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Numero do processo: 18471.001255/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍ
SICA - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Incabível o alegado cerceamento do direto de defesa quando a decisão de primeiro grau analisa todas as questões suscitadas pelo impugnante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Serviços prestados de forma pessoal e individual, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, terão seus rendimentos tributados na pessoa física. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO - Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Igualmente incabível a retroatividade benigna prevista no inciso II, art. 106, do CTN, pois o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Os descontos simplificados indicados nas respectivas declarações de ajuste anual dos anos-calendário de 2000 a 2002 devem ser proporcionais aos rendimentos tributáveis, até o limite máximo de R$8.000,00, devendo, ainda, serrem excluídos o pró-labore tributado nos mesmos períodos, pois referem-se aos rendimentos omitidos, tributados no lançamento em exame.
IMPOSTO DEVIDO - MULTA DE OFÍCIO - BASE DE CÁLCULO - Na apuração do imposto devido, em procedimento de ofício, devem ser considerados os impostos efetivamente pagos, ainda que por pessoa diversa e sob outra denominação, devendo incidir multa e juros sobre o crédito tributário assim apurado. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o pró-labore auferido pelo autuado nos
respectivos períodos, considerar o limite máximo do desconto simplificado e determinar a compensação dos tributos recolhidos na pessoa jurídica relativos aos valores levados a tributação no Auto de Infração, devendo incidir a multa de ofício e os juros de mora somente sobre a diferença encontrada. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Alice Grecchi, que davam provimento.
Nome do relator: Jose Raimundo Tosta Santos
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Incabível o alegado cerceamento do direto de defesa quando a decisão de primeiro grau analisa todas as questões suscitadas pelo impugnante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Serviços prestados de forma pessoal e individual, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, terão seus rendimentos tributados na pessoa física. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Igualmente incabível a retroatividade benigna prevista no inciso II, art. 106, do CTN, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Os descontos simplificados indicados nas respectivas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2000 a 2002 devem ser proporcionais aos rendimentos tributáveis, até o limite máximo de R$8.000,00, devendo, ainda, serrem excluídos o prólabore tributado nos mesmos períodos, pois referemse aos rendimentos omitidos, tributados no lançamento em exame. IMPOSTO DEVIDO MULTA DE OFÍCIO BASE DE CÁLCULO Na apuração do imposto devido, em procedimento de ofício, devem ser considerados os impostos efetivamente pagos, ainda que por pessoa diversa e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 12 55 /2 00 5- 21 Fl. 1366DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 sob outra denominação, devendo incidir multa e juros sobre o crédito tributário assim apurado. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o prólabore auferido pelo autuado nos respectivos períodos, considerar o limite máximo do desconto simplificado e determinar a compensação dos tributos recolhidos na pessoa jurídica relativos aos valores levados a tributação no Auto de Infração, devendo incidir a multa de ofício e os juros de mora somente sobre a diferença encontrada. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Alice Grecchi, que davam provimento. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Eduardo Jacobson Neto OAB SP 215215. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1321.598, proferido pela 3ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fls. 1.022/1.038), que julgou, por unanimidade de votos, procedente o auto de infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 916 a 922. 2. O valor lançado inclui imposto suplementar de R$539.328,31, multa proporcional de oficio no valor de R$404.496,23, e acréscimos moratórios calculados até a data da lavratura. 3. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal às fls. 923 a 970, versando sobre a seguinte infração: 001 — RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 1367DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 3 3 Dos Serviços de Natureza Personalíssima 4. A infração trata de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de serviços de natureza personalíssima, em que, de acordo com o termo de verificação fiscal, a fiscalização apurou omissão de rendimentos das fontes pagadoras discriminadas na tabela à fl. 963. 5. Aduz a fiscalização que o contribuinte teria utilizado a sua empresa Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda (Ópera Vídeo) para tributar rendimentos próprios de sua pessoa física com o fim de enquadrálos em uma tributação menos onerosa na pessoa jurídica, fugindo de uma alíquota de 27,5% para alíquotas que teriam variado de 14,80% a 15,32%, conforme tabela à fl. 966. Assim sendo, os valores recebidos pela Ópera Vídeo, discriminados na tabela à fl. 963, foram lançados de oficio, pela fiscalização, na pessoa física do contribuinte como omissão de rendimentos. 6. Para os autuantes, o que chamaria a atenção nos contratos firmados entre as contratantes e a Ópera Vídeo (fl. 965) seria a tentativa de encobrir o verdadeiro contratado, o Sr. Renato Machado, ficando a verdadeira operação evidenciada pelo fato de que o próprio contribuinte seria o único responsável pelo seu cumprimento, na qualidade de jornalista/apresentador/repórter e enólogo, sendo que, nos casos em que não teria sido assinado contrato, as características da Ópera Vídeo, as discriminações dos serviços nas notas fiscais emitidas, as correspondências das empresas contratantes em resposta às circularizações realizadas pela fiscalização, bem como o contexto profissional e pessoal do contribuinte, deixariam claro que os serviços foram e somente poderiam ter sido prestados por ele. 7. Os autuantes esclarecem, ainda, que o contribuinte tem 95% de participação na Ópera Vídeo e que o outro sócio, o Sr. Sebastião Lacerda, é editor e não poderia, portanto, prestar serviços exigidos nos contratos e/ou discriminados em notas fiscais de serviços. DA IMPUGNAÇÃO 8. Cientificado do Auto de Infração em 01/12/2005 (fl. 986), o contribuinte protocolizou impugnação em 23/12/2005 (fls. 987 a 1012), em que apresenta as seguintes razões. 9. Afirma, inicialmente, que é tempestiva a impugnação. 10. Reconhece ser incontroverso que constituiu, juntamente com outro sócio, a sociedade profissional Ópera Vídeo Produções S/C Ltda, tendo a autoridade fiscal reconhecido que a sua constituição atendeu às formalidades de praxe. Também estaria comprovado que, desde a sua constituição, a Ópera Vídeo sempre teve como objeto a "prestação de serviços de produções e criações artísticas, cinematográficas, jornalísticas e culturais, direção de programas e filmes, gravações videográficas, fonográficas, audiovisuais, vídeo cassete e dublagens e mixagens, assessoria promocional e releases, agenciamento de turismo e de modelos, tudo para: televisão, rádio, cinema, teatro, associações, empresas estatais ou particulares e pessoas físicas, podendo, ainda, contratar e empresariar artistas e pessoal técnico destinado a serviços de sua produção ou de terceiro e tudo mais que for afim..." Fl. 1368DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 11. Alega que em todas as prestações de serviços, a contratada foi sempre a Ópera Vídeo, cabendo a esta empresa, e não à impugnante, o direito ao recebimento da contraprestação pelo serviço então prestado, tendo sido devidamente contabilizadas as receitas e apurados os tributos devidos pela pessoa jurídica. 12. Com base no art. 114 da Constituição Federal (CF) e decisões da Justiça Federal, entende que a autoridade fiscal é impossibilitada de presumir a existência de vínculo entre o impugnante e as contratantes sob pena de invasão de competência privativa da justiça do trabalho. 13. O contribuinte não contesta o fato de que os serviços foram prestados pela Ópera Vídeo por meio de sua pessoa; todavia, entende que a pessoalidade é característica inerente a todo e qualquer serviço profissional, e não impede que as respectivas receitas, quando auferidas por sociedade constituída para esse fim, sejam tributadas na forma da legislação aplicável as pessoas jurídicas. 14. Assim sendo, citando os arts. 647 e 648 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99); Parecer Normativo CST nº 8/1986; art. 92, §32, do Decretolei nº 406/1968; art. 92, inc. XIII, da Lei nº 9.317/1996; art. 62, inc. II, da Lei Complementar nº 70/1991; arts. 55 e 56 da Lei nº 9.430/96; Solução de consulta nº 26/2005 da 5ª Região Fiscal; e art. 148, inc. II e III, da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005; conclui que é expressamente possível e lícita constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços profissionais com caráter personalíssimo e sem concurso de terceiros, empregados ou não. 15. Afirma que o art. 129 da lei nº 11.196/2005 tem caráter interpretativo, assegurando que a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada sujeitase, tãosomente, à legislação aplicável às pessoas jurídicas. Para comprovar o caráter interpretativo desta norma, transcreve trecho da justificativa para da inclusão do artigo em questão quando da conversão da MP nº 252/2005 na referida lei, alegando, adicionalmente, que o STJ já teria posição firmada no sentido de que a exposição de motivos de ato normativo é determinante para a sua interpretação. Destarte, com base no art. 106, inc. I, do Código Tributário Nacional — CTN (Lei nº 5. 172, de 25 de Outubro de 1966), o qual determina que a lei interpretativa aplicase a fatos pretéritos, alega que o art. 129 da lei nº 11.196/2005, aplica se aos serviços prestados pela Ópera Vídeo nos anoscalendário de 2000 a 2002. 16. No que se refere à profissão de jornalista, o contribuinte alega que este oficio requer o dom de transmitir e de dar credibilidade às notícias transmitidas ao público, sendo prática comum que os contratos contenham cláusulas de pessoalidade, como também ocorreria com outras profissões, como arquitetura, medicina, advocacia, psicologia, etc. 17. Afirma que o fato de o rendimento tornarse juridicamente disponível para a sociedade não significa que o valor esteja disponível para a pessoa física prestadora, já que a personalidade de uma não se confunde com a da outra. No caso específico da Ópera Vídeo, todos os contratos de prestação de serviço celebrados por esta empresa estabeleceriam que o direito de recebimento do respectivo preço caberia apenas à pessoa jurídica, nada sendo atribuído à impugnante a esse título. Nesse sentido, as receitas dos contratos teriam sido efetivamente contabilizadas pela pessoa jurídica e não pelo impugnante, não podendo os rendimentos da empresa serem deslocados para a pessoa física do impugnante. 18. Assim sendo, com base no art. 43 do CTN e legislação que entende reconhecer a personalidade tributária das sociedades prestadoras de serviços personalíssimos, Fl. 1369DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 4 5 bem como fazendo referência aos acórdãos do Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais, conclui que os rendimentos auferidos pela ópera Vídeo não podem ser atribuídos ao impugnante. 19. No mesmo sentido, com base nos arts. 5º, inc. II, e 150, inc. I, da CF/88, arts. 97 e 108 do CTN, Lei Complementar nº 104/2001 e entendimentos de Marco Aurélio Greco, alega que não há fundamento legal para a desconsideração dos contratos celebrados pela Ópera Vídeo, posto que a lei complementar em questão não está regulamentada. 20. Citando os acórdãos nº 10614244 e 10420574 do Conselho de Contribuintes, requer que, caso seja mantido o lançamento, somente seja exigido da impugnante a diferença de IR apurada após a dedução dos tributos incidentes sobre esses mesmos rendimentos já pagos pela Ópera Vídeo. 21. No que se refere à aplicação de juros e multa, alega que, além de ter agido de acordo com a legislação em vigor, seguiu as orientações das próprias autoridades administrativas, que sempre teriam admitido que os trabalhos de caráter pessoal pudessem ser executados por intermédio de pessoas jurídicas (PN CST nº 8/86; art. 158 da IN INSS/DC nº 100/03; art. 148 da IN MPS/SRP nº 03/05). Por conseguinte, citando o art. 129 da Lei nº 11.196/05 e o art. 100, inc. I e parágrafo único, do CTN, bem como entendimento de Marco Aurélio Greco, entende que não pode ser acusado de ter realizado ato ilícito, com imposição de penalidade, não havendo a possibilidade de imposição de juros nem de multa. 22. Ao final, diante do que expõe, requer o cancelamento total do Auto de Infração. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei nº. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa para o caso em questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Serviços prestados de forma pessoal e individual, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, terão seus rendimentos tributados na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO. Não tendo a fiscalização negado a existência da pessoa jurídica, nem procedido à desconstituição de sua personalidade jurídica, Fl. 1370DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 não cabe a compensação dos tributos recolhidos pela empresa com o imposto apurado no procedimento fiscal. Em consonância com o previsto no art. 30 da IN SRF no 210/2002, caberia especificamente à pessoa jurídica, que tem personalidade distinta da pessoa física, proceder ao pedido de restituição. Lançamento Procedente O recurso voluntário interposto (fls. 1.043/1.076) recapitula os fatos, comenta os termos da decisão recorrida, discute a legislação pertinente, transcreve abalizada doutrina e jurisprudência, e acresce argumento quanto à aplicação da norma do artigo 106, inciso II, “a”, do CTN, pois mesmo que se admita que os rendimentos decorrentes dos serviços profissionais personalíssimos, ainda que prestados por pessoas jurídicas, devessem ser tributados como se de pessoa física fossem, o artigo 129 da Lei nº 11.196/05 transmudou o modal deôntico de proibido para permitido. Em conclusão o recorrente postula que: a) a autoridade fiscal invade competência exclusiva da Justiça do Trabalho ao lavrar auto de infração supondo a existência de relação de trabalho em relação pactuada de forma diversa; b) não procede o entendimento da DECISÃO de que os rendimentos decorrentes dos serviços profissionais personalíssimos, ainda que prestados por pessoas jurídicas, deveriam ser tributados como se de pessoa física fossem; c) por esse motivo, também não procede o argumento de que o art. 129 da Lei n° 11.196/05 seria inovador; d) o art. 129 da Lei n° 11.196/05 objetivou dar a adequada interpretação ao art. 55 da Lei n° 9.430/96, evitando que houvesse qualquer dúvida quanto à aplicação deste dispositivo às pessoas jurídicas que prestam serviços profissionais personalíssimos; e) ademais, não há dúvida de que o referido artigo tem caráter interpretativo porque ele apenas expressou entendimento que já se extraía da legislação em vigor na época da sua publicação; f) tratandose de dispositivo legal interpretativo, o art. 129 da Lei nº 11.196/05 aplicase a fatos anteriores à sua edição, como determina o art. 106, I, do CTN; g) mesmo que se admitisse que, antes da edição do art. 129 da Lei nº 11.196/05, os rendimentos decorrentes dos serviços profissionais personalíssimos, ainda que prestados por pessoas jurídicas, devessem ser tributados como se de pessoa física fossem, o referido artigo também se aplicaria ao caso concreto, nos termos do art. 106, II, a, do CTN, pois a legislação deixou de considerar infração o nãorecolhimento do IRPF pelo sócio, no caso de sua pessoa jurídica ser contratada para a prestação desses serviços; h) o § 4° do art. 3° da Lei n° 7.713/88 não é aplicável ao caso, uma vez que o referido dispositivo representa apenas e tão somente a consagração do princípio da universalidade da tributação dos rendimentos e ganhos de capital de pessoas físicas, e não uma chancela para que os rendimentos recebidos Fl. 1371DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 5 7 em razão de contrato por pessoa jurídica regularmente constituída possam ser tributados na pessoa física dos sócios; i) da mesma forma, não cabe a aplicação do art. 123 do CTN, pois o objetivo desse dispositivo é impedir a oposição, à Fazenda Pública, de convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, e não a previsão de formas de prestação de serviços; j) a lei tributária brasileira não pode ser interpretada segundo critérios econômicos, pois o sistema tributário brasileiro regese pelo princípio da estrita legalidade (arts. 150, I, da CF/88 e arts. 97 e 108 do CTN), fato comprovado pela necessidade de edição do parágrafo único do art. 116 do CTN, o qual, à falta de lei que o regule, não é aplicável; k) por conseguinte, é descabido o deslocamento dos rendimentos decorrentes de contratos de prestação de serviços artísticos de ÓPERA para o RECORRENTE; l) ainda que fosse válido o referido deslocamento, somente seria exigível do RECORRENTE a diferença de IRPF apurada após a dedução dos tributos federais já pagos por ÓPERA sobre os mesmos rendimentos; m) sobre a diferença de IRPF exigível do RECORRENTE não seriam devidos juros e/ou multa de ofício, seja por aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, seja porque não houve prática de ato ilícito. Em reforço às questões suscitadas pela defesa, foi apresentado aditivo ao recurso voluntário, onde se acresce pedido para que se reconheça a nulidade da decisão recorrida, que analisou apenas o argumento quanto à necessidade de aplicarse, retroativamente, o artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, em razão de sua natureza interpretativa (art. 106, I, CTN), deixando de apreciar a mesma questão sob o argumento em face ao principio da retroatividade benigna posto no artigo 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. Entende a defesa que a atuação violou o artigo 146 do CTN e os princípios da segurança jurídica e da boafé, pois importou em flagrante “mudança do critério jurídico” na interpretação da legislação fiscal, considerando que todas as declarações e recolhimentos efetuados pela Ópera Vídeo, durante 17 anos, foram homologadas, de forma que a alteração de interpretação somente poderá ser aplicada para os períodos futuros. Argüido, também, que o recorrente (jornalista/repórter/apresentador) e seu sócio, Sr. Sebastião Lacerda (editor), exercem atividades compatíveis com o objeto social da empresa Ópera Vídeo Ltda, sendo que todas as matérias, entrevistas e apresentações realizadas pelo primeiro eram e são editadas e organizadas pelo segundo. Juntado aos autos Opinião Legal de eminente jurista acerca da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 1372DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, em face da inexistência do alegado cerceamento do direito de defesa. Ao sustentar o caráter interpretativo do artigo 129 da Lei nº 11.196, de 2005, às fls. 997/999, em sede de impugnação, o contribuinte argumentou, tãosomente, aplicarse ao caso a norma prevista no artigo 106, I, do CTN. A decisão recorrida não compartilha do mesmo entendimento e, com fundamentos que estão em consonância com recentes decisões deste Conselho, afastou o pleito do contribuinte. No que tange à invasão pela Administração Tributária de competência privativa da Justiça do Trabalho para reconhecimento de relação de trabalho, em momento algum a fiscalização fez tal assertiva, eis que a infração atribuída ao contribuinte foi capitulada como “Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente da prestação de serviços de natureza personalíssima, sem vínculo empregatício”. Portanto, a alegação de que o Fisco teria pressuposto a existência de vínculo empregatício é estranha aos autos. Ademais, para fins tributários – no caso tratado no estrito limite destes autos – é irrelevante se os rendimentos objeto da autuação decorrem de trabalho com ou sem vínculo empregatício. Muito embora o artigo 114 da Constituição Federal tenha outorgado competência privativa à Justiça do Trabalho para o reconhecimento de vínculo empregatício e dirimir conflitos entre empregador e empregado, no âmbito da relação de emprego, igualmente se pode extrair do texto constitucional, mais precisamente ao se compulsar os termos em que repartida a competência tributária, que foi atribuída à União, em caráter expresso, a arrecadação do imposto sobre a renda, tanto no que toca às pessoas físicas, como, igualmente, no que atine às pessoas jurídicas, vinculando, inclusive, o resultado da arrecadação do aludido imposto a repasses que beneficiam outros entes federados, na forma do art. 159 da Constituição. Por esta razão específica, isto é, por haver já no texto constitucional, de maneira clara e explícita, a distinção entre a função arrecadatória, em especial no que toca ao imposto de renda, posteriormente repassado aos demais entes federados, e o reconhecimento de direitos ao trabalhador, este múnus, sim, atribuído à Justiça do Trabalho, verificase que a análise, incidenter tantum, da existência ou não de vínculo empregatício para propósitos exclusivamente arrecadatórios não viola o art. 114 da Constituição, uma vez que eventual reconhecimento do vínculo, para fins tributários, não influi, de maneira nenhuma, na averiguação de direitos trabalhistas por parte do empregado, razão pela qual não se discute nos autos vinculo empregatício, mas a prestação de serviços personalíssimos. A este respeito, aliás, é corrente a jurisprudência do egrégio Superior Tribunal de Justiça, cumprindo trazer à baila o seguinte acórdão, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INSS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes fiscais tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, não acarretando a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. 2. O agente fiscal do INSS exerce ato de competência própria quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados a autônomos, Fl. 1373DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 6 9 por considerálos empregados, podendo chegar a conclusões diversas daquelas adotadas pelo contribuinte. 3. "À evidência, o IAPAS ou o INSS, ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação. O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestada, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 515.821/RJ, Relator Ministro Franciulli Netto, publicado no DJU de 25.04.05). 4. A via especial é insuscetível de reexame de matéria fático probatória, a teor do enunciado da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso improvido.” (STJ, Segunda Turma, REsp 575086/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 21/03/2006, DJ 30/03/2006 p. 193) No mesmo diapasão se posiciona a jurisprudência deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998. PREVIDÊNCIA. CUSTEIO. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO PARA O LANÇAMENTO. RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. CONFIGURAÇÃO DE AUTÔNOMOS COMO SEGURADO EMPREGADO. O Auditor Fiscal da Previdência Social no exercício de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, art. 142, CTN ao constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I, do caput do art. 9º, RPS, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado art. 229, § 2º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99. PRAZO DECADENCIAL PARA LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS É DE 10 ANOS. O prazo para constituição do crédito previdenciário é de 10 anos, conforme previsto no art. 45 da Lei n ° 8.212/1991. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ACORDO HOMOLOGADO. COISA JULGADA MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Os acordos homologados pela Justiça do Trabalho fazem coisa julgada material, conforme previsto no art. 269, inciso III do CPC. Uma vez transitando em julgado, a rediscussão da matéria somente é possível mediante ação rescisória. PAT. Integra o salário de contribuição a parcela “in natura” recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Fl. 1374DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Ministério do Trabalho, nos termos da Lei nº 6.321/76. Recurso Voluntário Negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 244.161, relator Conselheiro Manoel Coelho Arruda Jr., sessão de 04.06.2008) Vale ressaltar que o lançamento tributário, à guisa do disposto pelo art. 142 do CTN, é procedimento absolutamente vinculado, razão pela qual inferindo o auditor fiscal, no uso e gozo de suas atribuições, qualquer omissão no tocante ao recolhimento de tributos, não se encontra jungido à determinação, por parte da Justiça do Trabalho, da existência de vínculo empregatício. É preciso frisar, outrossim, que, como se sabe, sequer seria parte legítima a Receita Federal para figurar em eventual pedido de reconhecimento de vínculo empregatício ante à Justiça do Trabalho, eis que a legitimidade, em tais feitos, limitase à relação jurídica entre empregador e empregado, da qual não participa. Os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal às fls. 923/970 e os fundamentos elencados no voto condutor da decisão recorrida para manutenção da exigência tributária em exame (à exceção do aproveitamento dos tributos recolhidos pela empresa Ópera Vídeo Ltda), não merecem qualquer reparo. A Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda ME celebrou diversos contratos que, em resumo, estabelece a locação dos serviços profissionais do Sr. Renato Mattos Machado. Diferentemente do que aduz a defesa, no caso em exame, não há conveniência empresarial para prestação dos serviços através de pessoa jurídica, civil ou comercial, de serviços personalíssimos, pois apenas o Sr. Renato Machado, em caráter pessoal e insubstituível, é que poderia prestar os serviços para a TV Globo ou para qualquer outra empresa contratante dos seus serviços. De fato, não há na empresa Ópera Vídeo outro profissional com a mesma qualificação para prestar os serviços. Tais circunstâncias repelem quaisquer aproximações da referida empresa com a natureza jurídica das sociedades civis. Não se trata, na hipótese, como habilmente postulado pela defesa, de se escolher um profissional dentro da sociedade para prestar os serviços, devido à absoluta impossibilidade de outro ser designado para o seu lugar, mesmo em situações excepcionais, até porque outro não há para substituílo, nem há registro de contratação de qualquer profissional para esse fim. Contudo, cabe repisar, a Ópera Vídeo não é uma sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, conforme indicam os seus atos constitutivos e alterações posteriores, às fls. 24/34, a seguir transcrito, sendo irrelevante a formação profissional dos sócios que a compõe: SEGUNDA A sociedade ora constituída terá por objeto a prestação de serviços de produções e criações artísticas, cinematográficas, jornalísticas e culturais, direção de programas e filmes, gravações videográficas, fonográficas, audiovisuais, vídeo cassete e filmes, fotografias, edições de textos e imagens, sonoplastia, dublagens e mixagens, assessoria promocional e releases, agênciamento de turismo e de modelos, tudo para: televisão, rádio, cinema, teatro, associações, empresas estatais ou partitulares e pessoas físicas, podendo, ainda, contratar e empresariar artistas e pessoal técnico destinado a serviços de sua produção ou de terceiros e tudo mais a que for afim. Ademais, é sintomático o fato da empresa em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo ao ano de 2000 (fl. 59verso), informar que o Sr. Sebastião Lacerda não auferiu nenhum tipo de rendimento da PJ. O mesmo ocorre nas DIPJ dos anos de 2001 e 2002 (fls. 71verso e 89verso). Ou seja, se o sócio Sebastião Lacerda trabalhou na empresa nos períodos a que se refere o lançamento em exame, não recebeu nenhum centavo pelo labor. As referidas DIPJ Fl. 1375DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 7 11 somente informam distribuição de lucros/dividendos e pagamento de prólabore ao Sr. Renato Machado. Cabe acrescentar que o contribuinte é também um profundo conhecedor de vinhos, afirmação comprovada pelo fato de ser ele contratado pela Globosat Programadora Ltda. para atuar como repórter e roteirista do programa intitulado "Reserva Especial". Mais uma vez, a divulgação de sua imagem e voz, neste caso aliada aos seus conhecimentos sobre vinhos, proporcionam ao Sr. Renato, prestar serviços a outras empresas, principalmente ministrando palestras e escrevendo artigos sobre o assunto para publicações especializadas. Como já exposto no parágrafo anterior, as empresas interessadas em ter sua presença em palestras ou ter seus artigos em suas publicações, contratavam a Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda, sabendo, no entanto, que quem prestaria o serviço seria o Sr. Renato Mattos Machado. As despesas de funcionamento desta empresa são mínimas quando comparadas a sua receita bruta. Praticamente só existem despesas com tributos. As outras despesas referemse ao prólabore, INSS referente ao prólabore e despesas bancárias, conforme planilhas anexas (fls. 976 a 978). As citadas planilhas foram construídas a partir dos dados do Livro Diário da empresa (fls. 106 a 268) e a receita bruta retirada da DIPJ (fls. 49 a 91), consoante dados resumidos no quadro demonstrativo ao final da fl. 925. Em resposta à intimação para apresentar os Recibos de Pagamentos de Autônomos e Notas Fiscais que comprovem os pagamentos a terceiros (fls. 887/889), a Ópera Vídeo Ltda esclarece que na dependência do tipo de serviço executado eram utilizados os serviços de terceiros que davam apoio à execução dos serviços para os quais foi contratada a Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas, porém, os pagamentos eram feitos diretamente no local e em moeda corrente. Tendo em vista o tempo já transcorrido e pelas atividades executadas os recibos dos respectivos pagamentos não foram localizados. Quanto ao Livro de Registro de Empregados e os comprovantes de recolhimento de INSS e FGTS, informa que deixou de proceder aos respectivos registros. A fiscalização constatou, mediante exame do livro Diário da empresa Ópera Vídeo Ltda., que não houve escrituração de pagamento a empregados/funcionários. O Sr. Renato Mattos Machado, conhecido nacionalmente como Renato Machado, à época dos fatos, era o principal apresentador do telejornal "BOM DIA BRASIL", além de apresentar eventualmente o "JORNAL NACIONAL", e outros telejornais exibidos pela TV Globo. O primeiro pode ser considerado o mais importante telejornal matutino do Brasil e o segundo o mais importante telejornal do Brasil, ambos com uma audiência extraordinária. Assim, o Sr. Renato Machado, por ser um dos apresentadores de televisão mais conhecidos do Brasil, é constantemente contratado por diversas empresas para narrar ou ser locutor em vídeos institucionais, apresentar eventos, mediar debates, ministrar palestras, coordenar painéis e principalmente atuar como "Mestre de Cerimônia" em eventos de diversos tipos. Das 32 empresas relacionadas às fls. 930/931, somente foram apresentados os contratos de prestação de serviços celebrados com a empresa Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda de 5 empresas (incluindose o da TV Globo), sendo evidente que, somente o Sr. Renato Machado poderia prestar os serviços contratados, tendo em vista que as empresas somente contrataram a Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda. para que pudessem ter em seus eventos a figura, a imagem e/ou a voz do "âncora" do telejornal "Bom Dia Brasil". Da mesma forma, nas prestações dos serviços decorrentes de contratos verbais, as Fl. 1376DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 informações extraídas das notas fiscais apontam invariavelmente a pessoa do Sr. Renato Machado como apresentador, tradutor, mediador, mestre de cerimônia etc. No que tange à alegação da empresa no sentido de ter utilizado serviços de terceiros, cabe salientar que além de não ter sido apresentado qualquer comprovante destas despesas, na escrituração do Livro Diário da empresa Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda. não há registro de pagamentos a terceiros, nem há elementos de prova nos autos a evidenciar a prestação de serviço por qualquer outro profissional. De fato, a escrituração fiscal/contábil da Ópera Vídeo não traz qualquer registro de pagamentos a terceiros, auxiliares, técnicos de filmagem e produção etc, de modo a caracterizar a prestação de serviço por uma equipe da mencionada empresa, conforme postulado pela recorrente. Também inexiste nos autos qualquer outro elemento de prova neste sentido. Constatase, inclusive, que a DIPJ apresentada pela empresa Ópera Vídeo, o sócio Sebastião Lacerda não auferiu prólabore nem lucros ou dividendos nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 (fls. 59verso, 70verso, 89verso), período ao qual se reporta o lançamento em tela. No Termo de Verificação Fiscal, a partir da fl. 934 deste processo, a fiscalização examina minuciosamente cada prestação de serviço, afastando definitivamente qualquer dúvida acerca do caráter personalíssimo da contratação: os elementos de prova nos autos são concordantes e conclusivos e evidenciam claramente que os serviços contratados somente poderiam ser realizados pelo Sr. Renato Machado. No contrato da TV Globo (fls. 890 a 897 e 904 a 911) os serviços seriam prestados unicamente pelo interveniente (Renato Machado), havendo previsão expressa de rescisão do contrato em caso de morte ou impedimento permanente do interveniente, o pagamento de gratificações semestrais e quadrimestrais, bem como a cessão a título universal dos direitos de sua imagem e voz. De fato, as notas fiscais emitidas pela empresa ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda ME, em nome da TV Globo Ltda, trazem as seguintes discriminações dos serviços: "Serviços de repórter especial prestados por Renato Machado em " (NFs n° 370, 373, 376, 381, 384, 388, 392, 398, 402, 406, 411, 421 e 425, fls. 821 a 836 e 867), "Remuneração por serviços prestados de apresentação no mês ..., conforme contrato" (NFs n° 455, 460, 467, 472, 484, 497, 500, 009, 026, 031, 037 e 045, fls. 842 a 860), além de outras discriminações semelhantes, que demonstram o caráter personalíssimo dos serviços prestados. A omissão de rendimentos de natureza personalíssima não é matéria nova neste Conselho, que vez por outra é instada a decidir em litígios decorrentes de lançamentos em que o fisco, diante de situações em que contribuintes constituem empresas através das quais realizam contratos de prestação de serviços, procedimento rejeitado pelo fisco nos casos em que os serviços são considerados de natureza pessoal, realizados por um único profissional e, portanto, sujeitos à tributação das pessoas físicas. Os diversos lançamentos que trataram desta matéria, foram objeto de manifestações por Colegiados diversos deste Conselho, mantendose sempre a exação tributária. De fato, no cerne da discussão está a dualidade de regimes tributários, muito própria do imposto de renda, que, assim como outros impostos, podem ter contribuintes pessoas físicas e pessoas jurídicas, mas que, no caso específico do imposto de renda, a tributação de uns e de outros são marcadas por diferenças profundas, estruturais, nos critérios de apuração dos elementos essenciais da relação obrigacional tributária, em especial da base tributável. Diferenças essas tão acentuadas no caso do imposto de renda, tão cristalizada que é essa fronteira entre o IRPF e o IRPJ que muitas vezes se trata um e outro quase como se fossem impostos distintos, que sabemos não ser o caso. Um primeiro ponto a se destacar é que no ordenamento jurídico tributário brasileiro não existe um imposto de renda das pessoas físicas e um imposto de renda das Fl. 1377DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 8 13 pessoas jurídicas, mas um único Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, cujo fato gerador está definido no art. 43 do CTN. Essa diferenciação entre os regimes tributários das pessoas físicas e o das pessoas jurídicas se dá, no nosso ordenamento jurídico tributário, inteiramente, no nível da legislação ordinária. Esse breve intróito foi muito bem argumentado pelo ilustre Conselheiro Pedro Paulo da Silva Pereira Barbosa, a quem peço vênia para transcrever os abalizados fundamentos explanados no Acórdão de nº 10622.725, com os quais concordo, acerca da legislação pertinente a essa matéria: Um exame da legislação do Imposto de Renda, já desde o DecretoLei nº 5.844, de 1943, demonstra, com clareza, que esta tem, sistemática e coerentemente, feito essa distinção levando em conta, precisamente, propriedade ou posse do bem produtor da renda e a natureza da renda auferida. O DecretoLei nº 5.844, de 1943 já fazia claramente essa distinção, senão vejamos: Art. 1º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil que tiverem renda liquida anual superior a vinte e quatro mil cruzeiros (Cr$ 24.000,00), apurada de acordo com este Decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado ou profissão. (Redação dada pelo DecretoLei nº 8.430, de 24.12.1945) Parágrafo único. São também contribuintes as que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse, como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor. Art. 18 Constitui rendimento líquido, em cada cédula, a diferença entre o rendimento bruto e as deduções cedulares. Parágrafo único. Quando não for solicitada dedução ou quando esta não tiver cabimento, tomarseá como líquido o rendimento bruto declarado. Na cédula "D" eram classificados os rendimentos não compreendidos nas demais cédulas, aí incluindose os rendimentos de prestação de serviços, que por sua pertinência com a matéria ora em exame transcrevo a seguir o artigo correspondente do referido DecretoLei: Art. 6° Na cédula "D" serão classificados os rendimentos não compreendidos nas outras cédulas, tais como: a) honorários do livre exercício da profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, contador e de outras que se lhes possam assemelhar. (Redação dada pela Lei nº 154, de 1947). b) proventos de profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais; c) remunerações dos agentes, representantes e outras pessoas que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria; Fl. 1378DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 d) emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; e) corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; f) lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções; g) ganhos da exploração de patentes e invenção, processos ou fórmulas de fabricação, quando o possuído auferir lucros sem as explorar diretamente (redação dada pela Lei nº 154, de 1947); h) (Suprimido pela Lei nº 154, de 1947). Já a tributação das pessoas jurídicas foi tratada do seguinte modo no Decreto Lei nº 5.844, de 1943: Art. 27 As pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, que tiverem lucros apurados de acordo com este decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sejam quais forem os seus fins e nacionalidade. § 1° Ficam equiparadas às pessoas jurídicas, para efeito deste decretolei, as firmas individuais e os que praticarem, habitual e profissionalmente, em seu próprio nome, operações de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro. § 2° As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não. Notese que as atividades de natureza civil ou comercial praticadas com o fim especulativo de lucro, mesmo que por pessoas físicas e por firmas individuais, isto é, firmas ou sociedades, "registradas ou não", devem ser tributadas por contribuintes pessoas jurídicas; já os salários, honorários do livre exercício de profissões, proventos de ocupações ou prestação de serviços não comerciais, etc. devem ser tributados como rendimentos de pessoas físicas. Com isso, a legislação claramente adota, na distinção entre contribuintes pessoas físicas e contribuinte pessoas jurídicas, a natureza da renda. Isto é, os lucros, entendidos este como produto da atividade comercial e/ou especulativa, são tributados como imposto de renda de pessoas jurídicas; os rendimentos decorrentes do trabalho pessoal são tributados como rendimentos de pessoas físicas. Essa definição permanece até os dias de hoje. Está assim definida no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção na nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). Fl. 1379DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 9 15 § 1º São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Decreto nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 45). § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º). Art. 146. São Contribuinte do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I – as pessoas jurídicas (Capítulo I); II – as empresas individuais (Capítulo II); § 1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, § 2º). § 2º As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência do imposto aplicável às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 60). § 3º As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos aos exercício de profissões legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 55). § 4º As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes ns mesmas condições das demais pessoas jurídicas (CF. art. 173, § 1º, e Lei nº 6.264, de 18 de novembro de 1975, arts. 1º a 3º). § 5º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.432, de 1997, art. 69). § 6º Sujeitamse à tributação aplicável as pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no§ 2º do art. 752 (Lei nº 9.779, de 1999, art. 2º). § 7º Salvo disposição em contrário, a expressão pessoa jurídica, quando empregada neste Decreto, compreende todos os contribuintes a que se refere este artigo. Fl. 1380DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Art. 150. As empresas individuais, para efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II – as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"). III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de térreos da Seção II deste Capítulo (Decretolei nº 1.831, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I – médico, engenheiro, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II – profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"), III – agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "c"); IV – serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "d"); V – corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "e"); VI – exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplanagem, construções de alvenaria e outros congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "f"; VII – exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real Fl. 1381DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 10 17 (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 9.891, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorra de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II)." O Decretolei nº 2.397, de 1987 introduziu um regime especial de tributação para as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, admitindo a apuração do resultado na pessoa jurídica, sem a incidência do imposto na pessoa jurídica, porém determinando a distribuição automática dos resultados, de acordo com a participação de cada sócio na sociedade, ao fim de cada período de apuração, com a incidência do imposto na pessoa física. A seguir transcrevo o próprio DecretoLei: DecretoLei nº 2.397, de 1987 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. § 1° A apuração do lucro de cada períodobase será feita com observância das leis comerciais e fiscais, inclusive correção monetária das demonstrações financeiras, computandose: I as receitas e rendimentos pelos valores efetivamente recebidos no períodobase; II os custos e despesas operacionais pelos valores efetivamente pagos no períodobase; III as receitas, recebidas ou não, decorrentes da venda de bens do ativo permanente; IV o valor contábil dos bens do ativo permanentes baixados no curso do períodobase; V os encargos de depreciação e amortização correspondentes ao períodobase; VI as variações monetárias ativas e passivas correspondentes ao períodobase; VII o saldo da conta transitória de correção monetária, de que trata o art. 3°, II, do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Fl. 1382DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 § 2° Às sociedades de que trata este artigo não se aplica o disposto no art. 6° do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Art. 2° O lucro apurado (art. 1°) será considerado automaticamente distribuído aos sócios, na data de encerramento do períodobase, de acordo com a participação de cada um dos resultados da sociedade. 1° O lucro de que trata este artigo ficará sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, aplicandose a tabela de desconto do Imposto de Renda na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado, exceto quando já tiver sofrido a incidência durante o períodobase, na forma dos §§ 2° e 3° . 2° Os lucros, rendimentos ou quaisquer valores pagos, creditados ou entregues aos sócios, mesmo a título de empréstimo, antes do encerramento do períodobase, equiparam se a rendimentos distribuídos e ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, na data do pagamento ou crédito, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, calculado de conformidade com o disposto no parágrafo anterior. 3° O Imposto de Renda retido na fonte sobre receitas da sociedade de que trata o art. 1° poderá ser compensado com o que a sociedade tiver retido, de seus sócios, no pagamento de rendimentos ou lucros. Convém ressaltar, ainda, que a partir de janeiro de 1996, os lucros pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado passaram a não sofrer tributação, na fonte e na declaração e que, a partir da Lei nº 9.430, de 1996, as sociedades civis passaram a ter o mesmo regime de tributação das demais sociedades. Essa mudança legislativa foi introduzida pela Lei nº 9.249, de 1995, no seu artigo 10, caput, verbis: Art. 10 – Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo de Imposto sobre a Renda do Beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Já a Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs sobre a sociedades civis: Art. 55. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, passam, em relação aos resultados auferidos a partir de 1º de janeiro de 1997, a ser tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Notese que, com a combinação das regras do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 com o art. 55 da Lei nº 9.430, de 1995, a partir de 1º de janeiro de 1997, os resultados das sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas passaram a ser tributados apenas nas pessoas jurídicas, assim como os resultados das demais pessoas jurídicas. Fl. 1383DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 11 19 Dessa análise, o eminente Conselheiro concluiu que são contribuintes do imposto de renda como pessoas jurídicas as firmas individuais e as sociedades, inclusive as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, registradas ou não, que obtiverem renda produzida pelo exercício de atividade civil ou comercial com o objetivo especulativo de lucro ou, no caso das sociedades civis, em decorrência do exercício regular da profissão regulamentada, sendo este, o lucro (real, presumido ou arbitrado) e não outro tipo de renda qualquer, a base de cálculo do imposto, sendo contribuintes pessoas físicas as pessoas naturais que aufiram rendimentos e proventos diversos, que não sejam produto do exercício regular de atividade comercial ou especulativa de lucro, como rendimentos do trabalho assalariado, exercício individual de profissão, prestação de serviços não comerciais etc. A respeito do caráter interpretativo do art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, comungo do entendimento esposado pelo i. Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão de nº 10421.583, a seguir transcrito, no sentido de que referida norma criou direito novo, inaplicável retroativamente, já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como receita de pessoa jurídica. No mesmo sentido também são os Acórdãos no 10421954, de 18/10/2006; no 10421583, de 24/05/2006; e no 10422408, de 23/05/2007, sendo certo que em nenhum dos processos a que se referem os acórdãos houve a desconstituição ou desconsideração da pessoa jurídica, mas, tãosomente, a reclassificação da receita lançada como de pessoa jurídica para a pessoa física do efetivo prestador do serviço: Antes de adentrar no mérito propriamente dito e em razão da matéria ter sido levantada na fase da sustentação oral se faz necessário algumas considerações a respeito do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, abaixo transcrito: “Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil.” Dispõe o artigo 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 o Código Civil: "Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." Não há dúvidas que o artigo 129 foi editado para resolver problemas relacionados à tributação dos rendimentos produzidos em decorrência da prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica (“empresas unipessoais”). Entretanto, no caso em discussão, o crédito tributário constituído se reporta a fato gerador ocorrido antes da vigência da mencionada lei, razão pela qual se faz necessária a verificação se o referido dispositivo legal faz inovação ou criação de regime jurídico novo, ou apenas expressa entendimento sobre legislação já existente, ou seja, é esta norma meramente interpretativa? Fl. 1384DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Indiscutivelmente a lei interpretativa não pode inovar, limitase a esclarecer dúvida a respeito de dispositivo de lei anterior. No meu entendimento o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 traz inovação e cria as “empresas unipessoais” para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária. Entretanto, a norma acima não possui caráter interpretativo, sendo incorreto alegar aplicação retroativa com base no art. 106, inciso I, do CTN. O art. 106, inciso I, do CTN assim dispõe: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Segundo Eduardo Espinola e Eduardo Espinola Filho, “denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas” (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, atualizado por Silva Pacheco, 3ª ed., Ed. Renovar, 1999, vol. 1, p.294). Portanto, para que uma lei seja considerada interpretativa, são necessários os seguintes requisitos: 1) o caráter interpretativo tem que ser expresso; 2) indicação da lei anterior que está sendo interpretada; 3) existência de lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e 4) existência de dúvida quanto ao sentido de uma lei anterior. Analisando os artigos 146 a 150 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, já transcrito neste voto, o eminente Conselheiro conclui que as atividades exercidas por pessoas físicas, nas situações abaixo relacionadas, não se caracterizam como empresa individual, ainda que, por exigência legal ou contratual, encontremse cadastradas no CNPJ ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (1) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mãodeobra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, MegaSena etc) credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. 1º da Lei nº 4.886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; Fl. 1385DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 12 21 (5) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que os valores recebidos pelo suplicante são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal. Indiscutivelmente, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que não o titular contratado são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa física do efetivo prestador de serviços. Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante. Como se vê, nunca houve dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo como única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, o que não é o presente caso. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, em casos semelhantes, sempre se firmou no sentido de que rendimentos provenientes de serviços personalíssimos devem ser tributados na pessoa física. É nítido que o referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então, a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou dúvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um artista, ou seja, serviço personalíssimo, seria tributado na pessoa física prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica, pois se verifica que, na realidade, o que foi contratado foi um serviço individual. Tenho para mim, que a referida norma tem por objetivo maior esclarecer e orientar os agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas para prestação de serviços intelectuais, com a finalidade de tributar os sócios. Fl. 1386DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 Assim, as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais (sociedades de engenheiros, arquitetos, advogados, médicos etc) não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Em conclusão, o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é lei inovadora, portanto, inaplicável a regra contida no art. 106, inciso I, do CTN, aos serviços prestados por “empresas unipessoais” (caráter personalíssimo) antes da publicação da referida lei, já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como de pessoa jurídica. Cumpre ainda destacar o voto do Ministro Sepúlveda Pertence proferido por ocasião do julgamento da ADIN n° 605, acerca da lei interpretativa: Para mim, no sistema brasileiro, lei interpretativa ou é inócua ou é lei nova. Se é mera interpretação de lei preexistente e veicula — se isso é possível — a única interpretação admissível dessa lei preexistente, a lei interpretativa vale exatamente o que valer a interpretação que traduz, isto é, nada vale, porque, evidentemente, se é a única interpretação, ou não, a afirmação, no caso concreto, continuará entregue ao Poder Judiciário. Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No que tange à descaracterização da pessoa jurídica, o i. Conselheiro Nelson Mallman conclui que: Analisando este item, constatase pelos elementos que compõem os autos que, ao contrário do argumento do litigante, a fiscalização não adotou procedimentos no sentido de efetivar a desconsideração jurídica da empresa Massa & Massa Ltda. em sede administrativa, mesmo porque, como já exaustivamente repetido em itens anteriores, a tributação em causa, com supedâneo no enquadramento legal consignado no auto de infração, mormente o preceituado no § 4º do art. 3° da Lei n° 7.713/88, e em face do disposto nos arts. 4º, 118 e 123 do CTN, independia de tal providência, bem como da descaracterização da escrita fiscal da pessoa jurídica citada; cabe acrescer que não foi objeto de fiscalização a empresa referida, de forma que não subsistem as alegações relativas a lucros por ela distribuídos, e despesas e compras incorridas. Não há mais o que comentar ou fundamentar já que não houve a desconsideração jurídica das empresas em questão. O que houve foi o deslocamento de parte da receita lançada como de pessoa jurídica para a pessoa física. Conforme assinalado na transcrição acima, em itens anteriores, no qual se analisou a relação entre a pessoa física do sócio e a pessoa jurídica, foram efetuadas as seguintes ponderações: Com relação às alegações da existência formal da pessoa jurídica envolvida, cabe reforçar que a fiscalização não negou tal existência, bem como não houve a sua desconstituição, o que houve foi desconsideração dos atos jurídicos aparentes, ou seja, transferência dos rendimentos/receitas lançadas como que fossem da pessoa jurídica para a pessoa física envolvido, que é o beneficiário de fato. Fl. 1387DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 13 23 Nem poderia ser diferente, já que o Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços para Realização de Programas de Televisão e Outras Avenças de fls. 62/71 e os Contratos de Parceria Para Divulgação Publicitária e Termo de Licença Onerosa de Uso de Imagem de fls. 72/194, firmados entre o suplicante e as empresas recebem a anuência/interveniência deste. Em última análise, é este ato que dá eficácia a cada contrato, porque somente o apresentador Carlos Roberto Massa, por ato de sua vontade, que pode dispor da sua imagem ou dos seus serviços. Vale dizer, que a pessoa jurídica Massa & Massa em questão não tem poder para dispor sobre o objeto do contrato, em face de tratarse de direitos da personalidade. Não tenho dúvidas, que as cláusulas contratuais, esclarecem sem margem de erro que os serviços a serem prestados serão prestados pessoalmente pela pessoa física do apresentador Carlos Roberto Massa, de forma que não se pode negar que os valores pagos pelas empresas envolvidas, relativos ao trabalho pessoal do apresentador Carlos Roberto Massa, são rendimentos tributáveis na pessoa física. Como, também, não tenho dúvidas, que o direito à imagem integra os direitos da personalidade e os rendimentos daí decorrentes, são de tributação na pessoa física. É de se reforçar, que no caso em questão, o próprio apresentador Carlos Roberto Massa é o responsável pelo cumprimento do contrato, pois, sem ele nada feito, não há como outro sócio substituílo, até porque as cláusulas contratuais são nítidas neste sentido. Assim, não se pode negar que os valores percebidos relativamente à prestação pessoal de tais serviços e relativos aos contratos em análise correspondem a rendimentos obtidos por profissional no exercício de sua função. Restou patente, pelas próprias cláusulas contratuais, a obrigatoriedade de que os serviços sejam executados de forma pessoal pelo profissional Carlos Roberto Massa. Não há espaço para que a contratada Massa & Massa cumpra a obrigação firmada no instrumento sem a presença pessoal do contribuinte. Não há como substituílo, pois a essência do contrato é que a execução dos serviços seja realizada somente pelo intervenienteanuente. No presente caso, a matéria fática é a mesma: os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais apresentadas e as diligências realizadas no curso da ação fiscal deixam claro que os serviços foram executados pela pessoa física do contribuinte, em caráter personalíssimo e individual. Os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, em caráter insubstituível, são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa física do efetivo prestador do serviço. A administração tributária já se manifestou em diversas oportunidades a respeito desse assunto e numa delas, por meio do Parecer Normativo CST nº 38, de 24 de março de 1975 (DOU de 08.05.1975), ementou suas conclusões da seguinte forma: “Os rendimentos do trabalho percebidos por pessoa física em decorrência de atividade profissional não podem ser incluídos em declaração de pessoa jurídica, mesmo quando a pessoa física possua estabelecimento no qual desenvolve suas atividades e emprega auxiliares; a opção é incabível, por carência de direito.” Considerando que a legislação tributária, expressamente, define a forma de tributação para os rendimentos de natureza personalíssima, não remanesce qualquer dúvida quanto a tributação dos rendimentos na declaração da pessoa física. Fl. 1388DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 Da mesma forma, não pode prevalecer o conceito de que seriam tributados como receita da pessoa jurídica todos os rendimentos que o contribuinte classificasse como tal, bastando para isso a existência de uma sociedade que emita notas fiscais desses rendimentos. Os rendimentos devem ser submetidos às normas de tributação relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas. Nesse ponto, vale lembrar que a Lei nº 7.713, de 1988, é clara ao trazer em seu art. 3º, § 4º, que “a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer título”. Nessa linha de entendimento, o Código Tributário Nacional estabelece em seus artigos 114, 116, 118 e 123, in verbis: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. (...) Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existente os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (...) Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos; (...) Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Tendo o fisco identificado que a contraprestação por essa atividade laboral foi paga a uma pessoa jurídica, nas condições relatadas acima, poderia e deveria requalificar os fatos para formalizar a exigência do imposto na pessoa física que, tendo relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, é o contribuinte, sujeito ao regime de tributação próprio das pessoas físicas. Notese que não se trata aqui de desconsiderar a personalidade jurídica, mas tãosomente de requalificar os fatos, para a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Ao exigir o imposto do verdadeiro sujeito passivo o Fisco não está de modo algum desconsiderando a personalidade jurídica pela aplicação de norma antielisiva, até porque a constituição de empresa para contratar serviços a serem prestados exclusivamente por determinada pessoa física, à época dos fatos, não caracterizava elisão fiscal, pela simples razão de que não era lícito tal procedimento, o que afasta o requisito fundamental da elisão – a licitude da conduta. Neste sentido, confirase o entendimento Fl. 1389DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 14 25 manifestado pelo i. Conselheiro José Ribamar Barros Penha, relator do Acórdão nº 10414.244. Confirase: O recorrente entende que no presente procedimento houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., feita ao arrepio da autorização judicial prevista no art. 50 do Código Civil, Lei n° 10.406, de 2002. Não vejo razão ao recorrente. Como visto, no presente lançamento não se cogitou desconsiderar a existência da pessoa jurídica que permanece com sua personalidade intacta. Uma prova disto está no fato de o julgador refutar o pedido de compensação dos impostos recolhidos sob a justificativa que só à empresa, por seus representantes legais, compete promover ações neste sentido. (...) A fundamentação do lançamento nos dispositivos das Leis n°7.713, de 1988, n° 8.134, de 1990, como acima transcrito, corresponde à tributação dos rendimentos percebidos por pessoa física como produto do trabalho prestado individual e pessoalmente. Não restam duvidas de que, independentemente da liberdade que têm os particulares de poderem organizar seus negócios da forma como melhor lhes aprouver, essa liberdade diz respeito à atividade negocial. Correto, portanto, a exigência tributária constituída na pessoa física que efetivamente realizou o trabalho, de natureza personalíssima (insubstituível), sobre a remuneração paga pelo contratante como contraprestação pelos serviços contratados. Os elementos de prova nos autos (contratos de prestação de serviços, notas fiscais e declarações dos contratantes) são cristalinos a esse respeito. De fato, a omissão de rendimentos de natureza personalíssima, atribuída ao recorrente, jamais deixou de ser considerada como infração ante a legislação em vigor em nosso ordenamento à época dos fatos geradores tratados no lançamento em exame. Nos termos do artigo 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, e não houve alteração no tocante à penalidade prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, sendo, por estes motivos, igualmente incabível a tese de que caberia a retroatividade benigna prevista no inciso II, art. 106, do CTN. A partir da Lei nº 11.196, de 2005, o contribuinte tem a opção de constituir uma empresa e tributar nela os rendimentos de natureza personalíssima ou estabelecer vínculo profissional em nome próprio, tributando, consequentemente, os rendimentos na pessoa física. O modal deôntico continua a ser proibido para o período ao qual se reporta o lançamento. A alegada violação ao artigo 146 do CTN não se constata no presente lançamento. Não há nos autos qualquer elemento de prova da manifestação da Administração Tributária acerca da forma de tributação realizada pela pessoa física Renato Mattos Machado, em momento anterior ao lançamento em exame, razão pela qual não se pode atribuir qualquer alteração ou mudança de entendimento em relação aos rendimentos de natureza personalíssima. Se o argumento utilizado pelo recorrente estivesse correto, a homologação tácita, prevista no artigo 150, § 4º, geraria efeito não só para o fato gerador que ultrapassou os cinco anos sem ser Fl. 1390DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 homologado expressamente, como também para os fatos geradores posteriores até a data da apuração da infração, que serviria apenas para advertir o contribuinte em relação aos fatos geradores futuros. Se não há ato geral ou específico (em processo de consulta) da administração tributária validando determinado procedimento, não há se falar em mudança/alteração de entendimento. A Fazenda Nacional, a rigor, foi punida pelo decurso do tempo, decorrente da própria inércia, nos termos do artigo 150 CTN, já que somente pode exercer o seu poder/dever de fiscalizar o contribuinte pelos últimos cinco exercícios: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Devese considerar, entretanto, que se é lícito à autoridade administrativa requalificar os fatos para considerar como rendimentos das pessoas físicas os valores indevidamente declarados como receita da pessoa jurídica, deve, ao fazêlo, também considerar o tributo indevidamente pago pela pessoa jurídica. Nesse sentido são os Acórdãos 10418641 e 10614.244, dentre outros. Embora reconhecendo que a empresa e a pessoa física do sócio são entidades distintas, como ressalta a decisão recorrida, não se pode desconsiderar o fato de que, no exato instante em que a Fazenda Nacional afirma que os valores lançados como receitas da pessoa jurídica são rendimentos da pessoa física, está reconhecendo que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica sobre essas mesmas receitas eram indevidos. Ou, de outra forma, reconhecendo que parte do tributo que a Fazenda deveria receber foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra denominação. Dirseá que a pessoa jurídica poderá pleitear a restituição do indébito. Tal solução, entretanto, não é razoável. Primeiro, porque afronta o princípio da celeridade e economia processuais; depois, porque entre uma e a outra opção opera uma grande diferença na base de cálculo da multa de ofício, em desfavor do contribuinte, caso não se proceda a compensação. Finalmente, porque imporia à empresa o ônus de, ao pleitear a restituição dos tributos e contribuições pagos, reconhecer que as receitas foram tributadas indevidamente na pessoa jurídica, contra suas próprias convicções, salvo se o pedido fosse formulado apenas Fl. 1391DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001255/200521 Acórdão n.º 2101002.623 S2C1T1 Fl. 15 27 após o trânsito em julgado na esfera administrativa e judicial, quando poderá sobrevir o término do prazo decadencial para pleitear a restituição, em prejuízo do contribuinte. Notese, por fim, que a multa de ofício deve ser aplicada sobre a "totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", conforme dicção do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ora, no caso, de uma forma ou de outra, parte do imposto já foi pago e, portanto, a multa deve incidir apenas sobre a diferença. Por todas essas razões, entendo que deve ser feita a compensação dos tributos e contribuições Federal pagos pela empresa Ópera Vídeo Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda CNPJ nº 31.938.517/000150, nos anos calendário de 2000 a 2002, fls. 976/978, antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Por outro lado, os descontos simplificados indicados nas respectivas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2000 a 2002 (fls. 04/10) devem ser proporcional a 20% dos rendimentos tributáveis, até o limite máximo de R$8.000,00, conforme determina a legislação tributária. O contribuinte também declarou rendimentos tributáveis auferidos da Ópera Vídeo Ltda, sendo certo que tais rendimentos estão contidos nos rendimentos lançados, devendo ser excluídos da tributação sob pena de bitributação, prática vedada em nosso ordenamento jurídico. De fato, o prólabore auferido pelo contribuinte da empresa Opera Vídeo, especificados nas Declarações de Ajuste Anual, devem ser deduzidos da respectiva base de cálculo, tendo em vista a requalificação dos rendimentos da pessoa jurídica. Por falta de previsão legal, não se acolhe o pleito da recorrente quanto à correção dos tributos pagos pela empresa Ópera Vídeo Ltda., do mês do recolhimento até o mês do vencimento da obrigação consignada neste auto de infração, até por que os rendimentos auferidos de pessoa jurídica por pessoa física estão sujeitos à antecipação do IRPF. Por outro lado, desnecessária a prática de ato ilícito para que haja incidência da multa de ofício e juros de mora, já que basta o recolhimento insuficiente ou a declaração inexata para que esta tenha aplicação, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, bem assim o recolhimento fora do prazo para a fluência dos juros moratórios. Inaplicável ao caso em exame a norma do artigo 100, inciso I e § único, do CTN, devido à inexistência de orientação administrativa que dê suporte à opção da contribuinte em tributar rendimentos pessoais na empresa Ópera Vídeo Ltda. Para os argumentos de inconstitucionalidade apresentados pela defesa, lembro que a Súmula CARF nº 02 dispõe que este Órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face ao exposto, rejeito as preliminares suscitas, e, no mérito, dou provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o prólabore auferido pelo autuado nos respectivos períodos, considerar o limite máximo do desconto simplificado e determinar a compensação dos tributos recolhidos na pessoa jurídica relativos aos valores levados a tributação no Auto de Infração, devendo incidir a multa de ofício e os juros de mora somente sobre a diferença encontrada. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 1392DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 28 Fl. 1393DF CARF MF Documento de 28 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0818.10277.LORL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 15/08/2013 14:31:56. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 19/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/08/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0818.10277.LORL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7D2F34D093490C5BC2BD352B8746627FAD85ED4E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.001255/2005-21. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10711.005631/2010-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2008
PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO.
Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007.
CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO.
Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/06/2008 PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO. Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO. Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
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LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2008 PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO. Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO. Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 56 31 /2 01 0- 32 Fl. 190DF CARF MF 2 norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende combater a aplicação da multa prevista no artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66 com a nova redação estabelecida no artigo 77 da Lei 10.833/03. Alegou, preliminarmente, a ilegitimidade passiva, sob o argumento no qual agentes de carga e transportadores não se confundem, havendo, no caso, responsabilização solidária sem expressa previsão legal. No mérito, aponta a impossibilidade de aplicação do teor textual previsto no inciso IV, e, pelos motivos a seguir descritos, Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga ((bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de consequencia, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 190 3 artigo 37 do Decreto Lei 37 / 66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. o artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baledeação. Prazos dado às prestações de informações São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; Fl. 192DF CARF MF 4 d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a consequente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A embarcação chegou ao Brasil, RJ, e proveniente de Valencia, Espanha, em 17 de junho de 2008, atracando às 08:15, conforme detalhado em extrato de escala constante destes autos. A data, 17 de junho de 2008, e a hora, 08:15, relativas à atracação, estabelecem o limite para a agência de navegação prestar as informações do veiculo de carga, conforme inteligência do artigo 22 e 50, da IN 800. A agencia de navegação MSC Mediterranean, após ter informado o manifesto de sua compentencia, e efetuado as devidas vinculações às escalas, informou tempestivamente o Conhecimento eletrônico, no dia 13 de junho de 2008. Consta como consignatário da CE, a empresa NEWS Logistics, ora recorrente, Haja vista ser o porto do Rio de Janeiro, o primeiro de atracação e o destino da carga, a data e hora limite para que a NEWS, ora recorrente, prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos artigos 22 e 50 da IN 800/07, é a da atracação da embarcação, ou seja, 17 de junho de 2008, as 80hrs15. Conforme consta, a NEWS procedeu a desconsolidação da carga somente no dia 17/06/08, as 10hrs17min41. Desta forma, intempestiva. tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA AP6S 0 PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante As fls. 20 a 21. Sujeição à Multa Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 191 5 Por fim, a informação no sistema Carga, no momento do desbloqueio, sujeita a aplicação da multa prevista na alínea e, IV do artigo 107 do DL 37/66, com a data de referência em 17 de abril de 2008. Documentos anexados · Extrato da Escala; · Extrato do Manifesto; · Consulta de agencia de navegação / Desconsolidador; · Extrato do Conhecimento Eletrônico. Impugnação Em sua narração de defesa, a recorrente relata ter sido alvo de auto de infração por não ter prestado informações sobre as cargas transportadas em momento tempestivo, motivo pelo qual lhe foi aplicada a multa prevista no artigo 107, IV, e do decreto lei 37/66, nos seguintes termos: a multa será aplicada ao prestador de serviços internacionais quandoa informação não for prestada na forma e prazo Inocorrência de infração ou extemporaneidade na prestação de informações Alega que as informações foram prestadas no prazo. Clama a aplicação do artigos 105 e 116 do CTN, e o argumento da irretroativdade da lei tributária, merecendo ser transcrito os seguintes trechos da impugnação. Ora, tendo em vista que a embarcação transportando a carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em porto nacional em 17/06/2008 (CE 130.805.119.701.397), constatase que não havia obrigatoriedade de observação do prazo de antecedência estipulado para a prestação de informações pela IMPUGNANTE, dado que o prazo determinado pelo artigo 22, nos termos do artigo 50 da IN 800/07, somente seria cogente após 1 0 de janeiro de 2009. a obrigação de prestação de informações no prazo previsto no artigo 22 era até o dia 01 de abril de 2009. Dessa forma, a legislação vigente no momento de ocorrência do "fato gerador', qual seja, no instante em que as informações deveriam ser prestadas, é a legislação que deve ser aplicada ao caso concreto para determinação do prazo para cumprimento da obrigação de prestação de informações por sua vez, que de acordo com o artigo 22 da IN RFB n° 800/2007, as informações deveriam ser prestadas quarenta e oito horas antes da chegada das embarcações a descarregarem em porto nacional. Todavia, referido dispositivo tomarseia de observação obrigatória somente a partir de 10 de Janeiro de 2009, nos termos do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 a •seguir transcrito: Art. 50 Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Fl. 194DF CARF MF 6 Parágrafo único. 0 disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar, informações sobre: I a escala, com antecedência minima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Nem se. alegue que o parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 levaria a entendimento diverso, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC— empresa consolidadora de cargas ou, ainda, das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Ilegitimidade do Agente desconsolidador Classificase, conforme encontrase assentado, como agente desconsolidador, não podendo ser equiparada a agente de navegação. Mais tarde, assegura que a figura da autuada equiparase a do agente de navegação marítima. Cita a súmula 192 do extinto TFR: o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Por fim, evidencia as impropriedades do auto de infração, atribuindo a necessidade de respeitar as características da relação tributária, o arquétipo do contrato mandato. Irretroatividade e aplicação da multa a partir de 2009 A carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em 17/06/2008, alegando, como visto, não haver a obrigatoriedade de observação do prazo de antecedencia. Levanta a utilização do artigo 105 do CTN irretroatividade da lei que as informações deveriam ser prestadas 48 horas antes da chegada das embarcações , conforme artigo 22, inciso II, da IN 800/2007 Acrescenta, porém, os termos do artigo 50 da IN 800/2007, cujo mandamento impende a obrigação para somente a partir de 1 de janeiro de 2009 Pondera, também, pela alteração trazida pela IN 899/2008, a qual postergou ainda mais a obrigatoriedade, desta vez, para abril de 2009 Ausência de prejuízo ao Erário Merecem ser transcritos os seguintes trechos da impugnação: 24. De fato, segundo consta da autuação, a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, As 8:15:00, e a inclusão do CEMercante Agregado (HBL) 130805119701397 foi procedida na mesma data As 10:17:41, ou seja, pouco mais de duas horas após a efetiva atracação. 25. Ressaltase que a informação foi prestada na data da atracação e de forma espontânea pela IMPUGNANTE, sendo certo que a inclusão da informação no sistema decorridas duas Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 192 7 horas da atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro'ou bo erário público. Proporcionalidade e razoabilidade Requer a aplicação do artigo 2 da lei 9784/99, no sentido de conferir efeitos concretos aos comando da proporcionalidade e reazoabilidade na aplicação de sanções administrativas. A seguir, trechos que delineiam o raciocínio empreendido: Com efeito, a sanção pecuniária imposta, multa regulamentar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), não observa a proporcionalidade e razoabilidade, que deve permear os atos administrativos, haj a. vista i) a ausência de lesão ao erário, ii) o pleno . exercicio do controle aduaneiro e iii) a boafé da IMPUGNANTE que, duas horas após a atracação da embarcação, Promoveu a inclusão do CEMercante no sistema. Conversão da multa em pena de Advertência Requereu a conversão da multa em pena de advertência, prevista no artigo 76, I, j, da Lei 10.833/03, cominada com o artigo 45 da IN 800/07. DRJ/RJ O acórdão emanado pela referenciada DRJ, encontrase dispensado da formação de ementa, motivo pelo qual, deixase de transcrevêla, seguindose à transcrição do relatório. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigência tributária no valor de 5.000,00, referente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37 de 18/11/1966, aplicada a agente de carga por deixar de prestar informação sobre carga transportada, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração que a interessada, na condição de agente desconsolidador de carga, informou operação de desconsolidação de carga depois da atracação do navio que a transportava. A irregularidade foi cometida em relação ao Conhecimento de Embarque (CE) Mercante Máster nº 130.805.118.396.876 (CE – House nº 130.805.119.701.397), configurando a situação prevista no artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800 de 27 de dezembro de 2007, a qual impõe a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, com multa de R$ 5.000,00 por informar desconsolidação de CE Mercante fora do prazo estabelecido pela legislação. Fl. 196DF CARF MF 8 Cientificada por Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 29 a 41. Pondera a Impugnante que não é parte legitima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que a imposição do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 não poderia ser lhe aplicada, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC empresa consolidadora de cargas ou das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Alega a impugnante que o auto de infração em questão fundamentase em norma que não produzia efeitos à época do fato gerador, citando o artigo 105 do CTN, ipis litteris: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entende que na época dos fatos, a prestação de informações não precisava observar o prazo do artigo 22 da Instrução Normativa n° 800/2007, uma vez que no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, o referido artigo não tinha aplicação cogente, sendo válido apenas a partir de janeiro de 2009. No mesmo sentido afirma que com a IN RFB n° 899/2008, que modificou a redação do artigo 50 da IN n° 800/2007, houve ainda maior postergação dos prazos de antecedência, tornado a obrigatoriedade de prestar informações no prazo previsto no artigo 22 inexigível até o dia 1º de abril de 2009. Observa ainda a ausência de prejuízo ao erário, bem como que pela observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois que a atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro ou ao erário público. A imposição de multa por mero atraso no cumprimento de uma obrigação de prestação de informações, que não ensejou qualquer embaraço ao pleno exercício do controle aduaneiro (bem jurídico que a obrigação acessória pretende resguardar), mostrase desproporcional à finalidade da norma. Verificada a diminuta ou inexistente lesividade da conduta da impugnante, já que realizou de forma espontânea a prestação das informações sobre o CEMercante pouco tempo depois da atracação da embarcação, possibilitando o efetivo controle da entrada, saída e movimentação das cargas transportadas em território nacional, não se justifica a aplicação da penalidade de multa. Com vistas a observar os princípios legais atinentes à graduação e aplicação de penalidades, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, deveria ser aplicada a penalidade de advertência, prevista no artigo 76, I, "j" da Lei n° 10.833/03 c/c o artigo 45 da IN n° 800/2007. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 193 9 Requer que seja anulado o Auto de Infração, promovendo a declaração de insubsistência do presente AI com a anulação/cancelamento da cobrança e exigibilidade da multa. Do voto, merecem transcrições os seguintes trechos, relativo à aplicabidade da multa em decorrência da análise de direito intertemporal travada nestes autos: Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Sendo assim, no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória a determinação de cumprimento dos prazos de informação da carga já se encontrava em vigor. Desta forma, não se pode recorrer a alegação de que não se esteja cumprindo a regra geral de aplicação da lei tributário, ou seja, sua aplicação prospectiva e imediata prevista no artigo 105 do CTN. Sobre a ilegitimidade passiva, extraise do voto condutor: Relativamente ao argumento de tratarse de mero NVOCC empresa consolidadora de cargas, sem poder ficar sujeito às exigências dos mandamentos da Instrução Normativa nº 800/07, especificamente o dispositivo do artigo 50, informo que estão sujeitos à multa em tela a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou o mero desconsolidador de carga, equiparandose ao transportador marítimo. Sobre os fatos: A fiscalização relata que a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, às 08:15hs, sendo esta a data/hora limite para que a empresa prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. No entanto, a empresa NEWS LOGISTICS LTDA, procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) n° 130.805.119.701.397, somente no dia 17/06/2008, às 10:17:41hs, restando, portanto, INTEMPESTIVA a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata. Fl. 198DF CARF MF 10 Sobre a denúncia espontânea: Cabe observar que o bloqueio da carga no Sistema se deu antes de qualquer pedido de retificação da informação, portanto iniciado procedimento fiscal para apurar a irregularidade, antes mesmo de qualquer solicitação do contribuinte. Alegação de falta de prejuízo ao erário público: Com relação à alegação de falta de prejuízo ao Erário e da falta de conduta lesiva, por conta do admitido registro intempestivo da desconsolidação da carga, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que “a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 94, § 2º, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN). Conversão da pena, conforme artigo 45 da IN 800/2007 a expressão “e quando for o caso” não confere possibilidade de escolha sobre a aplicação de pena, mas sim sua cumulatividade quando couber. Recurso Voluntário O recurso apresentado insurgese em face da decisão de primeira instância que manteve a cobrança da multa imposta com fundamento no artigo 107, IV, e do DL 37/66 Ilegitimidade Passiva Alega a não sujeição passiva por parte da recorrente, mencionando a seção II da IN 800/2007, mais especificamente o consolidador estrangeiro (NVOCC) e o agente de carga. Deste modo, pelo artigo 4.º da mencionada IN, a empresa de navegação seria representada pelo agência marítima. Ainda, em seu artigo 6.º, indica a existência da obrigatoriedade do transportador pela prestação de informações. Desobrigatoriedade de Agente Desconsolidador em prestar informações Outro ponto abordado, a recorrente não se confunde com as figuras dos agentes arrolados, não se enquadrando como empresa de transporte, prestadora de serviço de transporte porta a porta e agente de carga. A recorrente é agente desconsolidador, e, por analogia, poderia ser comporada a agente de navegação. Por isso, relata que a recorrente, seria mero agente de cargas apontado pelo agente emissor do HBLS, conforme telas do SISCARGA, e neste sentido, a empresa MSC Meditarranean Shipping deveria ser responsabilizada pela prestação de informações. Junta jurisprudência relativo ao cancelamento de auto de infração com fundamento no item c, do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66. Atraso no envio das informações por parte do embarcador Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 194 11 Alega que as informações prestadas foram as corretas e, para prestar as informações, depende das informações prestadas por embarcadores e a confirmação das informações pelo consignatário, exatidão e tempestividade na prestação de informações dos armadores, e, por isso, houve o apontado atraso. Por ser mero agente de cargas, não possui a gestão náutica, e para saber od andamento, dependfe da comunicação oficial do armador Ausência de prejuízo As informações foram prestadas de forma correta, e não houve liberação de carga o envio das informações à autoridade aduaneira, havendo, portanto ciência e a anuência da fiscalização. Denúncia espontânea Traz o artigo 138 do CTN, pois a requerente, sem nenhuma provocação da autoridade, imputou, espontaneamente, as informações logo após ter recebido as informações alega ainda que haja afastamento do instituto pelo DLs 4.543/2002 e 6.759/2009, o CTN fora recepcionado com força de lei complementar. entregue em momento anterior a lavratura do auto, tendo o procedimento fiscal iniciado após a retificação, em conformidade com o artigo 102, parágrafo 2.º do DL 37/66, introduzida pela lei 12.530/2010. Retroação da Lei 12.530/2010 Por fim, a norma, veiculada no ordenamento jurídico no ano de 2010, retroagiria beneficamente ao fato aqui imputado. Ausência de Obrigação Legal período de contingencia 31/03/2009 nas disposições finais transitórias foi estabelecida a data de vigência de aplicação do prazo de 48 horas antes da chegada da embarcação para a prestação de informações, com o objetivo de oportunizar a devida preparação dos operadores do sistema Tal oportunização ocorreu com o diferimento do prazo incial, em 1 de janeiro de 2009, postergado para 1 de abril de 2009, tornando incabível o argumento da aplicação do artigo 50. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo Fl. 200DF CARF MF 12 prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Tempestividade Analisando os autos temse que o Recurso Voluntário é tempestivo. Conhecimento Parcial A fim de analisar sua admissibilidade, temse que deve sêlo apenas parcialmente, excluindose, do conhecimento, a parte atinente ao argumento no qual o atraso na prestação das informações deveuse ao atraso no envio das informações por parte do embarcador, vez que, tal argumento veio à tona apenas em sede recursal. Preliminar de Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Em especial, destacase argumentos da recorrente: Sendo descabida a pretensão do administrador de atingir os agentes marítimos, desconsolidador ou agente de carga. Isto por que, não há previsão legal para a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela autoridade fazendária. Entretanto, há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007: artigo 2.º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; Neste ponto, não assiste razão à recorrente, sendo negado provimento. MÉRITO Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 195 13 Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência Fl. 202DF CARF MF 14 da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 196 15 Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n.1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Fl. 204DF CARF MF 16 Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 197 17 (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Argumentos prejudicados Os argumentos trazidos a respeito da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal período de contingência 31/03/2009, ficam prejudicados, tendo em vista o provimento do pedido relativo à não aplicação da multa por haver norma mais benéfica que alterou o termo inicial do início da incidência da multa. Conclusão. Diante do exposto, Conheço parcialmente do recurso, para excluir da apreciação o argumento atinente ao motivo do atraso na prestação de informações, que teria ocorrido pelo envio tardio por parte do embarcador. Em sede de preliminares, rejeito o pedido de reconhecimento de ilegitimidade passiva. No mérito, aceito a argumentação relativa a não incidência da multa por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, dando, neste ponto DOU PROVIMENTO ao recurso. Sobre os temas da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal em prestar as informações, consideroos prejudicados, não sendo necessária sua análise. Assim, conheço parcialmente do recurso para lhe dar parcial provimento, excluindo o dever recolhimento da multa. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, acompanhado pelo Ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Fl. 206DF CARF MF 18 Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual há "norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade". Preâmbulo 2 Atentese, o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no julgamento do processo 10711.005630/201098, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.354): "Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. A fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 198 19 Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; Fl. 208DF CARF MF 20 c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10711.005631/201032 Acórdão n.º 3001000.355 S3C0T1 Fl. 199 21 Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima, entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, uma vez que resta sobejamente evidenciado que o recorrente procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) somente depois de a embarcação ter atracado no porto do Rio de Janeiro, ou seja, prestando a informação INTEMPESTIVAMENTE, tanto que gerouse de forma imediata, pelo sistema Carga, um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO"." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf (Portaria MF 343 de 09.06.2015), proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso de voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727293/2016-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IN RFB 1.343/2013. RETIFICAÇÃO INICIAL DA DIRPF. PERÍODO.
A retificação inicial prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve incidir sobre as declarações dos anos-calendários 2008 a 2011.
Numero da decisão: 2002-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IN RFB 1.343/2013. RETIFICAÇÃO INICIAL DA DIRPF. PERÍODO. A retificação inicial prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve incidir sobre as declarações dos anos-calendários 2008 a 2011.
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RETIFICAÇÃO INICIAL DA DIRPF. PERÍODO. A retificação inicial prevista no art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013 deve incidir sobre as declarações dos anoscalendários 2008 a 2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 93 /2 01 6- 11 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.727293/201611 Acórdão n.º 2002000.136 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 21): Rubrica Valor em reais Imposto 5.705,57 Multa de ofício 4.279,17 Juros de mora 995,62 Total à época 10.980,36 A origem do lançamento foi a omissão de rendimento tributável de R$ 51.516,01 recebido da fonte pagadora Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS (fl. 22). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 3) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 30/08/2016 (fl. 26) e protocolou sua peça no dia 22/09/2016 (fl. 3), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 3 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que o rendimento em questão é isento com base na IN 1343 e nos documentos em anexo. Requer ainda prioridade na análise em razão do art. 69A, I, da Lei 9.784/99. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 5); notificação de lançamento (fl. 6 e ss); carta PETROS (fl. 11 e ss); relação da contribuições pagas entre 89 e 95 (fl. 13 e ss); Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 26 e ss) por entender que o contribuinte retificou, equivocadamente, a declaração do anocalendário 2014, quando o correto seria retificar inicialmente a declaração do anocalendário 2008, pois esse foi o ano do início da aposentadoria. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.727293/201611 Acórdão n.º 2002000.136 S2C0T2 Fl. 4 3 Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 48) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 16/05/2017 (fl. 50 e 51) e protocolou sua peça no dia 26/05/2017 (fl. 37 e 51), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 39 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que houve bitributação em seus rendimentos, conforme cópias anexas. Assim, pede o atendimento do seu pleito e solicita instruções sobre como proceder para que possa ser ressarcido dos valores indevidamente recolhidos. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário consta a identidade do contribuinte (fl. 49) 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito Preceitua o art. 3º da IN RFB nº 1.343/2013 que: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.727293/201611 Acórdão n.º 2002000.136 S2C0T2 Fl. 5 4 da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) I na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário de 2012, exercício de 2013, deverão informar o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma: [...] § 2º Adotados os procedimentos previstos nos incisos I e II do caput e restando saldo a exaurir, este poderá ser aplicado nas DAA dos exercícios futuros, até o seu exaurimento. Assim, segundo o artigo supracitado, inicialmente, o contribuinte poderia: a) declarar o montante em questão como isento na declaração do ano calendário 2012 (inciso I), o que poderia ter sido feito até abril de 2013, prazo final para entrega da declaração do anocalendário 2012; b) ou poderia retificar as declarações dos anoscalendários 2008 a 2011 considerando a referida isenção (inciso II), o que poderia ter sido feito até 31/12/2016, prazo final para a retificação da declaração do anocalendário de 2011. Somente após a adoção de um dos procedimentos acima e caso ainda restasse saldo a exaurir é que ele poderia ser utilizado em exercícios futuros (§ 2°). Contudo, o contribuinte retificou a declaração do anocalendário 2014, informando todo o montante neste ano, o que não se coaduna com o estabelecido na instrução normativa. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.727293/201611 Acórdão n.º 2002000.136 S2C0T2 Fl. 6 5 Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720065/2014-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.499
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jose Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jose Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 65 /2 01 4- 31 Fl. 99DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 1.402,50, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2011. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, além dos recibos apresentados. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados e identificação dos serviços médicos prestados e do beneficiário, como segue: A dedução de despesas médicas tem previsão legal no art. 8º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.250 de 1995, consolidado no art. 80, do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), que assim dispõe: (...) De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Lega (fls.6/7) foi efetuada a glosa do montante de R$5.100,00 relativos a Angélica Barros Pereira se deu por falta de comprovação. A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Em princípio, o recibo contendo todos os requisitos exigidos pela legislação é documento suficiente para comprovar a realização da despesa médica. Entretanto, com fundamento no artigo 73, caput e § 1°, transcrito a seguir, pode a autoridade fiscal, visando formar sua convicção sobre o assunto, solicitar elementos adicionais de provas, tais como cópia de cheque extraída imediatamente após a emissão do documento ou depois da compensação, comprovante de depósito na conta do prestador dos serviços, comprovante de transferências eletrônicas de fundos, transferência interbancárias, comprovante de transmissão de ordem de pagamento, ou, no caso de pagamento efetuado em dinheiro, extrato bancário que demonstre a realização de saque em data e valor coincidente ou aproximado em relação aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros elementos que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13786.720065/201431 Acórdão n.º 2001000.499 S2C0T1 Fl. 100 3 (...) Como solução alternativa, o interessado poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar, vinculados diretamente aos tratamentos informados, que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. Nada foi juntado ao processo nesse sentido. O contribuinte limitouse a trazer os recibos (fls. 10 e 11) e a “Declaração” (fl.12) prestada pela fisioterapeuta Priscila Brito Pereira, contudo, a glosa da dedução se deu aos valores pagos a Angélica Barros Pereira. Além do mais, como se trata de valor expressivo deveria o impugnante trazer ao processo a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual, no exercício em questão. Por oportuno, esclareçase ao impugnante que, em princípio, admite se como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, havendo necessidade de convencimento por parte do Fisco, este pode solicitar provas da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, não bastando a simples apresentação de recibo e/ou declaração do profissional. Enfatizese que as deduções de despesas médicas admitidas em lei são as relativas aos pagamentos especificados e comprovados. A simples apresentação de recibos não comprova o efetivo pagamento dos ditos honorários pelo contribuinte. Tal comprovação é essencial e necessária para a dedução dos valores pleiteados. Dessa forma, diante da ausência de comprovação efetiva dos pagamentos e da prestação dos serviços, correto está o procedimento fiscal que glosou as deduções destas despesas médicas. Diante de todo o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 1.402,50, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Glosa do valor de R$ 5.100,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para a sua dedução conforme abaixo discriminado. Fl. 101DF CARF MF 4 CPF 041.908.96756 Angélica Barros Pereira cod.013 R$ 5.100,00. Em data de 28.10.2013 a Secretaria da Receita Federal do Brasil nos enviou uma Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física nº 2012/917660437997121, intimandonos a recolher o valor lançado no “Demonstrativo do Crédito Tributário”, no prazo de 30 (dias) contados da data da ciência deste lançamento, cujo montante será recalculado na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação aplicável. O valor total do crédito apurado, incluído juros de mora e multa de ofício, importava em R$ 2.617,06 (dois mil seiscentos e dezessete reais e seis centavos). O verdadeiro fato que levou a RFB a imputar tal infração foi o de não consta o endereço completo do emitente/profissional dos serviços prestados e nada mais. Vejam bem, este foi o detalhe que ocasionou a Notificação de Lançamento acima mencionada. Em 30.04.2014 protocolamos, tempestivamente, a nossa defesa na ARF/STº ANTº DE PÁDUA/RJ sob o nº 07.1.04.022 e nela encaminhamos os comprovantes e declarações de endereços dos emitentes/profissionais dos serviços prestados, atendendo, portanto a RFB e ansiando pelo cancelamento do Auto de Infração que nos fora imputado. Na nossa Declaração Anual de Ajuste, o valor de deduções de despesas médicas no valor de R$ 4.100,00 (quatro mil e cem reais) em nome de Priscila Brito Pereira, cujo CPF é 099.894.97741, recibo original em anexo e quando foi digitado no programa de Declaração de Ajuste Anual 2011/2012, foi colocado indevidamente o CPF nº 041.908.96756 que é de Angélica Barros Pereira cópia da página 04 – Pagamentos e doações efetuados seguem anexos. (...) Como já foi dito na Preliminar, o que ocorreu foi uma falha de digitação motivada pelo número do CPF da emitente prestadora do serviços fisioterápico, que não trouxe nenhum prejuízo aos cofres públicos visto que a despesa médica foi devidamente efetivada tendo como comprovação o recibo e a declaração emitida pela profissional prestadora do serviço confirmando o erro do número do seu CPF no cabeçalho de seu recibo. (...) Como podem comprovar, tudo nosso está enquadrado e dentro da especificação da Lei acima e como já demonstramos, o que nos foi solicitado, por meio da intimação, enviamos a RFB, sempre em tempo hábil e legal. Sendo nada mais solicitado pelo Fisco. (...) Como apresentamos documentação idônea, comprovando o nosso direito de dedução dos valores, objeto do auto de infração, com fulcro no art. 333, inciso I do CPC, a RFB, comprovar com fatos e documentos que o que lançamos em nossa Declaração de Ajuste Anual – ano base 2010 – ano calendário 2011 não está correto. Por todo exposto e documentação anexa, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal requer o impugnante Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13786.720065/201431 Acórdão n.º 2001000.499 S2C0T1 Fl. 101 5 que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 103DF CARF MF 6 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13786.720065/201431 Acórdão n.º 2001000.499 S2C0T1 Fl. 102 7 Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Fl. 105DF CARF MF 8 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13786.720065/201431 Acórdão n.º 2001000.499 S2C0T1 Fl. 103 9 verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de Fl. 107DF CARF MF 10 modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço, embora apresentadas, porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. No caso, constatase nos autos que os serviços prestados correspondem a especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos e declarações assinadas por profissionais habilitados. É improcedente a afirmação da Autoridade Fiscalizadora que aponta na fl. 6 e 7 do processo que o valor de R$ 5.100,00 teria sido recebido pela profissional Angélica Barros Pereira. Na verdade tratase de equívoco formal na informação do CPF na DAA, facilmente constatável. O peso probante está nos documentos assinados e não numa digitação equivocada. Para eliminar a dúvida suscitada o Recorrente juntou ao processo, o que já havia feito por ocasião da impugnação, a declaração assinada em 15/04/2014 pela profissional Priscila Brito Pereira, fl. 12, fazendose anexar aos recibos com data da época da emissão (2011), juntados às fls. 10 e 11. Os mesmo comprovantes foram juntados novamente ao processo nas fls. 63 a 65. O equívoco do apontamento fiscal fica evidente quando se observa nas fls. 18 e 71, em que se vê os valores informados na Declaração do Imposto de Renda do Recorrente, em confronto com os documentos comprobatórios firmados pela profissional Priscila em que foi pago o valor de R$ 5.100,00, apenas informado na DAA com o CPF da outra profissional que nada recebeu neste anocalendário de 2011, conforme se observa na declaração e relatado na peça recursal, como segue: Na nossa Declaração Anual de Ajuste, o valor de deduções de despesas médicas no valor de R$ 4.100,00 (quatro mil e cem reais) em nome de Priscila Brito Pereira, cujo CPF é 099.894.97741, recibo original em anexo e quando foi digitado no programa de Declaração Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13786.720065/201431 Acórdão n.º 2001000.499 S2C0T1 Fl. 104 11 de Ajuste Anual 2011/2012, foi colocado indevidamente o CPF nº 041.908.96756 que é de Angélica Barros Pereira cópia da página 04 – Pagamentos e doações efetuados seguem anexos. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento dos profissionais, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas na sua totalidade. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, e excluindose o crédito tributário lançado na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.984287/2009-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 42 87 /2 00 9- 56 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10880.984287/200956 Acórdão n.º 3002000.265 S3C0T2 Fl. 381 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 11.942,41, relativo ao período de apuração fevereiro/2004, com débitos também de Cofins (fls. 1 a 5). Por meio de Despacho Decisório à fl. 6, a Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou que seu direito ao crédito decorria da aplicação retroativa da sistemática cumulativa sobre as receitas decorrentes de contratos anteriores a outubro/2003, conforme estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 468/2004. Como se esqueceu de retificar DCTF e Dacon, a Derat considerou ser o crédito inexistente, problema esse que foi sanado com a retificação das declarações (fls. 10 a 14). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório da Derat, atos de constituição e representação da empresa, as DCTFs retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 2004 e os Dacons retificadores do mesmo período (fls. 15 a 132). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 54.308 (fls. 135 a 140), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que, na ausência de documentação probatória que desse suporte às alterações promovidas nas declarações, a DCTF e o Dacon retificados após ciência do Despacho Decisório não seriam suficientes para conferir certeza e liquidez ao crédito que se pretendia compensar. Consignouse no voto que não houve demonstração documental do atendimento às várias condições estabelecidas na IN SRF nº 468/2004, de modo a permitir ao contribuinte apurar as contribuições na forma como o fez, restando incerto o direito à utilização do regime cumulativo. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10880.984287/200956 Acórdão n.º 3002000.265 S3C0T2 Fl. 382 3 O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 19/02/2016 (sextafeira), conforme AR constante à fl. 378, e protocolizou seu recurso voluntário em 22/03/2016 (último dia do prazo), conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 142. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que não há impedimento para a retificação da DCTF após o Despacho Decisório, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do Carf, e que a documentação juntada à Manifestação de Inconformidade é suficiente para provar seu direito creditório, devendo ser promovida reforma da decisão de primeira instância (fls. 143 a 150). Junta, a título de prova, atos de constituição e representação da empresa, a DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, o Dacon retificador do 1º trimestre de 2004, Per/Dcomp, o Despacho Decisório, a Manifestação de Inconformidade, o Acórdão DRJ e o Darf informado no PER/Dcomp (fls. 151 a 375). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este julgamento recai sobre a prova suficiente do direito creditório quando pleiteado pelo contribuinte. Em relação aos fundamentos da decisão de primeira instância, não se contesta a assertiva de que o ônus probatório repousa sobre quem postula a compensação. Contestase apenas a afirmativa de que a retificação da DCTF e Dacon após o Despacho Decisório, desacompanhada de documentação que demonstre o acerto e veracidade das alterações, não faz prova de direito creditório. O Recurso Voluntário tem como ponto central a alegação de que tais retificações são, sim, prova suficiente, sem maiores considerações. Antes de adentrar a questão posta pelo contribuinte, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida que vise a reduzir tributo. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10880.984287/200956 Acórdão n.º 3002000.265 S3C0T2 Fl. 383 4 Somese a essas considerações que a DCTF constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984. Logo, eventual retificação dessa confissão de dívida deve estar necessariamente amparada por suporte probatório, sendo tal obrigação afirmada, entre outros dispositivos, pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), nos seguintes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Já o Dacon é um demonstrativo da apuração das contribuições sociais que auxilia a fiscalização, mas não tem o mesmo status jurídico que a DCTF. Assim, como dito, é um indício, mas não é prova. Procedendose à análise das razões de decidir preconizadas no Acórdão da DRJ, constatase o mesmo entendimento deste Colegiado, não havendo qualquer reforma ou mesmo reparo a ser feito à decisão, que está bem fundamentada e que adoto como motivo de decidir em complemento ao que consta neste voto. Transcrevemse os trechos pertinentes: A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. O contribuinte alega que o crédito foi apurado em razão do ajuste que teria efetuado, alterando o regime nãocumulativo de incidência total para o regime nãocumulativo de incidência sobre a receita parcial, nos termos do art. 1º da IN SRF nº 468, de 8 de novembro de 2004. Esse ato normativo, ao regulamentar o disposto no caput e no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 dezembro de 2003, estabeleceu várias condições a serem observadas para a permanência no regime da cumulatividade das receitas auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) O manifestante, no entanto, não trouxe aos autos quaisquer documentos que comprovem o auferimento de receitas, a partir de 1º de fevereiro de 2004, vinculadas a contratos firmados antes de 31/10/2003 nas condições estabelecidas pela IN nº 468/2004, como aquelas relativas aos tipos de contratos, prazo e preço fixado. Não é suficiente a afirmação de que procedeu a ajustes na forma de apuração das contribuições sem a demonstração documental da origem do seu procedimento. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10880.984287/200956 Acórdão n.º 3002000.265 S3C0T2 Fl. 384 5 (...) Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. (grifado) Do exposto, concluise que o contribuinte não logrou demonstrar que cumpria as condições para continuar a apurar as contribuições no regime cumulativo e nem que o montante que alegou ter como crédito contra a Fazenda estava correto. Uma vez não comprovada nem a certeza nem a liquidez do crédito, não é possível o reconhecimento do direito à compensação, que somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Em relação à alegação de que não há impedimento para a retificação da DCTF após o Despacho Decisório, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do Carf, não há discordância por parte desta relatora. O ponto a se destacar é que a retificação apresentada após o Despacho Decisório desacompanhada de documentação hábil e suficiente não faz prova do direito que se alega. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 384DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.939140/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A decadência do direito do fisco impede a prática lançamento tributário, mas não impede a instauração de procedimento fiscal e, tampouco, a glosa de créditos indevidos, ainda que tenham sido lançados na escrita fiscal há mais de cinco anos.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Nos casos em que há transmissão de PER/DCOMP retificador, o prazo de decadência para o fisco homologar ou não a compensação começa a correr da data da retificação.
GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. OBRIGATORIEDADE.
Enquanto não exaurido o prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, o contribuinte é obrigado a conservar os livros e documentos fiscais comprobatórios do direito de crédito, ainda que o crédito se refira a valores lançados em períodos de apuração alcançados pela decadência do fisco efetuar o lançamento de ofício.
MPF. DESVIO DE FINALIDADE.
Inexiste desvio de finalidade quando o MPF é emitido para a fiscalização de certo tributo e, deste procedimento, resulta a não homologação de compensação.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração.
Numero da decisão: 3402-005.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A decadência do direito do fisco impede a prática lançamento tributário, mas não impede a instauração de procedimento fiscal e, tampouco, a glosa de créditos indevidos, ainda que tenham sido lançados na escrita fiscal há mais de cinco anos. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos casos em que há transmissão de PER/DCOMP retificador, o prazo de decadência para o fisco homologar ou não a compensação começa a correr da data da retificação. GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. OBRIGATORIEDADE. Enquanto não exaurido o prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, o contribuinte é obrigado a conservar os livros e documentos fiscais comprobatórios do direito de crédito, ainda que o crédito se refira a valores lançados em períodos de apuração alcançados pela decadência do fisco efetuar o lançamento de ofício. MPF. DESVIO DE FINALIDADE. Inexiste desvio de finalidade quando o MPF é emitido para a fiscalização de certo tributo e, deste procedimento, resulta a não homologação de compensação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 91 40 /2 00 9- 10 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 409 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DComp nº 09335.33240.270607.1.7.012545, transmitido eletronicamente em 27/06/2007, relativo a um saldo credor de IPI no valor de R$1.331.884,02, atinente ao 3º trimestre de 2001, cumulado com declaração e compensação. O referido PER/Dcomp retificou aquele transmitido em 31/03/2004 (02419.73315.310304.1.3.0l0024), com crédito informado no valor de R$ 72.602,93. O procedimento fiscal teve início em 01/06/2009 (fls.243 a 245), que culminou na lavratura do Relatório Fiscal (fls.295 a 298), que fundamentou o Despacho Decisório de 20/10/2009 (fls.318), negando o direito creditório pleiteado, sob o fundamento de ausência de comprovação. O Relatório Fiscal destaca que não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios por parte do contribuinte, apesar das diversas intimações fiscais lavradas e cientificadas. Cientificada do Despacho Decisório que não homologou as compensações correspondentes ao PER/DCOMP n° 09335.33240.270607.1.7.012545, a ora recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, com as seguintes alegações: nulidade do procedimento fiscal; homologação tácita da compensação; decadência; prescrição no prazo para apresentar os livros fiscais; desvio de finalidade do MPF; ausência de fundamentação probatória. Por meio do acórdão nº 1429.929, de 23 de junho de 2010, a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto manteve o despacho que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação declarada, por considerar que não teria ocorrido a homologação tácita da compensação e que caberia ao contribuinte a comprovação do direito de crédito oposto perante a administração. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 410 3 O prazo qüinqüenal para a homologação por disposição legal de débitos compensados é contado a partir da data em que a declaração de compensação, original ou retificadora, tenha sido apresentada ou transmitida. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRODUÇÃO PROBATÔRIA. PRECLUSÃO TEMPORAL. PERÍCIA. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de provas, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da contestação; sendo também prescindível a realização de perícia, cujo pedido, inclusive, não cumpre os requisitos basilares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, alegando e requerendo, em síntese: i. Ocorrência de homologação tácita da compensação, por ter transcorrido mais de 5 anos da data da transmissão do primeiro PER/Dcomp, ainda que este tenha sido posteriormente retificado; ii. Decadência do direito do fisco verificar as informações relativas ao IPI do período de janeiro de 1999 a junho de 2003, inclusive para a guarda e apresentação de qualquer documentação relacionada; iii. Desvio de finalidade do procedimento fiscal, que teria sido originalmente emitido para a fiscalização do IPI, sendo ampliado para verificações de declarações de compensações; iv. Ausência de comprovação das alegações fiscais; v. Nulidade do procedimento fiscal; vi. Requereu a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, em especial a juntada de novos documentos e perícias; vii. Requereu que no caso de manutenção da não homologação da compensação, que fosse determinado ao fiscal que apresente todos os documentos necessários a embasar seu posicionamento, abrindose prazo para sua impugnação. viii. Requereu a apreciação de todos os pontos da manifestação de inconformidade que não foram apreciados no acórdão recorrido, em especial Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 411 4 a alegação de prescrição e decadência e no tocante a não obrigatoriedade de guarda dos documentos; ix. Requereu sustentação oral. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. As preliminares de nulidade suscitadas e os requerimentos formulados se confundem com o mérito e com ele serão apreciados. Conforme relatado, tratase de PER/DComp relativo a um saldo credor de IPI do 3º trimestre de 2001, cumulado com declaração e compensação. O pedido de ressarcimento original informava um direito creditório no valor de R$72.602,93, valor este que foi substancialmente alterado pela declaração retificadora transmitida posteriormente, conforme quadro abaixo: 3ºTRIM/2001 DECLARAÇÃO ORIGINAL DECLARAÇÃO RETIFICADORA Nº PER/DCOMP 02419.73315.310304.1.3.0l0024 09335.33240.270607.1.7.012545 DATA TRANSM. 31/03/2004 27/06/2007 VALOR R$ 72.602,93 1.331.884,02 A autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização do IPI, glosou o crédito e, em consequência, não homologou a compensação, pela ausência de comprovação por parte do contribuinte da legitimidade do valor pleiteado a título de ressarcimento. O presente caso decorre do procedimento fiscal já referido, que culminou no indeferimento das PER/DCOMPs relativos a alegados créditos dos períodos de apuração dos trimestres dos anos de 1999, 2000 e 2001, objeto de diversos processos administrativos fiscais (para cada trimestre). Os processos relativos aos alegados créditos dos períodos de apuração 2trim/99, 3trim/99, 4trim/99, 1trim/00, 3trim/00, 4trim/00, 1trim/01 e 4trim/01, já foram objetos de julgamento na antiga 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa Seção de julgamento, em 26 de janeiro de 2012, que culminou nos Acórdãos 340301.376, 340301.377, 3403 01.378, 340301.379, 340301.380, 340301.381, 340301.382 e 340301.383, da lavra do i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que apreciou os mesmos fundamentos do Despacho Decisório, da decisão da DRJ e do Recurso Voluntário ora em análise, e negaram provimento ao recurso interposto, com o indeferimento do direito creditório pleiteado pela ausência de comprovação. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 412 5 Portanto, como o presente caso é idêntico àqueles apreciados anteriormente, utilizarei os mesmos fundamentos das decisões anteriores, que serão a seguir reproduzidos e utilizados como razão de decidir do presente julgamento. A Recorrente alega a ocorrência de homologação tácita da compensação, considerando a data da transmissão do PER/DCOMP original (31/03/2004), ainda que este tenha sido posteriormente retificado. Como a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação ocorreu em 03/11/2009, já teria transcorrido mais de 5 (cinco) anos da transmissão da declaração, configurando a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação. Segundo seu entendimento, só poderia ocorrer novo início de prazo ou suspensão do prazo para homologação tácita, se o contribuinte cancelasse o pedido inicial e transmitisse um novo pedido, retificando integralmente o pleito anterior. Como no caso concreto não houve retificação da declaração de compensação, a declaração transmitida continuou sendo a mesma, apenas houve retificação das informações nela contida. Alega, ainda, que o acórdão de primeira instância teria sido omisso quanto à decadência do direito de o fisco verificar os créditos, a teor do disposto no art. 173, I do CTN. Segundo sua argumentação, houve desvio de finalidade do MPF, que teria sido expedido não para fiscalização de PER/DCOMP, mas para fiscalização do IPI do período de janeiro de 1999 a junho de 2003, período já teria sido atingido pela decadência e prescrição, inclusive para a guarda e apresentação de qualquer documentação relacionada. Acrescentou que em face do transcurso do prazo decadencial de cinco anos, a documentação pertinente já teria sido por ela expurgada pela inexistência de obrigatoriedade de sua manutenção, razão pela qual a documentação não foi apresentada. Transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão 340301.376 da lavra do i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim, cujos fundamentos adoto no presente julgamento como minhas razões de decidir: “As preliminares de nulidade suscitadas e os requerimentos formulados se confundem com o mérito e com ele serão apreciados. Conforme relatado, o contribuinte, por meio de PER/Decomp, solicitou o ressarcimento do saldo credor da escrita fiscal do IPI e a compensação desta quantia com débitos próprios. Cerca de dois anos após, o pedido de ressarcimento foi retificado para aumentar o valor do crédito. Em procedimento de fiscalização do IPI, a repartição de origem glosou o crédito e, em consequência, não homologou a compensação, uma vez que o contribuinte não comprovara a legitimidade do valor pleiteado a título de ressarcimento. Alegou o contribuinte que o fisco decaíra não só do direito de rever o saldo credor relativo ao trimestre em questão, mas também do direito de não homologar a compensação. Nesse passo, a decisão de primeira instância seria nula, uma vez que segundo a defesa, não fora apreciada a questão da decadência do direito do fisco rever os créditos. A leitura do voto condutor do acórdão recorrido deixa claro que não houve a omissão alegada, pois o relator deixou bem claro às fls. 266/267, que o caso Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 413 6 concreto versa sobre homologação de compensação e não sobre procedimento de ofício com exigência fiscal mediante lançamento, aplicandose ao caso concreto o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 414 7 Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. No caso dos autos, o fisco não decaiu do direito de não homologar a compensação, pois o PER/Decomp retificador foi transmitido em 12/04/2006 e o despacho que glosou o crédito e não homologou a compensação foi notificado ao contribuinte em 03/11/2009, portanto, dentro do prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Outro ponto controvertido foi o prazo pelo qual os contribuintes devem manter em boa guarda a escrituração e demais documentos fiscais. Esta obrigação legal está estabelecida no art. 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” (Grifei) Considerando que o saldo credor de IPI do trimestre em questão deve ter sido lançado no livro modelo 8 e que para transmitir o PER/Decomp é necessário estornar do livro o valor objeto do pedido, é evidente que, a teor do parágrafo único acima indicado, o contribuinte estava obrigado a manter aquele livro e os documentos fiscais que lastrearam os lançamentos até o termo final do prazo estabelecido no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, uma vez que somente após o decurso do referido prazo estaria extinto o direito da fazenda pública cobrar o crédito tributário decorrente da compensação indevida. Tendo o contribuinte informado em seu recurso que “expurgou” a referida documentação por considerarse desobrigado da sua apresentação, não têm sentido as alegações de cerceamento de defesa pelo fato da decisão a quo ter indeferido a juntada de provas posteriores, uma vez que o próprio contribuinte já informou que não tem mais o que juntar. Não procede a alegação de desvio de finalidade na emissão do MPF. O desvio de finalidade se caracteriza quando ocorre a adoção de um ato administrativo com o objetivo de atingir finalidade diversa daquela para a qual ele foi concebido. No caso concreto, foi expedido um MPF para fiscalizar o IPI e o auditorfiscal desincumbiuse do encargo, concluindo pela glosa do crédito em face do contribuinte não ter apresentado a escrituração e os documentos que lhe deram suporte. A constatação da legitimidade do crédito é questão prejudicial ao direito de compensação. Logo, é evidente que o MPF deve ser expedido para que seja verificado o crédito e apurada sua certeza e liquidez, tal como foi feito no caso Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 415 8 concreto, e não para a “fiscalização da compensação”. Não comprovada a legitimidade do crédito, a consequência lógica é a não homologação da compensação.” No caso em análise, o valor original do crédito era de R$72.602,93, valor este alterado pela PER/DCOMP retificadora para R$1.331.884,02, transmitida em 27/06/2007. Quanto à alegada ausência de material probatório para embasar a glosa fiscal, o contribuinte procura inverter o ônus da prova, cuja obrigatoriedade é do próprio sujeito que alega possuir direito que requer. Como é incontroverso que o presente processo versa sobre direito de crédito declarado pelo próprio contribuinte, o ônus da prova é seu, visto que cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração. Também é incontroverso que o contribuinte ficou silente durante o procedimento fiscal, deixando de apresentar qualquer elemento probatório que lastrearia o valor do crédito alegado. Transcrevo excerto do Relatório Fiscal, com a descrição das etapas do procedimento fiscal, e da constatação do silêncio por parte do contribuinte relativo às solicitações fiscais: “Em 28/04/2009, dirigimos até o endereço: Rua Geraldo Garcia do Nascimento, 2591, Franca/SP, para dar ciência do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01. Não encontramos nenhum responsável legal da empresa para assinatura do Termo. Havia apenas uma secretária no prédio que informou que a empresa não estava em atividade e que o gerente estava viajando e os donos ficavam na matriz em São Paulo. Encaminhamos, então, por via postal, o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01, para o citado endereço, intimando o contribuinte a apresentar: Livros Razão, Entrada e Saída; notas fiscais de entradas, com os créditos de IPI, e saídas, Livros de IPI, memorial de descritivo dos principais produtos fabricados pelo contribuinte, referente ao período de 1º trimestre de 1999 ao 2º trimestre de 2003. Em 05/05/2009, encaminhamos via postal, o Termo de Intimação d 02, solicitando a apresentação dos livros de IPI, onde foram registrado as compensações/estornos do IPI. Ambas intimações retornaram após resultar infrutífera três tentativas de entrega pelo correio (fls. 134 a 140). Tendo em vista resultado improfícuo as intimações postais, afixamos o Edital n° 09 para cientificar o contribuinte das referidas intimações. O prazo de afixação foi de 28/05/2009 à 12/06/2009 (fl.141). Ato contínuo, encaminhamos via postal, o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01, para a matriz localizada na Alameda Jurupis, 1005, em São Paulo/SP, que foi recebido em 01/06/2009 (fls. 142 a 144). Por falta de respostas, em 13/07/2009, reintimamos o contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 01 (fls. 145 a 147). Em 23/07/2009, o contribuinte nos solicita a prorrogação do prazo para mais 60 dias, a partir desta data. Informou não ter recebido a primeira intimação por extravio ou por ter ficado em poder do porteiro do prédio. Apresentou cópias do Contrato Social e alterações (fls. 148 a 190). Em 27/07/2009, encaminhamos o Termo de Concessão de Prazo, que foi retirado pessoalmente na agência do correio somente em 13/08/2009, após três tentativas de entrega pelo correio em 28, 29 e 30 de julho de 2009. Neste Termo, concedemos a prorrogação do prazo por 20 dias, tendo em vista que 60 dias é muito tempo, Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10880.939140/200910 Acórdão n.º 3402005.341 S3C4T2 Fl. 416 9 considerando que o contribuinte deveria ter em boa ordem e guarda os documentos/livros contábeis/fiscais (fls. 191 a 193). Vencido o prazo, inclusive considerando os 60 dias solicitados, da reintimação do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação W 01, até a presente data, não recebemos nenhuma resposta.” Também não consta nos autos qualquer documento que poderia comprovar o direito creditório alegado, tanto na Manifestação de Inconformidade apresentada quanto no Recurso Voluntário. Diante de seu silêncio em todas as fases processuais, não vislumbro como razoável abrir qualquer prazo adicional para apresentação de documentos ou mesmo o procedimento de diligência fiscal para nova juntada de documentos, que deveriam ser apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade, conforme determina o Decreto 70.235/72. Quanto ao requerimento de sustentação oral, é suficiente a manifestação do recorrente ou seu procurador na sessão de julgamento, nos termos do art. 58, II do RICARF. Em face do exposto, considerando a absoluta ausência de documentos que poderiam comprovar o direito creditório pleiteado, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005913/2003-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO. DCTF. COMPENSAÇÃO.
Não-comprovação de compensação sem Darf informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).
O Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Osasco, considerou o prazo previsto para a homologação tácita de 5 anos definido em lei, e reconheceu a homologação tácita das compensações.
Numero da decisão: 3302-005.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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LANÇAMENTO. DCTF. COMPENSAÇÃO. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL IND E COM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. DCTF. COMPENSAÇÃO. Nãocomprovação de compensação sem Darf informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). O Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Osasco, considerou o prazo previsto para a homologação tácita de 5 anos definido em lei, e reconheceu a homologação tácita das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 59 13 /2 00 3- 54 Fl. 509DF CARF MF 2 Tomase por referência o Relatório constante do Acórdão prolatado na primeira instância, às folhas 35 do processo digital: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada (fls. 20/26) em virtude da apuração de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente aos decêndios entre julho e dezembro de 1998, exigindo o imposto de R$ 1.059.489,44, multa de ofício de R$ 794.617,08 e juros de mora de R$ 949.784,05, perfazendo o total de R$ 2.803.890,57. O lançamento devese à nãocomprovação de compensação sem Darf informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no período acima, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 21 e “Demonstrativo Dos Créditos Vinculados Não Confirmados” de fls. 22/23. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/17, alegando, em síntese, que: Na verdade, tivesse a Fiscalização comparecido ao estabelecimento SherwinWilliams, aí procedido à devida intimação para prestação das informações que deram azo ao lançamento, repitase, antes que ele se consumasse, teria a oportunidade de constatar que o auto de infração, como se o demonstrará a seguir, é improcedente; Qualquer maneira, anota a SherwinWilliams que os valores objeto de lançamento no auto de infração já foram devidamente contemplados na DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, e, ainda que alegadamente não tivessem sido liquidados através regular pagamento, a verdade é que a medida subseqüente da inadimplência é a inscrição na dívida para a cobrança judicial. Nunca a lavratura de auto de infração sob pena de o tributo vir a ser cobrado duas vezes; Finalmente, é de se considerar que a SherwinWilliams encontrou os pagamentos, conforme faz prova cópias dos mesmos, para comprovar a improcedência meritória do lançamento. Em 04 de outubro de 2011, através do Acórdão n° 1435.427, a 8a Turma de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO, cancelando a multa e mantendo o imposto apurado no auto de infração, acrescido de juros regulamentares. A Turma entendeu que constatada a irregularidade descrita no auto de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências relativas ao IPI. Quanto à multa lançada, a legislação tributária vigente à época do lançamento determinava o lançamento de ofício de tributos objeto de vinculação não comprovada, conforme disposto no art. 90 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 2001. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10830.005913/200354 Acórdão n.º 3302005.677 S3C3T2 Fl. 3 3 Por conseguinte, constatadas essas irregularidades, cumpria à fiscalização efetuar o lançamento da importância não recolhida, aplicando a multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Entretanto, o art. 90 da MP n° 2.15835, de 2001, foi modificado pelo art. 18 da Lei n 11.488, de 2007. Destarte, o art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007, determinou que o lançamento previsto no art. 90 da MP n° 2.15835, de 2001, limitarseia à imposição de multa isolada nos casos em que tenha ficado caracterizada a existência de falsidade na Declaração de Compensação apresentada e naqueles em que a compensação for considerada não declarada, nos termos do § 12, II, do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, acrescido pelo art. 4° da Lei n° 11.051, de 2004. De acordo com o entendimento da Secretaria da Receita Federal, no caso em análise devese aplicar o princípio da retroatividade benigna consagrado no art. 106, inciso II, c do Código Tributário Nacional. Salientou ainda o VOTO que, no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base naquele preceptivo legal, e desde que a penalidade aplicada não tenha por fundamento as hipóteses versadas no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, cabe a exoneração da penalidade em face do princípio da retroatividade benigna a que alude o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), de sorte a incidir sobre o tributo apenas os acréscimos moratórios (multa de mora e juros de mora). A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 11/11/2011, via Aviso de Recebimento, às folhas 41 do processo digital. Em 12/12/2011, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 66 a 81. Em síntese, foi alegado que: ü O simples fato de os processos de restituição citados na DCTF não estarem definitivamente julgados já demonstra o erro grosseiro da Douta Fiscalização; ü Desta forma, evidente a necessidade de a Receita Federal do Brasil trazer aos autos as decisões referentes aos pedidos de restituição constantes dos processos administrativos n.°s 13062.000.363/9811; 13062.000.361/9888; 13899000.545/9813 e 13899000.544/9842 para comprovar a existência ou não dos créditos utilizados pela Recorrente para a liquidação dos débitos declarados de IPI na DCTF do terceiro trimestre de 1998, a fim de se alcançar o princípio da verdade material; ü Ainda que se mantenha o AIIM lavrado, o que não crê a Recorrente, deve ser mantido o cancelamento da multa, ratificando, neste ponto, a decisão da DRJ; Fl. 511DF CARF MF 4 ü O acórdão recorrido não se atém a analisar a origem do crédito, nem mesmo sua legitimidade, e tampouco é provido de embasamento legal, sendo patente a sua nulidade, uma vez que desrespeita o Princípio da Motivação dos Atos Administrativos, trazido pelo artigo 2° da Lei n. 9.784/99; ü Não bastasse isso, aludido acórdão ignora a existência dos créditos existentes nos Processos Administrativos vinculados oriundos de outras operações realizadas com tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; ü O Fisco não trouxe aos autos a comprovação de eventual inexistência de crédito, fato que é totalmente inadmissível e viola primados básicos como a moralidade e a transparência dos Órgãos Públicos; ü Desta feita, é nítido que a decisão proferida pela D. DRJ é nula na medida em que é carente de fundamentação legal e contraria os princípios fundamentais do Processo Administrativo Fiscal; ü Ao ser proferido v. acórdão sem explicitação das razões que levaram ao não reconhecimento dos créditos utilizados para a compensação de débitos de IPI, e, consequentemente, a não homologação da compensação, foi violado o artigo 2°, parágrafo único, incisos VII a IX da Lei n.° 9.784/99; ü Isso porque o v. acórdão que não homologou a compensação deveria conter a descrição dos fatos, e do(s) respectivo(s) dispositivo legal tido por infringido. Contudo, não foi o que sucedeu; ü Assim, sem a prova do Fisco de que o valor utilizado para compensação via declaração em DCTF é inexistente, não há que se negar as compensações realizadas, sendo a extinção do crédito tributário, medida que se impõe; ü E, mais do que isto! A D. DRJ simplesmente julgou procedente a autuação fiscal sob o argumento de que os valores utilizados para compensação dos débitos, via DCTF, não foram comprovados pela Recorrente; ü Ocorre, contudo, que a Secretaria da Receita Federal não comprovou a inexistência do crédito da Recorrente capaz de liquidar os débitos de IPI declarados no terceiro trimestre de 1998; ü Desta feita, resta demonstrado que o v. acórdão proferido é carente de fundamentação e legalidade, não devendo, de maneira nenhuma, prosperar, sendo necessária a sua reforma para declarar sua nulidade e, consequentemente, julgar totalmente nulo o Auto de Infração lavrado; ü Outrossim, ressaltese que os débitos de IPI declarados em DCTF foram devidamente compensados com outros créditos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, o que é totalmente legal; Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10830.005913/200354 Acórdão n.º 3302005.677 S3C3T2 Fl. 4 5 ü A D. DRJ afirma em seu v. acórdão que o lançamento devese a não comprovação sem DARF informada em DCTF, nos termos do "Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados" apresentados pela DRJ; ü Ocorre, contudo, que os débitos de IPI informados em DCTF foram devidamente vinculados, compensandose os débitos informados com outros créditos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ü Da análise da planilha acima, se verifica que os débitos informados em DCTF foram totalmente liquidados na medida em que foram compensados com outros créditos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não havendo, portanto, que se falar em ausência de comprovação dos créditos, tendo em vista que os processos administrativos são administrados pela própria Receita Federal e, não pelo contribuinte, devendo, desta forma, a Receita Federal trazer aos autos o resultado dos processos administrativos de restituição informados em DCTF para comprovar a legalidade das compensações realizadas pela Recorrente; ü Vejase a discrepância entre as informações fornecidas pela Receita Federal, na medida em que informa em seu v. acórdão que não encontrou os processos no PROFISC, mas, contudo, há a informação no COMPROT de que os processos administrativos ainda estão em andamento e foram encaminhados à Equipe de Restituição Compensação da Delegacia da Receita Federal de Osasco, em 02/10/2007; ü Ou seja, a Receita Federal do Brasil diz que os processos administrativos utilizados pela Recorrente para a compensação dos débitos de IPI em cobro por meio do presente processo administrativo inexistem no sistema PROFISC, contudo, ao acessar as informações referentes aos Processos no sitio do COMPROT na internet se verifica que os processos administrativos estão em andamento e, até o momento, não foi proferida nenhuma decisão acerca da existência dos créditos informados em DCTF; ü E patente a necessidade de a Receita Federal do Brasil trazer aos autos as decisões referentes aos pedidos de restituição constantes dos processos administrativos n.°s 13062.000.363/9811; 13062.000.361/9888; 13899000.545/9813 e 13899000.544/9842 para comprovar a existência dos créditos utilizados pela Recorrente para a liquidação dos débitos declarados de IPI na DCTF do terceiro trimestre de 1998; ü Neste diapasão, concluise que a decisão proferida pela D. Delegacia da Receita Federal é nula, assim como o AIIM lavrado em 16/03/2003, tendo em vista que a Recorrente utilizouse de créditos totalmente legítimos para a realização das compensações; Fl. 513DF CARF MF 6 ü Não pode a DRJ simplesmente afirmar que os créditos não foram comprovados sob a alegação de não terem encontrado os citados processos administrativos no sistema PROFISC; ü No que tange aos DARFs apresentados pela ora Recorrente na Impugnação, de fato estes foram apresentados para comprovar parte dos débitos, o que foi, inclusive, reconhecido pela DRJ em seu acórdão; ü Ocorre que, os valores não confirmados pela Receita Federal são exatamente os valores compensados com créditos oriundos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; ü Sendo assim, tendo em vista a legitimidade dos créditos utilizados para a compensação dos Débitos de IPI declarados em DCTF do terceiros trimestre de 1998, a nulidade da decisão na parte que julgou procedente o lançamento fiscal dever ser declarada totalmente nula, e consequentemente, julgado improcedente o Auto de Infração e Imposição de multa; V DO PEDIDO Diante de todo o exposto o presente RECURSO VOLUTÁRIO deverá ser acolhido e julgado totalmente procedente, para o fim de cancelar o v. acórdão que considerou procedente o lançamento fiscal, e, consequentemente, para cancelar o lançamento fiscal, tendo em vista a liquidação dos débitos declarados em DCTF do terceiro trimestre de 1998. Sendo assim, requer o recebimento e acatamento do presente Recurso Voluntário para: a) Seja declarada a nulidade do v. acórdão que julgou procedente o lançamento fiscal, em razão da ausência de prova da efetiva inexistência de crédito nos pedidos de restituição n.°s 13062.000.363/9811; 13062.000.361/9888; 13899000.545/9813 e 13899 000.544/9842, processos que sequer a Recorrente possui ciência das decisões finais dos pedidos de ressarcimento, e, consequentemente; b) Seja reconhecido o crédito da Recorrente e, em seguida, homologada a compensação comprovada nestes autos; c) Caso não seja esse o entendimento, requer a devolução dos autos à primeira instância para sejam trazidas aos autos, pela Receita Federal do Brasil, as decisões finais relativas aos processos administrativos (de restituição) n.°s 13062000.363/9811, 13062000.361/9888, 13899.000.545/98 13 e 13899000.544/9842, para se apurar a verdade material dos fatos, cancelando o auto de infração e imposição de multa n° 0009314, bem como o processo administrativo que n.° 10830005.913/200354. Em 27 de novembro de 2013, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência, através da Resolução n° 3102 000.292. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10830.005913/200354 Acórdão n.º 3302005.677 S3C3T2 Fl. 5 7 Durante a realização da sessão de julgamento, a Recorrente apresentou memorial onde oferece evidências da existência dos processos que dariam respaldo ao direito pleiteado. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de que o processo fosse remetido à Unidade de Jurisdição da empresa, de modo que a Fiscalização se manifestasse sobre a efetiva existência de tais processos e seu efeito sobre o Auto de Infração objeto do presente. Para tanto, foi exarado o Parecer SEORT/DRF/OSA n° 337/2013 pela (folhas 481 e seguintes do processo digital). Em 10 de janeiro de 2014, a empresa autuada se manifestou de folhas 467 a 469 do processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 11 de novembro de 2011, sextafeira, iniciando assim a contagem do prazo de 30 (trinta) dias, apresentando recurso voluntário tempestivo, na data de 12 de dezembro de 2012, segunda feira. Da controvérsia. A matéria divergente diz respeito à nãocomprovação de compensação em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no período referente aos decêndios entre julho e dezembro de 1998. Passase à análise. Através do Parecer SEORT/DRF/OSA n° 337/2013, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Osasco, foi informado que se considerou o prazo previsto para a homologação tácita de 5 anos definido em lei, e assim PROPÔSTO o reconhecimento da homologação tácita das compensações discriminadas nesse parecer, relativas ao contribuinte SHERWINWilliams do Brasil Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 60.872.306/000160, jurisdicionado pela Delegacia. Ademais, por não haver saldo disponível a ser restituído, TAMBÉM FOI PROPOSTO que os pedidos de restituição fossem indeferidos. Assinalou o Parecer que: Fl. 515DF CARF MF 8 (...) tendo em vista que a entrega dos pedidos de compensação ocorreu no dia 06/07/1998, há que se observar a ocorrência da homologação tácita. Constam nos autos do processo n° 13899.000544/9842: Pedido de Restituição à fl. 03. Pedidos de Compensação às fls. 04, 112, 116, 127 e 130. Constam nos autos do processo n° 13899.000545/9813: Pedido de Restituição à fl. 03. Pedidos de Compensação às fls. 04, 97, 98, 99, 103, 104, 108, 122, 123, 124, 128, 129, 137, 138, 149, 150 e 154. Através de DESPACHO DECISÓRIO, o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, publicada no D.O.U. de 17 de maio de 2012, RESOLVEU: 1. Aprovar o Parecer SEORT/DRF/OSA n° 337/2013 do presente processo; e 2. Reconhecer a homologação tácita das compensações do presente parecer e indeferir os pedidos de restituição. No item (6) da manifestação da autuada em resposta à colação do Parecer SEORT/DRF/OSA n° 337/2013 aos autos, folhas 469 do processo digital, é assinalado que: 6. Diante do exposto, as compensações declaradas em DCTF e, indevidamente, glosadas no auto de infração, foram validadas de forma integral pela Receita Federal do Brasil, o que, consequentemente, implica na decretação da improcedência do presente lançamento fiscal. Para tanto, nessa mesma manifestação, é apresentada a seguinte tabela: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10830.005913/200354 Acórdão n.º 3302005.677 S3C3T2 Fl. 6 9 Dessa forma, o Parecer SEORT/DRF/OSA n° 337/2013, folhas 481 à 484, elaborado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Osasco, considerou o prazo previsto para a homologação tácita de 5 anos definido em lei, e reconheceu a homologação tácita das compensações referentes aos processos nº 13899.000544/9842 e 13899.000545/9813. Fl. 517DF CARF MF 10 Esse parecer foi aprovado pelo Despacho Decisório de folhas 485. Nesses termos, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000469/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO SUBSEQÜENTE
O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano-calendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita.
BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA.
A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo-lhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado. No caso do Simples, verificada a omissão de receita, aplica-se os percentuais legalmente previstos sobre a receita bruta mensal auferida para a determinações dos impostos e contribuições devidos.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
SIGILO BANCÁRIO.
As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA.
Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõe-se a exigência de oficio das insuficiências de recolhimento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
Irresignações endereçadas diretamente contra dispositivo legal que define base de cálculo do PIS e da Cofins, contra caráter pretensamente abusivo da multa de oficio instituída em lei, bem como contra suposta ilegitimidade do uso da TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de oficio.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Não caracterizada a infração por não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos descabe a aplicação do agravamento da multa.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS, COFINS, IPI, INSS - SIMPLES.
O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
ILEGALIDADE DA MAJORAÇÃO DAS ALÍQUOTA DA COFINS. DECISÃO DO STF. POSSIBILIDADE.
Conforme analisado pelo Supremo Tribunal Federal foi legítima a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3% vinculada por Lei Ordinária.
ILEGALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NAS BASES DO PIS E COFINS. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE.
Inobstante o pronunciamento do STF a respeito do assunto, não cabe aplicação da decisão enquanto pendente de análise a modulação dos efeitos da decisão requerida pela Fazenda Nacional.
ILEGALIDADE DA MODIFICAÇÃO DO PIS APÓS A LC 07/70.
O STF já se pronunciou no sentido da legalidade da modificação da legislação do PIS por Lei Ordinária. Possibilidade de alterações legislativas por este instrumento legislativo em razão da matéria não ser restrita à Lei Complementar.
Numero da decisão: 1401-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFIS. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos demais pontos objeto do mesmo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Abel Nunes de Oliveira Neto
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ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano calendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita. BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA. A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendolhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado. No caso do Simples, verificada a omissão de receita, aplicase os percentuais legalmente previstos sobre a receita bruta mensal auferida para a determinações dos impostos e contribuições devidos. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. SIGILO BANCÁRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 04 69 /2 00 8- 57 Fl. 934DF CARF MF 2 As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõese a exigência de oficio das insuficiências de recolhimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Irresignações endereçadas diretamente contra dispositivo legal que define base de cálculo do PIS e da Cofins, contra caráter pretensamente abusivo da multa de oficio instituída em lei, bem como contra suposta ilegitimidade do uso da TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de oficio. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracterizada a infração por não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos descabe a aplicação do agravamento da multa. PEDIDO DE PERÍCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS, COFINS, IPI, INSS SIMPLES. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. ILEGALIDADE DA MAJORAÇÃO DAS ALÍQUOTA DA COFINS. DECISÃO DO STF. POSSIBILIDADE. Conforme analisado pelo Supremo Tribunal Federal foi legítima a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3% vinculada por Lei Ordinária. ILEGALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NAS BASES DO PIS E COFINS. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE. Inobstante o pronunciamento do STF a respeito do assunto, não cabe aplicação da decisão enquanto pendente de análise a modulação dos efeitos da decisão requerida pela Fazenda Nacional. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 935 3 ILEGALIDADE DA MODIFICAÇÃO DO PIS APÓS A LC 07/70. O STF já se pronunciou no sentido da legalidade da modificação da legislação do PIS por Lei Ordinária. Possibilidade de alterações legislativas por este instrumento legislativo em razão da matéria não ser restrita à Lei Complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFIS. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos demais pontos objeto do mesmo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Peço a devida venia aos colegas de turma para utilizar a transcrição do relatório da resolução do CARF. Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IPI, INSS, do sistema SIMPLES, acrescidos de juros mora e multa de ofício de 225%. O procedimento fiscal iniciouse por meio do qual a recorrente foi intimada a apresentar, entre outros documentos, os livros Diários, relação de todas as contas bancárias e os respectivos extratos, tudo relativamente aos anoscalendário de 2003 a 2005. Não atendida a intimação no prazo concedido, foi a contribuinte novamente intimada, desta vez para apresentar o livro Caixa, tendo em vista que a contribuinte, na condição de optante pelo Simples, estava obrigada a escrituração do referido livro. Na mesma data foi cientificada do Termo de Reratificação do Termo de Início de Fiscalização. Fl. 936DF CARF MF 4 Em resposta, a contribuinte informou que deixava de apresentar os livros Caixa por não estarem escriturados e que já havia solicitado aos Bancos os extratos bancários. A contribuinte foi novamente intimada a apresentar os documentos solicitados nas intimações anteriores. Apesar de ter solicitado prorrogação por mais 60 (sessenta) dias, a mesma não atendeu a intimação no prazo pleiteado, o que levou a fiscalização a requisitar a movimentação financeira da contribuinte junto às instituições financeiras (fls. 97/116) e, na mesma data, intimou a contribuinte a providenciar, no prazo de 20 (vinte) dias, o Livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, Registro de Inventário e todos os documentos que serviram de base para a escrituração, esclarecendo que o não atendimento poderia implicar, entre outros, no agravamento de multa. A contribuinte solicitou o prazo adicional de 20 (vinte) dias para atendimento à intimação. Não atendida a intimação no prazo, a fiscalização novamente intimou a contribuinte a apresentar os documentos anteriormente solicitados, tendo a mesma permanecido inerte. Em 08/08/2008 foi lavrado o Termo de Intimação de fls. 139/141 para a recorrente comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme constam no Anexo 1, abrangendo os anoscalendário de 2003 a 2005, bem assim apresentar os documentos anteriormente solicitados nas intimações. Foi salientado que a não comprovação implicaria em considerar os valores dos depósitos como receita omitida, nos termos do art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Foram fornecidos à contribuinte, alem do Anexo 1 (relação individualizada dos depósitos bancários), também cópia dos extratos bancários para que pudesse subsidiar a análise e a verificação dos depósitos. Não atendida a intimação, foi a empresa novamente intimada e esta apresentou pedido de prorrogação de prazo, o qual foi indeferido. Em razão da não comprovação da origem dos valores depositados em suas contas correntes, foram lavrados autos de infração para exigir os impostos e contribuições relativamente ao ano calendário de 2003, decorrentes da tributação da receita omitida caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Na autuação foi levada em consideração a opção da contribuinte pelo Simples. Foram excluídos da relação dos depósitos os valores inferiores a R$ 999,99, os estornos, cheques devolvidos, financiamentos, empréstimos, financiamento para capital de giro, valores cobrados a maior, etc., enfim, todos os valores que tiveram como fonte a instituição financeira e os relativos à recuperação de valores lançados a débitos, bem como os valores correspondentes à transferência entre contas do mesmo titular. Da relação dos depósitos anteriormente cientificada à contribuinte, a autoridade fiscal ainda excluiu outros valores, relacionados no Termo de Descrição, de forma que o montante dos depósitos ficou reduzido de R$ 2.610.623,69 para R$ 2.566.307,50 relacionados, mês a mês, na coluna "Valores a serem lançados" da tabela de fl. 11, os quais foram acrescidos aos valores informados pela recorrente para fins de composição dos cálculos mensais. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 936 5 Sobre os impostos e contribuições foi aplicada a multa de 225%, por entender que a empresa, além de ter omitido receita com evidente intuito doloso, o que justificaria a multa qualificada de 150%, também deixou de atender às intimações, o que justificaria o agravamento da multa em 50%, passando, dessa forma, ao patamar de 225%. Após a lavratura dos autos de infração, o autor do procedimento fiscal lavrou a representação de fls. 505/506 propondo a emissão de Ato Declaratório de Exclusão da empresa o Simples, com efeitos a partir de janeiro de 2004, em razão de seu faturamento no anocalendário de 2003 ter superado o limite de R$ 1.200.000,00, posto que a receita declarada (R$ 622.685,21), acrescida da omissão (R$ 2.566.307,50) totalizava R$ 3.188.992,71. O Ato Declaratório de Exclusão foi acatado e emitido pela autoridade competente. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta impugnação de forma tempestiva, alegando de forma sintética o que segue. Preliminarmente a empresa recorrente alega cerceamento do direito de defesa, haja vista não ter sido encaminho a mesma, juntamente com o auto de infração, planilha que demonstrasse todos os depósitos bancários que foram tributados, em presunção, como omissão de receita. Refere que a obtenção dos extratos bancários, sem autorização judicial, constitui prova ilícita, o que torna nulo todo o procedimento administrativo. Já no que diz respeito à omissão de receita, a recorrente alega que não basta a simples presunção ad hominis, levantada pela fiscalização, de que houve omissão de receita para dar fundamento ao lançamento, pois é preciso que a fiscalização demonstre, com elementos seguros a omissão de receita, o que não teria sido feito. Insurgiu contra a tributação com base em depósitos bancários alegando, em síntese, que os depósitos não representam aquisição efetiva de disponibilidade econômica ou jurídica, a que se reporta o art. 43 do Código Tributário Nacional, não podendo dar margem para a manutenção do lançamento. Ademais, deveriam ser excluídos do lançamento os valores pagos pelo Simples. Com relação ao PIS e a COFINS alegou que são insubsistentes as exigências por terem se pautado em base de cálculo alargada e alíquota aumentada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevidas as exigências sobre as receitas financeiras (variações cambiais). Acrescenta, ainda, serem indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições e relativamente ao PIS alega que permanece inalterada a regra de apuração do valor a recolher mediante a aplicação da alíquota de 0,75% do total do faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Fl. 938DF CARF MF 6 Em ato contínuo, insurgese contra a incidência da taxa Selic, posto entender não encontrar respaldo jurídico. Ademais, refere que qualquer exigência de juros em descompasso com o art. 161 do CTN seria totalmente improcedente. Protestou também contra a multa de 225%, alegando que ela ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição ao confisco devendo ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, uma vez que não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude, eis que se embasou em convicções jurídicas de ampla discussão, sem realizar qualquer fraude e que o simples fato de interpretar uma legislação tributária de forma diferente não tem o condão de sustentar uma prática fraudulenta. Contra o Ato Declaratório de Exclusão do Simples a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que é fruto de mera presunção de omissão de receita, sem embasamento em provas, não podendo o mesmo prevalecer. Aduz que as provas contra a impugnante seriam ilícitas, uma vez que os extratos bancários foram obtidos sem autorização judicial. Argumentou que os depósitos bancários não representam renda não podendo dar margem para manutenção do lançamento e que nem tudo que entra no caixa da empresa pode ser considerado faturamento. Alega a recorrente que o ordenamento jurídico pátrio não contempla que os efeitos da exclusão do Simples venham a retroagir, devendo os efeitos valer a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ou seja, a partir de 23/09/2008 e não a partir de 01/01/2004, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998, que modificou o art. 15, II, da Lei n° 9.317, de 1996. Segundo a empresa, o art. 24, II, da Instrução Normativa n° 250, de 2002, que permitiu a cobrança retroativa, por dispor de forma diferente da lei seria ela inconstitucional e ilegal. Posteriormente, a contribuinte requereu a juntada de cópia de um outro auto de infração do processo de n° 18088.000633/200826 com o fim de demonstrar que naquele processo foi apresentado demonstrativo pela fiscalização, especificando, um a um, os depósitos bancários, procedimento este que não ocorreu nos presentes autos com violação ao devido processo legal. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento sob o argumento de que as alegações da recorrente não procedem. Refere que não houve cerceamento do direito de defesa da recorrente, posto que empresa foi intimada a justificar a origem dos valores depositados, tendo acompanhado a intimação um demonstrativo relacionando cada depósito bancário questionado. Aduz a autoridade que a contribuinte foi cientificada não apenas dos autos de infração, mas também do termo de descrição complementar detalhada dos fatos, no qual foram relacionados os valores dos depósitos que foram desconsiderados para fins de tributação. Por essa razão, entende que a recorrente teve total conhecimento de quais depósitos cujos valores foram levados à tributação, sendo improcedente a alegação de que teve sua defesa prejudicada. Relata a autoridade julgadora a quo que da omissão de receita caracterizada por depósitos não escriturados e de origem não comprovada, temse que uma vez verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de Fl. 939DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 937 7 tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Assim, em sendo a empresa inscrita no Simples e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2003), os valores devidos, mensalmente pela empresa autuada, devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na Lei, que foi exatamente o procedimento seguido pela fiscalização, na presente autuação. Portanto, descabida as alegações da empresa de que não procede a tributação efetuada no auto de infração. Ademais, a Lei n° 9.317, de 1996, dispõe que as pessoas jurídicas, optantes do Simples, ficam obrigadas a apresentar, além dos livros de escrituração comercial, a Declaração Anual Simplificada. Quanto à possibilidade de tais pessoas jurídicas serem dispensadas da escrituração exigida, a citada Lei estabelece que a empresa optante pelo Simples, dentro do prazo decadencial (cinco anos), tem a obrigação legal de manter a escrituração do livro caixa constando toda a sua movimentação bancária com os respectivos documentos que serviram de base. À luz, portanto, dos dispositivos legais supracitados, concluiu a autoridade que são aplicáveis à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a lei do Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as pessoas jurídicas optantes do referido regime de tributação (Lei n° 9.317/96, art. 18), e especificamente a prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.481, de 1997. O julgador cita as normas que disciplinam a matéria e refere que as referidas previsões legais determinam que a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas possibilita que se vislumbre uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, o qual precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. E prossegue aduzindo que, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do novo diploma. Fl. 940DF CARF MF 8 Prossegue referindo que, ao fazer uso de uma presunção legal, o fisco está dispensado de provar no caso concreto a omissão. Tratase da presunção juris tantun, segundo o artigo 334 do CPC. Cita doutrina a esse respeito e o artigo 281 do RIR/99, bem como jurisprudência desse Egrégio Conselho de Contribuintes. Salienta que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da recorrente que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima referida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. Quanto à inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, o julgador refere que a alegação da recorrente de que, pelo fato do Fisco ter conseguido os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sem autorização judicial, caracterizaria prova ilícita e, por conseguinte, tornaria nulo o auto de infração e que, em síntese, alegou que a Lei Complementar n° 105/2001, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, violou o art. 5°, X e XII, da Constituição, é de competência exclusiva do Poder Judiciário, sendo defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original reconhecer a alegada inconstitucionalidade da lei. A autoridade faz um levantamento da lei que lastreou o lançamento a respeito da Lei Complementar 105/2001 e conclui ser equivocada a interpretação da recorrente, posto que a quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Já no que tange à exclusão dos valores pagos na modalidade do Simples, pleiteadas pela recorrente, observa o julgador que tal providência já foi tomada pela autoridade fiscal, conforme se pode ver nos Demonstrativos de Apuração dos Valores não Recolhidos nos quais constam discriminadamente os valores calculados de cada tributo e/ou contribuição sujeito ao Simples, bem assim os valores pagos sob o mesmo título. Referindose à tributação reflexa, o julgador de primeira instância atenta para o fato de que a recorrente alegou que os lançamentos relativos ao PIS e a COFINS são insubsistentes por terem se pautado em base de cálculo alargada e alíquota aumentada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevidas as exigências sobre as receitas financeiras (variações cambiais), além de ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições e, ainda, relativamente ao PIS alegou que permanece inalterada a regra de apuração do valor a recolher mediante a aplicação da alíquota de 0,75% do Fl. 941DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 938 9 total do faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, pois não poderia uma lei ordinária alterar a base de cálculo do PIS, que é expressamente prevista por Lei Complementar. Salienta que as irresignações contra dispositivo legal que define base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim as alíquotas, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. E, no caso, tanto as base de cálculo quanto as alíquotas foram calculadas em conformidade com a legislação de regência (Lei n° 9.317, de 1996, e legislação superveniente). O julgador discorre sobre a opção pelo Simples e sua tributação, citando as normas referentes ao assunto. E aduz que não pode o contribuinte querer se submeter ora às normas próprias do regime jurídico do Simples, ora às normas do regime geral de tributação, pois, se assim o fizer, estará criando um novo regime jurídico sem base legal. A base de cálculo é única para todos os tributos e contribuições, não podendo, como pretende a contribuinte, excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal, bem assim aplicar alíquotas para o PIS e COFINS diversas daquelas previstas para os optantes pelo SIMPLES, ou ainda querer tomar como base de cálculo do PIS o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Quanto à insuficiência de recolhimento, afere a autoridade julgadora que em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada provocadas pela constatação de omissão de receitas os valores declarados pela recorrente sofreram mudanças de alíquotas, gerando insuficiência de recolhimento, sendo portanto exigidas de oficio. Mas, observa que os valores de recolhimentos foram considerados na apuração. Quanto à taxa Selic e juros de mora, refere o julgador que as alegações da recorrente são descabidas, vez que os juros de mora são devidos nos termos do artigo 161 do CTN, o qual é taxativo ao determinar que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Completa a autoridade salientando que os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN, acima transcrito. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1%(um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que, valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei n° 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Cita jurisprudência do STJ. No tocante à multa aplicada, a decisão a quo foi no sentido de que a autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que a disparidade entre as receitas informadas em DIPJ e as omitidas no ano calendário de 2003, cuja disparidade também se verificou preliminarmente nos anos de 2004 e 2005, caracterizaria a tentativa da Fl. 942DF CARF MF 10 contribuinte em impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, ou seja, estaria a configurar a situação fática que se subsume ao tipo previsto no art. 71, I, e o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Além disso, a autoridade fiscal agravou a multa de 150% para 225% pela falta de atendimento às intimações. A contribuinte, por outro lado, alegou que, além de ser a multa confiscatória, não teria ficado comprovada a conduta que pudesse ser qualificada como de evidente intuito de fraude, não podendo agravar a multa por mera presunção ou indício, e quando muito deveria aplicar a multa de 20% prevista na Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°. Quanto às alegações de que as multas aplicadas têm caráter confiscatório cabe, mais uma vez, ressaltar que a apreciação dessa matéria escapa à competência da Turma Julgadora. Assim, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Em ato contínuo, entende que também a pretensão da recorrente em ver reduzida a multa para 20% é totalmente improcedente, pois esta referese à multa de mora prevista para os casos de pagamentos espontâneos, porém fora do prazo, enquanto a penalidade em discussão referese aos procedimentos de oficio nos quais verificase infração à legislação tributária, sendo portanto inerente ao lançamento de oficio. Contudo, afere que para aplicar a multa qualificada/agravada não basta simples indícios, é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar, cuja prova deve ser produzida com acuidade, apta a demonstrar a indelével intenção de cometer um dos três ilícitos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964. Cita doutrina, identifica o conceito de fraude. Ressalta que, qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Entende que esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e provado nos autos, pois, a contribuinte deixou de escriturar a sua movimentação bancária, oferecendo à tributação apenas parte de sua receita, de forma contumaz e durante longo período de tempo. O procedimento adotado pela contribuinte não pode ser considerado mero erro, de ordem meramente material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas não é o caso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pela autuada em todos os meses do período fiscalizado, nos quais deixou de escriturar sua movimentação bancária. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 939 11 Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, o julgador afere não ter dúvida da intenção da recorrente em reduzir os tributos devidos e se beneficiar, indevidamente, do Simples, uma vez que se a totalidade de suas receitas fosse declarada superaria o limite para usufruir o referido sistema. Portanto, correto o procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Contudo, no seu entendimento e no que concerne ao agravamento da multa por falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos salienta ser improcedente o agravamento, posto que não se pode dizer que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos nos termos do artigo 44, §20, I da Lei 9.430/96, pois ao ser intimada a apresentar o Livro Caixa e os extratos bancários, esclareceu que deixava de apresentar o livro Caixa porque o mesmo não havia sido escriturado e, com relação aos extratos bancários informou que já havia solicitado às instituições financeiras cópia dos extratos. Completa afirmando que a inexistência e/ou falta de apresentação do livro Caixa deu ensejo ao arbitramento do lucro, mas tal fato não caracteriza desatendimento no prazo à intimação para prestar esclarecimentos, previsão legal que autoriza a majoração da multa. A não comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente implicou em considerar os valores dos depósitos como receita omitida, mas também não pode ser causa da majoração da multa em 50%. Na verdade, deixou a interessada de aproveitar a oportunidade para demonstrar fatos e apresentar documentos capazes de comprovar a inocorrência da infração.Assim, resta descaracterizada a motivação do agravamento da penalidade, devendo ser reduzido percentual da multa de 225% para 150%. No tocante ao pedido de diligência/perícia, a autoridade a quo indeferiu sob o argumento de que a diligência e a perícia são provas de caráter especial, cabíveis nos casos em que a interpretação dos fatos demanda parecer técnico específico, para o qual o julgador não tenha o conhecimento ou não esteja capacitado ou um procedimento com o objetivo de esclarecer algum ponto obscuro na autuação ou preencher alguma lacuna na descrição dos fatos, o que não é o caso no presente feito. Refere que o ônus da prova é do contribuinte, que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu a contento. Assim, conclui afirmando que por considerar munido de todas as informações e documentos necessários e suficientes da convicção para julgar o presente processo, indefere o pedido de diligência e perícia solicitado. Cita doutrina e jurisprudência. Por fim, o julgador aprecia o ato declaratório de Exclusão do Simples, referindo que as alegações de defesa da recorrente a respeito da omissão de receita e provas (depósito bancários) já foram devidamente analisadas. Assim Fl. 944DF CARF MF 12 resta analisar quando surtirá efeito a exclusão do Simples. Observa que a exclusão se deu em virtude da empresa, na condição de empresa de pequeno porte, ter auferido no anocalendário de 2003 receita bruta superior ao limite de R$ 1.200.000,00, com fundamento no art. 192 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94), aprovado pelo Decreto n°3000, de 26/03/1999 (base legal: art. 90, II, da Lei n°9.317, de 1996). Segundo a Lei 9.317/96, vigente à época dos fatos, a empresa, em determinado anocalendário, ultrapassar o limite estabelecido para permanência no Simples, deverá solicitar a sua exclusão do referido sistema e não o fazendo ficará sujeita a exclusão de oficio, cujo efeito darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Dessa forma, tendo a empresa no caso concreto auferido receita (receita declarada + receita omitida) no anocalendário de 2003 superior ao limite estabelecido, os efeitos da exclusão operamse a partir de 01/01/2004. Portanto, nenhum reparo carece o Ato Declaratório, pois o mesmo encontra se em perfeita consonância com a legislação de regência. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a recorrente interpõe recurso voluntário, de forma tempestiva, argüindo sinteticamente o que o auto de infração foi lavrado calcado sob mera presunção de omissão, não tendo a autoridade fiscalizadora demonstrado os elementos que deram ensejo a ocorrência do fato gerador. Refere que as notas fiscais deveriam constar do processo sob pena de imprestabilidade da prova e absurda presunção. Aduz ser evidente a necessidade de realização de perícia, posto que em tais condições não seria possível a autoridade administrativa, por meras conjecturas, lavrar auto de infração contra a recorrente. Isso porque a autoridade administrativa preferiu, ao seu livre talante, em detrimento da ordem jurídica, adotar presunção "ad hominis", que nem mesmo é legal. Cita doutrina a respeito. Prossegue salientando que é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros da suposta omissão de receitas, o que não foi feito. Aduz tratarse de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta à recorrente, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal. Pugna pela presunção, caso admitida, que seja a relativa. Prossegue insurgindose e alegando a quebra do sigilo bancário. Frisa que as provas contra a recorrente encontram respaldo na Lei Complementar 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001, ambos voltados à abertura do sigilo bancário dos contribuintes, como instrumento de "caça aos sonegadores" (no demagógico discurso governista). Tais informações são protegidas pela garantia constitucional do sigilo de dados, estampada no art. 5°, inciso XII, da Constituição da República, razão pela qual se mostra evidente a violação direito da recorrente, pois está se valendo o Fisco de dados, resguardados por sigilo constitucional, de terceira pessoa, para, assim, atingir o recorrente. Cita normatização e doutrina a respeito do tema. Por fim refere que a ordem judicial que é o único instrumento legítimo, imparcial e confiável na avaliação das circunstâncias concretas ensejadoras Fl. 945DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 940 13 de uma possível quebra do sigilo bancário. Entende a recorrente ser cristalina a ordem constitucional que erigiu ao patamar de cláusulas pétreas a inviolabilidade do domicilio (inclusive a do domicílio empresarial); o direito à intimidade de dados; a garantia da expropriação de bens só pela via do devido processo legal; bem como a garantia de ineficácia das provas obtidas por meios ilícitos. Em ato contínuo, que todo o procedimento fiscal já nasceu nulo de pleno direito porque inobservou direitos constitucionais básicos inerentes ao cidadão. Desse modo, requer a nulidade do processo fiscal em epígrafe, já que se valendo de dados obtidos, de forma ilegal, lavrou auto de infração contra à recorrente, tratandose de evidente utilização de prova ilícita, que no seu sentir contamina todas as demais provas e atos decorrentes. Explica a recorrente que os valores indicados em extrato bancário correspondem, sempre, à movimentação do dinheiro, e não à "renda" efetivamente percebida. Tratase da "fotografia" estática de uma situação, que não guarda qualquer correspondência com a identificação da "renda" do correntista. Cita jurisprudência deste Egrégio Conselho que não admite depósito bancário como suposto indicativo de omissão de rendimentos. Passa a recorrente a discorrer sobre a distinção entre meros ingressos e receita, salientando que mera entrada ou ingresso não se confunde com receita bruta para efeitos da base de cálculo, uma vez que algumas entradas não são definitivas, apenas transitam pelo caixa da empresa para posteriormente serem repassadas para terceiros (detentores jurídicos dos ingressos da impugnante). Cita doutrina sobre o tema e jurisprudência. Quanto aos efeitos da exclusão do Simples, aduz que na atual sistemática, os efeitos passam a vales a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão. Cita o artigo 15, II, da Lei 9.317/96. Afere que a Lei 9.732198 que, alterou o art. 15, II, da Lei 9.317/96 está em plena validade, o que nos permite afirmar que os efeitos da exclusão do Simples somente se operam a partir do mês subseqüente à aludida exclusão, ou seja, a partir de 23/19/2008 e não a partir de 01/01/2004. Ademais, as situações jurídicas anteriores ao Ato Declaratório não podem infringir o principio da irretroatividade das normas. Neste sentido, é imperiosa a aplicação do princípio da irretroatividade da norma, estampado nó art. 150, II, a, da Constituição Federal. Por fim, requer a nulidade do auto de infração. Chegando a este CARF o julgamento do processo foi sobrestado até o julgamento, pelo STF, da inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário pela fiscalização da Receita Federal. Concluído o julgamento e não havendo inconstitucionalidade declarada pelo STF, o processo retornou para prosseguimento. Fl. 946DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O auto de infração baseiase em omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada ou não escriturados, além de insuficiência dos recolhimentos realizados pelo contribuinte, tudo dentro do regimento do SIMPLES. Em seu recurso de voluntário o recorrente apresenta os seguintes pontos de discussão: Cerceamento de defesa. Devido Processo Legal. O auto teria sido lavrado com base em depósitos bancários sem a apresentação ao contribuinte de planilha com todos os depósitos. Presunção de Omissão de Receitas. Entende que o ônus de provar a omissão era da fiscalização. Alega que a fiscalização não apresentou elementos probatórios da omissão. Obtenção de prova ilícita. Quebra de Sigilo bancário sem autorização judicial. Omissão de receitas. Depósitos bancários não contabilizados. Que o fiscal não fez o confronto entre receitas e despesas para auferir a renda. Que seria ilegal. Exclusão dos valores pagos do SIMPLES. Aumento da base de cálculo do PIS e COFINS. Ilegalidade do aumento da cobrança da COFINS de 2% para 3%. Indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. Julgamento do STJ. Ilegalidade da alteração da contribuição ao PIS após a LC 07/70. Ilegalidade dos Juros SELIC. Multa confiscatória de 150%. Ilegalidade da incidência de juros sobre a multa. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 941 15 Quanto à manutenção da exclusão do SIMPLES por meio do ato declaratório de exclusão, mantém os mesmo argumentos quanto à presunção, ilegalidade da obtenção de provas, distinção entre ingressos e receitas, Impossibilidade de efeito retroativo da exclusão, Seguimos com a análise do Recurso Voluntário apresentado. Com relação ao presente recurso verificamos, em consulta aos termos apresentados pela recorrente que seu recurso voluntário apresentou os mesmos fundamentos de fato e de direito que foram objeto de análise por parte da DRJ, não havendo nenhuma discordância quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento. A única diferença entre os termos apresentados no recurso voluntário e na impugnação foi a exclusão do item relativo a período de perícia. Ora, não havendo a apresentação de questionamentos quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento não se estabelece o contraditório a ser objeto de análise recursal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos argumentos veiculados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal, ressalvese apenas o pedido de perícia que será analisado em separado. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 948DF CARF MF 16 Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, em todos os seus termos, principalmente quanto à possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovadas passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto, fazendo alguns acréscimos nos pontos em que entender necessários. 1 Do cerceamento do direito de defesa. Totalmente improcedente a alegação de ter havido cerceamento do direito de defesa por não ter sido fornecido à contribuinte uma planilha que demonstrasse todos os depósitos bancários que foram tributados. A contribuinte foi intimada a justificar a origem dos valores depositados relacionados no Anexo 1 (fls. 143/172) que acompanhou a intimação. No referido demonstrativo foram relacionados, um a um, os depósitos bancários, cujos valores foram solicitados a comprovação da origem. A contribuinte foi cientificada não apenas dos autos de infração, mas também do "Termo de descrição complementar detalhada dos fatos" (fls. 04/14) no qual foram relacionados os valores dos depósitos que foram desconsiderados para fins de tributação. Dessa forma, a contribuinte teve total conhecimento de quais depósitos cujos valores foram levados à tributação, sendo improcedente a alegação de que teve sua defesa prejudicada. 2 Da omissão de receita caracterizada por depósitos não escriturados e de origem não comprovada. Da análise do processo depreendese que o lançamento em tela (Autos de Infração SIMPLES: IRPJ, PIS, CSLL, Cofins, IPI e INSS), foi efetuado em decorrência da constatação de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, bem assim por insuficiência dos valores recolhidos pela Sistemática de Recolhimento do Simples, no anocalendário de 2003. Alegou que não basta a simples presunção "ad hominis" levantada pela fiscalização de que houve omissão de receita para dar fundamento ao lançamento, é preciso que a fiscalização demonstre, com elementos seguros, a omissão de receita, o que não teria sido feito. Esclareçase, inicialmente, que a autuação do IRPJ — Simples teve com base legal, entre outros, o art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão." (Grifouse.) Fl. 949DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 942 17 Do art. 50 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, constante da capitulação legal, se extrai: "Art. 50 O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (.....) Do transcrito se evidencia que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Em sendo empresa inscrita no Simples, e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2003), os valores devidos mensalmente pela empresa autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na Lei, que foi exatamente o procedimento seguido pela fiscalização, na presente autuação. A Lei n° 9.317, de 1996, dispõe que as pessoas jurídicas optantes do Simples ficam obrigadas a apresentar, além dos livros de escrituração comercial, a Declaração Anual Simplificada. Quanto à possibilidade de tais pessoas jurídicas serem dispensadas da escrituração exigida, a citada Lei, em artigo próprio, estabelece: "Art. 7°. ... § 10 A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo de decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária; (grifei) b) Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cad anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores." Observase que a empresa optante pelo Simples, dentro do prazo decadencial (cinco anos), tem a obrigação legal de manter a escrituração do livro caixa constando toda a sua movimentação bancária com os respectivos documentos que serviram de base. Sobre a matéria trazse ainda à colação o art. 18 da Lei n° 9.317, de 1996: "Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas." (grifei) Fl. 950DF CARF MF 18 À luz, portanto, dos dispositivos legais supracitados, concluise que são aplicáveis à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a lei do Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as pessoas jurídicas optantes do referido regime de tributação (Lei n° 9.317/96, art. 18), e especificamente a prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.481, de 1997, in verbis: Art. 42 — Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com esta previsão legal, a partir de 01/01/1997 (data em que se tornou eficaz a Lei n.° 9.430 de 1996), a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, o qual precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Assim, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. É o que se depreende da leitura do artigo 334 do Código de Processo Civil, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (.) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." No texto abaixo reproduzido, José Luiz Bulhões Pedreira (in Imposto sobre a RendaPessoas JurídicasJUSTECRJ1979pág.806) sintetiza com muita clareza essa questão: Fl. 951DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 943 19 "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso". As presunções estão, desde há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos — baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário — esta a cargo do contribuinte , a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção legais são aquelas incorporadas ao art. 281 do RIR199 (mas que desde há muito estão incluídas na legislação fiscal): Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): 1— a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II — a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III — a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Portanto, a existência de depósitos bancários não escriturados ou com origem não comprovada é, por si só, nos anoscalendário fiscalizados, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. Não o fazendo a fiscalizada, é lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração. Apenas como ilustração, cabe evidenciar que este entendimento é reiterado pela Câmara de Recursos Fiscais, conforme trecho/ementa abaixo transcritos: O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao Fisco infirmar a presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco em a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. (Acórdão 010.071/80). PRESUNÇÕES LEGAIS A constatação, no mundo factual, de infrações capituladas como presunções legais juris tantum, tem o condão de transferir o ônus probante da autoridade fiscal para o sujeito passivo da relação jurídicotributária, o qual, para elidir a Fl. 952DF CARF MF 20 respectiva imputação, deverá produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração (Acórdão 1° CC 103 20.397/00). Portanto, ao contrário do que alegou a contribuinte, não se trata de uma mera presunção de omissão de receita e nada de ilegalidade existe no lançamento feito com base em depósito bancário de origem não comprovada, principalmente na vigência da Lei n° 9.430 de 1996, que é o caso dos autos. E, como dos autos se pode inferir, fez a autoridade lançadora exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, intimou a fiscalizada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa. A contribuinte não tendo apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, após excluir os valores correspondentes às devolução de cheques depositados e estornos e ainda determinados créditos, conforme está claro no Anexo 2 (fls.173/184) e no "Termo de descrição complementar detalhada dos fatos" (fls. 04/14). Neste ponto devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. No caso concreto, apesar de todo o tempo de que dispôs a contribuinte para apresentar suas informações e seus documentos, não houve, em nenhum momento, informação de que os valores depositados nas contas correntes bancárias, sem escrituração na sua contabilidade, pudessem provir de outra origem que não receitas omitidas, o que respaldado está o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal. 3— Da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. A contribuinte alegou que pelo fato do Fisco ter conseguido os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sem autorização judicial, caracterizaria prova ilícita e, por conseguinte, tornaria nulo o auto de infração. Em síntese, alegou que a Lei Complementar n° 105/2001, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, violou o art. 5°, X e XII, da Constituição. No que se refere à alegada inconstitucionalidade da Lei Complementar 105, de 10/01/2001, cumpre registrar que o controle da Constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, a, III da CF/88 , sendo, assim, defeso aos órgãos administrativos Fl. 953DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 944 21 jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade da lei. Para melhor entendimento da matéria, necessário se faz um levantamento da legislação que lastreou o lançamento. Há que se proceder, num primeiro momento, ao exame da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, do Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e o parágrafo 3° do art. 11 da Lei n°9.311/1996, alterado pelo art. 1° da Lei n° 10.174 de 09 de janeiro de 2001, dentro dos limites de competência atribuídos aos órgãos administrativos judicantes para apreciação da matéria. A Lei Complementar n. ° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências, introduzindo significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação ao seu anterior disciplinamento, conferido pelo art. 38 da Lei n. ° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, ora revogado. Assegura a aludida Lei Complementar, no seu art. 1°, § 3°, III, que o fornecimento de informações à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, ou equiparadas, referentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, necessárias à identificação dos contribuintes e dos valores das respectivas operações, nos termos do art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996 c/ redação dada pela Lei n° 10.174/2001, não constitui violação do dever de sigilo bancário. No mesmo sentido, prescreve a citada Lei Complementar, no seu art. 1°, § 3°, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidas nos seus artigos 2°, 30, 40, 50, 60, 7° e 10. Concluise ser equivocada a interpretação da impugnante. A quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Considerando que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, em face do disposto no parágrafo único do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1996 (Código Tributário Nacional — CTN), tendo em vista que a legislação, anteriormente transcrita, excepciona o acesso às informações utilizadas pelo fisco, quando da lavratura da peça fiscal contestada, à figura de quebra de sigilo bancário e levandose em conta, ainda, que todas as determinações, Fl. 954DF CARF MF 22 precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar n° 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da defendente foram, e estão sendo adotadas, no curso do presente procedimento, há que se considerar a exigência realiza a pela Fazenda Pública como perfeitamente lícita e respaldada na lei. Salientese que a Administração Pública está sujeita à observância estrita do princípio constitucional da legalidade, previsto no art. 37, caput, de nossa Carta Magna, cabendo a ela, simplesmente, "aplicar as leis, de oficio." Ou seja, deve tãosomente obedecer, cumprir, ou ainda, por em prática estas leis então vigentes no ordenamento jurídico brasileiro. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142, acima citado, a autoridade administrativa encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame, uma vez que às autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. Por oportuno, assinalese que tal é a determinação do Parecer Normativo da CST/SRF de n° 329, de 1970: "Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional." Corroborando o entendimento acima, a Portaria MF n° 58/2006, em seu artigo 70, prescreve que os julgadores devem observar as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento expresso em atos normativos: Art. 70 O julgador deve observar o disposto no art. 116, I H, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. As normas acima transcritas têm fundamento no Princípio Hierárquico, que pode ser traduzido no dever de o órgão administrativo cumprir as determinações exaradas por seus superiores hierárquicos. Diante do acima exposto não há como anuir às alegações da impugnante quanto à quebra do sigilo bancário, que só seria possível após o devido processo judicial, e quanto às operações bancárias serem consideradas provas ilícitas. Acrescentamos, em relação a esta matéria que, após pronunciamento do STF acerca da possibilidade da obtenção, por parte do fisco federal, dos registros bancários da empresa para fins de investigação fiscal, este CARF vem se pronunciando no sentido de acatar o mesmo posicionamento da Corte Suprema, conforme precedentes abaixo colacionados. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do Fl. 955DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 945 23 dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. (Acórdão nº 1302002.621, de 13/03/2018) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). (Acórdão nº 1401002.190, de 20/02/2018) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). (Acórdão nº 1301002.772, de 23/02/2018) Desta forma, em relação à alegação de inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, seguindo o pronunciamento do STF e deste CARF, entendo que não devem ser acatados os argumentos apresentados pelo recorrente. 4 Da exclusão dos valores pagos na modalidade do Simples. Quanto à alegação de que devem ser excluídos do lançamento dos valores pagos pelo Simples, tal providência já foi tomada pela autoridade fiscal, conforme se pode ver nos Demonstrativos de Apuração dos Valores não Recolhidos nos quais constam discriminadamente os valores calculados de cada tributo e/ou contribuição sujeito ao Simples, bem assim os valores pagos sob o mesmo título. 5 Da tributação reflexa. A contribuinte, em sua impugnação, alegou que os lançamentos relativos ao PIS e a COFINS são insubsistentes por terem se pautado em base de cálculo alargada e alíquota aumentada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevidas as exigências sobre as receitas financeiras (variações cambiais), além de ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições e, ainda, relativamente ao PIS alegou que permanece inalterada a regra de apuração do valor a recolher mediante a aplicação da alíquota de 0,75% do total do faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato Fl. 956DF CARF MF 24 gerador, pois não poderia uma lei ordinária alterar a base de cálculo do PIS, que é expressamente prevista por Lei Complementar. As irresignações endereçadas diretamente contra dispositivo legal que define base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim as alíquotas, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. E, no caso, tanto as base de cálculo quanto as alíquotas foram calculadas em conformidade com a legislação de regência (Lei n° 9.317, de 1996, e legislação superveniente). Apesar de impertinentes as alegações da contribuinte, já que a base de cálculo dos tributos e as alíquotas estão perfeitamente definidas na legislação do Simples e estas foram corretamente aplicadas, cabe destacar que o SIMPLES é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas consideradas como microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), nos termos definidos na Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e alterações subseqüentes, criado em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988. Constituise, assim, numa forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta — ver art. 5° da Lei n°9.317/1996. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES deverão calcular e recolher o valor correspondente aos tributos e contribuições acima referenciados, com base na receita bruta, conforme Lei n° 9.317 de 1996 e legislação superveniente, inclusive quando os valores objeto de lançamento tenham decorrido de omissão de receita ou de diferenças apuradas a menor entre os valores apurados e os recolhidos/pagos. A receita bruta está bem definida no § 2° do art. 2° da Lei instituidora do Simples, in verbis: ",ss 22 Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos." Ressaltese que, da inteligência do parágrafo acima transcrito, que afora as exclusões indicadas no dispositivo transcrito, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente, procederse a qualquer outra exclusão, em face da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção. A Lei n° 9.317, de 1996, ao dispor sobre as normas para ingresso no Simples, estabeleceu critérios e/ou requisitos para que as microempresas e empresas de pequeno porte pudessem ingressar no referido sistema, criando os limites de receita bruta para considerar a pessoa jurídica como microempresa ou Fl. 957DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 946 25 empresa de pequeno porte, bem como estabelecendo os percentuais e alíquotas aplicáveis aos tributos e/ou contribuições sujeitos a tal sistemática, conforme arts. 2°, 5° e 23 da Lei n° 9.317/96, c/c o art. 3° da Lei n° 9.732/98; Portanto, uma vez tendo optado por tal regime e até que solicite a sua exclusão ou venha a ser excluída de ofício, a empresa se submete à sistemática própria do regime jurídico do Simples, no qual é imposto uma alíquota única a depender da faixa de faturamento, se não vejamos como dispõe o art. 5° da Lei n 2 9.317, de 1996, com a alteração que lhe foi dada pelo art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998: "Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no Simples, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...) Anotese que a partilha dos valores pagos pelas pessoas jurídicas inscritas no Simples corresponde aos percentuais definidos no art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996, e alterações. Assim sendo, não pode o contribuinte querer se submeter ora às normas próprias do regime jurídico do Simples, ora às normas do regime geral de tributação, pois, se assim o fizer, estará criando um novo regime jurídico sem base legal. A base de cálculo é única para todos os tributos e contribuições, não podendo, como pretende a contribuinte, excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal, bem assim aplicar alíquotas para o PIS e COFINS diversas daquelas previstas para os optantes pelo SIMPLES, ou ainda querer tomar como base de cálculo do PIS o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Todas as disposições relevantes na apuração dos tributos e/ou contribuições devidos pelo Simples, tais como base de cálculo e alíquotas, foram criteriosamente observados pela autoridade fiscal, conforme depreendese dos Demonstrativos de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta, partes integrantes da exigência, nos quais vêse claramente os valores dos percentuais aplicáveis para cálculo de cada tributo e/ou contribuição sujeito ao Simples (fls. 15/16), não merecendo o lançamento qualquer reparo. 6Da insuficiência de recolhimento. Em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada provocadas pela constatação de omissão de receitas, os valores declarados pela contribuinte sofreram mudanças de alíquotas, gerando insuficiência de recolhimento, sendo portanto exigidas de oficio. Observese que os valores de recolhimentos foram considerados na apuração, conforme demonstrativos às fls. 17/22. Fl. 958DF CARF MF 26 Apesar de não constar na peça impugnatória contestação expressa quanto à essa infração, é de se considerála implicitamente impugnada, uma vez que a exigência é conseqüência da infração referente ao saldo credor de caixa, e caso esta fosse considerada improcedente, aquela também o seria. Entretanto, como a decisão foi pela procedência do lançamento por omissão de receitas, impõese a exigência de oficio das insuficiências de recolhimento. 7 Dos juros de mora. Taxa Selic. Aduziu a impugnante que a taxa Selic como supostos juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e a finalidade desta espécie de juros, e acrescentou que qualquer exigência em descompasso com o art. 161 do CTN é improcedente. Os juros de mora são devidos nos termos do artigo 161 do Código Tributário Nacional, o qual é taxativo ao determinar que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Desta maneira, deve ser lançado o montante referente aos juros moratórios, contados a partir do vencimento. Transcrevese a seguir o diploma legal retrocitado: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta , sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § I° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (g.n) Os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN, acima transcrito. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1%(um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que, valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei n° 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Transcrevese o citado diploma legal: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (g.n) Portanto, a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de 1 (um) por cento ao mês é a expressa previsão legal , requisito preenchido pela Lei n° 9.065/1995, artigo 13. Ressaltese, não há vedação Fl. 959DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 947 27 legal para a utilização como juros de mora, de taxas instituídas por atos administrativos, desde que sua aplicação esteja prevista em lei. Por outro lado, ao contrário do que entende o impugnante, a aplicação da taxa Selic como juros de mora, no campo tributário, é aceita pelo Superior Tribunal de Justiça, como nos faz ver, os acórdãos a seguir reproduzidos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. LEGALIDADE. (...) 2. O artigo 161 do CTN, ao estipular que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalva, expressamente, "se a lei não dispuser de modo diverso", de modo que, estando a SELIC prevista em lei, inexiste ilegalidade na sua aplicação. 3. Este Superior Tribunal de Justiça tem, reiteradamente, aplicado a taxa SELIC a favor do contribuinte, nas hipóteses de restituições e compensações, não sendo razoável deixar de fazêla incidir nas situações inversas, em que é credora a Fazenda Pública". RESP 267788/PR — 2000/00725064 — 1/4/2003, 2" Turma. "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SÚMULA N° 07/STJ TAXA SELIC. LEGALIDADE. II — Quanto à aplicação da taxa SELIC, a jurisprudência desta Corte, consolidou entendimento no sentido de que, a partir de 1° de janeiro de 1996, passou a ser legitima sua aplicação no campo tributário, em face da determinação contida no §4°, do artigo 39, da Lei n° 9.250/95 ". AGA 480641/MG — 2002/01403535 — 8/4/2003, I° Turma. Ademais, por estar vinculado à lei, não compete ao julgador administrativo negar a aplicação de lei validamente promulgada. Assim sendo, é de se manter a incidência da Selic sobre os débitos vencidos e não pagos. 8 Da multa aplicada. A autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que a disparidade entre as receitas informadas em DIPJ e as omitidas no anocalendário de 2003, cuja disparidade também se verificou preliminarmente nos anos de 2004 e 2005, caracterizaria a tentativa da contribuinte em impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, ou seja, estaria a configurar a situação fática que se subsume ao tipo previsto no art. 71, I, e o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Além disso, a autoridade fiscal agravou a multa de 150% para 225% pela falta de atendimento às intimações. Fl. 960DF CARF MF 28 A contribuinte, por outro lado, alegou que, além de ser a multa confiscatória, não teria ficado comprovada a conduta que pudesse ser qualificada como de evidente intuito de fraude, não podendo agravar a multa por mera presunção ou indício, e quando muito deveria aplicar a multa de 20% prevista na Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°. Para melhor entendimento, transcrevese o art. 44 da Lei n° 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (.) § O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n' 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei n° 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei n°11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei n°11.488, de 2007) As disposições legais referidas no inciso acima para definição de intuito de fraude têm a seguinte redação: Lei n°4.502 de 1964: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 961DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 948 29 características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. (grifouse) Quanto às alegações de que as multas aplicadas têm caráter confiscatório cabe, mais uma vez, ressaltar que a apreciação dessa matéria escapa à competência desta Turma Julgadora. Com efeito, incumbe aos legisladores, detentores de mandato popular, valorarem as situações e editarem, em obediência aos preceitos constitucionais, as leis aplicáveis no País, inclusive no âmbito tributário. Aos julgadores administrativos incumbe aferir em que grau os atos da Administração se harmonizam àquelas leis, na forma como foram elaboradas. Não lhes compete apreciar eventual caráter confiscatório ou abusivo de qualquer preceito legal. Assim, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Também, quanto a pretensão da interessada em ver reduzida a multa para 20%, prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §2°, é totalmente improcedente, pois esta referese à multa de mora prevista para os casos de pagamentos espontâneos, porém fora do prazo, enquanto a penalidade em discussão referese aos procedimentos de oficio nos quais verificase infração à legislação tributária, sendo portanto inerente ao lançamento de oficio. Referida multa deve obedecer ao princípio da legalidade, nos termos do art. 97, V, do CTN, não cabendo à autoridade tributária afastála, exceto quando há previsão legal, ou reduzila para patamares não previstos na legislação tributária. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicar a multa qualificada/agravada não basta simples indícios, é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar, cuja prova deve ser produzida com acuidade, apta a demonstrar a indelével intenção de cometer um dos três ilícitos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964. Segundo Luiz Alberto Ferracini – Do Crime de Sonegação Fiscal – Ed. de Direito, 1996, pág. 65, "Os elementos do dolo para o estudo do crime de sonegação fiscal são os seguintes: consciência da ação e do evento e do nexo causal entre eles – é vontade de praticar o fato típico; consciência da ilicitude da conduta e do resultado; vontade de ação e do resultado." Ou seja, há que ficar provada a intenção do agente em praticar os atos culpáveis. De acordo com De Plácido e Silva, em "Vocabulário Jurídico", Editora Forense, o vocábulo "fraudar", derivado do latim fraudare (fazer agravo, Fl. 962DF CARF MF 30 prejudicar com fraude), além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação: fraudar o fisco. E, assim, quer dizer sonegar. Ressaltese que, qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Entendo que esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e provado nos autos, pois, a contribuinte deixou de escriturar a sua movimentação bancária, oferecendo à tributação apenas parte de sua receita, de forma contumaz e durante longo período de tempo. O procedimento adotado pela contribuinte não pode ser considerado mero erro, de ordem meramente material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas não é o caso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pela autuada em todos os meses do período fiscalizado, nos quais deixou de escriturar sua movimentação bancária. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos e se beneficiar, indevidamente, do Simples, uma vez que se a totalidade de suas receitas fosse declarada superaria o limite para usufruir o referido sistema. Portanto, correto o procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Contudo, no que se refere ao agravamento da multa por falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos entendo ser improcedente o agravamento pelas razões a seguir. É bem verdade que a contribuinte, mesmo intimada, deixou de apresentar o livro Diário e o livro Caixa, bem assim os extratos bancários, o que exigiu que a fiscalização solicitasse aos Bancos, e também deixou de comprovar a origem dos recursos depositados em conta corrente. Entretanto, não se pode dizer que a contribuinte deixou de prestar esclarecimentos nos termos do art. 44, §20, I, da Lei n° 9.430, de 1996, fundamento da autuação, pois, ao ser intimada a apresentar o livro Caixa e os extratos bancários, esclareceu que deixava de apresentar o livro Caixa porque o mesmo não havia sido escriturado e, com relação aos extratos bancários informou que já havia solicitado às instituições financeiras cópia dos extratos. Ora, a inexistência e/ou falta de apresentação do livro Caixa deu ensejo ao arbitramento do lucro, mas tal fato não caracteriza desatendimento no prazo à Fl. 963DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 949 31 intimação para prestar esclarecimentos, previsão legal que autoriza a majoração da multa. A não comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente implicou em considerar os valores dos depósitos como receita omitida, mas também não pode ser causa da majoração da multa em 50%. Na verdade, deixou a interessada de aproveitar a oportunidade para demonstrar fatos e apresentar documentos capazes de comprovar a inocorrência da infração. Assim, resta descaracterizada a motivação do agravamento da penalidade, devendo ser reduzido percentual da multa de 225% para 150%. 9 Do pedido de diligência/perícia. Deixo aqui de transcrever o trecho referente à análise do pedido de perícia em razão de não ser objeto de recurso voluntário. 10 Do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Em síntese, a contribuinte alegou ser o Ato Declaratório é fruto de mera presunção de omissão de receita; que as provas contra a impugnante são ilícitas; que os depósitos bancários não representam renda e protestou contra os efeitos da exclusão, pois, no entendimento da impugnante, os efeitos devem valer a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ou seja, a partir de 23/09/2008 e não a partir de 01/01/2004, nos termos do art. 30 da Lei n° 9.732, de 1998, que modificou o art. 15, II, da Lei n° 9.317, de 1996. As alegações da contribuinte relativamente à omissão de receita e provas (depósitos bancários) já foram devidamente analisadas. Assim, resta analisar quando surtirá efeito a exclusão do Simples. A exclusão se deu em virtude da empresa, na condição de empresa de pequeno porte, ter auferido no anocalendário de 2003 receita bruta superior ao limite de R$ 1.200.000,00, com fundamento no art. 192 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94), aprovado pelo Decreto n°3000, de 26/03/1999 (base legal: art. 90, II, da Lei n°9.317, de 1996). Para bem analisarmos a exclusão de oficio do Simples tratada neste processo, cabe observar os seguintes dispositivos da Lei n° 9.317/1996, com a redação vigente à época dos fatos neste processo discutidos: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); Fl. 964DF CARF MF 32 Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (.) obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 90; (.) Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (.) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (.) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e lido art. 9°; (.) § 32 A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (...) Da leitura dos dispositivos transcritos concluise que se a empresa, em determinado anocalendário, ultrapassar o limite estabelecido para permanência no Simples, deverá solicitar a sua exclusão do referido sistema e não o fazendo ficará sujeita a exclusão de oficio, cujo efeito darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Dessa forma, tendo a empresa no caso concreto auferido receita (receita declarada + receita omitida) no anocalendário de 2003 superior ao limite estabelecido, os efeitos da exclusão operamse a partir de 01/01/2004. Portanto, nenhum reparo carece o Ato Declaratório, pois o mesmo encontra se em perfeita consonância com a legislação de regência. Restam apenas serem tratados os seguintes itens que tratam da tributação do PIS e COFINS como reflexos. Foram apresentados os seguintes argumentos: Aumento da base de cálculo do PIS e COFINS. Ilegalidade do aumento da cobrança da COFINS de 2% para 3%. Em relação ao aumento da base de cálculo do PIS e COFINS e o aumento da alíquota da COFINS o recorrente tece diversos argumentos no sentido de alegar a inconstitucionalidade das normas. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Acórdão n.º 1401002.743 S1C4T1 Fl. 950 33 Ocorre que estes dois pontos já foram objeto de análise no Colendo Supremo Tribunal Federal tendo restado decidido que a majoração da alíquota da COFINS é legal e que, em relação à ampliação da base de cálculo das contribuições, é inconstitucional o acréscimo de outras receitas, que não componham o faturamento, na referida base. Assim no presente caso temos que o auto de infração foi lavrado em razão da omissão de receitas relativa a depósitos bancários, ou seja, na verdade tratamse de receitas normais da empresa que foram omitidas da tributação. Por isso, tais receitas não somente podem como devem ser tributadas normalmente, por serem receitas da atividade da empresa que simplesmente foram omitidas da tributação. Assim, em relação a estes pontos voto no sentido de negar provimento ao recurso. Indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. Julgamento do STJ. Meu posicionamento quanto a este tópico já foi manifestado outras vezes no sentido de não se poder, no âmbito do CARF, realizar a referira exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e COFINS sem o definitivo trânsito em julgado da decisão em recurso repetitivo no âmbito do STJ. Neste ponto o julgamento do presente processo foi sobrestado em função de notícia acerca do julgamento pelo STF de Recurso Extraordinário sobre a matéria. No caso o julgamento do RE nº 601.314/MG que tratava da matéria de exclusão ou não do ICMS das bases de cálculo do PIS e COFINS. Referido recurso foi objeto de julgamento pelo STF que decidiu acerca da impossibilidade de inclusão, nas bases de cálculo do PIS e COFINS, dos valores relativos ao ICMS. Ocorre, no entanto, que após este julgamento a Fazenda Nacional ingressou com petição solicitando, na forma da Lei 9.868/99, em seu art. 27, conforme abaixo, a modulação dos efeitos da decisão. Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Por estas razões, apesar de já existir decisão em favor dos contribuintes com relação à possibilidade de exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e COFINS, na verdade esta decisão não pode ser aplicável de imediato, haja vista que, enquanto não for analisada a modulação dos efeitos requerida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, não há como se conceder referido direito aos administrados. Assim, à vista do exposto, entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. Fl. 966DF CARF MF 34 Ilegalidade da alteração da contribuição ao PIS após a LC 07/70. Pleiteia, neste ponto, a ilegalidade da alteração, por meio de lei ordinária, das normas de tributação existentes na forma da Lei complementar nº 07/70. Novamente, neste ponto, já existe pronunciamento formal do STF no sentido de que a legislação do PIS é regulada por lei ordinária e, assim, sua alterações podem ser realizada por tal espécie normativa. Assim, as modificações na tributação do PIS efetuadas pela legislação superveniente puderam legal ser adotadas por meio de Lei Ordinária. Por estas razões, entendo não assistir razão ao recorrente. Ao final, após todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 967DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722330/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2005
CFL 59. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR DE RECOLHER E ARRECADAR. INFRAÇÃO. MULTA.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestarem serviços, descontando-as da respectiva remuneração.
AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA.
A reincidência genérica na infração impõe o agravamento da multa básica em duas vezes.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEIXAR DE RECOLHER E ARRECADAR. INFRAÇÃO. MULTA. Constitui infração à legislação deixar a empresa de arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestarem serviços, descontandoas da respectiva remuneração. AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. A reincidência genérica na infração impõe o agravamento da multa básica em duas vezes. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 30 /2 01 0- 18 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.722330/201018 Acórdão n.º 2202004.443 S2C2T2 Fl. 133 2 de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.722330/201018, em face do acórdão nº 0643.939, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fl. 2, DEBCAD nº 37.235.1425, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.722330/201018 e lavrado em 10/03/10 contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., no valor de R$ 2.821,58 (dois mil oitocentos e vinte e um reais e cinquenta e oito centavos). 2. No Relatório Fiscal da Infração, fls. 57 e 58, traz a fiscalização o seguinte esclarecimento quanto à infração cometida: Foram apresentados à fiscalização recibos de pagamentos a segurados contribuintes individuais relativos ao período fiscalizado. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.722330/201018 Acórdão n.º 2202004.443 S2C2T2 Fl. 134 3 Analisando os recibos de pagamentos aos contribuintes individuais e os Livros Diários dos anos 2005 e 2006 a fiscalização constatou que a empresa não arrecadou, mediante desconto das remunerações, as contribuições de alguns destes segurados, infringindo, assim, as normas citadas no item 4 acima. 3. Nos termos do Relatório Fiscal da Multa de fl. 59, por conta da infração acima descrita, foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991, combinados com os artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O presente relatório informa, ainda, que a autuada incorreu em reincidência genérica (conforme art. 290, inciso V, § único, e art. 292. inciso IV, ambos do Decreto nº 3.048, de 1999), haja vista já ter sido autuada em ação fiscal anterior. Por essa razão, a multa básica de R$ 1.410,791 foi agravada em duas vezes, totalizando R$ 2.821,58. 4. A fundamentação legal da infração está descrita no item DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, assim como a multa aplicada está fundamentada na forma do item DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e graduada conforme o item DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA, todos da folha de rosto do Auto de Infração, fl. 2. 5. Cientificado do lançamento em 10/03/10, conforme recibo de entrega de arquivos de fls. 77 a 79, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 85 a 96, em 09/04/10, alegando, em síntese, que: a) “a acusação de que, supostamente foi verificada pela agente fiscal, não foram arrecadadas pela impugnante as contribuições de alguns segurados, baseandose apenas em afirmações infundadas, temerárias, não devendo ser levadas em consideração por esta competente delegacia, vez que a mesma em nenhum momento apresenta qualquer prova consistente de que as referidas arrecadações não ocorreram, como faz referencia à auditora fiscal”; b) “a empresa impugnante jamais deixou como dito, de cumprir com a obrigatoriedade de engariar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados contribuintes individuais que a essa prestam serviços sem vinculo empregatício, tanto é verdade, que a agente fiscal se quer junta ao auto de infração algum documento que comprove, concretamente, o que aduz”; (sic) c) “o valor da multa deveria ser, caso realmente seja constatada a infração, o que não se acredita, de R$ 636,17 (seiscentos c trinta e seis reais e trinta e sete centavos), de acordo com a previsão normativa contida no artigo 283, I, "g", da Lei 8.212/91, tendo em vista que a infração se encontra tipificada no mesmo artigo, diferente do que estabelece o próprio artigo citado pela auditora fiscal art. 8o, V, da portaria MPS/MF n° 350, de 30.12.2009. Desse modo, jamais poderia a Auditora Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10580.722330/201018 Acórdão n.º 2202004.443 S2C2T2 Fl. 135 4 Fiscal ter aplicado a multa atualizada com o referido artigo, uma vez que esta só será aplicada quando, infringido qualquer dispositivo do RPS, não haja penalidade expressamente cominada no art. 283”; (grifo no original) d) “não há o que se falar em reincidência, como aduz a Agente Fiscal, vez que a impugnante jamais sofreu qualquer tipo de infração, e, além disto, a auditora deveria ter apresentado documentos que comprovassem a dita reincidência, o que não fez”; e) deve ser realizada “perícia para se averiguar sc realmente a analise dos documentos apresentados pela impugnante, relativos aos comprovantes de pagamentos a contribuintes individuais que prestaram serviços sem vinculo empregatício e dos Livros Diários apresentados, procede no tocante a afirmativa da auditora fiscal de que a impugnante infringiu as normas regentes, justificando a aplicação do malsinado auto de infração.” Para tal, nomeia como “assistente pericial [...] Vanize Reis da Hora Santana, CRC 024271/BA, com endereço profissional no loteamento Varandas Tropicais, Lote 18, Quadra 01, Lauro de FreitasBa”, para responder às questões que seguem na impugnação. 6. Diante dessas considerações, requer o Impugnante seja julgado improcedente o presente Auto de Infração, bem como requer a juntada de todas as provas que se fizerem necessárias e a realização de perícia contábil. 7. O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.722322/201063. 8. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 121/125, onde reitera as alegações expostas em impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Pedido de produção de provas, diligências e perícia. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10580.722330/201018 Acórdão n.º 2202004.443 S2C2T2 Fl. 136 5 resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedentes tais pedidos. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Da infração. Alega a contribuinte que a empresa jamais deixou de arrecadar e recolher as contribuições dos segurados Contribuintes Individuais que lhe prestaram serviços e que a fiscalização não apresentou prova de que a empresa tenha descumprido essa obrigação. Conforme se observa no recurso, a contribuinte apenas contesta de forma genérica a infração apontada pela fiscalização, sem demonstrar (e provar) que não a cometeu. Além do mais, insta destacar que o presente Auto de Infração decorre do Auto de Infração DEBCAD nº 37.235.1379 (processo nº 10580.722325/201005), no qual foram lançadas as contribuições dos contribuintes individuais, não descontadas e não recolhidas pela empresa, e referentes às competências 04/2005, 02/2006 a 03/2006. Do Relatório Fiscal que acompanha este Auto de Infração, extraímos o seguinte excerto: 5. Os fatos geradores das contribuições foram lançados no seguinte levantamento: 5.1 PF1 (Serviço Prestado Pessoa Física) remunerações pagas aos prestadores de serviços pessoas físicas em contraprestação a serviços prestados sem vínculo empregatício à UNIBAHIA. A empresa não arrecadou, mediante desconto das remunerações, as contribuições desses segurados contribuintes individuais. Esses valores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social). Essas remunerações não foram informadas nas folhas de pagamento fornecidas à fiscalização. A fiscalização solicitou, mediante Termo de Intimação Fiscal – TIF os recibos ou notas fiscais comprobatórios do pagamento a esses contribuintes individuais lançados nos Livros Diários em algumas contas dentre as quais 55136 (Serv TerceirosPF), 55103Conservação de bens e 55110Manutenção e Reparações, além de solicitar todas as Notas Fiscais, faturas e recibos de mãodeobra. Conforme se observa na transcrição acima, a fiscalização foi bastante clara ao detalhar as contribuições não arrecadadas e não recolhidas dos Contribuintes Individuais, além de carrear aos autos do presente processo administrativo tributário diversas Notas Fiscais e recibos de pagamento referentes a serviços prestados por contribuintes individuais. Vide fls. 60 a 72. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10580.722330/201018 Acórdão n.º 2202004.443 S2C2T2 Fl. 137 6 Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Da multa aplicada. Alega a contribuinte que a multa foi aplicada com base em dispositivo legal incorreto e que, se mantida, deverá ser retificada, uma vez que o cálculo matemático está incorreto, pois o valor correto, nos termos do artigo 283, I, "g", da Lei 8.212/91, é R$ 636,17 e não o valor aplicado, e que “não há que se falar em reincidência”, pois “jamais sofreu qualquer tipo e infração”. Aqui, mais uma vez, improcedem os argumentos da defesa. Vejamos o teor do art. 8º da Portaria MPS/MF nº 350, de 2009: Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) a R$ 141.077,93 (cento e quarenta e um mil setenta e sete reais e noventa e três centavos); Conforme se observa nos dispositivos colacionados acima e vigentes ao tempo dos fatos ora sob análise, constitui infração à legislação deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, o que inclui, obviamente, os contribuintes individuais, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa de R$ 1.410,79, em seu valor mínimo, ou agravada em três vezes em caso de reincidência específica ou em duas vezes em caso de reincidência genérica. Portanto, correta a fundamentação da infração e da multa aplicada pela fiscalização, ao que concluise pela improcedência dos argumentos da defesa. Quanto à alegação da contribuinte de que jamais teria cometido qualquer tipo de infração e que, por tal razão, não haveria que se falar em reincidência, esclareceu a DRJ de origem que em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SISCOL e PLENUS/SICOB), constatamos que a empresa foi sim autuada em 17/08/05 (data da ciência do Auto e Infração), segundo DEBCAD nº 35.556.2197, no montante de R$ 11.017,50, tendo sido tal débito baixado por liquidação (pagamento) em 07/02/07. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10580.722330/201018 Acórdão n.º 2202004.443 S2C2T2 Fl. 138 7 Na ocasião a empresa foi autuada por deixar de apresentar à fiscalização os Livros Diário relativos aos exercícios de 1996 e 1997, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD emitido em 04/02/05, infringindo, dessa forma, o disposto no art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212, de 1991. Por conta dessa infração foi aplicada a multa prevista no art. 283, inciso II, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Portanto, temse por afastada a alegação da contribuinte de que a empresa não teria sido autuada em ação fiscal anterior, restando, pois, correto o agravamento da multa e a sua aplicação em duas vezes o valor base por reincidência genérica. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000009/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Presunção de Omissão de Receita.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
Numero da decisão: 1301-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 00 09 /2 01 0- 95 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10872.000009/201095 Acórdão n.º 1301003.299 S1C3T1 Fl. 401 2 Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por WCONEX COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. EPP, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra Acórdão nº 1242.361, da 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo o lançamento que dela exigia crédito tributário, motivado por omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A autoridade fiscal constatou movimentação financeira incompatível com a receita declarada no período. Intimada a comprovar a origem dos valores depositados nas contas bancárias, a contribuinte se manteve em silêncio, o que deu causa ao lançamento por omissão de receita. Ademais, considerando que a recorrente estava no Simples Federal, o lançamento também colheu a insuficiência de recolhimentos em face de erro na aplicação da alíquota. Contra a exigência fiscal foi apresentada impugnação, a que a DRJ RJ1 negou provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NUMERÁRIO EM CONTA BANCÁRIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Considerase omissão de receita o ingresso de numerário em conta bancária da Pessoa Jurídica quando esta. regularmente intimada, não comprovar a origem dos valores individualizados mediante apresentação de documentação hábil e idônea. CSLL. PIS. COFINS. CSS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e de efeito existente entre ambos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, WCONEX recorreu da decisão, arguindo preliminarmente a nulidade do lançamento, por violação ao disposto no § 5º, do art. 9º, do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe que os autos de infração formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos poderão conter lançamento único para todos os tributos abrangidos pelo regime simplificado. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10872.000009/201095 Acórdão n.º 1301003.299 S1C3T1 Fl. 402 3 No mérito, alegou que nenhum tributo é devido. Disse que a exigência é lastreada na presunção de que depósitos bancários seriam receitas tributáveis; porém, a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR traz o entendimento de que é ilegítimo exigir tributo com base em depósito bancário. Aduziu a recorrente que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não torna válida a tributação nesses moldes. Quanto ao IRPJ e à CSLL, afirmou que depósitos bancários não podem ser tomados como fato gerador desses tributos, porquanto não caracterizam acréscimo patrimonial. Já no que concerne ao PIS e à Cofins, não se poderia afirmar que os depósitos são receitas da atividade ou faturamento da empresa. Disse, por fim, que o art. 18 da Lei nº 9.317/1996 não autoriza a presunção com base em depósitos bancários, afastando assim a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidade Não procede a alegação de nulidade do lançamento. O § 5º do art. 9º, do Decreto nº 70.235/1972, não tem o alcance que a recorrente supõe. A interpretação do parágrafo não pode ser feita apartada do caput do artigo, e tampouco dissociada dos fins pretendidos pela lei. Eis o art. 9º do Decreto nº 70.235: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10872.000009/201095 Acórdão n.º 1301003.299 S1C3T1 Fl. 403 4 a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A leitura dos dispositivos transcritos mostra que o caput do art. 9º fixa regra geral, qual seja, a lavratura de autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade, ainda que os ilícitos dependem dos mesmos elementos de prova. Já o disposto no § 5º abre uma exceção à regra geral, estabelecendo a possibilidade de lavrarse um único auto infração, em se tratando de lançamento no regime diferenciado das microempresas e empresas de pequeno porte. Tratase de questão puramente formal, que não interfere na compreensão dos fatos, nem dificulta o direito de defesa ou o contraditório. O dispositivo em exame foi introduzido pela Lei nº 11.941/2009, que é resultado da conversão da Medida Provisória nº 449/2008, cuja exposição de motivos deixa claro que o objetivo da norma é viabilizar a economia processual. Além disso, a regra originalmente se destinava aos lançamentos do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. Este é, na parte que diz respeito ao problema aqui examinado, o texto da exposição de motivos: Além disso, por economia processual, propõese que os autos de infração e as notificações de lançamento que sejam formalizados em decorrência de fiscalização relacionada ao Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional possam constar de lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. A mesma motivação aplicase às contribuições Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10872.000009/201095 Acórdão n.º 1301003.299 S1C3T1 Fl. 404 5 devidas a terceiros. Faculta, ainda, ao Poder Executivo, identificar outras situações que possam ter seu trâmite processual acelerado, através da exigência de tributos que dependam dos mesmos elementos de prova em um único lançamento. Tal medida visa facilitar o julgamento e dar maior celeridade ao contencioso administrativo tributário, com ganhos para o contribuinte e para a Fazenda Nacional. 15. As alterações propostas nos arts. 23 e 24 do citado Decreto têm por objetivo conferir maior celeridade ao processo, na esteira da Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004, que introduziu, dentre os direitos e garantias fundamentais, o princípio da celeridade processual, ao acrescentar o inciso LXXVIII ao art. 5º da Constituição Federal. As medidas propostas visam aperfeiçoar a intimação por meio eletrônico, já largamente utilizada no âmbito judicial, em consonância com as formas de intimação pessoal e por via postal, possibilitando, a par da segurança jurídica, maior celeridade processual. (g.n.) (extraído do sítio da Câmara dos Deputados na internet) A norma introduzida no § 5º, sem dúvida, estabelece uma faculdade para a Administração Tributária, e não uma regra rígida cuja inobservância gere nulidade do lançamento. Portanto, quer o lançamento fosse feito em um único auto de infração ou em vários, cada qual se referindo a um dos tributos compreendidos no Simples Federal, isso não ensejaria nulidade. Rejeitase, pois, a preliminar. Presunção de omissão de receita O lançamento foi realizada com fulcro na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal de omissão de rendimentos, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte. Instaurase a presunção quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos bancários cuja origem a Fiscalização, pelo exame das informações de que disponha, não conseguir identificar (discrepância entre a movimentação financeira e os valores declarados); b) intimação regular ao contribuinte para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; e c) ausência ou insuficiência de esclarecimento. Reunidos tais requisitos, nasce a presunção de omissão de receitas, a qual, sem necessidade de prova de qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo ao lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. O caso em exame reúne os referidos requisitos. Frisese que a recorrente, embora intimada, não se manifestou para explicar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias. Não pode ser acolhida, por outro lado, a alegação de que o lançamento contraria a Súmula 182 do extinto TFR. O art. 42 da Lei nº 9.430 criou presunção pela qual os depósitos bancários de origem não comprovada, desde que presentes os requisitos acima Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10872.000009/201095 Acórdão n.º 1301003.299 S1C3T1 Fl. 405 6 apontados, podem ser considerados como receitas. A presunção dispensa a busca de outros elementos de prova capazes de evidenciar o vínculo entre depósitos e acréscimo patrimonial. A lei, por si, presume esse vínculo. O aludido art. 42 veio exatamente para romper a antiga sistemática do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que se referia a sinais exteriores de riqueza. Daí o entendimento que se formou na jurisprudência, segundo o qual, mesmo diante de depósitos e aplicações em instituições financeiras, a higidez do lançamento do crédito tributário dependia sempre da vinculação desses recursos a outros indícios de omissão de receitas. A exigência de demonstrar a presença de sinais exteriores de riquezas foi superada com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, diante do qual sucumbiu o entendimento consolidado no verbete da Súmula nº 182 do extinto TFR, que é anterior à disciplina dada pelo aludido art. 42. Por último, cumpre ressaltar que, na hipótese de presunção de receita, é cabível o lançamento de tributos apurados na sistemática do Simples Federal (Lei n° 9.317/1996), que incide precisamente sobre a receita auferida em cada mês. Aplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 A recorrente acusou a existência de incompatibilidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.317/1996, que preceitua a aplicação à microempresa e à empresa de pequeno porte de todas as presunções de omissão de receitas existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no regime de tributação especial, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Ao contrário do que afirma a recorrente, é exatamente o dispositivo do art. 18 que abre passagem para a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430 às empresas incluídas no regime estabelecido pela Lei 9.317, Simples Federal. O art. 7º da Lei nº 9.317 exigia, na hipótese de a empresa não manter escrituração comercial completa, que ela, ao menos, tivesse livro Caixa, com a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Confirase: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (g.n.) O lançamento com fulcro em depósitos bancários tem como pressuposto a falta de registro da respectiva movimentação financeira no Livro Diário ou no Livro Caixa. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10872.000009/201095 Acórdão n.º 1301003.299 S1C3T1 Fl. 406 7 Essa circunstância, cumulada com a falta de esclarecimento da origem dos valores depositados, rende ensejo ao emprego da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430 às microempresas e empresas de pequeno porte incluídas no Simples Federal. Portanto, sob esse aspecto, nenhuma irregularidade existe no lançamento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento à pretensão da recorrente. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 406DF CARF MF
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