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Numero do processo: 10510.720237/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais
NOTAS FISCAIS CANCELADAS.
Devem ser excluídos da receita bruta ao valores de notas fiscais canceladas.
VENDA PARA ENTREGA FUTURA.
Caracteriza-se que a empresa contribuinte efetuou as vendas a partir de estoques de produto já pronto, dado que 82,61 % dos custos de produção ocorreram no 1º trimestre, e os percentuais acumulados das vendas ao longo do ano sempre estiveram abaixo do total acumulado do custo do produto fabricado.
NOTA FISCAL DE SIMPLES FATURAMENTO.
Na venda para entrega futura a receita deve ser computada na apuração do lucro liquido do período-base da operação, porque o bem já foi produzido e a vendedora passa a ser mera depositária; significa que o critério de oferecimento das vendas à tributação deve ser o da Venda para Entrega Futura, com base nas datas de emissão das Notas Fiscal de Simples Faturamento, que foi o adotado corretamente pela fiscalização.
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO.
Cabe efetuar a compensação de resultados apurados na autuação com prejuízos de períodos-base de anos anteriores.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o
decidido no principal.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS.
Aplicam-se aos lançamentos reflexos, o decidido no principal.
VALORES PAGOS.
Cabe excluir da exigência constituída de ofício, valores da contribuição recolhidos espontaneamente pelo contribuinte.
REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
Se a empresa optou pelo Regime Especial de Apuração, em que o valor do débito da contribuição é calculado pela multiplicação de valor fixado em lei, por unidade vendida, não se aplica a dedução do ICMS Substituição Tributária da receita bruta.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Cabe excluir da exigência constituída de ofício, valores da contribuição recolhidos espontaneamente pelo contribuinte.
REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
Se a empresa optou pelo Regime Especial de Apuração, em que o valor do débito da contribuição é calculado pela multiplicação de valor fixado em lei, por unidade vendida, não se aplica a dedução do ICMS Substituição Tributária da receita bruta.
MULTA QUALIFICADA. DOLO.
Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação e da fraude, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.
Numero da decisão: 1201-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais NOTAS FISCAIS CANCELADAS. Devem ser excluídos da receita bruta ao valores de notas fiscais canceladas. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. Caracterizase que a empresa contribuinte efetuou as vendas a partir de estoques de produto já pronto, dado que 82,61 % dos custos de produção ocorreram no 1º trimestre, e os percentuais acumulados das vendas ao longo do ano sempre estiveram abaixo do total acumulado do custo do produto fabricado. NOTA FISCAL DE SIMPLES FATURAMENTO. Na venda para entrega futura a receita deve ser computada na apuração do lucro liquido do períodobase da operação, porque o bem já foi produzido e a vendedora passa a ser mera depositária; significa que o critério de oferecimento das vendas à tributação deve ser o da Venda para Entrega Futura, com base nas datas de emissão das Notas Fiscal de Simples Faturamento, que foi o adotado corretamente pela fiscalização. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Cabe efetuar a compensação de resultados apurados na autuação com prejuízos de períodosbase de anos anteriores. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 02 37 /2 01 5- 07 Fl. 1525DF CARF MF 2 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. Aplicamse aos lançamentos reflexos, o decidido no principal. VALORES PAGOS. Cabe excluir da exigência constituída de ofício, valores da contribuição recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Se a empresa optou pelo Regime Especial de Apuração, em que o valor do débito da contribuição é calculado pela multiplicação de valor fixado em lei, por unidade vendida, não se aplica a dedução do ICMS Substituição Tributária da receita bruta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Cabe excluir da exigência constituída de ofício, valores da contribuição recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Se a empresa optou pelo Regime Especial de Apuração, em que o valor do débito da contribuição é calculado pela multiplicação de valor fixado em lei, por unidade vendida, não se aplica a dedução do ICMS Substituição Tributária da receita bruta. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação e da fraude, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Trata o processo dos autos de infração relativos ao anocalendário 2011, na sistemática do lucro real trimestral: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 17/26, no valor de R$1.483.536,50, devido a Omissão de receitas de vendas e Lucro Operacional não declarado; fatos geradores trimestrais em31/03/2011 e 31/12/2011; base legal no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); multa ofício de 150%; b. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 9/16, no valor de R$538.393,15, relativamente às mesmas infrações e períodos que o IRPJ, exigida com base no art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990), e 3º (com as alterações do art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, conversão da MP nº 413, de 2008); art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995; art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008, multa de ofício de 150%; c. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 28/35, no valor de R$315.465, relativa à omissão de receitas sujeitas ao PIS; períodos de apuração mensais de 01 a 06 e 09 a 12/2011; base legal no art. 1º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 4º da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, art. 5o, § 4o, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998, incluído pela Lei n° 11.727, de 2008, c/c arts. 1o e 2o, inciso I, do Decreto n° 6.573, de 2008; Art. 1o da Lei n° 10.637, d e2002, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003, pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 2004, pelo art. 42, III, "c" da Lei n° 11.727, de 2008 e pelo art. 16 da Lei n° 11.945, de 2009; Art. 3o da Lei n° 10.637, de 2002, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003, pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 2004, pelo art. 16 da Lei n° 10.925, de 2004, pelo art. 3o da Lei n° 10.996, de 2004, pelo art. 45 da Lei n° 11.196, de 2005, pelo art. 3o da Lei n° 11.307, de 2006, pelo art. 17 da Lei n° 11.488, de 2007, pelo art. 4o da Lei n° 11.787, de 2008, pelo art. 14 da Lei n° 11.727, de 2008, pelo art. 24 da Lei n° 11.898, de 2009 e pelo art. 16 da Lei n° 11.945, de 2009; art. 5o da Lei n° 9.718, de 1998, com alterações introduzidas pelo art. 7o da Lei n° 11.727, de 2008, pelo art. 15 da Lei n° 11.945, de 2009 e pelo art. 32. IV, da Medida Provisória n° 497, de 2010; multa de ofício de 150%; d. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 2/8, no valor de R$1.451.059,07 relativa à omissão de receitas sujeitas à Cofins; períodos de apuração mensais de 01 a 06 e 09 a 12/2011; base legal no art. 1º da Lei Complementar nº 70, Fl. 1527DF CARF MF 4 de 30 de dezembro de 1991; art. 5o da Lei n° 10.833, de 2003; art. 42, III, “d”, da Lei n° 11.727, de 2008; art. 24, § 2o, da Lei n° 9.249, de 1995, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei n° 11.941, de 2009; Art. 5o, §4°, I, da Lei n° 9.718, de1998, incluído pela Lei n° 11.727, de 2008, c/c arts. 1°e 2°, I, do Decreto n° 6.573, de 2008; Art. 1o da Lei n° 10.833, de 2003, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei n° 10.865, de 2004 e pelo art. 17 da Lei n° 10.945, de 2009; Art. 3o da Lei n° 10.833, de 2003, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei n° 10.865, de 2004, pelo art. 5o da Lei n° 10.92, de 2004, pelo art. 21 da Lei n° 11.051, de 2004, pelo art. 43 da Lei n° 11.196, de 2005, pelo art. 4o da Lei n° 11.307, de 2006, pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007, pelo art. 5o da Lei n° 11.787, de 2008, pelos arts. 15 e 36 da Lei n° 11.727, de 2008, pelo art. 25 da Lei n° 11.898, de 2009 e pelo art. 17 da Lei n° 11.945, de 2009; multa de ofício de 150%. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos exigese multa de ofício de 150% do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às págs. 109/165, demonstrativos folha de pagamentos, encargos, INSS e FGTS; às págs. 166/176, Demonstrativo das Notas Fiscais Emitidas e subtotais mensais; às págs. 177/183, listagem Notas Fiscais por Unidade de Medida; às págs. 184/197, Apuração de PIS e Cofins não cumulativos; às págs. 198/228, Demonstrações de Resultados analíticos mensais e sintético e apuração IRPJ e CSLL trimestrais; à pág. 229, demonstrativo Despesas Financeiras Não Necessárias e as consideradas na apuração. 4. Às págs. 230/251, no Relatório Fiscal, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 5. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 10510.720339/201514, sobre Henrique Brandão Menezes, CPF 002.596.24500. Impugnação 6. Cientificado em 09/02/2015, pág. 254, o interessado interpôs impugnação tempestiva, em 22/03/2015, págs. 256/266, assinada por seu sócio. 7. (item II. a Multa Agravada) Preliminarmente, requer a desconsideração da multa agravada de 150%, pois motivada pela falta de entrega da DACON e DCTF, além de apresentação da DIPJ 2012, ano calendário 2011 "zerada", o que ensejaria a falta de recolhimento do IRPJ e das contribuições (PIS/COFINS/CSLL) e que demonstraria a conduta reiterada; assevera que a pratica não é reiterada, pois entregou em anos antecedentes e subseqüentes a DIPJ, as DCTF e os DACON, tendo sido 2011 atípico, motivado por reestruturação interna e a falta de entrega não diminuiu o quantum debeatur, comprovados pelos recolhimentos do PIS e da COFINS. 8. Reclama que, no levantamento fiscal não foi computado o recolhimento da Cofins de dezembro/2011, no valor de R$150.035,55 (DOC.32), o que eleva o valor recolhido para R$465.635,93 (Doc.32). 9. Quanto ao IRPJ e CSLL diz que, desde edição da Lei n° 8.383/91 (arts 38 a 44), não são considerados mais tributos na modalidade de lançamento por declaração e sim por homologação, quando o sujeito passivo apura os valores devidos e os recolhe sob ulterior revisão da autoridade fiscal nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 4 5 Como a Impugnante não apurou base de cálculo desses tributos o não preenchimento das fichas da DIPJ 2012, ano calendário 2011, não tem o condão de criar esses tributos, a ensejar a multa agravada. 10. No mérito, diz que a fiscalização levantou créditos, utilizandose de parâmetros equivocados na apuração da Receita Bruta (item III a): a) Notas Fiscais canceladas – diz que foram incluídas notas fiscais que se encontravam canceladas (Doc.34). Para comprovação anexa as referidas notas fiscais eletrônicas (NFe) e o resumo das mesmas, extraído do portal da nota fiscal eletrônica; b) Fato Gerador da Receita Bruta Para fins de determinação do IRPJ e CSLL a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12). Essa legislação foi reproduzida no art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99); o dispositivo foi alterado pelo art. 2° da Lei n° 12.973/14, com efeitos somente a partir de janeiro de 2015; em relação às contribuições do PIS e Cofins (item III.b) da venda de álcool a base de cálculo será a receita bruta auferida, abatendose as vendas canceladas, as devoluções de vendas, e o ICMS Substituição Tributária; a própria RFB já respondeu inúmeras consultas formuladas por contribuintes do PIS e da Cofins sobre o tema; em linhas gerais, as respostas às consultas determinam que somente nasça a obrigação tributária no caso de venda para entrega futura (sem o estoque do produto Simples Faturamento), quando da remessa dos produtos ou mercadorias adquiridas para revenda e não na emissão da nota de simples faturamento; Transcreve ementa da resposta à consulta, exarada pela 8ª Região Fiscal, em 07/01/2009, no sentido de que no caso de faturamento antecipado, assim entendido o faturamento realizado em situações nas quais o contribuinte não possua ainda disponível para entrega o bem objeto do contrato de compra e venda, a receita deverá ser computada no período de apuração em que o bem for produzido (ou for adquirido, no caso de revenda), ficando disponível para o comprador, quando integrará a base de cálculo da Cofins e se a produção do bem negociado for contratada mediante a execução de etapas autônomas, a conclusão de cada etapa, com a entrega da correspondente parcela produzida ao adquirente, demandará a apropriação da correspondente receita e seu oferecimento à tributação pela contribuição, tenha ou não ocorrido o respectivo recebimento do montante devido pela parte entregue. 11. Mas que no levantamento fiscal foram consideradas nas bases de cálculo do PIS e da Cofins as notas fiscais de Simples Faturamento de vendas de álcool para fins carburantes (Natureza de Operação 5922 Simples Faturamento) e não as notas fiscais emitidas na remessa do álcool para fins carburantes; então, para determinação da correta receita bruta para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apresenta as planilhas, Doc. 35 e 36, com os ajustes mencionados acima, ou seja: a) Expurgou as notas fiscais canceladas; b) Expurgou as notas fiscais de simples faturamento e, c) Incluiu as notas fiscais de remessa do álcool para fins carburantes. 12. Acerca da apuração do PIS e Cofins, conforme demonstrou, a receita bruta para fins de determinação do PIS e da Cofins foi ajustada para refletir corretamente os seus valores. A Impugnante é tributada pelo lucro real e por força das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve determinar PIS e Cofins com base na não cumulatividade, onde os Fl. 1529DF CARF MF 6 créditos devem ser descontados dos débitos, apurandose desta forma as contribuições devidas; assim, agradece ao Auditorfiscal que permitiu a apresentação das DACON'S de janeiro a dezembro/2011, visando assegurar o aproveitamento dos créditos determinados pelas legislações das contribuições não cumulativas. 13. Apresenta em anexo as planilhas de apuração do PIS (doc. 35) e da Cofins (Doc. 36), mês a mês, relativos aos fatos geradores de janeiro a dezembro/2011 e a Planilha da Venda de Produção (Doc.37); e com base no levantamento que efetuou, não é devido qualquer valor adicional do que foi apurado e pago de PIS e Cofins não cumulativos pela Impugnante. Em vista do exposto pede que sejam desconsiderados os valores lançados na peça fiscal ora guerreada. 14. Acerca da APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL (item III.c), apresenta argumentações sobre levantamento da fiscalização em relação ao IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta conforme demonstrado, a receita bruta para fins de determinação do IRPJ e da CSLL foi devidamente ajustada para refletir corretamente os seus valores (Vide anexo os Docs. 35, 36 e 37) b. Deduções do PIS e da Cofins Utilizou como dedução da receita bruta o PIS e a COFINS segundo a sua apuração e não com base no pretenso lançamento efetuado pela fiscalização, devidamente demonstrado nas planilhas de apuração dessas contribuições anexadas a essa peça e declarada em DIPJ/2012, ano calendário 2011 (Doc. 38) c. Deduções do Custo de Produção – Depreciações conforme item 46 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal não permitiu a dedução como custo de produção das depreciações das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Impugnante. Esse procedimento é conflitante com o adotado na apuração do PIS e COFINS relatado no item 29 do mesmo Relatório Fiscal. Neste item o fiscal aceita o desconto dos créditos das depreciações das máquinas e equipamentos para apuração das contribuições; anexa notas fiscais de aquisição de máquinas e equipamentos que demonstram sobejamente a possibilidade de dedução no custo de produção, das depreciações ali registradas (Doc. 29). d. Deduções Despesas Operacionais – Depreciações conforme item 51 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal não permitiu a dedução da despesa de depreciações das máquinas e equipamentos utilizados para a manutenção da atividade operacional da Impugnante, nos termos do art. 299 do RIR/99; anexa notas fiscais de aquisição de máquinas e equipamentos o que demonstra sobejamente a possibilidade de dedução no custo de produção, das depreciações ali registradas (Doc. 29). e. Compensação do Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL Caso as alegações das letras "a" a "d", não sejam acatadas, ou o sejam parcialmente acatados, solicita a compensação dos Prejuízos Fiscais e Base Negativa da CSLL, de ofício, nas apurações do IRPJ e CSLL, nos anos calendários de 2009 e 2010, conforme demonstrados nas fichas 09 e 17 das DIPJ'S 2010 e 2011 e resumidas no Doc. 39. 15. Relaciona às págs. 263/265, os documentos que anexa: Notas Fiscais Simples Faturamento e de remessa; relação Darf de recolhimento de PIS e Cofins; relação NF canceladas; planilhas de apuração PIS e Cofins, de vendas, DIPJ 2012/2011 e Demonstração do prejuízo fiscal e Base de Cálculo negativa da CSLL. Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 5 7 16. Conclui requerendo a redução da multa de ofício para 75% e cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais atinente ao sr. Henrique Brandão Menezes, CPF 002.596.24500; no mérito, requer seja julgada improcedente a tributação do PIS e Cofins em decorrência da inclusão indevida no lançamento fiscal das notas fiscais de Simples Remessa, conforme mencionado no item III.a e III.b, além de exclusão das notas fiscais canceladas; e que a apuração do IRPJ e CSLL seja nos termos da DIPJ 2012/2011, com a dedução no custo e nas despesas operacionais, das depreciações; a dedução da receita bruta do PIS e Cofins conforme a apuração da Impugnante, conforme item III.c, letra b da impugnação, e que a receita bruta seja acatada nos termos do item III.b; requer ainda que, em sendo procedente em todo ou em parte o IRPJ e CSLL apurados, que possa ser deduzida a compensação do Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL, nos limites fiscais (30% das bases de cálculo). 17. Esta DRJ/CTA, solicitou a Diligência de págs. 1.278/1.280, a qual foi executada pela DRF em Aracaju/SE, págs. 1.286/1.344, que apresentou suas conclusões na Informação Fiscal de págs. 1.312/1.318, cientificada ao contribuinte em 11/03/2016, págs. 1.320/1.321, o qual apresentou impugnação, tempestivamente, em 11/04/2016, págs. 1.323/1.326, acompanhada dos documentos de págs. 1.329/1.380. 18. Critica que as respostas do autuante à diligência se fundam na tese de que a contabilidade não estava apoiada em documentos fiscais, o que não encontra respaldo quando confrontado com a verdadeira montanha de documentos entregues nesse procedimento fiscal e que a incongruência a que se refere no item 34 do Relatório Fiscal é exatamente em relação ao faturamento antecipado que efetivamente é praticado pela empresa e no entendimento do mesmo é faturamento para entrega futura. 19. Diz que a atividade sucroalcooleira é regida por procedimentos operacionais que escapam ao dia a dia de uma fiscalização documental; que entre a colheita da cana e a entrada no processo produtivo passamse 10 h até que o produto final seja despachado em caminhõestanques; afiança que não estocam álcool devido aos custos operacionais e financeiros; contesta o exemplo dado pelo fiscal para alicerçar sua posição e apresenta listagem de notas fiscais emitidas para a cliente Petrobrás em que a nota fiscal de venda antecipada foi emitida em 13/05/2011, três dias antes da saída do produto vendido, o que quer dizer que a empresa não tinha o produto no seu estoque e só o fez depois de processada a cana de açúcar e a última saída em 02/06/2011; e questiona como poderia lançar custo de produção de produtos que sequer estavam no estoque; afirma que a empresa somente lançava o custo do produto quando da emissão da nota fiscal de simples remessa, quando o produto estava pronto para ser despachado para o cliente, o que está demonstrado na Planilha de Vendas da Produção (doc. 37). Decisão da DRJ Em decisão de 23/05/2016, a 2°Turma da DRJ/CTA por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, reduzindo as exigências para R$476.744,47 de IRPJ, R$173.788,01 de CSLL, R$201.731,11 de PIS e R$928.331,28 de Cofins e respectivas multa de ofício de 150% e juros de mora; e alterando os saldos de Prejuízos e de Base de Cálculo Negativa acumulados. Fl. 1531DF CARF MF 8 Em apertada síntese a DRJ : i) entendeu que não é competente para se pronunciar sobre a Representação Fiscal para Fins Penais; ii) acatou parcialmente o pedido de exclusão do cálculo das notas canceladas; iii) considerou que a contribuinte efetuou Venda para Entrega Futura e não Faturamento Antecipado por conta de produto não produzido, com fulcro que os custo no 1°TRI era de 82,61%; iv) acatou a compensação de Prejuízo Fiscal observado o limite de 30%; v) aplicou o decidido para o IRPJ também para a CSLL; vi) deduziu os recolhimentos de PIS e COFINS efetuados antes do lançamento fiscal; vii) não acatou a dedução do ICMSST da base do PIS e COFINS e viii) manteve a multa qualificada. Recurso Voluntário Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seus argumentos de Impugnação. Foi também apresentado Recurso de Ofício em razão do cancelamento parcial do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Mérito Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 6 9 Considerando o total alinho do presente julgador com a decisão da DRJ e a ausência de fatos novos, reportome integralmente à decisão do tribunal a quo nos moldes do art. 57, § 3°do RICARF. 1. Receita Bruta. 1.1 NOTAS FISCAIS CANCELADAS. 20. O Doc 34, págs. 1.133/1.173, anexado com a impugnação, relaciona NF de saída, do mês 01/2011, operação 5922 Simples Faturamento, que teriam sido canceladas e cujo valor totaliza 10.500 m³, que teriam sido incluídas na apuração fiscal. 21. Consultandose o site NFe, www.nfe.fazenda.gov.br/portal, confirmou se que as NF 1752, 1753, 1754, 1755, 1756 e 1757 de 12/01/2011; as NF 1775, 1776 e 1771 de 14/01/2011 foram canceladas; contudo não há comprovação de cancelamento das NF 1171 de 14/01/2011, nem da NF 1790 de 17/01/2011; anexouse uma amostragem das confirmações às págs.1.366/1.381; por isso, só podem ser reconhecidos os cancelamentos no total de 5.000 m³ das NF 1752, 1753, 1754, 1755, 1756 e 1757 de 12/01/2011 e das NF 1775, 1776 e 1771 de 14/01/2011. 22. Concluise que cabe razão em parte ao contribuinte, pois a fiscalização as incluiu, conforme pág. 166, no Demonstrativo das Notas Fiscais Emitidas. 23. Dessa forma, a Receita Bruta (págs. 225/228): a. de 01/2011 deve ser reduzida a R$(14.451.226,10 6.628.802,00=7.822.424,10) b. do 1º trim/2011 deve ser reduzida a R$(19.986.025,97 6.628.802,00=13.267.223,97) c. do ano 2011, deve ser reduzida de R$(40.141.929,85 – 6.628.802,00=33.513.127,85) 1.2 VENDA PARA ENTREGA FUTURA OU FATURAMENTO ANTECIPADO. 24. A fiscalização analisou as Notas Fiscais eletrônicas emitidas pelo sujeito passivo registradas no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços SINTEGRA do Estado de Sergipe e no Sistema Público de Escrituração Digital – SPED e optou por utilizar as informações do SPED, por serem mais completas e contemplar todos os itens da nota fiscal relevantes para a apuração do resultado; relata o autuante que foram extraídas todas as notas fiscais de saída que fazem parte da receita bruta, ou seja, foram excluídas as notas canceladas e as notas cujos Códigos Fiscais de Operações e Prestações CFOP não correspondam à operação de venda de produtos; as notas Fl. 1533DF CARF MF 10 estão relacionadas no Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas de págs. 166/176, parte integrante dos autos. 25. Este valor, conforme análise no item precedente, se reduziu a R$(40.141.929,85 6.628.802,00=33.513.127,85). 26. O litigante advoga que somente nasce a obrigação tributária no caso de venda para entrega futura, quando da remessa dos produtos ou mercadorias adquiridas para revenda e não na emissão da nota de simples faturamento, apoiandose numa Solução de Consulta (8ª Região Fiscal, em 07/01/2009) referente a reconhecimento de receita pelo regime de competência no caso de faturamento antecipado de equipamentos para entrega futura, assim entendido o faturamento realizado em situações nas quais o contribuinte não possua ainda disponível para entrega o bem objeto do contrato de compra e venda, em que a receita deverá ser computada no período de apuração em que o bem for produzido (ou for adquirido, no caso de revenda), ficando disponível para o comprador, quando integrará a base de cálculo da Cofins e em que, se a produção do bem negociado for contratada mediante a execução de etapas autônomas, a conclusão de cada etapa, com a entrega da correspondente parcela produzida ao adquirente, demandará a apropriação da correspondente receita e seu oferecimento à tributação pela contribuição, tenha ou não ocorrido o respectivo recebimento do montante devido pela parte entregue. 27. Afirma que o levantamento da fiscalização considerou nas bases de cálculo do PIS e da COFINS (E IRPJ e CSLL) as notas fiscais de Simples Faturamento de vendas de álcool para fins carburantes (Natureza de Operação 5922 SIMPLES FATURAMENTO) e não as notas fiscais emitidas na remessa do álcool para fins carburantes. 28. Então, para determinação da correta receita bruta para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apresenta as planilhas dos Doc. 35 e 36 com os ajustes: a. Expurgou as notas fiscais canceladas; b. Expurgou as notas fiscais de simples faturamento e, c. Incluíu as notas fiscais de remessa do álcool para fins carburantes. 29. Os Docs 35 e 36, págs. 1.175/1.177, são planilhas em que apura PIS e Cofins, com base em quantidades de cada mes, com a aplicação do valor em R$ por m³ de PIS Cofins, respectivamente; o litigante informa que essas quantidades se apoiam nas notas fiscais de remessas e não nas NF de simples faturamento constantes do SPED; no Doc 37, págs. 1.178/1.192, relaciona a Venda da Produção, Venda de Álcool Hidratado, por NG (não esclarece o que é), destacando valor bruto e líquido e ICMS, dos meses do ano 2011, onde os valores são semelhantes aos da contabilidade, conforme evidencia a planilha fiscal de págs. 225/228, ou seja, adota o mesmo critério de se basear nas notas fiscais de entrega e não nas de Simples Faturamento adotado pela Fiscalização. 30. As duas situações a serem consideradas, quanto ao momento do reconhecimento da receita de venda e o oferecimento da mesma à tributação federal, são: a. Na emissão da Notas Fiscal de Simples Faturamento (cód. 5.922 ou 6.922), na situação de venda para entrega futura, que ocorre quando o produto vendido já está no estoque da vendedora, e se não é entregue imediatamente, é por conveniência do comprador este foi o critério adotado pela fiscalização; Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 7 11 b. Na entrega do produto, na situação de faturamento antecipado, em que, no momento da venda, o produto ainda não se encontra no estoque do vendedor, devendo ser ainda produzido o contribuinte advoga que se lhe aplica esta situação. 31. À vista das alegações do contribuinte, foi solicitada à DRF de jurisdição a Diligência de págs. 1.278/1.280, na qual foi posta a questão: A empresa contabilizava receitas (como alega) com base nas NF de entrega (cód de saída 5116) e apropriava os custos segundo este critério? ou contabilizava receitas e custos conforme as NF de simples faturamento para entrega futura (cód de saída 5922)? .... Em síntese, caracterizouse a situação do "faturamento antecipado" em que a empresa vendedora comercializou o produto que ainda não havia sido produzido? 32. O autuante, Informação Fiscal de págs. 1.312/1.318, informa que: Analisando os registros contábeis das receitas e dos custos, confrontandoos com os documentos apresentados, anexados inicialmente aos autos, verificase que o sujeito passivo contabiliza as receitas com base nas Notas Fiscais de entrega (código 5116 ou 6116), utilizando o instituto de "Faturamento Antecipado". No entanto, contabiliza os custos no período em que os mesmos incorreram, conformandoos com o princípio da competência e utilizando o instituto da "Venda para Entrega Futura". ... (...) A legislação do Imposto de Renda, incorporando norma da legislação empresarial, elegeu, como regra geral, o regime de competência para apuração do resultado das empresas, segundo o qual as receitas e as despesas devem ser reconhecidas contabilmente quando auferidas e incorridas, respectivamente, independentemente do efetivo recebimento ou pagamento (artigo 177 da Lei n° 6.404/76 e artigos 247, 248 e 274 do RIR de 1999). Tal regra impõe o reconhecimento da receita proveniente da venda de mercadorias, produtos ou serviços no momento em que a empresa vendedora adquire o direito ao recebimento do preço pela conclusão da operação, de acordo, como já dito, com as normas do direito empresarial, independentemente do efetivo pagamento, quer seja total ou parcial. Daí surgem duas situações fáticas, que, por gerarem consequências jurídicas diversas, foram erigidas pela doutrina e jurisprudência ao nível de institutos jurídicos, quais sejam: o faturamento antecipado, a venda para entrega futura. (...) Fl. 1535DF CARF MF 12 Há, portanto, distinção entre faturamento antecipado e venda para entrega futura. No primeiro caso o bem ainda não foi produzido, enquanto que no segundo o bem já se encontra produzido. No faturamento antecipado o valor correspondente é contabilizado como receita de exercícios futuros, porque a empresa ainda não tem custo incorrido. Na venda para entrega futura a receita deverá ser computada na apuração do lucro liquido do períodobase da operação, porque o bem já foi produzido e a vendedora passa a ser mera depositária. (...) No presente caso, o sujeito passivo se alicerça na orientação contida na Solução de Consulta n° 08, de 07 de janeiro de 2009, da Disit da 8a Região Fiscal. Neste caso seria interessante trasladar um trecho desta SC que mostra algumas situações fáticas relativas à empresa que formulou a consulta. (...) Observase que o produto que a consulente (da Sol de Consulta nº 8, citada pelo contribuinte) fabrica é feito sob medida para cada cliente, portanto, essa empresa não poderia ter produto em estoque. Muito diferente do sujeito passivo deste auto de infração, que produz álcool etílico hidratado para combustíveis, e este produto necessita de grandes tanques para armazenamento. Assim, no momento da venda é perfeitamente possível que a empresa autuada já disponha do produto ofertado. 33. Descreve situação de faturamento que deixa claro que o álcool vendido se encontrava em estoque, por se tratar de sequência de notas fiscais emitidas e conclui que não está caracterizada a situação de faturamento antecipado; tratandose de situação de venda para entrega futura, quando a receita deve ser reconhecida na data da Nota Fiscal de Simples Faturamento cód. 5.229 ou 6.229. 34. A Superintendência Geral de Gestão Tributária e NãoTributaria do Estado do Sergipe emitiu o seguinte Parecer em 24/03/2014: PARECER Nº 137/14 EMENTA: CONSULTA ICMS. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). CÓDIGO FISCAL DE OPERAÇÕES E PRESTAÇÕES – CFOP. A classificação ou escolha do NCM para o produto posto em circulação deve seguir as normas determinadas pela Receita Federal do Brasil. Matéria de competência legislativa federal. Matéria de competência legislativa federal. Quanto ao CFOP, a matéria está prevista no RICMS, Anexo XV, Tabela I. (...) 6.922 LANÇAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE SIMPLES FATURAMENTO DECORRENTE DE VENDA PARA ENTREGA FUTURA Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 8 13 Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. 35. A Solução de Consulta nº 8 da SRF 8ª RF/Disit, de 07/01/2009, orientou, em relação à tributação pelo PIS e pela Cofins: FATURAMENTO ANTECIPADO. RECONHECIMENTO DA RECEITA. REGIME DE COMPETÊNCIA. No caso de faturamento antecipado, assim entendido o faturamento realizado em situações nas quais o contribuinte não possua ainda disponível para entrega o bem objeto do contrato de compra e venda, a receita deverá ser computada no período de apuração em que o bem for produzido (ou for adquirido, no caso de revenda), ficando disponível para o comprador, quando integrará a base de cálculo da Cofins. Se a produção do bem negociado for contratada mediante a execução de etapas autônomas, a conclusão de cada etapa, com a entrega da correspondente parcela produzida ao adquirente, demandará a apropriação da correspondente receita e seu oferecimento à tributação pela contribuição, tenha ou não ocorrido o respectivo recebimento do montante devido pela parte entregue. (Grifou se.) 36. Como se vê, estando o produto no estoque, e a entrega não sendo simultânea à emissão da Nota Fiscal de Simples Faturamento (cód 5.229 ou 6.229), caracteriza se a Venda para Entrega Futura e o momento do oferecimento da venda à tributação é o da data da Nota Fiscal de Simples Faturamento; como comenta apropriadamente o autuante na sua Informação Fiscal: No faturamento antecipado o valor correspondente é contabilizado como receita de exercícios futuros, porque a empresa ainda não tem custo incorrido (Grifouse.) 37. E no caso da Venda para Entrega Futura, tais custos de produção já foram incorridos, dado que o produto está fabricado e no estoque de produtos acabados. 38. À vista disso, efetuouse um comparativo da evolução do Custo do Produto de Fabricação Própria, que o contribuinte contabilizou; com as Receitas de Vendas contabilizadas pelo contribuinte com base nas notas de remessas, no critério Faturamento Antecipado (quando não há o produto no estoque no momento da venda, sendo o critério de oferecimento à tributação, na data da nota fiscal de entrega); com as Receitas de Vendas apuradas pela fiscalização com base nas Notas Fiscais de Simples Faturamento (quando o produto se encontrava em estoque): Fl. 1537DF CARF MF 14 39. A tabela e gráfico supra deixam claro que, no 1º trimestre de 2011, ocorreram 82,61% dos custos de produção; (87,3482,61=)4,73% no 2º trimestre; (92,33 87,34=) 4,99% no 3º trimestre e (10092,33=)7,67% no 4º trimestre. 40. A conclusão lógica é que a empresa produziu 82,61% do álcool do ano no 1º trimestre, que foi sendo vendido ao longo dos trimestres restantes, pois os gráficos relativos às vendas evidenciam que os percentuais acumulados sempre estiveram abaixo do total produzido, sempre vendendo a empresa a partir de estoques. 41. Portanto, o critério de oferecimento das vendas à tributação deve ser o da Venda para Entrega Futura, com base nas datas de emissão das Notas Fiscal de Simples Faturamento (cód. 5.922 ou 6.922), que foi o critério adotado pela fiscalização. 2 PIS. COFINS. A EXIGIR. 42. Como extensamente discutido no título anterior, descabem o expurgo das notas fiscais de simples faturamento e a inclusão das notas fiscais de remessa do álcool para fins carburantes que o contribuinte apresentou planilhas dos Doc. 35 e 36 . 43. Na apuração das contribuições ao PIS e Cofins, cabe excluir as notas fiscais canceladas de 01/2011. 44. Quanto à Cofins, o contribuinte alega não ter sido considerado o recolhimento, no valor de R$150.035,55 (Doc. 32), de 12/2011; temse que o autuante informa no Relatório Fiscal, à pág. 230: PIS e COFINS 3. Empresa interessada não apresentou os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON e nem as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para o anocalendário sob análise, no entanto recolheu aos cofres públicos valores na ordem de R$ 315.600,38 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, e R$ 101.344,72 a título de Programa de Integração Social PIS. 45. Constatouse nos sistemas da RFB que, de fato, o contribuinte efetuou o recolhimento de R$465.635,93 de cód 5856 Cofins NãoCumulativa (incluído o valor de 12/2011) e de R$101.344,72 de 6912 PIS Não cumulativo (Lei nº 10.637/02), que, apesar de não confessados em DCTF, foram recolhidos aos cofres públicos. Verificase dos demonstrativos de págs, 185/197, que os valores recolhidos não foram excluídos da autuação fiscal. 46. O litigante informa ainda que, na revisão que fez das apurações do PIS e da Cofins, além das vendas canceladas e as devoluções de vendas, abateu o ICMS Substituição Tributária; contudo, conforme se pode verificar dos demonstrativos que apresenta, págs. 1.174/1.177 e 1.192, Docs. 35 e 36, não efetuou tal dedução, o que está correto porque, apesar de o ICMS Substituição Tributária ser reconhecido como dedutível da base de cálculo do PIS e Cofins, tal dedução pode ser efetuada em relação à Receita Bruta, na vigência do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, § 2º, I, sobre a qual se aplicam os percentuais de cálculo dessas contribuições; porém, neste caso, em que a empresa optou pelo Regime Especial de Apuração, Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 9 15 a apuração dessas contribuições se dá pela aplicação de valor fixado em lei, por unidade vendida, não havendo o que se falar em deduções da receita bruta. 47. À vista do exposto, cabe rever a apuração de PIS e Cofins, excluído as quantidades de produtos vendidos objeto de NF canceladas, no total de 5.000 m³, em 01/2011, conforme já relatado; e excluir da exigência apurada os valores recolhidos, confirmados às págs. 1.347/1.389: 48. O contribuinte requereu: a. Receita Bruta devidamente ajustada para refletir corretamente os seus valores (Vide anexo os Docs. 35, 36 e 37) b. Deduções do PIS e da Cofins dedução da receita bruta o PIS e a COFINS segundo a sua apuração (Doc. 38) 49. Porém, como extensamente discutido no título anterior, descabem o expurgo das notas fiscais de simples faturamento e a inclusão das notas fiscais de remessa do álcool para fins carburantes que o contribuinte apresentou planilhas dos Doc. 35, 36 e 37; e as deduções de PIS e Cofins devem ser segundo o apurado no item anterior, ou seja somente os Débitos de PIS e Cofins de 01/2011 devem ser reduzidos das NF canceladas. 50. Sobre a dedução de depreciações, o litigante requereu: Fl. 1539DF CARF MF 16 a. Deduções do Custo de Produção – Depreciações conforme item 46 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal não permitiu a dedução como custo de produção das depreciações das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Impugnante. Esse procedimento é conflitante com o adotado na apuração do PIS e COFINS relatado no item 29 do mesmo Relatório Fiscal. Neste item o fiscal aceita o desconto dos créditos das depreciações das máquinas e equipamentos para apuração das contribuições; anexa notas fiscais de aquisição de máquinas e equipamentos que demonstram sobejamente a possibilidade de dedução no custo de produção, das depreciações ali registradas (Doc. 29). b. Deduções Despesas Operacionais – Depreciações conforme item 51 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal não permitiu a dedução da despesa de depreciações das máquinas e equipamentos utilizados para a manutenção da atividade operacional da Impugnante, nos termos do art. 299 do RIR/99; anexa notas fiscais de aquisição de máquinas e equipamentos o que demonstra sobejamente a possibilidade de dedução no custo de produção, das depreciações ali registradas (Doc. 29). 51. O autuante, págs. 244, parágrafo 46, e pág. 245, parágrafo 51, informou que o valor total de R$752.441,68 de depreciação contabilizado (conta 331011001) não foi comprovado documentalmente pelo contribuinte, apesar de intimado. 52. Às págs. 828/1.015, o impugnante anexou Notas Fiscais de aquisição de equipamentos e instalações, que se relacionou na planilha anexada às págs, 1.354/1.365, sendo que essas notas fiscais, datadas de 15/01/2008 a 18/11/2010, totalizaram R$6.456.803,36, sendo R$2.526.000,00 datadas de 2008 e R$3.930.803,36 datadas de 2010; conseqüentemente, a depreciação a 10% ao ano, para o ano 2011, resultaria num cálculo simplificado: 53. Confrontandose estes valores mensais e trimestrais estimados com a planilha de dados contábeis de págs. 198/224, verificouse que sempre foram inferiores aos da contabilidade. 54. Por derradeiro, requereu: a. Compensação do Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL Caso as alegações das letras "a" a "d", não sejam acatadas, ou o sejam parcialmente acatados, solicita a compensação dos Prejuízos Fiscais e Base Negativa da CSLL, de ofício, nas apurações do IRPJ e CSLL, nos anos calendários de 2009 e Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 10 17 2010, conforme demonstrados nas fichas 09 e 17 das DIPJ'S 2010 e 2011 e resumidas no Doc. 39. 55. Art. 510 do RIR de 1999, determina que o prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões (Lucro real) até o limite máximo de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado que o disposto neste artigo; e se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. 56. Para isso, consultouse o registro no Sistema de Apuração Prejuízos Acumulados – Sapli da RFB, págs. 1.390/1.395, do contribuinte, onde consta o Saldo de Prejuízo Fiscal Operacional de Períodos Anteriores ( a partir de 1991), em 31/12/2010 de R$( )19.804.002,15 e Saldo de BC Negativa da CSLL também no mesmo valor. 4. Representação Fiscal para Fins Penais 57. O litigante requer cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais atinente ao sr. Henrique Brandão Menezes, CPF 002.596.24500; 58. A Representação Fiscal para Fins Penais se trata de dever funcional da administração, conforme determina a Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou Inspetor da Receita Federal responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no curso de ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, ou no art. 334 do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. (...) Art. 3º A representação de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 1º e o art. 2º será apensada ao processo administrativofiscal, devendo: I permanecer os respectivos autos na unidade de controle até o transcurso do prazo para pagamento, parcelamento ou impugnação, na hipótese de lavratura de auto de infração para exigência de tributos ou contribuições; (...) III ser arquivada, se a ação fiscal para apuração de dano ao Erário for julgada improcedente. (...) § 4º Se o crédito tributário não for extinto pelo pagamento, nem impugnada a exigência, os autos da representação serão remetidos, no prazo máximo de dez dias, pelo Delegado ou Inspetor da Receita Federal, responsável pelo controle do Fl. 1541DF CARF MF 18 processo administrativofiscal, ao órgão do Ministério Público Federal que for competente para promover a ação penal, exceto se, em relação ao crédito, incidir: (...) 59. A Súmula CARF Nº 28 determinou: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 60. Da mesma forma, a DRJ não é competente para julgar; cabe à DRJ julgar a autuação. 5. Multa Qualificada. 150%. 61. Impugna multa agravada de 150%. 62. Quanto ao IRPJ e CSLL, lançamento por homologação, diz que, como não apurou base de cálculo desses tributos o não preenchimento das fichas da DIPJ 2012, ano calendário 2011, não tem o condão de criar esses tributos, a ensejar a multa agravada. Conclui requerendo a redução da multa de ofício para 75%. 63. Esclareçase que multa agravada é o acréscimo de 50%, à multa de ofício e tem como base o § 2º, I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, e é aplicada para os casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da mesma lei; ou seja, é agravada a multa se o contribuinte coloca obstáculos ao andamento da fiscalização. 64. Não é o presente caso, em que foi aplicada a multa qualificada do art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 65. Consta do Relatório Fiscal: 67. (...) o contribuinte não apresentou os DACON e nem as DCTF, de forma espontânea antes do início desta ação fiscal. E a DIPJ foi apresentada com seus valores "zerados", quando houve receitas auferidas, conduta semelhante à figura típica da sonegação, Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10510.720237/201507 Acórdão n.º 1201002.469 S1C2T1 Fl. 11 19 justificando a qualificação da multa de ofício, conforme prevista no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que dispõe: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (...) 70. Todavia, dos dispositivos transcritos, vêse que o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário, já está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) emerge da reiteração de atos que tenham por escopo, undibitavelmente impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstancias materiais, necessárias a sua mensuração. 71. De fato, a conduta ardilosa de não apresentar mensalmente os DACON e as DCTF, e apresentar a DIPJ com valores "zerados", embora tenha emitido no curso de 2011 diversas notas fiscais de venda, tendo, inclusive, informado valores das receitas ao Fisco Estadual, foi praticada para retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa tributária federal. Tal conduta não pode ser caracterizada como mero erro de preenchimento, uma vez que estão "zerados" todos os campos relativos à apuração de resultados na DIPJ do anocalendário de 2011. 66. Verificase que a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 67. As conclusões deste voto são de que a empresa omitiu informações e prestou informação falsa às autoridades fazendárias, objetivando sonegar impostos e contribuições; assim, caracterizado o dolo, correta a qualificação da multa. 68. Quanto a serem o IRPJ e a CSLL lançados por homologação, tal instituto se presta à homologação de pagamento efetuado; não há o instituto de homologação de Declaração a impedir lançamento fiscal de tributo não declarado, nem pago. Conclusão Fl. 1543DF CARF MF 20 Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGAR LHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1544DF CARF MF
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Numero do processo: 13897.720102/2012-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte se manifeste sobre a tempestividade do recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 10980.725971/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006, 2007, 2008
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP.
Para efeitos tributários, especialmente isenção, Área de Preservação Permanente - APP são as áreas assim definidas pelo só efeito do Código Florestal, bem como as demais áreas declaradas como tal por Ato do Poder Público e desde que tomadas as demais providências de regularização.
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA.
A exploração em Áreas de Proteção Ambiental - APA tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR; somente para as áreas de preservação especificas nela contidas, e desde que cumpridas as demais exigências legais, se concederá a exclusão tributária, tais como: Áreas de Preservação Permanente - APP, Área de Interesse Ecológico - AIE reconhecido por Ato do Poder Público, Área de Reserva Legal - ARL, e demais áreas previstas em leis.
ÁREAS DE FLORESTAS PRESERVADAS. REQUISITOS DE ISENÇÃO.
A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente - APP ou de Utilização Limitada - AUL, como Área de Reserva Legal - ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA no prazo regulamentar. A prova de uma não exclui a da outra. A partir do exercício de 2007 o ADA passou a ser exigido anualmente e o prazo de entrega coincide com o prazo da declaração do ITR.
ISENÇÃO. HERMENÊUTICA.
A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida.
VALOR DA TERRA NUA. VTN. LAUDO TÉCNICO.
O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006, 2007, 2008 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP. Para efeitos tributários, especialmente isenção, Área de Preservação Permanente - APP são as áreas assim definidas pelo só efeito do Código Florestal, bem como as demais áreas declaradas como tal por Ato do Poder Público e desde que tomadas as demais providências de regularização. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA. A exploração em Áreas de Proteção Ambiental - APA tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR; somente para as áreas de preservação especificas nela contidas, e desde que cumpridas as demais exigências legais, se concederá a exclusão tributária, tais como: Áreas de Preservação Permanente - APP, Área de Interesse Ecológico - AIE reconhecido por Ato do Poder Público, Área de Reserva Legal - ARL, e demais áreas previstas em leis. ÁREAS DE FLORESTAS PRESERVADAS. REQUISITOS DE ISENÇÃO. A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente - APP ou de Utilização Limitada - AUL, como Área de Reserva Legal - ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA no prazo regulamentar. A prova de uma não exclui a da outra. A partir do exercício de 2007 o ADA passou a ser exigido anualmente e o prazo de entrega coincide com o prazo da declaração do ITR. ISENÇÃO. HERMENÊUTICA. A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. VALOR DA TERRA NUA. VTN. LAUDO TÉCNICO. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Recurso Voluntário Negado
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Para efeitos tributários, especialmente isenção, Área de Preservação Permanente APP são as áreas assim definidas pelo só efeito do Código Florestal, bem como as demais áreas declaradas como tal por Ato do Poder Público e desde que tomadas as demais providências de regularização. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. A exploração em Áreas de Proteção Ambiental APA tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR; somente para as áreas de preservação especificas nela contidas, e desde que cumpridas as demais exigências legais, se concederá a exclusão tributária, tais como: Áreas de Preservação Permanente APP, Área de Interesse Ecológico AIE reconhecido por Ato do Poder Público, Área de Reserva Legal ARL, e demais áreas previstas em leis. ÁREAS DE FLORESTAS PRESERVADAS. REQUISITOS DE ISENÇÃO. A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA no prazo regulamentar. A prova de uma não exclui a da outra. A partir do exercício de 2007 o ADA passou a ser exigido anualmente e o prazo de entrega coincide com o prazo da declaração do ITR. ISENÇÃO. HERMENÊUTICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 59 71 /2 01 0- 11 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 258 2 A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. VALOR DA TERRA NUA. VTN. LAUDO TÉCNICO. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.725971/201011, em face do acórdão nº 0427.755, julgado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), em sessão realizada em 19 de março de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, quando da Resolução nº 2202000.474, pois estava ele como Relator deste processo: 1 Procedimento de Fiscalização Em 25/11/10, o recorrente recebeu intimação (fls. 3/5 do eprocesso) requisitando os seguintes documentos ligados ao imóvel “GLEBA SAIBRO”, relativos aos exercícios de 2006, 2007 e 2008: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 259 3 a) matrícula atualizada do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal b) comprovação da existência da ARL — Área de Reserva Legal; c) ADA — Ato Declaratório Ambiental –, requerido tempestivamente junto ao IBAMA; d) documentos comprobatórios das APP — Áreas de Preservação Permanente , como laudos técnicos acompanhados de ART Anotação de Responsabilidade Técnica; e) no caso de APP constituída pelo poder público, apresentar o ato normativo que constituiu a área; f) laudo de avaliação técnica de acordo com a NBR 14.653 da ABNT, com grau de precisão e fundamentação II, acompanhado de ART; A intimação continha relação dos valores a serem utilizados para o arbitramento do VTN — Valor da Terra Nua — em caso de não apresentação de laudo técnico, de acordo com a aptidão agrícola. Esta intimação não foi respondida. 2 Auto de Infração Em face da inércia do representante do espólio em atender à intimação, o Fisco lavrou auto de infração de ITR para os anos de 2006 a 2008, constituindo um crédito tributário total de R$647.920,72, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros de mora. O fundamento do auto de infração foi a reconstituição do lançamento, com a desconsideração das áreas de preservação permanente e área de reserva legal declaradas, incluindoas na base de cálculo do tributo, em virtude da falta de comprovação das áreas isentas. Ainda, devido à discrepância entre o valor de VTN registrado no SIPT para a região e o declarado pelo recorrente, foi considerada existente subavaliação do valor da terra, que ensejou arbitramento da VTN. O arbitramento foi realizado da seguinte forma: as áreas declaradas como de BENFEITORIAS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizada”, as com áreas declaradas como de PRODUTOS VEGETAIS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizável”, e as DEMAIS ÁREAS foram consideradas “Terra mista não mecanizável”. O arbitramento levou em consideração o município Guaraqueçaba/PR e a data de cada fato gerador para estipular os valores. Por fim, a mudança nas áreas tributáveis modificou o grau de utilização de 100% para 30,9%, implicando a modificação da alíquota aplicável para a de 6%. O recorrente foi intimado do lançamento em 28/12/10. 3 Impugnação Inconformado com o lançamento, o espólio do contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, por meio de sua inventariante judicialmente constituída. Os argumentos esgrimidos foram: a) não foram atendidas as solicitações devido à extensa lista de documentos requisitados ao recorrente, que recebeu, ao mesmo tempo, intimação semelhante em relação a outros três imóveis de propriedade do espólio. O prazo exíguo de 30 dias estendido Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 260 4 pela fiscalização inviabilizou a juntada de toda a documentação. Ademais, toda essa documentação fora requisitada anteriormente, em relação aos exercícios de 2004 e 2005, que tiveram lançamento suplementar realizado no processo administrativo nº 10980.008675/200820, que ainda pendia de julgamento definitivo. Nessa oportunidade, inclusive, já fora constatada a entrega de ADA e a existência de averbação de área de reserva legal; b) existe Área de Preservação Ambiental constituída pelo poder público Na área onde está situado o imóvel autuado. Essa APA existe pelo fato de a propriedade estar inserta no ecossistema da Mata Atlântica. O Decreto Federal nº 90.883/85 e o Decreto Estadual PR nº 1.228/92 comprovam que estas áreas foram declaradas como de Preservação Ambiental pelo poder público; c) as Áreas de Preservação Ambiental são isentas de ITR, vez que são áreas de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, e se encaixam na isenção prevista no art. 10, II, b, da Lei 9.393/97; d) além disso, a área é de topografia acidentada, coberta por topos, encostas de morros, serras, montanhas, rios, riachos, córregos, etc, sendo imprópria para qualquer exploração que não a ecológica. A título exemplificativo, o acesso é tão limitado que somente pode ser realizado através de barcos, utilizando os diversos braços de mar que circundam a área, já que não existe qualquer estrada ou caminho pela via terrestre; e) o ADA nº 118.930 demonstra que toda a área da Fazenda está inserta em APA, motivo que levou o contribuinte a, em anos anteriores, declarar a totalidade da área como de interesse ecológico, embora nos últimos anos a prática fosse declarar 621,6 ha a título de APP e 253,7 ha como ARL; f) mais de 50% da propriedade são florestas em manejo e/ou matas naturais existentes, averbadas nas matrículas e identificadas em mapa anexo às matrículas; g) o contribuinte, quando vivo, era criador de gado em outras propriedades, mas desde a aquisição das terras objeto deste auto de infração não exerceu qualquer atividade econômica em sua extensão devido à impossibilidade de exploração do terreno, seja pelo fato de ser área de preservação ambiental, seja pela dificuldade de desenvolver qualquer cultura no terreno; h) é considerada como área de relevante interesse ecológico a área de Mata Atlânica, havendo, inclusive, jurisprudência do CARF nesse sentido, reconhecendo a isenção de áreas análogas; i) o laudo técnico ambiental reconhece que as áreas da propriedade são tanto de interesse ecológico como de preservação permanente; j) não procede o argumento do fiscal de que é possível a cultura da terra em casos específicos, motivo pelo qual não pode ser considerada isenta a área, pois a regra é a limitação, e a exploração só pode ser realizada mediante autorização e nos moldes definidos pelo IBAMA; k) o tributo é obrigação pecuniária decorrente de lei, mediante a constatação da ocorrência do fato jurídico tributário. Desse modo, a falta de declaração do contribuinte não é capaz de fazer surgir tributo. Ainda, o arbitramento ignora totalmente os documentos apresentados à Fiscalização em procedimento de fiscalização em relação aos anos anteriores, pois toma como áreas não mecanizáveis áreas que são de preservação Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 261 5 permanente, composta de manguezais, banhados, morros, serras, montanhas, dentre outras formações geográficas consideradas APP; l) O VTN da terra, de acordo com o valor da compra atualizado monetariamente à época do fato gerador é de R$ 2,42 por hectare, devendo ser utilizado este valor para fins de base de cálculo do lançamento. É impossível avaliar o valor das terras de outra forma, pois não se encaixam nas aptidões agrícolas disponíveis, e, ainda por cima, são áreas que não contém propriedade semelhante comerciada recentemente, o que inviabiliza a comparação para fins de apuração de valor. Inclusive, tal imóvel seria incomerciável, pois seu valor não é comercial, mas sim ambiental. Em anexo à impugnação, o recorrente apresentou os seguintes documentos: a) matrículas atualizadas dos imóveis, acompanhadas de plantas e memoriais descritivos das propriedades (fls. 77/98 do e processo); b) laudo técnico (fls. 99/105 do eprocesso); c) Decreto nº 90.883/85 (fls. 108/111 do eprocesso); d) Decreto Estadual PR nº 1.228/92(fls. 112/115 do eprocesso); e) ADA’s relativos aos exercícios de 2010 e 2011 (fls. 116/119); f) Tabela de cálculo da atualização monetária do preço da terra desde a aquisição (fls. 121/123 do eprocesso); 4 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/CGE julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação do recorrente, com base nos seguintes fundamentos: a) não há nulidade por cerceamento de defesa, posto que o recorrente foi intimado previamente ao lançamento para apresentar comprovação dos fatos registrados em sua DITR, e não o fez no prazo estendido, o que levou a Fiscalização a lavrar auto de infração; b) o laudo técnico apresentado não consegue retratar com a exatidão necessária a natureza das APP’s, somente listando o tamanho das APA’s, que não são isentas de ITR, por falta de disposição legal. As APA’s não podem ser compreendidas como APP’s, pois não impedem a exploração da área, apenas a limitam, e a prova disso é que há exploração agrícola em parte da propriedade, conforme declarado na DITR; c) as averbações constantes na matrícula são referentes a uma espécie de áreas de preservação permanente e áreas de manejo florestal para fins de exploração. Sendo assim, a área de reserva legal carece de averbação, motivo pelo qual não deve ser reconhecida; d) foram apresentados três ADA’s, um anterior a 2007, outro de 2009 e outro de 2010. Desde 2007 é necessária a protocolização anual de ADA no prazo de até seis meses após a entrega da DITR. Desse modo, somente estaria preenchido este requisito formal em relação ao exercício de 2006. De qualquer sorte, devido à falta de comprovação nenhuma das APP’s foi Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 262 6 acolhida; e) frente à falta de laudo de avaliação do valor do imóvel, deve prevalecer o arbitramento realizado; Assim, tendo a DRJ de origem compreendido pela improcedência da impugnação, o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário às fls. 172/193, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação, bem como acrescentados novos, que foram assim sintetizados pelo Conselheiro Rafael Pandolfo, quando da Resolução nº 2202000.474: 5 Recurso Voluntário Ciente do resultado do julgamento, em 18/04/12, o recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo, em 11/05/12, reiterando os argumentos da impugnação, adicionando que a falta de averbação da área de reserva legal implica multa, de acordo com a legislação regente da matéria, mas nunca a sua desconsideração para fins de isenção do ITR. Nenhum documento novo foi apresentado junto ao recurso voluntário. Com a chegada deste processo ao CARF, foi ele colocado em pauta de julgamento, sendo em 18/04/2013 resolvido pelos Conselheiros membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, que segue abaixo parcialmente transcrito: O deslinde do presente processo depende da resolução de três pontos: a) glosa de Áreas de Preservação Permanente; b) glosa da Área de Reserva Legal; c) arbitramento da base de cálculo do tributo. Contudo, ao compulsar os autos é possível verificar que o mapa anexo à impugnação (fl. 105 do eprocesso) está incompleto, com observação manuscrita apócrifa, a qual indica que o mapa completo encontrase disponível no processo nº 14486.000072/201117, o qual se encontrava “nesta EQCOF/SECAT”. Entendo que a resolução do caso demanda a obtenção do mapa completo, posto que há averbação de área de reserva legal, mas não existe prova além do mapa de que ela exista. Ainda, o mapa é necessário à verificação da correção dos critérios utilizados no arbitramento, posto que o próprio recorrente alega que as áreas caracterizadas como “mecanizáveis” pelo Fisco são, em verdade, áreas acidentadas, manguezais, declives, que são impassíveis de serem cultivadas. Sendo assim, entendo por bem converter este julgamento em diligência, solicitando à “EQCOF CONTENCIOSO FISCAL EACDRFCTAPR” — unidade na qual, de acordo com o COMPROT, se encontra o referido processo — que envie cópia integral do mapa existente no Processo nº 14486.000072/2011 17, para ser juntado a este processo, e para que seja dado seguimento à resolução da lide. Foi cumprida a diligência, tendo sido juntados aos autos cópia integral dos mapas existentes nos autos físicos deste processo. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 263 7 Com o retorno dos autos ao CARF, foi proferida nova Resolução, às fls .226/231, onde foi proferido voto no sentido de que haveria necessidade da autoridade preparadora juntar aos autos o extrato onde constam as informações de que a autoridade lançadora se baseou para arbitrar o valor. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Receita Federal, elaborado pelo Auditor Fiscal Sidney Dolinksi que assim relatou: " Em atendimento ao contido na Resolução n° 2202000.740 (fls. 226/231), o presente processo foi movimentado a esta Equipe, para juntar aos autos o extrato onde constam as informações que a autoridade lançadora se baseou para arbitrar o valor do imóvel rural, com base nos dados constantes do SIPT. Considerando o exposto acima, em 19/06/2017, foram impressos ; A tabela de preços médios de terras agrícolas detalhamento por característica de 2006 a 2016, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento SEAB do Estado do Paraná (fl. 235); Conceito das classes de terras agrícolas, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento SEAB do Estado do Paraná (fl. 236); Telas do Sistema de Preços de Terras SIPT dos exercícios de 2006/07/08 (fls.237/243). Informo ainda que estes valores estão disponíveis, para consulta pública, no endereço: http://www.agricultura.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.ph p?conteudo=30 e que o DERAL, no item 4 ESCLARECIMENTOS, transcreve: "cumprenos esclarecer que, anualmente, a Secretaria de Estado da Agricultura — SEAB, por meio do Departamento de Economia Rural — DERAL, realiza a pesquisa de Terras Agrícolas por Município. A referida pesquisa é realizada nos 21 Núcleos Regionais da SEAB, pelos respectivos Técnicos do Departamento em cada Núcleo, ficando assim a Seab, com base na Lei 9393/96, Art. 14 ,sS' 1 o , como Órgão Oficial responsável para realização da pesquisa. Os Técnicos promovem reuniões com os Sindicatos, Produtores, Imobiliárias e Demais Agentes que detêm a informação sobre o mercado de Terras Agrícolas na Região e/ou no Município, com a finalidade de dar transparência à Sociedade sobre a Metodologia utilizada e a forma de atuação do DERAL na execução da referida pesquisa. Outrossim, fazse necessário salientar que os dados finais da pesquisa devem ser utilizados apenas como uma referência de preço, pois são resultantes de uma média de preços de mercado (negócios realizados e/ou intenções de compra) SECRETÁRIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO – SEAB DEPARTAMENTO DE ECONOMIA RURAL — DERAL DIVISÃO DE ESTATÍSTICAS BÁSICAS — DER 5 em cada Município. Portanto, não devem ser utilizados como valor absoluto, fechado, isto devido à dinâmica do mercado, e principalmente, levando em consideração as diferenças quanto à localização, topografia, tipo de solo, fertilidade, utilização, entre outras variáveis e características próprias de cada propriedade e de cada um dos 399 Municípios do Paraná Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 264 8 Diante do exposto, firmo o relatório, concluindo que os lançamentos foram baseados nos procedimentos de Oficio constante no Art. 14, da Lei 9.393/96. "No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como da subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de Terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. sS 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios" EM ANEXO: 01 cópia da Resolução n° 2202000.740 (fls. 226/231); 01 cópia da tabela de preços médios de terras agrícolas detalhamento por característica de 2006 a 2016, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento SEAB do Estado do Paraná (fl. 235); 01 cópia do Conceito das classes de terras agrícolas, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento SEAB do Estado do Paraná (fl. 236); Telas do Sistema de Preços de Terras SIPT dos exercícios de 2006/07/08 (fls.237/243). É o relatório, Encaminhese, para ciência do contribuinte e manifestação sobre os termos do presente relatório no prazo de 15 (quinze trinta) dias, conforme disposto na Resolução n° 2202 000.740." Assim, foram juntadas às fls. 235/243, os documentos solicitados para Unidade Preparadora da RFB, de modo a apresentar os preços das terras agrícolas, demonstrando a razão da cobrança como posta pela Autoridade Preparadora. Com os documentos juntados, a contribuinte manifestase nas fls.252/255, no sentido de que os preços aplicados e demonstrados em tabela pela Autoridade não podem ser aplicados no caso concreto, pois a área, em questão, seria imprópria para qualquer tipo de comercialização e exploração. Dessa forma, os autos retornam a esta Turma para análise dos documentos trazidos, para fins de análise das razões apresentadas em Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 265 9 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Das Áreas Preservadas A razão que embasa a discordância com as glosas em pautas seria o fato de que o imóvel estaria localizado dentro da APA Guaraqueçaba, coberto por Mata Atlântica, situação que, de acordo com o sujeito passivo, daria o direito à isenção. Em razão disso, como bem referido pelo julgado de origem, é importante esclarecer que para concessão de isenção não se questiona, apenas, se as áreas de florestas estão ou não preservadas, pois, sua preservação, pelo menos em uma dimensão mínima, Reserva Legal, ou a Preservação Permanente para evitar a degradação de rios, desmoronamentos de morros etc., ou seja, garantir o ambiente natural é de obrigação legal. Se não cumprida, há previsão de penalidade e a sua fiscalização cabe ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. Com os argumentos apresentados se pretende demonstrar que as mesmas existem independentemente das formalidades exigidas. Entretanto, para obter a isenção tributária, como mais à frente será melhor explicado, é necessário o cumprimento de requisitos legais. Não basta, somente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além de existirem, atendendo à legislação ambiental, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei tributária exigir para serem contempladas com a isenção. Para melhor entendimento a respeito da matéria, apresentase o conceito e requisitos legais para que as áreas reservadas sejam isentas do ITR, independentemente se de Utilização Limitada, como Área de Reserva Legal – ARL, Área de Servidão Florestal – ASF, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou declarada de Interesse Ecológico AIE, bem como se de Preservação Permanente – APP, sendo os principais a demonstração da existência da APP, através de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou, a averbação da área de Utilização Limitada na matrícula do imóvel e, a apresentação tempestiva do ADA ao IBAMA informando as áreas em questão. Com relação à APP existem dois tipos: a) áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei como APP e b) áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público. No artigo 2º, do Código Florestal, se lista os locais de situação das florestas que, pelo só efeito dessa lei, consideramse de preservação permanente: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 266 10 2 de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados olhos d'água, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Para comprovar estes tipos de preservação permanente basta a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas, detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei. Neste aspecto, o laudo apresentado se limita em informar da localização do imóvel na APA de Guaraqueçaba. Embora em suas defesas a contribuinte afirme com mais detalhes a respeito dos tipos de APP, as informações do laudo são genéricas, fazem referência à área total, de sua localização em APA, porém, não especifica, não dimensiona e nem localiza a áreas enquadráveis no referido dispositivo legal como APP. Conforme artigo 3º, do mesmo Código Florestal, dependendo da destinação existem outros tipos de florestas que, também, se consideram como APP. Vejamos o artigo: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 267 11 Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Entretanto, como se vê nesse dispositivo legal, para que tais áreas possam ser consideradas APP necessitam de Ato do Poder Público que assim a declare. Para este item, como já visto, o interessado pretende sustentar seus argumentos nas legislações relativas à APA de Guaraqueçaba, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área seria de interesse ecológico com direito à isenção. Porém, este argumento, por si só, não é suficiente para comprovar a isenção, pois, se assim fosse, praticamente todos os imóveis situados nessa região seriam isentos, situação esta que não ocorre. A lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que estatui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação define, em seu artigo 15, o que é a Área de Proteção Ambiental – APA: Art. 15. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bemestar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Assim, resta claro se tratar de área extensa com possibilidade de ocupação humana e de utilização dos recursos naturais e, assim, tributável, bem diferente do conceito de APP, que deve ser preservada sem exploração e, se cumpridos demais requisitos legais, com possibilidade de isenção do ITR. Nas diversas legislações que tratam de áreas de proteção se especifica, inclusive, que apenas as atividades potencialmente poluidoras, as de terraplanagem, entre outras, que ameacem extinguir as espécies de flora e fauna é que estariam proibidas. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 268 12 Ainda, consoante referido pelo julgador de primeira instância, a Receita Federal do Brasil, desde o ano de 1999, através do Manual de Perguntas e Respostas – MPR, relativo à DITR do correspondente exercício, vem, sistematicamente, orientando os contribuintes do ITR. Vejamos as questões 13 e 184, do MPR referente ao exercício 2001, também aplicável aos exercícios em pauta: 184. Por que os imóveis rurais situados em Área de Proteção Ambiental (APA) e nas Reservas Extrativistas são tributados? Desde modo, conclui acertadamente a DRJ de origem o seguinte: "Desde o início, convém dizer o seguinte: um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e da legislação tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via benefício fiscal. No entanto, o benefício da exclusão do ITR, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, não se estende genericamente a todas as áreas do imóvel. Somente se aplica a áreas específicas da propriedade particular, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental efetivamente situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de RPPN e área de proteção de ecossistema bom como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). O benefício fiscal estendese apenas para essas áreas específicas do imóvel, uma vez que elas, em regra, não podem ser exploradas economicamente. Por outro lado, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, há, em regra, áreas do imóvel rural destinadas ou utilizadas pela atividade agrícola, pecuária, aqüícola, florestal, industrial e mineral. Logo, impossível a concessão de isenção do ITR para todas as áreas da propriedade situada na APA e na Reserva Extrativista, pois há áreas exploradas economicamente." Assim, fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da APA de Guaraqueçaba, não podem ser, de maneira geral e automática, consideradas de interesse ecológico para efeito de exclusão do ITR. Dependendo, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental. Além disso, da DITR fiscalizada consta a ocorrência de atividades rurais, como área de produtos vegetais. Diante do exposto, deve ser negado o recurso quanto a esta matéria. Da Área de Reserva Legal Segundo a legislação que rege a matéria, a Reserva Legal, com dimensão mínima dependendo da região do país, sendo a menor 20,0% da propriedade, deve ser averbada à margem da matrícula de registro de imóveis. Vejamos o texto do artigo 16 e seu parágrafo 2º, da lei nº 4.771/1965, o Código Florestal: Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 269 13 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Neste ponto, as averbações constantes das matrículas apresentadas não são relativas a Área de Reserva Legal ARL. Algumas dizem respeito a tipo áreas de preservação permanente, que não necessita de averbação, mas, de laudo eficaz demonstrando, dimensionando e localizando as áreas de acordo com o enquadramento nos respectivos artigos do Código Florestal, e as outras averbações são referentes a áreas destinadas a exploração de floresta com plano de manejo. Face a isto, não merece provimento o recurso em relação a esta matéria. Das Razões das Glosas Passandose à situação concreta, as glosas ocorreram por não haver sido atendida a intimação para apresentação dos documentos comprobatórios. Na defesa da contribuinte o argumento principal é o fato de o imóvel estar localizado em APA, que por si só não permite conceder isenção, e a documentação apresentada não comprovou a existência de APP conforme enquadramento do Código Florestal; nas matrículas do imóvel não consta averbação de ARL de acordo com o mesmo código e; finalmente, não foram apresentados ADA, entregues ao IBAMA no prazo regulamentar para os exercícios e pauta. Em razão disso, as áreas glosadas não deveriam estar declaradas como isentas, pois, não foram cumpridos os requisitos legais para tal. Ainda, não estavam amparadas para essa concessão. Assim, sua informação como isenta configura declaração incorreta. Tendo em vista que não houve apresentação de documentação que comprove a existência e regularização da APP e ARL, glosadas por não haver sido atendida a intimação para comprovação, bem como não haver sido apresentado Laudo Técnico de Avaliação da Terra Nua, concluise não haver como desconstituir o crédito tributário em discussão. Isto posto, e considerando tudo mais que dos autos consta, entendo que não merece acolhimento o recurso em relação ao afastamento do tributo. Do Valor da Terra Nua Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 270 14 A respeito do VTN, quando da análise das DITR o fiscal verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, o procedimento da fiscalização deve ser a intimação do declarante para comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam a caracterização do imóvel, as fontes idôneas de pesquisa, a similitude da propriedade em relação às amostras levantadas no município, entre outros. Como já visto, tendo em vista o não atendimento à intimação, consequentemente, não apresentação de laudo de avaliação que fora solicitado, o VTN foi modificado pelo Fisco, sendo utilizadas as informações do SIPT. Ainda, devido à discrepância entre o valor de VTN registrado no SIPT para a região e o declarado pelo recorrente, foi considerada existente subavaliação do valor da terra, que ensejou arbitramento da VTN. O arbitramento foi realizado da seguinte forma: as áreas declaradas como de BENFEITORIAS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizada”, as com áreas declaradas como de PRODUTOS VEGETAIS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizável”, e as DEMAIS ÁREAS foram consideradas “Terra mista não mecanizável”. O arbitramento levou em consideração o município Guaraqueçaba/PR e a data de cada fato gerador para estipular os valores. Carece de razão a contribuinte, portanto. Do Laudo Técnico Com a impugnação, novamente, não foi apresentado laudo de avaliação. No laudo técnico destinado a informar da localização do imóvel na APA de Guaraqueçaba, a respeito do VTN se informou, apenas, que a área não possui valor tributal e nem com alíquota para imposto. Assim sendo, não há, também, como alterar este dado do lançamento. Desde modo, não merece provimento o recurso quanto a este argumento. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10980.725971/201011 Acórdão n.º 2202004.677 S2C2T2 Fl. 271 15 Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900831/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA
Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora, sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
Numero da decisão: 1302-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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RETENÇÕES INDEVIDAS. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DE CONTRIBUINTES ISENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Recorrente GERDAU AÇOS LONGOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora, sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 31 /2 01 0- 71 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1259.605, de 13/09/2013, da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente pretende demonstrar a existência de saldo de direito creditório decorrente de pagamento a maior e requer a homologação integral da compensação retificadora declarada na DCOMP n.° 19071.17622.260307.1.3.04.2437, de 26/03/2017 (original DCOMP Eletrônica n° 19339.79336.140306.1.3045824), referente a Contribuição Social Retida na Fonte (CSRF), apurada na primeira quinzena de março de 2007, no valor principal de R$3.539,46, com crédito decorrente do pagamento a maior da CSRF, apurada na segunda quinzena de abril de 2006, no valor histórico de R$3.160,32. Assim, alega que estariam demonstrados a origem e a suficiência do crédito utilizado para a quitação do débito de CSRF, apurado na primeira quinzena de março de 2007. O crédito em questão teria origem na indevida retenção na fonte e, posterior, recolhimento indevido das contribuições sociais, no valor de R$3.745,59 (R$569.419,54 R$566.361,04), por ocasião do pagamento realizado à empresa Essencis Soluções Ambientais. A contratação referese à cessão, pela Essencis, de espaço e disponibilização de infraestrutura para aterro de resíduos industriais, como atestam as nota fiscal 3024, já acostadas aos autos. Em julgamento à impugnação, a DRJ destacou os seguintes pontos em questão: DCOMP Eletrônica n° 19071.17622.260307.1.3.042437, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 4 3 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de CSRF Data de Arrecadação : 13/04/2006 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 3.160,23 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 3.160,23 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 3.160,23 A interessada informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 13/04/2006, no valor de R$ 569.419,54, código 5952. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em não homologação da compensação. De acordo com o despacho decisório de fls. 07, n° de rastreamento 880550536, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 3.412,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" Segundo o despacho, o crédito já teria sido utilizado anteriormente na quitação do débito de CSRF, código 5952, PA 31/03/2006, no valor de R$ 569.419,54. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/09/2010, fls. 11. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 20/10/2010, fls. 12/16, com as seguintes alegações: houve pagamento a maior no valor de R$ 3.754,59, gerando retificação da DCTF original, alterando o débito de R$ 569.419,54 para o correto de R$ 566.361,04. apresentou DCOMP para o aproveitamento do crédito, da seguinte forma: DCOMP CRÉDITO 19071.17622.260307.1.3.042437 R$ 3.160,23 40053.59511.290806.1.3.040863 R$ 594,36 TOTAL R$ 3.754,59 o crédito tem origem em retenção e pagamento indevido de Contribuição Social para o fornecedor Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307. não cabe a retenção na fonte por força do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, já que a relação comercial deste fornecedor com a interessada é a de cessão de espaço para aterro de resíduo industrial e de toda a infraestrutura e licenciamento necessários para a destinação final do resíduo. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a interessada apresentou Nota Fiscal, fls. 17, emitida pela Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 5 4 04.627.574/000307, relativo à prestação de serviços pago no valor de R$ 67.962,00, com a indicação da retenção das contribuições sociais no valor de R$ 3.160,23. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade alegando a ilegitimidade da Recorrente para pleitear o crédito, tendo em vista que não haveria comprovado que seria devida a retificação de DCTF e DCOM, bem assim, não demonstrou ressarciu às empresas prestadores os respectivos valore retidos indevidamente. A recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 14/11/2014 (fl. 84). Interpôs recurso voluntário, em 15/12/2014 (fls. 86/122). Sustenta que os créditos compensados em questão, decorrem de pagamentos indevidos ou a maior de CSRF, conforme detalhamento a seguir sintetizado: (...) sobre o entendimento da DRJ de que deveria estar demonstrado nos autos que as filiais da Essencis Soluções Ambientais, CNPJ 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/000498, teriam recebidos os valores totais pela prestação dos serviços, relativos às duas Notas Fiscais", alegou que, em observação ao princípio da verdade material e o fato de que a Recorrente arcou com o ônus pelo pagamento indevido das contribuições sociais retidas na fonte, tal entendimento da DRJ não deveria prevalecer. Na segunda quinzena de março de 2006, a Recorrente havia apurado débito de CSRF (código 5952 CSLL/COFINS/PIS/PASEP Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado/Lei 10.833/2003), no valor de R$569.924,06, efetuando o seu pagamento mediante DARF, em 13.04.2006. Ocorre que, em fevereiro/2007, a Recorrente constatou que havia efetuado retenção indevida da CSLL, PIS e Cofins, incidentes sobre o pagamento destinado à empresa Essencis Soluções Ambientais, no valor de R$67.962,00 (Nota Fiscal 3024), pela cessão de espaço e disponibilização de infraestrutura para aterro de resíduos industriais, atividade que não se sujeita à retenção na fonte das contribuições sociais, nos termos do art. 30 da Lei n°. 10.833/2003. Apresentou telas que teriam sido reproduzidas de suas contabilidade, por meio das quais servia possível concluir que houve as devidas retenções de PIS, Cofins e CSLL nas notas fiscais mencionadas. Também apresentou planilhas, com base nas quais pretende indicar a composição dos valores referentes à devolução, que teria realizado, por meio de pagamentos complementares, à prestadora Essencis, em 27.02.2007, relativamente aos tributos retidos indevidamente na fonte, como consta do Livro Razão da Recorrente: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 6 5 Com base em tais informações, a recorrente entende que teria comprovado que promoveu ao devido ressarcimento à Essencis dos valores retidos indevidamente a título de CSLL, PIS e Cofins, referente às notas fiscais 2853, 3024 e 3063. Dessa forma, defende que apenas a relação entre o Fisco e a Recorrente teria subsistido, alegando, assim, que teria direito à restituição daqueles valores de CSLL, PIS e COFINS, que foram indevidamente recolhidos aos cofres públicos, nos termos do art.166 do Código Tributário Nacional. Requer, assim, a homologação da DCOMP n° 19071.17622.260307.1.3.04.2437. Para tanto, retificou e transmitiu, antes da emissão do Despacho Decisório impugnado, a DIRF e a DCTF referentes ao mês de abril de 2006, para constar o valor correto do débito referente à CSRF apurado na segunda quinzena de abril de 2006. Assim, o valor de R$569.419,54 informado na declaração original e quitado, mediante DARF, em 13.04.2006, foi retificado para constar o montante de R$566.361,04, gerando o crédito de R$3.754,59, correspondente às contribuições indevidamente retidas e recolhidas por ocasião do pagamento à Essencis. Registra que, não procederia, todavia, a alegação contida no Acórdão recorrido de que "as retificações das Declarações em questão, da DIRF e da DCTF, ocorreram após a apresentação da DCOMP". Ou seja, na data da compensação, considerando os valores informados nas citadas declarações, o crédito não existia. Além disso, por força do artigo 147 do CTN, convém esclarecer que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo, quando vise reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro, o que não se restringe à demonstração de equívocos na determinação do valor do tributo pago, mas também a sua correta apuração.''(fls.72) Prosseguiu, salientando que seria pacífico no CARF o entendimento no sentido de que a DCTF retificadora substitui integralmente a original e que esta não se presta Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 7 6 somente à declaração de novos débitos, mas também para aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados: RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA SUBSTITUIÇÃO DA FORMA DE PAGAMENTO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF são formalizados por meio de DCTF retificadora, que tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, servindo não só para declarar novos débitos e aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados, mas, também, para efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. O sujeito passivo tem o direito de requerer a restituição das quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição, nas hipóteses de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido, podendo utilizar o referido crédito na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a Seção 3a Turma Especial. Acórdão 180300.237. Processo n° 10510.900358/200631. Data do julgamento 08.12.2009) Alega que, até mesmo quando o contribuinte deixa de retificar as suas declarações fiscais, este Eg. Conselho reconhece a necessidade de se buscar a realidade dos fatos: IRRF COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DIPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Tendo sido devidamente comprovado nos autos, através da diligência fiscal realizada, que a contribuinte cometeu erro de fato no preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, em observância ao principio da verdade material, deve ser reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte. (Processo n° 10768.025710/9992, Recurso Voluntário n° 144.402, acórdão n° 1101 00.132, de 18 de junho de 2009) Requer que, na eventualidade de se entender que as declarações fiscais retificadoras e os demais documentos apresentados não foram suficientes para comprovar a origem do crédito, caberia à autoridade julgadora a conversão do julgamento em diligência para que fossem solicitados à Recorrente os documentos entendidos como necessários para o completo julgamento da questão, conforme pleiteado, desde a Manifestação de Inconformidade apresentada. A DRJ indeferiu o pedido a realização de diligência, ao entendimento de que é obrigação do contribuinte apresentar provas necessárias ao convencimento da autoridade julgadora. Essas informações foram apresentadas pela recorrente, somente em sede de recurso voluntário, com o objetivo de demonstrar o motivo pelo qual promoveu a retificação da DCTF. Já que a decisão recorrida concluiu que não haveria justificativa para a retificação que indicou o crédito em questão. É o relatório. Voto Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 8 7 Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário e tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Conheço o recurso. Com base no Despacho Decisório ora combatido, não foi apurado crédito de pagamento indevido uma vez que o recolhimento estaria totalmente alocado para quitação de débito de retenção das contribuições federais, da 2° quinzena do mês de março de 2006, no valor de R$ 569.419,54. Em sua defesa, alega que se equivocou, afirmando que retificou a DCTF alterando o débito para R$ 566.361,04. Alega que a retenção no valor de R$ 3.160,23 é indevida, nos termos do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 Ocorre que o tributo em questão trata de retenção da contribuição na fonte. Assim, o sujeito passivo do tributo é a empresa que prestou os serviços, a Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307, que recebe a remuneração pelo serviço prestado deduzido do valor retido pela interessada. E, nos termos do artigo 166 do CTN, quem tem legitimidade para pedir a restituição é o sujeito passivo, ou seja, a Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307. À vista da conclusão da DRJ de que, para coubesse pedido de restituição/compensação de valor retido indevidamente, deveria comprovar que arcou com o ônus do pagamento. isto é, deveria estar demonstrado nos autos que as filiais da Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/000498, teriam recebidos os valores totais pela prestação dos serviços, relativos as duas Notas Fiscais, a recorrente apresentou em suas razões de recurso voluntário, telas do sistema de sua contabilidade e planilha que indica valores que, em tese, teriam sido ressarcidos às retidas. Todavia, tais documentos, em realidade, apenas indicam o que de fato afirma a recorrente. Não comprova, inequivocamente, o pretende evidenciar. Pois, não há nota fiscal no valor do ressarcimento emita pelas retidas; não há recibo de quitação do ressarcimento; não á recebido de depósito em conta corrente das retidas; não há recibo de transferência entre contas bancárias (DOC/TED), nem qualquer outro documento que houvesse sido confeccionado unilateralmente pela recorrente. Registrese, nesse ponto, que não há dúvida de que realmente houve a retenção na fonte de CSRF. Entretanto, persiste a incerteza quanto ao efetivo ressarcimento às retidas. Por todo o exposto, é possível concluir que a Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307, recebeu pela prestação dos serviços descritos nas Notas Fiscais a remuneração deduzida do valor retido. Ou seja, nesse caso, somente a prestadora do serviço que tem a legitimidade para pedir a restituição. Cabe ressaltar que as retificações das Declarações em questão, da DIRF e da DCTF, ocorreram após a apresentação da DCOMP. Ou seja, na data da compensação, considerando os valores informados nas citadas declarações, o crédito não existia. Além disso, por força do artigo 147 do CTN, convém esclarecer que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo, quando vise reduzir tributo, só é admissível mediante Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16682.900831/201071 Acórdão n.º 1302003.020 S1C3T2 Fl. 9 8 comprovação do erro, o que não se restringe à demonstração de equívocos na determinação do valor do tributo pago, mas também a sua correta apuração. Por fim, o direito à restituição, para que se proceda à compensação pleiteada neste processo, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." (grifei) Lembro, ainda, que o ônus da comprovação do crédito reside no âmbito da interessada que apresentou a DCOMP. É o que determina o artigo 373 do CPC e art. 166 do CTN. Dessa forma, não há como acolher os pedidos de homologação de DCOMPs da recorrente. Pois, em conformidade com o art. 166 do CTN, Art. 166, "a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla". Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37306.002816/2006-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 6. 00 28 16 /2 00 6- 47 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 37306.002816/200647 Acórdão n.º 2402006.422 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 37306.002816/200647 Acórdão n.º 2402006.422 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 37306.002816/200647 Acórdão n.º 2402006.422 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003145/2010-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa.
Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido.
Numero da decisão: 1001-000.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Mantémse o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 31 45 /2 01 0- 26 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10865.003145/201026 Acórdão n.º 1001000.764 S1C0T1 Fl. 34 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0950.054, de 27/02/2014 (efls. 15/16), objetivando a reforma do referido julgado. Através do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/LTM nº 442.920, de 01 de Setembro de 2010 (efl. 3), a recorrente foi excluída do Simples Nacional em virtude de o contribuinte possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme a relação exposta no referido ADE, estando a exclusão fundamentada no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006 e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15/2007. Na sua manifestação de inconformidade a manifestante alegou que "A empresa no presente momento está com dificuldades financeira para recolher o débito em 30 dias a partir da data do recebimento da exclusão e não existe a possibilidade de fazer um parcelamento do simples nacional". Alega, ainda, que a alínea "d", do inciso III, do artigo 146 da Constituição/1988 "não fala que o regime simplificado está subordinado á condição financeira das empresas" e que o dispositivo constitucional "está acima de todas as outras leis" e que outros dispositivos constitucionais foram violados e solicita a suspensão da exclusão até o julgamento da contestação. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a Exclusão do Simples, com a seguinte fundamentação: (grifo não consta do original) A contribuinte não discute os débitos. A seu turno, a Lei Complementar nº 123/2006 é clara ao dispor em seu art. 17 que "Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte", se materializada, como foi na espécie, a hipótese do seu inciso V. Para que se tornasse sem efeito a exclusão, a contribuinte deveria ter pagado a totalidade dos débitos relacionados no ADE no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua ciência. Pelo exposto conduzo meu VOTO no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, devendo ser mantida a exclusão de ofício operada. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Materializada a hipótese legal de vedação ao Simples Nacional, sem que a contribuinte lograsse elidila, há que se manter a exclusão de ofício operada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10865.003145/201026 Acórdão n.º 1001000.764 S1C0T1 Fl. 35 3 Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 17/03/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 19, a recorrente apresentou recurso voluntário em 07/04/2014 (efls. 21/30), conforme Termo de Solicitação de Juntada à efl. 20. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera a alegação de que "a empresa encontrase em dificuldades financeiras, porem efetuou um parcelamento..." assim que o mesmo se tornou possível e anexa "extrato dos pagamentos dos 03 parcelamentos que mantém em dia". Temse que o Ato Declaratório excluiu a empresa do Simples Nacional em função de débitos deste regime de tributação, com exigibilidade não suspensa. A exclusão no caso presente, se firma pelo disposto no inciso V do art. 17 da LC 123/2006, que assim dispõe: “Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Conforme os termos do ADE, a recorrente poderia tornar sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica fossem pagos no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência, o que ocorreu em 30/09/2010. Analisando os documentos citados, às efls. 25/27, observase apenas pedidos de parcelamentos, em 01/10/2012 e em 26/03/2014 e tela de emissão de DARF junto à PGFN, para vencimento em 31/04/2014, com os dados da dívida perante o órgão. Não obstante já ter ocorrida a preclusão quanto aos débitos, já que a manifestante não discutiu os débitos na manifestação de inconformidade, o fato é que não assiste razão à recorrente. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10865.003145/201026 Acórdão n.º 1001000.764 S1C0T1 Fl. 36 4 Considerando que a recorrente não tomou as medidas cabíveis para a suspensão ou pagamento dos débitos no prazo estipulada, e que o documento apresentado não faz prova ao contrário, não há que se falar em reforma da decisão recorrida, estando escorreita a sua exclusão do Simples Nacional. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37169.005647/2002-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA.
Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS.
"Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." (Súmula CARF nº 76)
Numero da decisão: 2202-004.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." (Súmula CARF nº 76)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
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APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 9. 00 56 47 /2 00 2- 95 Fl. 2399DF CARF MF 2 "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." (Súmula CARF nº 76) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Resolução nº 2301000.165 de 01 de dezembro de 2011 (fls. 2340/2343) Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD nº 35.246.5204, referente às contribuições devidas à Seguridade Social do período de 01/1999 a 12/2001, parte empresa, relativa às seguintes contribuições ao SAT e às terceiras entidades Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. O lançamento foi realizado em face da empresa LULI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e imputada responsabilidade solidária às empresas KACEL FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA e PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA. A fiscalização entendeu que os segurados empregados das empresas Blumenau Fio Têxtil, Fios Blumenau Ltda, Estamparia e Tinturaria OM Têxtil, Tecelagem e Embalagens Salto Ltda e Timbó Industrial Fios Ltda, na verdade, prestavam serviço para as empresas JC Industrial Têxtil Ltda e Luli Indústria e Comércio de Confecções Ltda, uma vez que: a) A evolução da receita, do patrimônio, do ativo permanente e de empregados das empresas JC Industrial e LULI, demonstram que houve o esvaziamento da empresa JC e o crescimento da empresa LULI, indicando que, atualmente, a JC não tem mais Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 37169.005647/200295 Acórdão n.º 2202004.699 S2C2T2 Fl. 2.400 3 empregados, somente os sócios e seu faturamento é proveniente apenas de comercialização de mercadorias e aluguel de máquinas; b) Com o esvaziamento da empresa JC, em 1999, a família Cordeiro passou a desconcentrar a produção industrial, constituindo as empresas Tecelagem e Embalagem Salto Ltda e Tinturaria e Estamparia OM Têxtil Ltda. Com isso, por intermédio da LULI, passou a ter empregados apenas nos seguintes departamentos: Adminsitração (7 empregados), Embalagem (32), Expedição (11), Transporte (3), Segurança (4) Recursos Humanos (1), Vendas (2), Loja (4) e Diretoria (2). c) Em abril de 1997 já havia sido adquirida a empresa Timbó Industrial de Fios Ltda, que atua na área de fiação de acrílico e também, no final de 1998, houve a constituição das empresas Blumenau Fio Têxtil Ltda e Fios Blumenau Ltda, ambas atuando na área de algodão. d) As empresas Timbó Industrial de Fios Ltda, Blumenau Fio Têxtil Ltda, Fios Blumenau Ltda, OM Têxtil e Salto são optantes do SIMPLES desde a sua constituição e que detém juntas, aproximadamente, 900 empregados ao passo que a LULI (não optante) possui apenas 80. e) O controle administrativofinanceiro e a produção das empresas Timbó Industrial de Fios Ltda, Blumenau Fio Têxtil Ltda, Fios Blumenau Ltda, OM Têxtil e Salto é inteiramente realizado a partir da LULI. f) As empresas Blumenau Fio Têxtil Ltda, Fios Blumenau estavam localizadas no mesmo endereço . A empresa LULI paga para a empresa CIA HERING um aluguel de R$ 33.539,37 referente aos imóveis ocupados pelas empresas e recebe destas a importância de R$ 2.295,00 e R$ 1.721,00 (agosto de 2001). g) A empresa Estamparia e Tinturaria OM Têxtil possui endereço contínuo ao da LULI e da Tecelagem e Embalagem Salto. Tem por sócios Maurício Luciano Buse empregado, na época, da Fios Blumenau e ex empregado da JC. Além disso, sempre teve em seu quadro societário ou a filha de Jair e Luzia Cordeiro ou empregados de uma das empresas controladas pela família Cordeiro. h) A empresa Tecelagem e Embalagens Salto Ltda foi constituída por Osmarina Aparecida Machado, empregada, na época da JC no cargo de cozinheira e Isanir Knott irmã de Jair Cordeiro. Na mesma data de alteração do contrato da OM Têxtil a SALTO também muda com a saída de Osmarina Aparecida , passando a sóciogerente Rogério Machado sóciocotista da Participação de Investimentos INA. i) a empresa LULI controla os departamentos pessoais das demais empresas mantendo, inclusive, o controle e o pagamento de despesas com lanches e refeições dos empregados das demais empresas. j) a LULI contabiliza valores a título de despesas com manutenção de máquinas e equipamentos. Todavia, a manutenção ocorre nas máquinas e equipamentos das demais empresas; Fl. 2401DF CARF MF 4 l) não existe contabilização de despesas a título de energia elétrica na contabilidade das empresas Blumenau Fio e Fios Blumenau e, na análise do Controle de Caixa da LULI fica evidente que ela paga a energia elétrica das empresas SALTO e OM Têxtil. Em decorrência dos fatos relatados a fiscalização entendeu que os empregados e sócios formais das empresas empresas Blumenau Fio Têxtil, Fios Blumenau Ltda, Estamparia e Tinturaria OM Têxtil, Tecelagem e Embalagens Salto Ltda e Timbó Industrial Fios Ltda atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da empresa LULI LTDA, conforme o disposto no art. 3º da CLT e no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n.º 8.212/91: Pessoalidade; NãoEventualidade; Subordinação e Onerosidade; Além disso, a fiscalização considerou que as empresas LULI Indústria e comércio de confecções ltda, Participações investimentos INA Ltda e KACEL Factoring Fomento Mercantil Ltda configuram um Grupo Econômico, uma vez que, de acordo com os elementos colhidos na ação fiscal, a administração do Grupo Cordeiro é exercida, principalmente, por JAIR CORDEIRO e sua filha KATIUSCIA RAFAELA CORDEIRO. A impugnante (LULI) e os sujeitos passivos solidários (Participações e Investimentos INA Ltda E KACEL Factoring Fomento Mercantil Ltda) foram notificadas dos Autos de Infração e apresentaram suas respectivas impugnações alegando, resumidamente, o seguinte: a) Preliminares a.1) Incapacidade dos agentes fiscais, uma vez que o exame dos documentos contábeis e declarações pertinentes às contribuições previdenciárias é privativo de profissional contador legalmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade; a.2) Qualificação inadequada da infração, uma vez que não foram indicados de forma específica os dispositivos legais o que acarreta o cerceamento de defesa. a.3) Extrapolação do prazo para fiscalizar, uma vez que a LULI tomou conhecimento do início dos trabalhos fiscais em 11/2001 e a ciência da lavratura da notificação aconteceu em 02/05/2002 e que o trabalho fiscal não poderia ultrapassar o prazo de 60 dias. a.4) Lançamento fiscal lavrado foram do estabelecimento do notificado, uma vez que a NFLD deveria ter sido lavrada no próprio estabelecimento das respectivas empresas. a.5) Incompetência da Previdência Social Para Reconhecer Vínculo Empregatício, pois somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. b) Mérito b.1) Inexistência de Grupo Econômico de Fato e Solidariedade Tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 37169.005647/200295 Acórdão n.º 2202004.699 S2C2T2 Fl. 2.401 5 b.2) Impossibilidade do INSS fiscalizar/descaracterizar empresas optantes do SIMPLES, uma vez que a competência de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação de impostos e contribuições é da Receita Federal do Brasil e não do INSS. b.3) Inexistência de sucessão empresarial e de filiais, uma vez a fiscalização do INSS não demonstrou que as empresas JC e LULI tenham adquiridos bens de outras ou mesmo fundo de comércio. Alegou também que as cinco empresas mencionadas não são filiais da empresa LULI. b.4) Inconstitucionalidade das contribuções ao INCRA, SEBRAE e SAT. b.5) Inaplicabilidade da taxa SELIC. Após apresentação das impugnações os autos foram baixados em diligência para que a fiscalização se manifestasse em relação à matéria de fato, dizendo ainda, de forma fundamentada e conclusiva, se os argumentos das impugnações tinham força jurídica capaz de diminuir ou extinguir os valores das competências lançadas, ou se essas permaneciam inalteradas. Em atendimento à diligência solicitada, a fiscalização concluiu que os contribuintes em questão não apresentavam matéria nova suficiente para alterar a constituição do crédito previdenciário constante do lançamento, nem qualquer documento que comprove o pagamento do crédito levantado. Após analisar as impugnações e a diligência, a Gerência Executiva da Previdência julgou procedente o lançamento (ff. 1.429 e 1.453). Inconformada com a decisão, as recorrentes apresentaram recursos voluntários, uma vez que a seção de fiscalização não encaminhou os pronunciamentos fiscais às recorrentes e não abriu novo prazo para defesa. O então Segundo Conselho de Contribuintes julgou a decisão recorrida nula, por entender que ocorreu preterição ao direito de defesa das recorrentes, em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressaltando que a Receita Federal do Brasil deve cientificar o sujeito passivo da decisão, de todas as diligências e de seus respectivos resultados, reabrindo novo prazo para a defesa tomar as providências que entender devidas. Após serem cientificadas da decisão, às recorrentes se manifestaram reiterando todos os aspectos materiais e formais já suscitados no curso do processo. A autoridade administrativa baixou os autos em diligência para que a unidade de origem encaminhasse cópia da informação fiscal e do despacho ao contribuinte e às responsáveis solidárias para, querendo, se manifestassem. Após o cumprimento da diligência foi proferida a decisão recorrida, ementada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO COMO CONTADOR. Auditor Fiscal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilidade profissional de contador. Fl. 2403DF CARF MF 6 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. FUNDAMENTOS LEGAIS. NULIDADE AUSENTE. Não implica em nulidade a constituição do crédito previdenciário cujos fundamentos legais do débito estão minuciosamente demonstrados no FLD – Fundamentos Legais do Débito e Fundamentos Legais das Rubricas, sob forma detalhada, bastando simples verificação. LANÇAMENTO FISCAL FORA DO ESTABELECIMENTO DO NOTIFICADO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. É legítima a lavratura fiscal mediante Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, tanto no estabelecimento do sujeito passivo, quanto fora dele, e não enseja nulidade do procedimento fiscal. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. VERDADEIRO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades fiscais são competentes para efetuar o correto enquadramento do segundo na qualidade de empregado. Constatado que o vínculo empregatício formalmente estabelecido dissociasse do verdadeiro sujeito passivo, é legítima a atuação fiscal que restabelece a realidade dos fatos, com o consequente lançamento tributário no correto contribuinte. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. REPRESENTAÇÃO ADMINISTRATIVA. Constatada infração à Lei do Simples, compete a autoridade fiscal do Instituto Nacional do Seguro Social, representar administrativamente à Secretaria da Receita Federal para providências cabíveis. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 SOLIDARIEDADE. CONTRIBUIÇÕES ÀS TERCEIRAS ENTIDADES Inexiste responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para as terceiras entidades ou fundos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 37169.005647/200295 Acórdão n.º 2202004.699 S2C2T2 Fl. 2.402 7 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência que se mostra desnecessária ao julgamento do feito, cuja apreciação está fartamente historiada e com suprida com as provas necessárias ao deslinde autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificadas (AR´s fls. 2131, 2132 e 2133) a contribuinte (LULI) e as responsáveis solidárias (KACEL e Participações INA), apresentaram os recursos voluntários (fls. 2134/2198, 2200/2267 e 2269/2337) nos quais reiteram as razões já suscitadas quando da Impugnação. É o Relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. Conforme se verifica pelo Relatório fiscal, o lançamento centrase em 2 questões: a) Existência da denominada "pejotização" (contratação de empregado por meio de pessoas jurídicas para reduzir os custos previdenciários e trabalhistas) d) Responsabilidade solidária das Empresas INA Participações e KACEL Factoring Fomento Mercantil Ltda em função da caracterização de grupo econômico. 1) PRELIMINARES 1.1) Erro na identificação do sujeito passivo. A preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista a ausência do procedimento de desconsideração das pessoas jurídicas por meio das quais foi efetuada a pejotização se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. 1.2) Incompetência da Previdência Social para reconhecer vínculo empregatício. Fl. 2405DF CARF MF 8 Alega o Recorrente que somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. Antes de mais nada é importante registrar que, conforme previsto da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, alegações de inconstitucionalidade da legislação previdenciária não podem ser conhecidas. A competência para que a fiscalização reconheça o vínculo laboral vem expressamente prevista no artigo 229, §2º do Regulamento da Previdência Social que assim dispõe: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já se manifestou, diversas vezes, quanto a possibilidade de reconhecimento de vínculo laborar pela fiscalização para efeito de cobrança das contribuições previdenciárias PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços.Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821∕RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086∕PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). (grifamos) Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 37169.005647/200295 Acórdão n.º 2202004.699 S2C2T2 Fl. 2.403 9 Improcedente, portanto, a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO Alega a Recorrente a inexistência de grupo econômico de fato e solidariedade tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, não possuem direção única e não há interesse comum. Improcedentes as alegações das Recorrentes. Como corretamente mencionado pela decisão recorrida, a solidariedade, no caso dos autos, não decorre do interesse comum exigido para solidariedade de fato prevista no artigo 124, I do CTN, mas da solidariedade jurídica prevista no artigo 124, II. Com efeito, o artigo 30, inciso IX, da Lei n 8.212/91 prevê a responsabilidade do grupo econômico em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, nestes termos: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; No entanto, conforme se constata, a lei não definiu o que seria grupo econômico. Se limitou a prever que o grupo econômico “de qualquer natureza” estaria submetido à responsabilidade solidária. A complementação do comando legal foi feita pela Instrução Normativa RFB 971/2009 que, em seu art. 494, dispôs: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. No entanto, é importante ressaltar que o STJ tem admitido a aplicação do art. 30, inciso IX, da Lei n 8.212/91, mesmo sem que esteja legalmente explicitada a definição de grupo econômico. É o que se extrai do acórdão proferido no Recurso Especial n 1.144.844SC, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C∕C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212∕91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 2407DF CARF MF 10 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. (...) 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sócio gerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas∕embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c∕c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212∕91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. (...) 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (grifos no original) A Recorrente tinha alegado, como fundamento do seu recurso, a contrariedade aos artigos 265 da Lei n 6.404/76, artigo 2º, § 2º, da CLT e artigo 124 do CTN. Isso porque, para formação de grupo de atividade econômica, é necessário que uma ou mais empresas, cada uma com sua personalidade jurídica própria, estejam sob a direção, controle ou administração da outra. Diante dessa premissa, as constatações no sentido de que as recorrentes compartilham instalações, funcionários e veículos, ou que realizam empréstimos sem a cobrança de juros e ajustam a cessão gratuita de bens, “não são características apontadas pelo art. 30, IX, da Lei nº 8.212∕91, art. 2º, § 2º, da CLT e art. 265 da Lei 6.404∕76, como indicadores da existência de um grupo econômico, pois em hipótese alguma, tais situações substituem o requisito legal que é o de uma empresa estar sob a administração ou controle direto de outra. Em seu voto, o Ministro Relator Mauro Campbell destacou que, no caso em questão, a norma que fundamenta a solidariedade é o artigo 124, II do CTN . Sendo assim, não se aplica a jurisprudência da Corte no sentido de que é indispensável a prova do interesse comum, tendo em vista que esta locução “interesse comum” é oriunda do inciso I do art. 124 do CTN. Logo em seguida conclui que; “Desta forma, neste caso, à luz do art. 124, inc. II, do CTN e do art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212∕91, basta aferir se, a partir do contexto fático Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 37169.005647/200295 Acórdão n.º 2202004.699 S2C2T2 Fl. 2.404 11 probatório dos autos, há elementos suficientes para caracterizar a existência de "empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza", para, em caso positivo, concluir pela existência da solidariedade. O extenso conjunto probatório trazido pela fiscalização e os fatos narrados nas fls. 2116 à 2219 da decisão recorrida (numeração eprocesso) deixam clara a presença dos requisitos mencionados pelo Superior Tribunal de Justiça para caracterização do grupo econômico. 2.2) DA INEXISTÊNCIA DE SUCESSÃO EMPRESARIAL E DE FILIAIS A Recorrente discorre, extensamente, sobre a inexistência de sucessão empresarial e de filiais no caso dos autos. No entanto, como bem observa a decisão recorrida apesar da menção feita pelo Relatório Fiscal à norma do artigo 133 do CTN, não houve a responsabilização de nenhuma empresa em decorrência de sucessão tributária. Da mesma forma, incorretas as afirmações da Recorrente de que o trabalho fiscal teria considerado as empresas Timbó Industrial de Fios Ltda, Blumenal Fio Têxtil Ltda, Fios Blumenal Ltda, Tecelagem e Embalagem SALTO Ltda, e Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda, nada mais seriam do que filiais da empresa LULI. Como bem observa a decisão recorrida: Conforme discorrido no início do presente voto, na parte de tratou da atribuição do vínculo empregatício dos trabalhadores das cinco empresas citadas, para o verdadeiro sujeito passivo da relação a empresa LULI, historiado no item 7 do Relatório Fiscal, com efeito, os fatos mostram que esta empresa detinha todo o controle daquelas, que, a par de suas existências jurídicas formais, aquela detinha todo controle administrativo, financeiro, de produção e de pessoal etc, já mencionados em linhas tranlatas (sic) deste voto. Frisese, que não trata aqui de desconsideração da personalidade jurídica daquelas cinco empresas, mas sim, consoante disposto no art. 142 do CTN, buscar o crédito tributário do verdadeiro sujeito passivo, ainda que travestido formalmente de relação diversa, como já manifestado na parte inicial do presente voto. Improcedentes, portanto, as alegações do Recorrente. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 2409DF CARF MF 12 Fl. 2410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.724498/2016-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2012, 2013
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS.
Apuradas receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei.
JUROS DE MORA. SELIC.
A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS.
São pessoalmente responsáveis os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.
A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
Numero da decisão: 1201-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2012, 2013 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012, 2013 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 98 /2 01 6- 90 Fl. 1892DF CARF MF 2 A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1466.022 da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1.792 a 1.813), com a complementação necessária em seguida: Contra a empresa epigrafada foi lavrado auto de infração, que se prestou a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2012 e 2013, em razão da constatação de omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Foram apuradas as seguintes infrações: a) receitas tributadas indevidamente pelo Simples Nacional; e b) saída de produtos sem lançamento do IPI – Falta de emissão de Notas fiscais.Foram exigidos os seguintes valores: Foi exigido o IPI no valor de R$ 2.165.818,69, juros de mora de R$ 837.858,55, multa proporcional de R$ 1.624.363,96 e multa isolada de R$ 37.482,31. O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Segundo informa a fiscalização, o procedimento contra a contribuinte acima identificada teve início em 02/12/2015, com a solicitação dos seguintes elementos: 1. Atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores; 2. Livros Diários devidamente escriturados, registrados na Junta Comercial do Paraná e seus respectivos Livros Razão; 3. Livros Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos da legislação tributária que rege o Simples Nacional; 4. Extratos Bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes/poupança/investimento); 5. Livros Registro de Apuração do ICMS; 6. Livros Registro de Saídas e Livros Registro de Entradas; 7. Livros Registro de Prestação de Serviços; 8. GIAs ICMS; 9. Contrato Social e todas as alterações posteriores; 10. Relação individualizada de todos os bens do Ativo Permanente da empresa, incluindo Veículos, devidamente assinada pelo (a) representante legal da empresa e acompanhada de toda a documentação pertinente; 11. Cópia legível de todos os contratos de qualquer natureza celebrados com terceiros; 12. Outros elementos que se fizerem necessários poderão ser solicitados no transcorrer do procedimento fiscal. Fl. 1894DF CARF MF 4 Relata o fisco que foram obtidos da Junta Comercial do Paraná os atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores (até a décima quarta alteração e consolidação do contrato social). A fiscalização informa ainda o que segue: Em 17/12/2015, a contribuinte solicita dilação de prazo de 90 dias, sendolhe concedido o prazo de 30 dias. Em fevereiro de 2016, diante da inércia da contribuinte, foram expedidas RMF solicitando sua movimentação financeira nos anoscalendário de 2013 e 2014. Em 18/02/2016, foi enviado TIF à contribuinte e ao sócio administrador Miguel Frazão Silva Filho, solicitando os mesmos documentos já especificados no Termo de Início, com exceção dos extratos bancários. A contribuinte e o sócio administrador apenas solicitam prorrogação de prazo para atendimento às intimações. Foi emitido novo TIF endereçado à fiscalizada, solicitando a comprovação da efetiva integralização por parte do sócio Miguel Frazão Silva Filho do valor de R$ 100.000,00, quando da transformação, em 05/02/2016, da empresa Matrix Fitness Aparelhos para Ginástica Ltda – ME na Empresa individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI. Em resposta, informou que por lapso e desconhecimento, na alteração contratual, constou incorretamente como integralizado o capital social de R$ 20.000,00, quando o contrato de transferência estabelece um prazo longo para pagamento, dada a situação econômica da empresa. Aclair Pupim foi intimado para comprovar e prestar informações sobre os lançamentos efetuados na conta bancária 093892, agência 6946, Banco Itaú, de titularidade de Solange Roel Pereira e movimentada por Nilton Carlos Dalálio, tendo como beneficiária Matrix Fitness Aparelhos Para Ginástica Ltda. e como autorizante Aclair Pupim. Em resposta, Aclair informou que na época, “Sr. Nilton trabalhava conosco e nos emprestou várias folhas de cheques para serem descontadas junto aos Bancos, bem como permitiu que descontássemos duplicatas em nome da esposa para resolvermos momentaneamente problemas de crédito que a empresa enfrentava. À época, precisamos mudar de endereço duas vezes e ficou sob sua responsabilidade todos os pagamentos dos serviços autônomos, como pedreiros e materiais de construção em pequenos volumes. Os valores eram acertados no caixa que, infelizmente não enviou boa parte deles para o escritório. Tentamos com o mesmo parceirizar fabricação de equipamentos, ajudandoo na compra de materiais. O negócio não prosperou e ficou devendo para a empresa o valor de R$ 136.000,00(cento e trinta e seis mil reais), num acerto de contas que procedemos. Este valor, acredito, não conseguiu liquidar. Quanto ao meu nome constar como autorizante, entendemos que o banco deixou de proceder, internamente, o registro da alteração contratual...” Em 07.03.2016 o Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM é intimado, como diligenciado, pelo TIF nº 01A/00020/2016 a: “1) Comprovação com documentação hábil e idônea (DOC, TED, TRANSFERÊNCIA, DEPÓSITO, DEPÓSITO IDENTIFICADO, ORDEM DE PAGAMENTO, etc.) do efetivo recebimento pela venda em 17 de junho de 2015 da empresa MATRIX FITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA – ME 08.678.196/000180, conforme 14ª Alteração e Consolidação de Contrato Social, registrado na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DO PARANÁ sob nº 20154779148 em 10 de Julho de 2015. Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 4 5 Foi expedida intimação para a contribuinte apresentar cópia, frente e verso, de todos os cheques relacionados nas planilhas elaboradas pelo fisco, relativamente ao Banco do Brasil, Itaú e Sicoob. Reiterouse a apresentação dos livros Diário/Razão, devidamente registrados na Junta comercial do Paraná, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013. A contribuinte foi intimada (TIF nº 04/2016) a comprovar individualizadamente a origem dos créditos bancários questionados pelo fisco e a apresentar (TIF nº 05/2016) a classificação na TIPI e a identificação pelo nome comercial de todos os produtos fabricados por ela. Em 27/09/2016, foram apresentados os livros Diário/Razão, com a informação de que “com as várias mudanças de prédio efetuadas, boa parte dos documentos devem ter sido extraviados”. Pela análise dos elementos trazidos aos autos pelos intimados ACLAIR PUPIM, MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO e AUGUSTO DUARTE PUPIM, efetivamente a empresa MATRIX nunca saiu do controle da família PUPIM, pois as intimações tinham como fulcro fundamental a demonstração de maneira cristalina da ocorrência ou não da transferência das cotas para o Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que figura como adquirente da participação societária. Em nenhum momento essa transferência foi demonstrada e tudo o que se trouxe a lume foi a INOCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO aqui tratada. O Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, também intimado sobre os fatos, nada trouxe aos autos que demonstrasse que efetivamente adquiriu a MATRIX, apenas tergiversou sobre o assunto, não trazendo nenhuma prova efetiva. Mesmo procedimento foi adotado por AUGUSTO DUARTE PUPIM, que também nada demonstrou sobre a efetiva alienação da sua participação societária vinculada à fiscalizada. Os recursos carreados para a conta 093892, agencia 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I TIF n° 02 A/00021/2016 (recebido em 02.03.2016 AR e respondido em 29.03.2016), onde os documentos (em torno de duzentos) obtidos, demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava e comanda a MATRIX de "fato" e de maneira destacada as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o seu cérebro, a cabeça pensante da empresa. Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que o Sr. ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta um exame adicional nas cópias dos mais de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração (fls. 1365/1366), datada de 07/07/2012 (com validade até setembro de 2013), em que a MATRIX constitui seu bastante procurador ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente Fl. 1896DF CARF MF 6 todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... “ Concluiu a fiscalização que, a MATRIX FITNESS, sempre pertenceu à PUPIM, nas pessoas de ACLAIR PUPIM e seu filho AUGUSTO DUARTE PUPIM e jamais ao Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que inclusive chega em momentos de sua vida laboral, segundo relatos, a prestar serviços como motorista à própria fiscalizada, como afirmam funcionários da MATRIX, que por medo de sofrerem represálias, não se identificam, mas afirmam conhecer o Sr. MIGUEL FRAZÃO, como uma pessoa que tem ou tinha a profissão de motorista, e destacamos que é uma profissão respeitável, valorosa, dignificante e altamente importante no desenvolvimento do nosso País, na circulação, principalmente, de riquezas e de bens, mas não é de empresário a identificação profissional, a ocupação laborativa do Sr. MIGUEL FRAZÃO. Não efetivação da EIRELLI: Os elementos contábeis finalmente apresentados demonstram de maneira inequívoca que o capital social da fiscalizada é de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), conforme BALANÇO PATRIMONIAL (PRIMEIRO TRIMESTRE 2016), datado de 31.03.2016, no Capital Social o Capital Subscrito importa no valor de R$ 20.000,00, consoante Livro Diário n° 0008, contrariando resposta ao TIF n° 02/2016. Portanto, está devidamente comprovado, que a fiscalizada mantém o seu capital social no montante de R$ 20.000,00, valor inferior à integralização de no mínimo, 100(cem) vezes o valor do maior saláriomínimo vigente no país (art. 980 A, do Código Civil), para que os benefícios da Lei n° 12.441/2011, supracitada, pudesse alcançar a MATRIX, ora sob procedimento fiscalizatório. Mesmo diante das intimações, em nenhum momento, os intimados demonstraram a efetiva transformação da MATRIX numa EIRELI, tudo o que se obteve foram tergiversações, falácias, que formam um todo com uma destinação cabal, inexorável: A MATRIX não é uma EIRELI. Embora o documento protocolizado em 02.02.2016 (Registrado em 05.02.2016 sob o n° 20160590116) na Junta Comercial do Paraná JCP informasse na sua cláusula segunda, que o capital da empresa que era de R$ 20.000,00 passaria a ser de R$ 100.000,00, totalmente integralizado em moeda corrente nacional, efetivamente não ocorreu, foi uma manobra adredemente preparada para dar aparência de legalidade, tentando assim se beneficiarem indevidamente (os sócios) do que consta na Lei n° 12.441, de 11 de Julho de 2011, do instituto EIRELI EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Omissão de receitas: Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência tributária, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Foram considerados como base de cálculo os depósitos de origem não comprovada, decomposta em (1) Receita Declarada Indevidamente ao Simples Nacional, a partir de outubro de 2012 e (2) omissão de receitas: Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 1898DF CARF MF 8 A partir de outubro de 2012, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo nº 37, de 07/11/2016 constante à fl. 19, por infração aos arts. 28, 29, I, 30, II, IV, § 1º, inciso IV, “a”, 31, V, “a”, da Lei Complementar nº 123, de 2006, e aos arts. 73, II, “a1”, 75, I, 76, I, da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Destaquese que a contribuinte é uma indústria que dá saída a produtos de sua própria fabricação. Assim, a omissão de receita foi tributada também pelo IPI à alíquota de 20% (NCM 9506.91.00 – artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo), a partir da exclusão do Simples Nacional. Ressaltese que os valores mensais devidos do IPI são resultantes da aplicação da alíquota (20%) sobre as SAÍDAS (fato gerador) individuais, consolidadas mensalmente, após concessão como CRÉDITOS DO IPI da somatória dos (1) valores recolhidos a título de IPI pelo SIMPLES NACIONAL e dos (2) créditos do imposto (IPI) sobre os insumos, conforme Notas Fiscais de Entrada, apresentadas pela fiscalizada em decorrência da auditoria, conforme DEMONSTRATIVO VALORES DOS CRÉDITOS DE IPI, conf. NF ENTRADA e Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 6 9 DEMONSTRATIVO VALORES DO CRÉDITO DO IPI – FATOS GERADORES DOS ANOS CALENDÁRIOS 2012 E 2013, anexas ao processo. Responsabilidade solidária: Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta, a título de exemplo, um exame adicional nas cópias de cerca de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração em que a MATRIX constitui seu bastante procurador o SR ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... " Os recursos carreados para a conta 093892, agência 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I (integra o TIF n° 02 A/00021/2006, recepcionado em 07.03.2016), onde os documentos demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava de "fato" as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o cérebro, a cabeça pensante da empresa. Portanto, a responsabilidade solidária está inequivocamente comprovada no que foi até aqui expendido, assim como o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, pois as evidências são robustas de que há por parte do Sr. ACLAIR PUPIM a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante disciplinamento contido nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Em nenhum momento os intimados demonstram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser realmente o adquirente da empresa MATRIX FIITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA ME. Como consequência dos fatos relatados, foram protocolados os seguintes processos: Fl. 1900DF CARF MF 10 Sendo notificada da exclusão do Simples Nacional e da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.1419 a 1452, na qual alega: ● Nulidade do auto de infração. Quebra do Sigilo Bancário. Afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal (CF). A presente autuação fiscal foi efetuada com base na quebra de sigilo bancário do contribuinte, sem que tenha havido uma determinação judicial para tanto, em evidente abuso de poder por parte da Receita Federal e violação de nossa Carta Magna. Por essa razão também o ADE nº 37, de 2016, deve ser declarado nulo. ● Nulidade decorrente da solicitação de extratos. Na data de 02/12/2015, por meio do TDPFF n. 0910500.2015.002279, o Auditor intimou a empresa a apresentar os extratos bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes / poupança / investimentos). É entendimento padrão em todas as esferas judiciais que essa solicitação só pode ser realizada por autoridade judicial competente. O Auditor da Receita Federal do Brasil não possui competência para requerer essa diligência. Conforme jurisprudência citada no capítulo anterior, para quebrar o sigilo bancário do contribuinte é necessário uma ordem emanada do Poder Judiciário. ● Princípio da Verdade Material. O Auditor Fiscal da Receita Federal considerou que as movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da empresa impugnante eram indícios de faturamento. Com isso, realizou o lançamento tributário caracterizando como faturamento da empresa todas as movimentações bancárias feitas nas suas contas. Ocorre que não houve, por parte do Auditor responsável pela fiscalização, uma detalhada verificação se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. É cediço que o processo administrativo fiscal deve sempre buscar a verdade material dos fatos. Devido ao potencial danoso que uma sanção acarreta, a Receita Federal do Brasil não deve se ater a indícios para penalizar determinado contribuinte. A Receita Federal do Brasil ao permitir que uma empresa seja autuada com base em indícios e sem a devida e rigorosa atividade fiscalizatória age em afronta aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, afirma que serão nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa. ● Do erro da construção do lançamento. Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 7 11 Os valores creditados nas contas bancárias da empresa foram considerados pelo Auditor da Receita Federal do Brasil como tributável. Todavia, ao efetuar o lançamento do imposto, o mesmo não observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000/99, pois não foi respeitado o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração. ● Da Exclusão do Simples Nacional. Efeitos Retroativos. Afronta aos Princípios da Irretroatividade da Lei e da Garantia do Direito Adquirido. Os efeitos da exclusão não pode ter como início a data de outubro de 2012, sob risco de configurar afronta à garantia constitucional da irretroatividade da lei, bem como ofensa a direito adquirido (CF art. 5º, XXXVI e XL). A exclusão com efeito retroativo fere o direito adquirido uma vez que a empresa operou regularmente todo o ano de 2011 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. O presente caso não trata de nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo surtir efeitos retroativos. Além disso, não há provas contundentes da omissão de receita, pois a autoridade fiscal se baseou apenas em extratos bancários, ou seja, em meros indícios, os quais não provam que a empresa extrapolou o faturamento permitido para as optantes do Simples Nacional, portanto, a empresa atuava regularmente. Dessa forma, não há que cobrar no presente qualquer valor ou diferença na sistemática do Simples Nacional, do Lucro Presumido ou contribuições sociais. Isto posto, verificase que o Ato Declaratório deve ser declarado nulo, pois os efeitos retroativos da exclusão estão em desacordo como disposto na CF e no CTN. ● Presunção de Omissão de Receita baseada em extratos bancários. Ilegitimidade – Súmula 182 do TRF. Nos termos da presente Autuação, o Agente fiscal, após a análise das movimentações das contas correntes da empresa, obtidas de forma ilegal por meio de violação do sigilo bancário, alega que nos anos calendários de 2012 e 2013, os valores declarados na DASN (Declaração Anual do Simples Nacional), eram inferiores aos valores movimentados nas instituições financeiras em que a autuada possuía contas correntes. O fiscal tomou os depósitos e transferências como receita omitida. Contudo, os depósitos não são e na verdade nunca foram indicativos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. A simples movimentação bancária do contribuinte, a despeito de ser indicativo do aporte de valores, não reflete, necessariamente, a existência de acréscimo patrimonial ou de faturamento a justificar a tributação. Ora, no próprio Auto foi narrado que "constatouse que as movimentações financeiras eram muito superiores às receitas declaradas". Portanto, os autos foram constituídos unicamente pela análise das contas correntes da empresa, sem que haja comprovação de que estes valores representam acréscimo patrimonial ou faturamento de fato. Portanto, é imprescindível a comprovação pelo fisco da utilização desses valores depositados como renda consumida ou faturamento, que não pode ter como único fundamento a existência de depósitos bancários (extratos bancários). Dessa Fl. 1902DF CARF MF 12 forma, cabe ao fisco o ônus probatório da infração, conforme súmula 182 do Tribunal de Recursos Fiscais. Cumpre ressaltar, ainda, que, mesmo após a edição da Lei n° 9.430/96, a qual permite o arbitramento do Imposto de Renda com base em depósitos bancários, se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, a Súmula 182 do TRF ainda terá aplicação. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça também já se manifestou nesse sentido, ao proferir julgamento no Resp. 238356/CE. ● Das Operações Financeiras. Muitos dos valores a que a Receita Federal atribui como receita são apenas transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa. Isso nada mais é do que um mecanismo utilizado pelas empresas para cobrir saldos negativos de determinada conta bancária, com vistas a manter o equilíbrio entre as contas da empresa e evitar o pagamento de juros no caso de saldos negativos. Durante o processo fiscalizatório, deveria ter sido realizada uma vasta e detalhada análise dos valores creditados nas contas da empresa, pois ao considerar empréstimos bancários e transferências entre contas de mesma titularidade como receita provenientes de vendas omitidas, a Receita Federal; provocou enormes danos ao contribuinte. ● Da exclusão dos valores pagos. Caso subsista a presente autuação, requerse que sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação as contribuições já recolhidas pela empresa referente ao ano calendário de 2012 e 2013, quando a empresa estava enquadrada no SIMPLES Nacional. Do contrário, sem a exclusão dos valores já pagos, estarseá diante de um bis idem, ou seja, haverá a tributação por mais de uma vez da empresa sobre o mesmo fato gerador, o que configura afronta a ordem pública e enriquecimento ilícito por parte do Fisco, e, portanto, não pode ser admitido. ● Da Multa Confiscatória. No presente caso, foi aplicada multa de oficio no valor de 75 % (setenta e cinco por cento) do valor do débito tributario. Inobstante a empresa ter sido autuada sem a observância do princípio da verdade material, e com base apenas em indícios, foilhe ainda aplicada uma multa totalmente confiscatória. Desse modo, requer seja a multa de ofício readequada ao patamar não superior a 10%. ● Da Prova Pericial. O Auditor Fiscal não pode considerar como receita de uma empresa qualquer movimentação que passe pelas contas bancárias da mesma, sem antes realizar uma atividade fiscalizatória extremamente rigorosa para apurar a origem de tais valores. O Decreto n° 70.235/72 em seu artigo 16, IV, dispõe que a impugnação mencionará as perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que a justifiquem. Na presente peça está evidenciado o motivo da necessidade dessa modalidade de prova: provar que a empresa foi excluída do SIMPLES NACIONAL com base em indícios que nada mais são do que movimentação financeira entre contas da mesma empresa e não são, como afirmou o Auditor Fiscal, receitas. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 8 13 Somente com a realização desse meio de prova será possível determinar qual a real origem dos créditos lançados nas referidas contas. Conforme dispõe o art. 16, IV do Decreto n 70.235/72, o perito indicado é: Nome: Anderson Wagner Jacomini Endereço: Rua Neo Alves Martins, n° 2.398, Zona 01, Maringá PR, 87013060. Qualificação Profissional: Contador CRC 043782/08PR ● Ilegalidade da Taxa Selic. É ilegal a utilização da taxa SELIC como taxa de juros de mora para débitos tributários, porquanto sua composição foi criada para regular situações referentes à política monetária nacional, e não servir de fator de recomposição da moeda. Ademais, não é correto o entendimento de que tal taxa foi instituída por lei e que sua utilização se dá com fulcro no artigo 161 do CTN. Ora, a lei ordinária não criou a taxa SELIC, mas tão somente estabeleceu seu uso, o que contraria o ordenamento jurídico, pois este só autorizou juros diversos se a lei estatuir em contrário. Ademais, o fato de estar prevista em lei não significa que pode a mesma ser aplicada a qualquer tempo, lugar e situação, como a do caso em tela. Isso porque é fator de correção utilizado em mercado de capitais, onde estão embutidos em seu bojo outros custos que não representam somente a remuneração do capital através da correção monetária. Na composição da SELIC, além da correção monetária, são computados fatores como risco, corretagem e custo de outros serviços referentes às operações financeiras. Ademais, importante observar que o parágrafo 1o do art. 161 do CTN preceitua que os juros serão de 1% se a lei não dispuser de modo diverso, e sendo a SELIC criada para outra finalidade que não a do caso em tela, não pode ser utilizada, devendo prevalecer o disposto no parágrafo retro mencionado. Destacando o valor cobrado a título de Taxa SELIC. Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso. ● Do Arrolamento de Bens e Direitos. O Termo de Arrolamento de Bens encontrase eivado de inconstitucionalidade e de ilegalidade. A partir do ano de 2007, o Supremo Tribunal Federal e, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, passaram a entender que tal exigência é inconstitucional. No STF essa matéria encontrase pacificada e já foi motivo de Repercussão Geral, ou seja é entendimento consolidado. Essa matéria é inclusive alvo de Súmula Vinculante: STF SÚMULA VINCULANTE N° 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. No mesmo sentido a CSRF: NORMAS PROCESSUAIS ARROLAMENTO DE BENS Na ADIN n° 1976, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens para admissibilidade de recurso aos Conselhos de Fl. 1904DF CARF MF 14 Contribuintes prevista no artigo 33, §2°, do Decreto n° 70.235/72. Tal exigência de arrolamento foi posteriormente revogada pelo art. 19, inciso I, da Medida Provisória 413/08 e o Ato Declaratório Interpretativo n° 16/07 autorizou as unidades da Receita Federal a declarar nulas as decisões que inadmitiram recursos voluntários de contribuintes por i falta do arrolamento. Aplicamse essas determinações aos processos pendentes de decisão, não havendo razão para i persistir com a negativa de conhecimento do recurso. Recurso especial provido. (Acórdão n° 01.05.948. Sessão i de 11 de agosto de 2008. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma.) ! ● Pedido. Preliminarmente, decretar a nulidade do presente auto de infração, com consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à fiscalizada, visto que a fiscalização que deu origem a presente autuação é nula, pois a quebra do sigilo bancário não foi determinada por ordem judicial, em afronta ao inciso XII, art. 5º da Constituição Federal, conforme item 3.1; 2) Não sendo esse o entendimento, que seja declarado nulo o auto de infração em epígrafe, bem como o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 37, em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade derivada da solicitação de extratos bancários feita à empresa impugnante constante no TDPFF n° 0910500.2015.002279; 3) Caso não seja acolhida a primeira preliminar, requer que sejam declarados nulos o presente Auto de Infração epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material, nos termos do item 3.3; 4) Caso não sejam acolhidas nenhuma das duas preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, por violar o artigo 288 do Decreto 3.000/99, consoante exposto no item 3.4; 5) Caso não sejam acolhidas nenhuma das três preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo de n° 37 de 07 de novembro de 2016, considerando a ilegalidade dos efeitos retroativos do referido ato, pois os mesmos configuram afronta as garantias da irretroatividade da lei e do direito adquirido dispostos nos incisos XXXVI e XL, do art. 5º da Constituição Federal e art. 106 do Código Tributário Nacional, que torna insubsistente a presente cobrança devidas pelo desenquadramento da empresa do Simples Nacional, nos termos do item 3.5; 6) No mérito, declarar insubsistente o Auto de Infração lavrado, com o consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à Impugnante, dado que a presunção de omissão de receita se deu apenas com base na análise dos extratos bancários da empresa, os quais, por si só, não comprovam a omissão de receita, conforme exposto no item 4.1; 7) Caso não seja esse o entendimento, respeitandose o princípio da eventualidade, requer seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte, com base no exposto no item 4.2; 8) Requer sejam as multas readequadas ao patamar não superior a 10% (dez por cento), respeitando o princípio do nãoconfisco, conforme exposto no item 4.4; 9) Requer seja admitida a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial, nos termos do item 4.5; 10) Caso subsista a presente autuação, o que não se espera diante de todas as ilegalidade e irregularidades já expostas, requerse, que ao menos, sejam excluídas Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 9 15 dos valores cobrados na presente autuação os impostos já recolhidos pela empresa referente aos anos calendário de 2012 e 2013, nos termos do item 4.6; 11) Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso; 12) Requer seja declarado nulo o TAB Termo de Arrolamento de Bens n° 10950.724.540/201672; Aclair Pupim, ao qual foi atribuída responsabilidade solidária ingressou com impugnação, apresentando as mesmas alegações anteriormente descritas e argumentando, quanto à responsabilidade, o que segue: O fiscal afirma que Aclair Pupim seria o real sócio da empresa Matrix, tendo plenos poderes para conduzila, justificando este entendimento com base em relatos de terceiros, cópias de cheques e procurações. ! O fisco se baseou mais em conjecturas do que na situação de fato, ante a inexistência de prova documental a amparar todas as alegações. No que se refere aos cheques e ao fato de seu nome constar como autorizante da Matrix, resta comprovado que o "Banco deixou de proceder, internamente, o registro da alteração contratual", conforme já alegado pelo próprio Aclair Pupim, de forma que este não pode ser visto como sócio de uma empresa por um erro alheio. No que tange à procuração outorgada para o Sr. Aclair Pupim, não deve ser considerada como indício de prova, eis que, comumente, pessoas jurídicas concedem procurações para pessoas terceiros, autoriza outra a agir em nome da empresa, não podendo, tal fato, ser interpretado como forma de encobrir os verdadeiros empresários. Por fim, quanto às alegações de que o Autuado era conhecido por todos como dono da fiscalizada, talvez o argumento mais falho usado na presente autuação, verificamos uma vez mais afirmações generalizadas, baseadas em suposições, já que o fato de algumas pessoas imaginar que o Sr. Adair seria o proprietário da empresa Matrix, não o torna sócio de fato da mesma. O simples inadimplemento tributário não permite a responsabilização pessoal dos sócios pelos débitos contraídos pela empresa, sob pena de se desconsiderar a distinção de personalidades jurídicas entre sócio e sociedade, proposta pelo direito empresarial, frente ao direito tributário. Nesse sentido, o auto de infração, capaz de suscitar a aplicação dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN, deve demonstrar que o administrador praticou atos de gestão com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto. Mesmo que o Autuado fosse sócio de fato da Empresa Matrix (o que admitese apenas a título de argumentação), nunca tendo deixado essa condição, não restou caracterizada a prática de Fl. 1906DF CARF MF 16 qualquer infração de sua parte, considerando que o mero inadimplemento tributário é insuficiente. Dessa forma, considerando que o Sr. Fiscal não mencionou, especificamente, quais foram os atos cometidos pelo Autuado ora considerados como excesso de poder, ônus este que lhe competia, eis que cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN, requer seja julgado nulo o presente auto de infração, principalmente no que se refere à responsabilidade solidária do Autuado Aclair Pupim. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 10 17 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Nos recursos voluntários são repisados os mesmos argumentos da impugnação, apenas sendo acrescentados mais dois pedidos, quais sejam: a) "em respeito ao princípio de segurança jurídica, requerse que seja o julgamento do presente processo suspenso até a decisão definitiva do auto de infração nº 10950724.498/201609"; b) "caso não seja acolhida a preliminar acima, sucessivamente, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, requer que seja sobrestado o presente recurso até a decisão definitiva do RE 601.314". A preliminar referida é a nulidade do auto de infração por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, devem ser conhecidos. Preâmbulo. Por primeiro, cumpre salientar que o presente processo versa sobre exigência de IPI, em razão da constatação de falta de lançamento do imposto caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada por meio de presunção legal de omissão de receitas constatada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, verificada por meio da ação fiscal referente ao Simples Nacional. Os lançamentos são relativos ao período de outubro de 2012 a dezembro de 2013, após o desenquadramento da contribuinte do Simples Nacional, período concomitante com o do processo relativo ao lançamento do IRPJ e reflexos. Fl. 1908DF CARF MF 18 Os fundamentos dos recursos voluntários são os mesmos trazidos na manifestação de inconformidade, com exceção dos dois pedidos adicionais conforme salientado no relatório. Em face disso, os pedidos veiculados somente no recurso voluntário serão analisados separadamente, em primeiro lugar, adotandose os fundamentos da decisão de primeira instância como razões de decidir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF, quanto às demais matérias, com exceção da responsabilidade tributária. Sobrestamento deste processo até decisão definitiva quanto ao auto de infração objeto do nº 10950.724498/201609. No que tange a esse pedido, verificase que houve um equívoco da recorrente. Não existe um processo de número 10950.724498/201609. Este tem o número 10950.724498/201690 (apuração do IPI, de outubro de 2012 a dezembro de 2013, em face de omissão de receitas). Existe ainda o processo nº 10950.724496/201609 que é relativo a autos de infração de IRPJ, obtido pela sistemática do Lucro Presumido, e dos reflexos (CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) dos períodos de apuração de outubro de 2012 em diante, decorrentes da exclusão da contribuinte do Simples Nacional. Não se nota, pois, nenhuma relação de prejudicialidade entre eles. Pelo contrário, os lançamentos controlados em ambos os processos têm o mesmo fundamento e incidem sobre o mesmo período. A relação, na realidade, é que, não havendo motivos específicos (como se pode ver nos documentos acostados a ambos os autos), a decisão neste deverá seguir os mesmas diretrizes observadas naquele. Denegase, pois, o pedido. Sobrestamento até a decisão definitiva quanto ao RE 601.314. Ocorre que a decisão definitiva quanto ao Recurso Extraordinário em questão, sob o regime de Repercussão Geral, deuse em fevereiro de 2016, entendendo o E. Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, conforme ementa abaixo transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o auto governo coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 11 19 Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do auto governo coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 15/09/2016 e Publicado em 16/09/2016). Assim, não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em tela neste Conselho, em face do art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Demais matérias suscitadas. Sigilo Bancário. Alega a contribuinte que o lançamento é nulo, pois houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Cabe esclarecer que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal (CF), em seu art. 145, §1º, no Código Tributário Nacional (CTN), art. 197, II, bem assim na Lei Complementar (LC) nº 105, de 2001, na Lei nº 10.174, de 2001, e no Decreto nº 3.724, de 2001. Ademais, o Plenário do STF concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam os dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta Fl. 1910DF CARF MF 20 em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Destacouse no julgamento que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Inclusive, naquela oportunidade foi julgado o mérito do RE 601.314, considerado paradigma da repercussão geral envolvendo o tema (Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Dessa forma, não tendo sido declarados inconstitucionais pelo STF, sob o rito da repercussão geral, os respectivos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizam a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando tal lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis. Acrescentese que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte autorizou a Receita Federal a intimar as instituições financeiras a apresentarem cópias legíveis, frente e verso de todos os cheques relacionados pelo autuante, não existindo qualquer quebra ilegal do sigilo bancário. Diante do exposto, deve ser rejeitada essa alegação. Com relação ao assunto, já havia sido abordado supra quando da análise relativa ao sobrestamento do processo até o julgamento do RE 601.314. Tributação com base em Depósito Bancários. Com relação à omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos bancários, dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O dispositivo legal acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 12 21 tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 373, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes e a contribuinte não o fez. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem dos depósitos tributados na autuação. Na impugnação, a contribuinte apenas solicita que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas. Entretanto, não anexa ao processo qualquer comprovação dos alegados empréstimos e não aponta nenhum crédito bancário tributado no auto de infração que se refira a transferências entre contas de mesma titularidade. Dessa forma, não há como alterar o lançamento tributário. Devese esclarecer que a súmula 182 do TRF (rectius TFR) é anterior à citada Lei 9.430, de 1996, a partir da qual não há mais que se comprovar evidências de sinais exteriores de riqueza, pois a própria lei determina, nesses casos, que os valores depositados constituem receita. Não estão sendo tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal. Os depósitos são o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. Tendo sido caracterizada a omissão de receitas cuja origem não foi comprovada, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, nos termos do art. 522, caput e § 2º, do RIR, de 2010, é inafastável a exigência do IPI por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Relativamente ao pedido de que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas, também no Recurso Voluntário não foram apresentadas provas do alegado. Erro no lançamento. Quanto à alegação de que houve erro na construção do lançamento, uma vez que não foi respeitado o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração, temse que a contribuinte foi excluída da sistemática do Simples a partir de 01/10/2012 e, por essa razão, sujeitouse, a partir dessa data, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 32 da LC nº 123, de 2006. Verificase que a tributação da omissão de receitas relativa ao período anterior à exclusão seguiu a sistemática do Simples Nacional adotado pela contribuinte. Fl. 1912DF CARF MF 22 Assim, é improcedente essa alegação. Valores Pagos. A contribuinte solicita que sejam excluídos dos valores cobrados na presente autuação os impostos já recolhidos pela empresa referente aos anos calendário de 2012 e 2013. Observase nos autos de infração que já foram deduzidos no cálculo dos tributos os valores pagos pela sistemática do Simples, conforme se vê às fls. 1612 e 1613. Inconstitucionalidade. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, os protestos da impugnante não se prestam para pautar a decisão deste colegiado, que tem sua atividade completamente vinculada à legislação vigente que rege a matéria objeto do procedimento fiscal impugnado. Isto porque não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese. Toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Esta questão, ademais, encontrase agora expressamente disciplinada em lei ordinária, conforme prescrito no art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009, que inseriu o art. 26A no Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 25. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 13 23 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Não se enquadrando a matéria impugnada em qualquer das exceções prescritas no § 6º, recémtranscrito, não há como afastar a exigência combatida a pretexto de alegada inconstitucionalidade da norma em que a fundamentou. Assim sendo, resta à impugnante levar suas considerações ao Poder Judiciário, que detém o “monopólio” da análise de alegadas ilegalidades e/ou inconstitucionalidades do direito positivado. Enfim, os óbices por ela apontados, neste ponto, são impertinentes à seara administrativa. Quanto à solicitação de redução da multa ao patamar de 10%, é incabível, pois não se trata de multa de mora, mas multa decorrente de lançamento de ofício, cujos percentuais não são arbitrados pela autoridade administrativa. Decorrem de expressa previsão legal, no caso, a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), que é clara ao fixar o percentual da multa de ofício. Taxa Selic. A impugnante contestou a utilização da taxa Selic como juros. Como anteriormente esclarecido, não cabe à autoridade administrativa deixar de aplicar o direito positivado a pretexto de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades na sua gênese. Neste caso, a aplicação da taxa Selic como juros moratórios tem fulcro no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, destaquese a existência de súmulas do Carf, tanto a respeito da impossibilidade de apreciação de constitucionalidade de leis tributárias, quanto sobre a regular incidência dos juros de mora, cobrados com base na variação da Taxa Selic, conforme abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Juntada Posterior de Provas. O pedido para juntada posterior de provas não pode ser deferido, porque a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterou o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, mediante a inclusão do § 4º, que diz: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 1914DF CARF MF 24 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses acima transcritas, não se pode acatar a solicitação de apresentação posterior de documentação. Ademais, como já apontado acima, junto com o Recurso Voluntário não veio nenhum documento ou qualquer outro elemento de prova. Perícia. Quanto ao pedido de perícia, o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da empresa, uma vez que não indicou os quesitos a serem respondidos. Ademais, a perícia é dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que se trata de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Arrolamento de Bens. Convém registrar que o presente litígio não pode abranger o arrolamento de bens, pois, além de se tratar de matéria estranha ao presente processo, vinculase a ato da autoridade lançadora, fundamentado na Lei nº 9.532, de 1997, que não integra a competência dessa Delegacia de Julgamento em sua atribuição relativa ao contencioso administrativo. Da mesma forma, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a matéria. O entendimento está sedimentado no âmbito deste colegiado. Abaixo, ementa de julgado recente desta Turma, da relatoria do i. Cons. Rafael Gasparello Lima, nesse sentido: ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. (Acórdão nº 1201002.079 Sessão de 12 de março de 2018). Responsabilidade tributária. Conforme pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal, em especial nas fls. 1.680 a 1.683, houve a atribuição da responsabilidade solidária nos termos dos artigos 124, I, e 135, III, ambos do CTN. Na decisão de piso ficou assim registrado: Consta no processo que a fiscalização imputou responsabilidade solidária a Aclair Pupim nos seguintes termos: ...Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que o Sr. ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10950.724498/201690 Acórdão n.º 1201002.504 S1C2T1 Fl. 14 25 deixou essa condição, basta, a título de exemplo, um exame adicional nas cópias de cerca de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAU, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração em que a MATRIX constitui seu bastante procurador o SR ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... Citada procuração atribuiu a Aclair Pupim poderes gerais e ilimitados para gerir e administrar a empresa, sendo acostado aos autos cópias de mais de 100 cheques obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e SICOOB, que comprovam que citada pessoa, anos calendário de 2012 e 2013, movimentava as contas bancárias da contribuinte. E mais, ficou comprovado no processo que Aclair Pupim efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição. Não foram apresentadas provas da efetiva transferência das quotas da Matrix para Miguel Frazão Silva Filho que figura como adquirente da participação societária. Em nenhum momento os intimados demonstraram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser realmente o adquirente da empresa MATRIX FITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA – ME. Diante dessas constatações, restou configurado o interesse direto do administrador, Aclair Pupim, na atividade da empresa pela concessão a ele de poderes para gerir por completo o sujeito passivo autuado, do qual é administrador de fato. Por esse motivo, foi o impugnante incluído no polo passivo da obrigação tributária. Nessa decisão, restou mantida a responsabilidade pelos dois enquadramentos: artigos 124, I, e 135, III, ambos do CTN. Nos presentes autos ficou demonstrado pelos elementos de prova produzidos pela fiscalização, que o Sr. Aclair Pupim teve interesse comum na omissão de receitas que Fl. 1916DF CARF MF 26 constituiu o crédito tributário em questão, não possuindo apenas interesse econômico, mas em face de ser efetivamente o administrador da empresa, incidindo o artigo 124, I, do CTN. Também, sendo o administrador de fato, incide o artigo 135, inciso III, desse mesmo diploma legal. Conclusão. Por todo o exposto, conheço dos recursos voluntários para, no mérito, NEGARLHES provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006144/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 61 44 /2 00 7- 61 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11516.006144/200761 Acórdão n.º 2402006.371 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11516.006144/200761 Acórdão n.º 2402006.371 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11516.006144/200761 Acórdão n.º 2402006.371 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727252/2011-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.727252/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.668 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente IONE DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2010, anocalendário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 72 52 /2 01 1- 71 Fl. 77DF CARF MF 2 de 2009, onde foram glosadas deduções de despesas médicas, no valor de R$ 23.016,00, e despesas com plano de previdência privada, no valor de R$ 2.540,26. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 65/66. Questiona apenas a glosa das despesas médicas, concordando com outros aspectos da impugnação. Em síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Informa que apresenta agora informações suficientes sobre as despesas médicas, suprindo eventuais falhas ou omissões constantes nos recibos. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Conforme relatado, a recorrente limita sua insurgência às glosas de despesas médicas. Temse, portanto, em relação a outras matérias tratadas no lançamento, a concordância, não podendo mais ser objeto de discussão na esfera administrativa. Nestes termos, a lide aqui posta cingese ao pedido da recorrente, no sentido de ver afastada a glosa sobre as despesas médicas declaradas. Analisando a documentação acostada pela contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das despesas médicas efetuadas. Os recibos juntados às folhas 68/69 possuem todos os requisitos formais necessários e atendem ao disposto na legislação de regência. Assim, as razões apontadas no lançamento e pela decisão de primeira instância foram supridas com os documentos trazidos com o recurso voluntário. Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções com despesas médicas, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 78DF CARF MF Processo nº 12448.727252/201171 Acórdão n.º 2001000.668 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 79DF CARF MF
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