérias (I) e (II) acima, vejamos: a decisão recorrida não discutiu a questão da classificação das aquisições de atividade agroindustrial, como insumo ou não, mas tãosomente a questão da determinação do percentual a ela aplicável; e de forma semelhante, a decisão recorrida não enfrentou a questão da classificação dos bens adquiridos para entrega futura como insumo ou não, mas tãosomente discutiu a validade dessa aquisição para fins de creditamento. Fl. 2372DF CARF MF 10 Para que essas duas matérias pudessem ser devolvidas à competência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para discussão, seria necessário que a Fazenda Nacional se insurgisse especificamente quanto a elas e trouxesse paradigmas que as enfrentasse, o que contudo não ocorreu no caso. Discutese, portanto, aqui, no Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas o restabelecimento da glosa sobre o valor do frete dos produtos acabados, entre estabelecimentos do contribuinte, por determinação dos órgãos de vigilância sanitária, para manutenção das características do produto e garantia de sua chegada ao usuário final com essas características, sob dois aspectos: um aspecto geral, a partir da aplicação subsidiária da legislação do IPI ao caso; e um aspecto específico, baseado na prescindibilidade do frete para a elaboração do produto final. Feita a delimitação do litígio, passo à análise do mérito. Quanto ao mérito, penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo, não necessariamente vinculado ao conceito de insumo da legislação do IPI, mas não tão amplo quanto o que se utiliza no conceito de custo para fins de IRPJ. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Na questão de direito, a recorrente alega que os fretes entre estabelecimentos da recorrente compõe o processo de industrialização e econômico da atividade que exerce, inclusive em decorrência de legislações de órgãos públicos. Com isso, a controvérsia cingese ao conceito de insumo, isto é, se a despesa de frete de produto acabado entre as unidades da empresa estaria abrangido no conceito de insumo previsto no inciso II, do artigo 3º da Lei n° 10.833 de 29/12/2003. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes , Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.369 11 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485. de 3 de julho de 2002. devido pelo fabricante ou imjwrtador. ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei n° 10.865. de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (Negritei.) Da análise do comando legal acima, constatamos que apenas as despesas com fretes nas operações de venda foi contemplada com a permissão de apropriação de crédito. Com relação a esta empresa, como se trata de estabelecimento industrial, são considerados insumos apenas as aquisições de bens e serviços utilizados no processo de produção ou fabricação de bens ou produtos de venda da recorrente. Meu entendimento é o de que não cabe crédito sobre o valor de frete de produto acabado, pronto para a venda. Uma vez pronto o produto, sua armazenagem e eventual frete entre estabelecimentos, ainda que necessários para a manutenção das características do produto, não configuram custo necessário a sua produção. Salientese que a produção está completa e acabada no momento em que o produto sai do frigorífico, pois, em tese, nada impede que um cliente adquirisse aquele produto já na saída do frigorífico, com frete por sua própria conta. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. Reforça esse entendimento, a Solução de Divergência Cosit n° 26 de 30/05/2008, que abaixo: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com Fl. 2374DF CARF MF 12 incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. (Negritei.) Portanto, inclusive por falta de previsão legal, ficam excluídos dos créditos da Cofins não cumulativa os gastos com frete relativos ao transporte dos produtos acabados realizado entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor, operação que não se enquadra no conceito de operação de vendas. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e restabelecer a glosa do crédito sobre o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada A priori, peço vênia ao ilustre relator conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que tanto nos prestigia com suas ponderações, para manifestar o entendimento da maioria desse colegiado acerca da lide posta e admitida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja – cabimento ou não do direito de se constituir crédito de Cofins não cumulativo sobre as despesas de frete por transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa – estabelecimento industrial e estabelecimento distribuidor. Recordo que a maioria desse Colegiado manifestou entendimento pela possibilidade de constituição de crédito de Cofins sobre tais despesas. O que, para melhor elucidar tal entendimento, importante, primeiramente, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.370 13 trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 2376DF CARF MF 14 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.371 15 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 2378DF CARF MF 16 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vêse que a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.372 17 Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Fl. 2380DF CARF MF 18 As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.373 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 2382DF CARF MF 20 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.374 21 · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, Fl. 2384DF CARF MF 22 respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 16349.000271/200919 Acórdão n.º 9303006.632 CSRFT3 Fl. 2.375 23 Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Fl. 2386DF CARF MF 24 Ressurgindo aos autos do processo, considerando a atividade/objeto social do sujeito passivo, entendo que que não assiste razão à Fazenda Nacional. Eis que os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização e distribuição de alimentos, são essenciais por razões logísticas. Tem basicamente o intuito de facilitar a distribuição e destinação das r. mercadorias com observância de toda a regulamentação que trata de higiene e recomendações sanitárias ao produto. Sendo assim, considerando a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer ainda que, tendo em vista que as mercadorias efetivamente são destinadas à venda, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera e traz o termo frete na “operação” de venda. O que cabe concluir que a venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos – cadeia de eventos para a venda. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Dessa forma, a maioria desse colegiado votou por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2387DF CARF MF
score : 1.0
